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Revista

Edição 32 R$ 12,00

ISSN 1809-466X

Editora Círios

Ano 7 Número 32 2012 R$ 12,00 5,00

*Saiba quais são os postos que oferecem o S-50 no www.anp.gov.br/aquiS-50

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O Brasil está intensificando a redução de poluentes no ar. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) publicou em dezembro passado a Resolução 62/2011 para garantir a oferta de diesel com baixo teor de enxofre no País. Hoje, milhares de postos* já oferecem o S-50. No ano que vem, chega ao mercado o S-10, com teor de enxofre ainda menor. E os veículos fabricados a partir de 2012 só poderão usar o novo combustível. Leia o manual do seu veículo e informe-se no posto. ANP. Cuidando do que move o Brasil.


Raimundo Carvalho e Edvaldo Cavalcante, da Unidade Operacional de Carajás, no Sudeste do Pará.

val Para a Vale, o desenvolvimento só acontece quando sociedade e empresas crescem juntas. Isso significa que ser uma das maiores empresas do país e fazer nossos maiores investimentos no Pará é tão importante para nós quanto compartilhar valor, investindo na preservação do meio ambiente. Na mina de Carajás, o trabalho de Raimundo e Edvaldo é realizado em menos de 3% da área total da Floresta Nacional de Carajás. Com apoio ao ICMBio, contribuímos para a proteção de 1,2 milhão de hectares desta unidade de conservação. Não temos todas as respostas e sabemos que ainda há um longo caminho pela frente. Mas, buscando juntos as soluções, podemos imaginar e alcançar um futuro mais sustentável.

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Floresta Nacional de Carajás. Unidade de Conservação Federal, administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com apoio da Vale.

alor revistaamazonia.com.br

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Revista

Editora Círios

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EDIÇÃO HISTÓRICA A presente edição é apresentada excepcionalmente, no período de abril à junho, em virtude das matérias, inéditas, que começaram a ser produzidas, desde então – em Rondônia, no interior de nossa região amazônica, com o povo Paiter Surui, em Nova York, nos Estados Unidos, na cobertura das negociações do documento zero da Rio+20 e recentemente, em Bonn, na Alemanha, na Conferência sobre Mudanças Climáticas – UNFCCC. Essas matérias fazem parte desse nosso Especial “Futuro da Terra” – um presente aos nossos leitores online e offline, e estará circulando também, na Rio+20.

08 Rio+20: cientistas

defendem mudança drástica no consumo

DIRETOR Rodrigo Barbosa Hühn

Grupo de 23 cientistas defende uma mudança drástica nos padrões de consumo como forma de combater a pobreza mundial, diante do constante crescimento da população planetária...

PRODUTOR E EDITOR Ronaldo Gilberto Hühn

30 Povo Paiter Suruí tem o

COMERCIAL Alberto Rocha, Rodrigo B. Hühn

projeto de Carbono Florestal Validado nos padrões VCS e CCB

ARTICULISTAS/COLABORADORES Andreia Fortini, Camillo Martins Vianna, Helena Geraldes, Ivaneide Bandeira Cardozo, Gilson B. Freitas, Jéssica Vasconcelos, José A. Annes Marinho, Sarney Filho, Teresa Firmino, Wallace Abreu, Wilson Filho FOTOGRAFIAS Acervo Metareila/Kaninde , Andrea Ribeiro/Metareila , Antonio Cruz/Abr, Arquivo ARGO, Arquivo CEBDS, Arquivo GCP, Arquivo IPCC, Arquivo NASA, Arquivo OEPA, Arquivo UFRN, Augusto Rodrigues, Brenda Mayor, Cássia Camillo, Equipe Aster, Franz Guestys , Giuseppe Di Carlo, Igor J Roberto , Joel Sartore, Luiz Augusto Gomes de Souza, Márcia Kalume/Agência Senado, Rudolph Hühn , Scientia Consultoria, Sergio Cruz/Kaninde , Zilfhes Wartys e Westy Bring EDITORAÇÃO ELETRÔNICA Editora Círios SS LTDA

O povo Paiter Surui, vivem na Terra Indígena Sete de Setembro, que fica localizada nos Estados de Rondônia e Mato Grosso, a maior parte do Projeto de Carbono Florestal Surui esta em Rondônia, um dos Estados que mais desmata junto com Mato Grosso...

38 O Futuro da Terra

O futuro na Terra com temperaturas mais extremas e mares em elevação exigirá um planejamento melhor para os desastres naturais a fim de salvar vidas e limitar as perdas econômicas, defendeu a Organização das Nações Unidas (ONU) em um grande relatório sobre os efeitos da mudança climática...

DESKTOP Mequias Pinheiro NOSSA CAPA A flor do Cumaru (Dipteryx odorata), na Bacia Petrolífera de Urucu, município de Coari (AM) Foto Luiz Augusto Gomes de Souza

52 Conferência de

Mudanças Climáticas em Bonn-Alemanha

Edição 32

Reunidos na antiga capital da Alemanha Ocidental, a Convenção-quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, começou com sessões plenárias de abertura do Órgão Subsidiário de Implementação (SBI) e do Órgão Subsidiário de Assessoramento Científico e Tecnológico (SBSTA)...

72 Plantas estrategistas

Editora Círio

Ano 7 Número 32 2012 R$ 12,00 5,00

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Mais conteúdo verde

ISSN 1809-

R$ 12,00

[12] Povos resilientes, planeta resiliente: um futuro digno de escolha [14] Segunda Rodada de negociações informais sobre o projeto do documento zero final da Rio +20 [18] Sustentável 2012 antecipa temas que serão debatidos na Rio+20 [24] Bonn será a sede do novo painel internacional para a biodiversidade [36] Para prever o futuro climático, cientistas analisam o passado [56] Os oceanos estão ficando mais quentes [60] Iphan registra sítios arqueológicos de mais de 8 mil anos em Rondônia [61] Rio+20, economia verde e a posição Brasileira [62] Economia florestal no Brasil ainda não atende às expectativas [64] Pesquisa confirma que aumento de C02 inicia aquecimento [68] Carbono azul [70] Cegueira dos rios, indígenas enfrentam a doença causada pela picada do pium [74] EUA ultrapassam China e lideram corrida mundial às energias limpas [76] Projeto reúne cientistas e ribeirinhos para a conservação de espécies bandeira das águas amazônicas [80] Petrobras e UFRN criam unidade de cultivo de microalgas [82] A legião verde, amarela, azul e branca na Amazônia

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contribuem para recuperação de áreas alteradas Quando se fala da biodiversidade Amazônica logo vem à mente beleza, riqueza e números elevados que sugerem uma variedade grande de espécies. Entretanto toda essa riqueza não foi ainda explorada e por isso é necessário conhecer os recursos de biodiversidade da Amazônia que possam contribuir...

XPEDIENTE

PUBLICAÇÃO Período (abril, maio e junho) Editora Círios SS LTDA ISSN 1677-7158 CNPJ 03.890.275/0001-36 Rua Timbiras, 1572-A Fone: (91) 3083-0973 Fone/Fax: (91) 3223-0799 Cel: (91) 9985-7000 www.revistaamazonia.com.br E-mail: amazonia@revistaamazonia.com.br CEP: 66033-800 Belém-Pará-Brasil

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PA-538


O Brasil cresceu, com a garra do seu povo, com a esperança que está no ar e com a alegria de cada brasileiro, com soluções originais que abrem caminho para o futuro do planeta. Futuro onde produzir e preservar se integram. Hoje, o Brasil é respeitado porque inclui e

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Banco de imagens do Ministério do Turismo.

melhora a vida das pessoas e protege o meio ambiente.

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O Brasil reafirma, com orgulho, o compromisso com a sustentabilidade do seu desenvolvimento e defesa do meio ambiente. Rio+20: o grande encontro mundial do desenvolvimento sustentável, em busca de melhores caminhos para o crescimento econômico, com inclusão social e proteção ambiental. Rio+20: crescer, incluir, proteger. Para mais informações, acesse: www.rio20.gov.br. Participe.

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People and the planet

Rio+20: cientistas defendem mudança drástica no consumo

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rupo de 23 cientistas defende uma mudança drástica nos padrões de consumo como forma de combater a pobreza mundial, diante do conswde consumo nos países desenvolvidos e nos países em desenvolvimento precisam ser reequilibrados em favor do combate à pobreza absoluta, que afeta cerca de 1,3 bilhão de pessoas em todo mundo, segundo um relatório intitulado Pessoas e o Planeta, publicado pela Royal Society, a tradicional academia britânica de ciência. O estudo foi elaborado por uma equipe de 23 cientistas para servir de subsídio aos debates da conferência das Nações Unidas sobre o desenvolvimento sustentável, a Rio+20, que acontece no Rio de Janeiro em junho. “O

Sir John Sulston, membro da Royal Society e responsável pelo relatório

“Podemos optar por reequilibrar o uso de recursos em favor de um padrão mais igualitário de consumo. Ou podemos optar por não fazer nada e nos deixar conduzir a uma espiral decrescente de males econômicos, sociopolíticos e ambientais, levando a um futuro mais desigual e inóspito”, completou.

População e meio ambiente mundo está diante de uma escolha muito clara. Podemos optar por abordar as questões gêmeas da população e do consumo”, declarou sir John Sulston, membro da Royal Society e responsável pelo relatório.

O time internacional de cientistas apela aos governos para considerarem o crescimento populacional e os efeitos que o consumo excessivo em nações desenvolvidas tem sobre as nações mais pobres e “se comprometerem com um futuro mais justo, não baseado no crescimento Podemos optar por reequilibrar o uso de recursos em favor de um padrão mais igualitário de consumo

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Participe da maior conversa sobre o futuro:

ofuturoquenosqueremos.org.br

E você também é nós. Todos somos nós. Se nós queremos, nós podemos. Se nós imaginamos, nós vamos fazer acontecer. Porque o futuro será como nós quisermos que ele seja. revistaamazonia.com.br

A ONU está oferecendo a você a oportunidade de participar da próxima conferência sobre desenvolvimento sustentável. Uma conferência que se transformou em uma conversa aberta, com foco em três grandes pilares:

ofuturoquenosqueremos.org.br social, ambiental e econômico. Você só precisa imaginar como gostaria que fosse o futuro e enviar um texto, foto ou vídeo com seu ponto de vista. Para que o futuro seja como nós quisermos que ele seja. REVISTA AMAZÔNIA 9


Percentual da população que vive com menos de US $ 1,25 por dia

do consumo material em seus países, mas nas necessidades da comunidade global, tanto no presente como no futuro”. O relatório aponta que, entre 2010 e 2050, a população global provavelmente aumentará em 2,3 bilhões de pessoas e se tornará predominantemente urbana e mais velha.

Os cientistas dizem que, por muito tempo, a relação entre população e meio ambiente foi negligenciada. Segundo os cientistas, o consumo por parte daqueles que mais consomem deve ser diminuído através de incentivos a “novos sistemas socioeconômicos e a instituições” e pelo fornecimento de serviços públicos que não sejam

baseados apenas no consumo, sem levar em conta seu impacto mais amplo. Eles constataram que a quantidade média de calorias consumidas mundialmente aumentou 15% entre 1960 e 2005, mas, em 2010, quase 1 bilhão de pessoas não consumia calorias suficientes para serem consideradas saudáveis. Os cientistas também declararam que a medida tradicional de riqueza de uma nação através do Produto Interno Bruto (PIB) é “pobre” e “não leva em conta o capital natural”.

Planejamento familiar O relatório também sublinha que o acesso à contracepção e a educação no planejamento familiar é uma questão primordial nos países em desenvolvimento, especialmente na África, continente que, nas próximas décadas, deverá ser responsável por 70% do crescimento da população mundial.

Fonte: PNUD

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Mapas de fertilidade por taxas de natalidade mostram que em grande parte do mundo, continuarão altas na África e partes da Ásia através de meados do século

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People and the planet As recomendações: A comunidade internacional deve fazer que as 1,3 bilhão de pessoas que vivem com menos de US $ 1,25 por dia, saiam da pobreza absoluta, e reduzir a desigualdade que persiste no mundo de hoje. Isso exigirá esforços concentrados em áreas políticas fundamentais, incluindo o desenvolvimento econômico, educação, planejamento familiar e saúde. Os mais desenvolvidos e as economias emergentes devem se estabilizar e depois reduzir os níveis de consumo de material por meio de: melhorias na eficiência do uso de recursos, incluindo: a redução de resíduos; investimento em recursos sustentáveis, tecnologias e infra-estruturas, e sistematicamente dissociar a atividade econômica de impacto ambiental. Saúde reprodutiva e programas de planejamento familiar voluntário necessitam urgentemente de uma liderança política e compromisso financeiro, tanto nacional como internacionalmente. Isto é necessário para continuar a trajetória de queda da taxa de fecundidade, especialmente em países onde a necessidade por métodos anticoncepcionais é alta. Os governos devem rever o potencial de urbanização para reduzir o consumo de material e impacto ambiental através de medidas eficientes.nA disposição bem planejada do fornecimento de água, de eliminação de resíduos de energia, e outros serviços vão evitar condições de favelas e aumentar o bem-estar dos habitantes. A fim de cumprir as metas previamente acordadas para universalização da educação, formuladores de políticas em países com baixa frequência escolar precisam trabalhar com financiadores internacionais e organizações, tais como a UNESCO, UNFPA, UNICEF, FMI, World Banco e Educação para Todos. Obstáculos financeiros e não financeiros devem ser superados para se alcançar alta qualidade do ensino primário e secundário para todos do mundo jovem, assegurando a igualdade de oportunidades para meninas e meninos. Os cientistas naturais e sociais devem aumentar seus esforços de investigação sobre as interações entre mudança de consumo, demográficas e impacto ambiental. Eles têm papel vital no desenvolvimento de um quadro mais completo do problemas, as incertezas encontrada em todos tais análises, a eficácia de soluções potenciais, e fornecendo uma fonte aberta, confiável de informações para os decisores políticos e ao público. Os governos nacionais devem acelerar medidas para o desenvolvimento da riqueza global. Isto deve incluir reformas para o sistema de contas nacionais e melhoria na contabilidade de ativos naturais. É necessária colaboração entre os governos nacionais para desenvolver sistemas sócio-econômicos para reduzir o continuado crescimento do consumo material. Isto irá implementar políticas que permitem que as pessoas e o planeta a florescer. População e o ambiente não deve ser considerada como duas questões distintas. As mudanças demográficas e as influências sobre eles, devem ser tidos em debate econômico e ambiental e planejamento em reuniões internacionais, como a Rio +20 Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável e reuniões subsequentes.

John Sulston, da Royal society, no Painel People and the planet: As prioridades para Rio +20, na sede da ONU, apresentando as conclusões do relatório revistaamazonia.com.br

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Povos resilientes, planeta resiliente: um futuro digno de escolha

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á vinte e cinco anos, o relatório Brundtland introduziu o conceito de desenvolvimento sustentável à comunidade internacional como um novo paradigma para o crescimento econômico, igualdade social e sustentabilidade ambiental. Afirmava que o desenvolvimento sustentável poderia ser alcançado por meio de um marco regulatório integrado que englobasse esses três pilares. Desde então, o mundo obteve um entendimento mais profundo dos desafios interconectados que enfrentamos e a percepção de que o desenvolvimento sustentável oferece a melhor oportunidade para as pessoas escolherem o seu futuro. O painel de alto nível sobre sustentabilidade global afirma que, ao tornar transparentes tanto o custo da ação quanto o custo da omissão, os processos políticos podem invocar os argumentos e a vontade política necessária para atuar em prol de um futuro sustentável. A visão de longo prazo do painel é erradicar a pobreza, reduzir a desigualdade e fazer que o crescimento seja inclusivo e a produção e o consumo sejam mais sustentáveis, ao combater a mudança climática e respeitar outros limites planetários. Tendo isto em vista, o relatório faz diversas recomendações para implementar a visão do painel para um planeta sustentável, uma sociedade justa e uma economia em crescimento.

Progresso rumo ao desenvolvimento sustentável O desenvolvimento sustentável não é uma meta, mas um processo dinâmico de adaptação, aprendizagem e ação. Trata-se de reconhecer, compreender e atuar nas interconexões - especialmente aquelas entre a econo-

mia, a sociedade e o meio ambiente natural. O mundo ainda não está neste caminho. Já houve progresso, mas ele não tem sido nem rápido nem profundo o suficiente e a necessidade de uma ação de maior alcance está se tornando cada vez mais urgente. Ao mesmo tempo, enfrentamos vetores de mudança cada vez mais poderosos, inclusive os impactos dos padrões atuais de produção e consumo e de escassez de recursos, inovação, mudança demográfica, mudanças na economia global, crescimento verde, aumento da desigualdade, mudança da dinâmica política e urbanização.

Capacitando as pessoas para fazerem escolhas sustentáveis

Quanto mais influência tivermos na sociedade, maior será o nosso impacto potencial sobre o planeta e maior nossa responsabilidade de nos comportar Para escolha de um futuro digno de maneira sustentável. Isto é hoje mais verdadeiro do que nunca, quando a globalização e as pressões sobre nossos recursos naturais significam que escolhas individuais podem ter consequências globais. Para muitos de nós, no entanto, o problema não se limita às escolhas não sustentáveis, mas principalmente à falta de escolhas. A verdadeira escolha só será possível quando os direitos humanos, necessidades básicas, segurança e resiliência humanas forem

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garantidos. As áreas prioritárias de ação incluem: ..cumprimento dos princípios fundamentais do desenvolvimento: compromissos internacionais para erradicar a pobreza, promover os direitos humanos e a segurança humana e avançar a igualdade de gênero; ..promover a educação para o desenvolvimento sustentável, inclusive educação secundária e vocacional, e capacitação para ajudar a assegurar que toda a sociedade possa contribuir para soluções para os desafios atuais e aproveitem as oportunidades; ..criar oportunidades de emprego, especialmente para mulheres e jovens, para fomentar um crescimento verde e sustentável; ..capacitar os consumidores para fazerem escolhas sustentáveis e promover o comportamento responsável de maneira individual e coletiva; ..gerenciar os recursos e possibilitar uma revolução verde do século XXI: agricultura, oceanos e sistemas costeiros, energia e tecnologia, cooperação internacional; ..construir resiliência por meio de redes sólidas de segurança, redução de risco de desastres e planos de adaptação.

Trabalhando rumo a uma economia sustentável Atingir a sustentabilidade exige a transformação da economia global. Mexer apenas nas beiradas não resolverá. A crise econômica global atual, que levou muitos a questionarem o desempenho da governança econômica revistaamazonia.com.br


..criar um conjunto de metas de desenvolvimento sustentável; ..elaborar um relatório periódico da perspectiva mundial do desenvolvimento sustentável que reúna informações e avaliações que atualmente dispersadas nas instituições e as analise de maneira integrada; ..assumir um novo compromisso para revitalizar e reformar o arcabouço institucional internacional, inclusive considerando a criação de um conselho mundial de desenvolvimento sustentável

Durante o lançamento do relatório“pessoas resilientes, planeta resiliente: um futuro digno de escolha”. Segundo a onu, é uma importante contribuição à agenda de desenvolvimento sustentável para o futuro e uma colaboração para as discussões da rio+20

Conclusão: um chamado à ação

global existente, oferece uma oportunidade de reformas significativas. É a chance de mudarmos de maneira decisiva em direção a um crescimento verde - não apenas no sistema financeiro, mas na economia real. A ação de políticas é necessária em diversas áreas fundamentais, inclusive: ..incorporar custos sociais e ambientais na regulamentação e precificação de produtos e serviços, bem como abordar falhas mercadológicas; ..elaborar um roteiro de incentivos que valorize cada vez mais o desenvolvimento sustentável de longo prazo em investimentos e transações financeiras; ..aumentar o financiamento para o desenvolvimento sustentável, incluindo custeio público e privado e parcerias para mobilizar grandes volumes de novos financiamentos; ..ampliar a forma como medimos os avanços do desenvolvimento sustentável por meio da criação de um índice ou conjunto de indicadores de desenvolvimento sustentável.

mentadas estabelecidas a partir de uma única temática; déficits tanto de liderança quanto de espaço político, falta de flexibilidade para adaptação a novos tipos de desafios e crises; e uma falha frequente em prever e planejar tanto desafios quanto oportunidades – tudo isso prejudica não só a elaboração de políticas como sua consecução efetiva. As áreas prioritárias de ação para a construção de uma melhor governança, coerência e responsabilidade para o desenvolvimento sustentável nos planos nacional e global incluem: ..aumentar a coerência nos planos subnacional, nacional e internacional;

O acompanhamento ativo se faz agora crucial. O painel espera que o secretário-geral implemente as recomendações que lhe cabem e leve o conjunto completo de recomendações a toda família das nações unidas. O painel também espera que o secretário-geral e a organização das nações unidas utilizem o poder de convocação da organização para promover as recomendações junto a outros participantes da comunidade internacional mais ampla, incluindo governos em todos os níveis, organizações internacionais, sociedade civil, comunidade científica e setor privado. * o relatório completo do painel resilient people, resilient planet: a future worth choosing” ( povos resilientes, planeta resiliente: um futuro digno de escolha), bem como as informações sobre as atividades do painel, estão disponíveis no http:// www.onu.org.br/docs/gsp-integra.pdf

Não é o mais forte da espécie que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o mais receptivo a mudanças. Charles darwin

Fortalecendo a governança institucional Para atingirmos o desenvolvimento sustentável, precisamos construir um arcabouço efetivo de instituições e processos decisórios em escalas local, nacional, regional e global. Devemos superar o legado de instituições frag-

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Segunda Rodada de negociações informais sobre o projeto do documento zero final da Rio +20 Fotos: Brenda Mayor, Rudolph Hühn e Westy Bring

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e 23 abril à 4 maio na sede da ONU em Nova York, delegados e representantes de governos e da sociedade civil procederam negociações informais sobre o documento final de rascunho para a Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio +20. Em uma declaração antes do início da rodada de negociações, líderes do Sistema das Nações Unidas pediram à Rio+20 que “forneçam o mapa do futuro que queremos – um futuro de paz, desenvolvimento econômico e social dinâmico, bem-estar social universal em um ambiente saudável e equitativo para as gerações presentes e futuras, onde homens e mulheres, meninos e meninas possam igualmente contribuir e se beneficiar do desenvolvimento”.

