Backstage 299 - Novembro 2021

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HISTÓRIAS DA RETOMADA Stenio Mattos, Boaventura Filho e a Família Camisa Preta

mostram como está sendo a retomada Foram, e ainda são, tempos difíceis, mas o céu começa a clarear. Aqui na Revista Backstage você acompanhou, dia a dia, as dificuldades e soluções que foram sendo superadas e construídas durante esse período conturbado da história do Brasil e do mundo que afetou, especialmente, o setor cultural. Reportagem: Miguel Sá / Fotos: Divulgação

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o dia 10 de novembro, a média móvel de mortes apresentou queda de 25% em relação ao período anterior, com menos de 300 óbitos por dia. Os números da transmissão também vão caindo progressivamente. Tudo isso enquanto quase 58% da população do Brasil já tem o esquema vacinal completo (veja mais informações no site do Ministério da Saúde (https://www.gov.br/ saude/pt-br/assuntos/noticias/2021-1/

novembro/brasil-chega-a-70-do-publicoalvo-completamente-vacinado-contra-acovid-19), consolidando uma tendência de queda nos números da pandemia (veja mais informações no site da Fiocruz https://portal.fiocruz.br/Covid19). Por conta disso, começam a surgir agora as Histórias da Retomada, que você vai ler, dia a dia, aqui na Revista Backstage contada por pessoas que fazem o dia a dia dos eventos e da produção musical.


STENIO MATTOS

Foto: Blog 'De olho em Rio das Ostras'

Responsável pelo Rio das Ostras Jazz & Blues Festival, o produtor também é o presidente da Associação Brasileira de Festivais de Jazz e Música Instrumental (Abrafest). Stênio conta aos leitores da Backstage os desafios que surgiram e os planos da retomada, que envolvem a articulação dos diversos festivais de jazz pelo país. Como foi esse período da pandemia para a associação? Logicamente que para a associação esse período foi um período parado, mas por outro lado fortaleceu nossos contatos. Nos falávamos pelo menos uma vez por mês para saber as diretrizes que iriamos tomar e também para saber, dos festivais associados, quais estariam ainda com possibilidade de realizar na hora em que as coisas ficassem normais. Noventa por cento dos associados não tiveram condições de realizar seus eventos. A grande maioria ainda ia começar a buscar patrocíni-

os, mas os festivais que iriam ser no ano de 2020 ficaram fechados e ficou muito difícil de captar agora depois dessa abertura, porque as empresas também sofreram com seus prejuízos. Dez por cento vão fazer um evento agora. E o caso, por exemplo, o circuito ViJazz, em Minas, o Bourbon fest, em são Paulo, que vai ser uma edição menor, para manter a chama acesa, e talvez Guaramiranga, no Ceará , no carnaval, além de Rio das Ostras, claro, em sua plenitude. E tem algum plano para refazer esse tecido de festivais? Essas reuniões serviram para fortalecer mais a ideia de pegar um patrocinador master, tipo, vamos dizer, uma Heineken ou uma Aneel, que tem interesse em quase todos os estados. Queremos ter um ou dois patrocinadores fortes e fazer um circuito de festivais ao longo do ano com marcas como estas associadas a estes festivais. Estamos formatando para vender um circuito de festivais ao longo do ano com patrocinadores fortes que tenham interesses no Brasil inteiro. Com-

panhia aérea também nos interessa, porque facilita o trânsito dos artistas. Teve alguma ajuda institucionalizada do poder público aos promotores de eventos? Não chegaram ainda. O governo, tanto o federal quanto os estaduais, procurou ajudar as coisas mais individuais, que atingia mais o pessoal que estava mais necessitado mesmo. A verba também não era muito grande, mas tentaram atingir o máximo de pessoas. Eles não estavam visando festivais. E acho que foi justo, porque atingiu o maior número de pessoas possível. E tem consistência a retomada? As pessoas estão muito confiantes, todos queriam muito esse retorno. Após esse período, em que o setor cultural foi bastante sacrificado, estou sentindo uma vontade maior por parte das empresas de nos ajudar. Por exemplo, no caso de Rio das Ostras, as empresas que estão nos apoiando, eles estão admirados com o interesse das pessoas. Já não tem mais os ingressos gratuitos que nos disponibilizamos pelo Sympla. Me senti o próprio Rock in Rio. Em meia hora acabou tudo. As pousadas estão lotadas. No caso, as próprias empresas que estão envolvidas estão com grande interesse para os representantes virem pessoalmente ao Festival, inclusive membros de diretoria. Isso me dá uma esperança de que eles estão vendo a cultura com outros olhos. A partir do momento em que eles viram a mídia positiva espontânea, que está tendo apoio... Eles tem o departamento de marketing deles e estão vendo isso. É um ponto positivo para eles. Acho que começaram a ver que cultura é resistente mesmo, e que, para eles, é importante estarem presentes nessa retomada e eles estarem visíveis, e que vai ter retorno.

