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Ano 10 Nº 48 Janeiro/Fevereiro 2015

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ISSN 1809-466X

R$ 12,00

Editora Círios

Ano 10 Número 48 2015 R$ 12,00

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ALTERNATIVA PARA O AGRONEGÓCIO COP20 A CONFERÊNCIA DE LIMA QUELÔNIOS NA AMAZÔNIA


Aventura, superação, criatividade e muito comprometimento construíram essa usina. Parece faz de conta, mas não é. A nossa incrível história começa na Floresta Amazônica, numa época em que poucos tinham coragem de ir até lá. Homens e mulheres se lançaram na aventura de realizar uma das maiores obras da engenharia brasileira, a Usina Hidrelétrica Tucuruí. Uma obra que produz energia para atender a mais de 40 milhões de brasileiros, integrando a força da Amazônia com todo o País. Uma energia capaz de conquistar a confiança do Brasil e do mundo e gerar reconhecimentos como o Prêmio Nacional da Qualidade (PNQ), por duas vezes, e o World Class TPM. E, desde o início dessa história, a usina sabe que, para ser cada vez mais forte, é preciso andar lado a lado com pessoas capazes de transformar a sua história em energia para milhões de outras histórias.

Usina Hidrelétrica Tucuruí, 30 anos. A nossa história está ligada à dos brasileiros.

Visite www.tucurui30anos.com.br e conheça outras histórias. 2 REVISTA AMAZÔNIA

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Na sua abertura, Manuel Pulgar Vidal, presidente da conferência e ministro peruano do Meio Ambiente, afirmou: “A COP20 será histórica para o Peru e crucial para o mundo”.

A realização conjunta da VIII FENÁGUA – Feira Nacional da Água e do XIX Encontro Nacional de Perfuradores de Poços deram ao congresso um perfil único nesse segmento no Brasil, posicionando-o como evento completo para atualização, disseminação de conhecimento e realização de negócios entre profissionais e empresas da área...

agricultura no Brasil

A crise hídrica que atinge a região Sudeste do país começa a afetar a produção agrícola no Brasil. Algumas culturas já tiveram redução na safra passada, e a estimativa para a produção de algumas commodities também é negativa...

30 Unidade Agriflorestal é

modelo de sustentabilidade e movimenta economia em Portel A ideia é simples, mas precisou de uma equipe bem preparada e com muita vontade de fazer valer o significado da palavra sustentabilidade. No município de Portel, região do Marajó, no estado do Pará, foi criada a Unidade Agroflorestal de Portel – Unap...

34 Inpa tem o primeiro centro

especializado em estudos de quelônios de água doce do mundo

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DIRETOR Rodrigo Barbosa Hühn

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FAVOR POR

PRODUTOR E EDITOR Ronaldo Gilberto Hühn COMERCIAL Alberto Rocha, Rodrigo B. Hühn

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28 Crise da água já afeta

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de Águas Subterrâneas

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PUBLICAÇÃO Período (janeiro/fevereiro) Editora Círios SS LTDA ISSN 1677-7158 CNPJ 03.890.275/0001-36 Rua Timbiras, 1572-A Fone: (91) 3083-0973 Fone/Fax: (91) 3223-0799 Cel: (91) 9985-7000 www.revistaamazonia.com.br E-mail: amazonia@revistaamazonia.com.br CEP: 66033-800 Belém-Pará-Brasil

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22 XVIII Congresso Brasileiro

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Conferência de Lima

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06 COP-20, a

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ARTICULISTAS/COLABORADORES Allan Riddell, Anna Gerschenfeld, Cláudia Bancaleiro, David Salucci, Emily Anthes, Gisele Rosso, Jucier Costa, Luciete Pedrosa,Luis Carlos Lopes, Magali Moser, Marina Torres, Nadir Rodrigues, Nicolau Ferreira, Paolo Salucci, PloS One, Sídia Ambrósio, Silvio Anunciação FOTOGRAFIAS Bill Ingalls, CrioSat, Divulgação, Eduardo Gomes, Fenágua, Fernanda Carvalho, Fotos Públicas, José Araujo, Jucier Costa Lima, NASA, NASA Goddard’s, Rudolph Hühn, SDSN, Scientific Visualization Studio, SISSA,Sheyla Leal/Ag.Senado, Karen Robinson, UNFCC, ZSL,WMC EDITORAÇÃO ELETRÔNICA Editora Círios SS LTDA DESKTOP Mequias Pinheiro NOSSA CAPA No Centro de Estudos de Quelônios da Amazônia (Cequa), o maior centro do mundo especializado em estudos de quelônios de água doce, situado no Bosque da Ciência, do INPA. Foto: Eduardo Gomes/Acervo Ascom Inpa

O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), juntamente com o Projeto “Tartarugas da Amazônia: Conservando para o Futuro” inaugurou recentemente, o maior centro do mundo especializado em estudos de quelônios de água doce...

Mais conteúdo verde

[14] A COP 20, o desenvolvimento da agricultura e os desafios ambientais para o Brasil em 2015, segundo o cientista Carlos Nobre [16] Prêmio SDSN-Amazônia foi lançado na COP-20 [18] Comissão mista propõe metas mais ousadas de redução de emissões de CO2 [20] Para medir a Água na Terra [26] Empresários vão vender garrafa com água retirada do ar da Amazônia por R$ 21 [40] 14 dos 15 anos mais quentes da história aconteceram neste século [42] Camada de ozônio estará recuperada até 2050, diz a ONU [44] Curiosidades sobre o clima ao redor do mundo [46] Newton soube como circula a seiva nas plantas 200 anos antes dos botânicos [48] Uma alternativa para o agronegócio [50] Aeroportos regionais na Amazônia terão investimentos de R$ 2 bilhões [52] Muro vivo é alternativa para conforto térmico [54] Degelo na Groenlândia e Antártida dobra em cinco anos [56] Grande Barreira de Coral em grande risco apesar de esforços de conservação [54] Vencedores do Prêmio Finep 2014 [58] A vida nas cidades mais ecológicas do mundo [66] Os insetos serão o alimento do futuro?

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O nível dos reservatórios nas usinas hidrelétricas nas regiões Sudeste e Centro-Oeste chegou ao limite. O risco de faltar energia aumentou, já que as usinas geradoras de eletricidade nessas duas regiões são responsáveis pelo abastecimento de cerca de 70% do país...

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risco de apagões

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Ano 10 Número 48 2015

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36 Energia solar pode afastar

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COP-20, a Conferência de Lima 20ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima – COP-20 Fotos: Rudolph Hühn, UNFCCC

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a sua abertura, Manuel Pulgar Vidal, presidente da conferência e ministro peruano do Meio Ambiente, afirmou: “A COP20 será histórica para o Peru e crucial para o mundo”. A conferência, com participação de mais de 10 mil delegados de 195 países, foi aberta pelo presidente da COP19, o polonês Marcin Korolec, que transmitiu o cargo ao ministro peruano. Autoridades de todo o mundo tentavam chegar a um consenso de objetivos e compromissos sobre a redução de emissões de gases de efeito estufa, para combater as alterações climáticas e os fenômenos meteorológicos extremos. “Queremos que esta seja a COP que coloque bases sólidas para o novo acordo climático global. Queremos que todos os países, sem exceção, cheguem a um acordo no relatório para demonstrar o nosso compromisso com a

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redução das emissões”, disse Vidal na abertura do evento. A COP-20 teve o objetivo de preparar um novo acordo global, a ser assinado na Conferência de Paris, em dezembro do ano que vem. Esse acordo vai substituir o Protocolo de Quioto a partir de 2020. Vidal frisou que o desafio da COP-20 consiste em “receber todos os bons sinais e mensagens” enviados pelos países para garantir um consenso. “Não vamos deixar que se percam. Construamos regras e acordos que aumentem a confiança entre nós e a opinião pública. O mundo não espera que fracassemos.” No entanto, “nenhum dos resultados” pretendidos “está garantido”, e o Peru vai intervir “com o objetivo de promover avanços, atuando com flexibilidade e facilitando convergências e compromissos”, assegurou o ministro. Da cerimônia inaugural também participaram a secretária executiva da COP, Christiana Figueres, e o vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 2007, o cientista indiano Rajendra Pachauri, presidente do Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. Christiana destacou que se devem traçar “linhas de ação cruciais”, como um esboço sobre um novo acordo climá-

Pulgar Vidal, presidente da COP 20 – a conferência do clima do Peru

tico e a forma como os países deverão comunicar os seus compromissos sobre a redução das emissões de gases de efeito estufa. Pachauri ressaltou, por sua vez, que, para impedir o aumento da temperatura global em mais de 2 graus Celsius, as emissões de gases de efeito estufa devem ser reduzidas entre 40% e 70% até 2050 e eliminadas na sua quase totalidade em 2100. “Quanto mais nos atrasarmos, mais difícil e caro será enfrentar o objetivo dos dois graus”, disse o cientista indiano. Em Lima, esperava-se que os recentes compromissos da União Europeia, da China e dos Estados Unidos para reduzir as suas emissões de gás deem impulso político às negociações e tenham efeito positivo no restante dos países. revistaamazonia.com.br


Christiana Figueres, secretária executiva da UNFCCC, destacou que se devem traçar “linhas de ação cruciais”

América Latina se compromete a reflorestar 20 milhões de hectares Sete países da América Latina se comprometeram a replantar 20 milhões de hectares de terras degradadas até 2020, durante a COP20 Em um ato paralelo à cúpula da ONU, ministros da Agricultura e do Meio Ambiente de México, Peru, Guatemala, Colômbia, Equador, Chile e Costa Rica apresentaram o plano de recuperação de solos de seus respectivos países. O México comprometeu-se a recuperar 8,5 milhões de hectares; o Peru, 3,2 milhões; a Guatemala, 1,2 milhão, e a Colômbia, 1 milhão. O Equador se propõe a reflorestar 500.000 hectares; o Chile, 100.000 e a Costa Rica, 50.000. Além disso, foi lançado um plano regional para a preservação da Patagônia, que recuperaria 4,1 milhões de hectares e outro

O líder indígena brasileiro Isaac Piyaco fala durante coletiva de imprensa na COP20, denunciando a presença de quadrilhas de madeireiros ilegais na fronteira, que matam e ameaçam nativos para que abandonem suas terras

de florestas, de 1,6 milhões de hectares. Estima-se que haja na América Latina 200 milhões de hectares de terras degradadas, segundo o Centro Internacional de Agricultura Tropical, sediado na Colômbia.

“No Peru, perdemos florestas a uma velocidade impressionante. As atividades que mais pressionam (o desmatamento) são a mineração ilegal, o sobrepastoreio e o plantio de coca”, alertou o ministro da Agricultura, Juan Manuel Benites. “Precisamos encarar um replantio produtivo e conseguir uma agricultura neutra em carbono”, acrescentou. Enquanto isso, o ministro argentino da Agricultura, Roberto Delgado, pediu que se detenha o desmatamento. “Além de recuperar os solos, é muito importante que paremos de perder hectares”, disse. O compromisso, conhecido como Iniciativa 20x20, que terá US$ 365 milhões em apoio de parte de investidores privados, bisa a reduzir as emissões de gases de efeito estufa, gerados pelo desmatamento e pela mudança no uso do solo. Segundo especialistas, a América Latina é uma das regiões do mundo mais vulneráveis às mudanças climáticas.

José Antonio Marcondes, embaixador brasileiro, chefe da delegação brasileira com a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, na COP 20, em Lima

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, em discurso para a plenária na COP 20 revistaamazonia.com.br

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Grupo de contacto SBI / SBSTA

No sábado, líderes de diversas etnias indígenas da Amazônia brasileira, peruana, equatoriana e colombiana se reuniram para exigir os direitos sobre seus territórios diante dos delegados de 195 países que participam da COP20. Vestindo trajes tradicionais, com colares e plumas, cerca de 500 representantes de comunidades indígenas da selva amazônica se reuniram na praia Agua Dulce, onde desenharam com seus corpos a imagem de uma árvore, unida ao rosto de um nativo, sob o qual apareciam os dizeres: “Povos + direitos, florestas vivas”. “Queremos florestas livres de petróleo e de mineração, Raphael Azeredo, Brasil

Izabella Teixeira defendeu a unificação das ações de combate aos avanços do efeito estufa

sem corte ilegal. Exigimos nossos direitos territoriais. Sem as florestas, os povos indígenas não podem sobreviver”, disse Henderson Rengifo, líder da etnia Achuar e da Associação Interétnica de Desenvolvimento da Floresta Peruana (Aidesep), que convocou a mobilização. Durante quatro horas, os indígenas fizeram várias atividades de “sensibilização” sobre a conservação florestal, bem como de seus meios de vida, com cânticos e danças tradicionais.

Floresta viva com direitos indígenas garantidos Adriano Santhiago de Oliveira, Brasil

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Os direitos aos territórios indígenas devem ser garantidos como uma estratégia efetiva para o combate das mudanças climáticas. Esta foi a mensagem que centenas de pessoas passaram, ao se unir na praia Água Dulce, em Lima, no Peru. Deitados na areia e unidos, os participantes da mobilização formaram o desenho de um rosto e de uma árvore, simbolizando Pachamama, a “mãe terra”, e os dizeres “Povos + Direitos, Florestas Vivas”, em espanhol. Este foi um ato de solidariedade aos povos indígenas durante a COP20. O termo “Floresta Viva” se refere a

um conceito indígena holístico da Amazônia e é um dos pontos de importante discussão quando falamos sobre soluções para as mudanças climáticas. Cinco lideranças Mundurukus participaram da atividade. “Vamos resistir até onde for possível assim como temos resistido há 500 anos de massacres e violações aos direitos humanos”, disse Ademir Munduruku, liderança do movimento Ipereg Ayu em relação a luta que os indígenas Mundurukus tem travado contra a construção do Complexo Hidrelétrico do Tapajós.

Dados otimistas para o clima Índice da Germanwatch, divulgado na COP20, registra crescimento mais lento das emissões de gases de efeito estufa. Brasil caiu 14 posições no ranking da ONG ambientalista. De forma muito tímida, a política climática parece estar ganhando uma nova imagem, não somente negra, sombria e devastadora. Em algum lugar, lá no horizonte, avista-se uma fresta de esperança. Essa é a conclusão da análise da organização ambientalista alemã Germanwarevistaamazonia.com.br


de seus bons resultados: a Dinamarca, Suécia e Reino Unido ocupam os lugares quatro a seis. As três primeiras posições permaneceram vazias nesta décima edição do ranking: de acordo com a Germanwatch, nenhum país tem feito o suficiente para evitar alterações climáticas perigosas. Ainda assim a ONG está otimista de que isso possa ser diferente no próximo ano: a Dinamarca e a Suécia conseguiram pela primeira vez cumprir manter seu programa para a “meta dos dois graus”. Esta prevê a limitação do aquecimento global a menos de 2º C em relação à temperatura no começo da industrialização. “A Dinamarca conseguiu reduzir suas emissões bem fortemente”, frisa Burck, acrescentando que um fator decisivo foram as políticas ambiciosas do país para as energias renováveis. Assim, os dinamarqueses são considerados Na coletiva de imprensa Manuel Pulgar-Vidal, presidente da COP 20 / CMP 10, Christiana Figueres, secretária executiva da UNFCCC, e Nick Nuttall, porta-voz do UNFCCC

tch, que habitualmente só se manifesta para protestar. “As emissões de CO2 estão crescendo mais lentamente do que nos anos anteriores, e as energias renováveis estão em ascensão forte no mundo todo”, ressaltou Jan Burck. Ele é o autor do Índice de Proteção do Clima, divulgado em Lima. O indicador – realizado anualmente pela ONG em parceria com a rede de entidades ambientalistas Clima Action Network Europe –, analisa 58 países e estabelece um ranking. No topo da lista estão aqueles que realmente se esforçam para proteger o clima, podendo gabar-se em Lima de seus bons resultados. E esse é justamente um dos objetivos da Germanwatch. “Também estamos tentando incentivar um tipo de competição aqui”, revela Burck. “Mesmo em discursos ministeriais na Conferência do Clima, o índice é sempre citado e dizem, por exemplo: ‘Olhem aqui, nós fazemos melhor que vocês’”.

Brasil tem desempenho “muito ruim” O Brasil teve seu desempenho classificado como “muito ruim”, aparecendo no 49° lugar da listagem, uma queda

Ban Ki-moon, secretário geral da ONU e Manuel Pulgar-Vidal, presidente da COP 20 / CMP 10

de 14 posições em relação a 2013, colocando-o abaixo da Argentina – mas ainda acima de países como Japão, Coreia do Sul, Rússia, Canadá e Austrália. De acordo com a Germanwatch, no entanto, há sinais de que o Brasil “conseguiu reduzir o desmatamento significativamente” desde 2010, fato que pode contribuir para melhorar seu desempenho na próxima edição do índice. Três países europeus podem se orgulhar em especial

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um bom exemplo da implementação ampla de metas de proteção climática num país industrializado.

Arábia Saudita e Austrália: maus exemplos Por outro lado, a colocação entre os dez primeiros de uma nação em desenvolvimento como o Marrocos é uma surpresa. “O país se destaca pelos investimentos em

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Autoridades apreciam preparação do prato peruano tradicional “ceviche” com os chefs de renome mundial Gastón Acurio e Virgilio Martínez Véliz, ambos proprietários de restaurantes classificados entre os 50 melhores do mundo

energias renováveis, especialmente em energia solar”, diz o autor do estudo. “Marrocos pode conseguir pular a etapa do desenvolvimento clássico – normalmente associada a combustíveis fósseis – e talvez adotar uma forma sustentável de abastecimento energético.” Mas o índice também revela quem atualmente pouco se importa com a mudança climática. Na lanterna, em 61ª posição, está a Arábia Saudita, cujo nível de emissão segue elevado. Apenas um ponto acima está a Austrália. O país caiu 21 posições em comparação ao ano anterior, sobretudo devido à má pontuação de suas medidas de política climática, que foram significativamente restringidas sob o governo de Tony Abbott. Mas também a Alemanha aparece este ano apenas num lugar intermediário da lista. “O balanço alemão tem sido prejudicado pelo chamado dilema da transição energética – o forte aumento do uso do carvão mineral paralelamente à ampliação das energias renováveis.” Caso esse problema seja resolvido, o país tem boas chances de subir novamente no ranking mundial de proteção climática, nos próximos anos, avalia Jan Burck.

A maior delegação de jovens brasileiros na história das COPs 10 REVISTA AMAZÔNIA

Protesto de jovens

No encerramento países assinam rascunho de acordo para reduzir gases de efeito estufa A Conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre mudanças climáticas (COP-20) aprovou, em Lima, o rascunho de um acordo de redução de emissões de gases de efeito estufa. Depois de longas sessões de discussões, que prorrogou a conferência por dois dias devido às diferenças entre os países industrializados e em desenvolvimento, a COP-20 chegou a um acordo sobre o texto que deve ser a base para um pacto global histórico no próximo ano em Paris. O projeto de 22 pontos e quatro páginas foi aprovado

no último minuto pelos delegados de 195 países que participaram da conferência, depois de duas semanas de negociações. O documento reconhece a responsabilidade comum e diferenciada dos países pelo aquecimento e estabelece mecanismos para lidar com perdas e danos por fenômenos climáticos extremos, especialmente nos países pobres e ilhas sob ameaça. Os países devem anunciar, nos próximos meses, os seus compromissos para reduzir as emissões globais entre 40% a 70% até 2050, com a necessidade de limitar a 2°C o aumento da temperatura global. “Lima deu uma nova urgência rumo à rápida adaptação e construção de resiliência em todo o mundo em desenvolvimento, reforçando a ligação ao financiamento e ao desenvolvimento de planos nacionais de adaptação. Os revistaamazonia.com.br


De acordo com o documento final da cúpula, intitulado “A chamada à ação de Lima”, todos os países terão que apresentar planos nacionais à ONU até 31 de março de 2015. Eles terão que prever compromissos “quantificáveis”, “ambiciosos” e “justos” de redução de gases de efeito de estufa, além de informações detalhadas das ações para se obter a diminuição (compromissos para reduzir as emissões globais entre 40% a 70% até 2050, com a necessidade de limitar a 2°C o aumento da temperatura global). Os planos nacionais formarão a estrutura de um acordo global previsto para ser fechado em uma nova cúpula em 2015, em Paris, mas que deverá entrar em vigor apenas em 2020. Concordou-se, ainda, que a Secretaria da Convenção da Mudança Climática irá analisar o impacto dessas contribuições nacionais para verificar se são suficientes para que a temperatura do planeta não aumente mais do que dois graus no final deste século. O inédito acordo foi divulgado em meio a críticas de ambientalistas sobre a necessidade de ações mais firmes para reduzir os índices de emissão de gases do efeito estufa. Para organizações, o texto final da COP 20 traz uma lista de propostas não-vinculativas e também deixa algumas brechas. A 20ª Conferência das Partes (COP-20) sobre Alterações Climáticas, visou preparar um novo acordo global que deverá ser assinado na reunião de Paris, marcada para dezembro de 2015 e destinado a substituir o Protocolo de Quioto a partir de 2020.

Os membros da “Freedom from Debt Coalition” deitaram-se ao chão em uma manifestação intitulada “estamos morrendo”, enquanto representantes das regiões impactadas falavam sobre o impacto das alterações climáticas

governos deixaram uma visão muito mais clara de como será o acordo em Paris em 2015 e a próxima rodada de negociações em Genebra”, disse o presidente da COP-20, Manuel Pulgar Vidal.

