Revista Agro&Negócios

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ANO 02 | EDIÇÃO 03 MAIO DE 2018

CONTRA A MARÉ

Pecuaristas enfrentam desafios e apostam no leite orgânico

SUÍNOS

Como está a biosseguridade em sua granja? Veja como proteger o plantel e garantir a saúde dos animais

A CARNE QUE CONQUISTOU

O MUNDO

Mesmo diante da instabilidade de mercado provocada por recentes embargos, a excelência no processo de produção da proteína animal brasileira coloca o país entre os grandes exportadores mundiais. A expectativa é de que até 2020, a produção nacional suprirá 44,5% do mercado mundial.

ESPECIAL COOPERATIVISMO

Saiba porque as cooperativas tornaram-se alicerce do agronegócio brasileiro AGRO&NEGÓCIOS | MAIO 2018 1



CARTA DA EDITORA

A MELHOR CARNE DO MUNDO É NOSSA! Uma das mais valiosas oportunidades que o Jornalismo proporciona é conhecer pessoas e lugares diferentes todos os dias. Desde que iniciamos este prazeroso desafio de comunicar para o segmento do agronegócio coleciono histórias valiosas e aprendo muito com elas. Iniciamos 2018 com grande expectativa para a retomada do crescimento econômico brasileiro. Mesmo contabilizando números recordes em 2017 e andando na contramão do cenário nacional, o agronegócio também apostou nas projeções otimistas. Porém, os recentes desdobramentos da Operação Trapaça trouxeram instabilidade e prejuízos milionários ao setor, um verdadeiro “banho de água fria” para quem aguardava o aquecimento do mercado interno. Depois do embargo russo à carne brasileira, a decisão arbitrária da União Europeia de suspender a compra de 20 plantas exportadoras de carne de frango do país instaurou um clima de insegurança e preocupação. E não era para menos: pelo menos 130 mil famílias brasileiras dedicam-se à criação de frangos, volume que coloca o país como o segundo maior produtor, líder na exportação mundial do produto e que gera 4,1 milhões de empregos diretos e indiretos. Nas últimas semanas, falamos sobre este problema diariamente. Quando vamos à campo, os produtores revelam apreensão e assim como nas agroindústrias, temem o desemprego. Entre os líderes do setor, o clima é de preocupação, mas principalmente de mobilização para encontrar uma solução rápida e eficaz. Da propriedade rural às salas de reuniões das indústrias e entidades, todos tem um objetivo em co-

mum: mostrar para o mundo a excelência no controle sanitário e processo de produção. Que existem problemas, todos sabem! Não sou contra investigações, quem descumpre normas precisa ser punido. Mas nossa imagem, de uma potência emergente na produção de proteína animal e de qualidade inquestionável não pode ser denegrida por motivos discriminatórios e desacordos comerciais. E para fazer nossa parte e mostrar que a carne brasileira mantém seu valioso status, nossa reportagem de capa revela o outro lado, ultimamente obscurecido por notícias ruins: a qualidade da carne brasileira é inigualável e atinge patamares buscados há muito tempo por muitos países, inclusive pela própria União Europeia. Da chegada dos animais à propriedade rural até a industrialização, as cobranças são rígidas, o trabalho é honesto e muito bem executado. É com orgulho, que mostramos que a carne brasileira é a melhor do mundo! Nas próximas páginas você verá também outros grandes exemplos da eficácia do agro brasileiro. Um exemplo é o caderno especial sobre o cooperativismo, onde mostramos a importância da união para a evolução do setor. Renomados especialistas assinam artigos técnicos. E lançamos também a Editoria “Fale com o Especialista”, um canal de interatividade destinado aos nossos leitores. Aproveito para convidar você, nosso querido leitor, a levantar esta bandeira conosco e mostrar que o agronegócio do Brasil continua sendo referência internacional e que carne brasileira é segura e indispensável na mesa de milhões de famílias no mundo inteiro.

Paula Canova . Editora

EXPEDIENTE ADMINISTRAÇÃO E REDAÇÃO RUA RUI BARBOSA, 1284-E CENTRO | CHAPECÓ (SC) CEP: 89.801-148 (49) 99975-2025 (49) 98418-9478 redacao@santacomunicacao.com

DIRETORA DE REDAÇÃO PAULA CANOVA | MTB 02111 JP paula@santacomunicacao.com DIRETORA COMERCIAL RAFAELA MUNARETTO | MTB 05726 JP rafaela@santacomunicacao.com DIRETORA DE ARTE BIA GOMES PROJETO GRÁFICO DOGLISMAR MONTEIRO REPORTAGEM DA CAPA DARLEI LUAN LOTTERMANN

FOTO DE CAPA ISTOCK

REPRESENTANTE LOCAL R3 PRODUÇÕES - (49) 99987–0580

ESTAGIÁRIA DE JORNALISMO KELIN REGINA WIRTH

PROJETOS ESPECIAIS VERUSKA TASCA

REPRESENTANTE COMERCIAL NACIONAL GUERREIRO AGROMARKETING

COLABORADORES DESTA EDIÇÃO AMAURI ALFIERI, AMELIO DALL´AGNOL , EDGAR TORRES TORO, EMERSON ALVES, FLAVIO ROSAR, JACIR JOSÉ ALBINO, LEONARDO MUNARETTO, LUIZ VICENTE SUZIN, MARCELA TRONCARELLI, MARCELO LARA, MAURILO MARCONDES, MB COMUNICAÇÃO, NEIMAR GRANDO, PAULO PEREIRA, SABRINA CASTILHO DUARTE.

REPRESENTANTE COMERCIAL NACIONAL MW COMUNICAÇÃO (48) 9 96394509 agromidianegociossc@gmail.com

A Revista Agro&Negócios é uma publicação quadrimestral, destinada ao segmento do agronegócio do Sul do país e abrange a cadeia produtiva desde as propriedades, instituições, universidades, entidades, até a indústria. Os artigos assinados e materiais publicitários não representam, necessariamente a opinião da editora. Não é permitida a reprodução total ou parcial dos conteúdos, sem prévia autorização.

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FOTO: CÉSAR MACHADO/AGROSTOCK

SUMÁRIO

ARTIGO TÉCNICO Rotavírus: um vilão recorrente, mas ainda pouco conhecido.

MAIO DE 2018

Página 20

FOTO: SHUTTERSTOCK

ENTREVISTA 6 NORBERTO ORTIGARA No Paraná, desafio é sinônimo de crescimento

SUÍNOS 22 EVENTO Simpósio Brasil Sul acontece em agosto. 24 BIOSSEGURIDADE Como está sua granja? 26 ARTIGO TÉCNICO Impacto das diarreias de terminação

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AVES 32 SALMONELOSE Estratégias básicas de prevenção

CAPA

MADE IN BRAZIL

FOTO: ASSESSORIA DE IMPRENSA NESTLÉ

Descubra porque o país produz uma das melhores carnes do mundo

ESPECIAL LEITE ORGÂNICO

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Contra a maré: Pecuaristas enfrentam desafios e investem em novo mercado que promete maior lucratividade

ESPECIAL COOPERATIVISMO COOPERATIVAS: o alicerce do agronegócios

Revista Agro&Negócios

Revista Agro&Negócios

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REVISTA ON-LINE GRATUITA

34 AVIÁRIOS DO FUTURO Alta tecnologia invade as propriedades

BOVINOS 42 ORDENHA Saiba como cuidar dos equipamentos 48 WAGYU A nova aposta dos criadores

DIRETO DO CAMPO 79 DICA AGRO Como criar abelhas sem ferrão

FALE COM O ESPECIALISTA Nova editoria da Agro& Negócios traz experts do setor que respondem as dúvidas dos leitores.


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ENTREVISTA

No Paraná, desafio é sinônimo de

CRESCIMENTO Diante dos acontecimentos que assolaram o setor do agronegócio nos últimos meses, o Secretário de Agricultura do Paraná, Norberto Anacleto Ortigara fala em entrevista para a Agro&Negócios sobre como contornar esta situação, definida como um desafio. A redução e área plantada, aliada ao bom rendimento financeiro dos agricultores e a importância das cooperativas para o Estado também são assuntos tratados pelo secretário.

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As safras estão tendo um bom rendimento financeiro, apesar da diminuição no total produzido. Quais ações podem ser tomadas para que esses números continuem crescendo no agronegócio paranaense? A produção paranaense de grãos vem se mantendo nos últimos quatro anos em torno de 18 a 20% da nacional. Os investimentos públicos em parceria com a iniciativa privada, para capacitação de técnicos e produtores rurais em conservação de solo e água, principais patrimônios do homem, têm mostrado bons resultados no Paraná, mesmo diante de desafios climáticos como o que ocorreu nesta última safra 17/18. Assim, buscamos a eficiência reduzindo falhas, aumentando a produtividade e reduzindo custos. Investimos ainda em mecanismos de proteção da produção. Há 10 anos complementamos a subvenção do prêmio de seguro rural no Paraná. São 28 culturas amparadas. Milho 2ª Safra, feijão 1ª e 2ª safra e trigo são as que mais demandam seguro em função do risco mais acentuado. A preocupação é garantir a manutenção do produtor na atividade mitigando o risco, o endividamento e assim, melhorar a sua capacidade de investimento, pois sempre que se mitiga o risco, os resultados se revertem em produtividade e qualidade. As cooperativas são um ponto chave no agronegócio do Estado do Paraná. Os últimos dados divulgados giram na casa dos R$ 70 bilhões em faturamento. Na sua opinião, qual é a importância delas no agronegócio do estado? O Paraná sempre teve vocação ao associativismo e ao cooperativismo. Esse é um diferencial. Elas estão presentes em todo território paranaense e em toda a cadeia produtiva do agronegócio, formando grupos produtivos e contribuindo no processo de organização da sociedade. Tanto no mercado interno como no externo a presença das cooperativas tem sido de sucesso, com produtos de qualidade e pre-

ços compatíveis com a realidade. No agro é importante destacar, ainda, a presença forte no financiamento da produção. Nesse contexto, aonde as cooperativas estão presentes com projetos consolidados, há emprego, renda e melhoria da qualidade de vida. Sendo o estado o maior produtor e exportador de carne de frango do país, qual sua avaliação sobre os reflexos dos embargos e operações que afetaram o setor recentemente? Desafio! Crescemos nos momentos de desafio. Desde que tenhamos a capacidade de identificar as causas e de apresentarmos soluções para resolvê-los. Essa é a chave para superar momentos difíceis, complexos. O Paraná tem um compromisso com a sociedade e com o mundo. A produção paranaense, seja ela de proteína animal ou vegetal, é comercializada com mais de 150 países, assim sendo, deve crescer de forma sustentável. A verticalização da produção agropecuária é necessária em nosso Estado. Não temos mais novas fronteiras para explorar. Assim, é importante crescer, mas com “sustentabilidade”. O Paraná, por meio da SEAB, se empenha em fazer um processo de “gestão de conteúdos”, ou seja, apareceram problemas com proteína animal, então é necessário orientar, coordenar e fiscalizar para que o trabalho a ser feito e como fazê-lo, apresente os resultados esperados. Isso implica em governança, processos, costumes, políticas, leis e regras para obtermos resultados. A Adapar - Agência de Defesa Agropecuária está constantemente procurando ampliar a rede de profissionais integrados ao sistema público-privado de sanidade animal e vegetal. Atualmente são mais de 13 mil espalhados por todo Estado, responsáveis desde a guia de transporte animal ou vegetal, até o atestado fitossanitário do produto, conferindo a ele, a credencial de que foi produzido de acordo com a legislação vigente. As questões ligadas a carne de frango, estão dentro desse rol de políticas públicas. É importante destacar que a inspeção


FOTO: ASSESSORIA DE IMPRENSA SECRETARIA DE AGRICULTURA DO PARANÁ

Ortigara destaca a vocação do Estado ao associativismo e ao cooperativismo

Crescemos nos momentos de desafio. Desde que tenhamos a capacidade de identificar as causas e de apresentarmos soluções para resolvê-los. Essa é a chave para superar momentos difíceis.

de abate e o processamento de produtos é competência federal e o Estado atua complementarmente ao Governo Federal. A logística tem afetado o processo de escoamento da soja, levando em consideração que ela representa quase ou mais de um terço do valor total dos grãos. Como essa situação poderia ser melhorada? Já tivemos momentos mais complicados. Contudo, isso não significa em desviar o olhar para esse segmento. Não. No Porto de Paranaguá por exemplo, foram feitos investimentos pesados para melhoria do processo de recepção, e embarque da produção nos navios. Com isso, foram eliminadas as filas, que causavam elevação de custos para produtores, comerciantes e transportadores. A SEAB por sua vez, tem feito constantemente convênios com as prefeituras municipais para a manutenção e adequação das estradas rurais, inclusive com pavimentação em pedra irregular. Todas essas ações visam reduzir custos com escoamento da safra desde a propriedade até o Porto. Apesar da safra ter diminuído o total produzido, o armazenamento ainda é

um fator que deixa a desejar. Qual seria a saída para que isso não se torne um problema maior para os produtores? A capacidade de armazenagem do Estado, hoje, é de cerca de 26 a 28 milhões de toneladas (rede pública + privada). Produzimos cerca de 41,6 milhões de toneladas em 2017 e estimamos que em 2018, a produção chegue a 39 milhões de toneladas. Ocorre que essa produção é obtida em três safras, uma na primavera verão, a segunda no outono e a terceira no inverno, com entrada, consumo e saída de forma planejada para evitar estrangulamentos. Em 2017, tivemos concentração da produção nos armazéns devido ao processo de comercialização mais lento para milho e soja, em alguns momentos foi preocupante. É necessário investir em novos armazéns, essa é uma questão de segurança alimentar. Para isso encaminhamos proposta para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), pedindo a redução dos juros do Programa de Construção e Ampliação de Armazéns – (PCA), pois é um investimento de longo prazo e com retorno de capital também lento. Assim, é necessário ter um atrativo para esse tipo de investimento, considerando ainda, a queda dos juros no mercado.

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CURTAS NOVIDADE

Bayer - Melancia sem sementes

A

Agricultura de SC na palma da mão

S

afra, desempenho da produção agropecuária, preços agrícolas e andamento de políticas públicas voltadas ao meio rural, tudo em um mesmo lugar. O InfoAgro concentra os dados do setor produtivo de Santa Catarina em um aplicativo que pode ser acessado via computador ou celular. O sistema está auxiliando o governo do Estado na coleta, processamento e análise de dados do agronegócio catarinense e combina as informações de políticas públicas, safra e preços desde 2010 até os dias de hoje, de forma regionalizada. É possível, por exemplo, analisar o crescimento da produção de soja em uma determinada região ou até mesmo em um município específico. O aplicativo já está sendo utilizado pela Secretaria da Agricultura de Santa Catarina e nos próximos meses será disponibilizado para o público em geral.

ILUSTRAÇÃO: FREEPIK.COM

FOTO: ASSESSORIA DE IMPRENSA EXPODIRETO COTRIJAL

Bayer, criou uma melancia melhorada geneticamente, mais doce, menor e sem sementes, novidade no mercado de frutas. A multinacional promove ação de degustação da melancia Pingo Doce – nova variedade desenvolvida pela unidade de sementes de hortaliças e vegetais da empresa. São menos sementes e um peso médio de 6 a 8 quilos, menor que a convencional, que pode pesar mais de 15 quilos.

APP

CULTIVOS

E

m 2017 a BASF investiu €507 milhões em pesquisa e desenvolvimento na divisão de Proteção de Cultivos. As inovações do pipeline da BASF em proteção de cultivos têm uma projeção de pico de vendas estimada em €3,5 bilhões (de euros) até 2027. Os produtos candidatos para todas as indicações já estão em fase avançada de desenvolvimento, e o registro global de soluções estratégicas, como o fungicida Revysol® e o inseticida Inscalis®, estão progredindo.

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FOTO: ASSESSORIA DE IMPRENSA BASF

BASF investe €507 milhões em pesquisa


GADO DE LEITE

Hipra University 2018

FOTO: CESAR MACHADO/AGROSTOCK

N

o dia 30 de maio, a empresa Hipra Saúde Animal e o Instituto Federal Catarinense (IFC) campus Concórdia realizarão grande evento internacional: Hipra University. O evento será totalmente gratuito, voltado aos produtores de leite, técnicos e acadêmicos. As palestras abordarão os temas: Equipamento de ordenha e qualidade do leite; Diagnóstico de doenças infecciosas em rebanhos leiteiros e Reprodução em Bovinos de Leite. Já os workshops/minicursos contemplarão: Higiene de ordenha e monitoramento de equipamentos de ordenha; Gestão do Agronegócio do Leite; On-farm culturing (Cultura de leite na Fazenda); Reprodução em Bovinos Leiteiros; Genética e Imunidade. O evento contará com a participação de três palestrantes internacionais, da Espanha e Itália. Além da parceria Hipra-IFC, também estarão colaborando: Grupo de Estudos Pro Latte; Mais Leite; Semex; Química Boltz; Consuvet Empresa Junior e Revista Agro&Negócios.

SELECT SIRES

Genética de ponta

U

m projeto desenvolvido pela Select Sires, maior cooperativa de comercialização de sêmen bovino do mundo, pretende tornar mais acessível a inseminação artificial de bovinos. Com a competência de quem comercializou mais de 18 milhões de doses em 2017, a americana Select Sires, com sede em Porto Alegre, criou um programa para oferecer acesso à genética de ponta sem limitações de preço e qualidade. “O programa denominado ART Brasil tem como objetivo identificar e desenvolver animais expoentes na raça holandesa. Através da disponibilização em quantidade e preços acessíveis queremos diminuir o intervalo entre a utilização de genética de ponta nos EUA com a utilização desta genética no mercado interno”, destaca Felipe Escobar, gerente de produtos da Select Sires. O grande destaque do programa é importação de touros vivos dos Estados Unidos pertencentes à elite da raça holandesa, sendo três filhos de Modesty, touro ícone da raça.

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CAPA

A CARNE QUE CONQUISTOU

O MUNDO Mesmo diante da instabilidade de mercado provocada por recentes embargos e operações, a excelência no processo de produção da carne brasileira continua mantendo o país entre os grandes exportadores mundiais. Segundo o Ministério da Agricultura, até 2020, a expectativa é que a produção nacional poderá suprir até 44,5% do mercado mundial.

Por Darlei Luan Lottermann

A

carne está presente na alimentação da maioria da população mundial. É o alicerce econômico de grandes países e emprega muita gente, inclusive no Brasil, que detém um dos maiores rebanhos do mundo e exporta grande parte da produção. Atualmente são mais de 150 países que recebem a proteína brasileira, que futuramente deve suprir 44,5% do mercado mundial. Desde os primeiros episódios da Operação Carne Fraca, em 2017, até os atuais desdobramentos das ações da Polícia Federal, o mercado convive com incertezas e constantes questionamentos. Muitas indústrias avícolas – pertencentes a várias companhias brasileiras – foram desabilitadas a exportar para a União Europeia desde o último bimestre do ano passado. No mesmo período, a Rússia, que representava um grande comprador de produtos cárneos, suspendeu as importações. A conjunção desses dois episódios produz o efeito de oferta excessiva e deterioração de preços. Mas afinal, a carne brasileira tem qualidade? A proteína animal permanecerá entre os produtos mais exportados pelo país? Apesar da instabilidade, o setor se mantém otimista e prevê recuperação. Mais uma vez, o mercado luta para comprovar a excelência em seu processo de produção e o status sanitário rende muitos pontos nesta batalha. Prova de seu potencial é a estimativa de crescimento em até 10% nas exportações de carne bovina. De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), neste ano, devem ser embarcadas 1,68 milhão de toneladas do produto. O controle da febre aftosa foi uma condição básica para que o país pudesse vender carne in natura para o mercado externo, conquistando a confiança do consumidor estrangeiro. Em maio, o Brasil foi reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OIE) como livre de aftosa com vacinação. A certificação oficial contribui para ampliar e abrir novos mercados internacionais às carnes brasileiras.

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FOTO: ISTOCK

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CAPA

O sistema regulatório brasileiro está entre os mais frequentemente auditados e monitorados no mundo.

Dentro desse cenário, Santa Catarina comemora a erradicação da doença. Há dez anos o Estado tem reconhecimento internacional como zona livre de febre aftosa sem vacinação. A entrega do certificado pela OIE aconteceu em 2007 e, desde então, a produção catarinense se consolidou como referência em sanidade e defesa agropecuária, conquistando os mercados mais competitivos do mundo. A ocorrência da vaca louca, simultaneamente, em vários países da União Europeia e da febre aftosa na Argentina em 2001, favoreceu o crescimento das exportações brasileiras de carne bovina.

sileira de Proteína Animal (ABPA) e ex-ministro da Agricultura, conta que a carne é embarcada para 70 países e representa 9% das vendas globais do segmento. Além disso, ele salienta que o produto tem certificação de qualidade, obedecendo normas estabelecidas por órgãos internacionais. “Estamos livres de Peste Suína Africana desde 1984. Esses fatores fazem com que as carnes de origem brasileira sejam atrativas aos mercados importadores”, complementa. Granjas e frigoríficos possuem um sistema eficaz de controle de fluxo de visitas e rígidos protocolos de biosseguridade, que garantem a manutenção de nosso status sanitário. O Brasil também faz parte dos países-membros da Organização Mundial do Comércio (OMC). Assim, garante a segurança das carnes exportadas dentro das medidas sanitárias e fitossanitárias mundiais. Isso mostra aos parceiros comerciais que o sistema regulatório brasileiro está entre os mais frequentemente auditados e monitorados no mundo.

AVES E SUÍNOS A preocupação com a qualidade se estende a toda cadeia. No Brasil, nunca foram registrados casos de Influenza Aviária, quer seja em plantéis avícolas comerciais, aves migratórias ou na população humana. Este status torna a carne brasileira muito valorizada lá fora, pois as cobranças são rígidas e exigem controles de sanidade efetivos. Quando falamos em suínos, Francisco Turra, presidente-executivo da Associação Bra-

CONDIÇÕES FAVORÁVEIS

Além da sanidade, Turra destaca o bom relacionamento do Brasil com outros países e a customização das carnes

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FOTO: ASSESSORIA DE IMPRENSA ABPA

A cada ano, a participação brasileira no comércio internacional vem crescendo, com destaque para as carnes. O Brasil além de ter uma riqueza ecológica e equilíbrio ambiental, é também o quinto maior país do mundo em território, com 8,5 milhões de km² de extensão. Cerca de 20% de sua área é ocupada por pastagens, isso equivale a 174 milhões de hectares de terra.

8,5 milhões de km²

O presidente-executivo da ABPA destaca que o clima brasileiro é um diferencial importante para o setor, tanto para custos de produção, quanto para a manutenção do status sanitário, o que favorece a produtividade brasileira praticamente o ano inteiro. Além disso, conta ainda com baixos custos de produção, programas de biosseguridade eficientes – entre eles: Programa Nacional de Sanidade Avícola e de Sanidade Suína - tecnologia própria e garantia de qualidade em todos os elos da cadeia. “Temos também bom relacionamento com os mercados externos e nos preocupamos com a customização dos cortes das carnes para atender destinos específicos e agregar valor ao produto exportado. Esse conjunto de fatores favorece a exportação de proteína animal para elevar a posição do Brasil no ranking”, afirma Turra. O crescimento das exportações de carne brasileira exigiu que os frigoríficos se modernizassem, tendo em vista os rígidos padrões internacionais de controle de qualidade. Assim, o Brasil passou a suprir os mercados atendidos por esses ofertantes devido às melhores condições sanitárias. Além disso, o Ministério da Agricultura, com as secretarias de agricultura Estaduais, promovem ampla fiscalização, visando à conformidade entre a legislação de inspeção industrial e sanitária brasileira e as normas de sanidade exigidas pelo país importador.

