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Ano 13 Nº 68 Maio/Junho 2018 AÇÃO IC

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Ano 13 Número 68 2018 R$ 12,00 5,00

EFEITOS INDIRETOS GERAM COEVOLUÇÃO EM REDES ECOLÓGICAS TERRA PERDE BIODIVERSIDADE EM RITMO ALARMANTE TÉCNICA TRANSFORMA AREIA DO DESERTO EM TERRA FÉRTIL


O FUTURO PASSA POR SUAS MÃOS TODOS OS DIAS. LITERALMENTE.

O Congresso Internacional Cidades Lixo Zero vem para mostrar novas perspectivas e mudar a relação das nossas cidades com o lixo, incentivando ações e políticas para a gestão dos resíduos sólidos. Saiba mais e se inscreva em www.cidadeslixozero.com.br

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Brasília, 5 a 7 de junho de 2018 12

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Centro de Convenções Ulysses Guimarães

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QUEM PLANTA E CRIA

VAI CRESCER AINDA MAIS.

CRÉDITO PARA O AGRONEGÓCIO. AS MELHORES TAXAS E PRAZOS DA REGIÃO. Começou a safra de oportunidades. O Banco da Amazônia está oferecendo condições especiais de crédito para o agronegócio, desde o agricultor familiar até o grande produtor rural. É crédito voltado ao desenvolvimento, modernização e aumento da produtividade de quem quer se desenvolver de forma sustentável na região. Banco da Amazônia. O maior parceiro do agronegócio da nossa terra.

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EXPEDIENTE

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Terra perde biodiversidade em ritmo alarmante, diz ONU/ IPBES A Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços dos Ecossistemas (IPBES) apresentou na cidade colombiana de Medellín, um diagnóstico do estado da flora e da fauna no mundo, mostrando que nenhuma região do planeta está a salvo da perda de flora e fauna. Cientistas apontam estilo de vida humano como principal fator para redução das espécies, que coloca em risco o próprio homem. O Bemestar humano está em risco. Os relatórios destacam as opções para...

Relatório Global do Ar 2018 Estudos de todo o mundo documentaram as muitas maneiras pelas quais a poluição do ar pode afetar a saúde das pessoas, incluindo e tornando mais difícil respirar para as pessoas com asma ou outras doenças respiratórias, enviando os jovens e velho para o hospital ou fazendo com que eles faltem à escola ou ao trabalho, e contribuindo para a morte precoce por doenças cardíacas e pulmonares. Novos estudos continuam a ampliar nossa compreensão da ampla gama de efeitos que a poluição do ar pode ter na saúde humana...

Novos locais – de paisagens notáveis – patrimônio agrícola global, da FAO

Treze novas paisagens foram formalmente celebradas no Dia da Terra, como Sistemas Globais de Patrimônio Agrícola Importante (GIAHS), homenageando as maneiras engenhosas pelas quais as necessidades humanas e os recursos da natureza foram combinados para criar meios de subsistência e ecossistemas mutuamente sustentáveis. Os novos locais deste importante programa da FAO estão na China, Egito, Japão, República da Coréia, México, Portugal...

DIRETOR Rodrigo Barbosa Hühn PRODUTOR E EDITOR Ronaldo Gilberto Hühn COMERCIAL Alberto Rocha, Rodrigo B. Hühn ARTICULISTAS/COLABORADORES Cao Junji, Elton Alisson, Kristian M. Olesen, Laura Willuams, Manuel Planelles, Marcos Vicente, Maria Fernanda Ziegler, Mirna Vicenzo, Gabriel Faria, Jasmine Lee, Peter Moon, Ronaldo G. Hühn FOTOGRAFIAS A. Held, A. Held, Adriano Gambarini/WWF Brasil, Andy Plumptrw/ WCS, Arquivo ICMBio, Courtesy of Shutterstock, Carey Marks / Universidade de Plymouth, Conservação da Vida Selvagem, Dai Jianyi, Doune Silva, Ecography, Embrapa, Embrapa Solos, Enas El Masry, Estúdio WTF, FAO, F. Villegas / IPBES, GFZ, GIAHS, Google Earth, GRIIS, HEI, IAS, IISD / ENB | Diego Noguera, IHME, IUCN/ Red List, Ronaldo G. Hühn, Jaime Palácios/ WCS, James Allan, Javier Blasco/EPA, Kristian Olesen, Museu Emílio Goeldi,NASA’s Goddard Space Flight Center, NASA/Bill Ingalis, NASA/JPL-Caltech, Paulo Pimenta, Pedro Jordano, Reprodução /IPAM, Rodrigo Baleia, Rodrigo Hühn, Vinicius Mendonça/IBAMA, WEF 2018, WWF EDITORAÇÃO ELETRÔNICA FAVOR Editora Círios SS LTDA POR DESKTOP Rodolph Pyle CI

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Mais de 750 especialistas de todo o mundo se reuniram recentemente na Colômbia para avaliar a “crise” da biodiversidade na Terra e defender soluções contra a extinção maciça das espécies, a primeira desde o desaparecimento dos dinossauros. O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, abriu a Plataforma Intergovernamental de Políticas Científicas sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos...

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C LE V NOSSA CAPA ESTA RE Tucanos, são grandes dispersores de sementes de algumas árvores da floresta tropical, incluindo açaizeiros. Foto: Lindoufo Souto

Centro Global para Cibersegurança do Fórum de Davos

O Fórum Econômico Mundial – WEF 2018, anunciou a criação de um Centro Global para o Ciberespaço, que estará em operação a partir de março e com o qual pretende fomentar desde Genebra a colaboração pública-privada na luta contra as ameaças cibernéticas. O diretor do Fórum, Alois Zwinggi, explicou em uma coletiva de imprensa que “claramente a cibersegurança se transformou em...

Fim da megafauna reduziu a distância de dispersão de sementes grandes Mastodontes, preguiças-gigantes e tatus do tamanho de fuscas. A extinção da megafauna da mais recente era do gelo foi uma tragédia biológica que repercute na ecologia da América do Sul mais de 10 mil anos depois. A ausência de mamíferos gigantes nos...

MAIS CONTEÚDO

[16] Perda de biodiversidade ameaça bem-estar das gerações atuais e futuras [20] Um terço das reservas naturais do mundo estão sob ameaça de atividade humana [30] Técnica transforma areia do deserto em terra fértil [32] O carbono no Brasil [32] Terra se tornará mais seca [36] Nasa lança satélites para rastrear o movimento da água na Terra [37] Base de dados de espécies invasoras mais completa do mundo [42] Efeitos indiretos geram coevolução em redes ecológicas [46] 7ª EnerSolar + Brasil Feira Internacional de Tecnologias para Energia Solar [48] Animais que desaparecerão antes de 2050 [55] Agricultor brasileiro terá aplicativo sobre uso da terra [58] China plantará 6.6 milhões de hectares de floresta nova [60] Para limpar a atmosfera na China [62] Mudança climática poderia aumentar degelo na Antártida em 25% até 2100 [64] Captura de CO2 não será solução para a mudança climática [65] Brasil tem três novas áreas reconhecidas como sítios Ramsar [66] Prêmio Jovem Cientista

EDITORA CÍRIOS

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Planeta se reúne para discutir crise da biodiversidade

PUBLICAÇÃO Período (Maio/Junho) Editora Círios SS LTDA ISSN 1677-7158 CNPJ 03.890.275/0001-36 Rua Timbiras, 1572-A Fone: (91) 3083-0973 Fone/Fax: (91) 3223-0799 Cel: (91) 9985-7000 www.revistaamazonia.com.br E-mail: amazonia@revistaamazonia.com.br CEP: 66033-800 Belém-Pará-Brasil

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Planeta se reúne para discutir crise da biodiversidade Fotos: A. Held, IPBES, IISD / ENB | Diego Noguera, Rodrigo Baleia

“Hoje, o mundo está em uma encruzilhada”, acrescentou Sir Robert Watson, presidente do IPBES, lamentando que “a degradação histórica atual e a destruição da natureza sabotam o bem-estar humano para incontáveis gerações”. De acordo com o IPBES, a Terra enfrenta uma “extinção maciça” de espécies, a primeira desde o desaparecimento de dinossauros há cerca de 65 milhões de anos, a sexta em 500 milhões de anos. “Ao degradar a biodiversidade, também estamos reduzindo a alimentação das pessoas, a água limpa que precisamos beber e as florestas que são nossos pulmões”, advertiu o diretor executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Erik Solheim, em uma mensagem retransmitida de Brasília, onde participava do Fórum Mundial da Água.

Para avaliar a situação, o IPBES dividiu o planeta em quatro regiões: Américas, África, Ásia-Pacífico e Europa-Ásia Central. Cada uma tem sido objeto de uma análise minuciosa e um relatório de 600 a 900 páginas. “Um desafio imensamente ambicioso nos espera”, disse a secretária executiva do IPBES, Anne Larigauderie. Durante três anos, cerca de 500 pesquisadores se ofereceram para trabalhar nessas avaliações, que sintetizam os dados de cerca de 10.000 publicações científicas. O resultado final cobre toda a Terra, com exceção das águas internacionais dos oceanos e da Antártica. Mas 1.200 espécies são ameaçadas pelo desmatamento e a poluição, em particular devido à extensa produção agrícola e pecuária, plantações ilegais de maconha e coca, uma matéria-prima para a cocaína, utilizada para financiar o conflito e operações de mineração ilegal.

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ais de 750 especialistas de todo o mundo se reuniram recentemente na Colômbia para avaliar a “crise” da biodiversidade na Terra e defender soluções contra a extinção maciça das espécies, a primeira desde o desaparecimento dos dinossauros. O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, abriu a Plataforma Intergovernamental de Políticas Científicas sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES) em Medellín afirmando que proteger a biodiversidade é “tão importante quanto combater a mudança climática”. “A degradação e destruição histórica e atual da natureza prejudicam o bem-estar humano das gerações futuras atuais e incontáveis”. Este fórum reuniu cientistas e tomadores de decisão de 116 dos 128 Estados membros do IPBES, em Medellín, a segunda maior cidade da Colômbia, o país mais bio-diversificado do planeta depois do Brasil. “O que acontece com um, acontece com todos. Se estamos cientes disso, podemos ser mais responsáveis em termos de proteger o meio ambiente e preservar a paz”, disse Santos, cujo país está emergindo pouco a pouco de meio século de conflito armado.

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Autoridades na abertura da VI sessão plenária da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços de Ecossistemas (IPBES)

Presidente Juan Manuel Santos da Colômbia

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Uma extensão de 10 quilômetros quadrados de lixo tóxico na beira do deserto de Gobi, na Mongólia interior

Avaliação da Degradação e Restauração da Terra O relatório de avaliação sobre a degradação e restauração de terras teve a aprovação de 129 governos nacionais (em três anos de trabalho) de mais de 100 especialistas de 45 países foi aprovado na 6ª sessão do Plenário do IPBES em Medellín, Colômbia, e identificou ameaças a ecossistemas terrestres com base em evidências de todo o mundo e forneceu gama de soluções para reduzir os riscos e impactos da degradação da terra. Visou fornecer uma base de conhecimento global sobre uma ameaça menos conhecida que a mudança climática e a perda de biodiversidade, mas intimamente ligado a ambos e já tendo um grande impacto econômico e social. A degradação da terra está minando o bem-estar de dois quintos da humanidade, aumentando os riscos de migração e conflito, de acordo com a avaliação global mais abrangente do problema até o momento. O relatório, apoiado pela ONU, ressalta a necessidade urgente de consumidores, empresas e governos controlarem o consumo excessivo - particularmente de carne bovina - e de os agricultores se afastarem das conversões de florestas e zonas úmidas, segundo os autores. Com mais de 3,2 bilhões de pessoas afetadas, este já é um dos maiores problemas ambientais do mundo e vai piorar sem uma rápida ação corretiva, segundo Robert Scholes, co-presidente da avaliação da Plataforma Intergovernamental de Políticas Científicas sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos. (IPBES). “À medida que a base de terra diminui e a população aumenta, esse problema se tornará maior e mais difícil de resolver”, disse ele.

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A crescente sensação de alarme foi aparente no ano passado, quando cientistas alertaram que o solo fértil estava sendo perdido a uma taxa de 24 bilhões de toneladas por ano, em grande parte devido a práticas agrícolas insustentáveis.

Durante o lançamento oficial da avaliação temática sobre degradação e restauração da terra, foi destacado que os autores da avaliação analisaram 3.000 publicações científicas e que o relatório foi revisado por 200 revisores registrados para melhorar sua qualidade. Ela observou que a avaliação havia sido discutida pelos governos para aumentar sua relevância política. Foi destacado os vínculos da avaliação com o conflito, a segurança humana, a migração, a segurança alimentar e hídrica e observado sua importância na consecução dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, particularmente o ODS 15.3 em um mundo neutro de degradação da terra com rede zero. Bob Scholes, Co-Presidente, Avaliação de Degradação da Terra e Restauração, destacou que uma equipe de 150 especialistas científicos, bem como detentores de conhecimentos locais e indígenas, contribuíram para a avaliação. Ele ressaltou que a avaliação de três anos reflete o status amplo do conhecimento na área de degradação e restauração da terra, e é complementada pela “co-geração” de conhecimento com os formuladores de políticas por meio do IPBES-6.

Sir Bob Watson, presidente do IPBES, durante o seu discurso de cerimônia de abertura: “ Então vamos produzir o conhecimento necessário para proteger o nosso ambiente, e garantir uma boa qualidade de vida para todas as pessoas, hoje e no futuro - esta semana é um passo muito importante numa viagem muito longa”. Anne Larigauderie, secretária executiva do IPBES

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Abrigo de gado do sol sob uma pequena árvore em Mato Grosso, Brasil

Destaques da Avaliação de Degradação e Restauração da Terra

O presidente do IPBES, Robert Watson, no Reino Unido, concluindo a reunião

A degradação da terra prejudica o bem-estar de 3,2 bilhões de pessoas em todo o mundo. A degradação da terra é um problema subjacente que pode contribuir para a migração. A restauração da terra é uma jornada cujo ponto final pode ou não ser o estado original da terra. É importante estar ciente dos impactos de nossas escolhas de consumo na degradação da terra. Em última análise, o custo da restauração da terra precisa ser incorporado ao “custo de fazer negócios” e deve ser uma consideração contínua. A Avaliação da Degradação e Restauração da Terra é um esforço para alcançar a Meta 15.3 dos Objetivos de Desenvolvimento de Desenvolvimento (SDG) em um mundo neutro de degradação de terras com rede zero até 2030.

Sessão do IPBES, para avaliações das quatro regionais: África, Américas, Ásia-Pacífico e Europa e Ásia Central

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Terra perde biodiversidade em ritmo alarmante, diz ONU/ IPBES A Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços dos Ecossistemas (IPBES) apresentou na cidade colombiana de Medellín, um diagnóstico do estado da flora e da fauna no mundo, mostrando que nenhuma região do planeta está a salvo da perda de flora e fauna. Cientistas apontam estilo de vida humano como principal fator para redução das espécies, que coloca em risco o próprio homem Fotos: A. Held, Courtesy of Shutterstock, Carey Marks / Universidade de Plymouth, FAO, IPBES, NASA’s Goddard Space Flight Center

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Bem-estar humano está em risco. Os relatórios destacam as opções para proteger e restaurar a natureza e suas contribuições vitais para as pessoas A biodiversidade – variedade essencial de formas de vida na Terra – continua a diminuir em todas as regiões do mundo, reduzindo significativamente a capacidade da natureza de contribuir para o bem-estar das pessoas. Essa tendência alarmante coloca em risco as economias, os meios de subsistência, a segurança alimentar e a qualidade de vida das pessoas em todos os lugares, de acordo com quatro importantes relatórios científicos publicados por mais de 550 especialistas de mais de 100 países. Como resultado de três anos de trabalho, as quatro avaliações regionais de biodiversidade e serviços ecossistêmicos cobrem as Américas, a Ásia e o Pacífico, a África, bem como a Europa e a Ásia Central - todo o planeta, exceto os polos e os oceanos abertos.

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A biodiversidade e a capacidade da natureza de contribuir para as pessoas estão sendo degradadas, reduzidas e perdidas devido a uma série de pressões comuns

A degradação da terra pode deslocar de 50 a 700 milhões de pessoas até 2050

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Os relatórios de avaliação foram aprovados pela Plataforma Intergovernamental de Políticas Científicas sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES), em Medellín, Colômbia, na 6ª sessão do Plenário. O IPBES possui 129 membros estaduais. “A biodiversidade e as contribuições da natureza para as pessoas parecem, para muitas pessoas, acadêmicas e distantes de nossas vidas diárias”, disse o Presidente do IPBES, Sir Robert Watson, “Nada poderia estar mais longe da verdade – eles são a base da nossa alimentação, água limpa e energia. Eles estão no coração não apenas de nossa sobrevivência, mas de nossas culturas, identidades e prazer da vida. A melhor evidência disponível, reunida pelos principais especialistas do mundo, nos aponta agora para uma única conclusão: devemos agir para deter e reverter o uso insustentável da natureza – ou arriscar não apenas o futuro que queremos, mas até as vidas que atualmente conduzimos. Felizmente, as evidências também mostram que sabemos como proteger e restaurar parcialmente nossos ativos naturais vitais”. Em todas as regiões, com exceção de vários exemplos positivos onde as lições podem ser aprendidas, a biodiversidade e a capacidade da natureza de contribuir para as pessoas estão sendo degradadas, reduzidas e perdidas devido a uma série de pressões comuns – estresse do habitat; superexploração e uso não sustentável de recursos naturais; poluição do ar, terra e água; aumento do número e impacto de espécies exóticas invasoras e mudança climática, entre outros.

Declínio da biodiversidade - agora e no futuro As Américas

“Nas Américas, a rica biodiversidade contribui imensamente para a qualidade de vida, ajudando a reduzir a pobreza enquanto fortalece as economias e os meios de subsistência”, disse o Dr. Jake Rice (Canadá), co-presidente da avaliação das Américas com a Dra. Cristiana Simão Seixas. (Brasil) e Profa. Maria Elena Zaccagnini (Argentina).

Espécie em declínio em todo o mundo, seres humanos em risco

“O valor econômico das contribuições da natureza terrestre das Américas para as pessoas é estimado em mais de US $ 24 trilhões por ano – equivalente ao PIB da região, mas quase dois terços – 65% – dessas contribuições estão em declínio, com 21% diminuindo fortemente. A mudança climática induzida pelo homem, que afeta a temperatura, a precipitação e a natureza dos eventos extremos, está aumentando a perda de biodiversidade e a redução das contribuições da natureza para as pessoas, piorando o impacto da degradação do habitat, poluição, espécies invasoras e a superexploração dos recursos naturais”. De acordo com o relatório, sob um cenário “business as usual”, a mudança climática será o driver que mais cresce, impactando negativamente a biodiversidade até 2050

nas Américas, tornando-se comparável às pressões impostas pelas mudanças no uso da terra. Hoje, em média, as populações de espécies em uma área são cerca de 31% menores do que no caso do assentamento europeu. Com os efeitos crescentes da mudança climática adicionados aos outros motoristas, essa perda é projetada para atingir 40% até 2050. O relatório destaca o fato de que os povos indígenas e comunidades locais criaram uma diversidade de sistemas policultivos e agroflorestais, que aumentaram a biodiversidade e moldaram as paisagens. No entanto, a dissociação de estilos de vida do ambiente local erodiu, para muitos, seu senso de lugar, idioma e conhecimento local indígena. Mais de 60% das línguas das Américas e as culturas associadas a elas estão perturbadas ou desaparecendo.

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Áreas protegidas globais terrestres, marinhas e costeiras. As áreas protegidas marinhas estão em azul e terrestres em verde

África, Ásia-Pacífico, Europa e Ásia Central A África pode perder mais da metade de suas espécies de aves e mamíferos até 2100. Mais de 20% das espécies da região estão ameaçadas ou já foram extintas. “Os imensos recursos naturais da África e sua herança cultural diversificada estão entre seus ativos estratégicos mais importantes para o desenvolvimento humano e bem-estar”, disse a Dra. Emma Archer (África do Sul), co-presidente da avaliação africana com o Dr. Kalemani Jo Mulongoy (DRC) e Dr. Luthando Dziba (África do Sul). “A África é o último lugar na Terra com uma grande variedade de grandes mamíferos, mas hoje existem mais plantas africanas, peixes, anfíbios, répteis, pássaros e grandes mamíferos ameaçados, como sempre, por uma série de causas naturais e induzidas pelo homem”. Ambientes marinhos e costeiros fazem contribuições econômicas, sociais e culturais significativas para os povos da África. Danos aos sistemas de recifes de corais, principalmente devido à poluição e às mudanças climáticas, têm implicações de longo alcance para a pesca, a segurança alimentar, o turismo e a biodiversidade marinha em geral. “A biodiversidade e os serviços ecossistêmicos contribuíram para o rápido crescimento econômico médio anual de 7,6% de 1990 a 2010 na região Ásia-Pacífico, beneficiando seus mais de 4,5 bilhões de pessoas. Esse crescimento, por sua vez, teve impactos variados sobre a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos”, disse o Dr. Madhav Karki (Nepal), co-presidente da avaliação da Ásia-Pacífico com o Dr. Sonali Senaratna Sellamuttu (Sri Lanka). “A biodiversidade da região enfrenta ameaças sem precedentes, desde eventos climáticos extremos e aumento do nível do mar até espécies exóticas invasoras, intensificação agrícola e aumento de resíduos e poluição”.

