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Director Nuno Pitti | 15 de Março de 2010 | ed. 097 | 0.50 euros

SEMANÁRIO

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DESPOVOAMENTO 05 E ABANDONO DEIXAM CENTROS HISTÓRICOS EM RISCO

PASSEIOS QUE NÃO HÁ, RESPOSTAS QUE NÃO CHEGAM As andanças das obras públicas não param de surpreender. Beatriz Brito, residente em Estremoz, queixa-se dos mesmos problemas já “lá vão uns seis anos, e de pouco têm valido as queixas”. Chegaram a oferecer-lhe quinze euros. Saiba para quê e o que vai mal neste caso.

Cavaco ouve mineiros em greve

03 MINEIROS EM GREVE DÃO VIVAS AO PRESIDENTE E OFERECEM-LHE LANTERNA EM METAL, CÓPIA DAS QUE ANTIGAMENTE ERAM UTILIZADAS PARA ILUMINAR AS GALERIAS DAS MINAS

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MANUELA FERREIRA LEITE DESPEDE-SE DA LIDERANÇA PÁG.11 A presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, considerou que teve razão antes de tempo e que agora é evidente que os portugueses foram enganados pelo PS, lamentando, por Portugal, o resultado das legislativas. PUB

Num balanço do seu mandato de dois anos como presidente do PSD, no início do XXXII Congresso social democrata, em Mafra, Ferreira Leite disse que a tranquiliza “ter sempre falado verdade aos portugueses”.

SÍTIO DO MONFURADO

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15 Mar ‘10

Opinião

António Costa da Silva Economista

PEC – Um Risco Social O principal tema desta semana é, sem dúvida alguma, a apresentação por parte do Governo do PEC (Programa de Estabilidade e Crescimento). Parece-me mais do que evidente que a apresentação deste PEC, para ser minimamente credível aos “olhos” das instituições internacionais, teria que ser obrigatoriamente restritivo. É claro que a utilização da palavra “restrição” não agrada a ninguém. Perder algo que é sentido como que adquirido para sempre, é altamente desagradável. Resta saber se as restrições propostas são ou não as mais adequadas. Já há muito tempo que digo e escrevo que é impossível um País, através do Estado, das suas instituições públicas e financeiras, cidadãos e empresas viverem acima das suas possibilidades. Há muito tempo que se gasta aquilo que se não tem e também há muito que os portugueses desaprenderam a palavra “poupança”. Esta palavra saiu totalmente do nosso vocabulário diário. Quanto à utilização de restrições a aplicar no PEC, sobretudo tendo em conta a conjuntura económica em que vivemos, penso que estamos conversados. Na prática, a existência de cortes seria inevitável. A diferença, é que agora já sabemos quais são esses cortes e quem atingem. No entanto, o que me parece pouco correcto são as opções tomadas. Mais uma vez, os cortes e restrições impostas vão no sentido de castigar aqueles que já se encontram altamente penalizados. Mais uma vez é a classe média e os grupos mais frágeis quem vai pagar a factura. Desde há alguns anos que estes grupos têm vindo a perder poder de compra e consequentemente qualidade de vida. Com as propostas apresentadas no PEC vão perder ainda mais. Na prática, a partir do próximo ano a carga fiscal vai aumentar por via da redução das deduções, das pensões e do congelamento dos ordenados da Função Pública. Moral da história, é mais uma vez a classe média quem vai suportar o esforço da recuperação das contas públicas. Sinceramente, não me parece que esta seja a forma mais correcta

de resolver o problema das contas públicas e do crescimento da economia portuguesa. Pedir a quem já paga muito, nomeadamente àqueles que trabalham por conta doutrem e aos micro e pequenos empresários, para pagarem ainda mais, para além de ser altamente injusto, também me parece que pode ser claramente penalizador para a economia do nosso País. Como é comummente aceite, para que haja crescimento da nossa economia, é fundamental que os micro, pequenos e médios empresários recuperem da situação em que se encontram e que a classe média (principais consumidores) se torne cada vez mais forte. O contrário é um erro muito grave. Se temos cada vez mais um tecido empresarial mais fragilizado e uma classe média mais debilitada, significa que a base da nossa dinâmica económica está a ser claramente enfraquecida. Por isso mesmo, não me parece viável que, baseado nesta lógica, o crescimento da nossa economia venha a acontecer a curto e médio prazo. Aliás, o Governo reconhece esta perda, com a argumentação de que o nosso crescimento vai ser concretizado à base das exportações. Por isso mesmo, não me parece credível que a base de crescimento do nosso PIB (Produto Interno Bruto) seja feita através das exportações. Isso até seria óptimo, mas infelizmente não me parece que seja possível no curto e médio prazo. A razão é simples, os nossos principais mercados (Alemanha, França e Espanha) estão bastante aflitos, e naturalmente estão mais preocupados em recuperar a sua actividade económica, em vez de aumentarem as suas importações. Então o que é que se deve fazer? Por uma lado diminuir muitos dos desperdícios realizados pelo Estado; Reduzir rendimentos exagerados, principalmente de altos responsáveis nas empresas públicas; Fiscalizar mais e melhor a fuga e evasão fiscal; Deixar de insistir em investimentos faraónicos e apostar nos investimentos de proximidade; Estimular o

investimento produtivo, gerador de riqueza e de emprego; Apoiar as pequenas empresas; Concretizar uma verdadeira reforma da administração pública; Apostar na educação e profissionalização dos portugueses; Reforçar o investimento na diminuição da dependência energética; etc, etc. Para terminar, parece-me que seria mais adequado tributar fortemente as empresas que continuam a beneficiar com a crise e sobretudo das suas posições dominantes de mercado. É imoral serem sempre os mesmos a pagar quando temos os seguintes exemplos: a) A EDP Renováveis terminou o ano de 2009 com um lucro de 114,3 milhões de euros; b) A EDP teve um lucro de 1.024 euros em 2009 (1.212 euros em 2008); c) A PT – Portugal Telecom apresentou um lucro de 684 milhões de euros em 2009, superando em 19% o ano de 2008; d) O BES teve um lucro de 522,1 milhões de euros em 2009, aumentando 29,8% em relação a 2008; e) O Millennium BCP teve um lucro de 225,2 milhões de euros em 2009, aumentando em 11,9% quando comparado com 2008; f) A BRISA teve um lucro de 161 milhões de euros em 2009, aumentando 6,4% face ao ano anterior; g) A Mota-Engil quase que triplicou os seus resultados em 2009, quando comparados com 2008;

Correio do Leitor

Será que estas empresas não deveriam dar um contributo mais intenso para a resolução do problema em que o País se encontra? Mesmo que fosse uma situação meramente transitória? Encontramo-nos numa fase de negociação do PEC, por isso mesmo, parece-me importante que impere o bom senso, que se apresentem boas propostas para se corrigirem estas situações. É importante que o PEC não nos indique apenas o caminho da redução do défice, mas sobretudo do crescimento económico. Só assim, é que se pode perspectivar uma diminuição do desemprego e melhorar a qualidade de vida de todos os portugueses.

sentidos ...

O correio do leitor é feito para si. É voz activa no nosso jornal. Queremos saber a sua opinião sobre conteúdos ou propostas de abordagem. Somos uma equipa que desejamos dar-lhe a melhor informação. Para isso, contamos consigo e com a sua confiança. correiodoleitor@registo.com.pt

Recebido Exmos Senhores Sou desde há pouco tempo, leitor regular e atento do vosso semanário, cujo formato e conteúdo são de forma geral do meu agrado, pela diversidade de matérias, pela divulgação do que vai acontecendo por terras alentejanas. Como profissional da área chamou-me especial atenção o artigo sobre a recuperação e revitalização da pedreira de Vila Viçosa, cuja apresentação lamento não ter tido conhecimento, pois teria estado por certo, presente. Resido em Viana do Alentejo e conheço relativamente bem as pedreiras que aqui existem, quase todas (?) inactivas e abandonadas. Algumas pedreiras são, na minha perspectiva, espaços de uma grande riqueza visual que sempre achei poderiam um dia vir a ter outras utilizações, outra vida. Simples espaços de contemplação, de silêncio, da música como este de Vila Viçosa vai ser, acontecimentos na paisagem integrados em percursos da natureza, locais de leitura, de imaginação, na descoberta e descodificação dos desenhos e texturas dos veios da pedra, autênticas pinturas naturais, locais de audição dos riquíssimos sons da natureza, enfim, espaços dos O Alentejo está repleto de locais como este, com estas características e enormes potencialidades. Espero que todos nós, cidadãos, proprietários e entidades oficiais saibamos aproveitá-los. Eles estão por aí à nossa espera, uns já semi feitos, outros apenas a aguardar uma atenção, uma limpeza, alguma (pouca) sinalização, uma melhoria de acessos, .... uma ideia. A título meramente informativo e como um contributo para animar e entusiasmar as ideias e o debate em torno do interesse pelas pedreiras alentejanas, aconselho a visualização de um caso exemplar da reutilização de uma pedreira romana na Áustria, para uma função em tudo análoga à que se pretende implementar em Vila Viçosa.

Com os meus cumprimentos

Perder algo que é sentido como que adquirido para sempre, é altamente desagradável.

Carlos Marques

Efemérides DE mARÇO * 15 - Dia Mundial dos Direitos do consumidor * 19 - Dia do Pai * 21 - Dia Mundial da Poesia * 22 - Dia Mundial da Água * 23 - Dia Mundial da Meteorologia * 24 - Dia Mundial da Luta contra a Tuberculose * 27 - Dia Mundial do Teatro


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Sociedade a visita do presidente da república terminou no final da tarde de sábado em almodôvar

Cavaco Silva no Baixo Alentejo

No último dia da visita ao Alentejo, sábado ao final da tarde, no âmbito do Roteiro para a Juventude, o Presidente da República “ao deixar o Alentejo ouviu as vozes maiores das crianças alentejanas”. Em Almodôvar, cantores de “palmo e meio” de escolas básicas de Almodôvar cantaram modas alentejanas que aprenderam nas aulas de música ao Presidente da República, que elogiou a atuação, frisando que o Cante Alentejano “tem continuidade” com eles. No final da sua visita, incluída na quarta jornada do Roteiro para a Juventude, que terminou hoje no Baixo Alentejo, Cavaco Silva assistiu a uma breve actuação do Grupo de Cante Juvenil criado no âmbito do projecto pioneiro da Câmara local, que há três anos introduziu o ensino do Cante Alentejano nas aulas extracurriculares de Educação Musical das escolas básicas do concelho. Os miúdos “nunca pensaram que um dia iriam atuar para o Presidente da República”, disse à Lusa, antes da actuação, o ensaiador do grupo e animador das aulas de Cante Alentejano nas escolas de Almodôvar, Pedro Mestre. Depois de muitas aulas, da gra-

vação de um CD e de várias atuações, os miúdos “estão à vontade e motivados” porque “aprenderam a dominar o palco, os microfones e a cantar para o público”, “sentem” que as pessoas “gostam de os ouvir” e “gostam de cantar para quem os escuta e lhes dá a atenção devida”, disse. Apesar da garantia de Pedro Mestre, também tocador de viola campaniça, durante o último ensaio antes da actuação, sobretudo para testes de som, os 13 pequenos cantores estavam “nervosos”. “Sinto-me nervoso”, confessou à Lusa Rodrigo Santos, de 11 anos, frisando que “nunca pensou” que um dia iria ter a experiência “fantástica” de cantar modas alentejanas para o Presidente da República. “Vou cantar para o Presidente e o público” e “estou nervosa”, contou à Lusa Marlene Guerreiro, de oito anos, que gosta “muito” de cantar, sobretudo modas alentejanas, que, disse, são “músicas antigas que não se esqueceram”. No início do projecto, os miúdos encaravam o Cante Alentejano como “a música dos velhos”, “tentaram resistir” mas foram “conquistados” e agora “cantam como passarinhos”, contou Pedro Mes-

tre, frisando que “o Cante Alentejano está na moda” e “há muita juventude a gostar e a querer aprender” aquele cantar típico do Alentejo. A atuação vai ser “bonita” e o Presidente da República “irá gostar de ouvir os nossos passarinhos, as crianças a cantar um cante que, até há bem pouco tempo, era dos mais velhos”, disse Pedro Mestre, momentos antes da atuação. Logo após a chegada de Cavaco Silva à Praça da República de Almodôvar, onde decorreu a actuação, e dos primeiros acordes da viola campaniça de Pedro Mestre, os cantores de “palmo e meio” começaram a bater o pé e a cantar. No final da actuação, e sem estar previsto, Cavaco Silva, foi abordado por mineiros, em greve, das minas de Neves Corvo, que lhe ofereceram uma réplica, em metal, de uma lanterna igual às que antigamente iluminavam as galerias das minas. Cavaco falou com os mineiros e tentou saber quais as razões da greve e se o diálogo com a Administração estava a ser garantido. No meio de muitos aplausos, o Presidente comprometeu-se a analisar o documento que lhe foi entregue pelos mineiros.

Casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Presidente requer fiscalização preventiva O Presidente da República requereu ao Tribunal Constitucional a fiscalização preventiva da constitucionalidade das normas dos artigos 1.º, 2.º, 4.º e 5.º do Decreto n.º 9/XI da Assembleia da República, que permite o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo”, lê-se numa nota divulgada no ‘site’ da Presidência da República. O CDS-PP considerou que esta decisão do Presidente da República de requerer ao Tribunal Constitucional (TC) a fiscalização preventiva do diploma que permite o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, era esperada. “A decisão do senhor Presidente da República era expectável e corresponde ao que o CDS tinha alertado desde o início deste processo legislativo”, declarou à agência Lusa o deputado Filipe Lobo d’ Ávila. Segundo o deputado do

CDS, a proposta de lei do Governo sobre casamentos do mesmo sexo “foi feita à pressa pelo Governo apenas para roubar uma bandeira à extrema esquerda”. De acordo com a nota da Presidência da República, o requerimento de fiscalização da constitucionalidade” requerido por Cavaco Silva “foi acompanhado de um parecer jurídico subscrito pelo Professor Doutor Diogo Freitas do Amaral”. A proposta de lei que legaliza o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo foi aprovada pelo Parlamento em votação final global a 11 de Fevereiro, com votos favoráveis do PS, BE, PCP e Verdes. Seis deputados do PSD abstiveram-se. O CDS-PP e a maioria da bancada social democrata votaram contra o diploma, bem como as duas deputadas independentes eleitas pelo PS.


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15 Mar ‘10

Opinião

sociedade

MARceLO nunO PeReiRA economista

Ainda nos vamos ver gregos.. A Standard&Poors (S&P) baixou a notação financeira da dívida portuguesa. A decisão significa que aumentou o risco de incumprimento de crédito do Estado português. A principal agência de notação financeira mudou as perspectivas para “negativas” de “estáveis” e alerta em comunicado que os “muito elevados défices fiscais podem conduzir Portugal para um rácio da dívida pública superior a 90% do PIB até 2011”. Avisa ainda, no mesmo comunicado, que esta revisão das perspectivas reflecte a convicção de que há um maior potencial para uma descida do rating face à maior deterioração das finanças públicas portuguesas do que inicialmente previsto, nomeadamente devido ao inesperado aumento do rácio de dívida pública face ao Produto Interno Bruto (PIB) para mais de 90% em 2011. O governo irlandês, preocupado com o galopante crescimento da dívida e com as consequências dum eventual incumprimento por parte do Estado, anunciou o corte de 10% nos salários da função pública (o primeiro-ministro cortou 20% no seu próprio salário e 15% no dos restantes ministros, como forma de dar o exemplo), entre outras medidas igualmente dramáticas (como cortes nas prestações sociais, nos subsídios de desemprego, etc). Também na Grécia, com a mudança de governo, vieram a publico as verdadeiras contas públicas e o caos instalou-se depressa. As bolsas caíram a pique e os mercados financeiros reagiram em pânico aos números da dívida pública grega, agravando os “spreads” para os financiamentos ao Estado e às empresas gregas. Alguns especialistas (sobretudo académicos) começaram já a lançar alertas relativamente à capacidade do governo grego cumprir com a sua dívida, pairando o espectro da bancarrota. Significa isto que a Grécia se terá que sujeitar a um apertadíssimo programa de contenção orçamental e garantir severos cortes na despesa pública (com eventuais aumentos de impostos, à semelhança do que a Irlanda já anunciou). A alternativa é o corte radical nos financiamentos à economia gre-

ga, uma vez que ninguém no mercado internacional estará disposto a financiar um Estado (e seus agentes económicos, famílias e empresas) que não consegue(m) restituir, em tempo, o dinheiro que deve(m). Neste contexto, o Estado deixará de poder honrar os seus compromissos e apenas conseguirá pagar (por exemplo aos seus funcionários) quando (e se) entrar receita para o efeito. O facto de estar na EU e da sua eventual exclusão da “zona euro” poder provocar um “efeito dominó” em países como a Irlanda ou Portugal, parece preservar a Grécia deste desastroso cenário. Ora, ainda que a nossa dívida pública não seja tão elevada (em relação com o nosso PIB), o caminho que estamos a percorrer parece semelhante ao que gregos e irlandeses percorreram. Os sucessivos alertas que diariamente chegam das mais diversas instituições e personalidades, e a degradação do nosso rating deveria provocar uma profunda reflexão acerca do evoluir da situação económica e deveria fazer agir rapidamente os nossos governantes. Em breve o Estado português passará a ter dificuldade em financiar-se e o seu financiamento será muito mais caro. O mesmo acontecerá aos nossos bancos – desesperadamente necessitados de financiamento nos mercados internacionais – e consequentemente às empresas e ás famílias portuguesas. Os tempos que se avizinham são portanto difíceis, mas exigem a coragem para fazer, enquanto é tempo, o que é absolutamente imprescindível. Portugal precisa, dramaticamente, de governantes com visão e com coragem, para que a resignação não afogue irremediavelmente a esperança num amanhã melhor. Só que em vez disso temos um governo que, na ânsia de se manter no poder, vai oscilando freneticamente entre a estafada estratégia da vitimização ou a mais irresponsável euforia com que vão apregoando, uma e outra vez, a abençoada retoma, sempre que algum indicador económico se lhes afigura ligeiramente mais favorável. A mim parece-me evidente que qualquer destes caminhos conduz ao abismo. E eu não gostava nada de me ver grego…

Portugal precisa, dramaticamente, de governantes com visão e com coragem

Amorim escapa à crise e aumenta fortuna Luís Maneta

Apesar da crise que afectou a economia e, em particular, o sistema financeiro em 2009, Américo Amorim não se pode queixar: o empresário português conseguiu fintar as dificuldades e terminar o ano substancialmente mais rico. Pelo menos a avaliar pelo que escreve a revista Forbes, que voltou a colocar Amorim como o homem mais rico de Portugal. No “ranking” das maiores fortunas à escala mundial, o “rei” da cortiça ocupa a 212ª posição, com uma riqueza calculada em cerca de 3 mil milhões de euros, mais 500 milhões do que na listagem publicada o ano passado. Feitas as contas, Amorim bate-se de igual para igual com famosos como Richard Branson (fundador do grupo Virgin) ou o “patrão” da fórmula 1 “Bernie” Ecclestone. E é bastante mais rico do que o realizador Steven Spielberg, a família Benetton ou mesmo que Stanley Ho, um homem-forte do jogo em Macau. Belmiro de Azevedo, que já ocupou a primeira posição entre os portugueses mais ricos, regressa este ano à lista da Forbes, com uma fortuna avaliada em 1,1 mil milhões de euros. Mais mal andou Joe Berardo, cujos

negócios o deixaram de fora do clube dos mil mais ricos do mundo. Amorim nasceu em Mozelos, Santa Maria da Feira, em 1934, tendo ingressado na empresa familiar do ramo da cortiça aos 19 anos, logo após concluir o curso comercial. Com a ajuda dos irmãos, transformou a pequena fábrica num império do sector da cortiça, sendo hoje líder mundial. Os seus interesses empresariais abarcam áreas tão distintas

como a banca, imobiliária, turismo e produção de vinhos, por exemplo. No Alentejo, comprou à família Mello a Herdade do Peral, com cerca de seis mil hectares, uma das maiores do país. Dedicado aos negócios (não é raro o dia em que trabalha mais de 12 horas), Américo Amorim tem um ritual sagrado: os domingos são para descansar e estar com a família. É pai de três filhas.

Portalegre aposta na cortiça A Assembleia Municipal de Portalegre aprovou, por unanimidade, a minuta do contrato de compra e venda à empresa RobCork, das instalações da antiga Fábrica da Johnsons Controls situadas na Zona Industrial desta cidade. Esta minuta tinha já sido aprovada, também por unanimidade, em reunião extraordinária de Câmara. A RobCork irá adquirir estas instalações por um 1,5 milhões de euros a pagar em condições previamente definidas, ficando com a obrigação de implementar um projecto de transformação e comercialização de cortiça, manter a sua sede no concelho de Portalegre, e criar cerca de 100 postos de trabalho, priveligiando a admissão dos trabalhadores da antiga Fábrica Robinson. A escritura de compra e venda será realizada ainda durante o mês de Março.

O Projecto da RobCork tem um carácter inovador ao apresentar na sua estrutura Societária um conjunto de pessoas e entidades que actuam ao longo de toda a cadeia de valor da cortiça. A Robcork irá, para além dos usos mais tradicionais da cortiça, avançar em novas áreas de negócio, novos segmentos de mercado e novos produtos inovadores (tendo sempre como base a cortiça) através da inovação e de um conjunto de parcerias de investigação e desenvolvimento com universidades nacionais e estrangeiras, que passam pelo Ambiente, a Energia e a Qualidade, para além do Design. Paralelamente a empresa irá actuar no sentido de preservar o Montado, através, por exemplo, da implementação de Boas Práticas e Intervenções silvícolas

no Montado, do enquadramento do Montado em actividades subsidiárias ou da Preparação de Projectos de Investimento. Estima-se que este novo projecto tenha a capacidade de criar aproximadamente 100 postos de trabalho directos, com um investimento inicial a rondar os quatro milhões de euros.


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Sociedade

Despovoamento e abandono deixam centros históricos em risco Luís Maneta

“P

erdemos tudo”. Desolada, Maria de Fátima diz que só por mero acaso a família não ficou soterrada debaixo dos escombros da casa onde vivia, conjuntamente com o marido e dois filhos, um dos quais tetraplégico, no centro histórico de Elvas. A habitação ruiu deixando as quatro pessoas desalojadas. Tratase de um edifício propriedade do Exército, situado entre as ruas do Cavaleiro e do Paço, ocupado pela família Rosa há mais de 40 anos que sucumbiu ao mau tempo. Os estragos deverão levar à demolição de todo o edifício. O prédio de Elvas vem engrossar a lista de edifícios localizados em centros históricos que este ano entraram em colapso, como resultado das fortes chuvadas. Nem o património histórico está a salvo. Veja-se o caso do Paço dos Henriques, em Alcáçovas, onde no século XV os reinos de Portugal e Castela assinaram um tratado através do qual foi reconhecido o domínio português sobre os arquipélagos da Madeira e dos Açores, que depois das chuvas deste Inverno ameaça ruir. Ou a igreja Matriz de Santiago do Cacém, um monumento nacional cujo telhado foi parcialmente levado pelo vento. A existência de inúmeros edifício abandonados e em acelerado processo de degradação é uma realidade comum a diversos municípios do país, como por exemplo Évora e Porto, ambos classificados Património da Humanidade. Apesar das diferenças entre interior e litoral e entre norte e sul, as duas cidades apresentam uma mesma realidade: um despovoamento contínuo dos respectivos centros históricos, que em pouco mais de meio século perderam cerca de 70 por cento da população residente.

