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ISSN: 1647 - 8053

Revista Pensas # Publicação Semestral 1ª EDIÇÃO # Setembro 2010

ENTREVISTA

Presidente do IPAD assume educação como uma das prioridades da Cooperação Portuguesa p. 12 / 13

REUNIÃO DE CENTROS

Directores fazem balanço positivo aos cinco anos do Pensas p. 4 / 5

OUTCLASS

Potenciar troca de experiências entre alunos portugueses e moçambicanos p. 6 / 7

ENTREVISTA

Reitor da Universidade de Aveiro mantém aposta forte na Cooperação p. 15


EDITORIAL UM NOVO CANAL DE LIGAÇÃO À COMUNIDADE

A revista Pensas que agora inicia o seu percurso faz parte da estratégia de divulgação do Projecto Pensas. O Pensas é um projecto da Cooperação Portuguesa, em

Ao longo das próximas 24 páginas daremos a conhecer um

parceria com o Instituto Português de Apoio ao Desenvolvi-

pouco do trabalho desenvolvido pelo Projecto Pensas nos úl-

mento, Universidade de Aveiro/Projecto Matemática Ensino e

timos cinco anos. A reunião de centros, decorrida em Maio

Ministério da Educação de Moçambique, dedicado ao Ensino,

deste ano, o projecto Outclass, o Ensino Experimental das

Formação e Aprendizagem da Matemática, da Língua Portu-

Ciências, o projecto de Simulação Empresarial ou a iniciativa

guesa e das Ciências recorrendo às Tecnologias de Informa-

Formação em Acção, são alguns dos temas que estarão em

ção e Comunicação, através dos Centros Pensas instalados

destaque nesta primeira edição da revista Pensas.

em todas as províncias de Moçambique.

É também um espaço de partilha de opinião que aceita a co-

A revista Pensas pretende ser mais um instrumento de li-

laboração de todos que queiram contribuir para enriquecer a

gação entre o Projecto Pensas e a comunidade envolvente e

revista Pensas.

dará a conhecer as actividades que se vão desenvolvendo ao mesmo tempo que se apresentam os Centros Pensas e os diversos protagonistas deste projecto.

António Batel Anjo, Coordenador do Projecto Pensas

FICHA TÉCNICA Propriedade e Edição

Fotografias

Universidade de Aveiro, Projecto Matemática Ensino, Projecto Pensas

Arquivo PmatE/Pensas

Director

1000 exemplares

António Batel Anjo

Coordenação Paula Rocha

Tiragem Contactos Universidade de Aveiro Projecto Matemática Ensino/Projecto Pensas

Redacção

Zona Técnica Universidade de Aveiro Campus de Santiago 3810-193 Aveiro Portugal

António Batel Anjo; Carlos Sangreman; Cláudia Rego; Carlos Morais; Paula Rocha; Sandra Nunes; Arquivo PmatE/Pensas

Telefone: +351 234 372 548 Fax: +351 234 370 207

Design/Grafismo Pedro Silva

ISSN: 1647 - 8053


SUSTENTABILIDADE DA REDE PENSAS Primeiros passos no caminho da autonomia financeira A sustentabilidade da rede Pensas permitirá aos Centros encontrar mecanismos financeiros que permita a seu desenvolvimento e auto-sustentação em termos da manutenção de equipamentos, comunicações e espaços. Esta política tem sido incutida nas direcções dos Centros de forma a criar um conjunto de actividades formativas que, sem prejuízo no cumprimento dos objectivos do Pensas, possa ser uma fonte de receitas usada na manutenção dos Centros Pensas. A Coordenação do Pensas tem dado todo o apoio aos projectos-piloto iniciados no Centro da Beira e Nampula, através do desenho e apoio à leccionação de vários cursos – Secretariado, Contabilidade para não contabilistas e Excell como ferramenta de gestão. Além de um importante contributo financeiro proveniente do Mestrado em Língua Portuguesa. Ainda no domínio deste projecto-piloto foi leccionado no demonstrador Pensas instalado no ISCAM – Instituto Superior de Contabilidade e Auditoria de Moçambique, em Maputo, dois cursos – LaTeX – Processamento de Texto Científico e QICONT – Quadros Interactivos e Conteúdos, leccionados por formadores da Universidade de Aveiro e por outros recrutados em Moçambique. No próximo ano vamos iniciar a expansão destas politicas de sustentabilidade a toda a rede de centros, para isso já está marcado um encontro com os Directores dos Centros Pensas com o intuito de operacionalizar todo este processo.

