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FICHA TÉCNICA

título Linhas, Revista da Universidade de Aveiro edição e propriedade Universidade de Aveiro direção Manuel António Assunção edição Margarida Isabel Almeida Rita Morais redação Serviços de Comunicação, Imagem e Relações Públicas: Constança Mendonça, João Afonso Correia, Liliana Oliveira e Pedro Farias design, fotografia e produção Serviços de Comunicação, Imagem e Relações Públicas: António Jorge Ferreira, Sofia Almeida e Vítor Teixeira

impressão Diário do Porto issn 1645-8923 depósito legal 312303/10 tiragem 5000 exemplares periodicidade duas edições/ano


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Manuel António Assunção Reitor da Universidade de Aveiro

Editorial A Universidade de Aveiro, como sabemos, é uma universidade com um pendor acentuado para as Ciências e Engenharias. Trata-se apenas de uma constatação, assente no contexto em que nascemos, na história do nosso desenvolvimento, no que foram as áreas que mais rapidamente se afirmaram e nos afirmaram; e corroborada, por exemplo, num indicador tão importante como é o número de doutoramentos atribuídos desde os primórdios da nossa existência. Tal não obsta a que tenhamos orgulho na nossa abrangência, que seja manifesta a enorme qualidade que conseguimos consolidar noutras áreas do conhecimento, que venha crescendo a atratividade e o reconhecimento de que somos alvo nesses outros domínios disciplinares. É bom que assim seja. Porque a procura de soluções para os desafios societais e para as grandes questões com que a humanidade se depara exige cada vez mais abordagens sistémicas: na saúde, na indústria, nos serviços e no próprio setor primário, na maneira como ordenamos as nossas cidades, em múltiplos aspetos da nossa vida coletiva. A perceção de que tem que ser assim não está, todavia, suficientemente enraizada na opinião pública, nem nos decisores políticos, nem sequer na comunidade académica. Precisamos de todas as disciplinas. Sem alguma delas não só a humanidade ficaria mais pobre, mas também quedaria o conhecimento científico amputado de saberes fundamentais para a resolução de muitos problemas que temos que enfrentar. É preciso, portanto, cuidar das Ciências Sociais, das Artes e das Humanidades. Elas são bases essenciais para a multidisciplinaridade com que estamos e queremos continuar a estar munidos; e são sementes determinantes no crescimento da nossa própria transversalidade e do cruzamento de saberes que tão bons frutos vêm propiciando à UA. Importa, ainda, referir a transcendência de tudo isto para a formação dos nossos estudantes. A par do que é central em cada curso, estamos hoje todos bem

cientes da importância crescente de outras competências no aumentar o leque de oportunidades de emprego e a flexibilidade dos percursos profissionais de quem formamos e educamos. Capacidade de pensamento crítico, sensibilidade para outras culturas, conhecimento do mundo para além da academia e competências comportamentais são, entre outras, aquisições que se vão revelar fundamentais pela vida fora. Para cada uma delas o papel das Artes, das Humanidades, das Ciências Sociais é relevantíssimo. Essa relevância pela vida fora tem incidência ao nível profissional mas não menos na qualidade de cidadãos, na dimensão pessoal de cada um. O cosmopolitismo e a mundivivência, como ideal de quem se considera cidadão do mundo e como atitude de quem está aberto a outros hábitos e culturas, são traços de personalidade cada vez mais preciosos. Ser influenciado positivamente pelo que vem de fora, ter mundo, ser capaz de se pôr no lugar do outro são características pessoais que a cidadania exige. A preocupação por dotarmos os nossos estudantes com essas virtualidades, de lhes permitirmos a apropriação das competências mais sobressalientes para o desenvolvimento pessoal desejado é algo que tem que fazer crescentemente parte dos nossos desígnios. Quiçá, é do mais importante que poderemos fazer na nossa missão de universidade: em prol de pessoas com mais oportunidades e com maior capacidade de fazer escolhas informadas e emocionalmente equilibradas; a favor, consequentemente, de um mundo melhor. Razão, dimensão social, emoção são facetas indispensáveis na vida de cada indivíduo. Por isso, decidimos que o 44.° Aniversário enfatizasse essa componente da emoção; e daí advém o mote para um Campus que Sente que será o pano de fundo da sessão comemorativa do 15 de dezembro. Teremos que continuar a ser um Campus que Pensa. Contudo, não deveremos olvidar que fomos sempre e não poderemos deixar nunca de ser um Campus que Sente.


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dezembro 2017

LINHAS #028 14 DISTINÇÕES 19 ESPAÇO AAAUA 06 OPINIÃO

10 PERCURSO SINGULAR Olga Roriz AAUAv a caminho dos 40: lembra-se dos seus dirigentes?

44 ENSINO

46 COOPERAÇÃO

Primeiros formados nos CTeSP da UA estão no mercado de trabalho

Creative Science Park inicia atividade no primeiro trimestre de 2018

20 PERCURSOS ANTIGOS ALUNOS Liliana Ferreira Antero Ferreira Rosa Nogueira

50 EDIÇÕES UA


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26 ENTREVISTA COM…

34 DOSSIER

40 INVESTIGAÇÃO

Manuel António Assunção – Reitor da Universidade de Aveiro

UA sem barreiras

IT: 25 anos a desbravar o futuro

51 Cultural

54 MOMENTOS UA

56 ACONTECEU NA UA…

Animais, anjos, sonhos e outras visões que enriquecem a alma do campus

Eventos passados de destaque


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dezembro 2017

Incêndios, Mundo Rural e Desafios Futuros

Carlos Fonseca Professor do Departamento de Biologia, investigador do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar, perito da Comissão Técnica Independente criada pela Assembleia da República

Dois mil e dezassete ficará marcado como um ano excecional em termos de incêndios rurais em Portugal. A ausência generalizada de uma real e verdadeira estratégia de ordenamento e gestão territorial de médio-longo prazo, a crescente desumanização do interior do país, associados às condições extremas de secura e a fenómenos meteorológicos atípicos que ocorreram, contribuíram para o extraordinário número de ignições, para as tremendas perdas de vidas humanas e de bens e para a maior área ardida num só ano alguma vez registada em Portugal, com os consequentes impactos ambientais, sociais e económicos que lhe estão associados. O que aconteceu neste ano serviu também para constatarmos que muito do que julgávamos saber sobre a gestão do território, a prevenção e o combate de incêndios rurais, a salvaguarda e segurança de bens e pessoas e a gestão de risco em situações extremas está desajustado, eventualmente desatualizado face à realidade do país. Estes acontecimentos expuseram muitas fragilidades e vulnerabilidades do sistema, do Mundo Rural, do país e deverão, acima de tudo, servir como a derradeira

oportunidade de aprendizagem para refletirmos e repensarmos o que queremos para o futuro do país, nomeadamente das suas regiões mais interiores e ditas de baixa densidade. A estatística demográfica nacional tem vindo a confirmar a gradual redução do número de residentes no interior do país, com consequências múltiplas, particularmente na ausência e abandono do território, numa maior tendência para usos dos solos com monoculturas não geridas, num maior número de aldeias esvaziadas de gente, de vida, aumentando as casas devolutas e as áreas de matos e de arvoredo espontâneo nos terrenos abandonados marginais e no interior dos aglomerados populacionais.


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Assim, o futuro do Mundo Rural português terá de passar prioritariamente pela melhoria de condições de vida que possibilite a fixação de pessoas no interior do país, sobretudo de jovens, a atração de capital humano e de investimento, ao qual deverá estar associada uma estratégia para o ordenamento e gestão da ruralidade nacional, tendo em vista a sua rentabilidade económica, social e ambiental. Os modelos de desenvolvimento rural, de gestão territorial, de coesão nacional e de valorização do interior do país têm vindo a ser desenvolvidos ao longo dos últimos anos havendo, contudo, uma (ainda) reduzida taxa de aplicação. Os instrumentos legais e financeiros existentes constituem um importante suporte devendo, todavia, ser

ajustados às diferentes realidades do interior do país. As estratégias deverão integrar: · a dinamização de atividades económicas que gerem empregos e uma maior ocupação do território, melhorando-se, simultaneamente, as condições de vida (educação, saúde, etc.) para quem vive, pretende fixar-se e viver no interior do país; · a implementação de usos agro silvo-pastoris do solo em redor dos aglomerados populacionais que possibilitem a obtenção de rentabilidades económicas e dinâmicas de comunidade em torno da produtividade, dos serviços dos ecossistemas e de outros setores relevantes como o turismo e a valorização de produtos endógenos;

opinião

· a sensibilização e educação das populações rurais sobre matérias relacionadas com a floresta, os usos do solo, o fogo, a autoproteção e de como reagir em situações de risco, salvaguardando a sua integridade física. Estes três caminhos são essenciais para a necessária mudança de comportamentos e mentalidades que permitirão, a médio-longo prazo e de uma forma gradual, a estruturação de um Mundo Rural mais equilibrado, atrativo e com maior qualidade de vida.


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dezembro 2017

O paradoxo da seca! PaĂ­s litoral em seca severa desde o Minho atĂŠ ao Algarve.


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Portugal, um dos países da Europa, onde mais chove (cerca de 2500mm na serra do Gerês), está em seca desde dezembro do ano passado. De seca ligeira, no princípio de 2017, a seca já estava bem presente em abril, e instalou-se em todo o território de Portugal Continental, em outubro, com tendência para piorar. Celeste Coelho Professora Catedrática Jubilada do Departamento de Ambiente e Ordenamento, investigadora do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar

Um olhar pelos campos da Beira Litoral transporta-nos para outras paragens, da planície alentejana, em pleno período estival. Os terrenos estão ressequidos, a erva não cresce, mesmo com o orvalho das noites frias outonais. Nos ribeiros e nos córregos não corre água, os poços e as charcas não têm água. Será já a antevisão do que se prevê para meados deste século? Pela sua posição geográfica, face aos sistemas e aparelhos atmosféricos, o clima de Portugal é caraterizado por uma estação seca de verão, que dura, em média, dois meses no Minho e vai crescendo até aos cinco meses no Algarve. Portugal é muito vulnerável à seca. Secas muito pronunciadas e desastrosas registaram-se nos anos 1943/1944, 1944/46, 1964/1965, 1975/1976, 1980/81, 1991/92, 1994/95 e 1998/99, tendo afetado principalmente o Alentejo, o Algarve, o Ribatejo, a Beira Alta e Trás-os-Montes. Desde a década de 90, do século passado, registaram-se secas mais frequentes e algumas muito severas a estenderem-se a todo o território (2000, 2003 – seca também em toda a Europa –, 2004/2006 e 2016/2017). As situações de seca constituem uma ocorrência natural associada essencialmente à falta de precipitação por períodos longos, com repercussões negativas sobre as atividades económicas, a saúde e o bem-estar das pessoas, e a vitalidade dos ecossistemas (por exemplo maior risco de incêndio). A seca é um

opinião

perigo assustador, porque ela não é repentina e facilmente percetível, como uma cheia ou uma onda de calor, ela evolui muito lentamente, silenciosamente, algumas vezes durante meses e é de longa duração. As secas muito severas, como resultado de perturbações no ciclo hidrológico, provocadas pelas alterações climáticas, poderão conduzir a impactos muito significativos, à escala regional. A seca é o desastre natural, à escala mundial, que afeta mais pessoas, e durante mais tempo. As secas não podem ser evitadas, porém os seus efeitos podem ser reduzidos através de uma gestão sustentável da água, pela adoção de boas práticas de uso e conservação do solo e da água, pelas boas práticas agrícolas e silvícolas, pela promoção do uso responsável da água em zonas urbanas e industriais. Donde planear para a seca é fundamental, urgente, mas difícil! Regra geral, os decisores políticos e o público em geral não possuem um entendimento completo acerca da seca. Pela sua natureza aleatória não tem sido dada prioridade ao planeamento, de longo prazo, para a seca. Foi criado recentemente o Plano de Prevenção, Monitorização e Contingência para Situações de Seca 21. Num ano de seca em todo o território, com temperaturas muito elevadas, grandes incêndios, com perdas de vidas humanas e de bens materiais e imateriais, é oportuno refletir sobre o "renovar, o reinventar do nosso território" para nos prepararmos para o futuro.


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dezembro 2017

Universidade atribui tĂ­tulo Doutor Honoris Causa a Olga Roriz


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percurso singular

Num aniversário em que o valor das emoções, indispensável na vida de cada indivíduo, assume grande destaque, a Universidade de Aveiro distingue uma figura eminente do mundo da dança e da arte, atribuindo o título Doutor Honoris Causa à talentosa bailarina e coreógrafa Olga Roriz.

A vida e obra de Olga Roriz granjeou um reconhecido mérito internacional, traduzido através de 40 anos de bailado, coreografia, direção artística, formação, com extensão às áreas do teatro, da ópera e do vídeo, de excecional valor.

e Companhia Nacional de Bailado (Portugal), Ballet Teatro Guaira (Brasil), Ballets de Monte Carlo (Mónaco), Ballet Nacional de Espanha, English National Ballet (Inglaterra), American Reportory Ballet (EUA), Maggio Danza e Alla Scala (Itália).

Natural de Viana do Castelo, Olga Roriz teve como formação artística na área da dança o curso da Escola de Dança do Teatro Nacional de S. Carlos, com Ana Ivanova, e o curso da Escola de Dança do Conservatório Nacional de Lisboa.

Internacionalmente os seus trabalhos foram apresentados nas principais capitais Europeias, assim como nos Estados Unidos da América, Brasil, Japão, Egito, Cabo Verde, Senegal, Tailândia.

De 1976 a 1992 integrou o elenco do Ballet Gulbenkian, sob a direção de Jorge Salavisa, onde foi primeira bailarina e coreógrafa principal. Em maio de 1992 assumiu a direção artística da Companhia de Dança de Lisboa. Em fevereiro de 1995 fundou a Companhia Olga Roriz, da qual é diretora e coreógrafa. Paralelamente às funções de direção da Companhia, onde tem a seu cargo funcionários, bailarinos, produção, gestão, residentes artísticos, desempenha as funções de diretora e formadora da FOR Dance Theatre, que envolve a contratação de outros formadores, a educação artística dos alunos, também assina várias das suas peças como responsável pelos Cenários e Figurinos, Textos, Seleção de Imagem e Seleção Musical. O seu reportório na área da dança, teatro e vídeo é constituído por mais de 90 obras, onde se destacam as peças "Treze Gestos de um Corpo", "Isolda", "Casta Diva", "Pedro e Inês", "Paraíso", "Nortada", "Electra", e "A Sagração da Primavera". Criou e remontou peças para um vasto número de companhias nacionais e estrangeiras, entre elas, o Ballet Gulbenkian

Tem trabalhado regularmente em ópera e teatro, colaborando com criação de movimento, com encenadores como João Perry, Ricardo Pais, Claude Lulé, João Lourenço, João Brites, Carlos Avilez, Sílvio Porcaretti, Adriano Luz e Manuel Coelho. Encenou e foi assistente de dramaturgia em peças como "Crimes Exemplares", de Max Aub, para o Teatro Plástico e a Ópera "Perséfona", de Igor Stravinsky, no Teatro Nacional de São Carlos. Realizou os filmes "Felicitações Madame", "A Sesta" e "Interiores". Várias das suas obras estão editadas em DVD pela produtora Real Ficção, realizadas por Rui Simões. Uma extensa biografia sobre a sua vida e obra foi editada em 2006 pela Assírio & Alvim, com texto de Mónica Guerreiro. Possui o Curso de Design de Interiores do IADE. Desde 1982, Olga Roriz tem vindo a ser distinguida com relevantes prémios nacionais e estrangeiros. Entre eles destacam-se o 1.º Prémio do Concurso de Dança de Osaka, Japão (1988), Prémio da melhor coreografia da Revista Londrina Time-Out (1993), Prémio Almada (2004), Condecoração com a insígnia da Ordem do

Infante D. Henrique – Grande Oficial pelo Presidente da República (2004), Grande Prémio da Sociedade Portuguesa de Autores e Milleniumbcp (2008), Prémio da Latinidade (2012), e distinção com o prémio "Mulheres mais Influentes de Portugal", edição de 2016, pela revista Executiva. No ano em que a UA comemora o seu 44.º Aniversário, a proposta de atribuição da mais elevada distinção académica a Olga Roriz partiu do próprio Reitor, Manuel António Assunção, e a seu convite foi subscrita, simbolicamente, pelos professores de dois campos distintos (as Ciências e as Humanidades) João Rocha e João Torrão, tendo sido aprovada em Conselho Científico por unanimidade. "Razão, dimensão social, emoção são facetas indispensáveis na vida de cada indivíduo. Por isso, decidimos que o 44.° Aniversário enfatizasse essa componente da emoção", explica o Reitor, acrescentando que o doutoramento Honoris Causa de Olga Roriz sublinha essa atenção para as emoções e para o sentir que importa não descurar. Para Manuel António Assunção, a Arte é uma fonte emocional por excelência. "Não ensinamos tudo mas precisamos, também, de enaltecer o que está fora do nosso âmbito de intervenção mais estrito. Porque é, igualmente, imprescindível à nossa vida em sociedade e enquanto comunidade académica. (…) Ao atribuir-lhe o grau Honoris Causa não só estaremos a cumprir um ato de enaltecimento ao talento, a todos os títulos justíssimo, como estaremos a associar à UA o prestígio e a reputação que o nome de Olga Roriz, impreterivelmente, acarreta. Algo que fazemos com a emoção, própria e profunda, de um Campus que Sente".


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dezembro 2017

AAUAv a caminho dos 40: lembra-se dos seus dirigentes?

1978

1985

JOSÉ CRUZ

MARGARIDA CALAFATE RIBEIRO

GERENTE DE UM GABINETE DE

INVESTIGADORA-COORDENADORA

CONSULTADORIA NA ÁREA DE

NO CENTRO DE ESTUDOS SOCIAIS

ENGENHARIA CIVIL E URBANISMO

(CES) DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA

1997/98/99

1986 MARIA LOPES

ÂNGELO FERREIRA ASSESSORIA PARA A

1987 ANTÓNIO FERREIRA

INTERNACIONALIZAÇÃO E COOPERAÇÃO DA REITORIA DA UA*

1988 LUÍS RIBEIRO 1989/90/91 PEDRO SOARES

Foram três mandatos plenos de

Tudo foi importante neste primeiro projeto

Creio que o nosso mandato ficou

que pretendia estruturar uma associação

marcado por uma boa relação com as

que defendesse e dignificasse os

várias partes da Universidade e uma

universitários e a nossa Universidade

grande capacidade de negociação,

de Aveiro. Contudo, a luta pela criação

que se traduziu na possibilidade de

de boas condições económicas ao

representação dos estudantes em vários

nível dos serviços sociais foi marcante,

órgãos. Recordo o muito que nesse

apoiando assim os estudantes com

tempo aprendi com muitos colegas e

precárias condições e que, à data,

com dois grandes professores e gestores

éramos bastantes. Foram celebrados

da UA: o Professor Renato Araújo,

Nosso"; aquisição do Solar Académico;

protocolos com diversas entidades para

que foi depois Reitor, e o Professor

Casa do Estudante (com a Reitoria); apoio

utilização de piscinas e outros serviços a

Fernandes Thomaz.

