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Na Toada Viajeira Felipe Higino

(Taubaté - SP 2014) 1 edição


Na toada viajeira Felipe Higino


Todos os direitos reservados ao autor, sendo expressamente proibida a reprodução desta obra sem seu consentimento. Ilustração da Capa: Rebeca Catarina rebecacata@gmail.com Edição e projeto gráfico: Propeller Brasil Design Studio | www.propellerbrasil.com.br Impressão: Resolução Gráfica www.resolucaografica.com.br


Dedicatória Dedico este livro ao Deus vivo, a natureza, as pessoas simples do campo, as minhas famílias, Higino e Costa, em memória de meus avós Neves, Fernando e Virginia. A minha avó Maria, aos meus pais, minhas irmãs, que sempre me apoiam nas horas difíceis, aos meus padrinhos. As (Cidas) da cidade e da roça, a Natalia, aos amigos que ainda moram no peito, a Dra.Telma Amaral, Dr.Pedro Bargo, Teresa Cristina e a Silvia Móbille.


Agradecimento Agradeço a Deus por me ajudar para que minhas inspirações se transformem em versos, a Rebeca Catarina que ilustrou este livro de todo coração, e a “tia” Teresa Cristina por me ajudar até que este livro viesse a se tornar realidade.


Prefácio Esses Versos tem o perfume da flor de maracujá. Tem a cor da grama depois da chuva nas montanhas das” Pedrinhas”. Tem comida de roça, tem bala de coco, vaquinha Princesa e leite bem quentinho. E vó que embala, com sua alma mineira, quase divina. Singelos versos, esses, que brilham como sol no ribeirão. Tem, Gabrilha, da infância companheira. Tem poeta buscador de sua flor imaginária, fincada em versos, como a flor de todos nós. A flor de todo mundo está plantada nesses versos, pois, quem ousaria não ter uma FLOR? Felipe Higino, pardal e canarinho da terra, é o poeta menino desses versos. Como Jesus, ele salva nossa flor de ser despedaçada. Quem tiver a alma pura, compreenderá a ternura expressa em sua poesia, e dirá como ele: “ Se os olhos são da alma, um espelho, pude ver.” Parabéns, menino brejeiro, tocador de viola, apreciador das matas, sabedor da alma contida nos vales e rios... Quem ler esses poemas aprenderá o teu coração. Deus te abençoe!

Teresa Bendini Poetisa, e escritora de livros infantis.


Sumário Minha gente

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Nossas Raízes

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Joca

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Gabrilha, a Menina que Brilha

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Triste e pobre canarinho

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O Maior Poeta

23

O que será?

25

Amor doído

27

Flor Imaginária

29

Dona Maria

31

Viagem de Tropeiro

33

Agora tá na moda

36

Como flor

37

Brisa Leve

40

Fruto de Minas

41

O “Véio“ Sistemático

43

Pois digo

47

O Poeta, “amarrou o burro“

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Morena da pele clara

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Jabutina

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Minha gente Olhe os pássaros, Olhe as flores, As estrelas lá do céu, Essas flores que perfumam, Que colorem e dão o mel.

Os cavalos e as vacas, Que bonitos sobem o morro, E enfeitam um cenário, Que também tem os cachorros. Vejo galos e galinhas, Que ciscam lá na terra, Oh meu Deus como é lindo! Pra onde eu olho vejo a serra.

E as árvores, Tão bonitas, Fazem sombra na estrada, E ao pássaro formoso, Ela abriga e faz morada.

Esse é o meu lugar, Onde plantei minha semente. E aqui quero viver, Rodeado da minha gente.

Olhe o rio, Suas pedras, Olhe a água cristalina, Veja a calma, sinta a paz, Entre nele e viva mais.

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Nossas Raízes “Acordá” de madrugada, E a tropa encilhar, Vou sair de tropeada, Do meu “véio” taquará. A tropa enfileirada, Batida de casco no chão, E o céu azul celeste, Foi pintado por Deus a mão. Estamos indo pra Roseta, Coração do meu sertão... Bem no anoitecer, Nos perdemos no caminho, Um tropeiro bem velhinho, Nos guiou na encruzilhada. Então parei e pensei: Será ele? E dei risada. E chegando na Roseta, Desta família muito amada, Terra das nossas origens, Seja sempre abençoada. Aqui a natureza encanta, E o ar é bem mais leve, Acordei de manhãzinha, E molhei meu pé na neve, Mas que neve que nada! É geada! É bonito ouvir bem cedo o cantar da passarada.