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E a questão da comunicação entre as empresas, como vocês se articularam? As associações ajudaram? Você percebeu que todos começaram a se falar para ver os interesses em comum? Esse foi um ponto positivo da pandemia. Pessoas que eram a mais afastadas do mercado, que não participavam das associações, se aproximaram. A minha empresa sempre participou, mas outras empresas que não participavam tanto perceberam que era necessário estar perto desse movimento, até para ajudar de uma maneira geral, nem que fosse com o conselho.

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BOAVENTURA FILHO

do município. Conseguiram fazer o pacote no na Câmara de vereadores. Mas muda uma coisa, mudar outra e acaba tudo demorando. Efetivamente até hoje não pintou nada de ajuda para o setor

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O empresário é sócio da Original Produções, com 35 anos de atuação no mercado do Rio de Janeiro. Ele conta para a Revista Backstage como foi superar o período das vacas magérrimas da pandemia e como está sendo superar este momento seguindo os protocolos colocados pelo poder público. Como vocês trabalham na Original? Nós temos duas operações: uma produtora de eventos de 35 anos, que é a original produções. Dentro da produtora, nós temos uma outra empresa que faz a parte de bares para outros eventos com logística de bar e atendentes. Como foi para vocês o início dessa confusão toda da pandemia? Quando vocês sentiram que era realmente um problema? Trabalhamos muito no verão do Rio de Janeiro, que são os nossos meses fortes, de novembro a março. Vinhamos trabalhando com uma demanda muito grande

e, quando passa o carnaval, normalmente descansamos umas duas semanas.para botar o material em dia, fazer manutenção... Quando demos essa parada, veio a pandemia. Achamos que seriam alguns dias. Depois era um mês e aí viraram esses 18 meses. E quais foram as providências que tomaram como empresa quando viram que a parada seria prolongada? Como todo mundo fez, tentamos diminuir ao máximo os custos. Não conseguimos dinheiro emprestado do governo. Então os funcionários que bancamos até hoje foram com recurso próprio. E mesmo tentando ao máximo segurar tivemos que rolar algumas dívidas que estamos renegociando agora. As gestões de entidades ligadas ao setor de eventos no Congresso Nacional chegaram a ajudar vocês? Não. No Rio, por exemplo, tem um pacote de ajuda tramitando que, no dia em que sair, as coisas já vão ter voltado ao normal.. Eu estou falando

Essa articulação ajuda no momento da retomada? Na criação e implantação dos protocolos? Criamos um protocolo e o apresentamos para o governo. Fizemos oito eventos durante a pandemia. Foram eventos totalmente seguros com autorização da Secretaria de saúde. Na época, em outubro de 2020, quando os números estavam aparentemente caindo, fizemos aqueles eventos que as pessoas apelidaram de camarotinho. Fizemos alguns shows de bandas de samba do Rio mesmo porque ninguém estava viajando. Foi um evento chamado Jardim Belas Artes, na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro. Tinha até uma banda de Brasília que estava estourando na época chamada Menos é Mais. Uma banda de Samba e Pagode nova. Trouxemos eles e vendemos todos os ingressos em horas. Fizemos também artistas daqui do Rio como o Sorriso Maroto. Foi muito ligado ao samba o evento. Eram bandas que estavam aqui no Rio querendo tocar. Isso funcionou em um


certo momento porque as pessoas estavam querendo sair de casa. Mas depois a gente viu que as pessoas não queriam ficar isoladas cada um no seu camarote. Queriam confraternizar, dançar,e não podia ter a pista de dança então resolvemos cancelar os eventos. E quando começou a perceber que poderia haver uma luz no fim do túnel? Há uns três meses atrás primeiro tivemos uma decepção grande com o prefeito. Na campanha ele falou que, quando tivessem vacinado as pessoas com 60 anos e mais, iria liberar os eventos. Isso foi falado em reunião. .Ele vacinou 60 mais, 50, 40 e começou a não liberar. Há dois meses atrás mais ou menos começamos a ter um movimento de réveillon e carnaval. Esse foi o momento em que começamos a ver a luz no fim do túnel e que os números de internação da covid começaram a desabar. O município do Rio de Janeiro está com 98% de pessoas com a primeira dose e por volta de 70 por cento com a segunda. Aí vimos que dá Para voltar a trabalhar. Quer dizer que a vacina está tendo uma importância nesse contexto todo? Como produtor de eventos temos que ser 100% a favor da vacinação. No nosso caso que tem aglomeração está provado que não dá para fazer um evento com distanciamento. É muito chato fazer um evento todo com máscara. A vacinação é um passo que temos realmente que seguir. Também propusemos lá atrás que se testasse todo mundo, porque quanto mais testar, fica mais fácil da Secretaria de saúde identificar os doentes. Isso eu achei um erro grave do nosso governante, porque para nós, que somos produtores de evento, é fácil pegar 5000 pessoas, colocar dentro de um espaço,testar todo mundo antes, ver quem está doente e começar a tratar. O gover-

