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Editorial

Palavra do Provincial SÃO GERALDO MAJELA Irmão Redentorista

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o dia 16 de outubro a Congregação Redentorista celebra a festa de São Geraldo Majela. Geraldo nasceu no dia 06 de abril de 1726, na cidadezinha de Muro Lucano, Sul da Itália, e foi batizado no mesmo dia. De uma família simples, seu pai, sr. Domingos, era alfaiate e, sua mãe, D. Benedita, uma mãe exemplar e muito dedicada ao serviço do lar. Geraldo teve três irmãs, sendo ele o mais novo da família. Aos dez anos, fez sua Primeira Comunhão. Com doze anos de idade, seu pai veio ao falecimento. Logo começou a trabalhar para sustentar sua família. Tornou-se aprendiz na alfaiataria da cidade, onde foi muito maltratado. Sob

a custódia do bispo de Lacedônia, também sofreu muito com sua falta de temperança. Apesar de tudo, Geraldo acolhia com docilidade tais sofrimentos, na certeza de que realizava a vontade de Deus. Com 19 anos, montou uma alfaiataria. O trabalho prosperou. Porém não guardou dinheiro. O que recebia doava praticamente tudo para os pobres. Desde cedo, Geraldo sentia-se chamado por Deus para a vida religiosa. Por duas vezes tentou ingressar na ordem dos capuchinhos, mas não foi aceito, devido à fragilidade de sua saúde. Entretanto, Deus tem seus caminhos. Em 1749, os Missionários Redentoristas pregaram as santas missões

Expediente: Coordenação: Pe. Américo de Oliveira, C.Ss.R. Jornalista Responsável: Brenda Melo - MTB: 11918 Projeto gráfico: SM Propaganda Ltda Impressão: Gráfica América Tiragem: 2.000 exemplares

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em Muro, percorrendo as três paróquias da cidade. Geraldo participou profundamente das missões e teve a clareza que Deus lhe chamava para ser um destes missionários. Procurou, então, o superior da equipe missionária, Pe. Cáfaro. E a resposta não foi diferente: “Geraldo, a Congregação Redentorista não é para você. Você é muito fraco para aguentar o ritmo de nossa vida”. Geraldo insistiu tanto em acompanhá-los, que padre Cáfaro sugeriu à sua família que, na partida dos missionários, o trancasse em casa. Assim foi feito. Mesmo assim, Geraldo amarrando lençóis desceu pela janela e partiu ao encontro dos missionários. Fez uma caminhada de 19 km até alcançá-los. Diante de tamanha persistência, Pe. Cáfaro o acolheu. Após um período de formação, Geraldo fez os primeiros votos religiosos, no dia 16 de julho de 1752, tornando-se, de fato, um irmão leigo redentorista.

Na Congregação Redentorista, Geraldo foi um incansável trabalhador: exerceu vários ofícios: jardineiro, sacristão, alfaiate, porteiro, cozinheiro, carpinteiro e também fez crucifixos. Seu único objetivo, em tudo, era fazer a vontade de Deus. Tinha a mente sempre elevada a Deus. Na sua profunda intimidade com o Cristo Eucarístico, nos ensina a exercer, com solicitude, o amor a Deus e aos irmãos. Viveu na Congregação Redentorista durante três anos e três meses. Veio a falecer no dia 16 de outubro de 1755, com 29 anos de idade, vítima de tuberculose. Devido à propagação de seus milagres, foi canonizado pelo papa Pio X, em 1904. É conhecido como o santo protetor das mães gestantes. Que São Geraldo interceda por nós para que, seguindo o seu exemplo, sejamos fiéis discípulos de Jesus Cristo, no exercício de nossa missionariedade cotidiana. Pe. Américo de Oliveira, C.Ss.R. Superior Provincial

Aniversariantes Outubro 18/10 – Pe. José Luciano Jacques Penido, C.Ss.R. 23/10 – Pe. Paulo Sérgio Carrara, C.Ss.R. 24/10 – Pe. Dalton Barros de Almeida, C.Ss.R. 27/10 – Pe. Vicente de Paula Ferreira, C.Ss.R.

