Distinção - Edição 84

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Mala Direta Básica 22.863.212/0001-35 TRIBUNA SC EIRELI

DISTINÇÃO 084

M A I O - 2 0 2 2 - E D I Ç Ã O 8 4 - PA R A N Á E S A N TA C ATA R I N A

CERRO AZUL, CAPITAL DA PONKAN, FESTEJA SAFRAS DE PONKAN E LARANJA PÁGINA 2


TRADIÇÃO

Com plantio que atravessa gerações, produção de ponkan é a marca de Cerro Azul tóxicos para o controle de pragas, pesou bastante nesse processo.

AE Notícias

▀ A geografia e o clima do Vale do Ribeira, com um horizonte cheio de morros e a amplitude térmica que intercala o calor do dia com o frio da noite, trouxeram um sabor único e marcante à ponkan de Cerro Azul. Tanto que a fruta se tornou uma das grandes marcas do município, maior produtor nacional do cítrico, responsável por 10% das tangerinas produzidas no País. As várias plantações, com árvores cheias de frutos amarelos, dão, inclusive, um charme a mais à bela paisagem da cidade. A vocação do Vale do Ribeira para a citricultura, de Cerro Azul em especial, foi identificada cedo, ainda na época do Império, e atravessou gerações. No início, a predominância era da laranja, mas já faz cerca de 50 anos que a ponkan ganhou as graças no cultivo. A rusticidade da planta, que não exige um manejo muito refinado ou o uso intensivo de agro-

O clima e a geografia do Vale deram o toque final, resultando em sabor e qualidade únicos. Aquele velho conhecimento popular, que diz que a tangerina fica mais doce depois de uma geada, se aplica bem em Cerro Azul. A diferença na temperatura em um mesmo dia “estressa” a planta, que em resposta acaba produzindo mais frutose, o açúcar das frutas. “A ponkan de Cerro Azul é diferenciada, tem mais suco, uma coloração mais marcante e, por causa do clima e da altitude, é mais doce do que as produzidas em outros locais”, garante o prefeito Patrik Magari. “Estamos inclusive em processo para obtenção da Indicação Geográfica, que determina que certo tipo de produto é encontrado somente naquele local. Nossa intenção é conseguir esse reconhecimento em até dois anos”, diz.

Baile e concurso para escolha da Rainha e Princesas foram beneficentes

serviços em agropecuária e meio ambiente serviços de topografia e mapeamento projetos de investimento e custeio car cadastro ambiental rural laudos, perícias e avaliações georreferenciamento incra licenciamento ambiental

Em baile dos mais animados realizado no dia 7 de maio no Ginásio de Esportes Laranjinha, Cerro Azul escolheu a Rainha e as Princesas das próximas festas da laranja e da ponkan. Tanto o concurso como o baile tiveram a renda revertidas para o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Foram cerca de 20 mil reais arrecadados. A Rainha escolhida foi Milena Natália Fernandes, a 1ª. Princesa Milena Hilmann e 2ª. Princesa Ágata Giliet.

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A Rainha e as Princesas


HISTÓRIA

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PARTE DA HISTÓRIA NO CEMITÉRIO DE CERRO AZUL ▀ Os cemitérios guardam pedaços da História, são patrimônios arqueológicos, históricos e culturais. Passando-se por seus túmulos, podemos fazer uma viagem no tempo – ou imaginar algum tempo passado. O cemitério de Cerro Azul também tem muita História, pois os primeiros sepultamentos datam do tempo do Império, da época da Colônia do Assun-

guy. Está ali, por exemplo, o jazigo perpétuo da família Charquetti, com o pioneiro imigrante Giovanni Charquetti. Muitos túmulos foram retirados, mas há placas de alguns deles que estão expostos, como de Josepha Hennes, datada de 8 de maio de 1897. Ou de Magdalena Ball, toda escrita em alemão, datada de 1876.

