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SUMÁRIO

MISSÃO VISÃO E VALORES Pág 4

Pág 5 PROFESSOR(A) MIRIM Pág 6 APRESENTAÇÃO

MUSICALIZAÇÃO Pág 10

ARTE E SUSTENTABILIDADE

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Pág 18 Pág 22 OFICINAS INTERCLASSES A INTERDISCIPLINARIDADE Pág 26 COACHING EDUCACIONAL Pág 28 TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS Pág 30 ELES SE DESTACAM Pág 32 INTERCÂMBIO Pág 36 SEMINÁRIO JUVENTUDES Pág 40 CONECTAR PARA FORTALECER Pág 42 HISTÓRIA EM CENA

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PRESIDENTE: Ir. Ana Helena Andreão CAEP (CENTRO ADMINISTRATIVO EDUCACIONAL DA PROVÍNCIA) COORDENADORA DE PROCESSOS EDUCATIVOS: Deise Elen Abreu do Bom Conselho ADM/FINANCEIRO: Ir. Maria Cristina Caetano

EXPEDIENTE

CONSELHO EDITORIAL Ana Carolina Possas - Coordenadora de Comunicação Estratégica Débora Reis - Secretária do CAEP Deise Elen Abreu do Bom Conselho - Coordenadora Estratégica de Processos Educativos Maria Beatriz Silva - Assessora Pedagógica Vanessa Lopes - Assessora Técnico Pedagógica Waldemar Bettio - Coordenador do Serviço de Orientação Religiosa do CAEP COLABORADORES: Diretoras, Pedagogas, Professores e Funcionários PROJETO GRÁFICO: Reciclo Comunicação PREPARAÇÃO DE TEXTOS: Equipe do CAEP REVISÃO: Reciclo IMPRESSÃO: Gráfica Paulineli TIRAGEM: 3000 exemplares

SOCIEDADE CIVIL CASAS DE EDUCAÇÃO

Rua Cura d’Ars, 62 - Prado Belo Horizonte/MG - CEP:30411-123 Tel(s).: (31) 3334-5730 www.redesagrado.com.br – comunicaep@rscmb.com.br

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APRESENTAÇÃO Prezado leitor(a),

MISSÃO

Proporcionar uma educação de excelência para crianças, adolescentes, jovens e adultos fundamentada nos valores cristãos, promovendo protagonismo na construção de competências, cultura da solidariedade e compromisso com a transformação social.

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VISÃO

Ser referencial de uma educação de excelência, inovadora, pautada nos valores éticos e cristãos.

VALORES

• Compromisso com a vida - expressa a essência da instituição e convoca a atitudes concretas como solidariedade, partilha e respeito à diversidade. • Ética - fundamenta as atitudes, relações com transparência e honestidade, cidadania. • Excelência - busca permanente de qualidade, competência e protagonismo. • Sustentabilidade – refere-se à responsabilidade quanto a geração, uso e manutenção dos recursos ambientais, econômicos e sociais. • Inovação – busca conjuntos de práticas inovadoras e troca de saberes.

Nesta edição da ELOS - EDUCAÇÃO: LINHAS E OLHARES, compartilhamos com vocês artigos que têm como ponto de partida o relato de práticas pedagógicas criativas que visam potencializar a aprendizagem, tendo o estudante como protagonista na construção do próprio saber. Na Rede Sagrado, partimos do pressuposto educacional de que o desenvolvimento de competências implica em uma postura pedagógica na qual o estudante deve ser constantemente desafiado e apoiado no desenvolvimento de habilidades, cognitivas, operacionais e atitudinais. Nesta tríade de habilidades estão envolvidos conceitos, saberes, hábitos, procedimentos, crenças e atitudes. Este conjunto de fatores evidencia a complexidade do educar na sociedade do conhecimento, que demanda constante atualização dos processos formativos, sejam eles escolares ou não escolares, além da perspectiva integral a ser considerada no desenvolvimento humano. Atentos(as) ao cenário contemporâneo, buscamos, por meio do

aprender a investigar, contemplar um conceito amplo de educação. Sendo assim, as produções elaboradas pelos colaboradores desta edição (professores, pedagogas, convidados externos e outros) possuem como fio condutor o protagonismo do estudante, que participa, interage e ressignifica os seus próprios saberes. Vocês

poderão conferir esta premissa de aluno ativo nos textos: Projeto Professor(a) Mirim (Colégio Sagrado Coração de Maria - CSCM -BH); Musicalização na Educação Infantil (CSCM-Brasília); Arte e Sustentabilidade: um campo de conscientização (CSCM-RJ); História em “cena” - o Teatro como

estratégia metodológica para o ensino de História (CSCM-Ubá) e Oficinas interclasses – intervenção de sucesso no 1º ano do Ensino Fundamental I (CSCM-Vitória). Temos também, artigos que nos farão refletir sobre assuntos instigantes, como Interdisciplinaridade, texto de autoria do prof. Márcio Antônio da Silva, que já realizou com profissionais da Rede Sagrado uma tarde de reflexões sobre o tema. O protagonismo juvenil é apresentado no texto elaborado pela Coordenadora e Coaching Educacional Adriana Normand tema atualíssimo, o qual está presente no artigo escrito pela Coordenadora Pedagógica Geral do CSCM de BH, Daniela Chaves. Evidenciamos inclusive alguns profissionais das diversas unidades por atividades e projetos de destaque. Desejamos a todos uma boa leitura e reforçamos, por meio desta publicação, nosso compromisso com uma educação de excelência, fundamentada em valores cristãos, apontando para a necessidade, como já nos alertou o Papa Francisco, para Educar em nós, tudo que é humano!

Deise Elen Abreu do Bom Conselho - Coordenadora Estratégica de Processos Educativos

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PROJETO PROFESSOR(A) MIRIM

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Tendo como premissa a Missão do Instituto das Religiosas do Sagrado Coração de Maria, que acredita no protagonismo dos estudantes para transformar a sociedade, o presente relato compartilha o projeto Professor(a) Mirim desenvolvido junto às turmas do 5° ano do Colégio Sagrado Coração de Maria de Belo Horizonte. O trabalho surgiu do interesse dos estudantes que, ao participarem de atividades de monitoria junto aos colegas, como estratégia de apoio ao aprendizado em sala, sugeriram que eles próprios compartilhassem seus saberes por meio da cultura da solidariedade.

Adriane Maria de Lima Matoso1 | Denise dos Reis Teixeira Porto2 1 -Graduada em Pedagogia pelo Instituto Cultural Newton de Paiva Ferreira. Pós graduada em Gestão Escolar Integradora: Supervisão, Orientação e Inspeção pelo IADE. Atualmente, é professora do 5° ano do Colégio Sagrado Coração de Maria -BH 2 - Licenciatura em Estudos Sociais – Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Sete Lagoas/MG. Graduada (Licenciatura plena) em Normal Superior pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Pós-graduada em Psicopedagogia pelo CEPEMG - Centro de Estudos e Pesquisas Educacionais de Minas Gerais. Atualmente, é professora do 5° ano do Colégio Sagrado Coração de Maria –BH.

De acordo com Edgar Dale, que cunhou a teoria da pirâmide da aprendizagem em 1946, um dos métodos mais ativos de aprendizagem é quando ensinamos os outros. Cientes desse pressuposto o projeto foi estruturado para dar a possibilidade de que os próprios estudantes, desenvolvendo a autonomia e favorecendo a aprendizagem, ensinem

os outros colegas, tendo em vista algum tema ou habilidade específica. O exercício de ensinar e aprender, neste caso, se deu no encontro com o outro, na presença de interlocutores e nas relações dialógicas. Sabemos que ensinar e aprender requer mais do que domínio de saberes; requer a motivação de quem ensina e de quem aprende, ingredientes abundantes ao longo de todo o projeto desenvolvido. O conhecimento é construído pelo sujeito da aprendizagem e prevalece se ressignificando. Os sujeitos, baseados em novas formas de comunicação, revelaram competências em atitudes significativas, e o papel do professor, nesse contexto, é mediar e intervir para gerar mudanças – ser o provocador desse sujeito; um colaborador do processo, pois a docência deve ter, como premissa, a formação de um estudante capaz de construir a sua história própria, transformando a realidade e tornando-se

protagonista da própria aprendizagem. Seguindo este pensamento, Sarmento (2005) argumenta que, a par das intensas mudanças por que passa o mundo, as representações, ideias e conceitos sobre a atuação das crianças também vêm se modificando rapidamente. Montandon (2001), neste mesmo sentido, aponta que valorizar a criança na condição de agente ativo na construção cultural, reconstrói o conceito de que elas podem participar de processos decisórios na sociedade atual, trazendo um protagonismo que, antes, sequer era ponto de pauta para discussão na formação das crianças. A atuação protagonista dos estudantes neste projeto investigativo é constante. Além disso, desenvolveu neles competências ligadas à autorregulação da aprendizagem e, ainda, possibilitou a reflexão sobre a melhor forma de aprender3.


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O projeto teve como ponto de partida os temas iluminadores elencados para o 5° ano. Na área de conhecimento do Ensino Religioso: comunhão, a partir do exercício do diálogo; Matemática: o saber matemático como instrumento de transformação e Ciências: o cuidado com os elementos da natureza, múltiplas intencionalidades educativas puderam ser evidenciadas. Alguns estudantes propuseram o trabalho sobre os gêneros textuais, outros sobre a Matemática investigativa e havia, ainda, aqueles que queriam abordar o uso racional dos recursos naturais.

