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06 Alvíssaras! Alvíssaras! Inaugurada as Eclusas de Tucuruí

14 X Encontro Nacional de Estudos Estratégicos. Brasil rumo à 2022

18 COP 10 A décima reunião da Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB COP 10), abriu em Nagoya, no Japão, logo após a quinta Reunião das Partes (COP / MOP 5) do Protocolo de CartagenasobreBiossegurança...

34 Como transformar empreendimentos existentes em empreendimentos sustentáveis

36 Um breve balanço do PAS

Plano Amazônia Sustentável No momento em que o segundo governo do Presidente Lula se aproxima do final, é importante fazer um balanço sintético da política federal para a Amazônia ao longo dos últimos anos. O marco institucional dessa política é o Plano Amazônia Sustentável – PAS, que foi decidido em reunião entre o PresidentedaRepúblicaeosGovernadoresdaAmazônia,ocorridaemmaiode2003,emRioBranco...

42 A Dengue em 2010 coloca 2011 em alerta 44 Os novos compromissos firmados

na Cúpula dos ODMs 47 Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas

48 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Xingu

50 TEDx Amazônia: uma experiência de vida 52 BNDS aprova Programa ABC de R$ 1 bi...

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PUBLICAÇÃO Período (novembro/dezembro) Editora Círios SS LTDA ISSN 1677-7158 CNPJ 03.890.275/0001-36 Rua Timbiras, 1572-A Fone: (91) 3083-0973 Fone/Fax: (91) 3223-0799 Cel: (91) 9985-7000 www.revistaamazonia.com.br E-mail: amazonia@revistaamazonia.com.br CEP: 66033-800 Belém-Pará-Brasil

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DIRETOR Rodrigo Barbosa Hühn PRODUTOR E EDITOR Ronaldo Gilberto Hühn COMERCIAL Alberto Rocha, Rodrigo B. Hühn ARTICULISTAS/COLABORADORES Abel Holtz; Adriano Pires; Camillo Martins Vianna; Lisângela Costa; Samuel Pinheiro Guimarães e Alberto Lourenço; Raphael Ferrari; e Secretariado da Convenção sobre Diversidade Biológica – CDB FOTOGRAFIAS Anne Petermann; Antonio Cruz/Abr; Arquivo CDB; Arquivo SAE; Akira Tanaka; Cortesia do Governo do Japão; IPAAM; Joel Rocha/ SMCS; Maria S. Fresy; Milton Matta; Renata Freitas; Ricardo Stuckert /PR; Rudoph Hühn; Sidney Murrieta / IPEA; Stefan Jungcurt e Wilson Dias/ABr EDITORAÇÃO ELETRÔNICA Editora Círios SS LTDA DESKTOP Mequias Pinheiro NOSSA CAPA O logotipo ilustra a harmonia da humanidade a diversos seres vivos, com um pai humano e a criança no centro de um círculo de plantas e animais em origami. O pai e o filho expressam o desejo de passar a biodiversidade abundante para as futuras gerações. O origami simboliza a sabedoria e a cultura japonesa. O slogan corresponde ao logotipo, e retrata a harmonia de todos os seres vivos, incluindo a humanidade, no futuro. Ela expressa nossa determinação para passar a biodiversidade abundante na Terra para as gerações futuras.

54 A Economia de Ecossistemas e Biodiversidade - TEEB

58 43º Congresso e Exposição Internacional de Celulose e Papel 62 Energias Renováveis

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66 AM ganhará primeiro parque tecnológico

68 SUFRAMA investe em banco

de germoplasma 72 Pesquisando a origem da Amazônia

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Inaugurada as Eclusas de Tucuruí

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Descerrada a placa de inauguração das eclusas da Usina Hidrelétrica de Tucuruí

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Fotos Arquivo Eletrobras Eletronorte, Lucivaldo Sena / Ag. Pará e Ricardo Stuckert / PR

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ulacumpriusuapromessadecampanhafeita ainda na eleição de 2002, quando se elegeu presidente pela primeira vez. Inaugurou as EclusasdeTucuruí.Alvíssaras!Alvíssaras! A total navegabilidade do rio Tocantins foi restaurada a partir da inauguração das eclusas de Turucuí, que permitirão a implantação da Hidrovia AraguaiaTocantins, ligando o porto de Belém à região do Alto Araguaia, no Estado do Mato Grosso, numa extensão de aproximadamentedoismilquilômetros. Presidente eleita Dilma Rousseff cumprimenta Márcio Zimmermann, ministro de Minas e Energia

Dilma Rousself e Lula com os Deputados Asdrubal Bentes, Paulo Rocha e Zé Geraldo na inauguração das Eclusas

A solenidade de inauguração das eclusas contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da presidente eleita Dilma Rousseff, da governadora Ana Júlia Carepa, de ministros e secretários de Estado, dirigentes de estatais do setor elétrico e outras autoridades. Na ocasião, foi anunciada a contratação de 39 engenheiros formados pela Universidade Federal do Pará (UFPA) em Tucuruí. Eles trabalharão na Usina Hidrelérica(UHE)deBeloMonte. Após 26 anos, o Sistema deTransposição de Desnível da barragem, para transpor o desnível de cerca de 69 m criado pela construção da Hidrelétrica de Tucuruí e dar continuidade à navegação no trecho do rio interrompido pela barragem, situado na margem esquerda do rio Tocantins, à frente próximo da cidade de Tucuruí, foi inaugurado.

Quase do tamanho do Canal do Panamá, a abertura das eclusas de Tucuruí será essencial para o desenvolvimento do Norte do País, para a redução do Custo Brasil em produtos agrícolas, minério e outros itens com acesso para o meio de transporte mais barato emenospoluente,queéanavegação. A inauguração das eclusas I e II constitui, assim, um marcosocioeconómico noParáenoBrasil. A ligação hidroviária garantirá abertura de grandes portas de acesso, ao Sudeste e atingir um sonho, que é a ligaçãocomoMercosul,edaiparaomundo.

Lula e Dilma trocam elogios O primeiro evento oficial de governo com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidenta

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eleita, Dilma Rousseff, depois das eleições, foi marcado pela troca elogios. Durante a inauguração das eclusas da Usina Hidrelétrica deTucuruí , no RioTocantins, no Pará, Lula afirmou que Dilma poderá fazer em quatro anos mais do que ele fez em oito. Já Dilma, afirmou que Lula entrará para a história como maior presidente que o Brasiljáteve. Em seu discurso, Lula ressaltou que Dilma assumirá o país no ano que vem com investimentos recorde e em andamento as maiores obras hidrelétricas e de ferrovias domundo. Dilma afirmou que a construção da Hidrelétrica de Tucuruí mostra da sensibilidade política de Lula. “Esta obra é a manifestação da sensibilidade política. O presidente Lula sabia que a eclusa abre para o Pará, para a Região Norte e para o Nordeste para oportunidade de geração de emprego e de renda. Cria oportunidade para jovens, homens e mulheres estudarem no campos avançado de Tucuruí. Essa sensibilidade que torna o presidente Lula o presidente de todos os brasileiros, principalmente daquelas regiões mais pobres do país”. O presidente disse que as obras deTucuruí só serão bem aproveitadas se trouxerem benefícios aos moradores do Pará e a todos os brasileiros. “Essa eclusa que inauguramos hoje,quefalaramquetemnãoseiquantos maracanãs, elas só terão sentido se significarem a melhoria da qualidade de vida de homens e mulheres que moram nesse país. Se for apenas para os ricos passarem e não deixarem parte de sua riqueza, estaremos cometendo o mesmo erro histórico em que os ricos ficavam cada vez mais ricos e os pobres cada vez maispobres”.

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Sistema de Transposição de Desnível da barragem

Dados técnicos

Vista aérea de jusante para montante

Vista aérea do Canal Intermediário

As duas Eclusas têm cada uma, 210 metros de comprimentoe33metrosdelargura. O sistema formado pelas duas eclusas e o canal intermediário alinhados em um eixo de navegação, permitirá cruzamentos e manobras de embarcações, tornando possível a operação totalmente independente daseclusas. Operacionalmente, o calado máximo das embarcações será de 4,50 m. A lâmina d'água mínima absoluta é de 5,00 m na Eclusa 1 e Canal Intermediário, e de 3,50 m na Eclusa 2 e Canal de Jusante (nas condições mais críticas deníveisd'água). Os níveis no Reservatório, operacionais para a navegação, variam entre as cotas 58,00 m e 74,00 m,

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Presidente Lula e a presidente eleita Dilma Rousseff durante cerimônia de inauguração das eclusas da Usina Hidrelétrica de Tucuruí

Durante a inauguração das eclusas da Usina Hidrelétrica de Tucuruí

podendo excepcionalmente atingir a cota 75,30 m. Na maior parte do tempo os níveis no Reservatório, que são osníveisdemontantedaEclusa1,situar-se-ãoacimada cota65,00m. OCanalIntermediáriotem,emprincípio,seunívelfixado e mantido constante na cota 38,00 m. Pequenas variações, da ordem de 0,50 m, em torno dessa cota poderão ocorrer em função da operação do Sistema descargas da Eclusa 1 e alimentação da Eclusa 2. A cota 38,00 m é, portanto, o nível básico de jusante da Eclusa 1 etambémonívelbásicodemontantedaEclusa2. A jusante da Eclusa 2, tem-se os níveis variáveis da calha do rio Tocantins, que, em função da operação do Aproveitamento Hidrelétrico, poderão situar-se entre as cotas 3,5 m e 24,1 m, cotas essas limites para a operação doSistemadeTransposição. A Eclusa 1, localiza-se de tal forma que o eixo da BarragemdeTerradoAproveitamentoHidrelétricopassa pela sua Cabeça de Montante. Sendo a Eclusa 1 integrada à Barragem, a conexão entre ambas as obras é feita por convenientes Muros de Ligação. Já a Eclusa 2 situa-se em posição tal que, dois terços de sua estrutura estãoencaixadosemrocha. O Canal Intermediário tem extensão aproximada de 5.500 m, e é, basicamente, formado por um endicamentoealgumasescavaçõesesparsas. O Dique principal situa-se à direita do eixo do Sistema,

no caminhamento de montante para jusante. Outro Dique, de pequena extensão, fecha o Canal Intermediário a jusante, situando-se à esquerda do eixo, juntoàEclusa2.

Tráfego de cargas/ geração de empregos O sistema de eclusas irá permitir o tráfego de comboios transportando até 22 mil toneladas de carga, em um trecho de 780 quilômetros, entre o porto de Vila do Conde e a foz do Rio Araguaia. Irão dar passagem a 40 milhõesdetoneladasdecargasporano. A região tem intensa produção agropecuária e agroindustrial, além de jazidas minerais e outros recursos naturais que podem ser transportados por via fluvial. Entre os exemplos, estão o minério de ferro, que vem de Marabá,eosgrãosvindosdocentrooestedopaís. As Eclusas de Tucuruí são imprescindíveis ao aproveitamento econômico do grande potencial agropecuário, florestal e mineral no Vale do TocantinsAraguaia, que depende da oferta de meios de transportes maciços, de baixo custo e baixo consumo energético, face ao pequeno valor unitário das cargas a serem geradas e às grandes distâncias a serem percorridas. AsEclusasirãopossibilitarainda,ageraçãodeempregos para a população da própria bacia hidrográfica e de

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outras regiões, numa contribuição para o desenvolvimento do Centro-Oeste e Amazônia e para a desconcentração industrial do país, uma vez que será formado um corredor de exportação da produção regional com o aproveitamento do transporte hidroviárioatéumportoparaembarcaçõesmarítimas.

Construtora/custo/ mão de obra A responsável pela construção das obras civis das Eclusas de Tucuruí é a empresa Construções e Comércio CamargoCorrêaS.A. SegundoaEletronorte,osinvestimentosnaconstruçãodas eclusas I e II deTucuruí totalizam R$ 1,63 bilhão. No pico da obra,emjulhode2009,havia3.646operários,sendocerca de80%damãodeobralocaleregional. Produtos como a soja o minério, o carvão poderão ser levados, via hidroviária, até o porto de Barcarena, barateando o frete e tornando os insumos mais competitivosnomercadointernacionalCabedestacarqueo custo por quilômetro da hidrovia é duas vezes menor que o daferroviaeseisvezesmaisbaixoqueodarodovia.

O primeiro teste: Transposição do Muro Guia Flutuante

Constatando a grandiosidade da obra

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X Encontro Nacional de Estudos Estratégicos Brasil rumo à 2022

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“Estratégias para a segurança e o desenvolvimento do Brasil” Fotos Arquivo SAE e Wilson Dias/ABr

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romovido pela Secretaria de Assuntos Estratégicos, o X ENEE, reuniu mais de mil especialistas, acadêmicos e funcionários civis e militares do governo, debatendo em 4 eixos o Plano Brasil 2022: Estado, Economia, Sociedade e Infraestrutura, no ano em que comemora o segundocentenáriodasuaIndependência. Samuel Pinheiro Guimarães, ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, durante a abertura do X ENEE, em Brasília, disse que o desenvolvimento social, político e econômico é uma ferramenta para garantir a segurança do Estado. Segundo ele, sem segurança pode até haver desenvolvimento, mas sem desenvolvimento é difícil haver segurança. O titular da Secretaria de Assuntos Estratégicos destacou também a crescente complexidade e diversidade dos interesses nacionais no exterior, que apontou como um dos grandes desafios do Estadobrasileiro. Para Samuel Pinheiro, essa complexidade de interesses torna também mais complexa a ação do Estado, que precisa se articular ainda mais com a sociedade. De acordo com ele, a ideia de conflito entre a sociedade civil e o Estado é inconveniente e equivocada. “Estado e sociedade não podem ser vistos separadamente porque o Estado não é mais do que o conjunto de instituições, normas e indivíduos, encarregados de elaborar e aplicar normas,edirimirconflitos”,afirmou.

} Desafios do Estado A questão da segurança, desta vez alimentar, foi 14 REVISTA AMAZÔNIA

destacada pelo ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Jorge Armando Félix. De acordo com ele, a carência de segurança alimentar e de matérias-primas já é uma realidade, principalmente nos países acima da linha do Equador, e essa é uma das preocupaçõesdoBrasil,hoje. “É na América do Sul e na África onde existe sol, extensão de terra, água e matérias-primas em abundância.Poressarazão,temosobservadoapresença cada vez mais rápida e voraz dos países que vão precisar garantir a segurança alimentar de suas populações. Estamosatentosaisso”,alertou. O general Félix destacou a participação do GSI em três grandes fóruns nacionais: no Conselho de Defesa Nacional, no Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas e na Câmara de Relações Exteriores e Defesa Nacional (Creden). Foi desta última, segundo ele, que resultou o trabalho de cartografia da Amazônia, um levantamento de 1.800 mil quilômetros quadrados.“Só se pode exercer a soberania sobre o que se conhece, daí a importânciadessaação”,afirmou.

} A Marinha Os desafios da Marinha brasileira para 2022 foram apresentados pelo chefe do Estado-Maior da Armada, Almirante de Esquadra Marcus Vinícius Oliveira dos Santos. Para ele, a aprovação da Estratégia Nacional de Defesa foi um grande avanço do atual governo por “compreender a relevância do tema no mundo globalizadodoséculoXXI”. O almirante ressaltou que somente com a implantação do Plano de Articulação e Equipamento da Marinha do Brasil (Paemb), encaminhado ao ministro da Defesa, é

que a Marinha terá capacidade para cumprir, na íntegra, suasmissõeseatribuições. “O aparelhamento da Força e a implementação do Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul são as prioridades, os grandes desafios da Marinha brasileira atéobicentenáriodaIndependênciadoBrasil”,concluiu.

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O Exército

De acordo com o general Marius Luiz Carvalho Teixeira Neto, chefe do Estado-Maior do Exército, um dos principais problemas da Força hoje é o hiato tecnológico e a antiguidade dos materiais, que têm mais de 30 anos deuso. “Precisamos garantir um fluxo orçamentário compatível com os projetos do Exército. Uma das nossas sugestões é vincular nossas receitas a um percentual do PIB. Esse desafio leva ao seguinte, que é promover a inovação tecnológica”,afirmou. Garantir o monitoramento das fronteiras terrestres, desenvolver capacidade de defesa tecnológica, fortalecer a presença do Exército na Amazônia e a indústria nacional de defesa, além de valorizar a carreira militarforamalgunsdesafiosapontadospelogeneral.

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A Aeronáutica

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O tenente brigadeiro do ar, Cleonilson Nicádio Silva, chefe do Estado-Maior da Aeronáutica, elencou as prioridades da Força Aérea brasileira, estabelecidas na Estratégia Nacional de Defesa. Entre elas, a prioridade de vigilância aérea e a capacidade para levar o combate a pontosespecíficosdoterritórionacional. Alcançar excelência no controle do espaço aéreo da revistaamazonia.com.br

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Jorge Machado, ministro interino do Ministério do Meio Ambiente

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Embaixador Antônio Patriota, ministro interino Relações Exteriores

Abertura do X Encontro Nacional de Estudos Estratégicos – ENEE, com a presença do Chefe do Estado Maior da Aeronáutica Tenente Brigadeiro do Ar Cleonilson Nicácio Silva, Secretário Geral das Relações Exteriores, Embaixador Antônio de Aguiar Patriota, o Ministro de Assuntos Estratégicos, Samuel Pinheiro Guimarães, o Ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional General Jorge Armando Felix, o Chefe do Estado Maior da Armada Almirante de Esquadra Marcus Vinicius Oliveira dos Santos e o Chefe do Estado Maior do Exército General Marius Luiz Carvalho Teixeira Neto

região amazônica e na capacidade operacional da Força Aérea, ampliar a capacitação científico-tecnológica da Aeronáutica e maximizar a obtenção de recursos orçamentários e financeiros estratégicos foram alguns dosdesafiosapresentadospelotenentebrigadeiro.

} Trabalho e Emprego Carlos Lupi, ministro doTrabalho e Emprego, iniciou sua palestra com um pequeno balanço do emprego formal nopaís. “Nós geramos no governo Lula, de janeiro de 2003 a agosto de 2010, 14,4 milhões de empregos formais. Metade do total de emprego formal registrado no Brasil hojefoigeradonogovernodopresidenteLula.Durantea crise, geramos 1,7 milhão de empregos formais, enquanto EUA perderam 6,5 milhões de empregos e Europa perdeu 10,2 milhões de empregos em 2009. No Brasil tivemos também um ganho real de 64% no salário acima da inflação, e 36% de ganho real no salário deadmissão”.

} Questões Ambientais Jorge Machado, ministro interino do Ministério do Meio Ambiente, disse que ainda não começamos a ter uma visão sistemática de integração das políticas ministeriais e destacou a importância da participação do setor ambiental na elaboração de projetos desenvolvidos por outros Ministérios, ainda no início, para tornar as políticassetoriaismaiseficientes. “A partir do momento que nós tivermos uma maturação conceitual em relação a este aspecto, acredito que estaremos dando um passo fundamental para chegar a um patamar em que o planejamento começará a ser integrado”,afirmou. “Temos 27 estados e mais de 5,5 mil municípios. Isso significa que temos de construir um sistema nacional de meio ambiente, significa a regulamentação da constituição do artigo 23, que estabelece responsabilidades diferenciadas e compartilhadas entre osentesfederados. revistaamazonia.com.br

Machado defendeu ainda a ampliação das hidrovias no Brasil, por ser uma matriz que oferece maior sustentabilidade.“Umamatrizdetransportecalcadanas rodovias é inviável pela emissão de gases de efeito estufa, pelos acidentes e pelos prejuízos humanos causados. A hidrovia emite menos e carrega mais carga, causandoimpactosambientaismenores”.

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Transportes

Dentro da linha de desenvolvimento de alternativas mais sustentáveis, Francisco Luiz Baptista, diretor de Planejamento do Ministério dos Transportes, disse que em médio prazo será possível equilibrar a matriz de transportes no Brasil. Ele defendeu uma política de mudança do sistema de transportes e disse que essa alternância se justifica em todos os aspectos de maior preservaçãoambiental. “Hoje temos a predominância do transporte rodoviário, mas ele está somente atendendo uma demanda que não é convenientemente atendida pelos demais modais. Vamos partir para o equilíbrio com maior transporte de commodities e de cargas em geral por meiodeferroviaehidrovia”,disse.

Lupi fez balanço do emprego formal no Brasil

} Energia MárcioZimmermann,ministrodeMinaseEnergia,disse que o Brasil é um dos países mais bem sucedidos do mundo no aspecto da qualidade da fonte energética utilizada. Entre as economias em desenvolvimento, o Brasil é o país que tem o maior percentual de energias renováveis. “O Brasil hoje dispõe de 47% de energia renovável graças a políticas corretas e por ter potencial de produzir energia barata por meio da hidroeletricidade”, disse o ministro ao enfatizar que o Brasil precisa explorar mais essa característica renovável de energia, fazendo uso de

Márcio Zimmermann, ministro de Minas e Energia

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Juca Ferreira, ministro da Cultura, destacou a ampliação do acesso pleno aos bens e serviços culturais

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Samuel Pinheiro Guimarães, ministro de Assuntos Estratégicos e Fernando Haddad, durante o X ENEE

umselodecomprovaçãodesuamatrizenergética. Em relação à situação favorável do Brasil, sobretudo no que se refere à exploração e comercialização de petróleo e gás, provenientes do pré-sal, Márcio Zimmermann disse que entre os maiores desafios do Ministério, está a necessidade de pensar estrategicamente o novo papel queopaísiráassumir. “Quando digo pensar estrategicamente, falo de políticas de conteúdo local, de desenvolvimento industrial brasileiro e desenvolvimento de serviços. Tudo o que é importante para que o Brasil não venha a sofrer a maldição de quem descobre muito petróleo e somente importa produtos, matando seu parque industrial”, concluiu.

} Educação Fernando Haddad, ministro da Educação, afirmou que a grande mudança na educação do Brasil nesta primeira década do século XXI foi a compatibilização, pela primeira vez na história, da quantidade com a qualidade. De acordo com Haddad, a taxa de atendimento escolar sempre foi crescente, o que é confirmado pelo Censo.“O incremento no número de matrículas é uma realidade há muito tempo, afinal ninguém desativa escolas. O que mudou recentemente foi o fato de que os indicadores de qualidade passaram a sofrer uma inflexão, estão em curvaascendente”,explicou. Para o ministro da Educação, o aumento dos investimentos em educação foi um dos responsáveis por essa mudança. Na década passada, segundo ele, os investimentos no setor representaram, em média, 3,9% do PIB, enquanto hoje atingem 5,2% do Produto. “Durante o governo Lula, o orçamento do Ministério triplicou. Em termos reais, descontada a inflação, dobrou.ForamR$35bilhõesamaisporano”,afirmou. Haddad também destacou o crescimento na procura por instituições de ensino superior. De acordo com a última Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio (PNAD) do IBGE, mais de 6 milhões de estudantes ingressaram em universidades, contra 2 milhões no final da década passada. “E, muito mais do que uma questão de quantidade, os indicadores mostram que os estudantes estão buscando um diploma reconhecido pela sociedade, em função do seu valor acadêmico. Um diploma qualquer não serve mais”,disse. 16 REVISTA AMAZÔNIA

} Cultura Juca Ferreira, ministro da Cultura, destacou a ampliação do acesso pleno aos bens e serviços culturais até sua completa universalização para todos os brasileiros, e o fortalecimento da economia da cultura, como a principalmetadosetorpara2022. De acordo com Juca, o orçamento da cultura, quando o governo Lula assumiu, era algo em torno de 287 milhões, o que representava apenas 0,2% do PIB. “A culturanãoeratratadacomopolíticapública. O próprio Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, segundo Juca, nunca havia recebido a encomenda de obter informações sobre a situação cultural em todo o Brasil.“Isso foi feito pela primeira vez no governo Lula, e os números mostram a situação absurda: pouco mais de 5% da população brasileira entrou em algum museu, apenas 13% vai ao cinema e mais de 90% dos municípiosdoPaísnãotemcinemanemteatro”. Hoje, o Ministério da Cultura tem orçamento de 1,3% do PIB, cerca de R$ 2,5 bilhões, o que, de acordo com Juca, apesarderepresentarumcrescimentovertiginoso,porsi só não resolve o problema do acesso.“É preciso, antes de mais nada, criar uma consciência na sociedade da importânciadacultura”,afirmou.

} Questão Racial Elói Ferreira Araújo, ministro da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, disse que incluir a população negra na fruição dos bens econômicos, culturais e sociais do País até o ano do bicentenário da Independência do Brasil é – a maior meta. De acordo com ele, dos 52 milhões de beneficiados do Bolsa Famíliaatualmente,70%sãopretosepardos. “Reduzir a mortalidade da juventude negra também é uma meta que deve ser perseguida: 80% dos jovens mortos de 14 a 24 anos são negros”, disse o ministro, acrescentando que dos 15 milhões de analfabetos que o Brasilaindapossui,80%tambémsãopretosepardos.

