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Sumário Ano. 26 - Julho / 2019 - Nº 296

Foto: Marcos Hermes / Divulgação

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Rio Montreux Jazz

Durante quatro dias, o Rio de Janeiro recebeu o melhor do jazz mundial em shows exclusivos. O evento também teve palcos gratuitos espalhados na cidade

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Entre os dias primeiro e 4 de julho aconteceu, no Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo, a vigésima segunda convenção nacional da AES Brasil. Cerca de 900 visitantes puderam participar das 60 horas de eventos.

NESTA EDIÇÃO 18

08 Vitrine áudio O ID24i é para instalação fixa. O ID24t é indicado para turnês. Os gabinetes podem ser instalados horizontalmente ou verticalmente, em fly, ou usados como front fill. Veja também o retorno d&b MAX2; B&C Subwoofer 18DS115 e microfone AudioTechnica ATM 350GL

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Rápidas e Rasteiras Entre os destaques, as novidades da Universal Music, o espetáculo Rumours of Fletwood Mac e o João Rock

Play Rec Nesta edição, os lançamentos de Madonna, Edu Lobo com Romero Lubambo e Mauro Senise, Paulo Belinatti e Marcelo Callado

20 Por Aí Gustavo Victorino traz as notícias mais quentes do mercado

36 Maratona do Rio: muito mais que uma corrida Palcos e shows espalhados no percurso, além da área de largada e chegada, exigem apoio de áudio, luz e estruturas.

48 Vida de Artista Luiz Carlos Sá fala sobre como compôs a música Lembranças do Futuro: uma homenagem à poetisa Ana Cristina Cesar


Edição 296 - Julho 2019 Foto: Cézar Fernandes

Rio das Ostras Jazz & Blues Com duas dezenas de atrações representando um pouco do melhor do blues e do jazz contemporâneo, o Rio das Ostras Jazz & Blues 2019 repetiu o sucesso e confirmou a sua importância

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ILUMINAÇÃO 10

Expediente Diretor Nelson Cardoso nelson@backstage.com.br Gerente administrativa Stella Walliter stella@backstage.com.br Financeiro adm@backstage.com.br Coordenador de conteúdo Miguel Sá redacao@backstage.com.br Revisão Miguel Sá Colunistas: Cezar Galhart, Gustavo Victorino e Luiz Carlos Sá Ed. Arte / Diagramação / Redes Sociais Leonardo C. Costa arte@backstage.com.br Capa Arte: Leonardo C. Costa Foto: Ernani Matos Publicidade / Anúncios PABX: (21) 3627-7945 arte@backstage.com.br Webdesigner / Multimídia Leonardo C. Costa multimidia@backstage.com.br Assinaturas Maristella Alves PABX: (21) 3627-7945 assinaturas@backstage.com.br Coordenador de Circulação Ernani Matos ernani@backstage.com.br Assistente de Circulação Adilson Santiago Crítica broncalivre@backstage.com.br

Vitrine iluminação Equipado com um sistema LED de 180W o Astro LED Spot 180 contém dois discos de Gobos intercambiáveis, disco de cores equipado com filtros dicróicos e prismas de 3 e 8 faces. Veja também: LED Long BAR IP65 18X15W; elipsoidal LED 180W CW 5600K 26 graus DMX e Cameo Evos S3.

Backstage é uma publicação da editora H.Sheldon Serviços de Marketing Ltda. Rua Iriquitiá, 392 - Taquara Jacarepaguá Rio de Janeiro -RJ - CEP: 22730-150 Tel./fax: (21) 3627-7945 / 2440-4549 CNPJ. 29.418.852/0001-85 Os artigos e matérias assinadas são de responsabilidade dos autores. É permitida a reprodução desde que seja citada a fonte e que nos seja enviada cópia do material. A revista não se responsabiliza pelo conteúdo dos anúncios veiculados.

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Iluminação Cênica Cezar Galhart discorre sobre iluminação cênica em situações de cena móvel


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CARTA AO LEITOR | www.backstage.com.br

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O que passa. O que fica. D

esde 1995 que a Revista Backstage faz parte do mercado do áudio no Brasil. Mais que do mercado, a Revista faz parte do dia a dia de todos que trabalham com produção musical ou qualquer outra atividade ligada ao áudio e iluminação profissionais. Sempre estivemos lado a lado de quem promove o conhecimento e a evolução de cada show, equipamento, festival ou eventos ligados à difusão do conhecimento. Não poderia ser diferente neste momento. Nesta edição, você acompanha duas demonstrações de que, mesmo em épocas adversas, é possível promover eventos em alto nível na área musical. O Rio Montreux Jazz Festival, criado a partir da perseverança de Marco Mazzola e seu parceiros, é um exemplo. Com um elenco de primeira linha, o Festival ainda espalhou palcos gratuitos pela cidade do Rio de Janeiro com o melhor da música mundial.

Também se pode falar o mesmo do Rio das Ostras Jazz & Blues Festival, levado a frente por Stênio Mattos e equipe. Após momentos adversos, a partir do quais o Festival teve que se ajustar a novas condições de realização, a população e os turistas de Rio das Ostras não deixaram de curtir aquele que é um dos maiores eventos de jazz do mundo. E o que dizer da Maratona do Rio de Janeiro? Corredores e espectadores ainda podem curtir a música espalhada por todo o percurso em seis palcos montados pela Inside Produções, que também cuida do som e da luz destes locais, planejando e realizando uma logística extremamente complexa. Tudo o que foi feito nos eventos citados precisa de planejamento e conhecimento. Este conhecimento, já há algumas décadas, é difundido no Brasil por meio da seção brasileira da Audio Engineering Society (AES Brasil), que promove eventos, workshops e a convenção nacional, que já está em sua vigésima segunda edição. Como destaque este ano, a justíssima homenagem a quatro personalidades fundamentais na evolução do áudio brasileiro: Carlos Pedruzzi, Carlos Ronconi, Framklim Garrido e Joel Brito. As crises vem e vão, mas o mundo não para. Enquanto isso, estes e outros acontecimentos do áudio, música e iluminação profissional estão – como sempre estiveram e sempre vão estar – nas páginas da Revista Backstage. Boa leitura Miguel Sá

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NEXO ID24

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https://nexo-sa.com/systems/id-series/ O ID24i é para instalação fixa. O ID24t é indicado para turnês. Os gabinetes podem ser instalados horizontalmente ou verticalmente, em fly, ou usados como front fill. Os Subs dedicados da Série ID estão disponíveis para estender a resposta de baixa frequência. Com drivers de formação em V, o ID24 pode ser montado horizontalmente ou verticalmente. Com uma corneta giratória que permite ao usuário selecionar rapidamente entre 60 ° x 60 °, 90 ° x 40 °, 120 ° x 40 ° ou 120 ° x 60 ° (de acordo com a corneta), o ID24 oferece flexibilidade de altofalantes compactos com um gabinete que oferece som e desempenho, seja montado horizontalmente ou verticalmente. Compacto e potente, os alto-falantes e os subwoofers são ideais para uma colocação horizontal discreta em paredes ou tetos.

D&B MAX 2 https://www.dbaudio.com/global/en/ O monitor de palco O MAX2 passivo de 2 vias apresenta um driver de 15 polegadas e um driver de compressão coaxial de 1.4 polegadas. O MAX2 é um monitor de palco com presença vocal e clareza; som neutro e balanceado; alta estabilidade de feedback e capacidade de alto nível de pressão sonora. O monitor MAX2 tem crossover passivo e pode ser conduzido no modo de canal duplo usando a configuração específica em um amplificador de potência linear apropriado. Os corredores especialmente projetados evitam movimentos indesejados quando usados como monitor de palco, enquanto o suporte de polo integrado torna o MAX2 adequado para pequenas aplicações de PA. O software de monitoração remota MAX2 da d & b cria uma interface de usuário flexível. O software de controle remoto R1 fornece todos os recursos, funções e controles disponíveis na frente dos amplificadores da d & b, que podem ser controlados e monitorados remotamente. As funções de serviço permitem atualizações de firmware dos amplificadores sempre que estiverem disponíveis, enquanto as ferramentas de monitoramento verificam se o sistema funciona dentro de uma condição predefinida. O software de controle remoto incorpora o equalizador de cada canal do amplificador d & b dentro do software para fazer ajustes em qualquer posição.


B&C SUBWOOFER 18DS115 https://www.bcspeakers.com/en/ products/lf-driver/18-0/8/18ds115-8 Este subwoofer utiliza uma bobina de voz de alumínio de quatro camadas. O resultado é mais energia no gap, maior sensibilidade, menor distorção e melhor desempenho geral. O 18DS115 possui uma bobina de voz de fio de alumínio revestida de cobre com 40 mm de comprimento e 4,5 polegadas de diâmetro (116 mm). Com uma potência AES de 1700 watts, sensibilidade de 98 dB e mais de 14,0 mm, este subwoofer é um avanço significativo em relação a modelos semelhantes da gama B & C.

AUDIO TECHNICA ATM350GL https://www.audio-technica.com/cms/wired_mics/ 59374f6938cdfbf7/index.html O sistema de montagem ATM350GL possui o microfone condensador cardióide ATM350a, um microfone de alto SPL que fornece uma resposta clara e bem equilibrada de qualquer instrumento. Quando combinado com o suporte AT8491G incluído e o robusto goose neck AT8490L 9 polegadas flexível, o microfone pode ser fixado com firmeza a um violão ou outro instrumento de cordas com uma profundidade de corpo de 90-135 mm. O padrão polar cardióide do microfone isola o instrumento reduzindo o pickup lateral e traseiro. O filtro passa-alta de 80 Hz selecionável no módulo de alimentação em linha ajuda a controlar o ruído indesejável de baixa frequência. O sistema também inclui um suporte de violino AT8468 com fixador de gancho e loop e uma maleta protetora.

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ASTRO LED SPOT 180 http://www.gobos.com.br/iluminacao/moving-head/1214-astro-led-spot-180 Equipado com um sistema LED de 180W o Astro LED Spot 180 contém dois discos de Gobos intercambiáveis, disco de cores equipado com filtros dicróicos e prismas de 3 e 8 faces. O Astro LED tem display em LCD para ajuste rápido de suas funções e três modos DMX: 22, 23 ou 24 canais. O equipamento tem LEDCW Luminus 180W, tensão de alimentação100 a 230V 50/60Hz; o consumo chega a 300W; o controle é DMX 512; master/slave, som ativo e auto-run; o pan/tilt é 16 bits (alta resolução) e auto reposicionamento, o pan chega a 540° (0º - 540º: 2,2sec) e o tilt e 270° (0º - 270º: 1,2sec). As cores estão em um disco com 7 cores dicróicas mais abertura; são dois discos de gobos com 7 gobos cada sendo um fixo e o outro rotativos intercambiáveis mais abertura. Entre as funções, efeito estrobo colorido e sincronismo master/slave que permite criar grupos em modo DMX. As dimensões são 380 x 480 x 260 (LxAxP) e o peso 14,5 kg

LED LONG BAR IP65 18X15W http://www.gobos.com.br/iluminacao/ribaltas/162-led-long-bar-ip65-18x15w Desenvolvida para uso externo, essa ribalta possui 18 Hexa LEDs de 15 Watts. O mix de cores é RGBWA+UV (Red, Green, Blue, White, Amber + UV). O produto foi desenvolvido para eventos e instalações de alto nível, fachadas de edifícios, jardins e situações críticas que necessitam de alta qualidade, como estúdios de televisão e teatros, já que são extremamente silenciosos, por não possuirem ventoinhas, além da função flicker free, que não causa oscilação/batimento na captura de imagens em câmeras HD. O grau de proteção é IP65 - À prova d’água; os LEDs, 18 Hexa LEDs x 15W. O ângulo de abertura chega a 25° e o protocolo é DMX512 com 6 ou 10 canais. As funções são editáveis pelo display LED com menu e funções. Entre os efeitos, Color Changer, Color Fader, Color Strobo e Modo Som ativo. A temperatura de cor vai de 2700K a 8000K e o consumo de energia chega a 300W com tnsão de alimentação de 100V a 240V. As são de 1020 x 190 x 100 mm (LxAxP) e o peso é 10 kg.


ELIPSOIDAL LED 180W CW 5600K 26º DMX http://www.gobos.com.br/iluminacao/elipsoidais/ 168-led-180w-cw-5600k-26%C2%BA-dmx Estes refletores Elipsoidais consomem pouca energia, não geram calor e por utilizar protocolo DMX não precisam de rack dimmer. O equipamento tem a luminosidade de um Elipso tradicional de 750W com bom custo/benefício em dois canais DMX. O ângulo de abertura é de 26º e a temperatura de cor é de 5600K. O peso do equipamento é 6.5 kg com medidas de 28cm (44cm com alça) x 28cm x 53cm (59cm com alça) em altura, largura e profundidade.

