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SOMBRA E ÁGUA FRESCA

Vol. 2, Nº. 4/ 2018

Ambiente de qualidade garante bem-estar dos suínos

AGRO+

OVOS

Biossegurança para uma produção com menos riscos

Coperaguas: o feijão que ultrapassou fronteiras

SUSTENTABILIDADE

A ONDA VERDE NO AGRO Da propriedade rural às grandes indústrias, a preocupação ambiental está revolucionando. Produzir mais, poluindo menos e aumentando os lucros é o grande desafio do mercado. Conheça nesta edição cases de quem já aderiu ao movimento.

MERCOAGRO 2018

Projeção em negócios de US$ 160 milhões


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CARTA DA EDITORA

VERDE QUE TRANSFORMA Não é de hoje que o tema sustentabilidade integra as ações de grandes corporações, é pauta de discussões e compõe currículos escolares. Esta onda verde também chegou ao campo e vem transformando conceitos, paisagens e até planilhas de lucros. Preocupar-se com o Meio Ambiente deixou de ser tema de discurso para tornar-se prática constante, da propriedade rural à indústria. Empresas modelo em sustentabilidade corporativa e uma incrível fazenda do Paraná integram a reportagem de capa desta edição, que para nós, é muito especial. Há um ano circulava a primeira Agro&Negócios. Que desafio! Em um período em que o agronegócio brasileiro é penalizado por reflexos distorcidos de operações policiais e o protecionismo rompe relações comerciais, ousamos em trazer um produto de qualidade, que já consolida-se como porta-voz da cadeia produtiva do Sul do país. Nosso sentimento é de orgulho e gratidão. Ao mesmo tempo em que a desaceleração no crescimento da China, os embargos russos e da União Europeia causam insegurança, nos preocupamos em mostrar o lado bom da crise: criadores que trazem tecnologia para sua propriedade e não medem esforços para cumprir com os critérios de bem-estar animal. Indústrias, que mesmo obrigadas a demitir funcionários em razão da queda no faturamento, buscam novos mercados. Governo e entidades que se unem para fortalecer o setor, hoje tão fragilizado.

Em meio a tantas dificuldades, nascemos para evidenciar e valorizar o potencial do agronegócio. Estamos aqui para mostrar que somos FORTES. Não tenho dúvidas, de que em pouco tempo, os números voltarão a crescer, como nunca! Aliás, em uma grande reportagem desta edição, mostramos as lições das crises e o que o setor vem fazendo para driblar os desafios. E por falar em vislumbrar outros rumos, inauguramos a editoria Agro+ revelando a trajetória de sucesso da Coperaguas, que apostou no feijão para tornar-se a maior exportadora de pulses do Brasil. A história é surpreendente! Nesta edição apresentamos um conteúdo exclusivo sobre a Mercoagro 2018, maior feira de processamento de carne da América Latina. Realizamos também a cobertura do 11º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura, evento de alta qualidade técnica e reconhecimento internacional. Aves, suínos, bovinos de leite e corte, além de grãos, são personagens de reportagens e artigos técnicos de alta qualidade. Nos preocupamos em contemplar toda cadeia porque o Sul, com seu enorme potencial de produção, destaca-se em todos os setores. Desta forma, cumprimos com nossa missão: bem informar e valorizar o que é NOSSO! Lhe desejo uma ótima leitura, na expectativa de mais um ano espetacular!

Paula Canova . Editora

EXPEDIENTE ADMINISTRAÇÃO E REDAÇÃO RUA RUI BARBOSA, 1284-E CENTRO | CHAPECÓ (SC) CEP: 89.801-148 (49) 99975-2025 (49) 98418-9478 redacao@santacomunicacao.com

DIRETORA DE REDAÇÃO PAULA CANOVA | MTB 02111 JP paula@santacomunicacao.com DIRETORA COMERCIAL RAFAELA MUNARETTO | MTB 05726 JP rafaela@santacomunicacao.com DIRETORA DE ARTE BIA GOMES PROJETO GRÁFICO DOGLISMAR MONTEIRO REPORTAGEM DA CAPA DARLEI LUAN LOTTERMANN

FOTO DE CAPA ISTOCK

REPRESENTANTE LOCAL R3 PRODUÇÕES - (49) 99987–0580

PROJETOS ESPECIAIS LA VIA COMUNICAÇÃO – JAQUE BASSETTO VERUSKA TASCA

COLABORADORES DESTA EDIÇÃO AMAURI ALFIERI, ANDRÉA SILVESTRIM, CAROLINE DALLACORTE, DOMINGOS MARTINS, ELDEMAR NEITZKE, EMERSON ALVES, FELIPPE SERIGATI, JACIR JOSÉ ALBINO, JOÃO GABRIEL ROSSINI ALMEIDA, JORGE LUDKE, JOSÉ CARLOS DE FIGUEIREDO PANTOJA, JOSÉ ZEFERINO PEDROZO, JÚLIA POMPEO DE MENDONÇA, LETIERI GRIEBLER, MARCELA TRONCARELLI, MARCELO LARA, MB COMUNICAÇÃO, RICARDO FANTINELLI, ROBERTA POSSAMAI, RODRIGO BARICHELLO, TÁUBITA DE SORDI, WILLIAN BRODBECK

REPRESENTANTE COMERCIAL SANTA CATARINA MW COMUNICAÇÃO (48) 9 96394509 agromidianegociossc@gmail.com

A Revista Agro&Negócios é uma publicação quadrimestral, destinada ao segmento do agronegócio do Sul do país e abrange a cadeia produtiva desde as propriedades, instituições, universidades, entidades, até a indústria. Os artigos assinados e materiais publicitários não representam, necessariamente a opinião da editora. Não é permitida a reprodução total ou parcial dos conteúdos, sem prévia autorização.

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FOTO: CÉSAR MACHADO/AGROSTOCK

SUMÁRIO

ARTIGO TÉCNICO Importância da análise nutricional para formulações de dietas balanceadas

SETEMBRO DE 2018

Página 56

FOTO: ARQUIVO PESSOAL

SUÍNOS 30 ARTIGO TÉCNICO Rotavírus: um vilão que pode ser combatido 38 SBSS 2018 Conhecimento e networking em um grande evento

AVES 42 OPINIÃO Mais frango, por favor! 44 OVOS Biossegurança para uma produção com menos riscos

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BOVINOS

CAPA

SUSTENTABILIDADE FOTO: SHUTTERSTOCK

A onda verde que invadiu o Agro

Dúvidas de leitores esclarecidas por experts na editoria FALE COM O ESPECIALISTA

50 ARTIGO TÉCNICO Monitoramento da qualidade do reflexo da ejeção de leite 54 DEVON Fertilidade e alto rendimento

ECONOMIA 67 LIÇÕES DA CRISE Como o mercado vem se comportando diante de tantas ameaças

GRÃOS 72 MILHO EM SC Uma conta que não fecha

COOPERATIVAS

SUÍNOS

34

Sombra e água fresca: Saiba a importância da temperatura adequada para saúde dos animais

23

ESPECIAL MERCOAGRO 2018 Maior feira em processamento de carnes da América Latina deve gerar US$160 milhões em negócios

8 AGRO&NEGÓCIOS | SETEMBRO 2018

62 Confira as novidades das cooperativas do Sul do país

NOVIDADE 12 PRODUTOS Confira os lançamentos para bem-estar, nutrição e saúde animal 20 VITRINE Conheça os profissionais que são destaque no mercado 58 AGRO+ Coperaguas: o feijão que ultrapassou fronteiras


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FEEDBACK A quarta edição da Agro&Negócios marca o primeiro ano de circulação da revista. Para valorizar quem acompanha a publicação, reservamos este espaço especial onde compartilhamos comentários de nossos leitores. Entre em contato conosco através de nossas Redes Sociais. Queremos saber sua opinião! EXCELÊNCIA EDITORIAL Gostaria de parabenizar pela excelência editorial, com temas interessantes, muito bem abordados e também qualidade de arte final. Realmente uma revista excelente e de leitura prazerosa. Amauri Alfieri – Médico veterinário Laboratório de Virologia Animal da Universidade Estadual de Londrina Londrina (PR)

RECOMENDO Recebi a Agro&Negócios em minha propriedade. Adorei e recomendo! São várias entrevistas interessante para os dias atuais, com muitas reportagens sobre o campo, feiras e diversos assuntos ligados ao agronegócio. Parabéns a toda equipe! Ricardo Marangone - Produtor Rural Bebedouro (SP)

REFERÊNCIA NO SETOR Parabéns pelo trabalho de toda equipe. Ótimo conteúdo. A revista já assumiu uma referência no setor Agro. Emerson Alves – Diretor da AgroUrbano Porto Alegre (RS)

NA REDE Super interatividade no post de comemoração ao Dia do Agricultor.

FONTE DE PESQUISA Tenho todas as edições da Revista Agro&Negócios guardadas em minha biblioteca de pesquisa, onde estão à disposição de produtores rurais e colegas de serviços técnicos. Parabéns, a Revista é maravilhosa! Ubiratã da Costa – Engenheiro Agrônomo Erechim (RS)

CONTEÚDO TÉCNICO Gostei muito dos conteúdos técnicos. Parabéns pela Revista. Katiussa Cipriani – Engenheira Agronôma da Fecoagro São Francisco do Sul (SC)

FOTO: ROMALDO BITENCOURT

NA BIBLIOTECA Ficamos muito felizes com esta foto! Quem enviou foi o técnico em Agropecuária, Romaldo Bitencourt, responsável pela Biblioteca Comunitária Rural de São Manoel, em Ipiranga (PR). Recebemos o pedido de exemplares e prontamente atendemos! A revista já está disponível para leitura e pesquisas dos agricultores paranaenses ! Agradecemos o registro.

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Revista Agro&Negócios

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PRODUTOS

ESPECIAL SBSS 2018

Nesta edição da Agro&Negócios lançamos a EDITORIA PRODUTOS para apresentar as novidades do mercado e os avanços da indústria na busca pela saúde e bem-estar animal. E não poderíamos iniciar de maneira melhor: os produtos que você confere foram apresentados durante a 10ª Pig Fair que integrou a programação do 11º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura, onde nossa equipe realizou cobertura jornalística especial. Confira:

Imunização contra a circovirose suína

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ntre os produtos apresentados durante a Pig Fair, a Venco Saúde Animal destacou a PRO-VAC Circomaster One Shot, uma vacina recombinante de subunidade indicada para a imunização contra a circovirose suína. O produto teve sua formulação desenvolvida utilizando apenas a porção mais antigênica do Circovírus suíno, a ORF 2. Com isso, garante uma maior resposta imune dos animais, menor risco de interferência materna pelo colostro e uma proteção prolongada aos suínos com uma dose única. Para o suinocultor, além dos benefícios de proteger seu plantel, a aplicação do produto em dose única implica em redução de manejo dos animais e, consequentemente, menor estresse. O produto pode ser aplicado em leitões entre 3 e 4 semanas de idade, promovendo um aumento no nível de anticorpos e redução da viremia na granja. A PRO-VAC Circomaster garante a prevenção da Circovirose suína e de seus prejuízos, com dose única e máxima eficácia.

SEGURANÇA VACINAL

Hipra destaca vacinas

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urante a Feira, a Hipra apresentou diversos produtos, com destaque para a Eryseng Parvo/Lepto, vacina inativada contra eripsela suína, parvovirose e leptospirose, em suspensão injetável. Com o objetivo de conscientizar os visitantes, a gerente de marketing, Gabriela Ibanez explica que o principal ponto na hora de tratar os suínos é a segurança vacinal. “É preciso ter um produto que tenha eficácia, cause proteção e aumente a produção de anticorpos do animal”. Com essas três qualidades, a Eryseng Parvo/Lepto é uma referência no assunto.

FOTO: PAULA NAVARRO

VENCO

DOSATAK

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FOTO: PAULA NAVARRO

uando o assunto é dosagem de líquidos, muitos criadores enfrentam problemas. Para facilitar o processo, a Kobra apresentou na 10ª Pig Fair o dosador de medicamentos Dosatak. Produzido com materiais de alta performance, o produto conta com um sistema hidro motriz por diafragma, aumentando a sua durabilidade. Segundo o assessor técnico da empresa, Diomar Barro, o dosador foi pensado especialmente para o uso de medicamentos brasileiros, que apresentam uma composição e textura diferente dos estrangeiros. “Sempre aconteciam problemas , pois os dosadores eram importados. Com isso a Kobra pensou na solução”.

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SAFEEDS

Novo regulador de PH

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ensando em soluções inovadoras para o mercado, a Safeeds lançou o produto PH2O, um aditivo regulador de acidez que reduz o PH da água. Tendo como composição uma combinação sinérgica de ácidos orgânicos, ele também promove o efeito bactericida à segurança dos equipamentos. O gestor de qualidade, Caio Tellini, explica que o PH2O promove uma série de benefícios ao animal, como redução da Salmonella e controle de outros microrganismos patogênicos presentes na água.

FOTO: PAULA NAVARRO

A solução em dosagem de líquidos pensada pela Kobra


Imeve lança aditivo probiótico

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FOTO: PAULA NAVARRO

QUALIDADE INTESTINAL

saúde e nutrição animal são a principal preocupação da Imeve. E para a 10ª Pig Fair, a novidade foi o aditivo probiótico DBI Sui. O produto tem como objetivo melhorar a qualidade entérica do suíno, gerando uma melhor digestibilidade e absorção do alimento. O gerente técnico da empresa, Renato Giacometti, explica que o DBI Sui foi pensado conforme a exigência do mercado, de reduzir o uso de antibióticos e aumentar a qualidade intestinal do animal.

BAYER

APP para monitorar saúde dos suínos

FOTO: PAULA NAVARRO

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urante a 10ª Pig Fair, a Bayer apresentou o aplicativo BCS SowDition. Disponível gratuitamente para Android e iOS, é possível utilizar o programa para indicar a condição corporal dos suínos, como saúde, bem-estar e fertilidade. Com apenas uma foto do posterior da fêmea, o aplicativo realiza uma análise e fornece uma pontuação de escore corporal, que vai de 1 a 5. Com isso, o produtor pode saber se o animal está muito magro ou muito gordo. “Além de dar esse resultado individual, é gerado um relatório geral para saber o padrão da granja”, explica o brand manager da empresa, Marcio André Dahmer.

EVANCE

1ª bebida isotônica proteica para suínos

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om o objetivo de reduzir a mortalidade pré-desmame e levar mais saúde intestinal ao animal, assim como retorno financeiro ao produtor, a Evance lançou na 10ª Pig Fair a primeira bebida isotônica para suínos. Chamada de Tonisity Px, o líquido conta com um sabor agridoce, fazendo com que os leitões consumam com mais facilidade. Ainda segundo pesquisa realizada pela empresa, os leitões consomem a solução desde o 2º dia de vida. Além de ser um complemento na amamentação, o produto ajuda na transição do desmame, diminui o estresse na hora do transporte do animal e auxilia na administração de preparações orais amargas.

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CAPA

SUSTENTA A ONDA VERDE

NO AGRO

Da propriedade rural às grandes indústrias, a preocupação ambiental promove grandes revoluções. Produzir mais, poluindo menos e aumentando os lucros é o desafio de quem aposta na sustentabilidade. Por Darlei Luan Lottermann 14 AGRO&NEGÓCIOS | SETEMBRO 2018


Meu avô sempre teve essa consciência ambiental. Eu só aprimorei e dei continuidade. Tabata Stock

BILIDADE A

gricultura e meio ambiente já foram grandes rivais. Hoje, estão de mãos dadas. O advento tecnológico e as catástrofes naturais acenderam o sinal de alerta para os temas ambientais e incentivaram esta aproximação. Até porque, um depende do outro. De nada adianta produzir e não ter reservas naturais, solo produtivo, água potável, ecossistema, clima favorável e animais. Nunca se falou tanto em sustentabilidade. Principalmente, quando o desafio atual da agricultura mundial consiste em aumentar a produção de alimentos sem refletir em impactos negativos ao meio ambiente. A produção sustentável de bens agrícolas suficientes e de elevada qualidade só é possível com o uso seguro da terra, sem esquecer da tecnologia e pesquisa que são ferramentas importantes para o desenvolvimento sustentável.

Das iniciativas que mobilizam grandes corporações até ações singelas do dia-a-dia, a preocupação com o meio ambiente inicia ainda no campo. Um bom exemplo é a Fazenda Rio do Pedro, em Santa Maria do Oeste (PR), que tem 1.385 hectares e concilia agricultura com áreas de florestamento e projetos sustentáveis. A propriedade foi campeã nacional de sustentabilidade no Prêmio Fazenda Sustentável, entregue pela Revista Globo Rural. Na 4ª edição, o concurso teve como principal critério o uso múltiplo da terra, a partir das boas práticas agropecuárias e eficiência no uso de recursos. Essa consciência não vem sendo construída com a nova geração da família Stock, e, sim, desde a colonização europeia na região. “Meu avô sempre teve essa consciência ambiental, isso não é uma coisa nova vinda de mim. Eu só aprimorei e dei continuidade”, conta Tabata Stock, que está à frente da propriedade junto com o pai Ernesto Stock. FOTO: ARQUIVO PESSOAL

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CAPA

Além da fazenda Rio do Pedro, a família administra outras três, que têm como fonte de renda, a agricultura e a pecuária e funcionam de forma integrada. “A gente quer usar o máximo que podemos da terra. Toda área que não é agricultável nós entramos com a integração da agropecuária e pinus”. A sustentabilidade da fazenda pode ser resumida em um tripé social, ambiental e econômico. São aplicados projetos sociais, o solo é cultivado e é realizada a prevenção de tragédias, separação do lixo e destinação correta de resíduos contaminados. Sem falar que a área de preservação é maior que a lei exige. Diante desse bom exemplo, o engenheiro agrônomo da Epagri, Ruan Benvenutti ressalta que as empresas estão trabalhando cada vez mais com uma visão mais sustentável, principalmente as que são do ramo agrícola. Na visão dele, existem bons exemplos, mas ainda são poucos, pois é um processo lento e leva bastante tempo. “Na produção de leite temos o pasto perene, que elimina as queimadas, evitando a erosão, assoreamento de rios e liberação de dióxido de carbono. Na produção de grãos, nós temos o plantio direto – um sistema diferenciado de manejo do solo, visando dimi-

CAMPO LIMPO Com 411 unidades de recebimento em todo país, o Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV), que representa o setor fabricante de defensivos agrícolas, promove a correta destinação dos recipientes destes produtos. Confira os benefícios deste trabalho:

FAZENDA RIO DO PEDRO EM NÚMEROS

55 hectares são de florestas

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165

nuir o impacto da agricultura e das máquinas agrícolas”. Ele acrescenta que é preciso achar um ponto de equilíbrio, em que se possa ter lucros, mas ao mesmo tempo não agrida o

meio ambiente a ponto de destruir e não conseguir mais produzir. “Se não for pelo amor, vai ser pela dor. Por isso as pessoas estão mais conscientes. É possível ter lucros tendo consciência ambiental”.

Evitou o correspondente à geração média de resíduos de uma cidade de

2,5

milhões

hectares de áreas preservadas

hectares de pastagens para criação de gado da raça angus

plantadas

Energia economizada: o suficiente para abastecer

575

hectares de área total

hectares dedicados à produção de soja e milho

500 mil

de casas durante um ano

habitantes durante 11 anos

Emissões evitadas:

94%

625 mil

das embalagens plásticas primárias comercializadas no Brasil são destinadas pelo inpEV

625

Fonte: InpeV com dados de 2002 a 2017

1.385

590

mil

t CO2

1,4

toneladas de embalagens receberam destinação correta

milhão de barris de petróleo deixaram de ser consumidos.


O QUE DEIXAMOS DE POLUIR A Fundação Espaço Eco® (FEE®) mensurou de 2002 a 2016, a contribuição que a destinação correta das embalagens vazias de defensivos agrícolas gera ao meio ambiente e à sociedade.

