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Sumário Ano. 20 - janeiro / 2014 - Nº 230

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Sertanejo e axé

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Com a Copa de 2014 e os demais eventos programados para acontecer na cidade do Rio de Janeiro, o mercado de entretenimento ganha um novo fôlego no setor de grandes eventos. De olho nos futuros negócios que podem surgir a partir dos novos empreendimentos esportivos construídos no país, empresas voltadas para o segmento de áudio, iluminação e show business estão de olho na série de investimentos desse setor, o esportivo.

A edição do Caldas Country de 2013 cumpriu muito mais do que prometeu ao mesclar o sertanejo universitário e o axé. Embora a área de realização do evento tenha diminuído um pouco, o festival acertou também em novidades no áudio e na iluminação.

NESTA EDIÇÃO 10

Vitrine O headfone AKG K452, o Sistema 10 Audio-Technica e o mais recente line array da SPL são uns dos destaques.

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Rápidas e Rasteiras Soundcraft lança atualização do aplicativo ViSi e novo álbum dos Raimundos terá participação de Sen Dog, do Cypress Hill.

20 Gustavo Victorino Fique por dentro do que acontece nos bastidores do mercado de áudio.

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Play Rec O guitarrista Fernando Magalhães lança novo trabalho de rock instrumental, e a dupla Gilson Peranzetta e Mauro Senise grava com a Amazonas Band.

24 O Som do PA Paulo Morais e Silvio Nunes revelam como chegam a uma identidade própria a cada trabalho na estrada.

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Grammy Latino Antes exclusivas aos norte-americanos, as edições do evento cada vez mais contam com brasileiros na lista de premiados.

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Microfone Amethyst Feitos de forma artesanal, os microfones Violet, fabricados no Leste Europeu, aos poucos vêm conquistando admiradores no mundo. O modelo Amethyst pode ser encontrado em duas versões: Vintage e Standard.

68 Os clipes estão de volta Quem pensa que o video clipe acabou deveria dar uma olhada nessa nova tendência de mercado: a venda deles pela internet.

92 Boas Novas O primeiro clipe de Dina Santos já está circulando na rede enquanto Eyshila e Aline Barros divulgam novos álbuns.

96 Vida de Artista Desta vez, Luiz Carlos Sá faz uma viagem e volta às lembranças da região do São Francisco, local inspirador para seu terceiro disco da época Sá&Guarabyra: Pirão de Peixe com Pimenta.


Metais DuBronx Grupo de percussionistas francês usa tonéis reciclados para fazer apresentação mundo afora. No Brasil, os músicos impressionaram durante performance no Rock in Rio.

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CADERNO TECNOLOGIA 42 Estúdio Yamaha MOXF. A novidade oferece mais que o dobro de memória do MOX e vem com o mesmo gerador sonoro do Motif XF.

46 Cubase Novidades para 2014. A versão 7.5 chega surpreendente com novos plugins, nova versão do Halion Sonic SE, gravação remota de áudio, entre outros.

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A versão 11 do Pro Tools já traz uma versão bem completa dos recursos MIDI. Neste artigo, a ideia é explorar o fluxo de edição MIDI.

52 Logic Lembram do Channel Strip Setting? No Logico Pro X, ele passa a ser chamado de Patch, um dos recursos da biblioteca de sons do Logic.

Pro Tools

60 Ableton Uma das funções mais revolucionárias e flexíveis do Ableton é a possibilidade de mapear Clips por meio de qualquer dispositivo MIDI.

CADERNO ILUMINAÇÃO 78 Vitrine O Robin Parfect 100, da Robe, e o palco de Cristal, Genial, são os novos lançamentos.

80 Iluminação Cênica Antes de dar início a um projeto de iluminação cênica, existe um conceito que o precede. Selecionar e priorizar dados é o que vai dar vida a esse conceito e nortear toda a produção e execução de um show.

86 Gravação DVD Diego & Diogo O projeto de iluminação da gravação do primeiro DVD da dupla de sertanejo universitário obedeceu a um conceito básico, mas com alguma diferença estética.

Expediente Diretor Nelson Cardoso nelson@backstage.com.br Gerente administrativa Stella Walliter stella@backstage.com.br Financeiro Rafael Pereira adm@backstage.com.br Coordenadora de redação Danielli Marinho redacao@backstage.com.br Revisão Heloisa Brum Tradução Fernando Castro Colunistas Cezar Galhart, Cristiano Moura, Gustavo Victorino, Jorge Pescara, Lika Meinberg, Luciano Freitas, Luiz Carlos Sá, Marcello Dalla, Ricardo Mendes e Vera Medina Colaboraram nesta edição Alexandre Coelho, Pedro Rocha e Ricardo Schott. Edição de Arte / Diagramação Leandro J. Nazário arte@backstage.com.br Projeto Gráfico / Capa Leandro J. Nazário Foto: Divulgação Publicidade / Anúncios PABX: (21) 3627-7945 publicidade@backstage.com.br Webdesigner / Multimídia Leonardo C. Costa multimidia@backstage.com.br Assinaturas Maristella Alves PABX: (21) 3627-7945 assinaturas@backstage.com.br Coordenador de Circulação Ernani Matos ernani@backstage.com.br Assistente de Circulação Adilson Santiago Crítica broncalivre@backstage.com.br Backstage é uma publicação da editora H.Sheldon Serviços de Marketing Ltda. Rua Iriquitiá, 392 - Taquara - Jacarepaguá Rio de Janeiro -RJ - CEP: 22730-150 Tel./fax:(21) 3627-7945 / 2440-4549 CNPJ. 29.418.852/0001-85 Distribuição exclusiva para todo o Brasil pela Fernando Chinaglia Distribuidora S.A. Rua Dr. Kenkiti Shimomoto, 1678 - Sl. A Jardim Belmonte - Osasco - SP Cep. 06045-390 - Tel.: (11) 3789-1628 Disk-banca: A Distribuidora Fernando Chinaglia atenderá aos pedidos de números atrasados enquanto houver estoque, através do seu jornaleiro. Os artigos e matérias assinadas são de responsabilidade dos autores. É permitida a reprodução desde que seja citada a fonte e que nos seja enviada cópia do material. A revista não se responsabiliza pelo conteúdo dos anúncios veiculados.


Do nosso jeitinho

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ara muitos, Ano Novo, novos planos. Para outros, mais um ano de oportunidades para finalizar o que já foi começado. No entanto, finalização parece não ser bem a palavra ouvida nos últimos meses. Com atraso nas obras para a Copa 2014, cinco cidades brasileiras ainda não conseguiram concluir os estádios e em duas cidades, quatro operários morreram enquanto trabalhavam nas construções.

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CARTA AO LEITOR | www.backstage.com.br

CARTA AO LEITOR | www.backstage.com.br

A falta de planejamento, a falta de um plano B e confiar as conclusões que deveriam ser garantidas pelo homem às mãos e graças de Deus é praxe no Brasil que só não é mais risível por que desmascara o despreparo e o desespero envolvidos. E infelizmente a falta do plano B não expõe somente a falta de compromisso com o fim, mas também com os meios. Fazem parte desse miolo, metade ou meio, como quiserem chamar, vidas de operários, técnicos, empregados que parecem estar fora da lista dos protocolos. E é importante não nos atermos apenas às construções, mas, de maneira geral, ao profissional que está envolvido de alguma forma em algum projeto, incluindo aquele do setor de entretenimento. Afinal, o nosso improviso cultural chega proporcional às partes que o executam, embora as consequências nem sempre sejam tão diferentes. Mudar é sempre possível e aproveitando uma palavra tão em voga, seria oportuno também traçar como legado a melhora dessas práticas que envolvem os meios para que elas atendam a um padrão Fifa. Afinal, aprender a planejar e seguir o plano traçado se aprende na escola. Boa Leitura.

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VITRINE ÁUDIO| www.backstage.com.br

LAXIAL25C www.splaltofalantes.com.br Chega ao mercado o mais recente Line Array da SPL. Totalmente confeccionado em alumínio, compacto (A 270mm x L 140mm x P 206mm), leve (10,7 kg) e com design “clean”, ele suporta 300 W RMS na impedância nominal de 16 ohms e corte em 200Hz. Pode trabalhar na configuração entre um e nove gabinetes, e isto permite usá-lo em sistemas de sonorização fixos ou móveis, Igrejas, Teatros, Clubes e Estádios. Mais informações no site.

SISTEMA 10 www.proshows.com.br A Audio-Tecnhica lança o Sistema 10, um sistema sem fio de alta tecnologia extremamente versátil com excelente desempenho para instalações, turnês, músicos, apresentadores e ambientes exigentes. Com montagem robusta, o Sistema 10 da Audio-Technica é a garantia para que um trabalho seja feito com excelência. O receptor digital é em formato tabletop que emite comunicação em microondas na faixa de 2.4GHz sem quaisquer interferências de frequência.

AKG K452 www.harmandobrasil.com.br A AKG amplia seu papel de vanguarda no desenvolvimento de headphones de alta tecnologia com o lançamento do modelo AKG K452. Desenvolvido para uma audição longa confortável, possui design fechado para melhor isolamento de ruído, mecanismo com eixo 3D dobrável, arco estofado e case de transporte Premium. Disponível na cor azul, seu fio unilateral com botão de controle de volume integrado e ampla resposta de frequência (11Hz – 29.5kHz) garantem uma alta qualidade de som com padrão de estúdio, independente de onde for utilizado. Sensibilidade de 125 dB, impedância de 32 ohms e alto falantes de 40mm são outras especificações técnicas do produto.

8NDL64 www.bcspeakers.com Devido a constantes solicitações do mercado de áudio profissional de alto-falantes com níveis sonoros cada vez mais elevados, o novo 8NDL64 representa uma evolução natural. Provido de uma bobina de cobre com 2,5” de diâmetro, este novo woofer de 8” chega a uma potência de 350W, ou seja 70% a mais que os típicos falantes com bobina de 2” da B&C. O 8NDL64 possui suspensão doubleroll, um anel de curto em cobre para aumentar a extensão da alta frequência e entre-ferro ventilado para reduzir a compressão de potência. Com baixa distorção, resposta de frequência uniforme de 80 a 4000Hz e sensibilidade de 97dB em toda a faixa, o 8NDL64 em neodímio representa uma solução versátil à linha da B&C para aplicação em line array e point source.


SISTEMA LWM-58 www.proshows.com.br Versatilidade e qualidade. Essas duas características compõem o sistema LWM-58, da Lexen. Seu timbre limpo e brilhante resulta numa resposta de frequência ajustada. O padrão polar cardioide com cápsula Classe A é de alta qualidade e extremamente eficiente, pois isola a fonte principal de áudio e minimiza a captação de sons laterais e traseiros. A tecnologia de compressão e expansão de áudio reduz os ruídos, aumentando a definição e clareza do som. Atua na banda UHF de 614~806 MHz com menos ruído e interferência. Possui filtro multi-nivel de alta frequência e banda estreita para evitar interferências, indicador de nível de bateria e chave liga/desliga no bastão.

IPD SERIES www.decomac.com.br Os amplificadores da Série IPD reúnem o famoso desempenho e confiabilidade Lab.gruppen com recursos DSP de última geração a um preço acessível . Esta série tem duas configurações de potência , IPD 1200 e IPD 2400, com uma potência de saída de 4 ohms 2 x 600W e 2 x 1200W, respectivamente. Ambos incorporam DSP integrado , monitoramento e controle através de um computador ou iPad, com 4 canais de entrada, controles configuráveis ??no painel frontal com display gráfico, entradas analógicas e digitais (AES3 , sistema redundante) , e limitadores . Em cada IPD um há um DSP equipado com um total de 40 equalizadores paramétricos , delay de entrada, saída, highpass e lowpass ajustável. Possui limiter de picos de voltagem configurável por sotware nas saídas enquanto um sistema de entrada do mixer de 4 canais oferece entrada de roteamento que normalmente não é visto em um amplificador.

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Soundcraft lança atualização do aplicativo ViSi Remote ...para mesas da série Si e Vi As consagradas mesas digitais Si Compact, Si Expression, Si Performer e Vi contam agora com a atualização de seu aplicativo de controle via iPad. A versão 2.0.24 do software adiciona novas funcionalidades para os modelos da série Si, tornando mais fácil o controle para diversas aplicações como o equalizador paramétrico, filtro HPF, dinâmicos, fase, delay e endereçamento para LR/Mono. Todas as melhorias estão disponíveis para os canais de entrada e saída.

Os recursos já existentes, como volume, on/off e equalizador gráfico continuam mantendo a performance e confiabilidade características da série Si. Para que o novo aplicativo funcione é necessário que as mesas sejam atualizadas para a mais nova versão. O download pode ser feito no endereço www.soundcraft.com/downloads/software.aspx e o aplicativo é encontrado gratuitamente na Apple store: http://itunes.apple.com/gb/ app/soundcraft-visi-remote/id524627131?mt=8

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MARTIN ILUMINA ATRAÇÕES ...do Planeta Terra Festival 2013 Onde existam shows e festivais de destaque no cenário mundial, a Harman marca presença com suas consagradas soluções em áudio e iluminação. No caso do Brasil, após estar presente na edição do Rock in Rio de 2013, foi a vez de iluminar as principais atrações do Planeta Terra Festival, realizado em São Paulo, no início de novembro. O destaque ficou por conta da utilização de uma das novidades da Martin Professional no Brasil, empresa focada em iluminação recentemente adquirida pelo grupo Harman International, com o MH 3 Beam, integrante da linha de produtos trazidos ao país com preços acessíveis.

Shows de astros como Blur, Beck e Lana Del Rey contaram com a performance do MH 3 Beam, poderoso moving head que lança um feixe de longo alcance intenso e estreito para espetaculares efeitos no ar. Além disso, abriga uma roda de gobo fixo e roda de cores com uma multiplicidade de efeitos possíveis a partir de um dimmer e estrobo, zoom, prisma de 8 faces e regulagem de foco. Entre as outras novidadades oferecidas pela Martin no país estão o RUSH MH1 Profile, MH 2 Wash, Strobe 1 5x5 , Par 1 RGBW e Pin 1 CW, equipamentos que oferecem a garantia de desempenho e confiabilidade, marcas registradas da Harman.

HARMAN INTERNATIONAL ADQUIRE DURAN ÁUDIO A Harman acaba de anunciar a aquisição da empresa de capital fechado Duran Áudio BV. A aquisição oferece à Harman acesso a tecnologias eletroacústicas e baseadas em softwares de controle de diretividade, incluindo sua consagrada linha de colunas “dirigíveis”. A partir de agora, os produtos AXYS e suas tecnologias farão parte da linha de produtos Harman Professional. “A aquisição da Duran Áudio BV reforça o compromisso assumido pela Harman para avançar com nossa liderança em tecnologia, tanto através de P & D como aquisições”, disse Dinesh C. Paliwal, presidente e CEO da Harman. Fundada na Holanda, em 1981, por Gerrit Duran, a Duran Áudio ganhou uma forte reputação com seus produtos AXYS de áudio profissional, incluindo alto-falantes, amplificadores, processadores de sinal e dispositivos de rede. A Duran Áudio foi pioneira com os modernos alto-falantes “beam steering”, que direcionam o som para um local específico, e “beam shaping”, customizáveis para a utilização em eventos de pequeno porte ou até mesmo em grandes espetáculos, que são essenciais para enfrentar ambientes acústicos exigentes.

TRÊS EM UM O diretor de criação da Coletiva Produtora, Adriano Cintra, acaba de finalizar três trabalhos completamente diferentes. Cintra produziu algumas faixas dos novos discos do Jota Quest e do cantor Marcelo Jeneci e também lançou o EP do duo Madrid, do qual é vocalista e guitarrista. Para o novo álbum do Jota Quest, Adriano Cintra trabalhou as músicas Entre sem bater, O sono dos justos e Toxina voyeur. Com faixas dançantes, a nova produção também contou com a colaboração do norte-americano Jerry Barnes, produtor que já trabalhou com nomes como Stevie Wonder e Joss Stone. Já o novo álbum De Graça, de Marcelo Jeneci, foi produzido por Adriano Cintra e Kassin.


D.A.S. NA PRIMAVERA

Nos dias 8 e 9 de novembro na cidade de Pirenópolis em Goiás, diante de mais de 10 mil pessoas,

aconteceu o Canto da Primavera 2013 com a presença de Gilberto Gil, Fernanda Abreu, Emicida, The

Legendary Tigerman, de Portugal, e artistas locais. A sonorização do evento ficou a cargo da empresa Studio K que escolheu o sistema Aero 40A, o mais novo lançamento da D.A.S. Audio, sendo a primeira empresa a utilizar o sistema na America Latina. A facilidade de instalação e uso do sistema via DASNET, foi um ponto vital para a escolha do sistema, segundo os proprietário, bem como a qualidade do som que precisavam obter. Tanto o público quanto os técnicos responsáveis pelo evento destacaram a clareza de som e potência desses sistemas.

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...Oficinas da Música Universal - Que nem o Mundo O inquieto multi-instrumentista Itiberê Zwarg, um dos responsáveis pela renovação da música instrumental no Brasil, segue em frente com o conceito de universalidade herdado de Hermeto Pascoal (com quem toca há três décadas) lançando o CD Oficinas da Música Universal - Que nem o Mundo” (selo Delíra Música). O

show de lançamento aconteceu no dia 28 de novembro, no Rio de Janeiro. Itiberê, que assina as composições (inéditas), arranjos e a produção musical do CD, dividirá o palco com 10 alunos que atualmente fazem parte do projeto. Eles apresentarão as obras que foram criadas durante as Oficinas da Música Universal, realizadas ao longo dos anos de 2012 e 2013 na Escola Maracatu Brasil.

NOVO ÁLBUM DOS RAIMUNDOS TERÁ A PARTICIPAÇÃO DE SEN DOG DO CYPRESS HILL A visita de Sen Dog, do Cypress Hill, durante as gravações do novo álbum dos Raimundos, Cantigas de Roda, nos Studios Firewater em Los Angeles, rendeu a participação do rapper na faixa Dubmundos. Billy Graziadei trabalhou na mixagem e a masterização ficou a cargo de Maor Appelbaum, que tem grande experiência na indústria musical e já trabalhou com nomes como Sepultura, Halford, Fight, Gilby Clark, entre outros.

Livro revela história da música folclórica mineira

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ITIBERÊ ZWARG LANÇA O CD

O músico e pesquisador Yuri Popoff - que já trabalhou com nomes como Toninho Horta, Beto Guedes, Leila Pinheiro, Cassia Eller, Nana Caymmi -, em parceria com a musicóloga Cecilia Cavalieri França, doutora em Educação Musical pela London University, pesquisadora, compositora, autora e consultora musical pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), lançaram, no Rio de Janeiro, o livro Festa Mestiça – o

congado na sala de aula. Os autores mergulharam em uma pesquisa sobre a música e a arte folclórica de uma parte importante do estado de Minas Gerais, a região de Montes Claros, onde até hoje se pratica canções e ritmos tais como Marujada, Caboclinhos, Catopê. Editado pela editora UFMG, a publicação de 77 páginas traz ilustrações com desenhos e fotos e um CD com 33 faixas contendo as gravações de músicas e batuques da manifestação.

EQUIPO REALIZA TREINAMENTO DE VENDAS EM MARINGÁ (PR) No dia 21 de novembro, a Equipo promoveu treinamento de vendas na sede da Oderço, em Maringá, no Paraná. Direcionado aos colaboradores da empresa, o treinamento teve como foco principal os instrumentos musicais e equipamentos de áudio profissional das marcas Waldman, Medeli e Koss. Na ocasião, o especialista e supervisor Técnico da Equipo, Reginaldo Pessoa acompanhado pelo Gerente de Key Account, Cássio A.G - abordou temas como a história das marcas, seus respectivos conceitos e diretrizes. O workshop também teve uma breve exposição dos principais produtos da empresa, tornando o treinamento muito mais interativo entre os participantes, que também puderam conferir de perto o diferencial de cada produto.


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REPRESENTANTES DA IBANEZ E TAMA NO BRASIL No final do mês de novembro, os diretores Juliano e Everton Waldman da Equipo receberam a visita dos executivos Jun Hosokawa e Taisuke Inoue, das empresas de instrumentos musicais Ibanez e percussão Tama, respectivamente. Um dos principais motivos da visita foi discutir um novo projeto relacionado ao ensino musical no Brasil e algumas estratégias comerciais para os próximos anos. Na ocasião, os representantes também tiveram a oportunidade de conferir a expansão das marcas japonesas no mercado brasileiro e conhecer de perto o trabalho desenvolvido por algumas das principais lojas de instrumentos musicais. “Acreditamos ser de vital importância o acompanhamento de um mercado tão único quanto o nosso por parte destas grandes marcas. Variáveis como o crescente aumento da concorrência, instabilidade econômica, comportamento do consumidor quando acompanhadas de perto pelas marcas resultam em ações mais imediatas para manter e conquistar posição de destaque em um mercado em constante mudança”, afirma Edgard Ribeiro, gerente de marketing da Equipo, importadora e distribuidora exclusiva de mais de 20 marcas de instrumentos musicais, equipamentos de áudio profissional e iluminação.

ROBE RECEBE PRÊMIO NA LDI 2013

O show de luzes criado para o estande da Robe pelo lighting designer Nathan Wan foi vencedor do prêmio LDI, em Las Vegas, na categoria de Melhor Design de Estande Grande. Com um projeto que privilegiou o branco total, o show de luzes, que acontecia de 30 em 30 minutos, foi um dos mais comentados durante a feira. A empresa fabricante de equipamentos de iluminação levou para a LDI 2013 o novo Pointe, que também já ganhou diversos prêmios, além do ROBIN MiniMe, CycFX8, Cyclone, MMX Blade e ParFect 100. Além dos

produtos, outra atração no estande foi a presença do recém-nomeado CEO da Robe Lighting Inc. Bob Schacherl, cuja ampla base de contatos e popularidade também atraiu um grande número de pessoas ao estande para parabenizá-lo e dar as boas-vindas à ‘família’ Robe.

