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SEMANÁRIO

Director Nuno Pitti Ferreira | 22 de Dezembro de 2011 | ed. 186 | 0.50€

D.R.

Câmara de Évora aprova orçamento

Comércio Sucesso em tempo de crise

Economia A Câmara de Évora aprovou o plano de actividade e orçamento

para 2012, no valor de 102 milhões de euros. Os documentos, que vão ser submetidos à aprovação da Assembleia Municipal, passaram com os votos favoráveis dos vereadores do PS, a abstenção do PSD e os votos contra dos autarcas da CDU. Previstos aumentos na tarifa de água. PCP diz ser necessário “saneamento financeiro” da autarquia.

Pág.08 Há três anos o grupo DouD.R.

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O Melhor Petisco | Rua Catarina Eufémia , 14 Horta das Figueiras | 7005-320 Évora 266771284

rado Distribuição decidiu investir numa loja gourmet no centro de Évora, para dar mais visibilidade aos produtos que a empresa há décadas distribuiu por todo o país, sobretudo no sector vinícola. Este ano, apesar da crise, a loja aumentou o volume de facturação em 23%. D.R.

Campo Maior “Case study” demográfico Pág.09 O concelho de Campo Maior

é o único do distrito de Portalegre e um dos poucos alentejanos que ganhou população na última década, com um aumento de 4,84 por cento, segundo dados dos Censos 2011.

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Trabalho escravo preocupa bispo D. Vitalino Dantas denuncia intermediários que exploram trabalhadores asiáticos. O bispo de Beja denuncia indícios de “trabalho escravo” de asiáticos. A propósito do Dia Internacional do Migrante, D. Vitalino Dantas regista que há estrangeiros a trabalhar dia e noite em explorações agrícolas alentejanas.

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“Em certos sectores, especialmente na Agricultura, faz recurso a grandes grupos sobretudo de países asiáticos que vêm e ficam quase num gueto…ali fechados. Creio que haverá talvez alguma espécie de trabalho

escravo. Estão habituados lá nos seus países a um trabalho mais escravo ainda sem grandes direitos”. As autoridades policiais garantem que vão reforçar a vigilância.


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22 Dezembro ‘11

A Abrir

Não pagamos? António Costa da Silva Economista

José Sócrates, ex-primeiro ministro de Portugal, defendeu numa Conferência em Paris, que é essencial apostar no financiamento para desenvolver a economia. “Para pequenos países como Portugal e Espanha, pagar a dívida é uma ideia de criança. As dívidas dos Estados são por definição eternas. As dívidas gerem-se. Foi assim que eu estudei”, afirmou o ex-primeiro ministro José Sócrates, em Paris. Ainda a procissão se encontrava no adro e vem o vice-presidente da bancada parlamentar do PS, Pedro Nuno Santos, num jantar de Natal do PS em Castelo de Paiva, lançar mais gasolina para esta vasta fogueira. Deixou-nos umas “brilhantes” frases que também se tornaram célebres. Até parece que esta triste ideia pegou dentro do principal partido da oposição. “Estou a marimbar-me que nos chamem irresponsáveis. Temos uma bomba atómica que podemos usar na cara dos alemães e franceses. Essa bomba atómica é simplesmente não pagarmos [a dívida].” Esta foi uma das frases mais bombástica usada por este protagonista. “Ou os senhores se põem finos ou nós não pagamos”, acrescentou Pedro Nuno Santos. Mais: “Se não pagarmos a dívida e se lhes dissermos, as pernas dos banqueiros alemães até tremem.” Foi assim que este elemento do PS se referiu à forma de pagamento da divida do estado português. Parece-me que o mundo está a ficar virado às avessas. Como é que estas pessoas têm o descaramento de afirmarem da não necessidade em se honrarem os compromissos do estado português? Pessoas estas, com fortíssimas responsabilidades na divida criada aos portugueses. Num período em que é pedido um esforço colossal aos portugueses, às suas empresas e ao próprio estado, como é possível tamanho descaramento? Se ainda restassem algumas dúvidas, ficamos a perceber como é que estas pessoas encaram o problema da dívida, da sua expansão e do seu pagamento. Por isso chegámos à situação em que nos encontramos. Foi graças a estes senhores que o País ficou altamente condicionado, inclusive na sua autonomia, perante organizações internacionais que esperam uma resposta responsável dos governantes e de todos os portugueses. O que se fez em Portugal ao longo dos últimos anos foi altamente desastroso. Sofremos agora por todos esses males então criados. Temos o Governo português a procurar corrigir o mais rapidamente possível todos estes problemas. Estas correcções são dolorosas,

mas não podemos esquecer quem são os responsáveis pela criação desta tormentosa situação, a qual temos obrigatoriamente de nos livrar. Com a comunidade internacional e os nossos credores com os olhos postos em nós, este tipo de afirmações vêm prejudicar ainda mais o nosso País. Espero que o principal partido da oposição assuma as suas responsabilidades e que contribuía para a resolução dos problemas existentes. Não estamos em maré de demagogias baratas, mas sim numa fase em que o contributo positivo de todos é fundamental. È também fundamental reagir a esta crise e perspectivar um futuro melhor para todos os portugueses. É este o meu desejo de Natal.

Pedro Henriques | Cartoonista www.egoisthedonism.wordpress.com

“Kim Jong-Il”

A morte saiu à rua num dia assim Vão dizendo em toda a parte o Pintor morreu (Zeca Afonso) Clara Grácio

Professora na Universidade de Évora

Fez esta semana, precisamente 50 anos, que, «a morte saiu à rua», e a famigerada PIDE assassinou, a tiro, o artista militante José Dias Coelho, assinando um dos seus múltiplos e hediondos crimes. Em todos os tempos a cultura sempre foi perseguida pelos opressores, e a actual opressão por uma entidade parda, denominada os mercados, não é excepção. A cultura e o conhecimento, podem ser, e são, caminhos para a aquisição da autonomia, da consciência crítica e da transformação social na medida em que reflectem, criticam e denunciam as desigualdades e os abusos por parte dos opressores. “Sem a cultura, e a liberdade relativa que ela pressupõe, a sociedade, por mais perfeita que seja, não passa de uma selva. É por isso que toda a criação autêntica é um dom para o futuro.” (Albert Camus) Como é dito no Manifesto em defesa da Cultura, recentemente apresentado por um grupo de personalidades ligadas à cultura, tais como Alice Vieira, José Barata Moura, ou João Botelho, “A Cultura enquanto serviço público que assegura o direito de todos ao acesso, à criação e à fruição cultural. A Cultura, elemento central na formação da consciência da soberania e da identidade nacional, dialogando, de igual para igual, com toda a cultura de todos os povos do mundo. A Cultura, com o seu imenso potencial de criação, liberdade, trans-

formação e resistência. A Cultura que, tal como a emancipação do trabalho, é parte essencial do património do futuro.” Infelizmente, no nosso concelho, a política cultural é um autêntico desastre, com os agentes culturais em situação de ruptura e com a gestão PS sem qualquer capacidade de realização de actividades culturais de relevo. Exemplo desta lamentável situação, é a situação dramática vivida pela companhia teatral CENDREV, situação que se deve aos cortes impostos pelo anterior, e pelo actual Governo, e ao atraso no pagamento dos subsídios municipais. Como é dito no texto da petição, «O Homem não se alimenta só de pão», que está a correr on-line, “Cada vez que uma companhia de teatro desaparece, é Mozart que assassinam, podia ter dito Saint-Exupéry. Virá a cidade de Évora a ser o local dessa acção criminosa?” Outros exemplos são altamente alarmantes, como o encerramento do Museu do Artesanato, património das artes populares, importante instrumento da salvaguarda da nossa identidade, ou a desclassificação do Museu de Évora através da passagem da sua tutela do Instituto dos Museus e Conservação (IMC) para a Direcção Regional de Cultura do Alentejo (DRCA), desaparecendo assim o único museu que ao sul do Tejo fazia parte da rede pública de museus.

