Plurais n.º 5

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Plurais 05 JULHO | SETEMBRO 2020



04 FOCUS

A joia de Santa Iria

10 LADO B

O videojogo, produto cultural de inconformistas

Ín dice

18 ROSTOS

David Dançante

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PRIMEIRO PLANO

Entrevista ao vice-presidente da Câmara Municipal de Loures

26 RADAR

Aqui há lugar para todos

30 ADN

Lugares escondidos

36 GPS

Agenda


Lugares

cultura de


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Dedicamos esta PLURAIS aos nossos Lugares de Cultura, que queremos cada vez mais próximos e mais procurados pelos munícipes, no cumprimento de um serviço público consagrado na nossa Constituição, ainda mais justificado nestes tempos em que, por razões sanitárias, nos vemos obrigados ao distanciamento social. Embora fisicamente fechados, correspondendo às normas estabelecidas durante a crise pandémica, os nossos espaços de cultura mantiveram janelas abertas, para que todos pudessem continuar a usufruir do conhecimento que ali é aprofundado, protegido e valorizado. Existem no concelho três museus, duas bibliotecas e uma galeria municipais, complementados por um espaço expositivo no Castelo de Pirescouxe e vários espaços de caraterísticas multifuncionais. O funcionamento destas infraestruturas culturais está estreitamente relacionada com os Planos de Intervenção Municipal em domínios como museus, bibliotecas e leitura pública, música, teatro, artes visuais, tradições regionais e ofícios. Estes planos assentam no envolvimento dos agentes locais e dão enquadramento à dinamização e apoio a inúmeras iniciativas descentralizadas, contemplando o estímulo à componente formativa, quer no domínio artístico, quer de públicos. Olhamos os Lugares de Cultura e perspetivamos a sua programação - nos dias de hoje desafiada para novos formatos e canais, com relevo para o digital - conscientes de que a Cultura contribui para objetivos que vão para além dos de afirmação turística e económica do Município. Nestes Lugares colocamos as pessoas no centro das atenções, acreditando que assim se reforça a identidade local, a participação social e o exercício de uma cidadania mais ativa e inclusiva, sobretudo quando as condições sociais se revelam mais perturbadas e difíceis. Neste esforço, felizmente partilhado por muitos, assumimos e valorizamos com orgulho a diversidade do nosso território e das suas muitas culturas, para que TODOS aqui se identifiquem, encontrem lugar e deixem a sua marca.

Paulo Piteira Vice-presidente da Câmara Municipal de Loures


FOCUS


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Há lugares que são especiais. Que sobrevivem ao tempo. Aos tempos. Conhecedores de uma história maior, traçam o perfil de uma região, de uma comunidade. As paredes – com alma – do Palácio e da Quinta de Valflores, em Santa Iria de Azóia, resistiram a tudo ao longo dos anos. Foram salvas ao cair do pano. E o futuro está já aí, ao virar da página. Será, certamente, um lugar de cultura e conhecimento. Recuperar a história de um edifício com quase 500 anos de existência não é tarefa fácil. Mas já que o imóvel teimou em resistir, igual a si próprio, ao longo de todos estes anos, o Município de Loures não poderia virar costas ao desafio de o recuperar, valorizar e de lhe devolver todo o seu esplendor. A Quinta e o Palácio de Valflores são estruturas singulares, até na forma como chegaram aos dias de hoje, mantendo a sua planta original, que em muito se assemelha às típicas plantas do renascentismo italiano. Implantado na encosta, com uma enorme varanda aberta para o rio e para a vila de Santa Iria, exibia toda uma fachada cénica, de esplendor e afirmação do poder. Mandado construir por Jorge Barros, importante feitor do rei D. João III, na Flandres que, pelo seu cargo, contactou com diversas gentes e realidades, trazendo para Portugal conhecimento, influências e dinheiro. No palácio conseguiu replicar os modelos que estavam em voga em Itália, e dotou a quinta das melhores condições técnicas do ponto de vista da hidráulica, utilizando a ribeira que atravessa o espaço, a mina e os dois aquedutos mandados construir por Jorge de Barros. O aqueduto de cima recebia água do poço, através de uma nora que, provavelmente, abastecia a casa; e o de baixo, perpendicular ao primeiro, que serviria para abastecer a parte produtiva da quinta.

O Palácio das Abóboras

No final do século XIX, a família inglesa Reinolds adquire a quinta para exploração agrícola, colocando como caseiros a família do senhor Fortunato, que lá chegou pequeno, mas ganhou grande protagonismo entre os habitantes daquela vila, por colocar as abóboras a secar na loggia do palácio (a grande varanda da fachada principal), e que, por isso, passou a ser conhecido como o Palácio das Abóboras. Com uma produção agrícola e pecuária intensiva, o edifício começa a revelar fragilidades e, na década de 1970, um organismo público reúne um grupo de técnicos


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para estudar Valflores. Entre eles estão técnicos municipais, e logo desde essa altura, mesmo não sendo proprietária do imóvel, a Câmara Municipal toma a dianteira na preservação deste edificado. Em 1982, o Palácio é classificado como Imóvel de Interesse Público e é feita uma Carta de Risco, que englobou o registo fotográfico e o diagnóstico do edifício. Já na década de 1990 e com a perspetiva de construção do IC2, que liga Santa Iria de Azóia a Sacavém, a Câmara chega a um acordo com a empresa Valorsul para a reabilitação do Palácio de Valflores, mas o Governo de então não autoriza a sua concretização. A degradação continua a acentuar-se.

