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223 - OUTUBRO - 2020

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Revista

N E S TA E D I Ç Ã O

PUBLICAÇÃO

ABRACE O MARAJÓ: CONHEÇA O PLANO DE AÇÕES DO PROGRAMA ATÉ 2023

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Editora Círios SS Ltda CNPJ: 03.890.275/0001-36 Inscrição (Estadual): 15.220.848-8 Rua Timbiras, 1572A - Batista Campos Fone: (91) 3083-0973 Fax: (91) 3223-0799 EDITORA CÍRIOS ISSN: 1677-6968 CEP: 66033-800 Belém-Pará-Brasil www.paramais.com.br revista@paramais.com.br

ÍNDICE

ABRACE O MARAJÓ: GOVERNO COMPARTILHA PLANO DE AÇÃO DO PROGRAMA COM REDE DE PROTEÇÃO DO ARQUIPÉLAGO

08 HABILIDADES - E NÃO OS DIPLOMAS MOLDARÃO O FUTURO DO TRABALHO

DIRETOR e PRODUTOR: Rodrigo Hühn; EDITOR: Ronaldo Gilberto Hühn; COMERCIAL: Alberto Rocha, Augusto Ribeiro, Rodrigo Silva, Rodrigo Hühn; DISTRIBUIÇÃO: Dirigida, Bancas de Revista; REDAÇÃO: Ronaldo G. Hühn; COLABORADORES*: Anete Costa Ferreira, Damares Alves, David Cok, Longevity International, Maria Fernanda Ziegler, Mariah Levin, Ronaldo Hühn, Sarah Shakour, Sean Fleming, Sharmishta Sivaramakrishnan, Stefano Oliveri , Tina Woods, Young Global Leaders ; FOTOGRAFIAS: CCO Domain Public, Celso Lobo Clínica Mayo, Divulgação OMM, Fórum Econômico Mundial, , Heidi Levine, NASA, NOAA, WEF, Willian Meira/MMFDH; DESKTOP: Rodolph Pyle; EDITORAÇÃO GRÁFICA: Editora Círios * Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores.

C A PA

18 HORMÔNIO DO AMOR PODE PREVENIR SURGIMENTO DE OSTEOPOROSE

30 A CHAVE DO ANTI-ENVELHECIMENTO ESTÁ EM NOSSOS OSSOS?

32 Os benefícios inesperados da educação virtual

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Cientistas propõem “Antropause” para a natureza no tempo de COVID-19 Relâmpago quebram recordes

A maior ameaça do mundo - e não é o coronavírus

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Habilidades que podem tornar o mundo melhor após COVID-19 Como estamos redefinindo nosso estado futuro O pior da pandemia ainda está por vir

FAVOR POR

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Paisagem ribeirinha, típica do Marajó-Pará. Foto Celso Lobo

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Abrace o Marajó: Conheça o plano de ações do programa até 2023 Abrace o

Marajó

Abrace o

Marajó

PLANO DE AÇÃO

2020 - 2023 Versão final Brasília/DF, setembro de 2020

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O

Plano de Ação do Programa Abrace o Marajó 2020-2023 reúne um conjunto de compromissos concretos voltados para a geração de empregos

e promoção da melhoria da dignidade, da educação e da saúde da população da região. Todos os detalhes consolidados até o momento foram disponibilizados em uma versão mais completa do documento. De acordo com a ministra Damares Alves, titular do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), que coordena as ações do programa, o plano de ação que será executado nos próximos três anos vai produzir um novo olhar sobre o território e servir de guia para o desenvolvimento do arquipélago. “Ele não tem a pretensão de reunir a totalidade das iniciativas que serão oferecidas à região porque é dinâmico, como serão as transformações no território. Ele se caracteriza como um roteiro para o resgate da dívida regional que é histórica e conta com a participação de um grupo de parceiros que estão cientes das oportunidades coletivas que surgirão com o Marajó mais próspero e desenvolvido”, afirma a ministra.Os projetos, ações e iniciativas serão executados diretamente pelos parceiros governamentais e

não governamentais vinculados ao plano, isto é, por ministérios setoriais da estrutura federal de governo, por instituições do governo estadual e dos municípios, e também por organizações do terceiro setor e da iniciativa privada.

Abrace o

Marajó Criado pelo Governo Federal em março deste ano, o programa busca o desenvolvimento socioeconômico dos 16 municípios que compõem a Ilha do Marajó (PA). As ações são uma resposta estratégica para a recuperação da dignidade humana da população marajoense.O Marajó possui cerca de 550 mil habitantes. É o maior arquipélago flúvio-marítimo do planeta. Formado por cerca de 2.500 ilhas e ilhotas, tem potencial de desenvolvimento e crescimento, mas, atualmente, conta com oito municípios na lista daqueles com pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil.

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Ao todo, são mais de 110 ações, divididas em quatro eixos:

Desenvolvimento Social: busca reduzir a vulnerabilidade social e ampliar a entrega de políticas sociais à população marajoara; Infraestrutura: o objetivo é incrementar oferta de infraestrutura clássica aos municípios do Marajó; Desenvolvimento produtivo: tem como finalidade valorizar o produto regional, verticalizar a produção, melhorar o ambiente de negócios, aumentar a qualidade do produto regional, ampliar mercados e a produtividade local; Desenvolvimento institucional: procura fortalecer a capacidade institucional de gestão e governança em políticas públicas com formação e treinamento de servidores e colaboradores. Pará+

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O Programa convida a todos que abracem o Marajó – instituições governamentais no âmbito federal e estadual, as 16 prefeituras locais, o terceiro setor, a iniciativa privada, e extensivo a todos os brasileiros. O município de menor índice de desenvolvimento humano do País está no Arquipélago e outros 7 estão entre os 50 de menor IDH também. Minha missão no Ministério é cuidar das pessoas, das famílias e das garantias fundamentais da população brasileira que tanto prezo. É isso que me comprometi a fazer no Marajó em especial!

Somam-se a isso, privações a direitos fundamentais como o acesso à educação, à saúde, a água de boa qualidade e ao saneamento básico, por exemplo. Se o Ministério que dirijo é o da garantia de direitos básicos e se todas essas violações estão ali escancaradas a céu aberto, não poderia deixar de propor uma ação coletiva e plural da minha pasta em outro lugar que não o Marajó.

Fonte: IBGE (2017)

A pobreza e exclusão refletidas no baixo IDH dos municípios marajoaras se materializam nas formas mais inaceitáveis no Arquipélago. São violações sistemáticas aos direitos humanos e agressões recorrentes a mulheres, crianças, jovens e adultos, pessoas com deficiência, idosos e trabalhadores em geral.

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O Abrace o Marajó atuará onde essas violações do direito estão identificadas, em um contexto sistêmico, com a coordenação e integração de atores públicos e privados. A entrega de políticas públicas amplificará as oportunidades ao capital privado. E a pluralidade cultural e a diversidade ambiental expressa na rica biodiversidade marajoara serão ativos a serem potencializados para a ação que aqui se apresenta.

O Plano de Ação 2020-2023 do Programa Abrace o Marajó vai produzir um novo olhar ao território e servir de guia para o desenvolvimento do Arquipélago. Ele não tem a pretensão de reunir a totalidade das iniciativas que serão oferecidas à região, porque o Plano é dinâmico como serão as transformações no território. Ele se caracteriza como um roteiro para o resgate da dívida regional que é histórica e conta com a participação de um grupo de parceiros que estão cientes das oportunidades coletivas que surgirão com o Marajó mais próspero e desenvolvido. Reúne, em seu conteúdo, um diagnóstico do território e propõe um conjunto inicial de projetos e ações distribuídos até 2023. Tenho confiança que a prioridade ao Marajó, estabelecida pelo Governo Federal por meio do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, pode alçar a região a outro patamar civilizatório. Tenho total expectativa e confiança na transformação do modelo de desenvolvimento do Marajó e que tal experiência possa repercutir em outras localidades da Amazônia e do Brasil. Acredito plenamente que transformações são possíveis quando se pensa junto, se planeja em conjunto e se executa em parceria. O convite ao Marajó está lançado. Vamos todos juntos abraçar o território e participar da transformação geracional que desejamos realizar!

Damares Alves

Ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos Pará+

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Abrace o Marajó: Governo compartilha plano de ação do programa com rede de proteção do arquipélago Fotos Willian Meira/Arquivo MMFDH

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titular do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), ministra Damares Alves, falou detalhes sobre o Programa Abrace o Marajó, em reunião recente por meio de videoconferência, com promotores de justiça do Ministério Público do Pará (MP/PA) e outros representantes das redes de proteção do arquipélago do Marajó (PA). Durante essa reunião virtual, ela compartilhou o plano de trabalho do programa com os participantes. Na ocasião, a titular do MMFDH relatou que já foram empenhados R$ 1 bi em recursos para a região e que a meta é chegar em R$ 4 bi até 2023. “Não vamos conseguir combater a violação de direitos no arquipélago sem levar junto o desenvolvimento regional. Não adianta pedir para os órgãos locais fazerem mais do que estão fazendo se eles não tiverem estrutura. Então, esse programa também contempla investimentos na rede de proteção”, disse a ministra. 08

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Questionada sobre a execução dos recursos empenhados na região, Damares afirmou que o uso do dinheiro do Abrace o Marajó será fiscalizado. Ela aproveitou para pedir que a população e as autoridades locais acompanhem o plano de execução disponível na página do MMFDH.