Placas com 150 anos

Jazigo perpétuo da família Charquetti

Cemitério Memorial em Cerro Azul Empreendimento da Organização Social de Luto de Cerro Azul (Correia & Oliveira), Cerro Azul está para ganhar o Cemitério Memorial Jardim da Saudade. Localização: rua Dona Francisca II, no bairro Caixa D´Água em área com 14.000 m2.

Sistema de Segurança em Cerro Azul Em reunião de trabalho com o Secretário de Governo Willians Tiblier, o Prefeito Patrik Magari confirma investimentos para a implantação do sistema de segurança especializado por câmeras, na área central da cidade. Serão monitoradas as ruas, praça e prédios públicos. O sistema contará com a tecnologia de reconhecimento de placas e será integrado com o sistema de segurança do Estado. O projeto vem para promover e aprimorar a segurança no Município.

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LAZER

SÃO MUITAS AS ATRAÇÕES TURÍSTICAS EM CERRO AZUL ▀ Cerro Azul vai estar bem movimentada com as festas da laranja e da ponkan, as programações estimulando o turismo. Foram 2 anos sem sua realização, por conta do coronavírus, mas de ora em diante – se Deus quiser – teremos todos os anos essas festividades populares, comemorando as

colheitas da Citricultura cerro-azulense. A cidade, porém, tem muito mais a oferecer aos que a visitam. Tem a História, que começou no tempo do Império, com a formação, sob o estímulo da Princesa Isabel, da Colônia do Assunguy.

Casa dos Van Der Osten

E os visitantes poderão apreciar diversas edificações daqueles primeiros anos, remetendo a mais de 150 anos: a igreja matriz de Nossa Senhora da Guia erguida em 1872 (há exatos 150 anos), o Palacete Bassetti, a Vila Charquetti, a casa dos Van Der Osten, o edifício Capitão Guilherme

Straube (atual sede da Prefeitura). Já o prédio onde está hoje a Casa da Cultura foi construído a pedido dos imigrantes alemães e a mando do governo da Província do Paraná, em 1875, servindo como templo de culto.

Na casa dos Bassetti, telhado para enfrentar a neve...

ROTA DA PRINCESA Uma atração especial para os motociclistas é a Rota da Princesa, trecho da PR-092 com 50 quilômetros ligando Cerro Azul a Rio Branco do Sul – e vice-versa, claro. Já contaram: são 394 curvas no trajeto. Especialmente nos finais de semana diversos aventureiros de todo o Brasil chegam para curtir belas paisagens. A Rota foi idealizada por integrantes do Moto Clube PR-092 de Rio Branco do Sul e contribui para promover o Turismo na região, bem como gerar empregos e renda.

RIO RIBEIRA Por suas paisagens, morros, cachoeiras, belas paisagens, por ser cortado pelo rio Ribeira, o Ecoturismo ganha espaço em Cerro Azul. Com as descidas de rafting pelo rio Ribeira, onde tem uma prainha de areias bran-

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Trechos da Rota da Princesa

cas e uma atraente Passarela, ou em caminhadas rurais e banhos de cachoeira, há muito o que fazer no município.


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150 anos da igreja de Nossa Senhora da Guia

DISTINÇÃO PR e SC tribunasc.com/distincao issuu.com/revistadistincao facebook.com/GrupoTribunaSC Tribuna SC Eireli ME CNPJ 22.863.212/0001-35 IMPRESSÃO: GRÁFICA CAPITAL (Curitiba/PR) Al. Augusto Stellfeld, 873, Ap. 202. Cond. Agostinho França do Nascimento, Ed. Bigorrilho — Curitiba, PR Rua 300, 130, Conj. 502 — Balneário Camboriú, SC EDITOR E JORNALISTA RESPONSÁVEL: Victor Grein Neto victorjornal@yahoo.com.br — (41) 99191-3296 PROJETO GRÁFICO E DESIGN: Ulidh Motion — CNPJ 31.180.791/0001-02 Luiz Paulo Pietsiaki Moraes