Renascer para uma nova vida

O Município de Loures adquire o imóvel em 2006 e, cerca de dez anos depois, com o edifício já em risco de colapso, realizou uma intervenção de emergência para protegê-lo dos efeitos climatéricos. Garantida que estava a proteção do edifício, era agora necessário avançar-se para a consolidação da estrutura e assim ganhar tempo para pensar na utilização que se pretendia dar àquele exemplar quinhentista. Com a aprovação da candidatura ao PORLisboa 2020, que financia em 50% do valor da intervenção, a Câmara aprova a execução do projeto, que se desenvolve em três fases: consolidação e estabilização estrutural do palácio e do aqueduto


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Abrir

as portas da Quinta e do Palácio de Valflores e devolvê-los à população é o objetivo último deste projeto.

de cima; execução das coberturas e fecho de vãos de portas e janelas; e, por fim, trabalhos de restauro e proteção de elementos arquitetónicos. A urgência era consolidar e estabilizar a estrutura do edificado. Para tal, foi injetada uma calda hidráulica nas paredes, realizadas pregagens em cantaria através da execução de carotes, onde foram introduzidos varões de aço inox e injetado o ligante, estabilizando as paredes. Foi reconstruído um teto em abóboda, no piso intermédio, e refeita a cobertura da loggia. Os chãos foram limpos de betão, gravilha e madeiras apodrecidas. O aqueduto de cima também foi consolidado com a mesma calda, para agregar o miolo da parede, e foi refeito o arco, a par com um acompanhamento arqueológico que permitiu perceber já a dimensão de algumas estruturas.

Surpresas arqueológicas

No meio de todo este processo, aconteceram algumas surpresas. A mais importante ocorreu quando, numa sala mais interior do piso térreo, se começou a retirar todo o chão de cimento, os muretes construídos para albergar os porcos e as vacas, e se limpou toda a gravilha: começam a aparecer vestígios de talhas de azeite. Partidas e enterradas, mas que confirmam uma das descrições feitas num dos poucos documentos que existem sobre este palácio – o Auto de Vistoria – datado do final do século XVIII, no qual se refere a existência de uma sala com sete talhas


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de azeite. Terminada a primeira fase e com o edifício já consolidado, é altura de avançar para a segunda e terceira fases. Além dos revestimentos das paredes, vão ser recolocadas as coberturas do primeiro andar e da loggia, que será refeita à semelhança daquilo que era originalmente. E serão fechados os vãos de portas e janelas, para que se possa passar à fase de conservação e ao restauro. Mais um desafio: numa casa com centenas de anos e um acumular de ocupações que lhe foram introduzindo alterações, a dificuldade de fazer uma leitura histórica do edifício é enorme. É preciso tomar decisões e perceber que ‘camadas’ se quer preservar. Não se pode simplesmente recuar à origem e ignorar tudo o que foi sendo alterado e recuperado ao longo dos anos, porque tudo isto faz parte das vivências do palácio. A título de exemplo, é possível perceber que a ala nascente tem alterações que pertencem ao século XIX, mas que, por outro lado, a ala poente remonta ainda ao século XV. Tudo o que lá se passou é importante para a sua história e, por isso, deve ser preservado, desde o mais antigo ao mais recente. A filosofia do projeto é manter viva a história do palácio.


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Futuro em análise Abrir as portas da Quinta e do Palácio de Valflores e devolvê-los à população é o objetivo último deste projeto. Mas para isso importa começar a elencar as possibilidades de utilização, dentro de áreas como a investigação ou a formação, tendo em conta as condicionantes a nível urbanístico, patrimonial e da sua classificação. A decisão, a tomar em breve, será articulada com outros projetos que a Câmara Municipal está a desenvolver naquela zona, nomeadamente o projeto da Frente Ribeirinha, os vários percursos cicláveis previstos para o futuro Parque da Várzea e Costeiras de Loures e ainda com o Parque Urbano de Santa Iria de Azóia. Um projeto para um conjunto patrimonial quinhentista de inegável valor, que deve ser conhecido e usufruído por todos, muito para além das fronteiras do concelho de Loures. Um lugar de cultura.


LADO B

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Este ano a Biblioteca Nacional de Espanha começou a receber como depósito os videojogos produzidos em solo espanhol, elaborando ainda uma pesquisa sobre os jogos anteriormente produzidos e que implicará resgatá-los do esquecimento.

Paulo José Silva Antropólogo

Ainda este ano, o ministro para a cultura de Espanha declarou que os videojogos constituem parte da cultura espanhola. Estes dois factos levam-me a questionar sobre o que consideramos cultura e sobre o quão tardiamente temos dificuldade em promover, a produtos culturais, bens ou ações produzidas no seu tempo e cuja novidade transporta uma certa estranheza e, simultaneamente, uma certa aversão e avaliação preconceituosa. Comecemos por, para simplificar, considerar duas conceções prioritárias de cultura em função do uso que hoje se faz do termo: por um lado uma visão socioantropológica, onde a cultura é vista como forma de vida, e outra visão clássico-humanista onde a cultura é vista como produto de atividades artísticas e intelectuais. Contudo, a complexidade do termo “cultura” levanta questões quanto a uma universalidade do mesmo, não só devido à sua evolução concetual ao longo do tempo, mas também porque apresenta diferentes conotações dependendo do país e do acordo estabelecido. Três características gerais na formulação do termo, em qualquer das versões, são importantes: 1) O uso de abstração é uma característica do que é cultura: os elementos culturais só existem na mente das pessoas, nos seus símbolos tais como


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padrões artísticos e mitos. Entretanto, fala-se também em cultura material, por analogia à cultura simbólica, aquando do estudo de produtos culturais concretos (obras de arte, escritos, ferramentas, entre outros). 2) O mecanismo adaptativo: a capacidade de responder ao meio de acordo com a mudança de hábitos, mais rápida do que uma possível evolução biológica. O homem não precisou, por exemplo, de desenvolver longa pelagem e grossas camadas de gordura sob a pele para viver em ambientes mais frios – simplesmente adaptou-se com o uso de roupas, do fogo e de habitações. 3) Além disso, a cultura é, também, um mecanismo cumulativo. As modificações trazidas por uma geração passam à geração seguinte, de modo que a cultura transforma-se, perdendo e incorporando novos aspetos. Após isto coloca-se a questão: constituem os videojogos um produto cultural e porquê? Eles são, na sua conceção, fruto do trabalho de diversos artistas, criadores e programadores informáticos. São uma produção cultural e artística do seu tempo que, de forma completamente inovadora, soube utilizar uma ferramenta disponível à época (os computadores) para formar novas experiências culturais e


