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ANO XXXIII - NĂšMERO 194 - Outubro / Novembro 2017

FENATRAN

A feira da retomada


Painel

Entre nós

Dinheiro e felicidade

ISSN 1984-2341

Na edição passada, escrevemos aqui sobre os enormes lucros das empresas concessionárias de rodovias, que são maiores até do que os lucros dos bancos (os bancos, desde sempre, eram e são considerados o melhor “negócio” do Brasil, não é?). Puxando pelo assunto do pedágio, que representa um peso tão grande no custo de vida dos transportadores autônomos e nas despesas das empresas de transporte, vem à lembrança um fato silencioso, mas que se espraia por muitos setores da vida de todos nós. O amigo já reparou que o número de pedágios que a gente precisa pagar tem se multiplicado mais e mais nas últimas décadas? Não estamos falando de estradas, não... Vejamos. O simples fato de ter conta em banco exige pagamento de pedágio. No banco, o pedágio recebe o nome de “taxa de serviços”. Quer ter uma conta? Pague! Quer “existir” para o banco? Pague! Antigamente não se pagava... Como acabou aquela inflação altíssima que assegurava grandes lucros aos bancos sem precisar cobrar “taxa de serviços”, eles passaram a cobrar. Para o cidadão comum, foi mais um baque nas despesas. E para os bancos? Foi a “solução” para que seus lucros se mantivessem lá nas alturas, onde sempre estiveram. Você vai passear no shopping center: pague o pedágio, que é a taxa de estacionamento. É sempre caro, embora proporcional ao tamanho da cidade onde você estiver. Claro que você não é obrigado a pagar. Se quiser, estacione a cinco ou dez quarteirões de distância, se encontrar lugar. E mesmo aí, pague o pedágio... para o flanelinha, porque a pobreza crescente em que vivemos é pretexto para muitos tipos de violência. Quer fazer um passeio numa cidade grande e não pode passar por um caminho “perigoso”, onde você acha que corre o risco até de levar um tiro? Dê a volta por outro caminho e... pague o pedágio do combustível que você vai gastar a mais! Você não vai poder chegar à cidade grande no horário liberado para o trânsito de caminhões? Então pague o pedágio da espera do próximo horário! Pague com a sua paciência, pague com a sua fragilidade, pague com a sua impossibilidade de se defender de todas essas situações de “pedágio”. Pensando bem, até que não está difícil, para uma pessoa comum, ganhar algum dinheiro com algum serviço, hoje em dia. Difícil é ter a sensação de que aquilo que a gente ganha está servindo para a nossa felicidade.

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CARTAS

Caminhoneiros e seu ‘casamento’ com a estrada

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AS NOVIDADES

O cliente terá o tratamento de um rei

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VOLKSWAGEN

Para manter o sucesso dos leves Delivery

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CONSÓRCIO SCANIA

Sorteio de caminhões e mais viagens

Sumário FENATRAN

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ECONOMIA

Indicadores positivos animam os transportadores

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MERCEDES-BENZ

O resultado daquilo que as estradas falaram

24 SCANIA

Novos motores e novos planos de manutenção

28 DAF

Distribuidores DAF em novas instalações

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PEUGEOT

Furgão Expert promete pós-vendas diferenciado

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MULHERES

A cearense Manuela atua no transporte de bebidas

PASSATEMPO

DIRETORA RESPONSÁVEL: Dilene Antonucci. EDIÇÃO: Dilene Antonucci (Mt2023), Chico Amaro e Nelson Bortolin. DIRETOR DE ARTE: Ary José Concatto. ATENDIMENTO AO CLIENTE: Mariana Antonucci e Carlos A. Correa. REVISÃO: Jackson Liasch. CORRESPONDENTES: Ralfo Furtado (SP) e Luciano Pereira (MG). PROJETOS ESPECIAIS: Zeneide Teixeira. Uma publicação da Ampla Editora Antonucci&Antonucci S/S Ltda-ME. CNPJ 80.930.530/0001-78. Av. Maringá, 813, sala 503, Londrina (PR). CEP 86060-000. Fone/fax (43) 3327-1622 - www.cargapesada.com.br E-mail: redacao@cargapesada.com.br. Circulação: Outubro / novembro de 2017 - Ano XXXIII - Edição n° 194

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Porta-luvas

Cartas

Vai ter casamento, pessoal! Quem disse que o espaço que destinamos às notícias e comentários enviados pelos leitores não pode ser usado para comunicar sobre casamentos? Só depende dos leitores, como você vai ver nesta edição. É uma alegria pra nós. Viva os noivos! Viva os noivos!...

situação. E tudo começou com um simples problema mecânico... Denivan Pereira – Cariacica (ES)

Trânsito

É um grande prazer fazer parte da família da revista Carga Pesada. Estou no ramo de caminhões sider, prestando serviços para a montadora Fiat Automóveis. Trabalho todos os dias, inclusive aos sábados e domingos. Não tenho do que reclamar, faço o que gosto com muito prazer. Gosto muito de ler a revista e conhecer as novidades, principalmente as tecnologias que são colocadas pelas montadoras nos caminhões. Vocês estão de parabéns. José Olindio de Araújo – Betim (MG)

Polícia só fiscaliza os caminhoneiros

Reclamo da falta de fiscalização nas estradas. Isso mesmo: só existe fiscalização CONTRA NÓS, com grande número de multas, mas fazer boas estradas, que é o que interessa, eles não fazem. Quero alertar que na Fernão Dias, perto do Posto 555, em Guarulhos, existe uma região onde costumam aparecer pedaços de ferro na rodovia para furar os pneus dos carros e a polícia não faz nada para resolver essa situação. Na Vila Galvão tem um destacamento onde eu já fiz duas queixas. Eles dizem que só podem fazer alguma coisa se pegarem alguém em flagrante, mas eu pergunto: como podem dar um flagrante se não saem do destacamento? Para isso, não precisamos de polícia. José Soares – Guarulhos (SP)

Histórias Uma entrada de ar deixou Denivan ao relento...