RESÍDUOS

410

FAZENDA NOSSA SENHORA APARECIDA

mil toneladas de embalagens vazias receberam destinação

O trabalho começou há 18 anos, com o Oli e sua esposa Edileusa, quando o casal saiu de Campo Mourão (PR) para se aventurar no Cerrado brasileiro. Hoje, além dos 25 funcionários, contam com o apoio dos filhos Kaio, agrônomo, e Henrique, advogado. A família acredita que a chave para o sucesso na agricultura é implementar novas tecnologias e conectar os aspectos sociais e ambientais como forma de mostrar que, com a agricultura moderna, a sustentabilidade é possível. Quesitos como boas práticas agrícolas, agricultura de precisão, gestão integrada de

EMISSÕES

57 mil toneladas de CO2 deixaram de ser emitidos

ÓLEO E GÁS

1,3 mil barris de petróleo

“Estamos colaborando para que os agricultores em todo o mundo possam produzir mais e melhor”, Gerhard Bohne.

plantas daninhas, manejo integrado de doenças e pragas, e monitoramento e controle de nematoides estão sendo implantados no local. Além disso, há um trabalho ligado ao estudo e conservação dos polinizadores, em especial as abelhas.

foram poupados

BONS EXEMPLOS

FOTO: DIVULGAÇÃO

BAYER - FORWARDFARMING NO BRASIL

A Bayer inaugurou a primeira ForwardFarming no Brasil. A fazenda Nossa Senhora Aparecida, localizada a cerca de 150 km de Brasília, e pertencente à família Fiorese, é a segunda participante do projeto na América Latina. A família está na região desde 1995, e hoje produz soja, milho, feijão, trigo e sorgo em seus 2.700 hectares. O Bayer ForwardFarming é uma iniciativa que promove a sustentabilidade em propriedades agrícolas em todo o mundo. Atuando em parceria com agricultores locais, a empresa fomenta boas práticas no campo para atender a demanda mundial de produzir mais e melhor. “Importante destacar que o projeto entende que a sustentabilidade possui três pilares: econômico, social e ambiental. Com isso, o Bayer ForwardFarming pretende colaborar para que os agricultores em todo o mundo possam produzir mais e melhor, con-

FOTO: ASSESSORIA DE IMPRENSA BAYER

tribuindo para o objetivo comum de alimentar a crescente população mundial, que será de quase 10 bilhões de pessoas em 2050”, ressalta Gerhard Bohne, COO interino da divisão Crop Science da Bayer no Brasil. Oli Fiorese, proprietário da fazenda, ressalta que aceitou o desafio de fazer parte da iniciativa, pois se preocupa com o futuro da agricultura e dos negócios de sua família. “Meus filhos foram essenciais para que eu tomasse essa decisão, e estou confiante de que as tecnologias e inovações que estamos trazendo irão nos colocar 10 anos à frente”.

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CAPA

VENCO SAÚDE ANIMAL

A Venco Saúde Animal, com 30 anos de mercado, possui mais de 60 produtos entre soros, vacinas e medicamentos para pequenos e grandes animais. A empresa também está preocupada com o meio ambiente e por isso realiza boas práticas sustentáveis para conservação do planeta. Conheça os projetos:

PROJETO COMPOSTAGEM Consiste na reciclagem de uma parte do resíduo orgânico gerado na Venco, tendo como produto final adubo orgânico, valioso e eficiente insumo utilizado na produção agrícola da Filial Sítio das Cobras. Em 2017, mais de 5 toneladas de resíduo orgânico foram destinadas para esse fim. O mesmo sistema também recebe as carcaças de animais que entraram em óbito na propriedade, método eficiente e ambientalmente correto para decomposição desses resíduos. Na visão da Venco, o papel da empresa está na conscientização para a preservação do meio ambiente e como ações futuras estão a melhoria contínua no uso de recursos naturais, redução no volume dos resíduos produzidos e das emissões de gases de efeito estufa.

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FOTO: CESAR MACHADO/AGROSTOCK

PROJETOS RECICLAR E DESTINO CERTO Incentiva os colaboradores a armazenarem o óleo de cozinha em garrafas Pet. O óleo armazenado é levado por uma empresa devidamente licenciada, responsável por dar o destino adequado. Para cada dois litros de óleo encaminhados para a Venco, o colaborador recebe um frasco de detergente neutro. Em 2017, mais de 100 litros de óleo foram destinados corretamente através deste projeto. A Venco também preocupa-se com o lixo eletrônico. Com a ajuda dos colaboradores, no ano passado, foram recolhidos mais de 50 quilos de sucata eletrônica.

JBS

Entre as inúmeros ações desenvolvidas pela JBS, maior empresa mundial na produção de proteínas, estão critérios rigorosos na aquisição dos bovinos. Fazendas habilitadas a fornecer os animais não podem estar localizadas em áreas de desmatamento, terras indígenas ou áreas de conservação ambiental Para atestar a conformidade com tais critérios, as operações da JBS passam por auditoria independente todos os anos. A Companhia também desenvolve, em parceria com o Greenpeace, planos anuais de

trabalho para buscar melhorias a seus processos socioambientais. Através do Sistema de Monitoramento Socioambiental de Fornecedores de Bovinos, são verificadas as condições de cada fornecedor, o que permite identificar e bloquear fazendas que não estejam em conformidade com os critérios socioambientais da empresa. Por meio do uso de imagens de satélite, mapas georreferenciados das fazendas e acompanhamento de dados oficiais de órgãos públicos, a JBS analisa, todos os dias, cerca de 40 mil fornecedores de gado localizados na região da Amazônia Legal.


Desafio da agricultura mundial consiste em aumentar a produção de alimentos sem aumentar os impactos negativos ao meio ambiente.

“Segurança alimentar é um dos maiores desafios da humanidade neste século”, afirma o pesquisador da Embrapa Cerrados e coordenador da rede Agrohidro, Lineu Neiva Rodrigues. Para ele, o desafio atual da agricultura mundial consiste em aumentar a produção de alimentos sem aumentar os impactos negativos ao meio ambiente. É certo que o incremento de produção necessária para suprir o aumento de demanda terá de vir da intensificação de terras agrícolas já existentes. Ele invoca alguns questionamentos, tais como: quanto a agricultura pode ser inten-

sificada e ainda ser sustentável? Qual o impacto das mudanças no clima, do uso e da cobertura da terra nos recursos hídricos nos diferentes biomas brasileiros e os seus efeitos na sustentabilidade ambiental e econômica das comunidades rurais? Para Rodrigues, a sustentabilidade ainda é um grande desafio. A contaminação dos recursos hídricos por poluentes orgânicos e metais pesados é um problema crescente em diversas bacias hidrográficas, aumentando a importância de estudos hidrogeoquímicos, principalmente em mananciais próximos a grandes centros urbanos. “Independente dos avanços que foram observados em outras áreas do conhecimento, como a biotecnologia, produzir ali-

Para pesquisador da Embrapa, Lineu Neiva Rodrigues, sustentabilidade ainda é um grande desafio

FOTO: AGÊNCIA BRASIL

SUSTENTABILIDADE: AINDA UM GRANDE DESAFIO

mento continuará a demandar quantidades significativas de água, recurso que, por sua vez, é de grande importância também para outros setores da sociedade. Por isso, será cada vez mais importante tratar a água como um bem estratégico para o país”, finaliza o pesquisador. 

INDICADORES DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL NO BRASIL O último levantamento para construção dos Indicadores de Desenvolvimento Sustentável no Brasil, de 2015, aponta que na cadeia produtiva do agronegócio foram registrados avanços quando o assunto é meio ambiente. Mas também mostra números preocupantes. Confira os dados:

Aumentou em 65%, de 1990 e 2005, a emissão de dióxido de carbono (CO2). Na agricultura, houve alta no lançamento de gases como metano e óxido nitroso.

Entre 1991 e 2013 diminuiu o desmatamento no Brasil. Em 1991 foram desmatados 11.030 km² de floresta. Em 2013 foram 5.843 km².

A quantidade de agrotóxico entregue ao consumidor final mais que dobrou entre 2000 e 2012. Em 2002, foram comercializados 2,7 quilos por hectare. Em 2012, esse número chegou a 6,9 kg por hectare.

A participação de energia não-renovável na matriz energética brasileira cresceu de 56,1%, em 2003, para 57,6%, em 2012.

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VITRINE Além de alta tecnologia, o mercado Agro exige profissionais altamente capacitados que têm a missão de contribuir para evolução de um setor competitivo e de elevada produtividade. E para dar destaque a estes profissionais, lançamos a editoria Vitrine, que nesta edição, apresenta registros especiais realizados durante o 11º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura. WEAN UP

Nova linha de produtos Wisium

Estiveram presentes na 10ª Pig Fair o gerente internacional de suínos, Francesc Payola e o gerente de produtos suínos, Silvano Bünzen, da empresa Wisium, que lançou a Wean Up. A linha inovadora em conceitos de nutrição de precisão oferece ração pronta, núcleos e concentrados para a completa nutrição de leitões.

EXPANSÃO

Salus em crescimento

Durante o SBSS 2018, o gerente de marketing e P&D, Ronnie Dari, da Salus falou sobre a participação da empresa no mercado, que em 2015 inaugurou sua fábrica de premixes e núcleos e nos últimos três anos, aumentou sua linha de produtos. “Como consequência, conquistamos novos clientes e, assim, mantivemos um ritmo firme de crescimento”, comentou Ronnie.

COMEMORAÇÃO

10 anos da NutriQuest Os 10 anos da NutriQuest foram destaque na 10ª Pig Fair. A indústria fornece aditivos que auxiliam os produtores a vencer os desafios nutricionais da produção animal. Além de "know-how" e desenvolvimento tecnológico, seus produtos se diferenciam pela eficácia que desempenham no campo. Quem fala sobre esta trajetória é o gerente de mercado de suínos, Sérgio Guastale.

ALGAS MARINHAS

Inovação Olmix

6 ANOS NO BRASIL

FOTOS: PAULA NAVARRO

Programas Nutricionais De Heus

Quem passou pelo stand da De Heus teve a oportunidade de conhecer mais sobre os benefícios dos programas nutricionais e diferenciais de desempenho obtidos com o inovador conceito de fábrica dedicado à nutrição de animais jovens, trazido pela empresa para o Brasil. A De Heus completa seu sexto ano no Brasil e atua em mais de 75 países. Na foto, os supervisores da região sul, Edson Reolon, Paulo Schmidt e Andre Simon, junto com o representante da empresa, Marcus Alvarenga.

20 AGRO&NEGÓCIOS | SETEMBRO 2018

A empresa Olmix, pioneira no desenvolvimento de soluções à base de algas marinhas, também marcou presença no SBSS 2018. A gerente comercial, Mariel Neves Tavares integra a equipe de Animal Care que prestigiou o evento.


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OPINIÃO Por Eldemar Neitzke

FOTO: SHUTTERSTOCK

A gestão da empresa rural não é um modismo, mas uma necessidade diante do panorama atual

A IMPORTÂNCIA DA GESTÃO DO

AGRONEGÓCIO Eldemar Neitzke É formado em Administração, com Mestrado em Gestão Estratégica, MBA em Marketing Estratégico e pós-graduado em Gestão Empresarial Diretor da N & N Gestão de Estratégias Comerciais

O

agronegócio é uma das atividades de extrema importância para o nosso PIB, com participação conforme o CEPEA de 21,58% em 2017. É um setor que vivencia constantes desafios e superações, para fazer frente às demandas internas e externas do mercado consumidor. Os imigrantes que chegaram na Região Sul do Brasil encontraram oportunidades a serem exploradas, uma grande variedade e disponibilidade de recursos naturais e mão de obra familiar disponível. Assim, por vários anos o extrativismo foi fonte de renda, porém, as luzes das cidades e suas oportunidades bem como as novas exigências da legislação ambiental favoreceram o aumento do êxodo rural. Hoje, o Brasil possui segundo o IBGE, 15,65% da população residindo no campo, todavia deverá seguir a

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tendência do cenário europeu e americano, que possuem em média 2% de sua população nesse mercado. A população rural está envelhecendo, existindo uma falta de sucessão para a continuidade das atividades. Atualmente, o Brasil possui ilhas de modernidades sendo exemplos globais de empresas rurais que usam tecnologia de ponta, fazendo planejamento estratégico e gestão das suas atividades. Contudo essa não é a realidade desse mercado de mais de 4,9 milhões de propriedades, onde as atividades são desenvolvidas com base nos valores culturais, nas tradições e de pouca gestão. A evolução tecnológica, o acesso à energia, telefonia móvel, possibilitou aos produtores rurais os mesmos benefícios da cidade em suas casas e propriedades. Essa evolução importante exige geração de renda e fluxo

de caixa para sanar esses custos. Por isso, faz-se necessário um planejamento estratégico para a geração de recursos que disponibilize rendas semanais, mensais, semestrais, anuais ou de longo prazo, para atender essas necessidades conforme a realidade de cada empresa rural. Em geral essas propriedades possuem um alto custo fixo, grandes valores imobilizados, baixa liquidez, geração de renda sazonais, que dificultam o fechamento do caixa da propriedade. O governo está aumentando o controle no setor com a introdução da nota fiscal eletrônica e adaptando os negócios rurais a legislação tributária brasileira. A gestão da empresa rural não é um modismo, mas uma necessidade diante do panorama atual para evitar surpresas desagradáveis no fechamento da contabilidade do negócio. A questão é saber: • As atividades que tenho hoje são lucrativas? • A propriedade possui renda mensal, bimestral, trimestral, semestral e a longo prazo? • Quais as metas do negócio que preciso atingir? • Quais ações para os desvios das metas propostas? • O uso da tecnologia aumenta a minha margem de lucro? Qual ponto de equilíbrio? • Como gerenciar e administrar a mão de obra adicional? Essas e muitas outras análises devem ser realizadas, para que os melhores resultados técnicos e econômicos possam ser atingidos, garantindo a manutenção e permanência das empresas do agronegócio.


ESPECIAL

Nesta edição da feira, as apostas se voltam para as tecnologias de ponta, com equipamentos mais competitivos, voltados para a automação, automatização e robotização de várias fases do processo industrial, além da indústria 4.0, com soluções para os desafios do mercado da carne.

MERCOAGRO REÚNE UNIVERSO DA CARNE AGRO&NEGÓCIOS | SETEMBRO 2018 23


ESPECIAL

D

FOTO: MB COMUNICAÇÃO

esde 2017 o mercado de carnes do Brasil vem sofrendo uma série de incertezas e questionamentos. Devido aos embargos e operações, houve uma desestabilização na relação das empresas com o comércio nacional e do exterior. Porém, o setor se mantém esperançoso para uma recuperação, apostando na qualidade do produto. Para afirmar isso, em setembro Chapecó recebe a 12ª edição da Mercoagro.

A Feira Internacional de Negócios, Processamento e Industrialização da Carne é a maior expofeira da área na América do Sul. A iniciativa é da Associação Comercial e Industrial de Chapecó (Acic), com apoio das principais entidades do setor agroindustrial da proteína animal. O objetivo da feira é apresentar soluções e inovações em processamento e industrialização da carne, com líderes do segmento de diversos países em um dos principais polos agroindustriais do mundo – o município de Chapecó/SC. Isso porque a região tem a maior concentração de frigoríficos, onde já nasceram as mais importantes indústrias do agronegócio do país. Com mais de 190 estandes e 250 marcas representadas, a feira prevê negócios de até 160 milhões de dólares. O sucesso da Mercoagro 2018 é comprovado com o retorno de 100% dos expositores, novos parceiros e lista de espera de expositores. “Teremos expositores em todos os segmentos para a formação de uma planta frigorífica. Portanto, quem pretende ins-

RAIO X DA MERCOAGRO Período de realização 11 a 14 de setembro de 2018 Local Parque de Exposições Tancredo Neves, Chapecó (SC) Horário de funcionamento 14 às 21 horas Solenidade de abertura 10 de setembro, no Salão Nobre da Unochapecó Público visitante 15.000 visitantes/compradores Espaço físico da exposição 15 mil m²

“A Mercoagro irá conectar pessoas, países e continentes através de negócios, tecnologias, conhecimentos e relacionamentos” Nadir José Cervelin, gerente do projeto Mercoagro 2018.

A Mercoagro é uma das melhores feiras do setor de carnes do mundo, reunindo o que há de mais atual e inovador. É uma feira que demonstra a pujança do agronegócio no Sul do país. Para nós é motivo de orgulho ser o berço dessa importante feira de negócios. Também considero um grande estímulo para o desenvolvimento do setor de carnes, uma vez que traz empresas de todo o mundo e divulga novas técnicas e tecnologias demonstrando resultados positivos que afetam o mercado internacional de carnes. Nós, da Aurora Alimentos, estamos sempre em busca das melhores inovações uma vez que atendemos

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um exigente mercado externo que prioriza pela qualidade das carnes. Por isso, na Mercoagro conseguimos encontrar o que de mais atual existe. Além do acesso à informações e conhecimentos, a feira é um importante espaço para a troca de experiências e a expansão do setor em todo o País”.

MÁRIO LANZNASTER, presidente da Cooperativa Central Aurora Alimentos


talar uma nova planta ou mesmo melhorar as já existentes, encontrará na Mercoagro 2018 o que há de mais moderno e avançado em máquinas, equipamentos e todos os insumos para a indústria da carne”, ressalta o presidente da Mercoagro 2018, Bento Zanoni. Os setores que terão mais destaque são aqueles orientados para tecnologias de ponta com equipamentos mais competitivos, voltados para a automação, automatização e robotização de várias fases do processo industrial, além da indústria 4.0, com soluções para os desafios do mercado da carne.

PAÍSES PRESENTES NA FEIRA

Estados Unidos Canadá

Islândia Áustria França Espanha

Rússia

Alemanha Holanda

China

Colômbia Bolívia Chile

Paraguai Uruguai

Austrália

Argentina

Bento Zanoni, presidente da feira, ressalta a alta tecnologia apresentada no evento

O QUE A MERCOAGRO EXPÕE

No mercado externo, os importadores impõem medidas cada vez mais severas sobre a qualidade dos produtos, entre eles dados como data de fabricação e validade nas análises fisioquímicas e microbiológicas, atestados de sanidade animal e de práticas de bem-estar animal, controle de dejetos, embalagens primárias e secundárias que protejam e conservam os alimentos. Isso exigiu que as empresas se adequassem aos controles modernizando seus laboratórios e qualificando seus técnicos, com novos equipamentos, novas metodologias, novas técnicas e novos controles para garantir a saudabilidade dos produtos, sejam eles in natura ou produtos industrializados.

FOTO: MB COMUNICAÇÃO

Participarão da exposição empresas dos setores de refrigeração, automação industrial, ingredientes e aditivos, embalagens e tripas, transporte e armazenagem, equipamentos e acessórios, entre outros produtos e serviços para atender a indústria da carne.

Todo esse conjunto garante a qualidade dos produtos oferecidos ao mercado consumidor. A Mercoagro 2018, proporciona a interação entre produção técnica, tecnologias, inovações, novos produtos tendências, consumo, produtividade, qualidade e aperfeiçoamento com exposição de máquinas, equipamentos modernos e mais produtivos.”

VINCENZO FRANCESCO MASTROGIACOMO, diretor de Agronegócio da Associação Comercial e Industrial de Chapecó

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ESPECIAL

PROGRAMAÇÃO PARALELA

A edição de 2018 terá uma composição mais robusta dos eventos de negócios e uma gama qualificada de programação de conhecimento de alto nível. São eventos que oportunizarão a realização de novos negócios e fortalecimento dos já existentes, assim como o estímulo ao networking. Entre os eventos confirmados estão o 12º Seminário Internacional de Industrialização da Carne, Salão de Inovação, Clínica Tecnológica, Laboratório Experimental, Painel de Oportunidades, Sessão de Negócios, Mercoshow, Painel Classificados Mercoagro, Mercoagro On Business e Painel Relacionamentos de Negócios. Todas as atividades são gratuitas.