Até o último momento, as fortes diferenças entre as nações do Norte e do Sul foram mantidas. Os países ricos consideram que os futuros compromissos nacionais devem centrar-se na redução das emissões de gases de

efeito estufa, com uma avaliação futura com base em informações precisas e transparente dos passos dados em cada nação. Mas o Sul, especialmente a África, América Latina e os pequenos estados insulares, não está disposto a assumir a redução de emissões se não houver garantias financeiras dos países ricos que permita a adaptação a novas tecnologias limpas para o aquecimento global e seu impacto crescente. A China e a Índia, primeiro e quarto emissores globais por

Participante da Conferência do Clima da ONU, a COP 20, observa mapa em telão que mostra a temperatura dos oceanos na Terra. As cores mais alaranjadas representam temperaturas maiores

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entre Pedro Álvares Cabral e Pass. 3 de Outubro revistaamazonia.com.br

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Jovens da Fundação para os direitos das gerações futuras em um “cabo-de-guerra” entre os que defendem a equidade intergeracional para ser incluído no texto, e aqueles que se opunham a ele

causa de suas indústrias de carvão altamente poluentes, se opõem a um sistema de avaliação que possam lhes constranger, e pressionam os países desenvolvidos a contribuir financeiramente à medida de sua responsabilidade como os maiores geradores de aquecimento.

Ao longo dos últimos dias da COP 20, um grande mural foi pintado como um símbolo de esperança para o futuro, mostrando consigo as mensagens dos delegados presentes na conferência

Depoimentos/Conclusões A discussão de questões que geraram maior impasse acabou sendo adiada para o ano que vem. “Muita coisa permanece para ser feita em Paris no próximo ano”, afirmou o ministro francês do Exterior, Laurent Fabius. O acordo agradou países emergentes, como China e Índia, preocupados com propostas anteriores que, segundo eles, iriam impor medidas muito pesadas a países emergentes em comparação aos ricos, no esforço internacional para responder às mudanças climáticas. “Conseguimos o que queríamos”, disse o ministro indiano do Desenvolvimento, Prakash Javedekar, afirmando que o acordo em Lima preserva a noção de que os ricos precisam guiar o caminho para corte de emissões. “Muita coisa permanece para ser feita em Paris no próximo ano”, disse o ministro das Relações Exteriores da França, Laurent Fabius. A União Europeia (UE) considerou o resultado como um “passo adiante” para um acordo global em Paris, em 2015. O bloco, composto por 28 países, agregou que o acordo de Lima requer a todos os países que apresentem seu objetivo proposto de redução de emissões de gases “de maneira clara, transparente e compreensível”. O texto também foi do agrado das nações ricas lideradas pelos Estados Unidos, que dizem que chegou a hora de economias emergentes de rápido crescimento controlarem as emissões que crescem cada vez mais. Alguns grupos ambientais, entretanto, disseram que o 12 REVISTA AMAZÔNIA

Plenário cheio com os delegados participando da plenária de fechamento da COP 20 / CMP 10

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Manuel Pulgar-Vidal, presidente da COP 20 / CMP 10, bate o martelo no final da COP 20

Ao final da COP 20 / CMP 10, aplausos para o texto, aprovado unanimemente e que deve ser aprovado em dezembro de 2015 em Paris

acordo é fraco demais. “Fomos de fraco para mais fraco e para o mais fraco”, disse Samantha Smith, do grupo de conservação WWF, sobre os sucessivos esboços nas negociações de Lima. O delegado de El Salvador disse que as pessoas que estão

morrendo por causa da mudança climática não vão se decepcionar. Laurent Fabius, ministro francês dos Negócios Estrangeiros, provável futuro presidente da COP21, manifestou a sua satisfação. “Se não tivesse havido acordo aqui em

Lima, teria sido muito, muito difícil ter sucesso em Paris, disse o chefe da diplomacia francesa. Martin Kaiser, chefe da política climática internacional do Greenpeace, disse: “Os governos apenas chutaram o que puderam mais abaixo na estrada, deslocando todas as decisões difíceis para o futuro. O tempo está se esgotando e as soluções devem ser entregues antes do caos climático tornar-se inevitável. “ Para os Amigos da Terra: “A única coisa que essas negociações atingiram foi o de reduzir as chances de um acordo justo e eficaz para combater as alterações climáticas em Paris no próximo ano. “Mais uma vez as nações mais pobres, intimidadas pelo mundo industrializado em aceitar um resultado que deixa muitos de seus cidadãos a enfrentarem a perspectiva sombria de uma mudança climática catastrófica. Segundo a Climate Action Network: “A Conferência de Lima mostrou a política do clima se arrastando atrás do momentum no mundo real.” Para a Tck Tck Tck, a COP 20 frustrou expectativas e fez com que as atenções estejam todas voltadas para Paris 2015. Winnie Byanyima, diretor executivo da Oxfam International: Nada foi feito para aumentar a ambição de curto prazo, o que os cientistas advertem como necessário. O texto não dá garantias de que os países desenvolvidos estão prontos para cumprir as suas promessas financeiras existentes e feitas. Mohamed Adow, consultor senior da Climate Christian Aid: “Há um elefante na sala das negociações - nós não conseguimos seduzi-lo, é o maior obstáculo no caminho para Paris “. Segundo Sharan Burrow, secretária-geral da Confederação Sindical Internacional-CSI, os Governos decidiram ignorar nossas chamadas para promover mudanças antes de 2020. “Em vez disso, eles adiaram para Paris as discussões críticas sobre a forma como eles vão conseguir ficar abaixo de 2 ° C”. O movimento sindical também compartilhou profunda insatisfação na maneira em que o processo tem sido tratado. Os países desenvolvidos comprometeram-se a reduzir as emissões e a contribuir com 100 bilhões de dólares de ajuda anual aos países do Sul, até 2020.

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A COP 20, o desenvolvimento da agricultura e os desafios ambientais para o Brasil em 2015, segundo o cientista Carlos Nobre

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arlos Nobre, Doutor em meteorologia pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), membro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), cientista climático e secretário de Políticas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, MCTI, acredita que há uma leitura muito severa sobre o papel do Brasil no âmbito do meio ambiente. Para Nobre, o Brasil já vem trabalhando pela redução das emissões de gás carbônico (CO2), até mais do que outros países e tem plenas condições de casar preservação e desenvolvimento da agricultura. O país porém, terá de desatrelar a expansão da agricultura do desmatamento, reduzir a emissão de CO2, e investir em energias renováveis.

Balanço da COP20 Se a gente considerar que a COP15 em Copenhagen-2009, foi um grande fracasso, e depois a ten-

Carlos Nobre, cientista climático e secretário de Políticas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação - MCTI

tativa de reerguer as negociações nas conferências seguintes, a COP20 foi a melhor até agora. O que derrubou Copenhagen foi a falta de acordo, e isso frustrou todos os participantes, porque os Estados Unidos e a China estavam cada um falando uma língua diferente. A COP20 apresentou um pré-acordo de redução de CO2, que ainda precisa se materializar, mas pelo menos ele aconteceu. Se não houvesse esse acordo, hoje estaríamos bem mais frustrados. Sobre incluir os emergentes no mesmo bloco que os países desenvolvidos, não é bem assim. No documento, há uma frase que diz “respeitando as peculiaridades de cada país”. E essa última frase muda todo o espírito. Quando o tempo passa, as coisas mudam. Em 1992, por exemplo, a Coreia do Sul ainda era um país considerado em desenvolvimento. Em 2014, já é um país desenvolvido. Você tem que ter um mecanismo para que os países que vão avançando, assumindo condições tecnológicas e financeiras, possam desempenhar um papel importante.

Água: recomendamos a redução drástica de consumo 14 REVISTA AMAZÔNIA

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É preciso que os mecanismos de incentivos foquem na recuperação de áreas degradadas no sentido de plantar floresta

Principais desafios ambientais para o Brasil em 2015 São três grandes desafios: acelerar a introdução de energias renováveis na matriz energética, reduzir o desmatamento e melhorar a produtividade da agricultura. O Brasil deve continuar sendo o protagonista e tem de continuar nessa trajetória de redução das emissões de CO2. Nos últimos anos, o único país grande em desenvolvimento que diminuiu a emissão de gases de efeito estufa, foi o Brasil. Tem condições de, em dez,15 anos, zerar o desmatamento. Porque é possível aumentar a produção agrícola sem ter que expandir a fronteira agrícola. O Brasil tem a faca e o queijo na mão para zerar o desmatamento. Para isso, é preciso investir na agricultura e a pressão de expansão da fronteira agrícola em cima das florestas, do cerrado e da

caatinga tem que zerar. E é preciso que os mecanismos de incentivos foquem na recuperação de áreas degradadas no sentido de plantar floresta. Isso não é nada fora do que é exequível para o Brasil. O terceiro é a energia, que tem uma correlação muito grande com o crescimento econômico e demográfico. A única maneira de mudar essa curva é alterando a matriz enérgica. É preciso que haja investimento do setor, incentivos de iniciativa pública com energias renováveis. O Brasil tem o maior potencial de energia renováveis do mundo por quilômetro quadrado. Nem os Estados Unidos e nem a China têm esse potencial. Como política pública, o Governo está atento a importância do investimento na energia renováveis. A energia eólica avançou muito porque o setor privado viu que havia um potencial muito grande. O Governo cria mecanismo para incentivar a geração de energias renováveis. O Brasil deve continuar sendo o protagonista e tem de continuar nessa trajetória de redução das emissões de CO2

Mas é preciso que exista um capital privado interessado em explorar esse potencial que o país tem.

O papel de protagonista do Brasil na negociação ambiental O Brasil não perdeu o papel de protagonista na negociação ambiental. É dificílimo diminuir a emissão [de CO2] com o desmatamento. A questão é mudar o padrão de desenvolvimento. É um aspecto cultural, que existe desde que os portugueses chegaram aqui em 1500. Eu não concordo, acho incompleta essa afirmação e fraca como análise transversal da dificuldade que é a redução de emissões. Nós reduzimos, enquanto os EUA aumentaram no ano passado, o que é muito preocupante. O que alguns analistas equivocadamente acreditam é que o Brasil deveria ter o papel de convencer a China a reduzir as emissões, por exemplo. Essa ideia de que o protagonismo do Brasil é ser um país que convença todos os países a reduzir é inocente. Deixa o Papa fazer isso. O protagonismo nosso é resolver os nossos problemas.

E a Água Eu não sou especialista em uso da água. Mas a Academia Brasileira de Ciências reuniu recentemente, os melhores especialistas em recursos hídricos do Brasil para discutir o tema. De modo geral, o que recomendamos é a redução drástica de consumo. A não ser que ocorra um dilúvio, ainda assim, era preciso que tivesse um dilúvio de hoje, o início do verão, até março. E mesmo que chova de hoje até o fim da estação chuvosa uma quantidade na média, teremos um problema no próximo inverno até mais severo do que tivemos até agora, porque praticamente não há mais água no Cantareira e nem nos outros reservatórios. Nos próximos anos é preciso tomar medidas que combinem saneamento – melhorar a qualidade da água disponível – e consumo racional. Enquanto perdurar a crise, o consumo tem que diminuir. Além disso, as bacias estão muito degradadas. É preciso replantar as florestas para melhorar a vazão dos reservatórios e melhorar a qualidade da água. revistaamazonia.com.br

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Prêmio SDSN-Amazônia foi lançado na COP-20 Iniciativa visa identificar boas experiências da Amazônia Continental para contribuir com soluções aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável

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oi lançado na COP20 o Prêmio SDSN Amazônia, iniciativa da Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável para a Amazônia - SDSN Amazônia (sigla em inglês), integrante do projeto global da Organização das Nações Unidas (ONU). O Prêmio objetiva identificar e reconhecer as melhores soluções para questões socioambientais relacionadas ao desenvolvimento sustentável da Amazônia, considerando as ações realizadas e implementadas por organizações privadas, públicas, acadêmicas e do terceiro setor da Amazônia Continental: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela. As inscrições estarão abertas de 04 de fevereiro a 02 de abril de 2015. Mais informações no www.sdsnamazonia.org. O Prêmio SDSN-Amazônia está organizado em seis categorias: Gestão de Terras Indígenas, Gestão de áreas protegidas, Mineração, Infraestrutura, Educação e Desenvolvimento na primeira infância. Uma comissão de especialistas nos temas envolvidos julgará os projetos inscritos e indicará dez finalistas e três vencedores em cada categoria, a partir dos critérios de avaliação: visão de futuro, potencial de replicabilidade, originalidade e inovação do projeto; uso de metodologias participativas; formação de redes e parcerias intersetoriais e relevância do projeto para especificidades da Amazônia. Além dos prêmios em dinheiro, os vencedores terão suas experiências divulgadas na Plataforma SDSN-Amazônia como exemplos de soluções para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), que estão sendo defini-

Parceiros do Prêmio SDSN-Amazônia

dos pela ONU para vigorarem entre 2015 e 2030. Além disso, serão estimulados, por um ano, a participarem de eventos que disseminem sua solução. Os empreendimentos de infraestrutura têm ampliado o volume de investimentos na região amazônica, trazendo desafios locais para a gestão na Amazônia e gerando impactos socioambientais significativos no ecossistema, como emissões de Gases do Efeito Estufa (GEEs). “Por essa razão, o Prêmio não pretende avaliar os setores e empreendimentos em sim, mas sim a superação dos desafios para a conservação da Amazônia. Estes exemplos devem servir de modelo para diversas regiões”, comenta Virgílio Viana, superintendente geral da Fundação Amazonas Sustentável (FAS) e presidente da SDSN-Amazônia.

Como Participar

No lançamento do Prêmio SDSNAmazônia, Virgílio Viana da FAZ e o economista Jeffrey Sachs 16 REVISTA AMAZÔNIA

Podem concorrer ao prêmio organizações do terceiro setor, institutos e fundações empresariais (exceto das empresas apoiadoras do Prêmio), governos subnacionais, empresas, universidades e centros de pesquisa atuantes em toda extensão da Amazônia continental, incluindo os seguintes países: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela. Mais informações e inscrições no Prêmio SDSN Amazônia em: premio@sdsn-amazonia.org.

SDSN Amazônia As redes nacionais e regionais são estabelecidas para acelerar a resolução de problemas práticos para o desenvolvimento sustentável local, regional e nacional. A SDSN-Amazônia é uma delas. A SDSN-Amazônia tem como principal objetivo reunir os centros de geração de conhecimento na Amazônia para facilitar a resolução dos problemas que impedem que seu desenvolvimento seja sustentável.

Sobre a FAS: A Fundação Amazonas Sustentável (FAS) é uma organização brasileira não governamental, sem fins lucrativos, de utilidade pública estadual e federal. Foi criada em 20 de dezembro de 2007, por meio de uma parceria entre o Governo do Estado do Amazonas e o Banco Bradesco e, posteriormente, passou a contar com o apoio da Coca-Cola Brasil (2009), do Fundo Amazônia/BNDES (2010), da Samsung (2010), além de outras parcerias em programas e projetos desenvolvidos. Os dois principais programas implementadas são o Programa Bolsa Floresta e o Programa de Educação e Saúde. Saiba mais: www.fas-amazonas.org. revistaamazonia.com.br


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Comissão mista propõe metas mais ousadas de redução de emissões de CO2 Fotos: Sheyla Leal/Ag.Senado

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eputados e senadores propõem metas mais ambiciosas de redução da emissão de gases poluentes pelo Brasil. A intenção é que a meta seja incorporada no compromisso que será assumido pelo país, seguindo o que foi acordado na Conferência da Organização das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-20), em Lima, no Peru. A proposta, aprovada pela Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas, é que o Brasil reduza, até 2030, 15% do valor agregado de emissões, e que tome por base o ano de 1990. Na prática, segundo o presidente da comissão, deputado Alfredo Sirkis (PV-Rj), “significa dobrar a meta brasileira. A meta atual, traduzida, gera redução em cifras absolutas de 5%. Agora, queremos agregar mais 10% no decorrer dos próximos 15 anos, quando a tarefa de reduzir a emissão é mais complexa”. A proposta seria uma mudança na forma como é estipulada a meta, que hoje é de reduzir 38% sobre a curva projetada de emissões até 2020, tendo como base o ano de 2005. “A proposta aprovada é de uma meta mais ambiciosa”, diz o deputado. A COP-20 aprovou o rascunho de um acordo de redução de emissões de gases de efeito estufa, que deve ser a base para um pacto global histórico no próximo ano, em Paris. O projeto foi delineado por delegados de 195 países, que devem anunciar, nos próximos meses, seus compromissos para reduzir as emissões globais entre

40% e 70% até 2050. A meta é compatível com a necessidade de limitar o aumento da temperatura global a 2 graus Celsius (2ºC). Para que o Brasil contribua para o acordo global, texto aprovado pela comissão destaca a agricultura como o setor que mais pode contribuir para a redução das emissões de gás carbono. Entre as medidas que podem ser tomadas está a expansão do programa do governo federal voltado para a agricultura de baixo carbono, chamado de Plano ABC: maior assistência técnica aos produtores, financiamentos facilitados, simplificação do sistema de crédito e melhor divulgação. Além disso, a comissão aponta a necessidade de mudanças no sistema energético nacional, com maior estímulo a fontes renováveis e à geração de usinas de pequeno porte, bem como ao aprimoramento do uso do solo, tanto rural quanto urbano. Segundo Sirkis, o relatório aprovado também sugere que o país invista US$ 30 milhões no Fundo Verde para o Clima das Nações Unidas em 2015, uma questão que não está em discussão pelo governo. O fundo foi criado com o objetivo de gerir transferências para que países vulneráveis às mudanças climáticas possam enfrentar as consequências das alterações e prevenir o seu agravamento. A meta é que o fundo receba US$ 100 bilhões anuais a partir de 2020. Neste ano, o valor chegou a US$ 10 bilhões.

Moeda do clima e tributação verde O texto aprovado pela comissão faz referência ainda à ideia de se criar um ativo financeiro que consolide o

EXPRESSO VAMOS + LONGE POR VOCÊ ! 18 REVISTA AMAZÔNIA

Deputado Alfredo Sirkis (PV-Rj), presidente da Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas e o senador Valdir Raupp (PMDB-RO), relator

reconhecimento do valor socioeconômico da redução de emissões de carbono. Nessa proposta, o cumprimento de metas de redução de emissões seria convertido em uma “moeda do clima”. — Ela seria utilizada para adquirir produtos, serviços e tecnologias certificados para reduzir emissões, gerando um círculo virtuoso no fortalecimento de uma economia de baixo carbono — explicou Raupp. O presidente da CMMC, deputado Alfredo Sirkis (PSB-RJ), idealizador do modelo, argumentou que a adoção dessa medida colocaria o Brasil na vanguarda da questão climática global. Sirkis também sugeriu a criação de um imposto ambiental sobre as emissões. — É necessário taxar o carbono. Mas é preciso que essa taxação seja compensada pela redução de outros tributos, incidentes sobre o trabalho e o investimento, que são social e ambientalmente regressivos — argumentou. Sirkis também destacou a participação da delegação da CMMC, chefiada por ele próprio, na COP 20, conferência da ONU sobre mudanças climáticas que aconteceu em Lima, no Peru, entre 1º e 12 de dezembro.

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O satélite SMAP foi projetado para coletar observações globais da umidade do solo vital escondida logo abaixo de nossos pés. Concepção artistica da medição da umidade do solo

Para medir a Água na Terra Fotos: NASA / Bill Ingalls

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m observatório orbital, que mede a quantidade de água em 5 cm (2 polegadas) do solo em todos os lugares na superfície da Terra foi colocado fim de janeiro deste ano, em uma órbita polar em torno da Terra, pelo satélite SMAP. SMAP significa umidade do solo ativo passivo. A camada superior do solo é o único em que o alimento que nós comemos cresce e onde há outras vidas e vegetação. A humidade no solo indiretamente nos afeta de uma variedade de maneiras. No decurso das suas observações, o SMAP também vai e está determinando se o chão está congelado ou descongelado em zonas mais frias do mundo. SMAP foi projetado para medir a umidade do solo ao longo de um período de três anos, a cada 2 à 3 dias. Isto permite ver as mudanças, ao redor do mundo, a ser observada em escalas de tempo que vão desde as grandes tempestades para medidas repetidas de mudanças ao longo das estações. Em todos os lugares na Terra não coberta com água ou não congelados, haverá medidas do SMAP dizendo quanta água está na camada superior do solo. Ele tam-

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No Complexo de Lançamento Espacial 2, Base Aérea de Vandenberg, na Califórnia

bém fará uma distinção entre o solo que está congelado ou descongelado. Quando não a água não estiver conge-

lada, o SMAP medirá a quantidade de água encontrada entre os minerais, material rochoso, e partículas orgânicas encontradas no solo em todos os lugares do mundo. O SMAP medirá a água líquida na camada superior do solo, mas não será capaz de medir o gelo. SMAP irá e já está produzindo mapas globais de umidade do solo. Os cientistas vão usá-los para ajudar a melhorar a nossa compreensão de como a água e o carbono (em suas diversas formas) circulam. O ciclo da água envolve mais do que os processos óbvios pelas etapas de evaporação dos oceanos e terras para a formação de condensação das nuvens que, em seguida, gota de chuva ou neve no chão (precipitação), seguido pela água que flui através da terra antes de voltar para o mar. Por exemplo, as plantas absorvem água do solo para crescer, mas elas também “transpiram” alguns, diretamente de volta para o ar. O ciclo do carbono tem mais ramos que o ciclo da água. Refere-se à transferência de carbono entre e atmosfera da Terra (ar), pedosfera (solo), litosfera (rock), hidrosfera (água de superfície: oceano, lagos e rios), e da criosfera (todas as formas e lugares onde o gelo é encontrado na Terra, incluindo gelo do mar, neve, geleiras e do permafrost). Por exemplo, o carbono (na forma de dióxido de carbono) é encontrado no ar, dissolvido em água, e emitido a partir de fontes subterrâneas bem como tudo o que respira. Minerais de carbonato são encontrados no revistaamazonia.com.br


Foguete lançado da Califórnia levando o satélite SMAP projetado para coletar/medir observações globais da umidade do solo superficial e seu estado de congelamento / descongelamento sobre a Terra

Painéis solares do SMAP durante a montagem e testes

fundo do mar e nas montanhas, bem como os famosos penhascos brancos de Dover. Petróleo e carvão são o carbono que está preso no subsolo até que seja bombeada

para cima ou extraído. O SMAP também usará dados dos Tempo e Estudos Climáticos. A quantidade de água que se evapora

da superfície do solo para a atmosfera depende da umidade do solo. Informações da umidade do solo é fundamental para compreender os fluxos de água e energia de calor entre a superfície e a atmosfera que o clima é impactado. Atualmente, sabemos pouco sobre a variabilidade da umidade do solo em ambas as escalas regionais ou globais. Medições de umidade do solo freqüentes e confiáveis do SMAP vai ajudar a melhorar a capacidade de previsão dos modelos de tempo e clima.

