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JANSSEN PORTUGAL

fevereiro, 2019

ESPECIAL

Reunião Anual da Gedii

PFC CONSULTORIA

SEGURANÇA "MÚLTIPLOS FATORES" Daniel Ferreira, Ceo

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JANSSEN PORTUGAL

fevereiro, 2019

adidas BUSINESS SERVICES

10 ANOS A EVOLUIR E A CRESCER Carlos Guimarães, Head Office

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ÍNDICE

EDITORIAL

Fevereiro 2019

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SEGMENTO URBANO “AQUILO QUE NOS MOVE É SERMOS UMA EMPRESA FELIZ”

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ARQUITETURA E IMOBILIÁRIO 22 LEVEL CONSTELLATION Reabilitação Urbana: Exclusividade e Inovação 28 ESCOLHA ACERTADA A “Escolha Acertada” na mediação imobiliária

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ALGARVE 74 ARSUL Idealize, a Arsul Todos implementa 86 TASCA JOTA “ Um trabalho contínuo: Ser melhor que ontem”

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LEIRIA INOVAÇÃO, ESTATUTO JOVEM EMPRESÁRIO RURAL DINAMISMO E TURISMO 44 CRÉDITO AGRÍCOLA O sucesso é fruto de muito trabalho

96 ITU - IMOBILIÁRIA E TURISMO Há 40 anos a dar cartas no setor imobiliário

A primeira revista do ano é carregada de expectativas. Como já se tornou habitual, congregamos temas diversos, que achamos de superior interesse, e procuramos os participantes que se distinguem pela criatividade, inovação e empreendedorismo. Nas nossas entrevistas, sentimos o revigorar de energias que a mudança de ano traz e quisemos espelhar isso mesmo aos nossos leitores. Abrimos o leque de temas com consultoria – atividade profissional de diagnóstico e formulação de soluções acerca de um assunto ou especialidade; damos seguimento com TecMaia, um parque empresarial recheado de projetos de investimento baseados na utilização de média e alta tecnologia; a Arquitetura e Imobiliário não poderiam deixar de estar presentes, uma vez que o setor vive dias favoráveis ao investimento; a Saúde também tem protagonismo nesta edição; o Estatuto do Jovem Rural era uma necessidade há muito a ser concretizada; os Transitários são elementos fundamentais da economia de qualquer país e quisemos incluir alguns exemplos nas nossas páginas; bem como investidores da Diáspora, alguns que pretendem regressar à sua terra natal; Algarve e Leiria são as regiões que destacamos nesta edição e com as quais encerramos esta revista.

FICHA TÉCNICA Propriedade: Guidetarget, Lda Diretor: Fernando Silva Direção Editorial: Diana Ferreira (diana.ferreira@revistabusinessportugal.pt) Direção Gráfica: Vanessa Martins (vanessa.martins@revistabusinessportugal.pt) Corpo Redatorial: Ana Miguel Lopes, Diana Correia, Jorge Teixeira, Laura Azevedo, Maria Garcia, Maria Joana Costa, Marisa Ventura, Sara Freixo, Sara Oliveira, Teresa Mata, Vera Pinho Secretariado: Paula Assunção (paula@revistabusinessportugal.pt) Direção Comercial: José Moreira Dep. Comercial: Eduardo Nunes, Fernando Lopes, Isabel Brandão, José Luís Basto, Luís Pinto, Luís Silva, Manuel Fernando, Manuela Nogueira, Paulo Padilha, Rui Moreira (geral@revistabusinessportugal.pt) Redação e Publicidade: Rua Engº Adelino Amaro da Costa nº15, 9ºandar, sala 9.4 4400-134 – Mafamude / +351 223 754 806 Distribuição: Distribuição gratuita com o jornal Público / Dec. regulamentar 8-99/9-6 artigo 12 N.ID Depósito Legal: 374969/14 Periodicidade: Mensal fevereiro 2019

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DESTAQUES 6 PFC CONSULTORIA Segurança em Múltiplos Fatores

CONSULTORIA Quando nasce uma empresa não se entende logo à partida o que pode implicar o seu surgimento. Para além de uma definição de área de atuação e da preocupação com a carteira de clientes existe uma panóplia de passos a ter em atenção. Um desses passos é a Consultoria. Consultoria é a prestação de um serviço por um consultor que vai analisar quais são as necessidades da empresa de forma a encontrar soluções e resolver as lacunas existentes. É quase como que o ‘curandeiro das empresas’. Porém, o serviço do consultor pode ir bem mais além do que a análise de empresas. Um consultor pode também exercer a sua atividade no domínio pessoal financeiro. Este recurso de gestão de empresa é fundamental para manter o equilíbrio das empresas. Uma boa capacidade de gerir os colaboradores e uma estrutura financeira e burocrática sólida fazem das empresas: negócios saudáveis e exemplares.

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PFC

SEGURANÇA EM MÚLTIPLOS FATORES A PFC organizou no dia 29 de janeiro o primeiro evento corporativo que juntou pela primeira vez em Portugal a Sealpath e a Swivel Secure, duas empresas de referência na área de Segurança de Informação, com o intuito de divulgar um conjunto de soluções capazes de dar resposta aos atuais desafios que se colocam às organizações, no que à Segurança de Informação diz respeito. ‘Segurança em Múltiplos Fatores’ foi o mote para este evento. Uma vez que uma falha na Segurança da Informação atualmente, pode revelar-se o fim de uma organização, daí a importância de salvaguardar a informação crítica dos seus negócios.

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evento conjunto da Sealpath e Swivel Secure em Portugal decorreu na Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa e teve início com a apresentação da empresa organizadora - PFC, na pessoa do seu CEO - Daniel Ferreira, que numa apresentação bastante dinâmica e objetiva, deu a conhecer a PFC e o seu core business. Em fase franca de crescimento e desenvolvimento a PFC possuí já a visibilidade e a credibilidade no mercado, resultado do número de projetos que têm têm desenvolvido, no âmbito da Gestão de Serviços, Segurança de Sistemas de Informação e no Desenho de Processos de Negócio (BPM) para as organizações. Com um know-how especializado e diversificado, estas são as três áreas de enforque da PFC que têm visto o reconhecimento por parte dos clientes e o valor acrescentado pelos serviços, recursos e estratégias que disponibiliza. A PFC hoje, para além do seu know-how, disponibiliza plataformas e aplicações que valorizam e simplificam todo o processo de negócio. Daniel Ferreira apresentou pela primeira vez neste evento, uma plataforma inovadora no mercado, que permite congregar tudo o que se relaciona com documentação de segurança de sistemas de informação, riscos e vulnerabilidades. A plataforma, em conformidade com os normativos ISO 20000 SM (Sistemas de Gestão de Serviços TI), 27001 (Sistemas de Gestão de Segurança da Informação) ou 22301 (Sistemas de Gestão e Continuidade de Negócio), permite que “as TI’s consigam 6 | Revista Business Portugal fevereiro 2019


PFC ter uma visão holística de toda a componente de gestão de serviço e de segurança de informação, assim como todos os processos devidamente alinhados e enquadrados”, completa.

“Uma solução bastante competitiva” José Luís Torres, João Beato e Carlos Figueiredo apresentaram a Sealpath, uma solução de software que permite às organizações proteger a sua informação mais sensível e garantir que se a mesma for roubada, perdida ou desviada, não tenha qualquer utilidade, uma vez que está encriptada e cifrada. A SealPath pode ajudar ainda a proteger informações confidenciais, não apenas quando está dentro da organização, mas também quando está nas mãos de parceiros, fornecedores, ou colaboradores temporários. A proteção fornecida pela SealPath viaja com o documento e acompanha-o, independentemente de como ele é compartilhado dentro ou fora da rede (email, cloud, USB). A Sealpath permite ainda a partilha com restrições

“A simplicidade é a questão chave, uma vez que coloca o potencial da encriptação ao dispor da pessoa comum e da organização”

Nuno Teixeira, Pre-Sales Engineer Swivel Secure | João Beato Esteves, CEO United Channels | Daniel Ferreira, ceo | Lurdes Neves, Consultora e Gestora Comercial PFC | Manuel Ribeiro, Solutions Engineering Manager Swivel Secure | Carlos Figueiredo, Business Director - United Channels | Ana Marques, Regional Director EMEA Swivel Secure

sobre o que o destinatário pode e não pode fazer com o documento compartilhado, ou seja um documento pode ser exibido no modo somente de leitura que impede que seja editado ou impresso. A SealPath permite também excluir informações remotamente, mesmo que já tenham sido compartilhadas, definir datas de expiração ou mesmo revogar a permissão de acesso de colaboradores selecionados em tempo real. Auditar o acesso à informação onde quer que ela esteja: monitorização de quem acede à informação, tentativas de acesso sem permissão, ou mesmo tentativas de edição, são algumas das ações possíveis com a utilização da Sealpath, entre outros. Para João Beato - CEO da United Channels, “a simplicidade é a questão chave, uma vez que coloca o potencial da encriptação ao dispor da pessoa comum e da organização”, diz ressalvando que as empresas devem tomar a consciência de possuir ou adquirir as proteções devidas e, de facto “esta é uma solução bastante competitiva”. Em suma, para João Beato, as quatro principais vantagens são: a certeza de uma encriptação forte, mas fácil de aplicar; o suporte de múltiplos formatos; a facilidade de partilha de informação com pessoas externas à companhia de uma forma controlada; e por último é uma solução flexível (cloud ou on premisse). A apresentação da SealPath terminou com uma demonstração desta solução, que suscitou bastante o interesse de todos os presentes no evento.

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PFC

José Luis Torres, General Manager Sealpath Ibérica | Carlos Figueiredo, Business Director- United Channels | João Beato Esteves, CEO United Channels

Um leque de soluções de autenticação A Swivel Secure desenvolve um leque de soluções de autenticação que contemplam o risco dinâmico e estático. Foi com esta premissa que Manuel Ribeiro, Solutions Specialist da Swivel Secure norteou a sua apresentação, na qual demonstrou múltiplas formas de ataque informático a uma

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organização, neste caso prático a VictimRus ( empresa fictícia). De igual forma, Manuel Ribeiro deu a conhecer a Swivel que oferece uma variedade de soluções de autenticação seguras com múltiplos fatores, permitindo que as empresas solidifiquem e a sua segurança em diversas vertentes. “A Swivel Secure desenvolve um leque de soluções de autenticação, trabalha com dois cores que funcionam lado a lado, um dos cores é binário e só faz sim ou não, autentica ou não autentica. O segundo core permite fazer SSO (Single Sign-On) adaptativo e validar as circunstâncias e o risco, bem como aumentar ou reduzir aquilo que é a autenticação e a força da autenticação”, salienta Manuel Ribeiro, mostrando vários exemplos de autenticação por nível, num total de cinco níveis que sustentam desde puhs, tokens físicos ou virtuais, a patente PINsafe, concebida para combater ameaças desde o skimming, phishing e spyware ao registo secreto das teclas pressionadas (Keylooger) pelo utilizador, ou a aplicação de PINsafe aos tokens digitais. “O outro core faz risk based authentication, ou seja os controlos de política de autenticação adaptativa permitem que um valor específico de risco seja atribuído por aplicativo. Quando um utilizador tenta aceder, ele é desafiado a atingir uma pontuação. Os pontos são alocados por vários elementos, incluindo endereço IP, local, dispositivo, dia da semana e hora do dia. Os desafios vão desde um desafio de baixo nível, nome de utilizador e password, até um desafio multifatorial de alto nível” – referiu Manuel Ribeiro.

Inovação, Dinamismo e Criação de Valor O balanço realizado no final do evento por Daniel Ferreira - CEO da PFC, foi deveras positivo. Realçou o valor, a qualidade e o timing das apresentações realizadas pelas empresas e seus representantes. “A conceção, operacionalização e realização deste evento foi ao encontro de uma das necessidades identificadas pela PFC” salienta Daniel Ferreira. “ Sendo a Segurança de Informação um dos temas da atualidade da organização, a combinação de duas áreas que operam com o mesmo objetivo no que à proteção da organização diz respeito, faz todo o sentido ou seja, uma porque encripta ficheiros, a outra porque faz os logins, a validação e credenciação dos utilizadores para a utilização de tudo o que são componentes dentro da organização”. Com este evento, a PFC conseguiu reunir pessoas de áreas muito específicas, nomeadamente a área da banca, seguros, saúde e autarquias locais. “A realização deste evento permitiu reunir duas grandes empresas que operam no mercado português e internacional”. Daniel Ferreira realçou ainda que esta dinâmica e eventos são para continuar, “hoje foi com estes parceiros, o próximo veremos. Certo estou, é que será mais um sucesso e espelhará a mais valia para o mercado que representa a PFC no que à dinâmica, inovação e criação de valor diz respeito”, termina.


TECMAIA PARQUE DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA DA MAIA A inovação afigura-se, cada vez mais, uma ferramenta de gestão, devendo fazer parte do quotidiano de qualquer empresa. Portugal tem dado passos certeiros no desenvolvimento de uma cultura e de práticas de inovação por todo o tecido económico, que têm contribuído para colocar o tecido empresarial português na vanguarda mundial. A par disso, o desenvolvimento, que se quer cada vez mais sustentável, assume um papel de destaque numa sociedade que procura ser capaz de responder às necessidades do presente sem comprometer o futuro. Nesta edição a Revista Business Portugal apresenta-lhe o berço da inovação e desenvolvimento, o TECMAIA – Parque de Ciência e Tecnologia da Maia. Criado em 1999, o parque empresarial privilegia o acolhimento de projetos de investimento e empreendedorismo assentes na utilização de média e alta tecnologia. Surgiu com um simples objetivo: Criar uma nova centralidade na Área Metropolitana do Porto. Desde então, tem sido responsável pelo aumento da competitividade na região, que vem evidenciando um tecido empresarial, cada vez mais, dinâmico, vanguardista e potencializador da liderança económica e tecnológica do país. O TECMAIA constitui assim, um dos parques empresariais mais arrojados do Norte do país, onde cada empresa é o arquétipo da inovação, do saber e do desenvolvimento sustentável. O TECMAIA é atualmente a casa de algumas das empresas de maior referência nacional, no segmento da média e alta tecnologia, que têm contribuído para levar o nome de Portugal além-fronteiras e que agora lhe damos a conhecer.

DESTAQUES 10 ADIDAS BUSINESS SERVICES 10 anos a evoluir e a crescer 14 SYNOPSYS Liderando ‘Smart, Secure Everything’ 16 INFINEON Serviços de alta qualidade por meio da excelência operacional 18 MOG TECHNOLOGY A tecnológica maiata que está a conquistar o mundo!

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ADIDAS BUSINESS SERVICES

Carlos Guimarães, head office

10 ANOS A EVOLUIR E A CRESCER Há 10 anos, a adidas, empresa multinacional da área do desporto, apostou em Portugal para abrir o seu Centro de Serviços Partilhados, onde pretendia concentrar os seus serviços administrativos e financeiros. O projeto, sediado no parque tecnológico da Maia – TecMaia - começou com 12 pessoas e atualmente emprega mais de 350 colaboradores, com uma média de idades de 28 anos e mais de 15 nacionalidades diferentes. Carlos Guimarães, Head Office da empresa, foi um dos pioneiros e é um exemplo da evolução profissional que a adidas proporciona. Numa entrevista concedida à Revista Business Portugal, fez um balanço da primeira década da empresa e deu a conhecer os projetos e ambições até 2020.

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ADIDAS BUSINESS SERVICES

no mercado português, a confiança depositada pelo grupo alemão e a proximidade entre os trabalhadores foram fatores determinantes. “Quando começámos, nenhum de nós sabia se este projeto teria sucesso, mas tínhamos um espírito empreendedor, típico de uma start-up e, em pouco mais de um ano, crescemos bastante e conquistámos muitas valências”.

Uma empresa sólida e em crescimento A aposta da marca alemã no GBS da Maia foi estratégica. A questão financeira e a qualidade dos recursos humanos permitiram encontrar em Portugal dois motivos

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m 2009, quando a multinacional alemã adidas decidiu criar um Centro de Serviços Partilhados, na Maia, Carlos Guimarães foi um dos pioneiros a abraçar o projeto. Passado um ano e meio, a empresa contava já com 50 colaboradores e nunca parou de crescer. Há três anos, Carlos Guimarães assumiu a posição máxima dentro da empresa, Head Office, e, desde então, o número de colaboradores cresceu até aos 365. “Continuamos a crescer e, até 2020, pretendemos criar mais 200 postos de trabalho”. Entretanto, e com o crescimento acelerado dos últimos anos, a empresa está a passar por um processo de transformação para Global Business Services (GBS), estando a alargar o seu scope de serviços para além das áreas financeiras. Uma evolução sustentada, resultante da confiança que a marca deposita no projeto e também dos excelentes resultados que, anualmente, a adidas Business Services da Maia apresenta. Formado em Contabilidade e Administração, e com uma licenciatura em Gestão Financeira, Carlos Guimarães nunca imaginou que, depois de responder a um anúncio da adidas, faria parte do pequeno grupo de pessoas que daria início ao Business Services da marca alemã. “Já tinha trabalhado numa empresa de logística, passei também por empresas de contabilidade e, por último, tive a oportunidade de trabalhar num projeto direcionado para o setor financeiro. Gostava muito do trabalho em si, mas não me agradava o formalismo que existia entre os colaboradores, que contribuía para criar distâncias entre todos”. Foi sobretudo por esse motivo que Carlos Guimarães procurou outro desafio: “já fazia alguma contabilidade internacional e sabia que as empesas multinacionais tinham uma visão diferente. Quando encontrei o anúncio da adidas, no jornal, respondi imediatamente. Entrei para a área das ‘Contas a Pagar’ e a minha primeira função foi lançar faturas no sistema”.

para que esta estrutura crescesse: “o objetivo inicial era congregar, numa mesma empresa, a área financeira e administrativa – inicialmente a nível europeu – para facilitar a gestão de todos os processos e garantir maior agilidade, rapidez e kow-how interno à marca”. Isso foi conseguido em plenitude e, por esse motivo, o projeto cresceu, alargou a sua área de influência – neste momento já reúne em si todos os processos financeiros e administrativos da Europa, América do Norte e América Latina – e setorizou, internamente, as áreas às quais dá resposta. “A área financeira está já muito consolidada, sendo que dentro deste setor o objetivo é crescer para tarefas de maior valor acrescentado. Por isso, estamos a automatizar processos e a investir cada vez mais na melhoria contínua. O plano passa por reduzirmos o número de tarefas transacionais, focando-nos em tarefas de maior valor acrescentado e co-

“A proximidade, a descontração e a responsabilidade são fatores que a marca preza”

Espírito de Start-Up A adidas, enquanto marca desportiva, preza pela informalidade nos relacionamentos interpessoais, mas pautou, desde sempre, a sua existência por altos padrões de qualidade, responsabilidade e eficiência. Aquando da sua aposta

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ADIDAS BUSINESS SERVICES

meçarmos a ser mais pró-ativos na influência e aconselhamento financeiro dos vários países com os quais trabalhamos. Nos próximos dois anos, passaremos a ter responsabilidades acrescidas na contabilidade das várias subsidiárias da adidas”. A área de Non-Trade Procurement foi uma das pioneiras na trasformação para o GBS. “Esta área engloba todas as compras on behalf das empresas do grupo, para já da Europa. Fazemos também a criação, acompanhamento e execução de e-auctions e todo o seguimentos de ordens de encomenda e atualização de catálogos de compras”. Uma outra área em franco crescimento é a de HR Services

desenvolvimento e fortalecimento destas áreas permitem, por si só, um crescimento do centro no que respeita à sua importância para a casa-mãe e também no que concerne ao número de colaboradores”.

Uma carreira na adidas Desde a fundação da adidas Business Services que Carlos Guimarães trabalha de perto com todas as equipas que entram na empresa. “Fui coordenador, team leader e manager de todas as equipas que entraram, até há três anos. Nessa altura, assumi o cargo de Head Office ficando responsavel pela estratégia de consolidação e crescimento do centro. Algumas funções que tive de delegar”. O próprio GBS está, neste momento, a ganhar uma estrutura mais profissional, no sentido em que, com o seu crescimento, se torna necessário fazer ajustes na forma de trabalhar e gerir os recursos humanos, para que se mantenha a base de trabalho que sempre caracterizou a adidas: “a proximida-

(Recursos Humanos): “já temos 53 pessoas que iniciaram os serviços de HR para a Alemanha, Áustria e Suíça a partir do GBS. Estes serviços abrangem todos os processos de Life Cycle dos colaboradores da empresa, desde gestão contratual, master data, mobilidade internacional, entre outros”. O setor de Controlling & Reporting, por último, é outro que também demonstra capacidade de crescimento dentro da empresa, embora a um ritmo mais lento. Nesta área, os colaboradores levam a cabo todas as tarefas de controlo financeiro necessárias ao funcionamento das subsidiárias da adidas: “o

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Reuniões informais, onde o microfone, em forma de cubo, passa de mão em mão, a Sports Hour, eventos de sociais ou comunitários ou a existência de uma série de eventos comemorativos são pequenos exemplos do ambiente positivo


ADIDAS BUSINESS SERVICES

a treinar os team leaders e os managers para terem esta proximidade com os colaboradores. Temos um service time de dois anos e meio, e assumimo-nos quase como uma escola. Queremos que quem sai da empresa saia com uma formação e um framework profissional que lhe seja útil de futuro para qualquer setor onde vá trabalhar. A maioria das pessoas que sai, fá-lo por decisão de seguir um outro caminho, mas sempre dizendo que a adidas foi um excelente local de trabalho. Temos um método de avaliação da satisfação das pessoas – o People’s Pulse - e as três coisas que as pessoas mais gostam estão ligadas ao ambiente de trabalho, nomeadamente no que diz respeito à colaboração”. de, a descontração e a responsabilidade são fatores que a marca preza. Aqui, fazemos questão de que todos os colaboradores saibam as suas responsabilidades e a sua contribuição para os resultados e objetivos da empresa, mas um bom ambiente de trabalho é muito importante para que isso aconteça e fazemos questão de não perder isso”. Reuniões informais, onde o microfone, em forma de cubo, passa de mão em mão, a Sports Hour, eventos de sociais ou comunitários ou a existência de uma série de eventos comemorativos são pequenos exemplos do ambiente positivo e de agrado aos colaboradores que a empresa procura garantir. Carlos Guimarães explica que acredita no sistema ’cascading‘ para gerir recursos humanos. De acordo com o próprio, se o coordenador da equipa acreditar, como ele, nos valores da marca adidas e na capacidade de trabalho de cada colaborador, a mensagem mantém-se inalterada para todos. “Na adidas, acreditamos que as pessoas podem e devem construir uma carreira connosco. Assim, também fazemos questão de conhecer cada pessoa e garantir que as suas capacidades estão a ser bem utilizadas. Porém, é importante também dar espaço de crescimento, onde cada um possa estar exposto a situações novas e mais complexas, exatamente para construir e desenvolver novas capacidades de análise e de resolução de problemas”. Diariamente, os colaboradores dos

vários departamentos assumem a liderança das suas equipas e são convidados a estabelecer um plano de trabalho, assumindo a responsabilidade pelo mesmo: “estamos sempre disponíveis para ouvir as pessoas e responder aos desafios que elas próprias nos colocam”. Carlos Guimarães dá como exemplo os short term assignment, períodos de tempo de seis meses em que os colaboradores vão para outros países, desempenhar outras funções. “É uma forma de crescer profissionalmente e, muitas vezes, a adidas desse país acaba por contratar em definitivo o colaborador”. Confiança (Confidence), Criatividade (Creativity) e Colaboração (Colaboration) são os três “C’s” da marca alemã que estão na base da gestão dos recursos humanos da empresa e do trabalho desenvolvido: “a questão da ‘equipa’, para mim, é muito importante. Cada colaborador deve saber o lugar e as tarefas que lhe compete realizar, mas com a consciência que todos estamos a contribuir para um objectivo maior, que ultrapassa a nossa área de infuência”. Numa empresa que cresce, em número de colaboradores, como é o caso do GBS, a proximidade e a confiança são fundamentais para unir quem entra àqueles que já fazem parte da empresa. “Começámos com uma empresa estilo start-up, que se transformou num núcleo forte, com mais de três centenas de colaboradores. A proximidade tem de existir e estamos

Um futuro promissor Para o GBS, ainda há espaço para crescer, nomeadamente a partir do momento em que todas as tarefas mais transcionais estejam automatizadas e os colaboradores se possam dedicar a outros serviços, de maior valor acrescentado para a marca alemã. Para isso, o número de colaboradores irá, mais uma vez, aumentar, mas as metas a atingir manter-se-ão: “a casa-mãe exige-nos uma percentagem elevadíssima de accuracy, mas internamente os nossos objectivos são ainda mais apertados. É por isso que atingimos, ano após ano, os objetivos e mantemos a confiança da adidas. Somos uma empresa importante na região, que tem importância económica, na qual o investimento das autoridades nacionais foi nulo. Neste momento, queremos estabilizar internamente a empresa, para depois poder avançar para projetos sociais que façam a diferença. Esse, é também um valor da adidas, cujo lema é ‘Through Sport We Have The Power To Change Lives’. “O caminho, garante Carlos Guimarães, será sempre feito de crescimento – para a empresa e para os colaboradores – e de conquistas: “centralizaremos todos os serviços administrativos e financeiros da adidas neste polo, e proporcionaremos maior agilidade e leveza de procedimentos à empresa. É uma reestruturação necessária e uma preparação do futuro”.

Rua Eng. Frederico Ulrich, 2650, Moreira da Maia, 4470-605 Maia | Telefone: 229 871 839 | www.adidas.pt | www.careers.adidas-group.com

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SYNOPSYS

LIDERANDO ‘SMART, SECURE EVERYTHING’ A evolução tecnológica continua em aceleração tal como evidenciado por cinco grandes tendências de mercado - veículos autónomos, Inteligência Artificial (AI) e Machine Learning, Internet das Coisas (IoT), Cloud Computing e 5G – que estão a transformar tudo o que sabemos hoje sobre mobilidade, conectividade e segurança. A Synopsys desenvolve no presente o que considera imprescindível no futuro. Célio Albuquerque, Group Director, da Synopsys em Portugal, apresentou-nos a 15ª maior empresa de software do mundo e o departamento de engenharia, orgulhosamente português.

O

ano de 1986 marca o nascimento da Synopsys em Silicon Valley, na Califórnia, com o objetivo de criar ferramentas de software que permitissem acelerar o desenvolvimento de circuitos integrados. Co-fundada pelo Dr. Aart de Geus, Chairman e CEO, a Synopsys evoluiu em 30 anos de uma start-up para uma empresa líder mundial em high-tech. “Tendo iniciado a sua atividade com um produto ‘flagship’ (Design Compiler), a empresa é hoje líder mundial em soluções de EDA (electronic design automation) e IP (Intellectual Property) para semicondutores. Para além disso, numa estratégia continuada de inovação, temos vindo a consolidar a nossa liderança em soluções de análise da segurança e qualidade de sistemas de

Célio Albuquerque, Group Director

software”, explica-nos Célio Albuquerque que acrescenta: “na base da inovação digital estão circuitos integrados avançados e um volume de software em crescimento exponencial - a funcionar em conjunto, de forma inteligente e segura. A nossa tecnologia permite aos nossos clientes criar soluções inovadoras, desde o circuito integrado até ao software final, para que estes, por sua vez, possam oferecer ‘Smart, Secure Everything’ aos seus clientes”. Há mais de 30 anos que a Synopsys dá cartas no mercado e, em 2018, ultrapassou os três mil milhões de dólares de revenue. É uma máquina com

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mais de 13 mil funcionários a nível mundial, que está presente em 23 países, tendo entrado em Portugal há 10 anos, através de uma aquisição. Os dois centros de Engenharia, em Lisboa e no Porto, integram-se nas equipas internacionais de I&D e desenvolvem produtos na área de IP que são vendidos globalmente, podendo incluir serviços de soluções integradas do tipo ‘chave na mão’. A Synopsys trabalha com os consórcios da indústria de semicondutores no desenvolvimento de protocolos (tais como USB, HDMI, PCIe, DDR, Bluetooth, etc.) de modo a poder oferecer os produtos ainda antes que os clientes os peçam, ao mesmo tempo que mantém flexibilidade para os customizar em qualquer altura do ciclo de projeto. “Continuamos a inovar nestas áreas, desenhando a próxima geração de IP que integra muitas das aplicações de vanguarda, tais como Automotive ADAS & Infotainment, AI e Machine Learning, IoT, Cloud Computing e 5G” refere Célio Albuquerque. De forma a explicar melhor do que se trata, o nosso interlocutor comparou o seu produto IP com peças de lego, como por exemplo uma interface USB fornecida pela Synopsys integra-se


SYNOPSYS

ou ‘encaixa’ no projeto de um circuito integrado desenvolvido pelos seus clientes.

Segurança Cibernética Os consumidores têm cada vez mais consciência da necessidade de segurança dos seus equipamentos e dos seus dados. Célio Albuquerque vê esta questão aplicada a duas áreas: aos produtos eletrónicos e ao software que é desenvolvido à sua volta. Para proteger os dados dos consumidores e das empresas é crucial

oferecer um vasto conjunto de aplicações que permita às empresas construir um software seguro, que garanta total proteção contra hackers. É também aqui que a Synopsys entra. “Há cerca de quatro anos adquirimos uma empresa na área do software de segurança, cujo negócio temos vindo a desenvolver. Hoje oferecemos soluções de software de análise de qualidade e do nível de segurança das aplicações que os nossos clientes desenvolvem”. Ao nível dos produtos eletrónicos a Synopsys oferece ‘Security’ IP específico para aplicações sensíveis que permitem a encriptação ou decriptação de dados antes de serem transmitidos ou recebidos por canais não protegidos.

Estar um passo à frente A Synopsys é desafiada no dia a dia em várias frentes. “Os produtos que desenvolvemos no presente só irão ser lançados no mercado passado algum tempo, podendo em alguns casos atingir os dois anos. Este tipo de antecipação exige à Synopsys estar sempre um passo à frente. Uma vez que os nossos clientes são as empresas mais avançadas da Industria de Semicondutores, temos como desafio o desenvolvimento de produtos e tecnologias que ainda estão a ser definidas”, afirma Célio Albuquerque. “Este é um dos fatores que contribui para manter as nossas equipas motivadas. Outro fator de motivação é, sem dúvida, a oportunidade que os nossos colaboradores têm de interagir com equipas de todo o mundo”, identifica. “A Synopsys tem características únicas devido à indústria dinâmica em que se insere e à forma como está organizada. Os clientes estão todos fora de Portugal e cada equipa está frequentemente distribuída por vários países - trabalhamos sem fronteiras. As nossas equipas têm assim a oportunidade de interagir com outras culturas, e muitas vezes, de conhecer o mundo”. A formação interna dada aos seus colaboradores é uma aposta forte

da Synopsys de modo a prepará-los para esta indústria inovadora e desafiante. Em Portugal, são mais de 350 colaboradores que desenvolvem engenharia de grande valor: “somos considerados uma ótima escolha em relação a outras localizações geográficas devido à elevada qualidade da nossa engenharia”.

Futuro “2018 foi um ano excecional em termos de crescimento da Synopsys em Portugal. Crescemos de forma agressiva mas sustentada, pois procuramos não só garantir a execução dos nossos projectos no curto prazo mas, também, assegurar a sustentabilidade do negócio a longo prazo através da formação contínua dos nossos quadros”. Esta atitude tem permitido à Synopsys crescer mesmo quando o mercado não evoluiu da mesma forma. “O nosso objetivo de futuro”, revela-nos, “é conceber soluções tecnológicas mais inteligentes e mais seguras, é transformar a forma como as empresas desenvolvem, produzem e posicionam os seus produtos e como isso transforma a experiência do utilizador final. Quer seja uma empresa no mercado móvel, financeiro, automóvel, cloud, ou de semicondutores, a Synopsys ajudar a preparar o futuro do Smart, Secure Everything”, finaliza.


INFINEON

SERVIÇOS DE ALTA QUALIDADE POR MEIO DA EXCELÊNCIA OPERACIONAL A Revista Business Portugal apresenta-lhe a Infineon Technologies Shared Service Center. Sedidada no TECMAIA – Parque Empresarial da Maia, trabalha diariamente na busca da excelência operacional e da satisfação dos seus clientes. Joana Marques é diretora geral da Infineon Technologies Shared Service Center e foi com ela que estivemos à conversa, para compreender melhor a empresa e o mercado em que se insere.

I

nicialmente estabelecido como uma filial da Infineon Technologies AG, o Centro de Serviços Partilhados da Infineon Technologies tem ao longo dos anos desenvolvido um trabalho de destaque. Quando e em que contexto surgiu em Portugal? A Infineon Technologies Shared Service Center (IFSSC) surge em Portugal em 2003 com um projeto pioneiro de centralizar os serviços de contabilidade das empresas do grupo Infineon localizadas na Europa. A centralização das atividades contabilísticas, a adoção de procedimentos harmonizados e a implementação de soluções digitais impulsionou a eficiência dos serviços internos e promoveu uma maior qualidade e consistência da informação financeira. A agilidade dos serviços, a criação de um ponto de contacto único e a constante procura e implementação de processos “best in class” promoveu um crescimento da satisfação dos parceiros internos. Este conceito de sucesso rapidamente evoluiu e em 2008 desenvolveu-se para outras regiões, nomeadamente a região americana. A partir de 2012, áreas como Compras, Controlo de Gestão, Recursos Humanos e Tecnologias de Informação, 16 | Revista Business Portugal fevereiro 2019

Joana Marques, Diretora Geral da Infineon Technologies Shared Service Center

assim como outras áreas menos comuns num centro de serviços partilhado, quando comparadas com a prática no mercado, como por exemplo Auditoria Interna, Logística, “Robotic Process Automation”, “Legal”, “Compliance”, “Business Continuity” e “Sales & Marketing”, seguiram o mesmo modelo de negócio com um âmbito de atuação global. O sucesso e o reconhecimento da Infineon em Portugal devem-se, especialmente, à excelente qualificação dos colaboradores e ao desafio constante de trabalhar para atingir a excelência operacional e a satisfação dos nossos parceiros de negócio. A Infineon Technologies AG assume-se como líder mundial em soluções de semicondutores. Qual o vosso core business e quais os produtos e serviços disponíveis no mercado?

“We make life easier, safer and greener – with technology that achieves more, consumes less and is accessible to everyone. Microelectronics from Infineon is the key to a better future.” Os semicondutores e as soluções da Infineon são uma parte indispensável nas nossas vidas. As mudanças demográficas e sociais, as alterações climatéricas, a escassez de recursos, a urbanização e a transformação digital são megatendências das sociedades modernas, e a tecnologia desenvolvida pela Infineon responde a estes desafios com maior conforto, maior segurança e uso mais eficiente de energia. A Infineon oferece uma tecnologia que consome menos e é acessível a todos. Com uma presença global e mais de 40.000 colaboradores, a Infineon desenvolve produtos e soluções para um futuro melhor, mais seguro e mais sustentável através de quatro segmentos de negócio – Automotive, Industrial Power Control, Power Management & Multimarket, e Digital Security Solutions.