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REUNIÃO DE CENTROS Pensas aposta na qualidade da formação para se afirmar como projecto de excelência

Actualmente o Pensas tem dez centros a funcionar em todo o País, abrangendo todas as províncias moçambicanas. Esses centros ficam localizados nas cidades da Beira, Nampula, Chokwé, Inhambane, Chimoio, Quelimane, Nacala, Moatize, Lichinga e Pemba.

Falar-se em Projecto Pensas é também falar-se na aposta na melhoria da qualidade do ensino em Moçambique. O Pensas é sinónimo de cooperação ao nível da educação e da promoção da Língua Portuguesa e da Matemática. É desenvolvimento ao nível das novas tecnologias, mas acima de tudo é a aposta nas pessoas, nos professores e alunos moçambicanos.

Coordenadores fazem balanço positivo O ano 2010 foi ano de balanço para o Projecto Pensas. Os directores dos centros, a coordenação do projecto, representantes do Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento

Ser um projecto que se destaca pela excelência é o objectivo.

(IPAD) e do Ministério da Educação de Moçambique reuni-

A forma de o fazer passa pela aposta na abrangência nacio-

ram-se na cidade da Beira, em Maio deste ano, para avaliar

nal, mas também pela qualidade da formação que é dada aos

o trabalho desenvolvido, mas também par lançar novos de-

professores moçambicanos.

safios para o futuro.

Há cinco anos no terreno, o Pensas é já uma imagem de

“O Pensas é sinónimo de qualidade e desenvolvimento ins-

marca no imenso país que é Moçambique. Com centros de

titucional”, disse Rogério Cossa, do Ministério da Educação,

formação localizados em todas as províncias, destaca-se por

reforçando o trabalho desenvolvido que considera uma mais-

ser dos únicos, ou até mesmo o único projecto da Coopera-

valia “para a formação de professores e para a melhoria da

ção Portuguesa que está presente em todo o país.

qualidade do ensino”.

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Quanto ao número de professores já formados, 500 em cinco

alargar o trabalho ao ensino experimental das ciências e à

anos, Rogério Cossa afirmou que o objectivo é formar “mui-

formação pós-graduada dos professores.

tos mais, chegando desta forma a todas as escolas”. Aliás, é esse o objectivo do Pensas para os próximos anos. Pretendese replicar a formação que agora é dada nos dez centros em todas as escolas moçambicanas.

Raul Juga Júlio Nhamunwe, do Instituto de Formação de Professores – Alberto Chipande, em Pemba, classificou o Pensas como “um projecto ambicioso” que “pode ajudar a melhor o desempenho das instituições”. Considerou ainda

Essa foi uma das directrizes que saiu da última reunião de

que “o projecto abre muitos caminhos para o desenvolvi-

centros Pensas e um dos principais desafios do projecto

mento científico e tecnológico”.

para o próximo ano. Continuar a apostar no Pensas como “um projecto de excelência” que actue em todo o país e cuja formação seja visível em todas as escolas moçambicanas é o desafio para o futuro.

Gaspar Luante, da Escola Luís de Camões, em Nacala, realçou a qualidade do Pensas e “a importância que tem na formação de professores”. Apesar das dificuldades técnicas que têm atrasado o processo de implementação do Pensas em

“Temos neste momento mais de 500 professores formados,

todo o território moçambicano, o director deste centro con-

a esforçar-se por uma melhor aprendizagem e a apostar nas

sidera que “deve ser um projecto a manter, pois irá permitir

questões práticas do ensino”, afirmou Batel Anjo, coordena-

uma melhoria bastante grande na qualidade do ensino”.

dor do projecto Pensas, lançando o desafio de no futuro se

Novos desafios para a formação

Acesso à biblioteca on-line

Alargar a formação a todas as escolas moçambicanas foi um

Os dez centros Pensas, em Moçambique, vão dispor, dentro

dos desafios lançados para os próximos anos e que o pro-

em breve, de acesso à biblioteca on-line, a B-on, e também à

jecto Pensas espera ver atingido. Nesse sentido está a ser

Biblioteca da Universidade de Aveiro. Uma ferramenta con-

estudada a hipótese de alargar a formação, rentabilizando os

siderada essencial para os professores, sobretudo para o

centros já existentes, e apostando na formação de formado-

apoio à investigação.

res que ficariam responsáveis por replicar o conhecimento em todas as escolas do País.