O gerente do projeto Mercoagro 2018, Nadir José Cervelin explica que a administração da feira diretamente pela (ACIC) ressiginificou a importância do evento para a comunidade, fazendo com que a entidade valorizasse seus associados e também o empresariado como um todo. A estimativa é que a feira contribua para a criação de aproximadamente 3 mil empregos temporários e injete R$ 14 milhões na economia local e regional. “Nosso foco na gestão da Mercoagro é fazer com que haja envolvimento da comunidade. Contratamos empresas prestadoras

FOTO: MB COMUNICAÇÃO

INCREMENTO PARA A ECONOMIA REGIONAL

Expectativa de público é de 15 mil pessoas

A Mercoagro é um importante palco de interação e fomento setorial, com oportunidades de investimentos e intercâmbio de informações, o que é primordial para o desenvolvimento da cadeia produtiva.”

FRANCISCO TURRA, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)

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A Mercoagro é um grande evento, reconhecido nacional e internacionalmente. É uma das grandes referências para o agronegócio, oportunizando aos produtores, agroindústrias e empresas do ramo o contato com novas tecnologias e novas metodologias, aprimorando e contribuindo de forma significativa para o setor.”

RICARDO DE GOUVÊA, diretor executivo da ACAV (Associação Catarinense de Avicultura) e do Sindicarne (Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado de Santa Catarina)


FOTO: PIXABAY

FAÇA JÁ SUA INSCRIÇÃO

PRÊMIO CARNE FORTE 2018 Na solenidade de abertura da Mercoagro 2018 será entregue o Prêmio Carne Forte. O reconhecimento é dado a um seleto grupo de personalidades da cadeia produtiva da proteína animal, em reconhecimento às pessoas que, na avaliação do público ligado à agroindústria da carne, deram importante contribuição ao setor. O prêmio é uma iniciativa da Enterprise e da Rofer Feiras & Eventos, encarregadas da comercialização da expofeira.

Nossa presença na Mercoagro desde a primeira edição no ano de 1996, significa participar da maior feira Latino Americana dos principais fornecedores de processamento, embalagens, refrigeração, segurança alimentar, ingredientes, logística, automação industrial e serviços para o setor. Significa apresentar as principais tendências tecnológicas do ramo de alimentos, com visitantes altamente qualificados, formado por técnicos, pessoal das áreas administrativas e de compras e diretores de frigoríficos. A Mercoagro abre portas para que os visitantes ampliem seus conhecimentos a respeito dos

de serviços locais, flexibilizaO credenciamento para mos horáa feira é gratuito e está rios para a disponível no site oficial: feira com www.mercoagro.com.br. fechamento às 21 horas, dando a oportunidade aos visitantes para usufruírem dos serviços de gastronomia e lazer disponibilizados pela cidade”, revela Cervelin. Para incentivar o público da Mercoagro a conhecer os atrativos, por meio de uma parceria com o Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Chapecó (Sihrbasc), os restaurantes conveniados à feira servirão pratos especiais durante o evento. No primeiro dia os estabelecimentos oferecerão pratos com carnes de aves; no segundo dia à base de carnes de gado; no terceiro com carne suína e no último dia da feira com peixes. A Mercoagro tem a Enterprise Feiras e Eventos no esforço de vendas e assessoramento técnico, patrocínio do BRDE e apoio da Prefeitura de Chapecó, Facisc, ABIA, ABPA, Chapecó e Região Convention & Visitors Bureau, Fiesc, Senai, Safetrading, Sebrae/SC, Sindicarnes, Sihrbasc, Unochapecó, Abrafrigo, Unoesc, Embrapa Suínos e Aves, Asgav/Sipargs, Programa Ovos RS, ABIAF, Sincravesc, ITAL e Nucleovet.

desafios e inovações tecnológicas da Indústria de Carnes no Brasil e no mundo. Como empresário do setor agroindustrial, consideramos a Mercoagro o lugar ideal para conhecer novas tecnologias e tendências e estabelecer relações comerciais com os principais players do setor.”

GERSON LUIZ MAFFI, expositor da Mercoagro e diretor da Hightech

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FALE COM O ESPECIALISTA

SUÍNOS

ESPECIALISTA

Com quantos dias é ideal fazer o desmame do suíno?

FOTO: DIVULGAÇÃO

FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Você tem dúvidas sobre manejo, nutrição ou sanidade em sua propriedade? Profissionais altamente capacitados podem lhe ajudar. Envie sua pergunta através de nossas redes sociais e ela poderá ser respondida neste espaço.

Alberto Armando Potter - Agudo/RS Fisiologicamente o leitão está apto para o desmame a partir dos 42 dias. Porém economicamente esse longo prazo é inviável. Para burlar a fisiologia dos animais, é possível antecipar esse período e realizar o desmame em torno de 21 dias de vida, através de um preparo com rações nutritivas que possam substituir o que o leitão recebe com o leite da mãe. Com isso, ele receberá uma dieta especializada, de alta digestibilidade que possa controlar esse curso da vida que se estará alterando.

WILLIAN BRODBECK Médico Veterinário - Gerente Regional de Vendas e Adsorventes Brasil – ICC Brazil

Qual a maior causa da morte do suíno e como evitar?

ESPECIALISTA

Fabiano Brambila - Cotriguaçu/MT

FOTO: CÉSAR MACHADO/AGROSTOCK

A mortalidade de um suíno pode acontecer por diversos fatores, ou seja, multifatoriais. Doenças causadas por vírus e bactérias estão presentes em quase a totalidade das produções, causando severos prejuízos econômicos e zootécnicos, especialmente com alto percentual de mortalidade por todo período de produção. A mortalidade apresenta os índices mais preocupantes da produção e cerca de 60% das mortes ocorrem entre os cinco primeiros dias após o nascimento. Por isso, o produtor deve adotar medidas de manejo adequadas em todo

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sistema de produção desde a gestação da matriz até os primeiros dias de vida dos leitões. É fundamental ter conhecimento e clareza dos desafios da sua própria granja, pois cada uma, tem a sua própria realidade. É necessário também que um profissional capacitado possa conhecer e mensurar o que está acontecendo com os suínos, para agir com assertividade nas soluções. Um local com biossegurança adequada, resulta em mais performance de resultado e menor mortalidade. A Trouw Nutrition oferece ferramentas através de um sistema integrado, como: Segurança Alimentar, Saúde Intestinal, Qualidade de Água e Controle Microbiológico, oferecendo o serviço de diversos especialistas que implementam e supervisionam o desempenho sanitário da granja. Com essa gestão, é possível observar o desenvolvimento do animal para que obtenha melhor resultado sanitário e financeiro.

ANDRÉA SILVESTRIM Médica Veterinária Gerente de Programa – Saúde Intestinal da Trouw Nutrition


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SUÍNOS

SOMBRA E

ÁGUA

FRESCA

A qualidade do ambiente é essencial para que haja conversão alimentar, menos estresse, e mais bem-estar animal.

U

m ambiente confortável tem como princípio básico a minimização de fatores estressantes aos animais, que visa garantir o bem-estar e leva em conta aspectos como densidade animal, possibilidade de desenvolver o comportamento natural da espécie, bem como ambientes aéreo e acústico satisfatórios. No livro “Produção de Suínos Teoria e Prática”, a engenheira agrícola Irenilza de Alencar Nääs e as zootecnistas Fabiana Ribeiro Caldara e Alexandra Ferreira da Silva Cordeiro, discorrem sobre o conceito de ambiência para suínos, que pode ser definido como conforto baseado no contexto ambiental, levando-se em consideração características do meio ambiente e fisiológicas, que atuam na regulação da temperatura interna do animal. Elas explicam que os suínos são animais homeotermos, capazes de controlar sua temperatura interna quando submetidos a variações de temperatura, possuindo um centro

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termorregulador no sistema nervoso central. O hipotálamo é o órgão responsável pelo controle da produção e dissipação de calor através de diversos mecanismos como, por exemplo, o fluxo de sangue na pele (mecanismo vasomotor), ereção de pelos, modificações na frequência respiratória e no metabolismo. O calor do ambiente envolve a temperatura, a velocidade do ar, a radiação e o tipo de piso ou cama utilizados. Os fatores meteorológicos influenciam diretamente o organismo animal, mediante o fluxo de energia que ele será capaz de absorver ou emitir. Assim, o animal porta-se como um sistema termodinâmico que troca constantemente energia com o ambiente. De acordo com as autoras, os suínos possuem o aparelho termorregulador pouco desenvolvido, são animais sensíveis ao frio quando pequenos e sensíveis ao calor quando adultos, o que dificulta sua adaptação em ambientes excessivamente quentes. Os

suínos possuem poucas glândulas sudoríparas na pele e são, portanto, menos eficientes na resposta ao estresse pelo calor em relação às outras espécies. A principal forma de perda de calor nessa espécie é por meio do aumento da taxa respiratória (evaporativa), ou seja, aumento dos movimentos respiratórios por minuto. Com extensa atuação na Suinocultura, o doutor em zootecnia e professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Caio Abércio da Silva, também explica que para cada faixa etária ou fase pela qual o animal passa (gestação, lactação e afins) há uma temperatura dita de conforto ou de termoneutralidade, que significa que dentro de uma determinada faixa térmica ambiental, o animal não estará em estresse, ou pelo calor ou pelo frio. Nesta condição ele não gasta energia para perder calor (se estiver com calor) ou para aquecer-se (se estiver com frio) e, portanto, usa esta energia para os fins nobres que são efetivamente o


FOTO: SHUTTERSTOCK

Os suínos possuem poucas glândulas sudoríparas na pele e são, portanto, menos eficientes na resposta ao estresse pelo calor em relação às outras espécies.

objetivo da atividade, como ganhar peso, gestar ou produzir leite. Os fatores ambientais externos e o microclima dentro das instalações exercem efeitos diretos e indiretos sobre os suínos, em todas as fases de produção, e provocam redução na produtividade, com consequentes prejuízos econômicos à produção suinícola. Quando os animais são expostos a temperaturas adversas, eles ficam estressados não apenas pela alteração da temperatura corporal, mas também pela complexidade dos processos dissipadores e geradores de calor.

zidos sem as mínimas condições de bem-estar podem apresentar desde hematomas, ossos danificados, mudanças de comportamento até quadros mais crônicos de estresse. Dr. Caio informa que as altas temperaturas são bastante negativas para animais acima de 25 kg de peso vivo e mais críticas ainda para aqueles em idade mais próxima do abate, para matrizes gestantes e lactantes e reprodutores. No entan-

A ausência de bem-estar aos animais criados para a produção de carne pode resultar em um produto de qualidade inferior e de baixo valor comercial. No caso dos suínos, pode haver maior incidência de carne com PSE (pálida e mole), DFD (escura, dura e seca) e com menor tempo de vida de prateleira. Os suínos produ-

FOTO: ARQUIVO PESSOAL

MENOS QUALIDADE

to, as condições térmicas teriam que ser muito extremas para elevar as taxas de mortalidade. Uma condição mais comum, mas também crítica e de grande peso econômico, é a piora do desempenho zootécnico, como o baixo consumo de ração e a consequente piora do ganho de peso para animais destinados ao abate ou a queda da produção leiteira no caso de matrizes, com comprometimento do desenvolvimento e da saúde dos leitões lactentes, com aumento de diarreias e de mortes. As consequências também são negativas para as questões sanitárias, pois um estresse prolongado por altas temperaturas deprime a imunidade, abrindo espaço para agentes oportunistas e doenças. Ele acredita que o recurso mais efetivo para atender a correta demanda de cada fase é a climatização das granjas. No entanto existem recursos que podem minimizar este problema. Destacam-se, neste sentido, ações construtivas e/ou uso de materiais apropriados para a edificação dos galpões, além de equipamentos como ventiladores e aspersores que, quando associados, potencializam a qualidade ambiental.

Quando os animais são expostos a temperaturas adversas, eles ficam estressados não apenas pela alteração da temperatura corporal, mas também pela complexidade dos processos dissipadores e geradores de calor.” Caio Abércio da Silva

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SUÍNOS

O GALPÃO IDEAL DEVE APRESENTAR: Uso de forro

Estrutura com pé-direito alto

Telhas de cores claras

FOTOS: CÉSAR MACHADO/AGROSTOCK

Telhas com bom isolamento térmico (telhas isotérmicas)

Arborização nas laterais dos barracões

Janelas amplas ou com as laterais abertas (com paredes laterais baixas) e com cortinas

Orientação da cumeeira no sentido leste-oeste

PREJUÍZOS

Um ambiente estressante para o animal traz diversos prejuízos a saúde do suíno e como consequência na qualidade da carne. Podemos categorizar estes problemas da seguinte forma:

MATRIZES • Em gestação a taxa de retorno ao cio e os abortos aumentam e a taxa de parição e o número de nascidos diminui. • As lactantes produzem menos leite, perdem mais peso durante esta fase e demoram mais a entrar em cio após o desmame. • Porcas lactantes em estresse térmico pelo calor, por consumirem menos e terem menor produção leiteira, apresentam leitegadas ao desmame mais leves, mais propensas às diarreias e à morte. REPRODUTORES • Para os reprodutores a qualidade do sêmen piora, reduzindo o número de doses por coleta e aumentando as taxas de retorno ao cio. TERMINAÇÃO • Para animais em fase de crescimento e terminação, o desempenho como um todo é prejudicado. O ganho de peso é reduzido e a conversão alimentar é piorada. • Para todas as categorias, um aspecto comum é a queda da imunidade, um quadro que expõe os animais aos desafios inerentes da granja, com maior expressão de quadros sanitários digestivos, respiratórios e reprodutivos.

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Não é recomendável a utilização de barracões muito largos


Para o uso correto destes recursos o produtor deve ter um termômetro no interior do galpão que faça a leitura “on time” da temperatura, que servirá como referência para as ações que são demandadas, como abrir cortinas ou janelas e ligar ventiladores e aspersores. Há sistemas com termostatos, que de forma automática, respondem às condições de temperatura adversa no barracão, abrindo cortinas e acionando equipamentos, o que pode evitar a subjetividade ou erros humanos. Outro ponto importante é o número de animais por metro quadrado. A área destinada para cada animal depende do seu peso e de sua fase, mas também varia conforme o modelo da instalação (se individual ou coletiva) e número de animais por baia e o tipo de piso adotado na baia (compacto, parcialmente ripado ou totalmente ripado). 

O recurso mais efetivo para atender a correta demanda de cada fase é a climatização das granjas. INVESTIMENTO

Caio Abércio da Silva, que é um dos autores do livro “Bem-Estar dos Suínos”, observa que a climatização exige em geral um maior custo, no entanto, o termo correto é investimento. “Isto significa que estaremos atendendo às exigências dos animais quanto à temperatura, e assim garantindo um melhor bem-estar animal – um tema que está em evidência atualmente –, melhorando o consumo de ração, o ganho de peso e a conversão alimentar por toda a vida da granja, como também os índices reprodutivos ”, afirma.

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ARTIGO TÉCNICO

SUÍNOS

ROTAVÍRUS SUÍNO UM VILÃO QUE SOMENTE PODE SER COMBATIDO COM REGRAS RÍGIDAS DE BIOSSEGURIDADE

FOTO: ARQUIVO PESSOAL

M

Por Amauri A. Alfieri & Alice F. Alfieri Laboratório de Virologia Animal Departamento de Medicina Veterinária Preventiva Universidade Estadual de Londrina

ais recentemente, a saúde intestinal tem sido um tópico frequente em artigos publicados em periódicos científicos e revistas técnicas, além de palestras em eventos. A manutenção da homeostase, ou equilíbrio fisiológico, do trato gastrointestinal é fundamental para a obtenção de taxas adequadas de conversão alimentar e ganho de peso que influenciam nos índices de produtividade das cadeias produtivas do “Complexo Carnes” que incluem, principalmente, bovinos e frangos de corte e a suinocultura. A saúde intestinal pode ser impactada por várias ocorrências destacando-se entre elas aspectos nutricionais, fisiológicos, imunológicos e microbiológicos. Nesse texto vamos focar apenas no microbioma, que é o conjunto de micro-organismos presentes no trato intestinal. O microbioma é fundamental para a manutenção do equilíbrio intestinal. Alterações em sua composição, incluindo as diversas classes e, até mesmo, a quantidade de micro-organismos presentes no intestino podem ocasionar consequências adversas, resultando em redução na absorção de nutrientes ou ainda facilitando a absorção de alguns nutrientes em detrimento a outros. Alterações no microbioma intestinal podem ocorrer por várias causas destacando-se entre elas a composição da ração, presença ou ausência de determinados insumos adicionados na alimentação, condições fisiológicas do animal como stress que se contrapõe ao bem-estar, além da presença de infecções

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Manejo ideal deve incluir assistência ao parto e controle de mamadas


FOTO: CÉSAR MACHADO/AGROSTOCK

intestinais sejam elas sintomáticas ou, até mesmo, assintomáticas. As infecções intestinais são quase sempre acompanhadas de reações inflamatórias que, na dependência da intensidade, podem determinar alterações na mucosa intestinal, comprometendo a saúde intestinal. Micro-organismos de várias classes (bactéria, vírus e protozoários) podem ocasionar infecções entéricas que prejudicam a mucosa intestinal e contribuem com alteração substancial na composição da microbiota intestinal dos suínos. Com isso, os efeitos deletérios de processos infecciosos irão se refletir na produção e, principalmente, na produtividade animal. Na edição anterior da Agro & Negócios, no artigo intitulado “Rotavírus suíno: Um vilão ainda pouco conhecido”, fizemos uma abordagem sobre o rotavírus destacando principalmente aspectos inerentes às propriedades físicas e biológicas do vírus que contribuem para a perpetuação da infecção em granjas de suínos. Ênfase foi dada à grande resistência da partícula viral às condições de meio ambiente; o alto título de vírus eliminado nas fezes durante o período agudo da infecção; e a diversidade molecular e antigênica dos rotavírus que são expressas no número de espécies virais (n=4) já detectadas em suínos e, principalmente, nas dezenas de genotipos distintos identificados em cepas de rotavírus de origem suína. Nessa edição iremos abordar formas de controlar a infecção nos rebanhos suínos. Quando dizemos controlar queremos dizer reduzir a taxa de ataque, ou número de episódios de diarreia e de focos e, principalmente, reduzir a intensidade dos episódios de diarreia neonatal e de diarreia do pós-desmame. Porém, considerando todo o arsenal facilitador de infecção presente na partícula viral, discutido na edição anterior, podemos dizer que eliminar a possibilidade da ocorrência do rotavírus em nossos rebanhos é uma missão quase impossível. Neste sentido, temos que utilizar o máximo de estratégias disponíveis para podermos conviver com baixa pressão de infecção viral em nossos rebanhos.

