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Plurais 03 MARÇO | ABRIL 2019


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PRIMEIRO PLANO

Galeria de Arte Pública

12 LADO B

ANIM

Ín dice

20 ROSTOS

Nelson Guerreiro

24 OPINIÃO

José Pedro Regatão

26 RADAR

Artelier?

32 ADN

Joana Bértholo

34 GPS

Agenda


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Os primeiros meses do ano correspondem ao início de um novo ciclo de um trabalho. Em Loures, é muito diversa a motivação dos públicos para quem procuramos fazer programação, o que nos coloca o desafio de saber interpretar e transportar para a ação essa diversidade de expectativas, de gostos e de motivações. Neste período assume particular relevância o Março Jovem, com eventos não só da responsabilidade da Autarquia, mas também de associações e grupos juvenis. Da música ao desporto, passando pelas artes plásticas, o cinema, a mostra de cursos profissionais, os debates e um fim de semana dedicado ao gaming, não faltarão motivos de interesse para os mais jovens. Nas galerias municipais, os visitantes continuarão a encontrar imagens e sensações muito particulares, como as que, por exemplo, a nova exposição patente na Galeria Municipal Vieira da Silva proporciona, questionando-nos sobre os caminhos que percorremos… e nas bibliotecas ou nos museus municipais, as atividades para a família continuarão a estimular o nosso conhecimento sobre a realidade que, afinal, tanto tem de previsível como de surpreendente. Esta PLURAIS não nos dá só a informação relativa a esta agenda plural; dá-nos também a conhecer factos e experiências assinaláveis: a arte urbana, que tão grande expressão vai ganhando no nosso Município, o Arquivo Nacional de Imagens em Movimento, a relação entre a Autarquia e a Escola Superior de Educação de Lisboa, que deixa marcas no território e, certamente, nos jovens protagonistas, o projeto da Artelier? que constrói objetos artísticos contemporâneos inspirados na cultura popular e na animação festiva e, por fim, um conto que nos conduz a uma reflexão sobre o que é matriz neste mundo de tantas contradições em que vivemos. Quanto a esta PLURAIS, pode dizer-se que a sua matriz é a IMAGEM, tema agregador de vários olhares sobre a diversidade que somos.

Paulo Piteira Vice-presidente da Câmara Municipal de Loures


PRIMEIRO PLANO


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Um bairro com


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Tinha tudo para correr mal. Vidas difíceis. Um bairro estigmatizado. A arte veio – em boa hora –, trocar as voltas ao bairro da Quinta do Mocho, em Sacavém. Alguns dos moradores não perderam tempo e convidaram o mundo a preencher o vazio. A nudez das paredes dos prédios foi trocada por pinceladas de cor. O bairro é agora todo um cenário com alma.

Kedy

Kally

Cláudia


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A vida nunca mais foi a mesma para Kedy, Kally e Cláudia. Descem, animados, a rua que desagua na Casa da Cultura de Sacavém. Já o fizeram centenas de vezes, desde que dão a cara por aquela que é a maior Galeria de Arte Pública (GAP) da Europa. Guiam-nos por mais de uma centena de graffiti de grande dimensão e qualidade, de artistas tão conhecidos como Vhils, Bordalo II, Vespa, Styler, Nomen e muitos outros, nacionais e estrangeiros, que continuam a querer deixar a sua marca nas empenas dos prédios. As obras estão à vista de todos. Estávamos em 2014 quando foram pintadas as primeiras empenas dos prédios. “Na altura, o Slap, que era presidente da Associação Portuguesa de Arte Urbana, viu que o bairro tinha potencial para ser pintado e começou o passa palavra. Passado pouco tempo, de seis obras passámos para quinze, de quinze para trinta, e agora, ao fim de quatro anos, estamos com 108”, conta-nos Kally.


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Abertura ao mundo

Kedy, de 33 anos, foi dos primeiros a agarrar a ideia de visitas guiadas à Quinta do Mocho: “Quando começámos a fazer as visitas, passámos a ter um papel de mediação entre os moradores e a Câmara de Loures, que é quem gere o projeto, para que não houvesse conflitos e o bairro aceitasse a Galeria como aceitou”, recorda. “No início, fomos uma espécie de guias e seguranças porque o bairro tinha problemas. Mas também tínhamos de ajudar as pessoas do bairro. E foi o que aconteceu. Quebrou-se uma barreira.” O comércio local foi uma das áreas que mais beneficiou com a Galeria de Arte Pública. Kally explica que “o comércio das nossas ‘tias’– que ao fim de semana estão aí debaixo das árvores –, e o nosso costureiro ganharam mais clientes, mas também os restaurantes”, onde, sempre que possível, levam os visitantes a comer um prato tipicamente africano. O sucesso da GAP trouxe também mais qualidade de vida às pessoas do bairro. “Agora temos um autocarro que passa aqui dentro do bairro, o que é ótimo para quem tem de ir trabalhar muito cedo”, diz-nos Kally. Ao lado, Kedy acena com a cabeça em sinal de concordância, mas sempre vai lembrando que tiveram de fazer “uma visita para cerca de 100 motoristas da Rodoviária de Lisboa, e só depois disso é que, em conjunto com a Câmara Municipal, encontraram uma solução para colocar aqui um autocarro”. A medida teve uma repercussão muito positiva junto dos moradores.