CAMEO EVOS S3 https://www.cameolight.com/en/solutions/install/moving-lights/spot-moving-heads/19887/evos-s3 O Cameo Evos S3 é uma moving head com LED branco de 350 watts especialmente desenvolvida para uma distribuição de luz uniforme. Ele oferece desempenho de 12.000 lm, pan e tilt rápido de 540 ° e 270 ° . O equipamentoe produz cores brilhantes e vibrantes a partir de mistura de cores CMY e correção linear de CTO. O foco de luz também possui uma roda de cores com 7 filtros dicróicos e um zoom motorizado que muda o ângulo do feixe de 10 ° para 38 °. O Evos S3 é equipado com um foco motorizado e um diafragma de íris continuamente variável que facilita os efeitos de pulso de até 2 Hz, e um frost filter continuamente ajustável fornece uma propagação suave. Com dois discos de gobo e um prisma circular de 3 faces, o Evos S3 é equipado para projeções e efeitos. O disco de gobos rotativo é equipada com sete gobos de vidro indexáveis. O disco de gobo estático está equipado com 8 gobos de metal. Todos os gobos podem ser facilmente trocados e combinados com os prismas rotativos e indexáveis ??para efeito máximo. O Evos S3 oferece opções de controle flexíveis via DMX, RDM, Art-Net, sACN ou o transceptor W-DMX incorporado. Ele possui carcaça robusta de metal e ABS com uma ventoinha silenciosa com temperatura controlada, entradas e saídas DMX de 3 e 5 pinos e tomadas de energia compatíveis com POWERCON TRUE1. O equipamento é fornecido com dois suportes Omega e cabo de alimentação.

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lança novo single

ANGELA SOUL LANÇOU NO ÚLTIMO DIA 18 SEU SEGUNDO SINGLE, "TÔ TE ESPERANDO" Foto: Hanae Guimarães

Velhas Virgens

Depois do sucesso de Lado B, recém lançado, chega nas plataformas digitais o segundo single de Angela Soul Tô te Esperando. Música assinada por Roberta Campos. Para conferir, a música está disponível nos principais aplicativos, ou pelo site www.angelasoul.com, ou ainda pelo link do YouTube: Lyric Vídeo Tô Te Esperando

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Com mais de 30 anos de estrada,

SEGUNDA INSTRUMENTAL TEM PÚBLICO RECORDE

A banda paulista, ícone do rock independente, apresenta o blues O Bar me Chama. A música comemora 30 anos de uma longa estrada que rendeu 16 CDs, cinco DVDs, dois livros, uma gravadora, um bar e algumas cervejas artesanais. O Bar me Chama é um blues dançante e bem humorado, costurado com um tema de gaita, acompanhado de co-

rinhos e metaleira. A música descreve a epopeia de um sujeito que tenta ir pro trabalho, pro futebol, se casar, e até ter seu descanso eterno, mas não consegue, pois o bar, literalmente, o chama. O bar me chama também será o nome do próximo álbum do grupo, com previsão de estar em agosto nas redes. A música está disponível no link https:/ /sl.onerpm.com/2277476991

A maciça presença de artistas e apreciadores da música instrumental marcou o 19º aniversário da nova edição da Segunda Instrumental, no dia 8 de julho na Igreja Cristã Nova Vida da Freguesia. O evento contou com o workshow do guitarrista e compositor Cacau Santos, acompanhado pelos músicos Sérgio Assunção (tecladista), Robinho (baixista) Rodrigues e Matheus Falcão (baterista). O evento gratuito reúne toda segunda segundafeira dos meses ímpares artistas da música evangélica e secular. No dia 9 de setembro, às 20 horas, contará com a participação da banda Baixada Jazz Big Band. A Igreja Cristã Nova Vida fica na Avenida Geremário Dantas, 1.141, Freguesia. Estacionamento no local. http://www.facebook.com/segundainstrumental.


Foto: Diego Ruahn

WILSON SIDERAL LANÇA VERSÃO DE LANÇA NOVO SHOW

O cantor, compositor e guitarrista Wilson Sideral, retoma seu projeto de releituras de grandes clássicos da música brasileira com o lançamento de seu novo trabalho, Tropical Blues, Vol. 2 (Sony Music). O primeiro single é De Volta Pro Aconchego, música de autoria de Dominguinhos e Nando Cordel.

A canção, eternizada na voz de Elba Ramalho, recebeu novo arranjo de Sideral, com pitadas de blues e altas doses de jazz. A faixa conta com a participação especial do grupo vocal Amaranto, das irmãs Marina, Lúcia e Flávia Ferraz. Nas gravações, Wilson Sideral (voz e violão) foi acompanhado pela Tro-

pical Blues Band, formada por Marcus Abjaud (piano), Felipe Continentino (bateria) e Bruno Vellozo (baixo acústico), além de Jaiminho Silva e Amilton Carmo nos backing vocals e do gaitista Gabriel Grossi na harmônica. O novo single, que está disponível em todas as plataformas digitais desde 5 de julho, já chegou com um videoclipe exclusivo. Com direção do fotógrafo e videomaker, Diego Ruahn, o vídeo - filmado num antigo galpão no bairro da Pampulha em Belo Horizonte - resgata a atmosfera das tradicionais houses of blues, apostando na seleção de figurinos de época e na fotografia do cenário da Tropical Tour, que em breve vai rodar o país. “Tropical Blues, Vol. 2”, com lançamento programado para o final de agosto, pela Sony Music, trará também releituras inéditas de Mutantes, Jorge Ben Jor, Raul Seixas, Marina Lima e Lulu Santos, entre outros. Assista o clipe em https://youtu.be/sjsn9hIsvXg

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Novidades da Universal Music TRILHA DE ROCKET MAN

tema. Já estão disponíveis também os videoclipes de Those Nights e Joy. O Bastille é formado por Daniel Campbell “Dan” Smith, Chris “Woody” Wood, William Farquarson, Kyle Jonathan Simmons e Charlie Barnes. Ouça e baixe o disco em https://bastille.lnk.to/ BADoomDays IGGY POP LANÇA ÁLBUM RUN LIKE A VILLAIN

O videoclipe da música inédita (I’m Gonna) Love Me Again (https://umusicbrazil.lnk.to/ ImGonnaLoveMeAgain), escrita por Elton John e Bernie Taupin especialmente para o filme Rocketman e interpretada por Elton John e Taron Egerton, já está disponível. A faixa é parte do repertório da trilha sonora da cinebiografia do músico Elton John. O disco conta com o célebre produtor e compositor Giles Martin reinterpretando e reimaginando os hits icônicos de Elton, adaptando a música especificamente para apoiar a narrativa do filme com a incrível performance vocal do ator principal de Rocketman, Taron Egerton. Ouça e baixe em https://umusicbrazil.lnk.to/ Rocketman . DOOM DAYS: NOVO ÁLBUM DO BASTILLE

Esta é uma reedição do álbum Zombie Birdhouse (1982) lançada em 28 de junho. Estão incluídas as faixas já apresentadas Run Like a Villain, Watching The News e The Villagers. Esta última traz a produção de Chris Stein de Blondie e apresenta um dos melhores monólogos de Iggy. A nova versão de Zombie Birdhouse conta com uma mistura de sintetizadores e afrobeats que o representam em seu melhor estilo. O novo lançamento acompanha a estreia do filme The Dead Don’t Die, do cultuado cineasta Jim Jarmusch, no qual Iggy estrela como uma versão zumbi de si mesmo. PRÉ-VENDA DE NOVO ÁLBUM DE SHERYL CROW

Está disponível nas redes o disco Doom Days, terceiro álbum de estúdio do grupo britânico Bastille, composto por um repertório de 11 músicas. Ele traz as já apresentadas Quarter Past Midnight, Joy, Those Nights e da faixa-

Sheryl Crow disponibiliza para pré-ven-

da seu novo álbum, Threads, com lançamento previsto para 30 de agosto. Hoje, também é apresentada a faixa Still The Good Old Days, com a colaboração de Joe Walsh. O videoclipe oficial pode ser assistido no canal oficial da cantora no YouTube https://youtu.be/ AqFD2ja-9Fs. O álbum traz as já apresentadas Prove You Wrong, com a colaboração de Stevie Nicks e Maren Morris, e Live Wire com a colaboração das lendas do blues Bonnie Raitt e Mavis Staples. Também faz parte do repertório a música Redemption Day, com a participação póstuma mais que especial do lendário Johnny Cash (1932-2003), disponibilizada em abril no link https://umusicbrazil.lnk.to/ RedemptionDay. Ouça e baixe o álbum em https://umusicbrazil.lnk.to/ StillTheGoodOldDays

NOVO ÁLBUM DE MINI MANSIONS DISPONÍVEL Gravado no ano passado, no Barefoot Studios, em Los Angeles. O álbum foi lançado em 26 de julho. A Mini Mansions é formada por Michael Shuman, Zach Dawes e Tyler Parkford, membros das bandas Queens of the Stone Age, Arctic Monkeys e The Last Shadow Puppets. O novo disco, Guy Walks Into A Bar, tem inspiração em um relacionamento romântico, desde o começo arrebatador até um fim devastador. Em maio, a banda apresentou a música Bad Things (That Make Feel Good). Ouça aqui: https://MiniMansions.lnk.to/ BadThingsPR. Saiba mais em https:// MiniMansions.lnk.to/GWIABPR.


Foto: Ag News

Foto: Divulgação

João Rock celebra 18ª edição com sucesso

RUMOURS OF FLEETWOOD MAC CHEGA AO ESPAÇO DAS AMÉRICAS

Recorde de público de 65 mil pessoas e encontros inéditos marcaram a 18ª edição do João Rock, o maior festival de rock nacional do país. O evento aconteceu no Parque Permanente de Exposições de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, no dia 15 de junho, reunindo 23 apresentações em mais de 13 horas de shows simultâneos. No Palco João Rock, a baiana Pitty recebeu os amigos BaianaSystem para cantar Roda, Rael na música Te Conecta, além de Lazzo Matumbi e Larissa Luz. O encontro foi retribuído no show de Emicida e Rael. Pitty subiu ao palco, fez uma participação especial antes dos cantores receberem Mano Brown, que encerrou a noite em um trio que eletrizou o João Rock. Antes, se apresentaram Fuze; Scalene; Zeca Baleiro; BaianaSystem; Alceu Valença; Paralamas do Sucesso; CPM 22; e Marcelo D2. O Plebe Rude abriu a programação do palco Brasília com muita energia e contagiou o público com os hits Brasília, Johnny vai à guerra (outra vez), Minha Renda, Proteção e Até Quando Esperar. Em seguida, o Tribo da Periferia manteve a contestação social com ritmo de rap, que foi acompanhado pelo rock Supla no backstage. Na sequência, Dado Villas-Boas e Marcelo Bonfá, acom-

panhados por André Frateschi, emplacaram um show repleto de hits do Legião Urbana. O Capital Inicial também fez uma referência ao rock de Brasília resgatando músicas do Aborto Elétrico como Fátima e Veraneio Vascaína, entre outros hits da banda. Já o Natiruts contou com a presença do músico instrumentista Hamilton de Holanda, que acompanhou a banda com solos de bandolim nas músicas Groove Bom, Natiruts Reggae Power e Sorri, Sou Rei. Fechando a noite, os Raimundos tocaram seus hits de 25 anos de carreira como Mulher de Fases, Eu Quero Ver o Oco, A mais Pedida, entre outras. A apresentação do grupo contou ainda com um momento especial. O vocalista Digão convidou a namorada, Vivi, para subir ao palco para um dueto na canção A Mais Pedida. Mas, interrompeu a música e de joelhos a pediu em casamento. Vivi aceitou o pedido e o casal foi muito aplaudido pelo público do festival João Rock 2019. O festival João Rock trouxe ainda um espaço dedicado à arte de rua. Por lá, o DJ Casimiro - integrante do grupo Anonimato – trouxe o mais puro hip hop. Já nas batalhas de Break Dance levaram a melhor Bboy Canito, de Belo Horizonte, e a Bgirl Jéssica Rosélli, de Ribeirão Preto.

A Rumours of Fleetwood chega com tudo ao Espaço das Américas na quinta-feira, dia 15 de agosto, para uma mega apresentação. Formada em 1999, com mais de 2000 shows realizados em todo mundo, tendo alcançado um publico estimado de mais de 1 milhão de pessoas entre teatros, salas de espetáculos e apresentações apoteóticas nos principais festivais de rock de todo o mundo. A banda foi endossada pelo próprio Mick Fleetwood (baterista do FM), que apresenta o show da banda em um telão. O espetáculo se preocupa em contar a historia do Fleetwood em todos os seus detalhes com textos, vídeos e músicas de todas as fases da carreira, narrando seu inicio nos anos 60 quando a banda dedicava-se ao blues, até a explosão de hits em meados dos anos 70 e toda a década de 80, quando experimentaram o sucesso vendo suas musicas tocadas em rádios de todo mundo. O espírito do FM e tudo que há de melhor neste grupo, estará sendo oferecido pelo RFM em uma oportunidade única aos fãs brasileiros de todas as idades. Estarão presentes as músicas e apresentações que tornaram o FM um dos maiores grupos de todos os tempos, mas todas as músicas do disco Rumours estão presentes. O início da apresentação é com a Gypsy, Os ingressos já estão disponíveis. Para efetuar a compra, basta ir pessoalmente às bilheterias do Espaço das Américas (de segunda a sábado das 10h às 19h - sem taxa de conveniência) ou acessar o site da Ticket 360 (https://goo.gl/xgibPV).