INFINEON

A título exemplificativo, no segmento Automotive a Infineon assegura grande parte das aplicações presentes nos veículos com um leque de produtos variado na área de microcontroladores, sensores inteligentes, transmissões de radiofrequência e radar, integrados em aplicações que oferecem maior segurança e conforto, para além de permitirem uma redução das emissões poluentes e uma otimização de consumos de energia. A crescente necessidade de segurança, nomeadamente na transmissão e armazenamento de dados na internet são o foco de trabalho do segmento Digital Security Solutions que desenvolve soluções seguras para pagamentos mobile e passaportes eletrónicos, por exemplo. Trabalham com e para clientes de todo o mundo. De que forma garantem a prestação de um serviço incólume? A implementação de um conjunto de princípios de serviço e a fundamental competência dos nossos colaboradores, permite-nos seguir a linha estratégica da organização com um grande foco no cliente e na entrega de valor acrescentado. Em conjunto com o cliente desenhamos e implementamos processos ágeis, mas também protegidos de eventuais riscos, periodicamente medidos e analisados em equipa com o objetivo constante de melhorar a eficiência, eficácia e simplificar as interações com os parceiros. Assumem aqui especial relevância os colaboradores da IFSSC, capazes de incorporar todas as mudanças do negócio e de reinventar o próprio modelo de funcionamento do nosso centro. As opiniões e experiências dos diferentes parceiros são ouvidas ativamente e iniciam-se brainstormings para construir soluções simples, mas também inovadoras e “state of the art”. Consegue-se assim manter relações de confiança com os parceiros internos e consequentemente, o portefólio de atuação e responsabilidade da IFSSC é alargado com tarefas de maior complexidade e valor acrescentado, permitindo-nos desafiar e motivar o desenvolvimento dos nossos colaboradores continuamente. Atualmente, qual o número de colaboradores da empresa e de que forma têm contribuído para a empregabilidade na região? A IFSSC é um empregador de referência na região do Grande Porto e conta atualmente com uma equipa de 320 colaboradores altamente qualificados e entusiasmados por desenvolver soluções e prestar serviços nas áreas Financeira, Compras, Recursos Humanos, IT e outras áreas corporativas. Somos pioneiros no sector de serviços partilhados e as nossas oportunidades estendem-se dos jovens recém-licenciados a posições mais seniores e de elevado grau de autonomia e de decisão. Esforçamo-nos por desenvolver os colaboradores através de formações clássicas, web ou on the job, criamos planos de carreira, promovemos experiências em áreas funcionais interligadas ou de carácter internacional,

para além de desenvolver competências de gestão de equipa e de projeto. A Infineon orgulha-se dos seus colaboradores e não há melhor reconhecimento do que ver o crescimento pessoal e profissional ao longo dos anos. Muitos delinearam a sua carreira para áreas especificas de conhecimento ou optaram por seguir carreiras internacionais e temos a certeza que a Infineon contribuiu para esse sucesso. Terminado o ano de 2018 chega a altura de fazer o balanço. Como avalia o ano transato e quais as metas ou objetivos que pretendem alcançar num futuro próximo? O ano de 2018 foi muito forte para o Grupo Infineon que

ao longo dos últimos anos. De forma continuada e com um caracter cada vez mais relevante, participamos ativamente em projetos de elevada complexidade tecnológica e lideramos a implementação de processos best practice. Criámos uma equipa especializada em Robotic Process Automation, focada na robotização de serviços administrativos, capaz de prestar serviços à escala global. Festejámos recentemente 15 anos de aniversário da IFSSC com os nossos colaboradores, porque o sucesso da IFSSC é-lhes totalmente atribuído. São os nossos colaboradores que permitem que os nossos parceiros, através de experiências de sucesso, confiem na nossa capacidade, profissionalismo, criatividade e determinação para fazer acontecer. A missão da IFSSC – we deliver high quality services through operational excellence with engaged people – traduz-se no desenvolvimento contínuo e no compromisso dos

Oportunidades de desenvolvimento, work-life balance e ambiente multicultural.

mantém níveis de crescimento consistentes e acima de outros concorrentes de mercado, conseguindo manter o seu posicionamento nos primeiros lugares de liderança nos diferentes segmentos de negócio. A Infineon em Portugal seguiu as linhas de crescimento do grupo e apresenta taxas de crescimento anuais superiores a 20 por cento de forma constante

seus colaboradores, orientação clara para o desenvolvimento de soluções inovadoras e digitais para agilizar processos robustos, mantendo uma relação de confiança com os parceiros de negócio. A Infineon no Porto tem desenvolvido iniciativas que nos colocam no top de rankings dos centros de serviços partilhados de referência mundial. Temos a certeza que com a nossa experiência e ambição, vamos continuar a crescer de forma sustentável.

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MOG TECHNOLOGIES

A TECNOLÓGICA MAIATA QUE ESTÁ A CONQUISTAR O MUNDO! A MOG Technologies tem vindo a conquistar um vasto mercado, no setor das Tecnologias de Media, composto por televisões e produtoras de renome internacional. A empresa, residente na TecMaia, representa um selo de qualidade nacional em todo o globo, que vale a pena conhecer e reconhecer!

D

Equipa MOG Technologies

edicada à criação de soluções tecnológicas para a indústria do entretenimento, a MOG Technologies foi fundada no ano de 2007 e está instalada na TecMaia. É das sinergias que se manifestam neste parque empresarial que surge a MOG Technologies. Da fusão de duas empresas devotas à criação de software e hardware para os setores do broadcast e da informação, nasce a MOG Technologies. Tanto as características dos produtos, como a ótica dos fundadores, levaram a empresa a apostar no desenvolvimento de tecnologias direcionadas para o mercado estrangeiro. A MOG Technologies está presente em todos os continentes do globo, desde a Argentina até à Austrália.

Rua Eng. Frederico Ulrich 2650 Tlf.: +351 220 187 493 Email: info@mog-technologies.com

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18 | Revista Business Portugal fevereiro 2019

Aliar tecnologia, inovação e desenvolvimento sustentável foi a premissa que solidificou a posição atual da empresa maiata no mercado internacional das Tecnologias de Informação para Media. Grandes cadeias televisivas como a NDR, na Alemanha, a BBC, no Reino Unido, ou a TVE, em Espanha, utilizam o sistema centralizado de Ingest desenvolvido pela MOG Technologies – a linha de produtos mxfSPEEDRAIL. Fornecedora, a nível mundial, de soluções pautadas pela inovação e qualidade, a MOG Technologies orgulha-se de “entrar em projetos onde existem, geralmente, dificuldades acrescidas”, revela Luís Miguel Sampaio, CEO da empresa. O empresário explica que “a nossa missão é prestar um serviço e, como tal, acabamos por desenvolver sistemas para responder a uma falha específica do mercado, uma necessidade do cliente, uma dificuldade que ele sente ou constata. Os clientes escolhem-nos, porque fomos desenvolvendo alguns produtos de OTT (a televisão via internet é conhecida pela sigla OTT, plataformas como a NetFlix ou o Itunes) para distribuição de conteúdos online, fomos implementando novas funcionalidades que permitem a interatividade, o ‘engaging’, a sincronização de informação em diferentes pontos geográficos. Permitem-nos marcar a diferença relativamente à oferta atual. Ganhamos projetos por conta deste caráter mais inovador. Tentamos desenvolver soluções completamente novas”. Composta por uma equipa multidisciplinar, a MOG Technologies conta com a colaboração de profissionais experientes e altamente qualificados. Especializados em áreas como Data Science, Sistemas Cloud, Sistemas de Media, Sistema de Hardware e Integração de Sistemas, estes profissionais garantem o sucesso da empresa e a satisfação dos clientes. “O homem não tem a capacidade de conceber algo que o transcenda, portanto, aquilo que é pensado, que é conceptualizado, é exequível e concretizável, através do empenho de profissionais dinâmicos”, garante Luís Sampaio. Ora, foi precisamente esta postura empresarial que sustentou a mais recente aposta da MOG Technologies. A empresa especializada no desenvolvimento de soluções para o setor das Tecnologias de Informação para a indústria do entretenimento está, agora, a desenvolver soluções de cenografia digital e planeia marcar presença em projetos de proeminência mundial. Nas palavras do CEO da empresa: “o futuro da MOG Technologies é continuar a desenvolver tecnologia para o mercado do entretenimento. Seria uma honra ajudar a nossa televisão nacional a migrar os seus sistemas de produção para HD a semelhança das congéneres privadas com base em tecnologia portuguesa. Lá por fora, queremos entrar em projetos como o Tóquio 2020 (Jogos Olímpicos), ou o Dubai 2020 (Expo 2020, organizada pelo Bureau International des Expositions e que terá lugar na cidade do Dubai), marcando presença através das nossas tecnologias.”


ARQUITETURA E IMOBILIÁRIO Dar forma às ideias e aos sonhos. Pode ser esta a frase mais poética para retratar este tema. Duas áreas que enfrentam, desde 2017, uma maré alta no volume de negócios. Dois negócios que se interligam, mas que se distinguem fortemente. A arquitetura existe desde que o homem existe já que é o processo de projetar e construir. Obviamente que o pensamento humano e as ideias foram aprimoradas e que hoje existem impossíveis possíveis de realizar como antes não seriam. As cidades cresceram em habitantes e consequentemente em habitações e edifícios comerciais para satisfazer as necessidades. Quando visitamos novos destinos procuramos frequentemente, os monumentos arquitetónicos mais bonitos e invulgares. Não é coincidência que a Torre Eiffel e a Sagrada Família são dos monumentos mais visitados e as redes sociais estão repletas de fotografias de empreendimentos. Foi com este crescimento das cidades que surge um novo tipo de negócio que vem satisfazer as necessidades populacionais. Os jovens deslocam-se para outras cidades para estudar e perseguir o sonho. Os adultos procuram novas propostas de trabalho, mais aliciantes e com melhores remunerações. É nos grandes centros que existem estas ofertas. Sendo assim, é necessário existirem também oportunidades de alojamentos e espaços comerciais provisórios e permanentes para a fixação de empresas e famílias. É nesta vertente e com a ajuda do turismo crescente que o ramo imobiliário alcançou, nos últimos anos, valores nunca antes vistos em Portugal. O percurso ainda está a ser percorrido e 2019 avizinha-se risonho para ambas as áreas de atividade.

DESTAQUES 20 HOME’ART Qualidade, Inovação e Design 22 LEVEL CONSTELATION Reabilitação Urbana: Exclusividade e Inovação 24 SEGMENTO URBANO “Aquilo que nos move é sermos uma empresa feliz” 27 JPS GROUP Sucesso e excelência 28 ESCOLHA ACERTADA MEDIAÇÃO IMOBILIÁRIA A “Escolha Acertada” na Mediação Imobiliária

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HOME’ART

QUALIDADE, INOVAÇÃO E DESIGN Ana Costa é a fundadora e diretora criativa da Home’Art, atelier de decoração sediado em Barcelos. Em entrevista à Revista Business Portugal deu a conhecer o core business e a identidade da marca.

Ana Costa, fundadora e diretora criativa

Técnica Superior de Segurança no Trabalho e, mais tarde, como Formadora. No entanto, o gosto pela decoração de interiores sempre me acompanhou, pelo que desde que comprei a minha primeira casa (com cerca de 20 anos) e a decorei de forma muito pessoal, mas ao mesmo tempo com um toque especial, que familiares e amigos me disseram que tinha imenso jeito para esta arte. Ao longo de vários anos fui realizando projetos de decoração para familiares e amigos, mas unicamente como hobby. Por outro lado, também as minhas próprias casas que fui comprando, decorando e vendendo eram vendidas, mesmo em tempos de crise, de forma relativamente rápida devido à forma como estavam decoradas (no fundo já fazia uma espécie de home-staging, em tempos em que ainda não se falava neste conceito em Portugal). Como surge o atelier/marca Home’Art? Que balanço faz do percurso da Home’Art? O atelier surge numa altura em que achei que era o momento ideal para criar o meu próprio negócio/empresa. E porque não abrir um negócio numa área que eu realmente gostava? Comecei por fazer formação em design de interiores e aí consolidei a ideia que tinha, de que era mesmo uma área de negócio com a qual me identificava. Como define a identidade da marca? A marca Home’Art é uma marca com visão prática e funcional, que procura uma identidade única, com alma, que não segue tendências mas procura antes criá-las.

C

omo desponta a sua paixão pela decoração e pelo mundo do design de interiores? Sou licenciada em Gestão de Empresas, tendo exercido funções de Diretora de Qualidade, Ambiente e Segurança no Trabalho durante 12 anos numa empresa têxtil do concelho de Barcelos. Posteriormente, exerci funções de Diretora Financeira, Rua Antiga Estrada Real do Espírito Santo, Nº242 4750-785 Vila Boa | Barcelos www.homeart.pt 20 | Revista Business Portugal fevereiro 2019

Qual o core business da Home’Art? Quais os principais serviços que prestam? O nosso core business vai desde o projeto até à execução, assegurando a gestão do projeto, o controlo de prazos/custos, garantindo a qualidade do resultado final. Oferecemos serviços nas áreas de residencial, espaços comerciais, industriais e hoteleiros, com soluções únicas e criativas. Quais são os valores essenciais em que assenta cada obra/projeto executado pela Home’Art? Os nossos valores assentam essencialmente em colocar no mercado produtos de qualidade com preocupação de sustentabilidade, inovação e design, acompanhando tendências com intemporalidade, conseguindo com isso satisfazer as necessidades do mercado, onde o cliente tem a garantia de um serviço de excelência.

Quais os atributos da Home’Art que lhe permitem estar continuamente na linha da frente e criar tendências ao contrário de as seguir? A Home’Art é constituída por uma equipa multidisciplinar de profissionais altamente capacitados para corresponder a diversos tipos de solicitações (diferentes estilos, materiais, texturas), apostando continuamente na formação dos seus colaboradores, assim como visitas às melhores feiras internacionais da área. Criamos ambientes pensados e desenhados de forma a funcionarem em perfeita harmonia, com o máximo conforto e funcionalidade. Espaços adaptados às necessidades dos clientes com produtos de qualidade premium com preços competitivos. Orgulhamo-nos por os nossos clientes confiarem no nosso know-how, qualidade e exclusividade. Quais os projetos do vosso portfólio que consideram ser mais emblemáticos e, que de alguma forma, marcaram o percurso da empresa? Ao longo do nosso percurso fizemos vários projetos que de certa forma nos marcaram. Não vamos salientar nenhum em particular, pois como trabalhamos cada projeto como sendo único, cada um nos marcou pelo seu estilo/resultado. Que objetivos são assumidos pela Home’Art para 2019? No âmbito do nosso sistema de gestão temos definidos vários objetivos estratégicos, os quais não vamos divulgar. No entanto, um dos nossos grandes objetivos para 2019 é aumentar a nossa faturação no âmbito da internacionalização.


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fevereiro 2019 Revista Business Portugal | 21


LEVEL CONSTELLATION

Yingjie Wen, empresário e investidor

REABILITAÇÃO URBANA: EXCLUSIVIDADE E INOVAÇÃO A Level Constellation tem dado o seu contributo para o reforço das relações bilaterais entre Portugal e a China, através de vários investidores chineses atraídos pela competitividade e profissionalismo do mercado imobiliário português. Estreitando distâncias e partilhando culturas, desde 2014 a Level Constellation desenvolve em Portugal projetos de reabilitação urbana, restituindo ao país edifícios históricos de referência partilhados, hoje, por dezenas de nacionalidades de todos os continentes.

P

ara conhecer melhor a Level Constellation, a Revista Business Portugal foi ao encontro de Yingjie Wen, empresário e investidor, com um currículo invejável no setor bancário, que em 2014, juntamente com empreendedores chineses, decidiu fundar esta empresa, ao mesmo tempo que gere vários fundos de investimento a partir de Xangai.

22 | Revista Business Portugal fevereiro 2019

Yingjie Wen explicou que decidiram “investir em Portugal depois de uma cuidada análise de mercado que nos revelou uma série de vantagens competitivas: um dos setores imobiliários mais dinâmicos e atrativos da Europa, profissionais muito competentes, diversas oportunidades de negócio em variados setores, uma sociedade muito aberta ao investimento estrangeiro e muito hospitaleira. “E se aliarmos


LEVEL CONSTELLATION

a estes fatores o excelente clima, a gastronomia e a segurança, verificamos que Portugal é um excelente destino no seio da Europa”, sublinha o nosso entrevistado. Desde o início que a Level Constellation centrou a sua atividade no investimento imobiliário, principalmente em projetos de reabilitação urbana, e nomeadamente no mercado residencial com o lançamento de três projetos em Lisboa, o ‘Park Avenue’, o ‘Ouro Grand’ e o ‘Off Liberdade’. “O primeiro enquadra-se perfeitamente na malha urbana, é o resultado da reabilitação de um prédio de habitação de referencia da zona, datado dos anos 50 do século XX, e que estava abandonado há mais de 30 anos. O projeto de reabilitação foi concluído um mês antes do que estava previsto”, realça lembrando que é também aqui que está instalado o escritório da Level Constellation. De salientar ainda que o ‘Park Avenue’ foi um dos finalistas, a nível nacional, do Prémio Nacional do Imobiliário 2017 e do Prémio Nacional de Reabilitação Urbana 2017. Situado em plena Baixa Pombalina, o empreendimento ‘Ouro Grand’ é constituído por 55 apartamentos, de tipologias T0, T1, T2 e Duplexes. Resulta da união de quatro edifícios de origem pombalina, constituindo o maior projeto residencial da Baixa de Lisboa, onde um terço foi adquirido por clientes locais e os outros por clientes internacionais. “Aliás em apenas um mês, um terço dos apartamentos foram vendidos, o que denota também a qualidade e exclusividade dos nossos projetos”, salienta Yingjie Wen, acrescentando que este empreendimento ganhou o prémio de Melhor Empreendimento Reabilitação Urbana, nos prémios SIL 2018. Ainda no mercado residencial, a Level Constellation também é promotora do ‘Off Liberdade’, um projeto surpreendente e eclético, dirigido a um mercado global e a todos os tipos de clientes, que promove um determinado lifestyle, bem como o ‘Classica’ que representa a requalificação de um edifício datado de 1910, com pormenores arquitetónicos preservados como a fachada em perfeita consonância com aspetos de conforto de exceção: jacuzzi privativo, lareiras, jardins, espaços exteriores e bicicletas elétricas. Importa referir que este empreendimento estará à venda durante este ano.

A Level Constellation adquiriu recentemente o Hotel Monte Palace, situado na Lagoa das Sete Cidades, na Ilha de São Miguel, Açores, sublinhando que este investimento materializa a diversificação de investimentos da empresa em Portugal e a sua incursão no turismo Um novo conceito de viver em Lisboa Ciente que os valores por metro quadrado na cidade de Lisboa são cada vez mais altos, a Level Constellation decidiu apostar no desenvolvimento de pequenas unidades e, para tal, lançou a marca ‘Citiflat®’ “uma linha de produtos imobiliários de vanguarda, com marca registada, dirigidos a young professionals, com duas vertentes que o caraterizam: áreas de co-living e mobilidade verde”. Correspondendo ao conceito e filosofia do produto, o ‘Citiflat® Centro’ dispõe de uma área de co-living desenvolvida em parceria com a Sport TV, para além de todas as unidades residenciais serem equipadas com uma bicicleta elétrica e respetivo ponto de carregamento dedicado próprios. O ‘Citiflat® Centro’ oferece 38 unidades residenciais de tipologias T0, T1 e Duplexes, todas com varandas ou pátios e terraços, que na ótica de Yingjie Wen se trata de um novo conceito de excelência habitacional em Lisboa, ou seja um edifício onde a busca de conforto, de um estilo próprio, vive lado a lado com materiais e soluções arquitetónicas inigualáveis.

Aposta no mercado turístico Yingjie Wen revelou em entrevista que a Level Constellation adquiriu recentemente o Hotel Monte Palace, situado na Lagoa das Sete Cidades, na Ilha de São Miguel, Açores, sublinhando que este investimento materializa a diversificação de investimentos da empresa em Portugal e a sua incursão no turismo. A vista deslumbrante para a Lagoa das Sete Cidades, o mais importante ex-libris dos Açores, conferem ao conjunto uma notoriedade internacional. “O hotel encontra-se abandonado desde os anos 90, e a Level Constellation pretende desenvolver para o ativo um projeto de referência, no qual já se encontra a trabalhar. A ideia do projeto passa pela renovação como hotel cinco estrelas, e nesta fase estamos a decidir o design e a equipa de gestão”, refere. Desde 2014, o investimento total da Level Constellation em Portugal ultrapassa os 30 milhões de euros e as linhas de orientação têm sido e continuarão a ser “defending integrity pursuing excellence”, como realça Yingjie Wen, frisando que a empresa quer continuar a investir em Portugal e tornar-se uma empresa de referência, que pretende garantir a satisfação dos seus clientes e continuar um caminho de inovação.

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fevereiro 2019 Revista Business Portugal | 23


SEGMENTO URBANO

“AQUILO QUE NOS MOVE É SERMOS UMA EMPRESA FELIZ” Fundada em 2005 e atualmente sediada em Matosinhos, o Segmento Urbano tem como core business a arquitetura aliada à construção. A Revista Business Portugal esteve com Maria João Correia e David Trindade, ambos arquitetos, para conhecer um percurso recheado de sucessos e desafios.

Q

uis o destino que Maria João Correia e David Trindade se cruzassem na faculdade para, mais tarde, unirem o racional ao criativo no projeto Segmento Urbano que atualmente abraçam. Começou por ser um gabinete de projeto dedicado ao mercado internacional, mormente Angola, mas rapidamente Maria João e David perceberam a importância de conquistarem também o mercado português. “Tínhamos muitos projetos para fora de Portugal. Sempre trabalhámos com sedes no Porto e em Luanda em simultâneo e, depois, quando o mercado angolano se alterou, tentámos arranjar uma forma de nos focarmos no mercado português, no qual tínhamos o centro da nossa produção”,

24 | Revista Business Portugal fevereiro 2019

“Tornamo-nos arquitetos construtores numa perspetiva de aliar o nosso know-how técnico da arquitetura à experiência que tínhamos de trabalhar para outras construtoras enquanto projetistas”

explicam. Foi assim que decidiram associar a construção à conceção de projeto, estabelecendo uma parceria com o grupo Melom. “Tornamo-nos arquitetos construtores numa perspetiva de aliar o nosso know-how técnico da arquitetura à experiência que tínhamos de trabalhar para outras construtoras enquanto projetistas”, acrescentam. O objetivo centra-se, na partilha, com todos os colaboradores, de um misto de “soft skills” com competências técnicas por forma a garantir a boa construção e a boa arquitetura a todos os parceiros e clientes.

Conceito completo Aventureiros por natureza, os arquitetos estão prontos a serem desafiados para fazerem projetos pelo mundo fora. Ainda assim,


SEGMENTO URBANO

têm concentrado as suas forças em Portugal, de norte a sul do país, abrangendo todo o tipo de arquitetura em 3D, trabalhando em tecnologia BIM (Building Information Modelling) que lhes permite simular o real em ambiente virtual, inserindo todas as condicionantes presentes numa obra. Este é um fator essencial para que consigam, além de mostrar ao cliente como vai ficar cada espaço, planear e preparar a obra controlando custos e, por isso, oferecer um conceito “chave na mão” com otimização de recursos e pensado à medida de cada cliente. “Temos trabalhos que vão desde desenhar um quarto ou um jardim de infância a edifícios de grande dimensão. Na área da reabilitação urbana, temos vários edifícios em construção no centro do Porto. São contratos de conceção/construção em que o cliente vem ter connosco, diz que tem um imóvel e pede-nos ajuda para o valorizar”, afirmam. O trabalho do Segmento passa, assim, pela elaboração do projeto, acompanhamento do respetivo licenciamento e execução da obra completa.

Grupo Melom visto como uma mais-valia Não é por acaso que o Segmento Urbano está no top 10 do ranking Melom. Tudo isto se deve à filosofia com que trabalham e, ao mesmo tempo, à importância que atribuem a continuar a apostar no que a Melom tem para oferecer. “O grupo, enquanto marca, defende a profissionalização do setor. Acredita que a construção civil deve deixar de ser um mercado ‘obscuro’, para passar a primar pela boa execução e pela qualidade, onde a arquitetura está sempre presente. Partilhando desses ideais, queremos dar o nosso contributo para a profissionalização do setor e para a fidelização do cliente”, salientam. “Conseguimos, com a Melom, fazer arquitetura em todo o lado”.

Projetos mais marcantes Maria João Correia e David Trindade, arquitetos

Existem vários projetos que marcam o percurso profissional do Segmento Urbano, mas entre eles estão dois que se tornaram, particularmente especiais. fevereiro 2019 Revista Business Portugal | 25


SEGMENTO URBANO damente doentes do foro oncológico, cuja recuperação beneficia do facto de os edifícios estarem desenhados de acordo com as necessidades pretendidas. Por esse motivo, fala-se já em neuroarquitetura enquanto arquitetura potenciadora do bem-estar humano. “Assumimos como missão ensinar às pessoas que se fizerem as coisas de forma correta e forem sensíveis a estas questões viverão com mais qualidade e melhor”, sublinham.

O primeiro foi uma escola desenhada em Angola que fez parte do programa nacional de alfabetização. Criaram uma escola portátil para que pudesse ser mobilizada para vários pontos do país. Este projeto valeu-lhes uma participação, em 2012, no mundial de arquitetura em Singapura, no qual “ficamos muito bem classificados”. O segundo projeto, concebido igualmente para Luanda, foi o edifício “Metamorfoses” por força do qual ficaram nomeados no mundial de arquitetura de 2018, que teve lugar em Amsterdão e no qual apresentaram o projecto publicamente no passado mês de Novembro. Motivos não faltam, por isso, para se sentirem orgulhosos pelo trabalho desenvolvido. Dele fazem parte também histórias de várias senhoras que vão em busca da sua casa de sonho desenhada pelos arquitetos e concretizada pelos já mais de 15 técnicos de obra e 4 colaboradores de atelier, com quem trabalham diariamente.

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26 | Revista Business Portugal fevereiro 2019

Desafios na arquitetura Os desafios na arquitetura são mais do que muitos. Desde logo pela falta de cultura de arquitetura que existe em Portugal. “Quando uma pessoa quer fazer uma casa procura um construtor e não um arquiteto, porque ainda acredita que os arquitetos são muito caros e os projetos desnecessários. A ideia que existe ainda é muito essa. A nossa estratégia para combater esse pensamento passou por incluir a arquitetura na construção, ou seja, os clientes ao procurarem a construtora veem, automaticamente, assegurado o acompanhamento por arquitetos e passam, assim, a ter uma casa desenhada à sua medida. Outra razão prende-se com a arquitetura ainda ser vista como um luxo e não como uma necessidade efetiva. Mas, na verdade, a ciência tem vindo a demonstrar a influência da arquitetura no bem-estar das pessoas, nomea-

Não é por acaso que o Segmento Urbano está no top 10 do ranking Melom. Tudo isto se deve à filosofia com que trabalham e, ao mesmo tempo, à importância que atribuem a continuar a apostar no que a Melom tem para oferecer Objetivos para o futuro Falar do futuro do Segmento Urbano é falar de projetos e participações em concursos internacionais, nunca descurando a contínua aposta no mercado nacional, com a aliança fundamental com os valores da Melom. Para além disso, querem fazer a arquitetura “que não se constrói, aquela que só se pensa”, para inovar e testar o futuro, no seio de uma equipa movida pela felicidade e pela competência.


JPS GROUP

SUCESSO E EXCELÊNCIA Focada em investimento e promoção imobiliária com o intuito de investir, projetar, construir, promover e comercializar, a JPS GROUP é uma das empresas nacionais de maior referência. A Revista Business Portugal esteve à conversa com João Sousa para perceber o conceito.

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tualmente assumem-se como uma das empresas nacionais de maior referência. Como surgiu a empresa que hoje dá cartas no mercado imobiliário? A JPS GROUP destacou-se com o 137 LuxResidence, na Av. Almirante Reis, em Lisboa. Um projeto de reabilitação que surgiu de uma necessidade real do mercado, à qual o veio dar resposta. Visto ser um empreendimento que garante seis por cento de yield, marcou a diferença. Definem-se como uma empresa multidisciplinar. Qual é o vosso core business e o que representa, em termos percentuais, no volume de faturação? O core business da JPS GROUP é o investimento e promoção imobiliária, que representa 100 por cento do nosso volume de faturação. Investimos, projetamos, construímos, promovemos e comercializamos. Por termos in-house a capacidade de desenvolver projetos a 100 por cento, conseguimos ter ganhos e produtividade elevados.

Todas as nossas parcerias são realizadas com vista ao sucesso. Podemos associar-nos a parceiros institucionais ou privados para a concretização de um empreendimento. Tratamos de toda a elaboração in-house até à ‘chave na mão’ dos clientes. São parcerias vantajosas na medida em que conseguimos valores mais atrativos de comercialização. Como asseguram aos clientes uma solução única e 100 por cento integrada? Dispomos de uma vasta equipa de profissionais que abrange todas as áreas que necessitamos. Não recorremos a outsourcing, elaboramos os nossos projetos in-house, de A a Z. Hoje somos cerca de 50 pessoas, que trabalham em equipa, e isso faz a diferença. A JPS GROUP demarca-se pelos resultados conseguidos. Quais os projetos desenvolvidos que mais marcaram a equipa? O projeto que mais marcou e continua a marcar é o SkyCity. O 137 LuxResidence foi um marco em termos de conceito. Mas foi o SkyCity que nos posicionou num lugar de destaque no mercado. Terminado 2018, a JPS GROUP atingiu as metas a que se tinha proposto? Qual o balanço feito? É muito positivo. Temos trabalhado no desenvolvimento do SkyCity, cujas obras continuam a todo o gás. Inaugurámos o 137 LuxResidence e ainda lançámos um novo empreendimento, o Dream Living. A nossa marca chegou a muitas mais pessoas e, hoje, significa muito no mercado. Assumimos cada vez mais um lugar de destaque: os objetivos foram cumpridos.

João Sousa, ceo

Para além disso, quais os restantes serviços disponibilizados pela JPS GROUP aos clientes? Dispomos de vários departamentos para elaboração e promoção dos nossos produtos, como Asset Management, Arquitetura, Engenharia, Construção, Comunicação e Marketing, Jurídico, Procurement, Financeiro e Comercial. Ainda prestamos aconselhamento de investimento e fazemos gestão de ativos imobiliários. A JPS GROUP trabalha maioritariamente para cliente particular ou para cliente empresarial? Os nossos produtos abrangem os dois tipos de cliente, contudo, a maior percentagem é o cliente particular, que demonstra ter uma grande apetência pelos nossos produtos. A aposta nas parcerias é uma realidade na JPS GROUP. De que forma contribuem para a prestação de um serviço de excelência?

Muito se especula sobre o mercado imobiliário. De que forma perspetiva este mercado para 2019? Perspetiva-se um bom ano. O mercado vai possivelmente abrandar e os valores vão equilibrar, maioritariamente no mercado de habitações usadas. Um cenário normal, uma vez que 2018 bateu todos os recordes. Houve uma grande aposta na reabilitação no centro de Lisboa, mas agora o futuro é a construção nova. É necessário redescobrir a periferia de Lisboa e pensar em soluções apropriadas às necessidades atuais e reais do mercado. Com o início de um novo ano surgem novos objetivos a atingir, a JPS já definiu os seus? Temos os nossos objetivos muito bem definidos e sabemos bem o que queremos. Estamos preparar o lançamento de um novo conceito de habitação, com preocupações ambientais. Trata-se de um programa habitacional em que se encaixa a habitação, o ecológico, o trabalho e a convivência social. Vamos continuar a inovar e a criar produtos que vão de encontro às necessidades dos clientes. O objetivo será a satisfação e fidelização dos nossos clientes. E, como a JPS GROUP inova em várias campos, acabámos de lançar um seguro do valor investido nas nossas habitações. fevereiro 2019 Revista Business Portugal | 27


ESCOLHA ACERTADA - MEDIAÇÃO IMOBILIÁRIA

A “ESCOLHA ACERTADA” NA MEDIAÇÃO IMOBILIÁRIA Procurar a ajuda de um profissional, quando decide comprar ou vender um imóvel, é uma alternativa com inúmeras vantagens. Nesta edição, a Revista Business Portugal apresenta-lhe os benefícios de recorrer à ‘Escolha Acertada’!

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Pedro Morais e Carlos Teixeira, advogado e sócio-gerente

ncontrar a casa de sonho é um processo de ponderação e paciência. Trata-se de um percurso que, caso seja percorrido sem a ajuda de um profissional especializado, se pode tornar demorado, cansativo e até assoberbante. Nesta procura que visa a aquisição de direitos reais sobre imóveis, a empresa de Carlos Teixeira é a ‘Escolha Acertada’. O mediador, fundador da empresa, explica: “ao optar por esta loja, tenho a certeza que está a fazer a escolha acertada. Pelo nosso profissionalismo, pelo serviço acrescentado de aconselhamento e acompanhamento, pela nossa dedicação e pelo conhecimento que temos da zona e do setor”.

Proximidade e Transparência Pautada pela “proximidade e transparência”, segundo garante Carlos Teixeira, a mediadora imobiliária é uma das mais antigas lojas abertas ao público, num universo de 78 agências existentes na Maia. O empresário garante a concretização das

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intenções dos clientes, com um acompanhamento constante e solícito. Nesta loja, são nove os especialistas que se ocupam de questões como o agendamento de visitas, as negociações entre as partes envolvidas no negócio e toda a burocracia inerente à compra e venda de um imóvel. Os profissionais da ‘Escolha Acertada’ dedicam-se a encontrar a localização, as dimensões e o preço do imóvel ideal. Esta empresa de mediação imobiliária também presta serviços como o trespasse, a permuta, o arrendamento ou a cessão de posições em contratos que tenham por objeto bens imóveis. A experiência e conhecimento são uma das maiores mais-valias de recorrer aos serviços da ‘Escolha Acertada’.

Matosinhos, Maia, Porto e Vila do Conde Estabelecida no ano de 2002 por iniciativa de Carlos Teixeira, a ‘Escolha Acertada’ encontra-se sediada na Rua de Custió, nº1654, Leça do Balio. Atualmente, esta mediadora imobiliária trabalha os concelhos de Matosinhos, Maia, Porto e Vila

A missão destes peritos é tornar todo o processo mais cómodo e seguro, auxiliar o cliente nas dificuldades, responder a todas as dúvidas que possam surgir, identificar oportunidades e, acima de tudo, proteger os interesses dos clientes do Conde. O perfil do cliente da ‘Escolha Acertada’ é muito diversificado. Concretizam-se os objetivos de qualquer pessoa, sem quaisquer restrições, desde o casal que procura a primeira habitação ao empresário que deseja encontrar um espaço industrial.