no fechou o olho para isso e ficamos de mãos atadas. E o que que vai voltar e o que que vai mudar de vez nas organizações de eventos? O que vai mudar de vez é a questão do cuidado com a limpeza do local. A parte de higiene.e vigilância sanitária, acho que vai mudar. As pessoas vão procurar os eventos mais oficiais e evitar os eventos piratas. Sua empresa faz Ano Novo e outras festas. Como é que está sendo o movimento daqui para frente? Já tem muita acontecendo no Rio. Agora estão acontecendo os eventos teste. Os nossos pacotes de evento deram uma atrasada, mas vamos começar no dia 11 de dezembro. Vamos ter também o réveillon no Jockey com o Monobloco e mais um réveillon no Museu de Arte Moderna com artistas de funk. E temos um pacote grande de dezembro até março no verão do Rio de Janeiro com vários eventos no Jockey com Alceu Valença, Monobloco, Tiago Martins e Belo, entre outros Tudo com lotação já liberada ou reduzida? Estamos trabalhando com 50% da capacidade. O nosso planejamento

é com 50% da capacidade. Se daqui para lá mudarem alguma regra gente vê mas o planejamento é para 50%. Como vê o cenário daqui para frente? Vou falar mais uma coisa sobre fornecedores e staff do evento. Achávamos que, no pós pandemia, iriamos encontrar um cenário com as pessoas precisando trabalhar e os preços mais baixos. Mas as pessoas que trabalhavam como freela em um evento, e que não tinham nada fixo, chegaram a quase passar fome. Agora muitos deles conseguiram um trabalho fixo. Preferiram conseguir empregos, nos quais ganham menos mas com o dinheiro certo, e correram da instabilidade dos eventos. Já com os fornecedores e artistas está acontecendo uma demanda reprimida. Ficou todo mundo parado um ano e pouco agora todos querem trabalhar. Todo mundo está ligando para trabalhar para contratar e quanto mais o telefone toca mais o artista se sente à vontade para aumentar o preço. Se tem mais de um evento no mesmo dia eles se sentem à vontade para cobrar um pouco mais.

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FAMÍLIA CAMISA PRETA

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O grupo Família Camisa Preta é um grupo de técnicos de eventos de diferentes empresas que se juntavam para encontros. Emsua maioria, estes técnicos residem em Curitiba e Região metropolitana (estado do Paraná). Durante o isolamento social , este grupo fez campanhas que arrecadaram cestas básicas, produtos de higiene e produtos de limpeza, auxiliando cerca de 2.000 famílias, em sua maioria, de técnicos de eventos desamparados devido à não possibilidade de atuação profissional do setor. Além das doações, foram realizadas lives e campanhas de doações

em datas comemorativas, atendendo também crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social. Toda esta mobilização gerou o movimento Salve a Graxa CWB, encabeçado e executado por técnicos de eventos. Além da mobilização, o grupo também realizou um documentário, contando toda sua trajetória, intitulado por Salve a Graxa CWB. O conteúdo está disponível no Youtube do Família Camisa Preta e está com 1,5 mil acessos, reforçando a necessidade desta história ser contada e vista. Toda produção contou com recursos da Lei Aldir Blanc. Com o retorno dos eventos, a

campanha de arrecadação de cestas e todo este ímpeto que trouxe o documentário a tona, chega ao fim. Agora chega o momento de manter a visibilidade do pessoal da graxa junto ao poder público para que passem a ter editais de leis de incentivo voltado para os profissionais técnicos de eventos. No dia 29/09/2021 aconteceu uma reunião de agradecimento a própria classe e também aos seus apoiadores em um evento que reuniu muita música, com o DJ Gabriel Castro e os músicos Rogério Cordoni e Franco Calgaro. Houve premiações para os técnicos que arrecadaram e distribuíram as cestas básicas e homenagens a todos estes Heróis da Graxa que realizaram a campanha que começou com a doação de alimentos e termina com um legado na área técnica de todo o país. Para mais informações sobre a Familia Camisa Preta, acesse as redes sociais: Instagram: @familiacamisapretacwb

Youtube: https://www.youtube.com/channel/ UC4fP4GlkultEuyDYT_-oZDg/featured



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SOM NAS IGREJAS

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Uma rotina de produção técnica que funcione com qualidade envolve aspectos como esforço, planejamento, comunicação, agendamento de tempo, acompanhamento, medição e manutenção. Na ausência disto, um processo semelhante ao da entropia, na física, faz com que um bom nível de qualidade vá se degradando para a mediocridade, ou pior. Por isto, cuidar dos detalhes que deslocam do medíocre para a excelência requer intencionalidade, e investimento de recursos, tempo e trabalho.

SOM NAS IGREJAS

Ninguém Nota o

que Funciona David atua no som de igrejas e sonorização de congressos no Brasil e Estados Unidos há 40 anos. Recentemente, servido como diretor de mídia, liderou cerca de 70 voluntários nas equipes de produção de som, vídeo, iluminação, digital signage, transmissão e cenografia.

O

s automóveis servem de exemplo. Dependemos deles para nos deslocar em nossa rotina diária. Não é comum ficar pensando: Será que

vai dar partida? Será que os freios funcionarão, que a bomba do combustível enviará o combustível e os cabos e velas cumprirão a sua função? Mas se a sua


manutenção preventiva for ignorada, estas coisas podem falhar. O mais comum é garantir que não falte combustível e ficar atento ao nível de óleo e estado dos pneus. É apenas quando algo falha que nossa atenção é atraída.