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E a família daqui, É como “nóis”, de lá, Temos a mesma sintonia, Por a roça muito amar. Obrigado pelo carinho, E pela atenção. Logo menos voltaremos, Com amor no coração, “Muntados” no cavalo para honrar a tradição!

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Nossas RaĂ­zes

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Joca Joca, Joaquim Será que quando crescer, vai brincar de esconder? De pipa, ou pião? Vai viver com pé no chão? Andar à cavalo, ou não sei, talvez feliz, jogar um play! Joca, Joaquim Tem o nome do vovô... Desde cedo lutador , E traz luz com muita cor. E pela grama, vai correr,livre,solto e sem preocupação, No campinho vai jogar, bola com o irmão ... E contente vai nadar, lá no lago do Tonhão, E tirando um castelo, Vai brincar de tubarão! Joca,Joaquim Tem o nome do vovô.... Desde cedo lutador, E traz luz com muita cor. No curral bem cedinho, Da vaquinha Princesa, Um leite bem quentinho, Com pouco de Todinho, Ele vai tomar. E na boca, um bigodão bem bonito, Vai formar.... E vai lembrar do papai, que tá barrigudo e também tem um bigodão! E assim da mamãe e do seu amado irmão... E Deus abençoando essa família esse lar Todos juntos e felizes vão poder essa letra cantar Joca,Joaquim Seja bem vindo para mim .. Joca,Joquim ... Vem trazendo muita luz, Joca Joaquim..

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Joca

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Gabrilha, a Menina que Brilha Gabrilha tá indo embora, Vai brilhar num outro “lugá”. Gabrilha tá indo embora, E eu não posso mais esperar! Esperar pra fazer um poema, Uma moda ou uma canção, Pois Gabrilha é uma menina, Que toca meu coração! E esses simples versinhos, Que vou dedicar prá você, Espero que os guarde no peito, Se puder tente não esquecer. Gabrilha que na infância, Era minha companheira, Me lembro das gargalhadas, E que era bem bagunceira! Hoje é uma linda mulher, E nós somos muito amigos, Se dedicou e batalhou, E uma bolsa ela ganhou ! Tá indo pra London baby... Hey ho let’s go!! Mas é isso, prima amada. Não se esqueça de quem muito te ama. Não se esqueça da nossa serrinha, Da roça, E da sua cama! Da nossa família, os Costa. Da kirara. E de Guará

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E se por um acaso um dia, Quiser, De mim se “alembrá”, Olhe para uma árvore balançando, E sinta ela dançar. Ou um cão vira-lata na rua, Contente a andar, Um cavalo feliz lá no pasto, Livre e solto a correr. Se quiser olhar pro céu.... Priminha, Não tem problema. Também pode ser, Nas noites de lua, Lá estou eu. Olhando pra cima, Pensando na rima, Viajando...qual será minha sina? E é com paz no meu coração, Que dedico como irmão, Essas frases que digo então! Se tivermos uma dose de amor, coragem e um pouco mais, Conquistaremos a felicidade e por consequência a nossa Paz! E é isso que importa Gabrilha... Continue sempre a brilhar. Não pense em nada mais, Pois o resto, priminha... Pois o resto, o mundo nos traz!

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Triste e pobre canarinho Prefiro ser um pardal e viver “sorto”a voar, Do que ser um canário da terra, Na gaiolinha triste a cantar! O pardalzinho canta feio, E não “alembra” do sertão, Pobre canário canta bonito, Mas tem dor no coração!!! Canário que foi da terra, Hoje tá longe das “plantação”... Tá na gaiola, lá na cidade, Canta e “alembra” do sertão, “Alembra” do arroz, Do trigo, E de tudo que tanto gosta! Pardal que é da cidade, Fez morada lá na roça. Mora na cidade e no sertão, E tem paz no seu coração, Não é muito aplaudido, Seu cantar não agrada não! O pardal não estala o canto, Pía alegre e com emoção... Todos sabem, é mais bonito, O cantar de um canarinho! Se o canário vem da terra, Então soltem o pobrezinho! Abram as portas da gaiola, Deixe livre ele cantar... E o valente pardalzinho, Deixe o seu pío ele piar... E que ele tenha a liberdade, de onde quiser, poder morar ! Pois deve ser triste fazer um ninho, e tomar tiro de chumbinho! Ou morrer em uma gaiola, triste e pobre canarinho!