Mas, como diz Barata Moura, “O Portugal de Abril não é um episódio revoluto, não é um capítulo encerrado, não é uma galeria de esperanças desmaiadas. O Portugal de Abril, uma vez lançado às águas da história do nosso povo, é uma obra de muitos maios que continua a desafiar a imaginação, a lucidez, o trabalho, de um destino colectivo nosso que – apesar, dentro e para além de todas as vicissitudes desfavoráveis e contrárias – não abdicamos de escrever e de inscrever no corpo das realidades.”

“Em todos os tempos a cultura sempre foi perseguida pelos opressores, e a actual opressão por uma entidade parda, denominada os mercados, não é excepção”.

Ficha Técnica SEMANÁRIO

Director Nuno Pitti Ferreira (nuno.pitti@registo.com.pt) Editor Luís Godinho Propriedade PUBLICREATIVE - Associação para a Promoção e Desenvolvimento Cultural; Contribuinte 509759815 Sede Rua Werner Von Siemens, n.º16 -7000.639 Évora - Tel: 266 751 179 fax 266 751 179 Direcção Silvino Alhinho; Joaquim Simões; Nuno Pitti Ferreira; Departamento Comercial Teresa Mira (teresa.registo@gmail.com) Paginação Arte&Design Luis Franjoso Cartoonista Pedro Henriques (pedro.henriques@registo.com.pt); Fotografia Luís Pardal (editor) Colaboradores Pedro Galego; Carlos Moura; Capoulas Santos; Carlos Sezões; Margarida Pedrosa; António Costa da Silva; Marcelo Nuno Pereira; Eduardo Luciano; José Filipe Rodrigues; Luís Martins; José Rodrigues dos Santos; José Russo; Figueira Cid Impressão Funchalense – Empresa Gráfica S.A. | www.funchalense.pt | Rua da Capela da Nossa Senhora da Conceição, nº 50 - Morelena | 2715-029 Pêro Pinheiro – Portugal | Telfs. +351 219 677 450 | Fax +351 219 677 459 ERC.ICS 125430 Tiragem 10.000 ex Distribuição Nacional Periodicidade Semanal/Quinta-Feira Nº.Depósito Legal 291523/09 Distribuição Miranda Faustino, Lda


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Actual

Documento aprovado com os votos favoráveis dos autarcas do PS, abstenção do PSD e votos contra do PCP.

Câmara de Évora aprova orçamento de 102 milhões

Orçamento “passou” na Câmara mas ainda irá a debate na Assembleia Municipal de Évora. O vereador da CDU Eduardo Luciano considera o documento “extraordinariamente empolado” e dá como exemplo a receita deste ano: “A receita previsível de 2011 são 40 milhões de euros”, pelo que “um orçamento de 102 milhões está, claramente, desfasado da realidade”, refere (ver caixa). Já o vereador social-democrata António Dieb destacou que o PSD “conseguiu que, pela primeira vez em muitos anos, fosse analisada toda realidade do município e apresentado um orçamento com valores reais e totais dos compromissos assumidos”. “O que se passou na câmara foi que du-

rante vários anos não foram orçamentados compromissos assumidos e aquilo que se passa, neste momento, é que a verdade está explanada neste documento”, afirmou o autarca à Diana FM. António Dieb referiu ainda que é necessário encontrar “instrumentos adequados”, para ser “possível regularizar os compromissos perante os fornecedores e atingir o reequilíbrio financeiro”. O plano e o orçamento do município foram aprovados na sexta-feira, em reunião de câmara extraordinária, com os votos favoráveis dos três eleitos do PS, a abstenção do vereador do PSD e os votos contra da CDU.

Luciano defende “saneamento” PCP critica “desequilíbrio financeiro” da CME. O vereador do PCP na Câmara de Évora, Eduardo Luciano, diz que a situação da autarquia é “claramente de desequilíbrio financeiro conjuntural” que “aponta para a necessidade imperiosa de se avançar de imediato para um plano de saneamento financeiro”. “A questão que se coloca hoje à maioria que gere o município é, para quando um plano de pagamentos e que plano de pagamentos, sendo certo que a lei o irá impor”. “Estes documentos previsionais reflectem a real dimensão do desastre financeiro a que a gestão do PS e o garrote financeiro dos sucessivos governos conduziram o município de Évora, estando plasmado nos seus números a dívida colossal do município”, acrescenta Eduardo Luciano, considerando tratar-se de um orçamento “gravoso” para os munícipes

Filósofo com Prémio Pessoa

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Presidente da autarquia quer aceder a crédito para pagar a fornecedores, incluindo à empresa Águas do Centro Alentejo. A Câmara de Évora aprovou o plano de actividade e orçamento para 2012, no valor de 102 milhões de euros. Os documentos, que vão ser submetidos à aprovação da Assembleia Municipal, passaram com os votos favoráveis dos vereadores do PS, a abstenção do PSD e os votos contra dos autarcas da CDU. O presidente da autarquia alerta no entanto para a dificuldade em atingir os objectivos em termos de receita só com recursos próprios da autarquia. “Tudo depende da vontade que o Governo tiver em criar mecanismos legislativos que permitam à câmara, a prazo, ter acesso a crédito que nos permita atingir esse valor”, diz José Ernesto Oliveira. De acordo com o autarca, o montante de 102 milhões de euros corresponde à verba necessária para manter a actividade da Câmara e “pagar toda a dívida que temos a fornecedores”, entre os quais a Águas do Centro Alentejo. “Se o Governo vier a decidir criar linhas de crédito ou perspectivas de contracção de empréstimo, tal como o próprio tem em exercício com a chamada ajuda externa, e se isso for possível aos municípios, conseguiremos as verbas necessárias para cumprir este orçamento”. Caso contrário, “o município por si só terá muitas dificuldades em concretizar os objectivos do orçamento”.

Eduardo Lourenço

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uma vez que “não haverá qualquer obra nova a realizar nem investimento relevante a concretizar. Para o vereador do PCP trata-se de um orçamento que para “tentar minimizar” os efeitos da “opção desastrosa de aderir ao sistema multimunicipal da Águas do Centro Alentejo” prevê um “aumento brutal das receitas provenientes da água e saneamento o que irá significar um aumento preço da água aos consumidores na mesma proporção”. Luciano reforça que no exercício de 2011 a CME “apresentou um orçamento corrigido de 71,6 milhões de euros. “Até ao final de Setembro a CME conseguiu executar o valor de 28,6 milhões de euros. Projectando este valor prevê-se que a CME conseguirá, na melhor das hipóteses, uma execução de 40 milhões de euros”. “Reproduzindo, de forma muito optimista, esta realidade para 2012 percebe-se claramente que este não é seguramente um orçamento de verdade”, assinala.

Eduardo Lourenço, ensaísta, filósofo, professor universitário e prémio Vergílio Ferreira da Universidade de Évora em 2001, foi distinguido com o prémio Pessoa 2011 pelo seu trabalho de reflexão crítica ao longo de mais de meio século. A reedição da obra completa do ensaísta, um projecto coordenado cientificamente pela Universidade de Évora e financiado pela Fundação Gulbenkian, foi um dos motivos para a atribuição do prémio. O júri do prémio refere que “num momento crítico da História e da sociedade portuguesa, torna-se imperioso e urgente prestar reconhecimento ao exemplo de uma personalidade intelectual, cultural, ética e cívica que marcou o século XX português”. Para o júri, do qual Eduardo Lourenço foi membro até 1993, este prémio pretende prestigiar o filósofo e a sua intervenção na sociedade, “ao longo de décadas de dedicação, labor e curiosidade intelectual, que o levaram à constituição de uma obra filosófica, ensaística e literária sem paralelo”.

Évora

Transportes à “borla” Em Dezembro a TREVO, empresa de transportes colectivos urbanos de Évora, volta a recuperar a acção “Trevolivre”. Durante todos os sábados, os clientes vão poder viajar na Linha Azul gratuitamente e fazer as suas compras de Natal no comércio tradicional de Évora. Esta iniciativa que tem reunido muito sucesso junto da população tem como objectivos promover e incentivar o recurso ao transporte colectivo. “Esta acção permite dar a conhecer os serviços da TREVO e as suas vantagens, bem como permitir que toda a população possa deslocar-se confortavelmente para fazer as suas compras de Natal e usufruir do nosso serviço de forma gratuita”, diz Pedro Deus, administrador da empresa.


