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Sumário Ano. 26 - Fevereiro / 2019 - Nº 291

Foto: Divulgação

Armored Dawn com Zé Luis “Heavy” na Europa

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Com o digital tomando conta do audio-visual, abrem-se novas possibilidades. Carlos Ronconi e Manoel Tavares, dois dos melhores profissionais de áudio e imagem do Brasil, contam um pouco sobre o uso de equipamentos digitais em TV e o áudio imersivo em 3D.

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Como é hoje fazer uma turnê na Europa? Os equipamentos são diferentes? Os profissionais são respeitados? É isso que Zé Luis Carrato, o Zé heavy, nos conta aqui na Revista Backstage

NESTA EDIÇÃO 08 Vitrine BR-8000-UHF é um sistema duplo de microfones sem fio dinâmicos com processo de recepção duo-4 diversity. Veja ainda o CSR PA 4820, o Delay Eventide DDL 500 e o mini-receptor Ponto IEM 8R.

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Rápidas e Rasteiras Entre os destaques, a tecnologia da Universal Music para aproximar marcas e artistas e as novas atrações do Rock in Rio.

16 Gustavo Victorino Saiba as notícias mais quentes do mercado.

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Play Rec Neste mês, os trabalhos de Carlos Malta, Bob Dylan, Jorge Pescara e Raul de Souza.

24 Power Click MX 4x1XL Conheça o novo monitor de áudio para fones de ouvido da Powerclick. destinado ao uso individual, o mixer tem dois estágios: um módulo de potência e o mixer.

28 Áudio Fundamental Na coluna de Pedro Duboc, a contiuação da entrevista com o sonoplasta Alexandre Cipriano.

30 Axle, da K-Array Sistemas de P.A.portáteis da K-Array prometem fazer sonorização adequada para os mais diversos espaços com facilidades de transporte e montagem.

48 Vida de artista Afinal, o que faz alguém brilhar na carreira musical? É o que Luiz Carlos Sá tenta decifrar nesta crônica.


Edição 291 - Fevereiro 2019 Foto: Fábio Rossi / Divulgação

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Tim Burton Sinfônico

Orquestra Petrobras Sinfônica revive projeto que interpreta composições de Danny Elfman para os filmes do famoso cineasta

CADERNO ILUMINAÇÃO 40 Vitrine iluminação O Elation Rayzor 760 produz um beam definido e intenso de até 8000 lumens, permitindo a cobertura em qualquer palco, mesmo os mais amplos. Veja também o ILED Giga Screen P4.8, a máquina de vento Digifan e o Antari F7 Smaze.

Expediente Diretor Nelson Cardoso nelson@backstage.com.br Gerente administrativa Stella Walliter stella@backstage.com.br Financeiro adm@backstage.com.br Coordenador de conteúdo Miguel Sá redacao@backstage.com.br Revisão Miguel Sá Colunistas: Cezar Galhart, Gustavo Victorino, Luiz Carlos Sá, e Pedro Duboc Ed. Arte / Diagramação / Redes Sociais Leonardo C. Costa arte@backstage.com.br Capa Arte: Leonardo C. Costa Foto: Divulgação Publicidade / Anúncios PABX: (21) 3627-7945 arte@backstage.com.br Webdesigner / Multimídia Leonardo C. Costa multimidia@backstage.com.br Assinaturas Maristella Alves PABX: (21) 3627-7945 assinaturas@backstage.com.br Coordenador de Circulação Ernani Matos ernani@backstage.com.br Assistente de Circulação Adilson Santiago Crítica broncalivre@backstage.com.br Backstage é uma publicação da editora H.Sheldon Serviços de Marketing Ltda. Rua Iriquitiá, 392 Taquara - Jacarepaguá Rio de Janeiro -RJ - CEP: 22730-150 Tel./fax:(21) 3627-7945 / 2440-4549 CNPJ. 29.418.852/0001-85 Os artigos e matérias assinadas são de responsabilidade dos autores. É permitida a reprodução desde que seja citada a fonte e que nos seja enviada cópia do material. A revista não se responsabiliza pelo conteúdo dos anúncios veiculados.

42 Iluminação cênica Cezar Galhart conta os detalhes da iluminação cênica no show da banda New Order, em Curitiba. A originalidade, ineditismo, inovação e singularidade da iluminação chamaram atenção do colunista.


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CARTA AO LEITOR | www.backstage.com.br

CARTA AO LEITOR | www.backstage.com.br

Não há nada ainda que substitua o conhecimento

e a criatividade

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esde que o digital se consolidou no mercado do áudio, cada vez mais a distância entre os equipamentos de diversas marcas é menor. Claro que sempre haverá aqueles que se sobressaem. Mas, no geral, mesmo os mais baratos conseguem oferecer soluções que resolvam os problemas do cotidiano do profissional do áudio de forma satisfatória. Os equipamentos podem até ter um desempenho técnico similar. No entanto, a diferença sempre acontece naquela "peça" entre a cadeira e a mesa de som ou a workstation. Ou seja, o profissional capacitado e com criatividade normalmente melhora os desempenho dos equipamentos. O profissional do áudio, da iluminação ou da produção musical é quem viaja e conhece como os equipamentos funcionam nos eventos ao vivo ou nos estúdios. Pode ser numa tour à Europa, como aconteceu com Zé Luís Carrato, o "Zé Heavy". Ou então nos estúdios de uma emissora como a TV Globo, como foi com Manoel Tavares. Ele pôde perceber, no dia a dia, como as consoles digitais o ajudaram a construir novas formas de trabalhar. Também é o profissional de áudio, iluminação ou produção, quem atesta a resistência destes equipamentos em condições adversas ou consegue resolver problemas que pareciam insolúveis, encontrando novas aplicações antes inimagináveis, ultrapassando as expectativas dos projetistas das fábricas. Cada vez mais é essa a história que a Revista Backstage quer contar: a de quem faz este mercado da produção musical girar, ajudando a desenvolver, junto com as empresas e a imprensa especializada, um mercado que, apesar de tudo, é uma força no país. A solução está, sempre, naquela "peça" entre a cadeira e o equipamento. Boa leitura Miguel Sá

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VITRINE ÁUDIO| www.backstage.com.br

AMPLIFICADOR CSR PA 4820

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http://www.csr.com.br/ Este equipamento tem potencia máxima de saída de ( 1KHz, THD < 0.5%) 4ohms: 2x120W ou ( 1KHz, THD < 0.5%) 8ohms: 2x80W. A sensibilidade é 0dB (0.775V). A resposta de frequência chega a 0.5dB (20~20000Hz) com relação sinal/ruído de 98dB com distorção harmônica <0.1% (20~20000Hz)

TSI BR 8000 UHF http://www.microfonetsi.com.br BR-8000-UHF é um sistema duplo de microfones sem fio dinâmicos com processo de recepção duo-4 diversity (2x true diversity). O sistema conta com quatro receptores, que recebem todos os sinais e os seleciona levando, em conta não apenas a força como a qualidade. Sendo assim o sistema duo 4 diversity separa o melhor sinal recebido e na fase correta. desta forma possui uma recepção continua sem delay resultando em um sistema confiável inclusive para broadcast . O BR-8000 foi certificado por um dos melhores laboratórios do Brasil e homologado pela Anatel em cinco ranges de 600 canais cada um. Os cinco sistemas em conjunto podem alcançar até 3000 canais. O receptor é true diversity, com frequência de trabalho em UHF de 614 a 698 MHz (Frequências homologadas pela Anatel). O oscilador é PLL. A estabilidade é 10PPM. O equipamento tem sensibilidade 1.6uV @ sinad =12dB. A relação sinal/ruído é >105dB T.H.D.:<0.5%@1kHz e a rejeição de imagem 85dB típico. A rejeição de espúrios é 75dB típico e a resposta de frequência vai de 40Hz a 16kHz com alimentação DC, 0.5A, 14V DC. O microfone SC-8 tem Potência de saída de 30mW com frequência de trabalho em UHF de 614 a 698 Mhz (Frequências homologadas pela Anatel). A emissão de espúrios é de <40dB e a alimentação é com pilhas alcalinas AA1.5Vx2 . O padrão polar é super cardioide


DELAY EVENTIDE DDL 500 https://www.gsbproaudio.com.br/delay-eventideddl-500-188/p O DDL-500 possui 10 segundos de delay a uma taxa de amostragem de 192 kHz. O design procura limitar a quantidade de circuitos digitais ao mínimo. O recorte de saturação suave, o low-pass filter, o feedback, o aumento de +20 dB e todo o resto são analógicos. O tempo de delay pode ser variado suavemente, manualmente ou através da conexão de um LFO externo, permitindo que pequenos delays sejam usados para filtros de comb e efeitos de flange. O DDL-500 também é capaz de delays extremamente longos (até 160 segundos a uma taxa de amostragem de 16 kHz) permitindo que as passagens longas sejam capturadas para looping. É possível ir dos delays curtos aos delays longos, por qualquer motivo, para criar atrasos de varredura e efeitos de classe de eco de fita, por exemplo. O DDL500 traz tudo em um único slot de série 500.

MINI RECEPTOR PONTO – IEM8R http://www.microfonetsi.com.br O mini receptor PONTO-IEM8R é super heterodino com sintonia PLL e sistema de mudança de frequência via infravermelho ou manual. Ele faz parte do sistema de monitoração pessoal Ponto – IEM8. A alimentação é feita com duas pilhas 1.5V AA. A distorção harmônica total é <0,5%. O fone de ouvido funciona com impedância de 32 O e a rejeição de imagem é > 80dB. A relação sinal/ruído é > 90dB e a sensibilidade de recepção chega a 10dBuV (SINAD = 30dB). Acompanha fone de ouvido.

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Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

trajetória de quase 50 anos em show no Sesc Pompeia

Fatboy Slim anuncia passagem pelo Brasil e lança o remix de Praise You. O remix, apresentado em 28 de dezembro do ano passado, é uma parceria com o produtor brasileiro DJ Marky. A faixa foi apresentada ao público durante as apresentações no Brasil, no decorrer do mês de janeiro. Norman Quentin Cook nome verdadeiro do DJ britânico - ficou conhecido mundialmente por sucessos como The Rockafeller Skank, Wonderful Night e a versão original de Praise You. Para ouvir o single, acesse http://open.spotify.com/track/ 70luKVk31Pgpm9C72cho8u?si=p3mAY4gmT5I9qb9vCkocg.

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Azymuth comemora

FATBOY SLIM LANÇA SINGLE COM PRODUÇÃO DE DJ MARKY

Foto: Divulgação

VAGA PARA TÉCNICO EM ELETRÔNICA

Empresa de manutenção e reparos em equipamentos de Pró Audio, Vídeo, Painéis de LED e Iluminação Profissional esta selecionando profissional com experiência para prestar serviços na bancada. Local de trabalho: São Cristóvão – Rio de Janeiro. Enviar curriculum completo para o e mail: gas.instalacoes@gmail.com. Atenção: é fundamental ter MEI.

A banda Azymuth, conhecida por suas músicas instrumentais, tocou os maiores sucessos nas noites dos dias 12 e 13 de janeiro no Teatro do Sesc Pompeia. Formada no início dos anos 1970 por Ivan Conti “Mamão”, Alex Malheiros e Roberto Bertrami, a banda levava o nome de Grupo Seleção. O grupo tocava sua mistura de jazz, samba, funk e rock em diversas casas noturnas do Rio de Janeiro. Anos depois, por sugestão de Marcos Valle, o trio passou a ser chamado de Azymuth e conquistou o mercado instrumental, resultando em

participações no Festival de Jazz de Montreaux (Suíça). Para comemorar sua trajetória, o trio trouxe no repertório apresentado no Sesc Pompeia canções como Linha do Horizonte, Partido Alto e May i have this dance? , além de algumas canções clássicas que não podem faltar, como Last summer in Rio e Tempos atrás. Após o falecimento de Roberto Bertrami, a banda seguiu as atividades com Ivan Conti “Mamão” na bateria, Alex Malheiros, no Baixo e Kiko Continentino nos teclados. A engenharia de som nos shows fica por conta de Jerubal Matuzalem.