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Orientamos os estudantes, então, a usarem a metodologia do PLEA (Planejar, Executar e Avaliar)4 já abordada com eles em situações anteriores, para que o projeto pudesse ser realizado. Além disto, os estudantes utilizaram o que realizavam à época, como recurso para planejar as aulas de forma investigativa e não meramente expositiva, conforme aprendido no curso de Iniciação Científica5. O primeiro passo foi orientar as crianças em relação ao planejamento das aulas. Cada grupo de “Professores Mirins”, com a orientação das professoras regentes, se reuniu, organizou a sequência didática da aula e qual conteúdo seria abordado. Os grupos deveriam preencher o plano de aula, expor, teoricamente, o assunto em até 15 minutos, propor uma atividade prática e realizar a avaliação. Os estudantes, então, decidiram abordar assuntos variados, tais como: oficina de situações-problema, em Matemática; grandes invenções e seus impactos

na natureza, em Ciências da Natureza; e o estudo de provérbios como gênero textual, em Língua Portuguesa. Na execução do trabalho, os grupos responsáveis pelas aulas de Ciências da Natureza fizeram uma exposição sobre os maiores inventos e inventores da humanidade, apresentando a importância dessas invenções no cotidiano dos seres humanos. Em seguida, em parceria com a disciplina de Artes, os estudantes puderam construir alguns objetos, utilizando materiais recicláveis. No trabalho com os gêneros textuais, o(a)s Professores(as) Mirins levaram os colegas a discutirem sobre provérbios e como eles estão inseridos no nosso dia a dia. Após as discussões, os estudantes foram orientados pelo(a)s Professores(as) Mirins a produzirem um livro, na sala de Informática, denominado “Lições de Sabedoria”. O interessante neste trabalho foi os próprios estudantes criarem provérbios que tinham como foco a cultura da solidariedade. Dessa forma, um dos professores mirins deu a ideia de produzirem uma camisa customizada abordando o tema “Gentilezas”, e cada estudante criaria sua marca de sabedoria. Dessa forma, o livro produzido se desdobrou no projeto “Vestindo gentilezas”. Em Matemática, o foco dos Professores Mirins foi o trabalho com situaçõesproblema e gráficos cujo tema era o uso dos recursos naturais na produção dos objetos e aos impactos ambientais causados pelo mau uso desses recursos. Ao finalizar a resolução das questões, os estudantes elaboraram

um gráfico de barras demonstrando o tempo de degradação de alguns materiais na natureza. Por conseguinte, perceberam que o descarte desses materiais provocam impactos ambientais e se comprometeram a reduzir o uso desses materiais, e fazer seu descarte de forma mais adequada. O projeto teve um resultado tão positivo que optamos por fazer uma exposição dos trabalhos durante a realização da Mostra Cultural, que ocorreu em novembro de 2015. Na oportunidade, fizemos uma galeria, na própria escola, onde os objetos criados com materiais recicláveis foram expostos, o livro “Lições de Sabedoria” foi lançado e autografado e as camisas customizadas foram vestidas para simbolizar a gentileza impressa no corpo, nos gestos e nas atitudes. Após a exposição, os estudantes puderam reunir, com os professores e avaliar o planejamento, a execução das tarefas e os resultados alcançados. Verificamos que os estudantes conseguiram pensar na própria aprendizagem de forma discursiva e interativa e estavam convictos de que o projeto alcançou resultados muito além dos muros da escola. Este trabalho foi enriquecedor por muitos motivos. Primeiramente, porque a Missão, Visão e Valores do IRSCM foram eixos condutores de todo o processo de construção do projeto. Segundo, pelo fato de os estudantes atuarem como mediadores do processo, o que os colocou em posição de protagonistas, evidenciando a aprendizagem e a escolha deles sobre a melhor forma de ensinar e aprender. O projeto também

teve grande relevância, já que as aulas ministradas pelos professores mirins dialogaram com diversas disciplinas de forma articulada e envolvente. E, por fim, o caráter dos valores abordados em todas as aulas foi marca

registrada, propiciando a convicção de que os assuntos estudados contribuíram para a formação do educando como agente transformador da sociedade.

tiveram a oportunidade de relatar suas experiências, alegrias e inseguranças, expressando suas ideias e as emoções vividas quando se tornaram Professores Mirins.

Ao final de cada apresentação, todos

Capa do livro: Lições de Sabedoria – 5° ano A - 2015

Provérbio criado pelos estudantes do 5° ano sobre a confiança.

De uma folha de caderno “nascem palavras, brotam significados, surgem frases, histórias”... A imaginação ganha sentido através das formas, das cores e da beleza da criatividade. Dessa mistura singela, aliada à “brincadeira de aprender e ensinar” surgiu o Projeto Professor Mirim: uma iniciativa que possibilita o diálogo das diversas linguagens, em prol da resolução de problemas e da transformação da sociedade. MATOSO; PORTO (2015)

REFERÊNCIAS:

BANDURA, A. A teoria social cognitiva na perspectiva da agência. In: BANDURA, A.; AZZI, R.; POLYDORO, S. A. J. (orgs.). Teoria Social Cognitiva: conceitos básicos. Porto Alegre: Artmed, 2008. p.69-96. BORUCHOVITCH, Evely; BZUNECK, José Aloyseo (Org). A motivação do aluno: contribuições da psciologia contemporânea. Petropólis: Vozes, 2001. INSTITUTO TIM. Conheça as sete operações mentais para o Curso de Iniciação Científica. Disponível em: http://timfazciencia.com.br/conheca-as-7-operacoes/. Acesso em: 19 out 2015. MONTANDON, C. Sociologia da infância. Cadernos de Pesquisa, nº 112, março/ 2001. p. 33-60. POSTMAN, Neil. O desaparecimento da infância. Trad. Suzana Menescal de A. Carvalho e José Laurenio de Melo. Rio de Janeiro: Grafhia Editorial, 1999.

3 - Metacognição é a capacidade do ser humano de monitorar e autorregular os processos cognitivos (Sternberg, 2000). A essência do processo metacognitivo parece estar no próprio conceito de self, ou seja, na capacidade do ser humano de ter consciência de seus atos e pensamentos.

ROSÁRIO, Pedro. Estudar o estudar: As (des)venturas do Testas. Porto/Portugal: Porto, 2004.

4 - Um importante modelo autorregulatório para aprender é, segundo, Rosário (2004) o PLEA - Planificação: alunos analisam a tarefa específica. Execução: implementação da estratégia utilizada para atingir o resultado e a Avaliação: análise, pelo aluno, da relação entre o produto da sua aprendizagem e a meta estabelecida.

SARMENTO, M. J. Gerações e alteridade: Interrogações a partir da sociologia da infância. Educação &. Sociedade, Campinas/SP, vol. 26, n. 91, p. 361-378, maio/ago, 2005.

5 - Curso realizado no contraturno com a parceria da professora de Biologia Viviane Gonçalves. A metodologia utilizada foi o trabalho com as operações mentais para a investigação científica. Segundo Neil Postman, um dos grandes pensadores do século XX existem sete operações mentais que ajudam no desenvolvimento da mente de uma criança. São elas: observar, verificar, classificar, questionar, definir, aplicar e generalizar. Fica clara, portanto, a importância da Iniciação Científica na construção das habilidades fundamentais no desenvolvimento das crianças.

STERNBERG, R. Psicologia cognitiva. Porto Alegre/RS: Artes Médicas; 2000.

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MUSICALIZAÇÃO NA EDUCAÇÃO INFANTIL:

A musicalização infantil é uma importante ferramenta pedagógica, pois auxilia no desenvolvimento intelectual e emocional das crianças. O projeto a ser apresentado reforça a musicalização como uma importante estratégia para o processo de interação e integração das crianças, além de confirmar que a arte só se produz nas práticas sociais. MÚSICA NA ESCOLA: O BARULHO QUE PENSA Na Proposta Pedagógica da Educação Infantil (PPEI), a Rede Sagrado expõe que “o trabalho com a música não pode apenas oportunizar a audição de músicas ou o aprendizado de cantigas infantis às crianças”. Parafraseando o poeta Victor Hugo: “a música é o barulho que pensa”. Essa ideia vai ao encontro do pensamento de Celso Favaretto (2012), quando afirma que a importância das artes na escola, no caso a música, é que ela é o único espaço em que o sensível e o cognitivo são absolutamente a mesma coisa.

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INSTRUMENTO TRANSFORMADOR Nicolas Amorim Habilitação em canto e violão popular pela Ordem dos Músicos do Brasil (OMB). Professor de Música da Educação Infantil do Colégio Sagrado Coração de Maria (Brasília-DF), desde 2014.

Acreditamos que, para ser significativa e atingir seus objetivos, a musicalização infantil deve ser trabalhada de diferentes formas, com exercícios de pulsação, parâmetros sonoros, canto, brincadeiras cantadas e sonorização de histórias, por exemplo. É preciso lembrar que brincar, cantar e ouvir histórias são atividades excelentes para o processo de aprendizagem na Educação Infantil como um todo. A musicalização transpõe barreiras educacionais, servindo como ferramenta de integração e interação com outros componentes obrigatórios do currículo da educação básica. É importante que a musicalização infantil respeite a individualidade da criança, seu contexto social, econômico, cultural, étnico e religioso, de forma a entendê-la como um ser único,

com características próprias, que interage com outras crianças e explora diversas peculiaridades. PLANEJAMENTO MUSICAL: SEM PERDER O RITMO Mesmo a música sendo uma atividade lúdica natural, é um desafio preparar uma aula diferenciada que cause impacto, envolvimento e que, principalmente, encante as crianças. Com isso, buscaram-se formas diferenciadas de trabalhar as atividades do currículo musical, sempre contextualizando a musicalização na Educação Infantil às situações, às premissas e ao calendário escolar. Sendo assim, o planejamento musical objetiva fazer com que o trabalho final, a musicalização infantil em si, apresente o aprendizado de música como um ato de desprendimento prazeroso, que comunga com as experiências da criança. Concordando com Loureiro (2008), é possível afirmar que “o aprendizado musical não pode ser uma imposição ou a busca a qualquer custo de que a criança domine um instrumento”, o que pode minar sua sensibilidade e criatividade. O planejamento deve contemplar o interesse das crianças. De nada adianta pensar em ideias musicais extraordinárias caso não possam ser aplicadas no âmbito da musicalização infantil e, principalmente, no âmbito escolar. Por isso, em busca do encantamento das crianças, há que se destacar a premissa do saudoso educador Rubem Alves que diz: Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música, não começaria com partituras, notas e pautas. Ouviríamos juntas as melodias e lhe contaria sobre os instrumentos que fazem a música. Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas. Porque as bolinhas pretas e as

cinco linhas são apenas ferramentas para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir antes. (ALVES, Rubem, 1994, p. 26) Como professor, durante o planejamento musical a ser aplicado em sala, busco diversificar o espectro musical a ser apresentado e também ouvir sugestões dos alunos, ver e escutar reações, pois isso engrandece e enriquece a forma do saber como um todo. Para tanto, indiretamente, pratico as premissas de Schoroeder (2009), a qual destaca que uma musicalização efetiva só será possível se o professor estiver aberto para considerar os aspectos dialógicos do discurso musical, ou seja, o professor deve, sim, ampliar as referências estético-musicais dos alunos, apresentando-lhes diferentes gêneros musicais, mas deve também acolher as referências estéticas que trazem os alunos, proporcionando um ambiente no qual seja possível uma relação dialógica (uma troca). (SCHOROEDER, 2009, apud. GODOI, 2011, p. 8) Com o planejamento realizado, executei uma aula para os alunos dos 1º e 2º Períodos, com base na ideia da “Brincadeira Dirigida”. Durante o encontro, com um microfone ligado a uma mesa de som BEHRINGER – Xenyx 1204USB (que possui funções de efeitos sonoros), busquei despertar o interesse das crianças pelos vários eventos sonoros, por exemplo: descobrir sons no ambiente, discernir um som grave de um agudo ou um som forte de um som fraco. Outro objetivo foi buscar o desenvolvimento da acuidade auditiva nas crianças para com as propriedades físicas do som: intensidade (som forte ou suave), duração (som curto ou longo), altura (som agudo ou grave) e timbre (propriedade sonora que nos permite distinguir se sons de mesma frequência foram produzidos por fontes sonoras conhecidas e que nos permite diferenciá-las).

