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Sumário Ano. 25 - setembro / 2018 - Nº 286

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Ópera Rock no cenário nacional

A banda de rock brasileira Titãs lançou no primeiro semestre de 2018 seu décimo quinto disco de estúdio. Um trabalho que propõe um novo formato para o show business: a ópera-rock Doze Flores Amarelas.

NESTA EDIÇÃO

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O musical O Homem de La Mancha, que conta a história de D. Quixote, superprodução dirigida por Miguel Falabella, finalizou a temporada no Teatro Bradesco, onde ficou em cartaz por mais de um mês. Na adaptação do clássico de Miguel Cervantes conversamos com os responsáveis pela iluminação e sonorização do musical, pouco antes de o espetáculo iniciar, sobre os desafios e as complexidades de realizar o musical no Rio de Janeiro.

08 Vitrine A Logitech G, marca da Logitech voltada para gaming, anunciou essa semana o novo Headset Logitech G PRO Gaming, que oferece performance de áudio voltada para esportes e características para gamers profissionais e competitivos.

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Rápidas e Rasteiras Da retomada dos vinis até os novíssimos serviços de streaming. Em setembro, a cidade do Rio de Janeiro será o centro das atenções da indústria da música. Nos dias 11, 12 e 13 acontece o Rio Music Market (RMK).

18 Gustavo Victorino Confira as notícias mais quentes dos bastidores do mercado.

20 Play Rec Depois de dois anos de ensaios, arranjos e gravações, a saxofonista e flautista Daniela Spielmann lança o CD Afinidades, o primeiro disco autoral em 20 anos de carreira.

22 d&b D80 O amplificador D80 de dois e quatro canais é um amplificador de alta densidade de potência, ideal para uso móvel ou em ambientes de instalação fixa.

64 Eu e a música “Meu atraso já somava mais de uma hora e estar desse tanto atrasado para uma reunião com Bibi Ferreira – me acredite – não é bom negócio. Entrei esbaforido pela magnífica portaria, que de imediato levou-me de volta à infância, plena que era de mármores e madeiras nobres como costumavam ser os prédios mais elegantes do Centro e da zona sul carioca dos anos 50”.


Expediente

Potência sonora e alta performance

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A JBL apresenta a sua família VRX900 Series. Uma série de modelos de sistema de falantes e subwoofers ideal para quem procura potência e clareza sonora para performance em locais de características impróprias aos line arrays de grande porte.

TECNOLOGIA 40 Ricardo Mendes

48 Ableton

A cadeia de plugins usada na masterização em Stem é basicamente a mesma usada na masterização convencional. No entanto, cada profissional tem uma maneira particular de trabalhar.

O Ableton Live permite que você mapeie um parâmetro para ser controlável. Mas, em alguns casos, pode ser nescessário uma certa engenharia. É o caso do Dry/Wet. Veja como utilizar o recurso da melhor forma.

44 Áudio Fundamental Muito se fala sobre as novidades tecnológicas do mercado de áudio, mesas digitais com recursos fantásticos. Mas e os ouvidos? Será que essa “ferramenta” tão importante está sendo bem utilizada?

52 Pro Tools Tem um hardware predileto, mas não sabe integrá-lo ao ProTools? Neste artigo, entenda como integrar sintetizadores e efeitos externos.

CADERNO ILUMINAÇÃO 56 Vitrine iluminação Com prisma rotativo de 8 faces, DMX: 16 canais e potência de lâmpada de 230W – 7R, o novo produto da Star é perfeito para ser usado em diversas ocasiões em que sejam necessárias eficiência e versatilidade.

58 Iluminação cênica A iluminação cênica tem sido referência para diversas manifestações artísticas e cultuais. Nesta conversa, esta forma de iluminação será analisada como conceito aplicado a outros espaços, com fins comerciais, cujo objetivo está relacionado à possibilidade de oferecer atratividade e atenção para produtos.

Diretor Nelson Cardoso nelson@backstage.com.br Gerente administrativa Stella Walliter stella@backstage.com.br Financeiro adm@backstage.com.br Coordenadora de conteúdo Danielli Marinho redacao@backstage.com.br Revisão Danielli Marinho Colunistas: Cezar Galhart, Cristiano Moura, Gustavo Victorino, Lika Meinberg, Luiz Carlos Sá, Pedro Duboc e Ricardo Mendes. Colaborou nesta edição: Luiz de Urjaiss Ed. Arte / Diagramação / Redes Sociais Leonardo C. Costa arte@backstage.com.br Capa Arte: Leonardo C. Costa Foto: Divulgação Publicidade / Anúncios PABX: (21) 3627-7945 arte@backstage.com.br Webdesigner / Multimídia Leonardo C. Costa multimidia@backstage.com.br Assinaturas Maristella Alves PABX: (21) 3627-7945 assinaturas@backstage.com.br Coordenador de Circulação Ernani Matos ernani@backstage.com.br Assistente de Circulação Adilson Santiago Crítica broncalivre@backstage.com.br Backstage é uma publicação da editora H.Sheldon Serviços de Marketing Ltda. Rua Iriquitiá, 392 - Taquara - Jacarepaguá Rio de Janeiro -RJ - CEP: 22730-150 Tel./fax:(21) 3627-7945 / 2440-4549 CNPJ. 29.418.852/0001-85 Os artigos e matérias assinadas são de responsabilidade dos autores. É permitida a reprodução desde que seja citada a fonte e que nos seja enviada cópia do material. A revista não se responsabiliza pelo conteúdo dos anúncios veiculados.


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CARTA AO LEITOR | www.backstage.com.br

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A 4ª revolução industrial

A

internet revolucionou todas as nossas concepções de relacionamento, trabalho e produção e não é mais surpresa ouvir que alguém realiza pelo menos um tipo de atividade cotidiana por meio remoto, seja por um aplicativo de banco, loja virtual ou rede social. No entanto, as facilidades que o mundo digital trouxe ainda deve à sociedade sua principal promessa: a de reduzir o esforço e ampliar o lucro e as horas de lazer. O uso da tecnologia aplicada nos meios virtuais, por exemplo, revolucionou a visão dos negócios, aportando, por exemplo, mais celeridade às transações comerciais, com rapidez na elaboração de cálculos e tabelas, e no desenvolvimento de indicadores e de controles. Por outro lado, a promessa de que haveria redução no volume de trabalho continua uma expectativa, uma vez que, desde a popularização dos computadores e da internet, se aumentou o número de horas trabalhadas em nome do aumento da produtividade da indústria. Essa relação homem-trabalho, porém, não só modificou o volume de negócios como também desabonou o valor do produto, a exemplo da lógica da oferta e da procura, e o valor agregado se desvencilhou de preço do produto. Ter muitos produtos parecidos no mercado, embora inovadores e diferenciados, com alto valor agregado, hoje significa pagar mais barato pelo mesmo produto de 20 anos atrás sem as mesmas tecnologias atuais. Então, se os preços caem cada vez mais e a inovação se tornou parte obrigatória na apresentação de produtos e serviços, como frear a queda vertiginosa do preço aplicado no produto? Na nova Era da revolução tecnológica, ou Era Industrial 4.0, com o desenvolvimento da Inteligência Artificial e do Big Data, somados à quebra de paradigmas, se espera uma profunda transformação das relações sociais, com alcance e complexidade ainda não experimentados. Esse novo tipo de processo já não é tão estranho assim a alguns setores e à nova geração de profissionais. Um exemplo são os espaços de coworking que já funcionam pelo mundo, incluindo o Brasil, onde o produto do trabalho é obtido de forma mais colaborativa. Na área musical, por exemplo, os home studios e a possibilidade de desenvolver a produção de um novo trabalho em países diferentes, bem como parcerias entre compositores de diversos países, também já são realidades. É mais provável que nesse novo momento da 4a Revolução Industrial seja possível recuperar a promessa do começo da ‘Era dos Computadores’ e se possa, de fato, transferir o processo do trabalho para uma base mais automatizada, conquistando o tão almejado tempo para o ócio produtivo. Ou seja, mais tempo para apreciar as conquistas e pensar em criar mais conquistas. A conferir! Boa leitura e bem-vindo "de novo" ao mundo novo.

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SSL NATIVE V6 PLUG-IN www.solidstatelogic.com/studio/sslnative A Solid State Logic anunciou o lançamento do SSL Native v6, que veio substituir a aclamada coleção de plugins Duende Native com versões completamente reescritas. As características fundamentais do áudio desse plugin permanecem imutáveis, mas houve uma série de melhorias que incluem a nova interface de usuário de alta resolução, gerenciamento de Preset, compra extentida e opção de assinatura que cabem no bolso e necessidades de diversos usuários, além de modificações no framework que asseguram um suporte completo aos plug-ins SSL Native por anos a frente. O display de retina redesenhado e de alta definição permite uma operação mais suave e melhoras no fluxo de trabalho, acelerando assim a produção. O novo layout gráfico e características asseguram operação criativa e mais fluente. Os plugins Channel strip e o Bus Compressor agora vêm com presets de fábrica pela primeira vez, exclusivamente desenhados pelos engenheiros e produtores da SSL. O SSL Native v6 é grátis para aqueles que possuem a versão Duende Native v5.

ALTOFALANTES VECTOR www.crestron.com A Creston agora coloca à disposição dos usuários dos altofalantes Vector a tecnologia dos amplificadores Duecanali e Quattrocanali, da Powersoft. Os altofalantes Vector Performance estão disponíveis com desenho coaxial de 6” até modelos de 12” e 15”, e subwoofers duplos de 18”, estes disponíveis para sistemas de alto impacto. Cada um desses falantes apresentam um desenho de transdutor coaxial inovador que proporcionam som claro e ótima inteligibilidade para reforços de voz e reprodução de meios em ambientes corporativos. O transdutor dos falantes Vector Performance representa um avanço em termos de desenho de falantes coaxiais. Seu driver de compressão de titânio de diafragma grande permite transição uniforme ao woofer, provendo melhor alienação aguda/ grave, performance de largura de banda mais suave e níveis de pressão sonora aumentados, sem distorção. O desenho compacto de boca de alta frequência reduz o efeito shadow ou de sombra para produzir um som incrivelmente dinâmico e claro, tanto para a voz como para a música. A localização de drivers agudos e graves juntos resulta em menos interação de crossover dentro do padrão de cobertura e proporciona resposta ultra uniforme.


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DUECANALI E QUATTROCANALI www.powersoft-audio.com Os dois modelos de amplificadores da Powersoft anunciaram uma parceria com a Vector, e estão disponíveis para amplificar a nova linha de alto-falantes Creston. Tanto o Duecanali como Quattrocanali são amplificadores de dois e quatro canais de uma unidade de rack – ideais para aplicações pequenas e médias em que o número de canais é limitado e a necessidade de um produto flexível para operar com alta e baixa impedância é uma prioridade. As séries estão disponíveis em uma variedade de configurações de potência, todas elas representando uma força séria, fazendo delas a solução perfeita para espaços que buscam um som cristalino, controle total e volume de saída sustentado.

HEADSET LOGITECH G PRO GAMING https://www.logitechg.com/pt-br A Logitech G, marca da Logitech voltada para gaming, anunciou essa semana o novo Headset Logitech G PRO Gaming, que oferece performance de áudio voltada para esports e características para gamers profissionais e competitivos. Como a mais nova adição da linha Logitech G PRO focada em produtos profissionais para gaming, o Headset Logitech G PRO Gaming é leve, forte e extremamente confortável para uso intenso. O produto conta com drivers Logitech G Pro-G para uma qualidade de áudio superior, fones com acolchoamento de couro sintético premium que proporcionam um excelente isolamento de som e um microfone condensador profissional para uma comunicação clara e sem ruídos. Os avançados drivers Pro-G da Logitech G foram construídos a partir de um inovador material de malha híbrida que proporciona áudio de altíssima qualidade e, quando combinado aos perfis de áudio avançados da Logitech, esses drivers proporcionam um som rico em detalhes, como baixos crescentes, elevações limpas, agudos precisos e baixos níveis de distorção. O Headset Logitech G PRO Gaming também oferece até 50% a mais de isolamento de som do que outros modelos da Logitech, então você nunca será distraído por sons externos. O Headset Logitech G PRO Gaming está disponível na cor preta, tem um design leve e confortável que conecta através de controles e cabos analógicos e destacáveis.


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Foto: Divulgação

“Carnaval na Obra” em vinil duplo

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Polysom lança

FOCO NA GRAVAÇÃO E NA PRODUÇÃO NA PLS SHANGAI Para assegurar que está de olho no público do mercado de entretenimento chinês e suas demandas, a Prolight+Sound Shangai 2018 expande a Zona de Gravação e Produção nesta edição 2018, que acontece entre os dias 10 e 13 de outubro, no Shangai New International Expo Centre. A decisão vem ao encontro do crescente desenvolvimento dos mercados de áudio e vídeo na China. Um estudo recente demonstrou que a indústria de videos curta metragem ultrapassará 30 bilhões RMB (equivalente a mais de 4 bilhões de dólares americanos) em 2020. Pensando nisso, a feira de Shangai vai reforçar o status de ser uma plataforma de educação e negócios, conectando profissionais de gravação, áudio e música, por meio de parcerias com organizações globais, incluindo a International Music Software Trade Association (IMSTA). O local terá 6 mil metros quadrados e vai apresentar os mais modernos equipamentos, serviços e técnicas usada em gravações real time e multipista, mixagem e materização.

CRUÏLLA DE OUTONO Criadora do movimento Mangue Beat ao lado de Chico Science e Nação Zumbi, a Mundo Livre S.A. trouxe novos elementos para a música brasileira e até hoje é referência para as novas gerações. Esse ano, a banda tem um dos seus discos mais importantes, Carnaval na Obra (1998), lançado em vinil duplo de 180 gramas pela coleção Clássicos em Vinil, da Polysom. O álbum, que completa seus 20 anos, foi o disco que inaugurou a então nova gravadora Abril Music. Terceiro disco da

Mundo Livre, Carnaval na Obra traz quatro dos grandes produtores daquela geração: Carlos Eduardo Miranda, Eduardo Bid, Apollo 9 e Edu K. Eles se dividiram entre as 14 faixas, que traziam forte influência da recente turnê ao México e da eletrônica, usada como um instrumento, uma ferramenta a mais. Entre as composições estão alguns dos maiores sucessos da banda, como Maroca, Bolo de Ameixa, Quem tem Bit tem Tudo, A Expressão Exata e O Africano e o Ariano. Mais informações: http://polysom.com.br/site/

Quem estiver por Barcelona e quiser aproveitar o início do outono na cidade, tem a opção de assistir o Cruïlla de outono. Durante todo o mês haverá um ciclo de concertos que agradará os amantes do indie, punk, rock, do pop catalão e da música gipsy e balcânica. O line up será composto por apresentações de artistas como Emir Kusturica, acompanhado pelos músicos do The No Smoking Orchestra. Além do mais, haverá também a Barcelona Gipsy Balkan Orchestra, um grupo nascido em Barcelona e com projeção internacional. Outros nomes do set up incluem Anna Calva, La MODA, Miles Sanko, Animal, entre outros. https://www.cruillabarcelona.com/ca/cruilla-detardor-2018/

AFROBRASILIDADE WORKSHOP DE MÚSICA No dia 15 de agosto aconteceu na Harmony Music Academy, o workshop do grupo de música instrumental, (( TRIO )), em paralelo à apresentação semestral dos alunos da escola. Para saber mais sobre aulas de música no espaço, situado no Recreio dos Bandeirantes, no Rio, acesse @harmonymusicacademy no Instagram ou o site www.harmonymusicacademy.com.br

A cantora Luciane Dom lançou em julho, durante show no Teatro Ipanema, no Rio, o seu primeiro álbum chamado Liberte esse Banzo. O show composto por músicas da cantora e releituras retoma a ancestralidade como tema de partida, culminando na diáspora africana, na mistura de linguagens, ritmos e poesias. Para conhecer o trabalho, acesse www.lucianedom.com


Foto: Jorge Bispo

Pitty estreia turnê 2018-2019

Após mais de dois anos longe da estrada, fazendo apresentações ocasionais, participações e dedicando-se a outros projetos, Pitty volta aos palcos em 2018 com um novo show que expressa bem sua personalidade e energia, misturando a essência musical presente em suas primeiras composições e a estética sonora dos dias de hoje presente em suas novas músicas. É um novo ciclo, uma nova forma de trabalhar as músicas. O palco será

montado de uma nova maneira e o cenário será composto por desenhos exclusivos da artista Eva Uviedo. A turnê também será organizada de forma diferente, contrariando os moldes tradicionais, nos quais primeiro é lançado um álbum e depois a turnê. Dessa vez os shows vão acontecer simultaneamente ao lançamento das músicas, que deverão estar no novo disco da cantora, previsto para esse ano. As canções serão incorporadas e reveladas nos shows ao longo da turnê. Isso já foi visto na última apresentação, no João Rock, quando ela interpretou pela primeira vez "Te Conecta". No repertório estarão os singles mais recentes "Na Pele", lançado com participação de Elza Soares, e "Contramão", com Emmily Barreto (Far From Alaska) e Tássia Reis, além de sucessos da carreira e outras surpresas. Durante a turnê Pitty pretende convidar artistas diversos para fazerem shows de abertura.

