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Rev i s t a D e n t a l P re s s d e E s t ĂŠ t i c a | vo l u m e 1 1 | n Ăş m e ro 1 | j a n - m a r. 2 0 1 4 | I S S N 1 8 0 7 - 2 4 8 8


Rev Dental Press Estét. 2014 jan-mar;11(1):1-120

Créditos da foto da capa #50479517 - the dancer © Alexander Yakovlev Fotolia Royalty-Free.


Revista Dental Press de Estética Publicação ofi cial da Sociedade Brasileira de Odontologia Estética

Revista Dental Press de Estética - qualis / CAPES: B2 - Interdisciplinar B4 - Odontologia B5 - Medicina III

Indexada nas Bases de Dados:

Dados Internacionais de Catalogação-na-Publicação (CIP) Revista Dental Press de Estética / Dental Press International. -- v. 1, n. 1 (out./nov./dez.) (2004) – . -- Maringá : Dental Press International, 2004Trimestral. ISSN 1807-2488. 1. Estética (Odontologia) – Periódicos I. Dental Press International. II. Título.

CDD. 617.643005


EDITOR CHEFE

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Sidney Kina - Clínica particular - Maringá - PR

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Claudio Pinho - Clínica particular - Brasília - DF

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Marcos Celestrino - Laboratório Aliança - São Paulo - SP

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Eduardo Passos Rocha - FOA/UNESP - SP

Rolf Ankli - Dental Atelier - Belo Horizonte - MG

Euripedes Vedovato - APCD - SP Ewerton Nocchi Conceição - UFRGS - RS

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Elizabeth Salgado - PRODUÇÃO GRÁFICA E ELETRÔNICA: Diego Ricardo Pinaffo

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Rafael - Lucyane Plonkóski Nogueira - Roseli Martins - SECRETARIA: Rosane Albino. A

Luiz Antônio Gaieski Pires - Clínica particular - Porto Alegre - RS

Revista Dental Press de Estética (ISSN 1807-2488) é uma publicação trimestral (quatro

Luiz Fernando Pegoraro - FOB-USP - SP Luiz Narciso Baratieri - UFSC - SC Marcelo Balsamo - APCD - SP Marcelo Fonseca Pereira - Clínica particular - Rio de Janeiro - RJ Márcio Grama Hoeppner - UEL - PR

edições por ano) da Dental Press Ensino e Pesquisa Ltda. - Av. Dr. Luiz Teixeira Mendes, 2.712 - Zona 5 - CEP 87.015-001 - Maringá/PR - Brasil. Todas as matérias publicadas são de exclusiva responsabilidade de seus autores. As opiniões nelas manifestadas não correspondem, necessariamente, às opiniões da Revista. Os serviços de propaganda são de responsabilidade dos anunciantes. Assinaturas: www.dentalcompras.com.br ou pelo fone/fax: (44) 3031-9818.


artigos

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Reabilitações estéticas gengivais compostas pela extrusão ortodôntica Juliana Romanelli

60

Avaliação da resistência de união dos sistemas adesivos na dentina sadia e afetada por cárie em dentes humanos Walter Leonardo Siqueira Zaia, José Luiz Guimarães de Figueiredo, Juliana Alves, Alessandra Satake

72

Reabilitação estética funcional associando onlays em cerômero e resinas nanoparticuladas Mayara Terenzi, Oscar F. M. Chavez

82

Relevância da característica óptica de translucidez na reanatomização de incisivo lateral conoide pela técnica de estratificação em resina composta Hamilton Pedrazzi, Carla R. dos Santos, Cristina Y. G. Takeuchi

94

Lentes de contato: solução para diastemas anteriores Lisia E. Nishimori, André K. Yokoyama, Fabiano C. Marson, Cleverson de Oliveira da Silva, Giovani de Oliveira Corrêa

102

Tratamento restaurador estético de dentes anteriores fusionados: relato de caso clínico Safira M. de Andrade e Silva, Ana P. G. Silva, Carolina B. Miranda

110

Uso de dispositivo sônico para aplicação de adesivo em dentes posteriores Anna Luiza Szesz, Johanna Cuadros-Sanchez, Miguel Angel Muñoz, Issis Luque-Martinez, Alessandra Reis, Alessandro D. Loguercio

seções

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Protocolo Clínico

Desafios estéticos: facetas diretas em dentes escurecidos | Rafael Calixto, Nelson Massing

Gestão em Odontologia

Receita para atrair e fidelizar clientes. Será que existe? | Celso Orth

Biologia da Estética

Escurecimento de dentes isolados “hígidos”. Diagnóstico diferencial, causas, prevenção e bases de seu tratamento estético | Alberto Consolaro, Leda A. Francischone, Renata B. Consolaro, João B. G. Intra, Armelindo Roldi

Nota científica dos editores

Robodentistry - Imprimindo cerâmica | Marcelo Calamita, Nelson RFA Silva


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Coletâneas Dental Press

Coletânea de artigos eletrônicos Dental Press Acervo completo com todas as edições já publicadas de cada uma das revistas (quatro coletâneas temáticas). Permite busca por palavras-chave, por autor, assunto ou pelos títulos. Imprima os artigos na íntegra ou importe as fotografias e os textos para outros aplicativos, como PowerPoint, Word, etc.

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editorial

“Primum est non nocere”

Uma palavra que está incutida demais em nossas mentes é “moderno”. Está sendo usada exaustivamente em anúncios comerciais, pois especialistas em linguagem e marketing afirmam que é uma palavra que “vende bem”. E — quase que por um automático e potencialmente perigoso processo de dedução — está, geralmente, associada a outra palavra: “melhor”. Mas, criMarcelo Calamita Editor-chefe

Doutor, Mestre e Especialista. Mantém atividade clínica em tempo integral, dedicando seus estudos e publicando, internacionalmente, artigos e capítulos de livro nas áreas de Planejamento Interdisciplinar e de Reabilitações Estéticas. É ex-presidente da ABOE (Academia Brasileira de Odontologia Estética). E-mail: mcalamita@uol.com.br

ticamente pensando, será que essas propagandas são mesmo sinceras? É nossa preocupação e responsabilidade, como editores, filtrar o vasto conteúdo disponível em relação à Odontologia atual. Confesso que não é fácil. Muito desse conteúdo ocupa o grau mais baixo dentro de critérios de hierarquia científica. Veem-se resultados bonitos, obtidos por mãos hábeis, mas, muitas vezes, sem o embasamento necessário e que pouco acrescentam ao leitor. Conduzem a uma ideia de que aquele material é superior e perde-se a oportunidade de desenvolver, ou expor, os conceitos que verdadeiramente promoverão saúde e longevidade. Temos que estar atentos ao que é veiculado e diferenciar o que é marketing do que é científico. Somos expostos, todos os dias, a campanhas de marketing muito bem planejadas, também dentro da Odontologia. Assim, não devemos sair alterando nossas condutas ou linha de raciocínio de acordo com aquilo que é apregoado como moderno. Estando em íntimo contato com a literatura e vivenciando a clínica por décadas, podemos afirmar que nada é mais importante para o consistente sucesso do que tomar, sabiamente, nossas decisões baseados em sólidos princípios científicos. Aliando, de modo sábio, a ciência com a clínica, entendemos, por exemplo, que cada vez que pegamos nossos instrumentos de trabalho em

Nelson RFA Silva Editor científico

mãos, devemos saber exatamente o que fazer, o quanto fazer e porque fazer.

Professor da Faculdade de Odontologia

Tudo isso dentro dos princípios de uma Odontologia minimamente invasiva

da UFMG-MG. Atuou como Professor

e traumática, mas que possibilite máxima preservação e consequente longe-

Assistente e Associado da New York University, nos EUA (2002 - 2012). É Especialista em Prótese pela CEO-IPSEMG, Mestre e Doutor em Reabilitação Oral pela FOB-USP, e Pós-doutor em Biomateriais e Biomimética, pela New York University. E-mail: nrfa.silva@mac.com

vidade. Isso é Hipócrates, em grau cada vez maior! Assim, juntamente a toda uma restruturação em sua forma, a Revista Dental Press de Estética manterá o compromisso de trazer conteúdo científico de alto nível, com o propósito de agregar informações clinicamente relevantes e ampliar o senso crítico de nossos estimados leitores. Isso é aliar, com sabedoria, a clínica à ciência, para o bem de todos. Estamos felizes pela possibilidade de começar juntos um novo ano, um novo ciclo. Um excelente ano e uma boa leitura a todos!

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Caso vencedor da Galeria do Sorriso 2013 19º Congresso Internacional da SBOE Realizado nos dias 6 a 9 de novembro de 2013 Curitiba - Paraná

LAMINADOS CERÂMICOS:

SUPERANDO AS EXPECTATIVAS! Odontologia Estética, apaixonante para aqueles que diariamente buscam a perfeição! Alguns a descrevem como sendo um vício, outros relatam que é uma cachaça... Nós simplesmente a tratamos como filosofia de vida! Com o constante avanço dos materiais dentários, cada vez mais podemos oferecer aos nossos pacientes opções restauradoras com pouco ou nenhum desgaste. Essa metodologia de tratamento, denominada de Odontologia minimamente invasiva, permite aos pacientes a máxima preservação de estruturas sadias do elemento dental e aos profissionais, uma previsível e confiável colagem dos materiais restauradores estéticos, na maioria das vezes em nível de esmalte, favorecendo muito esta adesão.

Caso antes

O caso clínico apresentado relata o tratamento com laminados cerâmicos confeccionados em um paciente adulto. Durante a anamnese, o paciente relatou descontentamento com a forma dos seus dentes anteriores superiores, e que isso causava grande desconforto estético. Ao examinar o paciente, observou-se a presença de diastemas entre os incisivos centrais, desgastes das bordas incisais nos quatro incisivos e nas pontas de cúspides dos caninos, transmitindo um aspecto inadequado para a proporção dos dentes anteriores. Por meio de um planejamento realizado a partir dos modelos de estudo, enceramento diagnóstico e realização de mock-up em boca, chegou-se à conclusão de que o caso poderia ser bem solucionado com a indicação de laminados cerâmicos nos incisivos centrais e laterais superiores e que, para compor melhor o resultado estético, as pontas dos caninos seriam reconstruídas com resina composta.