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Respeitar

as origens A criação da Galeria de Arte Pública não teve só aspetos positivos. Na opinião de Kally, uma das coisas que se perdeu com a chegada dos visitantes foram as ‘cores ambulantes’. “Antes, as nossas ‘tias’ saíam todos os dias com trajes africanos. Era lindo ver as cores e os padrões africanos a andarem por aí. Atualmente não se vê, porque todos os visitantes têm uma máquina fotográfica e não entendem o que são direitos de imagem e privacidade, disparando indiscriminadamente, o que faz com que os moradores se retraiam um pouco.” Nomen foi um dos primeiros artistas a pintar no Mocho. A obra A Máscara, não podia representar melhor a mudança que se começava a operar naquele bairro social. Para Kedy, foi essa obra do Nomen que o fez perceber que a GAP ia ser importante, que ia mudar as pessoas: “Tinha chegado a hora de deixarmos de ser quem nós nunca fomos. Somos africanos e não podemos esconder isso. Tínhamos de aceitar a nossa realidade e os outros também tinham de nos aceitar.” Cláudia, de 25 anos, que começou mais recentemente a trabalhar como guia na Quinta do Mocho, revela-se muito orgulhosa daquilo em que o seu bairro se tornou e espera que “continue a evoluir mais”, porque “nos sentimos em segurança”. A GAP “trouxe-nos uma esperança e um futuro que, há uns anos atrás, parecia pouco risonho”. Kedy tem uma explicação matemática para este fenómeno: “Menos com menos dá mais, ou seja, um graffiti, que era considerado uma arte vândala, é menos, um bairro social, é menos, e os dois juntos dão um mais. Somos hoje um exemplo para muitas comunidades.”

Visitas Guiadas

Último sábado de cada mês. Ponto de encontro: Casa da Cultura de Sacavém 10h00


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Um novo

futuro https://www.youtube.com/ watch?v=3Zm9sOgXngk

Atualmente, a GAP é visitada por milhares de pessoas vindas dos mais diversos pontos do mundo. “Para termos uma noção, só no primeiro semestre de 2018, já tinham visitado a GAP cerca de 3500 pessoas. E estas são as visitas contabilizadas pela Autarquia”, refere Kedy, acrescentando que “já existem guias turísticos da zona de Lisboa que trazem visitantes, e esses não são contabilizados”. Para Kally, a GAP do Mocho é hoje “uma referência para quem gosta de arte urbana, porque tem pinturas de muita qualidade, de grande dimensão e de artistas de renome”. Kedy, Kally e Cláudia são apenas três exemplos da forma como a intervenção através da arte mudou a vida do bairro. Muitos jovens voltaram a ter orgulho em dizer que são da Quinta do Mocho. Muitas vidas ganharam outro rumo. O futuro está agora nas mãos deles. Para sempre.


LADO B

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O guardião do

cinema


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A Canção de Lisboa, Aniki Bóbó ou Vendaval Maravilhoso são filmes portugueses cuja memória – arriscamos dizer – jamais se perderá. Tanto as cópias, como os originais podem ser encontrados no Arquivo Nacional de Imagens em Movimento (ANIM), o ‘guardião do cinema’ em Portugal.

Nem todos conhecem o Arquivo Nacional de Imagens e Movimento e ainda menos têm ideia do trabalho que, todos os dias, se faz neste centro de conservação da Cinemateca Portuguesa. É aqui, no Freixial, na freguesia de Bucelas, numa quinta com 18 hectares que, desde 1996, a Cinemateca realiza as funções de salvaguarda e conservação do património cinematográfico. “Antes de 1996, a Cinemateca tinha a sua coleção fílmica distribuída por vários espaços que não possuíam as condições mínimas de conservação”, explica Rui Machado, responsável pelo ANIM. A construção, de raiz, deste espaço permitiu ter a coleção toda no mesmo sítio, acondicionada em espaços climatizados com controlo de temperatura e humidade relativa, que são condições essenciais para a sua conservação. Mal entramos num dos nove cofres climatizados onde se encontram armazenados os filmes em acetato e poliéster, os chamados suportes safety, por não serem inflamáveis, é impossível não sentir o ar fresco que percorre os corredores equipados com enormes estantes onde se acomodam centenas de latas, cada uma com a sua bobina, devidamente identificadas. Se assim não fosse, seria difícil encontrar uma obra entre as mais de 40 mil catalogadas pelo ANIM. A área dos cofres foi construída em duas fases diferentes: uma inicial com quatro cofres, com uma área total de armazenamento de 770m2, com temperaturas entre os 4ºC e os 12ºC e sempre com níveis de humidade relativa de 30%, e uma outra, em 2010, com as mesmas características técnicas, com mais cinco cofres, englobando tudo uma área total de cerca de 1800m2. Um outro edifício, e talvez o responsável pela construção do ANIM no seu espaço atual, acolhe os filmes em suporte de nitrato de celulose, um material altamente inflamável. Este ‘bunker’, totalmente isolado, inclui 56 células de armazenamento especialmente resistentes, dotadas de alçapões que evitam a propagação da combustão, portas corta-fogo e climatização adequada.


