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REVISTA No 2 - SET/2017

ISSN: 2526-4354


ÍNDICE

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Editorial ...................................................................................................................... Projeto Verde Cidadão ........................................................................................... O Mercado do Porto do Sal - Elisa Arruda.....................................................

Centro Histórico Ladeira Abaixo - Flávio Nassar ........................................... Maquete Belém .......................................................................................................... A Gestão Cultural de Belém...................................................................................

O incêndio do Mabe.................................................................................................. PAC das Cidades Históricas ................................................................................

IPHAN sem recursos...............................................................................................

Grêmio 150 anos ...................................................................................................... Grêmio - Biblioteca de raridades - Entrevista com Jorge Pina .............

Grêmio - Ensaio Fotográfico - Janduari Simões........................................... Cineclubismo no Grêmio - Marco Antônio Moreira ................................. Galerias 18ª Edição - Irene Almeida e Marcelo Lélis ................................


POLÍTICAS PÚBLICAS E DIREITO À CIDADE

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com prazer que, ao apresentar a vocês mais um número da Revista Circular, anunciamos que a partir de agora, contamos com um Conselho Editorial formado por três profissionais e estudiosos comprometidos e apaixonados como nós, pelo centro histórico de Belém. Fizemos o convite e eles aceitaram o desafio.

A arquiteta Maria Dorotéa de Lima, que já esteve à frente do IPHAN, coordenando ações de salvaguarda do patrimônio arquitetônico, histórico e cultural paraense; o fotógrafo e editor de imagens Alberto Bitar e a jornalista e professora da Faculdade de Comunicação Social da UFPA, Regina Alves, serão colaboradores fundamentais para a construção de conteúdos aprimorados e comprometidos com as questões que incidem na área de atuação do Circular Campina Cidade Velha. Nesta edição, trazemos entrevistas e reportagens que investigam as políticas públicas e ações da sociedade civil, que têm gerado benefícios ou estão em falta nos bairros da Campina e Cidade Velha. Queremos assim, abrir o debate em torno do patrimônio e outras iniciativas que somem com nossa principal missão, o incentivo à revitalização dos bairros históricos. Destacamos o projeto Verde Cidadão, coordenado pelo agrônomo paulista radicado em Belém, Daniel Oliveira. O projeto se conectou ao Circular e iniciou suas ações pelo bairro da Campina, reunindo moradores em torno de oficina de plantio de plantas comestíveis e rodas de conversas sobre a importância das áreas verdes nos espaços urbanos. No artigo da Designer de Produtos Elisa Arruda, redescobrimos a história e a importância do Mercado do Porto do Sal, que vem sendo revitalizado, do ponto de vista artístico e humano, pela ação do Aparelho, coletivo de artistas que o ocupam com ações junto à comunidade e já foi assunto por aqui. As reflexões da pesquisadora fazem parte da coleta de informações para a Dissertação de Mestrado intitulada “Porto do Sal, um espaço híbrido entre Belém e a paisagem insular Amazônica”, que será defendida em outubro na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP). Flávio Nassar, coordenador do Fórum Landi, colabora nesta edição, com texto sobre a situação atual e crítica do centro histórico. O arquiteto e professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFPA (FAU), também apresenta o projeto Maquete de Belém, que reproduz em miniatura o legado arquitetônico desses bairros, um trabalho do Fórum Landi e UFPA realizado em parceria com o escritório de arquitetura Estúdio Tupy (SP).

Entrevistamos Eva Franco, presidente da Fundação Cultural de Belém, órgão que responde pela política cultural do município e gestão de espaços públicos históricos, como o Museu de Arte de Belém, o Mabe, que no início deste ano teve documentos danificados e paredes chamuscadas. Fomos até lá. As galerias Theodoro Braga e Antonieta Santos Feio estão abertas à visitação, exibindo obras de um precioso acervo, que felizmente não foram atingidas pelo fogo, mas no segundo andar, o Salão Verde, principal espaço de exposição histórica da instituição, não conseguimos entrar. Está fechado e interditado desde março. Nesta visita, constatamos que toda a parte física do prédio, que também é sede da prefeitura, está precisando urgentemente de atenção do poder público. A situação dos prédios públicos e históricos, além de praças, que visivelmente precisam de intervenção pública de revitalização, são temas da reportagem sobre os recursos do Programa de Aceleração das Cidades Históricas (PAC), anunciados em 2014. Os valores estão defasados. Sobre o assunto, conversamos com Paula Caluff Rodrigues, que coordena o programa, na Secretaria Municipal de Urbanismo (SEURB), e com o Superintendente do IPHAN, em exercício, Cyro Lins. Nesta edição, ainda, homenageamos o Grêmio Literário e Recreativo Português, que está completa 150 anos. Na sessão de entrevista, Jorge Pina, um dos diretores da instituição, nos fala de uma biblioteca que guarda 40 mil livros, entre obras raras e publicações portuguesas e brasileiras. Fizemos um passeio pelo prédio que a abriga, datado de 1906, situado no centro comercial da cidade, resultando no ensaio fotográfico, que traz o olhar especialíssimo de Janduari Simões. Nosso convidado também, Marco Antônio Moreira, da Associação de Críticos de Cinema do Pará (ACCPA), escreve sobre o movimento cineclubista em Belém, a partir do Grêmio Literário Português. Na Galeria da Revista, fechando esta edição, apreciem as imagens registradas durante as circulações de domingo, pelos fotógrafos Irene Almeida e Marcelo Lélis. n

Luciana Medeiros Entre em contato: circular.comunica@gmail.com

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PROJETO CIRCULAR

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INICIATIVA

BELÉM EU TE QUERO VERDE! O VERDE CIDADÃO JÁ TEM DUAS AÇÕES REALIZADAS NA PRAÇA DA IGREJA DO ROSÁRIO E PRETENDE SE ESPALHAR POR OUTRAS PRAÇAS E BAIRROS DA CIDADE, EM BREVE. BATEMOS UM PAPO O ENGENHEIRO AGRÔNOMO DANIEL OLIVEIRA, IDEALIZADOR DO PROJETO

O

projeto Verde Cidadão surge com objetivo de construir um dia a dia mais saudável, além de fortalecer a relação entre as pessoas por meio do verde, melhorando o dia a dia de cada um e promovendo melhor qualidade de vida nas áreas urbanas.

As ações são realizadas de forma colaborativa, em mutirões, palestras e oficinas em busca de revitalizar espaços públicos, disseminar conhecimentos e práticas de cultivo de hortaliças, ervas medicinais, aromáticas e PANC (Plantas Alimentícias Não Convencionais), em ambientes domésticos e espaços ociosos da cidade. O projeto já realizou dois mutirões na pracinha da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, na Rua Padre Prudêncio 291, no bairro da Campina. Tudo começa com um café da manhã colaborativo, onde as pessoas já começam a interagir. Em seguida, Daniel convida a todos para uma roda de conversa. Questões relevantes sobre os bairros são levantados. Logo se identifica as necessidades de melhoria. Segurança, iluminação, limpeza, saneamento. O projeto segue com uma oficina de plantio, reaproveitando recipientes e conhecendo plantas, finalizando com um mutirão de limpeza da praça. Toda a programação é gratuita e aberta à participação de todos, sem necessidade de inscrição prévia.

