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Sumário Ano. 26 - Setembro / 2019 - Nº 297

Foto: Divulgação

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Amplificador Borne MOB T30

Totalmente transistorizado, bivolt e montado obedecendo aos avançados princípios de perfil dos amplificadores classe D, o Mob T30 é versátil, prá tico e moderno.

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SemanÁudio reuniu alguns dos maiores profissionais do áudio em Salvador em quatro dias de imersão com o tema Lazer, Conviver e Aprender

NESTA EDIÇÃO 16

Por Aí Gustavo Victorino traz as notícias mais quentes do mercado

08 Vitrine áudio O Power Click DB 05 é um amplificador de áudio acoplado a um mixer de dois canais. O seu sistema é monofônico, isto é: os dois sons são, automaticamente, mixados para os dois lados do headphone. Veja ainda: PowerClick MC01, MGA IC2 e splitter MGA AS212.

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Rápidas e Rasteiras Entre os destaques, o trabalho solo de Luiz Carlos Sá, a entrevista de Chris Fuscaldo, os 30 anos de Racionais e os 25 anos do IAV.

18 Preview Xtreme Ears O fone in-ear brasileiro híbrido Xtreme Hybrid pretende unir a precisão dos drivers de armadura balanceada e a naturalidade dos receptores dinâmicos

48 Vida de Artista Luiz Carlos Sá fala sobre os tempos heróicos do rock rural pelos interiores do Brasil


Edição 297 - Setembro 2019 Foto: Divulgação

Artigo de Joel Brito: Terraplanismo no áudio? Antigamente era um equalizador gráfico e um divisor de frequências para cada lado de PA. Hoje estamos caminhando rapidamente para termos processamento individual de caixas e, até, de transdutores.

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ILUMINAÇÃO 10

Expediente Diretor Nelson Cardoso nelson@backstage.com.br Gerente administrativa Stella Walliter stella@backstage.com.br Financeiro adm@backstage.com.br Coordenador de conteúdo Miguel Sá redacao@backstage.com.br Revisão Miguel Sá Colunistas: Cezar Galhart, Gustavo Victorino e Luiz Carlos Sá Ed. Arte / Diagramação / Redes Sociais Leonardo C. Costa arte@backstage.com.br Capa Arte: Leonardo C. Costa Foto: Nelson Cardoso Publicidade / Anúncios PABX: (21) 3627-7945 arte@backstage.com.br Webdesigner / Multimídia Leonardo C. Costa multimidia@backstage.com.br Assinaturas Maristella Alves PABX: (21) 3627-7945 assinaturas@backstage.com.br Coordenador de Circulação Ernani Matos ernani@backstage.com.br Assistente de Circulação Adilson Santiago Crítica broncalivre@backstage.com.br

Vitrine iluminação O Moving head Cameo Opus SP5 é projetado para iluminação de precisão, possuindo uma grande variedade de efeitos.O produto é equipado com lampada LED branca de 500 W. Veja também: King Pixel Bar; Cameo Zenit B60 e talha de 200 KG PL200.

Backstage é uma publicação da editora H.Sheldon Serviços de Marketing Ltda. Rua Iriquitiá, 392 - Taquara Jacarepaguá Rio de Janeiro -RJ - CEP: 22730-150 Tel./fax: (21) 3627-7945 / 2440-4549 CNPJ. 29.418.852/0001-85 Os artigos e matérias assinadas são de responsabilidade dos autores. É permitida a reprodução desde que seja citada a fonte e que nos seja enviada cópia do material. A revista não se responsabiliza pelo conteúdo dos anúncios veiculados.

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Iluminação Cênica Cezar Galhart fa uma homenagem a André Matos, grande nome do heavy metal brasileiro


CARTA AO LEITOR | www.backstage.com.br

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SemanÁudio: o evento e as pessoas O

Brasil é um país rico em criatividade e soluções. Na verdade, não há problema que não traga uma solução criativa e, se de um lado, vemos

a Expomusic cancelada, por outro, um novo evento foi sendo gestado nos

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últimos anos e, rapidamente, começa a atingir a maturidade: é o SemanÁudio. Na nossa matéria de capa deste mês, Fernando Maia e Tito Menezes contam de que forma montaram um evento que é, ao mesmo tempo, coletivo e individual; trabalho e lazer; conhecimento e diversão. A reação entusiasmada dos maiores nomes do áudio brasileiro não deixa passar em branco o impacto do SemanÁudio. Em uma edição bem direcionada aos profissionais do áudio, não poderia faltar um artigo de Joel Brito. Presidente da seção brasileira da AES durante vários anos, hoje tesoureiro, o engenheiro disserta sobre áudio, digitalização e controle dos componentes de um sistema. Como em todas as edições, não deixaremos de saborear a coluna de Gustavo Victorino dizendo quem é quem na música e no áudio e o texto de Luiz Carlos Sá contando como era levar música pelo interior do Brasil no tempo em que “tudo era mato”. Esta é a edição de setembro da Revista Backstage, sempre acompanhando o desenvolvimento da produção musical, do áudio e da iluminação. Boa leitura! Miguel Sá

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VITRINE ÁUDIO| www.backstage.com.br 8

POWER CLICK MODELO DB05 http://www.powerclick.com.br O DB 05 é um amplificador de áudio acoplado a um mixer de dois canais. O seu sistema é monofônico, isto é: os dois sons são, automaticamente, mixados para os dois lados do headphone. Cada canal tem controles de volume, tonalidade, input e output. Possui, também, volume master, que controla os 2 sons já mixados. Os jacks de input e output são do tipo J10 devendo, portanto, serem usados com plugs P10, tipo guitarra. O jack de conexão dos fones é J2 devendo, portanto, ser usado plug P2 stereo. Cada um dos dois inputs (nível LINHA, alta impedância) do Power Click DB 05 é compatível com instrumentos musicais com captação eletrônica (guitarras, etc.),metrônomo, CD, áudio de DVD, áudio de placas de computador, mesas de som, pedais de efeitos,processadores, etc. Alguns metrônomos não permitem amplificação de seu som. Para que um metrônomo tenha seu som amplificado, é necessário que tenha saída de fones com controle de volume. O circuito eletrônico do Power Click é compatível com qualquer tipo de fones de ouvido , de qualquer impedância ou modelo e funciona com bateria alcalina de 9 volts ou fonte de alimentação externa opcional.

POWER CLICK MODELO MC01 http://www.powerclick.com.br Este é um monitor de áudio para uso com headphone, modelo individual , para monitoração de 2 sinais de áudio. O Power Click modelo MC 01 é indicado para cantores e locutores que necessitem de monitorar o áudio de sua própria voz com opção de monitorar, também, um outro som. São 2 canais independentes (microfone e auxiliar). Cada canal possui input e output de áudio, controles de volume, graves, médios e agudos. O MC 01 possui, também, controle de volume master para o headphone e funciona com fonte de alimentação que acompanha o produto. O canal de microfone possui controles de equalização (volume, graves, médios e agudos). O input é com conector XLR balanceado e o output para conector P10 mono (tipo guitarra). A conexão input do microfone é para baixa impedância (600 ohms). A conexão output é para alta impedância, compatível com a maioria dos equipamentos de amplificação de áudio. O controle de volume master não interfere no mixed out. Utilize cabo tipo guitarra (conector P10 mono). Os controles (volume master, volume do canal, graves, médios e agudos) não interferem no som dos outputs ( microfone e auxiliar) do MC 01. Portanto, o usuário pode alterar estes controles que não ocorre interferência em outros Power Clicks e nem em mesas de mixagem ou PA.


MGA IC-2 UNIDADE DE CINTO www.mgaproaudio.com.br A unidade de cinto MGA Pro Audio IC-2 compõe um sistema de comunicação com fio de um canal projetado para uma ampla gama de aplicações que requerem comunicações claras, confiáveis e fácil operação. Possibilita a conexão de diversos aparelhos em apenas uma via de sinal com cabos de microfone padrão XLR 3 pinos conectados em cascata. Permite que o operador fique com as mãos totalmente livres em uma comunicação full duplex (ouvindo e falando ao mesmo tempo, como em um telefone).Compatível com sistemas de intercomunicação com e sem fio de diversas marcas.

SPLITTER PASSIVO MGA AS 212 www.mgaproaudio.com.br Este equipamento foi desenvolvido para atender sistemas de microfone TRUE DIVERSITY. Com apenas um aparelho é possível atender duas antenas. Permite conectar dois microfones ou distribuidores em um par de antenas na função splitter. Pode combinar quatro antenas para duas saídas na função combiner.

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CAMEO OPUS SP5 www.cameolight.com O Moving head Cameo Opus SP5 é projetado para iluminação de precisão, possuindo uma grande variedade de efeitos. O produto é equipado com lampada LED branca de 500 W, um sistema de mistura de cores CMY e correção linear de CTO. Uma roda de cores adicional com 7 filtros dicróicos permite alterações de cor instantâneas e feixes de cores divididos. A luminária tem saída de 15.000 lm, com iluminação de 39.000 lux a uma distância de 5 metros com rápida rotação de 540 ° e movimento de inclinação de 270 °. Equipado com uma lente frontal de 130 mm, o Opus SP5 alcança uma projeção plana e uniforme. Permitindo controle extensivo de feixe, ele possui uma faixa de zoom extra larga de 6 ° a 42 °, íris contínua e um filtro de frost continuamente variável que proporciona uma difusão suave semelhante a uma wash. O Opus SP5 oferece opções de controle flexíveis via DMX, RDM, Art-Net, sACN ou o transceptor W-DMX incorporado. Ele tem um ABS robusto e carcaça de metal com ventilador de baixa temperatura com controle de temperatura, Neutrik DMX e conectores powerCON TRUE1. A tela sensível ao toque é alimentada por bateria com seis botões de toque adicionais para configuração offline e dois modos de navegação de menu. A luminária vem com dois suportes omega e cabo de alimentação.

KING PIXEL BAR http://www.gobos.com.br/iluminacao/efeitos-led/1222-king-pixel-bar O equipamento combina 12 potentes LEDs centrais de 4 graus em tom de branco quente com 72 TRI LEDs multi-chip RGB no fundo, atuando em frost. O King Pixel BAR pode ser configurado em 4, 9, 48 ou 228 canais DMX. Além do modo DMX, o equipamento trabalha nos modos master/slave e auto com uma variada seleção de efeitos de grande impacto visual. As conexões disponíveis são XLR de 3 e 5 pinos e ETHERNET / ARTNET. O consumo máximo é 60W, com tensão: bi/volt automática.


CAMEO ZENIT B60 www.cameolight.com O ZENIT B60 é indicado para aplicações de filmes e TV. Ele utiliza tecnologia de 16 bits para mixagem e escurecimento de cores suaves de alta resolução e inclui correção individual de temperatura de cor LED, além de uma seleção de curvas de intensidade com resposta ajustável. Com operação com bateria, classificação DMX e IP65 sem fio integrada, o equipamento usa quatro LEDs Cree de 15 W RGBW com uma vida útil de 50.000 horas e uma potente saída de 1.900 lm para cores brilhantes e uniformes com um alcance preciso de 11 °. Para maior versatilidade, ele vem com dois difusores de moldagem de luz especialmente projetados, oferecendo uma opção de ângulos de feixe de 25 ° ou 40 °. Além dos sete modos de controle DMX, RDM e IR remoto ou manual por meio do display do equipamento, o ZENIT B60 incorpora um receptor W-DMX de 2,4 GHz. A bateria de lítio de alta capacidade da luminária proporciona um desempenho confiável até 24 horas a partir de uma única carga com tempo de duração ajustável. Um controle inteligente calcula automaticamente o brilho, e o sistema de gerenciamento de bateria da PAR light previne sobrecargas e descargas exaustivas para maior duração da bateria.