Edifício Capitão Guilherme Straube, atual Prefeitura

de Juliano Rangel

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DESENVOLVIMENTO

Indústria de sucos e óleos essenciais quer estimular a citricultura de Cerro Azul ▀ Uma empresa quer colaborar com o incremento e modernização da citricultura em Cerro Azul. Constituída por membros de famílias com raízes no município (Paulin e Moura), a Paulin & Moura Sucos e Óleos Essenciais ela deseja, evidentemente, o seu próprio sucesso, mas, no dizer da CEO Vera Lúcia Barbon, “atuando com muito amor à cidade, visando também sua prosperidade, estimulando o agronegócio na região”. Vera quer aproveitar a experiência adquirida durante 7 anos no polo citricultor da região de Paranavaí, dos mais importantes do país, para implementar novas tecnologias que possam incrementar a atividade no Vale da Ribeira. Com o apoio da Paulin & Moura, da Prefeitura, de órgãos estaduais e federais (IDR, Sebrae, Embrapa), e de renomados técnicos, pretende-se, por exemplo, fazer com que a atividade tenha uma produção anual e não somente durante os 4 meses atuais. A ideia, além da tangerina ponkan, é diversificar a cadeia com variados tipos

de laranjas (cravo, pera, lima, baianinha, rubi), o que garantiria 12 meses de safras. Haveria produção de mudas fiscalizadas, com alta qualidade genética e sanitária, gerando valor e sustentabilidade aos agricultores. Os diretores da empresa querem o melhor para a empresa e para os agricultores. Em relação à empresa, gostam de afirmar que “Acreditamos que o suco natural não se faz, se extrai”. Para tanto, os produtos “são 100% fruta”, não contendo adição de açúcar, conservantes e aditivos”. De acordo com dados do Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral), o município possui em torno de 3.100 hectares plantados da fruta, com um volume anual de 50 mil toneladas que representam 50% do cultivo no Estado e 7% da produção nacional. A colheita é utilizada na comercialização in natura, que perdura durante apenas 4 meses.

RALEIO Uma medida que ainda não é muito praticada em Cerro Azul e região é o raleio das árvores de ponkans, técnica que permite a produção de frutas maiores, mais uniformes e bonitas, de maior va-

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lor no mercado. Com isso, os agricultores conseguem também uma renda em período da entressafra. As ponkans verdes, obtidas com o processo do raleio, tem suas cascas utilizadas como ma-

A fábrica em Cerro Azul


| tribunasc.com/distincao téria-prima para obtenção do óleo essencial (uma das atividades da Paulin & Moura em unidade industrial anexa à fábrica de sucos). Os óleos essenciais são subs-

O diretor Pedro H. de Moura e Costa

tâncias sintetizadas, armazenadas e liberadas pelas plantas. Sendo completamente de origem vegetal, proporcionam benefícios para a saúde e bem-estar físico e emocional por meio da aromaterapia. Eles podem acalmar, esti-

CEO Vera Lúcia Barbon Dantas

mular, conservar alimentos, cicatrizar, desinfetar e até atuar como inseticida, fungicida, bactericida, repelente e agente de limpeza natural, dependendo das propriedades de cada tipo de óleo essencial.

O diretor Edson Luiz Paulin

SUCO DE PONKAN A Paulin & Moura tem estimulado pesquisas, junto com diversos órgãos estaduais e federais, visando encontrar a fórmula para produção de suco integral de ponkan, o que não existe no mercado. Testes visam eliminar o amargor causado pela limonina. Para a indústria de sucos, o de-

senvolvimento de um sabor amargo é uma característica indesejável para a produção e comercialização. “Temos esperanças de que em 2023 a gente possa estar produzindo esse suco de ponkan sem o gosto amargo”, afirma

Vera Lúcia. Seria, sem dúvida, uma conquista para a empresa, mas também para toda a cadeia produtiva de Cerro Azul e região, com consideráveis ganhos sociais e econômicos.