Foto: Divulgação

SIM, EXISTE CARNAVAL NO URUGUAI

Para aqueles que acreditam que a força do Carnaval está só por aqui, uma novidade. O Brasil tem quase cinco dias intensos de badalação, mas o Uruguai tem aproximadamente 40 dias com uma enorme variedade musical e dança, o que lhe confere o título do carnaval mais longo do mundo. A semelhança com a nossa festa popular é que o ritmo do vizinho também é ditado por um estilo musical originário da África, o Candombe. O carnaval uruguaio começa em finais de janeiro e continua até meados de março. milhares de pessoas vão as ruas ou casa de espetáculos acompanhar as diversas atrações que se exibem ao ar livre em

todo país, e são marcadas pela mistura das culturas africana e europeia. Na música, são usados três tipos de tambores: chico, repique e piano. Nos blocos, há mais de 2500 instrumentos unissonantes. O candombe, é uma dança levada ao som de atabaques típica da América do Sul. Atuante na cultura uruguaia há mais de 200 anos, é uma manifestação cultural originada a partir da chegada dos escravos da África ao continente sul-americano. A sua importância não está só no carnaval, ele se manifesta no Uruguai durante muitos domingos e feriados do ano ressoando no bairro sul de Montevidéu e em outros dois bairros meridionais da capital: Palermo e Cordón, que abrigam boa parte da população de origem africana. Pequenos desfiles são organizados nessas datas onde os participantes se reúnem para esquentar os tambores e confraternizar. Iniciado em Montevidéu, o carnaval é uma das tradições mais antigas e populares da cultura uruguaia. O pontapé inicial é dado todos os anos com o Desfile Inaugural na Avenida 18 de Julio sob o som do Candombe. Todos os grupos que intervêm no concurso oficial da ca-

pital participam acompanhados de carros alegóricos e cortejo de Rainhas do Carnaval. A Murga, assim como o Candombe, é elemento essencial do carnaval uruguaio. Ritmo de origem espanhola mistura teatro, paródia, humor e melodia, o gênero é uma das expressões mais genuínas da cultura do país. Nas noites de fevereiro, durante o período de carnaval, os conjuntos percorrem palcos montados nas ruas de diversos bairros, onde costumam se apresentar. Por aproximadamente 40 dias, os grupos carnavalescos de Murgas, Parodistas, Humoristas e Revistas Musicais participam do Concurso Oficial do Carnaval, onde apresentam com humor e sátira a visão do país e do mundo, acompanhados de diversos arranjos corais, vestuários chamativos e maquiagens criativas. Além de Montevidéu, todas as cidades do interior do Uruguai têm seus desfiles inaugurais. Algumas cidades sofrem influência de outros países como Rivera, Artígas e Melo, localidades fronteiriças ao Brasil, que adotam diversos elementos do nosso carnaval.

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diversidade da música brasileira Foto: Felipe Giubilei / Divulgação

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Casa Natura Musical celebra

2018 foi o ano de celebrar a diversidade da música popular brasileira na Casa Natura Musical. Foram 65 mil pessoas assistindo mais de 120 shows e eventos realizados. A Casa apostou numa programação plural que conversa com diferentes gêneros, ritmos e públicos e discutiu questões relevantes para a construção de uma sociedade mais inclusiva. O cantor pernambucano Johnny

Hooker abriu o ano de 2018 com Desbunde Geral, show que tinha no repertório canções do seus discos Eu Vou Fazer uma Macumba Pra Te Amarrar, Maldito! (2015) e Coração (2017). Em 2019, o show de abertura também foi da banda Liniker e os Caramelows (18/01). Devido à combinação de conforto e qualidade musical, a Casa Natura Musical foi eleita a melhor casa de shows de grande porte de São Paulo pelo jornal O Estado de S. Paulo. O ano de 2018 também ficou marcado pela programação de Carnaval, que trouxe para dentro da Casa ensaios de importantes blocos carnavalescos de São Paulo. Para 2019, já estão confirmados para o préCarnaval da Casa Natura Musical os blocos Calor da Rua (02/02) e Confraria do Pasmado (09/02), além das noites do Bloco Pagu

com Marina Lima (19/01), Duda Beat-Carna Beat Apaixonado (24/ 01), Bloco Ritaleena (25/01), Diogo Nogueira (08/02), Bloco Confraria do Pasmado (09/02) e bloco Beatles para Crianças (17/02). Muitos outros eventos estão previstos para 2019. A Casa Natura Musical é um projeto que soma as credibilidades de empreendedores da música ao vivo feita em São Paulo: o empresário Paulinho Rosa, dono do Canto da Ema, e Edgard Radesca, fundador do Bourbon Street Music Club. Juntou-se a eles a cantora e compositora Vanessa da Mata e formaram a VIVÁ Cultural, empresa proprietária e realizadora do projeto. O patrocínio é da Natura, empresa que, por meio de sua bem-sucedida plataforma Natura Musical, destaca-se há 13 anos como uma das principais marcas incentivadoras da renovação da música brasileira e da preservação de sua memória. Para saber mais acesse www.casanaturamusical.com.br

UNIVERSAL MUSIC BRASIL APOSTA EM TECNOLOGIA PRÓPRIA PARA APROXIMAR MARCAS E ARTISTAS Dar ”match” entre um artista e uma marca não é tarefa fácil. Na era da conectividade, é preciso encontrar o músico ou a banda que compartilha valores da empresa e, mais importante, consegue impactar seu públicoalvo. Para resolver essa questão, a Universal Music Brasil desenvolveu uma tecnologia própria. Music & Brands é uma unidade de negócio criada pela Universal Music, maior companhia de música, conteúdo e entretenimento do mundo, com o objetivo de desenvolver projetos voltados às marcas. A principal missão da área é utilizar a música e a imagem dos artistas como ferramentas de marketing para engajar o público-alvo das marcas. Com importantes cases de sucesso, o departamento trabalha com o conceit o full service, que envolve desde a criação passando pela curadoria, direção artística, produção e monitora-

mento de métricas e resultados das ações desenvolvidas. O Music & Brands traz ao mercado uma tecnologia inovadora e proprietária desenvolvida pelo núcleo global de pesquisas e Insights da Universal Music. Baseado em pesquisas on line, o Viewpoints segmenta clientes baseado em seus hábitos de consumo de música e ajuda a direcionar melhor projetos propondo um “match” entre o posicionamento de artistas e marcas aos olhos dos fãs. A ferramenta Music Match identifica sinergias entre artistas e marcas por meio de uma metodologia que engloba segmentação de fãs de música, arquétipos de personalidades, perfis demográficos e afinidades em redes sociais. Todo o processo é baseado em pesquisas online com amostra de consumidores brasileiros. Durante a primeira fase, na análise dos dados, as pessoas são separa-

das em quatro categorias de acordo com sua adoção de tecnologia. Depois, há os segmentos de acordo com os hábitos de consumo de música: Dedicated Influencers, Music Connoisseurs, Engaged Spenders, Free Riders, Traditionalists, Background Listeners e Disengaged. Essa divisão identifica os melhores conteúdos e experiências que engajam cada perfil. Posteriormente, essas respostas são utilizadas para enquadrar marcas e artistas em diferentes arquétipos (conceito adaptado do psicólogo Carl Jung), identificando semelhanças segundo a percepção dos consumidores. Também há informações demográficas de consumo em serviços de música digital e perfis de afinidade em redes sociais para definir as melhores estratégias de como se posicionar no mercado.


Foto: Divulgação

Carlos Ronconi e Manoel Tavares no Estúdio Century

No dia 18 de dezembro do ano passado os dois profissionais de áudio da TV Globo ministraram palestra no Estúdio Century, no Rio de Janeiro. O tema foi “realidades e perspec-

tivas: o que vem por aí”. Carlos Ronconi falou sobre o áudio imersivo. Já Manoel Tavares se concentrou sobre o áudio na TV digital. O evento foi promovido no estúdio pela Enter.

WESLEY SAFADÃO TEM MAIS DE 20 MILHÕES DE SEGUIDORES NO INSTAGRAM O artista terminou o ano comemorando os mais 20 milhões de seguidores que o acompanham no Instagram. No ranking da Billboard é o cantor brasileiro mais visualizado no Instagram Stories e o quinto mais visto no mundo. Wesley deixou para trás cantoras como Selena Gomez e Katy Perry. O artista brasileiro está ainda no TOP 5 da plataforma Streaming Deezer, com destaque para as regiões norte e nordeste, onde chegou em primeiro lugar da lista. A plataforma, em parceria com a Sênior Lab, também divulgou, em março desse ano, um levantamento feito com os usuários e o resultado colocou o músico entre os artistas preferidos pelo público com mais de 60 anos. Das 20 faixas mais executadas no aplicativo de streaming, em outubro, emplacou dois grandes sucessos: Romance com Safadeza, que tem a participação de Anitta e o single Só Pra Castigar, do seu repertório novo, WS Mais uma Vez. No YouTube Brasil está entre os 10 artistas mais assistidos de 2018, com mais de 3,9 bilhões de views. O fenômeno também possui mais de 5,2M de ouvintes mensais no Spotify Brasil.

ROCK IN RIO O Rock in Rio completou 34 anos na sexta-feira, dia 11 de janeiro. Desde sua primeira edição, em 1985, o maior festival de música e entretenimento do mundo vem construindo uma história de sucesso no Brasil e no mundo. Em 2019 não será diferente: o primeiro anúncio do ano é de uma nova área - a Rota 85, um espaço dedicado ao ano que o Rock in Rio ganhou vida e colocou o Brasil na rota dos shows internacionais. Com uma cenografia inspirada na icônica Route 66, que cruza oito estados americanos, esta nova área promete um cenário vintage com pontos de entretenimento, como uma borracharia, um bar com memorabilia destes 34 anos de evento, um posto de gasolina e muitos outros atrativos. Além disso, a tradicional capela do Rock in Rio estará localizada neste espaço, fazendo uma alusão aos famosos casamentos de Las Vegas, cidade inclusive que o Rock in Rio já esteve presente. Mais uma vez o Rock in Rio trará tantas experiências que os visitantes precisarão de mais de um dia para conhecer todas as atrações. Por isso, a Cidade do Rock vai funcionar por mais de 12 horas diariamente, abrindo sempre às 14h. O Rock in Rio colocou o Brasil no circuito do show business internacional e desde então coleciona números gigantescos — 19 edições em países como Brasil, Portugal, Espanha e Estados Unidos,

9,5 milhões de pessoas na plateia das cidades do rock e 2.038 artistas escalados. Em 2019 o festival acontece nos dias 27, 28 e 29 de setembro e 3, 4, 5 e 6 de outubro, na Cidade do Rock, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Mais headliners do Palco Sunset O Palco Sunset acaba de anunciar mais dois headliners para o Rock in Rio 2019. Com um som que combina soul, R&B, pop e hip hop, a diva britânica Jessie J está de volta ao maior festival de música e entretenimento do mundo como headliner do Palco Sunset no dia 29 de setembro. Já o cantor, compositor e produtor indicado a diversos prêmios Grammy, Charlie Puth fará sua estreia no Brasil no palco do Rock in Rio, dia 5 de outubro. É a noite dedicada ao Pop e que contará com apresentações de P!nk, Black Eyed Peas e Os Paralamas do Sucesso no Palco Mundo. O álbum de estreia de Jessie J, Who You Are, vendeu mais de 3 milhões de cópias em todo o mundo. A cantora pop alcançou o primeiro lugar em 19 países e já vendeu quase 20 milhões de singles. No Reino Unido, Jessie acumula a marca de 1,5 milhão de discos vendidos e garantiu o primeiro lugar nas paradas com os singles Price Tag e Domino. Jessie J não se apresenta no Brasil desde 2014 e quando ela sugeriu que estava planejando uma nova visita por meio das

suas redes sociais, o público reagiu imediatamente. A artista tem um novo álbum: R.O.S.E, seu quarto trabalho de estúdio lançado em maio de 2018. O título do álbum significa Realizations, Obsessions, Sex e Empowerment, também é uma homenagem à mãe e uma referência à sua flor favorita. Quatro singles foram lançados para promover o R.O.S.E: Real Deal, Think About That, Not My Ex e Queen. Jessie J tem mais de oito milhões de seguidores em seu canal no YouTube e 7,6 milhões de fãs. Com apenas 26 anos, Charlie Puth provou ser um dos mais consistentes hitmakers da música pop de hoje. Charlie explodiu na cena musical escrevendo e gravando o sucesso See You Again, que liderou a Billiboard Hot 100 por 12 semanas e se tornou a música mais vendida de 2015 em todo o mundo, com mais de 20,9 milhões de unidades vendidas. Seu último álbum, Voicenotes, recebeu a certificação de ouro somente quatro dias após o lançamento e registrou mais de 3,4 bilhões de transmissões em todo o mundo. Escrito e produzido pelo próprio Charlie, Voicenotes recebeu aclamação mundial, incluindo do New York Times ,que o intitulou como “um dos melhores álbuns pop do ano”. O álbum apresenta a música Attention que foi três vezes Platina.