20%

de pastagens

174 milhões de hectares de terra


FISCALIZAÇÃO LEVADA A SÉRIO Maurício Porto diz que quadro limitado de auditores é uma das maiores dificuldades para reforço das ações de fiscalização

FOTO: COMUNICAÇÃO/ANFFA

As instituições de fiscalização estão atentas a todo processo de produção da proteína animal. Desde 2017, acompanhamos operações da Polícia Federal e Ministério da Agricultura para averiguar a qualidade da carne. Os reflexos negativos e deturpados das ações contribuíram, e muito, para que grandes compradores vetassem a carne brasileira. Diante de tanta polêmica, toda cadeia produtiva mobilizou-se para mostrar que a carne brasileira tem qualidade e passa por rigorosa fiscalização. No Brasil, os auditores fiscais federais agropecuários têm papel fundamental no processo que pode habilitar, ou não, o envio da carne ao exterior. Em todo país, 2.500 profissionais fiscalizam portos, aeroportos, fronteiras, superintendências federais de agricultura e indústrias. Nos frigoríficos, o auditor fiscal é quem coordena, fiscaliza, inspeciona e audita todo o trabalho realizado pelo setor de inspeção. O quadro limitado de auditores é uma das maiores dificuldades para reforço das ações de fiscalização. Como mais uma medida na busca pela excelência, a categoria comemora a contratação, através de concurso público, de 300 novos auditores, uma reivindicação antiga do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical) ao MAPA. A medida é considerada paliativa, levando em consideração o crescimento vertiginoso do agronegócio brasileiro nos últimos anos. Do total de auditores fiscais agropecuários, 650 atuam na divisão de produtos de original animal. Os novos contratados, que devem ser chamados ainda no final de maio, trabalharão diretamente na área de carnes e leite. “O

país não pode criar barreiras para o aumento da produção agrícola e o número reduzido de profissionais atuando na fiscalização é um grande problema. Reivindicamos pelo menos mais 150 profissionais para suprir o quadro e diminuir o déficit, declara o presidente do Anffa Sindical, Maurício Porto. De acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP), entre 2002 e 2016, o PIB do agronegócio nacional, em números correntes, cresceu cerca de 242%. O quadro de Auditores Agropecuários, entretanto, não acompanhou o aumento e, nesse mesmo período, manteve-se praticamente estagnado. “A contratação de profissionais não é despesa, é investimento. A cada R$1,00 aplicado no setor, o go-

Pautamos pela qualidade do produto, segurança alimentar e saúde pública e temos total interesse que o nosso produto seja o melhor do mundo.

verno tem um retorno de R$65,00. Além de abrir mercados, é importante que estejamos preparados para atender esta demanda”. Além da fiscalização, a reposição dos auditores agropecuários é essencial para fechar acordos internacionais, pois são eles que, como adidos agrícolas, atuam durante as negociações em várias partes do mundo para abrir as portas do mercado externo aos produtos agropecuários brasileiros. Sobre as últimas operações que envolveram Polícia Federal e Ministério da Agricultura, Porto diz que a categoria é favorável, desde que as ações atinjam seus objetivos e “passem a limpo” situações de irregularidades. “A Carne Fraca foi um trabalho nosso. Um sindicalizado do Paraná fez a denúncia e depois ocorreram os desdobramentos. A gente preza pela correção. É preciso separar o joio do trigo. Quem trabalha com corrupção deve ser banido. Trabalhamos em defesa do consumidor. Pautamos pela qualidade do produto, segurança alimentar e saúde pública e temos total interesse que o nosso produto seja o melhor do mundo”, finaliza o presidente do Anffa.

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+ QUALIDADE + EXPORTAÇÃO O que garante que uma carne entre nas fronteiras é a qualidade do produto. As exigências estão cada vez maiores no mercado internacional, isso engloba desde a cadeia agroindustrial, até o nascimento do animal e do preparo para o consumo final: carne in natura e de produtos processados. As exigências podem variar de acordo com as regiões geográficas, classes socioeconômicas, diferentes visões técnico-científicas, industriais e comerciais e até questões culturais. Por exemplo, alguns mercados podem preferir uma carne mais corada e maior quantidade de gordura, já outros preferem o valor nutricional mais elevado e ausência de resíduos. É o que explica a professora universitária da Universidade Federal Fronteira Sul (UFFS), zootecnista e doutora em Zootecnia, Raquel Lunedo, sobre a dificuldade do Brasil de entrar no mercado Japonês pela ausência de alguns quesitos, como a falta de gordura na carne. Ela acrescenta que a Rússia, que até o momento mantém o embargo à carne brasileira, é um mercado importante para o Brasil, mas muito exigente em relação às questões sanitárias. Quarenta por cento da carne suína que vai para fora do país, tem a Rússia como destino. Outro fator protuberante para quem exporta são as certificações internacionais, que são concebidas pela Organização Mundial do Comércio (OMC), International Standardization Organization (ISO), Organização Mundial da Saúde (OMS) e Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). Raquel ressalta que o bem-estar animal é outra exigência dos países importadores, pois é uma qualidade inerente aos animais, já que os mesmos não estão no habitat natural. Atualmente, devem ser respeitados cinco liberdades: (1) Liberdade de sede, fome e má-nutrição, (2) Liberdade de dor, ferimentos e doença, (3) Liberdade de desconforto, (4) Liberdade para expressar comportamento natural e (5) Liberdade de medo e distresse. Na prática, isso significa que é preciso oferecer condições para que ele possa se adaptar da melhor forma possível ao ambiente modificado pelo ser humano. Quanto melhor a condição oferecida, mais fácil será sua adaptação e melhor será a qualidade da carne.

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Características das carnes dependem de cada mercado comprador

HÁ MAIS GADO E FRANGO DO QUE GENTE NO BRASIL Enquanto a população brasileira está em 207 milhões, a de bovino chega à casa de 219,1 milhões, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). Isso coloca o país em primeiro no ranking de maior rebanho e um dos maiores produtores de carne bovina do mundo. Já a produção de carne de frango não fica para trás, no primeiro trimestre de 2017, foram abatidos 1,48 bilhão de cabeças de frango, isso é mais que a população do continente Africano (1,246 bi).

África

Brasil

207

milhões

219,1 milhões

1,48 bilhão

1,246 bilhão


FOTO: PIXABAY

OS MAIORES CLIENTES DO BRASIL

As exigências estão cada vez maiores no mercado internacional, isso engloba desde a cadeia agroindustrial, até o nascimento do animal e do preparo para o consumo final.

O país exportava para 107 países em 2000 e passou a atender 153 países a partir de 2006. Os países asiáticos, em especial Hong Kong, são os mercados que mais compram a carne produzida no Brasil. Em 2016, a ex-colônia britânica importou 1,84 bilhão de dólares em carne, 773.070 toneladas. Outro grande comprador da carne brasileira é a China, responsável pela importação de 736.576 toneladas de carne, um total de 1,75 bilhão de dólares. Fonte Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

A CONQUISTA DE MERCADOS Destacar-se no topo do ranking das exportações é um desafio que começa pela conquista de mercados. Para isso, os países investem alto em qualidade para poder concorrer com outras potências e adentrar as fronteiras. O Estados Unidos figura nas primeiras posições e é o maior produtor de carne bovina do mundo. Nos últimos anos, a produção tem se mantido estável e os principais concorrentes, como o Brasil, tem se aproximado do topo. No entanto, a competição não é de posição no ranking, e sim de conquista de mercado. Neste ano em especial, esse cenário tende a intensificar, já que os principais produtores de carne bovina aumentam a produção e buscam ampliar os horizontes em outros territórios, principalmente no continente Asiático e Oriente Médio. Vale lembrar que as exportações de carne bovina do Brasil estão mais concentradas nos países asiáticos, principalmente China e Hong Kong, que inclusive são cobiçados por outros países concorrentes.

Apesar do mercado asiático ser o principal comprador nacional, os Estados Unidos se aproveitam do fim das restrições ao mercado chinês para fechar acordos bilionários envolvendo o comércio de carnes entre os países. No caso da Índia, apesar da queda no ritmo das exportações de carne bovina em 2017, apresentando um déficit de 5% em relação a 2016, as vendas para o Vietnã devem seguir em ritmo alto. Aliás, o país compra mais de 50% do volume exportado pela Índia, cerca de 687 mil toneladas anuais. Vietnã, inclusive, é um dos países para o qual o Brasil busca expandir mercados, ao lado da Indonésia, que é um dos principais mercados australianos. Já quando o assunto é exportação de carne de frango, o Brasil é líder absoluto. Segundo a U.S. Department Of Agriculture (USDA), o país exportará 13,550 mil toneladas em 2018, sendo o principal destino o Japão, México e Arábia Saudita. Deixando para trás grandes potências, como Estados Unidos, União Europeia, Tailândia e China.

AGRO&NEGÓCIOS | MAIO 2018 15


CAPA

CARNE SUÍNA É MAIS CONSUMIDA NO MUNDO, NO BRASIL MENOS Ao observar os dados do consumo de carne no mundo em 2016, é possível observar como o consumo interno do país se distingue do restante do planeta. A Dra. e zootecnista Raquel esclarece que é por uma questão cultural que há uma incompatibilidade nos dados, já que não temos o costume de consumir carne suína e de prepará-la no cotidiano. Segundo dados do USDA, a carne de frango é campeã (46,8%) em consumo no Brasil, enquanto no mundo é a segunda proteína mais consumida (34,6%).

BRASIL

38,6%

14,5% carne suína

MUNDO

42,9%

carne suína

carne bovina

46,8% carne de frango

22,5% carne bovina

34,6%

carne de frango Fonte USDA

16 AGRO&NEGÓCIOS | MAIO 2018

Domingos Martins destaca a eficácia do processo de controle e erradicação das doenças

FOTO: PRISCILLA FIEDLER

Domingos Martins, presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), enfatiza que o Paraná é o principal exportador de carne de frango do país, respondendo por 36% dos embarques brasileiros dessa proteína no ano passado. “Há 10 anos há um trabalho de prevenção, controle e erradicação de doenças que atinjam o setor, além de medidas de sanidade e ações que evitem a disseminação de patologias”. Vindo numa mesma constante, a carne suína é a terceira proteína mais produzida no país, porém, o Brasil figura na quarta colocação em exportação do mundo. Foram destinados para o mercado gringo 810 mil toneladas de carne suína. A União Europeia se destaca no topo com 2,8 mil toneladas, seguida pelos Estados Unidos com 2,5 mil toneladas e Canadá 1,3 mil toneladas. Francisco Turra, presidente-executivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e ex-ministro da Agricultura, ainda informa que apesar da disputa acirrada entre os países, o Brasil exporta para mais de 150 mercados e domina 37% das exportações mundiais.

Brasíl é líder absoluto nas exportações de frango. Em 2018, devem ser embarcadas 13,550 mil toneladas do produto.


FOTO: DIVULGAÇÃO

Frango deve continuar liderando as exportações

RANKING DAS EMPRESAS EXPORTADORAS DE CARNE DE FRANGO E SUÍNA EMPRESAS

2015

2016

1ª Lugar

1ª Lugar

2ª Lugar

2ª Lugar

3ª Lugar

3º Lugar Fonte ABPA

O QUE ESPERAR DO FUTURO… Sobre os reflexos dos embargos à carne brasileira, o diretor executivo da Associação Catarinense de Avicultura (Acav) e do Sindicato das Indústrias de Carne e derivados no Estado de SC (Sindicarne), Ricardo Gouvêa acredita que a recuperação deve acontecer em médio prazo. Segundo ele, a restrição pode estimular a abertura de novos mercados ou ampliar a relação

com países que já compram a proteína brasileira, como é o caso da China. As projeções de carnes para o Brasil mostram que esse setor deve apresentar intenso crescimento nos próximos anos e a expectativa é que a produção de carne no Brasil continue seu rápido crescimento na próxima década, segundo a Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Económico (OECD-FAO). Ainda segundo as instituições, os preços ao produtor devem crescer fortemente durante os próximos dez anos, especialmente para carne de porco e carne bovina, enquanto os preços do frango devem crescer a taxas mais modestas. O consumo de carne de frango projetado para 2026/27 é de 11,9 milhões de toneladas; supondo a população total projetada pelo IBGE em 219,0 milhões de pessoas, tem-se ao final das projeções um consumo de 54,3 kg/hab/ano. A carne suína passa para o segundo lugar no crescimento do consumo com uma taxa anual de 2,4% nos próximos anos. Em nível inferior de crescimento, a projeção do consumo de carne bovina deve ficar de 1,5% ao ano para os próximos anos.

Quanto às exportações, as projeções indicam elevadas taxas de crescimento para os três tipos de carnes. As estimativas projetam um quadro favorável para as exportações brasileiras. As carnes de frango e de suínos lideram as taxas de

Os preços ao produtor devem crescer fortemente durante os próximos dez anos, especialmente para carne de porco e carne bovina. crescimento anual das exportações para os próximos anos – a taxa anual prevista para carne de frango é de 3,3%, e para a carne suína, 3,5%. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, 2017) classifica o Brasil em 2026 como primeiro exportador de carne bovina, sendo a Austrália o segundo, seguida pela Índia e Estados Unidos. Nas exportações de carne de porco o Brasil é classificado em quarto lugar, atrás dos Estados Unidos, União Europeia e Canadá. Em carne de frango o Brasil fica em primeiro lugar nas exportações, seguido pelos Estados Unidos e União Europeia.

AGRO&NEGÓCIOS | MAIO 2018 17


FALE COM O ESPECIALISTA

SUÍNOS

FOTO: SHUTTERSTOCK

FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Você tem dúvidas sobre manejo, nutrição ou sanidade em sua propriedade? Profissionais altamente capacitados podem lhe ajudar. Envie sua pergunta através de nossas redes sociais e ela poderá ser respondida neste espaço. ESPECIALISTA

LEONARDO MUNARETTO Zootecnista – Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC Gerente de Produtos Suíno – Venco Saúde Animal

Qual tem sido o impacto da caudofagia na suinocultura industrial atual? Keila Prior - Curitiba – Paraná A caudofagia, conhecida também como canibalismo de cauda, é o ato dos suínos morderem a cauda um dos outros. Trata-se de um vício comportamental dos suínos que pode ser desencadeado por diversas causas, entre elas, fatores nutricionais e ambientais, restrição de espaço de comedouro, excesso de gases nas instalações e superlotação. A caudofagia é um comportamento mais comum em suínos na fase de terminação, podendo ser encontrada com menor frequência na fase de creche e raramente na fase de lactação. Além de comprometer o bem-estar dos animais, o canibalismo de cauda é responsável por prejuízos econômicos na suino-

Há 5 anos, durante os meses de abril, maio e junho temos registrado um número elevado de abortos em nossa granja. Já procuramos soluções e foram feitos vários ajustes, mas não encontramos solução. O que pode estar ocorrendo? Gabriel Anelio Thomazzoni – Vargeão – Santa Catarina

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cultura, causa redução da ingestão de alimento e consequente atraso no desenvolvimento dos animais. Também é responsável pelo aparecimento de abcessos em diferentes locais e serve como porta de entrada para outras infecções, podendo ter como consequência o aumento da taxa de mortalidade no rebanho. No frigorífico, pode ocorrer condenação total ou parcial de carcaça em decorrência da caudofagia. A destinação da carcaça irá variar dependendo da extensão da lesão, podemos encontrar abcessos principalmente na coluna vertebral, vertebras torácicas, pelve, membros locomotores, pulmões, costelas e peritônio, elevando as perdas econômicas.

O aborto, ou abortamento, é definido como o nascimento ou a expulsão da leitegada prematuramente, antes do período normal de gestação da porca, que é de em torno de 114 dias. Os fetos abortados não estão completamente desenvolvidos e por isso nascem mortos ou morrem poucas horas após a expulsão. O aborto pode ser de origem infecciosa ou não infecciosa. Dentre as principais causas infecciosas de problemas reprodutivos no Brasil estão a parvovirose, leptospirose e circovirose. Grande parte dos abortos é oriunda de causas não infecciosas: estresse calórico e ambiental, doenças do aparelho locomotor, deficiências nutricionais e contaminações por micotoxinas. Existe uma outra causa não infecciosa de abortos em suínos que é chamada de Síndrome de Abortamento de Outono (SAO). Trata-se de uma possível interferência na concentração de progesterona durante a gestação, em função das grandes flutuações de temperatura em um curto intervalo de tempo, combinadas com fatores nutricionais e de manejo, que tem como consequência a perda da prenhez. As matrizes afetadas pela SAO raramente apresentam quaisquer sinais clínicos e os fetos aparentemente estão normais. Os abortos podem ocorrer entre 30 e 110 dias de gestação, podem ser encontradas taxas de abortamentos acima de 10%. No Brasil, há poucos estudos sobre a SAO, mas para reduzir ou evitar os abortamentos é necessário diminuir o impacto das variações térmicas sobre os animais, através de um manejo adequado da temperatura do galpão, bem como trabalhar com a nutrição adequada e o manejo correto dos animais.


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ARTIGO TÉCNICO

SUÍNOS

ROTAVÍRUS

SUÍNO

UM VILÃO RECORRENTE, MAS AINDA POUCO CONHECIDO

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FOTO: CÉSAR MACHADO/AGROSTOCK

N

a criação de suínos o evento sanitário mais frequente na maternidade é a ocorrência de diarreia neonatal. Ao longo do ano podemos até observar alguma variação na taxa de ataque e na intensidade de diarreia nos leitões, umas vezes mais, outras menos, mas ela está sempre presente. Entender porque isso ocorre mesmo diante de situações em que o produtor toma o maior cuidado no manejo dos leitões não é difícil. Ao nascer, os leitões deixam um ambiente teoricamente estéril, o útero materno. No ambiente da maternidade, por maior que seja a atenção com os processos de limpeza e desinfecção existe uma gama de micro-organismos nas instalações, pisos, paredes, utensílios e, até mesmo, no ar. O máximo que conseguimos fazer com condutas adequadas de manejo é reduzir a dose infectante presente no ambiente. Voltando ao nascimento, durante a gestação a matriz suína, devido à constituição anatômica de sua placenta, não transfere imunidade (anticorpos) para o leitão ainda no útero. Ou seja, o leitão nasce completamente susceptível às infecções. Outro detalhe que deve ser destacado. O potencial de resposta imunológica de um leitão recém-nascido, apesar de existir, é de pequena magnitude somente atingindo a plenitude ao redor da terceira e quarta semanas de vida. Em resumo o leitão, sem imunidade passiva e com baixo potencial de resposta imunológica ativa, deixa um ambiente estéril e vai para um ambiente “contaminado”. Com isso, ele é precocemente desafiado por uma série de micro-organismos, alguns dos quais extremamente comuns e potencialmente patogênicos.

Existem granjas de suínos com mais ou com menos rotavírus. Porém, não existe granja sem rotavírus Poderíamos neste texto discorrer sobre as várias vertentes que esse tema nos proporciona. Porém, devido ao espaço vamos focar em Diarreia Neonatal. As infecções entéricas são multifatoriais e multietiológicas. Multifatoriais, pois dependem das condições de manejo, incluindo limpeza, desinfecção, fluxo de funcionários na granja; da imunidade do leitão, com destaque especial ao manejo de colostro; e das condições do leitão como peso ao nascer e também da idade (faixa etária). Esses fatores não ocasionam a diarreia, mas são os responsáveis pela frequência e intensidade de diarreia em uma maternidade. As diarreias neonatais

são ainda multietiológicas, pois ocorrem em consequência da infecção por diversas classes de micro-organismos destacando-se bactérias, vírus e protozoários. Em cada classe temos várias famílias e gêneros de patógenos com potencial para desenvolver infecções entéricas que acarretam em diarreia, desidratação, desequilíbrio eletrolítico, podendo culminar com alteração em parâmetros de produção como ganho de peso, conversão alimentar e, por fim, na morte de alguns animais. Nesse artigo vamos abordar apenas e tão somente uma causa de diarreia neonatal em leitões na maternidade que é o rotavírus. Podemos defini-lo como


rotavírus tem grande resistência às condições de ambiente (frio, calor, umidade) e também frente a alguns desinfetantes que, para serem efetivos, devem ser utilizados em concentrações bem superiores às habituais ou às preconizadas. No jargão popular podemos dizer que o rotavírus é um vírus “duro de matar” Por fim, a diversidade molecular e antigênica que faz com que o vírus possa burlar a imunidade passiva, proveniente da matriz, e também a imunidade ativa dos leitões. Em outras palavras, por ser um vírus em que os eventos genéticos que promovem mutações são frequentes o vírus “muda de cara” e engana o sistema imune do hospedeiro. Particularmente com relação ao rotavírus suíno podemos dizer que é um agente patogênico multifacetado. O rotavírus grupo A é o mais frequente em infecções em mamíferos em todo o mundo. Porém, os suínos são também susceptíveis a infecções com rotavírus dos grupos B, C e H não havendo imunidade cruzada entre esses quatro grupos virais. Entre os grupos também existe grande diversidade viral. Somente como exemplo, apenas em cepas de rotavírus grupo A, já foram descritos 36 genotipos G e 51 genotipos P, que correspondem a diversidade em duas proteínas externas do vírus que induzem anticorpos neutralizantes. Esses anticorpos são específicos para cada tipo de proteína. Essas proteínas externas podem até induzir imunidade heteróloga, ou seja, anticorpo induzido por uma proteína pode inativar a outra, porém a imunidade heteróloga não é plena como seria a imunidade homóloga. Em consequência, as infecções e, até mesmo, reinfecções são frequentes. Em suínos a diversidade de antígenos G e P em cepas de rotavírus é tão grande que somente em um estudo que realizamos no Brasil identificamos 8 genotipos G e 5 genotipos P distintos, em diferentes associações, em cepas de rotavírus A suíno. Somente a título de comparação, em rotavírus bovino identificados em bezerros de corte e leite com diarreia no Brasil, com grande frequência,

Por Amauri A. Alfieri & Alice F. Alfieri Laboratório de Virologia Animal Departamento de Medicina Veterinária Preventiva Universidade Estadual de Londrina (UEL) Londrina/PR

FOTO: CÉSAR MACHADO/AGROSTOCK

um vilão portador de um arsenal de estratégias para o mal. Conhecer as suas “armas e estratégicas bélicas” com certeza nos deixará mais preparados para enfrentá-los em nossa luta do dia-a-dia. Para iniciar a nossa discussão temos que ter em mente um dogma. “Existem granjas de suínos com mais ou com menos rotavírus. Porém, não existe granja sem rotavírus”. Ou seja, onde está o suíno, lá o rotavírus também estará. Daí vem a importância dos fatores predisponentes para o desencadeamento de diarreia neonatal que comentamos anteriormente. Temos que reduzir a dose infectante no ambiente e proporcionar o máximo de imunidade ao recém-nascido. Entretanto, o rotavírus suíno não é tão ingênuo, pois caso contrário a doença não ocorreria ou teria baixa incidência. O rotavírus precisa de seu hospedeiro para poder manter-se na natureza. Ao longo do tempo esse vírus vem evoluindo e se especializando cada vez mais em se manter ativo no ambiente e em burlar o sistema imunológico dos suínos. Com isso, tem desenvolvido estratégias em várias frentes do campo de batalha destacando-se: Número de partículas virais eliminadas no ambiente durante uma infecção aguda. Enquanto outros vírus são eliminados em números de 107 - 108 partículas por grama de fezes, nas infecções ocasionadas por rotavírus esse número pode atingir 1010 - 1011 podendo alcançar até 1012 partículas por grama de fezes diarreicas. Para o leigo isso parece pouca diferença, mas estamos falando em escala logarítmica. Ou seja, partindo dos dois extremos dos exemplos anteriores, 108 representa 100 milhões e 1011 representa 100 bilhões de partículas víricas por grama de fezes. Ou seja, é uma quantidade descomunal de vírus no ambiente que eliminá-lo é praticamente impossível. Resistência da partícula viral. Devido à sua constituição estrutural, desprovido de envelope e com capsídeo formado por três camadas proteicas, o

são identificados apenas dois diferentes genotipos G e dois genotipos P. Podemos concluir que a rotavirose suína é ocasionada por vários “tipos” de vírus que ludibriam o sistema imune e, com isso, o vírus mantem-se endêmico no rebanho por meio de mudanças (mutações) frequentes. Em resumo, o conjunto representado pelo excessivo número de partículas virais eliminadas no ambiente durante o período agudo da infecção; a grande resistência das partículas virais frente a condições ambientais adversas e também a produtos químicos utilizados em processos de desinfecção; e a diversidade antigênica faz com que o rotavírus suíno seja endêmico na suinocultura mundial. Nessa edição procuramos mostrar ao suinocultor as dificuldades no controle e profilaxia dos episódios e, até mesmo, de surtos de diarreia em leitões lactentes e também recém-desmamados ocasionados pelo rotavírus suíno. Demonstramos que as frequentes ocorrências de diarreias não são o reflexo apenas e tão somente de nossa incompetência em controlá-las. O problema é que realmente estamos diante de um vilão que utiliza múltiplas estratégias para manter-se ativo em nossos rebanhos. No próximo número iremos discutir algumas das NOSSAS táticas para contra-atacar. Com certeza não venceremos a guerra, mas venceremos várias batalhas e, com isso, podemos dar continuidade à nossa atividade primária de produção de proteína animal com produtividade e sustentabilidade.

FOTO: ARQUIVO PESSOAL

A rotavirose suína é ocasionada por vários “tipos” de vírus que ludibriam o sistema imune.

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EVENTO

SIMPÓSIO BRASIL SUL DE

SUINOCULTURA

reunirá conferencistas de renome internacional de 70 empresas acreditando no evento”. Em sua 19ª edição, o Simpósio Brasil Sul de Avicultura firmou-se como o principal evento técnico do setor na América Latina. A programação foi composta por mais de 15 horas de palestras de excelente nível com conferencistas nacionais e internacionais e a X Poultry Fair, que reuniu as principais empresas do setor. A próxima edição do evento já tem data marcada: 2 a 4 de abril de 2019.

FOTOS: ASSESSORIA DE IMPRENSA NUCLEOVET

Presidente do Nucleovet destaca qualidade da programação científica

E

star atualizado sobre as novidades na criação, nutrição e sanidade dos animais é fundamental para profissionais do setor e agroindústrias. É baseado neste conceito que o Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet) realiza entre os dias 21 e 23 de agosto, o 11º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura, em Chapecó (SC). O evento técnico tem como objetivo fomentar e ampliar conhecimentos. O presidente do Nucleovet, médico veterinário Rodrigo Toledo, indica que esta edição apresentará novidades e terá a tecnologia como aliada, com uma comunicação visual e uma conectividade diferente. Ele ainda adianta: os palestrantes serão os mais renomados no mercado mundial, assim como tem sido nas edições anteriores. “Os simpósios promovidos pelo Nucleovet são organizados por profissionais que atuam diretamente na atividade e com isso conseguimos trazer temas que a agroindústria, o setor produtivo e o mercado como um todo tem interesse”, complementa.