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Triste e pobre canarinho 22


O Maior Poeta O maior poeta, dentre todas poesias que fez, e faz Uma que muito me encanta é a natureza... Sua poesia tem vida e é amor, Ela se move, ela tem cheiro, ela tem cor! Essa poesia, a natureza, Encanta meus olhos. Com sua beleza. Vejo a grandeza de Deus, Sua criação. Os animais, seus rios e vales são meu coração! E o sopro do vento forte, Ou da brisa leve, É seu espírito que toca Em mim, dizendo assim: Bata as asas e Voe! Voe de verdade! Venha pros meus braços, De encontro a liberdade!

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O Maior Poeta

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O que será? O que será que esconde essas matas, cobertas com a neblina? O que será que esconde seu coração? Sei que nas matas moram os bichos, As flores, rios e pedras. Mas o seu coração? Não sei. Amores vividos? Desiludidos talvez? Será que minhas canções moram ai? Se Deus me permitisse, como um mateiro, Entraria em seu coração, Com um papel e uma caneta, Abriria picadas, E por ali mesmo ficava. Montaria acampamento, Bem ao lado da cisterna, Que jorra água cristalina, Mataria minha sede. Viveria pra sempre lá. Tendo chuva ou tendo sol, Frio ou calor, Levaria meus cachorros e cavalos, Pra montar guarda e cavalgar, Por que ele é muito grande é valioso, Eu sei. E de noite, sentiria sua pulsação, Me deixaria mais vivo, Com prazer em viver!

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Então deixe que a chuva, Da amizade, Do carinho e do amor, Fechem a clareira que foi deixada pela dor. Pois ela é como a mata, que um dia foi desmatada, E vai rebrotar com os anos, Meses, dias, semanas. E como a gente sabe é Deus quem manda chuva, Para isso acontecer. Mais aqui embaixo vou te contar. Pode crer... Que passa um tranqüilo e limpo ribeirão, E se tu quiseres é com calma e paixão, Que pego essa água, E levo devagarzinho ao seu coração!

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Amor doído... Amor doído, me segue por onde vou, Nem me pergunta quem sou ! Vai comigo pro mangueiro, Toca ‘’as vaca’’ e ‘’os carneiro’’ ! Gosta de roça que nem eu, Seu coração é meu , E meu coração é seu... É tão bom de sentir, Te abraçar e ver que está bem aqui... Amor doído, será que ouvi um latido ? Amor doído , um rabo a abanar, Amor doído, uma lambida ao pé do ouvido, Amor doído, é uma homenagem que faço pra ti, Minha amiga Cutia, pra esse amor de amigo, Pra esse amor doído, que dói de tanto que faz feliz...

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Amor doĂ­do...

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Flor Imaginária Flor imaginária... Você nasceu pra mim. Nunca vou te tirar do meu jardim. Será que te criei ou você existe? Aparece quando estou alegre, E quando estou triste! Perfuma e traz alegria, Pros meus sonhos minhas fantasias. Me traz paz e me traz, Euforia .... Flor imaginária será que nunca vai morrer? Acho que se isso acontecesse, iria doer. Queria que vivesse por toda eternidade, E tudo que sinto por você fosse verdade. Só não sei se algum dia eu vou te apanhar, Eu ao menos sei se posso te tocar... E o que pode acontecer, Só sei que com a força do meu pensamento, que você vai viver!!!