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em carreira solo

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Marcelo Falcão, ex O Rappa,

Depois de Viver e Eu quero ver o mar, Marcelo Falcão apresenta mais um single inédito do álbum batizado de Viver (Mais leve que o ar). Está disponível, desde o fim de dezembro nas plataformas digitais, pela Warner Music, a música Diz aí, com letra e música de Falcão. O single conta com a participação especial de Cedric Myton, lenda do reggae roots jamaicano e cantor de uma das maiores bandas da história do gênero, a

The Congos. Cedric gravou seus vocais no estúdio Toca do Bandido, no Rio de Janeiro. Produzida por Falcão e Felipe Rodarte, o single reúne um time de músicos de primeira linha: Bino no baixo (Cidade Negra), Marcos Suzano na percussão, Hélio Ferinha nos teclados, DJ Negralha nos scratches e efeitos, Felipe Boquinha na bateria e Marcelo Falcão pilotando guitarra, violão e teclado. A guitarra base/ wah wah de Cláudio Menezes e o naipe de metais formado por Enéas, Edesio Gomes e Vinícius de Souza, completam a formação. O video lyrics de Diz aí é uma produção da Jangada Comunicação, com direção e edição de Henrique Alqualo, direção de fotografia de Araken Dourado e design gráfico de Lucas Paixão. Para conhecer a música acesse https:// youtu.be/q1fq6HWdovY

A MÚSICA ELETRÔNICA NA WEB COM O DJ MEMÊ O DJ Memê, um dos pioneiros do remix no Brasil, agora se aventura também como youtuber e mestre de cerimônias na web-série Eletro Abramus. Na série, ele recebe convidados ligados ao universo da música eletrônica. O elenco do programa são os DJs Leo Janeiro, Vivi Seixas, Rodrigo Vieira e Marcelinho da Lua, além do produtor Claudio Rocha Miranda. O DJ Leo Janeiro abre os trabalhos, seguido por Vivi Seixas, DJ e filha de Raul Seixas. Depois dela, a entrevista é com Rodrigo Vieira. Outro convidado de Memê é Claudio Rocha Miranda, criador do Rio Music Conference, muito importante para solidificação da Música Eletrônica no Brasil. Claudio acaba de ser escalado como curador para a Tenda Eletrônica do Rock in Rio. Marcelinho da Lua, DJ e integrante do grupo Bossacucanova, com o qual Memê viaja constantemente para o exterior, é o último convidado deste início de série. Ele percebe que a música eletrônica brasileira vai ocupando cada vez mais espaços na Europa, principalmente em Portugal. A série é uma produção da Abramus - Associação Brasileira de Música e Artes -, exibida com exclusividade no Canal Oficial da Abramus no Youtube. Todas as edições seguirão disponíveis no Canal.

MARK RONSON E MILEY CYRUS LANÇAM "NOTHING BREAKS LIKE A HEART" Nothing Breaks Like A Hear” é o primeiro single pop de Ronson desde Uptown Funk, que ganhou dois Grammys em 2015, incluindo Gravação do Ano. Neste ano, Mark Ronson trabalhou em diversos lançamentos de sucesso: co-escreveu a música #1, Shallow, interpretada por Lady Gaga, colaboradora frequente de Mark, para a trilha sonra do filme Nasce Uma Estrela. Além disso, Mark Ronson, como membro do grupo Silk City com Diplo, lançou Electricity, com Dua Lipa, que atingiu o Top 5 nas

paradas do Reino Unido. Em sua carreira, Ronson já trabalhou com artistas como Amy Winehouse, Paul McCartney, Lady Gaga, Adele, Lorde e muitos outros. Nothing Breaks Like A Heartestará presente no próximo álbum de Ronson, que será lançado no ano que vem. Ele se juntará a Miley Cyrus para se apresentar no “Graham Norton Show” no dia 7 de dezembro e no “Saturday Night Live” em 15 de dezembro. Assista em https://SMB.lnk.to/ NBLAH_Video

Desde


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ROCK IN RIO: A NOITE DO METAL

Enquanto o Palco Mundo já anunciava suas quatro atrações para uma noite emblemática do metal, com Iron Maiden, Scorpions, Megadeth e Sepultura, a organização do evento preparava outra surpresa para a galera do rock pesado que frequenta o festival. O Palco Sunset apresenta dois grandes nomes, para esta noite de 4 de outubro de 2019: a norteamericana Slayer, que fará seu último show da turnê de despedida dos palcos, fechando o Sunset neste dia, e Anthrax. Elas fazem parte do seleto grupo “The Big Four”, do thrash metal mundial.

A abertura da noite fica por conta da banda Nervosa. Fundado em 2010, o power trio paulistano formado por Prika Amaral (guitarra e vocais), Fernanda Lira (vocal e baixo) e Luana Dametto (bateria) já lançou três discos de estúdio pela gravadora austríaca Napalm Records. O projeto mais recente da Nervosa, lançado em 2018, é o álbum Down fall of Mankind, que traz elementos do Death Metal à sonoridade da banda. Apesar da língua inglesa, as letras são, em sua maioria, focadas em problemas sociais do Brasil, como corrupção e política. Completando as atrações, duas das principais bandas da cena underground brasileira dividem o Palco Sunset numa ode ao trash metal: Claustrofobia e Torture Squad, que recebem Chuck Billy, vocalista da banda americana Testament. Além de dominar os dois principais palcos do Rock in Rio, o Metal estará por toda a cidade do Rock. No Espaço Favela, a banda Canto Cego, da Maré, é a representante do estilo musical. Na Rock District, a artista Deia Cassali (ex-vocalista da Agnela) e sua banda terão um set list especial e enérgico para o público, assim como a The Raven Age, banda do guitarrista George Harris, filho do baixista Steve Harris, do Iron Maden. Filho e pai se apresentam no “Dia do Metal” mais metal de todos os tempos.

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mação entrou em nossas casas, mas uma pergunta simplória se faz necessária... as pessoas sabem a diferença abissal de custos entre uma loja americana e uma brasileira? Antes de falar, procure se informar e evite passar por constrangimento ao criticar lojistas, importadores ou fabricantes. Nessa história, os vilões historicamente estão em Brasília.

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INFLAÇÃO

Como o mundo não se acabou no final do ano, as perspectivas para 2019 parecem focar um realismo mercadológico mais plausível para o novo Brasil que se avizinha. Ao longo do tempo o mercado mudou, o consumidor mudou, a rotina comercial percebeu isso e tenta se ajustar aos novos tempos de internet e preços realistas. Quem só reclama ainda não acordou.

JUSTIÇA Embora num primeiro momento possa parecer antipática, a cobrança de direitos autorais sobre obras musicais é perfeitamente legal e moralmente indiscutível. Os ataques ao ECAD, que concentra essa arrecadação, vêm tendo um caráter muito mais oportunista e político do que deveria. A cultura de recolher os direitos dos artistas criadores das obras nunca decolou no Brasil que culturalmente sempre tratou a música como de domínio público e sem dono. Isso tem que mudar e os produtores de espetáculos e eventos precisam incluir os direitos autorais em seus custos. A questão é moralmente ética e justa. Mas bem que o ECAD poderia dar uma olhada em alguns dos seus “fiscais” pelo país. Em alguns casos a chutometria está alimentando opositores e oportunistas de plantão. Tal como a mulher de César, não basta ser séria, tem que também parecer séria.

Endossando a nota acima, mesmo nos EUA os preços andam para a frente sem nenhum constrangimento ou alarde. Lá o mercado é o senhor da razão. Até a virada do século uma guitarra Fender americana custava entre 699 e 799 dólares. Hoje elas partem de preços bem acima de mil dólares e podem chegar a milhares de dólares se for um modelo Custom Shop. As guitarras japonesas da mesma marca e excelente qualidade custavam menos de 500 dólares, e hoje nem existem mais. Os modelos mexicanos que sucederam as asiáticas foram lançados no mesmo período a 299 dólares, mas hoje partem de 599 dólares. Inflação e reajuste não é privativo de brasileiro e com o efeito cascata do custo Brasil, isso acaba atingindo em cheio o preço final do produto por aqui.

ROCK BAILE Alguns músicos de bandas como o Foo Fighters, Metallica e Iron Maiden resolveram se divertir e formaram um grupo para tocar em festas e eventos de amigos. A improvável banda de baile roqueira tem Rob Trujillo (baixista do Metallica), Taylor Hawkins (baterista do Foo Fighters), Adrian Smith (guitarrista do Iron Maiden), Howie Simon (guitarrista do Alcatrazz) e Richie Kotzen (guitarrista do Mr. Big). Os cabeludos tiveram o segredo revelado depois que um vídeo e uma foto foram divulgadas na rede. Embora os desmentidos de Simon, os demais músicos assumiram a brincadeira e disseram se tratar de diversão pura e sem preconceitos com gêneros musicais.

CUSTO FINAL

PREJUÍZO

Criticar margens de lucro ou diferenças no preço final dos produtos aqui no Brasil ficou fácil desde que a tecnologia da infor-

Músicos que andaram se posicionando e radicalizando na política estão recebendo a conta de algumas bobagens


GUSTAVO VICTORINO | VICTORINO@BACKSTAGE.COM.BR que foram ditas. Avisei no ano passado que artista deve vender a sua obra, o seu trabalho e não opinião. Profissionalmente é ruim. A política é ambígua e fãs existem com todas as ideologias. Teve gente que falou demais e agora anda se justificando para empresários, patrocinadores e contratantes. Não foram poucos os que perderam dinheiro, embora o orgulho nunca vai permitir que admitam.

OPORTUNISMO? Uma deficiente visual americana está processando a cantora Beyoncé alegando preconceito e discriminação porque o site da artista não tem áudios para os menus e nem para as opções de navegação, o que facilitaria a sua utilização por deficientes visuais. Mary Conner, através do seu advogado, Dan Shaked, pede uma indenização e a retirada do site do ar até que o “problema” seja sanado. Nos EUA, uma lei de acessibilidade regula de forma imprecisa essa matéria. Por conta disso, o tema trará muita discussão jurídica nas terras do Tio Sam, já que raros são os sites que cumprem essa minúcia da legislação vigente por lá.

ANO AGITADO A programação de shows internacionais para esse ano promete ser rica e recheada de novidades, embora nem todas boas. Inevitavelmente virá muita porcaria gringa, mas que inevitavelmente os críticos “pseudomuderninhos” vão elogiar em troca de ingressos e boca livre nos espetáculos. E, claro, tem o imperdível Rock In Rio!

CANCELAMENTO CARO A cantora Britney Spears decidiu cancelar seus shows programados para esse primeiro semestre com a justificativa de ficar ao lado do seu pai enfermo. Sem a cobertura securitária, a moça descobriu que as multas previstas para os mais de trinta shows podem chegar a 3 milhões de dólares.

Mesmo sendo milionária, algo me diz que ela vai repensar...

PENÚRIA As empresas de sonorização andam de saia justa com as contas. A quebradeira dos estados e das prefeituras sepultou o grande contratante do país. Historicamente o poder público sempre foi um generoso e regular contratante do segmento. Contra a parede e administrando estufadas folhas de pagamento, a coisa complicou para prefeitos e governadores que preferem direcionar seus parcos recursos para as áreas socialmente mais sensíveis.

HOMENAGEM A Festa Nacional da Música de 2019 já tem o seu local definido e volta a acontecer na cidade de Bento Gonçalves, no coração do Vale dos Vinhedos, na serra gaúcha. Prevista para a segunda quinzena de outubro, o evento divulgou o primeiro homenageado da edição desse ano. Northon Vanalli, executivo da Sonotec, foi escolhido pelo seu trabalho à frente do marketing da empresa que a mais de uma década é parceira e pioneira na Festa. A liderança da marca Takamine e o relacionamento interpessoal do executivo com os artistas ao longo do tempo foram reconhecidos como de significativa importância para o conceito de parceria e apoio à música brasileira.

CARNAVAL Tô curioso para ver a relação de apoiadores e apoiados, bem com os valores captados pela Lei Rouanet para o carnaval 2019 pelo país. O relacionamento com grandes empresas e a nebulosidade das cifras criaram um caldo de cultura interessante na hora de entender o apoio de alguns artistas à políticos e corporações. Algo me diz que muita máscara ainda vai cair...

REVIVAL Para comemorar os 50 anos do mai-

or evento musical de todos os tempos, Michael Lang, um dos criadores do Festival de Woodstock, anunciou uma celebração especial para lembrar o histórico encontro. Serão três dias de shows no mês de agosto desse ano no distrito de Watkins Glen, na periferia de Nova York. A programação será divulgada em março e Lang confessa estar enfrentando muita dificuldade de fechar o cast com alguns artistas que participaram a 50 anos do evento original. Certamente seria mais fácil fechar com os filhos ou netos deles...