O SMAP irá expandir nossa compreensão de um componente chave do sistema terrestre que liga os ciclos da água, de energia e carbono para manter nosso planeta vivo. Instrumentos de radar e radiômetro combinadas do SMAP vai perscrutar o solo, através das nuvens e cobertura vegetal moderada, dia e noite, para produzirem a mais alta resolução, mapas mais precisos de umidade do solo já obtidos a partir do espaço. A missão vai ajudar a melhorar as previsões do clima e do tempo e permitir que os cientistas monitorem as secas e prever melhor as inundações causadas por chuvas grave ou neve derretida - informações que podem salvar vidas e bens. Além disso, uma vez que o crescimento das plantas depende da quantidade de água no solo, dados do SMAP permitirá que as nações para melhor rendimento das culturas de previsão e auxiliar no sistemas de alerta rápido da fome global.

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XVIII CONGRESSO BRASILEIRO DE ÁGUAS SUBTERRÂNEAS XIX ENCONTRO NACIONAL DE PERFURADORES DE POÇOS

VIII FENÁGUA – FEIRA NACIONAL DA ÁGUA ABAS quer menos burocracia, mais fiscalização para as águas subterrâneas e e deixa um alerta para a população a respeito dos mananciais subterrâneos

A

realização conjunta da VIII FENÁGUA – Feira Nacional da Água e do XIX Encontro Nacional de Perfuradores de Poços deram ao congresso um perfil único nesse segmento no Brasil, posicionando-o como evento completo para atualização, disseminação de conhecimento e realização de negócios entre profissionais e empresas da área. Foi uma semana de discussões e apresentações de trabalhos relevantes sobre águas subterrâneas. O XVIII Congresso Brasileiro de Águas Subterrâneas colocou a ABAS – Associação Brasileira de Águas Subterrâneas, no centro das discussões sobre o bem mais valioso no século XXI. Com a participação de profissionais de todo o país entre pesquisadores, representantes de órgãos governamentais, de empresas e seis palestrantes estrangeiros, gestores de órgãos públicos e privados, estudantes e curiosos lotaram os corredores do Minas Centro, em Belo Congressistas acompanham a solenidade de abertura

Horizonte, não apenas para participar de conferências e palestras com grandes nomes do setor, mas para participarem ativamente de programações que extrapolaram o centro de convenções, com grande troca de experiência com a comunidade mineira. “A própria escolha do Minas Centro foi estratégica para deixar o evento mais próximo da cidade. Foi a primeira vez que criamos tantas ações, passeios ciclísticos, show e a exposição na Praça da Liberdade que está conscientizando as pessoas sobre a questão da água”, explica Rodrigo Cordeiro, da Acqua Consultoria, secretário da ABAS. Durante quatro dias de eventos, cerca de 800 congressistas marcaram presença em 80 atividades como palestras, mesas e painéis com profissionais de oito países, entre eles Espanha e Estados Unidos. A VIII Fenágua, aberta ao público, recebeu cerca de 2.000 visitantes. Centenas de estudantes compareceram ao Minas Centro para assistir a palestra de Ryan Hreljac, jovem canadense

Qualidade das águas na área urbana de Manaus foi o foco da apresentação da pesquisadora em Geociências da CPRM, Silvia Gonçales

que a convite da organização do evento veio dar o seu testemunho de trabalho humanitário na África, onde perfurou aproximadamente 900 poços artesianos resolvendo o problema de aproximadamente meio milhão de pessoas.

Repercussão “A Associação está satisfeita e sentimos que o evento em Belo Horizonte é responsável por uma mudança de patamar. Conseguimos despertar na comunidade a importância de se falar das águas subterrâneas, principalmente nesse momento tão crítico de crise de água”, explica Cordeiro. O congresso aconteceu em conjunto com o XIX Encontro Nacional de Perfuradores de Poços e a VIII FENÁGUA – Feira Nacional da Água, e tem como tema central Água 22 REVISTA AMAZÔNIA

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Na palestra apresentada pelo diretor de Hidrologia e Gestão Territorial da CPRM, Thales de Queiróz Sampaio

Manoel Barretto, diretor-presidente do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), discursa na abertura

nas Minas e nas Gerais: Uma riqueza nacional. Para Zoltan Romero, do Inga – Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, o maior aproveitamento do Congresso foram as programações voltadas para a gestão, segundo ele, um dos pontos mais importantes em seu trabalho. “Vim apresentar um trabalho sobre gestão integrada entre águas superficial e subterrânea”, explica. “Além do nível excelente das pessoas, me impressionou a palestra com um espanhol que já realizou consultoria em mais de 50 países em todo mundo, sendo um dos primeiro a fazer isso no Brasil, em 1968”, completa Romero. Severino dos Santos, da FUNASA – Fundação Nacional da Saúde, participa com frequência dos congressos da ABAS. Vai aplicar em suas atividades em Fortaleza (CE), boa parte do que aprendeu nas palestras. “O mais importante para mim foi o Encontro Nacional de Perfuradores. A palestra sobre custos com perfuração muito interessante porque tive oportunidade de ver cada um dos custos desde o planejamento ao final da perfuração”, conta Santos. “Com essa informação, poderemos mostrar para os clientes o custo benefício de cada parte do processo”, finaliza. Para Thiago Almeida, geólogo que trabalha numa empresa de perfuração, a participação no evento foi essência. “Também vim com interesse no encontro de perfuradores. A palestra mais interessante foi a que falava sobre manutenção e reabilitação de poços”, diz Almeida que se

Na palestra de Ryan Hreljac, da Ryan’s Well Foundation

associou a ABAS para participar do Congresso. O mercado de mineração também marcou presença durante o XVIII Congresso. A bióloga Claudiana Sales, da Anglo American, empresa multinacional de mineração, acredita que eventos como esse são fundamentais para a troca de experiências e conhecimento. “Os conteúdos sobre gestão de águas e mananciais foram importantes para mim. Meu interesse principal se dá pelo motivo de Thales Sampaio apresentou o tema Uso da Água Subterrânea em Emergências Hídricas

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a água ser parte essencial do processo de mineração”, explica.

O Congresso O congresso foi dividido nos seguintes temas: - Mineração e Gás - questões de inter relação das águas subterrâneas com as atividades da mineração e exploração do gás de xisto; - Carste - particularidades, potencialidades e vulnerabilidades dos sistemas aquíferos cársticos; - Gestão dos recursos hídricos subterrâneos, considerando o uso múltiplo das águas; - Águas Minerais - águas minerais e águas subterrâneas: definições e caracterização de fontes e balneários; aspectos econômicos e técnicos; - Contaminação e Remediação - cenários de contaminação e dos respectivos procedimentos de remediação, de solos e águas subterrâneas; REVISTA AMAZÔNIA 23


Para Waldir Duarte Costa Filho, o presidente da ABAS, que se despede: “Apesar da abundância de água em grande parte do território mineiro, o estado também se apresenta com áreas de carência hídrica, principalmente nas regiões norte e nordeste do estado, reforçando a imagem de que Minas Gerais representa uma síntese dos aspectos nacionais, em todo o seu espectro de variabilidade”, avalia. Waldir continua: “A água é um recurso finito de indiscutível valor econômico e sua ocorrência ora é meteórica, ora está nos rios e lagos, ora está no subsolo como água subterrânea. O conhecimento científico de sua ocorrência, circulação e armazenamento em aquíferos subterrâneos é fundamental em qualquer contexto geográfico. Sua exploração por poços tubulares, seu uso racional, seu uso concomitante com atividades econômicas e sua preservação devem estar sempre na mente dos hidrogeólogos”.

Manoel Barretto, Ryan Hreljac, da Ryan’s Well Foundation e Thales Sampaio

Liano Silva Veríssimo, da CPRM apresentou trabalho sobre monitoramento de poços

- Explotação e Monitoramento - Procedimentos de explotação e de monitoramento das águas subterrâneas; - Múltiplos Usos - caracterização da demanda, e das condições de uso, dos setores usuários de água subterrânea; - Aspectos Legais - princípios de direito, e os aspectos legais, relacionados ao uso sustentável dos recursos hídricos subterrâneos; - Hidrogeologia - estudos específicos. 24 REVISTA AMAZÔNIA

Feira apresentou novidades do setor e mostrou fôlego do mercado Perfuratrizes, martelos, compressores e diversos insumos são os principais equipamentos do setor de perfuração de poços. Com o aumento da crise de água, é crescente a procura pelo serviço tanto pela indústria como por con-

domínios, principalmente na região Sudeste. Esse cenário ficou evidente durante a VIII Fenágua que reuniu fabricantes do setor de diversas regiões do país. O ambiente de geração de negócios prevaleceu durantes os dias de feira. “O mercado está aquecido e o momento é muito oportuno”, explica Marcos Palombo, engenheiro de produção do departamento comercial da Drillmine. Os negócios da empresa já se estende por países da América do Sul, revistaamazonia.com.br


América Central, África e até Ásia. Dos equipamentos necessários para perfuração profissional, a empresa fabrica todos, com exceção do compressor. A Ar Brasil está no mercado de compressores desde 1990 e importa o equipamento da Índia. “Hoje 30% dos nossos compressores são aplicados no setor de perfuração de poços”, explica Francisco Silva, do departamento comercial da empresa. Nos cálculos de Francisco, são aproximadamente 15 equipamentos vendidos ao ano. As fabricantes de bombas que atuam no mercado de captação e transferência de água também marcaram presença na Fenágua. A Anauger, tradicional fabricante de bombas submersas vibratórias, com 47 anos no mercado, e com sede em Itupeva (SP) apresentou o sistema Anauger solar. São dois modelos de bombas que funcionam à base de energia solar e que captam água dos lençóis freáticos de forma limpa, econômica e sustentável. “O sistema dá autonomia para captar água de forma sustentável e econômica. É esse o conceito que queremos levar ao visitante da Fenágua”, diz Marco Aurélio Gimenez, diretor comercial da empresa.

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mas no bem de todos”, disse o autor do projeto, Rodrigo Cordeiro, da Acqua Consultoria, empresa realizadora do congresso da ABAS.

Assembleia elegeu nova diretoria Os diretores Manoel Barretto e Thales Sampaio visitam o estande da CPRM

“Venha conhecer o fundo do poço – de onde vem a água que você bebe”

Em reunião na assembleia geral, a ABAS anunciou a nova diretoria nacional que será presidida por Claudio Oliveira, da ABAS-RS. Durante a reunião também foi anunciado o próximo Congresso da entidade em 2016 e duas cidades já disputam a vaga para a sede: Rio de Janeiro (RJ) e Campinas (SP). Clean na VII FENÁGUA

Essa Exposição, na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, teve como destaque a economia e o desperdício da água. Realizada em parceria com a Prefeitura de Belo Horizonte, a exposição mostrou dados surpreendentes sobre a água subterrânea e como ela está presente em nosso cotidiano, com apelo humanístico. “É necessário lembrar que existem pessoas ao redor do mundo sofrendo com a falta de água. E, necessário refletir também, sobre o que queremos para o futuro. Futuro não apenas nosso, mas de todo ser humano. Uma sociedade justa não se constrói pensando somente em benefício próprio,

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Empresários vão vender garrafa com água retirada do ar da Amazônia por R$ 21 Empresa brasileira vão investir R$ 30 milhões em marca voltada para o mercado europeu; estratégia é lucrar 100 milhões de euros Cal Junior em Barcelos, no Rio Negro

Fotos: Divulgação

O

‘raio gourmetizador’, como brincam os usuários das redes sociais com a moda de produtos cercados por cuidados mercadológicos – o bom e velho segmento premium – terá a partir de março uma pequena, mas já ilustre participante: uma marca de água mineral retirada não de debaixo da terra, mas da atmosfera da floresta amazônica. Uma garrafinha da Ô Amazon Air Water, de 250 mls, terá preço sugerido de aproximadamente R$ 21. Ou, para ser preciso, A 6,5. Isso porque 95% da produção terá como destino o mercado europeu, onde será distribuído para 200 pontos de venda de luxo, como o hotel Four Seasons de Lisboa.

O paladar da Ô Amazon Air Water será único, seguindo os padrões das principais águas premium do mundo. Todo o ciclo da produção promete ser sustentável e pretende se tornar a mais sustentável do planeta. A água gourmet, exportará a pureza da água captada do ar às margens do Rio Negro, na cidade de Barcelos, no coração do Floresta Amazônica 26 REVISTA AMAZÔNIA

Os 5% restantes serão reservadas para o consumidor brasileiro, vendidas em um e-commerce da marca e por uma flagship store, ou loja conceito, prevista para ser anunciada em julho e, certamente, ocupando um endereço chique da cidade de São Paulo, como o Jardim Europa por exemplo. Um grupo formado por quatro empresários brasileiros é responsável pela ideia. Já experimentados no empreendedorismo, eles aportaram R$ 20 milhões na empresa A2BR, que abriga a marca Ô Amazon. Outros R$ 10 milhões estão previstos para os próximos 12 meses, dinheiro destinado para o início da produção, marcado para a segunda quinzena de março, estratégias de marketing e comunicação, além do subsídio ao mercado na primeira leva a ser exportada. “Nós estamos com uma estratégia de abordagem de mercado onde a gente financia a primeira compra de nosso cliente, porque a gente seleciona quem a gente quer que revenda nosso produto”, conta o sócio Cal Junior, que em dez anos estima um retorno de 100 milhões de euros, em lucros. revistaamazonia.com.br


Instalados em uma casa com cara de sede de startup na cidade de São Paulo, os quatro empresários, na verdade, mantém um parque fabril de 1,75 milhão metros quadrados às margens do rio Negro, na Amazônia. É lá, no espaço concedido por 30 anos pela prefeitura de Barcelos, que eles instalaram duas máquinas que se parecem com grandes geradores de eletricidade, e que serão responsáveis por condensar a umidade do ar da floresta, fazendo a água passar por filtros e equipamentos de mineralização. O processo, para que o leitor possa compreender, é similar ao do aparelho de ar-condicionado, que desumidifica o ar e, em seguida, devolve o ar refrigerado, eliminando a água. Nesse caso, como o objetivo não é a climatização do ambiente, e sim gerar água potável, toda o potencial da máquina está voltado para o desempenho de condensação e, posteriores filtragem, mineralização e engarrafamento. Uma simples máquina, feita com exclusividade na China, é capaz de produzir 5 mil litros de água por dia. “As pessoas nos perguntam qual será o impacto da produção na Amazônia e eu digo que é zero. É como tirar um copo de água de uma piscina olímpica, sendo que durante a noite, a natureza trata de restituir a perda”, afirO Complexo Ô Amazon Air Water fica na margem do Rio Negro no coração da Floresta Amazônica

Esq/dir. Os sócios, Paulo Ferreira e Cal Júnior com o Governador do Estado do Amazonas - Prof. José Melo e com o Prefeito de Barcelos, José Ribamar Beleza

ma Ricardo Rozgrin, sócio e diretor financeiro do negócio. “Um dos nossos sócios, o Paulo Ferreira (filho de Nuno Ferreira, dono da empresa de logística internacional homônima), conheceu a tecnologia em uma transação logística e começamos a estudar esse mercado. No início, a gente queria produzir máquinas e vender no varejo. Só que nosso foco foi redefinido”, lembra Cal Junior, que

promete apenas 6 milhões de garrafas por ano. “Vai ser a água de luxo mais exclusiva do mundo.” Com embalagem de vidro e uma tampa com resina de amido de milho, repleta de sementes, a proposta é que o cliente depois plante a tampa e compartilhe a informação com a marca e demais consumidores por meio de um aplicativo para smartphones. Nosso projeto é totalmente sustentável, da embalagem de vidro à energia elétrica da fábrica, 100% solar”, afirma Cal. O mercado, por sua vez, parece ter gostado da proposta do quarteto. Tanto que a fábrica que ainda não produziu uma gota de água sequer já é disputada por investidores. Dois gandes grupos de private equity já fizeram propostas pelo controle da empresa, mas foram descartados. Neste momento, entretanto, eles acertam as base de um contrato para ceder 15% da companhia para dois investidores físicos, que pagarão R$ 45 milhões pelas cotas, fazendo da empresa sem faturamento ou produto à venda, um empreendimento orçado na casa dos R$ 300 milhões.

A trubina produz água e energia, com emissão zero de carbono, e utiliza tecnologia semelhante à das máquinas da Ô Amazon Air Water. Para funcionar, ela precisa de umidade relativa do ar mínima de 20%. Na Amazônia, a umidade muitas vezes ultrapassa 90% revistaamazonia.com.br

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A cana-de-açúcar também sofre com a seca

Crise da água já afeta agricultura no Brasil

Lavouras de café, cana-de-açúcar, milho, feijão, hortaliças e frutas já apresentam redução na produção em relação à safra passada. Colheita de soja também deve ser menor do que o esperado Fotos: Fernanda Carvalho/ Fotos Públicas

A Café foi a cultura que mais sofreu com a seca 28 REVISTA AMAZÔNIA

crise hídrica que atinge a região Sudeste do país começa a afetar a produção agrícola no Brasil. Algumas culturas já tiveram redução na safra passada, e a estimativa para a produção de algumas commodities também é negativa. O impacto da estiagem na agricultura deve ser sentido principalmente pelo consumidor, com aumento de preços. Perdas são esperadas nas safras de café, cana-de-açúcar, milho e feijão. A produção de soja deve ficar abaixo da estimativa divulgada em janeiro pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Além disso, o desenvolvimento de lavouras de hortaliças e frutas na região Sudeste também ficou comprometido com a escassez de chuva no início do ano. Em janeiro, a quantidade de chuva ficou abaixo da média em diversas regiões do país, principalmente no Sudeste, Sul e Centro Oeste. Em fevereiro, março e abril, as chuvas devem também ficar abaixo da média na região Sul e revistaamazonia.com.br


Represa do Jaguari, que abastece o sistema Cantareira

A Conab reforça que a queda só não será maior devido ao aumento de 2,2% na área plantada no país. Essa diminuição está relacionada principalmente à falta de chuvas. Em São Paulo, estado responsável por cerca de 50% da produção total de cana no país, a redução no rendimento agrícola pode chegar a 10,5%. “É uma etapa na qual a cana deveria estar crescendo vegetativamente e ela está ficando mais fina, não chega a engrossar, o que gera uma redução na produção de açúcar e etanol”, afirma Fernando Pimentel, sócio-diretor da consultoria Agrosecurity. O Brasil é responsável por mais da metade do açúcar comercializado no mundo e deve reduzir cerca de 4% sua produção, estimada em 36 milhões de toneladas.

Grãos incertos em partes das regiões Sudeste, Centro-Oeste e norte da região Nordeste. “As culturas de verão, como milho e soja, devem sofrer as maiores perdas na safra, pois entre janeiro e fevereiro é o período que a planta requer maior quantidade de água, e a ocorrência de estresse hídrico pode acelerar a senescência foliar, encurtar o período de enchimento das sementes, resultando em baixos rendimentos”, afirma a meteorologista Danielle Ferreira, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). E o problema pode deixar marcas de longo prazo. “Se a seca persistir, poderá haver problemas sérios para a próxima safra, sem dúvidas”, reforça o engenheiro agrônomo da Embrapa Semiárido Luís Henrique Bassoi acredita que a estiagem prolongada poderá prejudicar o abastecimento de alimentos no país.

Irrigação comprometida O provável racionamento de água em São Paulo deve afetar principalmente a produção de hortaliças e frutas, culturas que dependem da irrigação. “Os reservatórios em todo o país estão com sua capacidade de armazenamento com valores baixos, muito preocupantes, e que comprometem a geração de energia e a irrigação”, afirma Bassoi. A safra de milho de verão também deve apresentar uma queda

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Até o momento, o café foi a cultura que mais sofreu com a crise hídrica. A safra de 2014, com 45,3 milhões de sacas, foi 7,7% inferior à de 2013, quando foram colhidas 49,15 milhões de sacas. A estimativa no primeiro balanço para 2015, feito pela Conab, é de que a produção permaneça estável. Dependendo das condições climáticas, pode haver tanto uma queda de 2,7% como um aumento de 2,8% – com a escassez de chuvas e as altas temperaturas dos últimos meses, porém, a tendência é negativa. O maior impacto da estiagem deve ser sentido no bolso do consumidor. A queda na produção deve manter elevado o preço do café no mercado doméstico e também no internacional. O Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo, responsável por 33,73% da produção mundial. Minas Gerais, um dos estados mais atingidos pela estiagem, é por sua vez o maior produtor de café do país, responsável por mais de 50% da produção nacional.

