Page 1

v. 15, no. 4

Dental Press J Orthod. 2010 July-Aug;15(4):1-160

July/Aug 2010

ISSN 2176-9451


EDITOR CHEFE Jorge Faber

Brasília - DF

EDITORA ASSOCIADA Telma Martins de Araujo

UFBA - BA

EDITORA ADJUNTA (artigos online) Daniela Gamba Garib

HRAC/FOB-USP - SP

EDITOR ADJUNTO (Odontologia baseada em evidências) David Normando UFPA - PA EDITORA ADJUNTA (revisão língua inglesa) Flávia Artese

UERJ - RJ

PUBLISHER Laurindo Z. Furquim

UEM - PR

CONSELHO EDITORIAL CIENTÍFICO Adilson Luiz Ramos UEM - PR Danilo Furquim Siqueira UNICID - SP Maria F. Martins-Ortiz Consolaro ACOPEM - SP Consultores INTERNACIONAIS Adriana C. da Silveira Univ. de Illinois / Chicago - EUA Björn U. Zachrisson Univ. de Oslo / Oslo - Noruega Clarice Nishio Université de Montreal Jesús Fernández Sánchez Univ. de Madrid / Madri - Espanha José Antônio Bósio Marquette Univ. / Milwaukee - EUA Júlia Harfin Univ. de Maimonides / Buenos Aires - Argentina Larry White AAO / Dallas - EUA Marcos Augusto Lenza Univ. de Nebraska - EUA Maristela Sayuri Inoue Arai Tokyo Medical and Dental University Roberto Justus Univ. Tecn. do México / Cid. do Méx. - México

Robert W. Farinazzo Vitral Roberto Rocha Rodrigo Hermont Cançado Sávio R. Lemos Prado Weber José da Silva Ursi Wellington Pacheco Ortopedia Dentofacial Dayse Urias Kurt Faltin Jr. Cirurgia Ortognática Eduardo Sant’Ana Laudimar Alves de Oliveira Liogi Iwaki Filho Rogério Zambonato Waldemar Daudt Polido Dentística Maria Fidela L. Navarro Disfunção da ATM Carlos dos Reis P. Araújo José Luiz Villaça Avoglio Paulo César Conti

Consultores NACIONAIS Ortodontia Adriano de Castro UCB - DF Ana Carla R. Nahás Scocate UNICID - SP Ana Maria Bolognese UFRJ - RJ Antônio C. O. Ruellas UFRJ - RJ Arno Locks UFSC - SC Ary dos Santos-Pinto FOAR/UNESP - SP Bruno D'Aurea Furquim CLÍN. PARTIC. - PR Carla D'Agostini Derech UFSC - SC Carla Karina S. Carvalho ABO - DF Carlos A. Estevanel Tavares ABO - RS Carlos H. Guimarães Jr. ABO - DF Carlos Martins Coelho UFMA - MA Eduardo C. Almada Santos FOA/UNESP - SP Eduardo Silveira Ferreira UFRGS - RS Enio Tonani Mazzieiro PUC - MG Fernando César Torres UMESP - SP Guilherme Janson FOB/USP - SP Haroldo R. Albuquerque Jr. UNIFOR - CE Hugo Cesar P. M. Caracas UNB - DF José F. C. Henriques FOB/USP - SP José Nelson Mucha UFF - RJ José Renato Prietsch UFRGS - RS José Vinicius B. Maciel pucpr - pr Júlio de Araújo Gurgel FOB/USP - SP Karina Maria S. de Freitas Uningá - PR Leniana Santos Neves UFVJM - MG Leopoldino Capelozza Filho HRAC/USP - SP Luciane M. de Menezes PUC-RS - RS Luiz G. Gandini Jr. FOAR/UNESP - SP Luiz Sérgio Carreiro UEL - PR Marcelo Bichat P. de Arruda UFMS - MS Márcio R. de Almeida UNIMEP - SP Marco Antônio de O. Almeida UERJ - RJ Marcos Alan V. Bittencourt UFBA - BA Maria C. Thomé Pacheco UFES - ES Marília Teixeira Costa UFG - GO Marinho Del Santo Jr. CLÍN. PARTIC. - SP Mônica T. de Souza Araújo UFRJ - RJ Orlando M. Tanaka PUCPR - PR Oswaldo V. Vilella UFF - RJ Patrícia Medeiros Berto CLÍN. PARTIC. - DF Pedro Paulo Gondim UFPE - PE Renata C. F. R. de Castro UMESP - SP Ricardo Machado Cruz UNIP - DF Ricardo Moresca UFPR - PR

O Dental Press Journal of Orthodontics (ISSN 2176-9451) é continuação da Revista Dental Press de Ortodontia e Ortopedia Facial (ISSN 1415-5419).

O Dental Press Journal of Orthodontics (ISSN 2176-9451) é uma publicação bimestral da Dental Press International. Av. Euclides da Cunha, 1.718 - Zona 5 - CEP 87.015-180 - Maringá / PR - Fone/ Fax: (0xx44) 3031-9818 - www.dentalpress.com.br - artigos@dentalpress.com.br. Diretora: Teresa R. D'Aurea Furquim - Analista da informação: Carlos Alexandre Venancio - PRODUTOR EDITORIAL: Júnior Bianchi Diagramação: Fernando Truculo Evangelista - Gildásio Oliveira Reis Júnior - Tatiane Comochena - Revisão/COPYDESK: Ronis Furquim Siqueira - TRATAMENTO DE IMAGENS: Andrés Sebastián - Biblioteca: Marisa Helena Brito - NORMALIZAÇÃO: Marlene G. Curty - Banco de Dados: Adriana Azevedo Vasconcelos - E-commerce: Soraia Pelloi - coordenação de artigos: Roberta Baltazar de Oliveira - Cursos e Eventos: Ana Claudia da Silva - Rachel Furquim Scattolin - INTERNET: Carlos E. de Lima Saugo Financeiro: Márcia Cristina Plonkóski Nogueira Maranha - Roseli Martins Comercial: Roseneide Martins Garcia - Secretaria: Ana Cláudia R. Limonta.

Indexação:

Fonoaudiologia Esther M. G. Bianchini Implantologia Carlos E. Francischone Biologia e Patologia Bucal Alberto Consolaro Edvaldo Antonio R. Rosa Victor Elias Arana-Chavez Periodontia Maurício G. Araújo Prótese Marco Antonio Bottino Sidney Kina Radiologia Rejane Faria Ribeiro-Rotta

UFJF - MG UFSC - SC Uningá - PR UFPA - PA FOSJC/UNESP - SP PUC - MG CLÍN. PARTIC. - PR UNIP - SP FOB/USP - SP UNIP - DF UEM - PR CLÍN. PARTIC. - DF ABO/RS - RS FOB/USP - SP FOB/USP - SP CTA - SP FOB/USP - SP CEFAC/FCMSC - SP FOB/USP - SP FOB/USP - SP PUC - PR USP - SP UEM - PR UNESP - SP CLÍN. PARTIC. - PR UFG - GO

COLABORADORES CIENTÍFICOS Adriana C. P. Sant’Ana FOB/USP - SP Ana Carla J. Pereira UNICOR - MG Luiz Roberto Capella CRO - SP Mário Taba Jr. FORP - USP

IBICT - CCN

Bases de dados:

LILACS - 1998 BBO - 1998 National Library of Medicine - 1999 SciELO - 2005 Dental Press Journal of Orthodontics

ISSN 2176-9451


Sumário

5

Editorial

11

Acontecimentos / News

12

Calendário de Eventos / Events Calendar

13

O que há de novo na Odontologia / What’s new in Dentistry

15

Insight Ortodôntico / Orthodontic Insight

24

Entrevista com Anibal M. Silveira Jr. / Interview

Artigos Online / Online Articles

35

Estudo das características cefalométricas em adolescentes brasileiros portadores de Padrão Face Longa

Study of the cephalometric features of Brazilian long face adolescents Omar Gabriel da Silva Filho, Gleisieli C. Petelinkar Baessa Cardoso, Maurício Cardoso, Leopoldino Capelozza Filho

38

Avaliação in vitro da resistência à flexão de um protótipo de mini-implante desenvolvido para ancoragem do aparelho de Herbst

In vitro flexural strength evaluation of a mini-implant prototype designed for Herbst appliance anchorage Klaus Barretto-Lopes, Gladys Cristina Dominguez, André Tortamano, Jesualdo Luiz Rossi, Julio Wilson Vigorito

Tabela 10 - Resultados do teste de correlação de Pearson entre as alterações durante o tratamento (DIFIPT1-2; DIFPAR1-2; PIPT1-2; PPAR1-2) com as alterações pós-tratamento (DIFIPT3-2; DIFPAR3-2; PIPT3-2; PPAR3-2). VARIÁVEIS

DIFIPT3-2

DIFIPT1-2

R = 0,0698 p = 0,599

PIPT1-2 DIFPAR1-2 PPAR1-2

PIPT3-2

DIFPAR3-2

PPAR3-2

40

Tratamento ortodôntico em pacientes com dentes reimplantados após avulsão traumática: relato de caso

Orthodontic treatment in patients with reimplanted teeth after traumatic avulsion: A case report Simone Requião Thá Rocha, Alexandre Moro, Ricardo César Moresca, Gilson Sydney, Fabian Fraiz, Flares Baratto Filho

Artigos Inéditos / Original Articles

43

A influência do protocolo de extração de dois pré-molares superiores na estabilidade oclusal do tratamento da Classe II

Influence of the extraction protocol of two maxillary premolars on the occlusal stability of Class II treatment Leonardo Tavares Camardella, Guilherme Janson, Janine Della Valle Araki, Marcos Roberto de Freitas, Arnaldo Pinzan

R = 0,1830 p = 0,165 R = 0,0920 p = 0,488 R = 0,1562 p = 0,237

55

Síndrome do incisivo central superior solitário: relato de caso Solitary median maxillary central incisor syndrome: Case report Eduardo Machado, Patricia Machado, Betina Grehs, Renésio Armindo Grehs

62

Avaliação da atividade antimicrobiana de adesivo ortodôntico associado a verniz de clorexidina e timol na colagem de braquetes

Evaluation of antimicrobial activity of orthodontic adhesive associated with chlorhexidine-thymol varnish in bracket bonding Carolina Freire de Carvalho Calabrich, Marcelo de Castellucci e Barbosa, Maria Regina Lorenzetti Simionato, Rogério Frederico Alves Ferreira


69

Comparação de duas técnicas radiográficas extrabucais utilizadas para avaliação do espaço aéreo nasofaringeano

Comparison of two extraoral radiographic techniques used for nasopharyngeal airway space evaluation Mariana de Aguiar Bulhões Galvão, Marco Antonio de Oliveira Almeida

77

Hiperatividade condilar: diagnóstico e tratamento - relatos de casos

Condylar hyperactivity: Diagnosis and treatment - case reports Maria Christina Thomé Pacheco, Robson Almeida de Rezende, Rossiene Motta Bertollo, Gabriela Mayrink Gonçalves, Anita Sanches Matos Santos

84

94

Prevalência de oclusopatias e comparação entre a Classificação de Angle e o Índice de Estética Dentária em escolares do interior do estado de São Paulo - Brasil

Malocclusion prevalence and comparison between the Angle classification and the Dental Aesthetic Index in scholars in the interior of São Paulo state - Brazil Artênio José Ísper Garbin, Paulo César Pereira Perin, Cléa Adas Saliba Garbin, Luiz Fernando Lolli

TABELA 1 - Distribuição de oclusopatias em escolares com 12 anos de idade, de acordo com a Classificação de Angle, no município de Lins/SP, 2002. Oclusopatias

n

%

oclusão normal

244

33

Classe I

274

37,3

Classe II

210

28,6

Classe III

6

0,8

Total

734

100

Comparação das dimensões de tecido mole entre padrões faciais distintos Comparison of soft tissue size between different facial patterns Murilo Fernando Neuppmann Feres, Silvia Fernandes Hitos, Helder Inocêncio Paulo de Sousa, Mirian Aiko Nakane Matsumoto

103

Estudo qualitativo fotoelástico do sistema de forças gerado pela mola “T” de retração com diferentes pré-ativações

Qualitative photoelastic study of the force system produced by retraction T-springs with different preactivations Luiz Guilherme Martins Maia, Vanderlei Luiz Gomes, Ary dos Santos-Pinto, Itamar Lopes Júnior, Luiz Gonzaga Gandini Jr.

117

Análise da fidelidade do traçado predictivo em pacientes submetidos à cirurgia ortognática em mandíbula

Assessment of the accuracy of cephalometric prediction tracings in patients subjected to orthognathic surgery in the mandible Thallita Pereira Queiroz, Jéssica Lemos Gulinelli, Francisley Ávila Souza, Liliane Scheidegger da Silva Zanetti, Osvaldo Magro Filho, Idelmo Rangel Garcia Júnior, Eduardo Hochuli Vieira

124

Avaliação de métodos indiretos de digitalização de radiografias cefalométricas em comparação ao método digital direto

Evaluation of indirect methods of digitization of cephalometric radiographs in comparison with the direct digital method Cleomar Donizeth Rodrigues, Márcia Maria Fonseca da Silveira, Orivaldo Tavano, Ronaldo Henrique Shibuya, Giovanni Modesto, Carlos Estrela

133

Caso Clínico BBO / BBO Case Report

Má oclusão Classe I de Angle tratada com extrações de primeiros molares permanentes

Angle Class I malocclusion treated with extraction of first permanent molars Ivan Tadeu Pinheiro da Silva

144

Tópico Especial / Special Article

Corticotomias alveolares na Ortodontia: indicações e efeitos na movimentação dentária

Alveolar corticotomies in orthodontics: Indications and effects on tooth movement Dauro Douglas Oliveira, Bruno Franco de Oliveira, Rodrigo Villamarim Soares

158

Normas para publicação / Information for authors


Editorial

por Thomas Kuhn1. Para ele, os resultados obtidos pela ciência

A inovação precisa ser estimulada no Brasil por meio de depósitos de patentes

normal são significativos porque contribuem para aumentar a precisão e o alcance com os quais o conhecimento vigente, paradigma, pode ser aplicado. Todavia, a ciência não se dedica, na maior parte das vezes, a quebrar paradigmas e produzir inovações, mudanças de atitude ou pensamento. Dessa forma, a atenção da ciência não é voltada para a inovação tecnológica. Outra forma de olhar o problema, e por uma perspectiva mais pragmática, é acessar o site do Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (www.inpi.gov.br). Ao se buscar os registros de patentes com a palavra Ortodontia no título, apenas 16 processos aparecem, sendo o primeiro de 1977 e o último de 2005. Esse é o mesmo número de processos envolvendo Ortodontia no título que o US Patent & Trademark Office (appft1.uspto.gov/netahtml/PTO/search-bool.html) registrou nos 35 dias que antecederam a redação desse editorial. Para essa palavra-chave, 35 dias nos EUA foram equivalentes a 28 anos no Brasil, e em uma área que o nosso país tem uma importante posição de liderança no campo científico. Esse quadro precisa ser melhorado. É preciso, via políticas educacional e industrial, criar mais estímulos para o desenvolvimento de tecnologia nacional. É fato que muitas universidades brasileiras favorecem o depósito de patentes por meio de órgãos de apoio, e outras medidas estão em curso. Entretanto, mais ênfase precisa ser dada a esse tema. Um dos caminhos possíveis é a troca de projetos de conclusão de curso — monografias, dissertações e teses — por patentes. Essas têm grande valor no currículo de um pesquisador e os coordenadores de cursos de pós-graduação precisam se empenhar nesse sentido. Inovem.

A capacidade de inovar e desenvolver novos produtos e serviços é uma das formas de se aquilatar o empreendedorismo de uma nação. Empreender significa gerar divisas para um país, muitas vezes pelo desenvolvimento de tecnologia. Consequentemente, o desenvolvimento de tecnologia, medido pelo número de depósitos de patentes, precisa ser uma prioridade brasileira. Tecnologia e ciência são matérias distintas, mas que possuem inter-relação tão coesa que temos o Ministério da Ciência e Tecnologia para tratar dessas duas questões. O trabalho realizado ao longo dos anos nesse ministério — criado em 1985, concretizando o compromisso do presidente Tancredo Neves com a comunidade científica nacional — produziu dividendos. Na produção de ciência, crescemos muito. Por exemplo, na Odontologia ocupamos o 4º lugar na produção científica mundial, e hoje muitas vezes é mais vantajoso um dentista estrangeiro vir estudar no Brasil do que o contrário, pois temos vários excelentes programas de pós-graduação espalhados pelo país. Entretanto, há aparente cisão entre a produção de ciência e a de tecnologia no Brasil. Nosso número de depósitos de patentes ainda é exíguo quando comparado ao de países desenvolvidos. O problema é parcialmente explicado por nossa história. A vocação agrícola prefaciada por Pero Vaz de Caminha — "... em se plantando, tudo dá..." — tirou o foco do também necessário desenvolvimento tecnológico e industrial. Consequentemente, quando as empresas brasileiras, diante da globalização e abertura de nossos mercados, tiveram que fazer frente à concorrência de produtos e processos de produção contemporâneos, não estavam prontas para inovar. A alternativa imediata das empresas foi aprofundar a incorporação de tecnologia estrangeira, ampliando a participação de componentes não-nacionais nos produtos elaborados no Brasil, transformando as patentes em fatos desnecessários. A comunidade acadêmica brasileira trouxe para o laboratório a falta de empreendedorismo tecnológico, e priorizou desequilibradamente a produção científica. Grande parte da energia gasta na produção científica foi muito bem decifrada

Jorge Faber Editor chefe faber@dentalpress.com.br

Referências 1.

Kuhn TS. A estrutura das revoluções científicas. 7ª ed. São Paulo: Perspectiva; 2003. p. 58.

ERRATA: O artigo intitulado "A força de atrito em braquetes plásticos e de aço inoxidável com a utilização de quatro diferentes tipos de amarração", dos autores Vanessa Nínia Correia Lima, Maria Elisa Rodrigues Coimbra, Carla D’Agostini Derech e Antônio Carlos de Oliveira Ruellas, veiculado na edição v. 15, no. 2, p. 82-86, Mar./Apr. 2010, foi publicado com o título em inglês errado. O correto seria "Frictional forces in stainless steel and plastic brackets using four types of ligation".

Dental Press J Orthod

5

2010 July-Aug;15(4):5


A comissão científica está a todo vapor trabalhando para oferecer grandes nomes nacionais e internacionais no 8º Congresso da ABOR. Já temos confirmada a participação do Dr. James A. McNamara, diplomado da Câmara Americana de Ortodontia e Fellow do American College of Dentists, com longa história de experimentos e investigação clínica em ortodontia e ortopedia dentofacial.


Acontecimentos

Dental Press Journal of Orthodontics chega ao “Velho Mundo” A editora assistente do Dental Press Journal of Orthodontics (DPJO), Flavia Artese, e a Dra. Maria Elisa Coimbra, também ortodontista, participaram do 86º Congresso Europeu de Ortodontia, que este ano foi realizado na cidade de Portoroz, na Eslovênia, nos dias 15 a 19 de junho. Ambas fizeram di-

Dr. Juri Kurol, de Estocolmo, Suécia, e Dra. Maria Elisa Coimbra.

vulgação do Journal, agora publicado oficialmente em língua inglesa. Vários exemplares foram distribuídos para ortodontistas e professores internacionalmente conhecidos, com o objetivo de incentivar a submissão de trabalhos de outros países. O interesse foi grande, cercado de muitos elogios.

Dra. Flavia Artese e o Dr. Peter Ngan, de West Virginia, EUA.

Dental Press J Orthod

11

2010 July-Aug;15(4):11

Professora Birte Melsen, da Universidade de Arhus, Dinamarca.


Calendário

de

Eventos 1º Encontro Internacional de Ortodontia e Cirurgia Ortognática Data: 16 a 18 de agosto de 2010 Local: Brasília / DF Informações: www.simposiobrasilia.com.br atendimento@integrato.com.br 14º Encontro de Ex-Alunos de Ortodontia de Araraquara Data: 27 e 28 de agosto de 2010 Local: Curitiba / PR Informações: (11) 2031-2300 / (11) 2037-0623 www.aoa.org.br 1º Straight-Wire Lingual Meeting - Diagnóstico e Planejamento em Ortodontia Data: 27 e 28 de agosto de 2010 Local: Grand Mercure - Ibirapuera – São Paulo / SP Informações: www.straightwirelingual.com.br

FDI Annual World Dental Congress Data: 2 a 5 de setembro de 2010 Local: Salvador / BA Informações: congress@fdiworldental.org

5º Encontro de Alunos e Ex-alunos do Curso de Especialização em Ortodontia da ABO-PA Data: 3 e 4 de setembro de 2010 Local: Belém / PA Informações: (91) 3227-63682 / (91) 3276-0500 congresso@amazon.com.br 17º Congresso Brasileiro de Ortodontia - SPO Data: 14 a 16 de outubro de 2010 Local: Anhembi – São Paulo / SP Informações: www.spo.org.br

1st International Meeting - EROSION 2010 Data: 20, 21 e 22 de outubro de 2010 Local: Bauru / SP Informações: erosion_2010@yahoo.com.br www.fob.usp.br/erosion2010

Pré-curso - 24º COB (Congresso Odontológico de Bauru) Data: 20 de novembro de 2010 Local: Teatro Universitário da FOB/USP - Bauru / SP Informações: cob2011@fob.usp.br

Dental Press J Orthod

12

2010 July-Aug;15(4):12


O

que há de novo na

Odontologia

Percepções das deformidades dentofaciais: do bem-estar psíquico à indicação de cirurgia Jorge Faber*, Ana Paula Megale Hecksher Faber**

oral na qualidade de vida, por exemplo, questionário para qualidade de vida para cirurgia ortognática e de impacto na saúde oral. As principais conclusões do estudo foram que, em geral, os pacientes não vivenciam problemas psiquiátricos relacionados à deformidade dentofacial. Entretanto, subgrupos de pacientes podem passar por problemas, como a ansiedade ou a depressão. Uma dificuldade em relação à análise desses pacientes decorre do fato da maioria dos estudos comparar médias de grupos de pacientes tratados a controles e/ou normas populacionais. Ou seja, não há estratificação ou análise de covariáveis que possam influenciar no resultado das variáveis amostradas. Esse é um campo fértil para novos estudos, em especial estudos prospectivos que tratem das alterações diárias do humor e bem-estar.

Percepções do paciente quanto ao tratamento com cirurgia ortognática, bem-estar e status psicológico e psiquiátrico: um revisão sistemática Clínicos que atuam no atendimento de portadores de deformidades dentofaciais frequentemente fazem menção a certo sofrimento, por parte dos pacientes, causado pela deformidade. E um assunto recorrente sobre o tema é se, e o quanto, podemos auxiliar aqueles que se submetem a tratamento a ter melhor qualidade de vida. Com o intuito de melhor entender essa questão, autores finlandeses realizaram uma revisão sistemática de estudos que abordavam o bem-estar psicológico de pacientes ortodôntico-cirúrgicos1. Foram avaliados artigos em inglês publicados entre 2001 e 2009 nas bases de dados PubMed, Web of Science e PsycInfo. O processo de análise dos trabalhos foi realizado por dois investigadores, e eles excluíram aqueles que versavam sobre questões metodológicas, com pacientes fissurados ou sindrômicos, expansão maxilar cirurgicamente assistida ou bloqueio intermaxilar. As referências de todos os trabalhos de revisão foram vasculhadas manualmente, com a intenção de resgatar novos artigos para o estudo em questão. Trinta e cinco artigos preencheram os critérios de seleção e foram incluídos na revisão. Os motivos principais para buscar tratamento foram as melhoras na autoconfiança, aparência e função oral. O tratamento resultou em melhora no bem-estar relatada pelos pacientes, ainda que essa melhora não tenha sido identificada com métodos atuais de avaliação dessa questão. As mudanças no bem-estar foram, em geral, identificadas com desenhos de estudo desenvolvidos para analisar o impacto da saúde

Pacientes cirúrgicos de Classe II e III são menos felizes com a aparência facial e dentária do que indivíduos controle Comumente se aceita que os principais benefícios da cirurgia ortognática são psicossociais em sua natureza, e que a maioria dos pacientes que busca tratamento o faz devido à sua insatisfação com a estética dentofacial. Existe um número relativamente restrito de trabalhos que analisem a autopercepção da atratividade facial entre pacientes de cirurgia ortognática. Exatamente para preencher essa lacuna, um estudo da Irlanda avaliou se a autopercepção da atratividade dentária e facial de pacientes que requeriam cirurgia ortognática diferia ou não de indivíduos controle2. A satisfação com a aparência dentária e facial foi avaliada por meio de questionários. Eles foram

* Editor-chefe do Dental Press Journal of Orthodontics. Doutor em Biologia–Morfologia pelo Laboratório de Microscopia Eletrônica/UnB. Mestre em Ortodontia e Ortopedia Facial pela UFRJ. ** Médica, Psiquiatra, Mestre em Ciências da Saúde–Medicina do Sono, com clínica privada de Psiquiatria em Brasília/DF, Brasil.