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Entrevista

Padre Antônio Luiz de Oliveira, C.Ss.R. No dia 13 de outubro de 1990, com o lindo pôr do sol do sertão, na praça da Basílica de São Geraldo, em Curvelo (MG), padre Antônio Luiz realizou sua ordenação presbiteral, na presença de seus pais, Joaquim e Maria Idalina, de amigos, familiares e confrades da igreja. Vinte e cinco anos depois, ele continua com o mesmo ardor missionário e fala aos leitores do AKIKOLÁ sobre a sua realização vocacional. A partir de que momento em sua vida a vocação falou mais alto? Eu nasci na fazenda da Cachoeira do Veloso, município de Monjolos – MG, terras que o meu avô comprou e deixou como herança. Ali, meus pais criaram seis filhos e eu tenho o privilégio de ser o caçula da família. Meu universo como criança era a vida do interior - social, cultural e religiosa da comunidade de Santo Antônio da Fazenda do Valo Fundo. Algumas vezes, na companhia dos meus pais, frequentava as festas em Diamantina ou Curvelo. No dia 28 de julho de 1975, de manhã, eu senti o desejo de ser um padre. O meu irmão, padre Joaquim, já estava fazendo o seu caminho vocacional para estudar no seminário da Arquidiocese de Diamantina, o que abriu portas para eu também entrar. Mas o desejo que manifestou na minha vida de ser um padre, naquele momento, era somente meu, sem influência do meu irmão. Entrei para o seminário da Arquidiocese de Diamantina em janeiro de 1976, com 15 anos de idade e passei por diversas etapas de formação,

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em Diamantina e com os Redentoristas da Província do RJ, MG e ES. Todas as etapas foram muito importantes na minha vida. Os projetos de formação bem elaborados, prédios com boas estruturas físicas, ensino de alto nível, formadores cultos e dedicados. Muito investimento, que diante do mesmo, só posso agradecer. Uma etapa decisiva para a minha vocação foi o noviciado redentorista, quando estudava a Teologia da vida religiosa. O fio condutor de toda a minha história vocacional era a de estar por inteiro na minha opção vocacional. Passei por muitas crises e muitas dificuldades, mas nada me abalava. Ao fazer o meu tempo de noviciado, tudo ficou mais claro, algumas dificuldades não foram superadas, mas a convicção me deu luz para eu continuar a caminhar e forças para me sustentar na caminhada. Qual é o sentimento ao celebrar 25 anos de sacerdócio? Alegria e realização! Com Deus eu sou um vitorioso. Pensei em ser padre e sair de casa para estudar no seminário, almejando um dia ser

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padre em uma paróquia simples. Quando fui ser um Redentorista, foi para ser um religioso e padre para as missões permanentes, em lugares bem pobres. Levei a sério os meus estudos, mas sem pretensões maiores para o futuro. Depois de padre, encontrei muitas oportunidades de realizar os meus propósitos, mas as minhas preocupações, a minha energia e dedicação ficaram com 09 anos como formador no curso de Filosofia em Juiz de Fora – MG, 15 anos na administração e na economia da Província do Rio. Um serviço muito distante dos meus planos. Mas deu tudo certo, só pode ter sido a mão de Deus. Em 2015, comecei um trabalho na direção da Rádio Educadora de Cel. Fabriciano - MG. Estou certo que gosto dos desafios e do prazer de experimentar a graça de Deus. Ser Missionário Redentorista é... Ser um Missionário Redentorista é mergulhar nas fontes do carisma redentorista. Conhecer e atualizar o pensamento do fundador da Congregação Redentorista, Santo Afonso Maria de Liguório, estudar a história da Congregação, ser um admirador da dedicação incansável dos