} A Economia Nelson Barbosa secretário de Política Econômico do Ministério da Fazenda, disse que o Brasil deverá crescer a taxas mais elevadas nos próximos anos, além de

continuar com o processo de distribuição de renda e avançarnareduçãodataxadejurosaté2%em2014. “Acho que o Brasil tem todas as condições de, em 2014, olhando para frente, estar com uma taxa real de juros (descontada a inflação) de 2%”. “Tudo indica que os principais blocos mundiais vão ter taxas de juros baixas ao longo desta década, e o Brasil está passando por um momento de grandes investimentos que vão resultar em grandes aumentos da produtividade sem gerar inflação”,afirmou. Barbosa lembrou que a taxa de juros média caiu 8% nos últimos 8 anos, e que as reservas internacionais devem atingiropatamardeUS$270bilhõesatéofimdoano. O secretário destacou o aumento da classe média de 42% da população brasileira para 53%, nos últimos oito anos, o que tem um efeito positivo no aumento do consumo, do crédito e, mais recentemente, no incrementodademandapornovasmoradias. Barbosa disse ainda que o aumento do déficit em conta corrente é menos preocupante hoje do que foi em outros momentos do passado em que o país tinha elevada dívida externa em relação ao produto interno bruto, baixo nível de reservas internacionais e déficit em transaçõescorrentes. Segundo o secretário, o Brasil e a Arábia Saudita são os doisúnicospaísesdoG-20quetêmsuperávitprimário,o que permitiu ao nosso país superar rapidamente os efeitosdamaiorcriseeconômicadosúltimos80anos.

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} Relações Exteriores O embaixador Antônio Patriota, ministro interino Relações Exteriores, disse que, apesar dos grandes avanços por que passou o Estado brasileiro nos últimos anos,oPaísaindaprecisaconcentrarforçasnocombateà desigualdade de poder – econômico, político, social, militar. “Hoje, apesar de sermos a oitava economia do mundo, representamos apenas 2,3% do Produto Mundial, enquanto a primeira economia representa 23%. O dado ilustra o quanto a desigualdade precisa ser combatida”, afirmou. Para Patriota, o mundo hoje ainda pode ser considerado unipolar, em função do poder econômico e militar dos Estados Unidos, mas começa a adquirir características bipolares, com a China despontando como segunda economia mundial, e multipolares, apesar de maneira incipiente,ainda. “Não podemos esquecer que, apesar de o G-20 ser um progresso importante,ainda temos o G-172, nome que costumo usar para os 172 membros das Nações Unidas que não fazem parte do G-20, das mesas de debate e negociação, mas que representam uma força política quenãopodesernegligenciada”,disse. O embaixador destacou também os desafios que a política externa brasileira ainda precisa enfrentar até 2022.Entreeles,consolidaraAméricadoSulcomoespaço depaz,prosperidadeedemocracia;contribuirparaquese realize um cenário de multipolaridade de cooperação no mundo, sem deixar de levar em conta o “G-172”; e trabalhar por um consenso nacional mais sólido sobre o queoBrasildesejasernaesferainternacional.

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COP 10 a 10ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica, em Nagoya

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Fotos Anne Petermann, Arquivo CDB, Cortesia do Governo do Japão, Stefan Jungcurt e Rudolph Hühn

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décima reunião da Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB COP 10), abriu em Nagoya, no Japão, logo após a quinta Reunião das Partes (COP / MOP 5) do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança. Durante o encontro, de duas semanas, a Conferência das Partes examinarou uma série de estudos estratégicos, material, administrativa e orçamentária. Entre vários assuntos durante a reunião, na pendência da adoção de um protocolo internacional sobre a ABS – protocolo sobre o acesso e repartição dos benefícios dos recursos genéticos da biodiversidade, para avaliar o alcance da meta de reduzir significativamente a atual taxa de perda de biodiversidade até 2010, adotando um novo plano estratégico e um programa de trabalho plurianual Convenção, para analisar questões relacionadas com a cooperação com outras convenções, organizações e iniciativas, e para resolver questões de fundo, em especial sobre a b i o d i v e r s i d a d e m a r i n h a e co s t e i r a , biodiversidade e alterações climáticas, biodiversidade, biocombustíveis, e no artigo 8 (j) (conhecimento tradicional).

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Na abertura da COP 10, em Nagoya, belas recepcionistas vestindo quimono, traje tradicional japonês usado pelas mulheres; A cúpula dos Jovens na MOP 5; Durante o coquetel; Apresentação na abertura da COP 10 e Misia, cantora japonêsa e embaixadora honorária da COP 10, cantou a música tema da Conferência durante a sessão plenária de abertura

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2010 Ano Internacional da Biodiversidade

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Life in harmony, into the future COP10/MOP5 AICHI-NAGOYA, JAPAN 2010

abertura } Na da COP-10 O diretor do programa para meio ambiente das Nações Unidas –ONU, Achim Steiner, foi enfático ao afirmar que o homem está acabando com a vida na Terra. "Este é o único planeta no universo em que sabemos que existe

vida como a nossa e estamos destruindo as bases que a sustentam",alertou. Durante a COP 10, os representantes de 193 países se propuseram avaliar as metas de preservação ambiental assumidas para este ano e definir quais serão os próximos objetivos até 2020. O tom pessimista pôde ser observado ainda nos discursos de outras autoridades e especialistas da área ambiental, que chegaram a afirmar que o mundo está caminhando para uma fase de extinção na mesma proporção do período em que os dinossaurosdesapareceramdaTerra. Para eles, a destruição da natureza tem afetado diretamente a sociedade e a economia. A ONU estima que a perda da biodiversidade custa ao mundo entre US$ 2 trilhões (R$ 3,2 trilhões) e US$ 5 trilhões (R$ 8 trilhões) por ano, principalmente nas partes mais pobres. "(O monge budista) Teitaro Suzuki disse que ''o problema da natureza é um problema da vida humana''. Hoje,infelizmente,avidahumanaéumproblemaparaa natureza", disse o ministro do Meio Ambiente do Japão, RyoMatsumoto. "Temos de ter coragem de olhar nos olhos das nossas crianças e admitir que nós falhamos, individualmente e coletivamente, no cumprimento das metas prometidas

no encontro de Johanesburgo (em 2002)", completou o ministro. Matsumoto lembrou ainda que a perda da biodiversidade pode chegar a um ponto irreversível se não for freada a tempo. "Toda a vida na Terra existe graças aos benefícios da biodiversidade, na forma de terra fértil e água e ar limpos. Mas estamos agora próximos de perder o controle se não fizemos grandes esforçosparaconservarabiodiversidade",disse.

de esperança } Sinais e de preocupações Jane Smart, chefe do programa de espécies da União Internacional para Conservação da Natureza – IUCN, disse que, apesar do problema ser grande e complexo, existem alguns sinais de esperança. "A boa notícia é que quando nós promovemos a conservação, ela realmente funciona; gradativamente estamos descobrindo o que fazer, e quando nós fazemos, as coisas dão muito certo", disse a pesquisadora. "Precisamos fazer muito mais para conservar, como proteger áreas, particularmente o mar.Temos de salvar vastas áreas do oceano e os cardumes de peixes. Isso não significa que devemos parar de comer peixes, mas

A sessão plenária de abertura da COP 10

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O Teatro de sombras, com o grupo Kakashi-za em Tekage electrónico

comer de uma forma sustentável", afirmou Jane. A exploração exagerada dos recursos, a poluição, a modificação dos hábitats, as espécies exóticas invasoras e a mudança climática ameaçam numerosas espécies animaisevegetais. Uma espécie de anfíbios em três, uma de pássaro em oito, mais de um mamífero em cinco e mais de uma espécie conífera em quatro estão ameaçadas de extinção. O empobrecimento também afeta os genes e os ecossistemas, constituindo-se em ameaça real para numerosos setores, em primeiro lugar os relacionados à alimentação. Na mesa das negociações estiveram três assuntos básicos: fixar novos objetivos para frear a perda de espécies antes de 2020, chegar a um acordo internacional sobre as condições de acesso das indústrias do Norte aos recursos genéticos dos países do Sul, esboçar a busca de base jurídica para a partilha equitativa dos benefícios conseguidos com a exploração dos recursos genéticos – esencialmente plantas, para a utilizaçãofarmacológicaenaindústriadocosmética.

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em relação à perda de biodiversidade. Foi esta a mensagem do ministro de Ambiente japonês, Ryu Matsumoto, na sessão de abertura da décima Conferência das Partes (COP) para a Convenção Biológica da Diversidade das Nações Unidas. Os países reunidos vão ter mais uma oportunidade de assumirem objetivos para reduzir a perda de biodiversidade até 2020.Restaurareprotegerosecossistemasdasflorestas, dos rios, dos recifes de corais e os oceanos são algumas

das metas enumeradas no plano estratégico produzido previamente. “Este encontro faz parte do esforço mundial para falarmos de um fato simples – estamos a destruir a vida na Terra”, disse durante a sessão de abertura Achim Steiner, responsável pelo Programa Ambiental das NaçõesUnidas. “Estamos agora um patamar para além do qual a perda da biodiversidade se torna irreversível, e podemos

Na abertura da MOP 5

Próximos dez anos podem ser a última hipótese para reduzirmos a perda da biodiversidade

Os próximos dez anos poderão ser a última oportunidade para evitarmos um ponto de não retorno Misia, popstar japonêsa, embaixadora honorária da COP 10

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atravessar esse patamar nos próximos dez anos se não fizermos esforços pró-ativos para conservar a biodiversidade”, defendeu ministro do Ambiente japonês. Uma das questões mais delicadas é a ajuda aos países em desenvolvimento, como o Brasil, a Indonésia ou os países da África Central, que são donos de uma percentagem importante da biodiversidade mundial, e que alegam necessitar de mais fundos para a conservação desta riqueza. Hoje, o dinheiro para ajudar os países mais pobres a proteger é de 2,15 mil milhões de euros, mas estes governos querem que a ajuda cresça emcemvezes. “Especialmente para os países com economias em transição, temos que assegurar onde é que os recursos [financeiros] estão”, disse o engenheiro Bonaventure Baya, director-geral do Conselho Nacional de Gestão do Ambiente da Tanzânia.“Não nos ajuda se chegarmos a um número de objetivos estratégicos e sem haver a capacidadeourecursosparaimplementá-los.”

Taiko japonês usado em vários eventos tradicionais

} Odiaprimeiro da COP 10 Os Delegados assistiram uma performance de Yoko Deva no Shinobue, a flauta japonesa

O plenário pela manhã ouviu o discurso de abertura e abordou questões organizacionais. Na parte da tarde, o Grupo deTrabalho I (GT I) considerou as águas interiores, a biodiversidade da montanha, e da biodiversidade marinha e costeira. No Grupo de Trabalho WG II foram

No plenário da MOP 5

Breve histórico da CBD

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A CDB foi aprovada em 22 de maio de 1992, e entrou em vigor em 29 de dezembro de 1993. Atualmente, a Convenção com 193 países, visa promover a conservação da biodiversidade, uso sustentável de seus componentes e a partilha justa e equitativa dos benefícios resultantes da utilização dos recursos genéticos. A COP é o órgão executivo da Convenção.

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Fernando Casas, Colômbia e Timothy Hodges, Canadá, co-presidentes do Grupo de Trabalho ABS, informaram sobre as negociações do ABS

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Hidenori Murakami, do Japão, Presidente da COP / MOP 5 apresentou o relatório do Protocolo de Biossegurança

Visão geral da sessão de abertura da COP 10, onde representantes de 193 países reúnem-se para esboçar um plano destinado a frear a erosão da diversidade biológica, ou biodiversidade, o "tecido vivo do planeta" Zoë Wilkinson e Nikita Lopoukhine da IUCN

abordados: o progresso em direção à meta de biodiversidade para 2010 e do Global Biodiversity Outlook (GBO) e do plano alvo estratégico revisado – biodiversidade e indicadores. O Grupo Consultivo Informal sobre acesso e repartição de benefícios (ABS) reuniu-se brevemente e permitiu a negociação de pequenosgrupossobreseucumprimento.

Ryu Matsumoto, ministro do Meio Ambiente do Japão, recebe o martelo de Jochen Flasbarth, Alemanha, em nome da Presidência da COP 9, como um símbolo de entregar a presidência da COP para o Japão No segundo dia COP 10, a sessão plenária da manhã com Secretário Executivo da CDB, Ahmed Djoghlaf, David Cooper, Secretário da Assembléia e Seyani James, do Malawi

} Odiasegundo da COP 10 A sessão da manhã ouviu declarações gerais de grupos regionais.Foiconsideradoosprojectosdedecisõessobre a biodiversidade marinha e costeira e áreas protegidas; e WG II sobre as operações da Convenção e da estratégia de mobilização de recursos. ABS negociações centrouse na relação com outros acordos, situações de emergência,edeconformidade. O Brasil, por LMMC, pelos países aliados na Ásia e no Pacífico e GRULAC, apelou para um acordo sobre um pacote que inclui o ABS, o plano estratégico ea estratégia de mobilização de recursos na preparação para a Rio +20. Recomenda-se que o protocolo APB inclui derivados, disposições de execução forte, e o 22 REVISTA AMAZÔNIA

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reconhecimento dos direitos das comunidades indígenaselocais. Brasil e Filipinas, mencionaram que a aplicação efetiva da CDB ainda está bloqueada devido à falta de recursos

financeiros e que os países desenvolvidos devem cumprir suas obrigações de prestação de novos fundos. O Brasil apoiou a inclusão de metas e indicadores quantitativos no âmbito da estratégia. A UE disse que revistaamazonia.com.br

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Matsumoto, o presidente da COP 10 e Ahmed Djoghlaf, Secretário Executivo da CDB, lançam os Selos da COP 10

deve garantir um equilíbrio entre a ambição do plano estratégico, ter capacidade suficiente e autorização, incluindorecursosfinanceiros.

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O terceiro dia da COP 10

O Grupo de Trabalho I considerou projetos de decisão sobre a utilização sustentável, alterações climáticas, terras áridas e sub-úmidas ea biodiversidade da floresta. O Grupo de Trabalho II dirigiu a cooperação científica e técnica e da Clearing-House Mechanism (CHM), transferência de tecnologia, comunicação, educação e conscientização pública (CEPA) e do Ano Internacional da Biodiversidade (IYB), cooperação com outras convenções e engajamento de stakeholders. negociações ABS focada no conhecimento tradicional, o cumprimento, situações de emergência ea relação com outrosacordos.

Jochen Flasbarth, em nome da COP 9, declarou aberta a reunião e agradeceu ao povo e ao governo do Japão por sua hospitalidade

Matsumoto, o presidente da COP 10, destacou este foi um momento crítico para as medidas para proteger a biodiversidade, e pediu novas metas globais realistas, para o estabelecimento de um regime internacional

Ahmed Djoghlaf, denominou esta COP 10, o mais importante encontro sobre biodiversidade na história da ONU, tendo em conta a relevância do plano estratégico, a sua visão para 2050 e do Protocolo de ABS

Takashi Kawamura, prefeito da cidade de Nagoya, salientou o importante papel dos municípios e dos cidadãos em viver em harmonia com a natureza, bem como os efeitos negativos do desenvolvimento urbano sobre a biodiversidade

Masaaki Kanda, governador da Prefeitura de Aichi, congratulou-se com delegados da região, que é um centro de transporte e de fabricação, incluindo tecnologias ambientais inovadoras, e um centro de produção para a agricultura e as pescas

Achim Steiner, Diretor da UNEP, enfatizou que a COP 10 pode se tornar uma fonte de inspiração para o multilateralismo bem-sucedido, enfatizando a necessidade de adotar um instrumento internacional para garantir a credibilidade da Convenção

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Alejandro Lago Candeira, Espanha e Sem Shikongo, Namíbia, co-presidentes do pequeno grupo de questões relacionadas ao cumprimento (artigo 13)

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O Grupo de Trabalho I tratou sobre as decisões da biodiversidade agrícola, os biocombustíveis, as espécies exóticas invasoras (NIC), a Global Taxonomy Initiative (GTI) e medidas de incentivo. Grupo de Trabalho II abordou a Estratégia Global para a Conservação de Plantas (GSPC) e no artigo 8 (j) (conhecimento tradicional). negociações ABS focada em situações de emergência, conhecimentos tradicionais, de conformidadeedopreâmbulo.

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O quarto dia da COP 10

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Grupo Consultivo Informativo sobre Abs (ICG), em negocição de textos

No Grupo de Trabalho WG II: Ravi Silva, da CBD; seu Presidente Damaso Luna, do México; Höft Robert e Noonan Kieran Mooney, ambos também da CDB

Em Nagoya o objetivo de garantir um futuro melhor para o mundo natural em perigo

A plenária do Grupo de Trabalho WGI

A plenária do Grupo de Trabalho WGI

No WGII, Lyle Glowka, do secretariado da CDB, David Cooper, Secretário da Assembléia, Ravi Silva, da CBD Secretaria; Damaso Luna, e Höft Robert, do secretariado da CDB

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Porto de Nagoya um dos mais movimentados do Japão, à noite

À disposição de todos...

Grupo consultivo informal em ABS

As negociações sobre o cumprimento foram salvos por uma nota indicando que a relação entre alguns artigos ainda não estão esclarecidos. Os delegados devem ficar atentos e não tropeçar em nota de rodapé quando revisando o texto

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Aviテ」o da Japan Airlines com o logotipo da COP10

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Protestando...

} Odiaquinto da COP 10 O GTI considerou projetos de decisões sobre a biodiversidade das águas de montanha e no interior. O GT II dirigiu projetos de decisões relativas ao GBO 3, a implementação da Convenção e do plano estratégico, elaboraçãoderelatóriosnacionaisdoPPTe negociações daABS.

} Odiasexto da COP 10 A sessão da manhã ouviu um relatório sobre as consultas-de-semana no acesso e repartição de benefícios (ABS). Grupos de Trabalho I e II dirigiu projectos de decisões em vários itens da agenda. As Brazil and IIFB representatives consulting

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O Grupo informal ICG fez consulta em ABS sobre texto de negociação em público o conhecimento tradicional

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A Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade – TEEB

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Conclusão do relatório, lançado pelo líder do estudo, Pavan Sukhdev. Estandes na Feira Interativa da Biodiversidade

negociações ABS focada em conformidade, o preâmbulo e situações de emergência.Vários contatoegruposinformaissereuniramduranteodiaeànoite.

} O setimo dia da COP 10 Grupo de Trabalho I abordados projectos de decisões relativas ao uso sustentável da biodiversidade nas florestas, terras áridas e sub-úmidas secas, a GTI, de medidas de incentivo, e IAS. Grupo deTrabalho II, consideradas projectos de decisão sobre a cooperação Representantes da América Latina e do Caribe de consultoria do grupo

“ O TEEB tem documentado não só a importância multitrilionária do mundo natural para a economia global, mas também as formas de mudanças de políticas e mecanismos de mercado inteligentes que podem incorporar novas ideias em um mundo atormentado por uma série crescente de desafios múltiplos. A boa notícia é que muitas comunidades e países já estão percebendo o potencial de incorporar o valor da natureza na tomada de decisões”, disse Sukhdev, banqueiro que comanda a Iniciativa Economia Verde do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), durante o lançamento do estudo na 10ª Conferência das Partes (CoP 10) da Convenção sobre Diversidade Biológica, em Nagoya. O estudo TEEB exige maior reconhecimento dos tomadores de decisão sobre a contribuição da natureza para a subsistência, saúde, segurança e cultura humana em todos os níveis (do local ao nacional) e setores. O TEEB promove a apresentação e, quando apropriado, a captação dos valores econômicos dos serviços da natureza através de um conjunto de instrumentos e mecanismos de política. “A abordagem do TEEB pode redefinir os atuais padrões econômicos e iniciar uma nova era na qual o valor dos serviços da natureza passa a ser visível e se torna uma parte crítica da tomada de decisões na política e nas empresas. Se nada for feito, nós não só perderemos trilhões de dólares em benefícios para a sociedade, mas também agravaremos o nível de pobreza e colocaremos em risco as gerações futuras”, disse Sukhdev.

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Representantes da América Latina e no Caribe, em consulta com um representante do grupo da Ásia-Pacífico, sobre ABS

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A natureza é crucial para a prosperidade e o desenvolvimento

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No relatório final TEEB, chamado Mainstreaming the Economics of Nature (Integrando a economia da natureza), três cenários são apresentados para ilustrar o modo que conceitos e instrumentos econômicos descritos no TEEB podem ajudar a equipar a sociedade com meios para incorporar os valores da natureza na tomada de decisões: um ecossistema natural (floresta), um assentamento humano (cidade) e um setor de negócios (mineração). Com mais da metade da população humana vivendo em áreas urbanas, as cidades têm um papel crucial a desempenhar para o reconhecimento do capital natural necessário para manter e melhorar o bem-estar dos seus habitantes. Instrumentos econômicos e políticas inovadoras estão emergindo como recompensa de boas práticas. “No passado, apenas setores tradicionais

como indústria, mineração, varejo, construção e geração de energia estavam na mente de economistas e ministros de desenvolvimento, orçamento e comércio. O TEEB tem trazido à atenção do mundo o fato de os bens e serviços da natureza serem tão ou mais importantes para a economia das nações, incluindo as mais pobres – considerando que se trata de um planeta de recursos finitos com uma população que deve subir para nove bilhões de pessoas até 2050″, disse Achim Steiner, Subsecretário Geral da ONU e Diretor Executivo do PNUMA. Bráulio Dias, Secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente do Brasil, salienta que o estudo TEEB oferece boa orientação e uma mensagem poderosa para redefinir os padrões econômicos. “Como um dos hotspots mundiais de biodiversidade, o governo brasileiro e o setor empresarial

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O economista indiano Pavan Sukhdev, lançando o TEEB

estão percebendo as recomendações do TEEB e reconhecendo que a era da invisibilidade do valor da natureza tem que acabar. A nível nacional, estamos discutindo a implementação de um estudo TEEB sobre o nosso capital natural, e o setor empresarial brasileiro também está planejando uma transição para essa abordagem prática e sustentável na tomada de decisões”, comentou.