John W. Ashe, Co-presidente para o processo preparatório da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, representando a América Latina e o Grupo do Caribe, presidiu a Plenária de abertura e formou dois

John W. Ashe e Kim Sook, president e vice da segunda Rodada de negociações informais sobre o projeto do documento zero final da Rio +20 , durante a sessão de abertura. O último da esquerda é Brice Lalonde, director executivo da Rio+20 , fazendo suas anotações

Frente à sede

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da ONU revistaamazonia.com.br


Delegados durante a sessão de abertura

Evento paralelo realizado pelas ONGs

grupos de trabalho: Grupo de Trabalho 1 (GT1), presidido por Kim Sook, discutindo Seção III (Economia Verde) e o Grupo de Trabalho 2 (GT2), presidido por John Ashe, discutindo Secções I (Preâmbulo) e II (Renovação do Compromisso Político), IV Secção (Estrutura Institucional para o Desenvolvimento Sustentável (IFSD). Dentre os assuntos debatidos estavam: economia verde, participação da sociedade civil, igualdade de oportunidades, direitos à alimentação e desenvolvimento, reduzir a desigualdade, erradicação da pobreza… Além das negociações, houve também diversos eventos paralelos centrados em questões globais, desafios e soluções que estarão sob consideração na Rio+20, incluin-

do a falta de acesso a energia e água potável, oceanos esgotados, insegurança alimentar, ampliação das desigualdades e a rápida expansão das cidades.

A Mesa diretiva reúne-se com os principais grupos antes das sessões dos Grupos de Trabalho

O encerramento A segunda rodada de informais consultas sobre o documento final para a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável – Rio +20, terminou após a Mesa se reunir com secretário-geral Ban Ki-moon que, embora notando algum progresso, ele reconheceu que tem muito trabalho ainda a fazer, com cerca de 400 parágrafos ainda em colchetes e apenas 21 com ad referendum. Em virtude disso, a Mesa decidiu realizar mais uma semana de negociações antes da Rio +20. Na sede da ONU em Nova York, de 29 Maio a 2 de Junho. Com o objetivo de aproveitar o período entre os encontros das últimas semanas e o próximo para tentar estabelecer um consenso sobre o rascunho zero. Os próximos passos para a finalização do documento final da Rio+20 serão dados durante a rodada final de negociações, no Rio de Janeiro, de13 a 15 de junho, antes da Conferência oficial que acontece entre 20 e 22 de junho. Após consenso, o documento zero será traduzido para o idioma de todos os países participantes da Rio+20. A MESA DE ENCERRAMENTO, Nikhil Seth, Divisão de Desenvolvimento Sustentável; Sha Zukang, Secretário-Geral da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, e os copresidentes da Comissão Preparatória (PrepCom) para a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (CNUDS ou Rio +20) Kim Sook e John Ashe revistaamazonia.com.br

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Declaração do Capital Natural Instituições financeiras assinam apoio à Rio+20

ais de 20 instituições financeiras, incluindo órgãos multilaterais, assinaram recentemente, em Washington a Declaração do Capital Natural, que busca mostrar a preocupação do setor com o meio ambiente às vésperas da Rio+20. Os signatários são empresas, bancos e investidores financeiros dos Estados Unidos, Grã-Bretanha, África do Sul, México e outros países, coordenados por: - IFC – International Financial Corporation*, braço do Banco Mundial; - GCP – Global Canopy Programme*, aliança de instituições científicas internacionais, e - GVCes – Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas.

O anúncio acontece paralelamente aos debates “rascunho zero” em Nova York . A Declaração do Capital Natural tem como objetivo “mostrar o compromisso em direção à integração de um critério de capital natural para produtos e serviços no século 21”. Segundo os organizadores, “o Capital Natural incorpora todos os ativos naturais da Terra (solo, ar, água, flora e fauna) e todos seus serviços ecossistêmicos, que tornam possível a existência de vida humana. Produtos e serviços provenientes do Capital Natural valem trilhões de dólares por ano e constituem alimentos, fibras, água, saúde, energia, segurança climática e outros serviços essenciais a todos”. Por este motivo, diz o comunicado, “é preciso fortalecer

Vinte anos depois…

a importância do capital natural para a manutenção de uma economia global sustentável, ao pedir para os setores privado e público um trabalho conjunto neste sentido”. Segundo o presidente do IFC, Lars Thunell, o órgão ligado ao Banco Mundial “está firmemente comprometido em proteger o meio ambiente. Essa declaração convoca o setor público e o setor privado a trabalhar juntos para criar as condições necessárias para manter e reforçar o Capital Natural como um ativo crucial, do ponto de vista econômico, ecológico e social”.

Declaração do Capital Natural Coordenada pela Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP-FI), Global Canopy Programme (GCP) e no Brasil pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV/EAESP (GVces), a Declaração tem o objetivo de mostrar que o setor financeiro reconhece e reafirma a importância do Capital Natural para a manutenção de uma economia global. Também demanda dos setores privado e público um trabalho conjunto para criar as condições necessárias para manter e acentuar a importância do Capital Natural enquanto um patrimônio econômico, ecológico e social fundamental. Capital Natural engloba recursos como solo, água, ar, flora e fauna, bem como os serviços ecossistêmicos a eles associados e que tornam possível a existência da vida humana. É uma declaração do setor financeiro demonstrando o compromisso durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável [Rio +20 Earth Summit] em trabalhar para integrar as considerações do Capital Natural os nossos produtos e serviços financeiros para o século 21. 16 REVISTA AMAZÔNIA

Para mostrar a preocupação do setor com o meio ambiente às vésperas da Rio+20

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Todo mundo gosta do conforto que a energia traz. Ana Carolina não é diferente. Mas ela gosta mesmo quando o desenvolvimento sustentável vem junto. Por isso, faz questão de pesquisar na internet notícias sobre empresas que pensam igual a ela e se preocupam com o futuro e com a vida. E foi nas redes sociais que ela descobriu que a Eletrobras gera para o Brasil uma energia proveniente de fontes limpas, renováveis e com responsabilidade socioambiental. Que analisa de perto as consequências e a viabilidade antes da construção de um grande empreendimento para produção de energia. Sempre ouvindo as comunidades e com o menor impacto ambiental possível. Isso deixa a Ana Carolina mais tranquila com ela mesma. E também com o planeta. Há 50 anos, nossa energia transforma a vida dos brasileiros.

Ana Carolina Estudante de Engenharia Ambiental

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Sustentável 2012 antecipa temas que serão debatidos na Rio+20

O evento foi organizado pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds), representante no Brasil do World Business Council for Sustainable Development – WSBCD

O

s principais pontos para a construção de uma agenda de desenvolvimento sustentável para o Brasil estiveram no centro dos debates do Congresso Sustentável 2012 - Uma Agenda para a Rio+20, realizado no dia 10 de maio, no Espaço Tom Jobim, no Rio de Janeiro. Promovido pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), o evento reuniu mais de 500 participantes, entre empresários, especialistas, representantes de ONGs, poder público, setor acadêmico e jornalistas. O objetivo foi buscar respostas para acelerar a implementação da sustentabilidade, propondo metas para o setor empresarial, políticas publicas e mudanças no comportamento do consumidor. O Sustentável 2012 apresentou cinco plenárias que sintetizaram os nove pilares do relatório Visão Brasil 2050, documento elaborado pelo CEBDS que será lançado no dia 22 de junho, às 11 horas, no Riocentro, em um side event da Rio+ 20. “O Visão Brasil 2050 é uma agenda

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que aponta para o futuro que queremos e que vai inspirar o planejamento estratégico de inúmeras empresas brasileiras”, explicou Marina Grossi, presidente do CEBDS.

Plenária 1 – A Rio+20 e a Economia Verde: Como medir o progresso em um mundo sustentável É possível medir sustentabilidade? Essa foi a pergunta-chave da plenária sobre economia verde. Durante o

debate, moderado pelo jornalista Willian Waack, foi cobrada uma definição de regras claras e fortes relativas à atuação sustentável - envolvendo empresas, governo e sociedade. O grupo defendeu que é possível a mensuração e ressaltou a necessidade de avanços em relação aos indicadores existentes, incorporando valores que atualmente ainda não compõem os cálculos de produção e gestão. A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, destacou a importância do setor privado, considerado essencial para a implementação da sustentabilidade e citou como um avanço da Rio+20 em relação à Eco 92. “Há um desafio pós-conferência, que é de ação, de sair do discurso para os compromissos. Temos que ter um pragmatismo. Vamos discutir, no fundo, a geopolítica de desenvolvimento dos países. Vai ganhar quem tiver a capacidade de inovar. Para isso, deve haver um debate econômico, se, de fato, o desenvolvimento verde assumirá o protagonismo”, afirmou a ministra. Para o presidente do Santander, Marcial Angel Portela Alvarez, é possível mensurar a sustentabilidade, mas ainda é necessário homogeneizar as medidas em diferentes países. Marina Grossi afirmou que a sustentabilidade é uma tendência que já se consolidou, mas, de fato, o custo real ainda não existe. “Essa é uma questão em que a gente precisa avançar muito”, argumentou Marina, ressaltando que é necessário alterar a medida de performance das empresas para além da financeira. A iniciativa privada depende da medição da sustentabilidade, disse a diretora do Departamento de Desenvolvimento Sustentável da Vale, Gianne Zimmer. O embaixador André Corrêa do Lago, observou que, desde a Eco 92, as empresas conseguiram demonstrar que os governos podem ser mais ousados na regulamentação e que este será um diferencial na Rio+20. Marina reivindicou ainda uma união entre os eixos de governo, empresa e sociedade. O vice-prefeito (Da esquerda para a direita) A primeira plenária contou com a participação do presidente do Santander, Marcial Angel Portela Alvarez; da Ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira; da presidente do CEBDS, Marina Grossi; do embaixador e negociador-chefe da delegação brasileira para a Rio+20 , André Corrêa do Lago e da Diretora do departamento de Desenvolvimento Sustentável da Vale, Gianne Zimmer; moderados pelo jornalista William Waack. revistaamazonia.com.br


do Rio de Janeiro, Carlos Alberto Vieira Muniz, afirmou em seu discurso que a realidade atual é diferente daquela da Eco 92, por conta da crise na Europa e nos Estados Unidos, além da ascensão social e econômica de países emergentes, que hoje têm papel decisivo na evolução de questões sustentáveis.

grandes transformações não ocorrerão pela via do consumo. “Vivemos em uma economia de mercado, o que define as escolhas são os preços. Consumo consciente é uma atitude política e sinaliza que gostaríamos que a economia de mercado fosse capaz de incorporar ao preço os custos da sustentabilidade”. O economista ressaltou ainda que os desafios são inéditos e que a realização do Plenária 2 – Escolhas seminário já indica o início da Rio+20 e o sucesso do Inteligentes: Como evento, por conta da sua capacidade de formação de o consumo altera o novas ideias. ambiente que nos cerca A fundadora da Rede Asta, Alice Freitas, enfatizou, conA união do setor empresarial com o governo e com a tudo, que o consumidor é capaz, sim, de realizar microrsociedade é prioritária na busca pelo desenvolvimento revoluções e alterar o cenário. Para Márcia Muchagata, assessora da Secretaria Executiva do Ministério do Desenvolvimento Social, a formação de preço dos produtos é fator determinante neste processo. “O preço hoje não contabiliza os custos ambientais.” A importância da educação e da transformação do sistema pedagógico, com a inclusão das questões ambientais e sociais, foi reforçada pela diretora de Sustentabilidade da Amil, Odete Freitas. Já o presidente da Syngenta, Antônio Carlos, destacou a inovação tecnológica como peça fundamental (Da esq. Para direita) - Com o tema “Escolhas inteligentes: como o consumo altera o ambiente que nos cerca” a segunda plenária teve de avanço, capaz de viabilizar o consumo a participação da diretora de Sustentabilidade da Amil, Odete Freitas, do presidente da Syngenta, Antônio Carlos Guimarães, da assessora da Secretaria Executiva do Ministério do Desenvolvimento Social, Márcia Muchagata; da fundadora da Rede Asta, Alice Freitas e do presidente do Grupo de Trabalho da Prefeitura do Rio de Janeiro para a Rio+20, Sérgio Besserman

sustentável. Este foi o consenso entre os participantes da segunda plenária do Congresso Sustentável 2012. A responsabilidade sobre os problemas ambientais e sociais existentes e pelas suas soluções, entretanto, dividiu o grupo de debatedores sobre o tema “Escolhas inteligentes: como o consumo altera o ambiente que nos cerca”. Para o presidente do Grupo de Trabalho da Prefeitura do Rio de Janeiro para a Rio+20, Sérgio Besserman, as

Plenária 3 - A Energia como vantagem comparativa do Brasil no contexto do desenvolvimento sustentável de menos recursos naturais no processo produtivo. A matriz energética limpa do Brasil, composta por cerca de 50% de energia renovável, deixa o país em vantagem em relação às demais nações do mundo, com grandes expectativas futuras, mas é preciso utilizar bem o insumo para um crescimento socioeconômico sustentável. Esta foi a conclusão dos palestrantes do terceiro painel.

(Da esquerda para a direita) Jornalista e escritor, Ricardo Arnt; pres. do Instituto Acende Brasil, Cláudio Sales; subsecretária de economia verde do estado do Rio de Janeiro, Suzana Kahn; senador Rodrigo Rollemberg; Vice-presidente de Desenvolvimento Sustentável e Relações Externas da Raízen, Luiz Eduardo Osório revistaamazonia.com.br

Para a subsecretária de Economia Verde do Estado do Rio de Janeiro, Suzana Kahn, a maior vantagem do país está no potencial de outras fontes que ainda não foi exploradas, como, por exemplo, energia solar, eólica e biomassa. O armazenamento de energia é também ponto fundamental. “No futuro, vamos precisar de todas as matrizes, aliadas à eficiência energética”, afirmou. O Brasil – disse Suzana – está bem situado nas questões energética, política e inclusão social. O presidente do Instituto Acende Brasil, Claudio Sales, aposta nessa vantagem brasileira. Para ele, é preciso que a energia seja viável e competitiva para as indústrias e para a economia nacional. A questão do etanol foi lembrada pelo vice-presidente de Desenvolvimento Sustentável e Relações Externas da Raízen, Luiz Eduardo Osório. Ele defende o aumento da produção para atender a demanda doméstica e também para exportação. Ter uma matriz diversificada, disse o senador Rodrigo Rolemberg, é um privilégio para o Brasil. “Precisamos aproveitar essa diversidade para ganhar competitividade. O país precisa saber usar bem a energia e não ser apenas um mero produtor de energia. É necessário investir em tecnologia para agregar valor à produção nacional”, concluiiu o senador.

Plenária 4 – A cidade como ambiente promotor da sustentabilidade As cidades brasileiras devem buscar o rumo do desen-

(Da esquerda para a direita) -Participaram da plenária o presidente do CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), Paulo Simão, o diretor de Infraestrutura e Cidades da Siemens, Sérgio Boanada, a secretária do Programa BPQP-H, do Ministério das Cidades, Sallete Weber; a diretora para América Latina e Caribe do ICLEI, Florence Laloe; e a consultora da Ecohouse, Alexandra Lichtenberg REVISTA AMAZÔNIA 19


volvimento sustentável. O caminho é longo, os desafios são grandes e há muito o quê fazer. Esta foi a principal mensagem da plenária “A cidade como ambiente promotor da sustentabilidade”. As soluções passam por um planejamento urbano, com gestão das águas e dos resíduos sólidos e redução da emissão de gases poluentes. Para a consultora da Ecohouse, Alexandra Lichtenberg ainda falta uma visão sistêmica sobre as soluções para questões que são consideradas problemas, como saneamento e resíduos sólidos. “A sociedade precisa olhar o lixo urbano, por exemplo, não como um problema, mas como uma solução para o desenvolvimento sustentável”, disse a consultora. Para ela, é preciso haver colaboração entre o privado, o público e a sociedade civil para a viabilização de cidades sustentáveis. De acordo com a diretora para América Latina e Caribe do ICLEI, Florence Laloe, os últimos 20 anos trouxeram algumas transformações positivas para as cidades, mas ainda é preciso avançar mais. A secretária do Programa BPQP-H, do Ministério das Cidades, Sallete Weber, observou que os países, inclusive o Brasil, estão cada vez mais urbanos. “O foco sustentável deve estar concentrado mesmo nas grandes metrópoles. Já avançamos, mas ainda é preciso investir nas urbanizações das cidades”, afirmou a secretária. O presidente do CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), Paulo Simão, concorda que mudanças vêm acontecendo nos últimos tempos, mas revela que existem perdas de cerca de 45% nas áreas de saneamento e esgoto. Mas o processo está em evolução. As perdas técnicas e comerciais da energia também foram lembradas pelo diretor de Infraestrutura e Cidades da Siemens, Sérgio Boanada. Ele disse que hoje, estão em torno de 20%.

Plenária 5 – Lançamento da parceria empresarial pelos serviços e ecossistêmicos Na última plenária do Sustentável 2012 foi lançado, pelo CEBDS, o programa Parceria Empresarial pelos Serviços Ecossistêmicos, junto com os parceiros World Resources Institute (WRI), USAID e FGV-SP. De acordo com Marina Grossi, presidente do CEBDS, o programa traz uma ferramenta única e inédita, que ajudará as empresas a gerenciar proativamente riscos e oportunidades nos negócios, decorrentes de suas dependências e impactos sobre os serviços ecossistêmicos. Para o coordenador do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV-SP, Mário Monzoni, a parceria irá impulsionar novas soluções de negócios em meio à larga

(Da esquerda para a direita) - Na última plenária do Sustentável 2012, o CEBDS, WRI (World Resources Institute), USAID e FGV-SP lançaram o programa Parceria Empresarial pelos Serviços Ecossistêmicos (PESE). Participaram da plenária o coordenador de projetos do WRI, Francisco Almendra, o coordenador do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV-SP, Mário Monzoni, a presidente do CEBDS, Marina Grossi, o diretor da USAID, Lawrence Hardy; e a representante do WRI, Rachel Biderman

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degradação dos ecossistemas. O diretor da USAID, Lawrence Hardy, disse que a parceria é uma grande oportunidade para a preservação dos recursos naturais e para o aprendizado das empresas brasileiras na realização de negócios aliado ao crescimento e desenvolvimento sustentável. O representante do WRI, Rachel Biderman, listou os benefícios da parceria para as empresas participantes do programa. Entre os quais, consultoria personalizada de especialistas, implementação de novas estratégias de negócios, treinamento no gerenciamento dos serviços ecossistêmicos e reconhecimento público em sustentabilidade empresarial.

Rio Cidade Sustentável O Rio Cidade Sustentável promoveu uma série de debates envolvendo representantes de empresas, poder público, ONGs e lideranças comunitárias para trocarem experiências e conhecimentos sobre temas relevantes da sustentabilidade. O evento fez parte da programação do congresso Sustentável 2012. As discussões, ao longo do dia, foram divididas em quatro painéis, cujos temas corresponderam às frentes de atuação do projeto piloto Rio Cidade Sustentável, executado nas comunidades pacificadas da Babilônia e Chapéu Mangueira, no Leme, Zona Sul da cidade, em parceria com a Axia Sustentabilidade. Os painéis trataram dos seguintes temas: Melhoria Habitacional Sustentável, Infraestrutura Urbana Verde, Empreendedorismo e Turismo Sustentável e Agricultura Urbana Orgânica. Representantes das duas comunidades participaram das rodadas de debates que serviram também como uma avaliação preliminar das ações do projeto. Representando as empresas, evolvidas no Rio Cidade Sustentável, participaram Márcio Quintino, diretor de Sustentabilidade da Phillips, Cláudio Hermolin, diretor regional da Even, Christiane Canavero, diretora de Sustentabilidade da Dow, Glauce Ferman, diretora de Sustentabilidade da Michelin e Daniel Preto, gerente de Assuntos Corporativos da Souza Cruz. revistaamazonia.com.br


Brasil vai defender criação de novo índice para medir desenvolvimento mundial durante a Rio+20 Fotos: Márcia Kalume/Agência Senado

O

governo brasileiro vai defender a criação de um novo índice para medir o desenvolvimento no mundo durante a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20). Segundo Karen Suassuna, diretora de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente, as métricas utilizadas hoje, como o Produto Interno Bruto (PIB) e o Índice de Desenvolvimento Social (IDH), não traduzem mais a realidade dos países. “Hoje dimensionamos crescimento sem medir a questão

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Karen Suassuna, diretora de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente, senador Sérgio Souza, relator da CMMC, o deputado Márcio Macedo, presidente da CMMC, e o embaixador André Corrêa do Lago, diretor do Deparamento de Meio Ambiente do Ministério de Relações Exteriores, durante o evento

sustentável. Queremos, ao longo dos anos, desenvolver indicadores que tenham apoio no tripé econômico, social e ambiental”, defendeu, durante uma audiência na Comissão Mista de Mudanças Climáticas do Congresso Nacional. Para o deputado Alfredo Sirkis, que integra a comissão, a adoção do novo indicador é um dos pontos que devem estar na proposta sobre economia verde, que fará parte do rascunho zero da Rio+20. “Não queremos a adoção de indicadores paralelos, como um PIB Verde, mas contestar o próprio PIB como métrica de desenvolvimento do planeta. O PIB não serve mais”, afirmou. Sirkis ainda defendeu que a proposta sobre economia verde seja enxugada para ser mais bem compreendida. Segundo ele, além do novo índice, o modelo deve propor a adoção de valores dos ecossistemas, um novo sistema tributário para estimular a redução de emissão de car-

bono e o investimento em pesquisas sobre temas como energia limpa, reflorestamento, saneamento e transporte sustentável. O embaixador brasileiro André Corrêa do Lago, diretor do Deparamento de Meio Ambiente do Ministério de Relações Exteriores alertou que, hoje, o debate sobre desenvolvimento sustentável não é mais uma alternativa, mas uma resposta prática às mudanças do clima e à erradicação da pobreza. “A previsão é que, em 2050, sejamos 9 bilhões de pessoas no mundo. Com o esforço de países como o Brasil em tirar milhares de pessoas da pobreza, teremos cada vez mais gente consumindo água, alimentos e energia, por exemplo. Os atuais padrões são insustentáveis e não nos permite oferecer acesso a serviços básicos a este público”, disse o diplomata.