SHURE MUDA FAZ MUDANÇA NOS CURSOS ONLINE GRATUITOS A partir do dia 06 de agosto, a Shure passará a realizar mensalmente seus cursos online, sempre às segundas-feiras, às 14h (horário de Brasília), ministradas pelos profissionais da companhia. Em plataforma interativa com transmissão ao vivo para todo o Brasil, a empresa oferece conteúdo relevante para profissionais, especialistas de áudio e entusiastas da marca. A Shure tem como um dos seus pilares globais o investimento em educação. Neste novo formato, a empresa promete trazer convidados especiais do mercado de Pro Áudio e A/V. Os webinários visam esclarecer as principais dúvidas dos participantes, abordar temas relevantes e apresentar as últimas novidades do mundo do áudio. Além do conteúdo informativo, os cursos online proporcionam interatividade e contato direto com os palestrantes e convidados. Para participar dos próximos webinários, os interessados podem se inscrever diretamente pelo e-mail relacoespublicas@shure.com

SANGUE NOVO

Nova aposta de Rick Bonadio, Mariana Coelho lança o single Tranquila. Composta pela cantora capixaba em parceria com Digão, da extinta banda Dnaipes, seguindo a linha do reggae, a música tem produção de Rick. A canção ganhou também um clipe, gravado em uma cachoeira de Águas de Santa Bárbara, disponível no canal do Midas Music no Youtube: https://www.youtube.com/ watch?v=l-dZQw3kC6A . Com apenas 17 anos, Mariana foi semifinalista do The Voice Brasil em 2017, pelo time do Lulu Santos.

ROUPA NOVA E MAITE PERRONI GRAVAM CLIPE DE MÚSICA INÉDITA O segundo semestre de 2018 será marcado pelo projeto As Novas do Roupa, composto por 12 canções inéditas que estão sendo lançadas em partes nas plataformas digitais e em videoclipes. Além de um álbum 100% inédito, o Roupa Nova anunciou uma parceria de peso, a mexicana Maite Perroni, que aproveitou sua passagem pelo Brasil e se juntou aos seis integrantes da banda para gravar o clipe Destino ou Acaso, uma das faixas inéditas do novo projeto. Queda de Braço, Luzes de Emergência e Seja Bem Vindo (o amor) foram as primeiras canções lançadas, e já estão disponíveis nas plataformas digitais e, em breve, estarão no YouTube.

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Foto: Divulgação

musical MPB Foto: Érik Almeida

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Negra Li protagoniza

RIO MUSIC MARKET

Da retomada dos vinis até os novíssimos serviços de streaming. Em setembro, a cidade do Rio de Janeiro será o centro das atenções da indústria da música. Nos dias 11, 12 e 13, acontece o Rio Music Market (RMK), um dos mais importantes encontros do mercado de música brasileiro, que reunirá importantes profissionais da indústria nacional e internacional para debater as constantes transformações da indústria fonográfica e suas novas oportunidades. O encontro será no CRAB - Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro. Além de trazer à discussão assuntos atuais como streaming, "value gap", sincronização, playlists e biografias musicais, a sexta edição do evento contará ainda com um coquetel e show de abertura no Theatro Net Rio, com os artistas Jaques Morelenbaum, Carlos Malta e Duo Gisbranco.

Com direção artística de Jarbas Homem de Mello, direção musical e arranjos de Miguel Briamonte e direção de movimentos e coreografias de Kátia Barros, o espetáculo MPB – Musical Popular Brasileiro estreia no dia 10 de agosto no Teatro Sesc – Ginástico, no Rio de Janeiro. A temporada vai até 9 de setembro. Idealizado por Renata Ferraz e Silvio Ferraz, o espetáculo tem texto inédito de Enéas Carlos Pereira e Edu Salemi. A montagem tem novidades com a entra-

da de Negra Li. A cantora interpretará Suzete Campos, uma grande atriz de musicais. O elenco também conta com Érico Brás (Jura, como o anjo), além de Reiner Tenente (Gero, o anjo), Dagoberto Feliz (Nogueira) e Marcelo Góes (Dino). O espetáculo tem cenografia e adereços de Marco Lima, iluminação de Fran Barros, figurinos de Fábio Namatame, visagismo de Dicko Lorenzo, direção de produção de Valdir Archanjo e Bira Saide e realização da ViaCultura.

VANGUART LANÇA CLIPE Há menos de um mês o Vanguart apresentou a versão do deluxe do seu mais recente álbum, Beijo Estranho (Deck/ 2017). Nela, além das canções do disco, sucesso de público e crítica, eles apresentam três faixas inéditas. A primeira delas, Tudo que Não For Vida, de autoria de Helio Flanders (voz, violão e piano) e Reginaldo Lincoln (voz e baixo), tem seu clipe oficial disponibilizado no YouTube. A canção, de arranjo mais pop, com letra direta e forte, teve suas imagens gravadas em Itararé (SP), com direção, roteiro e dança de Olívia Niculitchef. Para assistir Tudo que Não For Vida https:// www.youtube.com/watch?v=StOIWrbOL84 Para ouvir, Beijo Estranho (Deluxe), acesse: https://vanguart.lnk.to/BeijoEstranjoDeluxePR

UNIVERSAL LANÇA MÚSICAS PARA RELAXAR O estresse do dia a dia agora pode ser aliviado com o set de músicas para relaxar que a Universal lançou recentemente na loja da Apple. Peaceful Music é uma playlist de músicas para relaxamento e busca da tranquilidade. Seja no trabalho, nos estudos ou até mesmo antes fazer uma prova ou uma aula de yoga, a trilha sonora de alta qualidade, compostas por um novo gênero de artistas, traz uma mescla de contemporaneidade, música ambiente, para desestressar e até um viés eletrônico, perfeita para quem também pratica mindfullness. https:/ /peacefulmusic.lnk.to/playlistPR

ATUALIZAÇÃO PARA CL E QL Recentemente a Yamaha anunciou a Versão 5.0 para os modelos CL e QL de consoles digitais. Essa nova atualização inclui suporte para controle remoto para a Rupert Neve RMP-D8 8-Channel Remote Control Dante Microphone Preamplifier, assim como um novo Portico 5045 Source Enhancer para uso no Premium Rack. Com a atualização, o novo microfone preamplificado Class-A no Rupert Neve Designs RMP-D8 pode agora ser controlado remotamente de qualquer console CL ou QL, proporcionando uma opção de alta finalização para locais que tenham conexão Dante, estúdios, sistemas de broadcast e turnês. Para mais informações, acesse http://www.yamaha.com ou para informações sobre o RMP-D8 e o 5045, acesse http:// www.rupertneve.com


PRÊMIO DA MÚSICA BRASILEIRA alizada e dirigida por José Maurício Machline, a festa - patrocinada este ano pela Petrobras – contou com roteiro de Zelia Duncan, cenografia de Gringo Cardia e direção musical de João Carlos Coutinho. A atriz Leandra Leal abriu a noite, que foi conduzida por Debora Bloch e Camila Pitanga. No dia 15 de agosto, o Brasil conheceu os melhores da música durante o 29º Prêmio da Música Brasileira. As Bahias e A Cozinha Mineira, Chico Buarque, Mario Adnet, Yamandú Costa, Moacyr Luz e Samba do Trabalhador e Mônica Salmaso, foram os grandes vencedores da noite, com 2 troféus cada. Nesta edição, o mais tradicional e prestigiado evento do gênero no país, celebrou a carreira de Luiz Melodia (1951-2017), compositor carioca falecido recentemente que recebeu, em vida, cinco troféus da premiação. Ide-

Esperança (Céu), Dores de Amores (Zezé Motta e Sandra de Sá), Perola Negra (Maria Bethânia, Caetano Veloso, Moreno, Zeca e Tom), Magrelinha (Baby do Brasil), Estácio, holly Estácio (Alcione), Juventude Transviada, (Xênia França e Áurea Martins), Fadas (Pedro Luis, Hamilton de Holanda e Yamandú Costa) e Negro Gato (Liniker, Iza e Lazzo).

Durante a cerimônia, a trajetória de Luiz Melodia foi celebrada por grandes nomes da música, que apresentaram sucessos como: Ébano (Fabiana Cozza), Quase Fui Lhe Procurar (Lenine e João Cavalcanti), Salve Linda Canção Sem

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MÚSICA BRASILEIRA ECOA NO VELHO MUNDO atrações. A maior parte das apresentações passou por ali, cuja temática este ano foi o fundo do mar”. Foram construídos cavalos marinhos de 12 metros com uma espécie de farol no lugar dos olhos e um exército de medusas para decorar a fachada do maior palco já construído por Danés. Com altura equivalente a um prédio de cinco andares, foi batizado como Catedral do Mar (La catedral del mar).

PALCO GIGANTE O Parc del Fórum ficou pequeno para a música brasileira. Gilberto Gil fez escala na cidade de Barcelona para mostrar a genuína música brasileira durante o festival Cruïlla. O cantor se apresentou na noite do dia 13 de julho acompanhado do Revafela40. Membro importante do movimento Tropicália, Gil é hoje um dos artistas mais respeitados e considerado uma espécie de embaixador da música brasileira no exterior, principalmente por sua forte convicção no poder transformador da cultura. De acordo com a produção do Cruïla, que acontece a cada verão na cidade catalã, ter Gil no line up foi um luxo e uma oportunidade ímpar para o público. No mesmo dia se apresentam ainda Pharrell Williams e N.E.R.D. e Damian “Jr. Gong” Marley, entre muitos outros.

O festival aconteceu no Parc del Fórum nos dias 12, 13 e 14 de julho e contou pelo segundo ano consecutivo com o palco Estrella Damm, de dimensões colossais, construído pelo diretor artístico Lluís Danés, sendo uma das principais

DETONAUTAS E LUCAS LUCCO JUNTOS EM CLIPE Por Onde Você Anda?, de autoria de Tico Santa Cruz e Detonautas Roque Clube, que contou com a participação especial de Lucas Lucco, ganha agora um videoclipe com Lucas dividindo os microfones com o DRC no estúdio e como ator, em par romântico com a atriz Ana Isabela Godinho. O clipe tem em seu roteiro o casal retratado na música e os conflitos atuais: estar feliz nas redes sociais em contraponto com a distância e o silêncio da ausência de notícias, após uma briga, ou o rompimento do relacionamento. Com direção de Fred Siqueira e de Lucas Lucco, o clipe foi gravado em Goiás, no Stúdio Siriguela e em externas. A canção faz parte do repertório do CD VI (2017), álbum que comemora os 20 anos de carreira do Detonautas Roque Clube, que já ultrapassou a marca de 6 milhões de streams apenas no Spotify. O videoclipe tem como assistente de direção: Polly Stemut, montagem: Isaac Metanoia, finalização e Color: Rafa Pereira e makup: Leandro Ferreira.

DISCO-FUNK, HOUSE, AFROBEAT, FLAMENCO Nesta edição também estreiou o sexto palco do festival, o Brugal. Foram no total 9 artistas, incluindo DJs como MliR, Zonzo e Banana Boogaloo, além do melhor da disco, house e afrobeat. Outros destaques foram o flamenco de Maruja Limón e o headliner DJ Questlove.

SSL AO VIVO COM ROBERT PLANT O engenheiro e técnico de PA Mark Kennedy esteve em turnê com um modelo SSL mais uma vez, mas desta vez acompanhando Robert Plant. Para essa jornada, Kennedy escolheu uma SSL L500 para som ao vivo, fornecida pelas empresas Solotech e Britannia Row Productions. A atual turnê de Plant, de acordo com Kennedy, tem um approach mais orgânico que funciona bem. Ainda segundo Kennedy, a mixagem do show é uma espécia de volta ao básico. Ele desliga tudo e começa como uma folha em branco, com o mais simples que ele pode criar. Depois, conforme a necessidade, vai ligando os recursos. Além do processamento do canal normal, ele usa o compressor Bus SSL, reverbs, delays e o VHD Saturator, e um gráfico EQ de 31 bandas, do rack FX. Antes dessa turnê, Kennedy chegou a usar a SSL para a turnê Faithless 20th Anniversary.


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preços cairiam na busca de novos mercados que, em tese, compensariam a restrição americana, os chineses preferiram reajustes preventivos pela perda de alguns degraus na economia de escala. Grandes fabricantes americanos com unidades em território chinês estão reduzindo drasticamente a produção por conta do “canto de sereia” dos subsídios de Donald Trump e investindo em novas fábricas em território americano. E a encrenca parece estar só começando...

ARETHA

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RECORDE O desenvolvimento e a inserção de marcas próprias evidenciam que a estratégia adotada por vários importadores brasileiros nos últimos anos foi acertada e tecnicamente perfeita diante das incertezas e do pragmatismo do mercado. As grifes têm custo, mas, na prática, nem sempre a diferença de preço se justifica pela qualidade. Por aqui, importadores e consumidores parece que já descobriram isso.

No mês passado, em Sydney, na Austrália, 470 guitarristas se reuniram ao ar livre para tocar Highway to Hell, um clássico do AC/DC. Cada guitarrista pagou 45 dólares pela participação e ganhou de presente um pequeno amplificador Marshall para plugar, tocar e levar para casa. O evento de caráter beneficente fez parte da programação do Sydney Guitar Festival. O Guiness Book registrou o recorde que anteriormente era da música Knocking On Heaven’s Door, numa concentração de 365 guitarristas tocando juntos, na Índia, em 2013.

CONSTATAÇÃO Apesar da qualidade dos concorrentes, em alguns casos até superiores, a Shure ainda está para microfones como a marca BomBril está para as esponjas de aço ou a Gillete para os aparelhos de barbear. São marcas que se confundem de tal forma com o produto que muitas vezes a opção de compra é mais reflexo do que pesquisa.

PREVISÍVEL Anotem, os preços na China estão subindo em dólares. Embora sutilmente majorados, eles refletem uma alta que busca segurança por conta da recémdeflagrada guerra comercial iniciada entre aquele país e os EUA. Enquanto todos, inclusive eu, imaginavam que os

Com a morte da diva Aretha Franklin, se vai o pouco que ainda restava das grandes vozes americanas. Atualmente, independente de estilo, as cantoras gringas estão cada vez mais dependentes da tecnologia e com uma notória falta de personalidade que se esvai em gritos monocórdicos que transformam todas numa coisa só. É o fim de um era escrita por Billy Holiday, Ella Fitzgerald e Nina Simone.

MUSIKMESSE A empresa promotora das maiores feiras mundiais de áudio e instrumentos enfrenta dificuldades no próprio pátio. A Messe Frankfurt foi por muitos anos a maior feira do segmento e, ao contrário do que se imaginava, a ideia de expandir a vitoriosa proposta trouxe apenas divisão mercadológica, sem, no entanto, o acréscimo comercial esperado. Emparedada pela necessidade de uma inevitável feira na China, a Musikmesse aportou também na Rússia e em outros eventos de menor significado. O resultado foi a mudança do principal eixo de compradores. A feira alemã mantém o charme e a história, mas perde em volume de negócios para a feira chinesa, o que inevitavelmente reduzirá cedo ou tarde a sua importância e o seu tamanho no próprio quintal germânico.

VOTO Antes que me perguntem, aviso. Voto no primeiro candidato que mudar o tratamento tributário dos instrumentos musicais classificando como ferramenta de educação e cultura, e não produto voltado ao lazer e divertimento. Países desenvolvidos tratam o segmento assim. Aqui, nenhum candidato até agora tocou no assunto.


GUSTAVO VICTORINO | VICTORINO@BACKSTAGE.COM.BR

PERGUNTINHA MALCRIADA Tem coisa mais chata do que música eletrônica? Sem “combustível” na cabeça, não consigo imaginar alguém que ouça isso por mais de 10 minutos. Surgido no final dos anos 70, ainda nos primórdios dos sintetizadores, o gênero teve no grupo alemão Kraftwerk o embrião de uma escola que deu origem ao minimalismo popularizado por Philip Glass. Com o tempo o gênero se perdeu e virou uma colagem simplória feita em computador e vendida como música. Conhecida como “ bate estaca”, a coisa perdeu essência e virou trilha sonora de bundalelê de jovens pseudo muderninhos. E para piorar, agora querem juntar isso com música sertaneja. Vou ali me suicidar e já volto.