à independência de Timor, trazendo à

conquistas, assentes no imenso trabalho 1992 LUÍS DIAS

de equipa e projeto sólido. Recuperámos finanças e fomos a primeira associação

1993 MIGUEL SILVA

com contabilidade certificada. Partilho exemplos de grande simbolismo e

1994 LUÍS BATISTA

reconhecimento, nacional e internacional: posições responsáveis, inovadoras e

1995/96 ANTÓNIO M. FIÚZA

líderes; jornal UniverCidade; "Aveiro é

que os estudantes não tinham acesso,

UA o Prémio Nobel D. Ximenes Belo e

colocando assim os alunos à volta da

lançando com ele a campanha "Bolsas

Associação, que os defendia.

para Timor"; convite para falar nas Nações Unidas em Nova Iorque sobre Timor… 1984 MARIA ARMÉNIA

* Em gozo de bolsa FCT para conclusão de Doutoramento em Educação


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percurso singular

Numa altura em que a Associação Académica da Universidade de Aveiro (AAUAv) está prestes a comemorar o seu 40.º Aniversário, a Linhas foi à procura dos seus antigos presidentes e falou com José Cruz, Margarida Calafate, Ângelo Ferreira, Paulo Fontes, Rosa Nogueira, Tiago Alves e Henrique Cruz. Saiba o que fazem agora estes antigos dirigentes associativos e que grandes marcos destacam dos seus respetivos mandatos à frente da AAUAv. 2017 XAVIER VIEIRA

2000

2004/05

2010/11/12

2016

PAULO FONTES

ROSA NOGUEIRA

TIAGO ALVES

HENRIQUE CRUZ

TÉCNICO ESPECIALISTA NO GABINETE

COORDENADORA INSTITUCIONAL

ANALISTA DE RISCO DE MERCADO

A CONCLUIR O MESTRADO

DO SECRETÁRIO DE ESTADO DA

ERASMUS+ NA NORWEGIAN SCHOOL

INTEGRADO EM ENGENHARIA DE

JUVENTUDE E DO DESPORTO

OF ECONOMICS EM BERGEN

COMPUTADORES E TELEMÁTICA

Restringindo-me ao mandato em que

Foram várias as atividades e os eventos

Destacaria a proximidade e centralidade

Mostrámos que conseguimos fazer

fui presidente, destaco o trabalho de

relevantes que promovemos, mas

que a AAUAv voltou a assumir junto

mais com menos. Tivemos uma política

criação de relacionamento internacional

destaco o forte enfoque na reestruturação

dos estudantes. Fizemos com que a

de gestão financeira da casa que me

da AAUAv tendo sido dados os

administrativa e financeira de toda a

estrutura crescesse e se replicasse,

orgulha bastante, sem termos descurado

primeiros passos para a criação

estrutura no primeiro mandato, porque

com o aumento do número de núcleos.

aquilo que os estudantes esperavam da

do ramo estudantil do European

foi um importante contributo para todo o

Criámos uma nova imagem da AAUAv,

AAUAv.

Consortium of Innovative Universities

trabalho desenvolvido posteriormente nas

com um logotipo que identifica uma

(ECIU) e o lançamento do Fórum

várias áreas.

instituição una, coesa, moderna e com os olhos no futuro.

Académico para a Informação e Representação Externa (FAIRe) – uma plataforma nacional de representação estudantil que ainda hoje existe.

2003 JOSÉ RICARDO ALVES 2001/02 JOÃO GUSTAVO

2009 NEGESSE PINA 2006/07/08 LUÍS RICARDO FERREIRA

2014/15 ANDRÉ REIS 2013 TIAGO ALMEIDA


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dezembro 2017

Distinções

UA MANTÉM POSIÇÃO ENTRE AS MELHORES UNIVERSIDADES DO MUNDO Em 2017, a UA voltou a figurar entre as melhores universidades em vários rankings mundiais. A qualidade da educação e da formação, o prestígio dos membros das faculdades e a qualidade e impacto da sua investigação são alguns dos pontos fortes da UA que a colocaram entre as 600 mais importantes e prestigiadas instituições de ensino superior nos Rankings Universitários Mundiais (CWUR). Em abril, a UA surgiu pela sexta vez consecutiva entre as 100 melhores instituições de ensino superior com menos de 50 anos no ranking do Times Higher Education (THE), um dos mais importantes do mundo, tendo em conta critérios como o ensino, o alcance internacional, as receitas provenientes da indústria/empresas, a investigação e as citações em revistas científicas. Em agosto, a garantia da UA ser uma das 500 melhores universidades do mundo foi confirmada pelo Ranking de Xangai, outro dos mais conceituados e respeitados rankings universitários. Em setembro, o THE colocou a UA entre as 600 melhores universidades do planeta, num estudo que avaliou o desempenho de mil instituições provenientes de 77 países ao nível das suas principais missões – ensino, investigação, transferência de conhecimento e projeção internacional. O mesmo ranking avançou, ainda, em outubro, com uma lista que situa a UA entre as 400 melhores universidades mundiais na área da Engenharia e Tecnologia.

UA É EXCELENTE PELO SEGUNDO ANO CONSECUTIVO SEGUNDO O TRIPADVISOR

UA DISTINGUIDA COM MARCA ENTIDADE EMPREGADORA INCLUSIVA

MELHOR MUSEU PORTUGUÊS DE 2017 CONTOU COM A PARTICIPAÇÃO DA UA NA SUA CONCEÇÃO

A UA, na sua vertente de campus visitável, foi distinguida, pelo segundo ano consecutivo, com o certificado de excelência do TripAdvisor, conjunto de sites que compõem a maior comunidade de viagens do mundo. Este selo é atribuído a locais turísticos que oferecem serviço de alta qualidade, tendo em conta a qualidade, a quantidade e a atualidade das avaliações e opiniões enviadas pelos viajantes no TripAdvisor ao longo de um período de 12 meses, bem como uma propriedade e classificação da empresa no índice de popularidade no site.

A cultura organizacional de inclusão e responsabilidade social valeu à UA a atribuição da "Marca Entidade Empregadora Inclusiva 2017", uma distinção pública das entidades que reconhecem os seus trabalhadores como pessoas únicas na sua diversidade, destacando-se pelo seu envolvimento na promoção da empregabilidade e da não discriminação das pessoas com deficiência (ver mais na página 34 e seguintes).

O Museu do Dinheiro do Banco de Portugal foi distinguido, em junho, pela Associação Portuguesa de Museologia como o Melhor Museu Português em 2017. O museu foi desenvolvido por uma equipa pluridisciplinar liderada pelo docente da UA Francisco Providência, e que integrou, para além de colaboradores e de fornecedores do Banco de Portugal, vários outros docentes do Departamento de Comunicação e Arte da UA, nomeadamente Miguel Palmeiro (Design), Mário Vairinhos e Pedro Almeida (Ciências e Tecnologias da Comunicação).


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distinções

INVESTIGADOR DE QUÍMICA VENCE PRÉMIO NO "VII IBERIAN MEETING ON COLLOIDS AND INTERFACES"

MARA FREIRE ENTRE OS MAIS IMPORTANTES JOVENS CIENTISTAS DO MUNDO EM QUÍMICA SUSTENTÁVEL

EMPRESA ALEMÃ PREMEIA INVESTIGAÇÃO DA UA

Tiago Fernandes conquistou o prémio de melhor comunicação científica oral proferida por um jovem cientista no "VII Iberian Meeting on Colloids and Interfaces", com a comunicação "Versatile magnetic biohybrid nanosorbents for the removal of herbicides from water", produzida com a colaboração de Ana Luísa Silva, Sofia Soares e Tito Trindade, pertencentes ao Departamento de Química da UA e ao CICECO-Instituto de Materiais de Aveiro.

Depois de há quatro anos ter conquistado uma bolsa de 1,4 milhões de euros do Conselho Europeu de Investigação, Mara Freire, investigadora no CICECO-Instituto de Materiais de Aveiro, foi agora considerada uma dos 14 mais importantes cientistas emergentes do mundo dedicados à redução do impacto da atividade química no meio ambiente, pelo Green Chemistry, um dos mais destacados jornais científicos dedicados à Química Sustentável.

Sara Fateixa, Manon Wilhelm, Helena Nogueira e Tito Trindade, investigadores do Departamento de Química e do CICECO-Instituto de Materiais de Aveiro, conquistaram o 2017 WITec Silver Paper Award, um prémio que reconhece o trabalho científico de excelência da equipa da UA na caracterização de substratos de bionanocompósitos contendo nanopartículas de prata. O trabalho inédito, realizado com recurso a equipamentos WITec, alicerçou-se em técnicas de microscopia confocal de Raman.

DOCENTE DA UA CONQUISTA "PRÉMIO EDUARDO PRADO COELHO 2016"

ACADEMIA ASSUME RESPONSABILIDADES EM ORGANIZAÇÕES CIENTÍFICAS E TÉCNICAS

Elisabete Figueiredo, investigadora no Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território, foi eleita, pela segunda vez, membro da Comissão Executiva da European Society for Rural Sociology, em julho passado.

O livro "A Palavra Submersa. Silêncio e Produção de Sentido em Vergílio Ferreira" da autoria de Isabel Cristina Rodrigues, professora no Departamento de Línguas e Culturas da UA, foi o vencedor do "Grande Prémio de Ensaio Eduardo Prado Coelho 2016". Propõe uma interpretação da globalidade da obra de Vergílio Ferreira a partir do crivo analítico do silêncio, mostrando o modo como o valor comunicativo da "palavra submersa" (quer dizer, aquela que não é proferida e que, ainda assim, significa) se torna fundamental na composição temática e estrutural dos textos literários.

Teresa Carvalho, investigadora no mesmo departamento, foi eleita em agosto para a Comissão Executiva da European Sociological Association, uma organização científica europeia que congrega 37 redes de investigação. O investigador do Departamento de Biologia, Carlos Fonseca, foi um dos 12 membros da Comissão Técnica Independente que analisou e apurou os factos relativos aos incêndios que ocorreram em junho, em Pedrógão Grande e noutros concelhos da região centro.

Por convite da ministra da Presidência e Modernização Administrativa, o Pró-reitor da UA, Osvaldo Rocha Pacheco, integrou no início do ano o Conselho Consultivo do Conselho para as Tecnologias de Informação e Comunicação na Administração Pública. Em junho, Xavier Vieira, presidente da Associação Académica da UA, foi eleito para o Conselho Coordenador do Ensino Superior.


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dezembro 2017

INVESTIGADORA DO GEOBIOTEC RECEBEU "AWARD OF APPRECIATION" NO MEDGEO 2017

ANTIGA ALUNA CANTOU E ENCANTOU NO 19.º CONCURSO DE INTERPRETAÇÃO DO ESTORIL

ALUNA DE BIOQUÍMICA DISTINGUIDA COM "MELHOR COMUNICAÇÃO" EM SIMPÓSIO DE METABOLISMO

Carla Patinha, técnica superior do Departamento de Geociências e investigadora do GEOBIOTEC, recebeu um "Award of Appreciation" pelo reconhecimento do seu trabalho na International Medical Geology Association e pela Geologia Médica, durante o congresso MedGeo 2017, que se realizou em Moscovo, em agosto.

Filipa Portela, antiga aluna da Licenciatura de Música variante de Canto, foi a grande vencedora do 19.º Concurso de Interpretação do Estoril 2017. Para além de ter arrecadado o primeiro prémio, atribuído pelo júri, Filipa Portela também conseguiu o Prémio do Público, em ex aequo com Marina Pacheco. Autoria da foto: Catarina Miranda

O estudo "The impact of exercise training in adipose tissue remodeling and cardiac dysfunction associated with obesity", apresentado por Liliana Costa, aluna do Mestrado em Bioquímica da UA, em coautoria com investigadores da UA e da Universidade do Porto, foi distinguido com o prémio de "Melhor Comunicação Oral" no "9.º Simpósio de Metabolismo".

ESN AVEIRO CONSIDERADA A MELHOR SECÇÃO DA ERASMUS STUDENT NETWORK PORTUGAL DO ANO 2016/17

ALUNOS DA UA VENCEM "STUDENT COMPETITION SLERD 2017@UA"

FÁBRICA CENTRO CIÊNCIA VIVA DE AVEIRO PREMIADA EM VÁRIAS FRENTES

É uma espécie de mapa interativo e inteligente da UA que visa orientar e facilitar a vida a toda a comunidade académica, novos alunos e visitantes. A aplicação, desenvolvida por Eduardo Santos, Stephanie Garcia e Maria João Cunha, finalistas da Licenciatura em Novas Tecnologias da Comunicação, chama-se "Spire UA" e foi o projeto vencedor da "Student Competition SLERD 2017@UA". Na mesma competição, mas em segundo lugar, ficou o projeto "Electronics Learning Ecosystem (ELE)", da autoria dos alunos do Mestrado Integrado em Engenharia Eletrónica e Telecomunicações da UA André Gradim, Duarte Dias, Pedro Magalhães e Pedro Martins.

O filme "Deriva Litoral – O impacto da erosão Costeira em Portugal", realizado por Sofia Barata e coproduzido pela Fábrica Centro Ciência Viva e pela UA, foi distinguido, em junho, com o prémio "Documentário de longa metragem" naquela que foi a primeira edição do Paisagens – Festival Internacional de Cinema de Sever do Vouga. O documentário, com 75 minutos de duração, tem intenção de alertar e sensibilizar para o grave problema que assola o litoral português todos os invernos. A Fábrica recebeu, ainda, em outubro, dois prémios na XVIII edição do concurso internacional "Ciência en Acción", que decorreu em Ermua e Eibar, Espanha. A Fábrica participou com dois projetos em duas modalidades distintas. O projeto "Laboração Contínua" venceu o primeiro prémio ex aequo na modalidade "Trabalhos de Divulgação Científica. Imprensa, Rádio e Televisão". O projeto "Fazer e aprender: Física para todos!" foi premiado com uma Menção Honrosa na modalidade "Física e Sociedade".

Depois de no encontro anual da Erasmus Student Network, na Alemanha, ter conseguido um 2.º lugar na categoria "MovieStar" dos "STARawards", a Erasmus Student Network Aveiro (ESN Aveiro) foi distinguida, também, com seis dos 20 prémios "Lobos de Ouro" atribuídos às diferentes secções nacionais pela Direção Nacional da rede: melhor Secção da Erasmus Student Network Portugal 2016/2017, melhor membro da Comunidade de Presidentes, melhor membro da Comunidade de Tesoureiros, melhor vídeo, melhor campanha promocional e melhor evento nacional.


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distinções

"YOUNG INVESTIGATOR AWARD 2017" PREMEIA ESTUDANTE DE QUÍMICA

DOUTORANDA DA UA DISTINGUIDA NO LUXEMBURGO

ESTUDANTES PREMIADOS EM ESCOLA DA NATO

Eduarda Morais, aluna do Departamento de Química e bolseira do CICECO-Instituto de Materiais de Aveiro, foi premiada internacionalmente com o "Young Investigator Award 2017", durante a "5th EPNOE International Polysaccharide Conference" que decorreu na Alemanha, em agosto, com a comunicação oral "Deep eutectic solvents as efficient media for the extraction of hemicelluloses in Biorefinery processes", desenvolvida em coautoria com Mara Freire, Carmen Freire, João Coutinho e Armando Silvestre.

Tamiris Costa, doutoranda no Departamento de Ambiente e Ordenamento da UA, foi distinguida com o prémio "From PhD to apps", na conferência "Life Cycle Management 2017", que se realizou no Luxemburgo, em setembro. A distinção reconhece o elevado potencial do trabalho apresentado "Environmental impacts of biomass-to-energy conversion technologies: grate boilers and fluidized bed boilers", desenvolvido em co-autoria com os investigadores Paula Quinteiro, Luis Tarelho, Luís Arroja e Ana Cláudia Dias.

Bruno Melo e Susana Devesa, alunos do Programa Doutoral em Engenharia Física, conquistaram dois primeiros lugares na NATO ASI School que se realizou na Bulgária sobre o tema "Tecnologias Avançadas para Deteção e Defesa contra Agentes CBRN", com as comunicações "Phosphate based glasses with H+absortion potential" e "Iron concentration effect in the microwave dielectric properties of BiNbO4 ceramics".

TESE EM ENGENHARIA MECÂNICA DISTINGUIDA COM "PRÉMIO MÁRIO QUARTIN GRAÇA"

DESIGN DA UA SOBE PELA QUARTA VEZ AO PRIMEIRO LUGAR NO CONCURSO "CAP-CULTIVA O TEU FUTURO"

TESE DE DOUTORAMENTO DESENVOLVIDA NA UA VENCE "FRAUNHOFER PORTUGAL CHALLENGE 2017"

O antigo aluno da UA Fábio Fernandes foi um dos quatro vencedores da edição de 2017 do "Prémio Científico Mário Quartin Graça". A sua tese de doutoramento, realizada no Departamento de Engenharia Mecânica da UA, sobre "Análise Biomecânica de impactos com capacetes: novos materiais e geometrias", evidenciou-se na categoria de "Tecnologias e Ciências Naturais". Fábio Fernandes estudou o comportamento da cortiça, avaliando a sua aplicabilidade em equipamentos de segurança pessoal, especialmente capacetes.

Um produto concebido por alunos de Design da UA venceu, pela quarta vez consecutiva, o "Concurso Universitário da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) – Cultiva o teu Futuro". Ana Margarida Pinto, Joana Emídio e Rita Solá apresentaram-se com o "Barroz", um projeto de conceção de barras individuais de arroz prontas a cozinhar. A UA esteve, ainda, representada no grupo dos seis finalistas, com o projeto BITE-O, bolachas de aveia recheadas com frutos endógenos portugueses, da autoria de Diana Hernández, Ana Marques e Jéssica Tavares, alunas do Mestrado em Biotecnologia.

Com um projeto que pretende facilitar o desenvolvimento de aplicações interativas multimodais, multidispositivo, multiplataforma e multilingues, Nuno Almeida, bolseiro de pós-doutoramento no Instituto de Engenharia Eletrónica e Informática de Aveiro, venceu o "Fraunhofer Portugal Challenge 2017", na categoria "Doutoramento". A investigação agora premiada "Multimodal Interaction: Contributions to Simplify Application Development" promete levar a interação entre vários dispositivos, como smartphones, smartwatches ou eletrodomésticos inteligentes, para um novo nível.


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dezembro 2017

COMISSÃO EUROPEIA DIZ QUE LEARNING TO BE É EXEMPLAR

ESTUDANTES DA UA CONQUISTAM "ANGELINI UNIVERSITY AWARD"

POWER PHOENIX BATTERY TEAM NO TOP 3 NO "BFK IDEAS"

Chama-se Learning to Be, é um programa da UA que põe os estudantes a resolver problemas concretos das empresas e foi recentemente destacado pela Comissão Europeia como um dos 40 programas europeus que melhor fazem a ponte entre universidades e empresas. Da autoria de Ana Daniel e Mariana Pita, docentes do Departamento de Economia, Gestão, Engenharia Industrial e Turismo, o programa já envolveu cerca de 450 alunos e 20 empresas nas suas cinco edições.

O projeto "STAPHcombat: a multiapproach therapy" foi o grande vencedor da 8.ª edição do "Angelini University Award 2016/2017". Da autoria de Marta Estrela, Daniel Resende, Mariana Resende e Mariana Vaz, estudantes dos departamentos de Ciências Médicas e de Biologia da UA, o trabalho aposta no tratamento e prevenção das infeções difíceis e recorrentes do Pé Diabético.

A Power Phoenix Battery Team (PPBT), do Centro de Tecnologia Mecânica e Automação (TEMA), foi uma das três equipas vencedoras da edição deste ano do concurso "BfK IDEAS". A ideia foi desenvolvida por três investigadores do TEMA, Duncan Fagg, Tao Yang e Sergey Mikhalev, e é baseada numa bateria de estado sólido direcionada para um armazenamento em rede, de baixo custo, elevada densidade energética e segurança.

PROGRAMA DE ACELERAÇÃO NEWTON ATRIBUI 2.º LUGAR A PROJETO AVEIRENSE

INTERREG EUROPE LIDERADO PELA UA DESTACADO NA "EUROPEAN MOBILITY WEEK"

ALUNOS DE MÚSICA CONQUISTAM SEGUNDO LUGAR NO "CULTURXIS"

Quinze projetos foram apresentados na sessão final do "Programa de Aceleração NEWTON – New Tourism Opportunities Network", um programa de aceleração concebido para apoiar projetos de empreendedorismo na área do Turismo. De Aveiro estiveram presentes quatro projetos – Hello Aveiro, Nonna, Travel e Learning e Lancha Praia da Costa Nova, um Museu a Navegar!. O 1.º lugar foi atribuído ao projeto Once Upon a Trip, o 2.º ao Lancha Praia da Costa Nova, um Museu a Navegar!, o 3.º ao Aqui há Beira e o 4.º ao projeto Pedras Falantes.

O projeto INTERREG EUROPA CISMOB coordenado pelo Departamento de Engenharia Mecânica da UA foi destacado como "inspiring mobility action" na "European Mobility Week – best practice guide. Melhorar a aplicação das políticas regionais, nacionais e estratégias de mobilidade através do uso de novas tecnologias da comunicação e alcançar um entendimento completo sobre os diferentes impactes relacionados com o setor dos transportes são os objetivos prioritários do projeto CISMOB.

Duos de clarinete e acordeão e de piano e canto, constituídos pelos alunos da Licenciatura em Música da UA, Inês Arede/ Catarina Silva e Beatriz Maia/Gustavo Afonso, conquistaram ex aequo o segundo lugar no Concurso de "Música de Câmara CulturXis", parceria com o projeto 23 Milhas, que decorreu em Ílhavo, em junho. Ambos os duos foram premiados na categoria "Superior".

EURO4SCIENCE 2.0 CONVIDADO A PARTICIPAR NO "SCIENCE IS WONDER-FULL!"