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PROJETO CIRCULAR

Daniel é Engenheiro Agrônomo formado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), com especialização em Sustentabilidade e responsabilidade corporativa pela Unicamp, atualmente mestrando em Etnobotância, pela Unesp. Mora em Belém há um ano, rapidamente aprendeu amar a cidade, a cultura e as pessoas, quer contribuir para tornar a cidade mais verde, com mais qualidade de vida e com espaços urbanos ocupados pelas pessoas. REVISTA CIRCULAR: O que é o Verde Cidadão? DANIEL OLIVEIRA: Verde Cidadão é o nome

de um projeto que tem por objetivo trabalhar com pessoas e espaços de cultivo de plantas na cidade. A ideia é ter projetos simultâneos, praças, hortas comunitárias, oficinas, etc. Fazer parcerias com associações de bairros, identificar demandas e oportunidades, participação em eventos maiores, demanda de parceiros financiadores são formas que vejo como potencializadoras de ações. Porque a escolha de iniciar pela praça do rosário? DANIEL OLIVEIRA: Antes de qualquer coisa, é uma praça linda, cheia de história, em um local carente por ações desta natureza. E também é um desafio grande, contexto perfeito para fazer um projeto em conjunto. A praça do rosário também foi escolhida por já existir um trabalho da Associação dos Moradores e Comerciantes da Campina no local, por terem apresentado uma demanda pra mim e por termos nos conectado através da idealizadora do projeto Circular, a Makiko Akao, acho que tudo conspirou para unirmos forças e iniciar esta empreitada. REVISTA CIRCULAR:

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REVISTA CIRCULAR: Há outras praças como a do Carmo e das Mercês, que também merecem mutirão, isso vai expandir pelo centro histórico? DANIEL OLIVEIRA: A ideia é fazer outras ações e expandir o projeto, mas estou iniciando agora, quero dar um passo de cada vez. Esse tipo de ação deve ser construída com os atores locais, feita com cuidado e respeitando os tempos necessários. Mais do que fazer muitas ações, quero fazer projetos relevantes, que contribuam para transformações reais, mobilizem as pessoas e instituições para que se mantenham ao longo do tempo. Vamos nos emprenhar na praça do rosário começar a pensar em novas ações.


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REVISTA CIRCULAR:

Circular?

Como foi que você conheceu o

Essa é uma história dessas bem bonitas, de encontros entre pessoas que acreditam e fazem ações em comum, independente da formação e origem. Vim de São Paulo para morar em Belém há um ano atrás, por intermédios de amigos conheci a Camila Honda (cantora), que me apresentou o circular e a Makiko. Apresentei meu projeto pra ela e fizemos uma ação com a Fotoativa, no final do ano passado, na sequencia fui apresentado a associação de moradores e estamos trabalhando para dar continuidade no projeto e na nova ação na campina. É um encontro que mostra a importância da rede e de trabalharmos de forma conjunta, só assim as coisas acontecem, com e para as pessoas... n DANIEL OLIVEIRA:

Verde Cidadão é o nome de um projeto que tem por objetivo trabalhar com pessoas e espaços de cultivo de plantas na cidade. A ideia é ter projetos simultâneos, praças, hortas comunitárias, oficinas, etc.” — Daniel Oliveira 7


PROJETO CIRCULAR

PORTO

O MERCADO E O PORTO SAL ESTILO ARQUITETÔNICO DE INFLUÊNCIA MOURA, RESQUÍCIO DA INFLUÊNCIA CONSTRUTIVA PORTUGUESA, ATÍPICA NA ARQUITETURA DA CIDADE. O TEXTO A SEGUIR FAZ PARTE DAS REFLEXÕES OCASIONADAS PELO DESENVOLVIMENTO DE PESQUISA DE MESTRADO REALIZADA POR ELISA ARRUDA, NA FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (FAUUSP), INTITULADA: PORTO DO SAL, UM ESPAÇO HÍBRIDO ENTRE BELÉM E A PAISAGEM INSULAR AMAZÔNICA

Por ELISA ARRUDA*

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mercado do Porto do Sal data de 1933, originalmente nomeado de “Mercado do Guamá”. Quando fundado, fazia o intermédio entre a cidade e as ilhas para entrada de iguarias ribeirinhas e distribuição para Belém, que por sua vez distribuía através do Ver-o-Peso para as cidades em redor e o restante do país. Com o fim do monopólio fluvial e a infeliz consolidação do meio rodoviário como sistema oficial de transporte no estado do Pará e Amazônia, o Porto do Sal como tantos outros foram abatidos pela crise. O fluxo diminuiu muito e esses portos passaram a resistir por conta própria e pequenos negócios, um modo independente de resistir à defasagem econômica. O que acontece é que toda uma rede de pessoas (pescadores, carregadores, produtores) fez sua vida ali e de geração em geração preservam o andamento do Porto em paralelo ao poder do Estado, de modo independente, com auxílios mínimos (quando há). No entanto, esse saber,

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modo de viver precisa ser apoiado para que não se esvaia com o tempo. O Mercado do Porto do Sal possui estilo arquitetônico de influência Moura, aquela que provém dos povos oriundos no norte da África, árabes e outros próximos. Esse estilo chegou ao mercado como resquício da influência construtiva portuguesa que por sua vez sofreu influência desses povos (Mouros). As características estilísticas são notáveis por serem atípicas na arquitetura da cidade, o que torna o Mercado uma relíquia dessa herança importada da arquitetura colonial, isto é, o Mercado do Porto do Sal é um ponto estilístico Mouro herdado desse processo de colonização, um exemplar raro na nossa região. Além disso, o Mercado foi construído em concreto armado, um modo inovador para o período, o que mostra sua importância no contexto econômico para tal. Apenas uma década depois o concreto armado se fidelizou em uso frequente na cidade.

Para mim, o mercado é riquíssimo por ser um ponto de coesão social que traz em si marcas de nosso tempo, nossa história. Mais importante que apenas uma rica estrutura arquitetônica e patrimonial, o Mercado é um marco da convivência entre o que vem de fora, o progresso de fora, e nosso povo amazônico, ribeirinho, que não poderia ser de outra forma tão presente. O progresso chega, mas é subvertido pelo contexto ribeirinho. Hoje, todo o aparato estatal de incentivo se foi, no entanto, as raízes ribeirinhas prevalecem e mantém o Mercado do Porto do Sal e toda a zona do Porto atuando, existindo. Os portos atuantes (Palmeiraço, Brilhante e Vasconcelos) seguem atuando e movimentando a área. n

*Elisa Arruda Design de produtos, pós-graduação em projetos de eco mobiliário no Cosmob (Pesaro-Urbino, Italia) e mestrado em Arquitetura e Urbanismo (FAUUSP).


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INFRAESTRUTURA

CENTRO HISTÓRICO DE BELÉM LADEIRA ABAIXO

Temos que, assim como um punk, no feio e do feio tirar a ‘beleza’ possível. Esta é a única forma de viver bem em Belém”.

Por FLÁVIO NASSAR*

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que se pode fazer para recuperar o Centro Histórico de Belém? Que políticas públicas poderiam ser implementadas no Centro Histórico para estimular novas funções? O Centro Histórico de Belém tem salvação?

Tenho refletido sobre estas questões há anos e nunca estive tão descrente como agora. Belém vem descendo ladeira abaixo desde os anos 1970. De lá para cá, os problemas se agravaram não só em relação ao patrimônio, mas também à economia, infraestrutura social, transporte coletivo e habitação. O maior indicador dessa decadência foi o fato de Belém não ter sediado jogos da Copa do Mundo. Belém, que sempre figurou entre as mais importantes capitais brasileiras, ficou de fora por não ter novos sistemas urbanos que pudessem dar suporte a essas atividades. E pensar que a infraestrutura urbana de Belém foi, no início do século 20, uma das melhores do Brasil. As cidades escolhidas, além de estarem melhor estruturadas e melhor posicionadas estrategicamente, receberam grandes investimentos em obras urbanas. Perdemos ali a última grande chance de encarar esses grandes desafios. Não vejo, no horizonte próximo, nova oportunidade de grandes investimentos, pois só uma recuperação excepcional da economia nacional poderia suportar tais investimentos.