Abrace o Marajó Governo compartilha plano de ação do programa com rede de proteção do arquipélago.indd 8

“Gostaríamos que todos tivessem esse plano baixado no celular, para acompanharem a execução. Quero mostrar para o Brasil que é possível prometer e cumprir. Não vamos imprimir porque o dinheiro, que seria gasto com impressão, gastaremos com política pública”, explicou. www.paramais.com.br

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A secretária-executiva do MMFDH, Tatiana Alvarenga, afirmou que a estrutura do MMFDH está à disposição para servir o Marajó. “O Governo Federal, nossa Ouvidoria e a estrutura de secretarias estarão mais próximos da população marajoara para fortalecer e integrar essa rede de proteção. Temos ações específicas do Ministério e estaremos de mãos dadas. Queremos que o trabalho dos agentes locais seja muito mais de prevenção do que de acolhimento de pessoas com direitos violados. Essa é a nossa meta”, disse. O coordenador-geral do Plano de Ação 2020-2023 do Abrace o Marajó, Henrique Villa, falou sobre a importância do documento. “Temos um programa com um diferencial importante em relação a outros programas de desenvolvimento em geral. Temos ações e compromissos concretos. O plano não fica apenas no campo das promessas, mas vai para o campo da ação. São

110 ações elaboradas a partir de um diagnóstico das graves violações de direitos humanos no Marajó e essas violações são combatidas com política pública”, assegurou Villa.

Ouvidoria

Na oportunidade, o ouvidor nacional de direitos humanos, Fernando Pereira, falou sobre o Acordo de Cooperação Técnica (ACT) assinado entre o MMFDH e a Caixa Econômica Federal para o desenvolvimento do projeto Ouvidoria Itinerante. “Vamos auxiliar toda a rede de proteção na defesa dos direitos humanos”, assegurou. Segundo ele, o objetivo é viabilizar o atendimento presencial dos canais de denúncia, Disque 100 e Ligue 180, às comunidades carentes da região do Marajó e Amazonas, por meio da parceria com as agências-barco da Caixa.

Abrace o Marajó | Plano de Ação 2020-2023

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Pereira também anunciou a implantação de dois pontos fixos da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH). No próximo ano, um deles será instalado em Breves (PA) e outro em Pacaraima (RR). Além disso, duas vans passarão a visitar comunidades de difícil acesso para a disseminação de informações sobre direitos humanos. “Acreditamos que a tendência é aumentar o número de denúncias, não por aumento da violência, mas porque o índice de subnotificação será reduzido”, salientou o ouvidor ao comentar a expectativa em torno da redução dos índices de violência contra crianças, adolescentes, idosos, mulheres, pessoas com deficiência e demais públicos vulneráveis.

Acesse o Plano de Ação 2020-2023 em: bit.ly/AbraceoMarajo20a23 www.paramais.com.br

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Os benefícios inesperados da educação virtual A colaboração online pode preparar os alunos com as habilidades necessárias para carreiras modernas. Uma categoria crescente de empregos exigirá que os funcionários trabalhem em equipes virtuais geograficamente dispersas. Muitos alunos podem ter maturidade, foco e autodisciplina suficientes para aprender digitalmente. Muitas pessoas trabalhavam em casa pelo menos parte do tempo antes do COVID-19, e a pandemia apenas acelerou essa realidade. Em 2018, 70% das pessoas em todo o mundo trabalhavam à distância pelo menos uma vez por semana e 53% trabalhavam fora de um escritório tradicional por pelo menos metade da semana, de acordo com o International Workforce Group

Muitas escolas estarão combinando ensino presencial e virtual este ano

Texto *Guille Miranda

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amos apenas dizer: não há nada ideal em alunos e professores lidarem inesperadamente com o aprendizado à distância, como milhões têm feito durante a pandemia do COVID-19.Dito isso, pode haver uma fresta de esperança para salas de aula virtuais e ensino a distância, que muitas universidades e escolas neste ano letivo estão deixando de lado, em vários graus, devido ao coronavírus. Como alunos e professores podem ter que compensar os desafios logísticos, a colaboração online pode preparar os alunos do ensino médio com o tipo de perspicácia organizacional, inteligência emocional e autodisciplina necessárias para carreiras modernas, especialmente aquelas que permitem a tendência crescente de trabalhar remotamente, equipes distribuídas. Quanto mais cedo os alunos dominarem essas proficiências, melhor será quando chegarem ao mercado de trabalho.

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Nos Estados Unidos, como a pandemia forçou muitos funcionários a trabalhar em casa, seus empregadores foram incentivados pela produtividade de sua força de trabalho.

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Tanto que, em 5 de junho de 2020, 82% dos 200 líderes empresariais dos EUA entrevistados pelo Gartner disseram que pretendiam dar aos funcionários a opção de trabalhar em casa pelo menos parte do tempo após a pandemia; 47% relataram que oferecerão teletrabalho 100% do tempo. Os empregadores não foram os únicos que ficaram satisfeitos: um estudo de agosto de 2020 do IBM Institute for Business Value (IBV) descobriu que 67% dos entrevistados nos EUA preferem trabalhar em casa, pelo menos parte do tempo. Cinquenta por cento dos entrevistados desejam que essa seja sua principal forma de trabalhar quando a pandemia terminar. As carreiras tradicionais de colarinho branco foram as primeiras a oferecer flexibilidade geográfica de trabalho em qualquer lugar, mas há uma categoria crescente de cargos profissionais que também permitirão o teletrabalho e oferecerão oportunidades significativas para expandir o acesso a carreiras de rápido crescimento e bem pagas. Esses são chamados de empregos de “novo colarinho”, que muitas vezes exigem habilidades específicas e exigidas, adquiridas por meio de estágios ou credenciais obtidas em cursos abreviados de pós-ensino médio, mas nem sempre um diploma de bacharel tradicional.

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Nessas funções, os funcionários podem esperar trabalhar em equipes virtuais geograficamente dispersas. Os membros dessas equipes terão que saber como colaborar com eficiência, conduzir pesquisas e análises online, usar recursos como IA e a nuvem, dominar as habilidades de fala e apresentação, buscar educação continuada, exercitar a inteligência emocional e se tornar mais automotivados e proativos.

Novas habilidades de colarinho, macio e duro, estão em alta demanda. Um estudo de 2019 do IBM IBV descobriu que as habilidades comportamentais se tornaram ainda mais valorizadas pelos executivos do que a perspicácia técnica. Na verdade, o estudo mostrou que flexibilidade e adaptabilidade às mudanças são agora consideradas as mais importantes, seguidas de perto por gerenciamento de tempo e capacidade de trabalhar com eficácia em ambientes de equipe. Equipes de telecomutação e equipes distribuídas exigem todos esses talentos. Muito antes do COVID-19, o trabalho remoto até se tornou um componente da experiência de estágio do aluno. Por exemplo, durante o verão de 2019, em uma escola P-TECH afiliada à IBM em Baltimore (parte de uma rede de escolas de ensino médio vocacional-técnicas públicas em 24 países, co-fundada pela IBM, que oferece orientação, estágios remunerados e não -custo de diplomas de faculdades comunitárias), estagiários de estudantes de verão trabalharam em um espaço alugado em uma incubadora de empresas. Eles usaram videoconferência e ferramentas de colaboração para trabalhar com colegas e gerentes da IBM em todo o mundo. Os profissionais, é claro, ainda se beneficiam muito com o contato pessoal, e isso provavelmente nunca mudará. Existem muitas anedotas sobre discussões sobre refrigeradores de água ou encontros em corredores que levaram a novas ideias e inovações radicais. O mesmo vale para educadores, que se beneficiam do desenvolvimento profissional presencial e do compartilhamento das melhores práticas. Mas os educadores também estão vendo um benefício em algum aprendizado remoto. Uma professora, em uma escola P-TECH Pará+

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afiliada à IBM em Connecticut, observou que as aulas de videoconferência trouxeram benefícios inesperados na primavera passada: ela conseguiu usar as aulas mais curtas para uma discussão mais intensa das leituras previamente designadas. Os alunos foram capazes de aprimorar suas habilidades de apresentação e projeto de grupo. E ela foi capaz de avaliar melhor alguns dos desafios pessoais e domésticos que alguns de seus alunos enfrentam. Muitos alunos podem ter maturidade, foco e autodisciplina suficientes para aprender digitalmente, pelo menos parte do tempo. Além das salas de aula virtuais, há muitos recursos online para alunos do ensino médio motivados que desejam se preparar para a faculdade e para o trabalho profissional. Essas plataformas estão dando aos alunos acesso a conteúdo que de outra forma eles não teriam. Plataformas como o Open P-TECH , um conjunto de aulas e avaliações gratuitas individualizadas da IBM que fornecem currículos técnicos e relacionados à carreira, oferecem conteúdo para alunos que estão de olho em carreiras profissionais relacionadas a STEM. Muitas dessas carreiras não exigem um local de trabalho específico; os graduados buscarão empregos para os quais a colaboração virtual é esperada, se não obrigatória. Claro, é muito mais difícil afirmar que os alunos mais jovens do ensino fundamental se beneficiam muito do ensino à distância e da colaboração virtual. Sua capacidade de atenção é limitada e é mais bem capturada pelo envolvimento pessoal. Para tópicos mais complexos, as crianças precisam de atenção, direção e feedback que só podem ser fornecidos por um professor na mesma sala. A instrução presencial também é crítica para muitos alunos com necessidades especiais de aprendizagem.