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As cidades têm um papel crucial a desempenhar para o reconhecimento do capital natural necessário para manter e melhorar o bem-estar dos seus habitantes revistaamazonia.com.br

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Delegados em uma aproximação com o Grupo de Trabalho I Presidente Hufler para encontrar uma redação sobre águas interiores

Delegados de GT I, em consultas informais

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Maximiliano da Cunha Henriques Arienzo e Saulo Ceolin, do Brasil

Participantes da Suíça, Índia, Brasil e Bolívia, em consultas informais

com outra convenção, IPBES, eo plano de ação sobre as cidades. negociações ABS focado no seu cumprimento, TK, e o projeto de decisão da COP. Uma noite analisou os progressos alcançados em plenário. Vários contato e gruposinformaissereuniramduranteodiaeànoite

} Odiaoitavo da COP 10

Um jovem ergue uma planta no segmento de alto nível na COP 10, onde ministros de todo o mundo debaterão a melhor forma de proteger a riqueza da vida selvagem

No GTI foram abordados os projetos de decisões sobre medidas de incentivo, o IAS, a biodiversidade agrícola ea mudança climática. No Grupo de Trabalho II, considerados projetos de decisão sobre o mecanismo financeiro, eficácia SBSTTA e do plano estratégico. As negociações ABS focado no seu cumprimento, TK, eo projetodedecisãodaCOP. Representantes dos jovens participantes entregaram sua mensagens e recomendações para a direção da COP 10

Pare de falar da campanha e começe a plantação disse o menino ao ator Harrison Ford, da CI Os jovens participantes diante da cúpula da COP 10

Globo coberto por Origamis Jovens na Feira da Biodiversidade Interactive trabalhando juntos para completar o quebra cabeça da vida

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Izabella Teixeira, nossa Ministra do Meio Ambiente, entre Braulio Ferreira de Souza Dias; e Adriana Tescari, do MMA

O Brasil/MMA na COP 10 Durante discurso no Segmento de Alto Nível do evento, Izabella Teixeira, ministra do Meio Ambiente, destacou seu otimismo e expectativa, embora receosa, em relação aos compromissos que deverão ser assumidos pela comunidade internacional na reunião. Para ela, é hora de providenciar respostas, soluções e ações para os encontros que, em sua avaliação, correm o risco de se tornar "intermináveis e de adiarem soluções para os problemas". "Enquanto isso acontece, ao longo dos últimos anos, não houve apenas falta de sinais relevantes na redução da perda da biodiversidade, mas os indicadores disponíveis mostram uma crescente deterioração da diversidade biológica global", disse. Segundo Izabella, reverter o processo de deterioração da biodiversidade – resultado da atividade humana –, requer um esforço sem precedentes, com respostas fortes e determinadas de todas as sociedades globais. "É necessária vontade política para mudar os padrões com que diferentes segmentos da sociedade se apropriam de recursos da biodiversidade". A ministra disse que Brasil está em Nagoya com o espírito de ouvir, negociar e entender as perspectivas das nações com posições divergentes, e que o País está disposto a ser flexível para alcançar um acordo que poderá não ser perfeito, mas que significará o entendimento possível. "É o momento para alcançarmos bons resultados. Se perdermos esta oportunidade, em busca do acordo perfeito, nós daremos sinais que não precisamos de um acordo. Não podemos dar ao mundo esta mensagem", advertiu. Izabella disse, ainda, que além das negociações de um Protocolo sobre Acesso e Repartição de Benefícios, fundamental para superar o déficit de implementação da Convenção e combater a biopirataria, o Brasil está discutindo um novo plano estratégico para o período pós-2010 e uma nova estratégia para mobilização de recursos. "Uma parte central de nossos esforços futuros deve incluir suporte

para as agendas nacionais de maneira que as metas sobre biodiversidade sejam atingidas, com a garantia da soberania de cada país e com recursos e tecnologias adicionais, previsíveis e suficientes", declarou. Segundo a ministra, três desses elementos - o Protocolo sobre Acesso e Repartição de Benefícios, o Plano Estratégico e a nova Estratégia para Mobilização de Recursos - são parte de um pacote indivisível para a COP-10. "Eles deveriam ser considerados, discutidos e negociados com a atenção e urgência que o assunto merece", destacou. Ao concluir seu discurso, a ministra chamou a atenção dos presentes para a responsabilidade ética com as novas gerações, reafirmando que não há mais tempo para retórica e ações dissociadas dos esforços multilaterais. "Os impactos de nossa falta de ação podem recair crescentemente sobre nós mesmos e não somente nas futuras gerações. Agir agora não é apenas uma questão de vontade política, é também uma questão de responsabilidade, compromisso, visão, ética e sobrevivência", concluiu. Izabella Teixeira, ministra do Meio Ambiente

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Saulo Ceolin, do Brasil, em reunião no GT II

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Maximiliano da Cunha Henriques Arienzo e Adriana Tescari, do Brasil, no GT II

Adriana Tescari, do Brasil, no WGI Marcos Silva do CITES

Estande da Feira Interativa tailandesa para a Biodiversidade

} O nono dia da COP 10 O segmento de alto nível e os Grupos de Trabalho prosseguiram ao longo do dia. No Grupo de Trabalho I abordadas as alterações climáticas, biocombustíveis e biodiversidade marinha. O Grupo deTrabalho II considerou o plano estratégico, o artigo 8 (j), ea estratégia de mobilização de recursos. negociações ABS focada em TK, utilização e derivados, e de conformidade.UmaconsultainformalministerialeumanoiteplenáriatambémseconcentraramemABS. O staff do Secretariado da CBD vibrou Princepe Alberto de Mônaco Pavan Sukhdev, UNEP

Os participantes da COP 10 deram uma ovação de pé, eufóricos com a adoção do Protocolo de Nagoya

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Shoichi Kondo, Vice-Ministro do Meio Ambiente do Japão, Russel Mittermeier, presidente da Conservation International, Harrison Ford da Conservação Internacional e Ahmed Djoghlaf, Secretário Executivo da CDB 32 REVISTA AMAZÔNIA

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A decisão final da COP 10: “Protocolo de Nagoya” O mundo deu um passo em frente!

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décima reunião da Conferência das Partes – COP 10, da Convenção sobre Diversidade Biológica – CDB, realizada em Nagoya, Japão, reunindo mais de 7.000 delegados. Após duas semanas de tensas sessões/negociações, marcada por inúmeros trabalhos paralelos, sobre as negociações do ABS, o plano estratégico e estratégia de mobilização de recursos, aprovou um "pacote" impressionante tornando a COP 10 um dos encontros mais bem sucedidos da história da CDB: o Protocolo de Nagoya sobre o Acesso aos Recursos Genéticos e Repartição Justa e Equitativa dos benefícios decorrentes da sua utilização; do referido Plano Estratégico para o período 2011-2020, e uma decisão sobre as atividades e indicadores para a realização do Estratégia de Mobilização de Recursos. Aprovou também uma decisão no valor de uma moratória de fato sobre a geoengenharia, tomou uma posição sobre a questão da biologia sintética, afirmou o papel da CBD em REDD +; aprovou o Código RI de conduta ética; e estabeleceu medidas claras para aumentar a cooperação entre as Convenções do Rio que antecederamaCimeiradoRio20. Vários países, em especial a Bolívia e a Venezuela, disseram não concordar com os textos e exigiram que seu descontentamento fosse registrado nas atas da conferência, mas acabaram por ceder a aceitar a aprovaçãodosdocumentos. O Brasil, que foi uma das figuras principais nas

negociações,saiusatisfeitodaplenária. A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que comandou a delegação brasileira durante a conferência externou: “A aprovação do protocolo é uma vitória do esforço de todos os países signatários para um acordo emumassuntodeextremacomplexidade". Izabella disse ainda que, para o Brasil, os novos números são grandes desafios. "Temos um caso de sucesso na conservação da Amazônia, mas ainda precisamos melhorar a conservação no Cerrado e, principalmente, na zona marinha e costeira.E queremos chegar a 2020 comdesmatamentoilegalzero”,afirmou. O acordo não tem força de lei, mas cria uma obrigação política por parte dos governos de obedecer às regras e fornece uma referência compartilhada para a elaboração de políticas nacionais sobre o assunto. "Este encontro proporcionou uma mudança radical na compreensão global da multibilionária importância da biodiversidade das florestas, zonas úmidas e outros ecossistemas", afirmou Achim Steiner, chefe do ProgramadasNaçõesUnidasparaoAmbiente.

final do } Resumo “Protocolo de Nagoya” Entre as metas adotadas: Plano Estratégico de 20 metas para2020,ummecanismointernacionaldefinanciamento para apoiar o cumprimento dessas metas, e um protocolo de regras para acesso e repartição de benefícios relacionados ao uso de recursos genéticos de animais,

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plantas e micro-organismos – a proteção de pelo menos 17%dosecossistemasterrestresedeáguadoce,e10%dos ecossistemas marinhos e costeiros do planeta. A perda de habitats – com uma menção específica às florestas – deverá ser reduzida em pelo menos 50%, podendo chegar aquase100%"ondeforpossível". O Protocolo de Nagoya, determina regras básicas para o acesso e a repartição de benefícios – ABS, oriundos da utilização desse recursos, com o intuito de coibir a chamada "biopirataria". Determina que cada país tem soberania – "direitos autorais", por assim dizer – sobre os recursos genéticos de sua biodiversidade e que o acesso a esses recursos só pode ser feito com o consentimento do país, obedecendo à sua legislação nacional sobre o assunto. Caso um produto seja desenvolvido com base nesse acesso, os lucros ("benefícios") deverão ser obrigatoriamente compartilhadoscomopaísdeorigem. Por exemplo: se uma empresa estrangeira tiver interesse em pesquisar os efeitos terapêuticos de uma planta brasileira, ela terá de pedir autorização ao Brasil para fazer a pesquisa. Caso um produto comercial seja desenvolvido com base nesse estudo, os lucros da comercializaçãodeverãosercompartilhadoscomoPaís. E mais: caso haja um histórico de conhecimento tradicional associado ao uso medicinal da planta, os lucros deverão ser compartilhados também com os detentores desse conhecimento - por exemplo, alguma triboindígenaoucomunidaderibeirinha.

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Ryu Matsumoto, presidente da COP 10, bate o martelo, na plenária final do encontro, na qual as decisões têm de ser adotadas por consenso, aprovando o histórico Protocolo Nagoya sobre Acesso aos Recursos Genéticos e Repartição Justa e Equitativa dos benefícios decorrentes da sua utilização revistaamazonia.com.br

Ryu Matsumoto acenando para os participantes da sessão plenária após a aprovação do Protocolo de Nagoya

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Luiz Henrique Ferreira *

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Como transformar

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empreendimentos existentes em empreendimentos sustentáveis

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A Construção Civil é responsável pelo consumo de boa parte dos recursos naturais do planeta

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cada dia que passa ouvimos falar mais sobre sustentabilidade, preservação do mei ambiente e aquecimento global. Estes conceitos, que até pouco tempo se restringiam aos grupos acadêmicos e ambientalistas, passaram a fazer parte de nossa realidade, devido ao aumento do acesso à informação e também aos primeiros indícios reais de esgotamento da capacidade do planeta em prover recursos naturais para anossasobrevivência. A Construção Civil é responsável pelo consumo de boa parte dos recursos naturais do planeta, tanto na fase de obras quanto na fase de uso e operação dos edifícios. Apesar de ser uma fase de enorme impacto ambiental, a construção de edifícios dura no máximo dois anos,

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enquanto que o seu uso pode facilmente passar dos 50 ou 100 anos. Durante todo tempo de vida útil do edifício, ele irá consumir recursos naturais e despejar resíduos no planeta, consumindo muito mais energia, água e gerandomuitomaisresíduosdoquenafasedeobras. Apesar do“boom”imobiliário dos últimos cinco anos, a idade média das construções na cidade de São Paulo ainda é de aproximadamente 25 anos. Isso significa que temosedifíciosnovoseeficientes,mastambémedifícios muito antigos e ineficientes, que foram projetados e construídos numa época em que os conceitos de sustentabilidade e preservação ambiental nem sequer existiam! Portanto, apesar das iniciativas atuais de se construir de maneira sustentável, temos um grande desafio que é tornar os edifícios já existentes

sustentáveis, pois eles acabam sendo os grandes responsáveis pelo esgotamento da água e energia do planeta. O processo de reabilitação de edifícios para torná-los sustentáveis é bem mais complexo do que uma construção nova já sustentável. Em alguns casos mais críticos, a ocupação do edifício durante o processo de reabilitação pode tornar-se inviável, porém em outros a reabilitação ocorre com o edifício em funcionamento. Além da questão da ocupação dos edifícios, normalmente o processo de reabilitação sustentável encontra dificuldades devido ao canteiro de obras restrito, alta quantidade de resíduos de demolição, falta de cadastramento da situação real do edifício e incômodosgeradosaosusuáriosevizinhos. revistaamazonia.com.br

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ciclos. Resumindo, do ponto de vista global, a aparente redução no consumo de energia elétrica em uma lâmpada fluorescente com sensor de presença pode gerar um impacto ambiental maior, devido à redução da suavidaútil. Por fim, não existe uma receita pronta para tornar os edifícios existentes em edifícios sustentáveis, pois a complexidade de uma construção é muito grande. A receita ideal é utilizar uma metodologia reconhecida para tornar o edifício sustentável, implementada por uma equipe que conheça a fundo os requisitos de Alta Qualidade Ambiental (AQUA), de modo que a reabilitação sustentável possa efetivamente atingir os resultados desejados, contribuindo efetivamente para a redução da escassez de recursos naturais e biodiversidade.

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(*) MBA em Gestão Empresarial e formação em Análise de Sistemas. Trabalha com tecnologia da informação desde 1998. Atualmente é coordenadora de projetos na ABC71

O primeiro passo para tornar um edifício existente sustentável é uma análise minuciosa da situação atual em relação aos requisitos de Alta Qualidade Ambiental (AQUA), que são baseados na qualidade intrínseca do edifício (QI) e na qualidade ambiental das práticas (QAP). A qualidade intrínseca do edifício demonstra como a construção em si atende aos critérios de sustentabilidade, como elementos de sombreamento de fachada (brises), sistemas de ventilação natural, facilidade de acessos para manutenção, iluminação natural, entre outros. A qualidade intrínseca do edifício não está diretamente relacionada ao emprego de soluções de alta tecnologia, e sim a um bom projeto arquitetônico e a uma execução consciente, que levam a um alto desempenho ambiental e a uma economia significativa de energia e água durante a operação. Já a qualidade ambiental das práticas (QAP) decorre da maneira pela qual os usuários se relacionam com o edifício, e é tão importante quanto a QI, uma vez que o usuário é o grande responsável pelos impactos ambientais decorrentes de sua operação. Para se ter uma ideia, uma simples torneira aberta por 6 minutos gasta toda a água necessária para uma pessoa sobreviver um dia inteiro, considerando o consumo per capita recomendado pela Organização Mundial da Saúde. Desta forma, não adianta nada o edifício ser totalmente sustentável se as práticas de operação não forem sustentáveis. Uma vez concluída a análise inicial, chamada diagnóstico, é preciso traçar uma estratégia ambiental do edifício, hierarquizando quais iniciativas deverão ser postas em prática primeiro, sempre levando em consideração a relação custo x benefício x preservação do meio ambiente. A estratégia ambiental global do revistaamazonia.com.br

A EAD também é uma excelente alternativa para estreitar o Transformar relacionamento com os clientes empreendimentos sustentáveis

edifício tem como finalidade evitar que se tomem medidas isoladas, aparentemente sustentáveis, porém quando dentro de um contexto global sem resultados expressivos. Um exemplo interessante é a instalação de sensores de presença em todos os ambientes do edifício, inclusive os com lâmpadas fluorescentes: estudos comprovam que para ciclos menores do que 15 minutos é mais viável deixar o acionamento da lâmpada por interruptor do que instalar um sensor de presença. Neste caso, a análise leva em conta, não só o consumo de energia, mas também o impacto ambiental decorrente do descarte das lâmpadas fluorescentes, que têm a sua durabilidadereduzidaproporcionalmenteaonúmerode

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Samuel Pinheiro Guimarães e Alberto Lourenço *

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Um breve balanço do Plano Amazônia Sustentável Fotos David Alves/Ag Pa, Klauter Machado

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o momento em que o segundo governo do Presidente Lula se aproxima do final, é importantefazerumbalançosintéticoda política federal para a Amazônia ao longo dos últimos anos. O marco institucional dessa política é o Plano Amazônia Sustentável – PAS, que foi decidido em reunião entre o Presidente da República e os Governadores da Amazônia, ocorrida em maio de 2003, em Rio Branco. O PAS foi submetido a diversas consultas públicas e com atores e autoridades da Amazônia. Em 30 de maio de 2008, Decreto do Presidente da República instituiu a Comissão Gestora do Plano Amazônia Sustentável e nomeou o Ministro Chefe daSecretariadeAssuntosEstratégicosparacoordená-lo. A política do Governo Federal para a Amazônia nos últimos anos enfrentou 4 grandes desafios: controlar o desmatamento ilegal; iniciar o ordenamento territorial e a legalização do acesso aos recursos naturais; promover investimentos em infraestrutura sustentáveis e de baixo impacto ambiental; e iniciar a transição para uma economia sustentável da floresta tropical. No que tange aos três primeiros objetivos os resultados foram muito Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal – PPCDAM

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melhores do que as expectativas iniciais. O quarto objetivo estratégico ainda está por se realizar e deve mereceratençãoprioritáriadosnovosgovernos...

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Controle do desmatamento

O Presidente Lula assumiu o governo em 2003 em meio a um forte ciclo de alta do desmatamento na Amazônia. Havia fortes razões para isso. Por um lado, a pressão do câmbio, que atingira 4 reais por dólar em 2002 e ficou acima de 3 reais por dólar em média em 2003. Câmbio desvalorizado aumenta as expectativas de lucro na pecuária e na produção de soja e provoca forte aumento nos preços da terra na Amazônia, o que instiga o aumento da oferta, pela abertura de novas áreas. Por outro lado, o novo governo prometia uma retomada nos investimentos em infra-estrutura logística. O PPA 20042007 sinalizava com a pavimentação de rodovias estratégicas, como a BR 163 e aTransamazônica (BR 230) no Pará, e a BR 158 no Mato Grosso, por exemplo. A abertura e a pavimentação de rodovias sempre foram importantes vetores de desmatamento. De fato, já em 2003, a taxa bruta de desmatamento atingiu o alarmante nível de 25,4 mil km2, a segunda maior desde quando se iniciou a medição sistemática, em 1988. No ano seguinte foi ainda pior; 27,8 mil km2 de desmatamento, nível que seaproximavadorecordede1995. O governo agiu de forma decisiva. Em primeiro lugar, o controledodesmatamentopassouaserobjetivodetodo ogovernoenãoapenasdoMinistériodoMeioAmbiente edoIBAMA.ODecretode3dejulhode2003criouGrupo de Trabalho para propor e implementar ações de prevenção e controle do desmatamento. Desde então, o Grupo deTrabalho envolve 14 ministérios, coordenados pela Casa Civil, e opera o Plano de Prevenção e Controle doDesmatamentonaAmazôniaLegal–PPCDAM. Novos instrumentos de monitoramento foram rapidamente implementados, como o DETER, que permite o acompanhamento de desmatamentos quase em tempo real, e o DEGRAD, que permite a detecção de degradação da floresta, ainda que sem corte raso. Aumentou também a incidência e a cobertura de ações derepressãoaodesmatamentoilegal,tantoporpartedo IBAMA, com apoio do Exército, quanto pelos órgãos estaduais de meio ambiente. Ao esforço de governo se somou o engajamento das cadeias produtivas na

No lançamento do Plano Amazônia Sustentável – PAS

rejeição à produção derivada de áreas de desmatamento ilegal, a exemplo dos acordos com a Associação Brasileira de ÓleosVegetais – ABIOVE e com os grandes frigoríficosqueatuamnaregião. Os resultados superaram as melhores expectativas. Já em 2005, a taxa de desmatamento caiu para 19 mil km2 e daí, em queda firme e sistemática, atingiu 7,4 mil km2 em 2009. Em 2010, mesmo sendo um ano eleitoral e de bons preços agrícolas, a taxa deve cair ainda mais. Estimativas iniciais com base em dados do DETER apontam entre 5 e 6 mil km2. O Brasil já se aproxima da ambiciosa meta prometida pelo Presidente Lula em Copenhague para 2020: 3,6 mil km de desmatamento por ano, ou seja, uma redução de 80% em relação ao observadoentre1996e2005.

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Ordenamento territorial

Uma preocupação central do PAS é avançar no ordenamento territorial e na legalização do acesso aos recursos naturais da Amazônia. A indefinição sobre a titularidade da terra e dos direitos sobre recursos naturais cria um clima de permanente conflagração entre atores sociais. Violência, grilagem, uso predatório de recursos florestais, desmatamento acelerado, dificuldades na criação de capital social e na absorção de tecnologia são algumas das conseqüências perversas da desordem territorial. Também nesta área os avanços foramextraordinários. Em 2006, o Congresso aprovou a Lei 11.284, conhecida como Lei de Florestas Públicas. Ao novo marco legal veio se somar a criação do Serviço Florestal Brasileiro, instituição encarregada de gerir a exploração sustentável das florestas públicas federais brasileiras. Na Amazônia, praticamente toda floresta remanescente é revistaamazonia.com.br

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pública, grande parte federal. A nova política de ordenamento florestal permite que essas áreas continuem públicas e cobertas por florestas em que se pratica manejo sustentável, certificado, de alta eficiência e baixo impacto. Ao deflagrar uma transição organizada para o manejo sustentável das florestas, a nova política anula um dos principais vetores de grilagem e desmatamento – a extração clandestina em terras públicas,aomesmotempoemqueelevaaqualidadeeo valordamadeiraextraída. Mas o principal legado deste governo à Amazônia e ao Brasil é o ordenamento fundiário. Nas últimas décadas, a Amazônia foi sinônimo de desordem fundiária, de conflito e de violência. Centenas de milhares de famílias viviam e produziam sem qualquer garantia legal de propriedade da terra que ocupavam. A outra face da

Transamazônica (BR 230) no Pará

desordem fundiária, o constante avanço sobre a floresta para a apropriação de patrimônio público, resultava em níveis explosivos de desmatamento. Em 2009, a partir de iniciativa da SAE e sob a coordenação da Casa Civil, o governo apresentou uma proposta de simplificação radical da legislação: a Medida Provisória 458. Foi aprovada pelo Congresso e sancionada pelo Presidente comoLei11.952,de25dejunhode2009. Ao longo do último ano, o Programa Terra Legal, sob a coordenaçãodoMinistériodoDesenvolvimentoAgrário, vem cadastrando ocupantes de terras federais, georreferenciando as ocupações e já entregando títulos definitivos. Estima-se que cerca de 300 mil produtores serão beneficiados. Além disso, a Lei 11.952 permite a transferência das terras que compõem a área urbana de 172 municípios às respectivas prefeituras, para que os moradores recebam a escritura de seu lote urbano. Estima-se que cerca de 400 mil famílias serão beneficiadas. Não é possível exagerar a importância do ordenamento fundiário para o desenvolvimento da Amazônia. Como serão regularizadas apenas as pequenas e médias ocupações, haverá forte desconcentração fundiária. A área ocupada por estabelecimentos maiores que 15 módulos fiscais poderá ser vendida por licitação até o limite permitido pela Constituição, ou destinada à Reforma Agrária. A titulação provoca o aumento do valor da terra, o que induz o uso mais racional e possibilita a ampliação do volume e a redução do custo do crédito. Além disso, a regularização fundiária permite a gestão ambiental ao nível de propriedade, o que tem

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Samuel Pinheiro Guimarães, Ministro Chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos

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efeitos extremamente positivos para os objetivos de controledodesmatamento. Embora a regularização de ocupações em terras federais tenha merecido maior destaque, o ordenamento

O Presidente Lula assumiu o governo em 2003 em meio a um forte ciclo de alta do desmatamento na

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O DETER, do INPE, permite o acompanhamento de desmatamentos quase em tempo real

fundiário não se limita a isso. Também está sendo atendida a principal reivindicação das populações extrativistas: regularização fundiária das Reservas Extrativistas e proteção aos territórios ocupados por essas populações. Também os estados estão regularizando suas terras. No Pará, mais de 10 mil títulos definitivosjáforamentreguespeloITERPA. Para culminar, o Governo concluiu em 2010 o Macrozoneamento Ecológico-Econômico da Amazônia Legal, após cinco anos de consultas públicas, que envolveram os nove estados da Amazônia e 16 ministérios. O MacroZEE deverá promover a convergênciasdaspolíticassetoriaisdaUniãoemfunção das prioridades territoriais e também servirá de parâmetroparaosZEEsestaduaishojeemelaboração. A pavimentação da BR 163 irá romper com o isolamento das comunidades próximas

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Infraestrutura Sustentável

Desde meados dos anos 80, nenhum investimento significativo em infraestrutura foi feito na Amazônia. O déficit que se acumulou é, em grande parte, responsável pelo modelo produtivo extensivo de baixa produtividade e também por indicadores de qualidade de vida inferiores à média nacional. O Governo Lula está mudando radicalmente esse quadro, especialmente a partir do primeiro Programa de Aceleração do Crescimento–PAC. Praticamente todas as rodovias federais da Amazônia serão total ou em parte pavimentadas. Algumas obras merecem destaque. A pavimentação da BR 163 irá

romper com o isolamento das comunidades próximas à estrada e, ao mesmo tempo, possibilitar o escoamento mais eficaz da produção gerada na região agrícola mais dinâmica do Brasil. A pavimentação da BR 230 (Transamazônica) beneficia a maior concentração de produtores familiares da Amazônia. Os produtores do BaixoAraguaia,regiãomaispobredoMatoGrosso,serão beneficiados pela pavimentação do trecho final da BR 158. Não se pode omitir menção ao trecho acreano da BR 364. Devido a suas condições geológicas específicas, as estradas não pavimentadas do Acre são intransitáveis no período de chuva. A pavimentação da BR 364 vai romper o isolamento e fomentar a economia das várias cidades ao norte de Rio Branco. No Amazonas, está prevista a recuperação da BR 319, no trecho entre Humaitá e Manaus, o que permitirá acesso rodoviário de Manaus ao resto do Brasil. A Amazônia dos rios não foi esquecida. O PAC prevê a construção ou recuperação de Terminais Hidroviários em 40 municípios do Amazonas, ParáeRondônia. Na área de energia, grande destaque é dado às grandes hidrelétricas, como Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira e Belo Monte, no Rio Xingu. Menos atenção merecem os vultuosos investimentos na oferta de eletricidade às pequenas cidades e áreas rurais. O maior déficit de acesso a eletricidade está na Amazônia. O Programa Luz paraTodos vai nivelar a região ao resto do país. Os benefícios em termos de qualidade de vida e produtividadesãoimensos. A retomada dos investimentos em infraestrutura na Amazônia não se limita a um aumento drástico do volume de investimentos. Houve uma melhora radical na qualidade dos investimentos. Boas estradas são indispensáveis ao desenvolvimento, mas a abertura de estradas sempre foi um forte vetor de desmatamento, grilagem de terras e expropriação de populações tradicionais. A BR 364, no Acre, é o primeiro exemplar de

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O DEGRAD, do INPE, permite a detecção de degradação da floresta, ainda que sem corte raso

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O Programa Luz para Todos vai nivelar a região ao resto do país

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uma nova geração de obras de infraestrutura na Amazônia, em que a pavimentação é precedida e acompanhada por ações de proteção ambiental, ordenamento fundiário e apoio a produtores familiares. A BR 163 é outrobomexemplo.Aobrafoiprecedidapela criação de mais de sete milhões de hectares em Unidades de Conservação e por regularização fundiária. O leque de medidas de proteção ambiental em torno da recuperação da BR 319, no Amazonas, é ainda mais completo e abrangente. Em suma, a melhoria da rede de estradas da Amazônia passa a ser não prenuncio de desordem ecológica, mas vetor de desenvolvimento includenteedebaixoimpactoambiental. O estado da arte em construção de barragens é radicalmente diferente e muito melhor. As turbinas de bulbo exigem quedas de água muito menores do que as turbinas convencionais. Tucuruí tem barragem de 78

metros de altura e alaga quase 3.000 km2. Santo Antônio tem altura de 18 metros, com isso alagando apenas 271 km2. Belo Monte não irá afetar área maior do que a naturalmente atinge nas cheias sazonais. Além dareduçãodeáreadiretamenteafetada,aconstruçãoda barragem agora é mais rápida e os canteiros de obra menos impactantes. Há uma evolução no sentido de imitar o processo de trabalho das plataformas de petróleo, em que os operários são transportados para a obra em turnos e o contingente no local se reduz ao mínimo. Com isso evita-se a formação de cidades espontâneas no entorno da obra e a desordem ambiental é controlada, tanto no período de construção quantoapóssuaconclusão. Ainda há muito que se fazer em termos de infraestrutura na Amazônia. Sem eletricidade e modais eficientes para o escoamento da produção, o modelo econômico

extensivo, de baixa produtividade tende a permanecer. Intensificação produtiva e beneficiamento local das matérias primas exigem infraestrutura moderna. Duas prioridades emergem claramente: a restauração e ampliação da aviação regional; e cooperação para a recuperação e racionalização da malha de estradas vicinais.