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O Brasil Agro está preparado para ser referência para outros países na produção agrícola

Rio + 20, agricultura sustentável e seus paradigmas por Jose A. Annes Marinho*

É

necessária uma reflexão entre todos aqueles seriamente preocupados com o desenvolvimento sustentável brasileiro e mundial. A população do planeta chegará a nove bilhões de pessoas em 2050. Alimentar essas pessoas com carne, fibras e verduras exigirá o aumento da produção e qualidade agrícola em níveis muito superiores aos que assistimos hoje. Além disso, o aumento de produção enfrentará os desafios de um clima cada vez mais instável e a limitação da expansão das áreas plantadas. Isso tudo leva a crer que a Rio + 20 pode ser um local de discussões e alinhar importantes ações para o crescimento agrícola mundial com sustentabilidade. Senhores, dois temas de grande importância para futuro da humanidade: Sustentabilidade e Agricultura. A Rio + 20 tende a ser um fórum político, onde debates podem ser explorados, visando dar direção e diretrizes de como chegar a um modelo agrícola cada vez mais eficiente que nos permita matar a fome das pessoas, aumentar a produção e manter o equilíbrio com o meio ambiente. O fato é que, quando focamos na ciência, a ideologia não consegue prosperar, esse é um dos cuidados que nossos organizadores da Rio + 20 devem ter fortemente. Outras atividades como incentivo a formação de grupos de discussão, buscando soluções, a curto, médio e longo prazo, para tornar o mundo mais equilibrado tanto nos campos como nas cidades: tarefa difícil, pois os interesses econômicos são grandes. Porém, meu caro leitor, observa-se alguns posicionamentos na comunicação que nada ajudam o Brasil a prosperar e o mais prejudicial: relaciona-

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Sete usinas brasileiras que produzem açúcar e etanol já receberam a certificação mundial da Bonsucro (Better Sugarcane Initiative), considerado um importante passaporte para exportações destes produtos ao garantir as melhores práticas de sustentabilidade durante o processo produtivo

dos a Rio + 20. Não devemos deixar de prosperar posições desastrosas e infundadas de nossa agricultura que prejudiquem a imagem de nosso país. A ciência deve prevalecer. Há

aqueles que questionam o modelo agrícola brasileiro, focado nos grandes produtores, deixando de lado os pequenos, prioriza grande áreas? Será que isso é verdade? Pois bem, não vejo desta forma, todos os produtores brasileiros são valorizados, utilizam tecnologias, estão com sua renda cada vez maior em nossos campos, estão buscando educação, capacitação para gerenciar cada vez melhor seus negócios, suas propriedades. Existem problemas? Claro que sim, temos vários exemplos: logística, falta de informação em algumas regiões, dificuldade de adoção de tecnologia, falta uma política adequada para alguns setores, mas isso não impede que muitos produtores adotem gradativamente tecnologias que auxiliam sua renda, do grande até o pequeno. Agora pergunto: e por que ainda há aqueles que desafiam a capacidade de nossos produtores? Somos o país que mais preserva no mundo! Somos líderes em uso eficiente de insumos, temos uma grande área de plantio direto, tecnologia que seqüestra carbono, e infelizmente às vezes somos taxados de “insustentáveis”. Por fim, se a ciência dominar a Rio + 20, teremos grandes avanços no campo em busca de um mundo mais sustentável. O Brasil Agro está preparado para ser referência para outros países na produção agrícola. O melhor ainda está por vir. Rumo a Rio + 20, rumo à liderança mundial em produção de alimentos.

[*] Engenheiro Agrônomo, Gerente de Educação da Associação Nacional de Defesa Vegetal, MBA em Marketing – FGV. revistaamazonia.com.br


RE121

Preservar o meio ambiente é da nossa natureza

PENSE

VERDE

Alguns resultados de ações socioambientais realizadas pela Yamada:

40

milhões de m2 de Floresta Amazônica

preservada nas Fazendas Yamada. revistaamazonia.com.br

44,4

milhões de Kw/h

economizados, suficientes para abastecer 296 mil casas por 30 dias.*

153,7

milhões de litros d’água

economizados, que poderiam abastecer mais de 8.500 casas por 30 dias.*

1.227

toneladas de CO2

deixaram de ser emitidas na natureza através das ações socioambientais.* REVISTA AMAZÔNIA 23

*Dados de janeiro de 2004 a maio de 2012

Desde 1962, com a aquisição da Fazenda Tauaú, o Grupo Y.Yamada realiza diversas ações em prol do meio ambiente. Compromisso que hoje se destaca com a implantação de lojas sustentáveis - de 2004 até hoje já são 10 novas unidades com este formato, e o projeto Pense Verde, que já distribuiu 20.000 mudas de espécies amazônicas para os clientes Amigos da Natureza e que agora passa para sua terceira fase, com a distribuição de mais 10.000 novas árvores.


Bonn será a sede do novo painel internacional para a biodiversidade por Helena Geraldes

IPBES – Plataforma Intergovernamental para a Biodiversidade e os Serviços dos Ecossistemas Fotos: Rudolph Hühn e Zilfhes Wartys

A

Plataforma Intergovernamental para a Biodiversidade e os Serviços dos Ecossistemas (IPBES), que visa esclarecer questões sobre a biodiversidade e os ecossistemas, terá sede instalada em Bonn, na Alemanha. A escolha foi realizada durante uma conferência internacional que reuniu especialistas de todo o mundo no Panamá. A iniciativa já tinha sido aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em dezembro de 2010. O projeto pretende dar consistência ao Painel Intergovernamental das Nações Unidas para as Alterações ClimátiNeville Ash, Chefe da Biodiversidade, do PNUMA

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Na reunião da cidade do Panamá, que ficou decidido que a sede do IPBES, será em Bonn

cas (IPCC), que tem promovido o conhecimento global sobre as mudanças do clima. O papel do IPBES será analisar e aprovar os estudos sobre a classificação e as tendências de espécies e ecossistemas, além de oferecer soluções políticas. “O IPBES representa um grande avanço em termos de organização de uma resposta global à perda de organismos vivos e de florestas, rios, recifes de coral e outros ecossistemas”, afirmou Achim Steiner, diretor executivo do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (Pnuma e Subsecretário-Geral da ONU). Steiner declarou ainda: “Após anos de debates e negociações políticas complexas, chegamos hoje a uma conclusão positiva, uma nova conquista em termos de resposta da humanidade para reverter a perda de biodiversidade e a degradação dos ecossistemas, desde as florestas até as águas”. revistaamazonia.com.br


As funções essenciais da IPBES abrangerão as seguintes áreas: Š Identificar e priorizar informações científicas necessárias para tomadores de decisão e catalisar esforços para a geração de novos dados; Š Efetuar avaliações regulares e oportunas sobre os serviços da biodiversidade e dos ecossistemas e suas interligações; Š Apoiar a formulação e implementação de políticas por meio da identificação de ferramentas e metodologias Mostrando as urnas antes da votação

Paulino Franco e Carlos Joly, Delegados do Brasil

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relevantes; Š Definir prioridades nas necessidades de capacitação para melhorar a interface entre ciência e política e para fornecer e buscar suporte para as necessidades prioritárias relacionadas diretamente às suas atividades. O IPBES responderá às solicitações de governos, acordos ambientais multilaterais e organismos das Nações Unidas, bem como outras partes interessadas relevantes, por informações científicas relacionadas aos serviços dos ecossistemas e da biodiversidade. Um núcleo financeiro será estabelecido para o recebimento de contribuições voluntárias de governos, organismos das Nações Unidas, Fundo para o Meio Ambiente Global (GEF), outras organizações intergovernamentais e outras partes interessadas, tais como o setor privado e fundações. Em Nagoia os governos adotaram ainda um novo plano estratégico com metas para travar a perda da biodiversi-

dade até 2020. Por exemplo, os governo aceitaram aumentar a superfície das áreas protegidas de 12,5% para 17% da superfície da Terra e passar as áreas marinhas protegidas do atual 1% para 10%. De acordo com a ONU, o atual ritmo de perda das espécies, causado pelas actividades humanas, é “mais de cem vezes superior ao da extinção natural”. Hoje estão ameaçadas de extinção ao nível mundial uma em cada três espécies de anfíbios, mais de uma espécie de aves em cada oito, mais de um mamífero em cada cinco e mais de uma espécie de conífera em cada quatro. “Hoje, a biodiversidade venceu. Mais de 90 governos estabeleceram com sucesso a interface entre a ciência e a política pública para todos os países. A biodiversidade e os serviços ecológicos são essenciais para o bem-estar da humanidade. Essa plataforma irá gerar conhecimento e nos dará capacidade de protegê-los para as gerações futuras”, afirmou Watson, o coordenador do encontro no Panamá, Robert Watson, que é conselheiro científico do Departamento para o Meio Ambiente, Alimentos e Negócios Rurais do Reino Unido. Presidente Robert Watson e Mayra Arosemena, Vice-Ministra dos Negócios Estrangeiros, Panamá

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A proposta de Angela Merkel, Chanceler Federal da Alemanha

A

biodiversidade é nada menos que a base existencial da humanidade. Protege-nos de catástrofes naturais e regula o clima global. Fornece alimentos, oferece solos férteis e possibilita o desenvolvimento de medicamentos. Garante trabalho e renda a inúmeras pessoas. A proteção da biodiversidade é, pois, uma condição essencial para o desenvolvimento sustentável e o combate à pobreza a nível mundial. Só conseguiremos enfrentar este desafio global de forma eficaz por meio de ações coordenadas de cooperação internacional. Mas não nos iludamos: isoladamente, a esfera política não será capaz de enfrentar esta enorme tarefa transversal. Necessitará de apoio – sobretudo do setor da ciência. Pois somente se os gestores públicos dispuserem de informações independentes, cientificamente fundamentadas e, portanto, convincentes sobre o estado e o desenvolvimento da biodiversidade e as ameaças a que está sujeita, poderão tomar as decisões necessárias para a proteção da biodiversidade global. Por esta razão necessitamos de uma plataforma capaz de reunir todos os protagonistas e portadores de conhecimento relevantes, capaz de congregar o leque mais amplo possível de conhecimentos e de prestar apoio consultivo explícito aos responsáveis pela política da biodiversidade. É exatamente esta a função da plataforma consultiva internacional sobre a biodiversidade, IPBES. Deverá nos ajudar a registrar o valor da diversidade de espécies e ecossistemas de forma duradoura no foco de atenção da política e da consciência pública para finalmente pôr termo a sua irrefreada destruição. A proteção e o uso sustentável da diversidade biológica continuam sendo um anseio fundamental para a Alemanha

A chanceler alemã Angela Merkel alimenta grupo de lóris arco-íris

– mesmo depois de concluída a presidência da COP. Por esta razão, gostaríamos de sugerir para sede da secretaria da IPBES o centro alemão das Nações Unidas: a cidade federal de Bonn.

A “Plataforma Intergovernamental sobre a Biodiversidade e Serviços Ambientais” é um mecanismo proposto para reforçar a política de ciência na interface e serviços dos ecossistemas, biodiversidade e aumentar a contribuição dos processos existentes que visam assegurar que as decisões são tomadas com base nos melhores informação científica disponível sobre a conservação e uso sustentável da biodiversidade e serviços dos ecossistemas. IPBES é proposto como um mecanismo similar de forma ampla para o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas ( IPCC ).

Ovação de pé para o estabelecimento do IPBES e o trabalho do Presidente Robert Watson, conselheiro científico do Departamento para o Meio Ambiente, Alimentos e Negócios Rurais do Reino Unido 26 REVISTA AMAZÔNIA

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PROGRAMA

O ESTADO JUNTO COM OS MUNICÍPIOS, PRODUTORES E A SOCIEDADE. É NESSE AMBIENTE QUE O PARÁ ESTÁ COMBATENDO O DESMATAMENTO. Lançado há um ano, o Programa Municípios Verdes já recebeu a adesão de 91 dos 144 municípios do Pará. Eles estão engajados no controle do desmatamento, incentivando a regularização das atividades produtivas, o reflorestamento, a economia sustentável. Um modelo que atraiu a atenção do Brasil e foi premiado no exterior. E o mais importante: está trazendo resultados concretos na redução do desmatamento da Amazônia. É o Pará inteiro em favor do meio ambiente.

MUNICÍPIOS QUE ADERIRAM AO PROGRAMA

www.pa.gov.br

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Aqui, sustentabilidade テゥ uma tradiテァテ」o.

www.eletronorte.gov.br 28 REVISTA AMAZテ年IA

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E a Eletrobras Eletronorte tem muito orgulho de fazer parte dessa história.

A Eletrobras Eletronorte acredita que o respeito às diferenças e ao planeta seguem lado a lado. Por isso, há 25 anos desenvolve os programas Waimiri Atroari e Parakanã, referências mundiais na promoção da autonomia indígena. Com ações de apoio à produção, educação, cultura e saúde, essas etnias hoje estão livres da extinção. Os 621 índios que corriam o risco de desaparecer, hoje somam quase três mil brasileiros e provam ao mundo que sustentabilidade existe de verdade. 19 de abril. Dia do Índio.

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Universitários Surui em plena selva, com seus Notebook’s, um de direito e o outro de Gestão Ambiental

Fotos: Acervo Metareila/ Kaninde, Andrea Ribeiro/ Metareila e Sergio Cruz/Kaninde

O

povo Paiter Surui, vivem na Terra Indígena Sete de Setembro, que fica localizada nos Estados de Rondônia e Mato Grosso, a maior parte do Projeto de Carbono Florestal Surui esta em Rondônia, um dos Estados que mais desmata junto com Mato Grosso. Sua população é de aproximadamente 1350 pessoas. A terra indígena tem o seu entorno áreas consolidadas de agropecuária e do outro o Corredor Etnoambiental Tupi Mondé, composto pelas terras indígenas Igarapé Lourdes, Zoró, Roosevelt, Parque do Aripuanã, Aripuanã e Serra Morena, as Unidades de Conservação Reserva Biológica do Jaru, e 19 Reservas Extrativistas, formando um importante corredor de biodiversidade. 30 REVISTA AMAZÔNIA

O contato com a sociedade não indígena ocorreu em 07 de Setembro de 1969 realizado pela FUNAI – Fundação Nacional do Indio, que diminuiu o território indígena para dar passagem a construção da rodovia BR-364 que conecta Cuiabá (MT) a Porto Velho (RO),em 1968, e iniciou um processo migratório que trouxe em média 65.000 pessoas por ano entre 1980-1983, subindo para 160.000 migrantes anualmente no período entre 1984-1986. Com o contato a população que era de cinco mil pessoas, segundo os lideres Paiter Surui, foi reduzida a 250 pessoas, devido a epidemias de tuberculose, blastomicoses, pneumonia, gripe, sarampo entre outras para as quais não tinham o sistema imunológico preparado para combatê-las. Com o contato a FUNAI iniciou a venda de ilegal de madeira no interior da terra indígena, trazendo o desmatamento e o aliciamento de algumas lideranças. Em 1988, os Paiter vendo a situação do povo cujo único beneficio

da venda da madeira era alcoolismo, perda de fauna e flora e desagregação da família, resolvem expulsar os madeireiros e denunciar os funcionários corruptos que haviam dentro do Órgão público. Para tanto criam a Associação Metareilá do Povo Indígena Surui que passa a combater as ilegalidade e a propor projetos econômicos sustentáveis. Realizam entre 1999 e 2002 com o apoio da Kanindé – Associação de Defesa Etnoambiental e o Ministério do Meio Ambiente em parceria com a Metareilá, o diagnóstico agroambiental da Terra Indígena Sete de Setembro e o Plano de Gestão de 50 anos de seu território. O Diagnóstico mostram que 7% do território estava desmatado e que levou os Paiter a tomarem a decisão de reflorestar e assim se inicia a busca por apoio e assistência técnica. Fazem parceria com a Kanindé e Aquaverde promovem o plantio de 140 mil árvores, das espécies nativas que foram roubadas da reserva. revistaamazonia.com.br


Povo Paiter Suruí tem o projeto de Carbono Florestal Validado nos padrões VCS e CCB por Ivaneide Bandeira Cardozo1 e Andreia Fortini2

Tribo indígena de Rondônia venderá carbono com selo verde Almir e Luis Surui

OS PAITER SURUI, serão a primeira

Junto com o reflorestamento o Labiway esaga (líder maior) do povo Paiter Surui, o indígena Almir Narayamoga Surui, buscou outras alternativas e viu no carbono florestal um potencial para manter a floresta em pé e conseguir implementar parte do Plano de Gestão do território.

O Projeto de Carbono Florestal Surui O Projeto de Carbono nasceu da busca do povo Paiter Surui de mecanismos que garantam a manutenção de sua revistaamazonia.com.br

cultura, da proteção da floresta e da garantia de melhoria da qualidade de vida do povo indígena. A realização de um projeto de carbono leva tempo e cuidados, principalmente se for em terras indígenas. Para a realização Almir Surui buscou parcerias que tivessem conhecimento sobre o assunto, assim conseguiu o apoio e a parcerias das seguintes instituições: Associação Metareilá do Povo Indígena Surui – proponente do projeto e responsável por sua execução e implementação. Kanindé – Associação de Defesa Etnoambiental para a

nação indígena do mundo a faturar com o carbono da floresta mantida em pé. Após receberem, recentemente, duas certificações internacionais, os paitersuruís, de Rondônia, têm permissão para fechar contratos para gerar créditos de carbono pelo desmatamento que evitarem em seu território. Segundo o líder da tribo que até a década passada entregava suas terras à exploração ilegal de madeira, Almir Narayamoga Suruí, o projeto pode render de R$ 2 milhões a R$ 4 milhões por ano até 2038 por evitar 13,5 mil hectares de desmate. O dinheiro será aplicado em uma espécie de “fundo soberano” para alavancar atividades econômicas sustentáveis, como o turismo e a produção agrícola nas terras já desmatadas REVISTA AMAZÔNIA 31


Terras Indígenas na Amazônia Brasileira • 163 povos, com uma população de aproximadamente 204.000 indígenas • 388 Terras Indígenas, que juntas totalizam 104.088.448 hectares. • A maioria das terras indígenas são consideradas de extrema importância e prioritárias para a conservação da biodiversidade, pelo Governo Brasileiro. • A maioria sofre invasões de madeireiros, fazendeiros, grileiros e posseiros. • Os Órgãos responsáveis por sua proteção não tem atuado de forma a conter os invasores. O patrimônio indígenas e seus recursos naturais vem sendo destruídos. realização do Etnozoneamento, reflorestamento e assessoria técnica. ECAM – Equipe de Conservação da Amazonia para a realização do Consentimento Prévio Informado, o mapeamento cultural e o Plano de Proteção do território e os levantamentos biológicos. FUNBIO – Fundo Brasileiro para a Biodiversidade para que desenvolvesse o Fundo de Gestão, que é um mecanismo financeiro capaz de segregar as diferentes operações, otimizando a aplicação de recursos de diferentes fontes. Forest Trends – Apoio de base jurídica e capacitação em serviços ambientais, além de facilitar contato com investidores. IDESAM Instituto de Coservação e Desenvolvimento

queriam que tudo fosse feito de forma correta. Foram realizadas audiências públicas nas Câmaras de Vereadores de Cacoal (RO) e Rondolândia (MT), para que a população não indígena pudesse se manifestar. O projeto foi apresentado ao Ministério Público Federal, a FUNAI em Brasilia e ao Governo de Rondônia que deu uma carta de apoio.

Sustentável da Amazonia Elaboração do documento de concepção do projeto (PDD) para um projeto de desmatamento evitado (REDD) incorporando os dados técnicos fornecidos pelas organizações parceiras. FUNAI – Fundação Nacional do Indio, foi convidada pelos Paiter Surui para acompanhar o processo de desenvolvimento do projeto em todas suas fases e contribuir técnicamente. Esta designou técnicos da Coordenação Regional de Cacoal e de Brasilia. Os técnicos locais acompanharam todo o processo. Foram 3 anos de muito trabalho, pesquisas, capacitações e envolvimento dos indígenas e dos técnicos, pois sabiam que este projeto seria referência para outros indígenas e

Paiterey Karah (Terra Indígena Sete de Setembro)

Validação do Projeto Os Suruí acabam de concluir um marco histórico do projeto Carbono Florestal Suruí: a validação nos padrões CCB – Clima, Comunidade e Biodiversidade e VCS - Verified

. 1:270.000 7

3.5

0

7

14

21

28 Km

Baga Soe tik (Legenda) Pala at ah (Zonas Sagradas)

Paiter ey Karah Katap (Limites da Terra Indígena)

"

Yap gat (Taquara)

Garah Pine Wah (Zona de Recuperaçao)

Marip ey pãyah (Local de Pesca)

Gakorap ah (Zona de Caça)

Waabiwe Wah (Local de Guerra) Panãk ey aso e (História)

Paiter ey Sade akarah mã ãh ewa (Zona de Resgate) Paiter ey Karah atinah (Zona de Proteçao Integral)

Mãteret ey amãp gõt (Castanhal Antigo)

Sodoy Karah (Zona de Produção)

Ikar Tih (Lagoa Grande)

Pabip ah (Zona de Interação Suruí - Zoró) Ih pinah (Rede Hidrográfica) Morip ey Pãyah (Zona de Pesca)

GoGoK ey xi - Mã môboh (Cachoeira Sagrada) Polomatãg (Medicina Tradicional) Gakorap ah kãy (Local de Caça dos Antigos) Paiter Parkawah (Cemitério)

Gayak (Argila)

"

#

Mapa do Etnozoneamento Realização:

Associação Metareilá do Povo Indígena Suruí

#

Apoio: # #

Elaboração: Rodrigo Soares (KANINDÉ) Colaborador: Wesley Pacheco (ACT BRASIL) Colaborador: Joton Suruí (Gabgirey) Colaborador:Anderson Suruí (Gabgirey) Colaboradora: Ivaneide Bandeira Cardozo (KANINDÉ) Fonte: Base Temática Elaborada a partir de informações da Kanindé, Metareilá e ACTBrasil. www.kaninde.org.br

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de carbono baseados no uso da terra e está focado na avaliação dos impactos socioambientais do projeto, podendo ser utilizado independente da localização geográfica, da data de inicio ou do tamanho do mesmo. Este sistema busca avaliar de forma integrada as reduções de emissões ou remoções de Gases de Efeito Estufa (GEE), além dos benefícios para a comunidade e a biodiversidade. “A certificação nos padrões CCB não gera

Almir Surui explicando a validação do projeto Carbono Florestal Suruí

Carbon Standard. O carbono florestal é o primeiro projeto de REDD+ dentro de uma terra indígena e surgiu como uma das opções de financiamento dentro do Plano de Gestão de 50 anos da Terra Indígena Sete de Setembro, uma das alavancas em direção à economia verde.

Importância da validação A validação é o processo de avaliação independente, uma espécie de auditoria, com o objetivo de averiguar

se o projeto atende às salvaguardas socioambientais e a protocolos internacionais que garantem a qualidade dos cálculos de carbono. O Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), através de uma parceria com a Rainforest Alliance, conduziu os processos de validação do Projeto Carbono Suruí seguindo os critérios do sistema Clima, Comunidade e Biodiversidade (CCB) e do Verified Carbon Standard (VCS). O sistema CCB é direcionado para atividades de projetos

Rubens Surui - estudante de direito

Bela paisagem da Terra Indígena Sete de Setembro revistaamazonia.com.br

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Reduções Verificadas de Emissões (RVE’s), portanto, para a comercialização dos créditos, os padrões CCB devem ser combinados com um padrão de contabilidade de carbono, como por exemplo, o Voluntary Carbon Standard (VCS) ou as metodologias definidas pelo Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL)”, explicou Maurício Voivodic do Imaflora.