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22 Dezembro ‘11

Actual Agregados familiares indicados por associações de solidariedade receberam vales de compras de 50 euros.

Campanha de Natal apoia 210 famílias carenciadas

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1,4 milhões para biblioteca

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Campanha envolveu 500 pessoas nos concelhos de Évora e Viana do Alentejo. A Câmara Municipal de Évora decidiu neste Natal utilizar a maior parte da verba disponível para as iluminações de Natal no apoio às famílias mais carenciadas do concelho. Denominada “Évora, distrito mágico”, a campanha foi desenvolvida em parceria com a Associação Comercial do Distrito de Évora e permitiu distribuir 10 mil euros em vales de compras por famílias carenciadas do concelho. Os agregados familiares foram referenciados pelas associações Pão e Paz e Cáritas Diocesana, sendo os vales, no montante de 50 euros, utilizados em estabelecimentos comerciais do concelho que aderiram à iniciativa. No total foram apoiados 210 agregados familiares, totalizando mais de 500 munícipes. A vereadora da Câmara de Évora, Cláudia Sousa Pereira, explicou que tal acção se insere na relação entre a Câmara e a Associação Comercial no que concerne à iluminação das ruas do Centro Histórico nesta quadra festiva, a qual visa atrair um maior número de pessoas ao centro da cidade e assim dinamizar mais as vendas no comércio tradicional. “Este ano nós preferimos trocar a vertente estética pela vertente solidária, ou seja, daquilo que estava previsto gastar em iluminações de rua retiramos apenas uma pequena verba para as iluminações que este ano estão aí e a maior parte da verba optámos por entregá-la às pessoas mais carenciadas”. “Juntamente com duas associações que trabalham directamente com pessoas e famílias carenciadas - a Pão e Paz e a Caritas Diocesana - fizemos uma selecção dos mais carenciados e entregámos-lhe vales no valor de 50 euros para utilizar em compras no comércio tradicional”, acrescenta Cláudia Sousa Pereira.

Reguengos

Vales de compras podem ser trocados no comércio tradicional. Segundo a autarca, “por ser novidade”, a iniciativa ainda não conta com uma grande adesão de representantes do comércio tradicional fora do Centro Histórico, mais concretamente nos bairros e nas freguesias. “Trata-se de uma iniciativa muito válida, que vai representar o princípio de uma relação ainda melhor com a Associação Comercial, não só na época natalícia, como noutras situações, nomeadamente na dinamização do Centro Histórico”, refere. Em comunicado, a Associação Comercial do Distrito de Évora manifestou a sua satisfação pela forma como decorreu a campanha, não apenas em Évora mas também em Viana do Alentejo. “Esta iniciativa propõe-se lançar uma onda de solidariedade entre todos, uma vez que ao fazerem-se as compras de Natal, nas lojas aderentes, se está a entrar numa cadeia de solidariedade entre os consumidores, o comércio local e os municípios”, refere este organismo.

Velas solidárias O coordenador da operação de Natal “10 milhões de estrelas – um gesto para a paz” considera que os portugueses “estão mobilizados” para a iniciativa cujas receitas revertem em 65% para as diversas Caritas diocesanas espalhadas pelo país, que se debatem actualmente com falta de recursos para responderem a um número crescente de famílias em dificuldades. Todos os meses surgem cerca de 1400 novos pedidos de ajuda, o que equivale a uma média de 17 famílias por dia. Através da compra de uma vela (1 euro), os portugueses vão estar também a contribuir (35% do montante recolhido) para apoiar as populações desfavorecidas da Somália, pais do nordeste africano que se debate hoje com a pior seca dos últimos 60 anos.

O município de Reguengos de Monsaraz assinou o contrato de consignação das obras para a instalação da Biblioteca Municipal no Palácio Rojão (antigo Palácio dos Condes de Monsaraz), um edifício construído em meados do século XIX. Segundo a autarquia, a instalação da Biblioteca Municipal representa um investimento de quase 1,4 milhões de euros, valor que integra a obra de construção civil, informatização, aquisição de mobiliário e uma colecção inicial de livros. “Construir uma biblioteca moderna, agradável e bem equipada será muito importante para o processo educativo dos alunos que frequentam os estabelecimentos de ensino do concelho, mas é também um espaço adequado para que todos os interessados possam consultar a vasta documentação e bibliografia existente no Arquivo Municipal”, diz o presidente da autarquia, José Calixto. O Palácio Rojão, edifício que ao longo da sua existência tem estado ligado à cultura e à educação, albergando durante várias décadas as escolas do ensino preparatório e secundário, localiza-se no centro da cidade e tem uma tipologia que corresponde à de uma casa apalaçada com a arquitectura exterior marcada por uma fachada principal com andar nobre com 14 janelas de sacada iguais e uma de maior altura implantada no eixo da entrada. Interiormente, o edifício dispõe de várias dependências com pinturas murais e de tecto a cal e a fresco, nomeadamente nos átrios, na escadaria e numa das salas do segundo piso.

Servas ganham PME Líder O produtor alentejano Serrano Mira Sociedade Vinícola que gere a Herdade das Servas, em Estremoz, acaba de ser distinguido pelo Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação (IAPMEI) como estatuto de PME Líder, atribuído no âmbito do Programa FINCRESCE a empresas nacionais com perfis de desempenho superiores. “É com muito entusiasmo que recebemos esta distinção. É importante na medida em que reforça a imagem e notoriedade da Herdade das Servas, mas acima de tudo porque reflecte a qualidade do nosso trabalho num contexto económico e empresarial”, assinalam os proprietários das Herdade das Servas, Carlos e Luís Serrano Mira. “Investimento, criação de emprego, inovação e internacionalização são, cada vez mais, palavras de ordem no seio da

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Herdade das Servas.” As PME Líder são empresas que pelas suas qualidades de desempenho e perfil de risco se posicionem como motor da economia nacional em diferentes sectores de actividade, prosseguindo estratégias de crescimento e liderança competitiva.


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Actual

D. Vitalino Dantas diz ter constatado a presença de intermediários que exploram trabalhadores asiáticos.

Bispo de Beja denuncia ”indícios“ de trabalho escravo no Alentejo Sindicato confirma suspeitas. Autoridades vão reforçar vigilância. O Bispo de Beja denuncia indícios de “trabalho escravo” de asiáticos no Alentejo. Em declarações feitas à Renascença a propósito do Dia Internacional do Migrante, D. Vitalino Dantas regista que há estrangeiros a trabalhar dia e noite em explorações agrícolas alentejanas. “Em certos sectores, especialmente na Agricultura, faz recurso a grandes grupos sobretudo de países asiáticos que vêm e ficam quase num gueto…ali fechados. Creio que haverá talvez alguma espécie de trabalho escravo. Estão habituados lá nos seus países a um trabalho mais escravo ainda sem grandes direitos”. O bispo lembra que ainda que algumas destas explorações foram visitadas recentemente por Cavaco Silva. “Ainda no outro dia lá visitava uma exploração agrícola e fez grandes elogias, mas a grande maioria das pessoas que lá trabalham são

mas há pólos e alturas do ano, nomeadamente nestas fases em que há mais necessidade de mão-de-obra, em que há o aproveitamento claro destas pessoas, aproveitando o seu desconhecimento da legislação portuguesa. São pessoas que são quase importadas e colocadas no nosso país de formas enviesadas, ou até ilegais”, confirma Casimiro Santos, coordenador da União dos Sindicatos do Distrito de Beja.

grupos vindos da Ásia que se sujeitam àquele ritmo de trabalho sazonal quase dia e noite”. Durante as suas visitas pastorais, D. Vitalino Dantas diz ter constatado a presença de intermediários que exploram os asiáticos no Alentejo, os quais vivem num nível de vida superior à custa dos que trouxeram. “Não digo que seja generalizado,