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gradual do } Mudança modelo produtivo

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Oquartodesafioésabidamenteomaisdifícil.Trata-sede criar as bases para uma transição gradual de um modelo produtivo baseado na pecuária extensiva, que se reproduz em uma fronteira de terras em permanente expansão. A condição de permanência e reprodução deste modelo é a remoção da floresta. Como o desmatamento vem caindo vertiginosamente, há que se migrar para uma estrutura produtiva diferente, centradanasáreasdefloresta.

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Novos instrumentos de monitoramento foram rapidamente implementados

A BR 364, no Acre, é o primeiro exemplar de uma nova geração de obras de infraestrutura na Amazônia. no Trevo da BR-364

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Para as áreas de floresta, o objetivo é criar produtos e processos alternativos, sustentáveis e compatíveis com a grande população de produtores agroextrativistas. Esta é uma tarefa difícil. Não há um modelo produtivo avançado para áreas de floresta tropical. Os investimentos em tecnologia devem partir quase do zero. O risco é elevado, pois há pouco acúmulo de pesquisa. As áreas de floresta são também praticamente destituídas de infraestrutura. A própria dispersão das comunidades em áreas imensas encarece e dificulta o suprimentodeestradas,energiaeserviçosbásicos. Nos últimos 20 anos, foram muitas as tentativas de se gerar alternativas econômicas sustentáveis para os povos da floresta. De 1995 até recentemente, o Programa Piloto de Proteção às Florestas Tropicais do Brasil – PPG7 investiu recursos significativos no apoio a iniciativas inovadoras. Programas similares existem para populações indígenas e extrativistas, tanto no Governo Federal quanto em estados como Acre, Amapá, Amazonas e Pará. No entanto, nenhuma alternativa

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Construir uma economia avançada da floresta tropical é uma tarefa para as próximas gerações

exemplo, do pólo de madeira, produtos de látex e óleos emXapuri. É importante reconhecer, porém, que indústrias e Na área de energia, grande destaque é dado às grandes hidrelétricas

produtiva de grande escala foi gerada. A economia sustentável da floresta continua um objetivo a ser alcançado.Anotávelmelhorianascondiçõesdevidados povos da floresta se deve mais ao acesso das comunidades às políticas públicas de renda mínima e de resgate da cidadania do que a uma vigorosa“economia daflorestaempé”,comtecnologiaeinovação. Construir uma economia avançada da floresta tropical é uma tarefa para as próximas gerações. A experiência recente permite propor algumas diretrizes iniciais para umaabordagemestratégica. Há que se reconhecer os limites econômicos das atividades de extração e deslocar as expectativas de geração de empregos e de renda para o beneficiamento industrial das essências da floresta. A produtividade do trabalhador extrativista está limitada pela dificuldade de mecanização e pelos limites de sustentabilidade da floresta. É nas indústrias que transformam resinas em cosméticos, látex em preservativos, princípios ativos naturais em medicamentos, que existe potencial para bons lucros e bons empregos. O Acre tem avançado na industrialização dos produtos da floresta, como no 40 REVISTA AMAZÔNIA

serviços produtivos, especialmente e rotas tecnológicas mais avançadas, são sensíveis a fatores locacionais. As indústrias e o pessoal qualificado que as opera precisam de boa infraestrutura de logística, serviços pessoais e serviços produtivos avançados, meios de comunicação, etc. A instalação em áreas pioneiras é sempre difícil e arriscada. Para compensar custos mais altos e maior risco,éprecisooferecerincentivosnocurtoprazo.Crédito adequado e benefícios fiscais são os instrumentos mais utilizados, mas existem outros, como subsídio parcial ao desenvolvimento de soluções tecnológicas e mesmo parceriasentreempresaseEstado. A Zona Franca de Manaus é um pólo industrial consolidado, de grande complexidade e sofisticação. A estrutura física e institucional que serve às grandes fábricas de eletrônicos, motocicletas e outros, pode servir para abrigar os estágios industriais mais elevados das indústrias da floresta. A SUFRAMA está atenta a esta demanda e já existem ações iniciais, em particular no ramodecosméticos. A atividade mais promissora em termos de escala e valor é a extração de madeira de lei com manejo sustentável. O Brasil é o país com maior potencial no mundo para

A Zona Franca de Manaus é um pólo industrial consolidado

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Os avanços da biotecnologia da floresta dependem...

produtos de madeira tropical dura e os avanços em gestão de florestas e certificação nos permitem superar as principais restrições, que são de ordem ambiental. Falta avançar nos estágios mais avançados do beneficiamento, como a produção de móveis de luxo, em que design e redes de distribuição internacionais são cruciais.

Mas a grande fronteira de médio e longo prazo é a exploração do patrimônio genético da floresta. Os avanços da biotecnologia da floresta dependem de duas ordens de fatores: a definição de um marco legal que assegure estabilidade aos empresários e justa compensação aos detentores de conhecimento tradicional é a primeira. A segunda é um esforço de

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Grande fronteira de médio e longo prazo é a exploração do patrimônio genético da floresta revistaamazonia.com.br

desenvolvimento de capacidade científica, inclusive na própria Amazônia. Em todo o mundo, a pesquisa básica e a formação de pessoal são subsidiados pelo Estado. É também importante estar alerta para as possibilidades de parceria com grandes institutos de pesquisa internacionais, que permitiriam aos centros nacionais e amazônicosaprendereavançarempoucotempo. Em suma, o período de governo que se encerra em 2010 trouxe de volta a Amazônia ao centro das prioridades nacionais. Gargalos históricos de infraestrutura foram e estão sendo solucionados. Questões antes vistas como intratáveis, como a regularização fundiária, estão sendo superadas com imprevista facilidade. O elevado desmatamento, cujas repercussões nacionais e internacionais ameaçavam o desenvolvimento da região, está sendo controlado de forma consistente. Talvez mais importante ainda seja o inédito processo de diálogo com o Governo Federal, construído pela iniciativa e mobilização dos governadores da Amazônia. Numa região onde é tão difícil a presença do estado, mais que em qualquer outra, a cooperação federativa é absolutamentecrucial. Muitoháquesefazer.AAmazôniaéaindamaispobredo que o resto do Brasil e uma estrutura econômica diversificada e intensiva em inovação ainda está por se construir. Mas é encorajador que tenhamos avançado tanto em tão pouco tempo. Mostra que podemos e devemosserambiciososnospróximosanos.

(*) Ministro Chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos e Secretário de Desenvolvimento Sustentável da SAE

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A Dengue em 2010 coloca 2011 em alerta

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Levantamento de Índice Rápido de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa) 2010, apresentado recentemente em Brasília, pelo ministro da Saúde, José GomesTemporão mostrou que de janeiro até 16 outubro, foram registrados 936.260 casos contra 489.819 no ano passado. No mesmo período, a doença levou à morte 592 pessoas. Em 2009, foram 312 casos fatais. O número de mortesprovocadaspeladenguenoPaísaumentou89,7% esteanodeacordocomoLIRAa2010. O levantamento revela ainda que 15 municípios estão em risco de surto da doença e 123, em situação de alerta. São 11 cidades no Nordeste, três no Norte e uma no Sudeste. Nessas regiões, mais de 3,9% dos imóveis pesquisados apresentam larvas do mosquito. Outros 123 municípios, dos quais 11 capitais, estão em situação de alerta. Neles, entre 1% e 3,9% dos imóveis analisados registram infestação. E 162 cidades apresentamíndicesatisfatório,abaixode1%.

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Segundo o Ministério, a metodologia permite identificar onde estão concentrados os focos do mosquito. Neste ano, 425 cidades estavam programadas para participar do LIRAa. Ano passado, foram 169. Do total de municípios

previstos para 2010, 300 já enviaram as informações ao MinistériodaSaúdeatéomomento.Emoutras118cidades, o estudo está em andamento – e sete inicialmente previstasdecidiramnãorealizarolevantamento.

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Entre as capitais, 11 estão em situação de alerta – Salvador,Palmas,RiodeJaneiro,Maceió,Recife,Goiânia, Aracaju, Manaus, Boa Vista, Fortaleza e Vitória. Essas cidades (e todas as outras em situação de alerta) merecem total atenção, pois qualquer descontinuidade nas ações de controle pode alterar o quadro para situaçãoderisco. Outras dez capitais apresentam índice satisfatório – Macapá, São Luís,Teresina, João Pessoa, Brasília, Campo Grande,PortoAlegre,Florianópolis,BeloHorizonteeSão Paulo. E quatro (Belém, Natal, Curitiba e Cuiabá) estão consolidandoosdados.

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José Gomes Temporão, ministro da Saúde

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Campanha

A divulgação do LIRAa 2010 é simultânea ao lançamento da Campanha Nacional de Combate à Dengue para reforçar o alerta que vem sendo feito pelo do Ministério da Saúde desde setembro. O governo afirma que pretende elevar o tom de alerta, com o testemunho de pessoas que tiveram a doença, além de utilizaroscasosdeóbitoparareforçaroapelo. “Embora o grau de conhecimento das pessoas sobre a Giovanini Coelho, coordenador do Programa Nacional de Controle da Dengue

“Cada vez mais, precisamos difundir a idéia de que dengue não é um problema só da saúde e nem só dos governos. Se a comunidade não se envolver, e se não houver a articulação com outros setores, continuaremos enfrentando aumento de casos e de mortes por dengue no Brasil”, afirma o secretário deVigilância em Saúde do MinistériodaSaúde,GersonPenna. Para o verão de 2011, o Ministério aponta dez estados brasileiros com risco muito alto de epidemia: Amazonas, Amapá, Maranhão, Ceará, Piauí, Paraíba, Pernambuco, Sergipe, Bahia e Rio de Janeiro. Esses estados receberão a visita do ministro da Saúde, José GomesTemporão, nas próximas semanas, para mobilizar gestores e profissionaisdesaúdeeveículosdecomunicação.

} Cenário nacional Em 2010, até 16 de outubro, foram notificados 936.260 casos de dengue clássica no país, dos quais 14.342 foram classificados como graves. O número de mortes foide592. A recirculação do sorotipo DENV-1, que havia

predominado no país no final da década de 90, está entre os fatores que contribuíram para o número de casos em 2010. Em quase todos os estados, há um grande contingente populacional sem imunidade a esse sorotipo. Isto, aliado aos altos índices de infestação revelados pelo LIRAa 2009, representou um cenário favorável à transmissão da dengue em grande escala no Brasilnesteano. Além disso, a manutenção de condições precárias de saneamento básico e a irregularidade da coleta de lixo em muitos municípios brasileiros impedem a redução dosíndicesdeinfestaçãopelomosquitoAedesaegypti. “A falta de abastecimento de água obriga as pessoas a armazenarem em caixas d'água, tonéis e latões, sem a devida proteção. O lixo acumulado também abastece o ambiente, de forma permanente, com vários criadouros ideais para a fêmea do mosquito colocar seus ovos”, explica o coordenador do Programa Nacional de ControledaDengue,GiovaniniCoelho. Saibamaisnolink: http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/aprese ntacao_final_liraa_241109.pdf

doença e a prevenção seja alto, em torno de 96%, o brasileiro sabe que tem papel fundamental na eliminação dos focos do mosquito, o que ainda é um desafio no Brasil. Prova disso é o resultado do LIRAa deste ano. Nessa lógica, ganham força duas mensagens fundamentais: que os governos e os cidadãos devem fazer, juntos, a sua parte e que a eliminação de criadouros deve ser algo rotineiro", assevera o ministro JoséGomesTemporão. A mudança no enfoque da campanha, segundo o Ministério, foi baseada no resultado de uma pesquisa de opinião, realizada pelo governo, que revelou uma resistência das pessoas em mudar seu comportamento, embora96%saibamquaisossintomasdadengueecomo fazer para combater o mosquito transmissor. A mensagem de 2009,“Brasil unido contra a dengue”, foi substituída por outra,“Dengue:sevocêagir,podemosevitar”. revistaamazonia.com.br

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Os novos compromissos firmados na

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Cúpula dos ODMs M

ais de 150 Chefes de Estado e centenas de líderes de organizações da sociedade civil, fundações e setor privado se reuniram recentemente em NovaYork, nas Nações Unidas, na Cúpula das Nações UnidassobreosObjetivosdeDesenvolvimentodoMilênio (ODM) terminou com a adoção de um plano de ação global para alcançar as oito metas até a data limite de 2015 e o anúncio de novos e importantes compromissos para a saúde das mulheres e das crianças, entre outras

iniciativascontraapobreza,afomeeasdoenças. O documento final da cúpula, intitulado Cumprindo a promessa: Unidos para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, reafirma o compromisso dos líderes mundiais em relação aos ODMs e estabelece uma agenda de medidas concretas para alcançar as metasaté2015. Baseado em exemplos de sucesso e lições aprendidas ao longo dos últimos dez anos, o documento enuncia medidas concretas a serem tomadas por todos os

parceiros para acelerar o progresso em cada um dos oito objetivos. Ele também afirma que, apesar dos contratempos devido à crise econômica e financeira, progressos têm sido feitos no combate à pobreza, aumento das matrículas escolares e melhoria da saúde emmuitospaíses. Uma série de outros compromissos significativos relacionados a cada um dos oito objetivos foi feita por governos, organizações internacionais e representantes deempresas.Aseguir,osprincipaisdeles:

famílias mais pobres e aquelas mais vulneráveis da classe média. A iniciativa "Monster.com" está empenhada em expandir o acesso a oportunidades de emprego para a juventude rural na Índia, promovendo o acesso à Rozgarduniya.com, um portal de empregos na internet, presente em 40 mil aldeias em nove estados da Índia.

Objetivo 1:

a Pobreza } Erradicar Extrema e a Fome

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O Banco Mundial vai reforçar o apoio à agricultura entre US$ 6 bilhões e US$ 8 bilhões por ano durante os próximos três anos, acima dos US$ 4,1 bilhões anuais anteriores a 2008, no contexto do Plano de Ação Agrícola para ajudar a aumentar a renda, a segurança do emprego e a segurança alimentar nos países menos desenvolvidos. A Coreia do Sul prometeu US$ 100 milhões em apoio à segurança alimentar e à agricultura nos países em desenvolvimento. O Chile anunciou uma "Iniciativa de Renda Ética da Família", a ser lançada em 2011, para complementar a renda das

O Earth Institute Instituto Terra , a Ericsson e o Millennium Promise lançaram o "Conectado para Aprender", uma iniciativa sem fins lucrativos de educação global para melhorar o acesso e a qualidade do ensino secundário para as crianças em todo o mundo, especialmente para as meninas. A iniciativa oferecerá bolsas de estudo de três anos em escolas secundárias, abrangendo despesas escolares, livros, uniformes, bem como acesso à tecnologia de banda larga. As primeiras 100 bolsas serão disponibilizadas nas Aldeias do

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o Ensino } Atingir Primário Universal Objetivo 2:

O Banco Mundial vai aumentar a concessão de investimentos na educação básica em US$ 750 milhões, com foco em países que não estão no bom caminho para alcançar os ODMs até 2015, especialmente na África Subsaariana.

Objetivo 3:

Promover a Igualdade de Gênero e o Fortalecimento da Mulher

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Milênio em Gana e na Tanzânia. A UPS International: prometeu US$ 2 milhões para a Associação Mundial das Guias e Escoteiras, para o fortalecimento das mulheres por meio de liderança e programas de sustentabilidade ambiental em 145 países. A ExxonMobil se comprometeu com US$ 1 milhão em uma parceria com a Associação de Empreendedores Sociais Ashoka: Ashoka Changemakers , o Conselho Internacional do Laboratório de Pesquisa sobre Mulheres e Mercados Emergentes para apoiar tecnologias que ajudam as mulheres a aumentar sua produtividade e participar mais eficazmente na economia. O programa deverá beneficiar diretamente mais de 13.500 pessoas, com benefícios indiretos, atingindo mais de 475 mil nos próximos dois anos.

Objetivo 4:

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Reduzir a Mortalidade Infantil, e Objetivo 5: Melhorar a Saúde Materna

ao longo dos próximos cinco anos, por meio da Iniciativa "Muskoka" para a saúde materna, neonatal e infantil, adotada na Cúpula do G8. Trinidad e Tobago anunciou o lançamento do Fundo para a Vida das Crianças, para a prestação de cuidados de emergência médica e cirúrgica de crianças para procedimentos médicos que não podem ser acessados em Trinidad e Tobago. Os hospitais LifeSpring estão comprometidos em fornecer a cerca de 82 mil mulheres indianas e suas famílias acesso aos cuidados de saúde de qualidade. Nos próximos cinco anos, a LifeSpring irá aumentar o número de hospitais que servem às mães e crianças em toda a Índia de 9 para 200, o que vai melhorar os padrões globais de cuidados e reduzir as taxas de mortalidade materna e infantil.

Criação de um fundo orçado em US$ 40 bilhões (o equivalente a R$ 68 bilhões) para cuidar da saúde de mulheres e crianças no mundo. Os recursos serão aplicados nos próximos cinco anos no intuito de preservar 16 milhões de vidas e garantir o cumprimento de parte dos ODMs. A ONU explicou que os US$ 40 bilhões foram prometidos por governos, grupos privados e instituições filantrópicas. O Canadá reafirmou o compromisso de mobilizar mais de US$ 10 bilhões do G8 e dos líderes fora do G8, principais doadores e fundações privadas,

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de purificação de água em Bangladesh e com a expansão de sua atual rede de estações de tratamento de água para outros 100 vilarejos na Índia, oferecendo acesso à água potável para 175 mil pessoas em comunidades com pouco acesso a este recurso natural em Bangladesh e na Índia. A PepsiCo se comprometeu a garantir o acesso à água potável para três milhões de pessoas em todo o mundo até 2015.

}

Objetivo 6:

Combater o HIV/AIDS, Malária e Outras Doenças

A França anunciou um financiamento de US$ 1,4 bilhão para o Fundo Global de Combate à Aids, Tuberculose e Malária para 2011-2013, o que representa um aumento de 20%. É a primeira de uma série de promessas esperadas antes da reunião do Fundo Global prevista para os dias 4 e 5 de outubro. Nota: 46% deste compromisso (a parcela diretamente atribuível à saúde das mulheres e crianças) está incluído nos US$ 40 bilhões para a Estratégia Global para a Saúde das Mulheres e das Crianças. O Reino Unido anunciou que triplicará sua contribuição financeira para combater a malária, aumentando os seus fundos para o combate à doença de £150 milhões por ano para £500 milhões até 2014;O Banco Mundial anunciou um aumento no escopo de seus programas de saúde baseados em resultados em mais de US$ 600 milhões até 2015, como forma de ampliar serviços essenciais de saúde e nutrição, bem como reforçar os sistemas de saúde subjacentes em 35 países, especialmente no Leste da Ásia, Sul da Ásia e África Subsaariana. A Sumitomo Chemical se comprometeu a doar 400 mil redes antimalária para cada uma das Aldeias do Milênio entre 2010 e 2011. A medida dá continuidade à doação anterior, em 2006, de 330 mil redes. 46 REVISTA AMAZÔNIA

}

Objetivo 7:

Garantir a Sustentabilidade Ambiental

Os Estados Unidos anunciaram um compromisso de pouco mais de US$ 50 milhões nos próximos cinco anos para uma Aliança Global para Fogões de Cozinha Limpos, uma parceria público-privada liderada pela Fundação das Nações Unidas que pretende instalar 100 milhões de fogões de queima limpa nas cozinhas de todo o mundo. Camarões anunciou um Programa de Desenvolvimento do Setor de Energia para dobrar a produção de energia limpa até 2015 e triplicá-la até 2020; A WaterHealth International se comprometeu com a construção de 75 usinas

}

Objetivo 8:

Parceria Global para o Desenvolvimento

A União Europeia ofereceu um financiamento no montante de 1 bilhão para os países mais necessitados em fazer avançar os objetivos. A Bélgica prometeu 400 mil para a Quarta Conferência das Nações Unidas sobre os Países Menos Desenvolvidos, que será realizada em Istambul, na Turquia, em 2011.

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Lula discursa durante reunião do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, no Palácio do Planalto, a sua esquerda o secretário-executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, Luiz Pinguelli Rosa

Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas Fotos: Antonio Cruz/Abr e Ricardo Stuckert / PR

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areunião,opresidenteLuizInácioLulada Silva demonstrou ceticismo com a COP16 (Conferência do Clima que será realizadaemdezembro,emCancún). Lula disse que irá ao México, mas duvida que reúna presidentes de países grandes como a COP-15, que ocorreu em dezembro passado na Dinamarca e não teve grandesresultados. "Eu não espero que os grandes líderes do mundo compareçam porque eu acho que como não tem acordo, possivelmenteninguémqueiraseexpor",disse. O presidente lembrou dos problemas enfrentados na conferência do ano passado e criticou os Estados Unidos por não levarem propostas e metas de redução de emissãodeCO2. "O Brasil era o único país que tinha evoluído e feito uma proposta e que estava disposto a cumprir suas metas. O restante, era cada um tentando desfazer os compromissos que tinham assumido há algum tempo atrás. Os americanos não queriam fazer absolutamente nada",afirmou. Lula disse que apesar da falta de resultados globais, o Brasil deve se orgulhar do trabalho feito pelo governo na área. Segundo ele, a meta anunciada de redução de 80% do desmatamento no país até 2020 será antecipadaemquatroanos. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse revistaamazonia.com.br

que "as expectativas são modestas" para a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP16), que será realizada entre os dias 29 de novembro e 10 de dezembro em Cancún, no México. A declaração foi feita durante discurso do ministro na reunião do Fórum de Mudanças Climáticas realizada no Palácio do Planalto, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula daSilva. Amorim, entretanto, afirmou que avanços são possíveis para a reunião e que o Brasil chegará ao encontro com "moral elevada". "O Brasil apresentou muitos avanços em Copenhague. Diferentemente de outros países, o Brasil não se escondeu atrás de ninguém e tomou uma posição de vanguarda", disse Amorim, referindo-se à última reunião da COP ocorrida em dezembro do ano passado,naDinamarca. Amorim afirmou que, apesar das críticas à reunião de Copenhague pelos países não terem chegado a um acordo mais amplo para a redução das emissões, o encontrodoanopassado"nãofoiumfracassototal". O ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, informou que as emissões brasileiras de gases de efeito estufa aumentaram cerca de 60% entre 1990 e 2005, passando de 1,4 gigatoneladas para 2,192 gigatoneladas de dióxido de carbono (CO2) equivalente (medidaqueconsideratodososgasesdeefeitoestufa). O novo inventário nacional de emissões será apresentado à Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas antes da próxima Conferência das Partes (COP), em novembro, em Cancún, no México. O

balanço faz parte da Segunda Comunicação Nacional à Convenção --um relatório do que o Brasil tem feito para mitigarascausaseatenuarosimpactosdoaquecimento global. O desmatamento ainda é o principal vilão das emissões nacionais de gases de efeito estufa. O setor de mudança nousodaterraeflorestaséresponsávelpor61%dototal de emissões. A agricultura aparece em seguida, com 19% das emissões nacionais e o setor de energia é responsávelporoutros15%. O inventário também contabiliza emissões da indústria e do tratamento de resíduos, responsáveis por 3% e 2% dototalnacional,respectivamente. Rezende também apresentou uma estimativa das emissões brasileiras em 2009, que não será levada à ONU. Pelos cálculos, no ano passado, o Brasil teria emitido1,775gigatoneladasdeCO2equivalente,33%a menos que em 2005. A queda, segundo o ministro, se deve principalmente à redução do desmatamento na Amazônia nos últimos anos, somada à manutenção do níveldecrescimentodeemissõesnosoutrossetores. Lula e José Machado, ministro interino do MMA durante Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas

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Plano de Desenvolvimento Sustentável do Xingu – PDRS

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m uma cerimônia acompanhada por cerca de mil pessoas, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, assinou no Hangar - Centro de Convenções e Feiras da Amazônia, o decreto que cria o Plano de Desenvolvimento Sustentável (PDRS) do Xingu. Lula veio à capital paraense acompanhado de ministros e parlamentaresestaduaisefederais. O PDRS visa promover o desenvolvimento sustentável da Região de Integração do Xingu, a partir da união de políticas públicas desenvolvidas pelos três níveis de governo: federal, estadual e municipal. O que se espera, apartirdoplano,éincentivarasatividadeseconômicase sociais, com o ordenamento territorial e fundiário e investimentoseminfraestrutura. A Região de Integração do Xingu, com uma extensão Parlamentares e lideranças da região do Xingu participaram da solenidade, realizada no Hangar

territorial de 250,8 km, compreende os municípios de Altamira, Anapu, Brasil Novo, Medicilândia, Pacajá, Placas, Porto de Moz, Senador José Porfírio, Uruará e VitóriadoXingu.