No caso de Évora, o “esvaziamento” do centro histórico é acompanhado por uma “situação particularmente preocupante em termos de envelhecimento demográfico”, concluem Ana Rita Sousa e Andreia Magalhães que publicaram um estudo sobre o despovoamento dos centros históricos portugueses classificados como Património da Humanidade. No Porto, o mesmo trabalho assinala que o despovoamento da zona classificada decorre de um saldo natural negativo que se conjuga “com uma cada vez maior repulsividade”, particularmente visível nos mais jovens que “trabalhando fora do centro histórico, preferem residir nas periferias”. Uma situação idêntica ocorre em Angra do Heroísmo e Guimarães, as outras duas cidades classificadas pela UNESCO, o que leva Ana Rita Sousa e Andreia Magalhães a concluírem que a riqueza patrimonial “não é suficiente para manter vivos os centros e para que haja uma efectiva articulação destes com a cidade envolvente”. “Se muitos centros históricos têm vindo a perder parte significativa dos seus habitantes, outros, que durante muito tempo concentraram o comércio e os serviços da cidade e mesmo áreas mais vastas, estão também a registar um esvaziamento funcional considerável”, concluem. O resultado é a existência de milhares de edifícios abandonados, alguns dos quais a ameaçarem ruína. Dois exemplos: em Viseu, onde este Inverno ruíram duas habitações na Rua Nossa Senhora da Piedade, o vice-presidente da Câmara Municipal, Américo Nunes, admite a existência de “dezenas de casas degradadas” no centro da cidade; na Guarda, uma casa situada na Rua dos Cavaleiros está em “risco eminente” de ruína, já tendo o proprietário sido notificado pela

autarquia para iniciar obras, o que ainda não terá acontecido por falta de licenciamento. Segundo José Miguel Noras, secretário-geral da Associação Portuguesa de Municípios com Centro Histórico (APMCH), a degradação dos centros históricos é “indissociável” do despovoamento e do regime da lei das rendas que torna “muito pouco apelativa” a intervenção dos proprietários na recuperação de imóveis degradados. “O actual regime de inquilinato urbano não promove o retorno do investimento em espaços degradados”, refere. Por outro lado, tem-se revelado mais fácil construir em áreas novas de expansão urbana do que investir nos centros históricos. “No nosso país enveredou-se por uma política em que se esqueceu o antigo em relação ao novo. Como não foi estimulada a intervenção em zonas urbanas degradadas, temos milhares de casas novas ao abandono e edifícios de qualidade PUB

patrimonial elevada em estado de ruína eminente”, explica José Miguel Noras, recordando que entre as propostas apresentadas pela APMCH se inclui a introdução de um “factor de ponderação distintivo” na Lei das Finanças Locais para os municípios com centro histórico. Ou seja, uma discriminação positiva que permitisse às autarquias uma intervenção mais profunda ao nível do património edificado. Ainda assim, “sem a intervenção municipal de proximidade, uma parte significativa dos centros históricos, incluindo monumentos classificados, não se manteria de pé”, acrescenta o secretário-geral da associação, lamentando que em Portugal apenas 10 por cento das verbas gastas em habitação seja canalizado para o “esforço de reabilitação”, quando a média europeia é de 40 por cento. “A melhor forma de conservar é habitar”, sublinha José Miguel Noras. Recordando que o despo-

voamento dos centros históricos conduz igualmente à “descaracterização” destas zonas nobres dos municípios. Deste ponto de vista, um dos exemplos “mais sintomáticos” é o de Lisboa, designadamente da Baixa Pombalina, onde o número de residentes se conta por “algumas dezenas”. Todo o espaço foi “conquistado pela terciarização”, ou seja, por comércio ou serviços. O secretário-geral da APMCH diz que o desenvolvimento urbanístico de uma cidade pode ser “comparável” ao de uma árvore: “se não cuidarmos da raiz, que é o centro histórico, os ramos podem estar muito bonitos mas acabam por morrer”. De acordo com as contas feitas pela recém-constituída Confederação Portuguesa da Construção e Imobiliário (CPCI), 34 por cento dos edifícios existentes no país têm “necessidades de intervenção”, devendo a reabilitação urbana ser encarada como “prioridade absoluta” para o sector da construção.


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Reportagem

Passeios que não há, respostas que não chegam As andanças das obras públicas não param de surpreender. Beatriz Brito, residente em Estremoz, queixa-se dos mesmos problemas já “lá vão uns seis anos, e de pouco têm valido as queixas”. Chegaram a oferecer-lhe quinze euros. Saiba para quê e o que vai mal neste caso. Reportagem Liliano Pucarinho

N

a rua São João de Deus, em Estremoz, vive a discórdia entre o património e a acessibilidade às moradias. Beatriz Brito uma das residentes desta rua, queixa-se do “estado a que isto chegou. Quando comprei esta casa, não imaginava os problemas que viria a ter, a tantos níveis”. Numa rua de sentido único onde parece não haver muitos peões, também não existe um passeio na lateral esquerda da via. “A rua que hoje é de sentido único, mostra espaço suficiente para a construção de um passeio. Você não imagina. Eu saio de casa e arrisco-me que algum carro, que passe mais distraído, me atropele mesmo à porta da minha casa”, argumenta. Passeio São cerca de 70 centímetros a distância que separa Beatriz e os restantes moradores, da via de circulação automóvel. “Estas pedras em frente à porta, que servem de calçada, não servem de passeio”,

explica Beatriz Brito, apontando. Na realidade ,não existe um desnível que possa garantir segurança aos moradores do lado esquerdo da via. O alcatrão, que liga a zona urbanística à via principal, não mantém uma zona de segurança mínima. “Imagine uma pessoa com mais idade, a dificuldade que é sair de casa. Depois de já estar no degrau, tem de estar preparada para correr, à velocidade que pode, para não ser apanhado pelos carros”, exemplifica a moradora. O trânsito é de maior afl uência por volta das 9h e das 17h. A velocidade exagerada dos veículos ligeiros, que REGISTO comprovou , não ajudam a manter os residentes em segurança. “Já fui à Câmara Municipal várias vezes mas ainda não foi resolvido o caso. Só ouvimos que há-de ser arranjado e que há-de ser feito. Pois bem, já lá vão seis anos e continuamos com os mesmos problemas”, diz Beatriz Brito.

O barulho As moradias da faceira esquerda ligam com um campo térreo, junto às portas de Santa Catarina. Aqui o problema é outro. Beatriz Brito conta a REGISTO que “já é difícil por vezes sair de casa, imagine que quando voltamos para nos deitar encontramos mais problemas”... O parque de grandes dimensões, que serve actualmente de estacionamento, coloca mais um obstáculo a estes residentes. De acordo com Dulce André, outra das moradoras, “mal podemos descansar com o barulho dos motores e dos geradores”. A explicação é simples. Vários são os veículos pesados que estacionam neste espaço durante o dia e a noite. Os motores de arranque “e os grandes que trazem arcas frigorificas, estacionam aqui perto e é uma barulheira toda a noite. No verão pior ainda, já que tentamos ter as janelas abertas para arejar as nossas casas e o barulho é ensurdecedor”, conta Beatriz Brito.


7 Reportagem

De acordo com estes residentes, houve tentativas para afastar algumas roulotes e camionistas desta zona, “ligando para a polícia e denunciando. Não faltam lá registos de telefonemas”, contam.

entre as moradias e o estacionamento “já que o espaço é tão grande”, identificam.

na Zona Industrial, como uma possível solução para o problema.

Os circos

Animais

Roulotes de descontentamento

Na cidade de Estremoz é comum que o espaço a ser ocupado pelos Circos seja esse espaço térreo, junto às portas de Santa Catarina. “Veja bem, da outra vez chegou aí um circo muito grande e não foram a tempo à Câmara municipal resolver o problema do abastecimento de àgua e vieram pedir-nos a nós. Primeiro pediram-nos se nos importávamos de lhes dar água. Logo me disponibilizei a dar-lhes uns garrafões, mas não era isso que eles queriam. Pediram para se ligarem às nossas torneiras durante os três dias de espectáculo e que nos pagavam os 15 euros adiantados. 15 euros para os três dias. Para tomar banho, animais e limpezas. Ficámos chocados”, revela Beatriz. E mais uma vez há queixas dos residentes que apontam o recente Parque de Feiras e Exposições,

Devido às dimensões de algumas tendas de circo, alguns animais têm vindo a incomodar estes residentes. Dulce André explica-nos que “meteram os animais aqui perto das varandas e até a tromba do elefante chegava cá dentro, mais uma vez desrespeitando o nosso espaço”.

Noite dentro, ficam as roulotes de comida que “agora já não se encontram aqui coladas às nossas casas, felizmente. Antes era mais essa. Muito barulho dos geradores e das pessoas que vinham comer ali. Sabe-se que a altas horas da noite é complicado descansar com todo este xinfrim. Há pouco tempo acabaram aí com uma roulote que era a que fazia mais barulho. Hoje ainda chegam a deixar sacos do lixo por aí espalhados. E nem lhe vou falar dos ralis que vêm fazer para aqui para o largo”, descreve Beatriz. Segundo os proprietários destas casas, não existe problema com a venda ambulante, nem com os camionistas desde que eles respeitem a distância

O espaço Do espaço fazem parte também as muralhas da cidade o que poderá tornar difícil que “o parque seja arranjado ou alcatroado”, dizem os moradores que ainda esperam hoje por um passeio que lhes facilite a saída das próprias casas, em segurança e uma distancia mínima que permita às suas casa e moradores uma melhor qualidade de vida.


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15 Mar ‘10

sociedade

Turismo alentejano reune em congresso em ano de crescimento A Entidade Regional de Turismo do Alentejo vai realizar em Beja o I Congresso de Turismo do Alentejo, destinado a repensar o turismo nacional. Durante dois dias, vão ser discutidas as principais temáticas relacionadas com o desenvolvimento do turismo, com especial enfoque para a região alentejana que fechou o ano de 2009 com os melhores resultados de sempre em termos de dormidas. “Não chega apenas chamar os visitantes ao Alentejo. É importante qualificar e aumentar a oferta, elevando a região a uma das melhores do nosso país”, considera a entidade organizadora, revelando que entre outros pontos serão debatidas estratégias para atrair mais turistas estrangeiros à região. No painel dos oradores destacam-se nomes como António Ceia da Silva, presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo, Luis Patrão, presidente do Turismo de Portugal, José Roquette, presidente do Conselho de Administração da SAIP - Parque Alqueva e Jorge Armindo, presidente da

Amorim Turismo, entre outros O Alentejo foi a segunda região do país que mais cresceu em 2009, atingindo 4,6 por cento em termos globais, apesar de o mercado interno ter descido cerca de seis por cento. António Ceia da Silva justifica esta subida com a campanha “agressiva” lançada há um ano. Já o mercado externo “caiu em todo o país, mas em termos globais este aumento de 4,6 por cento do número de dormidas no Alentejo deveu-se muito à performance do mercado interno”, considerou. A Turismo do Alentejo lançou a segunda “vaga” da campanha “Alentejo Há Mais” para os próximos dois anos. “Toda a campanha e toda a dinâmica junto do mercado interno teve resultados extremamente positivos, daí termos considerado levar esta campanha até 2011, aumentando de 300 para 350 o número de aderentes (empresas privadas), bem como um aumento no investimento promocional [desta campanha]”, referiu. Salvaguardando que “é difícil contabilizar o montante total do

investimento na região devido às parcerias de privados”, António Ceia da Silva informou que para 2010 o Turismo do Alentejo tem previsto um investimento de 400 milhões de euros, um acréscimo

de 100 milhões em relação a 2009. Para cativar os turistas, o presidente do Turismo do Alentejo promete “mais e melhores produtos, mais rotas e roteiros para cativar vários segmentos de mercado:

produtos temáticos, passeio a dois ou em família, turismo sénior, romance, acção e aventura”, entre outros. O “Passaporte do Alentejo” e publicidade em televisão serão dois momentos fortes.

OVIBEJA 2010 biodiversidade na OvibeJA

Mercury nas Ovinoites

A 27ª OVIBEJA associa-se ao Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade na celebração do Ano Internacional da Biodiversidade com diferentes exposições e iniciativas que visam realçar a importância do ecossistema do montado de sobro e de azinho para a preservação da diversidade natural do Alentejo, destacando o papel primordial que o homem do campo desempenha neste esforço global para travar a perda sem precedentes de espécies. O agricultor como guardião do meio rural e como agente decisor na manutenção do meio ambiente é, por conseguinte, o tema central de uma exposição interactiva que a ACOS está a preparar para fazer a transição entre o pavilhão dos animais domés-

Com mais de 12 milhões de discos vendidos em todo o mundo – e com dezenas de canções que se tornaram verdadeiros hinos da música popular brasileira -, Daniela Mercury é a estrela maior da programação cultural da 27ª OVIBEJA. A rainha do axé sobe ao palco do Pavilhão Multiusos da Grande Feira do Alentejo na noite de 1 de Maio. E não será de estranhar que boa parte do alinhamento do concerto passe pelos temas do seu mais recente álbum “Canibália”. (www.danielamercury.art.br). Já os Blasted Mechanism, que tocam a 30 de Abril, são ilustres repetentes das “Ovinoites”. Este ano, aquela que é considerada, pelo seu visual e atitude em palco, a mais “extravagante” formação da nova música portuguesa traz a Beja as canções do

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ticos e o pavilhão dos produtos regionais de qualidade. É que, como refere o próprio Secretário da Convenção sobre Diversidade Biológica, “Os seres humanos fazem parte da grande diversidade da natureza e têm o poder de a proteger ou a destruir”. Em simultâneo com esta mostra interactiva, o Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, enquanto entidade responsável pelas comemorações do Ano Internacional da Biodiversidade em Portugal, vai estrear na 27ª OVIBEJA, no Pavilhão das Instituições, uma grande exposição itinerante que posteriormente percorrerá as principais cidades do país. No âmbito da preservação da biodiversidade, que é essencial para a sustentação dos sistemas

vivos que nos dão saúde, riqueza e alimentos, a 27ª OVIBEJA está ainda a preparar a segunda edição da Feira Ibérica de Agricultura Biológica e Meios de Produção, em articulação com a Fundación Talavera Ferial, de Talavera de La Reina.