O Euro4Science 2.0, projeto europeu coordenado pela UA, foi um dos projetos selecionados para ser apresentado no evento europeu "Science is Wonder-ful!", organizado pela Comissão Europeia, em setembro, em Bruxelas. Coordenado por Luís Souto, docente do Departamento de Biologia, o

projeto Euro4Science foi o primeiro classificado entre o grupo das primeiras candidaturas aprovadas ao abrigo do novo programa comunitário de apoio, o Horizonte 2020 (H2020), Erasmus +, Ação 2, "Cooperação para a Inovação, Educação Escolar" e teve a duração de dois anos (2014 -2016).


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espaço AAAUA

As redes de conhecimento

Carlos Pedro Ferreira Presidente da Associação de Antigos Alunos da Universidade de Aveiro (AAAUA)

A economia digital com os seus oito princípios – Espaço, Tempo, Qualidade, Relevância, Informação e Decisões Rápidas, Valor, Serviços e Crescimento – tem sido apregoada como o futuro dos futuros, o milagre dos milagres.

A ideia de que se faz bons alunos, boas empresas, universidades, projetos, eventos, etc., porque se faz muito alarde acerca disso, afirmando e gritando que somos os melhores não funciona a médio longo prazo; e mesmo a curto, tenho dúvidas.

Na verdade, não há milagres, mas há futuro. Os antigos alunos da UA são do melhor que há por aí e são-no porque a UA é das melhores universidades do mundo.

Os antigos alunos da UA têm potencial para serem produtos premium com ou sem um mundo digital. Alguns beneficiarão destas ferramentas, outros sairão prejudicados, mas no final o mundo descobrirá todos.

Coloca-se a questão "quem fez quem?", isto é, foi a Universidade que fez bons alunos ou foram os alunos que fizeram dela uma das melhores. É uma boa pergunta que já responderei, mas sabemos que não foi, nem será, através da aplicação dos oito pontos principais da economia digital, que chegámos lá. No início, pré internet, foi a ideia de alguém ou de alguns de fazer uma UA, provavelmente contra tudo e contra todos. Tudo, absolutamente tudo, vem das ideias e tudo que é belo e que faz a diferença vem de ideias que não são intuitivas, que não são perceptíveis à primeira vista, por isso são geniais e mudam o paradigma. A UA fez os primeiros antigos alunos e, no tempo, antigos alunos fizeram parte da UA como professores, funcionários e como seus embaixadores. Num determinado momento no espaço/tempo uma UA de excelência e Antigos Alunos fora de série fazem-se uns aos outros.

Esta nova era do ser-se "muito rápido", estar-se on-line em tempo real a toda a hora, ter perfis de facebook variados, linkedIn à medida, páginas de internet de empresas que basicamente não existem e parecem multinacionais, levanta sérias dúvidas acerca da eficácia de tal economia, onde muitas vezes, e cada vez mais, não se sabe se é real ou virtual tudo o que anda à nossa volta. Sabemos, no entanto, que somos antigos alunos da UA, que temos uma rede de contactos que podemos usar muito ou pouco, mas somos UA e não é economia digital, nem perceção. Somos dos melhores e duma das melhores universidades do mundo. Cuidado com as expectativas elevadas sobre um mundo ao clique de um dedo. Feliz Natal!

Por isso temos que cuidar de ambos, com bastante carinho e numa relação simbiótica de longo termo; ambos precisam de ambos, se uns ganham os outros também, se uns perdem, consequência idêntica. A UA de excelência não se faz com economia digital, nem com antigos alunos, faz-se de massa cinzenta, bom senso, trabalho e cooperação. Este é o primeiro passo, sem o qual nada se consegue, e, por melhor que seja a máquina de propaganda, a curto prazo o goro se descobre.

AAAUA Campus Universitário de Santiago Edifício 1 · 3810-193 Aveiro Tel: 234 247 297 (ext. 22020) E-mail: aaaua@ua.pt · Web site: www.ua.pt/aaaua Facebook: www.facebook.com/aaaua Linkedin: www.linkedin.com


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dezembro 2017

Liliana Ferreira

Fraunhofer Portugal: "O desafio constante, a evolução e a aprendizagem" É desde setembro diretora da Associação Fraunhofer Portugal AICOS, um centro de investigação criado em 2008, no Porto, pela Fraunhofer-Gesellschaft, a maior organização de investigação aplicada da Europa, e pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemã. Mestre em Engenharia Eletrónica e Telecomunicações e doutorada em Engenharia Informática pela UA, Liliana Ferreira é, aos 37 anos, uma das mais novas diretoras a assumir os destinos de um centro de investigação da organização alemã Fraunhofer.


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Chegou em 2002 ao Departamento de Eletrónica, Telecomunicações e Informática (DETI) da UA para realizar o Mestrado em Engenharia Eletrónica e Telecomunicações. Para trás ficava a Universidade do Porto onde se licenciou em Matemática Aplicada à Tecnologia. Concluiu o Mestrado em 2005 e em 2007 avançou, também no DETI, para o Doutoramento em Engenharia Informática. Esta última formação, em 2012, valeu-lhe o prémio de "Melhor Tese de Doutoramento em Processamento Computacional da Língua Portuguesa" pela PROPOR, a conferência internacional que premeia as melhores teses em Processamento Computacional. "Escolhi fazer o estágio final de licenciatura na UA seguindo o conselho de um professor da licenciatura, que me indicou a qualidade do grupo de processamento de voz e robótica da academia de Aveiro e das suas atividades no Instituto de Engenharia Eletrónica e Telemática de Aveiro (IEETA). O professor merecia todo o meu respeito e confiança, e não me enganou", lembra Liliana Ferreira. A prova disso, sublinha, é que acabou por ficar uma década na UA não só enquanto estudante, mas, igualmente, enquanto investigadora do IEETA. E é à década de Aveiro que regressa sempre que pode pela memória, mas também de corpo inteiro ou não fosse a cidade dos canais a casa de tantos amigos, a terra onde o filho mais velho nasceu e o local onde conheceu os professores que a orientaram e "ensinaram que é possível ser profissional, ser competente, ser exigente e, ao mesmo tempo, ser correto, compreensivo e acolhedor".

Da UA para o mundo De Aveiro, a investigadora Liliana Ferreira seguiu viagem. Nos últimos cinco anos foi presidente do Conselho Científico da Fraunhofer Portugal, investigadora no Fraunhofer Portugal AICOS e, a partir de 2016, investigadora de Informática para a Cardiologia na Philips Research, em Eindhoven, na Holanda. Atualmente, para além de ser a diretora do Fraunhofer Portugal AICOS, dá também aulas na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

Com trabalhos científicos desenvolvidos para diversas organizações, como a IBM Research & Development, em Böblingen, na Alemanha, o Ubiquitous Knowledge Lab da Universidade Técnica de Darmstadt e a Universidade de Tübingen, Liliana Ferreira tem vários artigos publicados em revistas científicas e vários capítulos de livros. Sempre soube a profissão que queria seguir? "Tendo escolhido uma formação académica inicial em Matemática – sobre a qual nunca tive dúvidas – dizia constantemente que queria estar numa empresa, fazer coisas", explica. "Percebi ao longo do tempo que a investigação de utilidade prática, a inovação com potencial impacto a curto prazo na vida das pessoas, mas que considera também os desafios da introdução no mercado e da utilização em ambientes reais, era o conceito que tentava transmitir", aponta Liliana Ferreira.

percurso antigo aluno

centro de investigação da Fraunhofer em Portugal e resulta de uma parceria estratégica entre a Fraunhofer-Gesellschaft e a Universidade do Porto. O centro atua em duas grandes áreas: Ambient Assisted Living e Tecnologias de Informação e Comunicação para o Desenvolvimento. Direcionada para dois grupos de utilizadores prioritários – os idosos e as populações de países em desenvolvimento –, a investigação desenvolvida no Fraunhofer Portugal AICOS tem como intuito criar soluções tecnológicas inovadoras e intuitivas e facilitar o acesso às Tecnologias de Informação e Comunicação. "O desafio constante, a evolução e a aprendizagem", que implica estar à frente da Fraunhofer Portugal AICOS é o que, na nova missão profissional, mais fascina

Na UA conheceu os professores que a orientaram e "ensinaram que é possível ser profissional, ser competente, ser exigente e, ao mesmo tempo, ser correto, compreensivo e acolhedor" Uma missão cheia de desafios A Fraunhofer Portugal tem como missão promover a investigação aplicada com o intuito de fomentar o desenvolvimento económico e, simultaneamente, dar resposta a um conjunto de necessidades da população. É uma associação sem fins lucrativos, reconhecida pelo Estado Português como pessoa coletiva de utilidade pública. Atualmente tem também um antigo aluno da UA, Pedro Almeida, como diretor executivo. Com sede no Porto, foi criada, em 2008, pela Fraunhofer-Gesellschaft a maior organização de investigação aplicada da Europa, e pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemã. O Fraunhofer Portugal AICOS (Research Center for Assistive Information and Communication Solutions) é o primeiro

Liliana Ferreira. Isso e ter oportunidade de aceitar diferentes desafios que a levam permanentemente a diferentes locais, culturas e formas de trabalhar. À academia de Aveiro diz que deve "o conhecimento particular nas áreas da informática, do processamento da língua, da representação de conhecimento, juntamente com o contacto próximo com os profissionais de saúde, que permitiu validar frequentemente as premissas em que baseamos o trabalho". Ensinamentos que foram essenciais para o seu percurso profissional. "Todas as experiências vividas durante os anos em que estive na UA permitiram também firmar as outras competências – normalmente denominadas por soft skills, people skills – tão importantes como as anteriores", diz.


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dezembro 2017

Antero Ferreira

"Eu, literalmente, cresci na UA!" Tem na moda e na tecnologia os ingredientes certos para o sucesso. Chama-se Farfetch, é uma das startups mais bem-sucedidas do mundo, está atualmente avaliada em mais de mil milhões de dólares e tem em Antero Ferreira e nos seus colaboradores uma das chaves que transformaram num fenómeno global a plataforma online de artigos de luxo. Senior Project Manager da Farfetch, foi na UA que Antero Ferreira se licenciou em Matemática Aplicada e Computação e realizou uma Pós-Graduação em Sistemas de Informação.


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Chegou à UA com 16 anos e veio estudar para a Licenciatura em Matemática Aplicada e Computação para alimentar o "bichinho dos computadores" que sempre teve. Cedo começou a integrar e a liderar comissões de curso, assembleias de representantes do Departamento de Matemática (DMat), a dar formações e seminários, a trabalhar na UA como tarefeiro e bolseiro, a organizar eventos e, sobretudo, a fazer amigos para a vida. "Eu, literalmente, cresci na UA! A grande maioria das minhas melhores recordações de juventude estão relacionadas com a UA. Mantenho até hoje bons amigos entre os ex-colegas, professores e funcionários, e manterei um eterno carinho pela cidade". Parte da grande atividade extracurricular, essencial em todos os aspetos da sua formação, tem uma explicação: "o curso não correspondeu às minhas expectativas, o que foi excelente!". Por isso, arregaçou as mangas e ajudou a melhorá-lo de forma a que fosse ao encontro dos anseios dos alunos. "Creio que o trabalho que fizemos junto dos organismos do DMat foi um fator fundamental para conseguir um reforço da componente de computação" que, recorda, "inicialmente era muito restrita e essencialmente teórica". A mudança curricular "foi uma pequena grande vitória, com impacto na minha vida profissional e na de inúmeros colegas". Por isso, Antero Ferreira deixa o conselho: "Este é um daqueles exemplos de que não nos devemos acomodar, mas sim trabalhar no sentido de melhorar o que nos rodeia".

"Quando paro um momento para olhar para trás e vejo o percurso da startup, da ideia, até ao status de "unicórnio", até ao principal destino de compra de moda de luxo online, não consigo deixar de ficar fascinado" e consultoria. Foi também sócio fundador da Dataview – Sistemas de Informação, atuando em diversas áreas de negócio. A aproximação de Antero Ferreira ao Marketing Digital surge em 2009, como gestor de produto na área dos classificados (AdClip) e dos media (FlexReader). Em 2013 ingressa na Farfetch como Senior Product Manager para as áreas de Marketing Digital e Merchandising, sendo responsável pela gestão de produto e criação das equipas técnicas de SEO, Conteúdos, Growth, Customer Lifecycle e Retention, contribuindo para um crescimento da empresa na ordem dos 100 por cento todos os anos. Antero Ferreira é desde o último ano responsável pela gestão de projetos da equipa técnica, da nova unidade de negócios, a Farfetch Black & White, que tem vindo a lançar o e-commerce de diversas marcas de moda de luxo a nível mundial.

Um dia a dia fascinante Carreira profissional fulgurante Depois de se licenciar, em 2001, em Matemática Aplicada e Computação, realizou, também na UA, uma Pós-Graduação em Sistemas de Informação. Em seguida foi para a Universidade do Minho tirar o Mestrado em Sistemas de Informação. Impulsionador do Concurso/Encontro Nacional de Programação Lógica, cuja primeira edição presidiu, Antero Ferreira foi investigador na UA e, desde então, no setor privado em empresas tais como Samsung, Unue, Infineon, Qimonda e KCS IT, desempenhou funções de Consultor, Formador e Gestor de Projetos no domínio dos Sistemas de Informação, e liderou diversas equipas de desenvolvimento, suporte

percurso antigo aluno

"No ano passado aceitei um novo desafio, a gestão de projetos de desenvolvimento de portais de comércio eletrónico para marcas de moda de luxo", recorda Antero Ferreira. "Recuperando a experiência passada nesta área de gestão de projetos e o know-how em marketing e e-commerce da Farfetch, o objetivo foi coordenar a interação de múltiplas equipas de implementação e respetivos fornecedores internos e externos", descreve. Assim, o dia a dia do antigo aluno da UA, "passa muito pela identificação de planos de trabalho, otimização de processos, alinhamento entre diferentes equipas, identificação de riscos e resolução de problemas".

O que mais o fascina na sua atividade profissional? Antero Ferreira não tem dúvidas: "O impacto que as opções tomadas na conceção dos produtos que desenvolvemos têm sobre a forma como os utilizadores os usam em todo o mundo, como isso os influencia ou condiciona e o impacto que elas têm sobre na taxa de conversão de um site de e-commerce, na sua faturação e no crescimento da empresa". Como gestor de projetos para grandes marcas de luxo, cativa-o "o alcance e impacto global destas marcas, das suas lojas, dos seus sites, a forma como os seguidores/fashionistas vivem a marca e o mundo da moda, o efeito que determinadas peças conseguem ter a nível pessoal nos clientes, na forma como elas são vividas, o impacto emocional que elas têm nas pessoas, é fascinante". Mas acima de tudo aquilo que não cessa de o surpreender é o crescimento da Farfetch. "Apesar de conhecer perfeitamente as suas taxas de crescimento e o trabalho que as sustentam, quando paro um momento para olhar para trás e vejo o percurso da startup, da ideia, até ao status de "unicórnio", até ao principal destino de compra de moda de luxo online, não consigo deixar de ficar fascinado", diz. O crescimento pessoal, a capacidade analítica, a capacidade de organização, de gestão e de organização de eventos e a investigação científica, competências que, garante, a UA lhe potenciou, "transformaram um miúdo tímido num profissional ativo, experiente e totalmente integrado no mercado de trabalho, capaz de fazer a diferença nas equipas onde se integra".


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dezembro 2017

Rosa Nogueira

"Foi uma honra enorme representar a academia de Aveiro" Foi uma das estudantes a assumir os destinos da Associação Académica da Universidade de Aveiro (AAUAv). Em 2004 e 2005, ao leme dos estudantes de Aveiro, Rosa Nogueira viveu "uma das experiências mais enriquecedoras e marcantes que algum dia poderia ter tido". Licenciada em Línguas e Relações Empresariais e Mestre em Gestão, começou por trabalhar na casa que a formou e ajudou a formar, inicialmente no Gabinete de Assessoria dos Serviços de Ação Social, depois como coordenadora do Núcleo de Bolsas de Estudo. Hoje está na Noruega ao serviço da Norwegian School of Economics.


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Apesar da distância dos anos, Rosa Nogueira guarda na memória todas as imagens que viveu durante os dois mandatos à frente da AAUAv. Não é possível alguma vez esquecer "porque tudo acontece com imensa intensidade enquanto fazemos parte da AAUAv". E é o carinho com que era recebida por todos que mais nítido prevalece na memória. O facto de ter sido uma das primeiras mulheres a ser eleita para a presidência da AAUAv deu-lhe "uma vantagem muito simpática e revelou-se frequentemente numa discriminação positiva". Além disso, em ambos os mandatos, Rosa Nogueira lembra que esteve "sempre rodeada por colegas extraordinários, que contribuíram e me permitiram colecionar muitas e boas memórias enquanto presidente da AAUAv". Se por um lado, o associativismo no meio académico não pode ser considerado uma experiência profissional, por outro, "o nível das atividades e as relações que se desenvolvem no conjunto da AAUAv", faz com que, inevitavelmente, Rosa Nogueira associe esse momento como a sua "quase primeira experiência profissional". "Tudo acontece num plano muito responsável e sério e todas as nossas relações são feitas como se de um meio profissional se tratasse", afirma. Por isso, não tem dúvidas: "a nível pessoal, ter sido presidente da AAUAv foi uma das experiências mais enriquecedoras e marcantes que eu algum dia poderia ter tido". Mais, "foi uma honra enorme representar a academia de Aveiro, um feito incontornável no meu percurso de vida que completou de uma forma muito perfeita o meu ciclo enquanto estudante universitária".

Grandes amigos feitos na UA Licenciou-se em Línguas e Relações Empresariais em 2006, uma formação durante a qual estagiou na empresa Aleluia Cerâmicas. Seguiu-se o Mestrado em Gestão que concluiu em 2011. No campo profissional, depois da licenciatura começou a trabalhar no Gabinete de Assessoria dos Serviços de Ação Social da UA. Em 2010, nos mesmos Serviços, assumiu a coordenação, entre outros núcleos, do Núcleo de Bolsas de Estudo.

percurso antigo aluno

"Nunca tive uma ideia muito certa do que queria ser e por isso tinha sempre o objetivo de adquirir o maior número de competências possíveis para ter flexibilidade em me encaixar no mercado de trabalho"

O que mais a marcou na UA? "As pessoas, aquelas que fazem verdadeiramente a Universidade". Durante o seu percurso – primeiro como estudante e depois como trabalhadora – conheceu imensos colegas, professores e trabalhadores "que se dedicaram por inteiro à UA enquanto dela fizeram (ou ainda fazem) parte. Há um conjunto de pessoas que me marcaram em diversos momentos, que me acompanharam em várias etapas do meu percurso e que ainda hoje apesar da minha distância física, me continuam a acompanhar enquanto grandes amigos". Em 2014 emigrou para a Noruega e foi assistente de compras na DOF Management, uma multinacional no sector do gás e do petróleo. Já em 2016, e aos 35 anos, começou a trabalhar na Norwegian School of Economics, onde coordena não só o programa Erasmus+ como todos os restantes programas de mobilidade para a Europa, EUA e Canadá. A missão completa-a verdadeiramente. "Numa instituição de ensino superior todos os dias acontecem imensas coisas novas, o público renova-se, nada é monótono", descreve. Além disso, "sempre tive imenso interesse no tema da internacionalização e a minha tese de mestrado foi exatamente sobre a internacionalização das universidades". O contacto com alunos e instituições de tantos países diferentes, garante Rosa Nogueira, "é fascinante porque a nossa plataforma de trabalho é o mundo e qualquer pessoa que esteja direta ou indiretamente envolvida nesta experiência torna-se mais rica, mais atenta e muito mais tolerante".

Recomeço em Línguas e Relações Empresariais "Não, de forma alguma" Rosa Nogueira imaginou este percurso profissional antes de entrar na UA. Aliás, a antiga estudante até começou por entrar na UA, em 1999, através da Licenciatura de Português e Inglês (ensino). Contudo, depois de ter feito o 3.º ano em Inglaterra através do programa Erasmus, na hora do regresso sentiu que as expectativas que tinha em relação ao seu futuro não iriam ser correspondidas se continuasse naquele curso. Desistiu dessa licenciatura e começou tudo de novo em Línguas e Relações Empresariais, uma formação que se estreava na UA e que Rosa Nogueira recorda como "inovadora e criada como forma de resposta às necessidades detetadas naquela altura". Os ajustes que foram feitos ao programa ao longo destes anos "tornaram o curso ainda mais atual, mas continua a ser uma solução pedagógica muito interessante". "A composição do curso, o plano académico e as saídas profissionais alargavam as minhas possibilidades na procura de emprego no futuro e isso deixava-me mais confortável. Nunca tive uma ideia muito certa do que queria ser e por isso tinha sempre o objetivo de adquirir o maior número de competências possíveis para ter flexibilidade em me encaixar no mercado de trabalho", lembra. Hoje, da Noruega, não tem dúvidas de que ganhou a aposta que fez. À UA agradece "o principio da autonomia, a análise crítica e a capacidade de adaptação", competências que diz ter desenvolvido em Aveiro.