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Depois de as crianças terem compreendido os eventos sonoros e suas variações, chegou um dos momentos mais esperados da aula: escutar a própria voz alterada pela mesa de som. Antes que o microfone alterasse a voz da criança, mostramos o som do ambiente ao seu redor e o som de sua própria voz. É importante a igual participação de todas as crianças no processo, pois sentir-se parte da atividade é um estímulo para o uso da criatividade, promovendo, assim, a interação e a socialização do grupo. O impacto causado nas crianças ao ouvirem a própria voz alterada é o diferencial para que elas possam, de fato, reconhecer os diferentes tipos de sons de maneira descontraída. Durante a atividade, percebo tal conclusão exposta por Chiarelli e Barreto (2005) a respeito da musicalização infantil. (...) pelo seu caráter lúdico e de livre expressão, não apresenta pressões nem cobranças de resultados. É uma forma de aliviar e relaxar a criança, auxiliando na desinibição, contribuindo para o envolvimento social, desper-

tando noções de respeito e consideração pelo outro e abrindo espaço para outras aprendizagens. (CHIARELLI e BARRETO, 2005, p. 15).

tando ao final, em uníssono, celebran-

Prosseguindo com a atividade, as crianças foram avisadas de que contaríamos uma história que elas adoravam, utilizando os tipos de sons e efeitos que foram trabalhados. Nesse momento, as crianças ficaram empolgadas e demonstraram renovado interesse pela aula.

Ao final da atividade, verificamos as

Escolhi a fábula “Os Três Porquinhos e o Lobo Mau”, de Joseph Jacobs. A voz do lobo era mais grave, enquanto as vozes dos porquinhos eram mais agudas. O som curto representado pelas batidas do lobo na porta dos porquinhos (toc toc toc), já o sopro forte do lobo foi representado pelo som longo. Quando havia silêncio, imaginei passar para as crianças a ideia de que os porquinhos achavam que o lobo tinha ido embora. Já o som baixo representava os porquinhos conversando em uma altura sonora para que o lobo não os escutasse. Por fim, o som alto representou a alegria dos porquinhos can-

do a desistência do lobo mau. 13

CONCLUSÃO

diversas possibilidades de aplicação da musicalização na Educação Infantil com desenvolvimento qualificado de habilidades, entre elas a concentração, a sociabilização, a acuidade auditiva, o respeito a si próprio e ao grupo, a destreza do raciocínio, a disciplina pessoal, o despertar da sensibilidade e da criatividade. Percebi que a musicalização infantil é um processo que, ao utilizar atividades

REFERÊNCIAS:

ALVES, Rubem. A alegria de ensinar. 3ed. São Paulo: ARS Poética, 1994. CHIARELLI, Lígia K. M.; BARRETO, Sidirley de Jesus. A importância da musicalização infantil na educação infantil e no ensino fundamental. Revista Recrearte, nº3, Junior, 2005. FAVARETTO, Celso. Entrevista - Roda de conversa 1 (2012). Disponível em: http://www.amusicanaescola.com. br/pdf/RodaConversa1.pdf. Acesso em 2 de março de 2016.

relacionadas à música de forma cria-

GODOI, Luis Rodrigo. A importância da música na Educação Infantil. Universidade Estadual de Londrina. Londrina, 2011.

tiva, permite a expressão de nossos

LOUREIRO, Alicia Maria Almeida. O ensino de música na escola fundamental. Campinas/SP: Papirus, 2003.

sonhos e pensamentos mais nobres. A música exalta o espírito humano e ajuda as crianças a perceberem que nem tudo na vida é quantificável.

PROPOSTA PEDAGÓGICA da EDUCAÇÃO INFANTIL - REDE SAGRADO- CSCM. Belo Horizonte: 2015 SCHROEDER, S. C. N. O pedagogo e a música: possibilidades e limites. In: V Seminário Fala (Outra) Escola. Campinas/SP: FE/UNICAMP, 2010. VICTOR HUGO. Site Coluna de Ideias. Disponível em: http://colunadeideias.blogspot.com.br/2010/11/musicae-o-barulho-que-pensa.html Acesso em: 21 de março de 2016


RJ

ARTE E SUSTENTABILIDADE:

As questões de lixo, reciclagem e reutilização vêm sendo consideradas cada vez mais urgentes e importantes na sociedade, pois o futuro depende da relação estabelecida entre a natureza e a utilização dos recursos naturais disponíveis. Assim, é importante que se desenvolvam, desde a infância, atitudes sustentáveis para garantir a preservação do meio ambiente e amenizar os efeitos negativos da ação do homem na natureza, seu bem mais precioso e que lhe possibilita a sobrevivência. Podemos observar, no decorrer da história, que sempre houve interação entre a arte e o universo que a cerca, refletindo costumes, valores, significado e ideais dos indivíduos de cada época. Sob esse prisma, a arte é uma atividade que procura explorar e re-

fletir a realidade, e pode ser uma ferramenta para trabalharmos o conceito de desenvolvimento sustentável. A escola é o ambiente propício para a difusão desse conceito, fazendo com que os alunos adquiram maior habilidade de discutir e assimilar a conscientização de atitudes sustentáveis e preservação do meio ambiente. Acreditando nessa concepção, desenvolvemos o projeto de ARTE SUSTENTÁVEL com os alunos do Ensino Fundamental, para mobilizá-los no sentido de realizarem produções artísticas que sensibilizem e conscientizem a escola e a comunidade quanto à urgência de adotarmos comportamentos, atitudes e valores que estejam em consenso com a ética ambiental. Inspirados nas obras de Vick Muniz,

Bernard Pras e Jane Perkins, artistas que vão além da estética e utilizam suas obras para transmitir mensagens de consciência e sustentabilidade, e no projeto de arte-educação realizado pela ONG Washed Ashore (http:// washedashore.org/), que transforma lixo jogado no mar em obras de arte, os alunos do Ensino Fundamental vivenciaram essa experiência por meio de trabalhos realizados nas aulas de Artes Visuais. Um dos trabalhos produzido foi o painel “Peixe de Brinquedo”, em homenagem à vida marinha, muito prejudicada principalmente pelos dejetos plásticos que são diariamente jogados ao mar. Partindo dessa ideia, as crianças trouxeram de casa pequenos objetos que não são mais utilizados, como brinquedinhos velhos ou quebrados, tampas de caneta, carretéis de linha etc. Com esses objetos,

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UM CAMINHO DE CONSCIENTIZAÇÃO Gabriela Dias Graduada em Belas Artes, pós-graduada em Artes Visuais e professora de Artes Visuais da Educação Infantil ao Ensino Fundamental – Anos Finais. Peixe de Brinquedo, composição formada por brinquedos e pequenos objetos.


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Alunos do 2º ano confeccionando, com tampas de garrafa PET, o painel “Maria”.

“Reciclando o planeta”, composição com sacolas plásticas feita pelas turmas de 2º ano.

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16 “O Rio de Janeiro continua lindo”- composição com tampas e flores de garrafa PET.

produzimos um painel-jogo para que, brincando, meditássemos sobre o que podemos fazer para melhorar nosso planeta. Ainda com a perspectiva de “reciclar ideias e atitudes”, criamos painéis com as turmas de 2º ano do Ensino Fundamental, com a colaboração do 8º ano, usando tampas de garrafa PET, material geralmente descartado e considerado sem qualquer utilidade. Para compor o painel, foram utilizadas aproximadamente 2.000 tampas, de tamanhos variados e em suas cores originais, além das próprias garrafas, que se transformaram em flores. O objetivo do trabalho foi fazer as pessoas repensarem sobre reciclagem e meio ambiente, mostrando que muitas coisas jogadas fora podem ser reaproveitadas e que o lixo pode, sim, ser transformado em lindas obras de arte.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o uso de plásticos pela sociedade é bastante impactante, pois a sacola plástica, item mais comum de descarte, prejudica tanto as cidades quanto a natureza. Cientes desses danos, os alunos desenvolveram técnicas para reaproveitar as sacolas plásticas e dar a elas um novo uso, transformando-as no criativo painel, “Reciclando o Planeta”. Outra proposta desenvolvida foi a “Rainha do Carnaval”. Quando acaba a maior celebração da cultura brasileira, ficam os restos: fantasias, máscaras, adereços e outras tantas lembranças são deixadas para trás pelos foliões nas ruas e pelo público na Sapucaí. A produção esplendorosa dos carnavais também acaba gerando toneladas de lixo. A consciência ecológica no Carnaval ganhou a sala

de aula e assim nasceu “A Rainha do Carnaval”, escultura que utiliza os dejetos da festa e comprova que o evento é ainda mais bonito se for econômico e sustentável. A escultura foi apresentada na Feira Literária do colégio, que homenageou o centenário do samba. As correlações entre arte e sustentabilidade constituem uma das tendências da sociedade contemporânea e, cada vez mais, testemunha-se uma ênfase maior no papel da arte, da cultura e da criatividade no mundo, na sustentabilidade, demonstrando que pode haver conexão entre o espaço real e o artístico. Assim, por meio de projetos como esse, colaboramos para a formação de cidadãos críticos e comprometidos com o desenvolvimento sustentável.

“Maria”- composição com tampas de garrafa PET.

REFERÊNCIAS:

Alunos no processo de criação da “Rainha do Carnaval”, utilizando dejetos do carnaval.

CARDOSO, Juliana. Arte e sustentabilidade: uma reflexão sobre os problemas ambientais e sociais por meio da arte. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/279469940_Arte_e_sustentabilidade_uma_ reflexao_sobre_os_problemas_ambientais_e_sociais_por_meio_da_arte MUNIZ, Vik. A arte voltada à sustentabilidade. Disponível em: https://www.greenme.com.br/viver/arte-ecultura/719-vik-muniz-a-arte-voltada-a-sustentabilidade PERKINS, Jane. Arte a partir de lixo. Disponível em: http://obviousmag.org/archives/2010/01/jane_perkins_ arte_lixo.html PLANETA SUSTENTÁVEL. Carnaval consciente. Disponível em: http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/ atitude/conteudo_268368.shtml POZZI, Angela H. Washed Ashore, ocean ambassadors. Disponível em http://washedashore.org/about/oceanambassadors/ PRAS, Bernard. Disponível em: https://bernardpras.fr/projects/


UBÁ

HISTÓRIA “EM CENA”

Podemos citar como um dos maiores desafios da disciplina História a habilidade de relacionar os fatos e experiências vividas no passado com as questões do tempo presente. Com a intenção de retratar os acontecimentos importantes da História por meio da produção e apresentação de peças e temas teatrais, o Colégio Sagrado Coração de Maria de Ubá realiza, desde 2013, o projeto “História Em Cena”. Encenado pelos alunos do Ensino Fundamental II, o “História em Cena” revive as permanências e transformações que marcam a História das Civilizações, permitindo assim a abordagem conceitual sobre preconceito, intolerância, violência, (in)segurança, cultura, sociedade, poder político e econômico, saúde, justiça e esperança. A proposta, formulada junto à Coordenação de Segmento do Ensino Fundamental II, do Colégio Sagrado Coração de Maria de Ubá tem o objetivo de incentivar a produção estética dentro do ambiente escolar, com a criação e apresentação de textos, sempre relacionados aos conteúdos trabalhados ao longo do ano letivo em cada série. Inspirado em conceitos fundamentais para a historiografia contemporânea, como o de Tempo, Espaço e Sujeito Histórico, o projeto “História em Cena” reúne produções sobre mitologia grega, grandes navegações, colonização das Américas, Império no Brasil, entre outras.

