Revista Business Portugal Fevereiro 2020

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CACIAL

do produto, do ponto de vista económico são mais seguras. Ao seguirmos esta via, fomos “obrigados” a melhorar, porque os patamares de qualidade foram sempre superiores ao restante mercado, o que nos obrigou a uma melhoria permanente. Foi sempre um grande desafio para nós. Hoje, a grande distribuição representa cerca de 70 por cento do mercado de frescos – frutas e legumes – em Portugal e os restantes 30 por cento são ocupados pelo mercado tradicional. Focando na internacionalização, a Cacial já está presente em vários países, nomeadamente da Europa e da América do Norte... Sim. Estamos em Espanha, França, Alemanha, Suíça, Holanda, Dinamarca, para a Itália também enviamos algum produto. Já exportamos para o Canadá e para a Costa Rica; também para Cabo Verde e para Angola, mas por outros parceiros. Note-se que é preciso ter uma determinada escala para sermos capazes de ter uma resposta eficaz e para que tenhamos a capacidade de resolução caso haja algum problema. A consciencialização das pessoas relativamente à parte ambiental é cada vez maior. Esse fator traduz-se na produção da laranja? Há standards aos quais temos que cumprir, impostos pelo mercado. Contudo, daqui a uns anos será possível que se reverta essa posição, perante os problemas ambientais que se colocam, como por exemplo, a utilização de produtos fitossanitários. Caso se consiga mostrar que uma laranja que tem um pequeno defeito na casca, é igual (ao nível de qualidade) a uma que está fisicamente bonita, os consumidores perceberão e esperamos que o mercado passe a aceitar a chamada “fruta feia”. Para que não haja desperdício, nós

fornecemos muito produto ao Banco Alimentar, anualmente cerca de duas centenas de toneladas – uma solução para combater o desperdício e tentar ajudar quem necessita. A produção biológica é o caminho a seguir? Há condições para caminhar por aí, porque o mercado evolui nesse sentido e é natural que a recetividade de “fruta feia” seja percecionada de forma positiva pelo consumidor. O biológico é o caminho, mas é extremamente difícil transformar toda a produção. Uma das soluções será produzir, de forma orgânica, um produto que seja feito de uma forma mais sustentada, onde se apliquem os produtos fitossanitários mais apropriados, diminuindo consequências nefastas para o meio ambiente. Contudo, é um caminho difícil, e serão necessárias medidas globais a nível regional. A laranja é o segundo produto frutícola mais produzido em Portugal. Considera que a cooperativa é um meio de unificação para irem mais longe? A organização da produção é que é importante, algo que faz falta no Algarve, e que seria uma mais-valia em todos os sentidos. Os produtores e operadores dos citrinos são pessoas que vingaram à custa de muito trabalho e compreende-se o facto de quererem continuar a trabalhar de forma individualizada. Para nós, o caminho não é esse, temos que trabalhar em conjunto. Por exemplo, a exportação para clientes de dimensão significativa só pode ser feita em iniciativas conjuntas. O mercado permite a operação de todos, mas se trabalharmos em conjunto teremos maiores benefícios para o bem comum – valorização da laranja do Algarve e posicionamento pela excelência. Assim todas as iniciativas que caminham nesse sentido são importantes, desde associações como a AlgarOrange até à Mostra Silves Capital da Laranja. REVISTA BUSINESS PORTUGAL // 49


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