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artísticas, cada vez mais complexificadas com o surgimento dos MMO - Massive Multiplyer Online, onde enormes comunidades de jogadores partilham o jogo. Se a abstracção, a adaptação e acumulação são características próprias do ser e do objecto cultural, os videojogos enquadram-se, perfeitamente, nesta dialéctica. São produtos que partem de uma perceção sobre o todo social e oferecem, de forma completamente única à época e ainda hoje (com a interatividade produzida com o participante), um olhar para a realidade e para os signos. São produções artísticas (design, escrita, teatro, imagem em movimento) que souberam aliar-se a uma nova ferramenta e a novos atores sociais – os informáticos e programadores informáticos – criando um espaço próprio e um percurso que se tornou invejável – a indústria de videojogos tem uma rentabilidade superior ao cinema e à música juntos. Contudo, ainda não tem conseguido convencer as autoridades nacionais a olharem para estes produtos como objetos culturais e artísticos, de acordo com uma definição humanista do termo cultura. Para exemplificar esta afirmação está o facto de somente no último concurso (2019) da DGARTES ter sido incluída a possibilidade de se apresentarem candidaturas de videojo-


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Os videojogos podem e devem estar na programação de um equipamento cultural porque são um produto cultural e artístico deste presente que se está a construir.


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gos, mas ainda assim dentro de um «bolo» complexo denominado multimédias. Ora, deve ser preocupação de um produtor/gestor cultural ou, de acordo com o termo mais anglo-saxão de gestor de artes, olhar o seu tempo e olhar os produtos culturais que o seu tempo produz. Saber reconhecer esta capacidade que os tempos têm para produzirem novas abordagens artísticas e novas formas de os seres humanos exporem, simbolicamente, os seus anseios, angústias, preocupações e de as partilharem, é saber dar relevância a artes e artistas que, de uma forma completamente nova, se expõem e se expressam. Claro, tal implica olhar para estes novos criadores como agentes da contemporaneidade e saber adaptar os espaços onde a cultura e as artes se apresentam para estas novas criações. Em Portugal, estas manifestações culturais têm-se pautado por uma semiclandestinidade ou se quisermos ser mais positivos são alternativos, sem terem ocupado o espaço público que merecem. O meio está a mexer-se, timidamente, mas eventos como a Game Dev, as diversas Games Jams, O Bibliogamers, Oeiras Challenge e streamers pretendem postular uma outra abordagem sobre os videojogos. Mas falta a força de entidades públicas, de produtores e espaços culturais e artísticos para tornarem um produto que existe há mais de quatro décadas como componente da cultura e da identidade nacional. Um papel importante que os equipamentos culturais públicos terão, será o de saber olhar o seu tempo e o espaço onde estão implantados. Compreender como o tempo presente tem características próprias e formas próprias de comunicar e criar. Dar a oportunidade para o presente se tornar visível é sobretudo criar espaços de diálogo e de reflexão. Permitir que estas formas de criação cultural e artística possam ter um lugar público, para se expressarem e crescerem, é dar a oportunidade de criar um caminho. Procurar como trazer para a cena pública es-


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tas novas formas expressivas torna-se importante para a compreensão dos novos paradigmas culturais e das novas formas de revelação da opinião e do estabelecimento de relações. Os videojogos podem e devem estar na programação de um equipamento cultural porque são um produto cultural e artístico deste presente que se está a construir. As próprias teorias da gamificação que se vão revelando e as suas aplicações práticas têm demonstrado a capacidade que estas novas áreas têm no engajamento das pessoas, uma vez que colocam o utilizador no centro da sua ação e não a atividade artística ou cultural em si. Como o fazer será a questão que se pode colocar, sem transformar o equipamento cultural num enorme salão de jogos ou numa GameRoom ou Game Café. Tenho uma resposta simples: tentando e falhando, testando limites e, sobretudo, não ter medos, ter a capacidade de olhar estas novas formas como possibilidades e fazer um esforço para conhecer o meio de produção de jogos/videojogos. Se imaginarmos que na produção de um videojogo poderemos ter várias técnicas envolvidas (escrita, design, programação informática, música, inteligência artificial, agentes virtuais, entre outras), conseguimos visualizar possibilidades de participar neste mundo como equipamentos culturais públicos para tod@s e verdadeiramente democráticos. Não quero parecer tão pessimista como Spielberg no seu Player One onde a realidade criada nos videojogos substitui outras realidades possíveis, mas quero ser tão optimista como Spielberg no mesmo filme, em que os humanos reconhecem nos videojogos e nos que participam nessa forma de cultura uma possibilidade para a luta, para o inconformismo e para acreditar no ser humano como promotor do seu destino.


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Se imaginarmos que na produção de um videojogo poderemos ter várias técnicas envolvidas (escrita, design, programação informática, música, inteligência artificial, agentes virtuais, entre outras) conseguimos visualizar possibilidades de participar neste mundo como equipamentos culturais públicos para tod@s e verdadeiramente democráticos.


ROSTOS


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Os trabalhos de David Dançante estão sempre à volta dos grandes temas da atualidade. O seu intuito é levar o observador a tomar uma posição. Num mundo em constante mudança, o vencedor da Bienal JOV’ARTE em 2017 – um dos criadores mais promissores da sua geração –, obriga-nos a refletir. A tomar parte. A escolher um lugar na história.

David Dançante nasceu em Évora, em 1986, e é licenciado em Artes Visuais - Multimédia, variante de Escultura, na Universidade de Évora onde, também, frequentou o curso de Arquitetura (2005-2008). É mestre em Práticas Artísticas em Artes Visuais, pela mesma instituição de ensino superior. O primeiro contacto com a arte foi através da irmã, que já frequentava o curso de artes. “Foi ela que semeou o bichinho da arte em mim, apesar de não existir ninguém ligado às artes no seio da nossa família. Mais tarde acentuou-se por via do meu percurso académico”, confessa. Um percurso que começou primeiro pela arquitetura. “Depressa percebi que apenas a arquitetura não me preenchia, por isso, rapidamente, mudei para as artes visuais e licenciei-me na variante de Escultura na Universidade de Évora”, conta.