último álbum de originais, “Mind at Large”, sem deixar de abordar os principais temas que fizeram dos Blasted Mechanism o verdadeiro “projecto artístico de música tocada por seres do outro mundo”, para utilizar palavras dos próprios. (www.blastedmechanism. com)Estreantes no palco central da OVIBEJA são os Fonzie. Banda portuguesa de “punk-pop” que existe desde 1996 e que, a 29 de Abril, promete conferir “peso” às noites musicais da 27ª OVIBEJA. (www.fonzietime.com). As “Ovinoites” têm início a 28 de Abril com o tradicional Espectáculo de Tunas. E todas as madrugadas há DJ’s a animar a pista do Pavilhão Multiusos: Frederico Barata (28/4); Christian F (29/4); Manuel Rendeiro (30/4) e Pedro Tabuada (1/%).


9 saúde

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Municípios sem dinheiro para promover saúde Os municípios consideram importante a sua participação na promoção da saúde dos seus cidadãos, mas destacam que para desenvolverem a saúde local precisam de mais dinheiro e de recursos humanos, revela um estudo do Instituto Nacional Ricardo Jorge (INSA). O envolvimento em políticas de promoção da saúde é muito importante para 46,1 por cento ou importante para 53,9 por cento dos municípios que responderam a um questionário online do INSA às 308 autarquias do país, ao qual responderam 89. “As autarquias sentem a necessidade de mais verbas do Estado e do desenvolvimento de candidaturas a projectos específicos para promoverem a saúde local dos seus cidadãos”, salienta Constantino Sakellarides, do INSA. Por outro lado, sentem ainda a necessidade de “mais profissionais de saúde para desenvolverem inter-

venções” nesta área, acrescentou. Segundo o investigador, entre as várias hipóteses dadas às autarquias, os profissionais de saúde mais ambicionados são os enfermeiros e médicos de cuidados directos, “sendo os nutricionistas, fisioterapeutas e psicólogos menos considerados em relação a estes”. O estudo realça também que, em termos de comunicação, “há um bom trabalho conjunto entre as autarquias e os centros de saúde, IPSS e misericórdias, mas pouca ligação com as estruturas centrais, como o INSA, a DGS e o Alto Comissariado da Saúde”. As áreas que os municípios consideram prioritárias na promoção da saúde são as de saúde, acção social e educação. O ambiente, um dos fatores mais importantes para os especialistas, “é muito pouco valorizado pelas autarquias”, diz Sakellarides. O estudo salienta que “apenas dois dos 37 indicadores relacio-

nados com a saúde estão disponíveis em 100 por cento” nas 73 autarquias que responderam a este item: a existência de escolas com cantina e de espaços verdes com acesso público. Para promover a saúde local as autarquias afirmam sentir necessidade de mais trabalho em rede, trabalho em equipa e de construir parcerias e desvalorizam itens relacionados com competências metodológicas, como gerir a informação, aplicar investigação e seleccionar métodos de avaliação. O estudo sobre “as autarquias e a promoção da saúde” foi realizado pelo INSA através do Projecto de Capacitação em Promoção da Saúde, que tem o objectivo de desenvolver modelos para programas municipais de promoção de saúde, identificar os principais problemas de saúde a nível local e desenvolver metodologia para planeamento em promoção da saúde.

Aposta nos cuidados paliativos A ministra da Saúde afirmou que 2010 vai ser um “ano decisivo” para os cuidados paliativos em Portugal, com mais 119 camas e a formação de 500 profissionais especializados na assistência a doentes crónicos. Numa intervenção no V Congresso Nacional da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos, em Lisboa, Ana Jorge afirmou que às 118 camas já existentes nas 11 unidades de internamento de cuidados paliativos da Rede de Cuidados Continuados serão acrescentados “mais 119 lugares”, que “ain-

da são insuficientes face às necessidades”. Além disso, este ano o Ministério da Saúde quer “formar no nível básico de cuidados paliativos mais de 500 profissionais e na temática da dor crónica outros tantos”, através de protocolos com a Fundação Calouste Gulbenkian e com a Universidade Lusófona. A ministra espera “garantir, com este projeto, o acesso de cerca de setecentos novos doentes por ano a cuidados paliativos” sem ser necessário o seu internamento em unidades de cuidados paliativos.


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15 Mar ‘10

Saúde Santiago do Cacém teme saída de enfermeiros

Cáritas de Portalegre apela à partilha de bens “Podemos ficar indiferentes?” É esta a interrogação formulada pela Cáritas de PortalegreCastelo Branco depois de descrever as dificuldades económicas e sociais que afligem a população da região, do país e do globo. A mensagem para o Dia Nacional da Cáritas, que ocorreu a 7 de Março, assinala que o crescimento do desemprego, o encerramento das empresas e a “destruição” da actividade económica, “sobretudo na diocese”, têm causado a emigração dos jovens, o desequilíbrio nas relações familiares, assim como a violência e a criminalidade, fenómenos que têm conduzido à perda de confiança no futuro. PUB

O documento enviado à Agência ECCLESIA evoca igualmente as “recentes catástrofes no Haiti e na Região Autónoma da Madeira” e os “dramas humanos a que deram origem”. Perante este quadro, o presidente da Cáritas de Portalegre-Castelo Branco, Elicídio Bilé, pede a “todos os cidadãos” para partilharem não apenas do que “sobra”, mas também “daquilo que implica alguma privação pessoal ou familiar”. Neste sentido, o comunicado apela à generosidade na resposta aos peditórios de rua de 6 e 7 de Março e no ofertório das missas do próximo Domingo, que reverte para a instituição de apoio social da Igreja Católica.

A nota lembra que os fundos obtidos através da Renúncia Quaresmal deste ano serão destinados a apoiar os desempregados causados pela crise económica e as vítimas do temporal na Madeira e do terramoto no Haiti. Recorde-se que várias personalidades nacionais assinaram a petição contra a pobreza integrada na campanha «Acabar com a Pobreza, já!». Entre elas destacam-se o provedor de Justiça, Alfredo de Sousa, e o oresidente do Instituto de Segurança Social e Coordenador Nacional do Ano Europeu de Combate à Pobreza e Exclusão Social, Edmundo Martinho. Para Portugal, a meta definida, foi de 30 mil assinaturas. A Cáritas Portuguesa, com esta iniciativa, pretendeu “elevar a fasquia com vista a superar o número proposto e, para isso, convidou várias personalidades nacionais a assinar publicamente a petição”, diz João Pereira, elemento da Cáritas Portuguesa. Na petição apela-se ao fim da pobreza infantil na Europa, propõe-se a abrangência universal dos sistemas de protecção social, o acesso efectivo a serviços sociais e de saúde, e que se criem condições para que todas e todos possam ter um trabalho digno. O objectivo passa por alcançar um milhão de assinaturas, nos vários países da União Europeia, porque ao abrigo do novo Tratado de Lisboa, um milhão de cidadãos, de um número significativo de países, podem solicitar à Comissão Europeia que apresente iniciativas nas áreas de competência da UE. Bernardino Silva, coordenador nacional da campanha, refere que a Cáritas, tem agendado cerca de 50 actividades: seminários, workshops, vídeos, exposições, documentos ou acções de sensibilização. A petição está disponível para assinatura on-line e em papel.

O presidente da Câmara Municipal de Santiago do Cacém alertou esta semana a presidente do Conselho de Administração do Hospital do Litoral Alentejano, Adelaide Belo para a eventual saída de enfermeiros daquela unidade de saúde. O autarca teme que a imposição de contratos individuais de trabalho com menos condições que os contratos individuais de trabalho por tempo indeterminado em funções públicas provoque a saída de profissionais de saúde para outras regiões do país. “Os contratos submetidos aos cerca de cem enfermeiros, após a transformação do Hospital do Litoral Alentejano numa EPE retiram direitos remuneratórios aos enfermeiros e cerca de 80 terão já sido “coagidos” a assinar o documento, porque lhes terá sido dito, que ou assinavam, ou era aberto um concurso para o seu lugar”, afirmou Vítor Proença que reforça que “a nossa região pode perder pessoas qualificadas, e aquilo que eu pretendo enquanto autarca deste município é ter um Hospital com um corpo clínico e de enfermagem estável e qualificado”. O autarca adiantou ainda que o município não se “envolve em questões sindicais” e apesar de manifestar total solidariedade com a classe, considera que tem o dever de chamar à atenção da administração do hospital para a eventualidade de alguns enfermeiros abandonarem a região, já que cerca de 20 profissionais de saúde não assinaram o documento que lhes foi proposto. “Pode haver enfermeiros que daqui saíam para procurarem colocação em hospitais que lhes ofereçam melhores condições”, adiantou Vítor Proença que pretende “ter aqui os melhores dos melhores e não é assim que conseguimos fixar estas pessoas”.


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Política

Ex-Líderes em Congresso

Congresso do psd

Manuela Ferreira Leite despede-se da liderança A presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, considerou hoje que teve razão antes de tempo e que agora é evidente que os portugueses foram enganados pelo PS, lamentando, por Portugal, o resultado das legislativas. Num balanço do seu mandato de dois anos como presidente do PSD, no início do XXXII Congresso social democrata, em Mafra, Ferreira Leite disse que a tranquiliza “ter sempre falado verdade aos portugueses” e ter escolhido o caminho “mais difícil” de não apresentar “promessas fáceis e falsas soluções”. “Passados quase dois anos sobre a data em que assumi a liderança do PSD, o balanço que faço tranquiliza-me. Dos três atos eleitorais que disputámos perdemos um, muito importante: as eleições legislativas. Em democracia os eleitores têm razões que não se discutem, e por isso eu não o faço. Não o discuto, mas lamento, por Portugal”, disse.

Segundo a presidente do PSD, “a situação em que nos encontramos hoje era previsível e era evitável”. “Sabíamos que a história nos iria dar razão, mas também dos enormes custos de ter razão antes de tempo. Não nos arrependemos, antes pelo contrário”, acrescentou. Ferreira Leite leu um excerto do seu discurso no congresso de 2008, realizado em Guimarães, em 2008, e depois observou: “Infelizmente, isto podia ter sido escrito hoje. Os sinais de há dois anos estavam bem à vista”. A ex-ministra das Finanças reclamou ter atuado sempre para servir o país, “ sem medo de ir contra a corrente”, e ter conseguido “cimentar o PSD como alternativa credível ao Governo socialista”. O próximo presidente do PSD “iniciará o seu mandato com um património que muito me orgulho de ter reforçado: a credibilidade do partido”, disse. Quanto ao futuro do PSD, defen-

deu que o partido deve manter “a defesa intransigente de um Estado independente dos interesses particulares, deste ou daquele grupo empresarial ou determinado grupo financeiro”. Manuela Ferreira Leite começou a sua intervenção referindo que nunca viu no requerimento que impôs a realização deste congresso extraordinário “intenções malévolas ou contrárias aos interesses do partido”. “Por isso, não fiz qualquer movimento para o contrariar e, também por isso, não aceito que possa através da comunicação social ter sido sugerido que a Comissão Política Nacional tinha alguma intenção de intervir numa hipotética alteração da ordem de trabalhos deste congresso”, acrescentou, recebendo palmas. Sobre a questão da duração deste congresso, Ferreira Leite considerou que “qualquer tempo de discussão não é demais”.

O XXXII Congresso do PSD, que encerrou ontem, em Mafra, foi um momento importante para a vida e o futuro do partido. Os ex-líderes Marcelo Rebelo de Sousa, Santana Lopes, Marques Mendes e Filipe Menezes falaram aos congressistas. Marcelo Rebelo de Sousa foi o primeiro e lamentou que não tenha havido uma única candidatura à liderança do partido, considerando que “este era o momento para repetir o esforço de unidade nas candidaturas”. Os restantes ex-líderes lançaram avisos e apelaram à unidade do partido. Apenas Menezes fez declaração de apoio expressa. No seu discurso no XXXII Congresso do PSD, em Mafra, Marcelo defendeu que “é preciso mudar de gente” na política e ter como líderes “gente de quem se possa dizer que trabalhou na vida, mostrou o que valia fora da política” e que “aquilo que tem em patrimónios e rendimentos seja fácil de dizer de onde veio”. “Gente séria apoiada por gente de série. Que tenha subido na vida como a maioria dos portugueses e não pelo partido, o protetor, o compadre, o padrinho”, prosseguiu, considerando que, caso contrário, por mais leis que se mudem ou discursos que se façam “o povo não acredita”. “No início do seu discurso, dirigiu-se a Manuela Ferreira Leite, dizendo-lhe: Senhora presidente do partido, quando o distanciamento o permitir, a história registará o que significou ter sido neste país misógino a primeira mulher a liderar um partido e o maior partido político de Portugal”.

vazia, foi o único a assumir apoio a um dos candidatos à liderança e disse que por não poder votar em mais que um candidato “Votarei no Pedro Passos Coelho”

Santana Lopes “atirou” sobre Cavaco e disse que “O primeiro-ministro não pode viver sob suspeita sobre o seu carácter e continuar em funções. Ou dá um murro na mesa ou se demite e não sujeita o país a esta situação”

Passos Coelho

Marques Mendes em tom sereno mas revigorado referiu que “a situação do país é grave e tem-se a sensação de viver uma espécie de fim de regime” Filipe Menezes, num discurso morno numa sala quase

Disseram

Paulo Rangel Que não haja barões nem marqueses, cada militante é dono do seu voto, cada um é dono da mão que segura a caneta”

Aguiar-Branco O que faz mobilizar o partido e o País não é o número de personalidades, tendências ou tribos, ou tão-pouco o número de notáveis mediáticos”

Andam com o PS e o governo ao colo. Se este orçamento não serve ao País, qual é o sentido de responsabilidade que nos leva a deixá-lo passar?”