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Entrevista

Redentoristas, o afeto que há entre os confrades, a seriedade e simplicidade com as quais esses missionários trabalham e se relacionam com o povo. Como interpretam as Sagradas Escrituras e pregam para os fiéis, como orientam a consciência das pessoas. São muitas ações bonitas e encantadores, que nascem do ser Redentorista. O que marca o Missionário Redentorista é o seu seguimento a Jesus Cristo, o Redentor, sempre iluminado pelo carisma de levar o evangelho aos mais abandonados. Deixe um recado aos jovens que sentem o chamado de Deus e querem seguir os passos de Santo Afonso. Aos jovens, digo: é muito bom ser padre! Na fé, você pode oferecer às pessoas o melhor presente para as suas vidas, que é Jesus Cristo. Ele pode ser oferecido no seu jeito de ser e de viver, na sua pregação e na sua orientação, nas orações e na celebração dos sacramentos, e de um modo muito especial, ao presidir a celebração da Eucaristia. Oferecer às pessoas Jesus Eucarístico é a realização da vocação sacerdotal, é a certeza de estar fazendo alguém feliz. Como Redentorista, é a alegria e a esperança de levar o Cristo Redentor aos corações das pessoas, às comunidades, à missão da nossa igreja. Pra você, um convite: vem seguir o Redentor! Brenda Melo Juiz de Fora, MG

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Fé e devoção na tradicional Oitava de São Geraldo

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omo sempre vem acontecendo nas Oitavas e Festas de São Geraldo, toda a movimentação, desde sua preparação e execução primaram pelo belo, pela singeleza e pela qualidade. Tudo preparado com carinho, zelo e dedicação total por parte das diversas pessoas envolvidas em todos os processos: Comunidade Redentorista da Basílica, agentes de Pastoral e as diversas equipes de voluntários. Nem mesmo a crise econômica mundial impediu os devotos e romeiros de se fazerem presentes. Vindos de perto e de longe, geralmente para agradecer a Deus o atendimento de suas preces com as curas e milagres atribuídos à intercessão de São Geraldo. Há que se destacar, como sempre vem acontecendo, a presença dos romeiros de Belém do Pará, que além de trazer muita alegria, nos brindou com um belo exemplo de devoção a São Geraldo e a oferta de uma belíssima imagem de Nossa Senhora de Nazaré.

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A Oitava e Festa, ocorrida de 29/08 a 06/09, transcorreram em um clima de serenidade e tranquilidade, com uma boa e expressiva participação do povo de Curvelo (MG), dos devotos e romeiros de São Geraldo em todos os momentos celebrativos, sobretudo nas missas realizadas, tanto na Basílica, como na Praça da Basílica. Os animadores, padres Redentoristas, Nelson Antônio Linhares C.Ss.R., (pároco da Paróquia de São José, em Belo Horizonte - MG) e Vicente Ferreira, C.Ss.R., (formador dos estudantes de Teologia, em Belo Horizonte) interagiram bem com a assembleia litúrgica, ajudando-a a celebrar com alegria e serenidade. De maneira sábia, exortativa e catequética, os dois pregadores da Oitava, Dom Marco Aurélio Gubiotti (Bispo da Diocese de Itabira – Coronel Fabriciano) e Dom José Eudes (Bispo da Diocese de Leopoldina), desenvolveram muito bem a temática central, desdobrada em seus sub temas; levando de fato os participantes das

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Celebrações Eucarísticas a perceberem e sentir Geraldo como um verdadeiro e autêntico “Testemunho de serviço”, sinalizando para nós que também podemos seguir seus passos na vivência da fé. Como em todos os anos, procuramos apresentar algumas novidades, seja nas Celebrações Litúrgicas ou na parte social, tendo em vista uma interação maior dos participantes. Neste sentido, penso que o destaque maior ficou para o Portal de Acolhida, ligando, de maneira criativa e decorativa, a Praça da Basílica às Barraquinhas de São Geraldo. No percurso, foram colocados quadros ilustrativos sobre algumas passagens da vida de São Geraldo, em estilo de História de Cordel, pelo nosso colaborador e artista José Veloso.