CHICO Autor de algumas obras-primas da MPB, o genial Chico Buarque de Holanda não consegue passar o mesmo talento para o palco. Mesmo idolatrado por aficionados, a impressão do espetáculo que viaja pelo Brasil é de que falta algo. Me perdoem os fãs, mas o show é chaaaaaato...

BRAZIL Não é de hoje que a afinidade de Paul McCartney com o Brasil se tornou constante e nada dissimulada pelo ex-Beatle. No novo disco lançado esse mês, ele homenageia o nosso país com uma canção no álbum Egypt Station. Fugindo à sua característica de hitmaker, Paul compôs a música Back in Brazil tentando misturar samba com balada e sabese lá mais o quê. A música tem até canto de pássaros. Ficou esquisita, mas vale pela homenagem.

SUSPEITO Essa história de encontrar “música inédita” do artista tal, ou encontrarem velhos registros de artistas mortos que serão recuperados e da-

rão origem a um novo trabalho, me deixa encafifado. Programas reprodutores de vozes sampleadas já estão disponíveis na internet há um bom tempo. Como não tem o autor para contestar, fico imaginando o quanto de armação não possa existir nisso tudo. De uma hora para outra, estão surgindo velhos duetos, gravações inéditas, músicas nunca gravadas e o escambau. Fico desconfiado, porque o avanço da tecnologia vai tornar cada vez mais difícil identificar o que é treta.

MAU NEGÓCIO Essa história de fazer a política subir ao palco está sendo ruim para alguns artistas. Num país polarizado como o Brasil, assumir posturas políticas, mesmo que recomendável, está gerando resistências em contratantes que temem a rejeição do artista em seus eventos. Sem citar nomes, a postura de ativista ideológico já custou caro a muita gente e pode deixar um carimbo que vai comprometer por um bom tempo mesmo os melhores trabalhos.

DIREITOS Chegam as eleições e o “fenômeno” se repete. Centenas de músicas são usadas pelos candidatos sem qualquer pagamento de direitos autorais. O Ecad até tenta cobrar, mas é praticamente impossível fiscalizar um país do tamanho do Brasil em tão curto espaço de tempo.

MAIS UM Foi registrada mais uma vítima dos chamados “amplificadores de rabo quente” e graças aos céus a coisa ficou no susto e sem maiores consequências. O caso aconteceu num show de música sertaneja no interior do Paraná. O operador teve queimaduras leves nos dedos e um susto de contar para os netos. Alguém precisa urgentemente regular isso com normas técnicas ou vedação à

comercialização desse tipo de produto. No mínimo, exigir uma campanha de conscientização informando dos perigos que o manuseio de equipamentos com essa característica oferece. Ter corrente elétrica de até 220V nas saídas de áudio e não saber disso chega a ser criminoso. Com a palavra as autoridades e os nossos ilustres legisladores.

GUERRA DE EGOS Os bastidores dos programas musicais da Globo andam esquentando. Além da disputa de beleza de jurados e apresentadores, até candidato anda botando marra onde não deve. As equipes de produção vivem como algodão entre cristais.

MENTIRA Salvo exceções, os números de visualizações e acessos divulgados por grande parte dos youtubers ou “influenciadores digitais” é mera armação tecnológica. Para conquistar patrocínios e atrair a atenção, eles usam a própria tecnologia para estufar seus números na ânsia de conquistar espaço e dinheiro no mundo virtual. Um estudante de engenharia da PUC me mostrou em 10 minutos como fazer um milhão de visualizações em qualquer porcaria que se coloca na rede. São aplicativos e pequenas ferramentas que ficam “atirando” no servidor e contabilizam números irreais e invariavelmente lucrativos. Mas tem gente que ainda acredita.

DURA REALIDADE A China destruiu a outrora grandiosa indústria brasileira de alto-falantes. Sem condições de competir no quesito preço, o segmento ficou restrito a alto-falantes específicos ou de alta qualidade e desempenho como o caso da JBL (leia-se Harman). O foco na qualidade mantém de pé marcas como a Eros (leia-se Grupo Renaer) e que deixam na nossa memória alguns alto-falantes que fazem história e são reconhecidos entre os melhores do mundo.

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AFINIDADES Daniela Spielmann

LOVE MONSTER Amy Shark

Depois de dois anos de ensaios, arranjos e gravações, a saxofonista e flautista Daniela Spielmann lança o CD Afinidades, o primeiro disco autoral em 20 anos de carreira, a contar do álbum de estreia do grupo Rabo de Lagartixa, lançado em 1998. Instrumentista virtuose, reconhecida por seus pares e por onde passa, nesse CD, Dani também se mostra como exímia arranjadora e compositora. Gravado com o seu Quarteto, - com Xande Figueiredo na bateria, Domingos Teixeira no violão e Rodrigo Villa no contrabaixo, todos amigos e parceiros de projetos musicais – o novo disco ganhou ainda diversas participações especiais, como Sheila Zagury (piano), Anat Cohen (clarinete), Silvério Pontes (trompete e flugel), Alexandre Romanazzi (flauta), Dudu Maia (bandolim), Idriss Boudrioua (sax alto), Beto Cazes (percussão), Nando Duarte (violão de 7; Cordas), viola (DhyanToffolo), violoncello (Matheus Ceccato) e nos violinos Oswaldo Carvalho, Rogério Rosa, Glauco Fernandes, William Doyle. A saxofonista compôs, arranjou e produziu um repertório com composições inspiradas em situações e afetos que vivenciou. Estudiosa da música brasileira, musicalmente o CD abraça diversos gêneros brasileiros e hibridações como maracatu, samba-choro de gafieira, afoxé, baião, samba-latino e bossa-nova, um reflexo também da pluralidade musical do quarteto. Fortemente marcado pela brasilidade, seja pelo repertório ou pela maneira de tocar, o quarteto se inspira na premissa jazzística de criação coletiva, ao vivo, primando por sutilezas de comunicação que só o tempo e o conhecimento profundo da alma musical permitem. O quarteto começou a se apresentar em 2001, período de lançamento do primeiro CD da saxofonista, Brazilian Breath, indicado ao Grammy Latino em 2002. Ao longo do tempo, os shows contaram com as participações de Aurea Martins, Sivuca, Ricardo Silveira, Zé Menezes, Anat Cohen, Nicolas Krassic, Silvério Pontes e Zé da Velha, Zélia Duncan, entre muitos artistas. Desde então, o quarteto vem participando de inúmeros festivais nacionais e internacionais.

A cantora e compositora australiana Amy Shark lançou, na última sextafeira (13), seu aguardado álbum de estreia, Love Monster, via Sony Music. O disco já está disponível nas plataformas de streaming. A estreia de Shark é um álbum muito bem trabalhado e profundamente pessoal, onde brilham sua força na composição e empatia lírica. Principalmente escrito por Shark e produzido por Dann Hume (Courtney Barnett, Lisa Mitchell, Troye Sivan, The Temper Trap), a australiana se juntou a grandes nomes da indústria, incluindo Mark Hoppus, do Blink-182, em Psycho, Joel Little (Lorde, Khalid, Broods) em Never Coming Back e o vocalista Jack Antonoff (Taylor Swift, Lorde) em All Loved Up. Orgulhosa e animada, Shark revelou que cada letra é real e fala da sua vida. O longo e sinuoso caminho da cantora rumo ao sucesso foi uma lição de resiliência. Parece que, depois de anos de trabalho duro e determinação, Amy Shark está deixando sua marca no mundo. Seu single atual, I Said Hi, alcançou certificado de Platina, 15 milhões de streams globais e 1.5 milhão de visualizações. Em abril, ela levou para casa um prêmio APRA por seu single de Platina tripla, Adore, que já ultrapassa 60 milhões de streams em todo o mundo. No ano passado, ela foi a vencedora de dois prêmios ARIA (Melhor Artista Revelação e Melhor Lançamento Pop) e seu EP de estreia, Night Thinker, explodiu no top 10 do iTunes em 15 países. Para antecipar o lançamento do novo álbum, Amy liberou uma série de pequenos vídeos, The Love Monster Story, contando a história do disco: https://bit.ly/2LaLDoQ A cantora e compositora natural de Queensland já fez cinco turnês nos Estados Unidos nos últimos dois anos, além de diversos shows pela Europa. Amy já participou de diversos programas na TV norte -americana, incluindo The Late Late Show with James Corden e The Tonight Show Starring Jimmy Fallon. A cantora se prepara para sua turnê australiana, antes de retornar à América do Norte, em setembro.


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TRIOS BRASILEIROS T’Rio Formado por Cristiano Alves (clarinete), Fernando Thebaldi (viola) e Yuka Shimizu (piano), o grupo interpreta no disco Trios Brasileiros peças de João Guilherme Ripper, Liduino Pitombeira, Ricardo Tacuchian e Nestor de Hollanda Cavalcanti. Foi a partir da admiração em comum que o clarinetista, o violonista e a pianista japonesa radicada no Brasil decidiram registrar essas joias da música de câmara nacional. Assim como Cristiano, que soma em sua trajetória artística um grande número de prêmios e títulos pelo Brasil e no exterior, Fernando e Yuka, enquanto o recém-criado Duo Barajiru têm em comum obras dedicadas aos três artistas pelos compositores que participam do disco. O compositor cearense Liduino Pitombeira participa do disco com três obras distintas. A peça Fantasia , sobre a “muié rendêra”, traz uma melodia original que vai se desconstruindo até que em um dado momento se transforma em um tema de doze notas em ambiente de harmonia quartal. O carioca Nestor Hollanda Cavalcanti participa com O sábio em Sol, para trio e um narrador. A obra tem por base a “canção sem palavras” do 4° movimento, criada sobre os versos de Luiz Guilherme de Beaurepaire, edificada sobre um único som e harmonizada com acordes onde o “sol” e por vezes a fundamental, ou a terça, ou a quinta do acorde. O Trio para clarineta, viola e piano, de João Guilherme Ripper, remete à forma sonata com dois temas de características diversas que se contrapõem no decorrer de toda obra. O compositor Ricardo Tacuchian participa com seu Trio das Águas, escrita em 2012, uma de suas muitas obras com inspiração ecológica. Sua abordagem, predominantemente poética, traz no primeiro movimento, Águas do mar, no segundo Águas do rio e, por fim, Águas da Chuva, que representa a grande dívida de nossa sobrevivência com a natureza.

O PIANO DE SERGIO ROBERTO DE OLIVEIRA E RICARDO TACUCHIAN Miriam Grosman e Ingrid Barancoski Comprovando a imortalidade da arte, sua transcendência e legado, chega às lojas físicas e virtuais o CD O piano de Sergio Roberto de Oliveira e Ricardo Tacuchian, reunindo obras do saudoso músico, falecido há quase um ano, e do consagrado maestro e compositor, todas interpretadas pelas pianistas Miriam Grosman e Ingrid Barancoski. O disco é um lançamento da gravadora carioca A Casa Discos, que tinha Oliveira como proprietário e gestor, e agora se renova, determinada na manutenção da memória do seu criador e também no desenvolvimento de novos projetos eruditos e instrumentais, tendo à frente seu amigo e renomado clarinetista Cristiano Alves. Resultado de uma recente parceria e amizade entre os compositores, o CD começou a ser concebido em 2015, quando Tacuchian procurou a gravadora para produzir o disco Água-forte: duo Grosman-Barancoski interpreta Tacuchian. Segundo o próprio Tacuchian, “o processo de gravação em estúdio nos aproximou, eu, ele e as duas pianistas, Miriam e Ingrid. Assim tive a oportunidade de conhecer melhor sua personalidade sempre gentil, sua capacidade de trabalho e liderança e, acima de tudo, sua musicalidade. Ao concluirmos o projeto que nos deu tanto prazer, não só pela realização artística, mas também pelo contato humano que desfrutamos, Sérgio me procurou para consultar se eu concordaria em realizar outro CD, agora em parceria com ele, com as mesmas pianistas, por quem ele passou a ter grande apreço pelo talento e arte, e pela integridade e seriedade de ambas”. A produção do CD foi, de certa forma, interrompida por conta da doença fatal do compositor e produtor, diagnosticada em 2016. Todavia, neste mesmo ano, Sergio Roberto de Oliveira não abdicou de muitos de seus planos. Viveu um intenso processo interno de reformulação de valores e da vida.

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AMPLIFICADOR D80 E O amplificador D80 de 2 canais e/ou quatro canais é um amplificador de alta densidade de potência, ideal para uso móvel ou em ambientes de instalação fixa.

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ste modelo contém configurações compatíveis com todos os alto-falantes da d&b. A capacidade de delay do sinal permite que configurações definíveis pelo usuário de até 10s (= 3440 m / 11286 pés) sejam aplicadas a cada canal independente. O mesmo se aplica aos dois equalizadores de 16 bandas, fornecendo filtros opcionais paramétrico, assimétrico, de prateleiras ou de encaixe. O D80 incorpora uma tela TFT colorida, oferecendo acesso rápido à estrutura do menu, enquanto o codificador rotativo pode ser usado para ajuste fino. O painel frontal e a tela sensível ao toque, integrada, do D80 são inclinados para facilitar a operação quando o amplificador está abaixo do nível dos olhos. A propor-

ção igual de entrada de sinal para canais de saída do amplificador aumenta a flexibilidade da aplicação, particularmente para o uso em monitor, frontfill ou canal de efeito. A função LoadMatch integrada dentro do D80 permite a compensação elétrica das propriedades do cabo do alto-falante, sem a necessidade de um condutor extra. Isso resulta em uma maior precisão na reprodução de áudio em uma largura de banda de até 20kHz, preservando o equilíbrio de tons quando forem usados comprimentos de cabo de até 70 m (230 pés). O D80 incorpora amplificadores Classe D utilizando uma fonte de alimentação com Correção de Fator de Potência (PFC) adequada para tensões de rede de 100 V / 120 V / 200 V / 230 V, 50 -


60 Hz e mantém uma saída estável quando utilizada com rede instável. Um NL8 fornece todas as saídas em um único conector, enquanto as saídas individuais são, opcionalmente, conectores NL4 ou EP5. Os conectores RJ45 e etherCON permitem o acesso à rede d&b Remote via CAN-Bus e OCA / AES70 via Ethernet, respectivamente. Para mais informações sobre a integração de funções adicionais na D80, é recomendável entrar em contato com o seu distribuidor.

CONJUNTO DE RACKS Os conjuntos de racks D80 Touring são projetados como racks de sistema completamente equipados e précabeados, fornecendo distribuição de energia da rede, interfaces de conectores e todo o cabeamento interno para três ou seis amplificadores D80. Esse conjunto de rack D80

Touring para três amplificadores D80 está equipado com um conector de alimentação de rede 32 A CEE, um dispositivo de distribuição de rede com uma ligação de alimentação de 32 A e um painel para conexão de alto-falantes. O conjunto de racks Touring está disponível com

outros dispositivos de baixa corrente, como laptops. O painel de conectores de alto-falante de 2 RUs do conjunto de 6 racks Touring D80 fornece seis saídas de alto-falante NL8 (4 canais) e duas LKA25 (12 canais). Esse painel de conectores de alto-falante também é equipa-

O painel de conectores de alto-falante de 2 RUs do conjunto de 6 racks Touring D80 fornece seis saídas de alto-falante NL8 (4 canais) e duas LKA25 (12 canais) um único painel de distribuição de energia da rede 32 A CEE ou um painel de distribuição de energia duplo 30 A NEMA. As saídas de rede auxiliar, eletricamente intertravadas (tomadas powerCON 16 A), são fornecidas para alimentar o DS10 e

do com um soquete Power over Ethernet (POE) para conectar e alimentar um inclinômetro. A ponte de rede de áudio DS10 entrega 16 saídas AES3 para os amplificadores D80 através do protocolo Dante via Ethernet,

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além de fornecer a distribuição de dados de controle. Ele incorpora um comutador integrado de 5 portas, oferecendo uma rede primária e redundante para o protocolo Dante, além de funções avançadas, como os modos de filtragem multicast e VLAN. Essa extensa flexibilidade de switch oferece conectividade estendida para um laptop controlar os amplificadores d&b usando o software de controle remoto R1, através do protocolo OCA (Open Control Architecture). Usando a ponte de rede de áudio DS10, os sinais de áudio e os dados do controle remoto podem ser combinados usando um único cabo Ethernet. O painel frontal do DS10 foi projetado para se alinhar com o painel de entrada do conjunto do rack D80 Touring. As estruturas de aço interna antichoque de 19” também acomodam um painel de I/O que fornece sinais de áudio analógico e digital, bem como quatro conectores de rede para redes remotas Ethernet ou CAN-Bus. O conjunto do rack D80 Touring é fornecido com uma rede de áudio DS10, que é fornecida com todo o cabeamento necessário, ou com uma gaveta de 1RU. A ponte de rede de áudio DS10 é fornecida no conjunto de 6

racks D80 Touring como padrão. Outra comodidade é que o kit de atualização do rack DS10 contém tudo o que é necessário para substituir o conjunto do rack D80 Touring por um DS10. Este kit inclui uma ponte de rede de áudio DS10, um cabo de alimentação powerCON para powerCON, um patch cable Ethernet e dois cabos de correção AES3 XLR..