Dental Press J Orthod

13

2010 July-Aug;15(4):13-4


Insight Ortodôntico

Tracionamento ortodôntico: possíveis consequências nos caninos superiores e dentes adjacentes Parte 1: reabsorção radicular nos incisivos laterais e pré-molares Alberto Consolaro*

A formação, estrutura e funções do Folículo Pericoronário O folículo pericoronário ocupa o espaço radiolúcido ao redor das coroas de dentes não irrompidos (Fig. 1, 2). Ele está firmemente aderido na superfície da coroa pelo epitélio reduzido do órgão do esmalte (Fig. 3). Esse fino e delicado componente epitelial é sustentado e nutrido por uma espessa camada de tecido conjuntivo com densidade variável de colágeno — ora frouxo, ora até hialinizado. Na parte mais externa dos folículo pericoronários tem-se a sua união ao osso circunjacente (Fig. 2, 3). Em medições de espaços pericoronários nas radiografias periapicais e ortopantomografias, ou panorâmicas, notou-se que a espessura do folículo pericoronário pode chegar a até 5,6mm e, ainda assim, apresentar estruturas e organização normais2,4 (Fig. 3). Ao remover o folículo pericoronário e destacá-lo do osso circunjacente, o fragmento tecidual obtido tem a organização de uma película e, por isso, também é conhecido como membrana pericoronária. Ao observar isoladamente o fragmento tecidual representado pelo folículo

Alguns profissionais são resistentes a indicar o tracionamento ortodôntico, especialmente dos caninos superiores. Entre as causas mais comuns para restringirem a indicação do tracionamento ortodôntico estão: 1) Reabsorção radicular lateral nos incisivos laterais e nos pré-molares. 2) Reabsorção cervical externa nos caninos tracionados. 3) Anquilose alveolodentária do canino envolvido. 4) Metamorfose cálcica da polpa e necrose pulpar asséptica. Essas consequências não decorrem primária e especificamente do tracionamento ortodôntico, elas podem ser evitadas se determinados cuidados técnicos forem adotados. Para compreendermos quais são esses cuidados técnicos e como funcionam preventivamente frente às possíveis consequências do tracionamento ortodôntico, devemos nos embasar biologicamente. Esse é o objetivo desta série de trabalhos sobre o tracionamento ortodôntico, especialmente de caninos superiores, e suas possíveis consequências.

* Professor Titular em Patologia da FOB-USP e da Pós-Graduação da FORP-USP.

Dental Press J Orthod

15

2010 July-Aug;15(4):15-23


Consolaro A

(3) Metamorfose cálcica da polpa e necrose pulpar asséptica. O objetivo dessa abordagem está relacionado com a prevenção dessas possíveis consequências do tracionamento ortodôntico, visto que, em sua quase totalidade, podem ser evitadas se determinados cuidados técnicos forem adotados.

Nos próximos trabalhos, abordaremos as outras possíveis consequências do tracionamento ortodôntico de dentes não irrompidos, especialmente dos caninos superiores, entre as quais destacam-se a: (1) Reabsorção cervical externa nos caninos tracionados; (2) Anquilose alveolodentária do canino envolvido;

Referências 1. 2.

3.

Cahill DR, Marks SC Jr. Tooth eruption: evidence for the central role of the dental follicle. J Oral Pathol. 1980 Jul;9(4):189-200. Consolaro A. Caracterização microscópica de folículos pericoronários de dentes não irrompidos e parcialmente irrompidos. Sua relação com a idade. [tese]. Bauru (SP): Universidade de São Paulo; 1987. Consolaro A, Consolaro MFMO, Santamaria M Jr. A anquilose não é induzida pelo movimento ortodôntico. Os restos epiteliais de Malassez na fisiologia periodontal. Rev Clín Ortod Dental Press. 2010 abr-maio;9(2):101-10.

4.

5. 6.

Damante JH. Estudo dos folículos pericoronários de dentes não irrompidos e parcialmente irrompidos. Inter-relação clínica, radiográfica e microscópica. [tese]. Bauru (SP): Universidade de São Paulo; 1987. Ericson S, Kurol J. Radiographic examination of ectopically erupting maxillary canines. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 1987 Jun;91(6):483-92. Otto RL. Early and unusual incisor resorption due to impacted maxillary canines. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2003 Oct;124(4):446-9.

Endereço para correspondência Alberto Consolaro E-mail: consolaro@uol.com.br

Dental Press J Orthod

23

2010 July-Aug;15(4):15-23


Entrevista

Uma entrevista com

Anibal M. Silveira Jr. • Graduado em Odontologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), 1972-77. • Aperfeiçoamento em Odontopediatria do Projeto HOPE - Brazil, 1977-78. • Especialista em Odontopediatria pela Eastman Dental Center, University of Rochester (Rochester, New York), 1978-80. • Especialista em Ortodontia pela Eastman Dental Center, University of Rochester (Rochester, New York), 1981-83. • Pós-graduação em Disfunção Temporomandibular, Eastman Dental Center, University of Rochester (Rochester, New York), 1983-85. • Instrutor da Clínica de Pós-graduação de Ortodontia, Eastman Dental Center, NY, 1983-88. • Chairman e Professor Assistente do Departamento de Ortodontia da University of Colorado, Denver, 1988-91. • Diretor de Pesquisa e Professor Associado da University of Louisville Dental School (ULSD), KY. Diretor do programa de Ortodontia do curso de Graduação em Odontologia da ULSD, Departamento de Ortodontia, Odontopediatria e Odontogeriatria, 1993-2007. • Professor e Chairman do Departamento de Ortodontia, Odontopediatria e Odontogeriatria da University of Louisville School of Dentistry (UofL). • 45 Publicações em revistas científicas com corpo editorial. • 5 Capítulos de livros em tópicos de Ortodontia; Investigator Principal and Coinvestigator em 16 prêmios (grants) federais, estaduais e outras organizações educacionais ou Associações odontológicas. • Orientador principal de mais de 50 dissertações de Mestrado em Ortodontia e Biologia Oral. • Recebeu o “The Chancellor’s Award for Teaching Excellence”, maior prêmio de educação dado pela University of Colorado Health Sciences Center - 1991. • Recebeu o “University of Louisville Distinguished Teaching Professor Award”, o mais alto prêmio de educação dado pela University of Louisville - 1996. • Nominado Vice-Presidente da “NU Chapter Omicron Kappa Upsilon” em 2004, e eleito Presidente da “NU Chapter Omicron Kappa Upsilon” em 2005.

Dr. Anibal Silveira Jr. tem sido inspiração para um geração inteira de ortodontistas americanos e, seguramente, também para ortodontistas brasileiros. Um brasileiro genuíno que conquistou uma posição de respeito profissional como educador na Ortodontia americana. Seria redundante mencionar suas inúmeras conquistas na área da educação, entretanto, com toda sua experiência e conhecimento, a humildade diante dessas conquistas é sua principal característica. Motivador e excelente líder para seus alunos, além de incansável pesquisador na área de dispositivos de ancoragem temporária, tomografia computadorizada de feixe cônico 3D e de novas técnicas de ensino em Ortodontia, Dr. Silveira é um perfeito exemplo de como o trabalho dignifica um homem. Dr. Silveira é casado há 35 anos com Cheryl Markle Silveira, com quem tem dois filhos, Bryan M. Silveira (27 anos) e Derek M. Silveira (23 anos). Dr. Silveira tenta viajar ao Brasil pelo menos uma vez por ano para visitar seus pais, Anibal Mota da Silveira e Teresinha Couto da Silveira, além dos seus três irmãos e três irmãs, ainda residentes em Natal/RN. Os leitores terão a oportunidade de conhecer, nas próximas páginas, um pouco mais desse gigante da Ortodontia da América do Norte e, por que não dizer, da Ortodontia mundial. José A. Bósio

Dental Press J Orthod

24

2010 July-Aug;15(4):24-34


Silveira AM Jr.

minha esposa e de outros médicos que conheci no Projeto HOPE, fui encorajado a me inscrever para um curso de pós-graduação em Odontopediatria nos EUA. Numa manhã de dezembro de 1977, recebi um telefonema da minha esposa dizendo que eu tinha sido aceito no curso de Odontopediatria da prestigiada escola Eastman Dental Center, da Universidade de Rochester, estado de Nova York. Logicamente fiquei muito surpreso e não podia acreditar no que havia acontecido e o que isso significaria para mim. Bem, o resto é história... Eu terminei meus estudos e fui diplomado em Odontopediatria e, mais tarde, também Diplomado pelo Board Americano de Ortodontia. Depois de completar meu curso de pós-graduação, surgiram aqui, nos Estados Unidos, mais oportunidades para ensinar do que no Brasil. Assim, decidi começar a minha carreira de docente aqui, com minha família ainda jovem.

Nossos tempos de faculdade são, geralmente, inesquecíveis. Você pode nos contar onde cursou a Faculdade de Odontologia e que lembranças guarda em sua memória? José Bósio Eu tive muita sorte em poder cursar Odontologia na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). A escola tem uma longa tradição em formar cirurgiões-dentistas competentes para servir o Estado e toda a região Nordeste do nosso país. Tenho ótimas lembranças dos proeminentes professores, funcionários e alunos. Ao longo dos anos, tenho tido um profundo sentimento de gratidão com todos os professores que me proporcionaram fundamentos sólidos, os quais levo comigo durante todos esses anos. Sabemos que a decisão de mudar de país é difícil, mas, associado a isso, existem oportunidades de crescimento profissional. Por que você decidiu fazer pós-graduação nos Estados Unidos e resolveu permanecer na área acadêmica desse país? José Bósio Esta é uma excelente pergunta, que provavelmente exigiria uma resposta longa, mas vou tentar responder objetivamente. Um dos maiores acontecimentos de minha vida ocorreu durante o meu segundo ano como estudante de Odontologia. No verão de 1973, por força do destino, conheci uma moça muito bonita da Califórnia, que mais tarde veio a tornar-se minha esposa e, sem dúvidas, a pessoa mais influente em minha vida. Naquela época, havia um projeto com base em Washington, chamado “Project HOPE” (Health Opportunities for People Everywhere, Hospital Ship), “Projeto Esperança” (Oportunidades de Saúde para Pessoas em Toda Parte, Hospital Navio), e esse navio esteve em Natal/RN, trabalhando conjuntamente com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Minha esposa era a administradora dessa organização de assistência de profissionais da Saúde vindos dos EUA e de outras partes do mundo. Através da

Dental Press J Orthod

Quando reflete sobre sua carreira, quais as três pessoas que mais influenciaram as escolhas que você fez para estar onde está hoje, e por quê? Jason Cope Em primeiro lugar, agradeço aos meus pais por não vacilarem em momento algum e proporcionarem possibilidades aos seus sete filhos de conquistarem uma educação universitária, cumprindo assim o sonho deles. Quando olho para trás, ao longo destes 32 anos, vejo muitas pessoas que me ajudaram e tenho uma enorme dívida de gratidão a todos que contribuíram para minha vida pessoal e formação profissional. Em especial a três... permitam-me incluir um quatro, e fazer justiça a todos eles. Durante a minha formação em Odontopediatria, entre 1978-80, foi o Dr. Steve Adair (Diretor do Programa e mentor clínico), com seu profundo conhecimento, excelentes habilidades clínicas e por acreditar em todos os seus alunos. Também não poderia esquecer do falecido Dr. Michael Buonocore (proeminente investigador, Mentor

25

2010 July-Aug;15(4):24-34


Entrevista

Eustáquio Araújo

Jason Cope

- Mestre e Especialista em Ortodontia da Universidade de Pittsburgh, Pa., EUA. - Professor de Ortodontia, Diretor Assistente e Diretor Clínico da Universidade de Saint Louis, St. Louis, Missouri. - Membro da Angle Society of Orthodontics, Componente do Centro-Oeste. - Membro do Colégio Internacional de Dentistas. - Membro do American College of Dentists. - Diplomado pelo Board Brasileiro de Ortodontia. - Diretor do Board Brasileiro de Ortodontia.

- Diplomado pelo American Board of Orthodontics. - Fellow do American College of Dentists. - Membro titular da Angle Society of Orthodontists, Região Sudoeste. - Professor Associado Adjunto do Departamento de Ortodontia, Universidade de St. Louis. - Editor, OrthoTADs: The Clinical Guide and Atlas, www. UnderDogMedia.us - Editor, Comprehensive Orthodontic Continuing Education, www.CopestheticCE.com.

José Antônio Bósio

Russell T. Kittleson

- Professor Assistente e Diretor da Clínica de PósGraduação em Ortodontia da Marquette University School of Dentistry, Milwaukee, WI, EUA. - Examinador do American Board of Orthodontics (ABO), 2010. - Premiado em 2009 pela American Association of Orthodontists com o Full-Time Faculty Fellowship Award. - Diplomado pelo American Board of Orthodontics (ABO) em 2002 e voluntariamente recertificado em 2009. - Diplomado pelo Board Brasileiro de Ortodontia (BBO), 2004. - Mestrado em Ortodontia na Ohio State University 1993-1996, Columbus, OH, EUA. - Especialização em TMD na Eastman Dental Center, Rochester, NY/EUA, 1991-93. - Curso de Odontologia na PUC-PR, 1983-86. - 11 anos de clínica privada em Curitiba/PR e Concórdia/ SC, 1996-2007.

- Graduado em Ortodontia pela Marquette University School of Dentistry, em 1958 (Milwaukee, Wisconsin, EUA). - Especialista e mestre em Ortodontia pela University of Illinois EUA, em 1960 (Chicago, Illinois, EUA). - Fundador e professor adjunto do mestrado em Ortodontia da Marquette University de 1961. - Membro da Edward H. Angle Society of Orthodontics.

Endereço para correspondência Anibal M. Silveira Jr. Email: amsilv01@louisville.edu

Dental Press J Orthod

34

2010 July-Aug;15(4):24-34


Artigo Online*

Estudo das características cefalométricas em adolescentes brasileiros portadores de Padrão Face Longa Omar Gabriel da Silva Filho**, Gleisieli C. Petelinkar Baessa Cardoso***, Maurício Cardoso****, Leopoldino Capelozza Filho*****

Resumo Objetivo: definir valores cefalométricos esqueléticos e dentários para adolescentes brasileiros com Padrão Face Longa. Métodos: a amostra foi constituída de telerradiografias

em norma lateral de 30 pacientes com Face Longa, sendo 17 do sexo feminino e 13 do masculino; e 30 pacientes face Padrão I, 15 do sexo masculino e 15 do feminino, no estágio de dentadura permanente durante a adolescência. As características do Padrão Face Longa foram definidas clinicamente, pela análise facial. As seguintes grandezas cefalométricas foram avaliadas: (1) Comportamento sagital das bases apicais (SNA, SNB, ANB, NAP, CoA, Co-Gn); (2) Comportamento vertical das bases apicais (SN.PP, SN.PM, ângulo goníaco, AFAT, AFAI, AFAM, AFP, AFATperp, AFAIperp); (3) Comportamento dentoalveolar (1PP, 6-PP, 1-PM, 6-PM, 1.PP, IMPA); e (4) Proporção entre as alturas faciais (AFAIPerp/ AFATPerp, AFAI/AFAT, AFAM/AFAI). Resultados e Conclusões: o erro vertical na Face Longa concentra-se no terço inferior. A maxila apresenta uma maior altura dentoalveolar e a mandíbula, com morfologia mais vertical, mostra maior rotação no sentido horário. Essas características morfológicas e espaciais acarretam alterações sagitais e verticais no esqueleto e alterações verticais dentoalveolares. No sentido sagital, os ângulos de convexidade facial estão aumentados. No sentido vertical, as alturas faciais anteriores total e inferior estão aumentadas. O componente dentoalveolar está mais longo. Palavras-chave: Face. Adolescente. Circunferência craniana.

Resumo do editor A face afligida pelo excesso vertical caracteriza a “Face Longa”, e suas características faciais referem-se à desproporção entre os terços faciais, com aumento

do terço inferior, trazendo como consequências a ausência de selamento labial passivo, exposição excessiva dos incisivos superiores quando em repouso, exposição gengival no sorriso, e o mento duplo na

* Acesse www.dentalpress.com.br/revistas para ler o artigo na íntegra.

** Mestre e Ortodontista do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo. *** Residente do setor de Ortodontia Corretiva do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (HRAC/USP), Bauru/SP. **** Doutor em Odontologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), Araçatuba/SP. Professor do Curso de Especialização em Ortodontia da Universidade do Sagrado Coração (USC), Bauru/SP. ***** Doutor em Reabilitação Oral, área Periodontia, pela Faculdade de Odontologia de Bauru, Universidade de São Paulo (FOB/USP). Coordenador do curso de especialização em Ortodontia da Sociedade de Promoção Social do Fissurado Lábio-palatal (PROFIS), Bauru/SP.

Dental Press J Orthod

35

2010 July-Aug;15(4):35-7


Estudo das características cefalométricas em adolescentes brasileiros portadores de Padrão Face Longa

dois grupos estudados, Face Longa e Padrão I, independentemente do sexo. A posição da mandíbula em relação à base do crânio (SNB) mostrou-se mais retroposta na Face Longa. A convexidade facial foi reduzida para a Face Longa. Os ângulos mandibulares (Ângulo Goníaco e Ângulo do Plano Mandibular) aumentaram na Face Longa, enquanto o Plano Palatino foi idêntico nos dois Padrões faciais. As alturas faciais totais e as alturas faciais inferiores tenderam a ser maiores na Face Longa. As alturas das arcadas dentárias estavam aumentadas na Face longa, no sexo feminino. Os incisivos superiores comportaram-se igualmente na Face Longa e no Padrão I, enquanto os inferiores estavam mais vestibularizados na Face Longa. Concluiu-se que, no Padrão Face Longa, a maxila apresenta uma maior altura dentoalveolar e a mandíbula, com morfologia mais vertical, mostra maior rotação no sentido horário. Essas características morfológicas e espaciais acarretam alterações sagitais e verticais no esqueleto e alterações verticais dentoalveolares. No sentido sagital, os ângulos de convexidade facial estão aumentados, em decorrência de um retroposicionamento do ponto “B”. No sentido vertical, as alturas faciais anteriores total e inferior estão aumentadas. O componente dentoalveolar está mais longo.

tentativa de selar o lábio (Fig. 1). À semelhança do que acontece com os erros frontais, o incômodo da Face Longa reside na impossibilidade da Ortodontia e/ou Ortopedia induzirem impacto clínico corretivo na face, tanto na percepção do paciente quanto na do terapeuta. Fundamentado nisso, os ortodontistas estão cientes da importância da cirurgia ortognática para a redução do excesso vertical que caracteriza esse padrão facial. Dois critérios morfológicos levam à indicação da cirurgia ortognática para a redução da Face Longa, a saber: o comprometimento da estética facial e a impossibilidade de tratar a má oclusão existente. A presente pesquisa objetivou colocar em perspectiva as características cefalométricas do Padrão Face Longa na adolescência. Foram selecionadas telerradiografias em norma lateral, pré-tratamento, de pacientes de ambos os sexos, leucodermas, no estágio de dentadura permanente, portadores de excesso vertical. O excesso vertical foi diagnosticado, nas fotografias faciais, pela ausência de selamento labial passivo e exposição dos incisivos superiores com o lábio superior em repouso. Como grupo controle, foram selecionadas telerradiografias em norma lateral, pré-tratamento, de pacientes Padrão I, de ambos os sexos, leucodermas, no estágio de dentadura permanente. A maxila comportou-se de forma idêntica nos

Questões aos autores

A

1) Qual a essência da alteração morfológica nos pacientes com Face Longa? Inicialmente, o diagnóstico da Face Longa baseiase na avaliação clínica da face, ou seja, na análise facial. Na Face Longa, há uma discrepância esquelética identificada pelo excesso vertical no terço inferior da face, nas vistas frontal e lateral da face. Embora a análise facial tenha um cunho subjetivo, e o excesso vertical tenha gravidade individualizada, não é difícil identificar o excesso vertical no terço inferior da face, uma vez que ele acarreta consequências clínicas facilmente percebidas tanto pelo ortodontista

B

Figura 1 - Características do Padrão Face Longa. A) Na vista lateral, a rotação da mandíbula para baixo e para trás pode favorecer o diagnóstico de deficiência mandibular. B) Na vista frontal, o diagnóstico é inconfundível: a desproporção entre os terços faciais, com aumento maior do terço inferior, impede o selamento labial passivo e expõe os incisivos superiores em repouso.

Dental Press J Orthod

36

2010 July-Aug;15(4):35-7


Silva OG Filho, Cardoso GCPB, Cardoso M, Capelozza L Filho

presentes na adolescência, tanto nos meninos quanto nas meninas, antes da maturidade esquelética.

quanto pelo próprio paciente. As alterações decorrentes do excesso vertical no terço inferior da face são: ausência de selamento labial passivo; presença de mento duplo na tentativa de manter o selamento labial, nesse caso, o selamento labial forçado; exposição excessiva dos incisivos superiores quando em repouso, e sorriso gengival. O presente artigo foi delineado com a proposta de definir cefalometricamente quais são os erros numéricos responsáveis por essas alterações morfológicas em adolescentes brancos, visto que essas características cefalométricas em indivíduos adultos já tinham sido definidas. A interpretação das medidas cefalométricas nos adolescentes permitiu concluir que o erro vertical na Face Longa concentra-se no terço inferior da face (AFAI). As grandezas cefalométricas foram compatíveis com o diagnóstico morfológico e clínico da face. A maxila apresenta uma maior altura dentoalveolar e a mandíbula, com morfologia mais vertical, mostra maior rotação no sentido horário. Essas características morfológicas e espaciais acarretam alterações sagitais e verticais no esqueleto e alterações verticais dentoalveolares. No sentido sagital, os ângulos de convexidade facial estão aumentados. No sentido vertical, as alturas faciais anteriores total e inferior estão aumentadas. O componente dentoalveolar está mais longo, e a sínfise também está mais estreita.

3) Haveria relação entre a Face Longa e a respiração bucal? Face longa e respiração bucal são problemas diferentes. Digamos que a Face Longa refere-se a uma condição morfológica do esqueleto facial e representa um crescimento facial com predominância no sentido vertical. Por outro lado, a respiração bucal refere-se a alguma obstrução no trato aéreo respiratório nasal que reduziria a permeabilidade das vias aéreas superiores, obrigando o indivíduo a complementar o fluxo aéreo pela boca. Como são situações diferentes, uma é morfológica e outra é funcional, o diagnóstico também envolve profissionais e instrumentos diferentes. O diagnóstico da respiração bucal deve ser feito pelo otorrinolaringologista e por meio instrumental. No entanto, é provável que essas situações estejam sobrepostas em um único paciente. É provável que a condição morfológica da Face Longa favoreça a redução da permeabilidade aérea nasal. Por exemplo, a configuração morfológica da Face Longa também é mais estreita e menos profunda. O desenho do trato respiratório, refletindo essa arquitetura óssea, seria mais vulnerável às obstruções de tecido mole ao longo do trato respiratório. Isso deve explicar, por exemplo, porque os respiradores bucais tendem a ter Face Longa. A relação causa-efeito, nesse caso, é determinada pela morfologia da face e respiração. A Face Longa favorece a respiração bucal. Isso leva o ortodontista a se preocupar mais frequentemente com as vias aéreas nos pacientes Face Longa. Quando a respiração bucal é confirmada em indivíduo Face Longa, espera-se que as obstruções que reduzem a permeabilidade das vias aéreas sejam eliminadas. No entanto, essa desobstrução das vias aéreas não garantirá mudança no padrão morfológico da face.

2) O que os motivou a estudar as características cefalométricas nesses pacientes? A intenção de avaliar cefalometricamente as características da Face Longa em adolescentes homens e mulheres surgiu com os estudos anteriores realizados em pacientes Face Longa adultos, também em Bauru. A ideia era repetir esses estudos cefalométricos em uma faixa etária mais jovem, ainda durante o crescimento da adolescência. A expectativa era responder se as características numéricas da face alteram-se da adolescência para a idade adulta, ou se essas características já estariam presentes antes mesmo da maturidade esquelética. Os resultados sugerem que uma vez Face Longa, sempre Face Longa. As características cefalométricas da Face Longa já estão

Dental Press J Orthod

Endereço para correspondência Omar Gabriel da Silva Filho Rua Rio Branco, 20-81 – Altos da Cidade CEP: 17.014-037 – Bauru / SP E-mail: ortoface@travelnet.com.br

37

2010 July-Aug;15(4):35-7


Artigo Online*

Avaliação in vitro da resistência à flexão de um protótipo de mini-implante desenvolvido para ancoragem do aparelho de Herbst Klaus Barretto-Lopes**, Gladys Cristina Dominguez***, André Tortamano****, Jesualdo Luiz Rossi*****, Julio Wilson Vigorito******

Resumo Objetivo: o propósito do presente estudo foi avaliar o limite de resistência à flexão de um protótipo de mini-implante desenvolvido para ancoragem do aparelho de Herbst. Métodos: após a

realização de um cálculo do tamanho da amostra, quatro corpos de prova contendo os protótipos de mini-implantes foram submetidos a uma força de flexão por engastamento simples, utilizando-se uma máquina universal de ensaios mecânicos, sendo calculado o limite de resistência à força de flexão. Resultados: após os ensaios mecânicos, os novos mini-implantes apresentaram o limite de resistência à força de flexão de 98,2kgf, que foi o menor valor encontrado. Conclusão: os protótipos de mini-implantes desenvolvidos para ancoragem do aparelho de Herbst foram capazes de suportar forças de flexão maiores do que as forças de mordida descritas na literatura. Palavras-chave: Aparelhos ortodônticos. Ortodontia. Aparelho de Herbst. Mini-implante.

Resumo do editor O aparelho de Herbst constitui-se em uma opção terapêutica no tratamento da má oclusão de Classe II em pacientes em crescimento. Ao avançar a mandíbula, o aparelho de Herbst almeja estimular o crescimento mandibular, provocando incrementos no seu comprimento efetivo. No entanto, as maiores modificações incitadas pelo aparelho são observadas na região dentoalveolar, onde o aparelho está ancorado. Diante do desenvolvimento dos mecanismos de ancoragem esquelética, vem à tona a questão: qual seria o efeito do aparelho de Herbst se ele fosse ancorado no osso basal por meio de mini-implantes?

Antes de verificar se os efeitos ortopédicos do aparelho poderiam ser otimizados alterando-se o modo de ancoragem, há que se avaliar se os mini-implantes apresentam resistência suficiente para suportar a força muscular que se opõe ao avanço mandibular. O propósito do presente estudo foi avaliar, in vitro, o limite de resistência às forças de flexão de um protótipo de mini-implante desenvolvido especialmente para ancoragem do aparelho de Herbst. Para a realização do experimento, foram utilizados quatro corpos de prova, sendo que cada um possuía três partes: um protótipo de mini-implante; um contra-corpo de latão, que age como suporte para

* Acesse www.dentalpress.com.br/revistas para ler o artigo na íntegra.