VOLTAGEM A esmagadora maioria dos equipamentos importados com mais de 20 anos usam apenas uma voltagem. Normalmente fabricados para funcionar em corrente de 127V, alguns desses equipamentos utilizados e cultuados até hoje por sua qualidade, precisam de adaptações para ligar em voltagem diferente. No Brasil, a existência da corrente de 220V traz a necessidade de transformadores e aí começa o problema. As chamadas “fontes alternativas” vendidas na internet e com chaveamento (manual ou automático) para 220V, salvo raras exceções, são de má qualidade e comprometem o desempenho e até a integridade do equipamento. Os transformadores continuam sendo a alternativa menos ruim, embora estejam longe de gerar confiabilidade. Como conselho, usem sempre o dobro da amperagem de consumo na fonte alimentadora. O seguro morreu de velho.

UHF Em algumas regiões do país as novas bandas de utilização do UHF já passam por testes e velhos microfones e equipamentos wireless de banda fixa (monoband) já começam a reproduzir ligações telefônicas ou canais de televisão. Quando o sistema for implantado por aqui de forma definitiva, centenas desses aparelhos irão para o lixo.

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PLAY REC | www.backstage.com.br

MIGUEL SÁ | REDACAO@BACKSTAGE.COM.BR

O MAR AMOR – AS CANÇÕES DE CAYMMI Carlos Malta (Deck Disc) Carlos Malta é um multiinstrumentista dos sopros forjado na “fábrica” de Hermeto Pascoal, com quem tocou entre 1981 e 1993, quando começou a carreira solo. Malta toca saxofones e flautas dos mais diversos registros, e a carreira segue também essa versatilidade, seja homenageando os tradicionais pifeiros em um de seus trabalhos mais bem-sucedidos, o Pife Muderno, nos discos solo autorais, nos encontros musicais das mais diversas tendências, como a que aconteceu com Dave Mathews, da Dave Mathews Band, ou nos tributos que já fez à Pixinguinha, Elis Regina e, agora, para Dorival Caymmi. Este é o primeiro disso solo de Carlos Malta em sete anos. O instrumentista escolheu 13 canções de Caymmi como O Vento, Só Louco, Modinha de Gabriela e Você Já Foi à Bahia?, entre outras bem populares do repertório do baiano. As versões são todas instrumentais. O repertório do trabalho segue o que tradicionalmente é gravado em tributos ao baiano, mas Carlos Malta é um instrumentista com assinatura forte. Mesmo em um repertório com músicas muito regravadas fica evidente a marca do “escultor do vento”, tanto na escolha dos timbres dos instrumentos – que, segundo ele, procurou seguir o registro da voz grave do compositor – como no clima e nos improvisos das faixas. As músicas foram tocadas com uma formação de instrumentos que inclui violão de sete cordas, com Henrique Neto, cavaquinho, com Márcio Marinho, contrabaixo, tocado por Hamilton Pinheiro e a bateria de Rafael Black. É evidente o entrosamento da banda e a consciência a respeito da proposta sonora do disco por parte dos instrumentistas. A delicadeza das tomadas e mixagens feitas por João Damasceno traduzem bem para a gravação o tom que Carlos Malta quis dar à obra do baiano Dorival Caymmi, com timbres fiéis dos instrumentos e com a pegada dos músicos presente nas performances gravadas. Onde ouvir: https://carlosmalta.lnk.to/ OMarAmorAsCancoesdeCaymmiPR

MORE BLOOD, MORE TRACKS THE BOOTLEG SERIES VOL. 14 Bob Dylan (Columbia Records) A série Bob Dylan Bootleg, da Columbia / Legacy, disponibiliza as gravações de estúdio feitas por Bob Dylan durante seis sessões extraordinárias em 1974 - quatro em Nova York (16 de setembro, 17, 18, 19) e duas em Minneapolis (dezembro 27, 30) - que resultou no álbum, Blood on the Tracks. Um dos mais vendidos da carreira de Dylan. Blood on the Tracks alcançou a posição de primeiro lugar na Billboard 200, com disco duplo de platina, e foi introduzido no Grammy Hall of Fame em 2015. O disco foi originalmente gravado durante quatro dias em Nova York, em setembro de 1974. Alguns meses depois, Dylan sentiu que o álbum precisava de uma abordagem diferente e regravou cinco das faixas no Minneapolis Sound 80 Studios a partir do final de dezembro daquele ano. Enquanto alguns dos takes não aproveitados das sessões originais de Nova York foram altamente valorizados por contrabandistas e colecionadores, a maioria dessas gravações nunca esteve disponível em nenhum formato. A configuração single-disc/2LP de More Blood, More Tracks reúne 10 das melhores tomadas alternativas de cada uma das 10 músicas que aparecem no original Blood on the Tracks, além de uma versão inédita de Up to Me. A versão luxuosa completa inclui todas as sessões de Nova York em ordem cronológica, incluindo out-takes, falsos inícios e brincadeiras no estúdio. Os produtores do álbum trabalharam com as melhores fontes disponíveis, utilizando as fitas originais de várias faixas. As únicas gravações remanescentes das sessões do Minneapolis Sound 80 são os masters multitrack das cinco apresentações incluídas no álbum Blood on the Tracks. Cada um destes foi remixado e remasterizado para a edição de luxo. As sessões originais de Nova York foram pilotadas por Phil Ramone e as de Minneapolis por Paul Martinson


MIGUEL SÁ | REDACAO@BACKSTAGE.COM.BR

BLUE VOYAGE Raul de Souza (Selo Sesc)

Este é o terceiro trabalho solo do baixista Jorge Pescara. Baixista na verdade é pouco para definir Pescara como músico, já que ele é também compositor, arranjador e multi-instrumentista, inclusive com um trabalho de estudos nos “touchguitars”, que são instrumentos de cordas tocados com os dedos das duas mãos percurtindo as cordas contra os trastes fazendo a melodia e a harmonia simultaneamente. No entanto, na trilogia formada por Grooves in the Temple, Knight Without Armour e agora este novo álbum, Pescara trabalha com o tradicional baixo elétrico. Grooves in theTemple é produzido pelo já há muito tempo parceiro Arnaldo De Souteiro, que apoiou o baixista na escolha de repertório, músicos e tudo mais que um produtor musical pode fazer para ajudar um músico a descobrir caminhos ainda não revelados no próprio trabalho. De Souteiro inclusive incentivou Pescara a terminar o trabalho começado em 2008 e interrompido enquanto o baixista morava em Portugal, na virada dos anos 2000 para os anos 2010. O repertório inclui Freddie Hubbard (Povo), Deep Purple (Smoke On The Water), Beatles (Come Together), Earth Wind & Fire (Brazilian Rhyme) e Brecker Brothers (Song For Barry), além de temas compostos especialmente para o disco por Jorge Pescara em parcerias com Laudir de Oliveira (MacumBass) e Gaudencio Thiago de Mello (Plato’s Dialogues: Timaeus & Critias). Grooves In The Eden, a faixa título, é uma homenagem do falecido tecladista Glauton Campello ao maestro Bob James . O disco conta ainda com as participações de André Sachs – que também gravou e mixou o disco - João Paulo Mendonça, Roberto Sallaberry, Claudio Infante e Cesar Machado, além do celista italiano Davi de Zaccaria e o baterista franco/português David Jeronimè, dentre outros. O fato de o trabalho ter acontecido ao longo de dez anos, com interrupções, ressalta o capricho do trabalho do engenheiro de som André Sachs na gravação e mixagem e de Ezio Filho na masterização, entregando um disco coerente em termos de timbre e com fidelidade na tradução das intenções artísticas de Pescara e De Souteiro no resutado final

Raul de Souza é um dos músicos fundamentais do Brasil nos últimos 65 anos. Ele surgiu novo, no cenário do sambajazz que se constituía na noite carioca de fins dos anos 1950. Tocou em bares, bailes e trouxe um outro jeito de tocar trombone. Aliás, 65 anos também é o tempo de carreira do trombonista que consolidou carreira internacional nos anos 1970 tocando com artistas como Airto Moreira, Sonny Rollins, George Duke, Freddie Hubbard e Cannonball Adderley, sendo apontado como um dos melhores trombonistas do mundo de publicações como a Down Beat e New York Jazz Magazine. Foto: Divulgação / Internet

GROOVES IN THE EDEN Jorge Pescara (Jazz Station Records)

Em 2019, Raul celebra 85 anos e comemora os 65 anos de carreira lançando um álbum com 8 faixas inéditas gravado na sala Maison des Artistes, na cidade Chamonix, na França, em março de 2017. Raul teve, nesta gravação, a companhia de Alex Correa (piano), Glauco Sölter (baixo elétrico), Leo Montana (piano) e Mauro Martins (bateria). Todas as músicas são inéditas, compostas e arranjadas por Raul de Souza. O samba, origem e fonte da força musical de Raul, está bastante presente no álbum, que ainda tem valsas, boleros e também o jazz, sempre presente, inclusive na homenagem a SonnyRollins que faz na música To My Brother Sonny.A gravação do disco foi feita com a direção artística do baixista Glauco Sölter com Wagner Merije e foi mixado no Brasil. Desde 30 de novembro de 2018 o trabalho está disponível nas plataformas digitais de streaming. Onde ouvir: https://open.spotify.com/artist/ 4YuN1boMv1LQmVgV9prSs8

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REPORTAGEM| www.backstage.com.br 20

O ÁUDIO-VISUAL E A TV DIGITAL:

O QUE VEM POR AÍ Nos últimos dez anos o som digital tomou conta também da TV. E como isso refletiu no trabalho do profissional de áudio da área? Qual é o futuro do áudio digita? É o que nos contam Carlos Ronconi e Manoel Tavares: dois dos mais tarimbados profissionais da área Miguel Sá redacao@backstage.com.br Fotos: Fotos: Internet / Divulgação / Robyn Beck—AFPGetty Image

F

az pouco tempo, as transmissões de TV se tornaram exclusivamente digitais. Isso mostra que o digital já tomou conta do audiovisual, o que traz diversas possibilidades novas, além de mudanças no cotidiano dos profissionais que trabalham na área. Mas, ainda que pareça que as coisas estão indo rápido, isto não aconteceu de um dia para o outro. E também as mudanças não se resumem à TV, mas sim a todo o áudio-visual e as possibilidades que se abrem com o som digital. Manoel Tavares tem 35 anos de profissão e de trabalho na Globo, onde teve já os primeiros contatos com o som digital. O profissional vem de uma família

musical. A irmã mais velha lecionava música no Instituto de Educação e no conservatório de Música de Bonsucesso. O irmão atuava como músico. Tavares estudou no Conservatório também, mas os caminhos profissionais o levaram a se tornar técnico de som e sonoplasta na Rede Globo Assim como Manoel Tavares, Carlos Ronconi também estudou música antes de trabalhar com áudio. Estudou engenharia de som cerca de um ano e meio em Nova York, no início dos anos 1980 e, ao voltar para o Brasil, trabalhou em diversos dos maiores estúdios do país – como o Transamerica e Nosso Estúdio, em São Paulo. Após uma colaboração dos


estúdios Som Livre com a Rede Globo, no programa Chico & Caetano, ainda nos anos 1980, foi definitivamente incorporado ao plantel da emissora na área de áudio, e está lá até hoje como consultor de audio.

sido uns dos primeiros profissionais de sonorização e sonoplastia ‘ao vivo’ a ter contato com o mundo digital. Isto já fazia parte da mi-

tadas”, comenta. Ele lista ainda alguns dos equipamentos que usava na época do analógico, como o compressor DBX 166, a câmara de

Acredito que eu tenha sido uns dos primeiros

MUDANÇAS No cotidiano do trabalho em TV, Manoel Tavares percebe várias alterações. Mas foi aos poucos, e já há algum tempo, que as mídias e os equipamentos digitais se infiltraram no cotidiano de trabalho. Ele relembra que, ainda nos programas gravados no antigo Teatro Fenix, no Rio de Janeiro, já entrava em contato com DATs, CDs e mnidiscs. “Acredito que eu tenha

profissionais de sonorização e sonoplastia ‘ao vivo’ a ter contato com o mundo digital. Isto já fazia parte da minha rotina de trabalho nos programas.

nha rotina de trabalho nos programas em que eu era o responsável. Trabalhando em uma empresa que utiliza Tecnologia de ponta, as novidades sempre nos eram apresen-

reverb EMT e o Space Echo, entre outros. “Acredito que a maior diferença para hoje seja a inovação e praticidade que os plug-ins trouxeram para os profissionais. Al-

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REPORTAGEM| www.backstage.com.br 22 Manoel Tavares

guns tem até o aspecto ‘vintage”. Muitos desses são baseados nos parâmetros dos equipamentos analógicos”, aponta.

também as novas possibilidades, ainda que a ideia de tridimensionalidade no som não seja, exatamente, algo novo. O Ambisonics,

A percepção é realmente o áudio que te dá. Naturalmente o ser humano ouve em 360, mas vê em 180. Então o áudio é que te guia pra reconhecer o redor. O que o profissional sente que mudou mesmo sua forma de trabalhar foram os consoles digitais que surgiram nos últimos 7, 8 anos, que permitem, justamente, o uso destes plugins que eram já tão difundidos nos estúdios. “Foi uma verdadeira revolução em minha vida profissional. A sonoridade da console, os plug-ins que auxiliavam a conseguir o resultado esperado, a praticidade e a velocidade com excelentes resultados fizeram de fato a diferença”, comemora Manoel Tavares.