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Sociedade Municípios de montemor-o-novo e évora apostam no ambiente

Sítio

do Monfurado Alvo de Planos de Intervenção no Espaço Rural

Termina hoje o período de discussão pública dos Planos de Intervenção no Espaço Rural do Sítio de Monfurado (PIERSM) de Montemor-o-Novo e de Évora, durante o qual os cidadãos puderam contribuir de forma activa, expressando a sua opinião através do preenchimento e envio de um ficha de participação.

O

s PIERSM destes concelhos estão a ser elaborados em parceria entre os dois municípios e constituem os instrumentos de gestão territorial que permitem a implementação de uma estratégia integrada para o território do Sítio de Interesse Comunitário (SIC) do Monfurado, através da transposição das orientações do Plano Sectorial da Rede Natura 2000. O objectivo destes planos é promover a manutenção e recuperação do estado de conservação favorável dos habitats e populações das espécies ameaçadas e características do Sítio de Monfurado. Tal deverá ocorrer através do estabelecimento de regras de ocupação e da implementação de adequadas medidas de planeamento e gestão do território. É convicção dos promotores dos planos que a sua implementação irá contribuir para gerar benefícios nas freguesias abrangidas, designadamente a manutenção da paisagem e dos valores naturais, através da criação de medidas que garantam a salvaguarda da biodiversidade e do património natural e paisagístico e a fixação da população no meio rural. O plano irá definir regras de ocupação do espaço que contribuam para combater a desertificação e promover o desenvolvimento económico local, através da promoção dos produtos e serviços de

qualidade do Monfurado e pela valorização e promoção do património natural e cultural enquanto produto turístico. Para o presidente da Câmara Municipal de Évora, José Ernesto Oliveira, a Serra de Monfurado “preserva um importantíssimo conjunto patrimonial do concelho de Évora, com belezas naturais e culturais reconhecidas pelo seu interesse e singularidade”. “O Plano de Intervenção no Espaço Rural do Sítio de Monfurado - Évora preconiza a salvaguarda desses valores, na perspectiva de garantir a qualidade de vida das populações e de promover o desenvolvimento sustentável”, assegura. Assumindo que o património natural e cultural pode contribuir para gerar mais-valias na economia local, o autarca de Évora recorda que este plano “procura ainda, por um lado, incentivar o desenvolvimento de actividades que possam beneficiar com essas riquezas, e por outro, potenciar o desenvolvimento económico em harmonia com a valorização dos recursos”. A implementação de Planos de Intervenção no Espaço Rural é uma iniciativa pioneira em Portugal e representa a afirmação e o empenho dos municípios de Évora e de Montemor-o-Novo na protecção dos valores naturais e na melhoria da qualidade ambiental do concelhos.

O Sítio de Monfurado, com uma área total de 23946 hectares, abrange parte dos concelhos de Montemoro-Novo, e Évora, estendendo-se entre altitudes de cerca 150 metros até aos 420 metros, numa região tipicamente mediterrânica. Trata-se de uma área dominada por importantes montados de sobro e azinho, bastante bem conservados, cuja importância é realçada pela sua situação geográfica à escala nacional, bem como pelas diversas influências climáticas que esta zona sofre. Aqui ocorrem ainda resquícios de carvalhais de carvalhocerquinho ou pedamarro (Quercus faginea) e carvalho-negral (Quercus pyrenaica), naquele que é o

limite Sul da sua distribuição em Portugal continental. É aqui que ocorrem ainda as melhores comunidades de nacionais de espinhais de Calicotome villosa, espécie exclusiva da região de Évora em território nacional. O Sítio de Monfurado é considerado uma zona de grande importância para a conservação de diversas espécies de morcegos, não só em termos de reprodução mas também de hibernação. Em cavidades resultantes da antiga extracção de minério (Minas dos Monges e Minas da Nogueirinha), existem abrigos importantes para a conservação de espécies como o morcego-ratogrande (Myotis myotis) e o morce-

go-de-peluche (Miniopterus schreibersii), para além de constituirem apoio a outras espécies importantes do ponto de vista conservacionista como o morcego-de-ferradura-mediterrânico (Rhinolophus euryale), morcego-de-ferradura-grande (Rhinolophus ferrumequinum), morcego-de-ferradura-pequeno (Rhinolophus hipposideros) e morcego-de-ferradura-mourisco (Rhinolophus mehelyi). A área envolvente, constituída por montados, representa um papel importante como zona de alimentação. No que respeita a habitats com interesse para a conservação, verifica-se a ocorrência de subestepes de gramíneas e anuais (Thero-Bra-


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sociedade

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<é a área total do sítio de Monfurado que abrange parte dos concelhos de Montemor-o-novo e évora>

chypodietea), fl orestas aluviais residuais (Alnion glutinoso-incanae) e charcos temporários mediterrânicos. Para além destes, que são de interesse prioritário, identificam-se ainda no Sítio um conjunto de outros habitats constantes do Anexo I da Directiva Habitats: · Águas oligomesotrópicas calcárias com vegetação bêntica de Chara spp. · Lagos eutróficos naturais com vegetação da Magnopotamion ou da Hydrocharition; · Vegetação fl utuante de ranúnculos dos cursos de água submontanhosos e de planície; · Cursos de água de margens vasosas com vegetação de Chenopodion

rubri p. p. e da Bidention p. p.; · Cursos de água mediterrânicos permanentes: Paspalo-Agrostidion e margens arborizadas de Salix e Populus alba; · Charnecas secas (todos os subtipos); · Florestas termomediterrânicas e pré-estépicas de todos os tipos; · Montados de Quercus suber e ou Quercus rotundifolia; · Comunidades de ervas altas higrófilas das orlas basais e dos pisos montano a alpino; · Vertentes rochosas siliciosas com vegetação casmofítica; · Freixiais de Fraxinus angustifolia; · Florestas-galeria com Salix alba e Populus alba;

· Florestas de Quercus suber. · Florestas de Quercus rotundifolia. Em termos de fl ora, e considerando as espécies consideradas prioritárias para conservação, destaca-se a ocorrência no Sítio de populações de narcisos (Narcissus fernandesii), estimadas em menos de 50 exemplares. Ao nível da fauna, predomina em termos de importância conservacionista a ocorrência de diversos mamíferos, com destaque para as populações de morcegos. As cavidades resultantes da antiga indústria extractiva albergam, entre outros, espécies como o morcego-rato-grande (Myotis myotis),

morcego-de-peluche (Miniopterus schreibersii), morcego-de-ferradura-mediterrânico (Rhinolophus euryale), morcego-de-ferraduragrande (Rhinolophus ferrumequinum), morcego-de-ferradura-pequeno (Rhinolophus hipposideros) e morcego-de-ferradura-mourisco (Rhinolophus mehelyi). A presença da lontra (Lutra lutra), espécie rara a nível europeu mas com alguma frequência em Portugal, encontra-se também referenciada em diversos cursos e corpos de água existentes no Sítio. No que respeita a répteis, destacase a presença do cágado (Mauremys leprosa). Em termos de avifauna destacam-

se a petinha-dos-campos (Anthus campestris), a cotovia-pequena (Lulula arborea), a calhandrinha (Calandrella brachydactyla), o guarda-rios (Alcedo athis) , o bufo-real (Bubo bubo), o alcaravão (Burhinus eodicnemus), Sisão (Tetrax tetrax), águia-de-bonelli (Hieraaeutus pennatus), a águia-calçada (Hieraaetus fasciatus), a águia-cobreira (Circaetus gallicus), o milhafre-real (Milvus milvus), o milhafre-preto (Milvus migrans), o falcão-abelheiro (Pernis apivorus), a garça-brancapequena (Egretta grazetta), a garçapequena (Ixobrychus minutus) e a felosa-do-mato (Sylvia undata).


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Opinião

Região

Sonia ramos ferro

Jurista e Deputada Municipal

Um Alentejo sem gente O problema da desertificação do interior do país é algo que me aflige e que em meu entendimento deveria ser encarado como um desígnio nacional. Deveria, pelo menos, ser considerado quando se determinam as grandes opções do plano e se define a estratégia de investimento público. Já o disse algumas vezes. O encerramento de escolas primárias, hospitais, tribunais, postos da GNR e muitas outras medidas que têm sido tomadas por este Governo, apenas numa óptica economicista, agravou substancialmente as condições de vida do interior do país, mormente do Alentejo, que se tornou tão só e apenas um destino turístico. Não que isso me desagrade, pelo contrário, mas não me conformo com um Alentejo de fim-de-semana. Quero que o Alentejo tenha tantas condições de vida como as outras regiões do país. É uma questão de justiça e coesão territoriais, que tem de ser relembrada por todos nós, que teimamos em viver na planície. Efectivamente, o Engenheiro Sócrates não gosta desta ideia. Homem moderno e vanguardista concentra na capital e em si próprio a decisão que é de cada um de nós: a escolha do lugar onde queremos viver e estabelecer a nossa vida. Ao inviabilizar a existência de condições de vida para a fixação dos jovens e das famílias, nas regiões do interior limita, à partida, as opções de escolha. Teremos de viver todos em Lisboa e Vale do Tejo? Será que não seria proveitoso para todos proporcionar a distribuição da população por todo o território, especialmente no interior, de forma até a garantir a manutenção do território português? E que tal encarar a agricultura, não como uma actividade decadente, mas a forma por excelência de garantir a ocupação do território, evitar a desflorestação e erosão dos solos, que têm consequências dramáticas e de acentuado impacto ambiental? Porque não implementar uma verdadeira Carta de Incentivos à fixação de jovens e mão-deobra especializada no interior do país? É preciso coragem, de facto, e ela não tem existido. Dou um exemplo muito concreto. Falava um destes dias com um estudante do 4.º ano do curso de

Medicina, residente em Vendas Novas (por enquanto), que me dizia que gostaria muito de fazer o internato no Hospital de Évora, mas a especialidade que pretende não existe neste Hospital, só em Lisboa. Logo, continuará em Lisboa e nós, alentejanos, perdemos um futuro médico. Isto acontece em todas as profissões, em todas as oportunidades de negócio. Porque não investir mais nos hospitais do interior, em vez de os encerrar? Porque não criar pólos de excelência em Évora? E porque não na minha cidade, em Montemor? Senhores autarcas: a responsabilidade também é vossa. Também impende sobre vós a criação de condições e incentivos para a fixação dos jovens, ou então, qualquer dia, não há jovens nesta terra que contribuam para os vossos orçamentos autárquicos através do pagamento de derramas, IMI, taxas e tarifas, porque simplesmente, não haverá população activa no Alentejo. Se queremos que os filhos da terra cá permanecem, temos de criar as condições necessárias para que tal aconteça. O Alentejo Central tem 23.4 habitantes por metro quadrado, uma taxa bruta de natalidade de 8,4 e de mortalidade de 13.5, sendo que a primeira tem tendência a descer progressivamente (comparando com os dados de 2006- 8,6) e a segunda a subir (passou de 12,4 em 2006 para 13,5 em 2008). Ao nível da saúde os números não são animadores. O Alentejo Central apresenta 4 hospitais, 84 farmácias e postos farmacêuticos móveis, 14 Centros de Saúde, apenas 2 deles com internamento e 74 extensões dos Centros de Saúde. Quanto aos números da educação, existem 302 estabelecimentos de ensino não superior (dos 3 ciclos) e 2 estabelecimentos de ensino superior (em todo o Alentejo Central, que inclui 14 Concelhos!). A proporção do poder de compra em percentagem no total do país é de 1,436% (dado de 2007, disponível no site do INE). [1] Os números são assustadores e obrigam à reflexão. A mobilização em torno do repovoamento do interior deveria ser uma prioridade. Este é um dos problemas mais graves deste país e não vejo que preocupe os responsáveis pela governação, que continuam sem falar verdade e sem enfrentar os problemas de forma séria. Assobiam para o lado, alegremente.

[1] Os restantes dados estatísticos referem-se ao ano de 2008, disponíveis no site do INE.