** Doutor em Ortodontia pela Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo. *** Professora Associada da Disciplina de Ortodontia do Departamento de Ortodontia e Odontopediatria da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo. **** Professor Doutor da Disciplina de Ortodontia do Departamento de Ortodontia e Odontopediatria da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo. ***** Professor Doutor do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, IPEN - CNEN/SP. ****** Professor Titular da Disciplina de Ortodontia do Departamento de Ortodontia e Odontopediatria da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo.

Dental Press J Orthod

38

2010 July-Aug;15(4):38-9


Barreto-Lopes K, Dominguez GC, Tortamano A, Rossi JL, Vigorito JW

da mordida humana (75,6kgf). Entretanto, especulase que a maior chance de insucesso do aparelho de Herbst apoiado em mini-implantes esteja na interface osso x mini-implante. Assim, novos estudos in vitro devem ser realizados para avaliar a força de resistência à flexão do protótipo de mini-implante inserido em osso, antes que estudos clínicos possam ser realizados.

FIGURA 1 - Protótipo de mini-implante com o parafuso rosqueado, numa vista lateral.

3

Questões aos autores 1) Após a comprovação de que o mini-implante desenvolvido pode suportar a ancoragem do aparelho de Herbst, qual seria o próximo passo? Para comprovar que os mini-implantes poderiam ser usados como ancoragem do aparelho de Herbst, um estudo clínico deveria ser realizado em humanos. Entretanto, outras pesquisas ainda são necessárias, como a realização de um estudo com o aparelho de Herbst com ancoragem em mini-implantes em animais, que será o nosso próximo estudo.

1 2 FIGURA 2 - Corpo de prova utilizado, onde (1) é o contra-corpo de latão, (2) é o protótipo de mini-implante inserido no bloco de latão com o parafuso rosqueando o tubo telescópico, e (3) é a haste reta do tubo telescópico do aparelho de Herbst.

2) Quais as perspectivas de resultados clínicos para o Herbst ancorado em mini-implantes? Ainda não temos informações suficientes para responder a essa pergunta com base em evidências científicas, pois ainda não realizamos nenhum estudo clínico. Porém, caso o sistema de ancoragem seja viável, poderíamos imaginar um avanço mandibular sem os efeitos colaterais negativos produzidos principalmente nos incisivos inferiores.

o engastamento; e uma haste reta do tubo telescópico (Dentaurum®) do aparelho de Herbst (Fig. 1, 2). O ensaio mecânico realizado foi o de flexão por engastamento simples, no qual o ponto de aplicação da força flexora ocorre a uma distância da base do contra-corpo, gerando um momento. O ensaio foi realizado com uma velocidade de ponte de 0,5mm por minuto até atingir a força máxima. Os valores foram registrados gerando um gráfico (força x deslocamento), utilizando-se um programa específico fornecido pelo equipamento utilizado. Após os ensaios de resistência máxima às forças de flexão realizados nos corpos de prova, foi encontrada uma média de 98,9kgf com desvio-padrão de 0,6, sendo o valor mínimo de 98,2kgf e o máximo de 99,0kgf. O protótipo de mini-implante, isoladamente, poderia resistir às forças de flexão transferidas pelo aparelho de Herbst originárias das forças máximas

Dental Press J Orthod

3) O que os inspirou a buscar essa inovação para o aparelho de Herbst? A possibilidade de se utilizar um aparelho ortopédico sem apoio dentoalveolar, expressando todo o potencial de estímulo esquelético e evitando os efeitos colaterais indesejáveis sobre os dentes.

Endereço para correspondência Klaus Barretto-Lopes Rua Visconde de Pirajá, 550/1407, Ipanema CEP: 22.410-002 – Rio de Janeiro / RJ E-mail: klausbarretto@uol.com.br

39

2010 July-Aug;15(4):38-9


Artigo Online*

Tratamento ortodôntico em pacientes com dentes reimplantados após avulsão traumática: relato de caso Simone Requião Thá Rocha**, Alexandre Moro***, Ricardo César Moresca****, Gilson Sydney*****, Fabian Fraiz******, Flares Baratto Filho*******

Resumo Introdução: a alta prevalência de indivíduos com traumatismo dentário prévio ao tratamento

ortodôntico justifica os cuidados a serem observados antes e durante o tratamento, considerando todas as implicações do movimento ortodôntico sobre os dentes traumatizados. Entre as lesões traumáticas dentárias, a avulsão com posterior reimplantação do dente é a que apresenta maior risco de complicações, como necrose pulpar, reabsorção radicular e anquilose, sendo também a que inspira maiores cuidados pelo ortodontista. Objetivo: este trabalho busca, através do relato de um caso clínico, analisar as implicações do reimplante dentário, após avulsão traumática, em pacientes que requerem tratamento ortodôntico. Conclusões: a movimentação ortodôntica de um dente reimplantado, após sua avulsão traumática, é possível desde que não ocorra qualquer sinal de anormalidade. Porém, dentes que sofrem anquilose não são passíveis de movimentação ortodôntica, mas devem ser preservados como mantenedores de espaço, até a reabsorção total da raiz, desde que não apresentem infraposição severa. Ocorrendo infraposição severa do dente anquilosado, é indicada a amputação da coroa e o sepultamento da raiz, como meio de favorecer a manutenção do osso alveolar na região, pois ocorrerá reabsorção por substituição da raiz sepultada, como aconteceu no caso clínico apresentado. Palavras-chave: Movimentação dentária. Anquilose dentária. Traumatismos dentários.

Resumo do editor A movimentação ortodôntica após reimplante dentário não é impossível. Porém, após a avulsão de dentes permanentes seguida de reimplante, é necessário um acompanhamento de pelo menos um ano,

segundo Malmgren et al.1, uma vez que a maioria das reabsorções radiculares ocorre durante o primeiro ano pós-traumatismo. Boyd, Kinirons e Gregg2 encontraram uma variação de tempo para detecção de reabsorção radicular entre 102 e 997 dias3, o que

* Acesse www.dentalpress.com.br/revistas para ler o artigo na íntegra.

** Mestre em Odontologia Clínica pela Universidade Positivo. Professora do Curso de Especialização em Ortodontia da Universidade Positivo. *** Doutor em Ortodontia pela FOB-USP. Professor Adjunto da graduação e pós-graduação em Ortodontia da UFPR. Professor Titular do Programa de Mestrado em Odontologia Clínica da Universidade Positivo. **** Doutor em Ortodontia pela FO-USP. Professor Adjunto da Graduação e Pós-graduação em Ortodontia da UFPR. Professor Titular do Programa de Mestrado em Odontologia Clínica da Universidade Positivo. ***** Doutor em Endodontia pela FO-USP. Professor Titular de Endodontia da UFPR. ****** Doutor em Odontopediatria pela FO-USP. Professor Adjunto de Odontopediatria da UFPR. ******* Doutor em Endodontia pela Universidade Federal de Pernambuco. Coordenador do Mestrado em Odontologia Clínica da Universidade Positivo.

Dental Press J Orthod

40

2010 July-Aug;15(4):40-2


Rocha SRT, Moro A, Moresca RC, Sydney G, Fraiz F, Baratto F Filho

osso alveolar na direção vestibulolingual. Tal fato melhora as condições tanto para o tratamento ortodôntico (quando necessário) quanto para a colocação posterior de uma prótese e/ou implante. Conclui-se que dentes permanentes que sofrem anquilose devem ser preservados como mantenedores de espaço até a reabsorção total da raiz, desde que não apresentem infraposição severa. Ocorrendo infraposição severa do dente anquilosado, é indicada a amputação da coroa e o sepultamento da raiz, como meio de favorecer a manutenção do osso alveolar na região, pois ocorrerá reabsorção por substituição da raiz sepultada, como aconteceu no caso clínico apresentado.

sugere a necessidade de um período maior de proservação antes do início do tratamento ortodôntico. Quando ocorrem grandes áreas de dano ao ligamento periodontal, uma pequena quantidade de células sobreviventes próximas à superfície radicular provoca um processo de reparação por meio de uma rápida osteogênese, acarretando a anquilose do dente4 e sua posterior perda por substituição. A anquilose alveolodentária implica em fusão do osso alveolar com a substância radicular e o consequente desaparecimento do espaço periodontal, provocando a perda não só de sua estrutura, mas também de sua função. O íntimo contato entre os tecidos dentários e a estrutura óssea alveolar promove a sua inclusão no processo de osteorremodelação, redundando em reabsorção de parte do tecido ósseo e também do tecido dentário, os quais serão parcial ou totalmente substituídos por um novo tecido ósseo neoformado. A reabsorção por substituição aumenta com extensos períodos extrabucais do dente avulsionado, variando de apenas 9,5% em dentes com períodos curtos (menos de quinze minutos) a 100% em dentes com períodos que excedam sessenta minutos, ambos em meio seco5. A exodontia é recomendada nos casos em que ocorre inclinação dos dentes adjacentes ou uma infraposição de grande extensão1. Nos outros casos, o dente deve ser observado em intervalos de 6 meses, até que ocorra a reabsorção completa da raiz, e a coroa do dente se solte ou seja possível a sua remoção com fórceps, quando a maior parte da raiz for substituída por osso6. A experiência clínica tem demonstrado que a exodontia de um dente anquilosado envolve uma perda óssea muito grande, tanto no aspecto horizontal como no vertical, particularmente da fina parede óssea vestibular na maxila6. Para evitar essa perda, Malmgren et al.1,6 descreveram uma técnica que envolve a remoção da coroa do dente, com posterior fechamento do alvéolo com a raiz em seu interior. Ocorre, então, reabsorção por substituição da raiz, com a preservação ou até mesmo melhora da altura do osso alveolar no sentido vertical e, ainda, a preservação do

Dental Press J Orthod

Questões aos autores 1) Quais os cuidados que o profissional deve ter durante o planejamento ortodôntico em pacientes com histórico de trauma? Ao ortodontista cabe primeiramente a obtenção de uma anamnese cuidadosa, buscando informações sobre o histórico do trauma. As injúrias aos dentes envolvem múltiplas consequências e variam desde uma pequena trinca no esmalte até a perda do elemento dentário. Algumas injúrias mais leves raramente representam um risco à saúde ou à sobrevida do dente traumatizado, enquanto outras — mais severas, como intrusões e avulsões, seguidas de reimplante — apresentam um grande risco de sofrer complicações: desde necrose pulpar e reabsorção radicular, até a perda do osso marginal e a subsequente perda dentária. O prognóstico para os vários tipos de traumatismos parece depender do tipo e da severidade da injúria (mensurada pela extensão do dano ao ligamento periodontal). Uma análise clínica-radiográfica (periapical) minuciosa possibilita o diagnóstico de alterações pulpares, fraturas

41

2010 July-Aug;15(4):40-2


Tratamento ortodôntico em pacientes com dentes reimplantados após avulsão traumática: relato de caso

coronárias, fraturas radiculares e possíveis reabsorções radiculares pré-tratamento ortodôntico, bem como de anquilose. Uma tomografia do dente traumatizado pode, em alguns casos, revelar imagens não percebidas nas radiografias. Não havendo alterações clínicas ou radiográficas do dente traumatizado e, ainda, respeitando-se um período de observação pós-trauma entre 3 meses (nos casos de injúrias menores, como fraturas coronárias ou coronorradiculares sem envolvimento pulpar, concussão e subluxação) e 1-2 anos (nos casos de fraturas radiculares, intrusões, reimplantes após avulsão e luxações laterais com deslocamento moderado ou severo), o tratamento ortodôntico pode ser realizado normalmente. O ortodontista só não poderá movimentar dentes anquilosados, porque esses não são passíveis de movimentação ortodôntica. O acompanhamento radiográfico durante todo o tratamento ortodôntico também é indispensável.

traumatizados? Ou, ainda hoje, observam-se diferentes filosofias de conduta? Existe, sim, um consenso na literatura: o traumatismo dentário não é uma condição que contraindique o tratamento ortodôntico, desde que não haja alterações pulpares, periodontais e/ou reabsorções radiculares. Contudo, alguns estudos apontam uma maior predisposição à reabsorção dentária pelos dentes traumatizados. Porém, esses não são conclusivos, devido ao resultado final de um dente traumatizado poder levar mais de 5 anos para se manifestar. Esse é um dos fatores que dificultam a análise dos efeitos da movimentação ortodôntica sobre dentes traumatizados. O número reduzido de pacientes com diferentes tipos de injúrias, além dos diferentes operadores e aparatologias ortodônticas utilizadas, também tornam inconclusivos os estudos voltados às sequelas da Ortodontia sobre dentes traumatizados.

2) O reimplante dentário contraindica a realização do tratamento ortodôntico? A avulsão com posterior reimplantação dentária é a lesão traumática que apresenta maior risco de complicações, devido à grande possibilidade de infecção bacteriana, tanto por via pulpar como por via periodontal. Contudo, a movimentação ortodôntica de dentes reimplantados é possível desde que as condições de normalidade sejam restabelecidas e um período de pelo menos um ano de acompanhamento clínico-radiográfico seja respeitado. Segundo Malmgren et al.1, a maioria das reabsorções radiculares após reimplantes ocorre durante o primeiro ano pós-traumatismo. Boyd, Kinirons e Gregg2 encontraram uma variação de tempo para detecção de reabsorção radicular entre 102 e 997 dias3, o que sugere a necessidade de um período maior de proservação antes do início do tratamento ortodôntico.

Referências 1.

2. 3.

4.

5. 6.

Endereço para correspondência Simone Requião Thá Rocha Av. Visconde de Guarapuava, 4663, ap. 2301 – Batel CEP: 80.240-010 – Curitiba / PR E-mail: simone_tha@hotmail.com

3) Existe um consenso literário sobre o tratamento ortodôntico em pacientes com dentes

Dental Press J Orthod

Malmgren O, Malmgren B, Goldson l. Abordagem ortodôntica da dentição traumatizada. In: Andreasen JO, Andreasen FM. Texto e atlas colorido de traumatismo dental. 3ª ed. Porto Alegre: Artmed; 2001. Boyd DH, Kinirons MJ, Gregg TA. A prospective study of factors affecting survival of replanted permanent incisors in children. Int J Paediatr Dent. 2000 Sep;10(3):200-5. Kinirons MJ, Boyd DH, Gregg TA. Inflammatory and replacement resorption in reimplanted permanent incisor teeth: a study of the characteristics of 84 teeth. Endod Dent Traumatol. 1999 Dec;15(6):269-72. Andreasen JO. Relationship between cell damage in the periodontal ligament after replantation and subsequent development of root resorption. Acta Odontol Scand. 1980;39:15-25. Chappuis V, von Arx T. Replantation of 45 avulsed permanent teeth: a 1-year follow-up study. Dent Traumatol. 2005 Oct;21(5):289-96. Malmgren B, Cvek M, Lundberg M, Frykholm A. Surgical treatment of ankylosed and infrapositioned reimplanted incisors in adolescents. Scand J Dent Res. 1984 Oct;92(5):391-9.

42

2010 July-Aug;15(4):40-2


Artigo Inédito

A influência do protocolo de extração de dois pré-molares superiores na estabilidade oclusal do tratamento da Classe II Leonardo Tavares Camardella*, Guilherme Janson**, Janine Della Valle Araki***, Marcos Roberto de Freitas****, Arnaldo Pinzan*****

Resumo Objetivo: com o propósito de avaliar a influência da extração de dois pré-molares superiores na estabilidade oclusal do tratamento da má oclusão de Classe II completa, foi realizada uma comparação com o protocolo de tratamento sem extrações. Métodos: selecionou-se, a partir das documentações do arquivo da Disciplina de Ortodontia da Faculdade de Odontologia de Bauru, uma amostra composta pelas documentações de 59 pacientes com má oclusão de Classe II completa. Em seguida, dividiu-se essa amostra em dois grupos, apresentando as seguintes características: Grupo 1, constituído por 29 pacientes, tratados sem extrações; e Grupo 2, composto por 30 pacientes, tratados com extrações de dois pré-molares superiores. Os modelos ao início do tratamento, ao final do tratamento e em um período mínimo de 2,4 anos após o tratamento foram medidos e avaliados por meio dos índices oclusais IPT e PAR. As condições oclusais ao final do tratamento e no estágio pós-tratamento, o percentual de recidiva e as alterações oclusais pós-tratamento foram comparados por meio do teste t. Resultados: os resultados demonstraram que os protocolos de tratamento sem extração e com extrações de dois pré-molares superiores não apresentaram, em nenhuma das variáveis avaliadas, diferenças estatisticamente significativas em relação à estabilidade oclusal do tratamento da má oclusão de Classe II completa. Conclusão: a extração de dois pré-molares superiores no tratamento da má oclusão de Classe II completa não influenciou a estabilidade dos resultados oclusais alcançados ao final da correção ortodôntica. Portanto, terminar o tratamento com uma relação molar em Classe II ou em Classe I proporciona estabilidade semelhante. Palavras-chave: Estabilidade. Tratamento da má oclusão de Classe II. Extração dentária.

* Mestre em Ortodontia pela Faculdade de Odontologia de Bauru – Universidade de São Paulo. ** Professor Titular e Chefe do Departamento de Odontopediatria, Ortodontia e Saúde Coletiva e Coordenador do Curso de Mestrado em Ortodontia da Faculdade de Odontologia de Bauru – Universidade de São Paulo. *** Mestre em Ortodontia pela Faculdade de Odontologia de Bauru – Universidade de São Paulo. **** Professor Titular do Departamento de Odontopediatria, Ortodontia e Saúde Coletiva e Coordenador do Curso de Doutorado em Ortodontia da Faculdade de Odontologia de Bauru – Universidade de São Paulo. ***** Professor Associado do Departamento de Odontopediatria, Ortodontia e Saúde Coletiva da Faculdade de Odontologia de Bauru – Universidade de São Paulo.

Dental Press J Orthod

43

2010 July-Aug;15(4):43-54


Camardella LT, Janson G, Araki JDV, Freitas MR, Pinzan A

Influence of the extraction protocol of two maxillary premolars on the occlusal stability of Class II treatment Abstract Objective: With the purpose of evaluating the influence of two upper premolar extraction on the occlusal stability of full cusp Class II malocclusion treatment, a comparison was performed with a non-extraction treatment protocol. Methods: To this end, a sample consisting of 59 patients with complete Class II malocclusion was selected from the files of the Department of Orthodontics of the Dental School of Bauru. This sample was split into two groups according to the following characteristics: Group 1 included 29 patients treated without extractions and Group 2 included 30 patients treated with the extraction of two upper premolars. Using the TPI and PAR occlusal indices the subjects’ study models were evaluated at the beginning and end of treatment, and at a minimum of 2.4 years after treatment. The occlusal conditions at the end of treatment and in the post-treatment period, the percentage of relapse and post-treatment occlusal changes were compared using Student’s t-test. Results: The results showed no statistically significant differences between the nonextraction and the extraction of two maxillary premolars treatment protocols in terms of the occlusal stability of complete Class II malocclusion treatment in any of the evaluated variables. Conclusions: The extraction of two upper premolars in the treatment of Class II malocclusion did not influence the stability of the occlusal results achieved at the end of the orthodontic treatment. Therefore, a similar stability is achieved by finishing a treatment with either a Class II or a Class I molar relationship. Keywords: Stability. Class II malocclusion treatment. Tooth extraction.

Referências 1.

2. 3. 4.

5. 6. 7.

8.

9.

Al Yami EA, Kuijpers-Jagtman AM, van‘t Hof MA. Stability of orthodontic treatment outcome: follow-up until 10 years postretention. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 1999 Mar;115(3):300-4. Angle EH. The latest and best in orthodontic mechanism. Dental Cosmos. 1928 Dec;70(12):1143-5. Artun J, Garol JD, Little RM. Long-term stability of mandibular incisors following successful treatment of Class II, division 1, malocclusions. Angle Orthod. 1996;66(3):229-38. Barros SEC. Avaliação do grau de eficiência do tratamento da Classe II realizado sem extrações e com extrações de dois pré-molares superiores. [dissertação]. Bauru (SP): Universidade de São Paulo; 2004. Birkeland K, Furevik J, Boe OE, Wisth PJ. Evaluation of treatment and post-treatment changes by the PAR Index. Eur J Orthod. 1997 Jun;19(3):279-88. Dahlberg G. Statistical methods for medical and biological students. New York: Interscience; 1940. DeGuzman L, Bahiraei D, Vig KW, Vig PS, Weyant RJ, O’Brien K. The validation of the Peer Assessment Rating index for malocclusion severity and treatment difficulty. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 1995 Feb;107(2):172-6. Demir A, Uysal T, Sari Z, Basciftci FA. Effects of camouflage treatment on dentofacial structures in Class II division 1 mandibular retrognathic patients. Eur J Orthod. 2005 Oct;27(5):524-31.

Dental Press J Orthod

10.

11. 12. 13. 14.

15. 16.

53

Elms TN, Buschang PH, Alexander RG. Long-term stability of Class II, division 1, nonextraction cervical face-bow therapy: I. Model analysis. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 1996 Mar;109(3):271-6. Fidler BC, Artun J, Joondeph DR, Little RM. Long-term stability of Angle Class II, division 1 malocclusions with successful occlusal results at end of active treatment. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 1995 Mar;107(3):276-85. Grainger RM. Orthodontic treatment priority index. Vital Health Stat 2. 1967 Dec;(25):1-49. Harris EF, Behrents RG. The intrinsic stability of Class I molar relationship: a longitudinal study of untreated cases. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 1988 Jul;94(1):63-7. Houston WJ. Analysis of errors in orthodontics measurements. Am J Orthod. 1983 May;83(5):382-90. Janson G, Caffer DC, Henriques JFC, Freitas MR, Neves LS. Stability of Class II, division 1 treatment with the headgearactivator combination followed by the edgewise appliance. Angle Orthod. 2004 Oct;74(5):594-604. Janson G, Nakamura A, Chiqueto K, Castro R, Freitas MR, Henriques JFC. Eruption guidance appliance treatment stability. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2000 Feb;117(2):119-29. Janson G, Putrick LM, Henriques JFC, Freitas MR, Henriques RP. Maxillary third molar position in Class II malocclusions: the effect of treatment with and without maxillary premolar extractions. Eur J Orthod. 2006 Dec;28(6):573-9.

2010 July-Aug;15(4):43-54


A influência do protocolo de extração de dois pré-molares superiores na estabilidade oclusal do tratamento da Classe II

24. Richardson ME. A review of changes in lower arch alignment from seven to fifty years. Semin Orthod. 1999 Sep;5(3):151-9. 25. Sadowsky C, Schneider BJ, BeGole EA, Tahir E. Long-term stability after orthodontic treatment: Nonextraction with prolonged retention. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 1994 Sep;106(3):243-9. 26. Servoss JMA, Vanarsdall RL, Musich DR. Adult orthodontics: diagnosis and treatment. In: Graber TM, Vanarsdall RL. Orthodontics: current principles and techniques. 2nd ed. St. Louis: Mosby Year Book; 1994. p. 824. 27. Simons ME, Joondeph DR. Change in overbite: a ten-year postretention study. Am J Orthod. 1973 Oct;64(4):349-67. 28. Sinclair PM, Little RM. Maturation of untreated normal occlusions. Am J Orthod. 1983 Feb;83(2):114-23. 29. Tweed CH. The application of the principles of the Edgewise arch in the treatment of Class II, division 1 malocclusion: part 2. Angle Orthod. 1936 Oct;6(4):255-7. 30. Uhde MD, Sadowsky C, BeGole EA. Long-term stability of dental relationships after orthodontic treatment. Angle Orthod. 1983 Jul;53(3):240-52.

17. Janson G, Brambilla Ada C, Henriques JFC, Freitas MR, Neves LS. Class II treatment success rate in 2 and 4 premolar extraction protocols. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2004 Apr;125(4):472-9. 18. Kim TW, Little RM. Postretention assessment of deep overbite correction in Class II division 2 malocclusion. Angle Orthod. 1999 Apr;69(2):175-86. 19. Little RM. Stability and relapse of mandibular anterior alignment: University of Washington studies. Semin Orthod. 1999 Sep;5(3):191-204. 20. Little RM, Wallen TR, Riedel RA. Stability and relapse of mandibular anterior alignment-first premolar extraction cases treated by traditional Edgewise orthodontics. Am J Orthod. 1981 Oct;80(4):349-65. 21. Mailankody J. Enigma of Class II molar finishing. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2004 Dec;126(6):A15-6. 22. Mihalik CA, Proffit WR, Phillips C. Long-term follow-up of Class II adults treated with orthodontic camouflage: a comparison with orthognathic surgery outcomes. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2003 Mar;123(3):266-78. 23. Paquette DE, Beattie JR, Johnston LE Jr. A long-term comparison of nonextraction and premolar extraction edgewise therapy in “borderline” Class II patients. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 1992 Jul;102(1):1-14.

Enviado em: abril de 2007 Revisado e aceito: novembro de 2007

Endereço para correspondência Leonardo Tavares Camardella Rua Xavier da Silveira, nº 67 apt. 601 Copacabana CEP: 22.061-010 – Rio de Janeiro / RJ E-mail: leocamardella@globo.com

Dental Press J Orthod

54

2010 July-Aug;15(4):43-54


Artigo Inédito

Síndrome do incisivo central superior solitário: relato de caso Eduardo Machado*, Patricia Machado**, Betina Grehs***, Renésio Armindo Grehs****

Resumo Introdução: a presença de um incisivo central superior solitário é um evento bastante inco-

mum na população. A prevalência da chamada Síndrome do Incisivo Central Superior Solitário (SICSS) é verificada em 1:50.000 nascimentos, sendo registrado um maior acometimento no sexo feminino. Essa alteração no desenvolvimento da oclusão dentária é caracterizada por más formações estruturais, sobretudo na região de linha média do paciente. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado dessa síndrome são de grande importância, pois essa condição talvez seja um indicativo de que o paciente pode apresentar outras más formações congênitas severas, não devendo ser a SICSS considerada uma simples anomalia dentária. Os procedimentos ortodônticos, nesses casos, variam dependendo do grau de comprometimento das estruturas ósseas da maxila, da oclusão em si, e principalmente da sutura palatina mediana. Objetivo: discutir, baseado em evidências científicas, aspectos importantes relacionados à SICSS, bem como apresentar um caso clínico de paciente do sexo feminino com SICSS, que foi submetida a tratamento ortodôntico na Clínica Odontológica Integrada Infantil da Universidade Federal de Santa Maria / RS. Conclusão: pela análise crítica da literatura, verifica-se ser muito importante o diagnóstico correto e precoce acerca dessa síndrome, visto que há possibilidade da mesma estar associada a outros problemas de desenvolvimento. Além disso, o paciente acometido pela SICSS deve ser assistido por uma equipe multidisciplinar de saúde, de forma a otimizar os resultados clínicos e devolver-lhe qualidade de vida. Palavras-chave: Incisivo central superior solitário. Incisivo central maxilar único. SICSS. Ortodontia.