Para isso, precisamos implantar e, principalmente, monitorar medidas de biosseguridade que evitem tanto a entrada de micro-organismos em nossos rebanhos quanto a sua circulação pelos vários compartimentos ou unidades da granja. Devemos ainda considerar que em ações de biosseguridade não existe bala de prata e fórmula mágica, ou seja, uma ação que quando adotada irá solucionar os problemas sanitários dos rebanhos, ou no caso dessa matéria, as diarreias neonatais e do pós-desmame ocasionadas pelo rotavírus suíno. Somente a somatória de várias ações combinadas podem conduzir ao sucesso. Dentre algumas das ações que mais impactam no nível de biosseguridade de granjas suinícolas podemos destacar uma que reduz os riscos de entrada de novos micro-organismos nos rebanhos. Trata-se

Limpeza, com a máxima retirada de material orgânico, lavagem das instalações e utensílios com água e sabão (desengordurante) e uso de desinfetantes sabidamente eficientes é fundamental na redução da carga de micro-organismos presentes no ambiente e redução na pressão de infecção mitigando riscos. Atenção especial deve ser dada aos diferentes tipos de materiais presentes na granja, particularmente com relação à sua porosidade. Quanto mais poroso for o material, maior a sua capacidade de proteger e reter micro-organismos do ambiente reduzindo a eficiência dos processos de limpeza e desinfecção. Além de propiciar o acúmulo de matéria orgânica a maior porosidade dos materiais constituintes das instalações e utensílios predispõe a formação de biofilmes, que são comunidades estruturadas de bactérias, que consti-

Limpeza, com a máxima retirada de material orgânico, lavagem das instalações e utensílios com água e sabão são indispensáveis no combate a infecções em suínos. do rígido controle de movimentação de veículos e pessoas externas ao ambiente de trabalho evitando com isso o contato com os animais. A dispersão de micro-organismos intra compartimentos das granjas de ciclo completo pode ser evitada pelo controle do fluxo de funcionários nos vários compartimentos da granja. Além do fluxo, cuidados com higiene pessoal e com o vestuário dos colaboradores é fundamental. Essas ações, para que sejam desenvolvidas a contento, requerem investimentos em instalações apropriadas. Outro aspecto importante, muitas vezes negligenciado, é o controle de insetos e pragas, como roedores, que podem ser tanto vetores biológicos quanto mecânicos de micro-organismos indesejáveis e com potencial patogênico podendo atuar tanto inter quanto intra-granjas.

tuem uma forma de proteção favorecendo a sobrevivência bacteriana mesmo em condições adequadas como limpeza e desinfecção rigorosas. Quando falamos em nutrição sempre pensamos na qualidade e composição da ração. Quase sempre renegamos a um segundo plano a água de bebida, particularmente com relação à qualidade química e microbiológica da água fornecida aos animais. O monitoramento da qualidade deve ser constante em todas as etapas incluindo captação, transporte e estocagem. Outras ações poderiam ainda ser comentadas, porém devido ao espaço disponível não podemos finalizar essa matéria sem comentar uma das principais ações de biosseguridade em termos de controle e profilaxia de diarreia neonatal em rebanhos suínos que é a vacinação das matrizes. Um bom

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ARTIGO TÉCNICO

SUÍNOS

FOTO: SHUTTERSTOCK

Cuidados com higiene pessoal e vestuário dos colaboradores são fundamentais.

programa sanitário em granjas de suínos deve incluir a vacinação de todas as categorias (ordem de parto) de matrizes contra os principais patógenos causadores de diarreias neonatais. A vacinação pré-parto, de acordo com as recomendações dos fabricantes, proporcionará aumento da qualidade do colostro, ou seja, aumento no título de anticorpos passivos específicos contra micro-organismos como E. coli enteropatogênica, Clostridium perfringes tipos A e C e rotavírus grupo A. Como estamos explorando a imunidade passiva (colostral) por meio da vacinação das mães com o objetivo de proteger os leitões, sem dúvida, um excelente manejo que inclui assistência ao parto e controle de mamadas é fundamental para o sucesso da transferência de imunidade passiva e, consequentemente, da vacinação para o controle e profilaxia de diarreias neonatais. Por fim, com destaque para as diarreias ocasionadas por rotavírus devemos sempre ter em mente que as vacinas disponíveis no mercado brasileiro e mundial são elaboradas com cepas de rotavírus grupo A. Conforme comentamos na edição anterior, o grupo A é o mais frequente em diarreias do pré e do pós-desmame em suínos. Porém, essa espécie animal é também susceptível à infecção por outros grupos de rotavírus, destacando-se o rotavírus grupos B, C e H, todos já iden-

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tificados em granjas suinícolas das principais regiões geográficas brasileiras de importância nesta cadeia produtiva. Não existe imunidade cruzada entre os vários grupos de rotavírus suíno e, com isso, a vacina é grupo específica, ou seja, animais de rebanhos regularmente vacinados contra rotavírus grupo A podem ser comprometidos por focos de diarreia ocasionados por rotavírus B ou C, por exemplo. Outro ponto que ainda deve ser destacado com relação às vacinas, especificamente para proteger leitões de diarreia neonatal ocasionada por rotavírus grupo A, é a diversidade de genotipos virais presentes nas cepas virais de campo. Na espécie suína essa diversidade é muito superior à observada, por exemplo, em rotavírus bovino que ocasiona diarreia pré-desmame em bezerros. Também conforme comentado na edição anterior, o rotavírus grupo A pode ser ainda classificado em genotipos G e P de acordo com os tipos de antígenos (proteínas) presentes na camada proteica mais externa do vírus e que são responsáveis pela indução de anticorpos neutralizantes do vírus. As vacinas no mercado são constituídas por uma ou duas cepas de rotavírus grupo A. Ou seja, são específicas para apenas uma associação G/P ou no máximo duas associações G/P. A ocorrência de infecções de campo por cepas de rotavírus grupo A portadoras de an-

tígenos G e P distintos daqueles presentes na cepa viral vacinal também pode ser responsável por falhas vacinais uma vez que a imunidade heteróloga (G e P distintos) pode não ser plena e, com isso, o vírus de campo escapar da imunidade passiva. Entretanto, em rebanhos vacinados contra a rotavirose A suína temos observado que a ocorrência de diarreia por rotavírus grupo A é acompanhada por dois parâmetros epidemiológicos importantes que é a redução na taxa de ataque, ou seja, o número de animais comprometidos em um foco de diarreia é menor e, principalmente, a intensidade de diarreia também é menor. Com isso, a vacinação contribui com a redução na taxa de morbidade e de mortalidade. Por comprometer animais muito jovens, ainda sem imunidade ativa completamente desenvolvida, ou seja, sem o pleno potencial de resposta imunológica, e também por ser ocasionada por um grupo de micro-organismo extremamente complexo e heterogêneo, realmente o controle e profilaxia das diarreias neonatais em leitões ocasionadas por rotavírus não é algo relativamente fácil de ser obtido. Contudo, mesmo diante de um vírus que possui muitos recursos para ludibriar o sistema imune do leitão e ocasionar infecção seguida de sinais clínicos de diarreia não podemos jamais desistir em seu controle e profilaxia. Erradicar o rotavírus suíno em nossas granjas não conseguiremos. Porém, controlar sem dúvida que sim. Ações individuais podem momentaneamente amenizar um problema grave e recorrente. Porém, somente com a implementação de um conjunto de ações de biosseguridade, algumas das quais comentadas anteriormente, é que poderemos harmonizar a presença de dose infectante reduzida no vírus em nossas granjas com redução considerável nos efeitos deletérios da infecção nos leitões, ou seja, redução de taxa de ataque e de intensidade de diarreia neonatal. Esses efeitos têm como consequências diretas reduções nas taxas de morbidade e de mortalidade de leitões por diarreia na maternidade.


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EVENTO

Equipe Nucleovet comemora o sucesso do simpósio

SBSS 2018

novos

recordes Durante três dias de evento, muito conhecimento, troca de experiências e um panorama completo sobre o mercado de suínos.

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O

setor agroindustrial está em constante evolução. A cada dia sua produção cresce e com ela soluções são criadas para facilitar o trabalho. Pensando nisso, durante os dias 21 a 23 de agosto o Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet) organizou o 11º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura e a 10ª Pig Fair. O evento aconteceu no Centro de Eventos Plínio Arlindo de Nês, em Chapecó, e reuniu mais de 1400 pessoas, desde universidades, profissionais e criadores da área de suínos. Com o objetivo de apresentar novidades de produtos do setor e também levar novos estudos e opiniões sobre o mercado, 14 palestras divididas por temáticas foram realizadas nos três dias do simpósio. Entre elas, destaque para a palestra de abertura, ministrada pelo comentarista político Gerson Ca-

FOTO: JUNIOR DUARTE


Evento reuniu 1.400 pessoas

FOTO: PAULA NAVARRO

marotti. Durante a conversa ele transcorreu sobre o tema “A conjuntura política e suas implicações para a economia”. Quem também dialogou com o público foi o especialista em crescimento e validação de produtos, Gustavo Lima, que palestrou sobre o impacto de materiais e qualidade do ar para a criação de suínos. No primeiro dia, o público acompanhou palestras voltadas para a reprodução, genética e ambiência. Já no segundo dia, a programação contou com painéis voltados à nutrição, manejo de leitões e bem-estar animal. Quem iniciou as atividades foi o palestrante Bruno Silva, que conversou sobre a “Nutrição de fêmeas de alta produção”. E para finalizar, o último dia contou com painéis voltados para a sanidade e gestão da produção de suínos. Para iniciar a discussão sobre esses assuntos, Ricardo Lippke apresentou o tema

SBSS 2018 NA OPINIÃO DOS PARTICIPANTES “O evento reúne os melhores

profissionais da área de suinocultura de todo o Brasil. Para as empresas, a feira se torna uma vitrine e nos permite conhecer novas pessoas e estabelecer contatos.”

Henrique Gastmann Brand, Technical Service Manager Animal Nutrition da Evonick.

“Pontos críticos na utilização de vacinas: principais erros e como podemos mudar”. Para concluir as atividades do Simpósio, o especialista internacional Juan José Maqueda Acosta, ministrou sobre “Gestão de pessoas com foco em biosseguridade”. Segundo o presidente do Nucleovet, Rodrigo Santana Toledo, o evento foi o maior de todos, tendo um recorde de patrocinadores, expositores e público. “Somos referência no setor de eventos técnicos, pois mostramos o que há de mais moderno na área de produção suína, com pessoas especializadas”, comenta.

“É um evento que agrega tanto a

programação científica como a área comercial, de networking. Além disso é possível adquirir conhecimento e confraternizar com os participantes, ampliando a nossa rede de comunicação.”

Herbert Correa de Oliveira, Gerente Regional da Vaccinar.

“O evento é de fundamental

importância, pois as empresas podem se apresentar aos seus clientes. A Biomin é parceira há muito tempo do Nucleovet e vê essa parceria como uma oportunidade de mostrar os seus produtos e serviços.”

Emersson Pocai, Gerente de Vendas da Biomin.

“Atualmente é o principal ponto de encontro sobre a produção suinícola e nós, da Vetanco, conseguimos encontrar os nossos principais clientes e parceiros, para atender e apresentar produtos e soluções diferenciadas.”

Lucas Piroca, Gerente Técnico Comercial de Suínos da Vetanco.

FOTO: JUNIOR DUARTE

“O Simpósio é um evento que

“Somos referência no setor de eventos técnicos, pois mostramos o que há de mais moderno na área de produção suína”, Rodrigo Santana Toledo, presidente do Nucleovet

conhece a realidade do produtor e apresenta temas ligados a esse assunto. De forma atual, conta com palestrantes qualificados e também um espaço de encontro para acrescentar novos conhecimentos sobre a área de suinocultura.”

Fernando Toledano, Diretor Geral da Biosen

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FALE COM O ESPECIALISTA

AVES

FOTO: CESAR MACHADO/AGROSTOCK

Você tem dúvidas sobre manejo, nutrição ou sanidade em sua propriedade? Profissionais altamente capacitados podem lhe ajudar. Envie sua pergunta através de nossas redes sociais e ela poderá ser respondida neste espaço.

Como faço pra melhorar a conversão alimentar das aves? FOTO: ASSESSORIA DE IMPRENSA EMBRAPA SUÍNOS E AVES

Mauro Rothes – Rio Negro – Paraná ESPECIALISTA

A melhoria da conversão alimentar está associada com aumento da rentabilidade econômica na produção e alguns procedimentos gerais de manejo são necessários. Armazenamento adequado da ração: os silos devem ser passíveis de monitoramento e limpeza além de estarem protegidos de variações de temperatura. A função dos silos é manter a integridade física/química/ microbiológica da ração. Deve-se evitar oscilações de temperatura e a consequente formação de condensações no seu interior. A adequada limpeza dos silos ao final de cada lote é essencial para um pleno desenvolvimento do lote seguinte. Regulagem e manejo do sistema automatizado de fornecimento de ração: as linhas de arraçoamento devem atender ao número

1 JORGE LUDKE Engenheiro Agrônomo, com Mestrado e Doutorado em Zootecnia Pesquisador da Embrapa Suínos e aves

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pré-definido de aves que são alojadas evitando competição no consumo. Também devem ser isentas de contaminação e permitir a adequada higienização. Não pode existir intermitência no fornecimento da ração pois, a distribuição contínua e uniforme é essencial para a rotina de consumo das aves. Seu funcionamento deve permitir a integridade dos pellets evitando que ao longo das linhas de condução da ração ocorra segregação de nutrientes. Isto pode ser avaliado coletando amostras de ração e se reflete no peso das aves quando monitorado entre as extremidades de cada linha. Também é importante que o condicionamento no ambiente permita distribuição uniforme das aves no galpão. É essencial verificar o efeito que a orientação e operação de ventiladores tem sobre a uniformidade de distribuição das aves e que ações podem ser necessárias para corrigir a desuniformidade, visando adequado consumo e redução da competição para acessar a ração. Controle adequado do ambiente de produção: mantendo a flutuação da temperatura em limites adequados em função da idade, manter a qualidade do ar e otimizando a iluminação nos aviários. No frango de corte qualquer condição que demande energia que não seja para produzir carne, contribui para a piora na conversão alimentar. O manejo da iluminação deve ser compatível com o dimensionamento da rede de distribuição de ração e os períodos sem iluminação devem ser planejados de modo a evitar excesso de competição entre as aves no período após o reinício da iluminação. Manejo adequado da água: a água deve ter a qualidade pré-definida com a temperatura ideal, a concentração de elementos minerais dentro dos limites, pH adequado, isenção de substâncias estranhas e ausência de patógenos. É necessário estabelecer um dimensionamento da rede que permita a manutenção e monitoria na pressão de água para evitar gotejamento. O sistema de abastecimento também deve ser passível de monito-

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4

ria com acesso aos pontos de inspeção pré-definidos. A adequada localização e proteção aos reservatórios visando a manutenção da temperatura ideal da água é essencial. A inspeção do sistema de distribuição deve permitir a detecção de biofilmes na rede. Na rotina é necessário fazer um uso monitorado do sistema de dosagem de cloro mantendo uma concentração adequada e restrita ao mínimo necessário na água. Flutuações e excessos de cloro prejudicam o desempenho do frango porque interferem no consumo de água e afetam a ingestão de ração. O consumo de água na rede segue um ciclo diário pré-definido e oscilações na regularidade desse ciclo indicam problemas na qualidade da água, no conforto ambiental ou prenuncio de doenças. Equipamento com precisão adequada para medir o fluxo de água é uma ferramenta valiosa em sistemas de monitoramento em tempo real. Todos os procedimentos de manejo da água devem visar a eliminação da perda de água evitando a cama úmida debaixo da rede de abastecimento. A umidade da cama no aviário é um fator para produção de amônia no ambiente. Mesmo quase imperceptível ao operador dos aviários, a amônia na concentração de 25 ppm pode reduzir o ganho de peso dos frangos em 4% a 8% e piorar a conversão alimentar entre 3% a 6%. Em síntese - A adoção dos procedimentos de manejo em conformidade com a idade do lote deve ser a regra básica para melhorar a conversão alimentar. Na supervisão diária torna-se necessária a monitoria e registro da execução dos procedimentos de rotina que garantam o máximo desempenho das aves. Monitoramento eletrônico, contínuo e simultâneo de vários galpões permite detectar em tempo hábil oscilações no comportamento das aves quanto à uniformidade da distribuição espacial, ocupação dos sistemas de fornecimento de ração e de água. Qualquer anormalidade na rotina do frango de corte é indicativo que a conversão alimentar está sendo afetada.


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OPINIÃO Por Domingos Martins

!

MAIS FRANGO,

POR FAVOR A

produção de carne de frango no Paraná desempenha importante papel na oferta de saúde, nutrição e sabor nos quatro cantos do País – e até do mundo - por um preço competitivo. Ou seja, a proteína, além de ser uma das mais indicadas para consumo por seus benefícios nutricionais, também cumpre um relevante papel social: a segurança alimentar com qualidade e sustentabilidade. Essencial lembrar que para que a carne de frango chegue a mesa da população existe muito cuidado ao longo do processo produtivo. No primeiro semestre, ações desenvolvidas pelo Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar) e pela Cobb-Vantress, no Estado, buscaram esclarecer exatamente esses pontos, apresentando à sociedade os principais benefícios do consumo desta proteína e as etapas que envolvem a sua produção. A “Campanha de Incentivo ao Consumo de Carne de Frango” destacou a importância da proteína em quatro temáticas: sustentabilidade, esporte, família e consumo por meio de materiais informativos e promocionais em todo o Paraná.

Os números consolidam as vantagens deste produto. Outro benefício apontado no consumo da carne de frango é o seu alto teor de niacina, que ajuda na prevenção do mal de Alzheimer, além disso, é a proteína ideal para o desenvolvimento saudável de crianças e adolescentes. Esse conjunto de vantagens é resultado de um processo constante de melhoramento na produção, que envolve tecnologia, sanidade e bem-estar das aves. A genética é um dos principais pontos, sendo responsável por cerca de 70% do crescimento do frango. Também contribui para a produção de uma proteína de baixo custo e sustentável, com qualidade intrínseca, envolvendo sabor, textura e cheiro, baixo teor de gordura e fácil digestibilidade, destacou o diretor Geral da Cobb América do Sul, líder mundial no fornecimento de aves de produção para frangos de corte, Jairo Arenazio, durante a campanha. É importante ressaltar que a utilização de hormônios na produção

VAMOS AOS NÚMEROS SUSTENTABILIDADE A produção de frango consome em média 80% menos água, 50% menos ração e gera 60% menos resíduos que outras carnes.

PRÁTICA ESPORTIVA É considerada uma carne magra. Cada filé de 100g possui apenas 1% de gordura e pouco mais de 100 quilocalorias, com isso, é possível satisfazer 31% das necessidades diárias de proteína do corpo humano.

FOTO: FREEPIK.COM

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avícola é proibida tanto por lei quanto pelos países importadores. No Brasil, o consumo de carne de frango por habitante gira em torno de 42kg, o que a posiciona como a preferida no país, e, segundo levantamento da Agência das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), deve se tornar a proteína de origem animal mais consumida no mundo entre os anos de 2020 e 2022. Status que devemos alcançar justamente por todas essas características positivas que entregamos ao cidadão e por ser um alimento sem restrição religiosa. Nesse contexto, com a realização da Campanha, buscamos contribuir com esse avanço da proteína para o setor e o consumo. O mercado interno absorve aproximadamente 65% de todo o volume de frango produzido no país. Com a confiança que temos dos brasileiros e com ações voltadas para a propagação de informações e conhecimento sobre a avicultura, vamos juntos ainda mais longe.

Domingos Martins Presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar)


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OVOS

BIOSSEGURANÇA

PARA UMA PRODUÇÃO COM

MENOS RISCOS Questões de segurança e sanidade dos animais ainda são os principais desafios nos aviários de aves de postura.

P

roduzir ovos pode ser uma tarefa difícil, principalmente se o produtor não estiver atento há algumas questões fundamentais de sanidade e biosseguridade das aves. Esses dois itens são extremamente importantes, pois é a saúde dos animais que vai garantir a qualidade dos ovos. Existem diversos modos de criar essas aves poedeiras e, por isso, a importância de ter todo o cuidado possível no manejo delas. A adoção de medidas de biosseguridade, aliada a uma ração bem elaborada que consiga manter todas as propriedades nutricionais necessárias, pode garantir o sucesso na produção dos ovos, é o que indica o diretor executivo da Associação Gaúcha de Avicultura (ASGAV) e Coordenador do programa Ovos RS, José Eduardo dos Santos. Outro fator relevante para a alta produtividade e qualidade dos ovos é o bem-estar das aves. De acordo com a pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves, em Concórdia/SC, Fátima Regina Ferreira Jaenisch, o bem-estar

engloba um conjunto de fatores, utilizados para proteger os animais de situações que geram risco e estresse. Essas condições podem comprometer toda a cadeia produtiva do ovo. Além disso, a pesquisadora fala da importância da adoção de boas práticas de produção (BPP). “Práticas de biosseguridade reduzem os riscos de contaminação do plantel, uma vez que limita a exposição das aves às possíveis contaminações”, declara.