O QUE VEM POR AÍ Com as novas tecnologias, vem

por exemplo – formato esférico do surround – vem desde os anos 1970. “Em teoria é bem mais anti-

go, mas agora ficou mais fácil porque a imagem está acompanhando. A percepção é realmente o áudio que te dá. Naturalmente o ser humano ouve em 360, mas vê em 180. Então o áudio é que te guia pra reconhecer o redor. Quando você está andando na rua, um carro buzina, você vira para olhar, ou alguém te chama, você ouve um barulho, você vira para ver o que é. Então o que está dando esse direcionamento é o som”, apresenta Carlos Ronconi. Quando o engenheiro de som diz que a imagem está acompanhando o som, fala sobre as câmeras que captam tudo o que tem ao redor. Com esta possibilidade, é importante que o áudio dê conta, também, desses 360 graus. “Se você só tiver o áudio estéreo não é imersão. O binaural te coloca em uma posição que a imagem não acompanha a sua movimentação. Se você tem um estéreo no fone, quando você vira a cabeça, tudo vira junto com você. Quando você capta emissões com processamento de headtracking e tudo mais, o som fica no lugar em que ele é gerado. Então, quando você ouve um som à sua esquerda, você vira pra ele e parece que ele está na sua frente. O que dá realmente uma sensação de 3D é captar em 360 e processar isso em estéreo 3D de forma que a pessoa possa virar a


cabeça e o som fica no lugar”, detalha Ronconi.

EQUIPAMENTOS Para conseguir esse efeito sonoro de tridimensionalidade, há diversos microfones e, no estágio da mixagem, plugins. Inclusive há os que simulam o efeito de tridimensionalidade no som, que podem ser tanto de graça como pagos. No entanto, para ter o autêntico ambisonics é preciso captar com microfones projetados para o formato. Eles podem ir da faixa de oito mil dólares até por volta de mil. Há ainda gravadores em oito canais com processador ambisonic incorporado. É possível, ainda, posicionar diversos microfones de forma que efetivamente criem este ambiente em 360. “Tem que captar o som de forma coerente com o que você quer: a imagem e o ambiente. Tem que ter microfones e processamento próprios para isso também”, aponta Ronconi. O microfone que capta para o formato ambisonics tem quatro

Carlos Ronconi

MIXAGEM Os formatos de mixagem são o AmbiX ou FuMa. Para mixar nestes formatos é necessário ter um conjunto de plugins. Entre eles estão o Facebook 360, que pega a mixagem em oito canais (ambisonics de se-

Tem que captar o som de forma coerente com o que você quer: a imagem e o ambiente. Tem que ter microfones e processamento próprios para isso também. capsulas colocadas em tetraedro de forma que captam frente e fundo simultaneamente. “Como elas estão na mesma posição de espaço, tem uma coerência de fase muito grande. Quando você grava o som com coerêcia de fase e em 360 graus, depois você pode extrair qualquer outro tipo de informação que você queira: 5.1, estéreo, 7.1.... Dependendo do plugin que você usar”, explica o engenheiro de som.

gunda ordem) e prepara para o vídeo que vai para o Facebook. O mesmo vale para o Youtube. “Sua mixagem vai ser uma mixagem normal, só que vai ter um plugin em cada canal e um plugin master que vai dar essa renderização final. Sai com quatro canais, no caso youtube, que é primeira ordem, no Facebook oito, que é de segunda. Quanto mais microfones ou fontes você reproduzir, mais a ordem aumenta”, explica Carlos Ronconi.

Este 3D virtual encontra aplicação, basicamente, em games, onde há sons vindo de diversos lados. Para TV as aplicações são mais restritas, porque a imagem não é em 360. Mas, ainda assim, são feitos testes. “Iniciamos no ano passado, quando começamos a ter acesso ao equipamento na Globo, pensando em produtos que podem ter spin off para outros lugares, não necessariamente pra TV aberta. Mas para internet, GloboPlay, etc. É um adicional de qualidade agregado ao produto”, afirma. Para Ronconi, isto tudo já não é mais futuro. É presente. “Já tem recursos para fazer isso com câmera de 150 dólares. É uma realidade cada vez mais presente, mas tudo depende da aceitação e das demandas do publico. Tem muita gente que reclama, que fica isolado com fone, óculos, mas nada impede que faça uma comunidade virtual juntando amigos em lugares totalmente diferentes. O que possibilita isso é uma internet rápida, o que possibilita a partir para esse lado”, completa.

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Com mais de 15 anos de mercado, Powerclick lança novo monitor de áudio A Powerclick foi fundada em 2002 a partir da percepção da possibilidade de crescimento do mercado de audição por fones de ouvido para músicos.

redacao@backstage.com.br Fotos: Divulgação

para fones de ouvido

A

aposta revelou-se correta. Durante esse tempo muita coisa aconteceu no Brasil, mas a Powerclick manteve-se sempre crescendo. A relação próxima com os endorses é um dos motivos para que a empresa esteja sempre em dia com seu mercado. Isto tudo sempre projetando e produzindo no Brasil. Além de trabalhar com monitoração por fone, a empresa também tem linhas de produtos para a área de broadcast, intercomunicadores como o Pro Six,

que permite a comunicação entre uma central e até seis pontos remotos, e assessórios como fonte de alimentação com estabilizador, como o PS500 ou o PS10. Também há adaptadores para pedestal, que permitem fixar os equipamentos da Powerclick em pedestais de microfone.

MX 4X1 XL Mas o lançamento mais recente da empresa é um novo monitor de áudio


para headphones: o MX 4X1 XL. Projetado pela equipe de engenharia da Power Click e destinado ao uso individual, o mixer tem dois estágios: um módulo de potência e o mixer. O primeiro tem quatro entradas para conectores XLR: (Pino 1 terra), (Pino 2 positivo áudio), (Pino 3 negativo áudio). Cada uma delas é balanceada e compatível com sinais de áudio de alta impedância. As entradas tem controle de volume, graves, agudos e pan, que permite o direcionamento do sinal da forma mais conveniente. O controle de PAN permite direcio-

nar o som do respectivo input para o lado direito ou esquerdo do headphone, de acordo com a conveniência do músico que estiver usando o equipamento. O amplificador estéreo é projetado especialmente para o uso de fones. O circuito foi feito de forma a permitir o uso de fones de qualquer impedância ou modelo, sem restrições. As saídas tem opções para conexão tanto para fones de pino p2 como p10 estéreo. Aliás, o equipamento não aceita a conexão de fones mono, que podem até danificar o amplificador. O volume master controla o áudio mixado. O

equipamento ainda vem com uma fonte de alimentação própria, preparada para fornecer voltagem precisa e sem ruídos: é a PS 01.

Mais informação:

http://www.powerclick.com.br/

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SOM NAS IGREJAS

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SOM NAS IGREJAS

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ÁUDIO FUNDAMENTAL| www.backstage.com.br 28

TV MIXAGEM E

ROTINA

Pedro Duboc é Técnico de Áudio e membro da Sobrac (Soci-

PARTE 2

edade Brasileira de Acústica), ABPAudio (Associação Brasileira de Profissionais de Áudio), ASA (Acoustical Society of America) e AES (American Engineering Society).

Oi pessoal, nessa edição, conforme prometido, vamos dar continuidade a matéria sobre mixagem para TV com o Sonoplasta da TV Globo Alexandre Cipriano. redacao@backstage.com.br Fotos: Divulgação

N

a edição anterior, Alexandre falou sobre a importância do ensaio ou passagem de som na Tv e dos recursos que auxiliam para uma boa mix como o virtual sound check (na Digico o áudio retorna via MADI, no recurso chamado Listen to copied audio) - recurso no qual, através de um gravador multipista, enviamos e recebemos via MADI todo o áudio endereçado pelo direct output, e depois reproduzimos nos mesmos canais do imput os snaps shots que possibilitam gravar alterações entre músicas sem mudar de cena na mesa - e também os snapshots que possibilitam gravar alterações entre músicas sem mudar de cena na mesa.

Neste mês, Alexandre continua a dar as dicas sobre a mixagem para TV: “Bons monitores de referência são muito importantes. Por muitos anos usávamos Tanoy com falantes de 15 polegadas e a Yamaha Ns10. Sempre fui muito fã das duas. Mas agora usamos Genelecs, um par 8030A near field, que nos passa um pouco da sensação de como vai soar a mix em um sistema com falantes pequenos, lembrando que esse sistema também deve estar alinhado. Além disso, essas caixas ajudam muito na colocação dos elementos médios na mix como voz, guitarra, teclado, sanfona entre outros. Caixas maiores com falantes de


15 polegadas, são ótimas para a boa avaliação dos graves. Todas as frequências são importantes na mixagem. Hoje mixamos conteúdos que são consumidos em diversas plataformas, tais como internet, tv, rádio e as multiplataformas. “É muito importante para uma boa mixagem que tanto o PA quanto o PGM sejam distintos, com um técnico em cada mesa. A pessoa que mixa no PA está, geralmente, em um ambiente ruidoso, cheio de pessoas em torno da House Mix, e o PA, por mais alinhado que seja, não vai te entregar uma mix perfeita para o uso em um PGM. Certamente vai soar desequilibrada, com muita voz, pouca banda ou equalizações que não vão agradar. Todas as grandes emissoras de Tv e Produtoras de Conteúdo já entenderam essa necessidade para bons resultados. “Seguindo para a mixagem, em primeiro lugar eu posiciono uma câmera para a atração a ser mixada já para ter referências de PAN, sempre tendo o ponto de vista de frente para a banda. O PAN na mix ajuda a abrir espaço de mixagem colocando todos os instrumentos em seu devido lugar. Eu abro em 100% dos Overs da Bateria. Nos Tons 1 e 2 eu abro 30%, no Surdo 100% para o lado que estiver no vídeo, Teclados e Synts também utilizo 100% em seu L e R. Os instrumentos que forem solo deixo no centro, pois geralmente o câmera dá close em quem está solando e não faz muito sentido estar com PAN aberto para um dos lados. “Mixando banda na tv para gravação, geralmente usamos os direct out dos canais para enviar o áudio para o gravador em multipista, então tenho que ter uma atenção especial com os ganhos, pois os Direct Out são pós “gain”.

Eu ajusto os ganhos dos canais para modularem bem, mas sem clipar, com os canais modulando bastante no VU. Desta forma fica bem mais fácil ajustar os processadores dinâmicos de sinais. Por conta dos ganhos estarem mais acelerados conseguimos uma boa relação sinal ruído, o que é o ideal para as gravações. “Eu gosto de criar grupos ou VCAs/

tê-la sempre em primeiro plano. Exemplo: o cantor ora emite com intensidade normal, ora emite propositadamente mais baixo, mais alto ou até grita. Os processadores de dinâmica entram em cena para prevenir excessos tanto para o equipamento como para nossos ouvidos, protegendo ambos. Mesas mais novas possuem um EQ dinâmi-

A voz é o instrumento mais difícil de ajustar. Geralmente é onde se gasta mais recursos tais como os processadores dinâmicos, efeitos e plug-ins se houverem.