Interlocutores certos na hora certa Carlos Teixeira trabalha desde os 18 anos como mediador imobiliário. A experiência e o gosto pelo setor levaram-no a procurar


ESCOLHA ACERTADA - MEDIAÇÃO IMOBILIÁRIA

rodear-se dos melhores profissionais. “Estamos aqui por gosto”, afirma o empresário que prossegue, assegurando: “tenho os melhores colaboradores”. Interlocutores certos na hora certa, os profissionais especializados desta loja traduzem-se na ‘Escolha Acertada’. A missão destes peritos é tornar todo o processo mais cómodo e seguro, auxiliar o cliente nas dificuldades, responder a todas as dúvidas que possam surgir, identificar oportunidades e, acima de tudo, proteger os interesses dos clientes.

Um serviço acrescentado Pedro Morais junta-se à ‘Escolha Acertada’ no ano de 2011. O advogado é “o braço direito e esquerdo” de Carlos Teixeira. Desenvolve um trabalho fundamental no acompanhamento burocrático subjacente aos processos desenvolvidos pela mediadora.

Quando questionado sobre qual pensa ser a mais demarcada característica da mediadora da Maia, Pedro Morais apenas responde “capacidade de adaptação” e explica que em 18 anos muita coisa se altera, especialmente neste setor de atividade, e esta mediadora imobiliária sempre se adaptou à conjuntura da época”.

Uma enorme taxa de satisfação Há 17 anos de portas abertas ao público, a loja da Rua de Custió orgulha-se de possuir uma percentagem de satisfação muito alta. “Em 17 anos de atividade, ganhamos muitos amigos”, afirma Pedro Morais. A sustentabilidade da ‘Escolha Acertada’ está na forma como presta serviços. Carlos Teixeira garante que “é fundamental transmitir confiança. O cliente tem que ter confiança em nós para que possamos concretizar os seus desejos em pleno”.

Equipa ‘Escolha Acertada’

Rua de Custió, nº1654 | 4465-605 LEÇA DO BALIO | Tlf.: 229 547 266 | E.: geral@escolhaacertada.pt | www.escolhaacertada.pt

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DESTAQUES 31 GEDII GEDII discute as melhores práticas clínicas da doença inflamatória intestinal 36 FERRAZ LYNCE Insuficiência Venosa 38 PHARMA BAVARIA Acesso a cuidados de saúde de qualidade 40 CLÍNICA MÉDICA DENTÁRIA DA ARRÁBIDA Uma nova etapa festejada com sorrisos

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SAÚDE A saúde é um dos mais poderosos fatores de integração e coesão sociais, mas também de geração de riqueza e bem-estar. Os indicadores demográficos mostram-nos que Portugal segue a tendência dos países ditos desenvolvidos. Ou seja, os portugueses vivem cada vez mais anos. Uma realidade que revela uma melhoria geral das condições de vida, mas também o acesso aos avanços da medicina e da tecnologia, com terapêuticas e medicamentos mais inovadores e eficazes. Numa lógica de proximidade e humanização dos serviços, olha-se, cada vez mais, o cidadão como o centro do sistema. É nesse sentido que a prestação de cuidados se tem vindo a reorganizar, integrada num quadro de transparência, inovação e responsabilidade social, permitindo melhorar o acesso à saúde e, consequentemente, reduzir as desigualdades. Isto a par de uma melhoria da gestão dos recursos humanos. De facto, a promoção da saúde e a prevenção da doença são dois eixos fundamentais e transversais a todos os níveis de prestação de cuidados de saúde. Nas próximas páginas, a Revista Business Portugal faz um retrato da saúde sobre as perspetiva das farmácias, clínicas dentárias e dos laboratórios farmacêuticos, ao mesmo tempo que lança um olhar sobre a reunião anual da GEDII (Grupo de Estudos da Doença Inflamatória do Intestino), que reúne a comunidade de profissionais dedicados à investigação e tratamento destas doenças, e revela a melhor prática clínica e o produto da melhor investigação que o país tem para oferecer nesta área inovadora.


Especial

JANSSEN PORTUGAL

REUNIÃO ANUAL DO GEDII fevereiro 2019 Revista Business Portugal | 31


GEDII

REUNIÃO ANUAL GEDII 2019

GEDII DISCUTE AS MELHORES PRÁTICAS CLÍNICAS DA DOENÇA INFLAMATÓRIA INTESTINAL O Grupo de Estudos da Doença Inflamatória do Intestino (GEDII) reuniu por mais um ano a comunidade de profissionais dedicados à investigação e tratamento da doença inflamatória intestinal. A Fundação Cupertino Miranda acolheu durante três dias o encontro onde se revelaram as melhores práticas clínicas e os produtos da melhor investigação que o país tem para oferecer nesta área.

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erca de 350 especialistas e investigadores dedicados à doença inflamatória do intestino (DII) participaram na 14ª reunião anual do Grupo de Estudo da Doença Inflamatória Intestinal (GEDII) de 2019. Esta que é a reunião magna da doença inflamatória intestinal em Portugal, reuniu os médicos mais dedicados à investigação e ao tratamento destas doenças, predominantemente gastrenterologistas, mas também membros de outras áreas – cirurgiões, enfermeiros, investigadores, entre outros. Tal como nas edições anteriores, o encontro procurou estabelecer um ponto da situação das questões mais importantes e de maior avanço na comunidade científica nesta área, como também dos temas que requerem uma atualização, quer os sistemas mais tradicionais que têm tido mudanças, quer um olhar definitivo e mais longo para o futuro e para as mudanças na área da investigação da doença inflamatória. De entre os temas discutidos fizeram parte novas estratégias e antigos problemas, a mais moderna investigação do microbioma ou dúvidas sobre a importância da Monitorização Terapêutica de Fármacos, a problemática dos biossimilares e as novidades de pipeline terapêutico, o produto da melhor investigação nacional, na clínica e nas ciências básicas no campo das DII. O primeiro dia foi dominado pelo workshop dedicado à metodologia de interpretação de artigos científicos e pelo Curso Avançado dedicado à importância da endoscopia e dos ultrassons na prática da DII.

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Na sequência do sucesso do ano anterior, e porque as DII devem ser abordadas em centros especializados por equipas multidisciplinares, deste encontro fez também parte, já no segundo dia, um curso de formação para profissionais de enfermagem. Este dia foi ainda dominado pela temática da utilização das células estaminais no tratamento das fistulas perianais e pelas diferentes formas de ver a Monitorização Terapêutica de Fármacos. O último dia voltou-se para o futuro, com a problemática do switch de biossimilares e, em aproximação rápida, com a ciência do microbioma. O encontro terminou com a habitual cerimónia de entrega de prémios, com a moderação do presidente Luís Correia, Francisco Portela e João Pereira da Silva. Nesta sessão o grupo voltou a entregar quatro bolsas de investigação num total monetário de 80.000,00 euros, prémios para os melhores casos, comunicações e posters; o propósito de apoiar e promover a investigação e o conhecimento neste campo da ciência foi cumprido. Em nome da Direção do GEDII, Luís Correia, atual presidente, deixou, na sua mensagem de boas-vindas um convite “ao convívio e renovação da amizade que constituem a argamassa que une a comunidade das DII, dos profissionais de saúde aos doentes, não esquecendo a Indústria Farmacêutica. Sejam bem-vindos à bela cidade do Porto.” O evento tem vindo a aumentar em número de participantes e constitui uma manifestação da excelência que a prática clínica e investigação nacionais no campo das DII tem vindo a atingir.


GEDII

“DEVEMOS OLHAR PARA O FUTURO, ANTEVER E PREPARARMO-NOS COM AS NOVIDADES CIENTÍFICAS” Luís Correia, presidente do GEDII, explica a importância do encontro anual GEDII para os profissionais da área.

Quais são as expetativas dos participantes desta reunião anual e o que procuram levar daqui? O primeiro preceito da formação do grupo de estudos, que é a partilha da experiência, é fundamental, e, portanto, o que estas pessoas, antes de mais, levam daqui é a partilha não só da experiência pessoal (que é importante, mas já há muito que a medi-

Luís Correia, presidente

cina se faz pela partilha de algo maior que a simples experiência pessoal), mas a partilha e discussão da evidência científica. Esse é o primeiro objetivo, as pessoas encontrarem-se, partilharem, discutirem e saírem daqui com o produto dessa discussão. O objetivo para cada ano é exatamente discutir aquilo que é mais recente e, se possível, o futuro, aquilo que está para vir, antecipando-nos e preparando-nos para dar o melhor aos nossos doentes. Que tema ou figura central destacaria do painel de oradores destes três dias? A temática da monitorização dos fármacos [com Uri Kopylov e Filip Baert] é essencial para a gestão dos doentes no dia a dia. A terapêutica da DII envolve muitos custos e os sistemas de saúde, ao esforçarem-se por dar aos cidadãos o melhor, devem fazer um uso racional dos meios e dos recursos disponíveis. Este é também um dever médico e portanto, a monitorização terapêutica dos fármacos ao otimizar a eficácia terapêutica dos recursos limitados existentes constitui tema muito importante. No último dia [18/01] teremos o futuro e neste o manuseamento diagnóstico e terapêutico do microbioma, vai ser essencial. Temos algumas figuras de proa no campo das novas moléculas: o Doutor Bruce Sands dos Estados Unidos, mas também os Doutores Edouard Louis, da Bélgica, e Matthieu Allez, de França e Alessandro Armuzzi de Itália, a fazer uma abordagem das novas medicações, divulgando a sua eficácia, mas também tentando criar uma abordagem integrada das mesmas nas DII. As novas

medicações em pipeline e o uso racional das que mais recentemente surgiram no país, vão ser provavelmente o núcleo duro das novidades. Esta área da doença inflamatória intestinal vai também acompanhando a evolução científica, por forma a dar a melhor prática clínica aos doentes? Exatamente. Procuramos perceber se temos meios para o fazer e, se não tivermos, vamos tentar implementá-los. Dado que as pessoas que têm a liderança, de facto, neste campo se encontram anualmente nesta reunião, reunimos as condições ideais para o fazer. Finalmente devemos olhar para o futuro, tentar antever e prepararmo-nos com as novidades científicas, que funcionam muito melhor se estivermos preparados para as receber e para as aplicar. Como vê o atual papel formativo do GEDII em Portugal e o que se pode esperar no futuro? O futuro vai ser muito interessante e o GEDII foi, é e será essencial, nas suas atividades de investigação e formação, à práticas das DII em Portugal e, porque não dizê-lo, na Europa. A ciência das DII não para de se alargar, quer no campo dos marcadores de atividade da doença, quer nos campos de intervenção terapêutica. Primeiro começámos por utilizar as moléculas tradicionais (corticoides e imunomoduladores), depois estivemos, e estamos, muito dominados pela utilização de terapêuticas biológicas e agora vamos, voltar a utilizar pequenas moléculas orais, o que vai trazer uma maior facilidade

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REUNIÃO ANUAL GEDII 2019

O que é o GEDII e de que forma se deu esta expansão até aos dias de hoje? O GEDII - Grupo de Estudo da Doença Inflamatória Intestinal - foi fundado em 2002 e obteve, posteriormente, um estatuto de utilidade pública pela sua eficácia e qualidade. Começou por ser um grupo amador de pessoas interessadas nesta área da doença inflamatória do intestino (DII), que se reuniam para partilhar experiências e planear objetivos e investigação em comum. Foi-se tornando progressivamente maior graças à colaboração dos diferentes centros e de algumas pessoas chave no tratamento destas doenças no país. A partir de uma determinada altura teve necessidade de se profissionalizar dada a necessidade de realizar estudos com significado científico e que atinjam um nível de evidência científica publicável nos melhores locais – o que exige um mais eficaz manuseamento dos meios e de doentes e uma melhor capacidade estatística. Hoje é inadmissível fazer financiamento de outra maneira, portanto foi necessário organizarmos uma forma mais racional de fazer afluir ao grupo de estudos os financiamentos em quantidade necessária para manter uma estrutura que, ao longo do ano, vai alimentando os diferentes centros e a sua capacidade de investigação e depois, com base na informação recolhida, publicar com boa qualidade os estudos nas melhores revistas científicas. Isso tem acontecido de maneira crescente e cada vez com maior eficácia.


GEDII

de tratamento aos doentes e ao controlo das doenças. Exemplo disso vai ser o manuseamento do microbioma – conjunto de bactérias e organismos vivos intestinais - e que esperamos possa trazer melhorias francas no tratamento e no prognóstico das DII.  

REUNIÃO ANUAL GEDII 2019

Paula Ministro, secretária-geral do GEDII, dá um olhar sobre as novas perspetivas terapêuticas da doença inflamatória intestinal, reforçando a importância de centros estruturados e de referência no tratamento da doença. No segundo dia deste encontro, que balanço faz daquilo a que já assistimos até ao momento? Este evento está a correr muitíssimo bem. Os objetivos até agora estão a ser cumpridos. Organizámos também a reunião paralela de enfermeiros a qual teve uma grande participação. Trata-se de mais uma reunião de sucesso do GEDII, na qual temos a felicidade de participar. O que procuram levar daqui os enfermeiros que participam no workshop que decorre em paralelo neste evento? Os enfermeiros são uma parte funda-

Paula Ministro, secretária-geral

mental da assistência aos doentes portadores de doença inflamatória do intestino. Eles têm mais contacto com os doentes, passam mais tempo com eles do que nós. Muitas vezes, são os enfermeiros que nos veiculam alguns problemas que os doentes referem, e que não nos são reportados na primeira pessoa. Isto ocorre sobretudo em ambiente de Hospital de Dia e devido à relação de confiança que se estabelece. Nós procuramos, com iniciativas como esta, realçar relevância que os diferentes profissionais têm na abordagem da doença inflamatória do intestino e, simultaneamente a necessidade de diferenciação nesta área. Um dos temas que vamos abordar, nesta reunião paralela, é a investigação clínica. Precisamos de enfermeiros a fazer investigação clínica no nosso país e nesta área, integrados em equipas multidisciplinares a nível hospitalar. Que perspetivas são esperadas ao nível do acompanhamento de tendências tecnológicas e científicas, com a presença de figuras nacionais e internacionais? Espera-se uma troca de experiências, quer a nível nacional quer a nível internacional. Em termos institucionais o GEDII espera também alargar os contactos com outros grupos, nomeadamente o grupo irlandês de doença Inflamatória Intesti-

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nal, com quem pretendemos estabelecer uma conexão para o futuro e desenvolver projetos no âmbito de Portugal e da Irlanda. A doença inflamatória intestinal é considerada uma patologia crónica gra-

Os enfermeiros são uma parte fundamental da assistência aos doentes portadores de doença inflamatória do intestino. Eles têm mais contacto com os doentes, passam mais tempo com eles do que nós ve que afeta mais de cinco milhões de pessoas em todo o mundo, sendo que em Portugal são já cerca de 20.000. Espera que deste encontro possam surgir novas soluções terapêuticas no tratamento eficaz da doença? Espero que daqui sejam levadas algumas novidades e perspetivas diferentes e também a reafirmação que se trabalha bem na doença Inflamatória do Intestino em Portugal.


GEDII

Quem trabalha em doença inflamatória há muitos anos (como eu faço) e lê sobre esta doença, vem a estas reuniões mais pela partilha de informação. Outro dos motivos é o contacto presencial e a partilha de dados sobre novas moléculas ou estratégias terapêuticas, com investigadores de renome internacional. O que há ainda por fazer? Ainda há muito por fazer, começando por uma questão chave: não sabemos qual a etiologia da doença. É uma doença multifatorial, com incidência crescente, com impacto na vida dos doentes e com tratamento cada vez mais exigente e complexo. Há muito trabalho por fazer em termos de investigação e assistencial e, particularmente no nosso país, organizacional. E seria importante termos centros estruturados e de referência no tratamento da doença.

Que mudanças e avanços se preveem no futuro do tratamento das DII? Acho que neste momento estamos numa nova fronteira, precisamos de ter novas moléculas mas, mais do que ter novas moléculas, precisamos de ter novas perspetivas de abordagem e sermos muito mais agressivos, não em termos de efeitos laterais mas, sobretudo, em termos de eficácia, aproveitando as janelas de oportunidades que vamos tendo ao longo do tempo.

Fernando Magro, membro honorário

“PRECISAMOS DE TER NOVAS MOLÉCULAS E NOVAS PERSPETIVAS DE ABORDAGEM” REUNIÃO ANUAL GEDII 2019

Fernando Magro, ex presidente do GEDII, atual membro da Direção, e reconhecido como membro-honorário do Grupo durante o encontro, destaca as novas perspetivas de abordagem das DII. Como foi recebido por si o reconhecimento como membro-honorário do GEDII durante este encontro? Foi para mim uma surpresa, sempre trabalhei e trabalho para o GEDII com sentido de dever porque o Grupo tem igualmente o dever de ser pioneiro na investigação, desenvolvendo projectos inovadores, e na formação, apostando na qualidade e actualidade formativa que propõe aos participantes. Foi um gosto enorme! Que balanço faz, enquanto ex presidente do GEDII, desta reunião? Acho que foi uma reunião muito produtiva, com convidados de altíssimo nível e que vieram pôr uma certa ordem na forma como está a ser trabalhada a doença inflamatória intestinal. Foi possível abordar os novos fármacos, introduzir novos recursos - que é mais importante do que implementar novas moléculas - e colocá-los na posição adequada, utilizando o que já temos da forma mais correta, com um controlo mais adequado, para mantermos sempre o doente com um baixo grau de atividade. Que outros temas ou mensagem chave destacaria destes três dias? Destacava as novas moléculas, novos alvos terapêuticos, novos biomarcadores e novas formas de avaliação dos doentes com DII.

CIM-FMUP - Centro de Investigação Médica da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto Rua Doutor Plácido da Costa, 4200-450 Porto Tlm.: 912 583 273 E-mail: gedi@med.up.pt

www.gedii.pt

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ARTIGO DE OPINIÃO

INSUFICIÊNCIA VENOSA

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insuficiência venosa é consequência de uma alteração estrutural do sistema venoso dos membros inferiores, em que as veias perdem a função de transportar o sangue venoso, já usado, para o coração. Esta situação resulta no aparecimento de derrames, no aparecimento de varizes, e repercute-se na microcirculação, responsável pelas formas mais avançadas da doença (eczemas venosos, várias alterações da pele, flebites, hiperpigmentação e úlcera de perna). A doença pode ter origem genética ou dever-se a um fator circunstancial. Os fatores genéticos são responsáveis pela doença venosa primária, de início insidioso e com evolução relativamente lenta. Os fatores circunstanciais podem ser a trombose venosa profunda, traumatismos, terapêuticas hormonais femininas, a gravidez, e ainda um número considerável de fatores causais como a obesidade, o ortostatismo prolongado, a exposição excessiva ao calor, a obesidade, a obstipação, entre outros. É desaconselhado o uso de calçado e vestuário apertados e o uso de sapatos rasos ou de saltos superiores a cinco centímetros. Desportos como ténis, voleibol, futebol, aeróbica e equitação também não são recomendáveis. Em qualquer estádio da doença venosa é fundamental o exercício físico adequado, a

contenção elástica eficaz, as medidas higieno-dietéticas e a medicação com venoativos. A doença deve ser tratada desde o início, tentando, sempre que possível, eliminar os fatores de risco. O diagnóstico faz-se, normalmente,

Cerca de um terço dos portugueses sofre de doença venosa crónica dos membros inferiores e cerca de 2 milhões de mulheres portuguesas em idade activa sofre de doença venosa através do exame clínico e da técnica ecográfica vascular. Atualmente, os tratamentos curativos são cada vez menos agressivos, os tratamentos paliativos são mais eficazes e os tratamentos preventivos mais frequentes. Os medicamentos venoativos são de grande importância, uma vez que permitem uma maior elasticidade das veias, melhorando

as condições circulatórias. Alguns atuam também na circulação capilar e, com ação anti-inflamatória específica das veias, aliviam a dor e evitam o aparecimento de flebites. Em relação à contenção elástica, esta deve ser prescrita caso a caso (meia, meia até à raiz da coxa ou collant) e com tensão suficiente para reduzir os efeitos da pressão venosa nos membros inferiores. A escleroterapia (secagem) e o laser transcutâneo estão indicados no tratamento das telangiectasias e varizes reticulares (varizes de pequeno calibre). Quando a indicação é correta e a execução efetuada com rigor tem excelentes resultados, não só no que respeita aos sintomas mas também no que se refere à estética. Nas varizes mais volumosas, ou nas dependentes dos sistemas das safenas interna ou externa, a cirurgia é a única solução. Nos estados iniciais, a cirurgia pode ser efetuada em regime ambulatório, sob anestesia local ou loco regional, por procedimento endovascular com laser através de fibra óptica ou por resseção das varizes com mini incisões cutâneas. Nas situações mais avançadas e mais graves, a cirurgia é mais complicada, requerendo anestesia geral ou intradural. Cerca de um terço dos portugueses sofre de doença venosa crónica dos membros inferiores e cerca de dois milhões de mulheres portuguesas em idade ativa sofre de doença venosa.

DICAS RECOMENDADAS • Praticar exercício físico, como seja caminhar, nadar, subir as escadas a pé • Moderar o consumo de álcool, café e chá • Não fumar • Ter uma dieta equilibrada - parca em calorias e rica em fibra • Evitar usar sapatos de salto alto • Evitar altas temperaturas • Elevar ligeiramente os pés na cama • Concluir o duche com água fria nas pernas • Evitar cruzar as pernas quando sentada • Em viagens longas, não deixe de movimentar as pernas e os pés

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JANSSEN PORTUGAL

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PHARMA BAVARIA INTERNATIONAL

ACESSO A CUIDADOS DE SAÚDE DE QUALIDADE

Bruno Mendes, international head of marketing & business development

A Revista Business Portugal esteve à conversa com Bruno Mendes, International Head of Marketing & Business Development da Pharma Bavaria.

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ara que possamos contextualizar os nossos leitores, gostaríamos de saber como nasce a Pharma Bavaria? A Pharma Bavaria International GmbH

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nasceu como uma empresa farmacêutica alemã na região económica e demarcada da Baviera na Alemanha em 2013, e iniciando posteriormente a sua internacionalização Europeia no ano

seguinte. A empresa abre então um hub Europeu em Portugal, que atualmente é um dos escritórios de referência para as suas operações, alojando áreas funcionais determinantes na estratégia corporativa, nomeadamente Marketing & Business Development, Assuntos Regulamentares, e, Supply Chain e Exportação. Com um crescimento constante a dois dígitos, a empresa vem a reforçar no período 2016 e 2017, a sua presença internacional com escritórios em Dalian city na região de Liaoning - China, no Dubai - Emirados Árabes Unidos, e representação em Nairobi - Quénia. Tal vem assim incrementar a cobertura e proximidade regional da empresa, fator crítico de sucesso para o negócio. Apesar da sua recente história, é em 2017 que ocorre o ano de


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PHARMA BAVARIA INTERNATIONAL

transformação e projeção da empresa, atingindo presença e parcerias em 47 mercados internacionais, nalguns dos quais adquire o estatuto de líder de mercado na área terapêutica da dor. Qual o posicionamento da companhia no mercado farmacêutico? A empresa tem uma visão clara de onde está e onde quer estar, o que permite caminhar em várias direções mas convergindo com um objetivo: providenciar acesso a cuidados de saúde de qualidade. Neste sentido, a empresa procura posicionar-se como o líder na prestação de medicamentos de elevada qualidade Europeia nos mercados em que se encontra ativa, isto é, África, Médio Oriente, Ásia, América Latina e países constituintes da Comunidade dos Estados Independentes. Em que áreas da saúde atuam e qual o modelo de negócio que possuem para alcançar as mesmas? A Pharma Bavaria dispõe de um portfolio de medicamentos de prescrição e não-prescrição, tendo ainda uma divisão de marcas de consumer healthcare. A empresa encontra-se atualmente ativa em oito áreas terapêuticas, nomeadamente: anti-infeciosos, oncologia, dor, gastroenterologia, cardiologia, ginecologia, anti-alérgicos e anti-gripais. O foco da organização assenta no desenvolvimento e crescimento de marcas farmacêuticas de confiança, ao momento já 40 marcas, num fabrico Europeu adstrito a 18 unidades fabris detentoras dos mais elevados padrões alemães de qualidade, que são um benchmark internacional, e, no posicionamento dos seus produtos ao nível de mercados dinâmicos e emergentes. Porquê a escolha de Portugal como um dos hubs que têm no mundo? É uma ótima questão, que frequentemente nos fazem, mas que eu entendo dever progressivamente ser vista como natural. Portugal é atualmente um dos países que agrega um dos ambientes mais atrativos para o estabelecimento de negócios, para além de competitivo em comparação direta com outras economias consolidadas a nível Europeu. Possui uma localização geoestratégica para os nossos mercados de operações, encontra-se no top 25 mundial ao nível de melhores infraestruturas logísticas, marca o top 30 mundial das melhores instituições de investigação científica e gestão, é um crescente disruptor

tecnológico, possui uma elevada especialização ao nível de recursos humanos e em particular na área da saúde, dispondo de autoridades acessíveis, competentes e de reconhecibilidade internacional. A decisão pareceu assim natural à administração da empresa. O investimento no país tem sido gradual, conduzindo a uma expansão todos os anos, na perspetiva de infraestruturas, de recursos humanos, e dos produtos introduzidos no próprio país, que se contam ao momento em 57 registos farmacêuticos, e, cuja comercialização tem aumentado a acessibilidade e inovação também no mercado português. De que forma inovam e qual o papel do marketing na inovação futura que pretendem? Desde logo, a Pharma Bavaria International providencia os mercados emergentes com a qualidade inerente ao fabrico Europeu, indo em contraciclo ao corrente paradigma da Indústria Farmacêutica. Na nossa organização, a inovação passa por produtos, posicionamento e placement. A pedra basilar é o conhecimento altamente aprofundado da realidade local e regional, o qual obrigou à construção de um rigoroso processo de seleção de novos produtos, que potencia produtos estruturalmente mais diferenciados, objetivamente mais clínicos e competitivamente mais específicos. Essa proximidade e cobertura regional permite-nos um modus operandi distintivo, com total alteração da filosofia negocial no terreno, com a instalação interna de um mindset de trabalho ajustável e despreendido de conceitos estanques de mercado, e com uma experiente cadeia de fornecimento da fábrica ao paciente. A empresa apresenta um posicionamento comercial, daí que o marketing detenha um papel crucial na estratégia de comunicação de produto e da empresa. Atendendo à diversidade política, regulamentar, cultural, religiosa e sócio-económica das regiões, o desenvolvimento da estratégia de marketing ganha particular complexidade, tendo de se projetar numa vertente estratégica de competitive intelligence e preparação de pipeline, numa vertente de adaptação e acesso - do pipeline a portfolio e do portfolio a mercado, e simultaneamente numa vertente operacional, tendencialmente mais clínica e educacional. O marketing posiciona-se assim como um dos facilitadores ao negócio, absorvendo e diluindo a pressão do mercado e, gerando valor para empresa. C

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CLÍNICA MÉDICA DENTÁRIA DA ARRÁBIDA

UMA NOVA ETAPA FESTEJADA COM SORRISOS Quase a completar 10 anos de existência, a Clínica Médica Dentária da Arrábida, terá em breve um novo estabelecimento com mais serviços, mais valências, um espaço maior e mais agradável que permitirá à médica dentista Mafalda Baptista continuar a construir o seu futuro.

18 anos de experiência e uma paixão para trabalhar com miúdos e graúdos são duas das valências desta médica. “Já tinha alguma experiência na área e achei que tinha chegado o momento certo para abrir a minha própria clínica. Foi uma ideia que foi surgindo com o tempo e cresceu aqui em Torres Novas , porque me apaixonei por esta cidade”. Com uma pós-graduação em odontopediatria, vê nos mais pequenos a sua grande paixão, no entanto, não nega que existam dificuldades de trabalhar com os mais novos. “Primeiro, é necessário ganhar confiança das crianças, saber brincar, saber conversar e estar segura daquilo que fazemos”, explica. É a pensar nos mais novos que a clínica aderiu aos cheques dentistas que têm tido um papel importante na saúde oral da população. “Serviu para alertar a população da necessidade e importância de vigiar a saúde oral e deu a possibilidade de muitas pessoas que

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não tinham capacidades poderem, agora, usufruir deste serviço de saúde”. Para além do serviço de odontopediatria, a clínica oferece todo o tipo de serviços da medicina dentária sendo que alguns são através de parcerias com empresas externas. Esses serviços que Mafalda Baptista considera serem “serviços de qualidade a um preço acessível” que atraem os clientes que voltam depois da primeira visita e que passam a mensagem a novos clientes. Quando fala de pacientes, a dentista identifica que a maior dificuldade é “lidar com o medo que algumas pessoas trazem de experiências passadas”. A saúde oral é a cada dia uma questão de relevo na população. Há uma consciencialização maior com o tema e com as questões que o abrangem. Segundo Mafalda Baptista, os principais fatores para manter o sorriso bonito são “ali-

Mafalda Baptista, médica dentista

mentação saudável, higiene oral e visitar com frequência o dentista (cerca de duas vezes por ano)”. Para além de uma procura maior pela saúde oral, há também uma preocupação estética cada vez maior. Os dentistas, tal como os ginásios e nutricionistas, sentiram este aumento de preocupação com os assuntos estéticos. Um trabalho que tem a responsabilidade de influenciar a autoestima dos pacientes. Um bom sorriso é uma porta aberta para oportunidades para enfrentar os obstáculos da vida. “As pessoas saírem daqui a sorrir e com vontade de sorrir é o que mais desejamos”, explica. A equipa da Clínica Dentária da Arrábida deixa a mensagem para “que visitem, em breve, as novas instalações, usufruam dos novos serviços e que venham aprender a sorrir sem constrangimentos”.


DESTAQUES 44 CRÉDITO AGRÍCOLA O sucesso é fruto de muito trabalho 46 EPADRV Aprender a aprender em Vagos

ESTATUTO JOVEM EMPRESÁRIO RURAL

48 MUNICÍPIO DE ALFÂNDEGA DA FÉ Em prol do Estatuto Jovem Empresário Rural 49 CASA AGRÍCOLA SOUTO PATRÍCIO “Esta é a raça ideal para a nossa empresa”

Considera que esta figura JER pode trazer maior dinâmica às regiões do interior? Portugal terá ainda jovens interessados em investir nestas regiões? A figura do Jovem Empresário Rural é uma novidade na União Europeia e deverá ser uma aposta das políticas públicas para a diversificação e geração de inovação nas atividades económicas dos territórios rurais em Portugal. É necessário encontrar modelos de financiamento integrados para a instalação e desenvolvimento de atividades com alto valor acrescentado, para atrair jovens talentos, capazes de criar novos serviços em meio rural. E dar condições para que os jovens sintam que estão envolvidos em projetos de vida que vale a pena apostar. Acreditamos que este pode ser um novo estímulo para a dinamização das regiões do interior. Miguel João de Freitas Secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural

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ARTIGO DE OPINIÃO

O

Firmino Cordeiro diretor geral da AJAP

Importa agora, após a oficialização do JER – Jovem Empresário Rural, divulgar o que pode esta figura representar, e estamos certos de que o Governo estará a trabalhar a sua regulamentação, bem como alguns apoios e medidas concretas porque se irá reger

estatuto do Jovem Empresário Rural – JER, recentemente aprovado em Conselho de Ministros (13 de dezembro de 2018), e publicado no Diário da Republica nº 9/2019, de 18 de janeiro de 2019, foi para a AJAP uma grande vitória. Vitória porque lutámos muito por estes dois momentos, que demonstram o quão importante é para a organização, a preocupação e visão que sempre tivemos com o território na sua generalidade, mas essencialmente com o espaço rural e com os territórios de baixa densidade. A Figura JER pode assumir uma importância fulcral nestas matérias. Simplesmente porque foi desenhada para mitigar os problemas do interior, inverter a diminuição da população ativa nestas regiões e fomentar o emprego, nem que seja o próprio emprego através de micro e pequenas empresas que seguramente vão surgir a partir desses novos jovens empresários inovadores e criativos que queiram assumir um verdadeiro compromisso com as zonas de interior e rurais de Portugal, e aí gerar riqueza e prosperidade. A figurar nos estatutos da organização desde 2016, passa através da publicação do decreto-lei anteriormente referido, a conferir à AJAP uma responsabilidade muito maior para com o país e com os portugueses. A AJAP saberá estar à altura das suas responsabilidades como sempre esteve, assim este e futuros Governos percebam o alcance que este passo pode significar para um país que cresce há muitos anos assimetricamente, que perde serviços públicos quase a cada

ano que passa nestas regiões, e que arde assustadoramente nos verões quentes e secos característicos do nosso clima mediterrâneo. Assim para além da defesa do setor agrícola, dos agricultores em geral e dos jovens agricultores em particular, a AJAP com esta publicação passa a estar não só mais comprometida com a agricultura, mas fundamentalmente com o espaço rural. Por um lado, com o rejuvenescimento do setor agrícola, por outro no combate à desertificação das zonas interiores e rurais de Portugal, e pela sua dinamização através do impulso que jovens inovadores e criativos podem trazer a estas regiões em diferentes setores de atividade. Importa agora, após a oficialização do JER – Jovem Empresário Rural, divulgar o que pode esta figura representar, e estamos certos de que o Governo estará a trabalhar a sua regulamentação, bem como alguns apoios e medidas concretas porque se irá reger. Os futuros e eventuais apoios vão estar na nossa perspetiva, dependentes de negociações, das diferentes pastas do elenco governativo e depois devidamente consertadas e enquadradas nos objetivos do próximo QCA – Quadro Comunitário de Apoio da UE e na programação nacional. Portugal não se pode dar ao luxo de desprezar muito mais de metade do seu país agrícola, florestal e rural, de desprezar a grande maioria dos seus agricultores, de hipotecar as gerações futuras oprimindo a dita fatia “civilizada” a menos 1/5 do seu território.

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CRÉDITO AGRÍCOLA

O SUCESSO É FRUTO DE MUITO TRABALHO É pública a decisão na reunião de Conselho de Ministros do passado dia 13 de dezembro, que aprovou o Estatuto do JER - Jovem Empresário Rural, tal como a publicação do Decreto-Lei 9/2019 de 18 de janeiro, que cria o estatuto de ‘Jovem Empresário Rural’ e define o respetivo procedimento de reconhecimento. Nesse seguimento, o presidente do Crédito Agrícola, Licínio Pina, respondeu a algumas questões sobre o tema.