A notícia de acesso gratuito à B-on durante um ano foi aceite com grande entusiasmo por parte dos directores dos centros

Esta proposta é encarada como o melhor meio para se che-

que consideram que “ajudará os professores no seu trabalho

gar a um público ainda maior e melhorar, desta forma, a qua-

de preparação” ao permitir o acesso a documentos, livros e

lidade do ensino moçambicano. A ideia lançada por alguns

artigos científicos que “funcionam como um complemento ao

directores de centros, e que foi acolhida tanto pela coorde-

conhecimento adquirido”.

nação do Pensas como pelos restantes directores, foi a de se apostar na formação de formadores, alargando, assim, o âmbito da formação.

Para Batel Anjo, o acesso à B-on para além de “muito importante ao nível da investigação, pois permite a consulta de diversos artigos científicos”, é também visto como “um factor

O objectivo deste novo formato seria potenciar os recursos

de dinamização dos centros enquanto centro tecnológico de

locais, isto é, os professores que recebem formação espe-

investigação e desenvolvimento”.

cializada e que, posteriormente, ficariam responsáveis por formar os professores das respectivas escolas. Os programas seriam definidos pela coordenação pedagógica do Pensas e a formação seria supervisionada, no sentido de se adequar às necessidades de cada escola e de cada professor.

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OUTCLASS Alunos portugueses e moçambicanos trocam experiências e conhecimento Os primeiros passos foram dados em 2007 e hoje, três anos depois, o projecto OUTclass é já um sucesso. Crianças de Portugal e Moçambique, da escola de Á-dos-Ferreiros, em Águeda e do Colégio Académico da Beira, comunicam entre si através da internet. Desenvolvem actividades conjuntas e acima de tudo partilham experiências e conhecimento. O projecto foi dinamizado pela Universidade de Aveiro, através do Projecto Matemática Ensino (PmatE), em cooperação com o Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento, a Câmara Municipal de Águeda e o Ministério da Educação. Em breves traços, tratou-se da criação de uma e-comunidade onde interagem alunos e professores em torno de um tema semanal lançado pelo PmatE. Para este efeito todas as escolas foram equipadas com todas as ferramentas necessárias à prossecução deste projecto. Quando começou a ser desenvolvido, o OUTclass tinha como principal objectivo a difusão da Língua Portuguesa e a promoção do gosto pelas Ciências através do uso dos computadores e da Internet como ferramentas de aprendizagem.

pótese de alargar o projecto OUTclass a outras escolas portuguesas, devido, em grande parte ao facto do número de alunos moçambicanos ser superior aos portugueses. Surge assim a oportunidade de acrescentar mais uma escola a esta e-comunidade.

Aproximar a escola das comunidades locais Geminar pela educação começou, então, a ser o lema do OUTclass que abraçou um novo desafio: fazer com que a comu-

Neste último ano lectivo participaram mais de meia cente-

nidade sinta a sua escola e perceba que esta pode pertencer

na de crianças portuguesas e moçambicanas, criando uma

a mundo global sem sair da sua aldeia. Aprender coisas no-

comunidade virtual totalmente digital, e através da qual têm

vas, contactar com outras realidades, com outras culturas,

a oportunidade de realizar, em ambiente de sala de aula e

com outras maneiras de ver o mundo e encarar os proble-

monitorizados por um professor, actividades semanais que

mas é o desafio da geminação pela Educação.

lhes permitem trocar experiências interculturais através da exploração de exercícios que lhes concedem um diferente

A mais-valia deste projecto prende-se com o facto deste tipo

entendimento do Mundo.

de geminação ser duradouro, uma vez que assenta num trabalho de base com crianças, fazendo com que pequenas al-

Nestes três anos, os alunos da Escola Básica À-dos-Ferrei-

deias, localidades ou regiões possam projectar-se no Mundo

ros, em Águeda, Portugal e do Colégio Académico da Beira,

Global.