Quero contar um caso que aconteceu comigo. Em certa viagem de São Paulo para Vitória, meu caminhão deu entrada de ar em São José dos Campos. Fui socorrido pelo pessoal da concessionária CCR e segui viagem, mas o mesmo problema ocorreu em Taubaté. Pedi socorro de novo. Já era noite. Fui orientado e escoltado até um grande posto (Amaral) em Pindamonhangaba. Nesse posto havia serviço mecânico que poderia sanar o problema definitivamente. Só que, ao chegar ao posto, a entrada de ar ocorreu novamente e o motor parou de funcionar. E não foi só isso. Naquela tensão, perdi meus óculos e tranquei o caminhão com a chave, os documentos e o dinheiro dentro. Passei a noite ao relento, esperando o dia seguinte para resolver a

José trabalha com muito gosto e prazer

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Cartas

Porta-luvas

Olhaí, pessoal: Vanderley e Rosana vão se casar no papel

Trago a esta revista a notícia de que, depois de 24 anos de união com a minha esposa, Rosana Reis da Silva, vou me casar no papel no ano que vem. A data já está marcada: 9 de novembro de 2018. Gostaria de dizer que eu amo muito minha esposa e que ela me deu quatro filhos lindos – Igor, Davi, Morgana e Jamille. Mando um abraço a todos os caminhoneiros do Brasil, pois são verdadeiros guerreiros. José Vanderley C. Madruga – Lages (SC)

Curso É bom, mas não precisava pagar duas vezes

Estou fazendo o curso de especialização para motoristas de veículos de carga indivisível e tenho achado muito útil para um profissional. Porém, penso que deveria ser incluído no curso de MOPP (Movimentação Operacional de Produtos Perigosos), para não gerar dois custos para os motoristas, que são uma classe desfavorecida e que ganha pouco. Francisco de Assis Moreira

DAF Amaury conhece a DAF de outros lugares

Li com satisfação a notícia de que a DAF já entregou dois mil caminhões produzidos em sua fábrica de Ponta Grossa (PR). Eu conheço a marca DAF de quando estive na África, lá é uma marca consagrada pela qualidade dos seus produtos. É muito bom termos o privilégio de contar com os caminhões DAF rodando pelo Brasil. Amaury de Queiroz – Belo Horizonte (MG)

Implementos A cada duas cargas e meia, um caminhão fica sem carga

Já existe um grande número de caminhões parados por falta de carga, e essa carreta LS com quatro eixos leva 10 toneladas a mais que uma LS tradicional de três eixos. Sendo assim, a cada duas cargas e meia, sobra um caminhão sem carga. Não tenho nada contra o aumento da eficiência no transporte, mas creio que este não é o momento ideal para a inclusão da LS de quatro eixos entre os implementos autorizados pelo Contran. Além disso, como mostrou a reportagem da Carga Pesada, esse implemento aumenta a carga sobre

pontes, podendo trazer transtornos para todo o sistema. Wellington da Torre – Contagem (MG)

Carreta de quatro eixos acabará com as estradas

Sobre o assunto das carretas LS que estão recebendo quarto eixo para levar mais peso que o bitrem e não precisam ser tracionadas por um cavalo 6x4 (Edição nº 192), eu posso dizer: agora sim é que as estradas vão se acabar. Vamos ter que andar na terra. O pessoal não entende que a solução do transporte está em aumentar o valor do frete, e não em aumentar o peso da carga levada pelo caminhão. Jorge Antonio Barnabé

Sorteio Nossos brindes desta edição vão para os seguintes leitores: José Vanderley Córdova Madruga, que mora em Lages (SC), ganhou um kit do Slalom Truck Race contendo uma mochila e um copo térmico; e Deivid Dênis Azevedo Rocha, de Mateus Leme (MG), receberá em casa, gratuitamente, por um ano, todas as edições da Carga Pesada. Preencha o cartão-resposta que acompanha esta edição e concorra você também. Conte sobre você e faça seus comentários sobre qualquer assunto. Estamos aqui para servir.

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Depois da temp Transportadores vão para a Fenatran 2017 com esperanças renovadas na retomada da economia. Levam, também, o aprendizado que a crise deixou para as empresas que resistiram ao sobressalto NELSON BORTOLIN O pior da crise econômica já passou. É esse o sentimento que deve prevalecer entre transportadores que vão visitar a Fenatran 2017 – 21º Salão Internacional do Transporte Rodoviário de Carga, de 16 a 20 de outubro, em São Paulo. A percepção baseia-se nos mais recentes indicadores econômicos, segundo os quais o Brasil já está deixando para trás uma das mais graves recessões da sua história. Na Fenatran anterior, em outubro de 2015, apenas duas montadoras marcaram presença – DAF e Volvo, as duas fabricantes instaladas no Paraná. O País estava prestes a fechar o ano com o maior encolhimento do Produto Interno Bruto (PIB) desde que o IBGE mede esse índice: 3,8%. Já a Fenatran 2017, na qual estarão presentes todas as principais marcas, começa com uma expectativa de que o PIB cresça 0,68% este ano e com uma previsão de 2,30% para 2018,

segundo o Banco Central. Em 2015, a inflação medida pelo IPCA estava em 9,9% ao ano. O mesmo indicador agora é de 2,4%. A taxa básica de juros, a Selic, estava em 14,25% ao ano – enorme. Agora, está em 8,25%, e fala-se que pode fechar o ano como a menor da história do Brasil: 7%. “Não estamos no melhor dos mundos, não chegamos à recuperação que gostaríamos, mas estamos vendo uma grande conjunção de indicadores positivos”, afirma o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga de São Paulo (Setcesp), Tayguara Helou. Ele está confiante para 2018 e diz que, em 2019, o Brasil pode “arrebentar a boca do balão”, porque não há outro país em desenvolvimento tão interessante para o investidor estrangeiro. “A China é uma caixa-preta, ninguém sabe se seus indicadores econômicos são verdadeiros e quem quer investir lá tem “Não estamos no melhor de ser sócio do governo. Já a Rússia, dos mundos, mas, sem a Índia e a África do dúvida, agora estamos Sul vivem problemas vendo uma grande na esfera política que conjunção de indicadores são ainda mais preopositivos.” cupantes do que os nossos”, afirma. Tayguara Helou, do Setcesp Helou ressalta que

o Brasil irá “alimentar o mundo”, tem as maiores reservas de água e matérias-primas do planeta, conta com um povo criativo e um empresariado acostumado “a se virar nos 30”. “Não sobra alternativa. O mundo vai se voltar para o Brasil.” Internamente, o presidente do Setcesp acredita que uma nova liderança política poderá surpreender nas eleições presidenciais de 2018. O empresário Gilberto Cantú, da transportadora paranaense Diamante, também acha que o pior já passou, “pelo menos na parte da economia”. Ele lamenta que a crise política esteja longe de terminar. “O bom é que

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estade Indicadores econômicos Outubro/2015 - 3,8% PIB 10% Inflação** 14,25% Taxa Selic

Outubro/2017 + 0,6%* 2,4% 8,25%

*Estimativa do mercado **Acumulada em 12 meses

Saldo de empregos Jan/Ago de 2015 - 572.792 Jan/Ago de 2017 + 35.457 Fonte: Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho.

nós conseguimos descolar a política da economia”, diz. “O Brasil resolveu arregaçar as mangas e trabalhar.” Para Cantú, 2017 teve um alento que foi a aprovação da reforma trabalhista. “Ela torna mais fácil a relação entre patrões e empregados e nos dá mais segurança quanto aos passivos trabalhistas”, afirma. Para ele, a reforma, que passa a vigorar em novembro, é um incentivo para as empresas contratarem mais. “Vai ajudar a diminuir as relações informais de trabalho.” Ramon Zuqui Paganini, da capixaba Jolivan Transporte, percebeu que o ambiente para negócios melhorou no País, mas ainda está desconfiado. “A gente