É quando algo falha que nossa atenção é atraída. Os sistemas que potencializam a comunicação da igreja no contexto presencial e pela internet se assemelham aos do carro. Assim como o funcionamento de um carro requer que múltiplos sistemas coexistam e se integrem, os sistemas que nos permitem realizar a produção de áudio, vídeo, iluminação e streaming de um culto ou evento também requerem atenção, integração e sincronia para que os nossos esforços resultem na difusão e não na distração da Mensagem. A produção técnica, porém, tem uma importante diferença do automóvel, celulares e, inclusive,

este computador em que estou digitando, que têm seus sistemas desenhados para prover o máximo de desempenho a partir de mínimas intervenções humanas. Nem fazemos ideia dos processos que ocorrem para que nos beneficiemos da sua funcionalidade. E, novamente, é comum apenas tomarmos conhecimento de alguns deles quando falham. Embora esta realidade pode se estender aos múltiplos equipamentos usados na produção dos cultos, a qualidade final dependerá de um importante diferencial: o elemento humano. Além da importante integração técnica dos sistemas, a qualidade que define o sucesso no contexto da produção técnica de um culto depende da essencial integração dos membros da equipe! O sucesso na produção técnica do culto depende da integração dos membros da equipe.

E, se o sucesso é descrito pela ausência de falhas que causam distrações: Eliminar as distrações no culto depende da integração da equipe. O alvo de quem serve na técnica deve ser prover. Excelência com Transparência. Enquanto isto se aplica em outras áreas, assume importância ainda maior no serviço técnico na igreja e, especificamente, na produção do culto. Aqui, a falta de transparência é definida por falhas que interrompem o fluir de um culto, na forma de distrações que atraem a atenção dos que separaram este tempo para focar na adoração a Deus. - Algo que, na correria que caracteriza nossos tempos, deve ser preservado a todo custo. A palavra “santo” se define por: ser ou estar dedicado ou consagrado a Deus. Daí podemos afirmar que estes momentos de culto constitu11 9


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pessoas. Os recursos técnicos nunca estiveram tão accessíveis e avançados. Hoje assistimos, na palma da mão, um vídeo produzido ao vivo por alguém que passeia pela rua em outro país. Porém, apesar de tantos avanços, a comunicação e compreensão parecem continuar no mesmo patamar ou terem até regredido. Parece que vivemos numa sobrecarga de informação caracterizada pela falta de comunicação. Dois princípios envolvidos nesta equação são a falta de tempo (ou priorização) e o fato de que a comunicação não ocorre apenas por emitirmos palavras. Ela só ocorre quando estas palavras são compreendidas pelas pessoas a quem as dirigimos. Ou seja, em um tempo santo. Quanto mais atentos estivermos ao servir, não apenas na nossa função, mas às necessidades dos outros membros da equipe, maior será a qualidade produzida pela equipe e menores as interrupções nesse período santo. Há 40 anos, era comum uma igreja ter somente um microfone para voz e um retroprojetor para ampliar imagens e letras em transparências. A captação e amplificação de instrumentos ainda era precária e até considerada desnecessária por muitos. Bastava um operador de som e alguém no retroprojetor, e era comum uma única pessoa atender às duas funções. Os avanços da tecnologia proporcionaram as mesas de som, a amplificação e a tecnologia das caixas evoluíram, e continuam apresentando avanços significativos. A gravação do áudio foi substituída pela captação e gravação em vídeo. Surgiram os projetores. Entendeuse que além de necessária para o vídeo, a iluminação agregava valor à comunicação. Surgiu a internet viabilizando a transmissão para

audiências remotas por uma fração mínima dos valores de rádio e TV. E a definição de som e imagem oferecida por equipamentos de custo cada vez menor nos oferece uma relação custo-benefício antes inimaginável. Ao longo desses anos, uma das grandes promessas da tecnologia foi que os dispositivos que facilitassem a comunicação promoveriam maior compreensão entre as

Comunicar-se tem menos a ver com o que eu falo e mais com o que o meu próximo entende. Na correria do dia a dia e ainda mais em nosso contexto da pressão natural do ambiente de produção técnica de um culto, é preciso a intencionalidade de escolher bem as palavras e confirmar se foram bem entendidas.