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Lô Borges apresentou, no Sesc Pompeia Rio, o disco Rio Da Lua (Deck), seu quinto álbum de inéditas neste século. Trata-se de um registro composto em parceria com Nelson Angelo, que conhecia Lô desde o tempo do Clube na Esquina mas não o via há 40 anos. Rio da Lua é um disco rumo ao desconhecido. Toda a criação foi uma novidade, desde a parceria inédita com o grande compositor Nelson Angelo, até a forma como trabalharam utilizando as mensagens digitais para produzir as músicas. Esse rumo ao desconhecido, por características diferentes, também está presente no “disco do tênis” (álbum Lô Borges, de 1972). O processo todo de feitura de Rio da Lua foi diferente do que Lô está acostumado. Pela primeira vez, Lô musicou letras (ao invés do processo inverso). Ouça o álbum em https://LoBorges.lnk.to/ RiodaLuaPR

BARBARA EUGENIA LANÇA ÁLBUM TUDA Após apresentar os singles Bagunça, Perfeitamente Imperfeita e Querência, Bárbara Eugênia lançou Tuda, no dia 08 de março, dia internacional da mulher. Inspirado nas pistas de dança, histórias de amor e na vida na cidade grande no século 21, o quarto disco da cantora nascida em Niterói celebra mais de uma década de carreira. Com 11 faixas, o disco começa com a música Saudação, que traz as vozes e instrumentos de Soledad, Julia Valiengo, Mariana Bastos, Verônica Borges, Bruna Amaro, Thereza Menezes e Isadora Id, integrantes do Bloco Pagu, que exalta a igualdade de gênero e homenageia mulheres icônicas da história do Brasil. Também estão no álbum as músicas Perdi, As Maçãs que Vem, Sol de Verano, Por la Luz e Por Tierra, Bagunça, Querência, Confusão, Apaixonada Feito Gente Não e eu Vim Saudar. Além do bloco, o disco ainda traz aas participações de Zeca Baleiro, Iara Rennó, Felipe Cordeiro, DJ Tide e a banda argentina Onda Vaga.

Foto: Ag News

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Supersonido

LÔ BORGES LANÇA NOVO ÁLBUM

O nome Supersonido é um neologismo derivado do espanhol que significa “super som”, A banda surgiu no Rio de Janeiro, no final de 2012, quando Léo (ex-vocal), Alex Ketzer (guitarra) e Gringo (guitarra) começaram a compor e a desenvolver ideias musicais antigas. Em janeiro de 2013, entra para a banda o baterista Gustavo JJ. Já em agosto de 2017, o baixista Rafael Baiano ingressa na banda, após a passagem de três baixistas (Joey Gaian, Ciba e Julinho). Finalmente, em janeiro de 2019, Daniel Marques assume os vocais da banda, no lugar de Léo, que, por motivos pessoais, mudou-se para Minas Gerais. Em fevereiro de 2016, a banda lançou seu primeiro álbum, Supersonido, que está disponível tanto em formato físico (CD), como em formato digital, para download (iTunes, Amazon, CD Baby) e streaming (Spotify, Deezer, Youtube). A Supersonido já teve músicas executadas em rádios brasileiras (Rádio Cidade 102,9 FM, Rock FM, KISS FM) e europeias (Rádio Rockin, de Bilbao/Espanha). A banda já tocou em importantes palcos do Rio de Janeiro, com destaque para shows no Teatro Odisseia, no Saloon 79, Audio

Rebel, e para a abertura do show do Matanza, em Duque de Caxias, no final de 2016. Atualmente, a banda está gravando seu segundo álbum, com produção de Bacalhau (Planet Hemp, Autoramas e Monstros do Ula Ula), e continua na estrada fazendo shows e divulgando o trabalho. Para saber mais, acesse o Site oficial: http://supersonidorock.com/, Facebook: www.facebook.com/ supersonidorock. Instagram: www.instagram.com/ supersonidorock/ e YouTube: www.youtube.com/channel/ UCde1xZVaiif6NhTjmKvOOuA Para ouvir, acesse SOUNDCLOUD – CD Completo: www.soundcloud.com/ supersonidorock/sets/cdsupersonido; SPOTIFY: https://open.spotify.com/artist/ 66ncjY7PXoQ3hPGMimSQiD e DEEZER: https://www.deezer.com/br/ album/12194106


Foto: Estúdio Tereza E Aryanne

GABY AMARANTOS LANÇA CLIPES E SINGLES

Estão no ar os novos clipes e single da Gaby Amarantos. Ela mergulhou na cultura paraense para produzir o material. Gravado e produzido em Belém (PA), com os profissionais

da cena local. Tanto os dois clipes como as duas canções devem ser ouvidos na sequência, começando por Cachaça de Jambu, uma vez que são um projeto único. Cachaça de Jambu é sobre uma das bebidas feitas com essa erva típica e misteriosa, que é muito usada pela culinária paraense. A música traz participações do DJ Waldo Squash e de Maderito, também compositores da faixa e integrantes da Gang do Eletro. Ilha do Marajó (Gira a Saia) é uma versão moderna desse clássico do carimbó do Mestre Verequete, agora com batidas eletrônicas e influências do tecnobrega. A faixa conta com a voz do próprio Mestre Verequete e com o DJ Waldo Squash. Gaby Amarantos criou um núcleo criativo em Belém para desenvolvimento desse novo projeto, se envolvendo com direção, roteiro e styling, entre outros. Gareth Jones co-dirigiu e produziu os vídeos. Lucas Mariano, também co-diretor, assina a identidade visual, criando figurinos inspirados nas periferias de Belém e nas festas de aparelhagem. Luan Rodrigues também colaborou e co-dirigiu o clipe de Cachaça de Jambu e Premier King o de Ilha do Marajó. Cachaça de Jambu/Ilha do Marajó (Gira a Saia) é um lançamento da gravadora Deck e já está disponível em todas as plataformas digitais. Escute e assista em https://GabyAmarantos.lnk.to/ CachacaIlhaSinglePR; https://youtu.be/6dSaL9uTxkI e https:// www.youtube.com/watch?v=kMDsrvrOcMM&feature=youtu.be.

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PLAY REC | www.backstage.com.br

MIGUEL SÁ | REDACAO@BACKSTAGE.COM.BR

MADAME X (INTERSCOPE RECORDS) Madonna O décimo quarto álbum da superestrela da música pop foi feito a partir da mudança da cantora para Portugal, em 2017. Ele teve como singles as músicas Medellín, Crave e mais outras três. Entre os colaboradores estão Mirwais, Mike Dean e Jason Evigan. O álbum tem ainda as participações de Maluma, Quavo, Swae Lee e da brasileira Anitta. De acordo com a pop star, o álbum é inspirado pela música de Portugal, com ela inclusive cantando trechos na língua do país nas faixas Crazy e Killers Who are Partying, um fado estilizado, onde o refrão é em português. A Orquestra Batukadeiras de Cabo Verde, toca na quinta faixa, Batuka. De forte tom político nas letras, a cantora protesta contra a disseminação das armas em faixas como God Control, onde mescla o tradicional estilo dançante com formas mais acústicas, colocando a bola no chão, mas sempre ressaltando a letra politizada. Quem for assistir aos shows da cantora – que, para este trabalho, devem ser apenas em teatros - não vai deixar de perceber a coerência com trabalhos anteriores dela, mas os arranjos ressaltam as letras, principalmente nas músicas mais politizadas. Madame X tem a produção do francês Mirwais Ahmadzaï.

CADUCO (ROCK IT) Marcelo Callado Conhecido pelo trabalho com Caetano Veloso na Banda Cê, integrada também por Pedro Sá na guitarra e Ricardo Dias Gomes no baixo, Marcelo Callado engrenou carreira solo e já lançou três álbuns: Meu Trabalho Han Solo Vol 2, Musical Porém, e agora o Caduco. De acordo com o texo de Renato Martins, o trabalho demorou dez dias para ser gravado. O músico chegava no estúdio às doze horas com a música a ser trabalhada e terminava o dia com ela pronta. Com exceção de alguns pianos, teclados e cordas, tocados por Martin Scian, um baixolão gravado por Melvin Ribeiro e as garrafas tocadas por Sarah Abdala, Callado tocou todos os instrumentos das dez canções. O álbum foi Produzido por Marcelo Callado e Martin Scian, que também mixou e masterizou, além de gravar com Sarah Abdala, no Estúdio Sideral. Para ouvir, acesse: https://marcelocallado.bandcamp.com/album/caduco

GAROTO (SELO SESC) Paulo Bellinati O violonista Garoto foi um dos grandes inovadores do violão brasileiro. Desde os anos 30 até 1955, quando faleceu aos 40 anos, trouxe novas harmonias e toques ao violão brasileiro. Chegou a excursionar pelos EUA com Carmen Miranda, onde, dizem as boas línguas, impressionou os músicos de lá e foi impressionado pelos então novos ventos do bebop que começavam a soprar. Este CD é a remasterização de um LP lançado em 1986, gravado em 1984, fruto de uma pesquisa de Paulo Bellinati nos arquivos de Ronoel Simões, amigo de Garoto que costumava guardar e fazer cópias de segurança dos discos que o violonista gravava para registrar as novas composições. Após ouvir, escrever e arranjar as músicas de garoto a partir dos arranjos originais, Bellinati gravou e lançou este disco pela extinta gravadora Marcus Pereira. O álbum teve, como consequência a difusão da obra de Garoto nos círculos mais refinados do violão mundial. No CD estão presentes desde choros até as valsas de Garoto. Estão no repertório Duas Contas, Enigma, Gracioso e o grande sucesso após ganhar letra de Vinícius de Moraes e Chico Buarque Gente humilde. Gravado por Hugo Gama no estúdio Timbre, em São Paulo, o disco foi remasterizado por Lelo Nazário, que também fez a produção da gravação original. Além de bonito, o disco é um registro histórico importante das composições de Garoto.


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QUASE MEMÓRIA (BISCOITO FINO) Edu Lobo, Romero Lubambo, Mauro Senise Quase memória faz parte de uma trilogia gravada por Edu Lobo, Romero Lubambo e Mauro Senise que tem ainda os álbuns Todo Sentimento e Dos Navegantes, que ganhou o Grammy Latino 2017. Os três músicos são expoentes da música brasileira. Edu Lobo é compositor estabelecido desde que ganhou o Festival de Música Popular Brasileira, em 1967, com a música Ponteio, dele e Capinam, cantada por ele e Marília Medalha com o apoio do grupo Momento 4. Mauro Senise é um dos saxofonistas/ flautistas mais requisitados desde os anos 70, com uma consistente carreira solo. Romero Lubambo é violonista e guitarrista dos mais prestigiados, tendo uma carreira de muitos anos no jazz internacional e na música brasileira. O trabalho tem regravações e faixas inéditas, como Silêncio de Edu e Vinícius de Moraes e Peregrina, com a letra de Paulo Cesar Pinheiro. Não faltam também outras parcerias tradicionais de Edu, como a com Chico Buarque, em Lábia, mas a maior parte das canções é fruto de parcerias com o poeta Cacaso. Além dos músicos protagonistas, há vários convidados de peso. A israelense Anat Cohen toca clarineta cool em Lábia(Edu Lobo e Chico Buarque) e Branca Dias(Edu Lobo e Cacaso). O acordeonista Kiko Horta está em A terra do Nunca(Edu Lobo e Paulo Cesar Pinheiro); Senhora do Rio (Edu Lobo) e Canudos (Edu Lobo e Cacaso). Bruno Aguilar toca nas faixas que tem contrabaixo e quatro das músicas tem a bateria de Jurim Moreira. O pianista Cristóvão Bastos toca em seis faixas. O pianista e arranjador está em outras gravações da trilogia, sendo autor de Todo Sentimento; e arranjador da instrumental de Edu Lobo, Noturna, em Dos Navegantes. O álbum foi gravado e mixado nos estúdios da gravadora Biscoito Fino por Gabriel Pinheiro e masterizado por Luiz Tornaghi.

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GUSTAVO VICTORINO | www.backstage.com.br

gestores começam a ser cobrados pelo funcionalismo com atraso de salários e eleitores com carência de serviços básicos. Novos tempos se avizinham...

HISTÓRIA A série de vídeos documentais História Secreta do Pop Brasileiro, dirigida pelo jornalista André Barcinski é um trabalho raro e imperdível para quem quer conhecer um pouco da história da música no país. Em 8 episódios de aproximadamente meia hora, o diretor mostra personagens desconhecidos e conta histórias divertidas dos bastidores do cenário musical brasileiro a partir dos anos 60. Prova, inclusive, que nem tudo o que você ouvia era uma obra de quem aparecia no disco.

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OS BRUTOS TAMBÉM AMAM

RIO DAS OSTRAS Ainda sem resultados perceptíveis, a mudança na legislação trabalhista pode não estar gerando empregos imediatos, mas mudou muito a percepção do empresariado na contratação de trabalhos temporários e empreitadas. As empresas locadoras e particularmente as produtoras passam, aos poucos, a dissipar o temor de ações trabalhistas oportunistas e aproveitam mais profissionais por curto espaço de tempo ou empreitada. Já no médio e longo prazo, as novas regras de terceirização ainda encontram muita resistência nos próprios tribunais do trabalho e provocam resistência dos contratantes.