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Destacamos também a exposição sobre o nosso saudoso Pe. Paulo Rutten, C.Ss.R., um dos grandes benfeitores de Curvelo. Além dessas duas grandes novidades, o artista plástico Ângelo Issa presenteou a exposição com uma belíssima obra de arte, tecida em técnica mista, inspirada na vida de São Geraldo. Obra que teve como referência, segundo o próprio artista, a Sala de Milagres e as pinturas internas da Basílica, destacando assim, a forte expressão de fé dos devotos de São Geraldo. Por fim, a Cantina Italiana, que aconteceu numa das noites nas Barraquinhas de São Geraldo. Pe. Paulo Roberto Gonçalves, C.Ss.R. Reitor da Basílica de São Geraldo Curvelo, MG

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Espiritualidade

V. O CREDO:

Foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria Concebido pelo poder do Espírito Santo A encarnação de Jesus se realiza por obra do Espírito Santo (cf. Mt 1,20; Lc 1,35). Há uma atuação do Espírito, como potência divina, no momento em que Jesus entra no mundo, ainda que atue sobre Maria e não sobre Jesus (cf. Lc 1,35). O Espírito é o poder gerador de Deus. Nele Jesus é gerado no seio de Maria. Maria se encontra grávida pelo Espírito Santo (cf. Mt 1,18). O que nela foi gerado vem do Espírito Santo (cf. Mt 1,20). O verbo no passivo afirma, no entanto, que a ação é de Deus – foi gerado. Deus gera seu Filho na nossa humanidade do Espírito e de Maria. Segundo Lucas, Jesus será chamado Filho de Deus e não Filho do Espírito (cf. Lc 1,35). Nasce, assim, um homem “que é Filho de Deus, porque Deus o gera do Espírito e do seio de Maria”. Esse artigo do Credo se centra na encarnação de Jesus, afirmando que é obra do Espírito em Maria. Jesus, que já era o Filho de Deus, se torna o Filho na condição dos homens a salvar. Ele se torna, assim, também Filho do homem, título que ele gosta muito de usar (cf. Mc

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10,45). De Deus vem sua divindade, de Maria, sua humanidade. Filho de Deus e de Maria, graças à ação poderosa no Espírito Santo. Aqui há um grave equívoco a evitar. Alguns pensam que Jesus é metade Deus e metade homem. Na verdade, Jesus é totalmente Deus e totalmente homem. Em Jesus, o Filho de Deus se fez homem. Deus é, desde sempre, Trindade, unidade de amor, o Filho faz parte da relação uma e trina do amor Divino. Esse Filho pré-existente se torna Filho na condição dos homens a salvar. Temos, às vezes, a tentação de pensar que a divindade de Jesus absorve sua humanidade, como o mar (divindade) absorve a gota d’água (humanidade), mas se trata de um erro grave, que termina desprezando a humanidade de Jesus. Nasceu da Virgem Maria Quando falamos da virgindade de Maria, entramos num campo de batalha em que pululam hipóteses e opiniões teológicas. Era mesmo virgem? E se Jesus fosse filho de José ou de algum outro homem, ele não teria sido concebido no poder do Espírito Santo? Não seria filho de Deus? Maria precisava ser