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Florestas, ecossistemas alpinos, águas continentais de água doce e zonas úmidas, bem como sistemas costeiros são identificados como os ecossistemas mais ameaçados da Ásia-Pacífico. A crescente variedade e abundância de espécies exóticas invasoras é destacada como uma das causas mais graves da mudança do ecossistema e da perda de biodiversidade na região. A previsão para a região da Ásia-Pacífico indica que, em 2048, não haverá mais reservas de peixes para pesca comercial. Essa área perderá ainda 45% de sua biodiversidade e 90% de seus corais. Na Europa e Ásia Central: “As pessoas da região consomem mais recursos naturais renováveis do que a região produz”, disse o Prof. Markus Fischer (Suíça), co-presidente da avaliação da Europa e

Ásia Central com o Prof. Mark Rounsevell (Reino Unido), “Embora isto seja um pouco compensados por biocapacidades mais altas na Europa Oriental e partes do norte da Europa Ocidental e Central”. Na União Europeia, entre as avaliações do estado de conservação das espécies e dos tipos de habitats de interesse para a conservação, apenas 7% das espécies marinhas e 9% dos tipos de habitats marinhos apresentam um “estado de conservação favorável”. Além disso, 27% das avaliações de espécies e 66% das avaliações de tipos de habitat mostram um “estado de conservação desfavorável”, com os outros categorizados como “desconhecidos”. Até mesmo na Europa e Ásia Central, região que, segundo Watson, é a que está no melhor caminho para a proteção das espécies, cerca de 28% de animais e plantas estão ameaçados. A expansão da agricultura convencional e da silvicultura são os principais problemas da região. Para reverter essa tendência destrutiva, os pesquisadores destacam que governos e a sociedade precisam mudar seu modo de governar e seus estilos de vida. Watson afirma que economizar água e energia, além da diminuição do consumo de carne vermelha são ações individuais para salvar o planeta. “Algumas espécies estão ameaçadas de extinção. Outras, vão diminuir em número. A Terra será um lugar mais solitário. Trata-se de uma questão moral. Nós humanos temos o direito de extingui-los?”, questionou Watson. África pode perder mais da metade de suas espécies de aves e mamíferos até 2100

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Os seres humanos estão usando uma quantidade crescente da produção total de plantas terrestres da Terra para alimentos, fibras, materiais de construção e embalagem e biocombustíveis

Degradação da terra ameaça o bem-estar humano, alerta o IPBES

Objetivos de Desenvolvimento Global “Uma das descobertas mais importantes nas quatro avaliações regionais do IPBES é que a falha em priorizar políticas e ações para deter e reverter a perda de biodiversidade e a contínua degradação das contribuições da natureza para as pessoas prejudica seriamente as chances de qualquer região e quase todos os países. cumprindo suas metas de desenvolvimento global ”, disse a Dr. Anne Larigauderie, Secretária Executiva do IPBES.

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“A realização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, o Plano Estratégico para a Biodiversidade 2011-2020 e suas Metas de Aichi para a Biodiversidade e o Acordo de Paris sobre mudanças climáticas dependem da saúde e vitalidade de nosso ambiente natural em toda a sua diversidade e complexidade. Agir para proteger e promover a biodiversidade é pelo menos tão importante para alcançar esses compromissos e para o bem-estar humano quanto a luta contra as mudanças climáticas globais”.

“Ecossistemas mais ricos e diversificados são mais capazes de lidar com distúrbios – como eventos extremos e o surgimento de doenças. Eles são a nossa “apólice de seguro” contra desastres imprevistos e, usados de forma sustentável, também oferecem muitas das melhores soluções para os nossos desafios mais prementes.” A avaliação das Américas conclui que a perda contínua de biodiversidade pode prejudicar a consecução de alguns dos ODS, bem como alguns dos objetivos, metas e aspirações internacionais relacionados ao clima. Todos os cenários futuros plausíveis explorados na avaliação de África destacam que os impulsionadores da perda de biodiversidade aumentarão, com os impactos negativos associados nas contribuições da natureza para as pessoas e para o bem-estar humano. Conseguir a Agenda 2063 da União Africana, os ODS e as Metas de Aichi é improvável em três dos cinco cenários explorados.

Opções promissoras de política disponíveis No entanto, as preocupações gritantes dos especialistas do IPBES são mensagens de esperança: opções políticas promissoras existem e foram encontradas para trabalhar na proteção e restauração da biodiversidade e contribuições da natureza para as pessoas, onde elas foram efetivamente aplicadas.

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Comentários de parceiros da ONU sobre as Avaliações do IPBES “Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável visam “não deixar ninguém para trás”. Se não protegermos e valorizarmos a biodiversidade, nunca atingiremos esse objetivo. Quando erodimos a biodiversidade, impactamos a comida, a água, as florestas e os meios de subsistência. Mas, para enfrentar qualquer desafio, precisamos acertar a ciência e é por isso que a ONU tem orgulho em apoiar essa série de avaliações. Investir na ciência da biodiversidade e do conhecimento indígena significa investir nas pessoas e no futuro que queremos”. Erik Solheim, diretor executivo da ONU Meio Ambiente

“A biodiversidade é o tecido vivo do nosso planeta – a fonte do nosso presente e do nosso futuro. É essencial nos ajudarmos a nos adaptar às mudanças que enfrentamos nos próximos anos. A UNESCO, tanto como parceira da ONU do IPBES quanto como anfitriã da Unidade de Apoio Técnico do IPBES em Conhecimentos Indígenas e Locais, sempre se comprometeu a apoiar a harmonia entre as pessoas e a natureza através de seus programas e redes. Esses quatro relatórios regionais são fundamentais para entender o papel das atividades humanas na perda de biodiversidade e sua conservação, bem como nossa capacidade de implementar coletivamente soluções para enfrentar os desafios futuros”. Audrey Azoulay, diretora-geral da UNESCO

“Ferramentas como essas avaliações regionais fornecem evidências científicas para uma melhor tomada de decisão e um caminho que podemos seguir para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e aproveitar o poder da natureza para o nosso futuro sustentável coletivo. O mundo perdeu mais de 130 milhões de hectares de florestas tropicais desde 1990 e perdemos dezenas de espécies todos os dias, levando o sistema ecológico da Terra ao limite. A biodiversidade e os serviços ecossistêmicos que ela suporta não são apenas a base da nossa vida na Terra, mas também são críticos para a subsistência e o bem-estar das pessoas em todos os lugares”. Achim Steiner, administrador do PNUD Nas Américas, a proteção das principais áreas de biodiversidade aumentou 17% entre 1970 e 2010, mas menos de 20% das principais áreas de biodiversidade estão protegidas e a cobertura varia significativamente. O relatório deixa claro que áreas protegidas e projetos de restauração são apenas algumas das possíveis intervenções - com a necessidade de também se concentrar em estratégias para tornar as paisagens dominadas por humanos mais favoráveis à biodiversidade e às contribuições da natureza para as pessoas. Também afirma que a biodiversidade e as contribuições da natureza para as pessoas estão melhor

“As avaliações regionais demonstram mais uma vez que a biodiversidade está entre os recursos mais importantes da Terra. A biodiversidade também é fundamental para a segurança alimentar e nutricional. A manutenção da diversidade biológica é importante para a produção de alimentos e para a conservação das bases ecológicas das quais dependem os meios de subsistência rurais. A biodiversidade está sob séria ameaça em muitas regiões do mundo e é hora de os formuladores de políticas tomarem medidas nos níveis nacional, regional e global”. José Graziano da Silva, Diretor-Geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação-FAO.

protegidas quando integradas a uma ampla gama de políticas econômicas e setoriais, como o pagamento por serviços ecossistêmicos e a certificação ecológica voluntária. Combinações apropriadas de, por exemplo, mudança de comportamento, melhoria da tecnologia, pesquisa, níveis adequados de financiamento, educação aprimorada e programas de conscientização pública são outras opções. Falando sobre as opções políticas emergentes das quatro avaliações regionais, Watson disse: “Embora não haja respostas de ‘balas de prata’ ou ‘tamanho único’, as melhores opções em todas as quatro avaliações regionais são encontradas

em melhor governança, integrando preocupações com a biodiversidade em políticas e práticas setoriais (por exemplo, agricultura e energia), a aplicação do conhecimento científico e tecnológico, aumento da conscientização e mudanças comportamentais”. “Também está claro que o conhecimento local e indígena pode ser um bem inestimável, e as questões de biodiversidade precisam receber prioridade muito maior na formulação de políticas e no planejamento do desenvolvimento em todos os níveis. A colaboração transfronteiriça também é essencial, dado que os desafios da biodiversidade não reconhecem fronteiras nacionais”.

Saira sete cores, da Amazônia surpreende no Peru

Com o cenário atual de mudanças climáticas, 40% da biodiversidade original do continente poderá desapareçer até 2050

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Principais números. Dados globais: 1. A Terra está experimentando atualmente uma “extinção em massa”, a sexta em 500 milhões de anos e a primeira provocada pelo homem. 2. Cerca de 41% dos anfíbios e mais de um quarto dos mamíferos estão em perigo de extinção. 3. Em média, duas espécies de vertebrados desapareceram por ano no último século. 4. Um total de 28,2% das espécies na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação IUCN), atualizada em 2017, foram classificadas como “ameaçadas”.

Américas

1. A região tem 13% da população da Terra, mas gera quase 25% do impacto mundial sobre a biodiversidade. 2. Mais de 50% dos habitantes têm problemas de água. 3. Com o cenário atual de mudanças climáticas, espera-se que 40% da biodiversidade original do continente desapareça até 2050. Atualmente, o dano afeta 31%.

4. Um total de 17% da Amazônia se transformou em zonas colonizada pelos humanos desde a Conquista europeia no século XV. Outros dados

1. Cerca de 500.000 quilômetros quadrados da África estão degradados pelo desmatamento, agricultura não sustentável, erosão, mineração ilegal, mudanças climáticas ou invasão de espécies não nativas.

2. Mais de 50% das espécies de mamíferos e aves da África poderão ser extintas até 2100 pelas mudanças climáticas. 3. Os peixes para consumo humano poderão acabar na Ásia-Pacífico até 2048 se forem mantidas as práticas atuais de pesca,

e até 90% dos corais poderão sofrer “danos graves” até 2050 pelas mudanças climáticas.

4.

Cerca de 45% das espécies e hábitats da Ásia-Pacífico desaparecerão até 2050 se não houver mudanças na atual

visão empresarial do mundo.

5. Um total de 25% da terra para a agricultura na União Europeia e 23% na Ásia Central estão afetadas pela erosão. 6. Na Europa e na Ásia Central, 26,6% das espécies de peixe tiveram suas populações reduzidas pela pesca insustentável, degradação de

seu habitat, mudanças climáticas e invasão de espécies estrangeiras, e a população de anfíbios diminuiu 60% na última década

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Perda de biodiversidade ameaça bem-estar das gerações atuais e futuras Fotos: IIISD-ENB / Diego Noguera, F. Villegas / IPBES, WWF

Os habitantes das Américas têm acesso a três vezes mais benefícios oferecidos pela natureza do que a média global dos cidadãos

O

s habitantes das Américas têm acesso a três vezes mais benefícios oferecidos pela natureza do que a média global dos cidadãos, porém, a maioria dos países da grande região que vai do polo Norte ao Sul está fazendo uso desses recursos de forma insustentável – excedendo a capacidade dos ecossistemas de se renovar e promover qualidade de vida. As Américas abrigam 13% da população mundial e 7 dos 17 países mais biodiversos do planeta. Além disso, detêm 40% da capacidade dos ecossistemas mundiais de produzir materiais que podem ser consumidos pelos humanos. Por outro lado, produzem quase um quarto da pegada ecológica global (quantidade de recursos que necessária para sustentar a população humana atual) e os recursos naturais estão distribuídos de forma muito desigual entre os habitantes do grande continente. Tal desequilíbrio tem um impacto mensurável.

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A comparar a biodiversidade atual da região com a existente no início da colonização europeia, estima-se que em média as populações de 31% das espécies americanas em uma dada área sofreram declínio – número já considerado alto e que pode chegar a 40% até 2050. O alerta foi feito por especialistas da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES) em Medellín, na Colômbia, onde ocorreu a sexta Reunião Plenária da entidade.

O relatório sobre o status atual da Biodiversidade e dos Serviços Ecossistêmicos nas Américas foi um dos quatro relatórios regionais lançados recentemente pela IPBES – os outros foram focados em África, Europa/Ásia Central e Ásia/Pacífico. Também foram divulgados quatro sumários para tomadores de decisão com os principais achados dos documentos. “O Brasil foi um dos países com maior protagonismo na elaboração do diagnóstico das Américas. Além da minha participação como um dos três coordenadores gerais, quatro dos seis capítulos do relatório contaram com a co-coordenação de brasileiros. Ao todo, entre autores principais e colaboradores, há mais de 30 pessoas do nosso país envolvidas”, destacou Cristiana Simão Seixas, pesquisadora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenadora do diagnóstico regional das Américas ao lado do canadense Jake Rice e da argentina Maria Elena Zaccagnini. Além de Seixas, há outros cinco membros do Programa BIOTA- FAPESP no rol de autores do relatório regional: Jean Pierre Ometto, Juliana Sampaio Farinaci, Jean Paul Metzger, Ricardo Ribeiro Rodrigues e Carlos Alfredo Joly. Este último, como membro do Painel Multidisciplinar de Especialistas (MEP) da IPBES, ajudou a elaborar as diretrizes que guiaram a elaboração dos quatro diagnósticos regionais.

Não podemos ter desenvolvimento sem proteger a biodiversidade: 6ª Reunião Plenária da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos

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O desmatamento é uma causa direta de extinção e perda de biodiversidade. As florestas tropicais, em particular, como a Amazônia, detêm uma alta porcentagem das espécies conhecidas no mundo, mas as próprias regiões estão em declínio devido aos seres humanos

“Todos estão também à frente da Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES), aplicando a experiência recém adquirida no diagnóstico das Américas na elaboração do Diagnóstico Brasileiro de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos, que deverá ser lançado em julho durante a 70ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para Progresso da Ciência (SBPC), em Natal”, ressaltou Joly. Na avaliação do cientista, que também coordena o Programa BIOTA, o Brasil é “sem dúvida” um dos países americanos que fazem uso dos recursos naturais de forma mais intensiva que o desejável. “Desde o descobrimento nossa economia é extrativista, e a expansão do agronegócio segue nesta linha. O foco hoje é o Cerrado da região denominada Matopiba: Maranhão, Tocantins, Piauí, Bahia. Embora produzam alimentos, gênero de primeira necessidade, e contribuam enormemente para a balança comercial do país, o fazem de forma predatória”, disse Joly. Para o coordenador do Biota-FAPESP, em vez de simplesmente expandir as áreas ocupadas pela soja ou pelo gado, deveria se pensar em uma paisagem multifuncional, com extensas áreas agrícolas, entremeadas por áreas de vegetação nativa (Reserva Legal, por exemplo) e conectadas por largas

faixas de matas ciliares (Áreas de Preservação Permanente). “Todos sairiam ganhando: seria possível manter boas populações de polinizadores, que aumentariam a quantidade e a qualidade dos grãos de soja; manter uma melhor recarga de aquíferos, principalmente nas áreas de Cerrado, evitando a necessidade de racionamento; manter a biodiversidade e a capacidade de conservação otimizada com a conexão entre fragmentos providenciada pelas matas ciliares. A médio prazo seria uma situação ganha-ganha”, destacou Joly.

Para o presidente da IPBES, Robert Watson, é preciso tornar a agricultura mais sustentável e para isso é preciso acabar com os subsídios governamentais à produção. “Só deve haver subsídio se for para integrar medidas de preservação ambiental à produção, mas não à produção em si. Precisamos aprender como usar fertilizantes, agrotóxicos e recursos hídricos de maneira apropriada. Na maioria dos locais há uso excessivo. É necessário uma agricultura de precisão, ou seja, dar à plantação exatamente o que ela precisa.

Degradação da biodiversidade ameaça o bem-estar humano e o problema vai piorar sem ação rápida a mãe natureza deu um golpe extra aos agricultores da Califórnia.

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Valor estimado das contribuições da natureza

Incêndios catastróficos prejudicam a biodiversidade e devido a mudanças climáticas e outros fatores, incêndios catastróficos se tornarão o “novo normal”

Não é trivial, mas pode ser feito”, defendeu Watson. Seixas destacou que a mudança no padrão de uso da terra e a consequente degradação dos habitats naturais – promovida pela agricultura, pecuária e pela mineração, pela construção de hidrelétricas e pelo crescimento urbano desordenado – é historicamente e ainda hoje a principal causa de perda de biodiversidade nas Américas e no Brasil.

Outros fatores importantes mencionados no relatório são poluição, espécies invasoras e superexploração dos recursos naturais. “No entanto, a taxa de impacto das mudanças climáticas sobre a biodiversidade vem crescendo de maneira acelerada e as projeções indicam que por volta de 2050 o clima terá um impacto tão grande quanto a destruição de habitats”, apontou Seixas.

O diagnóstico das Américas estima que o valor econômico das contribuições da natureza às pessoas da região – focando apenas em recursos terrestres – ultrapasse US$ 24 trilhões ao ano – o equivalente ao Produto Interno Bruto (PIB) de toda a região. “Esse cálculo é feito com base em modelagem e extrapolação de dados coletados em diversos trabalhos, mas como não considera os benefícios imateriais – como promoção de saúde mental, por exemplo –, acreditamos ser um número altamente subestimado”, afirmou Seixas. Os autores do relatório alertam ainda que 65% dessas contribuições oferecidas pelos ecossistemas naturais – o que inclui fatores como polinização, regulação do clima, produção de alimentos e muitos outros – estão em declínio. E 21% estão diminuindo fortemente. Cerca de 50% da população americana, por exemplo, já enfrenta problemas relacionados à segurança hídrica. Seixas chama atenção para o fato de que 61% das línguas americanas das culturas tradicionais a elas associadas estão ameaçadas ou em risco de desaparecerem. “Perde-se com elas toda uma gama de conhecimentos sobre práticas sustentáveis de manejo dos recursos naturais.

Perigos. IPBES alerta sobre os perigos das atividades humanas contra a natureza para a própria humanidade

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Temos muito a aprender com as populações indígenas e essa é uma das principais mensagens do documento”, disse. Para Jake Rice, a principal mensagem é que estamos usando os benefícios da natureza mais rápido do que ela pode repor. “É inevitável esse futuro? Não é a mensagem que queremos passar. Estamos aumentando as áreas protegidas, reabilitando áreas degradadas. Mas temos principalmente que encontrar modelos para tornar nossos meios de subsistência sustentáveis”, disse Rice. Para Joly, a questão da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos não deve continuar a ser tratada como políticas setoriais da área ambiental. “É fundamental que estas questões saiam deste gueto e permeiem áreas como o Ministério do Planejamento e o Ministério da Fazenda, para que tenhamos políticas econômicas que integrem as questões ambientais com as econômicas e sociais. É este tipo de política multissetorial que pode achar o caminho para um desenvolvimento mais sustentável – não simples crescimento como temos hoje.” O coordenador do BIOTA-FAPESP afirmou que os custos ambientais e sociais de todas atividades humanas precisam se refletir na economia. “Uma discussão desse tipo, envolvendo todos os atores – ruralistas, pequenos proprietários, ambientalistas, Secretaria da Agricultura, Secretaria do Meio Ambiente, Ministério Público e pesquisadores – vem sendo conseguida no âmbito de um Projeto Temático do BIOTA”, destacou.

debatido durante a reunião plenária da IPBES e aprovado pelos representantes dos governos de todos os países. De maneira geral, os quatro diagnósticos regionais destacam que a biodiversidade está em declínio em todas as regiões do planeta, reduzindo significativamente a capacidade da natureza de promover o bem-estar humano. Essa tendência ameaça as economias, os meios de subsistência, a segurança alimentar, coesão social e a qualidade de vida. Para Watson, a mensagem geral é que “estamos emprestando das gerações futuras para viver bem hoje. Mas há outras opções”.“Não podemos ter desenvolvimento sem proteger a biodiversidade. Podemos fazer melhor criando políticas públicas, parando de usar combustíveis fósseis, reduzindo o consumo de carne, optando pelo transporte público, evitando o desperdício de recursos e produzindo comida, água e energia de modo mais sustentável.

O tempo de agir é ontem”, disse Watson. Os quatro relatórios foram elaborados nos últimos três anos por 550 especialistas de mais de 100 países. “Os documentos representam a mais completa análise do estado do conhecimento atual sobre biodiversidade e esperamos que possam contribuir com a elaboração de políticas públicas e com a agenda de desenvolvimento sustentável. Este é o começo de uma jornada que espero seja longa e frutífera”, disse Anne Larigauderie, secretária executiva da IPBES. Watson destacou que a elaboração dos diagnósticos é apenas a primeira parte de uma longa jornada. Os representantes dos 129 países-membros da IPBES devem agora levar a mensagem aos ministros de estado relevantes para o tema. “Também precisamos da imprensa e das mídias sociais para divulgar a mensagem”, disse.

Níveis populacionais de abelhas estão diminuindo, à medida que a perda de habitat e o uso de pesticidas continuam em ritmo acelerado

Emprestando do futuro A elaboração do diagnóstico das Américas contou ao todo com a contribuição de aproximadamente 120 autores. Foi feita uma revisão de toda a literatura científica sobre o tema e também foram considerados relatórios dos governos de todos os países envolvidos – cerca de 30 – e diálogos com representantes de povos indígenas. O sumário para os tomadores de decisão – tanto políticos na área pública como gestores ambientais no setor privado – foi amplamente

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Um terço das reservas naturais do mundo estão sob ameaça de atividade humana Em um terço das áreas de conservação do planeta, há atividades como agricultura industrial e tráfego de veículos. Segundo relatório inédito, os espaços mais degradados estão na África, na Europa ocidental e no sudeste asiático. Taxa brasileira é de 3% Fotos: Andy Plumptrw/ WCS, Conservação Da Vida Selvagem, Google Earth, Jaime Palácios/ WCS, James Allan

S

eis milhões de quilômetros quadrados — o que corresponde a quase dois terços do tamanho do Brasil — de áreas de proteção ambiental em todo o mundo estão sob intensa pressão humana, segundo um estudo da Sociedade da Conservação da Vida Selvagem (WCS, sigla em inglês), da Universidade de British Columbia e da Universidade de Queensland. O levantamento inédito, publicado na revista Science desta semana, mostra que essas regiões, que deveriam ser refúgios ecológicos de diversas espécies animais e vegetais, sofrem impactos de atividades como construção de estradas e urbanização.