Soeitxagh Surui (filha do Almir)

O consentimento livre, prévio e informado Num primeiro momento os Surui realizaram as discussões e reuniões entre si, para chegarem aos consensos mínimos referentes à possibilidade de desenvolvimento e implementação do Projeto Carbono Surui. A segunda contou com reuniões entre as lideranças indígenas, representantes das associações locais e chefes dos clãs com as demais instituições participantes do projeto, tais como a Forest Trends, o Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas – IDESAM, a Equipe de Conservação da Amazônia, ECAM, a Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé, a Fundação Brasileira para a Biodiversidade – FUNBIO e a Fundação Nacional do Índio – FUNAI. A terceira e última etapa foi finalmente o trabalho de campo, através das visitas e reuniões comunitárias nas aldeias Paiter Suruí.

Soeikingh Surui (filha do Almir)

Iniciativa pioneira Foram feitos vários estudos, levantamentos antropológicos, biológicos e etnozoneamento durante as dezenas de visitas a Terra Indígena Sete de Setembro até a elaboração do projeto Carbono Florestal Suruí (PCFS). Os Paiter Surui não assinaram nenhum contrato de carbono, pois sua meta era ter um projeto que desse segurança ao povo indígena, ao Governo Brasileiro e aos investidores. A declaração de Márcio Meira, presidente

O sistema ODK - open data kit. A tecnologia android usa o sistema operacional criado pela Google para a coleta de dados. O android reúne em um só aparelho o formulário de coleta, o GPS e a máquina fotográfica Oxiener, Gleice Yung (Cantora canadense) e Marimop

da FUNAI reflete bem a preocupação dos Paiter Surui. “O povo Suruí, quando foi procurado para celebrar um contrato de crédito de carbono imediatamente fez o certo; procurou a FUNAI para que pudesse orientá-los primeiro sobre o que é REDD, o que é crédito de carbono e como que isso pode ser feito. Tivemos uma série de reuniões com eles e estamos orientando-os para que, quando no futuro, eventualmente seja regulamentado,eles possam assinar um contrato legal” Para maior segurança os Paiter firmaram um Termo de Acordo entre as seis associações do Povo Paiter, liderado pela Associação Metareilá, que tem o apoio dos clãs divididos nas 25 aldeias dentro da Terra Indígena.

O futuro do projeto Carbono Florestal Suruí A partir da validação e da certificação todo o recurso gerado pelo Projeto carbono Florestal vai fazer parte do Fundo Paiter Suruí, lançado durante a COP 16 em Cancun no México. O Povo Suruí está sendo capacitado para assumir a gestão do Fundo posteriormente a esta data. O FUNBIO criou um Manual Operacional que define as regras para gestão do 34 REVISTA AMAZÔNIA

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Em uma reunião da comunidade

Almir Surui, com Rodrigo e Ronaldo Hühn, após sua bela exposição no 3º Fórúm Mundial de Sustentabilidade

O Projeto Carbono Suruí utiliza duas formas de compensação:

o seqüestro de carbono propriamente dito, por reflorestamento, e o desmatamento evitado e conservação de estoques de carbono através da redução do desmatamento e degradação florestal. Simplificadamente, o crédito de carbono é uma compensação em dinheiro paga por empresas de qualquer parte do mundo que emitem carbono na atmosfera para uma pessoa ou grupo de alguma forma conservar a natureza. Os recursos recebidos vão para o Fundo Carbono Suruí. Técnicos do Idesam, o Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas, acompanham o processo. revistaamazonia.com.br

Fundo. Cada associação indígena, ou organização implementadora não indígena terá acesso ao fundo seguindo um planejamento anual. Caberá ao Conselho Deliberativo (Labiway-Ey) composto só de indígenas Paiter Surui supervisionar a atuação do gestor financeiro. O Fundo segue princípios de boa governança e transparência, onde os conselhos representativos indígenas exercem papel decisório. O Povo Paiter Suruí continua trabalhando com reflorestamento e no plano de negócios para vender produtos florestais, como castanha-do-brasil e copaíba. Tudo isso faz parte do Plano de Gestão de 50 anos da Terra Indígena Sete de Setembro. O compromisso dos Paiter Surui é refletido nas palavras do Labiway esaga (líder maior) Almir Surui: “O desenvolvimento só é alcançado por quem tem uma visão de médio e longo prazo. As futuras gerações também têm direito de viver, direito de ter floresta. A floresta não precisa ser intocada, mas tem de ser usada com responsabilidade.”. Os Paiter Surui, a partir da validação e certificação estão colocando a venda os créditos de carbono. Vale salientar que qualquer contrato que for firmado terá o acompanhamento da FUNAI. [*] 1Conselheira da Kanindé – Associação de Defesa Etnoambiental, parceira dos Paiter Surui em suas ações de sustentabilidade ambiental e valorização cultural. Formada em história, especialista em Analise Ambiental 2 Jornalista, assessora de comunicação da Kanindé. REVISTA AMAZÔNIA 35


Para prever o futuro climático, cientistas analisam o passado Clima antigo da Terra ajuda a prever o de 2100

A

chave para descobrir quais serão as condições climáticas para o resto do século pode estar no passado. Cientistas do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês) estão analisando características de períodos longínquos da história - cerca de 3 milhões de anos atrás, quando o planeta tinha temperaturas parecidas com as de hoje em dia - para prever o que pode acontecer nos próximos anos. Eles concluíram que no período Plioceno – entre 3,15 e 2,85 milhões de anos atrás – a Terra era úmida e quente, parecida com as condições atuais. As temperaturas e a quantidade de dióxido de carbono na atmosfera na época também são similares, segundo o USGS. Com tais conhecimentos, os cientistas conseguem simular o que o aquecimento global pode modificar no planeta. O método da “retrovisão” necessita de ferramentas não comuns na paleontologia, que estuda as evidências fósseis. Técnicas de análise radiocarbono funcionam para

colher informações de apenas 1 milhão de anos atrás. Em vez disso, os paleoclimatologistas que estudam as condições climáticas antigas encontram o que precisam

Há 3 milhões de anos, oceanos eram cerca de 20 metros mais altos

em camadas sedimentares no fundo do oceano ou em restos de folhas, objetos cujos isótopos de carbono estável são analisados. Mark Pagani, da Universidade de Yale, deu mais detalhes. Quando uma alga do Plioceno absorveu dióxido de carbono no processo de fotossíntese, produziu carbono orgânico com características sensíveis à concentração de CO2 na água. Essas características se preservam em fósseis que ajudam a determinar quanto de carbono havia na atmosfera no período. “Precisávamos descobrir o que havia na terra, onde as plantas cresciam, onde estavam as montanhas, o nível de mar, essas informações’, disse Harry Dowsett, do USGS. Com essas técnicas, os cientistas conseguem esExemplo de mudanças futuras na precipitação projetadas por um modelo de circulação geral

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Patrick Michaels, pesquisador sênior do Cato Institute

timar os níveis de dióxido de carbono de até 150 milhões de anos atrás em alguns locais, segundo Pagani. No Plioceno médio, as temperaturas eram aproximadamente 2°C mais quentes que as temperaturas médias atuais – mesmos níveis que, apontam análises, teremos em 2100. Os níveis dos oceanos eram 21 metros maiores que os atuais. Os dinossauros já haviam sido extintos e os animais – inclusive o homo sapiens – eram parecidos com os de agora.

Método do Serviço Geológico dos EUA analisa fósseis e compara período antigo aos dias de hoje

Os paleoclimatologistas tiveram de recorrer a métodos pouco convencionais, já que a datação por carbono-14, por exemplo, só é efetiva até 1 milhão de anos. Eles buscam por pistas da concentração de CO2 da época em restos de plantas e em camadas de sedimentos perfurados no fundo dos oceanos. Com as medições feitas nos últimos cinco anos, os geólogos concluíram que, em 2100, a Terra deve ter na superfície a mesma temperatura que no meio do Plioceno, ou seja, 3,6°C a mais que agora, com o nível do mar cerca de 21 metros mais elevado. Um dos problemas para prever o futuro com base no passado, porém, reside na presença da atividade humana agora. A produção de dióxido de carbono é majoritariamente proveniente do homem e da sociedade, e não da natureza, como ocorreu no Plioceno. As projeções, por

exemplo, mostram um menor aquecimento do Atlântico Norte do que ocorre no passado. “O que acontecer ali é crucial para o Ocidente”, disse Mark Chandler, da Nasa. Mas há quem acredite que o homem não tem tanto papel nas mudanças climáticas. Patrick Michaels, do InstiNo período Plioceno e no moderno distribuição da vegetação

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tuto CATO, afirma que as mudanças climáticas ocorreram de fato, mas ocorreram naturalmente e de forma crítica. “O problema não é o calor, e sim a sensibilidade das mudanças de temperatura aos níveis de dióxido de carbono na atmosfera”, explica. Superfície do Plioceno a temperatura do mar. Diferenças de valores modernos valores de dois meses selecionados. Unidades são ° C.

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O Futuro da Terra Gerenciando os riscos de eventos extremos e desastres para avançar a adaptação à mudança climática – SREX

O

futuro na Terra com temperaturas mais extremas e mares em elevação exigirá um planejamento melhor para os desastres naturais a fim de salvar vidas e limitar as perdas econômicas, defendeu a Organização das Nações Unidas (ONU) em um grande relatório sobre os efeitos da mudança climática. O painel do clima da ONU disse que todos os países estarão vulneráveis ao aumento das ondas de calor, às chuvas mais intensas, às inundações e ao provável aumento na

O efeito das alterações na distribuição extremas de temperatura 38 REVISTA AMAZÔNIA

intensidade das secas. Voltado em boa parte às autoridades e aos formuladores de políticas públicas, o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) deixa claro que os países precisam agir agora, porque o clima cada vez mais extremo já é uma tendência. A necessidade de ação tornou-se mais aguda, já que a população mundial em crescimento coloca mais pessoas e mais bens na rota do desastre, elevando o risco econômico, diz o relatório. O título do relatório dá o recado: “Gerenciando os riscos de eventos extremos e desastres para avançar a adaptação à mudança climática.” A Ásia é o continente mais vulnerável aos possíveis desastres. O Leste Asiático e o Pacífico estão diante dos custos de adaptação mais elevados. O relatório de 594 páginas e autores de 62 países é a avaliação mais atualizada do órgão mundial sobre os riscos da mudança climática. A mensagem geral é de que já se sabe o bastante sobre os riscos para as autoridades começarem a tomar decisões sobre como lidar com eles. O lançamento ocorreu depois da divulgação do sumário executivo do relatório em novembro p.p, após uma extensa revisão feita por cientistas e autoridades governa-

mentais e é baseado em milhares de estudos científicos. “Poucos países parecem ter adotado uma abordagem ampla - por exemplo, lidando com as mudanças projetadas na exposição, vulnerabilidade e nos extremos”, diz o relatório. Adicionar isso ao planejamento do desenvolvimento

Adaptação e gestão de risco de desastres abordagens para uma mudança de clima revistaamazonia.com.br


Emissões de gases

nacional é crucial. A seguradora Munich Re diz que desde 1980 os desastres relacionados ao clima no mundo mais do que triplicaram. Lindene Patton, principal executiva para produtos climá-

ticos da Zurich Financial Services, disse que o relatório é especialmente útil a seguradoras que confiam em suas avaliações científicas “para ajudar nossos clientes a viver e trabalhar com sucesso no mundo natural”.

O relatório, porém, deixou de lado a questão politicamente delicada de exigir uma ação mais dura para limitar as emissões dos gases de efeito estufa, aos quais se atribui o aquecimento global.

Projeções anuais de mudanças na seca, avaliados a partir de dois índices. Coluna da esquerda: Mudança no número máximo anual de dias secos consecutivos (CDD: dias com precipitação <1 mm). Coluna da direita: Mudanças na umidade do solo (anomalias de umidade do solo, SMA). revistaamazonia.com.br

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O futuro da terra e a RIO + 20 por Wilson Filho*

É tempo de Rio + 20. É hora de ação

P

or ocasião da data comemorativa do Dia Mundial do Meio Ambiente, o futuro da Terra deve ser refletido nas bases do que poderá representar a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável. Entretanto, ninguém deve arvorar-se a pensar o mundo sem refletir sobre a realidade que o cerca, em seu próprio país. É mister uma agenda nacional, com interferência local, a partir de cada gestor, na prática cotidiana responsável. Assim, discorrer sobre o futuro da Terra com respeito ao meio ambiente é a melhor forma de comemorar o Dia Mundial do Meio Ambiente. Mas a partir daqui, de onde residimos, para sustentarmos um Planeta Terra com pilares em cada país, em cada cidade, em cada local de trabalho. Infelizmente, constatamos a insustentabilidade do atual modelo de desenvolvimento. O que se conseguiu, até agora, com as experiências desenvolvimentistas advindas no modelo da Revolução Industrial, foi colocar em risco os recursos naturais do planeta, por intermédio de uma exausta exploração que terminou por deixá-los em risco de esgotamento. O uso indiscriminado dos recursos naturais, diretamente relacionado aos modos e costumes da sociedade global, já apresenta reflexos irreparáveis à biosfera planetária. Esse modelo, falido, deve ser substituído por um novo paradigma que passe, especialmente, pelo aproveitamento de grandes oportunidades que, infelizmente, o Brasil ainda não está sabendo desenvolver. Refiro-me, aqui, a um novo modelo de desenvolvimento que leve em consideração o aproveitamento de recursos renováDesflorestação

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Wilson Filho, presidente da Comissão da Amazônia

veis e não poluentes. Há necessidade de comprometimento com a responsabilidade de administrar cinco tipos de capital: o natural, o social, o humano, o construído e o financeiro. Responsabilidade que se dê sob a ótica de um equilíbrio que leve em conta não só a recomposição progressiva do desgaste sofrido por cada um desses fatores, mas também do acréscimo compensatório do que já se perdeu no decorrer de séculos de descaso com o esgotamento dos recursos naturais, o estrangulamento das vias de circulação, o rebaixamento da qualidade de vida urbana, o aumento da desigualdade social e o aquecimento do planeta. Todavia há um longo caminho a ser percorrido para que o homem tenha total consciência do seu papel no mundo moderno, contribuindo para construção de um modo de vida sustentável em sua plenitude. Mas procrastinar, em vez de acelerar esse caminho, é um crime para com o futuro. Portanto faz-se fundamental a inserção do tema da diversidade biológica no planejamento estratégico de todos os segmentos do governo e da economia brasileira. Urge que se torne

obrigatório a todos os gestores públicos encarregados pela condução de nosso País estabelecer um plano de metas que contemple o desenvolvimento sustentável. É preciso aumentar o grau de participação do governo e da iniciativa privada na economia verde. Nesse sentido, uma questão econômica que tem de ser inevitavelmente defrontada é a dos combustíveis fósseis, fossilizadamente vetusta o suficiente para que deixemos de enxergar que as alternativas energéticas existentes, além dos horizontes que a ciência nos possibilita, nos dão a promissão de um futuro sem emissão de carbono. Só uma mudança no nível das consciências capacitará a transformação do comportamento sócio-econômico-ambiental para um novo patamar de desenvolvimento. Razão por que é preciso incluir a dimensão da ética nos debates sobre a sustentabilidade, disponibilizando uma grande capacidade de convocação da sociedade civil para que, como agente do movimento social, repercuta uma nação que aja como exemplo para os nossos irmãos de todas as partes do mundo. É preciso sensibilizar os gestores para a adoção de práticas sustentáveis no âmbito de todas as empresas – estatais ou não. Desse modo, construiremos, no Brasil, um novo modelo de desenvolvimento, que tenha na sustentabilidade sua principal meta. Pelo bem de nossa Pátria e pelo bem do planeta.

[*] Formado em Direito, Deputado Federal pelo PMDB da Paraíba e Presidente da Comissão da Amazônia, Integração Nacional e Desenvolvimento Regional na Câmara dos Deputados – CAINDR revistaamazonia.com.br


Colóquio Internacional sobre a Carta da Terra Encontro reuniu parlamentares e pensadores ligados à questão da sustentabilidade Fotos: Antonio Cruz/ABr

E

laborada em 1987 pela Comissão Mundial das Nações Unidas para o Meio Ambiente, a Carta da Terra estabelece princípios fundamentais que servem como padrão de comportamento para a construção de um mundo justo, sustentável e pacífico. Ela procura identificar os desafios e escolhas críticas para a humanidade enfrentar o século 21. O documento foi o tema de um Colóquio Internacional realizado recentemente, pela Comissão de Meio Ambiente do Senado - CMA, no qual participaram convidados especiais, como o escritor e teólogo Leonardo Boff, a ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira, o ministro do STJ Herman Benjamin entre outros. Na abertura do evento, o presidente da CMA, Rodrigo Rollemberg, leu os 16 princípios da “Carta da Terra”, que vão do respeito à terra e sua diversidade à promoção da cultura da não violência. Afirmou que a humanidade enfrenta hoje o desafio de construir novas formas de convivência no planeta. Para o senador, discutir a Carta da Terra antes da realização da Rio+20 é uma oportunidade para definir objetivos voltados à prática da sustentabilidade. A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, manifestou sua convicção de que a conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) reafirmará o desenvolvimento sustentável como paradigma único para o planeta. “O

A Carta da Terra é uma declaração de princípios éticos voltados à construção de uma sociedade global sustentável, justa e pacífica.

desafio será colocá-lo em prática”, frisou, ao defender negociações multilaterais para a construção de uma nova governança para o desenvolvimento sustentável. Os debates apontaram para a necessidade de se abrir espaço para uma relação mais responsável e harmônica com a natureza, no caminho do desenvolvimento sustentável. O senador Jorge Viana foi mediador de uma das mesas, em que participaram o senador Cristovam Buarque, o ministro de Estado dos Países Baixos e fundador

Izabella Teixeira, ministra do Meio Ambiente, na abertura do Colóquio Internacional sobre a Carta da Terra, ao lado do presidente da CMA, Rodrigo Rollemberg revistaamazonia.com.br

da Comissão da Carta da Terra, Ruud Lubbers, e o exministro do Meio Ambiente, José Carlos Carvalho. Jorge destacou a importância do debate para a Conferência da Rio+20: “A discussão sobre a Carta da Terra se confunde com a agenda da Rio+20. Ela nos faz pensar em como podemos ajudar para que o mundo seja melhor no presente e no futuro, para as próximas gerações”. *Nas páginas seguintes, em homenagem à Rio+20, na íntegra, os 16 itens da “Carta da Terra”.

Jorge Viana enfatizou a importância de uma economia baseada numa agenda socioambiental de alta inclusão social e crescimento econômico REVISTA AMAZÔNIA 41


A CARTA DA

TERRA

E

stamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações.

Terra, Nosso Lar A humanidade é parte de um vasto universo em evolução. A Terra, nosso lar, está viva com uma comunidade de vida única. As forças da natureza fazem da existência uma aventura exigente e incerta, mas a Terra providenciou as condições essenciais para a evolução da vida. A capacidade de recuperação da comunidade da vida e o bem-estar da humanidade dependem da preservação de uma biosfera saudável com todos seus sistemas ecológicos, uma rica variedade de plantas e animais, solos férteis, águas puras e ar limpo. O meio ambiente global com seus recursos finitos é uma preocupação comum de todas as pessoas. A proteção da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado. 42 REVISTA AMAZÔNIA

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A Situação Global Os padrões dominantes de produção e consumo estão causando devastação ambiental, redução dos recursos e uma massiva extinção de espécies. Comunidades estão sendo arruinadas. Os benefícios do desenvolvimento não estão sendo divididos equitativamente e o fosso entre ricos e pobres está aumentando. A injustiça, a pobreza, a ignorância e os conflitos violentos têm aumentado e são causa de grande sofrimento. O crescimento sem precedentes da população humana tem sobrecarregado os sistemas ecológico e social. As bases da segurança global estão ameaçadas. Essas tendências são perigosas, mas não inevitáveis.

Desafios Para o Futuro A escolha é nossa: formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros, ou arriscar a nossa destruição e a da diversidade da vida. São necessárias mudanças fundamentais dos nossos valores, instituições e modos de vida. Devemos entender que, quando as necessidades básicas forem atingidas, o desenvolvimento humano será primariamente voltado a ser mais, não a ter mais. Temos o conhecimento e a tecnologia necessários para abastecer a todos e reduzir nossos impactos ao meio ambiente. O surgimento de uma sociedade civil global está criando novas oportunidades para construir um mundo democrático e humano. Nossos desafios ambientais, econômicos, políticos, sociais e espirituais estão interligados, e juntos podemos forjar soluções includentes.

Responsabilidade Universal Para realizar estas aspirações, devemos decidir viver com um sentido de responsabilidade universal, identificandonos com toda a comunidade terrestre bem como com nossa comunidade local. Somos, ao mesmo tempo, cidadãos de nações diferentes e de um mundo no qual a dimensão local e global estão ligadas. Cada um compartilha da responsabilidade pelo presente e pelo futuro, pelo bem- estar da família humada e de todo o mundo dos seres vivos. O espírito de solidariedade humana e de parentesco com toda a vida é fortalecido quando vivemos com reverência o mistério da existência, com gratidão pelo dom da vida, e com humildade considerando em relaçao ao lugar que ocupa o ser humano na natureza. Necessitamos com urgência de uma visão compartilhada de valores básicos para proporcionar um fundamento ético à comunidade mundial emergente. Portanto, juntos na esperança, afirmamos os seguintes princípios, todos interdependentes, visando um modo de vida sustentável como critério comum, através dos quais a conduta de todos os indivíduos, organizações, empresas, governos, e instituições transnacionais será guiada e avaliada. revistaamazonia.com.br

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Princípios I. RESPEITAR E CUIDAR DA COMUNIDADE DA VIDA 1. Respeitar a Terra e a vida em toda sua diversidade. a. Reconhecer que todos os seres são interligados e cada forma de vida tem valor, independentemente de sua utilidade para os seres humanos. b. Afirmar a fé na dignidade inerente de todos os seres humanos e no potencial intelectual, artístico, ético e espiritual da humanidade.