DCAs que são sub grupos dos canais para facilitar a mixagem. Crio grupos de Bateria e Baixo, Harmonias, Metais, Percussões, Vocais e Lead Vocal. Isso ajuda nos momentos de solos, pois levantar um grupo é mais rápido do que ficar virando páginas na mesa para achar o canal que se está solando. Se puder criar um Snap shot dos solos, ai fica perfeito. “Depois de equilibrar tudo na mix e achar que está pronto, temos outros fatores que vão mudar todo o som da mix: os ambientes de plateia e o apresentador. Costumo mixar ouvindo o som da mesa de PGM retornando na mesa de Banda, já com plateia aberta, para evitar surpresas. Os microfones de plateia abertos afundam parte da mixagem e fazem os pratos da bateria aparecerem em primeiro plano. O vocal some também. Aliás, a voz é o instrumento mais difícil de ajustar. Geralmente é onde se gasta mais recursos tais como os processadores dinâmicos, efeitos e plugins se houverem. Isto para man-

co que é bastante interessante, similar aos plug-ins C4 e C6. “Os processadores de dinâmica existentes são os compresso res, os limiters (limitadores), os noise gates, os expanders (expansores) e os companders (compressores-expansores). Durante a mixagem os processadores dinâmicos são ferramentas de extrema importância. Uma música bastante trabalhada certamente tem trechos de vocais quase sussurrantes e momentos grandiosos e explosivos, solos instrumentais arrasadores e aqueles momentos bem suaves. Essa dinâmica da música deve existir, mas havendo sempre o controle dinâmico. Utilizamos um limiter na saída da mesa, o L3 limiter multimaximizer. “Acredito que o grande desafio de hoje seja a grande quantidade de equipamentos e softwares que são lançados no mercado diariamente. Ainda que facilitem o trabalho, o bom uso dependem de muito estudo por parte dos operadores de novas tecnologias”.

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Linha de sistemas portáteis Sistemas de P.A. portáteis da K-Array prometem fazer sonorização adequada para os mais diversos espaços com facilidades de transporte e montagem redacao@backstage.com.br Fotos: Divulgação

AXLE, DA K-ARRAY O

s três sistemas portáteis de P.A. da Axle Line: o KRX202, o KRX 402 e o KRX 802, combinam os falantes Dragon com os subwoofers ativos KArray. Os sistemas foram projetados como soluções para as turnês de DJs, lounges e clubs destinados a eventos diversos e qualquer lugar que exija uma boa pressão sonora, com equipamentos dimensionados para diversos tamanhos de espaço. A característica que distingue os falan-

tes Dragon são as cornetas assimétricas com orientação variável. Isto permite ao usuário ajustar o ângulo de emissão mudando a posição delas. Na posição 1, a dispersão do som é ampla na horizontal (Flood – 100 graus) e estreita na vertical (SPOT 30 graus). Na outra posição, é estreita na horizontal (SPOT 30 graus)e ampla na vertical (Flood – 100 graus). Os subs Thunder, com alimentação autônoma, mantêm as mesmas possibili-


KRX202

dades de edição digital de outros subwoofers ativos da K-Array. Com as telas sensíveis ao toque integradas, é possível controlar as funções de DSP, níveis de entrada e saída, roteamento de sinal, delays do subwoofer em relação às saídas de médias e altas (até 12 ms), e todo o delay do sistema (até 330ms). Todas as funções DSP do sistema, incluindo equalização, podem ser controladas remotamente via software por entrada USB ou RS485 (XLR de três pinos). Com o K-dante, é possível conectar o Axle com uma rede dante. Todos os sistemas podem ser montados em fly ou apoiados no chão com assessórios dedicados, como a haste de tamanho variável ou suportes para suspensão. Os ângulos de fixação são de fácil ajuste e a construção modular do equipamento permite vários arranjos diferentes no local do evento.

KRX402

OS EQUIPAMENTOS DA LINHA AXLE O maior equipamento da linha, o KRX802, usa três falantes Dragon KX12 de 12 polegadas combinados com o subwoofer KMT218, com falantes de 18 polegadas no L e no R. O sistema pode ser convertido em um line array que entrega o máximo de SPL e a melhor resposta de graves possível. O Axle KRX802 cobre distâncias grandes em lugares amplos mantendo a pressão sonora. O KRX 402 é o sistema de médio alcance da linha. Ele entrega mais potência e uma resposta de graves mais extensa que o menor da linha, o KRX202. Ele é composto de uma matriz de dois altofalantes coaxiais Dragon KX12 de 12 polegadas. Ela pode ser suspensa e emparelhada com um subwoofer Thunder KMT21 de 21 polegadas por lado em uma configuração estéreo.

KRX802

O menor equipamento da linha Axle é o KRX202. É composto po r u m a l t o - f a l a n t e c o a x i a l Dragon-KX12, de 12 polegadas, emparelhado com um subwoofer Thunder-KMT18, de 18 polegadas por lado em uma configuração estéreo. O KRX202 é um sistema portátil e compacto que produz alta pressão no campo próximo. As aplicações ideais são para o uso de DJ, pequenos clubes e lounges e produções de eventos.

Mais informação:

http://gobos.com.br/produtos/ audio/k-array/281-krx402

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REPORTAGEM| www.backstage.com.br 32

ALÔ GALERA DO METAL!

ARMORED DAWN COM ZÉ LUIS “HEAVY” NA EUROPA Como é hoje fazer uma turnê na Europa? Os equipamentos são diferentes? Os profissionais são respeitados? Há diferença de tratamento dependendo do gênero musical? É isso que Zé Luis Carrato, o Zé heavy, nos conta aqui redacao@backstage.com.br Fotos: Divulgação

J

osé Luis Carrato, o Zé Heavy, já ouvia as reverberações do rock pesado em casa desde cedo, por conta do pai: DeepPurple, The Who e Emerson Lake and Palmer eram figuras fáceis nas agulhas da vitrola em casa. Sarah Vaughan, Dione Warwick e até Carpenters e Ray Conniff frequentavam a mesma agulha, o que abriu os ouvidos do garoto para todo o tipo de música. As visitas, ainda na infância, aos ensaios de Os Incríveis e a primeira visita a um estúdio de gravação – o Vapor, na Alameda Joaquim Eugênio de Lima, em São Paulo – também fizeram parte dessa infância musical. Mas os ouvidos

abertos, como precisam ser os de todo profissional de áudio, não impediram que o metal se estabelecesse como a música do coração. A atividade profissional com música começou no início dos anos 1980, quando entrou no estúdio Vice-Versa, em São Paulo, para um teste de locução. “No dia seguinte comecei a trabalhar como assistente de estúdio. Durante uma sessão de gravação onde eu era o assistente, o produtor Luis Calanca, do selo Baratos Afins, achou em mim algo que ele queria nos discos da gravadora dele. A partir disso, eu trabalhava como assistente durante o dia e nas noites eu


gravava as bandas do começo do Heavy Metal paulistano. Foi um período de extremo aprendizado musical”, conta o também baterista e, nas horas vagas, baixista. “São 35 anos de áudio e acho que está só começando”, afirma Zé Luis, que nos conta um pouco da sua experiência na estrada e da turnê do Armory Dawn na Europa. A ban-

A ESTRADA NO BRASIL “Minha primeira Gig foi o IRA!, em 1988. A partir de 1991 eu comecei, com força, a atuar como freelancer em bandas como: Taffo, Korzus, Golpe de Estado, Anjos da Noite, Ratos de Porão, entre tantas outras. O cenário era vasto e a música imperava nas noites paulistanas. Era um tempo difícil,

Hoje temos acesso a grandes marcas e o leque de opções é quase infinito. Tudo depende do tamanho do artista e do orçamento disponível. da passou por treze cidades durante todo o mês de outubro, em diversos paises, incluindo Dinamarca, Eslovênia, Grécia, Polônia, Austria e Alemanha.

onde o dólar valia ouro e a importação era quase impossível. Tínhamos poucas opções nas locadoras e as caixas eram feitas manualmente, baseadas em projetos de grandes

marcas. A partir da abertura da importação, as coisas começaram a ficar mais fáceis. Hoje temos acesso a grandes marcas e o leque de opções é quase infinito. Tudo depende do tamanho do artista e do orçamento disponível. Já tive a oportunidade de viajar com uma carreta de PA e monitor próprios, com um caminhão com backline e monitor próprios, e agora viajo pelo mundo com todo o Rig de audio em algumas malas”.

ACOMPANHANDO E FAZENDO TURNÊS: ONTEM... “Nos anos 90, tive a oportunidade de prestar serviços para a Gabisom, onde pude acompanhar de perto grandes produções, com artistas dos mais variados estilos musicais, e pude colocar em prática o meu conhecimento. Aprendi muito

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REPORTAGEM| www.backstage.com.br 34 Armored Dawn e o metal brasileiro atravessando a europa

com os operadores dos grandes artistas, tanto no quesito “o que fazer” quanto no “o que não fazer” . Quando a produção não trazia algum equipamento (normalmente a central de Monitor), nossa obrigação era atender fielmente o Rider Técnico, sempre entrando em contato com o produtor técnico para acertar alguma modificação se fosse necessário”.

...E HOJE “Hoje eu vejo as bandas viajando com seu próprio equipamento, se utilizando da facilidade do transporte viabilizado pelo peso e dimensões reduzidos deles. Quanto aos venues, encontrei salas e equipamentos ótimos, que acomodam e atendem, com louvor, uma produção média. Em Leipzig, eu usei um PA feito por um enge-

nheiro local a mais de 20 anos, que soava super bem. Equipamento bom se encontra em qualquer lugar do mundo. O que muda mesmo é a estrutura do Venue”.

TURNÊ COM ARMORED DAWN 2018 “Estou na Armored Dawn há cerca de 2 anos. É uma banda de Power

música tem arranjos extremamente elaborados, os teclados tem timbres de orquestra na maioria do tempo, entre pianos e Pads, com riffs de guitarra rápidos e que exigem muito dos músicos. Como eu viajo com tudo, eu só preciso de alguns pedestais de microfone e peço cabos XLR para alguma emergência. Eu mesmo me encarrego de enviar as informações para o pro-

A música tem arranjos extremamente elaborados, os teclados tem timbres de orquestra na maioria do tempo, entre pianos e Pads, com riffs de guitarra rápidos e que exigem muito dos músicos. Metal, com característica Viking nas letras. Contam histórias de batalhas épicas, Dragões, reis… Um universo muito interessante. A

motor/contratante. Confesso que às vezes eles parecem que não acreditam no que eu peço. Não é a toda hora que aparece uma banda com


gamente, nem precisa muito de plugins como no ProTools. Eles são apenas acessorios, que nem antigamente. Eu usava este programa, um reverb , um limiter na saída e um fone de ouvido no estúdio improvisado que chamei de BackBus! No dia seguinte, colocava a musica na internet. tem tudo isso nas páginas da banda no Facebook e Instagram. E todo show era isso”.

ATENDIMENTO NA EUROPA

Zé Luís "Heavy" Carrato

uma estrutura dessas vinda do outro lado do atlântico. Se um determinado aparelho é de extrema importância e não tem similares, deve ser levado pela banda. No mais, tudo é conversado e sempre se chega a um acordo”.

A VIAGEM: ALIMENTAÇÃO E TRANSPORTE “Viajamos de ônibus pela Europa. Ele tinha 14 camas, duas salas, cozinha completa com mesas, banheiro, três tvs, vídeo game e um servidor de multimídia com mais de 400 filmes. A alimentação era parte da infra estrutura dos venues”.

nho orgulho em dizer que eu viajo com meu Rack de audio/monitor, todos os mics/DIs e com todos os cabos XLR/TRS que preciso. Eu entrego 2 saídas do meu mixer para o PA da casa ( que pode ser direto no processador ou em 2 canais do Mixer principal) e mando duas saídas para os SideFills. A falta de monitores e amplificadores de instrumentos no palco tendem a deixar a platéia na primeira fila … Como posso dizer… órfãos de pressão? Sem som??? (risos). Enfim, eu alimento o Sidefill com uma boa mix apenas para encher o palco e a mágica acontece. Quanto ao Backline, só alugamos a bateria”.

O EQUIPAMENTO “Por conta da portabilidade do sistema, eu tenho que ser muito prático com o setup da banda. Na bateria eu uso mics e604, nos tons, 904 na caixa, dois e614 para HiHats e Ride, dois KSM44 para os pratos e os bumbos são eletrônicos. Todo o resto, com exceção das vozes, vem em linha: usamos dois Kemper Profiler e um Line 6 Helix. Para as vozes, mics e835 e um ew135 wireless para a voz principal. No final das contas, eu te-

SOM DO PALCO PARA AS REDES SOCIAIS “Logo após cada show, eu entrava no ônibus com a gravação multipista do show e mixava uma musica para as redes sociaisna salinha do fundo do ônibus, no meu Macbook com fone de ouvido e pau no metal! Eu usei o Harrison 32 canais (sabe a mesa do estúdio Transamérica?) – software de mixagem com workflow de mesa analógica - e dois plugins. Como a mesa tem tudo no canal, como anti-

“Bom, começa que todos falam inglês fluente. A cordialidade é fundamental em qualquer lugar do mundo. Foram super legais com a gente, principalmente na hora de desmontar o palco, que deveria ser muito rápido e organizado. Mesmo com minha equipe afinadíssima e rápida, ajuda dos locais era sempre bem vinda. As casas de show oferecem infraestrutura para estacionar o seu nightliner conectado na rede elétrica da casa, os camarins estão prontos e abastecidos a partir do horário estipulado no contrato, alimentação em tempo integral, banho quente com toalhas à disposição. Claro que se for uma tour com três bandas, pode acontecer da infra não comportar tanta gente, mas tudo é acertado com muita antecedência . O combinado não sai caro!!”