TALHA 200 KG - PL200 http://www.gobos.com.br/diversos/talha-eletrica/182-talha-200kg---pl200 Ideal para elevação de cargas de médio e pequeno porte, a talha elétrica PL-200 é compacta, discreta e leve, utilizando cabo de aço no lugar das tradicionais correntes. Com capacidade de suportar 200 kg, a PL200 transforma a pesada tarefa de elevar cargas em uma operação fácil, rápida, silenciosa e segura. Pode ser conectada a uma tomada e operada pelo módulo de controle. Ela utiliza 30 metros de cabo de aço inoxidável com 5 milímetros de espessura e é fornecida com duas algemas de segurança para engate em tubo padrão de duas polegadas. O chassis de alta resistência e a pintura eletrostática é preta. A talha tem duplo sistema de travamento combina a frenagem dinâmica e mecânica, garantindo parada imediata com segurança. A talha PL200 possui módulo de controle manual que facilita as operações e tem boa resistência a impactos. Vem equipada com três botões: emergência, para cortar o AC, Up e Down, para subir e descer.

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minha autoria, três regravações de canções conhecidas e duas de parceiros que admiro.

Foto: Divulgação

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Chris Fuscaldo

A jornalista e escritora trabalhou alguns anos em algumas da maiores redações de jornal do Rio de Janeiro antes de se decidir pela carreira acadêmica e começar a produzir livros sobre música: ela escreveu as discobriografias de duas bandas fundamentais no rock brasileiro: Mutantes e Legião Urbana. Investindo também na carreira de cantora, Chris contou para a a Revista Backstage sobre a produão e a estratégia “passo a passo” de lançamento do seu álbum. Quando decidiu gravar seu disco? Tive algumas bandas, mas o jornalismo me sugava e eu não conseguia me dedicar aos shows. Como nunca me considerei uma grande cantora, nunca pensei em gravar algo meu. No máximo, fiz um EP com uma das minhas bandas, a ECT (Eu, Chris e Taís). Quando larguei as redações de jornal para fazer um mestrado, fiquei tão inspirada que comecei a compor. Ainda levei um tempo para achar que o que tinha feito daria em música. Foi o produtor, o argentino Juan Cardoni, que desembarcou no Rio pilhadíssimo em fazer algo por aqui, quem me convenceu de que eu tinha um material. Com as composições arranjadas por ele, todas com cara de música, achei que era hora de registrar. E fizemos esse álbum com 12 faixas, sendo sete de

De que forma viabilizou? Esse foi o maior presente que ganhei da vida! Estou há anos tentando viabilizar o primeiro livro que comecei a escrever e outros projetos e não havia vivido nada como a experiência de gravar Mundo Ficção. Quando o Juan propôs gravarmos, eu disse a ele que não tinha condição financeira de bancar um álbum. Chegamos a um acordo: faríamos troca de serviços. Por ser jornalista, tenho capacidades como a de fazer releases, montar estratégias de comunicação, atacar na divulgação, roteirizar clipes e outras. Nesse embalo, uma amiga fotógrafa, a Tatynne Lauria, se animou de trabalhar com a gente. A diretora de dois dos meus clipes, Ceci Alves, também. Parceiro em uma das faixas (Enigma), Hyldon me auxiliou na hora de conseguir uma masterização boa (Marcio Pombo) a um preço possível. Dessa forma, gastei com certeza menos da quarta parte do que seria um trabalho como esse. Como foram as gravações? O produtor, arranjador e multiinstrumentista argentino Juan Cardoni gravou basicamente todos os instrumentos em seu home studio. Só pedi socorro a Marlon Sette e Altair Martins porque precisei de trombone e trompete na faixa Minha Menina, Não e isso Juan não sabia fazer. Pedi a Juan para liberar a instrumentação de uma, pois escolhi ter Guilherme Schwab na regravação de Muito Estranho porque tanto um dos autores da música, Dalto, quando eu e ele somos niteroienses. Eu quis prestigiar nossa cidade, além de ter um mons-

tro do violão e do weissenborn em meu disco. As vozes, eu gravei no home studio da cantora e compositora Clara Valente, que fez minha preparação vocal. Foi feito aos poucos ou de uma vez? Demorou um pouco mais do que Juan queria por minha culpa. Eu estava no processo de seleção de um doutorado quando iniciamos a pré-produção. Quando começamos a gravar de fato, eu tinha recém ingressado no doutorado e estava super enrolada com outros projetos. Também sou escritora e, logo nesse primeiro ano, 2016, terminei de escrever e lancei meu primeiro livro, o Discobiografia Legionária. Só em 2017 foi que comecei a estudar cadastramento de ISRC, edição e essas coisas que, hoje, é o artista independente quem faz. Em 2017, consegui começar a lançar os clipes. Na sequência, distribuí as faixas para as plataformas digitais e o CD físico só ficou pronto recentemente. Sozinha, é um passo de cada vez. Explique com construiu a estratégia de divulgação Como eu estava (e estou ainda) muito enrolada com o doutorado e os livros - lancei em 2018 o segundo, Discobiografia Mutante e este ano vou para um terceiro sobre Belchior - eu decidi não gastar energia montando banda e produzindo shows. Não tinha um público formado ainda. Achei que os clipes dialogariam melhor com as pessoas, que hoje vivem em função das mídias sociais. Venho, então, lançando clipes desde 2017, um por um, divulgando cada um deles para blogs, sites, jornais, revistas e até algumas rádios que abram espaço para mim. Estou pavimentando a estrada devagar para que, ano que vem, quando termino o doutorado, eu possa ter plateia em shows que pretendo fazer. Para saber mais, acesse: http://chrisfuscaldo.com.br/


Foto: Divulgação

FILHO DE RINGO STARR FECHA PARCERIA COM EQUIPE DE RAP DA ROCINHA

O rap brasileiro acaba de passar por uma oportunidade que pode alavancar de forma definitiva sua presença no cenário internacional, e o rapper Ami$h - cantor e autor da música re-

cém-lançada Ela Vem - está presente nesse momento. Há pouco tempo, Zak Starkey, filho de Ringo Starr e baterista do The Who, reativou o selo de reggae Trojan e resolveu fechar parceria com o coletivo carioca Covil do Flow (estúdio de música alocado na Rocinha), que será o pioneiro da nova fase da empresa no Brasil. Os brasileiros que fazem parte dele, juntamente com o rapper e empresário Same Old Sean,serão responsáveis por

produzir tais trabalhos. Além de Ami$h e Same Old Sean, o coletivo conta com: Nice, VT, Nalk, Pescada, Marcelino, Rogi, Caio e MDG. De acordo com o cantor, ator e cineasta, essa é uma oportunidade perfeita para que os materiais que saem da favela ganhem o mundo. Com Starkey, na reativação do projeto, está sua esposa, Sharna Liguz, produtora e cantora australiana, e a dupla Sly & Robbie, produzindo conteúdo inédito que promete esquentar o gênero.

Foto: Divulgação

ALEXANDRE PIRES E O SEGUNDO VOLUME DE BAILE DO NÊGO VÉIO Alexandre Pires lançou o segundo volume de Baile do Nêgo Véio - Ao Vivo em Jurerê Internacional no dia 23 de agosto. Versões de nomes que marcaram os anos 90 estão presentes no projeto, como Claudinho e Buchecha, Daniel, Chitãozinho & Xororó, É o Tchan e Raça Negra, entre outros. O DVD traz, ao todo, 19 faixas. O trabalho traz o título do show que o cantor tem levado para todo Brasil, em que passeia não só pela discografia do Só Pra Contrariar, mas também por outros hits do samba, axé, pagode, funk e sertanejo dos anos 90.

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Foto: Vinicius Giffoni

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LUIZ CARLOS SÁ SOLO E BEM ACOMPANHADO

Depois de 50 anos de carreira, com grande parte dedicados ao trio Sá, Rodrix & Guarabyra e à dupla Sá & Guarabyra, o compositor e cantor Luiz Carlos Sá parte para lançar seu primeiro álbum sem a tradicional parceria: o Solo e Bem Acompanhado. A primeira das doze músicas a serem lançadas – A Ilha, com participação de Roberto Frejat no vocal e guitarra slide – fjá está nas redes. Nove das canções são absolutamente inéditas. Além de Frejat, há participações especiais de Lucy Alves, do bandolinista e guitarrista baiano Armandinho - conhecido pelos trabalhos com a Cor do Som, o trio elétrico de Dodô e Osmar e o trabalho próprio - do Roupa Nova e dos Golden Boys. O cast de músicos de apoio é formado pelo primeiro time da MPB. No início dos anos 2000, Luiz Carlos Sá recebeu a proposta do produtor musical Vinícius Sá (que, apesar do mesmo sobrenome, é parente do cantor apenas na música), ganhador de um Grammy latino e indicado a outros tantos, para fazer um disco solo. No entanto, a volta do trio Sá, Rodrix & Guarabyra, a partir uma apresentação no Rock in Rio, em 2001, fez com que as gravações tivessem de ser interrompidas para Sá poder dedicar-se ao lançamento do novo CD/DVD do trio. Vinicius guardou cuidadosamente as fitas até 2018, quando o jornalista Miguel Sá – filho de Luiz Carlos Sá – refez a ponte entre eles e deu-se a partida às necessárias gravações adicionais e mixagem, pilotadas por Flavio Senna – também ganhador de diversos Grammy latinos - nos estúdios da Cia. dos Técnicos, no Rio. Isto depois de meticulosa transcrição das fitas

para HDs feitas pelo engenheiro de som Ricardo Carvalheira, responsável por remasterizações de Nara Leão e Gilberto Gil, entre diversas outras, na IAI Digital, em São Paulo. Solo e Bem Acompanhado foi produzido por Vinicius Sá com a coprodução de Felipe Freire e Lourival Franco e estará à venda em CD depois do lançamento digital dos três primeiros singles A Ilha, Não Me Empurre a Toa e Caçador de Mim. Além de parcerias tradicionais, como as com Flávio Venturini, Pedrão Baldanza (do icônico Som Nosso de Cada Dia) e Guarabyra, Sá traz no disco outras de primeira viagem, como Cada um de Nós Dois, com Cid Ornellas - cellista da sinfônica de Minas Gerias, irmão do saxofonista Nivaldo Ornelas - e Um Povo com Vida, com Mamour Ba, multi-instrumentista senegalês radicado em Belo Horizonte, ex-integrante da banda Obina Shock. Outra parceria inédita é Eu te Via Clareando, feita em 1970 com o poeta Torquato Neto, que trabalhou com Sá nos tempos em que este era jornalista e editava o suplemento musical do Correio da Manhã. Cada participação foi escolhida de modo a ajudar a contar a história das canções. O critério foi chamar quem tivesse absoluta afinidade com as músicas nas quais fossem tocar. Isso fica evidente no single de estreia, A Ilha, onde a canção parece uma parceria de Frejat com Sá. A participação especial de Lucy Alves em Eu te Via Clareando, na voz e acordeon, traz todo o potencial da música à tona. Na bossa/choro rural Serra Mineira, Luiz Carlos Sá põe uma pitada de cada referência sua, desde as serestas com a família na sua Vila Isabel de origem, no Rio de Janeiro (Sá é carioca) até a temática idílica/rural que faz parte da história da dupla Sá & Guarabyra, tudo temperado pelo bandolim especialíssimo de Armandinho. Em Os 10 Mandamentos do Amor (Pedrão Baldanza/ Sá), também registrada no último disco do S,R&G, “Amanhã” (2009), o magistral coro feito pelos Golden Boys remete à referencia dos spirituals. O clássico da MPB Caçador de Mim (Sergio Magrão/ Sá), que ganhou o mundo na voz de Milton Nascimento (a ponto de muitos acharem que a música é dele e de Fernando Brant) foi gravado com os