Como os investimentos nessas áreas deprimidas da cidade são feitos pelo governo federal e como Belém perdeu o protagonismo regional, fica difícil imaginar, a médio ou longo prazo o aporte de recurso para fazer pelo menos obras básicas necessárias. Ainda que recurso houvesse, não acreditaria na capacidade do poder público municipal ou estadual de levar em frente essas iniciativas, de forma a atender os mínimos princípios de coerência, com diretrizes preconizadas pelos organismos internacionais para estas intervenções. Sendo assim é quase melhor deixar como está do que causar mais desmantelamento. Um dia, esperemos, que ainda antes do Juízo Final, possamos reabilitar o Centro Histórico de Belém. Enquanto este dia não chega, o que fazer, nós que amamos tanto esses escombros? Como já disse, não acredito em iniciativas do poder público, sendo assim, o que resta é estimular ações que nasçam e se desenvolvam no âmbito da sociedade civil. O Centro de Belém, no que pese ausência de infraestrutura, esbanja vitalidade cultural. E é nisso que devemos concentrar nossa atenção. Iniciativas como o Circular, o Fórum Landi, a Casa Velha, o Atelier do Porto e os Roteiros Geo Turísticos precisam ser apoiadas e novas iniciativas estimuladas. Outro grande desafio a vencer é estabelecer uma estética possível para nossa condição de

urbe-suburbana-periférica, ou seja, perder a ilusão de que um dia nossas cidades serão como as europeias, limpas, arrumadas, estruturadas. Temos que, assim como um punk, no feio e do feio tirar a “beleza” possível. Esta é a única forma de viver bem em Belém. n

“Transo lixo Curto porcaria Tenho dó Da esperança vã Da minha tia Da vovó Esgotados Os poderes da ciência Esgotada Toda a nossa paciência Eis que esta cidade É um esgoto só...” (Gilberto Gil)

*Flávio Nassar Arquiteto, Professor da FAU-UFPA, Coordenador do Fórum Landi

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MAQUETE

UMA OBRA PARA NÃO ESQUECER 2.800 EDIFICAÇÕES PROTEGIDAS. PALACETES, PALÁCIOS, E SOBRADOS CONJUGADOS COM CASAS COMERCIAIS NO TÉRREO. É POSSÍVEL PERCEBER MELHOR ESTE CONJUNTO ARQUITETÔNICO, NA “MAQUETE DE BELÉM”, UMA REPRESENTAÇÃO EM MINIATURA DO CENTRO HISTÓRICO DE BELÉM

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ombado em 2012, o conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico dos bairros da Cidade Velha e Campina ganha miniatura construída por arquitetos, professores e alunos de arquitetura de Belém. Enquanto na real, o centro histórico “desce ladeira abaixo”, como disse Flávio Nassar, um projeto surge para não deixar que essa memória se apague. A “Maquete de Belém” é uma representação fiel do centro histórico de Belém, que reúne 2.800 edificações protegidas. Palacetes, palácios e sobrados conjugados com casas comerciais no térreo, típicas da cultura portuguesa. Na miniatura é possível perceber melhor este conjunto arquitetônico. Flávio Nassar conta que o projeto foi lançado em 2016, como homenagem aos 400 anos da cidade. “Em escala 1:250, ocupa uma plataforma com 35m2, na sede do Fórum Landi - UFPA, trazendo, em miniatura, importantes monumentos e ruas que datam, principalmente, do século 18, resultando em um resgate da memória e preservação histórica da cidade”, diz. O projeto envolve aproximadamente 40 pessoas e vem sendo desenvolvido pelo Fórum Landi e UFPA, em parceria com o escritório de arquitetura Estúdio Tupy (SP), do arquiteto paraense Aldo Urbinati. Concebida para ser um organismo vivo, capaz de se adaptar às mudan-

ças e transformações pelas quais a cidade vem passando desde sua fundação. Interativa, a obra possibilita perceber tanto a nova paisagem que surge no centro histórico com a perda de alguns casarios e surgimento de empreendimentos, ou viajar no tempo, trazendo de volta o que não existe mais, brincando de mexer as peças de um tabuleiro, que por sua vez, se torna uma espécie de plataforma do tempo. A maquete está em execução, mas o público já pode conferir o trabalho em algumas ocasiões, como ocorreu na 18ª edição do Circular Campina Cidade Velha, no início de agosto, ou fazer um agendamento. n

Para visitação à Maquete de Belém, entre em contato com o Fórum Landi - Rua Sequeira Mendes, 60, Largo do Carmo - Cidade Velha. Tel.: 55 (91) 3224- 5929.

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POLÍTICA

A GESTÃO CULTURAL DE BELÉM NO INÍCIO DESTE ANO, A ADVOGADA EVANILDE GOMES FRANCO, 51, ASSUMIU A TAREFA DE COMANDAR A FUNDAÇÃO CULTURAL DO MUNICÍPIO DE BELÉM, A FUMBEL

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solenidade de posse da atual presidente foi realizada no dia 3 de fevereiro, no Palácio Antônio Lemos, sede da prefeitura e também do Museu de Arte de Belém - Mabe - que, no dia 9 de março, teve parte do prédio e de seu acervo comprometidos com um incêndio. Eva iniciava assim sua gestão, um sinal de alerta para o que ainda viria depois.

museu é enorme, você perde história, você perde vidas, você perde civilizações. Hoje nós estamos com algumas ações emergenciais, com pessoas ligadas ao museu”, disse.

Na manhã de sexta-feira, 10, o clima era, em parte tenso, em parte festivo, no Memorial dos Povos, onde a Fumbel funciona, provisoriamente, desde 2015. Enquanto na área externa várias funcionárias participavam de uma celebração pelo Dia da Mulher, lá dentro, Eva Franco recebia a comissão do Mabe, que foi até lá para relatar e pedir iniciativas para sanar os danos causados ao museu, após o incêndio. A reunião levou cerca de uma hora e meia. A presidente nos recebeu logo em seguida. Falou da situação do Mabe, e disse que os encaminhamentos estavam sendo direcionados pelos próprios funcionários. A Fumbel iria ajudar no que fosse possível. “O Mabe está dentro de um projeto econômico fantástico de recuperação. Quando se trata de algo como um incêndio, a gente não quer, mas infelizmente aconteceu, a perda para o

FUNDAÇÃO OU SECRETARIA? Criada pela Lei Nº7455, de 17 de julho de 1989, a Fumbel tem como objetivo específico planejar, coordenar, executar, controlar e avaliar as atividades de cultura e de desportos comunitários, além de contribuir para o inventário, classificação, conservação, restauração e revitalização de uma série de equipamentos culturais e de patrimônio arquitetônicos de Belém, e ainda por gerir a Lei Tó Teixeira e Guilherme Paraense. Natural de Belém, a advogada e consultora jurídica de orçamento, com mestrado em Direito Público, doutorado em Sociologia do Direito, e pós-doutorado em Políticas Públicas e Desenvolvimento, ela chegou ao cargo de gestora da Fumbel sob as críticas de artistas e fazedores da cultura. Sua formação acadêmica, distante das pautas culturais, não agradou.