Equipe Banda Eduardo Parras - vocal Fernando Giovannetti - baixo/ voz Tiago de Moura - Guitarra/voz Timo Kaarkoski- guitarra Rafael Agostino - teclados/voz Rodrigo Oliveira - bateria Crew José Luís Carrato - foh mixer Márcio Garcia - Audio tech / guitar tech Tarlis Vinci - guitar tech Allan Juliano - Drum tech Selma Souza - merchandising Site Armored Dawn

http://armored dawn.com/2018/

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Orquestra Petrobras Sinfônica revive projeto que interpreta composições de Danny Elfman para os filmes do famoso cineasta redacao@backstage.com.br Repórter: Luiz de Urjais Fotos: Fábio Rossi / Divulgação

V

ocê consegue imaginar um show em que as canções de trilhas sonoras de filmes como Edward Mãos de Tesoura, Alice no País das Maravilhas, Os Fantasmas se Divertem, Batman; entre

outros filmes do cultuado diretor americano Tim Burton, sejam o mote principal do espetáculo? E se a interpretação dessas músicas for em um contexto erudito?! Trata-se do projeto Petrobras Sinfônica


Isaac Karabtchevsky fez a regência da orquestra

visita Tim Burton que retornou aos palcos no da 8 de dezembro, para apresentação única após ter ganhado o Prêmio Profissionais da Música de 2018 como ‘melhor projeto de trilha de cinema’. O encontro entre a cinematografia e a música clássica aconteceu na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro, capitaneado pela Orquestra Petrobras Sinfônica sob a regência do maestro Isaac Karabtchevsky. De acordo com o regente este trabalho não se trata de uma solução encontrada pela Opes para uma possível renovação de público do segmento erudito, nem implica o início de uma nova ordem de mercado. “Não creio que o fato de uma orquestra sinfônica, com características próprias, fique à margem de

um movimento que conseguiu renovar parâmetros, estabelecer conceitos e, em síntese, aglutinar as gerações mais jovens. Na linguagem do rock em todas suas manifes-

Segundo o trompista Philip Doyle, integrante da Opes há mais de 30 anos, um dos desafios em adaptar as trilhas sonoras de Danny Elfman para os filmes do Tim Burton foi

Na linguagem do rock em todas suas manifestações, por exemplo, estão também presentes Ravel, Stravinsky, Boulez, Villa-Lobos e tantos outros compositores. tações, por exemplo, estão também presentes Ravel, Stravinsky, Boulez, Villa-Lobos e tantos outros compositores. Aquilo que alguns poderiam julgar como exclusivo é, na realidade fruto desse imenso caudal de influências recíprocas”.

transportar a grandiosidade das obras originais – que utilizam orquestras gigantescas com efeitos sonoros de última geração – para a realidade dos palcos cariocas. “As trilhas são gravadas em sincronia com a ação dos filmes, bem diferen-

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Isaac Karabtchevsky

te do clima dos concertos ao vivo. Aqui, a música fica em primeiro plano, sem imagens e atores”, afirma o músico ao abordar o trabalho de adaptação e transcrição dos originais realizado pelo contrabaixista Ricardo Cândido.

TÉCNICA

estudo dos arranjos e avaliação geral. “Nessa apresentação não utilizei efeitos externos, como samplers. Tudo foi executado pelos músicos.

me favorece muito nesse momento, me colocando ainda mais participante do processo artístico”, ressalta. Ainda de acordo com Hang, sonorizar uma orquestra requer atenção além das questões musicais e técnicas por existirem muitas variáveis que podem interferir no resultado final, como problemas de temperatura ambiente e acústica. “Em outras formações musicais, existem maiores chances de correção do som e compensação dessas questões a partir do equipamento disponível, mas no caso da orquestra, isso fica bem mais difícil, pois a característica sonora é baseada num ambiente natural com boa reverberação e microfonação aérea”. Sobre a montagem da estrutura,

Nessa apresentação não utilizei efeitos externos, como samplers. Tudo foi executado pelos músicos. A microfonação foi feita por naipes, com microfones

O engenheiro de mixagem da Opes, Alexandre Hang, explica que o conceito sonoro do projeto de áudio de Petrobras Sinfônica visita Tim Burton foi concebido após um encontro com a direção artística, que apresentou a ele partitura contendo todos os instrumentos para

A microfonação foi feita por naipes, com microfones a meia distância e alguns mais próximos nos solistas. Sou formado em música e isso

Danny Elfman

Não houve uso de gravações na apresentação

a meia distância e alguns mais próximos nos solistas. o engenheiro explica que foi realizada pela manhã do dia da apresentação, liberando o palco para a passagem de som e ajuste


BACKLINE

Alexandre Hang operou o som da orquestra

de luz à tarde. “O sound check demora em média cerca de uma hora. No processo faço um trabalho de pré-mixagem com todos os endereçamentos de canais, equalizações, efeitos e o que

for possível adiantar para que na hora da execução apenas haja ajuste dos timbres e equilíbrio dos instrumentos”, completa o profissional responsável por sonorizar 80 músicos em palco.

A lista de equipamentos usada em “Petrobras Sinfônica visita Tim Burton” contempla no P.A. duas colunas (esquerda e direita), cada uma com 12 elementos line array VT 4887ADP, auto-amplificadas, cada uma com 2 falantes de 8”, quatro falantes de 4” e dois drivers; um sistema de subwoofers composto por quatro caixas VT4881ADP, auto-amplificadas, cada uma com um falante de 18”. Mesa de som PM5D; oito monitores de chão ativos VP7212MDP, dois monitores de chão FZ 102A e nos microfones os Km 184, três MK 4V, cinco C414, um KSM 32, quatro KSM 137, dois MK4, dois MK2, dois DPA 2011, quatro Audio-Technica AE 3000, dois MD 421, um RE 20, dois B57, dois B56, um Audio Technica AE 5100, um SM 57, dois TLM 103 e cinco SKM 2000.

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ILED GIGA SCREEN P4.8 http://www.gobos.com.br/paineis/painel-de-led/ 148-iled-giga-screen-p4.8 Esta tela de LED permite ótima definição, com distância entre pixels de4.8 mm. O número de dots é de 43.403/m2. A configuração de pixel é 1R1G1B (SMD) com ângulo de visão horizontal, 140° e ângulo de visão vertical 140°. As dimensões do gabinete são de 480 x 480 x 73 mm (LxAxP) com resolução do gabinete, construído em alumínio injetado de 100 x 100 pixels. O brilho é >1800 cd/m2 com níveis de cinza chegando a 4096. As cores mostradas peo equipamento chegam a 16,7 milhões. O refresh rate é de 600Hz e o frame rate é de 60Hz. O ajuste de brilho é de 256 níveis. A tensão de alimentação vai de 100~230V 50/60Hz. O consumo máximo do gabinete é de 300W e o consumo médio é 120W. O grau de proteção é IP 54 e o peso do gabinete é de 7,5 kg

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VITRINE ILUMINAÇÃO| www.backstage.com.br

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MÁQUINA DE VENTO – DIGIFAN http://www.gobos.com.br/iluminacao/maquina-devento/184-maquina-de-vento---digifan A máquina de vento DigiFan DF500 é utilizada em cinema, teatro, parques e estúdios de TV, foto e vídeo, com capacidade para trabalhar nos mais severos ambientes, criando ondas, simulando ventos de pequena, média e grande potência. Pode ser utilizada para dissipação de fumaça e neblina em palcos ao ar livre. Seus componentes, principalmente o motor, possuem tratamento especial anticorrosão. As especificações são as seguintes: a tensão de alimentação é de 200~240V 50/60Hz, o consumo máximo é 1.200W/10ª . O motor é de 500W com rotação máxima de 3.500 rpm. Ele possui modo DMXon-off e controle de intensidade. A memória tem nove programas disponíveis. A função turbo vai de 0 a 3500 rpm em cinco segundos, o volume de ar é de 1.700 cbm/h. A velocidade do vento é de 60 km/h. O controle remoto é fornecido com cabo de 3 metros, podendo ser prolongado com cabos DMX. O peso do equipamento é de 12,5 kg.


ELATION RAYZOR 760 www.elationlighting.com Com sete LEDs independentes de 60W RGBW com uma amplitude de zoom de 5 a 77 graus, o Rayzor 760 pode produzir um beam definido e intenso de até 8000 lumens, permitindo a cobertura em qualquer palco, mesmo os mais amplos. As sete lentes criam uma superfície grande que é incrementada pela tecnologia SparkLED, caracterizada pela colocação de LEDs brancos de 28x2W colocadas dentro das lentes para criar um efeito de camadas adicional. Os pixels de alto brilhodão aos light designers recursos para criar mais camadas ou efeitos. Os SparkLEDS são controlados por meio do console ou por patters FX internos do equipamento.

ANTARI F7 SMAZE http://www.antari.com/index.php/ web/Products_i/114 Feito para grandes ambientes, a máquina de fumaça F-7 Smaze oferece uma solução all-in-one. Com chave para modo “fog” ou “faze”, a máquina produz uma fumaça densa ou mais leve, em camadas, dependendo do que se quiser fazer no local do evento. Com a tecnologia mais avançada de ventilação, é possível também uma boa neblina seca. A versatilidade no controle inclui DMX wireless e DMX standalone para funcionar com qualquer controle que for necessário. Projetado em um case, o equipamento permite transporte fácil e seguro em turnês.

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CADERNO ILUMINAÇÃO

Apresentação da banda inglesa New Order na Live Curitiba, em 02/12/2018. por Cezar Galhart

ILUMINAÇÃO CÊNICA E

SINGULARIDADE Determinados espetáculos se destacam dos demais por diversos aspectos: originalidade, ineditismo, inovação, raridade e singularidade. E vários elementos e características podem ser associadas a cada uma dessas expressões.

NEW ORDER EM CURITIBA Cezar Galhart é técnico em eletrônica, produtor de eventos, baixista e professor dos Cursos de Eventos, Design de Interiores e Design Gráfico do Unicuritiba e pesquisador em Iluminação Cênica.

N

esta conversa, alguns tópicos de destaque serão abordados a partir da apresentação da icônica banda inglesa New Order, realizada em Curitiba em dezembro de 2018, com ênfase na atmosfera e repleta de referências estéti-

cas em um show caracterizado pela euforia e singularidade. Dentre diversos aspectos musicais, a década de 1980 foi marcada por uma pluralidade de estilos decorrentes das influências da década anterior, mas que


Figura 2

foram determinantes em dois aspectos principais: a disseminação da música como ‘produto’ pelos meios de comunicação em massa, pela produção dos espetáculos de arena e a consolidação dos festivais. As transições não foram sutis, entretanto. Com uma maior rotulação dos estilos musicais (por interesses mercadológicos e mesmo ideológicos), fusões entre o Rock’n’Roll e outros estilos e movimentos permitiriam uma explosão de termos e designações: Pós-Punk, SkaPunk, New Wave, New Romantic, NWOBHM, Glam Metal, Trash Metal, Speed Metal, Power Metal, Indie Rock, Techno Pop e SynthPop (entre tantos). Nesse último (Synth-Pop), a banda inglesa New Order se destaca como pioneira e uma das bandas

seminais da fusão entre Rock’n’Roll, Pop Music e música eletrônica – o que poderia ser uma simplificação das referências desse estilo. O grupo surgiu em 1980, com os remanescentes de outra banda edificante, Joy Division, surgida na segunda metade da década de 1970 com Ian Curtis (vocal principal e guitarra), Peter Hook (baixo e backing vocals), Bernard Sumner (guitarra e sintetizadores) e Stephen Morris (bateria). Esta banda foi uma das principais representantes do movimento PósPunk. Com o suicídio de Ian Curtis em maio de 1980, coube aos demais músicos seguirem outra direção e constituírem a New Order. Além da adição de sintetizadores e percussão eletrônica, complementariam a banda com Gillian Gilbert