Caso depois

Felipe Miguel Pinto Saliba

- Mestre em Odontologia (UERJ) - Professor de pós-graduação em Prótese e Implantes (UNIGRANRIO, UVA e Estácio de Sá) - Especialista em Prótese (UNIGRANRIO) - Membro associado da Sociedade Brasileira de Odontologia Estética

co-autores: Renato Alves dos Santos Aluno de Pós-graduação em Prótese (UNIGRANRIO) Vinicius Carvalho Brigagão Mestre em Prótese Dentária (UNITAU) Especialista em Prótese (UNIGRANRIO) Coordenador de pós-graduação em Prótese (UNIGRANRIO) Henrique de Pina Bernardo Especialista em Prótese (UNIGRANRIO) Professor de Pós-graduação em Prótese (UNIGRANRIO) Sérgio Barreto Técnico em Prótese Dentária Responsável técnico pelo Laboratório Denprol

Após a confecção do mock-up, optou-se por realizar a cimentação desse, para evitar que se soltasse durante a confecção dos preparos. Os desgastes começaram a ser realizados com o auxílio de brocas diamantadas cilíndricas de pequenos diâmetros. A técnica de afastamento gengival utilizada para moldagem desses elementos foi a de duplo fio: o primeiro fio (menos calibroso) no interior do sulco gengival e o segundo (mais calibroso) posicionado sobre o primeiro. O material de moldagem utilizado foi o silicone de adição em passo único, isso é, aplicação do material de moldagem de duas consistências, manipuladas simultaneamente e levadas ao redor do término cervical após a remoção do segundo fio afastador. Devido às propriedades ópticas superiores das porcelanas feldspáticas, optou-se por esse material para construir, por meio da técnica de estratificação, as quatro facetas de espessuras reduzidas, devido ao pouco desgaste realizado nos elementos dentários. Para que a colagem das lâminas aconteça de forma eficiente, o controle da umidade deve ser rigoroso. O preparo das lâminas consiste em aplicação de ácido fluorídrico por 60s, lavar o ácido e secar a peça cerâmica. Após isso, devemos fazer uma limpeza da restauração com ácido fosfórico a 37%, esfregando esse por 30s. Aplica-se o agente de união silano e deixa-o evaporar por 60s. Em seguida, aplica-se o adesivo, mas não fazemos a fotopolimerização desse. O cimento resinoso utilizado foi o de condicionamento ácido total fotopolimerizável, permitindo o posicionamento das quatro lâminas ao mesmo tempo. Para a completa polimerização do cimento, uma camada de glicerina foi aplicada por toda margem das restaurações, bloqueando o oxigênio e, novamente, aplicada a luz do fotopolimerizador. Ao final do tratamento, o paciente foi orientado a utilizar uma placa miorrelaxante.


Fotografia de face do paciente com sorriso máximo.

Notar que os dentes não aparecem em repouso.

Vista aproximada do sorriso.

Vista intraoral. Observar desgastes incisais e diastema.

Mock-up realizado sobre os dentes do paciente.

Preparos concluídos.

Técnica de estratificação dos laminados.

Prova das facetas com try-in diferentes. Optou-se pelo cimento transparente (dente 21).

Preparo dos laminados para serem colados aos dentes.

Fio 000 posicionado nos sulcos para conter umidade.

Aplicação de ácido fosfórico a 37% por 30s.

Observar aspecto opaco da estrutura dental após lavar o ácido e secar os elementos.

Aplicação do adesivo sem a fotopolimerização do mesmo.

Inserção das lâminas dos incisivos centrais.

Após fotopolimerização do cimento, faz-se a remoção dos fios e dos excessos de cimento.

Laminas devidamente coladas.

Utilização de index de silicone para reconstruir a cúspide a partir do enceramento diagnóstico.

Acompanhamento de dois meses.

Placa miorrelaxante objetivando a preservação das restaurações.

Fotografia de face, mostrando o final do tratamento.

Conclusão A técnica de tratamento com laminados cerâmicos, quando bem indicada, apresenta um resultado estético bastante satisfatório, e, para a longevidade do tratamento restaurador, o uso de uma placa miorrelaxante se torna imprescindível.


protocolo clínico

Desafios estéticos: facetas diretas em dentes escurecidos

Rafael CALIXTO Especialista, Mestre e Doutor em Dentística Restauradora, UNESP-Araraquara.

Nelson MASSING Especialista e Mestre em Dentística Restauradora, ULBRA.

introdução As restaurações diretas nos dentes anteriores são um grande desafio para o clínico/especialista devido ao alto grau de exigência estética que os pacientes requerem nos dias de hoje. Esses procedimentos tornam-se ainda mais desafiadores nas facetas, especialmente quando o substrato dentário tem sua cor alterada (escurecida). Para muitos, esse é o maior desafio com resinas compostas, devido à necessidade de um mascaramento adequado do remanescente dentário com agentes opacificadores e, ao mesmo tempo, uma manutenção da translucidez natural da estrutura dentária. Esse primeiro artigo de 2014 tem como objetivo descrever materiais e técnicas para o correto procedimento de facetas diretas nos dentes escurecidos.

Translucidez/Opacidade Um dos principais fatores a serem considerados, com relação à cor, nas restaurações estéticas diretas, é a correta reprodução do valor da restauração, o qual está diretamente ligado à translucidez e opacidade (Fig. 1). Materiais translúcidos permitem uma passagem de grande quantidade de luz que incide sobre ele. Já materiais opacos (menos translúcidos) refletem uma maior quantidade de luz. Isso está diretamente ligado à percepção de cor/valor das restaurações de resina, pois uma grande quantidade de opaco (dentina) resulta em uma maior reflexão de luz e em um aspecto leitoso da restauração, já uma menor quantidade de dentina e, consequentemente, maior quantidade de esmalte (translúcido), permitem uma

Como citar esta seção: Calixto R, Massing N. Desafios estéticos: facetas diretas em dentes escurecidos. Rev Dental

Os autores declaram não ter interesses associati-

Press Estét. 2014 jan-mar;11(1):14-25.

vos, comerciais, de propriedade ou financeiros que representem conflito de interesse nos produtos e

Enviado em: 10/01/2014 - Revisado e aceito: 17/01/2014

companhias descritos nesse artigo. O(s) paciente(s) que aparece(m) no presente artigo

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Endereço de correspondência: Rafael Calixto. Av. Prof. João Fiusa, 1901 – Sl. 211 – Jd. Canadá – Ribeirão Preto/SP

autorizou(aram) previamente a publicação de suas

CEP: 14.024-250 – E-mail: lrcalixto@hotmail.com

fotografias faciais e intrabucais, e/ou radiografias.

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Desafios estéticos: facetas diretas em dentes escurecidos

grande passagem de luz, tendo como resultado uma maior visualização do que está atrás da restauração, como um substrato pigmentado ou o fundo escuro da boca, o que deixará a restauração com aspecto acinzentado (baixo valor). As resinas para dentina são chamadas de “opacas”, porém apresentam um certo grau de translucidez, permitindo uma determinada passagem de luz. Devido a isso, em caso de facetas sobre substratos muito escurecidos, devemos utilizar materiais com um maior grau de opacidade, o que permite apenas uma passagem mínima da luz, de acordo com sua espessura e característica. Esses agentes são chamados de opacificadores (Fig. 3 a 9), e podem apresentam-se na forma de resinas convencionais ou fluidificadas.

Preparo Na realização dos preparos para facetas diretas sobre substratos escurecidos, algum cuidados devem ser considerados. O primeiro deles é a profundidade do preparo, que deve permitir a aplicação, primeiramente, do agente opacificador, e a subsequente estratificação com as camadas de dentina e esmalte. Uma espessura em torno 1,5mm seria interessante para permitir a aplicação dessas várias camadas, podendo variar de acordo com o grau de escurecimento do substrato dentário. O término cervical deve estar posicionado intrassulcular para impedir uma visualização da margem da restauração, assim como o limite do preparo proximal deve estar levemente “invadindo” o contato proximal — pelo mesmo motivo já citado (Fig. 2).

Figura 1. Observe a característica mais opaca ou mais translúcida da estrutura dentinária natural, a qual leva a diferentes percepções de cor, apesar de apresentarem características de tonalidade de cor muito próximas.

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Desafios estéticos: facetas diretas em dentes escurecidos

Figura 34 e 35. Aspecto final após aumento da espessura da dentina e polimento final.

CONSIDERAÇÕES FINAIS O conhecimento aquedado e, principalmente, a interpretação dos conceitos de translucidez e opacidade, associados ao domínio no manejo dos agentes opacificados, são essenciais para que o clínico/especialista obtenha uma estética natural nas facetas diretas de dentes escurecidos.

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gestão em odontologia

Receita para atrair e fidelizar clientes. Será que existe???

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biologia da estética

Escurecimento de dentes isolados “hígidos”. Diagnóstico diferencial, causas, prevenção e bases de seu tratamento estético Resumo: dentes isoladamente escurecidos, mesmo que com tecidos dentários duros, aparentemente íntegros, quanto à sua forma e dureza, não deveriam ser considerados “hígidos”. A cor alterada, por si só, já indica perda da “higidez”, e pode estar associada a alterações pulpares e periapicais muito importantes, além de reabsorções radiculares. Os diagnósticos quase sempre são de metamorfose cálcica da polpa e de necrose pulpar asséptica. Qualquer conduta, desde uma simples clareação até a colocação de coroas ou facetas, deve ser, necessariamente, precedida por avaliações clínica e radiográfica minuciosas. Os casos de dentes isoladamente escurecidos e “hígidos” têm como causa o traumatismo dentário. Tratamento ortodôntico e trauma oclusal não são causas indutoras de escurecimentos dentários. Palavras-chave: Metamorfose cálcica da polpa. Metaplasia cálcica da polpa. Necrose pulpar asséptica. Biologia pulpar. Traumatismo dentário.

Alberto Consolaro Professor Titular de Patologia da FOB-USP e da Pós-graduação FORP-USP.

Leda A. Francischone Professora, FOB-USP.

Renata Bianco Consolaro Professora, FAI.

João Batista Gagno Intra Professor de Endodontia, ABO-ES.

Armelindo Roldi Professor de Endodontia, ESFA e ABO-ES.

Como citar esta seção: Consolaro A, Francischone LA, Consolaro RB, Intra JBG, Roldi A. Escurecimento de dentes iso-

Os autores declaram não ter interesses associati-

lados “hígidos”. Diagnóstico diferencial, causas, prevenção e bases de seu tratamento estético. Rev Dental Press Estét.

vos, comerciais, de propriedade ou financeiros que

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representem conflito de interesse nos produtos e companhias descritos nesse artigo.

Enviado em: 10/01/2014 - Revisado e aceito: 17/01/2014 O(s) paciente(s) que aparece(m) no presente artigo

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Endereço de correspondência: Alberto Consolaro.

autorizou(aram) previamente a publicação de suas

E-mail: consolaro@uol.com.br

fotografias faciais e intrabucais, e/ou radiografias.

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Escurecimento de dentes isolados “hígidos”. Diagnóstico diferencial, causas, prevenção e bases de seu tratamento estético

Está aumentando a frequência do escurecimento dentário Há uma percepção de que o escurecimento isolado de dentes “hígidos” está aumentando gradativamente sua frequência, especialmente na mídia. Essa percepção pode ser: 1) decorrente da maior exposição das pessoas, especialmente sorrindo, nas redes sociais e de outras formas de interação social; 2) pela ampliação das formas de lazer relacionadas ao exercício físico e prática de esportes; 3) pela maior amplitude e acesso das formas de deslocamento das pessoas, incluindo motocicletas, bicicletas motorizadas, carros, barcos e demais formas de transporte. Ainda hoje, muitos entendem que os dentes escurecidos podem ser chamados de “hígidos”, pois os tecidos duros estão “preservados”. Alterações de cor, no entanto, também representam sinais de alteração e doenças nos dentes, sejam nos tecidos moles, sejam nos tecidos duros. São muito raras as escolas de Odontologia que oferecem a disciplina de traumatologia dentária. O conteúdo dessa disciplina se distribui aleatoriamente por várias outras, perdendo-se, muitas vezes, a lógica do raciocínio quanto às suas causas, mecanismos, diagnóstico e abordagem terapêutica. Considerando esses aspectos, com frequência abordamos, repetidamente, o referido assunto, a partir de revisões e apresentações de casos clínicos, para diferentes especialidades, para difundir o conhecimento quanto às causas, diagnósticos e bases biológicas de seu tratamento e prevenção27. A única causa do escurecimento de dentes isolados e “hígidos” A única causa do escurecimento de dentes isolados e “hígidos” é o traumatismo dentário, especialmente a concussão dentária, caracterizada pela completa ausência de qualquer aumento de mobilidade

dentária, o que caracterizaria uma subluxação ou luxação. A sintomatologia, quando existir, tem a duração de algumas horas, passando rapidamente e/ou podendo ser eliminada com analgésicos comuns. O escurecimento de dentes isolados e “hígidos” permanentes decorre de duas consequências do traumatismo dentário: » A metamorfose cálcica da polpa, também conhecida como metaplasia cálcica da polpa, e frequentemente referida como “obliteração pulpar ou do canal”. » A necrose pulpar asséptica, muitas vezes considerada idiopática e equivocadamente atribuída ao trauma oclusal, movimento ortodôntico e até procedimentos clínicos, como a clareação dentária externa, mas que, na realidade, apenas pode ser induzida pelo traumatismo dentário. A concussão dentária, a forma mais leve do traumatismo dentário, pode ocorrer em várias situações que o paciente não reteve em sua memória o ocorrido, tais como: » Acidentes durante a prática de esportes, pelo contato físico corporal ou por quedas, especialmente se considerarmos o basquetebol e futebol, assim como em lutas marciais e outras. » Acidentes durante o esporte por batidas de instrumentos como tacos e bolas, e por contato mais firme com partes de bicicletas, redes, barcos, pranchas e outros. » Acidentes em movimentos bruscos durante locomoções de pessoas, envolvendo aviões, ônibus, motocicletas, bicicletas e barcos. » Acidentes em atividades de lazer em parques temáticos, ecoturismo e de aventuras. » Transcirúrgicos, durante procedimentos anestésicos gerais, nos quais a boca é via de acesso para instrumentos como laringoscópios, sondas e tubos.