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Prémio JOV’ARTE

Galardoado pela Câmara Municipal de Loures, em 2017, com o prémio JOV’ARTE, David Dançante concorda que foi importante para a afirmação do seu trabalho, “porque se teria dúvidas sobre a componente concetual do trabalho, a distinção veio confirmar que estava no caminho certo”. Mais tarde, recorda, “este prémio também ajudou na afirmação do meu trabalho e na atribuição da bolsa de estudo da Fundação Joana Vasconcelos, quando frequentei o mestrado em Práticas Artísticas”. Em 2019, o criador voltou a relacionar-se com o concelho de Loures, por intermédio da exposição da sua autoria, Arte, política e migração, que esteve patente na Galeria Municipal Vieira da Silva até fevereiro último. A exposição em Loures voltou a tratar de um tema recorrente nas obras de David Dançante: uma reflexão sobre a atualidade. Neste caso, sobre a crise migratória dos últimos anos em alguns países europeus. “A minha prática artística passou a refletir sobre temas da atualidade, tentando fazer com que o observador opte por uma tomada de posição em relação ao tema que está a ver e trazendo esse tema para a discussão”, refere. O futuro próximo passa por exposições coletivas e residências artísticas. E por muito trabalho. “Na grande maioria dos artistas a percentagem de inspiração é muito menos do que a percentagem de trabalho. Tive uma professora que dizia que o trabalho artístico é como uma obsessão, devemos estar sempre a pensar nele. Esta obsessão (saudável) no trabalho artístico ajudou-me bastante a desenvolver o meu trabalho”, conclui.


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A minha prática artística passou a refletir sobre temas da atualidade, tentando fazer com que o observador opte por uma tomada de posição.


PRIMEIRO PLANO

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Não confundimos dificuldades com desistir. A Cultura continuará a ser uma prioridade ENTREVISTA

Paulo Piteira

Vice-presidente da Câmara Municipal de Loures

Em que medida a crise sanitária afetou a atividade cultural em Loures? A atividade cultural em Loures é promovida por um conjunto muito diversificado de entidades, desde logo o movimento associativo, responsável por um riquíssimo calendário de oferta cultural regular e quotidiana, mas também a Câmara Municipal e as juntas de freguesia. A crise pandémica obrigou ao fecho das coletividades, o que comprometeu todas as atividades que ali decorrem, sejam no plano da formação, dos ensaios ou das mostras e representações. Não devo exagerar se disser que a situação inviabilizou centenas de atividades culturais e recreativas, designadamente no domínio da música, teatro, danças, cantares e tradições regionais, de defesa e divulgação do património cultural.

No caso da Câmara Municipal, também um enorme conjunto de intervenções sofreram um forte impacto. Desde logo, fomos obrigados a anular os programas associados a importantes eventos, como o Março Jovem, boa parte do programa das comemorações do 25 de Abril e as Festas de Loures. A Academia de Clarinete suspendeu toda a formação prevista até ao final do ano letivo. Nos programas Música em Si Maior e A Teia não se realizaram as sessões previstas para março, abril, maio e junho. Com o encerramento dos museus, bibliotecas e galerias municipais, “caiu” todo o plano agendado para este período – um conjunto muito vasto de visitas, debates, workshops, oficinas, animações, mostras e exposições temporárias. Considerando apenas a Divisão de Cultura, estamos a falar em cerca de 140 iniciativas que não se realizaram.


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Que iniciativas de apoio foram desenvolvidas pelo Município? Relativamente aos agentes associativos locais, a nossa primeira preocupação foi antecipar a aprovação das transferências financeiras para as associações, com o objetivo de efetuar, o mais depressa possível, os pagamentos relativos aos Acordos de Colaboração na área da Cultura (teatro, danças e cantares, fanfarras, coros, bandas, orquestras, escolas de música, semanas regionais) e dos Contratos Programa do Mais Desporto em Loures. O mesmo se fez com os valores associados ao Regulamento Municipal de Apoio às Associações – RMAA/2020. O conjunto de deliberações tomadas na Reunião de Câmara de 6 de maio corresponde a um valor total de transferências superior a 580 mil euros. No âmbito da programação municipal, a orientação foi no sentido de reagendar as atividades relativamente às quais já havia compromisso. Foi possível adaptar alguns projetos, que foram apresentados online, salvaguardando a possibilidade da devida retribuição a quem já tinha trabalho feito. Na relação com os agentes culturais, cumprimos escrupulosamente a legislação emanada para o setor, na sequência da declaração do Estado de Emergência, visando a proteção especial dos agentes culturais. No que se refere aos equipamentos culturais – museus, bibliotecas, galerias – mantivemos a relação com os públicos, com recurso às redes sociais. Como estão a reagir os agentes culturais? As coletividades e associações fecharam portas, vendo assim anulados os seus planos de ação e a possibilidade de gerar receitas, vivendo um tempo de grande preocupação quanto ao futuro. Quer a Associação de Coletividades de Loures, quer a Confederação Portuguesa de Coletividades de Cultura, Recreio e Desporto, dando voz a estas estruturas, têm dado indicações concretas sobre o impacto direto ou indireto que a pandemia provocou neste sector da economia social. A relação de proximidade que os agentes culturais mantêm com a população permite-lhes conhecer bem o que representa, para a comunidade, o fecho de portas das coletividades e associações culturais. É