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Ainda conforme Toledo, o foco do Nucleovet é oferecer sempre uma excelente programação científica nos seus eventos, abordando temas atuais e de acordo com as demandas e necessidades do mercado. Em paralelo ao simpósio, ocorre também a 5ª Brasil Sul Pig Fair. Neste ano, o núcleo realiza também, o 8º Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite, entre os dias 06 e 08 de novembro. Além das palestras, os participantes também poderão visitar a “Milk Fair”, onde empresas do setor se organizam e apresentam as novidades em produtos e serviços.

RECORDE DE PÚBLICO O exemplo mais recente do sucesso dos eventos realizados pelo Nucleovet é Simpósio Brasil Sul de Avicultura, que aconteceu em abril. Foram quase 1500 participantes, debatendo e adquirindo conhecimento com palestrantes do mundo todo. O presidente do Nucleovet também destaca o número de patrocinadores do Simpósio “um recorde de patrocinadores, mais

A cada simpósio, núcleo registra recordes de público

ANOTE NA AGENDA Próximos eventos do Nucleovet 11º SIMPÓSIO BRASIL SUL DE SUINOCULTURA 21 a 23 de agosto de 2018 Centro de Eventos Plínio Arlindo de Nês, Chapecó (SC) 8º SIMPÓSIO BRASIL SUL DE BOVINOCULTURA DE LEITE 06 a 08 de novembro Centro de Eventos Plínio Arlindo de Nês, Chapecó (SC)


AGRO&NEGÓCIOS | MAIO 2018 23


SUÍNOS

Higienização das estruturas é fundamental

Como está a biosseguridade

EM SUA GRANJA?

Especialistas dão dicas de como proteger o plantel e garantir a saúde dos animais.

A

biosseguridade suína é um assunto que está em alta. Fundamental na preservação da saúde animal, é composta por um conjunto de procedimentos que visam diminuir a entrada de agentes causadores de doenças dentro das granjas, reduzindo o impacto causado por elas. As medidas podem garantir não somente a saúde dos animais, mas também assegurar a qualidade da carne que chega à mesa do consumidor.

BIOSSEGURIDADE INTERNA X BIOSSEGURIDADE EXTERNA. VOCÊ SABE A DIFERENÇA? Os produtores precisam ficar atentos aos dois tipos de biosseguridade, a interna e a externa. Na primeira, a médica veterinária e especialista em Doenças Respiratórias, Maria Nazaré Lisboa, ex-

FOTO E ILUSTRAÇÃO: ASSESSORIA DE IMPRENSA EMBRAPA SUÍNOS E AVES

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Mais de 50% do total das granjas não adotam as medidas de biosseguridade. plica que “o objetivo é evitar que patógenos causadores de doenças se disseminem dentro da granja.” Para isso, é extremamente importante que sejam adotadas estratégias para evitar contaminação na parte interior da granja. Entre as mais importantes estão medidas de higiene para pessoas e animais, pois elas podem evitar contaminação e propagação de agentes causadores de doenças. O médico veterinário e especialista em Sanidade de Aves e Suínos, André Buzato, comenta que ter um programa de limpeza e desinfecção das instalações, um adequado fluxo de produção (vazio sanitário entre lotes), programa de vacinação, além do controle de pragas e manejo apropriado de resíduos altamente infectantes também são itens fundamentais para manter a biosseguridade em dia. Já relacionado com os fatores externos e como medida preventiva, Buzato indica fazer uso prudente dos quarentenários, além de cercas e avisos, controlando a entrada de visitantes. Também é importante restringir e controlar animais domésticos e veículos. A granja deve oferecer ainda, locais apropriados para banho e troca de roupas/calçados, pois bloqueiam a entrada de agentes patógenos.

FISCALIZAÇÃO Apesar de não existir nenhum documento oficial dos órgãos de fiscalização, como do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) em relação a biosseguridade das granjas suínas, ela é o principal fator levado em consideração pelos compradores internacionais que importam carnes brasileiras. Para que esses procedimentos se popularizem entre produtores rurais, pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária de Suínos e Aves (Embrapa), em Concórdia/SC, criaram uma espécie de manual de biosseguridade para as granjas de suínos. Nelson Morés, um dos pesquisadores da Embrapa comenta que “a adoção de medidas de biosseguridade no setor produtivo comercial (granjas ciclo completo, unidades produtoras de leitões, crechários e terminadores) é fundamental para mitigar riscos de contaminação e disseminação de agentes patogênicos”.

BIOSSEGURIDADE INTERNA • Adotar a prática rotineira de troca de roupas diariamente. • Lavar as mãos e usar luvas antes e depois de importantes processos. • Cuidar com a limpeza e desinfecção de botas na passagem de uma instalação para outra. • Cuidar com o uso de agulhas e seringas no processo de vacinação e medicação injetável, eles facilmente podem propagar agentes causadores de doenças através da aplicação de injeção de um animal para outro. • Evitar transferências de enfermos ou recuperados para lotes mais jovens e/ou sadios. • A transferência de leitões recém-nascidos deverá ocorrer apenas depois das 24 horas do nascimento e no máximo até 4 dias de vida. • Cuidar e controlar a presença de pássaros, ratos, moscas, mosquitos, baratas, através de um rigoroso programa de controle de pragas.

O documento foi elaborado com base em uma pesquisa realizada com diversos agricultores dos maiores estados produtores de carne suína do país, que indicou que mais de 50% do total das granjas não adotam as medidas de biosseguridade. A situação indicou a necessidade da elaboração e disseminação de algumas orientações, com o objetivo de fornecer mais subsídios técnicos para que sejam adotadas todas as medidas de biosseguridade consideradas relevantes para a proteção dos animais e para o futuro da cadeia produtiva de suínos. Essas medidas, de acordo com Morés certamente, terão maior chance de serem adotadas siste-

BIOSSEGURIDADE EXTERNA • Ter controle de entrada de novos animais. • Controlar e contratar centrais idôneas produtoras de sêmen, que ofereçam garantia de que o sêmen se encontra livre de patógenos causadores de doenças. • Cuidar com os veículos que se aproximam da granja, com arco de desinfecção para limpeza, secagem e desinfecção dos veículos na entrada. • Instalar cercas perimetrais de isolamento em volta da granja. • Criar uma barreira de árvores formando cinturões verdes em volta da granja para purificação do ar. • Funcionários devem cumprir regras de banho diário com uso de roupas e calçados da própria granja. • Não entrar com pertences e objetos pessoais para área interna da granja. • Oferecer aos funcionários e visitantes adequados banheiros com banho e troca de roupas contendo áreas devidamente identificadas e estabelecer regras claras para todos.

maticamente no setor produtivo se forem regulamentadas pelo MAPA. Sobre a fiscalização, o veterinário André Buzato afirma que “os suinocultores precisam de condições, incentivos e apoio para continuarem investindo na atividade e poderem se adaptar às novas exigências, como por exemplo, a biosseguridade”. Com um trabalho de equipe desde o sistema de produção ao produto acabado e com todos envolvidos na mesma causa, seria possível trabalhar com uma fiscalização mais eficiente, em cadeia. Maria Nazaré Lisboa finaliza “com certeza ainda existe muito a fazer, mas estamos no caminho”.

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SUÍNOS

FOTO: SHUTTERSTOCK

ARTIGO TÉCNICO

IMPACTO DAS DIARREIAS

DE TERMINAÇÃO

NA PRODUTIVIDADE DOS SUÍNOS E NA RENTABILIDADE DA AGROINDÚSTRIA Por Equipe técnica Vetanco Brasil

O

que pode ocasionar diarreias no plantel de suínos em fase de terminação? Na prática da suinocultura, é rotineira a observação de diarreias na fase de crescimento e terminação; porém, não devemos tratá-las com negligência ou considerando-as como normalidade. Apesar de comuns, os impactos econômicos das diarreias nessa fase da produção são muito significativos pela expectativa de ganho de peso e pelo grande consumo de alimentos dos suínos nessa fase. Portanto, ações devem ser tomadas com foco tanto em prevenção quanto controle das mesmas. Diversos fatores estão associados à apresentação clínica de diarreias em suínos de terminação, podendo ser

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causadas por agentes infecciosos ou não. Causas nutricionais e relacionadas às matérias-primas (como ocorrência de micotoxinas ou fatores anti-nutricionais) ocorrem com grande frequência e não somente causam prejuízos diretos, como abrem portas - através de mecanismos de inflamação ou de desequilíbrios na microbiota - para a introdução de patógenos. Apesar de outros fatores estarem envolvidos direta ou indiretamente, podemos apontar que as principais e mais relevantes causas de diarreia na fase de crescimento e terminação estão relacionadas à agentes infecciosos. Os mais comuns na fase de terminação são: Lawsonia intracellularis, Brachyspira pilosicoli e B. hyodysenteriae.

Quais são os métodos preventivos mais indicados e eficazes? As ferramentas para a prevenção de diarreias em granjas suinícolas abrangem desde a limpeza e desinfecção das instalações, até a utilização de medicamentos e aditivos na ração. Instalações que facilitem o manejo e proporcionem ao animal melhor ambiência e bem-estar diminuem significativamente a incidência e severidade das diarreias, devendo o desenho das instalações ser considerado como ponto de início de um programa estratégico de prevenção de enfermidades. As boas práticas de higiene, juntamente com um adequado vazio sanitário nas granjas, são medidas que possuem grande impacto na prevenção e controle de doenças entéricas. Porém, normalmente correspondem a uma das principais falhas em nosso sistema de criação atual, em grande parte devido à quantidade e treinamento da mão-de-obra disponível. Apesar de atuarmos preventivamente com práticas de ambiência, higiene e manejo, a utilização de produtos na ração na fase de crescimento e terminação é ainda o método mais comum para controle de enteropatógenos na produção intensiva de suínos. Para tanto, são utilizados normalmente na indústria programas profiláticos com antimicrobianos, utilizados em sua


maioria em forma de pulsos estratégicos. Conforme mencionado anteriormente, vários agentes infeciosos (com sensibilidades distintas aos antimicrobianos) podem causar diarreias nesta fase, e geralmente estão associados a fatores predisponentes não infecciosos. Essa combinação de distintos agentes como causadores de diarreias determinam a ocorrência destas nos chamados “complexos entéricos”. A interação entre diversos fatores caracteriza a grande dificuldade encontrada na prática para o correto controle das diarreias de terminação. Para que seja possível prevenir ou tratar adequadamente os complexos entéricos, deve-se considerar uma análise epidemiológica local através de monitorias clínicas, associada ao diagnóstico laboratorial preciso. Esta análise deve direcionar com mais precisão o programa medicamentoso escolhido, já que a sensibilidade aos antimicrobianos (e mesmo a determinados aditivos) varia muito de acordo com o agente etiológico envolvido. Como agravante, observamos atualmente uma realidade na suinocultura brasileira de grande resistência bacteriana à antimicrobianos, especialmente pelos patógenos acima destacados. Trabalhos conduzidos recentemente pela equipe do Prof. Roberto Guedes no laboratório de patologia da UFMG demonstram que uma parte significativa das cepas de Brachyspira hyodysenteriae isoladas no país apresenta baixa sensibilidade aos antimicrobianos mais utilizados para a sua prevenção/tratamento. O cenário de alta resistência microbiana, juntamente à pressão de consumidores e intermediários pela redução do uso de antimicrobianos na produção animal levou à suinocultura a utilizar alguns aditivos naturais para a prevenção e tratamento de diarreias de terminação, algo que tem se demonstrado altamente eficaz em muitos casos. Existem aditivos desenvolvidos especialmente com esta finalidade, e quando utilizados dentro de um programa macro de controle dos complexos entéricos, servem como uma ferramenta promissora para a suinocultura nacional. No caso de não haver a prevenção, a situação pode ser revertida? A prevenção sempre é uma possibilidade, mas em casos particulares pode

As ferramentas para a prevenção de diarreias em granjas suinícolas abrangem desde a limpeza e desinfecção das instalações, até a utilização de medicamentos e aditivos na ração. não ser adequada por questões financeiras, logísticas, etc. Nestes casos, devemos intervir para o controle dos problemas entéricos, evitando maiores prejuízos produtivos e sanitários para as granjas ($$$). O controle do problema entérico já instalado pode ser realizado através de um programa medicamentoso de maneira individual ou massiva, dependendo do caso e a critério do médico veterinário. Este controle se dá sempre associado às práticas de manejo, ambiência e sanidade já mencionadas anteriormente, buscando reduzir os fatores predisponentes existentes. Sobre os impactos, poderia destacar as principais consequências das diarreias na produtividade dos suínos? As diarreias causam perdas em todo sistema de produção de suínos, mas especialmente no período de terminação o impacto econômico é maior devido a mortalidade, onde perdemos animais que já consumiram grande quantidade de ração. Também há grandes perdas relacionadas à conversão alimentar, já que temos animais em terminação consumindo uma grande quantidade de ração diária, e agravado pela atual situação de elevado custo das matérias-primas. Por último, perdemos no ganho de peso dos animais, o que resulta na necessidade de maior tempo de permanência na granja, geralmente aumentando a casuística de problemas sanitários e complicando o período de vazio sanitário da integração como um todo. Em resumo, as diarreias de terminação causam um enorme impacto financeiro direto pela piora nos parâmetros produtivos, e deixam legados sanitários futuros muito graves para as granjas afetadas. As diarreias impactam de que maneira a rentabilidade do produtor? Normalmente nos referimos aos complexos entéricos quase que unicamente através da casuística clínica, repre-

sentada pela diarreia. O produtor consegue detectar claramente o impacto destas na sua rentabilidade, já que os animais ganham menos peso, convertem menos ração em carne e ainda possuem em alguns casos elevada mortalidade. Porém, a ocorrência de surtos de diarreia ou casos graves não são os únicos causadores de prejuízos ao produtor, e talvez não sejam nem mesmo o principal fator. Casos subclínicos, com diarreias moderadas podem causar prejuízos econômicos ainda mais altos ao produtor, já que raramente se tomam medidas sérias de prevenção e controle quando o problema não é detectado clinicamente.

Quais são os principais pontos que o produtor deve considerar neste contexto? O controle de problemas entéricos deve ser tratado como um plano estratégico integral envolvendo as informações e ferramentas abaixo mencionadas. • Higiene (Limpeza/Desinfecção/Fluxo); • Vazio sanitário; • Instalações adequadas que permitam limpeza e ambiência corretas; • Manejo e bem-estar; • Diagnóstico preciso de casos clínicos e subclínicos; • Monitorias frequentes para detectar problemas ainda em sua fase moderada; • Profilaxia com programas bem desenhados compostos por antimicrobianos, vacinas e aditivos naturais.

Por fim, acreditamos que a real integração dos institutos de ensino e pesquisa com a indústria é necessária para que o conhecimento técnico-científico seja aplicado na prática da suinocultura. Esta foi a razão principal pela qual a Vetanco levou ao SBSS 2016 a 2a Mesa Redonda Ciência & Indústria, para fomentar os encontros e as discussões entre os profissionais da suinocultura brasileira.

AGRO&NEGÓCIOS | MAIO 2018 27


SUÍNOS

CENÁRIO É DESAFIADOR,

MAS EXPECTATIVA É DE MELHORA Aumento no preço dos grãos é obstáculo para os produtores que chegam a trabalhar no prejuízo, mas abertura de mercados traz novas possibilidades à carne suína brasileira.

A

suinocultura está enfrentando um momento desafiador. Instabilidade nas exportações, excesso de oferta e aumento na cotação de grãos, especialmente o milho, acarretaram em baixa dos preços do suíno vivo e aumento dos custos de produção, fazendo com que alguns produtores trabalhem, inclusive, no prejuízo. A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) e suas afiliadas se uniram em pleitos junto aos órgãos do governo para garantir a manutenção dos produtores na atividade. A possibili-

dade de abertura de novos mercados à carne suína brasileira também traz expectativa de melhora para o setor. Os resultados relativos à exportação do início do ano até o momento atual foram desanimadores. Um dos principais motivos foi o embargo da Rússia, mercado que normalmente responde por cerca de 40% de todas as exportações brasileiras, sob a alegação de presença de ractopamina em cortes suínos. Apenas em março, as exportações do setor alcançaram 58,1 mil toneladas, número 8,1%

VENDAS DE CARNE SUÍNA primeiro trimestre

2017

179,2 mil toneladas

primeiro trimestre

2018

155,2 mil toneladas

Queda de

13,4%

Fonte: Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)

28 AGRO&NEGÓCIOS | MAIO 2018

inferior ao apresentado no mesmo período de 2017, com 63,2 mil toneladas. Por outro lado, o aumento de volume exportado para outros países amenizou a situação. Em nota, Francisco Turra, presidente-executivo da ABPA, avaliou o cenário. “Em praticamente todos os mercados houve incremento das exportações. Isto ajudou a reduzir os impactos causados pelo embargo russo, que entre janeiro e março do ano passado havia importado 68,5 mil toneladas”, avalia.

Aumento no volume de compras ajudou a reduzir impactos do embargo russo. O anúncio feito pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) sobre novas negociações com o comércio exterior trouxe ainda mais esperança de recuperação aos produtores. O ministro Blairo Maggi informou que a Coréia do Sul e o Peru pretendem abrir o mercado para o Brasil, importando a carne suína fornecida pelo estado de Santa Catarina, a única área livre da febre aftosa sem vacinação no país até então.

FOTO: PIXABAY


Maggi informou ainda que está prevista visita de representantes da China para discutir a ampliação do número de plantas frigoríficas autorizadas à embarcarem todos os tipos de carnes – bovina, suína e de aves.

GRÃOS Outro grande problema enfrentado pelo setor que impacta o mercado interno é o aumento no preço dos grãos, devido à quebra da safra na Argentina e o atraso no plantio da segunda safra de milho no Brasil, que acarretou em um aumento significativo na cotação da saca do cereal no país. Segundo dados compilados pela Agroceres PIC, o preço do Kg do suíno vivo em São Paulo caiu R$ 0,27 (– 7,32%), de fevereiro para março deste ano, enquanto a saca de 60 Kg do milho apresentou aumento de R$ 8,09 (+ 28,17%), no mesmo período. A venda de um quilo de suíno vivo rendeu 5,57 quilos de milho, apresentando uma queda de 32,61% em relação a janeiro de 2018. Na tentativa de amenizar o impacto aos produtores, a ABCS participou de reuniões com o MAPA e com a diretoria de Agrone-

gócio do Banco do Brasil, onde discutiram políticas públicas para viabilizarem a sustentabilidade da atividade no país, permitindo ao suinocultor ter caixa para se manter pelo menos até a colheita da segunda safra de milho. Entre os pleitos que já foram atendidos, estão a liberação de parte dos estoques públicos de milho por parte da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) com o intuito de baixar o preço deste insumo e a prorrogação do vencimento das parcelas dos créditos de custeio e investimento adquiridos nos últimos dois anos. O presidente da ABCS, Marcelo Lopes, recomenda cautela e dá algumas orientações para que os produtores evitem prejuízos. “O produtor tem que trabalhar com uma estratégia de compra de grãos que permita adquirir estes insumos na época de safra, quando os preços estão em baixa, garantindo o abastecimento da granja com menor custo possível”. TEXTO: Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS)

Países que estão comprando mais em 2018 China Adquiriu 39,2 mil toneladas no primeiro trimestre deste ano, resultado 152% superior a quantidade embarcada no ano passado, que foi 15,5 mil toneladas. Hong Kong Comprou 46,4 mil toneladas, 23% a mais que as 37,7 mil toneladas embarcadas em 2017. Singapura Importou 5% a mais de carne suína brasileira no mesmo intervalo de tempo. Outros países que incrementaram suas compras em relação ao ano passado: Uruguai: 31% Chile: 30% Angola: 11%

AGRO&NEGÓCIOS | MAIO 2018 29


FALE COM O ESPECIALISTA

AVES

Qual é o investimento aproximado para iniciar uma granja de médio porte de galinhas caipiras?

ESPECIALISTA

Lucimari Rocha – Prudentópolis – Paraná JACIR JOSÉ ALBINO Formação: Técnico Agropecuário e Ciências Contábeis, atua no Núcleo de Comunicação Organizacional – Embrapa Suínos e Aves.

FOTO: WIKIMEDIA COMMONS

Na atividade de produção de aves coloniais/caipiras, o produtor pode optar por materiais construtivos disponíveis na propriedade, sem investimentos maiores na aquisição de materiais de construção para atendimento de projetos padrão. Essa prática torna o custo inicial de investimento mais flexível e variável em decorrência das peculiaridades de cada caso. Como embasamento para o planejamento e tomada de decisão, dispomos de um memorial descritivo básico descrito em Documento da Embrapa Suínos e Aves, com previsão de materiais construtivos e insumos, que pode ser utilizado para estimar os custos iniciais necessários para instalação e operação de um sistema de produção para 500 galinhas. O produtor também pode utilizar os coeficientes técnicos do documento, como densidade de aves por metro quadrado ou área de galpão necessária, números de bebedouros e comedouros, consumo de ração, entre outros, para dimensionar sistemas maiores. A cartilha, cujo título é Produção de Ovos em Sistemas de Base Ecológica, pode ser acessada em https://www.embrapa.br/ suinos-e-aves/publicacoes

Criamos galinhas caipiras. Sempre que botam, acabam comendo os ovos. Elas recebem ração concentrada e quirera de milho e passam o dia todo soltas. O que devo fazer para evitar que comam os ovos? Ivete Salmoria – Joaçaba – Santa Catarina As rações fornecidas devem atender alguns pontos básicos como: linhagem utilizada, idade ou fase da criação e alimentos e insumos disponíveis. A formulação deve atender às aves quanto às necessidades de energia, proteína, minerais e vitaminas. Quando estes fatores não são atendidos, eventualmente ocorrem problemas na criação, como o citado na pergunta, que aliás pode estar relacionado à deficiência de cálcio. Uma alternativa neste caso é oferecer às aves uma fonte alternativa de cálcio, que pode ser farinha de ostra ou calcário calcítico, oferecido em cocho separado no interior do aviário. Mas o ideal seria que as necessidades de cálcio já estivessem previstas na formulação, por isso a importância desse ajuste. O seu fornecedor do núcleo ou con-

30 AGRO&NEGÓCIOS | MAIO 2018

FOTO: PIXABAY

FOTO: ASSESSORIA DE IMPRENSA EMBRAPA SUÍNOS E AVES

Você tem dúvidas sobre manejo, nutrição ou sanidade em sua propriedade? Profissionais altamente capacitados podem lhe ajudar. Envie sua pergunta através de nossas redes sociais e ela poderá ser respondida neste espaço.

centrado pode ajustar a fórmula da ração à sua realidade de criação. Como auxílio, a Embrapa Suínos e Aves dispõe de algumas sugestões de formulação no documento disponível no link http://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/168178/1/final8573.pdf. Lembrando que outros erros de manejo também podem ocasionar estresse nas aves e resultar em alterações de comportamento, por isso sempre é importante ter em mãos um manual de produção para conduzir adequadamente a criação das aves.


