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ISSN 2176-9451

Volume 16, Number 5, September / October 2011

v. 16, no. 5

September/October 2011

Dental Press J Orthod. 2011 September/October;16(5):1-208 Edição Especial Dental Press International

ISSN 2176-9451


v. 16, no. 5

Dental Press J Orthod. 2011 September/October;16(5):1-208

September/October 2011

ISSN 2176-9451


EDITOR CHEFE Jorge Faber

Eduardo Silveira Ferreira UnB - DF - Brasil

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Eustáquio Araújo EDITORA ASSOCIADA Telma Martins de Araújo

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Fonoaudiologia Esther M. G. Bianchini

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CDD 617.643005


Sumário 6

Editorial

17

O que há de novo na Odontologia / What’s new in Dentistry

20

Insight Ortodôntico / Orthodontic Insight

30

Entrevista com Stephen Yen / Interview

Artigos Online / Online Articles

37

Avaliação da influência da quantidade de exposição gengival na estética do sorriso

An evaluation of the influence of gingival display level in the smile esthetics Larissa Suzuki, Andre Wilson Machado, Marcos Alan Vieira Bittencourt

40

Alterações dentoesqueléticas decorrentes do tratamento com aparelho ortopédico funcional Twin Block em pacientes portadores de má oclusão de Classe II esquelética

Dentoskeletal changes in Class II malocclusion patients after treatment with the Twin Block functional appliance Ione Helena Vieira Portella Brunharo, Cátia Abdo Quintão, Marco Antonio de Oliveira Almeida, Alexandre Motta, Sunny Yamaguche Nogueira Barreto

43

Recidiva do apinhamento anterossuperior nas más oclusões de Classe I e Classe II tratadas ortodonticamente sem extrações Relapse of maxillary anterior crowding in Class I and Class II malocclusion treated orthodontically without extractions Willian J. G. Guirro, Karina Maria Salvatore de Freitas, Marcos Roberto de Freitas, José Fernando Castanha Henriques, Guilherme Janson, Luiz Filiphe Gonçalves Canuto

46

Tratamento de más oclusões de Classe II graves com aparelhos funcionais removíveis e ortodônticos sequenciais: um caso para a avaliação do MOrthRCSEd

Management of severe Class II malocclusion with sequential removable functional and orthodontic appliances: a case for MOrthRCSEd examination Larry Ching Fan Li, Ricky Wing Kit Wong

Artigos Inéditos / Original Articles

48

Um método para o retratamento da recidiva do desalinhamento dentário A method to re-treat the relapse of dental misalignment David Normando, Leopoldino Capelozza Filho

54

Análise eletromiográfica do músculo orbicular da boca em jovens com Classe II, 1ª divisão, e jovens com oclusão normal Electromyographic analysis of the orbicularis oris muscle in youngsters with Class II, division 1 and normal occlusion Vania Célia Vieira de Siqueira, Meire Alves de Sousa, Fausto Bérzin, Cézar Augusto Souza Casarini

62

Estudo comparativo cefalométrico dos padrões dentofaciais de indivíduos portadores de oclusão normal e de más oclusões de Angle

Comparative cephalometric study of dentofacial patterns of individuals with normal occlusion and Angle malocclusions Julio César Mota Pereira, Henrique Manoel Lederman, Hélio Kiitiro Yamashita, Dayliz Quinto Pereira, Luís Antônio de Arruda Aidar

74

Efeitos dos fios de nivelamento de níquel-titânio e de aço inoxidável na posição dos incisivos inferiores

Effects of nickel-titanium and stainless steel leveling wires on the position of mandibular incisors Ricardo Moresca, Alexandre Moro, Gladys Cristina Dominguez, Julio Wilson Vigorito

82

Análise cefalométrica das vias aéreas superiores de pacientes Classe III submetidos a tratamento ortocirúrgico Cephalometric analysis of the upper airways of Class III patients subjected to orthosurgical treatment Camila Gornic, Paula Paiva do Nascimento, Camilo Aquino Melgaço, Antonio Carlos de O. Ruellas, Paulo José D’Albuquerque Medeiros, Eduardo Franzotti Sant’Anna


89

Distribuição de tensões em modelo fotoelástico decorrente da intrusão dos incisivos inferiores por meio do arco base de Ricketts

Stress distribution in a photoelastic model resulting from intrusion of mandibular incisors using Ricketts utility arch Cristiane Aparecida de Assis Claro, Jorge Abrão, Sílvia Augusta Braga Reis, Dalva Cruz Laganá

98 104

111

Guias clínicos e radiográficos utilizados para a predição do surto de crescimento puberal Clinical and radiographic guidelines to predict pubertal growth spurt Monica Tirre de Souza Araujo, Adriana de Alcantara Cury-Saramago, Andréa Fonseca Jardim da Motta Resistência ao cisalhamento da colagem com compósitos utilizando potencializador de adesão Shear bond strength of composites using an adhesion booster Edivaldo de Morais, Fábio Lourenço Romano, Lourenço Correr Sobrinho, Américo Bortolazzo Correr, Maria Beatriz Borges de Araújo Magnani Influência da exposição gengival na estética do sorriso Influence of gingival exposure on the smile aesthetics Milene Brum Dutra, Daltro Enéas Ritter, Adriano Borgatto, Carla D’Agostine Derech, Roberto Rocha

119

Análise comparativa da expansão maxilar com três marcas de parafusos com limitador posterior: ensaio laboratorial em Typodont

Comparative analysis of rapid maxillary expansion using three brands of fan-type expander screw: laboratory trial using typodont Ricardo Damo Meneguzzi, Luciane Macedo de Menezes, Susana Maria Deon Rizzatto

127

135

Avaliação do perfil dos profissionais da área de Ortodontia quanto às condutas legais Profile evaluation of orthodontics professionals as for their legal actions Luiz Renato Paranhos, Marcio Salazar, Fernando César Torres, Antônio Carlos Pereira, Rhonan Ferreira da Silva, Adilson Luiz Ramos Programa de extrações seriadas: variáveis relacionadas com a extração de pré-molares Serial extraction: variables associated to the extraction of premolars Tulio Silva Lara, Cibelle Cristina Oliveira dos Santos, Omar Gabriel da Silva Filho, Daniela Gamba Garib, Francisco Antônio Bertoz

146

Avaliação dos efeitos de três métodos de remoção da resina remanescente do braquete na superfície do esmalte

Effects evaluation of remaining resin removal (three modes) on enamel surface after bracket debonding Karine Macieski, Roberto Rocha, Arno Locks, Gerson Ulema Ribeiro

155

Avaliação comparativa do espaçamento anterior em nipo-brasileiros e leucodermas, na dentição decídua Comparative assessment of anterior spacing in Japanese-Brazilian and white children in the primary dentition Evandro Eloy Marcone Ferreira, Eduardo Cardoso Pastori, Rívea Inês Ferreira, Helio Scavone Junior, Karyna Martins do Valle-Corotti

163

Caso Clínico BBO / BBO Case Report

Tratamento conservador de uma má oclusão Classe I de Angle, com atresia maxilar e apinhamento anterior The conservative treatment of Class I malocclusion with maxillary transverse deficiency and anterior teeth crowding Lincoln I. Nojima

172

Tópico Especial / Special Article

Perfuração do esmalte para o tracionamento de caninos: vantagens, desvantagens, descrição da técnica cirúrgica e biomecânica

Enamel perforation for canine traction: Advantages, disadvantages, surgical technique description and biomechanics Leopoldino Capelozza Filho, Alberto Consolaro, Mauricio de Almeida Cardoso, Danilo Furquim Siqueira

206

Normas para publicação / Information for authors


Editorial

Artigos, sites ou livros. Onde obter a informação necessária?

Onde devemos ler a informação que desejamos para tomar uma decisão de tratamento: artigo, site ou livro? É curioso, mas isso não é tão claro quanto pode parecer para a grande maioria dos profissionais, e mais confuso ainda para os leigos. Então, arregacemos as mangas. O artigo científico é a fonte mais preciosa de informação que possuímos. Ele apresenta aquilo que há de mais atual e, ao analisar o desenho de um estudo, podemos compreender onde aquele estudo em particular se encontra na pirâmide de evidência. Ou seja, com algum conhecimento de Odontologia baseada em evidências, um leitor pode compreender exatamente a força que um artigo tem e sua relevância para a prática clínica. Além disso, um artigo percorre um caminho de publicação durante o qual ele é sabatinado antes e depois de encontrar as páginas de uma revista. Assim, a informação é esmerilhada e polida antes de ser entregue ao leitor. A limitação do artigo científico é que ele é destinado ao profissional, e não ao leigo. Os sites oferecem a vantagem de tornar acessível a informação para o leigo. Entretanto, talvez sejam os locais mais polêmicos para se obter conhecimento. Dentre eles, há de tudo: dos ótimos aos péssimos. Eles deram origem ao mais famoso e consultado doutor da atualidade: o Dr. Google. Esse doutor desperta as mais polarizadas sensações. Às vezes, ficamos felizes ao ver o Dr. Google ajudando alguém a escapar de um tratamento inadequado. Em

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outros momentos, ele fala atrocidades para os pacientes, e somos obrigados a gastar um enorme volume de saliva para explicar o porquê dele estar errado. Nunca é demais avisar que o Dr. Google não é uma fonte plenamente confiável de informação, e profissionais devem se valer dele com muita cautela. O problema da informação na Internet é que os sites aceitam qualquer informação que lá seja escrita. Por isso existe tanto desconhecimento sendo propagado na rede. Todavia, há fantásticas iniciativas de esclarecimento, como a Colaboração Cochrane1. Nesse espaço na rede, leitores poderão ler aquilo que de melhor há disponível sobre diferentes assuntos na área da saúde. A Colaboração Cochrane já foi citada como um empreendimento que rivaliza com o Projeto Genoma Humano, nas suas implicações potenciais para os tratamentos de saúde modernos. Essa é uma fonte tanto para leigos quanto para profissionais. É curioso que os livros, apesar de estarem entre nós há séculos, são muito mal compreendidos pelas pessoas em geral. Existe um adágio popular que diz que, para uma pessoa estar plenamente realizada, ela precisa plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho. Entretanto, quando vamos às livrarias, vemos centenas — talvez milhares — de livros de baixa qualidade. Como podemos separar o joio do trigo na área da saúde? Simples. Entendamos como funciona um livro em nossa área.

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Editorial

Um ótimo exemplo disso é o livro Controvérsias na Ortodontia e Atlas de Biologia da Movimentação Dentária, de Alberto Consolaro e colaboradores2. Nesse livro, os autores amarram as informações apresentadas inicialmente por meio de artigos — os quais passaram pelo crivo da comunidade odontológica —, fornecendo um incrível panorama geral da visão dos autores sobre diferentes problemas enfrentados no dia a dia clínico. Dessa forma, há artigos e artigos, sites e sites, e livros e livros. Escolha sua fonte com sabedoria.

Livros aceitam qualquer qualidade de informação em suas páginas. Assim, os bons livros são, na verdade, o fechamento de um ou vários assuntos por um autor, sempre de temas que ele tenha tratado em artigos. Ou seja: o autor publicou diversos artigos; essas informações foram testadas pela comunidade científica e, após certo momento, ele dá a necessária coesão e contextualização daquele assunto aos leitores. Quase sempre, aos olhos externos, aqueles artigos não possuem um alinhamento, uma coerência, que é óbvia ao autor e que é explicada em um livro. Assim, esse tipo de fonte permite uma visão geral única sobre o trabalho de alguém ou de um grupo. Exatamente pela facilidade, leitura agradável e coerência é que livros são muito utilizados com alunos de graduação. O objetivo é tornar a informação mais simples e didática e, assim, ideal para o momento inicial da formação do profissional.

Boa leitura. Jorge Faber Editor-chefe faber@dentalpress.com.br

Referências 1. The Cochrane Collaboration. Available from: www.cochrane.org. 2. Consolaro A, Consolaro MFM-O. Controvérsias na Ortodontia e Atlas de biologia da movimentação dentária. Maringá: Dental Press; 2008.

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10 | 11 | 12 | NOV | 2011 | CENTRO DE CONGRESSOS DE LISBOA | PORTUGAL

CONFERENCISTA CONVIDADO JORGE FABER | BR

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8º CONGRESSO DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ORTODONTIA E ORTOPEDIA FACIAL BELO HORIZONTE - 12 A 15 DE OUTUBRO DE 2011

EXPANDINDO HORIZONTES Palestrantes Internacionais CONFIRMADOS

James McNamara Estados Unidos

Albino Triaca Alemanha

Eustáquio Araújo Estados Unidos

Giuseppe Scuzzo Itália

Leena Palomo Estados Unidos

Marco Rosa Itália

Martim Palomo Estados Unidos

Rolf Behrents Estados Unidos

Stephen Yen Estados Unidos

Palestrantes Nacionais CONFIRMADOS Alberto Consolaro Alexandre Fortes Drummond Alexandre Vianna Antônio Brito Antônio Carlos Ruellas Ary dos Santos Pinto Bernardo Quiroga Souki Bruno Gribel Carlo Marassi Carlos Alberto Mundstock Carlos Alexandre L. Peersen Camara Carlos Martins Coelho Filho Celso Tinoco Dario F. Lopes Neto Dauro Douglas Oliveira David Normando Edela Puricelli Eduardo Sant´Ana

Ênio Tonani Mazzieiro Ertty Silva Euflásio Girotto Jr. Flávia Artese Gerson Luiz Ulema Ribeiro Giselle Naback Guilherme de Araujo Almeida Guilherme dos Reis P. Janson Gustavo Tirado Rodrigues Henrique Vilela Hugo Caracas Ingrid Nunes Isabela Pordeus Ivana Ardenghi Vargas Jairo Curado Jorge Faber José Alfredo Mendonça José Augusto Mendes Miguel

Julio Brant Kurt Faltin Jr. Lincoln Nojima Luis Henrique Moreira Marinho Luiz Fernando Eto Marcelo Marigo Marcelo Moraes Marco Antônio de Oliveira Almeida Marco Antônio Schroeder Marco Aurelio Bonfim Marcos Gabriel do Lago Prieto Marcos Janson Maria Aparecida Sobreiro Maurício Accorsi Mêrian Lucena de Moura Nelson Mucha Otávio Ferraz Paulo Eduardo Guedes Carvalho

Paulo Renato Carvalho Ribeiro Raimunda Lima Ricardo Cruz Robert Willer Farinazzo Vitral Roberto Caproni Roberto Carlos Bodart Brandão Roberto M. A. Lima Filho Ronaldo da Veiga Jardim Rosa Helena Wanderley Lacerda Rosário Casalenuovo Junior Rowdley Robert Rossi Ferreira Stenyo W. Tavares Tarcísio Junqueira Pereira Telma Martins de Araujo Valter Ossamu Arima Weber José da Silva Ursi Wellington Pacheco

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O

que há de novo na

Odontologia

Fronteiras terapêuticas em expansão: engenharia de tecidos e células-tronco Roberto Rocha*

Na última década, a pesquisa em Odontologia tem avançado de forma expressiva no campo da engenharia de tecidos. A busca por formas de permitir a reparação tecidual, e até mesmo a formação de tecidos novos, tem como objetivo ampliar de forma drástica as possibilidades terapêuticas nas diferentes áreas. A engenharia de tecidos é uma possibilidade bastante promissora para fornecer tecido para reparos craniofaciais5. Somando-se a incidência das fissuras pré-forame incisivo, que envolvem o rebordo alveolar, com as fissuras do tipo transforame incisivo, a presença da fenda alveolar, parcial ou completa, atinge cerca de 70% dos pacientes portadores de fissura labiopalatal. Sob a óptica do tratamento ortodôntico, a presença da fenda alveolar é o ponto de maior complexidade terapêutica, pois impõe limites à movimentação dentária na área adjacente à fenda. É crítica a atenção para a limitação que essa circunstância impõe à reabilitação do paciente1,2,11,12. Com intuito de fazer frente a essa dificuldade, a utilização do enxerto ósseo alveolar secundário tem sido o protocolo de eleição. Não obstante sua eficácia esteja fartamente registrada na literatura e na prática clínica, é um procedimento que envolve aspectos de complexidade como o custo, envolvendo anestesia geral, necessidade de ortopedista quando o sítio doador é a crista ilíaca, e sua morbidade, entre outros. Novas descobertas estão sinalizando na direção do desenvolvimento de estratégias menos invasivas e tão eficazes quanto. A Associação Americana de

Cirurgiões Ortopedistas sugere que, em face da elevada demanda de enxertias, seja estimulado o desenvolvimento e oferta de “substitutos aos enxertos ósseos convencionais”. Em recente estudo5, células-tronco embrionárias foram diferenciadas em cartilagem e, então, implantadas em defeitos ósseos cranianos produzidos artificialmente. Na comparação com o grupo controle, o grupo que recebeu o tecido implantado teve uma resposta de reparo significativamente mais rápida. A biologia das células-tronco tem se tornado uma importante área de conhecimento para entender o processo da regeneração tecidual. Para a bioengenharia é essencial uma tríade composta por células-tronco, ou progenitoras, uma matriz que funcione como arcabouço e proteínas sinalizadoras, denominadas fatores de crescimento, como estímulo para diferenciação celular10. Em geral, as células-tronco apresentam duas grandes características: têm a capacidade de autorrenovação e, quando se multiplicam, podem permanecer com as características de células-tronco ou se diferenciar em uma gama de outros tipos celulares6,7. A polpa dentária figura entre os tecidos mais ricos em células-tronco mesenquimais, as quais têm enorme potencial de aplicação na engenharia de tecidos. Isso devido ao fato de que esse tipo de célula-tronco proveniente da polpa dentária é multipotente e tem elevada taxa de proliferação, dando a esse sítio doador destacado valor como importante fonte de células-tronco mesenquimais para utilização em reparação tecidual3.

Como citar este artigo: Rocha R. Fronteiras terapêuticas em expansão: engenharia de tecidos e células-tronco. Dental Press J Orthod. 2011 Sept-Oct;16(5):17-9.

» O autor declara não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros que representem conflito de interesse, nos produtos e companhias descritos nesse artigo.

* Mestre e Doutor em Ortodontia pela UFRJ. Professor Adjunto de Ortodontia na UFSC. Diplomado pelo Board Brasileiro de Ortodontia e Ortopedia Facial.

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Rocha R

Referências 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7.

Abyholm F, Bergland O, Semb G. Secondary bone grafting of alveolar clefts. Scand J Plast Reconstr Surg. 1981;15:127-40. Boyne PJ, Sands NR. Combined orthodontic-surgical management of residual palato-alveolar cleft defects. Am J Orthod. 1976;70(1):20-37. Casagrande L, Cordeiro MM, Nör SA, Nör JE. Dental pulp stem cells in regenerative dentistry. Odontology. 2011;99(1):1-7. Epub 2011 Jan 27. Cordeiro MM, Dong Z, Kaneko T, Zhang Z, Miyazawa M, Shi S, et al. Dental pulp tissue engineering with stem cells from exfoliated deciduous teeth. J Endod. 2008;34(8):962-9. Doan L, Connor K, Heather L, English J, Gomez H, Johnson E, et al. Engineered cartilage heals skull defects. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2010;137(2):162.e1-9. Huang GT, Sonoyama W, Liu Y, Liu H, Wang S, Shi S. The hidden treasure in apical papilla: the potential role in pulp/dentin regeneration and bioroot engineering. J Endod. 2008;34(6):645-51. Huang GT. A paradigm shift in endodontic management of immature teeth: conservation of stem cells for regeneration. J Dent. 2008;36(6):379-86.

8.

Sakai VT, Cordeiro MM, Dong Z, Zhang Z, Zeitlin BD, Nör JE. Tooth slice/scaffold model of dental pulp tissue engineering. Adv Dent Res. 2011;23(3):325-32. 9. Sonoyama W, Liu Y, Yamaza T, Tuan RS, Wang S, Shi S, et al. Characterization of the apical papilla and its residing stem cells from human immature permanent teeth: a pilot study. J Endod. 2008;34(2):166-71. 10. Soares AP, Knop LAH, Jesus AA, Araújo TM. Células-tronco em odontologia. Rev Dental Press Ortod Ortop Facial. 2007;12(1):33-40. 11. Stellmach RK. Bone grafting of the alveolus followed by orthopaedic alignment of the alveolar arch in infants with complete CLP. Oral Surg. 1963;16(8):897-912. 12. Turvey TA, Vig K, Moriaty J, Hoke J. Delayed bone grafting in the cleft maxilla and palate. A retrospective multidisciplinary analysis. Am J Orthod. 1984;86(3):244-56.

Enviado em: 11 de julho de 2011 Revisado e aceito: 20 de agosto de 2011

Endereço para correspondência Roberto Rocha Duarte Schutel 306 – 6º andar, Centro CEP: 88.015-640 – Florianópolis / SC E-mail: rochafln@gmail.com

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Insight Ortodôntico

Mecânica intrusiva gera forças de inclinação e estímulos ortopédicos com reposicionamento dentário e remodelação óssea simultâneos OU

Na mecânica intrusiva não se aplica forças de intrusão, mas obtém-se o efeito intrusivo Alberto Consolaro*, Laurindo Furquim**

Resumo

As agressões de baixa intensidade e longa duração no periósteo induzem a formação de novas camadas e podem aumentar o volume do osso e mudar sua forma. Nas mecânicas intrusivas, a inclinação natural das raízes propicia que os movimentos dentários sejam de inclinação. Ao mesmo tempo que promove forças de compressão do ligamento periodontal dos dentes submetidos a esse tipo de mecânica, em outras áreas ocorrem forças de tensão com deflexão. Esses efeitos também envolvem as superfícies externas, visto que a espessura do osso no processo alveolar é pequena e pode levar à formação de novas camadas, incluindo a parte mais cervical da crista óssea alveolar. Nas mecânicas intrusivas, ocorre uma remodelação alveolar de natureza ortodôntica associada a uma modificação da estrutura óssea interna e externa, atendendo a demandas de forças com características ortopédicas. O efeito intrusivo nas mecânicas ditas intrusivas pode ser o resultado da remodelação alveolar induzida pelas forças de inclinação e da modificação do volume ósseo decorrente da formação óssea subperiosteal na parte externa do processo alveolar. Provavelmente, estudos imaginológicos apurados, com tomografias computadorizadas de alta precisão, poderão captar esses fenômenos subperiosteais em futuros trabalhos envolvendo pacientes antes e depois da aplicação das mecânicas intrusivas. Palavras-chave: Intrusão. Ortodontia. Ortopedia. Periósteo.