Isto traz à mente as palavras do apóstolo Paulo, “Porém nas reuniões da igreja prefiro dizer cinco palavras que possam ser entendidas, para assim ensinar os outros, do que dizer milhares de palavras em línguas estranhas.” (1Co 14.19 NTLH). As múltiplas áreas de conhecimento técnico empregadas na produção de um culto reúnem personalidades desde as mais técnicas e introvertidas, até as mais criativas e expressivas. É essencial que cada membro da equipe receba informações compreensíveis – e em tempo hábil – para realizar sua função com a melhor qualidade ao seu alcance. Quanto melhor for a qualidade de comunicação entre as áreas, maior a probabilidade de haver um culto sem intercorrências técnicas. Quem opera equipamentos num cul-

to precisa estar não apenas focado no momento, mas consciente de o que fará na sequência, pois são nos momentos de transições que as falhas normalmente ocorrem. Prover as informações necessárias com antecedência adequada e de forma que os membros da equipe as compreendam tem custo quase zero, e pode evitar falhas que mesmo os equipamentos mais caros são incapazes de evitar! Em conclusão, a tecnologia passa. Os lançamentos mais caros de hoje estarão obsoletos numa questão de tempo. Como a comunicação do evangelho numa linguagem compreendida pela nossa sociedade passa por estes equipamentos, não podemos desprezálos. Porém são as pessoas que têm importância maior aos olhos de Deus. E novamente Paulo define com clareza:

“Sejam humildes e considerem os outros mais importantes que vocês. Não procurem apenas os próprios interesses, mas preocupemse também com os interesses alheios.” (Fp 2.3b-4) Pastores, líderes, músicos e todos os demais envolvidos nos processos que compõem os cultos, estes princípios simples podem levar a sua equipe de produção a alcançar a sua maior qualidade. Foi Deus quem os estabeleceu e Ele abençoará aos que os praticarem. Até a próxima! Acesse as redes de David Distler Instagram - @dbdistler_tech facebook.com/dbdistlertech Contato para workshops, palestras, sonorização e projetos: db@dbdistler.com


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MADONNA e a sua Madame X Tour

Madonna lança versão para streaming da turnê Madame X. Mesmo tendo 18 apresentações canceladas por problemas técnicos, de saúde da cantora ou por conta da pandemia do Coronavirus, a Madame X Tour teve 75 shows realizados. Após a turnê, a rainha do pop Madonna firmou-se, mais uma vez, como dona do trono e precursora de uma legião de cantoras que vieram depois de seu legado. Ainda não está confirmado se o show será lançado em mídias físicas. Edição: Miguel Sá / Colaborador: Leonardo Costa Fotos: Divulgação / Ricardo Gomes / Stufish / Paramount + / Fontes: Stufish.com / DiGiCo.biz / Billboard.com

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o trocar os palcos imensos de estádios e arenas por pequenos teatros, Madonna optou pelas projeções como cenário. O que se viu na Madame X Tour foi um show espetacular de projeções e videomapping com a diva encenando suas músicas da forma mais teatral possível, lembrando até mesmo sua turnê dos anos 90, Blond Ambition, época em que não tínhamos tanta tecnologia e suas performances eram bem mais teatrais, mas que ainda assim já descobria as novas tecnologias, como por exemplo, o microfone headset, por muito tempo chamado de microfone Madonna, por ter sido ela a primeira artista a utilizar em um show. Trinta anos depois, a estrela segue inventando tendências e se reinventando. O uso de telefones celulares foi proibido durante a apresentação, assim como

acontece em peças de teatro, o que gerou muita polêmica, revolta e opiniões divididas entre o público. A empresa de arquitetura, design e produção, Stufish, vem colaborando com Madonna desde suas turnês MDNA e Rebel Heart Tour, de 2012 e 2015 respectivamente, e agora colaborou também com essa série de shows intimistas em pequenos teatros para celebrar seu mais recente álbum, Madame X. Este complexo show reinventa a maneira como Madonna se conecta com seu público e como ela se apresenta ao longo da jornada do show. Junto com mais de 30 artistas, ela cria um show que é uma fusão de pop, moda, instalação de arte e teatro, misturando efeitos de alta tecnologia que transformam o palco constantemente durante as 2h15 de show, tendo ficado em sua edição final para exibição no streaming


com 1h56, o que é praticamente todo o show. Apenas duas músicas foram cortadas da versão final. As mesmas que foram tiradas do setlist ainda durante a turnê: Crave e o fado Sodade.

ÁUDIO A partir de informações do site da DiGiCo (https://digico.biz/mixand-madge-q-at-the-heart-of-x/), foi possível apurar que foram usados consoles DiGiCo Quantum7 tanto na front of house quanto nos monitores, com dois consoles SD11 adicionais e vários racks SD, com cartões de 32Bit. Embora seja uma plataforma de mixagem muito mais poderosa que qualquer outra DiGiCo anterior, o novo console Quantum 7 foi implementado nessa turnê de Madonna, que foi reduzida

O Engenheiro de FOH, Tim Colvard, durante a turnê de 2008, Sticky and Sweet Tour

de grandes estádios para pequenos teatros nas cidades. Isso significa adaptar o som ao vivo para pequenos locais mesmo que a produção seja complexa. O Engenheiro de FOH, Tim Colvard, explicou para o site da DiGiCo como trabalhou com Madonna na Madame X Tour. “Desde

início a SD7 continuou a evoluir para uma mesa que pode atender às necessidades dos ambientes de show mais complexos”, diz ele, reconhecendo que a Quantum é um desenvolvimento orgânico do modelo carro-chefe da DiGiCo. “Eu uso a SD7 desde a turnê de Madonna em 2008, e tenho recur-