S

endo o Grupo Crédito Agrícola a entidade bancária com mais presença nas zonas rurais do país, como é que vê a criação da figura JER - Jovem Empresário Rural e qual o impacto socioeconómico que pode ter a nível local e nacional? De facto, o Crédito Agrícola é o banco com maior presença geográfica e possui uma relação de proximidade muito forte com as populações locais, percebendo bem as dinâmicas económicas das regiões e os seus agentes. A criação do estatuto do JER – Jovem Empresário Rural, é na nossa opinião, um grande passo no sentido de dinamizar as regiões mais desfavorecidas e rurais do país, possibilitando a qualquer jovem que se queira fixar nas regiões e inde-

pendentemente da atividade a exercer, ser reconhecido como um verdadeiro parceiro das comunidades locais. Considera que esta figura JER pode trazer maior dinâmica às regiões do interior? Portugal terá ainda jovens interessados em investir nestas regiões? Sim, as dinâmicas económicas das regiões sairão favorecidas com a fixação dos jovens nos seus territórios e são uma verdadeira alavanca do seu crescimento. Os jovens têm um grande espírito de empreendedorismo e não deixarão de ver oportunidades onde outros apenas veem dificuldades. O Crédito Agrícola tem-se afirmado juntamente com a AJAP, na defesa e afirmação da figura JER, à qual se seguirá a sua regulamentação. Para além do Governo, quais lhe parecem ser os parceiros e entidades mais interventivas na dinamização, apoio e afirmação do seu potencial? De facto, o Crédito Agrícola tem sido um grande defensor da regulação do JER, porque pensamos e preocupamo-nos com a diminuição das assimetrias entre regiões. Um bom parceiro seria a AJAP, as Associações de Desenvolvimento Rural e as Associações Empresarias de Jovens. Está disponível o Grupo Financeiro a que preside, para criar linhas de crédito específicas para os Jovens Empresários Rurais? O Crédito Agrícola já vem há algum tempo a trabalhar soluções específicas para Jovens Empresários Rurais e pretende desenvolvê-las e ampliá-las. Queremos ser o banco pioneiro desta área de negócio. O Grupo Crédito Agrícola tem hoje perfeitamente consolidada a sua afirmação na Banca Nacional, atuando já noutras paragens, até onde pretende colocar a fasquia para os próximos anos? A internacionalização do Grupo será efetuada na medida e no tempo em que o Grupo se consolide internamente quer em termos de capitais próprios quer através de parcerias que lhe possam gerar um clima de confiança que possa aportar investimento.

Licínio Pina, presidente do Crédito Agrícola 44 | Revista Business Portugal fevereiro 2019


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EPADRV

APRENDER A APRENDER EM VAGOS Quem percorre a Estrada Florestal da Gafanha da Boa-Hora não se deixa ficar indiferente à grandiosidade da Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Vagos (EPADRV). Situada num local aprazível, inserida numa frondosa mata de pinheiros, a EPADRV configura um conjunto de modernas estruturas importantes, não só para toda a comunidade educativa que a frequenta, mas também para todo o concelho e região.

A

Escola Profissional de Agricultura de Vagos (EPAV) foi fundada a 31 de agosto de 1990. Após a construção de novas instalações, a escola transfere-se da zona urbana, sede de concelho, para a freguesia da Gafanha da Boa-Hora, localizada no noroeste do município, cobrindo uma grande faixa da beira litoral. Em maio de 2000, a escola transforma-se em Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Vagos (EPADRV) e passa a ser reconhecida como entidade pública, integrando-se na rede de estabelecimentos de ensino oficial do Ministério da Educação. Esta é considerada a primeira e principal conquista da escola. Apesar de nesta última década e meia assistirmos à proliferação da indústria, Vagos continua a ser um concelho de características agrícolas por excelência, onde predominam a horticultura, a pecuária (gado leiteiro) e a floricultura. A ligação à terra é forte e esta é, ainda, a base de sobrevivência de uma grande parte da população. Num mercado sedento de mão de obra técnica qualificada, a EPADRV oferece uma resposta ajustada de alunos formados que, conforme refere Paulo Alves, diretor da escola, “são técnicos que saem daqui e sabem fazer”. A empregabilidade para estes jovens ronda os 100 por cento em áreas como a Manutenção Industrial, a Agropecuária ou a Restauração. “Há até alunos que

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encontraram trabalho em hotéis conceituados, com estrelas Michelin”, conta o diretor. Este revela-se um importante fator após a consagração do estatuto de Jovem Empresário Rural, que pretende fomentar benefícios e apoios a conceder a jovens que se queiram instalar em espaços rurais, designadamente em territórios do interior. O Polo de Restauração da EPADRV continua a ser a grande rampa de lançamento destes alunos para o mercado de trabalho. São servidos cerca de 30 almoços diários, com ementas confecionadas pela equipa, que vão da gastronomia típica regional à cozinha nacional e internacional. Da oferta formativa fazem ainda parte o curso técnico de Gestão Equina, onde se organizam concursos de saltos federados que contam com a participação de cavaleiros de renome nacional e internacional, e os alunos que não evitam esforços para que nada falhe, para além dos Cursos de Educação e Formação (CEF) de Serralharia Civil e Tratamento/Desbaste de Equinos.

Viagem ao Espaço A EPADRV está atualmente a desenvolver um projeto piloto no curso de Manutenção Industrial: a construção de vários foguetões com diferentes tipos de materiais, envolvendo todas as disciplinas, conforme explica Ana Madalena, vice-presidente da EPADRV: “é um projeto interdisciplinar que está a


EPADRV começar na turma de 10º ano deste curso e envolve todas as disciplinas, sendo que todas estão a trabalhar os seus conteúdos programáticos no projeto de construção do foguetão. Nem Educação Física escapa, os conteúdos programáticos estão também a ser adaptados à preparação física que o astronauta precisa para estar dentro de um foguetão para poder fazer uma viagem ao Espaço”. O projeto visa melhorar as competências científicas e dar uma nova visibilidade ao curso, que contém ainda um Clube de CNC (Controlo Numérico Computorizado) a funcionar anualmente, levando alunos a concursos nacionais para os preparar para um futuro melhor. “É um curso que está em crescendo e no qual nós queremos apostar por estarmos bem equipados, por ter uma dinâmica muito forte e um futuro de grande empregabilidade”, refere ainda.

Uma Escola para o Mundo Numa escola próxima da zona costeira e que ocupa já uma área de 10 hectares, doados pela Câmara Municipal de Vagos, fazem parte alunos não apenas de Portugal, mas também de outros cantos do mundo

como Guiné, São Tomé e Príncipe ou Angola. “São alunos que têm cá familiares e como nós temos a facilidade de ter uma residência, eles contactam-nos”, diz Paulo Alves. São já cerca de 100 alunos residentes num total de 250 alunos. Para os mais velhos há também aqui vida, com o projeto ‘+ Vida’, a ser dinamizado pela secção do empreendedorismo e distinguido pela Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional do Centro por ser uma boa prática de envelhecimento saudável. “Foi um projeto de boas práticas que nós dinamizamos, tal como temos outros paralelos com crianças. O projeto sénior é uma mais-valia e pretendemos dar-lhe continuidade”, conta Ana Madalena. Promover o desenvolvimento integral dos alunos através da maximização das potencialidades educativas/formativas; desenvolver um conjunto de aprendizagens em diferentes áreas que visem a aquisição de aptidões básicas de comunicação e aprendizagem; potenciar o desenvolvimento intelectual, a autorrealização, o bem-estar físico e emocional, a criatividade e educação artística, afirmando-se como um espaço onde se vive, aprende, constrói e se prepara para a vida; fomentar atividades de caráter cultural e artísti-

co que se diferenciem na região; incrementar nos alunos novas experiências e vivências em território nacional e internacional. Estes são alguns dos alicerces sob os quais a EPADRV se sedimenta. Paulo Alves assegura fazer valer a sua missão pelas gerações estudantis vindouras: “criar gosto pela atividade que escolheram para que possam aplicar lá fora aquilo que foram aprendendo. O que estamos aqui a fazer é a ensiná-los a aprender a aprender, ou seja, têm que ir aprendendo ao longo da vida; aquilo que nós ensinamos hoje pode mudar amanhã, mas os alunos têm de estar de mente aberta para perceber o que está ao lado deles e reagirem com antecipação, acompanhando a evolução do mundo lá fora”.

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MUNICÍPIO DE ALFÂNDEGA DA FÉ

EM PROL DO ESTATUTO JOVEM EMPRESÁRIO RURAL Atenta ao aparecimento desta figura única nos contextos nacional e europeu, a autarquia alfandeguense vê no Estatuto do Jovem Empresário Rural uma oportunidade de serem criadas melhores condições para o desenvolvimento socioeconómico dos territórios do interior. Eduardo Tavares, vice-presidente do Município de Alfândega da Fé, revela em entrevista o potencial desta figura para o concelho de Alfândega da Fé. Conversámos com Eduardo Tavares, vice-presidente da Câmara Municipal de Alfândega da Fé.

C

omo é que a autarquia vê a criação da figura Jovem Empresário Rural e qual impacto socioeconómico que pode ter a nível local? Para a autarquia, a criação desta figura faz todo o sentido e justifica-se plenamente no nosso contexto geográfico e socioeconómico. Efetivamente, para além da agricultura, é preciso apoiar e estimular outras atividades no meio rural, pois a agricultura per si não resolve o problema da demografia e do desenvolvimento económico, pois são precisas atividades complementares e de suporte para haver sustentabilidade. Pequenas empresas de serviços, comércios, restauração, turismo e pequenas agroindústrias dão vitalidade aos nossos territórios e queremos que todos os jovens que se proponham a estabelecer nos nossos meios, seja em que atividade for, possam usufruir de incentivos e ajudas para o fazer.

regadios do concelho, assim como a criação de novos perímetros para tornar o investimento na agricultura mais atrativo e rentável; parceria com uma incubadora de empresas, a BLC3, para a criação de empresas constituídas por jovens licenciados, processo que está em curso; regularização extraordinária de vínculos precários, através de medida específica para o efeito. Foram criados 43 postos de trabalho, na maioria para jovens do concelho. No concelho de Alfândega da Fé vão ser investidos cerca de 25 milhões de euros em regadio. Estes investimentos podem ser um fator de atratividade para a instalação de Jovens Empresários Rurais no concelho? Sem dúvida alguma. Este investimento prevê, a curto prazo, duplicar a área regada no concelho, passando dos atuais 1.000ha para os 2.000ha. A dinamização de novas atividades, nomeadamente em culturas mais exigentes em água, normalmente mais produtivas e rentáveis, podem ganhar mais destaque e importância no concelho, como é o caso da fruticultura, hortícolas e pequenos frutos. O aumento de produção nas principais atividades, como é o caso do azeite e frutos secos, vai ter um impacto económico importante que pode estimular ainda mais

Que medidas têm sido desenvolvidas pelo município para fomentar a criação de emprego e o empreendedorismo jovem no concelho? O Município de Alfândega da Fé tem executado várias medidas de apoio para a dinamização do emprego jovem, das quais destaco as seguintes: reabilitação e modernização dos principais 48 | Revista Business Portugal fevereiro 2019

Eduardo Tavares, vice-presidente

a fixação de jovens casais na agricultura. É isso que esperamos e começa a acontecer. Que outros fatores de atratividade existem no concelho de Alfândega da Fé? Existem atividades muito importantes e estratégicas no concelho que são todas aquelas ligadas às forças do território, como o turismo, a paisagem e natureza, a gastronomia, a caça e pesca e os desportos de recreação, natureza e náuticos. Alfândega da Fé possui uma localização geográfica privilegiada pois está situada junto a uma das principais vias do distrito, o IC5, com ligação à A4 e ao IP2. A zona industrial oferece assim facilidade e rapidez nos acessos e boas condições para quem aqui queira desenvolver um negócio. O regulamento de loteamento foi recentemente alterado tendo em conta a necessidade de criar atrativos para fomentar o desenvolvimento do tecido económico local, passando a prever um total de 61 lotes, com as devidas infra estruturas urbanísticas. O novo regulamento estabelece também condições favoráveis na aquisição de lotes para as indústrias que criem mais de 20 postos de trabalho no concelho. Para além disso, os investidores que aqui queiram estabelecer ou expandir os seus negócios, podem beneficiar de um conjunto de incentivos, nomeadamente apoio no licenciamento, formação ou realização de candidaturas a fundos comunitários, que visam facilitar a fixação de novas empresas no concelho. Com a criação desta figura de Jovem Empresário Rural, os jovens de Alfândega da Fé ou outros que aqui se queiram estabelecer, podem, assim, beneficiar de vários incentivos.


CASA AGRÍCOLA SOUTO PATRÍCIO

“ESTA É A RAÇA IDEAL PARA A NOSSA EMPRESA” Situada em plena província alentejana (Évora), a Casa Agrícola Souto Patrício produz uma das raças com mais notoriedade no mercado: os bovinos limousine. Os sócios-gerentes António e Gonçalo Souto Patrício pretendem dedicar-se a 100 por cento a este negócio que visa expandir uma raça com qualidades únicas, notórias e rentáveis.

A

pós herdarem algumas terras alentejanas, António e Gonçalo embarcaram na aventura de criarem a marca Casa Agrícola Souto Patrício. Começaram por ter bovinos cruzados (sem raça definida), mas rapidamente perceberam que esse não seria o melhor caminho. “Cada vez mais na Europa temos de produzir melhor e com maior valor final e é isso que faz a diferença. Então, decidimos apostar na raça limousine e investir em animais puros”, afirma António Souto Patrício.

Raça Limousine Com 80 animais, a Casa Agrícola apenas cria animais para reprodução, ou seja, produz “machos e fêmeas para as outras manadas melhorarem os efetivos deles”. Questionado sobre as grandes particularidades e características desta raça, António explica-nos que a raça limousine é bastante dócil, rústica e de extensivo (pode circular ao ar livre e comer erva e pasto). Apresenta vantagens como a baixa manutenção (não é necessário ajudar as vacas a terem os bezerros, têm-nos naturalmente) e ainda conseguem ter uma rentabilidade elevada naquela que é “considerada uma das melhores raças do mundo”. Isto significa que num touro de mil quilos conseguem tirar um rendimento de 65 por cento, ou seja, para obterem um elevado volume de carne não precisam de abater tantos animais. A Casa Agrícola trabalha, essencialmente, com criadores de animais cruzados para abate desde a zona de Elvas, Vendas Novas até Beja.

Etapa a etapa até à comercialização Desde o momento em que nascem, os bovinos são mantidos perto da mãe até aos sete meses. Ao ser retirado da mãe, o animal é colocado em lotes de fêmeas ou machos, separadamente, “e são criados em cercas independentes até aos 18 meses”. Nessa altura, são vendidos aos criadores.

Associação Portuguesa de Criadores de Bovinos de Raça Limousine Sendo a Casa Agrícola Souto Patrício uma

fazer essa instalação e, aí, dava-se apoio”. Incentivos para a produção não faltam. Existe sim, a problemática da terra (que “é realmente cara”) aliada ao facto de as terras serem propriedades privadas. A solução poderia passar por “definir penalizações a quem não produz e incentivar quem tem terras improdutivas a abrir mão delas”.

António e huphin

Desafios para 2019

Gonçalo e icare

das associadas desta instituição, considera fundamental o papel que a Associação desenvolve para a comunidade de criadores. “Só através da Associação e dos técnicos especializados conseguimos ter uma ajuda para definirmos quais são os melhores animais para manter”, explica o nosso interlocutor. Acrescenta ainda que é feito um controlo do nascimento, da pesagem, do desenvolvimento do animal, ou seja, é feita uma avaliação da sua morfologia para definirem quais são os que nascem com defeitos, quais os que têm melhores aprumos e até mesmo melhor percentagem de carne da carcaça. “É feito todo um trabalho importante do melhoramento e da raça e, nesse aspeto, a Associação está a trabalhar muito bem, porque fazem um acompanhamento constante e estão sempre perto dos criadores”, salienta.

Estatuto ‘Jovem Empresário Rural’ Recentemente foi aprovado o estatuto ‘Jovem Empresário Rural’, um incentivo aos mais jovens para abraçarem este setor. O nosso interlocutor realça a importância deste estatuto, visto que também é indispensável definir a forma como se incentiva. Sublinha ainda que “o mais justo seria o apoio à produção, isto é, fazer sim um adiantamento de ajudas para a instalação, mas futuramente dar-se o prazo de três/quatro anos para se

SELECCION

O ano agrícola, iniciado em setembro, começou da melhor forma com a presença da chuva. O mesmo não aconteceu em dezembro, o que faz com que estejam a enfrentar o problema da seca. Para combater a seca tem de haver uma aposta no regadio com pivots e sistemas de rega. Ainda assim, e para quem não tem regadio, podem optar por pastagens de sequeiro, “a única forma de combater a seca”. No caso particular da Casa Agrícola estão a instalar um pivot de rega, mas o sócio-gerente realça que existe um contratempo: o acesso à água. “Algo a pensar seria ligar as barragens umas às outras e criar ramificações dessas barragens, o que permite dar acesso às pessoas de terem água para poderem desenvolver uma agricultura de século XXI”, refere. As perspetivas refletem-se na esperança de que a primavera seja melhor, uma vez que “é ela que dita tudo”. António não esconde a apreensão que existe em relação à União Europeia devido à situação que se vive no Reino Unido. “Veremos o que virá em termos de apoios. Infelizmente, a agricultura europeia não pode viver sem apoios”, finaliza. USINE ADOR LIMO

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DESTAQUES 51 ANTP Espírito associativo e cooperação 52 PORTOCARGO “Arquitetamos soluções logísticas Globais” 54 APAT 45 anos de história 56 MOLDTRANS A empresa que o leva mais longe 58 JTM Uma empresa movida pela excelência dos seus serviços

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TRANSITÁRIOS, TRANSPORTES E LOGÍSTICA Os transitários têm diversas áreas de atuação laboral. Vão desde empresas a pessoas particulares e conferem uma função primordial no mercado globalizado do comércio e transporte a nível mundial. Sem o trabalho destes profissionais, seria difícil assegurar todo o tipo de cargas, uma vez que é essencial que cheguem ao destino nas melhores condições. Exemplo disso é a verificação da mercadoria e a mediação de vários problemas relacionados com o transporte. Classificado como um mediador entre o exportador ou importador e as empresas de logística, os transitários têm um papel fundamental na economia. São os intermediários em várias operações de transporte nacional e internacional em diferentes modos de transporte. Este pode classificar-se como marítimo, fluvial, aéreo, ferroviário, rodoviário e multimodal. A responsabilidade pelas operações administrativas está também inerente às funções de um transitário que podem ir desde os procedimentos aduaneiros, gestão financeira, contratos de seguro e representação fiscal. Tal como todos os setores de atividade, os transitários debatem-se com a necessidade de melhorar as infraestruturas. Mas não só. O mundo digital está a implementar-se cada vez mais neste meio. As tecnologias de informação mostram ser um ponto importante para expandir os mercados de atuação para que os empresários possam adaptar-se às novas exigências do mercado e da própria tecnologia. Nesta edição desvendamos algumas empresas e associações para que fique a conhecer melhor o papel de um transitário e respetivos desafios.


ANTP

ESPÍRITO ASSOCIATIVO E COOPERAÇÃO A Associação Nacional das Transportadoras Portuguesas - ANTP representa um setor vital na economia portuguesa, refletido nos cinco por cento do PIB, “mas ainda não ocupa o lugar cimeiro na definição laboral e regulamentação que esta área de atividade merece”. Quem o afirma é Márcio Lopes, presidente da ANTP em entrevista à Revista Business Portugal.

A

ANTP – Associação Nacional das Transportadoras Portuguesas surge em 2008 pela necessidade de “dar voz às micro, médias e pequenas empresas”. Os primeiros anos foram “um pouco atribulados e estou certo que direção deu o seu melhor a favor dos associados”. Márcio Lopes entrou para a ANTP como associado em 2009, e em 2012 foi convidado para presidir o conselho fiscal, até que, em 2014 “senti a necessidade de apresentar a minha candidatura para liderar a ANTP e, com a minha equipa, manter a existência desta associação que se encontrava sem visibilidade exterior e moribunda”. Desde que assumiu a presidência da

ANTP que o número de sócios passou de 70 para 270, refletindo o peso que a associação tem junto dos seus associados. “A ANTP passou a ser reconhecida e ouvida pelo governo, pelos parceiros sociais e pelas grandes empresas do setor. Não foi um trabalho fácil e está longe de estar terminado, mas eu e a minha equipa estamos empenhados em tornar a ANTP numa das associações com mais peso no seu setor de atividade”. Para o ano de 2019, o presidente da ANTP, aponta a “sedimentação da atividade e da sua regulamentação fazendo uso do poder que a associação veio a ganhar nos últimos anos”. Parceiros da Exposalão, “iremos promover a Expotransporte, que decorrerá em março deste ano, altura em que comemoraremos os 11 anos

Márcio Lopes, presidente

de existência da ANTP e realizaremos o nosso segundo seminário durante esse evento”. Outro objetivo que Márcio Lopes aponta será o de “triar os novos associados tendo em conta que terão de estar em sintonia com os nossos objetivos: promover o espírito associativo, união e cooperação. Só desta forma podemos ter uma ANTP coesa exigindo melhores condições de trabalho e regulamentação”, conclui Márcio Lopes, presidente da ANTP.

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PORTOCARGO

“ARQUITETAMOS SOLUÇÕES LOGÍSTICAS GLOBAIS” A PORTOCARGO é uma empresa vocacionada para projetar, coordenar e executar todos os serviços relacionados com o transporte internacional de mercadorias por terra, mar ou ar. A capacidade de moldar uma solução perante as necessidades de cada setor e de cada cliente tem permitido à empresa um crescimento contínuo. Mário de Sousa, presidente do conselho de administração, falou sobre o passado e o futuro de uma empresa, que é, no presente, uma referência.

C

riada em 1990, a PORTOCARGO viu-se desde a sua génese marcada pela diferença e pela excelência. Situada na posição de oferecer novas condições ao mercado português, foi na importação de mercadorias do extremo oriente que começou por delinear o caminho do sucesso. No início da década de 90 a PORTOCARGO entendeu que o mercado chinês oferecia uma oportunidade ao setor de transitários. A relevância do Far East, nomeadamente da China, era cada vez mais valorosa para o mercado europeu e português e, por isso, criavam-se condições para a existência de uma empresa que organizasse de forma eficiente transportes de mercadorias entre estes Continentes. “Na altura importar da China era uma realidade quase impensável porque ninguém se atrevia a fazê-lo através de ligações diretas. Havia uma atividade comercial e financeira em Hong Kong e Taiwan, por onde transitavam as mercadorias, porque as fábricas Chinesas não podiam fazer exportação direta sem passar pelas ‘Corporações’ e o país ainda se encontrava na fase inicial do processo de abertura ao exterior. Os processos burocráticos eram muito demorados e havia por isso uma série de barreiras que inflacionava os produtos.”, começa por contar Mário de Sousa, os primeiros passos da PORTOCARGO. “Na época, as empresas transitárias estavam muito orientadas para trabalhar com o mercado Europeu, o enfoque da empresa noutros mercados deu-nos uma oportunidade de crescermos e sermos uma mais-valia para os Importadores Portugueses. Em 1992 iniciamos o transporte de mercadorias diretamente da República Popular da China, em vez de o fazer a partir de outros Entrepostos Comerciais. Fomos os pioneiros a entrar na R. P. China, demonstrando rapidamente aos nossos clientes importadores que podiam encurtar distâncias entre as fábricas e Portugal, garantindo que as mercadorias, sem os riscos e os custos dos transbordos e de intermediação cá chegavam em condições, que, ao encurtar prazos, diminuíam custos e melhoravam resultados.”, prosseguiu. Paralelamente, para garantir o grau de eficiência e os resulta-

dos das Operações Técnicas e Aduaneiras, logo no ano do início da atividade, a empresa criou uma estrutura em Roterdão que rapidamente passou a fazer parte integrante (e uma das razões do imediato sucesso) que culminou com a distinção atribuída na Holanda, com a entrega pela Comunidade Europeia da “primeira Licença de Importação Europeia”. Também na linha da frente relativamente a certificações, a PORTOCARGO foi a primeira empresa transitária portuguesa a receber a certificação ISO 9000.

Serviço personalizado Mais do que a garantia de transporte de mercadorias, hoje, a PORTOCARGO assume-se como uma empresa capaz de arquitetar qualquer tipo de soluções, seja através da via terrestre, aérea, marítima, ou multimodal. “Um transitário não é apenas um operador de transporte mas sim um arquiteto logístico que tem de construir soluções em função das necessidades de cada cliente, do tipo de mercadoria, tempo e custos, desde que a mercadoria sai da fábrica até à chegada ao local designado pelos clientes, independentemente do conjunto dos serviços a prestar. A mais valia de uma empresa Transitária/ Logística passa por isso mesmo, apresentar uma solução global e adequada. Há uma panóplia de serviços para garantir aquilo que cada cliente pretende para transportar sua carga.”, salientou Mário de Sousa. Compreender os requisitos de cada mercadoria e cada cliente/parceiro, é o ponto de partida e um dos fatores diferenciadores da PORTOCARGO. Apenas a contínua compreensão de cada negócio permite oferecer um serviço de excelência, adequando soluções globais às suas necessidades específicas. “Conseguimos ajustar a nossa atuação mediante a necessidade dos clientes. Temos a capacidade de trabalhar com uma multinacional ou com uma pequena empresa. Para isso, temos Técnicos credenciados que na sua actividade diária constroem soluções e executam tarefas que criam valor acrescentado. Hoje trabalhamos com países de todos os continentes e

Compreender os requisitos de cada mercadoria e cada cliente/parceiro, é o ponto de partida e um dos fatores diferenciadores da PORTOCARGO

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PORTOCARGO

Mário de Sousa, presidente do conselho de administração

para isso temos de ter técnicos capazes de perceber as diferentes realidades de cada origem e/ ou destino de cada transporte, ou solução global.”. Para além de uma solução criada à medida das necessidades de cada cliente, outro serviço oferecido pela PORTOCARGO é a realização (opcional) de um seguro de transporte com uma cobertura de riscos globais, desde a fábrica até ao domicílio final. “Temos um serviço de consultoria técnico importantíssimo, é por isso que o cliente faz tudo connosco. Nesse serviço aconselhamos o nosso cliente a não transportar mercadorias sem seguros abrangentes, porque os acidentes podem acontecer a qualquer hora ou em qualquer lugar onde as mercadorias se encontrem. O nosso seguro de responsabilidade civil é um seguro que abrange todas as nossas actividades e que cobre os riscos da nossa actividade, desde erros imputáveis aos nossos colaboradores, às operações por nós desenvolvidas ou coordenadas, desde as operações com manuseamento das mercadorias em armazém, até ao limite de responsabilidade civil imputáveis às companhias aéreas, marítimas ou terrestres por nós subcontratadas”, referiu Mário de Sousa.

Inovar para crescer Encarar cada cliente como parceiro de negócio é parte da visão empresarial assumida pela PORTOCARGO. Ou seja, a empresa partilha o crescimento e o sucesso com todos os clientes, oferecendo um serviço indispensável a qualquer economia, a um custo competitivo em função dos serviços prestados. “O cliente tem muito mais a ganhar encontrando uma empresa especializada

no serviço de transportes. Queremos ajudar os nossos clientes a serem competitivos, construindo soluções adequadas, rentáveis e lucrativas”. Nesse sentido, a PORTOCARGO tem vindo a desenvolver um produto tecnológico para a gestão das mercadorias em todas as fases, garantindo a acessibilidade e visibilidade imediata em cada fase da cadeia logística que cada cliente/ parceiro necessita, independentemente do local, dos meios utilizados ou da actividade em que se encontre inserido. “Isso vai-lhe permitir que se concentre na sua atividade central e que rentabilize a sua equipa, o seu espaço e o seu negócio”, revelou Mário de Sousa. A implementação das novas ferramentas tecnológicas, ajustáveis às necessidades e exigências de cada sector da economia, será a alavanca que catapultará a Portocargo para novos negócios, fazendo com que o transporte seja apenas um elo da corrente na “Gestão da Cadeia Logística”. É com base na aposta na tecnologia, que a PORTOCARGO prepara um futuro que prossiga os sucessos alcançados no passado. Porém, numa visão mais ampla sobre o mercado português, Mário de Sousa alertou para a necessidade de uma maior e sincronizada coesão das empresas portuguesas, de forma a criar valor no PIB Nacional que conduza Portugal ao sucesso. Para concluir, Mário de Sousa referiu que, a exemplo das Empresas, também as Associações Empresariais do sector terão de se “reorganizar” de forma a representar transversalmente o negócio da “Gestão da Cadeia Logística”, em substituição de “pequenas capelas” que, pouco representando, em nada contribuem para a coesão, o estudo, o desenvolvimento e a modernização das actividades Logísticas.

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APAT

45 ANOS DE HISTÓRIA A Revista Business Portugal esteve à conversa com António Nabo Martins (presidente- executivo) e Olga Almeida Matos (responsável de marketing) para conhecer a história da Associação dos Transitários de Portugal (APAT), os desafios que enfrentam e quais os planos para o futuro.

F

undada em 1974, após o 25 de abril, vem substituir o Grémio Nacional dos Agentes Transitários. Naquela altura, algumas empresas abraçaram um projeto que conta já com cerca de 260 associados, empresas transitárias especializadas nos diversos meios de transporte (aéreo, marítimo, terrestre e ferroviário). Na sua história, não podem ser esquecidas vitórias como o reconhecimento legal da atividade, que goza de estatuto jurídico próprio, uma vitória histórica no Tribunal Europeu e o desafio da liberalização com a intervenção externa em Portugal. Sempre na defesa da dignificação do setor. Foi em outubro de 2018 que António Nabo Martins abraçou este novo cargo depois de acompanhar a Associação ao longo dos últimos oito anos, como formador e palestrante nas áreas da temática de intermodalidade e multimodalidade. “Hoje, olho para todos os meios de transporte e continuo a achar que o caminho é este onde os meios de transporte colaboram entre si, mas também competem entre si”, afirma. O sentimento é de felicidade pelo reconhecimento do seu trabalho.

As principais vantagens dos associados São vários os serviços que a associação presta aos seus associados. O objetivo é estar ao lado dos associados, acompanhar as dinâmicas internacionais e assumir, em representação dos associados, a dianteira da evolução mundial no mercado dos transitários e da logística em geral. É prestado acompanhamento jurídico, com um departamento para ajudar os associados a solucionar problemas relativos à legislação aplicável à atividade. A comunicação é também muito valorizada e existe já uma forte presença no mundo digital, com destaque para um novo site que, desde o final do ano passado, permite aceder às informações sobre os associados com base nos pontos de origem e destino pretendidos para o transporte. A associação promove ainda a organização de um congresso anual, que em 2019 (17.º Congresso), se realizará em outubro. Outro ponto forte é, sem dúvida, a formação profissional. A APAT, como entidade formadora certificada, tem uma oferta vasta no que toca à formação profissional em diversas áreas como “aduaneira, transitária, comportamental, comunicação digital, transporte de matérias perigosas, transporte aéreo, multimodalidade, entre outros”, serviço este que no ano de 2018 captou mais de 500 pessoas. Os mais jovens são também uma das preocupações do presidente-executivo que planeia sensibilizar as universidades e institutos técnicos para a importância da formação específica nesta área dos transportes e da atividade transitária, para que após o curso os alunos estejam mais preparados 54 | Revista Business Portugal fevereiro 2019

António Nabo Martins, presidente-executivo

para o desempenho de funções tão especializadas como aquelas que terão que desempenhar nas empresas transitárias. “Sente-se uma dificuldade grande de encontrar jovens formados na área e nesse aspeto gostávamos de continuar a fazer protocolos com entidades dos vários níveis de ensino”. Este trabalho já começou em Lisboa e estamos agora a procurar no Porto.

Portugal e as grandes cidades Em Portugal, lamenta o presidente-executivo, os processos de logística e transporte não se encontram articulados de uma forma global, faltando uma estratégia nacional em termos de infraestruturas, o que leva a que “quando existam problemas, por mais pequenos que sejam, estes acabem por se tornar um grande problema”. A questão do Porto de Lisboa e de Setúbal foi um bom exemplo desta afirmação: o país não tinha um plano de contingência, o que levou a que a atuação numa situação de verdadeira emergência tivesse aumentado os custos e as horas de trabalho porque “o nosso país não tem uma capacidade logística que permita resolver estas situações de forma sustentável e rápida”. Apesar de terem associados espalhados por todo o território nacional é nas grandes cidades, Porto e Lisboa, que estão concentrados. “É sempre uma mais-valia estar nos grandes centros porque é através deles que as cargas chegam e vão. Assim, vão encontrar os transitários sempre em locais estratégicos, junto aos pontos de entrada e saída das cargas, porque trabalham essencialmente o mercado internacional”. A nível legislativo lembram tempos mais difíceis do que os atuais e refere que atualmente os grandes problemas “estão relacionados com a cadeia logística global”. Para acompanhar a evolução é necessário que Portugal tenha melhores infraestruturas e acessibilidades.

Projetos para o futuro Apontam que o sucesso futuro reside nas boas relações da associação com os seus associados, na criação de um espaço de partilha e troca de ideias, numa forte presença nos Fóruns Internacionais e no reforço do papel do Transitário como um especialista de transportes e o parceiro indispensável a qualquer empresa que pretenda ter sucesso no mercado cada vez mais globalizado. “Para isso contamos com o contributo inestimável de todos os associados”. Faz também parte dos projetos chegar aos Países de Língua Oficial Portuguesa, onde alguns dos associados já tem grande volume de negócios “Daqui a uns anos, imagino a APAT ainda melhor do que está hoje. Mais ouvida e mais participativa nas decisões governativas e legislativas. Mais dinâmica e sempre próxima dos associados. Para isso acontecer, pedimos aos nossos associados que trabalhem connosco e acreditem em nós”.


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MOLDTRANS

www.moldtrans.pt

A EMPRESA QUE O LEVA MAIS LONGE Nascida no seio do Grupo Moldtrans, a Moldtrans Porto é já uma referência nacional no transporte internacional de mercadorias. Para conhecer melhor este projeto estivemos à conversa com Luís Paupério, sócio-gerente da Moldtrans Porto, que em entrevista revelou o trabalho desenvolvido pela empresa, avaliou o mercado e perspetivou o futuro.

A

história do Grupo Moldtrans começou a ser escrita há 40 anos. Fundada em 1979 por Marcelino Moldes, em Espanha, a empresa surge em Portugal, no início da década de 90, através da empresa Bergareche Ruiz Portugal. Em 2010 parte do capital da Bergareche Ruiz Portugal é adquirido pela família Moldes, acabando mais tarde, em 2014, por adquirir a designação que atualmente possui.