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Despesas familiares

Inovação

Alentejo no fim da lista

Arraiolos ganha prémio

A despesa anual média dos agregados familiares é de 20 400 euros de acordo com Inquérito às Despesas das Famílias 2010/2011. As famílias alentejanas são as que têm menos recursos, ficando 17,8% abaixo da média nacional. O valor de despesa representa um aumento de 15,9% em termos nominais e de 5,9% em termos de volume, face aos resultados apurados em 2006. Estima-se que 57,0% da despesa anual média dos agregados familiares corresponde a despesas em habitação (29,2%), em transportes (14,5%) e em produtos alimentares (13,3%). Segundo o Instituto Nacional de Estatística, em 2010/2011, a despesa anual média é superior à média nacional apenas nas regiões de Lisboa e Norte, mais significativamente no caso da primeira (+9,7%) do que na segunda (+1,3%). No conjunto das restantes regiões, as diferenças face à média nacional são as seguintes: no Alentejo -17,8%, na Região Autónoma dos Açores -11,6%, na Região Autónoma da Madeira -8,9%, no Centro -6,0% e no Algarve -2,1%. Face a 2005/2006, o nível de despesa anual média por agregado regista acréscimos na ordem dos 20% na maioria das regiões, apontando para uma redução das assimetrias: +21,6% na região Norte, +20,2% no Centro, +20,0% na Região Autónoma da Madeira e +19,2% no Alentejo. Estima-se que 57,0% dos gastos familiares correspondam a despesas em habitação (29,2%), em transportes (14,5%) e em produtos alimentares (13,3%).

Pelo terceiro ano consecutivo, o Prémio Auroralia – organizado em conjunto pela LUCI e pela Schréder – premeia as melhores iniciativas em termos de iluminação urbana sustentável. O júri escolheu atribuir os prémios a Arraiolos (Portugal), Nivelles (Bélgica) e St. Helens (Reino Unido), assim como uma menção especial a Remchingen (Alemanha). No caso da vila alentejana o projecto consistiu na iluminação do centro histórico com tecnologia LED, tendo sido completamente renovada as luminárias convencionais equipadas com lâmpadas tradicionais de vapor de mercúrio. O objectivo foi triplo: aumentar o nível de iluminação, oferecer uma luz com melhor qualidade e reduzir de forma rigorosa o consumo energético e as emissões de CO2. Ao projectar uma luz branca quente, as 401 Rivara – cujo nome é uma homenagem a um ilustre cidadão da vila, escritor e homem de estado do século XIX – oferecem uma “excelente restituição cromática e um grande conforto visual”.

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A sazonalidade acaba por “potenciar a exploração de homens e mulheres” provenientes de países onde o trabalho muitas vezes também se assemelha à “escravatura”. Na sequência da denúncia de D. Vitalino Dantas, as autoridades policiais decidiram reforçar a vigilância aos campos agrícolas do Alentejo para encontrarem eventuais casos de exploração laboral e escravatura. Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) e GNR dizem estar preocupados, sobretudo, com os trabalhos sazonais, como é o caso da apanha da azeitona, que leva para a região um grande número de imigrantes, a maioria oriunda de países de Leste. “A existirem, estas situações afectarão sobretudo cidadãos estrangeiros, a trabalharem em condições precárias e que ficam na região alguns meses”, disse ao Correio da Manhã fonte da GNR envolvida na operação ‘Azeitona Segura’, que vigia os campos agrícolas durante esta campanha no olival, que decorre até final de Fevereiro.


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Actual Ministra da Agricultura visitou herdade em Monforte onde decorre a parte experimental do projecto. D.R.

Universidade de Évora constrói máquina para apanha de azeitona Equipamento em fase de pré-produção destina-se a olivais intensivos. Sofia Ascenso | Texto

Assunção Cristas e o reitor da Universidade de Évora, Carlos Braumann, na Torre das Figueiras. PUB

A Universidade de Évora está a desenvolver o projecto de uma máquina de colheita em contínuo de azeitona. O equipamento, em versão pré-produção, foi apresentado no olival da Herdade da Torre das Figueiras, em Monforte, onde está a ser desenvolvida a parte experimental, e contou com a presença da Ministra da Agricultura, Assunção Cristas. O equipamento está vocacionado para

o olival intensivo, com cerca de 400 árvores por hectare, e destaca-se pela abordagem lateral feita às árvores, pelo uso do tractor agrícola como fonte de potência e pela versatilidade e adaptabilidade a qualquer exploração. A linha de trabalho na mecanização da olivicultura teve início em 1995, quando os investigadores se começaram a aperceber do desenvolvimento do sector da olivicultura em Portugal e do seu potencial económico mas também do facto de se tratar de uma área muito deficitária em termos de tecnologia. Entre o olival tradicional, suportado essencialmente por mão-de-obra, e o olival super intensivo com uma tecnologia apurada, baseada nas máquinas de vindimar, nasce para um nicho de mercado, o projecto da Universidade de Évora: duas máquinas, simétricas, com peças em comum que abordam a linha de arvores lado a lado. Neste momento, o projecto entra na fase de desenvolvimento de produto, fase em que as universidades e os centros de investigação já não costumam estar envolvidos. “Se houvesse financiamento para construir mais máquinas, seriam os próprios olivicultores que nos dariam o feedback, mas para isso é preciso dinheiro. Outra hipótese é vender a ideia a um grande fabricante que continue o processo” refere o professor Oliveira Peça, um dos investigadores do projecto. “Juntar a universidade e as empresas no desenvolvimento de uma máquina inovadora demonstra que, com inovação, agregação de vontades e espírito de equipa, é possível gerar conhecimento e inovação em Portugal e a agricultura precisa disso”, diz Assunção Cristas. A presença dos jovens estudantes de licenciatura e de mestrado da UE no terreno a operar a máquina é “um belíssimo exemplo” segundo a ministra, que “inspira, estimula e dá boas perspectivas de esperança neste sector”. “Precisamos que os jovens venham para a agricultura e ponham a mão na terra. Esta ideia de que temos um sector dinâmico e inovador que apela aos jovens é muito importante porque precisamos de fazer esta renovação no mundo da agricultura”.

Internet, antes das compras Um estudo recente do Observador Cetelem revela que são os jovens, entre os 18 e os 24 anos, a faixa etária que mais consulta a Internet antes de efectuar as compras de Natal. O estudo mostra também que os indivíduos entre os 55 e os 65 anos não fazem uma pesquisa prévia na Internet antes de iniciar as suas compras. Num panorama geral, os consumidores portugueses recorrem pouco à Internet como meio de consulta para fazer as suas compras de Natal. Apenas 12% dos inquiridos admite fazer uma pesquisa prévia antes de adquirir algum presente.


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Exclusivo Caso de sucesso em tempos de crise. Grupo Dourado factura dois milhões de euros por ano. D.R.

Loja “gourmet” aumenta facturação em 23% Empresa aposta em produtos alimentares. Pedro Galego | Texto Há três anos o grupo Dourado Distribuição decidiu investir numa loja gourmet no centro de Évora, para dar mais visibilidade aos produtos que a empresa há décadas distribuiu por todo o país, sobretudo no sector vinícola. A Divinus Gourmet é hoje um caso de sucesso, e mesmo em tempo de crise registou uma subida de facturação, em relação a 2010, de 23 por cento. Os escaparates da loja na praça 1º de Maio são compostos pelos vinhos e sabores, sobretudo alentejanos, que fazem as delícias dos apreciadores de enchidos, chocolates, compotas, licores, biscoitos, especiarias, ervas secas, patés, queijo, entre muitos outros. O espaço rege-se através da exposição de variadíssimos e origi-

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nais produtos, complementados com uma área onde se podem apreciar e degustar vinhos ou outros produtos sentado nos sofás ou nas várias mesas disponíveis. “Por sermos tão novos no mercado ainda não sentimos a crise, e felizmente temos subido sempre as vendas ano após ano. O grupo Dourado factura anualmente cerca de dois milhões de euros, tendo a loja um peso de 120 mil euros”, disse ao Registo Sandra Dourado, uma das responsáveis pela Divinus. Os clientes são sobretudo turistas estrangeiros que fazem questão levar recordações saborosas da passagem pelo Alentejo, mas os eborenses também começaram a aderir ao conceito, sobretudo em épocas de maior consumo, como o Natal. “A mentalidade das pessoas mudou e a crise também as ensinou a gastar no que é necessário em vez do acessório. E preferem a qualidade à quantidade”, con-

siderou o rosto de um caso de sucesso no comércio tradicional. “As pessoas por estes dias têm procurado de tudo. Deste as garrafas de vinho, aos outros produtos alimentares. Os cabazes que combinam vários produtos também têm sido um sucesso”, explicou Sandra Dourado. Muito do sucesso da Divinus Gourmet também se deve à localização estratégica, junto ao Mercado Municipal, espaço recentemente remodelado e que ganhou nova vida. “Este espaço foi-nos apresentado pelo Departamento de Desenvolvimento Económico da Câmara, achámos muito interessante e decidimos avançar, aproveitando para reestruturar a empresa e adoptar uma filosofia diferente, tirando partido da nossa experiência na distribuição dos melhores vinhos da região”, sublinhou. A empresa está também aos poucos a apostar em produtos de qualidade de outras regiões.