“As pessoas pensaram ‘nossa, ela presidir uma fundação de cultura com todo esse juridiquês na alma, não vai dar certo isso’. Eu gosto de gestão pública, de estudar isso, eu gosto de uma economia política que funcione para as pessoas, e é isso que eu gosto de fazer”, disse ela, em seu gabinete improvisado no Memorial dos Povos. MEMORIAL DOS POVOS, A SEDE DA FUMBEL Projetado pelo arquiteto José de Andrade Raiol, destinado à cultura, há dois anos, o espaço perdeu esta função, para abrigar a Fumbel Fundação Cultural do Município de Belém, cuja sede, um prédio histórico situado no Complexo Feliz Lusitânia, na Cidade Velha, sofreu um desabamento em 2015. Eva Franco não sabe dizer quando a situação será resolvida e que tem despachado em situações adversas, o que inclui calor e falta de instalações corretas para o exercício de sua função. “É muito quente aqui, difícil de se trabalhar”, confessa. O Memorial dos Povos fica ligado ao Palacete Bolonha que também oferecia ao público


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Embora a Fumbel seja uma pasta do município com cara de secretaria, ela atende as necessidades voltadas para a cultura, a partir de uma legislação muito própria, que é um pouco diferente da gestão direta, mas tem como função gerir e propor a política pública para a cultura. Ou seja, lidar com dinheiro público ou gasto público”, Eva franco

uma sala de cinema, funcionava como espaço para lançamentos de livro, possuía um auditório. Com seis mil metros quadrados, o Memorial tem um anfiteatro coberto e a sala principal Vicente Salles, onde havia uma exposição permanente sobre a síntese do cruzamento étnico de vários povos que contribuíram para a história da cidade: Portugueses, Espanhóis, Africanos, Índios, Árabes, Libaneses, Italianos, Japoneses. Não há mais exposição. Não há mais programação cultural no anfiteatro. O Palacete Bolonha está fechado para visitação. Apenas algumas salas no térreo que se interligam ao anfiteatro, funcionam, mas como departamentos da Fumbel. n

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MABE

UM INCÊNDIO NO MUSEU DE ARTE DE BELÉM O MUSEU DE ARTE DE BELÉM POSSUI CERCA DE 1600 PEÇAS, ENTRE PINTURAS, MOBILIÁRIOS, ESCULTURAS E FOTOGRAFIAS, QUE CONSTITUEM UM VALIOSO PATRIMÔNIO PÚBLICO DA CIDADE, CUJA HISTÓRIA É CONTADA PELA PERSPECTIVA DAS ARTES. DESDE MARÇO, QUANDO SOFREU UM INCÊNDIO, QUE APENAS AS DUAS GALERIAS THEODORO BRAGA E ANTONIETA, QUE ABRIGAM EXPOSIÇÕES TEMPORÁRIAS, ESTÃO ABERTAS À VISITAÇÃO, COM OBRAS DE ACERVO. NOVAS EXPOSIÇÕES DE ARTISTAS PARAENSES OU DE PROJETOS DE FORA, ESTÃO SUSPENSAS, NÃO SE SABE ATÉ QUANDO

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m 2014, os arquitetos da Sales Engenharia, empresa licitada a elaboração do documento de referência do projeto de restauro do museu, contemplado com recursos do PAC das Cidades Históricas, já tinham detectado e alertado às autoridades, sobre os riscos que a parte elétrica do prédio do Palácio Antônio Lemos apresentava. O prédio construído entre 1860-1885 para ser sede do governo municipal não aguentou a sobrecarga de ar condicionado e outros dispositivos elétricos utilizados tanto nas instalações do Museu de Arte de Belém, quanto pela parte administrativa da prefeitura. Ao longo do tempo, sem manutenção alguma, tudo isso se tornou uma bomba relógio, que veio a estourar em março deste ano, com o incêndio provocado por um curto circuito, atingindo salas de exposição

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no segundo andar e a biblioteca, no térreo. Não bastasse o fogo e a fuligem, a água jogada pelo Corpo de Bombeiros, também molhou uma série de documentos. Os jatos a fizeram escorrer pelo andar abaixo onde está a biblioteca, atingindo 90% do acervo. Depois, a entrada das fuligens entraram nas demais salas, principalmente no Salão Verde. Além da força tarefa dos próprios funcionários, nenhuma outra iniciativa foi tomada por parte do poder público. “O que deu pra gente limpar até agora, limpamos, e temos feito a manutenção, mas o Salão Verde, o principal espaço de exposição, onde estão os maiores quadros de artes visuais, como ‘Últimos Dias de Carlos Gomes’ e o quadro de Theodoro Braga, sobre a fundação de Belém, está fechado , foi afetado e as obras ainda estão ceias de fuligens”, diz um funcionário do museu que pediu para não ser identificado.


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Há tantos anos sem uma boa manutenção, necessitando de uma obra de restauro, além da questão do incêndio, o prédio apresenta uma série de outros danos. A fiação elétrica continua em várias áreas em situação bem complicada. Aquele célebre problema da região amazônica, o chove e faz calor, um choque térmico constante, está aos poucos fazendo com que o prédio literalmente, despenque. “Esse museu sempre teve refrigeração para coibir o choque térmico, mas desde a gestão do Duciomar, quando tiraram a refrigeração e não colocaram mais, que nós estamos acompanhando a trinca e a caída de material do teto, como já caíram vários pedaços do teto do Salão Verde. Isso é física e química atuando ao mesmo tempo”, diz o funcionário. Ele conta que a falta de climatização tem ajudado a prejudicar o funcionamento do Museu ano após ano. “Não há nenhum reparo quando ocorrem os danos, que são constantes. A última reforma no museu foi realizada em 1993, ainda no Governo de Hélio Gueiros”, recorda. O prédio ainda recebeu uma boa pintura, no Governo Edmilson Rodrigues, quando foram feitos os ajustes necessários para a instalação do elevador de acessibilidade. Em seguida, na administração de Duciomar Costa, o Mabe recebeu pintura no teto, mas como foi de má qualidade, não durou dez anos.

SITUAÇÃO CRÍTICA O projeto de execução de restauro do MABE está na quarta e última fase. A Sales Engenharia, licitada para as fases de elaboração do documento de referência, realizou um projeto elogiado, com mapeamento de perdas e danos. Foi uma fase demorada, pelo nível do detalhamento do prédio. A questão da rede de refrigeração tem sido um dos maiores entraves no processo. Paula diz que foi muito demorada a decisão. “Vamos colocar as máquinas lá e refrigerar de uma maneira organizada e projetada para isso”, diz Calufi. Em um prédio histórico, “isso é difícil, porque eu não posso quebrar paredes. O piso é antigo. Como é que eu vou rasgar o piso pra passar um cabo, por exemplo. Então há uma série de cuidados que devem ser tomados”, diz a gestora.

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A proposta da empresa era colocar toda a base do ar condicionado na Praça Felipe Patroni. “Só que a carga que seria colocada lá, com máquinas muito grandes e iriam interferir na paisagem e na visibilidade do próprio monumento. Se fossemos colocar na praça ia ter que passar por baixo da rua, e além do mais, o custo extrapolou”, diz Paula. A proposta aceita foi de colocar o maquinário internamente, nas duas áreas vazadas no MABE, encobrindo tudo com um muro verde com plantas. “Já fizemos a pré-análise e mandamos


para o IPHAN para aprovação”, informa Paula. A liberação dos recursos do PAC das Cidades Históricas, para o Mabe, segundo ela, agora só depende desta etapa com o IPHAN. Caso seja aprovado o projeto, iniciará o processo de licitação para contratar a outra empresa que será responsável em executá-lo. É um longo processo, iniciado em 2014. O recurso, de seis milhões para sua obra, já está defasado. Está estimado em 20 milhões. “Nós já fizemos aqui pela SEURB, um documento para o IPHAN Regional, para ser encaminhado ao IPHAN Brasil em Brasília, solicitando uma revisão desse valor, primeiro em função do tempo, o ano é 2014, e depois, em função do número de obras que vamos ter que fazer. Estamos aguardando ainda não conseguimos”, finaliza Paula Calufi. n

“Quando uma obra ou quando um monumento é inserido no PAC, é feito um termo de referência que deve ser obedecido pela empresa e é criado um contrato. A partir daí é feito uma licitação, processo para contratar uma empresa para executar o projeto aprovado. Especificamente do Palácio Antônio Lemos, está faltando um produto final”. — Paula Calufi, coordenadora regional do PAC Cidades Históricas, na SEURB.