A intrusão frequentemente é citada como uma causa de grande risco para a reabsorção radicular apical e na região inter-radicular nas bifurcações2. Esse risco seria muito maior do que em outros tipos de movimentos dentários. Embora sugira-se que a reabsorção radicular apical depende

da intensidade dos movimentos ortodônticos10, muitos estudos revelam que não há relação entre as reabsorções dentárias e a intrusão3,5,6,7,11,12. Carrillo et al.2, em 2007, aplicaram aparelhos específicos, com ancoragem absoluta por placas e implantes osseointegrados, em dentes de cães

Como citar este artigo: Consolaro A, Furquim L. Mecânica intrusiva gera forças de inclinação e estímulos ortopédicos com reposicionamento dentário e remodelação óssea simultâneos. Dental Press J Orthod. 2011 Sept-Oct;16(5):20-9.

» Os autores declaram não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros que representem conflito de interesse, nos produtos e companhias descritos nesse artigo.

* Professor Titular da Faculdade de Odontologia de Bauru e da Pós-graduação da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto – USP. ** Professor Doutor da Universidade Estadual de Maringá (UEM).

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Consolaro A, Furquim L

Intrusive mechanics generates inclination forces and orthopedic stimuli with dental repositioning and simultaneous bone remodeling OR In intrusive mechanics intrusion forces are not applied, but the intrusive effect is obtained Abstract The low intensity and long duration aggressions in the periosteum induces the formation of new layers and can increase the volume of the bone and change its shape. In intrusive mechanics, the natural inclination of the roots provides the tooth inclination movement. At the same time that promotes compression forces on the periodontal ligament of teeth subjected to this kind of mechanics, in other areas, tension forces with deflection occurs. These effects also involve the outer surfaces, since the thickness of the bone in the alveolar process is thin and can lead to the formation of new layers, including the cervical part of the alveolar bone crest. In intrusive mechanics, there is an alveolar remodeling with orthodontic nature associated to a modification of bone internal and external structure, satisfying the demand for forces with orthopedic features. The intrusive effect on the so called intrusive mechanics may be the result of alveolar remodeling induced by the inclination forces, and of the modification of bone volume due to subperiosteal bone formation on the outer part of the alveolar process. Probably accurate imaging studies, with high precision CT, will be able to detect these subperiosteal phenomena in future studies involving patients before and after application of intrusive mechanics. Keywords: Intrusion. Orthodontics. Orthopedics. Periosteum.

Referências 9. Ohmae M, Saito S, Morohashi T, Seki K, Qu H, Kanomi R, et al. A clinical and histological evaluation of titanium miniimplants as anchors for orthodontic intrusion in the beagle dog. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2001;119(5):489-97. 10. Parker RJ, Harris EF. Directions of orthodontic tooth movements associated with external apical root resorption of maxillary central incisor. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 1998;114(6):677-83. 11. Phillips JR. Apical root resorption under orthodontic therapy. Angle Orthod. 1955;25:1-22. 12. Sameshima GT, Sinclair PM. Predicting and preventing root resorption: part II. Treatment factors. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2001;119(5):511-5.

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Enviado em: 26 de julho de 2011 Revisado e aceito: 15 de agosto de 2011

Endereço para correspondência Alberto Consolaro E-mail: consolaro@uol.com.br

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Entrevista

Uma entrevista com

Stephen Yen • • • • • • • • •

Bacharel em Biologia pela Universidade de Harvard. Doutor em Medicina Dentária pela Faculdade de Medicina Dentária de Harvard. Especialização em Ortodontia pela Universidade do Sul da Califórnia (USC). Doutor em Biologia Craniofacial pela Universidade do Sul da Califórnia. Professor Associado em Ortodontia, Cirurgia Bucomaxilofacial e Ciências Básicas, Faculdade Ostrow de Odontologia da Universidade do Sul da Califórnia. Pesquisador do Centro de Biologia Molecular Craniofacial. Diretor do Programa de Residência (Fellowship) em Ortodontia Craniofacial do Children’s Hospital Los Angeles. Ortodontista do quadro do Los Angeles County Hospital/USC. Diplomado pelo American Board of Orthodontics (ABO).

O Dr. Stephen Yen nasceu em Boston e residiu em diversas regiões da Ásia durante a infância. Sua mãe, Chin-Ho Yu Yen, era médica e o pai, Peter Kai-Jen Yen, um ortodontista que lecionou em Harvard durante 25 anos. Os pais lhe transmitiram valores como família, fé e trabalho durante os períodos em que atuaram como missionários cristãos em Taiwan e Hong Kong. O pai do Dr. Yen foi um pioneiro no campo da Ortodontia, tendo fundado departamentos em Taipei, Hong Kong, Xian, Chengdu, Xangai, Pequim e Guangzhou. O Dr. Yen se formou na Faculdade de Medicina Dentária de Harvard, e concluiu a residência em Ortodontia na Universidade do Sul da Califórnia (USC). Ao concluir o doutorado no Centro de Biologia Molecular Craniofacial, onde atualmente realiza pesquisas, Dr. Yen trabalhou por dois anos com Bill Shaw no Children’s Hospital Los Angeles, onde posteriormente passou a atender os pacientes craniofaciais. Na USC, leciona a disciplina de Cirurgia Ortognática aos residentes em Cirurgia Bucomaxilofacial e participa dos seminários realizados conjuntamente pelos Departamentos de Ortodontia e Cirurgia Oral. Atua um dia por semana no Los Angeles County Hospital/USC, tratando de pacientes adultos que necessitam de cirurgias reconstrutivas devido a traumas. Dirige o programa de residência (Fellowship) em Ortodontia Craniofacial. Interessa-se por pesquisa nas áreas de tratamentos ortocirúrgicos em pacientes com fissura labiopalatal e determinantes moleculares do crescimento facial. É casado com Christine Kuida e tem três filhos: Leia, Daniel e Lauren. São eles os responsáveis pelo afeto, humor e imprevisibilidade de seu cotidiano. Luciane Macedo de Menezes

Como citar esta seção: Yen S. Entrevista. Dental Press J Orthod. 2011 Sept-Oct;16(5):30-6.

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Entrevista

Referências 1.

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Yen S, Gross J, Yamashita DD, Kim TH, McAndrew J, Shuler C, et al. Correcting an open bite side effect during distraction with spring forces. Plast Reconstr Surg. 2002;110(6):1476-84. Yen S, Shang W, Shuler C, Yamashita DD. Orthodontic spring guidance in bilateral mandibular distraction in rabbits. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2001;120(4):435-42. Yen S, Shang W, Shuler C, Yamashita DD. Bending the distraction site during mandibular distraction osteogenesis: a model for studying segment control and side effects. J Oral Maxillofac Surg. 2001;59(7):779-88. Vachiramon A, Urata M, Kyung HM, Yamashita DD, Yen S. Clinical applications of microimplants in craniofacial patients. Cleft Palate Craniofac J. 2009;46(2):136-46. Epub 2008 Jun 3. Lypka M, Afshar A, Pham D, Fortman K, Yamashita D, Yen S. Implant-supported distraction osteogenesis: a technique to advance anterior maxilla. J Craniofac Surg. 2009;20(2):525-7. Vachiramon A, Yen S, Lypka M, Bindignavale VJ, Hammoudeh J, Reinisch J, et al. A novel model surgery method for LeFort III Advancement. J Craniofac Surg. 2007;18(5):1230-5. Shang W, Scadeng M, Yamashita DD, Pollack H, Faridi O, Tran B, et al. Manipulating the mandibular distraction site at different stages of consolidation. J Oral Maxillofac Surg. 2007;65(5):840-6.

Carlos Alberto Estevanell Tavares

Eduardo Franzotti Sant’Anna

- Graduação em Odontologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. - Mestrado e Doutorado em Odontologia (Ortodontia) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. - Professor do Curso de Especialização em Ortodontia da Associação Brasileira de Odontologia do Rio Grande do Sul. - Diplomado no Board Brasileiro de Ortodontia e Ortopedia Facial.

- Graduação em Odontologia pela Universidade Federal Fluminense. - Mestrado e Doutorado em Odontologia (Ortodontia) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. - Atuou como clínico e professor visitante no Rush Craniofacial Center, Chicago/EUA. - Professor Adjunto da Disciplina de Ortodontia da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Luciane Macedo de Menezes

Roberto Rocha

- Graduação em Odontologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. - Mestrado e Doutorado em Odontologia (Ortodontia) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. - Professora da Disciplina de Ortodontia da Faculdade de Odontologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. - Coordenadora do Curso de Especialização em Ortodontia da Associação Brasileira de Odontologia do Rio Grande do Sul.

- Graduação em Odontologia pela Universidade Federal de Santa Catarina. - Residência em Ortodontia Preventiva e Interceptativa no HPRLLP USP-Bauru. - Mestrado e Doutorado em Odontologia (Ortodontia) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. - Diplomado no Board Brasileiro de Ortodontia e Ortopedia Facial. - Professor Adjunto da Universidade Federal de Santa Catarina.

Enviado em: 10 de junho de 2011 Revisado e aceito: 26 de agosto de 2011

Endereço para correspondência Stephen Yen E-mail: syen@usc.edu

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Artigo Online*

Avaliação da influência da quantidade de exposição gengival na estética do sorriso Larissa Suzuki**, Andre Wilson Machado***, Marcos Alan Vieira Bittencourt****

Resumo Objetivo: o objetivo desse trabalho foi avaliar a influência da quantidade de exposição gengival na estética do sorriso. Métodos: foram utilizadas duas fotografias do sorriso (uma facial e outra apro-

ximada) e uma intrabucal frontal de quatro indivíduos (um homem e uma mulher negros, e um homem e uma mulher brancos). As fotografias foram manipuladas no computador e cinco imagens foram criadas para cada fotografia original, com diferentes graus de exposição gengival: 0mm, 1mm, 3mm, 5mm e 7mm. Em seguida, as imagens foram submetidas à avaliação de 60 indivíduos que aferiram, em uma escala visual analógica, uma nota de zero a dez para cada imagem. Resultados e Conclusões: a análise estatística e os resultados encontrados demonstraram que os níveis de exposição gengival de 0mm e 1mm apresentaram as maiores notas médias, com valores de 6,6 e 6,2, respectivamente, e não apresentaram diferenças estatísticas entre si (p<0,05). As exposições gengivais de 3mm, 5mm e 7mm receberam notas menores e decrescentes de 5,0; 3,5 e 2,9, respectivamente, sem diferença estatística entre os níveis de 5mm e 7mm (p<0,05). Além disso, o uso de fotos do sorriso aproximado ou da face frontal sorrindo não demonstrou qualquer diferença estatística (p>0,05). Palavras-chave: Estética dentária. Gengiva. Ortodontia. Sorriso.

Resumo do editor O sorriso representa um aspecto fundamental na composição da beleza do ser humano. Por isso, percebe-se a crescente busca da sociedade moderna por sorrisos bonitos e saudáveis. Há vários parâmetros para a avaliação estética do sorriso, como a linha média, o corredor bucal, a proporção entre largura e altura dos incisivos, a inclinação da coroa dos incisivos, o contorno gengival e a quantidade de exposição gengival. Na última década, os ortodontistas vêm demonstrando marcante tendência em tratar seus pacientes objetivando o aprimoramento da estética do sorriso. Contudo, embora a literatura cite

diversas opiniões clínicas sobre qual seria o grau de exposição gengival ideal ou aceitável, grande parte delas não possui embasamento científico. Na verdade, poucos trabalhos avaliaram e compararam os diferentes graus de exposição gengival. Dessa forma, o objetivo dos autores foi avaliar e comparar o grau de aceitação estética de cinco níveis de exposição gengival no sorriso, além de pesquisar se existe diferença, nessa avaliação, quanto à utilização de fotografias extrabucais faciais frontais do sorriso e fotografias do sorriso aproximado. Para tal, foram utilizadas duas fotografias extrabucais (uma do sorriso aproximado, Fig. 1; e outra facial frontal do sorriso, Fig. 2) e uma

Como citar este artigo: Suzuki L, Machado AW, Bittencourt MAV. Avaliação da influência da quantidade de exposição gengival na estética do sorriso. Dental Press J Orthod. 2011 Sept-Oct;16(5):37-9.

» Os autores declaram não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros que representem conflito de interesse, nos produtos e companhias descritos nesse artigo.

* Acesse www.dentalpress.com.br/revistas para ler o artigo na íntegra. ** Aluna do curso de especialização em Ortodontia da UFBA. *** Mestre em Ortodontia pela PUC/Minas. Doutorando em Ortodontia pela UNESP/Araraquara - UCLA/EUA. Professor visitante do Mestrado em Ortodontia da UCLA/EUA. Professor da especialização em Ortodontia da UFBA. **** Doutor em Ortodontia - UFRJ. Professor de Ortodontia da UFBA.

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Suzuki L, Machado AW, Bittencourt MAV

de até 3mm, ou mesmo 4mm, é considerada aceitável4,5. O ponto-chave, mais uma vez, é a comparação entre os diferentes níveis de exposição gengival, e não os valores absolutos. Devido às diferenças existentes entre as notas médias de 0mm e 1mm e a nota de 3mm, e entre essa e as notas de 5mm e 7mm, pode-se afirmar que a exposição gengival de 3mm ocupa uma posição intermediária, sendo os grupos iniciais superiores e os últimos, inferiores. Assim sendo, é difícil afirmar que a exposição de 3mm, ou até mesmo a de 5mm e 7mm, é antiestética, pois a qualificação de um sorriso como estético, ou não, depende de inúmeros outros fatores. Isso explica porque alguns modelos de beleza nacionais e internacionais expõem gengiva ao sorrir e, nem por isso, seus sorrisos são considerados antiestéticos. Combinado a esses aspectos, outros dois fatores são fundamentais para a decisão clínica por tratamentos ortocirúrgicos ou não: 1) a etiologia do sorriso gengival e 2) a queixa principal dos pacientes, pois todos os esforços devem ser implantados para que os resultados ortodônticos estejam em sintonia com as expectativas dos pacientes.

olhos de quem vê” influenciou nos valores absolutos; porém, não influenciou nas comparações entre as imagens, objetivo principal do trabalho. 2) Houve divergência na avaliação entre leigos, ortodontistas e cirurgiões? A percepção variou segundo os diferentes níveis de exposição gengival. Os resultados encontrados demonstraram que, nas exposições gengivais de 0mm e 1mm, não houve diferença estatística significativa entre os avaliadores, mostrando que a percepção estética foi semelhante (p>0,05). Nas exposições de 3mm, 5mm e 7mm, o comportamento dos cirurgiões foi estatisticamente semelhante ao dos ortodontistas; enquanto o grupo dos leigos diferiu estatisticamente, tendo aferido maiores notas que os ortodontistas, em todos essas situações (p<0,05). Além disso, em geral, os leigos atribuíram as maiores notas e os ortodontistas, mais “rigorosos” nas avaliações, as menores. Tais diferenças, bem como o comportamento dos avaliadores, encontram-se mais bem elucidadas em outra publicação3. 3) A exposição gengival de 3mm poderia ser considerada o limite entre os tratamentos sem e com cirurgia ortognática? Semelhante ao que foi explicado anteriormente, o fator “belo” é bastante subjetivo. Por isso, o valor de 3mm de exposição gengival não deve ser considerado como mandatório na decisão clínica entre os tratamentos sem e com cirurgia ortognática. Se o leitor parar um pouco para refletir, poderá se questionar: “Quantas são as belas modelos e atrizes que possuem 3mm, ou mais, de exposição gengival durante o sorriso?” Alguns adjetivos utilizados na literatura, como “ideal”, “aceitável” e “agradável”, são difíceis de ser interpretados. A exemplo disso, a exposição de 3mm de gengiva apresentou nota média de 5,028, ou seja, 50%. É claro que, como já mencionado, o valor absoluto da nota 5,0 não é suficiente para qualificar a exposição gengival de 3mm. Porém, alguns autores encontraram resultados em que a exposição gengival

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Referências 1. 2. 3. 4. 5.

Langlois JH, Kalakanis L, Rubenstein AJ, Larson A, Hallam M, Smoot M. Maxims or myths of beauty? A meta-analytic and theoretical review. Psychol Bull. 2000;126(3):390-423. McLeod C, Fields HW, Hechter F, Wiltshire W, Rody W Jr, Christensen J. Esthetics and smile characteristics evaluated by laypersons. Angle Orthod. 2011;81(2):198-205. Suzuki L, Machado AW, Bittencourt MAV. Perceptions of gingival display aesthetics among orthodontists, maxillofacial surgeons and laypersons. Rev Odonto Ciênc. 2009;24(4):367-71. Kokich VO, Kiyak HA, Shapiro PA. Comparing the perception of dentists and lay people to altered dental esthetics. J Esthet Dent. 1999;11(6):311-24. Kokich VO, Kokich VG, Kiyak HA. Perceptions of dental professionals and laypersons to altered dental esthetics: asymmetric and symmetric situations. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2006;130(2):141-51.

Enviado em: 21 de agosto de 2008 Revisado e aceito: 24 de novembro de 2008

Endereço para correspondência Andre Wilson Machado Rua Eduardo José dos Santos, 147, salas 810/811, Ed. Fernando Filgueiras, Garibaldi – Salvador/BA CEP: 41.940-455 – E-mail: awmachado@bol.com.br

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Artigo Online*

Avaliação da influência da quantidade de exposição gengival na estética do sorriso Larissa Suzuki**, Andre Wilson Machado***, Marcos Alan Vieira Bittencourt****

Resumo Objetivo: o objetivo desse trabalho foi avaliar a influência da quantidade de exposição gengival na estética do sorriso. Métodos: foram utilizadas duas fotografias do sorriso (uma facial e outra apro-

ximada) e uma intrabucal frontal de quatro indivíduos (um homem e uma mulher negros, e um homem e uma mulher brancos). As fotografias foram manipuladas no computador e cinco imagens foram criadas para cada fotografia original, com diferentes graus de exposição gengival: 0mm, 1mm, 3mm, 5mm e 7mm. Em seguida, as imagens foram submetidas à avaliação de 60 indivíduos que aferiram, em uma escala visual analógica, uma nota de zero a dez para cada imagem. Resultados e Conclusões: a análise estatística e os resultados encontrados demonstraram que os níveis de exposição gengival de 0mm e 1mm apresentaram as maiores notas médias, com valores de 6,6 e 6,2, respectivamente, e não apresentaram diferenças estatísticas entre si (p<0,05). As exposições gengivais de 3mm, 5mm e 7mm receberam notas menores e decrescentes de 5,0; 3,5 e 2,9, respectivamente, sem diferença estatística entre os níveis de 5mm e 7mm (p<0,05). Além disso, o uso de fotos do sorriso aproximado ou da face frontal sorrindo não demonstrou qualquer diferença estatística (p>0,05). Palavras-chave: Estética dentária. Gengiva. Ortodontia. Sorriso.

Resumo do editor O sorriso representa um aspecto fundamental na composição da beleza do ser humano. Por isso, percebe-se a crescente busca da sociedade moderna por sorrisos bonitos e saudáveis. Há vários parâmetros para a avaliação estética do sorriso, como a linha média, o corredor bucal, a proporção entre largura e altura dos incisivos, a inclinação da coroa dos incisivos, o contorno gengival e a quantidade de exposição gengival. Na última década, os ortodontistas vêm demonstrando marcante tendência em tratar seus pacientes objetivando o aprimoramento da estética do sorriso. Contudo, embora a literatura cite

diversas opiniões clínicas sobre qual seria o grau de exposição gengival ideal ou aceitável, grande parte delas não possui embasamento científico. Na verdade, poucos trabalhos avaliaram e compararam os diferentes graus de exposição gengival. Dessa forma, o objetivo dos autores foi avaliar e comparar o grau de aceitação estética de cinco níveis de exposição gengival no sorriso, além de pesquisar se existe diferença, nessa avaliação, quanto à utilização de fotografias extrabucais faciais frontais do sorriso e fotografias do sorriso aproximado. Para tal, foram utilizadas duas fotografias extrabucais (uma do sorriso aproximado, Fig. 1; e outra facial frontal do sorriso, Fig. 2) e uma

Como citar este artigo: Suzuki L, Machado AW, Bittencourt MAV. Avaliação da influência da quantidade de exposição gengival na estética do sorriso. Dental Press J Orthod. 2011 Sept-Oct;16(5):37-9.

» Os autores declaram não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros que representem conflito de interesse, nos produtos e companhias descritos nesse artigo.

* Acesse www.dentalpress.com.br/revistas para ler o artigo na íntegra. ** Aluna do curso de especialização em Ortodontia da UFBA. *** Mestre em Ortodontia pela PUC/Minas. Doutorando em Ortodontia pela UNESP/Araraquara - UCLA/EUA. Professor visitante do Mestrado em Ortodontia da UCLA/EUA. Professor da especialização em Ortodontia da UFBA. **** Doutor em Ortodontia - UFRJ. Professor de Ortodontia da UFBA.

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Avaliação da influência da quantidade de exposição gengival na estética do sorriso

FIGURA 1 - Exemplo da disposição das imagens manipuladas do sorriso aproximado.

FIGURA 2 - Exemplo da disposição das imagens manipuladas da face sorrindo.

Questões aos autores

intrabucal frontal de quatro indivíduos, dois negros (um homem e uma mulher) e dois brancos (um homem e uma mulher). As fotografias foram manipuladas no programa Adobe® Photoshop®, criando diferentes níveis de exposição gengival (0, 1, 3, 5 e 7mm). As imagens foram montadas em páginas de forma aleatória, impressas em papel fotográfico e agrupadas em um álbum. Solicitou-se a 60 indivíduos (ortodontistas, cirurgiões bucomaxilofaciais e leigos) que avaliassem as imagens. Juntamente com o álbum, cada examinador recebeu um formulário contendo uma simulação impressa de uma régua (escala visual analógica) para cada imagem. Solicitou que marcassem nessas réguas, com um “X”, o grau de qualidade estética associado a cada uma das imagens. Os resultados encontrados demonstraram que os níveis de exposição gengival de 0mm e 1mm apresentaram as maiores notas médias, com valores de 6,6 e 6,2, respectivamente; e não apresentaram diferenças estatísticas entre si (p<0,05). As exposições gengivais de 3mm, 5mm e 7mm receberam notas menores e decrescentes de 5,0; 3,5 e 2,9, respectivamente, sem diferença estatística entre os níveis de 5mm e 7mm (p<0,05). Além disso, o uso de fotos do sorriso aproximado ou da face frontal sorrindo não demonstrou qualquer diferença estatística (p > 0,05).