Novo modelo A ministra do Meio Ambiente, Izabela Teixeira, afirmou que o plano, além de assegurar o desenvolvimento do Xingu, "é uma nova forma de política pública que o Brasilestáimplementando".

Presidente Lula assina o decreto de criação do Plano de Desenvolvimento do Xingu, que prevê investimentos em obras como a Usina de Belo Monte

Na ocasião, foi assinado o decreto que cria o Conselho Gestor do Plano de Desenvolvimento Sustentável do Xingu, que será responsável pela definição dos investimentos assegurados para a implementação do PDRS. O Conselho Gestor do Plano do Xingu é formado por representantes dos governos federal, estadual e

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Lula acompanhado de Guilherme Cassel, Izabela Teixeira, Luiz Dulci, Marcio Meira...

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municipal, e de outras instituições. Os recursos - R$ 500 milhões para a implantação do Plano e R$ 1,5 bilhão para investimentos até 2013 - vão preparar a região para as profundas transformações de ordem demográfica, econômica e social previstas para os próximos 20 anos, com a execução de grandes projetos de infraestrutura, como a Usina Hidrelétrica de Belo Monte e a pavimentação das RodoviasTransamazônica (BR-230) e Cuiabá-Santarém(BR-163). "O Conselho Gestor ajudará, a partir de Belo Monte, trabalhar com um novo modelo de desenvolvimento no Brasil", enfatizou o presidente Lula. Ele lembrou que é precisocomeçarcomexemplos,comoodoXingu. Segundo o presidente, é importante o governo trabalhar com todo o potencial disponível e as parcerias, para dar condições de emprego e renda à população. "É a única chance de ter sucesso total e a preservação da Amazônia, e ao mesmo tempo oferecer condição de desenvolvimentoeconômicosustentável",concluiu.

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TEDx Amazônia:

uma experiência de vida Qualidade de Vida para todas as espécies do Planeta Fotos Bruno Fernandes

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m um auditório flutuante no Rio Negro, Amazônia, 500 pessoas se reuniram para ouvir 51 palestras de pessoas tão incríveis quanto diferentes. Palhaço, dançarina, surfista, economista, cientista, brasileiros, peruanos, americanos e até finlandeses apresentaram projetos que contribuem de alguma forma para a“Qualidade deVida paratodasasespéciesdoPlaneta”. Estar Melhor foi o tema do primeiro bloco de palestras que deve como destaque as apresentações do pernambucano Antônio Nóbrega que logo no início colocou toda a platéia para dançar Ciranda. E da bióloga paulista Deise Nishimura, que emocionou a todos contando como um ataque do jacaré-açu – maior predador da América do Sul – transformou a sua vida. Deise anunciou noTEDx que após um ano do ataque que lhe causou a perda da perna direita, ela está de volta ao Amazonas para estudar a preservação dos botosvermelhos. E para finalizar usou a seguinte frase:“viver não é esperar as tempestades passarem, é dançar na chuva”. (Ela não sabia, mas ao final desse primeiro bloco, uma chuva forte caiu sobre oTEDx Amazônia, colocando muitagenteparadançarnachuva). O segundo bloco teve como tema – Colaborar Melhor – e entre os palestrantes estavam Aaron Koblin, artista que tem como especialidaderepresentarasinformações artisticamente. Koblin apresentou “The Jonny Cash Project”, onde pessoas do mundo inteiro desenharam o seu próprio Jonny Cash. O projeto confirmou o potencial decolaboraçãoqueexistenainternet. Esse bloco ainda teve a apresentação de Joan Roughgarden, autora do livro Arco-Íris Evolutivo, onde Edgar Gouveia

defende que a idéia de Darwin de que as fêmeas se comportam passivamente e escolhem os machos com os melhores genes está errada. Logo após a palestra de Joan, vieram duas mulheres falando sobre partos e abortos. A primeira a falar foi a parteira Suely Carvalho. Suely apresentou o trabalho das parteiras brasileiras (no país existem mais de 60 mil parteiras que realizam cerca de 360 mil partos por ano fora dos hospitais). Ela ainda defendeu o parto normal, e criticou a quantidade de cesarianasdesnecessáriasqueocorrememtodomundo. Em seguida veio a cineasta americana Diana Whiten, que apresentou o documentárioVessel, um filme sobre a ONGWoan onWaves, entidade que ficou conhecida por organizar“barcosdoaborto”. Finalizando a primeira tarde de palestras: DIVERSÃO. O jornalista Rafael Kensky, apresentou o jogo Arkhos, um ARG (Alternative Reality Games), ou seja, um jogo de realidade alternativa que propunha que as pessoas lutassem contra uma empresa fictícia que tinha como objetivo privatizar a Amazônia. O jogo reuniu milhares de pessoas que trabalharam duro para resolver um problema que não existia. “E por que fizeram isso: diversão”. Já o arquiteto e urbanista Edgard Gouveia Jr, falou sobre a importância da diversão para mobilização das pessoas eapresentouoprojetoOasisSantaCatarina,umjogoreal que em 9 meses ajudou 6 cidades e 12 comunidades de Santa Catarina atingidas pelas fortes chuvas em 2009. Depois disso, o Oasis se tornou uma metodologia e desde que foi disponibilizada gratuitamente já ocorreram mais de 90 Oasis em todo o mundo. “Não há mais tempo apenas para heróis ou chefes, os desafios queexistemhojedependemdetodos”,finalizouele. O terceiro bloco, com o tema – Produzir Melhor, deve comodestaqueaapresentaçãodoartistaeprogramador

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de software, Zach Liberman, que apresentou o EyeWriter, projeto criado em homenagem ao artista plástico conhecido comoTempt1, vítima de uma doença conhecida como esclerose lateral amiotrófica que causou a perda de todos os movimentos do corpo. O artista respira e se alimenta com a ajuda de aparelhos e só consegue mover os olhos. Os programadores do projeto desenvolveram um software que reconhece os movimentos dos olhos deTempt1 e graças ao Eyewriter, elevoltouadesenhar.

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Rafael Kensky Joan

completamente – de ração de peixes a anchoveta tornou-sepratogourmet. O segundo dia de palestras começou com a apresentação da bailarina peruana, Nélida Silva e do jornalista peruano, Júlio Villanueva Chang que apresentou alguns perfis publicados na Etiqueta Negra, uma publicação que tem o seguinte slogan“uma revista para distraídos”. Um dos perfis apresentados foi do dentista de Gabriel García Márques, uma tentativa de saber um pouco mais sobre esse escritor que não concedeentrevistas. Outro projeto muito bacana foi apresentado por José Roberto Fonseca, o Zobe. Ele apresentou o trabalho realizado por ele no município de Baixas, no interior do Alagoas, um dos povoados mais pobres do Brasil. Ele criou o Instituto Eco Engenho que capacitou os moradores da região a fazer o cultivo hidropônico da pimenta. A região produz hoje cerca de 3 mil vidros de molho de pimenta por mês e melhorou consideravelmenteacondiçãodevidadacomunidade. Entre os destaques desse bloco está também o fotógrafo Alexandre Sequeira, que utiliza a sua câmera fotográfica para se aproximar das pessoas. Em uma visita ao vilarejo Nazeré do Bocaju, que fica há três horas de Belém, Alexandre retratou uma moradora local, que ficou encantada em se ver pela primeira vez em uma fotografia. A foto fez com que outros moradores pedissemparaseremretratados.Comaconvivênciacom

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os moradores, Alexandre teve a idéia de imprimir as fotos nos lençóis e cortinas que eram usados por eles como portas. A experiência teve um resultado incrível que a Dona Benedita, moradora local, definiu assim: “nunca imaginei que a minha cortina fosse tão parecida comigo”. O último bloco – Viver Melhor – começou com a apresentação da Orquestra Barroca da Amazônia seguida pelo paulista Paulo Sposito de Oliveira, mais conhecido como Palhaço Magnólio, um dos grandes destaques do evento. Ele apresentou o projeto Saúde e Alegria, desenvolvido atualmente nos município do Oeste do Pará – Belterra, Avieiro e Santarém. O objetivo do projeto é proporcionar através do lúdico o desenvolvimento comunitário integrado. O programa atende hoje, aproximadamente, 35 mil pessoas, principalmente as populações rurais. No TEDx AM ele também contou diversos“causos”e colocou todo mundo para dançar Thriller, do Michael Jackson, mesmo sem sabermos que estávamos fazendo isso! O TEDx Amazônia encerrou com a palestra do caçador de sons Gordon Hempton. Ele falou sobre a importância de se verdadeiramente ouvir os sons e fez um alerta: Estamos perdendoacapacidadedeouvir.

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Finalizando o primeiro dia, o bloco – Conviver Melhor – contou com uma palestra surpreendente do coletivo finlandês Demos Helsinki. Eles apresentaram no TEDxAM o manifesto pela política da felicidade que tem como objetivo criar um modelo de democracia onde a felicidade ocupe o papel central na agenda dos governos. Segundo eles, o Brasil tem potencial de ser umasuperpotênciadafelicidade. Esse bloco ainda teve a apresentação do filósofo e educador, Bernardo Toro, falou brilhantemente sobre “Saber cuidar: o novo paradigma ético da civilização”. Segundo ele “Cuidado hoje não é uma opção, ou aprendemos a cuidar ou todos vão sofrer”. E da bióloga Larissa Oliveira apresentou como a descoberta de uma nova espécie de lobo-marinho mudou a vida no Peru. Larissa descobriu uma nova espécie de leão-marinho que já estava em extinção em função de seu alimento - a anchoveta - ser totalmente utilizada para ração de peixes e o excesso de sua caça estava matando o leãomarinho.Depoisdeumagrandecampanha,apercepção do peruano sobre a importância da anchoveta mudou revistaamazonia.com.br

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Implantação de sistemas de integração lavoura-pecuária, lavoura-floresta, pecuáriafloresta ou lavoura-pecuária-floresta

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Recuperação de áreas e pastagens degradadas

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BNDES aprovou recentemente a criação do Programa ABC (Programa para Redução da Emissão de Gases de Efeito Estufa na Agricultura), para financiar ações que contribuam para a redução de emissões de gases causadores do efeito estufa geradas pela atividade agropecuária. Com orçamento de R$ 1 bilhão e taxa de jurosde5,5%aoano(custofinalparaotomador).

Detalhes do Programa ABC Objetivos Promover a redução das emissões de gases de efeito estufa oriundas das atividades agropecuárias e contribuirparaareduçãododesmatamento. As operações no âmbito do Programa ABC serão realizadas através das instituições financeiras credenciadas. Clientes Produtores rurais (pessoas físicas ou jurídicas), e suas cooperativas,inclusivepararepasseacooperados.

BNDES aprova Programa ABC de R$ 1 bi, para reduzir emissões de gases de efeito estufa na agricultura

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O Programa ABC tem como objetivo compatibilizar o desenvolvimento econômico-social com a proteção do sistema climático e a redução das emissões de gases de efeito estufa

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Ainda na audiência pública sobre os povos tradicionais

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Implantação e manutenção de florestas comerciais ou destinadas à recomposição de reserva legal ou de áreas de preservação permanente

Empreendimentosapoiáveis Investimentosfixosesemifixosdestinadosaprojetosde: ÷recuperaçãodeáreasepastagensdegradadas; ÷implantação de sistemas de integração lavourapecuária, lavoura-floresta, pecuária-floresta ou lavoura-pecuária-floresta;e ÷implantação e manutenção de florestas comerciais ou destinadas à recomposição de reserva legal ou de áreasdepreservaçãopermanente. Itensfinanciáveis ÷Poderão ser financiados os seguintes itens, desde que vinculados a projetos em conformidade com os empreendimentosapoiáveis: ÷despesas relacionadas à elaboração de projeto técnico, georreferenciamento e regularização ambiental; ÷assistência técnica necessária até a fase de maturação doprojeto; ÷aquisição, transporte, aplicação e incorporação de corretivosagrícolas(calcárioeoutros); ÷marcação e construção de terraços e implantação de práticasconservacionistasdosolo; ÷adubaçãoverdeeplantiodeculturadecoberturadosolo;

÷aquisição de sementes e mudas para formação de

pastagens,culturaseflorestas; ÷implantaçãodeviveirosdemudasflorestais; ÷operaçõesdedestoca; ÷implantação e recuperação de cercas; aquisição de energizadores de cerca; aquisição, construção ou reformasdebebedourosedesaleirosoucochosparasal; ÷aquisição de animais e sêmen de bovinos, ovinos e caprinos, para reprodução, recria e terminação, desde quenãosejamfinanciadosdeformaisolada; ÷aquisição de máquinas e equipamentos para a agricultura e/ou pecuária não financiáveis pelos programasMODERFROTAeMODERINFRA;e ÷construção e modernização de benfeitorias e de instalações. ÷Poderá ser financiado custeio associado ao investimento, limitado a até 30% do valor financiado, podendoserampliadopara: ÷até 35% do valor financiado, quando destinado à implantação e manutenção de florestas comerciais ou recomposição de áreas de preservação permanente ou de reserva legal, casos em que poderão ser incluídos como custeio os gastos de manutenção de florestas nos Adubação verde e plantio de cultura de cobertura do solo

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segundo, terceiro e quarto anos; ou ÷até 40% do valor financiado, quando o projeto incluir

a aquisição de animais e sêmen de bovinos, ovinos e caprinos,parareprodução,recriaeterminação. Taxadejuros 5,5% ao ano, incluída a remuneração da instituição financeiracredenciada,de3%aoano. ParticipaçãomáximadoBNDES Até100%. Limitedofinanciamento AtéR$1milhãoporcliente. O programa poderá apoiar investimentos fixos e semifixos destinados a projetos de recuperação de áreas e pastagens degradadas; implantação de sistemas de integração lavoura-floresta, pecuária-floresta ou lavoura-pecuária-floresta; e implantação e manutenção de florestas comerciais ou destinadas à recomposição de reservalegaloudeáreasdepreservaçãopermanente. O Programa ABC está em linha com a Política Nacional de Mudança do Clima (PNMC), que tem como objetivo compatibilizar o desenvolvimento econômico-social com a proteção do sistema climático e a redução das emissõesdegasesdeefeitoestufa. A política estabeleceu, como compromisso nacional voluntário, ações de mitigação das emissões de gases de efeitoestufa,demodoareduzirentre36,1%e38,9%as emissõesprojetadasaté2020. As normas do Programa ABC encontram-se dispostas através da Circular SEAGRI Nº 37/2010, emitida pela Secretaria de Gestão da Carteira Agropecuária (SEAGRI) noúltimodia1ºdenovembro.

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A Economia de Ecossistemas e Biodiversidade TEEB

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Fotos Joel Rocha/SMCS

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estudo da Economia de Ecossistemas e Biodiversidade (TEEB) é uma importanteiniciativainternacionalpara atrair a atenção para os benefícios da biodiversidade, para destacar o custo crescente da perda da biodiversidade e da degradação de ecossistemas e para reunir conhecimento de especialistas dos campos da ciência, economia e política, permitindo, assim, o avançodeaçõespráticas. O estudo TEEB foi lançado pela Alemanha e pela Comissão Européia em resposta a uma proposta feita pelos Ministros do grupo do G8+5 (Postdam, Alemanha 2007) com o objetivo de desenvolver um estudo global sobre a economia da perda da biodiversidade. A segunda fase do estudo TEEB está sendo promovida pelo PNUMA com apoio financeiro da Comissão Européia; do Ministério Federal para o Meio Ambiente da Alemanha; e do departamento do Reino Unido para o Meio Ambiente, Alimentação e Relações Rurais. O estudo é liderado por Pavan Sukhdev, Economista Sênior do Deutsche Bank e Diretor-fundador do projeto de contabilidade verde“GIST”(Green Indian StatesTrust) na Índia. O Sr Sukhdev trabalha atualmente junto ao PNUMA e conta com a participação de um Comitê Consultivo do TEEB, o qual inclui os principais especialistasdasáreasdeciênciaeeconomia.

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O relatório interino do TEEB, lançado em Maio de 2008, forneceu fortes evidências das significantes perdas econômicas globais e locais, e dos impactos no bemestar humano que podem ser atribuídos às progressivas perdas da biodiversidade e à degradação de ecossistemas. O relatório centraliza-se amplamente em florestas. A Fase II do estudo busca expandir o trabalho iniciado na Fase I, foi apresentada completa em Nagoya durante a 10ª Conferência de partes da Convenção sobre DiversidadeBiológica(CDBCOP-10).

A Fase II do estudo TEEB teve como objetivo: ? Integrar o conhecimento econômico e ecológico para

estruturar uma avaliação dos serviços ecossistemicos emdiferentescenários. ? Recomendar avaliações metodológicas apropriadas paradiferentescontextos. ? Examinar os custos econômicos do declínio da biodiversidade e os custos e benefícios de ações para a reduçãodessasperdas. ? Desenvolver ferramentas para tomadores de decisão a nível internacional, regional e local, visando promover o desenvolvimento sustentável e uma maior conservação dosecossistemasedabiodiversidade. ? Possibilitar o acesso fácil da comunidade empresarial a informações e a ferramentas para aprimorar suas práticasembiodiversidade–partindodaperspectivade manejo de riscos, identificação de oportunidades e avaliaçãodeimpactos. ? Intensificar a conscientização do público sobre o impacto de cada indivíduo nos ecossistemas e na biodiversidade, e áreas aonde a ação individual faz uma diferençapositiva.

Os custos da inação

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Segundo o MMA

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Segundo o diretor do Departamento de Biodiversidade do MMA, Bráulio Dias, que representou a ministra Izabella Teixeira no encontro, o relatório Ainda na audiência pública "é importante para que os gestores públicos reconheçam o valor sobre os povos tradicionais econômico da biodiversidade". Par ele, o documento pode ajudar na solução do impasse entre preservação ambiental e desenvolvimento econômico. "Mostra (o TEEB) que os serviços ambientais têm o papel de reduzir os impactos ecológicos do desenvolvimento." O documento reconhece e recorre a dados e exemplos para demonstrar que ecologia e economia não só podem, como devem, caminhar juntas nas políticas públicas. O relatório levanta, principalmente, a questão de valoração e impacto do uso e preservação dos recursos naturais. Os atuais níveis da pegada ecológica e social do homem, nome que os especialistas dão aos recursos naturais necessários para que cada ser humano viva, devem ser incluídos nas contas de planejamento das economias locais. Bráulio cita como exemplos recentes enchentes e desmoronamentos no Brasil com prejuízos econômicos elevados, e bem superiores ao que seria gasto com medidas de preservação do meio ambiente. O relatório chama a atenção em três aspectos para as quais as políticas públicas precisam estar voltadas: a distribuição dos benefícios da natureza, o uso do conhecimento científico disponível e o engajamento dos gestores e das comunidades envolvidas nas ações de preservação. O relatório estuda, ainda, áreas protegidas e o aumento dos benefícios locais da conservação, e dá orientações sobre os incentivos de recompensa da boa administração de capital natural local, tais como sistemas de pagamento localmente adaptados por serviços ambientais, certificação e rotulagem. Esse é o primeiro de uma série de cinco relatórios, levados à Convenção da Biodiversidade (COP-10) em Nagoya, no Japão. Ele contribui também para o Atlas Ambiental online da Agência Europeia de Meio Ambiente, com estudos de vários esforços que já vêm sendo feitos para associar ecossistemas e a biodiversidade nas iniciativas de políticas locais.

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Gerenciar o desejo da humanidade por comida, energia, água, medicamentos e matérias-primas, enquanto minimizando impactos adversos na biodiversidade e nos serviços do ecossistema, é o maior desafio

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Pavan Sukhdev apresentou o relatório TEEB em Curitiba revistaamazonia.com.br

Mais de 140 especialistas das áreas de ciência, economia e política de mais de 40 países em todo o mundo têm sido envolvidos na pesquisa, análise e redação do relatório TEEB para Políticas Locais e Regionais, coordenado por Heidi Wittmer do Centro de Pesquisa de Helmholtz da UFZ e Gundimeda Haripriya, do Instituto de Tecnologia da Índia.

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Map of coral reefs

encontradopelasociedadenosdiasdehoje.Aeconomia global é um sub-conjunto de uma economia maior de recursos naturais e serviços ecosistêmicos que nos sustentam. O relatório interino do TEEB traz uma perpectiva das proporções das perdas do Capital Natural que resultam do desmatamento e da degradação. Este Capital foi estimado em cerca de US$2 – 4.5 trilhões por ano, todos os anos – um custo alarmante oriundo da faltadeconsideraçãoaomeioambiente.

A oportunidade Estima-se que, para um investimento anual de US$45 bilhões somente em áreas protegidas, pode-se assegurar a prestação de serviços ecossistêmicos correspondeacercadeUS$5trilhõesporano. Quando comparado com as atuais perdas financeiras do mercado, este não é um valor alto a ser pago. O manejo efetivo do ecossistemas e da biodiversidade e a inclusão do Capital Natural na contabilidade governamental e empresarial, pode começar a corrigir esta inação e a reduziroscustosdeperdasfuturas. Medidas tomadas agora não só estabelecem uma base para um maior estímulo da economia verde, mas também podem ajudar a responder às necessidades dos pobres das áreas rurais, que são particularmente dependentes do bom funcionamento dos ecossistemas

Durante o Simpósio Internacional da ONU sobre Economia de Ecossistemas e Biodiversidade no Parque Barigui em Curitiba

locaiseregionais. Conscientização e compreensão do valor econômico dos ecossistemas e da biodiversidade é o primeiro passo para melhorar o desempenho dos negócios, criando políticas efetivas e implementando ações a nível local, regionalenacional.

O relatório destaca a dependência que as cidades têm da natureza, e ilustra como os serviços dos ecossistemas podem oferecer soluções eficazes para os serviços municipais. Mostra também como, no desenvolvimento rural e na gestão dos recursos naturais, os serviços ecossistêmicos com alto valor de mercado muitas vezes são promovidos em detrimento dos serviços de regulação que são igualmente importantes, mas menos óbvios. Investiga, ainda, quadros de planejamento e avaliações de impacto ambiental que podem incluir de forma proativa um forte foco em serviços de ecossistemas e identificar o potencial econômico dessa mudança de abordagem. Ademais, o relatório TEEB para Políticas Locais e Regionais também estuda áreas protegidas e o aumento dos benefícios locais da conservação, e oferece orientação sobre os incentivos de recompensa da boa administração de capital natural local, tais como sistemas de pagamento localmente adaptados por serviços ambientais, certificação e rotulagem.