A equipe de vendedores

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DESENVOLVIMENTO

O nome, a logomarca Um dos diretores da Paulin & Moura, Pedro de Moura Costa, informa que a marca dos sucos integrais de laranja e uva produzidos pela empresa é “Mitz”. Significa “suco” em Hebraico. Já a logomarca, uma gota na cor laranja, remete à produção de citros e também de óleo essencial. O parque fabril, em Cerro Azul, está localizado na Rodovia Charles Manguer da Rosa 577 (fone 41) 99221-7924). Tem uma área construída de 3.975 m2 e a capacidade produtora atual é de 2.500 litros/hora.

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MITZ, UM PROJETO ARROJADO A indústria também conta com o seu projeto de longo prazo, a marca Mitz. Contando com um rol variado de embalagens, para atender desde lanches rápidos com 300 ml, até grandes redes de hotel com alto giro de hóspedes com a sua embalagem de 5 litros, o produto se encaixa no segmento de sucos naturais e integrais, sem adição de açúcares, conservantes e aditivos químicos. Busca-se oferecer ao consumidor todos os benefícios que visem melhorar a sua saúde, preservando as vitaminas e todos os agentes que contribuem na prevenção de doenças e também na melhora do funcionamento do corpo. A marca hoje conta com dois sabores, o de laranja e o de uva, já consagrados na rotina do brasileiro. Os produtos tiveram início de suas vendas em Janeiro deste

ano e já conta com números animadores. Focada em Curitiba e Região Metropolitana, a nova marca soma mais de 1200 clientes em sua carteira e ótimos números de recompra, o que estampa a felicidade da indústria e da marca que tem o DNA de Cerro

Azul. Dentre os planos para o futuro, a companhia vislumbra voos mais ousados, querendo se espalhar pelo sul e sudeste brasileiro, se tornando uma das maiores marcas de suco do país.

PAULIN & MOURA

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TECNOLOGIA

Melhorias genéticas vão elevar produção e qualidade das ponkans de Cerro Azul ▀ O prefeito Patrik Magari é um fã incondicional da ponkan produzida em Cerro Azul. “Por conta do clima especial, calor de dia e frio a noite, nossa ponkan é a mais doce que existe no Brasil”, costuma dizer. Pois a fruta cerro-azulense deverá ficar ainda melhor, com mais qualidade e doçura, devendo ter o período de colheita estendido dos atuais 4 meses para mais 4. Desde 2017 foi implantado um projeto de melhoramento genético em parceria Prefeitura – IDR – Sebrae e outras entidades. 6 mil mudas de diversas par-

tes do mundo foram distribuídas aos produtores e estão sendo avaliadas. Há cerca de um ano em solo, a expectativa é que em 2024 os estudos estejam adiantados para que as melhores mudas sejam disseminadas a partir das borbulhas, que são pequenos brotos retirados de galhos de plantas isentas de doenças. O projeto visa ainda estender o período da colheita da fruta, que atualmente dura 4 meses para mais 4. “Com isso, garantiríamos mais longa produção, mais empregos, maior movimento no campo”, diz Patrik.

54ª Festa da Laranja e 26ª Exponkan:

COLHER OS FRUTOS DO TRABALHO É COM CERRO AZUL.

Uma homenagem da Fecomércio PR ao município, referência nacional no cultivo de frutas cítricas.

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Prefeito Patrik

SUCO Em terreno pertencente à Prefeitura, mas cedido para o empreendimento, funciona em Cerro Azul a indústria de sucos integrais de frutas laranja e uva que tem a marca “Mitz”. Seus diretores, a Prefeitura e órgãos do Governo do Estado prospectam a industrialização do suco de ponkan. O desafio é conseguir eliminar o amargor que fica. “Conseguindo isso, teríamos uma vitória de grande conotação social, pois haveria absorção de toda nossa produção, com mais recursos para os agricultores e mais empregos”, diz o prefeito. A fábrica está produzindo óleo essencial tendo como matéria- prima a casca da ponkan. Estimula-se a prática do raleio, afim de que as frutas verdes, menores, sejam enviadas para a fábrica. A técnica permite a produção de frutas maiores, mais uniformes e bonitas, com mais suco e maior doçura, as cascas com coloração diferenciada. Com isso, os agricultores podem ter uma renda extra em momento de entressafra.