Esta iguana no Parque Nacional Yasuni, no Equador, é um dos muitos animais que dependem de áreas protegidas para sobreviver. Os cientistas afirmam que, em todo o mundo, a expansão humana está colocando pressão “intensa” nesses ecossistemas

James Watson, que trabalha para Sociedade de Conservação da Vida Selvagem, e, na última década, tem percorrido o mundo. Tem visitado muitas áreas protegidas e observado projetos de conservação, assim como zonas que estão a ser degradadas pelos humanos. “Fiquei surpreendido quando descobri que ninguém tinha mapeado o estado das áreas protegidas a nível global, até porque são incrivelmente importantes nas discussões das estratégias da biodiversidade pós-2020”, conta James Watson, que também é investigador da Universidade de Queensland (Austrália). Por isso, juntamente com outros cientistas, decidiu quantificar a pressão humana nas áreas protegidas em todo o mundo. As áreas protegidas foram criadas como uma defesa contra a diminuição da biodiversidade. “Em resposta a uma perda maciça de biodiversidade no mundo, a extensão global de terra protegida tem duplicado em tamanho desde a Cimeira da Terra em 1992, no Rio de Janeiro, no Brasil. Mais de 202 mil áreas protegidas cobrem agora 14,7% da área terrestre do mundo”, lê-se no artigo científico. Foi aqui que teve origem a Convenção sobre Diversidade Biológica, que tem o objetivo de proteger a biodiversidade de cada país e como um dos seus compromissos a criação de áreas protegidas. James Watson, da Sociedade de Conservação da Vida Selvagem

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Em 2010, a União Internacional para a Conservação da Natureza criou e estabeleceu claramente as áreas protegidas da Terra. Existem agora mais de 202.000 áreas em todo o mundo

Atlas Global da biodiversidade de água doce. Múltiplos estressores ambientais ameaçam rios que atendem a 80% da população mundial. Os mesmos estressores colocam em risco a biodiversidade de 65% dos habitats fluviais do mundo

Imagens de satélite revelam a pressão humana em muitos parques nacionais. A: Kamianets-Podilskyi, uma cidade dentro do Parque Nacional Podolskie Tovtry, na Ucrânia; B: Estradas principais dentro do Parque Nacional Mikumi, na Tanzânia; C: Agricultura e edifícios dentro do Parque Nacional Dadohaehaesang, Coreia do Sul revistaamazonia.com.br

De acordo com os autores, o estudo é um “choque de realidade” para chamar os signatários da Convenção sobre Diversidade Biológica, um tratado internacional firmado em 1992 no Rio de Janeiro, a monitorar mais de perto a proteção de importantes nichos naturais. Eles lembram que, desde o acordo, a extensão das áreas protegidas dobrou, com 15% da superfície terrestre sob algum tipo de legislação e planos para chegar a 17% daqui a dois anos. Contudo, destacam que a conservação de boa parte dessas zonas ficou apenas no papel. O mapeamento indica que um terço das áreas protegidas (32,8%) estão altamente degradadas. Em alguns países da Europa ocidental, do sudeste asiático e da África, mais da metade (57%) de todas as zonas protegidas estão completamente sob intensa pressão humana. Nesses locais, de acordo com Kendall Jones, candidato a PhD da Universidade de Queensland e um dos autores do estudo, os danos são marcantes.

Pablo Negret, coautor do estudo e PhD da Universidade de Queensland, Brisbane/Escola da Terra e Ciências Ambientais, afirma que o cenário brasileiro justifica-se basicamente por duas questões: o tamanho das áreas de proteção do país e o fato de a Amazônia ser uma região de difícil acesso. “A rede de áreas protegidas no Brasil tem, em geral, baixa pressão humana em comparação com outros países da América do Sul, como Uruguai, Argentina ou Colômbia. Um importante aspecto para se destacar é que o Brasil tem áreas de proteção maiores, e nossos resultados mostram que essas zonas tendem a ter menos pressão humana que as menores. Porém, isso também, em parte, justifica-se pela grande quantidade de áreas protegidas na Amazônia brasileira, que é uma área de difícil acesso e tem menor pressão”, afirma Negret REVISTA AMAZÔNIA

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No Brasil, o mapeamento indica que a maior parte das áreas de proteção, como a região Amazônica, está fora de pressão intensa. O litoral de São Paulo concentra os principais focos de pegada humana, seguido pela costa do Rio de Janeiro e por pontos isolados do Nordeste. O Cerrado tem zonas protegidas com pressão zero, e outras com pegada média. No total, o país tem 2,5 milhões de quilômetros quadrados de áreas de proteção ambiental, sendo que 3,29% encontram-se sob alta pressão. “Em lugares muito densamente povoados da Ásia, da Europa e da Ásia, encontramos infraestrutura de transporte, como estradas;

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agricultura industrial e mesmo o estabelecimento de cidades inteiras dentro dos limites do que deveriam ser áreas de conservação

da natureza”, contou, em um comunicado de imprensa. Segundo ele, mais de 90% de zonas protegidas nessas regiões, como parques e reservas naturais, demonstram algum sinal de destruição por atividade humana. Para Kendall Jones, governos estão superestimando, no discurso, o espaço disponível para a natureza dentro das áreas protegidas, que, de acordo com a legislação, podem abrigar atividades como extrativismo e agricultura sustentável. “Os governos afirmam que esses locais estão protegidos por causa da natureza, quando, na verdade, não estão. Essa é a maior razão de a biodiversidade estar ainda em declínio catastrófico, apesar de haver cada vez mais áreas sendo ‘protegidas’”, critica. O ecólogo destaca que não está sugerindo que se acabem com as zonas de proteção. “Ao contrário, é crucial que as nações reconheçam os ganhos profundos das (políticas) de conservação que podem ocorrer ao melhorarem e restaurarem as áreas protegidas, ao mesmo tempo em que se respeitam as necessidades das populações locais”. Apesar de as notícias não serem as melhores, o mapeamento também detectou zonas protegidas onde os objetivos de conservação estão sendo plenamente atingidos, caso do Santuário da Vida Selvagem de Keo Seima, no Camboja, do Parque Nacional Madidi, na Bolívia, e da Reserva da Biosfera Yasuni, no Equador. “Nós sabemos que áreas de proteção funcionam. Quando bem financiadas, bem gerenciadas e bem localizadas, são extremamente efetivas para frear as ameaças que causam perda de biodiversidade e garantir que as espécies saiam da beira da extinção. Também há muitas áreas protegidas que ainda estão em boas condições e conservam os últimos redutos de espécies ameaçados em todo o mundo”, destacou o autor sênior do estudo, James Watson, professor da Universidade de Queensland.

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Relatório Global do Ar 2018

Países com mais, e menos, mortes por poluição

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studos de todo o mundo documentaram as muitas maneiras pelas quais a poluição do ar pode afetar a saúde das pessoas, incluindo e tornando mais difícil respirar para as pessoas com asma ou outras doenças respiratórias, enviando os jovens e velho para o hospital ou fazendo com que eles faltem à escola ou ao trabalho, e contribuindo para a morte precoce por doenças cardíacas e pulmonares.

O relatório sobre o estado Global do Ar, coloca em um só lugar mais informação recente disponível sobre os níveis e tendências da qualidade do ar e saúde para os países ao redor do mundo. Este ano foi concentrado não apenas na poluição atmosférica ao ar livre, mas também, primeira vez, sobre a poluição do ar doméstica pela queima de sólidos combustíveis para cozinhar e aquecimento, um dos principais contribuintes para a poluição tanto dentro como fora de casa. O relatório é projetado para apresentar cidadãos, jornalistas, fabricantes e cientistas para os esforços para estimar e rastrear exposição à poluição do ar exterior e doméstica e o seu impacto na saúde como parte da abrangente Carga Global. Estes dados estão disponíveis para países individuais e geográficos e regiões económicas, bem como para realçar as tendências de 1990 para 2016. revistaamazonia.com.br

Novos estudos continuam a ampliar nossa compreensão da ampla gama de efeitos que a poluição do ar pode ter na saúde humana. Este relatório da State of Global Air 2018 apresenta a última análise de exposições à poluição atmosférica em todo o mundo e impactos na saúde. Como em 2017, o relatório oferece uma atualização global sobre atividades ao ar livre, ou ambiente, poluição do ar. A análise mais recente do GBD continuou a identificar

a poluição do ar ambiente como um dos mais importantes fatores de risco contribuindo para a morte e a incapacidade. O relatório do HEI mostra que mais de um terço da população global está exposta à poluição e que os níveis de partículas finas podem exceder 20 vezes as diretrizes de qualidade do ar. Segundo o relatório anual State of the Global Air Report, publicado recentemente pelo Health Effects Institute (HEI), 95% da população do

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Novos estudos continuam a ampliar nossa compreensão da ampla gama de efeitos que a poluição do ar pode ter na saúde humana

planeta respira um ar poluído. A exposição à poluição do ar por um longo período contribuiu para a morte de 6 milhões de pessoas em 2016, com casos registrados de derrames, doenças pulmonares e ataques cardíacos. Depois do cigarro, pressão alta e má nutrição, a poluição atmosférica é a quarta principal causa de mortes nos países em desenvolvimento. Apesar de Índia e China terem os maiores índices de morte por poluição, com 1,61 e 1,58 milhões, respectivamente, as estatísticas mostram um cenário diferente quando se considera uma padronização de idade para os óbitos a cada cem mil habitantes. Neste recorte, em 2016, o Afeganistão teve muito mais mortes que a Índia. De fato, é muito mais provável que o ar poluído prejudique os afegãos do que ataques militares. Em Cabul, capital do país, madeira e plástico são queimados em geradores, que emitem uma fumaça que se mistura às emissões de gases da grande quantidade de carros no trânsito. A situação nas áreas rurais não é muito melhor, pois a população queima combustíveis sólidos para cozinha e sistemas de aquecimento. E o problema não ocorre só no Afeganistão. Embora a imagem estereotipada da poluição atmosférica envolva chaminés, arranha-céus envoltos de fumaça e congestionamentos ruidosos nas megacidades da Índia e da China, boa parte da causa do problema vem de simples fogões e geradores no interior.O relatório do HEI mostra que mais de um terço da população global está exposta à poluição e que os níveis de partículas finas podem exceder 20 vezes as diretrizes de qualidade do ar. Os países desenvolvidos tiveram sucesso na redução de emissões e níveis de poluição do ar, enquanto os países mais pobres ficaram para trás. A situação não é totalmente irreversível, com a China, em particular, introduzindo medidas de controle mais duras nos últimos anos. [*] PM2.5 = Partículas finas com diâmetros aerodinâmicos menores ou iguais a 2,5 mícrons

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Conclusões O gráfico acima ilustra a impressionante diferença entre os países com o ar mais e menos poluído do planeta. Embora as nações desenvolvidas tenham tomado medidas para limpar o ar, grande parte do mundo em desenvolvimento está agora para trás, fato que é evidente na taxa de mortalidade. Por mais dura que a situação possa parecer, a China está tendo sucesso em introduzir controles de poluição mais duros. O número de pessoas expostas à poluição do ar em ambientes fechados também caiu constantemente, de uma estimativa de 3,6 bilhões em 1990 para 2,4 bilhões hoje, apesar do aumento da população mundial. A Índia provou ser um exemplo notável no combate à poluição do ar em ambientes fechados por meio da expansão e modernização de sua rede elétrica, além de fornecer GLP como combustível para cozinhar. O projeto GBD tem desempenhado um papel fundamental na identificação de fatores que mais contribuem para doenças e mortalidade de prematuros – o primeiro passo para determinar o que pode ser feito para melhorar a saúde pública. Entre os 84 fatores de riscos incluídos em sua análise abrangente, o GBD projeto relatou que a poluição do ar ambiente de PM2.5. ficou em 6º lugar globalmente em sua contribuição para a mortalidade em 2016, para 4,1 milhões de mortes. A poluição do ar doméstico foi classificada em 8º lugar globalmente, responsável por 2,6 milhões de mortes. Poluição do ar a partir do ambiente PM2.5, ozônio e queima doméstica de combustíveis sólidos combinados o quarto maior fator de risco global, responsável por 6,1 milhões de mortes – 11% do total global. A análise do GBD também estabeleceu a interação crítica entre as tendências na estrutura da população, doenças e fatores econômicos e as tendências da poluição dos níveis do ar. O conhecimento dessas tendências é essencial para entender os padrões na carga da doença experimentada por diferentes países e regiões e para ajudar a informar os tomadores de decisão onde a ação política reduzir a exposição da população a nível nacional ou regional o maior potencial para proporcionar grandes benefícios na melhoria da saúde. Finalmente, redução da poluição do ar e sua carga sobre a saúde requer identificar e tomar medidas para controlar as principais fontes que contribuem para eles. Ações para reduzir a poluição do ar não devem apenas a queima de carvão em grande escala por usinas e indústrias, mas também o uso de carvão ou diferentes formas de biomassa para aquecimento e cozinhar em milhões de pequenas famílias ao redor do mundo.

O IHME é um centro independente de pesquisa em saúde da população da UW Medicine, parte da Universidade de Washington, que fornece medições rigorosas e comparáveis dos problemas de saúde mais importantes do mundo e avalia as estratégias usadas para abordá-los. Entre seus trabalhos, o IHME publica a Carga Global Global de Doenças, Lesões e Fatores de Risco, um esforço sistemático e científico para quantificar a magnitude da perda de saúde de todas as principais doenças, lesões e fatores de risco por idade, sexo e população. O IHME fornece os dados subjacentes de poluição e saúde do ar e outros apoios críticos para este projeto.

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HEI é um instituto independente de saúde e pesquisa aérea, líder da análise da poluição do ar no projeto Global Burden of Disease (GBD). HEI, é o principal desenvolvedor do Relatório Global do Ar.

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Novos locais – de paisagens notáveis – patrimônio agrícola global, da FAO Fotos: Dai Jianyi, Enas El Masry, FAO

Cultivando culturas

Com os locais de patrimônio agrícola, respondemos aos impactos da mudança climática, disse Maria Helena Semedo, na abertura do fórum

T

reze novas paisagens foram formalmente celebradas no Dia da Terra, como Sistemas Globais de Patrimônio Agrícola Importante (GIAHS), homenageando as maneiras engenhosas pelas quais as necessidades humanas e os recursos da natureza foram combinados para criar meios de subsistência e ecossistemas mutuamente sustentáveis. Os novos locais deste importante programa da FAO estão na China, Egito, Japão, República da Coréia, México, Portugal, Espanha e Sri Lanka. Sua produção primária varia de frutas, legumes, sal e arroz a seda, carne, chá e wasabi. Esses sistemas “refletem uma profunda harmonia entre a humanidade e a natureza”, disse a vice-diretora-geral da FAO, Maria Helena Semedo, em um fórum internacional em Roma. As novas adições elevam para 50 o número total de GIAHS em todo o mundo. O programa destaca formas únicas que as comunidades rurais criaram ao longo de gerações para promover a segurança alimentar, meios de subsistência viáveis, ecossistemas resilientes e altos níveis de biodiversidade, ao mesmo tempo em que reforçam a beleza notável. “Os sitios não têm um passado nostálgico, mas oferecem soluções para o presente e o futuro”, enfatizou Semedo. “O GIAHS é também sobre inovação e oportunidades, incluindo a ampliação do acesso a novos mercados e negócios, como a rotulagem ecológica, agroturismo, capacitação de jovens para agregar valor ao nosso patrimônio agrícola.” Entre os novos sites do GIAHS estão os primeiros membros da Europa e América do Norte: Um sistema agro-silvo-pastoral em Barroso, Portugal, uma forma única de fazer sal em Salinas de Añana, Espanha, uma forma milenar de cultivar uvas muscatel em Axarquía, Espanha, e um conjunto de terras cultivadas artificialmente na Cidade do México (Chinampas) com base na transmissão oral de técnicas tradicionais amplamente utilizadas durante a civilização asteca. O fórum internacional concentrou-se na troca de lições aprendidas até agora e incluiu autoridades governamentais da China, Itália, Japão, Espanha, Tanzânia e especialistas da Argélia, Chile e França, bem como da Unesco, que opera o aclamado programa do Patrimônio Mundial. próprio. Os GIAHS, refletem uma profunda harmonia entre a humanidade e a natureza, disse Maria Helena Semedo, vice-diretora-geral da FAO, no fórum internacional em Roma

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Os sistemas de patrimônio agrícola globalmente importantes incorporam ecossistemas gerenciados nos quais o uso da água, a saúde do solo e outros fatores do ecossistema estão intrinsecamente ligados, muitas vezes de formas que exigem regras de governança social específicas em termos de posse, alocação de recursos e mão de obra. Os sistemas de patrimônio reúnem os pilares econômico, social, ambiental e cultural do desenvolvimento sustentável, observou Semedo. Reconhecê-los também ressalta o papel de liderança que os criadores de pequenos agricultores - seus criadores e custódios - desempenham na promoção da biodiversidade e uma série de outros objetivos compartilhados, acrescentou ela. A ideia é chamar a atenção para as formas únicas e engenhosas de alcançar a sustentabilidade na atividade humana mais básica, convertendo os recursos naturais em sistemas alimentares viáveis. O objetivo é promover sua conservação dinâmica e possibilitar que os pequenos agricultores que os ajudaram e sirvam como guardiões de seu legado a manter sua herança viva em meio a novos desafios, como a urbanização e a mudança climática. As evidências até agora indicam que a designação do GIAHS como um patrimônio pode ajudar a conservar a biodiversidade e proteger as variedades de culturas ameaçadas - ambas beneficiando a segurança alimentar em todo o mundo - e revitalizar as atividades culturais locais, criar empregos e promover o turismo. Os rótulos patrimoniais podem ser integrados a estratégias de marketing para impulsionar a demanda e os preços dos produtos agrícolas locais. Arroz certificado cultivado em um sistema de patrimônio em Sado, Japão - voltado para fornecer refúgio para os íbis coroados - agora comanda o dobro do preço de equivalentes locais.

Georges Teinmetz, compartilha sua experiência de fotografar a beleza dos sites GIAHS, no fórum

Uma ponte para o futuro Semedo pediu para levar o programa GIAHS ao próximo nível estratégico para criar mais sinergias e oportunidades valiosas “para os grandes artistas que esculpiram nosso passado, projetaram nosso presente e moldarão nosso futuro”. Os critérios da FAO para a seleção do GIAHS incluem que os sites sejam de importância global, tendo valor como um bem público em termos de apoio à segurança alimentar e de subsistência, biodiversidade, sistemas de conhecimento e tecnologias adaptadas, cultura e paisagens excepcionais. Muitos dos sites fornecem importantes serviços ecossistêmicos que beneficiam as pessoas em outros lugares, o que reforça o argumento de fornecer incentivos econômicos para sua conservação. Alguns países até criaram seus próprios programas nacionais, incluindo a República Popular da China e o Japão, cujos governos têm sido defensores particularmente fortes e generosos do programa GIAHS.

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Sistemas Globais de Patrimônio Agrícola Importante ”(GIAHS), são paisagens de beleza estética que combinam biodiversidade agrícola, ecossistemas resilientes e um valioso patrimônio cultural. Localizados em locais específicos em todo o mundo, eles fornecem sustentavelmente vários bens e serviços, segurança alimentar e de subsistência para milhões de pequenos agricultores. Infelizmente, esses sistemas agrícolas estão ameaçados por muitos fatores, incluindo a mudança climática e a crescente competição por recursos naturais. Eles também estão lidando com a migração devido à baixa viabilidade econômica, o que resultou em práticas agrícolas tradicionais sendo abandonadas e espécies endêmicas e raças sendo perdidas. Esses sistemas agrícolas ancestrais constituem a base das inovações e tecnologias agrícolas contemporâneas e futuras. Sua diversidade cultural, ecológica e agrícola ainda é evidente em muitas partes do mundo, mantidas como sistemas únicos de agricultura.

Sistema composto agriculturafloresta-animais silvestre, em Zhagana, China (2017)

Siwa Oasis, Egipto (2016) Oásis de Siwa, em Maaraq, no Egito, uma das melhores ilustrações da engenhosidade dos agricultores para adaptar a agricultura a condições climáticas muito adversas. Situado em uma região muito seca, este oásis oferece uma maneira eficaz de cultivar alimentos, gado e preservar a flora e a fauna silvestres, que contam com um recurso muito escasso: a água. Reconhecido como uma área agrária muito antiga, o oásis Siwa é um repositório de variedades de tamareiras distintas e outras culturas, das quais a história remonta ao passado distante. Existem atualmente cerca de 280.000 tamareiras gerando cerca de 25.000 toneladas da fruta por ano, o que corresponde a aproximadamente 2% da produção total do Egito. Da mesma forma, a Siwa é um importante produtor nacional de azeitonas, com uma produção anual total de 27.500 toneladas.

O sistema composto por Zhagana (China), que integra a agricultura, a silvicultura e a pecuária, estende-se através do planalto tibetano, do planalto de Loess e da bacia de Chengdu, num ponto em que convergem três zonas climáticas. Este panorama macro amplia verticalmente e horizontalmente, combinando as três atividades. É um exemplo extraordinário de gestão sustentável dos recursos naturais da área. Cultivam culturas de acordo com a estação, animais de criação de leite, carne e pele, e forragem para ervas e remédios. Embora colham árvores para construir casas, os tabus culturais ajudam a controlar o desmatamento excessivo e a caça excessiva.

Sistema agrícola “chinampa”, México O sistema agrícola chinampa é um conjunto de ilhas artificiais construídas de maneira tradicional há 2.000 anos, na Zona de Patrimônio Natural e Cultural do Mundo em Xochimilco, Tlahuac e Milpa Alta, México, que atingiu sua máxima expansão durante a civilização asteca. Este modelo foi mantido até hoje graças à transmissão oral dessas técnicas ancestrais. O que o torna único é que os agricultores converteram um antigo grupo de lagos em terras aráveis altamente produtivas para plantar ou criar gado. Ele está localizado no centro da Cidade do México e é um exemplo de como a intensificação agroecológica pode coexistir com o desenvolvimento urbano e a modernidade. Do ponto de vista cultural, as chinampas são um símbolo da identidade mexicana e um orgulho para os agricultores.

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Huzhou Mulberry - amoreiras e tanques de peixes em Huzhou, China (2017) Em Huzhou, na província de Zhejiang, há mais de 2.500 anos as amoras foram plantadas, mas para fins diferentes. Cultivadas junto a tanques de peixes, as folhas são a única fonte de alimento para bichos-da-seda, e os excrementos dos insetos fornecem alimento para os peixes. Por sua vez, a lama rica no fundo das lagoas é desenterrada a cada inverno para uso como fertilizante para as árvores. Um complexo sistema de irrigação e drenagem, permite que muitos agricultores cubram suas necessidades econômicas e nutricionais, enquanto ajudam a conservar a paisagem e sua biodiversidade.

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Sistema de agricultura do Vale Salgado de Añana, Espanha (2017) Sistema de irrigação sustentável de Arroz, Osaki Kôdo, Japão (2017) A região de Osaki, no Japão, desenvolveu o cultivo de arroz em arrozais e pântanos de baixa altitude nas bacias dos rios Eai e Naruse. É um sistema engenhoso que controla a temperatura e o fluxo de água, transformando a paisagem e adaptando-a ao uso de campos de arroz. É conhecido como Osaki Kōdo e é fundamental porque a região sofre frequentes secas e também inundações em alguns períodos, além do ‘yamase’, um vento frio e úmido que dá origem a baixas temperaturas

O Vale Salgado de Añana está em Salinas de Añana (Álava, Espanha que sobrevivem por quase 7.000 anos, desde o período neolítico. Ao longo dos anos, uma arquitetura particular evoluiu através da construção de terraços feitos de pedra, madeira e argila. Além disso, devemos adicionar suas características geológicas, sua biodiversidade, a paisagem da área circundante ... De fato, a estrutura das lagoas de evaporação solar, é apoiada em pilares de madeira que, depois de saturados com água salgada, endurecem e se tornam indestrutíveis. A água tem uma concentração muito alta de sal (210 gramas por litro), quase tanto quanto a do Mar Morto, que se estende até os terraços de doze a vinte metros quadrados para evaporação. A produção de sal é possível graças às nascentes únicas que sobem através de uma gigantesca abóbada subterrânea do mineral.