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Trabalho

minucioso Quando as bobinas saem dos cofres cumpre-se um ritual. Os filmes passam sempre pelo setor da Revisão, que realiza a verificação e reparação manual dos materiais fílmicos, antes e depois de serem utilizados, para prevenir eventuais danos físicos na película, como perfurações partidas ou colagens soltas. É este trabalho minucioso que César Grilo efetua com a máxima atenção. Numa mesa de luz, entre duas enroladeiras, o técnico vai passando os 24 fotogramas por segundo que compõem Um Filme Falado, de Manoel de Oliveira, que está a ser preparado para ser projetado na programação da Cinemateca. “Os principais problemas que encontramos são os riscos”, refere César Grilo, enquanto tenta tirar vestígios de cola agarrados à película. Quando a cópia volta da projeção, o trabalho é repetido de modo a confirmar o seu estado físico e químico.


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Laboratório, a joia da coroa

O laboratório fílmico do ANIM dispõe de equipamentos que permitem o restauro e a preservação de obras cinematográficas, tanto em formato analógico como digital, o que tem permitido garantir a existência dos arquivos antigos do cinema português, mas também dar resposta a pedidos do estrangeiro. “Eu diria que o nosso laboratório talvez seja dos laboratórios mais bem equipados de toda a Europa do ponto de vista fotoquímico, sendo procurado por outras cinematecas para fazer trabalhos para essas instituições”, revela Rui Machado, com orgulho. É aqui que se produzem novos elementos em película que permitem realizar o processo de duplicação de novas matrizes e novas cópias de visionamento. “A Cinemateca, enquanto museu de cinema, vai procurar que os filmes produzidos originalmente em película consigam ser vistos no seu suporte original. Daí a importância de ter um laboratório de restauro fotoquímico para continuar a produzir novas cópias. A vantagem é que o negativo original passa a ser guardado no cofre e nunca mais vai ser utilizado. Isso, obviamente, aumenta a longevidade do material original.”


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O nosso laboratório talvez seja dos laboratórios mais bem equipados de toda a Europa do ponto de vista fotoquímico, sendo procurado por outras cinematecas para fazer trabalhos para essas instituições.


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Rui Machado Subdiretor da Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema

O laboratório do ANIM é uma porta aberta para dois mundos. “A digitalização é importante para que este património, que já não pode ser visto em película em cidades que já não têm cinemas com projeção fotoquímica ou em película, possa ser visto em formato digital devidamente validado. Hoje, o património cinematográfico pode ser acedido numa sala de cinema, mas também em qualquer habitação que tenha um computador.” Para isso muito contribui a cinemateca digital – que pode ser acedida em www.cinemateca.pt – e onde qualquer pessoa pode ver, em qualquer sítio do país e do mundo, um dos 683 filmes que estão acessíveis em baixa resolução.


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Acesso a investigadores As obras arquivadas no ANIM são passíveis de consulta in loco. Para acolhimento dos pedidos que chegam do exterior, principalmente de investigadores, o ANIM dispõe de uma área de acesso para visionamento em mesa, mas também através de ficheiros, e ainda de uma sala de projeção. O ANIM não é, no entanto, um departamento da Cinemateca que esteja aberto ao público, recebendo apenas visitas programadas, normalmente de instituições de ensino. Os espaços que podem ser visitados pelo público em geral, tais como o museu, as salas de cinema, a biblioteca e a cinemateca júnior, situam-se em Lisboa, na Rua Barata Salgueiro e no Palácio Foz.