2. Cuidar da comunidade da vida com compreensão, compaixão e amor. a. Aceitar que, com o direito de possuir, administrar e usar os recursos naturais vem o dever de impedir o dano causado ao meio ambiente e de proteger os direitos das pessoas. b. Assumir que o aumento da liberdade, dos conhecimentos e do poder implica responsabilidade na promoção do bem comum. 3. Construir sociedades democráticas que sejam justas, participativas, sustentáveis e pacíficas. a. Assegurar que as comunidades em todos níveis garantam os direitos humanos e as liberdades fundamentais e proporcionem a cada um a oportunidade de realizar seu pleno potencial. b. Promover a justiça econômica e social, propiciando a todos a consecução de uma subsistência significativa e segura, que seja ecologicamente responsável. 4. Garantir as dádivas e a beleza da Terra para as atuais e as futuras gerações. a. Reconhecer que a liberdade de ação de cada geração é condicionada pelas necessidades das gerações futuras. b. Transmitir às futuras gerações valores, tradições e ins44 REVISTA AMAZÔNIA

tituições que apóiem, a longo prazo, a prosperidade das comunidades humanas e ecológicas da Terra. Para poder cumprir estes quatro amplos compromissos, é necessario:

II. INTEGRIDADE ECOLÓGICA 5. Proteger e restaurar a integridade dos sistemas ecológicos da Terra, com especial preocupação pela diversidade biológica e pelos processos naturais que sustentam a vida.

a. Adotar planos e regulamentações de desenvolvimento sustentável em todos os níveis que façam com que a conservação ambiental e a reabilitação sejam parte inte-

gral de todas as iniciativas de desenvolvimento. b. Estabelecer e proteger as reservas com uma natureza viável e da biosfera, incluindo terras selvagens e áreas marinhas, para proteger os sistemas de sustento à vida da Terra, manter a biodiversidade e preservar nossa herança natural. c. Promover a recuperação de espécies e ecossistemas ameaçadas. d. Controlar e erradicar organismos não-nativos ou modificados geneticamente que causem dano às espécies nativas, ao meio ambiente, e prevenir a introdução desses organismos daninhos. e. Manejar o uso de recursos renováveis como água, solo, produtos florestais e vida marinha de formas que não excedam as taxas de regeneração e que protejam a sanidade dos ecossistemas. f. Manejar a extração e o uso de recursos não-renováveis, como minerais e combustíveis fósseis de forma que diminuam a exaustão e não causem dano ambiental grave. 6. Prevenir o dano ao ambiente como o melhor método de proteção ambiental e, quando o conhecimento for limitado, assumir uma postura de precaução. a. Orientar ações para evitar a possibilidade de sérios ou irreversíveis danos ambientais mesmo quando a informação científica for incompleta ou não conclusiva. b. Impor o ônus da prova àqueles que afirmarem que a atividade proposta não causará dano significativo e fazer com que os grupos sejam responsabilizados pelo dano ambiental. c. Garantir que a decisão a ser tomada se oriente pelas consequências humanas globais, cumulativas, de longo prazo, indiretas e de longo alcance. d. Impedir a poluição de qualquer parte do meio ambiente e não permitir o aumento de substâncias radioati-

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vas, tóxicas ou outras substâncias perigosas. e. Evitar que atividades militares causem dano ao meio ambiente. 7. Adotar padrões de produção, consumo e reprodução que protejam as capacidades regenerativas da Terra, os direitos humanos e o bem-estar comunitário. a. Reduzir, reutilizar e reciclar materiais usados nos sistemas de produção e consumo e garantir que os resíduos possam ser assimilados pelos sistemas ecológicos. b. Atuar com restrição e eficiência no uso de energia e recorrer cada vez mais aos recursos energéticos renováveis, como a energia solar e do vento. c. Promover o desenvolvimento, a adoção e a transferência eqüitativa de tecnologias ambientais saudáveis. d. Incluir totalmente os custos ambientais e sociais de bens e serviços no preço de venda e habilitar os consumidores a identificar produtos que satisfaçam as mais altas normas sociais e ambientais. e. Garantir acesso universal a assistência de saúde que fomente a saúde reprodutiva e a reprodução responsável. f. Adotar estilos de vida que acentuem a qualidade de vida e subsistência material num mundo finito. 8. Avançar o estudo da sustentabilidade ecológica e promover a troca aberta e a ampla aplicação do conhecimento adquirido. a. Apoiar a cooperação científica e técnica internacional relacionada à sustentabilidade, com especial atenção às necessidades das nações em desenvolvimento. b. Reconhecer e preservar os conhecimentos tradicionais e a sabedoria espiritual em todas as culturas que revistaamazonia.com.br

contribuam para a proteção ambiental e o bem-estar humano. c. Garantir que informações de vital importância para a saúde humana e para a proteção ambiental, incluindo informação genética, estejam disponíveis ao domínio público.

III. JUSTIÇA SOCIAL E ECONÔMICA 9. Erradicar a pobreza como um imperativo ético, social e ambiental. a .Garantir o direito à água potável, ao ar puro, à segurança alimentar, aos solos não- contaminados, ao abrigo e saneamento seguro, distribuindo os recursos nacionais e internacionais requeridos. b. Prover cada ser humano de educação e recursos para assegurar uma subsistência sustentável, e proporcionar seguro social e segurança coletiva a todos aqueles que não são capazes de manter- se por conta própria. c. Reconhecer os ignorados, proteger os vulneráveis, servir àqueles que sofrem, e permitir-lhes desenvolver suas capacidades e alcançar suas aspirações. 10. Garantir que as atividades e instituições econômicas em todos os níveis promovam o desenvolvimeto humano de forma eqüitativa e sustentável. a. Promover a distribuição eqüitativa da riqueza dentro das e entre as nações. b. Incrementar os recursos intelectuais, financeiros, técnicos e sociais das nações em desenvolvimento e isentálas de dívidas internacionais onerosas.

c. Garantir que todas as transações comerciais apóiem o uso de recursos sustentáveis, a proteção ambiental e normas trabalhistas progressistas. d. Exigir que corporações multinacionais e organizações financeiras internacionais atuem com transparência em benefício do bem comum e responsabilizá-las pelas conseqüências de suas atividades. 11. Afirmar a igualdade e a eqüidade de gênero como pré-requisitos para o desenvolvimento sustentável e assegurar o acesso universal à educação, assistência desaúde e às oportunidades econômicas. a. Assegurar os direitos humanos das mulheres e das meninas e acabar com toda violência contra elas. b. Promover a participação ativa das mulheres em todos os aspectos da vida econômica, política, civil, social e cultural como parceiras plenas e paritárias, tomadoras de decisão, líderes e beneficiárias. c. Fortalecer as famílias e garantir a segurança e a educação amorosa de todos os membros da família. 12. Defender, sem discriminação, os direitos de todas as pessoas a um ambiente natural e social, capaz de assegurar a dignidade humana, a saúde corporal e o bem-estar espiritual, concedendo especial atenção aos direitos dos povos indígenas e minorias. a. Eliminar a discriminação em todas suas formas, como as baseadas em raça, cor, gênero, orientação sexual, religião, idioma e origem nacional, étnica ou social. b. Afirmar o direito dos povos indígenas à sua espirituaREVISTA AMAZÔNIA 45


A Carta da Terra trabalha com o conceito de que é necessário mobilizar as pessoas, para que elas percebam que as pequenas ações podem ter grandes impacto lidade, conhecimentos, terras e recursos, assim como às suas práticas relacionadas a formas sustentáveis de vida. c. Honrar e apoiar os jovens das nossas comunidades, habilitando-os a cumprir seu papel essencial na criação de sociedades sustentáveis. d. Proteger e restaurar lugares notáveis pelo significado cultural e espiritual.

14. Integrar, na educação formal e na aprendizagem ao longo da vida, os conhecimentos, valores e habilidades necessárias para um modo de vida sustentável. a. Oferecer a todos, especialmente a crianças e jovens, oportunidades educativas que lhes permitam contribuir ativamente para o desenvolvimento sustentável.

b. Promover a contribuição das artes e humanidades, assim como das ciências, na educação para sustentabilidade. c. Intensificar o papel dos meios de comunicação de massa no sentido de aumentar a sensibilização para os desafios ecológicos e sociais. d. Reconhecer a importância da educação moral e espiritual para uma subsistência sustentável.

IV. DEMOCRACIA, NÃO VIOLÊNCIA E PAZ 13. Fortalecer as instituições democráticas em todos os níveis e proporcionar-lhes transparência e prestação de contas no exercício do governo, participação inclusiva na tomada de decisões, e acesso à justiça. a. Defender o direito de todas as pessoas no sentido de receber informação clara e oportuna sobre assuntos ambientais e todos os planos de desenvolvimento e atividades que poderiam afetá-las ou nos quais tenham interesse. b. Apoiar sociedades civis locais, regionais e globais e promover a participação significativa de todos os indivíduos e organizações na tomada de decisões. c. Proteger os direitos à liberdade de opinião, de expressão, de assembléia pacífica, de associação e de oposição. d. Instituir o acesso efetivo e eficiente a procedimentos administrativos e judiciais independentes, incluindo retificação e compensação por danos ambientais e pela ameaça de tais danos. e. Eliminar a corrupção em todas as instituições públicas e privadas. f. Fortalecer as comunidades locais, habilitando-as a cuidar dos seus própios ambientes, e atribuir responsabilidades ambientais aos níveis governamentais onde possam ser cumpridas mais efetivamente. 46 REVISTA AMAZÔNIA

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15. Tratar todos os seres vivos com respeito e consideração. a. Impedir crueldades aos animais mantidos em sociedades humanas e protegê-los de desofrimentos. b. Proteger animais selvagens de métodos de caça, armadilhas e pesca que causem sofrimento extremo, prolongado ou evitável. c.Evitar ou eliminar ao máximo possível a captura ou destruição de espécies não visadas. 16. Promover uma cultura de tolerância, não

violência e paz. a. Estimular e apoiar o entendimento mútuo, a solidariedade e a cooperação entre todas as pessoas, dentro das e entre as nações. b. Implementar estratégias amplas para prevenir conflitos violentos e usar a colaboração na resolução de problemas para manejar e resolver conflitos ambientais e outras disputas. c. Desmilitarizar os sistemas de segurança nacional até chegar ao nível de uma postura não- provocativa da

defesa e converter os recursos militares em propósitos pacíficos, incluindo restauração ecológica. d. Eliminar armas nucleares, biológicas e tóxicas e outras armas de destruição em massa. e. Assegurar que o uso do espaço orbital e cósmico mantenha a proteção ambiental e a paz. f. Reconhecer que a paz é a plenitude criada por relações corretas consigo mesmo, com outras pessoas, outras culturas, outras vidas, com a Terra e com a totalidade maior da qual somos parte.

O caminho adiante Como nunca antes na história, o destino comum nos conclama a buscar um novo começo. Tal renovação é a promessa dos princípios da Carta da Terra. Para cumprir esta promessa, temos que nos comprometer a adotar e promover os valores e objetivos da Carta. Isto requer uma mudança na mente e no coração. Requer um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade universal. Devemos desenvolver e aplicar com imaginação a visão de um modo de vida sustentável aos níveis local, nacional, regional e global. Nossa diversidade cultural é uma herança preciosa, e diferentes culturas encontrarão suas próprias e distintas formas de realizar esta visão. Devemos aprofundar e expandir o diálogo global gerado pela Carta da Terra, revistaamazonia.com.br

porque temos muito que aprender a partir da busca iminente e conjunta por verdade e sabedoria. A vida muitas vezes envolve tensões entre valores importantes. Isto pode significar escolhas difíceis. Porém, necessitamos encontrar caminhos para harmonizar a diversidade com a unidade, o exercício da liberdade com o bem comum, objetivos de curto prazo com metas de longo prazo. Todo indivíduo, família, organização e comunidade têm um papel vital a desempenhar. As artes, as ciências, as religiões, as instituições educativas, os meios de comunicação, as empresas, as organizações não-governamentais e os governos são todos chamados a oferecer uma liderança criativa. A parceria entre governo, sociedade civil e empresas é essencial

para uma governabilidade efetiva. Para construir uma comunidade global sustentável, as nações do mundo devem renovar seu compromisso com as Nações Unidas, cumprir com suas obrigações respeitando os acordos internacionais existentes e apoiar a implementação dos princípios da Carta da Terra com um instrumento internacional legalmente unificador quanto ao ambiente e ao desenvolvimento. Que o nosso tempo seja lembrado pelo despertar de uma nova reverência face à vida, pelo compromisso firme de alcançar a sustentabilidade, a intensificação da luta pela justiça e pela paz, e a alegre celebração da vida. REVISTA AMAZÔNIA 47


Rio vai sediar Fórum Mundial da Ciência em 2013 Encontro reunirá grandes nomes da ciência e ganhadores do Prêmio Nobel

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m novembro de 2013, o Rio de Janeiro será sede de mais um grande evento, o Fórum Mundial da Ciência, com o tema “Ciência para o desenvolvimento global”. “Este tema reflete o papel que a ciência e a tecnologia devem desempenhar para a criação de um mundo mais justo, pacífico, fraterno, equânime e econômica e tecnologicamente mais desenvolvido, sob critérios de sustentabilidade, em benefício de toda a humanidade.” Ainda sem data e local definidos, o encontro reunirá grandes nomes da área científica brasileira e internacional para debater o papel da ciência para o desenvolvimento global. Criado em 1999, o fórum é realizado a cada dois anos em Budapeste, na Hungria. A próxima edição será a primeira realizada em outro país. Em 2009, representantes da América Latina solicitaram que o encontro ocorresse alternadamente em outras capitais do mundo, que têm lugar de destaque na área de ciência, tecnologia e inovação. Com apoio da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), o Brasil foi escolhido devido à relevante atuação da Academia Brasileira de Ciências (ABC) nos últimos anos, representando a produção nacional nas principais instituições e fóruns internacionais. Para o secretário de Ciência e Tecnologia, Alexandre Cardoso, a realização do fórum contribuirá ainda mais para desenvolver e estimular as pesquisas em ciência no Rio de Janeiro, transformando o Estado num polo de inovação.

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Durante o World Science Forum em Budapest

- A realização do Fórum Mundial de Ciência vai impulsionar a ideia de transformar a cidade no principal polo científico do país. Vários prêmios Nobels estarão aqui, o que dará projeção internacional ao Rio no meio científico. Além disso, a Academia Brasileira de Ciência terá sua sede na capital. Recentemente, o Estado doou um prédio, tombado pelo Inepac, para ser reformado e ocupado pela academia. O governo está contribuindo para fazer do Rio um estado de convergência da Ciência - diz Cardoso. Presidente da ABC, o professor Jacob Palis destaca que a importância fundamental para a ciência brasileira que o País sedie um evento como o fórum, e reafirma o vigor do avanço das áreas de Ciência, Tecnologia e Inovação no Brasil. A instituição organiza uma série de reuniões regionais para construir a agenda que será apresentada durante o Fórum Mundial da Ciência, além de divulgar a realização do evento. - No fim de agosto, estaremos em São Paulo reunidos

com cientistas das principais instituições de ciência, tecnologia e inovação acolhendo temas para incluir na programação. O primeiro encontro com os representantes do Comitê Científico Internacional e da Academia de Ciências da Hungria, que organiza o fórum, será no dia 18 de junho, durante a Rio + 20, é já temos reuniões marcadas em Manaus, Recife, Salvador, São Paulo, Porto Alegre e Brasília, todas com o apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia - enumerou Palis.

Jacob Palis, presidente da Academia Brasileira de Ciência revistaamazonia.com.br


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Projetos premiados pela Nasa podem mudar o mundo

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oram anunciados os vencedores do International Space Apps Challenge, maratona de desenvolvimento tecnológico na qual as equipes foram desafiadas a criarem aplicativos para solucionar problemas relacionados à exploração do espaço e necessidades sociais do planeta. O evento é uma iniciativa da Nasa e do Open Governement Partnership, projeto do qual o Brasil é parte com mais 50 países, e que tem como finalidade tornar os governos mais transparentes. A maratona durou apenas dois dias, envolveu dezenas de pessoas mundo afora, além de participantes baseados na Antártica e até mesmo a Estação Espacial Internacional. Para a criação dos apps as equipes deveriam usar e explorar informações espaciais, disponíveis para público geral e coletados ao longo dos anos por agências de todo o mundo. Um dos requisitos era que as ideias utilizassem o mínimo possível de recursos financeiros e o máximo possível de criatividade e, ao todo, 6 projetos foram premiados. O próximo passo para os vencedores é receber suporte da Innovation Endevours, empresa de startups fundada pelo ex-CEO do Google Eric Schmidt, para que consigam tirar suas ideias do papel. A CBIL360 uma empresa de desenvolvimento web, líder do setor nos EUA, patrocinou a NASA no Espacial Internacional Desafio Apps.

se tivesse nascido por lá ou quanto tempo demoraria a viagem até ele. Melhor uso de dados – Vicar2png A Nasa tem milhares de dados sobre o espaço. O problema é que a maioria dos arquivos está em um formato não exatamente popular, o VICAR. Pois o projeto, Vicar2png, criado por uma dupla de americanos, permitirá convertê-lo em PNG, tornando os arquivos mais acessíveis. Uma pessoa poderá então ter em mãos milhares de imagens coletadas pela agência e produzir animações, por exemplo. Para qualquer um ver, apreciar, e remix de dados da NASA

Confira abaixo os vencedores em cada categoria: Mais inspirador – Planet Hopper A ideia do Planet Hoper é tornar acessíveis ao público informações compiladas pela sonda espacial Kepler sobre planetas que não orbitam o sol, os exoplanetas. O projeto de app para web permite procurar por tais planetas e encontrar informações como, por exemplo, quantos anos uma pessoa teria

Mais promissor – Growing Fruits: Pineapple Project O projeto foi criado por colaboradores no Chile,

Planet Hopper

Para auxiliar os agricultores a encontrarem a melhor opção de frutas segundo análise do ph do solo, clima e outras informações 50 REVISTA AMAZÔNIA

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Quênia, República Dominicana, Estados Unidos, Reino Unido e participantes virtuais. O objetivo do Pineapple Project é auxiliar os agricultores a encontrarem a melhor opção de frutas segundo análise do ph do solo, clima e outras informações relativas ao seu local. Mais inovador - Strange Desk O Strange Desk será um app no qual o público entusiasta da ciência poderá publicar imagens e informações sobre qualquer estranheza encontrada no dia a dia. Por exemplo, a presença de alguma espécie estranha ao local e que pode indicar mudanças em seu comportamento migratório. A ideia é que os dados sejam então analisados por cientistas da Nasa e se torne mais uma ferramenta para auxiliar a compreensão das mudanças no planeta. Publicar imagens e informações sobre qualquer estranheza encontrada no dia a dia Com o objetivo de analisar o potencial de exploração de terras não utilizadas

Impacto Galáctico – Grower’s Nation Criado por uma equipe baseada em Exeter (Reino Unido) e colaboradores em todo o mundo, o app Grower’s Nation tem como objetivo analisar o potencial de exploração de terras não utilizadas. A ideia do app é reduzir os obstáculos de agricultores para plantação, oferecendo informações para ajuda-los a definir o que será cultivado. Escolha do público – Bit Harvester O projeto Bit Harvester é desenvolvido por uma equipe de quenianos e tem como foco levar energia renovável para comunidades carentes do país. A ideia é usar sensores e um sistema de controle remoto que possam transmitir dados e comandos em mensagens de texto. Com isso, empresas vão reduzir custos de operação e podem expandir para áreas mais remotas.

Usar sensores e um sistema de controle remoto que possam transmitir dados e comandos em mensagens de texto Os vencedores em cada categoria do Apps Espacial Internacional Desafio

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Conferência de Mudanças Climáticas em Bonn-Alemanha Fotos: Rudolph Hühn, Jan Golinsf/UNFCC e Peter Betts

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eunidos na antiga capital da Alemanha Ocidental, a Convenção-quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês), começou com sessões plenárias de abertura do Órgão Subsidiário de Implementação (SBI) e do Órgão Subsidiário de Assessoramento Científico e Tecnológico (SBSTA). Maite Nkoana-Mashabane, da África do Sul, que presidiu a sessão inaugural, com representantes de 181 países, pediu que deixem de lado as “práticas de negociação velhas e inúteis”, uma referência às brigas que costumam acompanhar as negociações climáticas. “O tempo é limitado e nós precisamos levar muito a sério os apelos desesperados de alguns dos nossos irmãos, principalmente os pequenos Estados insulares”, afirmou, em alusão aos países abaixo do nível do mar, ameaçados pela elevação das águas dos oceanos. Christiana Figueres, diretora de clima da ONU, falou em tentar dar mais um passo além das decisões da última conferência anual da ONU sobre alterações climáticas, em Durban, preparando o caminho à nova reunião prevista para Doha, no Qatar, no final do ano. . “Não há dúvida de que o início de um novo processo é apaixonante, mas também é incrivelmente difícil”. O objetivo é encontrar uma forma de limitar a dois graus Celsius o aumento da temperatura média global até ao fim do século. Mas com os compromissos voluntários assumidos até agora pelos países desenvolvidos, o termômetro irá subir 2,5 a 5,0 graus Celsius, segundo contas da ONU. “Temos todos os meios ao nosso dispor para eliminar este hiato. Mas isto depende de esforços maiores de

Sessão inaugural e plenária de abertura do Grupo de Trabalho Ad Hoc sobre a Plataforma de Ação de Durban (Enhanced ADP), presidido por Maite Nkoana-Mashabane, da África do Sul

Martin Winterkorn, presidente da Volkswagen, na sessão de gala que precedeu o Salão de Genebra 2012, anunciou uma reestruturação ecológica do grupo

redução de emissões de CO2, liderados pelos países industrializados, e um nível suficiente de ambição para suportar as ações dos países em desenvolvimento”, disse Christiana. “Avançar aqui é essencial, pois 2012 assinala o fim do financiamento rápido de 30 mil milhões de dólares [23 mil milhões de euros] e ninguém deseja uma interrupção nos apoios”, encerrou a diretora de clima da ONU.

No plenário, constantes reuniões foram realizadas com o Grupo de Trabalho Ad Hoc sobre Compromissos Adicionais para as Partes do Anexo I do Protocolo de Quioto (AWG-KP), do Grupo de Trabalho Ad Hoc sobre a Longo Prazo de Cooperação ao abrigo da Convenção (AWG-LCA), com os vários grupos de contatos e consultas informais sob o AWG-KP, o Órgão Subsidiário de Implementação (SBI) e do Órgão Subsidiário de AssessoraDurante o grupo de contacto sobre as orientações gerais para a MRV doméstico

Membros da sociedade civil durante sessão plenária do SBSTA 52 REVISTA AMAZÔNIA

Delegações do Mexico, Brasil e Argentina em conversas revistaamazonia.com.br


mento Científico e Tecnológico (SBSTA). Maosheng Duan, presidente do Conselho Executivo do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (EBMDL) informou as atividades analisadas relacionadas com a melhoria da eficiência e clareza do sistema MDL e engajamento das partes interessadas. Ele informou que 8400 projetos estão na calha do MDL. Sobre a adicionalidade, Duan contou a adoção de novos procedimentos para micro-projetos de energias renováveis, que serão automaticamente considerados adicional. Ele também relatou um Christiana Figueres, secretária executiva da UNFCCC e Maite Nkoana-Mashabane, presidente da COP Conferências da ONU sobre mudanças climáticas

Youssef Nassef, coordenador e Thomasz Chruszczow, presidente do SBI

Esta decisão, ainda deve ser formalmente aprovada na próxima conferência climática, no fim do ano no Qatar. “É um passo adiante muito concreto para o apoio tecnológico aos países em desenvolvimento”, disse à imprensa Christiana Figueres, secretária executiva da UNFCCC. Nove candidatos se manifestaram para receber este futuro organismo, que ficará encarregado de comandar uma rede mundial de ajuda tecnológica aos países em desenvolvimento. A candidatura do Pnuma, com sede em Nairobi, no Quênia, envolve organismos de pesquisa de doze países.