BIOSSEGURIDADE

Medidas de prevenção para proteção de plantéis de aves são parte vital da manutenção da atividade de avicultura de postura. É preciso tomar alguns cuidados desde o início da produção, com a aquisição de aves vacinadas previamente e vindas de incubatórios certificados. Outro fator destacado pela pesquisadora da Embrapa e que merece atenção redobrada é a higienização do aviário, atendendo o período mínimo de 15 dias de vazio sanitário. “Cuidados com conforto térmico, fornecimento de água potável e alimentação

de boa qualidade, livres de patógenos também fazem parte desse conjunto de medidas”, indica Fátima. Pelo fato do Brasil ser um país tropical com pontos de rotas migratórias de algumas aves, é de extrema importância a adoção das medidas de biosseguridade nas propriedades de produção de aves comerciais. “Todos os procedimentos que determinam adequações e regras de biosseguridade devem ser levados em conta e aplicados. Isso garante considerável proteção”, fala José Eduardo do Santos. Cuidados diários são muito importantes para manter o estado de saúde das aves em dia. Aves mortas e resíduos, por exemplo, devem ser removidos o quanto antes do aviário e trabalhados em compostagem ou outro método que seja capaz de inativar patógenos. Além disso, devem ser implantados programas para que haja controle de roedores, ácaros e moscas, pois eles são vetores de doenças. Cada aviário deve ter uma ficha de registro dos procedimentos realizados na granja, incluindo manejos, vacinações e medicações.

FOTOS: FREEPIK.COM

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Práticas de biosseguridade reduzem os riscos de contaminação do plantel, uma vez que limitam a exposição das aves às possíveis contaminações AGRO&NEGÓCIOS | SETEMBRO 2018 45


OVOS

DESINFORMAÇÃO

entusiasmo por parte de produtores empreendedores na área, mas lembra: o Brasil não é um exportador expressivo desta matéria, e isso pode saturar o mercado interno. Prova disso, são dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) de 2016, que indicam que somente 0,43% da produção total de ovos no Brasil foi para exportação.

ESTADOS QUE MAIS PRODUZEM OVOS 1o

Minas Gerais

40,09% 2o

Rio Grande do Sul

33,48%

3o

São Paulo

23,61%

FOTO: FREEPIK.COM

Não conhecer as técnicas de avicultura de postura e a falta de informações sobre questões de sanidade animal e biosseguridade, são itens que fazem com que produtores desistam de manter suas granjas. Para Fátima, é preciso que haja conscientização de todas as pessoas envolvidas no processo de produção e a constante atualização através de treinamentos sobre as normas vigentes e das boas práticas de produção. “O sucesso depende da participação de todos os envolvidos na cadeia avícola. Os riscos do setor são similares aos de outros empreendimentos, toda atividade exige cada vez melhor gestão”, fala a pesquisadora. A grande popularização do consumo de ovos nos últimos anos também é responsável pelo aumento de produtores, que muitas vezes acabam não seguindo essas normas. “Hoje temos muita gente querendo entrar na atividade devido ao “boom” que se deu no segmento, ou seja, ovos passam a ser mocinhos na dieta, na industrialização, na inovação e na agregação de valor”, indica o diretor executivo da ASGAV. Santos ainda comenta que por conta disso, existe bastante

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Em 2016, somente 0,43% da produção total de ovos no Brasil foi exportada. DOENÇAS

Medidas de prevenção para proteção de plantéis de aves são parte vital da manutenção da atividade de avicultura de postura

FOTO: CÉSAR MACHADO/AGROSTOCK

Essa mesma desinformação quanto à biosseguridade e sanidade animal é o que colabora para a aparição de algumas doenças nos plantéis. A mais comum é a salmonelose, que gerou alguns surtos da doença em humanos, principalmente entre os anos de 2013 e 2014, como mostram alguns dados do Ministério da Saúde. Além dela, os animais ainda podem ter bronquites infecciosas, laringotraqueíte e outras doenças que rondam as aves. “Caso os produtores e avicultores em geral, não tomem os devidos cuidados e proteção, o plantel avícola se torna vulnerável e frágil perante a vasta existência de vetores que conduzem vírus e bactérias causadores de doenças e até mesmo danos na qualidade dos ovos e da carne de frango”, alerta José Eduardo Santos. 

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FALE COM O ESPECIALISTA

BOVINOS

FOTO: PIXABAY

Como prevenir a diarreia nos primeiros dias de vida dos bezerros? Suelen Baumgarten – Alto Feliz (RS) As diarreias em bezerros podem ter diversas causas que, em grande parte, estão relacionadas a infecções por microrganismos, especialmente as bactérias. Ao nascer, os bezerros apresentam baixa imunidade, por isso ficam muito suscetíveis a estas infecções. Quando apresentam diarreia, geralmente desidratam de forma muito rápida e têm grande chance de evoluir para a morte. Para evitar a ocorrência de diarreias nos primeiros dias de vida dos bezerros, é necessário fornecer colostro em adequada quantidade e qualidade, de forma a transferir anticorpos aos animais, tornando-os mais resis-

tentes a infecções. Além disso, deve-se manter correta higiene do ambiente onde estes são manejados, especialmente evitando o acúmulo de fezes e matéria orgânica; evitar misturar animais de idades muito diferentes em um mesmo local; oferecer adequadas condições de conforto aos animais, evitando superlotações e extremos de temperatura/umidade no interior das instalações, ou qualquer outra causa de estresse que poderia reduzir a resistência imunológica dos bezerros. Animais doentes devem ser isolados dos demais, tão logo sejam identificados, para a realização do tratamento e, consequentemente, as instalações devem ser rigorosamente higienizadas e desinfetadas. A água e o leite também devem ser oferecidos em adequada quantidade e qualidade, em temperatura correta. Todos os utensílios utilizados no fornecimento de alimentação aos animais devem ser frequentemente higienizados e desinfetados. Estas são medidas gerais a serem recomendadas, mas é sempre importante que o produtor conte com a assistência de um Médico Veterinário, para orientações mais detalhadas de acordo com cada realidade produtiva.

ESPECIALISTA

MARCELLA Z. TRONCARELLI Médica Veterinária - DVM, PhD. Pós-doutora em Medicina Veterinária Preventiva pela FMVZ UNESP Botucatu-SP Atuação: Docente do Curso de Medicina Veterinária no Instituto Federal Catarinense Campus Concórdia, Coordenadora do Grupo de Estudos Pro Latte

Quais as causas da mastite no gado leiteiro e como evitar? Tania Rodrigues – Julina (MT) As mastites são causadas, em grande parte, pela infecção da glândula mamária das vacas por microrganismos. Estes podem estar presentes no meio ambiente onde os animais são manejados (solo, cama, água); nas mãos dos ordenhadores, e/ ou em utensílios e equipamentos utilizados na ordenha. As bactérias são os microrganismos mais comuns envolvidos nas mastites, porém os fungos, as leveduras e as algas também podem estar presentes. Estes agentes invadem a glândula mamária da vaca a partir da ponta do teto, migrando a partir do canal interno do teto, atingindo então a glândula. Esta infecção

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causa uma inflamação local, que pode ou não ser visível, caracterizando respectivamente, a mastite clínica e a subclínica. Para evitar a ocorrência de mastite no gado leiteiro, é necessário adotar adequadas medidas de higiene durante a ordenha e realizar o correto manejo dos animais no período pós-ordenha. Para isso, os ordenhadores devem atentar para a correta higienização das mãos; evitar lavar o úbere dos animais, lavando somente os tetos que estiverem visivelmente sujos; evitar utilizar panos para a secagem dos tetos dos animais, preferindo o uso de papel toalha para este fim; utilizar produtos antissépticos recomendados para

os tetos das vacas, antes e após a ordenha (pré e pós-dipping); realizar adequada higienização e desinfecção dos equipamentos e dos demais utensílios utilizados na ordenha; preferencialmente fornecer alimentação para as vacas após a ordenha, para que estas permaneçam em pé e haja tempo para o fechamento do óstio do teto; manter adequada higiene das instalações e áreas onde as vacas são manejadas e, o mais importante: contar com a assistência de um Médico Veterinário para que sejam realizadas orientações mais específicas quanto à prevenção e controle da doença nos animais, de acordo com a realidade produtiva.

FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Você tem dúvidas sobre manejo, nutrição ou sanidade em sua propriedade? Profissionais altamente capacitados podem lhe ajudar. Envie sua pergunta através de nossas redes sociais e ela poderá ser respondida neste espaço.


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ARTIGO TÉCNICO

BOVINOS

MONITORAMENTO DA QUALIDADE DO REFLEXO DE

EJEÇÃO DE LEITE A

ordenha é uma das tarefas de maior relevância em propriedades leiteiras. A execução adequada dos procedimentos contribui não somente para a obtenção de leite com alta qualidade, de forma eficiente, mas também para a proteção das saúdes animal e humana. Dentre os fatores envolvidos no processo de ordenha, a qualidade do estímulo de ejeção do leite é um dos pontos de maior influência na saúde da glândula mamária e na eficiência de trabalho na sala de ordenha. Antes da ordenha, apenas 20% do leite produzido pela glândula mamária encontra-se prontamente disponível para ordenha, armazenado na cisterna. Para a ejeção e extração da fração alveolar (80% do leite), é necessária uma estimulação tátil anterior à ordenha (manual, mecânica ou

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por sucção do bezerro). O impulso nervoso gerado pelo toque na pele da teta induz a liberação de ocitocina armazenada no hipotálamo da vaca, a qual é liberada na corrente sanguínea e atua nos alvéolos, contraindo-os e expulsando o leite para a cisterna. O tempo de estímulo de ejeção do leite, definido como o intervalo entre o exame dos primeiros jatos de leite até a colocação do conjunto de ordenha, deve ser de, no mínimo, 1 minuto, e depende do grau de preenchimento alveolar. Dessa forma, recomenda-se que vacas ordenhadas três vezes ao dia sejam estimuladas com tempos entre 1,5 e 2 minutos, devido ao menor grau de preenchimento alveolar antes da ordenha, quando comparadas às vacas ordenhadas duas vezes ao dia.

A ordenha de vacas mal estimuladas resulta em consequências negativas para a saúde da glândula mamária. A aplicação do conjunto de ordenha na ausência de leite fluindo rapidamente através do canal da teta faz com que haja maior penetração e aumento no nível de vácuo no interior da glândula mamária e consequente lesão tecidual nas mamas e nas tetas. Essas condições agressivas de ordenha causam dor e desconforto aos animais e aumento das chances de novas infecções intramamárias. Ademais, há aumento do tempo total de ordenha por animal, diminuindo a eficiência de trabalho. Nesse contexto, uma série de parâmetros tem sido utilizados para monitorar a eficiência do estímulo de ejeção do leite decorrente do trabalho dos ordenhadores. As principais anomalias

FOTO: SHUTTERSTOCK

Uma ferramenta para a melhoria da saúde da glândula mamária e da eficiência de trabalho na sala de ordenha


2.

exemplo, quando o fluxo de leite atinge valores entre 600 e 800 g/min) diminui o tempo total de ordenha em 30-60 segundos por animal, reduz a agressão à glândula mamária e não influencia a produção de leite ou a ocorrência de novas infecções intramamárias. Por essa razão o uso de extratores automáticos de teteiras bem regulados é uma prática de manejo altamente recomendada. Fluxo médio de leite (kg/ min): definido como a produção total de leite, dividida pelo tempo total de ordenha. Indica, em média, a quantidade de leite extraída em cada minuto de ordenha. Fluxo máximo de leite (kg/min): definido como o fluxo máximo de leite atingido na ordenha de cada vaca. Produção de leite nos primeiros dois minutos de ordenha: em geral, visa-se a extração de 50% do leite nos primeiros dois minutos da ordenha. Tempo total de ordenha (minutos).

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4. 5.

6.

FIGURA 1: CURVAS DE FLUXO DE LEITE PRODUZIDAS EM TEMPO REAL DURANTE A ORDENHA

Curva de uma vaca bem estimulada, caracterizada por aumento imediato do fluxo inicial de leite após a colocação do conjunto, seguida por uma fase de platô (extração em alto fluxo), e rápida fase de declínio.

Fonte: arquivo pessoal.

Curva bimodal de uma vaca mal estimulada, caracterizada por dois períodos de alto fluxo, decorrentes da extração do leite armazenado na cisterna da glândula (primeiro pico), e da ejeção retardada de leite devido ao estímulo causado pela ação das teteiras (segundo pico). Note o período de sobreordenha (ordenha em fluxo baixo de leite) e aumento do tempo total de ordenha.

7.

Produção total de leite por ordenha (kg). Os parâmetros de eficiência de ordenha acima citados indicam primariamente a adequação da preparação das vacas pré-ordenha, pelos ordenhadores. No entanto, outros fatores de manejo podem influenciar o reflexo de ejeção do leite, tais como situações de estresse pré-ordenha e mudanças na rotina dos animais. Independentemente da causa, esses problemas podem ser rapidamente detectados por meio do monitoramento contínuo desses parâmetros, em cada ordenha. É importante notar que não existem valores recomendados que serviriam para todas as propriedades, porque tais parâmetros dependem do nível de produção de leite das vacas. Deve-se estabelecer valores normais para cada rebanho e monitorar mudanças repentinas. Em geral, busca-se maximizar os valores de fluxo médio e máximo, assim como a produção nos primeiros dois minutos de ordenha, e minimizar o tempo total de ordenha sem que haja diminuição na produção total de leite. Por exemplo, é comum o monitoramento de tais parâmetros para comparar a qualidade do trabalho das diferentes equipes de ordenha (turnos da manhã, tarde e noite). É importante disponibilizar os dados aos ordenhadores diariamente para que acompanhem a qualidade do seu trabalho. Em nossa rotina, temos observado uma rápida melhora nos parâmetros de eficiência de ordenha após realização de treinamentos da equipe de trabalho. Em conclusão, a ordenha de vacas bem estimuladas é fundamental para a melhoria da saúde da glândula mamária e da eficiência de trabalho na sala de ordenha. O monitoramento dos parâmetros descritos é fundamental para a rápida detecção de desvios da normalidade. 

FOTO: ARQUIVO PESSOAL

1.

A qualidade do estímulo de ejeção do leite é um dos pontos de maior influência na saúde da glândula mamária Júlia Pompeu de Mendonça Médica Veterinária. Mestre em Medicina Veterinária Preventiva pela FMVZ UNESP Botucatu/SP Médica veterinária conveniada a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) Arandu/SP

FOTO: ARQUIVO PESSOAL

e parâmetros que podem ser monitorados diariamente (em todas as ordenhas) por equipamentos modernos de ordenha são apresentados a seguir: Curva bimodal de fluxo de leite: caracterizada por um aumento do fluxo de leite imediatamente após a colocação do conjunto de ordenha, decorrente da extração do leite armazenado na cisterna da glândula (20%), o qual é prontamente disponível para ordenha. No entanto, devido à falta de estímulo de ejeção do leite, o fluxo diminui bruscamente após o término da extração do leite da cisterna e aumenta novamente somente após a ejeção do leite alveolar decorrente do estímulo gerado pela ação da teteira (Figura 1). Dessa forma, a teta e a glândula mamária são submetidas às agressões previamente discutidas. O aumento da ocorrência de curvas bimodais indica, primariamente, que as vacas não estão sendo estimuladas adequadamente pela equipe de ordenha. Sobreordenha (tempo em fluxo menor do que 1 kg/ min): caracterizada pela permanência do conjunto por tempo excessivo na fase final da ordenha. Similarmente à ordenha de vacas mal estimuladas, a sobreordenha resulta na agressão à teta e à glândula mamária, e aumento no tempo total de ordenha. É sabido, com base em evidência científica, que a retirada antecipada do conjunto (por

José Carlos de Figueiredo Pantoja Médico Veterinário. Mestre e Doutor em Dairy Science na área de qualidade do leite, pela University of Wisconsin-Madison Professor no Departamento de Higiene Veterinária e Saúde Pública da FMVZ-UNESP Botucatu/SP. Tutor do Programa de Educação Tutorial (PET FMVZ) do MEC. Atua no Brasil e exterior como pesquisador, consultor e instrutor na área de qualidade do leite e controle da mastite bovina.

AGRO&NEGÓCIOS | SETEMBRO 2018 51


FOTO: DIVULGAÇÃO

LEITE

INDÚSTRIAS GAÚCHAS BUSCAM

INSPIRAÇÃO NO URUGUAI

Laticinistas gaúchos formaram uma comitiva para viajar ao Uruguai e conhecer de perto experiências de sucesso do mercado lácteo do país vizinho.

U

m país que produz cerca de 2 bilhões de litros de leite por ano e exporta aproximadamente 70% dessa produção. Esse é o Uruguai, um país com o território menor que o Rio Grande do Sul, mas com um potencial gigante para desenvolver a cadeia láctea. O potencial para a exportação vem do incentivo do governo e de entidades técnicas para a produção de uma matéria-prima de qualidade, tendo a maior parte do rebanho formada pela raça holandesa. A produção leiteira no país vizinho cresceu exponencialmente nos últimos 30 anos e se expandiu devido à intensificação da produção e pelo volume de exportação. Em 2018, o setor lácteo uruguaio continua ascendendo, com um nível de captação surpreendendo favoravelmente. Segundo o Inale - Instituto Nacional de la Leche, o volume de leite captado no Uruguai aumentou 10,0% em abril deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado, totalizando 146,28 milhões de litros. E foi em busca dos segredos e particularidades da desenvolvida cadeia láctea uruguaia, que a Associação das Pequenas Indústrias de Laticínios do Rio Grande do Sul (APIL/ RS)

52 AGRO&NEGÓCIOS | SETEMBRO 2018

organizou uma viagem técnica ao país vizinho. A comitiva, formada por representantes de laticínios de diferentes municípios gaúchos, percorreu indústrias e tambos, como a Indús-

MAPA DO LEITE NO URUGUAI

2 bilhões

de litros de leite por ano

146,28 milhões de litros até o mês de abril

70% 10%

da produção é exportada

de aumento na produção em abril

tria Láctea Talar, em Maldonado, onde fica um dos mais modernos tambos do Uruguai, produzindo cerca de 20 mil litros de leite por dia. Na capital Montevidéu, o grupo de laticinistas conheceu o Laboratorio Tecnologico Del Uruguay (LATU), que desenvolve estudos sobre o uso do soro. No local, também foi desenvolvido um sistema de salmoura a vácuo, que permite reduzir o tempo de salmoura em queijos duros. O funcionamento do LATU conta com incentivo governamental, onde há um repasse de 0,3% de todo o imposto cobrado sobre produtos exportados. Outro modelo visitado foi o maior tambo do Uruguai, a Estancias Del Lago, com 15,6 mil animais, dos quais 13 mil estão em lactação, produzindo cerca de mil litros/dia. No Departamento de Colônia, a comitiva esteve na Indústria Láctea Calcar, uma cooperativa fundada em 1956 por um grupo de produtores de leite, que processam entre 140 a 300 mil litros de leite por dia. No Instituto Nacional de Investigação Agropecuária (INIA), os olhares se voltaram para a ordenha robotizada de animais em condições de pastoreio. Em Nueva Helvecia, região sudeste do departamento de Colonia, o grupo visitou o laticínio La Magnólia, que processa 20 mil litros/dia com capacidade, na primavera, de 30 mil litros. A indústria é reconhecida em todo Uruguai pela qualidade do seu doce de leite. Para o presidente da APILRS, Wlademir Dall’ Bosco, apesar do setor lácteo uruguaio concorrer com os produtos internos, os brasileiros tem muito que aprender com a profissionalização, modernização e, principalmente, a forma como o governo uruguaio lida com esse setor. 


AGRO&NEGÓCIOS | SETEMBRO 2018 53


BOVINOS

DEVON

FERTILIDADE E ALTO RENDIMENTO A raça de origem inglesa é famosa pela tranquilidade no manejo e pela adaptação em diversos climas, além do sabor excepcional da carne produzida.