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ANIM em números

107.329 69.287 40.474 19.351 2.149 1.377.790 5.605

materiais identificados materiais em película identificados obras catalogadas obras portuguesas processos de aquisição metros de novos materiais produzidos no laboratório de restauro pedidos de apoio

Cinemateca Digital

683 8.139 186

filmes acessíveis na Cinemateca Digital minutos concelhos representados na Cinemateca Digital


ROSTOS

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Mudar de vida


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Nelson Guerreiro é um realizador, fotógrafo e produtor português, com uma voz singular no mundo da sétima arte em Portugal. Nos últimos anos, tem trabalhado em diversas curtas e longas-metragens, documentais e de ficção, televisão, teatro e realização de videoclipes. Depois da curta Vida Tramada (2012), que alcançou alguma visibilidade no circuito de festivais, foi com o documentário Mudar de Vida: José Mário Branco, Vida e Obra (2014), correalizada com Pedro Fidalgo, que se tornou numa referência a nível nacional, vencendo o Prémio Sophia para melhor documentário da Academia de Cinema Português, entre outras distinções. À conversa com a Plurais, na Biblioteca Municipal Ary dos Santos, em Sacavém, revela-nos que a chegada ao mundo da sétima arte foi feita sem pressas. “Foi um percurso longo. Os primeiros sinais manifestaram-se no princípio da adolescência. Depois, com os estudos e com as pessoas que fui conhecendo, acabei por desenvolver e começar a explorar esses caminhos e as coisas foram acontecendo.” Em relação à produção cinematográfica no nosso país, Nelson Guerreiro não tem dúvidas: “Fazer cinema em Portugal é uma espécie de milagre. Há poucos apoios públicos e privados. As políticas culturais poucos resultados têm tido. Basta ver a história. Ultimamente as coisas mudaram um pouco, mas fruto da frescura de alguns autores. O cinema português tem tido agora algum reconhecimento internacional”. Mas, acrescenta, “o cinema português, de uma maneira geral, não existe. Existem algumas pessoas que filmam.”.


24 | ROSTOS

Loures sempre foi uma terra periférica, suburbana. Mas que tem muita história. Há muitos filmes para fazer sobre as vidas e o passado de Loures.


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https://vimeo.com/user7701706

A ideia para o documentário mais conhecido, sobre a vida e obra do cantor José Mário Branco, partiu dos tempos da universidade. “Foi um processo longo. Estávamos a estudar na faculdade e como sempre gostei muito de música, pensei em abordar uma série de autores. Houve, de imediato, um interesse em abordar os cantores de protesto. O José Mário Branco, o Zeca, que já tinha falecido, o Fausto, entre outros. Todos aqueles que tiveram um papel importante na arte portuguesa”, confidencia. “Um dia tocámos-lhe à campainha e ficámos a tarde toda à conversa. De início, era uma coisa ainda de uma cadeira académica, mas à medida que fomos filmando e aprofundando, percebemos que havia ali matéria para mais. Demorou nove anos a ser finalizado. Mas aconteceu”, garante. No que toca a projetos futuros, o cineasta, residente em Camarate, no concelho de Loures, anuncia que tem vários projetos em curso: “Estou à procura de financiamento para um documentário sobre outro cantor de protesto e, além disso, tenho curtas e longas-metragens em desenvolvimento. Pelo meio, trabalho para outros. Para televisão e cinema.” A forma como observa o concelho de Loures é, também, à sua maneira, singular. “Loures sempre foi uma terra periférica, suburbana. Mas que tem muita história. Há muitos filmes para fazer sobre as vidas e o passado de Loures. Em termos de património, há muita riqueza e diversidade, que deverá ser aproveitada através de mais investimento e valorização do concelho. Há poucos municípios que se possam orgulhar de ter o Tejo a passar aqui ao lado, de ter a história que o próprio José Saramago nos contou no Memorial do Convento. Todas as localidades têm uma história. Mas isso não é abordado. Não é relembrado. Temos falta de memória. Está tudo por fazer”, assegura.


OPINIÃO

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A cooperação artística e cultural entre as autarquias e o ensino superior José Pedro Regatão Professor

É consensual que o ensino superior desempenha um papel fundamental para o desenvolvimento do país, na medida em que é responsável pela formação e qualificação dos cidadãos que constituem a sociedade. Não obstante o interesse pela dimensão pessoal da aprendizagem, já por si relevante, o ensino tem uma grande importância na sua dimensão coletiva, ao contribuir para a prosperidade social, cultural e económica de todos. Atualmente, o ensino superior, no desempenho da sua missão, depara-se com diversos desafios, na articulação dos saberes através da criação de maior interdisciplinaridade, na adaptação a um mundo em constante mudança, no desenvolvimento de atividades de investigação, entre muito outros. Um dos desafios mais importantes ocorre na relação com a comunidade local e regional, ou seja, no modo como as instituições estabelecem ligação com as comunidades envolventes e participam na construção da sociedade civil. Assente numa lógica de enriquecimento mútuo, as instituições de ensino superior procuram articular a produção de conhecimento com as necessidades da sociedade, muitas vezes através de projetos que são desenvolvidos em parceria com entidades públicas e privadas.