A safra de milho de verão também deve apresentar uma queda. Estima-se uma redução de 6,4% em relação à passada, ficando em torno de 29,64 milhões de toneladas. O feijão deve ter também uma redução de 2,7% na produção, caindo de 3,43 milhões de toneladas para 3,38 milhões de toneladas. A seca do final e início de ano reduziu também as estimativas de produção da soja, que é a líder nas exportações brasileiras, responsável por 18,3% desse volume nos primeiros seis meses de 2014. A produção da commodity deve crescer no país, mas ficará abaixo do previsto. Em janeiro, a Conab previu uma colheita de aproximadamente 95 milhões de toneladas de soja. No entanto, ela está sendo menor do que a estimada em lavouras de Goiás, Mato Grosso, Bahia, Minas Gerais, Piauí, Paraná e São Paulo. Para o técnico da Conab Olavo de Sousa, ainda é cedo para medir o impacto dessa redução nas exportações, pois há

Açúcar fica salgado Além do café, a cana-de-açúcar também sofre com a seca. A safra 2014/2015 é estimada em 642,1 milhões de toneladas, com uma queda de 2,5% em relação ao volume colhido na safra passada, de 658,8 milhões de toneladas.

Frutas e hortaliças devem ficar mais caras

muito estoque de culturas. “Com o câmbio ajudando não tem como dizer que a exportação será menor”. Para Pimentel, a queda dos preços no mercado internacional é o que deve pesar na balança comercial, e não a redução na produção. “O impacto tem sido maior nos preços internacionais da soja e do milho. Nos últimos 30 dias, por exemplo, o preço da soja caiu 17%, enquanto a perda na safra brasileira não passa de 5%. Uma combinação de preço e queda na safra pode chegar a 20% de redução no valor de exportação em dólar”, prevê. Já a redução na produção e no estoque de culturas deve inflacionar o preço dos alimentos nas prateleiras dos mercados brasileiros. REVISTA AMAZÔNIA 29


Unidade Agriflorestal é modelo de sustentabilidade e movimenta economia em Portel

A

ideia é simples, mas precisou de uma equipe bem preparada e com muita vontade de fazer valer o significado da palavra sustentabilidade. No município de Portel, região do Marajó, no estado do Pará, foi criada a Unidade Agroflorestal de Portel – Unap, constituindo-se de 44 hectares destinados à produção de hortaliças e mudas de espécies florestais e frutíferas. O trabalho teve início no ano de 2013 e os primeiros frutos do empreendimento estão literalmente sendo colhidos. Adubados e tratados com matéria orgânica, couve, cheiro verde, alface, cebolinha e outras verduras e legumes estão abastecendo o comércio local, movimentando uma fatia da economia da cidade e levando saúde para a mesa das famílias portelenses. Frutas como maracujá e acerola também já estão sendo colhidas nas unidades demonstrativas do viveiro municipal. “Com este trabalho, estamos mostrando para a comunidade portelense que com poucos recursos e sem muita tecnologia é possível gerar renda e criar uma alternativa de economia”, explica o engenheiro agrônomo Heron Wagner Macedo, titular da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico de Portel – Sede. Com a produção do viveiro, acrescenta Heron, Portel já conseguiu cortar a relação de comércio com a Ceasa-Belém das chamadas verduras folhosas. “Já somos auto-suficientes neste quesito”, assegura ele. Quem conta a história do surgimento da Unap é o professor Antônio Vaz. Filho de agricultores do interior de Portel, ele aprendeu na prática a trabalhar com a terra. “Era uma época de caça predatória e desmatamento para formação de roçado. Não havia preocupação com o esgotamento dos recursos naturais”, lembra. Depois, já na cidade, a forma como a natureza era tratada ganhou outro contorno e o conceito predatório que fora acostumado a presenciar deu espaço à idealização de novos valores. Começou a trabalhar com comunidades tradicionais, participando de reuniões onde eram tratados assuntos religiosos e sociais. Já nesta época, a necessidade de mostrar uma outra realidade para as comunidades surgia como de suma importância. Veio, então, o espaço na rádio comunitária e com ele o programa Na Beira da Mata. Adubados e tratados com matéria orgânica, couve, cheiro verde, alface, cebolinha e outras verduras e legumes estão abastecendo o comércio local, movimentando uma fatia da economia da cidade e levando saúde para a mesa das famílias portelenses

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Paulo Ferreira: primeiros frutos do empreendimento estão literalmente sendo colhidos

Paulo Ferreira, no viveiro de mudas e hortaliças. Logo que Paulo assumiu a prefeitura de Portel, começou a trabalhar sob o lema “Sustentabilidade e desenvolvimento humano”

“Precisávamos conscientizar as comunidades da necessidade do uso dos recursos naturais de forma sustentável, sem destruição, sem desmatamento, sem queimadas”, explica Antônio. “A rádio nasceu principalmente da necessidade de se democratizar a comunicação. E já se vão 15 anos”, comemora ele. O programa tem público cativo e vai ao ar todos os domingos, de 9h às 10h30, na Rádio Comunitária Arucará. O nome da emissora é uma homenagem à aldeia que deu origem ao município.

Traçando o caminho da sustentabilidade Em janeiro de 2013, Paulo Ferreira assumiu a prefeitura de Portel. Começou a trabalhar sob o lema “Sustentabilidade e desenvolvimento humano”. Formou uma equipe para desenvolver o projeto da criação de um viveiro de

mudas e hortaliças. E assim surgiu o grupo de trabalho da Unap, do qual o professor Antônio faz parte. “A área já existia, havia sido formatada pela gestão anterior. Ampliamos, fizemos investimentos, construímos um viveiro padronizado com quatro galpões de 40 leiras para as hortaliças”, detalha Antônio, no cargo de diretor de agroextrativismo da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico. A Unap fica localizada próxima ao centro urbano, no Km 3 da estrada Portel/Tucuruí. Portel tem uma população formada por cerca de 53 mil habitantes, de acordo com o mais recente censo. “Precisamos pensar em projetos para o desenvolvimento humano de forma sustentável”, pontua Idinor Ferreira, diretor de agronegócios da Sede e também integrante da equipe que coordena os trabalhos na Unap. Ele lembra que o município figura na lista dos que apresentaram o Localização do Município de Portel, região do Marajó, no estado do Pará

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menor IDH – Índice de Desenvolvimento Humano, na última avaliação feita pelo Programa Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud – 2010). O índice resume o progresso a longo prazo em três dimensões básicas do desenvolvimento humano: renda, educação e saúde. O momento é de reverter este quadro, acredita Idinor. Ele destaca que esta mudança está acontecendo. “Já estamos consumindo hortaliças produzidas em nosso município e de forma sustentável”, exemplifica. O município de Portel, localizado no estuário Anapu/ Pacajás, oeste do Marajó, fica a cerca de 270 quilômetros da capital do Pará. O nome, significando “porto pequeno”, como o de muitas outras cidades paraenses, faz

Secretário Heron Wagner expõe a importância da sustentabilidade econômica Os frutos são da melhor qualidade

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referência à localidade existente em Portugal. O acesso pode ser via marítima ou área. “O grande potencial econômico é mesmo o agroextrativismo”, enfatiza Antônio Vaz. Ele lembra que o município se destaca como um dos grandes pólos de cultivo de mandioca e produção e exportação da farinha, produto que tem como mercados os municípios de Afuá e Breves, entre outros da região, além do Estado do Amapá. “São toneladas de farinha de mandioca que saem de Portel para outros municípios todas as semanas”.

Comunitários em prática do curso de capacitação O Paricá para sombrear

Cursos de capacitação O projeto elaborado para construção do viveiro vai além da plantação e fornecimento para o mercado local. Mudas de hortaliças são doadas para as comunidades, verduras são distribuídas para escolas e instituições que desenvolvem trabalhos filantrópicos e trabalhos de capacitação vêm sendo promovidos junto às comuni-

Uso de gotejamento sustentável 32 REVISTA AMAZÔNIA

dades, como o que aconteceu recentemente no bairro Portelinha, quando famílias receberam orientações sobre o plantio e cultivo de hortaliças, além de informações sobre a importância da preservação ambiental e do desenvolvimento sustentável, ou, ainda a capacitação em plantio e manejo de açaizais nativos, promovida na comunidade Nossa Senhora do Bom Remédio – Vila Gomes. Participaram deste treinamento lideres comunitários do Rio Camarapi.

O espaço da Unap recebe constantemente a visita de professores, estudantes, técnicos e profissionais que trabalham nesta área e que têm interesse em aprender mais sobre o assunto ou mesmo desenvolver projetos semelhantes. Essa disseminação de conhecimento e prática para além das divisas e fronteiras também se destaca como um dos objetivos do grande projeto de sustentabilidade que vem sendo levado adiante neste pedaço do Marajó. revistaamazonia.com.br


Unap fica localizada próxima ao centro urbano, no Km 3 da estrada Portel/Tucuruí

“Para a realização de cursos e treinamento, contamos com parcerias do Sebrae, Emater e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), informa o secretário Heron Macedo. As aulas são realizadas no centro urbano e também na zona rural. Os interessados em participar devem procurar a sede da secretaria, na avenida, Floriano Peixoto, 85 altos. Heron adianta que o próximo passo

da Unap é o plantio experimental do milho O milho (Zea mays) também chamado abati, auati e avati soja, quando será verificada a viabilidade da cultura na região. Este cultivo permitirá a introdução de uma nova fonte de renda para os moradores, além da já tradicional atividade envolvendo a mandioca para futura produção da farinha e amigo.

Na realidade, viveiro, oberva Heron, é apenas um “apelido carinhoso” para a Unidade Agroflorestal. No local, são cultivadas, além das frutíferas, mudas de espécies florestais diversas, algumas, inclusive, já inseridas na lista de extinção, como copaíba, andiroba, cumaru e jatobá. Muitas são doadas e grande parte está destinada a projetos futuros de plantio de áreas que foram desmatadas.

Oficina de capacitação em horticultura

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Segundo o pesquisador do Inpa Richard Vogt, a inauguração do Cequa é uma realização importante para a conservação da espécie

Inpa tem o primeiro centro especializado em estudos de quelônios de água doce do mundo “O Cequa possibilitará para muitos pesquisadores do mundo todo, uma grande oportunidade para descobertas e avanços científicos com esse grupo de animais (quelônios) tão importante para a fauna mundial”, disse um dos membros do Projeto Tartarugas da Amazônia, o mestrando Fabio Cunha por Luciete Pedrosa* Fotos: Eduardo Gomes/ Acervo Ascom Inpa, Cequa

O

Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), juntamente com o Projeto “Tartarugas da Amazônia: Conservando para o Futuro” inaugurou recentemente, o maior centro do mundo especializado em estudos de quelônios de água doce. Trata-se do Centro de Estudos de Quelônios da Amazônia (Cequa), situado no Bosque da Ciência, próximo ao Lago Amazônico, com a proposta de desenvolver pesquisas, conservação de tartarugas e educação ambiental. De acordo com o coordenador do Projeto Tartarugas da Amazônia e um dos maiores especialistas em conserva34 REVISTA AMAZÔNIA

Em cada ambiente, os visitantes terão informações sobre a conservação, ecologia e biologia das espécies revistaamazonia.com.br


Alguns quelônios estão na lista das espécies ameaçadas de extinção

ção e ecologia de tartarugas de água doce, o pesquisador do Inpa Richard Vogt, a inauguração do Cequa é uma realização importante para a conservação. “É um projeto inédito e não existe, no mundo, nenhum outro centro de estudos nesse porte para conservação de tartarugas de água doce”, ressaltou. Vogt explica que o Cequa foi construído com recursos financeiros da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Ambiental. O pesquisador conta que o prédio contará com uma estrutura capaz de dar apoio aos pesquisadores nos experimentos em lagos, praias para desova e incubadoras para os filhotes. Construído numa área de aproximadamente mil metros quadrados, o prédio do Cequa contará com quatro aquários de 4m x 7m onde estarão expostos exemplares de tartarugas amazônicas vivas (tracajá, iaçá, cabecudo, irapuca e mata-matá). Também haverá um ambiente de terrário contendo exemplares menores, como jabuti machado, perema, lalá, muçuã, dentre outros. Além disso, o Cequa também contará com um auditório É um projeto inédito e não existe, no mundo, nenhum outro centro de estudos nesse porte para conservação de tartarugas de água doce

A população de quelônios é uma das que mais sofre pressão

com capacidade para 65 pessoas, um amplo laboratório para estudos das espécies de tartarugas da Amazônia e uma biblioteca para pesquisadores e alunos dos programas de pós-graduação do Inpa vinculados ao projeto. Em cada ambiente, os visitantes terão informações sobre a conservação, ecologia e biologia das espécies. Os recintos dos animais no Centro simularão os hábitats da natureza, com isso os visitantes poderão ter uma noção de como e onde os quelônios da Amazônia vivem.

Avanços científicos O mestrando Fabio Cunha, do curso de pós-graduação de Biologia de Água Doce e Pesca Interior (Badpi) e um dos membros do Projeto Tartarugas da Amazônia, conta que recebe com grande empolgação a notícia da inauguração revistaamazonia.com.br

do Cequa. “Com um centro de estudos desse porte possibilitará para muitos pesquisadores do Brasil e do mundo uma grande oportunidade para descobertas e avanços científicos com esse grupo de animais tão importante (quelônios) para a fauna mundial”, disse o mestrando. No Brasil, segundo cunha, são conhecidas 31 espécies de quelônios continentais, representadas por tartarugas, cágados e jabutis. A população de quelônios é uma das que mais sofre pressão. Alguns estão na lista das espécies ameaçadas de extinção e um dos motivos é o declínio populacional desses animais, a exemplo das tartarugas-da-Amazônia que estão entre os animais mais capturados ilegalmente por seu grande valor econômico. [*] Ascom Inpa REVISTA AMAZÔNIA 35


Energia solar pode afastar risco de apagões Fonte renovável poderia abastecer metade de toda a eletricidade consumida no país. Segundo especialistas, além da abundância de luz solar, Brasil detém a matéria-prima para produzir placas fotovoltaicas

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nível dos reservatórios nas usinas hidrelétricas nas regiões Sudeste e Centro-Oeste chegou ao limite. O risco de faltar energia aumentou, já que as usinas geradoras de eletricidade nessas duas regiões são responsáveis pelo abastecimento de cerca de 70% do país. As informações fazem parte do último relatório do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico que, ainda assim, tenta frisar que “não há insuficiência de suprimento energético neste ano”. Para evitar riscos de apagão, as melhores alternativas são diversificar a matriz energética e privilegiar a energia produzida no local de consumo. “Incluir outras fontes renováveis no mix energético é importante. E, no Brasil, temos um potencial solar muito grande”, constata Mario Siqueira, professor da Universidade de Brasília. Um estudo em andamento da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) tenta dimensionar esse potencial. A pesquisa identificou que painéis fotovoltaicos instalados nos telhados de casas poderiam gerar metade de toda a eletricidade consumida no Brasil. Seriam cerca de 287 mil gigawatt/hora ano, duas vezes mais que a energia consumida nas residências por todo o país. “A geração nos telhados seria o que a gente chama de geração distribuída. E para estimular esse setor, estamos investindo primeiro na contratação de usinas centralizadas”, explica Maurício Tolmasquim, diretor da EPE. Só que quem compra o equipamento é o proprietário da casa, e para que ele se interesse por essa alternativa, os preços precisam cair um pouco mais. Atualmente, a instalação do kit completo para residências custa entre 7 mil e 15 mil reais, valor ainda elevado diante do rendimento médio do brasileiro – calculado em 2.100 reais, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Por outro lado, o investimento se paga em cerca de 10 anos, e os custos de manutenção ao longo desse tempo são baixos. Para Mario Siqueira, o preço está deixando de ser uma barreira. “Ele já caiu bastante. A entrada da China fez com que o custo dos painéis fotovoltaicos baixasse, acho que chegou num ponto comercial. O valor deve cair mais e nivelar.”

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Brasil detém a matéria-prima para produzir placas fotovoltaicas, é o silício em forma de cristal, que depois de purificado em 99,9% e dopado, é resfriado, cristalizado e fatiado

O pontapé inicial Para popularizar essa fonte renovável e torná-la mais acessível, o governo tenta criar um mercado nacional. O primeiro passo foi dado em outubro, data do primeiro leilão promovido pelo Ministério de Minas e Energia para contratar energia exclusivamente gerada em usinas fotovoltaicas. Venceram 31 empreendimentos que vão gerar, a partir de 2019, cerca de 1000 Megawatt (MW) – a usina nuclear Angra 2, por exemplo, tem capacidade de gerar

BNDES financiará primeira fábrica de equipamentos para energia solar do Brasil

1.350 MW e atender ao consumo de uma cidade de 2 milhões de habitantes. O preço do megawatt/hora contratado no leilão custou menos de 90 dólares. “Um dos menores preços do mundo de energia fotovoltaica”, destaca Tolmasquim. De fato, na Alemanha, maior produtor desse tipo de energia, esse preço é de 112 dólares.

Brasil tem alta incidência de raios solares revistaamazonia.com.br


sistema cerca de 70 mil MW até 2023. “Desse total, 51% já foram contratados”, garante Tolmasquim. Atualmente, o país conta com 118 mil MW de capacidade instalada. As usinas hidrelétricas ainda manterão a liderança e serão responsáveis por 30 mil MW dessa expansão. A energia eólica vem em segundo lugar, com 20 mil MW; as fontes fósseis, como carvão e gás natural, adicionarão 9 mil MW. Já a energia solar ficará com apenas 3,5 mil Por enquanto, unidades descentralizadas são alternativa a grandes usinas, no caso, para carregar baterias de carros, na França

Potencial para liderar Um fator que pode atrair a cadeia de produção de equipamentos para o país são as reservas nacionais de quartzo, matéria-prima do silício solar empregado nas placas fotovoltaicas. “O Brasil tem potencial para se consolidar como uma das principais lideranças no setor de energia solar, alternativa de baixo impacto ambiental que deverá gerar milhões de empregos nos próximos anos”, avalia um estudo no Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE). O Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) financiará a primeira fábrica de equipamentos do setor no país: a produtora Pure Energy, ligada a uma construtora de Alagoas, recebeu 26 milhões para a produzir painéis fotovoltaicos naquele estado. “O leilão exclusivo de energia solar veio pra ficar e estamos trabalhando para incentivar a geração descentralizada (aquela que pode ser instalada em telhados, por exemplo)”, adiciona Tolmasquim. A EPE tenta agora fazer uma proposta para que o Ministério fomente esse tipo de geração, embora o país viva um momento de corte de gastos. A expectativa é que o próximo leilão destinado à contratação exclusiva de usinas solares ocorra ainda em 2015.

MW, a biomassa com 2,5 mil MW e a nuclear, com Angra 3, vai gerar outros 1,4 mil MW. Apesar do atual panorama sombrio, o cronograma de expansão evitaria que o Brasil sofresse com a falta de energia. “É uma expansão importante, que vai livrar o pais dessas ameaças”, defende a EPE. E em épocas de seca, ausência de vento ou de sol, as usinas térmicas continuarão sendo acionadas em caso de emergência.

Empresa israelense cria gerador de energia solar portátil Uma empresa israelita levou em consideração o valor elevado para a implantação da energia solar em residências e comércios e criou uma minicentral de produção de energia solar portátil. O gerador de energia solar portátil batizado de “Kakipak” pode ser transportado para todo o lado e foi idealizado para ser usado em viagens ou em situações de emergência. O Kakipak pod ser ligado a qualquer aparelho como câmaras, pequenos frigoríficos, aparelhos com ligação USB, Ipads e celulares. Quando ligado, o carregamento começa imediatamente e as luzes acendem-se. O aparelho pode ser ligado ao smartphone via Bluetooth e é compatível com vários sistemas operacionais. A empresa criadora do produto pretende colocar o produto no mercado norteamericano e no leste da Europa ainda este ano outras formas de carregamento a partir de fontes renováveis, como a energia eólica, também estão sendo estudadas pela empresa. A KaliPAK, servivindopara as luzes e laptops em uma tenda em Israel

Expansão da oferta de energia Para suprir a demanda por eletricidade, que cresce num ritmo de 4 a 5 % ao ano, o governo planeja adicionar ao

A Usina Fotovoltaica Cidade Azul que produz 25% de toda energia solar existente no Brasil é o maior projeto de captação de energia solar no pais, ao todo são 19.424 mil placas instaladas, ocupando um terreno de 10 hectares, um investimento de aproximadamente R$ 30 milhões revistaamazonia.com.br

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Prêmio Duke Energy Energia da Inovação

A

pós um intenso trabalho da comissão de avaliação de projetos, de imersão sobre as propostas apresentadas, foram selecionados os três vencedores da 2ª edição do Prêmio Duke Energy. Cada um receberá R$ 50 mil e acompanhamento técnico nos próximos 12 meses, para implementar suas iniciativas no âmbito da extensão universitária. O Prêmio é realizado em parceria com o Programa Universidade Solidária (UniSol), que conta com uma rede de consultores voluntários, especialistas em extensão universitária e avaliação de projetos sociais. Nas duas últimas semanas, os técnicos e consultores foram conhecer in loco os sete projetos finalistas do Prêmio, para entender melhor as especificidades de cada um e identificar, dentre uma série de critérios de avaliação, quais apresentavam maior viabilidade de execução e potencial para alcançar os resultados propostos dentro do prazo de duração da parceria. Por meio do aporte financeiro e suporte técnico, o Prêmio busca incentivar a troca de conhecimentos entre Instituições de Ensino Superior (IES) e as comunidades onde os projetos serão realizados. “Dessa maneira, há um fortalecimento mútuo, de um lado, potencializando as possibilidades de geração de renda das comunidades, e de outro, enriquecendo a formação cidadã e profissional dos estudantes envolvidos na execução dos projetos”, comenta a gerente-geral de Relações Institucionais da Duke Energy, Ana Amélia de Conti Gomes. “A Duke Energy e o UniSol agradecem o reconhecimento e a confiança de cada um das instituições que se inscreveram nessa segunda edição do Prêmio Energia da Inovação, e parabenizam os três vencedores, que agora terão muito trabalho pela frente”, completa.