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Consolaro A, Francischone LA, Consolaro RB, Intra JBG, Roldi A

Referências:

1. American Association of Endodontics. Glossary: contemporary terminology for endodontics. 6a ed. Chicago: AAE; 1998. 2. Amir FA, Gutmann JL, Witherspoon DE. Calcific metamorphosis: a challenge in endodontic diagnosis and treatment. Quintessence Int. 2001;32(6):447-55. 3. Cleen M. Obliteration of pulp canal space after concussion and subluxation: endodontic considerations. Quintessence Int. 2002;33(9):661-9. 4. Consolaro A. Reabsorções dentárias nas especialidades clínicas. 3a ed. Maringá: Dental Press; 2012. 5. Consolaro A. A Odontologia estética como causa e solução da reabsorção cervical externa: a importância do traumatismo dentário. Rev Dental Press Estét. 2008;5(1):130-4. 6. Consolaro A. Metamorfose cálcica da polpa versus “Calcificações distróficas da polpa”. Rev Dental Press Estét. 2008;5(2):130-5. 7. Consolaro A. Orthodontic treatment does not cause pulpal necrosis. Dental Press Endod. 2011;1(1):14-20. 8. Consolaro A, Bernardini VR. Metamorfose cálcica da polpa e necrose pulpar asséptica no planejamento ortodôntico. Rev Dental Press Ortod Ortop Facial. 2007;12(6):21-3. 9. Consolaro A, Consolaro MFMO. Controvérsias na Ortodontia e atlas de Biologia da movimentação dentária. Maringá: Dental Press; 2008. 10. Consolaro A, Francischone LA, Consolaro RB, Carraro EAS. Escurecimento dentário por metamorfose cálcica da polpa e necrose pulpar asséptica. Rev Dental Press Estét. 2007;4(4):124-33.

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DENTALPRESS_ESTÉTICA_2014.pdf

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simply smarter.


nota científica dos editores

Robodentistry: imprimindo cerâmica Marcelo Calamita e Nelson RFA Silva

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A produção de restaurações protéticas fixas,

Além da melhoria na redução da formação de mi-

como inlays, onlays, facetas laminadas, coroas e

crotrincas ou da transformação de t-m para restau-

próteses parciais fixas, por meio do sistema CAD/

rações de zircônia, outra vantagem do método de

CAM, é de uma tecnologia relativamente antiga,

pré-sinterização é a possibilidade de se utilizar sais

usada por profissionais de Odontologia há mais de

metálicos modificadores de cor, criando efeitos es-

20 anos. O CAD/CAM tem sido utilizado com dife-

téticos desejados para a restauração final.

rentes materiais, como porcelana, resina e blocos

Todavia, a tecnologia evolui e nos leva a pos-

metálicos, não utilizados anteriormente devido a

sibilidades inimagináveis como, por exemplo, im-

limitações técnicas. Atualmente, o CAD/CAM para

primir cerâmicas. A impressão, ou prototipagem,

próteses em cerâmica utiliza blocos sólidos ou em

vem ganhando espaço no seguimento de políme-

estágio pré-sinterizado para obter uma estrutura

ros, mas ainda são poucos que sabem sobre a pos-

anatômica final completa, ou uma infraestrutura

sibilidade de se imprimir cerâmica. O que isso sig-

que suporte a porcelana de recobrimento. A usi-

nifica? Robocasting é a resposta.

nagem de blocos cerâmicos sólidos traz o desafio

Robocasting é uma prototipagem rápida (PR)

de evitar microtrincamento de superfície, que

que agrupa geometrias em um processo de aposição

pode diminuir a durabilidade em longo prazo das

de múltiplas camadas. Também conhecida como “fa-

restaurações. À zircônia — um material atraen-

bricação de forma livre”, utiliza a técnica de extru-

te, devido à boa resistência mecânica, tenacidade

são controlada por computador, de pastas coloidais

e estética — a usinagem de cerâmica densa pode

(também chamadas de slurries, géis ou tintas) sobre

induzir a transformação de tetragonal para mono-

um substrato plano, sem a necessidade de moldes ou

clínica (t-m). Não se sabe se essa transformação

ferramentas adicionais. Ao invés de remover mate-

t-m é prejudicial à longevidade da restauração em

rial via usinagem, um material seria estrategicamen-

zircônia (ex. Y-TZP), por isso, com o objetivo de

te “impresso” para criar a estrutura tridimensional.

evitar a falha inesperada de microtrincamento de

As instruções para saber como imprimir as camadas

superfície ou transformação t-m, um processo de

derivam de um modelo de computador tridimensio-

pré-sinterização tem sido recomendado.

nal da estrutura (por exemplo, junção de tomografia

Para os componentes protéticos dentários, o

computadorizada e arquivos de estereolitografia).

processo de pré-sinterização começa a partir de um

Uma vez que o modelo tridimensional é criado, o

molde ou padrão de cera que é digitalizado por scan-

software “fatia” o modelo em uma série de camadas

ners ópticos ou de contato. No caso de se utilizar a

empilhadas e, depois, projeta uma sequência de im-

zircônia pré-sinterizada, o sistema CAD/CAM deve,

pressões para construir as camadas.

então, garantir uma compensação da contração vo-

Recentemente, a técnica Robocasting tem sido

lumétrica prévia que ocorre no processo de sinteri-

utilizada no ambiente ortopédico, principalmen-

zação. O bloco pré-sinterizado é, então, fresado e,

te para o osso e engenharia de tecidos, em que as

posteriormente, colocado em forno para obter a com-

redes tridimensionais complexas de porosidade

pleta sinterização, sendo essa a estrutura final para

que podem ser construídas estão sendo exploradas

posterior aplicação de porcelana de recobrimento.

para uma melhor regeneração óssea. A produção de

Rev Dental Press Estét. 2014 jan-mar;11(1):44-5


artigo inédito

Reabilitações estéticas gengivais compostas pela extrusão ortodôntica Resumo: a extrusão ortodôntica tem sido amplamente descrita na literatura, gerando dúvidas frequentes com relação à sua utilização e custo-benefício. Quando bem indicada e executada, essa manipulação ortodôntica pode mudar o prognóstico e longevidade do tratamento. A aplicação dessa técnica pode ser diversificada, tanto de forma individual quanto combinada com outras especialidades. O que diferencia sua proposta são as forças empregadas. O estudo apresentado a seguir tem como objetivo demonstrar, por meio de um caso clínico onde foram utilizadas diferentes tipos de extrusão, o quanto essa forma de modificar a estética vermelha pode beneficiar a finalização do caso clínico, com previsibilidade. Palavras-chave: Ortodontia. Extrusão ortodôntica. Papila dentária. Estética dentária. Implantes dentários.

Juliana Romanelli Mestre em Odontologia, Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo. Professora Assistente, Instituto ImplantePerio.

Como citar este artigo: Romanelli J. Reabilitações estéticas gengivais compostas pela extrusão ortodôntica. Rev Dental

A autora declara não ter interesses associativos,

Press Estét. 2014 jan-mar;11(1):46-59.

comerciais, de propriedade ou financeiros que representem conflito de interesse nos produtos e

Enviado em: 22/12/2013 - Revisado e aceito: 09/07/2013

companhias descritos nesse artigo. O(s) paciente(s) que aparece(m) no presente artigo

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Endereço de correspondência: Juliana Romanelli. Rua do Rocio, 423 – Conjunto 912 – Vila Olímpia – São Paulo/SP

autorizou(aram) previamente a publicação de suas

CEP: 04552-000 – E-mail: juliana.romanelli@uol.com.br

fotografias faciais e intrabucais, e/ou radiografias.

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Reabilitações estéticas gengivais compostas pela extrusão ortodôntica

Introdução Conforme a Odontologia Estética e as técnicas cirúrgicas foram evoluindo ao longo do tempo, de forma cada vez mais rápida, as indicações e os benefícios da extrusão ortodôntica também se aprimoraram, nas mesmas proporções. Em um dos primeiros relatos da técnica na literatura, Heithersay1 percebeu que se houvesse um tracionamento ortodôntico prévio em dentes fraturados, esses poderiam ser tratados endodonticamente ou até mesmo ser submetidos a uma terapia periodontal, e que os resultados apresentavam-se bem mais satisfatórios. Inicialmente denominada de “erupção forçada”, a extrusão ortodôntica tem passado por fases diversas, ligadas às dificuldades inerentes às reabilitações bucais. A princípio, era uma forma de eliminar bolsas periodontais, e já era utilizada como parte integrante de tratamentos para restaurações protéticas. Com o tempo, a preservação do espaço biológico começou a se apresentar como um fator determinante para o sucesso final da restauração dentária, e verificou-se que isso acontecia quando os dentes eram intencionalmente movidos no sentido coronal, com forças suaves e constantes2,3. Já na era dos implantes dentários, a extrusão ortodôntica veio para manipular um dente sem futuro e modificar seu meio ou região defeituosa, desse modo, melhorando a previsibilidade da colocação subsequente do implante naquele local4. De forma inovadora, essa técnica promoveu a oportunidade de restaurar uma região defeituosa, deixando um aspecto mais natural, copiando a arquitetura gengival, ou seja, a moldura de tecidos moles do dente contralateral5. A versatilidade de uso da extrusão permitiu a associação com outras técnicas. Em casos de tracionamento de raiz sem dentes adjacentes, mini-implantes puderam ser utilizados como ancoragem. Nesses casos, o intuito foi de expor o preparo subgengival do remanescente radicular. Então, foram executadas fibrotomias para não permitir o aumento desnecessário do volume gengival, mas sim a exposição mais apical da raiz6.

O ganho gengival, tanto na altura de colo quanto de papila, fez da técnica uma excelente opção para os casos de reabilitações, pois, em ambos os aspectos, seus resultados eram previsíveis, tanto para dentes unitários quanto para múltiplos dentes. Com o aprimoramento das técnicas cirúrgicas de reconstrução tecidual7, as indicações da extrusão foram mudando de direção e propósito, sem perder o grande diferencial de restabelecer a estética vermelha danificada. Em duas formas distintas de execução, com propostas igualmente distintas, a extrusão ortodôntica permanece atuante e aprimorada, como as demais especialidades. O presente estudo tem o objetivo de demonstrar os maiores benefícios de cada uma dessas modalidades e reforçar as vantagens da Ortodontia em tratamentos multidisciplinares.

