Revista FADESP / 7 ed. - 2022

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Celebra o centenário de José Saramago, seu legado e convida à reflexão sobre a humanidade: “ou o futuro é liderado por mulheres feministas, ou não haverá futuro”. Pilar del Río REVISTA Carlos Reis analisa a militância do escritor pelo protagonismo dos oprimidos QUESTIONAMENTOS DE SARAMAGO Mais integração e pesquisa na Amazônia LABORATÓRIOS SATÉLITES Projeto busca traduzir riqueza amazônica PAISAGEM SONORA Publicação da Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa Ano 2 | n° 7 | Agosto / Setembro / Outubro 2022

Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa Rua Augusto Correa s/n • Cidade Universitária Professor José da Silveira Netto / UFPA Guamá Belém/PA | Cep 66075-110 geral: (91) 4005.7440 E-mail geral: centraldeatendimento@fadesp.org.br

Prof. Dr. Doriedson do Socorro Rodrigues CUNTINS/UFPA Prof. Dr. Marcos Monteiro Diniz ICEN/UFPA Profa. Dra Maria Ataíde Malcher NITAE2/UFPA Prof. Dr. Roberto Ferraz Barreto - FADESP/UFPA Lorena Filgueiras ASCOM/FADESP

Editorial PG 03 Meio ambiente PG 04 Cultura PG 06 Inovação PG 08 Sustentabilidade PG 10 Entrevista/Capa PG 12 Opinião PG 16 Memória UFPA PG 18 Institucional PG 20 Por dentro da FADESP PG 22 ÍNDICE Pilar del Río Foto: Daryan Dornelles EXPEDIENTE EXPEDIENTE REVISTA RobertoDIRETORIAFerrazBarreto Diretor Executivo Alcebíades Negrão Macêdo Diretor Adjunto Fellipe Pereira Assessoria Jurídica Socorro Souza Executiva de Negócios Raquel Lima Compras e Importação Leila Figueiredo Lamarão Concursos e Seleções João Carlos Oliveira Pena Consultoria e InstitucionalDesenvolvimento Marcelo Moraes Financeiro e Contábil Natália Raiol Gestão de Projetos Cláudia Coelho Recursos Humanos Davi Frazão Tecnologia da Informação Elilian Carvalho Secretaria Geral Lorena Filgueiras Comunicação CONSELHO EDITORIAL Editora-chefe Lorena Filgueiras (Ascom/FADESP) MTb/DRT-PA 1505 Reportagens Brena Marques Ascom/FADESP MTb/DRT-PA 3371 Lorena Filgueiras Ascom/FADESP Andreza Batalha Elck Oliveira Projeto gráfico e diagramação André de Loreto Melo Revisão Fabrício Ferreira Analista de TI Raphael Pena Tiragem 2.000 exemplares

A Revista FADESP é uma publicação trimestral institucional da Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa/Editora FADESP. Sua distribuição é gratuita. É proibida a repro dução parcial ou total sem prévia acordância da FADESP e sem citação da fonte. Os artigos publicados na Revista FADESP são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião editorial da Instituição. Nossas redes sociais www.portalfadesp.org.br | @fadesp_ufpa fadespufpa | @fadesp Sugestões, elogios, reclamações: revistafadesp@fadesp.org.br

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Esta edição da Revista FADESP, que agora chega às suas mãos, é especial, porque comemora a vida do escritor português José Saramago, único Nobel de Literatura em Língua Portuguesa. Na ocasião em que completaria 100 anos, celebramos seu legado. Ao revisitar sua história, compreendemos sua necessidade de tentar traduzir a complexidade do mundo. Nascido no seio de família humilde, filho de agricultores, tinha um verdadeiro fascínio pelos livros e, após um dia inteiro de trabalho em uma serralharia, visitava, com enorme frequência, à noite, a Biblioteca Central. Sua sede de conhecimento o fez um exímio, cuidadoso observador do comportamento humano e, por tudo isso, trazemos em nossa capa a presidenta da Fundação José Saramago, Pilar del Río, sua companheira até o dia de sua despedida física. Jornalista, tradutora de sua obra e escritora, Pilar é nossa entrevistada especial e que muito nos enche de orgulho, por marcar a primeira capa internacional de nossa publicação. Em entrevista sensível, ela fala de feminismo, dos conflitos na Amazônia, do recrudescimento da extrema-direita no mundo e, naturalmente, da comemoração pelo centenário de nascimento de Saramago. Contamos ainda com o artigo do professor Carlos Reis, que aborda ficção e realidade na obra do prêmio Nobel de Literatura. Nas páginas a seguir, trazemos matérias de projetos apoiados pela Fundação e que impactam diretamente na vida do cidadão, como as soluções para os aterros sanitários (lixões), estudo do impacto de metais na água e solos da região, além de mais assuntos, que você poderá ler. Oportunamente, falamos dos 65 anos da Universidade Federal do Pará, um retrospecto necessário para compreender a importância da maior Instituição de Ensino Superior de toda a Pan-Amazônia, à qual temos o privilégio de chamar de casa. Desejo uma excelente leitura a todos. Sigamos! Roberto Ferraz Barreto Diretor executivo da FADESP que nos orgulham

EDITORIAL

Histórias

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Background ambiental Por Elck Oliveira Foto: Eli Pamplona DivulgaçãoFoto:DivulgaçãoFoto:

4 MEIO AMBIENTE

Conduzido por professores e alunos da Faculdade de Oceanografia, do Ins tituto de Geociências/UFPA e Enge nharia Ambiental do Instituto de Tec nologia/UFPA, o projeto “Background ambiental nos municípios de Barcarena e Abaetetuba” pode ser considerado o primeiro passo no levantamento de informações ambientais que sejam determinantes para o conhecimento mais aprofundamento das característi cas naturais da região, no que se refere à presença desses metais. Com isso, pode-se dar início à criação de uma fonte segura para o acompanhamento e controle das concentrações desses elementos no nosso meio ambiente. “A necessidade de criação desse background ambiental para a Amazô nia é a algo que a Universidade, e a academia, já vem discutindo há algum tempo. Até porque adotar legislações, como do CONAMA (Conselho Nacio nal de Meio Ambiente), pode sugerir, muitas vezes, que as concentrações dos parâmetros Hidroquímicos da re gião estão em graus de contaminação. Mas isso acontece porque a Amazô nia tem suas peculiaridades, como a presença abundante de determinados elementos em certas regiões, os quais podem ser de origem natural. Daí a importância de se definir esses valores de referência para a ocorrência desses elementos, a fim de definir os níveis de contaminação da região. De acordo com Rollnic, o projeto, que teve duração de cinco meses (de abril a agosto de 2022), e ainda está sendo finalizado, consistiu no levanta mento de todas as informações técni cas e científicas que já existem acerca da presença desses metais pesados na região em questão e construção de uma base de dados. Entre os tra balhos analisados, estão artigos publi cados; TCCs (Trabalhos de Conclusão de Curso); monografias; dissertações; teses; relatórios técnicos de empresas; estudos de impacto ambiental, entre outros. “Nós fizemos este levanta mento, que a gente chama de dados secundários, para tentar encontrar va lores de referência, valores de intervalo de confiança sobre a presença desses elementos”, reforça. Para isso, a pesquisa foi dividida em quatro etapas: levantamento pro priamente dito dos trabalhos já publi cados ou executados em diferentes Começar a definir os valores de referência para a concentração de determinados metais pesados nas águas e solo de regiões da Amazônia é o objetivo do projeto que está sendo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA), a partir de um convênio de cooperação técnica e científica com a empresa referência no setor.