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dezembro 2017

"Temos uma Universidade reconhecida e lĂ­der em vĂĄrias ĂĄreas"


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entrevista

Entrevista com o Reitor Manuel António Assunção Numa altura em que a UA assinala o seu 44.º Aniversário, o Reitor Manuel António Assunção destaca os grandes marcos de uma instituição que considera ser hoje líder em várias áreas, capaz de servir muito bem a região e o país, internacionalmente reconhecida e dotada de um excelente ambiente físico e humano. Nesta entrevista, o Reitor dos últimos sete anos e meio aponta a Saúde como uma das questões que continuará a estar na agenda da Universidade e avança que a proteção do planeta, incluindo as alterações climáticas, a economia circular e a revolução digital serão alguns dos próximos grandes desafios a que a UA saberá certamente responder, garantindo assim a continuidade do seu relevante papel na sociedade.

Que grandes marcos fizeram a história da UA ao longo destes últimos 44 anos? O primeiro marco é, obviamente, na área do ensino com a escolha estratégica de ter cursos singulares no panorama nacional que, por não existirem noutras universidades na altura, constituíam uma complementaridade à oferta então existente. No início Telecomunicações, depois Eletrónica e Telecomunicações. Muitos outros vieram a seguir: Engenharia Cerâmica e do Vidro, Formação Integrada de Professores, por exemplo. Em fases subsequentes, Planeamento Regional e Urbano, Gestão e Planeamento em Turismo… apostando em áreas novas que estavam a desenvolver-se. Houve logo, igualmente, a perceção de que a investigação é um pilar essencial, onde se ancoram os outros pilares, ou seja: a investigação é importante por si, é importante para aquilo que é a sua transmissão para fora da Universidade, mas também é essencial para o ensino de qualidade. Esta perceção da importância da investigação levou a que houvesse a preocupação de formar pessoas, a maioria fora de Portugal, para que pudessem fazer a diferença. Como disse o Professor Veiga Simão num dos seus discursos desses tempos "(…) o prestígio resulta do valor científico dos seus membros (…)". Esta ideia esteve muito presente na primeira etapa da Universidade.

A cooperação com a sociedade foi também uma preocupação inicial? Sem dúvida. Desde logo pelo facto de termos nascido paredes meias com o Centro de Estudos de Telecomunicações (CET). O CET estava num edifício e a UA num igual ao lado; por isso, o facto é que nascemos nessa relação direta com o CET; uma entidade externa à Universidade, que é hoje a Altice Labs. Uma segunda etapa está relacionada com o cimentar do modelo organizacional que é também único no país, um modelo sem faculdades, que favorece a multidisciplinaridade e o cruzamento de saberes. Esta fase é também muito marcada pelo levantar do que é hoje o essencial do edificado da Universidade, o nosso ambiente físico, o nosso campus. A escolha dos melhores arquitetos para o desenharem permitiu que tenhamos um campus original, bonito, moderno, uma mostra e montra da melhor arquitetura portuguesa contemporânea e que muito enobrece o espaço físico onde nos movemos. No que toca à cooperação com a sociedade, e ainda nesta segunda etapa, importa destacar um protocolo emblemático com a Associação Portuguesa da Indústria de Cerâmica – o primeiro ou um dos primeiros protocolos assinados entre

universidades e o meio empresarial – que numa fase posterior se intensificou muito com o alargamento das parcerias a outras áreas e setores industriais. E no campo do ensino? Que momentos há a destacar? Neste campo destacaria os primeiros estudos de inserção profissional, a reflexão sobre os planos curriculares, com o processo "repensar os currículos" e a abertura ao ensino politécnico, com a criação das escolas, em particular de duas escolas localizadas fora do campus principal, em Águeda e em Oliveira de Azeméis, assumindo-se elas próprias como instrumentos específicos de cooperação e de colaboração com as regiões circundantes. Podemos depois evidenciar uma terceira etapa, que tem já a ver com um prestar de atenção à qualidade e à avaliação daquilo que fazíamos, com uma preocupação pela organização que éramos e pelas pessoas que constituíam a nossa comunidade. Paralelamente, consolidámos a aposta na investigação. O Programa Ciência foi instrumental nesta fase, e o recurso a receitas próprias permitiu-nos realizar algumas das escolhas políticas que entendíamos dever ser feitas.


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dezembro 2017

Estaremos agora a viver uma nova etapa? As etapas são uma forma que temos de categorizar o tempo, mas as coisas decorrem sempre num regime contínuo e com a interpenetração das várias etapas. Em todo o caso, para uma melhor clareza da resposta, podemos referir que esta quarta etapa se carateriza muito pelo alargamento da missão da Universidade no que concerne à valorização económica e social do conhecimento, com a criação, em distintos momentos, de várias ferramentas como a UNAVE e a grupUNAVE, a Unidade de Transferência de Tecnologia (UATEC) e, mais recentemente, as Plataformas Tecnológicas.

propicia a cada vez mais alunos esse contacto com a realidade para além do meio académico. Estas duas vertentes essenciais foram consubstanciadas por uma política que atinge, atualmente, já perto de 1500 estágios/ ano de várias tipologias.

Neste âmbito devemos destacar também a cooperação mais ligada às cidades, nomeadamente à de Aveiro. Percecionámos a importância dos antigos alunos e fizemos deles os nossos embaixadores, criando, para tal, lógicas relacionais com eles, como é o caso do Sistema Integrado de Gestão de Acompanhamento de Antigos Alunos da Universidade de Aveiro (SIGAAA).

Fomos a Universidade que per capita mais sucesso teve na captação de fundos europeus A internacionalização é também uma preocupação recente? O cuidado crescente com a internacionalização, tanto do ponto de vista de atração de mais alunos estrangeiros, hoje com ênfase particular, como de mais projetos europeus, e também a pertença a mais redes transnacionais, de que é exemplo o European Consortium of Innovative Universities (ECIU), têm sido apostas permanentes. Há, no entanto, outras, como a pós-graduação e a informatização da própria Universidade, que importa sublinhar. Apostámos, ainda, numa política de estágios que cria múltiplos canais de relacionamento com o mundo exterior e, ao mesmo tempo,

O investimento na Ciência foi notório. Houve uma preocupação com a manutenção e melhoria do parque científico da Universidade – um investimento em infraestruturas científicas novas ao nível do que melhor existe no mundo e na modernização do equipamento já existente – que foi feito com o recurso a receitas próprias e com a ajuda fundamental de fundos europeus. Fomos a Universidade que per capita mais sucesso teve na captação de financiamento europeu e a segunda em valor absoluto para este efeito. Este esforço também é fundamental no alargamento da missão da Universidade e abertura ao que nos rodeia, do qual as cátedras convidadas são uma imagem de marca; a que se associam múltiplos projetos e protocolos, que celebramos anualmente com empresas e outras estruturas. Tudo isto contribui para o reforço da nossa capacidade de produção de conhecimento novo, de fazer investigação e, portanto, consolida o nosso envolvimento na cooperação com a sociedade e a nossa eficácia na passagem do conhecimento para fora da Universidade. Em suma: ao longo destes 44 anos é visível a existência de um pensamento estratégico por parte da Universidade, que nos permitiu chegar e estar hoje onde estamos. E que Universidade temos hoje? Temos uma Universidade reconhecida e líder em várias áreas a nível nacional. É uma Universidade que serve muito bem a região e o país, que tem um reconhecimento internacional. Tem um ambiente físico e humano muito, muito bom e, portanto, é uma Universidade que tem uma capacidade muito consolidada, uma competitividade assinalável. Penso que temos todas as condições para continuarmos a fazer bem e, quem sabe, ainda melhor para sermos mais úteis à sociedade a que pertencemos. Terá a nova organização e modo de funcionamento da Universidade decorrente da implementação do Regime Jurídico das Instituições do

Ensino Superior (RJIES) contribuído também para esta casa que temos hoje? Faço uma leitura positiva quer do RJIES, quer da passagem da Universidade a Fundação. Não é fácil distinguir os dois aspetos porque os seus efeitos aconteceram ao mesmo tempo. Uma marca fundamental do RJIES traduz-se, na nossa casa, na mudança da estrutura de gestão, que levou a que os diretores passassem a ser designados por um processo, que me parece feliz, através de um Comité de Escolha. Os candidatos têm que o querer ser e apresentar e discutir um programa numa audição pública. Considero que é um modelo que tem as suas virtualidades, que foge ao modelo de nomeação pelo Reitor e, também, ao modelo de eleição direta de bottom-up por parte das unidades orgânicas. Parece-me, por isso, que se encontrou aqui um modelo equilibrado que permite que haja voluntarismo, no melhor sentido do termo, no querer ser diretor; e depois, também, que obriga à definição de um programa e de metas para a própria unidade orgânica, o que constitui um compromisso, sobre o qual quem concorre se vê, no final, obrigado a prestar contas. Tudo é transparente. O RJIES permitiu, ainda, um agilizar das estruturas de decisão. Conseguiu-se ir plasmando um modelo que permite um equilíbrio razoável entre, por um lado, participação e eficácia na decisão e, por outro, responsabilidade e contributo por parte da própria unidade orgânica. Mais, os contratos programa que este modelo também veio permitir estabelecer entre a Reitoria e as unidades orgânicas, com a clarificação do que é devido a um e a outro, usando indicadores mensuráveis, é igualmente positivo do ponto de vista organizacional. Não vê então pontos fracos neste modelo? Este modelo assenta muito no Conselho de Diretores, estrutura informal, mas que é uma peça chave por ser nela que a comunicação e a consensualização têm de ocorrer. Quer isto dizer que uma das potenciais debilidades do modelo é esta dependência da boa vontade dos Diretores em passarem palavra e proporcionarem às unidades que dirigem aquilo que vai


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sendo consensualizado e, por outro lado, recolherem elementos que possam levar a novos entendimentos. É óbvio que a comunicação/participação se joga muito aqui. Se as pessoas não cumprirem o seu papel, pode haver um sentimento de menor participação nas decisões e um efetivo mitigar dessa participação, o qual pode corresponder a um indesejável distanciamento. Ser uma Universidade-Fundação tem sido uma mais-valia para a instituição? Com a passagem a Fundação, a UA identificou cinco indicadores que constituem a base do contrato-programa com o Governo; e, embora o Governo nunca tivesse cumprido a sua parte – não houve transferência do fundo previsto para a Fundação –, o facto de termos inscrito esses indicadores e a sua evolução desejável ao longo do tempo, obrigou-nos a ter "guias de marcha" que nos permitiram caminhar com sentido estratégico. Quer isto dizer que, mesmo sem esse "dote", fomos capazes de atingir, e até superar, os objetivos a que nos tínhamos proposto. Isto assumiu-se, desde logo, como uma vantagem. Outro benefício concreto foi a possibilidade que tivemos de criar carreiras próprias em funções privadas. Uma delas, a carreira de investigadores, permitiu-nos recrutar a um nível elevado e com isso garantir a necessária retenção de talento. Um terceiro aspeto positivo refere-se à gestão do património que o regime fundacional nos permite fazer, através do Conselho de Curadores, com a flexibilidade inerente. Há ainda outros aspetos não despiciendos como a ausência de cativações que se revelaram muito úteis no governo e gestão da casa.

Considera assim que as virtudes do modelo fundacional superam claramente quaisquer dos seus eventuais constrangimentos? As vozes sobre os medos do estatuto fundacional não têm, do meu ponto de vista, nenhuma razão de ser. Não há nada que pudéssemos ter feito, se não fossemos Fundação, que não fizemos enquanto Fundação e houve várias coisas que fizemos por sermos Fundação, que não teríamos feito se o não fossemos. Esta é a realidade dos factos. Agora, é claro, está por consagrar na prática muito daquilo que o regime fundacional pressupunha; ou seja, na verdade o regime fundacional foi coartado naquilo que tinham sido as premissas constitutivas, em particular no que diz respeito aos instrumentos de gestão e ao fundo prometidos. Acresce, ainda, o facto de termos sido uma das primeiras instituições a aderir ao estatuto fundacional, o que nos associou a uma imagem de instituição bem gerida, com um volume de receitas próprias superior a 50 por cento.

A UA contornou a crise com a capacidade de gerar receitas próprias A crise generalizada trouxe nos últimos anos sérios constrangimentos financeiros às IES. Como conseguiu a UA contornar estas dificuldades? Apesar dos últimos sete anos terem sido anos de constrangimentos orçamentais, a UA conseguiu, através da mobilização de todos, continuar a gerar as receitas complementares ao Orçamento do Estado,

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que, inclusivamente, nos permitiram fazer, como já referenciado, um investimento significativo na modernização do equipamento científico. Há que dizer que os maiores entraves estiveram sempre mais do lado orçamental do que do lado da tesouraria, porque o dinheiro gere-se num quadro orçamental, através da distribuição pelas rubricas de acordo com as regras da Direção Geral do Orçamento. Foi por isso que se investiu mais em equipamentos do que em recursos humanos? Exatamente. Isto aconteceu porque havia um plafond salarial e regras da sua utilização que não nos davam margem para abrir concursos. Estávamos a aplicar em recursos humanos o máximo de verbas que a lei nos permitia usar. A flexibilidade aí era nula. Como não podíamos fazer investimentos nas pessoas em termos de recrutamento e promoção, investimos em equipamentos, até porque com equipamentos obsoletos não podemos ser competitivos. Agora, é certo, no fim do dia são as pessoas que fazem a diferença. Se pudéssemos escolher, obviamente não tendo descurado o investimento em equipamento, teríamos feito muito mais investimento nas pessoas. No entanto, é bom que se diga que, apesar de tudo, a existência de carreiras em funções privadas deu-nos a flexibilidade suficiente para adequar o conteúdo funcional de um conjunto razoável de pessoal técnico, administrativo e de gestão. Aquém do desejado, naturalmente.


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dezembro 2017

Relações consolidadas com empresas de topo

Se pensarmos na expansão do Hospital Infante D. Pedro e na relação mais estreita na área da Saúde entre este Hospital e a própria UA, podemos facilmente visualizar um contínuo desde o atual Estádio Mário Duarte até ao extremo do PCI. Ao todo estamos a falar de uma área de mais de 150 hectares que podemos facilmente conceber como um cluster fortíssimo de inovação, um autêntico campus de inovação, para Aveiro, para a região e para o país.

Nos últimos anos a UA tem feito uma grande aposta em projetos de cooperação com a sociedade onde sobressaem o Parque de Ciência e Inovação (PCI), o ECOMARE, os protocolos com a Bosch e a Navigator ou as apostas na área da Saúde. O que gostaria de destacar em relação a estes projetos? Não referindo nenhum desses projetos, em particular, todos eles são demonstrações da capacidade da UA em se relacionar com empresas e entidades determinantes na nossa vida coletiva. Temos há muitos anos a Nokia no nosso campus que tem sido um parceiro desde sempre do Instituto de Telecomunicações, o qual também engloba a Altice, outro parceiro de especial referência. Somámos a Bosch e a Navigator ao grupo de empresas com quem temos colaborações aprofundadas, muito positivas, não só para a UA, mas também para a região, já que estamos a falar de grandes empregadores e de centros de competências de nível mundial. Portanto, sermos considerados parceiros destas empresas é um reconhecimento do nosso papel. Das grandes apostas da UA ao nível da cooperação com a região pode destacar-se o PCI? O PCI é um projeto que vem do mandato anterior aos meus e que tem, desde logo um grande valor simbólico porque envolve 19 entidades de variadíssima índole. Para além da própria UA, estão envolvidos no projeto do PCI a Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro, com os respetivos 11 municípios, empresas, instituições financeiras e associações empresariais, num projeto que tem uma capacidade agregadora e integradora. Constitui um instrumento por excelência para fazer a extensão da atividade da UA em projetos de investigação aplicada, de desenvolvimento e de inovação com vários parceiros potenciais. E a localização do PCI, no município de Ílhavo e junto ao campus da UA na zona da Agra do Crasto, em tudo facilitará esse processo. O PCI vai ser contíguo ao próprio campus.

Quando é que o PCI estará a funcionar em pleno? Esperemos que no primeiro trimestre de 2018.

Saúde continua a ser prioridade A saúde é outra das grandes apostas da UA. Inscrevi a Saúde no meu segundo mandato como uma prioridade para o desenvolvimento da UA por duas razões principais. Primeiro, porque é óbvio que a Saúde é algo que vai ter uma importância crescente no mundo em que vivemos, incorporando cada vez mais ciência multidisciplinar a um ritmo crescente. Cada um de nós quer a melhor saúde possível, quer acesso às melhores tecnologias e aos melhores métodos terapêuticos e de diagnóstico. Por outro lado, cidadãos e estados querem que isso aconteça com os menores custos possíveis. Há aqui o desejo legítimo de podermos ter acesso a melhor saúde num quadro comportável para as finanças públicas. E isto só se consegue com maior conhecimento. Portanto, se pensarmos no facto de termos enormes valências em muitas áreas determinantes para a Saúde, se percebermos que temos excelentes condições para podermos ser úteis nessa matéria, não poderíamos nunca alhearmonos deste desígnio. Se ficássemos de fora não só seria mau para nós, como mau para o país. Por isso, a parceria da UA com o Centro Hospitalar do Baixo Vouga, com a Câmara Municipal de Aveiro, com a Universidade Nova de Lisboa e com a Administração Regional de Saúde do Centro é um instrumento que consubstancia esta aposta. Quero, ainda, mencionar o projeto Teaming em Medicina Regenerativa e de Precisão, por se tratar de uma parceria com outras instituições de ensino supeior de grande fôlego.

Que grandes objetivos pretende cumprir a UA e os seus vários parceiros para a área da Saúde? Melhor prestação de cuidados de saúde para todos. A região tem altíssimos índices de desenvolvimento económico, social e cultural, mas no que à saúde diz respeito é preciso fazer bem mais. Precisamos de contribuir para termos uma prestação de cuidados de saúde melhor. E como é que mais e melhores cuidados de Saúde para todos se concretiza? É fundamental criar uma dinâmica de atração de talento também na área da Saúde, porque é o talento que faz sempre a diferença. Quando referimos talento nesta área pensamos logo em melhores profissionais de saúde. A criação de sinergias entre o Centro Hospitalar do Baixo Vouga e a UA em que, a par do ensino, possamos também contribuir mais fortemente para a investigação pré-clínica e clínica é essencial. Com a possibilidade dos profissionais de saúde lecionarem na UA e colaborarem nos nossos projetos de investigação, com a possibilidade dos profissionais da UA irem ao Hospital e inscreverem a sua ação nessas frentes de investigação, com certeza que conseguiremos estar mais perto dessa dinâmica e sinergia desejadas.


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fazer na área da Saúde é estruturante para a criação de um centro académico clínico, que espero que possa surgir a curto prazo. Porque há mais coisas importantes para além da Medicina que estão a acontecer e é nisso que estamos, firmemente, empenhados.