HARMONIA E BAIXO O instrumentista Sérgio Pereira acaba de lançar a quinta edição do livro Harmonia e Baixo. De modo didático, informativo e organizado, o autor reuniu uma quantidade considerável de informações sobre técnica, harmonia, história e perspectivas sobre o baixo elétrico. A publicação, direcionada tanto para alunos quanto para profissionais, traz ideias sobre a compreensão da conexão crítica entre o mecanismo de tocar baixo e o da música, bem como informações sobre alongamento e aquecimento.

ROLAND TEM NOVO ENDEREÇO A Roland, a partir de agora, está em novo local. A empresa agora está em Cotia (SP), na Rua San José, 211, Parque Industrial San José, no bairro Jardim Belizário.


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TÉCNICOS PARTICIPAM DE WORKSHOP ...sobre o sistema Avid S3L Técnicos de áudio e especialistas de produto da distribuidora Quanta Brasil se reuniram no dia 26 de novembro para um workshop com o Gerente de Produtos e um dos desenvolvedores do sistema S3L da Avid, o inglês Al McKinna. O treinamento foi realizado na sede da distribuidora oficial Quanta Live e durou cerca de três horas. Além de apresentar os diferenciais do console, o evento também abriu um canal de comunicação entre a empresa e os profissionais do País para o compartilhamento de experiências, sugestões e feedback sobre a utilização do sistema no Brasil. McKinna destacou ainda o custobenefício como um diferencial.

“Esse console é um pouco diferente, podemos dizer que é a nova geração dessa tecnologia. Ele é pequeno, prático. Nós o desenvolvemos porque começamos a perceber que muitas pessoas no mercado vinham buscando consoles menores ou mais baratos e precisávamos de um equipamento que pudesse ser as duas coisas e ainda assim funcionar de uma forma eficiente”. Segundo Emerson Jordão, gerente de vendas das linhas Pro Audio e Live Sound para o Brasil, o S3L é composto por uma Superfície de Controle, uma Engine e o Stage Box, todos conectados pela tecnologia Ethernet AVB, oferecendo alta portabilidade e excelente qualidade.

Seminário Brasil-Dinamarca

Brian Johansen, Jan Larsen, Luiz W. P. Biscainho e Rodrigo Ordoñez

Nos dias 25 e 29 de novembro, o Consulado da Dinamarca, em parceria com a Danish Sound Innovation Network, promoveu um seminário gratuito, no Rio de Janeiro, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); e em São Paulo, na Universidade Federal de São Paulo (USP), sobre tecnologia de áudio, mídia e processamento de sinais. O evento aconteceu em parceria com o Núcleo de Engenharia de Áudio e Codificação Sonora (NEAC)

do Laboratório de Sistemas Integráveis (LSI-EPUSP). Profissionais dinamarqueses e brasileiros apresentaram projetos relacionados com soluções de áudio para TV, estudos sobre controle de volume e ruídos e psicoacústica, entre outros assuntos. O seminário foi destinado a pesquisadores e profissionais da área de acústica, estudantes, representantes da indústria e demais interessados.


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GUSTAVO VICTORINO | www.backstage.com.br 20

almente famosas no Brasil. Mas pelo jeito essa luta é como secar gelo.

MUDANÇA

Não foram poucos os importadores que viraram o ano com enormes prejuízos motivados pelo gargalo alfandegário brasileiro. O descalabro do serviço público em nosso país associado ao despreparo de técnicos e fiscais transformou a vida de importadores num verdadeiro inferno. Sem fazer juízo de valor sobre má fé, a irritante e recorrente morosidade da burocracia brasileira deixou muita gente sem estoques para atender o comércio. Alguns containers ficam meses parados nos portos esperando o carimbo de um burocrata. E o prejuízo é inevitável. É o Brasil a caminho da “venezuelização”.

Stenio Mattos, da Azul Produções, não teve outra alternativa senão mudar as datas do Rio das Ostras Jazz & Blues, um dos maiores festivais do mundo e que acontece anualmente no Brasil. Em um ano atípico e pressionado pelo calendário da Copa do Mundo, o evento passou do mês de junho para agosto de 2014. A boa notícia é que ficou ainda maior. Logo divulgo as primeiras atrações e o calendário definitivo.

MADE IN BRAZIL DO PRÓPRIO VENENO Os chineses sempre se lixaram para copyright ou qualquer tipo de propriedade imaterial. Desenvolveram sua economia fazendo cópias baratas e produtos populares. A realidade mudou e a China hoje já produz produtos de primeira linha e começa a provar seu próprio veneno. Embora ainda desconhecidas no ocidente, algumas marcas chinesas identificadas por produtos de boa qualidade e por isso de bom valor agregado, começam a ser copiadas em pequenas fábricas no sudeste asiático. E como o mundo dá voltas, a China agora quer entrar na luta contra a pirataria. Nada como um dia após o outro, e claro, uma noite no meio.

VIZINHOS A fronteira seca brasileira tem um gigantismo que dificulta qualquer vigilância. Nos estados do sul, a entrada de produtos em notório descaminho virou preocupação de importadores e da Polícia Federal. Notadamente Paraguai, Argentina e Uruguai têm sido usados como plataforma de ingresso de produtos que escapam ao controle da Receita Federal. O surgimento constante de preços malucos praticados pelo mercado alertou os importadores e representantes legais de algumas marcas mundi-

A qualidade das guitarras do luthier brasileiro Zaganin já atravessam nossas fronteiras. Vários artistas internacionais já vieram aqui e voltaram com uma guitarra do craque brasileiro debaixo do braço. E os elogios não são poucos.

PELA MÚSICA Oito dos maiores guitarristas do RS decidiram criar um projeto voltado ao ensino da música. Cada um gravou um tema instrumental tendo a guitarra como fio condutor. O grupo destinou a renda da venda do CD a projetos sociais que promovam o ensino musical fundamental. O título do disco dá o tom do projeto: Guitar Friends. O trabalho reúne os guitarristas Veco Marques e Carlos Stein (Nenhum de Nós), Duca Leindecker (Cidadão Quem), Hernán González (Vera Loca), Marcelo Corsetti, Paulinho Supekovia, Angelo Primon e Richard Powell.

PERDA Morreu no mês passado nos EUA um dos maiores guitarristas de jazz de todos os tempos. Jim Hall, os 83 anos, ainda tinha uma agenda de dar inveja a muita atração do tipo farofa midiática que anda por aí. Era o guitarrista predileto de Ella Fitzgerald e gravou dezenas de discos com a diva durante os quase 70 anos de carreira. Foi referência para gui-


GUSTAVO VICTORINO | VICTORINO@BACKSTAGE.COM.BR

tarristas como Pat Metheny e Bill Frisell e se preparava para uma turnê pelo Japão. “Quero morrer no palco com uma guitarra nas mãos” dizia. Não foi atendido pelos céus, morreu dormindo em sua casa em New York.

no federal voltado à redução da carga tributária. Hoje o produto produzido aqui não tem nenhuma competitividade e não fossem nossas commodities e produtos primários, a balança comercial brasileira seria vergonhosa. Valor agregado aqui é palavrão.

SANFONEIROS Não me perguntem por que, mas queria saber de onde o estado de Pernambuco tira tanto sanfoneiro bom? A tradição de Luis Gonzaga parece ter incorporado naquela terra. Qualquer boteco ou barzinho com música ao vivo tem algum instrumentista virtuoso pilotando uma sanfona no palco. Ou eles têm as melhores escolas de sanfona do mundo ou o velho Gonzagão anda mexendo os pauzinhos (ou seria as teclas) lá em cima.

NOVIDADE A ideia de acoplar micro compressores no próprio microfone parece estar decolando. Alguns protótipos desenvolvidos pela Sennheiser já foram usados em shows pela Europa e mostraram bons resultados. Ainda em fase de desenvolvimento, a novidade quer reduzir a compressão linear e tornar o microfone mais “vivo” nas mãos do artista. Esse processo quando executado pela mesa de áudio corta frequências desnecessárias, mas também acaba eliminando outras fundamentais e com isso tira muito da nuance que os grandes cantores tanto apreciam nos microfones de alta sensibilidade.

TRAVADO O projeto da Yamaha de produzir instrumentos de sopro no Brasil nunca saiu do papel. Mas ele existe. Assim como a empresa japonesa, tenho a informação de que muitas outras multinacionais de grande porte aguardam um projeto consistente e confiável do gover-

OS CHATOS E OS BONS Os fãs que me perdoem, mas a badalada banda Muse é muito chata. Se bem que depois que os americanos escolheram a tal Miley Cyrus como artista do ano, nada mais me surpreende. Bastou a moça tirar a roupa e aprontar alguma papagaiada que já virou melhor qualquer coisa para os gringos. Mas a modernidade não é sinônimo de ruindade. Artistas que soam bem e com personalidade existem aos montes. Minha escolha para melhores de 2013 ficaria entre Artic Monkeys e Mumford & Sons. Ingleses, claro...

gramador que se julga “muderninho” e coloca shows ao vivo de DJs a quem tratam como músico ou artista, ou ainda alguma bobagem midiática que faz música rasteira. Essa gente, aliás, já tem espaço até demais para a porcaria que fazem. Apostei que o canal não resistiria muito tempo à pressão da breguice que corroeu a MTV, o MultiShow, o VH1 e outros que começaram bem, mas tentaram se assumir como engraçadinhos ou pseudo modernos. Estou torcendo para estar errado...

MADEIRA As madeiras brasileiras voltaram a ser a bola da vez. Exportadas indiscriminadamente e tratadas como top de matéria prima, o produto é vítima da falta de estrutura do Ibama para vigiar um país continente. Não bastasse isso, os “peixes” envolvidos nesse crime são de tamanho considerável. E fazem sombra até em Brasília.

THE VOICE BRASIL Por mais que eu receba mensagens com ofensas, suspeitas, acusações e todo o tipo de crítica que se possa fazer ao programa The Voice Brasil, mantenho a minha posição já exaurida no ano passado. O programa é um evento televisivo, manipulado, beira a pieguice, ficou pior em 2013, mas a tudo isso eu complemento com uma pergunta: preferem um enlatado americano no horário? Ou essa pequena mostra de talentos brasileiros em busca de espaço não merece uma vitrine? A resposta define a minha opinião. Mas quem venceu no ano passado mesmo?!?

RESISTINDO O canal a cabo BIS até que vem resistindo bem e tentando manter uma programação musical digna. As escorregadelas certamente devem ser atribuídas a algum produtor ou pro-

LEI SECA A legislação aprovada pelos nossos gloriosos parlamentares federais reduziu pela metade a movimentação noturna nas grandes cidades brasileiras. A quebradeira de bares e pubs é generalizada. Com conhecimento de causa, o ex-presidente Lula disse certa vez que o Brasil é um país hipócrita. Agora ficou também chato e monótono.

TESTE Desafiado por um leitor dessa coluna, decidi testar na estrada a máxima de que nem tudo o que é barato necessariamente é ruim ou limitado. Empunhando três guitarras que custam menos de 500 reais para o consumidor final, subi nos palcos para shows de final de ano em vários eventos pelo sul do país. O resultado foi surpreendente e estará em breve aqui nas páginas da Backstage.

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DANIELLI MARINHO | REDACAO@BACKSTAGE.COM.BR

AMAZONAS BAND CONVIDA... Gilson Peranzetta e Mauro Senise Este trabalho é fruto do encontro de Gilson, Mauro e a Amazonas Band durante o 7º Festival Amazonas Jazz, em julho de 2012. O CD traz oito faixas que funcionam como uma amostragem do repertório do duo: quatro são originais de Gilson, duas são parcerias com Dori Caymmi e Ivan Lins, e outras duas são clássicos da MPB. Passeando entre o jazz moderno e sonoridades próprias da região Norte do Brasil, as músicas revelam uma integração entre o clássico, o erudito e o popular executadas sob a batuta do regente Rui Carvalho, que assina também a direção musical do CD. Os arranjos são de Peranzzetta e a produção executiva de Eliana Peranzzetta e Ana Luisa Marinho. Gravado ao vivo no Teatro Amazonas, o disco foi mixado por Clément Zular e Rui Carvalho e masterizado por Homero Lolito.

ROCK IT! Fernando Magalhães Nesse novo trabalho autoral, o guitarrista e compositor tem o desafio de mostrar ao público composições inteiramente de rock instrumental. Nas dez faixas que compõem o CD, Fernando contou com a parceria do músico, compositor e produtor Roberto Lly, ex Herva Doce. O repertório passeia por variações e moods distintos, da aceleração da faixa título Rock it! à suavidade de Olhando o Céu e Anos Luz. Para este disco, Fernando escalou ainda um time de músicos e amigos com os quais tem muita intimidade entre eles Pedro Strasser, Sergio Villarim, Sergio Melo, Kadu Menezes, Humberto Barros e Mauricio Barros. A ideia do guitarrista foi fazer um CD dedicado à sua infância e adolescência, no final dos anos 70, o que se traduz na imagem da capa, produzida por Humberto Barros.

COMPOR Paulo Rego Este é o primeiro trabalho solo e autoral do saxofonista, flautista, compositor e arranjador Paulo Rego, fundador do grupo No olho da Rua, que prima pela criatividade na profusão de ritmos e harmonias, com tempero de jazz brasileiro. As dez faixas do CD trazem ritmos diversos mas que ao mesmo tempo se encaixam perfeitamente nos arranjos e melodias como o samba-jazz Sambairê Eletrônico, a toada-baião Café com Guinga ou ainda o jazz-pop de Maresia. O disco que sai independente com distribuição da Tratore, contou com as participações de Guinga, no violão; José Arimatéia, no flugelhorn; Julio Merlino, no sax tenor; Gilberto Pereira, no sax soprano; Pedro Bittencourt, no sax barítono; Geraldo Costa, no trombone; Luciano Correa, no violoncelo; Felipe Ventura, no violino; Rodrigo Ferreira, no contrabaixo e baixo elétrico; Pedro Franco, no violão de 7 cordas e guitarras, e Xande Figueiredo, na bateria.

NOSSAS NOVAS Teresa Veler Impossível ouvir este CD e não lembrar daquele final de tarde nas praias da Zona Sul carioca nos anos 60 e 70. Tempos que não voltam mais, mas que podem ser relembrados na voz doce e bossanovística de Teresa Veler, que encanta os ouvidos ao longo das 13 faixas do CD. Fevereiro, Noites de Silêncio, Sol de Dezembro e Falando em Pedaços parecem resumir a alma deste trabalho, sem desmerecer outras composições, tão encantadoras quanto as demais. Gravado, mixado e masterizado no Cervantes Estudios, em Lisboa, Portugal, o disco traz Teresa Veler nos vocais, Ernesto Leite no piano, Markus Britto no baixo e Henry Sousa na bateria.


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O som DE CADA PA

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PARTE 15

V Em mais uma reportagem da série que revela os segredos de técnicos de áudio de todo o Brasil, Paulo Morais e Silvio Nunes contam como buscam uma identidade própria a cada trabalho na estrada.

elho conhecido da cena musical brasileira, especialmente a carioca, Paulo Morais já trabalhou com artistas como Alceu Valença, Banda Black Rio e Monobloco, entre outros. Atualmente, atua com o grupo Cidade Negra e a cantora Clarisse Falcão. O profissional não tem dúvidas sobre quais são as características técnicas que melhor definem seu trabalho: equilíbrio e limpeza de timbres.

Alexandre Coelho redacao@backstage.com.br Revisão Técnica: José Anselmo “Paulista” Fotos: Arquivo Pessoal / Divulgação

Paulo Morais

“Eu procuro um equilíbrio sem abusar muito do sub (que sempre uso por um auxiliar), filtrando bem todos os canais e usando gate nos tambores mais graves, sempre buscando uma sonoridade mais limpa”, garante. Com uma vasta carreira como profissional de áudio, trabalhando com artistas dos mais variados estilos e gêneros musicais – do MPB ao funk, passando pelo samba e o reggae, entre outros –, Morais


show em determinado local com certa banda, não necessariamente funcionará com outra, do mesmo modo que estas bandas apresentarão necessidades variadas em locais diferentes. “Mas eu preciso me adaptar o tempo todo. É o caso de o cantor pedir mais ou menos de determinada região de frequências. Isso ocorre por alguns motivos: o volume ainda não estar adequado, ou por não conhecer o microfone com que vai cantar. Nesses momentos, sempre explico que não é o aumento ou redução de graves, médios ou agudos que necessariamente vai ajudar. Muitas vezes, apenas um pouco mais de volume é suficiente, ou ainda, um reposicionamento dos monitores resolve o problema”, explica. No que diz respeito a aspectos técnicos, Paulo Morais acredita que os

não vê grandes dificuldades em se adaptar a cada situação. O segredo é simples: basta manter o foco na essência de cada trabalho. “A grande preocupação é manter a identidade do artista. Por exemplo, no show do Cidade Negra, o baixo e bateria são na cara e os delays são uma obrigação”, exemplifica. Especialista em shows de rock e blues, Silvio Nunes já trabalhou com várias bandas desses segmentos musicais ao longo de mais de duas décadas de carreira. Recentemente, foi contratado para fazer o show no Rio do grupo Never Say Die, considerado um dos maiores tributos ao Black Sabbath no Brasil. Para ele, o que melhor define seu som é a certeza de que tudo está soando como deve, ou, pelo menos, o mais próximo possível disso.

Mas eu preciso me adaptar o tempo todo. É o caso de o cantor pedir mais ou menos de frequências. (Silvio Nunes)

“De modo geral, a passagem de som sendo bem feita, com tempo suficiente para que todos os instrumentos, vozes e samplers se tornem nítidos e equilibrados, nos dá uma boa base de como será a sonoridade no show. É claro que estamos falando de um start point, pois, com a chegada do público, são sensivelmente alteradas a temperatura e a umidade relativa do ar, além de serem criadas barreiras físicas que podem nos fazer voltar aos equalizadores e aos faders para nova definição de parâmetros”, observa. Silvio acredita que a necessidade de adaptação é diretamente proporcional às exigências de cada músico ou banda. Para ele, o que funciona em um

profissionais de áudio ficam limitados ao que cada sistema oferece, bem como às condições físicas dos ambientes em que são realizados os shows. Com equipamentos e locais adequados, basta o profissional de áudio empregar sua experiência e extrair o melhor som para aquele trabalho. “Na verdade, o som já está na nossa cabeça, eu sei o som de bumbo que eu preciso tirar, mas, no fundo, fazemos o som que o PA nos permite e o que o ambiente autoriza. Felizmente, hoje em dia, as caixas evoluíram muito e as mesas digitais facilitam bastante”, enfatiza. Paulo Morais lembra ainda que, na maioria dos casos, o técnico de áudio que acompanha o artista já encontra o

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Silvio Nunes

costuma fazer esse refinamento do áudio usando algum CD do próprio artista que irá se apresentar, ou de algum outro artista no mesmo estilo musical. Já a passagem de som, segundo ele, depende de cada artista, mas, em geral, é feita com o pessoal da técnica. “Os roadies, geralmente, são músicos e sabem tocar todos os instrumentos. Pode parecer meio doido, mas desta forma é mais rápido e fica mais ao gosto do músico”, assegura. Silvio Nunes, por sua vez, não abre mão de duas músicas conhecidas suas no momento de timbrar o sistema de som que

PA alinhado quando chega para fazer a passagem de som de uma apresentação ao vivo. Desta maneira, a principal função do técnico é adaptar aquele sistema que já está em condições de ser usado no show para as características do artista com o qual ele trabalha. “O grande trabalho de um técnico de PA é refinar o alinhamento – teoricamente, o PA lhe é entregue alinhado – para aquele estilo musical, ou começar invertendo a fase do sub, mas isso depende da equipe técnica que representa a firma de som”, destaca. Já para Silvio Nunes, a boa sonoridade de um show está ligada a vários fatores, mas existem dois em especial que ele destaca como primordiais: a qualidade dos equipamentos e a experiência do operador. Ele ressalta que bons equipamentos sempre ajudam muito e, apesar das muitas marcas e modelos de qualidade no mercado, diz que prefere trabalhar com mesas da Yamaha, microfones Shure e produtos da Audio-Technica, entre outros. “Para alinhar o PA, atualmente, dispomos de vários analisadores de espectro, tanto físicos quanto em softwares, que nos ajudam bastante. Mas, uma vez alinhado o sistema, sempre dou meu toque pessoal, pois a máquina é precisa, mas não sente emoções. Ou seja, deixo a conclusão para o meu ouvido”, ensina.