MULTICORE MC24 Os sistemas de matriz de linha grande requerem uma solução multicore eficiente, especialmente quando cada alto-falante em uma matriz é acionado individualmente com o ArrayProcessing. O sistema multicore d&b MC24 foi projetado especificamente para uso com conjunto de 6 rack D80 Touring. Ele fornece 12 canais de amplificação (24 linhas 4 mm2) com um conector LKA25 F / M, fornecendo 12 canais no modo de canal duplo, ou 6 canais no modo ativo de 2 vias e modo Mix TOP / SUB. Um único rack Touring pode acio-

nar até 12 gabinetes da série J no ArrayProcessing ou 24 gabinetes no modo padrão com alto-falantes conectados. Até 24 alto-falantes de matriz linear T, Y ou V podem ser acionados com ArrayProcessing a partir de um único rack de amplificador, enquanto um total de 48 módulos de matriz de linha Y ou VSeries podem ser acionados no modo padrão com alto-falantes conectados. Os adaptadores estão disponíveis para serem separados do cabo multicore às entradas individuais NLT4 dos alto-falantes. Uma opção de entrada está disponível para adaptar uma saída do amplificador NL8 a um multicore MC24. Todos os conjuntos de rack Touring da d&b vêm totalmente montados, pré-instalados e testados.

Mais informações:

http://www.dbaudio.com

Observações: 1 - Os conjuntos de rack Touring não vêm com amplificadores D80. 2 - A montagem do rack D80 Touring para três amplificadores D80 está disponível na versão Nema L21-30 (dispositivos de 120 V), mediante solicitação. 3 - powerCON® é uma marca registrada da Neutrik AG, Liechtenstein.


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Foi lançado entre os dias 27 de abril e 11 de maio, pela banda de rock brasileira, Titãs, o seu décimo quinto disco de estúdio que propõe um novo formato pro show business: a ópera-rock Doze Flores Amarelas. Luiz de Urjaiss redacao@backstage.com.br Fotos: Silmara Ciuffa / Divulgação

TITÃS LANÇA ÓPERA ROCK E INOVA NO CENÁRIO DO ROCK BRASIL

O

álbum, disponível em todas as plataformas digitais, contempla um espetáculo cênico, com roteiro teatral integrado e criado em paralelo às canções. Com a veiculação do DVD desde o mês passado, o grupo pretende iniciar uma turnê nacional a partir de outubro.

De acordo com o guitarrista Tony Bellotto, Doze Flores Amarelas tem um formato inédito na história do rock nacional, pelo pioneirismo do grupo, inspirado em bandas que fizeram história do gênero no mundo. “O The Who, com Tommy e Quadrophenia, as-


PRODUÇÃO ARTÍSTICA

sim como o Pink Floyd e o Green Day, com The Wall e American Idiot, respectivamente, foram as principais referências. Mas também o Jesus Christ Superstar e outros trabalhos, como o Queen, e muitas outras inspirações, que vão de Macbeth a Black Mirror”, enumera o músico. O formato da ópera rock contempla, além do show musical, o teatro, a encenação em palco, e o cinema, representado nas projeções que compõem o espetáculo. “Nosso processo de criação foi ativo e um pouco caótico, como sempre acontece em trabalhos de alta voltagem criativa. Começamos por chamar o dramaturgo Hugo Possolo e o escritor Marcelo Rubens Paiva, para pensarmos juntos um roteiro, ou argumento da história, que seria conta-

da através das canções. Paralelamente, formamos as músicas num processo febril de muita produção. Os arranjos com a banda vieram junto – uma coisa interferindo e inspirando a outra”, conta Bellotto.

Trabalhando na equipe do Titãs desde o álbum Nheengatu (2014), o produtor musical Rafael Ramos conta que os desafios eram os mais diversos possíveis, desde se uma música gravada em estúdio funcionaria ao vivo, até se o discurso estava claro com o público assistindo sentado. A linguagem segue próxima a dos musicais, tão difundida ultimamente com a popularização das versões das peças da Broadway, entre outras, mas se difere por se tratar de uma banda de rock contando uma história permeada por diversos afluentes paralelos a isso. “Nunca trabalhei num projeto deste tamanho, nem em quantidade de músicas dentro de um só projeto, muito menos em um projeto que evoluiria para uma ópera ao vivo, levando os elementos de estúdio para uma situação completamente diferente no palco. Tanto o disco quanto o DVD foram registrados em Pro Tools gravando em 24bits, 48kHz. Não consigo nem imaginar como seria se fosse na era do analógico, acho que limitaria muito as possibilidades de edições, testes que fizemos em formatos, arranjos, sync com a parte de vídeo”, comenta. O produtor aponta o repertório,

Tanto o disco quanto o DVD foram registrados em Pro Tools gravando em 24bits, 48kHz. Para esse musical, os Titãs convocaram o baterista Mario Fabre, o guitarrista Beto Lee e três vocalistas: Corina Sabbas, Cyntia Mendes e Yas Werneck, que fazem as três Marias do espetáculo. Também contaram com os arranjos de cordas de Jaques Morelenbaum.

composto por 25 músicas inéditas, interpretadas pela banda, em show dividido em três atos, com marcações de palco, troca de figurinos, como pontos bem divergentes do que sempre se viu ao longo da carreira do grupo, tão livre e expressivo no palco. “Titãs é uma banda de

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REPORTAGEM| www.backstage.com.br 28 Projeto de luz desenvolvido para criar um híbrido entre a luz narrativa do teatro e a luz com dinâmicas de movimento e cor dos shows

rock, punk, e nos dias de hoje onde tudo é tão efêmero, com discursos rasos, salvo poucas exceções, você ter um grupo com essa história se arriscando e criando, para manter-se fiel ao estilo, é um bom exemplo de que existe chance para música, para o comportamento e para o comprometimento artístico dentro de um cenário onde esse tipo de procedimento é quase nulo”, observa.

mas que pudesse ter uma conexão com o rock, e os aparelhos de LED e os moving lights que trariam a linguagem do show”, explica. “Tratei de criar um híbrido entre a luz narrativa do teatro e a luz com dinâmicas de movimento e cor dos shows. Fiz uso da pré-programação, trabalhando no WYSIWYG e depois transportando para console Grand MA. Tive o cuidado de construir narrativas para cada uma

dos pelo lighting designer que, orientado pela banda, precisou se esforçar para dar dramaticidade a serviço do projeto. “Trabalho com dois tipos de programação – não uso time code –, tudo mixado ao vivo. Gosto do live, mas não abro mão de programar algumas bases. Com o tempo de estrada as coisas podem se aprimorar e ter menos live, portanto, sempre teremos surpresas vindas da cena;

ILUMINAÇÃO À frente do projeto de luz de Doze Flores Amarelas, o lighting designer Guilherme Bonfanti conta que o desenho da cenografia, as ideias da encenação, e o papel fundamental que o vídeo teria no espetáculo surgiu a partir do hibridismo de linguagens entre o teatro, cinema e show. “Tínhamos uma história para contar, ao mesmo tempo, uma banda muito forte em cena, e projeções do início ao fim, com três cantoras e dois atores. Ou seja, elementos relativos ao teatro, ao show e ao cinema. Meu projeto partiu do uso dos refletores convencionais, para trazer a linguagem do teatro/ópera,

Fiz uso da pré-programação, trabalhando no WYSIWYG e depois transportando para console Grand MA. das três personagens, e trabalhar o desenho de luz que incidia na banda”, ressalta. De acordo com Guilherme, o desenho chega no palco com uma predefinição, mas ganha corpo ao ser executado. Eliminar a fumaça e o movimento para acentuar a linguagem teatral, diferenciando-a de show, foi um dos desafios enfrenta-

um músico que não vai para o foco, um solo feito fora de posição, por exemplo. Ao pensar nestas duas linguagens que se misturariam ao vivo, o show e o teatro, optei por ter um roteiro pré-gravado de toda a movimentação das cantoras e dos cantores. Esta sequência de marcações de luz/focos estava pronta e eu acionava, como no teatro,


com um botão. A luz entrava no tempo e a saída era dada por outro clique meu. Trata-se de usar um sistema de cues pré-gravadas com tempo para entradas e saídas. Ao mesmo tempo eu tinha 25 páginas pré-gravadas, uma por música, com os efeitos; posições dos movings com as cores prédefinidas, os aparelhos de LED (Robe 600, FX8, ribaltas LED) com as posições e as cores, focos da banda, e demais efeitos que faziam parte da linguagem do show. Isto tudo separado, cada um, em seu fader. Como usei a Grand MA full size, uma console que me permite trabalhar com muitas coisas pré-gravadas, tratei de explorar ao máximo os recursos da mesa, tendo assim tudo ‘na minha mão’, mas pronto para simplesmente levantar um fader ou clicar em um botão e dar a dinâmica ao vivo e junto com eles. Quando chegamos no DVD estava muito mais definido. Eu tinha muitos efeitos prontos; uma sequência de movimento, o chamado chase de position, uma strobo”, enumera.

ÓPERA ROCK Fazendo um paralelo à projeção mapeada em palco, com banda ao vivo, por exemplo, Guilherme explica que interligar a performance dos Titãs – considerando a representatividade que a banda tem para o cenário do rock brasileiro – junto a uma estética construída ao longo de mais de 30 anos de atividade, e não se tratando de atores contratados para uma ópera rock, as músicas precisariam se manter como o texto teatral principal, independente do gênero a que estariam atrelados. “Tratei de manter os elementos do rock and roll: luz branca muito intensa e em algumas músicas somente o branco como luz base, backlight vindo do chão com ataques em momentos muito específicos, uso de diferentes posições dos aparelhos, partindo do teto e vindo até o piso, alto contraste em algumas músicas. Creio que a peculi-

aridade maior deste trabalho foi a ausência da fumaça, muito comum para dar volume, preenchimento e deixar o desenho evidente. A incidência de luz define a atmosfera da música, a distribuição dos aparelhos cria massas de cor e a dinâmica das músicas está na troca de ângulos e não no clássico movimento dos movings. Um pouco old school, mas me pareceu mais adequado”, revela. Sobre os desafios enfrentados para a realização do projeto, Guilherme destaca a projeção do início ao fim sem ser em telão de LED. “A qualidade da imagem tinha que ser preservada e tínhamos um cenário que colocava as cantoras e os músicos a uma distância não muito confortável para que eu os iluminasse. Hoje, com o avanço tecnológico e o uso do 3D, das consoles versáteis, melhorou muito nossa condição, mas ainda acredito que a luz no espaço real incidindo sobre o corpo dos músicos é a concretização do desenho. O 3D é um guia, ajudando a ter bases prontas, e economizando tempo de gravação; os softwares de desenho e das consoles te permitem ter a mesa pronta, as cores definidas, os efeitos. O teatro é, para mim, a escola para se fazer luz em qualquer linguagem. Nele aprendemos a conceituar, estudamos estética, aprendemos a trabalhar em equipe e somos absolutamente rigorosos com o que fazemos”, finaliza. Lista de equipamentos de luz Para a gravação de Doze Flores Amarelas, foram utilizados: • 18 ROBE MMX Wash beam 1200; • 16 ROBE 600; • 20 PAR LED RGBWA 3watts 25 graus; • 12 Ribaltas LED FX 8 (ROBE); • 12 Ribaltas LED RGBWA; • Nos refletores, 10 Mole Fay (bruts) de 4 lâmpadas,16 fresneis de 2000w com barn door; • 60 lâmpadas PAR 64 narrow spot (#2); • 18 elipsoidais ETC 19 graus, • 6 Atomic 3000; • 01 Grand MA2 Full size e 60 canais de dimmer.

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REPORTAGEM| www.backstage.com.br 30 O musical O Homem de La Mancha, que conta a história de D. Quixote, é uma superprodução do Atelier de Cultura e finalizou a temporada no Teatro Bradesco Rio, onde ficou em cartaz por mais de um mês. O enredo do musical traz a história de Miguel de Cervantes, poeta, ator de teatro e coletor de impostos, que é internado em um manicômio no final dos anos 1590. redacao@backstage.com.br Fotos: Divulgação / Ernani Matos

ODE HOMEM LA MANCHA O

musical narra diversos momentos que culminam na encenação da história de D. Alonso Quijana, fazendeiro tomado pela loucura e que imagina ser D. Quixote, Senhor de La Mancha, um Cavaleiro Errante atrás de aventuras para combater o mal, assistir os indefesos e praticar o bem. O espetáculo apresenta 27 números musicais, dentre os quais está a música O Sonho Impossível, um dos maiores ícones da história do teatro musical. A produção completa foi composta por 92 profissi-

onais, sendo 30 atores, 16 músicos e 46 integrantes da equipe técnica e teve a direção de Miguel Falabella. O teatro Bradesco foi projetado para ter uma acústica impecável e qualidade sonora excepcional alcançada. O objetivo do local é atender a demanda de um espaço multiuso, respeitando a variação dos sons de cada tipo de espetáculo, sem comprometer a nitidez de cada um deles. No espetáculo La Mancha, o sistema de som utilizado foi um Meyer Sound para o PA, da Gabisom, com


mesa Venue Profile e um complexo sistema RF de microfonação. Em entrevista à revista Backstage, os responsáveis pela iluminação e sonorização do musical, pouco antes de mais uma noite de o espetáculo iniciar, contaram um pouco sobre os desafios e as complexidades de realizar O Homem de La Mancha no Rio de Janeiro.

SONORIZAÇÃO André Garrido, que atua há dez anos em teatro musical e mais de 23 anos na área de shows, foi o responsável pela operação do som durante a temporada carioca do musical no teatro Bradesco. Todo o sistema da casa é Meyer Sound, configurao em: L, Centro, R, subwoofer, mais sistema de retorno, surround e delay. “O próprio sistema da casa também foi usado para o La Mancha, o que foi locado a mais foi o sistema de surround e nada mais, porque inclusive shows que são feitos na casa, o Gabi (Gabisom) beneficia o uso do L, Centro, R, subwoofer e front fill, o que eu acho um luxo, porque não é qualquer teatro que deixa usar um sistema assim tão completo. Então o que foram locados a mais em termos de caixas foi o sistema de surround”, explica, informando ain-

Sistema na casa é Meyer Sound (Gabisom)

da que cada lado possuia 10 elementos, mais seis no centro. Com designer de som projetado por Daniel D’angelo, Garrido conta que foi convidado para fa-

zer a operação do sistema e dar continuidade ao trabalho. “Estou aqui como cabeça da área de áudio, mas a configuração e o alinhamento foi feito pelo Daniel. Eu gosto da acústica do teatro. O Bradesco é um dos que mais gosto de trabalhar, em especial no Rio de Janeiro, é o local que me sinto melhor com relação a equipamento, com relação a serviço, acústica. A house mix fica num local onde realmente deveria ser, existe um respeito com relação ao profissional de áudio por conta disso, o que é muito bacana”, elogia.

DESAFIOS

André Garrido, operador de áudio no musical “O Homem de La Mancha”

Para Garrido, o principal desafio ao aceitar o trabalho foi por ser a primeira vez que operava um espetáculo que não são eram as suas

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REPORTAGEM| www.backstage.com.br

que você divide uma banda, fica complicado. A mesa de mixagem, portanto, gera um conforto. Mandamos o som mais ou menos configurado, agrupando os metais, as madeiras, e aí eles podem fazer a própria mix”, explica.