em Moçambique, tiveram a oportunidade de trocar experiências e conhecimentos nas diversas áreas do saber que con-

Assim sendo, o projecto OUTclass pretende afirmar uma for-

tribuíram para o seu enriquecimento cultural, para o aumen-

ma de cooperar, que permita o desenvolvimento sustentado

to do respeito pelo outro e para o interesse pelas diversas

e o envolvimento da sociedade em projectos de Educação,

culturas.

que qualifiquem alunos e professores a nível tecnológico, estimulando-os a partilhar novas formas de aprendizagens

Para o próximo ano lectivo, o PmatE está a ponderar a hi-

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mais dinâmicas e interactivas.


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FORMAÇÃO EM ACÇÃO Partilhar conhecimentos e metodologias de aprendizagem na sala de aula No âmbito do trabalho desenvolvido pelo Projecto Pensas e tendo em vista a melhoria da qualidade de ensino em Moçambique e a qualificação dos professores, decorreu, em 2009, a iniciativa Formação em Acção, que envolveu professores portugueses e moçambicanos. O principal objectivo era a partilha de experiências de leccionação, bem como dos conteúdos leccionados nos diferentes

utilizadas em Portugal e com os currículos das disciplinas de Português e Matemática.

níveis de ensino e da avaliação. Paralelamente pretendeu-

Dos relatos feitos pelos professores envolvidos na Formação

se, com esta acção, apostar na transferência de saberes

em Acção, fica a certeza de que foi “uma experiência enri-

através da formação tradicional, mas também a transmissão

quecedora”, pois permitiu a troca de experiências e saberes,

de boas práticas.

mas também um intercâmbio cultural.

Esta iniciativa, dinamizada pelo Pensas, contou com a cola-

“Na hora de preparar as aulas, houve a preocupação por par-

boração com o Ministério de Educação e Cultura de Moçam-

te dos professores portugueses de seleccionar matérias que

bique, que seleccionou 12 professores, de Português e Mate-

pudessem vir a ser úteis para os professores moçambica-

mática, para participarem no Formação em Acção.

nos, no que toca á aquisição de mais conhecimentos”, referiu

Na prática, esta iniciativa consistiu na integração destes pro-

Sílvia Magalhães, professora do Externato de Vila Meã.

fessores no Externato de Vila Meã, onde tiveram a oportu-

Foram também definidos critérios de classificação, para que

nidade de estar em contacto com a realidade desta escola

fossem trabalhados pelos professores em Moçambique, ten-

portuguesa. Durante um mês estiveram em sala de aula

do-lhes sido fornecidos vários manuais, fichas de trabalho e

com os professores portugueses, agindo como os docentes

testes de avaliação.

responsáveis pelas disciplinas que leccionaram, tendo sido supervisionados por professores da Universidade de Aveiro.

Uma experiência enriquecedora O grupo que participou na iniciativa do Projecto Pensas, Formação em Acção, foi constituído por professores de Portu-

De salientar ainda que os conteúdos abordados, as diversas estratégias e materiais utilizados foram perfeitamente adequados em todas as actividade que tiveram de desenvolver. Fica ainda registo positivo do lado dos professores moçambicanos que revelaram grande interesse pelo conhecimento dos métodos de ensino e conteúdos portugueses.

guês e de Matemática do 3º ciclo e Secundário, de Portugal

“As aulas foram muito enriquecedoras e motivadoras. Os

e Moçambique. Cada grupo de professores tinha a respon-

alunos tiveram contacto com a realidade, cultura, e educação

sabilidade de preparar e planificar as aulas que iriam ser

moçambicana e além disso, receberam conteúdos matemá-

leccionadas, promovendo-se, desta forma, o contacto dos

ticos de um professor de outro país”, relataram os professo-

professores moçambicanos com as metodologias de ensino

res que participaram na iniciativa.