Para alinhar o PA, atualmente, dispomos de vários analisadores de espectro, tanto físicos quanto em softwares ... (Silvio Nunes)

Para comparar a sonoridade do PA antes e depois de alinhado, Paulo Morais não tem um CD ou pen drive com músicas de sua preferência. Ele

irá utilizar no show. Como geralmente ele atua em shows de bandas com uma sonoridade mais pesada, o técnico lança mão de gravações igualmente pesadas


tem que confiar que você entendeu o que ele quer. O fato de eu ter trabalhado uns 20 anos gravando (gravo até hoje) me ajuda muito ao vivo e vice-versa. Minha captação ao vivo em estúdio melhorou muito com a experiência do PA”, compara. Da mesma forma que o colega, Silvio Nunes também já atuou e ainda atua como técnico de monitor. E, igualmente, acha que se trata de uma fun-

para uma melhor comparação. “Minhas preferidas são Stairway to Heaven, do Led Zeppelin, pela complexidade de timbres, e a versão de Polícia do Sepultura, pelo imenso peso. Soando bem com estas, estou satisfeito”, conta. Já na passagem de som, Silvio, mais uma vez, se favorece da tecnologia para obter o melhor possível do sistema de som. Ele lembra que, muitas vezes, a house mix é posicionada não

PA é um cargo de confiança. O artista tem que confiar que você entendeu o que ele quer. (Paulo Morais)

em frente ao palco – o que seria a situação ideal para que o operador pudesse obter a imagem estéreo –, mas no próprio palco ou ao lado dele. “Nesses casos, o soundcheck virtual possibilita que se vá para a frente do palco, de modo a otimizar o trabalho”, ilustra. Com grande experiência também como operador de monitor, Paulo Morais não tem dúvida de tratar-se de uma função bem diferente da operação de um PA. “Comecei fazendo monitor com o Monobloco e sei que é no monitor que o bicho pega. Qualquer problema que aconteça no palco é esse técnico quem resolve. Ele tem que fazer várias mixes e nenhuma é ao seu gosto”, esclarece. Apesar de ter suas próprias características como profissional de áudio, Morais não acha imprescindível que um técnico busque ter uma identidade na sua sonoridade. Na opinião dele, o que importa é realizar um bom trabalho e que o artista e o contratante do show fiquem satisfeitos. “Eu acho que já estou velho para isso. PA é um cargo de confiança. O artista

ção mais ingrata. “Diferentemente do PA, que tem apenas uma mixagem, ou seja, a da banda para o público, no monitor existem as necessidades próprias de cada músico, o que torna a sonoridade no palco absolutamente diversa. Se você der uma volta pelo palco, em cada ponto ouvirá uma coisa diferente”, exemplifica. Ao contrário de Paulo Morais, Silvio Nunes acha positivo que o profissional de áudio procure uma identidade própria no seu som, independentemente do artista com o qual esteja trabalhando naquele momento, o que ele chama de “a assinatura de cada profissional”. Ele recorda um episódio que revela um pouco das agruras dos técnicos de áudio que trabalham com apresentações ao vivo. “Certa vez, um cantor não conseguia ficar satisfeito com sua voz no palco. Depois de alinhar e realinhar o sistema, ainda assim, não havia jeito. Resolvi, então, colocar um windscreen (aquela espuminha) no microfone. Ele passou a achar sua voz perfeita. Curioso não?”, diverte-se.

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BRASILEIROS SE DESTACAM NO Diante da expansão do mercado fonográfico atual, os profissionais musicais brasileiros têm sido mais reconhecidos pelo seu trabalho e dedicação em todo o mundo, em especial nas premiações anuais. E na 14ª cerimônia de entrega do Grammy Latino, considerado o mais importante do gênero, não foi diferente.

GRAMMY Latino 2013 redacao@backstage.com.br Fotos: Divulgação

C

om transmissão ao vivo para mais de 100 países, o evento aconteceu no dia 21 de novembro, no hotel-cassino Mandalay Bay de Las Vegas, em Nevada, nos Estados Unidos. Foram premiados os melhores da cena musical latinoamericana. E entre eles estavam brasileiros como Caetano Veloso, Roberto Carlos, Maria Rita e tantos outros. A participação brasileira no evento – não só em indicações, mas também em

prêmios – vem crescendo gradativamente ao longo dos 14 anos de história do prêmio. Desde sua criação, o Brasil conta com categorias exclusivas no Grammy Latino. Atualmente são sete direcionadas a artistas nacionais, mais a categoria Melhor Álbum de Música Cristã em Língua Portuguesa, na qual só participam cantores brasileiros, porém está inserida na divisão de músicas cristãs do prêmio. Dessa forma, em toda edi-


ção, oito troféus são obrigatoriamente para o Brasil. Nesse ano, os artistas brasileiros levaram 11 das 48 categorias, três a mais do que no ano passado. O que diferencia as duas edições é que em 2013, houve mais três troféus em divisões abertas a todos os artistas latinos, nas categorias Melhor Projeto Gráfico de Álbum, Melhor Álbum de Compositor e Melhor Álbum de Música Clássica. O Grammy Latino foi criado em 2000, pela Academia Latina de Artes e Ciências Discográficas (NARAS, em inglês), mais conhecida por The Recording Academy, organização americana, criadora do Grammy original. A ideia veio do fato de os artistas latinos terem poucas categorias nas quais poderiam participar na premiação americana. A proposta principal é identificar a qualidade artística ou técnica, dependendo da categoria, dos cantores/música/projetos que se destacaram naquele ano e não a vendagem ou colocação nos rankings das rádios em si. Na 14ª edição apenas concorreram produções lançadas entre 1º de julho de 2012 e 30 de junho de 2013, com a exigência das gravações concorrentes serem em português ou espanhol.

CONCORRÊNCIA GERAL, PRÊMIOS NACIONAIS, SALDO POSITIVO Brasileiro com o maior número de indicações, quatro no total, Caetano Veloso levou dois prêmios por Abraçaço, seu último CD. O cantor e compositor garantiu o troféu de Melhor Álbum de Cantor-Compositor, categoria aberta para todas as nacionalidades, na qual os artistas têm de compor e interpretar 51% do álbum com o que concorrem. Abraçaço também garantiu ao fotógrafo e designer Tonho Quinta-Feira e ao diretor de Fotografia Fernando Young o prêmio de Melhor Projeto Gráfico De Um Álbum. As outras duas indicações de Caetano com seu disco, considerado pela crítica como um dos mais aclamados do ano, foram nas categorias prin-

cipais do Grammy Latino: Gravação do Ano e Canção do Ano. A cantora e compositora recifense Clarice Falcão, que ficou conhecida por seus vídeos no Youtube, com mais de 10 milhões de visualizações, foi indicada a outra das categorias principais, Melhor Artista Revelação, mas quem levou foi a guatemalteca Gaby Moreno. E o pianista mineiro Nelson Freire teve seu álbum Brasileiro eleito o Melhor Álbum de Música Clássica, concorrendo com Mario Adnet e Isaac Karabtchevsky, ambos brasileiros.

CATEGORIAS EXCLUSIVAS BRASILEIRAS Os mineiros tiveram presença expressiva entre os ganhadores das divisões do Grammy Latino para brasileiros, entre eles o pianista Nelson Freire, vencedor do melhor álbum de música clássica. Os premiados foram a dupla Victor & Leo, com o melhor álbum de música sertaneja, pelo CD Ao Vivo em Floripa; o produtor Téo Azevedo, com seu projeto Salve Gonzagão 100 Anos na categoria Melhor Álbum de Música de Raízes Brasileiras. Além deles, o quinteto Jota Quest conquistou o melhor álbum de rock brasileiro com o CD Ao Vivo: Rock In Rio e Alexandre Pires venceu Zeca Pagodinho e Diogo Nogueira, entre outros, e faturou o melhor álbum de samba/pagode com seu Eletrosamba - Ao Vivo. Redescobrir - Ao Vivo, álbum gravado pela cantora paulista Maria Rita em homenagem a sua mãe, Elis Regina, ficou com o prêmio de Melhor Álbum MPB. O cantor e compositor carioca Seu Jorge teve seu CD Músicas Para Churrasco Vol. 1 Ao Vivo premiado como melhor álbum pop contemporâneo. O carioca Kleber Lucas recebeu o prêmio de Melhor Álbum de Música Cristã em Língua Portuguesa com Profeta Da Esperança.

HOMENAGENS À MÚSICA DO BRASIL Esse Cara Sou Eu, de Roberto Carlos, levou o prêmio de Melhor Canção

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Show de Ricky Martin contou com os novos Pointe, da Robe

As obras que fazem parte dessa seleção são escolhidas por um comitê e têm em comum seu significado histórico e terem sido lançadas há mais de 25 anos

Brasileira de 2013, uma das mais relevantes divisões do evento. Além disso, Roberto ainda teve seu álbum Jovem Guarda, de 1965, escolhido para fazer parte do Hall da Fama do Grammy Latino. As obras que fazem parte dessa seleção são escolhidas por um comitê e têm em comum seu significado histórico e terem sido lançadas há mais de 25 anos. Um dos criadores da bossa nova, o cantor e compositor capixaba Roberto Menescal, recebeu o Prêmio à Excelência Musical da Academia Latina da Gravação, concedido a artistas que contribuíram de forma criati-

va de importância relevância artística no segmento da gravação. Nesse ano ele e mais seis profissionais da música de diferentes países latinos foram premiados por suas prestações de serviço à cultura, à arte e acima de tudo, ao público. Outros brasileiros já foram contemplados com a homenagem à excelência musical desde a criação do prêmio, entre eles Roberto Carlos, César Camargo Mariano, Jorge Ben Jor, Sergio Mendes, os Paralamas do Sucesso, Astrid Gilberto, Beth Carvalho, João Donato, Gal Costa, Milton Nascimento e Toquinho.

Ricky Martin usa Pointe no Grammy Latino Os novos Pointe, da Robe, foram os equipamentos escolhidos pelo lighting designer Carlos Colina, que há sete anos faz o projeto de iluminação para a festa de premiação. Para essa edição, o LD investiu no projeto de luz da apresentação ao vivo do cantor Ricky Martin no Centro de Eventos Mandalay Bay, em Las Vegas, que foi transmitida para mais de 9 milhões de espectadores. Pela primeira vez usando os novos movings Pointe da Robe, Colina decidiu colocar em ação 18 dos novos movings Pointe durante a interpretação do cantor porto-riquenho da canção Más y Más, que contou com a participação do compositor Draco Rosa, ganhador da categoria Álbum do Ano. “A música era uma balada muito forte e um momento muito especial do show”, disse Colina, que fez uma prévia do visual da apresentação com os Pointe e levou para aprovação do artista e sua equipe de produção. “O resultado sobre o palco foi exatamente como tinha sido criado no render e foi definitivamente um dos momentos que definiram o entretenimento da noite”, declarou. Colina, que trabalha em parceria com o designer de cenografia Jorge Domínguez, e a cada ano tenta somar resultados e produ-

zir um conceito visual surpreendente para o line up – que em 2013 incluiu 21 atuações ao vivo e 13 entregas de prêmios –, conheceu os Pointes através da recomendação de Tom Kenny, LD que já trabalhou com artistas do porte de Eric Clapton, The Who e David Bowie. Como Ricky Martin é uma das maiores estrelas latinas, Colina queria que a atuação dele fosse impactante. “São brilhantes, versáteis, os prismas maravilhosos, as cores ótimas e simplesmente são fantásticos nas câmeras”, comentou Colina. Os Pointes foram divididos em seis grupos, cada qual com três aparelhos agrupados, sobre trusses superiores de 6 metros na frente da cena, cada um montado com aproximadamente 1,5 metros de distância entre eles. Esses trusses entraram em cena quando Ricky e sua banda subiram no palco. A equipe de iluminação de Colina para o show incluiu os programadores de iluminação Felix Peralta e Kevin Lawson, o diretor de iluminação John Daniels, o diretor de iluminação no palco Darren Langer, o chefe de técnicos Brett Puwalski e a programadora de conteúdo Laura Franks, que ficou encarregada de toda a reprodução do conteúdo de vídeo.


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Evento teve mudanças na organização e nova sonorização com PA da EAW

CALDAS Country

DÁ SHOW DE PRODUÇÃO T

Pedro Rocha redacao@backstage.com.br Fotos: Flaney Gonzallez - Duas Polegadas / Divulgação Revisão técnica: José Anselmo “Paulista”

rinta e cinco atrações, dois dias de evento, 30 horas de festa, público de 80 mil pessoas, 50 mil metros quadrados de espaço, quatro áreas, o maior trio elétrico do mundo, naquela que é considerada a maior festa sertaneja do Brasil. Tudo isso fez parte da oitava edição do Caldas Country Show 2013, que foi marcado por mudanças em sua estrutura, melhorias na segurança e organiza-

ção e line up que incluiu cantores de axé. A produção do evento foi da Duas Polegadas e Parceria Produz e a realização da GBM e Studio Tur Produções, em parceria com a prefeitura local. O festival aconteceu nos dias 15 e 16 de novembro em Caldas Novas, município do estado de Goiás. No sábado, os shows foram de Cuiabano Lima, Gusttavo Lima, Cristiano Araújo, Ivete Sangalo, Israel


Área do backstage ficou maior

Novaes, Humberto & Ronaldo, Henrique & Diego, Thiago Brava & Tomate (no trio). Já no domingo (16), o som ficou por conta de Jorge & Mateus, Chitãozinho & Xororó, Lucas Lucco, Guilherme & Santiago, Zé Ricardo &Thiago, Gabriel Gava, Matheus & Kauan, Eduardo Melo, Cleber & Cauan e, fechando o dia, Claudia Leitte (no trio). A área total do festival cobria aproximadamente 50 mil metros quadrados, dividida em quatro espaços. O palco principal, no estilo Cruzeta com Passarela, tinha como medidas 21x21 e cenografia de 16x14. Leandro Garcia, um dos produtores do Caldas Country, explicou que a estrutura toda estava sendo montada um mês antes e que o planejamento dessa edição começou no dia seguinte ao fim da edição do ano passado.

MUDANÇA NO PA Para garantir um som impecável, a Pazini, responsável pela iluminação, som e palco do evento, escolheu usar o PA da EAW, que mostrou resultados positivos. Pardal,

Israel Novaes, Gustavo Lima e Critiano Araújo

Cabo Verde, PA de Cristiano Araújo

consultor técnico de som há 35 anos, foi chamado pela locadora para fazer a revisão e o alinhamento do novo sistema de PA. Ele explica como foi a mudança na sonorização dessa edição e quais eram os efeitos pretendidos: “Em 2012, usamos um sistema de PA todo da LS Audio, nas caixas de alta, sub e outfill. Já nesse ano o PA é da EAW, com caixas de alta dos modelos KF 760 e KF 761, os subs são da LS Audio e outfill é FZ Audio. Continuamos a usar os mesmos consoles do ano passado. Temos 16 EAW de alta para cada lado, 14 subs de cada lado e no outfill são seis subs de cada lado para esse ano”, enumera. O consultor destaca que a troca de PA visava atingir

Cabelo, técnico de monitor de Cristiano Araújo

Palco principal com passarela, media 21x21

duas distâncias de tiro, em relação ao som. De acordo com ele, o PA 760 e 761 tem um tiro longo. “A meta era que o som chegasse dentro dos camarotes extra Vips. O PA da EAW é perfeito para ter esse efeito. E para cobrir a área dos outfills dos camarotes o FZ tem um tiro mais curto”, avalia. Gerente de som na Pazini, Elizon Soares foi um dos responsáveis

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Ivete se apresentou no primeiro dia de festival

Gilvan Santos, da Henko Produções

Vista lateral do palco principal

pela sonorização do Caldas Country desse ano. Ele acrescenta que o sistema de amplificação usado foi o Lab. Gruppen das séries FP 6400 e FP 10000 e as caixas dos camarotes eram FZ Áudio J08A e J212A. “Usamos também o gerenciador de áudio EAW e estreamos os novos system controllers da LINEA Research modelo LNR26. Obtivemos excelentes resultados com estes novos gerenciadores de áudio”, afirma. Na house mix, os consoles escolhidos foram uma Venue Digidesign D-Show, uma Venue Digidesign Profile e uma Yamaha PM5D RH, esse último a pedido do técnico de PA da dupla Chitãozinho & Xororó, Nilson Greigio, o Circuit. Para alterná-los foi usado o mixswitch da APB-Dynasonics. Já no monitor, a Pazini disponibilizou duas Yamaha PM5D RH e uma Venue Digidesign SC48 e dois gerenciadores

de áudio XTA. O sistema de side fill foi o EAW KF 850 triplo Fly, além de 24 monitores EAW SM400, e dois Sub Drums e amplificação Crest Audio.

PROFISSIONAIS CONTAM COMO É TOCAR NO CALDAS COUNTRY Jefferson Abel, conhecido como Neném, roadie do Gusttavo Lima há quatro anos e meio, revela que o cantor escolheu o festival para lançar seu novo show, com músicas novas e instrumentos como piano. “Gusttavo toca aqui há cinco anos e não poderia ficar de fora. Ele surgiu em Goiás, 80% da equipe também é daqui, e para todos nós, que curtimos muito a festa e hoje somos uma das principais atrações, o Caldas Country é muito importante”, explica. De backline, Jefferson conta que todos os equipamentos foram levados. “Trouxemos bateria, percussão, 12


cordas, os amplificadores em geral, ear phones, microfones e cabeamentos, além do sistema Yamaha DSP5D e da mesa de PA Digico SD8”, completa. Técnico de monitor da dupla Humberto & Ronaldo, Absolon José do Santos, conhecido como Peixe, usou a mesa da locadora no festival e aponta como melhoria na sonorização a questão do PA. “No meu monitor há um padrão. Houve uma mudança do side do Caldas Country para melhor cobertura em cima do palco e aí eu seguro o volume para ter uma sonoridade mais definida no PA”, explica. Andersson Butão, técnico de monitor do Gusttavo Lima, explica que a concepção do som do palco do cantor visa o lado rock and roll e, para essa prática, é preciso explorar a pressão sonora do palco e um side com muita pressão, mesmo que às vezes o volume seja ex-

cedido. E que o novo sistema de PA ajudou nesse processo. “Eu percebi que o áudio oferecido aqui melhorou, pois é um side KF, e assim eu tenho mais pressão com menos volume. No ano passado era um line com um som de ultra qualidade, mas que não me dava a pressão que eu precisava”, compara. Abdiel Araújo, o Cabelo, técnico de monitor do Cristiano Araújo há oito meses, preferiu usar a mesa DiGiCo SD8, porque, segundo ele, foi a única que se aproximou do som que o próprio Cristiano quis. “Ela traz um áudio voltado mais para o analógico e comporta todos os inputs e efeitos da banda. Os microfones que trouxemos foram Shure KS9 e Shure BETA58. Ainda trouxemos ears phones Shure PSM New, transmissores Shure e microfones de bateria e percussão Sennheiser”, enumera.

Trio Dragão foi o palco de Tomate e Claudia Leitte

Marcelo Félix, PA de Jorge & Mateus

Público de 80 mil pessoas nos dois dias de festa

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O médio grave chega bonito e o timbre é muito legal. Eu trabalhei com o PA em flat, não tive que mudar frequência nenhuma (Odair Antonio, Alemão)

Cabelo reforça que é necessário ter um bom side para fazer o som do show de Cristiano e notou a diferença nesse ano. “Se não tiver side, o som do Cristiano não vai. Não só a banda, mas o Cristiano também sente a falta daquele peso. Depois que criaram o line, às vezes, temos muitas situações em que o PA está um pouco longe e a gente não sente a volta. Logo o side tornou-se nossa exigência. Não um side alto, mas que fizesse essa soma com o PA. Aqui no Caldas Country havia essa dificuldade. O som melhorou bastante. Em oito meses com o Cristiano, eu nunca passei com ele, pois a DiGiCo permite que a gente acerte tudo isso”, acrescenta. Técnico de PA de Chitãozinho & Xororó há 28 anos, Nilson Gregio usou o equipamento da locadora e comentou que o som do evento melhorou muito, com a Pazini mantendo o mesmo padrão de qualidade que já vinha oferecendo. “Antigamente se faziam shows para 30 mil pessoas com um som que hoje você dá risada. Eu não sei nem se o público ouvia, era precário. Hoje a tecnologia está a nosso favor e veio para nos ajudar. O Caldas Country é como um mini Rock in Rio, com a reunião de vários artistas.