VOLUME SONORO

Som é enviado para os músicos mais ou menos configurado, com metais e madeiras agrupados

configurações. “Isso foi difícil para mim. As configurações de output não são minhas, elas já vieram prontas, então tive que aprender e decorar o que já estava previamente pronto, o que para mim foi uma dificuldade, e é uma dificuldade para qualquer profissional de áudio, porque você tem que aprender todo o mecanismo de como funciona, todas as marcas em todas as cenas e isso demanda estudo”, observa. Outra dificuldade apontada por André foi a disposição da orquestra, ao vivo. Em vez de ficar alocada em um fosso, como é de costume em musicais ou óperas, no De La Mancha, a orquestra ficava no andar superior do cenário, dividida em dois grupos, um à direita e outro à esquerda. “Os músicos têm aqui uma situação muito confortável, porque cada um tem uma mesa, um mixer de 16 canais, e eles usam o mixer de acordo com o seu próprio conforto. A dificuldade maior é que a orquestra fica dividida, em percussão e metais e bateria e madeiras. Então isso é um desafio para o maestro, poder ter todo mundo em sync, poder ter todo

mundo bem alinhado no tempo certo. Por outro lado, fica muito bonito na posição que eles estão, a plateia gosta, justamente porque eles não estão no fosso. Mas, repito, é um desafio, porque toda vez

O bom e velho dilema de ter ou não muita pressão sonora nas apresentações no Brasil também acompanha os espetáculos teatrais. André Garrido avalia que há cenas em que o nível de pressão sonora em demasia pode dificultar o bom desempenho técnico. “A dificuldade que eu encontrei aqui é que, normalmente, o brasileiro gosta de um som um pouco mais forte. Eu acho um pouco excessivo. Por exemplo, na cena do Quarto do Dr. Quijana tem uma complicação, por conta de comb filter. Tem muita gente falando muito próximo um do outro. Os microfones estão muito escondidos, por questão de design

Subwoofer Meyer Sound: privilegiar os graves é mandatório para público brasileiro


Flavio Lago, maestro durante a montagem O Homem de La Mancha

Sistema de RF mais complexo: técnico tem que saber o posicionamento dos microfones certos para cada ator

e por questão de pedido da produção. Se usarmos microfones muito longe da boca com uma pressão sonora maior do que o aconselhável estamos correndo o risco o tempo todo de ter feedback; e tirar as realimentações, os comb filters com muito volume é muito complicado”, avalia. “Nesta cena do Quarto, como é um local em que ele está adoecido, os níveis são baixos, porque eu achei que tinha que ser baixo, porque normalmente num quarto de um doente se fala baixo. Então a cena já não demanda volumes, e é a hora em que se escuta melhor, é a hora em que não se agride o ouvido, é uma hora em que se entende cada sílaba, cada palavra. Mas exitem horas em que eles está lutando, está brigando, e isso demanda outro nível de volume.

dentro do musical, e uma dificuldade é que o designer precisa seguir muito o gosto de quem contratou. Mas o áudio é o áudio. Ele tem que estar pronto e determinado pelo designer, produção e produção musical, no caso o maestro ou regente”, avalia. Garrido lembra também que um dos caminhos é o estudo e aperfeiçoamento técnico dessa nova geração de profissionais de sonorização. “Eu vejo muita gente nova trabalhando, vejo muita gente com muito software na mão, e as pessoas estão esquecendo de usar o ouvido. É isso que tenho percebido. Por exemplo, aqui tenho um visor que é a leitura do sistema de áudio, mais o visor para ver o maestro regendo, outro visor para os meus snapshots com as minhas cenas, e outro visor que são os efeitos, se eu tiver que colocar mais um na minha frente como normalmente estão fazendo, que é o das cenas (marcação), será muita coisa para você olhar, e não tem como prestar atenção em tudo. Tudo bem que você não erra as marcas, mas, em compen-

CULTURA MUSICAL Para André, o público brasileiro de teatro ainda está em processo de formação musical, o que deixa um pouco mais difícil encontrar um equilíbrio perfeito. “Estamos num processo de formar cultura sonora

sação, as equalizações, os equilíbrios, o feeling do andamento de um espetáculo inteiro, de fazer mais ou menos masterizado, isso está se perdendo. Isso e uma coisa que tenho visto muito e isso me preocupa”, aponta. “Em teatro musical você tem que aprender a fundo, a trabalhar todas as configurações, então você tem que estudar mais. Tem que ter um preparo técnico maior, porque a quantidade de sem fios que a gente usa é uma loucura. Você tem que configurar os RFs, saber o posicionamento dos microfones certos para cada ator, para quem canta, para quem não canta; é tudo muito difícil”, completa, acrescentando que não gosta de desvincular muito o trabalho de designer e operador, porque, embora em teatro musical haja essa divisão de microfonista, operador, designer, com a escassa mão de obra de designers, o operador muitas vezes tem que dar continuidade aos projetos. “No Brasil o que acontece é que os designers são muito poucos. Então eles pegam um projeto e logo depois têm

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REPORTAGEM| www.backstage.com.br 34 Espetáculo contou com o rider de iluminação do próprio teatro Bradesco e ainda com equipamentos da empresa locadora parceira LPL

outros projetos para fazer, e, se não tiverem um profissional de áudio (operador) com grande nível de entendimento, o espetáculo pode virar um caos. Acho que o Brasil poderia fazer me-

lo. Este projeto tem muito critério na escolha dos equipamentos que foram usados. Cada detalhe faz uma grande diferença, como por exemplo na famosa cena de Dom Quixote no topo da escada, em que

No Brasil o que acontece é que os designers são muito poucos. Então eles pegam um projeto e logo depois tem outro projeto chamando-os

“Quando a gente precisa para um evento específico como esse do De La Mancha, que exige bastante moving e LED, a gente conta com as empresas parceiras.” , afirma. Nesta peça a LPL Professional Lighting foi a empresa responsável pela iluminação incluindo o fornecimento de todos os equipamentos para o espetáculo, que foi seguido o prejeto inicial da temporada em São Paulo.

DESAFIO PARA O DE LA MANCHA lhor do que está fazendo hoje se houvesse um pouquinho mais de carinho e cuidado com o próprio trabalho”, observa.

ILUMINAÇÃO A criação da luz foi de Drika Matheus, uma conceituada Light Designer e que ganhou um prêmio pelo projeto de luz deste mesmo musical na temporada de São Pau-

os moving lights BMFL e as duas máquinas de low fog MDG foram fundamentais para compor esta cena. De acordo com Vlad Russo, líder técnico de iluminação do teatro Bradesco, a equipe trabalha com sistema de socapex e tomadera, sem vara fixa, o que dá a possibilidade de montar o set em diversas varas para poder atender a todos os espetáculos.

Outro cuidado na construção do sistema do teatro é o quadro elétrico de visitante. “Isso é para atender a montagem do sistema deles (visitante), que é separado, porque o nosso é blindado”, relata. De acordo com Orlando Schaider, operador de luz do La Mancha, a mesa usada no musical – uma Grand MA - já veio pronta e era só fazer a programação da própria


MA. “Usamos a MA para controlar os movings ROBE: MC Aurea, BMFL, etc. Entre as cenas, destacaria a cena da igreja. É uma das cenas em que a Drika Matheus usou 4 Robes de ponta para fazer esse gobo da janela, e ficou fantástico; acho que não teria outro equipamento para fazer esse efeito da janela”, avalia, destacando que o projeto de iluminação (Drika Matheus) também foi um grande desafio. “Desafio, porque tudo é digital, com poucas lâmpadas quentes e tudo em LED. Tem pouca luz geral, geral mesmo só para dar a profundidade, de ir contra. Temos também mil pontos de luz em fibra ótica, e isso também foi uma dificuldade em fazer. Tudo já veio pronto de São Paulo pela Drika Matheus e nós só reproduzimos aqui”, ressalta.

ORQUESTRA AO VIVO Quase vinte músicos tocando ao vivo. O espetáculo trazia uma orquestra que, ao contrário do tradicional fosso, foi alocada nas partes

Local da orquestra

superiores direita e esquerda do palco. Flavio Lago, maestro do musical, que alternava a regência das apresentações com o diretor residente musical Daniel Rocha, conta que, tradicionalmente, amplificar uma orquestra já é algo complexo, junto com cantores,

Equipe de iluminação (da esquerda para direita): Fabiano Correa, Orlando Schaider, Anderson Aquino, Alexandro Alves e Vlad Russo

controle de efeitos de microfonia, etc. “Dosar uma orquestra em um microfone é muito mais complexo do que dosar na mão mesmo, com eles na sua acústica normal, porque imagine, por exemplo, que o som de um trompete é muito diferente do som de uma flauta, e você não consegue competir esses dois instrumentos em termos de volume”, observa. “Quando você tem todos os microfones abertos e o trompete toca, o microfone vai pegar todo o som dele, e todos os outros microfones em volta também. Dosar isso na hora de amplificar é muito complexo. É um trabalho difícil e fazer esse controle de som é complicado. Por isso fizeram esse projeto pensando na orquestra como parte integrante do espetáculo, tanto que a orquestra inteira usa figurino. É um pouco complicado, porque a gente não tem total domínio sobre a orquestra. Os músicos têm que estar muito espertos, porque nem sempre em todos os momentos eles têm total visibilidade do maestro. Então, a orquestra, além de ter muita atenção no

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REPORTAGEM| www.backstage.com.br

tém estruturação rítmica, de um lado. Já a parte de percussão, como é muito grande, mais os metais, ficaram do outro lado do cenário.

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COMUNICAÇÃO TELEVISIONADA

maestro, tem que conhecer muito bem o espetáculo”, afirma. Para solucionar essa dificuldade, os músicos da orquestra contavam também com televisões, onde aparecia o maestro. “Eu fico posicionado em um dos lados, e tem uma câmera que me filma (o maestro) e essa câmera mostra o maestro para o músico saber as ‘deixas’ exatas”, fala.

panhola e da música flamenca. Acho que foi a primeira vez que pensaram nisso. Tanto a parte de

Como os dois lados estavam paralelo, eles conseguiam, mesmo de longe, olhar para o maestro. “Para eles não é a melhor coisa, mas ainda é o jeito mais seguro, porque tem uma televisão ali escondida. Mas a orquestra precisa de rigidez, de precisão extrema, e acontece que a televisão tem um mínimo de delay, o que atrapalha muito. Então, o mais difícil desse espetáculo é conciliar o que os cantores veem nas televisões com o ouvido, ou seja, precisa ter muito ouvido. Mas de qualquer forma todos eles já conhecem o espetáculo e a partitura. Então ela tem o som de orquestra realmente cheia, com naipe completo de metais, trompetes, duas trompas, dois trombones, parte de percussão enorme, dois violões, toda a gama de madeiras, fagote, clarinete, flauta e oboé. Enfim é um som muito diversificado, uma orquestra muito rica,

Dosar uma orquestra em um microfone é muuito mais complexo do que dosar na mão mesmo, com eles na sua acústica normal. (Flavio Lago)

DIFERENCIAL O diretor musical fez questão de pegar violinistas que fossem especializados em flamenco, por conta do espetáculo, da história, e isso fez uma grande diferença. “Da parte musical, não é a toa que foi um espetáculo tão premiado, porque ele tem um refinamento musical muito grande, com muitos detalhes, trazendo toda a influência da música es-

violão quanto de percussão foram muito importantes em todo o espetáculo”, acrescenta. Segundo Flavio, com um grupo de músicos cada lado, a divisão da orquestra ficou da seguinte forma: instrumentos de sopro (que é extremamente importante ficarem juntos, por questões de timbre), os violões, a bateria e o contrabaixo, ou seja, a chamada cozinha, que é a parte que man-

e não tem nenhum instrumento de teclado, nenhum som é sintetizado; o máximo são os efeitos de choque, mas em geral tudo de música é acústico”, explica. “(O Homem de La Manhca) é uma peça clássica e se manteve uma estruturação musical, então é muito bom trabalhar com instrumentos acústicos e com esta gama de músicos”, finaliza Flavio Lago.


Equipamentos de Iluminação- LPL 01- Console Grand MA 24 - CE Source 4 Jr - 25/50 4 - Atomic 3000 10 - CE Source 4 - 15/30 20 - PAR 16 14 - Bulb Strip w/ 1 bulb 30 - Fresnel 2K Barndoor 40 - PAR RGBW 15 deg 38 - Ribalta Standard 8 - CE Source 4 Jr - 25/50 Zoom; A Size Gobo Holder [1] 20 - BMFL Wash Beam 14 - MAC Aura XB 11 - Source 4 Par NSP 8 - Source 4 Par WFL 21 - Source 4 Par MFL

Equipamentos de Sonorização (Gabisom) PA/FOH: 01 – Yamaha PM5D RH (teatro); 01 – Venue Profile (O Homem de La Mancha); 24 – Meyer M'elodie (L,C,R) 04 – Subwoofers Meyer 700HP; 03 – Meyer UPA-1P delay balcão nobre; 06 – Meyer UPM-1P front fill; 01 – Meyer Galileu 616; 01 – CLEARCOM SYSTEM (FOH – Monitor) MONITOR 01 – Yamaha PM5D RH; 06 – Monitores de palco Meyer UM1P; 02 – Monitores de palco Meyer MJ212; 01 – Subwoofer para drum fill Meyer PSW2; 02 – Side fill com 01 Meyer 650P e 02 Meyer CQ2; MICROFONES: 02 – Shure SM58 UR4D Wireless 01 – Shure SM91; 08 – Shure SM57; 08 – Shure SM58; 08 – Shure SM58 beta; 04 – Shure KSM 137; 02 – Sennheiser e914; 04 – Audio Technica AT 4033; 02 – Microfones para púlpito Crown;

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LANÇAMENTO| www.backstage.com.br 38

A JBL apresenta a sua família VRX900 Series. Uma série de modelos de sistema de falantes e subwoofers ideal para quem procura potência, clareza sonora para performance em locais de características impróprias aos line arrays de grande porte. redacao@backstage.com.br Fotos: Divulgação Mais infor mações: http://www.jblpro.com

SERIES

VRX900 - VRX932LAP A

linha de line arrays da JBL Serie VRX900 lidera a indústria no campo de reforço sonoro. Pensado também para locais pequenos e fechados, a série de line arrays Constant Curvature VRX900 foi desenhada e construída com a possibilidade de ter os mesmos padrões de uso avançado de um VerTec. Os falantes do modelo entregam extraordinária potência, clareza, flexibilidade e, claro, um som magnífico em um pacote atrativo, fácil de usar e acessível.

SISTEMA COM DUAS VIAS O modelo VRX932LAP é um potente, leve e compacto sistema de falantes de 12” de duas vias desenhado para usar em formato array de até cinco unidades. Este modelo é a escolha ideal quando é preciso muita performance do line array, mas o tamanho do local não possui características para os tiros longos dos modelos de lines maiores e ainda há necessidade de um setup rápido e fácil.


CARACTERÍSTICAS: O módulo amplificador integrado JBL Drivepack® DPC-2 projetado pela Crown fornece 1750 Watts de potência de pico. O módulo de entrada baseado em DSP fornece otimização do sistema e funcionalidade EQ. Woofer diferenciado exclusivo de neodímio da JBL para alta potência e baixo peso. O VRX932LAP possui 3 drivers 2408J Annular Ring Diaphragm HF. O número 2408 representa o mais recente projeto de driver de compactação da JBL Professional. Guia de onda de Curvatura Constante para coerência de array sem precedentes. Hardware de montagem integral para conexão simples dos gabinetes e quadro de matriz opcional. Soquete de pólo duplo para flexibilidade e ajuste. O Array Configuration Selector permite "sombreamento de array".

Especificações técnicas Power Rating 1750 Watts pico 875 Watts contínuo

LF Driver 1 x JBL 2262FF 305 mm (12 in) neodymium magnet

Alcance de frequência 57 Hz - 20 kHz (-10 dB)

HF Driver 3 x JBL 2408J, 38 mm (1.5 in)

Dimensões 349 mm x 597 mm x 444 mm (13.75 in x 23.5 in x 17.5 in) Resposta de frequência 75 Hz - 20 kHz (+/-3db) Saída máxima de pico 136 dB SPL at 1m Cobertura 100 x 15 nominal DPC-2 Saída (IED contínuo em forma de ruído rosa na impedância de carga nominal) LF: 750 Watts, HF: 125 Watts

Controles de usuário Input Attenuator (0-16 dB) Processamento de sinal DSP based, resident in Input Module AC Power Operating Range 90-132 VAC ou 216-264 VAC, 50/60 Hz AC Conector de entrada Neutrik PowerCon (NAC 3MPA) AC Loop Through Connector Neutrik PowerCon (NAC 3MPB) AC Corrente requerida 6A per system a 120V, 3A per system a 240V

DPC-2 Seção de saída LF: Dual-Bridged Technology™, Class D

Peso 24 kg (52 lb)

Conector de saída de áudio XLR com loop through

Acessório opcional VRX-AF: Quadro de matriz suspensa

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S M E T S M E

PARTE 2

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PRODUÇÃO MUSICAL| www.backstage.com.br

MASTERIZAÇÃO Ricardo Mendes é produtor, professor e autor de ‘Guitarra: harmonia, técnica e improvisação’

Se você não leu a parte 1 deste artigo, recomendo que leia a edição do mês passado, onde explico como se preparar para uma masterização em Stems. O acesso é gratuito pelo site da Backstage, basta fazer um cadastro simples para ler de graça todo o conteúdo da edição.