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1) O que os autores consideram ter causado os baixos escores atribuídos às fotografias, de uma maneira geral? Acreditam que isso possa ter influenciado nos resultados obtidos? Nesse tipo de estudo, o fator relevante não são os valores absolutos, mas, sim, a comparação dos escores atribuídos para a variável pesquisada (quantidade de exposição gengival), bem como para os diferentes grupos de avaliadores. Sendo assim, acreditamos que os “baixos” valores não influenciaram nos resultados. As maiores notas médias encontradas nesse trabalho foram 6,6 e 6,2, para os grupos sem exposição gengival e com 1mm de exposição, respectivamente. Em uma escala de 0 a 10, percebe-se que esses valores não foram altos, demonstrando que as imagens utilizadas não obtiveram elevado valor do ponto de vista estético. Dentre os fatores atribuídos ao valor baixo das notas, destaca-se: o nível de atratividade dos indivíduos utilizados para as tomadas fotográficas; o tipo de manipulação de imagens utilizada; os diferentes grupos de avaliadores; a influência cultural nas normas estéticas1,2; e, principalmente, o fator subjetivo inerente à avaliação estética. De fato, a famosa e antiga expressão popular “a beleza está nos

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Suzuki L, Machado AW, Bittencourt MAV

de até 3mm, ou mesmo 4mm, é considerada aceitável4,5. O ponto-chave, mais uma vez, é a comparação entre os diferentes níveis de exposição gengival, e não os valores absolutos. Devido às diferenças existentes entre as notas médias de 0mm e 1mm e a nota de 3mm, e entre essa e as notas de 5mm e 7mm, pode-se afirmar que a exposição gengival de 3mm ocupa uma posição intermediária, sendo os grupos iniciais superiores e os últimos, inferiores. Assim sendo, é difícil afirmar que a exposição de 3mm, ou até mesmo a de 5mm e 7mm, é antiestética, pois a qualificação de um sorriso como estético, ou não, depende de inúmeros outros fatores. Isso explica porque alguns modelos de beleza nacionais e internacionais expõem gengiva ao sorrir e, nem por isso, seus sorrisos são considerados antiestéticos. Combinado a esses aspectos, outros dois fatores são fundamentais para a decisão clínica por tratamentos ortocirúrgicos ou não: 1) a etiologia do sorriso gengival e 2) a queixa principal dos pacientes, pois todos os esforços devem ser implantados para que os resultados ortodônticos estejam em sintonia com as expectativas dos pacientes.

olhos de quem vê” influenciou nos valores absolutos; porém, não influenciou nas comparações entre as imagens, objetivo principal do trabalho. 2) Houve divergência na avaliação entre leigos, ortodontistas e cirurgiões? A percepção variou segundo os diferentes níveis de exposição gengival. Os resultados encontrados demonstraram que, nas exposições gengivais de 0mm e 1mm, não houve diferença estatística significativa entre os avaliadores, mostrando que a percepção estética foi semelhante (p>0,05). Nas exposições de 3mm, 5mm e 7mm, o comportamento dos cirurgiões foi estatisticamente semelhante ao dos ortodontistas; enquanto o grupo dos leigos diferiu estatisticamente, tendo aferido maiores notas que os ortodontistas, em todos essas situações (p<0,05). Além disso, em geral, os leigos atribuíram as maiores notas e os ortodontistas, mais “rigorosos” nas avaliações, as menores. Tais diferenças, bem como o comportamento dos avaliadores, encontram-se mais bem elucidadas em outra publicação3. 3) A exposição gengival de 3mm poderia ser considerada o limite entre os tratamentos sem e com cirurgia ortognática? Semelhante ao que foi explicado anteriormente, o fator “belo” é bastante subjetivo. Por isso, o valor de 3mm de exposição gengival não deve ser considerado como mandatório na decisão clínica entre os tratamentos sem e com cirurgia ortognática. Se o leitor parar um pouco para refletir, poderá se questionar: “Quantas são as belas modelos e atrizes que possuem 3mm, ou mais, de exposição gengival durante o sorriso?” Alguns adjetivos utilizados na literatura, como “ideal”, “aceitável” e “agradável”, são difíceis de ser interpretados. A exemplo disso, a exposição de 3mm de gengiva apresentou nota média de 5,028, ou seja, 50%. É claro que, como já mencionado, o valor absoluto da nota 5,0 não é suficiente para qualificar a exposição gengival de 3mm. Porém, alguns autores encontraram resultados em que a exposição gengival

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Referências 1. 2. 3. 4. 5.

Langlois JH, Kalakanis L, Rubenstein AJ, Larson A, Hallam M, Smoot M. Maxims or myths of beauty? A meta-analytic and theoretical review. Psychol Bull. 2000;126(3):390-423. McLeod C, Fields HW, Hechter F, Wiltshire W, Rody W Jr, Christensen J. Esthetics and smile characteristics evaluated by laypersons. Angle Orthod. 2011;81(2):198-205. Suzuki L, Machado AW, Bittencourt MAV. Perceptions of gingival display aesthetics among orthodontists, maxillofacial surgeons and laypersons. Rev Odonto Ciênc. 2009;24(4):367-71. Kokich VO, Kiyak HA, Shapiro PA. Comparing the perception of dentists and lay people to altered dental esthetics. J Esthet Dent. 1999;11(6):311-24. Kokich VO, Kokich VG, Kiyak HA. Perceptions of dental professionals and laypersons to altered dental esthetics: asymmetric and symmetric situations. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2006;130(2):141-51.

Enviado em: 21 de agosto de 2008 Revisado e aceito: 24 de novembro de 2008

Endereço para correspondência Andre Wilson Machado Rua Eduardo José dos Santos, 147, salas 810/811, Ed. Fernando Filgueiras, Garibaldi – Salvador/BA CEP: 41.940-455 – E-mail: awmachado@bol.com.br

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Artigo Online*

Alterações dentoesqueléticas decorrentes do tratamento com aparelho ortopédico funcional Twin Block em pacientes portadores de má oclusão de Classe II esquelética Ione Helena Vieira Portella Brunharo**, Cátia Abdo Quintão***, Marco Antonio de Oliveira Almeida***, Alexandre Motta****, Sunny Yamaguche Nogueira Barreto*****

Resumo Objetivo: este estudo clínico prospectivo avaliou as alterações dentoesqueléticas em pacientes

portadores de más oclusões de Classe II esquelética e dentária, tratados com o aparelho ortopédico funcional Twin Block (TB). Métodos: a amostra foi dividida em dois grupos de 19 indivíduos cada: o grupo TB, com idade média de 9 anos e 6 meses (d.p. = 10 meses); e o grupo controle, com idade média de 9 anos e 9 meses (d.p. = 13 meses), ambos situados na fase de pré-surto de crescimento puberal. O teste t de Student não paramétrico mostrou que a amostra era homogênea para os valores cefalométricos ao início do estudo. Radiografias cefalométricas ao início do estudo (T1) e ao final dos 12 meses (T2) foram obtidas de todos os pacientes. Os testes de Wilcoxon e Mann Whitney foram utilizados para avaliar as mudanças intragrupos e intergrupos em T1 e T2. Resultados: a relação molar de Classe I foi obtida em 15 indivíduos do grupo tratado, enquanto nenhuma modificação ocorreu no grupo controle. Não foram observadas alterações na maxila e no padrão vertical de crescimento da face. Um aumento significativo do comprimento total mandibular e um deslocamento anterior da mandíbula ocorreram no grupo tratado (p<0,05), assim como a redução do overjet, influenciado pela significativa retroinclinação do incisivo superior e vestibularização do incisivo inferior (p<0,05). Conclusões: o tratamento da Classe II em pacientes brasileiros apresentou efeitos esqueléticos e dentários, incluindo aumento do comprimento mandibular e compensação dos incisivos, respectivamente. Palavras-chave: Crescimento. Má oclusão de Angle Classe II. Aparelhos ortopédico funcionais.

» Os autores declaram não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros que representem conflito de interesse, nos produtos e companhias descritos nesse artigo.

Como citar este artigo: Brunharo IHVP, Quintão CA, Almeida MAO, Motta A, Barreto SYN. Alterações dentoesqueléticas decorrentes do tratamento com aparelho ortopédico funcional Twin Block em pacientes portadores de má oclusão de Classe II esquelética. Dental Press J Orthod. 2011 Sept-Oct;16(5):40-2.

* Acesse www.dentalpress.com.br/revistas para ler o artigo na íntegra. ** Professora Visitante da Disciplina de Ortodontia da UERJ. *** Professor Adjunto de Ortodontia da UERJ. **** Professor Adjunto de Ortodontia da UFF. ***** Especialista em Ortodontia pela ABO-RN.

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Alterações dentoesqueléticas decorrentes do tratamento com aparelho ortopédico funcional Twin Block em pacientes portadores de má oclusão de Classe II esquelética

ao final do tratamento corretivo, o que corrobora com achados prévios, principalmente com os estudos da Universidade da Carolina do Norte.

Questões aos autores 1) Na opinião dos autores, sob o ponto de vista metodológico, quais seriam os pontos negativos e positivos do trabalho? Sob o ponto de vista dos autores, a amostra é consistente em relação ao cálculo amostral, a estatística procede, e o principal ponto positivo na metodologia utilizada foi o fato do estudo ter sido prospectivo e randomizado. Em revisões sistemáticas sobre o tema, poucos estudos se encaixaram dentro de uma metodologia correta, e a grande crítica em relação a eles foi justamente o fato de não terem sido prospectivos nem randomizados. Como em todo estudo clínico, um ponto negativo se relaciona à grande dificuldade no acompanhamento da amostra, com perdas de casos durante o trabalho.

3) Sob o ponto de vista clínico, quais seriam as vantagens em se utilizar o aparelho ortodôntico funcional Twin Block em vez dos aparelhos extrabucais? Inicialmente, o aparelho Twin Block estaria mais indicado para as más oclusões de Classe II por deficiência mandibular, enquanto o aparelho extrabucal estaria mais indicado para os casos de excesso maxilar. Para pacientes com severas deformidades estéticas decorrentes de má oclusão de Classe II, o aparelho funcional Twin Block possui a vantagem de aumentar a autoestima já durante seu uso, por provocar uma reconstrução de mordida, amenizando o aspecto facial da má oclusão. Clinicamente, observou-se durante o presente estudo uma grande colaboração no uso do aparelho por parte do paciente, provavelmente devido a esse fator. Além disso, uma característica única do aparelho Twin Block deve ser realçada: pelo fato de ser composto por duas placas separadas (superior e inferior), e não em monobloco, permite correções de assimetrias mandibulares através da extensão de um dos batentes inferiores.

2) Os autores acreditam que existiriam diferenças estatísticas nas medidas cefalométricas ao final do tratamento ortodôntico corretivo e aos seis meses após a terapia? Tal avaliação já está sendo realizada com acompanhamento após dez anos do início do tratamento. Um estudo piloto nos mostrou não haver diferença estatística entre uma ou duas fases,

Enviado em: 2 de setembro de 2008 Revisado e aceito: 9 de março de 2009

Endereço para correspondência Ione Portella Brunharo Rua Almirante Tamandaré, 59/501 – Flamengo CEP: 22.210-060 – Rio de Janeiro / RJ E-mail: ioneportella@yahoo.com.br

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Artigo Online*

Alterações dentoesqueléticas decorrentes do tratamento com aparelho ortopédico funcional Twin Block em pacientes portadores de má oclusão de Classe II esquelética Ione Helena Vieira Portella Brunharo**, Cátia Abdo Quintão***, Marco Antonio de Oliveira Almeida***, Alexandre Motta****, Sunny Yamaguche Nogueira Barreto*****

Resumo Objetivo: este estudo clínico prospectivo avaliou as alterações dentoesqueléticas em pacientes

portadores de más oclusões de Classe II esquelética e dentária, tratados com o aparelho ortopédico funcional Twin Block (TB). Métodos: a amostra foi dividida em dois grupos de 19 indivíduos cada: o grupo TB, com idade média de 9 anos e 6 meses (d.p. = 10 meses); e o grupo controle, com idade média de 9 anos e 9 meses (d.p. = 13 meses), ambos situados na fase de pré-surto de crescimento puberal. O teste t de Student não paramétrico mostrou que a amostra era homogênea para os valores cefalométricos ao início do estudo. Radiografias cefalométricas ao início do estudo (T1) e ao final dos 12 meses (T2) foram obtidas de todos os pacientes. Os testes de Wilcoxon e Mann Whitney foram utilizados para avaliar as mudanças intragrupos e intergrupos em T1 e T2. Resultados: a relação molar de Classe I foi obtida em 15 indivíduos do grupo tratado, enquanto nenhuma modificação ocorreu no grupo controle. Não foram observadas alterações na maxila e no padrão vertical de crescimento da face. Um aumento significativo do comprimento total mandibular e um deslocamento anterior da mandíbula ocorreram no grupo tratado (p<0,05), assim como a redução do overjet, influenciado pela significativa retroinclinação do incisivo superior e vestibularização do incisivo inferior (p<0,05). Conclusões: o tratamento da Classe II em pacientes brasileiros apresentou efeitos esqueléticos e dentários, incluindo aumento do comprimento mandibular e compensação dos incisivos, respectivamente. Palavras-chave: Crescimento. Má oclusão de Angle Classe II. Aparelhos ortopédico funcionais.

» Os autores declaram não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros que representem conflito de interesse, nos produtos e companhias descritos nesse artigo.

Como citar este artigo: Brunharo IHVP, Quintão CA, Almeida MAO, Motta A, Barreto SYN. Alterações dentoesqueléticas decorrentes do tratamento com aparelho ortopédico funcional Twin Block em pacientes portadores de má oclusão de Classe II esquelética. Dental Press J Orthod. 2011 Sept-Oct;16(5):40-2.

* Acesse www.dentalpress.com.br/revistas para ler o artigo na íntegra. ** Professora Visitante da Disciplina de Ortodontia da UERJ. *** Professor Adjunto de Ortodontia da UERJ. **** Professor Adjunto de Ortodontia da UFF. ***** Especialista em Ortodontia pela ABO-RN.

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Brunharo IHVP, Quintão CA, Almeida MAO, Motta A, Barreto SYN

Resumo do editor O crescimento dos ossos maxilares influencia diretamente no perfil e na harmonia da face. Caso a maxila e a mandíbula não estejam bem relacionadas entre si, o tratamento ortodôntico realizado no período do surto de crescimento poderá reposicionar e equilibrar essa relação. Dentre os aparelhos que objetivam a manipulação ortopédica incluem-se os aparelhos ortopédicos funcionais. Um tipo particular de aparelho ortopédico funcional é o Twin Block (TB), utilizado para promover correção da má oclusão de Classe II por deficiência mandibular. Existem disponíveis na literatura vários artigos que já avaliaram sua efetividade; no entanto, as amostras utilizadas foram de origem europeia e americana. Em virtude disso, perdura a seguinte pergunta: “Em uma população brasileira, os resultados seriam os mesmos? Baseado nessa premissa, a proposta dos autores com o presente trabalho foi avaliar as mudanças esqueléticas maxilomandibulares e dentoalveolares produzidas pelo tratamento com aparelho Twin Block (Fig. 1) em uma amostra brasileira. Para tal, foi realizado um estudo clínico prospectivo randomizado com amostra de 38 indivíduos. A seleção da amostra foi baseada nos seguintes critérios de inclusão: Classe II esquelética (ANB>4º); relação molar de Classe II; overjet > 6mm e nenhum

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tratamento ortodôntico prévio. Os indivíduos incluídos estavam na fase anterior ao pico do surto de crescimento pré-puberal. Após obtenção da amostra, ela foi dividida aleatoriamente em dois grupos: grupo TB, constituído de 12 meninos e 7 meninas; e grupo controle (GC), também constituído de 12 meninos e 7 meninas. As radiografias cefalométricas foram obtidas no início do estudo (T1) e depois de 12 meses de observação (T2). Os testes de Wilcoxon e Mann Whitney foram utilizados para avaliar as mudanças intragrupos e intergrupos em T1 e T2. Observou-se a correção da relação molar em 80% dos pacientes tratados, enquanto nenhuma modificação ocorreu no grupo controle. Não foram constatadas alterações na maxila e no padrão vertical de crescimento da face. Um aumento significativo do comprimento total mandibular e o deslocamento anterior da mandíbula ocorreram no grupo tratado (p<0,05), assim como a redução do overjet, influenciado pela significativa retroinclinação dos incisivos superiores e inclinação vestibular dos incisivos inferiores (p<0,05). Dessa forma os autores concluíram que o tratamento da má oclusão de Classe II em pacientes brasileiros com aparelho ortopédico funcional Twin Block apresentou efeitos esqueléticos e dentários, incluindo aumento do comprimento mandibular e compensação dos incisivos, respectivamente.

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FIGURA 1 - Aparelho Twin Block utilizado no estudo.

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ao final do tratamento corretivo, o que corrobora com achados prévios, principalmente com os estudos da Universidade da Carolina do Norte.

Questões aos autores 1) Na opinião dos autores, sob o ponto de vista metodológico, quais seriam os pontos negativos e positivos do trabalho? Sob o ponto de vista dos autores, a amostra é consistente em relação ao cálculo amostral, a estatística procede, e o principal ponto positivo na metodologia utilizada foi o fato do estudo ter sido prospectivo e randomizado. Em revisões sistemáticas sobre o tema, poucos estudos se encaixaram dentro de uma metodologia correta, e a grande crítica em relação a eles foi justamente o fato de não terem sido prospectivos nem randomizados. Como em todo estudo clínico, um ponto negativo se relaciona à grande dificuldade no acompanhamento da amostra, com perdas de casos durante o trabalho.

3) Sob o ponto de vista clínico, quais seriam as vantagens em se utilizar o aparelho ortodôntico funcional Twin Block em vez dos aparelhos extrabucais? Inicialmente, o aparelho Twin Block estaria mais indicado para as más oclusões de Classe II por deficiência mandibular, enquanto o aparelho extrabucal estaria mais indicado para os casos de excesso maxilar. Para pacientes com severas deformidades estéticas decorrentes de má oclusão de Classe II, o aparelho funcional Twin Block possui a vantagem de aumentar a autoestima já durante seu uso, por provocar uma reconstrução de mordida, amenizando o aspecto facial da má oclusão. Clinicamente, observou-se durante o presente estudo uma grande colaboração no uso do aparelho por parte do paciente, provavelmente devido a esse fator. Além disso, uma característica única do aparelho Twin Block deve ser realçada: pelo fato de ser composto por duas placas separadas (superior e inferior), e não em monobloco, permite correções de assimetrias mandibulares através da extensão de um dos batentes inferiores.

2) Os autores acreditam que existiriam diferenças estatísticas nas medidas cefalométricas ao final do tratamento ortodôntico corretivo e aos seis meses após a terapia? Tal avaliação já está sendo realizada com acompanhamento após dez anos do início do tratamento. Um estudo piloto nos mostrou não haver diferença estatística entre uma ou duas fases,

Enviado em: 2 de setembro de 2008 Revisado e aceito: 9 de março de 2009

Endereço para correspondência Ione Portella Brunharo Rua Almirante Tamandaré, 59/501 – Flamengo CEP: 22.210-060 – Rio de Janeiro / RJ E-mail: ioneportella@yahoo.com.br

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Recidiva do apinhamento anterossuperior nas más oclusões de Classe I e Classe II tratadas ortodonticamente sem extrações Willian J. G. Guirro**, Karina Maria Salvatore de Freitas***, Marcos Roberto de Freitas****, José Fernando Castanha Henriques****, Guilherme Janson*****, Luiz Filiphe Gonçalves Canuto******

Resumo Objetivo: o presente estudo objetivou comparar retrospectivamente a estabilidade pós-contenção do alinhamento dos incisivos anterossuperiores em pacientes Classe I e Classe II. Métodos: a amos-

tra consistiu de 38 pacientes de ambos os sexos, tratados sem extrações e com mecânica Edgewise, divididos em dois grupos — Grupo 1, constituído por 19 pacientes, com idade inicial média de 13,06 anos, portadores da má oclusão de Classe I com apinhamento anterossuperior inicial maior que 3mm; Grupo 2, constituído por 19 pacientes, com idade inicial de 12,54 anos, portadores da má oclusão de Classe II e, também, com apinhamento anterossuperior inicial maior que 3mm. Foram medidos nos modelos de estudo, das fases pré- e pós-tratamento e pós-contenção, o índice de irregularidade de Little, as distâncias intercaninos e entre os primeiros e segundos pré-molares, a distância intermolares e o comprimento da arcada superior. Para a comparação intragrupo nos 3 tempos de avaliação, utilizou-se os testes ANOVA e Tukey. A comparação intergrupos foi realizada pelo teste t independente. Para verificação da presença de correlação, utilizou-se o teste de correlação de Pearson. Resultados: os resultados evidenciaram maior estabilidade do tratamento no grupo 2 (Classe II), pois, durante o período pós-contenção, foi observada recidiva do apinhamento dos dentes anterossuperiores menor no grupo 2 (0,80mm) do que no grupo 1 (1,67mm). Conclusão: concluiu-se que o tratamento do apinhamento dos dentes anterossuperiores é mais estável na má oclusão de Classe II do que na má oclusão de Classe I. Palavras-chave: Recidiva. Apinhamento anterossuperior. Estabilidade pós-tratamento.

Como citar este artigo: Guirro WJG, Freitas KMS, Freitas MR, Henriques JFC, Janson G, Canuto LFG. Recidiva do apinhamento anterossuperior nas más oclusões de Classe I e Classe II tratadas ortodonticamente sem extrações. Dental Press J Orthod. 2011 Sept-Oct;16(5):43-5.

» Os autores declaram não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros que representem conflito de interesse, nos produtos e companhias descritos nesse artigo.

* Acesse www.dentalpress.com.br/revistas para ler o artigo na íntegra.

** Mestre em Ortodontia pela Faculdade de Odontologia de Bauru, Universidade de São Paulo. *** Mestre e Doutora em Ortodontia pela Faculdade de Odontologia de Bauru, Universidade de São Paulo. Coordenadora do Mestrado em Odontologia, área de concentração Ortodontia, da Faculdade Ingá, Maringá/PR. **** Professor Titular da Disciplina de Ortodontia da Faculdade de Odontologia de Bauru, Universidade de São Paulo. ***** Titular da Disciplina de Ortodontia da Faculdade de Odontologia de Bauru, Universidade de São Paulo. ****** Mestre e Doutor em Ortodontia pela Faculdade de Odontologia de Bauru, Universidade de São Paulo.