Sistema agrícola em terrenos de inclinação íngreme de Nishi-Awa, Japão(2017) Na área de Nishi-Awa (Japão), os alimentos básicos são cultivados desde a antiguidade. O sistema de manejo da terra recorre às encostas das montanhas, aparentemente inúteis para o cultivo, de maneira versátil. A terra é alocada para o cultivo, para a habitação e para a grama, dependendo da inclinação, e então as encostas são deixadas intactas. Para evitar que o solo escorra, os agricultores passam por um trabalho minucioso de levantá-lo de baixo para cima com um garfo como um ancinho. Uma grande quantidade de susuki (capim-dos-pampas japoneses) é cultivada não apenas para fazer telhados de colmo, mas também para cobrir e evitar que o solo seja lavado na chuva.

Produção de uvas passas de Málaga em La Axarquía, Espanha (2017)

Produção de uvas passas de Málaga em La Axarquía, Espanha (2017) A produção de uvas passas na região de La Axarquía (Málaga, Espanha) remonta a séculos e passou por diferentes civilizações, mantendo a maioria de suas características. O cultivo de uvas do tipo moscatel, muito doces e aromáticas, nas áreas montanhosas de Málaga desenvolve-se em encostas íngremes, sendo depois processadas com secagem ao sol. O sistema ajuda a preservar a paisagem, evitando a erosão e a desertificação.

Cultura tradicional de chá em Hwagaemyeon, Coréia do Sul (2017) A cultura do chá tradicional em Hadong (Coreia do Sul) é uma simbiose. O sistema é resultado de 1.200 anos de adaptação pela comunidade local ao ambiente estéril e montanhoso da natureza do Monte Jiri e seus arredores. Os habitantes da área preservaram a tecnologia e cultura do chá, características desta região, sem danificar o ambiente natural que receberam de seus ancestrais. O povo Hwagae depende do chá, que cultivam em torno dos montes, em vez do arroz.

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Vale Salgado de Añana, (Álava, Espanha), o primeiro Sistema Importante de Patrimônio Agrícola Mundial da Europa

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Sistema de Aldeia de Tanques em Cascata (CTVS) na Zona Seca do Sri Lanka Uma história de mais de 2 500 anos desenvolveu vários sistemas de patrimônio agrícola que abrangem várias diversidades climáticas, geomorfológicas / geográficas, do solo, culturais e sociais. Durante séculos, agricultores, pastores, pescadores e pessoas da floresta esculpiram a nossa terra para criar sistemas agrícolas de excepcional beleza estética, preservando a biodiversidade e criando ecossistemas resilientes e um patrimônio cultural valioso, também conhecido comoi “Illanga Gammana”.

O tradicional sistema de plantação de amoreira do antigo curso de Yellow River, em Xiajin, está localizado na área arenosa, que é o antigo curso deixado pelo rio Amarelo quando o seu curso mudou na dinastia Dongzhou. As amoreiras foram plantadas para controlar as tempestades de areia e fornecer produtos agrícolas. Sua história começou em 11 d.C. O sistema de patrimônio abrange uma área de mais de 400 hectares. Mais de 20.000 amoreiras, com mais de 100 anos, vivem no patrimônio. O patrimônio, sendo testemunha destes desenvolvimentos, mostrou sua resiliência diante das mudanças socioeconômicas e ambientais. Mostra a experiência de plantar amoreiras, combinando agricultura e silvicultura e o rejuvenescimento de árvores antigas. Também reflete a filosofia do desenvolvimento harmonioso dos seres humanos e da natureza e oferece muitas lições para a agricultura moderna e o desenvolvimento social.

Terraços de arroz em áreas montanhosas do sul

Cultivo tradicional de Wasabi em Shizuoka, Japão (2018) Terraços de cultivo de arroz, China Os terraços do cultivo de arroz na China estão localizados principalmente na cordilheira ao sul do rio Yangtze. Nesta área, há chuvas abundantes e terrenos muito montanhosos. Na foto, arrozais no condado de Longsheng, no sul da China. Os povos antigos que viviam na área montanhosa criaram o padrão de terraços de acordo com as condições locais. Por centenas de anos, os terraços construídos ao longo das montanhas não só melhoraram as condições agrícolas locais, mas também aumentaram a produção de grãos. Além disso, eles são benéficos para a ecologia da área montanhosa e fizeram grandes contribuições para o desenvolvimento sustentável da agricultura na China. Assenta-se numa gigantesca bolha de sal de um mar que desapareceu há milhões de anos e por onde atravessam dois pequenos rios que se encontram no centro do vale. Assim, aparecem mananciais na parte superior do vale, que permite a extração do sal. As técnicas ancestrais de ‘colheita’ serão cuidadosamente preservadas, gradualmente introduzindo pequenas mudanças para preservar o modo de vida da comunidade local, mas respeitando as condições do sistema. Segunda a organização, é um exemplo perfeito de “conservação dinâmica” e relação harmoniosa com o meio.

Yellow River, em Xiajin, curso antigo de Mulberry Grove, China (2018)

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O wasabi, ‘Eutrema japonicum’, é uma planta nativa do Japão que tem sido valorizada há séculos pelo sabor de seus talos quando são ralados e populares em todo o mundo graças à expansão do ‘sushi’. Acredita-se que o cultivo da planta começou na região de Shizuoka há cerca de 400 anos. Esses campos de wasabi possuem uma estrutura resistente a desastres naturais, pois retêm muita água e protegem as áreas mais baixas das inundações.

Sistema Agro-silvícola-pastoral de Barroso, Portugal (2018) Barroso é uma paisagem natural do norte de Portugal, que abrange os concelhos de Boticas e Montalegre, é o primeiro a ser aprovado em Portugal, integra parte do Parque Nacional da Peneda Gerês, onde os sistemas agrícolas existentes são altamente influenciados pelo tipo de solo e condições climáticas. Pequenas fazendas, vacas pastando, ovelhas e cabras são predominantes na região, assim como a criação de porcos, o que ajuda a sustentar a população local. Apesar da exploração, o meio ambiente está praticamente intacto na região. Uma paisagem montanhosa historicamente relacionada com os sistemas agrícolas tradicionais, em grande parte baseados na criação de gado e na produção de cereais.

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Técnica transforma areia do deserto em terra fértil A tecnologia, chamada “Liquid Nanoclay” (nanoargila líquida), está sendo desenvolvida desde 2005

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tratamento recobre as partículas de areia com argila e muda completamente suas propriedades físicas, permitindo que a areia retenha a água”, diz o cientista norueguês Kristian Morten Olesen. É um processo, que segundo o cientista, não necessita do uso de nenhum agente químico. “Podemos transformar os solos arenosos de baixa qualidade em terras agrícolas de alto rendimento em sete horas.” “Simplesmente misturamos argila natural na água que colocamos sobre a areia e criamos uma capa de meio metro no solo que converte a areia em terra fértil”, explica Ole Morten Olesen, filho de Kristian e diretor de operações da empresa Desert Control, fundada por seu pai para vender a tecnologia. As partículas de areia normalmente têm uma baixa capacidade de retenção de água, mas com a Liquid Nanoclay, as partículas se unem e podem reter água por mais tempo, aumentando o rendimento.Na fazenda de Shimmari, a tecnologia foi usada para preparar áreas de cultivo para tomates, berinjelas e quiabo. “Estou surpreso em ver o sucesso da empreitada”, diz o agricultor. “A técnica reduziu o consumo de água e mais de 50%, o que significa que posso duplicar a área verde com a mesma quantidade de água.” O solo precisa receber uma pequena manutenção a cada quatro ou cinco anos.

Faisal Mohammed Al Shimmari em Al Ain, um oasis no deserto dos Emirados Árabes Unidos, espera que a inovação ajude-os

Nanoclay líquido reduziu pela metade a quantidade de água usada para cultivar essas plantas de quiabo em solo desértico

Em campo de algodão que estava altamente contaminado com sal

Mudanças Climáticas A técnica pode vir a ser útil a agricultores de diversas regiões do planeta no futuro por causa do avanço da desertificação e da necessidade de cultivar alimentos em condições cada vez mais hostis. A cada ano no mundo, uma área equivalente à metade do Estado de São Paulo se converte em deserto como consequência do aumento da seca, do desmatamento e dos métodos intensivos de cultivo. Cada hectare tratado com a nova tecnologia gera um custo que varia de US$1,8 mil a US$9,5 mil (R$ 6,3 mil a 33,5 mil) – ou seja, ainda é muito caro para a maioria dos agricultores.

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A invenção é uma nova maneira de misturar argila e água, de modo que quando é distribuída para o solo, ela envolve cada grão de areia perfeitamente e espalha a argila perfeitamente na areia – de uma só vez. Assim, quando a LNC é aplicada, a areia se transforma em um tecido esponjoso que retém a umidade/água e assim mantém os nutrientes no solo muito melhores. Consequentemente, você precisa de menos água para irrigação, e a colheita recebe mais nutrientes e aumenta o rendimento. O Mychorrizal Fungi - vital para qualquer planta - prospera e cresce em areia tratada com LNC.

Aplicação de Nanoclay líquido - LNC, no deserto

Filamentos fúngicos micorrízicos (micélios) irradiam para o solo de pontas de raízes colonizadas por micorrizas, estendendo a capacidade do sistema radicular da planta para absorver água e nutrientes. Fungos micorrízicos colonizam as raízes de muitas plantas. Fungos micorrízicos não prejudicam a planta; pelo contrário, desenvolvem uma relação “simbiótica” que ajuda a planta a ser mais eficiente na obtenção de nutrientes e água. Em troca, a planta fornece energia ao fungo na forma de açúcares.

Fungos Micorrizais

O LNC é aplicado diretamente em terrenos arenosos e secos usando técnicas tradicionais de irrigação (ou injeção direta em sistemas de irrigação com água). A mistura satura o solo a uma profundidade de 40-60 cm, retendo a água como uma esponja. Os pesquisadores da Desert Control dizem que o plano é inicialmente vender o produto para governos regionais e, quando a tecnologia tiver se desenvolvido o suficiente para se tornar acessível, ampliar o rol de clientes. “É algo que pode mudar as regras do jogo para agricultores em áreas áridas”, diz Olesen. Faisal Mohammed Al Shimmari tem uma fazenda em uma das regiões mais inóspitas do mundo para agricultura: Al Ain, um oasis no deserto dos Emirados Árabes Unidos, onde as temperaturas podem alcançar os 50º C. “É caro porque temos que comprar água para irrigar as plantas”, diz ele. Os agricultores precisam contratar navios tanque para levar água para as fazendas, que precisa de três vezes mais irrigação do que uma área de cultivo em clima temperado.

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Como a agricultura no deserto é pouco prática, os Emirados Arábes acabam importando 80% dos alimentos consumidos no país. A pesquisa deKristian Morten Olesen, no entanto, pode revolucionar a agricultura na região – e, potencialmente, no mundo.

Olesen fez um acortdo com Shimmari para testar em sua fazenda nos Emirados Árabes uma nova técnica para acondicionar o solo do deserto, mesclando nanopartículas de argila com água e partículas de areia. Kristian Morten Olesen diz que sua invenção vai mudar as regras do jogo da agricultura no deserto

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O carbono no Brasil por *Elton Alisson

Fotos: Adriano Gambarini/WWF Brasil, Embrapa Solos, FAO, Vinícius Mendonça/Ibama, Reprodução / Ipam

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o total de 52 gigatoneladas (Gt) que compõem o estoque de carbono armazenado em vegetação nativa no Brasil, 67% estão em terras públicas, sendo que metade (26 Gt) está protegida em unidades de conservação e em terras indígenas. Apesar de o Estado ser o principal “dono” desse carbono, isso não significa que essas reservas estejam protegidas, sem o risco de se converterem em gases de efeito estufa (GEE). Aproximadamente 20% dessas reservas (10 Gt) estão desprotegidas em 80 milhões de hectares de terras públicas sem titulação ou destinação clara, onde a disputa pela propriedade e o desmatamento ilegal desafiam a preservação da vegetação nativa e podem levar ao aumento das emissões brasileiras de GEE. As constatações são de um estudo realizado por pesquisadores da Escola de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), em colaboração com colegas do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), da KTH Royal Institute of Technology e da Chalmers University of Technology – ambas instituições da Suécia. O estudo integra o projeto “Atlas da Agropecuária Brasileira”, realizado pelo Imaflora em parceria com o Geolab da Esalq-USP, com apoio da FAPESP. Os resultados do estudo foram publicados na revista Global Change Biology.

Os desmatamentos ilegais desafiam a preservação da vegetação nativa e podem levar ao aumento das emissões brasileiras de GEE

“Conseguimos identificar, pela primeira vez, onde está e a quem pertence o carbono no Brasil que está acima do solo, tanto em vegetação nativa, como em culturas e pastagens, de todos os biomas brasileiros”, disse Luís Fernando Guedes Pinto, pesquisador do Imaflora e um dos autores do estudo, à Agência FAPESP. Para quantificar o estoque de carbono acima do solo no país e identificar seu “tutor”, os pesquisadores desenvolveram uma base georreferenciada da malha fundiária brasileira.

Decreto 9.308/2018, dispõe sobre a definição das metas compulsórias anuais de redução de emissões de gases causadores do efeito estufa para a comercialização de combustíveis

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A malha abrange todo o território nacional e integra bases de dados oficiais, como as das áreas protegidas nacionais e estaduais – como áreas de conservação, terras indígenas e militares –, além das bases de imóveis e de assentamentos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e os polígonos de imóveis do Cadastro Ambiental Rural (CAR). Juntas, essas bases de dados recobrem 80% do país. Para as áreas sem cobertura foi realizada uma modelagem complementar que considera essa porção do território como sendo terra privada, estima os limites dos imóveis rurais a partir dos dados do Censo Agropecuário do IBGE de 2006 e reproduz a distribuição de tamanho dos imóveis rurais censitados em cada município ou setor censitário. “A malha fundiária representa a aproximação mais realista do tamanho, da localização e da distribuição dos imóveis privados, além dos assentamentos e das terras públicas brasileiras”, disse Guedes Pinto. As análises dos dados revelaram que, além de 20% do carbono (10 Gt) encontrado em 80 milhões de hectares de terras públicas sem titulação ou destinação clara estar desprotegido, há outros 3,4 Gt de carbono também sem proteção em propriedades privadas, que ocupam 65% do território brasileiro, mas englobam somente 30% do carbono (15,8 Gt).

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Embora o Código Florestal proteja 75% (12,4 Gt) do estoque de carbono encontrado nessas propriedades privadas por meio de reservas legais e áreas de preservação permanente, os outros 25% (3,4 Gt) estão desprotegidos em 101 milhões de hectares, aponta o estudo. “Nossos resultados indicam que, embora haja uma grande área de vegetação nativa e um grande estoque de carbono protegido no Brasil, aproximadamente 25% (13,4 Gt) – que representa a soma do carbono desprotegido em terras públicas e privadas – ainda estão desprotegidos, expostos ao risco de desmatamento e podendo contribuir para o consequente aumento das emissões brasileiras de gases de efeito estufa”, avaliou Guedes Pinto.

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Desproteção por biomas De acordo com o estudo, o Cerrado é o bioma com o maior volume de carbono desprotegido: 1,4 Gt, correspondente a 40% do carbono com risco de emissão no país. Em segundo lugar está a Amazônia, que responde por um terço do carbono desprotegido no Brasil (1Gt), seguida pela Caatinga, que também tem um grande volume de carbono e área de vegetação nativa desprotegidos. A análise também permitiu identificar que a distribuição do carbono por tamanho de imóvel rural é desigual e varia para cada bioma do Brasil. Somente 2% de grandes imóveis ocupam metade da área privada e acumulam também metade do carbono em terras privadas.

Além disso, este conjunto de políticas deve ser desenhado e implementado de maneira adaptada para as diferentes realidades produtivas, ecológicas e de governança de cada região do país afirmou.

Mapa de carbono orgânico do solo do Brasil

Um terço das terras privadas são ocupadas por 93% pequenos e médios imóveis. No caso da Amazônia, por exemplo, os pesquisadores estimam que 7 mil grandes imóveis acumulam 15% (0,5 Gt) do carbono desprotegido do Brasil, enquanto outros 110 mil pequenos imóveis retenham outros 10% (0,34%). Já o Cerrado é dominado por grandes imóveis: cerca de 30 mil acumulam 25% do carbono nacional desprotegido, enquanto outros 600 mil pequenos e médios imóveis representam apenas 17%. “O estudo indica que a conservação do carbono desprotegido no Brasil vai depender de uma combinação de políticas que incluem a regularização fundiária, a destinação de terras, a implementação do Código Florestal e outros instrumentos que priorizem a proteção da vegetação nativa e estoques de carbono que excedem a proteção dos mecanismos legais”, avalia Gerd Sparovek, professor da Esalq-USP e um dos autores do estudo.

[*] Agência Fapesp

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Terra se tornará mais seca

Mais de um quarto da superfície terrestre se tornará “significativamente” mais seca, mesmo se a humanidade conseguir limitar o aquecimento global a 2ºC, o objetivo estabelecido no Acordo de Paris, disseram cientistas

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om um aquecimento de 2ºC, que pode ser atingido entre 2052 e 2070, entre 24% e 32% da superfície terrestre total se tornará mais seco, segundo um estudo publicado na revista científica Nature Climate Change. No entanto, se contivermos o aquecimento médio a 1,5ºC – a meta mais baixa do Acordo de Paris sobre o clima –, este efeito será limitado a cerca de 8 a 10%, concluíram os pesquisadores. A 1,5ºC, partes da Europa, África, América Central, Austrália e Sudeste Asiático – áreas que abrigam mais de um quinto da humanidade – “evitariam aridificações significativas”, afirmou o coautor do estudo Su-Jong Jeong, da Southern University of Science and Technology em Shenzhen, China. “Conquistar 1,5º C seria uma ação significativa para reduzir a probabilidade de aridificação e impactos relacionados”, disse o pesquisador.

Fotos: Javier Blasco / EPA

A aridificação é uma séria ameaça - além de levar a secas e incêndios, também pode ter um impacto na agricultura, na qualidade da água e na biodiversidade

“São necessários mais esforços”, afirmam cientistas Jeong e uma equipe usaram projeções de vários modelos climáticos, sob diferentes cenários de aquecimento, para prever padrões de seca terrestre. A aridificação é uma ameaça importante. Ela acelera a degradação da terra e a desertificação, e a perda de plantas e árvores cruciais para a absorção de um dos gases de efeito estufa, o dióxido de carbono. Também intensifica as secas e incêndios florestais, e afeta a qualidade da água para cultivar e beber. Sob o Acordo de Paris, assinado na capital francesa em 2015, 195 países prometeram reduzir as emissões de gases de efeito estufa provenientes da queima de carvão, petróleo e gás natural que alteram o clima. Ainda assim, a temperatura média no planeta está a caminho de aumentar em cerca de 3°C, o que, segundo cientistas, levará a supertempestades, aumento do nível do mar, inundações e seca. “Porque as políticas de mitigação atuais não parecem ser suficientes para atingir o objetivo de aumentar a temperatura em apenas 1,5°C, são necessários mais esforços para mitigar o aquecimento global e reduzir a disseminação da aridificação”, disseram os autores do estudo.

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A aridificação acelera a degradação da terra e a desertificação, e a perda de plantas e árvores cruciais para a absorção de um dos gases de efeito estufa, o dióxido de carbono

Mais de 25% da Terra experimentará uma grave seca e desertificação até o ano de 2050 se o aquecimento global não for diminuído

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A missão Follow-On da GRACE, em órbita quase polar, circulando a Terra a cada 90 minutos

Satélites Grace-Fo da Nasa, vão estudar ciclo da água na Terra, incluindo degelo e movimento das correntes aquáticas

Nasa lança satélites para rastrear o movimento da água na Terra

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missão espacial conjunta dos EUA / Alemanha tem a missão para rastrear o movimento contínuo de água e outras mudanças na massa da Terra sobre e sob a superfície do planeta, foi lançadas com sucesso da costa da Califórnia. A espaçonave gêmea da Gravity Recovery e Climate Experiment Follow-On (GRACE-FO), uma missão conjunta NASA / Centro Alemão de Pesquisas em Geociências (GFZ), decolou em um foguete SpaceX Falcon 9 do Space Launch Complex 4E na Força Aérea Vandenberg. Baseiam-se na Califórnia, partilhando a sua viagem no espaço com cinco satélites de comunicações Iridium NEXT. As estações terrestres adquiriram sinais da sonda GRACE-FO. A telemetria inicial mostra que os satélites estão funcionando conforme o esperado. Os satélites GRACE-FO estão a uma altitude de cerca de 305 milhas (490 quilômetros), percorrendo cerca de 16.800 mph (7,5 quilômetros por segundo). Eles estão em uma órbita quase polar, circulando a Terra a cada 90 minutos. “O GRACE-FO fornecerá insights únicos sobre como o nosso complexo planeta opera”, disse Thomas Zurbuchen, administrador associado do Diretório de Missões Científicas da NASA na sede da NASA. “Tão importante quanto, porque a missão monitora muitos aspectos-chave do ciclo da água da Terra, os dados do GRACE-FO serão usados em todo o mundo para melhorar a vida das pessoas - de melhores previsões de impactos da seca a informações de maior qualidade sobre o uso e gerenciamento da água. aquíferos subterrâneos.” Ao longo de sua missão de cinco anos, o GRACE-FO irá monitorar o movimento de massa ao redor do planeta medindo onde e como a massa em movimento muda a atração gravitacional da Terra. As mudanças de gravidade fazem com que a distância entre os dois satélites varie um pouco. Embora os dois satélites orbitam a 220 km de distância, instrumentos avançados medem continuamente sua separação dentro da largura de um glóbulo vermelho humano.