O encerramento Richard Muyungi, da Tanzânia (à direita), presidente do SBSTA

trabalho continuado sobre a distribuição regional dos projetos de MDL, incluindo a adoção de metodologias de cima para baixo. Duan reconheceu que o MDL está em um período de transição.

Maosheng Duan, presidente do Conselho Executivo do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (EBMDL)

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente

(Pnuma) foi escolhido para supervisionar o futuro Centro de Tecnologia para o Clima (CTC), órgão que visa ajudar os países mais pobres a enfrentar o aquecimento global.

Pnuma supervisionará futuro centro de tecnologia do clima Visão geral

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A última rodada de negociações internacionais sobre alterações climáticas terminou em discórdia e decepção, em alguns participantes por causa que os importantes progressos realizados no ano passado estava sendo perdidos. Nas negociações, os países deveriam estabelecer um plano de trabalho sobre as negociações que devem resultar em um novo tratado climático global, a ser elaborado até o final de 2015 e entrará em vigor em 2020. Mas os participantes, ficaram decepcionados e frustrados pois a decisão de trabalhar em um novo tratado - alcançado após uma maratona final de execução negociações em dezembro passado, em Durban - estava sendo questionada. China e Índia, ambas as economias em rápido crescimento, com uma parte crescente das emissões globais, tentaram adiar as negociações sobre um tratado dessa natureza. Em vez de um plano de trabalho para os próximos três anos para atingir o objetivo de um novo pacto, os governos só conseguiram elaborar uma agenda parcial. “É extremamente frustrante ter conseguido tão pouco”, disse um participante país desenvolvido. “Nós estamos andando para trás, não para a frente.” Connie Hedegaard, o chefe climático da UE, disse: “O mundo não pode permitir que alguns possam retroceder a partir do que foi acordado em Durban. Apenas cinco meses atrás Durban era – e é – um pacote delicadamente equilibrado, onde REVISTA AMAZÔNIA 53


O grupo de contacto LULUCF (uso da terra, mudança de uso da terra e florestas), com co-presidentes Peter Iversen, Dinamarca, e Marcelo Rocha, Brasil

Consultas às partes interessadas durante o Painel de Alto Nível sobre o MDL Mecanismo de Desenvolvimento Limpo No stande do IPCC com as mais recente literaturas sobre o IPCC podiam ser apanhados

Reunião do Conselho Executivo do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo – CDMEB, Dr. José Domingos Gonzalez Miguez, secretário executivo da Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima do Brasil, à esquerda

todos os elementos deviam ser entregues no mesmo ritmo. Não é uma escolha e escolher o menu. É muito preocupante que as tentativas de voltar atrás ter sido tão óbvio e demorado nas negociações de Bonn nas últimas duas semanas. “ Também houve pouco progresso na questão fundamental do financiamento dos países ricos de ações no mundo em desenvolvimento. Os negociadores e funcionários de todo o mundo discutiram sobre o set-up de um “Fundo Climático Verde” que canalizaria o dinheiro do mundo desenvolvido para países mais pobres, para ajudá-los a cortar as emissões de gases de efeito estufa e lidar com os efeitos do clima mudar. Para Christiana Figueres, secretária executiva da UNFCCC : “O trabalho foi produtivo, países podem agora pressionar para garantir elementos para adotar a alteração do protocolo de Kyoto. Tenho o prazer de dizer que a reunião de Bonn produziu mais clareza sobre os detalhes técnicos e legais os protocolos e as opções que permitam uma transição suave entre os dois períodos de compromisso do Protocolo. “ No entanto, os únicos grandes países desenvolvidos que concordaram em continuar o protocolo de Kyoto são as da União Europeia. Canadá e Japão caíram para fora, e os EUA nunca ratificaram o acordo de 1997. Uma das principais tarefas em Bonn era a de um programa de trabalho para um tratado pós-2020 novo. Que foi parcialmente atingido, mas os participantes disseram que mais precisava ser feito para elaborar um calendário de negociação claro. O último grande tratado internacional sobre o clima que tinha força jurídica plena – o protoco-

Estande da Alemanha para a sua candidatura para sediar o Fundo Climático Verde

O Prêmio Fóssil do Dia foi para os EUA, Canadá e China, empatados em 1 º lugar

A Polónia é um dos candidatos para sediar o Fundo Climático Verde

lo de Kyoto – levou cinco anos para negociar, para que a atual rodada de negociações será em um prazo apertado para que possam terminar em um acordo completamente elaborado até o final de 2015, como planejado. Celine Charveriat, advogado e diretor de campanhas da Oxfam, disse:. “Nenhum progresso foi feito para fornecer o apoio financeiro que a necessidade mais pobres e vulneráveis do mundo para lidar com os impactos crescentes da mudança climática. É agora vital que, na próxima cúpula do clima no Qatar, em novembro, os países ricos comprometerem-se a colocar de US $ 10 à 15 bilhões para o Fundo do Clima Verde entre 2013 e 2015, como parte de um amplo pacote financeiro. “Numa altura em que as reduções de emissões ambiciosas são mais urgente do que nunca, os países desenvolvidos em Bonn não fizeram nenhum progresso para fechar a lacuna entre as metas climáticas atuais e que é necessário para evitar o pior da mudança climática. Os países desenvolvidos devem melhorar o seu atual nível baixo de ambição e aceitar metas de redução mais elevados, o mais tardar na cimeira Qatar. “ Tove Ryding Maria, coordenador de política climática do Greenpeace International, disse: “Aqui em Bonn vimos claramente que a crise climática não é causada pela falta de opções e soluções, mas a falta de ação política É absurdo assistir governos sentar e apontar dedos e lutar como crianças pequenas, enquanto os cientistas explicam sobre os impactos terríveis da mudança climática e ao fato de que temos toda a tecnologia que precisamos para resolver o problema durante a criação de novos empregos verdes “.

Cabo-de-guerra entre um “limpa, futuro justo e do lobby da indústria suja”

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Delegados do Egito, Filipinas, Arábia Saudita, Singapura, Brasil e da consultoria da UE sobre a agenda ADP

Jovens delegados pedem mais ambição no AWG-LCA e AWG-KP

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UM NOVO MUNDO NÃO EXISTE COM VELHAS IDEIAS.

Novos comportamentos, novas tendências, novas possibilidades, novos caminhos e novas atitudes. Sem novas ideias nada disto acontece. Por isso, o 3º Prêmio Fecomercio de Sustentabilidade, desenvolvido em parceria com a Fundação Dom Cabral e o Centro de Desenvolvimento da Sustentabilidade no Varejo (CDSV), vai envolver participantes que criam e implantam práticas sustentáveis inovadoras.

Categorias: Empresas, Entidades, Indústria, Órgãos Públicos e Academia. Inscrições abertas. Para mais informações, acesse: www.fecomercio.com.br/sustentabilidade revistaamazonia.com.br

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Os oceanos estão ficando mais quentes por Teresa Firmino

135 anos de aquecimento global dos oceanos entre a expedição Challenger e o Programa Argo

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viagem do navio britânico Challenger, entre 1872 e 1876, não é só histórica pelas descobertas que permitiu sobre os oceanos: as informações recolhidas nessas deambulações são também valiosas para perceber quando é que as alterações climáticas começaram a fazer sentir os seus efeitos nos oceanos. A primeira comparação global entre esses registos do século XIX e as temperaturas atuais mostrou que o aquecimento global chegou aos oceanos há mais tempo do que se supunha. O estudo, de uma equipe da Instituição de Oceanografia Scripps, nos EUA, e do Centro Nacional de Oceanografia, em Southampton, no Reino Unido, conclui que o excesso de calor na atmosfera — devido às alterações climáticas originadas pelas atividades humanas, que lançam para o ar dióxido de carbono e outros gases com efeito de estufa desde a Revolução Industrial — está se transferido para os oceanos há pelo menos mais de cem anos. Informação histórica é uma referência para os estudos da temperatura nos oceanos

Nas primeiras camadas do oceano até aos 700 metros de profundidade, a água aqueceu, em média, 0,33 graus Celsius desde a década de 1870. À superfície, o aumento foi maior: mais de meio grau (0,59 graus). Já a 900 metros de profundidade, a subida foi menor (0,12 graus). “Esta primeira comparação global de dados modernos e O navio carregava uma tripulação de 243 oficiais e cientistas que trabalham em laboratórios a bordo

Pintura do Challenger por William Frederick Mitchell (1845-1914). O Challenger era um antigo navio de guerra modificado para realizar a investigação. Foram coletadas amostras da vida marinha, sedimentos oceânicos, e medições de temperatura em uma maratona de 68,890 quilômetros de viagem. 56 REVISTA AMAZÔNIA

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» Programa Argo Graças aos avanços tecnológicos que têm sofrido as ciências marinhas nos últimos 10 anos, este ambicioso objetivo pode ser conseguido com a implantação de um conjunto de 3000 bóias-perfis subaquáticos. Cada um destes perfis deriva a uma profundidade de 1000 m. A cada dez dias cai para profundidade 2000m, em seguida, depois de iniciar a subida para a superfície, medindo o seu caminho para cima, os campos para a determinação do estado físico do oceano, principalmente a salinidade, temperatura e pressão. Os dados são enviados por satélite da superfície, desde que em tempo real estruturas de temperatura e salinidade da parte superior e meio do oceano: você recebe uma imagem do oceano a cada dez dias.

do Challenger mostra que o aquecimento médio de 0,59 graus Celsius à superfície é consistente com as anteriores estimativas da subida média das temperaturas globais”, escrevem os autores do artigo, Dean Roemmich e John Gilson (da Instituição de Oceanografia Scripps) e John Gould (do Centro Nacional de Oceanografia britânico). “O aquecimento é maior no oceano Atlântico do que no Pacífico”, frisam ainda. A equipe seguiu os passos do Challenger, que recolheu mais de 300 registos de temperatura, desde a superfície até ao fundo do mar. Embora as medições do Challenger não tenham sido muitas, essa informação histórica é uma referência para os estudos da temperatura nos oceanos. Permite saber que evolução ocorreu entre o último quartel do século XIX e o início do século XXI, agora

comparando com os registos de mais de 3500 bóias do sistema Argo, lançado em 2000 e que integra dois programas de observação da Terra das Nações Unidas (o Sistema de Global de Observação do Clima e o Sistema Global de Observação dos Oceanos). As bóias do Argo andam à deriva a registar, a cada dez dias, a temperatura e salinidade da água, até quase dois mil metros de profundidade, e os dados são depois enviados por satélite para terra. Por ano, o Argo faz mais de cem mil medições. Para as mesmas localizações, profundidades e altura do ano, a equipe comparou os registos do Challenger e do Argo. Até 1800 metros de profundidade, encontraram-se sinais de aquecimento, diz a equipe. Até agora, a comunidade científica estava convencida de Número de perfis de temperatura tomadas pelo Argo em diversas áreas do oceano

Uma bóia pouco antes da recuperação pelo navio japonês guarda costeira Takuyo

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Perfil-robôs (bóias) cobrem os oceanos do mundo

Dean Roemmich, vice-presidente da equipe de coordenação internacional do Argo

que quase todo o excesso de calor (90%) acrescentado à Terra tinha começado a ser armazenado nos oceanos a partir da década de 1960, também alvo de análise neste estudo. “Além de sublinhar a importância científica da expedição do Challenger e do programa Argo, este estudo indica que, do ponto de vista global, os oceanos estão aquecendo pelo menos desde o final do século XIX ou início do século XX”, acrescentam os cientistas.

» Dados colectados

Para Dean Roemmich, que é vice-presidente da equipe de coordenação internacional do Argo, esta descoberta contribuiu para deslindar o quebra-cabeças do clima da Terra. Citado numa nota de imprensa da sua instituição,

o cientista considera que este artigo ajuda a interpretar os registos do aumento do nível do mar, a par do degelo: ao aquecer, a água do mar expande-se, o que se traduz também numa subida do mar.

Uma das equipes do ARGO

Cientistas de todo o mundo usam os dados Argo em uma variedade de maneiras, incluindo o cálculo de armazenamento de calor pelo oceano, o que é importante para verificar os modelos climáticos, estudar as alterações de salinidade por causa da chuva em mudança; prevendo eventos de El Niño, a avaliação dos impactos de temperatura e a salinidade dos oceanos, correntes sobre a pesca, estudar a interação entre a atmosfera e o oceano durante as monções, servindo as necessidades de transporte marítimo em modelos de previsão do oceano, e monitorar como os furacões e tufões oceanos unidade

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Iphan registra sítios arqueológicos de mais de 8 mil anos em Rondônia Fotos: Scientia Consultoria

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Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) por meio da Superintendência em Rondônia, vem realizando desde 2008 o acompanhamento das atividades de pesquisa e resgate arqueológico na Usina Hidrelétrica de Santo Antônio, um dos empreendimentos realizados pelo Governo Federal através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O empreendimento, instalado no rio Madeira, em Porto Velho, seguiu os trâmites do licenciamento ambiental, realizando as pesquisas relativas ao patrimônio arqueológico e submetendo os relatórios parciais regularmente para avaliação pelo Instituto. Para Beto Bertagna, Superintendente do Iphan em Rondônia “as pesquisas, ainda em andamento, já revelaram novos horizontes culturais para o Estado de Rondônia. Neste sentido, a Superintendência do Iphan continuará a fiscalizar, deliberar e promover o patrimônio histórico e arqueológico inserido dentro da área da Usina de Santo Antônio, bem como dos demais empreendimentos instalados no Estado, mantendo seu papel institucional,

Pesquisadores identificaram em Rondônia 58 sítios arqueológicos, sendo 43 pré-coloniais e 15 sítios históricos. Por sítio arqueológico pré-colonial, entendese aqueles anteriores ao processo de colonização, ou seja, no caso brasileiro, anteriores ao ano de 1500. Todavia, os sítios identificados como posteriores a 1500 e que neles, necessariamente, tenham ocorrido processos de influência europeia, são conhecidos como sítios arqueológicos históricos

salvaguardando a Memória Nacional e corroborando para com a contínua formação da identidade cultural brasileira.”.

Urna funerária identificada nas intervenções arqueológicas

Vasilhame resgatado em perfil de sondagem arqueológica

Resgate

Equipe de arqueologia realizando resgate do material arqueológico identificado em superfície 60 REVISTA AMAZÔNIA

As pesquisas na UHE Santo Antônio identificaram 58 sítios arqueológicos, sendo 43 pré-coloniais e 15 sítios históricos. Por sítio arqueológico pré-colonial, entendese que são aqueles anteriores ao processo de colonização, ou seja, no caso brasileiro, anteriores ao ano de 1500. Todavia, os sítios identificados como posteriores

a 1500 e que neles, necessariamente, tenham ocorrido processos de influência europeia, são conhecidos como sítios arqueológicos históricos como o Forte Príncipe da Beira por exemplo. Para o arqueólogo do IPHAN, Danilo Curado, “a região compreendida pelo empreendimento, o alto rio Madeira, consiste de alta relevância arqueológica e antropológica, assistindo às discussões que vão desde a dispersão dos povos falantes do Tupi até a domesticação de alimentos como a mandioca e a pupunha. Neste processo ocupacional da região, são objetos de pesquisa as afamadas Terras Pretas Arqueológicas até a transformação dos biomas da Amazônia brasileira e do Cerrado.”

Datações Até o momento, 32 datações foram realizadas nos sítios pesquisados, atingindo a marca de 8120 anos antes do presente (AP) para o Sítio Boa Vista e 8740 anos (AP) para o Sítio Vista Alegre I. O primeiro, contendo alta concentração de material cerâmico (com variedades de formas e decorações) e baixa concentração de material lítico (pedra polida e/ou lascada) encontra-se em área de pasto e plantio, o que o expunha ao risco de depredação acentuado. Possuindo artefatos arqueológicos da superfície até aproximadamente um metro de profundidade, o sítio é do tipo habitação. O segundo, de datação mais antiga, representa algo comum aos sítios arqueológicos de Rondônia. Talvez por motivos de excelência e qualidade ambiental, a área do sítio foi por mais de uma vez ocupada, sendo-a na época pré-colonial e, também, em momentos mais recentes, no período histórico. Quanto ao mais antigo, o sítio foi continuamente habitado, destacando artefatos cerâmicos e líticos, além de algumas estruturas de combustão (fogueiras). Para o período histórico, foram identificados artefatos de louça, vidro e metal, todos datados do século XIX. Peça em laboratório, após passar por curadoria (limpeza), proveniente do sítio Boa Vista

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Rio+20, economia verde e a posição Brasileira

P

resenciamos atualmente crises diversas no mundo. O mercado financeiro por vezes parece uma gangorra desgovernada. Economias antes tidas como estáveis estão em situação de insolvência. Regimes políticos centralizadores com décadas no poder estão sendo questionados e, acredito, felizmente tendem a serem todos substituídos. Por outro lado, alguns sistemas considerados democráticos têm enfrentado dificuldades de se sustentar politicamente em face de problemas como altas taxas de desemprego e outros. O interessante das situações de crise é que elas constituem grande oportunidade para o aprendizado. Crises tendem a ser acompanhadas, na sua sequência, por ação efetiva, por mudanças. É esse o seu lado positivo. Nesse quadro está colocada a questão ambiental e, também, o processo da Rio+20. Vivenciamos hoje situação de risco continuamente aumentado de que mudanças climáticas, erosão de biodiversidade e desertificação, entre outros problemas, ameacem a segurança da vida no planeta, resultem em perdas humanas e materiais, causem sofrimento à humanidade. A própria Terra tem-se encarregado de mostrar que nossos padrões de uso dos recursos naturais são insustentáveis. Vinte anos atrás, a Rio-92 buscava soluções capazes de conciliar as necessidades legítimas de desenvolvimento social e econômico com a obrigação de conservar os recursos para as gerações futuras. Cheios de sonhos, elegemos o desenvolvimento sustentável como o grande mote da conferência. A esperança que alimentava então nossas ações necessita ser agora renovada. Mesmo o mundo tenha ficado longe de conseguir aplicar as decisões da Rio-92, pode-se afirmar que a questão ambiental assumiu novas proporções nas últimas décadas. Passou-se de uma perspectiva tecnocrática no tratamento da crise ambiental para o reconhecimento de que os principais desafios são sociais e políticos. Combate à pobreza, justiça social e democracia não estão desvinculados do conceito de sustentabilidade ambiental. Além disso, estruturou-se com mais consistência a defesa do direito intergeracional ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. Na Rio+20, os debates estarão centrados em dois temas principais: (i) a economia verde e (ii) a governança para o desenvolvimento sustentável, tendo em vista a erradicação de pobreza. De forma geral, espera-se que a conferência contribua para o fortalecimento do multirevistaamazonia.com.br

por Sarney Filho*

Fazendo coro com os nossos jovens, que têm muito a nos ensinar, clamo: Veta tudo, Dilma!

lateralismo, com um modelo institucional que integre as agendas econômica, social e ecológica. É preciso dizer que, desde a Rio-92, o Brasil tem atuado nas pactuações mundiais referentes à questão ambiental de forma proativa, como propositor do mecanismo de desenvolvimento limpo e da ampliação das energias renováveis na matriz mundial. As ações práticas de políticas públicas também nos legitimam para liderar nessa área. Podem ser citados como exemplos, entre outros possíveis, a política de combate ao desflorestamento na Amazônia, na qual conseguimos avanços importantes em pouco mais de uma década, e o progresso em termos de viabilização (econômica, inclusive) das fontes alternativas de energia, como o que estamos vivenciando com a energia eólica, principalmente na região Nordeste. O problema é que, no processo da Rio+20, até agora, o Brasil ainda não se consagrou efetivamente como uma liderança criativa, ousada. Nossa atuação está com certeza aquém do que deveria estar nesse processo. Nesse sentido, destaco que há propostas que nosso país deveria defender na conferência, lutando pelo envolvimento dos demais países. Um exemplo está na adoção do PIB Verde, paralelamente ao PIB tradicional. O PIB Verde contabiliza as variáveis qualitativas relacionadas à sustentabilidade social e ambiental, baseadas nos princípios da economia verde. A contabilidade ambiental é complexa, mas é passo necessário e importante, e necessita ser incorporada aos processos decisórios dos diferentes países e das agências internacionais. A segunda proposta seria o cumprimento de metas de

transição, até 2022, para uma economia sustentável de baixo carbono, relacionada a energias limpas, preservação e recomposição de florestas e de biodiversidade, manutenção de áreas verdes urbanas, produção saudável de alimentos, melhoria da qualidade da água e do ar, reciclagem de resíduos, saneamento, mobilidade urbana, empregos “verdes” e acesso a bens e serviços culturais. A terceira proposta refere-se ao direcionamento das compras e contratos governamentais para bens, produtos e serviços certificados, de modo a ser impulsionada a competitividade da economia verde. A quarta proposta seria dar início à negociação de um fundo internacional de financiamento e da implantação de um sistema de transferência de recursos financeiros, de tecnologias e de capacitação para a adaptação às mudanças climáticas. Por fim, a quinta proposta diz respeito à criação da Organização Mundial do Desenvolvimento Sustentável (OMDS), ou ente similar, e o estabelecimento de uma sede no Brasil, no Rio de Janeiro. A função primordial dessa organização seria a de monitorar e promover metas de desenvolvimento sustentável e fomentar e assistir a sua execução. Cabe registrar que, mesmo com todos os problemas ambientais atuais que enfrentamos no mundo, acredito que temos condições técnicas e conhecimento suficiente para garantir emprego e renda, alimentos, moradia e transporte, comércio e serviços para todos, sem destruir o planeta. Além disso, tenho certeza de que o Brasil mostrará na Rio+20 que não somos apenas mais um Estado nacional que defende essencialmente seus próprios interesses, mas que somos responsáveis, em parte relevante, pela boa condução das conversações internacionais e por resultados positivos para a comunidade global. Todavia, não poderia deixar de comentar que, se nosso país já tem um histórico importante de conquistas na questão ambiental, esse histórico estará bastante comprometido se vencerem as forças políticas que insistem em dilapidar e descaracterizar nosso Código Florestal ao invés de aperfeiçoá-lo, fazendo-o instrumento eficiente do desenvolvimento limpo e responsável que queremos. Cabe à sociedade como um todo dizer não aos retrocessos nessa área! Fazendo coro com os nossos jovens, que têm muito a nos ensinar, clamo: Veta tudo, Dilma! [*] Deputado Federal (PV/MA). Coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista REVISTA AMAZÔNIA 61


Economia florestal no Brasil ainda não atende às expectativas

O

país da maior floresta tropical do mundo tem uma economia florestal pequena, disse o presidente do Grupo de Trabalho Amazônico (GTA) e representante do Fórum Brasileiro de ONGs (organizações não governamentais) e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente, Rubens Gomes. Ele defende a criação de uma política nacional para o uso e gestão de florestas. Sem uma política nacional que seja cumprida à risca, o sistema florestal brasileiro ficou frágil, situação que contribui para que os investidos não realizem investimentos Floresta Amazônica brasileira, acrescentou Rubens Gomes. A solução, segundo o presidente do GTA, é compensar o vazio legal por meio do fortalecimento do Serviço Florestal Brasileiro (SFB), criado em 2006. Para Rubens Gomes, cinco anos depois da criação do órgão, o SFB ainda está longe de atender as expectativas depositadas pela sociedade brasileira em seu funcionamento.