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OBRAS

PAC DAS CIDADES HISTÓRICAS A ESPERANÇA EM VER PRÉDIOS HISTÓRICOS E PRAÇAS RESTAURADAS EM BELÉM ESTÁ AMEAÇADA. A DIFICULDADE E DEMORA NA APRESENTAÇÃO DOS PROJETOS DE EXECUÇÃO DAS OBRAS DEIXARAM OS ORÇAMENTOS APRESENTADOS INICIALMENTE AO PAC DAS CIDADES HISTÓRICAS, COMPLETAMENTE DEFASADOS

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m 2014, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) das Cidades Históricas (CH) liberou recursos para 15 obras de restauros em prédios e praças tombadas pelo Iphan, em Belém, a maioria delas, localizadas no Centro Histórico de Belém. Passados três anos, os orçamentos do PAC CH já estão defasados. Um fato que constatado foi pelo Iphan, órgão que tem como responsabilidade aprovar os projetos de execução do PAC CH. “Há uma disparidade entre os valores previstos inicialmente e os que foram orçados a partir da elaboração dos projetos”, diz Cyro H. de Almeida Lins, Superintendente Substituto do IPHAN-PA. Os pedidos de revisão orçamentária e aditivos significam mais espera. “Atualmente, diante dos contingenciamentos de recurso no Ministério da Cultura, não há previsão de aditivos de valor às ações do PAC CH. No entanto, sabemos que os compromissários estão se empenhando para conseguir as complementações necessárias, seja por meio de contrapartida ou de emendas parlamentares”, comenta. DAS 15 APENAS UMA OBRA FOI ENTREGUE O processo para realizar uma obra de restauro é bem demorado, porque, segundo Paula Caluff, requer muitos detalhes e também de uma equipe de profissionais especializados. “As pessoas não têm ideia de quanto é custoso de fazer uma intervenção. Trabalhar com coisas antigas

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• Projeto Executivo de arquitetura e complementares; • Memorial Descritivo; • Especificações Técnicas; • Planilha Orçamentária; • Cronograma Físico-Financeiro; • Composição de BDI/LDI de Obras; • Composição de BDI/LDI de Equipamentos; • Composição de Leis e Encargos Sociais; • Composição de Custos Unitários; • ART/RRT de Elaboração Projetos; • ART/RRT de Elaboração Orçamentos; • Pareceres contendo aprovação dos órgãos de proteção do patrimônio Cultural (FUMBEL, SECULT e IPHAN), nas esferas em que o bem é protegido; • Documentação Jurídica do Imóvel; • Licença Ambiental ou sua dispensa

precisa de mão de obra especializada, precisa de todo um cuidado, não posso chegar passar um pano e tentar limpar o monumento, há toda uma técnica para isso. E tem que ser obedecido”, comenta. O processo é burocrático, mas necessário. Para chegar ao projeto de execução, o Iphan ainda precisa aprovar uma série de documentação, que deve ser elaborada e enviada para a superintendência de Belém.

Uma das obras já foi concluída”, diz Paula Caluff Rodrigues, a coordenadora das ações do Programa pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, se referindo ao Mercado de Ferro Azul, o mercado de peixe. “Algumas outras foram interrompidas e nem todas são responsabilidade da Seurb”. — Cyro H. de Almeida Lins


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PROJETOS EM ANDAMENTO O projeto de execução do Museu de Arte de Belém (Mabe), diz Paula, está em fase final de aprovação pelo Iphan. “Já foi feito todo o levantamento, o documento de referência e já estamos no documento base. Quando for aprovado pelo Iphan, poderemos iniciar a licitação para contratar a empresa que vai executar as obras”, explica Paula. Além do Mercado de Peixe e do Mabe, a Capela Pombo, no bairro da Campina, também está inserida no programa, como responsabilidade da UFPA, assim como a sede do Fórum Landi, no Largo do Carmo. O prédio do Arquivo Público

saiu do PAC, mas era gestão da SECULT. Já mais fora do sítio histórico da alta Cidade Velha e Campina, o Cemitério Soledade, deixou de ser de responsabilidade da SECULT, e agora é obra conduzida pela Seurb. “O projeto do Soledade está adiantado, mas também está dependendo de aditivos, pois extrapolou o valor”, revela a gestora. Também estão contemplados o Palacete Bolonha, ao lado do Memorial dos Povos, e o Palácio Velho. “O prédio passa despercebido ali ao lado do colégio do Carmo, mas já abrigou a prefeitura da cidade. Após a obra vamos entregar à cidade um teatro municipal”, diz Paula Caluff. Ela diz que o projeto de execução do Cine

Olympia está avançado, assim como os das praças do Relógio, D. Pedro II, Visconde do Rio Branco e Praça do Carmo. A reabilitação do Feira do Ver o Peso, que tem 14 milhões de recursos garantidos, já está ameaçada, pois seu custo subiu para 40 milhões. O projeto é aquele que foi suspenso por não estar de acordo com as exigências técnicas do Iphan. O prédio histórico adquirido para ser a Sede da Fumbel, situado no Feliz Lusitânia, também está contemplado pelos recursos do PAC das Cidades Históricas. Em 2015 ele foi desocupado e cedido com o Governo do Estado. Veja em que fase se encontram os projetos de execução de cada uma.

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PROJETO CIRCULAR

INSTITUIÇÃO RESPONSÁVEL

SITUAÇÃO

1. Palácio Antônio Lemos Museu de Arte de Belém

Proponente: Seurb

Projeto Básico em análise;

2. Capela Pombo

Proponente: Ufpa

Aguarda diligências referentes ao orçamento do projeto executivo;

3. Sede do Fórum Landi

Proponente: Ufpa

Aguardando diligências;

Proponente: Secult

Recentemente a proponente abdicou dos recursos provenientes do Programa de Aceleração do Crescimento das Cidades Históricas - PAC CH, informando que tanto a obra de restauração quanto a restauração de bens integrados e mobiliário foram custeados com recursos do Tesouro do Estado do Pará;

4. Arquivo Público

Proponentes: Secult e Seurb

Aguardando diligências referentes ao orçamento do projeto executivo;

6. Sede da Fumbel no Feliz Lusitania

Proponente: Seurb

Aguardando diligências referentes ao anteprojeto;

7. Palácio Velho

Proponente: Seurb

Projeto Básico em análise;

Proponente: Seurb

Aguardando diligências referentes ao projeto executivo;

5. Cemitério Soledade

8. Cine Olympia 9. Feira do Ver o Peso

10. Praça do Relógio

11. Praça Visconde do Rio Branco

12. Praça do Carmo

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Proponente: Seurb

Proponente: Seurb

Proponente: Seurb

Proponente: Seurb

Aguardando diligências referentes ao projeto básico;

Aguardando a liberação dos recursos junto a caixa econômica Federal para iniciar as obras;

Aguardando a liberação dos recursos junto a caixa econômica Federal para iniciar as obras;

Aguardando a liberação dos recursos junto a caixa econômica Federal para iniciar as obras;

13. Praça D. Pedro II

Proponente: Seurb

-

14. Mercado de Peixe

Proponente: Seurb

obra concluída e entregue

15. Palacete Bolonha

Proponente: Seurb

Projeto Executivo em análise.