amigos do Roupa Nova, demonstrando novamente a química que a banda tem com as músicas de Luiz Carlos Sá, evidente em versões deles para Jeito de Viver(Sá), Me Faça Um Favor e Dona, (Sá/Guarabyra). O cantor, compositor e instrumentista Luiz Carlos Sá nasceu em Vila Isabel, Rio de Janeiro. Começou sua carreira profissional em 1965, tendo suas primeiras músicas gravadas por Pery Ribeiro, Luhli, Nara Leão, MPB4, Milton Banana Trio e outros. No ano seguinte fez sua estreia nos palcos, participando do musical Samba Pede Passagem, do Grupo Opinião, ao lado de Sidney Miller, Paulo Thiago, Sonia Ferreira (do Quarteto em Cy), Baden Powell, Aracy de Almeida, Ismael Silva e outros ícones do samba e da MPB. Depois de concorrer a alguns festivais, gravar seu primeiro single (Inaiá e Canto do Quilombo) pela RCA e ter várias músicas incluídas em trilhas de novelas, forma em 1972 com Zé Rodrix e Guarabyra o trio Sá, Rodrix & Guarabyra – que seguiu em dupla com a saída de Rodrix de 1974 a 2001 – emplacando dezenas de sucessos como Primeira Canção da Estrada, Hoje Ainda é Dia de Rock, Mestre Jonas, Sobradinho, Espanhola, Cheiro Mineiro de Flor e Jesus Numa Moto. Entre os maiores sucessos da dupla, alguns foram em novelas referenciais da TV brasileira, como Roque Santeiro, com as músicas Roque Santeiro, Verdades e Mentiras e Dona (esta tocada pelo Roupa Nova), e Pantanal, que teve Estrela Natureza. Fundindo a música brasileira interiorana com influências do folk rock, Sá & Guarabyra forjaram uma maneira de compor, tocar e cantar que a crítica especializada batizou de “rock rural”. Luiz Carlos Sá continua integrando a dupla Sá & Guarabyra, que está em plena atividade e lançou o álbum Cinamomo em dezembro de 2018. A dupla atua fazendo shows próprios e também no Encontro Marcado, no qual tocam com Flávio Venturini e a banda 14 Bis. Sá tem uma coluna mensal de crônicas na Revista Backstage na qual conta passagens sobre a carreira e a vida.


O maior grupo de rap do país celebra 30 anos de carreira com a turnê Racionais 3 Décadas – Tour 2019 que passará pelas principais cidades brasileiras. A turnê começou em Florianópolis, dia 20 de julho, na Arena Petry; e seguiu para Brasília, dia 3 de agosto, no Ginásio Nilson Nelson, e Curitiba, dia 17 de agosto, no Live Curitiba. Também há shows no Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife e São Paulo, o qual já tem o ingressos esgotados mesmo sendo em outubro. O setlist dos shows faz um retrospecto da carreira do Racionais trazendo músicas de todos os discos do grupo, desde Tempos Difíceis e Pânico na Zona Sul, passando por Voz Ativa, Homem na Estrada, Capítulo 4 Versículo 3, Negro Drama, entre outras composições mais recentes. Os shows são nos moldes da elogiada apresentação que lotou

o Credicard Hall em São Paulo em novembro de 2018, com banda. O Racionais MC’s surgiu no final da década de 80. Desde o começo, o grupo sempre teve a preocupação em transmitir por meio de suas músicas alguns dos problemas na vida de jovens negros e pobres de periferias brasileiras, como o racismo, o crime e a violência, e ajudar na luta contra a discriminação e pelos direitos iguais. Ao todo são seis álbuns gravados pelo grupo, que já recebeu entre outros, o Prêmio VMB 2012, com o Melhor Clipe do Ano, com a música Mil Faces de um Homem Leal, e também o Prêmio Multishow 2014, na categoria Melhor Turnê do Ano, com a Turnê 25 anos. O prêmio mais recente conquistado pela banda foi o prêmio APCA de melhor show do ano de 2018, com a apresentação de 29 anos de carreira, feita no Credicard Hall.

ROBERTA SÁ APRESENTA GIRO, SHOW DO MAIS RECENTE TRABALHO Roberta Sá está em turnê com o show que deriva de Giro (Rosa Produções/Deck), seu mais recente álbum, reunindo repertório composto por Gilberto Gil e parceiros. A cantora se apresentou no dia 30 de agosto, às 21h, no palco do Sesc Quitandinha. Tudo começou nos encontros em torno da mesa farta dos almoços de domingo do saudoso amigo e jornalista Jorge Bastos Moreno, no final de 2016. Nesse ambiente, Roberta teve a ideia de gravar um projeto só com canções do compositor baiano. Pouco depois, Gil a presenteou com a inédita Giro, já composta para o novo disco. O segundo presente foi Afogamento, parceria de Gil e Jorge Bastos Moreno (a gravação em dueto com Gil foi lançada em 2018, no álbum Ok Ok Ok, do baiano). Bem Gil assina a produção de Giro e cuidou de arregimentar o time de músicos. A pedido de Roberta, Gil retomou a parceria com Jorge Ben Jor depois de mais de 40 anos: juntos os dois assinam Ela diz que me ama, primeiro single do álbum que contou com a participação de Ben Jor nos vocais, em estúdio, e no vídeo clipe dirigido por Andrucha Waddington. Fogo de Palha também já ganhou vídeo clipe, editado a partir de imagens feitas na gravação do álbum, com Roberta, Gil e os músicos. A direção do show é de Gabriela Gastal e o cenário de Valéria Costa, mesma dupla por trás do show Delírio. O desenho da luz é de Ivan Marques e Gabriel Marques e a direção de movimento de Marcia Rubin. Figurino de Helô Rocha – Atelier Le Lis e styling Rogério S. A banda que acompanha Roberta é formada por Pedro Sá (guitarra), Pedro Dantas (baixo), Marcelo Costa (bateria) e Thiago Gomes (teclado).

Foto: Alice Venturi

Foto: Klaus Mitteldorf / Divulgação

30 anos de Racionais

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GUSTAVO VICTORINO | www.backstage.com.br

Osmar Terra e sua equipe na Festa Nacional da Música 2019 que acontece na segunda quinzena de outubro em Bento Gonçalves, na serra gaúcha. Atendendo ao convite do jornalista Fernando Vieira, o ministro ouvirá dos artistas e profissionais ligados à música alguns pleitos voltados ao interesse da categoria. Dentro eles o apoio da sua pasta à redução da carga tributária para os instrumentos musicais.

ESPERTALHÃO

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MODERNA

A enxurrada de eventos e pequenas feiras que se espalharam pelo país provaram um fenômeno curioso. Antes a Expomusic fazia o comércio procurar importadores e fabricantes em São Paulo. Nesses novos tempos, as empresas é que estão indo ao encontro dos comerciantes. No rastro dessa mudança e com convites de boca livre proliferando, o surgimento do lojista turista consolidou ainda mais esse fenômeno de mercado em franca expansão.

Com a compra da Harman pela Samsung o projeto de marketing da empresa passou por uma modernização que já traz bons números na conquista de mercado. Praticamente todo o espectro do áudio está coberto pelo avançado catálogo do grupo que vai do home personal aos complexos sistemas profissionais de PA e sonorização ambiental de grande porte. Juntas e ainda com o poder das marcas distribuídas pela Harman aliado ao gigantismo da Samsung, está criado o maior império de áudio do planeta.

AUSÊNCIA

As mudanças no cast do Rock in Rio continuam acontecendo e invariavelmente por conta dos artistas e suas idiossincrasias. Dessa vez foi a rapper americana Cardi B que cancelou a sua apresentação por “motivos pessoais”. A direção do evento já anunciou em seu lugar a cantora britânica, Ellie Goulding. Ela vai se apresentar na mesma noite que Anitta e Drake. Pensando seriamente, bem que poderiam cancelar a noite toda.

MENDELI

O executivo Takao Shirahata mal saiu da Yamaha e já está de casa nova. O boa praça que já dirigiu a Roland é o novo CEO da Mendeli para o Brasil. Distribuídos pela Equipo, os teclados da marca serão agora impulsionados também por um dos mais respeitados executivos do mercado.

MINISTRO

Confirmada a presença do Ministro

Lady Gaga se irritou e com razão ao saber que um obscuro compositor americano quer uma grana alegando que a premiadíssima música Shallow é um suposto plágio de uma canção de sua autoria chamada Almost, de 2012. Steve Ronsen disse que uma progressão de notas se assemelha a sua composição e que isso foi atestado por peritos. Ouvi atentamente a música do moço e a coisa me pareceu uma vigarice barata já que essa progressão está presente em centenas de canções conhecidas. Trata-se de um clichê que qualquer estudante de harmonia funcional conhece e usa com regularidade. As clássicas baladas “Dust in the Wind”, do grupo Kansas, e “Starway to heaven”, do Led Zeppelin, tem essa progressão bem acentuada e nem por isso as bandas processaram o espertalhão.

SUCESSO EM NY

Quem ironizou a nota dessa coluna sobre a turnê dos irmãos Sandy e Júnior vai ter que engolir mais essa... O show da dupla previsto para outubro no Barclays Center, em Nova York, já está com quase todos os ingressos vendidos. Os preços oscilam entre 60 e 800 dólares até o fechamento dessa edição sobravam pouco mais de 10% ainda à venda.

VÁLVULA

A Roland sempre foi inovadora e apesar dos preços salgados, de vez em quando traz novidades que cedo ou tarde são incorporadas pelo mercado. Recentemente a empresa, agora americana, lançou um produto que logo fará parte do catálogo de outras marcas. A série de amplificadores valvulados de guitarra Blues Cube permite que o músico escolha o timbre que deseja sem precisar levar até um técnico para fazer “modificações” nas bias. Basta comprar da própria Roland, as válvulas com o timbre que quiser. Robben Ford assi-


GUSTAVO VICTORINO | VICTORINO@BACKSTAGE.COM.BR na o primeiro lote de válvulas com timbres personalizados, mas muitos estão por vir. A novidade é cara, mas é prática demais para quem precisa de vários timbres adequados a cada show.