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Flor Imaginรกria

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Dona Maria Maria, Maria... Como o poeta dizia, Tem um certo dom, Uma certa magia. Maria, Mariinha. Vó Maria, Bisavó. Ao olhar nos seus olhos, Sinto amor, não me sinto só. Não me lembro, Mas me disse, Que quando eu era criança me embalou, E num sono bem gostoso, O seu braço me abrigou. Hoje não caibo em seus braços, Mas ela ainda me embala, Quando fala, Quando chora, Quando senta lá na sala. Amo olhar pra ela, E em sua face, vida ver. Vida que foi sofrida, Mas que é boa e divertida, Eu aprendo com você! Lembrar da infância, com a vó Maria, É sentir muito amor, É lembrar das balas de coco, Biscoitinhos e o sabor. O sabor da sua comida, Que sempre foi tão boa. Ela muito trabalhava, Sempre foi sua patroa.

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Quando vejo minha vó, Vejo uma pessoa doce, Correta e amorosa, Bonitinha, É como se fosse... Um pedaço de Maria, Que vive aqui na terra, Fortaleza e oração, Admiro muito ela. Vó Maria teve na vida, Um belo e grande amor. Começou lá nas Gerais, Com meu falecido “vô”. Foi tão linda está história, Muitos frutos ela gerou, E hoje é uma família... Onde os filhos já são “vôs”. Mariinha teve e tem suas raízes lá na roça, E depois de alguns anos, Descobriu que ainda gosta. Daquele lindo lugar, Que até o mais triste, Faz sonhar.... E que a “Senhora” viva muitos anos! Te Amamos!

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Viagem de Tropeiro Era um dia um véio peão estradeiro, Conhecido como Neves, o tropeiro, Preparou a tropa, Com suas mulas e burros, E a madrinha dos cargueiros, A Mantiqueira foi cruzar, Ele saiu de Minas Gerais, Com mercadoria e muito mais. E chegou em São Paulo, Na cidade de Guaratinguetá. Trazia muito mais que o milho, Trazia muito mais que o fubá, Trazia muito mais que o marmelo. O que ele trazia, será? Trazia no peito o sonho de os filhos poder criar. Sabia que era sua missão, E que a vida ia melhorar! E ele tinha muito orgulho, Da profissão de tropear. Trazia muito mais que o milho, Trazia muito mais que o fubá, Trazia muito mais que o marmelo. O que ele trazia, será? Trazia no peito o sonho de sempre poder batalhar. Sabia que era sua missão, E que a vida ia melhorar! E na batida do cincerro, Batia também seu coração, Quando via a tropa traiada, Surgia-lhe uma forte emoção. Vamos cruzar esse mato, E em Guará “nóis” vamos posar. Vender toda a mercadoria, E deixar os burros descansar.

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Trazia muito mais que o milho, Trazia muito mais que o fubá, Trazia muito mais que o marmelo. O que ele trazia, será? Trazia no peito a vontade, De as mula sempre tropear. Sabia que era sua missão, E que a vida ia melhorar! E o tempo foi se passando, A profissão teve de abandonar, Tendo toda a família formada, Os seus pés no chão foi fincar. Criou porco e gado, E da prole cuidou muito bem. Plantou o arroz e o fumo. E pra nós ensinou, também. Que devemos plantar e colher, E da terra tirar o saber. Aos animais sempre amar, E os amigos também ajudar. Aqui fica uma lembrança, Para o seu Neves, O nosso avô, E pra todos que tropearam, No Brasil com muito ardor. E eu creio que seja o legado, Pra quem nesse mundo já tropeou, Além de ter muita coragem, Tratar os animais com amor! Ser sempre um bom companheiro, E crer no Pai, o Criador! Trazia muito mais que o milho, Trazia muito mais que o fubá, Trazia muito mais que o marmelo. O que ele trazia, será? Trazia no peito o sonho, De ser amado e muito amar. Sabia que era sua missão, E que a vida ia melhorar!

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Viagem de Tropeiro

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Agora tá na moda Agora tá na moda, Jogar criança no lixo. Agora tá na moda, Fazer contrabando de bicho. Viver no desamor, Alimentando o ódio e o rancor. Num mundo de falsidade, Onde se falta com a verdade. Agora tá na moda, Fazer tráfico e usar droga. Agora tá na moda, Matar criança na escola. Virou moda também, Fazer velhinho refém, Tráfico de animais. Querem dinheiro e Nada mais. Agora tá na moda, Vender o Deus do impossível, Fazer o que se faz! Querem dinheiro e nada mais... Queria te levar, Felicidade, E alegria, aonde existe dor. E nem que seja por um segundo, Um pouquinho de amor. Talvez você sonhe com um mundo mais pacífico. Pare, olhe e veja. Ele está dentro de você. Está no seu coração, se chama paz, se chama amor, se chama gratidão. E ainda bem que tá na moda também, Buscar a paz, viver o amor e fazer o bem!