5 bases (bibliotecas, empresas, órgãos ambientais); compilação das informa ções e geração de um banco de dados; tratamento estatístico desse banco de dados e, por último, confrontação dos valores obtidos com o que determina a legislação inerente à área ambiental. Estudos O coordenador também apontou alguns números interessantes acerca desse trabalho, como o fato de a equipe ter localizado, por exemplo, 1.436 artigos científicos relacionados à temática, publicados entre os anos de 1945 e 2021, os quais acabaram reduzidos a 25 publicações que de fato foram utilizadas por se encaixarem nos objetivos do projeto. “Quando a gen te chega na chamada literatura cinza, que envolve os TCCs, monografias, dissertações, teses, chegamos a 116 mil trabalhos entre os anos de 1973 e 2021. Após as nossas filtragens, dimi nuímos para 453 trabalhos realmente apropriados para a área de interesse. Também conseguimos 14 estudos de impacto ambiental e uma base de da dos de uma empresa. Em cima disso, fizemos uma espacialização das infor mações, que agora estão georreferen ciadas e temporalizadas, o que é um grande resultado, mostrando como estão distribuídos esses estudos”, pontua. A matriz final do trabalho foi, en tão, constituída por 191 parâmetros hidrogeoquímicos levantados, entre os quais podemos citar itens como PH, temperatura, cloreto, sulfato, alu mínio, ferro, manganês, entre muitos outros. Também foram determinadas curvas evolutivas desses parâmetros desde a década de 70 do século pas sado até o ano de 2020, organizadas em planilhas. “Apesar de toda essa informação levantada, existem ressalvas para se definir o background ambiental a partir somente de dados secundários, que são dados provenientes de diferen tes métodos e técnicas analíticas, o que dificulta um pouco a validação dessas informações. O que fizemos, portanto, foi uma primeira etapa para levantamento de todas as informa ções já existentes e subsidiar o que precisa ser feito daqui pra frente para se encontrar os valores de referência para a região. É claro que esse banco de dados vai nortear várias tomadas de decisões e isso provavelmente vai gerar outros projetos de cooperação entre a Hydro e a universidade, o que é muito importante porque aproxima a universidade das cadeias produtivas como um todo”, destaca. Para o professor, também é fundamental, para a construção de trabalhos como esse, a participação dos diferentes atores, tais quais os governos, universidades, empresas e organizações como a Fundação Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa ( FADESP ), que oferecem todo o aparato administrativo para o desenvolvimento dos projetos. “A universidade, sem dúvida, fornece respostas para as demandas das empresas e, com isso, desenvolve tecnologias e forma pessoas capacitadas para atuar na região, por isso, eu acredito muito nesse tipo de parceria. O pesquisador tem que se preocupar principalmente em fazer a pesquisa, por isso, é muito importante ter o suporte administrativo que a FADESP dá. Cada ator tem a sua função e todas elas são muito importantes”, assegura. Professor Marcelo Rollnic

Nesse mesmo espírito, será ainda produzido um videoclipe com uma

Por Andreza Batalha Foto: Eli

MarquesWaldaFoto:Foto:divulgação

6 CULTURA Coordenado pela professora dou tora do Instituto de Ciências da Arte da Universidade Federal do Pará (UFPA) Rosane Nascimen to, o projeto de extensão “Tons da Amazônia” quer promover a cultura musical amazônica, em especial do Pará, e conta ainda com os talentos de Sandra Duailibe e do professor e pianista Robenare Marques. Luiz Pardal e Jacinto Kahwage dirigem musicalmente o trabalho, que ainda está em andamento. O projeto engloba pesquisa, es colhas, arranjos musicais, grava ções e publicação de um Extended Play EP (um disco maior que um single , mas em quantidade bem me nor que um LP permitiria). Embora traduzir a Amazônia não seja tarefa simples, a equipe envolvida espe ra um resultado à altura. “Existe, sim, a tentativa de se reproduzir a emoção que se sente ao se ouvir falar ou até mesmo ver um pouco de nossa Amazônia. E é essa con tribuição que o projeto pretende alcançar. E, em movimento sinérgi co, junto com outros artistas, con seguiremos, sempre, entregar algo especial e belo sobre nossa flores ta”, ressalta Sandra Duailibe. Para ense de nascimento, mas morando em Brasília, Sandra Duailibe possui uma expressiva produção de títulos que retratam a Amazônia. A meta do projeto é alcançar e apresentar o resultado do trabalho ao maior número possível de pesso as. “A questão da arte não é o núme ro de produção, é uma necessidade de alma. A arte tem que ser cons tantemente divulgada, produzida, acessada. Quando esse material for disponibilizado nos meios digitais de reprodução, quantas pessoas serão alcançadas? A nós, cabe pro duzir, dentro das diversas linhas de pesquisa, material que leve a arte ao maior número de pessoas para que as tradições folclóricas se per petuem e sejam mantidas”, explica a coordenadora.

sonoraPaisagem Pamplona

Sandra Duailibe

Seria possível traduzir os sons da Amazônia em um EP com cinco músicas? A resposta está nas mãos de artistas talentosíssimos e ricos em técnicas musicais, que integram o projeto “Tons da Amazônia”.

7 das músicas (já definidas) a ser in terpretada na voz de Sandra Duaili be: Uirapuru, do maestro Waldemar Henrique. A obra, de 1934, aborda o folclore amazônico com primor e refinamento.AFundação de Amparo e Desen volvimento da Pesquisa (FADESP) e a Universidade Federal do Pará (UFPA) apoiam o projeto “Tons da Amazônia” e reconhecem a impor tância da manutenção e difusão da cultura. “Todo órgão que se dispõe a contribuir para o engrandecimen to de um grupo, seja ele qual for, me encanta. E admiro mais ainda quando se percebe a importância da Arte para a educação, formação, bem-estar, e, inclusive, geração de renda de uma comunidade. Parabe nizo e agradeço a FADESP por tudo que tem feito”, diz Duailibe. “Tons da Amazônia” quer divulgar os compositores, as músicas e os músicos da Região Amazônica, en tretanto, para Rosane Nascimento, para que haja mais projetos como este, é necessário o empenho e interesse do poder público. “Pre ciso falar sobre a dificuldade que existe em realizar um projeto mu sical atualmente no Brasil, onde a cultura não está sendo valorizada como deveria. A gente depende da possibilidade de verba, porque é custoso. A importância da nos sa parceria é obter, com o alcance do EP lançado, pessoas ligadas ao poder econômico que se sensibili zem com a beleza e com a neces sidade de divulgação e de pesqui sa da arte para que possibilitem a realização de outros projetos. A manifestação cultural se dá pelo povo, mas a vida dessa manifes tação cultural acontece de cima pra baixo. É fundamental que haja interesse do Estado em conservar, pesquisar e desenvolver a cultura nacional”, observa Rosane. Professora Rosane Nascimento

Por Lorena Filgueiras Foto: Divulgação Projeto permitirá que pesquisas sejam realizadas em áreas remotas da região. Por meio de uma melhor distribuição geográfica, o Sistema Amazônico de Laboratórios Satélites – SALAS será uma revolução para a Ciência brasileira.