O Prêmio é realizado em parceria com o Programa Universidade Solidária (UniSol), e por meio do aporte financeiro e suporte técnico, busca incentivar a troca de conhecimentos entre Instituições de Ensino Superior (IES) e as comunidades onde os projetos serão realizados

Projeto: Apoio técnico e capacitação de catadores/as para implantação da Coleta Seletiva Solidária em Piraju/SP – Universidade Estadual Paulista (UNESP), Ourinhos/SP Projeto: Renda Solar: Secagem de Alimentos por Fonte de Energia Renovável (Solar) - Possibilidade de Geração de Renda para o Pequeno Produtor Rural de Jacarezinho-PR – Faculdade do Norte Pioneiro (FANORPI) / Instituto Federal do Paraná (IFPR), Jacarezinho/PR Projeto: PROSURDO - Projeto de Capacitação da Comunidade Surda de Ibiporã – Faculdade de Ciências Educacionais e Sistemas Integrados (FACESI), Ibiporã/PR

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Terra rachada perto da represa do Jaguary em Bragança Paulista, a 100 km de São Paulo. 2014 foi nominalmente o mais quente já registrado, embora há muito pouca diferença entre os três anos mais quentes

14 dos 15 anos mais quentes da história aconteceram neste século

E

m seu relatório publicado recentemente, a agência meteorológica da ONU (World Meteorological Organization, ou WMO) trouxe péssimas notícias acerca do futuro

do planeta. A WMO classificou 2014 como o ano mais quente já registrado, como parte de uma tendência contínua. Após consolidar principais conjuntos de dados internacionais, a WMO observou que a diferença de temperatura entre os anos mais quentes é de apenas alguns centésimos de um grau – menos do que a margem de incerteza. Também informou que desde 2000 já enfrentamos 14 dos 15 anos mais quentes já registrados. “Catorze dos 15 anos mais quentes ocorreram neste século. E a expectativa é a de que o aquecimento global continue, devido aos níveis crescentes de emissão gases de efeito estufa na atmosfera e à crescente temperatura na superfície oceânica, o que nos compromete com um futuro mais quente”, disse o secretário-geral da WMO, Michel Jarraud. A média da temperatura em 2014 ficou 0,57ºC acima

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Vista aérea da represa Atibainha, parte do reservatório Cantareira, em Nazaré Paulista, São Paulo, que fornece água para a grande São Paulo, com o mais baixo nível de água no registro, com racionamento diário tornando comum

dos 14ºC, que são a média do período que é usado como referência, ou seja, entre 1961 e 1990. “A tendência geral de aquecimento é mais importante

do que a colocação no ranking de um ano sozinho. A análise de conjuntos de dados indicam que 2014 foi, nominalmente, o ano mais quente já registrado, apesar de revistaamazonia.com.br


Pessoas se refrescam em um parque aquático em Suining, sudoeste província chinesa de Sichuan, após as autoridades emitirem um alerta de onda de calor

haver pouca diferença entre os três anos mais quentes”, afirmou Jarraud. A WMO divulgou a análise das temperaturas globais pouco antes das negociações sobre mudanças climáticas que devem ocorrer em Genebra entre 8 e 14 de fevereiro.

Oceanos Seca no Brasil e inundações em outros países fazem parte dos eventos extremos registrados em 2014 Cerca de 93% do excesso de energia preso na atmosfera pelos gases de efeito estufa acaba nos oceanos. Portanto, a quantidade de calor dos oceanos é importante para

compreender o sistema climático. As temperaturas da superfície dos oceanos alcançaram níveis recordes em 2014 no mundo todo. Mas, é preciso destacar que as altas temperaturas de 2014 ocorreram mesmo sem o fenômeno climático El Niño atingir força total. Em geral, anos excepcionalmente quentes costumam ser associados à influência temporária do fenômeno climático conhecido como El Niño - que ocorre quando temperaturas da superfície marítima acima da média no leste tropical do Pacífico se somam em um ciclo que se retroalimenta perpetuamente - a sistemas de pressão atmosférica. E isso pode afetar padrões climáticos.

Por exemplo: as altas temperaturas de 1998, o ano mais quente antes do século 21, ocorreram durante um ano em que o El Niño foi forte. “Em 2014 o calor quebrou recordes, combinado com chuvas torrenciais, enchentes em muitos países e seca em alguns outros, (e foi) consistente com a expectativa de um clima que está mudando”, disse Jarraud. A análise da WMO é baseada, entre outros fatores, em três conjuntos de dados complementares mantidos pelo Centro Hadley do Serviço Meteorológico britânico e a Unidade de Pesquisa Climática, Universidade de East Anglia, também na Grã-Bretanha, a Agência Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), dos Estados Unidos e o Instituto Goddard de Estudos Espaciais (GISS), operado pela Nasa. O relatório final sobre a situação climática em 2014, com todos os detalhes de tendências regionais e eventos extremos pelo mundo será divulgado em março.

Um homem caminha pelo leito seco de um reservatório em Sanyuan, província de Shaanxi. As secas na maior parte da China afetaram milhões de hectares de culturas agrícolas

O FUTURO SEGUNDO O SECRETÁRIOGERAL DA WMO, MICHEL JARRAUD “Esperamos que o aquecimento global continue, dado que os níveis de gases de efeito estufa estão aumentando na atmosfera e o aumento do conteúdo de calor dos oceanos estão nos comprometendo com um futuro mais quente”, disse ele. “Em 2014, o calor recorde combinado com chuvas torrenciais e inundações em muitos países e seca em algumas outras, são consistente com as expectativas de um clima em mudança” As temperaturas da superfície do mar global atingiram níveis recordes em 2014, o que é significativo, pois 93% do calor aprisionado na atmosfera pelos gases de efeito estufa, a partir de combustíveis fósseis e outras atividades humanas acabam nos oceanos. revistaamazonia.com.br

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Camada de ozônio que protege a Terra pode se recuperar totalmente nas próximas décadas, graças à harmonização ação internacional contra as substâncias que destroem o ozônio. O maior buraco de ozônio no registro foi de cerca de 30 milhões de km quadrados, em 2006

Camada de ozônio estará recuperada até 2050, diz a ONU Fotos: NASA Goddard’s Scientific Visualization Studio

P

ela primeira vez em décadas, a camada de ozônio caminha para ser plenamente recuperada, depois de uma importante deterioração. Ela pode estar completamente reconstituída até 2050, com um forte impacto sobre as condições climáticas no Hemisfério Sul. O buraco sobre a Antártica deve começar a se reduzir a partir do ano de 2020. A constatação foi publicada nesta quarta-feira, 10, pela ONU, depois de realizar por quatro anos um estudo com 300 cientistas, inclusive brasileiros. Em 2010, o informe apontava que não havia qualquer tipo de sinal de melhoria. Agora, a entidade comemora a descoberta e alerta que a recuperação apenas foi garantida graças a uma cooperação internacional. O mesmo modelo, segundo a ONU, deve ser usada como exemplo para os futuros acordos entre governos para lidar com o clima. A camada de ozônio protege a terra de raios ultra-violetas emitidos pelo sol e, diante da emissão de diversos gases, estava perdendo sua força com a formação de buracos que chegaram a ter a dimensão de verdadeiros continentes. “Mas diante de certos indicadores positivos, 42 REVISTA AMAZÔNIA

a camada de ozônio deve se reconstituir até meados do século”, comemorou o diretor-executivo do Programa da ONU para Meio Ambiente, Achim Steiner. Segundo ele, até 2050 a projeção aponta que a camada poderá voltar a seus níveis de 1980, data que serve de referência. O auge do problema foi identificado em 1993. Agora, a constatação é de que, a cada ano, a concentração de gases nocivos tem caído em 1%. A previsão é de que, diante desse cenário, 2 milhões de casos de câncer de pele conseguiram ser evitados até 2030. Se todas as emissões de gases foram interrompidas, a camada estará recuperada no ano de 2039, um cenário que os cientistas admitem que não é mais realista. Nem todas as regiões reagirão da mesma forma. As taxas estarão recuperadas antes da metade do século em latitudes médias e no Ártico.

Sul A situação na Antártica ficará para um período um pouco mais tarde. O buraco continua a se formar a cada primavera e isso deve continuar pela maior parte do século. Isso porque, mesmo se as emissões de substâncias pararam, o acúmulo na atmosfera ainda terá um impacto. No Hemisfério Sul, o buraco provocou importantes mudanças no clima durante o verão, com altas nas tempe-

raturas da superfície, impacto nas chuvas nos oceanos. A Península Antártica também se transformou no local com a mais rápida elevação de temperatura do mundo. Em 2006, o buraco sobre o Polo Sul alcançou um recorde diante de um inverno especialmente frio. No total, a camada foi afetada em 29,5 milhões e quilômetros quadrados. Pelas novas constatações, os cientistas apontam que o tamanho do buraco não vai mais se expandir. “A expansão do buraco como vimos durante anos não deve mais ocorrer”, declarou Geir Braathen, principais cientista da Organização Meteorológica Mundial. “Talvez teremos mais dez anos de estabilidade e, a partir de 2020 ou 2025, ele começará a fechar”, explicou. O impacto disso será uma reversão no ritmo de aquecimento na Península Antártica. Já na América do Sul, essa tendência será confrontada com a previsão do aquecimento da região por conta das mudanças climáticas. Para os cientistas, o que garantiu o resultado foi a aplicação do Protocolo de Montreal que, em 1987, estabeleceu regras para o uso de certos produtos, como o CFC, usados em geladeiras e aerossóis. O acordo foi fechado depois que se constatou que, em todo o mundo, a camada sofreu uma forte diminuição de seu tamanho em toda a década de 80 e parte dos anos 90. Desde então, as emissões de CFC foram reduzidas em revistaamazonia.com.br


Essa série mostra a concentração de ozônio sobre o Pólo Sul em quatro momentos-chave. Vermelhos representam normal para alta

Para Michel Jarraud, não se pode “negociar as leis da física”; o secretáriogeral da OMM alerta que as emissões passadas e presentes estão se acumulando

Protocolo de Montreal

90%, cinco vezes superior ao que se pede para a redução de CO2 no Protocolo de Kyoto. Como resultado, as regras de 1987 conseguiram estabilizar a perda da camada de ozônio a partir de 2000 e, agora, ela começa a aumentar.

Alerta Mas o informe também alerta para a rápida elevação de certos produtos que passaram a ser usados como substitutos para os gases proibidos. Segundo os cientistas, esses novos produtos também podem produzir gases de efeito estufa, como o HFC. Os dados mostram que o ritmo de expansão é de 7% ao ano. “Essas substâncias vão contribuir de forma importante às mudanças climáticas e o aquecimento do planeta”, alertou Geir Braathen. A ONU e os cientistas pedem que esse produto seja abandonado e substituído por elementos menos nocivos. Os cientistas também apontam que o futuro da camada de ozônio na segunda metade do século ainda dependerá da concentração de CO2 e metano, que continuam a aumentar. “O que está em jogo é muito importante ainda”, alertou Steiner. “Mas o sucesso no caso da camada de ozônio deve servir como exemplo para a negociação de acordos sobre o clima. Temos as provas sólidas da importância da cooperação para garantir a proteção de nosso patrimônio comum”, alertou. revistaamazonia.com.br

Achim Steiner diz que o Protocolo de Montreal é “um dos mais bem sucedidos tratados ambientais do mundo”. E há razões concretas para este sucesso: foi fácil encontrar alternativas para aqueles produtos químicos. E, mais do que isso, havia poucos fabricantes. “A produção de CFC estava quase toda concentrada numa única empresa, a DuPont”, recorda o físico Filipe Duarte Santos, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e líder de vários projectos na área das alterações climáticas. “É completamente diferente do que se passa com os gases com efeito de estufa, em que o que está em causa é todo o paradigma energético que estamos a viver”, completa. O buraco na camada de ozono e as alterações climáticas são problemas ligados entre si, de maneiras complexas e, nalguns casos, paradoxais, segundo evidencia a avaliação da OMM e da UNEP. A solução do primeiro pode trazer problemas ao segundo. E, ironicamente, o agravamento do segundo pode ajudar a resolver o primeiro.

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Arica, no Chile, sofreu, entre 1903 e 1918, o maior período de seca de que se tem notícia

Curiosidades sobre o clima ao redor do mundo Onde chove mais? Qual foi o furacão mais mortal? E qual a localidade mais fria do mundo? Em tempos de mudanças climáticas, uma pequena seleção de recordes. – O dia mais quente da história foi 10 de julho de 1913, no Vale da Morte, na Califórnia. Na vila de Furnace Creek, os termômetros chegaram a marcar 56,7 graus. – Já a aldeia de Oymyakon, na República da Iacútia, no leste da Sibéria, é o lugar povoado mais frio do mundo. A temperatura mais baixa registrada na aldeia russa foi de -71,2 graus, em 1926. Na estação de Wostok, na Antártica, a temperatura chegou a -89,2 graus em 1983. – A cidade de Yuma, no Arizona, é o local mais ensolarado da Terra. Lá o sol brilha quase todos os dias: uma média de 313 dias por ano. Por outro lado, o Polo Sul é o lugar com a menor quantidade de sol. A noite polar na região dura quase seis meses. – A chuva de granizo mais mortal da história aconteceu em 1986, matando 92 pessoas na cidade de Gopalganj, em Bangladesh. Algumas das pedras de gelo que caíram naquele trágico dia pesavam cerca de um quilo. 44 REVISTA AMAZÔNIA

O lugar mais chuvoso do mundo é a ilha havaiana de Kauai, onde chega a chover até 350 dias por ano

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A aldeia de Oymyakon, na República da Iacútia, no leste da Sibéria, é o lugar povoado mais frio do mundo

Em 1958, o topo da montanha Brocken, no estado da SaxôniaAnhalt, registrou 330 dias de neblina ao longo do ano

Em 2013, a neve que cobriu Moscou chegou a 65 centímetros de altura O Vale da Morte na Califórnia (Death Valley National Park, na Califórnia, EUA) é oficialmente o lugar mais quente do mundo, com o registro da temperatura mais alta que se tem notícia

O Lago de Maracaibo, na Venezuela, é o lugar com o maior número de relâmpagos A cidade de Yuma, no Arizona, é o local mais ensolarado da Terra. Lá o sol brilha quase todos os dias: uma média de 313 dias por ano

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– Cherrapunjee, na Índia, detém o recorde mundial de maior precipitação em 48 horas. Entre 15 e 16 de junho de 1995, a cidade registrou 2.493 milímetros de chuva. O lugar mais chuvoso do mundo é a ilha havaiana de Kauai, onde chega a chover até 350 dias por ano. – No outro extremo, os moradores de Arica, no Chile, sofreram, entre 1903 e 1918, o maior período de seca de que se tem notícia. No total foram 173 meses sem uma gota de chuva. – O furacão mais mortal da história atingiu Mianmar em maio de 2008. O furacão Nargis tirou a vida de 138 mil pessoas. Não tão devastador, mas mais poderoso, foi o tufão Haiyan, que atingiu as Filipinas em novembro de 2013, com ventos de até 310 quilômetros por hora. – Neve no Cairo? Parece estranho, mas nevou na capital egípcia em dezembro de 2013 pela primeira vez em 112 anos. No mesmo ano, a capital russa registrou outro recorde. A neve que cobriu Moscou chegou a 65 centímetros de altura. – O Lago de Maracaibo, na Venezuela, é o lugar com o maior número de relâmpagos. Lá, no ponto onde o rio Catatumbo deságua no lago, relampeja entre 18 e 60 vezes por minuto e até 3.600 por hora. Isso acontece de 140 a 160 noites por ano. – A Alemanha detém o recorde de maior número de dias com névoa. Em 1958, o topo da montanha Brocken, no estado da Saxônia-Anhalt, registrou 330 dias de neblina ao longo do ano. REVISTA AMAZÔNIA 45


Newton soube como circula a seiva nas plantas 200 anos antes dos botânicos Manuscrito de Isaac Newton da década de 1660 explicava como a água subia das raízes das plantas até às folhas por Nicolau Ferreira Fotos: Biblioteca da Universidade de Cambridge

O

texto encontra-se num caderno do físico quando estudava na Universidade de Cambridge. Há células que se tornam clássicos nas aulas de microscopia como as células-guarda, nas plantas. Em forma de rim, estas células existem aos pares, formando estomas na superfície das folhas e permitindo às plantas respirar. É pelo buraco do estoma que as plantas libertam o vapor de água e criam a tensão suficiente para obrigar a água a entrar pelas raízes. Deste modo, a

É pelo buraco do estoma que as plantas libertam o vapor de água e criam a tensão suficiente para obrigar a água a entrar pelas raízes 46 REVISTA AMAZÔNIA

planta consegue transportar a água e sais minerais — a seiva — por toda a árvore. Mas no início da década de 1660 é difícil acreditar que o famoso cientista britânico Isaac Newton tivesse alguma vez visto um estoma. O microscópio era ainda recente e o termo “célula” só foi aplicado pela primeira vez em 1665, pelo inglês Robert Hooke, aos pequenos espaços ocos observados ao microscópio na cortiça. A primeira descrição do estoma é só de 1675. No entanto, Newton avançou com uma hipótese para explicar a circulação da seiva nas plantas. A proposta vem escrita em menos de meia página num caderno do físico, que ele arranjou algures entre 1661 e 1665, quando frequentou como estudante o Trinity College na Universidade de Cambridge. O manuscrito está disponível no site da universidade desde 2011, quando foram aí colocadas cópias digitalizadas dos materiais de Newton, incluindo o caderno que, mais tarde, se descobriu ter a proposta sobre a seiva. Agora, o biólogo inglês David Beerling, da Universidade de Sheffield, no Reino Unido, analisou este pequeno texto intitulado Vegetais e comparou-o com a teoria moderna sobre a circulação de seiva nas plantas, proposta em 1895 pelos botânicos. Para David Beerling, o físico previu

O manuscrito de Newton sobre Certas questões filosóficas inclui uma reflexão sobre a circulação da seiva nas plantas, escrito na década de 1660. Só em 1895 é que os botânicos propuseram a teoria que hoje é aceita

como ocorria a ascensão da água nas plantas, num artigo que publicou ontem na revista Nature Plants. “Na mente da maioria das pessoas, a ligação entre Newton e as plantas começa e acaba com o famoso incidente da queda da maçã e a descoberta da gravidade. Mas as notas que estão escondidas num dos cadernos de licenciatura de Newton sugerem outra perspectiva”, escreve. O físico inglês ficou para sempre conhecido pela sua obra-prima Principia, de 1687, na qual enunciava as três leis do movimento. Escrito mais de duas décadas antes, o seu caderno de estudante é um acervo de textos sobre o mundo natural, mostrando uma curiosidade que disparava para todos os lados. O texto sobre a circulação de seiva está ao lado de textos como Atração elétrica & filtração ou Dos meteoros, numa seção denominada Certas questões filosóficas. No caderno de Newton não há mais nenhuma entrada sobre vegetais. revistaamazonia.com.br


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Uma alternativa para o agronegócio

A

pesar de criados em 2004 pela Lei 11.076, os Certificados de Recebíveis do Agronegócio, conhecidos como CRA, passaram a ser utilizados apenas a partir de 2012, quando tiveram sua oferta pública permitida pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). E, em apenas dois anos, os CRAs já vêm desempenhando um papel importante na sobrevivência do agronegócio, com um potencial de se tornar um dos principais meios de arrecadação das empresas do setor. Um dos motivos mais básicos para o crescimento do CRA está nas características que ele apresenta ao investidor. Os certificados são lastreados em direitos creditórios originários de negócios realizados entre produtores rurais, ou suas cooperativas, e terceiros. As garantias podem estar vinculadas à propriedade rural, à safra, dentre outros. Emitidos por companhias securitizadoras, os títulos têm isenção do Imposto de Renda para pessoas físicas, desde que permaneçam com o papel até seu vencimento, além de gerar ganhos de até 110% do CDI, ou seja, superior à maioria dos instrumentos de renda fixa, como CDBs, Caderneta de Poupança, Títulos Públicos Federais, Debêntures, LCIs e LCAs, E o principal, tudo isso através de um investimento feito no agronegócio, setor que cresce a cada ano e grande responsável pelo PIB do Brasil. O fato é que o agronegócio brasileiro, com papel cada vez mais relevante na economia nacional e protagonista

Grandes empresas e as familiares precisam se preparar para serem atrativas aos investidores 48 REVISTA AMAZÔNIA

por Allan Riddell*

Há dois anos, a movimentação dos certificados era quase exclusivamente oriunda da produção de soja

em escala global, não pode depender apenas dos recursos oriundos do crédito rural e empréstimos de agentes financeiros. É preciso que o setor esteja preparado para utilizar outras fontes, como os CRAs que, dentre as vantagens, possibilita a isenção de IOF e ausência de comprovação do direcionamento dos recursos. Diante desse cenário, os Certificados de Recebíveis do Agronegócio, tradicionalmente ligado a produtores rurais ou a bancos que financiam as atividades agrárias, passaram a atrair grandes empresas que já perceberam os benefícios e passaram a levantar grandes valores através desses títulos. Desde o ano passado, esse mercado vem crescendo substancialmente e o volume de certificados

registrados na Cetip saltou 217% em 24 meses, atingindo o número de R$ 1,12 bilhão em setembro de 2014. A este montante ainda vão se somar os R$ 675 milhões captados por uma única grande emissão, concluída em outubro de 2014. A partir daí, a tendência é de diversificação, em dois temas principais: valores dos títulos que devem atrair investidores dos mais diversos perfis; e segmentos que vão ofertar CRAs. Há dois anos, a movimentação dos certificados era quase exclusivamente oriunda da produção de soja. Em 2013, a indústria de fertilizantes entrou no mercado e no ano passado foi a vez dos sucroalcooleiros. Diversos setores como grãos, laranja e café devem ser os próximos. Para aproveitar essa tendência, tanto grandes empresas como as familiares precisam se preparar para serem atrativas aos investidores. E isso passa por diversas ações e divulgações ligadas à administração e boa governança. Possuir um conselho, apresentar informações e histórico financeiro organizados e auditados, certidões negativas e questões sucessórias (quando for uma empresa familiar) bem estruturadas podem fazer a diferença no momento que o detentor do capital for escolher em quais títulos investir. Os investidores estão se profissionalizando, por isso, nada mais necessário para quem pretende receber estes investimentos também apresentar uma estrutura profissional e robusta ao mercado. Reestruturar e adequar a empresa é o fator chave que possibilitará sucesso para quem busca formas alternativas de financiamento. [*]Sócio da KPMG no Brasil e líder para o setor de Agronegócio revistaamazonia.com.br


PNUD prorroga prazo de prêmio Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil para 29 de março Concurso visa a empoderar a população por meio do conhecimento de dados socioeconômicos. O primeiro lugar de cada categoria ganhará 3 mil reais e terá seu trabalho publicado em um livro especial lançado pela organização da competição

O

s autores de artigos sobre desenvolvimento humano no Brasil têm até o dia 29 de março para enviar seus trabalhos e concorrer ao prêmio Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil. Com a retificação do edital, estudantes de graduação que estejam regularmente matriculados também podem participar do prêmio. O resultado do concurso será anunciado em junho. O prêmio foi lançado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em parceria com a Fundação João Pinheiro (FJP) e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em novembro do ano passado. Cada artigo deve ter entre dez e 15 laudas e fazer parte de uma das quatro categorias do prêmio. São elas: o Desenvolvimento Humano nos Municípios; o Desenvolvimento Humano nas Macrorregiões e Unidades Federativas; o Desenvolvimento Humano nas Regiões Metropolitanas; e, o Desenvolvimento Humano nas Unidades de Desenvolvimento Humano (UDHs). O primeiro lugar de cada uma das categorias receberá um prêmio de 3.000 reais, além de ter seu trabalho publicado em um livro especial lançado pela organização do concurso. Os artigos que ficarem em segundo e terceiro lugares, de cada uma das categorias do prêmio, também serão publicados no livro.