Conceitos Os procedimentos não invasivos, como a extrusão ortodôntica, apresentam resultados extremamente interessantes na recomposição da chamada “zona de transição”. Essa compreende a região cervical da restauração protética e os tecidos periodontais ou peri-implantares7, promovendo o aspecto natural tão almejado na finalização do caso. Entende-se por extrusão ortodôntica o tracionamento de um ou mais dentes no sentido oclusal de sua erupção. As três formas mais utilizadas de extrusão são: com fios ortodônticos com memória de forma, em aparelhos fixos, apoiados normalmente em pilares adjacentes ao dente tracionado. Nessa forma, o braquete é reposicionado a cada ativação (Fig. 1) com fios ortodônticos de aço, também em aparelhos fixos apoiados em pilares adjacentes ao dente tracionado, mas as ativações são realizadas com dobras no fio e o braquete é pouco, ou até mesmo não é, reposicionado durante a extrusão (Fig. 2). Finalmente, faz-se uso de aparatos externos, como uma estrutura removível com elásticos (Fig. 3)8.

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Reabilitações estéticas gengivais compostas pela extrusão ortodôntica

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artigo inédito

Avaliação da resistência de união dos sistemas adesivos na dentina sadia e afetada por cárie em dentes humanos Resumo: Objetivo: avaliar, por microtração, a resistência de união de dois sistemas adesivos em dentina sadia e em dentina afetada por cárie, em dentes humanos, e determinar os tipos de fraturas ocorridas por meio de microscopia óptica e MEV. Métodos: foram utilizados 20 dentes humanos, sendo dez com a dentina sadia e dez com dentina afetada por cárie. Os dentes foram divididos em quatro grupos: dois de dentina sadia e dois de dentina afetada, para cada sistema adesivo. Os dentes foram submetidos a um preparo cavitário padronizado e restaurados com sistema adesivo de condicionamento total Ambar (FGM, Brasil) e com a resina composta Opalis (FGM) (grupos: G1 (dentina sadia) e G2 (dentina afetada), bem como com o sistema adesivo autocondicionante Filtek Silorano (3M ESPE, EUA) com a resina composta Filtek P90 (3M ESPE), sendo esses G3 (dentina sadia) e G4 (dentina afetada). Resultados: a análise estatística two-way ANOVA mostrou diferenças entre os sistemas adesivos testados (p < 0,001). A resistência de união revelou que os maiores valores médios encontrados são para o sistema adesivo Ambar, em comparação ao Filtek Silorano. Com o sistema Ambar, não se obteve diferença entre os resultados de resistência de união para dentina sadia ou dentina afetada por cárie. No entanto, o sistema adesivo Filtek Silorano apresentou valores de adesão superiores para a dentina sadia quando comparado à dentina afetada por cárie. Os tipos de fraturas observados em microscópio óptico não corresponderam fielmente quando foram observados em microscopia eletrônica de varredura. Palavras-chave: Resistência à tração. Cárie dentária. Dentina. Adesivos dentinários.

Walter Leonardo Siqueira Zaia Doutorando e Mestre em Saúde e Desenvolvimento na região Centro-Oeste, UFMS.

José Luiz Guimarães de Figueiredo Professor Adjunto de Odontologia (Dentística), UFMS.

Juliana Alves Mestre em Saúde e Desenvolvimento na Região Centro-Oeste, UFMS.

Alessandra Satake Mestre em Saúde e Desenvolvimento na Região Centro-Oeste, UFMS.

Como citar este artigo: Zaia WLS, Figueiredo JLG, Alves J, Satake A. Avaliação da resistência de união dos sistemas

Os autores declaram não ter interesses associati-

adesivos na dentina sadia e afetada por cárie em dentes humanos. Rev Dental Press Estét. 2014 jan-mar;11(1):60-70.

vos, comerciais, de propriedade ou financeiros que representem conflito de interesse nos produtos e

Enviado em: 05/1/2013 - Revisado e aceito: 22/10/2013

companhias descritos nesse artigo. O(s) paciente(s) que aparece(m) no presente artigo

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Endereço de correspondência: UFMS – Avenida Mato Grosso, 1067 – Centro – Anaurilândia/MS – CEP 79770-000.

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Avaliação da resistência de união dos sistemas adesivos na dentina sadia e afetada por cárie em dentes humanos

Introdução As tendências atuais na Dentística moderna envolvem a máxima conservação da estrutura dentária durante o tratamento do dente com lesão de cárie 1. A dentina é, por sua natureza, um substrato de origem conjuntiva bastante complexa por se tratar de um tecido com grande quantidade de matérias inorgânica, orgânica e água, o que a torna sensível aos procedimentos restauradores2. Devido ao seu íntimo envolvimento com a parede pulpar em cavidades profundas, esse tipo de dentina assume considerável relevância clínica, tendo em vista que sua manutenção torna-se essencial para o estado vital do dente e a conservação da estrutura dentária. A constante presença de dentina afetada por cárie na clínica diária faz dela um dos mais relevantes substratos alterados a ser estudado3. No entanto, o tratamento tradicional de dentes cariados envolve a remoção de toda estrutura dentária cariada para o emprego dos materiais restauradores, muitas vezes sacrificando mais estrutura do que o necessário4. Atualmente, observam-se várias maneiras de se tratar a remoção de cárie e muitas marcas de sistemas adesivos introduzidas no mercado odontológico. A adesão para dentina depende não somente do sistema adesivo utilizado, mas também do substrato dentinário5. Assim, é necessário saber se a interação dos sistemas adesivos, juntamente com o substrato dentinário, seja ele sadio ou afetado por cárie, apresenta o mesmo resultado de resistência de união para manutenção do material restaurador. Para a avaliação da real magnitude da resistência de união desses sistemas adesivos, utiliza-se, principalmente, o método de microtração, que é uma variação do teste de tração, desenvolvido por Sano et al.6 A microtração caracteriza, de forma mais precisa, o padrão de fratura, pois limita a ação das forças de tração em uma pequena área da interface adesiva. Diante da diversidade de novos sistemas adesivos no mercado odontológico, esses devem ser continuamente avaliados se sua resistência de união é efetiva tanto em dentina sadia quanto em

dentina afetada por cárie. Ainda, diante da simplificação da técnica de sistemas adesivos primer autocondicionantes, deve-se verificar se tal técnica oferece a mesma resistência de união dos sistemas adesivos com condicionamento total, considerando a importância em se preservar a estrutura dentária e a efetiva adesão dos sistemas adesivos para unir a restauração ao substrato dentinário — o que é necessário para devolver a função mastigatória, conforto e longevidade nas restaurações empregadas nos pacientes. Assim, o presente estudo teve como objetivos analisar, por meio de teste de microtração, a resistência de união de um sistema adesivo com condicionamento total e um sistema adesivo primer autocondicionante, tanto em dentina sadia quanto em dentina afetada por cárie, e, ainda, avaliar os tipos de fraturas ocorridas nos corpos de prova após o ensaio de microtração por meio de microscópio óptico e eletrônico de varredura.

MATERIAL E MÉTODOS O presente trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFMS, sob protocolo número 147. Foram selecionados para o estudo pacientes com idade entre 28 e 33 anos, com indicação de extração de terceiros molares sadios (dez dentes) e afetados por cárie (dez dentes). Aleatoriamente, esses dentes foram divididos em quatro grupos.

Materiais adesivos utilizados A utilização dos materiais adesivos seguiu as recomendações do fabricante. As composições e os lotes estão apresentadas na Tabela 1. Os preparos cavitários dos 20 dentes foram confeccionados pelo pesquisador. Utilizou-se uma broca 3131 (KG Sorensen, Brasil) com a ponta ativa de 3,5mm, em torno de 1,5mm abaixo da JAD (junção amelodentinária; dentina profunda), conforme Lima et al.7 Os substratos dentinários, para serem padronizados, foram inspecionados com

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Zaia WLS, Figueiredo JLG, Alves J, Satake A

system (FGM, Brazil) and Opalis composite resin (FGM, Brazil) (Groups: G1 — healthy dentin and G2 —carious dentin), and with Silorane Filtek selfetch adhesive system (3M ESPE, USA) with Filtek P90 composite resin (3M ESPE, USA) (Groups: G3 —healthy dentin and G4 —carious dentin). The microtensile bond strength reveals that the highest average values were found for the Ambar Adhesive System compared to Silorane Filtek. With the Ambar System, there were no differences between the

bond strength of healthy dentin and carious dentin. However, the Silorane Filtek Adhesive System presented superior bond strength values for healthy dentin when compared to carious dentin. The types of fractures observed in optical microscopy were not corresponding with those observed in scanning electron microscope. The type of fracture of the specimens analyzed in SEM was mixed. / Keywords / Tensile strength. Dental caries. Dentin. Dental bonding.

Referências: 1.

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caso clínico

Reabilitação estética funcional associando

onlays em cerômero e resinas nanoparticuladas Resumo: Introdução: a perda da dimensão vertical de oclusão (DVO) é resultada de um grande desequilíbrio oclusal, onde não apenas a perda dos dentes pode ser o fator responsável, mas também as parafunções, entre elas, o bruxismo. O restabelecimento da relação maxilomandibular é condição necessária para que uma adequada reabilitação bucal seja executada, devolvendo, assim, função e estética perdidas. Objetivo: descrever um caso clínico de reabilitação em paciente bruxista, com presença de desgastes dentários, desgastes de tratamentos restauradores previamente existentes, fratura de onlay e bordas incisais, restabelecendo uma nova DVO por meio de onlays posteriores em cerômeros, recuperando a estética com restaurações diretas em resinas compostas nos dentes anteriores. Conclusões: a reabilitação bucal com levante de mordida em onlays devolve a DVO perdida de maneira segura. Palavras-chave: Reabilitação bucal. Estética dentária. Dimensão vertical.

Mayara Terenzi Especializanda em Periodontia, FOAr-UNESP.

Oscar Fernando Muñoz Chavez Professor Assistente, Doutor da disciplina de Clínica Integrada, FOAr-UNESP.

Como citar este artigo: Terenzi M, Chavez OFM. Reabilitação estética funcional associando onlays em cerômero e resi-

Os autores declaram não ter interesses associati-

nas nanoparticuladas. Rev Dental Press Estét. 2014 jan-mar;11(1):72-81.

vos, comerciais, de propriedade ou financeiros que representem conflito de interesse nos produtos e

Enviado em: 10/12/2012 - Revisado e aceito: 04/05/2013

companhias descritos nesse artigo. O(s) paciente(s) que aparece(m) no presente artigo

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Endereço de correspondência: Oscar Fernando Muñoz Chavez.

autorizou(aram) previamente a publicação de suas

Rua Humaitá, 1680 – Centro – CEP: 14801-903 – Araraquara/SP – E-mail: mayara_terenzi@hotmail.com

fotografias faciais e intrabucais, e/ou radiografias.

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Reabilitação estética funcional associando onlays em cerômero e resinas nanoparticuladas.