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Durante a canção "God Control", Madonna canta sobre a importância do controle de armas

sos de mecanismo redundantes como timecode, E / S MIDI e muitos bancos de entradas. Agora, com o Quantum 7, podemos usar diversos tipos de dispositivos de E / S de porta de áudio - incluindo SDRacks, Con e DD4 Series - em um

loop de fibra ótica e, em seguida, adicionar um segundo loop apenas para efeitos FOH. ” Para fazer a sonorização para a plateia, foi escolhido o sistema Adamson S10. “Mixar a Madame X Tour exigia a escolha de um sistema

Sean Spuehler e Matt Napier na frente da DiGiCo SD7, na turnê anterior, Rebel Heart Tour

que fosse compacto e leve, e que pudesse ser carregado e /ou empilhado”, diz Colvard. “O Adamson S10 foi a escolha final. Levamos 12 e empilhamos seis com quatro subwoofers Adamson E119 de cada lado. Alguns locais tinham sistemas instalados e nós complementávamos com nosso sistema”. O empilhamento de seis S10s com quatro subs de cada lado para a maioria dos teatros foi uma estratégia para manter a consistência de local para local, acrescenta Colvard. “A turnê começou na Brooklyn Academy of Music (BAM), em Nova York, onde usamos uma instalação completa de caixas para cobrir tudo - embaixo das sacadas, camarotes de ópera e assim por diante. Fornecer áudio em teatros históricos como esses exigia paciência para que o local aprovasse a colocação dos altofalantes. Junto com esses desafios estava o fato de que Madonna nun-



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O momento em que o show vira um clube de fado

ca havia se apresentado em teatros antes. Ela esteve em grandes arenas e estádios durante toda a sua carreira, então demorou para se ajustar.” No monitor, o engenheiro Matt Napier complementou seu Quantum 7 com dois consoles compactos DiGiCo SD11i com Stealth Core 2, um deles para prestar atenção especial aos vocais principais. Um era operado por Sean Spuehler, engenheiro de efeitos vocais de longa data de Madonna, explica Napier. “Em turnês anteriores, eu e Sean compartilhamos efetivamente um console, comigo mesmo no SD7 e Sean usando uma unidade de expansão Fader EX-007. Sean mixa o som vocal de Madonna não apenas para o ponto no ouvido dela, mas também para todo o resto. Meu papel é mixar a parte musical dela e cuidar da banda. Como o espaço sempre seria raro nesta turnê, movemos Sean para um SD11i. Ele então enviou sua mixagem vocal para o

monitor Quantum 7. Eu então integrei a voz dela na mixagem final. Isso nos deu grande flexibilidade, pois, se necessário, poderíamos ficar até 350m de distância. O segundo SD11i estava no mesmo loop óptico e localizado no monitor. Como tudo era sem fio e tínhamos quase 100 canais de RF, o segundo

les Quantum apresenta o novo processo Nodal, que proporciona uma flexibilidade sem precedentes para o encaminhamento de patches individualizados para cada músico. “Nodal é uma poderosa ferramenta”, concorda Napier. “Muitas vezes você está em uma situação em que um músico quer ouvir o instrumento cru e sem compressão, mas na mixagem final ele precisa ser moldado para se ajustar à mixagem geral. Nodal é ideal para isso. Como era minha primeira vez com o processamento Nodal, abordei com cautela, mas obtive ótimos resultados. Você precisa ter cuidado, pois é uma opção muito poderosa, e se usada corretamente, é um grande trunfo. Nesta situação com tantos músicos 28, na verdade - e tanta variedade de músicas para replicar do Fado à Dance Music, a capacidade de equalizar e compactar de forma independente foi fantástica". Da mesma forma, a função True Solo permite que Napier e todos os engenheiros de monitores entendam melhor a experiência de cada músico individualmente. “Realmente entendo”, diz ele. “A capacidade de ouvir como a compressão é impulsionada para cada músico dá uma imagem mais clara de como as mudanças em uma entrada afetam a

Mixar a Madame X Tour exigia a escolha de um sistema que fosse compacto e leve, e que pudesse ser carregado ou empilhado, diz Tim Colvard. SD11i permitiu que o engenheiro de RF Ali Vile ouvisse as entradas de RF e verificasse com os músicos antes de entrarem no palco se todos estavam felizes”. Ainda de acordo com reportagem o site da DiGiCo, a geração dos conso-

mixagem final.”. Napier ficou entusiasmado com os dois cartões DMI e portas MADI aumentadas. “São uma dádiva de Deus". Ansioso para experimentar a tecnologia de tela de nova geração agora implantada no console 338 mais recente, está claro


A abertura do show com texto de James Baldwin

que o Quantum 7 habilita Colvard, Napier e seus colegas para entrar em um ritmo totalmente novo, mantendo a experiência clássica do console DiGiCo. “O Quantum é basicamente igual ao antigo SD7”, destaca Napier, “além de seu processamento Nodal cada vez mais rápido e maior flexibilidade, especialmente as opções de E / S. Os cartões Waves DMI foram particularmente ótimos para usar para gravação multitrack. Todos os 128 canais em um único cabo Cat-6e! ”, destaca Napier.