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Guirro WJG, Freitas KMS, Freitas MR, Henriques JFC, Janson G, Canuto LFG

de irregularidade na fase de pós-contenção, mas esse fato não significa que houve maior recidiva. A avaliação da recidiva deve ser baseada na relação entre a quantidade de correção ortodôntica e a quantidade de recidiva do apinhamento. Por exemplo, uma irregularidade anterossuperior pós-contenção de 1,0mm em um paciente com apinhamento inicial de 3mm implicaria em uma recidiva de 33,3% da correção obtida (se ao final do tratamento verificarmos um alinhamento dentário perfeito). Por outro lado, há também uma recidiva de 33,3% da correção em um paciente com apinhamento inicial de 6mm e que apresenta 2mm de apinhamento na fase de pós-contenção. Fatores como a tração das fibras periodontais, presença de giroversões na fase inicial, função muscular, recidiva do apinhamento na arcada oposta, tempo e protocolo de contenção e má oclusão inicial (Classe I ou II) consistem em fatores que, efetivamente, influenciam na recidiva anterossuperior.

da finalização e a estabilidade em longo prazo4,5,6,7. Os resultados dos testes de correlação do presente estudo tendem a corroborar esses outros estudos. Deve-se ressaltar que ambos os grupos apresentaram, ao final do tratamento, alinhamento anterossuperior bastante satisfatório (índices de Little de 0,34mm e 0,00mm para os Grupos 1 e 2, respectivamente). Dessa forma, não foram comparados grupos que podem ser classificados como bem ou mal finalizados. 3) Para vocês, o que mais influenciaria a recidiva anterossuperior: a severidade inicial apresentada pelo caso ou a finalização ortodôntica conseguida? A opinião dos autores, baseada no presente estudo e em trabalhos relacionados ao tema, é que ambos os fatores não apresentam influência significativa na recidiva anterossuperior. Nota-se que indivíduos com apinhamento inicial acentuado tendem a apresentar uma quantidade maior

Referências 1. 2. 3. 4.

Little RM. The irregularity index: a quantitative score of mandibular anterior alignment. Am J Orthod. 1975 Nov;68(5):554-63. Andrews LF. The six keys to normal occlusion. Am J Orthod. 1972;62(3):296-309. Roth RH. Functional occlusion for the orthodontist. Part III. J Clin Orthod. 1981;15(3):174-9, 182-98. Freitas KM, Janson G, Freitas MR, Pinzan A, Henriques JF, PinzanVercelino CR. Influence of the quality of the finished occlusion on postretention occlusal relapse. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2007;132(4):428.e9-14.

5.

6. 7.

Canuto LFG. Avaliação da influência da realização da expansão rápida da maxila sobre a recidiva do apinhamento ânterosuperior, em casos tratados ortodonticamente sem extrações [dissertação]. 2006. Bauru (SP): Universidade de São Paulo; 2006. Nett BC, Huang GJ. Long-term posttreatment changes measured by the American Board of Orthodontics objective grading system. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2005;127(4):444-50. Ormiston JP, Huang GJ, Little RM, Decker JD, Seuk GD. Retrospective analysis of long-term stable and unstable orthodontic treatment outcomes. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2005;128(5):568-74.

Enviado em: 4 de junho de 2009 Revisado e aceito: 13 de abril de 2010

Endereço para correspondência Karina Maria Salvatore de Freitas Rua Jamil Gebara, 1-25, apto. 111, Jd. Paulista CEP: 17.017-150 – Bauru/SP E-mail: kmsf@uol.com.br

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Recidiva do apinhamento anterossuperior nas más oclusões de Classe I e Classe II tratadas ortodonticamente sem extrações Willian J. G. Guirro**, Karina Maria Salvatore de Freitas***, Marcos Roberto de Freitas****, José Fernando Castanha Henriques****, Guilherme Janson*****, Luiz Filiphe Gonçalves Canuto******

Resumo Objetivo: o presente estudo objetivou comparar retrospectivamente a estabilidade pós-contenção do alinhamento dos incisivos anterossuperiores em pacientes Classe I e Classe II. Métodos: a amos-

tra consistiu de 38 pacientes de ambos os sexos, tratados sem extrações e com mecânica Edgewise, divididos em dois grupos — Grupo 1, constituído por 19 pacientes, com idade inicial média de 13,06 anos, portadores da má oclusão de Classe I com apinhamento anterossuperior inicial maior que 3mm; Grupo 2, constituído por 19 pacientes, com idade inicial de 12,54 anos, portadores da má oclusão de Classe II e, também, com apinhamento anterossuperior inicial maior que 3mm. Foram medidos nos modelos de estudo, das fases pré- e pós-tratamento e pós-contenção, o índice de irregularidade de Little, as distâncias intercaninos e entre os primeiros e segundos pré-molares, a distância intermolares e o comprimento da arcada superior. Para a comparação intragrupo nos 3 tempos de avaliação, utilizou-se os testes ANOVA e Tukey. A comparação intergrupos foi realizada pelo teste t independente. Para verificação da presença de correlação, utilizou-se o teste de correlação de Pearson. Resultados: os resultados evidenciaram maior estabilidade do tratamento no grupo 2 (Classe II), pois, durante o período pós-contenção, foi observada recidiva do apinhamento dos dentes anterossuperiores menor no grupo 2 (0,80mm) do que no grupo 1 (1,67mm). Conclusão: concluiu-se que o tratamento do apinhamento dos dentes anterossuperiores é mais estável na má oclusão de Classe II do que na má oclusão de Classe I. Palavras-chave: Recidiva. Apinhamento anterossuperior. Estabilidade pós-tratamento.

Como citar este artigo: Guirro WJG, Freitas KMS, Freitas MR, Henriques JFC, Janson G, Canuto LFG. Recidiva do apinhamento anterossuperior nas más oclusões de Classe I e Classe II tratadas ortodonticamente sem extrações. Dental Press J Orthod. 2011 Sept-Oct;16(5):43-5.

» Os autores declaram não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros que representem conflito de interesse, nos produtos e companhias descritos nesse artigo.

* Acesse www.dentalpress.com.br/revistas para ler o artigo na íntegra.

** Mestre em Ortodontia pela Faculdade de Odontologia de Bauru, Universidade de São Paulo. *** Mestre e Doutora em Ortodontia pela Faculdade de Odontologia de Bauru, Universidade de São Paulo. Coordenadora do Mestrado em Odontologia, área de concentração Ortodontia, da Faculdade Ingá, Maringá/PR. **** Professor Titular da Disciplina de Ortodontia da Faculdade de Odontologia de Bauru, Universidade de São Paulo. ***** Titular da Disciplina de Ortodontia da Faculdade de Odontologia de Bauru, Universidade de São Paulo. ****** Mestre e Doutor em Ortodontia pela Faculdade de Odontologia de Bauru, Universidade de São Paulo.

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Recidiva do apinhamento anterossuperior nas más oclusões de Classe I e Classe II tratadas ortodonticamente sem extrações

Resumo do editor Dentre as metas a serem alcançadas com a realização do tratamento ortodôntico, a estabilidade talvez seja a mais difícil de ser obtida. A literatura mundial tem se dedicado muito na tentativa de desvendar a etiologia da recidiva do tratamento ortodôntico do apinhamento anteroinferior; entretanto, pouca atenção tem sido dada ao apinhamento anterossuperior. Baseados nessa premissa, os autores do presente trabalho tiveram como objetivo avaliar a recidiva do apinhamento anterossuperior em casos de má oclusão de Classes I e II tratados ortodonticamente sem extrações. Para tal, utilizou-se amostra de 48 documentações ortodônticas de pacientes tratados sem extrações que apresentavam, inicialmente, más oclusões de Classe I ou Classe II. Todos os pacientes foram tratados com aparelho fixo e mecânica Edgewise e tinham, inicialmente, uma irregularidade anterossuperior

maior ou igual a 3mm, segundo Little1. A amostra foi dividida em dois grupos, de acordo com a má oclusão inicial, ou seja: Grupo 1 – pacientes Classe I de Angle; e Grupo 2 – Classe II de Angle. O tempo médio de avaliação pós-contenção foi de 8,6 anos para o Grupo 1 e 8,04 anos para o Grupo 2. As variáveis avaliadas foram: Índice de irregularidade de Little (modificado); distâncias intercaninos, interpré-molares, intermolares e comprimento da arcada superior. Os resultados demonstraram maior estabilidade do tratamento da má oclusão de Classe II, haja vista que, durante o período pós-contenção, ocorreu maior recidiva do apinhamento anterossuperior nos pacientes que inicialmente apresentavam má oclusão de Classe I. Com os resultados obtidos, pôde-se concluir que a má oclusão de Classe I tratada sem extração é mais recidivante do que a de Classe II, quando se avalia o apinhamento anterossuperior.

Questões aos autores que apresenta má oclusão de Classe II também deve ser orientado sobre a importância de sua colaboração quanto ao uso das contenções, devido à maior tendência de recidiva.

1) Baseados nos achados do artigo, vocês indicariam protocolos diferentes, quanto à contenção, em má oclusões de Classes I e II? Teoricamente, como o tratamento das más oclusões de Classe II apresentou-se menos estável em longo prazo, a adoção de um protocolo de contenção mais rígido (prolongar o tempo de contenção removível ou fixa) apresentaria indicação nesses casos. Entretanto, observamos que a diferença entre os grupos em relação à quantidade de recidiva do apinhamento anterossuperior foi de 0,87mm: em termos clínicos, uma diferença que tende a ser pouco significativa. O clínico deve ter em mente que, indiferentemente do tipo de má oclusão inicial, a adoção de protocolos mais restritos de contenção será, na maioria das situações, favorável à estabilidade em longo prazo dos tratamentos. O paciente

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2) O fato de ter havido maior índice de irregularidade de Little do Grupo 1 (Classe I) ao final de tratamento não pode estar relacionado com os resultados finais conseguidos? Ou seja, casos melhor finalizados teriam menor tendência à recidiva? Acreditamos que não. A relação entre “qualidade de finalização versus recidiva ortodôntica” consiste em um tópico controverso na literatura. Sugeria-se que, quanto melhor o padrão de qualidade da finalização, maior seria a estabilidade ortodôntica2,3. Entretanto, estudos recentes não observaram correlação entre a qualidade

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Guirro WJG, Freitas KMS, Freitas MR, Henriques JFC, Janson G, Canuto LFG

de irregularidade na fase de pós-contenção, mas esse fato não significa que houve maior recidiva. A avaliação da recidiva deve ser baseada na relação entre a quantidade de correção ortodôntica e a quantidade de recidiva do apinhamento. Por exemplo, uma irregularidade anterossuperior pós-contenção de 1,0mm em um paciente com apinhamento inicial de 3mm implicaria em uma recidiva de 33,3% da correção obtida (se ao final do tratamento verificarmos um alinhamento dentário perfeito). Por outro lado, há também uma recidiva de 33,3% da correção em um paciente com apinhamento inicial de 6mm e que apresenta 2mm de apinhamento na fase de pós-contenção. Fatores como a tração das fibras periodontais, presença de giroversões na fase inicial, função muscular, recidiva do apinhamento na arcada oposta, tempo e protocolo de contenção e má oclusão inicial (Classe I ou II) consistem em fatores que, efetivamente, influenciam na recidiva anterossuperior.

da finalização e a estabilidade em longo prazo4,5,6,7. Os resultados dos testes de correlação do presente estudo tendem a corroborar esses outros estudos. Deve-se ressaltar que ambos os grupos apresentaram, ao final do tratamento, alinhamento anterossuperior bastante satisfatório (índices de Little de 0,34mm e 0,00mm para os Grupos 1 e 2, respectivamente). Dessa forma, não foram comparados grupos que podem ser classificados como bem ou mal finalizados. 3) Para vocês, o que mais influenciaria a recidiva anterossuperior: a severidade inicial apresentada pelo caso ou a finalização ortodôntica conseguida? A opinião dos autores, baseada no presente estudo e em trabalhos relacionados ao tema, é que ambos os fatores não apresentam influência significativa na recidiva anterossuperior. Nota-se que indivíduos com apinhamento inicial acentuado tendem a apresentar uma quantidade maior

Referências 1. 2. 3. 4.

Little RM. The irregularity index: a quantitative score of mandibular anterior alignment. Am J Orthod. 1975 Nov;68(5):554-63. Andrews LF. The six keys to normal occlusion. Am J Orthod. 1972;62(3):296-309. Roth RH. Functional occlusion for the orthodontist. Part III. J Clin Orthod. 1981;15(3):174-9, 182-98. Freitas KM, Janson G, Freitas MR, Pinzan A, Henriques JF, PinzanVercelino CR. Influence of the quality of the finished occlusion on postretention occlusal relapse. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2007;132(4):428.e9-14.

5.

6. 7.

Canuto LFG. Avaliação da influência da realização da expansão rápida da maxila sobre a recidiva do apinhamento ânterosuperior, em casos tratados ortodonticamente sem extrações [dissertação]. 2006. Bauru (SP): Universidade de São Paulo; 2006. Nett BC, Huang GJ. Long-term posttreatment changes measured by the American Board of Orthodontics objective grading system. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2005;127(4):444-50. Ormiston JP, Huang GJ, Little RM, Decker JD, Seuk GD. Retrospective analysis of long-term stable and unstable orthodontic treatment outcomes. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2005;128(5):568-74.

Enviado em: 4 de junho de 2009 Revisado e aceito: 13 de abril de 2010

Endereço para correspondência Karina Maria Salvatore de Freitas Rua Jamil Gebara, 1-25, apto. 111, Jd. Paulista CEP: 17.017-150 – Bauru/SP E-mail: kmsf@uol.com.br

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Artigo Online*

Tratamento de más oclusões de Classe II graves com aparelhos funcionais removíveis e ortodônticos sequenciais: um caso para a avaliação do MOrthRCSEd** Larry Ching Fan Li***, Ricky Wing Kit Wong****

Resumo Introdução: o aparelho funcional é uma forma eficaz de tratar as más oclusões de Classe II esque-

léticas em crianças e adolescentes. Um protocolo de avanço mandibular progressivo de 12 meses já demonstrou ser capaz de aumentar o crescimento condilar e melhorar o prognatismo mandibular utilizando o aparelho de Herbst. Objetivo: relatar o caso clínico (apresentado como um dos requisitos para aprovação no Exame de Ortodontia para Filiação ao Royal College of Surgeons de Edinburgo**) de uma menina chinesa de 11 anos de idade, com 11mm de sobressaliência, tratada na Fase I da terapia de modificação do crescimento, ao longo de 12 meses, utilizando o aparelho Twin Block com um expansor palatal Hyrax e um extrabucal de puxada alta, em um protocolo de avanço mandibular progressivo, seguido pela Fase II da terapia, com um aparelho Edgewise pré-ajustado. Palavras-chave: Terapia miofuncional. Aparelhos funcionais. Má oclusão de Classe II de Angle.

Resumo do editor Para o tratamento das más oclusões de Classe II esqueléticas, devido à retrusão mandibular, indica-se o emprego de aparelhos ortopédicos funcionais, com vistas ao estímulo do crescimento mandibular. O presente estudo trata da apresentação de um caso clínico com má oclusão de Classe II esquelética, tratado por meio do aparelho ortopédico Twin Block associado ao aparelho extrabucal de tração alta, seguido do tratamento ortodôntico fixo. Uma paciente chinesa, com 10 anos e 10 meses de idade, perfil facial convexo, má oclusão de Classe II, divisão 1, devido à retrusão

mandibular, relação molar de Classe II completa, sobressaliência de 11mm e sobremordida profunda moderada, procurou por tratamento ortodôntico queixando-se de apinhamento e protrusão dos incisivos superiores. Por meio da análise das vértebras cervicais, verificou-se que a paciente apresentava-se no estágio CVS3, ou seja, próximo ao pico de crescimento puberal. Inicialmente, foi instalado o aparelho Twin Block com parafuso expansor, para uso integral, com avanço mandibular inicial de 5mm e abertura vertical de 7mm. Conjuntamente ao Twin Block, instalou-se um aparelho extrabucal, tração alta, com força média de

Como citar este artigo: Li LCF, Wong RWK. Tratamento de más oclusões de Classe II graves com aparelhos funcionais removíveis e ortodônticos sequenciais: um caso para a avaliação do MOrthRCSEd. Dental Press J Orthod. 2011 Sept-Oct;16(5):46-7.

» Os autores declaram não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros que representem conflito de interesse, nos produtos e companhias descritos nesse artigo.

* Acesse www.dentalpress.com.br/revistas para ler o artigo na íntegra.

** MOrthRCSEd, Membership of Orthodontics Examination of the Royal College of Surgeons of Edinburgh.

*** Mestre em Ortodontia. MOrthRCSEd. MRACDS (Membro da Escola Real de Cirurgiões-dentistas da Australásia). **** Professor Adjunto de Ortodontia, Disciplina de Ortodontia, Faculdade de Odontologia, Universidade de Hong Kong.

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Li LCF, Wong RWK

450g/lado, a ser utilizado de 12 a 14h/dia. Decorridos seis meses, o aparelho Twin Block foi ajustado, de forma a proporcionar mais 5mm de avanço mandibular. Após 12 meses, esses aparelhos foram removidos e o aparelho ortodôntico fixo foi empregado para o alinhamento e nivelamento dentários e finalização do caso. O tempo total de tratamento compreendeu 26 meses. Verificou-se que houve correção da má oclusão inicial, com a obtenção da relação molar normal em ambos os lados, além de uma sobressaliência e sobremordida normais. O perfil facial também melhorou, refletindo a melhora na relação maxilomandibular, devido a um

redirecionamento do crescimento maxilar, com sua restrição no sentido anterior e considerável crescimento mandibular durante a primeira fase do tratamento (ortopédica). Os autores concluíram que esse protocolo de tratamento ortopédico, com o avanço gradual mandibular durante 12 meses, apresentou-se efetivo para o tratamento da má oclusão de Classe II associada à retrusão mandibular. Contudo, avaliações em longo prazo associadas a estudos envolvendo um maior número de indivíduos devam ser realizadas, de forma a comprovar cientificamente a eficácia dessa proposta de tratamento ortodôntico/ortopédico.

Questões aos autores

Vários estudos têm mostrado que o tratamento com aparelho funcional (aparelho Herbst) junto do extrabucal de puxada alta com forma de avanço gradual por 12 meses produz maior melhora esquelética na correção da Classe II. Nesse caso, a angulação dos incisivos inferiores aumentou ligeiramente durante o tratamento com Twin Block e isso também contribuiu para o elevado percentual de alterações esqueléticas (menos alterações dentárias).

1) Atualmente, há várias opções de aparelhos para o tratamento ortopédico das más oclusões de Classe II devido à retrusão mandibular. Por que escolheram o Twin Block associado ao aparelho extrabucal de tração alta? O aparelho funcional removível foi usado nessa paciente porque seus pré-molares ainda não estavam totalmente irrompidos quando o tratamento foi iniciado. Colaboração favorável também foi um fator decisivo. O uso de aparelhos extrabucais de alta tração durante a fase de aparelho funcional foi para restringir o crescimento maxilar para baixo e para minimizar a rotação para trás e para baixo da mandíbula, o que aumentaria a sobressaliência e comprometeria os efeitos do tratamento.

3) Quais fatores devem ser considerados para a escolha entre o tratamento ortopédico/ortodôntico em duas fases em relação àquele realizado em somente uma fase? Os fatores que devem ser considerados são: » causa da má oclusão de Classe II — dentária ou óssea —; maxila prognática, mandíbula retrognática ou uma combinação de ambas; » perfil do paciente; » a idade e a maturidade esquelética do paciente; » preferência dos pacientes, tais como extração de dentes, duração dos tratamentos esperados, a aceitação com os aparelhos funcionais e assim por diante.

2) Vocês afirmam que “A melhora na sobressaliência de 10mm se deu 70% às custas de estruturas esqueletais e 30% em virtude de alterações dentárias, enquanto a melhora no posicionamento dos molares ocorreu 81% em virtude de estruturas esqueletais e 19% por conta de alterações dentárias”. Quais as razões para a significativa correção esquelética do tratamento realizado? A correção esquelética é um resultado combinado da contenção do crescimento da maxila e do crescimento mandibular reforçado.

Dental Press J Orthod

Enviado em: 26 de agosto de 2010 Revisado e aceito: 29 de dezembro de 2010

Endereço para correspondência Larry Ching Fan Li Tan Orthodontics, 174 East Boundary Road, Bentleigh, Victoria 3165, Austrália E-mail: larrycfli@yahoo.com

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Artigo Online*

Tratamento de más oclusões de Classe II graves com aparelhos funcionais removíveis e ortodônticos sequenciais: um caso para a avaliação do MOrthRCSEd** Larry Ching Fan Li***, Ricky Wing Kit Wong****

Resumo Introdução: o aparelho funcional é uma forma eficaz de tratar as más oclusões de Classe II esque-

léticas em crianças e adolescentes. Um protocolo de avanço mandibular progressivo de 12 meses já demonstrou ser capaz de aumentar o crescimento condilar e melhorar o prognatismo mandibular utilizando o aparelho de Herbst. Objetivo: relatar o caso clínico (apresentado como um dos requisitos para aprovação no Exame de Ortodontia para Filiação ao Royal College of Surgeons de Edinburgo**) de uma menina chinesa de 11 anos de idade, com 11mm de sobressaliência, tratada na Fase I da terapia de modificação do crescimento, ao longo de 12 meses, utilizando o aparelho Twin Block com um expansor palatal Hyrax e um extrabucal de puxada alta, em um protocolo de avanço mandibular progressivo, seguido pela Fase II da terapia, com um aparelho Edgewise pré-ajustado. Palavras-chave: Terapia miofuncional. Aparelhos funcionais. Má oclusão de Classe II de Angle.

Resumo do editor Para o tratamento das más oclusões de Classe II esqueléticas, devido à retrusão mandibular, indica-se o emprego de aparelhos ortopédicos funcionais, com vistas ao estímulo do crescimento mandibular. O presente estudo trata da apresentação de um caso clínico com má oclusão de Classe II esquelética, tratado por meio do aparelho ortopédico Twin Block associado ao aparelho extrabucal de tração alta, seguido do tratamento ortodôntico fixo. Uma paciente chinesa, com 10 anos e 10 meses de idade, perfil facial convexo, má oclusão de Classe II, divisão 1, devido à retrusão

mandibular, relação molar de Classe II completa, sobressaliência de 11mm e sobremordida profunda moderada, procurou por tratamento ortodôntico queixando-se de apinhamento e protrusão dos incisivos superiores. Por meio da análise das vértebras cervicais, verificou-se que a paciente apresentava-se no estágio CVS3, ou seja, próximo ao pico de crescimento puberal. Inicialmente, foi instalado o aparelho Twin Block com parafuso expansor, para uso integral, com avanço mandibular inicial de 5mm e abertura vertical de 7mm. Conjuntamente ao Twin Block, instalou-se um aparelho extrabucal, tração alta, com força média de

Como citar este artigo: Li LCF, Wong RWK. Tratamento de más oclusões de Classe II graves com aparelhos funcionais removíveis e ortodônticos sequenciais: um caso para a avaliação do MOrthRCSEd. Dental Press J Orthod. 2011 Sept-Oct;16(5):46-7.

» Os autores declaram não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros que representem conflito de interesse, nos produtos e companhias descritos nesse artigo.

* Acesse www.dentalpress.com.br/revistas para ler o artigo na íntegra.