que, embora nem sempre seja referido ou completamente visível, estas estruturas socioculturais desempenham um papel social importantíssimo. Em muitas localidades, são mesmo uma âncora de identidade e coesão social. Os agentes culturais estão preocupados, pela consciência que têm dos impactos da sua paralisação nas comunidades que servem, mas também por recearem as consequências da crise económica e social que a pandemia nos trouxe. A Câmara Municipal está a ponderar a possibilidade de facultar alguns apoios extraordinários ao movimento associativo popular que, entre outros, incluem um apoio financeiro extraordinário de emergência para que possam ser honrados os compromissos inadiáveis. Isso só poderá acontecer após uma revisão orçamental. Se o controlo do surto epidémico evoluir favoravelmente, que decisões podemos esperar da Câmara nesta área? Os serviços e respetivas equipas técnicas não pararam. Encaramos todas as ações da programação cultural do Plano de Atividades como objetivos a cumprir. A todo o momento fomos, e vamos, avaliando se é ou não possível avançar na concretização das mesmas e, se sim, que condições devemos salvaguardar para que tudo decorra dentro das normas definidas pelas autoridades de saúde. Assim, a nossa atitude é a de concretização do plano previsto. A qualquer momento podemos recuar e a qualquer momento podemos, com grande entusiasmo, concretizar. Relativamente a projetos com carácter estruturante, nada parou. É o caso do processo relativo à construção do Centro Cultural de Loures. É certo que houve um ligeiro desvio no respetivo cronograma, mas tal não coloca em causa o nosso objetivo de dotar o concelho de uma infraestrutura cultural há muito desejada e sentida como necessária. Nestes tempos difíceis a cultura continuará a ser uma prioridade municipal? Mesmo em tempo de pandemia, a prioridade municipal atribuída à área da Cultura não está em causa, o


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Mesmo em tempo de pandemia, a prioridade municipal atribuída à área da cultura não está em causa.”

nosso trabalho está alicerçado em projetos a médio prazo e cujo financiamento está definido. Falei há pouco do valor dos apoios aos agentes culturais, quer os que já estavam previstos, quer os que constituirão um reforço. Também já referi o projeto relativo ao futuro Centro Cultural, que se articula com outros importantes projetos de transformação da cidade de Loures. Posso igualmente referir o processo de consolidação estrutural, restauro e proteção de elementos arquitetónicos da Quinta e Palácio de Valflores. Ou a Rota Memorial do Convento, uma rota cultural que envolve três municípios (Loures, Mafra e Lisboa), num percurso que alia a narrativa de José Saramago à história dos lugares, das gentes e do património. São projetos estruturantes que marcarão o nosso território, conferindo-lhe qualidade e capacidade de atração. Vimo-nos confrontados com uma situação imprevista, com fortes impactos na vida das nossas comunidades,

no geral e de grupos sociais mais vulneráveis, em particular. Há momentos em que temos de olhar para os nossos projetos da forma mais desapegada possível, apreendermos a realidade com objetividade e sermos capazes de nos adequar a ela com lucidez. Isso não nos obriga a abdicar dos nossos princípios e prioridades, apenas nos obriga a alterar a sua ordem de hierarquia. Por isso, não abandonamos as prioridades que têm caraterizado o atual mandato, em que a Cultura tem vindo a ocupar um lugar de relevo. Trabalhamos sempre com cenários alternativos. Iremos certamente introduzir no nosso vocabulário quotidiano algumas palavras que raramente utilizávamos, como suspender, reagendar, anular, reformular…, mas enquanto nos mantivermos lúcidos para reapreciar as prioridades, em função das necessidades mais prementes dos munícipes, sempre orientados para a qualidade do serviço público que prestamos e para a manutenção da relação e dos laços que nos ligam aos públicos, nenhuma dessas palavras se confundirá com desistir.


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Duas exposições. Um só destino. Várias raízes e um só lugar. Loures alberga rostos do mundo inteiro, respeitando a diferença. Aproveitando as diferenças. Aqui há lugar para todos. Neste lugar de cultura.

Quando nós somos os outros e Loures no caminho para a interculturalidade. Desde quando? são duas exposições patentes no Museu Municipal de Loures – Quinta do Conventinho, que traçam o perfil de um território multicultural, de uma riqueza singular. Um concelho de Loures que é um ponto de encontro de culturas. Num território com cerca de 200 mil habitantes, existem, de acordo com os Censos de 2011, 107 nacionalidades e munícipes nascidos em 130 países diferentes, além de todos aqueles que vieram de vários pontos do país, pelas mais diversas razões, e se estabeleceram em Loures. É o somatório da riqueza cultural que cada uma destas pessoas traz consigo que faz deste um território multicultural. Loures tem vindo, ao longo dos anos, a acolher uma multiplicidade de comunidades e isso tem contribuído, de forma indelével, para se tornar um concelho


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melhor. Mais tolerante, com respeito pela diferença, integrando e promovendo o sentimento de pertença. Uma história que não é feita apenas com aqueles que aqui sempre viveram, os denominados saloios, mas também das influências de todos os que por aqui passaram ou se fixaram, e que, de uma forma ou de outra, contribuíram para a evolução deste território. Um território feito de rostos que revelam a sua diversidade cultural. São precisamente esses rostos, com nome e proveniência, que dão corpo à exposição Quando nós somos os outros. O resumo de depoimentos, objetos, e partilhas de costumes e experiências ajudam a compreender a forma como foram acolhidos, como se integraram, mas também como vivem e interagem com o território e toda a comunidade. Alguns, organizados em comunidades, outros, de forma mais isolada. Uns mais reservados, outros mais abertos e participativos, partilhando de forma natural aquilo que de melhor têm na sua cultura. A música, a gastronomia e o desporto são áreas em que esse cruzamento de culturas é feito de forma quase instintiva, valorizando a diferença, mas, acima de tudo, enriquecendo o território lourense.

Visitas

Terça-feira a domingo, das 10:00 às 13:00 e das 14:00 às 18:00 Encerra às segundas-feiras e feriados Contactos Museu Municipal de Loures Quinta do Conventinho Estrada Nacional 8, Km 4,3 2660-346 Santo António dos Cavaleiros Telf.: 211 150 536 Correio electrónico: dc_museus@cm-loures.pt


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Loures tem vindo, ao longo dos anos, a acolher uma multiplicidade de comunidades no seu território e isso tem contribuído de forma indelével para se tornar um concelho melhor.