BOCA FECHADA

Falar mal do governo Bolsonaro virou moda e acesso à vitrine para muito artista pé de chinelo. Veículos do grupo Folha (Folha de SP e UOL) e da Rede Globo adoram artista que faz beicinho e mimimi contra o presidente. O problema está no fato de que a jogada já cansou e a vaia está pegando solta. Quem insiste em defender a quadrilha que passou quase duas décadas saqueando o país vem enfrentando resistência da população que há muito tempo deixou de ter gurus artísticos e se tornou seletiva e questio nadora. Tem gente até perdendo show por isso...

RECLAMAÇÃO

Alguns importadores começam a receber pressão de fabricantes gringos que reclamam das marcas próprias criadas por seus representantes no país. A alegação é de que os produtos tiram seu espaço no mercado. Equipamentos similares e concorrentes dentro da mesma empresa sempre foi encrenca e a queda de vendas vem provocando essa cobrança. Sem royalties pelo uso marca, os “genéricos” com os mesmos recursos custam até 30% mais barato. E logicamente vendem mais.

OBJETIVO

A ideia de uma frente parlamentar em defesa da música não é nova, mas sempre bemvinda. No entanto, os parlamentares engajados precisam de propostas claras e objetivas para qualquer projeto que venha a beneficiar a categoria. Entre as alternativas, a mais importante hoje seria a reclassificação dos instrumentos musicais como ferramenta de cultura e não de lazer. Com essa reclassificação tributária, teríamos mais e melhores instrumentos acessíveis à população. Ganhariam todos, desde as crianças, os jovens estudantes, músicos amadores e

até profissionais. Com a alteração tributária, a estimativa é de que os instrumentos musicais possam custar de 18% a 22% mais em conta nas lojas.

TALENTO E VIRTUOSE

É sempre bom descobrir novidades surpreendentes na música brasileira. Em Recife, num encontro de amigos, conheci um músico de encher olhos e ouvidos pela competência musical. Conhecido no nordeste brasileiro, o guitarrista baiano radicado em Recife, Luciano Magno precisa ser descoberto pelo Brasil. Talentoso e fiel às suas origens, o músico impressiona pela sua brasilidade. Sem estigmas de guitarrista de trio elétrico, o artista viaja nos ritmos verde e amarelos com a mesma desenvoltura com que insere complexas harmonias e solos inspirados em clássicos de jazz. Esse virtuosismo na guitarra faz dele uma das melhores novidades da MPB dos últimos tempos. Quem não conhece, precisa ouvir.

UMIDADE

Os estados do sul do Brasil enfrentam um problema que ano após ano vem atormentando usuários de equipamentos digitais. Por sua complexidade e sensibilidade, esses equipamentos são mais frágeis à umidade que nos meses de inverno infernizam os sulistas. Sabendo disso, os usuários mais experientes protegem seus equipamentos das mais variadas formas. Como nem todos tem esse cuidado os problemas são inevitáveis. As placas digitais e os alto falantes são os primeiros atingidos.

MARASMO

O ano está bem atípico na dança das cadeiras de marcas mundiais aqui no Brasil. Pouca movimentação e prudência nas estratégias de marketing estão confirmando minhas previsões do início do ano. Nem gringos e nem importadores querem arriscar grandes mudanças. Vacinados com as oscilações do dólar, o foco hoje está nas regras de comercialização on line e seus desdobramentos em nosso

país. Afinal, ninguém sabe o que está por vir.

CANIBALIZAÇÃO

A queda nas operações e o sumiço da maioria dos contratantes públicos está fazendo algumas empresas de sonorização aplicarem preços irreais. Na ânsia de se manter trabalhando e com custos fixos cada vez mais caros por conta da tributação jurássica e gananciosa vigente em nosso país, empresários do setor não encontram outra alternativa senão reduzir preços, mesmo que isso sequer remunere minimamente o capital imobilizado em equipamentos e infraestrutura logística.

PERGUNTINHA POLÊMICA

Se os músicos negros dominam o blues, o rap e o jazz, porque os recorrentes discursos contra o racismo na música? Esse câncer da sociedade precisa e deve ser atacado em suas origens de forma séria e coerente para que a luta de todos seja revestida de credibilidade. A cada premiação aqui ou lá fora é um festival de bobagens ditas por artistas que se revestem de lacradores e querem chamar a atenção com discursos por vezes risíveis. Racismo na música é coisa enterrada no século passado e tentar manter isso com uma indústria de discurso fácil só traz prejuízo a quem realmente luta para acabar com essa imbecilidade.

CUIDADO

Grande parte das guitarras das marcas Fender e Gibson vendidas em sites de livre comércio são falsificações. A constatação é de especialistas que alertam para a proliferação dessa vigarice ainda sem enfrentamento pelas autoridades. A coisa é tão escancarada que chegam a vender peças falsificadas para que você mesmo crie a sua falsificação. É o contumaz e trágico desrespeito aos direitos dos detentores dessas marcas em nosso país. Se você quer um instrumento autêntico de qualquer marca, compre em uma loja credenciada com a nota fiscal e a garantia de procedência e manufatura. É mais caro, mas é original...

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PREVIEW| www.backstage.com.br 18

XTREME EARS: Xtreme Ears é um monitor in ear híbrido projetado e produzido no Brasil

redacao@backstage.com.br Fotos: Divulgação

fone in ear híbrido brasileiro

O

Xtreme Hybrid pretende unir a precisão dos drivers de armadura balanceada e a naturalidade dos receptores dinâmicos utilizando componentes de alta qualidade. A estrutura é composta por um microdriver dinâmico de neodímio, projetado para cobrir todas as faixas de frequência, inclusive as baixas frequências, e um driver de armadura balanceada. Isto para que se obtenha profundidade sonora, clareza, precisão e riqueza de detalhes na sonoridade que o músico vai ouvir. A combinação também tem o objetivo de conseguir linearidade e baixa distorção. O equipamento também é o único moldado do mercado na categoria. Ou seja, além do modelo de ajuste universal, o

Xtreme Hybrid pode ser personalizado a partir do molde do canal auditivo do usuário. Além das possibilidades de personalização das cores, faceplate e logos, que já é um padrão da marca para os fones profissionais. De acordo com a Xtreme Ears, na pessoa do diretor de marketing, Marcus Devito, o produto é resultado de mais de um ano de pesquisas e testes, inclusive, com os usuários profissionais, que contribuíram para o equilíbrio ideal entre as duas tecnologias. "Fomos minuciosos em cada detalhe, sempre levando muito em conta os feedbacks dos usuários e chegamos a um equilíbrio que tem agradado quem já conheceu o produto e com uma excelente relação custo-benefício, es-


pecialmente para o usuário profissional", afirmou. Entre as pessoas procuradas pela empresa para desenvolver o produto, está o audiófilo Leonardo

Ragassi. De acordo com ele, "os graves estão bem cheios e presentes; graves e subgraves estão bem agradáveis, soam com bastante naturalidade, sem atropelar nenhuma

frequência; os médios estão levemente recuados em uma faixa de 500 até 1000 Hertz, o que o torna bem prazeroso de escutar, já que o ouvido humano tem tendência a ouvir mais a região média, por conta da fala; e os agudos estão lindos bem definidos, brilhantes e cristalinos, com ótima precisão". Para ele, cantores vão gostar pela definição no "s", guitarristas, pelo fato de poderem ter mais vida nos reverbs, e os bateristas, pelo som dos pratos. Para o roadie de bateria Ramon Cruz, que tem entre seus clientes referências como o baterista Aquiles Priester, o híbrido da Xtreme "é a melhor referência na hora de passar o som e deixar a monitoração perfeita para o artista tocar". A frequência de resposta do equipamento vai de 10 a 17 Hz/kHz com sensibilidade de 119 dB/mW e impedância (a 1KHz): de 16.

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REVIEW| www.backstage.com.br 20

AMPLIFICADOR BORNE MOB T30: QUANDO O TAMANHO NÃO É DOCUMENTO Gustavo Victorino | redacao@backstage.com.br | Fotos: Divulgação

Borne lança amplificador compacto para o mercado brasileiro

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elhas regras nunca fizeram parte do imaginário popular de músicos e artistas de todas as vertentes. Com esse conceito a Borne nasceu da filosofia dos irmãos Campanudo que decidiram fazer do arrojo e inventiva o pilar da empresa que aos poucos domina o mercado de amplificadores para instrumentos no Brasil. Outrora pequena, a Borne já dava sinais da sua filosofia lançando amplificadores com design inovador e cores incomuns para esses equipamentos. Logo o mercado respondeu exigindo qualidade e a Borne mais uma vez não decepcionou e fez do seu poderoso Gladiator 2500 um símbolo de potência e confiabilidade para músicos profissionais. O mercado pediu válvulas e a Borne res-

pondeu com o pequeno T7 que surpreendeu pela qualidade e receptividade. Na era dos minis amplificadores, a empresa mais uma vez foi desafiada a apresentar suas armas e como sempre, a resposta veio imediata. Nesse cenário nasceu o pequeno

surpresa é inevitável. Construído num chassi de metal reforçado e disponível em cores metalizadas, o pequeno notável é tão bonito que funciona até como objeto de decoração. Totalmente transistorizado, bivolt e montado obedecendo aos avançados princí-

Construído num chassi de metal reforçado e disponível em cores metalizadas, o pequeno notável é tão bonito que funciona até com objeto de decoração. (ou minúsculo) MoB T30, um aparelho que surpreende já ao abrir a caixa da embalagem. Como algo tão pequeno pode reproduzir potência e qualidade? A resposta vem logo ao ligar e a

pios de perfil dos amplificador classe D, o Mob T30 é versátil, prático e moderno. Estruturado operacionalmente para funcionar em até 2 Canais (Clean e Drive), oferece 30 Watts RMS de potência


Painel traseiro

Gabinete prático e leve

Mob T30 e Mob 300 2X12

RMS, com saída para fone de ouvido e entrada auxiliar para operar em condições atípicas. Tem ainda a obrigatória saída de linha e o recurso conexão intermediária de efeitos para aproveitamento individualizado do pré-amplificador (Send e Return) além dos controles básicos de Ganho de Entrada, Grave, Agudo e Volume Master. É completo! E tudo isso com menos de 2 quilos de peso e um tamanho surpreendente. O Mob T30 tem apenas 18cm de largura, 14cm de altura e 12cm de profundidade.

DÁ PARA ACREDITAR?

construída com respeito ao consumidor e suporte ao lojista. No quesito preço, vem outra surpresa agradável... O pequeno amplificador pode ser comprado no mercado bem abaixo de US$150, ou seja, em torno de 500 reais. As opções de caixas vão de US$ 100 a US$ 200, dependendo do seu perfil de timbragem e espaço disponível. Ligado, o pequeno amplificador de guitarra traz uma inevitável euforia para quem quer um equipamento prático, resistente e confiável. Mais um golaço da Borne.

A saída principal pode ser conectada a uma caixa passiva de até 4ohms e a Borne oferece uma linha de opções tentadoras para todos os gostos e necessidades. As opções são as caixas passivas MoB 110, MoB 112, MoB 200 e MoB 300, respectivamente com o seguinte perfil de falantes, 1 X 10”, 1 X 12”, 2 X 10” e 2 X 12”. Tudo construído numa estrutura reforçada e acabamento em vinil preto, e o mais importante, com o esmero e a qualidade que deu a Borne a credibilidade

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REPORTAGEM| www.backstage.com.br 22

João Américo, Marcelo Claret, Manoel Tavares, Wilson Marques, Carlos Ronconi e Vava Furquim.