INTRODUÇÃO A ausência congênita de incisivos centrais superiores é uma condição rara, sendo a presença de um incisivo central superior único um quadro também bastante incomum21. A prevalência da chamada Síndrome do Incisivo Central Superior Solitário (SICSS), também conhecida como Síndrome do Incisivo Central Maxilar

Solitário (SICMS), é verificada em 1:50.000 nascimentos, tendo um maior acometimento no sexo feminino. Nessa síndrome, ocorrem defeitos de desenvolvimento devido a fatores desconhecidos no útero materno, durante o 35º ao 38º dia de gestação, sendo caracterizada por más formações estruturais, sobretudo na região de linha média do paciente11,24.

* Especialista em Disfunções Temporomandibulares (DTM) e Dor Orofacial pela UFPR. Graduado em Odontologia pela UFSM. ** Especializanda em Prótese Dentária pela PUCRS. Graduada em Odontologia pela Universidade Federal de Santa Maria/RS (UFSM). *** Mestranda em Ortodontia e Ortopedia Facial pela UNESP/Araraquara. **** Doutor em Ortodontia e Ortopedia Facial pela UNESP/Araraquara. Professor Adjunto dos Cursos de Graduação e Pós-graduação em Odontologia da UFSM.

Dental Press J Orthod

55

2010 July-Aug;15(4):55-61


Síndrome do incisivo central superior solitário: relato de caso

resultados clínicos. Além disso, torna-se importante o atendimento em uma equipe multidisciplinar, envolvendo médicos, geneticistas, fonoaudiólogos e psicólogos, visto que essa anomalia pode estar associada a outros problemas de desenvolvimento e alterações sistêmicas.

com o grau de comprometimento que a mesma acarreta. Procedimentos ortodônticos são extremamente importantes para a devolução da função e estética ao paciente, sendo necessária uma interdisciplinaridade com outras especialidades odontológicas para uma otimização dos

Solitary median maxillary central incisor syndrome: Case report Abstract Introduction: The presence of a single median maxillary central incisor is an uncommon event in the population. The prevalence of the Solitary Median Maxillary Central Incisor (SMMCI) syndrome is about 1:50,000 live births, occurring more in women. This alteration in the development of the dental occlusion is characterized by structural malformations, over all in midline region of the patient. The early diagnosis and the adequate treatment of this syndrome are of great importance, therefore this condition can be an indication that the patient can present other severe congenital malformations, not having to consider the SMMCI a simple dental anomaly. The orthodontic procedures, in these cases, vary depending on the degree of involvement of bone structures of the maxilla, the occlusion in itself, and mainly of the midpalatal suture. Objectives: To discuss, based on scientific evidence, important aspects related to the SMMCI and present a clinical case of female patient with SMMCI, which was submitted to orthodontic treatment in the Children’s Dental Integrated Clinic of the Federal University of Santa Maria - RS/ Brazil. Conclusion: According to the critical analysis of literature, it is very important to correctly early diagnose this condition, since there is the possibility of this syndrome to be associated with other problems of development. Moreover, the patients affected by SMMCI should be attended by a multidisciplinary health team in order to optimize the clinical results and recover the quality of life of these patients. Keywords: Solitary median maxillary central incisor. Single median maxillary central incisor. SMMCI. Orthodontics.

Referências 1. Arlis H, Ward RF. Congenital nasal pyriform aperture stenosis- isolated abnormality vs developmental field defect. Arch Otolaryngol Head Neck Surg. 1992 Sep;118(9):989-91. 2. Aughton DJ, AlSaadi AA, Transue DJ. Single maxillary central incisor in a girl with del(18p) syndrome. J Med Genet. 1991 Aug;28(8):530-2. 3. Becktor KB, Sverrild L, Pallisgaard C, Burhoj J, Kjaer I. Eruption of the central incisor, the intermaxillary suture, and maxillary growth in patients with a single median maxillary central incisor. Acta Odontol Scand. 2001 Dec;59(6):361-6. 4. Brown OE, Manning SC, Myer CM. Congenital nasal pyriform aperture stenosis. Laryngos. 1989 Jan;99(1):86-91. 5. Cho SY, Drummond BK. Solitary median maxillary central incisor and normal stature: a report of three cases. Int J Paediatr Dent. 2006 Mar;16(2):128-34. 6. DiBiase AT, Cobourne MT. Beware the solitary maxillary median central incisor. J Orthod. 2008 Mar;35(1):16-9. 7. Dolan LM, Willson K, Wilson WG. 18p-syndrome with a single central maxillary incisor. J Med Genet. 1981 Oct;18(5):396-8.

Dental Press J Orthod

8. 9.

10. 11.

12.

13.

60

Fulstow ED. The congenital absence of an upper central incisor: report of a case. Br Dent J. 1968 Feb 20;124(4):186-8. Gavelli L, Zanacca C, Caselli G, Banchini G, Dubourg C, David V, et al. Solitary median maxillary central incisor syndrome: clinical case with a novel mutation of sonic hedgehog. Am J Med Genet A. 2004 May 15;127A(1):93-5. Hall RK. Solitary median maxillary central incisor (SMMCI) syndrome. Orphanet J Rare Dis. 2006 Apr 9;1:12. Hall RK, Bankier A, Aldred MJ, Kan K, Lucas JO, Perks AG. Solitary median maxillary central incisor, short stature, choanal atresia/midnasal stenosis (SMMCI) syndrome. Oral Surg Oral Med Oral Pathol Oral Radiol Endod. 1997 Dec;84(6):651-62. Hehr U, Gross C, Diebold U, Wahl D, Beudt U, Heidemann P, et al. Wide phenotypic variability in families with holoprosencephaly and a sonic hedgehog mutation. Eur J Pediatr. 2004 Jul;163(7):347-52. Johnson N, Windrim R, Chong K, Viero S, Thompson M, Blaser S. Prenatal diagnosis of solitary median maxillary central incisor syndrome by magnetic resonance imaging. Ultrasound Obstet Gynecol. 2008 Jul;32(1):120-2.

2010 July-Aug;15(4):55-61


Machado E, Machado P, Grehs B, Grehs RA

14. Kjaer I, Becktor KB, Russell B. Single median maxillary central incisor, SMMCI. Pathogenesis and phenotypic characteristics. In: IADR/AADR/CADR 82nd General Session; 2004 March 10-13; Hawaii: International Association for Dental Research; 2004. abstract 2639. [cited 2010 June 12]. Available from: http://iadr. confex.com/iadr/2004Hawaii/techprogram/abstract_43524.htm. 15. Kjaer I, Becktor KB, Lisson J, Gormsen C, Russell BG. Face, palate, and craniofacial morphology in patients with a solitary median maxillary central incisor. Eur J Orthod. 2001 Feb; 23(1):63-73. 16. Levison J, Neas K, Wilson M, Cooper P, Wojtulewicz J. Neonatal nasal obstruction and a single maxillary central incisor. J Paediatr Child Health. 2005 Jul;41(7):380-1. 17. Lo FS, Lee YJ, Lin SP, Shen EY, Huang JK, Lee KS. Solitary maxillary central incisor and congenital nasal pyriform aperture stenosis. Eur J Pediatr. 1998 Jan;157(1):39-44. 18. Masuno M, Fukushima Y, Sugio Y, Ikeda M, Kuroki Y. Two unrelated cases of single maxillary incisor with 7q terminal deletion. Jinrui Idengaku Zasshi. 1990 Dec;35(4):311-7. 19. Nanni L, Ming JE, Du Y, Hall RK, Aldred M, Bankier A, et al. SHH mutation is associated with solitary median maxillary central incisor: a study of 13 patients and review of the literature. Am J Med Genet. 2001 Jul 22;102(1):1-10. 20. Nieuwenhuis E, Hui CC. Hedgehog signaling and congenital malformations. Clin Genet. 2005 Mar;67(3):193-208.

21. Nordgarden H, Jensen JL, Storhaug K. Reported prevalence of congenitally missing teeth in two Norwegian counties. Community Dent Health. 2002 Dec;19(4):258-61. 22. Rappaport EB, Ulstrom RA, Gorlin R, Lucky AW, Colle E, Miser J. Solitary maxillary central incisor and short stature. Pediatr. 1977 Dec;9(6):924-8. 23. Scott DC. Absence of upper central incisors. Br Dent J. 1958; 104:247-8. 24. Simon AR, Roberts MW. Solitary incisor syndrome and holoprosencephaly. J Clin Pediatr Dent. 1993;17(3):175-7. 25. Tabatabaie F, Sonnesen L, Kjaer I. The neurocranial and craniofacial morphology in children with solitary median maxillary central incisor (SMMCI). Orthod Craniofac Res. 2008 May;11(2):96-104. 26. Tubbs RS, Oakes WJ. Lumbosacral agenesis and anteroposterior split cord malformation in a patient with single central maxillary incisor: case report and review of the literature. J Child Neurol. 2004 Jul;19(7):544-7. 27. Wesley RK, Hoffman WH, Perrin J, Delaney JR Jr. Solitary maxillary central incisor and normal stature. Oral Surg Oral Med Oral Pathol. 1978 Dec;46(6):837-42. 28. Yassin OM, El-Tal YM. Solitary maxillary central incisor in the midline associated with systemic disorders. Oral Surg Oral Med Oral Pathol Oral Radiol Endod. 1998 May;85(5):548-51.

Enviado em: agosto de 2008 Revisado e aceito: outubro de 2008

Endereço para correspondência Eduardo Machado Rua Francisco Trevisan, nº 20, Bairro Nossa Sra. de Lourdes CEP: 97.050-230 - Santa Maria / RS E-mail: machado.rs@bol.com.br

Dental Press J Orthod

61

2010 July-Aug;15(4):55-61


Artigo Inédito

Avaliação da atividade antimicrobiana de adesivo ortodôntico associado a verniz de clorexidina e timol na colagem de braquetes Carolina Freire de Carvalho Calabrich*, Marcelo de Castellucci e Barbosa**, Maria Regina Lorenzetti Simionato***, Rogério Frederico Alves Ferreira****

Resumo Objetivo: avaliar a atividade antimicrobiana da associação de um adesivo ortodôntico com um verniz de clorexidina e timol. Métodos: foram utilizados 32 pré-molares humanos divi-

didos em 4 grupos. O grupo 1 consistiu do grupo controle, no qual o adesivo utilizado para a colagem do braquete não estava associado a nenhum agente antimicrobiano. Os grupos 2, 3 e 4 foram colados com um sistema adesivo associado a um verniz de clorexidina e timol. Os grupos 3 e 4 foram armazenados em água por 7 dias e 30 dias, respectivamente, enquanto os corpos de prova do grupo 2 foram, logo depois da colagem, colocados em ágar semeado com Streptococcus mutans por 48h a 37ºC. Resultados: os grupos experimentais, com exceção do grupo controle, apresentaram atividade antimicrobiana com tendência de redução do seu potencial de ação com maior tempo de imersão em água. Conclusão: a associação do verniz de clorexidina a um sistema adesivo utilizado em Ortodontia apresenta-se vantajosa pela sua atividade antimicrobiana. Palavras-chave: Clorexidina. Adesivos. Agentes antimicrobianos.

INTRODUÇÃO Atualmente, a utilização de aparelhos ortodônticos fixos está bastante difundida. Contudo, esses aparelhos associam-se a dificuldades de higienização. Durante a terapêutica, são criadas áreas retentivas que favorecem o acúmulo de biofilme e o crescimento bacteriano. Uma das grandes dificuldades evidenciadas na Ortodontia tem sido a manutenção de uma correta higienização bucal durante o tratamento. A presença de braquetes, bandas e demais acessórios funciona como retentores adicionais de biofilme dentário, podendo

levar a gengivites e desmineralizações do esmalte, causando manchas brancas e cáries dentárias8. Estudos microbiológicos têm determinado que, após a colocação do aparelho ortodôntico fixo, ocorrem aumentos significativos do número de bactérias, principalmente lactobacilos e estreptococos, sujeitando o ambiente bucal a um desequilíbrio e possibilitando o aparecimento de doenças. Embora o biofilme dentário seja constituído por numerosas espécies de bactérias, acredita-se no envolvimento do Streptococcus mutans no desenvolvimento inicial das lesões de cárie20.

* Pós-graduada pelo Centro de Ortodontia e Ortopedia Facial Prof. José Édimo Soares Martins - UFBA. ** Mestre em Clínica Odontológica pela UFBA. Professor do Curso de Especialização em Ortodontia da UFBA. *** Professora do Departamento de Microbiologia Oral da USP. **** Mestre em Ortodontia pela UNICAMP. Professor Adjunto da Disciplina de Ortodontia da UFBA.

Dental Press J Orthod

62

2010 July-Aug;15(4):62-8


Calabrich CFC, Castellucci e Barbosa M, Simionato MRL, Ferreira RFA

para utilização em Ortodontia. Karaman e Uysal15 concordaram, afirmando que a resistência ao cisalhamento tornou-se clinicamente aceitável quando o verniz foi misturado ao adesivo na proporção de 2:1, respectivamente. Ribeiro23 e Martinez18, após avaliarem a resistência adesiva de sistemas de colagem cujos adesivos foram pré-misturados ao verniz de clorexidina Cervitec, concluíram que não houve alteração estatisticamente significativa da resistência adesiva em comparação ao adesivo sozinho. Maior número de estudos é necessário para avaliar a resistência mecânica após a liberação da clorexidina, a estabilidade de cor, compatibilidade celular e tissular local e sistêmica para a utilização da associação adesivo/verniz na prática clínica diária.

não foi estocado em momento algum em água, em comparação ao grupo estocado por sete dias. Foi relatado que a imersão em água nas três primeiras horas faz com que 50% dos componentes da resina sejam liberados27. Não é possível afirmar por quanto tempo o sistema apresentará atividade antimicrobiana, principalmente em meio bucal. Percebe-se, contudo, que se trata de uma associação cujos efeitos antimicrobianos apresentam uma tendência à redução, provavelmente sendo uma fonte esgotável de clorexidina. Logo, esses benefícios não duram por todo o tratamento ortodôntico e podem haver modificações nas propriedades mecânicas após a liberação da substância. Entretanto, é provável que essa atividade abranja o período mais crítico de acúmulo de biofilme e de maiores dificuldades na realização de uma higienização bucal adequada, que corresponde à época de instalação do aparelho fixo e os quatro meses que a seguem20, justificando assim seus benefícios. Damon et al.7 e Bishara et al.1 concluíram que a associação de verniz de clorexidina prémisturado a adesivos ortodônticos, aplicado ao esmalte condicionado e fotopolimerizado, resultou em resistência ao cisalhamento satisfatória

CONCLUSÃO A partir desse estudo, é possível concluir que a associação de verniz de clorexidina a um adesivo ortodôntico apresenta atividade antimicrobiana, in vitro, mesmo após a imersão do conjunto em água por sete ou trinta dias, sendo possível perceber uma tendência de redução da ação antimicrobiana com o aumento do tempo de imersão em meio aquoso.

Evaluation of antimicrobial activity of orthodontic adhesive associated with chlorhexidine-thymol varnish in bracket bonding Abstract Objective: To assess the antimicrobial activity resulting from the association of an orthodontic adhesive with chlorhexidine-thymol varnish. Methods: Thirty-two extracted human premolars were used, divided into four groups. In Group 1, the control group, the adhesive used to bond the bracket was not associated with any antimicrobial agent. Groups 2, 3 and 4 were bonded with an adhesive system associated with chlorhexidine-thymol varnish. Groups 3 and 4 were stored in water for 7 days and 30 days, respectively, while the specimens from group 2 were, soon after bonding, placed on agar seeded with Streptococcus mutans for 48 hours, at 37º C. Results: The experimental groups, with the exception of the control group, showed antimicrobial activity whose action tended to decline commensurately with the amount of time that they remained immersed in water. Conclusions: The association of chlorhexidine-thymol varnish with an adhesive system used in orthodontics proved to be advantageous due to its antimicrobial activity. Keywords: Chlorhexidine. Adhesives. Antimicrobial agents.

Dental Press J Orthod

67

2010 July-Aug;15(4):62-8


Avaliação da atividade antimicrobiana de adesivo ortodôntico associado a verniz de clorexidina e timol na colagem de braquetes

Referências 1. 2. 3. 4. 5.

6.

7. 8.

9. 10. 11. 12. 13. 14. 15. 16.

17. Korbmacher HM, Huck L, Kahl-Nieke B. Fluoride-releasing and antimicrobial self-etching primer effects on the shear bond strength of orthodontic brackets. Angle Orthod. 2006 Sep;76(5):845-50. 18. Martinez TP. Avaliação da resistência ao cisalhamento de bráquetes, colados com sistemas adesivos associados a diferentes agentes antimicrobianos. [dissertação]. Salvador (BA).Faculdade de Odontologia, Universidade Federal da Bahia; 2006. 19. Pedrini D, Gaetti-Jardim E Jr, Vasconcelos AC. Retention of oral microorganisms on conventional and resin-modified glass-ionomer cements. Pesqui Odontol Bras. 2001 julset;15(3):196-200. 20. Petersson LG, Maki Y, Twetman S, Edwardsson S. Mutans streptococci in saliva and interdental spaces after topical applications of an antibacterial varnish in school children. Oral Microbiol Immunol. 1991 Oct;6(5):284-7. 21. Rawls HR. Preventive dental materials: sustained delivery of fluoride and other therapeutic agents. Adv Dent Res. 1991 Dec;5:50-5. 22. Ribeiro J, Ericson D. In vitro antibacterial effect of chlorhexidine added to glass-ionomer cements. Scand J Dent Res. 1991 Dec;99(6):533-40. 23. Ribeiro JLO. Avaliação da resistência adesiva e da atividade antimicrobiana de diferentes sistemas de colagem de bráquetes associados à clorexidina e ao flúor. [dissertação]. Salvador (BA): Universidade Federal da Bahia; 2006. 24. van Rijkom HM, Truin GJ, van ‘t Hof MA. A meta-analysis of clinical studies on the caries-inhibiting effect of chlorhexidine treatment. J Dent Res. 1996 Feb;75(2):790-5. 25. Rosa OPS, Rocha RSS. Clorexidina e cárie dentária. CECADE News. 1993 jan-ago;1(1/2):1-24. 26. Schmidlin OA, Zehnder M, Schmidlin PR. Effectiveness of dentine bonding agents against cariogenic bacteria in vitro: a comparison of two methods. Oral Microbiol Immunol. 2003 Jun;18(3):140-3. 27. Tanaka K, Taira M, Shintani H, Wakasa K, Yamaki M. Residual monomers (TEGDMA and Bis-GMA) of a set visible-lightcured dental composite resin when immersed in water. J Oral Rehabil. 1991 Jul;18(4):353-62. 28. Thompson LR, Miller EG, Bowles WH. Leaching of unpolymerized materials from orthodontic bonding resin. J Dent Res. 1982 Aug;61(8):989-92. 29. Tobias RS. Antibacterial properties of dental restorative materials: a review. Int Endod J. 1988 Mar;21(2):155-60. 30. Zimmer BW, Rottwinkel Y. Assessing patient-specific decalcification risk in fixed orthodontic treatment and its impact on prophylactic procedures. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2004 Sep;126(3):318-24.

Bishara SE, Vonwald L, Zamtua J, Damon PL. Effects of various methods of chlorhexidine application on shear bond strength. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 1998 Aug;114(2):150-3. Bishara SE, Damon PL, Olsen ME, Jakobsen JR. Effect of applying chlorhexidine antibacterial agent on the shear bond strength of orthodontic brackets. Angle Orthod. 1996;66(4):313-6. Bowen WH. Wither or whither caries research? Caries Res. 1999;33(1):1-3. Chan DC, Swift EJ Jr, Bishara SE. In vitro evaluation of a fluoride-releasing orthodontic resin. J Dent Res. 1990 Sep;69(9):1576-9. Cleghorn B, Bowden GH. The effect of pH on the sensitivity of species of Lactobacillus to chlorhexidine and the antibiotics minocycline and spiramycin. J Dent Res. 1989 Jul;68(7):1146-50. Couto MP Jr, Nagem H Filho, Nagem HD, Couto MGP. Determinação da taxa de flúor liberado por cinco resinas compostas. Rev Facul Odontol Bauru. 2000 janjun;8(1/2):65-69. Damon PL, Bishara SE, Olsen ME, Jakobsen JR. Bond strength following the application of chlorhexidine on etched enamel. Angle Orthod. 1997;67(3):169-72. Derks A, Katsaros C, Frencken JE, van’t Hof MA, KuijpersJagtman AM. Caries-inhibiting effect of preventive measures during orthodontic treatment with fixed appliances. Caries Res. 2004 Sep-Oct;38(5):413-20. Ebi N, Imazato S, Noiri Y, Ebisu S. Inhibitory effects of resin composite containing bactericide-immobilized filler on plaque accumulation. Dent Mater. 2001 Nov;17(6):485-91. Ehara A, Torii M, Imazato S, Ebisu S. Antibacterial activities and release kinetics of a newly developed recoverable controlled agent-release system. J Dent Res. 2000 Mar;79(3):824-8. Estrela C, Estrela CRA, Moura J, Bammann LL. Testing calcium hydroxide antimicrobial potential by different methods. J Dent Res. 2000;79:529 (IADR Abstract 3081). Ferracane JL, Condon JR. Rate of elution of leachable components from composite. Dent Mater. 1990 Oct;6(4):282-7. Hahn R, Weiger R, Netuschil L, Brüch M. Microbial accumulation and vitality on different restorative materials. Dent Mater. 1993 Sep;9(5):312-6. Herrera M, Carrión P, Bravo M, Castillo A. Antibacterial activity of four dentin bonding systems. Int J Antimicrob Agents. 2000 Aug;15(4):305-9. Karaman AI, Uysal T. Effectiveness of a hydrophilic primer when different antimicrobial agents are mixed. Angle Orthod. 2004 Jun;74(3):414-9. Karanika-Kouma A, Dionysopoulos P, Koliniotou-Koubia E, Kolokotronis A. Antibacterial properties of dentin bonding systems, polyacid-modified composite resins and composite resins. J Oral Rehabil. 2001 Feb;28(2):157-60.

Enviado em: agosto de 2008 Revisado e aceito: novembro de 2008

Endereço para correspondência Carolina Freire de Carvalho Calabrich Av. Araújo Pinho, nº 62, 7º andar, Canela CEP: 40.110-912 – Salvador/BA E-mail: carolinacalabrich@yahoo.com.br

Dental Press J Orthod

68

2010 July-Aug;15(4):62-8


Artigo Inédito

Comparação de duas técnicas radiográficas extrabucais utilizadas para avaliação do espaço aéreo nasofaringeano Mariana de Aguiar Bulhões Galvão*, Marco Antonio de Oliveira Almeida**

Resumo Objetivo: esta pesquisa teve por objetivo comparar a utilização da radiografia cefalométrica de perfil e da radiografia de cavum na avaliação do espaço aéreo nasofaringeano. Métodos: o

estudo foi realizado em 2005 na cidade de Recife/PE, com um grupo de 36 crianças portadoras de respiração bucal, com idades variando de 5 a 12 anos. As crianças selecionadas foram divididas em 6 grupos e, em cada grupo, as tomadas radiográficas foram realizadas em um mesmo dia. A amostra constou de 72 radiografias, 36 cefalométricas de perfil e 36 de cavum. O laudo radiográfico foi baseado no método de Schulhof e, no final do laudo, foi emitido um Índice que representava uma síntese de todas as medidas avaliadas. Resultados: os resultados foram comparados estatisticamente através do teste t de Student pareado, do teste qui-quadrado (X2), do coeficiente de correlação linear de Pearson e do índice Kappa. Apenas na porcentagem da via aérea foi encontrada diferença estatisticamente significativa (p = 0,006). Um alto grau de correlação foi verificado em todas as medidas avaliadas e o grau de concordância dos valores obtidos no Índice foi considerado bom. Conclusão: concluiu-se que a radiografia cefalométrica de perfil e a radiografia de cavum podem ser utilizadas para a análise do espaço aéreo nasofaringeano. Palavras-chave: Adenoides. Nasofaringe. Radiografia.

INTRODUÇÃO A hipertrofia da adenoide é muito comum em crianças e ocorre, geralmente, entre os 2 e os 12 anos de idade, reduzindo ou impossibilitando a respiração nasal11,14. Esse problema tem sido associado a várias enfermidades, como otites médias recorrentes, otites médias secretoras, aumento dos cornetos, desvio do septo nasal, síndrome da apneia obstrutiva do sono e infecções faríngeas crônicas de repetição8,11.

Também existe uma associação entre a respiração bucal e o crescimento e desenvolvimento craniofacial. Apesar de não estar definido se é a obstrução da via aérea superior que produz deformidades dentofaciais ou se são tais deformidades que levam a deficiências das vias aéreas, o diagnóstico adequado da coexistência dessas anormalidades faz-se necessário, principalmente para permitir a determinação de um bom plano de tratamento da deformidade craniofacial.

* Especialista em Ortodontia pela FOP-UPE. Mestre em Ortodontia pela UERJ. ** Professor Titular de Ortodontia da FO/UERJ. Mestre em Ortodontia pela UFRJ e Livre-docente pela UERJ.