É NO PARANÁ

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Capital Nacional Cerro Azul tem o título de “Capital estadual da Ponkan” desde 2018. Está aprovado na Comissão de Cultura do Congresso Nacional projeto de lei nomeando a cidade como “Capital Nacional de Tangerina Ponkan”. E busca-se o reconhecimento das características peculiares através da Indicação Geográfica, confirmando-se cientificamente que a

Pontes por toda a área rural

Muito trabalho no campo

fruta do Vale da Ribeira e de Cerro Azul é diferenciada, com coloração e doçura únicas. Já para compensar os anos terríveis do coronavírus, a Prefeitura organizou para os dias 9 a 12 de junho uma grande festa, a 54ª da Laranja e a 26ª. Exponkan. Vai ter shows artísticos, exposição da produção agrícola, artesanato, produtos coloniais.

Estradas, ações constantes

cando-se a produções de mandioca descascada, doces, geleias, mel, olericultura.

Com área territorial de 1.341 km2, Cerro Azul tem quase 4 mil km de estradas. Subindo e descendo morros, que são características da região do Vale da Ribeira. “E o produtor precisa de estradas para escoar sua produção”, afirma o prefeito. A Prefeitura adquiriu modernas máquinas e equipamentos para melhorar as condições de trabalho. O programa “Porteira Dentro” funciona em parceria Prefeitura-produtor. Essa parceria tem funcionado, com as estradas sendo mantidas em boas condições e recebendo melhorias. Um ponto marcante da atual gestão é a quantidade de pontes entregues à população. Foram 27 pontes de concreto, além de várias outras de madeira e passarelas. Melhora-se com isso a logística de escoamento e a segurança dos motoristas.

Agricultura Familiar A Municipalidade tem fortalecido a Agricultura Familiar através do cooperativismo e de associações, com o empoderamento do Conselho Municipal do Desenvolvimento Rural – CMDR. Em parceria Município – IDR, desenvolvem-se as pequenas agroindústrias. São cerca de 25 com potencial crescimento, dedi-

mnscarmopr@terra.com.br

41 3662-1405

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Além da ponkan e laranja, madeira, mandioca, vegetais, legumes, mel ▀ Além da citricultura, Cerro Azul tem sua Economia baseada no setor madeireiro e na agricultura familiar. Grande parte do território é ocupado por reflorestamentos de pinus e eucaliptos e a movimentação de caminhões carregados de toras é uma constante na cidade e zona rural. São muitas as empresas reflorestadoras e serrarias espalhadas pelo município. Tem até algumas atividades inerentes à atividade madeireira, como a de coletor de resina de pinus. Quase sempre há vagas disponíveis, contratando-se com ou sem experiência. Já a agricultura familiar é responsável por outro produto muito apreciado, a mandioca de mesa,

presente nos supermercados e restaurantes de Curitiba e região, sendo comercializado também em grande volume na Ceasa e na Merenda Escolar do Estado. A Prefeitura, através do Conselho Municipal do Desenvolvimento Rural – CMDR -, dá todo o apoio ao setor, junto com o IDR. A Agricultura Familiar cerro-azulense desenvolve-se através de pequenas agroindústrias, que dedicamse a produções de mandioca descascada, doces, geleias, mel, mix de vegetais, rapadura, abóbora, olericultura.

Planejamento Agroecológico Sponholz), explica bem:

Mas a importância da ponkan e da laranja é cada vez maior, com as ações visando sua expansão e modernidade. Uma poesia, de autoria de Newton Sponholz (diretor da PAS –

Hotel Laranjeiras ▀ É tanta ponkan e laranjas em Cerro Azul que o hotel no centro da cidade chama-se LARANJEIRAS. Empreendimento de Gildo Stival, foi ampliado recentemente e oferece ótimas condições de hospedagem. Está localizado na rua Floriano Peixoto 213. Mandioca

Caminhões carregados de tora pela cidade

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Vagas para coletor de resina de pinus


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CERRO AZUL: O SONHO E A REALIDADE Prof. Nelson Lorenski