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AVES

FOTO: JAIRO BACKES

ARTIGO TÉCNICO

SALMONELOSE EM AVES ESTRATÉGIAS BÁSICAS DE PREVENÇÃO

S

almonelose é o termo utilizado para denominar as enfermidades causadas por bactérias do gênero Salmonella. Este gênero possui duas espécies: Salmonella enterica, com 2.610 sorovares, e Salmonella bongori, com 23 sorovares. Destas, a espécie entérica, subespécie entérica é a de maior importância em saúde animal e humana e abarca os sorovares Salmonella Gallinarum (biovares Gallinarum e Pullorum), Enteritidis e Typhimurium. Os sorovares Salmonella Gallinarum e Salmonella Pullorum, são espécie específicos e estritamente relacionados à saúde aviária. Causam tifo aviário e a pulorose respectivamente, enfermidades sintomáticas nas aves. Estas enfer-

midades determinam um alto impacto no setor avícola, pois são responsáveis por grandes perdas pela elevada morbidade e mortalidade nos animais afetados. Para fins de saúde pública, os sorovares mais importantes são Salmonella Enteritidis, Typhimurium e Heidelberg, comumente associados à infecção em humanos. O principal nicho dos sorovares de Salmonella spp. é o trato intestinal de animais, principalmente os de produção e eventualmente seres humanos. Também podem estar presentes no trato intestinal de pássaros, répteis e ocasionalmente de insetos. O Brasil busca efetivar o controle e monitoramento deste patógeno nos

S. Gallinarum e S. Pullorum são enfermidades que determinam um alto impacto no setor avícola, pois são responsáveis por grandes perdas em razão da elevada mortalidade e ou morbidade nas aves afetadas. 32 AGRO&NEGÓCIOS | MAIO 2018

estabelecimentos avícolas pelo cumprimento das normativas contempladas no Programa Nacional de Sanidade Avícola (PNSA). A correta execução dos procedimentos de biosseguridade previstos na legislação, desde medidas estruturais e a padronização de procedimentos visam minimizar os riscos à saúde das aves e seres humanos. A adoção previne não apenas a salmonelas, mas também outros microrganismos de impacto no setor avícola. Estas ações contribuem para a manutenção da competitividade do setor. Visando prevenção, a granja avícola deve estar localizada a uma distância segura de outros estabelecimentos e sistemas de criação. Quanto maior o isolamento da granja menor o risco de transmissão de diferentes patógenos. Exatamente pelo citado, deve-se adotar medidas básicas, como cercar o local de criação, instalar telas (em galpões de postura) ou verificar aberturas possíveis em galpões (frango de corte) minimizando o contato com outras


FOTO: SABRINA C. DUARTE

instalações é atividade a ser desempenhada diariamente acompanhada da vistoria de aves mortas que precisam ser retiradas o mais imediato que for possível e destinadas a compostagem ou outro processo que permita a eliminação de micro-organismos. A ração e a água fornecidas às aves devem ser isentas de patógenos que ofereçam riscos à saúde das aves. É preciso também que seja feito um bom controle de roedores, ácaros e moscas. Todos os procedimentos realizados na granja devem ser registrados e os arquivos disponibilizados para fácil consulta quando necessário. Em eventuais surtos de Salmonella spp. é relevante buscar esclarecer as “portas de entrada” da bactéria na granja. Nem sempre é uma tarefa fácil, pois a salmonela pode estar contida em vários grupos de alimentos que podem compor a matéria prima da ração e ainda sobreviver por longos períodos nos ambientes agrícolas. Forragem, cama de aviário e matéria fecal são comumente identificados como fonte de contaminação em sistemas de

criação de animais de produção. A bactéria pode estar presente em baixas concentrações na água de rios que tenham proximidade com granjas. Tem capacidade também de formar biofilmes em muitos locais. Em cada eventual surto é preciso identificar as falhas de manejo e biosseguridade e efetuar as correções com reuniões com todos os envolvidos e discussão do tema “treinando” melhorias. S.Pullorum e S.Gallinarum foram erradicadas dos países desenvolvidos como EUA, Canadá e Europa Ocidental. A base para erradicação nestes países foi incorporação de medidas de biosseguridade com atenção a higiene, testes sorológicos e gestões organizadas para correta execução das medidas de maneira ininterrupta e uniformes. Os testes rápidos para identificação de S. Gallinarum e S. Pullorum foram implementadas em plataformas nos nascedouros. Além dessas medidas a prática da vacinação em prevenção a Pulorose. A Salmonella é uma bactéria resiliente e complexa. É capaz de reagir a condições ambientais adversas, seja no trato gastrointestinal das aves ou no processamento do abate. Sobrevive em diferentes condições de temperatura, pH e variações osmóticas. Para prevenção, o esforço precisa ser conjunto, permitindo estudos que propiciem a compreensão da interação patógeno-hospedeiro e avaliação de melhores métodos de mitigação e medidas efetivas de controle, seja em produtos como carne de frango ou ovos.

FOTO: ARQUIVO PESSOAL

aves. O acesso de veículos e pessoas alheias às atividades deve ser restrito e quando ocorrer deve contemplar desinfecção dos veículos, troca de roupas e calçados. Atenção à saúde das pessoas envolvidas nas atividades de rotina é um fator que não pode ser negligenciado. Caso os indivíduos manifestem diarreia, náuseas, vômitos e febre devem ser imediatamente afastados das atividades com as aves e encaminhados à unidades de saúde. Sempre que possível, buscar esclarecer se o evento teve envolvimento de ocorrência de Salmonella spp. pois, seres humanos contaminados são riscos em potencial. A origem da ave é outro requisito importante. Adquirir aves vacinadas que seguramente tenham certificação sanitária como livre de patógenos, é medida essencial. Essa ave deve ser alocada na granja e local previamente limpo e devidamente higienizado, onde tenha sido realizado o vazio sanitário de no mínimo 15 dias conforme a legislação brasileira. A limpeza das

Por Sabrina Castilho Duarte Médica Veterinária, Pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves Sandra Camile Almeida Mota Bióloga, Analista da Embrapa Suínos e Aves Fernanda Barbieri Acadêmica de Medicina Veterinária, Instituto Federal Catarinense Campus Concórdia Danieli Franciele Gil Acadêmica de Medicina Veterinária, Universidade Caxias do Sul (UCS)

Referências ANDREATTI FILHO, Raphael Lucio. Paratifo aviário. In: REVOLLEDO, Liliana; FERREIRA, Antonio J. Platino. Patologia Aviária. Barueri, SP: Manole, 2009. Cap. 3. p. 1833. Cox JM. Salmonella enteritidis: the egg and I. Aust Vet J. 1995 Mar;72(3):108-15. GAST, Richard K. et al. Colonization of internal organs by Salmonella serovars Heidelberg and Typhimurium in experimentally infected laying hens housed in enriched colony cages at different stocking densities: Table 1. Poultry Science, [s.l.], p.375-383, 4 out. 2016. Oxford University Press (OUP). Disponível em: <http://dx.doi. org/10.3382/ps/pew375>. Acesso em: 16 mar. 2018. Guard-Petter J1. The chicken, the egg and Salmonella enteritidis. Environ Microbiol. 2001 Jul;3(7):421-30. Whiley H, Ross K. Salmonella and eggs: from production to plate. Int J Environ Res Public Health. 2015 Feb 26;12(3):2543-56. doi: 10.3390/ijerph120302543.

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AVES Alta tecnologia vem permitindo a ampliação da produção, redução de mão de obra e mais qualidade de vida aos avicultores

AVIÁRIOS

DO FUTURO Já era o tempo em que a produção na agricultura se resumia ao serviço braçal. Atualmente, o sistema se modernizou e oferece tecnologias que podem ser controladas na palma da mão, ou pelo toque de um dedo. Exemplo disso são os aviários Dark House, que oferecem maior qualidade de vida ao agricultor e bem-estar animal às aves.

O

Brasil se destaca no topo em exportação de carne de frango do mundo inteiro, resultado de investimento em tecnologia e bem-estar animal para oferecer aos mercados internacionais carne de qualidade. Os aviários do futuro, ou presente já, oferecem mecanismos que trazem comodidade ao agricultor e mais saúde aos animais. Para o diretor da Edege Equipamentos Agropecuários, Bento Zanoni, os equipamentos para aviários buscam cada vez mais trazer conforto ambiental, melhor manejo e melhores resultados zootécnicos. Além de menos esforço físico para quem cuida da granja, ou seja, qualidade de vida no trabalho e consequentemente um melhor ganho financeiro. A região Oeste de Santa Catarina tem como alicerce econômico a produção de frangos, perus

e suínos, que geram empregos, impostos e desenvolvimento. É neste contexto produtivo que o crescimento da avicultura exigiu dos agricultores investimento em alta tecnologia para dar conta da demanda das agroindústrias. O diretor da Edege lembra que a empresa se instalou em 1979 em Chapecó, produzindo campânulas, comedouro tubulares, comedouros automáticos, silos para ração, cortinas e toda a linha de equipamentos para aviários, suínos e perus. “Hoje temos boa parte do mercado avícola com produção própria e parcerias com tecnologias internacionais”. Ele enfatiza, que atualmente, os aviários contam com abastecimento automático da alimentação das aves, com comedouros que possuem sistema de fechamento individual do prato, regulagem coletiva e borda anti-desperdício de ração. Já os bebedouros proporcionam

uma cama seca e redução da mortalidade, reduzem custos com mão de obra, mais durabilidade e longa vida útil do produto.

AVIÁRIO DARK HOUSE O aviário Dark House (casa escura, em inglês) tem um sistema de climatização automatizado envolvendo tecnologia de ponta, barreira sanitária com cerca de isolamento e arco de desinfecção, gerador de energia elétrica de 110 Kva para uso esporádico, caso falte fornecimento da concessionária distribuidora. Essa tecnologia permite o alojamento de 14,5 aves/m² (frango pesado e 20 aves por m2) de aviário, densidade maior do que na avicultura convencional, maximizando os ganhos em equipamentos e mão de obra. Outro fato relevante é o bem-estar animal,

FOTOS: KELIN REGINA WIRTH

34 AGRO&NEGÓCIOS | MAIO 2018


Tecnologia permite o alojamento de 14,5 aves/m²

AVIÁRIO CONVENCIONAL

1 kg de carne

tinha um gasto médio de

1,9 kg de ração

AVIÁRIO DARK HOUSE

1 kg de carne

tem um gasto médio de

1,3 kg de ração

que permite criar uma ave dentro de um ambiente adequado, com temperatura, umidade e luminosidade controlada, proporcionando uma melhor sensação térmica às aves. Assim, elas permanecem calmas e oferecendo os melhores índices zootécnicos como peso, mortalidade e idade de abate e melhorando a conversão alimentar. A doutora em Zootecnia, Raquel Lunedo, afirma que os aviários modernos melhoram muito as condições ambientais dos frangos, evitando diversas formas de estresse (térmico, sonoro e por gases). Animais criados em melhores condições de bem-estar são mais produtivos e a mortalidade durante o ciclo de criação também cai consideravelmente. Ela acrescenta que isso não só garante uma melhor qualidade de vida para o animal, mas também um retorno financeiro maior para o agricultor, normalmente pago pelo desempenho de cada lote, destacando-se os índices de conversão alimentar e mortalidade. Além das tecnologias de construção e equipamentos, diversos manejos têm sido modificados e atualizados, facilitando o trabalho dentro dos galpões. Esse modelo de aviário pode ser encontrado na propriedade do agricultor Ademar Trentin,

Aviários modernos melhoram muito as condições ambientais dos frangos, evitando diversas formas de estresse. da Linha Sórdi, em Abelardo Luz, localizado no Oeste de Santa Catarina, fronteira com o estado do Paraná. Colonizada principalmente por italianos e alemães, a principal atividade econômica do município é a agropecuária. A família Trentin está na atividade de avicultura há 10 anos. Há dois anos instalaram quatro aviários Dark House. O agricultor consegue tirar por ano sete lotes de aves, sendo que cada uma corresponde a 280 mil frangos. “Aumentou 15% em relação aos aviários convencionais, sem falar da qualidade que consigo entregar. Elas não sofrem estresse nenhum, tudo que elas precisam eu consigo dar com essa tecnologia”. Quando começou a trabalhar com avicultura, Trentin gastava mais ração para produzir um quilo de carne, atualmente essa perspectiva se inverteu, pois, o desperdício diminuiu e o bem-estar animal aumentou.

DARK HOUSE

+ Produtividade - Desperdícios - Mão de obra humana + Bem Estar Animal + Conforto para ao animal e agricultor

- Lesões na carcaça

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AVES

AUTOSSUFICIENTES

Os comedouros e bebedouros são 100% automatizados. A parte manual ficou na operação do sistema do aviário e o recolhimento dos animais que morrem Ademar Trentin

36 AGRO&NEGÓCIOS | MAIO 2018

Com a breve instalação de equipamentos para captação de energia solar, os aviários se tornarão totalmente autossuficientes em abastecimento de água e luz. Com cisternas que captam água da chuva, o agricultor consegue armazenar três milhões de litros. As edificações são 100% vedadas, pois o aquecimento é por infravermelho e a temperatura é ajustada com o simples toque de um dedo, sem o esforço físico que antes o avicultor tinha para levantar lonas ou alimentar fornos a lenha. “O sistema me passa todas as informações – temperatura, pressão do ar, iluminação, ventilação, umidade das placas”. O equipamento é pré-programado para ajustar por conta própria o melhor ambiente para as aves, de acordo com a idade. Ele ainda desliga o silo, coloca ração adequada nos comedouros e manda ligar a ventilação.

Na visão do produtor rural , só sobrevive na avicultura quem se especializar, quem entrar nesse novo sistema, pois da forma convencional terá uma mortalidade maior de aves e muita mão de obra que acaba inviabilizando a produção. “Com aviários convencionais, precisaria entre 10 a 12 pessoas trabalhando comigo. Hoje eu toco com toda essa tecnologia com quatro pessoas. É um gasto a menos com capital humano” argumenta.


POR QUE DARK HOUSE? O Dark House significa “Casa Escura” e consiste em controlar a luminosidade do aviário com lâmpadas, e a temperatura com a ajuda de exaustores. A luz é controlada o dia inteiro com lâmpadas incandescentes. Os animais passam oito horas com iluminação artificial e dezesseis no escuro, sendo despertados para consumo de ração e água quando as lâmpadas são acesas. O controle é feito para que as aves não fiquem agitadas e tenham uma alimentação adequada e com menos ferimentos. Na fase inicial, os animais recebem mais luz para se alimentar melhor. A partir dos 26 dias, as aves ficam na penumbra dentro da granja, pois o objetivo é manter os animais calmos.

“É UMA QUESTÃO DE SOBREVIVÊNCIA”

Para o presidente da Sindiavipar, Domingos Martins, é uma questão de sobrevivência ter os aviários 100% automatizados. “Antigamente quando um produtor cuidava de um aviário com 5 ou 6 mil frangos, ele tinha que colocar a ração no

comedouro e a água era de calha. Hoje não, é tudo automatizado, tem pratos reguladores da ração, a pressão da água também é regulada. Com isso, é possível que um produtor cuide de até 50 mil aves”. Ele ressalta que as tecnologias geram uma melhoria muito grande na ambiência, pois trazem um grande efeito nutricional para a ave e para o conforto do animal. “Quando o ambiente é agradável, as aves comem e bebem mais, diferente se o ambiente é estressante. Temos que buscar eficiência máxima para conseguir efetivamente o resultado desejado”. Apesar do valor do investimento ser relativamente caro, existem linhas de créditos que os bancos oferecem para incentivar o setor. “Nós batalhamos bastante para que os bancos tenham linhas de crédito para incentivar a atividade avícola como um negócio, e é um negócio. Inclusive com um prazo bem longo para que seja possível amortizar com o tempo”.

EQUIPAMENTOS PARA SUÍNOS

COMEDOUROS AUTOMÁTICO TERMINAÇÃO RETANGULAR INOX COM DOSADOR Usado para distribuir ração, o dosador individual proporciona uma distribuição coletiva e controlada de ração, evitando o stress animal e aumentando os índices de conversão alimentar, é oferecido com opção de automação de água para molhar a ração no momento do trato. - Linha em PVC de 50 ou 75mm; - Dosador em tubo PVC transparente; - Componentes em polipropileno; - Capacidade do dosador: 1,8 Kg; - Acionamento e regulagem coletivas; - Cada dosador atende dois animais.

Com modelos terminação e creche, proporcionam fácil acesso a ração e fácil regulagem sem desperdícios. Disponível nos modelos: - Creche 4 e 5 bocas duplo com capacidade de 50 a 60 animais; - Terminação 2 a 5 bocas duplo com capacidade de 60 a 100 animais; - Fabricado em aço inox, proporcionando resistência e durabilidade; - Sem uso de solda na montagem, uniões parafusadas; - Mecanismo de simples regulagem que permite o fácil acesso do suíno a ração; - Fácil instalação em qualquer tipo de baia.

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EQUIPAMENTOS PARA FRANGOS E PERUS

EQUIPAMENTOS CLIMATIZAÇÃO

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BOVINOS

ESPECIAL LEITE ORGÂNICO

Contra O valor agregado está entre as principais vantagens oferecidas aos pecuaristas que aceitaram o desafio de produzir leite orgânico.

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A

o visitarmos supermercados já é possível encontrar setores focados somente em alimentos orgânicos. O número de lojas especializadas também cresce. Nas prateleiras, um produto que começa a aparecer, mesmo de forma tímida, é o leite orgânico. A novidade vem conquistando não somente os consumidores, como os produtores que querem agregar valor à matéria-prima. No Brasil, a produção ainda é pequena, mas já há quem se arrisque neste novo mercado. A poluição e critérios severos para que o produto receba certificação são os principais obstáculos. Porém, quando um coletivo de agricultores se reúne com o objetivo de valorizar o modelo de agricultura familiar, pautada também na preservação do meio ambiente, resgata-se os valores e o respeito à terra, princípios intrínsecos à produção de alimentos orgânicos. Em busca deles, encontramos exemplos de desbravadores deste nicho de mercado na cidade de Guarujá do Sul, na região Extremo Oeste de Santa Catarina, com população de quase cinco mil habitantes. Cidade pequena e

interiorana, lá moram quatro agricultores familiares que produzem leite orgânico e integram a cooperativa Cooper Flor, que hoje conta com aproximadamente 170 associados. Cleber Weschenfelder é um dos fundadores da cooperativa e acompanhou todo processo de conversão das quatro famílias. Segundo ele, a produção do leite orgânico de fato se consolidou em novembro de 2017, com a certificação da Rede Ecovida do Núcleo Vale do Uruguai. Antes disso, os agricultores estavam em um período de conversão, saindo do sistema produtivo convencional para o sistema produtivo orgânico. O agricultor explica que foram seis anos de adaptação dessas famílias. Neste período, houve uma queda drástica na produção das propriedades devido ao processo de adequação da terra e de todo sistema que até então era convencional. Atualmente, além do leite in natura, a cooperativa comercializa bebida láctea e queijo orgânico, que são vendidos nas proximidades. “É um processo lento e desgastante. Atualmente apenas essas quatro famílias são certificadas e aos poucos estamos buscando mais”.


ILUSTRAÇÃO: SHUTTERSTOCK

a maré CONVERSÃO DA PROPRIEDADE

Colocação de barreiras vegetais nas fronteiras com outras propriedades para evitar poluição pelo vento;

Adubação orgânica sem adição de nenhum defensivo agrícola;

O trato do animal deve ser 85% orgânico e 15% convencional, desde que não seja transgênico, já que são expressamente proibidos dentro da propriedade;

Não há adição de ração no trato animal;

Aumento do trabalho braçal;

Restrições para o uso de produtos antibióticos e aumento da carência do leite;

Leite orgânico in natura com validade para cinco dias no mercado.

PRODUÇÃO +/- 9

vacas por propriedade

14 litros

média ano/vaca

R$ 0,25

de custo por litro

AGRO&NEGÓCIOS | MAIO 2018 39


BOVINOS

ESPECIAL LEITE ORGÂNICO

CERTIFICAÇÃO COLETIVA

Pesquisador ressalta os desafios impostos pelas mudanças no método de criação dos animais

A certificação coletiva da Rede Ecovida do Núcleo Vale do Uruguai é uma forma de expressão pública do trabalho que ela realiza e com isso espera que seja reconhecido pelo consumidor como um selo que carrega um conjunto de valores e compromissos assumidos pela Rede. Há, além de tudo, uma preocupação com o meio ambiente, estímulo à organização das famílias produtoras, incentivo à transformação comunitária dos alimentos e prioridade aos circuitos curtos de comercialização. São realizadas reuniões periódicas entre os produtores e durante o ano o Conselho de Ética da Rede Ecovida realiza visitas para acompanhamento e formação. O certificado tem a validade de um ano e logo após é preciso renová-lo.

No início, os agricultores da cooperativa não tinham referências de outros grupos de produção orgânica na região. O trabalho foi de formiguinha, aos poucos, com sutileza foram realizadas as primeiras ações, mas a principal delas era agregar valor ao produtor. “É difícil você produzir algo que as pessoas não têm costume de consumir pela questão cultural e econômica da região, o que acaba inviabilizando a produção”, afirma Cleber Weschenfelder. Ele acrescenta que o leite orgânico traz autonomia para o agricultor, pois na produção convencional há uma perda de valor do produto, com a desvalorização e oscilação de preço pago pelas empresas, que por fim ficam com o maior lucro. Segundo a Embrapa, enquanto o produtor recebe R$ 0,97 pelo litro do leite comum, a indústria paga R$ 1,60 pelo orgânico. Na visão do fundador da cooperativa, hoje, outra angústia que os agricultores enfrentam, é a falta de esclarecimento da população do entorno. “A região ainda não possui um discernimento sobre essa produção, por isso da dificuldade da inserção. Se tivéssemos umas 50 famílias produzindo esse derivado, com

FOTO: EMBRAPA PECUÁRIA SUDESTE

AGREGAR VALOR

certeza teríamos capacidade de levar nosso leite para grandes centros, onde o produto orgânico tem um valor agregado”.

O DESAFIO MAIOR É A TRANSIÇÃO O pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste, Artur Chinelato de Camargo, implantador do programa Balde Cheio, esclarece que o desafio maior é substituir métodos tradicionais, como as adubações químicas, por compostos orgânicos e os medicamentos alopáticos por fitoterápicos ou homeopáticos, mantendo a alta produtividade.

Na produção orgânica do leite reduzimos ao máximo os custos, assim agregamos valor a um produto saudável que tem carinho especial com o planeta. Cleber Weschenfelder

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Ele informa que os conhecimentos e as recomendações técnicas do programa são praticamente os mesmos para os dois sistemas: convencional e orgânico. O processo de ordenha, irrigação para intensificação do uso da terra, altura de entrada e saída dos animais dos piquetes são os mesmos. O que muda são as restrições do modelo orgânico, como o uso de fertilizantes químicos e agrotóxicos. O bem-estar das vacas também deve ser uma preocupação constante do produtor orgânico. A atividade animal deve estar integrada à produção vegetal. "O bem-estar é o principal. E esse conceito está inserido na filosofia do Balde Cheio, que é oferecer alimento de qualidade, água boa à vontade, sombra, não deixar os animais serem parasitados com ecto e endoparasitas, entre outras coisas", explica o agricultor Ricardo Schiavinato, da propriedade Nata da Serra, da Serra Negra (SP), primeira propriedade orgânica do Programa Balde Cheio. Um alerta do pesquisador da Embrapa é que o pecuarista só deve entrar nesse modelo de produção se tiver garantia de compra dos produtos. De acordo com ele, é um negócio rentável, mas a garantia de venda dos produtos é essencial, já que o custo de produção é maior que o convencional.


O Programa da Embrapa, Balde Cheio, é uma metodologia inédita de transferência de tecnologia que contribui para o desenvolvimento da pecuária leiteira em propriedades familiares. O objetivo é capacitar profissionais de extensão rural e produtores, promover a troca de informações sobre as tecnologias aplicadas regionalmente e monitorar os impactos ambientais, econômicos e sociais, nos sistemas de produção que adotam as tecnologias propostas.

INCENTIVO À PRODUÇÃO Atenta a um potencial de mercado promissor – que cresce aproximadamente 30% ao ano de acordo com dados da Apex e USDA - a Nestlé está investindo na produção de leite orgânico em larga escala. O objetivo é atuar para a transformação de toda a cadeia, tornando a produção atrativa, rentável e disponível no mercado a partir de 2019. A iniciativa começa na região de Araraquara (SP), onde a empresa já possui fábrica. Para tornar a produção orgânica uma realidade, a empresa vem trabalhando em parceria com a Embrapa Sudeste, o Instituto Mokiti Okada e o IBD Certificações. O processo de conversão de fazendas que produzem leite convencional para a produção orgânica é longa e leva, em média, de 18 a 24 meses. A Nestlé conta atualmente com 18 propriedades

já em processo de conversão, representando 16.000 litros/dia. A estimativa da empresa é de que outros novos produtores ingressem na produção e, com isso, a meta de alcançar entre 20 mil a 30 mil litros por dia, em 2019, seja alcançada, representando o dobro da produção atual de leite orgânico no Brasil. A Nestlé fecha contratos de até 36 meses com os produtores que entram no estágio marco zero e passa a pagar o valor do preço de leite orgânico já nesta fase, a fim de incentivar a cadeia. Além disso, a empresa auxilia a compra da ração orgânica pelo produtor, apoiando na intermediação com fornecedores. Os custos com a certificação de orgânico também são assumidos pela Nestlé, bem como aqueles com assistência técnica especializada são subsidiados parcialmente pela empresa.

Nestlé está investindo na produção de leite orgânico em larga escala.

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FOTO: ASSESSORIA DE IMPRENSA NESTLÉ

O QUE É O BALDE CHEIO?


BOVINOS

FOTO: CÉSAR MACHADO/AGROSTOCK

ARTIGO TÉCNICO

COMO ESTÁ O SEU?

O

elevado impacto econômico das mastites reforça a necessidade da realização de rigorosas medidas de profilaxia e controle nos rebanhos leiteiros. Além de aspectos relacionados à sanidade animal e à obtenção higiênica do leite, torna-se imprescindível monitorar periodicamente a qualidade funcional dos equipamentos de ordenha. No entanto, apesar de sua importância, muitas vezes esta atividade é negligenciada nas realidades produtivas. Os equipamentos de ordenha devem extrair a maior quantidade de leite presente no úbere, no menor espaço de tempo possível, sem causar desconforto aos animais, nem prejudicar a saúde da glândula mamária. Para tanto, os mesmos devem ser adequadamente dimensionados em relação ao tipo de rebanho/sistema de produção, e receber manutenção preventiva periódica. O sistema de ordenha é composto por mecanismos voltados à produção e controle de vácuo; pulsação e transporte do leite.

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VÁCUO A bomba de vácuo é considerada um dos principais componentes do equipamento de ordenha. Tem como função extrair o ar que entra no sistema, eliminando-o por sistema de escape. A produção do vácuo é obtida pelo funcionamento desta bomba, e sua vazão refere-se ao volume de vácuo produzido por unidade de tempo, ou seja quantos litros de ar/minuto a bomba é capaz de retirar do sistema a fim de produzir o vácuo. O nível de vácuo é caracterizado pela intensidade do mesmo. Consiste na diferença entre a pressão existente dentro do sistema de ordenha e a pressão atmosférica. O nível de vácuo é medido pelo vacuômetro, em unidades como mmHg e kPa. Cada sistema de ordenha apresenta um nível adequado para seu funcionamento, conforme apresentado no quadro.

FOTO: ARQUIVO PESSOAL

EQUIPAMENTO DE ORDENHA: CORAÇÃO PULSANTE DA BOVINOCULTURA LEITEIRA.