Oferta de soluções de transporte Assumindo um papel de liderança no setor logístico português, a Moldtrans Porto assume-se como um transitário, essencialmente dedicado ao transporte terrestre internacional, oferecendo serviços diretos de transporte nas suas modalidades de grupagem e carga completa. Mais recentemente, e no âmbito de prestar um serviço mais completo, o grupo tem apostado nas vertentes marítima, aérea e ferroviária. “Estamos a deixar de ser um transitário essencialmente terrestre para nos dedicarmos, de uma forma geral, aos outros meios de transporte”, afirma Luís Paupério. A aposta tem gerado bons frutos e o interlocutor acredita que “há sempre espaço no mercado” para crescer. A gama de serviços, disponibilizados pela Moldtrans Porto, é vasta, uma vez que, para além dos serviços de transporte, assegura ainda serviços alfandegários. “Aqui em Portugal, dedicamo-nos, fundamentalmente, ao transporte através dos quatro meios que

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Luís Paupério, sócio-gerente

existem e temos ainda a componente aduaneira, como operação complementar, quando necessária”, conta Luís Paupério, que assume que tudo é feito com um simples objetivo: “proporcionar soluções profissionais e personalizadas na área do transporte internacional de mercadorias e da logística”.

Ampla cobertura Com uma estrutura logística que abrange toda a Península Ibérica, o grupo Moldtrans consegue fazer chegar os seus serviços a qualquer parte do mundo.


MOLDTRANS

No entanto, Luís Paupério reconhece que Espanha continua a constituir o principal nicho de mercado da Moldtrans Porto, afigurando-se para a empresa “o principal cliente e fornecedor”. De forma a garantir um serviço mais completo e de proximidade, a Moldtrans Porto conta com parceiros de trabalho espalhados pelo país. “A Moldtrans Porto tem um ‘braço’ em Águeda, onde temos uma parceria com a Palletways, uma empresa bastante reconhecida e que tem um representante no norte, outro no sul e nós somos o seu representante no centro”, assume, com satisfação, Luís Paupério. A experiência que decorre há aproximadamente um ano está, nas palavras do entrevistado, a “correr dentro do previsto e tem, de alguma forma, alargado o nome Moldtrans à zona centro do país”. A zona sul não foi esquecida e Luís Paupério confessa que “existe uma outra empresa, da qual sou gerente, na Póvoa de Santa Iria para servir aquilo que é a parte sul do país”. Para além disso, e sendo esta a sua principal esfera de influência, a empresa possui várias plataformas em território espanhol. “Temos também plataformas em Sevilha, Madrid, Barcelona, Valência, Irún, entre outros”, afirma o entrevistado que acrescenta ainda que a empresa tem já “um colaborador em Bilbao”, esperando que, a curto prazo, surja a oportunidade de “abrir uma casa própria ou ter um colaborador na zona da Galiza”.

Serviços adaptados às necessidades da sua empresa A base do sucesso tem sido pautada pela relação que estabelecem com os clientes e Luís Paupério orgulha-se ao afirmar que “tentamos sempre fazer um ‘fato à medida do cliente’. Assim, a Moldtrans Porto procura adaptar-se, em permanência, às necessidades e exigências de cada cliente e negócio, trabalhando na procura de uma resposta eficaz e satisfatória. “Nós transportamos o que, vulgarmente, se designa por mercadoria convencional. No entanto, se for preciso um transporte de temperatura controlada, também o podemos subcontratar e fazê-lo. Se necessário uma carga de projeto também estamos à altura e legalmente habilitados para isso”, afirma Luís Paupério que assume que “quando nos aparece um desafio, procuramos sempre encontrar uma solução adequada às necessidades do cliente”.

Luís Paupério assume que “temos sempre muito cuidado com a questão ambiental”. Sendo uma empresa certificada, a Moldtrans Porto desenvolve várias ações tendo por objetivo final devolver à sociedade os recursos utilizados. A questão da responsabilidade social também não é desconsiderada pela empresa que, no decorrer do último ano, conjuntamente com a Moldtrans Lisboa, apoiou diversas instituições de solidariedade social. “Em 2018, o dinheiro que seria gasto em ofertas aos nossos clientes, foi canalizado para instituições de solidariedade social. Em dezembro de 2018, apoiámos três causas em Espanha e uma em Portugal, a Associação A Casa do Caminho”, ressalva o interlocutor, que assume que esta é uma preocupação não apenas da Moldtrans Porto, mas de todo o grupo. “Em matéria de apoio social, dentro daquilo que são as nossas possibilidades, temos algum cuidado”.

“Consolidar e crescer” Quando questionado, em entrevista à Revista Business Portugal, sobre os projetos em vista para o futuro, Luís Paupério especifica que, acima de tudo, a empresa pretende “consolidar e crescer”. No entanto, não esconde o desejo de concretizar o projeto previsto para a zona da Galiza, bem como o de solidificar “o negócio com a Turquia”. A aposta no melhoramento contínuo e na inovação também estão na lista de intenções da empresa, mas Luís Paupério não deixa de reforçar que “mais do que projetos novos, queremos cimentar o que temos”. O entrevistado não termina a conversa sem referir que espera, no futuro, ver uma “Moldtrans mais madura e mais crescida”.

“Temos desafios diários” À semelhança da grande maioria das áreas de atividade, também a dos transitários enfrenta desafios diários que têm impacto direto no funcionamento harmonioso do setor. “Diria que temos desafios diários. Por um lado, tentamos melhorar a prestação de serviços, por outro lado as coisas nem sempre correm como pretendemos ou como o cliente pretende e temos que procurar responder de uma forma ágil de maneira a tentar resolver o problema”, admite o sócio-gerente da Moldtrans Porto. O aumento dos combustíveis constituiu, para uma empresa sem frota própria como a Moldtrans Porto, uma das principais dificuldades a enfrentar. “Sem termos frota própria, sentimos sempre aquilo que é o aumento dos combustíveis, das portagens rodoviárias ou a volatilização do preço no transporte marítimo, que muitas vezes nos traz uma dificuldade acrescida”.

Uma empresa social e ambientalmente responsável Consciente do impacto que a atividade tem no meio ambiente,

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JTM

UMA EMPRESA MOVIDA PELA EXCELÊNCIA DOS SEUS SERVIÇOS Carlos Magalhães e João Val são os rostos por detrás deste projeto e foi com eles que a Revista Business Portugal esteve à conversa, para compreender um pouco a empresa e o mercado em que se insere. a traçar o seu caminho e a crescer além-fronteiras. Com uma oferta diversificada de serviços, a JTM afigura-se como seu parceiro ideal, dando resposta às suas necessidades de forma empenhada e experiente. Especializada em transporte aéreo, terrestre e marítimo, a JTM destaca-se pela sua reconhecida experiência no mercado ibérico, oferecendo, em permanência, diversificadas soluções de transporte e manuseamento aos seus clientes e parceiros. Apesar de assumirem em conjunto as rédeas da empresa, Carlos Magalhães está mais ligado ao transporte aéreo. Engenheiro aeronáutico de formação académica, é aqui que se sente como um ‘peixe na água’ e para onde canaliza grande parte dos seus esforços. A JTM é atualmente líder no mercado do transporte aéreo ibérico e o sucesso alcançado deve-se, em parte, a um dos seus primeiros e maiores clientes, o Grupo Inditex.

Ligação ao Grupo Inditex

C

arlos Magalhães e João Val embarcaram juntos neste projeto há oito anos. O know-how, de cerca de 20 anos, adquirido em projetos profissionais anteriores, deu à dupla de empresários o estímulo necessário para criarem o projeto que ganhou vida a 5 de agosto de 2011. Os empreendedores admitem que iniciaram atividade numa altura “de crise profunda em que não havia financiamento”. No entanto, fruto de uma vasta experiência, Carlos Magalhães e João Val conseguiram levar a JTM a bom porto, alcançando uma posição assinalável, sustentada pelo know-how, profissionalismo e qualidade. “Começámos este projeto, as coisas correram-nos bem e tivemos sucesso, graças à dedicação de todos”, admitem. O caminho da JTM vem sendo traçado de forma consciente e sustentada e atualmente conta já com empresas em Portugal, Espanha e Estados Unidos. “Quando começámos abrimos em Portugal e Espanha. Abrimos com cerca de 20 pessoas, dez em Portugal e dez em Espanha. Neste momento, somos cerca de 120 pessoas. Abrimos em Lisboa e, entretanto, também abrimos em Madrid e Zaragoza. Este ano abrimos em Miami, internacionalizámo-nos”, contam com satisfação.

O seu parceiro além-fronteiras Num mundo globalizado, as empresas necessitam, mais do que nunca, de um parceiro profissional e eficaz, capaz de dar resposta às suas necessidades, de ajudar 58 | Revista Business Portugal fevereiro 2019

“Trabalham connosco desde 1998 e isso constituiu uma alavancagem para o projeto”, assumem, com orgulho, os empresários. Atualmente, o Grupo Inditex constitui o maior cliente do grupo JTM representando cerca de 60 por cento do seu volume de trabalho. Preocupada em prestar um serviço excecional e que vá ao encontro da necessidade e requisitos dos seus clientes, a empresa tem desenvolvido ações que promovem um serviço de maior eficiência e proximidade. “Temos uma outra empresa, que


JTM

se dedica exclusivamente ao Grupo Inditex”, afirmam. A preocupação em dar uma resposta pronta e eficaz ao grupo espanhol não para por aqui: “atualmente, dispomos de vários turnos, incluindo noturno que, em complementaridade com o turno de trabalho diurno, consegue garantir a comunicação com o grupo têxtil 24 horas por dia, sete dias por semana. Nós preocupamo-nos com os nossos clientes e com aquilo que é a realidade deles. Sabemos que o Grupo Inditex exporta para todo o mundo e por isso temos de ter em consideração os fusos horários existentes, em cada área geográfica. Para garantir um serviço adequado às suas necessidades, atualmente, temos dois funcionários noturnos, que nos garantem a possibilidade de termos comunicação 24 sob 24 horas”, informam. Uma medida que partiu dos responsáveis máximos da empresa que procuram assim, adaptar a JTM às necessidades dos seus clientes. “Não foi o cliente que nos exigiu, fomos nós que tomamos a iniciativa de nos adaptar e dar respostas ‘just-in-time’”. Carlos Magalhães e João Val, sócios-gerentes

www.jtmsa.com ramos. Se as empresas crescerem, nós crescemos. Estamos um bocado dependentes da economia. Não podemos inventar nada, podemos sim ser criativos. Não podemos inventar mercadoria para exportar. Se as empresas estiverem bem, nós também estamos bem”, assumem. A par da dependência do mercado, apontam a falta de flexibilidade no setor aduaneiro que, nas palavras dos empresários, apresenta “muitos constrangimentos e entraves para as empresas que pretendem fazer exportações fora de horas”. Consideram, no entanto, que a realidade tem vindo a melhorar, em grande parte, graças às inovações tecnológicas implementadas no setor, que têm contribuído para “agilizar o processo”.

Objetivo para o futuro: crescer

Proximidade e inovação A base do sucesso tem sido a relação que têm estabelecido com os seus clientes, baseada na proximidade e compromisso. Os empresários orgulham-se de ter um atendimento personalizado e que tenta sempre corresponder às exigências dos clientes. “É esta versatilidade que nós temos e que procuramos ter com todos os clientes”, confessam. Carlos Magalhães e João Val assumem que a principal preocupação é “saber o que é importante e prioritário para o cliente”, para assim conseguirem prestar um serviço à medida de cada um. É aqui que encontram o diferencial da empresa e o que os distingue no mercado: “desta forma, conseguimos dar um valor acrescentado ao cliente. Estes foram os motivos pelos quais, em tão pouco tempo, crescemos tanto no mercado”, ressalvam. Caminhar lado a lado com a inovação e com o desenvolvimento tecnológico também tem sido uma mais-valia para a empresa, que tem apostado naquilo que os interlocutores definem como ‘proximidade tecnológica’. “temos clientes que querem, sobretudo, que a proximidade seja tecnológica. Clientes que querem ter acesso a informação muito rapidamente e aí nós adaptamo-nos muito, a todos os clientes”.

O sucesso da empresa espelha-se no crescimento que tem alcançado nos anos de atividade. João Val e Carlos Magalhães mostram-se satisfeitos com os resultados alcançados no último ano que, apesar de registar peack seasons, foi, segundo os empresários, “francamente positivo”. A internacionalização, com a chegada a Miami, marcou o ano de 2018 e a JTM não pretende parar por aqui. “No futuro, gostaríamos de ver a JTM como uma empresa de referência em Portugal e estar em quase todas as grandes cidades dos Estados Unidos”, confessam os interlocutores, que demonstram ainda vontade de “crescer em Espanha, onde o mercado tem muito potencial”. Prevê-se um futuro pautado pelo sucesso para a JTM. Como objetivos a concretizar nos próximos anos, destacam-se o crescimento e consolidação no mercado internacional. O empreendedorismo é também a palavra de ordem da empresa, que perspetiva terminar, este ano, a construção do edifício que irá sediar “o grupo de empresas da JTM”. A par disso, pretendem continuar a ser, cada vez mais, uma referência de qualidade e profissionalismo no setor do transporte de mercadorias internacional.

“Se as empresas estiverem bem, nós também estamos bem” Quanto questionados, em entrevista, sobre as dificuldades com que o setor se debate, os interlocutores apontam a dependência face à economia e a sua volatilidade como um dos principais problemas existentes na área de atividade: “se as empresas mirrarem, nós mirfevereiro 2019 Revista Business Portugal | 59


DESTAQUES 62 CANAVEZES GROUP A Água termal de Canavezes, da natureza para a Longevidade… 64 ALS Aposta na sustentabilidade e na tecnologia de ponta 66 COPAGRI/ ADEGA COOPERATIVA DE LOUSADA Irreverência e ousadia nos produtos de Lousada

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III ENCONTRO DE INVESTIDORES DA DIÁSPORA O termo diáspora define o deslocamento de grandes massas populacionais originárias de uma zona determinada para várias áreas de acolhimento distintas. Hoje, este termo cresceu para além do seu significado original e libertou-se da sua conotação negativa, associada a povos obrigados a abdicar das suas terras por motivos religiosos ou políticos. O mundo encolheu, as tecnologias tornaram-nos mais próximos e é com facilidade que mudamos de habitação e/ou de emprego, às vezes não só entre países, como entre continentes. Os imigrantes dos dias de hoje é o trabalhador mais jovem, qualificado e informado que abandona a sua terra natal, porque sabe que encontrará mais e melhores oportunidades lá fora. Muitos deles são investidores. Esta edição, a Revista Business Portugal esteve presente no evento que decorreu no Pavilhão Multiusos de Penafiel, entre os dias 13 e 15 de dezembro: III Encontro de Investidores da Diáspora. Este ano, o Encontro dará destaque à importância da valorização dos territórios, enquanto polos de atração de investimento e de internacionalização, com origem e/ ou destino nas comunidades portuguesas, bem como no desenvolvimento e execução de políticas e medidas para esse efeito, ao nível nacional, regional e local, e em estreita interação com os investidores da diáspora portuguesa.


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CANAVEZES

A ÁGUA TERMAL DE CANAVEZES, DA NATUREZA PARA A LONGEVIDADE… A Ocorrência Hidromineral de Canavezes detém inúmeras potencialidades medicinais ainda desconhecidas por muitos. Em entrevista à Revista Business Portugal, Patrícia Moreira (administradora da Empresa Palácio de Canaveses S.A.) apresentou-nos o extraordinário recurso natural - a água Termal de Canavezes - que será o ‘coração’ dos vários projetos que se encontram em desenvolvimento. Quanto ao Hotel 5 estrelas e a Clínica, estes serão inaugurados, no final do corrente ano. Patrícia Moreira, administradora

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H

istória das Caldas de Ca-

navezes As Caldas de Canavezes têm, na realidade, uma longa história, com ciclos variados, alguns comuns a outras termas e outros que lhe são tão próprios que a caracterizam. Seriam conhecidas na era Neolítica, todavia não oferece dúvidas que foram conhecidas dos Romanos. No Império Romano as Termas transformaram-se em lugares de luxúria e costumes incompatíveis com a civilização cristã nascente, de sorte que Canavezes, como tantas outras termas deve ter sido arrasada para se poder eliminar uma fonte que a par de muitos bens trazia muitos males. Na fundação da nacionalidade, a rainha D.ª Mafalda, esposa do rei D. Afonso I, porque sofria de grave doença de pele e porque queria ajudar os leprosos na sua desgraça, deu grande incremento a estas termas: mandou reedificar a ponte, construiu uma casa para a sua residência eventual e fundou uma hospedaria para leprosos. Em 1902 a Empresa das Águas das Caldas de Canavezes inicia a exploração termal. No guia ‘Águas e Termas Portuguesas’ (1918) a estância é tratada em tons elogiosos, com dois hotéis. Dos relatórios de Acciaiuoli das décadas de 1930 e 40, deduz-se que esta estância foi cumprindo todas as recomendações oficiais de obras de renovação, e o seu director clínico, à época o doutor Arnaldo Reimão da Fonseca, destaca a característica arsenical da sua água no tratamento dos doentes linfáticos e sifilíticos. No Anuário (1963) destaca-se essa mineralização arsenical: “ as Caldas de Canavezes realizam, em Portugal, a síntese sulfúrea-arsenical, dando na realidade bem em muitas dermatopias, e diríamos em quase todas as espécies de dermatoses, porque mesmo naquelas em que está demonstrada a carência vitamínica”. O hotel, nesta altura, era frequentado por figuras como Amália Rodrigues, António Salazar, e nobres de toda a Europa... Existem vários relatos dos bailes ao som da música de Cármen Miranda, de peças de teatro interpretadas por Amália Rodrigues, e as famosas noites de fado. Em 1975 o hotel das Caldas de Canavezes, a par de muitos outros hotéis termais pelo país, viu os seus quartos serem ocupados por um novo tipo de hóspedes, “os desalojados das colónias”. O luxuoso hotel perdeu os requintados hóspedes e, com eles, a sua alma, acabando por fechar quando se tornou inútil ao alojamento dos “desalojados”, já em avançado estado de


CANAVEZES

deploração. Quanto ao balneário continuou a funcionar até 2003. Da mesma maneira, também os jardins de influência ‘vitoriana’ e espaços verdes estão totalmente irreconhecíveis. Em 1989 com a barragem do Torrão e a consequente albufeira, a propriedade perdeu dois terços da sua dimensão e com isso perderam-se os jardins, os laranjais, o campo das rosas, as lindas figueiras, os olivais, a famosa roda da água, os passeios romanos, os túneis medievais, o salão de chá junto ao rio e quem sabe se o mitológico pote das moedas de ouro além de soterrado não estará agora, também submerso. Restou o hotel, o balneário, a capela, um bairro, e a paisagem, tranquila e revitalizante. Com períodos áureos e outros de declínio, Caldas de Canavezes subsistem pela força do seu real valor.

A empresa promotora Palácio de Canaveses S.A inspirou-se no lema secular, ‘L’Art de Bien Faire’ do Brasão de Canavezes, é missão da empresa a ‘A Arte de Fazer o Bem’. Colocar o Homem no centro dos serviços prestados, fomentar e valorizar a produção nacional, inovar respeitando a História e crescer de forma sustentável, privilegiando a responsabilidade social são os principais objetivos. Vocacionados para o setor do Turismo de Saúde, Canavezes está a consolidar o seu posicionamento através da construção/recuperação do empreendimento turístico, estabelecimento termal conhecido por Caldas de Canavezes, investigação da água Termal de Canavezes e desenvolvimento de produtos dermocosméticos provenientes da mesma.

O Canavezes Palace Hotel e a clínica termal De forma a aproveitar o recurso natural, a nossa entrevistada explica-nos que estão a “fazer um grande investimento na hotelaria e na clínica termal”. O propósito assenta na reabilitação e na remodelação de um hotel de cinco estrelas inaugurado em 1917. “Era uma pena

deitar o hotel abaixo para começar a reconstruir mas não tivemos outra hipótese, contudo foi cuidadosamente mantida totalmente a fachada original. A remodelação começou a 28 de outubro de 2017, ou seja, já tem um ano de obra. Tencionamos abrir ao público no fim deste ano para a passagem de ano”, acrescenta. Questionada sobre o conceito a implementar no hotel, Patrícia informou apenas que têm um compromisso com a história e com o conforto, que surpreenderá… Para além da natureza que se respirará no Palácio de Canavezes Hotel muito interessante, assegura. No que à clínica termal diz respeito, Patrícia confidencia que será “algo único na Europa”, visto que a missão não passa pelo termalismo clássico, mas sim por aproveitar a máxima potencialidade que a água tem para ser utilizada na saúde e pela saúde!

Especialidades na clínica A longevidade, ou seja permitir que se viva mais tempo com qualidade. O que só é possível quando o homem é tratado verdadeiramente como um ser holístico!

“A água é a âncora de todo este projeto” “A água termal de Canavezes tem características únicas”. É assim que a administradora começa por nos falar de uma água tão especial que contém propriedades muito específicas para os tratamentos de pele. É a “âncora de todo este projeto”, cujo o foco se centra na criação de um local de repouso onde as pessoas “podem tratar o corpo e a alma, voltar às origens e onde o humano pode voltar a ser ele próprio”.

2019 será “o ano” Com abertura prevista para o fim deste ano, Patrícia Moreira promete que o hotel e a clínica termal serão um “marco” para o mundo. A linha de produtos cosméticos será mais um projeto de sucesso comprovado pela gama que já produziram anteriormente, que pretendem desenvolver. “Pretendemos voltar a investir na linha, que já desenvolvi, de produtos cosméticos. É incrível ter deixado de fabricar desde 2014 e ainda assim todos os dias surgem dezenas de pedidos de todo o mundo”, conclui. fevereiro 2019 Revista Business Portugal | 63


ALBANO LEITE DA SILVA, LDA.

APOSTA NA SUSTENTABILIDADE E NA TECNOLOGIA DE PONTA Sediada em Celorico de Basto, a Albano Leite da Silva, Lda. surge há 63 anos tendo como produto base do seu negócio a madeira. A Revista Business Portugal esteve à conversa com João Paulo Leite da Silva, um dos sócios gerentes que aposta na qualidade dos produtos, na inovação e na implementação de novos projetos.

A

lbano Leite da Silva foi o fundador da ALS em 1956. Alguns anos mais tarde, a segunda geração assumiu a direção da empresa e nela estão presentes os filhos (João Paulo, Armindo e Carlos Leite da Silva). Atualmente, já contam com a presença da terceira geração que fará parte do futuro da ALS. Conhecida pela Serração da Cumieira, João Paulo defende, nestes 60

Rui Silva e João Paulo Silva, sócios-gerentes

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anos de atividade, manter o trabalho, a honestidade e a sinceridade. Os principais produtos da empresa são madeira serrada para paletes e construção, estilha, casca, serrim e paletes pregadas. “Temos também madeiras de carpintaria (soalho e forro)”. Cerca de 80 por cento da matéria-prima é extraída pelas suas equipas florestais. “Nós compramos e abastecemos, essencialmente madeira de pinho”, refere. Para além de adquirirem a madeira na região, também compram em Espanha. Ao longo dos tempos, a exportação para Espanha e Marrocos tornou-se numa aposta sólida, sempre com a preocupação em atuar no mercado nacional. Sendo o objetivo principal apresentar produtos de qualidade, a Albano Leite da Silva, Lda., dispõe de uma grande capacidade produtiva, de várias centenas de toneladas diárias, numas instalações com uma área de sete hectares. Foi para isso que em 2010 renovaram a empresa e mudaram de instalações para a freguesia do Rêgo, em Celorico de Basto, um local com potencial para expandirem as suas áreas de trabalho e para darem uma rápida capacidade de resposta a todos os clientes. Para que sejam cumpridos todos os requisitos para as certificações, João Paulo explica que é necessário estabelecerem boas práticas. É caso para dizer que a sustentabilidade é a palavra de ordem e para isso obtiveram a certificação PEFC e FSC, fulcrais para assegurar a sustentabilidade dos recursos naturais que tanta importância têm. Para aproveitar os sobrantes florestais, os sócios-gerentes da ALS fazem parte da administração de uma empresa, a Biodensa – Biocombustíveis, Lda., que centra o seu core business na utilização de biomassa para poderem produzir Pellets. Com isto, estão a valorizar um produto que anteriormente não lhe era reconhecido nenhum potencial.


ALBANO LEITE DA SILVA, LDA.

Ao longo dos tempos, a exportação para Espanha e Marrocos tornou-se numa aposta sólida, sempre com a preocupação em atuar no mercado nacional

vindo a desenvolver e nos novos projetos que estão a caminho, sempre com a missão e a visão de melhorarem todo o equipamento tecnológico trazerem mais-valias para o futuro.

A dinamização faz parte dos objetivos da ALS. É por isso que apostam na tecnologia de ponta, bem como na profissionalização de toda a equipa para manterem a qualidade com que sempre foram habituados a trabalhar. “Estamos sempre a melhorar os nossos equipamentos. O bichinho da madeira está sempre cá dentro”, recorda. Para definirem as melhores estratégias organizacionais, implementaram um sistema de gestão que vai de acordo com a norma ISO 9001:2015 e ISO 14001:2015. Por fim, João Paulo acredita no potencial empresarial que têm

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COPAGRI/ADEGA COOPERATIVA DE LOUSADA

IRREVERÊNCIA E OUSADIA NOS PRODUTOS DE LOUSADA A COPAGRI e a Adega Cooperativa de Lousada visam proporcionar e reconhecer o potencial da agricultura e dos vinhos verdes da região. A Revista Business Portugal entrevistou Francisco Meireles, presidente das duas instituições, para ficar a par de todos os projetos que fazem parte de 2019.

U

ma Cooperativa feita à medida do cliente Com uma longa história que acompanha o percurso da Instituição e com cerca de 2.000 associados, a Cooperativa Agríco-

Francisco Meireles, presidente

la de Lousada tem como principal missão dinamizar os produtos agrícolas dos sócios e conferir um atendimento personalizado a quem por ali passa. A COPAGRI, aberta a sócios, dispõe de uma loja cujo o objetivo passa por “abastecer os associados e comprar todos os produtos necessários à atividade”. Os

produtos dos associados são uma forma de divulgar o que de melhor a agricultura da região tem para oferecer. Num mundo onde existe muita oferta, a Cooperativa pretende combater o aumento dos preços. Em parceria com a ESAC (Escola Superior Agrária de Coimbra) e com a Câmara Municipal de Lousada, o presidente vai criar o projeto da broa de milho. O mesmo consiste em valorizar os milhos regionais que produzem “muito pouco em relação aos híbridos”. Com características sensacionais, querem lançar este projeto para dar novas oportunidades aos agricultores que têm pequenas parcelas. “Precisamos de fomentá-los a semear esses milhos para a broa e, com isso, serem mais valorizados”, refere. Para além desta parceria, um dos desafios implementados por Francisco Meireles centra-se na abertura de um talho que fará parte dos planos do supermercado da COPAGRI.

Adega Cooperativa de Lousada Classificada como sendo a mais antiga da região, a Adega Cooperativa de Lousada tem atualmente 700 sócios. Numa altura em que produzem entre 1.200 a 1.500 pipas por ano, Francisco deseja modernizar toda a estrutura inerente à Adega. “Já adquirimos bastantes equipamentos e agora

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COPAGRI/ADEGA COOPERATIVA DE LOUSADA

estamos a tentar ir para a parte de engarrafamento, porque a nossa linha ainda é muito artesanal”, explica. Ao direcionarem-se para o engarrafamento e, posteriormente, comercialização poderão sair do raio dos 30 quilómetros (referentes às vendas da Adega) para poderem entrar na exportação. Francisco Meireles acredita que essa possibilidade teria força para acrescentar valor aos vinhos verdes e mostrar a qualidade que têm.

Características dos vinhos

deste vinho. “Embora seja um concelho pequeno tem algumas casas senhoriais com jardins muito bonitos. Temos essa flor de uma qualidade muito intensa que é a camélia. A vice-presidente Cristina desenvolveu a festa da Camélia para promover a região. O Vinho da Senhora também vem debater a diferença de géneros em que a mulher é equivalente ao homem”, realça, acrescentando ainda que, “este ano estamos a pensar no frisante e vai ser o frisante da Senhora (branco)”. Para quem tiver curiosidade em experimentar os sabores e aromas dos vinhos verdes da região, pode adquirir no supermercado da COPAGRI e através de um vendedor que faz vendas porta a porta.

Os produtos dos associados são uma forma de divulgar o que de melhor a agricultura da região tem para oferecer. Num mundo onde existe muita oferta, a Cooperativa pretende combater o aumento dos preços

A região dos Vinhos Verdes é, atualmente, uma das mais conhecidas e que maior expressão tem ganho não só em Portugal como no resto do mundo. O vinho verde caracteriza-se por ser fresco e por ter uma personalidade muito própria. Estas qualidades devem-se às castas tradicionais: o loureiro, o arinto, o azal (nos brancos) e o vinhão (nos tintos). Os espumantes são também um dos ex-libris “muito apreciados e derivados dos vinhos verdes”. Com marca criada, a Adega Cooperativa conta já com uma forte panóplia de vinhos. “Temos o Adega, as Vinhas de Lousada e o Vinho da Senhora, um sucesso que tem como tradição a camélia”. Com as atenções viradas para o Vinho da Senhora, o presidente não deixou de contar a história

Modernizar o futuro

Questionado sobre a prospeção para o futuro, o nosso entrevistado afirma que industrializar e automatizar a linha de produção, bem como exportar são os grandes sonhos que a Adega poderá vir a conquistar. Ainda assim e na presença de um enólogo, vão continuar a apostar na qualidade e nos bons serviços que prestam aos associados. “Vejo os vinhos de Lousada com um bom futuro, porque são bons. Lousada tem muito potencial para exportar”, conclui.

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DESTAQUES 70 JOSÉ QUINTINO LDA. Construção: os novos desafios do pós-crise 72 CONSTRUÇÕES PEDRA ALGARVIA Heranças com histórias a serem honradas 74 ARSUL Idealize, a Arsul Toldos implementa 76 PROGELCOM A primeira empresa importadora de colmo em Portugal 78 MS CARS Adaptação aos novos desafios 80 SERVIPNEUS “Orgulhamo-nos de ser algarvios” 84 DC-PV “Solar fotovoltaico é a energia mais barata do mercado” 86 TASCA JOTA “Um trabalho contínuo: ser melhor que ontem”

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ALGARVE Voltamos, nesta edição da Revista Business Portugal, a descrever o segredo mais famoso da Europa: o Algarve. Cobiçado pelas magníficas praias é um destino que oferece não só a parte turística como também a parte cultural e histórica que está aliada à simpatia dos algarvios. Praia, golfe, cycling & walking são algumas das atividades que pode desfrutar. Não é segredo para ninguém que a gastronomia algarvia é a mais condecorada com estrelas Michelin. Cataplanas, sabores da serra e do barrocal, peixe fresco e marisco, doces regionais, vinhos e aguardente de medronho são os ex-líbris que fazem parte daquilo que é a tradição da região. O tecido empresarial é também um ponto fundamental para os algarvios. Para além dos meses quentes que conquistam multidões, o Algarve tem um lado mais sossegado que num ambiente tranquilo confere aos empresários excelentes instalações com o conforto necessário para debater ideias e programar reuniões. Uma vez que dispõe de excelentes ligações quer aéreas quer terrestres, seguindo-se da vasta gama de oferta no que à hotelaria diz respeito, a região tem vindo a conquistar terreno naquela que já se designa como a “capital do turismo de negócios no Sul de Portugal”. Para complementar os negócios e desfrutar de um curto intervalo entre reuniões, a região algarvia oferece diversas atividades desde animação noturna até eventos culturais. Assim, é possível conciliar negócio e lazer. Espalhadas por 16 concelhos, as entidades empresariais procuram inovação, produtividade, crescimento de oferta de produtos e serviços, eficiência na produção e gestão de novas e antigas empresas. Estes fatores são indispensáveis para o desenvolvimento económico regional. Venha connosco conhecer algumas das empresas que fazem movimentar a região algarvia!


JANSSEN PORTUGAL

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JOSÉ QUINTINO LDA

CONSTRUÇÃO: OS NOVOS DESAFIOS DO PÓS-CRISE Sediada na região algarvia, a empresa José Quintino Lda surgiu com base na vasta experiência no ramo da construção civil de José Quintino, que teve como aliada a sua esposa, Fernanda Quintino. A familiaridade com o ramo surgiu através do pai de José Quintino, mas foi quando fundou a sua própria empresa que conseguiu crescer e dar a conhecer o seu trabalho. Um trabalho de qualidade, com rosto e assinatura de quem aprendeu e aperfeiçoou a arte de bem construir.

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ma história de crescimento e de novas aprendizagens Os proprietários relembram o ano de 1986, quando o negócio fluiu devido ao investimento estrangeiro, principalmente por parte dos ingleses. Realçam ainda a entrada no mercado das obras públicas, cujos vários projetos onde participaram são exemplo da qualidade da construção executada: “fizemos escolas, colégios, creches, entre outros estabelecimentos e para isso houve a necessidade de termos um alvará específico, assim como uma capacidade financeira alargada. Se assim não fosse, não poderíamos sequer entrar em concursos públicos”, contam. O crescimento foi célere tanto em equipa técnica como em equipamento de construção que, segundo José e Fernanda Quintino, “são fatores essenciais para uma boa prestação deste tipo de serviços”. Com toda a empresa a crescer foi necessário aumentar as condições do estabelecimento e, em 2004, estrearam as novas instalações, que construíram no concelho de Olhão. Nem todo o percurso é feito de momentos positivos existindo também momentos menos felizes, mas assumem que todos são momentos que ajudam a crescer e a reinventar-se. Na época de crise a empresa teve o seu pior momento desde a sua existência. Um período muito conturbado principalmente pela forte exposição do José Quintino Lda às obras públicas. Fernanda Quintino relembra que “foi uma época difícil, em

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que tivemos de ganhar coragem todos os dias para vir trabalhar. Chegamos a ter faturas por receber dos clientes com sete anos. Se o dinheiro sai e não entra é óbvio que a nossa situação não estava bem”. A falta de liquidez era evidente, mas mais importante do que esse facto eram a palavra e o compromisso. “Havia uma questão que nós não falhávamos: o pagamento aos nossos colaboradores. Podíamos atrasar um pouco o pagamento aos fornecedores, mas a equipa tinha de ser paga”. No pior ano de todos a empresa teve de recorrer ao despedimento coletivo de oito colaboradores, mas nunca ficou em dívida para com eles. No que toca aos fornecedores foi mais complicado de os fazer perceber que nem sempre podiam pagar. “Por muito que eles tivessem razão era algo que não estava no nosso controlo. Se não nos pagavam alguém ia ficar sem receber”. Esta situação está completamente reposta e vivemos hoje numa parceria de confiança, com todos.

A pós-crise e os novos desafios “Vivemos ainda há pouco tempo um novo pico alto no setor da construção que agora já não se está a sentir tanto, devido à concorrência das novas empresas do pós-crise, que têm uns preços muito competitivos e com os quais se torna mais renhida a concorrência ”, explicam. A empresa não deixou de trabalhar em obras públicas, mas atualmente estão presentes tanto no mercado público como no privado em todo o território nacional, sendo que é no Algarve que têm quase todos os projetos feitos até ao dia de hoje. Com 30 colaboradores fixos, a empresa consegue realizar, em simultâneo, seis a oito obras. “Já tivemos mais colaboradores, mas temos de ser realistas e assumir que temos de ter dinheiro para pagar a todos e nem todos os meses são iguais em termos monetários”.