** MOrthRCSEd, Membership of Orthodontics Examination of the Royal College of Surgeons of Edinburgh.

*** Mestre em Ortodontia. MOrthRCSEd. MRACDS (Membro da Escola Real de Cirurgiões-dentistas da Australásia). **** Professor Adjunto de Ortodontia, Disciplina de Ortodontia, Faculdade de Odontologia, Universidade de Hong Kong.

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Li LCF, Wong RWK

450g/lado, a ser utilizado de 12 a 14h/dia. Decorridos seis meses, o aparelho Twin Block foi ajustado, de forma a proporcionar mais 5mm de avanço mandibular. Após 12 meses, esses aparelhos foram removidos e o aparelho ortodôntico fixo foi empregado para o alinhamento e nivelamento dentários e finalização do caso. O tempo total de tratamento compreendeu 26 meses. Verificou-se que houve correção da má oclusão inicial, com a obtenção da relação molar normal em ambos os lados, além de uma sobressaliência e sobremordida normais. O perfil facial também melhorou, refletindo a melhora na relação maxilomandibular, devido a um

redirecionamento do crescimento maxilar, com sua restrição no sentido anterior e considerável crescimento mandibular durante a primeira fase do tratamento (ortopédica). Os autores concluíram que esse protocolo de tratamento ortopédico, com o avanço gradual mandibular durante 12 meses, apresentou-se efetivo para o tratamento da má oclusão de Classe II associada à retrusão mandibular. Contudo, avaliações em longo prazo associadas a estudos envolvendo um maior número de indivíduos devam ser realizadas, de forma a comprovar cientificamente a eficácia dessa proposta de tratamento ortodôntico/ortopédico.

Questões aos autores

Vários estudos têm mostrado que o tratamento com aparelho funcional (aparelho Herbst) junto do extrabucal de puxada alta com forma de avanço gradual por 12 meses produz maior melhora esquelética na correção da Classe II. Nesse caso, a angulação dos incisivos inferiores aumentou ligeiramente durante o tratamento com Twin Block e isso também contribuiu para o elevado percentual de alterações esqueléticas (menos alterações dentárias).

1) Atualmente, há várias opções de aparelhos para o tratamento ortopédico das más oclusões de Classe II devido à retrusão mandibular. Por que escolheram o Twin Block associado ao aparelho extrabucal de tração alta? O aparelho funcional removível foi usado nessa paciente porque seus pré-molares ainda não estavam totalmente irrompidos quando o tratamento foi iniciado. Colaboração favorável também foi um fator decisivo. O uso de aparelhos extrabucais de alta tração durante a fase de aparelho funcional foi para restringir o crescimento maxilar para baixo e para minimizar a rotação para trás e para baixo da mandíbula, o que aumentaria a sobressaliência e comprometeria os efeitos do tratamento.

3) Quais fatores devem ser considerados para a escolha entre o tratamento ortopédico/ortodôntico em duas fases em relação àquele realizado em somente uma fase? Os fatores que devem ser considerados são: » causa da má oclusão de Classe II — dentária ou óssea —; maxila prognática, mandíbula retrognática ou uma combinação de ambas; » perfil do paciente; » a idade e a maturidade esquelética do paciente; » preferência dos pacientes, tais como extração de dentes, duração dos tratamentos esperados, a aceitação com os aparelhos funcionais e assim por diante.

2) Vocês afirmam que “A melhora na sobressaliência de 10mm se deu 70% às custas de estruturas esqueletais e 30% em virtude de alterações dentárias, enquanto a melhora no posicionamento dos molares ocorreu 81% em virtude de estruturas esqueletais e 19% por conta de alterações dentárias”. Quais as razões para a significativa correção esquelética do tratamento realizado? A correção esquelética é um resultado combinado da contenção do crescimento da maxila e do crescimento mandibular reforçado.

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Enviado em: 26 de agosto de 2010 Revisado e aceito: 29 de dezembro de 2010

Endereço para correspondência Larry Ching Fan Li Tan Orthodontics, 174 East Boundary Road, Bentleigh, Victoria 3165, Austrália E-mail: larrycfli@yahoo.com

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Relato

de

Técnica

Um método para o retratamento da recidiva do desalinhamento dentário David Normando*, Leopoldino Capelozza Filho**

Resumo Introdução: o ortodontista clínico deve esperar alguma perda do alinhamento dentário obtido durante o tratamento ortodôntico nos casos em que a contenção ortodôntica foi suspensa pelo profissional ou perdida pelo paciente. Nessa situação, os pacientes são, frequentemente, relutantes em novamente usar braquetes para retratar o alinhamento dentário perdido após o tratamento. Objetivo: esse artigo descreve o uso de uma técnica simples e eficiente para corrigir pequenas alterações do alinhamento dentário. Esse procedimento, inovador e de baixo custo, produz a resolução da recidiva em poucas semanas. A força usada para realinhar os dentes é obtida através de um fio elastomérico transparente amarrado a uma contenção fixa, de vários filamentos, colada às arcadas superior e inferior. Palavras-chave: Movimentação dentária. Aparelhos ortodônticos. Incisivo. Recidiva.

Como citar este artigo: Normando D, Capelozza Filho L. Um método para o retratamento da recidiva do desalinhamento dentário. Dental Press J Orthod. 2011 Sept-Oct;16(5):48-53.

» Os autores declaram não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros que representem conflito de interesse, nos produtos e companhias descritos nesse artigo.

* Especialista em Ortodontia pela PROFIS-USP/Bauru. Professor da disciplina de Ortodontia da UFPA. Coordenador do curso de especialização em Ortodontia da EAP/ABO-PA. Mestre em Clínica Integrada pela FOUSP. Doutor em Odontologia pela UERJ. ** Professor Doutor da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo/Bauru. Membro do setor de Ortodontia do HRAC-USP/Bauru.

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Normando D, Capelozza Filho L

A method to re-treat the relapse of dental misalignment Abstract Introduction: The clinician should expect some loss of the dental alignment obtained during orthodontic therapy in the long term in cases in which the orthodontic retainer has been removed by the orthodontist or lost by the patient. In this situation, patients are often reluctant to wear braces again to re-treat anterior misalignment. Objective: This report describes the successful use of a simple and effective technique to correct mild changes in the incisor alignment after orthodontic treatment. An innovative and low cost procedure effectively solved relapse of anterior misalignment in 1-2 months. The force used to realign the teeth is obtained through the use of a clear elastomeric thread tied to multistranded upper and lower retainers. Keywords: Tooth movement. Orthodontic braces. Incisor. Relapse.

Referências 11. McNamara TG, McNamara T, Sandy JR. A new approach to incisor retention-the lingual spur retainer. Br J Orthod. 1996;23(3):199-201. 12. Liou EJW, Chen LIJ, Huang S. Nickel-titanium mandibular bonded lingual 3-3 retainer: For permanent retention and solving relapse of mandibular anterior crowding. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2001;119(4):443-9. 13. Årtun J, Spadafora AT, Shapiro PA. A 3-year follow-up study of various types of orthodontic canine-to-canine retainers. Eur J Orthod. 1997;19(5):501-9. 14. Valiathan M, Hughes E. Results of a survey-based study to identify common retention practices in the United States. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2010;137(2):170-7. 15. Singh P, Grammati S, Kirschen R. Orthodontic retention patterns in the United Kingdom. J Orthod. 2009;36(2):115-21. 16. Tacken MP, Cosyn J, De Wilde P, Aerts J, Govaerts E, Vannet BV. Glass fibre reinforced versus multistranded bonded orthodontic retainers: a 2 year prospective multi-centre study. Eur J Orthod. 2010;32(2):117-23. 17. Littlewood SJ, Millett DT, Doubleday B, Bearn DR, Worthington HV. Retention procedures for stabilizing tooth position after treatment with orthodontic braces. Cochrane Database Syst Rev. 2004;(1):CD002283. 18. Zachrisson BU. Clinical experience with direct-bonded orthodontic retainers. Am J Orthod 1977;71(4):440-8. 19. Zachrisson BU. The bonded lingual retainer and multiple spacing of anterior teeth. J Clin Orthod. 1983;17(12):838-44. 20. Katsaros C, Livas C, Renkema AM. Unexpected complications of bonded mandibular lingual retainers. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2007;132(6):838-41.

1. Erdinc AE, Nanda RS, Isiksal E. Relapse of anterior crowding in patients treated with extraction and nonextraction of premolars. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2006;129(6):775-84. 2. Freitas KM, Freitas MR, Henriques JF, Pinzan A, Janson G. Postretention relapse of mandibular anterior crowding in patients treated without mandibular premolar extraction. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2004;125(4):480-7. 3. Little RM. Stability and relapse of mandibular anterior alignment: University of Washington studies. Semin Orthod. 1999;5(3):191-204. 4. Maia NG, Normando ADC, Maia FA, Alves MSC, Ferreira MAF. Factors associated with orthodontic stability: a retrospective study of 209 patients. World J Orthod. 2010;11(1):61-6. 5. Maia NG, Normando D, Maia FA, Ferreira MA, Alves SCFM. Factors associated with long-term patient satisfaction. Angle Orthod. 2010;80(6):1155-8. 6. Warunik SP, Strychalski ID, Cunat JJ. Clinical use of silicone elastomer appliances. J Clin Orthod. 1989;23(10):694-700. 7. Sheridan JJ, McMinn R, LeDoux W. Essix thermosealed appliances: various orthodontic uses. J Clin Orthod. 1995;29(2):108-13. 8. Rinchuse DJ, Rinchuse DJ. Active tooth movement with Essix-based appliances. J Clin Orthod. 1997;31(2):109-12. 9. Cureton SL. Correcting maligned mandibular incisors with removable retainers. J Clin Orthod. 1996;30(7):390-5. 10. Bloore JA, Bloore GE. Correction of adult incisor crowding with a new removable appliance. J Clin Orthod. 1998;32(2):111-6.

Enviado em: 23 de fevereiro de 2011 Revisado e aceito: 3 de maio de 2011

Endereço para correspondência David Normando Rua Boaventura da Silva, 567, ap. 1201 – Belém / PA CEP: 66.0550-090 E-mail: davidnor@amazon.com.br

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Artigo Inédito

Análise eletromiográfica do músculo orbicular da boca em jovens com Classe II, 1ª divisão, e jovens com oclusão normal Vania Célia Vieira de Siqueira*, Meire Alves de Sousa**, Fausto Bérzin***, Cézar Augusto Souza Casarini****

Resumo Objetivo: comparar, eletromiograficamente, os potenciais de ação do músculo orbicular da

boca, segmentos superior e inferior, bilateralmente, em jovens com Classe II, 1ª divisão, e em jovens com oclusão normal, verificando a ocorrência ou não de diferenças na atividade eletromiográfica entre os grupos. Métodos: a amostra consistiu-se de 50 jovens do sexo feminino, com idades entre 8 e 10 anos, com ausência de tratamento ortodôntico prévio, distribuídas em dois grupos: 25 com Classe II, 1ª divisão; e 25 com oclusão normal. Para a captação dos sinais eletromiográficos, utilizaram-se eletrodos de superfície passivos de Ag/AgCl. Registrou-se a atividade muscular na situação de repouso, na contração isométrica e na contração isotônica, determinando-se o valor da RMS de cada movimento. Submeteu-se os dados coletados à análise estatística de variância e ao teste de Tukey (α=0,05). Resultados: os resultados revelaram que ocorreram diferenças nas atividades eletromiográficas entre as jovens com Classe II, 1ª divisão, e as com oclusão normal. As atividades musculares mostraram-se maiores nas jovens com Classe II, 1ª divisão. Conclusão: observou-se uma menor competência do músculo orbicular da boca nas jovens do sexo feminino com Classe II, 1ª divisão. Palavras-chave: Eletromiografia. Ortodontia. Classe II, 1ª divisão. Oclusão normal. Músculo orbicular da boca.

INTRODUÇÃO A análise eletromiográfica dos músculos da mastigação constitui-se em um importante instrumento complementar no diagnóstico ortodôntico, pois uma cuidadosa avaliação da atividade muscular antes e durante o tratamento orienta o profissional na eleição da terapia adequada,

assim como na escolha mais individualizada da contenção, minimizando recidivas22. A musculatura peribucal e o posicionamento labial constituem-se em fatores determinantes na posição dos dentes e na forma da arcada dentária, em razão de suas atividades moderadas, porém contínuas. As forças resultantes da posição de repouso

Como citar este artigo: Siqueira VCV, Sousa MA, Bérzin F, Casarini CAS. Análise eletromiográfica do músculo orbicular da boca em jovens com Classe II, 1ª divisão, e jovens com oclusão normal. Dental Press J Orthod. 2011 Sept-Oct;16(5):54-61.

» Os autores declaram não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros que representem conflito de interesse, nos produtos e companhias descritos nesse artigo.

* Professora Doutora da disciplina de Ortodontia da Faculdade de Odontologia de Piracicaba UNICAMP. ** Aluna de doutorado em Ortodontia na Faculdade de Odontologia de Piracicaba/UNICAMP. *** Professor Titular na disciplina de Anatomia do departamento de Fisiologia da Faculdade de Odontologia de Piracicaba/UNICAMP. **** Aluno de doutorado em Anatomia do departamento de Fisiologia da Faculdade de Odontologia de Piracicaba/UNICAMP.

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Análise eletromiográfica do músculo orbicular da boca em jovens com Classe II, 1ª divisão, e jovens com oclusão normal

CONCLUSÕES Apoiando-se na literatura consultada, nas características da amostra, na metodologia empregada e nos resultados obtidos, concluiu-se que: 1) Ocorreu atividade eletromiográfica dife-

rente entre as jovens com Classe II, 1ª divisão, e as com oclusão normal. 2) Essa atividade apresentou-se maior nas jovens com Classe II, 1ª divisão, sugerindo, assim, uma menor competência labial nesse grupo.

Electromyographic analysis of the orbicularis oris muscle in youngsters with Class II, division 1 and normal occlusion Abstract Objective: The purpose of this study was to compare, electromyographically, the action potential of the orbicularis oris muscle, upper and lower segment, bilaterally, in youngsters with Class II division 1 malocclusion and youngsters with normal occlusion, in order to verify the occurrence or not of the different electromyographic activity for both groups. Methods: The sample consisted of 50 females, ranging from 8 to 10 years old, with no previous orthodontic treatment, divided into two groups: 25 with Class II division 1 malocclusion and 25 with normal occlusion. The electromyographic signals of the orbicularis oris muscle were acquired by Ag/AgCl surface electrodes. Muscle activity was recorded in resting position, in isometric contraction and in isotonic contraction, determining the RMS values of each movement. The data collected was submitted to the statistical analyses of variance and Tukey test (α=0.05). Results: The results showed that there was electromyographic activity difference between the young females with Class II division 1 malocclusion and the ones with normal occlusion. That muscle activity was higher in young females with malocclusion than in young females with normal occlusion. Conclusion: This suggest the smaller competence of the orbicularis oris muscle in the females with Class II, division 1 malocclusion. Keywords: Electromyography. Orthodontics. Class II, division 1. Normal occlusion. Orbicularis oris muscle.

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Enviado em: 16 de agosto de 2007 Revisado e aceito: 6 de agosto de 2009

Endereço para correspondência Vania C. V. Siqueira Rua José Corder, 87 – Jardim Modelo CEP: 13.419-325 – Piracicaba / SP E-mail: siqueira@fop.unicamp.br

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Artigo Inédito

Estudo comparativo cefalométrico dos padrões dentofaciais de indivíduos portadores de oclusão normal e de más oclusões de Angle Julio César Mota Pereira*, Henrique Manoel Lederman**, Hélio Kiitiro Yamashita***, Dayliz Quinto Pereira****, Luís Antônio de Arruda Aidar*****

Resumo Objetivo: avaliar os padrões dentofaciais de pacientes portadores de oclusão normal e más

oclusões de Angle quanto a possíveis diferenças entre as grandezas estudadas, em relação ao sexo, dentro de cada grupo e entre os grupos. Métodos: a amostra constou de 200 telerradiografias cefalométricas laterais obtidas de jovens brasileiros, de ambos os sexos, na faixa etária de 11 anos e 2 meses a 19 anos e 10 meses, apresentando dentição permanente. O material foi dividido, quanto ao tipo de oclusão, em cinco grupos: um de pacientes portadores de oclusão normal, e quatro de pacientes portadores de más oclusões de Angle, sendo cada grupo dividido igualmente quanto ao sexo. Foram avaliadas grandezas cefalométricas angulares e lineares. Resultados: na grande maioria das grandezas, os sexos masculino e feminino não diferiram; entre os grupos, a posição da maxila não mostrou diferença significativa, o retrognatismo mandibular foi marcante nos grupos de Classe II divisões 1ª e 2ª e foram observados alguns desequilíbrios verticais com diferenças significativas; o padrão foi hipodivergente para os grupos de oclusão normal e Classe II, divisão 2ª, e neutro para os grupos de Classe I; Classe II, divisão 1ª; e Classe III; a compensação dentoalveolar foi evidente nos grupos de Classe III e de Classe II, divisão 2ª; o grupo de oclusão normal apresentou perfil mais convexo que os padrões americanos. Conclusão: foi possível configurar, de forma geral, algumas características da morfologia facial para alguns tipos de más oclusões. Entretanto, existe a necessidade de avaliar a face individualmente, pois algumas características permeiam entre os diferentes tipos de oclusão. Palavras-chave: Cefalometria. Má oclusão. Crescimento.

INTRODUÇÃO É sabido que a influência da Ortodontia americana, inclusive determinando padrões de norma-

lidade e referências, hoje não é compatível com a população brasileira, principalmente em razão da miscigenação racial característica do povo23.

Como citar este artigo: Pereira JCM, Lederman HM, Yamashita HK, Pereira DQ, Aidar LAA. Estudo comparativo cefalométrico dos padrões dentofaciais de indivíduos portadores de oclusão normal e de más oclusões de Angle. Dental Press J Orthod. 2011 Sept-Oct;16(5):62-73.

» Os autores declaram não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros que representem conflito de interesse, nos produtos e companhias descritos nesse artigo.

* Professor Doutor Adjunto da Disciplina de Odontopediatria III do Curso de Odontologia da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). ** Professor Titular do Departamento de Diagnóstico por Imagem da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP-EPM). *** Professor Doutor do Departamento de Diagnóstico por Imagem da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP-EPM). **** Professora Mestre Assistente da Disciplina de Cirurgia do Curso de Odontologia da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). ***** Professor Doutor responsável pela disciplina de Ortodontia da Faculdade de Odontologia da Universidade Santa Cecília (UNISANTA).

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Estudo comparativo cefalométrico dos padrões dentofaciais de indivíduos portadores de oclusão normal e de más oclusões de Angle

3) As maiores compensações dentárias ocorreram na Classe III e na Classe II, divisão 2ª. 4) O perfil facial no grupo de má oclusão de Classe II, divisão 1ª, apresentou-se mais convexo e o lábio inferior ultrapassou a linha E de Rickets. O grupo de oclusão normal mostrou perfil mais convexo que os padrões norte-americanos.

de más oclusões de Classe II, divisões 1ª e 2ª. No grupo de má oclusão de Classe III, em razão do encurtamento da base anterior do crânio, a avaliação sagital, por meio dos ângulos SNB e SNA, ficou comprometida, embora o tamanho da maxila estivesse diminuído pelas grandezas estudadas (Co-A e ENA-ENP).

Comparative cephalometric study of dentofacial patterns of individuals with normal occlusion and Angle malocclusions Abstract Objective: To determine the dentofacial patterns in patients presenting normal occlusion and Angle malocclusions, evaluating the possible differences in the studied measurements, considering the gender, the differences within each group and the differences among the groups. Methods: The sample comprised 200 lateral cephamometric radiographs of young Brazilian subjects, from both genders, with average age between 11 years and 2 months and 19 years and 10 months. The sample was classified according to the type of occlusion into five groups: one group with subjects presenting normal malocclusions, and four groups with subjects presenting Angle malocclusions. Each group was equally divided according to the gender of subjects. Angular and linear measurements were evaluated in this study. Results: For most measurements, males and females did not differ; among the groups, the position of the maxilla did not show a significant difference, mandibular retrognathia was notable in the groups with Class II division 1 and 2, with a few vertical imbalances with significant differences were observed; the pattern was hypodivergent for the groups with normal occlusion and Class II division 1; and neutral for Class I, Class II division 1 and Class III groups; dentoalveolar compensation was evident in Class III and Class II division 2 groups; the normal occlusion group had a more convex profile than American standards. Conclusion: It was possible to generally construct a few characteristics of facial morphology for some types of malocclusion. However, there is the need to individually evaluate each face, as some characteristics prevail among the different occlusion types. Keywords: Cephalometrics. Malocclusion. Growth.

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Pereira JCM, Lederman HM, Yamashita HK, Pereira DQ, Aidar LAA

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Enviado em: 29 de fevereiro de 2008 Revisado e aceito: 26 de dezembro de 2009

Endereço para correspondência Júlio César Mota Pereira BR 116 Km 6 – Campus da UEFS CEP: 44.100-000 – Feira de Santana / BA E-mail: juliomotta55@hotmail.com

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Artigo Inédito

Efeitos dos fios de nivelamento de níquel-titânio e de aço inoxidável na posição dos incisivos inferiores Ricardo Moresca*, Alexandre Moro**, Gladys Cristina Dominguez***, Julio Wilson Vigorito****

Resumo Objetivo: estudar os efeitos do nivelamento realizado com fios de NiTi termoativado e de

aço inoxidável, avaliando-se as possíveis alterações na posição dos incisivos inferiores, em casos com extrações, correlacionando com o tempo de tratamento. Métodos: a amostra foi composta de 36 indivíduos, de ambos os sexos, leucodermas brasileiros, com idade média inicial de 15 anos e 5 meses, portadores de más oclusões de Classes I e II, distribuídos em dois grupos. No Grupo 1 (n=17), o nivelamento foi realizado com a sequência 1, utilizando-se três fios — 0,016” e 0,019”x0,025” de NiTi termoativado, e 0,019”x0,025” de aço inoxidável. No Grupo 2 (n=19), foi testada a sequência 2, na qual foram utilizados apenas fios de aço inoxidável (0,014”; 0,016”; 0,018”; 0,020” e 0,019”x0,025” com torque passivo nos incisivos inferiores). Os dados foram coletados utilizando-se o método cefalométrico computadorizado e comparados pelo teste t de Student com o nível de significância de 5%. Resultados: no Grupo 1, os incisivos inferiores inclinaram-se para lingual, com movimento significativo apenas da coroa (1,6mm). No Grupo 2, os incisivos inferiores permaneceram estáveis. Não houve alteração vertical em nenhum dos grupos. Conclusões: a sequência 2 proporcionou um melhor controle dos incisivos inferiores, não alterando suas posições iniciais, enquanto a sequência 1 permitiu a expressão do torque da prescrição utilizada, levando a uma inclinação lingual desses dentes. O tempo de tratamento foi menor utilizando-se a sequência 1. As variações biomecânicas estudadas apresentaram vantagens e desvantagens que devem ser conhecidas e ponderadas pelo ortodontista no planejamento do caso. Palavras-chave: Nivelamento. Fios ortodônticos. Biomecânica.