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O TEATRO COMO ESTRATÉGIA METODOLÓGICA PARA O ENSINO DE HISTÓRIA Carlos de Moraes Sarmento Neto Licenciado em História pela Universidade Federal de Juiz de Fora, Minas Gerais e Bacharel em Jornalismo pela Universidade Presidente Antônio Carlos, de Juiz de Fora, Minas Gerais. Professor de História do 6º, 7º, 8º e 9º anos do Ensino Fundamental II e Professor de Sociologia da 1ª, 2ª e 3ª séries do Ensino Médio do Colégio Sagrado Coração de Maria de Ubá, Minas Gerais.

Como sabemos, a História nos proporciona um olhar atento às experiências do tempo passado, refazendo seus caminhos e lições para o tempo presente. A narrativa de mitos, deuses e heróis, guerras, conquistas e conhecimentos, são exemplos invariavelmente provocantes para a compreensão do mundo em que vivemos, bem como seus conceitos e valores. Em nosso tempo, homens e mulheres também buscam esse sentido e significado da vida, o sig-

nificado do nosso momento histórico. A partir dos aspectos necessários para a compreensão da disciplina e seus conteúdos, os alunos analisam as rupturas e permanências da História, despertando para as diferenças e semelhanças dos conceitos no tempo. Neste sentido, a contribuição fundamental da história cultural se dá justamente pela análise social através de práticas e representações. Chartier (1990) estabelece essas novas noções como os modos de ver e de fazer sobre a sociedade. Se, para Chartier (1990), a História Cultural é a maneira de como uma determinada realidade é construída e interpretada, as representações que aqui compreendem os modos de ver são normalmente criadas de acordo com os interesses e perspectivas dos grupos que as constroem. Outro autor fundamental nessa vertente de construção e interpretação da História é o alemão Koselleck (2006), que também faz uma reflexão teórica sobre o surgimento do conceito moderno de “História”, sendo considerada por ele, a mais importante de todas as inovações conceituais da modernidade.

desenvolvimento sustentável.

Os conhecimentos sobre a Grécia Antiga, por exemplo, revelou-lhes um passado recheado de elementos importantes para a compreensão de questões da contemporaneidade, como democracia, assembleia, cidadania, leis e a própria noção de Estado.

Além de pesquisas sobre os fatos e personagens que são interpretados, os estudantes também precisam pensar as dificuldades do tempo antigo e imaginar quais seriam seus conflitos na sociedade atual.

Nas produções, como o julgamento de um escravo que tinha como advogado de defesa o abolicionista Joaquim Nabuco, o projeto “História em Cena” também discute aspectos estéticos importantes para o campo da cultura, como a padronização de costumes e comportamentos em tempos de globalização. A proposta ainda tenta aproximar o contexto dos acontecimentos históricos com os problemas da sociedade brasileira em especial, bem como a relação com o meio ambiente e o

Após a apresentação do conteúdo na sala de aula e discussões acerca do mesmo, os alunos são instigados a elaborarem, em grupos, uma produção teatral. A partir da caracterização de personagens, eles assumem a difícil tarefa de produção de enredo, cenários, personagens, etc.. Todo o trabalho é mediado pelo professor, mas criado pelos próprios alunos em sala de aula, por meio de diversas pesquisas e produção de textos. Os personagens rapidamente ganham forma e realmente transformam-se em cena como, por exemplo, um D. Pedro II preocupado e sem forças diante da crise da monarquia no Brasil no final do século XIX. Para definir esses movimentos, levamos em conta algumas variáveis, como a necessidade de sempre lembrar que aquele elemento fora criado e caracterizado em um contexto histórico muito diferente dos tempos atuais, e também o desafio de caracterizar os personagens e fazer com que eles debatam questões do tempo presente.

Após a criação, os alunos realizam a apresentação para os demais estudantes do segmento em que estudam e para convidados, sendo esta a culminância do projeto. A apresentação ainda é encerrada com a realização de uma “Assembleia Geral da ONU dos alunos do 9º ano do Ensino Fundamental”, que reproduz as discussões sobre os principais temas da atualidade. Importante ressaltar que o projeto também efetiva a parceria com outras disciplinas, como Ensino Religioso, Língua Portuguesa, Arte, Geografia,

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UBÁ

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Ciências e Matemática. O projeto “História em Cena” ousa ser não um mecanismo definitivo e estático sobre temas e fatos do passado, mas um instrumento que pode contribuir para a consolidação das habilidades e conteúdos trabalhados ao longo do ano, tendo como meta a autonomia e o protagonismo por parte dos alunos. CONSIDERAÇÕES FINAIS A opção pela metodologia apresentada tenta materializar a proposta pedagógica da Rede Sagrado Coração de Maria, que aponta para uma metodologia participativa, em que o conhecimento não deve ser transmitido e assimilado ape-

nas pela atitude passiva dos estudantes, pois acreditamos que o aprender está associado a atribuir significados aos conceitos e à interação dos estudantes com os mesmos, resultando em construções coletivas através da experiência autônoma e participativa. A realização do projeto confirma isso, pois o estudante assume compromissos e percebe que pode participar das decisões tomadas no seu tempo. O projeto “História Em Cena” mobiliza os alunos do Ensino Fundamental II com a temática e as habilidades dos conteúdos propostos, reforçando cada vez mais as várias maneiras de

se pensar e expressar historicamente no tempo. Fiel ao ideal missionário de seus fundadores, Padre Jean Gailhac e Irmã Saint Jean, o Colégio Sagrado Coração de Maria, de Ubá, Minas Gerais reafirma sua proposta de educação de excelência fundada nos valores cristãos, promovendo o protagonismo juvenil, a cultura da solidariedade e do compromisso com a transformação social. É esse o caminho que pensamos a escola. Não apenas como um espaço limitado, destinado à mera reprodução dos saberes. Um espaço de construção coletiva no tempo, no espaço e, claro, por sujeitos históricos.

REFERÊNCIAS:

CAMPBELL, Joseph. O poder do mito. São Paulo: Palas Atena, 1990. CHARTIER, Roger. A história cultural: entre práticas e representações. Campinas/SP: Bertrand Brasil, 1990. DESGRANGES, Flávio. Pedagogia do teatro: provocação e dialogismo. São Paulo: Hucitec: Edições Mandacaru, 2006. GANDON, Odile. Deuses e heróis da mitologia grega e latina. São Paulo: Martins Fontes, 2000. KOSELLECK, Reinhart. Futuro passado. Contribuição à semântica dos tempos históricos. Rio de Janeiro: Contraponto, 2006. PAVIS, Patrice. Dicionário do teatro. São Paulo: Perspectiva, 1999. SISSA, Giulia; DETIENE, Marcel. Os deuses gregos. São Paulo: Círculo do Livro, 1990. VERNANT, Jean-Pierre. O universo, os deuses, os homens. São Paulo: Companhia das Letras, 2000


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OFICINAS INTERCLASSES

Construção de pequenas histórias a partir de cenas.

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Intervir significa atuar para influenciar, tornar-se mediador (PROFEAD, 2012, p.17). Diante dessa certeza, para que haja intervenção, são necessárias estratégias que assegurem que os estudantes sejam desafiados e sanem suas dificuldades de aprendizagem, conforme o que foi demonstrado na diagnose realizada no início do ano. A prática reflexiva valoriza o processo de reflexão sobre o conhecimento na ação. A reflexão sobre o conhecimento na ação conduz o sujeito à indagação sobre a sua atuação, criando condições favoráveis à transformação da situação. (ESTEBAN, 2001, pág. 80)

INTERVENÇÃO DE SUCESSO NO 1º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL I 1

Anna Grasielle Varejão

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| Helena Piassaroli

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Silvana Francisco Vittore

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| Maria Madalena Martins 7

| Helena Ambrósio

| Priscila Garcia Oliveira

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| Rosyenne Teixeira

| Kelly C. Lisboa Diniz L. de Vilhena8

1 - Graduada em Pedagogia e especializada em Psicopedagogia; 2 – Graduada em Pedagogia; 3 – Graduada em Pedagogia e especializada em Psicopedagogia e Gestão Escolar; 4 – Graduação em Pedagogia e especializada em Psicopedagogia e Gestão de Pessoas; 5 - Graduada em Pedagogia e especializada em Docência da Educação Infantil; 6 – Graduação em Pedagogia e História e especializada em Alfabetização e Letramento; 7 – Coordenadora Pedagógica de Segmento (Pedagoga especialista em Psicopedagogia); 8 – Coordenadora de Língua Portuguesa (Graduada em Letras e Mestre em Estudos Linguísticos – Texto e discurso).

As oficinas interclasses surgiram a partir da imperativa necessidade de ampliarmos nossas táticas interventivas, a fim de validar cada vez mais o compromisso com a missão da Rede Sagrado de oferecer uma educação de qualidade, comprometida com a for-

mação acadêmica de excelência dos nossos estudantes. O projeto de intervenção, aqui descrito, dá continuidade às ações desenvolvidas no cotidiano da sala de aula como alternativa para o aluno avançar nos processos de leitura e de escrita no papel de autor dessas falas e escritas. O objetivo é intensificar o trabalho com algumas habilidades da área de Língua Portuguesa, construir pequenas histórias escritas a partir de cenas apresentadas em quadros sequenciados; ou recontá-las; formular hipóteses sobre o assunto de um texto a partir do título e do subtítulo; compreender globalmente uma frase e um texto curto; formular hipóteses sobre o assunto, relacionando imagem-texto a partir de situações que levem à formação de leitores; ampliando intencionalmente suas possibilidades de inserção e de participação nas diversas

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práticas sociais de escrita e de leitura. As oficinas interclasses, por meio do intercâmbio entre as crianças e de sua distribuição de acordo com níveis de proficiência, oportunizam o trabalho do mediador (professor) com um número reduzido de estudantes, facilitando um atendimento mais individualizado, com objetivos específicos e foco nas habilidades fundantes da leitura e da escrita. Durante a diagnose, observamos e constatamos, nas turmas dos 1º anos do Ensino Fundamental I, que existem grupos de estudantes que apresentam características das fases pré-silábica; silábica; silábica alfabética e alfabética da escrita. Percebemos também estudantes com desafios nas atividades propostas diariamente, com pouca autonomia para ler e escrever, que precisavam de bastante estímulo para


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realizar suas tarefas de maneira mais organizada (sentido da escrita) e com mais capricho, além de demandarem orientação maior para avançar em seus ensaios de leitura e em suas hipóteses de escrita dentro das normas convencionais. Para que essas oficinas ocorressem de forma organizada, progressiva e coerente com as necessidades e, ainda, para que o fazer pedagógico fosse favorável aos objetivos traçados, foi necessário planejarmos algumas etapas paulatinas e sistematizadas. O primeiro passo foi o diagnóstico. Analisamos as produções dos estudantes e, a partir dessas avaliações e atividades cotidianas, traçamos um perfil das turmas.