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Fotos: GFZ, NASA / Bill Ingalls, NASA / JPL-Caltech Lançamento da nave espacial Follow-On a bordo de um foguete SpaceX Falcon 9, na Base Aérea de Vandenberg, na Califórnia, com a missão de medir mudanças em como a massa é redistribuída dentro e entre a atmosfera da Terra, os oceanos, a terra e as camadas de gelo, bem como dentro da própria Terra

Entre suas inovações, o GRACE foi a primeira missão a medir a quantidade de gelo que está sendo perdida das geleiras da Groenlândia e da Antártida. A missão melhorou nossa compreensão dos processos responsáveis pela elevação do nível do mar e pela circulação oceânica, forneceu insights sobre onde os recursos hídricos subterrâneos globais estão diminuindo ou crescendo, mostrou onde os solos secos estão contribuindo para a seca e monitorou mudanças na Terra sólida, como de terremotos. Frank Webb, cientista do projeto GRACE-FO no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA (JPL) em Pasadena, Califórnia, observa que, para entender as mudanças que ocorrem no sistema climático, os cientistas precisam de registros de dados por várias décadas. “Estender o registro de dados do GRACE nos permitirá distinguir melhor a variabilidade de curto prazo das tendências de longo prazo”, disse ele. Os satélites GRACE-FO passarão seus primeiros dias no espaço movendo-se para a distância de separação necessária para realizar sua missão.

Quando atingem essa distância, a missão inicia uma fase de verificação em órbita de 85 dias. Os gerentes de missão avaliarão os instrumentos e os sistemas de satélite e executarão os procedimentos de calibração e alinhamento. Então os satélites começarão a coletar e processar dados científicos. Os primeiros dados científicos devem ser divulgados em cerca de sete meses. O JPL administra a missão GRACE-FO para o Diretório de Missões Científicas da NASA em Washington, sob a direção do Escritório do Programa de Missões Sistemáticas da Terra no Goddard Space Flight Center da NASA em Greenbelt, Maryland. As naves espaciais foram construídas pela Airbus Defence and Space em Friedrichshafen, na Alemanha, sob subcontratação da JPL. A GFZ contratou os serviços de lançamento GRACE-FO da Iridium. A GFZ subcontratou as operações da missão no Centro Aeroespacial Alemão (DLR), que opera o Centro de Operações Espaciais da Alemanha em Oberpfaffenhofen, Alemanha. A Nasa pretende medir exaustivamente o ciclo da água da Terra através dessa missão

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Base de dados de espécies invasoras mais completa do mundo Novas espécies alteram a biodiversidade. Uma base de dados com listas de espécies exóticas e invasoras de quase 200 países está online e pode ser consultada por todos

Fotos: GRIIS, IAS, Jordi Roy Gabarra, Paulo Pimenta

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ma espécie invasora, alienígena, é uma espécie introduzida pelos seres humanos – intencional ou acidentalmente – fora de seu passado natural ou distribuição presente, no entanto, nem todas as espécies exóticas têm impactos negativos e estima-se que entre 5% e 20% de todas as espécies exóticas se tornem problemáticas. São essas espécies denominadas “espécies exóticas invasoras” (IAS). “Uma espécie exótica invasiva (IAS) é uma espécie que é estabelecida fora do seu passado natural ou distribuição presente, cuja introdução e / ou propagação ameaçam a diversidade biológica” Convenção sobre a Diversidade Biológica “.

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As espécies invasivas prosperam particularmente bem em certas ecoregiões costeiras da Terra

Número de espécies exóticas invasoras com uma data de invasão conhecida em 21 países selecionados

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Quais são os seus impactos? As espécies exóticas invasoras são um dos principais impulsionadores da perda de biodiversidade. De fato, uma análise da Lista Vermelha da UICN mostra que eles são a segunda ameaça mais comum associada a espécies que se tornaram completamente extintas e são a ameaça mais comum associada a extinções de anfíbios, répteis e mamíferos. Um exemplo é o martinho pescatore micronésico Todiramphus cinnamominus, que era endêmico da ilha de Guam, mas, após a predação de cobras alienígenas invasoras (cobra de arvore Brown Boiga irregularis), tornou-se Extinto no Selvagem em 1986, quando os últimos pássaros selvagens restantes foram levados em cativeiro para criação em cativeiro. Na verdade, a cobra de árvore Brown causou muitas extinções em Guam, incluindo a extinção local de mais de metade das espécies nativas de aves e lagartos de Guam, bem como duas em cada três espécies de morcegos nativos de Guam. As espécies exóticas invasoras também podem levar a mudanças na estrutura e composição dos ecossistemas, levando a impactos prejudiciais significativos para os serviços ecossistêmicos, afetando economias e bem-estar humano. Por exemplo, o jacinto de água Eichhornia crassipes, nativo da América do Sul, está se espalhando por toda África, Ásia, Oceania e América do Norte. É uma planta aquática flutuante que cresce rapidamente formando tapetes densos na superfície da água, limitando o oxigênio e evitando que a luz solar atinja a coluna de água. As infestações levaram a pescarias reduzidas, a rotas de navegação bloqueadas, o aumento dos casos de doenças de vetor, a capacidade de energia hidrelétrica reduzida e afetando o acesso à água. Vespa-asiática

A vespa-asiática é das espécies invasoras mais recentes em Portugal, não deixa as abelhas sair das colmeias

Ataque de Vespa-asiática , a uma vítima mortal, é simples e eficaz. Depois dos fungos, dos pesticidas, das alterações climáticas, da destruição dos habitats, eis que as abelhas, em declínio mundial, têm agora de lidar com essa outra ameaça

As invasões biológicas estão aumentando Devido ao aumento do movimento de pessoas e bens em todo o mundo, a oportunidade para a introdução de espécies fora do seu alcance natural está aumentando.

As diferentes maneiras pelas quais as espécies são transportadas de um lugar para outro são chamadas de “caminhos”. Os caminhos comuns incluem a liberação de peixes para pescar na natureza, escapar de fazendas e horticultura, dentro da água do lastro do navio e a propagação através de corredores artificiais, como canais. Mesmo que o número de IAS documentados em muitos países seja subestimado, houve um aumento significativo na introdução de espécies invasivas. Por exemplo, na Europa, o número de espécies exóticas invasoras aumentou 76% entre 1970 e 2007.

Novas espécies alteram a biodiversidade Muitas espécies exóticas se infiltram na flora e fauna nativas sem dominá-las, aumentando assim a diversidade da associação de espécies. Catástrofes naturais podem destruir completamente habitats e ser fatais para comunidades de espécies inteiras.

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Lá, as espécies invasoras são muitas vezes consideradas como uma ameaça para a biodiversidade marinha, embora até agora não se conheça um único caso em que uma espécie introduzida de fora tenha causado a extinção de organismos nativos.

Impactos econômicos de espécies exóticas

Vespa-asiática, a invasora braba A vespa-asiática tem assustado as abelhas (e os apicultores) em todo o mundo. O método de ataque da vespa asiática ou velutina (Vespa velutina nigotorax) é simples e eficaz: Elas esperam junto das colmeias que as abelhas cheguem com pólen, capturam-nas, cortam-lhes a cabeça, as patas e o ferrão e e transportam-nas para os seus próprios ninhos que constroem no topo das árvores. Aí, comem-nas. Nestes casos, desenvolve-se uma montagem de espécies completamente diferente nas regiões afetadas através do influxo de novas espécies. Um exemplo disto é o Mar Báltico que se formou após a última Era do Gelo – isto é, no passado geológico relativamente recente – e tem apenas cerca de 7000 anos de idade em sua forma atual como um mar salobre. Uma única espécie indígena evoluiu lá, a alga Fucus radicans. Todas as outras espécies nativas desta área hoje migraram de habitats como o Mar do Norte ou o Mar Branco. A imigração de espécies de outras regiões não é, portanto, sempre problemática nem causada pela atividade humana. Desde que Cristóvão Colombo viajou para a América em 1492, o intercâmbio entre partes distantes da Terra aumentou constantemente. Assim, tornou-se mais provável que as espécies invadem as ecoregiões que estão muito distantes das suas áreas naturais de origem. Às vezes, as novas espécies criam problemas. Eles podem deslocar uma série de espécies nativas e, assim, levar a uma diminuição da biodiversidade. Casos de espécies recentemente importadas que deslocam espécies nativas foram documentados em 78 por cento das 232 ecorregiões costeiras do mundo. Muitos casos foram relatados das latitudes temperadas em particular, as regiões da Terra, onde não é extremamente quente nem extremamente frio.

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Com exceção do Havaí e da Flórida, as 20 ecorregiões costeiras mais afetadas por organismos marinhos invasivos estão localizadas exclusivamente no Atlântico Norte temperado e no Pacífico Norte ou no sul da Austrália e nove dessas regiões estão na Europa. Alguns lugares, como a baía de São Francisco, são agora dominados por espécies não-nativas.

Os organismos marinhos introduzidos podem causar grandes perdas econômicas. A Mnemiopsis leidyi, nativa da América, provocou um colapso das pescarias costeiras no Mar Negro há 25 anos, uma área já muito enfraquecida ecologicamente naquela época devido à sobre pesca e eutrofização. Os espécimes que provavelmente foram introduzidos com água de lastro foram avistados pela primeira vez lá em 1982. As águas-vivas se espalharam rapidamente e devastaram espécies nativas, especialmente peixes, alimentando-se de seus ovos e larvas. A colheita da pesca comercial diminuiu cerca de 90 por cento. Em 1989 foram feitas contagens de 240 espécimes por metro cúbico de água, a maior concentração de M. leidyi no mundo. Apenas a introdução não intencional de Beroe ovata – um predador – foi eficaz para repelir a população e permitir um retorno da população de peixes. As espécies invasoras também estão causando problemas na costa leste da América do Norte. Lá, o caranguejo comum europeu Carcinus maenas causou um declínio na colheita da pesca do molusco. Em alguns casos, os organismos marinhos invasivos podem até representar um perigo para a saúde humana. M. leidyi

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Empreendedores, muitas vezes, importam organismos marinhos de outros países para habitats não indígenas para a criação de aquicultura. Isso pode proporcionar lucros comerciais a curto prazo, mas também representa o risco de espécies importadas deslocarem organismos nativos, levando a danos econômicos ou ecológicos intermediários ou de longo prazo. Estudos têm demonstrado que pelo menos 34 por cento dos 269 organismos marinhos introduzidos investigados foram importados deliberadamente para a reprodução da aquicultura. Um exemplo é a ostra gigante japonesa Crassostrea gigas, que se instalou e estabeleceu-se em pelo menos 45 ecoregiões. Entre 1964 e 1980, em particular, grandes quantidades de jovens ostras, chamadas de cuspe, foram importadas para a Europa. Em muitos casos, o impacto ecológico foi devastador. A presença de ostras gigantes na França também levou à poluição das águas. Além disso, observou-se um declínio no zooplâncton, bem como em animais maiores. Nos Países Baixos e na Alemanha, as ostras gigantes tendem a se instalar em bancos de mexilhão azul. Isso ameaça uma importante espécie de pescaria tradicional. Mas, até agora, provou ser difícil tirar conclusões sobre o potencial de deslocamento de uma espécie com base em traços individuais.

Carcinus maenas

Talvez nunca seja possível fazer previsões confiantes sobre o comportamento de uma espécie em um novo local, porque vários fatores críticos estão em jogo. Esta previsão é ainda mais complicada à medida que uma espécie se estabelece em um novo habitat durante um longo período de tempo, vivendo várias fases.

Após uma fase de expansão inicial, durante a qual uma espécie prospera, geralmente segue um declínio antes da espécie ter se adaptado completamente ao novo habitat. Antes que o potencial de deslocamento de uma espécie possa ser estimado com confiança, deve-se saber qual a fase em que a espécie está em um determinado momento. Mas isso é muito difícil de determinar.

Combate à introdução de espécies

Algumas das espécies exóticas invasoras

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As futuras apresentações podem ser evitadas? Precaução é necessária ao lidar com organismos marinhos estrangeiros porque a introdução de espécies é amplamente irreversível. Qualquer tipo de remoção mecânica de espécies estabelecidas é praticamente impossível. Muitas espécies passam por estádios microscópicos dormentes ou larvais durante os quais são flutuantes. Durante essas fases, os organismos desafiam todos os esforços para controlá-los. Pode ser possível introduzir inimigos naturais no novo habitat, mas esses organismos poderiam se tornar uma ameaça. A política governamental e a gestão ambiental deverão ter uma posição mais forte para controlar as causas primárias da introdução das espécies. É importante que isso inclua o monitoramento ininterrupto da aquicultura e das águas de lastro, por exemplo. Os esforços unilaterais a nível nacional ou local, no entanto, dificilmente serão eficazes. As estratégias internacionais praticadas por todos os estados que fazem fronteira com uma ecoregião têm maiores chances de sucesso.

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Efeitos indiretos geram coevolução em redes ecológicas por *Maria Fernanda Ziegler

Fotos: Joao Paulo Krajewski, Michael Singer, Shutterstock

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esde a teoria da seleção natural de Darwin, no século 19, sabe-se que as interações entre espécies podem gerar respostas capazes de moldar a biodiversidade do planeta. O exemplo clássico de coevolução por mutualismo envolve um parasito e seu hospedeiro. Quando o primeiro evolui uma nova forma de ataque, o segundo desenvolve outro tipo de defesa e se adapta. Porém, quando se trata de uma rede de interações ampla com centenas de espécies – como plantas polinizadas por muitos insetos – fica mais difícil determinar que efeitos direcionaram a coevolução em toda essa rede. Nessas redes, espécies que não interagem umas com as outras podem ainda assim influenciar a evolução das espécies por meio de efeitos indiretos. Um exemplo de efeito indireto seria uma mudança evolutiva em uma planta causada por um polinizador que acaba levando a mudanças evolutivas em um outro polinizador.

Não apenas interações diretas que os pares de espécies, como plantas floridas e polinizadores de insetos influenciam a coevolução, mas também os efeitos indiretos de outras espécies

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Tucanos, são grandes dispersores de sementes de algumas árvores da floresta tropical, incluindo açaizeiros

Uma nova pesquisa conseguiu quantificar, pela primeira vez, o peso das interações indiretas na coevolução. A conclusão é que o impacto pode ser muito maior que o esperado.

No estudo, publicado na revista Nature, um grupo de ecólogos e biólogos de cinco instituições – Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas, Universidade da Califórnia, Estação Ecológica de Doñana e Universidade de Zurique – combinou teoria evolutiva e teoria de redes para calcular como espécies podem coevoluir em grandes redes de mutualismo. Os pesquisadores, apoiados pela FAPESP, desenvolveram um modelo matemático para analisar redes de interação e separar os efeitos das interações diretas e indiretas. As redes estudadas descrevem as interações mutualísticas que ocorrem em um local, como as interações entre abelhas que polinizam as flores ao coletar néctar ou aves que consomem frutos de várias espécies de plantas e dispersam sementes. O estudo traz também resultados importantes para a adaptação e vulnerabilidade das espécies em situações de mudanças ambientais abruptas. “Os resultados que obtivemos com essa abordagem sugerem que as relações entre espécies que não interagem diretamente entre si podem ter um peso maior do que o esperado na coevolução das espécies. Surpreendentemente, o impacto indireto é maior nas espécies especialistas, aquelas que interagem apenas com uma ou com poucas espécies diretamente. Para exemplificar, podemos imaginar esse processo como sendo análogo às mudanças comportamentais em pessoas mediadas por redes sociais. revistaamazonia.com.br


Questão de tempo

Interações entre anêmonas e peixes-palhaço que passam praticamente toda a vida em uma única anêmona

Muitas vezes essas mudanças são causadas por pessoas com as quais elas não convivem diretamente, mas conhecem por meio de amigos em comum”, disse Paulo Roberto Guimarães Jr., professor no Instituto de Biociências da USP e autor principal do estudo. Foram analisadas 75 redes ecológicas que variaram de redes muito pequenas, com cerca de 10 espécies, a estruturas com mais de 300 espécies interagindo entre si. Cada rede ocorre em diferentes locais do planeta, em ambientes terrestres e marinhos. Para coletar os dados, a equipe, formada, além de Guimarães, por Mathias Pires (Unicamp), Pedro Jordano (IEG), Jordi Bascompte (universidade de Zurique) e John Thompson (UC-Santa Cruz) contou com a colaboração de pesquisadores que previamente descreveram as interações em cada rede. Com os dados em mãos, a equipe dividiu seis tipos de mutualismo categorizados em duas grandes classes: mutualismos íntimos, caso das interações entre anêmonas e peixes-palhaço que passam praticamente toda a vida em uma única anêmona, e mutualismos de múltiplos parceiros, como a polinização realizada por abelhas e a dispersão de sementes por vertebrados, que normalmente estabelecem muitas interações com diferentes espécies em um mesmo local. Os resultados mostraram que espécies que não interagem diretamente podem ser tão importantes quanto espécies que interagem diretamente para moldar a evolução de uma espécie. Porém, o peso das interações diretas e indiretas depende do tipo de mutualismo. “Quando a relação é muito íntima entre os parceiros de uma mesma rede – como é o caso do peixe-palhaço e da anêmona ou de certas espécies de formigas que vivem dentro de árvores – o que interessa mais são as interações diretas.

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Isso porque essas redes de interações são mais compartimentadas. Então, não há tantos caminhos para que os efeitos diretos se propaguem. Quando a interação não é tão íntima, os efeitos indiretos podem ter um efeito até maior que os diretos sobre a evolução de uma espécie”, disse Mathias Pires, do Instituto de Biologia da Unicamp, outro autor do estudo. Em simulação realizada com uma rede de dispersão de sementes ricas em espécies, menos de 30% dos efeitos seletivos na espécie especialista foram dirigidos pelos seus parceiros diretos, enquanto os efeitos de espécies indiretas representaram cerca de 40%.

Uma das consequências claras para o impacto das relações indiretas está na maior vulnerabilidade das espécies em situações de mudanças ambientais abruptas. Isso porque quanto mais importantes forem os efeitos indiretos, mais lento pode ser o processo de adaptação às mudanças. “Uma mudança ambiental que atinge uma espécie pode gerar um efeito em cascata que se propaga para outras espécies que também evoluem em resposta, causando novas pressões seletivas. Os efeitos indiretos podem criar pressões seletivas conflitantes e as espécies podem demorar muito para se adaptar às novas situações, o que pode tornar essas espécies mais vulneráveis à extinção. No fim das contas, as mudanças ambientais podem ocasionar alterações que são mais rápidas do que a capacidade das espécies imersas em uma rede de se adaptarem”, disse Guimarães. A quantificação dos efeitos indiretos em redes complexas é um desafio não apenas para a Ecologia. Os efeitos indiretos são um componente fundamental de processos que afetam a estrutura genética de populações, o mercado financeiro, relações internacionais e práticas culturais.“O interessante do uso desse método que desenvolvemos é que ele pode ser aplicado em diversas áreas. A abordagem de redes de interação é transdisciplinar e as ferramentas desenvolvidas para responder perguntas sobre um tema específico em ecologia, por exemplo, podem ser usadas para estudar questões sobre redes sociais ou economia, basta ser criativo”, disse Pires.

Quando a relação é muito íntima entre os parceiros de uma mesma rede

Dispersão de sementes por vertebrados, que normalmente estabelecem muitas interações com diferentes espécies em um mesmo local

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Centro Global para Cibersegurança do Fórum de Davos Fotos: Divulgação, WEF 2018 No gerenciamento efetivo da segurança cibernética, as organizações de TI devem dedicar o tempo e o foco necessários para o planejamento estratégico de longo prazo

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Fórum Econômico Mundial – WEF 2018, anunciou a criação de um Centro Global para o Ciberespaço, que estará em operação a partir de março e com o qual pretende fomentar desde Genebra a colaboração pública-privada na luta contra as ameaças cibernéticas. O diretor do Fórum, Alois Zwinggi, explicou em uma coletiva de imprensa que “claramente a cibersegurança se transformou em um dos temas mais importantes do mundo”, já que o custo dos crimes cibernéticos chega globalmente a US$ 500 bilhões a cada ano. A segurança cibernética “afeta todos os aspectos da sociedade, incluido o crescimento econômico”, disse, para acrescentar que o Fórum vê como uma “clara necessidade de uma melhor cooperação” entre o setor público e privado. 44

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GCSCC O Centro Global de Capacidade de Segurança Ciborgética (GCSCC) é um dos principais centros internacionais de pesquisa sobre capacitação eficiente e efetiva em matéria de cibersegurança, promovendo o aumento da escala, ritmo, qualidade e impacto das iniciativas de capacitação em segurança cibersegurança em todo o mundo. Criou um modelo de primeiro tipo para analisar a maturidade da capacidade de segurança cibernética em cinco áreas (ou “dimensões”), que tem como objetivo permitir que as nações se auto-avaliem, avaliem, melhorem investimentos em planos e estratégias nacionais de segurança cibernética e estabeleçam prioridades para desenvolvimento de capacidade. revistaamazonia.com.br


Há cerca de 4 mil ciber ataques de vírus “randsomware”, impulsionados pelo abuso e delitivo mal uso de moedas virtuais

Ciclo de violação do negócio em ascensão De acordo com as estatísticas, o número máximo de falhas cibernéticas foi feito pelas empresas. Ao longo dos últimos 5 anos, as infrações de ciber do negócio aumentaram duas vezes e, em média, cento e trinta falências cibernéticas foram registradas em 2017, por empresas. O MD continuou a afirmar que uma colaboração com as redes internacionais e os governos seriam necessárias para garantir o sucesso. O Centro Global começará a chegar às nações do G-20 e às influentes redes da indústria para criar uma base para a plataforma. As ameaças à segurança cibernética não apenas aumentaram em número, mas também em escala. O impacto está sendo sentido em todo o mundo, sendo os usuários diretamente afetados. O Centro Global de Segurança Cibernética precisa trabalhar na criação de um ambiente operacional seguro para as mais recentes tecnologias, incluindo IoT, automóveis auto-conduzidos, AI, Drones, Robótica e muito mais.

O discurso de Narendra Modi, primeiro ministro indiano, na abertura do WEF 2018, em Davos abordou as graves preocupações do mundo, incluindo o terrorismo e as mudanças climáticas

O Fórum Econômico Mundial, com sede em Genebra, “está comprometido - disse - em fazer o ciberespaço mais robusto e resistente”, através da busca de soluções comuns. O Centro se centrará em cinco áreas, mas quer seguir implementando e aproveitando fóruns e iniciativas atuais. Concretamente, o Fórum de Davos quer estabelecer um “depósito” para a informação cibernética, já que “é crucial que o setor público e o privado compartilhem dados globalmente”, apontou Zwinggi.