Marcella Z. Troncarelli Médica Veterinária, Pós-Doutora em Medicina Veterinária Preventiva pela FMVZ UNESP Botucatu-SP Atuação: Docente do Curso de Medicina Veterinária do Instituto Federal Catarinense, campus Concórdia; Coordenadora do Grupo de Estudos Pro Latte


Sistema de ordenha

Nível de vácuo (kPa)

Linha alta

48-50

Linha média

44-47

Balde ao pé

38-42

A reserva de vácuo é o volume de vácuo armazenado no sistema para suprir uma necessidade imediata, como durante a colocação, retirada e queda de teteiras durante a ordenha. O controle de vácuo é tão importante quanto à geração adequada do mesmo. A manutenção do nível constante é feita pelo regulador. Sempre que houver entrada de ar por meio de outro componente do sistema, a válvula do regulador fecha-se para tentar manter o nível de vácuo constante. Como forma de monitoramento, é importante aferir os níveis de vácuo em diversos pontos do sistema de ordenha, principalmente nos conjuntos, durante o pico de fluxo de leite das vacas. O vacuômetro identifica níveis anormais e flutuações no vácuo provenientes de vazamento de ar, presença de sujidades no regulador, e bomba de vácuo com correias frouxas.

PULSAÇÃO O sistema de pulsação permite a execução das fases de massagem e extração de leite de um ciclo de ordenha, de forma similar à mamada do bezerro. O objetivo básico da pulsação é evitar a congestão e o edema devido à aplicação do vácuo na extremidade do teto. Os pulsadores alternam vácuo e pressão na câmara de pulsação. Desta maneira, quando há vácuo na câmara, a teteira abre e ocorre a extração do leite e, quando há presença de ar, a teteira colapsa, massageando o teto. Recomenda-se que a relação massagem e extração permaneça entre 60:40 a 70:30. Quanto mais ampla esta relação, maior a velocidade de ordenha, no entanto, maior é o risco de ocorrerem lesões na extremidade dos tetos.

PRINCIPAIS PROBLEMAS RELACIONADOS À FALTA DE MANUTENÇÃO ADEQUADA EM EQUIPAMENTOS DE ORDENHA

Teteiras apresentando fissuras, o que pode albergar micro-organismos e dificultar a adequada higienização

Desgaste Teteiras desgastadas, que ultrapassaram sua vida útil, desenvolvem rachaduras nas quais ocorre acúmulo de bactérias patogênicas, causadoras de mastites e contaminantes de leite. Sendo assim, recomenda-se a troca de teteiras de borracha a cada 2.500 ordenhas, ou a cada seis meses, o que vencer primeiro. No caso das teteiras de silicone, indica-se a troca a cada 5.000 ordenhas. Ressalta-se, porém, que estas recomendações podem variar de acordo com as diferentes realidades produtivas, por isso sempre é importante consultar um técnico especializado.

Hiperqueratose de ponta de teto A hiperqueratose da extremidade dos tetos é uma lesão tecidual que recobre a região do canal do teto e orifício externo. O grau de hiperqueratose pode estar diretamente relacionado à duração e manejo da ordenha, sendo decorrente do baixo fluxo de leite associado à elevada pressão de vácuo no início e/ou final da ordenha do animal. As lesões na ponta dos tetos podem aumentar em até sete vezes a ocorrência de mastites no rebanho. Para maior controle, a hiperqueratose pode ser classificada em escores de severidade. Se mais de 20% dos tetos apresentarem escore 3 ou 4, ou mais de 10% estiverem com escore 4, recomenda-se avaliar o funcionamento do equipamento e o manejo de ordenha.

FOTO: ARQUIVO/AUTOR

Níveis de vácuo aceitáveis, de acordo com o sistema de ordenha

Já a ordenha incompleta pode ocorrer devido à baixa pressão de vácuo e/ou reduzida frequência de pulsação, o que determina maior volume de leite residual na glândula mamária, o que também pode predispor os animais à mastite.

Sobreordenha e ordenha incompleta

Tamponamento do sistema e fluxo retrógrado

A sobreordenha é consequente à ordenha prolongada, com ausência de fluxo de leite. Pode ocorrer no início do processo, devido à inadequada estimulação dos tetos, ou após o término da ordenha, quando os conjuntos não são extraídos, apesar de não haver mais fluxo de leite. Em alguns casos, a simples redução do nível de vácuo no sistema pode aumentar o tempo total de ordenha e agravar o problema.

Flutuações bruscas no nível de vácuo durante a ordenha, ou inadequado dimensionamento das tubulações de transporte do leite em relação ao volume produzido podem resultar em fluxo reverso de ar e leite para a glândula mamária das vacas, e, consequentemente, determinando maior ocorrência de mastites. Estas flutuações de vácuo ocorrem devido à capacidade insuficiente da bomba e a problemas no regulador de vácuo.

Os equipamentos de ordenha devem extrair a maior quantidade de leite presente no úbere, no menor espaço de tempo possível, sem causar desconforto aos animais, nem prejudicar a saúde da glândula mamária

CONSIDERAÇÕES FINAIS Considerando que o equipamento de ordenha é o coração pulsante da atividade leiteira, os produtores devem estar atentos à necessidade de avaliação preventiva periódica de todo o sistema. Esta atividade deve ser realizada por técnicos especializados, mas o custo-benefício é plenamente justificável. Com isso, contribui-se para melhorias ao processo de ordenha, à saúde dos rebanhos e à qualidade do leite em geral.

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BOVINOS

INTERLEITE SUL 2018

FOTO: PIXABAY

Três estados do Sul produziram 12,8 bilhões de litros de leite em 2017

Os desafios e oportunidades para a exportação de leite foram debatidas durante reunião da Aliança Láctea Sul Brasileira que aconteceu em Chapecó (SC), no início do mês de maio. A reunião integrou as atividades do Interleite Sul 2018 que incluiu em sua programação 23 palestras e recebeu cerca de 800 participantes. O coordenador do Interleite Sul 2018 e fundador da AgriPoint, Marcelo Pereira de Carvalho avaliou os resultados do evento como positivos. “Conseguimos atrair os principais interessados na cadeia produtiva do leite, principalmente os produtores rurais. Trouxemos para Chapecó debates de alto nível sobre temas relevantes para o dia a dia da produção leiteira. Sabemos que é um desafio produzir leite, mas vale a pena quando o trabalho é desenvolvido de maneira correta”. Durante dois dias do encontro, foram promovidas discussões sobre aspectos essenciais para o desenvolvimento da cadeia produtiva do leite na região Sul do País. “O Interleite Sul se tornou o fórum permanente de discussões das constantes mudanças pelas quais passa o setor produtivo do leite, sendo o epicentro do processo de divulgação de informações e debates que contribuem para transformar o leite da região em um modelo de grande eficiência técnica, social e econômica”, complementou o coordenador.

Região Sul quer

EXPORTAR LEITE

O

s três estados do Sul querem ampliar os mercados para o leite produzido na região, com foco na exportação. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul produzem 38% do leite brasileiro e a intenção é que o produto conquiste também o mercado externo. Os membros da Aliança Láctea acreditam que a região Sul do Brasil é capaz de produzir o leite mais competitivo do mundo. Para isso, o setor deve passar por uma grande transformação, principalmente, na organização logística da cadeia produtiva e na redução de custos de produção. Segundo o secretário da Agricultura de Santa Catarina, Airton Spies, a produção de leite é a atividade agropecuária que tem os maiores ganhos a incorporar. Para ser competitivo, é necessário que o leite produzido tenha simultaneamente três atributos: produto de alta qualidade, produzido a custo baixo e organizado em uma cadeia produtiva com logística eficiente. De acordo com Spies, esse é o tripé que sustenta

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qualquer atividade econômica sob regras de livre mercado. “Aqui temos muitas vantagens comparativas que podem ser transformadas em vantagens competitivas. Temos mais sol, mais chuva, solos férteis e um clima favorável para ocorrer fotossíntese e produzir biomassa, que é o alimento básico das vacas durante os doze meses do ano. Além disso, temos ainda a valorosa capacidade de trabalho dos agricultores familiares, que já têm muita tradição e habilidades na lida com os animais”. Com a meta de transformar a região Sul em exportadora de leite, os membros da Aliança Láctea se unem para resolver os problemas comuns e aproveitar as oportunidades para o setor.

LEITE NA REGIÃO SUL Os três estados do Sul produziram 12,8 bilhões de litros de leite em 2017 – 38% do total produzido no país. E as expectativas são de que até 2025 a região produza mais da metade de todo leite brasileiro.

FOTO: MB COMUNICAÇÃO

Sudoeste do Paraná, Oeste Catarinense e Noroeste do Rio Grande do Sul são considerados a “Nova Meca” do leite no Brasil já que apresentam o maior crescimento na produção e onde as indústrias têm feito os maiores investimentos nos últimos 10 anos.


SOLUÇÃO COMPLETA

CONTRA DOENÇAS COMPROVADO

NAS FAZENDAS Reportados de 35 rebanhos comerciais totalizando 30.000 vacas

2-20%

20%

MENOS DOENÇAS

MENOS MORTALIDADE

das Várias Doenças Analisadas

DEFESA DE AMPLO ESPECTRO contra maioria do patógenos virais e bacterizanos MASTITE

METRITE RETENÇÃO PLACENTA

PNEUMONIA

DOENÇA DE JOHNE

DERMATITE DIGITAL

Contato Regional: Fábio Reckziegel | pinhalzinho@semex.com.br Fones: (49) 3366-2371 | (49) 9.9915-9967 AGRO&NEGÓCIOS | MAIO 2018 45


Nutrição de precisão é conceito chave

EM TEMPOS DE MARGEM REDUZIDA Tecnologias auxiliam pecuaristas a ter maior controle e mais eficiência nos processos do dia a dia

S

er altamente eficiente nos processos e reduzir ao máximo os desperdícios na fazenda é um dos principais desafios do pecuarista consciente. Afinal, depender exclusivamente da cotação da arroba do boi gordo não é uma boa estratégia de negócio. No caso da pecuária intensiva (confinamento), onde as margens são ainda mais apertadas, o empreendimento requer uma estratégia bem elaborada para controle dos processos. “O custo alimentar é o maior de todos os gastos com produção, representando um montante de 70% do total, entre os fatores de produção: valor genético, meio ambiente/instalações, manejo dos animais e status sanitário. Porém a nutrição também tem um peso superior para determinar o desempenho obtido pelo animal”, diz, Paulo Fragnito, zootecnista da Agropecuária Vista Alegre, de Presidente Bernardes-SP. Ainda de acordo com o profissional, a nutrição de precisão deve guiar-se por cinco importantes

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passos. “É fundamental a adequação ao modelo biológico visando atender as exigências nutricionais dos animais, conhecer com o máximo de exatidão a composição nutricional dos ingredientes da dieta, controlar a produção de ração e distribuição aos animais, coletar informações e analisar os valores (proposto x realizado) a fim de efetuar correções periodicamente no processo e avaliar o desempenho dos animais no final do processo”, destaca Fragnito.

MELHOR DESEMPENHO Dietas com maior quantidade de grãos e farelos oferecem melhor desempenho, porém maior risco (distúrbios metabólicos). “Nesta condição a margem para erros diminui, assim, o processo de produção da dieta total deve estar monitorado e sem permitir grandes desvios entre o esperado e o realizado”, diz Fragnito. Não há consistência nos resultados e nem repetitividade dos mesmos quando o processo

Ferramentas auxiliam no controle das formulações e distribuição, conciliando eficiência e redução de desperdícios

de alimentação dos animais não é padronizado. Dados os volumes de animais e de insumos envolvidos, a orientação é para que tais tarefas somente devem ser realizadas contando com um sistema de gerenciamento baseado em automação e tecnologia da informação para identificar, analisar e controlar a variabilidade nos processos. Atualmente já existem ferramentas que auxiliam no controle das formulações e distribuição, conciliando eficiência e redução de desperdícios. No caso da Agropecuária Vista Alegre, a escolha foi pelo sistema de automação de trato bovino, desenvolvido pela Exacta Balanças. De acordo com o zootecnista, a fazenda com capacidade estática para 17 mil animais e que adotou o sistema de automação de pesagem em caminhões da Exacta Balanças, ao longo de 8 meses de monitoramento, o processo apresentou grande evolução. “Mesmo adotando as ferramentas adequadas, houve um período de piora dos resultados em virtude do relaxamento do pessoal envolvido. Porém ao final, depois de identificadas as fontes de erro foram recuperadas as taxas de acertos”, diz. Com este sistema, a fazenda Vista Alegre, produz cerca de 230 mil quilos de ração diariamente para serem fornecidos para 120 lotes de animais. Os resultados financeiros obtidos em função do sistema de automação, bem como de um conjunto de boas práticas, devem garantir a expansão da capacidade estática para 30 mil animais, já em curso.

FOTO: RURAL PRESS

NUTRIÇÃO


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FOTOS: DIVULGAÇÃO

BOVINOS

WAGYU

“O custo de criação da raça nipônica é alto, pela inseminação, certificação, e a genética. Porém, a carne de qualidade agrega um alto valor , dando um bom retorno ao produtor

A NOVA APOSTA DOS PECUARISTAS Raça nobre de origem japonesa é um dos cortes de carnes mais caros e saborosos do mundo sendo disputado nas cozinhas da alta gastronomia nacional.

D

e origem genuinamente japonesa, os bois da raça Wagyu possuem a carne considerada a mais saborosa do mundo e também a mais cara. A principal diferença do Wagyu para outras raças está no alto grau de marmoreio – aquela gordura entremeada às fibras que dá sabor, suculência e maciez à carne –, além de um manejo rigoroso e muito específico dos animais. A raça também é responsável pela produção direta do lendário Kobe Beef, que tem esse nome por causa da cidade japonesa de onde o boi é originário. No Brasil, segundo a Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos da Raça Wagyu, há cerca de 37 mil animais com a genética Wagyu em todo o país - 30 mil cruzados com outras raças e aproximadamente 7 mil puros. De acordo com a entidade, que também é responsável por “identificar” e certificar cada

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animal, os primeiros exemplares chegaram ao Brasil nos anos 1990. No Rio Grande do Sul, o pecuarista Marco Andras trabalha há 15 anos com Wagyu. Em sua propriedade, na Fazenda Invernada Santa Fé, em Júlio de Castilhos (RS), ele conta como iniciou a criação. “Antes trabalhávamos apenas com Angus, e então fomos introduzindo o Wagyu. Com o tempo, há 2 ou 3 anos, basicamente todos os animais da fazenda são cruzados com Wagyu, meio sangue, dois terços e tem alguns puros”, comenta o pecuarista que também é gerente de marketing da Associação Brasileira de Criadores de Wagyu.

MANEJO Com larga experiência na criação de Wagyu, o pecuarista explica que para fins de manejo, a raça exige um cuidado maior que o gado normal, prin-

Carne caracteriza-se pelo alto grau de marmoreio, a gordura entremeada às fibras e que dá sabor, suculência e maciez


Segundo a Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos da Raça Wagyu, há cerca de 37 mil animais com a genética Wagyu em todo o país. cipalmente na questão da alimentação, que é o que vai resultar na marmorização da carne. Assim, é necessário que os bovinos tenham um ganho constante e permanente de peso, mesmo que baixo, para obter melhor qualidade na carne. “Devido a isso, a raça também demora mais tempo para ficar pronta para o abate, pois ainda precisa de um período de confinamento. Enquanto se abate, por exemplo, um nelore de 18 meses, o Wagyu vai atingir o ponto ideal depois dos 30 meses”, explica Andras. Em relação ao manejo, os machos que serão abatidos não pastam. Eles são levados para áreas cercadas e ficam confinados durante o tempo de vida (de 30 a 36 meses), se alimentando apenas de trigo, milho, soja e cevada. Na Fazenda Invernada Santa Fé, é exatamente esse o processo. “Já tentamos deixar o animal só a campo, e o resultado não foi tão bom, tentamos deixar animais a campo e suplementados, que já deu resultados melhores, mas o ideal mesmo é o animal terminado em confinamento pra depositar a gordura intramuscular”, acrescenta o proprietário.

REGISTRO Quando os animais nascem, eles precisam ser registrados pela Associação Brasileira de Criadores de Bovinos da Raça Wagyu. No registro deve constar se o animal é puro ou cruzado, como se fosse uma “certidão”. “Um técnico da associação vê o animal e o certifica, e na hora do abate temos que apresentar essa certidão. Depois, há um selo que a associação coloca na carne, para identificar se for animal cruzado, meio sangue com angus como é o nosso caso, e o selo para animais 100% Wagyu”, explica Andras. O processo de abate é o mesmo dos demais animais, porém, o detalhe está na desossa da carne. Por ser uma carne nobre, com alto valor agregado - que chega a custar R$700 o quilo - é necessário uma desossa bem mais cuidadosa. Na Invernada Santa Fé, o responsável pela desossa (e também pela comercialização dessa carne) vem de São Paulo e já faz os cortes de acordo com a preferência dos clientes. Atualmente, toda a produção de carne Wagyu da Fazenda Santa Fé vai para o mercado de São Paulo. No entanto, o criador lembra que o consumo já vem crescendo em vários esta-

dos, como Rio de Janeiro, Paraná e Distrito Federal, locais onde há um bom mercado comprador. No Rio Grande do Sul, ainda não há um mercado muito desenvolvido para este tipo de carne, inclusive pelo custo. Os maiores rebanhos ainda se concentram em São Paulo, mas estados como Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás também se destacam. “O custo de criação da raça nipônica é alto, pela inseminação, certificação, e a genética. Porém, com uma carne de qualidade, é possível agregar um alto valor, dando um bom retorno ao produtor.”, lembra Andras. Para o futuro, o diretor de marketing da Associação Brasileira da raça diz que o desafio agora é aumentar o número de criadores credenciados e estruturar os frigoríficos. “A expectativa de crescimento da raça nos próximos anos é grande. O mercado descobriu o potencial de melhoria da carne pelo simples cruzamento com Wagyu e o interesse pela genética tem aumentado muito. Várias propriedades grandes lá do Centro /Norte do país já estão começando a fazer cruzamentos industriais com a raça para melhoria de qualidade na carne”, afirma Andras.

VAMOS AOS NÚMEROS DO WAGYU

Animais no Brasil:

Tempo para abate:

Valor por quilo de carne:

mil

meses

R$ 700

37

30 a 36

até

No manejo, a raça exige um cuidado maior que o gado normal, principalmente na questão da alimentação

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AGRO & LEILÕES

FOTO: DIVULGAÇÃO

Fazenda Santa Tecla

PRIMEIRA VEZ EM UM LEILÃO? Siga as dicas do especialista

Tourinho Santa Tecla Vilão é destaque do leilão

R

econhecida pelo alto padrão genético, a Fazenda Santa Tecla realiza no dia 14 de julho um dos leilões mais aguardados do ano. Depois do sucesso do leilão de 2017, o grupo volta às pistas, com os melhores animais da raça charolês. No plantel à venda, estarão receptoras prenhas das melhores doadoras do seu plantel todas com garantia de parto (serão entregues somente após o nascimento dos bezerros) proporcionando segurança e tranquilidade para os compradores. Também estarão disponíveis toda a geração 2017 e ainda doadoras de embriões, touros e animais de elite com destaque para o tourinho Santa Tecla Vilão. O Leilão Santa Tecla acontecerá em Caçador (SC) no moderno recinto de leilões do parque das Araucárias a partir das 16 horas, e conta com o apoio da Associação de Pecuaristas de Caçador e Região. Durante o leilão comemorativo aos 65 anos de criação da raça charolês , realizado em 2017, foram comercializados animais de alto padrão genético que alcançaram valor recorde para fêmeas da raça: R$46.200,00 pelo animal Santa Tecla Querena adquirido pela cabanha VLD de Concórdia (SC). O valor do touro Santa Tecla VaiVai, comprado por Mansur Zuchetti de Videira (SC), foi de R$23.000,00.

Expointer 2018 O Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, sedia de 25 de agosto a 4 de setembro, a 41ª Expointer. A exposição, reconhecida como uma das maiores da América Latina, reunirá as últimas novidades em tecnologia para agronegócio. Com ampla infraestrutura para visitantes e expositores, o parque tem 45,3 mil metros quadrados de pavilhões cobertos, 70 mil metros quadrados de área de exposição, nove espaços para leilões, auditórios e 19 locais para julgamentos. A estrutura conta também com 10 mil vagas de estacionamento, postos médicos, restaurantes, agências bancárias e internet.

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A profissão de leiloeiro rural nos leva as mais diversas localidades. Nessas andanças, que já duram 24 anos, convivi com muitas pessoas e com elas aprendi e ampliei meus conhecimentos. Estamos em contato com criadores de diferentes raças, pecuaristas profissionais e iniciantes. O leilão é a forma mais democrática de comprar e vender animais. Também é uma oportunidade de rever amigos, compartilhar conhecimentos além de fazer bons negócios. Confira dicas valiosas para quem pretende participar destes eventos:

VENDEDOR

Quem participa como vendedor tem a possibilidade de atingir um público muito maior interessado em sua mercadoria, que lhe traz valor agregado e reconhecimento de seu plantel.

Dica

Além de todas as práticas de manejo preconizadas pela boa técnica disponível, que se inicia desde a escolha da raça do touro que irá utilizar até o desmame do terneiro, também é necessário tomar cuidado especial na formação dos lotes, procurando obter sempre a maior uniformidade possível.

COMPRADOR

Em um leilão, o comprador tem à sua disposição as melhores condições de pagamento, uma maior concentração de oferta e categorias à sua escolha.

Dica

É muito importante chegar com antecedência, passando no escritório de leilões para obter o catálogo do dia e assim proceder a revisão dos animais nas mangueiras, anotando os lotes de seu interesse. A cada batida do martelo se confirma o compromisso com os resultados positivos para o setor pecuário! POR FLÁVIO BRASIL ROSAR MÉDICO VETERINÁRIO E LEILOEIRO RURAL


Na Expointer 2016, touro da Cabanha Recanto Gaudério foi o grande campeão Simbrasil

DIVULGAÇÃO

Cavalos crioulos da mais alta qualidade estarão sendo comercializados durante o Leilão Cabanha do Mako que acontece no dia 09 de junho em Camaquã (RS). O início do evento está marcado para às 21 horas. Já no dia 19 de julho acontece o Leilão Santa Fé, Aliança, Marconi e Convidados, em Esteio (RS), no Tattersal do cavalo Crioulo. O evento inicia às 21 horas. A realização é da Trajano Silva Leilões.

FOTO: DIVULGAÇÃO

Cavalo crioulo

FOTO: PIXABAY

Genética Planalto Norte Apreciadores das raças Simental, Simbrasil e Charolês têm encontro marcado no dia 28 de julho. Esta é a data do Leilão Genética Planalto Norte. A 4ª edição do evento ocorre no Parque de Exposições José Waldemar Ruthes, km 04, BR-116, em Mafra (SC). Aos participantes serão ofertados reprodutores e matrizes das três raças, além de terneiros e terneiras oriundos de suas cruzas para utilização em plantéis e terminação. O Leilão é fruto de uma parceria entre criadores do Planalto Norte catarinense. Os animais da Cabanha Recanto Gaudério se destacam pela alta genética que oferecem. A Simental é considerada a melhor raça universal para cria ( a única mãe que leva consigo o melhor creep feeding do mundo gratuitamente). Já animais Simbrasil, tem como diferencial, a rusticidade aliada à manutenção das características maternas e de ganho de peso do Simental.

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FOTOS: ASSESSORIA DE IMPRENSA SEMEX

BOVINOS

Sanidade e produtividade são grandes diferenciais dos animais da raça holandesa criados na propriedade

CABANHA YPOTI É REFERÊNCIA EM GENÉTICA

Programa Semex Progressive vem garantindo animais de maior resposta imune contra as principais doenças, aumentando a longevidade do rebanho.