Vinhos e Azeites de qualidade (Monte da Figueirinha) Os vinhos e azeites do Monte Novo e Figueirinha, em Beja, já conquistaram reputação nacional e internacional, num projecto de um jovem empresário, atraído pelo avô para a agricultura, e que o Presidente da República testemunhou no sábado. “É muito fácil apaixonarmo-nos pela agricultura”, garante à agência Lusa Filipe Cameirinha, de 32 anos, sócio gerente da Sociedade Agrícola Monte Novo e Figueirinha, perto de S. Brissos, no concelho de Beja. O seu entusiasmo pelo projecto agroindustrial, para o qual foi conquistado pelo avô, o comendador Leonel Cameirinha, um dos maiores empresários da região, é visível no gosto com que acompanha as tarefas do trabalho no campo. Acompanhado pela reportagem da Lusa, presencia as manobras de um helicóptero que, sem aterrar perto do lagar da herdade, vem recarregar um depósito, com 750 quilos de adubo, para espalhar num terreno de cevada. Desde os 21 anos que Filipe Cameirinha está ligado a este negócio familiar, pelo qual deixou Lisboa, onde estudava Gestão de Empresas, e regressou a Beja, para acabar o curso e lançar-se na agricultura. “O meu avô ‘agarrou-me’ um bocadinho com este pretexto. Muito rapidamente nos apaixonámos por isto e começámos a investir”, diz, frisando que aquilo que

começou como “um pequeno projeto” está a “tornar-se grande”. Provas disso são os muitos prémios, nacionais e internacionais, já granjeados pelos vinhos e azeites com o “selo” Monte Novo e Figueirinha e o investimento que tem sido feito na herdade, equipada igualmente com uma adega e com valência de enoturismo. O dinamismo do projecto foi constatado, no sábado, pelo Presidente da República (PR), Aníbal Cavaco Silva, no último de dois dias de um Roteiro para a Juventude no Baixo Alentejo. “O que vamos mostrar ao PR são 15 expositores”, em representação de “jovens empresários de sucesso” da região, “boa parte” deles ligada à agricultura e agroindústria, mas também empresas de design, publicidade, actividades artesanais ou doçaria, explicou. “Queremos mostrar que os jovens empresários no Alentejo também têm iniciativa, que há empresas de sucesso e que, apresar de todo este cenário que estamos vivendo, continuam a sobressair os jovens”, frisou Filipe. O projecto da família Cameirinha, liderado por Filipe, é um dos casos de sucesso. A empresa, fundada em 1998, transformou o que era uma propriedade de culturas tradicionais de sequeiro, com 300 hectares, numa moderna exploração agrícola dedicada à vinha e olival de regadio.

A adega veio em 2003, recorda Filipe, garantindo que, “passo a passo”, a empresa tem conquistado o mercado dos vinhos, já exportados “para os quatro cantos do mundo”, com a produção deste ano a atingir “1,5 milhões de quilos de uva”. Três anos depois e já com 170 hectares de olival, conta, “nasceu” o lagar, que dá origem aos azeites que já ganharam, por duas vezes, “o mais importante galardão mundial” do sector. “Temos quase duplicado a produção todos os anos e, este ano, vamos triplicar. No azeite, fizemos três milhões de quilos e, no próximo ano, vamos estar dimensionados para produzir oito milhões”, afiança o jovem. Queixando-se da crise, que já dura “há muitos anos”, Filipe diz, contudo, que novas ideias há “sempre”, como a unidade de turismo rural que está “na calha” para a herdade.

NÚmero

1998 <Data da criação da empresa que transformou uma propriedade tradicional numa empresa agrícola de excelência>


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15 Mar ‘10

Opinião

Sociedade

Margarida pedrosa Professora

O amor O amor é o único sentimento do mundo que nos faz sentir realmente vivos e com o qual, a passagem por esta Terra e pela nossa Vida, ganham verdadeiro sentido. Mas, sentindo-o profundamente, vejo que se por um lado o amor nos eleva à mais alta das estrelas do firmamento, também um dia nos poderá derrubar e deixar caídos, prostrados na poeira do caminho. Mas mesmo assim, vale a pena vivê-lo, sem ele a vida não tem a cor, não tem a musicalidade que nela desejamos encontrar. Sem amor, os ventos da terra passam por nós e são simplesmente como ventos. Neles não transportam os aromas da Primavera nem o cheiro da chuva que se anuncia por vezes no fim da tarde. Sem o amor esses ventos representam só o frio, o mal-estar, o desagradável de se estar a ser sacudido pela sua força e nada mais… Todos sentimos que no amor pode haver lágrimas e sofrimento, mas com respeito, perseverança e compreensão, todos os obstáculos poderão vencidos. Assim, o pacto de amor que um dia celebrámos, perdurará pelas nossas vidas. Haverá momentos de alegria, mas também muitos de tristeza e infortúnio. Como podemos ver, no amor existem os dois lados da moeda. Mas se não estamos preparados para aceitar os dois, talvez seja melhor deixar a eira do amor, o sol põe-se a ocidente, mas no fundo aquele sol não nos pertence. A água sagrada com que todos os dias temos que regar a “ flor” do amor, foi esquecida, a alegria de um amor partilhado ficou só para “os dias de Verão”. Chegado o Inverno não gostamos do frio, por isso, esse amor não é para nós, assim muitas vezes é preferível ficar-se só, pois a amargura de um tempo perdido, é insuportável! Mas, estejam atentos, quando na vida o amor vos chamar, sigam os seus caminhos por mais agrestes que eles sejam. Deixemse envolver completamente pelas suas asas, ainda que saibam que por detrás da densa plumagem possa estar o punhal que um dia perfurará o vosso coração. Pois se por um lado o amor nos eleva aos mais altos e sublimes lugares da Terra, também um dia nos poderá deixar caídos num lugar sem nome…

Esta contrariedade é estranha, mas é própria da vida. O próprio Homem é um ser de contrastes, por que não haveria de ser também o amor? Sim, é verdade, crescemos com o amor, modificamos os nossos hábitos, adaptamo-nos aos hábitos daquele que vive connosco, é normal ser assim mas cuidado, nunca deixem perdida no horizonte a pessoa que vocês são na realidade. Por muito que possamos mudar os nossos hábitos, não percamos a nossa essência. Se um dia o fizermos, estamos definitivamente perdidos. Unidos poderemos ser um, mas esse “Um” divide-se perfeitamente em dois, assim como duas árvores que foram plantadas lado a lado e erguem as suas hastes na mesma direcção. Mas não deveremos estar demasiado perto, tal como nas plantas, a proximidade será prejudicial, pois uma irá sobrepor-se à outra. A mais forte vingará, a outra definhará… No amor, a união a que nos entregámos nunca poderá ser um impedimento para a liberdade do nosso Eu. Apesar de sermos dois seres diferentes que se amam profundamente, nenhum poderá amesquinhar o seu parceiro, assim o amor morrerá, são palavras que uma vez ditas, jamais serão esquecidas! Bem pelo contrário, as palavras ditas por aquele que amamos, só poderão ser de alento ou de carinho, por vezes há avisos que nos parecem desagradáveis, mas são de amigo… No amor, ou só há vida ou só há morte, quente ou frio. O morno é insuportável, detestável, repelente! Por fim, peço a todos, amem, mas que esse amor nunca seja uma prisão, que seja somente a força que nos eleva para podermos ir mais além. O amor no fundo é um conjunto de laços que, pouco a pouco, vamos criando com alguém. Se soubermos cuidar deles, será uma união sagrada que perdurará para além desta vida e nos tornará os mais felizes dos homens sobre a terra… Se esses laços não forem cuidados ir-se-ão tornar numa prisão, por isso, soltem-se deles. Nascemos para sermos livres e felizes! Bendito sejas amor porque existes e tens o poder de mudar as nossas vidas!

No amor, a união a que nos entregámos nunca poderá ser um impedimento para a liberdade do nosso Eu

Viana do Alentejo comemora Dia da Árvore

Para assinalar o Dia da Árvore que se comemora dia 21 de Março, as crianças do Concelho de Viana do Alentejo vão plantar sete árvores no circuito de manutenção, na Quinta da Joana, e ainda ervas aromáticas nas canteiros dos respectivos estabelecimentos de ensino. A iniciativa vai decorrer dias 22, 23 e 24 e envolve a participação de cerca de 450 crianças dos jardins-de-infância e 1º ciclo. No decorrer da actividade, os mais novos vão ser

acompanhados por um arquitecto paisagista da Autarquia que vai dar algumas explicações sobre as árvores e plantas aromáticas. Os mais novos vão ficar a saber, por exemplo, no que toca às árvores que vão ser plantadas – castanheiro, cipreste, tipuana e árvore do gelo – a época de floração, o tipo de folha (caduca ou persistente) e ainda o enquadramento com o nosso clima, bem como a altura, o fruto e as suas origens. Já no que toca às ervas aromá-

ticas – camomila e erva-dassezões - , para além das suas características ornamentais, as crianças vão ficar a saber que têm outras aplicações, como é o caso da medicina, estética, perfumaria, gastronomia, entre outros. Vão ficar ainda a conhecer algumas características deste tipo de ervas, como a adaptação ao clima e a necessidade que têm de água, nomeadamente na primavera e Verão. Os mais novos vão receber no final uma lembrança alusiva ao dia da Árvore.

Beja Dia Mundial da Poesia A 21 de Março, dia em que começa a Primavera, a poesia vai voar entre Beja, Salvada e Santa Vitória, numa iniciativa da Biblioteca Municipal para comemorar o Dia Mundial da Poesia. Dirigido a pais e filhos, o atelier “Palavras com Asas” proposto pela Biblioteca Municipal de Beja, conta com a participação de Miguel Horta, mediador do livro e da Leitura. O encontro está marcado para as 11h30, em frente da Biblioteca de Beja e nos pólos da Salvada e de Santa Vitória. Com o apoio dos columbófilos do concelho, as poesias produzidas pelos participantes são atadas, em pequenos rolos, nas patas de várias dezenas de pombos que as transportarão pelos céus de Beja entre as fregue-

sias envolvidas. A iniciativa, integrada no Projecto “Colombina”, nasceu de uma ideia original de Miguel Horta e será inaugurada precisamente em Beja, no dia 21 de Março. A ideia é sugestionada pelo hábito de Al Mutamid, o poeta bejense que enviava às suas favoritas, poemas amarrados nas patas de pombos correio. A assinalar o Dia Mundial da Poesia, a Biblioteca promove ainda, um dia antes, – a 20 – o espectáculo “Amnésia”, pela Associação Artística Andante. O espectáculo, a realizar no Auditório, tem início marcado para as 17h00. Contos do Caminho nas escolas do concelho Na perspectiva da formação de leitores, a Biblioteca Mu-

nicipal de Beja está a organizar mais uma acção, desta vez, “Contos do Caminho”. Já a partir dos dias 18 e 19 de Março chegam a Beja os “Contos do Caminho” com a presença do ilustrador Chéne que irá realizar ateliers de ilustração nas escolas do concelho. Trata-se de um projecto de promoção de leitura e educação artística centrado na componente oral e visual do livro que nesta primeira abordagem vai às escolas de Albernoa, Boavista, Santa Maria e Santiago Maior. “Contos do Caminho” é um projecto de parceria entre o Museu Tissen, a Compagnie Creative, Editora OQO, a Editora Bichinho do Conto e as autarquias de Beja, Pombal e Óbidos. Sempre que um ilustrador


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Opinião

Região

Carlos Moura Engenheiro

Naquele tempo a fidalguia Desde o anúncio do Programa de Estabilidade e Crescimento, que por malvado engano me saiu de Convergência na pretérita coluna, que não consigo evitar olhar para este Governo e ver um bando de fidalgos arruinados, consumindo o pouco que resta da casa, outrora tão farta e opulenta, e exigindo à criadagem trabalho abnegado a troco de nada para a poder manter nem que seja só a aparência Desde que os seus bons conselheiros, companheiros de folguedos, aconselharam, recomendaram e até se ofereceram para comprar a totalidade do recheio, e as principais jóias da família, este fidalgo a tudo disse que sim, pois que os seus amigalhaços são gente de bem e de saber, e que a criadagem fique sem onde dormir, ou comer é até coisa de somenos importância, porque gente desta fez-se foi para trabalhar, não para manducar ou repousar quais malandros ociosos, que já o são por natureza. Agora que nos dedos se ficam os poucos anéis que restam e que a crise aperta, fruto das más orientações tomadas, que faz o nosso fidalgote? Em lugar de arrepiar caminho, continua transferindo o que é da casa para outrem a expensas dos empregados que foram cedendo as alfaias, o produto de armazéns, os animais, ficando ainda mais pobres e em

casa arruinada, ao passo que quem assim aconselhava e aconselha se vai na vida orientando. Sem anéis e já sem dedos que vai o nosso fidalgo fazer para viver depois? A casa já não tem nada, tudo serviu para vender. Assim está o nosso Governo, privatizou quanto pôde, destruiu a produção, as regalias sociais, sempre a contento de patrões, de bancos, da Europa, de FMI. Os mesmos que venderam a ideia que privatizar, liberalizar o mercado de trabalho, era o preço da modernização do sector produtivo. Que depois aconselharam a PAC, o abate da frota pesqueira, o fim das indústrias pesadas, sob o lema da industria avançada e de ponta. Aconselham, mais em coro do que em cátedra, agora que o crédito está pelas ruas da amargura e que o sector financeiro se alimenta do Estado, qual parasita, não que se produza, mas que se corte e se privatize o que resta. TAP, ANA, CTT, vai tudo sair do Estado, na Educação e Saúde é aquilo que se vê. Reformas na função pública, só lá para o outro milénio, e com machadadas tais que era melhor estar calado e sair com o veredicto: reformado por morto de cansaço. Quanto a outras acções previstas no documento de cobranças às mais-valias, cobranças especiais nos escalões dos IRS’s mais altos, só pecam é por tardias. Mas cumpre que se diga que quando com as mesmas se tentou avançar, as mesmas OCDE’s e quejandos, que tecem rasgadas loas ao programa proposto, afirmaram e juraram que tal não fazia falta, que impedia e atrasava a circulação de capitais, etc, etc. Por isso é que esta paupérrima fidalguia se vai, mas vai custar seriamente tornar a por de pé a casa arruinada.