No caminho da interculturalidade

Neste caminho para a interculturalidade, a exposição revela a diversidade sociocultural do concelho na atualidade, mas este fenómeno está presente desde sempre. A segunda exposição patente no Museu revela bem esse destino. Loures no caminho para a interculturalidade. Desde quando? demonstra que, desde sempre, o concelho de Loures é um território marcado pela convivência de rostos de diversas origens e diferentes matrizes culturais. Antes mesmo de 1147, ano da reconquista cristã de Lisboa, já tinham sido encontrados indícios de que por esta região teriam passado diversos povos, deixando um legado cultural que, a partir do século XII, foi sendo mais evidente e ganhando rostos. São 27 os rostos escolhidos para esta exposição, desde o século XII até ao século XX. Reis, nobres, judeus, membros do clero, uma escrava, entre outras personagens, que contam um pouco da sua história e de que forma ela se cruzou com este território e a suas gentes. As influências que daqui levaram, mas principalmente as que aqui deixaram, todas reunidas neste Lugar de Cultura. Um lugar que se assume como um ponto de encontro de culturas, onde se promove o reconhecimento e respeito mútuo, e se fomenta a construção de um caminho rumo à interculturalidade.


ADN


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Uma história escondida há muitos anos debaixo dos nossos pés. No centro de Bucelas, a derrocada de um muro, em 2018, permitiu começar a reconstruir a vida de antepassados que habitaram aquela região e sobre os quais havia apenas uma breve ideia da sua passagem. Um lugar escondido. Uma cultura desconhecida. Gentes sem rosto. Levantados do chão.

Não fossem as chuvas fortes do inverno de 2018 e, talvez, ainda hoje não conseguíssemos ter uma noção da riqueza histórica que se esconde debaixo do Largo Espírito Santo, em Bucelas. A derrocada de parte de um muro de sustentação existente na Rua Marquês de Pombal, junto à Igreja Matriz, permitiu revelar um pouco mais da história daquela vila e do concelho de Loures. Uma obra de reconstrução veio a revelar muito mais do que se esperava: no decorrer dos trabalhos foram encontradas várias ossadas humanas. Perante a obrigatoriedade legal de recolher toda a informação arqueológica para salvaguarda do património, foi determinada uma escavação de emergência. O serviço de Arqueologia do Município de Loures já identificava aquela zona como sendo de grande potencial arqueológico. Não só pela existência da Igreja Matriz, mas também pela probabilidade de, à volta do templo, ter existido um cemitério. Além disso, era do conhecimento público que, até ao início do século XX, teria existido, onde é hoje o parque de estacionamento, a Capela do Espírito Santo, que também teria um cemitério associado, bem como a existência de um hospital ou uma albergaria, da idade média.


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Até ao século XIX, as pessoas eram enterradas dentro dos espaços religiosos (igrejas, capelas, ermidas, em capelas particulares e em mosteiros) e no chamado adro, também conhecido como campo santo ou campo sagrado, que corresponde a toda a zona em volta do sítio sagrado e que era, regra geral, destinado aos mais pobres. Um conjunto de informações que levavam a crer que, qualquer obra feita naquele local, poderia originar a descoberta de objetos de interesse arqueológico. E foi, exatamente, o que aconteceu. Embora os arqueológos julgassem que se tratava de uma zona limite de um antigo cemitério e que estávamos perante a descoberta uma ou outra sepultura, ou até de um ossário, em regra colocados no limite do cemitério, veio a verificar-se que não. Numa área relativamente pequena, em proporção à que se julgava ser ocupada pelo antigo cemitério, foi encontrada uma densa ocupação humana de enterramentos, que vão do início do século XVI até ao século XIX.

Um trabalho minucioso

As escavações demoraram um ano e meio. Sob a responsabilidade da arqueóloga Florbela Estevão e da antropóloga Nathalie Antunes Ferreira, cada metro quadrado de terra foi analisado minuciosamente. Florbela Estevão recorda que “as escavações em cemitérios são sempre muito morosas”. Primeiro porque é necessário delimitar a sepultura, “depois porque temos que escavar o esqueleto no sítio, até que fique todo limpo para tirar fotografias, fazer o desenho, tirar cotas, medidas,


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entre outros parâmetros”. Só depois começa a retirar-se, osso a osso, preenchendo uma ficha de identificação. O passo seguinte é a lavagem, para que se possa dar início aos estudos em laboratório. “Tudo isto multiplicado por centenas de esqueletos”, lembra. Só na pequena parcela em que decorreu a escavação, foram retirados cerca de 170 sepulturas e mais de três centenas de ossários. Um número muito relevante que vai permitir obter dados sobre o tipo de sepultura, os rituais associados à sepultura, informações sobre o esqueleto, alguns objetos que os esqueletos possam ter consigo e, também, os materiais que fazem parte do aterro. Um conjunto de dados importante que vai possibilitar datar o contexto e dizer a que século pertencem, mas também ter uma ideia de como era a população que residia na paróquia de Bucelas. Dados provisórios revelaram a presença de indivíduos de ascendência africana. Que a população ali sepultada fazia uma dieta alimentar pobre, e que morria, relativamente jovem, em muitos casos com vestígios de doenças graves ou de traumatismos provocados pelo esforço físico, em consequência da vida difícil que levavam. Conclusões prévias que vêm confirmar a documentação já existente, nomeadamente alguns registos paroquiais que faziam menção a escravos, e, em particular, a escravos negros. Uma conclusão sustentada também com base no facto de alguns esqueletos encontrados apresentarem uma transformação intencional dos dentes, reconhecida como uma prática cultural comum em algumas comunidades africanas.