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Em seguida, os alunos foram agrupados a partir do nível de escrita em que eles se encontravam. As professoras realizam essa divisão estabelecendo

cores diferentes para cada nível de escrita, ou seja, ao invés de nomear o nível de proficiência, uma estratégia lúdica é separar os grupos por cores diferentes: “alunos da equipe azul serão da professora X, alunos da equipe branca serão da professora y”. Para eles, as cores representam o que terão de estudar junto com aquele grupo e não seu nível de proficiência. É importante destacar que sempre enfatizamos para os alunos envolvidos que todos os grupos são importantes e que a participação no grupo representará um avanço no crescimento da leitura e da escrita de cada um. Essa dinâmica os ajuda a participarem de forma mais motivada e cooperativa. Além desses cuidados, há uma preocupação com a escolha de cada professora e professoras auxiliares que irão conduzir as oficinas, uma vez que o perfil de identificação desse profissional com os níveis propostos interfe-

re sobremaneira no avanço pedagógico esperado. Outra etapa importante é a construção das atividades diferenciadas, estimuladoras e com foco nas habilidades a serem desenvolvidas em cada nível de aprendizagem, visando promover uma aprendizagem específica, definida e sequenciada. Oferecer desafios com graus diferentes de complexidade propicia que os estudantes possam levantar hipóteses a partir de diferentes proposições, favorecendo a reflexão sobre a leitura e a escrita e a realização de registros mais elaborados de suas ideias, com apropriação de gêneros textuais diversificados e efetivação de experiências e vivências. Consideramos as oficinas interclasses uma estratégia de intervenção de sucesso, pois percebemos a evolução das crianças a partir dos indicadores mostrados no gráfico abaixo:

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AGRUPAMENTO DE ALUNOS POR NÍVEL DE ESCRITA

Alunos agrupados por nível de escrita em produção de texto.

Portanto, como “a função da escola e a verdadeira responsabilidade profissional passam por conseguir que nossos alunos atinjam o maior grau de competências em todas as suas

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capacidades, investindo todos os esforços em superar suas deficiências” (ZABALA, 1998; p. 212.), acreditamos que as oficinas interclasses favorecem a melhoria dos resultados, ao mesmo

tempo em que sinalizam outros caminhos para aprimorarmos cada vez mais nosso fazer cotidiano em sala e nos prepararmos para os novos desafios que virão.

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REFERÊNCIAS: 0 ETAPA 1 Pré-silábico

ETAPA 2 Silábico

Silábico-alfabético

REDE SAGRADO – CSCM. Profead 2012 - A intervenção pedagógica para a qualidade de ensino.

ETAPA 3 Alfabético

ESTEBAN, Maria Teresa. O que sabe quem erra? Reflexões sobre avaliação e fracasso escolar. Rio de Janeiro: DP&A, 2001.

Ortográfico

ZABALA, Antoni. A prática educativa: como ensinar. Trad. Ernani F. Rosa. Porto Alegre: ArtMed, 1998.


CONVIDADO

A INTERDISCIPLINARIDADE

Muitos professores procuram formas de rupturas com o ensino verticalizado e engessado de conteúdos. Neste mesmo rumo, um número considerável de alunos está insatisfeito com as aulas fundamentadas em definições, regras e fórmulas. O conteúdo é apresentado, pelos professores e pelos livros didáticos, como acabado, pronto, distante do mundo dos adolescentes. Os responsáveis por esses alunos também compartilham deste “sofrimento”. Podemos então interrogar: “Como a escola, formada pelos sujeitos citados, pode percorrer um novo caminho?”. Uma resposta não é o suficiente, mas podemos elencar caminhos. As trajetórias de parcerias, de compartilhamentos e de diálogos aparecem como as alternativas para as angústias da escola. Destacamos entre estas alternativas a interdisciplinaridade1. A palavra é de difícil pronúncia e literalmente longa! Vamos conversar um pouco sobre ela. Podemos encontrar para esse termo vários conceitos elaborados por diversos pesquisadores da educação e de outras áreas. Dentre os conceitos construídos, o que mais destacamos é “a ação” entre as disciplinas, e também entre as pessoas, como o maior degrau a ser vencido para realmente construirmos a interdisciplinaridade. É disso que gostaria de falar com vocês!

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AÇÃO NA ESCOLA Márcio Antônio da Silva Mestre em Ensino de Ciências pela Universidade Federal de Ouro Preto. Licenciado em Química e Especialista em Ensino por Investigação pela Universidade Federal de Minas Gerais.

O primeiro passo - e não pensem que este texto trata-se de um roteiro - a interdisciplinaridade se faz com pessoas em ação. Não somos interdisciplinares quando falamos sozinhos de Geografia e de Biologia na aula de Química, mas quando falamos com os nossos pares. As pessoas fazem a interdisciplinaridade! Nesta lógica interdisciplinar, os professores, entre si e com os alunos, vivem uma intensa troca de conhecimentos, de parcerias e de união. O coletivo escolar rompe as barreiras das especificidades individuais humil-

demente, e se dispõe a aprender com os erros e com os acertos. Assim “se faz e se é” interdisciplinar. Desta união coletiva é pertinente, em uma proposta interdisciplinar, enfatizarmos um ponto em comum – o tema gerador. O tema gerador não é imposto, não é modismo, não é de interesse de um indivíduo. É um problema geral de investigação para a aproximação dos professores e dos alunos. O tema gerador nasce das conversas e do diálogo a que uma proposta interdisciplinar tanto se resguarda. As contribuições que vêm de cada conhecimento disciplinar para a resposta do problema geral são uma ação, um constante conhecer-se. Na sociedade tecnológica, há trocas rápidas de informações, de soluções ou de novos problemas. Podemos e devemos aliar a essa tecnologia para que a pesquisa avance. O tema gerador é decodificado pela pesquisa! Os estudantes usam ferramentas tecnológicas, e nós também, mas que as deixamos de lado quando estamos em sala de aula para a construção do processo de ensino-aprendizagem é fato marcante nas escolas. Criar grupos de debates, e de investigação, apoiados nos recursos tecnológicos, é um processo que precisamos fazer nas nossas escolas. Por que não aliar a interdisciplinaridade à tecnologia? E posso reformular o questionamento para a frase: por que não unimos pessoas, disciplinas, um tema de interesse comum e a tecnologia em prol da aprendizagem para todos? Para dar suporte a este caminho interdisciplinar nas salas de aula – este espaço quadrado com carteiras enfileiradas, com um condutor à frente. E é necessário refletir sobre isso – existem os documentos oficiais que regem a educação brasileira. Todos os documentos e, reforço em dizer, todos

os documentos, citam a interdisciplinaridade. Se já está oficialmente instituída, por que não aderimos a este contexto? Nossas pesquisas apontam a inexistência das práticas interdisciplinares às falhas dos cursos de formação de professores, aos padrões de escola que teimamos em repetir e ao comodismo. Aliás, ser interdisciplinar é romper com essas ações repetitivas e partir para uma nova ação levando com a gente tudo o que deu certo e que aprendemos com a velha prática. A interdisciplinaridade não extingue disciplinas, não desconsidera o velho, não é desorganizada e não é um projeto escolar. Isso já está na legislação do nosso país... é necessário então pesquisar, juntar-se a outros tantos e ver a interdisciplinaridade nascer no ambiente onde passamos tanto tempo! Se o mundo é interdisciplinar, se tudo está conectado e se comunica, por que vamos então teimar com as gavetas da divisão do conhecimento? Nestas poucas palavras, busquei argumentar um pouco sobre a interdisciplinaridade e dos poucos momentos vividos nesta estratégia. Temos um longo caminho pela frente, urgente e necessário, pois queremos escolas da vida, sintonizadas com o mundo. Não devemos negar nossas histórias interdisciplinares e nem podemos fazer isso se somos interdisciplinares. Levar adiante estas ideias, aperfeiçoá-las e se reinventar são ações corriqueiras para quem quer se adentrar neste caminho. Que venham as histórias, as amizades, as novas pesquisas e este novo ser, o interdisciplinar.

1 - Comentamos a interdisciplinaridade a partir de nossa pesquisa de mestrado vivenciada em uma escola.

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COACHING

COACHING EDUCACIONAL

O mercado para os profissionais de coaching vem crescendo em ritmo acelerado, o que representa uma tendência mundial. Este processo tem sido aplicado, com sucesso, em diversas áreas, inclusive na Educação. No Brasil, a percepção do valor do coaching aumentou significativamente nos últimos anos, conforme dados da 8ª pesquisa anual desenvolvida pela Sherpa Executive Coaching (2106). No entanto, muitas vezes, verificam-se conceitos equivocados no que diz respeito às especificidades do processo. O trabalho com o coaching tem por objetivo desenvolver habilidades e competências do coachee(cliente), em curto espaço de tempo, visando auxiliá-lo no alcance de objetivos pessoais e ou profissionais. Além disso, o coach (profissional em coaching) auxilia o cliente a quebrar crenças limitantes, conquistar metas em curto, médio e longo prazos, sair do estado atual para o estado desejado, potencializar e produzir

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REFERÊNCIAS:

mudanças positivas e duradouras em sua vida. Um dos nichos de atuação do coach é a educação, área em que o trabalho com os estudantes, tendo em vista diversas temáticas como definição de metas e objetivos, transformação de crenças limitantes, administração e superação de conflitos, gestão do tempo, dentre outros, tende a ser bastante profícuo. A Rede Sagrado – colégios Sagrado Coração de Maria – numa perspectiva de formação arrojada tem trabalhado com a equipe pedagógica e estudantes o tema da autorregulação da aprendizagem que, resumidamente, significa ensinar ao estudante como ser o condutor do próprio processo de aprendizagem. Esta temática de formação se relaciona diretamente ao trabalho realizado pelo coaching educacional, visto que, no processo de coaching, o autoconhecimento e o protagonismo são fundamentais para se sair do estado atual e ir para o estado desejado.