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Geographical distribution of tropical forests

Produtos Planejados para a Fase II OTEEBbuscademonstrarcomoaeconomiapodeserum poderoso instrumento nas políticas de biodiversidade, tanto através do apoio aos processos de decisão e como na construção de discursos entre ciência, economia e estruturas governamentais. O uso legítimo e eficaz de instrumentos econômicos na conservação da biodiversidade depende da sua correta aplicação e interpretação. Vários produtos para tornar isso possível estão previstos para a Fase II, todos se beneficiando do atual processo de colaboraçõeseinsumosinternacionais. ? Para tomadores de decisão e administradores: Um“kit de ferramentas políticas” que oferece orientações para tomadores de decisão, abrangendo subsídios e incentivos, responsabilidade social, infra-estrutura de mercado,contabilidadedarendanacional,análise ?de custo-benefício, análise de custo-eficácia, e métodos de implementação de Pagamento por Serviços Ambientais (PES) e Repartição de Acesso e Benefícios (ABS).

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? Para Empresas: Informações sobre como quantificar,

mitigar ou compensar impactos corporativos nos ecossistema e na biodiversidade. Estudos de caso de modelos de empresas de sucesso que reconhecem o valordosserviçosdoecossistemaedabiodiversidade. ? Para Cidadãos: Informações sobre o valor dos ecossistemas e da biodiversidade; exemplos de como reduzir os próprios impactos na natureza e influenciar produtoresatravésdedecisõespessoaisdeconsumo.

Para maiores informações sobre TEEB acesse: www.teebweb.info Escritório TEEB UNEP, Bonn Tel: + 49 228 815 0570 E-mail: Mark.schauer@unep-teeb.org TEEB Imprensa e Comunicação UNEP, Bonn Tel: + 49 228 815 0572 E-mail: georgina.langdale@unep-teeb.org

Depoimentos sobre o estudo TEEB «Esse trabalho é um avanço na valorização da biodiversidade. Muitos pontos discutidos aqui servirão de referências para novos marcos legais", destacou o secretário de Relações Internacionais de Curitiba, Eduardo Guimarães. «As principais mudanças precisam ocorrer na sociedade. O bem ambiental precisa se transformar em bem social. Gestão ambiental e inclusão social são elementos chaves para alcançar as metas estipuladas", afirmou Carlos Eduardo Young, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O relatório do TEEB explora e dá dicas práticas de como lidar com o desafio de perda de biodiversidade em nível local e regional, examina ações que governos locais podem tomar quanto ao uso e gestão de recursos naturais, manutenção de biodiversidade, arquitetura urbana como também ferramentas de mercado como Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA). Além de servir para formuladores de políticas locais e regionais, a informação contida no relatório também é interessante para Organizações Não Governamentais, agências reguladoras e ao sistema jurídico. O TEEB é uma iniciativa internacional para despertar a atenção aos benefícios e os custos das perdas de biodiversidade. REVISTA AMAZÔNIA 57

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43º Congresso e

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Exposição Internacional de

Celulose e Papel O evento contou com a presença de 12 mil visitantes à exposição cerca de 800 profissionais qualificados no Congresso

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m sintonia com a retomada de investimentos no setor de celulose e papel, que no Brasil deverá contar com dez novas fábricas até meados de 2020, o ABTCPTAPPI 2010 – 43º Congresso e Exposição Internacional de Celulose e Papel superou os números registrados nas edições anteriores. Este ano, o evento contou com a presençade12milvisitantesde25paísesnaexposiçãoe decercade800profissionaisqualificadosnocongresso. Na abertura da edição deste ano, a ABTCP – Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel apresentou de forma inédita os resultados de uma Sondagem Setorial realizada junto a 26 empresas associadas, que representam um universo de 53 companhias, e entre as quais se incluem as maiores e mais representativas do setor. Esse levantamento confirma que as perspectivas positivas de mercado estão estimulando a retomada dos investimentos nos diversos segmentos da cadeia

produtiva. Do total das empresas entrevistadas, 92,3% delasampliaramosinvestimentosem2010. No que se refere à exposição, o ABTCP 2010 contou com 167 expositores de diversos países, distribuídos em uma área de 7 mil m². Para o ano que vem, a expectativa da ABTCP é incrementar o espaço destinado à feira.“Cerca de 75% das áreas disponíveis já foram comercializadas, o que confirma o interesse do setor em buscar novas tecnologias e intercâmbio de conhecimento neste que é o maior e mais representativo evento de celulose e papel em toda a América Latina”, afirma Lairton Leonardi, presidentedaABTCP.Aediçãode2011játemdataelocal definidos: está programada para a primeira semana de outubro,entreosdias3e5,noTransaméricaExpoCenter, emSãoPaulo. ParaAfonsoMoraesdeMoura,gerentetécnicodaABTCP, a visitação ao evento técnico também superou todas as expectativas da entidade.“Apostamos em um simpósio sobre tissue paralelo ao nosso tradicional congresso, já que esse segmento de mercado está em franca

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expansão e receberá grande parte dos investimentos previstos para os próximos anos”.Eleadiantaaindaquea ABTCP pretende manter o modelo, que possivelmente trará o segmento de papéis para embalagens como motedosimpósiode2011. “Apesar de o evento ter sido Afonso Moraes de Moura, resumido a três dias, tivemos gerente técnico da ABTCP um aumento substancial no número de visitações diárias em relação ao ano passado”, comemora o presidente da ABTCP, ao observar que este ano a média diária foi de 4 mil pessoas, em comparação às 3.250 pessoas/ dia que visitaram o eventoem2009. “Chegamos ao final do ABTCP 2010 com a certeza de termos cumprido a nossa missão de promover o desenvolvimento técnico e tecnológico do setor. Nossa

O ABTCP 2010 contou com 167 expositores de diversos países, distribuídos em uma área de 7 mil m²

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indústria está cada vez mais empenhada em melhorar os processos produtivos, não só por necessidades mercadológicas, mas também para garantir a sustentabilidade das operações de toda a cadeia produtivaededistribuição”,conclui. Larry Montague, presidente da TAPPI, destaca que os participantes aprenderam novas formas de melhorar a eficiência de sua empresa, encontrando soluções para problemas comuns e estabelecendo contatos permanentes e preciosos. “Foi uma experiência muito diferente das outras edições em que também participamos como associação parceira. O excelente nível dos debates e trabalhos apresentados, assim como as notáveis inovações tecnológicas expostas, surpreendeu”,destaca.

toda a cadeia de produção e distribuição. Já durante a mesa redonda sobre Eficiência Energética, especialistas do setor defenderam a implementação de mecanismos de incentivo por parte do governo e da iniciativa privada – por meio de acordos voluntários – para viabilizar a adoção de

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Larry Montague, presidente da TAPPI

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A busca por soluções sustentáveis ditou o tom dos debates Um dos destaques da programação técnica do ABTCP 2010 foi a mesa redonda que apresentou os resultados da Consolidação dos Inventários de Carbono das empresas do setor, trabalho realizado pela ABTCP em parceria com a Fábrica Éthica. O estudo mostra que, considerando todos os tipos de emissões diretas e indiretas, a indústria de celulose e papel resgata pelo menos dez vezes mais CO2 do que o total que emite em Este ano, o evento contou com a presença de 25 países na exposição e de cerca de 800 profissionais qualificados no congresso

práticas que fomentem uma melhor eficiência energética nos processos produtivos desta indústria. Com esses incentivos em prática, o setor pode alcançar uma receita adicional de US$ 985 milhões ao ano, revendendo à rede de transmissão o adicional gerado pelas empresas de celulose e papel, ou seja, um incrementodaordemde19%. O Seminário Internacional sobre Biorrefinaria trouxe informações detalhadas sobre experiências-piloto que foram bem-sucedidas em países como Suécia, Finlândia e Estados Unidos, e que podem ser replicadas no mercado brasileiro. De acordo com os especialistas que participaramdoevento,essesprojetospodemcontribuir com o aumento da produtividade da fabricação da celulose, permitir a obtenção de subprodutos destinados a outros setores, como a indústria têxtil e alimentícia,ereduziraemissãodeCO2.

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Sustentabilidade não é só sobre desmatamento e emissão de poluentes

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Durante encontro com especialistas do setor de Construção Civil, Fecomercio destaca a necessidade de adotar práticas de construção sustentável na organização das cidades, gerando riqueza, qualidade de vida e inovação

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Construção Civil não gera resíduos nocivos para a vida humana, no entanto é responsável pelo consumo de 75% dos recursos naturais do planeta. Frente a esta realidade, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de São Paulo (Fecomercio), realizou recentemente, um encontro com especialistas do setor para debater a importância de se adotar práticas de construçãosustentávelnaorganizaçãodascidades. Segundo o presidente do Conselho de Sustentabilidade da Fecomercio, José Goldemberg, além do consumo de recursos naturais, a falta de planejamento e de investimento em projetos são os fatores que mais contribuem para o elevado gasto do setor. “Falta racionalidade na construção”, critica. Goldemberg ainda comenta que além do consumo de recursos naturais, “aproximadamente 40% da energia gasta no mundo é destinada a construção e ao funcionamento de casas e apartamentos”. Já o pró-reitor de pós-graduação da Universidade de São Paulo (USP), Vahan Agopyan, defende que grande parte dos recursos consumidos pela construção civil são, na verdade, desperdiçados. Um problema que poderia ser reduzido se não houvesse tantas obras informais. “Quase metade do que ocorre na construção civil é informal e 15% dos empregos de mão de obra são ocupados por trabalhadores não qualificados”, aponta Agopyan. Entretanto, o pró-reitor da USP destaca que não existe solução e relata que a questão do desperdício é somente uma parte do problema que envolve tanto a qualidade de vida para a população das cidades, quanto a preservação do meio ambiente. “Quando eu comecei a estudar engenharia, usávamos madeira do Paraná. Quando me formei, a madeira vinha do Mato Grosso. Quando voltei da especialização na Europa, a madeira José Goldemberg, presidente do Conselho de Sustentabilidade da Fecomercio

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Sustentabilidade não é só sobre desmatamento e emissão de poluentes

era tirada do Pará”, Agopyan lamenta, “agora estamos trabalhando para acabar com a única floresta que ainda existe,aAmazônica”. ParaoarquitetoCarlosLeite,professordaFundaçãoDom Cabral (FDC), as cidade precisam se reinventar. “Não é possível manter o padrão de vida da classe média americana, para isso seriam necessários sete planetas Terra”, afirma. Leite acredita que uma cidade inteligente e sustentável precisa ter uma concentração muito grande de habitantes, que devem poder trabalhar e encontrar um mix de serviços – saúde, educação, cultura – de qualidade na região em moram. Tudo de forma compacta. “Cidades compactas concentram diversidade, oportunidade, conhecimento e cultura”, comenta, “otimizando a infraestrutura com redes policêntricas conectadas por sistemas de transporte eficientes”. Leite ainda afirmou que cidades organizadas desta forma,'pensadasparadentro', possibilitamareduçãodo

consumo de recursos naturais e de energia enquanto propiciam a produção riqueza e, principalmente, inovação. “Essas cidades são os motores da nova economia, gerando desenvolvimento aliado a sustentabilidade. Mas uma cidade assim só se viabiliza pela ação da sociedade civil organizada, apoiada por empresáriosebonsgestorespúblicos”,conclui. Vahan Agopyan, pró-reitor de pósgraduação da Universidade de São Paulo (USP)

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Estudo brasileiro sobre energia renovável é premiado na Índia

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Goldemberg ganha prêmio Ernesto Illy

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osé Goldemberg, do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo e presidente do Conselho de Estudos Ambientais da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio) e reconhecido especialista em energia, que ajudou a lançar as fundações científicas para o programa brasileiro de biocombustíveis, é o ganhador do Prêmio de Ciência de Trieste Ernesto Illy. A distinção foi entregue em Hyderabad (Índia), pelo primeiroministrodopaís,ManmohanSingh. O prêmio, no valor de US$ 100 mil, é concedido anualmente a pesquisadores de países em desenvolvimento por contribuições importantes à ciência e tem o apoio da Illycaffè, da Fundação Ernesto Illy e da Academia de Ciências do Mundo em Desenvolvimento(TWAS). “Esse prêmio concede uma satisfação muito grande. É um reconhecimento sério, que vem de cientistas que partilham e identificam o real valor da pesquisa, sem qualquerinteressepolítico”,disseGoldemberg. Um dos maiores especialistas em energia no mundo, Goldemberg é conhecido defensor do uso de novas tecnologias para promover o desenvolvimento sustentável. Em artigo publicado na revista Science, em 1978, Goldemberg e colegas apresentaram uma série de evidências científicas demonstrando que biocombustíveis, então derivados da cana-de-açúcar, poderiamreduzirousodecombustíveisfósseisnoBrasil. “Na época, os esforços para desenvolver biocombustíveis no Brasil foram, em grande parte, justificados pela segurança energética. Nossa pesquisa demonstrou que a produção de biocombustíveis não somentereduziriaousoeadependênciadocombustível fóssil,comotambémajudariaareduzirapoluiçãodoare asemissõesdegasesdoefeitoestufa”,disse. José Goldemberg e Anna Illy em Hyderabad, India

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José Goldemberg recebe o Prêmio de Ciência de Trieste Ernesto Illy, das mãos do primeiro-ministro indiano Manmohan Singh na reunião Geral de Acionistas da TWAS, no Centro de Convenções Internacional de Hyderabad, na Índia

Ao verificar o positivo equilíbrio fornecido pela energia dos biocombustíveis, levando em consideração o benefício ambiental e o potencial energético, os estudos reforçaram o apoio ao programa brasileiro de biocombustíveis, ajudando a garantir sua viabilidade a longoprazo. Atualmente, o Brasil produz mais de 25 bilhões de litros de etanol de cana-de-açúcar por ano e mais da metade dosveículosdepequenoportenopaísutilizametanol. “Em um mundo cada vez mais preocupado com o futuro abastecimento de energia e com o aquecimento global, o contínuo desenvolvimento de biocombustíveis provavelmenteiráserevelarumingredienteessencialao crescimentoeconômicosustentável”,disseGoldemberg. Doutor em ciências físicas pela USP, Goldemberg foi reitor da universidade de 1986 a 1990. Foi presidente da Companhia Energética de São Paulo e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, ministro da Educação, secretário do Meio Ambiente da Presidência da República e secretário do Meio Ambiente do Estado deSãoPaulo,entrediversosoutroscargos. Como professor ou pesquisador esteve nas universidades de Paris (França), Princeton e Stanford (Estados Unidos) e Toronto. Foi selecionado pela revista Time como um dos 13“Heroes of the Environment”em 2007. Recebeu o Blue Planet Prize 2008, da Asahi Glass Foundation.

Em 2007, copresidiu o painel de estudos do InterAcademy Council (IAC), responsável pelo relatório LightingtheWay:TowardsaSustainableEnergyFuture. Em2009,outrobrasileirofoireconhecidopeloPrêmiode Ciência de Trieste Ernesto Illy. Carlos Clemente Cerri, professor titular e pesquisador do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da USP, foi agraciado pelo estudo pioneiro do impacto climático das práticas agropecuárias sobre o clima, especialmente no Brasil, que ampliou a discussão sobre a estreita relação entre a agricultura,oclimaeomeioambiente. O Prêmio Ernesto Illy abordará em 2011 a área de ciência demateriaise,noanoseguinte,deSaúdehumana.

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Adriano Pires e Abel Holtz *

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Energias renováveis

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As usinas eólicas deverão quintuplicar sua capacidade

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um período de mudanças climáticas e restrições a emissões cada vez maiores, é impor tante focarmos nosso desenvolvimento na direção de uma economia de baixo carbono. Nesse sentido, é essencial valorizar as fontes alternativas de geração de energia elétrica que não adicionam emissões e explorá-las de forma crescente e em harmonia com a construção de hidrelétricas com reservatórios para equilibrar a sazonalidade e as oscilações dessas fontes alternativas. Tudo com responsabilidade e critérios técnicos e sem nos deixarmos levar por modismos ou por ações “politicamente corretas”. Essa harmonia é necessária porque as energias da biomassa e eólica, apesar de complementares às hidrelétricas, não atenderiam à “ponta”doconsumo.Porissoaimportânciadastérmicas a gás natural para firmar as hidrelétricas a fio de água da Amazônia. Sabemos que o potencial do Brasil em energia eólica é hoje estimado em cerca de 300 GW a 400 GW, que são empreendimentos de rápida implantação e não têm impacto social de grande monta. Um dos benefícios da inserção da geração dessa energia no parque gerador brasileiro decorre do fato de ela complementar a geração hidrelétrica no Sistema Interligado Nacional (SIN). Por exemplo, de junho a setembro, quando a

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vazão no Rio São Francisco diminui, ocorre maior incidência de ventos no vale do rio. Logo, a complementaridade poderá contribuir para aumentar a segurança do abastecimento energético, principalmentenaRegiãoNordeste. A capacidade instalada mundial de energia eólica alcançou em 2009 157,9 GW, um crescimento de 31% em relação a 2008. Em termos absolutos, os EUA têm a maior capacidade de geração eólica (35,1 GW); seguidos por Alemanha, 25,7 GW; China, 25,1 GW;

Espanha,19,1GW;eÍndia,10,9GW. A energia da cana-de-açúcar, além do etanol, pode propiciar-nos nos próximos anos, por meio do bagaço da cana, 12 GW somente com as atuais usinas. Ou seja, uma nova Itaipu. No caso da biomassa de cana, a tecnologia já está dominada e seu contínuo desenvolvimento já se dá de forma natural. No caso das eólicas, há uma tendência de ampliação de sua competitividade na medida em que as indústrias se desenvolvam, tornando o Brasil uma plataforma de A energia da cana-de-açúcar, o etanol

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produção com domínio tecnológico dos aerogeradores e componentes. No caso da biomassa, há problemas para o seu avanço como importante geradora de energia. Por exemplo, a conexão das usinas ao SIN, que poderia ser resolvida com a transmissão sendo levada até as usinas; e a não existência de leilões por fonte e por submercados. Em São Paulo a rede da CPFL, por exemplo, não está dimensionada para transportar produção, mas para suprimentodacarga,umarealidadeinsustentável. Está sendo elaborada uma regulamentação que permita estabelecer redes coletoras para interligar as usinas ao SIN. A solução seria planejar uma rede coletora de geração distribuída (GD) composta por ramais de rede básica (>230kV) e uma subestação coletora de GD localizada no centro de gravidade da GD (bioeletricidade, PCHs, UTEs) e“no pé de torre”da rede básicaexistente,commínimocustoglobal. O fato novo e que chamou a atenção no último leilão de energia foi o desempenho da energia eólica. A complementaridade com as UHE's é biunívoca, seja eólica no Nordeste, seja biomassa no Sudeste. Necessita-se, com urgência, definir a energia assegurada dessas fontes por certificadora independente.Essadefiniçãoéfundamental,namedida em que teremos os preços dessas energias próximos à

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Ainda na audiência pública sobre os povos tradicionais

realidade de cada uma e, ao mesmo tempo, impediremos que produtores, no afã de ganhar leilões, forneçam fatores de carga que nunca serão alcançados. A atual assimetria da regulamentação da transmissão está fazendo com que as vantagens dessas fontes sejam transferidasaopreçodeprodução. É necessário aplicar às fontes eólica e biomassa, o

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quanto antes, o mesmo conceito do Mecanismo de Realocação de Energia aplicável às hidrelétricas para ampliarochamado“efeitoportfólio”. (*) Adriano Pires é diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). Abel Holtz é engenheiro, consultor na área de energia e negócios

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4º Boletim Regional,

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Fotos Sidney Murrieta / IPEA

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s mudanças climáticas são o tema da quarta edição do Boletim Regional, Urbano e Ambiental, lançado recentemente pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A publicação reuniu 12 artigos sobre aspectos relacionados à economia da mudança do clima; impactos em atividades agrícolas; aspectos regulatórios; principais acordos internacionais; ações de mitigação; alternativas limpas de desenvolvimento;ejustiçaclimática. O lançamento foi realizado em Brasília, com a presença da diretora de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais do Ipea, Liana Carleial. Para o coordenador de Estudos Regionais do Ipea, Carlos Wagner Oliveira, editor do boletim, os artigos são relevantes para a discussão sobre as mudanças do clima não só no Brasil, mas em todo o mundo. O técnico de Planejamento e Pesquisa Jorge Hargrave, um dos organizadores do boletim, disse que a publicação reúne o conhecimento

recente sobre a mudança climática e as negociações em andamento. "O boletim também é inovador ao reunir formuladores de políticas e negociadores com pesquisadores do Ipea, professores universitários, pesquisadores e até mesmo representantes do setor empresarial",afirmou.

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Artigos

AdrianoSanthiagodeOliveira,doMinistériodaCiênciae Tecnologia, falou sobre o artigo O Protocolo de Quioto e sua regulamentação no Brasil, do qual é um dos autores. "O foco é na implementação de um dos instrumentos do Protocolo de Quioto, o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL)." O objetivo, segundo o autor, é desfazer algumas ideias equivocadas que são associadas ao assunto. "Buscamos desmistificar alguns equívocos, principalmente sobre a Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima, (CIMGC), que é a autoridade

Carlos Wagner, Coordenador de Estudos Regionais, Jorge Hargrave e Gustavo Luedemann do IPEA/DIRUR

nacional designada para a implementação do MDL no Brasil",explicou. O artigo Mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal em países em desenvolvimento (REDD) e sua aplicação no caso brasileiro foi apresentado por Sofia Shellard, do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável. "O que a gente quis com esse artigo foi levantar algumas situações, dando um panorama sobre como essa discussão está evoluindo e sobre as vantagenscomparativasparaoBrasil",disse.

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} Justiça Climática

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OtécnicodePlanejamentoePesquisadoIpeaIgorFerraz da Fonseca falou sobre o artigo Justiça Climática e eventos climáticos extremos: o caso das enchentes no Brasil. Segundo o autor, o tema é muito presente nas discussões internacionais, mas tem reflexo ainda tímido

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no Brasil. "O objetivo do artigo foi analisar se o uso do conceito de justiça climática é percebido no Brasil", afirmouoautor. Por meio de uma análise sobre a repercussão nos jornais das enchentes em São Paulo e no Rio de Janeiro ocorridas em dezembro de 2009 e abril de 2010, os autores mostram que, no Brasil, os meios de comunicação e a sociedade, especialmente as comunidades atingidas, ainda não associaram os episódios às mudanças climáticas. "Relacionar casos concretos à ideia de mudanças climáticas permitiria fortalecer o movimento internacional por justiça climática e aumentar as chances de que as demandas dos grupos afetados fossem atendidas, além de influenciar as políticas públicas", concluiu. O último artigo apresentado foi Do MDL às Namas:

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Igor Ferraz, Carlos Wagner, Jorge Hargrave e Maria Gutierrez, no lançamento da quarta edição do Boletim Regional, Urbano e Ambiental

Perspectivas para o financiamento do desenvolvimento sustentável brasileiro, da técnica de Planejamento e PesquisadoIpeaMariaGutierrez.Oartigodefendequeo MDL e as ações de mitigação conhecidas como Namas A Diretoria de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais (Dirur), divulga o Boletim Regional, Urbano e Ambiental

(Nationally Appropriate Mitigation Actions) tenham carátercomplementar,enãoexclusivo,jáqueatendema necessidadesdistintasdepaísesemdesenvolvimento. Leia a íntegra do Boletim Regional, Urbano e Ambiental nº4no: www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/100922 _boletimregio4.pdf

Durante o lançamento da quarta edição do Boletim Regional, Urbano e Ambiental

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MATRIZ: ANANINDEUA-PA

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VAMOS + LONGE POR VOCÊ !

BR 316 - KM 5, S/N - ANEXO AO POSTO UBN EXPRESS ÁGUAS LINDAS - CEP: 67020-000 FONE: (91) 3321-5200

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AM ganhará primeiro parque tecnológico

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Obra vai reunir 35 empresas para gerar competência tecnológica e empresarial em áreas diversas

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m importante passo será dado pelo Amazonas no sentido de alavancar a promoção da cultura de inovação e a melhoria do nível de competitividade das empresas e instituições com base na expansão do conhecimento. Está previsto para o próximo ano o início das obras do Parque Tecnológico do Centro de Ciência, Tecnologia e Inovação do Polo Industrial de Manaus (CTPIM), um dos projetos prioritários da entidade e o primeiroaserimplantadonoEstado. Definidos como sendo uma concentração geográfica de

empresas e instituições associadas que criam um ambiente favorável à inovação tecnológica, os parques tecnológicos são considerados estratégicos para o avanço da área de Ciência, Tecnologia & Inovação (C&T&I) no País na medida em que contribuem para dinamizar e fortalecer a economia, mediante a agregação de conhecimento e competitividade às empresas e instituições, além de gerar empregos de qualidadeebem-estarsocialàpopulação. No caso do Parque Tecnológico do CT-PIM, o objetivo básicoégerarcompetênciatecnológica/empresarialem

Microeletrônica e Microssistemas, compreendendo o ciclo de desenvolvimento e fabricação de Circuito Integrado (CI), Componente Microssistema (MST) e Produto Inteligente (PI), de maneira a contribuir com a consolidação do Polo Industrial de Manaus (PIM) e criar uma base de gestão que possibilite a geração e/ou transferência de tecnologia avançada e a sua utilização estratégica para a formação de clusters (conglomerados). EstaunidadedoCT-PIMatuaráprincipalmenteemáreas definidas como prioritárias pelo Governo Federal por

A meta é transformar Manaus em um centro de referência em formação de recursos humanos qualificados e especializados...