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achou que a crise estava acabando, aí vieram a público [em maio] os áudios da conversa do Temer com o Joesley, dono da JBS, e a coisa ficou feia de novo”, afirma. Mesmo assim, ele diz que tenta manter-se otimista. “Temos buscado reajustar os fretes porque acreditamos que o pior já tenha passado. A gente acredita sem acreditar ou não acredita acreditando”, declara. Paganini considera que o fato de o BNDES ter deixado de financiar caminhões (pelo Finame) com juros muito baixos foi “um mal que pode vir para o bem”. “Ficou fácil comprar caminhão e o mercado ficou encharcado, com baixa de-

manda. Isso achatou demais o frete.” Para ele, a atual política de juros tem o poder de depurar o setor e elevar as tarifas. Osni Roman, presidente da Coopercarga, de Concórdia (SC), afirma que a depressão na economia foi resolvida e

“O Brasil resolveu arregaçar as mangas e trabalhar.” Gilberto Cantú, da Transportadora Diamante


“Os sinais de melhoria estão claros e se refletem no crescimento do fluxo de cargas.” Giuseppe Lumare Júnior, da Braspress já se nota um pequeno crescimento. “Alguns clientes estão com um volume um pouco maior de cargas”, observa. Quanto ao futuro, seu otimismo é moderado. Prefere dizer que não acredita que possa acontecer nenhuma “catástrofe muito grande”. Para Giuseppe Lumare Júnior, diretor comercial da Braspress, “os sinais de melhoria estão claros e se refletem no crescimento do fluxo de cargas”. Mas, segundo ele, a atividade do transporte vive um dilema: “A oferta nem sempre encontra o nível adequado de demanda. Nas crises, as transportadoras são obrigadas a ajustar a oferta e depois, abruptamente, são obrigadas a reativar sua capacidade operativa para dar conta do crescimento da demanda”. A queda na demanda, ressalta Lumare, fechou muitas transportadoras. “Ao fim e ao cabo, aquelas que chegaram vivas ao fim da longa travessia do deserto poderão recuperar parte das perdas que sofreram durante a crise.” Para o diretor, 2018 será um ano melhor. Mas a rentabilidade do setor só vai se recuperar quando os fretes voltarem aos níveis anteriores à crise. “Esse movimento deve ocorrer naturalmente, à medida que a alta capacidade ociosa dos transportadores for sendo preenchida.” Presidente do G10, grupo de transporte de Maringá (PR), Cláudio Adamuccio diz que o pior já passou. “O excedente de caminhão que existia em 2013 diminuiu. O equilíbrio melhorou graças ao aumento da produção agrícola”, afirma. Para Adamuccio, o transporte está entrando numa nova

era. “Cada vez mais é preciso profissionalismo na gestão. Até essa crise, havia muitas pessoas que entravam no transporte porque tinham um dinheirinho, porque um vizinho dizia para elas comprarem um caminhão. Era só ir ao banco e pegar o financiamento. Agora essas pessoas estão vendo que não é assim.” A lei do novo marco regulatório, na opinião de Adamuccio, será uma barreira para os aventureiros. “E quem não entender de transporte não vai ficar no ramo”, completa. O ano que vem, na visão do presidente do G10, “será a continuidade de 2017”. “O crescimento do PIB será muito pequeno, a safra não vai superar a de 2017, será um pouco menor. Não vejo grandes mudanças, nem oportunidades de recuperarmos nossas margens achatadas.” O diretor executivo da Associação dos Transportadores de Mato Grosso (ATC), Miguel Mendes, informa que a supersafra 2016/17 trouxe alívio para quem trabalha no escoamento de grãos, mas a situação ainda é muito difícil. “As transportadoras continuam no vermelho, tentando se recuperar. Muita gente que entrou no mercado só porque havia caminhões para vender com o financiamento barato do Finame ainda continua concorrendo com os transportadores profissionais.”

Com os pés no chão Apesar de a maioria concordar que o pior já passou, alguns caminhoneiros ainda estão muito preocupados com os reflexos da crise. O gaúcho Eliardo Locatelli diz que, no ramo do transporte, a crise está bem visível nos fretes defasados e nos aumentos de preço do óleo diesel. O corte dos grandes incentivos do

BNDES para a compra de caminhões tem seu lado bom, na visão de Locatelli. “Sobrava um dinheirinho, o pessoal comprava caminhão. Agora, só compra quem é do ramo.” O lado ruim é que, daqui a cinco anos, “a frota brasileira vai estar ainda mais velha”. Johnny Amaral, motorista da PepsiCo, de Sete Lagoas (MG), afirma que

“A lição que todos devemos levar é a consciência na hora de votar.” Eliardo Locatelli, de Carazinho (RS) o pior passou, mas que a situação do Brasil está “em banho-maria”. “Nas estradas está todo o mundo esperando que o ano que vem seja melhor, por causa das eleições”, diz. Por enquanto, o desânimo é grande.

O que levaremos das crise Dizem que de toda crise se tira alguma coisa. Depois de quase três anos com a economia encolhendo, os transportadores afirmam estar levando algum aprendizado da recessão. Para o presidente do Setcesp, Tayguara Helou, o TRC aprendeu três coisas neste período: a ser mais eficiente, a inovar e a ser disruptivo, ou seja, a romper com os modelos existentes. “Aprendemos a pensar não apenas em nós, mas nas necessidades de nossos clientes.” O empresário Gilberto Cantú diz que o setor passou a olhar mais para seus processos e a cortar gordura. “Quando a economia está bem, a gente tem uma tendência natural de relaxar, de não olhar tanto nossos custos, ao contrário do que está acontecendo agora.” Miguel Mendes, da ATC, concorda. “Quando

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A capa da Carga Pesada de dois anos atrás: em 2015, apenas duas montadoras marcaram presença – DAF e Volvo

tem muito dinheiro entrando, nem sempre se percebe onde está o desperdício. Quando vem a crise, toda a gestão precisa ser revista.” Segundo o presidente da Coopercarga, Osni Roman, o aprendizado é grande. “Volta e meia temos uma crise, mas essa foi muito longa e nos ensinou várias coisas: a persistência, a redução de custos, que nós devemos realmente nos voltar para o nosso negócio, para aquilo que sabemos fazer.” Ele acha que “quem conseguiu passar pela crise está mais preparado para as oportunidades que virão pela frente”. Cláudio Adamuccio diz que

o G10 aprendeu com a crise que não são os lucros que asseguram a continuidade da vida de uma empresa, mas sim o caixa. “As crises são cíclicas e outras virão. A gente deve estar preparado com os fluxos organizados. Administrar bem o caixa é o segredo para enfrentar as crises”, afirmou. O caminhoneiro Johnny Amaral diz que o ensinamento da crise é que não se deve dar um passo maior que a perna. “A gente tem sempre que trabalhar com a cabeça no lugar, fazer um planejamento adequado para não ser pego de surpresa por uma crise como esta, que o Brasil nunca tinha visto antes”, afirma. Para o motorista Eliardo Locatelli, o aprendizado é mais cívico. “A lição que todos devemos levar é a consciência na hora de votar, porque a crise não foi culpa nossa, mas da roubalheira em Brasília.” Ele diz também que vai passar a se preocupar em manter reservas financeiras para não sofrer tanto como nos últimos anos.