▀ Cerro Azul iniciou como Colônia Assunguy em 1860, 7 anos após a emancipação do Estado do Paraná, que se desmembrou do estado de São Paulo. Até se tornar município, Cerro Azul passou por vários estágios. Pela Lei 307 de 02 de abril de 1872 foi elevada à categoria de Freguesia sob a invocação de Nossa Senhora da Guia. Pela Lei 680 de 27 de outubro de 1882 foi elevada à categoria de Vila do Açungui. Pela Lei 816 de 7 de novembro de 1885 recebeu a denominação de Serro Azul. E pela Lei 259 de 27 de dezembro de 1897 foi elevada à categoria de Cidade (sede do Município). Foi um empreendimento do Imperador Dom Pedro atendendo aos anseios da província paranaense de povoar as terras com imigrantes europeus, colonos morigerados.

se dedicavam às culturas de erva-mate e da criação de bovinos. As terras da Colônia do Assunguy eram consideradas de qualidade ímpar para a agricultura, com inesgotáveis fontes de água, somadas às riquezas minerais no subsolo e um clima propício para se plantar e viver. Essa parece ter sido a avaliação de um grupo de agrônomos que teriam sido enviados pela Princesa Isabel com o objetivo de pesquisarem as características da Colônia. Embora com grande potencial, o desenvolvimento da Colônia enfrentou muitas dificuldades, em especial o relevo acidentado de todo seu território. Relatórios sobre os primeiros anos dizem que a Colônia não teve o desenvolvimento esperado e entre os maiores problemas apontados estão: 1) a falta de

vias de comunicação da Colônia, não só com a capital Curitiba e outros centros consumidores, mas também a sede da Colônia com o interior, dificultando o escoamento dos produtos das lavouras 2) concentração das terras centrais da Colônia que foram parar nas mãos de Diretores e chefes políticos, deixando para os colonos imigrantes as terras mais distantes 3) falta de escolas para os filhos dos colonos, gerando um grande contingente de analfabetos 4) diferenças culturais que dificultavam a comunicação e geravam conflitos entre os colonos. Mesmo assim, o Município de Cerro Azul conseguiu um razoável desenvolvimento agrícola. Os gêneros que mais se cultivavam no início da colonização eram: cana-de-açúcar, fumo, milho, feijão, mandioca, batata e cará.

As primeiras casas e prédios foram financiados com recursos do Governo Imperial que indicava também o administrador, que era chamado de Diretor da Colônia. O status de Colônia durou 22 anos e teve nesse período 22 Diretores, sendo uns efetivos e outros provisórios. Segundo pesquisa da professora de História do Colégio Estadual Princesa Isabel, Vania Moura Costa, a Colônia Assunguy foi o primeiro empreendimento realizado e financiado totalmente pelo governo imperial, já que os outros projetos de colonização foram todos de iniciativa privada. A Colônia foi criada para resolver o problema de abastecimento de alimentos da capital Curitiba, porque as outras regiões do Paraná

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É NO PARANÁ Não temos uma data exata da introdução da cultura da laranja, mas encontramos duas significativas referências. A primeira no Álbum do Paraná de 1927, que publicou a página com título “Chácara Felicidade” na qual está foto com a legenda “Exposição de 33 qualidades de laranjas no congresso do Estado, que motivou o dedicado pomicultor sr. Conrado (Von Der Osten) conquistar o primeiro prêmio em 1926, uma medalha de ouro.

xas de laranja.