IMERSÃO NO ÁUDIO EMPRESAS E PROFISSIONAIS SE

ENCONTRAM EM SALVADOR SemanÁudio reuniu alguns dos maiores profissionais do áudio em Salvador em quatro dias de imersão com o tema Lazer, Conviver e Aprender redacao@backstage.com.br Fotos: Nelson Cardoso (Revista Backstage) / João Adefran Santana (Sound Maker)

O

SemanÁudio é um evento que acontece, no Nordeste, já desde 2017. Desde então, já aconteceram 11 edições em capitais como Fortaleza(CE), Salvador(BA) e Natal(RN). Também houve uma edição em Mossoró(RN). O evento que aconteceu em agosto, no Hotel Sol Bahia Sleep, entre os dias 12 e 15, em Salvador, foi a décima segunda edição. Quem está acostumado aos eventos tradicionais que envolvem o mercado de áudio, como a Expomusic e a convenção anual da AES Brasil, talvez estranhe o fato de este já ter 12 edições em pouco mais de dois anos. Mas o SemanÁudio

é um pouco diferente. Não há a ideia de ter um “lugar principal”. Cada edição, seja em que local for, é uma edição específica e única, que atende a determinadas demandas do público que, por sua vez, tem uma interatividade grande com a organização. O SemanÁudio se propõe a ser uma imersão, misturando o caráter educativo do evento com entretenimento, formação de redes de contato e lazer, possibilitando assim uma maior interação entre os participantes – tanto os palestrantes como os espectadores – no mesmo espaço. Os organizadores são Fernando Maia, músico e técnico em


áudio pós-graduado em engenharia de som e o engenheiro de som Tito Menezes, formado em música e técnico de diversos artistas. Ambos dividem bastante as responsabilidades e decisões, sempre no sentido de atender aos objetivos do evento e promover intercâmbio de conhecimentos e experiências.

HISTÓRIA E DESENVOLVIMENTO Tanto Fernando como Tito já tinham uma história com eventos educativos anteriores. Eles se conheceram há muitos anos, quando Tito, que é de Salvador, foi operar o som de uma banda em um programa da TV Diário, do qual Fernando Maia era o técnico responsável. “Depois disso ficamos muito amigos. Diversas coisas foram fazendo com que nossos caminhos se cruzassem. Uma delas foi a Segunda Técnica: um movimento de encontro técnico na área de áudio que eu organizava em Salvador, há uns 10 anos”, comenta Tito. Na época, o evento se espalhou pelo Brasil. Fernando era responsável pelos encontros em Fortaleza, o que fez com que estreitassem as relações pessoais e profissionais. Em 2016, a roda do SemanÁudio começou a girar. Após uma ligação de Kadu Melo (monitor de Jorge Benjor e P.A. de Fábio Junior, entre outros trabalhos), Fernando

Durante o evento houve várias audições de sistemas de P.A. A FZ Áudio mostrou seu novo sistema J82A, uma evolução do clássico J08A.

ocorrido de 9 a 12 de janeiro”. Nesta primeira edição, o evento teve o apoio logístico e suporte técnico da RTAudio, com Ricardo Tavares e Erlon Damasceno e equipe, além do apoio de duas pes-

Depois disso ficamos muito amigos. Diversas coisas foram fazendo com que nossos caminhos se cruzassem. Uma delas foi a Segunda Técnica: um movimento de encontro na área de áudio que eu organizava em Salvador, há uns 10 anos. decide fazer, com ele, um programa de treinamento logo no início de 2017. “Na mesma hora liguei para Tito convidando-o para ser palestrante também. Em menos de 45 dias, formatei, organizei, e produzi o então inédito SemanÁudio

soas que o SemanÁudio coloca como importantíssimas neste evento: Alexandre Eidt e Pedro Gehring. “Foram 4 dias de um evento inédito em Fortaleza com a participação de mais de 100 técnicos”, ressalta Fernando. Em 2017

aconteceram ainda duas edições grandes em Natal, também com cerca de 100 participantes, nos meses de julho e dezembro. Em 2018, no mês de janeiro, aconteceu uma grande edição em Fortaleza, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. “Foi um marco. Um formato diferente, com mais de 15 palestrantes convidados e 150 participantes de todo o Brasil”, relembra Fernando Maia.

FLEXIBILIDADE O SemanÁudio tem a característica de se adaptar a cada necessidade, e pode ser realizado em um formato Express, que acontece em um ou dois dias com temas específicos. O local é escolhido de acordo com

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REPORTAGEM| www.backstage.com.br 24 Grande participação dos técnicos nas palestras

as demandas de cada encontro. “Sou formado em administração e nós fazemos um estudo e mapeamento, desde o acesso do participante do aeroporto até o possível local, as condições climáticas do período a ser realizado, o perfil dos participantes, as facilidades em chegar e sair e ficar hospedado e a logística das empresas para conseguirem chegar e sair do evento”, detalha Fernando. A edição de janeiro de 2018, em Fortaleza, foi a que começou a gerar o formato imersivo, ainda que não o tenha sido. Mas foi após os eventos no formato Express que aconteceram em Mossoró (RN), Natal (RN) e, novamente, Fortaleza, que Tito entra, de forma mais efetiva, na história do SemanÁudio. “Após um dos eventos que participei (Natal), quando Fernandão estava me levando ao aeroporto, falei sobre a minha vontade de fazer um evento nacio-

nal de áudio em Salvador, justamente por já organizar a Segunda Técnica na cidade. Falei sobre as ideias que tinha para o evento e o chamei para fazermos juntos. E então decidimos usar o mesmo nome SemanÁudio, que Fernando já usava. Juntamos as forças e as ideias e começamos a formatar o de agosto de 2018, em Salvador”, re-

ano, sendo uma Express e mais o SemanÁudio Solidário, no qual mais de 60 técnicos se reuniram em uma noite para aprender novas tecnologias e ajudar as crianças desnutridas da Instituição IPREDE com mais de 100 latas de leite em pó” acrescenta Fernando. O ano de 2019 já está se configurando como fundamental no de-

Sou formado em administração e nós fazemos um estudo que vai desde o acesso do participante do aeroporto até o possível local até as condições climáticas do período a ser realizado. memora Tito. “Em agosto do mesmo ano reformulamos a estrutura do SemanÁudio e mais de 250 participantes estiveram na edição de Salvador, e nesta edição foram inseridas as empresas apoiadoras, o que proporcionou ainda mais evolução ao evento. Em Fortaleza, ainda aconteceram mais duas edições no mesmo

senvolvimento do SemanÁudio. Mesmo antes da primeira edição, já havia o objetivo de fazer o formato imersivo. “Até chegar neste formato traçamos as metas e fomos, de forma consciente e sem pressa, realizando todas as etapas, porque isto não é imposto ao participante. Ele é quem faz a progra-


HOMENAGEADOS

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REPORTAGEM| www.backstage.com.br 26 Palestra sobre o uso de energia em trio elétrico

mação, sugerindo temas, ideias, faz a avaliação final sobre tudo o que aconteceu, sobre as necessidades atendidas e as que não foram atendidas”, coloca Fernando. Foi a cidade de Fortaleza que assistiu, no início do ano em janeiro de 2019, a cerca de 400 profissionais de todo o país no primeiro evento de imersão de áudio em um ambiente onde

nâmica de um show desde o ponto zero”, explica Tito, completado por Fernando: “além de todas as formações com palestras, Master Class e práticas de show, pudemos conviver 24 horas com todos os participantes e palestrantes hospedados no mesmo ambiente, sem sair do local, em momentos de lazer na piscina, em

Até chegar neste formato traçamos as metas e fomos, de forma consciente e sem pressa, realizando todas as etapas, porque isto não é imposto ao participante. Ele é quem faz a programação. o lazer e o conhecimento caminharam lado a lado a partir do tema Lazer, Conviver e Aprender. “Foi um formato super leve e descontraído, com piscina, área de lazer, três palcos montados, estúdio, salas master class, auditório e a grande novidade, que foi a prática de show em palco, ou seja, toda di-

partidas de futebol e até mesmo jogando vídeogames. À noite, tivemos programação direcio nada à convivência com uma food truck gourmet servindo churrasco e cerveja artesanal, tudo isso com música ao vivo”. O evento de agosto de 2019 em Salvador teve um formato mais

tradicional. Foram oito salas com programações de palestra simultâneas e a demonstração de sistemas ao ar livre. O workshop de som ao vivo foi relacionado ao áudio no trio elétrico. “Pela primeira vez em 70 anos de história do trio elétrico, inovamos e fizemos uma inédita prática de show em um, mostrando e explorando todo o processo e as especificidades deste tipo de trabalho”, enfatiza Fernando. “O SemanÁudio sempre busca inovações, e a deste ano foi a prática de show em trio elétrico. Talvez o grande desafio tenha sido colocar um dentro da área do hotel para que tivéssemos tudo (palestras, workshops, etc.) acontecendo no mesmo ambiente. Além disso, queríamos fazer com que toda dinâmica do evento proporcionasse que todos os participantes pudessem estar próximos de tudo. Queríamos que, desde a audição, salas especiais, máster classes, salão de


APOIADORES

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REPORTAGEM| www.backstage.com.br 28

Masterclass dos consoles de mixagem

expositores, tudo ficasse próximo, exatamente pelo objetivo do evento que é a imersão”, aponta Tito. “Sabemos que este formato é muito difícil de levar a todas as cidades, por isso sempre informamos em nossas divulgações que não esperem o SemanÁudio chegar em sua cidade. Talvez ele não vá. Cada edição é inédita e única, ou seja, não se repete. Por isso trabalhamos e fazemos de tudo para que cada pessoa vivencie este momento”, ressalta Fernando Maia. “Pelos feedbacks que estamos recebendo vemos o quanto o evento está sendo proveitoso pra quem participa, seja como organizador, palestrante, inscrito ou expositor”, completa Tito.

trantes entre alguns dos mais tarimbados profissionais do país, como Beto Neves, Carlos Ronconi, Manoel Tavares, Marcelo Claret, Rosalfonso Bortoni, Daniel Reis, Fabio Zacarias, Renato Carneiro, José Carlos, Emidio Braga, Martin Buffer, Maurício Pinto, Flávio Goulart, Denio Costa, Alexandre Rabaço, Fernando Fortes, Matheus Madeira, Pedro Gehring, Gustavo Bohn, Alexandre Eidt, Lucas Sallet, Kadu Melo, Tiago Borges, Levinton Nascimento, Igor

Pimenta, Jaksandro Silva, Roque Fausto, Lazzaro Jesus, Arnaldo Junior, os organizadores Tito Menezes e Fernando Maia, e também dois convidados internacionais: o engenheiro de som Robert Scovill, cuja palestra teve tradução simultânea para 400 pessoas e Thiago Terra, engenheiro de aplicações, vindo da Itália. De acordo com Manoel Tavares, que ministrou palestra com Carlos Ronconi a respeito de mixagem de musicais para a TV, o retorno foi o melhor possível. “São quatro dias de imersão com os melhores profissionais do áudio. E o feedback que o Robert Scovill deu foi extremamente positivo. Falou para uns amigos que ele nunca viu nada parecido em nenhum lugar do mundo. As perguntas estão muito bem formuladas. E foram mais de 500 pessoas por dia circulando lá”, comenta. Ele e Ronconi já participaram de outro SemanÁudio. “O impressionante para nós do mundo de TV era ter mais ou menos 80 pessoas na palestra interessadas no que é diferente no mundo da televisão”. De acordo com Tavares, a intenção foi desmistificar um pouco a