Desde de 2015, a Câmara Municipal de Loures tem cooperado com a Escola Superior de Educação de Lisboa em diversos domínios, conjugando sobretudo ações de âmbito artístico e cultural que têm contribuído para potenciar a dinâmica cultural no concelho. Para esse efeito, foi firmado um protocolo entre as duas instituições a 22 de julho de 2016. As iniciativas de interesse comum abrangeram ações de âmbito educativo, a participação em júris de concurso artísticos, a organização de exposições de artes plásticas e a realização de projetos de intervenção artística no concelho (integrados no projeto ParticipArt). São exemplo disso a intervenção de Land Art (2016), no Parque Cabeço de Montachique, a pintura mural (2017), no edifício da União Recreativa e Social de Salemas, e ainda a criação do mural Libertatem (2018), no Parque Adão Barata. Todas estas ações envolveram a participação regular de docentes e dezenas de estudantes do curso de Artes Visuais e Tecnologias, da Escola Superior de Educação de Lisboa. Para além de constituir uma oportunidade para os estudantes de divulgarem os trabalhos e aplicarem os seus conhecimentos num contexto específico, permitiu estabelecer ligações com as diversas comunidades que residem no concelho.


RADAR

sonhos A fรกbrica dos


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O portão de grandes dimensões desliza sobre a calha e a luz entra no grande armazém. É como se uma cortina de palco se abrisse lentamente, apresentando-nos, a pouco e pouco, personagens, cenários… uma história. Várias histórias. Num ápice, a penumbra dá lugar a um arco íris. Muitas vidas. Há estruturas metálicas num canto, adereços e guarda-roupa noutro. Um autocarro parado no tempo que serve de sala de formação. Uma rulote com histórias para contar. No fundo, é disso que se trata. Contar histórias. Não em cima de um palco, mas na rua. A rua como um estrado. As pedras da calçada e o alcatrão são o texto. A mensagem. A chave do grande armazém, situado na Portela da Azóia, e cedido pela Câmara Municipal de Loures, é guardada no bolso de Nuno Paulino que, vinte anos depois da criação da companhia Artelier?, continua a ter muitas histórias para contar. Inicialmente designada por Teatro de Rua, a companhia dá corpo a uma singularidade estética que só agora começa a afirmar-se no contexto das artes em Portugal. “As artes de rua eram consideradas, entre os pares, uma arte de segunda”, recorda o ator, perfomer, realizador… criador. Dez anos depois de dar a cara pela Artelier?, decide criar a Associação Teatro Nacional de Rua. “Foi uma necessidade quase política de afirmar as artes de rua no contexto das outras artes, que defendesse os artistas e o conceito do que são as artes no espaço público”, conta. A diferença entre artes de rua e artes na rua é essencial para este agente cultural. “Uma encenação para a rua tem toda uma dramaturgia. Está especificamente ligada a saber, por exemplo, porque é que se utiliza um sino de uma igreja e em que hora se pode utilizar esse sino, para não ter conotação religiosa, mas sim uma conotação musical”, explica. “Numa conceção mais arcaica de teatro de rua, diríamos que a rua é o palco, mas, mais do que isso, é o texto, é a mensagem.”


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Do fogo ao vídeo mapping O teatro de rua tem a singularidade de permitir a utilização do fogo. “O nosso espetáculo pode ter fogo, fogo de artifício, chama viva. Podemos criar esculturas de fogo que requerem uma maestria, desde a construção até ao uso.” Uma maestria que está intrínseca em todo o trabalho desenvolvido para ‘pôr em marcha’ um teatro de rua, desde a sua idealização até ao momento da apresentação. Um trabalho bem visível no armazém a que gostaria de um dia poder chamar Centro de Criação de Artes de Rua. “Tudo o que utilizamos nos espetáculos foi, literalmente, encontrado no lixo. Não compramos nada feito.” E é, por isso, que podemos encontrar neste armazém um espaço de construção cenográfica, uma oficina, a que dão o nome de OVNI – Objetos Versáteis de Natureza Insólita, e ainda um espaço com equipamento técnico que lhes permite fazer cenografia digital, hoje vulgarmente conhecida video mapping.

Nuno Paulino Responsável pela Associação Teatro Nacional de Rua


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De entre os inúmeros espetáculos apresentados, um pouco por todo o país e no estrangeiro, Nuno Paulino destaca o Apagão. Um espetáculo de luz negra e vídeo projeções que apresentava a ideia de luz no espaço público. “Fomos a primeira companhia a fazer espetáculos de luz e vídeo mapping no espaço público, em Portugal”, relembra o ator, para quem o vídeo é um aliado desde a primeira hora. “Eu nasci, enquanto artista, com um projetor de vídeo na mão e a fazer video mapping, quando ainda não havia programas de mapping.” Das apresentações no concelho de Loures, Nuno Paulino destaca o projeto do Art|ó|carro, – “um momento muito bonito e único”–, e as primeiras edições do Jov’Arte. A estética, alternativa, do grupo, não tem passado despercebida, mesmo no estrangeiro, e deu origem a um convite pelo qual todos os artistas anseiam. Participar no maior festival de artes em sítio público – Burning Men Festival – que se realiza, anualmente, desde 1986, em Black Rock Desert, no estado norte-americano do Nevada. “É um desafio de criação, de montagem e de trabalho fantástico. É como estares a fazer uma expedição no deserto, mas ao mesmo tempo tens de montar um espetáculo”, revela Nuno Paulino. “Se todos os loucos do mundo se juntassem, seria ali”, confessa. Fica a promessa de relatar, mais tarde, esta experiência. O portão do armazém fecha-se com estrondo. Lá dentro, ficam mais personagens e histórias por desvendar. Na fábrica dos sonhos.