A apoteose do jazz e do blues na América Latina confirmou mais uma vez que o seu endereço é no norte do estado do Rio de Janeiro, na pequena e apaixonante cidade de Rio das Ostras. A outrora vila de pescadores conseguiu algo impensável até a virada do século... Transformar o Brasil numa referência mundial de jazz e blues. No próximo mês eu conto os bastidores do evento que colocou o Brasil no mapa global do segmento musical mais “classudo” do planeta.

MUDANÇAS Com as novas regras da Lei Rouanet e a quebradeira generalizada de estados e municípios, artistas de todos os estilos sentiram o duro golpe na venda dos seus shows. Sem os patrocínios casados e o seu maior contratante, ou seja, o poder público, a comercialização de espetáculos passa por uma absoluta revisão nos valores dos cachês. Mesmo longe de acabar com a corrupção travestida de propina para contratantes públicos,

Digão, dos Raimundos, um dos símbolos do rock “macho” do Brasil, literalmente levantou a plateia num dos últimos shows da banda com um gesto que por incrível que pareça, fez mais sucesso que a inconfundível Mulher de Fases. No meio do espetáculo, o guitarrista chamou a noiva ao palco e ajoelhado, pediu a sua mão em casamento. Quem disse que rock não tem também ternura e amor?

MODISMO Depois de Ray Charles, Jonhy Cash, Fred Mercury e Elton John, vem aí mais uma enxurrada de filmes biográficos contando a história de ícones da música do século 20. Bob Dylan, Boy George (Culture Club), David Bowie, Lynyrd Skynyrd, Amy Winehouse, Elvis Presley, Aretha Franklin, Bob Marley e Madonna são alguns dos projetos que já saíram das planilhas.

DATA Um vereador de São Paulo de nome Quito Formiga, do PSDB, quer criar o dia do heavy metal na capital paulista. Para isso entrou com um projeto de lei na Câmara de Vereadores propondo que o calendário oficial da cidade inclua o


GUSTAVO VICTORINO | VICTORINO@BACKSTAGE.COM.BR dia 8 de junho, data da morte do vocalista Andre Matos, como o dia do heavy metal.

FESTA NACIONAL DA MÚSICA 2019 Em constante crescimento, o evento que se consolidou como uma verdadeira convenção da música brasileira e agrega a participação de centenas de profissionais ligados ao segmento, divulgou mais um dos homenageados desse ano. Com presença já confirmada, o presidente da Warner do Brasil, Sérgio Affonso, receberá o troféu pela contribuição da Warner à música brasileira.

DIFERENÇA Assim como no futebol, não se pode comparar eras e gerações diferentes sem um referencial confiável. Num papo descontraído com um professor de engenharia de sistemas e amigo de longa data, ele me atordoou com um dado racional, mas impressionante. Amante da música e como eu, aficionado por tecnologia, ele discorria sobre a música eletrônica embrionária dos anos 60 e a atual disponibilidade de recursos. “Um celular mediano que hoje custa menos de mil reais na loja tem 30 vezes mais capacidade de processamento e armazenamento do que todos os então modernos computadores reunidos e usados pelos alemães do Kraftwerk e Giorgio Moroder”. Embora dono de um aparelho meio muquirana, fiquei pensando o que esses gênios não fariam com o meu celular.

JUNTOS NADA A gravadora do Luan Santana mandou ele sumir no horizonte depois do mico de regravar Shallow com a Paula Fernandes. Além de “mandar o Lima” na gravação do DVD da cantora, em Minas Gerais, o rapaz deu uma mergulhada no silên-

cio estratégico. Já a Paulinha está se divertindo com a corneteada na internet e a repercussão da gravação constrangedora.

PERDA O guitarrista e cantor Dave Mustaine revelou que está lutando contra um câncer na garganta desde o início do ano e por conta disso afirmou que a vinda do Megadeth ao Brasil está cancelada. O grupo estava escalado para o Rock In Rio e tocaria na mesma noite do Iron Maiden, Scorpions e Sepultura.

MÁ QUALIDADE Alguns cabos de origem asiática estão de esfacelando com apenas alguns meses de uso. A camada plástica flexível que recobre o filamento simplesmente vai rachando e se quebrando sem qualquer ação dinâmica que justifique o dano. Má qualidade associada à busca de preço baixo e competitivo parecem formar o cenário que está irritando consumidores.

VENDA CASADA No mês passado falei dos modernos amplificadores de guitarra com simuladores e efeitos oriundos de complexos DSPs incorporados na nova geração desses equipamentos. Um leitor atento me chamou a atenção para um aspecto que tem similaridade com uma pegadinha comercial. Nem todos os amplificadores com essa característica vem com os foot controladores adequados. Quem quiser usar todos os efeitos de forma prática ou em shows precisa comprar em separado o foot original completo que sempre custa muito caro. Na boa, isso é esperteza ou burrice?

CREDIBILIDADE Será que alguém ainda confia nos

números desses youtubers ou digital influencers?

ATIVISMO BOBOCA O Festival João Rock 2019 que aconteceu em Ribeirão Preto no mês passado voltou a ser inundado com discursos contra tudo e contra todos de todo o mundo. Historicamente ativistas de causas nem sempre nobres, alguns artistas usaram seus espetáculos para protestar contra muitas coisas. O erro foi imaginar que todo o jovem é de esquerda ou um boboca desinformado. No somatório desses discursos emergiram mais vaias do que aplausos. Os tempos são outros...

BONS E CAROS Apesar da qualidade do produto, os novíssimos pedais série 200 da Boss vão encontrar uma dificuldade previsível para conquistar mercado... O preço.

PROFISSIONALISMO No mês passado a dupla Zezé de Camargo e Luciano tinha um show no Maranhão à noite, mas ao chegarem pela manhã no aeroporto de Guarulhos, foram informados que a TAM não cumpriria o horário previsto para o voo e assim chegariam tarde e frustrariam a apresentação. Imediatamente e com recursos próprios, os artistas fretaram um avião para leva-los e a toda a equipe até o nordeste para cumprirem rigorosamente o contrato. Isso eu chamo de profissionalismo.

MADE IN BRAZIL Não são poucas as funkeiras cariocas que anunciam participações de gringos em seus shows aqui e lá fora. Tem gente até fazendo turnê internacional e ganhando prêmios com isso. A onda de cantar com a bunda parece que decolou de vez...

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REPORTAGEM| www.backstage.com.br 22

CONVENÇÃO DA AES BRASIL EM 2019 reforça a opção pela difusão do conhecimento Durante três dias a convenção da AES Brasil promoveu a difusão do conhecimento técnico entre os profissionais brasileiros.

redacao@backstage.com.br Fotos: Ernani Matos

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ntre os dias primeiro e 4 de julho aconteceu, no Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo, a vigésima segunda convenção nacional da AES Brasil. Cerca de 900 visitantes puderam participar das 60 horas de eventos. Entre os assuntos abordados nas palestras, debates e workshops estavam desde alinhamento de sistemas até áudio para games, passando por masterização, trilha sonora, som para cinema, broadcast, acústica, sistemas sem fio e muito mais. Tudo a partir do conhecimento dos melhores profissionais de cada área. Por conta das dificuldades do mercado, a exposição em estandes que acontecia até 2016 não está, por enquanto, nos planos da entidade. No entanto, o cará-

ter de difusão do conhecimento está sendo reforçado. “Por causa da crise, em 2017 não conseguimos fazer a convenção. Em 2018 estava um burburinho de melhorar o mercado. Conseguimos fazer o evento, apesar de diminuir em relação ao que era. Voltamos a fazer no Centro de Convenção Rebouças. A feira foi crescendo por pedido e sugestão dos patrocinadores. Aí aconteceu de a convenção ir para um pavilhão inteiro do Expo Center Norte, mas não existe mais mercado para isso, e não podemos parar os evento educacionais”, explica José Anselmo Paulista, presidente da AES Brasil. Joel Brito, tesoureiro da entidade, reforça o caráter educacional e internacional da AES: “a economia e o mercado estão


HOMENAGENS

Joel Brito também foi homenageado na convenção da AES

em crise, tanto que a Expomusic foi cancelada. Nós retomamos a convenção ano passado, mas te-

para a área do digital, falando sobre som imersivo. Antes fazíamos muito as coisas para fora,

De julho do ano passado a março deste ano fizemos eventos em são Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Porto Alegre, sendo que, só em São Paulo, fizemos três ou quatro encontros. mos feito eventos com regularidade. De julho do ano passado a março deste ano fizemos em são Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Porto Alegre, sendo que, só em São Paulo, fizemos três ou quatro encontros. E a AES é internacional. Sempre acontecem eventos ao redor do mundo”. E o evento atendeu aos objetivos. As palestras tiveram assuntos variados e de acordo com as demandas que acontecem no espaço do áudio profissional. “As pessoas que tem que se adaptar às novas tecnologias, mas a disposição para o aprendizado tem que se manter. As pessoas de uma geração anterior criaram bastante e as novas gerações estão evoluindo a partir do que foi criado no passado. Agora estamos indo

com sonorização e acústica. Hoje em dia, com a realidade virtual, se faz o áudio ‘para dentro’”, aponta Joel.

É verdade que as gerações de hoje criam a partir da base do que foi feito no passado. Por isso, é importante homenagear os profissionais que ajudaram a montar esta base. “Íamos homenagear uma pessoa só, mas decidimos homenagear três: o Carlos Ronconi, o Pedruzzi e o Framklim Garrido”, enumera Anselmo, secundado por Joel Brito: “o foco não é uma questão pontual, mas um reconhecimento ao que foi desenvolvido na carreira até aquele ponto. Ano passado homenageamos o Luiz Fernando Otero Cysne. Acho que temos que parar um pouquinho e olhar para trás e mostrar para a atuais gerações o que já foi feito e o que está sendo entregue a eles, como na corrida de bastão”. Além dos serviços prestados ao áudio, cada um em sua área – Ronconi na TV, Pedruzzi no som ao vivo e Framklim Garrido também no ao vivo e em estúdio – os três homenageados tem em comum a atuação na difusão do conhecimento, seja na empresa na qual trabalhavam, como Carlos Ronconi, com as pesquisas sobre áudio na Rede Globo; ou criando e lecionando em cursos de áudio, co-

Paulista, Luiz Cysne, Joel Brito, Carlos Ronconi, Framklim Garrido e Carlos Pedruzzi

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Carlos Pedruzzi, um dos homenageados, é um dos criadores do IATEC

mo Pedruzzi, um dos criadores do IATEC, no Rio de Janeiro, e Framklim Garrido, que atua há mais de 20 anos como professor no Instituto de Audio e Video, em São Paulo.

OS HOMENAGEADOS Há mais de trinta anos Carlos Ronconi tem atuação no áudio para TV, contribuindo de forma decisiva para o desenvolvimento deste segmento do áudio no Brasil. Carlos Ronconi estudou engenharia de som cerca de um ano e meio em Nova York, no início dos anos 80. Quando voltou ao Brasil, trabalhou em estúdios como o Transamerica e o Nosso Estúdio, em São Paulo. Após trabalhar na Som Livre, no Rio de Janeiro, com a Rede Globo, no programa Chico & Caetano, foi definitivamente incorporado ao time da emissora onde ficou até se desligar, há pouco. O profissional comemora a homenagem e o reconhecimento promovido pela AES Brasil. “Para mim foi uma honra e um privilégio muito grande. Sou membro desde 1981. Quando entrei, estava nos EUA estudando e achei essa a melhor chance de saber o que se passava no mundo do áudio, porque

naquela época, no Brasil, ainda não havia tanto profissionalismo. Hoje em dia tem mais gente tecnicamente capaz e o áudio é encarado como uma profissão. Não é mais aquele pessoal que ficava atrás da mesa para fazer som para os amigos. É importante ser reconhecido como alguém que contribuiu para isso. Mas todo mundo me ajudou, porque ninguém faz nada sozinho. Estive sempre apoiado por gente que compra a ideia e faz junto. Tanto eu quanto o Carlos Pedruzzi e o

Framklim Garrido fomos reconhecidos por participar da parte educacional , uma da coisas que batalhamos muito. Agora que vou ter um pouco mais de tempo na AES vou batalhar mais pela parte estudantil. Já fui secretario da AES 2006 a 2008, mas com os afazeres não deu para continuar, agora vou me dedicar mais”, afirma. Para Ronconi, aconteceram algumas mudanças fundamentais no tempo em que está no áudio. “Primeiro a seriedade das pessoas em aprenderem e conhecer mais o que estão fazendo. Na medida em que a tecnologia evolui, as pessoas sentem mais essa necessidade do conhecimento. O mundo analógico era bem direto, o digital é bem mais obscuro no sentido de ter uma ‘mágica’ que não é tão evidente. Tem outras áreas, além do áudio, as quais você tem que saber mais: IP, rede, bit... Facilitou muito, mas também exige muito mais de atenção e entendimento de outras tecnologias que vieram junto”. O técnico de som, engenheiro e educador da área de áudio Carlos Pedruzzi participou de vários momentos fundamentais do áudio brasileiro, desde quando trabalha-