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Exclusivo Censos regista aumento populacional de 4,84% . Um “case study”, diz o presidente da autarquia. D.R.

Campo Maior contraria despovoamento Concelho cresce à “sombra” da Delta. Pedro Galego | Texto O concelho de Campo Maior é o único do distrito de Portalegre e um dos poucos alentejanos que ganhou população na última década, com um aumento de 4,84 por cento, segundo dados dos Censos 2011. O autarca campomaiorense diz mesmo que se pode tratar de “um case study” e que este dado justifica-se sobretudo com a importância das empresas da região, cuja âncora económica é representada pela Delta Cafés, da família Nabeiro. “A vila tem muito para oferecer, estando a base do aumento populacional na fixação empresarial”, disse recentemente à comunicação social o autarca da vila raiana. Segundo os dados preliminares dos Censos 2011 e em compa-

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ração com os Censos 2001, apenas cinco dos 47 concelhos do Alentejo ganharam população na última década, tendo Sines registado a maior subida (5,03 por cento). Esta tendência positiva de Sines só é seguida pelos municípios de Campo Maior (aumento de 4,84 por cento), Viana do Alentejo (2,33), Vendas Novas (1,88) e Évora (0,98). Em 2001, a região contava com 535 753 habitantes, mas nos Censos 2011 já só são contabilizados 510 906 moradores, o que traduz menos 24 847 pessoas a residirem no Alentejo. O segredo do sucesso, a fixação empresarial, que leva a que haja mais população a querer residir naquele concelho, muito se deve ao trabalho desenvolvido nas últimas décadas pela Delta Cafés. Fundada em 1961 pelo comendador Rui Nabeiro, a Delta é uma empresa especializada na torra e comercialização de café. Líder no mercado nacional, ex-

porta para mais de duas dezenas de países e selecciona origens provenientes dos quatro cantos do mundo. “É uma empresa com gestão de rosto humano, cujos valores assentam numa atitude responsável para com o futuro do planeta”, refere o grupo que emprega cerca de dois mil colaboradores nas várias empresas sedeadas por todo o país, mas cuja casa mãe sempre esteve em Campo Maior. O concelho, segundo os dados dos Censos 2011 tem actualmente 8793 habitantes. Este ano ficou também marcado na localidade pela realização das Festas do Povo, conhecidas internacionalmente pelas dezenas de ruas enfeitadas com flores de papel e que nesta última edição receberam perto de um milhão de habitantes, entre os quais as principais figuras do Estado, como o Presidente da República, Cavaco Silva, e o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.


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Exclusivo

SEMANÁRIO

Estimativas apontam para a existência de 1,5 milhões de espécies de fungos em todo o mundo.

Os cogumelos - Diversidade e ecologia Todos os anos, com a chegada do Outono e das primeiras chuvas surgem súbita e misteriosamente os cogumelos silvestres vestindo os nossos prados, florestas, parques e jardins, com uma enorme panóplia de cores e formas, dando origem a um espectáculo de incontestável beleza. Contudo, o que nós observamos é apenas “a ponta do iceberg”. Celeste Santos e Silva

Celeste Santos e Silva e Rogério Louro Universidade de Évora Tal como os frutos produzidos pelas plantas, os cogumelos são estruturas reprodutoras produzidas por fungos, durante uma fase do seu ciclo de vida, e que representam a única parte visível destes mesmos seres vivos. Mas nem todos os fungos possuem estruturas reprodutoras macroscópicas (ou visíveis a olho nu) e como tal o termo cogumelo frequentemente aplica-se apenas às estruturas reprodutoras formadas durante a reprodução sexuada em alguns grupos de fungos, nomeadamente nos Basidiomycota e Ascomycota. Estimativas recentes apontam para a existência de aproximadamente 1,5 milhões de espécies de fungos em todo o mundo, das quais cerca de 55000 são produtoras de cogumelos (macrofungos). Esta enorme diversidade faz do reino Fungi um dos maiores grupos de organismos conhecidos, podendo ser encontrados praticamente em todos os habitats naturais e semi-naturais, desde as florestas tropicais às planícies geladas da Antártida. Contudo é nos ecossistemas florestais onde estes encontram o seu óptimo ecológico, ou seja, as condições ideais para se instalarem. Estas condições diferem de espécie para espécie e estão relacionadas, principalmente, com o seu modo de nutrição. À semelhança dos animais e contrariamente às plantas, os fungos não possuem clorofila e são por essa razão incapazes de produzir o seu próprio alimento, dependendo de outros seres vivos ou de matéria orgânica para obter a energia e os nutrientes de que necessitam. No entanto, os fungos não possuem os sistemas nem os órgãos especializados característicos da maioria dos animais e não partilham da sua mobilidade estando geralmente confinados num substrato (p. ex. no solo, em troncos, restos vegetais e animais). Para se susterem adoptaram diversas estratégias nutricionais podendo: alimentar-se dos nutrientes que extraem da decomposição dos substratos que colonizam (fungos sapróbios), parasitar animais e ou plantas para conseguirem retirar os nutrientes essenciais para o seu metabolismo (fungos parasitas) ou estabelecer relações de simbiose com as plantas, facilitando a absorção de água e nutrientes para a planta e recebendo em troca os nutrientes de que necessitam (fungos micorrízicos). A evolução das plantas está tão profundamente relacionada com a dos fungos, que de certa forma pode dizerse que os estes grupos evoluíram em conjunto. Por este motivo, algumas espécies de fungos podem ser exclusivas de determinado habitat e/ou associarem-se apenas a uma espécie vegetal, enquanto outras podem ser menos exi-

gentes quanto a requisitos de habitat ou espécies hospedeiras. Em seguida, referem-se algumas espécies de macrofungos características dos ecossistemas mais relevantes de Portugal.

as amanitas dos césares (Amanita caesarea), as línguas-de-gato (Hydnum repandum) e os tortulhos ou cepas (Boletus edulis e Boletus aereus).

Pinhais de Pinus pinea (pinheiro manso) e Pinus pinaster (pinheiro bravo) Bastante frequentes a norte do Tejo, em toda a península de Setúbal e menos vulgarmente a sul (em pequenos núcleos), a diversidade micológica destes pinhais varia em função da altitude a que se encontram e da sua orientação. Contudo, várias espécies de macrofungos, tais como as sanchas (Lactarius deliciosus, L. sanguifluus, L. semisanguifluus) e os tortulhos (Boletus pinophilus), consideradas como excelentes comestíveis, são comuns nestes bosques ou podem ser encontradas associadas a estes pinheiros.

Soutos e castinçais de Castanea sativa (castanheiro) Mais abundantes na região a norte do Tejo, em zonas com altitudes superiores a 500 metros e com baixas temperaturas no Inverno, apresentam uma enorme riqueza em espécies de macrofungos, sendo que Russula, Lactarius, Amanita, Inocybe e Cortinarius são alguns dos géneros de macrofungos melhor representados nestes ecossistemas. De destacar ainda a presença de várias cogumelos comestíveis, tais como, os rapazinhos (Cantharellus cibarius), as amanitas dos césares (Amanita caesarea), os tortulhos ou cepas (Boletus edulis), entre outros.