https://vimeo.com/ 245074398 Site www.artelier-teatroderua. com/teatrorua.htm Facebook www.facebook.com/artelier. teatro.de.rua


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ADN


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A Máquina de Produzir Naturezas Joana Bértholo

Este conto foi originalmente publicado no livro Inventário do Pó, edição Caminho, 2015

Quando já havia uma máquina no mundo para produzir tudo e, portanto, já tudo era feito por máquinas, deixaram de saber o que inventar. Já tinham inventado uma máquina de produzir humanos e uma máquina de produzir invenções. E uma máquina de produzir máquinas, claro está. Entediados, tentaram conceber uma máquina capaz de produzir outra coisa que não fosse nem máquina, nem humano. Foi assim que nasceu a máquina de produzir naturezas. A máquina de produzir naturezas era enorme, ocupava vários armazéns, daqueles que se medem dizendo quantos estádios de futebol podem conter. Consumia mais energia que as indústrias metalúrgicas e siderúrgicas juntas e expelia mais detritos tóxicos que a indústria papeleira. Funcionava muito bem e tornou-se um grande sucesso. Foram instaladas máquinas de produzir naturezas um pouco por todo o mundo. Recebia todo o tipo de matérias-primas tecnológicas: televisores, telemóveis, computadores e batedeiras elétricas. Desmantelava-as, reduzia os diferentes componentes aos seus elementos mais básicos, fundia os materiais que podiam ser fundidos e processava tudo num enorme tambor, que fazia tremer o edifício e do qual emanava um cheiro grave a enxofre. O produto final, aberta a tampa ao enorme tambor, era todo o tipo de naturezas: madeira virgem, veados selvagens, riachos cristalinos e passarinhos sibilantes. Depois disto, havia uma equipa especializada de funcionários qualificados que se encarregava da distribuição, plantando florestas, inaugurando cascatas, restituindo espécies já extintas e fertilizando os solos exauridos pelas monoculturas. Os consumidores gostaram tanto das naturezas disponíveis no mercado que começaram a entregar todas as suas geringonças elétricas em troca de pedacinhos de naturezas nos seus quintais. Para quem vivia na cidade, havia pequenos kits que davam para pôr na varanda ou no telhado. Dois ou três telemóveis e um ipad, ou uma máquina de lavar louça, eram o suficiente para adquirir um destes kits, mas as pessoas tornaram-se ávidas, e entregavam carros, jatos, semáforos urbanos, escadas rolantes, o mecanismo para abrir a porta da garagem, elevadores. Por todo o lado, as pessoas ambicionavam adquirir muito mais naturezas do que aquelas que eram capazes de usufruir. Em pouco tempo toda a população mundial ficou sob o efeito daquela febre de adquirir naturezas. Deixou de haver tecnologias que pudessem ser trocadas por naturezas. Havia só naturezas.


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GPS

Agir 9 MARÇO 22:00

PAVILHÃO PAZ E AMIZADE LOURES


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Março Museus e património Percursos pelo Património: Bucelas. Terra, Vinho e Culto 9 março, 10h00 Bucelas Duração: 2h30m Distância: 1,5 Km Ponto de encontro: Museu do Vinho e da Vinha de Bucelas Locais de interesse/visita: Museu do Vinho, Igreja paroquial de Bucelas, Núcleo Museológico Mário Roberto e quartel dos Bombeiros Voluntários de Bucelas, Casa de Nossa Senhora da Paciência, Adega típica, Núcleo Museológico Luís Serra (Grupo Musical e Recreativo da Bemposta).

A Mulher na Antiguidade Tardia 9 março 15h00 Mercearia Santana Sacavém No âmbito da comemoração do Dia Internacional da Mulher,

aborda-se o papel da mulher na Roma antiga, avaliando-se as conquistas e os retrocessos da própria História. Oradora convidada: Filomena Barata

A Multiculturalidade em destaque 16 março 15h00 Museu Municipal de Loures Loures é um concelho que apresenta uma ampla diversidade cultural. O Museu Municipal de Loures, no âmbito da exposição Loures. Narrativas de um Território, tem vindo a dar destaque às várias comunidades que habitam o território.