“Aqui a gente encontra os amigos que não vemos na estrada”, comenta Nilson. Odair Antônio de Luca, o Alemão, com 43 anos de carreira e dois deles como técnico de PA da dupla Zé Ricardo & Thiago, já havia trabalhado com o PA da EAW em outros eventos e comentou ter achado que o sistema estava do seu agrado. “O médio grave chega bonito e o timbre é muito legal. Eu trabalhei com o PA em flat, não tive que mudar frequência nenhuma”, ressalta. Alemão comentou ainda que para fazer o monitor do palco foi usada uma Yamaha PM5D RH e que no PA ele “trabalha com o que estiver disponível”. Cícero Camargo Junior, o Cícero Chuck, tem 30 anos de estrada e está há oito meses como técnico de monitor da dupla Zé Ricardo & Thiago. Ele também já esteve em outros shows com o PA da EAW e elogiou a performance do produto. “Pobre daquele que acha que consegue fazer monitor sozinho, sem os harmônicos e a soma com o PA. E esse PA da EAW soma muito, principalmente na região do médio grave e dos sub-harmônicos. É um equipamento muito bom. Nunca tinha tocado no festival e dizem que aqui é um dos festivais mais importantes do país. Ouvi dizer que para ser reconhecido

Lista de equipamentos ÁUDIO: PA EAW KF 760 e KF 761 com sub LS 218 com amplificação lab.Gruppen das series FP 6400 e FP 10000 com gerenciador de audio EAW MIXSWITCH DA APB-DYNASONICS 01 Venue Digidesign DSHOW 01 Venue Digidesign PROFILE 01 Yamaha PM5D RH, a pedido do técnico de PA da dupla Chitãozinho e Xororó Palco principal: 02 Yamaha PM5D RH 01 Venue Digidesign SC48 02 gerenciadores de áudio XTA Sistema de side fill KF 850 triplo Fly 24 monitores SM400 02 Subs Drums Amplificação Crest Audio

Palco Extra VIP Sistema de PA Fly 24 KF 850 24 Sub 850 Amplificação Crest Audio Gerenciador de audio XTA Camarotes FZ Audio 08 e 212 Monitor Side 04 - KF 850 04 - Sub 850 08 - monitores SM 400 04 - CDJ 2000 Pionner 02 - Mixer 800 Pionner


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REPORTAGEM| www.backstage.com.br 38 Iluminação contou com equipamentos Robe para o palco principal

no meio sertanejo, é preciso tocar no Caldas Country”, comentou o profissional. Carlos Custódio, o Cabo Verde, técnico de PA de Cristiano Araújo há dois anos, comenta que o diferencial do som do cantor é a qualidade e pressão sonora, que casaram com o som do evento. “No passado o sistema era uma coisa só. Agora estão usando o sistema EAW no centro e nas laterais caixas FZ, mas percebi que cobriu muito bem o espaço”, avaliou. Rafael Vanucci, produtor executivo do Cristiano Araújo há dois anos, comenta que o estilo universitário tornou o mercado sertanejo ainda mais popular. “O nível de pessoas nos shows aumentou. Elas querem curtir uma música dançante, alegre, que mexa com todo mundo. Há muitos artistas que cantam esse ritmo e tem uma raiz sertaneja”, comenta. Cristiano, que encerrou a primeira noite, teve seu show considerado o melhor na última edição e, segundo Rafael, a apresentação desse ano foi montada especialmente para o Caldas Country, co-

mo novos efeitos especiais a laser e músicas. E como uma das surpresas da noite, Cristiano convidou Israel Novaes e Gusttavo Lima para cantar, antes de encerrar seu show. Técnico de PA da dupla Jorge & Mateus, Marcelo Félix destaca a organização do evento em relação ao som. “Eles vêm se superando a cada ano. Já no ano passado foi tudo ótimo com o sistema inteiro LS e nesse ano a união das EAW 760 e 761 com os subgraves da LS Áudio arrasou em cobertura, timbre e pressão sonora. Não tivemos problemas e o nível do resultado se manteve, valendo ressalvar que para esse ano coloquei o rack insertado no master com alguns periféricos e isso tem feito bastante diferença”, revela Marcelo, que usou uma Venue Profile, da Pazini.

presa, Gabriel Henko, relata que são feitas reuniões de pré-produção com artistas para saber as preferências e programações de cada um, para que tudo saia corretamente durante as transmissões. Gilvan Santos, técnico contratado pela Henko para fazer gerenciamento de vídeo, explicou que foram usados no palco painéis Black 4 mm Indoor (48 cm x 48 cm), totalizando 72 metros quadrados, e nas laterais do palco, painéis White 7 mm Outdoor (50 cm x 50 cm), em um total de 90 metros quadrados. “Para gerenciar os sinais de vídeo utilizamos o sistema Watchout, que endereça as informações dos VJs, dos patrocinadores, das bandas e da transmissão simultânea para os painéis determinados pela direção artística do evento”, esclarece Gilvan.

LED FICOU POR CONTA DE NOVA EMPRESA

O MAIOR TRIO DO PLANETA NO CALDAS COUNTRY

A Henko Produções estreou no festival esse ano, responsável pelos painéis de LED do evento. O gerente de eventos e logística da em-

Tomate e Claudia Leitte se apresentaram no Trio Dragão na sextafeira (15 de novembro) e no sába-


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REPORTAGEM| www.backstage.com.br 40 Cristiano Araújo montou show exclusivo para o Caldas Country

No passado o sistema era uma coisa só. Agora estão usando o sistema EAW no centro e nas laterais caixas FZ, mas percebi que cobriu muito bem o espaço (Cabo Verde)

do (16 de novembro), respectivamente, finalizando os shows de cada dia de evento, e levantando a multidão com o céu já claro. Com uma proposta diferenciada em relação às outras atrações do evento, os cantores (assim como Ivete Sangalo, que cantou no palco no dia 15) uniram o axé ao sertanejo. E o público adorou essa mistura. Com 34 metros de comprimento, cinco metros de largura e seis metros de altura, o Dragão é o maior trio elétrico do mundo, fazendo parte da maior festa sertaneja do Brasil. A empresa paulista Talk Produções é quem administra o Dragão. Cristiano Rezende, proprietário da produtora, explica que eles têm uma parceria com o principal artista que se apresenta no trio, a banda baiana Asa de Águia. “Foi Durval Lelys, vocalista desse grupo, quem idealizou e fez o projeto. Nós gerenciamos”. Responsável pelo áudio do Trio Dragão, Márcio Novaes explica o sistema de som usado no palco móvel. “Usamos duas mesas Digidesign, uma Profile e uma SC48. De microfones usamos Shure SM57, SM 58, BETA, SM 81, 481”. Em relação ao áudio, Márcio explica

que o Dragão é preparado para contornar problemas. “Esse trio tem uma base de funcionamento muito estável, bem confiável, apesar de usar equipamentos de amplificação relativamente convencionais, como Machine, Oversound. Ele é muito potente, acima de 200 mil watts. Só que se o técnico errar a mão, vai errar feio. Nós o assessoramos durante os shows quanto ao volume, equa-

Chitãozinho subiu mais um ano no palco do Caldas


Painéis de LED e sistema de PA foram novidades nesta edição

lização e drives para evitar um som muito fora do comum, o que é notado na maioria dos trios”, enfatiza. Quanto à luz do trio, Márcio comenta que o equipamento é básico, com três hacks, para os técnicos fazerem público, e os funcionários do trio dão assistência aos técnicos. Quanto à iluminação principal, usada nos shows, ela é contratada pela produção do artista. De acordo com o profissional, no caso do Caldas Country, a iluminação ficou por conta da Pazini.

ILUMINAÇÃO: Luz e as mudanças para gravações de TV José Antônio, o Coragem, foi um dos responsáveis pela luz do evento. Segundo ele, os equipamentos utilizados para gerenciamento foram duas mesas PC Wing, uma mesa Grand MA 2 e uma mesa Grand MA2 Light e mais um console Avolites Pearl 2008, além do software GrandMA 3D, para simular e programar os projetos de iluminação. Coragem explicou que da última edição para essa não houve grandes

mudanças na luz, mantendo o mesmo padrão de serviço. Geraldo Junior, conhecido como Junior Luzbel, técnico de luz de Ivete Sangalo, explica que ao fazer shows em festivais, sem o rider próprio de iluminação, tem como exigência a mesa GrandMA. “Tanto a luz e o vídeo do show de Ivete são sincronizados pelo som e com esse equipamento, consigo programar as viradas. É um show syncado pelo timecode. Em relação à transmissão, Junior disse que teve de se atentar aos locais certos para iluminar. “Ivete gosta de banda e balé iluminados. E como houve gravação para TV, eu tive de realçar isso”, relembra. Carlos Alberto Samora, o Caca Samora, técnico de luz do Cristiano Araújo, usou o equipamento da Pazini e complementou seu projeto com CO2 e alguns efeitos pirotécnicos, em sua primeira vez no Caldas Country. “Como o show foi gravado, é preciso pensar bem na fotografia, com uma luz clara. Fizemos um show especial para cá com lasers e montamos tudo com o sistema de simulação 3D da GrandMA e o console GrandMA2 Light”, completa.

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YAMAHA MOXF SONORIDADE MOTIF AO ALCANCE DAS GRANDES MASSAS Luciano Freitas é técnico de áudio da Pro Studio americana com formação em ‘full mastering’

Lançada originalmente em 2001, a linha de workstations Motif ganhou status de “a mais bem sucedida” plataforma musical comercializada pela Yamaha em todos os tempos. Com qualidade sonora capaz de agradar os músicos mais exigentes do mercado, essa plataforma passou até o momento por três atualizações (Motif ES, em 2003; Motif XS, em 2007 e Motif XF, em 2010), sendo que, em cada nova geração do produto, novos timbres foram adicionados, além de funcionalidades que tornaram o processo de produção musical cada vez mais simples e intuitivo.

O

cupando o posto de principal workstation do fabricante, a linha Motif sempre se manteve em uma faixa de preços compatível com as workstations top de linha dos seus principais concorrentes. No entanto, no final de 2005, a Yamaha analisa o mercado e decide compartilhar a qualidade sonora presente na família Motif com um segmento de teclados com preço bem mais atrativo ao consumidor, voltado principalmente para os músicos que precisam de um equipamento que priorize a portabilidade. Eis que surge a linha MO, que logo é precedida pelas linhas MM (2007) e MOX (2011), todas trazendo timbres pertencentes à geração Motif imediatamente anterior à mais atual da época. Esse procedimento (lançar uma nova tecnologia, disponibilizando a anterior em equipamentos mais baratos) tornou-se um padrão não apenas do mercado de instrumentos musicais, mas de


YAMAHA MOXF Oferecendo mais que o dobro da memória do seu predecessor (MOX), o MOXF vem equipado com o mesmo gerador sonoro presente no Motif XF. São 741 MB (quando convertidos para o formato 16 bits linear) que armazenam 3.977 amostras de áudio, proporcionando uma poderosa biblioteca com 1.280 timbres (presets) e 73 kits de bateria, todos organizados em categorias e sub-categorias que facilitam a busca pelo timbre desejado. Entre toda essa variedade, o usuário encontrará realísticos sons de pianos acústicos (destaque para a recriação digital dos pianos S6 e CFIIIS, os dois principais modelos produzidos atualmente pela Yamaha), pianos elétricos, órgãos, cordas, metais, guitarras, contrabaixos e sintetizadores (modernos e vintages) derivados da síntese AWM2 (arquitetura sonora de 8 elementos por voz – tecnologia Xpanded Articulation), com 128 notas de polifonia. Além de todo esse arsenal sonoro, o MOXF vem equipado com um slot que permite expandir em até 1GB a sua memória interna de timbres. Essa memória adicional (módulo de memória flash produzido pela Yamaha) permite ao usuário carregar samplers produzidos para o Motif XF (arquivos X3A) e tê-los acessíveis toda a vez que o teclado é ligado (memória não volátil). Neste momento, a Yamaha oferece gratuitamente dois títulos promocionais: o “Inspiration in a Flash”, trazendo uma diversificada biblio-

praticamente todo um mercado capitalista com o qual convivemos diariamente. Talvez seja por isso que muitos se surpreenderam ao ver a Yamaha lançar um equipamento na sua “linha intermediária” de teclados com os melhores timbres do Motif XF e por menos da metade do seu preço. Melhor que isso, só mesmo ele ter sido lançado em primeira mão no mercado brasileiro (na Expomusic 2013), antes mesmo de ser formalmente apresentado ao mercado internacional.

... o MOXF vem equipado com o mesmo gerador sonoro presente no Motif XF. São 741 MB. teca de 500 MB em timbres, entre eles pianos acústicos derivados do S90ES, baterias derivadas da bateria eletrônica DTX900 e diversos sons de instrumentos musicais originários do Oriente Médio (Balaban, Zurna, Kanun, Bouzuki, Mandolin); e “CP1 Piano”, com a mesma biblioteca de pianos instalada no stage piano CP1 da Yamaha (outros títulos podem ser adquiridos nos sites www.motifator.com e www.easysound.de). Nenhum teclado estaria completo sem um bom processador de efeitos. No MOXF, a Yamaha utiliza a consagrada tecnologia VCM (Virtual Circuitry Modeling) para reproduzir as texturas sonoras (“ca-

lor” sonoro) encontradas apenas nos lendários hardwares analógicos de estúdio. São mais de 80 diferentes algoritmos (8 MFX simultâneos), entre eles equalizadores, compressores, efeitos de chorus, phasers, vocoders e reverbs (REV-X) encontrados nos melhores consoles de mixagem produzidos pela Yamaha, bem como no clássico processador SPX2000. Além de todos esses efeitos, o MOXF vem com 18 diferentes tipos de filtros, indispensáveis na modelagem dos sons de sintetizadores vintages e modernos.

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Para quem pretende trabalhar com produção musical, o MOXF possui um sequenciador de 16 pistas que grava nos modos real-time e step record, permitindo produzir sem a necessidade de um computador ou qualquer outro equipamento adicional

Para quem pretende trabalhar com produção musical, o MOXF possui um sequenciador de 16 pistas que grava nos modos real-time e step record, permitindo produzir sem a necessidade de um computador ou qualquer outro equipamento adicional. Somando recursos ao sequenciador, um fantástico arpejador oferece um total de 7.981 execuções musicais distintas (padrões rítmicos e frases musicais) que interagem com a tonalidade (chordal intelligence) e com o andamento da música, permitindo acelerar qualquer processo de criação musical. Já para quem pensa em atuar com o teclado em tempo real (“ao vivo”), o modo Performance possibilita trabalhar com 4 diferentes timbres simultaneamente, seja no modo layer ou no modo split, cada qual com um distinto preset do arpejador. Além dos recursos de teclado, o MOXF opera como uma interface de áudio USB de 4 canais de entrada (sendo dois desses canais dedicados aos seus sons internos e os outros dois para fontes de sinal externas) e 2 canais de saída, integrando o equipamento a um sistema de produção musical baseado em computador. Para aproveitar ao máximo esse recurso, acompanha o MOXF uma coleção formada por 3 softwares musicais desenvolvidos pela

marca Steinberg, a saber: Cubase AI 7, versão otimizada para produtos Yamaha da renomada workstation de produção musical (DAW) que permite gravar e mixar até 32 canais de áudio e 48 canais MIDI; Prologue, um sintetizador virtual que opera com 3 osciladores, 4 envelopes, 2 LFOs, filtros multimodos e um poderoso módulo matrix; e YC-3B, simulador virtual dos clássicos órgãos com drawbars. Acompanham também o equipamento 3 softwares utilitários: um editor de sons (MOXF Editor), para edição detalhada e mixagem dos parâmetros do MOXF; o MOXF Remote Editor, permitindo criar templates que possibilitam ao MOXF controlar seus instrumentos virtuais favoritos (VSTis); e o MOXF Remote Tools, que otimiza a integração entre o MOXF e a workstation Cubase AI 7. Disponíveis em duas diferentes versões, com 61 e 88 teclas (esta com mecanismo GHS, simulando a ação de martelos de um piano), ambos os modelos pesam a metade dos representantes da linha Motif XF (XF6 e XF8), um diferencial muito relevante para quem pretende “colocá-lo na estrada”.

Para saber online luciuspro@ig.com.br


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7.5 CUBASE MUITO MAIS QUE NOVAS FUNÇÕES

UM NOVO CONCEITO

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CUBASE7.5

Marcello Dalla é engenheiro, produtor musical e instrutor

Olá Amigos, Se esperavam uma grande novidade de começo de ano, aí está. Estou noticiando nesta edição mais uma evolução do Cubase. A versão 7.5 chega surpreendente para estúdios de gravação, produtores musicais, DJ´s, trilheiros e músicos de todas as vertentes. Novas implementações na janela de projeto e no mixer, novos plug-ins, nova versão do Halion Sonic SE e da Groove Agent, nova livraria de kits de bateria e loops, integração entre partitura e edição MIDI, gravação remota de áudio e MIDI com VST Connect SE 2, navegação nos transientes de áudio e muito mais.

V

ale lembrar que quem ativou o CUBASE 7 após o dia 15 de outubro de 2013 está dentro do chamado “Grace Period” e tem direito ao update gratuito para a versão 7.5 pelo site da Steinberg. Vamos lá, vamos dar aquele “sobrevôo” em tudo isso. Track Versions (Versões de Trilha) – Quem vivencia diariamente o ritual de gravação e produção em estúdio tem a exata noção do valor deste novo recurso. Com ele podemos criar, renomear e gerenciar diferentes versões de trilha (canal). Aplica-se a canais de áudio, MIDI, Instrument Tracks, Chord Tracks, Tempo e Signature Tracks. As diferentes versões são indicadas no Inspector e podem estar aparentes com a escolha no próprio Inspector ou no Drop que aparece à direita do nome da trilha. A figura 1 mostra as duas situações. À esquerda a lista de versões no Inspector, e à direita o novo menu de opções na janela principal de projeto no Drop de cada canal. Por exemplo, o baixista de uma banda gravou 3 takes com diferentes “levadas” e quer escolher a melhor na mixagem


Figura 1. Versões de Trilha (Track Versions)

final, ouvindo com todos os elementos para definir o melhor “groove”. Nomeie as Track Versions do baixista e escolha o melhor resultado quando estiver com todo mundo junto na mix. Track Visibility (Visibilidade das trilhas) – Quem acompanhou meus tutoriais sobre o mixer do Cubase 7 lembra que um dos recursos mais interessantes é o gerenciamento da visibilidade dos canais. Em todos os tipos de projeto, é fundamental que você possa escolher seu foco de trabalho a cada momento, seja na gravação, edição e principalmente na mixagem. Pois bem, o Cubase 7.5 traz esses recursos de visibilidade seletiva também para a janela principal de projeto. Mesmo nas produções mais complexas com muitos canais, o controle sobre a visibilidade dá velocidade ao fluxo de tra-

balho. A figura 2 mostra a nova aba no Inspector que controla a visibilidade dos canais. Instrument (t)rack 2.0 – Na verdade uma fusão do rack de instrumentos VST com o conceito de instrument track. Múltiplas saídas de áudio podem ser implementadas, tanto na Instrument Track quanto no rack VST. Multiplas entradas MIDI podem ser endereçadas em qualquer opção. Os Quick Controls estão presentes também no Instrument RaFigura 3. Instrument (t)rack. ck para cada instrumento inVST Instruments Rack

Figura 4. Instrument Track e suas saídas na janela de projeto. Visão do Rack correspondente

serido, permitindo modificar e criar sons rapidamente sem a necessidade de retornar à janela de projeto. Instrument Track e VST rack sincronizados, ou seja, ao inserirmos um instrumento no VST rack, automaticamente é criada uma Instrument Track e vice versa. As figuras 3 e 4 mostram o novo recurso. Halion Sonic SE 2 – É uma versão compacta do aclamado sintetizador e sample player Halion Sonic da Steinberg. Com livraria ampliada, traz novas opções de tim-

Figura 5. Halion Sonic SE 2

Figura 2. Visibilidade seletiva das trilhas

bres para qualquer produção dentro do Cubase. A figura 5 mostra o Halion Sonic SE 2. Incluído nele temos o Trip, um sintetizador virtual analógico que possui um módulo


arpegiador de 4 variações e mais de 150 sons dinâmicos que abrem muitas possibilidades em sons arpegiados. Oito novos efeitos estão incluídos: Tape Saturator, WahWah, Auto Filter, Step Flanger, Ring Modulator, Octaver, Vintage Ensemble, Envelope Shaper e Rotary Effect. A figura 6 mostra o Trip inserido. Groove Agent SE 4 – A Groove Agent, bateria eletrônica estilo MPC do Cubase, também evoluiu. Traz agora um mixer interno, efeitos de ótima resolução, playback de loops internamente e um editor de samples bastante eficiente. Excelente ferramenta para criação de beats. Mapeamento automático tanto no

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Figura 6. O Trip inserido no Halion Sonic SE

Já falei dele em meus tutoriais e continuo a utilizá-lo em minhas produções cada vez mais convicto de que suas possibilidades são inesgotáveis. Além da parte funcional, o LoopMash tem uma coleção de efeitos característicos de DJ e de fácil acesso dentro do instrumento. A Steinberg separou estes efeitos em um novo rack para que possamos aplicá-los em qualquer canal. Breaks, tape-stops, Stutters, Scratches, etc. podem ser aplicados em tempo real e automatizados usando como interface qualquer MIDI Controller. Tanto em performance ao vivo quanto no estúdio, uma excelente ferramenta criativa. Figura 8. REVelation Reverb – Desenvolvido especialmente para recriar a sonoridade dos reverbers de rack em PCM como a lendária Lexicom, o REVeleation traz

Figura 9. REVelation Reverb

Figura 7. Groove Agent SE 4 . Em detalhe o Sample Editor

Drum Editor quanto no Beat Designer. A Groove Agent SE 4 inclui também uma nova livraria de kits de batera e percussão sampleados pelos melhores produtores do mundo. A figura 7 mostra o novo layout. LoopMash FX – O LoopMash é o instrumento virtual do Cubase com um enorme poder criativo para loops.