A

atividade leiteira na Cabanha Ypoti iniciou em 2008, na cidade de Irani, Santa Catarina. A primeira experiência do casal Adriano Rigon e Cristina Aiolfi no ramo, envolveu um projeto de produção de leite com 200 animais à base de pastagens, posteriormente adotando suplemento de coxo pós-ordenha, mas, desde sempre com animais da Raça Holandesa. Em 2014, quando a propriedade se mudou para Chapecó (SC), a Cabanha virou a chave e iniciou um processo de revolução. Tudo começou com a instalação das vacas em produção em um confinamento estilo Free Stall. Logo em seguida, o início de uma nova poderosa parceria em genética. Rigon lembra que desde o início das atividades a propriedade foi orientada a seguir a reprodução com o uso de inseminação artificial, com o emprego de reprodutores selecionados, como parte de um plano de melhoramento genético constante. “Após 4 anos atuando com intensidade, vimos que os resultados não estavam alcançando minimamente ao que se investia e o que se esperava. Então decidimos buscar mais co-

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nhecimento, e foi aí que entrou o Dr. Claudio Aragon e a Semex Brasil, relembra. Desde lá, a propriedade vem apresentando crescimento vertiginoso. Com o objetivo de continuar crescendo e garantir sempre as melhores escolhas, a Cabanha passou a integrar o Programa Semex Progressive, no qual recebe assessoria técnica do Dr. Flávio Junqueira. Uma das primeiras ações foi a aquisição de genética de touros Immunity+ - uma exclusividade Semex que garante animais de maior resposta imune contra as principais doenças de um rebanho bovino. “Logo quando a Semex lançou o programa já iniciamos a avaliação da propriedade em termos de saúde, principalmente de bezerras, e passamos então a buscar algumas soluções de reprodutores com o selo Immunity”, afirma Rigon. Todo processo de implementação do programa também foi acompanhado e orientado pela equipe da Regional Semex Pinhalzinho, representada por Fábio José Reckziegel, que segundo Rigon tem sido uma grande parceira da Cabanha. “A equipe é preparada e extrema-

As progênies de reprodutores com selo Immunity+, principalmente na fase de bezerras e novilhas, praticamente anularam incidências de diarreias neonatal e pneumonia na propriedade.


mente correta nas relações comerciais. Sempre estamos em conexão promovendo uma integração de resultados que credenciam para ótimos negócios”, reforça. E quanto aos resultados que a equipe já vem computando, não poderiam ser melhor: as progênies de reprodutores com selo Immunity+, principalmente na fase de bezerras e novilhas, praticamente anularam incidências de diarreias neonatal e pneumonia na propriedade. “Iniciamos a utilização de reprodutores Immunity+ em janeiro de 2016. Até agora são 20 animais nascidos, sendo: 1 filha de Silverridge ENVIOUS, 3 filhas de Stantons HIGH OCTANE, 6 filhas de Regancrest MERJACK, 8 filhas de Croteau Lesperron UNIX e 2 filhas de Val-bisson DOORMAN. Nenhum destes animais apresentou qualquer tipo de diarreia ou pneumonia, seja no período neonatal como já na fase de novilhas. Temos 100 % de sucesso, sem nenhuma perda”, comemora Rigon. A saúde de um rebanho é um dos elementos de extrema importância dentro da propriedade. Por isso, cada dia mais pecuaristas de todo o mundo buscam meios de garantir para o seu plantel índices como os registrados pela Caba-

Propriedade está localizada em Chapecó (SC)

nha Ypoti. “Entendemos também que além de garantir excelentes resultados em nossas bezerras e novilhas, o selo Immunity+ irá auxiliar no incremento da longevidade do rebanho. Também associado a questões econômicas, na qual um rebanho sadio é um rebanho produtivo e de melhor rentabilidade”, finaliza Rigon.

Com resultados cada vez mais comprovados, o Immunity+ já apresenta em todo o mundo menos gastos com tratamentos de doenças, maior produção e animais extremamente longevos. Ou seja, são essas condições que permitem buscar mais rentabilidade na atividade.

SISTEMA CATARINENSE DE

O agronegócio e o cooperativismo catarinense para o mundo

COMUNICAÇÃO COOPERATIVISTA PROGRAMA COOPERATIVISMO EM NOTÍCIA TV

Canal Rural – Sábado às 8h30 - reprise quinta-feira às 11 horas SBT/SC – Domingo às 9h30 Record News – Sábado às 9 horas - reprise domingo às 11h30 TV da Cidade/Joinville – Domingo às 7h30 TV COOP/SC – Sábado e domingo às 13h Segunda às 13h05 / Terça às 7h10

PROGRAMA RESENHA DO COOPERATIVISMO E AGRONEGÓCIO Canal Rural – Diariamente às 6 horas

RÁDIO FECOAGRO

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s iva

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cuárias do E sta rope do

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Catarina

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RÁDIO

FECOAGRO

DISPONÍVEL NO

AGRO&NEGÓCIOS | MAIO 2018 53

w w w . f e c o a g r o . c o o p . b r


EVENTOS

PRÊMIO CARNE FORTE 2018 Personalidades do agronegócio serão homenageadas na Mercoagro principais empresas fornecedoras da indústria de processamento da carne e imprensa especializada. Para o diretor da Mercoagro Bento Zanoni, “a concessão do prêmio realça o papel de pessoas, empresas e instituições que fazem da cadeia produtiva brasileira da carne um sucesso internacional.” O gerente (coordenador geral) Nadir José Cervelin mostra que a homenagem refletirá o sentimento de todos os envolvidos no vasto universo da indústria da carne.

EXPRESSÃO Considerada a maior expo-feira do setor na América do Sul, a Mercoagro é iniciativa da Associação Comercial e Industrial de Chapecó (ACIC) com apoio das principais entidades do setor agroindustrial da proteína animal. Todos os espaços estão esgotados: 250 empresas ocuparão 180 estandes. A previsão é de 15 mil visitantes-compradores que, no conjunto, devem fechar negócios da ordem de 160 milhões de dólares.

FOTO: MB COMUNICAÇÃO

N

a solenidade de abertura da Mercoagro 2018 – Feira Internacional de Negócios, Processamento e Industrialização da Carne programada para o período de 11 a 14 de setembro, em Chapecó – será entregue o Prêmio Carne Forte a um seleto grupo de personalidades da cadeia produtiva da proteína animal. A outorga do prêmio está prevista para as 20 horas do dia 10 de setembro, no auditório da Unochapecó, em ato que contará com palestra do ministro Blairo Maggi, da Agricultura, e outras lideranças. O prêmio é uma iniciativa da Enterprise e da Rofer Eventos & Feiras, encarregadas da comercialização da expo-feira, empresas dirigidas por Maria Antônia Siqueira Ferreira e Cledson Fernandes. É concedido anualmente em reconhecimento às pessoas que, na avaliação do público ligado à agroindústria da carne, deram importante contribuição ao setor. Esse público de eleitores/indicadores é formado por entidades do segmento,

Para Bento Zanoni, prêmio realça o papel de pessoas, empresas e instituições que fazem da cadeia produtiva brasileira da carne um sucesso internacional

AVICULTURA

12ª edição do Simpósio da ACAV acontece em setembro

O

Simpósio Técnico de Incubação, Matrizes de Corte e Nutrição promovido pela Associação Catarinense de Avicultura (ACAV) está programado para os dias 25 a 27 de setembro . A 12ª edição do evento acontecerá nas dependências do Oceania Park Hotel & Convention Center, na Praia dos Ingleses, em Florianópolis. Reconhecida pelo alto nível técnico e científico, a iniciativa focará nos temas de maior relevância na atualidade para a vasta cadeia da avicultura industrial e, ao mesmo tempo,

54 AGRO&NEGÓCIOS | MAIO 2018

nas inovações que surgiram no Brasil e no mundo. O simpósio trará palestrantes renomados e grandes empresas do mercado com conhecimento técnico, além de produtos de alta tecnologia. O coordenador geral Bento Zanoni anunciou que as palestras focalizarão os seguintes temas: Produção de matrizes sem uso de antibióticos; Alternativas de desinfecção de ovos férteis; Qualidade da matriz e desenvolvimento inicial de pintinhos; Painel de automação com foco em tecnologias para granjas

de matrizes de corte e viabilidade dos projetos de automação. Também estão definidos os temas sobre Nutrição in ovo; Fertilidade e qualidade de pintos e painel sobre os desafios de incubação (Sistema de Incubação X demanda da evolução genética). Ao final haverá mesa-redonda com técnicos e dirigentes de empresas sobre incubação. “A temática é absolutamente atual e contempla questões técnicas, sanitárias, genéticas etc. pertinentes às fases de produção no campo e na indústria”, observou Zanoni.


A força do cooperativismo brasileiro na agropecuária. Mais do que números, valores que fazem a diferença. somos.coop.br

Do início ao fim da cadeia produtiva, tem cooperativa agropecuária somando esforços e dividindo conquistas.

Preparando para começar

Insumos, máquinas, equipamentos. Tudo o que os cooperados precisam para produzir pode ser oferecido pelas cooperativas.

Esperando o momento certo para vender

No Brasil, já temos mais de 30 milhões de toneladas de capacidade de armazenagem para os cooperados.

Ganhando o mercado

Juntos, conseguimos melhores condições de negociação e nos tornamos a referência de preços, otimizando nossos ganhos.

Saiba mais sobre o nosso modelo de negócio e sobre o nosso jeito de transformar o mundo em um lugar mais justo, feliz, equilibrado e com melhores oportunidades para todos.

1.555

Cooperativas

1.016.606 Cooperados

188.777 Empregos

AGRO&NEGÓCIOS | MAIO 2018 55


COOPERATIVISMO: O ALICERCE DO AGRONEGÓCIO

ILUSTRAÇÃO: PIXABAY

ESPECIAL

A MENINA DOS OLHOS A crise não foi motivo para impedir o crescimento das cooperativas nos últimos anos, muito pelo contrário, elas só vêm ampliando seu quadro social, acumulando sobras e mantendo-se sólidas no mercado.

D

o ano de 2016 em diante, o Brasil passou por uma crise econômica, política e de representatividade. Eclodiram em cada canto do país diversas manifestações contra a situação de corrupção, desemprego e inflação. Esse cenário vem se construindo dentro uma falta de ética que está impregnada em todos os poderes, bem como na sociedade. O que chama atenção diante disso, é que um setor se manteve firme diante das problemáticas econômicas e sociais – as cooperativas. Com tantas notícias negativas veiculadas na mídia, mesmo assim, elas registraram crescimento ao longo dos anos. A pergunta que fica: qual é o segredo? Existe uma fórmula para sair da crise e ter crescimento?

56 AGRO&NEGÓCIOS | MAIO 2018

Segundo o superintendente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Renato Nobile, não há segredo. As cooperativas são modelos de negócio que têm como principal capital as pessoas que a formam. Assim, com investimento forte, gestão especializada e apoio de todo o seu quadro social, conseguem antever as dificuldades e aproveitar as oportunidades, pois se lançam cada vez mais seguras em um mercado competitivo e que exige resiliência de todos os envolvidos. Muito mais do que serviços e produtos, as cooperativas oferecem confiança aos cooperados, aos fornecedores, parceiros, clientes e governos. A força do cooperativismo está na intercooperação, seja entre os cooperados de um

mesmo quadro social, ou entre as cooperativas e iniciativas do cooperativismo – capacitação, gestão e compartilhamento. Contudo, as cooperativas, assim como todos os outros players do setor econômico nacional, inevitavelmente sentem os efeitos da crise. Nobile salienta que esse modelo de negócio, por se ter uma natureza distinta das empresas mercantis, possui uma capacidade diferenciada de minimizar os impactos turbulentos da economia, o que permite manter um crescimento estável mesmo durante períodos de instabilidade econômica. “Considerando os ajustes operacionais e a capacidade de mitigar esses feitos, as cooperativas devem seguir o ritmo de retomada


econômica de forma estável, como em 2017. Isso deverá ocorrer de acordo com a sua expertise de negócio, mas com uma expectativa percentual de crescimento superior à registrada no último ano” afirma Nobile. No caso das cooperativas agropecuárias brasileiras, o faturamento registrado em 2016 foi de R$ 180,8 bilhões, um incremento de 13,2% em relação ao obtido em 2015. E, apesar de ainda estar em processo de conclusão, no balanço de 2017 é esperado um crescimento em torno de 3% a 4% perante 2016. “Diferentemente do que vinha sendo observado nos últimos anos, onde o patamar médio de crescimento percentual esteve na casa dos dois dígitos, o índice para 2017 refletiu a recessão econômica enfrentada pelo país, impactando diretamente o consumo das famílias, e também na redução dos preços praticados de algumas das principais commodities comercializadas”, observa o superintendente. De maneira geral, o setor espera uma recuperação melhor para 2018, com uma expectativa de crescimento mais próxima à que vinha sendo aferida em anos anteriores. Isso porque, as cooperativas agropecuárias adotam estrategicamente um modelo de negócios que muitas vezes preza pela diversificação de suas fontes de receita, com o objetivo de enfrentar melhor as oscilações de mercado e atenderem de forma mais eficiente seus cooperados.

DESCENTRALIZAÇÃO Atualmente o Sistema OCB contabiliza 6.655 cooperativas, com mais de 13 milhões de cooperados e de 380 mil empregados. O Agropecuário é o ramo do cooperativismo que concentra o maior número de cooperativas e de empregados, e o terceiro em número de associados, atrás de Crédito e Consumo. Isso significa 23% do número de cooperativas (1.555), 8% do número de associados (1.016.606) e 50% do número de empregados (188.777). As cooperativas agropecuárias estão presentes nos 26 estados da Federação e no Distrito Federal, distribuídas em mais de 1,4 mil municípios.

FOTO: ASSESSORIA DE IMPRENSA OCB

As cooperativas são modelos de negócio que têm como principal capital as pessoas que a formam.

Para o superintendente da OCB, cooperativas têm capacidade diferenciada de minimizar as turbulências econômicas

46 milhões de brasileiros são beneficiados pela forma cooperativista de se trabalhar.

11,5 milhões estão ligados diretamente a uma das mais de 6,8 mil cooperativas atuantes no país, em 13 ramos diferentes. Cerca de 340 mil profissionais hoje trabalham em uma cooperativa.

+ de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo são cooperadas ou estão vinculados a uma cooperativa. 64%

dos produtores agropecuários são associados ao cooperativismo.

US$ 5,3 bilhões é o volume de exportações realizadas por cooperativas brasileiras em 2014, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). 1 milhão é número de cooperativas dos países que formam o Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). 600 milhões

é a estimativa do número de pessoas ligadas à cooperativas nos países do Brics, o equivalente a mais de 50% do total de cooperados no mundo.

+ de 100 países seguem os valores e os princípios do cooperativismo. Fonte Cotrijal

AGRO&NEGÓCIOS | MAIO 2018 57


COOPERATIVISMO: O ALICERCE DO AGRONEGÓCIO

CASES DE SUCESSO Esse crescimento não é pontual e sim uniforme nos três estados sulistas. No Rio Grande do Sul, um bom exemplo está localizado no município de Não-me-Toque, na cooperativa Cotrijal, que registrou crescimento de 15,67%, na virada de 2016 para 2017. Segundo o presidente da cooperativa, Nei César Mânica, esses resultados se concretizam com a união do quadro social e a participação de agricultores preparados e formados para a condução da atividade. A Cotrijal criou a Unidade de Desenvolvimento Cooperativista, que sob sua responsabilidade são realizadas reuniões de núcleo, de líderes de núcleo, dos conselhos e das assembleias gerais. Também são desenvolvidos programas de educação cooperativista, projetos sociais e de capacitação dos associados e seus familiares. O presidente ressalta que com esse posicionamento da cooperativa, os membros se sentem preparados para atuar num cenário onde predomina a economia do conhecimento. Nas reuniões de núcleo realizadas com os associados, eles manifestaram satisfação com os números apresentados pela direção. A cooperativa terminou 2017 com faturamento recorde de R$ 1,7 bilhão e colocou à disposição da assembleia R$ 7 milhões em sobras. “Estamos felizes, porque conseguimos, mesmo em um ano de dificuldades econômicas no

Em meio à retração econômica, que congela os investimentos, a agricultura tem sido a salvação. Ficamos felizes em saber que o agronegócio vai repetir o feito em 2017, evitando que o país feche o terceiro ano consecutivo sem crescer. Nei César Mânica

58 AGRO&NEGÓCIOS | MAIO 2018

país, alcançar crescimento de 15,6% no faturamento e também um ótimo volume de sobras”, disse o presidente durante os encontros, que atraíram mais de 2,5 mil produtores. Na visão de Manica, em meio à retração econômica, que congela os investimentos, a agricultura tem sido a salvação. “Ficamos felizes em saber que o agronegócio vai repetir o feito em 2017, evitando que o país feche o terceiro ano consecutivo sem crescer”.

FATURAMENTO 2016

R$ 1.501.339.137,72

2017

R$ 1.736.549.321,21

Crescimento de

15,67%

R$ 7 milhões em sobras (2017)

“Mesmo em um ano de dificuldades econômicas, alcançamos crescimento de 15,6% no faturamento e também um ótimo volume de sobras”

OS COOPERADOS SÃO OS DONOS A Cocamar, com sede em Maringá (PR), teve um ano de crescimento robusto em 2017, considerando que o PIB do país foi praticamente zero e o consumo da população ter caído. A expansão do faturamento do Grupo Cocamar somou 9,5% em comparação a 2016, saindo de R$ 3,6 bilhões para R$ 3,9 bilhões. “Poderíamos ter crescido mais e ultrapassado os R$ 4 bilhões, mas as circunstâncias do mercado internacional de grãos, ao longo de 2017, desestimularam grande parte dos produtores a comercializar as suas safras, que ficaram retidas nos armazéns. Ao mesmo tempo, sentimos os reflexos da perda do poder de compra da população brasileira, como efeito da grave crise econômica enfrentada pelo país, reduzindo suas compras de produtos do varejo”, avalia o presidente-executivo Divanir Higino. Na visão dele, as cooperativas também são afetadas, de alguma forma pelos períodos de crise econômica, mas elas espelham a grandeza de um setor que tem feito a diferença: o agronegócio. A grande safra de grãos 2017/18 fez com que o setor tivesse um crescimento de 13% no ano passado e isso ajudou muito para o PIB positivo de 1% do país em 2017. “Vale frisar que cooperativas como a Cocamar trabalham com planejamento estratégico cujo objetivo é dobrar de tamanho a cada cinco anos. Em 2015, faturamos cerca de R$ 3 bilhões e queremos chegar a 2020 no patamar de R$ 6 bilhões. Para isso, trabalhamos muito no aumento da participação de mercados, expansão regional e ingresso em novos negócios”, afirma Higino.

FOTO: ASSESSORIA DE IMPRENSA OCB

ESPECIAL


As perspectivas de crescimento do agronegócio brasileiro são muito grandes para os próximos anos, gerando riquezas que impulsionam a economia do país, criando novas oportunidades e, é claro, estimulando a expansão do cooperativismo. Nos últimos quatro anos, a Cocamar saiu de um faturamento de R$ 3,3 bilhões para R$ 3,9 bilhões, ampliou o número de cooperados de 12 mil para 14 mil e fez crescer os volumes de recebimento de grãos (soja, milho e trigo) de 1,5 milhão de toneladas para 2,3 milhão de toneladas. No mesmo período, a cooperativa saiu de 50 unidades operacionais nos Estados do Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, para 70. Entre os novos negócios, estão postos de combustíveis, concessão de máquinas agrícolas, moinho de trigo e produção de sementes. Ainda tiveram mais de 560 milhões de reais de investimentos ao longo desses quatro últimos anos, em construção, melhoria e ampliação de estruturas.

VANTAGENS DE SER COOPERADO O produtor precisa conduzir os seus negócios com tranquilidade e segurança e isto uma cooperativa bem estruturada oferece, segundo o presidente executivo. De acordo com ele, a Cocamar organiza a produção, regula o mercado de produtos agrícolas e insumos agropecuários, recebe e comercializa as safras e retorna os seus resultados aos produtores. Para Higino, diferente de uma empresa comercial comum, a coo-

perativa existe para que os cooperados ganhem mais dinheiro, até porque eles são os donos. “No Paraná, onde predominam pequenas propriedades rurais, podemos ver que, graças à existência das cooperativas, os pequenos sobrevivem tranquilamente sob o guarda-chuvas do cooperativismo. É impensável que isto aconteça se eles se mantiverem isolados e trabalhando individualmente” finaliza.

AGRO&NEGÓCIOS | MAIO 2018 59


OPINIÃO Por Luiz Vicente Suzin

A FUNÇÃO SINDICAL

DA OCESC A

s cooperativas catarinenses contam com uma entidade que as representa, tanto no Estado quanto nacionalmente. É a Organização das Cooperativas de Santa Catarina fundada em 28 de agosto de 1971 com o objetivo de registrar e defender os interesses das cooperativas de todos os ramos de atuação. Suas atribuições cresceram gradativamente, na medida em que crescia a relevância do sistema cooperativo barriga-verde. A Ocesc obteve investidura sindical em 12 de abril de 1994, quando foi inscrita na condição de sindicato patronal no Arquivo de Entidades Sindi-

cais Brasileiras do Ministério do Trabalho. A conversão em registro sindical definitivo ocorreu em 25 de fevereiro de 1999. Assim, a Ocesc passou a representar as cooperativas nas negociações coletivas e individuais e no desenvolvimento de atividades que visam aprimorar a relação capital-trabalho nos diferentes ramos do cooperativismo. O sindicato ainda oferece às cooperativas orientações trabalhistas e assessoria nas relações sindicais. O registro da organização estadual junto ao Ministério do Trabalho para exercício da representatividade sindical patronal atendeu anseio das cooperatiFOTO ILUSTRAÇÃO

Luiz Vicente Suzin Presidente da Organização das Cooperativas do Estado de SC (Ocesc)

vas. A peculiaridade e homogeneidade do sistema cooperativo, que se difere substancialmente de outros sistemas, fizeram vir à tona a necessidade de representatividade neste campo. As três principais funções de um sindicato – representação, negociação e assistência – são praticadas pela Ocesc. Fundamentada no art. 513 da CLT, a função de representação possibilita que o sindicato represente os interesses da categoria perante as autoridades administrativas e judiciárias. Por este motivo, a Ocesc pode impetrar mandado de segurança coletivo e fazer intervenções políticas em prol das cooperativas. A Ocesc participa ativamente dos acordos e convenções coletivas firmados entre cooperativas e funcionários de cooperativas, de acordo com as datas-base anuais. O sindicato patronal representa os anseios das cooperativas registradas e negocia uma pauta de reivindicações apresentada pelos sindicatos dos trabalhadores. O protagonismo nas negociações coletivas de trabalho se traduz em benefícios para empregadores e empregados, possibilitando a criação da categoria profissional de empregados de cooperativas. Atualmente, existem convenções firmadas abrangendo cooperativas dos ramos agropecuário, crédito, infraestrutura, produção, consumo, habitacional, especial e mineral, além de categorias diferenciadas como engenheiros agrônomos, médicos veterinários, técnicos agrícolas e zootecnistas. A função social da Ocesc representa segurança e tranquilidade para as cooperativas catarinenses.

A função social da Ocesc representa segurança e tranquilidade para as cooperativas catarinenses. 60 AGRO&NEGÓCIOS | MAIO 2018


MAIO AGRO&NEGÓCIOS 2018 | AGRO&NEGÓCIOS | MAIO 2018 61


COOPERATIVISMO: O ALICERCE DO AGRONEGÓCIO

COOPERAR

PARA CRESCER

As cooperativas correspondem a quase 50% do PIB agrícola do país e agregam mais de um milhão de pessoas em seus quadros funcionais e colaborativos.

62 AGRO&NEGÓCIOS | MAIO 2018

O

Cooperativismo é a âncora para o produtor rural, principalmente na região Sul do país. Somente em 2016 foram mais R$180 bilhões em faturamento no Brasil, com mais de 188 mil empregados e quase duas mil cooperativas agrícolas. Esses números mostram a importância do cooperativismo para um país tão grande quanto o nosso. Prova disso, são os resultados que as cooperativas atingiram no último ano, com algumas delas no ranking das maiores empresas do setor agropecuário.

A IMPORTÂNCIA DO COOPERATIVISMO Sem dúvidas, o cooperativismo é uma ferramenta que contribui (e muito!) na vida do produtor rural, principalmente pelo fato de que é através deste sistema que os pequenos produtores conseguem auxílio técnico dentro das suas propriedades, fator fundamental para que haja um bom manejo agropecuário. No Rio Grande do Sul, por exemplo, são mais de 1300 técnicos agropecuários que prestam assistência para os pequenos e médios produtores.

FOTO: PIXABAY

ESPECIAL


Outro aspecto que faz com que as cooperativas assumam um papel tão importante na vida dos produtores rurais, é a comercialização. O presidente da Organização das Cooperativas do Estado do Rio Grande do Sul (OCERGS), Vergilio Perius, indica que esse é “um instrumento de controle e equilíbrio dos preços. A presença de cooperativas, uma que seja, evita a presença de monopólios e oligopólios que podem se formar em torno dos preços”. Esse fator reflete também nos resultados, que de acordo com Perius são excelentes, levando em consideração os períodos de crise, onde as cooperativas gaúchas se mantiveram com resultados positivos. José Roberto Ricken, presidente do Sistema Ocepar fala que esse modelo de produção “baseia-se no esforço e benefício comuns, podendo ser considerado como uma alternativa mais democrática, humanitária e sustentável”. Ele também comenta que é cooperando que se ganha mais força, mais escala e mais apoio para realização de objetivos comuns dos cooperados, destacando algumas outras vantagens deste sistema, como o fato

do cooperado ser dono do negócio participando da gestão de sua cooperativa e a participação nos resultados quando há sobras.

NÚMEROS QUE CRESCEM

FOTO: ASSESSORIA DE IMPRENSA ORCEGS

A lista das 1000 maiores e melhores empresas que mais cresceram, com base no demonstrativo ano de 2016, disponibilizado pela Revista Exame, traz 63 cooperativas agropecuárias. Um aumento de quase 62% em relação ao ano anterior, onde foram listadas 39. A tendência é de que esses números só aumentem. O presidente da Ocergs, Vergilio Perius, fala que no estado, 127 cooperativas e mais de 290 mil pessoas correspondem a “60% do que é produzido no setor agrícola por associados”. O cooperativismo também é responsável por 10,2% do PIB do Rio Grande do Sul, um número bastante expressivo. Desse valor, o agropecuário corresponde a 14,51%. No estado de Santa Catarina, por exemplo, existem 263 cooperativas, destas, 51 são do ramo agropecuário, representando 63% do movimento econômico de todo o sistema cooperativista catarinense.