A

cadeia de plug-ins usada na masterização em Stem é basicamente a mesma usada na masterização convencional. A verdade é que cada profissional tem uma maneira particular de trabalhar, e essa cadeia pode variar, mas a princípio essa seria uma configuração bem básica:

1 – Ganho (gain, trim ou normalize) 2 – Equalizador 3 – Compressor 4 – Limiter 5 – Metering (medidores) A minha cadeia é ligeiramente diferente, com a particularidade de eu dividir o “metering” em 3 plugins diferentes.

Mas isso é uma arranjo individual meu e, com certeza, o mesmo resultado pode ser alcançado com configurações diferentes que vou compartilhar com vocês: 1 – Normalize (não entra como plugin) 2 – Equalizador subtrativo 3 – Compressor multi-banda 4 – Equalizador middle-side 5 – Compressor 6 – Equalizador aditivo 7 – Limiter 8 – Metering (correlação de fase, medidor em RMS e medidor em LUFS)

1 – Normalize (não entra como plugin) O primeiro passo é aumentar o sinal da


mix o máximo possível sem aplicar nenhum processamento dinâmico (limiter ou compressor) a ele. A maneira de fazer isso é normalizando. Normalizar é o processo de

para fazer pequenas correções no áudio. Desconfie se for necessário fazer cortes dramáticos e radicais. Normalmente estes cortes são cirúrgicos e com “Q” bem fino, de

Normalizar é o processo de aumentar o ganho do sinal até o ponto em que o pico chegue a 0dFS. Aplica-se a normalização ao áudio, gerando um novo arquivo com seu pico batendo em 0dBFS. aumentar o ganho do sinal até o ponto em que o pico chegue a 0 dBFS. Esse processo não é feito em tempo real como é feito com os plugins. Aplica-se a normalização ao áudio, gerando um novo arquivo com seu pico batendo em 0 dBFS. Eu, normalmente, gosto de dar uma ínfima margem de segurança. Em vez de ajustar o parâmetro “level” para 100%, eu coloco em 99.6%. Mas não há problema em colocá-lo em 100%. Colocar o “level” em 100% significa que o pico do sinal processado chegará a 0dBFS. A distorção digital (clipping) só ocorre quando o sinal vai acima de 0 dBFS, por isso você pode colocar seguramente em 100%. A minha opção de colocar o level em 99.6% é mais psicológica do que matemática. E também é virtualmente imperceptível ao ouvido humano. Como disse antes, cada um trabalha com seus métodos/hábitos.

2 – Equalizador subtrativo O equalizador subtrativo é usado

modo que o corte seja feito somente naquela frequência, sem afetar as frequências vizinhas. Caso seja realmente necessário fazer cortes muito grandes, talvez seja melhor revisitar a mixagem e acertar o que estiver errado. Lembre-se, equalizadores estéreo podem causar problemas de fase. Para ter certeza que isso não acontecerá use um equalizador com correção linear de fase. Eles são mais pesados e causam latência no sistema, mas mantêm a integridade da fase do sinal que passa através deles.

3 – Compressor multi-banda O compressor multi-banda pode processar separadamente cada faixa de frequência definida previamente pelo usuário, de modo que se um bumbo estiver muito alto, você pode comprimi-lo sem comprometer outras partes do áudio. Mas lembre-se que um compressor multi-banda não comprime só um instrumento. Ele comprime uma faixa de frequência. Ao comprimir a faixa de frequência grave

para diminuir um pouco o bumbo, preste atenção no que acontece com outros instrumentos aproximadamente na mesma faixa de frequência, como o baixo e tons da bateria, por exemplo. Este é o estágio onde faço as alterações mais drásticas na timbragem da música. Na verdade, eu penso no compressor multi-banda como um equalizador dinâmico.

4 – Equalizador middle-side Este tipo de equalizador permite equalizar separadamente o material que está no centro da mixagem do material que está nas pontas (L ou R). É um ótimo artifício quando queremos aumentar a percepção do estéreo. Este tipo de equalizador comumente costuma trazer um parâmetro chamado mono-maker, que permite definir uma faixa de frequência e direcionar o sinal das pontas para o centro. Isso é particularmente útil nas frequências baixas. É claro que nenhuma música é igual a outra, mas de maneira geral é comum se privilegiar as frequências altas nas pontas e as médias e baixas no centro.

5 – Compressor Esse compressor tem a função apenas de dar uma nivelada suave no sinal processado até agora. Normalmente se usa ataque lento e taxas de compressão pequenas.

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Não faz sentido sacrificar a qualidade do áudio em troca de volume, pois, independente do quão alta a sua masterização esteja ela será nivelada automaticamente com as outras.

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PRODUÇÃO MUSICAL| www.backstage.com.br

6 – Equalizador aditivo Este equalizador será utilizado de maneira inversa ao equalizador

deve ser usado com muita cautela, pois ao apertar demais o parâmetro threshold do limiter, com o objetivo de se conseguir mais volume, vários artefatos são criados, acarretando uma deterioração do som. Os efeitos mais perceptivos desta deterioração são a distorção, perda de graves e perda dos transientes (sons percussivos). Hoje as plataformas digitais fazem seu próprio nivelamento através de algoritmos. Não faz mais sentido sacrificar a

subtrativo. Será usado para fazer pequenos ajustes de timbre adicionando frequências que estejam faltando. Ao contrário do equalizador subtrativo, usaremos o “Q” mais amplo de modo que, ao aumentar uma frequência, as vizinhas venham junto também, o que causa um efeito mais natural e evita a ressonância da frequência aumentada.

7 – Limiter O Limiter é o plugin que irá aumentar o sinal sem deixar que ele ultrapasse 0 dBFS. Normalmente os plugins de limiter também oferecem a opção de dithering, que só deve ser usada na hora da conversão para 16 bits. Apesar do limiter ser indispensável na masterização,

nifica que o sinal está em fase. Se estiver posicionado à esquerda do centro, algum problema na fase está sendo detectado.

Outros mostram um leque bidimensional. O que estiver fora desse leque está fora de fase. No entanto, é comum que ocorram pequenos picos fora do leque em um material estéreo, mesmo que este não apresente problemas de fase. Mas se o medidor indicar atividade constante fora desse leque, isso significa que há problemas de fase.

qualidade do áudio em troca de volume, pois, independente do quão alta a sua masterização esteja ela será nivelada automaticamente com as outras. Na verdade, ela até parecerá estar mais baixa do que as outras, pois a compressão excessiva do limiter terá retirado os transientes da música, e são justamente eles que nos dão aquela sensação de “punch” e pressão sonora.

8 – Metering (correlação de fase, medidor em RMS e medidor em LUFS) Sempre é importante chegar à integridade da fase do seu sinal. Alguns analisadores de espectro de áudio mostram de maneira diferente, mas dizem a mesma coisa. Os do tipo linear mostram uma linha que, se o cursor estiver posicionado do meio para a direita sig-

Este terceiro meter também mede na unidade de LUFS, que quer dizer: Loudness Units Relative to Full Scale (Unidades Relativas de Volume à Escala Inteira). As plataformas digitais usam valores diferentes entre si. Veja abaixo: Spotfy: -14 LUFS YouTube: - 13 LUFS AppleMusic: - 16 LUFS Soundcloud: não nivela. Continuamos na próxima edição!

Para saber mais redacao@backstage.com.br


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ÁUDIO FUNDAMENTAL| www.backstage.com.br 44

EXERCITANDO OS OUVIDOS Hoje muito se fala sobre as novidades tecnológicas do mercado de áudio, mesas digitais com recursos fantásticos, novos modelos de microfones, fones, caixas e por aí vai. O que percebo é que cada vez mais precisamos correr contra o tempo para nos atualizarmos quanto a todas essas inovações e nos mantermos atualizados no mercado de trabalho.

oje precisamos conhecer os softwares do momento, como o Smaart, WWB, entre outros, como ferramentas que nos ajudam a desempenhar um trabalho de excelência, porém, será que a ferramenta mais importante está sendo bem utilizada? Lembro-me bem de uma história sobre a diligência que fala que se gastarmos tempo amolando o machado, a missão de derrubar a árvore será rápida e eficiente, e, ao contrário, se formos derrubar a árvore com o machado como está, sem ser amolado, certamente levaremos muito mais tempo e gastaremos muito mais energia para atingir o mesmo resultado.

redacao@backstage.com.br Fotos: Divulgação

O que essa lição nos ensina? Assim como o machado é a ferramenta

Pedro Duboc é Técnico de Áudio e membro da Sobrac (Sociedade Brasileira de Acústica), ABPAudio (Associação Brasileira de Profissionais de Áudio), ASA (Acoustical Society of America) e AES (American Engineering Society).

H

mais importante de um lenhador, nossos ouvidos são a nossa ferramenta mais importante. Você jamais fará um bom som se não desenvolver (afiar) os seus ouvidos, e é sobre isso que falaremos hoje, sobre como exercitar os nossos ouvidos. O mundo do áudio é dominado por equipamentos como amplificadores, caixas de som etc. Reconhecemos que o nosso precioso sinal de áudio será degradado quando passar por esses equipamentos. Ao final de toda a cadeia de áudio, usaremos nossos ouvidos para responder a pergunta mais importante: - A qualidade do som está aceitável? O maestro, o engenheiro de gravação e o crítico musical experientes têm em comum ouvidos suficientemente treinados para esse julgamento, mas e os estu-


dantes que estão aprendendo sobre os mistérios do áudio? Os ouvidos do maestro, do engenheiro de gravação, do crítico musical e do aluno provavelmente têm a mesma sensibilidade se formos examinar por meio de uma audiometria, a diferença é que o estudante não experimentou uma audição crítica como os outros profissionais, e é exatamente isso o que falaremos aqui. Como seria esse treinamento auditivo? Em primeiro lugar, precisamos conhecer as frequências, talvez num primeiro momento devamos limitar o range de 100Hz – 10.000Hz. Começamos, então, com um tom puro de 100Hz, em seguida 10.000Hz. Logo a seguir,

podemos usar 260Hz, que seria o dó central do piano (claro que sem a beleza harmônica do instrumento) e, em seguida, pular para 520Hz, ou seja, uma oitava acima. Esses são apenas exemplos de exercícios de

10dB, lembrando que 10dB são o dobro de loudness. Com o nível constante em 1000Hz, mudamos apenas 5dB e, em seguida, 2dB. Pode parecer difícil em um primeiro momento perceber a mu-

É mais fácil perceber a mudança de 2dB em níves mais altos de sinal, portanto, seria interessante nesse exercício subir 10dB antes de iniciar a percepção de 2dB. tons puros que podemos fazer. Logo depois, podemos exercitar nossa sensibilidade para mudanças de intensidade sonora. Iniciamos, por exemplo, com 1000Hz em um nível constante. Em seguida, uma mudança de nível de

dança de 2dB, porém com o tempo de exercício isso é possível. É mais fácil perceber a mudança de 2dB em níveis mais altos de sinal, portanto, seria interessante nesse exercício subir 10dB antes de iniciar a percepção de 2dB.

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ÁUDIO FUNDAMENTAL| www.backstage.com.br 46

Com esse exercício vemos que a mínima mudança percebida pelos ouvidos depende do loudness do tom de 1000Hz, e o loudness depende da frequência. Em seguida fazemos o mesmo exercício com 100Hz. Percebemos que é muito menos perceptível a mudança em 100Hz do que em 1000Hz. A menor mudança perceptível depende da frequência e do nível de som. Ainda nos exercícios de níveis sonoros, é interessante fazer o mesmo exercício com música, assim como com a fala. O terceiro exercício é com limitação de banda. Primeiro colocamos uma música para tocar sem filtros. Em seguida, colocamos um filtro passa alta (Lo-Cut) em 200Hz, em seguida 500Hz, e em seguida 1000Hz. Assim criamos uma referência dos cortes. Em seguida, faremos o mesmo com filtros passa baixa (Hi-Cut) em 8k, 5k e 2k e sempre voltando ao full band. Faremos também o exercício de irregularidades na resposta de frequência. Nos exercícios anteriores experimentamos cortar as altas e as baixas, aqui, agora, trabalharemos com alterações no espectro. Com a mesma faixa de música que utilizamos nos outros exercícios, vamos agora dar 10dB com Q fechado em 8K. Percebemos que mesmo com Q fechado, algumas frequências acima e abaixo de 8k são afetadas. Em seguida uma mudança de 5dB em 8k. Agora, faremos um julgamento de qualidade sonora. Como tudo na vida, alguns sons são descritos como simples e outros como complexos. Estar apto a distinguir entre o simples e o complexo, ambos no tipo de diferença e na quantidade da diferença, é extremamente necessário no trabalho com áudio. Aqui utilizaremos uma sine wave de 1000Hz e, em seguida, em onda triangular de 1000Hz. Ouça bem a diferença! A onda triangular soa diferente por causa dos harmônicos que contém.

Os harmônicos são múltiplos da frequência fundamental de 1000Hz. A sine wave não contém harmônicos por ser um tom puro, já a onda triangular de 1000Hz contém um fraco terceiro harmônico de 3000Hz, outro de 5000Hz e outro de 7000Hz. Se ouvirmos a frequência fundamental de 1000Hz juntamente com seus harmônicos, então temos a diferença entre a onda pura e a triangular. Esses são apenas alguns exercícios para aprimorarmos nossa audição, posso citar aqui dezenas de outros aonde podemos treinar a detecção de distorção, efeitos de reverberação, sinal x ruído, coloração vocal, mascaramento, percepção de delays entre diversos outros exercícios. O importante é despertarmos para o fato de que nossa mais importante ferramenta de áudio é o nosso sistema auditivo e, assim como tudo na vida, precisamos exercitá-lo para um melhor aproveitamento. Outro lado importante quando falamos de nossos ouvidos é o cuidado que devemos ter para não perdermos nossa audição. É bom lembrar que a perda auditiva é irreversível e a exposição a níveis sonoros muito altos por longos períodos causa perda auditiva, como podemos ver na tabela do ministério do trabalho. É isso aí galera, vamos seguir cuidando e treinando os nossos ouvidos, afinal dependemos deles para ganhar o nosso pão! Grande abraço e até a próxima!

Para saber online

Matérias das edições anteriores https://goo.gl/FyJkHq


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TECNOLOGIA|ABLETON LIVE| www.backstage.com.br

DRY / WET CUSTOMIZE UM CONTROLE PARA QUASE TUDO Lika Meinberg é produtor, orquestrador, arranjador, compositor, sound

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designer, pianista/tecladista. Estudou direção de Orquestra, música para cinema e sound design na Berklee College of Music, em Boston.

Comentar que o Ableton Live permite que você mapeie um parâmetro para ser controlável soa até uma redundância. Mas, em alguns casos, pode ser nescessário uma certa engenharia, alguns truques mesmo, para facilitar nossa vida de produtor, controladorista, DJ, etc.

V

amos dizer que você precisa de um controle de “Incrementos” (um fader ou botão) para controlar um “grupo

tão de incrementos Dry/Wet destacado por esses retângulos em verde, mas o último da direita, Auto Filter (X vermelho) não tem!