Introdução O sistema estomatognático é compreendido por necessidades fisiológicas básicas, como a mastigação, a deglutição e a fonética. A oclusão, propriamente dita, também faz parte desse sistema. Assim, atividades musculares devem ser controladas, permitindo ao sistema realizar suas funções sem causar danos às suas estruturas. Durante uma atividade parafuncional, a força aplicada sobre a superfície oclusal é seis vezes maior do que os movimentos fisiológicos (em torno de 90kg), além da contração muscular durante um tempo exagerado (em torno de duas horas). O período diário de contato dentário nos portadores de bruxismo também é bastante aumentado em relação a um paciente sem parafunção, e, considerando que tais condições superam a tolerância fisiológica das estruturas envolvidas, passam a gerar danos ao sistema estomatognático1. Desde 1985, a dimensão vertical de oclusão é definida como sendo a posição vertical da mandíbula em relação à maxila, medida entre dois pontos quando os dentes superiores e inferiores estão em contato intercuspídeo na posição de fechamento máximo2. Sabe-se que o fator oclusal, por si só, não altera os padrões de normalidade funcional, mas quando o fator oclusal está associado a outros problemas, como os de ordem postural, e até mesmo emocional, pode gerar desequilíbrio ao sistema como um todo3. A diminuição da dimensão vertical de oclusão (DVO) pode apresentar características semelhantes àquelas verificadas no envelhecimento, pois determina alterações na face do paciente, tanto do ponto de vista muscular quanto relacionado às ATMs4. A perda da DVO é resultada de um grande desequilíbrio oclusal, onde não apenas a perda dos dentes pode ser o fator responsável, como também as parafunções, entre elas, o bruxismo5. O bruxismo é uma condição que se apresenta com diferentes características clínicas e diferentes etiologias. Para tanto, é indispensável o amplo conhecimento do cirurgião-dentista sobre os mecanismos fisiológicos, farmacológicos e aspectos

clínicos, para a determinação de um tratamento direcionado não somente às consequências, mas, também, às causas do bruxismo, para que resulte em um prognóstico favorável e duradouro6. Com base no estudo realizado por Cezaro7, compreendeu-se que o bruxismo é um hábito bucal de alta prevalência e prejudicial a todo o sistema estomatognático. Manifesta-se por meio de movimentos constantes, disfuncionais e fortes da musculatura elevadora da mandíbula, com a finalidade de apertar e deslizar os dentes entre si. É dessa forma que esses músculos tornam-se hipertróficos, os dentes desgastados e, em um processo acumulativo, ocorre uma diminuição vertical da oclusão, que também gera um encurtamento desses músculos, na oclusão. O restabelecimento da relação maxilomandibular é condição necessária para que uma adequada reabilitação bucal seja executada, devolvendo, assim, função e estética perdidas5. O objetivo do presente trabalho é descrever um caso clínico de reabilitação em paciente bruxista com presença de desgastes dentários, desgastes de tratamentos restauradores previamente existentes, fratura de onlay e bordas incisais, recuperando a DVO.

Relato de caso clínico Paciente de 40 anos de idade, sexo masculino, procurou a Clínica Integrada para um tratamento restaurador. Após a anamnese, traços de ansiedade foram detectados. Ao exame clínico das superfícies oclusais e incisais, foram observados desgastes tanto dentários quanto de tratamento restauradores já existentes, fratura de onlay (Fig. 1) e bordas incisais (Fig. 2, 3), provavelmente devido ao hábito parafuncional de bruxismo, além de trespasse vertical aumentado (Fig. 4). O paciente não apresentava sintomatologia dolorosa e estava em condição satisfatória tanto do periodonto de proteção quanto de sustentação. Radiograficamente, nenhuma alteração foi constatada.

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Terenzi M, Chavez OFM

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Posteriormente, uma moldagem com alginato tanto da arcada superior quanto da inferior foi realizada com o objetivo de se obter modelos de gesso para serem montados em articulador semiajustável para a confecção de enceramento diagnóstico dos dentes. O enceramento dos dentes levou em consideração a análise estética individual e do conjunto do sorriso (Fig. 5). Individualmente, analisamos as proporções de cada dente e, no conjunto, verificamos a proporção áurea e curvatura do sorriso para determinação das bordas incisais. Com esse parâmetro, pudemos partir para o levante de mordida posterior correspondente para alcançar a estética anterior. Elegemos uma das arcadas, no caso, a inferior, para realizar tal aumento. Essa arcada apresentava desgaste mais acentuado que a arcada superior, além de plano inverso em relação à linha do canino inferior.

O aumento sugerido foi de aproximadamente 1,0mm nos posteriores, o que resultou em aproximadamente 1,5mm na região anterior, suficiente para realizar as reconstruções de acordo com o planejamento estético. Com o enceramento concluído, pudemos moldar o modelo com silicona pesada (Fig. 6), transferimos esse enceramento para a boca do paciente e realizamos o mock-up com o uso de resina específica para esse uso (Instantemp, DMG). Após a aprovação do paciente e verificação do espaçamento posterior necessário para a reabilitação estética, realizamos o registro posterior com silicona pesada (Zetalabor, ZERMACK) mantendo o mock-up nos dentes anteriores. Após a presa da silicona, retiramos o mock-up e realizamos um JIG de Lucia nos anteriores, utilizando resina acrílica vermelha (Duralay).

Figura 1. Vista oclusal da arcada inferior, mostrando restaurações desgastadas e fratura de onlay no elemento 36.

Figura 2. Bordas incisais dos dentes anterossuperiores com desgastes.

Figura 3. Bordas incisais dos dentes anteroinferiores também apresentando desgastes.

Figura 4. Vista frontal do sorriso do paciente, onde observamos o trespasse vertical aumentado.

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Reabilitação estética funcional associando onlays em cerômero e resinas nanoparticuladas.

Abstract Functional esthetic rehabilitation associating ceromer “onlays” with nanofillers composite resins. / Introduction: Loss of Vertical Dimension of Occlusion (VDO) is the result of a large occlusal imbalance, in which not only loss of teeth can be a responsible factor, but also the parafunctions, among which is bruxism. Restoration of the maxillomandibular relationship is necessary to perform an adequate oral rehabilitation, thereby recovering function and esthetics

that had been lost. Objective: This study aimed to describe a case of rehabilitation in patients with bruxism and tooth wear caused by previous restorative treatment, “onlay” fracture and incisal edges; reestablishing a new VDO through ceromer “onlays” and recovering esthetics by means of direct restorations carried out with composite resins in anterior teeth. Conclusions: Oral rehabilitation with bite lift in “onlays” safely recovers VDO. / Keywords / Oral rehabilitation. Dental esthetics. Vertical dimension.

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caso clínico

Relevância da característica óptica de translucidez na reanatomização de incisivo lateral conoide pela técnica de estratificação em resina composta Resumo: Introdução: as cores e a translucidez dos compósitos resinosos variam de acordo com o fabricante. O conhecimento das possibilidades e limitações do sistema resinoso escolhido pode fazer diferença entre o sucesso ou insucesso da restauração direta. Objetivo: mostrar como esse conhecimento pode contribuir para o sucesso em restaurações diretas, apresentando, como exemplo, uma reanatomização de incisivo lateral conoide por meio da técnica de estratificação de resina composta, bem como a importância de se alcançar a translucidez presente nos dentes naturais, especialmente de pacientes jovens. Palavras-chave: Resinas compostas. Estética. Translucidez.

Hamilton Pedrazzi Doutor em Reabilitação Oral, FORP-USP. Professor, cursos de Especialização e Aperfeiçoamento em Dentística, AORP.

Carla Raquel dos santos Especialista em Dentística, AORP.

Cristina Yoshie Garcia Takeuchi Professora, cursos de Especialização e Aperfeiçoamento em Dentística, AORP. Doutora em Dentística, UNESP-FoAr.

Como citar este artigo: Pedrazzi H, Santos CR, Takeuchi CYG. Relevância da característica óptica de translucidez na

Os autores declaram não ter interesses associati-

reanatomização de incisivo lateral conoide pela técnica de estratificação em resina composta. Rev Dental Press Estét.

vos, comerciais, de propriedade ou financeiros que

2014 jan-mar;11(1):82-91.

representem conflito de interesse nos produtos e companhias descritos nesse artigo.

Enviado em: 18/12/2012 - Revisado e aceito: 22/10/2013 O(s) paciente(s) que aparece(m) no presente artigo

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Endereço de correspondência: Associação Odontológica de Ribeirão Preto - AORP

autorizou(aram) previamente a publicação de suas

Rua Alice Além Saad, 650 – Nova Ribeirânia – Ribeirão Preto/SP – CEP: 14.096-570

fotografias faciais e intrabucais, e/ou radiografias.

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Relevância da característica óptica de translucidez na reanatomização de incisivo lateral conoide pela técnica de estratificação em resina composta

Introdução Introduzido no mercado por volta de 1800, o cimento de silicato foi um dos primeiros materiais utilizados para restaurações estéticas diretas mas, devido à sua alta solubilidade mediante os fluidos bucais, deteriorava-se rapidamente, além de possuir baixa translucidez, descoloração e propriedades físicas deficientes1. Em busca de um material estético que pudesse substituir a estrutura perdida em dentes anteriores, as resinas acrílicas (em 1945) foram utilizadas para substituir o cimento de silicato. Entretanto, esse material apresentava instabilidade de cor e alto coeficiente de expansão térmica, ocasionando reincidências de cáries e, principalmente, pouca adesão ao tecido dentário, levando os pesquisadores em busca de novas perspectivas para melhoria da adesão e da qualidade desse material. Finalmente, em 1955, por meio da introdução da técnica do condicionamento ácido do esmalte por Buonocore (1955) e do desenvolvimento das resinas compostas por Bowen (1962), o desgaste excessivo de estrutura sadia para se obter retenção é, então, substituído por técnicas mais conservadoras, onde a resina composta se adere ao esmalte condicionado sem a necessidade de sacrificar a integridade do tecido dentário2. Os pesquisadores buscaram, a partir de então, um compósito que tivesse excelência em estética, alto grau de polimento, várias cores, resinas opacas, translúcidas, valores e efeitos para que o clínico tenha a possibilidade de reproduzir com o máximo de fidelidade as diferentes estruturas e propriedades físicas e ópticas inerentes ao tecido dentário: o esmalte e a dentina. O comportamento da resina composta frente a diferentes fontes de luz deve mimetizar ao máximo possível a estrutura dentária e, para a execução de restaurações com uma aparência dentária natural, é necessário compreender os parâmetros de fluorescência, opalescência, translucidez e cor, de modo que possamos aplicar de maneira correta as diferentes camadas de resina composta

presentes em um determinado sistema. Essa aplicação de resina composta em diferentes camadas é denominada de estratificação natural3. A técnica de estratificação natural das diferentes camadas de resina composta implica em um resultado estético bastante satisfatório, não só em termos de cor, mas, principalmente, na reprodução das propriedades ópticas dos dentes naturais4. Há vários sistemas restauradores que fornecem diferentes matizes, cromas e valores e, ainda, com diversos graus de translucidez (Fig. 1), tentando aproximar-se ao máximo das variações ópticas observadas nos dentes naturais4,5.

Figura 1. Materiais restauradores atuais com diversos graus de translucidez.