nunca vista antes em canções da estrela. Quem imaginaria sanfonas e guitarra portuguesa em suas músicas? As cortinas se abrem após mensagem em off da própria Madonna pedindo para não utilizarem os aparelhos de celular para gravar ou fotografar o show e agradecendo a presença das pessoas. Tudo começa com a sombra da sua personagem, Madame X, sentada em uma cadeira digitando em uma máquina de escrever um texto do escritor James

Baldwin (1924-1987): “Artistas estão aqui para perturbar a paz”. O texto é projetado em uma película de projeção a frente do palco, como se estivesse sendo digitada por uma máquina de escrever, letra por letra. Enquanto isso, um de seus bailarinos é metralhado, para reforçar sua defesa contra o armamento descontrolado que os EUA já vive há um bom tempo, e começa God Control, uma das músicas do álbum que recebeu o mesmo título do show, Madame X. A bandeira americana é projetada na película e percebo que Madonna surge logo atrás, com projeções do clipe da música que diz “Perdemos o controle de Deus”. A dançante canção transforma o teatro em uma discoteca, com direito à globo de espelhos no teto, e desse modo, ela passa sua mensagem, fazendo todos dançarem e finaliza dizendo “Acordem”. O cenário tem referências ao artista gráfico holandês Maurits Cornelis Escher, famoso por seus trabalhos de ilusão de ótica. A empresa responsável criou um conjunto de peças cênicas que podiam ser constantemente reconfiguradas e movimentadas como um cubo mágico, principalmente as escadas, que em certos

Leonardo Costa conta como foi o show No dia 12 de fevereiro de 2020, uma quarta-feira, logo antes de todo fechar por conta da pandemia, as cortinas vermelhas do luxuoso teatro London Palladium estão fechadas enquanto o público entra. Para aquecer o início do show, os músicos de sua banda se reúnem no palco e intercalam, em versão instrumental, os hits da cantora e outras músicas. Percebo ser um excelente aperitivo do que está por vir, um show com uma variedade sonora

Uma tela de projeção foi colocada à frente de tudo, entregando ao público um efeito incrível

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A escada que formava um X, em referência ao artista gráfico holandês Maurits Cornelis Escher

momentos formavam um X, reforçando a persona Madame X.

em diversos momentos, faz piadas e discursos de empoderamento femini-

Na edição disponível no streaming, Madonna soube aproveitar cada momento, como no trecho em p&b, para resgatar o tom de Cinema Noir. Na sequência, na música Dark Ballet, vejo como a entrega de Madonna é completa, subindo e descendo em cima de um piano, mesmo naquele momento tendo dores constantes por conta de lesões nos joelhos. E então vem Human Nature, do álbum Bedtime Stories, de 1994, que surge totalmente repaginada em um tom jazzístico e uma nova roupagem, com um trompete, e muita percussão, o que deixa a música bem mais sensual enquanto Madonna dança dentro de um círculo giratório, chegando a ficar de cabeça para baixo enquanto a projeção mostra diversas sombras de mãos apontando para ela que canta com ironia “Ops, eu não sabia que não podia falar sobre sexo”. Ela conversa bastante com o público

no. Algo que que vem fazendo muito antes da palavra 'empoderamento'

entrar em voga. E por falar nisso, em Vogue, seu clássico hit dos anos 90, a rainha do pop entra como uma agente secreta e todos seus bailarinos e bailarinas estão vestidos como ela, de peruca loira. A projeção mostra máquinas de escrever intercalando com imagens dos grandes astros de filmes clássicos de Hollywood que são citados na música e a própria música se mistura com som das teclas das máquinas de escrever, no ritmo da canção, recurso que mais tarde no show volta a se repetir. Reparo que Madame X adora máquina de escrever. Vogue é seguida de I Don't Search, I Find, também do álbum Madame X, que tem o mesmo estilo e por isso a escolha proposital de vir na sequência. A cantora encarna uma femme fatale e, na edição final disponível no streaming, ela soube aproveitar o momento, colocando um trecho em preto & branco, para resgatar o tom de Cinema Noir da performance, um subgênero de filme policial, derivado do romance de suspense, o qual teve o seu ápice nos Estados Unidos entre os anos 1939 e 1950. Em alguns momentos, o cenário preenche todo o palco e cria uma escultura multinível que é uma tela

Na música “Human Nature” as mãos projetadas apontavam a artista, que sempre foi julgada


Referência sao Cinema Noir, utilizado na edição do espetáculo

para projeção de video-mapping e coreografia dos artistas. Em outros momentos, o palco fica mais vazio se tornando um cenário panorâmico para a projeção de imagens de vídeo em larga escala ao fundo, como na canção American Life, que traz Madonna no violão, no centro do palco praticamente vazio e com projeção do vídeoclipe da música ao fundo. Vejo que Madonna tentou e conseguiu compactar o que faz no grandes estádios, trazendo um pouco dessa tecnologia pra dentro do teatro. Em outro momento o cenário é organizado para formar um clube de fado cênico, criando um local para o principal estilo de música que é tocada no álbum Madame X. Na sequência, um dos momentos mais empolgantes e diferente de tudo que você possa ter visto em se