Alguns professores e alunos acham que o aprendizado online traz benefícios e suas experiências destacam Alguns professores e alunos acham que o aprendizado online traz benefícios e suas experiências destacam maneiras o ensino presencial

Por mais que busquemos o lado positivo do ensino à distância para os alunos, existem desvantagens decididas. Por um lado, os humanos anseiam inatamente e prosperam com as conexões pessoais que as interações face a face fornecem. As salas de aula virtuais também sobrecarregam os pais que precisam trabalhar

dentro ou fora de casa. Muitos pais assumem o papel de professor ou assistente de professor, quer tenham tempo para isso ou não. E os alunos de comunidades marginalizadas muitas vezes não têm a tecnologia e a conectividade necessárias para aulas virtuais. Enquanto mais partes do mundo tornam-se conectadas digitalmente, muitas populações empobrecidas permanecem desconectadas, colocando seu futuro em risco ainda maior. No devido tempo, as salas de aula físicas serão reabertas. Até então, muitas escolas dizem que irão combinar ensino presencial e virtual este ano, o que pode ser visto como um compromisso necessário que equilibra as considerações de saúde pública e educação . Embora esse arranjo não seja ideal, ele pode ter algum valor redentor para alguns alunos. Assim como a pandemia acelerou a adoção do teletrabalho, também deixou alguns alunos mais velhos mais confortáveis com a ideia da colaboração digital. As habilidades aprendidas durante a pandemia para navegar neste novo terreno serão úteis para esses adolescentes quando entrarem no mercado de trabalho nos próximos anos. (*) Chefe de Responsabilidade Social Corporativa, Vice-presidente, IBM

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Habilidades que podem tornar o mundo melhor após COVID-19 Para lidar com as consequências do COVID-19 e enfrentar os maiores problemas do mundo, precisamos mudar a maneira como tomamos decisões e nos tornamos mais informados sobre o futuro, para enfrentar nosso mundo complexo. Alfabetização futura, antecipação, pensamento sistêmico e previsão estratégica são habilidades cada vez mais essenciais. FOTOS Fórum Econômico Mundial

Para a esperança de um mundo melhor ir além do otimismo retórico (...) Devemos mudar a forma como tomamos decisões

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pandemia é antes de mais nada uma tragédia humana, mas também abala os pilares sobre os quais assenta a nossa sociedade.Este choque no planeta criou uma expectativa de grandes mudanças que nos levarão a um mundo diferente e, esperançosamente, melhor. Mas como devemos nos preparar para essas mudanças? Onde devemos intervir e com quais prioridades? Quais são as oportunidades que devemos aproveitar e os riscos para mitigar? O que precisa ser melhorado e o que precisa ser transformado? Para que a esperança de um mundo melhor vá além do otimismo retórico, devemos ser capazes de responder a essas perguntas. Devemos mudar a forma como tomamos decisões e nos tornamos mais informados sobre o futuro. As abordagens convencionais não são mais suficientes; novas habilidades são necessárias. Mas quais são essas novas habilidades? Eu e sete amigos, todos ex-alunos do mestrado em Prospectiva Estratégica da Università di Trento, decidimos usar nossa experiência e o poder de nossa inteligência coletiva para construir uma análise sistêmica do impacto do COVID-19 na Itália. Foi um exercício de equipe desafiador conduzido remotamente, já que estávamos todos confinados em casa. Os resultados dessa análise nos permitiram retratar os contornos desse fenômeno e explicar quais novas competências são necessárias para enfrentar essa complexidade e como praticá-las.

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Em dezembro de 2019, em Paris, a UNESCO realizou o primeiro Global Futures Literacy Design Forum com 28 laboratórios diferentes e pessoas de todo o mundo. No Brasil, o movimento #freethefuture lançado recentemente também está promovendo a alfabetização futura. A questão aqui não é pensar no futuro como um complemento; deve estar integrado, como ler e escrever, com o que fazemos e pensamos.

Habilidade 2:pensamento sistêmico

Habilidade 1: alfabetização futura Em termos gerais, a alfabetização é simplesmente a capacidade de ler e escrever, embora possa ter um significado mais amplo e perspicaz. O aumento significativo da alfabetização em muitos países nos últimos dois séculos, juntamente com o impulso das revoluções industriais, permitiu um salto dramático para a civilização. Agora, entretanto, estamos vivendo em uma nova era em que o mundo está mudando mais rápido do que nunca e qualquer mudança pode ter enormes consequências globais porque estamos cada vez mais conectados uns aos outros. Talvez seja a hora de nossa sociedade dar mais um passo para enfrentar esse novo desafio, tornando-se uma sociedade mais “alfabetizada”. Essa é a habilidade que permite às pessoas imaginar melhor e dar sentido ao futuro. É importante porque são as imagens do futuro que impulsionam nossas expectativas, decepções e vontade de investir ou mudar. A UNESCO está construindo a alfabetização futura globalmente com atores locais em mais de 20 países que organizam Laboratórios do Futuro em escolas e comunidades. O objetivo é demonstrar que imaginar o futuro é algo acessível a todos e que essa capacidade de imaginar pode ser aprimorada.

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Quase todos os desafios apresentados pelos efeitos do COVID-19 estão relacionados a “sistemas”. Essencialmente, um sistema consiste em três coisas: um escopo ou função, partes e relacionamentos. Em um sistema, o efeito das intervenções pode parecer distante no espaço e no tempo. O pensamento sistêmico é uma forma de pensar, comunicar e aprender sobre os sistemas para tornar os padrões completos mais claros, melhorar e compartilhar a compreensão dos problemas e ver como enfrentá-los com eficácia.

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Em nosso exercício, por meio de um método denominado “Roda do Futuro”, construímos um quadro sistêmico da pandemia COVID-19 na Itália, explorando seu impacto em diferentes áreas: social, tecnológica, econômica, ambiental e política. Foi essa lupa que nos permitiu apontar os temas estratégicos que precisam ser enfrentados.

Habilidade 3: antecipação

Para explicar esse conceito, devemos refletir sobre algumas coisas: no presente, há sinais do futuro; e esses sinais são de algo que ainda não é evidente, mas que tem o potencial de se tornar evidência empírica se as circunstâncias permitirem. Portanto, hoje existem futuros em andamento, mesmo que eles não sejam claramente visíveis para a maioria de nós. A habilidade de antecipação requer que aprendamos como reconhecer esses possíveis futuros e usar essa consciência aumentada para moldar nossas decisões e ações no presente. Na prática, isso significa modificar nossos hábitos e comportamentos para nos prepararmos melhor para um mundo em constante mudança.

Habilidade 4: previsão estratégica

Partir do pressuposto de que o futuro será uma continuidade do presente em direção a uma melhor compreensão das mudanças e multiplicidade do futuro nos permitirá desenvolver estratégias preparadas para o futuro que antecipam as consequências de futuros alternativos. Em última análise, o que precisamos é de um salto cultural de uma abordagem reativa para uma antecipatória. Mas acreditamos que isso só será possível se conseguirmos incorporar as competências mencionadas acima nos conjuntos de habilidades de líderes, legisladores, professores e todos os indivíduos. Hoje, podemos agarrar a grande chance de um avanço que nos leve a um mundo melhor, mais inclusivo e com um sistema econômico sustentável, um maior amadurecimento de nossa sociedade e eleitores mais conscientes. Um mundo onde os países cooperam para tornar as pessoas mais seguras, felizes e saudáveis e tratá-las como iguais.

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Desenvolvimento sustentavel Em parceria com Representante Autorizado

O sistema é alimentado com resíduos orgânicos

Bactérias decompõem o resíduo orgânico no biodigestor

O fertilizante líquido pode ser usado em jardins e plantações

O biogás é armazenado no reservatório de gás para ser usado em um fogão

O sistema tem capacidade de receber até 12 Litros de resíduos por dia.

Totalmente fechado mantendo pragas afastadas.

Em um ano, o sistema deixa de enviar 1 tonelada de resíduos orgânicos para aterros e impede a liberação de 6 toneladas de gases de efeito estufa (GEE) para atmosfera.

O QUE COLOCAR NO SISTEMA

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Carne, frutas, verduras, legumes e restos de comida. OBS: Máximo de duas cascas de cítricos por dia.

Resíduos de jardinagem, materiais não orgânicos (vidro, papel, plástico, metais). Resíduos de banheiro, produtos químicos em geral.

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O equipamento produz biogás e fertilizante líquido diariamente.

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Habilidades - e não os diplomas - moldarão o futuro do trabalho A natureza do trabalho e das carreiras está mudando rapidamente - e, no futuro, as habilidades certas serão valorizadas apenas em relação às qualificações acadêmicas. O quão bem as empresas podem mudar sua mentalidade ajudará a definir seu desempenho futuro Habilidades - não qualificações educacionais - estão se tornando mais valiosas para os empregadores

Texto *Ravi Kumar S. **Steve George Fotos Skeeze at Pixabay

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or gerações, passamos o primeiro terço de nossas vidas adquirindo os diplomas universitários de que precisamos para encontrar empregos. Esses diplomas são os carimbos em nossos passaportes profissionais que abriram o caminho para os dois terços restantes de nossa jornada. Isso implica que a natureza do nosso trabalho, juntamente com as habilidades e conhecimentos necessários para executá-lo, permanecem inalterados por toda a vida - o que, obviamente, não é mais verdade. Embora nossos pais provavelmente tenham mantido um emprego pelo resto da vida, a maioria de nós já teve vários - e não apenas empregos, mas também carreiras. Nossos filhos podem esperar muitos empregos e carreiras ao longo de suas vidas profissionais - talvez até ao mesmo tempo, com o amadurecimento da economia de gig. Claramente, o futuro do trabalho não será sobre diplomas universitários; será sobre habilidades para o trabalho. Agora é nossa oportunidade de direcionar aqueles sem diploma universitário para carreiras de sucesso e aumentar a diversidade entre nossa força de trabalho. De acordo com o Fórum Econômico Mundial , mais de 1 bilhão de empregos, quase um terço de 18

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todos os empregos em todo o mundo, provavelmente serão transformados pela tecnologia na próxima década. Já estamos vendo isso acontecer. Pense na equipe de atendimento do seu restaurante favorito anotando seu pedido em um tablet conectado a um sistema central de processamento de pedidos na cozinha. O tablet deve funcionar sem falhas para manter o restaurante funcionando sem problemas.

Pense nos aplicativos que você usa para fazer compras, rastrear pedidos e simplesmente se manter informado. A loja precisa mantê-los funcionando a qualquer hora, dia após dia, durante todo o ano. E como cada uma dessas lojas coleta e mantém dados de clientes que eles estudam para tendências, elas precisam de analistas de dados. Eles também devem proteger esses dados, o que significa que devem, portanto, executar operações de segurança cibernética. Nessas e em outras situações semelhantes, as pessoas são a força organizadora, garantindo que a tecnologia funcione da maneira que queremos. Isso significa um aumento rápido e sem precedentes em novos tipos de empregos digitais. De acordo com o relatório Jobs of Tomorrow do Forum, haverá um rápido influxo de funções na vanguarda da economia de dados e IA, bem como novas funções em engenharia, computação em nuvem e desenvolvimento de produtos. Esses empregos precisam de talentos com habilidades relevantes e, o que é mais importante, essas habilidades podem ser aprendidas mesmo por quem não tem diploma universitário.