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Como flor Cheguei na Saint Germain... Quatro moças encontrei! Seja bem vindo, Felipe. Uma coisa engraçada pensei: Oh! Meu Deus! Que mulheres bonitas! Da natureza logo lembrei, Essas quatro parecem com flores. Quais seriam essas flores? Já sei! Foi então que me veio a mente, A flor do maracujá. E lá bem do meio do mato, A flor branca de um cambará! Azaléia, Enfeita o jardim, Rosa branca, Elegância sem fim. A primeira que vi, foi Zenaide, Pois confesso, E sem vaidade, Se parece com a flor do “quintá”, A flor roxa de um maracujá! Ela enfeita o pé de limão, Deixa doce o meu coração, Seu perfume me faz soluçar. Eu soluço de tanto chorar. Ao cheirá-la senti emoção, E então? Ficou doce o meu coração.... E sentado na pedra esperei... Dra Telma e tranquilo fiquei. Quem ela parece será? Eu já sei. É a flor do cambará.

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Perfuma, E gosta do campo. Então digo sem nenhum espanto: O seu mel é doce também. Um pouquinho... E você fica zen. E a Flavia? Qual delas vai ser? Isso e fácil, Vou falar pro “cê”. É a azeléia! Só podia de ser. O seu rosa é bonito de ver. Essa flor, Tem muita beleza, Ja enfeitou, As mais belas duquesas. E agora enfeita assim, Das casa, O mais lindo jardim. Para Tê, a última ficou. Rosa branca, E o poeta falou. Que esta, é bela sim. Elegância carrega sem fim. Representa o mais puro amor. Desde o pobre até o mais fino doutor. E agora, tá “bão” vou parar. Eu nao quero mais me “arriscá”. Elas tem uns marido “brabo”! Não tô afim de uns “tapa” levar. Fica aqui esta homenagem, Com carinho, E com muito valor... De um caipira, Que muito se inspira, Na amizade, na natureza e no amor!

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Como flor

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Brisa leve Brisa leve... Brisa divina. Brisa leve... Me diz que o amor não alucina! Diz que é um corte na mão que sangra, e arde. Um pastor branco, Que procura a sombra. Espera o dono e não faz alarde. Camufla-se no verde, E em tudo que é belo. Me diz ela também ... É um contato amigo, Mas tem o perigo, Pode se machucar. Está na flor do campo, Quando um inseto bonito, Vai a ela beijar. Brisa leve, Vem e refresca o sol de outono... Voa pra longe. E leva pra ela, O que o meu peito não esconde. Voa brisa leve, Voa... E fala pra ela, Que a canção que me entoa... É o amor!

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Fruto de Minas No peito um simples coração, Vindo de Minas, Do sertão... Nobre e belo coração, Vestida de princesa, E com o pé no chão. Cabelos que alumiam, Como o mel da laranjeira. Lábios tão viçosos, quanto os frutos da cerejeira! Olhos que brilham como o sol no ribeirão, ou que também posso dizer, Como estrelas na imensidão. Mergulhados em um azul, Que não sei bem explicar, Não é céu, Não é mar! Sei que é lindo de olhar.... Sorriso meigo e doce, como mel de jataí! Um rosto delicado, Foi esculpido a mão! Na nuvem do céu, Ou quem sabe no algodão! Movida por um espírito, Que muito me seduz, E acho não estou enganado, Só pode ter muita luz!