Carlos Ronconi pretende se dedicar mais à parte estudantil da AES Brasil


Framklim Garrido se impressiona com a evolução dos transdutores

va junto à Mac Audio, ainda nos anos 80. Como um dos fundadores do IATEC, deu uma contribuição decisiva na difusão do conhecimento. “Recebi a noticia (da homenagem)com muita alegria. Uma feliz surpresa. Acho que a nossa geração é muito autêntica nesse aspecto. Muitos que eu conheço dessa época estavam na atividade por pura paixão. Então, buscar o conhecimento era a nossa única opção. As discussões eram intensas e muitas, e a formalização (da difusão do conhecimento), eu acredito que tenha sido uma consequência da jornada de muitos de nós. Um amadurecimento. Divido esse reconhecimento com tanta gente com quem convivi e convivo. Parceiros e amigos desde uma época, há quarenta e tantos anos, quando começamos nisso, até os dias de hoje, em que estou em plena atividade”, comemora. Pedruzzi destaca as mudanças comportamentais no meio do áudio brasileiro. “O conhecimento realmente se espalha de uma forma impressionante, em uma velocidade absurda, e cada vez mais gente tem acesso. Impressiona a quantidade de bons

técnicos comprometidos com a atividade. Só temos que estar atentos que a profissionalização não é apenas a coleta e junção de um conhecimento. Mas também o compartilhamento desse conhecimento, que é uma experiencia engrandecedora”, comenta. Entre as mudanças tecnológicas que testemunhou nos últimos anos, Pedruzzi detaca duas: “a eletrônica digital, que para muitos de nós é uma coisa que foi implementava quando já eramos profissionais

vindos de um mundo analógico. Essa eletrônica digital, não só no nosso campo, promoveu uma abertura de portas imensa para uma criatividade. Muita coisa que era limitada deixou de ser, então a ideias tomaram rumos inimagináveis. Outra, que muito me seduz, diz respeito aos alto-falantes,agrupamento, gerenciamento e controle de sistemas, que também sofreu uma mudança, uma evolução tecnológica”. Framklim Garrido concorda com Pedruzzi no que diz respeito à evolução tecnológica dos transdutores. “Realmente, se houve uma grande evolução, foi nas tecnologias dos transdutores: as caixas de som, que sempre foram o elo mais fraco da cadeia de áudio. Na parte de eletrônica, o pessoal já dominava há muito tempo. O que foi melhorando com o passar dos anos? As tecnologia dos transdutores. Os modelos das caixas de som e a qualidade dos componentes que compõe o transdutor, associados aos amplificadores digitais, tudo em um conjunto pequeno e prático, para quem trabalha em sonorização ficou fácil fazer um show de grande porte. O cha-

Demonstração dos lançamentos da Yamaha

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REPORTAGEM| www.backstage.com.br 26 Demonstração dos novos sistemas da Nexus

mado processo de array, as ‘tripas’ penduradas do lado do palco, aquilo tem uma tecnologia bastante grande. Claro que tem problemas. Não se faz omelete sem quebrar os ovos, mas, para a prestação de serviço, é mai fácil fazer hoje um evento para um número maior de pessoas”, analisa. Framklim, desde os anos 70, ajuda a promover a evolução tecnológica no aúdio brasileiro, tendo, inclusive, projetado um crossover quando isso ainda não estava no radar do áudio nacional. “Até comentei com o Joel Brito que só progredi quando estava fazendo os meus divisores eletrônicos passivos, tipo de equipamento que hoje estão incorporados em DSPs de qualquer caixa, porque li papers da AES”, relembra. A partir dos anos 90, começou também a atuar como professor. “Esse negócio de dar aula foi insistência do Claret (Marcelo Claret, do IAV). O Ronconi criou uma academia dentro da Globo, o Pedruzzi tem

o IATEC e eu fiquei no IAV. Isso é uma tremenda renovação. Falar com o mais jovem. Tem que tentar entender o jovem, ou não tem comunicação. Essa questão de passar a informação é comum a nós três. Acho que tentamos dizer pros caras como errar menos”, diz, ressaltando a importância da homenagem recebida por ele e os colegas: “qualquer coisa no Brasil que lembre quem realizou, acho bacana, porque cria um link com a história, e pode ter uma quantidade de erros menor”, conclui o engenheiro. Além da homenagem aos três profissionais de áudio, a entidade também promoveu uma homenagem surpresa a Joel Brito. Esta honraria somou-se à que ele já havia recebido na convenção da AES Internacional, no mês de março, em Dublin, na Irlanda. “Sem ele muita coisa não teria acontecido. Ajudamos em tudo o que pode, mas muito do que a AES Brasil é hoje acontece gra-

ças ao trabalho dele. Se dependesse dele não teria essa homenagem. E ele merece pelo trabalho dele na AES e no áudio”, reforça Anselmo Paulista.

PARTICIPAÇÃO O presidente da AES Brasil faz ainda uma convocação aos profissionais de áudio para que participem da entidade. “Só o conteúdo que você tem na biblioteca eletrônica da AES, de 1946 até hoje, todos os papers e pesquisas... Muita coisa as pessoas pensam que são conceitos novos, mas já estão em papers de 20, 30 anos atrás. Então a importância de o profissional de áudio participar da AES é grande para o próprio profissional. A AES Brasil é mantida por trabalho voluntario e patrocínio. Não tem nenhum fim lucrativo A anuidade que o profissional paga não vem para a AES Brasil. Vai para manter a biblioteca e as atividades. Para participar, vá no site da AES internacional, o aes.org”, diz Anselmo.


AES 2019

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REPORTAGEM| www.backstage.com.br 28 Durante quatro dias, o Rio de Janeiro recebeu o melhor do jazz mundial em shows exclusivos. O evento também teve palcos gratuitos espalhados na cidade Miguel Sá redacao@backstage.com.br Colaboração: Leonardo Costa Fotos: Marcos Hermes / Divulgação

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ntre os dias 6 e 9 de junho, o Rio de Janeiro sediou o Rio Montreux Jazz Festival. Os 44 shows foram assistidos por 18 mil pessoas. A cidade é a primeira na América Latina a receber o festival criado em Montreux, na Suiça. O epicentro do foi o Pier Mauá, na zona portuária da cidade, com três palcos: o Tom Jobim, com capacidade para 773 pessoas no Armazém 2, o Villa-Lobos, para 3500 pessoas em pé e o Ary Barroso, na varanda do píer. Também havia o Village, a área de convivência, com os food trucks e exposições temáticas ligadas ao Festival. Entre as atrações que tocaram nestes palcos, estavam Hamilton de Holanda e Paulinho da Costa, o Pife Muderno de Carlos Malta, Hermeto Pascoal, Al

Di Meola, John Scofield, Corinne Bailey Rae, Stanley Clarke, Stevie Vai, Maria Rita e Quarteto Jobim, Ivan Lins e o pianista cubano Chucho Valdes, Frejat com Pitty e Zeca Baleiro, David Moraes e Pedro Baby com Jr Tolstoi no show A Guitarra e o Tambor e Andreas Kisser com o Instrumental Acoustic Metal, entre muitos outros shows. Além dos shows pagos no Pier Mauá, ainda havia cinco palcos com shows gratuitos em diferentes pontos da cidade. No Parque Madureira era o Palco Pixinguinha, com dois shows por dia durante o festival. Em outros quatro pontos da cidade estavam os palcos Montreux Urbano – Praça Nossa Senhora da Paz, Praça Varnhagen, Parque das Rosas e Praça Largo do Machado.


Nesses lugares, a ideia foi promover novos valores da música, assim como apresentar trabalhos de músicos mais experimentados em shows exclusivos para o evento.

SHOWS A Revista Backstage esteve presente em algumas das apresentações nos dias 6, 8 e 9. No primeiro dia, aconteceu a de Maria Rita com o Quarteto Jobim no show Chega de saudade: 25 anos sem Tom Jobim, jutamente no Palco Tom Jobim, com músicas como Anos Dourados e Garota de Ipanema. Ainda no mesmo dia, houve a apresentação de Al Di Meola Opus 2019 & More, no mesmo palco. O violão de Di Meola foi acompanhado por piano e acordeon. Pra finalizar o dia, no Palco Villa-Lobos, Steve Vai chegou com tudo trazendo o bom e velho classic rock com participações mais que especiais como a de Andreas Kisser do Sepultura, que subiu ao palco, e no telão as participações de Joe Satriani e John Petrucci, que acompanharam Steve em vídeos pré-gravados. No dia 8, Corinne Bailey Rae contagiou o público com sua simpatia e doce voz. Homenageou Bob Marley e empolgou os presentes com seu hit Put Your Records On. No dia 9, o violinista Allyrio Mello, um dos primeiros a tocar violino elétrico no Brasil, abriu o Palco Ary Barro-

Gaetano Lops (Gael), Marco Mazzola (MZA) e Claudio Romano (Dream factory), realizadores do festival.

passando também por outros grandes clássicos do rock. No mesmo dia e mesmo palco A Guitarra e o Tambor com Davi Moraes, Jr Tostoi

No dia 8, Corinne Bailey Rae contagiou o público com sua simpatia e doce voz. Homenageou Bob Marley e empolgou os presentes com seu hit Put Your Records On. so e mostrou que a mistura do clássico com o dance funciona muito bem. Allyrio tocou músicas clássicas com batidas EDM e um vasto repertório que foi de Brasileirinho a Starway to Heaven do Led Zeppelin,

e Pedro Baby, mostraram a grande combinação entre percussão, bateria, baixo e guitarras homenageando Baby do Brasil com Menino do Rio, James Brown com I Feel Good e Chico Science & Nação Zumbi

com Maracatu Atômico. Encerrando a noite do dia 9, Ivan Lins no Palco Villa-Lobos com o show Brasil Cuba, ao lado de Chucho Valdés e Irakere, relembrou seus grandes clássicos e temas de novela como Vitoriosa e Lembra de Mim, entre outros. Fica o registro da ótima organização do Festival. A maioria dos shows começaram na hora marcada, com público tranquilo e interessado em música. Mazzola, visivelmente emocionado, subiu no palco para agradecer o público e artistas em vários shows, como o de Corinne, Steve Vai e Ivan Lins.

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ENTREVISTA| www.backstage.com.br

Foto: Divulgação / Veja.com

O produtor Marco Mazzola, figura fundamental na música brasileira dos últimos 45 anos, dispensa maiores apresentações. O idealizador da edição brasileira do Festival de Montreux concedeu entrevista exclusiva para a Revista Backstage onde explica o processo de construção do Festival e os planos para o futuro. Miguel Sá redacao@backstage.com.br Foto: Divulgação / Veja.com

MAZZOLA E A VITÓRIA DA MÚSICA R evista Backstage - Conte sobre a sua relação com o Montreux Jazz Festival. Desde quando tem uma parceria com eles? Como surgiu a ideia de fazer no Brasil? Marco Mazzola - Minha relação com o festival vem desde 1977, quando fizemos a primeira. Noite Brasileira no Festival na Suíça com Gilberto Gil e a Cor do Som. Depois deste ano, a noite brasileira tomou uma importância muito grande. Em 1980, chegamos a produzir duas noites. Levamos 95% da música brasileira para se apresentar lá e com isso as portas para a música na nos festivais de verão na Europa explodiram. Hoje, temos na Europa mais de 200 festivais com música brasileira.