Figura 8. Loopmash FX

texturas interessantes para qualquer tipo de instrumento. Sua livraria de mais de 70 presets é muito útil para todas as aplicações, ou como ponto de partida para a criação de novas programações. A sonoridade é bem diferente do Reverence que é o reverb de convolução do Cubase e que já mereceu artigo dedicado. Enquanto o Reverence emula ambientes diversos pela modelagem matemática por convolução, o REVelation emula os hardwares de reverb PCM que deixaram uma forte referência como ferramenta artística. A Figura 9 mostra o painel do REVelation. Magneto II – A busca da sonoridade quente da fita analógica é alvo de muitos plug-ins que conhecemos. Diversos fabricantes usam diferentes algoritmos para emular uma referência sonora analógica que sempre estamos valorizando no árido mundo digital. O Magneto esteve presente nas versões antigas do Cubase até a versão 5. Esteve sumido nas versões 6 e 7 e ressurge agora no Cubase 7.5 como Magneto II, com algoritmo totalmente redesenhado e novos parâmetros: controle sobre frequências de atuação e ajuste de altas-frequências, grau de saturação com emulação em tecnologia de convolução, simulação de modo duplo com duas máquinas de fita analógica em sequência,


Figura 12. EDM Toolbox

Figura 10a . Magneto Plugin

possibilidade de utilização como plugin e como módulo no channel strip. Figuras 10a e 10b respectivamente. Integração de Edição de Partituras e Edição MIDI – No Cubase 7.5 podemos ter a janela de partituras com todos os parâmetros de edição MIDI conjugados. Não é mais necessário trocar de janela para realizar as edições específicas de cada um. Muito mais integração e agilida-

Figura 10b . Magneto no Channel Strip

como plug-ins de equalização e compressão inseridos, reverb, delays etc. O EDM Toolbox contém 30 desses kits totalizando mais de 800 loops que podem ser utilizados no Halion Sonic SE, Padshop, Retrologue e na Groove Agent SE 4. A cada nova versão o Cubase ganha mais ferramentas criativas e mais livrarias de loops MIDI e áudio fortalecendo ainda mais sua opção como workstation de produtores, DJ´s e trilheiros. Os kits foram criados pelo produtor, DJ e sound designer londrino Sharooz. A figura 12 mostra a pasta do EDM Toolbox aberto no Media Bay com os Construction Kits dispostos à esquerda e na janela do centro os MIDI loops que podem ser ouvidos como amostra na janela inferior. Podemos arrastá-los diretamente para a janela de projeto e um Instrument Track é automaticamente criado. Falarei especificamente desta livraria e suas possibilidades em tutorial dedicado, da mesma forma que fiz com a livraria Allen Morgan. Re-Record Mode – Pense numa situação frequente em estúdio: você entra gravando um take de voz ou de instrumento e um compasso depois seu músico (ou você mesmo) percebe que poderia ter feito melhor e decide recomeçar imediatamente. Com a tecla de ReRecord ativada isto é feito automaticamente, basta pressioná-la novamente e o cursor retorna ao ponto

Figura 13. Re-Record Mode habilitado na barra de transporte

Figura 11. Editor de partitura e editor MIDI integrados

de. A figura 11 mostra a janela de partitura com a dupla aba no Inspector que disponibiliza os 2 conjuntos de funções (score e MIDI) instantaneamente. EDM Tool Box – Construction Kits são grupos de 25 a 30 MIDI loops roteados a instrumentos pré-definidos (não somente drums) e incluem ajustes de mixagem

original de onde a gravação começou. A figura 13 mostra a opção feita no painel de transporte para ativar o Re-Record Mode. VST Connect SE 2 – Lançado na versão 7 o VST Connect permite que você grave sincronizadamente na sua sessão, via internet. A cantora está em outra cidade e você quer terminar uma faixa... Sem problemas, o VST Connect permite a gravação do sinal com alta qualidade e a monitoração por parte de quem está em performance com excelente sonoridade e com o requinte de podermos ajustar equalização, compressão e reverb independentes para a monitoração. A novidade


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Figura 14. VST Connect SE 2

Você pode gravar a performance dele em áudio e em MIDI para posteriormente editar notas no editor MIDI, editar dinâmicas ou até mesmo endereçar timbres diversos para a mesma performance

do VST Connect SE 2 é que ele também permite que isto seja feito com o MIDI. Vamos dizer que você queira que um tecladista em outra cidade crie linhas de synth em faixas de um CD que você está produzindo. Você pode gravar a performance dele em áudio e em MIDI para posteriormente editar notas no editor MIDI, editar dinâmicas ou até mesmo endereçar timbres diversos para a mesma performance. Mais um leque imenso de opções criativas se abre. A figura 14 mostra a tela de comandos do VST Connect SE 2. Instant Transient Navigation – No Cubase 7.5 todo áudio gravado ou inserido na sessão tem o cálculo de hitpoints feito automaticamente de forma oculta e extremamente rápida. Com os atalhos de teclado podemos navegar entre os hitpoints, buscando referências para edição, pontos de corte, pontos de loop, pontos de quantização, enfim, todas as possibilidades que dependem dos pontos de transientes. A figura 15 mostra um track de exemplo. A sessão foi mixada e a mixagem resultante já está com hitpoints calculados.

Figura 15. Hitpoints automaticamente calculados no arquivo

Múltiplos Presets para os Quick Controls – No Cubase 7.5 podemos definir presets para os Quick Controls abrindo inumeráveis possibilidades de controle por canal. Da mesma maneira o uso do Controlador CMC QC ganha ainda mais praticidade. Os presets podem compor uma livraria de opções e serem carregados em canais diferentes. A figura 16 mostra o painel do canal para a definição dos presets para os Quick Controls (Controles Rápidos). O Cubase continua em franca evolução e nós vamos com ele. Nosso sobrevôo nesta edição mostrou superficialmente os novos recursos. Nas edições seguintes vamos

Figura 16. Definição de Presets para os Quick Controls (Controles Rápidos)

seguir com os tutoriais e continuar explorando a infinidade de possibilidades que nossa workstation nos proporciona. Abraço!

Para saber online

dalla@ateliedosom.com.br www.ateliedosom.com.br Facebook: ateliedosom | Twitter:@ateliedosom


TECNOLOGIA| LOGIC | www.backstage.com.br 52

BIBLIOTECA DE SONS NOVAS FORMAS DE CRIAR E UTILIZAR SONS NO Já verificamos vários dos novos recursos do Logic Pro X nas edições anteriores. Vamos agora entender um pouco o que mudou na Biblioteca de Sons (Sound Library) e quais as novas ferramentas que temos para trabalhar e modelar sons.

X

LOGIC PRO Vera Medina é produtora, cantora, compositora e professora de canto e produção de áudio

N

as versões anteriores do Logic tínhamos um recurso chamado Channel Strip Settings. Dentro deste recurso, tínhamos configurações pré-definidas de sons e efeitos que podiam ser acessadas rapidamente. No Logic Pro X este recurso foi aperfeiçoado e agora é chamado de

Acesse a Library e vá para Arpeggiator > Synth Layers. Escolha o patch Anticipation e vamos examiná-lo (Figura 1). Para isto, clique na seta para abrir a configuração (vide Figura 2). Como você pode notar, este som é composto por 3 camadas: Arp Layer, Rhythm

Figura 1

Patch. Cada Patch combina várias camadas de sons, efeitos, roteamentos de auxiliares, Smart Controls, plug-ins MIDI e até mesmo configurações de bateria. Como exemplo, vamos acessar um Patch. Crie uma pista de Software Instrument.

Layer e Pad Layer. Vamos verificar como é composto cada um dos instrumentos. Por exemplo, abrindo o instrumento Arp Layer, podemos verificar que ele é composto por um Retro Synth e são adicionados um arpegiador e dois plug-ins


Figura 2

Figura 3

Figura 5

Figura 4

de efeitos Channel EQ e ST-Delay (vide Figura 3). Já o Rhythm Layer foi construído no sintetizador virtual Sculpture e agregados o arpegiador e mais três plug-ins de efeitos (Compressor, Channel EQ e St-Delay) (vide Figura 4). Visualizando estas duas camadas, podemos concluir que passam a ser infinitas as possibilidades de criação de novos sons, assim também como há uma grande liberdade para a manipulação destes. Cabe ressaltar que os Channel Strip antigos ainda estão disponíveis nesta versão, até pela simples razão de que muitos projetos que

serão migrados de versões anteriores já utilizavam estes sons. Clique sobre o patch Anticipation em nosso exemplo e um menu pop-up se abrirá com as novas opções de sons categorizadas e ao final da lista existe uma categoria chamada Legacy. Nesta categoria, você encontrará os antigos Channel Strip numa subcategoria chamada Lo-

gic, assim como os Channel Strip do Garage Band e quaisquer Jam Packs instalados (vide Figura 5). Vamos agora montar um som multicamadas do zero. Crie uma pista de instrumento virtual (Track > New Tracks > Software Instrument). Abra a Library e escolha Orchestral > Strings > Cinema Strings (Figura 6). Crie mais uma pista de instrumento virtual, escolha o instrumento EXS24 e no menu de opções de sons escolha Acoustic Pianos > Piano & String Layer (Figura 7). O processo para juntar estes dois instrumentos se chama Track Stack. Clique sobre a primeira pista (Cinema Strings) e depois sobre a segunda (Piano & String Layer) segurando a tecla Shift. Desta forma, você está selecionando as duas ao mesmo tempo. Vá ao menu Track e escolha Create Track Stack. Você encontrará uma pergunta: “Which Track Stack type do you want to create?” (Qual tipo de Track Stack você quer criar?). Temos duas opções: Folder Stack (Figura 8) e Summing Stack (Figura 9). Vamos entender cada uma delas A Folder Stack basicamente agrupa os instrumentos selecionados em uma pasta para facilitar funções básicas, tais como Solo, Mute, Volume. Como está escrito, seleci-

Figura 6

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(antiga Arrange Window) (vide Figura 9) podemos visualizar os dois instrumentos dentro de uma pasta chamada Sum. No caso, a minha pasta é a Sum 5 com os dois instrumentos dentro. Observe que no Channel Strip da Sum 5 já aparecem automaticamente dois plugins desligados: Compressor e Channel EQ. Você poderá modelar sons à vontade, incluir pistas com efeitos roteados, ou seja, são infinitas as possi-

Figura 7

Teste sua criatividade agora, crie novos sons, analise os sons que já estão no formato de Patch e faça as alterações de acordo com seu gosto e necessidade

Figura 8

Figura 9

one esta opção se você quiser organizar várias pistas. Agora vamos à opção que nos interessa: Summing Stack. Traduzindo a explicação resumidamente: esta opção permite vários objetivos. Ela mixa várias sub-pistas e pode ser salva como um patch. Permite gravar e tocar dados MIDI, ou utilizar controle remoto para gravação em sub-pistas de áudio. Esta opção deve ser selecionada para organizar e submixar várias pistas. Logo após escolher esta opção, na área Tracks

bilidades, apresentei somente um exemplo simples para que você possa entender o funcionamento do Patch. Teste sua criatividade agora, crie novos sons, analise os sons que já estão no formato de Patch e faça as alterações de acordo com seu gosto e necessidade. Ficamos por aqui! Até a próxima edição. E um ótimo 2014 para todos!

Para saber online

vera.medina@uol.com.br www.veramedina.com.br


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PRO TOOLS| www.backstage.com.br

EDIÇÃO MANUAL DE MIDI NO PRO TOOLS Cristiano Moura é produtor, engenheiro de som e ministra cursos na ProClass-RJ

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A O Pro Tools ficou tachado por muitos anos como uma ótima ferramenta para se trabalhar com áudio e péssima para se trabalhar com MIDI. De fato, os recursos MIDI até a versão v7.4 eram simples demais para um enorme número de produtores musicais que criaram música com módulos de som. Também foi uma época em que o mercado de instrumentos virtuais tomou força, e os concorrentes Logic Pro, Cubase e Sonar ganhavam cada vez mais prestígio do público.

versão v8 do Pro Tools, talvez tenha sido a mais revolucionária de todas e uma das novidades foi justamente a implementação de duas janelas exclusivas para trabalho com MIDI: o MIDI Editor e o Score Editor. Hoje, estamos na versão 11 e os recursos MIDI do Pro Tools são bem completos. Neste artigo, vamos explorar o fluxo de edição MIDI.

VISÃO GERAL DO MIDI EDITOR E O CONCEITO “SMART TOOL” A janela MIDI Editor (Figura 1) pode ser carregada pelo menu Window. Nela,

Figura 1 - MIDI Editor

o usuário pode aproveitar todo o espaço de sua tela para trabalhar. Vale notar que as funções são semelhantes às da Edit Window, porém, completamente independentes. Scrolling Options, Tools, Zoom, Grid e Nudge são algumas delas. No alto, temos o Smart Tool (ferramenta inteligente), que funciona da mesma maneira que na Edit Window. Do lado esquerdo, o usuário pode escolher quais tracks quer visualizar. Para isto, basta clicar no pequeno círculo cinza ao lado do nome da pista. Isto é um recurso excelente para fazer ajustes na performance de uma pista MIDI de


acordo com outra. Por exemplo, ajustar um baixo baseado na execução da bateria. Vale notar que, apesar do nome, a MIDI Editor também permite visualizar os canais Figura 2 - outros controles para editar auxiliares (Figura 1). Eles não contêm informação MIDI, mas como são muito usados para inserção de instrumentos virtuais multitimbrais, a ideia é que o usuário tenha acesso à automação da pista sem precisar sair da janela MIDI Editor. Na parte inferior, o padrão é a visualização de velocity, que indica a intensidade/força com que uma nota foi executada, mas o usuário também pode visualizar muitos outros parâmetros (Figura 2) como sustain, pan, aftertouch, modulation, MIDI Figura 4 - smart tool

volume entre outros. Rapidamente, vale comentar sobre mais alguns recursos da janela MIDI Editor. Mute e Solo exclusivos (Figura 3) permitem isolar tracks sem ir para outras janelas e Figura 3 - Outras opções Notation View (Figura 3), que permite ver MIDI como notação musical.

“MIDI SMARTER TOOL” Como visto anteriormente, a MIDI Editor possui o mesmo conceito “Smart Tool” (traduzindo: ferramenta inteligente) da Edit Window, onde o Selector, Trim e Grabber Tools podem ser ligados ao mesmo tempo (Figura 4) e são acionados de acordo com a posição do mouse sobre o clip.

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Figura 5 - Tabela de comandos com o Pencil Tool

Porém, na MIDI Editor, podemos chamar o Pencil Tool (lápis) de “Smarter Tool” (traduzindo, ferramenta mais inteligente ainda!). Com esta única ferramenta também podemos realizar mais funções se acrescentarmos teclas modificadoras. Na tabela (Figura 5), estão listados todos os comandos possíveis com o lápis.

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PRO TOOLS| www.backstage.com.br

O Pro Tools se destaca neste sentido, permitindo que o usuário faça edição de nota e velocity diretamente na Edit Window, que traz a excelente vantagem de fazer comparações com o áudio numa pista superior ou inferior (Figura 6). Para isso, acesse o Track View Selector e escolha entre “notes” ou “velocity” de acordo com sua necessidade.

EDITANDO MIDI E ÁUDIO LADO A LADO A janela MIDI Editor é muito conveniente, mas muitas vezes, é necessário visualizar o áudio em conjunto com o MIDI para tomar uma decisão na edição. Imagine que você gravou uma bateria acústica e agora está acrescentando elementos percussivos usando um instrumento virtual. É extremamente útil poder editar, criar e manipular o MIDI das suas congas, por exemplo, vendo os picos de bumbo, caixa e Figura 6 - Edição de áudio e MIDI lado a lado pratos nas tracks de áudio.

O MELHOR DOS DOIS MUNDOS Ok, vimos o quanto é agradável e confortável editar MIDI numa janela dedicada como a MIDI Editor, mas também acabamos de ver como é útil editar MIDI lado a lado com áudio. Então, para obter um pouco de cada um dos mundos, podemos usar o Docked MIDI Editor (Figura 7), acessando o menu View > Other Displays > MIDI Editor ou simplesmente clicando no bo-

Figura 8 - Logic Docked MIDI Editor

tão indicado na figura 7. Esta visualização funciona como se fosse a janela MIDI Editor incorporada à Edit Window, muito similar ao Logic Pro (Figura 8). Por enquanto é isso. Boas produções e fiquem à vontade para mandar sugestões para as próximas colunas. Abraços!

Para saber online

Figura 7 - Docked MIDI Editor

cmoura@proclass.com.br http://cristianomoura.com


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ABLETON LIVE

LAUNCHING AND MAPPING MAPEANDO E ACIONANDO CLIPS

PARTE 1

Lika Meinberg é produtor, orquestrador, arranjador, compositor, sound designer, pianista/tecladista. Estudou direção de

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Orquestra, música para cinema e sound design na Berklee College of Music em Boston.

A Com certeza o segmento do Ableton Live mais divertido, revolucionário, flexível etc. é a sua habilidade de lançar Clips e/ou mapeá-los pelo teclado ou via qualquer MIDI device, incluido os mais antigos (computador, controlador MIDI, bateria eletrônica, drum pad etc.) e iPhone, iPad e tablet.

propósito, Clips na nomenclatura do Ableton Live estão associados a loops de áudio, MIDI ou qualquer trecho de mídia aceito pelo programa (quase tudo na verdade: MIDI, IFF ,Wav, MP3, Acid, RX, RX2, Flac etc).

LAUNCHING CLIPS – ACIONANDO CLIPS Muito bem, digamos que você está em performance, ensaiando, estudando, dando aula ou qualquer situação semelhante e tem uma série de sons ou Clips que gostaria de lançar, tocar em tempo real, com total controle de andamento, ordem, tonalidade, timbre, todos ao mesmo tempo, ou mesmo só alguns seletos Clips. Confuso?! Muito simples: o Ableton Live faz isso tudo. Vamos por etapas então. Abra o Ableton Live instalado no seu computador e muito provavelmente você terá essa visão (ou algo semelhante) da janela Session View. Se por qualquer razão mística isso não acontecer, acesse o menu View e selecione Session.

Muito bem, agora abra o browser do Live (se já não estiver aberto), clique com o cursor no canto superior esquerdo da janela Session View, no triângulo cinza claro, ou via comando de teclado: Crl+Alt+B (no PC) ou OPT+COMM+B (no Mac). Agora vá ao setor Categories do Browser e selecione Clips (como mostra a imagem abaixo selecionada em azul). Aqui

Browser

você tem acesso a uma série de Clips Loop que vem com com o pacote padrão oficial do Ableton Live. Agora, aleatoriamente mesmo, arraste individualmente alguns desses Clips para dentro desses retângulos, que chamamos de Slots, para as colunas à direi-


ta como mostra na imagem (1 Audio , 2 MIDI no caso), ou arraste ao centro da janela Session View (Drop - isso criará novas colunas

áudio) acompanharão em Sync o andamento. Isso possibilita a DJs, performers, bandas eletrônicas, sonoplastas, profissionais de eventos de mídia e músicos em geral grandes possibilidades.

ALGUMAS FUNÇÕES FUNDAMENTAIS PARA COMEÇAR - No Master Track (coluna da direita) você lança e controla os Slots da co-

Session View

que também poderiam ser criadas clicando com o botão direito do mouse nesse setor central). Tudo pronto para acionar nossos Clips. Basta clicar nesses triângulos à esquerda de cada Slot (destacado em azul no e xemplo) que o Track Clip entra em ação e toca em loop até que você dê um comando para parar (barra do teclado). Bom saber que, alterando em tempo real o BPM Tempo (veja à esquerda no Task Bar ao lado do TAP - clique apertando o botão esquerdo e arraste para alterar), todos os Clips (isto é, todos os canais de

Global Quatization

Clips no Session View

cilitar o reconhecimento (clicar com botão direito do mouse para lançar o menu). - Todos os Clips nos Slots, ao serem lançados, obedecem a um sistema de sincronização chamado Global Quantization (isso pode ser personalizado em cada Slot). - Cada Clip em Slot pode ser tocado ou parado individualmente ou em grupo. Esses Clips podem ser visualizados (monitorados) através do Track Status Display, esse pequeno ícone de tempo redondo no final de cada coluna em formato de pizza ou Pie (torta). - Esses ícones quadrados, em cinza escuro, no final de cada coluna (ao lado do Pie) são os botões de Stop

Agora, aleatoriamente mesmo, arraste individualmente alguns desses Clips para dentro desses retângulos, que chamamos de Slots, para as colunas à direita

luna na horizontal e pode editar o BPM Tempo (andamento dos Slots dessa coluna horizontal), modificar e adicionar Forma de Compasso, e também reordenar arrastando para cima ou para baixo as colunas, mudando a ordem do seu arranjo, renomear seu arranjo por partes ou mesmo adicionando cores para fa-

para cada coluna ou track (mesmo esses em cada Slot vazio têm essa

Master Control

Master Launching

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Pie Control

Você pode e deve monitorar o Track Status Display, ícones de tempo, Pie nas colunas, para mudar de coluna no Master no tempo desejado, quando estiver operando em modo manual. Em modo automático, depois de tudo programado, o software faz tudo.

função). No Master Track, ele é um Stop Global. Detalhe importante: esses botões de Stop, inclusive o Global, obedecem à configuração do Global Quantization, falaremos disso adiante. Perfeito. Vamos experimentar alguns Moves. Use o Master Track como nosso ponto de partida e vamos dar Launch numa série de Clips. Selecione à direita, em cima, o Slot Intro (já selecionado em azul, como mostra a imagem) e aperte a tecla Enter. Começamos bem. O loop sai tocando e repare: o Slot abaixo A já está selecionado e pronto para tocar. De novo, aperte Enter e esse Slot A começa a tocar assim que o Slot Intro termina (todos os Slots na horizontal juntos, em Sync) e assim sucessivamente. Você pode e deve monitorar o Track Status Display, ícones de tempo, Pie nas colunas, para mudar de coluna no Master no tempo desejado, quando estiver operando em modo manual. Em modo automático, depois de tudo programado, o software faz tudo. Esse é o processo. Ao acionar seus Clips, você pode ter experimentado um atraso de alguns milésimos ou beats até o próximo Clip começar a tocar (fica piscando). Isso se deve ao sistema de sincronia que o Ableton Live usa e está relacionado ao Quantization Global, e serve para evitar que os Clips sejam lançados fora do tempo na peça musical ou performática. Desabilitando o Global Quantization (None), seus acionamentos (Launchings) devem ter precisão musical! Outro sistema, o Launch Mode, atua determinando várias rotinas e comportamentos dos Clips, como repeti-

ções e o comportamento que cada Launch botton (Botão de lançamento que são os próprios Slots) deve obedecer ou reagir a determinado comando de MIDI ou Mapping. Falaremos melhor sobre isso. Para desabilitar o Global Quantization, você deve colocar para None (como mostra a figura abaixo) ou CRL + 0. Se quiser mudar para outra quantização é só escolher o que mais lhe convém. 1 Bar (1 compasso) é o padrão, mas você pode usar o tempo que precisar e se orientar pelo ícone Pie para lançar no tempo certo. Repare no Pie (Track Status Display de cada coluna), o monitoramento de cada Clip, tem esse número à esquerda do ícone que representa quantas vezes o loop tocou ou repetiu. Já o número da direita representa o tamanho do loop, quantos beats o loop tem (4-8-16-32 etc.) e o acompanhamento de quanto falta para completar o Clip Loop no ícone Pie (um quarto, metade, três quartos...). Pararemos por aqui. Na segunda parte desse tutorial, estaremos explanando sobre como podem ser feitos os mapeamentos, quais os tipos possíveis e suas aplicações. Gostaria de lembrar que esses tutoriais sobre o Ableton Live vêm obedecendo uma ordem lógica de instrução. Se por alguma razão você enfrentar dificuldades em seguir o tutorial, recomendo que tente adquirir edições anteriores dessas matérias para se inteirar melhor sobre o assunto. Boa sorte a todos.