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Pedrazzi H, Santos CR, Takeuchi CYG

Discussão O avanço tecnológico das resinas compostas e dos sistemas adesivos permite que os profissionais utilizem cada vez mais as técnicas de mínima intervenção17. As remodelações cosméticas, utilizando resinas compostas, são alternativas econômicas, rápidas, eficientes para diversas situações e passíveis de ajustes posteriores. Além disso, a remodelação dentária deve ser feita segundo regras oclusais, a fim de se obter funcionalidade18. O conhecimento científico adequado aliado a uma boa noção de harmonia estética confere ao profissional grandes possibilidades de devolver ao dente seu contorno, sua cor e sua textura19. Os sistemas restauradores atuais, além de utilizarem esmalte e dentina separadamente, têm cores de esmalte com diferentes níveis de valor, de modo a reproduzir situações clínicas mais frequentes, por meio da obtenção de diferentes graus de luminosidade e translucidez. Para um resultado final satisfatório, além de ser necessária uma alta habilidade técnica, alguns elementos artísticos devem ser considerados para indicação do tratamento ideal20. Esses elementos são representados por fatores ligados ao dente a ser restaurado, incluindo tamanho, forma, cor, textura superficial e fatores relacionados aos dentes vizinhos21. Alcançar níveis apropriados de translucidez é um fator chave, especialmente quando se quer realizar restaurações diretas imperceptíveis dentro situações clínicas onde os dentes adjacentes naturais mostram caracterizações evidentes, como áreas translúcidas azuladas ou cinzentas na incisal e efeitos de halo. Para reproduzir essas caracterizações ou simplesmente alcançar um efeito camaleão, os clínicos precisam estar familiarizados com as sombras e com os vários níveis de translucidez e opacidade dos sistemas de resina compostas. O uso da técnica de estratificação facilita a colocação de camadas de resinas compostas de um modo natural, enquanto reproduz o nível de translucidez do dente adjacente para

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criar um efeito óptico estético e harmonioso em casos de alta demanda estética. Essa técnica usa camadas de alta ou média opacidade, geralmente para substituir a dentina e camadas translúcidas para substituir esmalte22. No presente caso clínico, foi possível a utilização da técnica adesiva direta. Uma vantagem do processo direto é o custo do procedimento, que é relativamente mais baixo comparado àqueles que envolvem fase laboratorial, além do menor número de sessões para sua execução. O acabamento e polimento também têm notável importância, pois, além de aumentarem a longevidade do procedimento, proporcionam um melhor resultado estético final23. Contudo, o principal fator que governa a longevidade das resinas compostas é a técnica restauradora24.

Conclusão O uso de sistemas restauradores diretos é viável para a reanatomização de incisivos laterais conoides, pois permitem um procedimento conservativo, devolvendo tamanho, forma e textura ideais a esses elementos, e estética e harmonia do sorriso ao paciente. Apesar da simplicidade, a técnica de restauração direta sempre necessita de planejamento para que se torne possível alcançar as propriedades ópticas desejadas, naturalidade e resultados totalmente satisfatórios. Entender e fazer uma correta análise das propriedades ópticas da dentição natural, como cor e translucidez, e as diferenças entre a dentição natural e os materiais restauradores, é essencial para escolha da técnica e do material restaurador, visando um resultado estético favorável.

Abstract Relevance of the optical characteristic of translucency in recontouring peg-shaped lateral incisor with the composite resin layering technique / Introduction: The colors and


Relevância da característica óptica de translucidez na reanatomização de incisivo lateral conoide pela técnica de estratificação em resina composta

translucency of composite resins vary according to the manufacturer. The knowledge of the possibilities and limitations of the chosen composite resin can make a difference in the success or failure of direct restoration. Objective: To show how this knowledge can contribute to success in direct

restorations, showing as an example a recontouring of peg-shaped lateral incisor obtained by layering technique composite resin as well as importance of achieving translucency present in natural teeth, especially young patients. / Keywords / Composite resins. Esthetics. Techniques.

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caso clínico

Lentes de contato: solução para diastemas anteriores Resumo: O diastema é um termo odontológico que se refere ao intervalo entre dois dentes, comumente encontrado nos incisivos centrais superiores, acarretando em problemas que comprometem a estética do sorriso e que trazem desarmonia facial. Por essa razão, técnicas para sua melhoria são desenvolvidas afim de reanatomizar o espaço próximo à linha média. Uma dessas opções é denominada “lente de contato”, ou “lumineers”. A lente de contato recebe esse nome por se tratar de uma fina lâmina cerâmica, aderida ao substrato dentário, que devolve forma, função e estética ao elemento. No presente artigo, apresentaremos, de maneira sucinta, uma breve revisão de literatura seguida da apresentação de um caso clínico. Palavras-chave: Cerâmica. Estética dentária. Diastema.

Lisia Emi Nishimori Especialista e Mestranda em Prótese Dentária, USP-FUNORP.

André Kenji Yokoyama Especialista em Implante Dentário, AMO-Maringá, e em Prótese Dentária, UNOPAR.

Fabiano Carlos Marson Professor, curso de Mestrado em Prótese Dentária, Faculdade Ingá.

Cleverson de Oliveira da Silva Professor, curso de Mestrado em Prótese Dentária, Faculdade Ingá.

Giovani de Oliveira Corrêa Professor, curso de Mestrado em Prótese Dentária, Faculdade Ingá e UEL.

Como citar este artigo: Nishimori LE, Yokoyama AK, Marson FC, Silva CO, Corrêa GO. Lentes de contato: solução para

Os autores declaram não ter interesses associati-

diastemas anteriores. Rev Dental Press Estét. 2014 jan-mar;11(1):94-101.

vos, comerciais, de propriedade ou financeiros que representem conflito de interesse nos produtos e

Enviado em: 08/02/2013 - Revisado e aceito: 12/04/2013

companhias descritos nesse artigo. O(s) paciente(s) que aparece(m) no presente artigo

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Endereço de correspondência: Lísia Emi Nishimori

autorizou(aram) previamente a publicação de suas

Av. Itororó, 813 – cep: 87013-010 – Maringá/Pr – Email: lisianishimori@hotmail.com

fotografias faciais e intrabucais, e/ou radiografias.

Rev Dental Press Estét. 2014 jan-mar;11(1):94-101


Lentes de contato: solução para diastemas anteriores

Introdução O diastema dentário refere-se a um intervalo, ou espaço, existente entre os dentes, comumente se apresentando entre os incisivos centrais superiores, acarretando na descontinuidade e desarmonia estética1. Tradicionalmente, o tratamento de diastemas envolve o uso de terapia ortodôntica ou suportes, com duração de 12 a 24 meses, dependendo de sua gravidade. No entanto, avanços na Odontologia cosmética apresentam ao paciente soluções restauradoras para o fechamento desses espaços com o incremento de materiais resinosos ou cerâmicos2. Inúmeros são os artigos cujos temas referem-se à melhor determinação e explanação das vantagens e desvantagens para eleição do material restaurador em diastemas dentários3,4. O fator determinante para a eleição dessas técnicas limitava-se à necessidade de desgastes dentários e ao elevado custo das cerâmicas dentárias. No entanto, recursos técnicos de adesão dentária, aliados ao mimetismo de cerâmicas, possibilitam a confecção de incrementos cerâmicos extremamente conservadores1,5,6, tornando quase nula a diferença de preparos dentários para ambas as técnicas1,7. O presente artigo tem como objetivo apresentar, por meio de uma breve revisão de literatura seguida de um caso clínico de lente de contato, a consagrada técnica de laminados cerâmicos que não necessitam de desgastes dentários.

REVISÃO de literatura Os diastemas dentários, ou espaços medianos dos elementos anterossuperiores, possuem aspecto de normalidade na infância, porém, o crescimento maxilar, juntamente com a troca dos dentes decíduos pelos permanentes, possibilitam o fechamento desse espaço. A falta de tal fusionamentopossui etiologia multifatorial, geralmente relacionada à inserção do freio labial próxima à papila incisiva (freio labial hipertrófico), hereditariedade, presença de dentes

intraósseos ou de hábitos deletérios3,9. A falta de união dos elementos próximos à linha média podem causar a falta de harmonia facial6. Entre as possibilidades de tratamento, apresentam-se na literatura o fechamento de diastemas pela movimentação ortodôntica, incrementos de resinas compostas polimerizáveis e cerâmicas9. Reanatomizações estéticas por meios de incrementos resinosos são facilmente resolvidos em uma única sessão, com custos reduzidos e ótima estética. Porém, é de conhecimento clínico sua baixa durabilidade, o que acarreta na necessidade de reparos ou polimentos que prolonguem sua vida útil9. A cerâmica odontológica apresenta-se como uma opção de material que permite manter a longevidade e a estabilidade de cor, forma e textura de restaurações1,2,9, perfazendo o papel do esmalte dos elementos dentários5,6,7. O advento de materiais odontológicos de cimentação, adesão e cerâmicos possibilitam o desenvolvimento de novas técnicas que minimizem riscos às estruturas dentárias sadias. Uma dessas técnicas é denominada de laminados cerâmicos. Essas finas estruturas são cimentadas aos elementos dentários pelo assentamento de pequenos desgastes, ou, em alguns casos, sobre a estrutura ainda íntegra, que não necessitam de preparos dentários. Essa última técnica é conhecida como “lentes de contato”11,12. As lentes de contato consistem em fragmentos cerâmicos cimentados em dentes hígidos sem que tenham passado por redução da estrutura dentária sadia. Assim, a ausência do preparo dentário torna a etapa mais simples para o cirurgião-dentista, requerendo experiência e destreza do técnico laboratorial e, por fim, conhecimento e sutileza em sua cimentação6,7. Outra vantagem das lentes de contato é que a cimentação é aderida à superfície de esmalte dentário. Relatos afirmam a ciência da superioridade de força de união de fragmentos sobre o esmalte dentário quando comparados a casos com

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Nishimori LE, Yokoyama AK, Marson FC, Silva CO, CorrĂŞa GO

Figura 10. Sorriso final.

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Lentes de contato: solução para diastemas anteriores

CONCLUSÃO A utilização de cerâmicas em lentes de contato na dentição anterior é um procedimento consolidado na literatura científica. O sucesso clínico depende da associação entre planejamento clínico, interação entre técnico e cirurgião-dentista, domínio de técnicas e conhecimento dos materiais dentários. A otimização da técnica de não redução dentária e a cimentação de incrementos cerâmicos tornam previsível o sucesso clínico e a entrada de novas tendências para a Odontologia Estética.

Abstract Contact lens: a solution for anterior diastema / Diastema is a term that refers to the space between two teeth. It is commonly found in the maxillary central incisors and results in problems that compromise the esthetics of the smile and contribute to facial disharmony. For this reason, some techniques have been developed in order to recontour the space near the mid line, one of which is known as “contact lens ou lumineers”. Contact lens is named as such for being a thin ceramic that is adhered to the tooth and capable of recovering dental function and esthetics. This article aims at presenting a brief literature review followed by a clinical case. / Keywords / Ceramics. Dental esthetics. Diastema.

Referências: 1. Yoshida R, Celestrino M. Facetas em prepares conservadores. Rev Dental Press Estét. 2012;9(3):19-25. 2. Kina S, Cerâmicas dentárias. Rev Dental Press Estét. 2005;2(2):111-28. 3. Araújo LG, Bolognese MA. Diastema interincisal x freio labial anormal. Rev Bras Odontol. 1983;5:20-8. 4. Kerosuo H, Hausen H, Laine T, Shaw WC. The influence of incisal malocclusion on the social attractiveness of young adult in Finland. Eur J Orthod. 1995;17(6):505-12. 5. Clavijo VGR, Cavaretti MH, Beltrán MC, Ferreira LA, Andrade MF. Fragmentos cerâmicos. Clínica: Int J Braz Dent. 2010;6(3):290-9.

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10. Stoll LB, Lopes F. Harmonização do sorriso através de laminados cerâmicos “Lente de contato”. Rev Dental Press Estét. 2009;6(1):117-24. 11. Ozturk E, Bolan S, Hickel R e Llie N. Shear bond strength of porcelain laminate veneers to enamel, dentine and enamel-dentine complex bonded with different adhesive luting systems. J Dent. 2013;41(2):97-105. 12. Blatz MB, Sadan A, Kern M. Resin-ceramic bonding: a review of the literature. J Prosthet Dent. 2003;89(3):268-74.