O ECOMARE é o nosso instrumento para a investigação e a transferência de conhecimento na área do Mar

A expansão das infraestruturas do Hospital de Aveiro para os terrenos do Estádio Mário Duarte é essencial para concretizar a aposta da UA na Saúde? É um instrumento importante nesta trajetória de colaboração que o Programa Mais Conhecimento Melhor Saúde pressupõe. Com essa expansão permitir-se-á haver um reforço da capacidade do ambulatório e uma dotação do Hospital com instalações dedicadas à prática do ensino e da investigação. Voltando ao PCI, também este terá um papel na Saúde? Também no PCI é natural que se instalem empresas interessadas na área da Saúde e que se dinamizem projetos de inovação nessa área. Aliás, o que queremos é que haja um contínuo de interações entre empresas, unidades de investigação e o próprio Centro Hospitalar. A Medicina continua a ser uma aposta da UA? A Medicina é ela própria um indutor da dinâmica que referi. Acho que a Medicina faz sempre sentido. Veja-se bem o que aconteceu noutras paragens, por causa da Medicina, em termos de atratividade e do que ela gerou. Contudo, o que estamos a

Inaugurado em junho deste ano, o ECOMARE assume-se como uma enorme aposta da UA no Mar e um valioso instrumento de ligação à sociedade. Concorda? O ECOMARE não pode ser desinserido da estratégia global da UA em cooperar cada vez mais com o exterior. Não está no campus, pela natureza daquilo que trata, tornando óbvia a sua localização perto da ria e com acesso fácil ao mar. É o nosso instrumento para a investigação e a transferência de conhecimento na área do Mar. O ECOMARE tem duas grandes valências, uma para reabilitar animais marinhos, naquela que é uma capacidade nacional única e rara a nível internacional; e outra consubstanciada em laboratórios de uso comum, que é exatamente o nome que atribuímos aos espaços edificados que temos no PCI. São laboratórios destinados, simultaneamente, à investigação, à incubação de empresas e à prestação de serviços. Os equipamentos não escolhem aquilo para que são utilizados, nós é que escolhemos o uso a dar aos equipamentos. Queremos que exista mais uma vez ali essa osmose entre quem se dedica à investigação, quem faz incubação de novas ideias e as gentes das empresas que precisam de testar hipóteses e metodologias. Esta prática insere-se perfeitamente na lógica do PCI. A estas apostas junta-se um campus cada vez mais internacional. De que forma a presença na UA de mais de 80 nacionalidades tem tido repercussões na cultura e identidade da Universidade? Como já referi, a internacionalização é fundamental. Há uma relação muito estreita entre a qualidade das instituições e o respetivo nível de internacionalização. As melhores universidades são as mais internacionais e vice-versa. Como já

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mencionado, a internacionalização não tem acontecido apenas pelos alunos, radica nos projetos internacionais e na integração de redes transnacionais, o que vem ocorrendo em grande número. Por isso, a internacionalização tem contribuído para a transfiguração contínua da Universidade. Para além disso, também a comunidade académica, na individualidade de cada um, beneficia da mundanidade do campus. Precisamente. Há um aspeto extremamente importante: um ambiente internacional ajuda também a formar melhor os nossos alunos que não saem de cá. Enviamos bastantes alunos para Erasmus, temos alguns estágios no estrangeiro, mas é óbvio que nem todos têm possibilidade de ter uma experiência fora do país. Mas podem ter essa experiência "internacional" dentro do campus. À medida que o campus se internacionaliza todos têm oportunidade de falar mais línguas e de contactar com diferentes culturas. Isso é um enorme enriquecimento para um mundo que queremos cada vez mais inclusivo e que sabemos que é cada vez mais global e "mais pequeno".

Formar cidadãos cosmopolitas é uma das missões mais nobres da Universidade Considera que, também para o futuro dos alunos, é muito importante esse contacto com pessoas de todo o mundo? É crucial porque ganham competências linguísticas e capacidade de perceber e de se adaptar a outros ambientes, o que é muito proveitoso para eles, enquanto futuros profissionais. Mas, diria, a internacionalização da UA é igualmente muito enriquecedora para a formação dos estudantes enquanto cidadãos, já que o cosmopolitismo é algo fundamental. A missão das universidades mais nobre de todas é a de formar cidadãos cosmopolitas, capazes de compreenderem e de se relacionarem com o outro e com as respetivas diferenças. Tal é determinante no enriquecimento individual da pessoa e é certamente o mais importante instrumento para a paz no mundo. No dia em que formos todos capazes de nos colocar no lugar do outro os conflitos e as guerras são menos prováveis. A internacionalização também serve para isso.


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dezembro 2017

Cada vez mais a UA e as restantes universidades públicas nacionais são presença assídua nos rankings internacionais de avaliação da qualidade das instituições de ensino superior. De que forma isso demonstra o bom trabalho que por cá se faz? É bom que as universidades portuguesas apareçam nos rankings com algum destaque e que haja esse reconhecimento internacional da qualidade do ensino superior português. Quer o ensino, quer a nossa investigação têm muita qualidade. A nossa formação de profissionais é reconhecida pelas grandes empresas e por outros setores como uma formação de enormíssima qualidade: os rankings acabam por refletir isso mesmo. E ao fazerem-no são eles próprios indutores de motivação das pessoas, no fundo as responsáveis por estarmos nesses rankings. Quando isso acontece há um efeito multiplicador. É com orgulho que digo, sempre, que Portugal tem seis ou sete universidades que aparecem nas 500 primeiras do mundo. É um caminho de batalha constante, o de nos capacitarmos melhor para sermos mais competitivos, para podermos ser mais úteis e com isso termos mais atividade num ciclo de realimentação positiva e contínua. Esta é a lógica da espiral virtuosa que precisamos de garantir.

O caminho da UA passará pela capacidade de dar boas respostas a esses desafios? O futuro da Universidade é, repito, ser cada vez mais pertinente nessas respostas. E quanto mais o for mais sucesso vai ter. Nos próximos 10/20 anos a Universidade estará muito centrada neste desafio: como é que nos devemos organizar para podermos ser mais relevantes nestas frentes que envolvem tudo, desde a educação, a criação de conhecimento e a respetiva transferência para a sociedade, o ajudar a pensar os grandes problemas societais.

E o futuro? A Universidade não está parada, está em constante mudança. Para onde ruma a UA? O futuro é sermos cada vez mais relevantes na resposta aos grandes desafios que se colocam à sociedade. Já se vislumbram que desafios serão esses? Obviamente já podemos antever alguns: as alterações climáticas, as questões ligadas à área da Saúde, a distribuição da riqueza ao nível mundial, a digitalização da economia ou o desvanecer das fronteiras entre a esfera física, biológica e digital, que lança um enorme repto à própria indústria. A que juntaria também a questão da sustentabilidade ao nível planetário. Sabemos hoje que extraímos cerca de 60 mil milhões de toneladas de matérias-primas cada ano e reutilizamos apenas sete por cento, uma situação que não pode continuar. Sublinho ainda a atenção que devemos dedicar à correção do desequilíbrio estrutural do nosso país e da consequente necessidade de promover maior coesão entre regiões.

E quando falamos em educação temos de dar atenção, por causa desta voragem da tecnologia e da atração pela inovação tecnológica, às Humanidades e às Artes porque o Homem não é só razão. O Homem é razão, é sociedade, é emoção… Há necessidade de educar o Homem nestas vertentes todas, e as Humanidades e as Artes têm um papel determinante neste processo. Não pode haver esse tal cosmopolitismo, de que falei, não pode haver um entendimento do mundo, não pode haver resposta a estes desafios globais se não conseguirmos integrar, cada vez mais, as disciplinas do lado mais técnico com o lado mais humanístico. Porque é essa conjugação que nos ajuda a entender melhor a evolução do comportamento humano no mundo em que vivemos e em que tudo flui com maior rapidez. E internamente? Que futuro terá de calcorrear a UA? A UA, tal como outras universidades, tem de rejuvenescer. Há realmente necessidade de injetar sangue novo na vida da Universidade. Este é certamente o desafio maior e, por isso, estamos agora a abrir concursos na exata medida do que nos é possível efetuar. E é nesse caminho que devemos continuar, acautelando, naturalmente, a sustentabilidade do projeto UA no seu todo. Com certeza, a justiça relativa entre as pessoas é algo ao qual a Universidade deve dar a devida atenção, de modo a podermos estar todos crescentemente motivados e num melhor ambiente humano. Esse bom ambiente humano tem sido, aliás, um dos grandes fatores do sucesso da UA. Apesar de na Administração Pública os instrumentos para contrariar essas injustiças serem escassos, temos de cuidar desse ambiente humano, temos de cuidar das pessoas. O rejuvenescimento e o cuidar

das pessoas devem, por isso, continuar a constituir uma preocupação da Universidade no seu futuro mais próximo. Que gostaria que os alunos levassem daqui? Uma melhor perceção do mundo, estarem mais adaptados a ele, poderem viver em ambientes mais diversificados, terem mais capacidade e oportunidades de escolha ao longo da vida. E hoje o mundo muda muito depressa, é preciso sabê-lo ler hoje, mas é preciso ter a capacidade de o continuar a ler. E é isso que é fundamental, que os alunos saiam daqui com essa bagagem multivivencial que lhes permita ir sempre lendo o mundo onde quer que vivam. Se o conseguirem fazer, as suas possibilidades de escolha serão maiores e, por isso, possivelmente terão uma vida mais preenchida e mais feliz. É isso que queremos num Campus que Pensa, mas que seja também um Campus que Sente.


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Que livros o marcaram? "O Guardador de Rebanhos" do Alberto Caeiro. Marcou-me muito e leio-o sempre que posso. Foi-me dado a conhecer pelo Prof. Manuel Patrício, ex-Reitor da Universidade de Évora e que foi meu professor de liceu aos 16 anos. Não é possível escrever melhor do que isto: "O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia, Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia" Gostei também muito do livro "A Noite e o Riso", do Nuno Bragança,… E de muitos outros.

O lado pessoal do Reitor Manuel António Assunção

Como se define como pessoa? Discreto, conversador e contemplativo. Traço principal do seu carácter? Não desisto das coisas em que acredito. E sou um otimista, privilegio o bom senso. E defeitos? Há dois: a impulsividade que toda a gente conhece e, parafraseando Oscar Wilde, "posso resistir a tudo, menos à tentação". Que qualidade mais aprecia em si? Algumas tendo, não me compete a mim apreciá-las. Mas sempre diria que consigo pôr-me no lugar do outro. Se toda a gente conseguisse pôr-se no lugar do outro seria tudo muito mais fácil. Não tenho problemas em autocriticar-me e em dizer que errei.

Que facto histórico considera mais relevante? Na realidade em que vivemos, aponto o processo de construção da União Europeia que teve enormes repercussões na qualidade de vida dos portugueses e, externamente, enormes repercussões na maneira como a Europa é vista pelo resto do mundo. Quantas horas precisa de dormir para se sentir em forma? Sete. O que não dispensa no dia a dia? De não repetir todas as rotinas. Como gosta de ocupar os tempos livres? De muitas maneiras diferentes. Por exemplo, gosto muito de jardinar e de andar de bicicleta.

E filmes favoritos? Tem? "O Leopardo", do Luchino Visconti. E como sempre gostei muito de westerns, aponto o "Johnny Guitar", de Nicholas Ray, que é, se tal existe, o filme da minha vida e que revejo de vez em quando. Que música ouve? Sou muito eclético: Bob Dylan (cresci com ele e tenho quase todos os vinis), Gustav Mahler (gosto muito), cante alentejano (particularmente com os meus amigos Janita e Vitorino), Billie Holiday e muita música francesa (a minha geração ouviu muito), particularmente Georges Brassens. O que está a ler? Acabei há pouco "A Máquina de fazer Espanhóis", do Valter Hugo Mãe. Agora estou a ler "Homo Deus", de Yuval Noah Harari. O pior de ser Reitor é, paradoxalmente, não ter tempo para ler. Tem algum desejo por realizar? Nenhum. Sou muito carpe diem. Todavia, se não tivesse netos diria que os queria ter. E depois de deixar de ser Reitor? Tenho de arrumar a papelada. Ler, ler, ler e colar cromos com os meus netos.


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Universidade sem barreiras A cultura organizacional de inclusão e responsabilidade social valeu à UA a atribuição da "Marca Entidade Empregadora Inclusiva 2017", conferida pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP). "A marca é apenas um reconhecimento, não vivemos para chegar à marca. Mas a marca é um rótulo que nos vai ajudar a ser melhores e serve como fator de atratividade para alunos", comenta, confiante, o Reitor Manuel António Assunção. "Nunca entraram tantos alunos com necessidades especiais (NE) na UA como agora", assinala Gracinda Martins, responsável pelo Gabinete Pedagógico, confirmando o vaticínio do Reitor. No total, e até este ano letivo, contam-se 70 estudantes com necessidades educativas especiais na UA, sendo que 18 entraram no ano letivo 2017/2018. Está já na casa das muitas dezenas o número de estudantes, bem como de colaboradores docentes e não docentes com deficiências motoras e visuais que passaram pela UA ou que por cá se mantêm, perspetivando-se um aumento significativo desta população nos anos vindouros.

Longe de significar apenas um reconhecimento pelas condições e práticas organizacionais da UA, a marca atribuída pelo IEFP é também reflexo da ampla intervenção que tem vindo a ser feita em vários domínios da vida da instituição, sobretudo, desde o início do atual milénio. É o reconhecimento de um esforço que tem vindo a ser feito rumo a uma Universidade que pretende ser, cada vez mais, para todos, ao nível das acessibilidades e adaptação do espaço edificado, apoio ao estudo, apoio de caráter social e desportivo, acompanhamento e coordenação de esforços no suporte a prestar em cada caso.

Desde julho de 2015 que a UA dispõe do Estatuto do Estudante com Necessidades Educativas Especiais que estabelece medidas de apoio pedagógico, adaptações no processo de avaliação e medidas de apoio social, tendo o Gabinete Pedagógico como elemento central. O Gabinete Pedagógico funciona na Reitoria desde 1991 para dar apoio pessoal e pedagógico a todos os estudantes da UA, com vertente específica para os estudantes com NE. "Há muito tempo que, com o Gabinete Pedagógico na esfera da Reitoria, tem sido possível pôr em prática um


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conjunto de medidas centradas numa atenção individualizada. Cada pessoa com necessidades especiais é um caso singular. Esta tem sido uma abordagem determinante", afirma o Reitor da UA. Por outro lado, como entidade empregadora, a UA tem também promovido a inclusão envolvendo colaboradores e funcionários com algum tipo de incapacidade na atividade dos seus serviços, nomeadamente, de Comunicação, Imagem e Relações Públicas, de Biblioteca, Informação Documental e Museologia e de Ação Social. Piso tátil destaca-se nas acessibilidades Pese embora a jovem idade da instituição, as acessibilidades físicas não eram uma prioridade do país há 44 anos. Assim, a maioria dos edifícios e algumas zonas do Campus Universitário apresentavam barreiras arquitetónicas que dificultavam a circulação e o uso pleno e confortável das instalações a pessoas com dificuldades de mobilidade. Confrontada com esta realidade, a UA deu início a um conjunto de intervenções. Destas intervenções, salienta-se a instalação de um piso tátil num total de mais de 900 metros de comprimento. Projetado seguindo as recomendações da Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO) e financiado pela Corrida Bosch, cujas inscrições têm revertido, entre outras causas solidárias, para o Fundo Social da UA, e por fundos da própria UA, o piso faz a ligação entre o parque de estacionamento que tem lugar para veículos de pessoas com mobilidade condicionada, o Edifício Central e da Reitoria, os Serviços de Ação Social (SASUA), a cantina de Santiago e a totalidade dos edifícios da alameda da UA.


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Para além do piso tátil, construíram-se rampas de acesso aos edifícios, adaptaram-se instalações sanitárias e residências universitárias. Entre outras intervenções, instalaram-se plataformas elevatórias no edifício dos SASUA e no Complexo Pedagógico, Científico e Tecnológico, assim como rampas de acesso aos estrados dos anfiteatros onde está a mesa do professor, adaptou-se a zona de saída da rampa na ponte pedonal que liga o Campus de Santiago ao Crasto, reservaram-se lugares de estacionamento e os estudantes com deficiência motora e que usam scooters ou automóvel passaram a ser autorizados a usar a garagem da Reitoria. O edifício sede dos SASUA dispõe de uma cadeira elevatória elétrica para cadeira de rodas, permitindo aceder ao primeiro andar do edifício.

Quanto à alimentação, os refeitórios dispõem de mesas reservadas para estudantes com NE e de instalações adaptadas para os acolher nos diversos espaços adstritos a este núcleo de serviços. Os alunos podem ainda contar com o apoio das funcionárias das unidades alimentares na hora das suas refeições.

Apoio social aos estudantes Os SASUA articulam ações com o Gabinete Pedagógico no sentido de promover a integração dos estudantes, a partir do momento que chegam à UA, proporcionando-lhes as melhores condições para o desenvolvimento do seu percurso académico. De acordo com a estratégia e as ações que os Serviços de Ação Social desenvolvem, todos os alunos podem candidatar-se aos programas incluídos no Modelo Social Interno da UA: Apoio Social Ativo, vale social de refeição, bolsa de mérito social e redução do preço do alojamento universitário. A partir do presente ano letivo 2017/2018, os estudantes com incapacidade igual ou superior a 60 por cento podem solicitar a concessão de uma bolsa de estudo correspondente ao valor da propina. Entre as medidas com especial incidência nos estudantes com necessidades especiais adotadas pelos SASUA destacam-se as relacionadas com o alojamento, que incluem a disponibilização de quartos individuais em residência universitária devidamente adaptados. A UA dispõe de 14 destes quartos no Complexo Residencial do Crasto e de quatro no Complexo Residencial de Santiago. Nas residências está assegurado o acesso à cozinha, salas de estudo/ convívio e instalações sanitárias. É prestado apoio pelos Serviços na limpeza dos quartos destes alunos e nas tarefas em que os alunos evidenciem necessidades específicas.

No apoio à saúde disponibilizado pelos SASUA, as instalações do Centro de Saúde Universitário têm total acessibilidade para cadeira de rodas. A LUA (Linha Universidade de Aveiro), coordenada por Anabela Pereira, professora do Departamento de Educação e Psicologia (DEP), inclui o serviço E-LUA em que os voluntários prestam apoio a partir de casa (por e-mail), o que permite aos alunos com necessidades especiais (ambliopia, mobilidade reduzida, entre outros) que se proponham como voluntários poderem ajudar os seus colegas. Quanto ao acesso ao desporto, garantese acessibilidade em todas as instalações desportivas da UA onde decorrem atividades, tais como vela adaptada – parceria entre o Núcleo de Desportos Náuticos da Associação Académica da UA e o Sporting Clube de Aveiro – e boccia. Esporadicamente, se o número de interessados o permitir, é possível desenvolver outras modalidades como basquetebol em cadeira de rodas ou futsal para invisuais. Muito embora não sejam estudantes da UA, protocolos assinados com entidades terceiras (designadamente, Associação Pais em Rede e CERCIAv) permitem acolher nos SASUA jovens com necessidades especiais. Estes programas visam a ocupação em atividades auxiliares num ambiente normal de trabalho, contribuindo para a sua inclusão social e profissional e para a sua realização como cidadãos.

Bolsas e apoio ao estudo No âmbito do Regulamento de Atribuição de Bolsas de Estudo, o estudante com necessidades especiais pode beneficiar de bolsa de estudo, bem assim como de complemento de alojamento e benefício anual de transporte. Pode, ainda, ser-lhe atribuído um complemento de bolsa que vise contribuir para a aquisição de produtos

e serviços de apoio indispensáveis ao desenvolvimento de atividade escolar, até ao montante de três vezes o indexante de apoios sociais em vigor. No ano letivo 2017/2018, os estudantes com NE podem solicitar a concessão de uma bolsa de estudo correspondente ao valor da propina efetivamente paga para frequência do ensino superior. Para o pedido

de obtenção da bolsa, a apresentar à Direção Geral do Ensino Siuperior, os estudantes devem reunir três requisitos: estar matriculados e inscritos numa instituição de ensino superior; comprovar o grau de incapacidade através de um atestado médico de incapacidade multiuso; ter a situação tributária e contributiva regularizada. Esta bolsa é independente da atribuição da bolsa de estudo no âmbito da ação social (para alunos economicamente carenciados), podendo ambas coexistir. As bibliotecas da UA, através do Serviço de Apoio ao Utilizador com Necessidades Especiais (SAUNE), apoiam e orientam, nomeadamente alunos cegos, com baixa-visão, surdos e com mobilidade reduzida em diversas vertentes: produção e disponibilização de conteúdos em formato acessível; apoio personalizado; localização, recuperação e acesso da informação; realização de sessões de formação individualizadas e presenciais; produção e disponibilização de tutoriais adaptados; disponibilização de gabinetes equipados


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com tecnologias de apoio. No último piso da Biblioteca da UA estão localizados dois gabinetes de trabalho para utilizadores cegos, amblíopes ou com dificuldades motoras, que incluem computadores com acesso à internet e processamento de texto, sintetizador de voz, linha e impressora Braille, lupa, entre outros. Estes gabinetes estão disponíveis à comunidade académica e aos utilizadores externos com necessidades especiais. Para além das barreiras físicas "Concluímos, pois, que o facto de se registar um aumento gradual de estudantes com necessidades especiais que ingressam no Ensino Superior está relacionado com o investimento, não só financeiro como, sobretudo, social e ideológico, que tem sido feito pelas instituições universitárias, nomeadamente a Universidade de Aveiro, no sentido da satisfação das necessidades específicas dos mesmos e da promoção do justo acesso à educação, em igualdade de oportunidades e de direitos". "(…) verificámos que, na perspetiva dos participantes (no estudo), a Universidade de Aveiro é considerada uma instituição que promove a inclusão". As conclusões resultam da dissertação "Inclusão de estudantes

dossier

com necessidades especiais no ensino superior", apresentada em 2015 para conclusão do curso de Mestrado em Ciências da Educação, área de especialização em Educação Social e Intervenção Comunitária, da autoria de Ana Traqueia, sob orientação de Rosa Madeira, professora do Departamento de Educação e Psicologia da UA. Rosa Madeira sublinha a "resiliência" dos estudantes com necessidades especiais que chegam ao ensino superior, passando as muitas barreiras que se colocam na sociedade e nos vários níveis prévios de ensino. No entanto, as grandes questões que se colocam a estes estudantes do ensino superior ultrapassam o espaço geográfico da UA e as barreiras físicas dos locais onde desenvolvem atividade. "(…) a grande preocupação dos mesmos (destes estudantes) prende-se com o seu percurso profissional, após a conclusão da sua formação. A empregabilidade é, de facto, um contexto em que efetivamente se encontram barreiras muito mais difíceis de ultrapassar: as barreiras ideológicas", conclui ainda a autora da dissertação. Rosa Madeira acrescenta as barreiras psicossociais, erigidas por estereótipos e preconceitos, que "podem manter silêncios e marcar distâncias entre estes estudantes e os seus pares, num quotidiano em que as relações sociais se tornam uma parte importante dos percursos académicos". Também Manuela Gonçalves, sua colega no DEP e orientadora de outros trabalhos de investigação nesta área, defende uma abordagem pela diversidade, não pela deficiência, e salienta o ainda reduzido número de estudantes com necessidades especiais no ensino superior. Neste sentido, o Gabinete Pedagógico da UA promove anualmente uma campanha no seio da comunidade universitária de modo a reunir voluntários para apoiar os estudantes em certas atividades, como por exemplo, as refeições na cantina. A relação que se estabelece entre voluntário e estudante com necessidade especial, para além de ser um ato solidário e de ajudar a ultrapassar uma dificuldade imediata, pode ser um motor para uma mais fácil inclusão na comunidade, acredita Gracinda Martins.