Reformas na função pública, só lá para o outro milénio, e com machadadas tais que era melhor estar calado e sair com o veredicto: reformado por morto de cansaço

Bairro Azul preocupa autarca de Santiago

O presidente da Câmara Municipal de Santiago do Cacém, Vítor Proença solicitou uma reunião ao Presidente do Conselho Directivo do IHRU – Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, Nuno Vasconcelos para tentar resolver a questão dos edifícios não ocupados no Bairro Azul em Vila Nova de Santo André. A reunião foi agendada para o próximo dia 25 de Março. O autarca de Santiago do Cacém recorda que “o Estado Português através do IHRU dispõe de uma vasta área de património na zona central da cidade de Santo André. Trata-se do Bairro Azul, importante área urbana com vocação administrativa que se encontra em processo acelerado de degradação com os perigos inerentes de guetização e

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focos de criminalidade”. No sentido de inverter esta situação, entre outras, o município candidatou o Programa Integrado de Qualificação Urbana de Vila Nova de Santo André ao INAlentejo no quadro do Regulamento Específico de Parcerias para a Regeneração Urbana, candidatura esta que abrange a qualificação do Bairro Azul. Esta intervenção passa por melhoramentos no domínio público com o objectivo de tornar mais atraente todo aquele espaço. No entanto o autarca considera que “paralelamente a todo este processo, impõe-se a necessidade de dar uma nova dinâmica e uma nova vida a este Bairro, atribuindo serviços e recursos em edifícios não ocupados”. Vítor Proença pretende apresentar ao Conselho Di-

rectivo do IHRU algumas propostas que passam pela “ disponibilização de colectivas para sediar novos serviços como a “Unidade Saúde Pública”, decisiva não só para o concelho de Santiago do Cacém como para todo o Litoral Alentejano e parte integrante da recente reforma dos agrupamentos complementares de saúde, bem como outros espaços para diversas associações locais e para a futura Loja do Cidadão. Vítor Proença sugere para o efeito, a colectiva onde esteve sediado o IHRU em Santo André e outras sem utilização, defendendo ainda a “urgente regularização do registo de prédios com o objectivo de viabilizar uma operação de candidatura ao Programa das Cidades no âmbito do QREN”.


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Investimento

Angola - Portugal

Angolanos investem em Portugal

O

economista e deputado Diógenes de Oliveira, presidente da Comissão de Economia do Parlamento angolano, afirmou que, devido à globalização, Angola tem de actuar na esfera da economia internacional, se quiser diminuir o seu risco-país. «Os investimentos em Portugal, mas também no Brasil e em outras regiões, correspondem a essa necessidade incontornável», sublinhou. Segundo ele, há também uma questão de oportunidade. «Não há crises perma-

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nentes, pelo que, investir agora pode trazer dividendos no futuro», explicou. Mas alertou que é imperioso calcular bem os riscos. No caso dos investimentos em Portugal, Diógenes de Oliveira avançou ainda uma vantagem pouco mencionada pelos analistas: a possibilidade desses investimentos gerarem empregos para os angolanos da diáspora.· Por seu turno, um banqueiro angolano, que não quis ser citado, considerou os investimentos de Angola em Portugal um processo natural, face ao actual es-

tado de desenvolvimento da economia e das empresas, tal como aconteceu em todos os países. «As empresas angolanas têm planos estratégicos e esses planos estratégicos passam muitas vezes pela internacionalização. A África subsariana, por razões de proximidade, a Europa, através de Portugal, e o Brasil são mercados naturais de expansão» Esta fonte observou que não faz sentido Angola investir, por exemplo, na banca de países mais desenvolvidos, devido às grandes diferenças entre as respectivas

economias. Sublinhou que, para Angola atingir uma posição de relevo dentro do sistema financeiro mundial, tem de dar passos graduais, o que passa pelos actuais investimentos na banca portuguesa. Enfim, para o académico angolano Belarmino Van-Dúnem, professor de Relações Internacionais, os investimentos em Portugal são importantes para a internacionalização de Angola e das suas empresas. Na sua opinião, além dos prováveis ganhos financeiros, uma

vez que as acções das empresas portuguesas estão a ser vendidas em baixa, por causa da crise global, Angola terá também a possibilidade de importar know how, que lhe será útil quer interna quer regionalmente. «O facto do investimento angolano em Portugal estar a ser feito maioritariamente através de fundos públicos dá uma certa garantia de que os benefícios serão estendidos a todos os angolanos», defendeu o professor. Fonte: Revista África 21


20 15 Mar ‘10 Publireportagem

Chic To Choc

aniversário no passado Sábado.

Foi no passado sábado dia 13 de Março que a loja Chic to Choc organizou um cocktail para celebrar o seu 4º aniversário. Muitas foram as clientes e amigas que estiveram presentes neste evento, onde predominou o habitual charme e glamour a que Catarina Gato nos vem habituando. Foi há quatro anos que Catarina, proprietária deste espaço, abriu as portas ao público pretendendo de forma inovadora e intimista, homenagear a mulher e, simultaneamente, oferecer-lhe a oportunidade de conhecer uma forma de estar diferente, perante a beleza e a elegância. Neste espaço onde cada cliente é exclusiva, tudo é pensado ao detalhe, desde a roupa e sapatos, aos acessórios, num universo feminino capaz de captar o gosto mais particular. “ O objectivo principal da minha loja é proporcionar a todas as mulheres a arte de estar bem em todas as ocasiões. Na Chic to Choc a mulher é ela mesma no encontro com as tendências. A nossa roupa e acessórios jogam entre si oferecendo às clientes, não só um mundo de sugestões diversificadas para todos os

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momentos do dia, desde o formal ao casual, sem esquecer as ocasiões especiais, mas ainda um serviço de consultadoria na área de imagem e etiqueta. Gostaria de salientar o facto da Chic to Choc ser a única loja em Évora com exclusividade do conceituado estilista português Luís Buchinho. Não posso terminar sem agradecer a todas as minhas clientes que desde o início acreditaram no conceito Chic to Choc e que dessa forma me apoiaram na evolução desta ideia. A Chic to Choc criou um Blog para que todas as suas fãs possam diariamente conhecer as últimas novidades bem como solicitar dicas e conselhos sobre a sua própria imagem. Visitem-nos em: www.chictochoc.blogspot. com ou no Facebook. Chic to Choc está presente a nível nacional e internacional, nos principais eventos de moda, nomeadamente a Passerelle Cibeles – Madrid, Moda Lisboa e Portugal Fashion, sempre com objectivo de estar na linha da frente na divulgação das tendências da moda. Chic to Choc no largo dos Estaços em Évora.


21 Passatemos & Lazer FIlme desta semana

livros

Realização: Allen Hughes, Albert Hughes

Cerimónia Mortal

Sinopse

de J.D. Robb

O Livro de Eli

Cidades vazias, estradas cortadas, tudo à volta são marcas de uma destruição catastrófica. Sem civilização e leis, as estradas pertencem a gangs de assassinos que matam em troca de sapatos, água, ou simplesmente por prazer. Eli, guerreiro por necessidade, apenas procura paz, mas quem se atravessar no seu caminho para o atacar rapidamente vai perceber o erro que cometeu. Ele protege não a sua vida, mas a esperança de um futuro melhor; uma esperança que ele carrega e guarda

há 30 anos. No entanto, há outra pessoa que compreende o poder que Eli tem, Carnegie, e está determinada a ficar com esse poder. Mas ninguém vai conseguir parar Eli. Ele tem de manter o seu caminho para conseguir dar um futuro à Humanidade.

SOPA DE LETRAS o C S T Ú N

I

C A S C V

A R N O S A S

I M A C A

V T R C L R Ç L C Ú L U N T A O L O O V D O

I

S P T V G O P C S A

I M

C A L Ç A S D

A S

I

A

I

A

L A Ç O S R M I

S S D U

U A Ç O S R M I

S S D U

V D E U C A

I

Ú Ú S N C

A Ú C P L O V O Ç N E

L

Sinopse

Eve Dallas, tenente da polícia de Nova Iorque, é encarregue de uma missão secreta: investigar a morte de um colega. Nunca hesitando em cumprir o dever e colocá-lo acima das lealdades pessoais, ela está pronta para o que der e vier. Mas quando um cadáver é deixado à porta de sua casa, Eve sabe que só com toda a sua força e inteligência poderá sobreviver. Estará ela preparada para o caso mais complicado e perigoso da sua carreira? Poderá o seu marido, Roarke, ajudá-la quando a jovem começar a questionar as suas crenças sobre o que está certo e errado? É que confrontar a forma mais sedutora de maldade não será fácil… nem mesmo para Eve Dallas.

Dieta Barriga Zero de Liz Vaccarie

S N R D T B Ç E T U P V V G O E B S A

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E M R Ú

Objectivo: Descubra os 15 nomes de peças vestuário

O plano revolucionário de 32 dias para emagrecer com sucesso

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Nota: O sudoku consiste em preencher uma grade de 81 espaços dividida em nove blocos. O objectivo do jogo é completar os espaços em branco com algarismos de 1 a 9, de modo que cada número apareça apenas uma vez na linha, grade e coluna. Nenhum número pode ser repetido e todos os números de 1 a 9 devem estar presentes. Não há lugar correcto ou errado para começar a resolver o sudoku, mas é importante aproveitar blocos que estejam com mais números e trabalhar em cima dos próprios acertos. Caso um número caiba em mais de um quadrado, o jogador pode anotar a lápis as possibilidades no canto do espaço.

Sinopse

A Dieta Barriga Zero, já adoptada por mais de um milhão de pessoas nos Estados Unidos, não impõe restrições impossíveis, nem obriga o leitor a um programa intenso de exercícios. O segredo é acrescentar ao prato deliciosos ingredientes mediterrânicos cujo efeito é justamente diminuir a fome, reduzir o stress - e retirar-lhe muitos centímetros à cintura. Azeitonas, nozes, chocolate e abacate são alguns dos alimentos fundamentais. Neste livro podem encontrar-se dois programas testados cientificamente. Para começar, nada melhor do que o programa de quatro dias que reduz drasticamente o excesso de líquidos e acaba de vez com a incómoda sensação da barriga dilatada. Bastam quatro dias para perder 3 quilos e mais de 12 cm de cintura. É o impulso que qualquer pessoa precisa para seguir em frente e avançar para o programa de quatro semanas que lhe vai roubar até 7 quilos!