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O Fórum Econômico Mundial também pretende gerar oportunidades educativas em cibersegurança, especialmente em países com muito potencial para reforçar a defesa. Além disso, a organização quer elaborar recomendações para marcos reguladores neste campo e definir o futuro de cenários em matéria de cibersegurança. O Centro estará situado em Genebra e entrará em operação a partir de março, disse Zwinggi, e ainda que fará parte do Fórum Econômico Mundial, terá sua própria organização e infraestrutura. Os membros serão companhias globais que são mais afetadas pelas ameaças cibernéticas e governos do G20 e outros países relevantes, para além de organizações internacionais. O diretor da Europol, Rob Wainwright, qualificou a criação do Centro como um passo “importante” na luta contra as ameaças cibernéticas e explicou que, do que ele pode ver no mundo todo, e especialmente na Europa - onde sua organização acolhe o Centro Europeu contra o Cibercrime -, “as ameaças estão se transformando em mais complexas, desafiadoras e maiores”. Wainwright lembrou que há cerca de 4 mil ciberataques de vírus “randsomware”, impulsionados pelo abuso “delitivo de moedas virtuais”. Wainwright mencionou especificamente o caso, em maio, do ataque do vírus “WannaCry”, que afetou serviços públicos e empresas em grande parte do mundo, ao bloquear computadores e exigir um resgate de US$ 300 (254 euros). “O que vimos são roubos de dados que causam impacto em milhões de usuários” e há uma tendência de ataques para serviços cruciais, como o setor bancário, que está na primeira linha de fogo dos delinquentes, sustentou.

Fórum Econômico Mundial anunciou a criação de um Centro Global para o Ciberespaço

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7ª EnerSolar + Brasil - Feira Internacional de Tecnologias para Energia Solar 12 mil visitantes em três dias de discussões e lançamentos na área de energia solar, fotovoltaica, eólica, biomassa e GTDC

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preocupação do setor de energias renováveis com as propostas do governo federal para o novo marco regulatório do setor energético e o potencial elevado e a utilização da biomassa resultante da produção de biocombustíveis no Brasil foram alguns dos destaque, juntos ao debate sobre a viabilidade do aquecimento solar, que atinge apenas 10% do potencial considerando o ambiente naturalmente propício para a geração de energia solar na maior parte do Brasil. A 7ª EnerSolar + Brasil, teve grande destaque para questões regulatórias com dezenas de apresentações e lançamentos nas áreas de energia solar, fotovoltaica, eólica e biomassa, além de GTDC - Geração, Transmissão, Distribuição e Comercialização de Energia. A feira ocorreu de 22 a 24 de maio no São Paulo Expo e reuniu 12 mil visitantes, entre engenheiros, instaladores, integradores, distribuidores e diretores, recebendo feedbacks positivos de palestrantes e expositores. O evento foi realizado em um cenário no qual a matriz energética solar brasileira ocupa o 5º lugar no mundo em capacidade instalada e o país está considerando aderir à Aliança Solar Internacional. “A mobilização da sociedade em torno da NBR 16690 para instalações elétricas em sistemas fotovoltaicos, é um exemplo da demanda do mercado para que questões regulatórias facilitem o crescimento do setor”, afirma Rimantas Sipas, diretor da Cipa Fiera Milano, organizadora e promotora do evento. Além da área de exposições, com 70 empresas apresentando suas soluções e lançamentos, os principais debates, palestras e mesas redondas ocorreram no 8º Ecoenergy, e no 2º Biomass Day - Congresso Internacional da Biomassa.

Fotos: Divulgação, Estúdio WTF, Rodrigo Hühn

Durante a abertura da 7ª EnerSolar + Brasil - Feira Internacional de Tecnologias para Energia Solar

Ecoenergy e Biomass Day De acordo com a produtora de conteúdo da Cipa Fiera Milano, Tatiana Dalben Munhoz, a Ecoenergy se desenvolveu a partir de discussões sobre reflexos da revisão e aprimoramento do marco regulatório do setor elétrico do ponto de vista de especialistas que abordaram os possíveis reflexos no desenvolvimento da energia solar. Iniciativas para superar entraves econômicos, captação de recursos financeiros, inovação tecnológica e resultados de programas implementados foram alguns temas que nortearam os debates para integrar os agentes e incentivar planos de ação que movimentem os negócios. Uma das informações que mais chamou atenção dos participantes foi a de que o Brasil utiliza apenas 10% de sua capacidade de exploração de energia solar instalada, segundo Moacir Marchi Filho, presidente do Dasol - Departamento Nacional de Energia Solar Térmica da Abrava. Já o Biomass Day abordou desafios e gargalos para o desenvolvimento de biomassas no Brasil, tanto para produção de energia

Jonas S. Simões, da Diretoria de Agronegócios do Banco do Brasil, expondo as linhas de créditos para Energia Renováveis no Agro

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Rodrigo Hühn, nosso diretor no estande da Revista Amazônia

elétrica, com foco na eficiência operacional e financeira, quanto para as tendências na geração de bioprodutos com alto valor agregado. “Os debates envolveram a inovação tecnológica, integração operacional, eficácia da cadeia tecnológica, implementação de biorrefinarias, financiamento e segurança para novos investimentos por meio do RenovaBio”, destacou. Logo na abertura do evento, foi discutido o potencial do anteprojeto de lei resultante da consulta pública número 33 de 2017 do Ministério de Minas e Energia, quando Marcelo Couto, diretor de M&A e Bioenergia da Raízen, afirmou que o Brasil pode até dobrar a geração de energia a partir de biomassa.

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Feedback de palestrantes e expositores Ruberval Baldini, diretor executivo da BR Solar e presidente da Abeama - Associação Brasileira de Energias Alternativas e Meio Ambiente, participou dos congressos tanto como palestrante quanto moderador e fez um balanço muito positivo da experiência. “Os palestrantes foram ótimos e conseguimos passar a mensagem principal da importância de participar da consulta pública para sistemas fotovoltaicos, que se encerrou no dia 24. Os participantes estavam engajados”. De acordo com Baldini, nenhum segmento em termos de energia está crescendo mais no Brasil do que o solar, por isso a importância de mais regulamentação. O palestrante Carlos Café, diretor de Capacitação e Certificação da ABGD, classificou a EnerSolar + Brasil como um ambiente de networking propício para fechar os negócios. “A feira é um lugar promissor para encontrar clientes e os congressos são muito elogiados, o que deixa o mercado animado”, afirmou. Já Claudia Ambrosio, diretora financeira da Blue Sun Solar, afirmou estar surpreendida pelo grande número de visitantes. “É a nossa primeira feira do setor e ficamos satisfeitos com os negócios e a diversidade do público. O interesse das pessoas pelos sistemas fotovoltaicos é enorme”. A empresa tem como foco kits completos de equipamentos para sistemas fotovoltaicos para consumidor final e também oferece cursos. Gerson Max Krepski, gerente de negócios da Premium Solar, que quadruplicou o tamanho do estande neste ano e está investindo em um novo CD em Curitiba, projeta gerar 40% a mais em negócios em relação ao ano passado. “Os frequentadores desta edição estavam muito bem informados”. A marca vende de geradores fotovoltaicos de 0,5 kW até grandes projetos para usinas. “Nossas expectativas foram atingidas, atendemos muitos diretores de vários estados. A cada mês nossas vendas aumentam, e nossa estrutura mudou totalmente em apenas um ano”, ressaltou Adriano Pereira dos Santos, da PHB Solar, que entre as novidades apresentadas no estande incluiu bicicletas spin que geram energia com o esforço da pedalada. “ Cerca de 5 mil pessoas foram conhecer nossos equipamentos”. Durante o Techshow

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Biomass Day abordou desafios e gargalos para o desenvolvimento de biomassas no Brasil

Embrapa aposta em mais de 10 mil microorganismos para biorrefinaria A Unidade de Agroenergia da Embrapa, aposta em seu banco de mais de 10 mil microorganismos para a promoção da biorrefinaria de biomassas na geração de bioprodutos para as mais diversas áreas industriais por meio de parcerias público-privadas. Com base nos eixos de PD&I “Biomassas para fins industriais”, “Biotecnologia industrial”, “Químicas renováveis” e “Materiais renováveis”, a instituição transfere a tecnologia para usar microorganismos como algas e fungos no tratamento de matéria orgânica vegetal, animal ou microbiana. Dessa forma, permite a produção de biocombustíveis, ração, pigmentos, cosméticos, produtos de limpeza, fármacos, probióticos, estabilizantes para alimentos, fertilizantes, defensivos agrícolas, celulose, borracha, plástico, fibra e vários outros produtos. “Testamos e decidimos que microorganismos metabolizam determinado resíduo de forma mais eficiente, refinando-o para algum fim industrial. O que inclui o bagaço da cana, eucalipto, vinhaça, glicerol e outros.

Produtores, indústrias e startups levam o resultado ao mercado”, explicou a coordenadora da Embrapa Agroenergia, Patrícia Verardi Abdernur, em palestra no Biomass Day. Hoje, somente com o CTC - Centro de Tecnologia Canavieira, há um acordo de R$ 22 milhões para o refino por meio de engenharia metabólica. “Dependendo da biomassa, podemos optar por algo que gere imensa quantidade de material final ou pequena quantidade com alto valor agregado, o que costuma ser o caso envolvendo cosméticos”. Atualmente, a Embrapa Agroenergia tem 54 colaboradores envolvidos na missão de desenvolver soluções inovadoras para a indústria de base biológica, sendo 31 pesquisadores, 21 analistas de P&D e 2 assistentes capacitados nas principais universidades brasileiras e centros de pesquisa no exterior em diferentes áreas do conhecimento. Mais de 2,4 mil pesquisadores da rede de unidades da Embrapa podem ser parceiros em determinados projetos.

Crescimento da agricultura nacional tem na biotecnologia uma forte aliada As vantagens da biotecnologia em solo brasileiro foi um dos alvos da palestra “Ponto de vista jurídico sobre a biotecnologia aplicada aos novos produtos da biomassa” proferida pela advogada e especialista Patrícia Fukuma, do escritório Fukuma Advogados. “A biotecnologia contribui para o crescimento do Brasil. Para se ter uma ideia, atualmente 90% da soja nacional é transgênica assim como o milho. A biotecnologia foi rapidamente adotada pelos agricultores brasileiros, pois além de alcançar maior produtividade, tem manejo mais simples. E não é só utilizada pelos grandes agricultores; os pequenos e médios também estão aderindo porque a biotecnologia facilita muito o trabalho no campo”, aponta. Entre os aspectos jurídicos, Patrícia anunciou que a biotecnologia se faz presente no Brasil há 20 anos. “O Brasil teve uma grande oportunidade de ser vanguarda nessa área, mas um tópico, entre as regras para a biotecnologia, o princípio de precaução, gerou interpretações errôneas, do tipo “não fazer”, o que acabou atrasando o programa. Até que em 1988, tivemos a primeira liberação de OGM que foi a soja RR pela Monsanto”, revelou. Já a PHD em genética de microrganismos, Leya Lerayer, apresentou exemplos práticos do uso da biotecnologia na otimização da produção de biocombustível e na destinação da biomassa resultante. “A levedura modificada gera uma produção maior de etanol”, atestou. REVISTA AMAZÔNIA

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Animais que desaparecerão antes de 2050

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ais de 25.000 espécies de animais e plantas estão em perigo de extinção, segundo a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). Muitos exemplares são afetados por crescentes ameaças provocadas pela ação humana. Estas são algumas das espécies de animais que se prevê que desapareçam antes de 2050 se não forem tomadas medidas para protegê-las.

A tartaruga angonoka Foto Anders G.J. Rhodin

O pangolim-malaio Foto Thymoti Lee

A tartaruga angonoka (‘Astrochelys yniphora’) conta com uma população de 400 indivíduos no noroeste de Madagascar. É uma das espécies em perigo crítico de extinção, segundo a Lista Vermelha. Mas não é a única: outras tartarugas também estão ameaçadas pela captura acidental em redes de pesca, pelo desaparecimento de seu hábitat com a invasão humana e pelo comércio ilegal. Estes animais se destinam principalmente ao setor alimentar de luxo, por seus ovos e sua carne.

O rinoceronte de Java

Foto Dr. Richard Emslie/IUCN

O pangolim é a maior vítima do tráfico de fauna selvagem, principalmente na Ásia e na África. Nesses dois continentes há oito espécies diferentes de pangolim, duas delas em grave perigo de extinção, segundo a UICN: o pangolim-chinês (‘Manis pentadactyla’) e o pangolim-malaio (‘Manis javanica’). Esses pequenos mamíferos são conhecidos por sua armadura protetora, já que se envolvem sobre si mesmos formando uma bola quando se sentem ameaçados. Sua cobertura escamosa se destina principalmente à medicina tradicional chinesa em tratamentos contra diversas doenças, como asma, reumatismo e artrite. Além disso, sua carne é considerada uma iguaria em vários países asiáticos.

O boto do Pacífico

Foto Thomas A. Jefferson/WWF A União Internacional para a Conservação da Natureza estima que só existam cerca de 50 rinocerontes de Java (‘Rhinoceros sondaicus’). Estes exemplares, que vivem na Indonésia, são vítimas da caça ilegal destinada ao comércio dos chifres de rinoceronte. O Fundo Mundial para a Natureza (WWF) alerta que o chifre pulverizado é utilizado na medicina tradicional asiática como cura para as mais variadas doenças: ressacas, febres e até câncer.

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O boto do Pacífico (‘Phocoena sinus’), também conhecido como vaquita marinha, é a menor toninha existente e é endêmica do Alto Golfo da Califórnia, no México. A principal ameaça para ela é a captura acidental em redes de emalhar (arte de pesca passiva em que os peixes ou crustáceos ficam presos em suas malhas), onde fica presa e se afoga. A maioria dessas redes é usada ilegalmente para pescar camarão e totoaba. A IUCN a classifica como uma espécie em perigo crítico de extinção e o Comitê Internacional para a Recuperação da Vaquita alertou, em um relatório publicado em fevereiro, que dos 60 cetáceos que havia no ano passado, resta apenas metade agora.

A doinha-europeia Foto Josef Reichholf

O axolote

Foto John P. Clare

O axolote (‘Ambystoma mexicanum’) é endêmico do México e está em perigo crítico de extinção pela contaminação das águas em que vive. Seu hábitat são lagos e canais de águas pouco profundas com muita vegetação aquática. A IUCN assinala que atualmente existem menos de 100 exemplares. Este anfíbio também está ameaçado pela introdução de espécies de peixes que competem com ele ou são seus predadores.

A população da doninha-europeia (‘Mustela lutreola’) caiu pela metade nos últimos dez anos. A IUCN, que a classifica como uma espécie em perigo crítico de extinção desde 2011, prevê que essa diminuição se intensifique nos próximos anos por causa da destruição de seu hábitat e dos efeitos da introdução de espécies predadoras. O WWF explica que na Europa há populações pequenas e fragmentadas muito ameaçadas. “A doninha-europeia é, juntamente com o lince-ibérico, o carnívoro mais ameaçado da Europa”, assinala a organização.

O atum-do-sul

Foto Yuuki Watanabe

Os gorilas-do-rio-cross Foto Peter Riger

Tanto os gorilas-do-rio-cross (‘Gorilla gorilla diehli’, subespécie do gorila-do-ocidente, ‘Gorilla gorilla’), com menos de 300 exemplares, quanto os gorilas-do-oriente (‘Gorilla beringei’), com 5.000, estão classificados como espécies em perigo crítico de extinção na Lista Vermelha da UICN. Esses símios africanos são capturados vivos e vendidos para ser mantidos em cativeiro, ou então são mortos para o consumo de sua carne. Muitos desses animais acabam morrendo ao serem transportados, submetidos a grande estresse ou vítimas de doenças. Na imagem aparece um gorila ocidental de seis anos na República Centro-Africana.

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O atum-do-sul (‘Thunnus maccoyii’) vive nos oceanos Atlântico, Índico e Pacífico e aparece na Lista Vermelha como uma espécie em perigo crítico de extinção por sua pesca excessiva. Se o atual ritmo de exploração for mantido, esta espécie pode desaparecer: a IUCN alerta que a biomassa reprodutora diminuiu mais de 85% em menos de 40 anos (1973–2009).

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O lêmure-gentil

Foto Melissa TR Hawkins

Os abutres-de-bico-longo (‘Gyps indicus’) habitam em zonas montanhosas da Índia e outros países do sudeste asiático. Desde 1990 esses animais têm se envenenado com os remédios usados para tratar o gado, que é sua principal fonte de alimento. A IUCN, que os classifica como uma espécie em perigo crítico de extinção, alerta que eles têm um papel fundamental na eliminação de restos de animais do meio ambiente. Dessa forma, controlam a propagação de doenças.

O maçarico-bico-de-colher Foto Simon Buckell

O lêmure-gentil (‘Prolemur simus’), que vive em Madagascar, aparece na Lista Vermelha como uma espécie em perigo crítico de extinção desde 2008. A população diminuiu 80% em menos de 30 anos por motivos como o corte de bambu, a mineração e a destruição de seu hábitat. Atualmente, a IUCN contabiliza cerca de 500 exemplares. Na imagem, um filhotinho no aconchego de sua mãe no zoológico de Besançon, no leste da França.

A iguana da Jamaica Foto Chae Yeo

O maçarico-bico-de-colher ‘Eurynorhynchus pygmeus’ é uma ave que no verão habita o noroeste da Rússia e no inverno, o sudeste da Ásia. É uma das espécies em perigo crítico de extinção, segundo a IUCN: sua população reprodutora está abaixo dos 200 exemplares. Isso se deve à destruição de seu hábitat pela contaminação, à caça e aos efeitos do aquecimento global.

O gafanhoto de Crau Foto Axel Hochkirch/dpa

A iguana da Jamaica (‘Cyclura collei’) está em perigo crítico de extinção, segundo a UICN. É uma espécie endêmica da Jamaica. Não se sabe com precisão quantos exemplares restam, mas se estima que sejam menos de 200. A população continua diminuindo por causa da destruição de seu hábitat e da introdução de espécies predadoras.

Os abutres-de-bico-longo Foto Alok Tewari

O gafanhoto de Crau (‘Prionotropis rhodanica’) está na Lista Vermelha da IUCN como uma espécie em estado crítico de extinção pela destruição de seu hábitat. Os cerca de 5.000 exemplares maduros desse tipo de gafanhoto vivem na França e são uma fonte importante de alimento para muitas aves, como o falcão peneireiro-das-torres. “É provável que estas espécies sejam afetadas pelo desaparecimento do gafanhoto, temos a responsabilidade de preservá-lo”, assinala uma fonte da IUCN.

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América do Sul, Pleistoceno, cerca de 10.000 anos atrás

Fim da megafauna reduziu a distância de dispersão de sementes grandes Extinções das megafaunas do Pleistoceno e a perda funcional de serviços de dispersão de sementes de longa distância. Pesquisa alerta para possível prejuízo à regeneração de florestas diante da ameaça de extinção de grandes mamíferos atuais por *Peter Moon

Fotos: Ecography, Embrapa, Museu Emílio Goeldi-Belém-Pá, Pedro Jordano, Wikipedia

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astodontes, preguiças-gigantes e tatus do tamanho de fuscas. A extinção da megafauna da mais recente era do gelo foi uma tragédia biológica que repercute na ecologia da América do Sul mais de 10 mil anos depois. A ausência de mamíferos gigantes nos ecossistemas do continente se faz sentir na dinâmica de dispersão das maiores sementes, como, por exemplo, do pequi. Poucos dos frugívoros viventes consegue engolir uma semente desse tamanho e transportá-la em seu trato digestivo para dispersá-la no meio ambiente. Preguiças-gigantes e gonfotérios (parentes dos elefantes) faziam isso. Não foram somente as maiores sementes que perderam o seu meio de transporte. A extinção da megafauna também reduziu o raio de dispersão de sementes quando comparado à dispersão feita pelos maiores mamíferos viventes, como a anta.

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Espécies extintas (pretas) e espécies existentes (verdes) de megafauna de mamíferos em diferentes continentes, ilustrando os principais tipos de taxa superior. Stuart, A.J. (2014)

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Um novo estudo de Mathias M. Pires, Paulo R. Guimarães, Mauro Galetti e Pedro Jordano, calculou a distância que preguiças-gigantes (megatérios) ou mastodontes (gonfotérios) percorriam transportando sementes em seu trato digestório antes de defecá-las no meio ambiente. “Conseguimos dar números aos argumentos verbais sobre a importância desses grandes animais”, disse o biólogo Mathias Mistretta Pires, do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, primeiro autor de um estudo que quantifica as distâncias de dispersão de sementes pela megafauna. O estudo foi feito em coautoria com os professores Mauro Galetti, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Rio Claro, e Paulo Roberto Guimarães, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP). Publicado na revista Ecography, o trabalho foi realizado no âmbito do Projeto Temático “Consequências ecológicas da defaunação na Mata Atlântica”, coordenado por Galetti.

Sementes de frutas de plantas dependentes de megafauna (o rótulo, para escala, é de cerca de 11 cm de comprimento) Megatério e pequi ou piquiá

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Os maiores frugívoros viventes do continente sul-americano são as antas (Tapirus), os guanacos (Lama guanicoe), as alpacas (Vicugna pacos), os catetos (Pecari tajacu) e o veado-mateiro (Mazama americana). Mas mesmo o maior, a anta, com cerca de 200 quilos, é cerca de 10 vezes menor do que as preguiças-gigantes e cerca de 30 vezes menor do que os gonfotérios. A distância de dispersão de sementes observada entre os maiores frugívoros viventes raramente ultrapassa 3,5 mil metros. O novo estudo concluiu que, no passado, a megafauna ia muito além. O raio de dispersão de sementes das preguiças e dos gonfotérios podia superar os 6 mil metros. “Nosso objetivo foi criar um modelo que permitisse quantificar o papel desses animais extintos na dispersão de sementes. Construímos um modelo matemático onde as várias fases do processo de dispersão de sementes são simuladas, de modo a gerar previsões quantitativas de como seria esse serviço de dispersão no passado”, explicou Pires. Para estimar a capacidade de dispersão de sementes entre a megafauna, em primeiro lugar foi preciso determinar três conjuntos de dados básicos entre as maiores espécies viventes de dispersores de sementes. Foi necessário saber: o quanto de alimento, em média, as diversas espécies comem; quanto tempo o alimento fica retido no sistema digestório; e qual a distância percorrida pelo animal antes de defecar as sementes. “Esses três atributos estão relacionados ao tamanho do animal. Temos os dados de elefantes, antas, veados-mateiros e catetos ou porcos-do-mato”, disse Pires.