8 INOVAÇÃO No último dia 9 de junho, durante o FÓRUM CONSECTI e CONFAP 2022, em Manaus, representantes do Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação (MCTI), INPA, Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) e da Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (FADESP) estiveram reunidos para apresentação da minuta do convênio do projeto Sistema Amazônico de Laboratórios Satélites – SALAS. Considerado uma revolução para o trabalho científico realizado na Amazônia, o projeto visa uma melhor distribuição geográfica de infraestrutura de pesquisa (laboratórios), por meio da construção de novos e/ou reforma de laboratórios já existentes. A coordenadora do projeto e diretora do MPEG, Ana Luisa Albernaz, fala que o projeto irá reformar, construir e equipar laboratórios em áreas distribuídas pela Amazônia. “O uso deles será feito por meio de editais, provavelmente do CNPq. Já está aberto, inclusive, um edital nesses moldes, para o desenvolvimento de pesquisas junto ao Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM), com duas bases (Peixe-Boi e Vitória-Régia) prontas e disponíveis para pesquisadores do Brasil inteiro submeterem propostas para desenvolver pesquisas na RDS Mamirauá, onde está o Vitória-régia, ou na RDS Amanã, onde está a base Peixe-boi”. As bases disponibilizadas pelo qual fazem parte da primeira etapa do projeto SALAS, enquanto o projeto firmado entre o MPEG, INPA, FADESP e FINEP faz parte da segunda fase.A ideia é disponibilizar estruturas para pesquisas em áreas remotas da Amazônia por isso, a referência ao termo “satélites”. “Hoje em dia, muitos dos estudos se concentram ao redor das sedes de alguns dos maiores municípios, como Belém, Santarém e Manaus, onde estão as maiores instituições de pesquisa e há uma logística mais estruturada para o seu desenvolvimento. A criação dos laboratórios visa ampliar essa distribuição e facilitar o desenvolvimento de pesquisas que hoje não contam com estrutura adequada para as atividades de pesquisa de campo. Para essa facilitação, os laboratórios oferecerão condições de hospedagem dos pesquisadores nessas bases e terão equipamentos básicos para a pesquisa, como bancadas, freezers para a conservação de amostras, lupas, estação meteorológica, entre outros. Espera-se que com a disponibilização dessas estruturas seja possível expandir o conhecimento sobre a Amazônia. Por serem remotas, não são áreas que nos permitam ir e voltar no mesmo dia – por isso, a necessidade de ter uma estrutura em que o pesquisador possa ir e permanecer o tempo necessário para coletar informações e materiais, processar suas amostras, com todas as condições para realizar todo o trabalho planejado”, complementa Albernaz. Rede com representatividade amazônica Ainda segundo Ana Luisa Albernaz, a proposta do MCTI é chegar a 50 laboratórios. Nesta parceria entre INPA, Museu Goeldi e FADESP, a previsão é disponibilizar 19 laboratórios, sendo 10 novos e 9 reformados. “Entre as áreas a serem reformadas estão novas melhorias e a aquisição de equipamentos para a Estação Científica Ferreira Penna, gerida pelo Museu Goeldi em

Amazônia integrada

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Registro da apresentação do projeto/minuta, em Manaus. Da esquerda para a direita, Sérgio Guimarães, Chefe de gabinete do INPA; Ana Luisa Albernaz, diretora do Museu Goeldi e coordenadora do projeto SALAS; Marcelo Morales, Secretário de Pesquisa e Formação Científica MCTI; Sérgio Freitas de Almeida, Secretário Executivo do MCTI e Ministro em Exercício (na data do evento); Alcebíades Negrão, vice-diretor executivo da FADESP e Waldemar Barroso, presidente da FINEP.

Caxiuanã, e de 9 bases de campo que estão sob a gestão do INPA. Será uma grande renovação dessas estruturas, que melhorará muito as condições para o uso delas”. Com 5 milhões de metros quadrados de extensão, os desafios de pesquisar a Amazônia são proporcionalmente grandes: acesso, orçamento limitado especialmente em face dos inúmeros cortes impostos à Ciência e Tecnologia –, a própria natureza do trabalho em áreas com pouca infraestrutura. “Construir em áreas de difícil acesso, tem um custo mais alto porque muitas vezes não há empresas de engenharia próximas a locais, assim como a aquisição de materiais de construção também é mais difícil. Além disso, precisaremos ter, permanentemente, pessoas nessas bases para que haja manutenção frequente, impedindo que o investimento se deteriore”, explica a diretora do MPEG. Outro desafio, ela lembra, é o de estimular a realização de pesquisas nessas áreas. Sobre os recursos limitados, Albernaz é otimista. “Há uma necessidade de resposta. A Amazônia está em evidência pela sua importância mundial para a regulação climática, para o fornecimento de água para outras regiões, pelo enorme potencial de sua biodiversidade e sua imensa riqueza sociocultural. Conhecer melhor a região é fundamental para melhorar a qualidade da tomada de decisões sobre o bioma, acompanhar as mudanças que estão ocorrendo, estudar de maneira mais adequada as cadeias produtivas da biodiversidade para fortalecer uma economia mais verde, prospectar novos princípios ativos, descobrir novas espécies, proteger os ambientes e as pessoas que vivem na região. Nesse sentido, ter tais estruturas certamente será um estímulo à realização de pesquisas e aumento dos conhecimentos sobre a região”. Os editais específicos têm um papel importantíssimo para desenvolvimento das pesquisas, para tornar o acesso às pesquisas ainda mais amplo, uma vez que possibilitarão que estudantes, formandos, bolsistas, professores e pesquisadores aproveitem tais estruturas. Parcerias essenciais Além do INPA e da própria FADESP, o Museu Goeldi conta ainda com a parceria da Financiadora de Estudos e Projetos FINEP, do MCTI e do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. “Conforme preveem os editais do MCTI/CNPq, a proposta é que os pesquisadores que submeterem propostas aos editais e façam parceria com os institutos que gerem essas bases, aumentando o potencial de cooperação das instituições do MCTI na Amazônia em âmbito nacional e internacional”, complementa. Sobre a atuação da FADESP, Albernaz rememora tratar-se de uma parceria de longa data. “A FADESP se prontificou, desde o primeiro minuto, a apoiar o Museu e o INPA nesta etapa do projeto. É muito gratificante saber que a FADESP valoriza nossa parceria e fez o possível para viabilizar um projeto dessa amplitude”, finaliza.

Conhecer melhor a região é fundamental para melhorar a qualidade da tomada de decisões sobre o bioma, acompanhar as mudanças que estão ocorrendo, estudar de maneira mais adequada as cadeias produtivas da parabiodiversidadefortalecer uma economia mais verde, prospectar novos princípios espécies,descobrirativos,novasproteger os ambientes e as pessoas que vivem na região.” “

Ana Luisa Albernaz - Ana Luisa Albernaz, diretora do Museu Emílio GoeldiPara visitar o site do projeto com mais in formações, acesse o QR Code.

Graças ao ProteGEEr, projeto de cooperação técnica entre Brasil e Ale manha para promover uma gestão sus tentável e integrada de resíduos sólidos urbanos (RSU), preservar os recursos naturais e reduzir o uso de energia e a emissão de gases de efeito estufa (GEE), mais de 40 municípios brasilei ros, de todas as regiões do país, tiveram avanços concretos no manejo dos RSU. Em Itacaré, na Bahia, um lixão está sen do encerrado, cerca de 30 toneladas diárias de lixo eram depositadas em área cercada por Mata Atlântica nativa.