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No projeto-base do Parque Tecnológico está prevista a construção da Unidade de Gestão Estratégica (UGE). Maquete virtual

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meio do Programa Nacional de Microeletrônica (PNM), e em outras previstas no Programa PrioritárioTV Digital Interativa e no Programa de Desenvolvimento de software na Amazônia (Amazonsoft), esses dois últimos sob a coordenação do próprio CT-PIM e executados com recursos financeiros em contrapartida ao benefício fiscal concedido às empresas do segmento de Informática do Polo Industrial de Manaus (PIM), que investem em atividades de pesquisa e desenvolvimento, conforme diretrizes do Comitê das Atividades de Pesquisa e DesenvolvimentonaAmazônia(Capda). “A instalação de um ParqueTecnológico voltado às áreas de microeletrônica e microssistemas é de fundamental importância não só para o Estado, como para toda a Região Norte, uma vez que objetiva resolver os gargalos existentes no PIM e potencializar a região em áreas apontadas atualmente como deficientes e carentes de profissionais qualificados e empresas de alta tecnologia, além de contribuir para o saldo da balança comercial brasileira”, explica o diretor-executivo do CT-PIM, WesleyPereira. O complexo tecnológico será construído em terreno de 369.086,75 m², localizado entre a Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e o Distrito Industrial. A área foi cedida pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA), cujas ações têm sido primordiais para tornar o projeto uma realidade. Além disso, a proximidade com empresas, universidades e centros de ensino e pesquisa é considerada estratégica, uma vez que deverá gerar maior sinergia e oportunidades de negóciosesoluções. No projeto-base do Parque Tecnológico está prevista a revistaamazonia.com.br

construção da Unidade de Gestão Estratégica (UGE), Unidade de Desenvolvimento Empresarial (UDE), Unidade de Referência para Fabricação (URF) de Microssistemas, Unidade de Referência em Inovação (URI) em Microsistemas e por fim, a Área Central Comum (ACC). A obra está estimada em R$ 30 milhões, exceto a Unidade de Fabricação de Microssistemas, sendo que parte dos recursos públicos está prevista no orçamento da SUFRAMA e depende de liberação do governo federal. O restante deve ter investimentos de outros entes públicos, além da iniciativa privada, em especial, dos aportes de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) das empresas fabricantes de bens de informática doPIM. As obras estão previstas para iniciar em meados de Polo Industrial de Manaus – PIM

2011. Da estimativa de R$ 30 milhões, serão destinados R4 4,5 milhões para a primeira unidade a ser construída, a de Gestão Estratégica. Desse valor, estão previstos R$ 2,5milhõesdoorçamentodaSUFRAMA.

Infraestrutura O Parque Tecnológico deverá abrigar, em princípio, 35 empresas incubadas das áreas de fabricação de circuitos integrados (CI´s), microssistemas e de base tecnológica na sua Unidade de Desenvolvimento Empresarial, além de outras que poderão se instalar em áreas específicas para atração de investimentos, o que deverá aumentar o número de empresas para 50, num prazo de aproximadamente cinco anos. A previsão é que sejam criadas 580 vagas de emprego para profissionais das áreasdetecnologiaeinovaçãoemprocessoseprodutos. “A meta é transformar Manaus em um centro de referência em formação de recursos humanos qualificados e especializados para atuação em pesquisa aplicada, inovação tecnológica, empreendedorismo e gestão de programas de inteligência competitiva, tais como informação econômica, mercadológica, tecnológica e gerenciamento de bancos de dados”, salientaodiretor-executivo. Estima-se que o Parque Tecnológico seja concluído no prazo máximo de oito anos. Antes mesmo do início da construção do empreendimento, estão sendo executadas diversas ações de formação, treinamento e geração de capital intelectual. Os laboratórios já implantados pelo CT-PIM também serão transferidos paraolocal. REVISTA AMAZÔNIA 67

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SUFRAMA investe em banco

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de germoplasma

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m projeto desenvolvido pela Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ce p l a c ) e m p a rc e r i a c o m a Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA) propiciou a implantação do primeiro banco de germoplasma (unidade conservadora de material genético) de cacau do País de maneira consorciada (agrupada) à plantação de espécies nativas da floresta amazônica. A iniciativa pode setornarumaalternativaviávelparaalavancarosistema produtivo do setor primário no Estado, ainda consideradoumgrandedesafio. O banco de germoplasma, que começou a ser implantado em2002,ocupaumaáreadesetehectarese funciona na Estação Experimental Rio Negro, uma das unidades da Ceplac no Amazonas, integrando as atividades do programa de Pesquisa e Extensão Rural da entidade. O objetivo é suprir o Estado de sementes para atender ao cultivo de Sistemas Agroflorestais na região. Esse modelo de plantio foi adotado pela Ceplac há Moderno banco de germoplasma

alguns anos como solução para viabilizar o uso do solo de maneira sustentável de modo a favorecer o cultivo de diferentes espécies em uma mesma área e propiciar a geraçãoderendaparaapopulação. A idéia de criar arranjos produtivos agrícolas mediante o cultivo do cacau, conhecido também como fruto de ouro, de forma consorciada a espécies frutíferas e florestais da Amazônia é uma especificidade desse banco de germoplasma em relação a outros implantados no País. “Nós estamos mais próximos da floresta (amazônica) e o que nós procuramos por meio desse projeto é criar um ambiente integrado à realidade do nosso bioma amazônico”, esclarece o gerente da Estação Experimental Rio Negro, Geraldo Anísio. Os resultados alcançados até agora são promissores. Prova disso, é a quantidade de plantas cultivadas. Atualmente, o banco de germoplasma conta com 2.200 pés de cacau. No local, também podem ser encontradas 56 outras espécies, incluindo plantas frutíferas como a

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banana, cupuaçu, manga, graviola, taperebá, caju, goiaba, coco, abacaba, camu-camu, urucu, abiu, bacuri, araçá-boi, abacate, além de outras fruteiras tropicais, entre as quais, murici, carambola, sorvinha, rambutã, puruí, biribá, acerola, laranja, tangerina. Também estão sendo cultivadas essências florestais como andiroba, jacareúba, pau-rosa, e ainda plantas de grande valor no mercado madeireiro, com destaque para o mogno brasileiro, itaúba, jatobá, piquiá, massaranduba, espécies já consideradas em extinção, e o angelim. Um dos benefícios do sistema agroflorestal é o fato de contribuirparaaexpansãodachamadacacauiculturano Estado. Apesar dos avanços desse tipo de agricultura, conquistados nos últimos anos mediante a adoção de manejo de cacaueiros nativos nas várzeas e o cultivo de cacaueiros em sistemas agroflorestais em áreas de terra firme, o Amazonas ainda ocupa um papel modesto no mercado nacional de cacau. Em 2009, a produção foi de aproximadamente 2,5 mil toneladas. Esse montante revistaamazonia.com.br

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Projeto desenvolvido pela Ceplac em parceria com a Superintendência SUFRAMA

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está bem abaixo do contabilizado, por exemplo, pelo Estado vizinho do Pará que, no mesmo período, alcançou a produção de cerca de 50 mil toneladas. “O preço do cacau segue um equilíbrio dinâmico, mas sempre tem mercado. Recentemente, com as descobertas de seu uso para produção de fitoterápicos e fitocosmésticos, tem aumentado a demanda pelo fruto no mundo, além, obviamente, de sua utilização no mercado alimentício. Por isso, o Brasil está buscando retomar a posição entre os maiores exportadores de cacau, inclusive, com o lançamento recentemente do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) Cacau, e o Amazonas também precisa avançar nesse sentido”, ressalta o técnico da Ceplac, Valdenor Cardoso. Outro ponto positivo é possibilitar a produção de diferentes espécies agrícolas durante período de tempo contínuo, para utilização como agricultura de subsistência e produção de excedente, visando à geração de renda aos produtores em um curto espaço de tempo. “A partir do terceiro mês de plantio os agricultores podem contar com produção de feijão por exemplo. Em nove meses, podem ser colhidas outras espécies, como a mandioca, e assim sucessivamente”, comentaotécnicodainstituição. Também é importante ressaltar o aspecto do ganho ambiental gerado por esse tipo de iniciativa. De acordo com o gerente da Estação Experimental Rio Negro, Geraldo Anísio, por meio dessas técnicas é possível atuar na recuperação e conservação de áreas degradadas, de pastagens ou de cultivos itinerantes na terra firme e, no caso da várzea, contribui para a recomposição das matas ciliares que estão sendo erodidas pela água, uma vez que essas técnicas possibilitam produzir material orgânico e preservar a microbiologia do solo.“Por meio desses benefícios, é possível mensurar a alta significância do projeto para o processo produtivo tanto pela produção econômica quanto pelo aspecto ambiental”,explicaGeraldoAnísio. O gerente da Estação Experimental Rio Negro também fez questão de ressaltar que a parceria com a SUFRAMA revistaamazonia.com.br

foi primordial para concretização desse projeto, bem como para o andamento das próprias atividades da Ceplac como um todo. Ele explica que na época, estava passando por dificuldades financeiras e graças aos recursos da autarquia foi possível, além da implantação do banco de germoplasma, a geração de outros benefícios, como a aquisição de veículo de transporte.

Primeira distribuição de sementes Ainda neste ano, deve ocorrer a distribuição da primeira produção de sementes híbridas de cacau, oriundas do banco de germoplasma junto a agricultores do interior. Inicialmente, a previsão é que sejam produzidas em torno de 200 mil a 250 mil sementes. Para o próximo ano, a expectativa é que a produção alcance 500 mil sementes e dentro de cinco anos, espera-se chegar a 1,3 milhãodesementesporhectare.

Estão sendo beneficiados produtores cacaueiros de Barreirinha, Borba, Careiro Castanho, Itacoatiara, Nova Olinda, Urucurituba, Novo Aripuanã, Manicoré, Autazes, São Sebastião do Uatumã, Urucará, Silves, Itapiranga e da capital amazonense. As sementes de cacau a serem fornecidas são híbridas, obtidas a partir de cruzamentos, o que deverá proporcionar produção em grande escala, melhorqualidadedosfrutos,alémdemaiorresistênciaa pragas, doenças e condições climáticas adversas. Sem contar que essa iniciativa deve reduzir a dependência dos produtores amazonenses que, até então, importavam sementes de Estados vizinhos, como Rondônia e Pará, para o plantio de suas lavouras, bem como contribuir para ampliar a produção dessa lavoura no Amazonas e reposicionar o Estado no cenário da indústriacacaueiranacional. Atualmente, somente em área de terra firme o Amazonas possui 2.580 produtores assistidos, com cerca de 5 mil hectares de cacau plantado em forma de Sistema Agroflorestal (SAF`s). Esses produtores vão passar a receber sementes do banco de germoplasma financiado pela SUFRAMA, utilizando esse material para prepararmudas.

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Experiências exitosas Por meio de seu programa de Assistência Técnica e Extensão Rural, a Ceplac está intensificando os esforços para a revitalização da lavoura cacaueira no Estado e apesardospoucosrecursosquedispõe,ainstituiçãoestá conseguindo colher bons frutos através da adoção de dois agrossistemas em municípios do interior: o manejo de cacaueiros nativos nas várzeas e o cultivo em sistemas agroflorestais nas terras firmes. Uma das experiências que vem dando certo é o manejo de cacau nativo no município de Urucurituba (distante 192 quilômetros da capital Manaus). Desde o início do trabalho realizado pela Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira no município, foi constatada uma elevação da produtividade, de 200 quilos de cacau seco por hectare sem manejo para até 600 quilos de cacau secoporhectaremanejado.

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Arranjos produtivos agrícolas mediante o cultivo do cacau

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Esse ganho de produtividade se deu em decorrência da adoção de técnicas simples de manejo rotineiro, que inclui a retirada de galhos desnecessários, da vassoura de bruxa e o uso de espécies de sombreamento provisório para agregação de valor, como banana e glicídia (planta utilizada para fixar nitrogênio no solo, por meio da bactéria rizóbio e de produção de biomassa para decomposição de matéria orgânica). Devido ao caráter sustentável da produção, a Ceplac em parcerias com organizações não-governamentais (ONGS), está trabalhando a certificação orgânica de cacau produzido em Urucurituba.“A partir daí, é possível ver a capacidade desse tipo de sistema que propicia a produção de forma sustentável”,frisaGeraldoAnísio. Além de Urucurituba, essa prática também vem sendo adotada pelos técnicos da Ceplac nas várzeas dos rios Madeira, Purus e Solimões, onde maciços cacauais, em forma de sistemas agroflorestais, podem ser encontrados em pleno processo de produção agroextrativistafamiliar.Oresultadoétãopromissorque está despertando o interesse internacional. Pelo fato de estar produzindo cacau com base nos padrões da agricultura orgânica, os municípios que integram a mesorregião do Purus (Boca do Acre, Canutama, Lábrea e Tapauá) começaram, recentemente, a exportação de cacau na forma de amêndoas secas para a Alemanha, por meio de parceria público-privada (PPP), articulada

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Mudas florestais nativas

pela Agência de Cooperação Técnica Alemã (GTZ) e firmada entre as cooperativas de produtores e a empresa alemã Hachez, especializada em cooperação internacional para o desenvolvimento sustentável, produzindo chocolate com o cacau da Amazônia. “A industrialização desse cacau orgânico de várzea, com os incentivos fiscais da Zona Franca, seria uma grande alternativa agroindustrial para dinamizar as economias das regiões povoadas por produtores ribeirinhos que há

Sementes de Cacau Plantas frutíferas da Amazônia

muito tempo estão excluídos dos processos de desenvolvimento econômico do Estado”, declara ValdenorCardoso.

Base para novos projetos O banco de germoplasma de espécies frutíferas e florestais financiado pela SUFRAMA vem somar-se aos 53 anos de experiência da Ceplac e ao seu modelo de gestão institucional que envolve a pesquisa, extensão rural e o fomento agrícola, sob uma mesma bandeira: facilitaravidadoprodutorfamiliar. Essas características técnicas e administrativas da CEPLAC foram determinantes para a implantação de cerca de 150 mil hectares de cacaueiros na Amazônia no período de trinta e três anos, compreendidos entre 1977 a 2010.“Com essa expertise a Ceplac se credenciou junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, para ser a instituição implementadora de recuperação de áreas degradas com Sistemas Agroflorestais daquele ministério, o que já vem fazendo nas áreas de capoeira do Amazonas”, afirma o gerente regional da entidade e engenheiroagrônomo,GláucioSilva. Além disso, esse projeto pode servir de base para o desenvolvimento de linhas de projetos. Uma das propostas é utilizar as técnicas desenvolvidas pela entidade para o cultivo do cacau, de forma consorciada a espéciesfrutíferaseflorestaisdaAmazôniacomoobjetivo de subsidiar a modelagem de arranjos institucionais para agestãodaagriculturafamiliar.Todavia,ogerentedestaca a necessidade de adoção de parcerias entre os diversos atores envolvidos no processo como condição sine qua non para o fortalecimento da agricultura familiar, com geração de trabalho no meio rural, melhoria da renda e dascondiçõesdevidadapopulação. Conforme a coordenadora-geral de Desenvolvimento Regional da autarquia, Eliany Gomes, o banco de germoplasma e o programa de assistência técnica da Ceplac podem contribuir de forma significativa para o desenvolvimento da atividade agrícola com base em sistemas agroflorestais em pequenas e grandes propriedades rurais no interior do Amazonas. “As sementes ou mudas e a assistência técnica são insumos básicos para a implementação de uma política agrícola exitosa”,conclui. revistaamazonia.com.br

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Ambientalistas defendem moratória para projetos de geoengenharia

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A ONU afirma que a questão será parte do próximo relatório do painel do clima, em 2013

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m um encontro sobre as perdas de espécies animais e vegetais, grupos de ativismo ambiental defenderam que as Nações Unidas devam impor moratória sobre projetos de "geoengenharia", como vulcões artificiais e esquemas de pulverização de nuvens com água do mar, criadosparaevitaroaquecimentoglobal. Os ambientalistas temem que esses projetos, apesar da preocupação em torno das mudanças climáticas, possam ameaçar a natureza e a humanidade, sob a justificativa de que os impactos da manipulação da natureza em grande escala não são completamente conhecidos, podendo representar um alto risco à biodiversidade. Alguns países contam com projetos de geoengenharia, que custam bilhões de dólares, como caminhos possíveis para controlar as mudanças climáticas através da redução da quantidade de luz solar que atinge a terra ou da absorção do excesso de gases estufa, particularmenteodióxidodecarbono. "É absolutamente inapropriado que um punhado de governos de países industrializados optem pela geoengenharia sem a aprovação do resto do mundo", defende Pat Mooney, da organização de advogados ETC Group, com base no Canadá. "Eles não deveriam proceder com esses experimentos ou com seus desenvolvimentossemoconsensodaONU." Alguns grupos de conservação também afirmam que a geoengenharia é um dispositivo que alguns governos e empresas utilizam para deixar de tomar medidas que de fato diminuam as emissões de carbono. O painel do clima da ONU afirma que a geoengenharia será parte do seupróximorelatórioem2013. Pat Mooney, da organização de advogados ETC Group

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{ Refletores Solares Alguns dos projetos de geoengenharia propostos incluem: - A fertilização dos oceanos. Grandes áreas são aspergidas com ferro e outros nutrientes para, artificialmente,estimularocrescimentodefitoplâncton, que absorve o dióxido de carbono. Esse projeto pode provocar proliferação de algas tóxicas e matar peixes e outrosanimais. - Pulverizar a atmosfera com água do mar para aumentar a refletividade e a condensação de nuvens, que assim mandariam mais luz solar de volta para o espaço. - Colocar trilhões de pequenos refletores solares no espaço para cortar a quantidade de luz que alcança a Terra. - Vulcões artificiais. Pequenas partículas de sulfato e outros materiais são lançadas à estratosfera para refletir a luz do sol, simulando o efeito de uma erupção vulcânica. - Captura e armazenamento de carbono. Esse projeto é apoiado por um grande número de governos, e envolve a captura de CO2 de estações de energia, refinarias e poços de gás natural, para posteriormente bombeá-lo paracamadassubterrâneas.

Mooney afirma que a COP10, da Convenção da Diversidade Biológica (CBD) da ONU, deveria expandir a moratória na fertilização dos oceanos, acertada em 2008, para todos os projetos de geoengenharia, apesar de a proposta ter encontrado resistência de alguns países, inclusive o Canadá, no início François Simard, do grupo deste ano. O país afirmou, de conservação IUCN em Nagoya, que iria trabalhar junto às resoluções da CBD. "O Canadá está preocupado simplesmente com a falta de clareza na definição das atividades que se caracterizam por 'geoengenharia'", declarou a chefe da delegação canadense emNagoya,CynthiaWright."Nóspartilhamos da preocupação da comunidade internacional sobre os potenciais impactos negativos e estamos dispostos a trabalharjuntoàCBDparaevitá-los." Ambientalistas dizem que a geoengenharia vai contra o foco das discussões de Nagoya, que buscam novas medidas para proteger a natureza até 2020, como aumentar o número de terras e áreas marinhas protegidas,reduzirapoluiçãoefiscalizarapesca. «Nós estamos definitivamente a favor da pesquisa em geoengenharia, em todos os seus campos, mas não ainda de sua implementação. Ainda é muito perigoso. Nós não sabemos quais serão seus efeitos", declarou François Simard, do grupo de conservação IUCN. "O que precisamos fazer para combater as mudanças climáticas éconservaranatureza,enãotentartransformá-la." 100

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A Floresta Amazônica é indiscutivelmente o ecossistema mais rico em espécies terrestres do mundo

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Pesquisando a

origem da Amazônia Amazônia através do tempo: Cordilheira Andina, alterações climáticas, evolução da paisagem e da biodiversidade

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biodiversidade ex traordinária encontrada na Floresta Amazônica é mais antiga do que se estimava. Dois artigos (Amazonia Through Time: Andean Uplift, Climate Change, Landscape Evolution, andBiodiversityeEffectsofRapidGlobalWarmingatthe Paleocene-Eocene Boundary on Neotropical Vegetation), publicados em edição recente da revista Science ampliam o conhecimento a respeito da dramática evolução do ecossistema mais rico em biodiversidadenoplaneta O primeiro artigo de Carina Hoorn, da Universidade de Amsterdã, F. P. Wesselingh, H. Steege, M. A. Bermudez, A. Mora, J. Sevink, I. Sanmartín, A. Sanchez-Meseguer, C. L. Anderson, J. P. Figueiredo ( da Petrobras), C. Jaramillo, D. Riff (da Universidade Federal de

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Uberlândia), F. R. Negri (da Universidade Federal do Acre), H. Hooghiemstra, J. Lundberg, T. Stadler, T. Särkinen e A. Antonelli destaca recentes descobertas que reconhecem a lenta elevação da cordilheira dos Andes como a principal força propulsora da extraordinária biodiversidade da região. O artigo tem a participação de pesquisadores brasileiros das universidades federais do Acre e de Uberlândia e da Petrobras. Extraindo informações de uma ampla gama de disciplinas, entre as quais filogenia molecular, ecologia, geologiaestruturalepaleontologia,osautoresoferecem uma visão geral dos antigos habitantes e dos clássicos processos geológicos da Floresta Amazônica ocorridos durante a era Cenozoica, que abrangeu os últimos 65,5 milhõesdeanos.

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Dizem os autores do 1º artigo:

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No primeiro artigo, os pesquisadores destacam descobertas que reconhecem a lenta elevação da cordilheira dos Andes como a principal força propulsora da biodiversidade da floresta. O estudo fala sobre os processos geológicos da floresta Amazônica ocorridos durante a era Cenozoica, que abrangeu os últimos 65,5 milhões de anos. A Floresta Amazônica é indiscutivelmente o ecossistema mais rico em espécies terrestres do mundo, mas o momento da origem e as causas evolutivas dessa diversidade é uma questão de debate. Nós revemos a evidência geológica e filogenética da Amazônia e compará-lo com os registros soerguimento dos Andes. Esta elevação e os seus efeitos no clima regional mudou fundamentalmente a paisagem amazônica por meio da reconfiguração dos padrões de drenagem e criação de um grande afluxo de sedimentos na bacia. Sobre este substrato "Andina", um mosaico em toda a região edáficas desenvolvidos, que se tornou extremamente rica em espécies, especialmente na Amazônia Ocidental. Mostramos que a elevação dos Andes foi fundamental para a evolução das paisagens e dos ecossistemas amazônicos, e que os padrões de biodiversidade atual estão profundamente enraizados na pré-Quaternário.

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Paleogeographic maps of the transition from “cratonic” (A and B) to “Andean”-dominated landscapes (C to F). (A) Amazonia once extended over most of northern South America. Breakup of the Pacific plates changed the geography and the Andes started uplifting. (B) The Andes continued to rise with the main drainage toward the northwest. (C) Mountain building in the Central and Northern Andes (~12 Ma) and wetland progradation into Western Amazonia. (D) Uplift of the Northern Andes restricted “pan-Amazonia” and facilitated allopatric speciation and extirpation [e.g., (21)]. (E) The megawetland disappeared and terra firme rainforests expanded; closing of Panama Isthmus and start of GABI. (F) Quaternary. Note that South America migrated northward during the course of the Paleogene

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No 2º artigo: No segundo artigo, os cientistas apontam efeitos de um evento de aquecimento global dos mais importantes dos últimos 65 milhões de anos: o Máximo Térmico do Paleoceno-Eoceno, ocorrido nas florestas tropicais da Venezuela e Colômbia. Segundo o estudo, as florestas prosperaram nas condições de altas temperaturas e elevadas concentrações de dióxido de carbono que dominavam a região à época. As temperaturas nas regiões tropicais são estimados para ter um aumento de 3 ° a 5 ° C, comparados com os valores Late Paleoceno, durante o Paleoceno-Eoceno Termal Máximo (PETM, 56,3 milhões

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Afloramentos da seção máxima térmica Paleoceno-Eoceno ao longo da seção Gonzales, Catatumbo, na Colômbia

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de anos atrás) do evento. Nós investigamos a resposta da floresta tropical para este aquecimento rápido, avaliando o registro polínico em três seções estratigráficas no leste da Colômbia e Venezuela. Observamos um aumento rápido e distintas em diversidade de plantas e as taxas de originação, com um conjunto de novos táxons, principalmente angiospermas, somado ao estoque existente Paleoceno diversidade da flora baixa. Não há nenhuma evidência de aridez na região Neotropical do Norte. A floresta tropical foi capaz de persistir em temperaturas elevadas e altos níveis de dióxido de carbono atmosférico, em contraste com as especulações de que os ecossistemas tropicais foram seriamente comprometidos pelo estresse calórico.