RB -Houve uma edição em SP nos anos 70. Por que a escolha do Rio de Janeiro desta vez? MM - Nunca houve uma edição oficial em São Paulo e sim uma ideia de usar os músicos que iriam tocar no festival e convidar para fazer um evento com estes artistas, uma experiência que não deu certo. É importante dizer que o evento que aconteceu em São Paulo nos anos 70 não foi uma edição completa nos moldes como o Festival acontece na Suíça, seguindo o padrão e o formato do Festival. Essa edição realizada esse ano no Rio representa a primeira vez que acontece nas Américas. E a ideia sempre foi fazer este evento no Rio de Janeiro. É uma cidade com uma vibração muito


parecida com Montreux, uma cidade com uma musicalidade muito forte, reconhecida no mundo inteiro com importante centro cultural. Depois de muitos anos conversando com a Fundação de Montreux consegui, graça nossa relação de anos de confiança, convencer a trazer o festival para a América Latina. RB -Em que momento percebeu que, efetivamente, seria possível fazer o Festival no Brasil? MM - Eu sempre soube que seria possível – temos todas as condições necessárias para essa realização. Mas não basta ter as condições – precisa ter o momento certo, a equipe certa, e, claro, um line up de arrebentar. Não vou negar que a condição econômica é fundamental para um evento desse porte. Ter patrocinadores é essencial – e marcas que tenham forte identificação com a proposta do festival. Para essa produção, eu entendi que minha expertise artística e de todo o time da MZA era fundamental, mas era importante ter como parceiros neste projeto a empresas que também tivessem muita experiência em produção e também na captação e relacionamento com patrocinadores. Para completar então o time de empresas responsáveis pelo Rio Montreux Jazz Festival nos unimos à Dream Factory e à Gael. Com este festival, as portas estão se abrindo para jovens músicos aqui no Brasil. Até então nossos artistas jovens brasileiros faziam muito sucesso no exterior e aqui eram extremamente desconhecidos. Amaro de Freitas e Diego Figueiredo por exemplo, foram revelados nesta 1ª Edição do Rio Montreux Jazz Festival e convidados a tocar agora em Julho no Festival de Montreux da Suíça. Esse intercâmbio é muito bacana. A presença do público, tanto nos

palcos do Pier Mauá como nos cinco palcos gratuitos que tivemos na cidade, é a principal resposta que as pessoas esperavam um evento como este. RB -A partir de quando foi decidido fazer o festival, quanto tempo transcorreu até a realização efetiva? MM - Foi decidido há seis anos precisamente, antes do Fundador Claude Nobs vir a falecer. Era um sonho antigo dele e meu. RB - Como foi o planejamento? escolha de locais, datas... MM - Muita loucura. Foram oito palcos, 54 artistas e dois meses para montar um line up. Foi um momento muito difícil e desafiador. Posso dizer que Deus, como sempre, esteve ao nosso lado tornando tudo mais criativo e eficiente. RB - De que forma foram escolhidas as atrações? A curadoria foi feita por você? Ou teve algum apoio? MM - A Curadoria foi feita por mim e meu time da MZA, que ajudou a fazer toda a conexão das minhas ideias. RB - Quantas pessoas teve na equipe que o auxiliou? MM - O evento gerou cerca 1.200 empregos diretos e indiretos em todas as etapas de produção. RB - O que aproveitou da experiência da organização em Montreux? Ou é muito diferente a organização do festival aqui e lá? MM - A nossa organização é diferente de lá, trouxemos toda a concepção, mas sem tirar a essência da nossa cultura brasileira. RB - Qual o balanço que faz do evento? MM - Foi uma edição muito marcante. Esse é um projeto de muitos anos. A receptividade do público foi muito boa – tanto com a pre-

sença no evento como na vibração durante os shows. Um termômetro muito rápido que se tem hoje são as redes sociais, e a quantidade de postagens positivas com o nome do evento foi muito grande. Uma unanimidade é que o Rio de Janeiro precisava de um festival que tivesse jazz e boa música, além de espaço para nomes novos e promissores. O local também é um ponto muito forte – o astral do Pier Mauá e a vista da Baía de Guanabara ajudaram a criar um ambiente muito bom – e até lembrar de Montreux, onde o festival acontece na beira do lago. Os artistas ficaram encantados com a vibração e com a organização. Citando alguns, Steve Vai e Al Di Meola postaram em suas redes oficiais muitos elogios à produção e ao público, e já disseram que querem voltar. Stanley Clarke também já saiu do palco fazendo planos para uma nova apresentação em 2020. RB -Já há planos para os próximos anos? MM - Esse é o tipo de evento que antes de terminar você já está imaginando como será o próximo. Já estamos confirmados para 2020 e posso dizer que o trabalho já começou. Quem não pôde vir esse ano – muitos músicos já estavam com agenda fechada quando iniciamos a produção – já fez contato querendo saber as datas do próximo. Vamos ter alguns ajustes sempre buscando melhorar a experiência do público e oferecer o melhor – mas essa busca pelo melhor nunca termina. Posso dizer que a cabeça da equipe já está a mil pensando em encontros inéditos, shows exclusivos e muitas novidades. RB -Algo mais que gostaria de comentar? MM - Rumo a 2020 com mais tempo e sabedoria.


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COM A MÚSICA

NA ALMA Rio das Ostras Jazz & Blues consolida a sua imortalidade

Com duas dezenas de atrações representando um pouco do melhor do blues e do jazz contemporâneo, o Rio das Ostras Jazz & Blues 2019 repetiu o sucesso e confirmou a sua importância como evento e celebração. Gustavo Victorino Fotos: Cézar Fernandes

E

m tempos esquisitos para a economia, um dos maiores festivais do mundo mostrou a sua força e definitivamente se tornou imortal no coração dos amantes da boa música. Localizada no litoral norte do estado do Rio de Janeiro, a pequena cidade que dá nome ao espetáculo foi outrora uma vila de pescadores que ao longo do tempo foi surpreendentemente inserida no mapa mundial dos eventos voltados a dois dos mais apaixonantes segmentos musicais do planeta, o jazz e o blues. Através do trabalho incansável do mai-

or produtor do gênero no pais, o irrequieto Stenio Mattos, o festival completa quase duas décadas se multiplicando em elogios e presença de público. Há duas décadas atrás, seria inimaginável se contabilizar mais de 50 mil pessoas aplaudindo e participando por 4 dias e de forma quase messiânica de uma intensa programação num evento que atravessa o tempo e tem repercussão mundial. E isso aconteceu mais uma vez... Com o palco principal na praia da Costa Azul e demais palcos espalhados pela ci-


dade, o festival desfila atrações nacionais e internacionais que atraem turistas e aficionados de todo o país e até do exterior. Os números mostram que a economia recebe um incremento que transcende os limites geográficos do município e acabam atingindo toda a região. No final, todos ganham... Hotéis, pousadas, restaurantes, lojas e o comércio em geral vivem um verdadeiro boom nas vendas que a muito tempo vem sendo apoiado e incrementado pelo poder público do município. E Stenio Mattos completa: “o Rio das Ostras Jazz & Blues faz a roda da economia girar em todo o litoral norte do Rio de Janeiro”. E todos concordam com ele. Nos palcos, os espetáculos são de encher os olhos e os ouvidos. No primeiro dia (quinta feira, 20 de junho), o show inicial já trouxe a primeira surpresa que emocio-

nou a todos. The Mo’Zar Jazz Band, uma pequena orquestra de jovens das Ilhas Maurício, localizadas no distante Oceano Índico, veio encantar a todos com uma simplicidade étnica e simpatia contagiante ao interpretar canções com ritmos típicos da sua região. Composta por duas dúzias de jovens estudantes que atravessaram o mundo para mostrar um pouco da sua cultura, a orquestra mostrou porque a música é uma linguagem mundial. Ainda no primeiro dia, atrações nacionais como Serginho do Trombone, Flávio Guimarães e Fernando Magalhães, Chico Chagas e Macahyba Jazz, se juntaram aos americanos do Simi Brothers liderados por Big James, e no fechamento da noite, outra grata surpresa vinda do Haiti com o elétrico Vox Sambou e a sua contagiante música creole. Na sexta-feira, dia 21, o segundo

dia do evento começa com novidades interessantes da região norte do Rio de Janeiro com a alegria de Gabriel Silva, Onda de Sopro e os paulistas elétricos do Bexiga 70. Todos com shows impecáveis. Entre as atrações internacionais o destaque ficou para a poderosa e lendária voz de Dianne Reeves acompanhada pelo genial guitarrista brasileiro Romero Lubambo e uma banda de deixar qualquer um de queixo caído também pela presença de alguns dos maiores músicos do Brasil, como o baixista Marcelo Mariano e o tecladista Paulo Calazans. Ainda na mesma noite o jazz clássico do saxofonista novaiorquino Bob Franceschini seguido pelo blues efervescente e incendiário de Lucky Peterson. Os dois gringos mostraram o porquê da sua escalação em shows corretos com o melhor dos seus estilos.

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Vox Sambou

No terceiro dia, as atrações nacionais foram Sonja e Jonathan Ferr que apresentaram repertórios interessantes em shows corretos mostrando a que vieram no evento. No segmento da noite, os shows internacionais, e os melhores de 2019... The Jig, da Holanda, é uma banda que dá um protagonismo surpreendente aos metais e como novidade agregou um cantor que encorpou ainda mais um grupo que sempre é recebido com carinho por onde passa. Alegrar a plateia é uma obviedade nas apresentações da banda que conquistou o coração das 15 mil pessoas que compareceram nesse dia. Mas a cereja do bolo da edição 2019 era previsível. O inacreditável Roy

Mo Zar Jazz Band

Sonja

Rogers subiu ao palco e o público petrificou já no primeiro acorde. O maior slide guitar man do mundo mostrou porque é admirado por guitarristas dos quatro cantos do planeta. Acompanhado apenas por um baixista e baterista, e que baterista, o pequeno senhor de barba branca hipnotizou a plateia e ao final do show foi inevitável os muitos pedidos de bis. No jargão bluseiro, Roy Rogers quando sai do palco deixa terra arrasada. O melhor show de 2019 foi dele e Rio das Ostras mais uma vez o aplaudiu de pé. No quarto e último dia (domingo, dia23), Lucky Peterson e The Jig voltaram a se apresentar e fechar o evento com chave de ouro no emblemático palco às margens da La-

Stenio Mattos

goa de Iriri, ao norte da cidade. E assim, ano após ano, o Rio das Ostras Jazz & Blues coloca mais uma nova estrelinha no céu da enorme constelação musical do planeta. As autoridades municipais e o SESC, patrocinador do evento de 2019, já confirmaram o evento para ano de 2020 e a música de qualidade agradece. Que o sol continue brilhando para o maior festival do gênero na América Latina e um dos maiores do mundo. A música merece ...

Para saber online Acesse o site oficial do evento: www.riodasostrasjazzeblues.com


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MARATONA DO RIO:

muito mais que uma corrida

A Maratona do Rio é muito mais que milhares de pessoas tentando vencer 42 quilômetros e meio de distância. Há também palcos e shows espalhados no percurso, além da área de largada e chegada, que exigem apoio de áudio, luz e estruturas. redacao@backstage.com.br Fotos: Ernani Matos

Q

uando não se conhece o evento da Maratona do Rio, é fácil de pensar que se trata apenas de milhares de corredores buscando completar os 42,5 quilômetros da prova. Engano. Primeiro que não tem apenas a disputa da maratona: há também uma meia maratona com percurso diferenciado disputada um dia antes. Em segundo lugar, o evento é maior que a corrida – que já não é pouca coisa. Acontece também, de forma paralela, a Maratona com Arte. A Maratona com Arte acontece durante os dois dias nos quais se divide o grande evento da maratona: no primeiro, ocorre a Meia Maratona, ocorrida no sábado, 22 de junho; no segundo, a Maratona do Rio propriamente dita. No entanto, no primeiro dia, apenas o

placo principal – o da chegada – teve um show, que foi de Lan Lanh. No segundo dia, 23 de junho, houve shows no Palco Praça XV com DJ Bru Galtieri e Sofia Ceccato; no Palco da rua Joaquim Nabuco, com DJ Lala K e Lara Klaus; no Palco AquaRio, com DJ Cacau e Denize Rodrigues; no Palco Copacabana Hotel JW Marriott, comDJ Carol Emmerick e Layse; e no Palco Enseada de Botafogo com Marie Buret e Vanessa Belucio. A área de chegada, no Aterro do Flamengo, teve o show de Emanuelle Araújo no Palco Arena de Chegada: o maior dos palcos e com mais estrutura. Os palcos, que tiveram a curadoria de Zé Ricardo, também reponsável pelo palco Sunset, do Rock in Rio, foram ocupados somente por mulheres. Isto porque a or-


ganização quis incentivar mais mulheres inscritas para a prova de 42km, que nesta edição representaram apenas 30%. Houve a preocupação de que os shows mantivessem um ritmo acima de 120 bpms, para não propiciar que o ritmo dos corredores caísse.

SOM, LUZ E ESTRUTURAS Para a Inside Produções, que há dez anos tem uma parceria com as promotoras do evento, a Dream Factory e a Spiridon, o que acontece são três eventos dentro de um. O primeiro, dia 20 de junho, foi a entrega de kits. Este é um evento grande no centro de convenções da Sul América, com sonorização de dois andares, onde passam as cerca de 30mil pessoas inscritas na meia

Marcelo Gargaglione, Carlos Henrique (Só), Bruno César e Henrique Ribeiro

de projeção, onde, nos corredores, há informações sobre o percurso, hidratação, preparação para a pro-

Para a Inside Produções, que há dez anos tem uma parceria com as promotoras do evento, a Dream Factory e a Spiridon, o que acontece são três eventos dentro de um. maratona e na maratona. Lá tem uma área de palestra, uma sonorização para a palestra, e uma área

va, etc. “Depois temos toda a parte do percurso para sonorizar. O primeiro é a meia maratona junto

com o que eles chamam de ação kids, a maratonhinha, que acontece dia 22. Dia 23 é a maratona, que aí sim são os 42,5 quilômentros. Nesse caso, são reajustados posicionamento de som, estrutura, e aí entra a ação do túnel, que antigamente acontecia no túnel que vinha da barra para São Conrado. O fechamento da Niemeyer mudou todo o percurso. Tivemos que repensar todos os pontos de sonorização e em relação ao túnel também mudou, porque saiu de um de 400 metros para um de 1,5km, o Marcelo Alencar”, explica o responsável pela parte comercial Bruno César. Já o terceiro evento, é a Maratona com Arte. São seis palcos cobertos com show ao vivo durante o percurSo da maratona, além da sonorização do trecho do túnel Rio 450. Para tudo isto são utilizados 1200 metros de estrutura Q30 Feeling. “Cada palco tem um rider de som e conteúdo particular”, ressalta Bruno.