BALANÇO DAS COOPERATIVAS CATARINENSES EM 2017

Faturamento total: mais de

R$20 bilhões

Faturamento no ramo agropecuário

ASSESSORIA DE IMPRENSA OCERGS

R$2,078 bilhões

Para Vergilio Perius, cooperativas são um instrumento de controle e equilíbrio dos preços.

É cooperando que se ganha mais força, mais escala e mais apoio para realização de objetivos comuns dos cooperados.

A cooperativa Cooperalfa, de Chapecó/SC, conquistou uma receita de mais de R$2 bilhões e 700 milhões em 2017, um valor 5,53% acima do ano anterior. São 19 mil famílias que no ano passado operacionalizaram “22,5 milhões de sacas de grãos, sendo: 8,4 milhões de sacas de soja, 2,2 milhões de sacas de trigo, 11,5 milhões de sacas de milho e cerca de 100 mil sacas de feijão, além de sementes próprias. Para a Aurora, a Alfa remeteu no ano passado,

Quadro social

71.648 cooperados

Funcionários

39.883 empregados

93 milhões de aves, 995 mil cabeças de suínos e 122 milhões de litro de leite, produção oriunda da base produtiva”, comenta o presidente da cooperativa, Romeo Bet. O motivo que fez a cooperativa catarinense alcançar esses números no último ano foi o uso de partes das sobras de balanço, com aprovação dos associados, isso acontece quando é decidido em comum acordo, capitalizar as sobras, que estão em seu próprio

AGRO&NEGÓCIOS | MAIO 2018 63


COOPERATIVISMO: O ALICERCE DO AGRONEGÓCIO

FOTO: MARLI VIEIRA/OCEPAR

ESPECIAL

nome, mas que serão retiradas no futuro em forma de Cota-Capital “isso dá um fôlego de caixa pra cooperativa investir em novos projetos. E mais: se o associado é fiel ao sistema, comprando e vendendo, acaba fortalecendo o negócio, o que ajuda a sua entidade a projetar novos passos”, complementa Bet. Já a Rio-Sulense, Cravil, também tem números que indicam a prosperidade do cooperativismo. Em 2017 a junção de valores de produção e de consumo alcançou R$ 527 milhões. Esse valor deriva de 20 milhões de litros de leite e 185 mil toneladas de grãos (arroz, semente de arroz, feijão, milho e soja) recebidos dos 3.300 associados à cooperativa. Além, das vendas realizadas nas lojas agropecuárias e mercados. O valor total é distribuído aos cooperados de acordo com o movimento proporcional de cada um, e no fim do ano, cada associado tem direito a uma remuneração sobre seu capital, que ao deixar de ser sócio, tem o direito de retirar.

Turra ressalta modelo administrativo adotado pelas cooperativas

O FUTURO

No estado de Santa Catarina, por exemplo, são 51 são cooperativas do ramo agropecuário, representando 63% do movimento econômico do sistema catarinense.

O cooperativismo, é de fato, um dos sistemas de produção mais importantes do Brasil. Mas o que esperar para o futuro das cooperativas? Ao que tudo indica, continuará crescendo, principalmente no setor agropecuário. O presidente da Ocergs afirma que no Estado, 60% do que é produzido é por associados às cooperativas, fortalecendo a economia competitiva. E a tendência, segundo ele, é que esses números aumentem ainda mais. “O crescimento do cooperativismo na forma como aconteceu nos últimos anos demonstra que ele é um modelo importante, por ser gerido de forma transparente, honesta e igualitária, e acreditamos que, sim, esse é o caminho que nossa sociedade almeja e deve seguir” complementa o gerente de Desenvolvimento Técnico da Ocepar, Flávio Turra.

NÚMEROS DO PARANÁ 221

cooperativas Romeo Bet fala dos resultados positivos conquistados pela Cooperalfa em 2017

69

pertencentes ao setor agrícola FOTO: ASSESSORIA DE IMPRENSA COOPERALFA

64 AGRO&NEGÓCIOS | MAIO 2018

Total em exportações: mais de R$7 bilhões

Faturamento das cooperativas corresponde a 58% do PIB agropecuário

Em 2016 representaram 56% da produção agropecuária, no valor de R$70 bilhões, exportando para 100 países


OS 7 PRINCÍPIOS DO COOPERATIVISMO

4

AUTONOMIA E INDEPENDÊNCIA

As cooperativas são organizações autônomas, de ajuda mútua, controladas por seus membros, e nada deve mudar isso. Se uma cooperativa firmar acordos com outras organizações, públicas ou privadas, deve fazer em condições de assegurar o controle democrático pelos membros e a sua autonomia.

1

ADESÃO VOLUNTÁRIA E LIVRE

As cooperativas são abertas para todas as pessoas que queiram participar, estejam alinhadas ao seu objetivo econômico, e dispostas a assumir suas responsabilidades como membro. Não existe qualquer discriminação por sexo, raça, classe, crença ou ideologia.

2

GESTÃO DEMOCRÁTICA

As cooperativas são organizações democráticas controladas por todos os seus membros, que participam ativamente na formulação de suas políticas e na tomada de decisões. E os representantes oficiais são eleitos por todo o grupo.

3

PARTICIPAÇÃO ECONÔMICA DOS MEMBROS

Em uma cooperativa, todos os membros contribuem equitativamente para o capital da organização. Parte do montante é propriedade comum da cooperativa e os membros recebem remuneração limitada ao capital integralizado, quando há. Os excedentes da cooperativa podem ser destinados às seguintes finalidades: benefícios aos membros, apoio a outras atividades aprovadas pelos cooperados ou para o desenvolvimento da própria cooperativa. Tudo sempre decidido democraticamente.

5

EDUCAÇÃO, FORMAÇÃO E INFORMAÇÃO

Ser cooperativista é se comprometer com o futuro dos cooperados, do movimento e das comunidades. As cooperativas promovem a educação e a formação para que seus membros e trabalhadores possam contribuir para o desenvolvimento dos negócios e, consequentemente, dos lugares onde estão presentes. Além disso, oferecem informações para o público em geral, especialmente jovens, sobre a natureza e vantagens do cooperativismo.

6

INTERCOOPERAÇÃO

Cooperativismo é trabalhar em conjunto. É assim, atuando juntas, que as cooperativas dão mais força ao movimento e servem de forma mais eficaz aos cooperados. Sejam unidas em estruturas locais, regionais, nacionais ou até mesmo internacionais, o objetivo é sempre se juntar em torno de um bem comum.

7

INTERESSE PELA COMUNIDADE

Contribuir para o desenvolvimento sustentável das comunidades é algo natural ao cooperativismo. As cooperativas fazem isso por meio de políticas aprovadas pelos membros. Fonte: OCB

AGRO&NEGÓCIOS | MAIO 2018 65


Três associados Cravil destinaram, juntos, cerca de 20 hectares para a produção da cultivar Primoriso CL

Novo cultivar de

ARROZ BRANCO U

ma nova cultivar destinada ao arroz branco está sendo apresentada pela Cooperativa Cravil Este ano, além das variedades tradicionais de arroz cultivados na região do Vale do Itajaí (SC), materiais desenvolvidos pela Epagri, incluindo o mais recente, SCS 122 Miúra, a Cravil implantou dois ensaios com cultivares destinadas ao beneficiamento para arroz branco. “Lançamos a cultivar da empresa Oryza, o Primoriso CL e também o material do Instituto Rio Grandense de Arroz, o Irga 424 CL. As duas variedades são de ciclo mais precoce que as cultivares tardias utilizadas em Santa Catarina”, explica o engenheiro agrônomo da Cravil, Gentil Colla Junior. A cultivar Irga já era de conhecimento de alguns produtores do Vale do Itajaí, mas não obteve bom desempenho. Contudo, o lançamento Primoriso CL, apresentou boas condições em termos de lavoura com sanidade e perfilhamento adequados. “O Rio Grande do Sul é o grande produtor dessas cultivares que se destinam ao arroz branco, em nossa região ainda não tínhamos encontrado um material que se adequasse a nossa realidade, por isso, a Cravil investiu neste ensaio, como forma de avaliar de forma técnica o desenvolvimento delas no Polo Tecnológico e também em algumas propriedades já tradicionais de produção de sementes”, ressalta Colla. Três associados Cravil destinaram, juntos, cerca de 20 hectares para a produção da cultivar Primoriso CL. As lavouras, implantadas

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no final de outubro, começaram a ser colhidas em março. O resultado superou a expectativa dos produtores e da Cooperativa. “Conseguimos como média nestas áreas, contando também o ensaio no Polo Tecnológico, 189 sacas por hectare. Número que demonstra a boa adaptação do material na região, já que se assemelha a média geral de produtividade no Alto Vale, que em 2017 foi de 180 sacas de arroz por hectare”. A região localizada no Centro de Santa Catarina não é a principal na produção de arroz no Estado, produz algo em torno de 10 mil hectares. Contudo, se destaca pelas altas produtividades, chegando em algumas propriedades a atingir mais de 270 sacos por hectare.

EXPECTATIVA E COMERCIALIZAÇÃO A principal característica da cultivar Primoriso CL é o alto rendimento industrial, um material de grãos brancos inteiros e translúcidos. Segundo um dos pesquisadores da empresa Oryza, desenvolvedora da variedade, Richard

Elias Bacha, os números do Alto Vale são muito bons. “Este é nosso primeiro ano de áreas de sementes comercial, além da Cravil que fez o ensaio, temos outros produtores no Sul do Estado que devem colher cerca de 40 mil sacos de semente do Primoriso CL”. A cultivar que se destina, principalmente, para o arroz branco deve ocupar alguns hectares de áreas produtivas na próxima safra. “Acreditamos muito na consolidação desta variedade que deve ter seu cultivo incentivado pelas indústrias de arroz branco”, completou o engenheiro agrônomo, mestre em Ciência do Solo, Richard Elias Bacha. No Vale do Itajaí, 60% da área de cultivo do arroz é destinada a cultivar SCS 121 CL, outros 20% dos produtores optaram na safra 2017/2018 pelo SCS 122 Miúra e os outros 20% se dividem entre as outras variedades Epagri. “Quanto a produção comercial do Primoriso CL aqui na região, ainda precisamos de algumas informações industriais, para posteriormente planejar a produção”, finalizou o gerente de produção da Cravil, Moacir Warmling.

A principal característica da cultivar Primoriso CL é o alto rendimento industrial, um material de grãos brancos inteiros e translúcidos.

FOTO: ASSESSORIA DE IMPRENSA CRAVIL

COOPERATIVAS


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COOPERATIVAS

FECOAGRO

fatura menos em 2017 e planeja ampliar em 2018 Entidade quer reduzir os custos e aumentar os resultados para poder devolver às cooperativas participantes do grupo.

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Fecoagro não conseguiu atingir as metas planejadas para o ano de 2017. Em sua principal atividade econômica, a importação e processamento de fertilizantes, teve ampliação no faturamento, mas reduziu o resultado, embora tenha superado os volumes planejados. A Federação planejou produzir 340 mil toneladas de fertilizantes, das quais 140 mil como prestação e serviços a terceiros, e ultrapassou 350 mil toneladas. Nas suas atividades consolidadas, isto é, a soma da matriz, Central de Compras, Misturadora e Granuladora, tinha planejado faturar R$ 248 milhões e não chegou a R$ 230 milhões. Em 2016, realizou faturamento de R$ 180 milhões, portanto, teve crescimento de 22%. No resultado final (sobras) o resultado não foi alcançado: planejou resultado consolidado de R$ 6,7 milhões e atingiu apenas R$ 1,1 milhão. Em 2016, atingiu R$ 5,7 milhões. A principal razão da redução do resultado foi a variação dos preços dos fertilizantes e do câmbio. Houve queda de preços dos fertilizantes e nem sempre foi possível entregar com

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preço de compra da matéria prima no exterior, ficando as perdas com as processadoras. Isso pode ter beneficiado as cooperativas e os agricultores. “O maior risco nas variações dos preços e do dólar fica com as empresas processadoras e misturadoras, já que essas ficam expostas ao risco cambial, enquanto que o agricultor e as cooperativas compram em real já com preços fixos:”, diz Ivan Ramos, diretor executivo da Fecoagro. Os altos e baixos no mercado internacional e a volatilidade da taxa do câmbio comprometem o resultado. Isso aconteceu com todas as empresas de fertilizantes, lembra o diretor. A elevação dos custos com a folha de pagamento também contribuiu para a redução das margens. Em 2016 a Fecoagro empregava 210 funcionários. Em 2017 teve uma média de 270 funcionários. O custo em reais cresceu 18%.

PREVISÃO PARA 2018 A Fecoagro espera que em 2018 haja menos turbulência no mercado, tanto nos preços das

FOTO: FECOAGRO

Nos últimos 10 anos, a Fecoagro já devolveu às cooperativas filiadas aproximadamente R$ 20 milhões em sobras de suas atividades. matérias primas, como no câmbio. No seu planejamento 2018, apresentado para as cooperativas filiadas, a Fecoagro está se propondo produzir o mesmo volume do ano de 2017. Espera reduzir os custos e aumentar os resultados para poder devolver às cooperativas participantes do grupo. Ivan Ramos lembra que nos últimos 10 anos, a Fecoagro já devolveu às cooperativas filiadas aproximadamente R$ 20 milhões em sobras de suas atividades. No final do exercício, quando fecha o balanço, as sobras apuradas são devolvidas às cooperativas associadas, proporcionalmente aos seus volumes de negócio com a Fecoagro. Parte dos valores é creditada em conta corrente e parte é capitalizada na conta da cooperativa na Federação. No total de suas atividades, indústrias de fertilizantes, Central de Compras e prestação serviços a Fecoagro pretende ampliar em 30 por cento seu faturamento em 2018, em relação ao faturado em 2017.

CENTRAL DE COMPRAS Além da área de fertilizantes com operações em seu próprio nome, e administração dos convênios com a Secretaria da Agricultura para execução dos programas de calcário e sementes de milho, a Fecoagro mantém em Palmitos a Central de Compras. Nela são realizados dois tipos de operação: as compras conjuntas de diversos produtos para entrega e faturamento direto às cooperativas filiadas; e a Central de Distribuição, onde são adquiridos alguns itens de produtos em nome da Fecoagro e repassado às cooperativas pelo mesmo preço. Com isso consegue nível de preços melhores e descontos nas compras. No ano que passou atingiu R$ 714 milhões de compras em conjunto e neste ano está trabalhando com ampliação em 15%. Os ganhos nas compras conjuntas em 2017, por ter sido feito através da centralização, atingiu R$ 24 milhões.


discutem safra 2018/9

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epresentantes do cooperativismo brasileiro estiveram reunidos com o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Wilson Vaz de Araújo, no início de mês de maio, em Brasília, quando foram discutidas questões relacionadas ao Plano Agrícola e Pecuário (PAP) da safra 2018/19. Eles apresentaram as propostas do setor e ouviram do governo como estão os encaminhamentos para estabelecer as políticas públicas relativas ao PAP 2018/19, que deverá ser anunciado no começo de junho, após a aprovação do Conselho Monetário Nacional (CMN), na última reunião do mês de maio.

TEMAS

No encontro, estiveram em pauta temas liga-

FOTO: PIXABAY

LIDERANÇAS

dos especialmente aos programas de interesse do cooperativismo, como o Prodecoop (Programa de desenvolvimento cooperativo para agregação de valor à produção agropecuária), o Procap-Agro (Programa de capitalização de cooperativas agropecuárias) e o PCA (Programa para Construção e Ampliação de Armazéns). Além disso, os representantes das cooperativas agropecuárias trataram sobre financiamento para aquisição de insumos para repasse aos cooperados, taxa de juros, seguro rural, ampliação de limites de financiamentos, montante global de recursos para custeio, investimento e comercialização, entre outros itens. Na avaliação dos participantes, há boas perspectivas de que alguns pleitos sejam atendidos pelo governo federal.

PARTICIPANTES

Além de Vaz e de sua equipe, a audiência contou com a presença de profissionais do Ministério da Fazenda, dos superintendentes da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Renato Nobile, e do Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), Robson Mafioletti, do coordenador da gerência técnica e econômica da OCB, Paulo César Dias do Nascimento Júnior, do gerente técnico da Ocepar, Flávio Turra, do coordenador nacional do ramo agropecuário da OCB e presidente da Cooperativa Bom Jesus, Luiz Roberto Baggio, e representantes de cooperativas Cocamar e Copacol, do Paraná, Copérdia, Coperalfa e Aurora, de Santa Catarina, Comigo, de Goiás, e Cooxupé, de Minas Gerais.

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CURTAS

MERCADO

Grupo Omnia compra Oro Agri

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FOTO: DIVULGAÇÃO

om o investimento de US$ 100 milhões a empresa Omnia anunciou a compra de 100% das ações da Oro Agri, empresa do segmento agrícola, com atuação em mais de 80 países. Atualmente a Oro Agri possui fábricas em quatro grandes regiões agrícolas no mundo, Estados Unidos, África do Sul, Europa e Brasil. Entre os produtos da Oro Agri estão biopesticidas, bioestimulantes, adjuvantes, fertilizantes foliares e condicionadores de solo para aplicações agrícolas em larga escala, incluindo soja, pastagens e outros tipos de culturas.

TECNOLOGIA

APP

Irrigação automatizada

Pastejando

FOTO: ASSESSORIA DE IMPRENSA SECRETARIA AGRICULTURA SC

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Embrapa e a Universidade Federal de Pelotas lançaram o aplicativo Pastejando, que facilita a vida do produtor na realização do planejamento forrageiro da propriedade. A ferramenta substitui a necessidade de utilização das planilhas eletrônicas ou cálculos manuais, aumentando a eficiência na gestão de recursos forrageiros e diminuindo risco de perda da produção. Ele faz a projeção das variações do estoque de pastagens, com base nos fluxos de entrada e saída. São calculados os valores reais da massa de forragem, acúmulo, desaparecimento, crescimento, consumo e perdas. O planejamento forrageiro identifica quais as opções de plantas forrageiras são mais interessantes para o sistema de produção, e quais as opções técnicas de manejo mais adequadas ao seu emprego, com uma sequência de avaliações das diferentes alternativas de cultivares e suas formas de utilização, até se chegar a uma combinação tida como a ideal para o sistema de produção da propriedade.

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FOTO: ASSESSORIA DE IMPRENSA EMBRAPA CLIMA

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rodutores de Santa Catarina irão testar um sistema de irrigação totalmente automatizado, que promete revolucionar o cultivo protegido de hortaliças. O sistema funciona como uma central onde são instalados sensores de temperatura e umidade, o que possibilita a automação da irrigação nos plantios protegidos. O equipamento será testado em nove municípios: Meleiro, Içara, Treze de Maio, Coronel Martins, Caçador, Porto União, Mafra, Ituporanga e Araquari. Ele analisa as informações sobre temperatura e umidade, coletadas por sensores, e pode funcionar de duas maneiras: totalmente automatizado ou os produtores rurais acionam o sistema após receberem alertas via celular. As propriedades onde serão instalados os sistemas são chamadas de Unidades de Referência Tecnológica (URT) e através dessas experiências será possível verificar o impacto da tecnologia na vida dos agricultores.


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#AGRO Por Cássia Cavalli, Marina Cavalli e Iskailer Rodrigues

FOTOS CÉSAR MACHADO/AGROSTOCK

A tecnologia chegou com tudo no campo. A cada dia, novos programas e sistemas são integrados a rotina de produção, facilitando a vida do agricultor, aumentando a produtividade e os lucros. Para mostrar as soluções e novidades do setor, lançamos a editoria #Agro, onde mostramos que tecnologia, informação e boa gestão são indispensáveis para o sucesso das propriedades rurais. O conteúdo desta coluna é desenvolvido por responsáveis de startups do Sul do país que estão contribuindo, e muito, para esta revolução tecnológica.

NOTAS

Agrotech Conference

A Agrotech Conference é um evento de tecnologia voltado ao agronegócio que acontece em São Paulo, dia 05 de junho e conta com 14 palestrantes confirmados. Este é o maior evento sobre as tecnologias e soluções criadas por startups focadas em agronegócio já feito no Brasil. O evento tratará sobre agricultura preditiva, o impacto radical por tecnologias como inteligência artificial, robótica e automação, big data, dispositivos sensoriais, blockchain e outras inovações que possibilitem maior previsibilidade, produtividade e eficiência. Ainda serão discutidos os desafios e oportunidades no agronegócio e como as startups, pequenas empresas, altamente inovadoras, estão criando soluções que podem revolucionar o dia a dia do campo.

STARTUPS AGRO

Tecnologia de gestão para aves e suínos

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umentar os lucros e a eficiência do produtor rural, cooperativas e indústrias de alimentos, é um fator altamente relevante para seu crescimento. Com esse propósito, surgiu a Gravitwave, uma startup que uniu um produtor rural, de Iporã do Oeste e dois apaixonados por tecnologia, de Chapecó. Soluções atuais, como computação nas nuvens e internet das coisas vieram agregar a Coopig e a Cocoriko, plataformas que monitoram e analisam a produtividade na avicultura e suinocultura. “De uma forma simples e automatizada, nossos parceiros tem uma melhor gestão da sua propriedade, com acesso à análises de dados combinatórios, monitorando a propriedade em tempo real, através da coleta de dados por sensores que se comunicam com o produtor onde ele estiver via internet, livrando-os do

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Acessibilidade tecnológica Gravitwave monitora e analisa a produtividade de aves e suínos

caderninho rasurado”, conta Iskailer Inaian Rodrigues, CEO e fundador da Gravitwave. Com Iskailer, também fundaram a startup, Milton José Melz, que também é produtor rural e Augusto José Ody, desenvolvedor. Já no seu primeiro ano de formalização, os empreendedores ganharam o programa Sinapse da Inovação em 2016, onde receberam o aporte financeiro de mais de R$ 90 mil que foram investidos na empresa. E também outros prêmios, como o InovAtiva Brasil e o Concurso de Plano de Negócios do Sebrae.

Uma das grandes dificuldades para os produtores rurais adotarem a inovação no seu dia a dia, é que a maioria das soluções não é pensada para a sua realidade. Para que isso mude, é preciso respeitar suas particularidades e focar no uso da tecnologia em favor da acessibilidade das pessoas do campo. Entre as ferramentas utilizadas para facilitar a introdução de novas tecnologias no campo, está o reconhecimento de voz como forma de interação. Com o desenvolvimento da inteligência artificial e análise de dados, cada vez mais os dispositivos compreendem melhor o ser humano, podendo ser usados para alavancar também o agronegócio.


STARTUPS AGRO

Educação financeira para crianças do campo FOTO ILUSTRAÇÃO

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ue a educação financeira deve ser incentivada desde a infância, todos já sabem. E para levar esta prática às propriedades rurais, Cássia Cavalli e Marina Cavalli criaram o Reino Bambini, um método educacional para crianças do campo de 8 a 12 anos, composto por atividades práticas, feitas nas aulas, em times e continuadas nas propriedades rurais. O objetivo é fazê-los ir à campo, observar, analisar, descobrir, brincar e trocar suas percepções sendo estimulados a pensar outras soluções, além das habituais. Cada atividade é guiada por vídeos da personagem exclusiva Rainha Leona, disponíveis em uma plataforma EaD, além de e-book explicativo para facilitadores e kit de materiais. Os 4 módulos do método Reino Bambini são concluídos em dois anos e cada etapa é independente e composta por fases, semelhante a um jogo, com temas específicos do mundo Agro, como água, terra, cereais, leite, porcos e aves. A cada conquista uma nova ferramenta é lançada até que as crianças passem por todas as fases e concluam a expedição tornando-se heróis da própria história. O Método Reino Bambini foi criado para as cooperativas e empresas da cadeia do agronegócio, que têm a necessidade de desenvolver a mentalidade empreendedora nas crianças do campo, promover a sucessão de conhecimentos aplicados na propriedade, com base nos princípios de cooperação e inovação de forma divertida e envolvente.

Reino Bambini: método estimula empreendedorismo entre as crianças do campo

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GRÃOS

ESPECIALISTA

Qual a expectativa para o valor da soja nos próximos meses? Joseane Cavalli – Dois Vizinhos Paraná

AMELIO DALL´AGNOL Pesquisador da Embrapa Soja Setor de Gestão da Implementação da Programação de Transferência de Tecnologia da Embrapa Doutorado e Mestrado em Agronomia University of Florida Graduação em Engenharia Agronômica Universidade Federal de Pelotas

Não existe uma resposta tipo 2+2 = 4 para esta pergunta. O preço de mercado de um produto é determinado por vários fatores. No caso da soja, depende da produção nas principais regiões produtoras que, por sua vez, depende do clima. Também, depende do desempenho da economia, que por sua vez, determina o aumento da renda per capita, que aumenta o consumo de carnes que são feitas a partir do farelo proteico da soja. O que está acontecendo neste exato momento: o preço da soja no mercado internacional deu uma ligeira subida (aqui na minha região chegou a R$ 70,00/saca há poucos dias e agora baixou para R$ 68,00). A reação deveu-se à confirmação de que a produção da Argentina foi prejudicada pela falta de chuvas numa das maiores regiões produtoras. Segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires a quebra será de 15 a 20 milhões de toneladas (Mt), que é um montante significativo para mexer com os preços do mercado. Se ao final da colheita se comprovar que a quebra foi maior ou menor, os preços de mercado poderão subir ou cair, a depender se a colheita foi maior ou menor do que o esperado. Outro fator que poderá influenciar os preços de mercado será o montante final da safra brasileira. Se ela for de 110 Mt, 115 Mt ou 120 Mt, o mercado reagirá para mais ou para menos. Ainda não sabemos, mas tudo indica que a safra será boa, como foi a do ano passado. A última safra americana foi de cerca de 120 Mt, a brasileira foi de 114 Mt e a da Argentina foi de 57 Mt. Nesta safra, a produção da Argentina, tudo indica, ficará próxima de 40 Mt. Se eles tivessem produzido igual foi a colheita do ano passado, estaríamos

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FOTO: CÉSAR MACHADO/AGROSTOCK

FOTO: ASSESSORIA DE IMPRENSA EMBRAPA SOJA

Você tem dúvidas sobre sua lavoura? Profissionais altamente capacitados podem lhe ajudar. Envie sua pergunta através de nossas redes sociais e ela poderá ser respondida neste espaço.

com preços seguramente menores dos que os atuais R$ 68,00/saca. Uma terceira causa será a informação que virá dos Estados Unidos sobre a intenção da área que irão plantar. Se informarem que plantarão 35, 36 ou 38 milhões de hectares, haverá reação do mercado para mais ou para menos, porque uma área maior vai indicar estoques maiores o que promove queda nos preços. A China é o grande definidor de preços pelo lado da demanda. Se, como tem sido regra nos últimos anos, eles continuarem a aumentar as compras (fala-se que poderão comprar cerca de 100 Mt em 2018), os estoques caem e os preços sobem.