“Se a política não atrapalhar, será muito bom.” Alarico Assumpção Júnior, da Fenabrave

O otimismo do concessionário O mercado brasileiro de caminhões deve fechar o ano com uma leve queda, depois de um tombo de 30% em 2016, em relação a 2015. Mas, para a Federação Nacional da Distribuição dos Veículos Automotores (Fenabrave), a pequena retração em 2017, estimada em 2%, não deve ser motivo de desânimo. “O que faz vender caminhão é PIB (Produto Interno Bruto)”, afirma o presidente da entidade, Alarico Assumpção Júnior, que é concessionário Volvo em Minas Gerais. Ele lembra que a economia do País recuou 7% em 2015 e 2016, mas vai crescer neste e no próximo ano. “Nosso otimismo se justifica porque já tem analista falando que vamos crescer 1% neste ano e 3% no próximo. Estamos com a inflação dentro da meta e os juros podem chegar a menos de 7% (ao ano). O cenário é muito positivo”, ressalta, acrescentando que seu único receio é com a política. “Se a política não atrapalhar, será muito bom.” Assumpção não acredita que a alta de juros do Finame irá atrapalhar o mercado de caminhões. “Teremos outras modalidades. O mercado vai se adequar”, afirma. Para ele, a inflação baixa irá compensar as taxas menos amigáveis do BNDES. . “A gente precisa saber o que quer de nossas vidas. Sou concessionário de caminhões há 39 anos, sou feliz nessa atividade. Quem é feliz no que faz, faz de forma diferente.” O empresário aconselha os colegas a investirem em pessoal e a buscar a inovação. “Não há mais espaço para aventureiros”, declara. Na visão dele, o Brasil está no caminho certo. “Temos que seguir pensando positivo. A cada dia que vejo uma empresa ser aberta, gerando emprego e riqueza, eu fico muito feliz. É gostoso quando cai a noite e vejo mais um luminoso que acende.”

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Sua majestade, Montadoras mostram suas armas para aumentar vendas após três anos de recessão econômica DILENE ANTONUCCI Não se espante se você for recebido na Fenatran – o Salão do Transporte Rodoviário de Carga que acontece de 16 a 20 de outubro em São Paulo – com um tapete vermelho. Nunca o transportador e o caminhoneiro foram tão ouvidos e considerados nas estratégias e no desenvolvimento de produtos e serviços por parte das montadoras de caminhões. Nada como uma queda histórica de vendas – como aconteceu nos três últimos anos – para levar a mudanças de postura. No caso da Mercedes-Benz, a estratégia virou mantra no slogan “As estradas falam, a Mercedes-Benz

ouve”. E a participação da montadora na feira será uma demonstração dessa forma de atuação que está servindo de laboratório para o que ela pretende fazer no resto do mundo. A marca recuperou a liderança de mercado no Brasil em 2016 e tem mantido a posição: em 2017, até agosto, teve 28,7% de participação em caminhões acima de seis toneladas. “O cliente vai se ver no nosso estande, porque nós fizemos o que ele pediu e isso poderá ser visto em cada um dos 16 caminhões em exposição, do novo Accelo ao Actros, passando pelo Atego e o novo Axor”, prevê

O Actros, da Mercedes-Benz, com nova grade frontal, seu concorrente Scania R510 (à dir.) e um Volkswagen da nova família Delivery: as várias caras da Fenatran

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o cliente

Roberto Leoncini, vice-presidente de Vendas e Marketing da Mercedes. Ele estima que as vendas de caminhões crescerão perto de 20% em 2018, com os sinais de retomada sobretudo nos setores ligados ao agronegócio como grãos e cana, e também na mineração e no transporte de gases, líquidos, combustíveis e nos produtos frigorificados. “As consultas dos clientes vêm aumentando de forma consistente”, afirma. Todas as montadoras querem estar preparadas para a retomada das compras e veem a Fenatran como um momento decisivo para definir o que será 2018. Para isso, introduziram novidades em seus caminhões, conforme você verá em detalhes nas páginas a seguir. A Scania chega com duas novas motorizações em seus modelos rodoviários de 450 e 510 cavalos, além do Heavy Tipper, veículo apresenta-

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do como solução para a mineração, com capacidade para 40 toneladas. Na área de serviços, o Programa de Manutenção com Planos Flexíveis personaliza o atendimento de acordo com a operação do cliente e pode reduzir o custo por veículo em até 16%. A Volkswagen, por sua vez, reformulou sua família de leves Delivery, que agora parte do Express de 3,5 toneladas até o 13.180 com nova cabine, maior capacidade de carga e opções de caixa automatizada e motorização com sistema EGR, que dispensa o uso de Arla 32. Outras novidades deverão ser anunciadas durante a Fenatran. Para conhecê-las, acompanhe o nosso noticiário de 16 a 20 de outubro pelo site www.cargapesada.com.br, pelas redes sociais Facebook e Youtube, na próxima edição digital de novembro e na impressa que circulará em dezembro.


Accelo ganha cabine estendida

Dois Accelo em sua rotina de trabalho: firmes também na longa distância

Com a missão de suceder o consagrado Mercedinho, o Accelo 815 surgiu com ares de modernidade e cheio de tecnologia, mas deixava a desejar no espaço da cabine. Esta é uma das novidades da linha de leves e médios da Mercedes-Benz: a cabine foi estendida e ganhou mais 180 mm nos modelos 815, 1016 e 1316, aumentando o conforto para motorista e acompanhantes. Os bancos ganharam mais 13 graus para reclinar e 25 mm de deslocamento para trás.

Na cabine: mais espaço para reclinar e afastar os bancos

No Brasil, 10% dos médios são usados na longa distância: no Nordeste, os caminhões que transportam frutas chegam a rodar dois mil quilômetros. Por isso, a engenharia da Mercedes-Benz projetou opcionais nos chassis, nos entre-eixos mais longos, para abrigar dois tanques de 150 litros de combustível, que dão a maior autonomia do segmento, e um tanque de Arla para 25 litros. Com funções Eco e Power, a Mercedes passa a oferecer câmbio au-

tomatizado de seis marchas também para a linha Accelo. É outra novidade que estará disponível a partir de março. Estes câmbios combinam força na partida em rampa e altas velocidades operacionais. Oferecidos como opcionais, devem acrescer R$ 5 mil ao preço do caminhão com câmbio manual. O sistema auxiliar de partida em rampa (HSA), com sensor de inclinação da pista e controle de tração das rodas (ASR), proporciona conforto, segurança e economia.