A Secretaria Nacional de Saneamen to, vinculada ao Ministério do Desen volvimento Regional (MDR), coordena o projeto pelo lado do governo brasi leiro. O projeto teve início em 2017 e será concluído em dezembro de 2022. No Brasil, o projeto é implementado pela Deutsche Gesellschaft für Interna tionale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH, que tem como diretora, a Engenheira Ambiental Hélinah Cardoso Moreira. Ela explica que o ProteGEEr é parte da Iniciativa Internacional para o Cli ma, apoiada pelo Ministério do Meio Ambiente, Conservação da Natureza, Segurança Nuclear e Defesa do Con sumidor (BMUV), com base em decisão do Parlamento alemão. “O Brasil possui enorme potencial para a geração de benefícios ambien tais, sociais e econômicos dentro da gestão de resíduos sólidos urbanos. O consumo de produtos mais sustentá veis, a reciclagem dos resíduos orgâni cos e secos, o uso energético de resí duos, o transporte e a disposição final em aterros sanitários dos rejeitos já são uma realidade no país, porém ainda em pequena quantidade. Para aproveitar esse potencial, é preciso aperfeiçoar a gestão dos RSU”, defendeu Hélinah. O projeto foi estruturado para atu ar na esfera nacional com objetivo de garantir que os parâmetros e critérios de mitigação à mudança do clima se jam implementados em instrumentos nacionais regulatórios e de financia mento; na esfera municipal o objetivo é fazer a disseminação do conhecimento sobre como implementar práticas de gestão de resíduos de baixas emissões nas cidades e integrar o conhecimento prático da gestão sustentável dos resí duos com o meio universitário. A partir daí, foi estabelecida uma rede acadê mica com 13 renomadas instituições científicas brasileiras (UFC, UNB, UFRJ, UERJ, UFF, UFSC, UEL, UFPA, UFPE, UPE, PUC-Rio, UFT e NUTEC), que, em cooperação com a Universidade Téc nica de Braunschweig da Alemanha, estão focadas no desenvolvimento de projetos de pesquisa aplicada e no aperfeiçoamento dos cursos de pós -graduação. Além disso, foi criada uma platafor ma moodle (voltado à educação) de conhecimento científico de ponta a teach4waste (https://teach4waste.com/) com a oferta de cursos em programas de pós-graduação a distância e tem como público-alvo técnicos, gestores públicos e privados, agentes de licen ciamento e financiamento, instituições acadêmicas e de pesquisa, bem como a sociedade civil. Um dos grandes legados do Prote GEEr é o Kit de Ferramentas Para Mane jo de RSU um conjunto de 10 instru mentos digitais gratuitos que oferece Erradicar os lixões a céu aberto, que contaminam solos e águas, é um dos grandes desafios do Brasil. Mas há iniciativas produtivas e que apresentam resultados sustentáveis.

InteligenteDestinação

10 SUSTENTABILIDADE Por Andreza Batalha Fotos: Eli Pamplona

11 soluções tecnológicas, administrativas e econômicas para apoiar a gestão de RSU nos municípios brasileiros.

Para Hélinah, a FADESP tem um pa pel importante em promover pesquisas aplicadas na área de resíduos na Ama zônia, que ainda é a região mais precá ria em iniciativas de gestão sustentável de resíduos. “A cooperação com a UFPA possibili tou uma multiplicação de conhecimen to e um acesso diferenciado aos diver sos municípios da região. Além disso, aumentou o interesse das cidades em se aproximarem da universidade e promoverem pesquisas aplicadas. No âmbito da sustentabilidade do projeto, a UFPA se torna uma instituição chave para promover o tema na região norte e se tornar referência em assessoria técnica para os municípios”, concluiu Hélinah. Engenheira Ambiental Hélinah Cardoso Moreira Professor Neyson Martins Mendonça

Na Universidade Federal do Pará, a rede acadêmica é coordenada pelo professor Neyson Martins Mendonça e com o apoio da Fundação de Am paro e Desenvolvimento da Pesquisa (FADESP), o ProteGEEr está desen volvendo um projeto piloto envol vendo 12 municípios paraenses, que visa aplicar, por meio de intervenções práticas, os instrumentos de gestão de resíduos sólidos do kit de ferramentas desenvolvido pelo projeto. Abaetetuba, Ananindeua, Barcarena, Belém, Bene vides, Cametá, Capanema, Marituba, Paragominas, Santa Bárbara do Pará, Santa Isabel do Pará e Vigia iniciaram em maio deste ano a capacitação para a aplicação das ferramentas: Roteiro para Encerramento de Lixões; Rotei ro para Coleta Seletiva; Ferramenta e Manual de Rotas e Custos; e Planilha de Cálculo de Taxa ou Tarifa de Servi ços de Manejo de RSU. “Este projeto piloto é de grande benefício para a po pulação e para o meio ambiente. Está se mapeando, através de informações preliminares, um primeiro banco de da dos com informações sobre resíduos sólidos. Esses dados abrangem cerca de 30% da população do Pará, um nú mero considerável. Se o gerenciamento ocorrer de forma adequada, teremos uma melhor qualidade de vida, verti calização do turismo feito de forma sustentável e segura com a preservação do ambiente”, destacou Neyson. O apoio da FADESP possibilita a con dução técnica e administrativa dos pro jetos. “Temos esforços para apoiar os pesquisadores quanto à administração do trabalho. O pesquisador fica mais focado para a realização das atividades de campo e técnica”, lembrou Neyson.

ProteGEErImagensdeBancoFoto:

A cooperação com a UFPA possibilitou uma multiplicação de conhecimento e um acessomunicípiosdiferenciadoaosdiversosdaregião.”

Engenheira Ambiental Hélinah Cardoso Moreira

Pilar del Río: Não sei se Saramago está mais fresco , sei que seu pensamento é necessário, que ajuda a entender o mundo estranho que estamos cons truindo, onde os seres humanos têm pouca importância em relação ao valor impressionante do mundo dos negócios. José Saramago escreveu “Ensaio sobre a cegueira”, um livro de personagens que, vendo, não querem ver: não queremos ver a destruição do meio ambiente, não queremos ver como foram desva lorizados conceitos como democracia, participação, a solidariedade... Volta mos à Idade Média. A salvação está na vida após a morte; as armas triunfam e as pessoas sentem-se plebeias – não cidadãs, com direitos e deveres. Nesse

Revista FADESP: Saramago é, sobre tudo, além de atento observador, um humanista. Como acha que ele enxer garia esse momento atual político, social do mundo, já que vivemos uma grande crise global, o aumento das desigualdades, da fome e o recrudescimento de grupos de extrema direita?

Pilar del Río: Não sei como reagiria, sei como reagiu: depois de “Ensaio sobre a cegueira”, escreveu “Ensaio sobre a luci dez”, ou seja, a possibilidade de dizer Diz-se que saudade é uma palavra que só existe na Língua Portuguesa. Na realidade, há que se ajustar essa afirmação: o verbete, como o conhecemos, existe em outras línguas, derivadas do latim, como no Espanhol, soledad – cuja definição gira em torno de “sentir falta”. É no português, entretanto, que seu significado trans cende, agiganta-se, ao ponto de não caber dentro de toda a gente, talvez pela própria ousadia de um povo que se lançava ao mar, sem ter muita certeza se voltaria, deixando tantas mães a orar, tantas noivas por casar. Em essência, ela é nostálgica (e não necessariamente triste), podendo ser convertida no alimento que mantém memórias vivas; na força que nos impulsiona ao reencontro. Com alguma licença poética, neste espaço reservado aos temas acadêmico-científicos, mais que a saudade de Saramago, o sentimento que move nossa entrevistada especial é o compromisso de continuá-lo, manten do-o mais vivo e necessário que nunca: Pilar del Río. De enorme generosidade, em meios às celebrações, em todo o mundo, do centenário de vida de seu companheiro por quase três décadas (e único Prêmio Nobel da Literatura da Língua Portuguesa), a presidenta da Fundação José Saramago concedeu-nos entrevista. Dentre várias revelações, a saudade da capital paraense (onde estará, no período de 22 a 24 de agosto de 2022, par ticipando da efeméride dentro da Universidade Federal do Pará), reflexões acerca do momento político-social da humanidade e sobre o imprescindível papel das mulheres feministas no futuro – sem as quais, afirma, não haverá futuro algum.