Figura 01- Plugins Wet/Dry or Not

de efeitos” via Midi controlador, e isso vai mandar + mais efeito(Wet) ou - menos efeito (Dry) para o seu plugin, ou efeito no áudio! Como exemplo, vou usar um plugin nativo da Ableton para mostra a situação específica, mas o conceito serve para muitas outras situações! Para ficar claro do que estou falando, veja na imagem a seguir a situação: Temos aqui quatro plugins da Ableton, Reverb, Simple Delay, Flager e Auto Filter. Repare que os três primeiros já têm um bo-

Figura 02 - Auto Filter

Vamos focar só no plugin Auto Filter, então! Abra um novo projeto e insira em um áudio Track nesse plugin – Auto Filter! Abra seu projeto no“Session View”,


Figura 03 - Loop Ref

...Browser (Ctrl + Alt + B no PC ou Alt + Comm no Mac), ...Audio Effects, ...Auto Filter, agora arraste o plugin para cima do track que você quer o efeito (ou dê duplo clique). Para facilitar a vizualização, eu deletei os outros tracks de Midi e Audio! Vamos adicionar um Loop para termos uma fonte de áudio para testar o resultado do efeito final! Browser... Samples... Bongos 121bpm.wav (ou qualquer outro de sua preferência). Agora vamos trabalhar no plugin Auto Filter. Dê duplo clique no nome do Track (para revelar o plugin), e clique no plugin com o botão esquerdo para selecionar o Devise, e com o direito para revelar o submenu, como

ícone (seta verde) à esqueda do plugin: Macro Controls. Nosso próximo passo será selecionar

Figura 04 - Group Devise

esse outro ícone logo abaixo, Chain List (seta verde ainda à esquerda). Isso vai revelar essa instância do

Figura 05 - Chain and Rename WET

mostra a imagem acima. Com o cursor e botão direito apertado, selecione “Group” (alternativamente Ctrl + G no PC, ou Comm + G no Mac). Então selecione esse

do (retângulo vermelho) e apertando com o direito para revelar submenu (Ctrl + R no PC, ou Comm + R no Mac), dê um novo nome a essa instância! Que tal? WET! Agora clique nessa instância WET com o botão direito para selecionar, e com o botão esquerdo crie uma outra instância Chain, troque para cor amarela (se preferir) e já mude o nome para DRY. *Alternativamente, clique com botão direito do mouse na área Drop Audio Effects Here para Create Chain (para criar uma nova instância nessa lista). Nesse momento vamos aproximar

plugin em uma lista que permite que você encadeie (Chain) várias instâncias nesse “Group” criado anteriormente. Então, selecione essa instância com o botão esquer-

o cursor do mouse junto a esse ícone Chain e selecioná-lo para expandir a Zone Editor. Aproxime o cursor do Mouse junto a esse pequeno retângulo azul (ZONE) no Zone Editor e veremos o cursor se transformar de seta (quando em cima do retângulo) para colchete a medida que afastamos o cursor ao longo do Zone Editor. Com o cursor em forma de colchete, aperte o botão esquerdo do mouse para arrastar (aumentar arrastando) esse retângulo que vai se transformar em uma faixa (Zone Range) por todo o Zone Editor; de 0 até o 127. Esse é o nosso objetivo com as duas instâncias (WET/DRY).

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ABLETON LIVE| www.backstage.com.br 50

Figura 06 - NeweChain-Rename-Color

No mesmo mood, vamos alterar esse controle azul claro (Fade Range), mais estreito logo acima dessa que aumentamos. Na instância WET, vamos arrastar da esquerda para a direita, diminuindo (do 127 ~ 65), como indica a seta verde superior. Repita o mesmo processo com a instância DRY, só que dessa vez comece da direita para a esquerda diminuindo (do 0 ~ 64), como sugere a seta verde inferior na imagem. Repare a rampa (Ramp) de cores diferentes criada. Vamos fazer agora o mapeamento do Chain Seletor que no Ableton

ções: Selete Map to *Macro 1. (como mostra a imagem acima). *Isso significa que o botão Macro

Figura 07 - Zone Editor

Figura 08 - Adjust Full Lanes

Live 10 é esse pequeno “Aste Seletor” azul claro sobre a régua de seleção (Chain Selector Ruler), indicado pela seta verde! Com o botão direito bem em cima do seletor, clique com o botão direito e o submenu mostrará as op-

Figura 09 - Adjust Fade Range

1 (retângulo verde) estará assinalado, mapeado ao cursor de seleção no Chain Ruler que acabamos de mapear! Reparem que, depois de mapeado, o Aste Seletor (cursor) recebe um pequeno ponto verde sobre ele (destacado pelo círculo vermelho). Acho que também podemos renomear esse botão mapeado naquele mesmo processo usado em etapas anteriores: WET/DRY está de bom tamanho. Ok, estamos no ponto de testar nossa programação! Fiz alguns ajustes no Auto Filter plugin para que pudéssemos perceber bem o efeito (marca amarela) Cuidado com o volume! Abaixe os


Figura 10 - Map Macro Botton 1

Figura 11 - Rename e Color

níveis para não afetar as caixas, ou os ouvidos. Aperte a barra do te-

clado para começar o Loop e mexa no botão mapeado, para esquerda e

para direita, e veja que você tem total controle sobre a quantidade de efeito aplicado no Track. Nesse mesmo setup você pode usar qualquer outro plugin ou grupos de plugins que você deseje manter inalterado, tendo assim um controle “independente” na quantidade de efeito aplicado no Track ou Grupo de plugins. Esse processo previne de você, acidentalmente, numa Jam, bagunçar os seus presets e salvar por engano, por exemplo. É isso por hora amigos. Bom proveito e boa sorte a todos!

Para saber online Figura 12 - Modulating Botton

Figura 13 - Other Plugin W-same Config

Facebook - Lika Meinberg

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Figura 1 - Homestudio com diversos equipamentos externos

TECNOLOGIA|PRO TOOLS| www.backstage.com.br 52

SEU HARDWARE PREDILETO E O PRO TOOLS:

Se tem uma área que mudou muito rápido, foi a de produção musical no que se refere à qualidade dos instrumentos virtuais e plugins. No início, eram considerados apenas “brinquedos”, se comparados aos hardwares, mas não é mais o caso hoje em dia.

entenda como integrar sintetizadores e efeitos externos Cristiano Moura é produtor, engenheiro de som e ministra cursos na ProClass-RJ

V

eja na figura 1. Como nos primeiros homestudios, apesar de contar com o computadores, os sons vindos dos módulos de sons, teclados e periféricos ainda eram essenciais. Então, dependendo da época em que você começou a produzir música no computador, é possível que não sinta a menor necessidade de investir em hardware, dada essa evolução. Por outro lado, muitas pessoas têm unidades físicas que gostam muito, seja um teclado, um reverb ou um com-

pressor, por exemplo, e o Pro Tools pensou neste público também. Neste artigo, vamos aprender as formas mais eficientes de interligar seus equipamentos para usar em conjunto com o Pro Tools.

SUA INTERFACE É SEU LIMITADOR Primeiramente, é importante estar ciente de que para interligar diversos equipamentos físicos você vai precisar de uma interface com múltiplas entra-


Figura 2 - Interface de áudio com múltiplas entradas

das e saídas (Figura 2). A conta é simples: para ligar em instrumento externo estéreo, você precisa de duas entradas. Já para ligar efeitos externos, é mais complicado; você precisa de duas entradas e duas saídas. Mais abaixo, falaremos mais sobre o motivo.

interface, e MIDI IN do teclado no MIDI OUT da interface (Figura 4).

ra-se que seja reconhecida no seu computador sem problemas, mas caso não aconteça, acesse o manual do fabricante para ver se há necessidade de instalar algum driver. Dentro do Pro Tools, vamos criar um Instrument Track, que é o único tipo de track capaz de lidar com conexões de áudio e MIDI simultaneamente. Talvez você precise melhorar sua

INTEGRANDO TECLADOS COM ÁUDIO + MIDI No caso de sintetizadores analógicos sem conexão MIDI, não há muito o que fazer a não ser gravar o áudio, exatamente como faríamos com uma voz. Porém, especialmente os tecladistas que tocam muito ao vivo, geralmente têm teclados que, além de meramente poder enviar dados MIDI, também tem um banco de sons de primeira linha. Dado o in-

Figura 3 - Teclados workstation

Obs.: se seu teclado tiver conexão USB, ela pode ser usada como conexão MIDI no lugar das ligações tradicionais mecionadas acima. Espe-

Figura 4 - ligações para teclado externo

vestimento e qualidade, fatalmente também vão querer usar estes sons em estúdio. Alguns exemplos são os teclados da Roland, Korg e Nord (figura 3). Então vamos aprender a interligar tanto o áudio quanto o MIDI. Para começar, as ligações físicas são três: AUDIO OUT do teclado no AUDIO IN na sua interface, MIDI OUT do teclado no MIDI IN da sua

visualização e acrescentar pelo menu View > Edit Window Views as opções “I/O” e “Instrument”. No campo I/O, defina no Input a entrada que você ligou seu instrumento e no Output direcione normalmente para suas caixas de som, como nos outros canais. Já o campo “Instrument” é referente às conexões MIDI. Então no IN e OUT escolha a conexão MIDI em que o teclado foi ligado ou a porta USB do teclado (Figura 5). Este método permite que, na mes-

Figura 5 - Configurações Instrument Track

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ma pista, o usuário possa monitorar o áudio vindo do teclado e, ao mesmo tempo, registre a performance em MIDI, que é muito mais flexível para edição. A contrapartida neste caso é que o teclado deve sempre estar ligado e conectado à interface, pois ele está sendo usado como módulo de som também, ao invés de um plug-in de instrumento virtual. O que normalmente se faz para evitar este inconveniente é fazer toda a edição MIDI até ficar exatamente

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Figura 7 - Criando o path de insert

como você quer, e depois gravar o resultado em um track de áudio, liberando assim o instrumento.

Figura 8 - Atribuição da conexão de áudio

Figura 6 - Ligações para efeito externo

INTEGRANDO EFEITOS EXTERNOS Ainda que um processador externo tenha diversas desvantagens

comparado a um plugin, como só poder ser usado em um único canal, manutenção, ruído, dificulda-

de para recall, preço e muito mais, não são poucas as pessoas que ainda preferem a sonoridade de processadores externos. Então vamos às ligações primeiro. A ligação para processamento de efeitos externamente é bem diferente da ligação de instrumentos. O sinal precisa sair do Pro Tools (e do computador), entrar no efeito, processar, e voltar para o Pro Tools. Este tipo de processo é chamado de Send/Return. Então você precisa ligar um cabo para ligar o OUT da interface no IN do processador externo, e um segundo cabo que vai do OUT do processador externo para o IN da interface. É importante ressaltar que se formos usar o OUT 4 da interface também temos obrigatoriamente que usar o IN 4. Se usar o OUT 12, usar o IN 12 também é fundamental, e assim por diante (Figura 6). Lembre-se que se for estéreo, precisamos de duas entradas e duas saídas. Agora temos que pensar que o Pro Tools não detecta automaticamente nada. Precisamos “avisar” ao Pro Tools que temos um processador de efeito inserido. Para fazer isso, vamos acessar o menu Setup > I/O… e na aba “Insert” clicar no botão “New Path”, escrever o nome do processador e avisar se é estéreo ou mono (Figura 7). Por último, falta apenas indicar em que entrada/saída este efeito está ligado. Para isso, basta clicar na conexão indicada (Figura 8). Pronto! Agora ao clicar em um


insert, você vai reparar que, além das opções de plugins, também teremos a opção I/O, que interliga automaticamente o efeito externo de forma simples (Figura 9).

DETALHES TÉCNICOS IMPORTANTES Qualquer um dos dois processos pode ocasionar latência (atraso no som). Isto ocorre por três motivos distintos e que não podem ser confundidos: o tempo de processamento do Pro Tools, tempo de conversão entre o ambiente digital e analógico e, por último, o tempo de processamento do equipamento externo. O tempo de processamento interno do Pro Tools é determinado pelo Hardware Buffer Size, acessível pelo menu Setup > Playback Engine, e como a maioria deve saber, quanto menor o número, menos latência. Então há de se ressaltar que sem-

Figura 9 - Hardware Insert

pre haverá um atraso na monitoração/audição quando estivermos trabalhando com instrumentos externos em tempo real. Então use um valor mínimo para minimizar este atraso, e uma vez

que estiver satisfeito é bom gravar o resultado em uma nova pista de áudio. Já com relação à latência ditada pela conversão, não precisa se preocupar muito, pois ela é minúscula (na casa de 1–3 ms) e, no caso do efeito externo sendo usado como insert, ela já é automaticamente compensada. Por último, há também o atraso do próprio processador externo, e o Pro Tools não tem como saber qual é atraso inerente. Mas você pode consultar o manual para ver corretamente, ou simplesmente fazer uma gravação de uma pista para outra para identificar o atraso. Uma vez identificado o valor, basta inserir na coluna H/W Insert Delay na caixa de diálogo I/O Setup (Figura 10). E com isso vamos ficando por aqui. Espero que tenha esclarecido algumas dúvidas, e não deixem de sugerir assuntos para os próximos artigos. Abraços e até a próxima!

Para saber online Figura 10 - Hardware Insert Delay

cmoura@proclass.com.br

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RUSH™ MULTIBEAM 2 http://www.martinprofessional.com.br/ home/produtos/rush-multibeam-2 O RUSH™ Multibeam 2 é um versátil efeito de luz, com duas barras de LED móveis - cada uma com 5 feixes estreitos controlados individualmente para poderosos efeitos no ar. Possui 10 beams de longo alcance, estreitos e intensos, com dimming eletrônico e efeito strobe. O RUSH™ Multibeam 2 vem com macros pré-programados para efeitos fáceis, função máster/slave, assim como a ativação de DMX ou sonora. Entre as especificações se destacam efeito multibeam intenso e poderoso; 10 LEDs de 10W RGBW com controle individual; duas barras com controle individual.

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MOVING HEAD BEAM 7R S 230W https://www.star.ind.br/site/pt/produtos/427/ moving-head-beam-7r-s--230w/ Com prisma rotativo de 8 faces, DMX: 16 canais e potência de lâmpada de 230W – 7R, o novo produto da Star é perfeito para ser usado em diversas ocasiões em que seja necessário eficiência e versatilidade. O disco de cores possui 14 cores + Branco, além de efeito Rainbow. A roda de gobos vem com 17 gobos + aberto, efeito Rainbow e efeito Shake. Outras características são Dimmer/Strobo, filtro Frost: 0% ~100% linear, Pan de 540° / Tilt de 270°, além de foco com ajuste linear. As dimensões e o peso do produto também são dois pontos a ser levado em consideração: 35,5 X 39 X 45 cm e 17 Kg. O consumo é de 250W e opera em Bivolt.


AXCOR PROFILE 400 E 400 HC https://www.claypaky.it/en/products/axcor-profile400#news Com a série AXCOR PROFILE 400, a Claypaky vem revolucionando o Mercado médio oferecendo uma luminária que é capaz de aglutinar quase todos os avanços da iluminação, características mecânicas e eletrônicas dentro de um extraordinário corpo compacto: menos de 65 cm de altura. No produto cabe um motor de 300W de LED branco, disponível em duas versões: com saída de 6500K (Axcor Profile 400) ou temperatura de cor de 5600K (Axcor Profile 400 HC) e CRI de cerca de 70 ou 90, respectivamente. Entre as características excepcionais essa luz compacta de LED oferece um sistema de enquadramento que trabalha em quatro planos focais, seção de efeitos com roda de animação, um sistema de cores completo com CTO linear e Iris de alta precisão mecânica. O Axcor Profile 400 é extremamente silencioso e tem 3 modos de operação, que podem ser selecionados de acordo com cada necessidade: Silent, Standard e Auto. O peso deste equipamento fica em torno de 25kg.

CONTROLADOR DE SISTEMAS ONYX www.obsidiancontrol.com / www.elationlighting.com A Elation apresenta um novo capítulo na evolução do sistema de controles Obsidian Control Systems com o lançamento do ONYX, uma plataforma inovadora e descomplicada de controle de iluminação que é compatível com todos os produtos da MSeries. O ONYX foi desenvolvido para atuar junto aos modelos da MSeries tais como M-DMX, M-Touch, M-Play, M2PC, M2GO, M2GO HD, M1, M1 HD e M6. A primeira versão do software, o ONYX 4.0, inclui melhorias na livraria e um marco com novas características e funções que estarão disponíveis em um futuro próximo. O software foi desenvolvido por profissionais com mais de 25 anos de experiência em controles de iluminação, de forma que o produto oferece uma plataforma estável e eficiente, fácil de programar e de operação intuitiva. Em todos os estágios do desenvolvimento do ONYX houve um esforço para apresentar ao usuário um ambiente simples e de controle “limpo”, o que significa que não precisa ser um expert em TI para operá-lo. O ONYX está apto a trabalhar desde pequenos shows até grandes produções com ferramentas fáceis de usar e ambiente gráfico otimizado que se adapta a qualquer tarefa ou complexidade.

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Vitrine e estratégias promocionais permanentes com Iluminação Cênica. Fonte: Simon Hatter

A iluminação cênica tem sido referência para diversas manifestações artísticas e cultuais como recurso essencial para a valorização de protagonistas e para a proposição de dinâmicas que também enaltecem os espetáculos e shows, transmitindo sensações e percepções únicas.