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A desaceleração do COVID-19 nos dá uma ampla razão para agir em grande escala e agora. Embora o surto tenha sido impiedoso em seu impacto, vimos uma correlação entre as taxas de desemprego e o nível de educação. Por exemplo, nos Estados Unidos, a redução do emprego de fevereiro a maio variou de 6% entre os trabalhadores com diploma de bacharelado ou mais a 21% entre os trabalhadores sem diploma de segundo grau. Trabalhadores com diploma universitário ou ensino superior também têm muito mais probabilidade de ter a opção de teletrabalho em comparação com concluintes do ensino médio que não cursaram a faculdade. No entanto, se mudarmos nosso foco de graus para habilidades, capacitaremos uma força de trabalho maior que representa a diversidade de nossas populações e ajudará a fechar as lacunas de oportunidades e empregos tão familiares. Isso significará fazer a transição para uma infraestrutura de educação e emprego sempre ativa, baseada em habilidades, que inclua não apenas credenciais e certificação, mas aptidão para o trabalho e emprego como resultados. Nos últimos anos, várias empresas - incluindo EY, Google e IBM - adotaram esse tipo de pensamento e aumentaram as contratações de grupos de talentos alternativos. Vários outros estão investindo no aprendizado contínuo para a força de trabalho. Outros, como a Infosys, seguindo o COVID-19, reuniram um consórcio de parceiros em uma plataforma online gratuita para fornecer treinamento profissional e oportunidades de aprendizagem para candidatos a emprego e conectá-los com empregadores, oferecendo-lhes novos fluxos de trabalho e planos de carreira.

Aprendizes de treinamento de engenheiros em máquinas CNC

Curiosamente, o futuro do trabalho não será apenas sobre habilidades difíceis; será sobre habilidades de trabalho holísticas. Quando se trata de habilidades, os empregadores procuram mais do que apenas habilidades técnicas ou orientadas para tarefas. As empresas querem pessoas com olho para os detalhes, habilidades criativas para resolver problemas, uma mentalidade colaborativa e capacidade de lidar com a ambiguidade e a complexidade. Essas também são habilidades que podem ser aprendidas, geralmente por meio de programas de aprendizagem. O relatório Jobs of Tomorrow do Fórum, de fato, concluiu que as profissões emergentes refletem a importância contínua da interação humana na nova economia, dando origem a uma maior demanda por papéis na vanguarda das pessoas e da cultura.

À medida que as linhas se confundem entre as funções de negócios convencionais e as funções de tecnologia, há uma combinação de tarefas digitais e humanas melhor enfrentadas por pessoas com uma mentalidade mais ampla e holística. Tradicionalmente, vimos isso acontecer no contexto de talentos com formação em artes liberais. Muitas vezes vistos como generalistas, em comparação com contratações com experiência técnica ou STEM, sua amplitude de exposição geralmente lhes dá uma vantagem distinta. Os qualificados em artes liberais também estão sintonizados para aprender muitos tópicos novos e díspares - outra vantagem em uma era que exige aprendizagem ao longo da vida. Todo líder empresarial concordará que encontrar não apenas as pessoas certas, mas também pessoas com as habilidades e mentalidades certas, é um sério desafio para as empresas. Usar um diploma de quatro anos como indicador de empregabilidade significa contar com talentos com habilidades potencialmente redundantes, em vez de alunos ao longo da vida com habilidades sempre relevantes. Isso prejudica a todos nós também - porque nossa atual dependência excessiva de diplomas universitários afasta ainda mais os já vulneráveis candidatos a emprego. A quantidade de trabalho que colocamos para mudar nossa mentalidade em relação ao talento e abordagem de contratação hoje determinará o quão longe iremos ficar juntos. Isenção de responsabilidade: esta publicação contém informações resumidas e, portanto, destina-se apenas a orientação geral. Não pretende ser um substituto para uma pesquisa detalhada ou o exercício de julgamento profissional. Firmas-membro da organização global EY não podem aceitar responsabilidade por perdas para qualquer pessoa que dependa deste artigo. (*) Presidente, Infosys Ltd (**) CIO global, Ernst & Young

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Cientistas propõem “Antropause” para a natureza no tempo de COVID-19 Cientistas da vida selvagem iniciam investigação global sobre como os comportamentos dos animais foram afetados pela desaceleração da atividade humana durante a crise do coronavírus

O

s cientistas da vida selvagem em todo o mundo estão planejando investigar como os comportamentos dos animais foram afetados pela desaceleração da atividade humana durante o bloqueio. Eles estão e irão coletar dados de fontes, incluindo GPS, sensores e pesquisas para avaliar como mais de cem espécies terrestres e marinhas responderam ao bloqueio - ou ‘Antropause’. Pelo menos dois estudos globais já começaram, de acordo com um artigo publicado pela revista Nature Ecology and Evolution , com vários outros em andamento. A pesquisa tem como objetivo revelar como os aumentos nos movimentos humanos nas últimas décadas afetaram os animais - e identificar locais onde tecnologias mitigadoras, como corredores da vida selvagem, podem ser necessárias. Um estudo anterior sobre movimentos de espécies descobriu que aqueles que vivem em áreas onde há um alto impacto humano movem de meio a um terço do que seus colegas que vivem em áreas com pouca interferência humana.

Um chacal no parque Yarkon, Tel Aviv

Na revista, a equipe liderada pelo Reino Unido disse que a mobilidade humana reduzida durante a pandemia ‘revelará

Estudos estão analisamndo os movimentos de espécies terrestres e marinhas em todo o mundo

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aspectos críticos do nosso impacto sobre os animais, fornecendo orientações importantes sobre a melhor forma de compartilhar esse planeta lotado’. No Reino Unido, o movimento nas estradas despencou 73% no início do bloqueio, o que os cientistas acreditam ter desencadeado mudanças no comportamento dos animais. Da mesma forma, uma queda nas pegadas nas grandes cidades levou a uma redução no desperdício em que animais, incluindo gaivotas, pombos e raposas, dependem, o que significa que seu comportamento também pode ter mudado à medida que procuram fontes alternativas de alimentos. A International Bio-logging Society, em colaboração com a plataforma de pesquisa Movebank, com sede nos EUA, e o Centro Max Planck-Yale para o Movimento da Biodiversidade e Mudança Global, lidera um dos estudos. Ele usará dados de seus dispositivos de ‘bio-registro’, pequenas máquinas ligadas a animais que revelam seus movimentos, comportamento, atividade e fisiologia, para estudar mudanças. www.paramais.com.br

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Eles já começaram a atualizar um estudo de 2018 sobre movimentos de animais, focado em 803 indivíduos de 50 espécies, incluindo leões, elefantes asiáticos, renas, ursos negros e raposas. O presidente da sociedade, o professor Christian Rutz, da Universidade de St. Andrews, disse: ‘Há uma oportunidade de pesquisa realmente valiosa aqui, que foi trazida pelas circunstâncias mais trágicas, mas é uma que achamos que não podemos dar ao luxo de senhorita. . “E reconhecemos isso no artigo. Mas é uma que nós, como comunidade científica, realmente não podemos perder. É uma oportunidade de descobrir mais sobre como os seres humanos e a vida selvagem interagem neste planeta”. - Ninguém está dizendo que os humanos devem ficar presos permanentemente. ‘Mas e se virmos grandes impactos de nossas mudanças no uso da estrada, por exemplo? Poderíamos usar isso para fazer pequenas alterações em nossa rede de transporte que possam trazer grandes benefícios’. Também está em andamento um segundo estudo do grupo de trabalho PAN-Environment, que planeja usar dados de programas de monitoramento de espécies, redes de áreas protegidas, sensores e avistamentos relatados pelo público. Um artigo publicado na semana passada na revista Biological Conservation também pediu estudos globais sobre movimentos de animais durante e após o bloqueio, a fim de “produzir insights inesperados”. “Fazer isso fornecerá evidências do valor das estratégias de conservação atualmente em vigor”, escrevem eles, “e criará redes, observatórios e políticas futuras que são mais hábeis em proteger a diversidade biológica em todo o mundo”, disseram eles. Um estudo de 2018 sobre reduções globais nos movimentos de mamíferos terrestres, publicado na revista Science, descobriu que os animais urbanos se movem com menos frequência do que aqueles em áreas com pouco impacto humano. Eles usaram dados de GPS de 803 indivíduos em 57 espécies para estabelecer como os animais estavam

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Urso preto após ter sido tranquilizado em 2018 para que os pesquisadores pudessem marcar o animal

se movendo. A contagem de espécies incluiu 28 herbívoros, 11 onívoros e 18 carnívoros. Os pesquisadores identificaram uma série de “etapas urgentes” que eles dizem que os cientistas deveriam tomar, incluindo o agrupamento de pesquisas em escala global sobre a atividade dos animais durante esse período e a sua ampla disponibilidade, relata Victoria Gill para a BBC News . Por exemplo, os pesquisadores citam a recém-criada “COVID-19 Bio-Logging Initiative”, um projeto global para rastrear os movimentos, comportamento e níveis de estresse dos animais com pequenos rastreadores eletrônicos chamados “bio-loggers”. Os pesquisadores citam evidências anedóticas de que algumas espécies estão aproveitando o espaço extra com mais humanos presos em casa. No entanto, a pandemia também está causando efeitos adversos em muitas espécies, especialmente aquelas que dependem da proteção humana. Algumas áreas notaram aumentos na caça furtiva, relata Gill. Muitos esforços de conservação, como um projeto para proteger aves ameaçadas de extinção no sul do Oceano Atlântico , também foram suspensos devido

a medidas de distanciamento social. Como Natasha Daly reportou para a National Geographic em março , informações erradas sobre encontros espetaculares com a vida selvagem proliferaram nos primeiros meses de confinamento - como um vídeo viral de golfinhos “venezianos” nadando em águas azuis claras que acabavam sendo da Sardenha. (Um meme direto circulou nas mídias sociais em resposta à disseminação viral séria de relatos falsos, com a frase: “A natureza está curando, nós somos o vírus”). Os autores do estudo escrevem que será importante distinguir esses tipos de relatos anedóticos das tendências verificáveis nas populações de animais silvestres durante a pandemia. “No momento, é impossível dizer quais observações foram divulgadas pelas mídias sociais e quais previsões de especialistas sobre as respostas globais dos animais serão verdadeiras”, escrevem os autores no estudo. “Mas o que está claro é que humanos e animais selvagens se tornaram mais interdependentes do que nunca, e que agora é a hora de estudar esse relacionamento complexo. Uma investigação científica quantitativa é urgentemente necessária”.