Exposição Inauguração Vivências quotidianas do Convento de Cristo após a extinção da Ordem, através da cultura material e documental 23 março Museu de Cerâmica de Sacavém Esta exposição é o resultado de uma intervenção arqueológica na nitreira do Edifício das Necessárias do Convento de Cristo, realizada em 2015. O espólio recolhido consta de cerâmica, vidro, metais e osso. Neste

acervo destacam-se a quantidade e qualidade de faianças, nomeadamente as produzidas na Fábrica de Sacavém logo após a sua fundação e durante o seu período áureo, razão da parceria entre o Município de Loures e a Direção-Geral do Património Cultural.

e Tecnologias da Escola Superior de Educação de Lisboa 23 março a 11 maio Galeria Municipal Vieira da Silva – Sala Multiusos, Loures No âmbito do acordo de colaboração celebrado com a Escola Superior de Educação de Lisboa. Exposição que visa promover novos valores no âmbito das artes, com a apresentação dos trabalhos desenvolvidos pelos alunos da licenciatura em Artes Visuais e Tecnologias, nomeadamente, desenho, pintura, escultura, fotografia, vídeo e têxteis.

Equinócio da Primavera 24 março 10h30 Museu Municipal de Loures Visita temática ao Museu e jardim do Museu Municipal de Loures, do ponto de vista da mitologia e da forma como esta descreve o renovar da vegetação e de cada primavera. Visita guiada por Filomena Barata. Colaboração da Associação Clenardus

Artes Visuais Exposição Exposição dos alunos da licenciatura em Artes Visuais

Exposição Fotografia, de Pedro Mónica – Acervo Municipal de Artes Plásticas 28 março a 11 maio Edifício 4 de Outubro, Loures Mostra de fotografia, da autoria de Pedro Mónica, que apresenta obras pertencentes ao Acervo Municipal de Artes Visuais, registos de diversas intervenções murais de carácter político, existentes em diferentes locais dos concelhos de Loures e Odivelas.


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Teatro

Música

O Fio da Linha do Horizonte,

Azul recitalperformance

de João Lázaro Pelo Te-Ato – Grupo de Teatro de Leiria 16 março, 15h00 Biblioteca Municipal Ary dos Santos Sacavém Teatro para a Infância. Fusão da tradição oral do conto com o teatro. Duração: 45m Classificação etária: M/6

2 março 21h00 Igreja Nossa Senhora dos Remédios- Bobadela Trio Garrett Piano: Melissa Fontoura Violino: João de Andrade  Violoncelo: Ângela Carneiro e Narração: Márcia Lima

Deixemos o Sexo em Paz, de Dario Fo Pelo Teatro Maria Paulos 22 março, 21h30 Auditório Tomás Noivo Bucelas Espetáculo em tom de comédia, profundamente didático, que tem alcançado imenso êxito junto do público em geral. É um divertidíssimo monólogo onde, a brincar, se trata muito a sério de assuntos que ainda são tabu. Duração: 75m; Classificação etária: M/12

Academia de Clarinete Marcos Romão dos Reis Jr. 30 e 31 março 10h00/13h00 14h00/18h00 Academia dos Saberes de Loures Projeto de formação musical com direção pedagógica do maestro António Saiote. Corpo docente: Manuel Jerónimo e Cândida Oliveira (clarinete) Audição com alunos e professores: 31 março 18h00

Promoção da leitura 5ª edição do Festival Internacional de Cinema Infantil e Juvenil de Lisboa 19 a 22 março Biblioteca Municipal Ary dos Santos Sacavém

Comunidade de Leitores 21 março, 21h00 Biblioteca Municipal Ary dos Santos Sacavém Um grupo de leitores reúne-se informalmente para falar de livros e de leituras. Projeto que promove o conhecimento literário, incentiva à reflexão e socialização e convida à partilha da leitura com outras formas de arte. Livro Como a sombra que passa, de António Muñoz Molina.

Sábados em Cheio Animação em família Todos os sábados 15h00 Biblioteca Municipal José Saramago Loures

Tardes Mágicas Animação em família

Todos os sábados 15h00 Biblioteca Municipal Ary dos Santos Sacavém


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Abril Museus e património Conversas à volta da Descolonização

Concerto da Juventude AGIR

9 março 22:00 Pavilhão Paz e Amizade, Loures

Debate Jovens: há futuro!

12 março 9:30›17:30 Museu do Vinho e da Vinha, Bucelas

Mostra de Cursos Profissionais 21 março 10:00›18:00 Pavilhão do Oriente, Moscavide

MagicShot Gaming Festival 30 março 10:00›02:00 31 março 10:00›20:00 Pavilhão do Oriente, Moscavide

(Programação completa em www.cm-loures.pt)

6 abril, 15h00 Museu Municipal de Loures Abordagem ao processo de descolonização, do ponto de vista das várias comunidades que residem no território de Loures. Ação complementada com mostra documental a disponibilizar na Sacristia do Museu Municipal de Loures.