Câmbio automatizado de seis marchas, com funções Eco e Power

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Mais baixo, o túnel do motor aumentou o espaço na cabine

Agora o Axor tem “chineleiras” para guardar calçados e evitar sujeira

Novo piloto automático aproveita inércia Na outra ponta da linha, o Actros ganha atributos para turbinar sua participação no disputado segmento dos extrapesados: nova grade frontal, painel de instrumentos com mais funções, atualização da inteligência do câmbio Mercedes Power Shift e piloto automático com recursos que também se estendem aos modelos Axor e Atego e podem proporcionar economia de combustível de até 1%, resultado expressivo quando se fala de longas distâncias. O piloto automático foi configurado para economizar combustível, isto é, o sistema reconhece a carga e a inclinação da pista, por meio de sensores, e ajusta a demanda de torque e potência do motor. Em um declive, por exemplo, o sistema aproveita a inércia para atingir a velocidade desejada.

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O painel de instrumentos ganha funções indicando pressão de turbina, tempo e consumo em marcha lenta, contagem de tempo em cada faixa de rotação, consumo em litros e alerta de velocidade, recursos que estarão também nos novos Axor. Na linha de caminhões Axor, tanto rodoviária quanto fora de estrada, outra novidade é a introdução de um túnel do motor mais baixo. O túnel passa a ter cerca de 200 mm de altura, o menor de sua categoria, proporcionando mais espaço. No caso da cabine leito com teto alto, a diminuição do túnel resulta numa altura interna livre sobre ele de 1,78 m. No quesito segurança, tanto os Axor quanto a linha Atego ganharam os sistemas HSA (Hill Start Aid), que auxilia o motorista nas partidas

em rampa; o EBD (Electronic Brake Force Distribution), que distribui a força de frenagem; e o ASR (Anti Slip-Regulation), que controla a tração das rodas, evitando que patinem. Atendendo solicitações de clientes e dos motoristas, os Axor rodoviários e os fora de estrada passam a contar com as chamadas “chineleiras” para guarda de calçados. Trata-se de uma cobertura de degrau na região das portas, que, além de mais segurança, oferece mais conforto e evita sujeira na cabine. Um climatizador mais compacto e mais leve, mas com mais água, em cima da cabine, assegura melhor aerodinâmica ao caminhão. Além de faixas laterais e iluminação da quinta roda, os Axor ganham novas opções de cores, como ocorreu com os demais modelos da marca.


Volkswagen ‘turbina’ os É a receita de quem levou ao sucesso uma família de caminhões que teve 100 mil veículos produzidos no Brasil em 12 anos Conforto de automóvel e robustez de caminhão. Esta é a receita da linha Delivery de 3,5 a 13 toneladas, destinada ao transporte urbano de cargas, que a Volkswagen Caminhões e Ônibus vai apresentar na Fenatran. Com design moderno, cabine basculante e opção de caixa automatizada, a nova linha promete maior capacidade de carga e mais economia. A família de caminhões VW Delivery é líder em vendas no Brasil, tendo alcançado recentemente a marca de 100 mil veículos fabricados desde seu lançamento, em 2005. Será mantida a fabricação dos atuais modelos campeões de vendas, como o Delivery 8.160, o caminhão mais vendido de 2016. Agora a Volkswagen dispõe de um modelo de 3,5 toneladas, o Delivery Express, e com isso passa a disputar o segmento que tem concorrentes como a Mercedes-Benz Sprinter, o Iveco Daily e o Hyundai HR. Um dos trunfos do Express é a largura de dois metros da cabine, quando a maioria dos concorrentes tem 1,8 metro. Por suas características, no entanto, o Express não pode contar com financiamento do Finame. Por isso, o Banco Volkswagen está com taxas especiais para o lançamento. Toda a linha também poderá ser adquirida por leasing operacional e consórcio. Resultado de um investimento de mais de R$ 1 bilhão e destinados ao mercado de mais de 30 países, os seis modelos têm três versões: a City, de entrada; a Trend, para o dia a dia das mais diversas operações;

e a Prime, que traz aspectos visuais e de conforto diferenciados. O preço dos novos Delivery ficará de 7% a 10% acima dos modelos atuais, dependendo da versão e dos opcionais. “São seis novos modelos desenhados para atender todas as necessidades dos clientes do segmento de transporte urbano de cargas, e posso assegurar que eles proporcionam o menor custo operacional da categoria”, afirma Ricardo Alouche, diretor de vendas e marketing. SEM ARLA – O Delivery Express pode ser guiado por motoristas com carteira de habilitação categoria B e trafegar em áreas onde a circulação de caminhões é restrita, nos grandes centros urbanos. Como tem rodado simples na traseira, paga o mesmo pedágio de um automóvel. Tem motor Cummins ISF de 2,8 litros com tecnologia de pós-tratamento de gases EGR, dispensando o Arla 32. Alcança 150 cv e um torque máximo de 360 Nm numa ampla faixa de rotações para garantir retomadas rápidas e agilidade nas entregas urbanas. Dispõe de airbags para o motorista e os passageiros. O Delivery 4.150 conta com financiamento via Finame e tem o mesmo motor Cummins ISF de 2,8 litros e 150 cv de potência, com sistema de pós-tratamento de gases EGR que dispensa o Arla 32. Com a missão de manter a marca Volkswagen no topo do ranking de caminhões mais vendidos do Brasil, o Delivery 6.160 promete a melhor manobrabilidade da categoria,

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leves Delivery

Conforto na cabine também é uma característica do novo Delivery Express, o primeiro Volkswagen de 3,5 toneladas (à esq.), que paga pedágio igual ao de um automóvel

Acima: o painel modular (que permite mudar os componentes de lugar) de linha e o câmbio automatizado opcional. Abaixo: o Delivery 13.180 agora tem cabine basculante

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tem cabine ampla e confortável, caixa ESO-4206 de seis velocidades, motor Cummins ISF de 2,8 l, solução SCR para o pós-tratamento de gases e potência que chega a 160 cv e torque máximo de 430 Nm. O Delivery 9.170 pesa 10% a menos que seu antecessor, o que representa economia de combustível e maior capacidade de carga. Seu motor é o Cummins ISF de 3,8 litros com tecnologia SCR, tem torque máximo de 600 Nm e 165 cv de potência. A transmissão manual é a ESO-6106, com seis velocidades, e o modelo contará ainda com transmissão automatizada. Indicado para entregas urbanas e serviços rodoviários de curtas e médias distâncias, o novo Delivery 11.180 é equipado com motor Cummins ISF, de 3,8 litros e tecnologia SCR, com torque máximo a 600 Nm, 175 cv de potência e transmissão manual ESO-6106. O modelo também contará com transmissão automatizada. O primeiro modelo equipado com terceiro eixo da nova família, e que tem a maior capacidade de carga, é o Delivery 13.180. Foi projetado de acordo com a legislação de circulação de Veículo Urbano de Carga (VUC) nas cidades onde há restrição de tráfego. Com motor Cummins ISF, de 3,8 litros e tecnologia SCR, torque máximo de 600 Nm e 175 cv de potência, tem transmissão manual ESO-6206, mas poderá contar com transmissão automatizada.