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Como estamos redefinindo nosso estado futuro O COVID-19 destacou o fato de que nossos sistemas anteriores não eram nem equitativos nem sustentáveis. A crise também apresenta uma oportunidade de redefinir e trabalhar juntos em direção a um futuro mais justo e ecológico Texto *Mariah Levin, **Sharmishta Sivaramakrishnan e ***Sarah Shakour Fotos: IPTC Photo Metadata

Os Jovens Líderes Globais do Fórum (YGLs) estão conduzindo a grande reinicialização após a crise do COVID-19 - eis como

No entanto, o COVID-19 ameaçou nosso progresso. É provável que uma queda na imunização infantil de rotina, causada por interrupções nos sistemas de saúde, leve a um número maior de mortes do que o próprio vírus em alguns continentes. O Banco Mundial estima que entre 70 e 100 milhões de pessoas serão levadas à extrema pobreza devido à pandemia. Enquanto o céu acima das cidades industriais da China estava diminuindo em abril, os níveis de poluição agora se recuperaram para níveis mais altos que antes da crise .

É

mais pertinente do que nunca que continuemos nossa luta para melhorar o estado do mundo. Como tal, o Fórum Econômico Mundial lançou uma nova iniciativa - The Great Reset - em compromisso de resolver os atuais problemas sociais, econômicos e ambientais que nosso mundo está enfrentando. Ao mobilizar nosso incrível grupo de líderes, cada um deles pioneiro em seus respectivos campos, procuramos redefinir como governos, indústrias e organizações em geral criam um futuro conjunto. A imagem não é tão sombria quanto parece. Nos 25 anos anteriores à definição dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, quase reduzimos pela metade o número de pessoas que vivem em extrema pobreza e vacinamos 80% das crianças de um ano de idade.

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Mostramos que compromissos conjuntos - entre setores, regiões, sociedades - podem criar um mundo mais equitativo.

Mas podemos escolher um caminho diferente E se tratássemos esse período como um ponto de inflexão na transição para locais de trabalho mais equilibrados e compassivos, onde o equilíbrio entre vida profissional e pessoal é a norma, não uma sugestão? Uma oportunidade para consertar fraturas políticas e mitigar a violência resultante do crescente populismo? Uma chance de girar em direção a uma economia baseada na natureza que priorize o relacionamento humano com a natureza? Durante o auge dos bloqueios globais, tivemos uma redução de 17% nas emissões de CO2 , uma indicação de quão dramática e rapidamente poderíamos mudar a ameaça do comportamento humano para a natureza se imaginássemos alternativas verdes para os atuais sistemas de produção e energia. www.paramais.com.br

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Em agosto, reunimos 500 mentes excepcionalmente dinâmicas, industriosas e socialmente orientadas para navegar e liderar esses tempos difíceis com uma metodologia em três partes:

*Destacando e comemorando a inovação das melhores práticas

Enquanto o mundo espera por uma solução, os Jovens Líderes Globais estão encontrando maneiras inovadoras de combater a pandemia . Desde o uso da Inteligência Artificial para rastrear a propagação do vírus, até o desenvolvimento de cápsulas de UTI para apoiar hospitais sobrecarregados, a mobilização de comunidades vulneráveis para a prática de métodos de prevenção, os YGLs estão na vanguarda do combate à desinformação, fornecendo soluções escaláveis e garantindo que os mais em risco têm as ferramentas e os recursos para proteger suas comunidades.

Neste momento único de nossa história, devemos reafirmar nosso compromisso conjunto de trabalhar em parceria para proteger nosso futuro compartilhado - afinal, estamos na década a cumprir. É hora de redobrar nossos esforços para alcançar os ODS, com os negócios como uma das principais partes interessadas nessa transformação. Com esta crise ainda em pé, o Fórum de Jovens Líderes Globais está comprometido em trabalhar com nossos parceiros para realizar um mundo no qual ninguém é deixado para trás.

O que é um YGL?

*Destilar lições de liderança

Na Reunião Anual de 2020, uma nova parceria plurianual entre a Accenture, o Fórum de Jovens Líderes Globais e a Comunidade Global Shapers foi lançada para ajudar organizações e indivíduos a cultivar ambientes nos quais a liderança responsável pode florescer. A criação do programa foi informada por um relatório de pesquisa conjunto , que destaca a necessidade de os líderes agregar valor em três áreas principais: desempenho organizacional, inovação contínua, sustentabilidade e confiança. O Programa de Liderança Responsável visa dotar os YGLs e Shapers das habilidades, atitudes e capacidades necessárias para liderar com responsabilidade em meio a desafios globais sem precedentes.

*Condução de ações inclusivas

Promover conversas e soluções abertas que tragam a todos deve ser uma prioridade para garantir que ninguém seja deixado para trás. No campo de refugiados de Kakuma , um grupo de Jovens Líderes Globais se concentrou no avanço do acesso à educação e habilidades, internet e trabalho viável para apoiar a comunidade e participar da economia global. Trabalhando com a Plataforma de Revolução de Requalificação do Fórum Econômico Mundial , esta iniciativa se concentra em aumentar a prontidão entre populações vulneráveis, ampliando a infraestrutura digital como acesso à Internet e eletricidade e melhorando a mobilidade social ascendente. O Fórum de Jovens Líderes Globais apóia uma grande redefinição abrangente - uma chance de agirmos juntos em direção a um futuro mais justo e ecológico.

A comunidade YGL é composta por mais de 1.300 membros e ex-alunos, incluindo funcionários públicos, inovadores de negócios, artistas, educadores, desenvolvedores de tecnologia, jornalistas e ativistas. A missão do Fórum de Jovens Líderes Globais é criar uma comunidade global dinâmica de pessoas excepcionais, com visão, coragem e influência para promover mudanças positivas no mundo. Alinhados à missão do Fórum Econômico Mundial , eles buscam incentivar a cooperação público-privada entre esses atores únicos para demonstrar empreendedorismo no interesse público global. Representando mais de 100 nacionalidades, os Jovens Líderes Globais estão unidos pela crença de que os problemas urgentes de hoje apresentam uma oportunidade de criar um futuro melhor entre setores, gerações e fronteiras. Visite o site da YGL em: www. younggloballeaders.org/ (*) Chefe do Fórum de Jovens Líderes Globais, Fórum Econômico Mundial (**)Especialista Comunitário, Jovens Líderes Globais - Ásia, Fórum Econômico Mundial Genebra

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(***) Especialista em projetos Fundações, Fórum Econômico Mundial

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Relâmpagos piscam sobre São Paulo, Brasil, em 2014. Em 31 de outubro de 2018, o maior raio já registrado atingido no Brasil, de acordo com a Organização Meteorológica Mundial

Relâmpago quebram recordes Autoridades confirmaram dois relâmpagos ‘megaflash’ no Brasil e na Argentina que atingiram recordes mundiais anteriores Fotos Divulgação/OMM, Nasa/ NOAASatellites

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m 31 de outubro de 2018, uma teia de raios de aranha se desenrolou sobre o Brasil, estendendo-se 440 milhas no céu - um comprimento aproximadamente equivalente à distância entre Boston e Washington, DC. O flash colossal bateu o recorde de maior raio registrado na distância. Até a presente data. O evento eletrizante é uma das duas batidas recordes recentemente confirmadas por um comitê da Organização Meteorológica Mundial (OMM), segundo comunicado . Outro raio se iluminou no norte da Argentina em 4 de março de 2019, por 16,73 segundos, estabelecendo

um recorde pela maior duração registrada de um relâmpago.“Esses são extremos inacreditáveis e impressionantes”, disse Randall Cerveny, membro do comitê da OMM e cientista da Arizona State University, a Matthew Cappucci. As descobertas dos “megaflashes” foram publicadas pelas Cartas de Pesquisa Geofísica da American Geophysical Union. Pesquisadores da OMM usaram imagens de satélite para confirmar os recordes. A equipe publicou suas descobertas na revista Geophysical Research Letters recentemente. Relâmpagos resultam de um acúmulo de cargas elétricas desequilibradas em sistemas de tempestades, de acordo com a NASA. Normalmente, os flashes medem apenas alguns

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quilômetros e duram apenas um ou dois segundos, relata Cappucci. “Megaflashes”, por outro lado, são redes complexas de raios que se espalham horizontalmente, às vezes por centenas de quilômetros, relata Doyle Rice. Como Cappucci relata, pesquisas emergentes demonstram que os megaflashes podem ser mais comuns do que os cientistas pensavam. Os enormes flashes também podem se expandir até o tamanho do sistema de tempestades que os cria - portanto, quanto maior a tempestade, maior o potencial para um enorme show de luzes. A América do Sul é propensa a enormes sistemas convectivos de mesoescala, que são redes de trovoadas que podem se estender por até 96 quilômetros no verão.

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Imagem de satélite com extensão recorde de relâmpagos no Brasil em 31 de outubro de 2018. O raio recorde percorreu 709 km em uma linha horizontal, cortando o Sul do Brasil. É mais que o dobro do recorde anterior, registrado em Oklahoma (EUA), com 321 km

Esses tipos de grandes redes de tempestades criam as oportunidades ideais para grandes descargas elétricas, relata Cappucci. Em 25 de junho de 2020, a Organização Meteorológica Mundial certificou o raio do Brasil, como a maior distância relatada para um único flash. Eles também certificaram o registro pela maior duração de um único flash (16,73 segundos) na Argentina em 2019. Os dados GLM foram usados para verificar os dois registros.