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Na primeira pessoa: “FOI UMA EXPERIÊNCIA MUITO POSITIVA”

“PROJECTO PROPORCIONOU UMA EFECTIVA TROCA DE EXPERIÊNCIAS” Juliana Pinto da Costa, Professora

Patrícia Pereira, Professora

“A experiência revelou-se bastante enriquecedora, na medi-

“A Formação em Acção foi uma experiência muito positiva.

da em que, no 10º ano, foi proporcionado um conhecimento

Durante esta semana, o professor Hilário analisou planificações anuais e diárias dos diferentes níveis de escolaridade, conheceu os materiais de apoio educativo utilizados no con-

mais profundo do contexto histórico-cultural em que o texto se inseria; no 8º ano, os alunos tiveram a oportunidade de contactar com abordagens diferentes ao funcionamento da

texto de sala de aula, analisou a estrutura curricular que está

Língua Portuguesa.

na base dos diferentes níveis e participou oportunamente

Este projecto proporcionou uma efectiva partilha de experi-

nas aulas a que assistia. Conheceu também o papel desempenhado pelo professor enquanto Director de Turma e os procedimentos requeridos nesta função e participou nas aulas de apoio educativo a alu-

ências e metodologias que permitiu uma visão mais abrangente daquilo que é o processo de ensino-aprendizagem em contextos socioculturais distintos. Permitiu ainda um enriquecimento individual, não só por parte dos professores

nos com significativas dificuldades de aprendizagem.

intervenientes no projecto, como também dos alunos. Este

Ainda durante esta semana, foi-lhe proposto que preparasse

cativamente para a aquisição de conceitos metodológicos e

e leccionasse duas aulas a níveis de escolaridade distintos.

práticas de ensino novas e cada vez mais adequadas às rea-

Deste modo, essas aulas tiveram como temas, no décimo

lidades experimentadas nos espaços escolares. “

projecto contribuiu e poderá continuar a contribuir signifi-

ano, a poesia cabo-verdiana do século vinte, e no oitavo ano, as funções sintácticas”.

“PREPARAÇÃO E PLANIFICAÇÃO DAS AULAS FOI UM TRABALHO INTERESSANTE” Gabriela Almeida, Professora

“EXPERIÊNCIA COM BENEFÍCIOS A NÍVEL PESSOAL E PROFISSIONAL” Isabel Cristina Gonçalves Ribeiro, Professora

“Esta experiência foi muito interessante, enriquecedora, julgo eu, para ambas as partes, a partir do momento em que

“A experiência correu, a meu ver, muito bem, uma vez que

houve uma partilha de experiências, do Saber e do Saber

os alunos, os principais visados, corresponderam de forma

Fazer.

positiva e alguns deles até mostraram maior interesse em participar e cooperar.

Verificou-se um grande interesse pela organização dos livros

Quanto à preparação e planificação das aulas foi um trabalho

pelos conteúdos programáticos do décimo segundo ano.

interessante na medida em que, partilhei alguns dos meus conhecimentos em calculadora gráfica e quadro interactivo. O professor desconhecia esse trabalho mas revelou um enorme interesse na aprendizagem e no seu manuseamen-

de ponto, dos dossiers dos Directores de Turma e, sobretudo,

Esta experiência só trouxe benefícios quer a nível profissional, quer a nível pessoal para todas as partes envolventes. Houve aprendizagem de conteúdos, partilha de conhecimen-

to.

tos e informações, vontade de saber mais.

Ao longo deste tempo pudemos explorar as novas tecnolo-

Assim, julgo pertinente que se continue a investir em pro-

gias, nomeadamente a calculadora gráfica e os quadros interactivos. Tendo este último sido usado na aula partilhada. A calculadora gráfica foi também explorada, numa versão para

jectos como este, pois além da originalidade que induz à motivação, outra das mais-valias é o despertar para a outra realidade bem diferente da nossa e a partilha de saberes”.

computador, na aula do 12º e do 11º, em Matemática B, onde este utensílio tem um lugar de destaque”.