U

m temperamento suave e animais extremamente dóceis. A preferência por bovinos da raça Devon poderia ser por conta disso, mas as qualidades vão muito além. A estrutura equilibrada e as linhas harmoniosas contribuem para a ótima cobertura de gordura e excelente relação carne-músculo desta raça. Raça inglesa e indígena, que leva esse nome por ser originária do condado de Devonshire, no Sudoeste da Inglaterra, é considerada uma das mais antigas do Reino Unido. No Brasil, os primeiros exemplares puros de origem Devon chegaram em 1906, primeiro em Pedras Altas e depois em Ale-

54 AGRO&NEGÓCIOS | SETEMBRO 2018

grete, ambas no Rio Grande do Sul. O rebanho brasileiro de Devon é estimado em 200 mil cabeças, sendo que 150 mil estão localizadas no Rio Grande do Sul, destes aproximadamente 20 mil animais são puros de origem (PO), de acordo com a Associação Brasileira de Criadores de Devon (ABCD). Com alta fertilidade, as fêmeas são muito prolíferas, com desmame de terneiros sadios e pesados. Também são rústicas e dotadas de alta capacidade leiteira. Já os machos, muito utilizados para serviço, também destacam-se pelo grande potencial de conversão de pasto em carne de qualidade. Esses animais ainda conse-

O rebanho brasileiro de Devon é estimado em 200 mil cabeças, sendo que 150 mil estão localizadas no Rio Grande do Sul


FOTOS: ALEXANDRE TEIXEIRA

guem suportar tanto frio e umidade, quanto calor e seca, por conta de sua alta adaptabilidade. Naturalmente, são de pastagens fracas e fibrosas, contudo, apresentam um ótimo desempenho se as demandas nutricionais forem supridas através de outras fontes. O reprodutor Devon gera um terneiro com maior resistência a doenças, que não oferece problemas de parto, pois são pequenos ao nascer, além de serem animais dóceis. Ele pode ser criado puro ou cruzado com outras raças, apresentando uma precocidade sexual e também de acabamento, com um excelente rendimento em sua carne, sendo considerada uma das melhores do mundo.

A CARNE DEVON

Os bovinos Devon ainda podem produzir animais com mais de 300kg de carcaça, com um rendimento acima de 50%, de acordo com o sistema de produção adotado. Ainda é possível a criação de novilhos super precoces suplementados a pasto, com peso vivo superior a 450kg e rendimento também na faixa de 50%.

O Frigorífico São João, localizado em São João do Itaperiú, no litoral catarinense, foi o primeiro do país a conseguir certificação para o abate dessa raça. A carne se destaca pela “maciez, suculência e sabor”, nas palavras do próprio frigorífico. Essa certificação garante ao consumidor a qualidade da carne e a diferenciação sensorial da Carne Devon. Ela ainda apresenta uma boa marmorização, fibra fina e sabor especial. Para serem recebidos no abate, machos castrados ou fêmeas, precisam ter até 2 anos de idade, com um percentual de gordura mínimo de três milímetros, pelo menos 50% de sangue da raça e conformidade de carcaça.

A REPRODUÇÃO DA RAÇA

A ABCD fala que são várias as centrais com reprodutores Devon com uma venda permanente de sêmen. A venda de reprodutores e de matrizes também é constante durante todo o ano por muitas cabanhas. Há também diversos leilões da raça, principalmente em feiras como a Expointer, no Rio Grande do Sul e também em Santa Catarina, dentre os quais o mais exponencial é o Top Devon, realizado nos dois Estados. 

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DOS BOVINOS DA RAÇA DEVON CABEÇA: As narinas devem ser altas e abertas, com focinho largo e cor de carne, livre de qualquer tonalidade azulada ou preta. Os olhos são proeminentes, vivos e brilhantes. As orelhas, de tamanho e espessura médios, franjadas de cabelos, são finas nas fêmeas. PESCOÇO: O pescoço deve ser médio no comprimento. Musculoso e sem papada exagerada nos machos e um tanto descarnada nas fêmeas.

GARUPA E PICANHA: Longa. Cheia nos machos e moderadamente carnuda nas fêmeas.

PEITO: Largo e profundo. Leve na região das paletas, com pouca barbela e sem acúmulo de gordura. PERNAS DIANTEIRAS: De ossatura forte, retas e separadas, são musculosas e cheias na parte superior. Os cascos devem ser fortes e sólidos, com ausência de coloração preta.

DORSO: Reto, longo, nivelado com lombo largo e cheio. Quadris de mediana largura, bem providos de carne e nivelados com a linha do lombo.

PERNAS TRASEIRAS: Bem aprumadas, retas, com boa ossatura e boa separação de garrões. Cascos normais, não crescidos, de maneira a não se arrastarem ao caminhar e sem coloração preta.

ÚBERE: Não carnudo, avançando tanto para a frente como para trás, em alinhamento com a barriga. As tetas devem estar em esquadro e não ter tamanho grande demais.

Fonte: Associação Brasileira de Criadores de Devon

AGRO&NEGÓCIOS | SETEMBRO 2018 55


NUTRIÇÃO

PARA RUMINANTES N

o cenário atual da produção de alimentos no Brasil, a eficiência produtiva e a redução de custos na formulação de dietas são fatores que determinam o sucesso da produção animal no agronegócio. Portanto, conhecer a composição bromatológica ou química dos alimentos é o ponto de partida para a formulação de dietas balanceadas, que tomam como base os nutrientes contidos nos alimen-

56 AGRO&NEGÓCIOS | SETEMBRO 2018

tos e as necessidades nutricionais das diversas categorias dos animais de produção. Diversas pesquisas são realizadas sobre as alternativas alimentares e de intensificações dos sistemas produtivos, com o objetivo de otimizar o desempenho dos animais. Mas para isso, é necessário que pesquisadores, técnicos, cooperativas e produtores busquem laboratórios de análises confiáveis para avaliar a

qualidade dos alimentos que irão compor as dietas dos animais. Geralmente, a grande maioria dos produtores não conhece a quantidade de matéria seca que seus animais estão consumindo e, consequentemente, se esta atende as exigências nutricionais, principalmente de energia e proteína bruta. Então surge a pergunta, qual a real importância do conhecimento da ingestão de nutrientes?

Letieri Griebler Doutora em Zootecnia Professora dos cursos de Agronomia e Zootecnia da Unoesc Xanxerê.

FOTO: ARQUIVO PESSOAL

A IMPORTÂNCIA DA ANÁLISE NUTRICIONAL PARA FORMULAÇÕES DE DIETAS BALANCEADAS

FOTO: ARQUIVO PESSOAL

FOTO: CÉSAR MACHADO/AGROSTOCK

ARTIGO TÉCNICO

João Gabriel Rossini Almeida Doutor em Ciência Animal Professor dos cursos de Agronomia, Medicina Veterinária e Zootecnia da Unoesc Xanxerê.


SILAGEM

FENO

Em um exemplo prático, uma vaca leiteira holandesa consome aproximadamente 30 kg de silagem de milho em sistemas confinados. Se formularmos a dieta com base no NRC, por exemplo, e considerando que a matéria seca da silagem é de aproximadamente 35,1% e o NDT 68,8%, o total de NDT proveniente dessa silagem seria:

30kg

de silagem de milho consumida Então,

10,53kg

de matéria seca consumidos

35,1%

de matéria seca

10,53kg

de matéria seca consumidos

68,8%

7,24kg

de NDT

de NDT

Considerando que para produzir um litro de leite com 3,5% de gordura, a vaca precisa de 0,301 kg de NDT, esta quantidade de silagem de milho seria suficiente para produzir 24,1 litros de leite. Em situação real, ao encaminhar esta silagem para uma análise bromatológica, teremos a composição química real da silagem. Se, ao contrário dos 35,1% considerados na formulação, a matéria seca determinada em laboratório for de 30%, o total de matéria seca proveniente desta silagem seria:

30kg

de silagem de milho consumida

9kg

Então,

de matéria seca consumidos

30%

9kg

de matéria seca

de matéria seca consumidos

68,8%

6,19kg

de NDT

de NDT

kg de leite dia-1

Portanto, a produção real de leite para essa quantidade de silagem será de 20,6 litros de leite. Neste exemplo, a diferença entre a produção estimada e a produção observada seria de 3,5 litros de leite. Ou seja, 14,5% menor do que o esperado.

Em um outro caso, considerando a qualidade de dois fenos de diferentes fornecedores, poderemos ter a seguinte situação: Fornecedor A com custo de R$ 7,70 e fornecedor B com custo de R$ 7,26 (fardo de ambos equivalente a 11kg), qual você escolheria? O fornecedor B, correto? Ao analisar a composição bromatológica, verificamos que o resultado do feno dos fornecedores são:

A

B

teor de 89% de MS e 13,7% de PB

teor de 81% de MS e 11,3% de PB

E agora, você ainda compraria o feno do fornecedor B? Vamos mostrar o custo verdadeiro dos nutrientes após a analise bromatológica:

Feno A: Custo do kg da MS R$ 7,70 / 11 kg / 89% = R$ 0,79 Custo do kg da PB R$ 0,79 / 13,7% = R$ 5,74

Feno B: Custo do kg da MS R$ 7,26 / 11 kg / 81% = R$ 0,81 Custo do kg da PB R$ 0,81 / 11,3% = R$ 7,21 Ao analisar o valor por kg de nutriente, verificamos que o feno B apresenta um custo 3,6% superior ao feno A quando consideramos o teor de MS, e 25,6% superior quando consideramos o teor de PB.

24,1 litros

Produção estimada

20,6 litros

Produção real

A partir destes dois exemplos corriqueiros, percebe-se que o acompanhamento da qualidade química e física dos ingredientes e/ou da dieta oferecida aos ruminantes é preponderante para garantir o desempenho esperado, bem como auxiliar na tomada de decisão durante a compra de ingredientes. 

AGRO&NEGÓCIOS | SETEMBRO 2018 57


AGRO+

58 AGRO&NEGÓCIOS | SETEMBRO 2018


O FEIJÃO QUE ULTRAPASSOU

FRONTEIRAS

Líder brasileira na exportação de pulses, a Coperaguas possui 12 plantas distribuídas estrategicamente pelo Brasil. É reconhecida pela excelência na produção, exportando atualmente para 38 países.

Ademir Zanella, presidente da Coperaguas revela a trajetória de desafios e sucesso

FOTOS: PAULA NAVARRO

A

limento mais consumido pelos brasileiros, o feijão é protagonista na mesa da maioria das pessoas, mas não só na mesa, também na renda de muitas famílias que plantam e colhem a variedade. Reconhecida como uma grande cooperativa, a Coperaguas atua desde o seu surgimento visando maximizar os resultados para toda a cadeia produtiva e, com base em seu pioneirismo, alcançou a excelência na produção e exportação de pulses. Comprovando esse conhecimento e competência na área, a Coperaguas inaugura nesta edição a nova editoria da Revista Agro&Negócios. Na Agro +, você conhecerá cooperativas e indústrias que nasceram no Sul do país e hoje destacam-se nacional e internacionalmente pelos resultados, alta tecnologia e excelência que empregam em seus processos. Com uma equipe extremamente capacitada e grande know-how de mercado, a Coperaguas trabalha em parceria com o agricultor para garantir os melhores resultados em todas as etapas da produção, partindo da escolha das sementes até um sistema de logística próprio e especializado.

AGRO&NEGÓCIOS | SETEMBRO 2018 59


AGRO+

Quem conta essa história é o presidente da Coperaguas, Ademir Luiz Zanella. “A Coperaguas veio como uma alternativa para agricultores que não viam mais rentabilidade na produção de cereais. Foi então que reunimos em 2001, 26 agricultores”, relembra. Sem dúvida, o início foi repleto de desafios, principalmente com o início das exportações e as dúvidas em quem confiar. “Pagamos para aprender, foi um caminho árduo que foi superado com muito trabalho”, conta Ademir. Com a super safra de feijão em 2007 e o mercado interno não absorvendo toda a produção, a Coperaguas buscou novos

SEM FRONTEIRAS Com foco no mercado internacional, a Coperaguas exporta para 38 países, sendo que os principais compradores são os países Asiáticos. Confira os 3 principais destinos e o atual volume de exportação: DESTINO

TIPOS DE FEIJÕES COMERCIALIZADOS PELA COPERAGUAS

E mais: • Feijão-caupi Tumucumaque • Feijão-caupi Fradinho • Feijão Vermelho • Feijão Rosinha • Feijão Jalo • Feijão Bolinha amarelo

VOLUME

Índia

37%

Vietnã

18%

Paquistão

6%

Demais países

39%

60 AGRO&NEGÓCIOS | SETEMBRO 2018

Desde o início das exportações até hoje, a cooperativa registrou crescimento de 250% no seu faturamento. FOTO: AGÊNCIA 2 OP


mercados, além das fronteiras. Desde o início das exportações até hoje, a cooperativa registrou crescimento de 250% no seu faturamento.

ESTRUTURA

Os produtos e serviços da cooperativa são constantemente avaliados e melhorados, para que sejam mantidos os mais rigorosos padrões de qualidade. Para tanto, são realizados investimentos permanentes em pesquisa e desenvolvimento de variedades de pulses, que objetivam atender de forma qualificada a demanda do mercado internacional. Para atender essas necessidades, conta com uma ampla infraestrutura, parceiros de confiança e um avançado sistema de logística que garante qualidade e procedência na entrega. Atuando há mais de uma década no mercado externo, a Coperaguas está pronta para atender novos mercados da mesma forma que trabalha com seus atuais parceiros de negócios: com toda a tradição em excelência da marca. 

SAFRA BRASILEIRA DE FEIJÃO De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra 2017/2018 deve superar a colheita anterior em área plantada de feijão. A área plantada será 0,3% maior em relação a safra anterior. Porém, a produção nacional está estimada em 3.308 milhões toneladas, 2,7 % menor que a última temporada. A Conab esclarece que a colheita de feijão da primeira safra já foi concluída. A segunda se encontra em colheita e a terceira safra está em fase final de plantio. REGIÃO SUL é a maior produtora de feijão, com

CENTRO-OESTE vem em seguida ,com

831,6 mil

827,5 mil toneladas.

toneladas.

Fonte: Conab Estimativa julho/2018

Destaque para o Paraná, com a estimativa de

Destaque para o Mato Grosso, com a produção estimada

toneladas.

de ,3 mil toneladas.

596,6 mil

379

AGRO&NEGÓCIOS | SETEMBRO 2018 61


COOPERATIVAS

COAMO

Cooperados poderão investir em energia fotovoltaica Conforme o superintendente técnico, Aquiles de Oliveira Dias, por meio de um amplo estudo, a Coamo selecionou os melhores fornecedores e parceiros do mercado para prestar o melhor serviço, desde a execução do projeto até a instalação do sistema. “É preciso fazer um orçamento prévio, no qual o fornecedor vai visitar a propriedade e fazer um projeto adequado para o espaço, sendo que o custo será de acordo com este projeto”, esclarece Aquiles.

LANGUIRU

Programa de Sucessão Familiar

U

ma nova etapa, totalmente remodelada e gratuita do Programa de Sucessão Familiar da Cooperativa Languiru, formação dirigida aos associados, teve início no mês de agosto. O curso está alicerçado no processo de sucessão nas operações e na gestão das propriedades rurais de associados da Languiru, como uma forma de estimular a permanência dos jovens no campo e garantir a sustentabilidade da atividade produtiva. Com roupagem atualizada, o curso traz melhorias em relação à primeira edição. Entre as mudanças, a nova formação prevê, além dos encontros periódicos com os jovens em processo de sucessão, encontros adicionais específicos com os pais ou gestores atuais das propriedades, para que o processo possa ser visto e compreendido de forma integrada.

FOTO: LEANDRO AUGUSTO HAMESTER

Família Secchi/Broenstrup vive a sucessão na prática

62 AGRO&NEGÓCIOS | SETEMBRO 2018

FIQUE POR DENTRO

Para entender melhor, energia fotovoltaica é a energia produzida a partir da luz solar, e pode ser produzida mesmo em dias nublados ou chuvosos. Quanto maior for à radiação solar maior a quantidade de eletricidade produzida.

AURORA ALIMENTOS

Eleita Empresa Cidadã 2018 pela ADVB/SC

A

Cooperativa Central Aurora Alimentos conquistou o prêmio Empresa Cidadã ADVB/SC 2018 na Categoria Participação Comunitária com o case "Casamento Cooperado: realizando sonhos e transformando vidas", promovido por meio do programa Amigo Energia da Fundação Aury Luiz Bodanese, braço social da Aurora Alimentos. A premiação é uma iniciativa da Associação dos Dirigentes de Venda e Marketing de Santa Catarina (ADVB/SC). O vice-presidente da Aurora Alimentos e presidente do Conselho Curador da Fundação Aury Luiz Bodanese, Neivor Canton, considera que o prêmio reconhece um dos princípios universais do cooperativismo: o interesse pela comunidade, o qual faz parte de todas as ações desenvolvidas por meio, principalmente da

Fundação Aury Luiz Bodanese. "Nosso maior patrimônio são as pessoas. Trabalhamos com elas e por elas. Essa conquista é de todos da família Aurora Alimentos e nos enche de orgulho, pois esses frutos são resultados de muita dedicação e amor por parte dos nossos voluntários".

FOTO: DIVULGAÇÃO

S

empre em busca de novidades e melhorias que tragam benefícios aos seus cooperados, a Coamo está disponibilizando ao quadro social mais uma importante ferramenta, que vai contribuir diretamente na diminuição de custos da propriedade rural. A partir do mês de agosto, os cooperados encontrarão em todas as unidades da cooperativa, equipamentos para exploração de energia fotovoltaica, em condição diferenciada.


50 ANOS DA COOPERITAIPU

A

ASSESSORIA DE IMPRENSA C.VALE

Cooperativa Regional Itaipu lançou no mês de agosto a Campanha 50 Anos 50 Prêmios. O lançamento contou com a explanação especial do Presidente da cooperativa, Arno Pandolfo que fez um breve resgate da história da Cooperitaipu, seguindo para a apresentação da Campanha que é comemorativa aos 50 anos, completados em 26 de abril. “As programações e festividades para marcar o cinquentenário da cooperativa, foram pensadas de uma forma muito especial. Estaremos atendendo a todos os associados e familiares, colaboradores, parceiros e funcionários. Será um momento importante e queremos envolver todos que fazem parte desta história”, finaliza o presidente. A promoção irá sortear 50 prêmios de modo geral e acontecerá em dois momentos. Sendo o primeiro sorteio exclusivo para associados.

VALOR 1000

C.Vale é a segunda maior da agropecuária

A

receita líquida de R$ 6,8 bilhões em 2017 garantiu à C.Vale a condição de 88ª maior empresa do Brasil. No segmento agropecuário, a cooperativa ficou em segundo lugar em receita líquida e em nono lugar considerando-se oito indicadores de desempenho. Entre as maiores da região Sul, a C.Vale ficou em 11º lugar, atrás de empresas como Bunge, Copel e Renault. A classificação consta do levantamento Valor 1000, do Valor Econômico, principal jornal de economia do Brasil.

Para o presidente da C.Vale, Alfredo Lang, a desvalorização dos grãos limitou o crescimento do faturamento, já que os produtores deixaram de vender grande parte da soja e do milho à espera de preços mais atrativos que passaram a ser ofertados agora em 2018. Segundo ele, o mau desempenho da economia e a operação Carne Fraca também tiveram impacto, na medida em que forçaram a redução das margens de lucro do segmento carne de frango.

AGRO&NEGÓCIOS | SETEMBRO 2018 63


ANÁLISE DE MERCADO

Felippe Serigati e Roberta Possamai

CENSO AGROPECUÁRIO

FICAMOS MAIORES E MAIS PROFISSIONAIS

N

o mês de agosto, foram divulgados os dados preliminares do Censo Agropecuário 2017, realizado pelo IBGE. Essa pesquisa revelou mudanças importante no agro brasileiro nos últimos 11 anos (o último Censo tinha sido em 2006). De forma sintética, o universo agro:

• O Censo também revelou uma tendência de envelhecimento do produtor, sendo que, enquanto em 2006, a população ocupada com 65 anos ou mais de idade era de 17,52%, em 2017 essa participação aumentou para 21,41%. Enfim, os números preliminares do Censo Agropecuário sugerem que, nos últimos 11 anos, o universo agro brasileiro ficou bem mais produtivo, incorporando mais tecnologia, porém, menos mão de obra. Ficou menos disperso, mais “terceirizado”, com menor participação dos mais jovens, porém, maior participação das mulheres. Em poucas palavras, o setor agropecuário brasileiro ficou mais eficiente e profissionalizado, com todas as vantagens e desvantagens que decorrem desse processo. 