Scania aumenta potências e personaliza manutenção Surgem os motores de 450 cv e 510 cv, além de um veículo para mineração com a maior capacidade do segmento. Já os Planos Flexíveis podem reduzir bem o custo com manutenção e vão facilitar a vida do transportador A Scania apresenta na Fenatran novidades tanto em produtos quanto em serviços. São dois novos motores em seus modelos rodoviários, de 450 e 510 cavalos, além do Heavy Tipper, veículo para a mineração. Na área de serviços, o Programa de Manutenção com Planos Flexíveis personaliza o atendimento de acordo com a operação do cliente. O custo por veículo pode cair até 16%. O novo Programa de Manutenção é mais um passo da Scania no sentido de se tornar a marca de referência em serviços e pós-vendas no segmento de veículos comerciais. No início do ano, a montadora já tinha apresentado o sistema Serviços Conectados, que alcançou cinco mil caminhões em poucos meses – até agosto. O sistema ultrapassa os recursos da telemetria: não apenas obtém dados do uso do veículo, mas analisa as informações com inteligência focada na obtenção de melhores resultados e inclui uma consultoria prestada pela rede de concessionárias.

Os Planos Flexíveis de manutenção também buscam a redução de custos operacionais. Com eles, as manutenções preventivas serão individualizadas de acordo com a operação de cada veículo da frota. Por meio de dados entregues pela conectividade, o próprio caminhão comunica ao sistema quando uma revisão é necessária. A parada na oficina passa a ser feita no momento em que certos serviços são necessários, e não mais de acordo com a quilometragem padronizada. O contrato não tem tempo mínimo e a nova forma de pagamento é uma tarifação por quilômetro rodado, de acordo com faixas de consumo de combustível. Para auxiliar o cliente nessa redução de consumo, que é variável conforme o estilo de condução do motorista, a Scania traz outro aliado, o Driver Services. A cabine vira uma sala de aula num formato de orientação inovador. A figura de um Driver Coach, um treinador, fará monitoramento constante da forma de condução.

A bordo, o Drive Suport, um sistema eletrônico embarcado e acessível no painel do caminhão, complementa a avaliação dos dados de consumo e outros parâmetros do veículo, buscando uma melhoria constante da forma de condução. Willian Zucolotti, diretor da Ebmac, empresa de transportes paranaense de Cambé, testou o novo sistema e disse que o consumo caiu 5% imediatamente. Os dados vão do estilo de condução do motorista, velocidade média e consumo de combustível aos intervalos de manutenção. “Os dados, sozinhos, não trazem resultados. Nosso foco é oferecer ao transportador uma análise inteligente das informações para que ele possa reduzir consumo e paradas desnecessárias”, explicou Roberto Barral, diretor geral da Scania Brasil. PRODUTOS – Dois novos motores de 13 litros, com 450 e 510 cavalos de potência, também serão destaque no estande da Scania na Fenatran. Eles vêm complementar a linha rodoviária, prometendo economia de combustível

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Técnicos da concessionária P.B. Lopes, de Londrina, operam o sistema de monitoramento: economia na manutenção

Heavy Tipper, veículo para mineração: PBT de 58 t, contra 48 t dos concorrentes

de até 5% em relação à versão atual. Isso será possível, segundo a área de engenharia da montadora, em função da tecnologia de alta pressão de injeção de diesel e da combustão mais efi-

ciente, capaz de aumentar a potência e o torque, sem exceder as emissões e o gasto de diesel. Os novos motores são uma ampliação da Linha R, compatíveis com as configurações de rodas 6x2 e 6x4 e as cabines R Highline e Streamline, que passa a ser composta por seis potências: 360 cv, 400 cv, 440 cv, 450 cv, 480 cv e 510 cv. Outra novidade é o Heavy Tipper, desenvolvido para atender às demandas mais severas da mineração. Produzido com componentes mais robustos, o modelo carrega até 25% a mais de carga líquida que os atuais. Com isso, a nova gama salta das atuais 32 toneladas de carga líquida para, no mínimo,

40 toneladas de capacidade, e o peso bruto total (PBT) salta para insuperáveis 58 t, quando os concorrentes oferecem no máximo 32 t e 48 t de PBT. Além disso, em comparação com a linha atual da Scania para a mineração, ele reduz em até 15% o custo por tonelada transportada, aumenta em 30% a vida útil na operação, eleva em 5% a disponibilidade da frota e pode proporcionar 10% de economia de combustível por tonelada transportada. Tudo aliado ao pacote de serviços oferecido que conta com treinamento de motoristas, sistema de troca de peças, conectividade e programas de manutenção especialmente desenvolvidos para o segmento.

R 510 e R 450 vêm ampliar a linha R, que já tinha caminhões em quatro faixas de potência

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Costa brasileira e Europa são destinos do Consórcio Scania Clientes do consórcio podem participar de três promoções. Uma viagem de navio é para todos. Serão sorteados dois caminhões R440 6x2 Além das vantagens financeiras de poder parcelar a compra do veículo em até 100 meses, sem juros e sem entrada, o Consórcio Scania continua oferecendo oportunidades para seus clientes e agregando mais benefícios. Para a Fenatran 2017, a empresa preparou promoções visando clientes de diversos portes e segmentos. Uma delas é para todos que comprarem cotas de consórcio, e não depende de sorteio: todos vão ganhar uma viagem de navio pela costa brasileira, com quatro noites de navegação, cabines externas com varanda, bebidas e refeições incluídas, a bordo do navio MSC Preziosa, um dos mais modernos da atual temporada. A viagem acontecerá em março.