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caso clínico

Tratamento restaurador estético de dentes anteriores fusionados: relato de caso clínico Resumo: Objetivo: descrever o tratamento restaurador estético de incisivo central e lateral fusionados, realizado por meio de restauração direta com resina composta Amaris Gingiva (VOCO). Métodos: inicialmente, foi realizada a Endodontia da unidade fusionada devido ao possível desgaste coronário que seria necessário para a realização da restauração estética desses dentes. Antes do tratamento restaurador, foi realizado o clareamento interno do dente fusionado, e externo de todos os dentes, durante um período de 21 dias. Para a realização do tratamento restaurador estético foi feito um planejamento digital por meio do DSD (Digital Smile Design), com o objetivo de visualizar melhor o problema estético, melhorar comunicação com paciente e aumentar previsibilidade do tratamento. Durante o procedimento restaurador, foi realizada uma secção parcial nas unidades e restauração direta com resina composta. Na porção cervical, foi colocada uma resina cor de gengiva. Conclusão: todo o planejamento foi de grande importância para o resultado final do caso. Palavras-chave: Estética dentária. Dentes fusionados. Resinas compostas.

Safira Marques de Andrade e Silva Professora, União Metropolitana de Educação e Cultura.

Ana Paula Gomes Silva Graduanda em Odontologia, União Metropolitana de Educação e Cultura.

Carolina Baptista Miranda Professora, União Metropolitana de Educação e Cultura.

Como citar este artigo: Andrade e Silva SM, Silva APG, Miranda CB. Tratamento restaurador estético de dentes anterio-

Os autores declaram não ter interesses associati-

res fusionados: relato de caso clínico. Rev Dental Press Estét. 2014 jan-mar;11(1):102-9.

vos, comerciais, de propriedade ou financeiros que representem conflito de interesse nos produtos e

Enviado em: 20/5/2013 - Revisado e aceito: 09/07/2013

companhias descritos nesse artigo. O(s) paciente(s) que aparece(m) no presente artigo

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Endereço de correspondência: Safira Marques de Andrade e Silva. Rua Guilhermino de Freitas Jatobá, 80 – Apt. 801

autorizou(aram) previamente a publicação de suas

Candeal – Salvador/BA – Email: safira@terra.com.br

fotografias faciais e intrabucais, e/ou radiografias.

Rev Dental Press Estét. 2014 jan-mar;11(1):102-9


Tratamento restaurador estético de dentes anteriores fusionados: relato de caso clínico

Introdução Dente duplo é uma anomalia da formação dentária, também conhecida na literatura como “fusão” ou “geminação”. A fusão é considerada a união de dois germes dentários, normalmente separados, com a resultante formação de um único dente unido1. Mesmo com uma única estrutura dentária grande, podem-se encontrar duas câmaras pulpares e canais radiculares independentes2. Ao contrário da fusão, a geminação é uma anomalia que acontece devido à tentativa de dois dentes se desenvolverem a partir de um único germe dentário, sem, contudo, se separarem completamente3. Como consequência disso, tem-se um dente com tamanho maior que o normal, porém sem alteração do número de dentes da dentição afetada4. Os dentes geminados, em geral, apresentam divisão incompleta, onde se observam um coroa grande, dupla ou bífida, com um sulco presente do bordo incisal até a região cervical, uma única raiz e um único canal, ou seja, contêm canais radiculares em número normal, entretanto, alargados pela tentativa de divisão5. Dependendo do estágio de desenvolvimento dentário no qual se estabelece a anomalia, dentes duplos podem apresentar somente uma câmara pulpar com a união de esmalte e dentina, ou a separação de duas câmaras pulpares com a união somente de dentina. Embora os dentes fusionados costumem ter duas câmaras coronárias separadas, podem aparecer como largas coroas bífidas com uma câmara, o que as torna difíceis de distinguir nesses casos dos dentes geminados6. Quando ocorre geminação, o número de dentes presentes é descrito como sendo normal. Na fusão, as coroas com os dentes unidos devem ser consideradas separadamente para se ter o número normal de dentes. Contudo, os dentes duplos podem estar associados a dentes supranumerários ou a um dente ausente, em casos de agenesia, o que também pode induzir a um erro na interpretação do diagnóstico6,7.

Os problemas que envolvem os dentes duplos são, geralmente, relacionados ao envolvimento estético, periodontal e a aspectos ortodônticos. O objetivo do presente trabalho é descrever o tratamento restaurador estético de incisivo central e lateral fusionados, feito por meio de restauração direta com a utilização da resina composta Amaris Gingiva (VOCO).

Relato de caso Paciente do sexo feminino, 17 anos de idade, apresentava como queixa principal a estética de seus dentes, devido à fusão do incisivo central superior esquerdo e incisivo lateral superior esquerdo (Fig. 1).

Figura 1. Sorriso da paciente antes das restaurações.

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Andrade e Silva SM, Silva APG, Miranda CB

Discussão O tratamento restaurador de dentes duplos é um grande desafio, pois o próprio dente a ser restaurado não nos fornece uma referência de contorno e anatomia a ser seguida. Portanto, a forma e tamanho desses dentes devem seguir seus homólogos. Aliado a isso, uma característica importante da paciente era sua linha labial alta, ou sorriso gengival. A transição entre os dentes, a resina cor de gengiva e a gengiva propriamente dita estariam sempre aparentes — o que determinava um difícil prognóstico para o caso. No caso clínico apresentado, o tratamento endodôntico prévio ao restaurador foi indicado, pois o dente precisou ser seccionado, o que poderia gerar sensibilidade pós-operatória ou mesmo exposição pulpar. A análise da anatomia interna do canal radicular por meio da tomografia cone beam teve papel importante, pois pode-se observar um canal radicular único e amplo, com um istmo no sentido vestíbulo-palatino e forame apical amplo. Por se tratar de um forame apical muito amplo, utilizou-se o cimento agregado de trióxido mineral, mais conhecido como MTA, para fazer o selamento apical do canal radicular. O MTA foi o material de escolha por se tratar de um material biocompatível, indutor de dentinogênese, cementogênese e osteogênese, ser hidrofílico, radiopaco, detentor de ação antimicrobiana e promotor de selamento marginal adequado prevenindo infiltrações11. Após a finalização das etapas prévias ao tratamento restaurador, um planejamento digital foi realizado por meio do DSD, com o objetivo de visualizar melhor o problema estético da paciente, criar as possíveis soluções e guiar com precisão os procedimentos restauradores e laboratoriais9,10. A sequência do tratamento foi organizada em slides no programa Power Point, com fotografias e desenho dos dentes. Por meio dessa técnica, a forma e alinhamento dos dentes são feitos baseados em referências faciais (como plano horizontal e linha média facial), gerando restaurações

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harmoniosas e de acordo com as características da face e da personalidade dos pacientes9,10. A utilização do DSD nesse caso foi de extrema importância para que a sequência de tratamento fosse mostrada de forma ampla, todas as possibilidades e prognóstico foram discutidos, de modo que a paciente aceitou o que foi proposto. O enceramento foi realizado seguindo o que foi proposto no planejamento digital. Esse foi fundamental para realização do mock-up, ou ensaio restaurador. Esse ensaio permitiu à paciente a visualização do tratamento em boca, sem a realização de desgastes dentários. Também possibilitou avaliação do resultado do enceramento diagnóstico integrado às demais referências estéticas presentes no rosto da paciente, como linha média, linha interpupilar, linha alta do sorriso, integração do posicionamento dentário com os lábios, etc. Certamente, essa avaliação não poderia ter sido feita apenas com o enceramento realizado nos modelos de estudo. Em algumas situações, o mock-up funciona, também, como um guia para a realização de plastias gengivais, atuando, inclusive, como guia cirúrgico12. Atualmente, o desenvolvimento observado na área de adesão aos tecidos dentários e nas resinas compostas nos permite reproduzir com grande fidelidade de cor e detalhes os dentes naturais, proporcionando além da estética, durabilidade e resistência13. A utilização de resina cor de gengiva foi fundamental para o recobrimento da área cervical e a finalização do caso. O sistema utilizado possui uma escala de cor de gengiva, seguido dos corantes e da resina composta, aumentando o leque de opções de tonalidades de cor rosa para a área cervical. Outra opção de tratamento para esse caso seria a exodontia da unidade e colocação de dois implantes. No entanto, essa abordagem, além de ser muito invasiva para uma paciente jovem, não garantia um melhor resultado estético. A solução estética apresentada foi conservadora e supriu as expectativas da paciente, alcançando, portanto, sucesso clínico.


Tratamento restaurador estético de dentes anteriores fusionados: relato de caso clínico

Considerações finais Restaurar dentes fusionados, devolvendo forma e função, principalmente em região estética (incisivos superiores), é um grande desafio. É necessário fazer um planejamento de forma multidisciplinar com o objetivo de aumentar as chances de sucesso. O planejamento digital foi de grande importância para melhorar a visualização dos defeitos e criar as possíveis soluções, resultando na plena satisfação da paciente.

Abstract Esthetic restorative treatment of fused anterior teeth: a case report. / Objective: To describe the esthetic restorative treatment of fused central and lateral incisor carried out by means of direct restoration for which direct Amaris Gingiva (VOCO)

composite resin was used. Methods: Initially, endodontic treatment was performed on the coronary fused unit due to wear that could be required to perform the esthetic restoration of the tooth. Before restorative treatment, internal bleaching of the fused tooth and external bleaching of all teeth were performed during 21 days. The esthetic restorative treatment planning was done by means of the “DSD - Digital Smile Design”, in order to better visualize the esthetic issue, improve communication with the patient and enhance predictability throughout treatment. During the restorative procedure, a partial section of the units and direct restoration with composite resin were performed. In the cervical portion, gingiva colored composite was placed. Conclusion: Planning was of paramount importance for the final outcomes. / Keywords / Dental esthetics. Fused teeth. Composite resins.

Referências: 1. Neville BW, Damm DD, Allen CM, Bouquot JE. Patologia oral e maxilofacial. 2ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koagan; 2004. 2. Blaney TD, Hartwell GR, Bellizzi R. Endodontic management of a fused tooth: a case report. J Endod. 1982;8(5):227-30. 3. Calikshan MK. Traumatic gemination-triple tooth: survey of the literature and report of a case. Endod Dent Traumatol. 1992;8(3):130-3. 4. Carvalho MGP, Perez GP, Alves SS, Christo BC. Fusão, geminação ou macrodontia? Relato de um caso clínico. Rev Endod Pesq Ensino. 2006;2(3):1-8. 5. Tannenbaum KA, Alling EE. Anomalous tooth development. Case reports of gemination and twinning. Oral Surg Oral Med Oral Pathol. 1963;16(7):883-7. 6. Wu CW, Lin YT, Lin YT. Double primary teeth in children under 17 years old and their correlation with permanent successors. Chang Gung Med J. 2010;33(2):188-93.

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11. Tessare PO, Bernardes Fonseca M, Borges Brito ML, Fava AS. Propriedades, características e aplicações clínicas do Agradado Trióxido Mineral – Mta. Uma nova perspectiva em Endodontia. Revisão de literatura. Eletr J Endod Rosario. 2005;1(4):1-13. 12. Silva TB, Lopes LV, Oliveira MBRG, Takano ERA, Cardoso PC. O uso do “mock-up” no planejamento de restaurações cerâmicas. Rev Assoc Paul Cir Dent. 2010;64(1):43-9. 13. Cesar Jr WA, Girotto EM, Fávaro SL, Radovanovic E. Integrando ciência e arte com resinas compostas: reabilitação estética anterior, aspectos químicos e análise em MEV – Microscopia Eletrônica de Varredura. Rev Dental Press Estét. 2006;3(2):70-87.