Atlas Brasil do Desenvolvimento Humano no Brasil O Atlas Brasil é um site de consulta ao Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) e outros 200 indicadores socioeconômicos. Desenvolvido pelo PNUD, Ipea e Fundação João Pinheiro com base nos dados dos Censos Demográficos de 2010, 2000 e 1991, o Atlas traz informações dos 5.565 municípios brasileiros, 27 estados, 16 regiões metropolitanas e mais de 9 mil UDHs, áreas dentro das regiões metropolitanas que podem ser uma parte de um bairro, um bairro completo ou, em alguns casos, até um município pequeno.

Sobre o Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil O Atlas Brasil é um site de consulta ao Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) e outros 200 indicadores socioeconômicos. Desenvolvido pelo PNUD, Ipea e Fundação João Pinheiro com base nos dados dos Censos Demográficos de 2010, 2000 e 1991, o Atlas traz informações dos 5.565 municípios brasileiros, 27 estados, 16 regiões metropolitanas e mais de 9 mil UDHs*.

*UDHs são áreas dentro das regiões metropolitanas que podem ser uma parte de um bairro, um bairro completo ou, em alguns casos, até um município pequeno. A homogeneidade socioeconômica é o que define os limites das UDHs, que são formadas a partir da agregação dos setores censitários do IBGE. Saiba como participar do prêmio: http://www.pnud.org.br/arquivos/Retifica%C3%A7%C3%A3o%20do%20Edital%202.pdf revistaamazonia.com.br

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Aeroportos regionais na Amazônia terão investimentos de R$ 2 bilhões

A

SAC, Secretaria de Aviação Civil, vai investir 2 bilhões de reais na construção e reforma de 80 aeroportos regionais nos sete estados do Norte e no Mato Grosso. A medida faz parte do Programa de Desenvolvimento da Aviação Regional. As primeiras licitações devem ser lançadas a partir de julho deste ano. De acordo com a secretaria, o enfoque na região amazônica vai permitir não só a interiorização do transporte aéreo, como também do desenvolvimento econômico da área.

Visando baratear as passagens aéreas em aeroportos regionais por meio de subvenção em tarifas aeroportuárias e parte dos custos das companhias, para que a maior parte da população tenha acesso ao transporte aéreo 50 REVISTA AMAZÔNIA

Os aeroportos que vão receber os investimentos foram escolhidos estrategicamente. Segundo a SAC, a dificuldade de acesso a esses locais foi decisiva para isso. A intenção é deixar 96% da população a pelo menos 100 km de um terminal. Nove aeroportos serão construídos do zero. São eles: Codajás, Jutaí, Maraã e Uarini, no Amazonas, Cametá e Ilha de Marajó, no Pará, Bonfim e Rorainópolis, em Roraima, e Mateiros, no Tocantins. Esses aeroportos devem ficar prontos em até 30 meses, a partir da apresentação do projeto. Para as reformas, a estimativa é de 8 a 18 meses. Além do investimento em infraestrutura, o governo federal também vai subsidiar gastos das companhias aéreas com enfoque especial para a Amazônia. O objetivo é que as empresas invistam nas rotas regionais e que a população consiga arcar com o valor das passagens. revistaamazonia.com.br


Fundo Amazônia ultrapassa R$ 1 bilhão em projetos aprovados Gerido pelo BNDES, fundo apoia atualmente 69 projetos de combate ao desmatamento e uso sustentável da floresta

O

Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ultrapassou a marca de R$ 1 bilhão em operações aprovadas com recursos do Fundo Amazônia. A marca foi atingida em dezembro de 2014 e corresponde ao total aprovado desde 2009, início das atividades do Fundo. Ao todo, 69 projetos de combate ao desmatamento e uso sustentável de recursos da floresta estão sendo apoiados com o valor total de R$ 1,04 bilhão pelo Fundo Amazônia, considerado uma das iniciativas mais importantes no mundo atualmente para redução das emissões por desmatamento e degradação florestal (da sigla em inglês REDD). O apoio abrange sistemas de monitoramento e controle do desmatamento, com aprovações de R$ 495 milhões (48% do total apoiado), e projetos de desenvolvimento de atividades produtivas sustentáveis que valorizem a floresta em pé, responsáveis por 26% do montante aprovado. Os demais recursos destinam-se a projetos de ordenamento territorial (12%) e de desenvolvimento tecnológico (14%). Dos 69 projetos já aprovados, 31 foram propostos pelo terceiro setor, 21 pelos Estados amazônicos, sete por municípios, seis por universidades, três pelo Governo Federal e um, internacional, apresentado pela Organização do Tratado de Cooperação Amazônia (OTCA) abrangendo os países da Pan-amazônia. Quatro projetos têm foco exclusivo no apoio aos povos indígenas, no valor total de R$ 66 milhões de apoio do Fundo Amazônia. As principais ações visam ao desenvolvimento de atividades produtivas sustentáveis e a proteção de povos indígenas contra grupos envolvidos em ações predatórias da floresta. Outro destaque é o aporte de R$ 200 milhões para 13 projetos de implementação do Cadastro Ambiental Rurevistaamazonia.com.br

ral, importante instrumento de regularização ambiental das propriedades. O Fundo apoiou também investimentos do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), para monitoramento ambiental por satélites no bioma Amazônia, de R$ 67 milhões. As aprovações já realizadas pelo Fundo Amazônia fazem parte de uma carteira composta de 94 projetos que soma

R$ 1,7 bilhão, em fases distintas de análise. O valor equivale à quase totalidade dos recursos já doados — fonte de receita do Fundo —, atualmente em R$ 2 bilhões. A maior parte, 97%, é proveniente de contratos de doações assinados entre o BNDES e o governo da Noruega. Os demais doadores são o banco de desenvolvimento da Alemanha (KfW) e a Petrobras. O Fundo Amazônia apoia projetos por meio de recursos não-reembolsáveis. REVISTA AMAZÔNIA 51


Muro vivo é alternativa para conforto térmico Estudo demonstra que sistema diminui em até 6°C a temperatura interna do ar em dias quentes por Silvio Anunciação*

Fotos: Divulgação

U

ma pesquisa da Unicamp conduzida pelo arquiteto e urbanista Fernando Durso Neves Caetano atestou a eficiência da tecnologia de muro vivo externo para maior conforto térmico no interior de um edifício. Também conhecido como living wall, o sistema atenuou, em dias quentes de verão, a temperatura interna do ar em até 6ºC. O living wall também se mostrou eficiente em dias mais frios, ajudando a reter o calor do ar em até 3ºC. A temperatura superficial da alvenaria diminuiu quase 19ºC, em média, passando de 46ºC para 27ºC. A tecnologia, desenvolvida na Europa na década de 1980, foi testada pelo arquiteto num prédio no campus da Unicamp. O estudo também avaliou a viabilidade de diferentes espécies vegetais para uso específico em sistemas de muro vivo no Brasil, assim como os parâmetros técnicos referentes à irrigação, nutrição e fixação das plantas. Os principais resultados obtidos demonstram que a tecnologia se adapta à realidade construtiva brasileira, garante o arquiteto, cuja pesquisa integrou dissertação de mestrado desenvolvida por ele junto à Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC) da Unicamp. “É uma tecnologia recente no Brasil. Em termos de custo, ela se compara a um revestimento de alto padrão, sendo bastante indicada para os grandes centros urbanos, Rosinha de sol (Aptenia cardifolia)

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O arquiteto e urbanista Fernando Durso Neves Caetano: No muro vivo a área é bem maior e o benefício é para todos os pavimentos

onde os edifícios possuem um perfil muito verticalizado. Trata-se de uma alternativa tecnológica mais limpa, em prol do desenvolvimento urbano sustentável”, indica o pesquisador da Unicamp. “O muro vivo pode facilitar a inserção da vegetação nas cidades, pois compensa a falta de espaços livres no solo utilizando as fachadas, as quais estão amplamente disponíveis. Além disso, a tecnologia propicia um ambiente bastante agradável do ponto de vista do conforto térmico, evitando, ao mesmo, o uso do ar condicionado, um Dinheiro em penca (Callisia repens)

equipamento com consequências negativas ao meio ambiente”, completa. Os aparelhos convencionais de ar condicionado utilizam o HCFC (hidroclorofluorcaborno), um fluido refrigerante com potencial para destruição da camada de ozônio e para elevar o aquecimento global, embora a substância seja menos poluente que os CFCs (clorofluorcarbonos). Em setembro de 2007, o governo brasileiro e outras nações ao redor do planeta assinaram o Protocolo de Montreal que, dentre outras medidas, objetiva abolir, de maneira gradativa, o uso HCFC até 2040. O uso da vegetação enquanto estratégia de condicionamento térmico passivo assume papel central neste contexto, situa o arquiteto e urbanista. Ele explica que esta atenuação térmica - passiva no caso do emprego de vegetação e ativa em situações de uso do ar condicionado - acontece pelo sombreamento, isolamento térmico na folhagem e evapotranspiração, uma transferência do calor da planta por meio da transpiração. “Acontece um balanço energético latente, o que contribui para umidificar o ar e prevenir os extremos de temperatura”, pontua. Fernando Caetano foi orientado pela docente Lucila Chebel Labaki, que atua no Departamento de Arquitetura e Construção da FEC. O estudo, desenvolvido no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura, Tecnologia e Cidade da Unidade, obteve financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), concedido na forma de bolsa ao pesquisador da Unicamp. Ele explica que os sistemas de muros vivos trazem a inoAbacaxi roxo (Trandescantia spathacea)

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vadora premissa de agregar o meio de crescimento diretamente na superfície vertical, tornando, assim, as plantas independentes do solo. O sistema utiliza recipientes modulares que armazenam o meio de crescimento para o enraizamento e desenvolvimento das espécies vegetais. Isto implica que as plantas sejam alimentadas por um sistema semi-hidropônico, que fornece água e nutrientes às espécies. “É uma tecnologia irmã da cobertura verde. A vantagem é exatamente a questão da verticalização que limita a cobertura verde ao andar superior no caso de um edifício. No muro vivo, a área é bem maior e o beneficio é para todos os pavimentos. Há também diferenças em relação às técnicas que usam trepadeiras, que ficam enraizadas no solo, limitando também a área coberta. O muro vivo não tem limites de expansão, além do que é possível trabalhar melhor com a questão da decoração”, compara o estudioso da Unicamp, graduado pela Universidade Federal de Viçosa (UFV).

sua correta escolha e combinação determinarão tanto a capacidade de amenização do muro vivo, quanto o apreço visual proporcionado às pessoas. Ele informa ainda que as plantas que melhor se adaptaram ao ambiente do experimento possuem, no geral, estratégias eficientes de sobrevivência, como a capacidade de armazenar água nas folhas (suculenta), superfícies brilhosas (reflexão do calor) e capacidade de armazenamento de nutrientes nas raízes. Dentre as 12 espécies vegetais testadas, 6 tiveram uma melhor adaptação à tecnologia: rosinha de sol (Aptenia cardifolia); dinheiro em penca (Callisia repens); grama amendoim (Arachi repens); Evôlvulo (Evolvulus glomeratus); peperômia (Peperomia serpens); e abacaxi roxo (Trandescantia spathacea).

Experimentos Foram realizados experimentos comparativos em edifícios similares instalados na Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Unicamp. Um deles recebeu o sistema de muro vivo, enquanto o outro foi usado como controle nas medições, dispondo apenas de sua envoltória convencional de alvenaria. Nos dois ambientes, foram monitorados parâmetros de temperatura superficial, temperatura do ar interno e umidade relativa do ar interno. Os experimentos ocorreram durante os meses de verão, de outubro de 2013 a janeiro de 2014.

Atraso térmico Outro resultado importante que comprovou a eficiência da tecnologia de muro vivo foi o atraso térmico, ou seja, o deslocamento dos picos de temperatura. Com a proteção do living wall houve um deslocamento do pico de calor para horários menos quentes. O mesmo aconteceu em dias frios. Conforme o estudioso, o atraso térmico foi de 4 a 5 horas. Enquanto temperaturas extremas se davam, respectivamente, nos horários mais quentes (15h) e mais frios (6h) nas paredes desprotegidas, nas medições com o muro vivo essas temperaturas se deslocaram para horários mais amenos (20h) e (9h). “O principal efeito de amenização térmica foi proporcionado pela vegetação, sendo responsável por mais de 80% do amortecimento térmico. Já o atraso térmico se deveu também às outras camadas do sistema.”

Prédio coberto por plantas na Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC): estudo analizou diferentes espécies vegetais

[*] Dissertação: “Influência de muros vivos sobre o desempenho térmico de edifícios”. Autor: Fernando Durso Neves Caetano. Orientadora: Lucila Chebel Labaki. Unidade: Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC). Financiamento: Fapesp

Estudo afirma que a técnica “Muro Vivo” pode reduzir a temperatura em até 6 ºC

Plantas mais adaptáveis Em sua pesquisa, Fernando Caetano explica que as plantas constituem o componente ambientalmente funcional dos sistemas de muro vivo por proporcionarem o efeito de refrigeração, umidificação e purificação do ar. O arquiteto e urbanista acrescenta que as espécies vegetais são responsáveis pela aparência final da envoltória e que Grama amendoim (Arachi repens)

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Peperômia (Peperomia serpens)

Evôlvulo (Evolvulus glomeratus)

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Degelo na Groenlândia e Antártida dobra em cinco anos

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redução da área de gelo da Groenlândia e Antártida, as duas principais capas de gelo do planeta, dobrou desde 2009, de acordo com um estudo que analisou imagens de um satélite europeu. O exame dos dados gerados pelo CryoSat indicam que só a Groenlândia vem perdendo cerca de 375 km cúbicos de gelo por ano. Somado, o volume de gelo despejado todo ano pelas duas maiores capas chega a 500 km cúbicos, disse a pesquisadora Angelika Humbert, do Instituto Alfred Wegener (IAW), na Alemanha. “A contribuição das duas capas de gelo à elevação do nível dos oceanos dobrou desde 2009”, afirmou Humbert. “Para nós, é um número inacreditável.” O estudo do instituto, não calculou quanto o degelo colabora para a elevação do nível dos mares. Mas se todo o volume despejado nos oceanos for considerado como gelo (uma porção pequena seria de neve), a contribuição poderia ficar na ordem de pouco mais de um milímetro por ano.

Comparações O satélite CryoSat foi lançado pela Agência Espacial Europeia em 2010 com um sofisticado instrumento de radar projetado para medir o formato das camadas de gelo polares. O grupo do IAW, coordenado pelo cientista Veit Helm, estudou pouco mais de dois anos de dados para criar um modelo de elevação digital (MED) da Groenlândia e da Antártida e avaliar a sua evolução. O modelo incorpora 14 milhões de medidas de altura referentes à Groenlândia e outros 200 milhões referentes à Antártida. Quando comparadas com bases de dados semelhantes produzidas pela missão IceSat, da agência espacial americana (Nasa) produzidas entre 2003 e 2009, as medições permitem calcular mudanças no volume de gelo mais abrangentes que o período observado pelo CryoSat. Tendências negativas são resultado de degelo, enquanto tendências positivas são consequência de precipitação ou nevascas. 54 REVISTA AMAZÔNIA

O mapa mostra os resultados dos modelos de elevação gerados pela equipe alemã na Antártida. A perda de volume anual foi calculada em cerca de 128 km cúbicos por ano

A Groenlândia vem atravessando o seu momento de maior redução na elevação, perdendo 375 km cúbicos de gelo por ano, a maior parte nas costas oeste e sudeste da ilha. Há um derretimento significativo também na Corrente de Gelo Nordeste da Groenlândia. “Esta região é formada por três glaciares. Um deles, o Zachariae Isstrom, recuou um bocado e já houve registros de perda de volume. Mas agora vemos que essa perda de

volume está se alastrando para áreas superiores, muito mais para o interior da capa de gelo do que se via antes”, disse a professora Humbert.

Antártida Já na Antártida, a perda de volume anual foi calculada em cerca de 128 km cúbicos por ano. Como outros estudos já haviam indicado, a maior parte revistaamazonia.com.br


do degelo se concentra no lado oeste do continente, na área conhecida como Baía do Mar de Amundsen. Grandes glaciares da região estão recuando e perdendo espessura a um ritmo acelerado. Por outro lado, há ganhos de espessura na camada de gelo de algumas áreas, como em Dronning Maud Land, onde foram registradas nevascas colossais. No entanto, o acúmulo nessas áreas não compensa as perdas nas outras. Um grupo científico britânico recentemente produziu o seu próprio MED a partir de um algoritmo diferente aplicado sobre a base de dados do CryoSat. O resultado é parecido com o do IAW, e os alemães aplicaram o mesmo método para a Groenlândia, de maneira que pudessem comparar as duas capas de gelo. Quando comparadas, as reduções indicam as mesmas conclusões da missão americana Grace, que monitora as mudanças nas regiões polares a partir de dados gerados por um outro tipo de satélite, que observa o volume de gelo despejado no mar.