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A anta pode reter alimento no trato digestório por mais de 30 horas antes de defecar. “Nos elefantes, são mais de 40 horas. Em outras espécies, o tempo pode ultrapassar 50 horas, ou mesmo 100 horas.” O passo seguinte foi extrapolar as estimativas de cada um dos três atributos (quantidade de comida, tempo de retenção e distância percorrida) para algumas espécies da megafauna extinta que habitaram a América do Sul durante o período Pleistoceno – os últimos 2,5 milhões de anos. O conjunto de dados utilizado para a extrapolação se refere aos tamanhos corpóreos estimados que aqueles bichos tinham. Estima-se, por exemplo, que os gonfotérios tinham de 5 a 6 toneladas, dependendo da espécie, e que as maiores preguiças tinham entre 3,5 toneladas, no caso do eremotério, e mais de 6 toneladas, no caso do megatério. “Deduzimos o volume de alimento que uma preguiça terrestre deveria consumir, assim como o tempo que o alimento ficaria em seu intestino e a distância percorrida pelo animal”, disse Pires. Os três atributos foram igualmente estimados para gonfotérios, paleolhamas (lhamas gigantes), grandes quadrúpedes ungulados chamados macrauquênias e cervídeos. Foram selecionados apenas animais folívoros e frugívoros. Pastadores que se alimentavam principalmente de gramíneas, como os robustos toxodontes, não entraram no estudo. Como resultado das simulações, estimou-se entre os gonfotérios que eles dispersavam sementes a distâncias entre 500 metros e 3,5 mil metros da planta-mãe que produziu as sementes. São valores médios. Em 5% das simulações, o raio de dispersão se estendeu, chegando mesmo em alguns casos a ultrapassar 6 mil metros. Já animais do porte das preguiças terrestres dispersavam sementes, em média, entre 300 metros e 2,5 mil metros de distância da planta-mãe. Em alguns casos, contudo, a distância se estendeu até os 6 mil metros. Entre as antas, a média fica entre 200 metros e 1,4 mil metros. “Hoje, segundo nossas simulações, um cateto [Pecari tajacu] carrega o alimento por cerca de 800 metros, em média.

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O potencial de dispersão de sementes diminuiu muito. As distâncias que hoje são consideradas longas, no passado eram relativamente curtas. Os maiores animais da megafauna não só tinham um tempo de retenção de alimento 60% maior como dispersavam sementes em distâncias muito maiores. Hoje, é mais difícil os animais dispersarem sementes a mais de 1 mil metros”, disse Pires.

Diversidade genética No estudo, os pesquisadores compararam os valores obtidos pelas simulações com os dados conhecidos de animais em um ecossistema rico e ainda relativamente preservado, no caso o Pantanal Mato-Grossense. “Verificamos que a capacidade de dispersão de sementes caiu a um terço do que era antes”, disse Pires. A queda na distância de dispersão de sementes experimentada nos últimos 10 mil anos tem várias consequências para a formação e diversidade de plantas nas matas e para a diversidade genética das espécies.

As maiores distâncias de dispersão de sementes da megafauna permitiam que aumentasse a distribuição espacial das espécies de plantas. Sem os dispersores, as populações de plantas não trocam material genético e essa separação entre indivíduos da mesma espécie resulta em baixa variabilidade genética, o que pode diminuir as chances de sobrevivência dessas plantas em longo prazo. A extinção dos frugívoros gigantes reduziu as chances de dispersão das espécies de plantas com maiores sementes, como o abacateiro. Por consequência, as sementes que caem da planta-mãe têm menos chances de germinar e crescer. Se não podem ser engolidas e transportadas intactas, as sementes no solo ficam à mercê de predadores de sementes, como os roedores, que mastigam as sementes, matando o embrião. Ao mesmo tempo, sementes que caem ao solo e lá permanecem têm menos chance de germinar e crescer, dado que as plantas jovens competem por luz solar, água e nutrientes do solo com a planta-mãe.

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Pelo menos 25% das espécies de frutos da megafauna retornam após grandes distúrbios (fogo, pisoteio)

Pelo menos 25% das espécies de frutos da megafauna retornam após grandes distúrbios (fogo, pisoteio)

“As plantas que mais perderam com a extinção da megafauna foram aquelas espécies que outrora eram muito usadas por paleoíndios, mas que hoje não são tão usadas”, disse Galetti. Haveria algum meio para tentar expandir o raio de dispersão de sementes nos biomas sul-americanos atuais? “Uma proposta seria reintroduzir antas, grandes primatas e outros frugívoros nas áreas defaunadas. O problema é que a causa da extinção não foi resolvida. Muitas áreas ainda têm forte pressão de caça”, disse Galetti. Segundo ele, se por um lado a perda da megafauna reduziu as possibilidades de dispersão de sementes, a introdução do fator humano serviu, em alguns casos, de contrapeso. “A ‘sorte’ das plantas que eram dispersadas pela megafauna foi que elas tiveram outros dispersores de sementes, como humanos, cutias e a água, no caso do Pantanal. Mas, com a simplificação dos ecossistemas, muito mais plantas ficarão órfãs”, disse. “Se por um lado perdemos aqueles grandes dispersores, por outro lado, o javaporco, uma espécie invasora, está dispersando alguns desses megafrutos. Não sabemos se essa espécie invasora substituirá o papel das antas e macacos, mas, pelo menos para alguns frutos, achamos que sim”, disse Galetti. Segundo Galetti, especialista no estudo da retirada de espécies animais nos ecossistemas modernos, a chamada defaunação, a América do Sul foi o continente que mais perdeu em termos de dispersão de sementes com o fim da megafauna. “A América do Norte perdeu vários mamíferos, e também possui alguns frutos que eram dispersados pela megafauna, mas não se compara à América do Sul, porque aqui a diversidade do Cerrado e das florestas tropicais é muito alta. O mesmo não se observa na savana africana, onde a diversidade vegetal é baixa e a maioria dos frutos de megafauna está nas florestas do Gabão. Por outro lado, a extinção dos elefantes que vivem nas florestas africanas irá acarretar o mesmo padrão de perda de dispersão de sementes que propusemos em nosso artigo”, disse. A megafauna era fundamental para a regeneração da floresta e a manutenção do equilíbrio entre as várias espécies de plantas. “Os grandes animais que executavam este serviço de dispersão se perderam. Nosso trabalho é o primeiro que permitiu quantificar esta perda”, disse Pires. “Agora, temos modelos matemáticos e programas de computador que permitem a obtenção de estimativas de como era aquele processo de dispersão de sementes”, disse Pires. [*] Agência Fapesp

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Agricultor brasileiro terá aplicativo sobre uso da terra por (1) Marcos Vicente, (2) Gabriel Faria

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m aplicativo chamado Agrotag (https://youtu.be/_WFZz2AoVYc) permitirá que agricultores de qualquer lugar do Brasil acessem e atualizem pelo celular um banco de dados colaborativo sobre o uso do solo. Por meio da ferramenta, será possível acessar e carregar informações tais como área da propriedade ocupada por sistemas integrados de produção, pastagens degradadas, áreas de preservação, tipos de lavoura existentes e outras, sempre com apoio de mapas e imagens de satélite. O sistema, que está em fase de alimentação do banco de dados e de validação, vai estar à disposição dos agricultores a partir de outubro. O aplicativo é a primeira ferramenta desenvolvida sob a ótica de geotecnologias de última geração e que integra ações colaborativas de usuários e dados geoespaciais exclusivos e de alto nível, como o Rapideye, fornecidos pela Embrapa e instituições governamentais. O Agrotag é um aplicativo multitarefa, capaz de agregar dados geoespaciais multifonte, de campo, bases institucionais e de diferentes sensores remotos à facilidade de sistemas mobile. Essas características o tornam passível de apoiar diversos projetos de pesquisa científica em rede, além de ser útil para inúmeras atividades como análise de crédito rural, apoio a políticas públicas, auxílio a cooperativas e monitoramento ambiental, por exemplo.

O banco de dados está sendo construído de maneira colaborativa por meio de técnicos credenciados e, posteriormente, com a participação dos produtores rurais. Nesta primeira etapa, o aplicativo está sendo utilizado por parceiros da Rede de Fomento de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (Rede ILPF). O software, que deve revolucionar a forma de coleta, armazenamento e disponibilização de dados e informações agropecuárias no País, foi desenvolvido pela Embrapa com apoio da Rede ILPF, Instituto de Pesquisas Eldorado e da Plataforma Multi-institucional de Monitoramento das Reduções de Emissões de Gases de Efeito Estufa (Plataforma ABC).

O AgroTag pode municiar equipes de campo em missões de pesquisa que necessitem de dados geoespaciais específicos

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Mas a sua principal missão é dar sustentabilidade à rede de monitoramento sistemático da adoção e qualificação de sistemas de ILPF, bem como organizar um amplo banco de dados com informações de uso de terras agrícolas no Brasil. Por essa razão, o Agrotag foi projetado para receber um conjunto de informações na coleta de dados das propriedades que, uma vez processadas na base de operações, retornam aos diversos atores da cadeia produtiva ou interessados em agricultura de baixo carbono em forma de informações estratégicas diretamente nos celulares ou tablets.Para o pesquisador da Embrapa Meio Ambiente e coordenador da Plataforma ABC, Celso Manzatto, a disseminação e adoção progressiva do uso dessa ferramenta colaborativa com diversas instituições e agricultores permitirá, incialmente, a identificação e qualificação dos sistemas ILPF, como estratégia para regionalização das ações de transferência de tecnologia da Rede ILPF, das estimativas de redução das emissões de gases de efeito estufa pela Agricultura de Baixa Emissão de Carbono e, em uma terceira etapa, a diferenciação e certificação de propriedades rurais e tecnologias que proporcionem a redução ou sequestro de carbono no solo. “Em outras palavras, o Agrotag viabiliza o desenvolvimento progressivo de um sistema colaborativo de monitoramento multiescalar de baixo custo, com metodologia reconhecida pelo Painel Intergovernamental

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para Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas (IPCC)”, conta Manzatto. Essa metodologia é conhecida como MRV (medição relatório e verificação) e permite desde a estimativa do balanço das emissões na propriedade rural e a sua certificação, bem como o monitoramento em larga escala da redução das emissões em escala regional e nacional. O uso da metodologia do IPCC permitirá a contabilização dos dados coletados por meio do aplicativo no Inventário Nacional de Gases de Efeito Estufa, documento oficial que consolida as emissões de cada país. Na primeira etapa, o aplicativo será voltado para um grupo de profissionais da Embrapa e parceiros da Rede ILPF, que agrega as empresas Cocamar, Dow AgroScience, John Deere, Parker, Syngenta e a própria Embrapa. Os especialistas deverão alimentar um banco de dados para uso comum. “Após a primeira fase, de validação, o aplicativo estará disponível para outros parceiros institucionais, como instituições de ensino e pesquisa, extensão rural, Secretarias de Agricultura e Plano ABC dos Estados, bem como profissionais da cadeia produtiva e produtores”, conta o pesquisador da Embrapa, informando que o lançamento oficial está previsto para outubro deste ano, embora já se encontre em uso para fins de validação. Cumpridas as etapas de validação, os atores da cadeia produtiva que se associarem ao sistema terão como contrapartida acesso a um grande escopo de informações referentes à sua região.

O aplicativo pretende inaugurar uma nova etapa no processamento de dados e informações da agropecuária brasileira. Em breve, será possível acessar, em tempo real, os níveis de degradação de pastagens, as espécies de forrageiras recomendadas para determinada região, o tipo de uso da terra, tecnologias de sequestro de carbono recomendadas pela Embrapa para determinado bioma, dentre outras informações. “Mais adiante, técnicos de instituições público-privadas e produtores estarão convidados a participar da formação de um grande banco de dados colaborativo, com informações precisas sobre as diversas atividades agropecuárias. Esses dados servirão até para a comprovação e diferenciação de produtos em mercados nos quais a sustentabilidade e a certificação sejam o diferencial, alinhada com as novas diretrizes da Rede de Fomento ILPF,” acredita Manzatto.

O aplicativo O sistema admite integração remota com informações do ambiente WebGis, o que permite a composição de uma ampla rede colaborativa de dados, na qual se destaca a perspectiva de acesso remoto de bases já disponíveis do acervo interinstitucional e governamental, como mapas de uso da terra ou cobertura nacional de imagens de satélite. A qualificação de pastagens, que é uma das principais demandas de monitoramento do Plano ABC, é uma ação estratégica para compensação de carbono.

Para essa tarefa, o aplicativo conta com o auxílio de fotos georreferenciadas, as quais podem ser projetadas automaticamente em mapas do local, informações de padrões de cor e altura, com todos os registros associados aos estágios de sanidade da pastagem, tipo de forrageira, presença de matéria verde, seca e ervas daninhas, ou seja, todos os parâmetros podem ser preenchidos de maneira simples e intuitiva. Os pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente Luiz Eduardo Vicente e Luciana Spinelli explicam que o conjunto de dados coletados pelo usuário no campo pode ser enviado automaticamente pelo aplicativo a uma base de dados geoespaciais. Com isso, serão compilados, analisados e cruzados com informações de imagens de satélite, retornando ao usuário resultados sobre o estado da pastagem com os níveis de degradação, tudo em tempo real. Os dados das propriedades que forem inseridos terão garantia de sigilo, uma vez que as informações enviadas ao banco de dados serão analisadas de forma conjunta, não individualizada.

Qualificar a adoção de ILPF A fim de monitorar as metas de redução de emissões assumidas pelo Brasil no Acordo de Paris, a Rede de Fomento de ILPF patrocinou uma ampla pesquisa em 2016, conduzida pela Kleffmann Group, sob a coordenação técnica da Embrapa Meio Ambiente. O estudo estimou em 11,5 milhões de hectares os sistemas ILPF no Brasil.

Os primeiros usos da tecnologia estarão concentrados em ações de levantamento de dados em campo voltados para a caracterização de sistemas de restauração florestal na Amazônia

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A pesquisa também visou captar informações complementares para apoiar ações estratégicas de transferência de tecnologia em ILPF da pesquisa para os produtores adotantes. Apesar de apresentar números bastante positivos, os resultados da adoção de sistemas ILPF refletiram a percepção do produtor em relação ao que ele acreditava possuir implantado na propriedade, não sendo possível aferir a qualidade da implantação. Diante dessa necessidade de melhor quantificação da redução das emissões de GEE promovidos pela adoção de sistemas integrados de produção, evidenciou-se a necessidade de um acompanhamento e qualificação dos sistemas implantados nas diferentes regiões do País. Por essa razão, o aplicativo foi planejado inicialmente para apoiar a Rede ILPF no monitoramento da adoção e da qualificação de sistemas integrados de produção agropecuária no País, e, a partir de então, servir como uma ferramenta de apoio ao monitoramento da adoção da Agricultura de Baixa Emissão de Carbono. A rede colaborativa de inserção de dados da ILPF será a primeira a ganhar o status de dados exclusivos, com mapas específicos da atividade, até mesmo de forma regionalizada por municípios.

Rapidez de coleta e apresentação de dados O pesquisador Luiz Eduardo Vicente destaca a capacidade do aplicativo em acelerar os trabalhos de coleta de dados na propriedade e registro nas planilhas. “Um grupo de técnicos em campo poderá fazer levantamentos de maneira muito mais rápida e precisa. Na outra ponta, o uso dos dados, mapas e imagens de satélite estarão disponibilizados diretamente no aplicativo ou em site específico para o tomador de decisão,” aponta. Esse procedimento demorava semanas ou meses, até que todos os dados fossem transferidos, compilados e analisados, além de sujeito a diversos erros de preenchimento ou interpretação.

Aplicativo Agrotag permitirá que agricultores de qualquer lugar do Brasil acessem e atualizem pelo celular um banco de dados colaborativo sobre o uso do solo

Para o líder da rede de transferência de tecnologia em ILPF, o pesquisador da Embrapa Lourival Vilela, os dados do Agrotag poderão pautar muitas ações futuras, e aumentar o impacto. “É uma ferramenta que vai facilitar o mapeamento dessas áreas com ILPF ao longo do tempo. Com isso, conseguiremos obter a noção exata da localização dessas áreas, poderemos qualificá-las e trabalhar de diferentes maneiras os resultados”, afirma Vilela.

Suporte a outros projetos em rede O AgroTag ainda possui outras aplicações práticas. Pode municiar equipes de campo em missões de pesquisa que necessitem de dados geoespaciais específicos. Entre as informações estarão mapas de uso da terra, levantamento estratégico de dados de campo, identificação de focos de novas pragas para a implantação de barreiras sanitárias, áreas potenciais para a piscicultura, gestão das águas e bacias hidrográficas e recomposição florestal, dentre outras. O pesquisador da Embrapa Meio Ambiente Ladislau Skorupa informa que os primeiros usos da tecnologia estarão concentrados em ações de levantamento de dados em campo voltados para a caracterização de sistemas de restauração florestal na Amazônia.

O trabalho ocorrerá no âmbito do Fundo Amazônia do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e, para isso, será desenvolvido um novo módulo do aplicativo, o Agrotag Florestal. “Trata-se de um avanço significativo de disponibilização de ferramentas geotecnológicas de fácil uso, mesmo em locais extremos, o que, na prática, possibilitará um avanço na captação e gestão de dados importantes para a pesquisa e ações de transferência de tecnologia, impactando positivamente no tempo de trabalho, ou na diminuição de custos”, ressalta ele. Com o desenvolvimento dessas novas funcionalidades, o Agrotag Florestal poderá ser útil para registrar e monitorar a recomposição de áreas de Preservação Permanente (APP) e de Reserva Legal de propriedades rurais ao longo do tempo, podendo ser uma ferramenta útil tanto para os órgãos de fiscalização quanto para os produtores rurais. Trata-se, portanto, de inciativa de baixo custo para o monitoramento, apoiando o agricultor na comprovação da regularização ambiental da propriedade e na diferenciação, alinhada ao esforço nacional na implantação de uma agricultura de baixo carbono [*] (1)Embrapa Meio Ambiente, (2) Gabriel Faria (MTb 15.624/MG)

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China plantará 6.6 milhões de hectares de floresta nova

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pós assinar a lei que proíbe qualquer outro país (inclusive o Brasil) de exportar lixo para o seu território, a China anunciou o investimento para plantar 6.6 milhões de hectares de floresta ainda neste ano de 2018, em um colossal projeto de reflorestamento. A área é equivalente ao tamanho da Irlanda! Essa é uma das diversas ações para mitigar o impacto da mudança climática. A ideia é que 23% do país esteja coberto por floresta até 2020 e 26% até 2035, segundo a Secretaria de Administração de Floresta da China. Atualmente o país têm 21.7% de área florestal. O projeto é fruto de parceria entre o governo Chinês, ONGs e especialistas em reflorestamento. Para Zhang Jianlong, responsável pela administração do reflorestamento, “cooperação entre governo e capital social irá ser prioridade”. Outros projetos já estão em andamento na China, como por exemplo o que pretende plantar árvores para evitar desertificação do Deserto de Gobi. Como o novo projeto é implementado em regiões propensas à florestas, acredita-se que terão resultados mais positivos. Novas árvores serão plantadas na província de Hebei, na província de Qinghai, no planalto tibetano e no deserto de Hunshandake na região autônoma da Mongólia Interior.

Fotos:

/Crestive Commons

A ideia é que 23% da China esteja coberta por floresta até 2020 e 26% até 2035. Atualmente o país têm 21.7% de área florestal

Chefe da administração, Zhang Jianlon disse que a “campanha de ecologias massivas” seria uma colaboração entre o setor privado e o estado.

Nos últimos cinco anos, o país gastou ¥ 538 bilhões (£ 61 bilhões) em reflorestamento. A China é regularmente nomeada e envergonhada por estar entre os maiores poluidores do mundo, mas tem tentado limpar seu ato nos últimos anos. Em 2014, a China declarou emergência nacional devido à poluição. Desde então, mais de 1.4 bilhões de dólares foram investidos para melhorar a qualidade do ar (e, consequentemente a qualidade de vida) para seus habitantes. O país ganhou até uma torre que purifica o ar!

Resíduos sólidos

A China pretende crescer cerca de 6,66 milhões de hectares de novas florestas este ano, uma área aproximadamente do tamanho da Irlanda

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A China está empenhada em deixar de ser o grande depósito de lixo do planeta. Em nova lei, o país proibiu as importações de 24 tipos diferentes de resíduos sólidos. A medida entrou em vigor no início deste ano e serve para plásticos, papel não triado, restos de minérios e sobras têxteis, entre outros tipos de lixo. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, a lei está de acordo com os parâmetros dos planos nacionais de combate à degradação ambiental e a produção nacional de lixo reciclável já é suficiente para atender à demanda da indústria local.

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Nações que, atualmente, dependem da China para descartar seus resíduos sofrerão com a medida. Entre eles, Espanha, México, Japão, Coreia do Sul e (sim!) Brasil. Agora elas precisam procurar alternativas para lidar com seu lixo – podem administrá-lo por conta própria ou ainda buscar outro destino. A China começou a importar resíduos sólidos durante a década de 1980 a fim de reutilizá-los e, assim, aliviar a escassez de certas matérias-primas que tinha em seu território. Com o passar dos anos, no entanto, o país se tornou o principal destino de lixo de outras partes do mundo, virando um depósito insustentável de resíduos. Alguns tipos de lixo continuarão sendo importados, mas as categorias proibidas são as mais significativas. Para ter uma ideia, só em 2016, segundo dados da ONU, a China importou 7,35 milhões de toneladas de plástico – o que representa 55,3% do total mundial.

A torre que consegue filtrar toda a poluição do ar, foi desenvolvida pelo “Projeto sem Poluição”, a tecnologia foi instalada no coração da cidade de Beijing, na China, e em apenas 40 dias após sua instalação já foi reportado uma grande melhora na qualidade do ar

Água Feito a partir de amostras de mais de 2 mil poços, de diferentes regiões, o estudo abrange as principais fontes de água da população chinesa e atesta: o recurso utilizado pelos cidadãos não é seguro para tomar banho — e muito menos para ingestão. 32,9% da água chinesa pode ser usada apenas pelas indústrias e 47,3% não deveria ser utilizada nem para este fim. E mais: a contaminação é causada pelas fábricas e agricultores do país, que utilizam o recurso de forma indevida.