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a humanidade. Jesus realiza as esperanças de Israel. O AT conhece nascimentos milagrosos que determinam pontos cruciais da história da salvação. O nascimento de Isaac (cf. Gn 18), de Samuel (cf. 1Sm 1-3), de Sansão (cf. Jz 13). Três mulheres estéreis. Nestes acontecimentos Deus intervém em vista da salvação de Israel. O mesmo acontece com Isabel, mãe de João Batista (cf. Lc 1,7-25.36). Depois vem Maria, que concebe Jesus.Essas intervenções querem dizer que a salvação não depende de nenhum poder humano, mas é um dom absoluto de Deus, que realiza o impossível, exaltando os humildes e derrubando os poderosos (cf. Lc 1,52). A salvação se encontra na pura graça de Deus que exige acolhida simples e generosa. O nascimento de Jesus, embora semelhante aos anteriores, se diferencia muito deles. Jesus é fruto do Espírito Santo e traz para a humanidade um novo início. Ele é um presente que vem do alto. Nele o ser humano reencontra o seu verdadeiro destino, por isso ele é o segundo Adão (cf. 1Cor 15,47). A origem de Jesus, segundo João, é o Pai. Ele é o Filho de Deus-Pai de um modo totalmente novo e inesperado. “E o Verbo se fez carne e veio morar no meio de nós. E contemplamos sua glória, a glória que recebe do Pai como Filho único, cheio de graça e de verdade” (Jo1,14).Ele é o dom mais preciso de Deus-Pai à humanidade.

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virgem para conceber Jesus? De fato, o nascimento de Jesus se dá num clima de mistério. E nenhuma pesquisa histórico-científica está em condições de dar uma resposta satisfatória. A virgindade de Maria é atestada por Lucas, onde ela afirma não conhecer homem algum (cf. Lc 1,3435). O verbo conhecer significa, aqui, ter relações sexuais. Maria diz que não as teve. Em Mateus (cf. Mt 1,18-25), Maria se encontra grávida antes de coabitar com José. A concepção se dá por obra do Espírito Santo (cf. Mt 1,20). A virgindade de Maria tem, no texto, um significado teológico, mas a Igreja sempre afirmou, além do significado teológico, a virgindade biológica de Maria. De fato, a grande Tradição da Igreja sempre afirmou a virgindade de Maria, acreditando que essa pertence à esfera do mistério de Deus. Até os reformadores Lutero e Calvino, tão críticos à Igreja, não puseram em questão a virgindade de Maria. Os mulçumanos a admitem, de acordo com seu livro sagrado, o Corão. A virgindade de Maria está claramente afirmada em todos os símbolos da Igreja primitiva; tais símbolos foram o modo mais original em que a Igreja expressou sua fé nos seus inícios. Os evangelistas Lucas e Mateus narram o nascimento de Jesus a partir do Antigo Testamento, mostrando que ele se insere no quadro da história da Aliança de Deus com

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Sempre houve objeções à concepção virginal de Jesus e foram sempre rejeitadas pela Igreja. Ora, por que os cristãos inventariam a concepção virginal de Maria se Jesus fosse realmente filho natural de José, o que seria perfeitamente compatível com a esperança judaica por um messias? Eles não afirmariam a virgindade de Maria se conhecessem um pai humano para Jesus. Não havia a expectativa por um messias nascido de um virgem, mas sim de um messias descendente de Davi, o que José garantirá a Jesus, como seu pai adotivo diante da lei (cf. Mt 1,25; 13,55; Lc 2,33.41.43.48; 4,22). A virgindade de Maria não significa, no entanto, negação da sexualidade humana. Não houve participação de um varão no nascimento de Jesus, mas o ser humano permanece presente na mulher que diz seu sim a Deus. O varão, sobretudo na cultura de Jesus, era símbolo do poder dominador agressivo que dirige a história. Como afirma o grande teólogo protestante Karl Barth: “Deus não escolheu o ser humano em seu orgulho e sua obstinação, mas em sua debilidade e humildade, representada pela mulher”. O próprio Deus originou a vida de Jesus em Maria, como um ato novo de criação dentro da história. Ela acolhe, em nossa humanidade presente nela, como puro dom, a