Encontramos uma segunda referência à produção de laranja na Revista Brasileira de Geografia de Julho-Setembro de 1957 onde se fala de uma Cooperativa Agrícola Mista fundada por 22 associados, todos moradores de Cerro Azul. Essa cooperativa “prosperou de maneira animadora” e já no final do primeiro ano de fundação passou para 55 associados e produzia “500 quilos de doce de laranja, 700quilos de suco de laranja, 5 litros de óleo de laranja”, processando 400 cai-

A Tangerina Ponkan foi introduzida há uns 50 anos atrás, segundo informações do produtor Agenor Moura Costa em entrevista ao Programa Fala meu Povo da Rádio Comunitária Nova Cerro Azul FM, por seu sogro Silvio Von Der Osten. A grande aceitação da ponkan nos mercados de Curitiba incentivou os produtores a irem aumentando a cada ano a área plantada, transformando esta tangerina no principal produto da citricultura cerro-azulense, a ponto de hoje o município rece-

A revista apresenta ainda que a produção de laranja era escoada para São Paulo e Curitiba. Nessa época eram cultivadas as variedades: Laranja Baiana que produzia 60 laranjas por pé; Laranja Lima, 200 frutas por pé e Laranja Pera, com 200 laranjas por árvore. Num alqueire plantava-se 1.500 laranjeiras. Na época de 1957 havia aproximadamente 200 alqueires de laranjais.

ber o título de Capital Nacional da Tangerina Ponkan. A colheita e a comercialização de Ponkan anima a economia do município de Cerro Azul durante os meses de maio, junho e julho. Então para estender esta produção por mais tempo e melhorar a qualidade das frutas estão sendo desenvolvidas pesquisas com novas variedades de tangerinas precoces e tardias, através de uma parceria entre IDR-Paraná, Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, Prefeitura e Sebrae. Pelo projeto, 20 produtores receberam, em 2021, 230 mudas cada um. Os pomares desses produtores localizam-se em diferentes regiões de Cerro Azul e Dr. Ulysses, com diferenças na altitude e clima. Serão 5 anos de acompanhamento e análise das novas mudas. Espera-se que as novas variedades aumentem a produtividade e estendam a safra das tangerinas na região, especialmente da Tangerina Ponkan.

NO BRASÃO, A COROA DO IMPÉRIO A coroa do Império encima o Brasão de Cerro Azul, lembrando sua origem. Criado em 1966 por Lineu Bassetti, o Brasão apresenta ainda a frase “Unio Labor Progressus”, que significa “o Progresso como fruto do trabalho em conjunto”. À esquerda, a data 1860 é da criação da colônia e à direita, 1890, da criação da Comarca. Tem o milho à esquerda, a cana-de-açúcar à direita. Nos quadrados, desenhos representando a pecuária, acidentes geográficos e minérios, agricultura e citricultura.

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Um belo passeio: Witmarsum ▀ Quer um passeio sensacional perto de Curitiba? Especialmente nesses dias de frio? Pois a 60 quilômetros da capital, no município de Palmeira, está Witmarsum, colônia alemã menonita com paisagens belíssimas, casas com bonitos jardins, e muitas, mas muitas, atrações. Nos sábados de manhã tem a feirinha do produtor, onde se encontram os famosos queijos fabricados pela Cooperativa de Witmarsum (Minas Frescal, ricota fresca, fondue, colonial e tipos Camembert, Brie, Appenzeller, Emmental, Raclette). Ali, ainda, há outros produtos coloniais, geleias, conservas, embutidos, verduras e legumes frescos, frutas. Espalhados pela colônia, encontram-se cafés coloniais, restaurantes, pousadas, cervejarias. E os programas se sucedem para crianças e adultos: passeio de trator, de cavalo, lojas de roupas, decoração e artesanato, parques infantis, animais que as cri-

Ah, as tortas da Edit´s Kaffee...

anças adoram, caminhadas. Há as festas típicas no calendário (que voltam após o coronavírus) No Museu Histórico tem a história dos imigrantes menonitas russo-alemães que fundaram a Colônia e a Cooperativa. Restaurantes e confeitarias convidam para as melhores tortas com receitas alemãs, comida

típica alemã (einsbein, Kassler, marreco recheado, salsichas, chucrute), pães especiais, bolachas, cerveja artesanal. O melhor de tudo é que Witmarsum não é um parque temático fabricado e sim uma autêntica área rural. Gente trabalhando, produzindo, gerando empregos e divisas.

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AS TORTAS MAIS SABOROSAS DA COLÔNIA WITMARSUM Café Colonial COMPLETO

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