A diretora geral Suzana Soncin: “O Consórcio Scania sempre procurou oferecer algo a mais para o cliente”

Outra promoção consiste no sorteio de 10 pacotes de viagem com três noites em Paris e três noites em Londres, com hospedagem, café da manhã, seguro de viagem internacional e acompanhamento de guias brasileiros, além do tradicional jantar de confraternização. O sorteio – entre apenas 300 cotas – será em julho, e a viagem, em outubro do ano que vem. Existe uma terceira promoção em andamento, cujos participantes concorrerão, em junho, a dois caminhões R440 6x2 com câmbio automático, pintura especial dourada e faixas com as cores da bandeira brasileira, e ainda a 15 viagens com acompanhante para a Suécia e França, com o padrão de atendi-

mento da Família Scania. A ideia de fazer o sorteio de dois caminhões se deve ao sucesso da promoção Dreamline, realizada este ano. A Dreamline vai sortear dois caminhões da série comemorativa dos 60 anos da presença da marca Scania no Brasil (e 35 anos de existência do Consórcio Scania) entre 300 participantes do consórcio, que correram para comprar suas cotas quando souberam que concorreriam a dois caminhões de uma série especial. Esses cotistas serão levados até São Paulo agora em outubro, para um passeio de quatro dias, no qual visitarão a fábrica da Scania e a sede do Consórcio Scania, conhecerão o Museu do Futebol, no Estádio do Pacaembu, desfrutarão de um happy hour no Bar Brahma e vão visitar a Fenatran – onde ocorrerá o sorteio dos dois caminhões. A diretora geral do Consórcio Scania, Suzana Soncin Gazola, está satisfeita com a receptividade às promoções da empresa. “Queremos oferecer oportunidades para clientes tradicionais continuarem participando da Família Scania, e criar condições para que novos clientes tenham acesso aos nossos produtos”, afirma. “Além de ser uma opção financeira bastante viável, o Consórcio Scania sempre procurou oferecer algo a mais para o cliente”, completa. MISSÃO - O diretor de vendas do Consórcio Scania, Rodrigo Clemente, é novo no cargo – assumiu no

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Dois veículos da série especial dos 60 anos da Scania serão sorteados durante a Fenatran

lugar de Ricardo Vitorasso, que se tornou diretor de vendas de caminhões da Scania Brasil – mas disse estar ciente da sua “missão”: “Temos que trabalhar para manter o legado do Consórcio Scania, que em 35 anos de história construiu uma relação de grande confiança com os clientes da marca Scania.” Na visão dele, o Consórcio Scania vem contribuindo para que muitos transportadores realizem os seus objetivos. “A Fenatran será uma ótima oportunidade de mostrar as vantagens do Consórcio Scania e oferecer a nossos antigos e novos clientes

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Rodrigo Clemente, diretor de vendas: ocupado em manter “o legado de confiança” da história da empresa

um portfólio completo de soluções para que todos tenham acesso facilitado aos produtos Scania”, completa Clemente. Ele é formado em Engenharia de Produção e pós-graduado em Marketing. Iniciou sua carreira na Scania em 2005,

como gerente de vendas de caminhões seminovos e usados. Em 2008, passou a atuar nas vendas de caminhões novos. Nos últimos seis anos, esteve à frente da gestão comercial do Grupo Mevepi, de concessionários Scania.


DAF amplia sua cobertura

Em plena ‘seca’ e aos quatro anos de produção em Ponta Grossa, a marca exibe uma rede de distribuidores vigorosa LUCIANO ALVES PEREIRA Somados os números de setembro, concessionários da região de Belo Horizonte festejam o que parece ser o fim da mais longa queda de vendas de caminhões desde o início da produção nacional na década de 1950. Houve marca que cresceu 25% desde janeiro, comparando com o mesmo período do ano passado. A previsão de vendas de 50 mil caminhões no Brasil continua valendo. Os extrapesados estão vendendo bem. Os semipesados é que perseveram apáticos, com exceção da Scania. A DAF participa da boa onda e relata o atual estágio de montagem da sua rede de concessionárias. Em outubro ela fez quatro anos de Brasil. “A rede vai passar de 28 pontos de atendimento para 32 em 2017”, informa Adcley

Souza, diretor de Desenvolvimento de Concessionárias da DAF Brasil. Para os próximos cinco anos, com o horizonte favorável, a previsão é dobrar a rede de distribuidores. Segundo Adcley, os integrantes de rede (22 parceiros pertencentes a 13 grupos investidores) aplicaram mais de R$ 200 milhões em suas estruturas. A 22ª será em Uberlândia (MG), do grupo Somafértil, e vai atender o Triângulo Mineiro. A DAF também conta com sete Postos de Serviço Autorizado (PSA). A montadora está finalizando tratativas com donos de oficinas em Duque de Caxias

(RJ), Recife e Ji-Paraná (RO), visando a nomeação de outros PSAs. CONTAGEM − Pelas palavras de Adcley, “tais pontos de atendimento são oficinas já reconhecidas no mercado pela qualidade de seus serviços e contam com equipes qualificadas pela DAF Academy”. O esforço da DAF é para cobrir todo o território nacional – meta que já está atingida em 85%, incluindo os PSAs. No seu entender, com esse formato, “conseguimos atender às principais rotas de nossos clientes, com qualidade e dentro dos padrões mundiais da DAF”. Coincidindo com o quarto aniversário do início de produção da fábrica em Ponta Grossa (PR), duas concessionárias aproveitam para fazer upgrade de suas instalações e localização. A Caiobá Trucks muda-se para novo prédio em Campo Grande (MS), com maior estrutura de vendas e pós-venda. Em Contagem (MG), a Via Trucks dá um salto para instalações vizinhas bem maiores. Conforme disse Sérgio Resende, diretor da Via Trucks, serão 5 mil m² de área construída, em terreno de 20 mil m². A oficina contará com 16 boxes, sendo três passantes. A nova casa será aberta em outubro, prevê Resende. O diretor já fala na primeira filial, pensada para Pouso Alegre (MG), também no eixo da Fernão Dias, explicando que a área operacional da Via Trucks compreende MG, menos o Triângulo Mineiro.

O diretor Adcley Souza: 32 pontos de atendimento até o fim de 2017

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Vem aí a Peugeot Expert Carga útil de 1.500 kg e volume de até 6,6 m³

Grande espaço para carga, apesar da altura que facilita o acesso a ambientes fechados, é o diferencial do novo modelo Com a intenção de tornar-se referência no segmento, a Peugeot lançou um novo utilitário leve, que poderá ser visto e examinado na Fenatran e em todas as suas concessionárias: a Peugeot Expert. O furgão tem dois modelos: Expert Business 1.6 e Expert Business Pack 1.6, e é apresentado em duas cores, cinza aluminium e branco branquise. Com carga útil de 1.500 kg e volume de até 6,6 m³, o utilitário de 5,30 m de comprimento foi concebido para o transporte em trechos urbanos e pode entrar em estacionamentos, docas e qualquer tipo de local de carga e descarga com até 1,94 m de altura. Vem equipado ainda com o Moduwork, que possibilita o aumen-

to de espaço para transportar cargas longas. Com a facilidade de elevar o assento lateral do passageiro graças a essa modularidade, o veículo libera espaço com superfície inferior plana e proporciona maior produtividade. É uma das poucas vans a oferecer volume adicional com um piso plano. A Peugeot ressalta que o conforto do motorista foi levado em conta no desenvolvimento do Expert. O posto de condução é funcional e ergonômico, o banco tem altura ajustável, apoio de cabeça, apoio de braço e regulagem de comprimento e altura. O banco do passageiro, para duas pessoas, conta com espaço para armazenamento embaixo do assento. A porta lateral é deslizante e as portas traseiras, 50/50, possuem abertu-