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O professor Randall Cerveny, relator-chefe de extremos de clima e clima da OMM, disse: “Esses são registros extraordinários de eventos únicos de relâmpagos. “Extremos ambientais são medições vivas do que a natureza é capaz, bem como o progresso científico em poder fazer essas avaliações. “É provável que ainda existam extremos ainda maiores e que possamos observá-los à medida que a tecnologia de detecção de raios melhorar.

“Isso fornecerá informações valiosas para o estabelecimento de limites à escala de raios - incluindo megaflashes - para questões de engenharia, segurança e científicas”. A América do Sul vê muitos relâmpagos porque tende a atingir áreas altamente úmidas. Como parte de sua pesquisa recente, a OMM utilizou satélites de monitoramento climático operados pela UE, EUA e China. Essas descobertas foram publicadas pelas Cartas de Pesquisa Geofísica da American Geophysical Union.

O recorde de raio com duração mais longa é da Argentina: Ele durou 16,73 segundos a partir de um flash que começou no norte da Argentina, em 4 de março de 2019. Ele também é mais que o dobro do recorde anterior, de 7,74 segundos registrado em Provence-Alpes-Côte d’Azur, França em 30 de agosto de 2012

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O pior da pandemia ainda está por vir O mundo chegou a um momento decisivo, precisamos acertar o Grande Reinício. Os desafios são maiores do que se imaginava anteriormente, mas nossa capacidade de redefinir também é maior do que antes ousávamos esperar

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ste artigo acompanha o lançamento do COVID-19: The Great Reset, o novo livro de Klaus Schwab e Thierry Malleret sobre a crise do COVID e seus impactos. O pior da pandemia ainda está por vir. Até o momento, apenas alguns países estão efetivamente contendo o vírus, enquanto na maioria dos países, o COVID-19 está furioso ou ressurgindo com surtos locais, limitados ou não. Em apenas seis meses, a pandemia do COVID-19 mergulhou nosso mundo em sua totalidade - e cada um de nós individualmente - nos tempos mais difíceis que enfrentamos em gerações. É um momento decisivo - estaremos lidando com suas consequências por anos e muitas coisas mudarão para sempre. Provocou (e continuará a fazê-lo) a interrupção econômica de proporções monumentais, criando risco e volatilidade em várias frentes - política, social, geopolítica - enquanto exacerba profundas preocupações com o meio ambiente e também estende o alcance (pernicioso ou não) da tecnologia em nossas vidas.

Nenhum setor ou empresa será poupado do impacto dessas mudanças. Milhões de empresas correm o risco de desaparecer e muitos setores enfrentam um futuro incerto; alguns prosperarão. Em uma base individual, para muitos, a vida como sempre a conheceu está se desenrolando a uma velocidade alarmante.

Dito isto, crises agudas favorecem a introspecção e promovem o potencial de transformação. As linhas de falha do mundo de hoje - principalmente: divisões sociais, falta de justiça, ausência de cooperação, falha na governança e liderança globais e a degradação crítica de nossos ativos naturais - estão expostas como nunca antes, e agora muitos sentem a hora da reinvenção pode ter amanhecido. Um mundo novo poderia emergir, cujos contornos são nossos para re-imaginar e re-desenhar. A natureza repentina e violenta do choque que a pandemia está causando pode fazer a escala desse desafio parecer esmagadora. Essa impressão se deve em grande parte ao fato de que, no mundo interdependente e hiperconectado de hoje, os riscos se amplificam: riscos ou questões individuais abrigam o potencial de criar efeitos de ricochete provocando outros (como o desemprego potencialmente alimentando a agitação social e o desencadeamento do empobrecimento) migração em massa involuntária).

Depois do coronavírus, o mundo nunca mais será o mesmo. Mas talvez possa ser melhor

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A característica que define o mundo de hoje é a conectividade sistêmica: nesse mundo, “fazer silos” e “pensar silos” não têm lugar porque os riscos convergem. Todas as questões macro que exercem impactos diretos e diários em nossas sociedades, na economia global, na geopolítica, no meio ambiente e na tecnologia não evoluem de maneira linear. Eles funcionam como sistemas adaptativos complexos e, como tal, compartilham um atributo fundamental: suscetibilidade a questões em cascata fora de controle e, ao fazê-lo, produzem consequências extremas que muitas vezes surgem como uma surpresa e para as quais estamos mal preparados. O COVID-19 já nos deu uma amostra disso. Em uma extensão considerável, ocorrências tão diferentes quanto o aumento acentuado e dramático do desemprego (um risco econômico), a onda global de agitação social desencadeada pelos protestos da Black Lives Matter (uma questão social) e a crescente fratura entre a China e os EUA ( um risco geopolítico) não teria ocorrido sem a pandemia. No mínimo, eles foram exacerbados por isso. A concordância e a gravidade dessas falhas significam que estamos agora em um momento crítico: o potencial de mudança é ilimitado e limitado apenas pela nossa imaginação - para o bem ou para o mal.

As sociedades poderiam estar prontas para se tornarem mais equitativas ou o contrário; voltada para mais solidariedade ou maior individualismo; favorecendo os interesses de poucos ou atendendo às necessidades de muitos; as economias, quando se recuperam, podem ser caracterizadas por uma maior inclusividade e mais sintonizadas com nossos bens comuns globais, ou podem simplesmente voltar aos negócios como de costume - agora revelado ser (de muitas maneiras) um status quo insustentável.

Aldeia piscatória flutuante na Baía de Lan Ha, Vietnã

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Haverá vontade coletiva suficiente para tirar proveito dessa oportunidade sem precedentes de reimaginar o mundo, numa tentativa de torná-lo melhor e mais resiliente à medida que surge do outro lado da crise? Esta é a questão fundamental da qual depende o sucesso do Grande Reinício. O escopo da mudança necessária é imenso, variando da elaboração de um novo contrato social à criação de uma colaboração internacional aprimorada. Imenso, mas longe de ser intransponível, como mostra o caso de um investimento inteligente no meio ambiente. O período pós-crise imediato oferece uma pequena janela para recuperar melhor, não desperdiçando os US $ 10 trilhões que os governos ao redor do mundo estão investindo para aliviar os efeitos da pandemia do COVID-19 . Uma maneira de investir de maneira inteligente é incorporar a resiliência climática e ambiental em pacotes de estímulo e programas de recuperação. Um documento político recente para o qual o Fórum Econômico Mundial contribuiu estima que a construção de uma economia positiva para a natureza possa representar mais de US $ 10 trilhões por ano até 2030 - em termos de novas oportunidades econômicas e custos econômicos evitados. No curto prazo, a implantação de cerca de US $ 250 bilhões em financiamento de estímulo poderia gerar até 37 milhões de empregos positivos para a natureza de uma maneira altamente econômica. A redefinição do meio ambiente não deve ser vista como um custo, mas como um investimento que gerará atividade econômica e oportunidades de emprego. Precisamos acertar o Grande Reinício. Os desafios diante de nós podem ser mais consequentes do que escolhemos imaginar até agora, mas nossa capacidade de redefinir também pode ser maior do que antes ousávamos ter esperança. Pará+

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A maior ameaça do mundo - e não é o coronavírus A riqueza é a maior ameaça ao nosso mundo, de acordo com um novo relatório científico e o Fórum Econômico Mundial pediu um grande reajuste do capitalismo após a pandemia A verdadeira sustentabilidade só será alcançada através de mudanças drásticas no estilo de vida

também existem bilhões de pessoas intimamente ligadas e totalmente dependentes de remédios e medicamentos naturais. Além disso, o uso de programas de plantação de árvores e reflorestamento poderia reduzir o impacto das emissões globais e ajudar a atender a meta de Acordo de Paris para manter aumento da temperatura global abaixo de 1.5°C .

Solicite alterações sistêmicas

Texto *Sean Fleming Fotos Natureza, WEF

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ma análise detalhada da pesquisa ambiental revelou a maior ameaça ao mundo: riqueza. Essa é uma das principais conclusões de uma equipe de cientistas da Austrália, Suíça e Reino Unido, que alertaram que combater o consumo excessivo deve se tornar uma prioridade. O relatório, intitulado Advertência dos cientistas sobre a riqueza, explica que a verdadeira sustentabilidade exige mudanças significativas no estilo de vida , em vez de esperar que o uso mais eficiente dos recursos seja suficiente. “Não podemos confiar apenas na tecnologia para resolver problemas ambientais existenciais - como mudanças climáticas, perda de biodiversidade e poluição”, escreve o principal autor do relatório, professor Tommy Wiedmann, da Universidade de Nova Gales do Sul da Austrália, em um artigo no Phys.org. “Também temos que mudar nossos estilos de vida afluentes e reduzir o consumo excessivo, em combinação com mudanças estruturais”.

“À medida que trabalhamos para reconstruir melhor, vamos colocar a natureza onde ela pertence - no centro de nossas decisões”. Aproximadamente metade do PIB global está vinculado ao mundo natural, de acordo com a ONU. Além dos muitos milhões de empregos dependentes da natureza,

A ameaça de danos ambientais causados pelo homem foi destacada no Relatório Global de Riscos 2020 do Fórum Econômico Mundial, onde está no top 10 dos riscos mais prováveis e de maior impacto. O principal problema delineado pelo relatório é que quaisquer ganhos em eficiência de recursos e proteção ambiental oferecidos por soluções baseadas

Um crescente desafio global

Há uma ampla aceitação de que o planeta enfrenta um ponto de inflexão ecológico. “Para cuidar da humanidade, precisamos cuidar da natureza”, disse o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, no Dia Mundial do Meio Ambiente, em junho. Ele enfatizou a importância de fazer mudanças à medida que o mundo se recupera da recente pandemia: 28

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Os estilos de vida sustentáveis estão situados entre um limite superior ou ‘teto ambiental’ e um limite inferior ou ‘base social’ www.paramais.com.br

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em tecnologia foram superados pelo crescimento do consumo. O relatório também afirma que talvez seja hora de repensar as idéias tradicionais sobre oferta e demanda Nas sociedades capitalistas, a teoria diz que a necessidade do consumidor impulsiona o resto da economia - as empresas produzirão apenas coisas para as quais há demanda. Mas a realidade do capitalismo global do século XXI é um pouco mais complexa do que isso - alguns economistas argumentam que o crescimento em si é o problema .