• Incorporou mais tecnologia e menos mão de obra: o número de tratores aumentou em 50%. A introdução de tecnologia fez com que o setor poupasse mão de obra; o número de pessoas ocupadas em estabelecimentos rurais diminuiu em mais de 1,5 milhão (ou seja, 9,2% menor do que era em 2006);

• Produziu de forma menos dispersa: comparado a 2006, o número de estabelecimentos rurais no Brasil, em 2017, reduziu em cerca de 100 mil unidades. Apesar da queda do número de estabelecimentos, a área média dos estabelecimentos se expandiu, passando de 65,3 para 70 hectares. Por fim, houve forte expansão (100%) das terras arrendadas (30 milhões de hectares); • Apesar da queda da população ocupada nas atividades agropecuárias, houve aumento da participação da mulher no campo, tornando as propriedades rurais um pouco mais femininas. A população feminina ocupada passou de 12,7% em 2006 para 18,7% em 2017;

CONFIRA OS NÚMEROS Valor bruto da produção cresceu

77,2%

Número de tratores aumentou em

50% Estabelecimentos rurais diminuíram em

100 mil unidades

Felippe Serigati - Pesquisador do FGV Agro e coordenador do MBA em Agronegócio da FGV. felippe.serigati@fgv.br Roberta Possamai - Professora e pesquisadora do FGV Agro. roberta.possamai@fgv.br

64 AGRO&NEGÓCIOS | SETEMBRO 2018

Populaçao feminina está em

18,7%

FOTOS: PIXABAY E SHUTTERSTOCK

• Ficou mais produtivo: o valor bruto da produção cresceu 77,2% entre 2006 e 2017 (valor já deflacionado pelo IGP-DI/FGV).


M

esmo após um ano repleto de turbulências, notadamente do lado político, 2017 entregou a economia brasileira para o ano de 2018 em uma situação bem melhor do que aquela recebida em 2016. Enquanto começamos o ano passado com a economia encolhendo 2.5% a.a. (contração do 4º trimestre de 2016), iniciamos 2018 crescendo 2.1% a.a. (expansão do 4º trimestre de 2017). Ou seja, apesar de todas as adversidades, diversas variáveis apresentaram melhoras bastante significativas ao longo de 2017, tais como, PIB, inflação, taxa de juros, risco país, produção industrial, volume de vendas do comércio varejista, etc. Embora algumas variáveis ainda não tenham reagido satisfatoriamente, como o mercado de trabalho, o volume de atividade do setor de serviços e, principalmente, as contas públicas, os avanços observados, apesar de lentos, têm se mostrado sólidos. Por trás desses números favoráveis, há, de um lado, o desempenho excepcional do agronegócio brasileiro e, por outro, a expectativa de continuidade da agenda de reformas que, infelizmente, pode mudar rapidamente a depender da evolução do quadro eleitoral de 2018. Enfim, a situação está melhorando, porém, diversos eventos ao longo desse ano, com especial destaque para as eleições, podem reverter parte importante desses avanços.

AGRONEGÓCIO: O PRINCIPAL SETOR QUE FEZ A ECONOMIA CRESCER EM 2017

Certamente, o ano de 2017 ficou registrado como um dos melhores para o agronegócio brasileiro. Devido à ótima safra 2016/2017, o PIB das atividades agropecuárias cresceu 13.0% ano passado – é a maior taxa de crescimento registrada nas séries históricas do IBGE. Enquanto isso, o setor industrial ficou estagnado e o setor de serviços cresceu levemente (0.2%). Dessa forma, a expansão de 1.0% para a economia brasileira terá sido resultado, em termos agregados, quase que exclusivamente do forte crescimento do agronegócio nacional. Se, por um lado, o ano de 2018, não deve reservar um desempenho tão

Recorde de safra em 2016/2017 motivou o crescimento do PIB Agropecuário em 13%

forte para as atividades agropecuárias, por outro, os demais setores da economia brasileira, após três anos, finalmente devem voltar a crescer com força. Em outras palavras, com a contribuição dos seus três grandes setores (não apenas do agronegócio), em 2018, há a projeção de que a economia brasileira volte a crescer de forma minimamente robusta (2.9%). Embora essa seja uma perspectiva muito boa, é necessário estarmos atentos aos desdobramentos do quadro eleitoral de 2018. Pois, a sinalização de que a agenda de reformas pode ter sido perdida, levará à reversão de parte dos ganhos obtidos até o momento. 

FOTO: ARQUIVO PESSOAL

2018 BEM MELHOR QUE 2017

FOTO: CÉSAR MACHADO/AGROSTOCK

ECONOMIA BRASILEIRA:

Por Felippe Serigati Pesquisador do FGV Agro e coordenador do MBA em Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas

EXPANSÃO DE 2017 E PROJEÇÃO PARA 2018 PARA O PIB DO BRASIL E DOS PRINCIPAIS SETORES ECONÔMICOS Agropecuária Indústria Serviços PIB

13.0

3.5 0.0 0.2

2.4 2.9

3.0 3.0

2.5

3.0

1.0

2017 Fonte: IBGE e Banco Central do Brasil

-0.2

2018*

2019*

*Previsão do Boletim Focus de 09/03/2018

AGRO&NEGÓCIOS | SETEMBRO 2018 65


OPINIÃO Por José Zeferino Pedrozo

LIÇÕES PARA O FUTURO

FOTO ILUSTRAÇÃO: PEXEL

José Zeferino Pedrozo Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (FAESC) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR/SC)

M

erecem análise hoje e no futuro os efeitos da greve dos transportadores que eclodiu em 21 de maio e paralisou o País por longos e penosos dez dias. Impressiona como esse movimento desorganizou a economia nacional e impôs pesadas perdas a praticamente todos os setores da atividade econômica. As suas consequências permanecem e continuam emergindo em análises e relatórios, impactando empresas, organizações, Governo e sociedade. A questão não é emitir juízo de valor, mas procurar entender como o Brasil ficou tão profunda e perigosamente dependente de um modal de transporte, não possui um protocolo de emergência para crises dessa natureza e reagiu de forma tão despreparada. É necessário colher o caráter pedagógico desse episódio, pois é muito provável que seja reeditado no futuro. Assusta o autismo do Governo Federal que – embora tenha instrumento e recursos – não detectou, não dimensionou e não compreen-

deu a amplitude e os potenciais perigos do movimento, pois eram fartos e abundantes os sinais de que a crise era iminente. Isso, sem mencionar que os próprios dirigentes haviam formalmente comunicado a possibilidade da paralisação. Nesse aspecto, o mundo descobriu a fragilidade do Governo, o que se reflete na piora da avaliação de risco do País pelas agências internacionais. A conjugação de alguns fatores impeliu os caminhoneiros para a greve: a elevação dos preços internacionais do petróleo (barril tipo Brent subiu 80% em um ano), a desvalorização do real, os frequentes reajustes anunciados pela Petrobras, o excesso de caminhões comprados com subsídios do BNDES e o ritmo lento da economia. Os transportadores fizeram o que fazem todos os grupos de pressão no Brasil, (os mais ativos deles estão nas diversas categorias do funcionalismo público) que geralmente bloqueiam soluções amplas e duradouras, agindo frequentemente pela manutenção do status quo.

É imperioso reconhecer que o Governo empenhou-se em abreviar a greve para diminuir o sofrimento da população e os prejuízos das empresas. Não teve sucesso, porém, em razão da fraqueza negocial da equipe de interlocução que capitulou muito rapidamente, fez todas as concessões e não obteve nenhuma garantia. Por outro lado, os encargos decorrentes do acordo ferem ainda mais a combalida situação fiscal da União. As medidas sugam recursos de várias áreas, inclusive saúde e investimentos, para sustentar os 9,5 bilhões de reais necessários para a manutenção do preço do diesel, estável por 60 dias. Por outro lado, a solução oferecida com tabela de fretes é economicamente impossível de ser adotada. Em mais um pacote de bondades para o setor, a Câmara dos Deputados aprovou o marco regulatório dos transportes de cargas, que passará a ser beneficiado com oito renúncias fiscais, abatimento de impostos e anistia a multas. O quadro de dificuldades que o País enfrenta há quatro anos e o ambiente de pessimismo foram potencializados com o movimento dos transportadores. Os indicadores econômicos pioraram. O dano não é apenas psicossocial, como documentam as bilionárias perdas na agricultura, na indústria, no comércio e no setor de serviços. Não se esperam mais avanços na modernização do Estado brasileiro para este ano, pois reformas estruturais não ocorrerão enquanto não houver estabilidade. Mas é essencial aperfeiçoar seu papel para enfrentar de forma inteligente esse tipo de crise. Também não é hora de se falar em aumento de impostos. O Estado consome 60% de tudo o que arrecada. É um organismo que se devora, autofágico e oneroso, absorvendo 40% do PIB e devolvendo serviços de má qualidade à sociedade. É nesse clima que entraremos na mais importante eleição da história do Brasil.


FOTOS: SHUTTERSTOCK

MERCADO

Rastros de uma grave

CRISE

Operação Carne Fraca, embargos à carne brasileira e greve dos caminhoneiros. Realmente, a vida do agronegócio brasileiro não está fácil em 2018. Se colocarmos no papel, somente com a paralisação, o prejuízo foi R$ 3,150 bilhões. Confira nesta reportagem o que o segmento tem feito para driblar estes reflexos.

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MERCADO

A

EMBARGOS A CARNE BRASILEIRA

A Operação Carne Fraca e as fraudes na fiscalização negativaram a imagem da proteína animal lá fora. Turra afirma que os equívocos na divulgação da operação trouxeram ao público mal-entendidos que, à duras penas, o setor tem trabalhado para desfazer. Aproveitando-se disto, mercados protecionistas como a União Europeia empregaram decisões que não determi-

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PREJUÍZOS ASSUSTADORES

Embargos a carne:

R$

Greve dos caminhoneiros:

1 bilhão/ano

R$

nam nem mesmo aos próprios produtores. Exemplo disto, foi a suspensão da habilitação de 20 plantas exportadoras de carne de frango pela União Europeia, conform e info rma çõ es div ulgadas p ela autoridade sanitária do bloco econômico. “Foi infundada a decisão tomada pelos estados europeus, como uma medida protecionista que não se ampara em riscos sanitários ou de saúde pública. A decisão tomada pela Comunidade Europeia é desproporcional e inconsistente diante das regras estabelecidas pelo Acordo de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias da Organização Mundial do Comércio (OMC) ”, destaca o presidente-executivo. Após a ocorrência da Operação Carne Fraca, houve uma intensificação na fiscalização dos embarques, o que aumentou o número de notificações. Conforme Turra, as notificações se referem em sua maioria absoluta (mais de 95%) à Salmonella spp, que não representa qualquer risco para o

O protecionismo estrangeiro é sempre uma ameaça para um setor altamente internacionalizado, como é o da proteína animal. FRANCISCO TURRA

3,150 bilhões

consumidor europeu, já que são produtos direcionados para o processamento, o que, necessariamente, prevê o cozimento e a eliminação da Salmonella. Tanto é que, anteriormente, as próprias autoridades europeias fiscalizavam esta questão de forma randômica. “Os níveis detectados estão entre os permitidos e, em alguns casos, são inferiores aos de países da Europa. Mas só o Brasil tem 100% de suas cargas inspecionadas no embarque de produtos para o Bloco Europeu”, critica.

Após Operação Carne Fraca, fiscalização nos embarques foram intensificadas

FOTO: PIXABAY

nuvem negra que pairou sobre o Brasil por meio de greve e embargos internacionais enfraqueceu, e muito, o agronegócio nacional. De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) e a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o prejuízo no setor de carnes atingiu US$ 60 milhões. Já os últimos embargos à carne brasileira, trouxeram um prejuízo anual de R$ 1 bilhão, segundo a ABPA. Diante de um cenário delicado para o mercado brasileiro, Francisco Turra, presidente-executivo da ABPA e ex-ministro da Agricultura salienta que o protecionismo estrangeiro é sempre uma ameaça para um setor altamente internacionalizado, como é o da proteína animal. “Cerca de 15% de nossa produção de carne suína e mais de 30% da produção de frango vão para os mais de 150 países para os quais embarcamos. O setor tem trabalhado contra este “acirramento global”, reduzindo os efeitos disto em nossas exportações”. Ele acrescenta que ao mesmo tempo, o setor trabalha para diminuir, também, os efeitos de problemas que estão gerando altas históricas de custos de produção – com efeito direto na inflação e no preço final ao consumidor – como é o caso dos preços do milho e da soja, do transporte e infraestrutura e do sistema tributário. Mais de três meses após o fim da greve dos caminhoneiros, o agronegócio continua sentindo os reflexos do movimento: várias agroindústrias estão em férias coletivas, demitiram funcionários e suspenderam turnos. De acordo com o diagnóstico da entidade, ao todo, 167 unidades frigoríficas tiveram as atividades suspensas durante a greve. Conforme os últimos números consolidados pela ABPA junto aos seus associados, a paralisação gerou impactos totais de R$ 3,150 bilhões ao setor produtor e exportador de aves, suínos, ovos e material genético. Mais de R$ 1,5 bilhão são irrecuperáveis.


Metade dos mais de R$3 bilhões de prejuízos gerados pela greve dos caminhoneiros são irrecuperáveis. VIDA NADA FÁCIL

IMAGEM DA CARNE MANCHADA

“Infelizmente a gente manchou a imagem da carne brasileira lá fora, quando falo isso, digo a sociedade como um todo”, declara Serigati. A primeira Operação Carne Fraca contou com diversos equívocos e desinformações e, como consequência, veio o embargo dos Estados Unidos. “Nós éramos o único país que colocava carne dentro do país americano. Porém, vieram todas as polêmicas e com isso o efeito dominó com o fechamento de outros mercados”. O problema de agora, segundo o especialista, são as incertezas que foram criadas com as greves e com os embargos. “Isso acaba travando o mercado e colocando

FOTO: AGROSTOCK

“Os dois últimos anos não foram nada fáceis para a cadeia de proteína animal”, afirma o professor e pesquisador do Centro de Agronegócios da Fundação Getúlio Vargas (FGV Agro), Felippe Cauê Serigati. Se observar o histórico, realmente não foi: Operação Carne Fraca, embargo dos Estados Unidos, ameaça da União Europeia, e por último a greve dos caminhoneiros. Sobre a greve, o pesquisador relembra que o estopim foi a elevação do preço do diesel, que tem como matéria prima o petróleo, sendo que o mesmo estava caro no mercado internacional, e isso gera, consequentemente, reflexos no mercado nacional. “Essa commodity é cotada pelo dólar, e essa moeda está mais cara no Brasil, ou seja, o nosso real está valendo menos e assim ficamos mais pobres. Resumindo: de um lado o produto que a população precisa ficou mais caro e do outro, nós ficamos mais pobres”, explica. Serigati observa que o setor é dependente desse modal de transporte e que não vai mudar a curto e médio prazo. As ferrovias, na visão dele, formam um modelo que vem como complementar ao sistema estabelecido de caminhões e não substituto.

União Europeia suspendeu a habilitação de 20 plantas exportadoras de carne de frango

muitas dúvidas. Se formos ver lá fora, o mundo está fechado. Com a transação de menos produtos brasileiros lá fora a tendência é que tudo fique mais caro. Produtos mais caros significa menos consumo e menos produção”. Sobre a ameaça de novas crises, ele acredita que existem, mas não sabe de onde virão. “Acredito que nossa maior dúvida do momento é em relação a nossa política.

Estamos em ano de eleições e isso é decisivo para todo o setor, até porque não sabemos se o próximo presidenciável terá base política para governar. Por enquanto, existem apenas incertezas”, finaliza.

FROTA PRÓPRIA

Diante dessa discussão referente a greve que afetou toda cadeia, o diretor de grãos

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MERCADO

Os pequenos produtores e produtores rurais da agricultura familiar serão forçados a se organizar em cooperativas de frete, com suas frotas próprias, ou perderão competitividade, sendo eliminados da produção de grãos do Brasil PAULO SOUSA, diretor de grãos e processamento da Cargill para América Latina e processamento da Cargill para América Latina, Paulo Sousa diz que as indústrias de processamento de produtos agrícolas e as empresas exportadoras serão forçadas a mudar seu modelo de atuação. Ao invés de comprar os grãos com retirada nas fazendas ou nos armazéns no interior, serão forçadas a comprar somente com entrega nas fábricas e nos portos. “Desta forma, se reduz o risco ao máximo, permitindo a utilização de frota própria nas rotas de alta eficiência entre fábricas e portos, maximizando o uso das hidrovias ou ferrovias – as quais são mais eficientes e agora se tornam juridicamente muito mais seguras. Os produtores rurais com maior capacidade de investimento conseguirão vender sua safra ainda melhor, incorporando à sua receita os benefícios de um frete artificialmente sobrevalorizado aos seus produtos, acentuando a concentração de renda também no campo. Os peque-

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nos produtores e produtores rurais da agricultura familiar serão forçados a se organizar em cooperativas de frete, com suas frotas próprias, ou perderão competitividade, sendo eliminados da produção de grãos do Brasil”, assegura Paulo Sousa. A Cargill espera que a sociedade brasileira se conscientize que os alimentos ficarão mais caros ao aplicar essa lei e continue externando sua insatisfação com essa “cartelização” (como já manifestado pelos próprios órgãos regulatórios) do setor de transporte rodoviário com consentimento dos poderes executivo e legislativo. “O tabelamento de frete é um atraso ao modelo econômico-social brasileiro e traz enormes impactos financeiros para a população que mais necessita de alimentos. É um desrespeito aos grandes avanços e ganhos de eficiência e produtividade promovidos pelo agronegócio brasileiro, dentro e fora das propriedades rurais”, avalia.

A confiança dos empresários do setor do agronegócio brasileiro caiu 8,6 pontos no segundo trimestre de 2018, na comparação com os primeiros três meses do ano. Segundo dados divulgados pelo Departamento do Agronegócio (Deagro) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), o Índice de Confiança do Agronegócio (IC Agro) marcou 98,5 pontos no período, contra 107,1 no trimestre anterior. O resultado abaixo dos 100 pontos indica pessimismo moderado. A pesquisa foi feita com 645 produtores e industriais do agronegócio, logo depois da greve dos caminhoneiros, no final de maio e início de junho. Para o produtor agropecuário, houve recuo de 6 pontos em relação ao trimestre anterior, passando para 98,5 pontos. Para o produtor agrícola, a retração foi de 4,3 pontos, chegando aos 102,0. Também houve recuo na confiança dos pecuaristas, que baixou 11 pontos, atingindo 85,3, sendo os pecuaristas de corte, os mais desanimados.

CONFIANÇA CAIU

98,5 < 107,1 PRODUTOR AGROPECUÁRIO

- 6 pontos PRODUTOR AGRÍCOLA

- 4,3 pontos FOTO: FREEPIK.COM

FOTO: ASSESSORIA DE IMPRENSA CARGILL

CAIU A CONFIANÇA


A principal fragilidade do país no escoamento da produção agrícola é a dependência excessiva das rodovias.