EXPERIÊNCIA: APOIANDO AS NOVIDADES E EVITANDO PROBLEMAS Foram usados sistemas padrão de alto nível na sonorização

Já há dez anos que a Inside – que tem os sócios Bruno César, da área

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comercial; Marcelo Gargaglione, responsável técnico/logístico, e Emerson Martins, também da área comercial - atende ao evento. Mas no início era bem diferente, como explica Bruno. “Fazíamos uma ação patrocinada pela Light no túnel (entre São Conrado e Barra) com painel de LED. Era um evento muito menor. A primeira virada foi há uns seis anos, quando a chegada no aterro começou a ser importante, com 10, 12 torres de som”. No últimos dois anos aconteceu mais uma mudança importante, com a separação da maratona e da meia maratona. “O evento tomou um corpo tão grande que eles entenderam que não cabia largar mais a maratona e a meia maratona no mesmo dia. Por isso divi-

Este ano os sistemas foram montados em fly.

uns cinco anos pra cá”, reforça Marcelo Gargaglione, responsável pela área técnica e logística do

Fazíamos uma ação patrocinada pela Light no túnel (entre São Conrado e Barra) com painel de LED. Era um evento muito menor. A primeira virada foi há uns seis anos, quando a chegada no aterro começou a ser importante, com 10, 12 torres de som. diram no sábado e no domingo. Nó viemos acompanhado esse crescimento e a expolsão foi de

Foi montado um sistema básico de iluminação

evento. A forma como o evento é apresentado para a Inside é bem diferente

de um concerto musical, onde a banda chega com um rider pronto, já com a quantidade de canais certa, a mesa que gosta de usar, etc. O que é mostrado é o percurso, a chegada e a largada. A partir daí, Marcelo tem que pensar e desenvolver o sistema de forma que, por exemplo, não atrapalhe os moradores dos prédios próximos ao Aterro do Flamengo. “Cinco horas da manhã já tem gente falando nos microfones, porque a largada é as seis horas. Isso incomoda muito. E aí você tem que pensar um sistema de som voltado para o mar, para não interferir e não trazer problemas para o próximo ano. É um evento calendário do Rio de Janeiro. Então tem essa preocupação do Marcelo, que senta com o pessoal da Dream Factory e da Spiridom para entender as necessidades, ainda mais nesse ano que fizemos muitas visitas técnicas. Foi novidade para eles e para gente. Agora é um novo evento”, diz Bruno. Esse ano, a principal novidade em relação ao ano passado foi mesmo a decisão de usar RF. “Cabo pode romper ou estragar. Além do RF tem o backup, que é fibra. Continua tendo cabo, mas fazemos o RF.”, expõe Bruno. Outra solução


Gabriel Martau e Júnior Neves (Operadores da banda BatuQue da Lan Lan)

para este ano foi o uso do sitema de sonorização em torres. Até ano passado era estaqueado. “O fly tem um alcance maior. É mais custo subir o sistema, e esse ano conseguimos isso porque queremos mais performance, directividade e controle”, aponta Marcelo

CONFIGURAÇÃO

mos quantidade de geradores, como vai ser montado, etc. Este ano estamos usando uma coisa diferente, que é a comunicação, com

go, onde acontece a largada e a chegada da maratona, o gerenciamento do sistema de sonorização é feito por meio de uma Midas operada por Henrique Ribeiro. Ele recebe sinal do palco, DJ e distribui para os pontos de som. O engenheiro de áudio usa 7 canais de entrada e cinco saídas matrix para a área VIP, chegada e largada, área de food truck, patrocinadores e a ultima, que é para o palco, de onde também recebe sinal quando há os shows. “O que tem de diferente é não trabalhamo com L&R. Trabalhamos com matrix, e temos que corrigir os delays, e isso dá uma demorada”. O técnico de som ainda tem que tratar e escutar todos os sinais, além de monitorar o RF e sinal da fibra. A montagem começa dez dias an-

O fly tem um alcance maior. É mais custo subir o sistema, e esse ano conseguimos isso porque queremos mais performance, directividade e controle.

Marcelo explica como são divididas as tarefas com os parceiros da Dream Factory e Spiridon: “eles decidem onde fica o palco, a gente decide o que vai ser locado, onde gostara de colocar as torres, defini-

um sistema de rádio com fibra ótica e rádio”. No local mais complexo e importante, o Aterro do Flamen-

Igor de castro

Foram usados, entre outras marcas, consoles da yamaha.

tes do evento. Todo os palcos foram montados com sistema Vertec. No Leblon, o local de largada da meia

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maratona foi sonorizado com sistema Norton. Ainda que tenha utilizado um sistema diferente na largada, a ideia é usar, o máximo possível, os mesmos equipamentos em todos os locais para que haja um padrão visual para quem corre e também para os artistas não se sentirem mais ou menos privilegiados. As mesas utilizadas são as padrões no mercado, como Yamaha, Midas e

Chegada da meia maratona foi no Aterro

DJ Júnior Abrantes

Digidesign. Especificamente no Palco Arena, são uados os sistemas JBL Vertec 4888, monitores Norton, front fill aero 28 e side DAS. Além dos vários sistemas de som, há várias equipe a serem administradas. São cerca de 60 pessoas ligadas à Inside, sendo 22 diretamente ligadas ao som, entre roadies, técnicos e iluminação. O produtor Igor de Castro, da Dream

Factory, foi quem cuidou e deu o apoio para a Inside tomar conhecimento e atender às demandas do evento. “A maratona funciona no ano inteiro. Temos uma equipe de produção que trabalha nisso. Três meses antes da maratona a equipe começa a crescer”, afirma. Nos dias da maratona, o pessoal trabalhando chegava a 50 produtores mais um staff de 3000 pessoas na equipe.


SEGUNDA 12/08/2019 13h45 - Abertura Sala Armandinho, Dodô e Osmar 14h - RF em Projetos Globais Daniel Reis (BA) 16h - Audição de equipamentos 16h30 - Expositores 18h - Mixagem Digital em Tempos Modernos Robert Scovill (USA) 20h30 - Expositores 22h - Encerramento Durante toda a programação de terça a quinta: Sala Audio Master Chef com Tiago Borges e convidados

TERÇA FEIRA 13/08/2019 8h - Master Class Sala: Orlando Tapajós Equalizador musical e Afinação Melódica de Instrumentos Percussivos Tito Menezes (BA) Sala: Carlos Correia Controle e Monitoramento de Sistemas ao Vivo Thiago Terra (BR /ITALIA) Sala: Wilson Marques desenhos de sistemas usando simulações em computador Fábio Zacarias (SP) Sala: Armandinho, Dodô e Osmar Plano X: Como Fazer um Monitor Musical Renato Carneiro (SP) 9h40 - Audição de equipamentos 10h20 - Master Class Sala Orlando Tapajós Sound Check Roupa Nova Maurício Pinto (RJ) Sala: Wilson Marques Áudio Nas Igrejas: Os Desafios da Iniciação Técnica Martin Buffer (ARG/ BA) e Fernando Maia (CE) Sala: Carlos Correia Compressores: Entendendo e Utilizando Corretamente Flávio Goulart (SP) Sala: Armandinho, Dodô e Osmar Alinhamento de Sistema Utilizando Smartphone José Carlos (BA) 12h - Almoço 13h30 - Master Class Sala: Orlando Tapajós Equalizador musical: Afinação Melódica de Instrumentos Percussivos Tito Menezes (BA) Sala: Carlos Correia Controle e Monitoramento de Sistemas ao Vivo Thiago Terra (BR /ITALIA) Sala: Wilson Marques Dimensionamento de Sistemas Fábio Zacarias (SP) Sala: Armandinho, Dodô e Osmar

Plano X: Como Fazer um Monitor Musical Renato Carneiro (SP) 15h10 - Audição 15h50 - Master Class Sala: Orlando Tapajós Sound Check Roupa Nova Maurício Pinto (RJ) Sala: Wilson Marques Áudio Nas Igrejas: Os Desafios da Iniciação Técnica Martin Buffer (ARG/ BA) e Fernando Maia (CE) Sala: Carlos Correia Compressores: Entendendo e Utilizando Corretamente Flávio Goulart (SP) Sala: Armandinho, Dodô e Osmar Alinhamento de Sistema Utilizando Smartphone José Carlos (BA) 17h30 – Audição de equipamentos 18h - Coffee Break - Stands 18h30 - Área de Convivência, Expositores Programação Surpresa 21h - SemanÁudio OFF 22h – Encerramento QUARTA - FEIRA , 14/08/2019 8h - Laboratórios O participante só poderá escolher uma opção. Vagas sujeitas a lotação dos espaços Sala: Orlando Tapajós Alinhamento de Sistemas: Fazendo o Certo na Vida Real Denio Costa (MG) e Alexandre Rabaço (RJ) Sala: Carlos Correia Conectividade: Os Caminhos do Áudio Via Rede Fernando Fortes (SP) e Matheus Madeira (SP) Sala: Wilson Marques Projetos de Sistemas: Entendendo Sua Criação Pedro Gehring (RS), Gustavo Bohn (RS) e Lucas Sallet (RS) Sala: Armandinho, Dodô e Osmar Mixando em Show com Técnicas de Estúdio Beto Neves (SP) 11h - Audição de equipamentos 11h30 - Almoço 13h - Audição de equipamentos 13h30 - Master Class O participante escolhe qual aula assistir mediante disponibilidade de vagas. Sala: Orlando Tapajós Criando Profundidade na Sua Mix com Processadores de Efeitos Marcelo Claret (SP) Sala: Carlos Correia Dimensionamento de Amplificadores Rosalfonso Bortoni (SC)

Sala: Wilson Marques Desvendando a mixagem para TV Manoel Tavares (RJ) e Carlos Ronconi (SP) Sala: Armandinho, Dodô e Osmar Construindo uma Mix para Transmissão em Redes Sociais Kadu Melo (SP) e Fernando Maia (CE) 14h40 - Audição de equipamentos 15h50 - Master Class Sala: Orlando Tapajós Criando Profundidade na Sua Mix com Processadores de Efeitos Marcelo Claret (SP) Sala: Carlos Correia Dimensionamento de Amplificadores Rosalfonso Bortoni (SC) Sala: Wilson Marques Desvendando a mixagem para TV Manoel Tavares (RJ) e Carlos Ronconi (SP) Sala: Armandinho, Dodô e Osmar Construindo uma Mix para Transmissão em Redes Sociais Kadu Melo (SP) e Fernando Maia (CE) 17h30 - Audição de equipamentos 18h - Coffee Break – Stands 18h30 - Área de Convivência, ExpositoresProgramação Surpresa 21h - SemanÁudio OFF 22h - Encerramento QUINTA-FEIRA, 15/08/2019 08h30 às 17 PRATICA DE SHOW EM TRIO ELETRICO Pátio Estacionamento Trio Elétrico: Sistemas Elétricos e Aterramento Henrique Elisei (MG) 10h30 às 12h - Patch: Do Analógico ao Digital Tiago Borges (DF) Almoço 13h às 15h30 Alinhamento e Otimização de Trio Elétrico Na prática Levinton Nascimento (BA) 15h30 às 17h Mixagem Jaksandro Silva (BA) e Diego Moreno (BA) Monitor em Trio Elétrico Igor Pimenta (BA) Sennheiser Sound Academy: RF Essentials Turma 01 - manhã 8h às 12h - Tecnologia em Antenas Coordenação de Frequências e WSM IEM: Sensibilidade X Potência Tecnologia em Microfones Turma 02- tarde 13h às 17h - Tecnologia em Antenas Coordenação de Frequências e WSM IEM: Sensibilidade X Potência Tecnologia em Microfones 17h30 - Encerramento

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CADERNO ILUMINAÇÃO

Figura 1: Estética impressionista na produção teatral. Fonte: Pinterest/Nikki Guckian

Na iluminação cênica, a cena é a principal referência para a composição estética e visual. Por meio dela, definem-se as técnicas, métodos e resultados, alinhados aos conceitos e roteiros, criados e configurados para produzir sensações e percepções únicas. Mas, e se a cena mudar de lugar? E se a referência for móvel ou dinâmica? Nesta conversa, antigos paradigmas serão abordados e novos serão discutidos, de maneira a contextualizar novos caminhos – e novas barreiras, proporcionando expectativas e perspectivas fascinantes na evolução da iluminação cênica.

NOVAS BARREIRAS

NA ILUMINAÇÃO CÊNICA Cezar Galhart é técnico em eletrônica, produtor de eventos, baixista e professor dos Cursos de Eventos, Design de Interiores e Design Gráfico do Unicuritiba e pesquisador em Iluminação Cênica.