Hora de uma ótima redefinição

Escrevendo pouco antes do Dia Mundial do Meio Ambiente, o fundador e presidente executivo do Fórum, Professor Klaus Schwab, pediu uma grande redefinição do capitalismo após a pandemia de coronavírus.

As emissões globais, mostradas como a linha pontilhada verde, acompanham o aumento da produção (púrpura) e do PIB global (laranja).

Sua visão do grande reajuste inclui a criação de uma economia de partes interessadas, onde o mercado busca resultados mais justos para todos, sustentados por mudanças nas políticas tributárias, regulatórias e fiscais e novos acordos comerciais. Schwab também pede investimentos que promovam objetivos compartilhados, como igualdade e sustentabilidade. Isso é algo que já está ocorrendo em partes do mundo onde programas de estímulo econômico estão sendo promulgados. Além disso, Schwab nos exorta a enfrentar os desafios sociais e de saúde com as inovações possibilitadas pela Quarta Revolução Industrial. Isso significa mais colaboração pública / privada na busca do bem público. Muitas outras figuras importantes de todo o mundo se uniram a esse chamado, incluindo Sua Alteza Real o príncipe Charles, o príncipe de Gales. A pandemia devastou as famílias e paralisou as principais economias. Porém, ao direcionar recursos para sistemas e processos novos e aprimorados, em vez de reforçar os existentes, Schwab acredita que uma mudança duradoura para melhor é possível.

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A maior ameaça do mundo - e não é o coronavírus.indd 29

Essa crença é ecoada pelo relatório dos cientistas, que mostra que a riqueza é “realmente perigosa e leva à destruição em escala planetária”, diz a co-autora Julia Steinberger, professora de economia ecológica da

Universidade de Leeds. “Para nos proteger do agravamento da crise climática, precisamos reduzir as desigualdades e desafiar a noção de que as riquezas e aqueles que as possuem são inerentemente boas”.

Mudança relativa nos principais indicadores econômicos ambientais globais de 1970 a 2017

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Hormônio do amor pode prevenir surgimento de osteoporose Estudo indica que ocitocina pode ser aliada na prevenção da doença

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ocitocina, produzida pelo hipotálamo – também conhecida como “hormônio do amor” porque liberada em presença de parceiros –, pode ser também uma forte aliada no controle e na prevenção da osteoporose. Estudo realizado em ratas no fim do período fértil, na Universidade Estadual Paulista (Unesp), mostrou que o hormônio reverteu fatores que antecedem a osteoporose, como a diminuição da densidade e da resistência óssea e também de substâncias que favorecem a formação do osso. “Nosso estudo tem como enfoque a prevenção da osteoporose primária; por isso investigamos mecanismos fisiológicos que ocorrem no período pré-menopausa. Nessa etapa da vida da mulher, medidas de prevenção podem evitar que os ossos se tornem frágeis e que ocorram fraturas, o que poderia reduzir a qualidade e a expectativa de vida”, diz Rita Menegati Dornelles, coordenadora do Laboratório de Fisiologia Endócrina e Envelhecimento do Departamento de Ciências Básicas da Unesp em Araçatuba. O estudo, publicado na Scientific Reports, foi apoiado pela FAPESP. Dornelles ressalta que existem dois marcos hormonais importantes na vida da mulher: a puberdade e a perimenopausa (transição para a menopausa, que pode durar vários anos). 30

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Esses eventos marcam, respectivamente, o início e o término do período de fertilidade. “Estuda-se muito a pós-menopausa, quando a mulher deixa de menstruar. No entanto, as oscilações hormonais que ocorrem antes, na perimenopausa, já são bastante fortes e estão relacionadas com a diminuição gradual da densidade óssea. É preciso haver estudos visando a prevenção da osteoporose nessa fase, pois o período após a menopausa representa cerca de um terço da vida e deve ser vivido com qualidade” diz. No estudo, os pesquisadores aplicaram apenas duas doses do hormônio ocitocina – com 12 horas de diferença entre uma injeção e outra – em um grupo de 10 ratas Wistar.

Os animais tinham 18 meses de vida, algo incomum para estudos de laboratório, pois as pesquisas geralmente são realizadas com animais jovens submetidas a ovariectomia. Em média, ratos de laboratório vivem cerca de três anos. As fêmeas do estudo estavam no período da periestropausa, equivalente à perimenopausa humana, e em processo natural do envelhecimento. Após 35 dias de tratamento com ocitocina, foram analisadas amostras de sangue e do colo do fêmur dos animais. Houve também comparação desses dados com os de outras 10 ratas, também com 18 meses de vida, que não receberam o hormônio. Na comparação, os animais que receberam as doses de ocitocina apresentaram estrutura óssea sem sinais de osteopenia (perda de densidade óssea). O quadro foi diferente no grupo controle. “A ocitocina ajuda a modular o ciclo de remodelação óssea das ratas senescentes. Os animais que receberam o hormônio tiveram aumento dos marcadores bioquímicos associados à renovação do osso, como a expressão de proteínas que favorecem a formação e a mineralização óssea”, diz Dornelles.Na análise das amostras de sangue, foi possível observar maior presença de biomarcadores ósseos sistêmicos importantes, como a atividade da fosfatase alcalina. “Produzida por células osteogênicas, a substância está associada ao processo de mineralização. Observamos também redução de outra enzima (TRAP) associada à reabsorção óssea”, diz. As ratas que receberam ocitocina apresentaram ossos mais densos. “Verificamos que a região do colo do fêmur estava mais resistente, com menor porosidade, melhor resposta biomecânica de compressão, além de apresentar propriedades físico-químicas que garantiam maior densidade”, diz.

Secretada no osso

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Matriz Filial Filial Filial Cobaias que receberam ocitocina apresentaram ossos mais densos (à direita) www.paramais.com.br

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Resumo dos resultados. Alterações no colo do fêmur de ratos Wistar na periestropausa após o tratamento com OT

A ocitocina é um hormônio produzido no hipotálamo cerebral e foi caracterizada no início do século passado tendo sua liberação associada, sobretudo, ao parto e à amamentação. Estudos mais recentes mostraram que um número grande de células (além das hipotalâmicas) também secretam o hormônio. “A ocitocina é secretada por células ósseas e nossos estudos estão evidenciando sua associação com o metabolismo ósseo de fêmeas durante o processo de envelhecimento. Geralmente, mulheres no período pós-menopausa, com maior índice de osteoporose, apresentam concentrações mais baixas de ocitocina no plasma sanguíneo”, diz Dornelles. O grupo de pesquisadores da Unesp trabalha há 10 anos em estudos sobre o envolvimento da ocitocina no metabolismo ósseo. “Nesse tempo conseguimos caracterizar modelos animais que simulam o período da perimenopausa na mulher”, diz.

Aumento de fraturas

De acordo com projeções realizadas pela Organização Mundial de Saúde, haverá um aumento de 630% das fraturas de quadril (associadas à osteoporose) no Brasil, enquanto nos países desenvolvidos o aumento esperado será de 50%. “O aumento está relacionado ao envelhecimento da população, que tem taxas crescentes em função da qualidade de vida, nutrição e realização de atividade física, por exemplo, meios importantes de prevenção de doenças”, diz o pesquisador.

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No estudo, os pesquisadores analisaram especificamente a região do colo do fêmur, pois as fraturas de quadril têm ocorrência três vezes maior no organismo feminino. “As consequências dessas fraturas são muito drásticas, como dificuldade ou impossibilidade de locomoção e comorbidades”, diz. Dornelles ressalta que fraturas de quadril estão associadas a altas taxas de mortalidade relatadas. Até 24% das pacientes morrem no primeiro ano após a fratura de quadril e o risco aumentado de morte pode persistir por pelo menos cinco anos. “A perda de função e de independência entre os sobreviventes é profunda.

Em torno de 40% ficam incapazes de andar de forma independente, deste total, 60% necessitam de assistência um ano depois. Menos da metade daqueles que sobrevivem à fratura de quadril recupera seu nível anterior de função”, diz. Os pesquisadores pretendem realizar, no futuro, estudos clínicos sobre o efeito da ocitocina na prevenção de osteoporose em humanos. “O hormônio é produzido naturalmente no nosso organismo e já foi sintetizado em laboratório. Mesmo assim será necessário um longo estudo para avaliar a eficácia, a segurança e também para saber a dosagem mais indicada do hormônio”, diz Dornelles.

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A chave do anti-envelhecimento está em nossos ossos? Osteocalcina, um hormônio produzido nos ossos, poderia um dia fornecer tratamentos para problemas relacionados à idade, como perda de memória e músculo

Ossos são órgãos vivos, que desempenham um papel na regulação de uma série de processos corporais

Texto *IDavid Cox

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Erard Karsenty era um jovem cientista tentando fazer um nome para si mesmo no início de 1990 quando ele tropeçou em uma descoberta que viria a transformar a nossa compreensão do osso, e do papel que desempenha no nosso corpo. Karsenty interessou-se pela osteocalcina, uma das proteínas mais abundantes no osso. Ele suspeitava que isso tivesse um papel crucial na remodelação óssea - o processo pelo qual nossos ossos continuamente removem e criam novos tecidos - que nos permitem crescer durante a infância e a adolescência, além de nos recuperarmos de lesões. Com a intenção de estudar isso, ele conduziu um experimento genético por nocaute, removendo o gene responsável pela osteocalcina dos ratos. No entanto, para sua consternação, seus ratos mutantes não pareciam ter nenhum defeito ósseo óbvio. “Para ele, foi inicialmente um fracasso total”, diz Mathieu Ferron, um ex-aluno de Karsenty que agora dirige um laboratório de pesquisa estudando biologia óssea no ICRM em Montreal. “Naquela época, era muito caro fazer modificações no genoma do rato”.