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Fruto de Minas


O “Véio” Sistemático Hoje soube da história de um antepassado, Um véio sistemático, Por todos respeitado. Nesta vida sofrida, O que ele mais estimava. Era uma mula preta, E a viola que ponteava! Um dia pra uma viajem, Que saiu com a mula preta, Foi com a viola nas costas, Ele foi para Roseta! Estava bem garboso, E a mula toda traiada. Peitoral de argolinha, E de alpaca a cabeçada! O véio saiu de SP, E foi pra terra das Gerais. Foi atrás do seu passado, Das origens e muito mais. Quando chegou na Roseta, O bairro do seu avô, Lá embaixo de uma árvore, Uma música Deus mandou. Mal chegou se despediu, do povo, E apressado, Pegou a viola e a mula, E cortou pro outro estado. Ao regressar então, Pra sua terra natal, Disse pra sua esposa, Hoje vou pra capital.

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Vou gravar a minha música, E eu vou com a mula preta, Uma moda bem “jeitada” que eu fiz lá na Roseta! Mas meu bem, pare com isso. Vai montado nesse burro? Pois pegue um avião. É muito mais fácil, mais seguro. Senão vão ficar pensando, Que você que é o burro! A esposa, ele não ouviu. E por ser bem sistemático! “Muntou “em sua mula, E chegou lá na cidade... A capital do seu estado..., Viu embaixo de um prédio, Foi um carro estacionado... “Aí...num deixo minha mula”. Então veio como um estalo! Vou prender ela no poste. Isso não pode ser errado! Subiu para o estúdio, E com a viola envenenada. Bem com calma, E devagar, A moda foi bem gravada. E disseram para ele, Que a canção era sucesso, E tranqüilo pra sua terra, Ele fez o seu regresso. Dias se passaram, E ele tava na sua casinha, Deitado lá na rede, Ouvindo suas” modinha”!

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Foi então quando ouviu, E ele não acreditou, Era a sua música! Foi a fama que chegou! Chamaram o violeiro, Pra “toca” em todos “lugá”! Ele foi muito afamado, Do Rio Grande a Cuiabá! Mais de todos os lugares, O qual ele mais gostou, Foi quando com a mula preta, Lá na terra do seu avô!! Cantou a sua moda e o povo admirou... Eu tenho uma mula preta com sete “parmo” de “artura” !

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O “véio” Sistemático

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Pois digo... Pois digo, que gosta da natureza, Descobriu nela sua beleza. Pois digo, que gosta da lua, E do sol, E como os poetas, O cantar do rouxinol. Pois digo, que gosta das margaridas... E em sua face, Não vejo nada além de vida! Pois digo, E não preciso dizer, Que muito ama os cavalos... E é com amor fraterno que tem o prazer em ajudá-los... Sente a brisa, O vento, A ventania, Gosta de ver quando a lua cheia, transforma a noite em um lindo dia! As vezes, procura as estrelas no céu de São Paulo, Vez em quando, acha, Vez em quando, não... Mas lembra que estão guardadas na sua mente, No seu coração, Então ela para, Olha, E sente... Ela gosta do mar, Das matas, E do céu azul, Da calma, Por eles refletirem sua alma!

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E estampado nos seus olhos, Vejo o espelho da natureza, Não só por sua cor, Mais também pela pureza. E se os olhos são da alma, Um espelho pude ver! Que é isso minha florzinha, o que mora em você!

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O Poeta, “amarrou o burro” O poeta amarrou o burro, Cansou de ir de flor em flor, O poeta amarrou o burro! Pois encontrou um belo amor... O poeta amarrou o burro! Tá embaixo da amoreira... Sentado a sua sombra, E olhando pra uma roseira... E pensando ali estava... Quando a roseira ele olhava... O poeta amarrou seu burro, Está debaixo do pé de amora! E quando o fruto ele pegou, Uma criança contente, Veio a ele sorridente e perguntou: O senhor gosta de amora? Gosto! Por quê? A criança não respondeu, E com um ar de graça saiu para brincar...

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O poeta que “amarrou o burro”

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Morena da pele clara Morena da pele clara, Do sorriso estonteante, Seu olhar é encantador, E é meiga e cativante... Através destas palavras, Eu queria te levar, Pra conhecer o meu mundo, Não se acanhe, Vem pra cá! Tire o tênis, Tire a meia, Segure na minha mão! Voaremos nessa hora, Mas com os pés bem lá no chão! Sinta a terra, Sinta a grama, Respire bem profundo! O ar é puro, A brisa é leve, E o rio não é fundo... As galinhas e sua prole, No terreiro a ciscar, Repare de manhãzinha quando o galo começa cantar! Os cachorros correndo na grama, Com o rabo a abanar, Amizade de cão e gato, Aqui você vai achar! E a tropa, Os cavalos... No pasto tranqüilos a pastar. Sei que gosta de cavalo... Então um convite eu lhe faço! “Munte” na minha garupa, Que iremos até o espaço!”