JOSÉ QUINTINO LDA

É na qualidade que vem uma das suas mais-valias e uma das principais razões para terem aguentado os períodos de crise. “Algo de que nos podemos orgulhar foi de sempre termos mantido a qualidade”. Assim como a qualidade, a capacidade de adaptação aos novos desafios foi uma grande aliada. “Sobrevivemos pela capacidade de adaptação aos novos tempos e acima de tudo por não termos tirado os pés do chão. Se for preciso ir fazer a remodelação de uma casa de banho, nós vamos e não desvalorizamos pelo volume do projeto. A nossa forma fiel de tratar os clientes foi importante para manter os contactos. Trabalho é trabalho independentemente da dimensão”, explicam orgulhosamente. Os novos desafios que tiveram de enfrentar englobam a modernização do setor, tema esse delicado e que carrega muitas outras questões. Os proprietários fazem questão de atualizar o equipamento, principalmente no que toca à segurança, que é sem dúvida uma das preocupações que está presente. Todas as obras começam com uma vistoria de José Quintino que faz questão de ir sempre ao local antes de começarem a trabalhar para analisar as condições e faz também parte dos princípios que o equipamento utilizado seja da empresa. No entanto, não negam que por vezes tenham de recorrer ao aluguer do mesmo. Frisam ainda que o material não tem vindo a mudar muito e que os equipamentos adquiridos são duradouros e se mantêm atualizados. Faz também parte dos desafios uma preocupação com a mão-de-obra que se revela muitas vezes pouco especializada e com grande défice de educação. “Alguns colaboradores têm baixa escolaridade e isso entrava muitas vezes algumas decisões da empresa. Se temos pessoas que não sabem ler e escrever, o que acontece com frequência no setor, é mais complicado inserir novos equipamentos com os quais eles têm de lidar e até mesmo

de lhes entregar responsabilidades diferentes através de fichas técnicas e de desempenho de novos materiais ”. A empresa está certificada, mas esse passo não chega para conseguir conquistar colaboradores com boa qualidade de trabalho: “Continuam a faltar profissionais que realizem as tarefas com brio, na perfeição. Qualidade é um dos aspetos que mais prezamos e assim é complicado manter os níveis altos de satisfação”.

A nossa forma fiel de tratar os clientes foi importante para manter os contactos

Futuro: sustentabilidade, ecologia e crescimento

Há uma evolução nos materiais e nas técnicas de construção que vão de encontro à preocupação com a ecologia e a sustentabilidade e os arquitetos são os primeiros a estudar essas mesmas abordagens. “Quando os projetos chegam até nós já estão aprovados , só temos que os construir cumprindo o que está desenhado e de acordo com as exigências do nosso cliente”. Mas já há uma preocupação, inclusive das autarquias com a minimização/controle dos resíduos produzidos nas construções e até mesmo na alteração de alguns materiais de construção que, ao longo dos anos, se mostraram prejudiciais, como é o caso do amianto. A curto prazo estes materiais, que já deixaram de se utilizar, terão de ser removidos dos estabelecimentos onde estão inseridos, gerando mais trabalho para as empresas de construção. A empresa prevê ainda que no futuro se continuem a realizar obras públicas e privadas, que se avance com construções que estão paradas, que o produto para vender seja abundante e difícil de escoar, sobretudo porque o mercado de arrendamento – esse sim em falta – não dará as respostas necessárias à população jovem. A região do Algarve tem muito por onde crescer e existe um forte investimento estrangeiro, nomeadamente de franceses e italianos, que começam a ver um forte potencial num território conhecido pelas suas praias, mas com outros tipos de turismo que podem e devem ser explorados.

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CONSTRUÇÕES PEDRA ALGARVIA

HERANÇAS COM HISTÓRIAS A SEREM HONRADAS A empresa Construções Pedra Algarvia nasceu com base no conceito das pedreiras familiares, onde a extração é menor. José Viegas, em conversa com a Revista Business Portugal, conta como foi a evolução da empresa e quais as suas ambições para o futuro.

M

ais de 20 anos de histórias e concretizações Foi desde muito novo que respirou a essência da empresa. “A empresa nasceu com o meu pai. Ele criou a empresa em nome individual quando, em convívio com os amigos, decidiu comprar uma pedreira”, conta o atual proprietário. Um negócio que começou com a exploração e transformação da pedra de calçada e da pedra de muro, rapidamente se transformou numa empresa diversificada. Um dos primeiros passos passou pela venda do produto para construtores. Depois, decidiram comprar e alugar camiões para o transporte dos materiais para os clientes, até que começam a ser empreiteiros e, para além de servir os clientes, fornecem também o próprio negócio. Este último passo só foi possível através de um forte investimento em equipamento e maquinaria. Em 1998, a secretária da escola já não era uma das melhores amigas de José Viegas, que aproveitava todos os momentos para ajudar o pai. “Foi quando comecei a ganhar dinheiro que desisti de voltar para a escola. Eu ficava responsável por partir calçada e o meu pai conduzia os camiões. Ao fim de algum tempo, comecei a negociar, porque se eu estava na pedreira, era eu que atendia

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José Viegas, gerente

“A pedra está novamente em voga e combina bem com os novos materiais das construções modernas. Temos clientes de norte a sul que pedem a nossa pedra para a suas obras”

os clientes, era eu que dizia ao meu pai qual a quantidade e qual o destino dos materiais. Éramos parceiros”, afirma. As responsabilidades foram aumentando. A carta de pesados foi um dos passos seguintes e com este novo reforço havia espaço para aumentar a empresa. “Comecei a andar com o camião e, na altura, começamos a formar equipas. De madrugada, íamos buscar os homens para irmos para as obras que, entretanto, eram da nossa responsabilidade, mas não deixámos de abastecer outras obras e outros construtores como tínhamos feito até à época”. É assim que, em 2001, surge a empresa ‘Construções Pedra Algarvia’, como uma sociedade entre pai e filho. O esforço foi feito em torno do crescimento e esse mesmo esforço foi redobrado quando José Viegas se viu obrigado a gerir a empresa sozinho. Dar seguimento ao trabalho e ao negócio do pai eram as prioridades, e hoje sonha que os seus filhos tenham essa vontade de não deixar morrer a empresa. “A nossa empresa conta com 40 carros, entre camiões ligeiros e pesados, carrinhas de transporte de pessoal, carros ligeiros de suporte à equipa de engenharia e uma série de equipamentos pesados úteis ao serviço”. São cerca de 38 colaboradores fixos, dos quais 30 são efetivos, que vão atuando por todo o território algarvio, sul de Espanha e, mais recentemente, exploram o mercado alente-


CONSTRUÇÕES PEDRA ALGARVIA

jano. “Temos cumprido os nossos objetivos, mas existe sempre um medo de que não seja suficiente. O crescimento é perigoso e tem de ser bem sustentado para que a empresa seja forte para conseguir aguentar com as dificuldades que podem vir”, explica.

O calcário cinzento como rei A pedreira que exploram, no concelho de São Brás de Alportel, é de onde conseguem extrair o calcário cinzento, um material muito utilizado no tempo dos reis e que, segundo o proprietário “fica muito bem na construção de hoje. É um material com uma excelente durabilidade e tem ainda a vantagem de ser uma pedra vidrada muito fácil de cortar, limpar e fazer cortes certos”. A pedreira atravessou uma fase menos positiva quando, há cerca de 10 anos, havia falta de material e era impossível abastecer outras construções. Toda a extração era usada para as obras da empresa. Hoje, apesar de ser uma pedra muito procurada, ainda não existe em abundância e existem algumas preocupações e critérios ambientais que originam esta falta de produto. No entanto, essas regras têm de ser respeitadas e o proprietário deixa claro que nunca foi uma prioridade a extração em grandes quantidades. “Somos uma pedreira familiar porque a extração não é tanta, logo é menos agressivo para o ambiente. Temos um engenheiro que é responsável pela pedreira e que recebe as licenças da Câmara Municipal. Temos de entender que há um limite e que há um plano de exploração que tem de ser cumprido. Depois da exploração, a escavação tem de ser reabilitada e temos de deixar o terreno como ele era”. Uma consciência dos impactos ambientais bem sólida que tem vindo a reger a empresa. Hoje em dia, o conceito de modernidade tem vindo a mudar e há uma aposta no estilo rústico, ao qual o calcário cinzento se adequa. “A pedra está novamente em voga e combina bem com os novos materiais das construções modernas. Temos clientes de norte a sul que pedem a nossa pedra para a suas obras”, explica.

Estratégias e dificuldades A principal estratégia da empresa sempre foi conciliar os diversos negócios para que todos pudessem atuar em conjunto e, assim, conseguirem servir melhor os clientes. “Começamos a aumentar o nosso negócio

quando percebemos que tínhamos materiais e equipamentos suficientes para fazer alguns serviços que eram parceiros nossos que faziam. Nesse momento, decidimos deixar

de pedir para alguém fazer e começamos nós próprios a realizar, aumentando, assim, o nosso volume de negócio para servir os clientes nos diversos serviços”, explica. Para além de uma aposta nas obras particulares, a empresa aposta também em obras públicas, porém, apesar de ganharem alguns concursos, nunca investiram para que fossem uma empresa com muitas obras públicas. É no equilíbrio entre os dois meios que veem a vantagem. “Nós nunca quisemos que as obras públicas fossem a nossa prioridade porque, em tempos de crise, era difícil manter a empresa. Assim, quisemos sempre que fosse um equilíbrio entre públicas e privadas”, conta. Em concordância com as empresas do mesmo ramo, assume que a maior dificuldade é encontrar mão de obra especializada e com vontade de trabalhar. Os antigos colaboradores trocaram os postos por novos empregos nas grandes superfícies comerciais, “os jovens não querem aprender este tipo de ofícios e os trabalhadores já existentes encontram-se já em idades avançadas. Temos de manter os efetivos para termos mão de obra. Mas temos de ter noção que os nossos colaboradores têm entre a 40 a 60 anos e que, em breve, deixarão de trabalhar. Quando não tivermos esses trabalhadores, e se não houver uma nova geração de profissionais, vai ser difícil manter a profissão. No entanto, temos conseguido sempre manter a nossa equipa e o nosso trabalho e temos, inclusive, conseguido formar alguns serventes que vão aprendendo a arte pouco a pouco”. A par desta dificuldade, o proprietário refere ainda que há uma falta de conhecimento por parte dos clientes, que não estão bem informados sobre os materiais de construção. “É preciso que se tenha consciência que a pedra é um produto duradouro e económico. As pessoas pensam que a pedra é um produto caro, mas na realidade fica mais barato fazer um muro em pedra do que fazer um muro em betão”. O ano de 2019 promete ser bom para a empresa e para o seu proprietário, que prevê um ano melhor do que o anterior. Confirmadas existem já três obras públicas, em diferentes municípios algarvios. Para além dessas, há também projetos privados a avançar. Para rematar, José Viegas deixa a mensagem que “temos de continuar a crescer e a evoluir enquanto profissionais e empresa”.

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ARSUL

IDEALIZE, A ARSUL TOLDOS IMPLEMENTA Com mais de 30 anos de atividade, a Arsul Toldos é uma das mais referenciadas empresas do Algarve, no âmbito da produção e montagem de toldos. Inácio Luís, proprietário desta emblemática empresa, com sede em Portimão, explica o segredo por detrás do sucesso, numa altura em que este setor de atividade ganha maior robustez.

O

caminho empreendedor de Inácio Luís iniciou-se em 1985, quando começou a trabalhar como vendedor numa empresa dedicada à venda e distribuição de brinquedos e outros materiais para crianças. Destinado a conquistas maiores, fez da sorte uma ocasião de sucesso, pelo menos assim considera os primeiros passos no ramo dos toldos. “Por sorte, num daqueles dias tristes em que andava na rua a vender, estava sentado a almoçar num restaurante em Silves e por curiosidade comecei a ler o jornal e a ver os anúncios de emprego. Vi que uma fábrica da área de toldos procurava vendedores para a região do Algarve. Despertou-me a atenção quando li o nome da pessoa a contactar, que era um dos vendedores que me fornecia material. Telefonei imediatamente e ele abriu-me as portas para entrar nessa empresa. Fui para Algés e fiquei como vendedor nessa empresa, em todo o Algarve”. Do trabalho de Inácio sucedeu-se, naturalmente, a progressão para então criar a Arsul Toldos. “Entretanto as coisas foram evoluindo e para além de vendedor, comecei a fazer montagens também. Em Lisboa deixaram de ter capacidade de resposta e na altura tomei a decisão de meter pessoal e começar a fabricar. Assim, começamos em Portimão num armazém pequeno com 300 m2 e ao fim do primeiro ano viemos para aqui”. 74 | Revista Business Portugal fevereiro 2019

Marcar pela diferença Com a inovação e o rigor como bandeira, a Arsul foi-se afirmando no mercado algarvio. A produção própria demarca a empresa da concorrência auferindo-lhe capacidades únicas tanto na produção como na elaboração e montagem de toldos. “Não compramos materiais para montar mas sim a matéria-prima, que depois transformamos na nossa fábrica. Segue-se depois a montagem no terreno.”, realçou o gerente. Com o controlo da produção e, consequentemente, maior qualidade, a inovação e a criatividade entrelaçam o trabalho e o sucesso da Arsul Toldos. “Há produtos no mercado criados por nós. Não temos nada registado porque custa muito dinheiro mas a verdade é que temos dois tipos de tapa-ventos criados por nós e mais de 15 perfis próprios”, afirmou Inácio Luís. Da produção e do engenho “advém uma evolução própria da empresa” e a capacidade de personalizar cada obra à medida das pretensões de cada cliente. “Há uma constante evolução do mercado e o próprio cliente propõe coisas novas. Por essa razão, reconhecemos a necessidade de criar produtos que marquem a diferença. Todos os anos lançamos pelo menos um produto novo”, destacou o gerente. O processo de criação é realizado numa constante relação com o cliente, como explicou Inácio Luís: “fabricamos o modelo que o cliente quiser, a pessoa vem com um intuito e dentro disso nós apresentamos a nossa ideia, com os nossos produtos e a nossa solução. Damos a conhecer ideias mais vantajosas e com mais garantias e o cliente acaba por aceitar a nossa sugestão. Queremos vender aquilo que o cliente precisa. Temos um conhecimento de muitos anos do sector e por isso sabemos aconselhar da melhor forma o nosso cliente. A confiança surge daí mas também acresce uma maior


ARSUL

“Não compramos materiais para montar mas sim a matéria-prima, que depois transformamos na nossa fábrica. Seguese depois a montagem no terreno.”

responsabilidade porque temos de justificar as nossas soluções”. Inácio deixou uma garantia: “a Arsul consegue responder a tudo o que se designa por tendas e toldos.”.

Desafio da mão de obra Assim como o setor da construção, o sector dos toldos parece agora viver novos dias de glória no Algarve. Todavia, a falta de mão de obra, em quantidade e qualidade, para responder às necessidades empresariais do setor é um dos principais problemas estruturais sentidos pela Arsul. Uma contrariedade que tem vindo a impedir o crescimento da empresa. “Estamos focados no Algarve porque não temos mão de obra para satisfazer trabalhos fora da região. Este é um ramo muito específico e temos de ser nós a dar a formação enquanto os nossos colaboradores vão trabalhando. Para esta área tem de se saber um pouco de várias áreas e o conhecimento tem depois de ser adaptado. Se tivesse mais três serralheiros e mais quatro pessoas para a montagem, teria um crescimento em quase 50 por cento É muito frustrante dizer a pessoas que não podemos fazer o trabalho”. Inácio Luís sublinhou ainda a relevância em valorizar o sector e quem nele trabalha: “é importante

Continuar a inovar

tirar o rótulo de que este sector possa ser um emprego redutor, até porque hoje em dia há oportunidade de emprego neste ramo e com vencimentos muito aliciantes”.

A Arsul Toldos tem uma presença no mercado cada vez mais sólida, uma posição que para Inácio Luís, só foi possível com “um sacrifício muito grande, porque no final todo o sucesso se traduz ao trabalho”. Com três décadas de experiência, o gerente revela-se confiante num futuro que será também dinamizado pelo filho: “iremos continuar com profissionalismo e uma constante ambição em inovar e em querer fazer coisas novas. Este ano será promissor. Enquanto houver turismo em grande escala o trabalho continua a existir”.

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PROGESCOM

A PRIMEIRA EMPRESA IMPORTADORA DE COLMO EM PORTUGAL Conhecido em todo o mundo, o colmo africano é um produto utilizado na construção de diversos dos mais reconhecidos resorts, restaurantes e hotéis. Em Portugal, a Progescom foi a primeira empresa a apostar na importação deste produto. Especialista na execução de coberturas em colmo natural, a Progescom faz também a apresentação de soluções construtivas em madeiras para as indústrias do turismo e lazer.

S

ediada no Algarve desde 1993, a Progescom foi a primeira empresa nacional importadora de colmo. Este produto, derivado de plantas floríferas, é extremamente versátil e vigoroso. Reconhecendo a qualidade e a resistência do produto, a Progescom começou a realizar trabalhos de aplicação de colmo em telhados, abrigos, bungalows, gazibos, entre outros, por todo o mundo. A empresa algarvia, com mais de 25 anos de experiência na conceção de coberturas em colmo natural, teve como objetivo recrear técnicas antigas, utilizadas em palheiros ou espigueiros, no norte do país, mas com a utilização deste produto. O conhecimento e a experiência da Progescom no mundo das madeiras e derivados afirmaram a posição da mesma no mercado nacional. A empresa algarvia conta com a confiança e o reconhecimento de uma vasta carteira de clientes, a nível nacional e internacional. Os serviços prestados pela Progescom abrangem a execução do projeto, a construção das estruturas, a reabilitação e o acompanhamento constante do cliente e da obra.

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O mês de abril de 2017 marcou a alteração da administração da Progescom. O atual administrador da empresa, Paulo Azevedo, revelou à Revista Bussiness Portugal que o mote da nova administração é “continuar a assegurar o bom nome da empresa no mercado mas, por outro lado, dar-lhe uma gestão mais moderna, mais aberta, mais coerente e mais concisa.” A oferta da Progescom, contudo, continua assente na diversidade e controlo dos materiais. São madeiras importadas, provenientes de países como o Brasil, países do continente africano e da Europa Central e madeiras de origem nacional. A intenção dos projetos assinados pela Progescom é sempre enobrecer o produto através da construção. A este respeito, Paulo Azevedo assegura: “temos muito respeito pela madeira, é um produto que utilizamos com cautela e habilidade. Tudo o que desenvolvemos tem qualidade e durabilidade.” Na Progescom, todos os projetos são únicos e especiais. Os clientes sentem essa ligação com a empresa através do constante acompanhamento de cada projeto. A seleção e o tratamento da madeira são realizados consoante especificações pré-definidas pela prática dos profissionais da empresa, tendo em consideração os requisitos do cliente e os padrões de qualidade estabelecidos pela própria Progescom. Nesta casa, são desenvolvidos projetos inovadores para empresas de renome, dentro e fora do país. Na projeção e construção de decks, pérgulas de exterior, estruturas exóticas ou casas em madeira, a Progescom trabalha sempre dentro das normas do Eurocode - conjunto de normas europeias de responsabilidade do Comité Europeu de Normalização – e, segundo afirma o administrador, “nada é executado sem a revisão de um técnico”. O conhecimento da área é fundamental. A Progescom realiza projetos chave na mão, caso o cliente assim o deseje. Desde as canalizações, até à decoração, tudo é controlado e tratado pelos profissionais da empresa do Algarve. Para o futuro, o principal propósito da Progescom passa por continuar a satisfazer as necessidades da indústria do turismo e do lazer.


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MSCAR

ADAPTAÇÃO AOS NOVOS DESAFIOS A crescer e a adaptar-se ao mercado desde 1980, a MSCAR é um nome incontornável no mercado automóvel do Algarve. O CEO, André Marques da Silva, desvendou parte do segredo do sucesso desta empresa.

empresa”. Essa fusão marca o nascimento da MSCAR como tal. Na época, este concessionário representava 10 marcas de automóveis: Chrysler, Dodge, Jeep, Fiat, Lancia, Alfa Romeo, Iveco, Honda, Seat e Suzuki “Hoje demos o salto”, afirma orgulhoso, “e já representamos 13 marcas de automóveis (Abarth, Alfa Romeo, Fiat, Fiat Professional, Iveco, Isuzu, Jeep, Kia, Honda, Seat, Opel, Peugeot e a marca Chevrolet, na área dos serviços Após-Venda). Foi, sem dúvida, um crescimento notável. Se lhe dissesse que somos a maior empresa de distribuição automóvel do Algarve não lhe estaria a mentir”. Nem a crise económico-financeira que atingiu Portugal em 2008 abateu este forte projeto, apesar de o mercado do setor automóvel ter caído 70 por cento. MSCAR soube adaptar-se e ultrapassar a crise, por forma a reerguer-se agora que o mercado está a regressar à sua atividade normal. “Não está ainda bem como estava antes da crise, mas aproxima-se do que era”.

Região algarvia em evolução

E

André Marques da Silva, ceo

sta é uma história que teve o seu começo há mais de 38 anos. Desde a aquisição, no ano de 1980, da empresa FIALGAR, por parte de José Marques da Silva e António Portela de Morais (entretanto falecido). A empresa foi crescendo e hoje quem a lidera é a segunda geração: André Marques da Silva, filho de um dos fundadores, dá continuidade ao trabalho. “A empresa foi crescendo”, começa por nos narrar, “houve um momento importante em 2005 em que a MSCAR passou a agrupar várias marcas sobre a mesma 78 | Revista Business Portugal fevereiro 2019

Não é possível compreendermos uma empresa sem compreendermos também o mercado regional em que se insere. “Eu estou na empresa há 20 anos. O que eu noto é que o Algarve evoluiu muito, especialmente graças ao turismo. Nas últimas duas décadas, a região algarvia deixou de ser um turismo de descoberta e tornou-se uma região de turismo consolidado, com infraestruturas preparadas para a procura e profissionais experientes”. Tal como a região, a MSCAR faz corresponder a sua oferta à procura dos seus clientes. “Atualmente, há uma procura do mercado francês que antes não existia. Também o mercado inglês se tem retraído muito, devido ao Brexit”, o que é especialmente preocupante, considerando que o “Algarve depende muito deste mercado”. Quem se fixa no Algarve procura sempre ser detentor de um carro e os estrangeiros residentes não são exceção.

Novos desafios Ao longo dos 38 anos de atividade, a estratégia da MSCAR tem-se mantido constante, tal como nos dá conta André Marques da Silva: “a nossa estratégia sempre passou por crescer dentro do


MSCAR setor, o que se traduz em representar a maior quantidade de marcas. Por um lado, para aumentar o volume de negócios, por outro para diminuir o risco, uma vez que as marcas passam por lançamentos de modelos novos e fases menos benéficas”. Esta redução de risco é um dos fatores de sucesso da concessionária. Cada marca tem o seu próprio objetivo e o “conjunto dos objetivos é o objetivo da MSCAR. É um desafio constante”, revela-nos, “mas sempre conseguimos estar à altura e o ano passado, especificamente, foi muito bom”. Um dos desafios dos tempos modernos, impostos pela geração millennial, é a enorme quantidade de informação disponível à distância de um clique. “O cliente que nos visita no salão de exposição muitas vezes estão tão bem informados como os técnicos de vendas. Na internet encontra-se de tudo, inclusive as caraterísticas das viaturas e trâmites de comparação entre modelos. Esta era da informação, para um comerciante, é um desafio novo, pois podemos ter menos visitas físicas, mas temos visitas online constantes. Eu estou convencido de que no futuro haverá quem compre a viatura online, sem antes se deslocar até aqui para fazer um test drive”. O gestor de clientes é cada vez mais confrontado com esse tipo de clientes e terá de saber compreendê-lo.

menos serviço. Esta é “uma nova realidade que exige adaptação das empresas”.

O cliente como prioridade A MSCAR marca presença em Faro, Portimão e Vila Real de Santo António e em todas estas localizações a forma de trabalhar é a mesma: “somos uma empresa com muita experiência no setor, impomo-nos pelo nosso rigor e estamos focados no que verdadeiramente interessa. Temos sempre a noção de que o objetivo primordial é dar ao cliente um serviço de excelência, foi isso que me foi transmitido pelo meu pai e é isso que eu tento transmitir às minhas equipas. Tudo o resto é secundário”. As rent-a-car locais são os principais parceiros, para dar resposta ao turista do Algarve: “é o nosso cliente principal, a quem vendemos centenas de automóveis por ano, por um lado vamos renovando a sua frota, por outro lado ajudamos no defleet, pois precisamos de ter viaturas usadas para vender a clientes particulares”. O volume de viaturas novas vendidas é bem superior ao de viaturas usadas. A rentabilidade das viaturas usadas, no entanto, é maior do que no caso das viaturas novas.

“O cliente que nos visita no salão de exposição muitas vezes estão tão bem informados como os técnicos de vendas...”

Este cliente online procura preço e rapidez, muito mais do que afabilidade ou simpatia. “Quer as coisas no momento, não pode esperar”. É um desafio muito grande para as empresas mais antigas, que ainda enfrentam o facto de a geração millennial não ver como prioridade a compra de uma viatura. O comércio automóvel está sempre em mutação. A chegada dos híbridos e dos elétricos são prova disso mesmo. Se este tipo de modelos continuar a sua expansão, estruturas grandes como concessionárias tornar-se-ão obsoletas e as oficinas darão por si com

A MSCAR tenta estar sempre à frente no mercado, ter o que de mais recente se faz no setor, as novas tecnologias e as novas ideias. “Tudo o que vem de novidade tentamos aplicar rapidamente”, refere. 38 anos de história são feitos de “saltos qualitativos, quer no serviço, nas instalações, ou até na adaptação à evolução que o mercado tem e os novos desafios que são lançados. Não tenho medo nenhum dos desafios que aí vêm”, finaliza, “e cá estaremos para os enfrentar”.

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SERVIPNEUS

“ORGULHAMO-NOS DE SER ALGARVIOS” Com mais de 40 anos de existência, a Servipneus orgulha-se de ser uma empresa pioneira na rede móvel de assistência a problemas com pneus e baterias e cujos valores familiares a distinguem das restantes oficinas de assistência nacional. José Luís Rosa, responsável pelo marketing da empresa, e Joana Vidal, filha do fundador, falaram com a Revista Business Portugal sobre as dificuldades de trabalhar na região sul do país e os desafios futuros do setor.

Q

uando o pai de Joana Vidal criou a empresa, em 1977, juntamente com um cunhado, foi o primeiro a fazê-lo com capitais algarvios. A primeira loja nasceu em Boliqueime, e era dedicada exclusivamente a pneus e baterias. Pouco tempo depois da abertura da loja, surgiu a possibilidade de criar um posto móvel de assistência. “Este serviço estava disponível para todos os nossos clientes, mas foi criado, sobretudo, para os agricultores que trabalhavam connosco e tinham problemas em pneus de tratores, ou nas baterias. A logística envolvida na troca de pneus era grande e a deslocação de um carro nosso minimizava o incómodo e o tempo gasto na troca”. A empresa tinha dois carros para dar assistência móvel exclusiva aos seus clientes. Depois da loja de Boliqueime e do serviço de assistência móvel, surgiu a loja de Faro e a de Loulé, que ficava no centro da cidade. Inicialmente, grande parte dos clientes da Servipneus estavam na região central do Algarve, mas rapidamente a expansão da empresa alcançou toda a região sul do país: “abrimos em Portimão, e depois em Olhão. Há oito anos abrimos a última loja, em Tavira”. A evolução da empresa não se verificou apenas no crescimento físico e na dispersão geográfica, como faz notar o responsável de marketing, José Luís Rosa: “alargámos os serviços disponíveis na Servipneus. Logo após a assistência a baterias e a pneus, passámos a oferecer também os serviços de revisão e troca de óleo. Pouco tempo depois, alargámos o compromisso com os clientes para a realização de serviços rápidos e, atualmente, estamos totalmente equipados para fazer serviços completos de mecânica geral, eletricidade e eletrónica”.

“É muito difícil encontrar bons mecânicos” Enquanto o trabalho de trocar pneus é de fácil aprendizagem, a mecânica impõe um desafio maior. José Luís Rosa afirma que a formação que existe nesta área é insuficiente, embora lhe reconheça alguma melhoria. “Quando eu entrei para a empresa, era preciso ir a Lisboa ou ao Porto para fazer uma formação em alinhamento

José Luís Rosa e Joana Vidal, responsável do marketing e filha do fundador

de direções de automóveis. Agora, esse problema já não se coloca, mas continuamos a ter apenas dois centros de formação a disponibilizar cursos relacionados com a mecânica geral – Portimão e Loulé. Quando sabemos que existe alguém pronto para estágio, vamos buscá-lo e damos-lhe o resto da formação necessária”. Infelizmente, muitos dos jovens mecânicos acabam por não querer ficar vinculados à Servipneus: “cada vez mais, a idade de começar a trabalhar é adiada e os jovens preferem ser nadadores-salvadores, ou trabalhar num bar, no verão algarvio, do que assumir um contrato com uma oficina de mecânica”. A solução é ir a empresas concorrentes e oferecer, frequentemente, um salário mais elevado, para garantir mão de obra. A Servipneus aceita quem queira trabalhar e, muitas vezes, são os imigrantes que respondem ao desafio: “temos connosco três jovens que vieram da Venezuela e são uma grande mais-valia para a empresa”.

Os desafios de trabalhar no Algarve Apesar de ser formada por seis lojas físicas, a Servipneus sofre, como todas as empresas da região, com o facto de se situar no extremo sul do país. “Colegas nossos que trabalham em Lisboa ou no Porto têm quatro entregas diárias de material. Nós temos que ter um stock maior de materiais, para garantir que temos material disponível. Se precisarmos de um tipo específico de pneu para a tarde, e 80 | Revista Business Portugal fevereiro 2019


JANSSEN PORTUGAL

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SERVIPNEUS

Equipa

em Tavira, temos de contratar mecânicos de Tavira, caso contrário a população não confia no serviço”. O oposto é Portimão, que é o maior mercado do Algarve e onde se encontra a maior concorrência, no que respeita às empresas de assistência automóvel nacional. “A nossa solução passa pela proximidade ao cliente. Garantimos um serviço personalizado, de uma empresa familiar, onde quem vem deixar o carro pode falar com o mecânico e perceber o que se passa realmente com o seu veículo. Um cliente que deixe o seu carro no início do dia connosco, pode contar com ele ao final do dia”. Uma empresa de família, de valores sólidos, assentes na proximidade e confiança, mas que evolui, a par com o mercado que trabalha – assim se define a Servipneus: “o

pedirmos na manhã do mesmo dia, é-nos cobrada uma taxa adicional”. Além disso, nem todas as transportadoras cobrem a região sul do Algarve, o que reduz as opções de transporte.

Um mercado em constante evolução O mercado dos pneus sofreu muitas mudanças com a entrada na Europa dos pneus vindos da China. A Servipneus, a operar no Algarve, teve de adaptar os stocks das seis lojas à maior variedade de marcas disponíveis no mercado, ao mesmo tempo em que fazia uma gestão interna, para garantir que, apesar de ter várias marcas e modelos disponíveis, esse stock não se tornava demasiado pesado para a empresa. “Os pneus chineses entraram no mercado com preços muito baixos e nós começámos a ter dois tipos de clientes – aqueles que queriam marcas premium e aqueles que olhavam primeiro para o preço, e escolhiam o nível budget. Atualmente, os pneus chineses aumentaram a sua qualidade e os preços, apesar de ainda serem mais baixos, já não são tão baratos”. A Servipneus trabalha apenas com pneus de marcas chinesas homologadas pela União Europeia, que cumpram todos os requisitos necessários, no que respeita à qualidade e à segurança: “a nossa oficina é totalmente multimarca, até porque não importamos pneus, mas já tivemos alguns acordos com marcas chinesas e mesmo premium, que nos garantiam melhores preços”. Os próprios mercados do Algarve são diferentes entre si. O mais difícil de trabalhar é o de Tavira, onde as pessoas só confiam em quem é da terra. “Para termos clientes 82 | Revista Business Portugal fevereiro 2019

“A nossa oficina é totalmente multimarca, até porque não importamos pneus, mas já tivemos alguns acordos com marcas chinesas e mesmo Premium, que nos garantiam melhores preços”

futuro passará pelos carros elétricos e híbridos, mas ainda teremos cerca de 15 anos até que essa realidade se imponha. Ainda assim, já começámos a formar-nos sobre isso, para estarmos aptos a acompanhar o mercado. A Servipneus é uma empresa que procura estar sempre atualizada e cujo objetivo é assegurar o melhor serviço aos clientes. Trabalhamos nesse sentido todos os dias”.


SERVIPNEUS

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DC-PV

“SOLAR FOTOVOLTAICO É A ENERGIA MAIS BARATA DO MERCADO” Sediada em Faro, a DC-PV possui um know-how técnico e experiência em construção de parques solares fotovoltaicos de grande dimensão e em sistemas de autoconsumo para empresas. A Revista Business Portugal entrevistou Miguel Ornelas administrador, para conhecer melhor um setor em expansão que está a mudar o paradigma de produção e consumo energético.

N

o mercado desde 2012, a DC-PV é uma empresa de engenharia do grupo Asunim que se dedica exclusivamente a projetos de energia solar fotovoltaica em Portugal e no estrangeiro. Miguel Ornelas, administrador da DC-PV explica que “a empresa Turca do grupo precisava em 2012 de trabalhos de engenharia especializada para os sistemas fotovoltaicos e nós surgimos inicialmente para lhes dar apoio”. Esta parceria concentrou-se na Turquia e permitia “haver uma empresa do grupo com engenharia europeia que supervisionava todas as etapas da obra”. Se por um lado a empresa ficava ainda mais especializada, por outro o grupo ganhava com um parceiro de referência que se estendeu posteriormente para os projetos no Egito e Dubai.

Especialistas em solar fotovoltaico Os projetos deste setor são habitualmente centrais de produção de energia em grande escala que alimentam a rede elétrica pública ou sistemas de produção de energia para autoconsumo das empresas. Em ambos os casos são necessários cálculos complexos e recurso a softwares específicos para maximizar a produção de energia e desenhar um sistema ótimo. Independentemente da finalidade: “os sistemas fotovoltaicos podem-se instalar em qualquer terreno, são feitas adaptações ao tamanho, inclinação e orientação dos painéis ao local de implementação. Todos os detalhes passam pela nossa equipa de engenharia, nomeadamente o layout do projeto, as memórias descritivas, os cálculos de

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produção e económicos, entre outras componentes que o próprio sistema obriga”. Posteriormente, quando os sistemas são vendidos e começam a ser implementados, é imprescindível realizar a segunda parte do trabalho: fazer a verificação no local durante as fases críticas da obra e executar parametrização dos aparelhos que vão possibilitar arrancar a produção de energia. Exclusivamente portuguesa, a DC-PV considera-se uma empresa “atípica em Portugal e sobretudo no Algarve”. Quem trabalha com solar fotovoltaico acaba por abraçar outras áreas, algo que o administrador quis contornar face à potencialidade do setor já que, apesar de alguns contratempos, esta energia está a crescer e Miguel Ornelas acredita que a internacionalização da empresa dará mais força à atividade.