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A presença

romana

Tal como foi surpreendente a quantidade de esqueletos encontrados nesta escavação de emergência, também as mais recentes descobertas abriram uma nova perspetiva deste lugar. Um lugar que cumpriu funções de enterramento entre os séculos XVI e XIX, mas que revela agora uma ocupação ainda mais recuada, com a descoberta de estruturas romanas, que comprovam a presença deste povo na vila de Bucelas. Já era conhecida a presença de romanos no território de Loures, não só através de monumentos epigráficos da época, mas também de provas materiais descobertas nas villae de Frielas e Unhos, e ainda Sítio Arqueológico das Almoinhas, em Loures. Também era sabido que por aqui passavam redes viárias importantes e que, por isso, havia uma forte probabilidade de ter havido fixação de pessoas. Mas na vila de Bucelas ainda não havia nenhuma prova material dessa existência. “Pela primeira vez, temos a prova de que os romanos tiveram ali estruturas habitacionais. Não sabemos ainda com que função. Se serão restos de um casario de apoio à estrada romana que por ali passava, ou de uma pequena aldeia ou vila”, afirma a arqueóloga Florbela Estevão. Apesar de tudo, trata-se de “mais um sítio importante para a história local e nacional”, que é preciso continuar a estudar. Um novo Lugar de Cultura a preservar, a promover e a juntar a tantos outros espalhados pelo território de Loures.


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EXPOSIÇÃO

Largo do Espírito Santo O Antigo Cemitério

Visitas

Terça-feira a domingo, das 10:00 às 13:00 e das 14:00 às 18:00 Encerra às segundas-feiras e feriados. Contactos Museu do Vinho e da Vinha, Bucelas Rua D. Afonso Henriques, 2 e 4 (EN 16) 2670-637 Bucelas Tel.: 211 150 660 Tlm.: 924 487 297 Correio electrónico: dc _museus@cm-loures.pt

As recentes descobertas deram lugar à exposição Largo do Espírito Santo. O Antigo Cemitério, que se encontra patente no Museu do Vinho e da Vinha, em Bucelas, até setembro de 2021, e na qual é possível conhecer um pouco mais deste Lugar de Cultura que é o Largo do Espírito Santo. A sua importância e evolução ao longo dos tempos, e a razão pela qual escondia um cemitério. A mostra explica os principais rituais funerários, o tipo de sepulturas encontradas e alguns materiais associados aos esqueletos e às várias camadas que foram objeto de escavação. Porém, um dos detalhes mais interessantes desta exposição é o vídeo que mostra o processo de aproximação facial que foi feito com um dos crânios encontrados. A aproximação facial revela uma jovem que terá morrido com cerca de 20 anos, cujo crânio foi digitalizado em três dimensões, e que através de uma metodologia científica, foi possível reconhecer vestígios da fixação dos vários músculos. “Com base nesses vestígios onde os músculos se fixavam e do negativo que deixavam dessa fixação, conseguimos calcular o volume de cada músculo. Depois vai-se enchendo e reconstituindo a parte muscular, até chegar à pele”, explica a arqueóloga Florbela Estevão. “Claro que não temos a certeza absoluta que corresponda à imagem da jovem, até porque não sabemos se tinha cicatrizes, tatuagens, que tipo de cabelo tinha. Mas ainda assim permite-nos fazer uma reconstituição facial aproximada”, sublinha.


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GPS


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Julho

Artes visuais

Promoção da leitura

¿De que casa eres? Los niños de Rusia.

Animação em família Tardes em cheio

As contadeiras de histórias, de Sofia Paulino 18 julho 15:00 M/5 Fio de lã, papel de jornal, linha de crochê, cartão, arame…uma artesã tudo isto entrelaçou e o livro As contadeiras de histórias criou. Evento online em www.facebook.com/ bibliotecasdeloures O sonho de (a) mar 25 julho 15:00 M/4 Baseada no livro Estranhões e Bizarrocos, de José Eduardo Agualusa. Uma história de sonhos, coragem e ousadia, onde os elementos marinhos dão vida a esta animação. Evento online em www.facebook.com/ bibliotecasdeloures

Episodios de un cotidiano #3 De Ana Pérez-Quiroga Até 1 agosto Galeria Municipal Vieira da Silva

Coleção Municipal de Artes Visuais 25 julho a 26 setembro Galeria Municipal Castelo de Pirescouxe

Oficinas Criativas Online Em www.facebook.com/ galeriasdeloures

Dia do Amigo 20 julho 14:00 Celebramos a amizade com muita diversão e brincadeira. Junta-te a nós!

Dia Mundial dos Avós 26 julho 10:00 Neste dia tão especial homenageamos todos os avós, demonstrando o carinho que sentimos por quem nos é tão importante, através da construção de um presente muito original e criativo.

Oficina de giz 26 julho 14:00

Hoje comemoramos o aniversário do concelho de Loures de forma muito criativa. Nesta oficina, ensinamos-te a fazer giz e a criar, com ele, espetaculares desenhos

Arte em Contexto Conversas informais 30 julho 19:00 Galeria Municipal Vieira da Silva Assista em direto, nas redes sociais do Município de Loures, a uma visita guiada à exposição da artista plástica Ana PérezQuiroga, patente na Galeria Municipal Vieira da Silva. O encontro, marcado para as 19 horas, contará com a presença de Ana Pérez Quiroga e da crítica e curadora de arte, Maria do Mar Fazenda. Neste evento será também apresentado o catálogo da exposição ¿De que casa eres? Los niños de Rusia. Episodios de un cotidiano #3. A exposição continuará patente até dia 1 de agosto de 2020. Participação sujeita a marcação prévia até 30 de julho para o email dc_ galerias@cm-loures.pt. dc_galerias@cm-loures. pt. Acesso condicionado de acordo com as normas vigentes no quadro da pandemia COVID-19


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Museus e Património Quadros de revista 20 julho 19:00 A revista do TIL – Teatro Independente de Loures é composta por 13 quadros, onde os atores usam a boa disposição e a ironia para criticar os “males” da nossa sociedade, “males” que continuam atuais apesar dos textos interpretados terem sido escritos há mais de meio século. A rir dir-se-ão as verdades e não serão poucas as que aparecem neste desfile de regateiras, sopeiras, vendedores, charlatões, marquesas, pescadores, doceiras, banhistas e caçadores, entre outras personagens. facebook.com/ museusdeloures

22º Aniversário Museu Municipal de Loures – Quinta do Conventinho 26 julho Santo António dos Cavaleiros Convento encantado Lançamento de vídeo promocional do Museu facebook.com/ museusdeloures