ra de 90º, podendo chegar a um ângulo de 180º. Já a cabine conta com 60 litros de porta-trecos, circuito de ar-condicionado reforçado e isolamento acústico do motor. Somam-se a direção eletro-hidráulica, com volante regulável em altura e profundidade, aliados à plataforma modular do veículo, com suspensão robusta e amortecimento variável. A Peugeot Expert é equipada com motor BlueHDi 1.6 Diesel de 115 cv/30 kgfm associado a uma caixa manual de seis marchas. O veículo, segundo a Peugeot, tem o melhor índice de consumo de sua categoria e autonomia de até 1.000 km. O novo furgão também tem o menor nível de emissões de gases poluentes, graças a seu motor Euro 6, superior, nesse quesito, às normas em vigor no Brasil. A Peugeot Expert ainda oferece um arranque robusto em primeira marcha – tanto em terreno plano quanto em aclive, com ajuda do Hill Assist – e proteção do motor ativada quando a temperatura alcançar os 105ºC. Ela chega ao mercado com o valor especial de lançamento a partir de R$ 79.990.

Veículo se adéqua a qualquer tipo de local de carga e descarga com até 1,94 m altura

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Lanterna Traseira

Mulheres

Para Manuela, o mais difícil já passou A empresária, do ramo do transporte de bebidas, acredita que a economia está se reerguendo NELSON BORTOLIN A jovem empresária cearense Manuela Lima Saboia de Carvalho prefere deixar o assunto “crise” no passado. “O Brasil já viveu tantos momentos difíceis e se reergueu... E agora está se reerguendo de novo”, diz ela, que é dona da TLX, com sede em Fortaleza. Trabalhando junto com a Translog, empresa de seu pai, a TLX tem a Ambev como principal cliente. Nos negócios da família, a crise não bateu muito forte, devido à força da indústria de bebidas. “A Ambev é muito sólida. Se fecha uma fábrica, abre outra coisa. Graças a esse nosso cliente, a gente não sentiu tanto impacto”, explica. Ela acredita que o setor de transporte aprendeu a se reinventar na recessão. “É assim em toda crise. A gente tem de buscar novas saídas, melhorar a qualidade, apresentar novos serviços.” Com uma frota de 450 equipamentos nas duas empresas, entre cavalos e implementos, Manuela não está muito preocupada com a alta dos juros do Finame. Por contrato com a Ambev, a frota tem de estar sempre renovada, e agora as duas empresas estão utilizando o Consórcio Scania para adquirir

veículos. “Com parceiros como a Scania, é sempre mais fácil”, elogia. Filha única de Eduardo Sabóia de Carvalho Filho, Manuela diz que não teve opção senão assumir os negócios da família. “Eu me formei em Direito, queria fazer concurso na área, mas meu pai me convenceu a entrar na transportadora.” Isso foi há seis anos. A jovem passou por todos os setores da empresa e por lá ficou. Encantou-se principalmente com a parte de recursos humanos. Recentemente, Manuela participou do #NXTGEN, evento realizado pelo Consórcio Scania na Europa, que reuniu sucessores das transportadoras brasileiras. Lá, ela pôde compartilhar suas angústias com colegas. “A sucessão é um processo difícil e cheio de medos. Achava que era só comigo, mas percebi que os problemas são iguais para todos”, conta. Os “medos” da empresária são agravados pelo fato de seu pai ser um apaixonado que conhece bem

cada detalhe do negócio. “Não vou suceder uma pessoa qualquer. Meu pai sabe de cor até as placas dos caminhões. Mas a troca de experiências no #NXTGEN ajudou a me tranquilizar”, revela. Manuela diz que nunca sentiu preconceito pelo fato de atuar num ambiente majoritariamente masculino. Na viagem dos sucessores, só havia duas mulheres. “Nos clientes também a gente encontra mais homens. Mas isso está mudando. Nós mesmos temos uma mulher na gerência de uma filial”, afirma.


Passatempo PARA-CHOQUES

CARDÁPIO

O garçom informa o freguês: – O prato da casa hoje é língua ao molho madeira. – Não, língua não! Tenho nojo de qualquer coisa que venha da boca de um animal. E o garçom, depois de pensar um pouquinho: – Então posso sugerir um omelete? NO ÔNIBUS

O passageiro ia sentar ao lado de uma senhora sem perceber um embrulho no banco. A dona puxou o embrulho para perto de si, avisando: – Senhor, cuidado com os ovos. O homem sentou ao lado do embrulho, ficou olhando para o pacote e não resistiu a fazer o comentário: – A senhora me avisou, mas, pelo formato, preciso dizer que não parecem ovos. E a senhora: – Não são mesmo. São pregos.

Não existe árvore que o vento não tenha balançado.

Não sou mágico nem malandro, mas vivo de truck.

VOZES

Um homem, ao médico: – Doutor, estou preocupado com minha esposa. Quando estou no trabalho, ela passa o dia conversando com o abajur! – Mas você a viu falando com o abajur? – Não, o abajur me contou e pediu segredo!

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CRUZADAS Horizontais: 1 – Um profissional que finge – Achar graça; 2 – Deve dar um bom exemplo – Um dos cinco sentidos do corpo humano; 3 – É formado principalmente por nitrogênio e oxigênio – Boletim de Ocorrência (que se registra na polícia) – Sigla do Amazonas; 4 – É muito pequeno, mas é com ele que foram feitas as bombas de Hiroshima e Nagasaki; 5 – Peça plana de madeira serrada; 6 – Carta do baralho – Sigla do Tocantins – O maior tamanho de uma camisa; 7 – É um dos poucos animais da natureza que voa e nada razoavelmente bem – Via pública; 8 – O nome de Deus na religião muçulmana – Verbal. Verticais: 1 – Rio da fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai – Bofetão; 2 – O peso do caminhão somado ao da carga – O tempero mais comum; 3 – Saudação entre pessoas íntimas – Modelo de carro esportivo da marca Audi – Chega!; 4 – Notícia falsa; 5 – Queda (de uma pessoa); 6 – Deus egípcio – A palavrinha que impõe escolha – Sigla de Roraima; 7 – Significa “pedra” em tupi-guarani – Cobre dois terços da superfície da Terra; 8 – A capital da Itália – Cantora baiana.

Soluções: Horizontais – ator, rir, pai, tato, ar, bo, am, atomo, tabua, as, to, gg, pato, rua, ala, oral. Verticais – apa, tapa, tara, sal, oi, tt, ta, boato, tombo, ra, ou, rr, ita, agua, roma, gal.

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Revista Carga Pesada Edição 194  
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