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Mas então Karsenty notou algo inesperado. Enquanto seus ossos se desenvolveram normalmente, os ratos pareciam visivelmente gordos e prejudicados cognitivamente.

“Os ratos que não têm osteocalcina aumentaram a glicose circulante e tendem a parecer um pouco estúpidos”, diz Ferron. “Pode parecer bobagem dizer isso, mas eles não aprendem muito bem, parecem um pouco deprimidos. Mas Karsenty e sua equipe levaram algum tempo para entender como uma proteína no osso poderia estar afetando essas funções. Eles ficaram inicialmente um pouco surpresos e aterrorizados, porque isso realmente não fazia sentido para eles”. Quase 15 anos depois, Karsenty publicaria o primeiro de uma série de documentos históricos que revolucionariam nossa perspectiva sobre os ossos e o esqueleto em geral. Costumávamos ver nosso esqueleto principalmente como uma estrutura mecânica, cuja principal função é servir de andaime para o resto do corpo. Mas nossos ossos são muito órgãos vivos, que agora acreditamos desempenhar um papel na regulação de toda uma gama de processos corporais vitais, que vão da memória ao apetite, saúde muscular, fertilidade, metabolismo e muitos outros. “A ideia de que o osso é apenas um órgão simples, separado de tudo como tecido mineralizado, e que não se comunica - isso Osteocalcina, uma das proteínas mais abundantes no osso. Uma renderização digital do hormônio da construção óssea osteocalcina

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mudou”, diz Thomas Clemens, professor de cirurgia ortopédica no Johns Hopkins Center for Musculoskeletal Research. “Karsenty introduziu a idéia de que o osso está envolvido na comunicação com outros tecidos do corpo que não eram realmente compreendidos ou investigados antes”. Agora sabemos que os ossos se comunicam participando de uma rede de sinais para outros órgãos através da produção de seus próprios hormônios, proteínas que circulam no sangue. Os ratos de Karsenty o levaram a perceber que a osteocalcina era de fato um desses hormônios, e o entendimento de seus vínculos com a regulação de tantas dessas funções poderia ter implicações futuras em termos de intervenções em saúde pública. “A ideia de que o osso pode produzir um hormônio que afeta o metabolismo ou mesmo o fígado inicialmente foi um choque”, diz Ferron. “As pessoas não esperavam isso. Mas outros cientistas replicaram os resultados e até descobriram novos hormônios também produzidos pelos ossos. Ele abriu um campo completamente novo na pesquisa de ossos”. À medida que envelhecemos, todos nós inevitavelmente perdemos ossos. Pesquisas mostram que os seres humanos atingem o pico de massa óssea na faixa dos 20 anos; www.paramais.com.br

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a partir de então, é um lento declínio que pode levar a fragilidade e doenças como a osteoporose na velhice. Na última década, novas descobertas sugeriram que essa redução na massa óssea também pode estar relacionada ao enfraquecimento dos músculos - referidos em termos médicos como sarcopenia -, bem como aos problemas de memória e cognição que muitos de nós experimentamos à medida que envelhecemos. .

Isso parece estar conectado aos níveis de osteocalcina no sangue, através de seu papel como “regulador principal”, influenciando muitos outros processos hormonais no corpo. Pessoas muito ativas tendem a ter menos declínio cognitivo com a idade do que pessoas sedentárias “A osteocalcina atua no músculo para aumentar a capacidade de produzir ATP, o combustível que nos permite exercitar”, diz Karsenty. “No cérebro, regula a secreção da maioria dos neurotransmissores necessários para ter memória. Os níveis circulantes de osteocalcina declinam em seres humanos na meia-idade, que é aproximadamente o tempo em que essas funções fisiológicas, como memória e capacidade de exercício, começam a declinar. ” Mas, intrigantemente, nos últimos anos, Karsenty conduziu uma série de experimentos nos quais ele demonstrou que, aumentando os níveis de osteocalcina em camundongos mais velhos por meio de injeções, é possível reverter muitas dessas doenças relacionadas à idade. “A osteocalcina parece ser capaz de reverter as manifestações do envelhecimento no cérebro e nos músculos”, diz ele. “O que é notável é que, se você dá osteocalcina a ratos velhos, restaura a memória e recupera a capacidade de se exercitar nos níveis observados em um rato jovem. Isso o torna potencialmente extremamente atraente do ponto de vista médico”. Os cientistas também descobriram que, para os seres humanos, uma maneira de manter naturalmente os níveis desse hormônio no sangue, mesmo à medida que envelhecemos, é através do exercício, algo que faz sentido intuitivo, pois há muito se sabe que a atividade física tem propriedades antienvelhecimento . Ferron espera que essas descobertas possam ser usadas para apoiar mensagens de saúde pública sobre a importância de permanecer ativo até a meia-idade e mais tarde na vida. Osteocalcina dá aos músculos um ganho extra

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“Tratamentos como esse tendem a ser mais caros e mais difíceis, pois as injeções de proteínas não têm uma meia-vida muito longa”, diz Ferron. “Meu laboratório está desenvolvendo uma forma estabilizada de osteocalcina para que ela possa permanecer mais tempo no corpo, mas a melhor solução seria ter algum tipo de molécula farmacológica pequena que poderia ser colocada em uma pílula para atingir o receptor da osteocalcina e estimular sua atividade. Então essa é a ideia que vejo para o futuro”. Nossos são órgãos muito vivos, que desempenharmum papel na regulação de toda uma gama de processos corporais vitais, memória apetite, músculo saúde, fertilidade, metabolismo e muitos outros. imagem de micrografia eletrônica de um osso humano com osteoporose

“Se você se exercita regularmente, estimula seu osso a produzir mais osteocalcina, e isso terá esses efeitos benéficos no músculo e no cérebro”, diz ele. “A partir de estudos epidemiológicos, sabemos que pessoas muito ativas tendem a ter menos declínio cognitivo com a idade do que pessoas sedentárias. Com o tempo, talvez as pessoas estejam mais conscientes dessa conexão e pensem na saúde óssea como sendo tão importante quanto outros aspectos da manutenção da saúde”. Pesquisas em andamento nessa área também sugerem que exercitar mais durante a adolescência e o início da idade adulta pode continuar a ter um efeito protetor nos ossos e em outros aspectos da saúde muito mais tarde na vida. “Acho que isso poderia reforçar a mensagem de que é importante que as pessoas sejam ativas durante a adolescência e o início da idade adulta”, diz Ferron. “Isso significa que eles atingem um pico de massa óssea mais alto, o que os protege de problemas relacionados à idade relacionados ao declínio da osteocalcina”.

Utilizando hormônios ósseos para desenvolver novos medicamentos

A osteocalcina não é o único hormônio ósseo que chamou a atenção dos cientistas. Na Clínica Mayo, o Sundeep Khosla estuda um hormônio chamado DPP4, produzido por células nas camadas externas do osso, chamadas osteoclastos, e parece desempenhar um papel na maneira como o osso regula o açúcar no sangue.Khosla está particularmente interessado nesse hormônio porque o medicamento denosumab - que é prescrito clinicamente para pacientes com osteoporose para tentar diminuir a taxa de perda óssea - parece também ter um efeito positivo no DPP4. Em um estudo com pacientes com osteoporose em uso de denosumabe publicado no início deste ano , ele observou que aqueles que também sofrem de diabetes experimentaram uma melhora em seus sintomas.

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“Isso mostra que talvez esse medicamento possa tratar a osteoporose e o diabetes ao mesmo tempo”, diz Khosla. “Agora, estamos olhando para acompanhar essas observações e testá-las através de um estudo de controle randomizado”. No entanto, a osteocalcina, com seu potencial para evitar muitos aspectos do declínio relacionado à idade, continua sendo o principal tópico de interesse na pesquisa óssea. Dado que muitas pessoas ignoram as diretrizes de saúde pública relacionadas ao exercício físico - em 2017, a British Heart Foundation relatou que cerca de 20 milhões de adultos no Reino Unido são insuficientemente ativos - Karsenty está trabalhando em um meio de aumentar artificialmente os níveis de osteocalcina no sangue e tem chegou a registrar uma patente para usá-lo no tratamento de distúrbios cognitivos. “Isso não é fácil, mas o que esperamos fazer é entregar a osteocalcina talvez desenvolvendo uma molécula que regula a osteocalcina”, diz ele. “Estamos explorando várias maneiras de fazer isso, mas a ideia seria eventualmente ter algo que pudesse ser usado para tratar doenças relacionadas à idade, como sarcopenia e declínio da memória. Isso realmente beneficiará mais os idosos, mas qualquer pessoa com um declínio na função muscular, por causa de uma fratura no quadril ou outra condição, também pode se beneficiar desse tratamento. ” Ferron diz que esse tratamento seria diferente dos medicamentos atuais projetados para melhorar a saúde óssea na osteoporose, pois eles só funcionam bloqueando a perda óssea. Um medicamento direcionado à osteocalcina visa alcançar maiores benefícios à saúde, estimulando o ganho ósseo. No entanto, ainda existem muitos obstáculos a serem superados. Por exemplo, é improvável que simplesmente injetar uma forma de osteocalcina seja suficiente para alcançar um benefício terapêutico em humanos.

O exercício regular estimula o osso a produzir mais osteocalcina

Mas as descobertas de Karsenty também levaram os cientistas a ponderar uma questão um tanto profunda: como os ossos desenvolveram a capacidade de produzir hormônios como a osteocalcina em primeiro lugar? O próprio cientista acredita que a resposta está profundamente no nosso passado evolutivo. “Eu acho que a evolução inventou a osteocalcina como um hormônio de sobrevivência”, diz ele. “Porque para escapar dos predadores, você precisa que seus ossos possam sinalizar para que seus músculos corram, o que é mediado pela osteocalcina. Para sobreviver, você também precisa se lembrar de onde encontrar comida ou onde havia um predador há uma hora atrás, e esses processos de memória são regulados pela osteocalcina. Cada vez mais, pensamos que ele evoluiu como um hormônio para ajudar os animais a escapar do perigo”. www.paramais.com.br

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