Sobre memória e movimento

12 ENTREVISTA/CAPA Por Lorena Filgueiras Fotos: Daryan Dornelles

Revista FADESP: Presidenta, é um prazer “reencontrá-la” e poder conversar novamente com você. Gos taria de iniciar essa entrevista com uma impressão: arrisco dizer que, aos 100 anos, Saramago está mais fresco e atual que nunca, em face de todo o momento que vivemos e que tanto se relaciona com suas obras. Embora ainda estejamos em uma pandemia, a vacinação avançou bastante, o que nos permite retomar alguns aspectos de nossas vidas. Assim, pergunto -lhe, qual seu sentimento diante das celebrações pelo centenário? Como enxerga o momento atual (político, social do mundo) e como ele dialoga com a memória de José Saramago?

sentido, José Saramago é necessário, porque ele reflete e compartilha suas reflexões. Não faz conclusões: ele nos faz pensar e considera-nos capazes de usar a razão e a consciência.

Revista FADESP: Percebo que, em razão da comparação do cenário global com a ficção (em face de ser algo muito surreal), muitos jovens descobriram Camus (A Peste) e Saramago (Ensaio sobre a cegueira). Como era a relação de Saramago com os jovens? Muitos escreviam para ele? Pilar del Río: Muitos jovens se sen tiam e se sentem interlocutores de José Saramago, é o que posso dizer de mais significativo! Antes, eles escre viam para ele, agora escrevem sobre ele. Foi criado o prêmio José Saramago para jovens escritores: José Saramago era um jovem que vai completar 100 anos e os jovens sabem disso.

13 não ao sistema. Pobreza e desigualdade não são castigos divinos, são conse quências da má gestão política, da ambição de quem governa pensando apenas no poder econômico, a partir de seus interesses, sem respeitar a vida do ser humano e do planeta. A ascen são da extrema direita é consequência de uma falta de civilidade: quando o ser humano não se sente cidadão, não conhece esse direito, aceita o papel de escravo. A extrema direita no mundo cumpre o papel que os escravos tinham, sendo que agora quem marca suas vidas é o grande capital: como os escravos da história, estes da extrema direita vivem e matam para que seus senhores tenham benefícios. Seus senhores lhes impõem dogmas, como a hegemonia branca, e eles os aceitam. É uma mentalidade escrava, com com portamento escravo, são pessoas habil mente conduzidas contra seus próprios interesses.

Revista FADESP: Sabemos que Sara mago acompanhava os conflitos envolvendo a ocupação de terras na Amazônia, assim, pergunto: qual era a percepção dele sobre esses conflitos? Pilar del Río: Ele escreveu “Terra”, com Sebastião Salgado isso diz tudo. Ele pediu a seus editores que seus livros fossem impressos em papel ecologi camente correto. Esteve do lado dos que defendem o respeito pela biodi versidade, pela sustentabilidade, por um planeta capaz de ser a casa de todos, pela igualdade. Acompanhou com dor os assassinatos dos defen sores da Amazônia e sentia desprezo por aqueles que acabam com a vida da Amazônia para aumentar seus negó cios. A guerra do desprezo pelos mais pobres era, para ele, uma guerra tão desonesta e criminosa quanto outras guerras contemporâneas. Revista FADESP: Em nossa última conversa, perguntei-lhe por qual razão quis ser jornalista, ao que você me res pondeu que era uma forma de militância social e ativismo, especialmente em função do cenário político da Espanha, que vivia sob ditadura. Você também disse que ser jornalista era parte da construção da democracia. Nossa entrevista ocorre exatamente um mês após os assassinatos do jornalista Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira, que estavam na Amazônia brasileira. Como enxerga esse movimento cons tante das violências contra os pro fissionais e de tentar desqualificar a imprensa? Qual o futuro (e como não dizer: a missão) do jornalismo em tem pos de redes sociais? Pilar del Río: Os assassinatos de Dom Phillips e Bruno Pereira são mais um passo dado pelos escravos do poder, contra pessoas que pensam e querem viver em paz, que respeitam os outros e [que] se respeitam. Quem se atreve a perguntar, quem reivindica uma vida digna, fica marcado como alvo a ser destruído. José Saramago dizia, em >>>

Muitos jovens se sentiam - e se senteminterlocutores de José Saramago, é o que posso dizer de mais significativo! Antes, eles escreviam para ele, agorasobreescrevemele.” “ alto e bom som, “querem-nos indiferen tes, resignados ou assustados”. Ou seja, se sairmos deste quadro e contarmos o que vemos, teremos problemas. Mataram Dom e Bruno, matam anô nimos, que protestam, todos os dias. A imprensa, alguns, tenta ser livre e [tenta] cumprir seu papel de denunciar. É muito complicado, porque é perma nentemente vigiada e ameaçada. Se continuar assim, chegará um dia em que ninguém quererá ser jornalista e os empresários não quererão ter mídia livre. Espero que a sociedade entenda

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14 que sem uma imprensa livre, não é possível respirar, exigir e proteger, ler e participar. Revista FADESP: Você experienciou algo parecido? De ser mulher, jorna lista e tentarem lhe desqualificar? Pilar del Río: Eu não experimentei a brutalidade contra a mídia livre, que está sendo vivida agora no Brasil. Claro que passei por censura prévia. Claro que ser mulher, em um mundo onde todo mundo era homem, não foi fácil, mas tive a solidariedade dos meus colegas e depois, fui protegida por leis. A criminalidade que está sendo praticada agora contra a liberdade de expressão, aqui e ali, nada tem a ver com os abusos que sofri, dos quais não vou falar por respeito aos ameaçados e às ameaçadas de hoje: sendo ameaças importantes, não eram as questões de agora. Revista FADESP: Presidenta, após séculos de submissão, fogueiras e ignorância, qual o futuro das mulhe res? Como chegaremos lá? Pilar del Río: Chegaremos. O futuro ou é liderado por mulheres feministas ou não haverá futuro. As guerras, as con quistas, as ambições excessivas, os estupros, os maus tratos, o desprezo, a imposição insana de conceitos, que poderiam ser positivos, como pátria, bandeira, propriedade… tudo isso terá que ser mudado por um poder femi nista baseado sobre igualdade, compre ensão e paz. E isso não é ilusão! Ou é assim ou estaremos condenados à des truição da vida, como estamos vendo nesta guerra na Europa ou na des truição do meio ambiente e da classe trabalhadora no Brasil. A violência não pode ser regra: a negociação deve ser imposta para superar conflitos e as fronteiras serão pontes para os seres humanos se encontrarem. Isso cabe a nós fazer com mulheres e homens que desejarem vir conosco. Ou é isso, ou o planeta estará condenado à destruição.

Revista FADESP: Falemos um pouco mais sobre as comemorações em torno dos 100 anos de Saramago e a partici pação do Brasil, destaco Belém, nessa grande celebração. Pilar del Río: Há novas edições de livros, congressos universitários, eventos culturais: vozes do Brasil e de Portugal serão ouvidas, a convivência será encantada. Haverá livros sobre a obra ou [sobre o] significado de José Saramago, exposições e espetáculos musicais. Trata-se de celebrar um con temporâneo, como foi dito antes.

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“ ENTREVISTA/CAPA

Revista FADESP: Você estará em Belém, após quase uma década de hiato. Existe uma enorme expectativa em torno de sua presença, então gos taria de saber quais recordações você futuro ou é liderado por os estupros, os maus tratos, o desprezo, a imposição insana de conceitos, que poderiam ser positivos, como pátria, mudadopropriedade…bandeira,tudoissoteráqueserporumpoderfeministabaseadosobreigualdade,compreensãoepaz.”