DOS PALCOS

PARA AS VITRINES Cezar Galhart é técnico em eletrônica, produtor de eventos, baixista e professor dos Cursos de Eventos, Design de Interiores e Design Gráfico do Unicuritiba e pesquisador em Iluminação Cênica.

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esta conversa, esta forma de iluminação será analisada como conceito aplicado a outros espaços, com fins comerciais, cujo objetivo está relacionado à possibilidade de oferecer atratividade e atenção para produtos,

como também por interesses estéticos, mas, principalmente, de forma a estimular a compra e memória dos consumidores. O setor de varejo – composto por todas as empresas e organizações comerciais


Vitrine e estratégias promocionais pontuais com Iluminação Cênica. Fonte: Retail Jeweller

cujas atividades de venda de bens ou serviços são realizadas diretamente com os consumidores finais – faz parte de um segmento de mercado cujas experiências e transformações têm ocorrido de maneira rápida e intensa em meio aos avanços tecnológicos e às mudanças de comportamento dos consumidores. Em condições normais de competitividade, torna-se fundamental a busca de estratégias diversificadas, alinhadas à inovação nas soluções e processos promocionais e de comercialização, para a sobrevivência nos mercados atuantes. Mas nessa prévia teórica, as empresas inseridas no varejo necessitam de ações assertivas, dinâmicas e adaptadas a essas mudanças, exigindo criatividade, agili-

dade e alternativas versáteis na forma de demonstrar e comercializar produtos. Essas ações podem ser puramente pontuais, com prazos e meios limitados, ou permanentes, com proatividade, versatilidade e planejamento. Cada vez mais exigente, o consu-

comércio varejista prezando pela rapidez e eficiência, para o melhor atendimento das necessidades dos clientes. Mas onde se aplica a iluminação cênica nesse contexto? Os espaços comerciais são desenvolvidos de maneira setorizada, para melhor comodidade e con-

Inovação e compartilhamento integram estratégias adotadas pelo comércio varejista prezando pela rapidez e eficiência... Mas onde se aplica a iluminação cênica nesse contexto? midor final busca novidades, incentivado pelas interações das empresas do setor com os meios de comunicação e as redes sociais. Inovação e compartilhamento integram estratégias adotadas pelo

forto para os consumidores, organização visual e projetual. Novas tecnologias surgem constantemente, alinhadas à oferta de soluções diversas para cada espaço, permitindo também o enalteci-

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Vitrine e Visual Merchandising com Iluminação Cênica. Fonte: Refinery29

mento das marcas, fachadas, layout, merchandising e vitrines. Lojas que não acompanham essa evolução tendem a se estagnar e, consequentemente, serem esquecidas em um universo cada vez mais marcado pela proliferação de imagens e experiências. Com isso, a estimulação dos consumidores ávidos por novidades poderá ocorrer, presencialmente e espacialmente, no primeiro contato com as

cação do ambiente de um ponto de venda, proporcionando identidade e personalização para o interior do espaço comercial, mas de maneira decisiva para a vitrine. Ao destacar esse mostrador ou mesmo elementos da fachada de uma loja, naturalmente haverá mais ênfase na percepção dos produtos expostos, e convite para a visita ao interior, pela capacidade de atratividade aos olhos do público, e

Ao destacar esse mostrador ou mesmo elementos da fachada de uma loja, naturalmene haverá mais ênfase na percepção dos produtos expostos vitrines, espaços destacados para a exposição de produtos, coleções, conceitos e informações. Esses espaços possuem características e dimensões diferenciadas entre os estabelecimentos, e não há um padrão regulamentado ou normatizado. Todos os espaços comerciais, no entanto, têm funções e objetivos similares: serem chamarizes, na demonstração de produtos e ações promocionais. Algumas técnicas aplicadas aos espaços comerciais, como o Visual Merchandising, permitem a qualifi-

diferenciação perante à concorrência. E, para isso, a iluminação se torna a mais importante ferramenta para o Visual Merchandising. A vitrine é um elemento de extrema importância para um espaço de varejo. Para uma loja, esse elemento mostrador não deve apenas atrair as pessoas para entrarem no espaço interior, mas também deve apresentar uma identidade contextualizada com a marca, destacada para os clientes. A vitrine de uma loja dá aos novos clientes a primeira impressão sobre a


Vitrine e Visual Merchandising com Iluminação Cênica. Fonte: Retail Focus

loja, marca e produtos. A iluminação como recurso fundamental para a visualização das informações e produtos demonstrados na vitrine pode ter um impacto ainda mais decisivo quando corretamente contextualizada com o projeto de vitrine. Ainda mais, quando técnicas específicas, como da Iluminação Cênica, podem proporcionar efeitos e dinâmicas atrativas e reveladoras de

passo que determinados aspectos percebidos nas vitrines, vinculados de maneira tradicional aos modelos emblemáticos da composição cênica teatral, podem também atrair a atenção de potenciais compradores para a loja, pela retenção dos estímulos na mente dos espectadores, resultando em uma compra posterior por meio de comércio eletrônico (via website da loja). Essa técnica de aguçamento de me-

A iluminação como recurso fundamental para a visualização das informações e produtos demonstrados na vitrine pode ter um impacto ainda mais decisivo quando contextualizada aspectos e elementos específicos para a criação de cenários instigantes e incentivadores. Se um dos objetivos da iluminação aplicada à vitrine é valorizar ou reforçar uma marca ou produto, a Iluminação Cênica poderá ser um meio potencialmente próspero para a conquista de resultados promissores. Simples adequações da iluminação disponível já poderão também proporcionar vendas espontâneas, pelo simples fato de revelarem corretamente os elementos destacados, ao

mórias – visuais, afetivas, influenciadoras – tem sido utilizada pela publicidade de diversas maneiras, inclusive por Lighting Designers em espetáculos que provocam reflexões, surpresas e emoções, pela ativação de percepções e sensações associadas também à memória. Ainda mais quando recursos da Iluminação Cênica, tais como paineis de LEDs e Video Walls podem ser utilizados como integrantes de um projeto cujo objetivo é induzir um Storytelling – composto por recursos visuais que podem con-

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Vitrine e Storytelling com Iluminação Cênica. Fonte: Civic Innovation Design

tar uma história relevante sobre a marca ou o produto. Projetos luminotécnicos que prezam por soluções estáticas tendem a acomodar a percepção visual a uma condição de monotonia e previsibilidade. Do contrário, com a possibilidade de simulações versáteis e compatíveis com associações mais interessantes, como com a simulação das variações da luz no decorrer do dia, que se caracterizam pela constante mudança de temperaturas de cor e intensidade, ou que se alteram sensivelmente nas mudanças de estação ou mudanças no clima, já se tornam diferenciais, intrigantes para os consumidores mais atentos. Com esses elementos, a iluminação de varejo pode se tornar mais atraente e chamativa quando o projeto de iluminação é otimizado para os produtos expostos, e que

contemple variações e dinâmicas de acordo com momento diferentes para os mesmos clientes. Ainda sobre a temperatura de cor, o correto alinhamento dessa grandeza luminotécnica aos elementos expostos nas vitrines tona-se fundamental para o resultado esperado. Complementar a isso, o uso de filtros para luzes coloridas pode ainda proporcionar vigor e vivacidade, desde que adequadamente e sutilmente. Em outras condições, com exagero, pode ser atrativo e excitante, mas a relação da iluminação com os elementos expostos será completamente diferente – nesse caso, a luz será protagonista, em detrimento da marca ou produtos. Aliado a isso, as técnicas de Iluminação Cênica identificadas e analisadas em conversas anteriores, muitas delas associadas aos princípios do Design e da Gestalt, criarão

atmosferas e cenários únicos e personalizados, além da valorização, ornamentação e particularização, tão próprias para espetáculos como para as vitrines. De fato, a Iluminação Cênica pode se configurar em uma ferramenta fundamental para as estratégias promocionais, por todas as possibilidades e recursos disponíveis. Mais e mais oportunidades surgem para Lighting Designers, em produções artísticas e eventos pontuais ou seriados. Outras podem estar mais afastadas dos palcos, embora proporcionem as mesmas realizações e satisfações. Muitas delas podem estar evidentes, inclusive, na vitrine mais próxima... Abraços e até a próxima conversa!

Para saber mais redacao@backstage.com.br


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LUIZ CARLOS SÁ | www.backstage.com.br 64 Foto: George's Studio

ROQUE

SANTEIRO O MUSICAL - EM 1996

A

queles quarenta minutos que o táxi levou do Santos Dumont até o Morro da Viúva me pareceram intermináveis. Meu atraso já somava mais de uma hora e estar desse tanto atrasado para uma reunião com Bibi Ferreira – me acredite – não é bom negócio. Entrei esbaforido pela magnífica portaria, que de imediato levou-me de volta à infância, plena que era de mármores e madeiras nobres como costumavam ser os prédios mais elegantes do Centro e da zona sul carioca dos anos 50. Identifiquei-me ao porteiro e após cinco minutos de um diálogo sorridente pelo interfone (certamente travado com a funcionária de Bibi) ele reassumiu o ar grave que porteiros de prédios assim sisudos têm por dever de ofício. Saiu, solene, da imponente escrivaninha e abriu gentilmente a pesada porta do elevador para que eu entrasse. A grade pantográfica, dourada por décadas de lustro contínuo, fechou-se. O elevador foi subindo lentamente, dandome algum tempo para pensar numa desculpa válida, o que eu de antemão sabia que seria inútil, avisado que

fora pelo produtor Moysés Ajchenblat do rigor profissional da Diva. É, estou pondo o carro na frente dos bois. Acontece que aquela minha volta ao Rio depois de meses longe, o cheiro do mar, o calor do verão, a sombra das amendoeiras contrastando com o transito frenético da avenida Oswaldo Cruz – um território que minha carioquice frequentara muito pouco – me propôs este início algo nostálgico. Vamos do começo então? Podemos voltar a uma bela tarde em meados de 1995, no apartamento de Moysés, encravado na fronteira entre Ipanema e Leblon que o Jardim de Alá determina. Sua funcionária me servia o café e eu pensava na proposta que ele me fizera minutos antes. - Vou produzir um musical. Roque Santeiro. Moysés sorrira e saboreara minha surpresa. -? - Isso. Uma produção grande. O musical baseava-se num desejo antigo de Dias Gomes, que havia escrito a peça que dera origem à novela,


LUIZCARLOSSA@UOL.COM.BR | LUIZCARLOSSA.BLOGSPOT.COM O Berço do Herói, proibida pela censura ditatorial em 1965. Dez anos depois, apoiado pela Globo, ele tentara transformar a trama em novela, com esse mesmo título, musicada por Edu Lobo e Caetano Veloso, mas a censura voltou a mostrar suas garras e Roque Santeiro acabou por só poder ir ao ar em 1985, com uma trilha sonora que acabou por revelar – em dois discos – alguns dos maiores sucessos da discografia novelesca brasileira: as compostas por nós, Sá & Guarabyra (Roque Santeiro, Dona – com o Roupa Nova - e Verdades e Mentiras), o De Volta pro Aconchego de Dominguinhos e Nando Cordel (com Elba Ramalho), a Vitoriosa de Ivan Lins e Vitor Martins, os Mistérios da Meia Noite de Zé Ramalho, o Santa Fé de Moraes Moreira... Foi lembrando disso que entendi a intenção de Dias Gomes em retornar à ideia da comédia musical. - Mas vocês já não têm uma trilha do Edu com o Caetano? – perguntei ao Moysés. - Esse material foi perdido. O que temos é o que o Caetano pegou das letras originais do Dias e musicou. Mas falta toda a parte do 2º ato. Eu queria que você e o Guarabyra musicassem as letras do Dias que estão prontas e completassem o resto. Claro que liguei pro Guarabyra na hora. Topamos a empreitada. A trama era um terreno já bem conhecido por nós e de quebra ganharíamos em Dias Gomes um parceiro de peso, que havia muito admirávamos como escritor e teatrólogo. Mas o Moysés não parou por aí: - Queria também que você fizesse a direção musical... Pedi um tempo pra pensar. Além de não ser minha especialidade – nunca havia feito algo semelhante – eu morava em São Paulo e esse tipo de trabalho exigiria uma presença constante. Mas Moysés cortou minhas preocupações maiores pela raiz: - Vamos ter um arranjador e uma preparadora vocal. Em dois ou três dias por semana aqui no Rio você resolve o principal da coisa. Voltemos então à avenida Oswaldo Cruz, ao vetusto e imponente prédio dos anos...40? 50?... A funcionária de Bibi abriu-me a porta. Na sala, os atores reunidos

para a primeira leitura: Agildo Ribeiro, Nicette Bruno, Milton Gonçalves, Sidney Magal, Rogéria, Bemvindo Sequeira... um elenco estelar. Bibi olhou-me com aquela cara de “onde-você-estava-é-inútil-falarde-atraso-de-avião-coisa-e-tal”. Baixei a cabeça e desisti de falar do voo cancelado que me atrasara. Pouco tempo depois, eu e Guarabyra nos recolhemos em algum lugar, não lembro onde, e matamos em uma semana a trilha que nos cabia. Voltei com as músicas para o Rio e gravei com o produtor e arranjador Pedro Braga, enquanto a Claudia Alvarenga – preparadora vocal - tentava ensinar a cantar um elenco que em sua maioria não tinha a intimidade musical necessária. Nos ensaios, fiquei mais próximo de Dias e Bibi. Compartilhávamos a preocupação com a crise que começava a mostrar sua cara no país e que, como de costume, atingia antes de tudo o entretenimento e as artes. Mas na verdade não havia naquela época uma cultura do Musical, como já existe hoje no Brasil. Dava-se mais importância à parte do desempenho teatral que às habilidades vocais dos atores. O resultado acabou sendo aquém do esperado e com 13 atores e 29 bailarinos/cantores na folha de pagamento, Roque Santeiro – o Musical não conseguiu se sustentar em cartaz por mais de alguns poucos meses, frustrando a todos que trabalharam duro por seu sucesso. No ano passado, a opereta brasileira idealizada por Dias Gomes foi devidamente resgatada em São Paulo, com trilha sonora de Zeca Baleiro e direção de Débora Dubois. Um elenco enxuto e uma produção de acordo com a realidade da nossa cultura tornaram possível o renascimento desse brilhante texto, que parece não envelhecer nunca, admitindo intermináveis releituras. Dias Gomes morreu aos 76 anos, em 1999, num absurdo acidente de carro em São Paulo. Dele me resta uma carinhosa dedicatória na contracapa de sua autobiografia: “Para Sá, seu talento, seu profissionalismo, com um forte abraço do Dias Gomes – Rio, 17/5/98”. Foi uma honra trabalhar ao seu lado.

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Arena Áudio Eventos ......... (71) 3346 -1717 ...... www.arenaaudio.com.br ..................................................... 39 Audio et Design ................. (71) 3234-4016 ..................................................................................................... 15 Audio-Technica/Pride ......... (11) 2975 -2711 ...... www.audio-technica.com .................................................... 17 Augusto Menezes .............. (71) 3371-7368 ....... augusto_menezes@uol.com.br ........................................... 29 B&C Speakers Brasil .......... (51) 3103-1539 ....... www.bcspeakers.com ......................................................... 51 C.Ibañez ............................. (51) 3364-5422 ....... www.cibanez.com.br .......................................................... 23

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CSR .................................... (11) 2711-3244 ....... www.csr.com.br ............................................................. 2 e 3 Decomac ............................ (11) 3333-3174 ....... www.decomac.com.br ................................................ 4ª capa Festa Nacional da Música ... .............................www.festanacionaldamusica.com.br ................................... 63 Gabisom ............................................................... gabisom@uol.com.br .......................................................... 11 Gobos do Brasil .................. (11) 4368-8291 ....... www.gobos.com.br ............................................................... 6 Harman ................................................................ www.harmandobrasil.com.br ...................................... 3ª capa João Américo Sonorização . (71) 3394-1510 ....... www.joao-americo.com.br .................................................. 46 Lade Som ........................... (65) 3644-7227 ....... www.ladesom.com.br/ .......... ........................................47 LPL ....................................................................... www.lpl.com.br ..................... ........................................37 Oneal Audio ....................... (43) 3420-7800 ....... www.oneal.com.br .............................................................. 43 River Music / Powersoft ..... (17) 3353-7535 ...... www.rivermusic.com.br ...................................................... 25 Star Lighting ....................... (19) 3838-8320 ....... www.star.ind.br ................................................................... 61 TSI ........................................................................ www.tsi.ind.br ....................................................................... 9


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Edição 286 - Setembro 2018 - Revista Backstage  

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