Para saber online

Facebook - Lika Meinberg www.myspace.com/lmeinberg


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Microfone

Embora pouco falado no Brasil, os microfones artesanais Violet têm conquistado grandes admiradores no exterior. Estúdios consagrados como o Abbey Road Studio 2 já vêm usando esses pequenos e poderosos equipamentos, produzidos na Latvia, no Leste Europeu. redacao@backstage.com.br Fotos: Divulgação

Amethyst Uma pedra preciosa no seu estúdio

E

ntre inúmeros modelos, a série Amethyst de microfones de estúdio da Violet chama bastante atenção. Existem duas versões dos microfones Amethyst. O Standard, que possui uma cápsula única central, e o Vintage que possui um diafragma duplo e cápsula central. Ambos são construídos com Mylar micron gold. O Amethyst Standard usa um diafragma simples, capsula VD26 e é desenhado para atender o que conhecemos como som moderno, com altas arejadas e presença vocal estendida, respostas nas baixas acentuadas e padrão cardioide

unidirecional. Já o Amethyst Vintage usa um diafragma duplo cápsula VD67 e é desenhado para obter aquele som quente clássico que já conhecemos produzidos pelos melhores microfones vintage, e tem um padrão polar cardioide um pouco mais amplo. Ambos possuem impulso rápido de resposta do transiente sem coloração do som ou redução de frequência, bem como habilidade para operar sob alto nível de pressão sonora. No Amethyst Standard o espectro interno potencializado e pré-amplificado é um discreto circuito transformador


Classe A que provê saídas altas, resposta de áudio plana e distorção e ruído ultrabaixos. O Amethyst Vintage tem um corpo cinza azul e proporciona um clássico e amplo espectro de som de microfone vintage, assim como sugere o nome. Ambos os modelos possuem polaridade unidirecional cardioide padrão com mínima proximidade de efeito e linearidade sobre o ângulo frontal incidente. Uma cabeça transparente acústica reduz as ressonâncias internas bem como as reflexões. Os dois microfones também podem ser montados diretamente em um suporte de microfone padrão e os contatos banhados em ouro nos conectores de saída XLR proporcionam uma conexão livre de ruídos. O padrão polar unidirecional cardioide reduz o ruído ambiente do estúdio. Ambos os modelos de microfones tem uma proximidade mínima de efeito e trabalham perto da linearidade sobre o largo ângulo frontal de incidência. A grelha da cabeça do microfone é feita com um filtro acústico multicamadas de malha de latão que reduz sons explosivos, respiração, pop e ruídos de vento, minimizando o efeito de ressonância interna, mas mantendo as altas frequências e som transparente inalterados. O pré-amplificador interno robusto é baseado em um circuito ele-

Ambos os modelos possuem polaridade unidirecional cardioide padrão com mínima proximidade de efeito e linearidade sobre o ângulo frontal trônico de transformador discreto, construído usando as melhores seleções de componentes. O circuito foi desenhado sob os mais rigorosos padrões e proporciona uma variação de frequência de áudio linear, altas dinâmicas, baixo ruído e baixa distorção de áudio de todos os tipos. O Amethyst exige qualidade e estabilidade de 48 V de potência. Os microfones Amethyst foram desenhados para suprir as necessidades para gravações em estúdios, sendo capazes de capturar vocais, pianos, violão, baterias, percussão, cordas, vento e outros instrumentos. Os microfones podem ser usados com sucesso como reforço no sistema de som profissional, em estúdios de broadcast, filmes, na indústria de vídeo e projetos de estúdios. A cápsula interna e o corpo robusto reduzem a reverberação, interferência infrasônica externa e choque mecânico. A seguir, algumas características e sugestões de aplicações dos

Especificações técnicas Tipo de transdutor ......................................................................... eletrostático Princípio de operação ..................................................... gradiente de pressão Diametro do diafragma ...................................................................... 25 mm (1") Variação de frequência ............................................................ 20 Hz to 20 kHz Padrão Polar ................................................................ unidirecional - cardioide Impedância de saída ........................................................................... 50 ohms Impedância de carga ....................................................................... 1000 ohms Sugestão de carga de impedância ................................................. >500 ohms Maximo de SPL for 0.5% THD em 1000 ohm ........................................ 134 dB Variação dinâmcia do amplificador interno ......................................... 127 dB Consumo de corrente ........................................................................... <2 mA Conector de saída ................................... 3-pin XLR male, gold plated contacts Dimensões ................................................................. 168 x 63 x 41 mm, 350 gr

modelos Vintage e Standard, de acordo com o fabricante. Vocais – Ambos os modelos do Amethyst são ótimos para gravar vocal. O ideal é escolher o modelo de acordo com o seu e o gosto do vocalista. O Standard é mais indicado para a voz masculina e o Vintage para a voz feminina, mas é apenas uma recomendação. Use-os de 3 a 10 centímetros afastados da cápsula para obter um melhor resultado. Não é necessário se preocupar com a sobrecarga em caso de uso muito próximo. Piano – O Amethyst Standard dá um excelente resultado no piano. Use um par ou mais para gravar estéreo. Há diversas formas e métodos de usar, microfonando perto, distante ou as duas combinadas. O resultado vai depender principalmente da acústica da sala. A posição correta do microfone é o fator mais importante. O melhor método é usar o seu ouvido. Violão – O Amethyst Standard dá excelentes resultados em cordas de aço do violão. O modelo Vintage é a melhor escolha em caso de uso das clássicas cordas de náilon. De novo, o mais importante aqui é o posicionamento do microfone. Recomenda-se inicialmente virar o microfone para o pescoço do violão, onde se encontra o início do corpo, a cada 10 cm distancie-o do violão. Use um par ou mais para gravações estéreo. Guitarras – O Amethyst Standard confere excelentes resultados para sons de gravação dinâmicos e extre-

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mamente claros. O som quente do modelo Vintage é a escolha certa para gravar o overdrive da guitarra principal e sons de distorção ou ainda tons jazzísticos. Coloque o microfone de 5 a 10 cm das caixas para pegar mais as frequências superiores ou mova o microfone em direção da borda do cone para um tom mais cheio com mais médias e baixas frequências. Distâncias maiores dos alto-falantes adicionam mais ar e espaço acústico e atenuam as altas frequências. Baterias – O transiente de rápida resposta de impulso do Amethyst Standard, bem como as altas claras e o alto SPL faz dele um excelente mic para gravar baterias. A distância ideal é de 5 a 10 cm da base da bateria, mas é possível testar diferentes posições e ângulos. Uma distância maior pode adicionar mais ar e som mais ambiente. Uma distância menor pode melhorar as frequências baixas e separá-las de outras fontes sonoras. Percussão – Como a gravação de baterias, o Amethyst Standard dá um som claro e transparente e um resultado real em todas as gravações de percussão. A distância de 30 cm é a melhor para começar. Distâncias mais próximas que isso vão adicionar mais detalhes, tons e separação. Distâncias maiores vão adicionar mais som ambiente, natural e harmonia com outros instrumentos. Cordas inclinadas – O Amethyst Vintage é uma excelente escolha para

gravar todos os tipos de instrumentos de cordas inclinadas. A distancia entre 30 e 50 cm acima da ponte do instrumento é o espaço ideal para violinos e violas. A distancia entre 10 e 20 cm à frente da ponte é perfeito para o cello ou contrabaixo. Metais e sopro – O tom suave e natural do Amethyst Vintage pode ser a melhor escolha para gravar saxofone e outros metais e instrumentos de sopro. Para o clarinete e o saxofone soprano use o microfone entre 10 e 30 cm acima do megafone e dos blocos menores. Para outros saxofones coloque o microfone entre 5 e 15 cm à frente da borda do sino. Para a flauta, coloque o microfone acima do meio do instrumento. Use entre 10 e 50 cm de distância para o trompete, trombone, trompa, tuba e outros instrumentos de metal. O tamanho compacto, bastante conveniente, e a montagem versátil, combinado com uma capacidade de SPL alta, faz com que esses microfones sejam ideais para situações em que os instrumentos precisem estar mais perto. O Amethyst Standard é particularmente recomendado para percussão e instrumentos de corda. Para os vocais, o Standard é mais direcionado para as vozes masculinas enquanto o Vintage é mais indicado para vozes femininas. O ideal é usálos dentro do espectro de 2” a 4” para melhores resultados.


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De volta

ao ar Fenômenos musicais e serviço de monetização do YouTube reacende mercado de videoclipes. redacao@backstage.com.br Fotos: Divulgação

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oucos meses depois do fim da MTV Brasil (disponível atualmente apenas para TV a cabo), o mercado de videoclipes não dá sinais de arrefecer. Pelo contrário, a audiência crescente de clipes no YouTube e seu cada vez mais aquecido sistema de monetização, têm gerado uma segunda e rentável “corrida do ouro”. Depois da febre original de vídeos engraçadinhos, o YouTube substituiu o MySpace e fortaleceu-se como um dos principais meios de distribuição de música di-

gital e ferramenta de marketing para artistas tão distintos como Michel Teló, Psy e Baauer (o DJ por trás da dancinha Harlem Shake). Há pouco tempo, fenômenos como os citados acima poderiam ter direitos perdidos no limbo da internet. Em geral, qualquer usuário poderia adicionar os vídeos em seus próprios canais e receber o dinheiro indevidamente. Um cenário complicado para produtores, selos e gravadoras. Até que o próprio sistema tratou de regular seus desvios. Por meio de tecnologias como o ContentID, do YouTube, esses vídeos não foram tirados do ar, mas permitiram que os criadores originais do conteúdo passassem a receber por sua criação. No Brasil, o serviço está disponível por meio da distribuidora digital ONErpm, com mais de 150 milhões de visualizações. Em pouco tempo, artistas passaram a ter uma nova e lucrativa fonte de recursos. E os videoclipes, considerados anteriormente um capricho dispendioso do orçamento de divulgação de um artista, tornaram-se a menina dos olhos dentre as diversas estratégias de monetização digital. “Consideramos o negócio cada vez mais como o de uma produtora de conteúdo. Não apenas o de uma empresa de tecnologia”,


diz Emmanuel Zunz, CEO da ONErpm. “À medida que o YouTube cresce, o potencial de artistas torna-se mais significante.”, completa.

FENÔMENOS BRASILEIROS A monetização de vídeos é uma das principais fontes de receitas de fenômenos musicais brasileiros. O mais recente deles é o funk e rap ostentação. Considerado um dos pioneiros do movimento, o rapper DBS lançou um videoclipe de sucesso em 2009. Atualmente, o canal oficial do Drops.TV, do diretor Alex Kundera, conta com quase 4 milhões de visualizações. “Hoje um artista desconhecido com um clipe muito bom pode ser mais bem sucedido do que um artista muito popular com um clipe normal. Antes ele não teria espaço suficiente na TV para esse sucesso, seu clipe poderia

Kundera

ser visto no máximo durante as madrugadas, e agora o sucesso do clipe na internet é que acaba levando esse artista para a tevê mais tarde”, explica o diretor. Artistas que utilizam a parceria premium entre a distribuidora digital e o YouTube, tem sido capazes

de gerar uma receita significativa tanto em seu canal quanto em canais de usuários através do ContentID. Muitos dos clientes da empresa, no entanto, nunca antes tinham pensado em um plano de monetização do YouTube. “A expansão do mercado digital pode ser a salvação de um modelo que estava falindo”, diz Alexandre Duncan, dono de um canal de quase 33 milhões de visualizações. “A venda de músicas parecia caminhar para a falência após a extinção do CD. Este novo formato de comercialização, o digital, está sendo responsável por reerguer as vendas e trazer novo fôlego aos artistas. A receita gerada vem crescendo a cada mês. A expectativa é que, com o passar do tempo, mais bandas, artistas e gravadoras aprendam a utilizar melhor todas essas ferramentas”, acredita Duncan.

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Metais em brasa D Tambours du Bronx e seus 18 tonéis de percussão e muita energia

Ricardo Schott redacao@backstage.com.br Fotos: Divulgação

ezoito caras não são um grupo, são uma multidão. No caso do Tambours du Bronx, grupo de percussionistas da França que faz apresentações energéticas e cheias de performance tocando em tonéis metálicos reciclados, trata-se de uma multidão bem operacionalizada e afinada, que funciona quase sempre - como um relógio. E fez um show muito bem azeitado com o Sepultura na edição mais recente do Rock In Rio. Os 18 músicos lançaram agora no Brasil o CD/DVD Fu-

kushima mon amour, gravado ao vivo em seu país de origem em 2011. Batemos um papo com um dos percussionistas, Dominique Gaudeaux, o Dom (praticamente todos têm apelidos curtos, de uma só sílaba) e ele contou um pouco sobre a história do TDB, sobre a profissionalização da trupe - iniciada como uma brincadeira entre amigos - e sobre como é excursionar pelo mundo com um time imenso de músicos. O Sepultura foi o assunto inicial da conversa.


Quando foi que vocês estiveram com a galera do Sepultura pela primeira vez? Nós dividimos o mesmo palco num festival lá da França, o Léz’arts Scéniques in 2007. Era, em sua maioria, um festival de heavy metal. Nós, claro, éramos a única banda de percussionistas. Lembro que vi o Andreas Kisser (guitarrista do Sepultura) assistindo ao nosso show, distante poucos passos de nós. Começamos a conversar bastante pela internet. Ele tinha ficado bastante impressionado com nossa apresentação. E já éramos fãs do Sepultura. Quando começamos a tocar juntos, fazíamos músicas nossas e eles, as deles. Aprendemos como tocar e trabalhar juntos e hoje fazemos tudo juntos no palco. Os caras do Sepultura são legais e muito talentosos. É fácil trabalhar com eles (TDP e Sepultura voltariam a se encontrar duas vezes no palco do Rock In Rio, em 2011 e 2013, e também no festival de heavy metal Wacken Open Air, na França). Vocês são fãs de heavy metal então... Claro! Muitos de nós, dependendo da idade, curtem rock dos anos 60, metal, hardcore ou artistas de hip hop. Somos 18, temos nossas preferências pessoais. Que incluem Sepultura, Ministry, Iron Maiden, Motorhead, e muito mais. Lista longa! Vocês são 18 músicos e ainda têm um monte de tambores. Qual é exatamente a logística da banda nas turnês? O equipamento é muito pesado? Olha, são três vans para todos os músicos, técnicos e equipe. Mas são, acredite, apenas 21 pessoas na estrada, já que os músicos se viram sozinhos em muitas tarefas, como dirigir as vans, montar o palco. Com estruturas, luzes, equipamentos de som, eletrônicos e 18 tambores, acho que tudo chega a pesar algo como 1.200 quilos. Agora, quando viajamos de avião, como aconteceu no caso do Rock In Rio, pedimos aos promotores que encontrem tambores no país para o qual vamos. Verdade que usam cada tambor apenas duas vezes? Isso mesmo. Usamos um lado do tambor por show. Depois de dois shows, eles ficam imprestáveis. Acabamos dando os tambores velhos para os fãs. Temos um cara que arruma alguns para nós na Bélgica. Compramos muitos deles, que são entregues por caminhão. Compramos um depósito velho e lá guardamos os tambores, além de ensaiarmos. Os tambores ganham algum tipo de tratamento especial antes dos shows? Bom, compramos tonéis reciclados e eles são limpos antes de chegarem até nós. Só que temos surpresas desagradáveis às vezes, porque alguns chegam bem na hora do

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REPORTAGEM| www.backstage.com.br 72

Bom, compramos tonéis reciclados e eles são limpos antes de chegarem até nós. Só que temos surpresas desagradáveis às vezes, porque alguns chegam bem na hora do show, ainda com cheiro de gasolina, cola ou coisas piores

Passagem de som no Palco Mundo com o Sepultura

show, ainda com cheiro de gasolina, cola ou coisas piores. Acontece de a gente tocar enquanto aspira essas coisas. O único tratamento acaba sendo mesmo é a pintura, e um de nós fica a cargo disso. E para dar conta dessa galera toda? Vocês têm algum tipo de maestro no grupo? Como essa história de reunir 18 caras para tocar percussão virou algo profissional? Já tivemos um comandante há alguns anos, mas rolou uma separação e não queremos mais esse tipo de relacionamento. Todos nós dividimos funções como dirigir, pintar, montar o palco, cuidar das vendas de produtos etc. Nosso trabalho começou como brincadeira, mas começamos a ter uma grande promoção quando as pessoas perceberam o que era e passaram a gostar do conceito. Passamos a tocar mais e mais e isso virou nosso trabalho!

Vocês são da França, não do Bronx. Por que “Tambours du Bronx”? Começamos nossa carreira num subúrbio industrial de Nevers, que se chama Varennes-Vauzelles. Na Segunda Guerra Mundial, os americanos chamavam essa área de “Bronx”, porque se parecia muito com o Bronx nova iorquino. No começo, éramos muito influenciados pelo Les Tambours Du Burundi, uma banda tradicional da África. Vocês tocaram em rinques de patinação, ônibus, na Torre Eiffel... Quais são suas memórias desses shows e qual deles foi o mais inusitado? Bom, são 26 anos de existência, 18 músicos, sendo que mais de cem passaram pela banda nesse tempo todo... Cada um de nós tem diferentes lembranças. Lembro de termos tocado num deserto nos Emirados Árabes, feito um show selvagem numa praça em Salvador, tocado num ginásio para crianças na África... Muitas!


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HARMAN NAS ARENAS|CAPA| www.backstage.com.br 74

Estádio do Mineirão Belo Horizonte - Minas Gerais

HARMAN MARCA PRESENÇA EM DEZ ARENAS redacao@backstage.com.br Fotos: Divulgação

Os olhos do mundo todo já estão voltados para o Brasil, que será sede da Copa do Mundo de 2014. O país vem se preparando há algum tempo para receber o evento, com obras de melhorias urbanas, de infraestrutura e principalmente em estádios, que serão os palcos dos jogos de futebol, uma das grandes paixões nacionais. Doze cidades sediarão a Copa do Mundo no Brasil, entre 12 de junho e 13 de julho. E para que tudo ocorra de modo favorável, as obras nos estádios e arenas tiveram de se adequar às normas exigidas pela FIFA (Federação Internacional de Futebol), com mudanças em diversos aspectos, inclusive no áudio dos locais, que deveria se igualar a um padrão internacional de qualidade.

A

Harman, uma das maiores empresas de áudio profissional do mundo, fez parte desse processo, marcando presença em oito arenas das doze oficiais e duas que serão usadas como apoio, para treinos. São elas a Arena Amazônia (Manaus - Amazonas), Arena Castelão (Fortaleza – Ceará), Arena Pernambuco (Recife – Pernambuco), Estádio Mané Garrincha (Distrito Federal), Estádio do Mineirão (Belo Horizonte - Minas Gerais), Arena Corinthians (São Paulo), Arena Pantanal (Cuiabá - Mato Grosso) e a Arena da Baixada (Curitiba - Paraná), além das duas arenas de apoio, que serão a Arena Palmeiras (São Paulo) e a Arena Independência (Minas Gerais).


Fernando Guerra, gerente de instalações fixas da Harman, explica que os equipamentos já foram implantados em algumas arenas e em outras estão em fase de instalação. Ele revela que esse processo deve seguir o cronograma da FIFA. “Pelo que se estima, as instalações de-

Estádio Mané Garrincha - Distrito Federal

Harman ra, gerente da Fernando Guer

vem estar prontas para o carnaval. Se a obra atrasar, nossa instalação também atrasa”, resume. O prazo estabelecido pela FIFA era dezembro, mas ainda há locais de jogo que ainda estão finalizando as obras.