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Serviço: O Colóquio Internacional “José Saramago: palavra, pensamento, ação” abrirá, oficialmente, no dia 22/08/22, a partir das 16h, no Centro de Eventos Benedito Nunes, da Universidade Federal do Pará. O evento, que prosseguirá até o dia 24/08/22, com programação variada, tem a Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa entre seus apoiadores.

15 Revista FADESP: Saramago dedicou todos os livros que escreveu, após conhece-la, a você e, desde sua par tida física, você se dedica a manter o legado dele mais vivo que nunca. O que lhe impulsiona, lhe move a seguir levando-o aonde quer que vá? Pilar del Río: O compromisso. José Saramago e eu partilhávamos um pro jeto de vida e de trabalho. Independen temente da nossa relação afetiva, que é algo muito pessoal, lançamos uma Fundação, com uma clara declaração de princípios: trabalhar pela cultura, reivindicar os Direitos Humanos e denunciar seus descumprimentos; pro mover os Deveres Humanos, que nos tornam seres com peso e força e, por fim, colaborar na preservação do meio ambiente, como se a saúde do mundo dependesse do nosso trabalho. Nisso continuo, é meu compromisso e minha forma de agradecer o quanto recebi da sociedade e das culturas. tem daquele (já distante, porque aparentemente foi assim que a pandemia nos deixou) 2013. E quais são as suas Pilarexpectativas?delRío:Tantas lembranças de ami gos, de lugares, de sensações. Naquele dia, na Universidade [Federal do Pará], os ensaios de teatro, os livros que foram apresentados. Foram dias de sonho, apenas nublados pela volta ao Rio, uma viagem em que a turbulência não nos abandonou ao longo da viagem. Acho que foi um sinal de que nunca devería mos ter saído de Belém…

Revista FADESP: Sei que você tem ami gos muito queridos em solo brasileiro, assim sendo, pergunto: já reencontrou os seus mais queridos? Quais sauda des ficaram no meio do caminho, do começo da pandemia até aqui? Pilar del Río: Com alguns amigos que estou encontrando, sim… Com outros, estou [encontrando], enquanto respondo a esta entrevista (risos). Quem se atreve a perguntar, quem reivindica uma vida digna, fica marcado como alvo a ser destruído.

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Explanam-se neles as teses enuncia das por Saramago, num importante e muito citado texto de 1990, “História e ficção”, publicado no Jornal de Letras, Artes e Ideias e depois inserto nos Cader nos de Lanzarote Aquilo, que nele está em causa, é uma conceção das relações entre ficção e História, assente na lição de Georges Duby. Lembra Saramago que “o grande George Duby” foi quem, “na primeira linha de um dos seus livros, escreveu: Imaginemos que…” (Saramago, 1996: 183). Ou seja: Saramago colhe, da chamada Nova História, a predisposição para uma interação entre História e fic ção, que permita à segunda completar a primeira e entender como personagens com dignidade, figuras não contempla das pela historiografia oficial. Quem são as personagens que, em Levantado do chão, encarnam esta filo sofia da História projetada na ficção? Uma família de trabalhadores rurais alentejanos, situados no latifúndio em que sobrevivem e inseridos no fluxo de eventos desenrolados ao longo do século XX. Sem serem, à primeira vista, heróis qualificados ou figuras historica mente consagradas, os Mau-Tempo e os que se lhes juntam Domingos e Sara da Conceição, João e António Mau-Tem po, Gracinda, o marido Manuel Espada e a filha Maria Adelaide, entre outros protagonizam um movimento de luta e de resistência coletiva. Esse movimento (em que ecoa a lição do neorrealismo português superada desde os anos 60) atravessa, como uma “epopeia campe sina”, todo o século XX e cruza-se com etapas decisivas da vida desse coletivo resgatado do anonimato pelo roman cista: a chamada Primeira República, o Salazarismo e a libertação de 25 de abril de 1974. E assim, em Levantado do Chão a “terra conquista o seu con torno no tempo, faz-se diga de história, Por Carlos Reis* pessoalArquivoFoto:

JoséOPINIÃO

2. É desse mesmo momento histórico que se ocupa a peça de teatro A Noite (1979). [Nota do Autor] 16

Num passo do volume III dos Cadernos de Lanzarote, José Saramago recorda uma visita a Mafra e o olhar que então lançou sobre o monumental convento, ali implantado. Pensou: “Um dia gostava de poder meter isto [o Convento de Mafra] num romance”; e logo depois: “Foi assim que o Memorial nasceu” (Saramago, 1996: 164). Não interessa agora apurar se, de facto, foi direta e linear a relação entre aquele episódio e a conceção e escrita de um grande romance, que gira em torno do convento. Interessa, isso sim, o seguinte: no tempo literário de que estamos a falar – grosso modo, a década de 80 do século XX José Saramago centra a sua produção ficcional em temas, em motivos, em figuras e em acontecimentos bem ajustados àquele movimento de “ incorporação ” que é sugerido pela reflexão inserta nos Cadernos de Lanzarote. Trata-se, então, de dar atenção e protagonismo a grandes temas e a personalidades significativas da vida social, histórica e cultural portuguesa; e também de desafiar certezas construídas e aparentemente estabilizadas; de questionar mitos civilizacionais, preconceitos e estereótipos; de fazer da ficção um testemunho de responsabilidade do escritor perante a sua cultura, o coletivo em que se integra e a memória que esse coletivo traz consigo. Logo, em Levantado do chão , a História confirma-se como uma grande área de reflexão metaficcional. Aliás, é sintomático que, nas linhas finais do romance anterior a este, Manual de pintura e caligrafia, se aluda a um momento de drástica mudança política e de abertura para um novo tempo histórico: “O regime caiu. Golpe militar, como se esperava” (Saramago, 1983a: 311); a isto segue-se a perplexidade de um narrador confrontado com a História in fieri e incapaz de a formular discursivamente: “Não sei descrever o dia de hoje: as tropas, os carros de combate, a felicidade, os abraços, as palavras de alegria, o nervosismo, o puro júbilo” (Saramago, 1983a: 311).2 De certa forma, Levantado do chão, Memorial do Convento, O ano da morte de Ricardo Reis e História do cerco de Lisboa são romances de reescrita da História.

Saramago ou a História como ficção1

1. O presente texto é parte de um livro sobre José Saramago ainda em processo de escrita.

terreno dos sonhos dos homens” (Silva, 1989: 194). Repare-se na abertura de um dos capítulos iniciais de Levantado do chão: Então chegou a república. Ganha vam os homens doze ou treze vinténs, e as mulheres menos de metade, como de costume. Comiam ambos o mesmo pão de bagaço, os mesmos farrapos de couve, os mesmos talos. A repúbli ca veio despachada de Lisboa, andou de terra em terra pelo telégrafo, se o havia, recomendou-se pela imprensa, se a sabiam ler, pelo passar de boca em boca, que sempre foi o mais fácil. O trono caíra, o altar dizia que por ora não era este reino o seu mundo, o latifúndio percebeu tudo e deixou-se estar, e um litro de azeite custava mais de dois mil réis, dez vezes a jorna de um homem. (Saramago, 1983b: 33). São aqui evidentes os fundamentos ideológicos que servem de alicerce a um edifício de clara militância social, uma militância bem direcionada, do ponto de vista político. Mas o texto (e o romance) revela mais do que isso. No tocante a dispositivos representacionais, importa notar que o coletivo, em que se traduz a figuração das vítimas da opressão (os homens e as mulheres), surge completado por insinuações alegóricas decorrentes do recurso à personificação: a república que “andou de terra em terra”, o altar que “dizia que por ora não era este reino o seu mundo” e o latifúndio que “percebeu tudo”. Assim se reescreve a História, entendida como memória coletiva feita de palavras e, como tal, sujeita à revisão pelo viés da ficção. Tratase, para Saramago, como para Max Gallo por ele referido no ensaio sobe História e ficção, de compensar aquilo que a primeira não alcança, mas a segunda atinge; e acentua-se também, mesmo que de forma implícita, a cumplicidade discursiva entre ambas.