PALESTRAS É claro que em um evento de troca de conhecimentos, as palestras são parte fundamental. E o SemanÁudio tem um caminho bem próprio para defini-las: “sempre fazemos uma enquete onde os técnicos escolhem palestrantes pré-estabelecidos e espaço para sugerir nomes, assim como os temas”, conta Fernando. Em Salvador, foram mais de 20 palestras com cerca de 30 pales-

Marcelo da MGA Pro Audio mostra seus produtos no salão dos apoiadores


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REPORTAGEM| www.backstage.com.br 30

Sala de demonstração dos produtos da GSB

mixagem de musicais para TV. “A nossa palestra diz para todo mundo que o tratamento em TV é em nível de DVD, com tudo o que tem direito. Com a abertura da faixa de transmissão, hoje temos, efetivamente, de 20 a 20 mil Hz para brincar”. Manoel acredita que o formato do SemanÁudio tem boas indicações para outros eventos mais tradicionais. Fabio Zacarias, da FZ Áudio, falou sobre o desenho de sistemas usando simulações de software. “A palestra foi mais uma troca de experiências na montagem de sistemas, com os problemas típicos e a simulação de software para melhorar, porque ainda tem muita gente com resistência a usar software, que é muito necessário especialmente em Line Array”, comenta. Fabio preparou a palestra de forma a atender às demandas do público mais básico. “O objetivo é atender a todos. Então trabalhamos em uma concepção bem no nível mais básico, porque a maior parte são técnicos jovens que ainda estão aprendendo. O evento teve uma presença muito grande, uma coisa massiva mesmo. Já tinha ido a duas versões anteriores. Já estava grande antes, mas au-

mentou”, comemora. O engenheiro de estúdio e som ao vivo Beto Neves exalta o formato do evento. “Acho que está cada vez mais bem organizado. Começaram pequenos, hoje está com uma quantidade de palestras e participantes bastante alta. É interessante que o evento tenha um cunho de seminário, apesar de não ser, com uma grade bem extensa. E a diferença entre ele e os outros eventos, principalmente outros grandes do sul do Brasil, é que eles são mais acessíveis a uma categoria

de técnicos mais iniciantes, tanto na linguagem como financeiramente. Isso em um país como o nosso, no qual a educação está em segundo plano, e em uma profissão como técnico de áudio, que não tem uma formação acadêmica, faz com que uma grande parte desses profissionais empíricos iniciantes se sintam acolhidos com o formato do SemanÁudio. O conhecimento do áudio no mundo é 80 % em outra língua, e isso bloqueia o acesso aos brasileiros. O SemanÁudio começou a trazer isso para um público que não tinha acesso às feiras do sul e do sudeste. Foi realmente uma imersão. As pessoas acordam e dormem juntas no mesmo hotel, com uma grade extensa. Isso cria uma comunidade entre a pessoas que se conhecem no mesmo local”, diz. A palestra de Beto foi semelhante à outra que ele deu em um SemanÁudio anterior. Uma palestra que, segundo o feedback que a organização teve, ainda foi curta apesar das três horas de duração. “Conheço o Tito e fui convidado no anterior, em Fortaleza, para fazer uma palestra de abertura sobre

Lázaro na Sennheiser Sound Academy (RF Essentials)


PALESTRANTES

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REPORTAGEM| www.backstage.com.br 32

Demonstração dos produtos representados pela wdc networks

mixagem em P.A. Mas como sou um engenheiro que trabalha mais com estúdio, falei sobre técnicas de estúdio que a gente tem condições de utilizar no mundo do live, porque as mesas digitais proporcionam isso. Essa em Fortaleza teve duas horas, mas foi pouco, então o Tito me convidou para fazer uma de três horas podendo me aprofundar mais”. Desde os antigos Encontros Nacionais dos Profissionais de Áudio – os antigos EMPA, que se tornaram a AES Brasil, que Roalfonso Bortoni estava um pouco afastado desse tipo de evento. Ele gostou do que viu. “Por 12 anos fiquei afastado, em parte fora do Brasil, em parte imerso nos trabalhos para as olimpíadas, ainda que indo a uma ou outra AES. Minha palestra foi focada no amplificador, como ele entra no sistema, as considerações que podemos fazer para especificar bem o amplificador e relacionar a potência do amplificador com o alto falante. Também abordei temperatura, porque, a pedido da organização do evento, o foco era o trio elétrico, e me perguntaram como fica a temperatura do amplificador dentro do trio elétrico, que é um lugar enclausurado”, coloca. “As gerações vão se reno-

vando, a tecnologia vai mudando, e sempre a informação de base tem espaço nesse tipo de evento”, conclui o engenheiro. Marcelo Claret percebeu uma evolução clara na postura dos profissionais brasileiros e gostou muito da organização. “Acho que eles encontraram uma fórmula que concilia o útil ao agradável sem adicionar custos exorbitantes por causa disso. Fiquei muito feliz e impressionado com a postura extremamente positiva dos participantes em relação ao aprendizado. Todos se mostraram muito abertos e interessados em aprender. Isso me

chamou a atenção porque indica uma mudança de perfil da galera de sonorização, pois no passado o que víamos eram profissionais que não tinham tido formação alguma além da prática, mas que juravam de pé junto que não tinham mais o que aprender. Isso mudou e o SemanÁudio está provando isso. Pra mim, essa foi a melhor parte de tudo, porque é óbvio que qualquer um de nós que não estude, que não se atualize e que não tenha a base fundamentada, corre sérios riscos de se tornar rapidamente um profissional defasado. Essa mudança de postura mostra muita maturidade dos profissionais”. A apresentação de Claret teve como base um dos cursos que ministra no IAV, em São Paulo sobre efeitos e mixagem. “A ideia é mostrar os conceitos por de trás da criação de ambientes sonoros para que a mixagem, ao vivo ou em estúdio, tenha profundidade, lateralidade etc. Ou seja: como deixar sua mixagem estéreo com imagem 3D”. Tito Menezes ministrou palestra sobre equalização e afinação musical de instrumentos percussivos enquanto Fernando Maia fez uma apresentação sobre o áudio nas

Audição do sistema d&b Soundscape (d&b Audiotechnik / Decomac)


FLASH

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REPORTAGEM| www.backstage.com.br

FLASH


FLASH

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REPORTAGEM| www.backstage.com.br 36 Credenciamento no SemanÁudio

igrejas com Martin Buffer sobre os desafios da iniciação técnica. Também com Kadu Melo, desenvolveu o tema “Construindo uma mix para transmissões em redes sociais”. Analisando a própria criação, Fernando deu uma explicação definitiva sobre o que é o SemanÁudio “Não é feira, não é congresso, não é exposição, não é escola, não é nada do que se imagina em relação ao formato de eventos. Ele é imersão, ele se preocupa com quem vai ao evento. Por isso que trabalhamos muito o antes e o depois também. Não queremos que a pessoa apenas pague sua inscrição. Por isso nos diferenciamos de tudo. Cada participante, cada contato é feito quase que pessoalmente por nós. Sabemos como o profissional está na vida real, das suas dificuldades e temos empatia por isso. Sabemos que para fazer um evento

deste porte é necessário uma movimentação financeira e temos que ser prudentes nessa administração. É um evento pago, não gratuito, porque acreditamos que podemos trabalhar esta valorização, mas queremos que este investimento possa ser prazeroso ao participante. Nas duas últimas edições, em Fortaleza e Salvador, tivemos um participante chamado Kildeir Monteiro, de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, fronteira entre Brasil, Venezuela e Colômbia, que passou por 27 horas de barco a jato, na ida e na volta, pois de barco normal são três dias, além de um voo cheio de escalas e com preços altos. E mesmo assim ele falou que foi o melhor investimento que já fez na vida. E para esta edição ele ainda trouxe mais dois amigos da região”, resume Fernando.

A organização do SemanÁudio acrescenta: “não podemos deixar de reconhecer os profisisonais que fizeram e ainda fazem pelos profisionais: em fortaleza homenageamos Fernando Gundlach , Fernando Barilú e Carlos Correia (todos in memorian) assim como João Amércio, Manoel Tavares e Carlos Ronconi e Luiz Henrique Hesse. “Para a edição de salvador, os ambientes receberam os nomes de Armandinho, Dodô e Osmar, Wilson Marques, Orlando Tapajós (in memorian) e novamente Carlos Correia que em agosto deste ano fez 3 anos de sua partida. EMPRESAS QUE FORNECERAM A ESTRUTURA DO EVENTO:

- Somart - Wi-fi Sonorização, Rede Eventos - AL Som - TS Sonorização. Saiba mais

www.semanaudio.com.br


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REPORTAGEM | www.backstage.com.br 38

TERRAPLANISMO

NO ÁUDIO? Joel Brito é engenheiro. Carioca, começou a trabalhar no áudio profissional no início da década de 80 fazendo shows ao vivo. Atualmente dedica-se à elaboração e execução de projetos de sonorização e acústica. É membro do CREA/CONFEA, da Audio Engineering Society (Sociedade de Engenharia de Áudio), secretário da Comissão de Audiovisual da ABNT onde trabalha na elaboração de normas para sonorização. Entre em contato com Joel pelo e-mail joel@vikel.com.br

A digitalização do áudio nos trouxe muitos benefícios nas ferramentas de alinhamento de sistemas de sonorização. Não só conseguimos fazer filtros mais sofisticados em maior quantidade, mas a um custo mais barato do que com os equipamentos analógicos. E isso é bom pois nos permite processar cada vez mais individualmente nossas caixas.

A

ntigamente era um equalizador gráfico e um divisor de frequências para cada lado de PA. Hoje estamos caminhando rapidamente para termos processamento individual de caixas e, até, de transdutores. É mais uma limitação de custo do que técnica. Com isso, mudou bastante a abordagem técnica de montagem e alinhamento de sistemas. Tome, por exemplo, o direcionamento do áudio. Quando o áudio é som, ou seja, quando a onda sonora está propagando pelo ar, nós controlávamos (em alguns casos, tentávamos controlar) a diretividade através de barreiras mecânicas (cornetas, su-

perfícies) ou o próprio tamanho da caixa acústica. A partir de uma dimensão equivalente a um quarto do comprimento de onda de uma frequência você começa a influir na direção de propagação desta onda. Então quanto maior essa relação, mais diretiva a caixa é para aquele comprimento de onda. O comprimento de onda aumenta na medida que diminui a frequência. Assim, o comprimento de onda de uma frequência de 1000 Hz é de aproximadamente 34 cm. Em 100 Hz é de 3,4 metros. E em 50 Hz, 6,8 metros. Ora, um quarto de comprimento de


onda então é, aproximadamente, 8 centímetros em 1000 Hz, 80 centímetros em 100 Hz e 1,60 mt. em 50 Hz. Daí se deduz que, à medida que a frequência diminui, precisamos de uma corneta maior para direcionar o som e essas cornetas vão ficando grandes se quisermos controlar os graves. Ou, aumentar o tamanho da caixa se for do tipo bass reflex. Por conta disso, durante décadas tivemos muita pesquisas para desenvolver o mais variado tipo de cornetas. Cornetas dobradas, cornetas acopladas... Foi uma época de muita criatividade que nos legaram caixas cornetadas como as MSL-4 da Meyer, com sua corneta dobrada e as Leviatã da Community. Sem entrar em detalhes técnicos, a corneta, ao ser acoplada ao alto-falante, passa a integrar o sistema de conversão de eletroacústico. Como um adaptador de impedância, o sinal elétrico que alimenta o alto-falante transforma-se em uma onda mecânica, que propaga-se pelo ar. E esse acoplamento aumenta a eficiência desta conversão. Ou seja, para uma mesma potência elétrica de entrada, temos mais potência acústica saindo do sistema alto-falante/corneta. O tamanho (e peso) dessas caixas levou a indústria (principalmente aquela que atendia o mercado de tournês e shows ao vivo) a buscar outras soluções. Rapida-

Clair S4

passaram a suportar mais potência, aumentaram de sensibilidade e diâmetro (18”, 21” e até 24”). Isso fez melhorar bastante o resultado do ponto de vista de eficiência, que era uma das vantagens da corneta. A diretividade ficava a cargo da montagem das caixas/alto-falantes. Empilhando as caixas, conseguia-se fechar a diretividade vertical. Colocando-as lado a lado, diminui a cobertura horizontal.