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dezembro 2017

Anabela Pereira, professora do DEP, salienta os estudos que têm vindo a ser realizados, em colaboração com a ACAPO, sobre a ansiedade e a depressão em invisuais ou pessoas com dificuldade de visão. A dissertação de mestrado de Ana Sofia Teixeira, ela própria invisual, foi um desses casos: "Sofrimento Emocional na Deficiência Visual".

Investigação rumo à inclusão Em várias outras áreas da UA trabalha-se no sentido melhorar as condições de vida das pessoas com necessidades especiais. Um desses exemplos é a bengala que utiliza ultrassons para detetar buracos e declives com o objetivo de ajudar pessoas com deficiência visual nascida no Departamento de Eletrónica, Telecomunicações e Informática (DETI), como resposta a um desafio lançado à academia de Aveiro pela Associação Promotora do Ensino dos Cegos (APEC).

Formar para saber eliminar barreiras A formação de profissionais atentos à eliminação de barreiras e ao acesso na conceção e funcionamento do espaço edificado é uma das prioridades na formação de engenheiros civis na UA. Quer nos edifícios em si, como no espaço urbano para além de cada edifício. Quer em relação às acessibilidades e condições permanentes do espaço físico, como em relação às questões de segurança, considerando pessoas com deficiência motora ou mental, refere Romeu Vicente, professor do Departamento de Engenharia Civil. Estes tópicos são integrados na unidade curricular Física dos Edifícios, do 3.º ano do Mestrado Integrado em Engenharia Civil e noutras unidades curriculares de opção, como são o caso de Segurança e Mobilidade, Tráfego e Segurança Rodoviária, Coordenação e Segurança em Projeto de Obra, Prevenção de Riscos na Construção e do tema Segurança contra Risco de Incêndio que é transversal a várias unidades curriculares.

Romeu Vicente salienta a importância de uma abordagem conjunta de engenheiros civis e arquitetos à implementação do Decreto-Lei n.º 163/2006, de 8 de agosto, que estabelece os termos da acessibilidade e mobilidade para todos. Para além da formação de engenheiros civis promotores da mobilidade e acessibilidade para todos, a UA forma na área da Psicologia preparando para lidar com contextos educativos ou contextos de assistência à saúde envolvendo públicos com necessidades especiais. São várias as unidades curriculares, quer na licenciatura, quer no mestrado, quer ainda no programa doutoral que integram a questão de públicos com necessidades especiais. As abordagens são focalizadas, quer ao nível do diagnóstico (identificação das problemáticas, utilização de instrumentos de avaliação psicológica, entre outros) quer ao nível da intervenção psicológica e educativa.

Próteses diversas, cadeiras de rodas adaptáveis, quadrigas para transportar cadeiras de rodas, todas resultantes de dissertações do Mestrado Integrado em Engenharia Mecânica (MIEM), são outros trabalhos no mesmo sentido, para além de ideias diversas desenvolvidas em unidades curriculares do MIEM. Em 2012, estudantes deste curso venceram o "Prémio Ser Capaz – Investigação e Tecnologia", promovido pela Associação Salvador, com o projeto "Cadeira de Rodas Elevatória". No Departamento de Comunicação e Arte, a professora e investigadora Ana Margarida Almeida que trabalha no desenvolvimento de conteúdos digitais de apoio a pessoas com necessidades especiais, entre vários outros projetos no âmbito da unidade de investigação DigiMedia e orientações de trabalhos académicos, coorienta a doutoranda Isabel Santos na tese sobre ambientes de aprendizagem em Matemática para autistas, com orientação principal de Ana Breda, professora do Departamento de Matemática. Ana Margarida Almeida e o seu colega de departamento Jorge Ferraz de Abreu orientam a investigadora pós-doc Rita Oliveira que procura desenvolver serviços inovadores de audiodescrição baseados em iTV para cegos, em articulação com a Fundação PTe a ACAPO.


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dossier

TRABALHO INCLUSIVO NOS SERVIÇOS DA BIBLIOTECA DA UA ANA BELA MARTINS, DIRETORA DOS SERVIÇOS DE BIBLIOTECA, INFORMAÇÃO DOCUMENTAL E MUSEOLOGIA (SBIDM) A feliz experiência que a Biblioteca tinha, há vários anos, com dois colaboradores, seguidos pela CERCIAV, levou esta instituição a apresentar-nos uma proposta semelhante, para acolhermos mais duas pessoas. As características destes dois elementos fizeram com que a biblioteca aceitasse mais este desafio de ajudar duas pessoas ainda jovens a adquirir novas competências que lhes pudessem ser de grande utilidade na vida e, ao mesmo tempo, poder contar com elas para a realização de trabalhos urgentes e diários. Após algum tempo de colaboração, através de protocolo com a CERCIAV, a UA avançou para uma situação mais

estável para estes colaboradores, tendo sido celebrado um contrato, no âmbito do programa especial do IEPF – Emprego Apoiado em Mercado Aberto. Os dois trabalhadores estão nestas condições desde o início deste ano. É indiscutível que esta solução de vínculo laboral deve ser um dos caminhos a seguir pelos empregadores, devendo mesmo passar a uma situação mais definitiva. Independentemente do vínculo laboral, o grupo de colaboradores dos SBIDM considera-se composto por TODOS os que para eles contribuem diariamente, com o seu esforço, competências e dedicação.

VOLUNTARIADO NO APOIO AOS ESTUDANTES SANDRA OLIVEIRA, FUNCIONÁRIA DA BIBLIOTECA O voluntariado ajudou-me a mudar a minha perspetiva sobre a vida. Sinto uma profunda felicidade. Todos ganham: tanto as pessoas que são ajudadas, como quem ajuda. Parece que somos uma gota de água no oceano, mas de facto ajudamos a contribuir para um mundo melhor. Normalmente, não se tem consciência de que, se se quiser, é possível arranjar tempo para ajudar os outros e de que, só tendo essa experiência, se percebe a dimensão das dificuldades que alguns de nós enfrentam diariamente.

Até agora, ajudei quatro estudantes, desde 2009. Atualmente, ajudo uma aluna invisual a preparar o tabuleiro do almoço, na cantina, três vezes por semana, o que inclui retirar as espinhas do peixe, os ossos do frango ou carne, etc. Noutras situações pode passar ainda por dar a comida na boca, dar a medicação e ajudar no lanche. Não parece muito, mas tenho acompanhado todo o ciclo de estudos desses estudantes na UA. O que achamos ser pouco pode significar tanto para quem recebe!

SUCESSO DAS PARCERIAS NOS SERVIÇOS DE AÇÃO SOCIAL ANABELA OLIVEIRA, DIRETORA DA UNIDADE DE APOIO AOS ESTUDANTES DOS SERVIÇOS DE AÇÃO SOCIAL DA UA (SASUA) Os SASUA, a partir de propostas da CERCIAV e da Associação Pais em Rede e depois de celebrados os respetivos protocolos de enquadramento, têm atualmente três jovens com necessidades especiais a trabalhar em diversas áreas dos Serviços, designadamente nas áreas da Alimentação e do Alojamento. Procuramos integrá-los nas equipas constituídas, atribuindo-lhes tarefas simples que permitem desenvolver as suas competências profissionais, mas sobretudo

competências sociais e de relacionamento interpessoal, estimulando o seu sentido de responsabilidade e a sua realização como cidadãos. Tem sido muito gratificante observar os desenvolvimentos destes jovens e o seu contributo nas equipas em que estão integrados. O sucesso deste processo revela-se na constante renovação das parcerias com as instituições e a permanência destes jovens nos SASUA.


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dezembro 2017

IT: 25 anos a desbravar o futuro Nasceu há 25 anos com a missão de contribuir para o desenvolvimento das telecomunicações nacionais. Um quarto de século depois é, de facto, impossível falar das Tecnologias de Informação, Comunicação e Eletrónica (TICE) made in Portugal sem referir o Instituto de Telecomunicações (IT). Mais, tal como à hora do nascimento, o IT continua a apostar em trazer já hoje para o país (e para o mundo!) o futuro das Telecomunicações.


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investigação

A assinatura da UA, da Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade de Coimbra, do Instituto Superior Técnico e dos CTT (mais tarde Portugal Telecom), suportados pelo Programa Ciência, deram ao IT o primeiro sopro de vida. O impulso para fazer nascer o novo instituto partira da perceção de que as Telecomunicações eram uma área fundamental para o desenvolvimento social e económico do país. O IT nascia assim distribuído por três polos edificados em Aveiro, Coimbra e Lisboa. "Aveiro sempre foi uma zona com tradição nas Telecomunicações, onde já então estavam instaladas importantes instituições da área, nomeadamente o Centro de Estudos de Telecomunicações, Centro de Estudos dos CTT (atual AlticeLabs)", lembra José Neves, coordenador científico, membro da direção e rosto desde a primeira hora do IT Aveiro. A UA criou depois o curso de Telecomunicações, o que reforçou ainda mais esse vínculo. Entretanto, "o desenvolvimento a nível nacional de indústrias de base tecnológica veio aumentar a necessidade e a importância estratégica da formação avançada e da Inovação e Desenvolvimento nas áreas de competência do IT, confirmando-se a sua razão de ser", aponta José Neves.

Crescimento rápido Hoje, para além dos três polos, o IT tem delegações na Faculdade de Engenharia e na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, na Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Leiria, no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (Lisboa), na Universidade da Beira Interior (Covilhã) e congrega também a Nokia. Declarado de utilidade pública em 1995, o IT é desde 2001 um Laboratório Associado, estatuto que lhe foi atribuído pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

Razões mais do que suficientes para em Aveiro existir um sentimento de orgulho pela cultura criada dentro do Polo. "Com o reconhecimento das competências existentes, os investigadores revelaram uma forte capacidade de captação de financiamento externo, fora da FCT, junto da União Europeia, da Agência Nacional de Inovação e do mundo empresarial", afirma José Neves. O responsável diz mesmo que, atualmente, "a contratação externa representa uma percentagem substancial do financiamento do Polo de Aveiro".

José Neves Direção do IT Aveiro

"Também não podemos deixar de nos sentir orgulhosos por na reavaliação final do IT, no âmbito da última avaliação das unidades de investigação promovida pela FCT e cobrindo o período 20082012, o Complaint Panel afirmar que a nível nacional o IT se compara bem com todas as outras unidades de investigação da mesma área com classificação de excelente "and might indeed be at a higher level", regozija-se José Neves. A nível internacional o IT é uma referência incontornável.

Durante os 25 de existência do IT, lembra José Neves, "o Polo de Aveiro, inicialmente com dimensão mais reduzida, foi crescendo e hoje é em Aveiro, onde está localizada a sede do IT, que se verifica a maior concentração de investigadores dentro do Instituto". José Neves sublinha também o polo do IT Aveiro como o "mais ativo nos aspetos referentes, quer aos projetos com financiamento internacional quer aos projetos nacionais em consórcio com a indústria".

Presidente do IT aponta o "polozão" de Aveiro "Quando o IT começou há 25 anos, Aveiro era um "polozinho". Agora é um "polozão". É o maior de todos, foi aquele que mais cresceu, que mais se desenvolveu, que mais impacto tem sob ponto de vista financeiro. É obra!". Carlos Salema, presidente do IT, lembra os primeiros anos do Instituto como uma "experiência muito gratificante que se propôs levar gente de vários sítios, de várias instituições e de

vários saberes a trabalharem todos em conjunto para o progresso, a ciência, a tecnologia, das aplicações a problemas sociais, para a criação de emprego e para o desenvolvimento não só das empresas como do próprio IT". Quanto ao futuro do IT nos próximos 25 anos, a palavra de ordem é crescimento. Para tal, a gestão "deve fazer com que todos trabalhem para o mesmo fim e, de certa maneira, em sincronia". Como nas orquestras de jazz, das quais é amante, "é preciso que toquem todos a mesma coisa, mas não necessariamente através da mesma pauta". "É mais fácil fazer isso à moda das orquestras clássicas em que todos têm à frente aquilo que têm para fazer. Mas não se pode fazer ciência boa dessa maneira", diz. Esse é talvez o grande desafio que Carlos Salema antevê que o IT tem agora pela frente, o de "manter a grandeza da orquestra, a liberdade, a criatividade, a capacidade de se fazer aquilo que se gosta e que se é capaz de fazer e ao mesmo tempo manter a unidade".

Carlos Salema Presidente do IT


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dezembro 2017

MOBIWISE O projeto Mobiwise está a construir uma plataforma 5G que incorporará uma infraestrutura de acesso, com sensores, pessoas e veículos, com o objetivo de melhorar a mobilidade urbana, tanto para os seus habitantes como para visitantes. A infraestrutura funcionará através de uma rede completa e de uma plataforma de serviços de suporte à implantação da Internet das Coisas numa cidade inteligente. INFANTE O projeto Infante é um projeto de I&D para o desenvolvimento e demonstração em órbita de um pequeno satélite de tecnologia portuguesa, como primeiro componente de uma constelação para vigilância marítima, observação da Terra e comunicações entre satélites e estações de solo.

Os maiores projetos que o IT-Aveiro tem em mãos a pensar no futuro: SKA É um dos maiores projetos científicos internacionais. Chama-se "Square Kilometer Array" (SKA) e pretende construir até 2020 o maior radiotelescópio do mundo para perscrutar alguns dos mistérios do Universo. Coordenada pelo polo de Aveiro do IT, a presença portuguesa no megaprojeto mundial, através do consórcio EngageSKA, vai liderar o processo de definição de aspetos vitais para o êxito do SKA, com foco na inclusão de tecnologias de energia solar e de redes de energia inteligentes (SmartGrid), assim como de comunicações e processamentos avançados suportados por sistemas de computação em nuvem. ORCIP O "Optical Radio Convergence Infrastructure for Communications and Power Delivering (ORCIP)" é uma infraestrutura aberta e acessível remotamente, que permitirá que a comunidade científica e a indústria testem, meçam e certifiquem sistemas de ótica e rádio avançados. O projeto do IT – Aveiro visa facilitar a entrada das empresas no mundo da inovação e do conhecimento, uma vez que as liberta das avultadas

despesas exigidas com a aquisição de equipamentos e conhecimentos técnicos. Uma vez operacional, o ORCIP será um valioso e poderoso instrumento para reduzir a barreira da entrada das pequenas e médias empresas em atividades de inovação nas áreas das telecomunicações da próxima geração.

RETIOT O projeto RETIOT tem como objetivo o desenvolvimento de tecnologias que permitam a massificação de sensores não invasivos baseados em princípios de reflectometria para a futura Internet das Coisas e cobre áreas desde o dispositivo até a aplicação. O objetivo do RETIOT é, pois, contribuir para o desenvolvimento de uma tecnologia que permita essa massificação.

25 anos em números

IT – Aveiro

IT – Nacional

Livros

43

217

Capítulos de livros

185

774

Artigos científicos publicados em jornais/revistas 1237 indexados ao International Scientific Indexing

4584

Artigos científicos apresentados em conferências 2698

10017

Teses de Doutoramento

152 (45 estrangeiros)

626

Dissertações de Mestrado

635 (33 estrangeiros)

2313

Investigadores estrangeiros em Doutoramento e Pós-Doutoramento em 2016

37

92

Projetos financiados pelo Sexto Programa Quadro Europeu (FP6)

18

18

Projetos financiados pelo Sétimo Programa Quadro Europeu (FP7)

12

21

Projetos H2020

9 10

Projetos de IDT QREN

16 21

P2020

19 22

Patentes

61 151


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investigação

Breves – Investigação

UA DESCOBRE NO MAR A SOLUÇÃO PARA ERRADICAR OS MICROPLÁSTICOS Pode ser a chave para o grave problema ambiental dos microplásticos nos oceanos, foi descoberta na UA e dá pelo nome de Zalerion maritimum. Trata-se de um fungo marítimo que não só consegue degradar o microplástico como o faz de forma rápida e eficiente. Esta é a primeira solução ecológica alguma vez descoberta para combater os plásticos nos oceanos já que ao otimizar-se o raro apetite do fungo recorre-se a uma solução oferecida pelo próprio mar. Comum na costa portuguesa e com um habitat espalhado a vários oceanos do planeta, o estudo do apetite do Zalerion maritimum por microplásticos foi publicado no último número da revista "Science of The Total Environment" tendo, sido destacado pelo editor como um verdadeiramente novo campo de investigação. Os dados apresentados pelos investigadores Teresa Rocha Santos, Ana Paço, João Pinto da Costa e Armando Duarte, do Departamento de Química (DQ) e do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da UA não deixam margem para dúvidas: isolado em laboratório num ambiente em tudo semelhante ao do mar poluído com microplásticos, em sete dias o Zalerion maritimum consegue reduzir 77 por cento daquele material.

RADAR MEDE A RESPIRAÇÃO À DISTÂNCIA Esqueçam-se os sensores no peito ou qualquer outro método usado hoje para medir o ritmo respiratório. O Bio-Radar está a ser desenvolvido na UA e, através de ondas rádio, permite registar à distância a frequência respiratória humana. Eficaz, rápido e cómodo para doentes e médicos, o Bio-Radar funciona através do envio de uma onda rádio que é refletida pelo tórax do paciente. Este eco recebido pelo radar permite monitorizar os sinais vitais. Se atualmente o Bio-Radar já consegue medir o ritmo respiratório, o objetivo dos investigadores é que dentro em breve também possa aferir o ritmo cardíaco. Nascido de uma colaboração entre o Instituto de Engenharia Eletrónica e Telemática de Aveiro e o Instituto de Telecomunicações de Aveiro, duas das unidades de investigação da UA, o Bio-Radar, ainda em fase de protótipo, tem por objetivo usar um sistema radar para monitorizar à distância de algumas dezenas de centímetros os sinais biométricos de um paciente. Daniel Malafaia, José Vieira, Ana Tomé, Pedro Pinho e Carolina Gouveia são os investigadores que desenvolveram o Bio-Radar.

Nova técnica para caracterizar nanodispositivos

importantes conclusões acerca do peculiar

parceria coordenada pelo CICECO – Instituto de

Luís Carlos e Carlos Brites, investigadores do

metabolismo do carbono em diatomáceas bênticas.

Materiais de Aveiro que implica também o estudo

CICECO-Instituto de Materiais de Aveiro e do

Os investigadores concluem que a disponibilidade

de membranas poliméricas, materiais compósitos

Departamento de Física da UA, em colaboração

de carbono nestas microalgas limita a sua

ou de líquidos iónicos.

com dois grupos de investigação argentinos,

fotossíntese, apesar destas conterem mecanismos

desenvolveram uma nova técnica para medir

que aumentam a concentração de carbono

Batismo de nova espécie de bactéria

a condutividade térmica de nanoestruturas

numa enzima chave da atividade fotossintética, e

homenageia António Correia

porosas usando termometria de luminescência

determina complexos comportamentos migratórios

Uma nova espécie de bactéria, descrita por

em tempo real. O trabalho abre as portas para o

verticais destas células.

investigadores do Departamento de Biologia da UA, recebeu o nome Saccharospirillum correiae.

desenvolvimento de novos sistemas de isolamento térmico e elétrico, células fotovoltaicas e

Materiais para armazenar e produzir energia via

O epíteto específico correia foi atribuído em

catalisadores, entre outras aplicações.

hidrogénio

homenagem a António Correia, microbiólogo e

Desenvolvimento de um dispositivo unitário que

professor catedrático naquela unidade orgânica

Disponibilidade de carbono afeta atividade de

desempenhe de forma reversível as funções de

da UA, falecido em 2016. A bactéria é uma, entre

microalgas

eletrolisador e célula de combustível, armazenando

muitas outras novas espécies, que vive no interior

Sónia Cruz e Paulo Cartaxana, investigadores do

e produzindo energia quando necessário, utilizando

de uma planta comum na Ria de Aveiro, mais

Centro de Estudos do Ambiente e do Mar e do

o hidrogénio como vetor energético, e resolvendo o

conhecida por gramata-branca.