Dental Press J Orthod

69

2010 July-Aug;15(4):69-76


Galvão MAB, Almeida MAO

Entretanto, nas demais medidas (variáveis lineares D-AD1:ENP, D-AD2:ENP e D-VPT:AD) e no Índice não existiram diferenças estatisticamente significativas entre as duas técnicas radiográficas. 2. Em todas as variáveis analisadas no estudo radiográfico do espaço aéreo nasofaringeano, foi verificado alto grau de correlação nas radiografias cefalométrica de perfil e de cavum, demonstrando uma equivalência entre as duas formas radiográficas. 3. Para a análise do espaço aéreo nasofaringeano, a radiografia cefalométrica de perfil ou a radiografia de cavum supririam as necessidades tanto dos ortodontistas quanto dos otorrinolaringologistas.

simplicidade da técnica, ao baixo custo e à disponibilidade no mercado1,2. Uma vez que não foi encontrado, na literatura consultada, nenhum trabalho comparando as duas técnicas aqui utilizadas, é necessário que novos trabalhos sejam realizados através do método proposto por Schullof22, ou por outros métodos de mensuração do espaço aéreo nasofaringeano, para serem comparados com os resultados encontrados na presente pesquisa. CONCLUSÃO Com base nos resultados do presente trabalho, pode-se concluir que: 1. Os dados obtidos na análise do espaço nasofaringeano em radiografias cefalométrica de perfil e de cavum apresentaram diferenças estatisticamente significativas apenas em relação à porcentagem da via aérea ocupada pelo tecido adenoideano.

AGRADECIMENTOS À médica Dra. Tatiana de Aguiar Bulhões e aos centros de pesquisa do Ortogeo, do Hospital da Restauração e da Radioface, que ajudaram na realização deste trabalho.

Comparison of two extraoral radiographic techniques used for nasopharyngeal airway space evaluation Abstract Objectives: The goal of this research was to compare lateral cephalometric radiography and cavum radiography in nasopharyngeal airway space evaluation. Methods: The sample of this study consisted of 36 Brazilian mouth breathing children, no racial distinction, with ages ranging from 5 to 12. These children were selected in Recife/ PE, Brazil (2005) and divided into 6 groups. In each group, the radiographs were taken on the same day. The sample was composed of 72 radiographs, 36 lateral cephalometric and 36 cavum. Results: The results were based on the Schulhof method and, at the end, an Index representing a summary of all measurements taken was calculated. Student paired t-test, chi-square, Pearson correlation and Kappa index scores were calculated to analyze the results. Only the values of the Airway Occupation Percentage were significantly different (p = 0.006) among the analyzed radiographs. A high degree of correlation was found for all measurements, including the Index values. Conclusions: It can be concluded that, both the lateral cephalometric radiography and the cavum radiography can be used for nasopharyngeal airway space evaluation. Keywords: Adenoids. Nasopharynx. Radiography.

Dental Press J Orthod

75

2010 July-Aug;15(4):69-76


Comparação de duas técnicas radiográficas extrabucais utilizadas para avaliação do espaço aéreo nasofaringeano

Referências 1.

2. 3. 4. 5. 6. 7.

8. 9.

10. 11. 12.

13.

14. Linder-Aronson S. Adenoids: their effect on mode of breathing and nasal airflow and their relationship to characteristics of the facial skeleton and dentition. Acta Otolaryngol Suppl. 1970;265:1-132. 15. Linder-Aronson S, Henrikson CO. Radiocephalometric analysis of anteroposterior nasopharyngeal dimensions in 6 to 12 yearold mouth breathers compared with nose breathers. ORL J Otorhinolaryngol Relat Spec. 1973;35(1):19-29. 16. Malkoc S, Sari Z, Usumez S, Koyuturk AE. The effect of head rotation on cephalometric radiographs. Eur J Orthod. 2005 Jun;27(3):315-21. 17. Mocellin M, Faria JG. Respirador bucal. In: Sih T. Otorrinolaringologia pediátrica. Rio de Janeiro: Revinter; 1998. cap.54, p.290-4. 18. Monteiro ECM, Pilon RR, Dall’Oglio GP. Estudo da hipertrofia adenoideana: endoscopia x radiografia de nasofaringe. Rev Bras Otorrinolaringol. 2000 jan-fev;66(1):9-12. 19. Oliveira RC, Anselmo-Lima WT, Souza BB. A importância da nasofibroscopia na presença do RX Cavum normal para diagnóstico da hiperplasia adenoideana. Rev Bras Otorrinolaringol. 2001 jul-ago;67(4):499-505. 20. Paradise JL, Bernard BS, Colborn DK, Janosky JE. Assessment of adenoidal obstruction in children: clinical signs versus roentgenographic findings. Pediatrics. 1998 Jun;101(6):979-86. 21. Ricketts RM. The cranial base and soft structures in cleft palate speech and breathing. Plast Reconstr Surg (1946). 1954 Jul;14(1):47-61. 22. Schulhof RJ. Consideración de la vía aérea en Ortodoncia. In: Ricketts RM, Berch RW, Gugino CF, Hilgers J, Schulhof RJ. Técnica bioprogressiva de Ricketts. 2ª ed. Buenos Aires: Panamericana; 1998. cap. 2, p. 360-4. 23. Sorensen H, Solow B, Greve E. Assessment of the nasopharyngeal airway. A rhinomanometric and radiographic study in children with adenoids. Acta Otolaryngol. 1980 MarApr;89(3-4):227-32. 24. Subtelny JD. The significance of adenoid tissue in orthodontia. Angle Orthod. 1954 Apr;24(2):59-69. 25. Vasconcelos OV, Souza VB, Agneta K, Ianni D Filho, Monteiro AA, Koch HA. Evaluation of the nasopharyngeal free airway space based on lateral cephalometric radiographs and endoscopy. Orthodontics. 2004;1(3):215-23.

Araújo SA Neto, Queiroz SM, Baracat ECE, Pereira IMR. Avaliação radiográfica da adenóide em crianças: métodos de mensuração e parâmetros da normalidade. Radiol Bras. 2004; 37(6):445-8. Battagel JM, Johal A, Kotecha B. A cephalometric comparison of subjects with snoring and obstructive sleep apnoea. Eur J Orthod. 2000 Aug;22(4):353-65. Bontrager KL. Crânio e ossos do crânio. In: Bontrager KL. Tratado de técnica radiológica e base anatômica. 5ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2003. cap.12, p.353-376. Broadbent BH. A new X-ray technique and its application to orthodontia. Angle Orthod. 1931 Apr;1(2):45-66. Cohen D, Konak S. The evaluation of radiographs of the nasopharynx. Clin Otolaryngol Allied Sci. 1985 Apr;10(2):73-8. Cohen LM, Koltai PJ, Scott JR. Lateral cervical radiographs and adenoid size: do they correlate? Ear Nose Throat J. 1992 Dec;71(12):638-42. Dunn GF, Green LJ, Cunat JJ. Relationships between variation of mandibular morphology and variation of nasopharyngeal airway size in monozygotic twins. Angle Orthod. 1973 Apr;43(2):129-35. Slie RD, Massler M, Zwemer JD. Mouth breathing: etiology and effects (a review). J Am Dent Assoc. 1952 May;44(5):506-21. Gonçalves M, Haiter F Neto, Gonçalves A, Almeida SM. Avaliação radiográfica da cavidade nasofaríngea em indivíduos com idades entre quatro e dezoito anos. Rev Odontol Univ São Paulo. 1996 jan-mar;10(1):1-7. Handelman CS, Osborne G. Growth of the nasopharynx and adenoid development from one to eighteen years. Angle Orthod. 1976 July;46(3):243-59. Hungria H. Otorrinolaringologia. 8ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2000. cap. 19, p. 167-70. Ianni D Filho, Bertolini MM, Lopes ML. Hipertrofia das adenóides e espaço aéreo nasofaringeano livre: estudo comparativo entre telerradiografia cefalométrica lateral e videoendoscopia nasofaringeana. Rev Soc Bras Ortod. 2005 jul-dez;5(1):29-37. Landis JR, Koch GG. The measurement of observer agreement for categorical data. Biometrics. 1977 Mar;33(1):159-74.

Enviado em: dezembro de 2006 Revisado e aceito: janeiro de 2007

Endereço para correspondência Mariana de Aguiar Bulhões Galvão Av. Dr. Alberto Benedetti, 348, sala 01, Vila Assunção CEP: 09.030-340 – Santo André / SP E-mail: mabgalvao@gmail.com

Dental Press J Orthod

76

2010 July-Aug;15(4):69-76


Artigo Inédito

Hiperatividade condilar: diagnóstico e tratamento - relatos de casos Maria Christina Thomé Pacheco*, Robson Almeida de Rezende**, Rossiene Motta Bertollo***, Gabriela Mayrink Gonçalves****, Anita Sanches Matos Santos****

Resumo Introdução: a hiperatividade condilar é uma condição causada por um desequilíbrio nos fatores de crescimento ósseo, gerando assimetrias faciais. Pode ser classificada em três tipos diferentes: hiperplasia hemimandibular (HH), alongamento hemimandibular (AH) e uma forma híbrida. O diagnóstico correto dessas hiperatividades é imprescindível, pois a abordagem é diferente para cada tipo de anomalia, tendo como opções o tratamento ortocirúrgico e a condilectomia alta. Objetivo: o objetivo desse artigo é, por meio de dois casos clínicos de assimetria facial causada por hiperatividade condilar, mostrar a importância de um correto diagnóstico e os meios utilizados para a obtenção do mesmo, visando um tratamento adequado para cada caso. Palavras-chave: Anomalias maxilomandibulares. Assimetria facial. Hiperplasia condilar.

INTRODUÇÃO As assimetrias esqueléticas de mandíbula causadas pela hiperatividade condilar são condições que podem gerar grandes problemas funcionais, estéticos e psicossociais ao paciente. Sua etiologia ainda é desconhecida, apesar de alguns autores acreditarem que podem ser causadas por trauma, inflamação, hipervascularização, influência genética e distúrbio hormonal4,7,11,13. Apresentam diversas classificações, desde as relacionadas à etiologia até as que as dividem de acordo com os fatores de crescimento envolvidos no desenvolvimento dessas anomalias. Dessa forma, podem ser assimetrias adquiridas ou de desenvolvimento, apresentando características diferentes para cada situação, o que auxilia no diagnóstico diferencial. Nas assimetrias adquiridas, nota-se: dor; alterações

nos sintomas, no aspecto facial e na função com o decorrer do tempo; os músculos faciais mantêm seu volume inalterado; há crepitação na ATM; limitação dos movimentos mandibulares (rotação, protrusão e abertura bucal); mordida cruzada severa e anatomia irregular do côndilo. Nas alterações de desenvolvimento não há dor, os sintomas normalmente permanecem inalterados no decorrer do tempo, podem ocorrer alterações no tamanho ou função dos músculos faciais, não há alteração funcional na ATM, pode haver limitação da protrusão sem limitação do movimento de rotação mandibular, compensação dentária acentuada na mandíbula assimétrica, e o côndilo permanece acentuado e liso, mesmo diante de alterações volumétricas15. Segundo Obwegeser e Makek13, essas hiperatividades podem ser classificadas em três tipos

* Doutora em Ortodontia pela UFRJ. Professora da Disciplina de Ortodontia da Universidade Federal do Espírito Santo. ** Mestre em Cirurgia Bucomaxilofacial pela PUC-RS. Professor da Disciplina de Cirurgia Bucomaxilofacial I e Prótese e Traumatologia Bucomaxilofacial da Universidade Federal do Espírito Santo. *** Doutora em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial pela PUC-RS. Professora Substituta da Disciplina de Cirurgia Bucomaxilofacial II da Universidade Federal do Espírito Santo. **** Graduação em Odontologia pela Universidade Federal do Espírito Santo.

Dental Press J Orthod

77

2010 July-Aug;15(4):77-83


Pacheco MCT, Rezende RA, Bertollo RM, Gonçalves GM, Santos ASM

radiografias, tomografias computadorizadas com reconstrução tridimensional e cintilografias ósseas. Após estabelecer o diagnóstico, a elaboração de um tratamento adequado deve levar em consideração a idade do paciente, a velocidade de desenvolvimento da deformidade, se a hiperatividade está presente ou não, a severidade da assimetria e a limitação de função e, a partir daí, escolher o melhor procedimento a ser realizado.

CONCLUSÃO Assimetrias faciais causadas por hiperatividade condilar podem gerar grandes transtornos ao paciente. Um diagnóstico precoce e o estabelecimento de uma correta terapêutica são de extrema importância para se evitar o desenvolvimento de deformidades secundárias, o que tornaria o tratamento mais complexo. Sendo assim, deve-se lançar mão de um correto exame clínico e de exames complementares como

Condylar hyperactivity: Diagnosis and treatment - case reports Abstract Introduction: Condylar hyperactivity is a condition triggered by an imbalance in bone growth factors, which causes facial asymmetry. It can be classified into three different types: hemimandibular hyperplasia (HH), hemimandibular elongation (HE) and a hybrid form. It is essential that a correct diagnosis of these hyperactivities be reached since each type of anomaly requires a different approach. Treatment options include surgery and high condylectomy. Objectives: The purpose of this article is to present two cases of facial asymmetry caused by condylar hyperactivity, showing the importance of an accurate diagnosis and the means used to achieve it while seeking an appropriate treatment for each case. Keywords: Maxillomandibular anomalies. Facial asymmetry. Condylar hyperplasia.

Referências 1.

Araújo A, Gabrielli MFR, Medeiros PJ. Aspectos atuais da cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial. São Paulo: Ed. Santos; 2007. 2. Bertolini F, Bianchi B, De Riu G, Di Blasio A, Sesenna E. Hemimandibular hyperlasia treated by early condylectomy: a case report. Int J Adult Orthodon Orthognath Surg. 2001 Fall;16(3):227-34. 3. Bittencourt LP. Verificação da condição condilar em pacientes com padrão esquelético classe III por intermédio da cintilografia óssea. Radiol Bras. 2005;38(4):273-7. 4. Cervelli V, Bottini DJ, Arpino A, Trimarco A, Cervelli G, Mugnaini F. Hypercondylia: problems in diagnosis and therapeutic indications. J Craniofac Surg. 2008 Mar;19(2):406-10. 5. Delaire J. Le traitement des hypercondyles mandibuilares (plaidoyer pour la condylectomie). Actual Odontostomatol. 1977;117:29-45. 6. Silva EDO, Laureano JR Filho, Rocha NS, Annes PMR, Tavares PO. Tratamento cirúrgico de assimetria mandibular: relato de caso clínico. Rev Cirur Traumatol Buco-Maxilo-Facial. 2004 janmar;4(1):23-9. 7. Egyedi P. Aetiology of condylar hyperplasia. Aust Dent J. 1969 Feb;14(1):12-7. 8. Faber J, Berto PM, Anchieta M, Salles F. Tratamento de mordida aberta anterior com ancoragem em miniplacas de titânio. Rev Dental Press Estét. 2004 out-dez;1(1):87-100. 9. Joondeph DR. Mysteries of asymmetries. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2000 May;117(5):577-9. 10. Moyers RE. Ortodontia. 4ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 1991.

Dental Press J Orthod

11. Muñoz MF, Monje F, Goizueta C, Rodríguez-Campo F. Active condylar hyperplasia treated by high condylectomy: report of a case. J Oral Maxillofac Surg. 1999 Dec;57(12):1455-9. 12. Obwegeser HL. Hemimandibular hyperplasia. In: Obwegeser HL. Mandibular growth anomalies. Berlin: Springer-Verlag; 2001. p. 145-98. 13. Obwegeser HL, Makek MS. Hemimandibular hyperplasia-hemimandibular elongation. J Maxillofac Surg. 1986 Aug;14(4):183-208. 14. Paulsen HU, Rabol A, Sorensen SS. Bone scintigraphy of human temporomandibular joints during Herbst treatment: a case report. Eur J Orthod. 1998 Aug;20(4):369-74. 15. Ross RB. Developmental anomalies of the temporomandibular Joint. J Orofac Pain. 1999 Fall;13(4):262-72. 16. Sakar O, Sanli Y, Marsan G. Prosthodontic treatment of a patient with hemimandibular elongation: a clinical report. J Prosthet Dent. 2006 Sep;96(3):150-3. 17. Umemori M, Sugawara J, Mitani H, Nagasaka H, Kawamura H. Skeletal anchorage system for open-bite correction. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 1999 Feb;115(2):166-74. Enviado em: agosto de 2008 Revisado e aceito: junho de 2009

Endereço para correspondência Anita Sanches Matos Santos Rua Tupinambás, 255, ap. 401 – Jardim da Penha CEP: 29.060-810 – Vitória/ES E-mail: anitasms@gmail.com

83

2010 July-Aug;15(4):77-83


Artigo Inédito

Comparação das dimensões de tecido mole entre padrões faciais distintos Murilo Fernando Neuppmann Feres*, Silvia Fernandes Hitos**, Helder Inocêncio Paulo de Sousa***, Mirian Aiko Nakane Matsumoto****

Resumo Objetivo: o presente estudo destinou-se a comparar a morfologia tegumentar de indivíduos segundo a tipologia facial. Métodos: foram utilizadas 90 telerradiografias de pacientes de ambos

os sexos, de 12 a 16 anos de idade, divididas em três grupos distintos, referentes a cada padrão morfológico: mesofacial, dolicofacial e braquifacial. Os grupos foram comparados no que se refere às medidas de espessura e altura do lábio superior e inferior, além da espessura do mento mole. Ainda, foi apurada a presença de correlações entre as variáveis de tecido mole avaliadas e medidas cefalométricas de natureza dentária e esquelética. Resultados e Conclusões: os lábios superiores e inferiores, assim como o mento mole, não apresentaram diferenças em relação às suas espessuras em todos os grupos morfológicos. Porém, as alturas do lábio superior e inferior foram significativamente maiores para os dolicofaciais quando esses foram comparados aos demais grupos. Braquifaciais apresentaram menor altura do lábio superior quando comparados aos mesofaciais, embora ambos não tenham se diferenciado significativamente no que se refere à altura do lábio inferior. A análise das correlações estabelecidas entre as variáveis dos tecidos moles e duros indicou evidências de um desenvolvimento vertical dos lábios superior e inferior em acompanhamento ao desenvolvimento vertical do esqueleto. O posicionamento vertical do incisivo superior se correlacionou significativamente aos mesmos parâmetros labiais, o que garantiu um nível de exposição semelhante desse elemento dentário em todos os grupos. Palavras-chave: Padrão vertical. Cefalometria. Lábio. Mento.

INTRODUÇÃO A literatura ortodôntica frequentemente descreve e classifica os diferentes tipos faciais conforme suas características verticais esqueléticas15,20,23,24,25. Essa classificação em padrões esqueléticos específicos tem origem na necessidade de abordagens absolutamente distintas — sob a óptica do diagnóstico, tratamento e prognóstico — para cada grupo facial característico.

Por outro lado, menor ênfase é dispensada à descrição e comparação dos aspectos relacionados ao tecido mole de distintas classes morfológicas. Nesse quesito, a maioria das pesquisas dedica-se a investigar as respostas tegumentares aos movimentos decorrentes do tratamento ortodôntico1,5,8,17,22,28. Algumas correlacionam características do tecido mole a más oclusões de origem horizontal6,11. Entretanto, poucas tratam das características do tecido mole

* Mestre em Odontologia - Ortodontia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG). ** Mestre em Ciências da Saúde pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP - EPM). *** Especialista em Ortodontia pela UNICASTELO. **** Doutora em Odontologia pela Faculdade de Odontologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (FOUFRJ). Professora Associada do Departamento de Clínica Infantil da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - USP.

Dental Press J Orthod

84

2010 July-Aug;15(4):84-93


Comparação das dimensões de tecido mole entre padrões faciais distintos

com um grau de intensidade forte, com a altura facial anterior inferior. Além disso, a altura labial inferior se correlacionou fortemente às alturas faciais anteriores inferior e total. Isso indica uma tendência de “acompanhamento” por parte do lábio superior e inferior ao desenvolvimento vertical da face. • A altura labial superior se correlacionou fortemente ao posicionamento vertical do incisivo superior, de forma a garantir um grau de exposição constante desse dente nos diferentes grupos morfológicos.

foram comparados entre si e em relação aos mesofaciais. • A altura do lábio inferior foi significativamente maior para os dolicofaciais quando comparados aos demais grupos morfológicos separadamente. • Mesofaciais e braquifaciais não diferiram entre si quanto à altura do lábio inferior. Pela verificação das correlações estabelecidas entre as variáveis dos tecidos moles e duros, as principais constatações foram: • A altura labial superior se correlacionou,

Comparison of soft tissue size between different facial patterns Abstract Objective: This study was designed to compare the soft tissue morphology of individuals according to their facial patterns. Methods: Were used cephalograms of 90 patients of both genders, aged 12 to 16 years, which were divided into three distinct groups, according to their morphological patterns, i.e., mesofacials, dolichofacials and brachyfacials. The groups were compared in terms of thickness and height of the upper and lower lips, and thickness of the soft tissue chin. Correlations between soft tissue variables and dental and skeletal cephalometric measurements were also investigated. Results and Conclusions: Thickness of upper lip, lower lip and soft tissue chin showed no differences in all morphological groups. However, upper and lower lip heights were significantly greater in dolichofacials. Brachyfacials showed smaller upper lip height compared with mesofacials, although no differences were found between those two groups in terms of lower lip height. Assessment of the correlations between soft and skeletal/dental variables evidenced vertical development of the upper and lower lips, commensurate with the vertical development of the skeleton. The vertical positioning of upper incisors significantly correlated with the same parameters related to the lips, which ensured a similar exposure level of these teeth in all groups. Keywords: Vertical pattern. Cephalometry. Lip. Chin.

Referências 1. 2.

3.

4.

Basciftci FA, Uysal T, Buyukerkmen A, Demir A. The influence of extraction treatment on Holdaway soft-tissue measurements. Angle Orthod. 2004 Apr;74(2):167-73. Bianchini EMG. Desproporções maxilomandibulares: atuação fonoaudiológica com pacientes submetidos à cirurgia ortognática. In: Marchesan IQ, Bollafi C, Gomes ICD, Zorzo JL. Tópicos em fonoaudiologia. São Paulo: Lovise; 1995. p. 129-45. Blanchette ME, Nanda RS, Currier GF, Ghosh J, Nanda SK. A longitudinal cephalometric study of the soft tissue profile of short- and long-face syndromes from 7 to 17 years. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 1996 Feb;109(2):116-31. Boneco C, Jardim L. Estudo da morfologia labial em pacientes com padrão facial vertical alterado. Rev Port Estom Med Dent Cir Maxilofac. 2005;46(2):69-80.

Dental Press J Orthod

5.

6. 7.

8.

92

Del Santo LM, Souza RP, Del Santo M Jr, Marcantonio E. Alterações no perfil dos lábios de pacientes submetidos a avanços maxilares em cirurgia ortognática do tipo Le Fort l. Rev Dental Press Ortod Ortop Facial. 2004 set-out;9(5):49-63. Ferrario VF, Sforza C. Size and shape of soft-tissue facial profile: effects of age, gender, and skeletal class. Cleft Palate Craniofac J. 1997 Nov;34(6)498-504. Ferrario VF, Sforza C, Schmitz JH, Ciusa V, Colombo A. Normal growth and development of the lips: a 3-dimensional study from 6 years to adulthood using a geometric model. J Anat. 2000 Apr;196(Pt3):415-23. Gomes P, Jardim L. Estudo cefalométrico do perfil cutâneo de jovens adultos tratados ortodonticamente com e sem extrações. Rev Port Estom Med Dent Cir Maxilofac. 2006;47(2):69-78.

2010 July-Aug;15(4):84-93


Feres MFN, Hitos SF, Sousa HIP, Matsumoto MAN

9. 10.

11.

12. 13. 14. 15. 16. 17. 18. 19.

Halazonetis DJ. Morphometric evaluation of soft-tissue profile shape. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2007 Apr;131(4):481-9. Haralabakis NB, Yiagtzis SC, Toutountzakis NM. Cephalometric characteristics of open bite in adults: a three-dimensional cephalometric evaluation. Int J Adult Orthodon Orthognath Surg. 1994;9(3):223-31. Hoffelder LB, Lima EM, Martinelli FL, Bolognese AM. Soft-tissue changes during facial growth in skeletal Class II individuals. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2007 Apr;131(4):490-5. Kuyl MH, Verbeeck RM, Dermaut LR. The integumental profile: a reflection of the underlying skeletal configuration? Am J Orthod Dentofacial Orthop. 1994 Dec;106(6):597-604. Lai J, Ghosh J, Nanda RS. Effect of orthodontic therapy on the facial profile in long and short vertical facial patterns. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2000 Nov;118(5):505-13. McNamara JA Jr. A method of cephalometric evaluation. Am J Orthod. 1984 Dec;86(6):449-69. Opdebeeck H, Bell WH. The short face syndrome. Am J Orthod. 1978 May;73(5):499-511. Peck S, Peck L, Kataja M. Some vertical lineaments of lip position. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 1992 Jun;101(6):519-24. Ramos AL, Sakima MT, Pinto AS, Bowman SJ. Upper lip changes correlated to maxillary incisor retraction - a metallic implant study. Angle Orthod. 2005 Jul;75(4):499-505. Ricketts RM. A foundation for cephalometric communication. Am J Orthod. 1960 May;46(5):330-57. Santos C. Estatística descritiva: manual de auto-aprendizagem. Lisboa: Edições Sílabo; 2007.