Na China, 32,9% da água chinesa pode ser usada apenas pelas indústrias e 47,3% não deveria ser utilizada nem para este fim

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Para limpar a atmosfera na China Entre os arranha-céus, o purificador de ar gigante é capaz de limpar entre 5 milhões e 18 milhões de metros cúbicos de ar por dia, dependendo do clima, estação e nível de poluição, segundo um relatório chinês

Fotos: Academia Chinesa de Ciências, Cao Junji

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ma torre, tipo chaminé, de 60 metros de altura fica entre um mar de prédios altos em uma das cidades mais poluídas da China. Mas em vez de aumentar a poluição de Xian, esta torre está ajudando a limpar o ar. O sistema de purificação de ar ao ar livre, alimentado pelo Sol, filtra partículas nocivas e eleva o ar para os céus. Cientistas chineses que a projetaram dizem que o sistema poderia reduzir significativamente a poluição em áreas urbanas na China e em outros lugares. Em vez de bombear fumaça preta como as chaminés de fábricas na província de Shaanxi, no norte do país, a estrutura borrifa ar puro, nos arredores da capital regional Xian, uma das cidades mais contaminadas da China. Em Xian (norte), antiga capital imperial que vê o céu azul durante menos da metade do ano, as autoridades adotaram medidas como instalar a chaminé purificadora experimental nos arredores, para filtrar o ar. O dispositivo, alimentado por energia solar, aspira o ar viciado do solo e o filtra quando sobe pela chaminé antes de expulsá-lo purificado para a atmosfera. Entre os arranha-céus, o dispositivo é capaz de limpar entre cinco milhões e 18 milhões de metros cúbicos de ar por dia, dependendo do clima, estação do ano e nível de poluição, de acordo com um relatório chinês Thecover.cn. A tecnologia excitou e intrigou os pesquisadores – especialmente na China, onde a poluição do ar é um desafio diário. Os primeiros resultados, que ainda não foram publicados, são promissores, diz o líder do projeto, Cao Junji, Ph.D., diretor do Key Laboratory of Aerosol Chemistry and Physics, do Instituto do Meio Ambiente da Terra, da Academia Chinesa de Ciências, em Xian, no centro da China. “Esta é certamente uma ideia muito interessante”, diz Donald Wuebbles, cientista atmosférico da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign, que já ouviu falar sobre o sistema, mas não o viu em ação. “Eu não tenho conhecimento de mais ninguém fazendo um projeto como este.” O protótipo, construído com US $ 2 milhões em financiamento do governo provincial, também chamou a atenção do presidente da Academia Chinesa de Ciências, Bai Chunli. Cao diz que os líderes chineses estão ansiosos por soluções inovadoras para a poluição do ar, porque cria um problema de saúde pública tão generalizado. O Estudo Global da Carga de Doenças para 2015, um esforço abrangente para mapear as doenças do mundo, descobriu que a poluição contribuiu para 1,1 milhão de mortes prematuras na China naquele ano. Cao apresentou uma proposta para outra torre de 300 metros em Xian. Ele também está negociando propostas com cidades em Guangzhou, Hebei e Henan. Mas a tecnologia tem seus céticos, que dizem que há maneiras muito mais baratas de reduzir a poluição do ar.

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Controle de PM2.5 (partículas finas com diâmetros aerodinâmicos menores ou iguais a 2,5 mícrons)

Efeito chaminé A chaminé de concreto fica no topo de uma grande estrutura aberta com um teto de vidro. A radiação solar que atinge o vidro aquece o ar, fazendo com que ele suba em direção à base da torre. O ar então passa por uma parede de filtros industriais antes de sair pela chaminé. O sistema é inspirado em usinas de energia renovável que geram eletricidade a partir do calor solar. “Este é um protótipo muito bem projetado e bem feito”, diz Renaud de Richter, engenheiro químico da Ecole Nationale Supérieure de Chimie de Montpellier, que trabalhou em torres de energia solar. Richter diz que o sucesso de Cao pode ajudar a convencer investidores a apoiar outras aplicações baseadas no fluxo de ar movido a energia solar através de chaminés, uma tecnologia conhecida como corrente ascendente solar. Os picos de poluição durante o inverno e Cao escolheu este tempo para realizar seu primeiro teste dos filtros de ar dos sistemas ao longo de duas semanas em janeiro. Na torre e em 10 estações de monitoramento em uma área de 10 quilômetros quadrados, ele colocou monitores que mediram partículas com menos de 2,5 micrômetros de diâmetro (PM2,5), um tipo de poluição que assolou cidades chinesas.

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Junji Cao, pesquisador do meio ambiente, na Academia Chinesa de Ciências

Cao descobriu que a torre expele entre 5 milhões e 8 milhões de metros cúbicos de ar filtrado por dia no inverno. Durante o período do estudo, os monitores de ar ao redor registraram uma diminuição de 19% nas concentrações de PM2,5 em comparação com monitores em outras partes da cidade. Cao está preparando os resultados para revisão por pares. Cao diz que o impacto do protótipo foi local, então ele propõe a criação de cerca de meia dúzia de chaminés maiores distribuídas em torno dos centros urbanos. Ele também projetou uma torre de 500 metros de altura. “A influência de um sistema é pequena. Precisamos de múltiplos sistemas para que uma redução significativa da concentração de poluição do ar possa ser alcançada”, diz ele.

Mas Donahue se pergunta se os benefícios valerão os danos ambientais causados pela construção e operação de tais instalações. “Eu gostaria de ver uma avaliação do uso de energia e recursos para a filtragem”, diz ele. Transformar a mesma quantidade de energia em eletricidade limpa, ou não emitir a poluição em primeiro lugar, pode atingir o mesmo objetivo de reduzir a poluição, diz Donahue. Wuebbles também teme que a chaminé filtrasse apenas material particulado e não precursores de material particulado, como gás de dióxido de enxofre e óxidos de nitrogênio, que também são perigosos para a saúde humana, ou poluentes gasosos secundários, como o ozônio. “Então, enquanto o céu pode parecer mais limpo, a qualidade do ar ainda pode ser realmente horrível”, diz ele. Cao diz que o sistema já remove os óxidos de nitrogênio, um dos principais precursores na formação de partículas ultrafinas e ozônio. Ele também diz que as preocupações sobre a economia são exageradas. Ele estima que os custos operacionais do projeto-piloto sejam de cerca de US $ 30.000 por ano. Apesar de algumas reservas, os pesquisadores – como o cientista atmosférico José Jimenez, da Universidade do Colorado em Boulder – veem uma vantagem na busca pela tecnologia. “Eu definitivamente diria que vale a pena explorá-lo mais, embora eu não esteja convencido de qualquer forma neste momento”, diz ele.

Alternativas mais baratas Neil Donahue, que estuda partículas atmosféricas na Universidade Carnegie Mellon, em Pittsburgh, na Pensilvânia, diz que há poucas dúvidas de que puxar um grande volume de ar através de filtros de partículas de alta eficiência irá limpá-lo.

A torre produzirá cerca de 10 milhões de metros cúbicos (353 milhões de pés cúbicos) de ar limpo por dia, com uma redução média de PM 2.5 (partículas finas medindo 2,5 mícrons ou menos de largura). 15% no ar local durante períodos de poluição pesada. Uma solução inovadora para um grande problema de saúde pública

O governo da China declarou “guerra” à poluição desde 2014

O sistema de purificação de ar ao ar livre, alimentado pelo Sol, filtra partículas nocivas e eleva o ar para os céus, pode remover partículas atmosféricas e seus precursores de maneira eficaz, processando 8 milhões de metros cúbicos de ar diariamente e obtendo eficiência de filtração de 90% para PM2,5 e 80% para sulfatos e nitratos

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A poluição é tão ruim em muitas regiões que as pessoas costumam usar máscaras nas ruas e comprar purificadores de ar caros para suas casas. No inverno passado, a China cortou a produção de muitas fundições, moinhos e fábricas de aço. O Ministério do Meio Ambiente impôs duras metas antipoluição em 28 cidades ao redor de Pequim, com pelo menos três milhões de residências previstas para mudar de carvão para aquecimento a gás ou elétrico. A qualidade do ar da China melhorou em 2017, com o nível médio de partículas PM 2,5 caindo 6,5% em 338 cidades, de acordo com autoridades ambientais. A chaminé – ainda em fase de testes, reduz de 10 a 19% a taxa de partículas finas na atmosfera em um raio de 10 km2, asseguraram. Um estudo da Universidade de Chicago descobriu no ano passado que a poluição do ar no norte da China reduziu a expectativa de vida em três anos em comparação com o sul do país. Mas um novo estudo realizado pela Universidade em março descobriu que a China havia feito tanto progresso contra a poluição que a expectativa de vida poderia aumentar em mais de dois anos.

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Mudança climática poderia aumentar degelo na Antártida em 25% até 2100 Fotos: Laura Williams, Melissa Houghton

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fenômeno de aumentar a área livre de gelo na Antártida até o fim deste século, provocaria efeitos drásticos na biodiversidade do continente As áreas livres de gelo da Antártica - que abrigam mais de 99% das plantas e animais terrestres do continente -poderiam expandir-se em mais de 17 000 km2 até o final deste século, revela um estudo publicado na Nature. No estudo, foi quantificado o impacto da mudança climática do século XXI em áreas livres de gelo sob dois cenários de forçamento climático do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) usando modelagem de derretimento de temperatura-índice. Dirigido pela estudante de doutorado Jasmine Lee, da Universidade de Queensland, o estudo é o primeiro a investigar como as áreas livres de gelo na Antártida podem ser afetadas pelas mudanças climáticas. Lee disse que as áreas anti-gelo da Antártida cobrem menos de um por cento do continente, variando do tamanho de um campo de futebol ao tamanho de uma pequena Ilha do Pacífico. “As áreas livres de gelo fazem pequenas manchas de habitat adequado para plantas e animais – como ilhas em um mar de gelo”, disse ela.

Jasmine Lee, da Universidade de Queensland, na Antártica

“Estas áreas são o lar da maioria das espécies da Antártida – de focas e aves marinhas a musgos, líquenes e invertebrados pequenos, como tardigrades (pequeno animal de oito patas) e springtails (Collembola).

Durante a sessão de políticas científicas, no Comitê para a Proteção Ambiental durante a reunião consultiva do Tratado Antártico, realizada em Singapura

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“Muitas dessas espécies não ocorrem em nenhum outro lugar do mundo”. Para determinar a quantidade de gelo que derreteria em áreas livres de gelo nos próximos 80 anos à medida que o clima aquecer, Lee trabalhou ao lado de colegas da UQ, CSIRO, da Divisão Antártica Australiana e do British Antarctic Survey: Ben Raymond, Thomas J. Bracegirdle, ladine Chadès, Richard A. Fuller, Justine D. Shaw e Aleks Terauds. Ela descobriu que o gelo derretido poderia criar até 17,000 km2 de nova área livre de gelo na Antártida – um aumento de 25% nos níveis atuais. A Sra. Lee disse que a maioria deste derretimento ocorreria na Península Antártica, onde o clima já se aqueceu rapidamente. Para a especialista Jasmine, diferentemente de estudos anteriores, que se concentraram na redução da capa de gelo e em seu impacto no aumento do nível do mar, esse novo trabalho analisa os efeitos na biodiversidade do continente.“Esta expansão do habitat livre de gelo pode levar a novas oportunidades para a biodiversidade da Antártida, embora as condições mais quentes também incentivem as espécies invasoras a estabelecer”, disse Lee.

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Derretimento de gelo antártico projetado neste século. Lee et al. (2017)

“Muitas espécies nativas evoluíram isoladas umas das outras por longos períodos de tempo; eles são principalmente limitados pela disponibilidade de recursos, como água e nutrientes. “Como eles vão lidar com o aumento da conectividade e a concorrência de espécies invasoras é amplamente desconhecida”. O pesquisador da AAD Aleks Terauds disse que: “Isso oferecerá novas áreas de expansão para espécies nativas, mas também poderá atrair espécies invasoras e, em longo prazo, levar à extinção das espécies nativas menos competitivas”, em comunicado da AAD. Segundo o especialista, o degelo afetaria principalmente a Península Antártica e a Costa Leste do continente. O coautor e pesquisador do UQ, Dr. Justine Shaw, disse que, enquanto a Antártica era uma das últimas terras do planeta, a pesquisa mostrou – como em outros lugares – foi alterada pelas mudanças climáticas. “Nosso trabalho mostra que os habitats que já apoiam espécies invasoras se tornarão maiores, o que significa que haverá mais manchas de terra que podem suportar ervas invasivas e invertebrados”, disse Shaw. O professor associado da UQ, Richard Fuller, disse que a pesquisa proporcionou uma melhor compreensão dos impactos das mudanças climáticas na biodiversidade antártica e ações de conservação do plano. “Nós podemos usar os modelos de expansão de áreas livres de gelo para ajudar a identificar sites para áreas protegidas, ou identificar onde precisamos aumentar a segurança biológica”, disse o Dr. Fuller. “Os seres humanos são um dos principais vetores de espécies invasoras para o continente”. A pesquisa foi apresentada ao Comitê para a Proteção Ambiental durante a reunião consultiva do Tratado Antártico, realizada na China.

Estas áreas são o lar da maioria das espécies da Antártida...

Arvoredo invasor na Ilha Macquarie

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O nativo springtails (Collembola)

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Captura de CO2 não será solução para a mudança climática por Manuel Planelles

Cientistas europeus advertem para a limitada utilidade das tecnologias de emissão negativa de carbono

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A captura de CO2 será uma solução para a mudança climática?

air nesta tentação climática é bastante fácil. “Achar que a tecnologia virá em resgate se não conseguirmos mitigar (reduzir as emissões de gases do efeito estufa) suficientemente pode ser uma visão atraente”, admite Thierry Courvoisier, presidente do Comitê Assessor Científico das Academias Europeias (EASAC, na sigla em inglês). Mas criar “expectativas pouco realistas” sobre essas tecnologias poderia ter consequências irreversíveis para as gerações futuras, escreve esse astrofísico suíço em um relatório da instituição. Courvoisier se refere à luta contra a mudança climática e, especificamente, às chamadas tecnologias de emissão negativa – basicamente, capturar e armazenar os gases do efeito estufa da atmosfera, como forma de controlar o aquecimento global. O Acordo de Paris, um pacto internacional que deve guiar a luta contra a mudança climática durante este século, definiu como objetivo que o aumento médio da temperatura do planeta até 2100 seja inferior a dois graus Celsius, e que na medida do possível seja limitado a 1,5 grau. Para isso, aponta a necessidade de “um equilíbrio entre as emissões antropogênicas” e “a absorção” dos gases do efeito estufa através de “ralos” na segunda metade do século. Ou seja, abria-se a porta para essas tecnologias de emissão negativas como ferramenta para alcançar as metas de Paris. 64

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Mas o EASAC, composto pelas academias nacionais de ciências dos países membros da União Europeia, analisou em um relatório especial elaborado por 12 pesquisadores o impacto potencial dessas tecnologias e concluiu que elas não terão como desempenhar um papel fundamental. “Essas tecnologias oferecem uma limitada possibilidade realista de retirar o dióxido de carbono da atmosfera, e não na escala prevista em alguns cenários climáticos”, diz o texto. Embora o relatório reconheça o papel que essas técnicas poderiam desempenhar no futuro, ele acrescenta que isso não ocorreria “nos níveis necessários para compensar medidas de mitigação insuficientes”.

Ou seja, os Governos não poderão compensar com a captura de CO2 – o principal gás do efeito estufa – os cortes das emissões que deixarem de ser feitos, fundamentalmente, no setor energético, o qual responde por cerca de 80% do dióxido de carbono expelido pela economia europeia. Quando um Estado ratifica o Acordo de Paris, que se foi selado em 2015 na capital francesa, deve apresentar planos nacionais de reduções das suas emissões. Mas os que estão atualmente sobre a mesa, abrangendo o período compreendido entre 2020 e 2030, são insuficientes para alcançar a meta dos dois graus. A ONU estima que, até 2030, as emissões mundiais teriam que estar em torno de 40 bilhões de toneladas de carbono por ano; entretanto, ao aplicar os compromissos nacionais dos signatários do memorando, estima-se que até lá o mundo estará emitindo 55 bilhões de toneladas de CO2 por ano. E o problema é que essa discrepância tenderá a aumentar ao longo das décadas, esgotando rapidamente o chamado “orçamento do carbono” – o volume de gases do efeito estufa que a humanidade pode emitir daqui até o final de século se quiser cumprir a meta dos dois graus. É aí que entrariam em jogo as tecnologias de emissão negativa, para retirar da atmosfera os gases expelidos a mais. O EASAC conclui que, com o nível de conhecimento atual, essas tecnologias não poderão salvar o acordo. E adverte que a implantação das medidas de captura do dióxido de carbono em grande escala implicaria “altos custos econômicos e provavelmente importantes impactos sobre os ecossistemas terrestres ou marítimos”. O estudo também alerta que, nos cenários previstos pelo IPCC (um grupo de cientistas que analisa a mudança climática sob a égide ONU), confere-se um papel fundamental às tecnologias de emissão negativa. De fato, o relatório aponta que, em 344 dos 400 cenários propostos pelo IPCC para o cumprimento da meta dos dois graus, será necessária a captura de CO2 em grande escala. O estudo do EASAC conclui, portanto, que os Governos devem “se dedicar a reduzir rapidamente as emissões de gases do efeito estufa” e revisar para cima, conforme estabelece o Acordo de Paris, seus compromissos a cada cinco anos. Criar expectativas pouco realistas sobre essas tecnologias poderia ter consequências irreversíveis para as gerações futuras

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Orla de São Gabriel da Cachoeira as margens do Rio Negro no Amazonas

Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha

Brasil tem três novas áreas reconhecidas como sítios Ramsar Fotos: Arquivo/ ICMBio, Divulgação, Reprodução Doune Silva

Vapores d’água emitidos da floresta amazônica, são fundamentais em toda umidade da América do Sul

O título internacional contribui para que essas regiões conquistem novas parcerias, acordos de cooperação, apoio às pesquisas e obtenção de financiamento de projetos de preservação e conservação ambientais. O diretor do ICMBio disse que o Brasil deve melhorar a gestão de recursos hídricos em unidades de conservação. “Não basta ganhar o reconhecimento, temos que entender como gerir essas áreas para atender os objetivos de proteção dessas áreas úmidas de importância internacional. Isso significa que é uma oportunidade usar a convenção Ramsar para melhorarmos o nosso conhecimento básico e a nossa prática de como criar e gerar áreas protegidas no contexto de fluxos hídricos de água doce”, disse Moretti. Os três novos sítios Ramsar anunciados se unem aos 22 já existentes. São eles: o mosaico de UCs federais, estaduais e municipais do Rio Negro, no Amazonas; os manguezais da Foz do Amazonas; e o Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha.

O primeiro no mundo em extensão de áreas úmidas

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Convenção de Ramsar reconheceu recentemente, três novas áreas úmidas brasileiras como sítios de proteção e sustentabilidade. A ação trouxe destaque ao Brasil como primeiro lugar no mundo com a maior extensão de habitats aquáticos. O anúncio foi divulgado pelo diretor do Departamento de Ações de Consolidação Socioambiental e Territorial do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio), Cláudio Moretti, durante sessão especial no 8º Fórum Mundial da Água, em Brasília. As regiões reconhecidas como sítios Ramsar, são títulos conferidos pela e para proteção e a sustentabilidade de habitats aquáticos.

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Manguezais da foz do Rio Amazonas

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Inovações para conservação da natureza e transformação social

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á começam desde 29/01, as inscrições para a 29ª edição do Prêmio Jovem Cientista, aberto a estudantes do ensino médio e superior e a mestres e doutores que contribuam para trazer soluções inovadoras aos desafios do Brasil. O tema deste ano é “Inovações para a conservação da natureza e transformação social”. Cinco categorias são premiadas: Mestre e Doutor; Estudante do Ensino Superior; Estudante do Ensino Médio, Mérito Institucional e Mérito Científico para um pesquisador doutor que, em sua trajetória, tenha se destacado na área relacionada ao tema da edição. O prêmio é uma iniciativa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)/Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações; Fundação Roberto Marinho; Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza e Banco do Brasil. O Prêmio Jovem Cientista visa incentivar a pesquisa científica no país e foi instituído em 1981.O presidente substituto do CNPq, Marcelo Morales, destacou a importância da retomada da parceria com as instituições para tornar factível a realização dessa nova edição da iniciativa, após dois anos fora de circulação. “A parceria é muito importante. Para premiar, precisávamos dessas parcerias”, disse ele à Agência Brasil. Além das três categorias contempladas (ensino médio, superior e mestres e doutores), o Prêmio Jovem Cientista destacará o Mérito Científico, que vai premiar a trajetória de um pesquisador brasileiro na área tema dessa edição; e o Mérito Institucional, para as instituições do ensino médio e superior com o maior número de trabalhos qualificados. A partir de fevereiro, o CNPq vai disponibilizar em sua página na internet aulas voltadas para o tema deste ano.Os resultados do Prêmio Jovem Cientista serão divulgados em novembro, com a entrega do prêmio programada para dezembro, no Palácio do Planalto, em solenidade que contará com a presença do presidente da República.

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Limitação de idade para os concorrentes Para alunos do ensino médio, o limite estabelecido é de até 25 anos; para estudantes do ensino superior, até 30 anos; e para mestres e doutores até 40 anos de idade.

Soluções para o dia a dia Os participantes são estimulados a apresentar trabalhos que tenham relação com desafios do dia a dia das comunidades, embora haja espaço para trabalhos mais teóricos. As inscrições serão encerradas no dia 31 de julho, junto com a entrega dos trabalhos. “Você faz a inscrição e envia o trabalho ao mesmo tempo”, esclareceu o coordenador. Segundo ele, o maior registro de inscrições costuma ocorrer nos últimos dias. Em suas 28 edições anteriores, o Prêmio Jovem Cientista teve mais de 20 mil projetos inscritos e 194 premiados.

André Luiz Pinto destacou que nove entre dez vencedores da iniciativa “consideram que o prêmio mudou as suas vidas e que a pesquisa deles impactou a ciência de alguma forma e a comunidade em que vivem”.

Prêmios em dinheiro Na categoria mestre e doutor, os três primeiros colocados serão agraciados com prêmios em dinheiro no valor de R$ 35 mil, R$ 25 mil e R$ 18 mil, respectivamente; na categoria de alunos do ensino superior, os prêmios serão de R$ 18 mil, R$ 15 mil e R$ 12 mil; na categoria ensino médio, os três primeiros lugares ganharão ‘laptops’; e nas categorias mérito científico e institucional, serão concedidos prêmios de R$ 40 mil cada. “O CNPq também vai incentivar o prêmio concedendo bolsas de estudo para estudantes do ensino superior e médio”. Os professores dos estudantes também ganham computadores.

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EFEITOS INDIRETOS GERAM COEVOLUÇÃO EM REDES ECOLÓGICAS TERRA PERDE BIODIVERSIDADE EM RITMO ALARMANTE TÉCNICA TRANSFORMA AREIA DO DESERTO EM TERRA FÉRTIL

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EFEITOS INDIRETOS GERAM COEVOLUÇÃO EM REDES ECOLÓGICAS; TERRA PERDE BIODIVERSIDADE EM RITMO ALARMANTE; TÉCNICA TRANSFORMA AREIA DO DESERTO E...

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