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cena sempre será um paradigma na iluminação cênica. Algo intrínsico na denominação e significado dessa técnica e área do conhecimento. Em circunstâncias diversas, essa afirmação pode gerar questionamentos, dúvidas, controvérsias e até discussões empolgantes e calorosas. Mas, de fato, a cena é

uma representação situada na relação tempo-espaço e que pode variar nessas duas dimensões (sendo que para muitos profissionais e autores, a cena realmente compreenda três dimensões e o tempo represente uma quarta dimensão). Essa convenção que envolve tempo, cena e iluminação remonta às inspira-


Figura 2: Soluções e resultados na estética da iluminação cênica. Fonte: Amber Sphere

ções e influências que proporcionaram o desenvolvimento da atividade por meio de pesquisas, experimentos e representações diversas, e que, também em uma outra análise e percepção, resultaram na proposta estética do Impressionismo. Esse, que é um dos mais significativos movimentos artísticos da História, ocorreu no fim do século XIX, no qual foram produzidas pinturas que captavam as impressões perceptivas de luminosidade, cor e sombra das paisagens, que eram reproduzidas em diferentes horários do dia. Como no Impressionismo, a busca pela melhor estética de cena sempre esteve associada à melhor compreensão da iluminação e da percepção visual, como recurso de análise e inter-

pretação subjetiva da interferência da luz visível sobre o que é visto, ou até mesmo o que poderá ser idealizado e sugerido. Em um outro contexto, também vinculado às artes e entretenimento, diversos espetáculos, dinâmicos e versáteis, conduzem os expectadores por espaços diferentes, cuja passagem espacial e temporal irá proporcionar dezenas ou centenas de cenas. De maneira mais efetiva, cada cena será produzida por elementos, recursos, equipamentos e mesmo soluções estáticas (ou fixas, como luminárias, dimmers,consoles), complementadas por efeitos e substâncias/ compostos que conferem dinâmica e evidenciam aspectos (tais como o dióxido de carbono solidificado,

ou gelo seco). A apreciação se torna vívida, enérgica e animada, seja pelas variações das possibilidades desses recursos (pela alteração das cores e intensidades) ou pela modificação na configuração ou execução de funções e comandos. Já nesse âmbito, a programação e operação de projetos de iluminação cênica se torna complexa e envolvente, como também requer tempo para a idealização, configuração e testes. Quanto mais dinamismo um conjunto de cenas requisitar, mais intricado será o processo de desenvolvimento de soluções para resultados dos mais diversos. Os contínuos avanços tecnológicos nos setores de entretenimento e produção de espetáculos

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CADERNO ILUMINAÇÃO

Figura 3: Video Walls na formatação do cenário. Fonte: Matrix Visual

propiciaram um considerável aumento do consumo de novidades, sendo que muitas delas centradas no LED como dispositivo. Ele se tornou parte do vocabulário e do dia a dia das produções e espetáculos - como já discutido diversas vezes nesse espaço. Inte-

provocou uma nova condição em que os Lighting Designers podem idealizar projetos com maiores e mais amplas capacidades, representando por vezes, uma mensuração de recursos que duplicasse ou até multiplicasse em outras ordens o número de

Integrante de um processo irreversível, e cada vez mais acessível e com amplas possibilidades de uso e aplicações, essa entrada dos LEDs cada vez mais precisos, brilhantes e menos onerosos permitiu a recriação e projetos mais ambiciosos grante de um processo irreversível, e cada vez mais acessível e com amplas possibilidades de uso e aplicações, essa entrada dos LEDs cada vez mais precisos, brilhantes e menos onerosos permitiu a recriação e projetos mais ambiciosos, e consequentemente, maiores e mais exuberantes com condições orçamentárias mais viáveis. Esse novo cenário de possibilidades

equipamentos em um espaço antes dimensionado com limitações diversas, tornando cada vez mais intensa a inserção da iluminação cênica em contextos outros, como eventos de inauguração, lançamentos de produtos e até congressos científicos nas mais contrastantes áreas do conhecimento. Assim, a iluminação cênica passou


Figura 4: Video Walls na configuração de eventos técnicos e corporativos. Fonte: South West Scenic Group.

para outro patamar, ainda transmitindo sensibilidade, estética e mensagens variadas, mas também muitas informações. As conexões dos universos teatrais e dos espetáculos aos eventos comerciais e corporativos ainda se desenvolve, mesmo que

Também nesse contexto, as configurações de espaços se modificaram, pela redução ou substituição de recursos, cada vez mais versáteis. Os espaços das telas de projeção se dinamizaram, e esses antigos obstáculos, ou barreiras, criados pelos siste-

A iluminação cênica passou para outro patamar, ainda transmitindo sensibilidade, estética e mensagens variadas, mas também muitas informações. seja percebido por diversos recursos comuns a essas instalações. Como exemplos, paredes de LEDs, que substituíram as gigantescas telas oriundas do conceito de Image Magnification (IMAG) cada vez também se inserem nos eventos científicos e de negócios, sendo essas estruturas utilizadas na edição das imagens e na promoção de marcas e ideias.

mas de projeção, ganharam novos elementos, temas personalizados e interações mais atrativas. Nas feiras e congressos, as divisórias se transformaram em espaços publicitários e de propagação de ideias, produtos e informações. Em uma análise bem objetiva, ainda há nessa questão uma lacuna entre iluminação cênica e vídeo, e esse gap

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CADERNO ILUMINAÇÃO

Figura 5: Video Walls na configuração de shows e espetéculos. Fonte: Insta Stalker.

começa a ser superado pela inovação digital, que ultrapassa as possibilidades dos recursos físicos e passa também pelos processos criativos, envolvendo cenários reais, fictícios e fantasiosos. Estruturas que são denominadas Video Walls cada vez mais assumem esse papel: paredes que funcionam como superfícies de reprodução de vídeos e animações. Essas paredes atuam ainda como luminárias, comportando-se como elementos estruturais com superfícies distintas, ou seja, a capacidade de reprodução de tópicos, imagens, marcas singulares em cada face da parede. Em outras palavras, inicia-se uma nova etapa de compreensão para o uso dessas “paredes” não somente como veículo de divulgação na parte frontal, como também no verso. Imaginando uma parede convencional, estruturada a partir das duas principais dimensões – largura e altura - nessa formatação de

Video Walls, em um lado, há possibilidades de exibição de vídeos de alta definição e efeitos de iluminação volumétrica em modelagem 3D (ainda mais com simulações e projeções no campo da realidade virtual); no outro lado, matrizes com pixels em padrões 8x8 de alta intensidade ou com profundidades com padrões RGB truecolor 24 bits . Isso ainda permitirá outras formas e configurações, e simulações espetaculares de cenas e cenários em tempo real. O Impressionismo foi um dos mais importantes e influentes movimentos artísticos da História, caracterizado pela reprodução em tela das impressões pontuais do artista para uma paisagem ou cenário, com os aspectos da iluminação natural aplicados por um instante do tempo. Com essas novas tecnologias, os horizontes se tornam promissores pela recriação de cenas dinâmicas e em movimento. A partir

dessas possibilidades, cada vez mais serão propiciadas alternativas para uma mesma configuração espacial, sem alterações físicas, apenas projetuais, e reproduções de imagens em instantes, como se a cada segundo, uma nova tela surgirá em frações do tempo, sucessivamente. Com todos esses elementos de inspiração e produção, novos recursos surgem diariamente, mesmo que incipientemente explorados, permitindo ainda o desenvolvimento de diversas propostas, formais e burocráticos, subjetivas ou lúdicas. Cada vez mais, caberá ao Lighting Designer a exploração de possibilidades, pela investigação e compreensão de novos cenários (em todos os sentidos), fomentando estímulos e percepções além das barreiras da imaginação. Abraços e até a próxima conversa!

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LEMBRANÇAS

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DO FUTURO Foto: George's Studio

À

s vezes, escrevendo esta coluna, me vêm à memória flashes de vivencias que não consigo situar nem no tempo nem no local exatos: parecem coisas de sonho, vistas através de uma névoa. Aí fico me esforçando por reconhecê-las e levo horas, dias, semanas nisso, sempre chegando perto da realidade, mas nunca conseguindo alcançá-la por completo. Passado um

nós: em nossa memória a casa onde vivemos a primeira infância, na rua tal, no bairro tal, era enorme e tinha um quintal repleto de árvores frutíferas, com uma claraboia que iluminava a cozinha sempre enfumaçada por almoços e jantares. Mas um belo dia, reencontrando aquele idoso parente próximo que não víamos há dezenas de anos, rola o seguinte diálogo: - Tio, lembra-se daquela claraboia na cozinha na casa da Tijuca? - Claraboia? não... Ah, espera, quem morava na Tijuca e tinha uma linda claraboia na cozinha era sua avó. E ela não saía de lá, era um tal de doces, arroz disso e daquilo, nossa, a velha cozinhava demais, a gente engordava só de passar o dia com ela! - Mas eu não morei na Tijuca?

Parecem coisas de sonho, vistas através de uma névoa. Aí fico me esforçando por reconhecê-las e levo horas, dias, semanas nisso, sempre chegando perto da realidade, mas nunca conseguindo alcançá-la por completo. tempo, desisto dos detalhes e passo a narrar pra mim mesmo aquela história com um roteiro que chamo de “pequena verdade”, começando pelas certezas e finalizando em dúvidas, o que em determinadas situações faz com que aquele fato acabe por ganhar uma estrutura real, palpável, fazendo com a névoa se dissipe e mostre o que existiu ou pelo menos deveria ter existido, embora não completamente daquela maneira. Dando um exemplo que pode ter acontecido a qualquer um de

- Não, rapaz. Imagina, morei com vocês até entrar na faculdade... A gente sempre morou em Vila Isabel, depois vocês mudaram pra Laranjeiras, pra um apartamento em frente ao Fluminense. - Tá, mas aí eu já tinha uns doze anos. - Não, você tinha oito. Lembro porque eu mesmo levei você ao Maracanã pela primeira vez pra festejar seu oitavo aniversário, enquanto seu pai e sua mãe davam um jeito na casa. Tinham acabado de mudar.


LUIZCARLOSSA@UOL.COM.BR | LUIZCARLOSSA.BLOGSPOT.COM Aí as coisas começam a se ajustar na sua cabeça, o tempo e o espaço entram em nova ordem e você se surpreende pensando em como tudo aconteceu diferente do que você imaginava. Não que seu passado fosse uma mentira, mas a verdade estava ali de plantão, esperando que a última porta se abrisse. Agora, por exemplo, tenho na cabeça um cenário: um amplo apartamento quase sem mobília, um ambiente muito claro por onde entrava – posso sentir isso neste exato momento em minhas veras narinas – a maresia do fim de tarde, aquela que chega com a força das ondas

pelo avesso / era uma experiência mortal.” Completamos música e letra em pouco mais de uma hora. Ela saiu fluida, agridoce, simples e rica. Talvez aqueles pequenos contratempos normais em turnês de uma cidade por noite tivessem nos reservado esse presente. Acabamos por gravá-la pouco mais de um ano depois, em 1985, no disco “Harmonia”. Temos um carinho especial por ela, demonstrado novamente por Guarabyra que a regravou – e fez dela a música título - em seu disco solo de 2006.

Agora, por exemplo, tenho na cabeça um cenário: um amplo apartamento quase sem mobília, um ambiente muito claro por onde entrava – posso sentir isso neste exato momento em minhas veras narinas – a maresia do fim de tarde, aquela que chega com a força das ondas da maré montante. da maré montante. Num quarto, eu, no outro ao lado meu parceiro Guarabyra. Estávamos muito cansados e ressabiados com a hospedagem improvisada, diferente daquela que havia sido prometida por sabe-se lá qual produtor local em sei lá qual cidade. Eu tentava arrumar minhas roupas num armário vazio e sem cabides, olhando desanimado pro colchão de casal colocado diretamente no chão. Apesar disso, a roupa de cama parecia recém comprada, os travesseiros eram macios e com o cansaço da viagem não demorou muito para que eu apagasse ali de roupa e tudo. No dia seguinte acordei tarde, depois de um sonho agitado e confuso, que em compensação me deixara na cabeça uma linda melodia. Peguei o violão e comecei a harmonizá-la. Acho que por isso acordei o Guarabyra, que se interessou também pela música. Começamos a trocar ideias, ele arrumou papel e lápis e falou-me sobre a instigante obra poética de Ana Cristina Cesar, uma mulher jovem, linda, brilhante, que recentemente acabara por suicidar-se, atirando-se do alto de um prédio em Copacabana. Fiquei um tanto abalado com essa lembrança, pensando porque tantos poetas traziam para suas vidas as piores tragédias do cotidiano, como se absorvessem – além dos seus próprios – os males alheios, terminando por sucumbir a isso tudo. Claro que a letra saiu inteira em homenagem a ela, construindo um hipotético mundo que seria seu por merecimento, em lugar daquele que acabou por lhe caber em doses iguais de melancolia e amargura. Não por acaso, Ana Cristina - em triste e então ainda inimaginável profecia - falou: “Eu não sabia / que virar

LEMBRANÇAS DO FUTURO (Sá & Guarabyra) Uma visão terás quando seguires caminho O último azul das ilhas vai te fazer chorar mas o que importa, se o que te fez mal já ficou pra trás E só precisas mesmo jogar tuas lembranças do futuro ao mar. Te prometo uma outra vida, Bem além daquela onde morreste em vida Bem pra lá do mundo que te deu a terra que te manda embora agora, linda Te prometo uma outra beira Onde possas sempre debruçar teu corpo E te sintas bela e te sintas toda Bem além do mal, do bem, linda

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Edição 296 - Julho 2019 - Revista Backstage  

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