20. Schendel SA, Eisenfeld J, Bell WH, Epker BN, Mishelevich DJ. The long face syndrome: vertical maxillary excess. Am J Orthod. 1976 Oct;70(4):398-408. 21. Schendel SA, Eisenfeld JH, Bell WH, Epker BN. Superior repositioning of the maxilla: stability and soft tissue osseous relations. Am J Orthod. 1976 Dec;70(6):663-74. 22. Silveira CA, Correa FA, Vedovello M Filho, Valdrigh HC, Vedovello SA, Telles EZ. Alterações do ângulo nasolabial e da inclinação do incisivo central superior pós-tratamento ortodôntico. Ortodontia. 2006 jan-mar;39(1):31-6. 23. Stuani AS, Matsumoto MA, Stuani MB. Cephalometric evaluation of patients with anterior open-bite. Braz Dent J. 2000;11(1):35-40. 24. Taibah SM, Feteih RM. Cephalometric features of anterior open bite. World J Orthod. 2007 Summer;8(2):145-52. 25. Tsai HH. Cephalometric studies of children with long and short faces. J Clin Pediatr Dent. 2000 Fall;25(1):23-8. 26. Tsang WM, Cheung LK, Samman N. Cephalometric characteristics of anterior open bite in a southern Chinese population. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 1998 Feb;113(2):165-72. 27. Vig PS, Cohen AM. Vertical growth of the lips: a serial cephalometric study. Am J Orthod. 1979 Apr;75(4):405-15. 28. Wen-Ching Ko E, Figueroa AA, Polley JW. Soft tissue profile changes after maxillary advancement with distraction osteogenesis by use of a rigid external distraction device: a 1-year follow-up. J Oral Maxillofac Surg. 2000 Sep;58(9):959-69. 29. Yamaguchi K, Morimoto Y, Nanda RS, Ghosh J, Tanne K. Morphological differences in individuals with lip competence and incompetence based on electromyographic diagnosis. J Oral Rehabil. 2000 Oct;27(10):893-901.

Enviado em: outubro de 2008 Revisado e aceito: março de 2009

Endereço para correspondência Murilo Fernando Neuppmann Feres Rua Dr. Bacelar, nº 730, apto. 173 – Vila Clementino CEP: 04.026-001 – São Paulo / SP E-mail: muriloneuppmann@yahoo.com.br

Dental Press J Orthod

93

2010 July-Aug;15(4):84-93


Artigo Inédito

Prevalência de oclusopatias e comparação entre a Classificação de Angle e o Índice de Estética Dentária em escolares do interior do estado de São Paulo - Brasil Artênio José Ísper Garbin*, Paulo César Pereira Perin**, Cléa Adas Saliba Garbin***, Luiz Fernando Lolli****

Resumo Introdução: as oclusopatias estão entre os principais problemas de saúde bucal em todo o

mundo, juntamente com a cárie dentária e a doença periodontal, e vários índices têm sido utilizados para registrá-las. Objetivos: verificar a prevalência de oclusopatias utilizando a Classificação de Angle e o Índice de Estética Dentária (DAI), sua severidade e a necessidade de tratamento ortodôntico registradas pelo DAI, e comparar os resultados de ambos os índices, visando correlacionar o padrão dos dados coletados e a viabilidade de utilizá-los de forma conjunta. Métodos: a amostra consistiu de 734 escolares com idade de 12 anos, de ambos os sexos, da rede pública do município de Lins/SP. Foram realizados exames nos pátios das escolas com utilização de sondas IPC a olho nu. Resultados: pela Classificação de Angle, encontrou-se 33,24% das crianças com oclusão normal e 66,76% com má oclusão. Pelo DAI, observou-se que 65,26% das crianças apresentavam-se sem anormalidades ou com más oclusões leves. A má oclusão definida esteve presente em 12,81%, a má oclusão severa foi observada em 10,90% e a muito severa ou incapacitante em 11,03%. A maioria das crianças (70,57%) apresentou relação molar normal, e o overjet maxilar anterior foi a alteração mais frequentemente observada. No cruzamento dos índices houve semelhanças e divergências. Conclusão: o DAI não foi sensível a alguns problemas de oclusão detectados pela Classificação de Angle, e a recíproca foi verdadeira, demonstrando que ambos os índices possuem pontos distintos na detecção das oclusopatias, podendo ser utilizados de forma reciprocamente complementar. Palavras-chave: Prevalência. Má oclusão. Estudo comparativo.

INTRODUÇÃO O conhecimento epidemiológico possibilita avaliar a distribuição e a gravidade de condições mórbidas que ocorrem numa população. Permite, também, verificar a interferência de fatores etiológicos sobre

a ocorrência das doenças, fornecendo dados para o planejamento de ações preventivas e curativas. Atualmente, as oclusopatias encontram-se em terceiro lugar na escala de prioridades entre os problemas odontológicos de saúde pública mundial, superadas

* Doutor em Ortodontia pela UNICAMP. Professor Assistente do Departamento de Odontologia Infantil e Social da FOA-UNESP. ** Doutor em Odontologia Preventiva e Social pela Faculdade de Odontologia de Araçatuba, UNESP. *** Doutora em Odontologia Legal e Deontologia pela UNICAMP. Professora Adjunta do Departamento de Odontologia Infantil e Social da FOA-UNESP. **** Mestre e Doutorando do Programa de Pós-graduação em Odontologia Preventiva e Social da FOA-UNESP.

Dental Press J Orthod

94

2010 July-Aug;15(4):94-102


Garbin AJI, Perin PCP, Garbin CAS, Lolli LF

das crianças (65,26%). • O overjet maxilar anterior foi a alteração observada com maior frequência. • A maior parte das crianças apresentou relação molar normal (70,57%). • Nem todas as crianças com escore de DAI 13 (sem anormalidade) na realidade apresentavam oclusão normal, pois possuíam anormalidades que o referido índice não abrange. • A maioria dos casos encontrados com má oclusão de Classe III de Angle foram enquadrados, no DAI, em necessidades de tratamento não condizentes com a severidade do problema. • O DAI não se mostrou sensível a alguns problemas de oclusão, quando comparado com a Classificação de Angle. • As divergências encontradas em ambos os índices expõe a possibilidade de utilização dos mesmos de forma reciprocamente complementar.

aberta anterior e posterior, apinhamento superior e inferior, diastemas, mal posicionamento dentário individual, overjet e overbite foram alvo de estudos complementares acrescidos aos critérios da própria classificação14. A exemplo disso, também o DAI poderia receber modificações no intuito de suprir suas limitações. Uma análise crítica de diversos métodos de registro de má oclusão demonstrou que ainda não foi proposta uma classificação de registro ideal, que pudesse ser adotada como padrão no estudo das oclusopatias27. CONCLUSÕES • As oclusopatias (66,76%) foram mais prevalentes do que a oclusão normal (33, 25%) e, dentre elas, prevaleceu a má oclusão de Classe I (55,92%). • No DAI, o item “sem anormalidade ou oclusopatia leve” (sem necessidade ou com necessidade leve de tratamento) foi encontrado na maioria

Malocclusion prevalence and comparison between the Angle classification and the Dental Aesthetic Index in scholars in the interior of São Paulo state - Brazil Abstract Introduction: The malocclusions are among the main buccal health problems all over the world, together with dental cavity and periodontal disease. Several indexes are being used for malocclusion registration. The present study verified the prevalence of this condition, using the Angle classification and the Dental Aesthetic Index (DAI), the severity and the necessity of orthodontic treatment registered with the DAI and the results of both indexes were compared, seeking to correlate collected data pattern and the viability of using them together. Methods: The sample consisted of 734 schoolchildren with 12 years of age, both male and female from the public municipal schools in Lins-SP, Brazil. The exams were performed at the school’s playgrounds with the use of IPC probes with a naked eye. Results: For the Angle classification, it was found that 33.24% of the children presented normal occlusion and 66.76% presented malocclusions. It was observed, with the DAI, that 65.26% of the children had no abnormalities or had slight malocclusions. The defined malocclusion was present in 12.81%, severe malocclusion was observed in 10.90% and very severe or disabling malocclusion in 11.03%. Most of the children (70.57%) presented normal molar relationship and the anterior maxillary overjet was the most frequently observed alteration. When the indexes were compared there were similarities and divergences. Conclusion: DAI was not sensitive for some occlusion problems detected by the Angle classification, and vice-versa, demonstrating that both indexes have different points in malocclusions detection, so they could be used mutually in a complementary way. Keywords: Malocclusion. Angle classification. Dental Aesthetic Index. Prevalence. Index.

Dental Press J Orthod

101

2010 July-Aug;15(4):94-102


Prevalência de oclusopatias e comparação entre a Classificação de Angle e o Índice de Estética Dentária em escolares do interior do estado de São Paulo - Brasil

Referências 1. 2. 3.

4.

5.

6. 7.

8.

9.

10.

11. 12. 13. 14. 15.

Abdullah MS, Rock WP. Assessment of orthodontic treatment need in 5,112 Malaysian children using the IOTN and DAI indices. Community Dent Health. 2001 Dec;18(4):242-8. Alves TDB. Saúde bucal em escolares com 12 anos de idade em Feira de Santana / Bahia - Zona urbana. [tese]. São Paulo (SP) Universidade de São Paulo; 2003. Ansai T, Miyazaki H, Katoh Y, Yamashita Y, Takehara T, Jenny J, et al. Prevalence of malocclusion in high school students in Japan according to the Dental Aesthetic Index. Community Dent Oral Epidemiol. 1993 Oct;21(5):303-5. Antunes JLF, Peres MA, Frias AC, Crosato EM, Biazevic MGH. Saúde gengival de adolescentes e a utilização de serviços odontológicos, Estado de São Paulo. Rev Saúde Pública. 2008;42(2):191-9. Araújo TSP, Couto GBL, Soares EAS, Vasconcelos MMV. Prevalência de má oclusão, mordida aberta anterior e hábitos bucais deletérios em pacientes inscritos em cursos de Ortodontia. Rev Clín Ortod Dental Press. 2005 ago-set;4(4):91-6. Biázio RC, Costa GC, Virgens JS Filho. Prevalência de máoclusão na dentadura decídua e mista no distrito de Entre Rios, Guarapuava/PR. Publ UEPG Ci Biol Saúde. 2005 mar;11(1):29-38. Borges CM, Cascaes AM, Fischer TK, Boing AF, Peres MA, Peres KG. Dor nos dentes e gengivas e fatores associados em adolescentes brasileiros: análise do inquérito nacional de saúde bucal SB-Brasil 2002-2003. Cad Saúde Pública. 2008 ago;24(8):1825-34. Brasil. Ministério da Saúde. Coordenação Nacional de Saúde Bucal. Resultados Principais do Projeto SB Brasil 2003: condições de saúde bucal da população brasileira 2002-2003. Brasília-DF; 2004. Cavalcanti AL, Bezerra PKM, Alencar CRB, Moura C. Prevalência de maloclusão em escolares de 6 a 12 anos de idade em Campina Grande, PB, Brasil. Pesqui Bras Odontop Clín Integr. 2008 jan-jun;8(1):99-104. Cunha ACPP, Miguel JA, Lima KC. Avaliação dos índices DAI e IOTN no diagnóstico de más oclusões e necessidade de tratamento ortodôntico. Rev Dental Press Ortod Ortop Facial. 2003 jan-fev;8(1):51-8. Dias PF, Gleiser R. O índice de necessidade de tratamento ortodôntico como um método de avaliação em saúde pública. Rev Dental Press Ortod Ortop Facial. 2008 jan-fev;13(1):74-81. Esa R, Razak IA, Allister JH. Epidemiology of malocclusion and orthodontic treatment need of 12-13-year-old Malaysian schoolchildren. Community Dent Health. 2001 Mar;18(1):31-6. Ferreira FV. Ortodontia. Diagnóstico e planejamento clínico. 3ª ed. São Paulo: Artes Médicas; 1999. Gabris K, Marton S, Madlena M. Orthodontic anomalies in adolescents. Fogorv Sz. 2000;93(12):365-73. Jahn GMJ. Oclusão dentária em escolares e adolescentes no Estado de São Paulo, 2002. [dissertação]. São Paulo (SP). Universidade de São Paulo; 2006.

16. Johnson M, Harkness M. Prevalence of malocclusion and orthodontic treatment need in 10-year-old New Zealand children. Aust Orthod J. 2000;16(1):1-8. 17. Marques CR. Determinação da necessidade de tratamento ortodôntico em escolares da cidade do Recife. [dissertação] Recife (PE). Universidade Federal de Pernambuco; 2005. 18. Marques LS, Barbosa CC, Ramos JML, Pordeus IA, Paiva SM. Prevalência de maloclusão e necessidade de tratamento ortodôntico em escolares de 10 a 14 anos de idade em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil: enfoque psicossocial. Cad Saúde Pública. 2005 jul-ago;21(4):109-12. 19. Moura C, Cavalcanti AL. Maloclusões, cárie dentária e percepções de estética e função mastigatória: um estudo de associação. Rev Odonto Ciência. 2007 jul-set;22(57):256-62. 20. Narvai PC, Junqueira SR, Forni TIB, Vieira V, Moreira SEL, Soares MC, et al. Condições de saúde bucal e qualidade de vida: Estado de São Paulo, Brasil, 1998. In: Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva; 2000. Salvador. Anais... Salvador, BA: Abrasco; 2000. 21. Narvai PC, Castellanos RA. Levantamento das condições de saúde bucal - estado de São Paulo, 1998: caderno de instruções. São Paulo: Universidade de São Paulo: Faculdade de Saúde Pública: Núcleo de Estudos e Pesquisas de Sistemas de Saúde; 1998. 22. Organização Mundial de Saúde. Levantamentos básicos em saúde bucal. 4ª ed. São Paulo: Ed. Santos; 1999. 23. Otuyemi OD, Ogunyinka A, Dosumu O, Cons NC, Jenny J. Malocclusion and orthodontic treatment need of secondary school students in Nigeria according to the dental aesthetic index (DAI). Int Dent J. 1999 Aug;49(4):203-10. 24. Otuyemi OD, Noar JH. Variability in recording and grading the need for orthodontic treatment using the handicapping malocclusion assessment record, occlusal index and dental aesthetic index. Community Dent Oral Epidemiol. 1996 Jun;24(3):222-4. 25. Peres KG, Traebert ESA, Marcenes W. Diferenças entre autopercepção e critérios normativos na identificação das oclusopatias. Rev Saúde Pública. 2002 abr;36(2):230-6. 26. Perin PCP. Influência da fluoretação da água de abastecimento público na prevalência de cárie dentária e maloclusão. [dissertação]. Araçatuba (SP). Universidade Estadual Paulista; 1997. 27. Pinto EM, Gondim PPC, Lima NS. Análise crítica dos diversos métodos de avaliação e registro das más oclusões. Rev Dental Press Ortod Ortop Facial. 2008 jan-fev;13(1):82-91. 28. Proffit WR. Ortodontia contemporânea. São Paulo: Pancast; 1991. p. 12-23. 29. Saleh FK. Prevalence of malocclusion in a sample of Lebanese schoolchildren: an epidemiological study. East Mediterr Health J. 1999 Mar;5(2):337-43.

Enviado em: novembro de 2008 Revisado e aceito: maio de 2009

Endereço para correspondência Luiz Fernando Lolli Rua Benjamin Constant, nº 914, Centro CEP: 87.770-000 – São Carlos do Ivaí/PR E-mail: luphernan@hotmail.com

Dental Press J Orthod

102

2010 July-Aug;15(4):94-102


Artigo Inédito

Estudo qualitativo fotoelástico do sistema de forças gerado pela mola “T” de retração com diferentes pré-ativações Luiz Guilherme Martins Maia*, Vanderlei Luiz Gomes**, Ary dos Santos-Pinto***, Itamar Lopes Júnior****, Luiz Gonzaga Gandini Jr.*****

Resumo Objetivo: avaliar o sistema de forças gerado pela mola T utilizada para fechamento de espaços. Métodos: por meio do método experimental fotoelástico, avaliou-se a mola T utilizada no fe-

chamento de espaços com duas variações de pré-ativação em sua porção apical, sendo uma com 30º e a outra com 45º. As molas foram confeccionadas com fio retangular de titânio-molibdênio (TMA) de secção 0,017” x 0,025”, centralizadas no espaço interbraquetes de 27mm e ativadas em 5,0mm, 2,5mm e posição neutra. Para melhor confiabilidade dos resultados, os testes foram repetidos em três modelos fotoelásticos igualmente reproduzidos e confeccionados pelo mesmo operador. Para compreensão dos resultados, as franjas fotoelásticas visualizadas no polariscópio foram fotografadas e analisadas qualitativamente. Resultados: por meio da análise qualitativa da ordem de franjas no modelo fotoelástico, notou-se que, nas extremidades de retração e ancoragem, a mola T com 30º de ativação apical apresentou um acúmulo de energia discretamente maior para o sistema de forças liberado. Palavras-chave: Fechamento de espaço ortodôntico. Mola T. Estudo fotoelástico. Retração.

INTRODUÇÃO A filosofia extracionista defendida por Tweed na década de 40 levantou uma nova perspectiva para o tratamento ortodôntico, gerando o interesse dos ortodontistas pela mecânica de retração. A partir daí, surgiram vários dispositivos mecânicos para esse propósito e o conhecimento sobre o sistema de forças gerado por cada um deles tornouse um foco constante de pesquisas16,17.

No movimento de retração, é imperativo ao ortodontista conhecer os princípios mecânicos envolvidos nesse sistema, para que o movimento dentário ocorra com o máximo de eficiência e o mínimo de esforço aos tecidos periodontais adjacentes1,12. O ideal é que o fechamento de espaço ocorra por movimento de retração resultante dos dispositivos ortodônticos do tipo “alça”. Nesse caso, a força se torna previsível por exercer íntima

* Professor da Disciplina de Ortodontia do curso de Odontologia da Universidade Tiradentes/SE. Coordenador do curso de Especialização em Ortodontia da Universidade Tiradentes/SE. Especialista em Ortodontia – EAP/APCD - UNESP – Araraquara. Mestre em Ciências Odontológicas – Ortodontia pela Faculdade de Odontologia de Araraquara - UNESP. Doutorando em Ciências Odontológicas – Ortodontia na Faculdade de Odontologia de Araraquara – UNESP. ** Professor Titular de Prótese Removível e Materiais Odontológicos da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Uberlândia. Mestre e Doutor em Odontologia pela USP - Ribeirão Preto /SP. *** Professor Livre Docente/Adjunto da Disciplina de Ortodontia do Departamento de Clínica Infantil da Faculdade de Odontologia de Araraquara – UNESP. **** Aluno do curso de Mestrado em Reabilitação Oral - Universidade Federal de Uberlândia. ***** Professor Livre Docente/Adjunto da Disciplina de Ortodontia do Departamento de Clínica Infantil da Faculdade de Odontologia de Araraquara – UNESP. Professor Assistente Adjunto Clínico do Departamento de Ortodontia da “Baylor College of Dentistry - Dallas/TX”.

Dental Press J Orthod

103

2010 July-Aug;15(4):103-16


Estudo qualitativo fotoelástico do sistema de forças gerado pela mola “T” de retração com diferentes pré-ativações

Qualitative photoelastic study of the force system produced by retraction T-springs with different preactivations Abstract Objective: Evaluate the force system produced by the T-spring used for space closure. Methods: By means of the experimental photoelastic method, we evaluated the T-spring—used for space closure—with two different preactivations on its apical portion, i.e., one with 30° and one with 45º. The springs were fabricated with rectangular 0.017 X 0.025-in titanium-molybdenum alloy (TMA), centered in a 27.0 mm interbracket space and activated at 5.0 mm and 2.5 mm, and in a neutral position. For more reliable results, tests were repeated on three photoelastic models duplicated and prepared by the same operator. To better understand the results, the fringes seen in the polariscope were photographed and analyzed qualitatively. Results: Through qualitative analysis of the fringe order in the photoelastic model it was noted that at the retraction and anchoring ends the T-spring with 30° apical activation showed a slightly greater accumulation of energy relative to the force system that was generated. Keywords: Closing of orthodontic space. T loop. Photoelastic study. Retraction.

Referências 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. 13.

14. 15.

16.

Articolo LC, Kusy K, Saunders CR, Kusy RP. Influence of ceramic and stainless steel brackets on the notching of archwires during clinical treatment. Eur J Orthod. 2000 Aug;22(4):409-25. Burstone CJ. The segmented arch approach to space closure. Am J Orthod. 1982 Nov;82(5):361-78. Burstone CJ, Koenig HA. Optimizing anterior and canine retraction. Am J Orthod. 1976 Jul;70(1):1-19. Burstone CJ, Pryputniewicz RJ. Holographic determination of centers of rotation produced by orthodontic forces. Am J Orthod. 1980 Apr;77(4):396-409. Chaconas SJ, Caputo AA, Davis JC. The effects of orthopedic forces on the craniofacial complex utilizing cervical and headgear appliance. Am J Orthod. 1976 May;69(5):527-39. Chaconas SJ, Caputo AA, Miyashita K. Force distribution comparisons of various retraction archwires. Angle Orthod. 1989 May;59(1):25-30. Dally JW, Rilley WF. Experimental stress analysis. New York: McGrall-Hill; 1965. Glickman I, Roeber FW, Brion M, Pameijer JHN. Photoelastic analysis of internal stresses in the periodontium created by occlusal forces. J Periodontol. 1970 Jan;41(1):30-5. Haraldson T. Photoelastic study of some biomechanical factors affecting the anchorage of osseointegrated implants in the jaw. Scand J Plast Reconstr Surg. 1980;14(3):209-14. Hoenigl KD, Freudenthaler J, Marcotte MR, Bantleon HP. The centered T-loop: a new way of preactivation. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 1995 Aug;108(2):149-53. Kuhlberg AJ, Burstone CJ. T-loop position and anchorage control. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 1997 Jul;112(1):12-8. Kusy RP, Whitley JQ. Friction between different wire-bracket configurations and materials. Semin Orthod. 1997;3(3):166-77. Lotti RS, Mazzieiro ET, Landre J Jr. A influência do posicionamento da alça T segmentada durante o movimento de retração inicial. Uma avaliação pelo método dos elementos finitos. Rev Dental Press Ortod Ortop Facial. 2006 maiojun;11(3):41-54. Marcotte MR. Biomecânica em Ortodontia. São Paulo: Ed. Santos; 1993. Oliveira EJ. Material e técnica para análise fotoelástica plana da distribuição de tensões produzidas por implantes odontológicos. [dissertação]. Uberlândia (MG). Universidade Federal de Uberlândia; 2003. Reitan K. Continuous bodily tooth movement and its histological significance. Acta Odontol Scand. 1947;7:115-44.

Dental Press J Orthod

17. Shimizu RH. Fechamento de espaços após exodontias de primeiros pré-molares. [dissertação]. Araraquara (SP). Universidade Estadual Paulista; 1995. 18. Shimizu RH. Estudo dos sistemas de forças gerados pelas alças ortodônticas para fechamento de espaços. [tese]. Araraquara (SP). Universidade Estadual Paulista; 1999. 19. Shimisu RH, Sakima T, Santos-Pinto A, Shimizu IA. Desempenho biomecânico da alça “T”, construída com fio de aço inoxidável, durante o fechamento de espaços no tratamento ortodôntico. Rev Dental Press Ortod Ortop Facial. 2002 nov-dez;7(6):49-61. 20. Souza RS, Santos-Pinto A, Shimizu RI, Sakima MT, Gandini LG Jr. Avaliação do sistema de forças gerado pela alça T de retração, pré-ativada segundo o padrão UNESP-Araraquara. Rev Dental Press Ortod Ortop Facial. 2003 set-out;8(5):113-22. 21. Souza RS, Shimizu RI, Sakima MT, Santos-Pinto A, GandinI LG Jr. Avaliação do sistema de forças gerado pela alça T de retração pré-ativada segundo o padrão Marcotte. JBO: J Bras Ortod Ortop Facial. 2005;10(55):50-8. 22. Thiesen G, Rego MVNN, Menezes LM, Shimizu RH. Avaliação biomecânica de diferentes alças ortodônticas de fechamento de espaços confeccionadas com aço inoxidável. Rev Assoc Paul Especial Ortod Ortop Facial. 2004 abr-jun;2(2):77-92. 23. THiesen G, Rego MVN, Menezes LM. A pré-ativação de alças ortodônticas para fechamento de espaços e seu efeito no sistema de forças gerado. Ortodontia Gaúcha. 2004 jan-jun;8(1):42-59. 24. Thiesen G, Rego MVNN, Menezes LM, Shimizu RH. A utilização de diferentes configurações de molas T para obtenção de sistemas de forças otimizados. Rev Dental Press Ortod Ortop Facial. 2006 set-out;11(5):57-77. 25. Zak B. Photoelastiche analyse in der orthodontischen mechanik. Z Stomatol. 1935;33:22-37.

Enviado em: setembro de 2007 Revisado e aceito: novembro de 2008

Endereço para correspondência Luiz Guilherme Martins Maia Rua Terêncio Sampaio, 309 CEP: 49.025-700 – Aracaju / SE E-mail: orthomaia2003@yahoo.com.br

116

2010 July-Aug;15(4):103-16


Artigo Inédito

Análise da fidelidade do traçado predictivo em pacientes submetidos à cirurgia ortognática em mandíbula Thallita Pereira Queiroz*, Jéssica Lemos Gulinelli**, Francisley Ávila Souza***, Liliane Scheidegger da Silva Zanetti****, Osvaldo Magro Filho*****, Idelmo Rangel Garcia Júnior*****, Eduardo Hochuli Vieira******

Resumo Objetivo: a proposta desse trabalho foi analisar a fidelidade dos traçados predictivos realiza-

dos para cirurgias ortognáticas, por meio de análise cefalométrica do pré e pós-operatório de sete dias, em pacientes submetidos à correção de deformidade mandibular. Métodos: foram utilizadas telerradiografias cefalométricas de perfil de 17 pacientes submetidos à cirurgia ortognática de mandíbula. Foram realizados traçados cefalométricos do pré e do pós-operatório de 7 dias com marcação dos pontos côndilo (Co), pogônio (Pog), goníaco (Go), mento (Me), ponto B (B) e incisivo (I). A análise foi baseada na diferença obtida pela sobreposição dos traçados pré-operatório, predictivo e pós-operatório. Os pontos foram projetados em um plano cartesiano para medição das suas distâncias em milímetros. Os dados obtidos foram submetidos à análise estatística por meio do teste t de Student pareado (α = 0,05). Resultados: no eixo horizontal, foi observada diferença média, entre a mudança planejada e a obtida nos traçados cefalométricos pós-operatórios, estatisticamente significativa nos pontos Pog (p = 0,014) e I (p = 0,008). No eixo vertical, não verificou-se diferença estatística significativa para os pontos cefalométricos marcados (p > 0,05). Conclusões: o traçado predictivo contribuiu para a avaliação pré-operatória do paciente e, consequentemente, para a otimização do tratamento. Entretanto, ele não se mostrou totalmente fiel nos casos analisados, com leve subestimação das alterações esqueléticas horizontais. Essas alterações devem ser consideradas no planejamento e acompanhamento pós-operatório dos pacientes submetidos à cirurgia ortognática em mandíbula. Palavras-chave: Cirurgia. Cefalometria. Mandíbula.