Autoconsumo industrial As empresas portuguesas estão cada vez mais preocupadas com o consumo energético e o elevado peso da eletricidade nas suas despesas mensais. Por isso, o investimento em painéis fotovoltaicos é cada vez maior.


DC-PV “Neste momento, o único obstáculo para instalar um sistema destes é o investimento inicial, mas mesmo este está bastante mais baixo. Enquanto técnicos especializados, oferecemos a quem nos procura um estudo acurado que estima a utilização futura da energia da rede nacional e da energia autoconsumida através de painéis fotovoltaicos. A verdade é que a poupança é mesmo muito grande e o investimento paga-se entre quatro a cinco anos. Quando é instalado um sistema para auto-poupança é feito um trabalho chave na mão. “O cliente fica com um sistema que monitoriza consumo elétrico e a produção do sistema fotovoltaico”isto permite-nos avaliar e melhorar os nossos cálculos e estimativas”, bem como acompanhar à distância a sua performance diária.

Os parques fotovoltaicos Apesar de, em Portugal, esta ser uma realidade ainda pouco explorada e com potencial de crescimento elevado, a DC-PV já tem uma vasta experiência nesta área e é responsável por projetos de grande dimensão, nomeadamente na Turquia. “Já fizemos parques de várias dezenas de hectares, onde todos os cálculos de engenharia e de performance do investimento foram realizados com margem de erro mínima.”.

Portugal e a utilização de Energia fotovoltaica Em relação ao resto da Europa, Miguel Ornelas considera que Portugal ainda tem um longo caminho a percorrer. No que respeita às energias renováveis, o país apostou sobretudo na hidroelétrica e eólica cujo potencial está já bastante explorado. “O fotovoltaico representa apenas 600 megawatts de capacidade instalada, que é uma percentagem muito baixa no mix energético nacional, cerca de quatro por cento. É o setor que vai crescer exponencialmente este ano e nos seguintes, dado ser a fonte de produção de energia mais barata. O objetivo do governo português é chegar a 40 por cento de energia de fonte renovável e tal só é possível com solar fotovoltaico”, explica.

Sede: Rua José Ramalho Viegas, Nr5 r/c E, Gambelas 8005-226 Faro Email: info@dc-pv.com Telefone: +351 289 819 133 www.dc-pv.com

o presente. Neste momento, quem não investir nesta energia vai perder competitividade, no que respeita à área de autoconsumo industrial. Portugal tem ainda muito espaço para crescer e a empresa também não pode abrandar. Já temos bastantes projetos para 2019, alguns bastante grandes, mas sabemos que competimos com empresas de todo o mundo, por isso estamos constantemente a atualizar as ferramentas de software que são muito importantes na nossa atividade – e a dar formação aos nossos engenheiros, para que também estejam sempre a par das novidades que vão surgindo. A ida a feiras é fundamental, nesse quesito. Particularmente, é uma área que me apaixona e o futuro passa claramente por aqui”.

O futuro de umas das maiores empresas nacionais no setor O portefólio de trabalhos da DC-PV conta com instalações de painéis fotovoltaicos no Zoomarine, em várias indústrias algarvias e no setor primário, nomeadamente na agricultura, com bastantes clientes de explorações agrícolas que usam a energia solar para irrigação. Na margem Sul de Lisboa e no Alentejo existem também trabalhos com assinatura da empresa. Porém, é no exterior que a DC-PV mais se destaca. Com 70 por cento de atividade no estrangeiro, onde realiza os projetos de maior dimensão, esta empresa algarvia sabe que o futuro passa pela valorização e incremento do setor em Portugal, mas também pelo constante aperfeiçoamento da equipa, no que respeita às suas qualidades técnicas e ao equipamento disponível para trabalhar: “a energia fotovoltaica é

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TASCA JOTA

® Lagos

“UM TRABALHO CONTÍNUO: SER MELHOR QUE ONTEM” Nem só de praia e sol se fazem os encantos do Algarve. A tão conceituada tradição gastronómica portuguesa é, por esta região, servida com primazia - uma oferta que resume o que de melhor tem o país. A Tasca Jota, localizada em Lagos, é um exemplo da cozinha como uma arte, elevada ao expoente máximo.

O

s sabores, o aroma e até o lado estético são fatores que fazem da gastronomia uma arte e que, entre fronteiras portuguesas, é praticada de forma distinta. Exemplo disso mesmo é a Tasca Jota, um restaurante com um conceito diferenciado, em Lagos. João Amador, um empreendedor por natureza, decidiu em 2016 colocar em prática a história da sua carreira e concretizar a sua paixão pela gastronomia.

“Ao fim de meio ano já era gerente de um restaurante que faturava um milhão de libras por mês e tinha uma equipa de 130 pessoas” “A minha mãe era cozinheira e por isso eu nasci e cresci no ramo hoteleiro. Aos 14 anos, durante as férias escolares, comecei a trabalhar na área e aos 16 decidi interromper os estudos e começar a trabalhar”, começou por contar João Amador. Após apostar na sua formação profissional ainda por terras lusas, o seu caráter dinamizador e irreverente levou-o a ambicionar novas conquistas e, por essa razão, acabou por emigrar para Inglaterra, onde viria a integrar a equipa do

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João Amador, empresário


TASCA JOTA

conceituado chef Gordon Ramsay. “Ao fim de meio ano já era gerente de um restaurante que faturava um milhão de libras por mês e tinha uma equipa de 130 pessoas. Proporcionou-me uma experiência empresarial privilegiada.”, salientou. Motivado por uma maior proximidade à família, acabou por regressar a Portugal e, em anos de crise, decidiu apostar no seu próprio negócio. Começou por abrir um hostel direcionado a um segmento superior e, simultaneamente um bar-restaurante integrado num hotel de 4 estrelas. Depois, inaugurou um boutique hotel, abraçou um projeto de material de escritório e publicidade, e geriu ainda um aparthotel junto à praia. Guiado pelo sucesso e pelo seu espírito empreendedor, prosseguiu com a distribuição e comercialização de vinhos e em 2016 concretizava a sua paixão pela gastronomia portuguesa com a abertura da Tasca Jota.

Um conceito diferenciado Para quem gosta de experienciar novas sensações, este é certamente um destino obrigatório. Aromas e sabores únicos, equilibrados, intensos, elegantes, compostos de excelência e de detalhe. O conceito da casa é diferenciado pela qualidade e pela criatividade em reinventar a gastronomia tradicional. “Só faria sentido abrir um espaço que oferecesse algo de diferente a Lagos. Somos muitas vezes identificados como um restaurante gourmet ou fine dining, mas não era esse o caminho que pretendia. O meu objetivo era, e continua a ser, apresentar um produto diferente, com maior qualidade e com um preço médio para que as pessoas viessem aqui regularmente”, referiu o gerente. Ao almoço existem também pratos do dia. Contudo, os destaques da casa encontram-se no restante cardápio: “temos uma oferta de gastronomia tradicional, com um twist mais moderno, uma nova roupagem e uma preparação mais contemporânea. No entanto, queremos

respeitar a matéria-prima, sem perder as raízes do produto, a sua identidade e a sua essência.”, apontou João Amador. A fusão de sabores que desponta no palato é harmonizada por uma carta de vinhos capaz de proporcionar uma viagem completa pelo mais interessante de todas as regiões lusitanas. Indeferível da qualidade gastronómica, João Amador evidenciou que no fim o mais importante “é oferecer uma experiência única ao cliente”.

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TASCA JOTA

Uma equipa multicultural Num ambiente brando e descontraído, brinda-se o cliente com um serviço exemplar. A equipa é parte integrante do funcionamento e do sucesso de qualquer empresa. A Tasca Jota não é exceção a essa regra e João Amador fez questão de criar em volta

“Todos os dias trabalhamos, aprendemos e melhoramos. É um trabalho de equipa contínuo porque queremos sempre ser melhores que ontem” da equipa um dos principais segredos da casa: “esta é uma profissão muito exigente, e é por isso importante valorizar quem trabalha connosco. A equipa é a imagem da casa”. Caracterizada pela multiculturalidade, destaca-se na equipa a experiência que os elementos trouxeram na bagagem antes de incorporarem os ideais profissionais de João Amador. Entre profissionais que trabalharam além-fronteiras – na Suíça, na Alemanha, nas Maldivas, e em Inglaterra (com o chef

Gordon Ramsay) – há um elo de ligação: o conhecimento, a atenção ao detalhe e a exigência de bem fazer. “Todos os dias trabalhamos, aprendemos e melhoramos. É um trabalho de equipa contínuo porque queremos sempre ser melhores que ontem”.

Uma referência no Algarve Prestes a celebrar ainda o seu 3º aniversário de existência, as conquistas alcançadas são já várias. Hoje, a Tasca Jota é uma referência, não só em Lagos, mas também um pouco por todo o Algarve. Quem por ali passa, facilmente é conquistado, não fosse afinal um espaço de excelência. João Amador exalta o trabalho árduo desenvolvido por ele e pela sua equipa. Não obstante, a sua veia empreendedora leva o empresário a querer mais: “a Tasca Jota envolve muito trabalho e eu coloco sempre um cunho pessoal muito grande. Não penso, para já, em replicar o espaço. No entanto, quero continuar a consolidar o meu negócio. Vamos explorar mais um hotel no verão de 2019 e abrir mais um alojamento local na Praia da Luz”.

® Lagos

Rua Salgueiro Maia, Lote 8B 8600-620 Lagos 282 033 127

www.tascajota.com

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LEIRIA INOVAÇÃO, DINAMISMO E TURISMO Nesta edição, a Revista Business Portugal esteve no Centro Litoral. Desta feita, no importante centro de comércio, serviços e indústria que é cidade portuguesa, capital de distrito, Leiria. Cortada pelos rios Lis e Lena e abraçada pelo Atlântico, a cidade possuí uma riqueza cultural e paisagística indiscutível. Desde praia, pinhal, lagoas, salinas, abrigos rupestres, arquitetura religiosa, construções medievais, museus, termas, tradições populares, artesanato e esplêndida gastronomia, nada falta à cidade de Leiria. Leiria é o principal centro urbano do distrito de que é capital. Neste centro de sinergias diversas e complexas, surgem empreendedores e empresários de quem vale a pena falar. Exemplos de determinação e sucesso, em múltiplos e distintos setores de atividade. Na construção, a Revista Business Portugal apresenta a empresa JOAQUIM VIRALHADA. Na saúde oral, contamos com a presença da clínica SMClinic. Na produção de energias renováveis temos a APPB – Associação Portuguesa de Produtores de Biocombustíveis e para a produção de Soluções de Energia Eficientes contamos com a Fluxoterm. No sector imobiliário marca presença a ITU Imobiliária. Finalmente, contamos ainda com exemplos na indústria e do setor alimentar como a Cartobaça - Fabricação de papel e de cartão canelados, a Nigel - Congelação de produtos da pesca e da aquicultura, entre outras. Além de tudo isto, Leiria é uma cidade virada para o futuro. A indústria 4.0 e a inteligência artificial são os principais desafios que os empresários leirienses terão de enfrentar, para que possam continuar a sua atividade exportadora, sobretudo nos setores dos moldes e plásticos. Nesse âmbito, é necessário qualificar a mão-de-obra, melhorar os processos produtivos e diferenciar produtos e mercados.

DESTAQUES 90 NIGEL Uma opção de qualidade 92 JOAQUIM VIRALHADA Um empresário, quatro áreas de negócio... 94 CARTOBAÇA Papel e plástico em embalagens de qualidade 96 ITU - IMOBILIÁRIA E TURISMO Há 40 anos a dar cartas no setor imobiliário 98 APBP 25 anos de dedicação 100 SM CLINIC O melhor em prol do paciente

Rua da Capela, 13, Rendufas 2350-077 Rendufas da Estrada Tlf.: +351 916 927 062 Email: casadasrendufas@gmail.com www.casadasrendufas.com

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NIGEL

UMA OPÇÃO DE QUALIDADE Sediada em Peniche, a Nigel completa 61 anos de atividade que marcam a história da empresa. Com uma vasta experiência na transformação, congelação e comercialização de pescado, José Augusto Nicolau, CEO, assume um fator diferenciador assente na qualidade proporcionada em todos os produtos.

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m 1958, José Nicolau tomou a decisão de abrir uma empresa cuja matéria-prima seria o pescado fresco, para posteriormente congelar e distribuir. Assim nasceu a Congeladora José Nicolau, num espaço com 60 m3 e uma câmara de conservação. Em 1974, quando o atual CEO, José Augusto Nicolau, assumiu os destinos da empresa, esta mudou de nome para Nigel, em homenagem ao nome do fundador e à palavra ‘gelo’. Nessa altura, já há dois anos que a empresa exportava pescado congelado.

A qualidade em primeiro lugar A seleção de pescado de qualidade é essencial para distinguir os produtos da Nigel (marca principal), Gelnic, Nipeixe e Congel. O processo passa por rececionar a matéria-prima congelada em alto mar (a bordo do navio-fábrica) e pescado fresco proveniente das lotas nacionais. Posteriormente e através de locais distintos da fábrica, os pescados são inspecionados pelo controlo de qualidade que avalia a entrada. Para conservar a matéria-prima congelada, a Nigel dispõe de câmaras frigoríficas a 20 graus negativos. Já o pescado fresco é encaminhado para a área de laboração onde é preparado para a ultracongelação. Daqui resultam filetes, postas, lombos, tranches, medalhões, entre outros produtos.

Crescer para internacionalizar O crescimento tem sido contínuo e o CEO sentiu necessidade de, em 2015, ampliar toda a unidade fabril, que resultou na instalação de um novo sistema de frio e em equipamentos de produção e otimização energética. Atualmente com 110 colabo-

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José Augusto Nicolau, ceo

radores e com uma área de 18.500 m3 e 10 mil m2 de área coberta, a Nigel tem uma capacidade de congelação de oito toneladas por hora. Podemos verificar que as instalações têm as condições essenciais para manter o pescado, de acordo com os parâmetros de qualidade definidos. Foi em 1972 que a Nigel iniciou a internacionalização e começou a exportar pescado congelado para os Estados Unidos da América e Canadá. Atualmente, 50 por cento da produção está no mercado internacional que abrange 22 países espalhados pelos cinco continentes.

Aumento de produtos permitiu inovar A inovação está na ordem do dia da Nigel. Em 2013 iniciaram a produção de hambúrgueres de peixe, sem adição de conservantes ou aditivos e de qualidade superior. Em 2017 desenvolveram novos produtos com o lançamento de refeições prontas à base de pescado. Ainda há espaço para falar da evolução da informatização de toda a matéria-prima desde a entrada ao produto final. A localização, armazenagem em câmaras frigoríficas, pesagem, etiquetagem e picking para a faturação minimizam qualquer ocorrência de erro humano e otimizam a rapidez de processos que garantem a rastreabilidade do produto a qualquer hora e a qualquer momento. No que ao embalamento diz respeito, este é efetuado consoante as necessidades de cada cliente e para cada um são utilizadas

diferentes linhas e equipamentos. Assim, podemos afirmar que a introdução de novas tecnologias resultam na formação contínua dos colaboradores para satisfazerem as expectativas e as necessidades de cada um dos clientes. A comemorar os 61 anos da Nigel, José Nicolau defende como prioridade manter os elevados padrões de qualidade que vão desde a matéria-prima até à expedição. Sendo o departamento de qualidade autónomo, o objetivo passa por garantir a conformidade e a especificação do produto que contribuem para a certificação da empresa estipulada pelas normas ISF Food.

Rua dos Cortiçais 2524-909 Peniche- Portugal Apartado 22 +351 262 790040 | +351 93 5557960 nigel.peniche@nigel.pt

www.nigel.pt


NIGEL

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JOAQUIM VIRALHADA

UM EMPRESÁRIO, QUATRO ÁREAS DE NEGÓCIO... Joaquim Viralhada, natural de Peniche e empreendedor por natureza, encontra-se à frente de quatro negócios distintos: construção, restauração, marítimo-turística e fabricação/distribuição de café. Por forma a conhecermos um pouco mais sobre o homem e o empresário que está por detrás destes projetos de sucesso, a Revista Business Portugal esteve em Peniche, à conversa com o gestor.

S

abemos que é formado em engenharia civil, foi por aí que começou? Sim, foi através da construção que me iniciei no mundo empresarial. Depois de uma experiência a trabalhar por conta de outrem, decidi arriscar por minha conta e risco num negócio meu. A minha empresa e do Igor Cruz, meu sócio, dedica-se à reabilitação de edifícios, porque a empresa foi criada numa altura de crise na construção e, por isso, restava-nos a reabilitação do património edificado. Trabalhamos maioritariamente para Lisboa, porque é onde se

Neste momento, temos quatro estabelecimentos: Novo Cais, Bica da Prôa e Aquarius, todos situados no Porto de pesca de Peniche, mas com diferentes valências, e o Bananas Beach Bar, na praia do Molhe Leste/ Supertubos, que está aberto todo o ano

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concentra o maior volume de negócios do setor. E porquê investir na restauração e no turismo? Foi quase por acaso. Sou filho de comerciantes do setor, e em certo momento o meu irmão mais novo, Ricardo Viralhada estava desempregado e quis aproveitar as suas capacidades, por isso, propus-lhe um negócio. Neste momento, temos quatro estabelecimentos: Novo Cais, Bica da Prôa e Aquarius, todos situados no Porto de pesca de Peniche, mas com diferentes valências, e o Bananas Beach Bar, na praia do Molhe Leste/ Supertubos, que está aberto todo o ano. Uma área que nos apaixona, mas que nos sai caro a nível pessoal.

Joaquim Viralhada realiza passeios turísticos ao arquipélago das Berlengas, localizado ao largo da costa de Peniche: “o passeio às Berlengas surgiu por convite de um amigo, por forma a dar uso ao iate de 12 metros que eu já tinha. No entanto, a conceção do negócio foi-se alterando e adaptámo-nos. Neste momento, temos duas embarcações a fazer passeios turísticos”.


JOAQUIM VIRALHADA

Neste panorama, o café apresenta-se como um negócio ou como uma paixão? Uma paixão. O Special Coffee surge porque sou um apaixonado por bom café. Sempre fomos fornecidos pelas tradicionais marcas de café, que no meu entender deixavam sempre algo a desejar, ou eram muitos caros ou não tinham qualidade. Curioso, informei-me sobre como poderia criar o meu próprio café como a minha própria receita, e assim foi. Atualmente, temos cerca de 60 clientes e a tendência é aumentar esse número de ano para ano, mas sempre com o objetivo de fornecer um café de topo a um preço justo.

O Special Coffee é de origem 100 por cento brasileira, grão sénior, “portanto de alta qualidade a um preço competitivo”.

tão distintos e é preciso ter uma química e uma confiança muito grande nos meus funcionários e sócios. Delegar não depende só de quem delega, mas sim também de quem é delegado. Neste momento, sinto que tenho as pessoas certas nos lugares certos e só assim funciona. Quero aproveitar para fazer um agradecimento especial aos meus dois sócios, Ricardo Viralhada (restauração) e Igor Cruz (construção), bem como ao César Delgado, nosso funcionário, pois sem eles tudo seria bem mais complicado... Pode desvendar algumas das novidades que 2019 trará? Na parte do café, houve há bem pouco tempo a introdução de novos produtos: o chá em stick, o cappuccino e o chocolate quente, já fazem parte do leque de produtos que disponibilizamos. Na parte das viagens, vamos continuar a inovar e a responder às necessidades de todos os visitantes, tentando sempre dar o melhor contributo para a valorização de uma reserva da biosfera, como é o arquipelago das Berlengas. Na restauração, vamos continuar a fazer o esforço de melhorar todos os pontos desde serviço à comodidade. Sobre Peniche, o que há a dizer? E o que falta fazer? Falta ADN, falta bairrismo e defendermos o que é nosso. Peniche poderia ser o Algarve do Oeste. Temos um concelho bom para viver, bom para trabalhar, mas falta investimento principalmente público. É um diamante por lapidar, falta de tudo, falta fazer, concretizar... Temos muitos projetos que não passam disso mesmo!

Para além da qualidade do grão, o que é essencial para fazer um bom café? Paixão... Um bom café pode ser mal tirado, por isso, as técnicas têm de ser partilhadas. A matéria prima é fundamental mas todos os processos até ‘à chavena’ são igualmente importantes.

Bananas Beach Bar praia de Molhe Leste/Supertubos

É fácil desdobrar-se em negócios tão distintos como estes? Enveredei por várias áreas de negócio por estratégia empresarial, deste modo, se um setor não funcionar, tenho outro para contrabalançar. Mas não é nada fácil gerir negócios

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CARTOBAÇA

PAPEL E PLÁSTICO EM EMBALAGENS DE QUALIDADE A Cartobaça, presente no mercado nacional há 17 anos, incide na fabricação de cartão canelado e plástico de bolha de ar. Renato Neves, CEO da Cartobaça, apresenta a empresa, a evolução dos produtos e as perspetivas de crescimento que traça para o novo ano de 2019.

P

resente no mercado há 17 anos, como descreve a sua evolução enquanto empresário, bem como da empresa que representa? O instinto de empreendedor já vem do tempo do meu pai, que começou por trabalhar em cerâmica e continuou a sua vida empresarial nas embalagens. Posteriormente, surgiu a oportunidade e, dentro da gama das embalagens, alterámos o produto e fomos desenvolvendo este modelo de negócio. Apesar da evolução, não pudemos deixar de estar atentos às novas oportunidades e readaptando os produtos de forma a suprir as necessidades do mercado. Atualmente produzimos todos os produtos da nossa marca, AirPack® que inclui cartão canelado, bolha de ar, esferovite, transformação de espuma, e muito em breve envelopes almofadados, sendo que estes produtos se subdividem em outros compostos. Em suma, temos um leque variado de opções para apresentar aos nossos clientes e estamos sempre em busca de novas soluções. Considera que o investimento em maquinaria é importante para a evolução do volume de negócios? Sem dúvida que sim. Há quatro anos investimos numa máquina,

Renato Neves, ceo

94 | Revista Business Portugal fevereiro 2019

que ainda se mantém como uma das mais atuais da Europa. Foi um investimento muito elevado, mas conseguimos rentabilizá-la através do incremento de qualidade e um significativo aumento da produção. Para além da maquinaria, e da fabricação da nossa marca própria AirPack®, o facto de estarmos localizados no centro do país é uma enorme vantagem porque estamos a meio caminho dos dois grandes polos de consumo: centro sul, centro e norte, embora regiseamos um consumo elevado dos nossos produtos desde a região de Setúbal até à Coruña, na vizinha Espanha. Quais são os maiores desafios que encontra como empresário? Creio que a burocracia e toda a carga fiscal portuguesa são os maiores entraves que aponto. As empresas perdem muitas horas de trabalho não a produzir e a gerar valor que é para isso que existem, mas sim a tratar de toda a carga burocrática e fiscal que nos exigem. Não quero que o Estado me dê nada, só quero que me deixe trabalhar e pagar os meus impostos de forma justa. A matéria prima mais utilizada é o cartão ou o plástico? Trabalhamos mais com o plástico. A utilização do cartão está a aumentar por causa das polémicas levantadas sobre a utilização excessiva do plástico, mas há muito poucas alternativas a este. Já entrei em contacto com vários fornecedores, distribuidores e universidades e, para já, não há uma alternativa viável para o plástico. Apesar da preocupação ambiental que rege a Cartobaça creio que esta questão está a ser demasiado empolada. Aponto como exemplo a utilização dos pratos, copos, palhinhas, entre outros, em papel não é uma solução ambientalmente sustentável. Estes são feitos de papel com uma lâmina de plástico na superfície, o que torna a sua reciclagem inviável. Há que ter conhecimento das matérias-primas em questão e da forma como elas se comportam quando expostas ao meio ambiente, temperatura, tipos de utilização e se são recicláveis.


CARTOBAÇA

Apresente-nos as perspetivas que delineia para 2019. O ano de 2018 foi muito bom para a Cartobaça, tínhamos mudado de instalações há pouco tempo, crescemos durante todo o ano e nos últimos cinco anos a faturação cresceu quase para o dobro. Este ano continuaremos a crescer, vamos começar a produzir e lançar no mercado um novo produto, mas também quero consolidar melhor a empresa. O novo produto passará pela junção de dois materiais com os quais já trabalhamos e que não são produzidos em Portugal, nem na vizinha Espanha. Este

ano estou mais contido quanto à expectativa de crescimento por causa da conjuntura internacional e dos sinais de que nem tudo está bem, como alguns opinion makers fazem parecer. O Brexit pode trazer problemas sérios para a economia europeia onde estamos inseridos e, se alguns países importantes para o mercado exportador nacional entrarem em dificuldades, isso irá, por arrasto, interferir com a economia nacional. Mas estamos atentos.

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ITU - IMOBILIÁRIA E TURISMO

HÁ 40 ANOS A DAR CARTAS NO SETOR IMOBILIÁRIO É na Avenida Manuel Remígio, na Nazaré, que podemos encontrar a ITU - Imobiliária e Turismo, Lda. Luís Tereso é o proprietário deste espaço e foi com ele que estivemos à conversa aquando da nossa estadia pela região.

Q

uis o destino que Luís Tereso abraçasse o setor imobiliário há 40 anos. A qualidade do trabalho desenvolvido aliado ao know-how levaram-no a criar a sua própria empresa. Uma aventura que começou há 40 anos e que é o arquétipo do profissionalismo e dedicação. Em conversa com a Revista Business Portugal, o interlocutor admite que o percurso nem sempre foi fácil, a crise deixou cicatrizes no setor e só uma gestão consciente e cautelosa conseguiu levar a ITU - Imobiliária e Turismo a bom rumo. “Tivemos alguma cautela e tentámos controlar a situação sem nos ‘pendurarmos’ na banca. Não quisemos fazer tudo de uma vez. Fomos fazendo passo a passo, conquistando o nosso espaço”, conta o entrevistado.

Uma empresa de e para a região Centro A empresa da região centro encontra na construção, promoção e venda de imóveis o seu core business, possuindo uma forte vertente turística. A ITU - Imobiliária e Turismo assume-se, assim, como uma promotora imobiliária que constrói os seus empreendimentos, assegurando as vendas diretas ao cliente e disponibilizando toda a assistência de serviços pós-venda. Com algumas dezenas de edifícios construídos é sobretudo nos concelhos de Nazaré e Alcobaça que encontra o raio geográfico de atuação dos seus serviços e onde atualmente tem em execução projetos de referência, que estarão concluídos ainda este ano ou o mais tardar no início de 2020. “Neste momento, temos dois projetos em desenvolvimento

96 | Revista Business Portugal fevereiro 2019

no concelho de Nazaré. Estamos a começar dois em São Martinho do Porto e Foz do Arelho”, confessa Luís Tereso, que assume com satisfação que “tudo está a andar bem”.

Materialização do sonho de cada um É no cliente estrangeiro que a ITU Imobiliária e Turismo encontra a maior percentagem do volume total de negócios. Europeus, sobretudo vindos da Bélgica, que procuram encontrar no litoral português tranquilidade e segurança. Com especial preferência pelas zonas de São Martinho

“Atualmente, trabalhamos com uma mediadora belga, instalada em Portugal, que faz a promoção dos nossos produtos naquele país” do Porto e Salir do Porto, é na zona costeira que a ITU - Imobiliária e Turismo desenvolve um grande volume de moradias individuais e condomínios privados, que procuram dar resposta às pretensões dos clientes.

Imobiliária e Turismo encontra um dos seus principais alicerces. Como tal, recorrem a empresas locais, regionais e estrangeiras, conhecedoras do mercado imobiliário e que garantem a qualidade de serviço prestado. “Atualmente, trabalhamos com uma mediadora belga, instalada em Portugal, que faz a promoção dos nossos produtos naquele país”, justifica assim, Luís Tereso, o elevado número de clientes belgas que a ITU - Imobiliária e Turismo regista. Uma aposta na qualidade reconhecida por clientes e entidades, tendo sido já distinguida, pelo IAPMEI, como PME Líder 2017.

“Agora, os clientes são mais exigentes” Quatro décadas passadas, desde que embarcou nesta atividade, existem já muitas diferenças no setor imobiliário e que Luís Tereso, facilmente, consegue identificar. A evolução tecnológica e o aumento da exigência dos clientes são, para o empresário, as grandes dissemelhanças no setor. Os anos de experiência deram a Luís Tereso o know-how necessário para hoje reconhecer as vulnerabilidades do setor que gere, não se esquecendo de alertar para o futuro incerto que o setor da construção enfrentará. A falta de mão de obra qualificada e “as facilidades da banca” são para o interlocutor realidades preocupantes: “dentro de pouco tempo, podemos não ter capacidade de produção de casas como tínhamos há 10 anos. Há uma grande escassez de mão de obra”, alerta.

Uma aposta nos parceiros certos

No caminho da qualidade

É nas parcerias de qualidade que a ITU -

Satisfeito com o trabalho desenvolvido


ITU - IMOBILIÁRIA E TURISMO ao longo dos últimos 40 anos, Luís Tereso espera agora que o filho Pedro Henriques, que é já responsável técnico máximo da empresa, assuma a direção e gestão da ITU - Imobiliária e Turismo. Uma passagem de testemunho, já há muito ansiada pelo em-

presário, que espera encontrar no filho o caminho da continuidade do projeto de uma vida. É com a folha em branco que Luís Tereso perspetiva o futuro da ITU - Imobiliária e Turismo. Sem planos definidos, o empresário não esconde que “o futuro é um

pouco incerto no que diz respeito à área da construção”. No entanto, ressalva que para a ITU - Imobiliária e Turismo existe algo imprescindível: continuar a corresponder às exigências dos clientes e ser cada vez mais uma referência de qualidade.

PROJECTO: Condomínio “Muralha” (Finalizado e comercializado) LOCALIZAÇÃO: Sítio da Nazaré DESCRIÇÃO: O empreendimento da Muralha é um condomínio fechado localizado no Sitio da Nazaré, a cerca de 300 metros da praia do Norte, conhecida pelas suas ondas gigantes. Composto por 34 apartamentos distribuídos, por apartamentos T1 T2 e Duplex´s com acabamentos de luxo, piscina exterior de grandes dimensões, jacuzzi e court de ténis. Os apartamentos possuem áreas acima da média com uma excelente exposição solar e são complementados com excelentes varandas que permitem usufruir de uma espectacular vista sobre a praia do norte.

PROJECTO: Fonte da Vila (Em construção) LOCALIZAÇÃO: Nazaré DESCRIÇÃO: Condomínio fechado de luxo em construção, situado numa localização privilegiada com vistas deslumbrantes sobre a praia da Nazaré. Este Condomínio será composto por 23 apartamentos dividido em 3 blocos, terá apartamentos tipo T2, T3 com excelentes áreas e excelente exposição solar. Terá ainda uma piscina comum onde se poderá usufruir de uma vista de cortar a respiração.

PROJECTO: Edifícios “Varandas do Pinhal” (Em construção) LOCALIZAÇÃO: Sítio da Nazaré DESCRIÇÃO: Situado no Sitio da Nazaré, a cerca de 500 metros da praia do Norte conhecida pelas ondas gigantes, este empreendimento será constituído por 15 fracções - Apartamentos T1, T2 e T3, dividido em dois edifícios (Edifício A e Edifício B). Poderá ainda usufruir de uma piscina e de uma excelente zona de lazer no terraço comum desfrutando das lindas paisagens sobre a praia do Norte e do Pinhal de Leiria.

PROJECTO: ALVA PARK II – Pavilhões Industriais (Finalizado e em comercialização) LOCALIZAÇÃO: Zona Industrial de Alva, lote 7 – Pataias - Alcobaça DESCRIÇÃO: Conjunto de 10 Pavilhões destinados à indústria ou armazém, para venda ou aluguer, com áreas de 250m2, 700m2 e 780m2.

Morada: Av. Manuel Remígio, nº 93 • 2450-106 Nazaré • Telefone: (+351) 262 562 114 • Telemóvel: (+351) 918 746 430 • Email: geral@itu.pt • www.itu.pt

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APBP

25 ANOS DE DEDICAÇÃO A editora APBP – Artistas Pintores com a Boca e o Pé dedica-se à publicação, reprodução e divulgação dos trabalhos realizados por artistas que não podem fazer uso das mãos para se expressarem através da pintura, escultura e outros processos artísticos. Margarida Martins, CEO da APBP desde a sua fundação, há 25 anos, sublinha a “lealdade e força transmitida pelos inúmeros portugueses que recebem, nas suas casas, os trabalhos dos artistas e os compram reconhecendo, por isso, a qualidade artística dos pintores que se encontram espalhados por todo o mundo”.

A

APBP é muitas vezes confundida com uma associação ou ONG, mas, na realidade, é uma empresa. Apresente a APBP aos leitores. A APBP tem como fundamento a publicação, reprodução e divulgação dos trabalhos de artistas de todo o mundo que pintam com a boca e os pés. Somos, por isso, uma empresa que trabalha ao serviço dos seus artistas e os lucros revertem para a Associação Internacional de Artistas que Pintam com a Boca e os Pés que foi fundada em 1957 por Erich Stegmann, que está presente em mais de 60 países e conta com cerca de 900 artistas. Como fazemos parte desta associação internacional trabalhamos para todos os artistas a nível mundial, ou seja, os lucros são divididos por todos os artistas e se a editora deixar de existir num país, eles continuam a ser remunerados. O artista não está ligado à editora, na realidade, está ligado à Associação Internacional. Os seus trabalhos são enviados diretamente para esta entidade, de onde provém a sua remuneração e onde é avaliado o processo de entrada de novos membros. Havendo um artista interessado em pertencer à Associação Internacional de Artistas que Pintam com a Boca e os Pés como deve proceder? Estamos sempre motivados para receber novos elementos, desde que se insiram na condição primordial de não poder pintar senão com a boca ou os pés.