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graça de Deus que se encarna em seu Filho Jesus no poder do Espírito Santo. Ela aceita que se cumpra nela a Palavra do Senhor (cf. Lc 1,38). A virgindade de Maria, teológica e biológica, aponta, pois, para a pura ação de Deus nela. Graça significa a ação misericordiosa de Deus que o ser humano é chamado a acolher. A concepção virginal anuncia ao mundo uma graça total e inesperada que destrói todas as pretensões do mundo. Deus cria do nada e salva a partir dos meios mais humildes. Ele se lembra da humildade de sua serva (cf. Lc 1,47-48) e a escolhe para ser a mãe do Salvador. Maria nos convida a acolher a graça de Deus na estrutura fundamental do nosso ser, graça que nos chega pelo Espírito e nos configura a Cristo, Palavra viva do Pai. E o Pai, que gerou Jesus no seio virginal de Maria, o gera em nós para que, através de nossa vida, possamos expressá-lo no mundo pelo amor. A geração de Jesus em Maria no poder do Espírito Santo é a mais alta demonstração do amor de Deus à humanidade e a única forma que temos de gerar Jesus no mundo é assumindo uma vida em prol dos irmãos, pois assim viveu e morreu Jesus: em prol da salvação de todos. Pe. Paulo Sérgio Carrara, C.Ss.R. Belo Horizonte, MG

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Encontro com Jesus na Bíblia

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oi este o nome dado a uma série de quatro noites de reflexão em torno da Palavra de Deus, que aconteceu em Campos-RJ, de 1 a 4 de setembro. A grande afluência de público – fenômeno próprio dessa cidade quando se oferecem momentos de formação – fez lembrar a profecia de Amós 8,11: “Sobre a terra fome e sede mandarei, não de pão nem de água, mas de ouvir a palavra de Deus”. As apresentações do Pe. José Raimundo Vidigal, C.Ss.R. foram seguidas por mais de 200 pessoas, tendo cada uma recebido como texto-base um exemplar do Alma-

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naque de São Geraldo 2015, que trouxe 12 páginas intituladas “Momentos da História da Salvação – A Bíblia nos ensina a viver”. Foi muito importante constatar o valor que pode ter essa nossa publicação para despertar o interesse do povo por uma espiritualidade mais madura e também ler no rosto de cada um a alegria de sentir-se mais perto do Evangelho. Lembramos a célebre palavra de São Gregório Magno: “Com frequência, muitas coisas nas Escrituras que sozinho eu não conseguia compreender, as compreendi quando me encontrei no meio de meus irmãos.” A Bíblia é o livro da comunidade, escrito para ser lido em comunidade, em clima de oração. Pe. José Raimundo Vidigal, C.Ss.R. Campos dos Goytacazes, RJ

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Encontro de gerações

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odos os anos, a Província do Rio promove o encontro das três gerações de confrades: jovens, redensidade e terceira idade. Além de partilharem suas caminhadas, é uma oportunidade de estreitar os laços fraternos e missionários. De 14 a 17 de setembro, cerca de 15 padres e irmãos com mais de 10 anos de ordenação ou profissão religiosa participaram do encontro anual da redensidade, realizado em São Lourenço (MG). Além do momento fraterno de convivência, os Redentoristas tiveram momentos orantes e concelebraram uma missa.

Já entre os dias 21 e 24 de setembro, foi a vez dos confrades jovens se reunirem. O local escolhido foi a Fazenda do

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Açude Pesque & Paz, na cidade de Paraopeba (MG). O lugar foi propício para os Missionários Redentoristas desfrutarem de períodos de reflexão e lazer, cuja principal atração foi a pesca. O grupo encerrou o encontro com uma missa na capela dedicada a São Sebastião, localizada na própria fazenda.