* Mestre e Doutora em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial pela Faculdade de Odontologia de Araçatuba – UNESP. Professora das disciplinas de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial I e II do Centro Universitário de Araraquara – UNIARA. ** Mestre e Doutora em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial pela Faculdade de Odontologia de Araçatuba – UNESP. *** Mestre e aluno de doutorado em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial pela Faculdade de Odontologia de Araçatuba – UNESP. **** Mestre em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial pela Faculdade de Odontologia de Piracicaba – UNICAMP. Doutora em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial pela Faculdade de Odontologia de Araçatuba – UNESP. ***** Professor Adjunto do Departamento de Cirurgia e Clínica Integrada da Disciplina de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial da Faculdade de Odontologia de Araçatuba – UNESP. ****** Professor Adjunto do Departamento de Diagnóstico e Cirurgia da Disciplina de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial da Faculdade de Odontologia de Araraquara – UNESP.

Dental Press J Orthod

117

2010 July-Aug;15(4):117-23


Análise da fidelidade do traçado predictivo em pacientes submetidos à cirurgia ortognática em mandíbula

cirurgião-dentista. Portanto, o mesmo deve estar atento durante o planejamento dessas cirurgias, já que cada etapa a ser seguida deve ser bem executada para que o procedimento realizado obtenha o resultado desejado. Dessa forma, são necessárias novas pesquisas objetivando contribuir com o aumento da fidelidade do traçado predictivo e favorecer a compreensão das alterações mais frequentemente associadas com a realização desses traçados.

Isso pode ser explicado em função dos traçados terem sido realizados manualmente, o que pode gerar erro. Entretanto, Eckhardt e Cunningham5 — ao comparar traçados computadorizados, de pacientes submetidos a correções de deformidades mandibulares, com os realizados manualmente — concluíram que não havia diferenças significativas na fidelidade de ambas as análises. Isso pode confirmar a alta previsibilidade dos traçados manuais quando diante de correções do terço inferior da face. As alterações horizontais esqueléticas devem ser levadas em consideração no planejamento e acompanhamento pós-operatório, principalmente a longo prazo, dos pacientes submetidos à cirurgia ortognática em mandíbula, já que a falta de estabilidade pode comprometer os resultados futuros. O planejamento da correção de deformidades dentofaciais é um desafio no campo da cirurgia ortognática. A exigência estética por parte dos pacientes aumenta a responsabilidade do

CONCLUSÃO O traçado predictivo contribuiu com a avaliação pré-operatória do paciente e com a otimização do tratamento. Entretanto, não se mostrou totalmente fiel nos casos analisados, com leve predisposição a subestimar as alterações esqueléticas horizontais. Essas alterações devem ser consideradas no planejamento e acompanhamento pós-operatório dos pacientes submetidos à cirurgia ortognática em mandíbula.

Assessment of the accuracy of cephalometric prediction tracings in patients subjected to orthognathic surgery in the mandible Abstract Objective: The purpose of this study was to assess the accuracy of cephalometric prediction tracings—performed for orthognathic surgery—by means of the cephalometric analysis of preoperative and seven-day postoperative tracings, in patients subjected to correction of mandibular deformities. Methods: The lateral cephalograms of 17 patients who had been submitted to mandibular orthognathic surgery, three years earlier, were used. Cephalometric tracings were performed in the preoperative and seven-day postoperative periods and the following landmarks were traced: condyle (Co), pogonion (Pog), gonial (Go), menton (Me), B (B) and incisor (I). The analysis was based on the difference obtained by superimposing preoperative, prediction and postoperative tracings. The landmarks were projected onto a Cartesian plane for measuring distances between points in millimeters. The data were statistically analyzed using the paired Student t test (α = 0.05). Results: A statistically significant mean difference was observed between the planned change and the change effectively achieved in the postoperative cephalometric tracings for points Pog (p = 0.014) and I (p = 0.008) on the horizontal axis. No statistically significant difference was found for the aforementioned cephalometric points on the vertical axis (p > 0.05). Conclusions: Cephalometric prediction tracings contributed to the preoperative evaluation of the patients and consequently to treatment optimization. However, they was not entirely reliable in these cases due to a slight underestimation of horizontal skeletal changes. These changes should be considered in planning and postoperative follow-up of patients subjected to orthognathic surgery in the mandible. Keywords: Surgery. Cephalometry. Mandible.

Dental Press J Orthod

122

2010 July-Aug;15(4):117-23


Queiroz TP, Gulinelli JL, Souza FA, Zanetti LSS, Magro O Filho, Garcia IR Jr., Vieira EH

Referências 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11.

12. 13.

14.

15. Loh S, Heng IK, Ward-Booth P, Winchester L, McDonald F. A radiographic analysis of computer prediction in conjunction with orthognathic surgery. Int J Oral Maxillofac Surg. 2001 Aug;30(4):259-63. 16. Matheus NCP, Gerhardt OM, Costa NP, Caminha JAN, Lorandi CS, Rizzatto RD. Correlações matemáticas entre dimensões esqueléticas lineares transversais obtidas de análise cefalométrica computadorizada a partir de telerradiografias em norma frontal. Rev Odonto Ciência. 1994;9(18):67-79. 17. Phillips C, Turvey TA, McMillian A. Surgical orthodontic correction of mandibular deficiency by sagittal osteotomy: clinical and cephalometric analysis of 1-year data. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 1989 Dec;96(6):501-6. 18. Proffit WR, Turvey TA, Phillips C. Orthognathic surgery: a hierarchy of stability. Int J Adult Orthodon Orthognath Surg. 1996;11(3):191-204. 19. Satrom KD, Sinclair PM, Wolford LM. The stability of double jaw surgery: a comparison of rigid versus wire fixation. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 1991 Jun;99(6):550-63. 20. Suguino R, Ramos AL, Terada HH, Furquim LZ, Maeda L, Silva OG Filho. Análise facial. Rev Dental Press Ortod Ortop Maxilar. 1996 set-out;1(1):86-107. 21. Trauner R, Obwegeser H. The surgical correction of mandibular prognathism and retrognathia with consideration of genioplasty. I. Surgical procedures to correct mandibular prognathism and reshaping of the chin. Oral Surg Oral Med Oral Pathol. 1957 Jul;10(7):677-89. 22. Veltkamp T, Buschang PH, English JD, Bates J, Schow SR. Predicting lower lip and chin response to mandibular advancement and genioplasty. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2002 Dec;122(6):627-34. 23. Vig KD, Ellis E 3rd. Diagnosis and treatment planning for the surgical-orthodontic patient. Dent Clin North Am. 1990 Apr;34(2):361-84. 24. Watzke IM, Turvey TA, Phillips C, Proffit WR. Stability of mandibular advancement after sagittal osteotomy with screw or wire fixation: a comparative study. J Oral Maxillofac Surg. 1990 Feb;48(2):108-21.

Bell WH. Modern practice in orthognathic and reconstructive surgery. Philadelphia: W. B. Saunders; 1992. Burstone CJ, James RB, Legan H, Murphy GA, Norton LA. Cephalometrics for orthognathic surgery. J Oral Surg. 1978 Apr;36(4):269-77. Cousley RR, Grant E. The accuracy of preoperative orthognathic predictions. Br J Oral Maxillofac Surg. 2004 Apr;42(2):96-104. Dal Pont G. Retromolar osteotomy for the correction of prognathism. J Oral Surg Anesth Hosp Dent Serv. 1961 Jan;19:42-7. Eckhardt CE, Cunningham SJ. How predictable is orthognathic surgery? Eur J Orthod. 2004;26(3):303-9. Epker BN. Modifications in the sagittal osteotomy of the mandible. J Oral Surg. 1977 Feb;35(2):157-9. Fish LC, Epker BN. Surgical-orthodontic cephalometric prediction tracing. J Clin Orthod. 1980 Jan;14(1):36-52. Fonseca RJ. Oral and maxillofacial surgery: orthognathic surgery. Philadelphia: W.B. Saunders; 2000. v. 2. Friede H, Kahnberg KE, Adell R, Ridell A. Accuracy of cephalometric prediction in orthognathic surgery. J Oral Maxillofac Surg. 1987 Sep;45(9):754-60. Gjorup H, Athanasiou AE. Soft tissue and dentoskeletal profile changes associated with mandibular setback osteotomy. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 1991 Oct;100(4):312-23. Hack GA, Mol van Otterloo JJ, Nanda R. Long term stability and prediction of soft tissue changes after Le Fort I surgery. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 1993 Dec;104(6):544-55. Hindi EC, Kent JN. Tratamiento quirúrgico de las anomalías de desarrollo de los maxilares. Barcelona: Editorial Labor; 1974. Hoffman GR, Staples G, Moloney FB. Cephalometric alterations following facial advancement surgery 2. Clinical and computadorised evaluation. J Craniomaxillofac Surg. 1994 Dec;22(6):371-5. Kiyak HA, Vitaliano PP, Crinean J. Patient’s expectations as predictors of orthognathic surgery outcomes. Health Psychol. 1988;7(3):251-68.

Enviado em: novembro de 2007 Revisado e aceito: fevereiro de 2010

Endereço para correspondência Thallita Pereira Queiroz Rua Voluntários da Pátria, nº 1401, apto 91 CEP: 14.801-320 – Centro, Araraquara / SP E-mail: thaqueiroz@hotmail.com

Dental Press J Orthod

123

2010 July-Aug;15(4):117-23


Artigo Inédito

Avaliação de métodos indiretos de digitalização de radiografias cefalométricas em comparação ao método digital direto Cleomar Donizeth Rodrigues*, Márcia Maria Fonseca da Silveira**, Orivaldo Tavano***, Ronaldo Henrique Shibuya****, Giovanni Modesto*****, Carlos Estrela******

Resumo Objetivo: avaliar métodos de digitalização indireta de radiografias cefalométricas em comparação ao método digital direto. Métodos: a amostra foi composta de dez radiografias cefalo-

métricas adquiridas pelo Orthopantomograph OP100/Orthocef OC100 (GE – Instrumentarium), digital direto. As imagens foram inseridas no programa Adobe Photoshop® e cinco pontos cefalométricos foram marcados. Procedeu-se a impressão em transparência e foi feita a digitalização indireta das imagens impressas, por meio das câmeras fotográficas digitais Sony® DSC-W5 e Canon® Rebel XT/EOS 350D, fixas em estativa, nas distâncias de 25cm e 60cm e com o scanner Scan Jet 4C Hewlett Packard®. As imagens diretas e indiretas foram inseridas e calibradas no software Radiocef Studio (Radiomemory®, Brasil), marcando-se o centro dos pontos previamente assinalados. A análise cefalométrica computadorizada gerou três grandezas angulares e quatro lineares, as quais foram submetidas a tratamento estatístico. Resultados: as imagens do scanner Scan Jet 4C HP® demonstraram pequenas alterações significativas, porém, sem relevância clínica. Quando da digitalização a 60cm da radiografia, as duas câmeras causaram distorções que foram significativas mas clinicamente aceitáveis; e, a 25cm, causaram as maiores distorções, com importância clínica, na Canon® Rebel XT. Conclusão: o scanner Scan Jet 4C HP® com leitor de transparências foi o melhor método e as câmeras operando a 60cm mostraram-se adequadas para digitalização de radiografias. As câmeras na distância de 25cm causaram distorções na imagem que alteraram as medidas lineares, podendo a Canon® Rebel XT comprometer o diagnóstico ortodôntico. Palavras-chave: Radiografia digital. Ortodontia. Interpretação radiográfica. Cefalometria computadorizada.

* Mestre em Radiologia Odontológica pelo Centro de Pesquisas Odontológicas São Leopoldo Mandic, Campinas/SP. Doutorando em Ciências da Saúde pela UFG. Professor de Radiologia da ABO-DF. ** Doutora em Diagnóstico Oral pela Universidade de São Paulo. Professora de Diagnóstico Oral da Universidade de Pernambuco/PE. *** Doutor em Diagnóstico Oral pela Universidade de São Paulo. Professor do Centro de Pesquisas Odontológicas São Leopoldo Mandic, Campinas/SP. **** Mestre em Radiologia Odontológica pelo Centro de Pesquisas Odontológicas São Leopoldo Mandic, Campinas/SP. ***** Especialista em Ortodontia e Ortopedia Facial pela Associação Brasileira de Odontologia de Uberlândia/MG. ****** Livre-docente e Doutor em Endodontia pela Universidade de São Paulo. Professor da Graduação em Endodontia da UFG. Orientador do Doutorado em Ciências da Saúde da UFG.

Dental Press J Orthod

124

2010 July-Aug;15(4):124-32


Rodrigues CD, Silveira MMF, Tavano O, Shibuya RH, Modesto G, Estrela C

Quando digitalizadas a 25cm, apresentaram todas as grandezas lineares com alterações significativas, sendo S-Go a mais ampliada (5mm), seguida de S-N (2,97mm). S-Go é utilizada para avaliar a proporção vertical posterior da face em comparação à altura facial anterior (N-Me)20, enquanto S-N avalia o comprimento da base craniana em relação ao plano mandibular (horizontal verdadeira:Go-Me), na descrição de padrões faciais (face longa versus curta), e na descrição do crescimento vertical (ângulo baixo e alto). Assim, as alterações provocadas pela Canon® a 25cm poderiam acarretar falsas interpretações e, consequentemente, interferir no diagnóstico e no plano de tratamento ortodôntico. No momento de digitalizar a imagem, as câmeras estavam com a parte superior voltada para o bordo inferior da radiografia (Fig. 1), em direção à grandeza horizontal menos ampliada (GoMe). A grandeza mais ampliada na Canon® a 25

e 60cm e na Sony® a 25cm foi a vertical S-Go, situada no centro da lente, enquanto para a Sony a 60cm foi a vertical N-Me, na periferia esquerda da lente. Esse fato confirma que a forma e a convexidade da lente causam distorções distintas em diferentes partes da imagem10 e que existem diferenças de construção entre as lentes das duas câmeras, por serem de fabricantes diferentes. CONCLUSÃO O scanner Scan Jet 4C Hewlett Packard® com leitor de transparências foi o melhor método e as câmeras Sony® DSC-W5 e Canon® Rebel XT/EOS 350D, fixas em estativa, operando a 60cm mostraram-se adequadas para a digitalização de radiografias. As câmeras na distância de 25cm causaram distorções na imagem que alteraram as medidas lineares, podendo a Canon® Rebel XT/EOS 350D comprometer o diagnóstico ortodôntico.

Evaluation of indirect methods of digitization of cephalometric radiographs in comparison with the direct digital method Abstract Objective: To evaluate the indirect digitization method of cephalometric radiographs in comparison with the direct digital method. Methods: The sample was composed of ten cephalometric radiographs acquired by Orthopantomograph OP100/Orthocef OC100 (GE – Instrumentarium), digital direct. In the Adobe™ Photoshop program, five cephalometric landmarks were set in the images and the impression in transparencies was made. The indirect digitization of the images was performed through the Sony™ DSC-W5 and Canon™ Rebel XT/EOS 350D digital photographic cameras—fixed in a copy stand, at the distances of 25 cm and 60 cm—and through the Hewlett Packard™ Scan Jet 4C scanner. The direct digital images and the indirect ones were inserted and gauged in the Radiocef Studio (Radiomemory™, Brazil) software and the center of the previously marked landmarks was set. The cephalometric computerized analysis generated three angular measurements and four linear ones which were submitted to statistical analysis. Results: The images from the scanner demonstrated small statistically significant alterations, without clinical significance. When digitizing the radiographs at 60 cm, both cameras caused distortions which were statistically significant, but clinically acceptable. At 25 cm, the cameras caused the largest distortions, being more expressive and with clinical significance in the images of Canon™ Rebel XT. Conclusions: The Hewlett Packard™ Scan Jet 4C scanner with transparency reader and the Sony™ DSC-W5 and Canon™ Rebel XT/EOS cameras operating at 60 cm were shown appropriate for the digitization of cephalometric radiographs. In 25 cm, the digital cameras caused distortions in the image which altered the linear measurements with possibilities of jeopardizing the orthodontic diagnosis. Keywords: Digital dental radiography. Orthodontics. Radiographic image interpretation. Computer-assisted cephalometrics.

Dental Press J Orthod

131

2010 July-Aug;15(4):124-32


Avaliação de métodos indiretos de digitalização de radiografias cefalométricas em comparação ao método digital direto

REFERÊNCIAS 12. Krupinski E, Gonzales M, Gonzales C, Weinstein RS. Evaluation of a digital camera for acquiring radiographic images for telemedicine applications. Telemed J E Health. 2000 Fall;6(3):297-302. 13. Geelen W, Wenzel A, Gotfredsen E, Kruger M, Hansson LG. Reproducibility of cephalometric landmarks on conventional film, hardcopy, and monitor-displayed images obtained by the storage phosphor technique. Eur J Orthod. 1998 Jun;20(3):331-40. 14. Chen YJ, Chen SK, Huang HW, Yao CC, Chang HF. Reliability of landmark identification in cephalometric radiography acquired by a storage phosphor imaging system. Dentomaxillofac Radiol. 2004 Sep;33(5):301-6. 15. Krogman W, Sassouni V. A syllabus in roentgenographic cephalometry. Philadelphia: Center for Research in Child Growth;1957. 16. Houston WJ, Maher RE, McElroy D, Sherriff M. Sources of error in measurements from cephalometric radiographs. Eur J Orthod. 1986 Aug;8(3):149-51. 17. Downs WB. Variations in facial relationships: their significance in treatment and prognosis. Am J Orthod. 1948 Oct;34(10):812-40. 18. Steiner C. The use of cephalometrics as an aid to planning and assessing orthodontic treatment. Am J Orthod. 1960;46:721-35. 19. Moorrees C. Natural head position: the key to cephalometry. In: Jacobsen A. Radiographic cephalometry. Chicago: Quintessence; 1995. p. 175-84. 20. Horn A. Facial height index. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 1992 Aug;102(2):180-6.

1.

Wenzel A. Influence of computerized information technologies on image quality in dental radiographs. Tandlaegebladet. 1991 Sep;95(12):527-9. 2. Forsyth DB, Shaw WC, Richmond S, Roberts CT. Digital imaging of cephalometric radiographs. Part 2: image quality. Angle Orthod. 1996;66(1):43-50. 3. Faber RD, Burstone CJ, Solonche DJ. Computerized interactive orthodontic treatment planning. Am J Orthod. 1978 Jan;73(1):36-46. 4. Lowey MN. The development of a new method of cephalometric and study cast mensuration with a computer controlled, video image capture system; part I: video image capture system. Br J Orthod. 1993 Aug;20(3):203-14. 5. Brooks SL, Miles DA. Advances in diagnostic imaging in dentistry. Dent Clin North Am. 1993 Jan;37(1):91-111. 6. Chen SK, Chiang TC. Digitizing of radiographs with a rollertype CCD scanner. Oral Surg Oral Med Oral Pathol Oral Radiol Endod. 1997 Jun;83(6):719-24. 7. Chen YJ, Chen SK, Yao JC, Chang HF. The effects of differences in landmark identification on the cephalometric measurements in the traditional versus digitized cephalometry. Angle Orthod. 2004 Apr;74(2):155-61. 8. Sayinsu K, Isik F, Trakyali G, Arun T. An evaluation of the errors in cephalometric measurements on scanned cephalometric images and conventional tracings. Eur J Orthod. 2007 Feb;29(1):105-8. 9. Nilce K, Gurevich GJ. How digital cameras work. HowStuffWorks. [cited 2004 Oct 6]. Available from: http:// eletronics.howstuffworks.com/digital-camera4.htm. 10. Bockaert V. The 123 of digital Imaging. USA: Asimex; 2003. 11. Whitehouse R, Moulding F. Latitude and noise comparisons between digital cameras and radiographic film scanner. J Telemed Telecare. 2000;6 Suppl 1:S41-2.

Enviado em: fevereiro de 2010 Revisado e aceito: maio de 2010

Endereço para correspondência Cleomar Donizeth Rodrigues SMHN – Q. 02, bloco A, sala 208, Ed. de Clínicas CEP: 70.710-100 – Brasília / DF E-mail: cleomarrodrigues@hotmail.com

Dental Press J Orthod

132

2010 July-Aug;15(4):124-32


Caso Clínico BBO

Má oclusão Classe I de Angle tratada com extrações de primeiros molares permanentes* Ivan Tadeu Pinheiro da Silva**

Resumo

A má oclusão Classe I de Angle é caracterizada por uma relação anteroposterior normal nos molares, que pode ou não estar acompanhada por alterações esqueléticas — nos planos vertical ou transverso — ou dentárias. A biprotrusão, revelada pela inclinação acentuada dos incisivos superiores e inferiores para vestibular, somada ao trespasse horizontal excessivo, faz com que o paciente fique mais exposto a traumas dentários, além de causar comprometimento estético. A escolha dos dentes a serem extraídos para a correção, geralmente, recai sobre os primeiros ou segundos pré-molares, devido à sua posição na arcada. Contudo, a extração do primeiro molar permanente, em função de algum comprometimento, por cárie ou restauração extensa, pode ser uma alternativa, proporcionando a manutenção de um dente hígido em detrimento de outro já manipulado. O presente caso, tratado de maneira incomum, pela extração dos quatro primeiros molares permanentes, foi apresentado à Diretoria do Board Brasileiro de Ortodontia e Ortopedia Facial (BBO), representando a categoria 2, como parte dos requisitos para a obtenção do título de diplomado pelo BBO. Palavras-chave: Má oclusão de Classe I de Angle. Extração dentária. Ortodontia corretiva.

DIAGNÓSTICO Apresentava estética facial alterada, com perfil convexo, protrusão labial, falta de selamento labial passivo e eversão do lábio inferior. Padrão mesofacial, relação molar de chave de oclusão, relação dos caninos levemente alterada, com tendência à Classe II, sobressaliência de 6mm, sobremordida de 4mm, acentuada vestibuloversão dos incisivos superiores, discrepância de Bolton de 1,4mm de excesso nos dentes anteroinferiores e terceiros molares em formação (Fig. 1, 2, 3). Na avaliação cefalométrica, observou-se um padrão esquelético de classe I (ANB=4º) com

HISTÓRIA E ETIOLOGIA O paciente, leucoderma, do sexo masculino, com 13 anos e quatro meses de idade, apresentou-se para exame inicial com a queixa principal de protrusão dos incisivos superiores. Tinha bom estado geral de saúde e relatou história médica de bronquite e alergia. Não apresentava hábitos de sucção ou postural e possuía deglutição e fonação normais. Em relação à saúde bucal, apresentava os primeiros molares inferiores com grande destruição coronária, segundos molares inferiores e primeiros molares superiores com lesão cariosa na superfície oclusal, presença de cálculos e gengivite.

* Relato de caso clínico, categoria 2, aprovado pelo Board Brasileiro de Ortodontia e Ortopedia Facial. ** Especialista em Odontopediatria pela Escola de Aperfeiçoamento Profissional da ABO de Ponta Grossa/PR. Especialista em Ortodontia e Ortopedia Facial pela Escola de Aperfeiçoamento da ABO de Curitiba/PR. Diplomado pelo Board Brasileiro de Ortodontia e Ortopedia Facial.

Dental Press J Orthod

133

2010 July-Aug;15(4):133-43


Silva ITP

Angle Class I malocclusion treated with extraction of first permanent molars Abstract Angle Class I malocclusion is characterized by normal anteroposterior molar relationship, which may or may not be accompanied by skeletal changes—in the vertical or transverse planes—or dental changes. Bimaxillary dental protrusion, characterized by pronounced labial inclination of maxillary and mandibular incisors combined with excessive overjet, expose patients to dental trauma and compromise aesthetics. In deciding which teeth to extract for Class I correction the first or second premolars are usually selected due to their location in the dental arch. However, the extraction of a first permanent molar compromised by caries or extensive restoration may be an alternative that ensures the preservation of a healthy tooth instead of one that has already been manipulated. This case, treated in an unusual manner by the extraction of four first permanent molars, was presented to the Brazilian Board of Orthodontics and Dentofacial Orthopedics (BBO) as representative of category 2, as part of the requirements for obtaining the BBO diplomate title. Keywords: Angle Class I malocclusion. Tooth extraction. Corrective Orthodontics.

Referências 1. 2. 3. 4. 5. 6.

7.

Hom BM, Turley PK. The effects of space closure of the mandibular first molar area in adults. Am J Orthod. 1984 Jun;85(6):457-69. 8. Jensen ID. Extraction of first molars in discrepancy cases. Am J Orthod. 1973;64(2):115-36. 9. Silva OG Filho, Freitas SF, Cavassan AO. Oclusão: prevalência de oclusão normal e má oclusão na dentadura mista em escolares da cidade de Bauru (São Paulo). Parte I: relação sagital. Rev Odontol Univ São Paulo. 1990 abr-jun;4(2):130-7. 10. Silva ITP, Telles FS, Moro A. Diagnóstico ortodôntico em relação cêntrica: comparação de medidas cefalométricas em relação cêntrica obtida pela “TENS” com medidas em máxima intercuspidação habitual. Rev Dental Press Ortod Ortop Facial. 2001 maio-jun;6(3):7-24.