HORÓSCOPO SEMANAL - 15/03 a 22/03

Telefone: 21 318 25 91 E-mail: mariahelena@mariahelena.tv

Carneiro

Touro

Gémeos

Carta Dominante: O Louco, que significa Excentricidade. Amor: Deverá começar a pensar mais em si. Viva o presente com confiança! Saúde: O seu corpo precisa de descanso, faça o que ele lhe pede. Dinheiro: Evite ser precipitado no que toca à gestão dos seus rendimentos. Número da Sorte: 22 Dia mais favorável: Segunda-Feira

Carta Dominante: 4 de Espadas, que significa Inquietação, Agitação. Amor: Clima romântico e sentimental na relação afectiva. Saúde: Atravessa uma fase de nervosismo e stress. Aprenda a perdoar-se a si próprio! Dinheiro: Não arrisque em negócios que não lhe ofereçam garantias. Seja prudente. Número da Sorte: 54 Dia mais favorável: Sábado

Carta Dominante: A Estrela, que significa Protecção, Luz. Amor: Afaste-se da rotina com a pessoa amada. Opte por fazer aquela viagem há muito planeada. Que a leveza de espírito seja uma constante na sua vida! Saúde: Fase de fadiga excessiva. Descanse mais. Dinheiro: Não se esforce demasiado, pense mais em si. Número da Sorte: 17 Dia mais favorável: Quinta-Feira

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Caranguejo

Leão

Virgem

Carta Dominante: 2 de Copas, que significa Amor. Amor: Clima de grande harmonia familiar e amorosa, mas seja mais compreensivo. Saúde: Poderá sofrer de stress. Mantenha a calma. Preocupe-se com aquilo que você pensa sobre si próprio, faça uma limpeza interior. Dinheiro: Terá de controlar esse seu instinto materialista. Número da Sorte: 38 Dia mais favorável: Quarta-Feira

Carta Dominante: A Roda da Fortuna, que significa Sorte em movimento. Amor: Não se intrometa em relações alheias pois poderá ser mal interpretado. Deite fora tudo o que o prejudica e tudo o que está a mais dentro de si. Saúde: Atravessa uma fase equilibrada neste campo. Dinheiro: As suas capacidades de concentração no trabalho poderão trazer-lhe alguns bons resultados. Número da Sorte: 10 Dia mais favorável: Sexta-Feira

Carta Dominante: Ás de Espadas, que significa Sucesso. Amor: Dê mais de si aos outros e deixe de se preocupar com as pequenas atribulações diárias. Que a clareza de espírito esteja sempre consigo! Saúde: Pratique exercício físico suave para relaxar. Dinheiro: Deixe os seus investimentos darem frutos. Número da Sorte: 51 Dia mais favorável: Domingo

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Balança

Escorpião

Sagitário

Carta Dominante: 4 de Ouros, que significa Projectos Amor: É provável que atravesse um período um pouco conturbado. Viva de uma forma sábia. Saúde: Não abuse da sua vitalidade e das suas energias pois poderá ficar exausto. Dinheiro: Partilhe as suas ideias com os colegas de trabalho e poderão daí advir algumas oportunidades que deve saber aproveitar. Número da Sorte: 68 Dia mais favorável: Segunda-Feira

Carta Dominante: Rainha de Ouros, que significa Ambição, Poder Amor: Aproveite bem todos os momentos a dois. É através do exercício diário da bondade que se pode tornar uma pessoa verdadeiramente realizada! Saúde: Poderá sentir alguma fadiga física. Dinheiro: Conserve todos os seus bens materiais com zelo e cuidado. Número da Sorte: 77 Dia mais favorável: Terça-Feira

Carta Dominante: A Temperança, que significa Equilíbrio. Amor: Faça um jantar especial e muito romântico para a sua cara-metade. Saúde: Procure não andar muito tenso. Aceite os erros dos outros e os seus. Dinheiro: Poderá ser surpreendido por uma factura que não esperava. Número da Sorte: 14 Dia mais favorável: Segunda-Feira

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Capricórnio

Aquário

Peixes

Carta Dominante: 8 de Paus, que significa Rapidez Amor: Se partilhar os seus problemas com alguém em quem confie verá que se sentirá bem mais leve. Saúde: Seja paciente quando o comportamento dos outros não corresponder às suas expectativas. Relaxe um pouco mais. Dinheiro: Período em que terá uma boa segurança financeira. Número da Sorte: 30 Dia mais favorável: Quinta-Feira

Carta Dominante: A Torre, que significa Convicções Erradas, Colapso. Amor: Organize um jantar para juntar os seus amigos. Nunca perca a esperança nas pessoas, invista nelas! Saúde: Momento calmo e sem preocupações. Dinheiro: Não haverá nenhuma alteração significativa. Número da Sorte: 16 Dia mais favorável: Sexta-Feira

Carta Dominante: O Eremita, que significa Procura, Solidão. Amor: Deixe de lado as mágoas e perdoe o seu próximo. Só erra quem está a aprender a fazer as coisas da maneira certa! Saúde: Tendência para problemas de memória. Dinheiro: Continue a saber gerir bem o seu dinheiro para não deixar o barco afundar-se. Número da Sorte: 9 Dia mais favorável: Sábado

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925291605

Ficha Técnica SEMANÁRIO

Director Nuno Pitti (nuno.pitti@registo.com.pt) Propriedade Nothing Else-.meios&comunicação; Contribuinte 508 561 086 Sede Travessa Ana da Silva, n.º6 -7000.674 - 266 751 179 fax 266 730847 Administração Silvino Alhinho; Joaquim Simões; Nuno Pitti Departamento Comercial Maria João (maria@ registo.com.pt) Redacção Liliano Pucarinho (liliano@registo.com.pt); Paginação Arte&Design Luis Franjoso (luis.franjoso@registo.com.pt) Fotografia Luís Pardal (luis.pardal@registo.com.pt) Impressão Funchalense – Empresa Gráfica S.A. | www.funchalense. pt | Rua da Capela da Nossa Senhora da Conceição, nº 50 - Morelena | 2715-029 Pêro Pinheiro – Portugal | Telfs. +351 219 677 450 | Fax +351 219 677 459 ERC.ICS 125430 Tiragem 10.000 ex Distribuição Nacional Periodicidade Semanal/Segunda-feira Nº.Depósito Legal 291523/09


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cultura

VEJA

LOS, ESPÉCTAU CARTAZ DE CONCERTOS ES, EXPOSIÇÕ URA E CULT

Rock indie e alternativo, à imagem dos saudosos Sonic Youth

Semana dos Sopros e da Percussão 15 a 21 de Março

19 de Março Espaço Celeiros | Rua do Eborim, 18 Horário: 24h00 Nota: Preço - 3€

Galissá e Bela Nafa Concerto Afrobeat / Roots 20 de Março

Co nvento dos Remé dios | Av. S. Sebastião

Espaço Celeiros | Rua doEborim, 18

A Semana dos Instrumentos de Sopro tem o objectivo de sensibilizar os alunos e outros possíveis visitantes para este tipo de instrumentos.

Horário: 24:00 | Info: 960 235 192 Email: pachamama@pachamama.pt Site: www.pachamama.pt Org.: Pachamama Apoio: Câmara Municipal de Évora, Assoc. PédeXumbo Nota: Entrada livre até às 23h30. Sexta + Sábado 4€

Galissá e Bela Nafa . Concerto Afrobeat / Roots

rosário para Ti Tour 2010

Rosário, actriz e cantora espanhola, duas vezes ganhadora do prémio Grammy Latino é filha de Lola Flores e de António González (El Pescadilla), criador da rumba catalana. Começou a sua carreira em 1984 e o seu repertório possui o que há de melhor em bolero, bossa nova, pop, tango, fl amenco, rumba catalana e caribenha. Com muito trabalho, seis discos de ouro e disco de platina pouco tempo depois do lançamento de seu primeiro álbum, Rosário consolida-se como cantora.

Em 2002 ganha o Grammy Latino de melhor álbum no cinema, onde interpretou a toureira Lídya no filme Habla con ella de Pedro Almodovar. Na sua visita ao Brasil, gravou a música “Riqueza” ao lado de Daniela Mercury, que é cabeça de cartaz na Ovibeja 2010. O seu último trabalho “Parte de Mi” dedica-o à memória e saudade do seu irmão, António Flores, falecido prematuramente e marca o arranque da digressão de 2010.

Integra exposições de Instrumentos musicais, visualização de filmes, audições comentadas e concertos] Horário: todo o dia | Ver programa próprio | Info: 266 746 750 Ema il: eboraemusica@mail.evora.net Site: www.eborae-musica.org Org.: Eborae Mvsica Apoio: Ministério da Cultura- Direcção Geral das Artes e Direcção Regional da Cultura do Alentejo, Câmara Municipal de Évora, Direcção Regional de Educação do Alentejo

24 de Março Teatro Municipal Garcia de Resende [Os dervixes rodopiantes obtiveram esse nome do grande poeta e místico sufi Rumi (1207-73), chamado Mevlana pelos seus discípulos. Os sufis buscam comunhão mística com Deus através de varias formas, entre elas a cerimónia envolvendo cantos, louvores, música e dança giratória. O rodopiar induz ao estado de transe que torna mais fácil a mística união espiritual com Deus. “Um giro secreto em nós faz girar o universo. A cabeça desligada dos pés, e os pés da cabeça. Nem se importam. Só giram, e giram” - Rumi]

8.º Encontro de Poesia Popular do Concelho de Sousel 21 de Março de 2010 pelas 15.00h

Horário: 21:30 Org.: Câmara Municipal de Évora Apoio: Associação de Amizade Luso Turca Obs.: Bilhetes à venda na bilheteira do TG R No ta: Preço - 8€ (menores de 25 anos e maiores de 65 anos 4€)

A poesia popular está de volta ao concelho de Sousel! A 8.ª edição deste evento que marca a cultura popular do concelho, realiza-se em Santo Amaro.

Cavalos, cultura, história e gastronomia A Coudelaria de alter do Chão apresenta-lhe tudo isto e muito mais, numa experiência que fascina pessoas de todas as idades, quer seja ou não a primeira visita! O escape relembra-lhe todo o fascínio da antiga coudelaria real, criada em 1748, e grande responsável pela criação do cavalo lusitano. As suas instalações incluem um núcleo museológico, uma escola equestre de formação e uma falcoaria. Além de toda a arte que envolve os cavalos é possível assistir de perto à forma de lidar com falcões! As actividades equestres, por parte dos Alunos da Escola Profissional de Desenvolvimento Rural de Alter do Chão realizam-se pelas 11.00. Preços da visita: Até 11 anos - grátis. Dos 12 anos aos 18 anos - 1,20 euros. Dos 19 anos aos 65 anos - 3,80 euros. Mais de 65 anos - 2,50 euros.


24 15 Mar ‘10

Sede travessa Ana da silva, n.º6 -7000.674 Tel. 266 751 179 Fax 266 730 847 Email geral@registo.com.pt

SEMANÁRIO

vendas novas

Xvi exposição colectiva de Pintura “Arte é feminino” Vinte e oito mulheres artistas participam nesta exposição colectiva de pintura para assinalar os 100 anos do Dia Internacional da Mulher. “Arte é Feminino”, é uma exposição que procura afirmar que a estética, a par das técnicas utilizadas pelas diferentes expressões artísticas, infl uenciada pelo facto do ser que se exprime estar em feminino. Aqui pretende destacar-se a importância da luta das mulheres, de várias formas e em variados cenários. A 16.ª edição desta mostra colectiva está patente até ao dia 21 de Março e conta com a presença de 28 artistas de diversos países, para além do nosso, como Espanha, Grécia, Itália, Perú e Brasil. Apesar de apresentar maioritariamente pintura, uma peça de cerâmica e uma fotografia também fazem parte da exibição. PUB

nestA ediÇÃO 03// Presidente da República no alentejo 04// Portalegre aposta na cortiça

Luis PARdAL

fotografia & texto Local da fotografia:

estação de tratamento de Resíduos

PEQUENA AJUDA

08// Turismo alentejano em congresso 16// Beja Dia mundial da poesia

15’ Mar 10

Cada vez mais existem campanhas de sensibilização para que todos nós fiquemos mais atentos à descontrolada poluição que existe neste planeta. Por falta de civismo, desinteresse e despreocupação, o acto de “atirar” um papel para o chão está tão banalizado que dificilmente de um dia para o outro se educa uma sociedade para parar de poluir. Quantos de nós não presenciamos um caixote do lixo a quinze metros e mesmo assim alguém se dignou a atirar um plástico para o chão? Tem que se dar trabalho a todos não é? Até tem lógica, se não fosse um disparate completo.

Aquela máxima de que “burro velho já não aprende” não se deve aplicar aqui, porque estamos a apostar na formação cívica dos mais jovens contra a poluição mas esquecessem de que se os pais não aprendem bem a matéria, os filhos um dia mais tarde tendem a seguir os exemplos parentais. Por todos estes factores, está a criar-se uma iniciativa para breve. O projecto “Limpar Portugal” está marcado para dia 20 de Março e já conta com dezenas de milhares de voluntários que vão limpar as lixeiras de todos os conselhos de Portugal.

Este projecto realizado pela primeira vez na Estónia em 2008, criou uma grande expectativa e posteriormente um enorme sucesso junto de todo o mundo. Nem sempre a palavra “copiar” pode ser levada para o mau sentido. Portugal “copiou” este projecto e por certo muitos mais países vão seguir estas pisadas. Vamos todos dar uma pequena ajuda, pelo menos a não sujar mais este mundo. O projecto “Limpar Portugal” tem a duração de apenas um dia e nós enquanto cidadãos devemos prolongar mais tempo a iniciativa, talvez por tempo indeterminado.


Registo Ed97