Identificação da Proposta UF

Município Descrição da intervenção

Ordem de prioridade

OBRA

PA

1

Belém

Restauração do Palácio Antônio Lemos - Museu da Arte de Belém

PA

2

Belém

Revitalização da Feira Ver-o-Peso

PA

3

Belém

Restauração do Mercado de Peixe do Ver-o-Peso Etapa Final

PA

4

Belém

Requalificação da Praça Dom Pedro

PA

5

Belém

Requalificação da Praça do Relógio

PA

6

Belém

Requalificação da Praça do Carmo

PA

8

Belém

Restauração do Casarão do Forum Landi

PA

9

Belém

Restauração do Palácio Velho Teatro Municipal

PA

11

Belém

Requalificação da Praça Visconde do Rio Branco

PA

13

Belém

Requalificação do Cemitério da Soledade

PA

14

Belém

Restauração do Cinema Olímpia

PA

15

Belém

Restauração do Palacete Bolonha - Centro Cultural

Belém

Restauração da Sede da Fundação Cultural do Município de Belém

PA

16

PA

17

Belém

Restauração do Casarão do Arquivo Público do Pará

PA

19

Belém

Restauração da Capela Pombo


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Caracterização

Total (Projeto + Obra) Valores ajustados IPHAN

Prazo de execução de obra (incluir licitação)

Obra

Prazo de elaboração projeto licitável

Estudos e LocaliProjetos zação da intervenção (área tombada federal, entorno ou outras)

Licenciamento do Projeto

Proponente

Projeto concluido

Modalidade (Obras em imóveis de Uso Público/Obras)

Valores solicitados em R$

Obras em imóveis de Uso Público

Municipio

N

N

6

24

Área Protegida

270.000,00

6.600.000,00

6.870.000,00

Obras em imóveis de Uso Público

Município

N

N

6

18

Área Protegida

500.000,00

14.000.000,00

14.500.000,00

Obras em imóveis de Uso Público

Município

S

S

12

Área Protegida

633.000,00

633.000,00

Obras em Espaços Públicos

Município

N

N

6

12

Área Protegida

400.000,00

1.200.000,00

1.600.000,00

Obras em Espaços Públicos

Município

N

N

3

6

Área Protegida

50.000,00

300.000,00

350.000,00

Obras em Espaços Públicos

Município

N

N

4

12

Área Protegida

120.000,00

465.000,00

585.000,00

Obras em imóveis de Uso Público

IPHAN/ UFPA

S

N

18

Área Protegida

3.800.000,00

3.800.000,00

Obras em imóveis de Uso Público

Município

N

N

6

18

Área Protegida

180.000,00

2.500.000,00

2.680.000,00

Obras em Espaços Públicos

Município

N

N

4

18

Área Protegida

180.000,00

800.000,00

980.000,00

Obras em Espaços Públicos

Município/Estado

S

S

2

24

Área Protegida

7.000.000,00

7.000.000,00

Obras em imóveis de Uso Público

Município

N

N

6

12

Área Protegida

80.000,00

1.950.000,00

2.030.000,00

Obras em imóveis de Uso Público

Município

N

N

6

24

Área Protegida

280.000,00

1.800.000,00

2.080.000,00

Obras em imóveis de Uso Público

Município

N

N

3

12

Área Protegida

180.000,00

760.000,00

940.000,00

Obras em imóveis de Uso Público

Estado

S

N

6

12

Área Protegida

2.700.000,00

2.700.000,00

Obras em imóveis de Uso Público

IPHAN

S

N

6

12

Área Protegida

850.000,00

850.000,00 47.598.000,00

IPHAN SEM RECURSOS Responsável em proteger e promover os bens culturais do País, o Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), autarquia federal vinculada ao Ministério da Cultura, passa por sérias dificuldades. Em Belém, o superintendente, em exercício, do Iphan no Pará, Cyro Lins, diz que o órgão vem passando por uma das situações mais difíceis ao longo dos seus 80 anos de existência. “Não só o Iphan, mas todo o Ministério da Cultura. Não é nenhuma novidade que a instituição não tem a estrutura necessária para dar conta de sua missão institucional. Faltam pessoas, faltam recursos, enfim”, diz ele. O contexto pede as prioridades e, sobretudo, boas parcerias. “Já está mais do que na hora de se tratar o patrimônio cultural, a cultura como um todo, como investimento, como uma política estratégica para o desenvolvimento social e econômico”, comenta. Cyro Lins assumiu a Superintendência do Iphan no Pará, em caráter provisório em dezembro de 2016, quando a titular do cargo, Maria Dorotéa de Lima, se licenciou. Concursado, técnico em antropologia, chegou ao Pará em 2013 e vinha trabalhando na área de Patrimônio Imaterial, juntamente com Larissa Guimarães, também antropóloga, e que já atuava na Superintendência. “Em 2016 a Larissa foi transferida para a Superintendência de Roraima, desde então, fiquei como único técnico na área de Patrimônio Imaterial da Superintendência. Ainda em 2015 a Dorotéa me convidou para ser seu substituto, e a partir de então me lancei na difícil tarefa da gestão pública”, diz o antropólogo. “A tarefa tem sido menos árdua, pois conto com uma equipe competente e dedicada, e que tem uma verdadeira paixão pelo que faz”, complementa. Mestre em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2009) e doutorando nos quadros do laboratório CITERES (Cités, Territoires, Environnement et Sociétés) da Université François Rabelais, na França, Cyro reúne em sua produção acadêmica temas ligados à memória, etnicidade e patrimônio cultural. n

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PROJETO CIRCULAR

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GRÊMIO LITERÁRIO PORTUGUÊS

150 ANOS HISTÓRIA

DE

O GRÊMIO LITERÁRIO E RECREATIVO PORTUGUÊS É RESPONSÁVEL POR UMA DAS MAIS IMPORTANTES BIBLIOTECAS PRIVADAS DO PAÍS, COM 40 MIL LIVROS EM SEU ACERVO. ENTRE OUTRAS RARIDADES, ELA GUARDA UM COMPÊNDIO COM AS OBRAS COMPLETAS DE NICOLAU MAQUIAVEL, UMA EDIÇÃO ITALIANA DE 1550, SIMPLESMENTE É UMA DAS 30 QUE FORAM IMPRESSAS EM TODO O MUNDO

É

de emocionar ver a primeira edição ilustrada do livro Dom Quixote, de Miguel de Cervantes, lançada em 1723. Uma relíquia para a humanidade, a biblioteca do Grêmio Literário Português, em Belém, nasce com um desejo da comunidade portuguesa no Brasil do século XIX, que era o de incentivar o hábito da leitura. O Estado do Pará foi o quarto maior importador de livros vindos de Portugal para o Brasil naquele século. Em 1857, em Belém, dez anos antes da fundação do Grêmio, já havia um Gabinete Português de Leitura. Os livros deste acabaram sendo incorporados pelo Grêmio Literário Português em sua biblioteca, quando foi fundado em 1867, num prédio na Av. Portugal, próximo ao Palácio Antônio Lemos. O acervo literário mais precioso do país começa a ser formado com livros trazidos pelos próprios colonos portugueses, mas também adquiridos de outras bibliotecas. O investimento era tão grande, que no início do século XX foi necessária uma mudança de endereço, para ampliar suas instalações. Os associados dividiram o custo e compraram o prédio em que funcionava um hotel, para construir sua atual sede. Em 1906, reza a lenda que a inauguração do novo Grêmio Literário Português foi um dos maiores acontecimentos da Colônia Portuguesa no Pará. n

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PROJETO CIRCULAR

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BIBLIOTECA

UM ACERVO DE 40 MIL LIVROS AS PRECIOSAS COLEÇÕES DA BIBLIOTECA DO GRÊMIO LITERÁRIO PORTUGUÊS. QUALQUER PESSOA INTERESSADA, PODE FAZER UMA VISITA, PESQUISAR E CONSULTAR OS LIVROS REVISTA CIRCULAR:

dades por aqui?