Floresta SaracaTaquera, no Pará

Cachoeirinha, na Floresta Nacional do Jamari, em Rondônia 62 REVISTA AMAZÔNIA

Marcus Vinicius Alves, diretor de concessão florestal e monitoramento do SFB, reconheceu que os contratos de concessão vem apresentando “um incremento pequeno”. Disse, porém, que, embora modesto, esse crescimento vem sendo “gradual, constante e responsável”. Acrescentou que, desde as primeiras licitações, em 2008, até hoje, já foram concedidos 150 mil hectares em duas florestas públicas (Floresta Nacional do Jamari, em Rondônia, e Floresta Saraca-Taquera, no Pará). “Há 20 dias lançamos mais dois editais de licitação para área remanescente de Saraca-Taquera e outro para Floresta Jacundá (Rondônia) e ainda vamos concluir outros três editais até julho. Se todos os contratos se concretizarem vamos ter, no final do ano, 1,3 milhão hectares de florestas contratadas”, explicou Marcus Vinicius. Outra questão considerada crítica por Marcus Vinicius é a falta de instrumentos econômicos, como subsídios e incentivos financeiros para a atividade florestal. “Pre-

cisamos de uma série de incentivos que, junto com repressão à ilegalidade, produziriam um salto quantitativo e qualitativo nas concessões”, disse.

Rubens Gomes, presidente do Grupo de Trabalho Amazônico (GTA) e representante do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente, defende a criação de uma política nacional para o uso e gestão de florestas revistaamazonia.com.br


Na internet, nem tudo é o que parece ser. Acompanhe as atividades dos seus filhos na internet. Sites de jogos, redes sociais e comunidades podem esconder adultos que usam falsos perfis para aliciar crianças e adolescentes para a pornografia ou a violência sexual. Fique atento. Relacionamentos virtuais podem levar a problemas reais. Denúncias online: www.disque100.gov.br

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Disque

DISQUE DENÚNCIA NACIONAL DE ABUSO E EXPLORAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES

REVISTA AMAZÔNIA 63


Pesquisa confirma que aumento de C02 inicia aquecimento Caiu um dos últimos bastiões dos que argumentam que a queima de combustíveis fósseis não aquece a Terra.

O

problema, diziam os céticos, é que o CO2 liberado por essa queima não parecia ser o causador de mais calor no planeta em épocas geológicas anteriores. A ordem parecia ser inversa: primeiro a Terra esquentava e só depois a atmosfera recebia mais CO2. “A aparente contradição tem a ver com a maneira como a neve se deposita”, afirma o paleoclimatólogo Cristiano Chiessi, da USP. Explica-se: os principais registros sobre o clima do passado vêm de cilindros de gelo obtidos na Antártida. Em lugares de neves eternas, essa “biblioteca” gelada alcança centenas de milênios. A composição do gelo dá pistas sobre a temperatura na época em que a neve caiu, enquanto bolhas de ar presas na massa gelada indicam quanto CO2 havia no ar. “O problema é que essas coisas acontecem em ritmo diferente. Quando a neve cai, ela fica muito tempo permeável ao ar acima dela. Demora para as bolhas se formarem”, diz Chiessi.

a

A composição do gelo dá pistas sobre a temperatura. O aquecimento global foi precedido pelo aumento concentrações de dióxido de carbono durante o fim da última era glacial

b

90° N

90° N

No. records 0 4 8

60° N 60° N

30° S

Mg/Ca k′ U37 Ice core TEX86 Microfossils Pollen MBT/CBT

30° N Latitude

Latitude

30° N

30° S 60° S

60° S

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Longitude

18 0°

0° E 12

60 °E

W 60 °

W

°

18 0

Registros de temperatura

90° S

12 0°

90° S

0

0.05 Fraction of planet area

Resultado: os modelos indicavam que o ar preso nas bolhas sempre é mais “novo” que o gelo ao lado. Assim, não dava para saber qual tinha sido a ordem dos acontecimentos, num verdadeiro problema de ovo e galinha. Um artigo recente, assinado pelos pesquisadores: Jeremy D. Shakun, do Department of Earth and Planetary Sciences, Harvard University; Peter U. Clark, do College of Earth, Ocean, and Atmospheric Sciences, Oregon State University; Feng He, do Center for Climatic Research, University of Wisconsin; Shaun A. Marcott, College of Earth, Ocean, and Atmospheric Sciences, Oregon State University; Alan C. Mix, College of Earth, Ocean, and Atmospheric Sciences, Oregon State University; Zhengyu Liu, Department of Atmospheric and Oceanic Sciences, University of Wisconsin; Bette Otto-Bliesner, Climate revistaamazonia.com.br


0 20

–40

40 60

–80 260

a 240

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0

100

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0 –1

Insolation (% relative to present)

e –2 10

65°

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0 –5

OD

20

18

B–A YD

1

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14 Age (kyr)

Holocene

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10

Proxy hemispheric temperature (°C)

200

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Model hemispheric temperature (°C)

Proxy ΔT (°C)

CO2 (p.p.m.v.)

220

0 –1

c

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1

d

0

–3 –4

–1

1 Onset of CO2 rise

0.75

Onset of seesaw

0.5

60–90° N 30–60° N 0–30° N 0–30° S 30–60° S 60–90° S

0.25 0 –0.25 20

18

16

14

12

10

8

and Global Dynamics Division, National Center for Atmospheric Research of Colorado; Andreas Schmittner, do College of Earth, Ocean, and Atmospheric Sciences, Oregon State University e Edouard Bard8, do Collège de France, CNRS-Université Aix-Marseille, Europole de l’Arbois, France, contornou isso unindo os dados da Antártida a outros registros pelo mundo. A pesquisa mostra que, no fim da última era glacial, a ordem foi mesmo mais CO2 primeiro e temperatura aumentada depois. Detalhe importante: em cem anos, os níveis de CO2 atmosféricos aumentaram na mesma proporção que todo o incremento em 10 mil anos no fim da última fase glacial. O que uma mudança dessas pode causar além de mais calor? Uma pista está num estudo coordenado por Maria Assunção da Silva Dias, também da USP, que viu um aumento de um terço na chuva da Grande São Paulo em menos de um século. Boa parte disso tem a ver com fatores naturais e com o excesso de prédios da metrópole. “Mas a mudança lembra um ensaio do que se espera que venha no futuro, com mais eventos extremos”, diz Silva Dias – como tempestades na estação seca, antes inexistentes, e mais temporais como um todo.

–2

e

1 0

20

–1

16

f

Model ΔT (°C)

–3

Model AMOC (Sv)

90° S

b

Age (kyr)

260

0

–4

22

240

–3

Alteração de temperatura, antes aumento na concentração de CO2

8

Temperaturas do hemisfério

–1

–3

ne 2

Global annual ec. 21 65° S D LGM

22

N Ju

2

60° S

Temperature (fraction of G–IG range)

180

–3

1

30° S

Model global temperature (°C)

c

0

30° N

200

–2

–1

60° N

220 –1

–2 90° N

CO2 (p.p.m.v.)

Proxy global temperature (°C)

–120

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Temperature trend (°C kyr–1)

a

Latitude

Temperatura global e forçantes climáticos

NH ice-sheet area (%)

Relative sea level (m)

0

Estudando os cilindros de gelo obtidos na Antártida

–2

12 8 4

0.05

0

g

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231Pa/230Th

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0.09 OD

LGM 22

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B–A 16

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0.1

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Descoberto o mistério da elevação do mar

A

extração massiva de águas subterrâneas pode resolver um mistério relacionado à elevação dos níveis do mar nas últimas décadas. Especialistas japoneses estimam que os níveis globais do mar tenham aumentado, em média, 1,8 milímetros por ano de 1961 a 2003, mas a grande questão é o quanto disso pode ser atribuído ao aquecimento global. Um relatório de 2007 divulgado no Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática da ONU, o IPCC, atribuía a elevação de 1,1 milímetros por ano à expansão térmica dos oceanos e ao degelo das geleiras, calotas polares e calotas da Groenlândia e da Antártida. Os outros 0,7 milímetros não têm origem atribuída e acabaram se tornando um mistério para vários cientistas, que se perguntavam se os dados estavam realmente corretos. Em um estudo publicado no jornal “Nature Geoscience”, pelos pesquisadores: Yadu N. Pokhrel, Naota Hanasaki, Pat J-F. Yeh, Tomohito J. Yamada, Shinjiro Kanae e Taikan Oki, liderado por Yadu Pokhrel, da Universidade de Tóquio, diz que a resposta está na água que é extraída dos aquíferos subterrâneos, rios e lagos, para o desenvolvimento humano, e nunca é reposta. Eventualmente, essa água chega ao oceano por meio de rios e da evaporação, informa o estudo. A pesquisa afirma que a extração dessa água é um componente importante para resolver o mistério da elevação dos níveis do ar. “O uso insustentável das águas subterrâneas, represas artificiais, armazenamento terrestre de água causado pelo clima e a perda de água de bacias fechadas contribuíram para o aumento dos mares de 0,77 milímetros por ano de 1961 a 2003, cerca de 42% do aumento observado”, diz a pesquisa. O estudo pretende preencher uma das lacunas na complexa ciência das mudanças climáticas. Os pesquisadores admitem que existem muitas incógnitas sobre as maneiras com as quais os oceanos respondem ao aquecimento, e uma delas é relacionada ao aumento dos níveis do mar. Mesmo que pequeno, um aumento repetido ano após ano pode, eventualmente, causar um impacto dramático nas localizações que são vulneráveis a tempestades ou ao influxo de água salgada nos aquíferos e campos costeiros. O estudo divulgado em 2007 pelo IPCC revela que os oceanos se elevarão algo entre 18 e 59 centímetros até o final do século. Apesar disso, a estimativa não leva em consideração às águas derretidas das calotas da Groenlândia e da Antártida. Uma pesquisa publicada no ano passado pelo Projeto de Monitoramento e Avaliação do Ártico afirma que os níveis do mar subirão, pelas tendências atuais de derretimento, de 90 centímetros a 1,6 metros até 2100.

Contribuições de água terrestre de armazenamento para mudança do nível do mar. Série temporal do estimado e projetado à contribuição anual de mudança terrestre de armazenamento de no período 1900-2100. As linhas sólidas dão a estimativa média, as barras verticais, o intervalo de incerteza.

As estimativas do IPCC AR4 são para o período 19612003, enquanto que as estimativas de outros estudos são para a segunda metade do século XX, com exceção de Wada et al. 19 (1960-2000) Áreas em todo o mundo vulneráveis à subida do nível do mar 12 REVISTA AMAZÔNIA

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Proteger o meio ambiente é um exercício diário. Combater a dengue também deve ser. Por isso reúna seus familiares e vizinhos para este combate. E cuide da sua casa. Fique atento. Febre alta com dor de cabeça, dor atrás dos olhos, no corpo e nas juntas, vá a uma Unidade de Saúde, pode ser dengue. Se apresentar dores abdominais e vômito, cuidado. Pode ser a forma grave da doença.

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Carbono azul Uma ferramenta para mitigar a

mudança climática e preservar principais ecossistemas marinhos e costeiros Fotos: Giuseppe Di Carlo, Franz Guestys

U

m evento paralelo foi organizado junto à segunda ronda de negociações informais, em Nova York, sobre o drat zero do documento final Rio +20, para informá-los sobre o valor potencial de conservação de ecossistemas costeiros, através de iniciativas de carbono azul, como um meio para garantir a sustentabilidade a longo prazo das zonas costeiras e desenvolvimento. Uma oportunidade para definir uma nova agenda para um futuro sustentável. Serviços ambientais prestados por habitats costeiros e marinhos são de importância crucial para a erradicação da pobreza e segurança alimentar, bem como muitos dos setores dirigindo atualmente as economias dos países costeiros. Alguns destes ecossistemas, como manguezais, restingas e prados de algas marinhas, além de ter valores de alta biodiversidade e proporcionar locais de nidificação e viveiros para a pesca, também podem desempenhar um papel fundamental na mitigação da mudança climática

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global através de sua capacidade de armazenar carbono. Emissões antropogênicas de carbono na atmosfera e nos oceanos são a causa mais significativa das mudanças climáticas globais. Limitar a mudança climática significa tanto carbono removido da atmosfera e dos oceanos e evitar novas emissões de carbono. Total de depósitos de carbono por quilômetro quadrado nesses sistemas costeiros podem ser até cinco vezes o carbono armazenado nas florestas tropicais, devido à sua capacidade de absorver, ou sequestrar carbono em taxas até 50 vezes as da mesma área de floresta tropical. Estes ecossistemas carbono azul estão sendo degradados e destruídos em um ritmo rápido ao longo das costas do mundo, resultando em emissões globalmente significativas de dióxido de carbono na atmosfera e oceano e contribuindo para a mudança climática. A drenagem de zonas húmidas de uma típica costeira, como um mangue ou pântano, libera 0,25 milhões de toneladas de dióxido de carbono por quilômetro quadrado para cada metro de solo que está perdido. Os dados globais mostram que algas marinhas, mangues e de maré, manguezais estão sendo degradados ou destruídos ao longo das costas do mundo em um ritmo rápido. De fato, entre 1980 e 2005, 35.000 quilômetros quadrados de manguezais foram re-

movidos globalmente - uma área do tamanho da nação da Bélgica. Há evidências crescentes de consenso e que a gestão de ecossistemas costeiros carbono azul, através de emissões evitadas, conservação, restauração e uso sustentável tem um forte potencial como ferramenta de transformação A restauração dos manguezais pode levar décadas para os ecossistemas serem restaurados e recuperar as funções biogeoquímicos perdidos durante a degradação

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Manguezais em torno de uma fazenda de camarão em Batangas – Filipinas.

Sistemas marinho, costeiro e Ilhas

na gestão de carbono global eficaz natural. A compreensão científica do sequestro de carbono e emissões potenciais de ecossistemas costeiros agora é suficiente para desenvolver incentivos eficazes de gestão de carbono, a política, e conservação de Carbono Azul costeira. Com ação adequada através da Rio +20, processo de negociação, maior reconhecimento da importância dos

econômica dos principais habitats costeiros, e incentivos para promover a mudança de usos mais sustentáveis, como ecoturismo e pesca em pequena escala? Como pode a capacidade institucional aos níveis nacional e internacional ser melhorado para implementar ferramentas através de subsidiar terra / mudança de uso oceano para métodos mais sustentáveis, monitoramen-

Carbono azul Uma das idéias mais promissoras para reduzir CO2 na atmosfera e limitar a mudança climática global é a fazê-lo por conservação de manguezais, algas marinhas, vegetação costeira, conhecidos como “carbono azul” – que sequestra carbono muito mais eficazmente (até 100 vezes mais rápido) e de forma mais permanente do que as florestas terrestres. O carbono é armazenado na turfa abaixo de habitats de vegetação costeira como eles crescido verticalmente. E a PERGUNTA que fica, obviamente: falta de esportividade do tipo deveria ser sempre punida ? Opine!

Uma ferramenta para mitigar a mudança climática e preservar principais ecossistemas marinhos e costeiros

sistemas costeiros carbono azul vai alavancar melhor gestão e regulação das zonas costeiras e fornecer uma base para incentivos, incluindo mecanismos financeiros, para conservar ou restaurar esses sistemas e evitar e gerenciar as emissões, bem como impactos, mitigação ou seja, apoio e adaptação à mudança climática. Este evento paralelo foi organizado pela Comissão Oceanográfica Intergovernamental (IOC-UNESCO), a União Internacional para Conservação da Natureza, Conservação Internacional, Indonésia, Costa Rica e Equador, para fornecer informações oportunas aos delegados durante o processo. As principais questões que serão abordadas no âmbito da Rio +20 também serão discutidos, tais como: Caso o CNUDS estabelecer um processo para promover a proteção do habitat costeiro e as metas de recuperação para os Estados com prazos claros e compromissos? Se uma abordagem Economia Verde incluem a criação de mecanismos de sustentabilidade financeira, avaliação revistaamazonia.com.br

to e relatórios, implementação e capacitação através de treinamento? Na preparação para a Rio +20, UNESCO-COI, juntamente com a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a Organização Marítima Internacional (OMI) e da Organização para a Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO), preparou um plano para Oceanos e Sustentabilidade Costeira. Este documento fornece um contexto para as discussões Rio +20, através da análise dos desafios atuais no oceano e gestão costeira em todo o mundo. Mais importante, ele apresenta um conjunto concreto de propostas e objetivos para a transição para uma economia Blue-Green. Uma destas propostas é o desenvolvimento de um programa global que visa uma maior proteção e restauração do Oceano vital e habitats costeiros, e de um mercado global de carbono azul como um meio de criação de ganho econômico direto através da proteção do habitat. REVISTA AMAZÔNIA 69


Cegueira dos rios, indígenas enfrentam a doença causada pela picada do pium por Wallace Abreu

A oncocercose causa cegueira em indígenas da etnia yanomami e yekuana, no Amazonas e Roraima Fotos: Arquivo OEPA

A

simples picada de um mosquito pode levar à cegueira irreversível. Nas últimas décadas, seis países enfrentam a proliferação desta doença. No Brasil, o problema atinge áreas indígenas yanomamis e yekuanas nos estados do Amazonas e Roraima. Popularmente conhecida como “cegueira dos rios” ou “mal do garimpeiro”, a enfermidade chama-se oncocercose. Trata-se de uma doença parasitária, causada pelo verme Onchocerca volvulus, que se aloja no sistema linfático humano após a picada do simulídeo. O mosquito transmissor é conhecido na região amazônica como pium. Em outras Coleta de material para biopsia em índia da etnia Yanomami

Simulídeo, conhecido na região amazônica como pium, em outras regiões do País, é chamado de borrachudo

regiões do País, é chamado de borrachudo. Caso o verme se aloje no globo ocular, a cegueira no indivíduo infectado é inevitável. O Onchocerca volvulus destroi os tecidos do visão gradativamente. A doença passou a ser chamada popularmante de “doença dos rios”, porque o pium, mosquito transmissor, se reproduz nas águas dos rios. A epidemia da doença começou em 1991, quando os Ministérios da Saúde da Colômbia, Brasil, Venezuela, México, Guatemala e Equador assinaram um tratado para o combate efetivo da doença. Da iniciativa, resultou o Programa de Eliminação da Oncocercose para as Américas (Oepa). No final de 2011, a organização divulgou as últimas informações sobre a infestação nos países em questão. Os dados constatam a presença de casos de onconcercose apenas na Venezuela e no Brasil, revelando que após 20 anos, entre os 14 focos espalhados pela América Central e do Sul, somente dois países ainda não eliminaram o problema.

de indivíduos infectados no mundo, a maioria (99%) em países Africanos. Esta é a segunda doença que mais causa cegueira no mundo, atrás apenas do glaucoma. Nas primeiras décadas de proliferação da doença em países africanos, mais de 50% da população ficava cega antes dos 50 anos, por conta da infecção. Segundo a OEPA, em gerações passadas as crianças do continente africano eram educadas a considerar o fato com uma etapa normal do futuro.

Transmissão O pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Victor Py-Daniel, se dedica a estudos com a oncocercose desde 1991. De acordo com o especialista, através da picada do pium, as formas adultas do verme parasitam o ser humano, alojando-se em nódulos por baixo da pele. “No local, eles se reproduzem sexualmente. Nos 15 anos que sucedem a picada, são geradas inúmeras larvas minúsculas, chamadas de microfilárias, invisíveis a olho nu”, disse. Por baixo da pele, as microfilárias se espalham pelo corpo humano. Após aproximadamente um ano, surgem os primeiros sintomas. “O alojamento debaixo da pele gera nódulos palpáveis, com alguns centímetros de diâmetro”, explicou o pesquisador. Py-Daniel chamou a atenção para outros sintomas menos comuns, como coceiras, o enrugamento da pele, e

Vinda nos navios negreiros A onconcercose infiltrou-se nas Américas com a chegada dos escravos africanos, no início do século passado. Dados da Oepa destacam que há, pelo menos, 18 milhões 70 REVISTA AMAZÔNIA

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Indígenas da etnia Yanomami, junto com os yekuana, os mais prejudicados

Um dos mais graves comprometimentos do pium ocorre nos olhos causando a cegueira

até casos de febres constantes. Quando a microfilária se aloja em vasos da retina, os degenera aos poucos, causando lesões. O globo ocular gradativamente torna-se branco até a perda total da visão. Segundo o pesquisador, normalmente a doença atinge pessoas mais velhas, mas casos em crianças e jovens também foram registrados.

Diagnóstico e Tratamento Os nódulos de parasitas adultos são identificados por técnicas de imagiologia (tomografia computadorizada) ou por análise microscópica de amostra de biópsia. As microfilárias também são detectadas em biópsias da pele, ou vistas diretamente pela observação do fundo do olho com um oftalmoscópio.

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Feito à base de ivermectina, o tratamento contra a doença dura 15 anos. A dosagem é única, com periodicidade semestral ou anual. Py-Daniel explicou que já surgiram outros remédios para o combate à doença, porém eram muito nocivos à saúde humana. “A pessoa sentia mais problemas com o remédio do que apenas com a oncocercose”, frisou. Conforme o pesquisador, os remédios disponíveis no mercado não matam o verme adulto. Há medicamentos, em fase experimental, que são efetivos . “Assim teríamos um tratamento para acabar com a doença e não somente fazer um controle como acontece hoje”, disse Py-Daniel.