O uso de algumas ferramentas do coaching, como a “Roda da Vida, a Roda da aprendizagem, o teste do sistema representacional, a avaliação do perfil comportamental e a tríade do tempo”, pode auxiliar os estudantes a perceberem a melhor forma como cada um aprende, a descobrirem aspectos da própria aprendizagem que precisam ser mais desenvolvidos e a verificarem como têm realizado a gestão do tempo. É um trabalho que, certamente, auxiliará no processo de autorregulação dos estudantes, proporcionando novas ferramentas para as ações desenvolvidas pelas coordenadoras educacionais. Além disso, esperamos também, com a inclusão das ferramentas de coaching, ampliar a visão dos professores reaproximando-os de antigos ideais, auxiliando-os a perceberem o impacto positivo de seu fazer, entendendo o quanto seu esforço e dedicação estão intimamente atrelados aos resultados dos estudantes.

BARBOSA, Cristian. A tríade do tempo. Rio de Janeiro/RJ: Sextante, 2011. CATALÃO, João Alberto; PENIN, Ana Teresa. Ferramentas de Coaching. 7ed. Belo Horizonte/MG: Líder, 2013. DUHIGG, Charles. O poder do hábito. São Paulo/SP: Objetiva, 2012.

Daniela Afonso Chaves Alencar de Carvalho Pedagoga, Especialista em Educação, Mestre em Educação, Professional & Self Coaching, Analista comportamental pelo IBC (Instituto Brasileiro de Coaching) e Coordenadora Pedagógica Geral no Colégio Sagrado Coração de Maria/BH.

ZAIB, José; GRIBBLER, Jacob. Manual de coaching educacional – Transformando gestores e professores em líderes inspirados. São Paulo/SP: Leader, 2013. 8ª pesquisa anual de coaching executivo e desenvolvimento de liderança, realizada pela Sherpa Executive Coaching (2106). Disponível em https://www.sbcoaching.com.br. Acesso 25 jul 2016.

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TEC

TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS

“Viver é aprender fazendo, é questionar aprendendo. Viver é investigar!” Com esse slogan, não é difícil entender por que alunos e professores da Rede Sagrado – colégios Sagrado Coração de Maria desenvolvem tantos projetos junto ao Portal Educacional. O conjunto de tecnologias educacionais que reúne conteúdo, colaboração, inovação e personalização formando uma rede de conhecimento também tem como missão despertar no estudante a vontade de aprender, de investigar sobre o mundo em que vive, descobrir novas possibilidades e construir seu aprendizado. Um exemplo dessa sintonia é o resultado do projeto colaborativo Mobiliza, desenvolvido na unidade de Vitória com os alunos do 8º ano do Ensino Fundamental e integrado ao Projeto Vida Padre Gailhac, que atende crianças e adolescentes em condições de vulnerabilidade social. “O Mobiliza veio a calhar e tornou um trabalho que já fazíamos ainda mais significativo para os alunos”, disse Eneida Lorenzoni, coordenadora de informática educativa. “Foi um trabalho de sensibilização e conscientização sobre valores, ética e felicidade, ética e cidadania, paz e solidariedade, em que abordamos temas como justiça e responsabilidade social e fortalecemos laços afetivos com os nossos jovens”, explicou Eneida, completando que o projeto foi tão bem sucedido que terá continuidade no projeto JPIC – “Justiça, Paz e Integridade da Criação”.

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MOTIVAM, AUXILIAM O APRENDIZADO E UNEM ALUNOS, PROFESSORES E FAMÍLIAS Informe editorial

O Mobiliza também foi realizado com os alunos do 6º ano do Colégio Sagrado do Rio de Janeiro, que trabalharam em um projeto multidisciplinar discutindo a violência contra a mulher. “O Mobiliza não só estimulou a pesquisa sobre o assunto como envolveu os alunos e provocou uma tomada de posição”. Além deste projeto, o Portal Educacional possibilita, conforme nos contou Sonia Silva, coordenadora de informá-

tica, acesso a muitos conteúdos e atividades, inclusive para alunos da Educação Infantil, como jogos que trabalham cores eletras, bibliotecas com infográficos e vídeos, e a ferramenta de avaliação on-line, que, segundo Sonia, é muito utilizada pelos professores, pois além de ter uma base com milhares de questões prontas, permite que eles formulem outras, personalizadas. Este ambiente virtual que auxilia o processo de avaliação faz sucesso também em Brasília, em especial com as turmas do Ensino Médio. “O aluno pode responder até pelo smartphone e, para essa geração, isso é muito estimulante”, afirma Robert Damasceno da Silva, auxiliar de informática educativa. “Recentemente, participamos do projeto Fotobolagem, que foi muito bem recebido pelos alunos. Eles pesquisaram, fotografaram, postaram, votaram, tiveram 3 imagens selecionadas e ficaram muito motivados”, conta Robert. Aline de Albuquerque Oliveira, aluna do 5º ano C, confirma o prazer de participar. Inspirada no pai, que é fotógrafo, ela teve uma de suas fotos entre as mais votadas. “A sensação de ver minha foto em votação foi só de felicidade”. Em Belo Horizonte, os alunos do Colégio Sagrado Coração de Maria também aproveitam as oportunidades disponibilizadas no Portal Educacional. “Utilizando vários meios, o processo de aprendizagem é melhor e mais prazeroso”, diz Rayanne Afonso dos Santos, coordenadora de informática educativa. Segundo ela, os estudantes participam de projetos colaborativos, de concursos, usam a rede social, as ferramentas de avaliação on-line, as bibliotecas etc.. “Recentemente, participamos do Clube Aprende + quem ensina e foi uma experiência fantástica, com os próprios alunos criando e gravando aulas de Matemática, Geografia, Ciências e Biologia”, conta Rayanne, que destacou também as ‘Oficinas do Texto’. “Não

tem idade: desde os pequenininhos até os maiores, todos os alunos gostam de escrever uma história com um autor como o Ziraldo, por exemplo, e depois receber o livro impresso. É mais uma oportunidade de trabalharmos as habilidades motoras e a escrita”. Em todas as unidades da Rede Sagrado, a ‘Oficina do Texto’, é utilizada. Na unidade de Vitória, em 2016, o projeto foi aberto para que os pais escrevessem as histórias ao lado dos filhos. Em Ubá, os alunos do 2º ano do Fundamental I estão criando histórias coletivas. “Cada um recebe o seu livro, mas a obra é uma produção da turma e o aprendizado é muito mais significativo”, explica Solange de Carvalho Araújo, encarregada de informática educativa e uma entusiasta da tecnologia na educação. “As ferramentas digitais criam e abrem oportunidades de conhecimento inimagináveis e a escola não as ignora”, afirma. É o caso do Aprimora, ecossistema adaptativo de aprendizagem, utilizado pelos alunos do 3º ano da unidade de Ubá. O Aprimora identifica o nível de aprendizagem do aluno e apresenta o melhor caminho para que ele possa se desenvolver de acordo com seu ritmo e desenvolvimento cognitivo. Esta tecnologia contempla as habilidades elencadas pelo Ministério da Educação para as áreas de Língua Portuguesa e Matemática, tendo sido avaliada e qualificada para integrar o Guia de Tecnologias Educacionais publicado pelo MEC, por seu potencial para promover a qualidade da educação. A parceria entre o Portal Educacional e a Rede Sagrado vem inserindo as novas tecnologias da educação e informação como uma proposta inovadora fundamentada em princípios pedagógicos consistentes, conforme este relato de experiências da comunidade educativa dos cinco colégios da Rede Sagrado Coração de Maria.

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Belo Horizonte Fernanda Campos Revisora de textos e professora de português para estrangeiros do CSCM-BH A professora Fernanda Campos já esteve presente nas salas de aula do CEFET-MG e do Colégio Sagrado Coração de Maria-BH (CSCM-BH), lecionando disciplinas como Inglês, Português, Literatura e Redação. Graduada em Letras pela PUC-MG e especialista em Leitura e Produção de Textos pela UFMG, de 2010 a 2013 decidiu respirar novos ares e escolheu os países vizinhos para iniciar uma imersão na cultura e na linguística latino-americana. Trabalhou em Lima, no Peru, como professora de Literatura Brasileira e Português como Língua Estrangeira (PLE), na Universidad Nacional Mayor de San Marcos, e foi colaboradora do Setor Cultural da Embaixada do Brasil. Já em Cuba, atuou como professora visitante da Universidad de Ciencias Médicas, em Cienfuegos, junto ao Programa Mais Médicos para o Brasil, colaborando com o Módulo de Acolhimento e Avaliação do programa, realizado em Belo Horizonte. Em 2014, de volta ao Brasil, retornou para o CSCM-BH como Revisora de Textos e corretora das redações dos simulados ENEM realizados pelos estudantes, atribuição na qual possui experiência prévia, quando atuou em bancas de correção de provas de vestibular do CEFET-MG, do ENEM e do Exame de Certificação de Proficiência em Língua Portuguesa para Estrangeiros (CELPE-BRAS). Sua experiência na América do Sul possibilitou sua atuação também como colaboradora do Intercâmbio Internacional da Rede Sagrado, como professora do curso de Português para Estrangeiros, destinado às intercambistas do Marymount School de Medellín – Colômbia. Em 2016, Fernanda tornou-se mestre em Estudos de Linguagens, pelo CEFET-MG, ao defender sua dissertação que teve como tema a variação linguística no livro didático de Português como Língua Estrangeira.

ELES SE DESTACAM

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Brasília Luís César de Oliveira Professor de Química no CSCM- Brasília A responsabilidade socioambiental precisa ser exercida pelas instituições de ensino como compromisso diário. Os profissionais de educação devem ser exemplos para os alunos, mas também agentes em ações sustentáveis. Assim sendo, a unidade de Brasília inaugurou, em dezembro do ano passado, a Fábrica-Escola de Sabão. A Fábrica-Escola possibilitou aos estudantes a realização de pesquisas sobre os malefícios do óleo de cozinha ao meio ambiente, bem como a constatação, a partir de um levantamento de que as maiores despesas de manutenção do colégio são com produtos de limpeza. Sob a orientação do professor Luís César, o projeto permitiu aliar uma necessidade real do Colégio, uso responsável e sustentável de produtos químicos e economicidade, com a experiência educacional no ensino da disciplina “Química”, transformar óleo de cozinha usado em sabão. Em julho deste ano, o projeto se tornou uma empresa júnior, com o objetivo de atender a demanda de sabão e para otimizar gastos com produtos de limpeza, possibilitando que os recursos financeiros economizados sejam gastos com outras demandas importantes. Além disso, a Fábrica-Escola trabalha para atender, futuramente, o Projeto Vida Pe. Gailhac e, quem sabe, outros projetos socioassistenciais, nos quais o Colégio realiza ações solidárias. Como reconhecimento da relevância, o projeto foi convidado pela diretoria do Green Move Festival para confeccionar o edital e apresentar a premiação “Escolas Green”, que premia escolas públicas e particulares que realizam projetos sustentáveis e fazem diferença para a sociedade.