O tamanho dessas caixas levou a indústria a buscar outras soluções. Rapidamente houve evolução no desenvolvimento de alto-falantes, que passaram a suportar mais potência, aumentaram de sensibilidade e diâmetro (18”, 21” e até 24”). A diretividade ficava a cargo da montagem das caixas/ alto-falantes. Empilhando as caixas, conseguia-se fechar a diretividade vertical. mente houve evolução no desenvolvimento de alto-falantes, que

O limite do conjunto de caixas aparece quando dois transdutores

estão distante mais de 1/4 de comprimento de onda e os cancelamentos aumentam bastante à medida que a distância aproxima-se de meio comprimento de onda. Isso acaba gerando um mapeamento de cobertura com diversos lóbulos (cancelamentos e picos) ao invés de um grande arco homogêneo. Como o público na grande parte dos shows fica no mesmo plano, lóbulos na vertical não eram tanto um problema. Então era comum o empilhamento vertical dos subwoofers. Arranjos em linha horizontal, são uma outra estória. Mais recentemente, com a maior disponibilidade de processadores digitais e amplificadores passouse a seguir um outro caminho para obter diretividade de ondas sonoras: interferências construtivas e destrutivas. Já falamos que houve uma grande evolução no desenvolvimento dos alto-falantes. Isto resultou em um

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desempenho que nos entrega com facilidade a pressão sonora que precisamos para os ambientes. A um custo que nos permite super-dimensionar os equipamentos de forma a “gastar” parte deste desempenho em troca de outro benefício. Não era novidade, na verdade desde a década de 40 que havia sido desenvolvida a técnica de arranjos de transdutores, que podemos usar a iteração de alto-falantes para não só termos mais volume, mas também para controlar a diretividade do conjunto de caixas. Com a disponibilidade de processadores e amplificadores individuais, os pesquisadores começaram a aplicar esta teoria para melhorar a cobertura nos graves na platéia (através da eliminação dos lóbulos) e, secundariamente, evitar que o grave se propagasse para regiões que não interessam. Como, por exemplo, atrás do PA onde não só não tem público (um antigo ditado do áudio diz: se não tem alguém que pagou ingresso não mande som para lá) mas também no palco. Onde a chegada (com certo atraso) deste grave pode diminuir o conforto dos músicos e interferir em seu desempenho.

Turbosound

ba por concluir erroneamente sobre uma realidade. Como eu já mencionei antes neste artigo, a interação entre fontes sonoras acontece em dois planos. O horizontal e o vertical. 3D. O arranjo/ processamento que atua em um plano, vai atuar de forma diferente no outro ou até não atuar. Assim, quando sentamos para fazer o planejamento de como que-

Clair S4 US Festival

Mas, afinal de contas, o que isso tudo tem a ver com Terraplanismo? Bem. O que caracteriza o terraplanismo é ignorar evidências e limitar seu escopo de forma que aca-

remos a cobertura sonora - e aí me refiro tanto a instalações permanentes quanto nos shows ao vivo, que também precisam de projeto - precisamos pensar (algo que uma turma

que só pensa na “receita de bolo” não gosta de fazer) e entender que nossa expectativa pode estar acima da possiblidade real de execução. Um exemplo, o caso do palco. Se tivermos um palco relativamente alto, digamos dois ou mais metros, é possível que o cancelamento traseiro na verdade tivesse que ser um cancelamento 45 graus para cima. Será que nesta região está tendo cancelamento de graves? A resposta é depende. Não se encontra muitas publicações mostrando claramente o quanto (e como) isso acontece. O que vemos mais são dados que colocam o palco no mesmo plano das caixas de subwoofers. A maioria das ferramentas disponíveis para o cálculo desse arranjos de subwoofers só leva em consideração a cobertura horizontal São simuladores 2D. Os mapeamentos são todos em uma superfície. Não vemos balões ou mapeamentos tridimensionais. E, até certo ponto, atendem suas premissas. Se você considerar que a região que você pretende sonorizar não tem muita diferença no plano vertical,


Meyer MSL4

Leviatã

por exemplo não tem uma arquibancada. Se o palco for baixo etc. Mas, o técnico tem que estar atento a esta limitação. Evidentemente, estamos falando aqui do som direto das caixas, outra limitação dos simuladores 2D. No mundo real, em uma sala com suas paredes e outras superfícies refletoras, a propagação da onda sonora rapidamente se espalha. Mas haverá uma diferença de tempo de chegada entre o som direto e o refletido. O que pode ou não ser uma interferência construtiva. Para

Uma última observação. O espectro sonoro vai de 20 Hz a 20000 Hz. Em tese, a entrega de nosso trabalho para o público e, portanto, o alinhamento do sistema é para toda essa região de frequências. Em uma escala linear a região de sub-graves (20-80 Hz, digamos) corresponde a 0,03% dessa faixa de frequências. Mesmo que a gente considere que a absorção atmosférica na prática vai limitar este espectro a 2012.000 Hz, ainda assim é 0,05%. Ah, mas a música…!

Na grande maioria das apresentações musicais as pessoas estão lá para ouvir a letra da música e não as notas mais graves. Não é à toa que a região de voz, 300-6000 Hz corresponde a 47% do espectro 20-12K. Então fica a reflexão, onde devemos dedicar mais tempo do pouco tempo que temos para fazer o alinhamento na montagem? isso precisamos simuladores 3D. Não é tão simples assim fazer um projeto de sonorização, hein? Que inveja do pessoal da iluminação.

Ok. A música é um fenômeno de banda completa (full range). E existem alguns segmentos musicais em que a região de sub-graves

é prioritária. Mas, na (ainda) grande maioria das apresentações musicais as pessoas estão lá para ouvir a letra da música e não as notas mais graves. Não é à toa que a região de voz, 300-6000 Hz corresponde a 47% do espectro 20-12K Então fica a reflexão, onde devemos dedicar mais tempo do pouco tempo que temos para fazer o alinhamento na montagem? Veja bem que isso não é uma condenação à práticas de alinhamento de sub-graves, mas um chamado à racionalização de forma que os técnicos abordem seu trabalho com uma visão mais, digamos, global ao invés de fixarem em um plano do todo. Vejo um grande interesse nas pessoas em alinhar os Pas com seus sistemas de processamentos digitais. Mas pouca ênfase tem sido dada à lembrar dos fundamentos da física, que fazem tudo isso funcionar e que devem orientar nossas decisões e procedimentos. Uma “receita de bolo” pode funcionar para uma determinada situação. Mas não funciona para todas as situações. Os técnicos de áudio tem que estar preparados para aplicar seu conhecimento e obter uma solução para cada situação diferente que enfrentar. Se você aguentou ler até aqui, muito obrigado e até a próxima.

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Figura 1: Homenagem a André Matos. Fonte: Mundo da Música.

Se fosse possível personificar um estilo musical em algum artista, o Heavy Metal brasileiro teria em André Matos seu mais significativo expoente, ícone e referência. A morte prematura desse grande artista ainda causa comoção, não somente pelas qualidades e competências profissionais, mas pela essência que o destaca no meio musical. Nesta conversa, uma singela homenagem a esse artista brasileiro que brilhou em diversos palcos do mundo e emanou sua luz de diversas maneiras.

O ACENDER DAS LUZES

HOMENAGEM A ANDRÉ MATOS! Cezar Galhart é técnico em eletrônica, produtor de eventos, baixista e professor dos Cursos de Eventos, Design de Interiores e Design Gráfico do Unicuritiba e pesquisador em Iluminação Cênica.

A

música brasileira, em sua mais rica e generosa oferta de combinações, estilos, ritmos, expressões e personagens, notabiliza-se por proporcionar artistas de grandezas imensuráveis, capazes de criar marcas que repercutem no cenário nacional, mas que também atingem patamares diferenciados em

diversos lugares deste planeta. Se esta plêiade contempla nomes como Heitor Vila-Lobos, Carmem Miranda e João Gilberto (que será homenageado na próxima conversa), além de outros ilustres nomes que atingiram públicos além dos limites territoriais, em um magistral elenco convencionalmente as-


Figura 2: André Matos em turnê solo (2018). Fonte: Pâmela Veríssimo.

sociado à Música Popular Brasileira, outros célebres nomes enveredaram em compor e se manifestar artisticamente em estilos da música internacional, e mesmo em outros idiomas, tendo êxito e criando referências para fãs e artistas de outros países, com destaques para bandas como Os Mutantes, Sepultura, Viper, Angra e Shaman, entre outras. Nas três últimas, evidencia-se a presença de um vocalista que se destacava pela técnica, carisma e admiração incontestáveis: André Matos. Nascido em São Paulo no dia 14 de setembro de 1971, André Coelho Matos teve sua formação musical de forma precoce, pois começou a estudar piano ainda na infância, sendo que a partir de 10 anos teve

aulas regulares de piano, com o intuito de ser instrumentista. Com 13 anos, entrou para a primeira banda, Viper, para tocar teclados, cujos ensaios realizados na “casa do Zé do Muro” elegeram-no como o mais apto para assumir os vocais,

Yves Passarel (guitarra solo), Felipe Machado (guitarra base) e Cássio Audi (bateria), com essa formação, gravaram a fita demo The Killera Sword, lançada em 1985, e o álbum Soldiers of Sunrise, em 1987, lançado pela gravadora El-

Nascido em São Paulo no dia 14 de setembro de 1971, André Coelho Matos teve sua formação musical de forma precoce, pois começou a estudar piano ainda na infância. mesmo contrariamente à sua vontade (de fato, ele não acreditava que poderia ter competência para os vocais). Inicialmente formada por André Matos (vocais), Pit Passarel (baixo),

dorado. Como curiosidade, paralelamente à Viper, André Matos tinha outra banda, o trio Netuno, com Yves Passarel e Marcos Klein na bateria, dedicada a covers. Em 1989, já com Guilherme Martin

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Figura 3: André Matos em turnê com a banda Shaman. Fonte: Folhapress.