ANÁLISE E PLANEJAMENTO ...para a distribuição dos produtos nos estádios Fernando esclarece que há critérios métricos nos projetos de áudio. “O primeiro é o volume, que precisa apresentar certa homogeneidade, altura e níveis mínimo e máximo. E o segundo é a inteligibilidade, ou seja, não adianta colocar as caixas

Arena Castelão, Fortaleza - Ceará

se ninguém entender o que está se falando”, pontua. Existem também etapas do projeto eletroacústico, para se determinar o produto, a quantidade e a melhor localização dos equipamentos. O gerente conta que os equipamentos

usados são similares aos de projetos em diversos outros locais pelo mundo, não são exclusivos das arenas. “Cada uma delas tem seu projeto único, pois há coberturas e arquiteturas diferentes. E como se sabe, a arquitetura influencia diretamen-

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crownithd 12000

Há arenas em que fechamos contrato cujo PA da arquibancada é nosso e há outras onde nós fechamos todos os equipamentos, menos o PA; no entanto, nessas os amplificadores das caixas são nossos (Fernando)

” BLU-800

te no som, tanto em altura quanto em inteligibilidade”, analisa. “Há arenas em que fechamos contrato cujo PA da arquibancada é nosso e há outras onde nós fechamos todos os equipamentos, menos o PA; no entanto, nessas os amplificadores das caixas são nossos. Estamos com 100% de solução de áudio Harman nas seguintes arenas: Arena da Baixada (Curitiba), Arena Pantanal (Cuiabá), Arena Pernambuco (Recife) e Castelão (Fortaleza), e nas de apoio Arena Palmeiras (São Paulo) e na Arena Independência (Minas Gerais)”, enumera Fernando. Nos outros quatro locais - Arena Amazônia (Manaus), Estádio Mané Garrincha (Distrito Federal), Mineirão (Belo Horizonte) e Arena Corinthians (São Paulo) – a Harman divide o áudio com outra empresa. “Não há fornecimento de equipamentos nossos em apenas quatro locais: Fonte Nova (Salvador), Arena das Dunas (Rio Grande do Norte), Maracanã (Rio de Janeiro) e Beira-Rio (Rio Grande do Sul)”, afirma Fernando.

níveis sonoros de pico de pelo menos 105 dBA, com desvios nos níveis de som direto gerais inferiores a +/-3,5 dBA ao longo das áreas de assentos. E a resposta de frequência medida nas áreas de assentos deve ser de, no mínimo, 120 Hz a 5 kHz +/-3 dB. Em relação às condições acústicas, ainda de acordo com o manual, a FIFA exige a presença de “materiais de absorção sonora com valor NRC de 0,9 ou superior, conforme necessário, na superfície de assentos pré-fabricados e outras seções verticais, bem como superfícies interiores de telhado, visando atingir os

AS EXIGÊNCIAS QUANTO AO ÁUDIO E OS EQUIPAMENTOS

JBL 8128

De acordo com a quinta edição do Caderno de Recomendações e Requisitos Técnicos da FIFA para estádios de futebol, no qual há informações sobre os locais que sediarão os jogos em 2014 no Brasil, o sistema de áudio deve atingir valores STI (medidos utilizando o método STI-PA ou calculados a partir da resposta de impulso) de, no mínimo, STI 0,55 nas áreas fixas de assentos de espectadores. Ainda conforme a publicação, devem ser fornecidos níveis sonoros contínuos máximos não inferiores a 100 dBA e

valores STI desejados. Os níveis de ruído de sistemas mecânicos do estádio ou outros equipamentos não devem exceder o nível NC 45 nas áreas públicas”. Os equipamentos implantados pela Harman nos estádios e arenas são: microfones, módulos, headphones, cápsulas para microfones e receivers da AKG; processadores de sinal da BSS, estação de chamada e software de gerenciamento da IDX; amplificador e placas de monitoramento da Crown; monitores, alto-falantes e caixas passi-


JBL Controll 25

vas da JBL; mixers e módulos cobranet da Soundcraft e arandelas e cornetas da JBL/Selenium. O gerente explica que o processo de escolha das empresas envolvidas não é de licitação. “Trata-se de concorrência privada, via construtora. O áudio estava englobado em um pacote maior, no qual também faziam parte o sistema de acesso, o de incêndio, os telões, o ar-condicionado interno”, relata Fernando.

lidade e durabilidade, de empresas que estão oficialmente estabelecidas no país”, ressalta. “Como a maioria desses grandes locais estão sendo geridos por parcerias, normalmente com empresas internacionais, elas têm um modelo de gestão diferente, com um

no de investimento, com o qual quero ter o melhor resultado possível nesse período. Eu não posso comprar produtos que tenham um custo de manutenção alto ou que precisem ser trocados de três em três anos”, calcula Fernando. Ele acrescenta que aqui no Brasil há uma cultura de comprar o mais barato, de gastar menos. “Qual o sapato seria o mais comprado, de modo geral? O que você gasta R$ 100 e tem que trocar a cada ano, ou que gasta R$ 200 e troca de três em três anos? Aqui se olha para o investimento como custo e não como investimento mesmo”, analisa.

“AQUI SE OLHA PARA O INVESTIMENTO COMO CUSTO E NÃO COMO ...investimento mesmo” Para Fernando, o maior legado que eventos como a Copa trazem para o Brasil é a profissionalização na operação de estádios e arenas. Ele ressalta que no país não existe cultura de operação, de utilizar os espaços por longo prazo, com retorno financeiro. E aponta os leilões de aeroportos como um exemplo disso, pois, de acordo com ele, o governo está privatizando porque não tem capacidade de gestão. “Muitas arenas estão sendo, foram ou serão ainda privatizadas, pelo próprio governo ou por clubes de futebol. A maioria delas será gerida por empresas que têm know-how de operação de locais, como acontece nos EUA e na Europa. Com esse legado de profissionalização na operação, há empresas participantes que buscam produtos de maior qua-

olhar sobre o investimento, como algo que precise durar o máximo, em que o custo de manutenção, reparo ou troca seja o mínimo possível durante o tempo de vida útil do contrato, para maximizar o lucro da empresa”, atesta. O gerente explica que as arenas trazem essa cultura e que passarão esse costume de operação a outros espaços como teatros e casas de espetáculos, o que fará com que o mercado de entretenimento cresça. “Eu, como um empresário que vai gerenciar um local por 20 ou 30 anos, preciso trabalhar com retor-

Fernando garante que a participação da Harman na Copa superou a meta mundial, cujo objetivo era participar de metade das 12 arenas. “Estamos em oito e em duas de apoio. A empresa mais do que cumpriu sua expectativa. E o sucesso tornou-se um marco para a Harman, pois é a primeira vez em que temos uma participação líder e de impacto em uma Copa. Isso mostra também o retorno do investimento da Harman, feito há três anos quando adquirimos a Selenium. É um grande reconhecimento”, comemora.

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ROBIN PARFECT 100 www.robe.cz Fabricado na Europa, é um beam ACL com 12 LEDs RGBW multichip. A unidade é uma versão estática do LEDBeam 100 e mantém as características principais dele, como controle de cor CMY & RGBW, emulação de lâmpada de tungstênio, Zone Fx, temperaturas de cor selecionáveis e variáveis, e um facho de 7° realmente potente. É compacto e leve e vem com um suporte combinado de chão ou para pendurar. DMX wireless, filtros de difusão clip-on e barn-doors removíveis estão disponíveis como opcionais.

SG HDBEAM www.hotmachine.ind.br Este novo equipamento possui um ângulo beam de 3.8°, efeito de vibração de alta velocidade, filtro de Frost, dimmer mecânico, resolução de pan/tilt de 16 bit selecionáveis (pan de 540° e tilt de 252°) e alcança temperatura de cor de 8000K. Com vida média de 3 mil horas, possui ainda canais DMX atuando em dois modos 16/20. A roda de cores intercambiáveis possuem 14 cores mais abertura e a roda de gobo possui 17 gobos fixos mais abertura.

PALCO DE CRISTAL www.gobos.com.br Destinado para o profissional que busca qualidade e resistência, atreladas a uma praticidade sem igual e a um excelente custo benefício, os praticáveis de palco da Gobos do Brasil unem todas essas qualidades em um único produto. Extremamente leve e compacto, o praticável Genial é produzido em liga de alumínio, que garante resistência e durabilidade. Graças a suas características construtivas, estes praticáveis conseguem suportar duas toneladas por metro quadrado e basta uma pessoa para montá-lo. Os módulos de 1,20m x 60cm, podem ser adquiridos em 5 diferentes alturas: 20 cm / 40 cm / 60 cm / 80 cm / 1 metro. Conforme a aplicação é possível sofisticar o padrão do tampo, utilizando desde compensados lisos, laminados ou impressos, até vidros e placas minerais.

PH-30 LIGHT MESH www.proshows.com.br Leve, prático e versátil, o PH-30 Light Mesh, ProLED, se mostra como uma opção para as aplicações de baixa resolução. Possui resolução de 31,25mm, LED oval de 3mm e consumo médio de 160W/ m², além trabalhar nas frequências de 60 Hz (frame rate) e 360Hz (refresh rate). Pode ser vendido em módulos, que pesam 1,05kg, ou em gabinetes, com peso de 22kg, e possui um sistema de controle sensível que pode ajustar o brilho da tela automaticamente de acordo com a mudança de iluminação interior e exterior. Além disso, proporciona imagens vivas, com altas taxas de contrastes e brilho.


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ILUMINAÇÃO Se há um projeto de iluminação cênica, naturalmente há um conceito que o define. Nesta conversa, será analisada a produção de um dos shows da turnê Three Albums Tour 2013/4 da banda inglesa Yes, ícone do Rock Progressivo, que passou pelo Brasil em maio de 2013, e que deixou ótimas lembranças, referências, lições e muitos aprendizados inclusive, sobre conceito!

CÊNICA

YES: NÓS TEMOS CONCEITO! Cezar Galhart é técnico em eletrônica, produtor de eventos, baixista e professor dos Cursos de Eventos, Design de Interiores e Design Gráfico do Unicuritiba. Pesquisador em Iluminação Cênica, atualmente cursa Pós-Graduação em Iluminação e Design de Interiores no IPOG.

T

oda produção de um novo evento – seja ele um show isolado, ou uma turnê completa, com diversos shows programados para uma temporada (com duração de meses e em alguns casos, anos) –, inicia-se com uma ideia principal – ou em alguns casos, diversas ideias e múltiplas opiniões – provenientes de diversos profissionais que se integram nesse momento de concepção. Todas essas ideias devem estar alinhadas a um conceito central, que define um artista – e assim, caracteriza-o com qualidades e referências – ou à sua obra musical, relacionada à temática do último trabalho ou ao contexto no qual o(s) artista(s) e a obra estão inseridos (e isso, particularmente, pode ter uma relação direta com um estilo ou gênero musical). Esse contexto pode ser inclusive histórico-cultural – quando o artista participa de um movimento cultural (por exemplo, a Psicodelia – que teve seu auge na década de 1960).

Assim, pode-se afirmar que o conceito é o elemento central de uma ação promocional, sendo ele portador de um significado, relacionado a algo abstrato (ou emocional) ou impessoal (vinculado a um festival, por exemplo, no qual várias bandas dividem o mesmo palco), e pode servir universalmente para designar um produto, serviço ou mesmo um profissional (isso se aplica, por exemplo, aos shows temáticos, aos fornecedores específicos desses shows e aos profissionais que se especializam nessa temática). Em geral, todos os conceitos são também consequência de muitas pesquisas e referências diversas. Essas referências podem se originar das percepções e necessidades diretas dos artistas – que melhor conhecem a maneira com a qual gostariam de expressar suas necessidades e desejos – sendo esses requisitos visuais, estéticos e principalmente relacionados ao resultado sonoro final – mas também podem receber


Fonte: Rush.com/John Arrowsmith / Divulgação

de Rock Progressivo Yes. Nessa turnê, a banda executa três magní-

Tanto o conceito quanto as referências impactam diretamente na elaboração do projeto de iluminação cênica de um show ficos álbuns na íntegra e na mesma sequência de faixas dos discos originais: The Yes Album (1971),

Fonte: Correio Braziliense / Divulgação

influências de diversos profissionais, ou mesmo, outros artistas. Tanto o conceito quanto as referências impactam diretamente na elaboração do projeto de iluminação cênica de um show (ou uma turnê; ou um festival). Foi com todos esses elementos em mente que Donald “Don” Weeks, Lighting Designer com mais de 30 anos de experiência idealizando, desenvolvendo e operacionalizando projetos de iluminação cênica, assumiu a responsabilidade pela concepção da turnê internacional Three Albums Tour 2013/4 da iconográfica banda

Figura 1: Rush – Turnê Clockwork Angels Tour 2012. Diversos elementos na elaboração e consolidação do conceito.

Close To The Edge (1972) e Going For The One (1977). A esta incomparável banda, seriam necessários muitos parágrafos para descrever a importância e impacto na música, não somente em relação ao rock n’roll, mas pelas múltiplas contribuições relacionadas a diversos aspectos: do design gráfico (com as capas dos álbuns, criações fantasiosas do espetacular designer e ilustrador britânico Roger Dean) à produção cenográfica (primeira banda a realizar um show com um palco circular e visão 360º pelo público); formações complexas e influentes (todos os músicos que passaram/fazem parte da banda Yes causaram/cau-

Figura 2: Yes – Turnê Three Albums Tour 2013/4 – Ginásio Nilson Nelson – Brasília (DF)

sam significativa influência em muitas gerações) e desenvolvimento de um estilo próprio (foi a Yes a primeira banda a consolidar o Rock Progressivo); desenvolvimento de tecnologias e premissas da iluminação cênica dos shows, nos últimos 45 anos (Michael Tait, proprietário da renomada empresa inglesa Tait Towers, começou como motorista da banda em 1968 e na primeira oportunidade assumiu o controle da iluminação de palco, alternando interruptores fixados nas paredes para controlar e alternar as luzes). Nesse contexto, Don Weeks tinha em mente duas importantes considerações: 1) Desenvolver uma estrutura de palco, mais reduzida em relação às produções anteriores e que pudesse

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ser facilmente adaptada em diversos espaços, entre cassinos, teatros e anfiteatros, ginásios e mesmo transatlânticos (a banda, inclusive, teve uma miniturnê intitulada Cruise To The Edge realizada em cruzeiros marítimos). 2) Transmitir as sensações, emoções e mensagens presentes nos três álbuns – e assim, proporcionar percepções interativas com as canções. Para que isso pudesse ser viabilizado,

2013, foi a estreia da turnê no Brasil – que ainda teve outros cinco shows ainda no mês de maio, em Curitiba (21), São Paulo (23 e 24), Rio de Janeiro (25) e Porto Alegre (26 de maio). Para tanto, o palco foi reconstruído no Google SketchUp – ferramenta de modelagem 3D – para a simulação das possíveis percepções a partir de algumas cenas que destacam as sensações percebidas no show e que, muitas vezes,

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Como destaque, no telão, em um determinado momento, a reprodução da capa original do disco (a primeira, elaborada pelo brilhante Roger Dean)

independente da estrutura local fornecida, Weeks acreditou que uma configuração mínima deveria estar presente em todos os shows, com refletores LED/Moving Heads LED Wash (especificamente da empresa Robe) (confortáveis aos olhos e aos músicos) e telões, que pudessem também contemplar as expectativas inicialmente idealizadas. Como mesa controladora, uma grandMA Full Size, da MA Lighting. Como elementos complementares, algumas treliças dispostas em “V”, criando formas triangulares com o piso do palco – para a fixação dos refletores LED/Moving Heads – de forma a criar, também, opções no direcionamento das luzes (basicamente, em backlighting) e interações “outras” (como será analisado, na sequência). Para identificar alguns aspectos constantes da estrutura do show/turnê acima citados, será analisada a turnê pela primeira apresentação realizada no Brasil no ano passado. O show, realizado no Ginásio Nilson Nelson, em Brasília (DF), no dia 19 de maio de

pela dinâmica do evento, passam desapercebidas. E é justamente nessas cenas, repletas de sutis referências, que o conceito se projeta em uma multiplicidade de detalhes e particularidades. Na primeira imagem (Figura 3), buscou-se a reprodução de uma das cenas da canção de abertura: a faixa-título do magistral álbum Close To The Edge. Com duração de quase 19 minutos, esta obra-prima compreende, isoladamente, dezenas e dezenas de cenas. Como destaque, no telão, em um determinado momento, a reprodução da capa original do disco (a primeira, elaborada pelo brilhante Roger Dean) e na concepção global, os elementos da cena são delimitados pelos fachos de luz, restringindo o campo visual e projetando uma atmosfera de introspecção, favorecida por uma combinação análoga de cores, com predominância do azul e verde (cores primárias do padrão RGB). As estruturas com os refletores LED/ moving heads operavam em combinações básicas para algumas cores.


Fonte: Cezar Galhart / Divulgação

Figura 3: Close To The Edge - Maquete eletrônica com construção similar ao Palco do show do Yes – Turnê Three Albums Tour 2013/4 - iluminação simulada pela construção em Google SketchUp 8 e renderização com o Kerkythea 2011.

truturas de apoio, mas principalmente os músicos, protagonistas das percepções sonoras, que são entregues ao público, na forma de um espetáculo (figura 5). Como detalhe, os refletores LED/moving heads na contraluz, projetam luzes, ora em padrões magenta, ora em azul. Para finalizar (figura 6), um momento da canção Starship Trooper (do também espetacular The Yes Album), na qual um cenário lunar projetado nos telões cria uma atmosfera para um ambiente intimista e futurista, representado, em alguns instantes pela ausência de

Fonte: Cezar Galhart / Divulgação

Essas contraluzes também “respondiam” aos estímulos das canções. Isso pode ser percebido em Siberian Khatru (também do álbum Close To The Edge) e Parallels, canção do sensacional álbum Going For The One. O título desta última é bem sugestivo, pois além de imagens projetadas nos telões com referências a linhas e diversas outras percepções de paralelismo, as luzes criam “paralelos”, na alternância de combinações (complementares e duplas complementares), ou mesmo, com a predominância de fachos luminosos formando colunas – paralelas entre si.

Figura 4: Valorização das formas e de alguns elementos. Maquete eletrônica com construção similar ao Palco do show do Yes – Turnê Three Albums Tour 2013/4 - iluminação simulada pela construção em Google SketchUp 8 e renderização com o Kerkythea 2011.

Em momentos alternados do show, o palco se torna todo iluminado, com predominância da luz branca, revelando toda a banda e os elementos cênicos – mesmo que, neste contexto, sejam eles os equipamentos, es-

iluminação no palco. Blecaute? De forma alguma! A luz se revela, com a predominância de sensações monocromáticas em tons violetas ou azuis e mostra apenas alguns detalhes. A delimitação do palco pelos

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Fonte: Cezar Galhart / Divulgação

Impressiona a utilização dos moving heads, por um simples fato: os equipamentos não se movimentavam no palco. Mesmo com certa inquietação, a explicação é mais simples e objetiva: a estrutura foi dimensionada para operar com a movimentação das luzes – e não dos instrumentos.

Figura 5: Sensação monocromática. Maquete eletrônica com construção similar ao Palco do show do Yes – Turnê Three Albums Tour 2013/4 - iluminação simulada pela construção em Google SketchUp 8 e renderização com o Kerkythea 2011 Fonte: Cezar Galhart / Divulgação

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Figura 6: Detalhe de Starship Trooper. Maquete eletrônica com construção similar ao Palco do show do Yes – Turnê Three Albums Tour 2013/4 - iluminação simulada pela construção em Google SketchUp 8 e renderização com o Kerkythea 2011.

fachos luminosos nas laterais cria um cenário perfeito para o surgimento dos detalhes da canção – e dos músicos que, com a evolução da canção, surgem para o ápice (Würm, que fecha a canção). Impressiona a utilização dos moving heads, por um simples fato: os equipamentos não se movimentavam no palco. Mesmo com certa inquietação, a explicação é mais simples e objetiva: a estrutura foi dimensionada para operar com a movimentação das luzes – e não dos instrumentos. É o que Don Weeks chama de “Old School”: equipamentos modernos, funcionando como se fossem as estruturas de PAR 64, sem a necessidade de trocar os filtros para produzir efeitos e cores múltiplas. Simples e genial, não é mesmo? E assim, o show se desenvolve e evolui em cenas, percepções e sensações únicas. No fim, a iluminação cumpre

seu papel principal: protagonista nas imagens que se eternizam nas memórias e registros de milhares de fãs e admiradores, como elemento condutor das emoções que a música proporciona, e significativo recurso para a consolidação e fixação do conceito do evento. Nesta primeira conversa de 2014, gostaria de desejar a todos um Feliz Ano Novo, repleto de muita Luz – intensa, brilhante e estimulante -, propícia para novas oportunidades, muitas realizações e focada, de forma a direcionar o caminho de todos, para que o sucesso nos acompanhe, em todos os nossos projetos de vida!!! Abraços e até a próxima conversa!!!