Como citar este artigo: Moresca R, Moro A, Dominguez GC, Vigorito JW. Efeitos dos fios de nivelamento de níquel-titânio e de aço inoxidável na posição dos incisivos inferiores. Dental Press J Orthod. 2011 Sept-Oct;16(5):74-81.

» Os autores declaram não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros que representem conflito de interesse, nos produtos e companhias descritos nesse artigo.

* Doutor em Ortodontia pela FO-USP. Professor Adjunto da UFPR, graduação e pós-graduação em Ortodontia. Professor Titular do Programa de Mestrado em Odontologia Clínica da Universidade Positivo. ** Doutor em Ortodontia pela FOB-USP. Professor Associado da UFPR, graduação e pós-graduação em Ortodontia. Professor Titular do Programa de Mestrado em Odontologia Clínica da Universidade Positivo. *** Doutora em Ortodontia pela FO-USP. Professora Associada da Disciplina de Ortodontia do Departamento de Ortodontia e Odontopediatria da FO-USP. **** Doutor em Ortodontia pela FO-USP. Professor Titular da Disciplina de Ortodontia do Departamento de Ortodontia e Odontopediatria da FO-USP.

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Moresca R, Moro A, Dominguez GC, Vigorito JW

Effects of nickel-titanium and stainless steel leveling wires on the position of mandibular incisors Abstract Objective: To study the effects of the leveling phase performed with heat activated NiTi and stainless steel archwires evaluating the possible changes in lower incisors position in extraction cases, as well as its correlation with treatment time. Methods: The sample comprised 36 white Brazilians subjects, male and female, mean age of 15 years and 5 months, with Angle Class I and II malocclusion, arranged in two groups. In Group 1 (n=17), the leveling phase was performed with sequence 1, using three archwires (NiTi heat activated 0.016” and 0.019”x0.025” and stainless steel 0.019”x0.025”). In Group 2 (n=19), sequence 2 was tested, in which only stainless steel archwires were used (0.014”, 0.016”, 0.018”, 0.020” and 0.019”x0.025” with passive torque in lower incisors). The data were collected using the computerized cephalometry and were compared by Student’s t test at significance level of 5%. Results: In Group 1, lower incisors tipped lingually and only the crown presented a lingual movement that was statistically significant (1.6mm). In Group 2, the lower incisors remained unchanged. There was no vertical change in either groups. Conclusions: Sequence 2 showed better control of the lower incisors and no changes in their position were observed whereas sequence 1 allowed torque expression of brackets prescription with lingual tip of these teeth. Treatment time was shorter using sequence 1. Both biomechanical variations studied showed advantages and disadvantages that should be known and evaluated by the orthodontist during case planning. Keywords: Leveling. Archwires. Biomechanics.

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Enviado em: 29 de julho de 2008 Revisado e aceito: 24 de novembro de 2008

Endereço para correspondência Ricardo Moresca Av. Cândido de Abreu, 526, sala 1310-A CEP: 80.530-905 - Centro Cívico - Curitiba / PR E-mail: ricardo@moresca.com.br

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Artigo Inédito

Análise cefalométrica das vias aéreas superiores de pacientes Classe III submetidos a tratamento ortocirúrgico Camila Gornic*, Paula Paiva do Nascimento**, Camilo Aquino Melgaço***, Antonio Carlos de O. Ruellas****, Paulo José D’Albuquerque Medeiros*****, Eduardo Franzotti Sant’Anna******

Resumo Objetivo: o objetivo deste estudo foi avaliar as alterações causadas por cirurgia ortognática de re-

cuo mandibular associada ou não à cirurgia maxilar combinada nas vias aéreas superiores (VAS). Métodos: foram avaliadas radiografias cefalométricas de perfil pré-cirúrgicas e pós-cirúrgicas imediatas de 17 pacientes com Classe III. Foram realizadas medições do diâmetro do espaço aéreo (EA) no plano sagital, nas regiões correspondentes à hipofaringe e à orofaringe; também foram registradas as alterações na posição do osso hioide. Utilizou-se o teste t pareado e o coeficiente Pearson, buscando possíveis associações entre as alterações esqueléticas e as ocorridas no EA. Resultados: observou-se redução significativa do EA na região da hipofaringe (média de 3,10mm, p=0,024). O osso hioide sofreu deslocamento inferior e posterior, além de diminuição da distância entre o mesmo e a região anterior da mandíbula. Não foi possível correlacionar, quantitativamente, a redução anteroposterior do EA com o recuo mandibular. Entretanto, observou-se correlação forte entre o diâmetro inicial do EA e a quantidade de redução observada ao nível da hipofaringe, e moderada em relação à orofaringe. Conclusões: o recuo mandibular pode causar estreitamento significativo das VAS, principalmente na porção mais inferior (hipofaringe). Portanto, deve-se atentar para sua avaliação durante o plano de tratamento ortocirúrgico, já que não foram descartados possíveis efeitos deletérios dessas alterações nas funções do indivíduo. Palavras-chave: Cirurgia ortognática. Recuo mandibular. Vias aéreas. Orofaringe. Hipofaringe.

INTRODUÇÃO A via aérea superior consiste em um tubo que se estende desde as narinas até a laringe (glote), e tem a faringe como seu componente predominante.

Essa estrutura pode ser didaticamente dividida em: nasofaringe (mais superior, relacionada às coanas), velofaringe (região posterior à úvula), orofaringe (base da língua) e hipofaringe (região mais inferior,

Como citar este artigo: Gornic C, Nascimento PP, Melgaço CA, Ruellas ACO, Medeiros PJD, Sant’Anna EF. Análise cefalométrica das vias aéreas superiores de pacientes Classe III submetidos a tratamento ortocirúrgico. Dental Press J Orthod. 2011 Sept-Oct;16(5):82-8.

» Os autores declaram não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros que representem conflito de interesse, nos produtos e companhias descritos nesse artigo.

* Graduada pela Faculdade de Odontologia da UFRJ. ** Aluna de Mestrado do Departamento de Odontopediatria e Ortodontia da Faculdade de Odontologia da UFRJ. *** Mestre em Ortodontia pela UFRJ. Aluno de Doutorado do Departamento de Odontopediatria e Ortodontia da Faculdade de Odontologia da UFRJ. **** Professor associado do Departamento de Odontopediatria e Ortodontia da Faculdade de Odontologia da UFRJ. ***** Doutorado em Odontologia pela UFRJ. Professor Titular de Cirurgia da Faculdade de Odontologia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. ****** Doutor em Ortodontia pela UFRJ. Professor Adjunto do Departamento de Odontopediatria e Ortodontia da Faculdade de Odontologia da UFRJ.

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Análise cefalométrica das vias aéreas superiores de pacientes Classe III submetidos a tratamento ortocirúrgico

Cephalometric analysis of the upper airways of Class III patients subjected to orthosurgical treatment Abstract Objective: The purpose of this study is to evaluate the alterations caused by mandibular setback surgery combined or not with maxillary surgery in the upper airways. Methods: Preoperative and immediate postoperative lateral cephalometric radiographs of 17 Class III patients were evaluated. Measurements of the diameter of air space (AS) in the sagittal plane were performed in regions corresponding to the hypopharynx and oropharynx; changes in the position of the hyoid bone were also registered. The paired t test and Pearson coefficient were used to provide possible associations between skeletal changes and those occurred in the AS. Results: There was a statistically significant reduction of AS in the hypopharynx region (average of 3.10 mm, p = 0.024). The hyoid bone moved backward and downward after the surgery, and the distance between this bone and the anterior region of mandible decreased. It was not possible to correlate, quantitatively, the anteroposterior reduction of the AS after the mandibular setback. However, there was a strong correlation between the initial diameter of AS and the amount of reduction seen at the hypopharynx; this correlation was found to be moderate at the oropharynx level. Conclusions: The mandibular setback surgery can cause significant narrowing of the upper airways, especially in hypopharynx region. Therefore, it is important to evaluate this structure during treatment planning of combined orthodontic and surgical cases. Possible deleterious effects of these changes on individuals’ functions were not yet discarded. Keywords: Orthognathic surgery. Mandibular setback. Airways. Oropharynx. Hypopharynx.

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Enviado em: 20 de agosto de 2008 Revisado e aceito: 2 de março de 2009

Endereço para correspondência Eduardo Franzotti Sant’Anna Av. Brigadeiro Trompowsky, s/n CEP: 21.949-900 - Ilha do Fundão, Rio de Janeiro / RJ E-mail: eduardo.franzotti@gmail.com

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Artigo Inédito

Distribuição de tensões em modelo fotoelástico decorrente da intrusão dos incisivos inferiores por meio do arco base de Ricketts Cristiane Aparecida de Assis Claro*, Jorge Abrão**, Sílvia Augusta Braga Reis***, Dalva Cruz Laganá****

Resumo Objetivo: o presente estudo analisou a distribuição de tensões, em modelo fotoelástico, gerada

por arco base de intrusão de incisivos inferiores. Compararam-se as tensões entre os terços radiculares de cada incisivo e, ainda, verificou-se a existência de diferenças de concentrações de tensões entre incisivos. Métodos: foram confeccionados 15 arcos base de intrusão e a força de ativação foi mensurada em 50gf na região da linha média. O modelo fotoelástico foi observado em polariscópio circular, na configuração de campo escuro, e fotografado. As fotografias frontais foram analisadas e as ordens de franjas em cada região registradas. A análise de Kappa ponderado identificou a repetibilidade do método. A comparação entre as tensões foi realizada pelo teste de Kruskal-Wallis complementado com teste de Dunn com nível alfa de 5%. Resultados e Conclusões: os resultados identificaram que as maiores magnitudes de tensões foram observadas nas regiões cervicais. Ao se comparar as ordens de franjas entre os dentes, as maiores magnitudes de tensões foram observadas nos incisivos centrais. Portanto, a região cervical pode estar mais sujeita a reabsorções, assim como os incisivos centrais, por concentrarem maiores tensões. Palavras-chave: Fotoelasticidade. Intrusão. Biomecânica. Reabsorção radicular.

INTRODUÇÃO O arco utilidade, ou arco base, tem sido descrito como recurso para promover intrusão dos incisivos na correção da sobremordida, principalmente na técnica Bioprogressiva17,21. A efetividade do referido arco na obtenção de intrusão real dos incisivos foi confirmada1,18, entretanto há relatos de que a intrusão é apenas um fator contribuinte,

dentre outros, como a vestibularização dos incisivos e a extrusão dos molares, durante a correção da sobremordida com arco base de Ricketts12. O arco base, geralmente, é construído em liga de cromo-cobalto (Elgiloy®), na têmpera azul, a qual possui propriedades similares às do aço, apresentando, entretanto, maior formabilidade. Sua composição é de 40% de cobalto, 20% de cromo,

Como citar este artigo: Claro CAA, Abrão J, Reis SAB, Laganá DC. Distribuição de tensões em modelo fotoelástico decorrente da intrusão dos incisivos inferiores por meio do arco base de Ricketts. Dental Press J Orthod. 2011 Sept-Oct;16(5):89-97.

» Os autores declaram não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros que representem conflito de interesse, nos produtos e companhias descritos nesse artigo.

* Doutora em Ortodontia pela Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo. Professora Assistente Doutora da disciplina de Ortodontia do Departamento de Odontologia da Universidade de Taubaté. ** Professor Livre Docente da Disciplina de Ortodontia da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo. *** Doutora em Ortodontia pela Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo. Mestre em Ortodontia pela Universidade Metodista de São Paulo. **** Professora Titular da Disciplina de Prótese Parcial Removível da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo.

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Claro CAA, Abrão J, Reis SAB, Laganá DC

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Enviado em: 7 de maio de 2008 Revisado e aceito: 22 de agosto de 2009

Endereço para correspondência Cristiane Aparecida de Assis Claro Av Tiradentes, 477, apto 34, Centro CEP: 12.030-180 – Taubaté / SP E-mail: clarocri@usp.br

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Artigo Inédito

Guias clínicos e radiográficos utilizados para a predição do surto de crescimento puberal Monica Tirre de Souza Araujo*, Adriana de Alcantara Cury-Saramago**, Andréa Fonseca Jardim da Motta**

Resumo Objetivo: o objetivo desse artigo é chamar a atenção para a organização das informações dispo-

níveis nos exames e durante o tratamento ortodôntico de indivíduos em crescimento, as quais servem como guias para a predição do estágio do surto de crescimento puberal. Conclusão: tais informações fornecem oportunidades de acréscimos no diagnóstico e prognóstico dos casos e na tomada de decisões do planejamento, evolução do tratamento e da fase de contenção, principalmente daqueles pacientes que apresentam más oclusões associadas a desarmonias esqueléticas. Palavras-chave: Crescimento. Predição. Diagnóstico. Prognóstico. Más oclusões.

INTRODUÇÃO A utilização de guias clínicos e radiográficos, na tentativa de predizer o nível da maturação esquelética em que se encontram os pacientes, constitui rotina para os profissionais da área de saúde que examinam os indivíduos de forma integrada. Pode-se, assim, avaliar a condição do surto de crescimento puberal, ou adolescente, ser iminente, presente ou completo4,28. A importância desse conhecimento torna-se presente quando da indicação de pacientes para tratamento ortodôntico, principalmente porque a fase do surto de crescimento puberal pode beneficiar o tratamento de determinadas más oclusões associadas a desarmonias esqueléticas17. No entanto, a identificação desse período em cada indivíduo é complicada, pois o surto de crescimento puberal ocorre em diferentes idades cronológicas18. A predição do surto de crescimento puberal,

com ao menos um ano de antecedência pode ser fundamental quando se deseja tirar proveito do mesmo durante o tratamento ortodôntico17,20,24. A aplicação clínica direta dessa predição, quando realizada antes do tratamento ortodôntico, complementa o diagnóstico, planejamento e prognóstico ortodônticos2,23, sobretudo porque os incrementos de crescimento estão maximizados nessa fase2. Portanto, em casos específicos, a quantidade de movimentação dentária requerida tende a diminuir e o crescimento poderá ser um aliado; enquanto em outras condições clínicas a movimentação dentária terá papel preponderante no resultado do tratamento20, e o crescimento deverá ser controlado ou até redirecionado, dependendo do padrão favorável ou desfavorável24. O período do surto de crescimento puberal ocorre em todos os indivíduos; contudo, existem diferenças particulares relacionadas ao início, duração,

Como citar este artigo: Araujo MTS, Cury-Saramago AA, Motta AFJ. Guias clínicos e radiográficos utilizados para a predição do surto de crescimento puberal. Dental Press J Orthod. 2011 Sept-Oct;16(5):98-103.

» Os autores declaram não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros que representem conflito de interesse, nos produtos e companhias descritos nesse artigo.

* Chefe do Departamento de Odontopediatria e Ortodontia da UFRJ. ** Doutora em Ortodontia (UFRJ). Professora Adjunta da Universidade Federal Fluminense.

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Araujo MTS, Cury-Saramago AA, Motta AFJ

Clinical and radiographic guidelines to predict pubertal growth spurt Abstract Objective: The aim of this paper is to draw attention to the organization of information available on exams and during orthodontic treatment in growing patients, which serve as guides for predicting the stage of pubertal growth spurt. Conclusion: these data provide opportunities for increments in diagnosis and prognosis of cases and decisions in the planning, evolution of treatment and contention phase, especially those patients with malocclusion associated with skeletal disharmonies. Keywords: Growth. Prediction. Diagnostic. Prognostic. Malocclusion.

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Enviado em: 11 de setembro de 2008 Revisado e aceito: 22 de outubro de 2008

Endereço para correspondência Monica Tirre de Souza Araujo Cidade Universitária – Ilha do Fundão CEP: 21.941-590 – Rio de Janeiro/RJ E-mail: monicatirre@uol.com.br

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Artigo Inédito

Resistência ao cisalhamento da colagem com compósitos utilizando potencializador de adesão Edivaldo de Morais*, Fábio Lourenço Romano**, Lourenço Correr Sobrinho***, Américo Bortolazzo Correr****, Maria Beatriz Borges de Araújo Magnani*****

Resumo Objetivo: avaliar a resistência ao cisalhamento dos compósitos Transbond XT e Concise Ortodôntico utilizando o potencializador de adesão Ortho Primer. Métodos: a amostra consistiu de 90 incisivos bovinos divididos em seis grupos (n=15). Todos os dentes receberam profilaxia com pedra-pomes e condicionamento do esmalte com ácido fosfórico. No Grupo I, utilizou-se Transbond XT de maneira convencional. O Grupo II foi semelhante ao I, porém, aplicou-se o Ortho Primer ao invés do XT Primer. No Grupo III, após condicionamento, o esmalte foi contaminado com saliva, aplicou-se o Ortho Primer e colagem com Transbond XT. No Grupo IV, utilizou-se o Concise Ortodôntico de maneira convencional. O Grupo V foi semelhante ao IV, porém, utilizou-se o Ortho Primer ao invés da resina fluida. No Grupo VI, após condicionamento, o esmalte foi contaminado com saliva, aplicou-se o Ortho Primer e colagem com Concise. Os corpos de prova foram armazenados em água destilada em estufa a 37ºC por 24h e submetidos ao ensaio de resistência ao cisalhamento. Os dados foram submetidos à ANOVA e ao teste de Tukey (5%). Resultados: a resistência da colagem no Grupo IV foi estatisticamente superior à dos Grupos II, III e VI (p<0,05). Entre os Grupos I, IV e V; e entre os Grupos I, II, III e VI não foram encontradas diferenças estatísticas significativas (p>0,05). O Transbond XT e o Concise utilizados convencionalmente obtiveram os maiores valores adesivos. O Ortho Primer em esmalte seco atuou efetivamente como agente de união dos compósitos avaliados. Em esmalte contaminado, a colagem com Concise obteve baixa resistência adesiva. Palavras-chave: Braquetes ortodônticos. Resistência ao cisalhamento. Ortodontia.

INTRODUÇÃO Durante muitos anos o tratamento ortodôntico foi realizado com a confecção de bandas ortodônticas em todos os dentes. Esse procedimento era trabalhoso, promovia grande desconforto ao paciente,

dificultava a higienização, apresentava estética desfavorável e espaços remanescentes entre os dentes após a retirada do aparelho ortodôntico3,30. A mudança do procedimento de bandagem pelo uso de acessórios colados diretamente ao

Como citar este artigo: Morais E, Romano FL, Correr Sobrinho L, Correr AB, Magnani MBBA. Resistência ao cisalhamento da colagem com compósitos utilizando potencializador de adesão. Dental Press J Orthod. 2011 Sept-Oct;16(5):104-10.

» Os autores declaram não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros que representem conflito de interesse, nos produtos e companhias descritos nesse artigo.

* Especialista em Ortodontia pela Faculdade de Odontologia de Piracicaba, Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP. ** Professor Doutor do Departamento de Clínica Infantil, Odontologia Preventiva e Social, área de Ortodontia, da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo - USP. *** Professor titular da área de Materiais da Faculdade de Odontologia de Piracicaba, Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP. **** Doutor em Materiais Dentários pela Faculdade de Odontologia de Piracicaba, Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP. ***** Professora Doutora da área de Ortodontia da Faculdade de Odontologia de Piracicaba, Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP.

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Resistência ao cisalhamento da colagem com compósitos utilizando potencializador de adesão

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Enviado em: 12 de setembro de 2008 Revisado e aceito: 24 de novembro de 2008

Endereço para correspondência Fábio Lourenço Romano Av. Engenheiro José Hebert Faleiros, 600 casa 78 CEP: 14.098-780 – Ribeirão Preto/SP E-mail: flromano@terra.com.br

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Artigo Inédito

Influência da exposição gengival na estética do sorriso* Milene Brum Dutra**, Daltro Enéas Ritter***, Adriano Borgatto****, Carla D’Agostine Derech*****, Roberto Rocha******

Resumo Objetivo: este estudo se propôs a avaliar a influência da quantidade de exposição gengival

na estética do sorriso para os sexos feminino e masculino, e se existe diferença de opinião entre ortodontistas, clínicos gerais e pessoas leigas. Métodos: utilizaram-se fotografias da face durante o sorriso de um indivíduo do sexo feminino e de um indivíduo do sexo masculino. As fotos foram alteradas digitalmente para produzir cinco diferentes níveis de exposição gengival, que variaram de exposição gengival de 4mm até a cobertura dos incisivos superiores pelo lábio superior em 4mm. As fotografias foram impressas em tamanho real da face, dispostas aleatoriamente em um álbum e foram classificadas por 30 ortodontistas, 30 clínicos gerais e 30 leigos, quanto à atratividade do sorriso, em péssimo, ruim, regular, bom ou ótimo. Resultados: o sorriso mais estético para o indivíduo do sexo feminino, tanto para ortodontistas, clínicos gerais e leigos, foi aquele em que o lábio superior repousa na margem cervical dos incisivos superiores, mostrando toda a coroa dos incisivos (p≤0,05). Para o indivíduo do sexo masculino, o sorriso mais estético, para pessoas leigas, foi com o lábio na altura da margem cervical dos incisivos superiores (p≤0,05), sendo que ortodontistas e clínicos gerais consideraram tanto o lábio na altura da margem cervical como o lábio superior cobrindo os incisivos superiores em 2mm como os mais estéticos (p≤0,05). Conclusões: a estética do sorriso para mulheres e homens foi influenciada pela quantidade de exposição gengival, havendo diferença de opinião entre ortodontistas, clínicos gerais e leigos. Palavras-chave: Estética. Sorriso. Exposição gengival.

Como citar este artigo: Dutra MB, Ritter DE, Borgatto A, Derech CDA, Rocha R. Influência da exposição gengival na estética do sorriso. Dental Press J Orthod. 2011 Sept-Oct;16(5):111-8.

» Os autores declaram não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros que representem conflito de interesse, nos produtos e companhias descritos nesse artigo.

* Monografia apresentada como parte do requisito para obtenção do título de Especialista na UFSC.

** *** **** ***** ******

Especialista em Ortodontia pela UFSC. Professor Doutor do curso de Especialização em Ortodontia da UFSC. Doutor em Estatística pela USP e professor de Estatística da UFSC. Professora Doutora do curso de Especialização em Ortodontia da UFSC. Professor Doutor do curso de Especialização em Ortodontia da UFSC.