Referências 17

*Carlos Reis é Professor de Literatura Portuguesa e de Teoria da Literatura na Universidade de Coimbra, onde se licenciou e doutorou. Foi diretor da Biblioteca Nacional (1998-2002) e Reitor da Universidade Aberta (2006-2011). É autor de diversos livros e artigos sobre Eça de Queirós e a sua obra e também (com Ana Cristina M. Lopes), de um Dicionário de Narratologia. Foi professor visitante em universidades brasileiras, norteamericanas e espanholas. É coordenador da Edição Crítica das Obras de Eça de Queirós (Imprensa Nacional-Casa da Moeda) e da História Crítica da Literatura Portuguesa (Verbo). Pela Editora da UFPA, publicou Diálogos com José Saramago (ed.ufpa, 2018). É autor dos blogs: figurasdaficcao.wordpress. com e queirosiana.wordpress.com SARAMAGO, José (1983a). Manual de pintura e caligrafia 4ª ed. Lisboa: Caminho. SARAMAGO, José (1983b). Levantado do Chão. 4ª ed. Lisboa: Caminho. SARAMAGO, José (1996). Cadernos de Lanzarote. Diário III. Lisboa: Caminho. SILVA, Teresa Cristina Cerdeira da (1989). José Saramago entre a história e a ficção. Uma saga de portugueses. Lisboa: Pub. Dom Quixote.

ASCOM/UFPAFoto:Foto:AcervoMUFPA

Da Redação, com informações ASCOM UFPA Fotos: Arquivo UFPA Discurso do Primeiro Reitor da Universidade do Pará, Mario Braga Henriques, em sessão solene de instalação da instituição, no Theatro da Paz.

18 MEMÓRIA UFPA Madura e mais plural que nunca, a Universidade Federal do Pará comple tou 65 anos no último dia 2 de julho. Vocacionada para transformar vidas, por meio da educação e da pesquisa, inclusiva e conectada às demandas da sociedade civil, a UFPA está presente nos quatro cantos do Pará, atuando em 78 municípios do estado, a partir de 12 campi : Abaetetuba, Altamira, Ananin deua, Belém, Bragança, Breves, Cametá, Capanema, Castanhal, Salinópolis, Soure e Tucuruí. Criada por meio da lei n. 3.191, de 2 de julho de 1957, sancionada pelo pre sidente Juscelino Kubitschek, a gênese da UFPA deu-se a partir da fusão de 7 faculdades pré-existentes: Faculdade Livre de Direito (fundada em 1902), Escola de Farmácia (criada em 1903), Escola Livre de Odontologia do Pará (da tada de 1914), Faculdade de Medicina do Pará (fundada em 1919), Escola de Engenharia do Pará (de 1931), Faculda de de Ciências Econômicas, Contábeis e Atuariais (cuja fundação é de 1947) e Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Belém (1948). À época, era chamada de Universidade do Pará. Posteriormen A maior universidade de toda a Pan-Amazônia chega a seis décadas e meia de história mais consolidada, mais inclusiva, plural e fortalecida – conquistas que a colocam em um lugar de destaque como uma das mais impor tantes instituições de ensino superior de todo o país.

UFPA 65 anos

O Mirante do Rio é um espaço dedicado ao ensino de graduação. Estudantes da Escola Primária da Universidade do Pará, localizada inicial mente à Tv. Quintino Bocaiúva. Berço do pensamento crítico e a favor da democracia, a comunidade acadêmica foi às ruas, contra a ditadura, na década de 60.

Universidade, entre o rio e a cidade. Museu da Ufpa, localizado no centro da capital paraense. Mais de quarenta toneladas de alimentos foram arrecadadas e distribuídas na campanha UFPA contra a fome.

ASCOM/UFPAFoto:UFPAAcervoFoto:UFPAAcervoFoto:Foto:MUFPA ASCOM/UFPAFoto:Foto:AcervoBibliotecaCentraldaUFPA

19 te, já na década seguinte, diante da incorporação da Escola de Química Industrial do Pará (1920) e da Escola de Serviço Social do Pará (1950), pas sou a se chamar Universidade Federal do Pará, quando não mais parou de expandir suas atividades, tendo dado origem, décadas depois, a outras três universidades federais, por desmem bramento de seus campi: Universidade Federal do Amapá (UNIFAP), Universi dade Federal do Oeste do Pará (UFO PA) e Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA). Aos 65 anos, a Instituição tem 5.379 servidores, entre docentes e técnicos, além de uma população acadêmica que contabiliza mais de 50 mil discentes. São 155 cursos de graduação (presenciais e a distância), 144 cursos de mestrado e doutorado e sua estrutura abarca ainda a Escola de Aplicação, a Escola de Música e a Escola de Teatro e Dança, além de 2 Hospitais Universitários, um hospital veterinário, clínicas e laboratórios diversos, um Teatro, um Museu, uma Galeria de Arte e inúmeros serviços de atendimento à comunidade. Além de uma Fundação de apoio, a FADESP, criada em novembro de 1977. Mesmo durante o mais duro mo mento da pandemia do Coronavírus, a Universidade Federal do Pará mante ve-se funcionando, sendo imprescindí vel a milhares de alunos, contribuindo, de maneira essencial para que manti vessem seu vínculo com a instituição: neste período, a UFPA aumentou a quantidade de bolsas e auxílios; re alizou campanhas de arrecadação de alimentos (destinados às famílias em situação de vulnerabilidade alimentar e social), além de ter feito parte dos grupos de trabalho que identificaram novas cepas, auxiliando na condução das políticas públicas e protocolos de contenção do vírus. Desejamos longa vida à Universida de Federal do Pará e a homenagea mos, por meio de imagens históricas, por toda sua enorme contribuição ba silar ao pensamento crítico e democrá tico da sociedade brasileira.

Assista a mensagem do magnífico reitor da UFPA, Prof. Dr. Emmanuel Tourinho, por ocasião dos 65 anos da UFPA. Basta posicionar a câme ra do seu celular no QR.

A Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa –FADESP/UFPA divulgou o Relatório Anual de Gestão referente ao ano de 2021, que tem como tema “A Revolução da Vacina”. O documento, que é uma prestação de contas detalhadas, é apre sentado às entidades às quais a Fundação presta serviços, bem como aos órgãos de controle, e traz informações detalhadas das atividades da Fundação, como gestão e apoio de projetos de ensino, pesquisa, extensão, que sejam de interesse das ins tituições apoiadas. O Relatório de Gestão também esmiúça os concursos e seleções realizados pela FADESP. Você pode acessá-lo e ler na íntegra em: www.portalfadesp.org.br Relatório de Gestão 2021 [[

Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa Rua Augusto Correa s/n • Cidade Universitária Professor José da Silveira Netto / UFPA Guamá - Belém/PA Cep 66075-110 Telefone geral: (91) 4005.7440 / E-mail geral: centraldeatendimento@fadesp.org.br Fadesp ralatorio 2021 - capa final.indd 1 02/06/2022 10:12:30

No dia 26 de junho de 2022, a FADESP realizou o Concurso Público da Prefeitura Municipal de Marabá, para o preenchimento de 50 vagas para o cargo de Cuidador-PcD. Foram mais de 1.300 candidatos inscritos, o resultado definitivo está disponível em: www.portalfadesp.org.br. Concurso Público da Prefeitura de Marabá A equipe FADESP chega aos municípios onde realizará provas com alguns dias de antecedência, de modo a articular as ações necessárias à tranquilidade de suas operações. A reunião dos fiscais é um compromisso importante e essencial ao bom andamento dos certames. No dia 18 de novembro de 2022, a Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (FADESP/ UFPA) estará completando 45 anos de existência. Os preparativos para a celebração estão a todo vapor! O prédio-sede está passando por algumas reformas e, além da infraestrutura, a FADESP está lançando novos canais de comunicação, como Central de atendimento por aplicativo de mensagens instan tâneas, Podcast, TV Fadesp, além de uma campanha publicitária institucional. Rumo aos 45

2021GestãodeRelatório A GestãoRelatóriodaRevoluçãoVacinade2021

20 INSTITUCIONAL

O colóquio internacional “José Saramago: palavra, pensa mento, ação”, ocorrerá no período de 22 a 24 de agosto de 2022, no Centro de Eventos Benedito Nunes, no campus da UFPA (Guamá/Belém). A conferência contara com as participações do pesquisador e professor português Carlos Reis, da presidenta da Fundação José Saramago, Pilar del Río, e da historiadora e antropóloga Lilia Schwarcz. No dia 16 de novembro, data que marca o dia em que Saramago completaria 100 anos de nascimento, será reali zado um Concerto da Orquestra Sinfônica Altino Pimenta, da Escola de Música da UFPA, no Theatro da Paz.

Colaboradores da FADESP participaram do Fórum Na cional do CONFIES nos dias 27 e 28 de julho. O evento ocorreu em formato híbrido (presencial e on-line) na A Fundação Coordenação de Projetos, Pesquisas e Estudos Tecnológicos COPPETEC, localizada na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

No dia 9 de julho, pesquisadores da Universidade Fe deral do Pará (UFPA) realizaram uma visita de campo ao Canal do Quiriri, com a finalidade de encontrar soluções para o aumento do calado aos navios que operam no Porto de Vila do Conde. Com o aumento do calado, a tendência é que o navio seja mais largo e consequen temente, transporte maior quantidade de cargas. O grupo de pesquisadores é coordenado pelo profes sor Dr. Hito Braga, diretor do Instituto de Tecnologia da UFPA. Também participaram da visita o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (SEDEME), José Fernando Gomes Jr., responsá vel pela execução do projeto, além do diretor adjunto da FADESP, Alcebíades Negrão Macedo. Visita ao Canal do Quiriri 21

Centenário Saramago

Durante o Colóquio Internacional haverá o lançamen to inédito do livro “José Saramago. O Homem mais Sábio. Textos de doutrina literária e de intervenção social”, editado pela ed.UFPA, com apoio da FADESP. A obra tem seleção, introdução e notas de Carlos Reis.

Visita à FADESP A FADESP é uma das apoiadoras do Colóquio Interna cional José Saramago, realizado pela Universidade Federal do Pará e parte das celebrações pelo centenário do escritor português, bem como das demais programações em come moração à efeméride.

Em agenda na Fundação, no dia 2 de agosto, o Prefeito do Município de Bagre, Clebinho Rodrigues, reuniu-se com a Executiva de Negócios, Socorro Souza, e a Coordenadora de Concursos e Seleções, Leila Lamarão. Na ocasião, o prefeito foi apresentado a toda a estrutura do setor de concursos da FADESP.

A temática do encontro foi em torno de políticas de estímulo à área de pesquisa e desenvolvimento nas ins tituições apoiadas, como a remoção da burocracia na pesquisa; e alternativas de fomento em meio à crise orçamentária na ciência, tecnologia e inovação do país. Fórum Nacional CONFIES

Editora da UFPA lança livro do José Saramago

Novo portal web Pensado na otimização dos atendimentos, a FADESP, dis ponibilizou mais dois canais de comunicação. O serviço de WhatsApp Business e o Chat Box , que permitem orientar e tirar dúvidas sobre todos os serviços ofertados.

Você pode conferir os dois novos canais em: www.portalfadesp.org.br

22 POR DENTRO DA FADESP

Ação dia dos pais Em alusão ao dia dos pais, 14 de agosto, a FADESP realizou uma ação especial com a entrega de copos personalizados para os pais colaboradores da funda ção. O designer André de Loreto Melo (foto) adorou a surpresa. “Parabéns aos que honram o compromisso maior de vida: educar, amar e emprestar seus filhos para o mundo, certos de que são seres humanos ainda melhores que aqueles que os educaram”.

A FADESP está com um portal atualizado e mais intuitivo/ inclusivo. O endereço é o mesmo: www.portalfadesp.org.br Com novo layout e ferramentas mais ágeis, o portal per mitirá que as diversas informações, como notícias e servi ços, sejam rapidamente encontradas pelos usuários, por meio de uma interface mais eficiente e prática.

Roberto Ferraz Barreto, professor doutor da Universi dade Federal do Pará, à frente da Direção Executiva da Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa FADESP/UFPA, entre julho de 2018 e julho de 2022, foi reconduzido por mais 4 anos ao cargo de Diretor Exe cutivo da Fundação. A decisão foi unânime, em reunião extraordinária do Conselho Diretor da FADESP, ocorrida em 18 de julho de 2022, que teve a participação do Reitor da Universidade Federal do Pará (UFPA), Emmanuel Tourinho. A portaria de nomeação/recondução foi assinada pelo vice-reitor da UFPA, Gilmar Pereira da Silva, e publicada no dia 20 de julho de 2022. Professor associado da UFPA, com graduação em Li cenciatura em Matemática, mestrado e doutorado em Matemática Aplicada na Universidade de São Paulo, Ro berto Ferraz assumiu seu primeiro mandato como diretor da FADESP em julho de 2018 e enfrentou o desafio de liderar a Fundação em meio à pandemia da Covid-19.

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No dia 20 de julho de 2022, foi registrado no Cartório de 1° Registro de Títulos e Documentos de Belém, a alteração do nome do Setor de Imprensa/Comunicação (ICOM) da Fadesp, para: Assessoria de Comunicação Institucional e Relacionamento com a Imprensa (ASCOM). Correção do mês de realização da prova do concurso pú blico da SEFA divulgado no institucional da #6 edição da Revista FADESP. Onde se lê: Na primeira etapa, ocorrida no dia 20 de abril (…).

Leia-se: Na primeira etapa, ocorrida no dia 20 de março (…).

Novos canais de comunicação [[

Roberto Ferraz é reconduzido ao cargo de Diretor Executivo

Rua Augusto Corrêa s/n. Campus Belém/UFPA – Guamá • Belém-PA Cep: 66075-110 Telefones: (91) 98839.0607 4005.7480 / 4005.7493 Gestão orçamentária e financeira • Gestão de suprimentos (compras e contratações) • Operações logísticas, com viagens e eventos na região amazônica • Administração de folha de pagamentos e benefícios e gestão de pessoas • Acompanhamento de obras e serviços de engenharia • Divulgação científica e institucional • Controle contábil e prestação de contas • Concursos • Cursos • Eventos • Consultorias e Assessorias • Projetos Estratégicos e de Desenvolvimento Institucional ASCOM/FADESP

Mais que uma Universidade.

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