É interessante notar, que o ano recorde de 2012, a Groenlândia derreteu coberturas superiores a 40%, periodicamente a partir de meio-de-final de junho. O mapa mostra as áreas mais atingidas da Groenlândia. Atualmente, vem perdendo cerca de 375 km cúbicos de gelo por ano

Angelika Humbert, pesquisadora do Instituto Alfred Wegener (IAW), Alemanha O satélite CryoSat é um elemento chave no estabelecimento de nossa compreensão sobre as camadas de gelo polar e o impacto potencial a nível global do mar das calotas encolhimento progressivo a que temos assistido nos últimos anos

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A Grande Barreira de Coral ocupa uma área de mais de 344 mil quilômetros quadrados. É o maior ecossistema de coral do mundo

Grande Barreira de Coral em grande risco apesar de esforços de conservação Relatório apresentado pelo governo australiano sublinha risco que apresentam as alterações climáticas, a pesca e o desenvolvimento costeiro

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os últimos cinco anos foram dados passos no sentido de proteger a Grande Barreira de Coral, na Austrália. Apesar dos investimentos feitos na sua conservação, estes não terão sido suficientes para retirar aquele que é um patrimônio da Humanidade de uma situação de grande risco. O último relatório sobre a região revela um balanço muito negativo. “Mesmo com as recentes iniciativas de gestão para redu-

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por Cláudia Bancaleiro zir as ameaças e melhorar a resiliência, a perspectiva geral para a Grande Barreira de Coral é pobre, piorou desde 2009 e espera-se que venha a deteriorar-se ainda mais no futuro”, indica o relatório de 2014 sobre a região, apresentado recentemente pelo governo australiano, e que faz uma comparação com dados recolhidos em 2009. O documento admite que a Grande Barreira de Coral, como um todo, “mantém as qualidades que contribuem para o seu valor universal excepcional” e que avaliações à

biodiversidade e aos ecossistemas mostram que o “terço Norte da região tem água de boa qualidade e o seu ecossistema está em boas condições”. Por outro lado, os habitats-chave, espécies e processos ecossistémicos em áreas costeiras do Centro e Sul continuaram a deteriorar-se a partir dos efeitos cumulativos de impactos. O relatório dá o exemplo do Dugongo, um mamífero herbívoro aquático, cujo número já estava em níveis muito baixos em comparação com um século revistaamazonia.com.br


Dugongo, um mamífero herbívoro aquático, cujo número já estava em níveis muito baixos em comparação com um século atrás, diminuiu ainda mais

atrás, diminuiu ainda. O ecossistema da Grande Barreira de Coral está em “sério risco”, sublinha o documento. As maiores ameaças resultam das alterações climáticas, da má qualidade da água vinda de escoamento terrestre, dos impactos do desenvolvimento costeiro e da pesca. Estas são as conclusões. O aumento da temperatura do mar, a alteração dos padrões do clima, a acidificação dos oceanos e o aumento

do nível das águas do mar são as principais ameaças quanto às alterações climáticas. “O risco tende a aumentar no futuro, devido a trajectórias das emissões de gases com efeito de estufa e a uma alteração futura inevitável bloqueada por emissões anteriores”, observa o relatório. O desenvolvimento costeiro representa outro grande risco para a Grande Barreira de Coral, nomeadamente através das alterações dos habitats costeiros e construção

de barreiras artificiais. A pesca ilegal, a captura acidental de espécies protegidas e os efeitos da sua devolução ao mar representam outros factores de elevado ou muito elevado risco. Pela primeira vez, o relatório sobre a Grande Barreira de Coral pronuncia-se sobre os valores patrimoniais, como embarcações naufragadas ou locais arqueológicos. A realidade actual daquela zona australiana e património da Humanidade mostra que as ameaças ao ecossistema associadas às alterações climáticas apresentam um risco grave, “particularmente no valor universal notável da propriedade”. O ministro australiano do Ambiente já comentou o relatório. “Estes relatórios reforçam que não há soluções rápidas e que levará tempo a alterar a saúde geral do recife com o esforço concertado do governo, indústrias e comunidades”, sustentou Greg Hunt. Segundo o ministro, cerca de 180 milhões de dólares australianos (125 milhões de euros) têm sido investidos anualmente na Grande Barreira de Coral para diminuir as ameaças que continua a sofrer. “Estamos absolutamente empenhados em proteger e melhorar a saúde desta maravilha icônica natural para que possa ser apreciada pelas gerações futuras”, assegurou Hunt. A Grande Barreira de Coral ocupa uma área de mais de 344 mil quilômetros quadrados, com uma largura que oscila entre os 60 e os 250 quilômetros, e representa o maior ecossistema de coral do mundo. A profundidade das águas varia entre os 35 e os 2000 metros. No recife existem 1625 espécies de peixe, 215 de pássaros, 30 de baleias e golfinhos e 133 de tubarões e raias. A Grande Barreira de Coral australiana, atrae cada vez mais turistas norte-americanos e britânicos, que movimentam a economia de Belize. É uma imensa faixa de corais composta por cerca de 2900 recifes, 600 ilhas continentais e 300 atóis de coral

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A vida nas cidades mais ecológicas do mundo

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Siemens Green City Index, um projeto de análises da Economist Intelligence Unit, da Grã-Bretanha, organiza um ranking de cidades mais “verdes” do mundo, atribuindo pontos nos quesitos de emissões de gases poluentes, alternativas de transporte, gerenciamento de recursos hídricos e do lixo, e políticas ambientais. Saiba como é viver nas cidades no topo da lista: San Francisco, na Califórnia

Copenhague, Dinamarca

San Francisco, Estados Unidos San Francisco, na Califórnia, é a cidade mais ecológica da América do Norte, segundo o Siemens Index. Tem uma longa história de consciência ambiental, que vem desde a fundação do grupo verde Sierra Club, no século 19. A cidade tem uma taxa de reciclagem de 77%, uma das mais altas do mundo, possibilitada pela obrigatoriedade de se separar o lixo comum do reciclável. “Estamos cercados por uma beleza natural estonteante e somos, historicamente, uma comunidade de mente aberta”, diz Donna Sky, que veio da Costa Rica há nove anos e abriu uma empresa que fabrica e vende pasta de grão-de-bico orgânica. Os moradores de San Francisco querem saber como e onde sua comida é produzida e tentam sempre consumir ingredientes produzidos localmente. Por isso, muitos bairros têm feiras onde quem vende são os próprios produtores, cada uma com uma característica diferente. O bairro ao norte do parque Panhandle – conhecido localmente como NoPa – tem um mercado que funciona o ano todo, enquanto o Mission e o Haight-Ashbury oferecem feiras sazonais. Os três bairros são populares entre ciclistas, por causa de sua topografia plana. “Cada um tem sua própria vibe”, define Jarie Bolander, ex-presidente da Associação de Moradores de NoPa. “Nosso bairro tem uma maioria de jovens profissionais liberais, enquanto Haight abriga uma mistura de hipsters com antigos hippies.”

Copenhague, Dinamarca Apesar de ser seguida de perto pelas capitais escandinavas Oslo e Estocolmo, Copenhague tem mantido a posição de cidade mais ecológica da Europa. Quase todos os seus moradores vivem a 350 metros do transporte público, e mais de 50% se locomovem de bicicleta. Como resultado, Copenhague apresenta emissões de poluentes extremamente baixas para uma cidade de seu tamanho (cerca de 1,2 milhão 58 REVISTA AMAZÔNIA

de habitantes). Os bairros de Norrebrø, no noroeste, e Frederiksberg, no oeste, são especialmente comprometidos com o ciclismo, como conta Mia Kristine Jessen Petersen, que nasceu e mora na capital dinamarquesa. “Foi investido muito dinheiro na criação da ‘Via Verde’, uma faixa de nove quilômetros para pedestres e ciclistas. Ela serve para ajudar as pessoas a circular pela cidade rapidamente e em um cenário lindo. Não se trata apenas de uma ciclovia, mas sim de um caminho cheio de parques, playgrounds e bancos para contemplarmos a paisagem”, descreve. Além de adorar pedalar, os residentes de Copenhague são apaixonados por reciclagem e fabricação de adubo orgânico, e são conhecidos por inventar maneiras de economizar eletricidade e calor. “Nós, dinamarqueses, enxergamos a natureza como um porto sagrado. Fazemos todo o possível para tomar conta da natureza que temos nas cidades”, explica Petersen. Vancouver, Canadá

Vancouver, Canadá Comparada com outras cidades do mesmo tamanho (pouco mais de 600 mil habitantes), Vancouver ganhou muitos pontos do Siemens Index no que se refere a emissões de gás carbônico e qualidade do ar, em parte por causa da ênfase local no incentivo ao uso de energias limpas. A cidade prometeu reduzir suas emissões em 33% até 2020. O compromisso não surpreendeu o morador Lorne Craig, que se mudou para lá em 1985 e escreve o blog Green Briefs. revistaamazonia.com.br


“Vancouver tem abrigado uma profunda contracultura ecológica desde os anos 60 e é reconhecida em todo o mundo por ser o berço do Greenpeace”, diz Craig. “A própria paisagem da cidade, cercada por montanhas, nos faz lembrar que somos parte de algo muito maior e mais bonito.” Enquanto outras cidades do Canadá continuaram abrindo avenidas para melhorar o trânsito de veículos, Vancouver se manteve comprometida com a qualidade de vida de seus cidadãos. É o que mostra o desenvolvimento da Granville Island, uma península essencialmente pedestre onde os moradores frequentam mercados e estúdios de arte. Muitos outros bairros de Vancouver também são ecológicos. Um extensa rede de ciclovias facilita o tráfego de bicicletas pela cidade, especialmente a West 10th Avenue, onde as pessoas circulam com bicicletas, mobiletes e até monociclos.

Cidade do Cabo, África do Sul

Cidade do Cabo, África do Sul A cidade de Curitiba, capital do estado do Paraná, foi eleita pelo Green City Index (Índice das Cidades Verdes) a cidade mais sustentável da América Latina, na foto o Jardim Botânico

Curitiba, Brasil De todas as cidades latino-americanas listadas no Siemens Index, apenas Curitiba aparece com uma contagem de pontos acima da média. Depois de ter construído um dos primeiros grandes sistemas de corredores de ônibus do mundo, nos anos 60, e ter desenvolvido um programa de reciclagem pioneiro nos anos 80, a capital paranaense continua a pensar no meio ambiente. O uso em massa do transporte público faz de Curitiba uma das cidades com os melhores índices de qualidade do ar do ranking. Curitiba, no entanto, parece estar carente de revitalização, segundo o britânico Stephen Green, que mora na cidade há 15 anos e escreve o blog Head of the Heard. Estão nos planos a construção de um metrô e mais 300 quilômetros de ciclovias, mas os projetos são caros e a cidade precisa de mais verbas para colocar tudo em pé. Green mora nas Mercês, um tradicional bairro do centro. “Temos uma ótima feira aos domingos, uma boa conexão de transportes e estamos perto do maior parque da cidade”, elogia.

A segunda cidade mais populosa da África do Sul está na dianteira do movimento ambiental no continente africano, pressionando por uma maior economia de energia e um uso maior de recursos renováveis. Em 2008, a Cidade do Cabo começou a usar energia da primeira estação eólica privada do país. Agora tem o objetivo de obter 10% de sua energia de fontes renováveis até 2020. Esses esforços estão transformando a vida na cidade. “Temos cada vez mais ciclovias e feiras livres. E os restaurantes valorizam ingredientes produzidos localmente”, diz Sarah Khan, uma nova-iorquina que adotou a cidade africana em 2013, e que escreve o blog The SouthAfriKhan. Ainda assim, ela acredita que a cidade ainda poderia fazer mais para melhorar o transporte público e evitar os constantes cortes de energia elétrica. Os moradores têm uma “natureza exploradora” e não têm medo de circular de bicicleta. “As melhores áreas para pedalar na cidade são o Sea Point e o Green Point”, conta Leonie Mervis, fundadora e diretora da campanha Bicycle Cape Town. Apesar de o centro da cidade não ter muitas ciclovias, as bicicletas podem ser levadas a bordo dos ônibus, o que torna mais fácil a circulação sem carro. Mervis mora em Hout Bay, um bairro 20 quilômetros ao sul do centro que abriga muitos artistas e moradores com consciência ecológica. “Muita gente aqui usa sistemas de aquecimento por painel solar e produzem seus próprios legumes e verduras”, diz Mervis. “Também temos uma comissão de meio ambiente que apoia iniciativas ecológicas e cuida dos espaços ao ar livre.”

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Ranking dos seres humanos na cadeia alimentar calculado pela primeira vez

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nosso nível na cadeia alimentar, numa escala de 1 a 5 que vai das plantas aos grandes predadores, é médio: 2,21. Mas está aumentando – e temos de travar essa subida para não esgotar os recursos do planeta. O que temos nós, os seres humanos, em comum com os porcos e com umas anchovas que vivem ao largo do Peru e do Chile? O fato de ocuparmos mais ou menos a mesma posição que eles na cadeia alimentar global. Esta é a conclusão de uma equipe de cientistas franceses que, pela primeira vez, avaliou o nosso “nível trófico” – ou seja, o nosso ranking na grande teia mundial dos alimentos. O nível trófico de uma espécie resume, num único número, a composição da sua dieta. E permite perceber as relações predador-presa, bem como o impacto de cada espécie sobre os recursos alimentares do planeta. Embora o nível trófico da maioria das espécies terrestres e marinhas já fosse conhecido, nunca tinha sido calculado para os seres humanos. Foi o que fizeram Sylvain Bonhommeau, do Instituto Francês de Investigação para a Exploração do Mar, e colegas. Para isso, utilizaram os dados relativos ao consumo alimentar humano, entre 1961 e 2009, recolhidos pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) em 176 países. Estamos convergindo para uma dieta que contém cerca de 35% de nutrientes de origem animal (carne, gordura, peixe)

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por Ana Gerschenfeld

Nível trófico humano

Antes de mais, um pouco de aritmética. O cálculo do nível trófico de uma espécie faz-se da forma seguinte. Na base da cadeia alimentar, no nível 1, estão as plantas. Por isso, explicam os autores do artigo, o nível trófico de uma vaca, que é um herbívoro, é igual a 2: a vaca situa-se, no ranking alimentar, um nível acima das plantas. Já uma espécie cuja dieta é 50% ervas e 50% carne de vaca tem um nível trófico de 2,5: é a média dos níveis

tróficos de cada um dos componentes da sua dieta (1,5) mais 1 (por se encontrar um degrau acima de herbívoros como a vaca). Nesta escala global dos que comem e dos que são comidos, os maiores predadores, tais como os ursos polares e as orcas, podem ultrapassar os 5 do nível trófico, salientam os cientistas. Para a espécie humana, porém, esse cálculo rende uns modestos 2,21. Dito por outras palavras, e ao contrário do que se poderia pensar, os seres humanos não são predadores de topo. A nossa dieta é, de fato, bastante variada – como a dos porcos e a das anchovas peruanas (que se alimentam de fitoplâncton e de zooplâncton). Porém, isso não significa que o nosso impacto no ecossistema seja modesto. “O nível trófico permite descrever o lugar que uma espécie ocupa no ecossistema a partir do seu regime alimentar – e, de fato, nós posicionamo-nos a um nível bastante baixo na escala alimentar”, disse Sylvain Bonhommeau. “Mas somos tantos que isso nos conduz a uma apropriação importante dos recursos naturais, à qual é ainda preciso acrescentar todos os nossos outros impactos (poluição, alteração dos habitats, etc.).” No total, escrevem os investigadores, os humanos apropriam-se, através da produção de alimentos e do uso dos solos, de 25% da capacidade do planeta para produzir biomassa. É de fato aí que reside o nosso lado predador… revistaamazonia.com.br


Variações regionais Contudo, nem todas as partes do mundo são iguais: os investigadores identificaram cinco grandes regiões com evoluções diferentes dos níveis tróficos ao longo das últimas cinco décadas, que reflectem a evolução da situação socioeconômica dos países nelas incluídos. Assim, por exemplo, a Europa do Sul, com níveis que nos anos 1960 rondavam os 2,3 e que têm aumentado, contrasta com a Europa do Norte, com níveis que rondaram os 2,4 até 1990 e que a seguir começaram a diminuir (na sequência de políticas destinadas a promover dietas mais saudáveis, devido às consequências nefastas para a saúde do excessivo consumo de carne e de gordura animal). Seja como for, em termos globais, o nível trófico humano global aumentou 3% em 50 anos, implicando, dizem os cientistas, um impacto ambiental cada vez maior do consumo alimentar humano. Ora, isso levanta, segundo eles, a questão de saber qual o nível trófico a não ultrapassar para conseguirmos gerir os recursos alimentares de forma sustentável – a etapa seguinte deste trabalho. “A seguir, vamos tentar relacionar o nível trófico com a produção primária necessária para alimentar a população humana”, salienta Bonhommeau. “Dessa forma, poderemos desenvolver vários cenários e estimar quais os recursos, em cada um deles, necessários para satisfazer as nossas necessidades.” Os cientistas ainda não têm números precisos, mas Bonhommeau arrisca uma previsão: “Por enquanto, o nosso nível trófico global é de 2,2, mas os estudos dos nutricionistas mostram que estamos a convergir para uma dieta que contém cerca de 35% de nutrientes de origem animal (carne, gordura, peixe). Isso traduzir-se-ia num nível trófico próximo dos 2,4. Ora, o nosso estudo mostra que, precisamente acima deste último valor, a esperança de vida diminui devido às doenças causadas por uma alimentação demasiado rica em gorduras e proteínas animais.” Talvez seja esse, de fato, o limite a não ultrapassar em caso algum.

Consumidores de 4º nível

Carnívoro

Carnívoro

Consumidores de 3º nível Carnívoro

Carnívoro

Consumidores secundários Carnívoro

Carnívoro

Consumidores primários Herbívoro

Zooplâncton

Produtores primários Planta

CADEIA ALIMENTAR TERRESTRE

Fitoplâncton

CADEIA ALIMENTAR MARINHA

Nível trófico é o nível de nutrição a que pertence um indivíduo ou uma espécie , que indica a passagem de energia entre os seres vivos num ecossistema

(A) Tendências em nível humano trófico (1961-2009), e (B) mapa do nível trófico humano médio sobre o período 2005-2009 ; (B)Mapa do Nível trófico humano médio revistaamazonia.com.br

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Grupos de nível trófico (HTL) Grupo 1 ( HTL’s baixos e estáveis ) : Este grupo inclui a maioria dos países da África Subsariana e na maioria do sudeste da Ásia , que têm na sua maioria dietas à base de plantas que não está adicionando mais carne. Grupo 2 ( HTL’s baixos e crescentes ): Este representa vários países na Ásia , África e América do Sul , incluindo a China e a Índia, que estão aumentando o seu consumo de carne... Grupo 3 ( HTL’s mais elevados do que o grupo 2 e aumentando ): Inclui a América Central , Brasil, Chile, Sul da Europa , vários países da África e do Japão . Como no grupo 2 , estes lugares estão comendo mais animais , uma tendência que reflete o desenvolvimento econômico e o aumento da urbanização. Grupo 4 ( alta e diminuindo após a década de 1990 ) : Os Estados Unidos pertence a este grupo , que é composto por América do Norte, do Leste Europeu , Austrália e Nova Zelândia. Grupo 5 (o mais alto HTL’s porém diminuindo). Este grupo inclui a Islândia, Escandinávia , Mongólia e Mauritânia. Este é o único grupo em que HTL tem diminuído como fatores de desenvolvimento como produto interno bruto , a expectativa de vida, e a urbanização aumentaram. O aumento mundial do consumo de carne está sendo impulsionada por países como Índia e China (grupo 1) , onde o crescimento econômico vertiginoso deu às pessoas a capacidade de adicionar mais carne à sua dieta , mesmo que o montante global de produtos de origem animal consumidos ainda é baixo quando comparado para outras regiões do mundo ...

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10/20/14 11:20 AM


Estudo diz que atuais práticas agrícolas podem causar falta de alimentos em 2050

Investigadores recomendam “dietas mais saudáveis e equilibradas” para impedir desflorestação e perda da biodiversidade por Cláudia Bancaleiro Fotos: Fernando Veludo, Universities of Cambridge and Aberdeen

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s gases de efeito de estufa provenientes da produção de alimentos podem vir a aumentar mais de 80% se o consumo de carne e laticínios continuarem a subir como até agora. O alerta é feito por um estudo das universidades britânicas de Cambridge e de Aberdeen, segundo o qual a produção de alimentos por si só pode atingir ou levar mesmo ao aumento dos níveis previstos para o total de emissões de gases de efeito de estufa dentro de 35 anos. A garantia de alimentos para toda a população mundial em 2050 pode também estar em causa. O risco de alterações climáticas dramáticas e que se torne impossível alimentar a população mundial devido ao consumo crescente de determinados alimentos são os principais alertas do estudo. No trabalho, uma equipe de investigadores analisou dados sobre o uso do solo, Com base nos dados recolhidos pelo estudo, dentro de 35 anos a área cultivada terá aumentado em 42% e o uso de fertilizantes crescido 45% em relação aos níveis de 2009

Segundo Bojana Bajzelj “reduzir o desperdício de alimentos e moderar o consumo de carne em dietas mais equilibradas, são as opções ‘sem arrependimento’ essenciais”

aptidão agrícola das terras e de biomassa agrícola para criar um modelo que compara diferentes cenários para 2050, incluindo manter as atuais tendências de práticas agrícolas. Com o aumento da população e a tendência crescente de optar por uma dieta mais ocidentalizada centrada no consumo de carne, torna-se impossível que os rendimentos da agricultura respondam às necessidades de alimentos dos 9600 milhões de pessoas que se prevê virem a ser a população mundial dentro de três décadas. Para responder a este problema, a solução é aumentar as áreas de cultivo. Mas o estudo sublinha que esse caminho vai levar a que 64 REVISTA AMAZÔNIA

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Os investigadores defendem a redução do desperdício de alimentos e o consumo de carne moderado

Cambridge, que colaborou no trabalho. O também professor Pete Smith, um dos investigadores da Universidade de Aberdeen que elaboraram o estudo, adverte que, a “menos que façamos algumas mudanças sérias nas tendências de consumo de alimentos, teremos que descarbonizar por completo os setores da energia e da indústria para respeitar as metas de emissões que evitam alterações climáticas perigosas”. Para Pete Smith, “isso é praticamente impossível”. “Temos que repensar o que comemos”, propõe. Bojana Bajzelj, da equipe de investigação do Departamento de Engenharia de Cambridge, sustenta uma solução semelhante. “Reduzir o desperdício de alimentos e moderar o consumo de carne em dietas mais equilibradas, são as opções ‘sem arrependimento’ essenciais”. Bajzelj afirma que “existem leis básicas da biofísica que não podemos evitar”. “A eficiência média de gado para converter ração vegetal em carne é inferior a 3%, e enquanto comemos mais carne, mais área de cultivo é criada para a produção de alimentos para os animais que fornecem carne aos seres humanos”. A investigadora conclui que com o crescente consumo de carne a “conversão de plantas em alimento torna-se cada vez menos eficiente, conduzindo à expansão agrícola e libertando mais gases de efeito de estufa”. “As práticas agrícolas não estão necessariamente em falha aqui - mas a nossa escolha de alimentos está”, frisa. Com base nos dados recolhidos pelo estudo, dentro de 35 anos a área cultivada terá aumentado em 42% e o uso de fertilizantes crescidos 45% em relação aos níveis de 2009. Mais de um décimo das florestas tropicais do mundo vai desaparecer nas próximas décadas. A crescente desflorestação, uso de fertilizantes e as emissões de gases metano proveniente das fezes e libertação de gases intestinais do gado são “suscetíveis de levar ao aumento dos gases de efeito de estufa resultantes da produção de alimentos em quase 80%”.