Departamento de Biologia da UA, e Jorge Marques

problema da intermitência da produção energética

da Silva, da Universidade de Lisboa, desenvolveram

por fontes renováveis. É este o objetivo de uma


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dezembro 2017

Primeiros formados nos CTeSP da UA estão no mercado de trabalho

Formação "rica em termos de conhecimentos práticos e de valor imediato na procura ativa de soluções" Os primeiros diplomados dos Cursos Técnicos Superiores Profissionais (CTeSP) das três escolas politécnicas da UA estão no mercado de trabalho, abrindo perspetivas muito positivas quanto à sua preparação e à adequação às necessidades das empresas.


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"A avaliação que fazemos é muito positiva. Desde logo, pela taxa de empregabilidade", assinala o Vice-reitor da UA, Gonçalo Paiva Dias, apesar de se basear num número ainda reduzido de diplomados dos Cursos Técnicos Superiores Profissionais (CTeSP). . A esse indicador associa-se a procura, "muito boa", sublinha: "No presente ano letivo, o número de colocados excedeu mesmo o número total de vagas, em resultado da existência de algumas situações de empate", salienta ainda o membro da equipa reitoral. Este sucesso, contudo, não surpreende o Vice-reitor para a área do Ensino, tendo em conta o processo que levou à criação dos CTeSP: "(…) o facto de ter havido participação de potenciais empregadores na conceção dos cursos faz com que tenhamos a expectativa de que as competências desenvolvidas pelos estudantes estejam efetivamente alinhadas com as necessidades do mercado de trabalho." Os candidatos provêm maioritariamente de cursos profissionais, de escolas secundárias e profissionais da região, tal como esperado, tendo em conta a vocação dos cursos. Os alunos dos cursos profissionais representam cerca de 45 por cento do total de estudantes do ensino secundário, dos quais apenas cerca de 15 por cento chegam ao ensino superior.

Áreas há em que o número de estagiários não é suficiente O estágio na empresa/entidade em ambiente de trabalho, com duração de um semestre (680 horas), é uma peça central na formação dos CTeSP que resulta da conjugação entre a necessidade da empresa, o seu tipo e o perfil do aluno, a partir do qual se estabelece um plano de trabalho. O Vice-reitor salienta que tem existido uma grande recetividade por parte das empresas no acolhimento de estagiários, afirmando: "Em algumas áreas, o número de estagiários chega mesmo a não ser suficiente para dar resposta a todas as solicitações". Em muitos casos, as parcerias entre a UA e as entidades que recebem os estagiários são já antigas, resultando de colaborações

anteriores ao nível dos estágios dos Cursos de Especialização Tecnológica (CET) e mesmo das licenciaturas. O contrário também é verdade, com os CTeSP a abrirem perspetivas de colaboração ao nível das licenciaturas e do desenvolvimento de projetos com as empresas, resultando assim num importante contributo para o desenvolvimento da região.

Jorge Miguel Martins, técnico da empresa HFA e orientador do estágio de João Paulo Gomes, aluno de Redes e Sistemas Informáticos, CTeSP da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Águeda (ESTGA), elogia a formação técnica do jovem, "rica em termos de conhecimentos práticos e de valor imediato na procura ativa de soluções". Salienta ainda as capacidades individuais e as chamadas soft skills que, ademais, encontrou no João Paulo. A experiência com o jovem da ESTGA correu tão bem, assinala o orientador de estágio, que a empresa contratou um colega de turma que também já faz parte da equipa e promoveu o contacto com mais formados na área para integração nos quadros da HFA. A HFA dedica-se à assemblagem e teste de equipamento eletrónico e de telecomunicações.

Formações que são pontos fortes no recrutamento Tiago Monteiro, CEO da multinacional de moldes para o ramo automóvel PTC Group, em Oliveira de Azeméis, comenta: "Atendendo ao histórico do PTC Group com alunos deste curso e conhecendo as competências adquiridas, certamente a formação é um ponto forte num processo de recrutamento". O responsável da empresa refere-se à formação em Design de Produto, na Escola Superior Aveiro Norte

ensino

t

(ESAN) e, em concreto, a Rui Aguiar, então finalista deste CTeSP, estagiário que acompanhou. "O estágio ficou acima das minhas expectativas, pois estagiei numa empresa de engenharia de produto, processos e moldes, o que veio enriquecer muito as minhas competências, nomeadamente permitindo-me aprender novos programas de modelação 3D e aprofundar os conhecimentos de desenho técnico", considera o recém-formado na ESAN e atual funcionário do PTC Group.

Daniela Pereira, CTeSP em Gestão de Vendas e Marketing, do Instituto Superior de Contabilidade e Administração da Universidade de Aveiro (ISCA-UA), estagiou na Rebelo Artes Gráficas, em Estarreja. "Acreditaram e confiaram em mim desde o início, o que me levou a ser uma pessoa mais autónoma e eficaz nas tarefas desenvolvidas", considera a atual funcionária da empresa. A orientadora de estágio na empresa, Anabela Rebelo, não tem dúvidas quanto ao valor da formação do ISCA-UA e a eventuais recomendações: "Claramente que aconselhamos (os formados no CTeSP do ISCA-UA) e prova disso é que a formanda Daniela integrou a nossa equipa, assim que terminou o curso, reforçando a nossa força de vendas".


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dezembro 2017

Modelo de transferência de tecnologia baseado em Ciência-Experimentação-Empresas

Creative Science Park inicia atividade no primeiro trimestre de 2018


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cooperação

Instrumento qualificado de execução de prioridades políticas nacionais de que a UA é parceira, nomeadamente dos polos tecnológicos das Tecnologias de Informação, Comunicação e Eletrónica, da Energia e do Agroindustrial, além do Cluster do Habitat e do Cluster do Conhecimento e da Economia do Mar, entre outros, o PCI destaca-se pelo envolvimento formal e efetivo de diferentes atores que constituem a tripla hélice da inovação e do desenvolvimento económico: o conhecimento, através da UA, a região, através da Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro (CIRA), dos municípios de Ílhavo e de Aveiro, e as empresas. Este processo colaborativo é valorizado pela existência de espaços qualificados e de ações de apoio à promoção da inovação, empreendedorismo, capacitação de negócios, entre os quais se destacam a Design Factory, a Incubadora de Empresas e vários Laboratórios de Uso Comum (LUC).

Parque de ciência e tecnologia de última geração e membro efetivo da Associação Internacional de Parques de Ciência e Áreas de Inovação (IASP), o Parque de Ciência e Inovação – Creative Science Park Aveiro Region (PCI) tem como principal objetivo o reforço do envolvimento colaborativo entre o sistema científico, a região e o tecido empresarial. Com inauguração prevista para o início de 2018, está estruturado em torno de cinco grandes áreas de aposta estratégica da UA e do desenvolvimento da região, alinhadas com a Estratégia de Especialização Inteligente da Região (RIS3): Tecnologias de Informação, Comunicação e Electrónica (TICE), Materiais, Mar, Agroindustrial e Energia.

O PCI contempla ainda uma grande zona de acolhimento de empresas e startups projetadas para atrair e fixar empreendedores de talento e de visão interessados em desenvolver negócios relacionados com a criação de produtos e serviços altamente qualificados e inovadores nas áreas de referência do PCI.


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dezembro 2017

DISPONIBILIDADE DE REALIZAÇÃO DE PROJETOS DE IDT EM ESPAÇOS DEDICADOS O conceito e design do Parque e a própria composição acionista, integrando a UA, entidades autárquicas, empresariais e financeiras, são outros aspetos diferenciadores. O Parque de Ciência e Inovação – Creative Science Park Aveiro Region é uma sociedade anónima, constituída em 2010, da qual a UA é a acionista maioritária. Localizando-se no Município de Ílhavo (30 hectares na zona da Coutada) e no Município de Aveiro (5 hectares na zona do Crasto, Verdemilho).

três edifícios já concluídos: Edifício Central, Laboratório de Uso Comum de Materiais e Agroalimentar e Laboratório de Uso Comum das TICE.

Refletindo a relevância do Parque de Ciência e Inovação no contexto regional e nacional, o Conselho de Administração é presidido pela UA e composto por representantes da CIRA, Portus Park, AIDA, I’M – SGPS, SA., Grupo Visabeira, SGPS, S.A. e Caixa Geral de Depósitos, e vem norteando a ação do PCI para o acolhimento de empresas de alta intensidade tecnológica, unidades de investigação de empresas, incubação de empresas, organismos de investigação, desenvolvimento e inovação, e entidades de formação avançada e similares. O início de funcionamento está previsto para o primeiro trimestre de 2018, com a inauguração das infraestruturas públicas de

No Edifício Central ficarão instalados a Design Factory, a Incubadora de Empresas, que incluirá também a Incubadora de Empresas da Universidade de Aveiro, e os Serviços Partilhados. A Incubadora é um espaço de acolhimento, dinamização e apoio à incubação de ideias inovadoras e promissoras, com base em projetos de reconhecida elevada qualidade, assim como startups de índole tecnológica e de elevado potencial de crescimento, num ambiente físico que proporciona o surgimento de oportunidades de negócio, de partilha de experiências e de participação em redes de cooperação e funcionará em estreita articulação com a IERA – Incubadora de Empresas da Região de Aveiro. A Design Factory assume-se como uma plataforma dinâmica e facilitadora para a exploração de práticas metodológicas, ferramentas e processos de design participado, especialmente na realização de projetos decorrentes de parcerias estratégicas entre a academia e o tecido económico, social e cultural, revestindo-se de um papel estratégico para a região de Aveiro como espaço de colaboração e partilha de conhecimento no desenvolvimento e materialização de produtos e serviços inovadores liderados pelo Design.

Aqui serão disponibilizados serviços de empreendedorismo e inovação, de apoio à valorização e promoção do conhecimento e da inovação, que incluem serviços de promoção de ID&T; programas de crowdfunding, programas provas de conceito, divulgação e valorização de tecnologia e valorização de conhecimento e plataformas tecnológicas. Os LUC oferecem, ainda, serviços complementares de apoio às atividades, que contemplam consultoria, assistência e formação nos domínios da transferência de conhecimentos, aquisição, proteção e exploração de ativos incorpóreos, estudos diversos, inserção em redes do conhecimento e serviços diversos associados às atividades desenvolvidas no âmbito do Parque, tendo em vista a promoção da inovação, do empreendedorismo e da transferência de tecnologia na região de Aveiro.

Nos LUC serão disponibilizados espaços para o acolhimento temporário de projetos de I&DT, do sistema científico e das empresas, pretendendo acolher equipas multidisciplinares, em estreita articulação com o setor científico e académico.

Na zona de acolhimento de empresas, o PCI terá, no imediato e para serem disponibilizados através da cedência do direito de superfície, 19 lotes de terreno infraestruturados destinados à edificação por entidades que sejam elegíveis no âmbito dos regulamentos do Parque.


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cooperação

DESIGN FACTORY: INTERFACE DE INTEGRAÇÃO DE DIFERENTES SABERES E ATORES Esta estrutura do PCI pretende criar as condições necessárias para a geração de ideias, o seu desenvolvimento e materialização através da disponibilização de serviços e metodologias design-led e, assim proporcionar o estímulo à interação entre diversos agentes do tecido económico, social e cultural, e da comunidade científica, A Design Factory integrará diferentes saberes e atores com vista à criação de iniciativas inovadoras, terá uma estreita ligação científica à UA e vai ser um espaço de convergência interdisciplinar em que o Design funcionará como mediador cultural, impulsionando o desenvolvimento, promoção e difusão de novos produtos e serviços juntando designers, criadores, investigadores, empreendedores, estudantes, entre outros stakeholders, e conjugando sinergias entre várias áreas de conhecimento, como o Design, a Gestão e as Engenharias. A sua estreita ligação à UA permitirá o desenvolvimento de diversas tipologias de atividades que se revestem de características próprias e que permitem a exploração de problemas e desafios prospetivos, com vista a conceber soluções inovadoras envolvendo metodologias colaborativas interdisciplinares e os principais elementos caracterizadores da atividade de Design: significado, criatividade, processos e inovação, fortemente ancorados nos princípios, metodologias e processos de Design, permitindo a disrupção ou incrementação do existente. A Design Factory está dotada de vários tipos de espaços, tais como oficinas, salas de trabalho criativo, salas para workshops, espaços polivalentes de interação, espaço de informação especializada, loja, e também os relevantes espaços de exposição e eventos.

MANUEL ANTÓNIO ASSUNÇÃO REITOR DA UNIVERSIDADE DE AVEIRO "O PCI é simultaneamente uma demonstração do que foi conseguido na relação com a região – nos seus múltiplos atores e agentes – e ao mesmo tempo um instrumento poderoso para lançar essa cooperação para outros patamares de atividade e alcance, permitindo que o conhecimento da UA possa ser transferido, aproveitado e multiplicado, a favor de mais inovação e mais desenvolvimento na região de Aveiro, e além dela. Para que isto aconteça é imprescindível que a Universidade reconheça o potencial existente nesta infraestrutura, que tem que se assumir como uma interface de permeabilidade entre o saber produzido nas universidades e laboratórios de investigação e aqueles que promovem atividades e produzem riqueza no tecido económico, cultural e social. Lembremo-nos que o PCI vai contar com laboratórios de uso comum nas áreas estratégicas da Universidade e que, portanto, é necessário que todos se mobilizem para tirar maior partido desses equipamentos que disponibilizam e das dinâmicas que não deixarão de criar. Entre essas dinâmicas não será despiciendo salientar o papel que o PCI desempenhará na atração e fixação de talentos na região de Aveiro".

JOSÉ RIBAU ESTEVES PRESIDENTE DA COMUNIDADE INTERMUNICIPAL DA REGIÃO DE AVEIRO "O PCI é uma aposta de um conjunto de entidades parceiras da região de Aveiro que se vai assumir como mais um elemento diferenciador da nossa oferta, único nas suas principais características, como a contiguidade a um campus universitário, integrando uma Design Factory e uma Incubadora de Empresas com polos em todos os municípios envolvidos, assim como uma estrutura societária da sociedade anónima sua titular. O PCI, liderado pela Universidade de Aveiro, intensamente coadjuvada pela Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro, vai ser ativado no início de 2018 e é um dos mais expressivos exemplos que a Região de Aveiro construiu, da nossa capacidade de conquista e de inovação para o desenvolvimento. Seguimos juntos e determinados em ultimar o PCI para a sua entrada em operação, e em capacitarmo-nos devidamente para o utilizarmos com a exigida qualidade".


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Edições 2017 UNIVERSIDADE DE AVEIRO: CAUSA HONORIS Autoria: Idália Sá-Chaves e Jorge Carvalho Arroteia Editora: Universidade de Aveiro ESTGA – 20 ANOS Coordenação: Artur Ferreira e Ana Balula Editora: UA Editora ISBN: 978-972-789-519-9 PARQUE INFANTE D. PEDRO: PATRIMÓNIO HISTÓRICO E BOTÂNICO: PROJETO EDUPARK Coordenação: Lúcia Pombo Editora: UA Editora ISBN: 978-972-789-506-9 ESTRATÉGIA, INOVAÇÃO E MUDANÇA: CASOS DE ESTUDO SOBRE COMPETITIVIDADE Coordenação: Manuel Au-Yong Oliveira e Ramiro Gonçalves Editora: UA Editora ISBN: 978-972-789-520-5 O VIOLINO E O VIOLEIRO Autoria: Joaquim Domingos Capela e António Alexandrino Editora: UA Editora ISBN: 978-972-789-511-3 COMUNICAÇÕES ÓTICAS E APLICAÇÕES Autoria: Paulo André, Mário Lima, Ana Pratas, Liliana Costa, Cláudia Mendonça, António Teixeira Editora: Lidel ISBN: 978-989-752-137-9 CÁLCULO: TEORIA E EXERCÍCIOS Autoria: Ricardo Almeida Editora: Plátano Editora ISBN: 978-989-760-125-5 GUIA DE OBSERVAÇÃO DE AVES PARA A PATEIRA DE FERMENTELOS Autoria: Fernando Correia Editora: Câmara Municipal de Águeda INTRODUÇÃO À NARRATIVA CINEMATOGRÁFICA Autoria: João de Mancelos Editora: Edições Colibri ISBN: 978-989-689-671-3

A PROTECÇÃO JURÍDICA DO DESIGN Autoria: Pedro Sousa e Silva Editora: Edições Almedina ISBN: 978-972-407-041-4 AVALIAÇÃO EM CRECHE: CRECHENDO COM QUALIDADE Autoria: Cindy Mutschen Carvalho e Gabriela Portugal Editora: Porto Editora ISBN: 978-972-034-756-5 BRINCAR AO AR LIVRE: OPORTUNIDADES DE DESENVOLVIMENTO E DE APRENDIZAGEM FORA DE PORTAS Autoria: Helen Bilton, Gabriela Bento e Gisela Dias Editora: Porto Editora ISBN: 978-972-034-282-9 CALAVAM-SE AS ESTRELAS NA MÁGOA DAQUELE INVERNO Autoria: Luís Serrano Editora: Chiado Editora ISBN: 978-989-774-988-9 PALUÍ. VIAGEM POR HISTÓRIAS SONORAS QUE A LÍNGUA PORTUGUESA CONTA Autoria: Helena Caspurro e Pedro Carvalho de Almeida Editora: Mulher Avestruz I FÓRUM CIDTFF: LIVRO DE POSTERS [RECURSO ELETRÓNICO] Coordenação: Maria Helena Araújo e Sá Editora: UA Editora ISBN: 978-972-789-509-0 JORNADAS LCD: AVALIAÇÃO FORMATIVA EM CONTEXTOS DIGITAIS NO ENSINO NÃO SUPERIOR [RECURSO ELETRÓNICO] Coordenação: Maria João Loureiro Editora: UA Editora ISBN: 978-972-789-513-7 INFORUM 2017: ATAS DO NONO SIMPÓSIO DE INFORMÁTICA [RECURSO ELETRÓNICO] Coordenação: João Paulo Barraca,Helena Rodrigues, António Teixeira, José Maria Fernandes Editora: UA Editora ISBN: 978-972-789-522-9


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cultural

"1995.sapo", uma homenagem ao primeiro motor de busca (mais tarde, um portal) de origem portuguesa nascido na UA, foi a peça mais recente de um conjunto de esculturas e painéis cerâmicos que foram povoando o Campus Universitário de Santiago desde o início do século XXI. "1995.sapo", instalado em 2014 no extremo da galeria que rodeia a alameda e ao lado da Reitoria, é da autoria de Paulo Neves, um dos escultores com maior número de trabalhos no espaço físico da UA. Este território foi sendo construído também como reflexo de diversas formas de expressão cultural contemporânea: urbanismo, arquitetura e artes plásticas. Com edifícios desenhados por dois prémios Pritzker, Siza Vieira e Souto de Moura, e por vários outros autores de renome, este campus constitui um museu a céu aberto de arquitetura contemporânea portuguesa ao qual se juntam trabalhos de vários artistas plásticos nacionais e estrangeiros, cujo conjunto é mais um motivo para percorrer o espaço. Para além da comunidade da UA que aqui vive e de outros públicos ocasionais, os mais de 5 mil visitantes, em média, e por ano, percebem-no.