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APBP

Margarida Martins, ceo

Quando comprovada esta limitação tão específica, as obras são avaliadas por um júri que emite um parecer e, se este for positivo, o artista entra para a Associação como bolseiro e vai evoluindo até se tornar membro associado. Este escalar é avaliado através da sua interação com a comunidade, através de entrevistas, palestras e demonstrações efetuadas, do número de obras enviadas e da sua evolução como artista. O fator primordial desta evolução de estatuto é que os artistas sejam independentes a fazer o que mais gostam: a pintar, tal como era o fundador da associação, Erich Stegmann. A APBP interage com a comunidade? De que forma o faz? Participamos em palestras para dar a conhecer o trabalho da Associação de Artistas que Pintam com a Boca e os Pés, vamos às escolas, órgãos de comunicação social e outros locais onde nos convidam. Somos uma empresa que presta um serviço através da venda dos trabalhos realizados pelos artistas e emitimos uma fatura de compra dos produtos adquiridos não usufruindo, por isso, de nenhum apoio estatal. Enviamos, por exemplo, a coleção de postais pelo correio diretamente para a casa das pessoas, acompanhados de um folheto explicativo no qual descrevemos quem é a APBP, qual o nosso objetivo e as pessoas optam por ficar ou devolver os postais. Por norma, as pessoas compram os postais ajudando os artistas ao nível monetário e, ao mesmo tempo, reconhecendo a qualidade dos seus trabalhos. A APBP está sempre recetiva a convites para dar a conhecer o seu trabalho, a Associação Internacional de Artistas que Pintam com a Boca e os Pés e o trabalho desenvolvido pelos seus artistas.

O artista não está ligado à editora, na realidade, está ligado à Associação Internacional. Os seus trabalhos são enviados diretamente para esta entidade, de onde provém a sua remuneração e onde é avaliado o processo de entrada de novos membros

Rua Belchior de Matos nº 5 r/c Dto 2500-324 Caldas de Rainha Telefone: 262-880-604

www.apbp-portugal.com

fevereiro 2019 Revista Business Portugal | 99


SM CLINIC

O MELHOR EM PROL DO PACIENTE A clínica médico dentária abriu na Benedita (concelho de Alcobaça), em julho de 2016, fruto de uma necessidade de Sandra Martins, já com uma experiência de 17 anos nesta vila, de manter vivos os ideais clínicos que valoriza.

J

untamente com o seu marido, Artur Conceição (psicólogo), abriu o seu próprio espaço, trazendo consigo Raquel Costa e Sandra Guerra, médicas dentistas que a acompanhavam já há algum tempo. Forma-se então a equipa que tem como máxima a proximidade entre médico e paciente, que consideram inevitável e imprescindivel. A clínica é especializada em tratamentos dentários, desde os mais básicos de prevenção até tratamentos estéticos. Para além disso, neste estabelecimento os pacientes podem encontrar resposta na área da psicologia e da nutrição. De salientar que, para além dos três profissionais que se encontram permanentemente na clínica, a equipa conta, ainda, com a presença de um profissional especializado em implantologia avançada, Magno Rebelo. Qualidade e proximidade são as palavras-chave utilizadas para caracterizar a génese deste projeto. Para o corpo clínico é importante que exista qualidade de serviço, proximidade com o paciente e boa análise das necessidades de cada um: “prezamos muito a proximidade com os nossos pacientes que merecem ser vistos como um

Equipa

(de manhã e à noite), usar fio dentário à noite (antes da escovagem) e utilizar o elixir (no fim da escovagem)”. Estes cuidados aliados a uma alimentação sem excesso de açúcares e visitas regulares ao dentista, de seis em seis meses, são essenciais para a manutenção de uma boa saúde oral.

Formação na medicina dentária

todo”. A qualidade é também importante no que diz respeito às técnicas e equipamentos utilizados e é nesse sentido que a clínica está equipada com tecnologia de ponta. A diretora clínica deixou-nos um exemplo: “a ida ao dentista é ainda para muitas pessoas, uma situação causadora de stress. Por este motivo, a SM Clinic dispõe de um serviço de sedação que permite que o paciente se sinta tranquilo e descontraído durante o tratamento”. Questionada sobre quais os cuidados a ter para uma melhor saúde oral, a diretora clínica aconselhou “escovar os dentes pelo menos duas vezes por dia

“A medicina dentária não é uma área estática em que a formação finda após os anos de faculdade, mas sim uma área em que temos de estar em constante formação. Apesar de ser um investimento da nossa parte, é um investimento que compensa e que é obrigatório, uma vez que todos os dias há soluções novas e técnicas novas, das quais temos que ter conhecimento para as conseguirmos utilizar de forma correta na prática clínica e, consecutivamente, conseguirmos oferecer aos nossos pacientes o melhor resultado possível”, finalizou a nossa entrevistada.

R. Rei da Memória 25, 2475-149 Benedita • Tlf. : 262 098 412 • Tlm. : 963 891 281 • Email : geral@smclinic.pt • www.smclinic.pt

100 | Revista Business Portugal fevereiro 2019


OUTROS TEMAS EM DESTAQUE

DESTAQUES

Nas próximas páginas conheça outros temas que fazem do empreendedorismo nacional um exemplo a seguir por todo o mundo. Municípios, associações e empresas com ‘símbolo’ português preenchem as páginas que seguem na sua Revista Business Portugal.

106 PAULOWNIA D.F. PORTUGAL “A madeira de Paulownia é um das mais procuradas a nível mundial”

102 INELCIS Soluções para gestão empresarial 103 FUNDAÇÃO MARIANA SEIXAS “Um novo olhar para o futuro”

108 PAULOWNIA ALÉM DOURO Plante o presente, colha o futuro 108 HERDADE TOJAIS CAÇA “OS GOMES” Criação de perdizes bravas em ambiente selvagem 112 SKREY “Desenvolvemos soluções de e-commerce end to end”

fevereiro 2019 Revista Business Portugal | 101


INELCIS

Rua Inácio José Peixoto Nº145, 1ºTrás 4700-431 BRAGA

(+351 253 265 276) geral@inelcis.pt

SOLUÇÕES PARA GESTÃO LABORATORIAL

P

ara contextualizar os nossos leitores, explique-nos como surgiu este projeto. Em 1999, quatro colegas e eu trabalhávamos numa empresa de desenvolvimento que fechou e na sequência disso resolvemos formar esta empresa. Numa primeira fase, a nossa atividade principal começou por se situar na área da eletrónica e a ideia consistia em sermos uma equipa que apoiava as empresas na transferência de tecnologia, implementando projetos de desenvolvimento por medida. Após seis anos, deu-se uma reviravolta completa na nossa área de atuação. Uma empresa da região lançou-nos o desafio de avançarmos com um projeto de apoio e desenvolvimento de um software de gestão de dados laboratoriais para o seu laboratório interno. Aceitámos o desafio. A partir daí, o crescimento foi notório. Nos dois anos seguintes já prestávamos serviços da mesma natureza em Coimbra, Lisboa, Oeiras e geríamos sete sistemas de gestão laboratorial idênticos desenvolvidos inhouse. A propriedade intelectual é nossa e tem vindo a crescer, sempre complementada com aquilo que os laboratórios identificam como necessidades para melhorarem os seus processos internos. Porquê o nome Inelcis®? Não era o nome que tínhamos escolhido. Em 1999, quando formámos a empresa, tínhamos cinco ou seis nomes pré-definidos, mas não pudemos usar nenhum. Assim guiámo-nos por aquilo que queríamos fazer na altura: apoiar as empresas na transferência de tecnologia, nas áreas de informática e eletrónica. Surgiu então o nome que permitiu realizar uma combinação de acordo com as nossas pretensões à data: In - Informática, As nossas soluções:

102 | Revista Business Portugal fevereiro 2019

El – Eletrónica, CI -Circuitos e S – Sistemas. O Medical & Laboratory Information Systems é um acrónimo que identifica melhor aquilo que fazemos atualmente. Quantas marcas tem a empresa? Para além da marca Inelcis®, temos a marca Inlablims®, a qual identifica a Solução criada para Gestão e Integração Laboratorial. Ao abrigo desta marca temos um conjunto de produtos e soluções que podem operar, não só de forma individual, mas também de forma conjunta para permitir soluções globais mais completas. Criámos ainda a marca H2Online®, sob a qual estamos a trabalhar um conjunto de projetos, apoiados pelo Portugal 2020. O objetivo consiste em construir e disponibilizar um conjunto de plataformas informáticas que possam ser amplamente usadas, quer a nível nacional, quer a nível internacional. Que tipo de clientes vos procuram? Os nossos clientes são essencialmente laboratórios, empresas que possuem laboratórios ou entidades que possuem necessidade de soluções para gestão de dados e resultados analíticos. Todos têm necessidade de realizar e/ou gerir análises de águas, alimentos, solos agrícolas, entre outras. Possuímos também clientes na área de anatomia patológica, para a qual temos uma solução que permite realizar todo o controlo de faturação de forma simplificada, dando uma resposta completa à emissão de faturas de acordo com os diversos subsistemas de saúde, incluindo seguradoras. Permite ainda realizar a faturação em laboratórios convencionados com o SNS de acordo com todos os requisitos de faturação estabelecidos pela ACSS. Os nossos clientes utilizam as nossas soluções e colaboram connosco na introdução de novas funcionalidades e na melhoria das soluções já existentes. O que vos diferencia no mercado? A capacidade que a empresa tem de prestar serviços

www.inelcis.pt

de forma totalmente integrada com os seus clientes, percebendo as suas dificuldades e apontando soluções, num percurso conjunto de melhoria contínua. Qual foi a solução mais desafiadora até hoje? Foi, sem dúvida, a substituição integral, incluindo a migração completa do histórico de resultados e informação analítica, de soluções existentes em vários laboratórios pela nossa solução de gestão laboratorial. Qual é o vosso lema de ação? Acho que o termo ‘Parceria’ identificaria tudo. Queremos ser um parceiro importante dos nossos clientes, no qual eles depositam total confiança, sabendo que contam sempre com o nosso rigor e transparência de atuação. Por onde passa o futuro da Inelcis? Passa por construir um conjunto de plataformas informáticas que possam fornecer vários serviços aos nossos clientes e que se complementam entre si. Temos a ambição de que as mesmas possam ser utilizadas, não só em Portugal, mas também em todo o mundo. Que convite faz às pessoas e entidades que não vos conhecem, mas que poderão tornar-se vossos futuros clientes? Basicamente, ousem desafiar-nos. Coloquem o desafio em cima da mesa, reúnam connosco, deixem-nos perceber quais são as suas necessidades e nós propomos-lhe a solução, nunca perdendo de vista a identidade e a especificidade de cada Entidade.


FUNDAÇÃO MARIANA SEIXAS

“UM NOVO OLHAR PARA O FUTURO” A Fundação Mariana Seixas nasceu para receber preferencialmente a população de Ranhados, no concelho de Viseu, e continua a sua missão com a força e determinação que tão bem a carateriza. O Conselho de Administração, eleito há cerca de três anos e liderado pelo estimado Adelino Botelho, adotou uma forma diferente de comandar esta instituição impondo uma gestão financeira rigorosa e abrindo o coração praticando solidariedade dentro e fora da instituição. Na visita que realizámos à instituição foi visível o trabalho realizado, bem como a emoção no olhar, muitas vezes pautado por lágrimas de emoção, do nosso entrevistado Adelino Botelho, presidente do CA enquanto nos guiava pelos corredores da Fundação Mariana Seixas.

H

á cerca de 34 anos que a Fundação Mariana Seixas acolhe e auxilia a população de Ranhados quanto às suas necessidades mais prementes. O que levou à sua instituição? Este espaço foi inaugurado no dia sete de janeiro de 1984, mas a benfeitora, que dá nome

Adelino Botelho, Luís Santos e José Francisco, membros da comissão executiva

à fundação, começou este trabalho muito Apresente a Fundação Mariana Seixas. antes desta data. Esta casa foi criada em Somos uma IPSS – Instituição Particular memória de Mariana Loureiro de Almei- de Solidariedade Social que tem com prinda e Vasconcelos – Dona Mariana Seixas cipal fim apoiar a população de freguesia – que sempre pautou por ter especial de Ranhados, e arredores, nas mais variadas cuidado e disponibilidade para com a valências. Tomámos posse no dia três de população de Ranhados tanto com apoio junho de 2015 e encontrámos a instituição moral, como material. Neste sentido ins- com saldo negativo, a necessitar de obras talou, numa das suas propriedades, um interiores e exteriores urgentes, equipamenespaço onde toda a população pudesse tos a necessitar de manutenção e outros de recorrer em caso de necessitarem de as- serem substituídos, falta de pessoal, etc. A sistência. O seu filho, Francisco José de nível institucional apoiamos 80 utentes na Vasconcelos Peixoto, querendo perpe- Estrutura Residencial Para Idosos (ERPI), tuar a memória e caridade da sua mãe, instituiu uma Somos uma IPSS – Instituição Fundação com o seu nome dando, por consequência, Particular de Solidariedade Social continuidade ao trabalho que tem com principal fim apoiar iniciado pela Dona Marina a população de freguesia de Seixas.

Ranhados, e arredores, nas mais variadas valências

fachada da fundação

16 nas 12 casinhas construídas dentro do espaço da instituição e 13 no Centro de Dia, para além destas valências temos quadro para receber 25 utentes no Serviço de Apoio Domiciliário (SAD), perfazendo a soma de 134 utentes. As crianças dispõem de espaços educativos específicos desde os três meses (no berçário), passando pela creche, pré-escolar e ATL, num total de 172 crianças. Para fazer face às especificidades e exigências destas valências temos um quadro de pessoal que ascende às 80 pessoas, mais fevereiro 2019 Revista Business Portugal | 103


FUNDAÇÃO MARIANA SEIXAS o pessoal contratado para situações especiais e de reforço, como os médicos, enfermeiros, psicólogo, etc. A presente direção tomou posse há pouco mais de três anos e as alterações são visíveis mesmo para quem passa do lado de fora da instituição. Quem faz parte da direção e quais foram as mudanças mais pertinentes que implementaram? A comandar a instituição está o Conselho de Administração (CA), composto por cinco elementos, sendo que o presidente, secretário e tesoureiro são, por inerência, os mesmos três elementos que compõem a Comissão Executiva (CE) que resolve as situações correntes e do dia a dia. Eu, Adelino Botelho sou o presidente, Luís Santos é o secretário e José Francisco é o tesoureiro. Quando iniciámos o nosso mandato, no dia três de junho de 2015, a Fundação Mariana Seixas tinha uma dívida que ascendia aos 700 mil euros, dívida essa que neste momento já está saldada e, para além

de manutenção e de reparação do edifício e dos espaços exteriores. Estas obras e compras custaram cerca de um milhão de euros à instituição. Em suma, conseguimos fazer obras e saldar dívidas anteriores com um milhão e 700 mil euros e, para além disso, criámos um fundo de maneio no valor de 500 mil euros. Alienamos, de maneira assertiva e ponderada, alguns terrenos que estavam demasiado longe da instituição. Tínhamos um médico de medicina geral e familiar

Trabalho realizado pelos utentes da ERPI

A relva artificial veio substituir um espaço de terra e pedras junto ao ATL

disso, realizámos várias obras e compras urgentes da qual a instituição estava necessitada. Refiro-me, mais especificamente, ao autocarro da instituição que atingiu os 16 anos, que tinha obrigatoriamente que ser substituído, e no qual gastámos 120 mil euros; aos telhados de amianto existentes na instituição que foram substituídos por telhados novos, excetuando uma pequena parte dos anexos e da lavandaria, obra que já está adjudicada e que vai começar muito em breve. A manutenção do elevador, a pintura do edifício e de algumas salas de utilização dos idosos e das crianças, dos equipamentos de apoio ao recreio das crianças, substituição do chão de algumas salas, entre outras obras 104 | Revista Business Portugal fevereiro 2019

e passámos para dois, de dois enfermeiros passámos para três e, consequentemente, aumentámos o horário deste serviço em 80 horas mensais e ainda passámos 11 funcionários para o quadro de pessoal da instituição. Realizamos passeios de autocarro e de barco, organizamos festas de aniversário, temáticas e, muitas delas interinstitucionais, mas exalto o trabalho e elevada participação de todos os nossos funcionários. Desde há dois anos que escrevemos ao Papa Francisco, a desejar

Panorâmica de algumas das 12 casinhas disponíveis para habitar dentro da Fundação Mariana Seixas


FUNDAÇÃO MARIANA SEIXAS valor de três mil euros, mas o mais importante é salvar vidas e o uso de um desfibrilhador nos primeiros cinco minutos de vida reduz o risco de morte em cinquenta por cento. Somos a única instiruição deste cariz que

tem esta formação e este kit na zona centro.

O autocarro da instituição, uma das compras mais elevadas que a direção concretizou

Bom Natal e todos os anos recebemos uma resposta. Felicitamos todos os funcionários pelo seu aniversário e têm direito a folga, atribuímos um subsídio de nascimento no valor de 250 euros, emprestamos, em caso de necessidade urgente, até um terço do ordenado ilíquido a pagar até três meses após a data

O cuidado para com os utentes, a população em geral, com os vossos funcionários e a manifesta preocupação em valorizar as instalações, promovendo a qualidade de vida dos mais novos aos mais idosos é visível e louvável. Como conseguiram concretizar tanto a obra física e humana em tão pouco tempo? Conseguimos concretizar todas estas obras porque gerimos esta casa como se tratasse da nossa e, sem dúvi-

do empréstimo, tudo isto em apenas três anos de mandato. O espaço exterior não ficou esquecido... O espaço exterior também necessitava de ser intervencionado de forma a reduzir o risco de queda dos nossos idosos e crianças, facilitando o acesso das pessoas com mobilidade reduzida e o trabalho dos nossos funcionários. Construímos novas rampas e passadiços ao longo dos caminhos exteriores e plantámos diversas espécies de árvores, plantas e flores. Fechámos um lago desativado, que estava no centro do jardim, e transformámos essa área numa zona de lazer onde atuam os grupos que se deslocam à nossa instituição. Apostámos na relva artificial para embelezar e prevenir quedas das crianças nas zonas onde anteriormente existia terra e pedras. Tudo pelo conforto e bem-estar dos nossos idosos, das nossas crianças e dos nossos funcionários. A comunicação para o exterior já é promovida online? Foi uma das alterações marcantes que fizemos ao nível de comunicação com o exterior, os nossos utentes e curiosos quando à nossa missão. Posto isto, mandámos construir uma página com o nome da Fundação Mariana Seixas e a procura, a nível estatístico, foi muito mais elevado do que o esperado: nos primeiros seis meses deste ano tivemos uma média diária de 33.3 visitas, incluindo sábados, domingos e feriados. Através da página da Fundação promovemos e divulgamos o nosso trabalho, as obras, a nossa história e comunicamos quem somos e qual a nossa missão para todos os que tiverem curiosidade em saber. São, sem dúvida, uma instituição de reconhecido valor social e solidário e o vosso trabalho certamente não passou despercebido às entidades locais. De que forma tem sentido esse reconhecimento? Felizmente sentimos esse reconhecimento de várias formas e por diversas entidades, nomeadamente pela Câmara Municipal de Viseu. O Agrupamento de Escolas Grão Vasco, que recebe mais de 2.500 alunos, tem de convidar três entidades externas para fazerem parte do Conselho Geral e nós fomos agraciados

com esse convite, a par com o Hospital e o Conservatório. Posteriormente fomos alocados ao Conselho Permanente. Fomos a entidade escolhida para

a implementação do Projeto Salva-vidas, ação promovida pela Fundação Nacional de Cardiologia em parceria com o INEM, a Auchan e a Senilife. Ficámos muito honrados com a escolha e recebemos as formações que nos propuseram de braços abertos. Formaram pessoal da casa em SBV - Suporte Básico de Vida e seis pessoas receberam formação para saber trabalhar com o desfibrilhador. Deram-nos um desfibrilhador e um kit de primeiros socorros no

Jardim cuidado e embelezado com variadas plantas e flores

A casinha e a igreja da creche receberam pinturas novas

da, que a recuperação financeira da Fundação Mariana Seixas se prende única e simplesmente com a boa gestão interna que impusemos quando iniciámos o nosso mandato há três anos. Temos de ter em consideração que a despesa corrente anual ascende a um milhão e 700 mil euros, que as instalações contam com mais de 30 anos e que necessitam de manutenção constante, não só do edifício, como das canalizações, equipamentos, acessos exteriores, acessibilidades, etc. Mas, mesmo assim, não desistimos de promover a ação social e de prestar o melhor serviço aos nossos utentes e comunidade. Restam-nos sete meses de mandato para concluir as obras que referi, mais as pequenas obras que queremos fazer na lavandaria e anexos, algumas pinturas, entre outros pequenos arranjos e reparações. Não queremos comprometer a próxima direção ao iniciar obras que sabemos que não podemos concluir dentro do tempo deste nosso mandato.

Rua do Cruzeiro, n.º 106 | 3500-621 Ranhados - Viseu | Telefone: 232 467 070 | Email: funda.d.marianaseixas@gmail.com | www.fundacaomarianaseixas.pt

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PAULOWNIA D.F. PORTUGAL

“A MADEIRA DE PAULOWNIA É UMA DAS MAIS PROCURADAS A NÍVEL MUNDIAL” Manuel Duarte e esposa, sócios-gerentes

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Paulownia d.f. Portugal, Lda é uma empresa que foi criada a partir de uma ideia holandesa, através da Boereboom Invitro Cultures em Eindhoven, Holanda, e a Boereboom Invitro Portugal com um dos seus laboratórios, situado no Madan Parque, no Campus da Caparica da Universidade Nova de Lisboa (Parque da Ciência e Tecnologia), no qual são produzidas plantas, principalmente lenhosas, geneticamente iguais. A propagação in vitro é levada a cabo em condições estéreis, o que permite que a multiplicação de plantas seja realizada sem presença de pragas e doenças. Sendo nós os maiores criadores de Paulownia a nível mundial, neste momento, exportamos para 17 países em vários continentes do mundo. Já no nosso país, a Paulownia d.f. Portugal, Lda dedica-se à comercialização da Paulownia, oferecendo apoio técnico às plantações superiores a um hectare, como também se dedica ao negócio da madeira de Paulownia, tendo neste momento compradores em cerca de 31 países.

A Paulownia é uma árvore de crescimento rápido com características muito interessantes para o nosso país. Produz madeira de alta qualidade, reduz o CO2 dez vezes mais do que qualquer outra árvore, liberta muito oxigénio, não afeta a biodiversidade, ou seja é uma árvore muito resistente aos incêndios e a sua madeira é uma das mais procuradas a nível mundial, com um valor de mercado muito acima da média. Em Portugal, nós queremos ser uma boa alternativa para aqueles que têm terrenos, muitos destes ao abandono, garantindo-lhes uma boa rentabilidade a médio e longo prazo. Também temos como objetivo dinamizar o interior do país e a sua economia, criando desta forma, um pulmão para o país, tentando ajudar a equilibrar as temperaturas e, ao mesmo tempo, criar riqueza. Nas medidas legislativas, a Paulownia d. f. Portugal gostaria que o governo português, reconhecesse a mais-valia que esta árvore tem para Portugal a curto, médio e longo prazo. * Artigo de Manuel Duarte

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PAULOWNIA D.F. PORTUGAL

Estrada Nacional Nยบ 234, Porta 145 3530-310 Mangualde Tlm.: 967 737 441 Email: geral@paulowniadfportugal.pt www.paulowniadfportugal.pt

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PLANTE O PRESENTE, COLHA O FUTURO Desde 2018 a promover a “árvore do futuro”, a Paulownia Além Douro assume-se como uma empresa com grande consciência ambiental, ao mesmo tempo que oferece rentáveis oportunidades de negócio. Isaías Sá e Gilberto Lamoso são os administradores desta jovem empresa e foi com eles que estivemos à conversa por forma a conhecermos um pouco mais sobre as potencialidades desta espécie ainda tão pouco conhecida em Portugal.

começaram as experiências com sementes e pesquisa sobre a mesma. Em 2017, ainda no rescaldo dos grandes incêndios florestais que deflagraram um pouco por todo o país, os nossos entrevistados viram nesta árvore uma possibilidade de fazer frente a futuras catástrofes.

Isaías Sá e Gilberto Lamoso, administradores

O

projeto que atualmente existe surgiu “de forma caricata”, começou por nos contar Gilberto Lamoso: “eu moro em Matosinhos e, no pátio do meu vizinho, nasceu uma árvore, que eu desconhecia, e que crescia muito rapidamente. Apesar de todos os meus esforços em tentar perceber de que árvore se tratava, a verdade é que foi através de um amigo alemão que percebi que era, afinal, uma paulownia”. Depois de desvendada a espécie da planta,

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“Nós podemos intervir, se for esse o desejo do cliente, em todas as fases do processo, desde a preparação do terreno à compra e venda da própria madeira, passando pelo licenciamento, estudos de viabilidade, venda de plantas, plantação, acompanhamento desta e demais processos necessários” Características da paulownia A paulownia possui uma madeira nobre de crescimento rápido e de alta qualidade. Tem excelentes propriedades acústicas e térmicas e a sua excecional relação resistência/peso alarga infinitamente os seus horizontes de utilização. Por ter tantos usos, é uma madeira altamente rentável, ao contrário de outras madeiras menos lucrativas


PAULOWNIA ALÉM DOURO

usadas quase exclusivamente para pasta de papel ou trituração. Trata-se de uma árvore de folha caduca, que demora, em condições ótimas (num terreno fértil, com boa exposição solar e bom sistema de rega) cerca de 8 anos a atingir os 15/20 metros de altura, regenerando-se mais oito vezes após o corte, num horizonte de exploração de 50 anos. É apelidada de “árvore bombeira”, dado que possui uma elevada resistência ao fogo, podendo, por isso, ser usada como corta-fogo (é resistente a temperaturas extremas de -17º a +45º).“No contexto atual de alterações climáticas e consequente maior potencial para grandes incêndios florestais, a paulownia reúne cada vez mais consensos e apostas para os dias vindouros. O nosso trabalho não é meramente centrado no crescimento da nossa empresa, mas também no equilíbrio e proteção da nossa floresta. Queremos ser parte da solução e agentes da defesa do nosso património florestal”, explicaram os nossos entrevistados. Tendo em conta todas estas características, a paulownia tem aplicabilidade cada vez maior na área naval, aeronáutica, produção de autocaravanas, pranchas de surf, instrumentos musicais, mobiliário, construção civil, entre outros. Além disso, a própria árvore tem outras utilidades para além da produção de madeira. As folhas têm procura na indústria farmacêutica e podem também ser usadas para produção de chás, fertilizantes naturais ou alimento para animais. A árvore é também melífera e pode ser utilizada na apicultura.

do terreno à compra e venda da própria madeira, passando pelo licenciamento, estudos de viabilidade, venda de plantas, plantação, acompanhamento desta e demais processos necessários”, deram-nos conta os empresários que lamentaram a pouca divulgação que ainda existe: “ainda há pouca divulgação e muita preferência pelo eucalipto. Também há muita desinformação sobre o tema e pensamos que ainda vai demorar algum tempo até que esta árvore seja usada da melhor forma e em prol do desenvolvimento do país”. Por fim, os nossos entrevistados salientaram as mais-valias deste produto: “É verdade que se trata de um investimento um pouco maior, comparativamente com plantações de outras árvores, no entanto, o retorno é mais rápido e consideravelmente maior também. É preciso desmistificar este investimento inicial e mostrar às pessoas que se trata de uma aposta viável e consciente no futuro”.

Projetos chave-na-mão A mais-valia da Paulownia Além Douro prende-se com os serviços que presta. Assim, a ideia é proporcionar um serviço completo a todos quantos queiram apostar em plantações desta espécie: “nós podemos intervir, se for esse o desejo do cliente, em todas as fases do processo, desde a preparação

Rua do Monte, 40 | 4520-205 Santa Maria da Feira Tlm.: 965 346 468 / 964 404 093 Email: paulowniaalemdouro@gmail.com www.paulowniaalemdouro.pt

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HERDADE TOJAIS CAÇA “OS GOMES”

CRIAÇÃO DE PERDIZES BRAVAS EM AMBIENTE SELVAGEM

Manuel e Raquelinda Gomes dedicam-se desde 2010 à criação de perdizes e coelhos bravos. A Revista Business Portugal esteve em Canelas, no concelho de Peso da Régua, local onde é feita a criação destes animais, por forma a conhecer um pouco mais sobre esta atividade.

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Herdade Tojais Caça “OS GOMES” trata-se de um negócio familiar e de “um sonho tornado realidade”, começou por nos contar Manuel Gomes. Aqui são criadas perdizes bravas e alguns coelhos também. “Devido ao elevado número de doenças que atacam os coelhos, não nos é possível investir na sua procriação como o fazemos com as perdizes”, lamentou o proprietário do espaço, ao mesmo tempo que nos dava conta da diferente realidade vivida na vizinha Espanha: “lá existem mais apoios à criação de coelhos e, consecutivamente, melhores condições para a caça. Aqui existem cada vez menos caçadores devido ao elevado número de dificuldades encontradas”. Herdade Tojais Caça “OS GOMES” é

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Manuel Gomes, administrador

composta por 13 parques com mato abundante, que permite à perdiz esconder-se dos predadores, como se estivesse no seu ambiente selvagem. Com 130 metros de

comprimento, seis metros de largura e três de altura, os parques não têm telas amortecedoras, o que permite à ave um voo longo, fortalecendo o músculo das asas


HERDADE TOJAIS CAÇA “OS GOMES”

justificando assim o valor um pouco mais elevado que cobra por cada perdiz. Tal nota-se igualmente no processo reprodutivo, facilitado, pois crescem num ambiente similar ao selvagem. No que diz respeito à alimentação, o criador de perdizes enumerou-nos o processo a que todos os animais são sujeitos: “o perdigoto mal nasce começa a picar a farinha no chão. Depois a intuição já o leva ao comedouro, onde tem uma alimentação bastante cara, de iniciação, até às 12 semanas. A nossa habilidade enquanto criadores é, no parque, pô-la brava e, na alimentação, a nossa missão é introduzir-lhes, gra-

A Herdade Tojais Caça é composta por 13 parques com mato abundante, que permite à perdiz esconder-se dos predadores, como se estivesse no seu ambiente selvagem

durante o mesmo. Conta com um campo de treino onde é permitido treinar com arma de fogo, em ambiente controlado. Nestes parques, em ambiente selvagem, podem viver até 10 mil perdizes, de acordo com o alvará concedido pelas entidades competentes, perdizes estas bem diferentes das encontradas habitualmente (criadas em cativeiro): “as perdizes, vistas a olho nu, são todas iguais, no entanto, é na criação que está a diferença. Umas são bravas e outras não. Isso nota-se durante a caça e, depois, no sabor. Aqui nós temos o cuidado de fazer com que elas voem livremente, tornando mais difícil e, consequentemente, melhor a caça. São criadas em livre natureza, mantendo as suas características de animal bravo”, salientou o nosso entrevistado,

dualmente, o trigo e o milho britado que é o que vão comer depois, preparando-as para o mundo exterior. Eu tenho o cuidado de fazer com que elas esqueçam a ração, habituando-se ao cereal, ainda quando elas estão em fase de crescimento. E isso faz toda a diferença”, reiterou. Manuel Gomes tem cerca de 300 casais de perdizes reprodutoras que põem ovos, apenas, durante quatro meses por ano, logo a manutenção destes animais fica um pouco dispendiosa: “alimentar, tratar, desparasitar, vitaminar, são muitos os cuidados que temos que ter com estes animais que, encontrando-se enjaulados, não conseguem cuidar de si como os outros”, esclareceu. Zonas de caça municipais e associações de caça, distribuídas um pouco por toda a região norte e centro, são os principais clientes do casal Gomes. No entanto, a Herdade Tojais Caça “OS GOMES” pretende dar a conhecer a qualidade das suas perdizes a um maior número de pessoas e, por isso, aguarda a visita de caçadores e associações que estejam interessados em fazer largadas de perdizes verdadeiramente bravas. Herdade Tojais Caça “OS GOMES” Lugar Vale da Portela - Canelas | 5050-433 Peso da Régua Tlm.: 914 514 100

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SKREY

“DESENVOLVEMOS SOLUÇÕES DE E-COMMERCE END TO END” Skrey é uma marca que se dedica ao desenvolvimento de soluções e sistemas para retalho digital, ou como é conhecido no meio: Digital Retail, localizada na cidade da Maia, sem esquecer a área da consultoria. Os seus maiores parceiros são os seus clientes, que levam a marca mais longe, marcando presença de norte a sul do país, e além fronteiras. Mário Bessa está no departamento técnico e Hélder Rocha responsável pela parte comercial. Ambos são os rostos desta marca, que surgiu em 2015, e revelam à Portugal em Destaque os seus ‘projetos de 360º graus’, assim como os objetivos futuros.

Hélder Rocha e Mário Bessa, sócios-gerentes

E

m traços gerais, como apresentam a Skrey? Helder Rocha: Desenvolvemos soluções e sistemas para o retalho digital (Digital Retail), nomeadamente sites e-commerce, aplicações para mobile commerce, assim como outros produtos e serviços específicos para o retalho digital. Somos uma empresa completamente especializada nesse domínio. Atuamos em diversas áreas de negócio, tais como eletrónica de consumo, joalharia & relojoaria, desporto, suplementos, têxtil, materiais de construção, papelaria e consumíveis, entre outros. Falem-nos da solução Skrey Integrator e a sua aplicabilidade. Mário Bessa: O integrador de e-commerce - Skrey Integrator, é uma aplicação do chamado ‘middleware’ que permite interligar os vários sistemas, que qualquer empresa do setor do comércio a retalho, ou de distribuição necessita usar, para apresentar os seus produtos ao mundo e processar de forma eficiente as encomendas que recebe, através do canal e-commerce. Tirando partido do Skrey Integrator é possível, em ‘near real-time’, automatizar completamente a sincronização do catálogo de produtos, das imagens de produto, dos stocks por cada armazém, das encomendas recebidas no e-commerce e das atualizações de estado que essas encomendas vão sofrendo ao longo do seu processo de tratamento e envio. Permite também integrar o processamento de pedidos RMA (garantias, trocas e devoluções), assim como a consulta de dados de faturas.

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Vocês acabam por trabalhar em parceria com outras empresas, correto? H.R: Temos parcerias com todas as entidades envolvidas nos processos ligados ao comércio eletrónico, desde gateways de pagamento, transportadoras (logística e distribuição), redes de publicidade, agências de marketing digital, Influenciadores, etc. É obrigatório! Nós queremos estar no centro dessas interações e ser os facilitadores dessas interligações entre os nossos clientes e todos os recursos necessários ao sucesso dos seus negócios. Desenvolvemos projetos de 360º graus para os nossos clientes, contando com parcerias estratégicas para um trabalho de maior qualidade. Há muita concorrência no vosso mercado. De que forma se distinguem dos demais? M.B.: Há muita concorrência, mas somos uma equipa que tem background, e que mistura experiência prática, com conhecimentos sólidos de engenharia de software. Misturamos consultores, marketeers, engenheiros de software e designers gráficos. Apostamos na qualidade do nosso trabalho e não na quantidade. E por onde passa o futuro? H.R: Acima de tudo, queremos crescer de forma sustentada, quer em volume de negócio, quer em colaboradores. M.B.: E ainda desenvolver ferramentas que acrescentem valor à atividade dos nossos clientes e que sejam mais eficientes. Além disso, ser o player de referência em Portugal e continuar a investir em R&D em áreas de Machine Learning e Inteligência Artificial (AI) com tecnologias State of the art, sem nunca descurar o nosso foco, o comércio eletrónico.


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