A doença fora das áreas indígenas No final dos anos 80, havia quase 50 mil garimpeiros em áreas yanomamis do Amazonas, Roraima e Venezuela. “Durante o Governo Sarney eles foram tirados da área, pois atuavam de maneira irregular. Na época, alertamos que quando os garimpeiros fossem retirados, fosse realizado o exame, pois estavam em áreas endêmicas. Os exames não foram feitos e os garimpeiros saíram para diversas áreas do Brasil e até mesmo para outros países da América do Sul, o que ocasionou uma proliferação da doença, que já foi controlada”, comentou Py-Daniel.

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Plantas estrategistas contribuem para recuperação de áreas alteradas por Jéssica Vasconcelos*

Pesquisador do Instituto desenvolve trabalho com plantas que demonstram capacidade de melhorar solos de áreas prejudicadas pela ação do ser humano Fotos: Luiz Augusto Gomes de Souza

Q

uando se fala da biodiversidade Amazônica logo vem à mente beleza, riqueza e números elevados que sugerem uma variedade grande de espécies. Entretanto toda essa riqueza não foi ainda explorada e por isso é necessário conhecer os recursos de biodiversidade da Amazônia que possam contribuir para o seu desenvolvimento. É com esta finalidade que o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) Luiz Augusto Gomes de Souza dedica sua carreira a estudar uma família de plantas extremamente diversificada e que na região amazônica é bastante numerosa, as Fabaceae, conhecidas também como leguminosas. A necessidade de valorizar economicamente a biodiversidade é apoiada em pesquisas sobre os recursos da vegetação nos diferentes biomas amazônicos. “Neste cenário, um levantamento abrangente das espécies de Fabaceae nas matas primárias de terra firme, campinaranas, igapós e mesmo em áreas submetidas a alterações em nossa região, torna-se essencial para um aumento do conhecimento e das possibilidades de aproveitamento das espécies existentes nesta parte da Amazônia”, explica Souza. Há uma grande variedade de hábitos de crescimento dentro da família botânica das leguminosas e as espécies variam de ervas anuais a árvores de grande porte. “O Brasil tem um estoque genético muito grande dessas espécies, como, por exemplo, copaíba, cumaru, jacarandá, visgueiro, macacaúba, mulungu etc, que são árvores de grande porte encontradas facilmente na floresta Amazônica”, acrescenta o pesquisador. 72 REVISTA AMAZÔNIA

Luiz Augusto Gomes de Souza, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI)

Plantas estrategistas Classificadas como plantas estrategistas, as Fabaceae, contribuem para a melhoria dos solos em áreas degradadas ou mesmo em práticas relacionadas com a agricultura sustentável. Uma das particularidades de muitas espécies que compõem essa família de plantas é a capacidade de captação do nitrogênio atmosférico através da associação com bactérias do solo (conhecidas como rizóbios). “Isto se torna possível, porque através desta associação, há a formação nas raízes das plantas, de estruturas benéficas chamadas de nódulos radiculares, onde ocorre a fixação do nitrogênio, acontecendo então uma das mais perfeitas e práticas relações ecológicas identificadas entre os vegetais e os microrganismos”, esclarece Luiz Souza. No processo da fixação de nitrogênio (passagem deste elemento da forma gasosa para a estrutura dos compostos orgânicos do interior da planta), a leguminosa

alimenta a bactéria com produtos da fotossíntese e a bactéria é responsável pela assimilação do nitrogênio que está na atmosfera tornando-o disponível para o desenvolvimento da planta, onde o nitrogênio está presente principalmente nas folhas e, desta forma, entra no solo e nos sistemas de produção agrícola. Para o pesquisador, apesar da região amazônica possuir “uma mata exuberante”, as áreas de terra firme apresentam problemas relacionados ao solo, pois muitas vezes estes são ácidos ou arenosos e podem ter níveis excessivos de alumínio trocável, o que compromete a fertilidade, em decorrência da baixa capacidade de retenção de nutrientes ou mesmo pela presença de elementos tóxicos.

Estudos associados Para conhecer mais sobre as potencialidades da biodiversidade e dos recursos naturais da região Amazônica, Souza realiza dentro do projeto CTPetro Amazônia estudos agronômicos e silviculturais com as leguminosas da Bacia Petrolífera de Urucu, município de Coari (AM), com o intuito de identificar entre as espécies presentes naqueles ambientes, quais são as mais aptas para um plantio mais intensivo e que podem contribuir para a recuperação de áreas alteradas. Nos trabalhos já realizados na área foram identificadas 80 espécies de leguminosas, sendo 51 árvores, 17 lianas, seis arbustos e seis ervas. Assim, a elevada biodiversidade vegetal da área, sugere um melhor aproveitamento do potencial econômico e ecológico das espécies como área de coleta de sementes para pesquisa, reflorestamento e recuperação de áreas degradadas. “As diferentes espécies de Fabaceae podem ser úteis e aproveitadas nos agroecossistemas para produção de madeira e seus subprodutos e também como plantas revistaamazonia.com.br


Copaíba (Copaifera multijuga)

Copaiba venezuelana

Cumaru (Dipteryx odorata)

Visgueiro (Parkia pendula)

Mulungu (Ormosia smithii)

Macacaúba (Platymiscium trinitatis)

que podem oferecer serviços aos sistemas de produção pelo cultivo para adubação verde, sombreamento, sistemas agroflorestais, cobertura do solo, controle de erosão, etc., contribuindo com o incremento e sustentabilidade

em nitrogênio nos sistemas em que são consorciadas”, exemplifica Souza, que acrescenta ainda que o avanço dessas pesquisas podem “indicar as melhores espécies para cultivo, contribuindo para a conservação e preser-

vação dos recursos de biodiversidade existentes naquelas áreas”.

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[*] CTPetro REVISTA AMAZÔNIA 73


EUA ultrapassam China e lideram corrida mundial às energias limpas

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investimento mundial nas energias limpas aumentou 6,5% em 2011 e ultrapassou os 200 mil milhões de euros. Em 2009 e 2010, a China venceu esta corrida. No ano passado, os Estados Unidos chegaram primeiro, revela o centro de pesquisa Pew Center. Entre os países do G20 – responsáveis por 95% de todo o investimento mundial em energias limpas –, os Estados Unidos surgem em primeiro lugar, com um crescimento de 42% em relação ao ano anterior e um montante de 48 mil milhões de dólares (36.600 milhões de euros). Segundo a directora do Programa de Energias Limpas do Pew Centre, Phyllis Cuttino, “os investidores nos Estados Unidos aproveitaram os programas nacionais de estímulo a este sector, antes destes expirarem, no final de 2011”. Segundo o relatório “Who’s Winning the Clean Energy Race?” - sobre o investimento em energias limpas nos países do G20 -, divulgado recentemente, a China atraiu 45.500 milhões de dólares (34.700 milhões de euros) de investimento em energias limpas, especialmente em eólica. Liderado pelo aumento de 42% nos Estados Unidos e pelos 15% no Brasil, o investimento em energias limpas

por Helena Geraldes

Liderado pelo aumento de 42% nos Estados Unidos e pelos 15% no Brasil, o investimento em energias limpas na América cresceu mais de 21% para 63.100 milhões de dólares (48.100 milhões de euros), mais rápido do que qualquer outra região do mundo

Crescimento de tecnologia em energia limpa em 2011 74 REVISTA AMAZÔNIA

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na América cresceu mais de 21% para 63.100 milhões de dólares (48.100 milhões de euros), mais rápido do que qualquer outra região do mundo. O setor da energia limpa na Ásia/Oceânia aumentou mais de 10% para os 75 mil milhões (57.200 milhões de euros). O investimento relativamente estável da China foi mitigado pelos ganhos na Índia, Japão e Indonésia, entre os mercados que mais rapidamente cresceram no mundo. Na Europa, o aumento do investimento foi mais modesto, com 4%. Ainda assim, esta região continua a ser o principal destino deste tipo de investimento, com 99.300 milhões de dólares (75.700 milhões de euros). O relatório destaca o crescimento em Itália, Reino Unido e Espanha. Ao longo do ano passado, mais 83.5 gigawatts (GW) foram acrescentados à capacidade instalada a nível mundial, incluindo quase 30GW de solar e 43GW de eólica. Atualmente, o total é de 565GW. Entre as renováveis, a energia solar aumentou globalmente 44%, atraindo 128 mil milhões de dólares (97.600 milhões de euros). Na verdade, esta fonte de energia foi responsável por mais de metade de todos os investimentos em energias limpas em 2011 nos países do G20. “As

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instalações solares lideraram a maior parte da atividade no ano passado, dado que a queda dos preços dos módulos fotovoltaicos – agora 75% mais baratos do que há três anos – mais do que compensou pela redução dos

Principais países em investimento em energia limpa

mecanismos de apoio às energias limpas em várias partes do mundo”, disse o CEO do departamento das Novas Energias da agência Bloomberg, Michael Liebreich.

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CONSERVAÇÃO

Projeto reúne cientistas e ribeirinhos para a conservação de espécies bandeira das águas amazônicas

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o noroeste do estado do Amazonas, as Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã formam uma das maiores parcelas de florestas tropicais protegidas da América do Sul. As unidades de conservação são “vizinhas” e, juntas, somam 3.474.000 hectares, área comparável ao território de Alagoas. Com grandes extensões de florestas alagadas, as duas Reservas são habitat natural de animais que, devido a um longo histórico de exploração humana, hoje são considerados como bandeiras de conservação da Amazônia. Há um ano e meio, pesquisadores do Instituto Mamirauá iniciaram o projeto Conservação de Vertebrados Aquáticos Amazônicos (Aquavert), com o objetivo de consoli-

dar estratégias para a conservação de peixes-boi, botos, lontras, jacarés e quelônios. Em dezembro de 2010, o projeto foi contemplado com o patrocínio da Petrobras através do Programa Petrobras Ambiental, após aprovação na seleção pública do edital com o tema: “Água e Clima: Contribuições para o Desenvolvimento Sustentável”. Cerca de 20 mil pessoas residem em Mamirauá e Amanã e seus arredores. Tradicionalmente, as comunidades garantem sua sobrevivência através da exploração de recursos naturais. Há quase 20 anos analisando a relação entre ribeirinhos e animais aquáticos da região, a oceanógrafa Miriam Marmontel, coordenadora do projeto, estimula o engajamento dos moradores das Reservas em atividades

NO NOROESTE DO ESTADO DO AMAZONAS, as Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã formam uma das maiores parcelas de florestas tropicais protegidas da América do Sul

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IGOR J. ROBERTO

de pesquisa e educação ambiental. “O Instituto Mamirauá adotou, ao longo de sua história, uma metodologia de trabalho que procura conciliar o conhecimento tradicional com a pesquisa científica, gerando estratégias para a conservação da biodiversidade. No projeto Aquavert, o envolvimento comunitário é a base para o intercâmbio de informações, tanto na geração de dados de biologia básica das espécies quanto na aplicação prática de estratégias de conservação”, explica Marmontel. Vinte moradores das Reservas Mamirauá e Amanã atuam diretamente no projeto, trabalhando como assistentes de campo; o Aquavert já realizou ações de educação ambiental em 47 comunidades, envolvendo 1060 moradores.

O jacaré-açu pode atingir 55m e pesar uma tonelada

IGOR J. ROBERTO

Nascimento de jacaré-açu na Reserva Mamirauá

Medição de jacaré-açu na Reserva Mamirauá

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IGOR J. ROBERTO

Após coleta de material biológico filhotes de jacaré-açu são devolvidos à natureza Pesagem de jacaréaçu na Reserva Mamirauá

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AUGUSTO RODRIGUES CÁSSIA CAMILL

Filhotes de tartaruga em praia do Rio Solimões no AM

Apesar de sua curta trajetória, o projeto Aquavert é encabeçado por pesquisadores que atuam há muito tempo na Amazônia: Miriam Marmontel, oceanógrafa, que atua em pesquisas sobre mamíferos aquáticos; Cássia Santos Camillo, bióloga que estuda quelônios; e Robinson Botero-Arias, biólogo, pesquisador de jacarés amazônicos. Desde 1998, o Instituto Mamirauá oferece assessoria técnica a comunidades da Reserva Mamirauá que protegem de forma voluntária áreas de reprodução de tartarugas, tracajás e iaçás. Em 2011, 44 comunidades atuaram na proteção de 16 praias e 17 lagos. O trabalho dos moradores, com o apoio técnico do projeto Aquavert, garantiu o nascimento de aproximadamente 42 mil filhotes de quelônios, número quase quatro vezes maior do que o registrado em 2010

CÁSSIA CAMILL

Resultados

Nas 33 áreas de desova protegidas em 2011 foram registrados 1448 ninhos de iaçá 379 de tracajá e 133 de tartaruga-da-amazonia

O trabalho nas áreas de proteção garantiu o nascimento de aproximadamente 42 mil filhotes

Pesquisadores medem filhote de iaçá 78 REVISTA AMAZÔNIA

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AUGUSTO RODRIGUES AUGUSTO RODRIGUES

AUGUSTO RODRIGUES

Em julho o projeto Aquavert dará suporte à soltura de cinco filhotes de peixe-boi

nas áreas protegidas. Durante o período da seca na região do Médio Solimões (entre julho e dezembro), ocorre a temporada de reprodução de jacarés. No período de seca de 2011, aproximadamente 400 ninhos de jacarés-açu e jacaretinga foram monitorados por pesquisadores do Aquavert. Com o auxílio de moradores locais, os pesquisadores revistaamazonia.com.br

percorreram as bordas de lagos e canos na floresta para localizar pequenos lagos que se formam no interior da mata, onde as fêmeas de jacaré constroem os ninhos. O objetivo foi acumular dados sobre a reprodução desses animais e obter respostas a questões em aberto, como, por exemplo, se fêmeas de jacaré-açu cruzam com vários machos, gerando filhos de diferentes pais em um único ninho.

Em julho, os pesquisadores do Aquavert darão suporte à soltura e ao monitoramento de cinco peixes-boi, que estão em processo de reabilitação no Centro de Reabilitação de Peixe-Boi Amazônico de Base Comunitária (Centrinho), mantido pelo Instituto Mamirauá na Reserva Amanã. Na seca deste ano, o projeto realizará um inédito censo de peixes-boi amazônicos, na Reserva Amanã, utilizando tecnologia de sonares. REVISTA AMAZÔNIA 79


Na visita onde funciona a Planta Piloto de Mircroalgas, em Extremoz

Petrobras e UFRN criam unidade de cultivo de microalgas

A

Petrobras e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte inauguraram recentemente, na cidade de Extremoz (RN), planta piloto para cultivo de microalgas para produção de biodiesel. A iniciativa permitirá um avanço nas pesquisas – realizadas até agora apenas em laboratórios – sobre o potencial das microalgas como nova alternativa de suprimento para biodiesel. A solenidade teve a presença do presidente da Petrobras Biocombustível, Miguel Rossetto, e do gerente Geral de Pesquisa e Desenvolvimento de Abastecimento e Biocombustíveis, Alípio Ferreira Junior, além de representantes da universidade. “A produção de microalgas é um dos projetos de pesquisa prioritários da Petrobras, em razão da sua potencialidade de produção, atuando também na absorção de CO2 e na limpeza da água. Esse projeto coloca a Petrobras na vanguarda das pesquisas de renováveis na América Latina”, explicou Miguel Rossetto, presidente da Petrobras Biocombustível. Os executivos visitaram a planta, localizada na cidade de Extremoz, a 16 km de Natal (RN), e conheceram as 80 REVISTA AMAZÔNIA

Na solenidade de inauguração da unidade-piloto para o cultivo de microalgas para produção de biodiesel revistaamazonia.com.br


Durante a inauguração da planta piloto

instalações, que contam com tanques abertos cuja capacidade é de quatro mil litros e nos quais as microalgas serão cultivadas. Dessa forma, será possível incrementar os estudos sobre a produtividade das microalgas e do seu teor de óleo nas condições climáticas do Rio Grande do Norte, região propícia ao cultivo desses organismos. O projeto identificou cerca de 10 espécies de microalgas capazes de crescer em água de produção de petróleo, uma vez que elas serão cultivadas nesses tanques. Segundo os pesquisadores, as microalgas têm potencial de produção de óleo superior ao das oleaginosas típicas para biodiesel. Outra característica relevante é que “sequestram” carbono com taxa mais elevada que vegetais. “Esta inauguração é um momento muito feliz para todos nós que trabalhamos com inovação. Hoje, ao inaugurar a planta que representa a saída do projeto do laboratório, estamos virando uma página e ganhando condições mais próximas da realidade”, afirmou Alípio Ferreira Junior, gerente geral do Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes).

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O projeto faz parte das Redes Temáticas, programa criado pela Petrobras em 2006, voltado para o relacionamento com as universidades e institutos de pesquisas brasileiros. Hoje já há 50 redes que abrangem mais de 100 universidades e instituições de pesquisas de todo o Brasil. Nas redes, as instituições desenvolvem pesquisas em temas estratégicos para o negócio da Petrobras e para a indústria brasileira de energia. Desde 2006, a Petrobras investiu mais de R$ 3 bilhões em universidades e instituições nacionais de ciência e tecnologia, possibilitando às instituições conveniadas a implantação de infraestrutura, aquisição de modernos equipamentos, criação de laboratórios de padrão mundial de excelência, capacitação de pesquisadores/recursos humanos e desenvolvimento de projetos de Pesquisa & Desenvolvimento nas áreas de interesse, como petróleo e gás, biocombustíveis e preservação ambiental. O evento contou com a presença da reitora da UFRN, Ângela Paiva Cruz; da vice-reitora Maria de Fátima Freire de Melo Ximenes; do diretor do Centro de Biociências,

Graco Aurélio; do presidente da Petrobras Biocombustíveis, Miguel Soldatelli Rosseto; do diretor de Biodiesel da Petrobras Biocombustíveis, Alberto Oliveira Fontes Júnior; do gerente geral de Pesquisa e Desenvolvimento de Abastecimento e Biocombustíveis da Petrobras, Alípio Ferreira Júnior; e da pró-reitora de Pós-graduação, Edna Maria da Silva; além de diretores de centros, professores, pesquisadores e técnicos.

Pesquisas desenvolvidas em laboratório

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A legião verde, amarela, azul e branca na Amazônia por Camillo M. Vianna*

A

legião verde, amarela, azul e branca na Amazônia como se fosse verdadeira carga de cavalaria, as aguerridas tropas de voluntários invariavelmente originários das mais remotas paragens do território nacional, sempre prontas para o enfrentamento mundial onde quer que seja ou contra quem, não identificado por qualquer tipo de bandeira a não ser a regional. Tudo vem dando certo, peio menos é o que se diz com a integração da Amazônia brasileira empreitada do governo federal que por bem ou por mal vem sendo tocada, e seja lá o que Deus quiser. Com fúria predatória e desenfreada, arrastando tudo o que podem e sem dar satisfação a ninguém daí porque o roubo, o saque e a corrupção bamburram a céu aberto aqui por essas bandas. Pessoas de outras paragens com experiência no setor como se fosse um por todos e todos por um. A preferência por parte dos novos saqueadores pois ainda se sabe que tudo a respeito é feito as claras e quem não goste, vá reclamar ao bispo ou mais atualmente com o pastor, como achar melhor. Anteriormente ocorria grande correria, pelos nordestinos para o corte da seringueira, sob o comando dos grandes coronéis dos seringais durante a Segunda Grande Confrontação Mundial, desta vez trazidos por determinação do presidente Getúlio Dornellas Vargas, para a formação do chamado Exército da Borracha, composto por 30 ou 60 mil homens chegando a haver confrontação entre alguns seringueiros e indígenas, sendo que estes usavam até armamentos apropriados e os soldados ditos da borracha eram armados pelos donos dos seringais. O governo brasileiro, juntamente com o governo americano criaram na embaixada americana do Rio de Janeiro o Bolivian Syndicate of North American, cuja finalidade

era dar atenção social e médica aos soldados e familiares, o que incluía atendimento as parturientes, com cirurgias e treinamentos e por interferência de médicos brasileiros que trabalhavam com os americanos foi criado o Serviço Especial de Saúde Pública - SESP, que se transformara em excelente estrutura de atendimento médico social e resultou ainda na construção de dois grandes hospitais em Belterra e Fordlandía que atendiam diuturnamente. Usavam até armamentos apropriados e os soldados ditos da borracha eram armados pelos donos dos seringais…

Com a abertura das transrodovias, a partir da transamazônica… 82 REVISTA AMAZÔNIA

O SESP com o término da Guerra foi desativado e como ocorrera antes o controle passou a ser do governo brasileiro e a corrupção foi reativada. Com a abertura das transrodovias, a partir da transamazônica pelo presidente Juscelino Kubitschek não havendo nenhum controle do governo, enormes carretas e grandes balsas passam a agir livremente com especial referencia a madeira de lei e pescado na costa e estuário de rios. A pescaria se tornou abusiva por embarcações as mais diversificadas e a

mercadoria enviada para os EUA, Europa e Japão por verdadeiras tropas de piratas, incluindo-se aí peixes ornamentais do rio negro, pedras preciosas, fauna, flora, minerais e tudo mais que pudesse ser carregado do território brasileiro. Atualmente com a colaboração do governo grandes capitalistas do sul e sudeste do brasil e bem raros daqui mesmo vem participando na construção civil, grandes negociatas e a Amazônia é saqueada miseravelmente por parte de brasileiros sem nenhuma preocupação com a lei. Um dos produtos de maior aceitação para exportação é o chamado boi pirata, e para isso são derrubadas grandes extensões de florestas sem a menor preocupação ambiental. Com essas mesmas características a exportação de minérios vem sendo feita em larga escala. O sul do Pará por exemplo, é colonizado por empresários centro- sulistas que são proprietários de grandes extensões de terras graças ao apoio dado pelo governo federal por meio da SUDAM e SUDENE, onde a corrupção bamburrava. Essa nova legião que vem ocupando a Amazônia não contribui para o desenvolvimento local e sim para o saque da fauna, flora e minérios. [*] Sobrames. Sopren

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REVISTA AMAZテ年IA 67


Revista

Edição 32 R$ 12,00

ISSN 1809-466X

Editora Círios

Ano 7 Número 32 2012 R$ 12,00 5,00

*Saiba quais são os postos que oferecem o S-50 no www.anp.gov.br/aquiS-50

www.revistaamazonia.com.br

O Brasil está intensificando a redução de poluentes no ar. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) publicou em dezembro passado a Resolução 62/2011 para garantir a oferta de diesel com baixo teor de enxofre no País. Hoje, milhares de postos* já oferecem o S-50. No ano que vem, chega ao mercado o S-10, com teor de enxofre ainda menor. E os veículos fabricados a partir de 2012 só poderão usar o novo combustível. Leia o manual do seu veículo e informe-se no posto. ANP. Cuidando do que move o Brasil.

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O futuro da Terra Rio +20

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