O hit “Vogue” foi um dos poucos sucessos do passado presente no show

tratando de Madonna é quando sobem ao palco as Batukadeiras de Cabo Verde, pra cantarem em coro, junto com ela, a música Batuka. Madonna as descobriu através de seu amigo em Portugal, Dino d'Santiago, que a levou até um bar de

quis levar 14 das 22 Batukadeiras para a turnê: ""Um dia ele (Dino d’Santiago) me convidou e disse que queria me mostrar algo muito especial, mas não podia me contar. Só disse para eu ir até tal lugar, em tal horário. Pensei na resposta que meu

O objetivo foi atingido: eu queria que o público tivesse o vislumbre da história delas, diz Madonna, sobre as Batukadeiras. fado e convidou as Batukadeiras especialmente para se apresentar para Madonna. Em entrevista à Billboard em maio de 2020, Madonna explica como conheceu, se apaixonou e

Madonna levou ao palco metade das Batukadeiras de Cabo Verde

empresário (Guy Oseary) me daria sobre levar 22 mulheres pra estrada comigo em turnê (que acabaram sendo 14). Mas o objetivo foi atingido: eu queria que o público tivesse o vislumbre da sua história."

No hit “American Life”, palco quase vazio e projeção gigante

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www.backstage.com.br REPORTAGEM | 14 20 A canção “Frozen”, utilizou a tela de projeção a frente de tudo, mostrando Madonna ao fundo e sua filha dançando na projeção.

Nesse show vemos Madonna canta fado em português, com sotaque, frases em português em várias músicas e no álbum que levou o mesmo nome, mas não teve versão ao vivo, teve até mesmo uma música quase inteira em português, em dueto com Anitta, chamada Faz Gostoso. A cantora explica ao público porquê foi morar em Portugal e porque se apaixonou pelo país, respectivamente, por conta de seu filho David jogar futebol e pelo constante encontro de artistas que se encontram apenas para tocar música uns nas casas dos outros. O bloco fado puxa a sequência latina, sempre presente nos seus shows, onde ela passa rapidamente por La Isla Bonita e o recente sucesso Medellín, em dueto com Maluma, nos telões. A faixa Extreme Occident chama a atenção da platéia com um cenário de escadas que se movem e somente Madonna está no centro do palco enquanto os músicos aparecem discretamente nas escadas.

Mas o momento mais marcante para muitos, e isso me inclui, foi a apresentação do seu hit Frozen, onde todos se sentam e prestam atenção, vidrados na performance que surge no telão, de uma jovem bailarina (sua filha Lourdes Maria) e atrás da tela de projeção, como em uma transição de imagens, o público ao vivo, via Madonna, e sua filha

dançando em p&b na tela gigante do teatro. O resultado foi muito bem gravado na edição que mostra com fidelidade o que público via ao vivo, mas que só entende quem esteve lá, pois no vídeo, pode parecer só um efeito de transição de imagens. Madonna traz a cultura musical do mundo nos blocos deste show. O bloco seguinte ao fado traz a música

Sua viagem pelo Marrocos inspirou um bloco inteiro do show


Madonna canta em português o Fado Pechincha, com direito a sotaque e acompanhamento do bisneto de Celeste Rodrigues

inspirada pela sua experiência em viagem para o Marrocos, em 2018, com ritmos típicos da região e um coral que dá o tom ao empolgante ritmo. E depois que vi a artista batucando a percussão em Human Nature, o violão em American Life, aqui ela se mostra pela primeira vez, sentada em um piano, tocando alguns acordes, na música Future, que

mostra uma versão completamente diferente do álbum, cantando nos versos que "Nem todo mundo está aprendendo com o passado" enquanto a projeção mostra diversas queimadas ao redor do mundo. E na reta final, apesar desta não ser uma turnê de hits, ela não esqueceu de incluir o mega hit Like a Prayer, onde as escadas formam um X, lem-

Pela primeira vez em suas turnês, Madonna senta ao piano e toca os acordes da música “Future”.

brando a já citada obra do artista MC Escher, com Madonna no centro e o coral em cada degrau das escadas. A música é apresentada em seu melhor estilo, enquanto o clipe é exibido nos telões e o público vai ao delírio. A edição soube aproveitar cada momento mostrando não apenas o show, mas os takes do polêmico clipe de 1989, que já repudiava o racismo, mostrando como Madonna sempre foi uma artista a frente de seu tempo. Para fechar, ela encerra o show com I Rise, que como a própria artista descreve no documentário do show, criou a música para dar voz aos marginalizados, a quem não tem chance de se expressar, aos presos, encarceirados, maltratdos, violentados, abusados e todos aqueles que se sentem oprimidos. "Espero que essa música lhes dê esperança e coragem para serem autênticos, se expressarem sem qualquer medo, se amarem, pois só se ama o próximo amando a si mesmo." (Madonna). 23 21



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