Os confrades da terceira idade realizaram o seu encontro de 3 a 5 de agosto, na cidade mineira de Mário Campos, conforme o AKIKOLÁ noticiou na edição nº 286/set 2015. Brenda Melo Juiz de Fora, MG

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Encontro dos Provinciais do Brasil

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os dias 29 e 30 de setembro, os Provinciais e Vice-Provinciais do Brasil se reuniram na Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Brasília (DF), para debaterem sobre diversos temas. De acordo com o Provincial do Rio, padre Américo de Oliveira, C.Ss.R., foram dias intensos de trabalho e muita profundidade. Todos os superiores maiores estavam presentes na reunião, coordenada pelo padre Rogério Gomes, C.Ss.R., presidente da União dos Redentoristas do Brasil (URB). Vários assuntos foram trabalhados, como: o projeto missio-

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nário em Lisboa, a missão no Suriname, o processo formativo, jubileu do Perpétuo Socorro, Capítulo Geral, URB e o jubileu de Nossa Senhora Aparecida, além de outros temas de grande importância para a vida Redentorista. “Tivemos momentos de oração, celebrações eucarísticas e períodos de boa convivência e partilha. O encontro nos fortalece na missão de coordenar e animar as nossas unidades. Nós, superiores maiores, trabalhamos em equipe”, declarou padre Américo. Brenda Melo Juiz de Fora, MG

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Congresso Nacional de Lideranças da Jumire

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e 05 a 08 de novembro, será realizado o Congresso Nacional de Lideranças da Juventude Missionária Redentorista (Jumire), em Trindade (GO), nos espaços da Paróquia Divino Pai Eterno. A proposta do evento é oferecer momentos de formação e buscar maior integração entre os jovens Redentoristas brasileiros. Foram convidados os líderes jovens de cada unidade brasileira, os confrades que acompanham os trabalhos da Jumire em cada Província e Vice-Província, além dos membros da Comissão Nacional da Juventude Missionária Redentorista. A Província do Rio-

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-Minas-Espírito Santo levará nove representantes ao evento. O congresso será uma ótima oportunidade para a juventude trocar experiências e mergulhar de forma mais profunda na história da Congregação Redentorista, conhecendo melhor suas raízes, carisma e espiritualidade. Além disso, haverá momentos para debates e reflexões a respeito do perfil do jovem missionário redentorista em dias atuais. A programação engloba convenções, conferências, trabalhos em grupo, dinâmicas, noite cultural, missas e orações. Também está planejada uma visita às obras da nova basílica. A missa oficial de abertura será realizada na Igreja Matriz Divino Pai Eterno, no dia 06 de novembro, às 07h, com transmissão pela Rede Vida. O evento é promovido pela Comissão Nacional da Juventude Missionária Redentorista, com apoio da União dos Redentoristas do Brasil (URB) e da Jumire GO-MT-TO-DF. Brenda Melo Juiz de Fora, MG

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Aconteceu na Província

Grito dos pequenos excluídos O 2º Grito dos “pequenos” excluídos / Caminhada pela paz aconteceu nas ruas de Nova Rosa da Penha, em Cariacica (ES), no dia 04 de setembro. Com a força das crianças e adolescentes do Centro Nova Geração (CNG) e jovens do Movimento Popular Cidadãos do Mundo, a turma manifestou e marcou presença com muita animação.

Semana do Idoso na Obra Social Sagrada Família Com o tema “Sou idoso, sou feliz”, a Obra Social Sagrada Família, unidade social da Província do Rio localizada em Campos dos Goytacazes (RJ), promoveu a 4ª Semana do Idoso, de 21 a 25 de setembro. O evento foi realizado no salão Padre Gabriel, no Santuário de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, e contou com apresentações culturais, palestras, momento de oração, workshops, entre outras atividades.

Dia D’Cidadania No dia 12 de setembro, a Obra Social Padre Nilton Fagundes Hauck, em Juiz de Fora (MG), promoveu o II Dia D’ Cidadania. O evento ofereceu diversos serviços integrados e gratuitos nas áreas de saúde, educação, lazer e assistência social.

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Akikolá - Outubro/2015  

Informativo da Província Redentorista RJ-MG-ES

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