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Ubá Ronan Bicalho Barbosa Professor de Educação Física do Ensino Fundamental II e do Ensino Médio do CSCM-Ubá. Atua também no Projeto Coração Aberto e Projeto Vida Irmã Maria de Aquino Andressa Zambolim de Paula Professora de Educação Física da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I do CSCM-Ubá Andressa Zambolim e Ronan Bicalho são professores de Educação Física que desenvolvem um excelente trabalho de revitalização e valorização da educação física escolar através de aulas dinâmicas e estimulantes. Para isso, eles utilizam excelentes estratégias metodológicas para o estímulo à prática de atividades físicas e lançam mão de recursos como jogos, brincadeiras, competições e ampliação da prática de modalidades esportivas. Andressa utiliza a dança e a música como recurso metodológico e, a partir desse trabalho, desenvolve lindas apresentações artísticas como culminância dos projetos realizados. Recentemente, o professor Ronan vem realizando, com destaque, o Projeto Interclasse, que conta com a participação dos alunos do Ensino Fundamental e Médio. O projeto tem definido expressiva contribuição pedagógica, proporcionando experiências formativas para a cidadania, como: autossuperação, aprimoramento de diversas habilidades físicas e comportamentais, incentivo à criatividade.

Rio de Janeiro Nyeta Magalhães Campos Professora de Ensino Religioso dos 8º e 9º anos do Ensino Fundamental e 2ª série do Ensino Médio. Atua no Grupo de Trabalho Solidário (GTS) do CSCM-RJ 34

Nyeta é professora, jornalista, teóloga e gestora cultural. Além de atuar na área da educação há 30 anos e estar no CSCM-RJ desde 2010, trabalha em organizações sociais como captadora de recursos e gestora nas áreas de educação, cultura e assistência social. Junto a seu marido, que criou o projeto sociocultural “O Som das Comunidades” vinte anos atrás. Coordena ações educativas e culturais no Complexo do Turano, zona norte do Rio, com crianças, jovens, adultos e idosos. Presta assessoria a organizações sociais na área de Gestão e a empresas nas áreas de Relacionamento Comunitário e Responsabilidade Social. Coordenou, entre 2014 e 2015, a criação dos Cadernos Pedagógicos do Programa Petrobras Agenda 21. O conteúdo dos cadernos foi trabalhado através de oficinas com as comunidades vizinhas aos empreendimentos da empresa espalhadas pelo Brasil, para empoderá-las em seus próprios projetos de desenvolvimento local. Ela tem a forte crença de que fé e ação precisam caminhar lado a lado e de que os jovens precisam de referências que demonstrem coerência em suas ações. Por isso, aceitou o desafio de construir o trabalho do GTS (Grupo de Trabalho Solidário) junto ao Serviço de Orientação Religiosa e faz, com os alunos do 9º ano ao Ensino Médio, as saídas solidárias e o trabalho de atendimento às pessoas em situação de rua. Nyeta alia o cuidado com a educação e o desenvolvimento da espiritualidade dos jovens da Rede Sagrado ao cuidado com crianças e jovens que estão em comunidades de baixa renda e precisam compreender que também podem ter um projeto de vida de sucesso. Para ela, fecha-se assim um ciclo de transformação social nas bases, em que cada lado pode exercer seu papel de cidadão na construção de uma sociedade mais justa.

Vitória Kelly Christine Lisboa Diniz Leite de Vilhena Coordenadora da Área de Linguagens do CSCM – Vitória Kelly Christine Lisboa Diniz Leite de Vilhena é Mestre em Estudos Linguísticos e Coordenadora da Área de Linguagens, do CSCM – Vitória, desde 2009. Atua na área de Formação Continuada desde 2008. Ao visitar as salas de aula e se reunir com o grupo de professores nos encontros de coordenação de área, a professora Kelly percebeu a necessidade de sistematizar, em caráter progressivo, uma formação que aliasse os muitos conceitos e teorias linguísticas à prática dos professores, principalmente, na Educação Infantil e no Ensino Fundamental I. Ao engendrar esse processo, com apoio das coordenadoras de segmento e da coordenadora pedagógica geral, a professora começou a detectar mais áreas em que era possível atuar, a fim de qualificar ainda mais o trabalho. As formações propiciam aos professores um olhar mais apurado e atualizado frente às mudanças linguísticas e sociais. É um trabalho que vem rendendo frutos, com várias conquistas que vão desde resultados favoráveis na área de Linguagens em grandes processos seletivos, até questões internas que, temos certeza, produzirão resultados visíveis fora dos muros escolares em futuro próximo. Essa postura vem motivando a professora Kelly a avançar ainda mais no propósito de tornar nossos alunos protagonistas sociais por meio de uma boa comunicação e um bom uso de sua língua materna.

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INTERCÂMBIO

NA TERRA DA RAINHA

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Os intercâmbios internacionais da Rede Sagrado têm sido cada vez mais frequentes, consolidando-se como prática formativa que possibilita ao estudante uma aprendizagem significativa e vivencial. As descobertas e os relatos das intercambistas demonstram a riqueza dessa experiência.

SAIBA COMO FOI A PRIMEIRA EXPERIÊNCIA DE INTERCÂMBIO NO MARYMOUNT INTERNATIONAL SCHOOL LONDON

Agora, vamos começar. A ficha de estar em um país, sozinha, por um mês, demora um pouco a cair. Chegando à escola, a primeira coisa que me passou pela cabeça foi que aquela seria minha casa pelos próximos 33 dias. Foi difícil, mas emocionante pensar aquilo. Estávamos as cinco super empolgadas com o nosso primeiro dia de aula, justo uma sexta-feira (chegamos no final da tarde de quinta). Julia Stein Saleme (CSCM-Vitória) O projeto pedagógico da Rede Sagrado – CSCM explora a metodologia investigativa ao longo de todo o proces-

so de ensino e aprendizagem. Sendo assim, afirmamos que investigar, para nós, é, também, colocar o pé no mundo. É ver as coisas a fundo. Portanto, temos o dever de incentivar que os alunos aprendam a explorar o mundo desde cedo para que, com isso, aprendam a valorizar a diversidade cultural dos povos, sejam protagonistas e possam vivenciar o espírito da internacionalidade do Instituto das RSCM. Na última edição da revista Elos, tivemos a grata oportunidade de anunciar a parceria com o Marymount International School London para mais um de nossos programas de intercâmbio. Dessa vez, com a Inglaterra. Agora, temos a alegria de relatar o quão rica foi a experiência vivenciada pelas cinco estudantes selecionadas em janeiro deste ano. Já estamos em Londres há mais de duas semanas e as coisas vão indo

bem. É claro que sentimos saudades de nossas casas e do nosso país, aqui é tudo muito diferente, mas tem sido uma experiência e tanto, em que cada vez aprendemos mais. Nos primeiros dias, ficamos bastante confusas, as coisas funcionam de um jeito bem diferente, não só no país, mas na escola também. A comida, conviver com tantas nacionalidades diferentes, turmas bem menores e aulas diferenciadas. Foi tudo um choque e morar na escola foi uma surpresa para todas. Laura Simonassi (CSCM-Brasília) Os relatos acima introduzem os posts de duas das estudantes no blog Diário de Intercâmbio*. Júlia, Laura e as adolescentes Sofia Travassos (CSCM-RJ), Ester Caetano (CSCM-Vitória) e Bruna Gonçalves Nunes (CSCM-BH) puderam nos transmitir um pouco de suas percepções sobre a temporada na terra da Rainha.


INTERCÂMBIO

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É fácil notar a relevância da experiência. As estudantes compartilharam espaços e tiveram aulas com garotas do mundo inteiro, já que a escola é internacional; conheceram partes de Londres e Kingston, cidade onde está localizado o campus do colégio Marymount; praticaram a língua inglesa em tempo integral e tiveram contato com a neve e o frio ingleses. Nunca tinha visto neve antes. Sério. Nunca. Então dá para imaginar a minha reação quando alguém bate na porta do quarto, fala suavemente ‘tá nevando’ e vai embora. Não preciso falar que corri para fora, e, surpreendentemente, a maior parte das meninas parecia tão animadas quanto eu. As meninas! Tão acolhedoras quanto alguém pode ser. Fazem até hoje perguntas sobre o Brasil, como é; como é estudar junto com meninos; se temos namorados (pergunta mais frequente); como a gente está se adaptando; se gostamos daqui... Sofia Travassos (CSCM-RJ) As aulas ocorrem das 8h30 às 16h e todas as refeições são feitas na escola. Cada aula acontece em uma sala diferente e aqui tem algumas aulas que não temos no Brasil, como design, música e teatro. Eu, Ester e Laura ficamos no

grade 10, que corresponde ao primeiro ano do EM, Júlia e Sofia ficaram no grade 9. Como quando chegamos ao Marymount já estava escurecendo - no inverno da Inglaterra o pôr do sol é por volta das 16h30 - só tivemos a oportunidade de conhecer o Campus no dia seguinte. E ele é MARAVILHOSO! No primeiro dia conhecemos nossas colegas e elas são muito acolhedoras. Um dos pontos bons desse colégio é que ele oferece diversas atividades extracurriculares, como academia, zumba, basquete e badminton.  Bruna Gonçalves Nunes (CSCM-BH) Como já mostramos, as estudantes são incentivadas a relatarem suas experiências no blog Diário de Intercâmbio, acessível por meio do endereço intercambiorscm.blogspot.com.br. Durante o período em que estão fora, conseguimos acompanhar e compreender um pouco da rotina de cada uma. Para as famílias, é mais uma forma de matar a saudade. A seguir, há um pequeno guia para entender melhor como funciona a escola, primeiramente, cada aluna recebe uma tabela de horários (timetable). Esta tabela define as suas aulas da semana, é dividida em semana um e semana dois, com atividades que se

alternam com o passar do mês. As aulas são diferentes, dependendo da semana. Antes e após o período de aula, as alunas seguem para a sala da Adviser uma professora responsável pelo seu grupo. Nessa sala, junto com a Adviser, as alunas leem uma oração e o boletim de notícias do dia (às vezes, tem informações importantes nesse boletim). Homeroom é um dia da semana em que a sua série se reúne em determinada sala para discutir algumas coisas. Dependendo da sua série, o dia do homeroom muda. :P Assembly é quando a escola se reúne para apresentações e divulgação de projetos. É similar ao que seria o momento cívico, mas bem mais formal. Ester Caetano (CSCM-Vitória) Utilize este QR Code para acessar o blog e ler na íntegra os textos de nossos intercambistas.