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Jabutina Dizem que o Jeca Tatu só andava de pé no chão, Que ele morava em uma tapera, Na Roseta, nos confins do sertão. Diziam também as más línguas, Que ele tinha Amarelão. Andava desanimado, Era intriga da oposição. Sentava na beira da porta, E pitava o seu “paieirão”. Apoiava o queixo no braço, E ficava bem tranquilão! Quando a fome lhe apertava, Ele ia no lago “pescá”, E pescava umas truta graúda, Do Tião, o vizinho de lá. Esse Jeca, o que mais gostava, Era andar descalço e sentir, Sentir toda a natureza, E a beleza que tinha ali! Mas um dia chegou sua tia, E contente uma botina lhe deu, Era um belo “carçado”, Que comprou lá no seu Amadeu. O Jecão achou engraçado, E ficou meio encabulado, Pra que, que serve isso ai, Inté parece um jabuti! Oh! Tatu, Pois pode calçá, E as coisa vai “miorá”!

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E o Jeca calçou a botina, E pro mato saiu a andar, Ficou um pouquinho tristonho, Num tava mais “bão” de “andá”. A vida do Jeca mudou, Tava tudo bem diferente, E o pobre coitado não tinha, Mais motivo pra ficar contente. Foi então que um dia pensou: Vo tirar esse “trem” apertado, “Andá” com os pé no chão, E viver muito “mai” “libertado”! E assim ele fez e tirou! E num suspiro de liberdade, Ficou com os pé mais folgado. E viveu muito mais à vontade ..

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Jabutina

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Taubaté - SP 2014 - 1ª Edição


Na toada viajeira Felipe Higino

“Esses Versos tem o perfume da flor de maracujá. Tem a cor da grama depois da chuva nas montanhas das” Pedrinhas”. Tem comida de roça, tem bala de coco, vaquinha Princesa e leite bem quentinho. E vó que embala, com sua alma mineira, quase divina. Singelos versos, esses, que brilham como sol no ribeirão. Tem, Gabrilha, da infância companheira. Tem poeta buscador de sua flor imaginária, fincada em versos, como a flor de todos nós. A flor de todo mundo está plantada nesses versos, pois, quem ousaria não ter uma FLOR? Felipe Higino, pardal e canarinho da terra, é o poeta menino desses versos. Como Jesus, ele salva nossa flor de ser despedaçada. Quem tiver a alma pura, compreenderá a ternura expressa em sua poesia, e dirá como ele: “Se os olhos são da alma, um espelho, pude ver.” Parabéns, menino brejeiro, tocador de viola, apreciador das matas, sabedor da alma contida nos vales e rios... Quem ler esses poemas aprenderá o teu coração. Deus te abençoe!” Teresa Bendini Poetisa, e escritora de livros infantis.

“Felipe, este nome vem com a força de um domador de cavalos, este é o meu filho “forte”, que apesar das adversidades da vida, a poesia mais singela e pura brota de seu coração. Que As Luzes Divinas te ilumine e te abençoe sempre! Meu filho amado.” Margareth M. da Costa Higino

“Poetas sempre nos levam para caminhos e sentimentos que estão escondidos no nosso inconsciente. Com o Felipe não foi diferente. Lendo seus pensamentos, suas memórias, seus anseios, fui até seu sítio, nas Pedrinhas, e encontrei com os meus. Viajei no tempo e agucei minha vontade de estar no campo, de viver a natureza e sentir com cada palavra o caminho de desenhar suas poesias e fantasiá-las a minha maneira. De coração.” Rebeca Catarina - Ilustradora

Na Toada Viajeira - Felipe Higino  

Na Toada Viajeira - Felipe Higino Diagramação e Projeto gráfico Propeller Brasil design Studio www.propellerbrasil.com.br

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