Andrews LF. The six keys to normal occlusion. Am J Orthod. 1972 Sep;62(3):296-309. Angle EH. Classification of malocclusion. Dental Cosmos. 1899; 41(2):248-64. Bayram M, Ozer M, Arici S. Effects of first molar extraction on third molar angulation and eruption space. Oral Surg Oral Med Oral Pathol Oral Radiol Endod. 2009 Feb;107(2):e14-20. Diaz MCA, Pinzan A, Freitas MR. Extração de primeiros molares permanentes – apresentação de um caso. Ortodontia. 1992;25(1):47-53. Normando DCA. Alterações oclusais espontâneas decorrentes da perda dos primeiros molares permanentes inferiores. Rev Dental Press Ortod Ortop Facial. 2003 maio-jun;8(3):15-23. Stalpers MJ, Booij JW, Bronkhorst EM, Kuijpers-Jagtman AM, Katsaros C. Extraction of maxillary first permanent molars in patients with Class II Division 1 malocclusion. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2007 Sep;132(3):316-23.

Enviado em: maio de 2010 Revisado e aceito: junho de 2010

Endereço para correspondência Ivan Tadeu Pinheiro da Silva Rua Nove, nº 1519 – Q E 12 L10 / Setor Marista CEP: 74.150-130 – Goiânia / GO E-mail: ortodontia@ortoevidente.com

Dental Press J Orthod

143

2010 July-Aug;15(4):133-43


Tópico Especial

Corticotomias alveolares na Ortodontia: indicações e efeitos na movimentação dentária Dauro Douglas Oliveira*, Bruno Franco de Oliveira**, Rodrigo Villamarim Soares***

Resumo Introdução: a busca pelo aumento na eficiência dos tratamentos ortodônticos é uma cons-

tante em diversas áreas da Ortodontia atual. A realização de corticotomias alveolares pouco antes da aplicação de forças ortodônticas vem sendo sugerida como uma forma de potencializar a movimentação dentária e, consequentemente, o tratamento ortodôntico como um todo. Objetivo: o presente artigo revê a perspectiva histórica dessa abordagem terapêutica, apresenta e ilustra com casos clínicos suas principais indicações e, por fim, discute os fundamentos biológicos que justificam sua utilização. Palavras-chave: Corticotomias alveolares. Movimentação ortodôntica. Ortodontia acelerada. Tratamento ortodôntico.

INTRODUÇÃO Quando vou remover meus aparelhos? Essa é, muito provavelmente, a pergunta mais ouvida pelos ortodontistas em seu cotidiano clínico. Qual paciente ortodôntico não se entusiasmaria com a possibilidade de diminuir a duração de seu tratamento? Devido a essa demanda constante por tratamentos mais curtos, ortodontistas de todo o mundo têm buscado, cada vez mais frequentemente, formas para aumentar a eficiência dos tratamentos ortodônticos. A busca por essa eficiência — ou seja, por abordagens que permitam a conclusão dos tratamentos em menor tempo mas que, mesmo assim, obtenham os melhores resultados possíveis —,

tornou-se uma meta em todas as áreas da Ortodontia. Sistemas de braquetes ou de ligaduras de baixo atrito, fios dobrados por robôs, retração rápida de caninos e corticotomias alveolares são exemplos de abordagens que objetivam a redução do tempo requerido na terapia ortodôntica. Como os relatos de tratamentos mais rápidos têm forte apelo comercial, os ortodontistas se deparam com um desafio importante: avaliar criticamente as possibilidades para se aumentar a eficiência da movimentação ortodôntica, separando o que é realmente um avanço nas alternativas de tratamento das abordagens que priorizam o interesse financeiro em vez da melhora dos serviços prestados aos pacientes.

* Coordenador do Mestrado em Ortodontia da PUC-Minas. Doutor em Ortodontia pela UFRJ. Mestre em Ortodontia pela Marquette University – Milwaukee/EUA. ** Mestre em Prótese Odontológica pela PUC-Minas. *** Coordenador do Mestrado em Periodontia da PUC-Minas. Doutor em Biologia Oral pela Boston University – Boston/EUA.

Dental Press J Orthod

144

2010 July-Aug;15(4):144-57


Corticotomias alveolares na Ortodontia: indicações e efeitos na movimentação dentária

Alveolar corticotomies in orthodontics: Indications and effects on tooth movement Abstract Introduction: The systematic search for increased efficiency in orthodontic treatment is shared by several areas of orthodontics. Performing alveolar corticotomies shortly before the application of orthodontic forces has been suggested as a method to enhance tooth movement and, consequently, orthodontic treatment as a whole. Objective: This article reviews the historical perspective of this therapeutic approach, presents and illustrates with clinical cases its main indications and finally discusses the biological reasons underlying its use. Keywords: Alveolar corticotomies. Orthodontic tooth movement. Accelerated orthodontics. Orthodontic treatment.

Referências 1. Wang L, Lee W, Lei DL, Liu YP, Yamashita DD, Yen SL. Tissue responses in corticotomy- and osteotomy-assisted tooth movements in rats: histology and immunostaining. Discussion. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2009 Dec;136(6):770-1. 2. Baloul SS. Mechanism of action and morphological changes in the alveolar bone in response to selective alveolar decortication facilitated tooth movement. [abstract]. In: 110th AAO Annual Session - Passion for Excellence; 2010 Apr 30 – May 4; Washington, DC: American Association of Orthodontists; 2010. p. 6. [cited 2010 June 12]. Available from: http://www.aaomembers.org/mtgs/upload/AS10_ Book_Abstracts-l.pdf. 3. Oliveira, DD. Efeitos da corticotomia alveolar na estrutura óssea e na movimentação ortodôntica. (tese) Rio de Janeiro (RJ): Universidade Federal do Rio de Janeiro; 2006. 4. Wilcko WM, Wilcko T, Bouquot JE, Ferguson DJ. Rapid orthodontics with alveolar reshaping: two case reports of decrowding. Int J Periodontics Restorative Dent. 2001 Feb;21(1):9-19. 5. Oliveira DD, Bolognese AM, Souza MMG. Corticotomias seletivas no osso alveolar para auxiliar a movimentação ortodôntica. Rev Clín Ortod Dental Press. 2007 junjul;6(3):66-72. 6. Kim SH, Kook YA, Jeong DM, Lee W, Chung KR, Nelson G. Clinical application of accelerated osteogenic orthodontics and partially osseointegrated mini-implants for minor tooth movement. Am J Dentofacial Orthop. 2009 Sep;136(9):431-9. 7. Mostafa YA, Mohamed Salah Fayed M, Mehanni S, ElBokle NN, Heider AM. Comparison of corticotomy-facilitated vs standard tooth-movement techniques in dogs with miniscrews as anchorage units. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2009 Oct;136(4):570-7.

Dental Press J Orthod

8. Merrill RG, Pedersen GW. Interdental osteotomy for immediate repositioning of dental-osseous elements. J Oral Surg. 1976 Feb;34(2):118-25. 9. Köle H. Surgical operations on the alveolar ridge to correct occlusal abnormalities. Oral Surg Oral Med Oral Path. 1959 May;12(5):515-29. 10. Bell W, Levy B. Revascularization and bone healing after maxillary corticotomies. J Oral Surg. 1972 Sep;30(9):640-8. 11. Düker J. Experimental animal research into segmented alveolar movement after corticotomy. J Maxillofac Surg. 1975 Jun;3(2):81-4. 12. Generson RM, Porter JM, Zell A, Stratigos GT. Combined surgical and orthodontic management of anterior open bite using corticotomy. J Oral Surg. 1978 Mar;36(3):216-9. 13. Hwang H, Lee K. Intrusion of overerupted molars by corticotomy and magnets. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2001 Feb;120(2):209-16. 14. Lino S, Sakoda S, Miyawaki S. An adult bimaxillary protrusion treated with corticotomy-facilitated orthodontics and titanium miniplates. Angle Orthod. 2006 Nov;76(6):1074-82. 15. Akay MC, Aras A, Günbay T, Akyalçin S, Koyuncue BO. Enhanced effect of combined treatment with corticotomy and skeletal anchorage in open bite correction. J Oral Maxillofac Surg. 2009 Mar;67(3):563-9. 16. Oliveira DD, Oliveira BF, Araújo Brito HH, Souza MM, Medeiros PJ. Selective alveolar corticotomy to intrude overerupted molars. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2008 Jun;133(6):902-8. 17. Yen SLK, Yamashita DD, Kim TH, Baek HS, Gross J. Closure of an unusually large palatal fistula in a cleft patient by bony transport and corticotomy-assisted expansion. J Oral Maxillofac Surg. 2003 Nov;61(11):1346-50. 18. Krishnan V, Davidovitch A. Cellular, molecular, and tissue-level reactions to orthodontic force. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2006 Apr;129(4):469-75.

156

2010 July-Aug;15(4):144-57


Oliveira DD, Oliveira BF, Soares RV

19. Wilcko MT, Wilcko MW, Pulver JJ, Bissada NF, Bouquot JE. Accelerated osteogenic orthodontics technique: a 1-stage surgically facilitated rapid orthodontic technique with alveolar augmentation. J Oral Maxillofac Surg. 2009 Oct;67(10):2149-59. 20. Faber J, Morum TFA, Leal S, Berto PM, Carvalho CKS. Miniplacas permitem tratamento eficiente e eficaz da mordida aberta anterior. Rev Dental Press Ortod Ortop Facial. 2008 set-out;13(5):144-57. 21. Souza MLAH. Corticotomia alveolar seletiva no mecanismo de intrusão dos primeiros molares superiores. Análise dos parâmetros clínicos e periodontais. [dissertação]. Belo Horizonte (MG): Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais; 2009. 22. Chung KR, Oh MY, Ko SJ. Corticotomy-assisted orthodontics. J Clin Orthod. 2001 May;35(5):331-9. 23. Melsen B, Agerbaek N, Markenstam G. Intrusion of incisors in adult patients with marginal bone loss. Am J Orthod. 1989 Sep;96(3):232-41. 24. Verna C, Dalstra M, Melsen B. The rate and type of orthodontic tooth movement is influenced by bone turnover in a rat model. Eur J Orthod. 2000 Aug;22(4):343-52.

25. Pilon JJ, Kuijpers-Jagtman AM, Maltha JC. Magnitude of orthodontic force and rate of bodily tooth movement, an experimental study in beagle dogs. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 1995 Jul;107(1):16-23. 26. Hashimoto F, Kobayashi Y, Matak S, Kobayashi K, Kato Y, Sakai H. Administration of osteocalcin accelerates orthodontic tooth movement induced by a closed coil spring in rats. Eur J Orthod. 2001 Oct;23(5):535-45. 27. Yamashiro T, Takano-Yamamoto T. Influences of ovariectomy on experimental tooth movement in the rat. J Dent Res. 2001 Sep;80(9):1858-61. 28. Frost HM. The biology of fracture healing: An overview for clinicians. Part I. Clin Orthop Rel Res. 1989 Nov;248(11):283-93. 29. Lee W, Karapetyan G, Moats R, Yamashita DD, Moon HB, Ferguson DJ, et al. Corticotomy-osteotomy-assisted tooth movement microCTs differ. J Dent Res. 2008 Sep;87(9):861-7. 30. Sebaoun JD, Kantarci A, Turner JW, Carvalho RS, Van Dyke TE, Fergusson DJ. Modeling of trabecular bone and lamina dura following selective alveolar decortication in rats. J Periodontol. 2008 Sep;79(9):1679-88.

Enviado em: maio de 2010 Revisado e aceito: junho de 2010

Endereço para correspondência Dauro Douglas Oliveira Programa de Mestrado em Odontologia – PUC Minas Av. Dom José Gaspar, 500 – Prédio 46 – Bairro Coração Eucarístico CEP: 30.535-610 – Belo Horizonte / MG Email: daurooliveira@hotmail.com

Dental Press J Orthod

157

2010 July-Aug;15(4):144-57


N ormas

de apresentação de originais

— O Dental Press Journal of Orthodontics publica artigos de investigação científica, revisões significativas, relatos de casos clínicos e de técnicas, comunicações breves e outros materiais relacionados à Ortodontia e Ortopedia Facial.

ORIENTAÇÕES PARA SUBMISSÃO DE MANUSCRITOS — Submeta os artigos através do site www.dentalpress.com.br/pubartigos. Organize sua apresentação como descrito a seguir: 1. Página de título — deve conter título em português e inglês, resumo e abstract, palavras-chave e keywords. — coloque todas as informações relativas aos autores em uma página separada, incluindo: nomes completos dos autores, títulos acadêmicos, afiliações institucionais e cargos administrativos. Ainda, deve-se identificar o autor correspondente e incluir seu endereço, números de telefone e e-mail. Essa informação não estará disponível para os revisores.

— O Dental Press Journal of Orthodontics utiliza o Sistema de Gestão de Publicação, um sistema online de submissão e avaliação de trabalhos. Para submeter novos trabalhos visite o site www.dentalpress. com.br/pubartigos. — Outros tipos de correspondência poderão ser enviados para: Dental Press Journal of Orthodontics Av. Euclides da Cunha 1718, Zona 5 CEP: 87.015-180, Maringá/PR Tel. (44) 3031-9818 E-mail: artigos@dentalpress.com.br

2. Resumo/Abstract — os resumos estruturados, em português e inglês, de 250 palavras ou menos são os preferidos. — os resumos estruturados devem conter as seções: INTRODUÇÃO, com a proposição do estudo; MÉTODOS, descrevendo como o mesmo foi realizado; RESULTADOS, descrevendo os resultados primários; e CONCLUSÕES, relatando o que os autores concluíram dos resultados, além das implicações clínicas. — os resumos devem ser acompanhados de 3 a 5 palavras-chave, ou descritores, também em português e em inglês, as quais devem ser adequadas conforme o MeSH/DeCS.

— As declarações e opiniões expressas pelo(s) autor(es) não necessariamente correspondem às do(s) editor(es) ou publisher, os quais não assumirão qualquer responsabilidade pelas mesmas. Nem o(s) editor(es) nem o publisher garantem ou endossam qualquer produto ou serviço anunciado nesta publicação ou alegação feita por seus respectivos fabricantes. Cada leitor deve determinar se deve agir conforme as informações contidas nesta publicação. A Revista ou as empresas patrocinadoras não serão responsáveis por qualquer dano advindo da publicação de informações errôneas.

3. Texto — o texto deve ser organizado nas seguintes seções: Introdução, Material e Métodos, Resultados, Discussão, Conclusões, Referências, e Legendas das figuras. — os textos devem ter o número máximo de 4.000 palavras, incluindo legendas das figuras, resumo, abstract e referências. — envie figuras e tabelas em arquivos separados (ver abaixo). — também insira as legendas das figuras no corpo do texto, para orientar a montagem final do artigo.

— Os trabalhos apresentados devem ser inéditos e não publicados ou submetidos para publicação em outra revista. Os manuscritos serão analisados pelo editor e consultores e estão sujeitos a revisão editorial. Os autores devem seguir as orientações descritas adiante. — Os trabalhos deverão, obrigatoriamente, ser escritos na língua inglesa.

4. Figuras — as imagens digitais devem ser no formato JPG ou TIF, em CMYK ou tons de cinza, com pelo menos 7 cm de largura e 300 dpis de resolução. — as imagens devem ser enviadas em arquivos independentes. — se uma figura já foi publicada anteriormente, sua legenda deve dar todo o crédito à fonte original. — confirmar se todas as figuras foram citadas no texto. 5. Gráficos e traçados cefalométricos — devem ser enviados os arquivos contendo as versões originais dos gráficos e traçados, nos programas que foram utilizados para sua confecção.

Dental Press J Orthod

158

2010 July-Aug;15(4):158-60


N ormas

de apresentação de originais

— não é recomendado o envio dos mesmos apenas em formato de imagem bitmap (não editável). — os desenhos enviados podem ser melhorados ou redesenhados pela produção da revista, a critério do Corpo Editorial.

— a exatidão das referências é de responsabilidade dos autores; as mesmas devem conter todos os dados necessários à sua identificação. — as referências devem ser apresentadas no final do texto obedecendo às Normas Vancouver (http:// www.nlm.nih.gov/bsd/uniform_requirements. html). — não devem ultrapassar o limite de 30. — utilize os exemplos a seguir:

6. Tabelas — as tabelas devem ser autoexplicativas e devem complementar, e não duplicar o texto. — devem ser numeradas com algarismos arábicos, na ordem em que são mencionadas no texto. — forneça um breve título para cada uma. — se uma tabela tiver sido publicada anteriormente, inclua uma nota de rodapé dando crédito à fonte original. — apresente as tabelas como arquivo de texto (Word ou Excel, por exemplo) e não como elemento gráfico (imagem não editável).

Artigos com até seis autores Sterrett JD, Oliver T, Robinson F, Fortson W, Knaak B, Russell CM. Width/length ratios of normal clinical crowns of the maxillary anterior dentition in man. J Clin Periodontol. 1999 Mar;26(3):153-7. Artigos com mais de seis autores De Munck J, Van Landuyt K, Peumans M, Poitevin A, Lambrechts P, Braem M, et al. A critical review of the durability of adhesion to tooth tissue: methods and results. J Dent Res. 2005 Feb;84(2):118-32.

7. Declaração de Cessão de Direitos Autorais — todos os manuscritos devem ser acompanhados da seguinte declaração escrita, assinada por todos os autores: “O(s) autor(es) abaixo assinado(s) transfere(m) todos os direitos autorais do manuscrito [inserir título do artigo aqui] para a Dental Press International, caso o trabalho seja publicado. O(s) autor(es) abaixo assinado(s) garante(m) que o artigo é original, não infringe qualquer direito autoral ou outro direito de propriedade de terceiros, não está sendo analisado por outra revista e não foi publicado anteriormente, seja em mídia impressa ou eletrônica. Eu (nós) assino (assinamos) e aceito (aceitamos) a responsabilidade de publicar este material.” — digitalize esse termo de liberação de direitos autorais e o envie pelo site*, junto com o artigo.

Capítulo de livro Kina S. Preparos dentários com finalidade protética. In: Kina S, Brugnera A. Invisível: restaurações estéticas cerâmicas. Maringá: Dental Press; 2007. cap. 6, p. 223-301. Capítulo de livro com editor Breedlove GK, Schorfheide AM. Adolescent pregnancy. 2nd ed. Wieczorek RR, editor. White Plains (NY): March of Dimes Education Services; 2001. Dissertação, tese e trabalho de conclusão de curso Beltrami LER. Braquetes com sulcos retentivos na base, colados clinicamente e removidos em laboratórios por testes de tração, cisalhamento e torção. [dissertação]. Bauru (SP): Universidade de São Paulo; 1990.

8. Comitês de Ética — Os artigos devem, se aplicável, fazer referência a pareceres de Comitês de Ética.

Formato eletrônico Câmara CALP. Estética em Ortodontia: Diagramas de Referências Estéticas Dentárias (DRED) e Faciais (DREF). Rev Dental Press Ortod Ortop Facial. 2006 nov-dez;11(6):130-56. [Acesso 12 jun 2008]. Disponível em: www.scielo.br/pdf/dpress/v11n6/ a15v11n6.pdf.

9. Referências — todos os artigos citados no texto devem constar na lista de referências. — todas as referências listadas devem ser citadas no texto. — com o objetivo de facilitar a leitura do texto, as referências serão citadas no texto apenas indicando a sua numeração. — as referências devem ser identificadas no texto por números arábicos sobrescritos e numeradas na ordem em que são citadas no texto. — as abreviações dos títulos dos periódicos devem ser normalizadas de acordo com as publicações “Index Medicus” e “Index to Dental Literature”.

Dental Press J Orthod

* Para submeter novos trabalhos acesse o site: www.dentalpress.com.br/pubartigos

159

2010 July-Aug;15(4):158-60


C omunicado

aos

A utores

e

C onsultores - R egistro

de

E nsaios C línicos

controles de qualidade. Os sites para que possam ser feitos os registros

1. O registro de ensaios clínicos

primários de ensaios clínicos são: www.actr.org.au (Australian Clinical

Os ensaios clínicos se encontram entre as melhores evidências para tomada de decisões clínicas. Considera-se ensaio clínico todo pro-

Trials Registry), www.clinicaltrials.gov e http://isrctn.org (Internatio-

jeto de pesquisa com pacientes que seja prospectivo, nos quais exista

nal Standard Randomised Controlled Trial Number Register (ISRC-

intervenção clínica ou medicamentosa com objetivo de comparação de

TN). Os registros nacionais estão sendo criados e, na medida do possí-

causa/efeito entre os grupos estudados e que, potencialmente, possa ter

vel, os ensaios clínicos registrados nos mesmos serão direcionados para

interferência sobre a saúde dos envolvidos.

os recomendados pela OMS.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os ensaios clí-

A OMS propõe um conjunto mínimo de informações que devem

nicos controlados aleatórios e os ensaios clínicos devem ser notificados

ser registradas sobre cada ensaio, como: número único de identificação,

e registrados antes de serem iniciados.

data de registro do ensaio, identidades secundárias, fontes de financia-

O registro desses ensaios tem sido proposto com o intuito de

mento e suporte material, principal patrocinador, outros patrocinado-

identificar todos os ensaios clínicos em execução e seus respectivos

res, contato para dúvidas do público, contato para dúvidas científicas,

resultados, uma vez que nem todos são publicados em revistas cien-

título público do estudo, título científico, países de recrutamento, pro-

tíficas; preservar a saúde dos indivíduos que aderem ao estudo como

blemas de saúde estudados, intervenções, critérios de inclusão e ex-

pacientes; bem como impulsionar a comunicação e a cooperação de

clusão, tipo de estudo, data de recrutamento do primeiro voluntário,

instituições de pesquisa entre si e com as parcelas da sociedade com

tamanho pretendido da amostra, status do recrutamento e medidas de

interesse em um assunto específico. Adicionalmente, o registro permite

resultados primárias e secundárias. Atualmente, a Rede de Colaboradores está organizada em três

reconhecer as lacunas no conhecimento existentes em diferentes áreas,

categorias:

observar tendências no campo dos estudos e identificar os especialistas

- Registros Primários: cumprem com os requisitos mínimos e

nos assuntos.

contribuem para o Portal;

Reconhecendo a importância dessas iniciativas e para que as revistas da América Latina e Caribe sigam recomendações e padrões inter-

- Registros Parceiros: cumprem com os requisitos mínimos, mas

nacionais de qualidade, a BIREME recomendou aos editores de revistas

enviam os dados para o Portal somente através de parceria com um dos Registros Primários;

científicas da área da saúde indexadas na Scientific Library Electronic

- Registros Potenciais: em processo de validação pela Secretaria

Online (SciELO) e na LILACS (Literatura Latino-americana e do Ca-

do Portal, ainda não contribuem para o Portal.

ribe de Informação em Ciências da Saúde) que tornem públicas estas exigências e seu contexto. Assim como na base MEDLINE, foram incluídos campos específicos na LILACS e SciELO para o número de

3. Posicionamento do Dental Press Journal of Orthodontics

registro de ensaios clínicos dos artigos publicados nas revistas da área

O DENTAL PRESS JOURNAL OF ORTHODONTICS apoia

da saúde.

as políticas para registro de ensaios clínicos da Organização Mundial

Ao mesmo tempo, o International Committee of Medical Jour-

da Saúde - OMS (http://www.who.int/ictrp/en/) e do International

nal Editors (ICMJE) sugeriu aos editores de revistas científicas que

Committee of Medical Journal Editors – ICMJE (http://www.wame.

exijam dos autores o número de registro no momento da submissão

org/wamestmt.htm#trialreg e http://www.icmje.org/clin_trialup.htm),

de trabalhos. O registro dos ensaios clínicos pode ser feito em um dos

reconhecendo a importância dessas iniciativas para o registro e divul-

Registros de Ensaios Clínicos validados pela OMS e ICMJE, cujos en-

gação internacional de informação sobre estudos clínicos, em acesso

dereços estão disponíveis no site do ICMJE. Para que sejam validados,

aberto. Sendo assim, seguindo as orientações da BIREME/OPAS/OMS

os Registros de Ensaios Clínicos devem seguir um conjunto de critérios

para a indexação de periódicos na LILACS e SciELO, somente serão

estabelecidos pela OMS.

aceitos para publicação os artigos de pesquisas clínicas que tenham recebido um número de identificação em um dos Registros de Ensaios Clínicos, validados pelos critérios estabelecidos pela OMS e ICMJE,

2. Portal para divulgação e registro dos ensaios A OMS, com objetivo de fornecer maior visibilidade aos Registros

cujos endereços estão disponíveis no site do ICMJE: http://www.icmje.

de Ensaios Clínicos validados, lançou o portal WHO Clinical Trial Se-

org/faq.pdf. O número de identificação deverá ser registrado ao final

arch Portal (http://www.who.int/ictrp/network/en/index.html), com

do resumo. Consequentemente, recomendamos aos autores que procedam o

interface que permite busca simultânea em diversas bases. A pesquisa,

registro dos ensaios clínicos antes do início de sua execução.

nesse portal, pode ser feita por palavras, pelo título dos ensaios clínicos ou pelo número de identificação. O resultado mostra todos os ensaios existentes, em diferentes fases de execução, com enlaces para

Atenciosamente,

a descrição completa no Registro Primário de Ensaios Clínicos correspondente. A qualidade da informação disponível nesse portal é garantida pelos produtores dos Registros de Ensaios Clínicos que integram a rede

Jorge Faber, CD, MS, Dr

recém-criada pela OMS: WHO Network of Collaborating Clinical

Editor do Dental Press Journal of Orthodontics

Trial Registers. Essa rede permitirá o intercâmbio entre os produtores

ISSN 2176-9451

dos Registros de Ensaios Clínicos para a definição de boas práticas e

E-mail: faber@dentalpress.com.br

Dental Press J Orthod

160

2010 July-Aug;15(4):158-60

v15n4-pt  

Revista Dental Press Journal Of Ortodontics - PT

v15n4-pt  

Revista Dental Press Journal Of Ortodontics - PT

Advertisement