Carvalhais de Quercus robur (carvalho-alvarinho), de Q. pyrenaica (carvalho-negral), de Q. faginea (carvalhoportuguês) Distribuídos por quase todo o território nacional, destes bosques restam actualmente pequenas manchas florestais sobretudo a norte do Tejo, que no entanto exibem algumas das mais belas espécies de macrofungos bem como outras bastante apreciadas do ponto de vista gastronómico. De entre as espécies de cogumelos comestíveis existentes nestes bosques destacam-se, os rapazinhos (Cantharellus cibarius),

Montados de Quercus suber (sobreiro) e Q. rotundifolia (azinheira) Dominando as paisagens do sul de Portugal, estes ecossistemas semi-naturais resultantes da transformação dos bosques de sobro e azinho originais, exibem uma enorme diversidade micológica, fruto da abundância de nichos ecológicos criada pela multiplicidade de usos tradicionalmente associada à exploração dos montados. Como tal, poderemos encontrar nestes ecossistemas não só espécies de macrofungos habitualmente associadas ao sobreiro e à azinheira mas também espécies

que surgem em zonas dominadas por arbustos, como por exemplo a túbera (Terfezia spp.) e a silarca (Amanita ponderosa), os cogumelos “Ex libris” da região Alentejo. Outras espécies de cogumelos comestíveis existentes nestes bosques incluem, os rapazinhos (Cantharellus cibarius), as amanitas dos césares (Amanita caesarea), os pé azul (Lepista nuda) as línguas-de-gato (Hydnum repandum) e os tortulhos ou cepas (Boletus edulis, Boletus aereus, Boletus reticulatus). Prados, pastagens e outras áreas ocupadas por vegetação herbácea Não possuindo grande expressão em Portugal e em muitos casos apresentando sinais claros de degradação devido à intensidade de pastoreio e outros factores antropogénicos, estes ecossistemas são bastante ricos em espécies sapróbias pertencentes aos géneros Agaricus, Bovista, Clitocybe, Melanoleuca, Lepista, Coprinus e Psilocybe, muitas das quais produzem os célebres “anéis de fadas”. De destacar ainda a presença de várias cogumelos comestíveis, tais como, o champignon comum (Agaricus bisporus), a bola de neve (Agaricus arvensis), o champignon do campo (Agaricus campestris), o coprino cabeludo (Coprinus commatus), o pé azul (Lepista nuda) e as púcaras ou fradinhos (Macrolepiota procera), este último sem sombra de dúvida o cogumelo silvestre comestível mais conhecido de Norte a Sul de Portugal.


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Radar Todos os estudiosos do Cante o constataram: a média das idades dos grupos corais não pára de aumentar.

Como salvaguardar formas culturais vivas: uma estratégia para o Cante D.R.

Existem variedades de canto menos clássicas nas zonas de “fronteira”. José Rodrigues dos Santos | Texto Muito mais difícil do que a dos monumentos é a salvaguarda dos objectos simbólicos, ou “imateriais” como os que visam as respectivas listas da Unesco. Trata-se, sem excepção, de modos de expressão artística, intelectual, técnica, cuja existência depende directamente da vida duma colectividade que é sua portadora: que a conhece, exerce, recria e transforma, e a transmite. Esta íntima ligação entre a forma cultural e a colectividade que a criou e usa associa em grande medida o destino da forma cultural enquanto “património” ao destino da colectividade: salvaguardar a primeira passa quase sempre pela preservação da vitalidade da segunda. Mas antes de reflectir às modalidades de acção que exige a salvaguarda dum património cultural imaterial, a primeira pergunta é a de saber em que consiste essa forma cultural. No nosso caso, é indispensável determinar primeiro em que consiste o que tem sido designado pelo termo vago de “Cante”. As definições que têm sido propostas são pouco satisfatórias, e partem do pressuposto que toda a gente deve saber o que é. Mas verifica-se que não é bem assim. Definir o Cante pelo conjunto de peças (um reportório, um “cancioneiro”), ou pela organização das performances (o carácter polifónico, uma certa distribuição e organização das partes − “ponto”, “alto”, coro), ou ainda pela presença de peças de estrutura melódica modal (associadas a outras de estrutura tonal), é pôr de lado um grande número de peças ou de performances que os praticantes desta forma cultural nela por certo incluem e consideram como “bons exemplos”. Cada um destes critérios, separadamente é incapaz de definir precisamente o Cante e nem os três em conjunto são suficientes. Uma definição conceptual terá que tomar posição sobre a) o que é essencial no Cante e b) sobre o que o distingue das formas vizinhas. Propus, há algum tempo, a ideia que o Cante é antes de mais uma maneira de cantar que se define como uma arte da ornamentação da linha melódica, a par com a utilização de materiais musicais próprios (fraseado, intervalos, cadências, etc.). Desta característica central decorrem numerosos atributos que são reconhecidos como próprios do Cante: a necessária lentidão, a moderação das acentuações, os melismas e até certas “anomalias” harmónicas, a ausência de coreografia. Todas estas características têm sido assinaladas, com maior ou menor relevo segundo os autores, sem todavia que lhes tenha sido reconhecido o estatuto de caracteres centrais.

Grupo coral feminino “Flores da Primavera”, de Ervidel. O Cante Alentejano vai ser candidato a Património Mundial da UNESCO. No caso do Cante, o núcleo central poderia ser caracterizado pela implementação duma arte da ornamentação melódica (em que o melisma, ao proliferar, pode ir ao ponto de comprometer a estrutura harmónica), pela sua associação ao desenvolvimento virtualmente polifónico, pela ausência de coreografia (não é música de baile ou dança) e por um certo tipo de poesia. Mas existem variedades de canto menos clássicas nas zonas de “fronteira”, na vizinhança com outras formas culturais; são peças híbridas e menos características que as que correspondem ao núcleo central (exemplos, “O Verão”, moda recente, ou “A menina Florentina”, mais antiga, da autoria de Vicente Rodrigues, anos 1950). Se “salvaguardar” património imaterial quer dizer “manter vivo”, então a salvaguarda implica a existência duma comunidade de praticantes, a continuidade da prática e a sua capacidade para transmitir o saber duma geração para a seguinte. Todas estas condições são incertas no caso do Cante. Todos os estudiosos do Cante o constataram: a média das idades dos membros dos grupos corais não pára de aumentar; muitos dos excelentes cantadores que conhecíamos há dez anos, desapareceram. Muitos outros, felizmente ainda vivos, deixaram de poder cantar. E a adesão dos jovens é muito limitada. Os nossos interlocutores no terreno percepcionam-no claramente: a “base social” dos praticantes tradicionais do Cante está a extinguir-se. Nestas condições, uma estratégia de salvaguarda do Cante exige que se realizem, entre outros, os seguintes tipos de acção: 1 - O registo, sonoro e visual do maior número possível de performances, por

parte da maior variedade possível de grupos, em várias circunstâncias (e não só nos espectáculos públicos); organizando um arquivo acessível. 2 - Reforçar dos meios de que dispõem os grupos actuais, nomeadamente em termos logísticos (melhorar as condições materiais das “sedes”; valorizar os espólios dos pequenos “museus” montados pelos grupos; facilitar os transportes dos cantadores para os ensaios, encontros, etc.); 3 – Fomentar a transmissão às novas gerações, independentemente do uso do traje (muitas vezes sentido pelos mais jovens como “disfarce” um pouco ridículo), criando situações de aprendizagem desligadas dos aspectos formais do “folclore”; 4 - Associar pessoal qualificado na organização de eventos, por exemplo nos encontros de grupos, pessoal com saber e humildade, capaz de respeitar o carácter próprio do Cante, as maneiras de estar dos cantadores e cantadeiras, a fim de melhorar significativamente a coerência artística e o conforto tanto dos cantadores como dos públicos; 5 - Encorajar a aprendizagem sistemática, por parte dum número importante de pessoas qualificadas, das maneiras de cantar (atenção ao plural!) próprias de pequenas regiões do Alentejo, de grupos e até de cantadores excepcionais. Estas pessoas poderão ser os “mediadores” da transmissão futura. 6 - Fomentar o trabalho científico de análise da poética do Cante, da música e da cultura subjacente à prática do Cante, que permita a preservação consciente da diferença entre o Cante e as formas vizinhas (Campaniça, Saias, Fado) ou coexistentes (música ligeira veiculada pelos mass media).