Foto de microscopio eletrônico de varredura de táxons característicos de pólen de angiospermas do Paleoceno-Eoceno Termal Máximo

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A biodiversidade da Floresta Amazônica é mais antiga do que se estimava

Eles explicam como a elevação dos Andes desencadeou um complexo processo geológico que gradualmente deu origem ao hotspot de biodiversidade que hoje constitui a maior floresta tropicaldoplaneta. No segundo artigo, Carlos Jaramillo, do Instituto Smithsonian de Pesquisa Tropical no Panamá, e colegas expõem os efeitos de um dos eventos de aquecimento global mais repentinos dos últimos 65 milhões de anos – o Máximo Térmico do Paleoceno-Eoceno (MTPE) – nas florestas tropicais daColômbiaedaVenezuela.

Os resultados demonstram que as florestas tropicais prosperaram nas condições de altas temperaturas e elevadas concentrações de dióxido de carbono que dominavamaregiãohá55milhõesdeanos. Os pesquisadores apresentam dados de pólen, esporos e outras matérias orgânicas fossilizadas de três locais tropicais que revelam um claro aumento na diversidade das plantas (na sua maioria, entre espécies de plantas frutíferas) durante o MTPE. Suas conclusões contrastam com o antigo pressuposto de que o estresse térmico afetanegativamenteosecossistemastropicais.

Na Amazônia a vegetação assume formas extraordinárias e aparentemente fantásticas

Fotos de microscopio de luz transmitida de pólen de vários táxons de esporos do PaleocenoEoceno Termal Máximo

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Descobertas gravuras de 5.000 anos de idade no Amazonas

Fotos Akira Tanaka, subgerente do CEPEAM – Centro de Projetos e Estudos Ambientais do Amazonas

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om a seca recorde na bacia central do Amazonas, no dia 25 de outubro, um dias depois de o Rio Negro atingir o mais baixo nível desde 1902, afloraram à tona, um conjunto de rochas na margem esquerda do encontro das águas dos rios Negro e Solimões, em Manaus. Nessas rochas, seis pescadores descobriram gravuras rupestres de rostos, feitas em baixo relevo, nas rochas que estavam submersas. No dia 24 de outubro o nível do Rio Negro chegou 13,63m. Segundo o engenheiro florestal AkiraTanaka, subgerente do Cepeam (Centro de Projetos e Estudos Ambientais do Amazonas) "São mais de dez carinhas desenhadas nas pedras". AkiraTanaka é oautordasimagensfotografadas Eduardo Góes Neves, arqueólogo da USP que desde os anos 1990 faz pesquisas na Amazônia, analisou as fotos.

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Olha as caretas...

"Não sabemos o significado das "caretas". Mas suspeitamos que tenham sido feitas numa época em quechoviamenosnaAmazônia",disseNeves. Já existe um sítio arqueológico na área. Em 2001, Neves retirou de lá uma urna funerária de 1.200 anos até então, oartefatomaisantigonoencontrodaságuas. A comprovação de que as gravuras são mais antigas do que a urna funerária atestaria que existiu uma ocupação contínuanaquelaregião. De acordo com Neves, gravuras de "caretas" também foram achadas em rochas que ficam submersas nas margens dos rios Urubu (AM) eTrombetas (PA), mas os desenhos têm padrão diferente dos encontrados em Manaus. Para os arqueólogos Raoni Valle e Helena Lima, as representações faciais podem simbolizar pessoas vivas, faces de antepassados, espíritos, heróis místicos ou máscaras de rituais, ao conhecerem as rochas, também conhecidascomolajes. revistaamazonia.com.br

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A sede do Centro de Estudos e Projetos Ambientais do Amazonas – CEPEAM), pertencente às atividades da representante da Soka Gakkai no Brasil – BSGI

É preciso fazer uma pesquisa desses petróglifos e um levantamento iconográfico comparativo

As“carinhas redondas”descobertas nas lajes de Manaus são semelhantes às identificadas no sítio arqueológico “Caretas à margem do rio Urubu”, no município de Itacoatiara, onde Helena Lima vem trabalhando. Segundo ela, no sítio Caretas“há centenas de carinhas” iguais. “Acredito que o Caretas é um referencial, um núcleo de maior concentração. Aqui nas lajes, morariam pessoas que mantinham relações com as de lá. Talvez estivessemsecomunicando”,afirmou. Com base em trabalho em outras áreas da margem do rio Negro, Raoni Valle diz que as descobertas estão relacionadas a grandes oscilações climáticas que tendiam para uma maior aridez na região. “Então, se acredita que, em alguns momentos, o nível do rio Negro As rochas que ficam submersas no fundo do Rio Negro

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foi mais baixo do que o atual. Estas pedras passaram muito mais tempo expostas do que hoje. Por uma questão de probabilidade, este período foi quando se mais fez gravuras porque tinha rochas à disposição”, explicou o arqueólogo.

As imagens foram descobertas por pescadores

{ Maior relevância A descoberta das gravuras torna ainda mais relevante a importância do sítio arqueológico à margem do rio

Negro. Segundo RaoniValle, a importância fundamental do sítio não apenas são as marcas e os artefatos, mas um todo que reúne a paisagem também. “Esta estrutura geomorfológica é toda importante porque foi ela que determinou que humanos viesse para cá e marcassem esse lugar”, comentou Raoni Valle. Já a urgência de pesquisa permanente e de proteção das gravuras tem razões práticas. Segundo Raoni, a correnteza do rio e a coloração da água podem influenciar na perenidade das gravuras. “Estas pedras estão removidas por causa da natureza morfológica da área”, disse, referindo às rochas soltasnamargemdorio.

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Parceria para proteção da área

O o subgerente do Centro de Projetos e Estudos Ambientais do Amazonas (Cepeam), Akira Tanaka, destacou a necessidade do Iphan iniciar parceria de proteçãodaáreadaslajes.“Aquitemmuitadiversidadede artefatos.Éprecisovigilância24horas”,disseTanaka..

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Camilo Vianna. (Colab. Walter Chile e Ricardo Vianna) 100

Amazonia. Novas lembranças, recordanças e avoanças.

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m peregrinações por este Mundo Verde de Meu D eus, não é possível que qualquer cidadão desconheça o que está acontecendo na Amazônia brasileira, mesmo os que têm raiz por aqui e aqueles de carregação que chegam por estas paragens, vindos das mais remotas lonjuras deste chão e de outros "muito além da toprobama", do poeta, ou de aquém ou além, ondeoJudasperdeuasbotas. De repente, não mais que de repente, o Brasil descobriu a Amazônia e não deu outra. Como verdadeira nuvem de gafanhotos, com fervor predatório nunca visto por estas distâncias ate então remotas, com grandes extensões de terras consideradas de ninguém, aconteceu desenfreada correria daqueles que tem como lema, cada um por si e Deus por todos, não esquecendo que os últimos serão os primeiros, seja lá, portanto, o que Deus quiser e louvado sejaseuSantoNome. Vamos, portanto, ao que interessa. Mesmo sendo trombeteado e alardeado por todos os cantos do velho e deteriorado planeta Terra, de que tudo está dentro dos conformes, a Amazônia não faz parte desse esquema. Porém como afiançam mestres sabedores, só duas palavras

ultrapassam as que se referem à perola dosTrópicos - Coca Cola eJesusCristo. No que nos toca mais de perto, temos, de saída, pequena confusão dessas sem pé nem cabeça. Talvez seja a enjambração politico partidária que fez vir à tona, a criação da Amazônia dita Legal, que ninguém sabe o que é, nem para que serve. Vejamos, portanto, alguns aspectos que facilitam a compreensãodaproblemáticadaRegiãoEsplendorosa. 1.Distanciamento. Desde os primeiros tempos, as lonjuras foram tropeço à integração da Amazônia Verdadeira, Ribeirinha, Clássica ou Geográfica. As administrações, da Colônia, da Coroa, do Reinado, da República, do Governo Militar e agora de Brasília, mantiveram imensa distância da região que já foi chamada de País das PedrasVerdes,dasAmazonaseoutrastantasdenominações. 2.Exportadoresdematéria-prima Desde as drogas do sertão, dos escravos vermelhos e tudo o mais que pudesse ser carregado, principalmente, por aqueles que usavam em suas embarcações a bandeira de Jolly Roger,

Muito se fala em Camboa Para variar também pode ser gamboa Em lugares do litoral do Brasil Para muita gente pescar

Tucuruí de luxo Que empatava com a de lixo Ficavam no mesmo lugar A diferença era grande e não dá para comparar

São feitas de pedras Pelos escravos, pelos índios Pelos sambaquieiros de outrora E até pelos praieiros do lugar

O planejamento na Amazônia É desses de carregação Fica sem pé nem cabeça Acabando em enorme confusão

É com muita tristeza Mas vale a pena dizer Tem gente roubando pedra Para usar ou vender

Os técnicos que vem de fora Fazem tudo por adivinhação Tirando no par ou impar Resultando em vasta embromação

Outros tipos diferentes São de folha de açaí Quando o pescado entra Não tem como sair

No Caranã Fundo É bom de pescar É o que fazem os Gebristas Que atuam no lugar

O Açude do Imperador Fica em Juruti Velha Como ele não apareceu por lá Não deu para inaugurar

Quem teve a idéia Da Amazônia privatizar ? Com certeza é um mal feito Que a todos vem prejudicar

Escada de mármore encontrada Na frente de Cametá Seria para o monarca usar Porém o Conde D' Eu é que foi inaugurar

Quando a maré está encrespada É preciso ter muito cuidado Quando a baía atravessar O barco pode afundar

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O purossauro gigante de Barbosa Rodrigues Que não acabou de acabar Fica lá todo tempo Até o tempo acabar

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A grande Pedra Pintada De Roraima Dizem os entendidos Era uma coisa santa para os que lá iam rezar

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Encontro das águas 78 REVISTA AMAZÔNIA

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aquela de fundo preto com ossos cruzados e caveira ao centro, o saque continua mesmosembandeira. 3. Só o petróleo é nosso? E o resto? E as outras riquezas que se vão através da biopirataria, da hidro-pirataria, da exploração de minérios e, o que é pior, muito pior, a maciça exportação de nossos cientistas, ou seja, denossoscérebros. 4.Vergonheira. Mesmo sendo os únicos produtores de borracha natural do planeta, perdemos a hegemonia do mercado. Os nossos maiores tentam justificar esse estado de coisas, afiançando que a nossa derrocada teve início em 1912, com contrabando de sementes e mudas de Santarém para o Museu de Kiew em Londres, levadas pelo senhor HenryWickran, havendo reunião festiva, quando o navio Amazonas que transportava a "encomenda" zarpou do porto de Santarém. A embarcação seguiu rumo ao porto de Belém do Pará, onde deveria apresentar documentação, o que não aconteceu, havendo poremnovamanifestaçãodeentusiasmonolocal.

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Lago Verde em frente à Alter do Chão

Quem conhece um atoleiro Se arrepende o resto da vida Pois escapou da boa E nem a peso de promessa vai querer voltar Gado punga de marca e sinal É difícil de laçar O pé duro quando entra na capoeira Dá trabalho pra dobrar

Pois são de água doce E só existe nesse lugar O navío da Frota Branca Que afundou em frente à Soure Não se sabe a razão Talvez seja bicho do fundo ou outra qualquer buzão

Coisa curiosa vale à pena relatar No Lago Verde em frente à Alter do Chão Existe uma árvore submersa O encontro das águas Do barrento Amazonas com o esverdeado Tapajós Que espalha muiraquitã no lugar Fica em frente à Santarém Quando a Eletronorte usou o agente laranja E vale a pena admirar Para grande linhão no Estado do Pará implantar Riscou do mapa muita fauna e muita flora Outro desse empurra-empurra E lavradores que nem se pode contar Fica mais longe de lá È o encontro do Solimões com o Negro Bom Jesus dos Fernandes Lindo de se olhar De recente criação Apresenta enorme pedra preta As ondas da praias do Mosqueiro Com uma árvore no centro da povoação Causam grande sensação Elucidário: Sambaquieiro: Primitivos moradores das costas do Brasil que utilizavam conchas para usar em seus acampamentos Gebrista: Ladrões de gado, peixe e o mais nos campos marajoaras revistaamazonia.com.br

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Seca no Amazonas ocasiona morte de peixes-boi

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Fotos: IPAAM – Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas/Divulgação

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esta época do ano os peixes-boi buscam refugio nos lagos. Com a estiagem, os lagos secaram. Os animais, que atingem 3mdecomprimentoepesamaté450kg, setornarampresasfáceis. O peixe-boi é considerado pelo IPAAM – Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas, o mamífero aquático mais ameaçado de extinção do Brasil. Sua caça é consideradaumcrimeambiental. A polícia chegou ao número com base em depoimentos de agentes ambientais, que são ribeirinhos que trabalham voluntariamente na proteção dos animais e denunciaramamatança. O Batalhão Ambiental da Polícia Militar do Amazonas informou recentemente que a matança de peixes-boi por caçadores estava sem controle no Estado. Pelo menos 300 animais foram mortos desde setembro, quandoasecaseintensificounoAmazonas Segundo o INPA – Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Piaguçu Purus (400 km de Manaus) os caçadores mataram ao menos 200 peixes-bois. "Isso significa dizer que são 30 toneladas de carne para comercializar. Isso é

Como atingem 3 m de comprimento e pesam até 450 kg, viram presas fáceis

um caso de polícia", afirma o pesquisador Anselmo d'Affonseca. A Reserva de Desenvolvimento Sustentável Piaguçu Purus é administrada pelo CEUC –Centro Estadual de Unidades de Conservação. As famílias da reserva recebemR$50doprogramaBolsaFloresta,daFundação AmazôniaSustentável. Conforme depoimentos, no município de Silves (203 km de Manaus) 64 animais foram mortos.Treze animais morreram em Manacapuru (80 km da capital) e dois em Tefé(525kmdacapital). O comandante do Batalhão Ambiental, major Miguel Mouzinho Marinho, afirmou que os policiais não tinham como chegar à região do Piaguçu Purus por falta de navegabilidade dos rios. "Infelizmente perdemos o controle da situação. A natureza levou anos para recuperar a espécie e agora ocorreu essa matança", afirmouMarinho.

Peixe-boi o mamífero aquático mais ameaçado de extinção do Brasil

Agentes ambientais voluntários carregam peixe-boi morto por caçadores no município de Silves (AM)

A região central da bacia amazônica enfrenta uma estiagem atípica desde agosto. No Amazonas, os rios Negro e Solimões bateram recordes históricos de vazantes (baixa das águas). A população ainda sofre com a falta de água potável e de alimentos. Nesta época do ano, com o baixo nível das águas, os peixes-boi buscam refúgio nos lagos, que são braços de rios. Como atingem 3 m de comprimento e pesam até 450 kg, viram presas fáceis. Os animais ficaram e vulneráveis aos ataques dos caçadores.

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Material apreendido. Essa caça é considerada crime ambiental

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WWF condecora governo brasileiro pelo ARPA – Programa Áreas Protegidas da Amazônia

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Brasil recebeu uma homenagem especial da organização não governamental WWF, pelo sucesso do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa), responsável pela criação de 24 milhões de hectares de unidades de conservação (UC) doBrasil,áreaequivalenteaoestadodeSãoPaulo. De acordo com o Global Biodiversity Outlook, lançado em 2010 pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente,oBrasillideraacriaçãodeáreasprotegidasno planeta. Segundo o relatório, cerca de 75% dos 700 mil km²deáreasprotegidascriadasemtodoomundodesde 2003estãolocalizadasemterritóriobrasileiro. A homenagem, entregue pela WWF Brasil e WWF Estados Unidos, reconhece os resultados obtidos na execução da primeira fase do Arpa, de 2003 a 2009. A condecoração foi recebida pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, em nome do governo brasileiro,emWashington(EUA. Para ela, os grandes desafios globais requerem soluções

ousadas e criativas, distintas das soluções convencionais. "O Programa Arpa é sem dúvida um exemplo desse tipo de solução", disse. Dividido em três fases, o Arpa tem a meta de criar 45 milhões de hectares deUCdeusosustentáveledeproteçãointegralaté2017. Além da criação das unidades de conservação, o programa apoiou a consolidação de 18 unidades já existentes, em uma área de 8,5 milhões de hectares, criadas antes de março de 2000. Ainda na primeira fase, foi criado o Fundo de Áreas Protegidas, com US$ 25 milhões arrecadados, e executados projetos comunitáriosnoentornodeUCs. De acordo com estudo da WWF/UFMG/Ipam/Woods Hole Research Centre de Massachussets, a redução de emissões de CO2 promovida pelo Arpa, projetadas até 2050, corresponde a 70% da meta de redução global de emissões prevista para o primeiro período de compromissodoProtocolodeQuioto. A ministra Izabella Teixeira destacou, também, as iniciativas Brasil para reduzir o desmatamento na

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A ministra Izabella Teixeira, recebeu a homenagem especial da governamental WWF, pelo sucesso do Programa Áreas Protegidas da Amazônia – ARPA

Amazônia. Ela afirmou que, no período de agosto de 2008 a julho de 2009, foi registrada a menor taxa de desmatamento da floresta, com 7 mil km². "De acordo com as nossas estimativas, muito provavelmente registraremosumnovorecordenataxade2010",disse.

Veja o resultado da atuação do ARPA, no trabalho dos autores: Britaldo Silveira Soares Filho (UFMG); Laura Dietzsch (IPAM); Paulo Moutinho (IPAM/WHRC); Alerson Falieri (UFGM); Hermann Rodrigues (UFMG); Erika Pinto (IPAM); Cláudio C. Maretti (WWF-Brasil) Karen Suassuna (WWF-Brasil); Carlos Alberto de Mattos Scaramuzza (WWF-Brasil) e Fernando Vasconcelos de Araújo (WWF-Brasil): Redução das emissões de carbono associados desmatamento no Brasil: O papel da Amazônia Programa Áreas Protegidas (Arpa).

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As áreas protegidas do domínio da Amazônia, com ênfase nas áreas apoiadas pelo Programa ARPA

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A eficácia relativa de redução de desmatamento para o uso sustentável das áreas. Observe as áreas-chave ARPA localizada na Terra do Meio (1), a nordeste da Rodovia Transamazônica (2), e no Acre (3).

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Ainda na audiência pública sobre os povos tradicionais

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Estoques de carbono e emissões potenciais para as áreas ARPA

A eficácia relativa de redução de desmatamento para a preservação rigorosa dasvch áreas. Observe as áreas-chave ARPA localizada na Terra do Meio (1), norte de Mato Grosso (2), e no nordeste de Rondônia (3).

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Grau de ameaça de desmatamento Neste caso, o desmatamento futuro modelo desconsidera a existência de áreas protegidas. O Programa ARPA áreas são delineadas em linhas pretas revistaamazonia.com.br

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XII FIMAI promoveu sinergia no comércio

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ambiental entre diferentes países

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FIMAI registrou recordes de público e negócios

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XII FIMAI – Feira Internacional do Meio Ambiente Industrial e Sustentabilidade, realizada entre os dias 9 e 11 de novembro, na cidade de São Paulo, registrou recordes de público e negócios desde sua primeira edição em 1999. “Este ano conseguimos alcançar a marca de R$ 1,1 bilhão em geração de negócios e mais de 35 mil visitantes”, afirma Julio TocalinoNeto,diretorexecutivodafeira. A XII FIMAI congregou sete eventos paralelos, os já tradicionais Seminário Internacional de Meio Ambiente Industrial e Sustentabilidade e VI Recicle Cempre – Seminário de Resíduos; e os inéditos: Seminário Internacional sobre Regulamentação de Mercado de Emissões Atmosféricas da A&WMA; o I Workshop Rede Senai Provedora de Soluções Ambientais Tecnológicas, promovido pelo SENAI Nacional; o Desk Green Economy Projeto Desenvolvimento Sustentável Bilateral 2010, da Câmara Ítalo-Brasileira; o Workshop sobre Bens e Serviços Ambientais, promovido pelo MDIC - Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; e o Fórum – Israel NewTech: Água e Energias Renováveis, um fórum e encontro com empresas israelenses promovido pela Missão Econômica do Consulado de Israel no Brasil, juntamente com a Câmara Brasil-Israel deComércioeIndústria. Para Tocalino, os números obtidos confirmam o aumento do engajamento das empresas nacionais com a preocupação ambiental “Na década de 90, apenas a Bahia Sul Celulose e Papel possuía o certificado ISO 14001. Hoje, já temos mais de 4 mil empresas detentoras deste certificado”, completa o executivo. Na edição do ano passado, a FIMAI registrou a marca dos R$ 800milhõesemnegóciose30milvisitantes. Durante os três dias de evento, cerca de 400 expositores, de 16 países, mostraram ao público as novidades em

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Julio Tocalino Neto (primeiro a esquerda) e convidados na abertura da XII FIMAI 82 REVISTA AMAZÔNIA

produtos e serviços para o segmento. Máquinas, equipamentos e soluções de tecnologias para a produçãosustentávelforamapresentadasnafeira. Comandada por uma Cooperativa de Catadores associadaaoCempre–CompromissoEmpresarialparaa Reciclagem, a feira contou com uma Estação de Reciclagem, que mostrou todo processo de reciclagem, desde a triagem, operação de prensa e encaminhamento do material. A Estação também foi responsável por realizar a gestão dos resíduos gerados duranteoevento. O objetivo dos organizadores da Estação de Reciclagem foi o de reforçar ainda mais a posição de destaque e referência do Brasil no cenário internacional de gestão de resíduos – que este mês teve a Política Nacional de Resíduos Sólidos sancionada pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, regulamentando o setor no país e multiplicando, não somente o aprendizado, mas tambémaimportânciadavalorizaçãoambiental. Em parceria com a ABEMC – Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Carbono, a FIMAI criou o espaço Ponto de Carbono, uma iniciativa inédita onde os expositores puderam difundir e disseminar as ações realizadas em prol do mercado de créditos de carbono, incluindo a apresentação de projetos de implantação de MLD – Mecanismos de Desenvolvimento Limpo, Inventário de Emissões de GEE – Gases de Efeito Estufa, entre outras atividades ligadas ao assunto. Já os visitantes conheceram as metodologias e serviços que estão sendo desenvolvidos para que as empresas

brasileiras aumentem sua competitividade no cenário socioambientalmundial. Para Tocalino, a divulgação deste tipo de trabalho tem uma importância fundamental. “Com este novo contexto de aquecimento global, tem surgido muitas empresas no mercado prestando consultoria. Através da FIMAI, o público pôde conhecer o trabalho dessas empresas e as ações que elas desenvolvem tanto para controlar como para compensar as emissões. Com isso, esperamos também reforçar a posição do Brasil como referêncianessesetor”,finaliza. Nos três dias, uma intensa programação voltada para consolidar o comprometimento empresarial e governamental com a qualidade ambiental reuniu mais de 150 palestrantes e um volume de mais de 1.200 congressistas. Durante a XII FIMAI, os visitantes acompanharam diversas iniciativas importantes que foram apresentadas na feira. Entre elas: sete seminários paralelos – os já tradicionais: XII SIMAI e VI Recicle Cempre; e os inéditos: Workshop Senai Nacional, o Seminário Internacional A&WMA, o Fórum de Bens e Serviços Ambientais da América Latina, promovido pelo MDIC – Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, bem como um workshop de meio ambiente promovido por Israel no Brasil e um seminário demeioambientequefoirealizadopelaItália. “A feira está crescendo muito em número de visitantes e congressistas qualificados. Em 2009 tivemos dois seminários paralelos, nesta edição tivemos sete, esse aumento mostra, além do crescente interesse de instituições em disseminar o conhecimento socioambiental, o número de pessoas interessadas em adquirir e disseminar esse conhecimento. Também contamos com a presença de muitos expositores que participaram pela primeira vez e já apresentaram resultadospositivos”,declarouTocalino. Estação de Reciclagem

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