Percursos pelo Património: Indústria. Fábricas e Pessoas 13 abril 10h00 Fábricas e pessoas, a história do concelho de Loures, dos meados do século XIX até aos nossos dias. Duração: 2h00

8!8!8! – A Luta pela Conquista do Tempo 13 abril, 15h00 Mercearia Santana Sacavém Tempo de trabalho, tempo de descanso e tempo para se fazer o que se quiser. Apresentação de Pedro Penilo

Nos Jardins do Conventinho 14 abril, 10h30 Museu Municipal de Loures Tirando partido dos jardins da Quinta do Conventinho, fica o convite para atividades de meditação e introspeção.

Dia Internacional dos Monumentos e Sítios O Dia Internacional dos Monumentos e Sítios é celebrado a 18 de abril. Nesta data, promovem-se os monumentos e sítios históricos, valoriza-se o património e alerta-se para a necessidade da sua conservação e proteção.

Modinhas dos séculos XVIII e XIX 13 abril 21h00 Marina Pacheco (soprano) e Flávia Castro (cravo) Igreja Matriz de Santo Antão do Tojal No âmbito da comemoração do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, celebra-se o Conjunto Monumental de Santo Antão do Tojal, classificado como Imóvel de Interesse Público. Através da linguagem universal da música, associa-se este património classificado ao território percorrido pela Rota Memorial do Convento. Integrado no projeto Música em SI Maior.


40 | GPS

Sérgio

Godinho Produção exclusiva em que o palco é partilhado com sonoridades e vozes do concelho de Loures

24 abril | 22:00 Pavilhão Paz e Amizade Loures (Programa completo das comemorações do 25 de Abril em www.cm-loures.pt)


PLURAIS | 41

Meios de Comunicação no tempo de Napoleão 23 abril 10h00 / 14h00 Centro de Interpretação das Linhas de Torres e Forte da Ajuda Grande (Bucelas) Atividade orientada ao público escolar (2º ciclo), no âmbito da qual se pretende transmitir conhecimentos sobre sistemas de comunicação em Portugal e na Europa, até início do séc. XIX, assim como a aprender a descodificar mensagem de códigos numéricos, nos modelos de telegrafo ótico Inglês.

Arqueólogo por um Dia 23 abril 10h30 Sítio Arqueológico de Frielas Atividade orientada ao público escolar (1º ciclo), no âmbito da qual se pretende transmitir conhecimentos sobre a prática arqueológica.

Promoção da Leitura Férias nas Bibliotecas 8 a 12 abril Biblioteca Municipal Ary dos Santos Biblioteca Municipal José Saramago

Entrega do Prémio Literário Maria Amália Vaz de Carvalho 13ª edição Modalidade Prosa de Ficção 23 abril, 21h00 Biblioteca Municipal José Saramago Este Prémio, que conta com o patrocínio da empresa EGEO – Tecnologia e Ambiente, S.A.,tem como finalidade incentivar a produção literária em língua portuguesa, premiando obras inéditas de autores de nacionalidade portuguesa ou naturalizados.

Teatro O Lagarto, de José Saramago Pelo Teatro do Elefante 7 abril 16h00 Grupo Dramático e Recreativo Corações de Vale Figueira Um lagarto aparece no Chiado. Os populares fogem, assustados. Surgem a Força Aérea, a Polícia e o Exército. Gera-se o pânico e a confusão. O lagarto, por intervenção das fadas, que nunca aparecem na história, transforma-se então em flor e, finalmente, em pássaro. E, subitamente, sai voando. Duração: 35m; Classificação etária: M/3

Sábados em Cheio

Música

Animação em família Todos os sábados 15h00 Biblioteca Municipal José Saramago

Academia de Clarinete Marcos Romão dos Reis Jr.

Filme A Fábrica do nada,

Tardes Mágicas

de Pedro Pinho 27 abril 15h00 Museu de Cerâmica de Sacavém

Animação em família Todos os sábados 15h00 Biblioteca Municipal Ary dos Santos

13 e 14 abril 10h00/13h00 14h00/18h00 Academia dos Saberes de Loures Projeto de formação musical com direção pedagógica do maestro

António Saiote. Corpo docente: Jorge Almeida e Antonio Quítalo (trompetes), Paulo Guerreiro (trompa), Jarrett Butler (trombone) e Ilídio Massacote (tuba) Audição com alunos e professores: 14 abril 18h00

Programação sujeita a alterações.


42 | ADN

Ficha técnica Diretor: Paulo Piteira Redação, revisão, fotografia, grafismo e paginação: Divisão de Atendimento, Informação e Comunicação Impressão: Soartes Distribuição gratuita Tiragem: 10 mil exemplares Depósito legal: 442545/18 ISSN 2184-2477

Consulte a edição digital www.cm-loures.pt e tenha acesso a mais conteúdos


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Plurais N.º 3  

Consulte a edição N.º 3 da revista Plurais.

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