Para saber mais redacao@backstage.com.br


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DIEGO & DIOGO GRAVAM PRIMEIRO DVD A dupla sertaneja Diego & Diogo gravou, em outubro, o primeiro DVD no Auditório Grêmio, da Nestlé, em São José do Rio Pardo, São Paulo. Responsáveis por desenvolver e executar o projeto de iluminação, o lighting designer Leonardo Oliveira, o Maçã; e o diretor de fotografia, Rogério Fernandez, o Carioca, ambos da Showdesign, optaram por trabalhar com temperaturas de cores altas e criar algo original na estética para o registro do primeiro trabalho dos cantores. redacao@backstage.com.br Fotos: Divulgação

A

dupla de irmãos não queria um projeto básico, onde se tem um painel de LED wide no fundo com uma planta de luz básica, mas algo diferente esteticamente e foi a partir desse conceito que começou a ser traçado o design do palco em conjunto com a luz. A primeira resolução adotada foi a de utilizar o mínimo possível de placas de LED, tendo em vista que o local era totalmente fechado, um ginásio de esportes com 32 metros de largura, 11 de pé direito e 45 de profundidade. “Partimos do princípio de utilizar o mínimo possível de placas de LED criando 4 arcos,


que eles ofereceriam todo recurso necessário para calibrar intensidade da luz, cores vivas, discos de gobos e principalmente ótica. “Ou seja, ter raios de luz uniformes que fossem visíveis desde o momento

muito potentes. Não poderíamos ir a 100% para não interferir bruscamente no movimento das câmeras, não manchar a dupla com algum ponto de luz indesejado e, principalmente, para não aconte-

sendo divididos 2 maiores e 2 menores de cada lado com 4 linhas no centro do palco com altura de 8 metros”, explica Leonardo. O próximo passo foi trabalhar no piso do palco, onde foi criada uma boca de cena de 12 metros de largura por 10 de profundidade e 1,6 de altura. A ideia era que a dupla sertaneja e banda pudessem atuar em conjunto. “Tínhamos 24 movings que usaríamos como nossa base de cores nas laterais do palco, sendo 12 de cada lado, que precisavam ser apoiados no chão. Foi aí que decidimos ter mais duas passarelas na lateral do palco que dessem suporte para banda, dupla e luz, deixando o palco com formato de um T”, ressalta Leonardo. “Depois disso, a planta de luz foi tomando forma de acordo com o design do palco nas laterais. Na parede nós tínhamos duas sessões de 32 movings sendo 16 de cada lado no centro, além de seis sessões com 9 movings cada para fazer toda a boca de cena. Utilizamos 3 linhas de movings para fazer a fotografia sendo duas nas laterais e uma frontal, num total de 20 aparelhos”, completa o lighting designer. Após ouvir o setlist que seria gravado no dia – o DVD terá um total de 17 músicas – Leonardo conta que ficou claro que o espetáculo necessitaria de aparelhos que fossem precisos nos momentos das músicas agitadas e que também fornecessem uma gama de recursos como paletas de cores, gobos diversos para criar diversos climas etc. “Optamos por utilizar todos os movings da Robe, sendo eles todos da série ROBIN. O Pointe, por exemplo, atendia principalmente em precisão, e ainda dava a opção de trabalhar em 3 categorias bem usuais: spot, beam e wash”, avalia. O cuidado que os profissionais tiveram na escolha dos equipamentos foi justamente de ter a garantia

Tínhamos 24 movings que usaríamos como nossa base de cores nas laterais do palco, sendo 12 de cada lado, que precisavam ser apoiados no chão que saíssem da última lente do moving até onde esse raio de luz tocasse a superfície do espaço da gravação. Preocupamos-nos principalmente com intensidade já que estávamos usando equipamentos

cer qualquer tipo de acidente com queimaduras”, oberva Maçã. Outro aparelho escolhido foi o ROBIN 600 LEDWash, que foi escolhido já pensando na base de cores que os dois profissionais precisa-

Leonardo Oliveira, à esquerda, e Rogério Fernandez

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Nas laterais, para fazer os arcos, utilizamos os de 18 mm bem mais leves. Para finalizar o palco nós utilizamos 47 metros de fita LED para delinear o piso do palco. Já na plateia utilizamos 40 PARLEDs de 3W, para criar o mesmo clima do palco, e 8 ACLs para criar um contraste

Painel central com placas de LED de 10mm

vam, principalmente na fotografia, já que o aparelho dispõe de 4 LEDs RGBW para fazer mix de cores e correções de temperaturas predefinidas, que vão de 2.700°K a 8.000°K. “Nós trabalhamos com a temperatura de 5.600°K”, comenta Leonardo, lembrando que outro aparelho escolhido para completar a base de cores foi o ROBIN 100 LEDWash, que deu o apoio de contra luz da dupla, além de dois canhões seguidores DTS 1200 a 12 metros do chão e mais 4 de frente, sendo dois para a dupla e os outros dois para os convidados. Para Rogério Fernandez, responsável pela fotografia do show, a escolha do LEDWash 600 foi perfeita, “pois permitiu programar a temperatura correta para cada parte do show”. O diferencial no projeto de iluminação desse DVD foi abusar dos ataques de luz de acordo com o que a música pedia. “Afinal, tínhamos os melhores equipamentos de luz à disposição e o limite estava apenas na sensibilidade do lighting designer. Muito pouco se vê do movimento dos movings; os ataques são constantes no momento que tem um espaço para impactar, mesmo que com um clima criado para uma música romântica, você tem o cuidado em criar uma cor utilizando o recurso de GELS

do console. Em algumas músicas dá para perceber que não estamos usando todos os aparelhos, apenas 20% para criar um clima”, afirma Leonardo. Para complementar os ataques, foram usados ainda 12 Martin Atomic 3000 e 11 Calhas Brutt com quatro lâmpadas. No painel central foram placas de LED de 10 mm. “Por ser o plano principal onde a dupla atuaria 90% do show, então tinha quer ter uma resolução melhor. Nas laterais, para fazer os arcos, utilizamos os de 18 mm bem mais leves. Para finalizar o palco nós utilizamos 47 metros de fita LED para delinear o piso do palco. Já na plateia utilizamos 40 PARLEDs de 3W, para criar o mesmo clima do palco, e 8 ACLs para criar um contraste”, especifica Leonardo. Entre a data do recebimento do convite para participar da gravação do DVD e a execução do trabalho, a Showdesign teve apenas 45 dias para desenvolver e aprovar o projeto. “A nossa maior dificuldade nesse projeto foi calcular precisamente a metragem da estrutura metálica que nos daria o suporte para colocar todo o equipamento. Para se ter uma ideia, tínhamos um paredão de 11 metros de pé direito por 28 de largura com 9 pés. A nossa maior preocupação era como estruturar essa parede para não


24 movings foram usados na lateral dos palcos com base de cores

tombar tanto para a frente quanto para trás. Foi quando decidimos colocar bases de 2 metros em am-

bos os lados, em cada um dos 9 pés, além de travá-los com cintas de alta carga na própria estrutura do

Ginásio. Tivemos apenas 2 dias para montagem de toda estrutura, mais o equipamento, e 1 dia de ensaio, além da gravação. Isto é, total de 4 dias para chegar, montar executar e ir embora”, relembra. O ponto principal para se criar um projeto é primeiro saber quem é o seu cliente, o que ele quer, se o DVD já tem um nome. Desenvolver um design equilibrado sem exageros, que conta muito para ter uma suavidade nas câmeras, além de ter a preocupação com buracos no seu plano geral das câmeras, são alguns cuidados que Leonardo acredita fazerem parte do projeto para que ele seja um sucesso. “O normal do nosso trabalho é pensar já na adaptação para a estrada utilizando 70% do DVD. Ou seja, você estará vendo um mini DVD na estrada”, completa Maçã.

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Na parede foram duas sessões de 32 movings

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Para gerenciar todo esse equipamento, Maçã conta que foi usado todo o sistema grandMA, incluindo o software grandMA 3D para criar o projeto, que

Também foram utilizadas 6 sessões com 9 movings cada para boca de cena

também foi utilizado para programar todo o DVD. Os consoles usados para operar a luz e conteúdo de imagem dos painéis de LED foram 2 grandMA2 sen-

do o principal uma Light e para fazer a fotografia uma Command Wing, ambos logados na mesma sessão, sendo que a Wing tinha controle total de todo o equipamento utilizado na gravação, e ainda quatro 2port NODE-PRO e um MA VPU para gerenciar os conteúdos do painel de LED. “A Grand MA aqui no Brasil, além de nos dar suporte 24 horas – o que faz com que tenhamos total confiança em trabalhar com o sistema operacional deles –, tem consoles que também nos dão inúmeros recursos através do uso do protocolo DMX 512 para utilizar uma quantidade grande de equipamento, e a praticidade em deixar o console de acordo com o meu gosto. Por exemplo, posso criar meu Layout View para selecionar qualquer aparelho por meio de um simples toque, daí tenho, à vista, meu cue list sem limites. Na grandMA, o setup da mesa é bem mais prático onde eu tenho toda minha planilha de patch, podendo mudar o universo do patch para qualquer outro disponível. Posso ter todos os meus presets organizados por blocos etc.”, afirma Leonardo.


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Novo CD de Aline Barros O novo CD de Aline Barros pela MK Music chegou da fábrica com grandes expectativas e muita unção. O quarto álbum da cantora para o segmento adulto repercutiu desde a produção até o lançamento e todos os envolvidos nesse trabalho já estão colhendo frutos da dedicação. O CD conquistou Disco de Ouro por mais de 40 mil cópias vendidas, em apenas três dias. A certificação pela ABPD aconteceu no dia 22 de novembro.

No início de dezembro, a cantora Eyshila foi atá São Paulo para divulgar seu mais recente álbum: Jesus, o Brasil te adora.

JOTTA A FAZ ACÚSTICO EM PROGRAMA DE RÁDIO O cantor participou da programação, em um acústico ao vivo junto

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EYSHILA DIVULGA SEU NOVO ÁLBUM

Danielle Cristina coloca voz em novo CD A cantora Danielle Cristina esteve entre os dias 24 e 27 de novembro, na cidade de São Paulo, para fazer a colocação de voz do seu próximo álbum É Só Adorar, que sai pela Central Gospel Music. O trabalho tem previsão de lançamento para o primeiro semestre de 2014 e conta com produção musical de Paulo Cesar Baruk. A cantora, que está com muitas expectativas sobre

este projeto, chegou até a postar algumas novidades sobre as músicas do novo repertório, entre elas Inocência, com composição de Anderson Freire, André Freire e George de Paula, É só adorar, Guerreiros, ambas escritas por Bruna Dezuit e Jonatas Santos, e A obra que Deus começou por mim, de Júnior Maciel, Josias Teixeira e Dione Fagner.

Um Escolhido é o primeiro clipe de Dina Santos com sua banda, na rádio Gospel 107.9 FM, do Rio de Janeiro. Na ocasião, Jotta A apresentou algumas das principais canções do seu novo álbum Geração de Jesus e contou um pouco sobre a realização desse segundo projeto musical lançado pela Central Gospel Music.

No dia 2 de dezembro, a Graça Music lançou, em seu canal no YouTube, o clipe Um escolhido, o primeiro de Dina Santos pela gravadora. A música faz parte do CD Minha Bênção, que reúne o melhor do estilo pentecostal, com muito fogo e mensagens de fé, vitória e exaltação a Deus. A produção, dirigida por PC Junior, foi baseada na história real de uma mãe evangélica que conseguiu convencer o filho a se entregar à polícia, crendo que a prisão marcaria o começo de uma nova vida. O fato ocorreu em novembro de 2010, no Rio

Fé + Esperança + Amor Vinicius Melo O CD do cantor traz mensagens de fé e esperança. Faixas como Incomparável, Nada é impossível, Ser Feliz e Existência são perfeitas para elevar o espírito e louvar a Deus.

de Janeiro. Hoje, convertido, o jovem está tendo uma nova chance e faz parte de um projeto social. Além da história real de superação, o clipe ainda contou com bases gravadas no estúdio 3 da Rit TV, no Rio de Janeiro. Apesar de ser o primeiro CD de Dina pela Graça Music, a cantora já lançou trabalhos de forma independente.

Tudo que há de bom Raphael Lucas Letras sinceras, inspiradas em experiências pessoais, o CD do jovem Raphael Lucas é bem eclético, com ritmos variados sem, no entanto, deixar de lado o seu objetivo principal: o de louvar a Deus. Além da faixa que dá nome ao disco, canções como Me aceita, Quando você voltar e Você me faz tão bem trazem lindas mensagens.


DANIELLI MARINHO | REDACAO@BACKSTAGE.COM.BR

Fernandes Lima recebe discos de Ouro e Platina A entrega foi durante o programa Noite com os Adoradores de Deus, no dia 24 de novembro. A dupla premiação foi pela vendagem de, respectivamente, 40 e 80 mil cópias do CD Minhas Canções Na Voz de Fernandes Lima Vol. 2. Fernandes foi surpreendido por Danielle Rizzutti, que, neste dia, substituía Dany Grace na apresentação do programa. Dani entregou os prêmios e convidou Fernandes a acompanhar um vídeo com homenagens da gerente executiva da Graça Music, Ana Paula Porto; dos líderes do Ministério Nova Jerusalém, Samuel Silva e Denise Gon-

çalves; do fotógrafo Marcos AC e do pastor Sodré Wellington. Minhas Canções Na Voz de Fernandes Lima Vol. 2 foi lançado na Expocristã 2012 e conta com músicas do Missionário R. R. Soares, em parceria com Anderson Freire, Aretusa Cardoso, André Freire e Dedé de Jesus. O disco traz o bom e velho forró, embalado por sanfonas, zabumbas e triângulos. A produção foi a três mãos: Dedy Coutinho, Adelso e Anderson Freire.

Feira literária e Salão Gospel As terceiras edições da Feira Literária Internacional Cristã (FLIC) e do Salão Internacional Gospel já têm data para acontecer em 2014. Ambas acontecem entre os dias 18 e 20 de setembro, no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo. Para Sérgio Henrique, responsável pela FLIC, evento que reúne as principais editoras evangélicas brasileiras, também presidente da Editora Vida, a união das duas feiras vem para restaurar os princípios cristãos. Marcelo Rebello, Diretor Executivo do Grupo MR1 e idealizador do Salão Internacional Gospel, acredita que

esta é uma oportunidade unir esforços em prol desse segmento, fomentando em conjunto as ações de integração. Segundo a organização da feira, no dia do lançamento, a maioria das principais editoras, escolas de música, associações, gravadoras, revistas e lojas de instrumentos musicais do segmento garantiram seus espaços na planta da feira. Uma das presenças confirmadas é a da Ordem dos Músicos do Brasil, uma autarquia pública federal brasileira, criada pela Lei 3.857/ 60, com o intuito de preservar, fiscalizar e regulamentar a profissão de mú-

THALLES NO SHOW DA VIRADA O cantor Thalles gravou participação no Show da Virada, especial de final de ano da Rede Globo, exibido no dia 31 de dezembro. Ao todo, foram mais de 50 apresentações musicais, sendo o cantor o único representante da música gospel. Thalles escolheu uma música profética para marcar

sico no país. Os visitantes também contarão com a Exposição Cultural Sabe o nome da Igreja?, que será destaque dentro do Salão Internacional Gospel, e tem curadoria do fotógrafo Adilson Santos e da jornalista e cineasta Luciana Mazza. “A ideia é fazer uma homenagem com respeito e bom humor à expansão dos evangélicos, das igrejas e de seus pastores. Lembrar que é importante congregar, que é fundamental frequentar a casa do Pai Celestial, independente do nome que tenha. Por fim, a exposição pretende provar que nesse Brasil cada vez mais evangélico só não vai à igreja quem realmente não quer”, explanam Adilson e Mazza. A Exposição Sabe o nome da igreja? terá entrada gratuita, assim como o acesso às duas feiras.

o início do próximo ano e, por isso, apresentou o sucesso Cheios do Espírito Santo, que integra o repertório do CD mais recente do cantor. O disco, que faz uma fusão de diversos estilos musicais, como pop rock, baladas, samba, reggae e rock, atingiu a marca de 110 mil cópias em menos de um mês, rendendo ao cantor discos de Ouro e de Platina.

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OS DISCOS DA MINHA VIDA

“Pirão de peixe C

COM PIMENTA”

omo vocês já devem ter reparado, venho contando a história de nossos discos. Depois de Passado, Presente, Futuro e do Terra – ambos do trio Sá, Rodrix & Guarabyra – e dos dois primeiros da dupla, chego ao terceiro de Sá & Guarabyra, o... PIRÃO DE PEIXE COM PIMENTA Nossa jornada ao sertão sãofranciscano que deu origem ao Cadernos de Viagem estimulou-nos a voltar em busca de novas inspirações e transpirações musicais. Refizemos o roteiro anterior, saindo do Rio para Belo Horizonte e de lá pra Pirapora, Montes Claros, Janaúba, Mato Verde, Monte Azul, Porteirinha e Espinosa, onde deixamos Minas para trás e – vá seguindo aí no mapa! – entramos no sudoeste baiano via Carinhanha, Guanambi, Caetité e Riacho de Santana, para chegar, afinal, depois de mil e quatrocentos quilômetros de variadas aventuras, ao descanso na casa da família Guarabyra em Bom Jesus da Lapa, na beira do então ainda caudaloso São Francisco. Não lembro na verdade se essa foi minha segunda ou terceira viagem, mas o que importa é que foi nessa que provei o pirão de

peixe do Egnaldo, em Pirapora, coroado por uma malagueta da braba, pra fazer suar debaixo daqueles quarenta graus proporcionados pelo caliente verão norte-mineiro. Com o fracasso comercial do Cadernos de Viagem e nossa consequente saída da gravadora Continental, numa época em que as vendagens dos discos, o apoio das gravadoras e a execução das músicas nas rádios eram dados essenciais para a sobrevivência artística, estávamos realmente a perigo. Em 1976 shows eram apenas veículos de divulgação daquilo que realmente importava em termos artísticos e financeiros – o disco. A bolacha. O vinil. Qual não foi então meu alívio ao receber um telefonema do Guarabyra, poucos dias depois de voltarmos de nossa peregrinação à Lapa, mala cheia de músicas novas: - Olha só – disse-me ele – encontrei com o João Araújo num voo pra São Paulo e ele nos chamou pra Som Livre. Era a sopa no mel. João era o mandachuva da Som Livre, na época gravadora dos sonhos de todos nós, artistas levemente alternativos, acenando com a possibili-


LUIZCARLOSSA@UOL.COM.BR | LUIZCARLOSSA.BLOGSPOT.COM dade concreta de fazer um disco classe A, via o state of the art estúdio Sigla (ex-Level) no Rio e a máquina de divulgação proporcionada pelo Sistema Globo, com suas rádios, TVs e tudo o mais. Em menos de uma semana estávamos assinando o contrato e reencontrando velhos amigos, além do próprio João, que fora o diretor artístico das minhas primeiras composições gravadas, quando lançara a cantora Luhli. Guto Graça Mello, ex-integrante do Grupo Manifesto, que cantara com Guarabyra a vitoriosa Margarida do Festival Internacional da Canção de 1967 era o nosso diretor de produção; na direção de estúdio e produção executiva estava Sérgio Mello, cujo pai, João Mello, fora produtor do disco de Luhli na Philips. Foi justamente nessa segunda (ou terceira) viagem juntos que reencontramos a identidade da dupla, não resgatada por completo desde a saída do Zé (Rodrix). Viajar juntos sem destino exato ou hora para nada, era – e acredito que seja até hoje – a melhor maneira de nos manter unidos. É um prazer comum a nós dois e uma excelente ocasião de trocar idéias e fazer música. Nesse entretempo, em tardes de ócio e cerveja gelada num barzinho lá de Bom Jesus da Lapa, ouvimos uma conversa estranha em outra mesa sobre acontecimentos mais estranhos ainda, referentes à construção de uma represa rio abaixo. Fomos perguntar pro seu Guarabyra, pai, o que era aquilo. E acabamos descobrindo que uma gigantesca inundação afundaria quatro importantes cidades do médio São Francisco: Remanso, Casanova, Sento-Sé e Pilão Arcado seriam submersas pela barragem a ser construída no salto de Sobradinho, formando um lago de mais de 4000 km² e deslocando de suas origens históricas mais de 60.000 pessoas. À medida que nos aprofundávamos no assunto, mais perplexos ficávamos: as indenizações pagas ao povo da região eram irrisórias diante do que elas iam perder, com o agravante de que elas eram arbitrariamente alojadas em “agrovilas” nas periferias das cidades rio acima, como a própria Bom Jesus da Lapa; o êxodo rural decorrente desse gigantesco movimento de gente já chegava em ondas às grandes capitais do sudeste, sem que quase ninguém soubesse que a origem daquele verdadeiro degredo de um povo estava lá na beira do grande rio. Só uma ditadura conseguiria forçar uma barra dessas, sem considerações ambientais ou “frescuras” do gênero, deixando para gerações futuras o mesmo sinistro “progresso” plantado na Amazônia, destruindo quase que por completo o modo de vida e o patrimônio cultural das populações ribeirinhas. A partir daí – e para iludir a inflexível censura da época – partimos para a composição de Sobradinho, tentando

ver os acontecimentos do ponto de vista do ribeirinho. Embora carregando nas costas o ônus de uma letra melancólica que expunha a derrota de todo um povo – ou talvez até por isso – Sobradinho virou um clássico, com sua levada de xote-rock, marcando nossa despedida fonográfica dos amigos que partiram para a terceira formação d’O Terço (Sérgio Magrão no baixo, Luís Moreno na bateria e Sergio Kaffa no piano) e contando com o luxuosíssimo auxílio de Maurício Einhorn na gaita, Chico Batera na percussão e Chiquinho do Acordeon no próprio. Deixo pra vocês um importante link que pode completar a compreensão geral do problema:www.observabarragem.ippur.ufrj.br/barragens/12/sobradinho. Mas o Pirão de Peixe não se deteve naquela viagem fluvial: já que por nossa própria natureza nos dividíamos numa esquizofrenia sertão/cidade, era natural que incorporássemos certo romantismo urbano dentro de um disco tão radicalmente Esse-Efe: assim chegaram Espanhola, a primeira e espetacularmente bem sucedida parceria de Guarabyra e Flavio Venturini, Canção dos Piratas – um peterpânico acalanto para nossos pequenos Gabriel e Miguel, maravilhosamente arranjada por Edu Souto Neto – e Coração de Maçã, herança do começo do trio, só agora gravada. Juntou-se a isso tudo a apaixonante Marimbondo de Marlui Miranda e Xico Chaves, nossa primeira incursão no terreno de intérpretes de música alheia. A capa de Lula Lindenberg retrata um almoço não no sertão, mas na sala da minha casa, esquina de Farme de Amoedo com Alberto de Campos, Ipanema, Rio de Janeiro, Brasil. A cachaça Januária que tenta sobressair-se na mesa é completamente fake, rsrsrs... é cerveja! De resto, gravamos na ponte aérea, entre os estúdios da Sigla, RJ, e da Vice Versa, nosso estúdio próprio, em São Paulo. Repetiríamos esse esquema no disco seguinte, o Quatro. Mas isso é assunto pra próxima crônica. Enquanto escrevo, recebo pelo Facebook, numa triste coincidência, a notícia do falecimento de João Araújo, amigo leal e peça importantíssima no desenrolar da nossa carreira. Detesto necrológios, mas adoro lembrar da delícia que foi meu derradeiro encontro com o João, décadas atrás, no aniversário do Cazuza. João abriu a porta pra mim e ficou surpreso de constatar que apesar de ser parte de outra geração musical, eu era amigo do seu filho, de Frejat e primo de Dé Palmeira, baixista da primeira formação do Barão Vermelho. Brincou: - Não sobe não! Fica aqui embaixo com tua turma! Eu subi. Mas se soubesse que esse seria nosso último encontro, teria ficado ali embaixo mesmo. Salve, João.

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