Este não é um argumento vegetariano radical, é um argumento sobre consumir carne em quantidades sensíveis como parte de uma dieta saudável, equilibrada

o ambiente pague um “preço elevado”. “A desflorestação vai aumentar as emissões de carbono, bem como a perda de biodiversidade, e a subida da produção de gado levar a maiores níveis de metano”, aponta o documento, segundo as universidades de Cambridge e de Aberdeen. Os investigadores das duas universidades recomendam que se adotem “dietas mais saudáveis e equilibradas”. Por exemplo, que se consumam apenas duas porções de carne vermelha e cinco ovos por semana, bem como uma pequena quantidade de laticínios por dia. “Este não é um argumento vegetariano radical, é um argumento sobre consumir carne em quantidades sensíveis como parte de uma dieta saudável, equilibrada”, defende o professor Keith Richards da Universidade de revistaamazonia.com.br

Distribuição dos biomas terrestres, adequação e uso da terra REVISTA AMAZÔNIA 65


Os insetos serão o alimento do futuro? por Emily Anthes

Algumas empresas na Holanda e EUA tentam vender insetos no mercado

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o começar a comer, meu prato é igual ao que já comi inúmeras vezes em restaurantes asiáticos. Um emaranhado de massa bezuntada em óleo em meio a fatias de galinha, com aroma de alho e gengibre. Mas aos poucos vou percebendo olhos. Glóbulos escuros em uma cabeça amarelada - tudo conectado a um corpo. Não os tinha percebido antes, mas agora vejo que estão por toda a parte - meu macarrão está cheio de insetos. Se não tivesse sido alertada, talvez tivesse passado mal. Mas estou fazendo parte de uma experiência na universidade de Wageningen, na Holanda. O instituto de culinária da universidade, liderado por Ben Reade e Josh Evans, tem o desafio de conseguir transformar insetos em pratos saborosos. Eu e outros três gastrônomos estamos presentes para testar alguns dos pratos preparados. Cada um recebe um prato principal diferente. O meu é um macarrão com

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Desafio para quem vende insetos como comida é superar o nojo dos clientes revistaamazonia.com.br


gafanhotos - muitos deles ainda estavam vivos pela manhã. O prato também tem uma pitada especial de larva de mosca. No dia seguinte, Reade e Evans participam de um seminário mundial em entomofagia - a prática de comer insetos - com mais de 450 delegados. Segundo os especialistas presentes, no ano 2050 o planeta terá nove bilhões de pessoas. O desafio maior das próximas décadas será suprir o mundo, sobretudo em países de renda baixa ou média, com proteínas animais. Para eles, o planeta não teria condições ambientais de sustentar um aumento da pecuária tradicional. A solução ecológica seria comer insetos, que são ricos em ferro e zinco. A criação de insetos requer muito menos água do que gado. No caso dos grilos, a quantidade de proteína é 12 vezes maior do que o encontrado em um bife. Os insetos também poderiam ser usados como substituto das rações animais baseadas em soja, outro produto cujo cultivo tem alto impacto ambiental. Além disso os insetos se alimentam de excrementos. Os próprios insetos podem ajudar a reciclar o material orgânico do planeta - enquanto produzem proteína comestível. Os especialistas reunidos na conferência imaginam um mundo onde os supermercados terão alas especiais com produtos a base de insetos, e lanchonetes servirão “inseto-burgueres”. Será que chegaremos a tanto?

Comida antiga Entomofagia é comum em várias partes do mundo.

Macarrão cheio de insetos

Segundo a FAO, dois bilhões de pessoas no planeta se alimentam de insetos. No Japão, as larvas de vespas são populares; na Tailândia, formigas também são alimentos comuns. Em vários países africanos, cupins são fritos, defumados ou cozidos a vapor. Atualmente, há 1,9 mil espécies de insetos comestíveis. Então por que temos tanto nojo dos insetos? A resposta mais simples, segundo o psicólogo Paul Rozin, da Universidade da Pennsylvania, é que os insetos são animais. Qualquer animal que come outro - seja ele humano, gorila, iguana ou barata - tem hábitos alimentares restritos, e costuma se alimentar de uma quantidade pequena de espécies na natureza. No caso dos humanos, a associação direta que se faz com insetos é lixo, decomposição e doença. A empresária Laura D’Asaro enfrenta o desafio de colocar insetos na alimentação diária dos americanos - e ainda

fazê-los pagar por isso. Ex-vegetariana, ela descobriu os “prazeres” da entomofagia na Tanzânia em 2011. Hoje ela tem uma linha de produtos alimentícios baseados em insetos. Ela conta que para reduzir o asco de muitos consumidores o segredo é vender produtos à base de insetos - e não o animal “in natura”. Sua empresa, a Six Foods, vende salgadinhos à base de uma farinha feita de grilos. Alguns produtos têm até mesmo o nome do inseto distorcido de alguma forma, para evitar rejeições com base no nojo. Um dos alimentos é feito à base de larvas que vivem em colmeias. A Six Food não menciona a palavra “larva” com destaque em seus rótulos, preferindo o termo “inseto do mel”. Nos últimos anos, diversas empresas surgiram para tentar explorar esse nicho de mercado. Na França, existe a Ynsect; nos Estados Unidos, a Enviroflight; na Holanda, a Protix. Na África do Sul, um empresário está criando uma grande “fazenda de moscas”, que pretende produzir sete toneladas de “MagMeals” - refeições a base de “maggots” (larvas de mosca). Mas a resistência do público ainda é grande. Para muitos, a ideia de comer insetos só parece vantajosa se comparada a experiências horríveis. Uma pesquisa conduzida por Rozin mostrou que 75% dos americanos preferem comer insetos do que carne de cabra crua. Para 53%, comer insetos é melhor do que aguentar 10 minutos de dor moderada. “Não é a pior coisa do mundo, mas é simplesmente algo que todo mundo prefere evitar”, diz Rozin. Insetos podem ser ótima fonte de proteína

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Marcadores moleculares para carne mais macia

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esquisadores querem oferecer um conjunto de marcadores moleculares que permita ao pecuarista a seleção precoce de bovinos com as características desejadas pelo consumidor, tais como cor, suculência, valor nutricional, teor de gordura e, principalmente, maciez da carne. Desde 2006, a Embrapa, universidades e instituições parceiras buscam estratégias para melhorar a qualidade da carne bovina no Brasil a partir do uso de genética. Para conhecer o potencial de um animal, os pesquisadores fizeram o que se chama de análise de associação genômica ampla, na qual é possível identificar as posições do genoma que afetam a qualidade da carne para cada característica desejada. “Quanto à maciez, por exemplo, foram avaliados 29 pares de cromossomos do boi e identificadas regiões importantes para esse atributo. Avaliamos a maciez em três momentos: logo após o abate e depois de sete e 14 dias de maturação da carne”, explica a pesquisadora Luciana Regitano, da Embrapa Pecuária Sudeste. A ideia é que, com as informações coletadas e associadas a novos estudos, seja possível disponibilizar um conjunto de marcadores moleculares e, assim, selecionar animais que serão usados para reprodução de descendentes com as características de interesse do pecuarista. Os marcadores são trechos do DNA responsáveis por determinados atributos herdáveis e que diferenciam os indivíduos. Conhecendo-se seus efeitos sobre as características de qualidade da carne, desenvolve-se um teste de DNA que permite prever se um touro jovem tem potencial para melhorar a qualidade da carne nos seus filhos, acelerando e aumentando a eficiência do processo de seleção. Com o uso de marcadores reduz-se o tempo para se chegar a animais produtores de carne de qualidade e o custo de testar muitos touros. “No processo tradicional, por exemplo, o criador levaria tourinhos para reprodução e precisaria esperar a avaliação dos filhos para saber se eles teriam boa qualidade de carne, já que para a avaliação dessa característica é necessário abater o animal. Ou seja, a seleção do reprodutor é feita com base na avaliação dos descendentes. Com os marcadores, é possível saber de antemão se o touro tem potencial genético para maciez de carne, por exemplo. Dessa forma, ao invés de multiplicar uma grande variedade de touros de potencial desconhecido, intensifica-se o uso dos mais promissores”, ressalta Luciana Regitano. 68 REVISTA AMAZÔNIA

por Gisele Rosso, Nadir Rodrigues *

Pesquisa seleciona genes relacionados à maciez, suculência e outras qualidades da carne

No Brasil, atualmente, o melhoramento é voltado para o crescimento e eficiência reprodutiva dos animais. De acordo com o superintendente técnico, Luiz Antonio Josahkian, da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), até agora, deu-se pouca atenção aos aspectos qualitativos. Segundo ele, primeiro foi preciso produzir carne em quantidade. “A qualidade é a próxima fronteira do conhecimento que precisamos avançar. Mas o processo seguiu uma cronologia correta”, conta Josahkian. Para o superintendente da ABCZ, o Brasil produz carne de forma distinta do hemisfério Norte. São produtos diferentes para mercados diversos. “Temos que melhorar a qualidade,

mas preservar as características tropicais da carne. Precisamos alcançar a mesma maciez e suculência do hemisfério Norte, mas manter as características saudáveis da carne tropical, com menos gordura. E acredito que a genômica tem a resposta para isso”, destaca Josahkian. A tecnologia, quando disponível, além de contribuir para produção de carne de mais qualidade, poderá potencializar a posição brasileira no mercado mundial. Ela poderá ser usada, principalmente, por centrais de inseminação, mas também na produção de reprodutores em geral, como em monta natural. No entanto, neste caso, o custo-benefício seria menor. revistaamazonia.com.br


O maior rebanho comercial do mundo O Brasil é um dos principais produtores e exportadores de carne bovina. O plantel nacional está estimado em mais de 200 milhões de bovinos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É o maior rebanho comercial do mundo. Cerca de 80% do plantel brasileiro é formado por animais zebuínos (Bos indicus). Dentre eles, 90% são da raça Nelore ou “anelorados”. Em 2013, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), as exportações de carne bovina alcançaram US$ 6,6 bilhões. Parte desse sucesso deve-se a pesquisas para o aumento da produtividade pecuária, a diminuição do tempo de abate e o desenvolvimento de tecnologias que promoveram a sustentabilidade do setor produtivo. Apesar disso, o Brasil precisa de uma produção expressiva de carne com mais qualidade. O melhoramento genético, aliado à biologia molecular, pode contribuir para acelerar o processo e atender as expectativas dos consumidores de se obter carne mais macia. Com o objetivo de elevar a qualidade da carne bovina brasileira e torna-la competitiva, formou-se em 2007 a Rede Bifequali, um trabalho nacional de pesquisa no âmbito do Macroprograma 1 da Embrapa, o qual engloba projetos voltados a trabalhar grandes desafios nacionais. Essa rede avaliou 800 novilhos da raça Nelore desde o

nascimento até o abate. Durante cinco anos, de acordo com a pesquisadora Luciana Regitano, foram analisadas 770 mil variações do genoma dos animais e investigados os genes relacionados à produção de carne de qualidade e de eficiência alimentar.

A complexidade para se obter maciez Para cada característica, o número de marcadores moleculares é diferente. No caso da maciez, os pesquisadores foram surpreendidos. A variação genética para essa característica está distribuída em todo o genoma no Nelore. “A literatura relata dois ou três genes que são realmente importantes para a maciez em gado europeu. O que encontramos, no gado zebu, foram muitos marcadores contribuindo pouco individualmente para a maciez”, conta a pesquisadora Luciana. Com esse resultado, segundo ela, seria necessário colocar à disposição do produtor um kit de marcadores que contemplasse, praticamente, todo o genoma. “Cerca de 100 mil marcadores”, acredita Luciana. Já para outras características, como eficiência alimentar, o estudo encontrou regiões importantes individualmente.

Lançado no final de 2012, o Bifequali TT leva tecnologias aos pecuaristas de corte

Neste caso, um kit com cerca de 300 marcadores, que contemplasse 10 ou 15 regiões do genoma, seria suficiente.

Os próximos passos da pesquisa Como resultado do projeto Bifequali, pesquisadores tem à disposição um banco de informações complexo e rico para projetos futuros que podem levar à mesa do consu-

midor uma carne macia e suculenta. Estatisticamente, o número de animais avaliados na pesquisa ainda é insuficiente para uma estimativa realista do efeito de cada marcador molecular. Mas, segundo Luciana, as informações já obtidas, em conjunto com outras pesquisas em andamento na Embrapa, vão gerar dados para o desenvolvimento de um produto adequado para o melhoramento animal. Além disso, a equipe continua investigando, com recursos da Fapesp, os mecanismos biológicos e genes envolvidos na variação da maciez, composição da gordura e conteúdo de minerais da carne, buscando alternativas para aplicação desse conhecimento na produção de carne de melhor qualidade. Também está sendo estudado o desenvolvimento de um chip, com custo viável, de marcadores importantes para cada característica de interesse para o melhoramento do Nelore. Conforme a pesquisadora, o chip pode envolver uma série de características. “Todas as características que são herdáveis podem ser inseridas nesse kit para ser usado em melhoramento”, conta. O primeiro passo para alcançar uma carne com mais qualidade já foi dado. As pesquisas com os marcadores são realidade e vão colaborar para potencializar ainda mais a produção de carne brasileira no mercado mundial. [*] Colaboração: Jéssica Bigon *Embrapa

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ÁRVORES ANCIÃS

As árvores mais antigas do mundo

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om paradas em quase todos os continentes, cruzando o mundo, a fotógrafa Beth Moon, baseada em San Francisco-EUA, passou os últimos 14 anos à procura de algumas das maiores, mais raras, e mais antigas árvores na Terra para capturar com sua câmera. Beth desenvolve suas gravuras de exposições com um processo de platina / paládio, uma prática extremamente trabalhosa e rara, resultando em impressões com enorme gama de tons que são resistentes o suficiente para rivalizar com a longevidade de seus súditos, potencialmente com duração de milhares de anos. A recente coletânea de Beth com 60 gravuras duotônicas, foi publicada recentemente em um novo livro intitulado Árvores antigas: Retratos do tempo, em tradução livre), pela editora Abbeville Press. Este volume considerável apresenta sessenta dos melhores retratos de árvores de Beth, como placas duotônicas de página inteira. As árvores representadas incluem os 70 REVISTA AMAZÔNIA

A famosa resina vermelha que dá nome ao dragoeiro (ou Árvore do dragão) escorre da casca, quando o tronco da árvore sofre um ‘ferimento’. A resina é usada como colorante e também tem propriedades medicinais, que foram descobertas e registradas pelos gregos e romanos antigos

Beth Moon, fotógrafa, baseada em San Francisco-EUA

emaranhados, teixos-alguns mais de mil anos-que crescem em cemitérios ingleses; os baobás de Madagascar, chamados de “árvores de cabeça para baixo” por causa da desproporção curioso de seus troncos e ramos gigantes modestas; e as árvores sangue de dragão fantástico, vermelho-minou e guarda-chuva em forma, que crescem apenas na ilha de Socotra, ao largo do Corno de África. Uso basicamentre três critérios para escolher determinadas árvores: idade, um tamanho muito grande ou história notável. Eu pesquiso as localizações por uma série de métodos: livros de história, livros botânicos, registros e árvores, matérias de jornais e informações de amigos e de viajantes’, diz Moon. Beth está atualmente trabalhando em uma nova série de árvores fotografadas pela luz das estrelas chamados Diamantes da noite. É possível ver mais exemplos do trabalho de Moon em seu site: www.bethmoon.com revistaamazonia.com.br


Árvore sangue de dragão (Dracaena cinnabari)

O teixo de Whittingehame é uma árvore considerada patrimônio da Escócia. Ela fica próxima ao castelo de Whittingehame, que pertenceu a nobres escoceses. Os templos de Angkor, no Camboja, se mantêm de pé há cerca de mil anos. A natureza retomou o local que abrigava uma civilização humana - a cidade sob as árvores.

Dragoeiro - uma espécie de crescimento lento nativa do arquipélago de Socotra, em frente à costa da África Oriental.

Os baobás são facilmente reconhecíveis por seus troncos inchados. Encontradas naturalmente em áreas secas de Madagascar, em países africanos e na Austrália, elas acumulam grandes quantidades de água para sobreviver aos períodos de seca. Passagem coberta de raízes em Angkor, no Camboja.

Mafumeira, também conhecida no Brasil como samaumeira revistaamazonia.com.br

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Primeiras experiências/comunicações por mensagem mental foram bem-sucedidas de acordo com os pesquisadores

Cientistas conseguem realizar uma espécie de telepatia Mensagem partiu de uma pessoa com um eletroencefalograma ligado à internet, o computador traduziu as palavras num código binário digital e depois chegou via robot ao destinatário Fotos: PLoS One

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ela primeira vez, cientistas conseguiram transmitir uma mensagem mentalmente de uma pessoa para outra, sem qualquer contacto, que estavam separadas por milhares de quilômetros, na Índia e França. “É uma espécie de realização tecnológica do sonho da telepatia, mas definitivamente não tem nada de mágico”, disse o físico teórico e coautor da investigação, Giulio Ruffini, em declarações recentes. “Estamos usando tecnologia para interagir eletromagneticamente com o cérebro”, especificou. Para a experiência, uma pessoa com um eletroencefalograma (EEG) ligado à internet, sem fios, pensou numa simples saudação, como “olá” ou “adeus”. Um computador traduziu as palavras num código binário digital, apresentado por séries de uns e zeros. Depois, a mensagem foi enviada por correio eletrônico (email) da Índia para França e entregue via robot ao des72 REVISTA AMAZÔNIA

Uma visão geral da interface cérebro-cérebro. No lado esquerdo, o subsistema de BCI é mostrado esquematicamente, incluindo eletrodos no córtex motor e da caixa de amplificador / transmissor do EEG sem fios na tampa. Imagética motora dos códigos de pé valor 1 À direita o valor do bit 0, dos códigos de mãos bit, o sistema CBI é ilustrado, com destaque para o papel de orientação da bobina para codificar os dois valores de bits. A comunicação entre os componentes do BCI e da CBI é mediada pela internet. revistaamazonia.com.br


O recebedor da mensagem não viu nem ouviu as palavras em causa, mas foi capaz de descrever os “flashes” de luz que correspondiam à mensagem

1. Para a experiência, uma pessoa com um eletroencefalograma (EEG) ligado à internet, sem fios, pensou numa simples saudação, como “olá” ou “adeus”

tinatário, que pode ver “flashes” de luz na sua visão periférica através de uma estimulação cerebral não-invasiva. O sujeito recebedor da mensagem não viu nem ouviu as palavras em causa, mas foi capaz de descrever os “flashes” de luz que correspondiam à mensagem. “Quisemos descobrir se se consegue comunicar diretamente entre duas pessoas, lendo a atividade cerebral de uma pessoa e injetando atividade cerebral numa segunda pessoa, e isto através de grandes distâncias

físicas, utilizando vias de comunicação existentes”, disse o coautor Álvaro Pascual-Leone, professor de Neurologia na Escola de Medicina de Harvard. “Uma destas vias é, claro, a internet, pelo que a nossa questão passou a ser “Será que conseguiremos realizar uma experiência que dispense a parte da conversação ou a digitação da internet e estabeleça uma comunicação direta, cérebro a cérebro, entre sujeitos localizados [em países] tão distantes um do outro, como a Índia e a França?”.

2. O destinatário, pode ver “flashes” de luz na sua visão periférica através de uma estimulação cerebral não-invasiva

Ruffini acrescentou que foram tomados cuidados extraordinários para garantir que nenhuma informação sensorial influenciasse a interpretação da mensagem. Os investigadores têm tentado enviar uma mensagem de uma pessoa para outra desta forma há cerca de uma década.. “Esperamos que a longo prazo isto possa transformar radicalmente a forma como comunicamos uns com os outros”, concluiu Ruffini.

Despachamos para todo o estado do Pará

VAREJO E ATACADO AGORA COM MAIORES INSTALAÇÕES PARA ATENDER MELHOR

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Estudo diz que viajar através do tempo e do espaço pode ser possível Fotos: Davide e Paolo Salucci

Com base nos últimos dados e teorias nossa galáxia poderia ter um “ wormhole”, espécie de atalho espacial que permitia às personagens viajar para outra dimensão

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rupo de cientistas concluiu que a nossa galáxia pode conter um túnel que permita viajar através do tempo e do espaço. A nossa galáxia poderá ter um túnel que permita um sistema de transporte galático, ou seja, que permita viajar através do tempo e do espaço. A conclusão é de um novo estudo de cientistas italianos, norte-americanos e indianos. Se viu o filme “Interstellar”, muito provavelmente recorda-se do termo worrmhole , uma espécie de atalho espacial que permitia às personagens viajar para outra dimensão. Pois agora, a ficção pode mesmo passar a realidade, uma vez que este grupo de investigadores considera que um wormhole pode muito bem existir na Via Láctea. O estudo partiu da análise da teoria da relatividade, de Albert Einstein. As equações desenvolvidas pelo cientista foram combinadas com um mapa detalhado da distribuição de matéria escura (que representa a maior parte da matéria existente) na Via Láctea. “Se unirmos o mapa da matéria escura na Via Láctea com o modelo mais recente do Big Bang e teorizarmos a existência de túneis de espaço-tempo, o que obtemos é a teoria de que nossa galáxia pode realmente conter um desses túneis e ele pode ser do mesmo tamanho da própria galáxia”, afirmou Paolo Salucci, um dos autores

O estudo ganhou um grande destaque com a estreia do filme “Interstellar” 74 REVISTA AMAZÔNIA

Via Látea a partir do Observatório de Paranal, no norte do Chile

do estudo e astrofísico da Escola Internacional de Estudos Avançados de Trieste – SISSA. A equipe de cientistas vai mais longe e admite que até pode ser possível viajar através desse túnel. Salucci salientou, no entanto, que as conclusões do estudo são hipóteses e, para já, ainda não podem ser comprovadas. O que se pode dizer é que “segundo os modelos teóricos, essa hipótese é possível”. Este tipo de túneis espaciais é um conceito hipotético na física, mas que desperta o interesse dos cientistas há muito tempo. No entanto, o estudo ganhou um grande destaque com a estreia do filme “Interstellar”.

O (hipotético) túnel do espaço-tempo ligaria o centro com uma posição muito distante de nossa galáxia, quando se passasse através de sua garganta revistaamazonia.com.br


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Ano 10 Nº 48 Janeiro/Fevereiro 2015

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ALTERNATIVA PARA O AGRONEGÓCIO COP20 A CONFERÊNCIA DE LIMA QUELÔNIOS NA AMAZÔNIA

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Alternativa para o agronegócio Cop-20 a conferência de Lima Quelônios na Amazônia

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