em substituição a Cássio Audi na bateria, André Matos gravaria seu último álbum de estúdio com a Viper, Theatre of Fate, distribuído com êxito no mercado musical europeu e no Japão. Mesmo com uma prodigiosa trajetória com essa banda, André Matos re-

Kiko Loreiro (guitarra) e Marcos Antunes (bateria), banda essa que gravaria uma fita K7 demo intitulada Reaching Horizons, em 1992. Já com o primeiro álbum Angels Cry, gravado na Alemanha (Hamburgo) e lançado em 1993 no mercado nacional, Eu-

Com o primeiro álbum Angels Cry, gravado na Alemanha (Hamburgo) e lançado em 1993 no mercado nacional, Europa e Japão, André Matos teria projeção internacional, sendo, inclusive, sondado para substituir Bruce Dickinson no Iron Maiden. solveu se dedicar aos estudos, pois havia um conflito da agenda de ensaios e shows com as aulas no curso de bacharelado em Regência Orquestral e Composição Musical na Faculdade de Artes Santa Marcelina. Em 1991, ainda na faculdade, formou a Angra com o colega e guitarrista Rafael Bittencourt, complementada pelos músicos Luis Mariutti (baixo),

ropa e Japão, André Matos teria projeção internacional, sendo, inclusive, sondado para substituir Bruce Dickinson no Iron Maiden. Com a entrada do baterista Ricardo Confessori, André Matos gravou com a Angra o álbum conceitual Holy Land (1996), o EP Freedom Call (1997), o álbum ao vivo Holy Live (1997), além de alguns singles, se-


Figura 4: Homenagem a André Matos. Fonte: Facebook/Veja.

guido do álbum Fireworks (1988), último registro de André Matos com a banda Angra. Deve-se destacar a turnê subsequente deste último que, associado ao título, incluía um projeto de iluminação Cênica diferenciado e inédito para os padrões

mo período de gravações e lançamentos com a Shaman, André Matos participou de vários projetos, tais como Virgo (com o guitarrista e produtor alemão Sascha Paeth), Avantasia (idealizada por Tobias Sammet), além dos álbuns The Metal

O ano de 2006 foi marcado por mais uma decisão – e mais um desafio: André Matos e os irmãos Hugo e Luis Mariutti decidiram deixar a banda Shaman, para novos projetos. Entre eles, a carreira solo de André Matos. brasileiros, além de espetáculo de fogos e pirotecnia. No começo de 2000, André Matos, que acabara de sair da banda Angra, forma uma nova banda, Shaman, com Luis Mariutti (baixo) Ricardo Confessori (bateria) e Hugo Mariutti (guitarra). Com essa formação gravam três discos: Ritual (2002), RituAlive Reason (2005). Nesse mes-

Opera e The Metal Opera Part II. O ano de 2006 foi marcado por mais uma decisão – e mais um desafio: André Matos e os irmãos Hugo e Luis Mariutti decidiram deixar a banda Shaman, para novos projetos. Entre eles, a carreira solo de André Matos. Seu primeiro álbum, Time to Be Free foi lançado em 2007, mesmo ano em que realiza primeira turnê pelo Brasil,

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Figura 5: Homenagem a André Matos. Fonte: Rodrigo Antonio/Veja.

incluindo países da Europa e Japão. Em 2009, o segundo álbum, Mentalize, mantém a coerência da carreira de um artista versátil que, como no primeiro álbum, mescla elementos e melodias da música clássica ao Heavy Metal e Power Metal. Em 2010, André Matos anunciou a formação de uma nova banda, o supergrupo Symfonia, formado por renomados músicos do Heavy Metal e Metal Melódico mundial. Além de André Matos (vocal), um supergrupo com Timo Tolkki (guitarra), Jari Kainulainen (baixo), Mikko Härkin (teclados) e Uli Kusch (bateria) que lançaram em 2011 seu único álbum, In Paradisum. O ano de 2012 marcou o retorno da formação original da banda Viper para a turnê To Live Again Tour em celebração aos 25 anos do primeiro álbum, além do lançamento do terceiro álbum de estú-

dio da carreira solo, The Turn of the Lights (em tradução livre: O Acender das Luzes). No ano seguinte, na comemoração dos 20 anos do lançamento de Angels Cry (primeiro álbum da banda Angra), nova turnê com execução do álbum na íntegra. E, em 2015, para comemorar os 30 anos de carreira, André Matos lançou uma turnê especial, cujo repertório seria escolhido pelo público através no website oficial do artista. Em 2018, a Shaman anunciou o retorno com a formação clássica, para uma série de shows em conjunto com Arch Enemy e Kreator. Em fevereiro de 2019, uma nova turnê pelo Brasil, com a participação da banda Avantasia. Deve-se destacar ainda que André Matos, além das bandas, trabalho solo e contribuições em dezenas de gravações, era poliglota, músico dedicado e perfeccionista, autor de

peças musicais eruditas, entre outros trabalhos perpetuados em registros e colaborações diversas. Tão admirável e respeitável trajetória foi interrompida no dia 8 de junho de 2019, em decorrência de um infarto agudo do miocárdio. Pode-se afirmar categoricamente que André Matos se eterniza como um ícone do Heavy Metal brasileiro, cujo vazio proporcionado pela sua precoce partida não atinge somente os admiradores e fãs dele e do estilo, mas a música em geral, em âmbito mundial. Artista extraordinário, disseminou seu carisma em palcos de todos o mundo, e pelo cuidado com que tratava os profissionais e fãs, deixa uma referência e um exemplo a ser seguido. Gratidão eterna, André Matos! Carry On! Abraços e até a próxima conversa!

Para saber mais redacao@backstage.com.br


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LUIZ CARLOS SÁ | www.backstage.com.br

OS TEMPOS HERÓICOS

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DO

Foto: George's Studio

ROQUERRURAL

O

k, você hoje é um artista com carreira consolidada. Suas gigs são 90% de avião. Desfruta de uma infraestrutura que lhe permite subir ao palco com tudo pronto, sem que você tenha que se preocupar com coisanenhuma a não ser consigo mesmo. Seu camarim tem frutas, salgados, toalhas, chuveiro quen-

sileiro, pelo menos aquela que eu vivi. Porque querer ser sucesso nacional num país enorme como o nosso na década de 70 do século passado tinha seu preço, e não era barato. Pra começo de conversa, você cantava com o equipamento que existia. A importação de eletrônicos sofria taxas proibitivas e a indústria na-

Quero contar a história das origens do moderno Show Business brasileiro, pelo menos aquela que eu vivi. Porque querer ser sucesso nacional num país enorme como o nosso na década de 70 do século passado tinha seu preço, e não era barato.

te, farta variedade de refrigerantes, sucos ou bebidas alcóolicas de qualidade, sofás onde você pode esticar as pernas... Enfim, você é feliz antes e depois do show. Mas isso não foi sempre assim. Então, quero contar a história das origens do moderno Show Business bra-

cional engatinhava. As guitarras desafinavam; os violões, submetidos a repetidas mudanças de temperatura e aos maus tratos de pessoas inexperientes nesse particular, empenavam e quebravam. Os teclados... que teclados? Rezava-se por um piano acústico no local, nem que fosse aqueles tipo armário. Tudo aqui-


LUIZCARLOSSA@UOL.COM.BR | LUIZCARLOSSA.BLOGSPOT.COM lo que não fosse muito, muito, muito caro simplesmente não aguentava a pedreira da estrada. Bem, aí, à custa de muito trabalho e um endividamento eterno com alguma gravadora, você conseguia um adiantamento e comprava – na mão de contrabandistas – um equipo respeitável. No nosso caso, Sá & Guarabyra, conseguimos um advance e compramos, de segunda mão, uma pequena mesa de oito canais, dois microfones Shure e duas imensas caixas de PA, cada uma delas com dois subwoofers Altec e dois falantes de médio. Falavam bem. O problema – quando começamos a ter sucesso e consequentemente ter que viajar - era transportar esse peso total de quase

Os shows comprados eram raros e não era difícil tomarmos uma volta dos empresários locais, quase sempre amadores querendo dar a impressão de profissionais. Uma vez tivemos um empresário que bancou montes de shows Brasil afora. Estávamos achando ótimo, até descobrirmos que o cara era um estelionatário profissional, bancando tudo com um cartão de crédito estourado e ficando com nosso dinheiro. O mais engraçado é que um belo dia ele nos confessou tudo na cara dura, prometendo nos pagar em quinze dias e – claro, como éramos ingênuos – desaparecendo da face da Terra nos quinze minutos seguintes. O problema de todos nós, músicos dos primórdios

Festivais à la Woodstock, como o de Águas Claras, enfrentavam dificuldades aparentemente intransponíveis e conseguiam concretizar o impossível. Num deles, chegamos no palco detrator e tivemos que interromper nossa apresentação depois que um dilúvio desabou sobre nós e nos livramos – por milagre divino – de sermos precocemente eletrocutados. setenta quilos, Brasil afora. Entenda: essa facilidade de locar equipos completos e de razoável qualidade na grande maioria das cidades brasileiras, não existia. Ou você arriscava a fazer com o quebra galho local ou pagava uma nota pra seu equipo chegar de caminhão, visto que a carga aérea tinha seu limite financeiro literalmente nas nuvens. Os empresários viam-se a braços com logísticas dignas de um safari e muitos shows deixavam de ser realizados por completa inviabilidade. Claro que os heróis existiam. Festivais à la Woodstock, como o de Águas Claras, enfrentavam dificuldades aparentemente intransponíveis e conseguiam concretizar o impossível. Num deles, chegamos no palco detrator e tivemos que interromper nossa apresentação depois que um dilúvio desabou sobre nós e nos livramos – por milagre divino – de sermos precocemente eletrocutados. No dia seguinte, o festival foi em frente, seu público composto por cerca de três mil pessoas remanescentes parecendo, ahn... “criaturas da lama”, saídas de um filme de ficçãocientífica. Com os músicos da banda, éramos cinco. Viajámos muito de carro. Ficávamos muitas vezes hospedados em casas de amigos, pois tudo era fator de economia.

estradeiros dos anos 70, é que a paixão que tínhamos pela profissão obnubilava totalmente nossa noção do real. Fazíamos dez shows para receber três ou quatro, trabalhávamos em condições que hoje em dia seriam inimagináveis, viajámos noites a fio (até hoje duvido das minhas “façanhas” de estrada e me pergunto como sobrevivi a tudo aquilo), montávamos nossos palcos carregando os pesados amplificadores, éramos – além de músicos – pau pra toda obra. Sem dinheiro para roadies, tínhamos que contar com a boa vontade dos fãs, que não raro trabalhavam lado a lado com a gente na montagem e na divulgação dos shows. Hoje, quando depois de um bom sono chego descansado ao local do show e encontro o som passado, a banda a postos, o camarim suprido, o empresário com o pleno controle do que acontece e do que possa acontecer, lembro dos meus anos heroicos de roquerrural e me parabenizo: eu segurei aquela onda porque meu sonho estava ali, não amarelei, não chorei, resisti e segui em frente, às vezes contra todas as probabilidades. Aí, deito-me naquele sofá confortável, relaxo e digo de mim para mim: “Eu mereço”. E como.

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Edição 297 - Setembro 2019 - Revista Backstage  

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