MAIS FERROVIAS

A Cooperativa Agroindustrial C.Vale é a segunda maior cooperativa do Brasil, com 21 mil associados e 9 mil colaboradores. Faturou em 2017, R$ 6,9 bilhões. Como peça importante do agronegócio brasileiro e geradora de negócios e empregos, a cooperativa acredita que o escoamento de produtos ainda é muito dependente das rodovias. Jonis Centenaro, gerente de comunicação da C.Vale, afirma que a principal fragilidade do país no escoamento da produção agrícola é a dependência excessiva das rodovias. “Um país continental como o nosso, precisa de milhares de quilômetros a mais de ferrovias para melhorar seu nível de competitividade”, avalia. Na visão dele, a ferrovia é um meio bem mais barato de transporte que a rodovia, inclusive as cooperativas do Paraná já utilizam a ligação férrea entre Cascavel e Paranaguá para o escoamento de carne destinada à exportação. Essa ferrovia, porém, tem diferença de bitola dos trilhos, o que aumenta o tempo necessário para o envio de produtos ao porto. “O Brasil precisa integrar suas ferrovias aos portos, principalmente no Centro-Oeste, onde as distâncias são maiores. Houve avanços nos últimos anos, mas ainda estamos muito atrasados nesse aspecto em relação aos nossos concorrentes do agronegócio”, comenta Centenaro. 

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GRÃOS

Milho em SC

UMA CONTA QUE

NÃO FECHA

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O Estado é um dos maiores consumidores do grão no país, mas não é autossuficiente. Com baixa oferta, quem depende do grão tem uma equação difícil para resolver: reduzir margem de lucro, mantendo qualidade e volume.

S

FOTO: S HUTTERSTOCK

anta Catarina é o grande polo industrial quando se fala na produção de proteína animal. Mas um fator extremamente importante está aumentando as dificuldades do setor: o déficit entre produção e consumo de milho, a principal matéria-prima para alimentação dos animais. Para suprir esse recurso, indústrias, cooperativas e produtores precisam importar o grão, o que encarece expressivamente o custo de produção. De acordo com dados do Ministério de Agricultura, Pesca e Abastecimento (MAPA), somente em 2017 foram importados mais de 181 mil toneladas do grão. Até o mês de julho deste ano, o valor chegou a 64 mil. Número significativo, principalmente quando colocado na ponta do lápis: em menos de dois anos já foram R$146 milhões. Esses números são consequência da baixa produção e alto consumo do grão, que hoje é trazido de Estados do Centro-Oeste do país, como Mato Grosso e Tocantins, com um custo médio de R$16 a saca, levando em consideração o preço do frete. Esse valor equivale a quase 70% do custo total da produção de proteína animal, segundo o diretor executivo do Sindicarne/ ACAV, Ricardo Gouvêa.

Cada saca de milho chega em SC, custando R$16, valor que equivale a 70% do custo total da produção da proteína animal. AGRO&NEGÓCIOS | SETEMBRO 2018 73


GRÃOS

A Copérdia, localizada em Concórdia, no Meio Oeste do Estado, é apenas uma das cooperativas catarinenses, que mesmo produzindo, precisa adquirir o insumo em outros Estados. São 17 mil associados que atuam na área de milho e proteína animal. O maior volume de produção está na carne. De acordo com a cooperativa, os valores para manter a lavoura variam de R$26 a R$30 reais a saca. Por conta disso, acabam importando o milho de estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná.

NOVELA NA SUINOCULTURA

Para os suinocultores, os reflexos negativos da falta do grão perduram há anos, uma triste realidade que parece não ter fim. E o resultado deste cenário? Já tem muito criador abandonando a atividade. O presidente em exercício da Associação Catarinense de Criadores de Suínos, Vilson Spessato, indica que o custo de produção chegou a R$4,17/quilo no mês de junho. Somando a quantia de animais, esse valor torna-se bem salgado aos produtores. Segundo ele, pagar caro acaba sendo a única saída para que Estado continue liderando a criação de suínos no país.

R$

4

A busca por novas alternativas de grão de inverno para compor a dieta dos animais também é uma opção para suprir a falta do milho, principalmente nas épocas mais frias do ano. de leite. “Nesse sentido o Estado tem mais um “bom” problema, que é a competição pelo milho vinda da produção de leite, um novo grande consumidor”, destaca o secretário de Agricultura e Pesca do Estado, Airton Spies.

Outro fator que tem contribuído para a falta de milho, e como consequência a alta nos valores, é que Santa Catarina aumentou significativamente o total de área plantada de milho para silagem, devido ao aumento na produção

MILHO EM SANTA CATARINA Milho para silagem

250 mil hectares

Área total plantada

600 mil hectares

Milho para grão

350 mil

,17 /Kg

hectares

junho 2018

AUMENTAR PARA DIMINUIR?

FOTO: ASSESSORIA DE IMPRENSA SECRETARIA DE AGRICULTURA SC

Secretário aponta Rota do Milho como solução para o déficit

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Apesar de todas as dificuldades encontradas no setor, existe a possibilidade de amenizar a situação. Aumentar a relação comercial com o país vizinho pode ser uma eficiente estratégia para diminuir o déficit. Uma das alternativas é a chamada Rota do Milho. O Estado pretende importar milho do Paraguai, levando em consideração que o país está mais perto de Santa Catarina do que os Estados de onde o grão é comprado atualmente. “O Paraguai tem bastante milho que eles exportam e esse produto está muito próximo do Oeste Catarinense, a menos de 400 quilômetros da principal região consumidora”, consumidora”, comenta Spies. Com o milho vindo do Paraguai, o valor de importação fica até ¾ mais barato. Isso porque a distância diminui em quase 1.500 quilômetros, fazendo com o que valor do frete seja mais barato. Esse milho passará pela província de Missiones,


ROTA DO MILHO

Valor para Importação do milho vindo do Paraguai Aproximadamente

PAR

R$6 a saca

na Argentina e entrará no Brasil pela aduana de Dionísio Cerqueira. Apesar da iniciativa de trazer o milho de outro país já estar em estágio avançado, existe outra dificuldade que precisa ser sanada: a própria aduana. Ela é de fato, tecnológica, mas a falta de funcionários para trabalhar com um grande fluxo de caminhões é algo que precisa ser revisto, já que a expectativa, de acordo com o secretário é trazer aproximadamente um milhão de toneladas por ano do Paraguai. Outra alterativa para baratear os custos de produção de proteína animal, principalmente, é a criação de ferrovias fazendo a ligação entre os Estados que mais produzem e Santa Catarina.

DIVERSIFICAR A ALIMENTAÇÃO DOS ANIMAIS

A busca por novas alternativas de grão de inverno para compor a dieta dos animais também é uma opção para suprir a falta do milho, principalmente nas épocas mais frias do ano. O trigo e a cevada, quando de alta produtividade, podem ser utilizados para a fabricação de ração animal, em conjunto com o milho. Além dessas, o secretário sugere ainda mais uma opção que poderia amenizar a condição do estado de Santa Catarina: acionar mais às políticas de mercado. Ele destaca que isso é responsabilidade da Companhia Nacional de

SC

Valor para Importação do milho de outros estados do Brasil

R$16 a saca

FOTO: ASSESSORIA DE IMPRENSA ACCS

MT

Abastecimento (CONAB) e que a legislação garante o subsídio do frete para a transferência do milho em território nacional e não apenas para exportação, “aí beneficia tanto quem produz quanto quem consome”, finaliza. O diretor executivo do Sindicarne/ ACAV, Ricardo Gouvêa, também indica que esses dois pontos trabalhados juntos podem auxiliar na regularização, principalmente do preço do grão de milho. Concordando com a posição do secretário, ele ainda comenta que a longo prazo viabilizar as ferrovias e a cabotagem para o transporte de grãos para as regiões consumidoras de milho no país é uma das alternativas mais viáveis. A Copérdia indica que o incentivo à mecanismos que viabilizam economicamente a produção de milho em Santa Catarina também poderia ser uma das alternativas para tirar o Estado desta situação e cita ainda a necessidade de uma política de garantia de preço, para oferecer segurança em renda para os produtores que investem na cultura. Vilson Spessato, presidente em exercício da ACCS lembra de um ponto que, segundo ele, o Estado deveria ter como prioridade o turismo de grãos dentro

Vilson Spessato, da ACCS, diz que produtores e indústrias precisam se manter otimistas

do país. “Algumas cooperativas de Santa Catarina não tendo capacidade de armazenagem na safra, acabam vendendo pra outros estados ou ainda levando a portos para a exportação”, fala Spessato. Apesar das dificuldades, ele lembra que tanto os produtores, quanto as empresas e cooperativas precisam se manter otimistas. “Precisamos olhar para um futuro mais promissor, tendo uma melhor sintonia entre produtor, indústria, governo, e mercados consumidores. Só assim conseguiremos ter uma estabilidade na produção com qualidade de vida no meio rural e sucessão familiar” , finaliza o presidente em exercício da Associação Catarinense dos Criadores de Suínos. 

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OPINIÃO Por Marcelo Lara

AGROTÓXICOS E lararural@gmail.com asssessoria@laranews.com.br

O

descontentamento generalizado com a corrupção e com a insegurança sobre o futuro do Brasil produziu um embate virtual potencializado pela internet, que revela a falta de diálogo que impossibilita a construção de uma sociedade melhor. Os conceitos criados pelas ideologias polarizadas entre direita e esquerda atropelam argumentos técnicos e fogem do racional. Os comentários nas mídias sociais em cima de qualquer tipo de manifestação são recheados de palavrões por falta de argumentos, por falta de conhecimento e de vontade para produzir diálogos construtivos. Tive a oportunidade de conhecer o Alaska e por coincidência posso considerar que descobri que a expressão do momento “fake news” é um fenômeno muito mais antigo do que imaginava. Passei por uma região onde aconteceu a corrida do ouro, entre 1897 e 1898. O nome do local é bem direto: “Liarsville”, que significa “Vila dos Mentirosos” em homenagem aos jornalistas que saíram de Nova York e foram no garimpo em busca de super histórias. Mas a realidade relatada era comum, por isso as respostas foram distorcidas e viraram o que hoje é conhecido como “fake news". A vila virou ponto turístico e nos remete aos dias de hoje. Todo este embate com grosserias, mentiras e falta de diálogo entra pela porta da frente do Congresso Nacional. Vimos isso na hora de modernizar a legislação dos defensivos agrícolas. As “fake news” rolaram soltas e os xingamentos entre os deputados também. O debate não pode sair do entendimento técnico que, ao contrário do que se pensa, não é para permitir uso indiscriminado dos defensivos. O Projeto de Lei do Senado n° 6.299/2002, que trata da revisão da legislação brasileira de agrotóxicos não vai aumentar o risco quanto ao uso desses produtos, nem tornar o pro-

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cesso de registro negligente. Vai modernizar os termos e procedimentos atuais, com a finalidade de melhorar a eficiência do registro desses produtos, inclusive, aumentar as multas, de R$ 19 mil atuais para até R$ 2 milhões, no caso de não cumprimento da nova legislação. O Ministério da Agricultura divulgou que atualmente tem mais de 35 novos ingredientes ativos na fila de análise, são mais eficientes e menos nocivos à saúde e ao meio ambiente do que produtos que já estão no mercado. No entanto, o método atual de avaliação e de registro não permite previsibilidade sobre quando os agricultores brasileiros terão acesso a essas novas tecnologias, já disponíveis em diversos países. Essa burocracia tira a competitividade do agricultor brasileiro e gera prejuízo na comercialização de seus produtos tanto no mercado interno quanto externo. Quando criaram polêmica sobre a mudança do nome agrotóxico veio mais uma vez a prova da falta de conhecimento. A ideia é justamente se equiparar as regras internacionais. O termo agrotóxico não é utilizado por nenhum outro país ou organização que trata do tema. A Comissão do Codex Alimentarius,

organização internacional de referência para alimentos no Acordo sobre a Aplicação de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias da Organização Mundial do Comércio (OMC), utiliza o termo pesticida. Dessa forma, é preciso alterar o termo agrotóxico para pesticida para alinhar a legislação brasileira às práticas mundiais. Os artigos que estão bombardeando apelam até para armas de destruição em massa para comparar com os defensivos. Segurança alimentar está em primeiro lugar. A população está com a longevidade cada vez maior e foi sim comendo a produção convencional do dia-a-dia. Com tanta informação falsa, com pesquisas sem fundamentos técnicos, a força da ideologia, tira o bom senso do debate saudável. Conectar campo e cidade não é para amadores, mas é um desafio que vale a pena, todos podemos ganhar em renda, geração de emprego, e garantia de alimento barato e saudável

FOTO: MARCELO LARA

Marcelo Lara Jornalista Especializado em Agronegócio


#AGRO Táubita De Sordi e Caroline Dallacorte LEITE

Como ter qualidade, preços mais competitivos e ganhar mercado?

UNIÃO

C

om foco na eficiência produtiva! Resposta simples, mas complexa no seu processo de desenvolvimento. Afinal o que é eficiência produtiva? No caso do gado de leite, é ser eficiente no processo reprodutivo dos animais, no controle da saúde, controle no volume de leite produzido, entre outros. Quanto mais leite produzido com os mesmos animais, no mesmo ambiente, só realizando o controle de dados reais desses animais, maior eficiência e consequentemente maior renda, com o mesmo trabalho. A diretora da Sempre Mais Sistemas, Táubita De Sordi explica que no caso da agroindústria, quando o produtor é eficiente, ela também fica mais eficiente, coletando mais leite, no mesmo lugar, diminuindo custos com transporte e processo de coleta, por exemplo. Ou seja, mais uma vez, é possível aumentar a renda, somente com controle de números e dados. “Acreditando nesse efeito em cadeia de melhoria na eficiência e para o controle de todos esses processos criamos o sistema

Mais Leite, onde todo o processo é monitorado para garantirmos a eficiência produtiva desde o produtor até a chegada na agroindústria”, explica Táubita. O Mais Leite é uma solução da Sempre Mais. Desde seu início conta com duas grandes parceiras, a Universidade Comunitária da Região de Chapecó e o Sebrae. Para o Sebrae, a Sempre Mais Sistemas é uma entre apenas 13 empresas de Santa Catarina a receber um prêmio nacional em 2016, tendo em vista o impacto que se propõe a gerar na cadeira leiteira. Qualidade no processo produtivo e redução de custos por litro de leite, para sermos mais competitivos e ganhar mercado interno e externo. Saiba mais sobre Mais Leite em www.maisl.com.br

EVENTO

Dairy Vision

O

evento Dairy Vision, idealizado pela empresa AgriPoint, traz uma proposta diferenciada para discutir temas como estratégia, novas tendências de consumo e distribuição, inovação, empreendedorismo, oportunidades, ameaças, dentre outras temáticas de interesse do setor lácteo. Foi inspirado no Global Dairy Congress, realizado pela Zenith Global na Europa. A experiência proposta pelo evento traz uma reflexão para os negócios sob outra perspectiva, oferecendo aos participantes que saiam de suas rotinas, vivam momentos diferentes e troquem ideias e contatos através de um networking de muita relevância. O evento ocorre nos dias 28 e 29 de novembro de 2018, no Expo Dom Pedro em Campinas-SP.

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A relação entre produtor, agroindústria, cooperativas e laticínios

T

rabalhar por um objetivo em comum faz com que se aproximem e lutem juntos, no entanto esses laços precisam ser solidificados com a confiança. Dentre as vantagens desse sistema de colaboração encontra-se a assistência técnica, composta por técnicos, médicos veterinários, zootecnias e agrônomos. Onde o objetivo da assistência técnica deve ser a melhoria continua nas propriedades. Eles são os agentes de mudança, que levam inovação e o conhecimento para auxiliar os produtores na busca pela sustentabilidade econômica e financeira. Ao lutarem juntos, produtor, assistência técnica e agroindústria, cooperativa ou laticínios, todos ganham mais força. O objetivo principal do grupo avança e o trabalho é para o crescimento de todos, mesmo que cada um, as vezes possua seus objetivos específicos, mas a honestidade e a confiança é o essencial e deve prevalecer.


PACKID

Monitoramento de temperatura em tempo real

Q

FOTO: DIVULGAÇÃO

ue a tecnologia está cada vez mais presente na produção de alimentos, você já sabe. Agora, já imaginou como é possível inovar na cadeia de distribuição desses produtos? É com este propósito que surgiu a PackID, uma startup que realiza monitoramento em tempo real da temperatura e da umidade dos produtos desde a indústria, passando pelo transporte e centro de distribuição, até o supermercado. Todo o processo é automatizado e ajuda os envolvidos nesta cadeia a evitar perdas, avisando sempre que a temperatura ultrapassa os padrões. De acordo com a sócia-fundadora da startup, Caroline Dallacorte, a PackID vai além da simples entrega da informação de temperatura, ela fornece dados e estatísticas que auxiliam empresas a tomarem decisões e a melhorarem o processo de gestão do frio. “Nossos indicadores são capazes de estimar custos excessivos de energia elétrica e equipamentos que estão operando de forma inadequada”, afirma Caroline. A startup iniciou em 2016, após receber um recurso de R$90 mil do programa Sinapse da Inovação. No mesmo ano, participou de uma competição de startups em Berlim onde conquistou o 1º lugar dentre 20 empresas do mundo. Em 2017, participou do Inovativa Brasil, FBStart, 1º lugar no Biostartup Lab e atualmente está sendo acelerada pela maior aceleradora da América Latina, ACE. Em 2018 recebeu um aporte de R$200 mil no programa Startup Brasil, para investimento em mão-de-obra. Hoje possui clientes na área de frigoríficos, laticínios, supermercados e transportadoras nos estados de SC, PR, RS, SP e MG.

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TECNOLOGIA

CHAPECÓ@ a cooperação faz inovação Por Rodrigo Barichello, diretor de Inovação e Empreendedorismo da Unochapecó e Ricardo Fantinelli, assessor do Parque Científico e Tecnológico Chapecó@

O

s parques tecnológicos são habitats de inovação que surgem em um contexto econômico complexo, cheio de novos desafios e considerados lugares propícios à cooperação e à integração. Têm função de estimular e também ativar o ecossistema de inovação regional, criar cultura inovadora e empreendedora, gerar e escalar negócios inovadores. Idealizado em parceria entre a Unochapecó e o poder público, o Parque Científico e Tecnológico Chapecó@ nasce com a missão de potencializar o crescimento econômico, produzir e disseminar conhecimento, agregar valor à produção local e qualificar as pessoas. Atua diretamente nas demandas da comunidade e objetiva transformar o cenário econômico e científico regional. É um ambiente catalisador que busca, na integração dos setores produtivos regionais e universidades, proporcionar alternativas para atuais e novos modelos de negócios, aumentando a competitividade e gerando mais riquezas. Atualmente o Chapecó@ integra a Rede de Inovação da Unochapecó e já está operando por meio de projetos e iniciativas de fortalecimento do ecossistema. A entrega da obra física do Centro de Inovação está prevista para julho de 2019. Preten-

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de-se que o Chapecó@ seja reconhecido como uma central de soluções da região para quem busca inovação, ou seja, uma rede de cooperação que trabalha para resolver os problemas da sociedade e do mercado por meio de projetos inovadores.

COMO O CHAPECÓ@ PODE COLABORAR NO AGRO? A tecnologia voltada ao agronegócio (agtechs e agrotech) e a expansão de startups do agro vem ganhando destaque com investimentos significantes no país nos últimos anos. Existe uma forte tendência de incentivo a iniciativas que atuem no fomento e desenvolvimento de programas de inovação tecnológica para o setor de agricultura e bio-

tecnologia - seja ela voltada aos negócios familiares ou de escala larga industrial. Além de organizar uma rede de cooperação entre o setor produtivo e as universidades, no Chapecó@ vamos construir um espaço colaborativo e específico para trabalhar pesquisas, tecnologias e inovações voltadas especificamente ao agronegócio. Pretende-se criar impacto nas dinâmicas dos negócios e pesquisas por meio de uma série de ações que visam fortalecer o ecossistema e encadear iniciativas promissoras com as dinâmicas atuais: eventos temáticos, workshops, acesso a novas tecnologias, fontes de fomento e recursos, acesso ao mercado, rede de parceiros colaborativos nacionais e internacionais, rede de pesquisadores e laboratórios, entre outros. 

A tecnologia voltada ao agronegócio e a expansão de startups do agro vem ganhando destaque com investimentos significativos no país.


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Revista Agro&Negócios  

Revista Agro&Negócios Ed. n° 4

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