Animais, anjos, sonhos e outras visões que enriquecem

a alma do Campus


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dezembro 2017

Animal Alma, alma da Ria? Anos antes do "1995.sapo", um outro animal, figura alada de patas fincadas na laguna e bico perscrutando o fundo, algures entre o maçarico, o perna-longa, o flamingo e que é reflexo de tantos outros que dão vida à Ria, pousou no Jardim do Espelho de Água, entre os edifícios 9 (Departamento de Engenharia de Materiais e Cerâmica) e 3 (antiga Reitoria). Animal indefinido na forma mas delineado na alma, este "Animal Alma", criado por Manuel Patinha, marcou o início de um caminho que a arte contemporânea foi desenhando no espaço público da Universidade, a partir do ano 2000. O percurso pelo Campus de Santiago, para além dos trabalhos de Manuel Patinha (três) e de Paulo Neves (quatro), mostra ainda outras obras de grande porte assinadas por Xico Lucena (duas), Zé Penicheiro (painel cerâmico em frente à Reitoria), Panaite Chifu (conjunto em madeira ao lado da Reitoria), Paco Pestana (hall do edifício 23), Isaque Pinheiro (entre os edifícios 23 e 14) e Volker Schnüttgen (à frente do edifício 11), esculturas e murais que enriquecem a paisagem e tornam a arte fisicamente acessível a quem passa. Pertence ainda ao conjunto um painel sobre Timor, com trabalhos de crianças das escolas do pré-primário e primeiro ciclo da região de Aveiro.

"Convívio com espaços belos tem impacto na formação de todos" O programa, explica o Reitor, realizou-se "sempre com pouco dinheiro e muito à custa do voluntarismo, interesse e compreensão de artistas que gostassem de ficar representados no campus". As obras surgiram em contextos diversos, como por exemplo, simpósios e encomendas que "foram quase traduzidas em ofertas dos autores", comenta Manuel António Assunção. Apesar do investimento da UA nesta área ter parado durante o período em que Portugal esteve sob assistência financeira, o Reitor tem esperança que, no futuro, esse caminho possa ser prosseguido: "Porque a educação estética existe e o convívio com espaços belos tem impacto na formação de todos; não é por acaso que temos poucas pichagens nas paredes do campus: as pessoas apercebem-se de que há um património belo que não apetece estragar e que importa continuar a manter belo."

1. Animal Alma

11. Grande Enlace

Jardim do Espelho de Água, ao lado do edifício do Departamento de Engenharia de Materiais e Cerâmica Autor Manuel Patinha Materiais Aço galvanizado Colocação no Campus ano 2000

Átrio de entrada do edifício da Reitoria Autor Manuel Patinha Materiais Aço e Vidro Espelhado

2. Estátuas de Pedra

Jardim lateral do edifício do Departamento de Matemática Autor Volker Schnüttgen Materiais Mármore Colocação no Campus ano 2010

Jardim junto à entrada no edifício da Reitoria Autor Paulo Neves Materiais Pedra Colocação no Campus ano 2001

3. Calandra Átrio do edifício da Biblioteca da Universidade Autor Manuel Patinha Materiais Aço galvanizado Colocação no Campus ano 2000

4. Painel Timor Escadaria de entrada do edifício Departamento de Didática e Tecnologia Educativa Autor Crianças das escolas do pré-primário e 1.º ciclo, da região de Aveiro Materiais Azulejos e tintas para azulejo

5. Voar mais alto Parede lateral do Departamento de Educação e Psicologia Autor Zé Penicheiro Materiais Painel em cerâmica Colocação no Campus ano 2004

6. Places Under Sky Jardim lateral junto ao edifício da Reitoria Autor Panaite Chifu Materiais Madeira Colocação no Campus ano 2004

7. Un Sueño Soñado en la Escalera Entrada do edifício do Complexo Pedagógico Científico e Tecnológico Autor Paco Pestana Materiais Madeira Colocação no Campus ano 2004

8. Os Anjos também têm Asas

12. Escada para o Céu

13. Silêncio Jardim em frente ao Complexo Pedagógico Científico e Tecnológico Autor Isaque Pinheiro Materiais Mármore Colocação no Campus ano 2010

14. Tempo das Pedras Alameda Central entre o edifício do Departamento de Geociências e o edifício do Departamento de Química Autor Paulo Neves Materiais Mármore Colocação no Campus ano 2010

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15. 1995.Sapo Início da alameda do campus Autor Paulo Neves Materiais Mármore Colocação no Campus ano 2014

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16. Sem título

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Átrio do Departamento de Ambiente e Ordenamento Autor Zé Augusto Materiais Barro, pintura manual

17. Sem título Átrio do Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território Autor Milú Sardinha; Oficina/ fabricante: Associação Arte e Cultura de Aveiro – ACAV Materiais Barro, pintura manual

18. Sem título

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Hall da entrada principal do Departamento de Geociências Autor Francisco Laranjo Materiais Barro, pintura manual

Entrada do edifício do Complexo de Cantinas do Crasto Autor Paulo Neves Materiais Madeira Colocação no Campus ano 2004

9. Tensão Bio-Gravítica III Em frente à fachada Este do edifício do Complexo Pedagógico Científico e Tecnológico Autor Xico Lucena Materiais Granito Colocação no Campus ano 2009

10. Onírica Serenidade na Esperança… Em frente ao edifício da Reitoria Autor Xico Lucena Materiais Granito Colocação no Campus ano 2009

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momentos Tem jeito para a fotografia? Já captou uma perspetiva única do campus? Este espaço da Revista Linhas é para si. Envie-nos a sua fotografia para noticias@ua.pt ou publique-a no seu perfil do Instagram com a hashtag #MomentosUA e veja a sua imagem publicada aqui! As melhores fotografias da autoria de qualquer atual ou antigo membro da comunidade académica (estudantes, docentes, investigadores e pessoal técnico, administrativo e de gestão) serão publicadas nos próximos números da Revista Linhas e nas redes sociais da UA.

Inês Ribeiro de Aguiar

Denis Valony

Aluna do Mestrado Integrado em Engenharia Química

Aluno do Doutoramento em Química


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João Batista Professor no Instituto Superior de Contabilidade e Administração da UA

Helder Bernardo Especialista de Informática nos Serviços de Tecnologias da Informação e Comunicação


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dezembro 2017

Aconteceu na UA

DIPLOMADOS DESAFIADOS A SEREM EMBAIXADORES DA UA NO DIA DA ENTREGA DE DIPLOMAS Em junho aconteceu mais um momento de júbilo na UA. Os mais de 3500 novos diplomados da UA tiveram a oportunidade de regressar à Universidade que os formou, na companhia de amigos e familiares, para receber o seu diploma e celebrar o culminar de mais uma etapa da sua vida. O Reitor da UA aproveitou a ocasião para salientar as mais-valias da formação que fizeram em Aveiro, deixando uma palavra de esperança para o futuro destes novos profissionais e desafiando-os a serem embaixadores da UA. "A UA tem orgulho no vosso caminho entre nós; e tem igualmente confiança no que vão fazer daqui para a frente, equipados com a formação e o saber ser que aqui adquiriram ou aperfeiçoaram. (…) Repito sempre que os nossos antigos alunos são os nossos melhores, mais fiáveis e mais eficazes embaixadores. (…) Por isso vos convido a ficarem ligados connosco. Serão sempre parte da nossa comunidade alargada; parte do nosso património humano e afetivo!" O mesmo repto foi lançado pelo presidente da Associação Académica, Xavier Vieira, e pelo presidente da Associação dos Antigos Alunos, Carlos Pedro Ferreira. Em 2016 foram concluídas seis agregações, outorgados sete títulos de especialista e finalizados 231 doutoramentos, 1225 mestrados, 1882 licenciaturas, 25 cursos técnicos superiores profissionais e 193 cursos de especialização tecnológica.

MARCELO REBELO DE SOUSA INAUGUROU O ECOMARE O ECOMARE – Laboratório para a Inovação e Sustentabilidade dos Recursos Biológicos Marinhos da UA foi inaugurado no passado dia 15 de junho, pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, numa manhã "inesquecível e muito inspiradora". Do nascimento da infraestrutura de ponta ligada à Ciência e Tecnologia do Mar, Marcelo Rebelo de Sousa garantiu ser o "triunfo das causas da ecologia e do mar, que não eram evidência há algumas décadas". Para além da intervenção de Marcelo Rebelo de Sousa, a cerimónia de inauguração do Laboratório contou ainda com a presença da ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, que garantiu que "este laboratório com dois centros vai passar a ser uma referência a nível internacional". Manuel António Assunção, Reitor da UA, salientou a importância da infraestrutura, sublinhando que "o que queremos, com esta unidade única, é ter mais impacto na economia, nas dinâmicas regionais, na vida das pessoas" Desenvolver investigação de excelência e promover serviços de inovação e transferência de tecnologia na área da Ciência e Tecnologia do Mar são os grandes objetivos do ECOMARE. Com a criação desta unidade, pretende-se contribuir para conservar e dinamizar a biodiversidade e o património natural e, concretamente, produzir, organizar e dinamizar o conhecimento sobre o ambiente marinho.

MINISTRO DO AMBIENTE APRESENTOU PLANO DE AÇÃO PARA A ECONOMIA CIRCULAR NA UA Em setembro, a UA acolheu a sessão de apresentação do Plano de Ação para a Economia Circular. Na sessão, que contou com a presença do ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, foram apresentadas as vantagens do conceito e o plano de ação previsto para a sua concretização. O ministro do Ambiente destacou, ainda, o papel das freguesias e das respetivas juntas na passagem à prática deste Plano, que envolverá quatro ministérios – Ambiente, Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Economia e Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural –, anunciando o lançamento de um concurso de projetos destinado a esta escala administrativa, durante o próximo ano. A sessão incluiu um debate com a participação de Vítor Ferreira, do Departamento de Engenharia Civil da UA e do Cluster Habitat Sustentável, Teresa Franqueira, do Departamento de Comunicação e Arte e do projeto KATCH_e, e ainda Andreia Barbosa, da Plataforma Circular Economy Portugal. Na sessão Teresa Franqueira elogiou a inclusão do design como fator determinante no conceito de Economia Circular e Vítor Ferreira congratulou-se com o facto de existir um plano de ação neste âmbito, embora tenha defendido a necessidade de maior envolvimento dos clusters na concretização do Plano.


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UA APELA À REFLEXÃO SOBRE VIRTUDES DO MODELO FUNDACIONAL NA ABERTURA DO ANO O bom momento que a UA vive foi enaltecido pelo Reitor, perante os resultados do concurso nacional de acesso, durante a sessão de Abertura do Ano Letivo 2017/2018, a 4 de outubro. Manuel António Assunção defendeu, durante o seu discurso, um regresso à matriz do modelo fundacional e enalteceu o bom momento que a UA está a viver. "Foi um bom ano para o Ensino Superior", proclamou o Reitor da UA, "um ano histórico", frisou, referindo-se ao preenchimento das vagas no concurso nacional de acesso, mas também ao aumento de novos alunos com elevadas médias de acesso e à subida dos números de inscritos em mestrado e de estudantes internacionais. Durante a intervenção que o presidente do Conselho de Curadores da UA foi convidado a proferir, Correia de Campos fez uma análise ao percurso do modelo institucional que deu corpo às universidades-fundação, às críticas a esse modelo e a dados que mostram a sua resistência. O presidente do Conselho de Curadores recomendou uma avaliação do modelo fundacional, separando "o que resulta do RJIES do que resulta do modelo fundacional", e um regresso ao figurino original deste modelo, tendo defendido uma reflexão sobre a função reguladora do governo em relação às universidades. A cerimónia encerrou com a entrega de bolsas aos 121 melhores caloiros.

COMISSÁRIO EUROPEU PARA A INVESTIGAÇÃO, CIÊNCIA E INOVAÇÃO DE VISITA À UA No âmbito da 5.ª edição do Roteiro da Ciência, Carlos Moedas, comissário europeu para a Investigação, Ciência e Inovação, esteve em outubro na UA. Na ocasião o comissário destacou a grande energia da instituição, os exemplos práticos da aplicação da ciência no dia a dia e a relação próxima existente com as empresas, considerando "um excelente exemplo para levar para Bruxelas". Depois de uma breve apresentação da U,A pelo Reitor Manuel António Assunção, o comissário pôde ficar a par da investigação de excelência produzida pelo CICECO – Instituto de Materiais de Aveiro, tendo ficado a conhecer, também, na Incubadora de Empresas, alguns exemplos práticos da aplicação da ciência e inovação de quem está agora a dar os primeiros passos no mundo empresarial. A visita da comitiva, que integrou os administradores da Nokia e da Bosch Termotecnologia e o presidente da Navigator Company, terminou no Parque e Ciência e Inovação, depois de uma breve passagem pela Fábrica – Centro de Ciência Viva e pela Nokia.

aconteceu na ua

SUCESSO DESPORTIVO DOS ATLETAS DA ACADEMIA PREMIADO PELA AAUAV A performance desportiva dos estudantes da UA na época 2016/17 foi distinguida em outubro pela Associação Académica da UA, em mais uma edição da Gala do Desporto. A celebração de todas as conquistas reuniu estudantes-atletas, treinadores, técnicos desportivos, dirigentes, parceiros, patrocinadores e instituições numa verdadeira festa do desporto universitário. A época desportiva passada vai ficar na história por se terem atingido os melhores resultados de sempre. A AAUAv esteve presente na grande maioria dos Campeonatos Nacionais Universitários das diferentes modalidades promovidas pela Federação Académica do Desporto Universitário, com a participação de 369 atletas, dos quais 141 medalhados, em 13 equipas e 17 treinadores. Conquistou 73 medalhas, 22 de ouro, 26 de prata e 25 de bronze a nível nacional e ficou no segundo lugar, com a melhor classificação de sempre (4487,25 pontos), no Troféu Universitário de Clubes. Nas competições europeias, a AAUAv esteve representada em quatro Campeonatos Europeus Universitários: andebol, com equipa feminina; basquetebol, com as equipas masculina e feminina; basquetebol 3x3, com a equipa feminina; e xadrez, com uma dupla masculina. Três atletas aveirenses integraram, ainda, a Seleção Nacional de Basquetebol Feminino.


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FESTIVAIS DE OUTONO 2017 DERAM A OUVIR ÓRGÃO DA SÉ E "VENTOS" ELETROACÚSTICOS De 20 de outubro a 30 de novembro, os Festivais de Outono (FO) voltaram a animar a cidade de Aveiro pela 13.ª vez. Evento maioritariamente de natureza erudita, eclético e multidisciplinar, os FO têm procurado ser um espaço de interfaces e intercâmbios, proporcionando o encontro de um ambiente de escola com o panorama musical profissional, de músicos consagrados com jovens músicos, de músicos formados com músicos não formados na UA e de portugueses com estrangeiros a desenvolver carreira em Portugal.

ESTGA ASSINALOU 20 ANOS DE EXISTÊNCIA

A edição de 2017 ofereceu um programa que incluiu a participação de artistas e ensembles que têm vindo a desenvolver notáveis percursos, tanto em Portugal como no estrangeiro, tendo oferecido especial atenção a jovens músicos que já vão obtendo merecida visibilidade. No campus da UA, no Museu de Aveiro, no Teatro Aveirense e na Sé, escutou-se a integral das sonatas para violino e piano de Luís de Freitas Branco, com Nuno Soares e Iuri Popov, apreciaram-se as "sonoridades surpreendentes" do Simantra Grupo de Percussão e os Senza, assistiu-se ao Concerto para Clarinete e Multimédia de Lori Freedman e ouviu-se a ópera "Itinerário do Sal", de Miguel Azguime. A Orquestra Filarmonia das Beiras abriu e fechou o evento, tendo sido, no último concerto, acompanhada pelas orquestras de Sopros e de Cordas do DeCA e pelo Coro do DeCA.

A Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Águeda (ESTGA) celebrou, em outubro passado, os seus 20 anos, com um programa que incluiu a apresentação do livro "ESTGA – 20 anos" e um jantar comemorativo. Artur Ferreira, diretor da Escola, aproveitou a ocasião para se referir ao percurso de afirmação e integração na região da Escola, em grande parte possível graças a uma "oferta de cursos ajustada às suas necessidades, e com o estabelecimento de centenas de parcerias para a cooperação, desenvolvimento e integração de estagiários". A ESTGA foi fundada em 1997 com o objetivo de oferecer uma formação que desse resposta às necessidades e à dinâmica da região que a acolheu, assumindo-se como um dos vetores do seu desenvolvimento. Para além de uma oferta formativa que centra a sua prática pedagógica no aluno e que se sustenta num modelo de aprendizagem baseado em projetos, a ESTGA tem tido a preocupação de promover uma estreita cooperação com a sociedade, encorajando e estabelecendo relações ativas e fortes com as empresas e outras entidades, sendo hoje, na opinião de Gil Nadais, presidente da Câmara Municipal de Águeda, "motivo de orgulho" e "uma referência pela qualidade e excelência do seu ensino e pelo empreendedorismo e inovação com que prepara os seus alunos".

FÓRUM 4E: UMA EXCELENTE OPORTUNIDADE PARA ENTRAR NO MERCADO DE TRABALHO Apresentações de empresas, espaços de networking, entrevistas de emprego e outras atividades de promoção do emprego voltaram a aproximar, em outubro, os alunos e antigos alunos da UA do mercado de trabalho, em mais uma edição do Fórum 4e. Durante o evento, para além das entrevistas de emprego, os participantes puderam assistir às apresentações de cerca de cinco dezenas de empresas regionais e nacionais e de contactar, de forma informal, com os representantes de todas elas. As várias empresas presentes salientaram as virtudes de uma iniciativa deste género. Para além de permitir às empresas conhecer melhor os interesses dos jovens diplomados e a suas competências, a conciliação de entrevistas com apresentações e networking proporciona o acesso dos futuros empregadores aos candidatos, dispondo de mais tempo para conversar com eles e aproveitando as potencialidades da informalidade que estas ações mais diretas propiciam. Os estudantes salientaram a vantagem de facilitar um primeiro contacto com o mundo empresarial e de criar momentos propícios a um conhecimento mais aprofundado das empresas, mas sobretudo por permitir perceber se há interesse por parte destas em recrutar. O contacto informal foi outra mais-valia mencionada, uma vez que este tipo de contacto se distancia da habitual pressão das entrevistas.

Mais informações sobre todos estes e outros acontecimentos decorridos na UA podem ser consultadas em http://uaonline.ua.pt


22›24 MARÇO ’18 UNIVERSIDADE DE AVEIRO

www.ua.pt/opencampus parcerias

life labs minds future


agenda Mais informações em: uaonline.ua.pt

13 DE NOVEMBRO › 22 DE DEZEMBRO Feira do Livro de Natal 15 DE DEZEMBRO 44.º Aniversário da UA Concerto de Natal e de Comemoração do 44.º Aniversário da UA 18 › 19 DE DEZEMBRO X Black Holes Workshop 21 DE FEVEREIRO Workshop sobre Emissões de Combustão de Biomassa 22 DE FEVEREIRO Dia Aberto da ESTGA 2018 28 DE FEVEREIRO Conferência “A Investigação no TEMA: apresentação do Nanoengineering Research Group (NRG)” 21 DE MARÇO Conferência “A Investigação no TEMA: apresentação do GAME Research Group”

10 › 12 DE MAIO 5th International Conference on Complex Dynamical Systems in Life Sciences: Modeling and Analysis 14 › 18 DE MAIO Enterro do ano – Semana Académica 23 DE MAIO Conferência “A Investigação no TEMA: apresentação do Transportation Technology Research Group” 1 DE JUNHO Sessão de entrega de medalhas aos trabalhadores docentes e não docentes da UA 2 DE JUNHO Dia da UA 11 DE JUNHO Conferência “A Investigação no Centro de Tecnologia Mecânica e Automação (TEMA)” 15 › 27 DE JULHO Academia de Verão 2018

22 › 24 DE MARÇO UA open campus

18 › 20 DE JULHO NanoEnergy 2018: 5th International Conference on Nanotechnology, Nanomaterials & Thin Films for Energy Applications

24 › 27 DE MARÇO ENEMath 18: III Encontro Nacional de Estudantes de Matemática

21 › 28 DE JULHO 27th Colloquium of African Geology and 17th Congress of the Geological Society of Africa

18 DE ABRIL Conferência “A Investigação no TEMA: apresentação do Applied Energy (AE) Research Group”

22 › 29 DE JULHO 36º Youth Science Meeting

18 › 20 DE ABRIL CICMT 2018: IMAPS/ACerS 14th International Conference and Exhibition on Ceramic Interconnect and Ceramic Microsystems Technologies 28 DE ABRIL Final das Olimpíadas de Química Mais 2 › 4 DE MAIO Congresso Internacional em Variação Linguística nas Línguas Românicas 6 DE MAIO Bênção dos Finalistas 8 › 10 DE MAIO 1ª Conferência Internacional de Ambiente em Língua Portuguesa

4 › 8 DE SETEMBRO DAFx 2018: 21th International Conference on Digital Audio Effects Conference 6 › 7 DE SETEMBRO WATEFConf2018: 5th International Water Efficiency Conference 20 › 21 DE SETEMBRO 13ª Conferência Europeia de Inovação e Empreendedorismo

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Revista da Universidade de Aveiro Ano 14 Dezembro 2017

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