DESTAQUES As estudantes Laura Simonassi e Julia Stein receberam certificado prata relativo à competição de Matemática UKMT - Intermediate Mathematical Challenge, da qual participaram durante a estadia no Marymount International School London. Os documentos foram enviados pelo colégio inglês em abril. Mais um motivo de orgulho! Sobre os intercâmbios internacionais A primeira edição do intercâmbio in-

ternacional entre colégios pertencentes ao Instituto das Religiosas do Sagrado Coração de Maria foi realizada em janeiro de 2013, no Marymount School de Nova Iorque. Desde então, o projeto se expandiu para o Marymount School Medellín, na Colômbia, e para Marymount International School London, na Inglaterra. Mais de 100 estudantes já participaram do programa. A Rede Sagrado – CSCM está em fase de negociação com os

colégios de Roma e Portugal e tudo indica que, em breve, teremos outras boas notícias. Os processos seletivos para o intercâmbio ocorrem sempre no segundo semestre letivo, quando divulgamos o edital internamente e em nossas páginas na internet. Para participar é fundamental que os estudantes tenham bom desempenho acadêmico, comportamental e o coração aberto para o convívio com outras culturas.

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SMC SEMINÁRIO JUVENTUDES SCM – DESCORTINANDO HORIZONTES

Participantes do Seminário Juventude SCM – Descortinando Horizontes

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Nos dias 02, 03 e 04 de junho de 2016, vários estudantes e educadores da Rede Sagrado Coração de Maria se reuniram com um grande propósito: debater sobre o protagonismo juvenil. O evento foi realizado na Casa de Encontro Recanto Coqueiro D´água, situada no município de Santa Luzia, sob a organização da Equipe de Juventude da Província Brasileira das Religiosas do Sagrado Coração de Maria, composta por Ir. Rosinha Pereira, Ir. Lúcia Araújo, Ir. Delva Oliveira, Waldemar Bettio e Nilmara de Fátima Santos. Cada Colégio ou Projeto Vida estava representado por jovens, estudantes e ex-estudantes da Rede Sagrado, que atuam de forma significativa em suas

localidades, e por educadores que ali estavam como mediadores. O encontro, como o nome já diz – Seminário Juventudes SCM – Descortinando Horizontes –, foi conduzido e alimentado de forma brilhante pelos próprios jovens. As atividades iniciadas no dia 02 de junho, às 20h, contaram com assessoria da representante da Rede de Ação Junto aos Excluídos (REAJE), a pedagoga Rita de Cássia. Ir. Lúcia conduziu a acolhida, Ir. Rosinha realizou um trabalho que resgatou a memória dos encontros anteriores e os representantes da unidade de Belo Horizonte desenvolveram atividades com o objetivo de unir o grupo. A programação dos dias 3 e 4 foi dividida em momentos de oração; apre-

sentação das unidades de Brasília, Ubá e Rio de Janeiro, com temáticas específicas, focando o papel do jovem na sociedade atual; apresentação dos vídeos feitos por cada localidade participante, compartilhando com o grupo seus projetos; contribuição dos educadores e da Equipe de Juventude. A unidade de Brasília trouxe para o encontro a temática “Eu no mundo: escolhas, perspectivas e compromissos”. Debateu-se sobre o lugar que o jovem vem ocupando na sociedade, seu poder de mudança e suas perspectivas. A unidade de Ubá apresentou a origem do conceito de “Protagonismo Juvenil”, fez uma reflexão sobre o que de fato significa protagonizar, quais são as hie-

rarquias dentro do protagonismo e a importância do coletivo nesse movimento.

• Brasília : Jornada de Valores e Fábrica Escola de Sabão;

A unidade do Rio de Janeiro discutiu “O lugar do jovem na sociedade atual”. Trouxe para o debate questionamentos sobre a natureza esperançosa da juventude; seus principais problemas e como resolvê-los; o significado de conceitos fundamentais, tais como: alteridade, solidariedade e ética, empreendedorismo social e a busca pelo bem comum.

•Belo Horizonte: Fórum Social e grêmio estudantil;

A apresentação dos vídeos de cada localidade foi o auge do encontro. Cada vídeo tinha a duração máxima de 10 minutos e relatava os projetos e ações desenvolvidas em cada Colégio ou Projeto Vida.

Na última atividade do encontro, sistematizamos tudo o que foi vivenciado e buscamos traçar novas propostas. Nesse momento, os participantes se dividiram por localidade e, com a orientação dos educadores, construíram um relatório final embasado nas seguintes perguntas:

Destaques de cada vídeo: • Ubá: grupos missionários: FORMIGA (FORmando Rede MIssionária com GAilhac) e VAGALUME (Ver e Agir com GAilhac – LUtar, Mudar, Esperançar);

• Vitória: ciência e tecnologia a serviço da vida; • Rio de Janeiro: grêmio estudantil; projetos “Em cartaz” e mesa-redonda realizada com a presença de pais; • Projeto Vida - BH: formação com viés artístico e musical.

• O que temos? • O que queremos? Compromissos para unidade/localidade;

Todos (Rede Sagrado); Equipe de Juventude. • Como pretendemos concretizar os compromissos na unidade? Os jovens participaram do encontro com muita seriedade e dedicação. No material elaborado por cada grupo percebeu-se o quanto eles se prepararam para aquele momento. Os temas foram debatidos de forma profunda e consistente. Cada participante tinha clareza da importância do encontro e o quanto aquela vivência significava para o protagonismo juvenil tão trabalhado e difundido na Rede Sagrado Coração de Maria. O encontro encerrou-se no dia 04, com resultados, temos certeza, duradouros. Os jovens voltaram para suas localidades mais motivados e mais instrumentalizados, desejosos de transformar cada vez mais a própria realidade e a realidade de toda sua comunidade.

Adriana Normand Caldeira, Coordenadora Educacional da EI e do EM do CSCM-BH

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CON CONECTAR PARA FORTALECER

“... Nos últimos dois anos, tive a oportu-

A reunião foi dividida em sessões de

geiras, competições esportivas e for-

nidade de visitar todas as nossas esco-

trabalho com abordagens relacionadas

mação de campos de liderança.

las no Brasil, Portugal, Região Zambe-

ao tema central do evento: “estamos

ze, Califórnia, México e Roma. Fiquei

todos conectados”. O Carisma do Pe.

absolutamente maravilhada pelo gran-

Gailhac, comum a todas as escolas e o

de dinamismo das nossas escolas, um

legado da missão nos conectam, inde-

dinamismo enraizado na missão de fé

pendentemente do país onde estamos.

das RSCM e na participação do carisma

O mesmo Espírito nos impulsiona em

que nos foi concedido pelo Pe. Gailhac.

Defesa da Vida. A visão de fé do fun-

As nossas escolas continuam a prosperar no objetivo e no compromisso/ empenho de transmitir a mensagem do Evangelho aos nossos alunos e pais. Estou também consciente do modo eficaz como a missão das RSCM é vivida em todas as nossas escolas. Por este dom imenso de colaboração por parte de todos aqui reunidos, desejo, em nome de todas as nossas irmãs, expressar-lhes a nossa mais profunda e sincera gratidão”. (Carta

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escrita

Rosamond

pela

Blanchet,

Sup.

Geral

RSCM,

aos

participantes da Reunião da Rede das Escolas RSCM, 29 de junho, 2016) Entre junho e julho de 2016, a administradora da Província Brasileira do IRSCM, Ir. Maria Cristina Caetano, a coordenadora pedagógica de processos educativos do Centro Administra-

REPRESENTANTES DA REDE RSCM GLOBAL DE ESCOLAS SE REÚNEM EM ROMA.

dador nos unifica na diversidade. Por isso, apesar de vivermos em um mundo fragmentado e em conflito, como educadores de uma rede internacional temos a possibilidade de ultrapassar as barreiras culturais, religiosas e políticas, atuando em uma perspectiva global para: • Conectar e agir em rede; • Colaborar; • Construir comunidades internacionais e interculturais;

Com o intuito de dinamizar essas relações, a REDE RSCM Global de Escolas formou um Comitê Estratégico composto por: Concepcion Alvar (diretora do Marymount New York), Sarah Gallagher (diretora do Marymount International London), Margarida Marrucho (diretora do Colégio Sagrado Coração de Maria de Lisboa/Portugal), Susan Kumnick (diretora do Marymount International School Barranquila) e Ir. Mary Jo Martin. Do Brasil, o representante escolhido foi o professor Guilherme Andrade, diretor do CSCM-Brasília. O objetivo do grupo é discutir sobre a forma, estrutura e modo de operar da Rede Internacional. Como fruto de todo este trabalho de relacionamento e conexão, a Rede RSCM Global de Escolas também já

• Promover comunhão e unidade;

planeja o lançamento de um website

• Sublinhar/salientar o raciocínio, a pre-

RSCM capaz de contemplar os idiomas

sença e solidariedade; • Comprometer-nos num diálogo contemplativo; • Ser agentes de mudança liderando o caminho para o futuro.

oficiais da congregação, inglês e português, onde será possível obter informações sobre a rede e sobre cada um dos colégios, bem como ter acesso aos calendários de eventos e oportunidades. Sentimos que esta integração com

tivo Educacional da Província - CAEP,

Com base nessas premissas e à luz

os outros colégios fortalece em nós

Deise Elen Abreu do Bom Conselho, e o

do Carisma do Pe. Gailhac, História

a perspectiva de um corpo em mis-

diretor-geral do Colégio Sagrado Cora-

e Espiritualidade do IRSCM, temos a

são, independentemente das dife-

ção de Maria de Brasília, professor Gui-

possibilidade de construir uma comu-

renças de idioma, hábitos culturais e

lherme Andrade, estiveram em Roma

nidade global capaz de promover a

realidades. Estamos unidos(as) pelo

para mais uma reunião da REDE RSCM

paz por meio da educação. Assim, de

Carisma do fundador Jean Gailhac. A

Global de Escolas. O objetivo principal

maneira prática, nosso trabalho é de-

participação nestes encontros é uma

do encontro foi dar continuidade ao

senvolver e/ou aprimorar programas

oportunidade de formação profissio-

trabalho iniciado em 2015, em Nova

que busquem o maior estreitamento

nal e pessoal, além de fortalecimen-

York, a partir da troca de ideias e do

de nossas relações, como a ampliação

to da nossa própria espiritualidade e

planejamento conjunto de ações para

dos intercâmbios internacionais, a re-

vivência da dimensão de internacio-

as escolas pertencentes e/ou parceiras

alização periódica de teleconferências

nalidade.

ao Instituto das Religiosas do Sagrado

entre escolas, a formação de grupos de

Coração de Maria.

amigos/estudantes de línguas estran-

Ana Carolina Possas - coordenadora de comunicação estratégica

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Elos 2016 - 2017  

Essa é a oitava e mais recente edição da revista Elos – Educação: Linhas & Olhares. Criada em 2009, trata-se de uma publicação anual elabora...

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