7 – Fomentar a composição de músicas experimentais a partir dos “materiais” musicais do Cante (estruturas harmónicas, melodias, cadências e intervalos característicos, ornamentação, timbres, etc.), que lhe dêem audiência fora dos circuitos puramente locais e do público do folclore. Num resumo abrupto, poderíamos exprimir o objectivo da salvaguarda no longo prazo do seguinte modo: sabendo que a colectividade de que é originário o Cante (populações de trabalhadores rurais alentejanos) se extinguirá irremediavelmente, trata-se de manter viva a prática por essas populações, a fim de ganhar tempo para que surjam novas colectividades que possam tomar a seu cargo a continuação. Foi o que aconteceu com o Blues, canto dos escravos libertos do Delta do Mississípi, no mundo rural profundo do Sul, que “migrou” para as cidades, “contaminou” populações urbanas (negras, decerto, mas também brancas) e se impôs no mundo inteiro. Foi o que aconteceu com o Flamenco, agora património mundial, Cante Jondo dos “Gitanos” andaluzes, e que “invadiu” a Espanha inteira e passou as fronteiras políticas e étnicas. E foi também o destino do Tango de la Plata, mais um item do mesmo património. E são, permanecem, “Blues”, “Flamenco”, “Tango”, fiéis ao essencial, mesmo que para sobreviver tenham tido que adaptar-se, transformar-se, inovar. O Cante já está espalhado pelo mundo: há que dar-lhe a força necessária para evoluir… permanecendo fiel. Projecto “Dinâmicas do “cante” na cultura popular alentejana”, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) - FCOMP-01-0124-FEDER-007036. No âmbito do CIDEHUS-UÉ – Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades da Universidade de Évora, em parceria com a Associação “A Moda”.


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Radar

Fotojornalistas premiados pela Estação Imagem mostram trabalhos na Igreja de São Vicente, em Évora. D.R.

54 Um olhar antropológico José Rodrigues dos Santos* Antropólogo

Évora – Património e controlo Num plano terra a terra, a patrimonialização destes objectos monumentais pode atrair visitantes, estimular o turismo e dinamizar as economias locais o que, seja dito a bem da verdade, é o que motiva as colectividades que se lançam na patrimonialização. Contudo, reconhecendo que desde os primeiros tempos, no século XIX, o mito da “cidade museu” reforçava o constrangimento sobre as actividades normais dos habitantes, estas ainda pouco se ressentiam das proibições e obrigações propriamente patrimoniais. O “Estado Novo”, ao inverter a relação que estabelecem as democracias entre o que é permitido e o que é proibido, tendia a proibir tudo o que não fosse explicitamente autorizado. A regulamentação da vida social ia ao pormenor: em definitivo, quem se tornasse desagradável para o poder teria sempre alguma falha a alguma regra, por onde o Estado lhe pudesse pegar. Por isso, a patrimonialização foi, por assim dizer, embebida na regulamentação geral de tudo, tanto mais que a dinâmica económica era fraca e não exercia uma pressão forte sobre o construído. As cidades, edifícios e monumentos, eram em muitos casos “naturalmente” preservados, quando mais não fosse, por simples inércia. Sendo Évora, em muitos aspectos patrimoniais, um caso à parte no Portugal do salazarismo, a cidade continuou a ser caso à parte depois do 25 de Abril, ao passar directamente daquele regime para o controlo pelos comunistas. Estes não tinham obviamente experiência do exercício do poder nacional ou autárquico, mas tinham uma ideologia na qual o controlo dos cidadãos, das actividades, etc., passava pela regulamentação total, o que de certo modo os preparava para dar continuidade à antiga forma de exercício do poder, mudando apenas, com os detentores do poder, a retórica. Quando o movimento de patrimonialização se generalizou, em parte devido à súbita percepção dos novos perigos que a dinâmica económica gerada no pós-25 de Abril fazia correr aos bens edificados e urbanos em geral, a transformação da cidade em objecto patrimonial apresentou-se como uma evidência. Consensual, porque ia no sentido do mito da “cidade museu” que certas elites eborenses tinham cultivado (em parte contra o sentimento da “população em geral”, ou seja do cidadão comum), e porque patrimonializar queria dizer legitimar um tipo de hiper-regulamentação que necessitava, nestes novos tempos, de encontrar um fundamento diferente daquele que as pequenas elites burguesas evocavam. José Rodrigues dos Santos Antropólogo, Academia Militar e CIDEHUS, Universidade de Évora 20 de Novembro de 2011. jsantos@uevora.pt

Fotojornalistas mostram trabalhos premiados Mostra de trabalhos premiados pela Estação Imagem pode ser vista em Évora. Redacção | Registo A Câmara Municipal de Évora e a Estação Imagem, em parceria com a Câmara Mundial de Mora, expõem na Igreja de S. Vicente as imagens vencedoras do Prémio de Fotojornalismo 2011. A mostra está patente até 22 de Janeiro. A exposição Prémio Fotojornalismo 2011 Estação Imagem / Câmara de Mora apresenta as reportagens vencedoras daquela que é a segunda edição do Prémio dinamizado pela Estação Imagem, uma associação sem fins lucrativos dedicada ao estudo e promoção da imagem, com principal destaque para o trabalho de Nelson Aires que, com uma

reportagem sobre um caso de “bullying” numa escola de Mirandela, garantiu a conquista do principal galardão do Prémio, vencendo igualmente na categoria Série de Retratos. O concurso estreou-se em 2010 e, nesta segunda edição, a organização recebeu 164 inscrições de fotojornalistas, que submeteram 462 reportagens, num total de 4 968 fotografias. Nelson Aires foi também o vencedor da categoria Série de Retratos, com “Bairro da Estação”, sendo premiados ainda Tiago Miranda, pela reportagem “Retratos de um Despedimento”, e Daniel Rocha, com “Candidatos Presidenciais”, no segundo e terceiro lugar, respetivamente. Na categoria de Notícias, o primeiro classificado foi Enric Vives Rubio, por uma reportagem sobre a Madeira, o segundo foi Nelson Garrido, com o trabalho “Papa pela TV”, e o terceiro foi Carlos Pal-

ma, por “Kingdom of Empty Dreams”. O primeiro lugar na categoria de Vida Quotidiana coube a José Carlos Carvalho (“Mãe entre Muros”), sendo ainda premiados António Pedro Santos (“Campismo”), em segundo, e Augusto Brázio (“Cova da Moura”), em terceiro. Este último fotojornalista conquistou a categoria Ambiente, com a reportagem “Natureza”, tendo o júri distinguido apenas outro fotógrafo, com o segundo prémio: Valter Vinagre, com o trabalho “Animais de Estimação”. A Estação Imagem é uma associação sem fins lucrativos dedicada ao estudo e promoção da imagem, com particular enfoque na fotografia documental. Criada em Mora e elegendo o Alentejo como campo de acção, a Estação Imagem propõe-se dar um contributo activo à luta contra a desertificação e o isolamento da região.