O que temos em rari-

O Grêmio tem um acervo riquíssimo, com exemplares aí a partir de 1527, trazidos pelos colonos portugueses. Entre os mais antigos, está um exemplar de “Os Lusíadas”, de Camões, de 1550. São obras raras que ficam em uma sala especial. Temos coisas preciosíssimas, por exemplo, existe o primeiro volume de Dom Quixote, de Cervantes, ilustrado; se não me engano, só existem 300 no mundo e um deles está aqui. É uma grande raridade. Existe outro livro, se não me engano do Papa Inocêncio I ou II, não me recordo corretamente, que é todo escrito em Latim. É um livro religioso e só existem 30 no mundo, um deles está aqui. JORGE PINA:

Notei que há muitos manuscritos também, sem falar dos que constam nos livros de visitantes... JORGE PINA: Há 700 cartas escritas pelos portugueses residentes em Belém durante a revolta da Cabanagem. Essas cartas, eles encaminhavam para a Coroa Portuguesa, na época, pedindo socorro e relatando os horrores dessa guerra. Então, quem pesquisa a Cabanagem, sempre encontra bibliografia relatada pelos próprios Cabanos e pelas pessoas daquele momento. Nestas cartas está a visão dos portugueses residentes em Belém. REVISTA CIRCULAR:

REVISTA CIRCULAR: Que interessante. Cartas a Portugal relatando o que estava acontecendo aqui... JORGE PINA: Sim, relatavam e pediam socorro. Os portugueses residentes queriam que eles enviassem tropas pra cá, para os protegerem da

revolta. São cerca de 700 cartas, todas elas estão sendo recuperadas e é outra raridade que a gente tem. E todo esse acervo está sendo restaurado, porque a gente tem a ideia de produzir um livro e lançar, se possível, na em uma edição da Feira Pan Amazônica do Livro. REVISTA CIRCULAR:

Como é a atualização da

biblioteca. É feita? JORGE PINA: A gente sempre está providenciando aquisições, tem livros contemporâneos, recebemos muita coisa de outras bibliotecas, principalmente de Portugal, e o acervo vai aumentando neste sentido. É importante também frisar que o Grêmio, quando passou pra essa preocupação desse lado recreativo, nossa biblioteca ficou um tanto de lado, e com o tempo foi perdendo muita coisa. Houve uma época que o próprio Governo Português, através da embaixada, fazia uma oferta em dinheiro, em Escudo, na época, para ajudar na manutenção, mas infelizmente esse convênio acabou. REVISTA CIRCULAR: Como fazer a manutenção

e recuperação de um acervo tão rico e urgente de atenção? JORGE PINA: A gente sente necessidade de recuperação desse arquivo, desse acervo, sem dúvida. Nós conseguimos, no ano passado, um contato com uma restauradora e felizmente esse projeto foi abraçado pela Lei Rouanet, e nós estamos atrás de patrocinadores, porque o recurso está garantido pelo Ministério da Cultura. Recentemente nós tivemos a visita do atual Ministro da Cultura, Roberto Freire, e ele ficou encantado

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PROJETO CIRCULAR

com o acervo que mostramos a ele, que prometeu ajudar, no sentido de achar esse mecenas. REVISTA CIRCULAR: É um projeto que está em

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fase de captação, qual o valor e o que ele prevê? JORGE PINA: O valor é alto, R$ 2 milhões. Precisamos urgentemente fazer a digitalização de vários manuscritos que temos e também de livros, porque essas peças do século XVI, XVII , XVII vão passar a ser peça de museu, mas o conteúdo deve ser disponibilizado ao público, que vai ter acesso através dos meios digitais. A ideia basicamente é essa, e o maquinário, numa segunda etapa nós vamos trabalhar a questão da acessibilidade, que envolve a aquisição de plataforma de elevadores, transformar uma dessas salas, em sala cofre, com

toda segurança que precisa, com câmeras, com que for possível de moderno, isso tudo está no projeto, o projeto prevê. O senhor estava falando também de uma coleção importante... JORGE PINA: Sim. É um fato curioso, nós temos uma coleção que se chama Coleção Camiliana, que é um escritor do século XIX, chamado Camilo Castelo Branco. É a única coleção no Brasil, que eu saiba, que está completa, porque são cerca de quinhentos volumes. Nós temos aqui todos os 500 volumes completos. É outra raridade. São romances escritos no século XIX, que é outro tesouro que a gente guarda aqui na nossa biblioteca. REVISTA CIRCULAR:

REVISTA CIRCULAR: Tem alguma outra curio-

sidade que possa nos contar? JORGE PINA: Temos um livro escrito pelo chefe de cozinha real portuguesa, que colocou a receita toda detalhada dos pratos prediletos da família real portuguesa. Há interesse de uma pessoa em reproduzir esse livro e mostrar como era servida a família real portuguesa naquela época, século XVIII, XIX. Além de obras de escritores portugueses, vocês tem literatura brasileira, literatura paraense? JORGE PINA: Tem sim, uma diversidade muito grande de autores, de assuntos, de temas, etc. Além de Portugal, tem de outros países também, eu te citei Cervantes, por exemplo, que é da literatura espanhola. REVISTA CIRCULAR:


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A gente sempre está providenciando aquisições, tem livros contemporâneos, recebemos muita coisa de outras bibliotecas, principalmente de Portugal.” — Jorge Pina

Houve uma época que o próprio Governo Português, através da embaixada, fazia uma oferta em dinheiro, em Escudo, na época, para ajudar na manutenção, mas infelizmente esse convênio acabou.” — Jorge Pina

Vocês estão dispostos a receber doações ou comprar novas coleções? Por exemplo, se um autor que vai lançar um livro, obra relevante para a cultura paraense, a biblioteca está apta a receber e catalogar e incluir no seu acervo? JORGE PINA: Exatamente. Tem acontecido isso com alguma frequência, a gente tem acolhido obra de escritores regionais. REVISTA CIRCULAR:

E realizar eventos literários, como um sarau de poesia...Há intenção de voltar a fazer isso? JORGE PINA: É, aqui com essa mudança na diretoria, já há intenção de retomarmos isso, sim. Queremos trabalhar esses eventos literários aqui na biblioteca, com lançamento de livros, conREVISTA

CIRCULAR:

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cursos literários. Essa é uma pauta que está prevista para esse ano ainda. No ano passado nós até fizemos alguma coisa aqui, no Natal, realizamos a apresentação de um coral e foi muito interessante, pois os cantores se posicionaram nas janelas da fachada, que foi toda aberta e iluminada. Foi um sucesso muito grande, então são coisinhas assim que a gente faz, porque como te falei o Grêmio hoje é muito dedicado à sede recreativa. Realizamos festas, os eventos e tudo mais, e para a biblioteca sobram poucos recursos humanos para se fazer esse trabalho de divulgação. Contamos com parcerias, como a desse coral, que foi com a Fundação Cultural de Castanhal, que se prontificou a colaborar e participar desse evento. Estamos abertos a outras. n

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ENSAIO FOTOGRÁFICO JANDUARI SIMÕES*