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artigo inédito

Uso de dispositivo sônico para aplicação de adesivo em dentes posteriores Resumo: Infelizmente, os adesivos, ao se tornarem cada vez mais simplificados, passaram a ter menor longevidade da união, em especial, a dentina, o que pode afetar a durabilidade das restaurações de resina composta em dentes posteriores. O presente artigo apresenta o relato de caso do uso de um  dispositivo sônico (Smart, FGM) para aplicação de um sistema adesivo universal (que pode ser usado na técnica autocondicionante ou que usam o ácido fosfórico como passo separado). Após preparo da cavidade em um dente posterior, foi realizado o condicionamento seletivo do esmalte. Na sequência, o adesivo universal foi aplicado como um adesivo autocondicionante. Durante a aplicação do adesivo, o microbrush foi acoplado no Smart, que, ao ser acionado, realizada movimentos sônicos na faixa de 160 a 170Hz. Isso permite padronizar a aplicação do adesivo, já que permitir uma melhor infiltração do adesivo na camada híbrida, reduzindo poros nessa camada, acelerando a remoção do solvente e, assim, melhorando a qualidade do polímero formado.  A seguir, a restauração com resina composta foi finalizada. A literatura sobre o uso desse dispositivo demonstrou que o Smart pode potencializar a união ao dente. Esse caso clínico mostrou que o Smart é de fácil uso e deve ser recomendado para uso diário na prática odontológica. Palavras-chave: Adesivos dentinários. Dentística operatória.

Anna Luiza Szesz Doutoranda em Odontologia, Faculdade de Odontologia da Universidade Estadual de Ponta Grossa.

Johanna Cuadros-Sanchez Doutoranda em Odontologia, Faculdade de Odontologia da Universidade Estadual de Ponta Grossa.

Miguel Angel Muñoz Doutorando em Odontologia, Faculdade de Odontologia da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Professor, Faculdade de Odontologia de Valparaíso/Chile

Issis Luque-Martinez Doutoranda em Odontologia, Faculdade de Odontologia da Universidade Estadual de Ponta Grossa.

Alessandra Reis Professora Adjunta, Faculdade de Odontologia da Universidade Estadual de Ponta Grossa.

Alessandro D. Loguercio Professor Adjunto, Faculdade de Odontologia da Universidade Estadual de Ponta Grossa.

Como citar este artigo: Szesz AL, Cuadros-Sanches J, Muñoz MA, Luque-Martinez I, Reis A, Loguercio AD. Uso de dis-

Os autores declaram não ter interesses associati-

positivo sônico para aplicação de adesivo em dentes posteriores. Rev Dental Press Estét. 2014 jan-mar;11(1)::110-8.

vos, comerciais, de propriedade ou financeiros que representem conflito de interesse nos produtos e

Enviado em: 22/12/2013 - Revisado e aceito: 09/07/2013

companhias descritos nesse artigo. O(s) paciente(s) que aparece(m) no presente artigo

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Endereço de correspondência: Alessandro Loguercio, R. Gal Osório, 422/601, Centro, Ponta Grossa/PR,

autorizou(aram) previamente a publicação de suas

CEEP 84010-080 - E-mail: aloguercio@hotmail.com

fotografias faciais e intrabucais, e/ou radiografias.

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Uso de dispositivo sônico para aplicação de adesivo em dentes posteriores

Introdução Cada vez mais, restaurações estéticas em dentes posteriores têm ganhado espaço, com especial ênfase às restaurações de resina composta, em detrimento de restaurações de amálgama1,2,3. Dados do governo americano indicam que mais de 160 milhões de restaurações diretas foram colocadas pelos cirurgiões-dentistas americanos em 2005, e que mais da metade dessas foi devido à falha de restaurações antigas4, ou seja, o procedimento foi de troca das restaurações, independentemente do material restaurador a ser usado. Em uma recente revisão de estudos clínicos de resina composta em dentes posteriores de longa duração, foi observado que vários fatores podem afetar a longevidade de restaurações em dentes posteriores, entretanto, a cárie adjacente às margens das restaurações ainda é um dos maiores fatores que ocasionam a troca das restaurações2. Spencer et al.3 indicam que essa falha deve estar relacionada à falta de selamento da interface dente/restauração, o que faz com que haja falta de resistência dessa interface aos agentes internos (enzimas proteolíticas) e externos (fluidos e microrganismos, etc.) que possam ocasionar o início da falha5,6. Atualmente, é bem descrito na literatura que adesivos simplificados (adesivos que não usam o ácido fosfórico ou que não usam um último frasco que contenha altas concentrações de monômeros hidrófobos na composição) são os que apresentam as maiores taxas de falha ao longo do tempo7, e que os adesivos simplificados que utilizam o condicionamento ácido são os mais utilizados na atualidade pelos cirurgiões-dentistas brasileiros, seja devido à necessidade de simplificação da técnica ou ao menor tempo de aplicação, facilitando a utilização por parte dos clínicos8,9. Entretanto, é comum o relato de sensibilidade pós-operatória com o uso de resina composta em dentes posteriores10,11, fato, esse, diretamente relacionado ao risco de colapso das fibras de colágeno durante o processo de infiltração na malha de

colágeno desmineralizada3, o que leva a uma diminuição da durabilidade da união7. O colapso do colágeno é prevenido ao manter a dentina desmineralizada úmida — o que é uma tarefa difícil de realizar clinicamente e que é dependente do solvente utilizado no material12, bem como da interpretação do clínico das instruções do fabricante. Essa sensibilidade tem sido diminuída e/ou evitada pela utilização de sistemas autocondicionantes, já que esses materiais têm a capacidade de, após a remoção parcial e/ou total da smear layer, incluí-la na camada híbrida, diminuindo, assim, a potencial sensibilidade pós-operatória causada pela incompleta infiltração de monômeros resinosos nos túbulos dentinários13. Esses materiais também têm outra vantagem: são menos sensíveis às variações de umidade superficial14, o que os faz ser a primeira indicação para áreas onde o controle de umidade é bastante difícil, tal como em restaurações posteriores. Porém, uma desvantagem evidente dessa estratégia de união é a reduzida união ao esmalte15,16 e, consequentemente, um maior percentual de descoloração marginal nessas margens em estudos clínicos17,18. Para superar essa limitação, é indicada a realização do procedimento de condicionamento ácido seletivo do esmalte previamente à utilização dos sistemas autocondicionantes15,16. Contudo, o ácido fosfórico pode, acidentalmente, ser levado até a dentina, em especial em dentes posteriores ou quando a viscosidade do ácido fosfórico é na forma de semigel; isso resulta em um condicionamento dentinário, que ocasionaria, em geral, uma diminuição da adesão à dentina19,20,21. Para tentar solucionar estas dificuldades técnicas e simplificar os procedimentos adesivos, os fabricantes têm lançado no mercado adesivos universais, ou seja, materiais que podem ser usados como adesivos autocondicionantes e/ou associados ao condicionamento com ácido fosfórico, devido à presença, em sua composição, de monômeros que promovem adesão química à estrutura dentária22,23. A despeito dos bons resultados

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Uso de dispositivo sônico para aplicação de adesivo em dentes posteriores

adaptado ao Smart é a mesma quando em contato ou não com a superfície da dentina, o que é uma vantagem desse dispositivo quando comparado a dispositivos ultrassônicos31. Tendo em vista a simplificação dos procedimentos adesivos, o lançamento dos adesivos universais é um avanço, já que com apenas um frasco esses materiais podem se aderir quimicamente à estrutura dentária (autocondicionantes), e quando usados associados ao esmalte, podem melhorar sua interação micromecânica. Entretanto, a associação desses materiais com o dispositivo de aplicação sônica Smart potencializará a união das estruturas dentárias, devendo, portanto, ser recomendado, assim como demonstrado no presente relato de caso.

CONCLUSÕES O uso de um dispositivo sônico vibratório para a aplicação de um adesivo universal à dentina (como autocondicionante) e ao esmalte (com aplicação do condicionamento seletivo de esmalte) permite a obtenção em uma restauração de dente posterior com excelente padrão de união.

Abstract Aplication of an adhesive system in posterior teeth using a sonic device / Unfortunately due to simplification of the bonding protocol, the long-term durability of the adhesives were reduced, especially in dentin, which can affect the durability of posterior composite restorations. This article presents a clinical case report where a sonic device (Smart, FGM) was used for the application of a universal adhesive (which can be used in the self-etch and etch-and-rinse mode). After cavity preparation of a posterior tooth, the enamel was conditioned with phosphoric acid. In the next step, the adhesive was applied on the cavity as a self-etch material. During adhesive application, the microbrush was attached to the tip of the Smart, which produces a vibration in the range of 160-170 Hz. This allows standardization of the adhesive application, increased resin infiltration in the dental substrates and higher solvent evaporation producing stronger hybrid layers with reduced porosity. After adhesive application, the composite resin was incrementally applied in the cavity. The literature about this sonic devices reported that it maximizes the bond strength with the dental structure and the present clinical report showed that this is a feasible and easy technique for clinical use. / Keywords / Dentin-bonding agents. Dentistry, operative.

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Szesz AL, Cuadros-Sanches J, Muñoz MA, Luque-Martinez I, Reis A, Loguercio AD

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Artigos com até seis autores Sterrett JD, Oliver T, Robinson F, Fortson W, Knaak B, Russell CM. Width/length ratios of normal clinical crowns of the

7. Comitês de Ética

maxillary anterior dentition in man. J Clin Periodontol. 1999

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Comitês de Ética. Artigos com mais de seis autores 8. Declarações exigidas

De Munck J, Van Landuyt K, Peumans M, Poitevin A, Lam-

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adhesion to tooth tissue: methods and results. J Dent Res.

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2005 Feb;84(2):118-32.

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Dental Press; 2007. cap. 6, p. 223-301.

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— Proteção aos Direitos Humanos e de Animais

Capítulo de livro com editor

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Breedlove GK, Schorfheide AM. Adolescent pregnancy. 2nd

dos organismos internacionais de proteção e da Declaração de

ed. Wieczorek RR, editor. White Plains (NY): March of Dimes

Helsinki, acatando os padrões éticos do comitê responsável por

Education Services; 2001.

experimentação humana/animal. — Consentimento Informado

Dissertação, tese e trabalho de conclusão de curso

Os pacientes têm direito à privacidade que não deve ser violada

Beltrami LER. Braquetes com sulcos retentivos na base,

sem um consentimento informado.

colados clinicamente e removidos em laboratórios por testes de tração, cisalhamento e torção. [dissertação]. Bauru (SP):

9. Referências

Universidade de São Paulo; 1990.

— todos os artigos citados no texto devem constar na lista de referências.

Formato eletrônico

— todas as referências listadas devem ser citadas no texto.

Câmara CALP. Estética em Ortodontia: Diagramas de Referên-

— com o objetivo de facilitar a leitura, as referências serão citadas

cias Estéticas Dentárias (DRED) e Faciais (DREF). Rev Dental

no texto apenas indicando a sua numeração. — as referências devem ser identificadas no texto por números arábicos sobrescritos e numeradas na ordem em que são citadas no

Press Ortod Ortop Facial. 2006 nov-dez;11(6):130-56. [Acesso 12 jun 2008]. Disponível em: www.scielo.br/pdf/dpress/ v11n6/a15v11n6.pdf.

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