(teclados, sintetizadores e ocasionas guitarras). Nesta que foi a sexta passagem da banda New Order pelo Brasil, e primeira em Curitiba, a banda inglesa trouxe um repertório que contemplou canções de praticamente todos os dez álbuns de estúdio (com a exceção do primeiro álbum, Movement, de 1981, e Silent Sirens de 2013), e que integram diversos momentos de uma carreira de trinta e oito anos de história. Para muitos fãs presentes, essa trajetória se espelha na formação cultural e musical de gerações, nas quais essa banda integrava a trilha sonora elementar dos ouvintes da extinta rádio curitibana Estação Primeira, que esteve no ar entre os anos de 1986 e 1995. Na apresentação realizada na Live

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CADERNO ILUMINAÇÃO

Figura 3

Curitiba, espaço de eventos e shows da capital paranaense, a formação atual teve três dos quatro integrantes originais: Bernard Sumner (vocais e guitarra), Stephen Morris (bateria), Gillian Gilbert (teclados e sintetizadores), além de Phil Cunningham (guitarras, efeitos e percussão eletrônica) e Tom Chapman (baixo), que complementam a banda com elevada competência. A abertura do show com Singularity (do álbum Music Complete, de 2015),

(muito similares às das canções da banda Joy Division). Na sequência, a ótima canção Regret (do álbum Republic, 1993), cuja iluminação foi predominantemente desenvolvida a partir de fachos marcantes, embora lentos, nas cores dominantes do padrão RYB e também CMYK, estabilizados em cenas estáticas e assimétricas, vívidas e reflexivas. O setlist ainda contemplaria Age Of Consent (do álbum Power, Corruption

A abertura do show com Singularity (do álbum Music Complete, de 2015), representou bem o que seria esse show: uma singular demonstração de possibilidades e interações diversas de iluminação cênica, vídeos e animações com as canções (humor e ritmo). representou bem o que seria esse show: uma singular demonstração de possibilidades e interações diversas de iluminação cênica, vídeos e animações com as canções (humor e ritmo). Sequências intencionalmente repetidas despertavam intensos e atrativos estímulos em contraponto às melodias, melancólicas e perturbadoras

& Lies, lançado em 1983), Crystal (do álbum Get Ready, de 2001), além de Academic e Restless (ambas de Music Complete, de 2015). Nessas canções, a predominância de exposições monocromáticas (intercaladas com fachos em cores complementares) ora contrastavam ora harmonizavam com as imagens e


Figura 4

vídeos projetados nas telas de LEDs, proporcionando dinâmicas empolgantes e vibrantes. Nesse aspecto, a animação do público se superava a cada nova canção, contagiando os músicos que correspondiam de maneira recíproca e surpreendente. Assim, canções como Your Silent Face (Power, Corruption & Lies, 1983), Tutti Frutti (Music Complete, 2015) e Sub-culture (Low-Life, 1985), foram apresentadas em um crescendo

se sentido, além das cores presentes na iluminação e nas imagens projetadas nas telas de LEDs, que remetiam aos padrões daquele período, mosaicos morfológicos se sobrepunham, ora criando elementos geométricos simétricos e harmoniosos, ora transpondo elementos visuais complexos, contextualizados com a temática neoplasticista e cubista. Ao mesmo tempo, as canções seguintes - Vanishing Point (Technique, 1989),

A animação do público se superava a cada nova canção, contagiando os músicos que correspondiam de maneira recíproca e surpreendente.

frenético, com variações diversas e maior diversificação nos instrumentos de iluminação utilizadas para cenas, além de variações para cores análogas e mais intensa saturação. Na versão estendida e alternativa de Bizarre Love Triangle (do álbum Brotherhood, 1986), havia várias referências visuais à década de 1980. Nes-

Waiting for the Sirens’ Call (álbum homônimo, lançado em 2005), Plastic (Music Complete, 2015) – criavam uma unidade sonora e visual com múltiplas variações de cores e mais intensas dinâmicas nas alternâncias dos instrumentos de iluminação, nos efeitos e nas formas, com gobos padrões criando texturas e sutis con-

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CADERNO ILUMINAÇÃO

Figura 5

trastes para as demais projeções. Em mais uma versão estendida para uma das mais conhecidas canções da banda, The Perfect Kiss (Low-Life, 1985), houve sequências de cenas vibrantes e hipnóticas, complementadas com blinders sincronizados com os elementos de percussão eletrônicos. Se as cenas se repetiam em looping na execução dessa canção, initerruptamente, sutis alterações eram introduzidas até o momento de transição, com predominância de luzes em tonalidade âmbar e movimentos suaves, para outra passagem – com predominância de luzes azuladas e análogas (em clara passagem de um padrão monocromático para o respectivo complementar) - criando conforto visual e preparando para a parte final, apoteótica. Na última sequência, três singles

essenciais na história da banda: True Faith (1987), Blue Monday (1983) e Temptation (1982). Principalmente na segunda canção dessa série, e um dos mais importantes hits da história da banda, por referência direta ao título da faixa, variações de luzes azuladas eram somadas a fachos saturados intensos, ou temperados com cores análogas, do ciano ao violeta. Moving lights com gobos faziam varreduras no espaço cênico, revelando detalhes e emoldurando os músicos, sensivelmente. No bis, um momento especial para todos os fãs. Em homenagem à própria história da banda, covers de Joy Division, com as canções Atmosphere (single), Decades (do aclamado álbum Closer, de 1980) e Love Will Tear Us Apart (single), sendo esta considerada como um

hino da década de 1980. Neste momento, imagens históricas da década anterior e principalmente do vocalista Ian Curtis comoveram o público, em uma apresentação memorável e emocionante para todos os presentes, indubitavelmente. Tão singular quanto uma apresentação musical, caracterizada por interações imprevisíveis e espontâneas, únicas e incomparáveis, destaca-se a iluminação cênica, capaz de estimular essas relações entre os protagonistas e públicos, que pelas percepções visuais, estabelecem conexões emocionais e marcantes, eufóricas e singulares. Abraços e até a próxima conversa!

Para saber mais redacao@backstage.com.br


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LUIZ CARLOS SÁ | www.backstage.com.br

JOANA X,

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À CAPELLA

Foto: George's Studio

A

o vê-la entrar no palco, senti um misto de emoções contraditórias. Não que Joana X (não acho que ela quisesse ter seu verdadeiro nome citado aqui) fosse algo de incomum: era a sexta cantora da noite, naquele concorrido festival de música de uma cidade do interior paulista que nunca deixava de mostrar algumas boas surpresas, o que fazia com que eu sempre aceitasse o convite para integrar seu júri. Enfim, Joana X, não era o que se convencionaria chamar de “bonita”, o rosto excessivamente anguloso emoldurado por uma saudável – e decerto, voluntária - bagunça de be-

tinham caprichado – às vezes, demais, afinal de contas eram os anos oitenta - no que acreditavam ser um jeito “original” de vestir-se, Joana era toda jeans-camisetaall-star. Por que então eu sentira essa espécie de intuição agradável ao vê-la acertar a altura do microfone com um meio sorriso que parecia dizer que não era exatamente ali que ela queria estar? seu lugar talvez fosse atrás do balcão de um pub irlandês, ou num pequeno navio em alto mar, onde - aí, sim! – cantaria para as ondas como uma sereia deslocada do seu habitat. (De novo, explicando, não digo “sereia” porque ela tivesse um corpo escultural, nem havia corpo a se adivinhar debaixo da camiseta azul XXL que parecia ter caído sobre ela naquela mesma manhã, enquanto, quem sabe, ainda nua, ela estivesse sorvendo lentamente seu café sem conseguir decidir o traje do dia, mas falo isso apenas porque ela parecia ter guelras no longo e elegante pescoço salpicado de sardas). O júri estava colocado bem próximo e um pouco acima do palco. Tínhamos uma visão bem clara, embora lateral, de tudo o que acontecia. Dando pequenas olhadas de soslaio à esquerda e à direita, Joana X esperava a banda tomar suas posições. Ela interpretaria a música de uma dupla minha conhecida, contumaz vencedora de alguns festivais semelhantes. O tecladista atacou o primeiro acor-

Por que então eu sentira essa espécie de intuição agradável ao vê-la acertar a altura do microfone com um meio sorriso que parecia dizer que não era exatamente ali que ela queria estar? los cabelos naturalmente ruivos. Mas tinha sua luz própria, que parecia vir da falsa desproteção que aparentava. Não digo “falsa” por haver malícia ali, mas justamente por parecer ser isso o que ela tentava esconder do público. Em termos de palco, a roupa também não ajudava muito: enquanto suas concorrentes

de, seguiu mais uns três ou quatro compassos e subitamente parou, como se não soubesse o que vinha a seguir. De repente, do nada, Joana X começou a cantar, à capella. Sua voz nos envolveu de imediato. (De novo, o parênteses, só para expor uma impressão que tenho: certas pessoas parecem não precisar de garganta para


LUIZCARLOSSA@UOL.COM.BR | LUIZCARLOSSA.BLOGSPOT.COM ela, mas ela quis cantar a do namorado! Sorriu para mim, acariciando o cabelo da já consolada amiga: - O amor é lindo! Sorri também, por puro reflexo. Como “com essa voz que eu tenho”?! - Mas sua voz é muito bonita! afinada, clara, penetrante, emocional, poderosa! Arrependi-me imediatamente da minha explosão de adjetivos. Joana X baixou a cabeça, puxou a amiga mais para si e voltou para sua concha. Soltou um “obrigado” formal, fazendo com que eu me sentisse um idiota e saísse dali rápida e silenciosamente. Anos mais tarde, encontrei Joana e Mari cantando

Foto ilustrativa : Internet / Di vulgação

cantar, aquele sopro da voz sai do pulmão, passa pelo coração, ignora a função das cordas vocais e sai impune pelo mundo, levando nós, os inocentes, às lágrimas). A música – o Cavalo, digamos assim - era bonita, mas a voz de Joana X – o Orixá - era algo mais e produzia nela uma transmutação espantosa, uma possessão, como se a abóbora da Cinderela invertesse o efeito e insistisse em ser carruagem mesmo depois da meia noite. Diante disso, a entrada da banda na segunda parte – embora fosse excelente – não só não fez figura, como também seria dispensável. Aplausos delirantes ao final não conseguiram abalar o ar etéreo da cantora. Claro que Joana X levou o prêmio de melhor intérprete. O inesperado é que a música ficou com um injusto quarto lugar. Desci aos camarins depois do anúncio dos resultados. Joana X consolava os autores – com razão inconformados – e uma outra cantora sua amiga, que chorava aos borbotões por não ter conseguido nada. Fui chegando devagar, porque ainda estava sob o impacto da voz daquela pessoa e supus que ela poderia ser uma entidade interplanetária pronta a desaparecer sob a mínima pressão terráquea: - Parabéns... – falei, tímido. Ela virou-se para mim, tinha – agora eu via – olhos muito verdes, o que confirmava minha tese marinha: - Obrigada... mas, desculpe... -? - Como vocês não classificaram a música? é linda! Eu também não saberia explicar, visto que tinha dado nota máxima a tudo o que acontecera durante a apresentação dela: cantora, música, banda, arranjo e sei lá mais o quê. Mas fui sincero como os mais sinceros personagens rodriguianos: - Se você cantasse essa canção inteira à capella, como começou, era primeiro lugar. Com todo o respeito aos seus excelentes músicos. Ela reclinou a cabeça para trás e soltou uma sonora – e marítima – gargalhada, contrassenso total numa personagem que eu julgara esotérica. Sua amiga estancou o choro, a dupla de compositores parou de se lamentar, acho que todos ali no camarim mergulharam na mesma surpresa que eu. Ela continuou: - Mas com essa voz que eu tenho... Olhou para a amiga, compassiva: - Mari é que devia ter cantado essa música, falei pra

num bar paulistano. Nessa noite, Joana acabou por ensinar-me a dançar forró, agora bem menos marinha e mais terra firme. Alguma coisa que quase aconteceria entre nós acabou por não rolar, é a vida. Porém o mais estranho disso tudo é que Mari – e não Joana – foi quem virou estrela da música popular brasileira, cheia de sucessos e shows. Joana X, ao que me parece, fechouse mais uma vez em sua concha de Botticelli. Nunca mais ouvi sua voz cheia de adjetivos. O que me leva de volta à velha moral da história: quem não se acredita, se trumbica. Mesmo sendo Joana X, jeans, camiseta e all-star virando roupas de grife em meio ao mais lindo solo capella que já ouvi na vida.

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Edição 291 - Fevereiro 2018 - Revista Backstage  

TV digital e áudio em 3D: Carlos Ronconi e Manoel Tavares falam sobre o uso de plugins e as possibilidades em multicanais | Alô galera do me...

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