Se você está preocupada com o momento certo de vender a sua soja, este momento ninguém conhece. O que recomendamos para não perder o melhor momento, é ir vendendo aos poucos, aproveitando picos de alta, como aconteceu recentemente e estes momentos poderão repetir-se com as boas ou más notícias que chegam ao mercado. Poderá, por exemplo, acontecer uma pesada estiagem no próximo verão americano (Maio/Setembro) e os preços explodirem, mas também, poderá ocorrer um bom clima, a área plantada crescer, a produtividade ser excelente e a produção recorde. Pimba, os preços cairão.


Milho é o preferido na produção de volumoso ensilado

FOTO: MARINA TORRES/EMBRAPA

GRÃOS

Silagem para suprir a

ESCASSEZ DE PASTO

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om a finalização da colheita de verão, os produtores começam os trabalhos na elaboração da silagem de verão (safrinha) e o planejamento da silagem de inverno no Rio Grande do Sul. Garantir forragem conservada em volume e qualidade exige alguns cuidados da colheita à conservação do alimento. As pastagens são a base da alimentação animal na produção pecuária do Sul do país. Na época de escassez de pasto, a alternativa é suprir o cocho com forragens armazenadas em forma de silagem, evitando o uso de grãos e outros suplementos que podem aumentar o custo de produção em até quatro vezes.

SILAGEM DE VERÃO O milho e o sorgo têm sido os alimentos mais utilizados para produção de silagem devido à facilidade de cultivo e alta qualidade da silagem, que dispensa o uso de aditivos para fermentação. A cultura do milho tem maior prevalência na bovinocultura leiteira, pois conta com sistema de produção já definido, produção adequada de matéria seca, alto valor energético e consumo voluntário elevado. Entretanto, o sorgo para silagem pode apresentar alto teor de matéria seca quando comparado ao milho, principalmente nas regiões de baixa fertilidade do solo e em locais com ocorrências de estresse hídrico. Em geral, o milho é o preferido na produção de volumoso ensilado pelo potencial produtivo e qualidade da silagem, além da tradição no cultivo, a ampla oferta de híbridos, a boa aceitação dos animais e a possibilidade de automação de várias etapas na silagem. O

milho também atende os requisitos agronômicos para a confecção de uma boa silagem: teor de matéria seca entre 30% a 35%, no mínimo 3% de carboidratos solúveis na matéria original e baixo poder tampão, que facilita o abaixamento do pH da massa ensilada e consequente estabilização da forragem decorrente da boa fermentação microbiana. De acordo com a pesquisadora da Embrapa Milho e Sorgo, Jane Machado, no Brasil existem poucas cultivares de milho indicadas somente para produção de silagem, desta forma, alguns produtores direcionam para a colheita de grãos a lavoura inicialmente implantada com o propósito de silagem, em virtude das oscilações dos preços ou da disponibilidade de alimento. “Para produzir silagem de boa qualidade, com alto valor nutritivo, o produtor deve plantar cultivares boas produtoras de massa, associada com alta produção de grãos. Dentre os vários híbridos adaptados para a região, a preferência deve ser para aqueles de grãos mais macios e com maior produção de grãos. Ainda, a população de plantas de milho para silagem não deve ser maior do que 10 a 15% do recomendado pelo obtentor para produzir grãos”, recomenda Jane. A Embrapa dispõe de diversas cultivares indicadas para a produção de silagem no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina: milho BRS 1002; sorgos BRS 658 e BRS 610; trigos BRS Tarumã e BRS Pastoreio; centeio BRS Serrano; cevadas BRS Quaranta, BRS Cauê, BRA Brau e BRS Korbel; e triticale BRS Saturno. TEXTO: Embrapa Trigo

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ARTIGO TÉCNICO

FOTO: FREEPIK.COM

GRÃOS OPINIÃO

BRUSONE

UM VELHO INIMIGO DOS ARROZEIROS NAS LAVOURAS

FOTO: ARQUIVO PESSOAL

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Edgar Alonso Torres Toro Diretor de Pesquisa da RiceTec Mercosul

Brusone do arroz ou Piricularia é uma doença própria da cultura que tem causado perdas importantes nas safras recentes do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Esta doença, que ataca as folhas e a panícula, é causada por um fungo (Pyricularia oryzae). O ataque do fungo é favorecido quando se unem três condições: uma cultivar suscetível, um manejo agronômico favorável à doença (altas fertilizações nitrogenadas, densidades altas, desbalanceamento nutricional, semeaduras tardias, estresse por falta de água, etc) e condições climáticas favoráveis (temperatura e alta umidade relativa). As perdas são consideráveis, quando se usam cultivares altamente suscetíveis, principalmente quando a incidência se dá na panícula já que a doença

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causa esterilidade total dos grãos. A brusone é uma doença que tem convivido com o arroz há muito tempo (co-evolução) e é provável que as mudanças no clima ajudem ainda mais ao fungo. Portanto; devemos aprender a conviver com a doença com uma estratégia de manejo integrado.

BRUSONE: “RESISTÊNCIA GENÉTICA É UM EXCELENTE MÉTODO DE CONTROLE” O princípio fundamental no manejo integrado é a combinação de ferramentas para atingir um controle efetivo. No caso da Brusone consideram-se a resistência genética dos cultivares utilizados e o manejo agronômico adequado incluindo o uso criterioso de fungicidas, como as mais

importantes. Portanto, desenvolver cultivares resistentes é um objetivo de melhoramento chave na RiceTec a fim de oferecer aos produtores um portfólio de soluções adequadas para enfrentar esta doença. Todos os híbridos são avaliados em condições de altíssima pressão da doença com a finalidade de identificar aqueles altamente resistentes. Este é o caso do Titan CL um material que combina alta produtividade, alto rendimento de grãos inteiros e resistência a Brusone. Novos produtos como o Lexus CL e XP 113 também apresentam uma excelente performance diante da doença. A resistência genética é um excelente método de controle, pois já vem incluída na semente e é completamente amigável com o ambiente; porém sempre existe a pergunta da durabilidade da resistência. Devido a co-evolução entre o patógeno e a cultura, o fungo evolui e consegue quebrar a resistência. Milhões de esporos sendo produzidos numa cultivar suscetível aumentam grandemente a chance da quebra da resistência. Portanto, o objetivo é reduzir o mais possível a probabilidade desta quebra da resistência e estar um passo a frente do fungo. Para se conquistar este objetivo é fundamental conhecer muito bem o patógeno, ou seja, estudar a sua variabilidade e evolução mediante o monitoramento continuo das raças do fungo. Com isto, é possível desenhar estratégias de melhoramento para acumular os genes de resistência efetivos. Ao mesmo tempo evitar a semeadura do mesmo cultivar em grandes extensões e em vez disto, ter uma diversidade genética de cultivares na propriedade e no Estado. Em conclusão, não somente devemos utilizar cultivares resistentes, mas também utilizar elas de maneira criteriosa de forma que assegure a durabilidade da resistência. Para a RiceTec o aumento da competitividade e da produtividade do arroz no Brasil é fundamental para o sucesso do negócio, portanto, considera de vital importância juntar o esforço público e privado para entender a diversidade do patógeno e desta forma poder planejar estratégias para o desenvolvimento da resistência genética durável a Brusone do arroz.


FALE COM O ESPECIALISTA

MERCADO

Sou estudante de agronegócio. Gostaria de saber quais as perspectivas para este mercado de trabalho?

ESPECIALISTA

Marcos Roberto – Santa Maria – Rio Grande do Sul

MAURILLO MARCONDES LÁRIOS NAVES Engenheiro Agrônomo formado pela Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiróz" Universidade de São Paulo, com MBA em Agronegócios, pela ESALQ-USP. Especialista em finanças e commodities (certificado pela Comissão de Valores Mobiliários - Banco Central), e pela ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais). Atuação: Ouro Investimentos

FOTO: SHUTTERSTOCK

Parabéns pela sua escolha. O setor de agronegócios está em plena expansão, prova disso é a pujança econômica do setor. Em 2017 foi o único setor da economia com crescimento positivo. O profissional de agronegócios tem como desafios aprimorar técnicas de gestão e difundir tecnologia em toda cadeia do agronegócio. O desafio não é pequeno. São empresas em vários ramos, interligadas; indústrias, fazendas, prestadores de serviços, empresas de tecnologia, carentes de informação, e de profissionais com visão holística. O estereótipo do agricultor, isolado, não existe mais. Lavouras são monitoradas por satélites, drones. Sensores controlam a semeadura, a colheita, e o clima. Os animais, monitorados por chips, assim como o ganho de peso. A enxada deu espaço para o laptop. O trabalho mais importante, agora, é gestão de informação. E é só o começo. Acha pouco o desafio de revolucionar a maior potencia agrícola do mundo?

Quais as perspectivas para reabertura do mercado russo à carne brasileira? Marcos Spricigo – Arroio Trinta – Santa Catarina Precisar prazos é difícil. Entidades, indústrias e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) continuam em negociação com o mercado russo. O ministro Blairo Maggi, já enviou carta às autoridades sanitárias russas informando as medidas adotadas pelo Brasil para viabilizar a volta dos embarques aquele mercado. As exportações à Rússia foram suspensas em dezembro de 2017, sob a alegação de presença de ractopamina em cortes suínos. Enquanto a retomada não acontece, o setor vem abrindo novos mercados. Em maio, a Coreia do Sul passou a comprar carne suína brasileira.

Inicialmente apenas quatro frigoríficos credenciados de Santa Catarina exportarão para os coreanos, mas a expectativa é de que em breve outros estabelecimentos possam ser habilitados e entrem no mercado coreano. As negociações com a Coreia do Sul para exportação de carne suína foram iniciadas em setembro de 2016. As exportações brasileiras de carne suína in natura alcançaram a cifra de US$ 1,47 bilhão em 2017 (592,6 mil toneladas). Desse montante, 40,5% foram vendas a partir de Santa Catarina, o que representou US$ 593 milhões, tornando o estado o principal exportador do produto.

FOTO: CÉSAR MACHADO/AGROSTOCK

FOTO: ARQUIVO PESSOAL

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*DA REDAÇÃO, com informações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

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OPINIÃO FOTO: PIXABAY

Por Marcelo Lara

EM TEMPOS DE GUERRA IDEOLÓGICA E INSANA,

CONECTAR É UM BOM EXERCÍCIO

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onexão significa ligar uma parte a outra e por meio dessa ligação fazer a transferência de informação, energia, objetos, conhecimento. Isso é fácil para computadores e tomadas de energia elétrica, mas tenta fazer isso com pessoas. Um trabalho que vai exigir paciência e determinação para quem quer ajudar a construir um Brasil melhor. Em outubro temos as eleições. É hora de colocar em pauta as soluções que queremos, e não colocar na bandeira os mitos que sonhamos como salvadores da pátria. Este é o momento para educar o povo, para que possa pesquisar no portal da transparência, por exemplo, e saber exatamente para onde está indo o dinheiro que entra nos cofres públicos, e lembrar que esse dinheiro vem do setor produtivo. Não vou me aprofundar nesta questão política que está envenenada, cheia de armadilhas, um campo minado que explode com amizades, que detona com a razão, que destrói as pontes frágeis que ligam e equilibram a razão e a emoção. Discutir política no Brasil se tornou um jogo insano, as vozes são lançadas ao ar mas não se misturam para construção de consensos, ou de caminhos que possam trazer verdadeiras soluções para um Brasil forte onde a bandeira seja uma só.

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As posições estão sendo tomadas pela emoção e pela maquiagem das imagens de políticos e de militantes de todos os lados, porque o Brasil tem muitos lados, muitos partidos, muitas opiniões, muitos especialistas, mas pouca solução prática. Não é apenas no Brasil, está difícil no mundo inteiro, seja do lado da esquerda ou do lado da direita, temos os que pensam e os que não sabem nem pensar. Buscar a conexão é um bom exercício. Quem sabe começar pela conexão entre o campo e a cidade. Sair da pesquisa do google para bancar o entendido, e dialogar na prática. A sociedade está carente de moderadores, de conciliadores, de diplomatas, de estadistas, de debates de ideias, de construção de pontes mas estamos no momento de destruição de pessoas. Na palestra, “Agronegócio a conexão entre o rural e o urbano” tento mostrar aos produtores como eles podem se conectar com quem mora na cidade, e aos da cidade como se aproximarem e entenderem o homem que está por trás da produção de alimentos, e no meio disso tudo a sustentabilidade, a renda, a geração de emprego, o desenvolvimento, e o orgulho de valorizar o que fazemos de melhor, e o meio ambiente. Em Chapecó tive a grata surpresa de ser bem recebido por mais de 600 produtores

dos três estados do Sul na Assembleia Geral da Cooperalfa. Foi uma experiência única, com a atenção total, e conversando depois com alguns produtores senti que a missão foi cumprida. Durante a palestra, a associada da cooperativa Fátima Damaso Kessin, de Bela Vista do Toldo – SC, escreveu um poema que na simplicidade prova que está no diálogo, no estimular o bem a resposta para um Brasil melhor.

Marcelo Lara Jornalista Especializado em Agronegócio lararural@gmail.com asssessoria@laranews.com.br

“HOMEM DA ROÇA” “Nosso Deus fez este mundo e com seu poder a terra ele formou. Fez nascer o alimento, para nosso sustento. Tudo ele criou. Deu à ele a missão de cultivar o chão e assim o abençoou, foi tão grande a produção e com evolução o progresso chegou. Se hoje o homem da cidade toma café, almoça e janta é porque o homem da roça semeando, aposta e com fé ele planta. "

Sorrir e transformar adversários em aliados numa pauta de construção, abandonar a violência para buscar o debate e não o embate. Como é bom sonhar, mas ao mesmo tempo ter esperança de que é sim possível construir o Brasil do futuro, afinal nossa democracia ainda é muito jovem.


FOTO: BERNARD DUPONT

DIRETO DO CAMPO

COMO CRIAR ABELHAS

SEM FERRÃO

O mel é delicioso e super valorizado. Não existem riscos de ferroadas e aquelas roupas pesadas e desconfortáveis utilizadas no momento da coleta do mel podem ser aposentadas. Quer mais motivos para iniciar a criação de abelhas sem ferrão? Confira nesta reportagem especial.

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DIRETO DO CAMPO

A

s abelhas são muito conhecidas pela capacidade de produção de mel, ceras e derivados, e por outro motivo que pode doer: os ferrões. O que muitas vezes é surpresa é o fato de que existem no Brasil espécies de abelhas que não desenvolveram esse método de defesa. As chamadas Abelhas Sem Ferrão (ASF) são populares e naturais em toda a América Latina. Nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, por exemplo, existem mais de 300 espécies. Apesar de preferirem climas mais tropicais, a região Sul do país também conta com algumas espécies que se adaptaram as temperaturas mais baixas. De acordo com o Engenheiro Agrônomo da Emater/RS- Ascar, Antonio Altissimo, 24 espécies de AFS já foram identificadas no Rio Grande do Sul, principalmente na metade da região Norte do Estado e às margens do Rio Uruguai. A maior concentração se dá em função da vegetação abundante em comparação a outros pontos do Estado, oferecendo melhores condições de sobrevivência. “O Rio Grande do Sul é um dos locais mais extremos de sobrevivência das ASF em termos de clima frio, por isso tem menor número de espécies em relação as regiões tropicais”, comenta Altissimo. Além de não oferecer riscos ao criador, outra vantagem da criação de abelhas sem ferrão é o valor pago pelo mel. Por serem abelhas menos comuns, principalmente na região Sul do país, o mel destas espécies varia de R$50 a R$150 o quilo. Em grandes centros, esse valor pode ser ainda mais elevado.

PASSO-A-PASSO DE COMO CRIAR ABELHAS SEM FERRÃO Por serem espécies nativas, apesar de estarem em uma região mais fria, não existem maiores dificuldades para criação. Contudo é necessário ter o mínimo de conhecimento sobre o comportamento destes insetos. Caso contrário, há grandes chances de insucesso, podendo em

alguns casos provocar a morte de todo o enxame. Em dias com temperaturas muito baixas, é necessário ter um cuidado especial ao colocar estas abelhas em caixas, pois o apicultor estará retirando-as de seu habitat original de procriação, que são troncos de árvores, expondo-as um frio mais intenso.

FOTO: LUIZA BRANDÃO/EMATER

A captura

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Para capturar as abelhas é possível criar uma armadilha utilizando iscas feitas com garrafas pet, que são as mais utilizadas e mais simples de construir. Dentro desta garrafa é adicionado um atrativo, composto de álcool e cera propolizada de Jataí, ou outras espécies, com um furo no fundo da garrafa e um na tampa, para sair a umidade. Feito isso é necessário envolver a garrafa inteira com três ou quatro folhas de jornal e em cima delas uma lona de cor escura para

escurecer seu interior, pois é nessa condição que as abelhas se alojam e trabalham. Em locais seguros, como em residências, por exemplo, é possível usar a própria caixa de criação para atrair os enxames. Basta colocar o atrativo dentro da caixa para que o novo enxame se aloje. É recomendado colocar esta armadilha em locais baixos e firmes, evitando por exemplo, troncos de árvores mais finos e que possam balançar com o vento.

As caixas de abelhas Não há modelo padrão de caixas para as abelhas sem ferrão. Entre exemplares já desenvolvidos está a caixa de INPA, criada pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. Existe ainda o modelo AF vertical, que é feito por marceneiros. Caixas feitas em casa também podem ser usadas.


VEJA ALGUMAS DIFERENÇAS ENTRE AS ABELHAS MAIS POPULARES E AS AFS ABELHAS MAIS CONHECIDAS

X

Enxames entre 50 e 60 mil abelhas Origem europeia e africana

Mel de composição normal

Insetos com tamanhos maiores Devido ao tamanho não consegue acessar determinadas flores

FOTO EMBRAPA: ALBERTO MARSARO

Podem buscar o alimento em distâncias de 2 a 3 km

Para capturar as abelhas é possível criar uma armadilha utilizando iscas feitas com garrafas pet, que são as mais utilizadas e mais simples de construir.

Fazem os favos de mel na vertical Fazem o favo em células sextavadas, todas iguais

Para cada espécie de ASF, é recomendado determinado tamanho de caixa. Abelhas maiores como Mandaçaia, Mandaguari e Uruçus, normalmente exigem que as caixas sejam maiores, com 20cmx20cm por dentro. Já a Jataí pode ser alocada em caixas de 14cm x14cm. As espécies menores, como as abelhas mirins podem ser colocadas em caixas de 8cmx8cm. O mais importante é que a espessura da parede seja superior a 3cm, justamente em função das baixas temperaturas registrados no Sul do país durante o Inverno.

Defesa Apesar de não possuírem o ferrão, as abelhas seguem um instinto natural de qualquer animal: a defesa. Entre as táticas que utilizam para se proteger, elas podem grudar no cabelo, fazer um barulho irritante e muito alto, liberar secreções cáusticas ou pegajosas

ABELHAS SEM FERRÃO Enxames com menor quantidade de indivíduos, indo de 500 a 20 mil Nativas da região

Mel com melhor sabor e composição nutricional Abelhas de menor tamanho, com algumas exceções. Tamanhos diferentes podendo acessar todos os tipos de flores, pequenas ou grandes Buscam alimentos em uma distância que não passa de 1,5km Fazem os favos de mel na horizontal Colocam o mel e pólen em potes em forma de bolas

e até exalar um forte cheiro, mas nada que cause a mesma dor de uma picada de outras espécies.

Preservação Altissimo salienta que a criação de espécies nativas, como é o caso das abelhas sem ferrão, ajuda a preservar estas abelhas no seu habitat natural. Ele fala que é importante neste contexto preservar as matas, as capoeiras e as flores como um todo. “A preservação destas abelhas também promove a ampliação da produtividade das culturas agrícolas pela forte participação das abelhas no processo de polinização que é a parte principal no processo de reprodução das plantas, frutíferas, silvestres, floríferas e hortaliças dando ao ser humano um ganho financeiro que é desprezado pela sociedade como um todo”, finaliza o engenheiro agrônomo.

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OPINIÃO Por Paulo Pereira

O AGRO É CIDADE

FOTO: SHUTTERSTOCK

Quando se fala em agronegócio já pensamos no campo, em fazendas, animais e agricultura. Não está errado, mas o agronegócio é muito mais que isso.

Paulo Pereira É formado em Propaganda & Marketing pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e pósgraduado pela New York University em Marketing & Advertising. É Diretor de Comunicação Corporativa da Bayer no Brasil. Anteriormente ocupou a Gerência de Comunicação e Relações Públicas da divisão Bayer HelthCare no País. Possui mais de 30 anos de experiência em comunicação e relações públicas.

E

le é difusor de cultura, seja ela sinônimo de conhecimento (estudo, sapiência), indivíduos (grupo, povo, raça), costumes (comportamentos, hábitos), civilização (desenvolvimento, progresso ou agricultura). Temos muitos sinônimos para a cultura, principalmente quando se trata da cultura do agronegócio. Mas não podemos nos esquecer do sujeito, que independente de ser um agricultor pequeno ou um grande empresário, é determinado, responsável diretamente pela ação que gera reação. Esse sujeito é capaz de mover montanhas com o seu negócio. Negócio este tão nobre quanto salvar uma vida, pois o alimento é vida! Comparar o agricultor ou o pecuarista a um médico não é exagero. Ambos cuidam da saúde dos seus. O produtor rural precisa tratar da saúde das plantas e dos animais para ter uma produção saudável que possa servir de alimento às pessoas.

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O homem do campo trabalha duro, em silêncio. Quase invisível aos olhos das grandes cidades e capitais onde o sujeito determinado passa a ser oculto. O Brasil tem o agro em seu DNA, foi colonizado cultivando cana-de-açúcar, foi governado pela política do café com leite e até hoje sustenta a balança comercial do País. O Brasil é um dos principais produtores e exportadores de commodities do mundo. Líder em alguns segmentos como café e suco de laranja, gigante produtor de soja, milho, algodão, carne bovina, cana-de-açúcar, entre outros. Autossuficiente com a maioria das culturas básicas de consumo interno. No segmento hortifrúti, o Brasil é referência em frutas e verduras de qualidade e sabor. O grande desafio da comunicação é trazer isso à tona para a sociedade que não vive o agronegócio, mas consome com fome o que é plantado. O tomate não nasce na prateleira, assim como

não existe árvore de feijão ou pequena plantação de soja em um quintal. O agricultor não é àquele Jeca-Tatu retratado por Monteiro Lobato, ele também é empresário, seja de uma propriedade com centenas de funcionários ou mesmo familiar. Ele é tecnificado e sabe que a tecnologia pode ser usada a seu favor. Afinal, a tecnologia chegou sem volta para o meio rural. Neste momento em que as redes sociais são enormes difusoras de informação e que, o Brasil possui uma das principais audiências do Facebook, contribuímos com a comunicação do setor por meio das histórias de amor, resiliência e superação de quem faz o agro acontecer no campo e na cidade: a série Ser Agro é Bom destaca as principais culturas produzidas no País. São 12 vídeos que colocam em evidência a vida do campo, as diferenças entre as produções e a importância do agro para todos. A paixão pela agricultura, o compromisso com a terra e com o planeta. O amor pela profissão e a vontade de ser reconhecido. São mais de 15 milhões de visualizações desses vídeos nas mídias sociais em 2017. Agricultores de todos os cantos do Brasil falando sobre soja, laranja, algodão, uva, trigo... e não só sobre o que plantam, mas o que os move a plantar, o sentimento de gratidão e respeito que tem com a terra. A série é uma iniciativa de aproximarmos o campo da cidade. Humanizar o agricultor e a valorizar a importância da agricultura. Uma tentativa de desmistificar a imagem que muitas pessoas pensam do produtor rural, pois ele é um ser humano como nós, tem família, sonhos e problemas como qualquer outro indivíduo. Disseminar a agricultura do campo à mesa. Reconhecer quem nos dá de comer e beber. Aceitar a nossa origem e mostrar que evoluímos, e muito, nesse quesito. Ser agro, é muito bom.



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