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Influência da exposição gengival na estética do sorriso

CONCLUSÕES A atratividade do sorriso é influenciada pela quantidade de exposição gengival, na opinião tanto de ortodontistas como clínicos gerais e leigos. Para o indivíduo do sexo feminino, o sorriso mais atrativo foi aquele em que o lábio superior tocava a margem cervical dos incisivos superiores — na opinião das três categorias de avaliadores. Já para o

indivíduo do sexo masculino, leigos consideraram o sorriso mais estético o sorriso em que o lábio superior tocava a margem cervical dos incisivos superiores, e ortodontistas e clínicos gerais consideraram os sorrisos mais estéticos tanto aquele em que o lábio superior tocava a margem cervical como aquele em que o lábio superior cobria os incisivos superiores em 2mm.

Influence of gingival exposure on the smile aesthetics Abstract Objective: The purpose of this study is to evaluate the gingival exposition influence on the smile esthetics and if exists different opinions about it between orthodontists, clinical dentists and lay person. Methods: Photographs of male and female smiling faces were manipulated on the computer with different gingival exposition levels, which ranges from 4 mm gingival exposition to 4 mm upper lip incisor coverage. The photos were printed on a real face size, placed unordered to be analyzed by 30 orthodontists, 30 clinical dentists and 30 lay person. They had to rate between very bad, bad, regular, good and very good judging on smile attractiveness. Results: The more attractive smile for the female individuals judged by the orthodontists, clinical dentists and lay person were the one in which the upper lip rest on the cervical edge on the upper incisor, showing all the incisor crown (p≤0.05). For the male individual, the best smile for the lay person was the one with the upper lip on the cervical crown of the upper incisor, and the orthodontists and clinical dentists considered the most esthetics the upper lip on the cervical crown of the upper incisor or 2 mm upper lip incisor coverage (p≤0.05). Conclusion: The attractive smile is influenced by the gingival exposition, having different opinions between orthodontists, clinical dentists and lay person. Keywords: Esthetics. Smile. Gingival exposition.

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Enviado em: 7 de agosto de 2007 Revisado e aceito: 4 de fevereiro de 2009

Endereço para correspondência Milene Brum Dutra Rua Capitão Américo, n. 103, ap. 604 Bl. B, Córrego Grande CEP: 88.037-060 - Florianópolis/SC E-mail: milenebd@hotmail.com

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Artigo Inédito

Análise comparativa da expansão maxilar com três marcas de parafusos com limitador posterior: ensaio laboratorial em Typodont Ricardo Damo Meneguzzi*, Luciane Macedo de Menezes**, Susana Maria Deon Rizzatto***

Resumo Introdução: nos pacientes com fissura labiopalatina, observa-se, usualmente, uma severa

atresia da maxila, especialmente na região anterior da arcada, cujo tratamento envolve expansão maxilar. Objetivo: o propósito desse estudo foi avaliar o padrão de expansão de três marcas de parafusos com limitador posterior na correção da deficiência transversa. Métodos: foram realizadas 18 expansões em Typodont, com 6 simulações para cada grupo: G1 – parafuso Dentaurum®, G2 – parafuso Leone®, e G3 – parafuso Morelli®. Foram realizadas, para cada ensaio, 13 ativações de 2/4 de volta, totalizando 5,2mm de abertura do parafuso. Definiram-se os momentos das medições em inicial (T1), metade das ativações (T2) e final (T3). Com o auxílio de um paquímetro, foram medidas as seguintes distâncias: interprimeiros pré-molares (IP1), interssegundos pré-molares (IP2), intermolares (IM) e comprimento da arcada (CA). Os dados obtidos foram submetidos aos testes de Kolmogorov-Smirnov, de Tukey, de Friedman e ANOVA. Resultados: observou-se que todos os grupos apresentaram um padrão de abertura em forma de “V” com maior expansão na região anterior da arcada, sendo mais expressivo no grupo G3 (29,58% em IP1 e 9,73% em IM). O aumento na medida CA foi semelhante para os grupos G1 e G3 (+12,65% e +12,13%, respectivamente), com menor valor para o G2 (+8,23%). Conclusões: concluiu-se que todos os parafusos com limitador posterior utilizados nesse estudo podem ser empregados no tratamento da deficiência transversa da arcada. Entretanto, o parafuso Morelli® apresentou maior abertura na região anterior em relação à posterior, característica importante no tratamento de pacientes com fissura labiopalatina. Recomenda-se a realização de estudos clínicos para confirmação desses achados. Palavras-chave: Fissura labiopalatina. Parafuso expansor. Expansão rápida da maxila.

Como citar este artigo: Meneguzzi RD, Menezes LM, Rizzatto SMD. Análise comparativa da expansão maxilar com três marcas de parafusos com limitador posterior: ensaio laboratorial em Typodont. Dental Press J Orthod. 2011 Sept-Oct;16(5):119-26.

» Os autores declaram não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros que representem conflito de interesse, nos produtos e companhias descritos nesse artigo.

* Mestre em Ortodontia e Ortopedia Facial da PUCRS. ** Mestre e Doutora em Ortodontia e Ortopedia Facial pela UFRJ. Professora dos Cursos de Pós-graduação em Ortodontia e Ortopedia Facial da PUCRS. Coordenadora do Curso de Especialização em Ortodontia e Ortopedia Facial da ABO/RS. *** Mestre em Ortodontia e Ortopedia Facial pela PUCRS. Especialista em Ortodontia e Ortopedia Facial pela UFRGS. Professora dos Cursos de Pós-graduação em Ortodontia e Ortopedia Facial da PUCRS e da ABO/RS.

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Análise comparativa da expansão maxilar com três marcas de parafusos com limitador posterior: ensaio laboratorial em Typodont

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Enviado em: 12 de setembro de 2007 Revisado e aceito: 21 de novembro de 2008

Endereço para correspondência Luciane Macedo de Menezes Av. Ipiranga, 6681 – Faculdade de Odontologia da PUCRS CEP: 90.619-900 – Porto Alegre/RS E-mail: luciane@portoweb.com.br

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Artigo Inédito

Avaliação do perfil dos profissionais da área de Ortodontia quanto às condutas legais Luiz Renato Paranhos*, Marcio Salazar**, Fernando César Torres***, Antônio Carlos Pereira****, Rhonan Ferreira da Silva*****, Adilson Luiz Ramos******

Resumo Objetivo: avaliar as condutas legais e o comportamento na relação profissional/paciente utilizadas pelos cirurgiões-dentistas atuantes na área de Ortodontia. Métodos: a popula-

ção objeto do presente estudo foi constituída de 525 profissionais com cadastro na Editora Dental Press (Maringá/PR). A pesquisa foi realizada por meio de um questionário contendo 17 perguntas dirigidas a esses profissionais. Resultados e Conclusões: a maioria da população consultada é especialista em Ortodontia; 75% dos profissionais utilizam algum tipo de contrato no consultório e/ou clínica; 73,7% dos profissionais solicitam periodicamente radiografias de controle; grande parte dos profissionais (58,9%) arquiva a documentação do paciente por toda a vida. Os profissionais consultados apresentam um bom conhecimento do Código de Ética Odontológica, principalmente do Capítulo XIV – da Comunicação. Palavras-chave: Exercício profissional. Responsabilidade legal. Ortodontia. Normas jurídicas.

INTRODUÇÃO Após a promulgação da Lei 8.078/901 (Código de Defesa do Consumidor), os pacientes passaram a reivindicar direitos na justiça, fazendo com que o cirurgião-dentista (CD) passasse a se resguardar cada vez mais quanto a eventuais processos. Então, para minimizar esse problema jurídico, torna-se necessário elaborar e manter um prontuário odontológico

completo, que contenha todos os documentos e informações do paciente. Esses documentos são um conjunto de declarações firmadas pelo profissional, no decorrer do tratamento, que servem como prova, podendo ser utilizados com finalidade jurídica, pericial2,3 e administrativa; sendo compostos de anamnese, contrato de prestação de serviços odontológicos, consentimento esclarecido, evolução clínica do

Como citar este artigo: Paranhos LR, Salazar M, Torres FC, Pereira AC, Silva RF, Ramos AL. Avaliação do perfil dos profissionais da área de Ortodontia quanto às condutas legais. Dental Press J Orthod. 2011 Sept-Oct;16(5):127-34.

» Os autores declaram não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros que representem conflito de interesse, nos produtos e companhias descritos nesse artigo.

* Doutor em Biologia Buco-Dental - FOP/UNICAMP/Piracicaba. Professor Titular do Programa de Pós-graduação em Odontologia, área de concentração Ortodontia, da UMESP/São Bernardo do Campo. ** Especialista em Ortodontia – UEM/Maringá. Doutorando em Ortodontia - UNESP/Araçatuba. *** Doutor em Ortodontia - FOB/USP/Bauru. Professor Titular do Programa de Pós-Graduação em Odontologia, área de concentração - Ortodontia da UMESP/São Bernardo do Campo. **** Livre-docente em Saúde Coletiva – FOP/UNICAMP/Piracicaba. Professor Titular do Programa de Pós-graduação em Odontologia da FOP/UNICAMP/Piracicaba. ***** Mestre em Odontologia Legal FOP/UNICAMP. Doutor em Biologia Buco-Dental – FOP/UNICAMP/Piracicaba. Professor de Odontologia Legal UNIP (GO). Perito Criminal Oficial da Polícia Técnico-Científica (GO). ****** Doutor em Ortodontia e Ortopedia Facial – UNESP/Araraquara. Coordenador do Programa de Pós-graduação, Mestrado em Odontologia, da UEM/Maringá.

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Avaliação do perfil dos profissionais da área de Ortodontia quanto às condutas legais

Profile evaluation of orthodontics professionals as for their legal actions Abstract Objective: to evaluate the legal actions and behavior in the doctor/patient relationship, as used by Dental Surgeons practicing Orthodontics. Methods: the population sample of the present study consisted of dental surgeons, active in the area of Orthodontics, and registered with Editora Dental Press – Maringá/PR, with a total sample size of 525 professionals. The research was conducted using a 17-question survey geared to these professionals. Results and Conclusions: the majority of participants in our study are specialized in Orthodontics; 75% of professionals use some sort of contract at the office/clinic; 73.7% of professionals periodically request maintenance x-rays; a large percentage of professionals (58.9%) keep patient records on file for life. The surveyed professionals demonstrate good knowledge of the Code of Ethics in Orthodontics, especially of Chapter XIV – on Communication. Keywords: Professional practice. Liability, legal. Orthodontics. Enacted statutes.

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Enviado em: 18 de novembro de 2008 Revisado e aceito: 23 de novembro de 2009

Endereço para correspondência Luiz Renato Paranhos Rua Padre Roque, 958 - Centro CEP: 13.800-033 - Mogi Mirim / SP E-mail: paranhos@ortodontista.com.br

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Artigo Inédito

Programa de extrações seriadas: variáveis relacionadas com a extração de pré-molares Tulio Silva Lara*, Cibelle Cristina Oliveira dos Santos**, Omar Gabriel da Silva Filho***, Daniela Gamba Garib****, Francisco Antônio Bertoz*****

Resumo Objetivo: verificar o percentual de pacientes que necessitaram extração de dentes perma-

nentes, pré-molares, dentre aqueles tratados com extração de dentes decíduos para correção do apinhamento primário na dentição mista, bem como analisar as possíveis variáveis relacionadas. Métodos: a amostra foi composta por documentações ortodônticas de 70 pacientes na dentição permanente, cujo tratamento iniciou-se na dentição mista com planejamento de um programa de extrações seriadas (PES). Todos os prontuários foram analisados por um único examinador, no intuito de verificar se o PES havia sido cumprido com a extração de dentes permanentes ou se havia sido realizada apenas extração de dentes decíduos. Verificou-se a associação entre a extração de dentes permanentes e as variáveis padrão facial; relação sagital entre as arcadas dentárias; IMPA; proporção tamanho do segundo molar permanente inferior/espaço retromolar; mecânica de controle de espaço e discrepância de modelo (teste exato de Fisher para as variáveis categóricas e modelo de regressão logística para as variáveis numéricas). Os resultados foram considerados para p<0,05. Resultados: dos pacientes que haviam sido tratados com extração de dentes decíduos para a correção do apinhamento na dentição mista, 70% necessitaram de extração de dentes permanentes. A análise estatística não mostrou associação significativa entre as variáveis estudadas e a necessidade de extração de dentes permanentes, com exceção da variável discrepância de modelo. Conclusão: a discrepância de modelo representou a principal determinante de extração de pré-molares no PES. Palavras-chave: Dentição mista. Má oclusão. Extração Seriada.

Como citar este artigo: Lara TS, Santos CCO, Silva Filho OG, Garib DG, Bertoz FA. Programa de extrações seriadas: variáveis relacionadas com a extração de pré-molares. Dental Press J Orthod. 2011 Sept-Oct;16(5):135-45.

» Os autores declaram não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros que representem conflito de interesse, nos produtos e companhias descritos nesse artigo.

* Doutor em Ortodontia pela Faculdade de Odontologia de Araçatuba – UNESP. Professor do curso de Ortodontia Preventiva no PROFIS. Ortodontista do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais – USP/FUNCRAF. ** Aperfeiçoamento em Ortodontia Preventiva e Interceptiva da PROFIS. Especialista em Ortodontia pelo Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais – USP. *** Coordenador do curso de Ortodontia Preventiva e Interceptiva da PROFIS. Ortodontista do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais – USP. Professor do curso de especialização em Ortodontia da PROFIS. **** Professora Doutora do Departamento de Odontopediatria, Ortodontia e Saúde Coletiva, Disciplina de Ortodontia, do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais e Faculdade de Odontologia de Bauru-USP. ***** Livre-docente e Professor titular da disciplina de Ortodontia preventiva da Faculdade de Odontologia de Araçatuba - UNESP. Professor do programa de pós-graduação em Ortodontia da Faculdade de Odontologia de Araçatuba - UNESP.

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Lara TS, Santos CCO, Silva Filho OG, Garib DG, Bertoz FA

Serial extraction: variables associated to the extraction of premolars Abstract Objective: To verify the amount of patients who had to undergo extraction of permanent teeth (premolars) in a population of patients treated with extraction of deciduous teeth for correction of incisor crowding in the mixed dentition, as well as to analyze the possibly related variables. Methods: The sample was composed of orthodontic records of 70 patients in the permanent dentition whose treatment included the serial extraction program (SEP) in the mixed dentition. All records were analyzed by a single examiner in order to verify whether the SEP had been carried out with extraction of either permanent teeth or deciduous teeth only. The association between extraction of permanent teeth and the variables lateral facial pattern, sagittal relationship between the dental arches, IMPA, proportion between size of the mandibular second molar/retromolar space, mechanics for spacing control and tooth-arch size discrepancy (exact test of Fisher for categorical variables and logistic regression for numeric variables, p<0.05) were investigated. Results: Of the patients treated with extraction of deciduous teeth, 70% also needed extraction of the permanent teeth. The statistical analysis did not show any significant correlation between the variables analyzed and the need for extraction of permanent teeth, except for tooth-arch size discrepancy. Conclusion: Tooth-arch size discrepancy represented the main factor that determined premolar extraction in the SEP. Keywords: Dentition. Mixed. Malocclusion. Serial extraction.

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Enviado em: 18 de novembro de 2008 Revisado e aceito: 13 de março de 2009

Endereço para correspondência Tulio Silva Lara Rua Rio Branco, 20-81 – Altos da Cidade CEP: 17.014-037 – Bauru/SP E-mail: tuliolara@hotmail.com

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Artigo Inédito

Avaliação dos efeitos de três métodos de remoção da resina remanescente do braquete na superfície do esmalte Karine Macieski*, Roberto Rocha**, Arno Locks***, Gerson Ulema Ribeiro****

Resumo Introdução: é fundamental, para alcançar a correta técnica de descolagem, a seleção adequada do instrumental para remover o braquete e a resina remanescente. Objetivo: avaliar a super-

fície do esmalte com Microscópio Eletrônico de Varredura (MEV) após a utilização de três métodos de remoção da resina remanescente da descolagem do braquete. Métodos: foram selecionados 18 incisivos bovinos, divididos em três grupos (A, B e C), contendo 6 dentes cada. Previamente à colagem do braquete, os dentes foram moldados com silicone de adição e preenchidos com resina epóxi, para o registro das características do esmalte, assim formando o Grupo Controle. Os métodos de remoção da resina remanescente utilizados foram: Grupo A — Soflex granulações grossa e média; Grupo B — broca Carbide em baixa rotação; Grupo C — broca Carbide em alta rotação. Polimento com Soflex granulações fina e ultrafina no Grupo A, pontas de borracha nos grupos B e C, e pasta de polimento para esmalte nos três grupos. Após cada etapa de remoção da resina remanescente e polimento, os dentes foram novamente moldados, duplicados e as réplicas analisadas em MEV. Foram, então, comparadas as características do esmalte inicial (Grupo Controle) com o aspecto do esmalte após as etapas de remoção de resina, assim possibilitando avaliar o método que gerou menor abrasão ao esmalte. Resultados e Conclusão: a remoção do remanescente adesivo com broca Carbide multilaminada em baixa rotação, polimento com pontas de borracha, e polimento final com pasta de polimento é o procedimento que ocasiona menor dano ao esmalte. Palavras-chave: Esmalte dentário. Braquetes. Descolagem dentária.

INTRODUÇÃO Inicialmente, a fixação de acessórios ortodônticos às coroas dentárias era realizada através de bandas em todos os dentes. Esse procedimento

acarretava maior complexidade e morosidade de execução clínica, comprometimento estético, desconforto ao paciente, aumento do perímetro da arcada, entre outros. Com a introdução da

Como citar este artigo: Macieski K, Rocha R, Locks A, Ribeiro GU. Avaliação dos efeitos de três métodos de remoção da resina remanescente do braquete na superfície do esmalte. Dental Press J Orthod. 2011 Sept-Oct;16(5):146-54.

» Os autores declaram não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros que representem conflito de interesse, nos produtos e companhias descritos nesse artigo.

* Especialista em Ortodontia pela Universidade Federal de Santa Catarina. ** Mestre em Ortodontia pela UFRJ. Doutor em Ortodontia pela UFRJ. Coordenador do Curso de Especialização em Ortodontia da UFSC. *** Mestre em Ortodontia pela UFRJ. Doutor em Ortodontia pela UNESP. Pós-doutorado em Ortodontia pela Universidade de Aarhus, Dinamarca. Professor do Curso de Especialização em Ortodontia da UFSC. **** Mestre em Ortodontia pela UFRJ. Doutor em Ortodontia pela UFRJ. Professor do Curso de Especialização em Ortodontia da UFSC.

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Avaliação dos efeitos de três métodos de remoção da resina remanescente do braquete na superfície do esmalte

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Enviado em: 3 de novembro de 2008 Revisado e aceito: 24 de maio de 2009

Endereço para correspondência Karine Macieski Rua Governador Jorge Lacerda, 1817 – Centro CEP: 88.750-000 – Braço do Norte / SC E-mail: kamacieski@gmail.com

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Artigo Inédito

Avaliação comparativa do espaçamento anterior em nipo-brasileiros e leucodermas, na dentição decídua Evandro Eloy Marcone Ferreira*, Eduardo Cardoso Pastori**, Rívea Inês Ferreira***, Helio Scavone Junior***, Karyna Martins do Valle-Corotti***

Resumo Objetivo: avaliar comparativamente a prevalência das características de espaçamento anterior em nipo-brasileiros e leucodermas, na dentição decídua. Métodos: duas amostras de crianças

com 2 a 6 anos de idade foram selecionadas: 405 nipo-brasileiros de 36 escolas do estado de São Paulo e 510 leucodermas de 11 instituições públicas da cidade de São Paulo. As variantes oclusais foram classificadas em quatro categorias, nas arcadas superior e inferior: espaçamento generalizado; somente espaços primatas; ausência de espaços; e apinhamento. Foi aplicada regressão logística para análise do efeito dos fatores idade, sexo e grupo étnico sobre a prevalência das características oclusais (α = 0,05). Resultados: em nipo-brasileiros, o espaçamento generalizado foi a característica mais prevalente nas arcadas superior (46,2%) e inferior (53,3%). A frequência dos espaços primatas foi maior na arcada superior (28,2% versus 15,3%). Para a ausência de espaços (21,7–26,4%) e o apinhamento (4,0–4,9%), a variação entre as arcadas foi relativamente pequena. Em leucodermas, a ausência de espaços e a presença exclusiva dos primatas evidenciaram distribuição similar à observada nos nipo-brasileiros. O espaçamento generalizado foi diagnosticado em aproximadamente 50% das arcadas. A prevalência de apinhamento foi maior na arcada inferior (12,8% versus 3,9%). O único modelo de regressão logística que apresentou algum fator significativo foi o ajustado para a prevalência de apinhamento. Apenas o fator racial foi significativo (p < 0,001). Conclusão: sugere-se que as características de espaçamento anterior, na dentição decídua, não estariam condicionadas à idade ou ao sexo. Contudo, leucodermas teriam chances 2,8 vezes maiores de apresentar apinhamento na arcada inferior, em comparação aos nipo-brasileiros. Palavras-chave: Oclusão dentária. Diastema. Dentição primária.

Como citar este artigo: Ferreira EEM, Pastori EC, Ferreira RI, Scavone Junior H, Valle-Corotti KM. Avaliação comparativa do espaçamento anterior em nipo-brasileiros e leucodermas, na dentição decídua. Dental Press J Orthod. 2011 Sept-Oct;16(5):155-62.

» Os autores declaram não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros que representem conflito de interesse, nos produtos e companhias descritos nesse artigo.

* Mestre em Ortodontia pela UNICID. ** Acadêmico de Odontologia da UNICID. *** Professor Associado do Programa de Mestrado em Ortodontia da UNICID.

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Ferreira EEM, Pastori EC, Ferreira RI, Scavone Junior H, Valle-Corotti KM

» As crianças leucodermas, se comparadas às nipo-brasileiras, demonstraram uma razão de chances 2,8 vezes maior para o desenvolvimento de apinhamento na arcada inferior.

Todavia, a prevalência de apinhamento foi mais elevada na arcada inferior. » Em ambas as amostras sob estudo, não houve diferenças significativas entre os grupos etários (2–4 anos e 5–6 anos), nem tampouco dimorfismo entre os sexos masculino e feminino.