7º Aniversário Museu do Vinho e da Vinha – Bucelas

E passaram sete anos, vamos recordar! 26 julho Programa da SIC Notícias: Espaços & Casas – Espaço Público facebook.com/ museusdeloures

Agosto Artes Visuais Castelo de Pirescoche Arte’20’’ Por Epopeia das Artes 1 agosto a 26 setembro Galeria Municipal Castelo de Pirescouxe

Oficinas Criativas Online Em www.facebook.com/ galeriasdeloures Dia de brincar na areia 11 de agosto 14:00 Dia do Artista 24 de agosto 14:00

Museus e Património

em www.facebook.com/ museusdeloures/

Programa Ciência Viva no Verão

Setembro

Oficina de Cerâmica 16 e 30 agosto 10:30 Museu de Cerâmica de Sacavém - Jardim Modelação em bloco de uma caixa com tampa (Limitado a 10 participantes) Arqueólogo por um Dia 19 agosto 9:00 Sítio Arqueológico de Frielas (Limitado a 10 participantes) A Muralha de Wellington e a defesa da Capital do Reino nas Invasões Francesas 22 e 23 agosto 10:00 Centro de Interpretação das Linhas de Torres e Forte (Máximo 10 participantes) Inscrições em www. cienciaviva.pt

Visita ao Conventinho, com apontamentos de animação 8 agosto 17:00 Museu Municipal de Loures, Quinta do Conventinho Direto no Facebook dos Museus de Loures,

Promoção da Leitura Animação em família Tardes em cheio O mistério do urso de Wolf Earlbruch 5 setembro 15:00 Uma história à volta dos mistérios da paternidade e de muitos outros mistérios. Desconstruindo alguns mitos. Evento online em www.facebook.com/ bibliotecasdeloures

Animação em família Tardes em Cheio

Pinta-Pinta-Silgo e Papoi-poi-poi-la, animação para bebés 12 setembro 15:00 Num campo de papoilas Pinta-Pinta-Silgo e PaPoi-Poi-Poi-La, embalados pelos sons da terra, brincam ao ritmo dos poemas. Evento online em www.facebook.com/ bibliotecasdeloures


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Livros nos parques 6 setembro 10:00 > 19:00 Quinta dos Remédios 13 e 20 setembro 10:00 > 19:00 Parque Urbano da Encosta de Santo António dos Cavaleiros Atividades e serviços de promoção da leitura fora de portas e em lugares não convencionais e a promoção dos serviços da Rede de Bibliotecas de Loures.

Artes Visuais Oficinas Criativas Online Em www.facebook.com/ galeriasdeloures

Celebramos o Outono 22 setembro 14:00

Dia Mundial do Coração 29 setembro 14:00

Museus e Património Clube de Enófilos 5 setembro 17:30 Museu do Vinho e da Vinha, Bucelas Uma viagem gustativa,

um diálogo sensorial e a aprender sobre o vinho, porque até ao lavar dos copos, é prova! Limitado a 10 participantes, mediante inscrição prévia através do telefone 924 487 297 ou email museu_vinho@cm-loures.pt

Programa Ciência Viva no Verão 11 e 12 setembro 10:00 Museu do Vinho e da Vinha, Bucelas Tecnologias de lagar e processos de vinificação – o sumo antes do vinho Limitado a 20 participantes, mediante inscrição prévia em www.cienciaviva.pt

Percursos pelo Património (Indústria – Vivência e Memória) 12 setembro 10:00 Duração: 2h00 Distância: 1 Km Ponto de encontro: Fábrica de Águas de Frielas Limitado a 10 participantes e mediante inscrição prévia através dos telefs. 211 151 085/211 151 082 ou email se_ceramica@cmloures.pt

Planeta Verde, futuro sustentável 19 setembro 15:00 Museu Municipal de Loures, Quinta do Conventinho

Limitado a 20 participantes e mediante inscrição prévia através dos telefs. 211 151 507/211 150 912 ou email se_conventinho@ cm-loures.pt

Jornadas Europeias do Património Cruzeiros e Pelourinhos na ótica de José Pedro 26 setembro 18:00 Casa-Museu José Pedro Inauguração de exposição temporária e percurso pedestre por Sacavém

De Sacavém a Tomar. Um itinerário pelo Património da Fábrica de Loiça de Sacavém e do Convento de Cristo 26 setembro 9:30 Museu de Cerâmica de Sacavém Visita à exposição Vivências quotidianas do Convento de Cristo …, seguida de visita ao Convento de Cristo (Tomar). Em parceria com DGPC. Limitado a 50 participantes e mediante inscrição prévia através dos telefs. 211 151 507/211 150 912 ou email se_conventinho@ cm-loures.pt

Música Ciclo de Música Barroca na Rota do Memorial do Convento Quarteto Ars Antiqua 11 setembro 21:00 Local a designar Quinteto de sopros nos instrumentos da época 12 setembro 21:00 Local a designar Ensemble Bonne Corde 13 setembro 18:00 Local a designar

Teatro Loures Teatro - A Teia 25 setembro 21:30 Espetáculos Descentralizados Os 4 Clowns do Apocalipse Pela Companhia de Teatro de Montemuro Duração: 60m, Classificação: M/6 Sociedade Recreativa e Musical 1° Agosto Santa Iriense

O programa poderá sofrer alterações por motivos imprevisto e/ou a sua participação ser condicionada pelas normas em vigor no quadro da pandemia COVID-19.


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Conselho Editorial Consultivo António Saiote Cláudia Camacho Luís Bom Luís Varatojo Pedro Campos Costa Rita Redshoes Rui Machado Vitor Oliveira Jorge

Ficha técnica Diretor: Paulo Piteira Redação, revisão, fotografia, grafismo e paginação: Divisão de Atendimento, Informação e Comunicação Impressão: Soartes Distribuição gratuita Tiragem: 5 mil exemplares Depósito legal: 442545/18 ISSN 2184-2477

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