Ópera de Mozart no Garcia de Resende Contemporaneus encena “Coisa Fan Tutte”. O Ensemble Contemporaneus apresenta amanhã em Évora, no Teatro Garcia de Resende, “Così Fan Tutte”, ópera buffa de Wolfgang Amadeus Mozart. Datada de 1790, com libreto de Lorenzo da Ponte, esta ópera foi comissionada pelo Imperador Josef II, tendo a sua estreia ocorrido em Viena no Burgtheater sob direcção musical do próprio compositor. Dividida em dois actos sublinha as

tensões sociais entre as várias classes jogando com questões de ordem moral. Così Fan Tutte conta com a direção musical de Vera Batista e encenação de Helena Estanislau, sendo a sua apresentação em Évora organizada pela Direcção Regional de Cultura do Alentejo. Em 2011 a Contemporaneus assumiu o desafio de realizar uma ópera de Mozart, com a orquestra do Ensemble Contemporaneus, com um número de elementos mais alargado, com seis cantores solistas, e uma encenação contemporânea. “Così fan tutte” (Assim fazem todas), é

a penúltima ópera escrita por Wolfgang Amadeus Mozart em 1790. “Così fan tutte” aparenta ser uma simples comédia de enganos, mais vai muito mais longe do que isso. É uma bela história universal de amor e desengano, compreendida e identificada por todo o público, que já foi jovem, teve um primeiro amor e sofreu desgostos amorosos. E a versão que agora a Contemporaneus decidiu apresentar é uma escolha que pretende evidenciar claramente este lado puro, inocente e idílico da juventude e do acreditar num só primeiro e único amor.


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Radar Pelo interior dos interiores, o jornalista Nuno Ferreira observou Portugal, atento aos pormenores.

Jornalista cruzou Portugal ... a pé D.R.

Nuno Ferreira levou 2 anos a percorrer o país. A aventura foi publicada em livro. “Se toda a gente anda a viajar e a escrever sobre todos os cantos do mundo, pensei então, porque não revisitar o interior do meu país a pé e escrever sobre o que vou encontrando pelo caminho?» Em Fevereiro de 2008, o jornalista Nuno Ferreira iniciou a pé, em Sagres, um longo e demorado périplo pelo que é habitualmente designado “Portugal profundo”. Ao longo de mais de dois anos, com percalços e interrupções pelo meio, enquanto passava por vagabundo, contrabandista ou peregrino a Fátima, redescobria um país esquecido, muitas vezes entregue a si próprio, a lutar desesperadamente contra a desertificação. A caminhar do Algarve ao Minho pelo interior dos interiores, pôde ir observando Portugal, atento aos pormenores: uma partida de futebol num campo pelado, um funeral, a partida para a pesca de uma traineira sobrevoada por gaivotas, a azáfama de um restaurante de estrada repleto de camionistas, um idoso lavrando com a ajuda do burro a última das courelas transmontanas. Pelo caminho, foi encontrando e converPUB

Évora foi um dos locais de passagem na rota deste “Portugal a Pé”. sando com aqueles que teimam em viver longe das grandes cidades e mantêm viva a chama das tradições culturais e do regionalismo: músicos, artesãos, poetas populares,

aldeões guardadores da memória de um povo. Foi redescobrindo também as belezas escondidas do país: Vales estreitos entre

fragas em São Macário, cascatas perdidas na Serra de São Mamede, lameiros entre as águas bravias e geladas de rios transmontanos como o Maçãs ou o Sabor, searas ondulantes e douradas na planície alentejana, garranos à solta entre a névoa da Serra Amarela. “Portugal a Pé” é uma obra que retrata em mais de 400 páginas de texto e centenas de imagens a travessia que ocupou o jornalista ao longo de dois anos. Da ponta de Sagres ao extremo Norte de Portugal, o Nuno encontrou um “país que vivia do campo e que sofreu uma profunda sangria de gentes”. Uma travessia que emocionou. Ao caminhante doeu a solidão dos nossos idosos, espantou o número de pessoas que reabilitam a tradicional gaita-de-foles, maravilhou a nossa paisagem natural. Uma viagem à margem dos habituais roteiros dos noticiários. Um país de sobreviventes que não estão dependentes do “próximo discurso à nação do político”. Em entrevista ao “Café Portugal”, Nuno Ferreira explica: “O país que atravesso é um país que vivia do campo, que sofreu uma profunda sangria de gentes para o estrangeiro e para os centros urbanos do litoral, que foi muito beneficiado por novas estradas e auto-estradas mas permanece sem alternativa ao modelo rural”.


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SEMANÁRIO

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Explosão faz quatro feridos Uma explosão de gás provocou quatro feridos, três dos quais em estado grave, em São Romão, concelho de Vila Viçosa. A explosão ouviu-se em toda a aldeia. Além do rasto de destruição, deixou três feridos em estado grave – avós e neta – transportados pelo INEM para hospitais de Lisboa e do Porto. Uma outra pessoa, com ferimentos ligeiros, foi levada para o Hospital de Elvas. Alertado pelo barulho da explosão, João Lagareiro correu para a porta de casa. “Vi o vizinho [um dos feridos graves] a correr pela rua com a roupa a arder. Vinha em chamas. Atireime sobre ele aqui perto de casa”, conta João Lagareiro. “Estava tudo em chamas e as pessoas aflitas”, acrescenta João Piréu, outro vizinho. Os feridos são dois avós paternos, a avó materna e uma menina de 16 meses, com queimaduras graves na face e nas mãos e que foi levada para a Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos do Hospital da Estefânia, em Lisboa, onde se encontra internada em estado considerado “estável”. PUB

Desporto

Dakar em Beja

A chegada das primeiras equipas ao “checkpoint” da primeira etapa, está prevista para as 18:00h do dia 30 de Dezembro no recinto frente ao Castelo da cidade de Beja. Mais de 30 equipas são esperadas na recepção junto ao estacionamento do Castelo, onde se fará o ultimo controlo da primeira etapa na tenda de “checkpoint” de prova. Após o controlo de chegada, efectuado pelos comissários, as equipas serão recebidas com um “welcome drink” oferecido pelo Município de Beja. A comitiva da Organização e as equipas irão percorrer um circuito urbano antes de se deslocarem para o Hotel Clube de Campo Vila Galé onde se reúnem para o jantar de grupo. O projecto Portugal – Dakar Challenge, criado em 2009, pela Global Share Eventos, recria a aventura mítica do rally Paris Dakar numa vertente lúdica e turística.

Monsaraz

“Enquanto o oleiro vai e vem folgam as cores”

Olaria Lagareiro vista pela objectiva de Liete Quintal. “Enquanto o oleiro vai e vem, folgam as cores” é o título da exposição de fotografia de Liete Quintal que está patente até ao dia 26 de Fevereiro de 2012 na Igreja de Santiago, na vila medieval de Monsaraz. Liete Quintal fotografou a Olaria Joaquim Lagareiro, uma das 22 olarias em actividade no Centro Oleiro de S. Pedro do Corval, considerado o maior de Portugal. Nesta olaria com mais de um século de existência produzem-se louças ou objectos de barro de forma artesanal e industrial. “A minha primeira visita ao local foi num fim-de-semana, quando a fábrica se encontrava fechada. Imediatamente fui arrebatada pelos fachos de luz natural oriundos de fendas do telhado ou de frestas de janelas. Cores, texturas e formas deixa-

vam o lugar-comum semanal para ganharem um novo valor”, diz Liete Quintal. As fotografias da exposição “Enquanto o oleiro vai e vem, folgam as cores” reflectem o jogo entre o visível, a abstracção e a repetição, capaz de conduzir para além do que está representado. A luz presente em cada fotografia é o que dá o tom de unicidade e simultaneamente de pluralidade do conjunto à mostra. Liete Quintal afirma que “ao longo do trabalho, dois aspectos estimulavam o meu retorno: as novas e diferentes produções de louças que surgiam a cada semana e a inconstância da luz primaveril. Os objectos e a iluminação natural geravam formas e criavam espaços para além das suas origens. O silêncio foi a companhia que emprestou a serenidade necessária para

deixar-me ficar e apreciar o que a luz revelava em diferentes horas do dia. Sendo assim, decidi que as fotografias deveriam ser realizadas na folga dos que ali investiam horas”. O Centro Oleiro de S. Pedro do Corval é considerado o maior de Portugal com 22 olarias em actividade que continuam a pintar os motivos típicos do Alentejo, como por exemplo o pastor, a apanha da azeitona e a vindima. A olaria de S. Pedro do Corval data a sua existência desde o período da dominação árabe, conforme o atesta o teor do Foral Afonsino outorgado a Monsaraz em 1276, mas também a linguagem e a terminologia muito próprias ainda em uso. Em S. Pedro do Corval podem ser encontradas as mais belas e formosas peças de barro, trabalhadas por habilidosos artesãos.


Registo ed186