Comparative assessment of anterior spacing in Japanese-Brazilian and white children in the primary dentition Abstract Objective: To carry out a comparative evaluation of the prevalence of anterior spacing characteristics in JapaneseBrazilian and white children in primary dentition. Methods: Two selected samples of children aged 2-6 years were: 405 Japanese-Brazilians from 36 schools in the State of São Paulo and 510 white children from 11 public institutions in São Paulo city. The spacing features in the maxillary and mandibular arches were assigned to four categories: generalized spacing; only primate spaces; no spacing; and crowding. Logistic regression was used to analyze the effect of age, gender and ethnic group on the prevalence of the occlusal characteristics (α=0.05). Results: In JapaneseBrazilians, generalized spacing was the most prevalent trait in the maxillary (46.2%) and mandibular (53.3%) arches. The frequency of primate spaces was higher in the maxillary arch (28.2% versus 15.3%). Concerning no spacing (21.7–26.4%) and crowding (4.0–4.9%), the variation between arches was relatively small. In white children, no spacing and exclusive presence of primate spaces showed distributions similar to that observed in Japanese-Brazilians. Generalized spacing was diagnosed in approximately 50% of the arches. Crowding prevalence was higher in the mandibular arch (12.8% versus 3.9%). The regression model adjusted for crowding prevalence was the only significant one. Only racial factor was significant (p<0.001). Conclusion: It may be suggested that anterior spacing features in primary dentition would not be influenced by age or gender. Nevertheless, white children would have 2.8 times more chances of presenting crowding in the mandibular arch, in comparison with Japanese-Brazilians. Keywords: Dental occlusion. Diastema. Dentition. Primary.

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Avaliação comparativa do espaçamento anterior em nipo-brasileiros e leucodermas, na dentição decídua

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Enviado em: 8 de outubro de 2008 Revisado e aceito: 9 de março de 2009

Endereço para correspondência Rívea Inês Ferreira Rua Cesário Galeno, 448 – Bloco A CEP: 03.071-000 – Tatuapé / SP E-mail: riveaines@yahoo.com

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Caso Clínico BBO

Tratamento conservador de uma má oclusão Classe I de Angle, com atresia maxilar e apinhamento anterior Lincoln I. Nojima*

Resumo

Este artigo relata o tratamento de uma paciente do sexo feminino, com 15 anos de idade, má oclusão Classe I de Angle, severo apinhamento anterossuperior, desvio da linha média superior para o lado esquerdo e atresia maxilar, associada à mordida cruzada posterior. Os procedimentos executados envolveram a expansão maxilar com disjuntor palatino do tipo Haas modificado e montagem de aparelho fixo com sistema Edgewise standard. Foram realizados desgastes proximais nos incisivos e caninos inferiores para o alinhamento anterior, bem como redução da discrepância de Bolton com excesso inferior. Esse caso foi apresentado à diretoria do Board Brasileiro de Ortodontia e Ortopedia Facial (BBO), representando a categoria livre escolha, como parte dos requisitos para a obtenção do título de Diplomado pelo BBO. Palavras-chave: Classe I de Angle. Atresia. Disjunção. Apinhamento.

História e etiologia Paciente do sexo feminino, com 15 anos de idade e bom estado geral de saúde. A queixa principal da paciente estava relacionada com o mau posicionamento do canino superior do lado esquerdo. Na anamnese, os responsáveis relataram que as adenoides não haviam sido removidas e constatou-se que as tonsilas palatinas apresentavam tamanho normal. A paciente apresentava respiração nasal, higiene bucal satisfatória e ausência de comprometimentos periodontais graves.

Diagnóstico Ao exame facial, não apresentava assimetrias evidentes e mostrava terço inferior da face levemente aumentado. O perfil facial era reto; o ângulo nasolabial, obtuso; e o lábio superior, posicionado posteriormente à linha S de Steiner (-1mm). Ao sorriso, mostrava linha média superior com desvio para o lado esquerdo e um sorriso desagradável, em função da vestibuloversão do dente 23 e palatoversão do 22 (Fig. 1).

Como citar este artigo: Nojima LI. Tratamento conservador de uma má oclusão Classe I de Angle, com atresia maxilar e apinhamento anterior. Dental Press J Orthod. 2011 Sept-Oct;16(5):163-71.

» O autor declara não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros que representem conflito de interesse, nos produtos e companhias descritos nesse artigo.

* Mestre e Doutor em Ortodontia pela UFRJ. Professor Adjunto de Ortodontia da UFRJ. Visiting Associate Professor - Case Western Reserve University, Cleveland/Ohio. Diplomado pelo Board Brasileiro de Ortodontia.

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Nojima LI

inferiores (Fig. 8, 9, 10, Tab. 1). A sobreposição total (Fig. 10A) revelou giro da mandíbula no sentido horário; e as sobreposições parciais (Fig. 10B), movimento distal do 26 e projeção dos incisivos superiores e inferiores. Devido à presença de expansão do folículo do terceiro molar superior (18), recomendou-se à paciente exodontia desse elemento dentário.

superior para a esquerda. Para o alinhamento e nivelamento dos dentes 22 e 23, foi realizada a expansão superior, associada à projeção dos incisivos e à mecânica de elásticos com vetor de Classe II do lado esquerdo. Para o apinhamento inferior de -4mm, foram realizados desgastes interproximais de 2mm nas faces proximais dos dentes 33 ao 43, associados a uma leve projeção dos incisivos

The conservative treatment of Class I malocclusion with maxillary transverse deficiency and anterior teeth crowding Abstract This article reports the treatment of a 15-years-old female patient, with Class I malocclusion, severe upper anterior crowding, midline deviation to the left side and maxillary transverse deficiency associated with posterior crossbite. The procedures involved rapid maxillary expansion with modified Haas appliance and the use of Edgewise standard system. Proximal wear were performed to the alignment of mandibular incisors, as well as to reduce the Bolton discrepancy. This case was presented to the Brazilian Board of Orthodontics and Dentofacial Orthopedics (BBO), representative of category free, as partial fulfillment of the requirements for obtaining the title of BBO Diplomate. Keywords: Maxillary transverse deficiency. Crowding. Rapid maxillary expansion. Class I malocclusion.

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Enviado em: 2 de agosto de 2011 Revisado e aceito: 26 de agosto de 2011

Endereço para correspondência Lincoln I. Nojima Av Professor Rodolpho Paulo Rocco, 325 CEP: 21.941-617 – Ilha do Fundão – Rio de Janeiro / RJ E-mail: linojima@gmail.com

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Tópico Especial

Perfuração do esmalte para o tracionamento de caninos: vantagens, desvantagens, descrição da técnica cirúrgica e biomecânica Leopoldino Capelozza Filho*, Alberto Consolaro**, Mauricio de Almeida Cardoso*, Danilo Furquim Siqueira*

Resumo Introdução: a tração de dentes não irrompidos sempre foi considerada um procedimento de

risco na prática ortodôntica. Com essa perspectiva, é indispensável a busca por eficiência nos procedimentos adotados para esse mister, o que justifica a proposta do presente artigo. Ao perfurar, vazamos uma estrutura natural, cuja restauração com material artificial é uma ação que está no escopo da área de maior evolução da Odontologia, não havendo justificativa para se evocar procedimentos de maior risco, como a colagem ou laçada com fios. Objetivo: este artigo objetiva apresentar protocolos para a Perfuração do Esmalte para o Tracionamento de Caninos (PETC), especificamente os caninos superiores, mais acometidos pelas anomalias de posicionamento, também denominadas disgenesias. Serão abordadas as vantagens e desvantagens da PETC em relação à Colagem de Acessório para o Tracionamento de Caninos (CATC), apresentando-se casos clínicos de diferentes níveis de complexidade, tendo como ponto de partida a literatura e a experiência clínica de 30 anos com elevado índice de sucesso. Palavras-chave: Impacção de canino. Tracionamento dentário. Mecânica segmentada.

INTRODUÇÃO A ausência mais frequente de dentes na arcada dentária envolve os caninos permanentes, desconsiderando-se os terceiros molares21,28,36. Em amostras aleatórias, a frequência de caninos não irrompidos é de 1,5 a 2% na maxila, e 0,3% na mandíbula8,10,20,22,23,26,30,35. Em contrapartida, a frequência é alta (23,5%) em amostras

previamente selecionadas para tratamento ortodôntico3,24,37. Nos pacientes do sexo feminino, os caninos não irrompidos (1,17%) são o dobro em relação aos do masculino (0,51%)2 e ocorrem por palatino duas a três vezes mais do que por vestibular1,33. Embora a hereditariedade33 pareça desempenhar um papel na etiopatogenia dos dentes não

Como citar este artigo: Capelozza Filho L, Consolaro A, Cardoso MA, Siqueira DF. Perfuração do esmalte para o tracionamento de caninos: vantagens, desvantagens, descrição da técnica cirúrgica e biomecânica. Dental Press J Orthod. 2011 Sept-Oct;16(5):172-205.

» Os autores declaram não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros que representem conflito de interesse, nos produtos e companhias descritos nesse artigo.

* Professores Doutores do Programa de Graduação e Pós-graduação em nível de Especialização e Mestrado em Ortodontia da Universidade Sagrado Coração (USC). ** Professor Titular da Faculdade de Odontologia de Bauru e da Pós-graduação da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto – USP.

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Perfuração do esmalte para o tracionamento de caninos: vantagens, desvantagens, descrição da técnica cirúrgica e biomecânica

Agradecimentos Agradecemos ao Prof. Dr. Reinaldo Mazzottini, cirurgião responsável pelo procedimento de PETC dos casos desse artigo; à Profa. Dra. Daniela Garib, pela cessão do caso clínico de CATC na arcada inferior; e ao Dr. Evandro Borgo, pela montagem dos cortes tomográficos e reconstruções 3D.

Considerações finais Com base na experiência clínica, a análise da relação custo-benefício e do nível de risco no tracionamento de caninos permanentes não irrompidos nos levou a considerar o protocolo de PETC como mais apropriado quando comparado ao protocolo de CATC.

Enamel perforation for canine traction: Advantages, disadvantages, surgical technique description and biomechanics Abstract Introduction: The management of unerupted teeth has always been considered as a challenging procedure in orthodontic practice. Within this perspective, the search for effectiveness in the adopted procedures for the management of unerupted teeth is essential, which explains the purpose of the present paper. When perforation is performed, a natural structure is transfixed, which may be restored with composite material and may dispense from risky procedures such as bonding attachment technique and lasso wire technique. Objective: The present paper aims to present protocols for enamel perforation for canine traction (EPCT), specifically for maxillary canines, the most frequent teeth showing tooth position anomalies. In this paper, clinical cases with different degrees of complexities were illustrated, and, based upon the literature review and the 30 years of expertise with high rate of clinical success, advantages and disadvantages are discussed comparing EPCT and bonding attachment technique for canine traction (BACT). Keywords: Unerupted maxillary canines. Tooth traction. Segmented mechanics.

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Capelozza Filho L, Consolaro A, Cardoso MA, Siqueira DF

16. Consolaro A. O tracionamento ortodôntico representa um movimento dentário induzido! Os 4 pontos cardeais da prevenção de problemas durante o tracionamento ortodôntico. Rev Clín Ortod Dental Press. 2010;9(4):105-10. 17. Consolaro A. Tracionamento ortodôntico: possíveis consequências nos caninos superiores e dentes adjacentes – Parte II: reabsorção cervical externa nos caninos tracionados. Dental Press J Orthod. 2010;15(5):23-30. 18. Consolaro A. Consequências e cuidados na luxação cirúrgica de caninos seguida de tracionamento ortodôntico. O ortodontista deve necessariamente ser comunicado! Rev Clín Ortod Dental Press. 2010 dez-2011 jan;9(6):106-9. 19. Consolaro A, Consolaro RB, Francischone LA. Tracionamento ortodôntico: possíveis consequências nos caninos superiores e dentes adjacentes - Parte III: anquilose alveolodentária, reabsorção dentária por substituição, metamorfose cálcica da polpa e necrose pulpar asséptica. Dental Press J Orthod. 2010;15(6):18-24. 20. Dachi SF, Howell FV. A survey of 3,874 routine full-mouth radiographs. II. A study of impacted teeth. Oral Surg Oral Med Oral Pathol. 1961;14:1165-9. 21. Erdinc AME. Orthodontic and surgical approach to the treatment of bilaterally impacted maxillary canines: a case report. Quintessence Int. 2008;39(7):587-92. 22. Ericson S, Kurol J. Radiographic assessment of maxillary canine eruption in children with clinical signs of eruption disturbance. Eur J Orthod. 1986;8(3):133-40. 23. Ericson S, Kurol J. Longitudinal study and analysis of clinical supervision of maxillary canine eruption. Community Dent Oral Epidemiol. 1986;14(3):172-6. 24. Ferguson JW. Management of the unerupted maxillary canine. Br Dent J. 1990;169(1):11-7. 25. Graber TM, Vanarsdal RL. Ortodontia: princípios e técnicas atuais. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2002. 26. Grover PS, Lorton L. The incidence of unerupted permanent teeth and related clinical cases. Oral Surg Oral Med Oral Pathol. 1985;59:420-5.

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Enviado em: 16 de agosto de 2011 Revisado e aceito: 30 de agosto de 2011

Endereço para correspondência Leopoldino Capelozza Filho Rua Padre João, nº 14-71 CEP: 17.012-020 – Bauru / SP E-mail: lcapelozza@yahoo.com.br

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N ormas

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— O Dental Press Journal of Orthodontics publica artigos de investigação científica, revisões significativas, relatos de casos clínicos e de técnicas, comunicações breves e outros materiais relacionados à Ortodontia e Ortopedia Facial.

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2. Resumo/Abstract — os resumos estruturados, em português e inglês, de 250 palavras ou menos são os preferidos. — os resumos estruturados devem conter as seções: INTRODUÇÃO, com a proposição do estudo; MÉTODOS, descrevendo como o mesmo foi realizado; RESULTADOS, descrevendo os resultados primários; e CONCLUSÕES, relatando o que os autores concluíram dos resultados, além das implicações clínicas. — os resumos devem ser acompanhados de 3 a 5 palavras-chave, ou descritores, também em português e em inglês, as quais devem ser adequadas conforme o MeSH/DeCS.

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Artigos com mais de seis autores De Munck J, Van Landuyt K, Peumans M, Poitevin A, Lambrechts P, Braem M, et al. A critical review of the durability of adhesion to tooth tissue: methods and results. J Dent Res. 2005 Feb;84(2):118-32. Capítulo de livro Kina S. Preparos dentários com finalidade protética. In: Kina S, Brugnera A. Invisível: restaurações estéticas cerâmicas. Maringá: Dental Press; 2007. cap. 6, p. 223-301.

6. Tabelas — as tabelas devem ser autoexplicativas e devem complementar, e não duplicar o texto. — devem ser numeradas com algarismos arábicos, na ordem em que são mencionadas no texto. — forneça um breve título para cada uma. — se uma tabela tiver sido publicada anteriormente, inclua uma nota de rodapé dando crédito à fonte original. — apresente as tabelas como arquivo de texto (Word ou Excel, por exemplo), e não como elemento gráfico (imagem não editável).

Capítulo de livro com editor Breedlove GK, Schorfheide AM. Adolescent pregnancy. 2nd ed. Wieczorek RR, editor. White Plains (NY): March of Dimes Education Services; 2001. Dissertação, tese e trabalho de conclusão de curso Beltrami LER. Braquetes com sulcos retentivos na base, colados clinicamente e removidos em laboratórios por testes de tração, cisalhamento e torção [dissertação]. Bauru (SP): Universidade de São Paulo; 1990.

7. Comitês de Ética — Os artigos devem, se aplicável, fazer referência a pareceres de Comitês de Ética.

Formato eletrônico Câmara CALP. Estética em Ortodontia: Diagramas de Referências Estéticas Dentárias (DRED) e Faciais (DREF). Rev Dental Press Ortod Ortop Facial. 2006 nov-dez;11(6):130-56. [Acesso 2008 Jun 12]. Disponível em: www.scielo.br/pdf/dpress/v11n6/ a15v11n6.pdf.

8. Referências — todos os artigos citados no texto devem constar na lista de referências. — todas as referências listadas devem ser citadas no texto. — com o objetivo de facilitar a leitura do texto, as referências serão citadas no texto apenas indicando a sua numeração. — as referências devem ser identificadas no texto por números arábicos sobrescritos e numeradas na ordem em que são citadas no texto. — as abreviações dos títulos dos periódicos devem ser normalizadas de acordo com as publicações “Index Medicus” e “Index to Dental Literature”. — a exatidão das referências é de responsabilidade dos autores; as mesmas devem conter todos os dados necessários à sua identificação. — as referências devem ser apresentadas no final do texto obedecendo às Normas Vancouver (http:// www.nlm.nih.gov/bsd/uniform_requirements. html). — utilize os exemplos a seguir: Artigos com até seis autores Sterrett JD, Oliver T, Robinson F, Fortson W, Knaak B, Russell CM. Width/length ratios of normal clinical crowns of the maxillary anterior dentition in man. J Clin Periodontol. 1999 Mar;26(3):153-7.

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C omunicado

aos

A utores

e

C onsultores - R egistro

de

E nsaios C línicos

primários de ensaios clínicos são: www.actr.org.au (Australian Clinical

1. O registro de ensaios clínicos Os ensaios clínicos se encontram entre as melhores evidências

Trials Registry), www.clinicaltrials.gov e http://isrctn.org (Internatio-

para tomada de decisões clínicas. Considera-se ensaio clínico todo pro-

nal Standard Randomised Controlled Trial Number Register (ISRC-

jeto de pesquisa com pacientes que seja prospectivo, nos quais exista

TN). Os registros nacionais estão sendo criados e, na medida do possí-

intervenção clínica ou medicamentosa com objetivo de comparação de

vel, os ensaios clínicos registrados nos mesmos serão direcionados para

causa/efeito entre os grupos estudados e que, potencialmente, possa ter

os recomendados pela OMS. A OMS propõe um conjunto mínimo de informações que devem

interferência sobre a saúde dos envolvidos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os ensaios clí-

ser registradas sobre cada ensaio, como: número único de identificação,

nicos controlados aleatórios e os ensaios clínicos devem ser notificados

data de registro do ensaio, identidades secundárias, fontes de financia-

e registrados antes de serem iniciados.

mento e suporte material, principal patrocinador, outros patrocinado-

O registro desses ensaios tem sido proposto com o intuito de

res, contato para dúvidas do público, contato para dúvidas científicas,

identificar todos os ensaios clínicos em execução e seus respectivos

título público do estudo, título científico, países de recrutamento, pro-

resultados, uma vez que nem todos são publicados em revistas cien-

blemas de saúde estudados, intervenções, critérios de inclusão e ex-

tíficas; preservar a saúde dos indivíduos que aderem ao estudo como

clusão, tipo de estudo, data de recrutamento do primeiro voluntário,

pacientes; bem como impulsionar a comunicação e a cooperação de

tamanho pretendido da amostra, status do recrutamento e medidas de

instituições de pesquisa entre si e com as parcelas da sociedade com

resultados primárias e secundárias. Atualmente, a Rede de Colaboradores está organizada em três

interesse em um assunto específico. Adicionalmente, o registro permite

categorias:

reconhecer as lacunas no conhecimento existentes em diferentes áreas,

- Registros Primários: cumprem com os requisitos mínimos e

observar tendências no campo dos estudos e identificar os especialistas

contribuem para o Portal;

nos assuntos. Reconhecendo a importância dessas iniciativas e para que as revis-

- Registros Parceiros: cumprem com os requisitos mínimos, mas

tas da América Latina e Caribe sigam recomendações e padrões inter-

enviam os dados para o Portal somente através de parceria com um dos Registros Primários;

nacionais de qualidade, a BIREME recomendou aos editores de revistas

- Registros Potenciais: em processo de validação pela Secretaria

científicas da área da saúde indexadas na Scientific Library Electronic

do Portal, ainda não contribuem para o Portal.

Online (SciELO) e na LILACS (Literatura Latino-americana e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde) que tornem públicas estas exigências e seu contexto. Assim como na base MEDLINE, foram in-

3. Posicionamento do Dental Press Journal of Orthodontics

cluídos campos específicos na LILACS e SciELO para o número de

O DENTAL PRESS JOURNAL OF ORTHODONTICS apoia

registro de ensaios clínicos dos artigos publicados nas revistas da área

as políticas para registro de ensaios clínicos da Organização Mundial

da saúde.

da Saúde - OMS (http://www.who.int/ictrp/en/) e do International

Ao mesmo tempo, o International Committee of Medical Jour-

Committee of Medical Journal Editors – ICMJE (http://www.wame.

nal Editors (ICMJE) sugeriu aos editores de revistas científicas que

org/wamestmt.htm#trialreg e http://www.icmje.org/clin_trialup.htm),

exijam dos autores o número de registro no momento da submissão

reconhecendo a importância dessas iniciativas para o registro e divul-

de trabalhos. O registro dos ensaios clínicos pode ser feito em um dos

gação internacional de informação sobre estudos clínicos, em acesso

Registros de Ensaios Clínicos validados pela OMS e ICMJE, cujos en-

aberto. Sendo assim, seguindo as orientações da BIREME/OPAS/OMS

dereços estão disponíveis no site do ICMJE. Para que sejam validados,

para a indexação de periódicos na LILACS e SciELO, somente serão

os Registros de Ensaios Clínicos devem seguir um conjunto de critérios

aceitos para publicação os artigos de pesquisas clínicas que tenham

estabelecidos pela OMS.

recebido um número de identificação em um dos Registros de Ensaios Clínicos, validados pelos critérios estabelecidos pela OMS e ICMJE, cujos endereços estão disponíveis no site do ICMJE: http://www.icmje.

2. Portal para divulgação e registro dos ensaios

org/faq.pdf. O número de identificação deverá ser registrado ao final

A OMS, com objetivo de fornecer maior visibilidade aos Registros

do resumo.

de Ensaios Clínicos validados, lançou o portal WHO Clinical Trial Se-

Consequentemente, recomendamos aos autores que procedam o

arch Portal (http://www.who.int/ictrp/network/en/index.html), com

registro dos ensaios clínicos antes do início de sua execução.

interface que permite busca simultânea em diversas bases. A pesquisa, nesse portal, pode ser feita por palavras, pelo título dos ensaios clínicos ou pelo número de identificação. O resultado mostra todos os ensaios existentes, em diferentes fases de execução, com enlaces para a descrição completa no Registro Primário de Ensaios Clínicos corres-

Atenciosamente,

pondente. A qualidade da informação disponível nesse portal é garantida pelos produtores dos Registros de Ensaios Clínicos que integram a rede recém-criada pela OMS: WHO Network of Collaborating Clinical

Jorge Faber, CD, MS, Dr

Trial Registers. Essa rede permitirá o intercâmbio entre os produtores

Editor do Dental Press Journal of Orthodontics

dos Registros de Ensaios Clínicos para a definição de boas práticas e

ISSN 2176-9451

controles de qualidade. Os sites para que possam ser feitos os registros

E-mail: faber@dentalpress.com.br

Dental Press J Orthod

208

2011 Sept-Oct;16(5):206-8

v16n5-pt  

Revista Dental Press Journal Of Ortodontics - PT

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