150 ANOS MEMÓRIA, BELEZA E PRESERVAÇÃO

C

onstruído onde antes havia um hotel, do qual, após ter sido demolido, nada foi aproveitado, o prédio do Grêmio Literário Português possui arquitetura eclética. Fizemos uma viagem no tempo e um passeio por todas as instalações do prédio que se mantem praticamente no original como foi erguido, com sua volumetria preservada. O olhar é do fotógrafo Jan-

duari Simões. Na rua Senador Manoel Barata, integrando a Via dos Mercadores, no coração do comércio de Belém, ele é um monumento, fruto do glamour do ciclo da borracha, com sua fachada trabalhada e rebuscada com elementos do Art Nouveau. No térreo, “hall” de entrada, uma tradição portuguesa é refletida nos dois painéis de azulejos de cores azul e branco, vindos de Portugal, instalados já na década de 1950. Um, constitui o retrato da Universidade de Coimbra, o outro, reproduz a célebre tela do pintor brasileiro Victor Meireles – “A Primeira Missa no Brasil”. Imponente, possui três pavimentos. Há uma suntuosa escadaria dividida em dois lances, tanto do térreo para o primeiro andar, como deste para o segundo. No salão nobre foram pintados de corpo inteiro os retratos de duas grandes figuras da Poesia e do Teatro em língua portuguesa – Luis de Camões e Gil Vicente. No outro salão lateral, o artista Irineu de Sousa pintou também a corpo inteiro os retratos

do Santo Condestável Nuno Álvares Pereira, o Duque Saldanha e do Infante D. Henrique tendo a seu lado o globo terrestre e a divisa “Talent de Bien Paire”. Em retrato tipo Medalhão, vêem-se o Marquês de Pombal, o Príncipe Perfeito, Mouzinho de Albuquerque e outras figuras da Historia de Portugal. n

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CINECLUBISMO

TEMPLO INESQUECÍVEL EXISTEM LUGARES QUE SEMPRE SERÃO MAIS QUE SIMPLES REFERÊNCIAS. QUEM GOSTA DE CINEMA E VIVEU NUMA ÉPOCA ROMÂNTICA QUANDO UMA SALA DE EXIBIÇÃO ERA/É UM TEMPLO DE PERDIÇÃO/ DESCOBRIMENTO EM RELAÇÃO AO MUNDO E EM RELAÇÃO A SI MESMO, DE ALGUMA FORMA, TEM COMO LEMBRANÇA ETERNA UM DESSES LUGARES MÁGICOS ONDE FILMES FORAM EXIBIDOS Por MARCO ANTÔNIO MOREIRA*

T

enho várias referências e as vivo com intensidade cada vez que revejo um filme que assisti nestes “meus” templos. Um deles é o auditório do Grêmio Literário Português, localizado na sede social do clube no centro de Belém. Meus primeiros momentos de paixão absoluta pelo cinema foram naquele auditório. Lembro de frequentar este espaço com minha família, especialmente meu pai e irmão. Morávamos próximos da sede social e era comum irmos nas sessões de sábado e domingo de noite. Sempre fiquei impressionado com a beleza do local. Na entrada, uma linda escada que nos levava

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para o auditório que com sua beleza, me agradou desde o início. Cadeiras de madeira, tela grande no fundo, janelas abertas (de noite) para melhorar a temperatura e um projetor magnífico que ficava perto dos espectadores para lembrar: aqui é lugar de CINEMA. Tudo era mágico neste espaço. Assistir filmes ali era algo inexplicável. Tudo era perfeito. E assim, durante muitos anos, cresci como testemunha da força do cinema e da poesia brilhante deste espaço que abrigava meus desejos de aprendizado sobre cinema. Como era bom chegar no auditório do Grêmio e, além da expectativa do filme em exibição, encontrar as pessoas tão apaixonadas por

cinema. Era um aprendizado constante chegar ali e, antes do filme, ouvir os comentários de cinemaníacos como meu pai (Alexandrino Moreira), Pedro Veriano, Luzia Álvares, Francisco Paulo Mendes, Vicente Cecim, Acyr Castro, entre outros. Ali, encontrei um lugar onde eu poderia ouvir e (muito tempo depois) falar sobre Cinema e esta lembrança é fundamental para minha motivação de ser um cinéfilo até hoje. Inúmeros grandes momentos de cinefilia estão registrados na minha memória e que foram vividos no auditório do Grêmio Literário Português. Lembro da exibição de “Cenas de um casamento” de Ingmar Bergman que lotou o audi-


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tório, de “E O Vento Levou” que tinha espectadores no chão pois a sala estava como lotação completa, da minha emoção de assistir pela primeira vez a obra-prima “Viver” de Akira Kurosawa e, especialmente, da sessão que foi exibido o documentário “Carlitos: O Genial Vagabundo”. Esse filme foi exibido pouco depois após a informação que Charlie Chaplin tinha falecido e a emoção tomou conta dos espectadores ali presentes. Lembro de muita gente chorando após o fim do filme. A morte de Chaplin tocou à todos nessa sessão que é muito significativa para mim. Hoje, podemos assistir um filme em qualquer lugar e em diversos formatos mas sinceramente, fico muito feliz em ter vivido uma época

que existia estes templos de exibição de filmes. Raramente me lembro do tipo de imersão que tive ao assistir um filme fora de uma sala de exibição mas certamente me lembro com carinho das sessões em que estive como espectador/ aprendiz num CINEMA. E entre todos os “meus” templos, o auditório do Grêmio Literário Português é um dos mais importantes. Por isso, até hoje, mesmo passados tantos anos que se encerraram as atividades de exibição neste local, sempre que passo na frente do prédio onde está o auditório (que existe até hoje mas com outras atividades), olho com carinho para este espaço e me vejo ainda perdido/achado nestas sessões de cinema para sempre! n

* Marco Antônio Moreira Crítico de Cinema (ACCPA)

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GALERIA O que move o projeto Circular é a participação da população e principalmente dos moradores dos bairros históricos da Campina, Cidade Velha e Reduto. Nas últimas edições, isso tem ficado cada vez mais evidente. O esforço compartilhado por vários parceiros tem sido recompensado. É o que conferimos nos registros de Irene Almeida e Marcelo Lélis, que nos trazem imagens que revelam as diversas formas de alegrias provocadas pelo encontro.

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​PROJETO CIRCULAR CAMPINA CIDADE VELHA EQUIPE GESTORA Coordenação Makiko Akao

Produção Executiva Yorranna Oliveira  

Comunicação e Assessoria de Imprensa Luciana Medeiros

Designer Gráfico Márcio Alvarenga

EXPEDIENTE ​REVISTA CIRCULAR

Web Designer

Luã Akira Moura Braga

Fotógrafia

Edição 2

Irene Almeida Marcelo Lélis

ISSN

www.projetocircular.com.br

2526-4354

E-mail circularcampina01@gmail.com Facebook https://www.facebook.com/ocircular/ ​Makiko Akao COORDENAÇÃO

Luciana Medeiros EDITORA

Instagram​ @circularcampinacidadevelha

#vemcircularbelem

Yorranna Oliveira REVISÃO

Márcio Alvarenga ​​DESIGNER GRÁFICO

Alberto Bitar Maria Dorotéa de Lima Regina Alves CONSELHO EDITORIAL

Irene Almeida Marcelo Lélis FOTOGRAFIA

Autor Corporativo

Revista Circular https://issuu.com/projetocircular/docs

Kamara Kó

E-mail: circular.comunica@gmail.com

Travessa Frutuoso Guimarães, 611. CEP: 66017-170. Bairro: Campina. Belém - Pará


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#vemcircularbelem www.projetocircular.com.br

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