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SIMULAÇÃO EMPRESARIAL Curso permite aos alunos ter um contacto mais próximo com a realidade empresarial Aproximar a comunidade académica do mundo empresarial é uma das missões da Universidade de Aveiro e à qual o projecto Pensas se associou ao implementar, em Moçambique, o curso de Simulação Empresarial, a funcionar no Instituto Superior de Contabilidade e Auditoria de Moçambique (ISCAM). Nos dias que correm torna-se urgente o combate ao desfasamento que existe entre estas duas realidades que devem estar cada vez mais próximas e não de costas voltadas. Foi neste âmbito que surgiu a necessidade de implementação do projecto de Simulação Empresarial, que irá proporcionar a formação de quadros na área da contabilidade, dotados das competências que o mercado empregador identificou como essenciais ao desenvolvimento das tarefas que lhes pretendem atribuir. Esta aposta no aumento das qualificações dos estudantes universitários pretende ajudar a combater o elevado número de jovens licenciados que se encontram em situação de desemprego. Proporcionar uma formação superior, através de um curso prático de aproximação ao meio empresarial foi a forma encontrada pelo Pensas para contribuir para uma sociedade mais desenvolvida e sustentável. O curso de Simulação Empresarial, destinado aos alunos do Ensino Superior de Moçambique, tem como principais objectivos complementar e integrar os conhecimentos curriculares anteriores, para além de proporcionar a aplicação de conhecimentos numa perspectiva profissional e aproximar os futuros diplomados ao contexto empresarial e dos negócios.

ministrativas do mercado real, e que esse mesmo mercado seja interactuante, o que leva a que o objectivo seja atingido de forma não estruturada. Importa ainda referir que a Simulação Empresarial é uma disciplina curricular da Licenciatura de Contabilidade do Instituto Superior de Contabilidade e Administração da Universidade de Aveiro, sendo reconhecida pela CTOC, o organismo português que congrega os técnicos oficiais de contas por-

O curso assenta na criação de um mundo de negócios virtual

tugueses, como uma ferramenta fundamental na formação

que tenha as mesmas exigências legais, comerciais e ad-

dos futuros técnicos.

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Todos os alunos/gestores das empresas virtuais têm a missão de desenvolver e apresentar um relatório onde descrevem todos os enquadramentos, quer sejam legais, financeiros, organizacionais e contabilísticos, que as empresas virtuais que gerem são obrigadas a apresentar, cumprir ou implementar no desenvolvimento da actividade em que estão inseridas.

Aposta num modelo pedagógico inovador O curso de Simulação Empresarial assenta num modelo pedagógico inovador, uma vez que pretende colmatar as insuficiências detectadas no processo de formação dos jovens licenciados em Contabilidade. Trata-se de um projecto inovador, pois a Simulação Empresarial vai muito mais além do que as metodologias usadas em casos estruturados de limitada amplitude, uma vez que alarga o trabalho a desenvolver numa base de intensa interactividade e permite aos participantes um alto grau de liberdade de actuação. Assenta no modelo de Project ou Problem Based Learning, recorrendo à simulação da actividade empresarial como forma de aproximação da realidade profissional, sem contudo aplicar a competitividade associada aos jogos de gestão. No que respeita á operacionalização do modelo de Simulação Empresarial, este assenta num conjunto de infra-estruturas virtuais, geridas exclusivamente por professores com a coNo ano lectivo de 2006/2007 estiveram envolvidos no processo 616 estudantes, que constituíram 308 empresas virtuais. O universo de escolas de ensino superior, que participam

laboração de monitores. Destaque para a central de Serviços Públicos, que tem disponível todas as formalidades e competências dos serviços públicos como as Finanças, o Registo

em rede no projecto, são sete, dispersas por todo o Portugal,

e Notariado, a Segurança Social, entre outros.

para além da participação do Instituto Superior de Contabi-

Mas o modelo permite ainda o contacto com a Central Co-

lidade e Auditoria de Moçambique e da Universidade de São Tomás, ambas em Moçambique.

De aluno a gestor de empresas O curso de Simulação Empresarial permite aos alunos participar num mercado virtual, no qual um conjunto de empresas, criadas e geridas por grupos de dois alunos, se integram com uma ampla capacidade negocial. Mas então, como é que funciona o curso de Simulação Empresarial? No início de cada curso, cada grupo de alunos recebe um conjunto de negócios iniciais, promovidos pelos professores, promovendo, assim, o relacionamento empresarial entre todas as empresas virtuais envolvidas.

mercial, com departamentos de compra e de venda, bem como de fornecimento de serviços básicos, que visa suprir todas as necessidades do mercado que não puderem ser satisfeitas pelas empresas virtuais. De referir ainda a Central Financeira, que tem disponível todos os instrumentos financeiros usuais, necessários ao desenvolvimento do processo negocial, nomeadamente Banco, Companhia de Seguros e Empresa de Leasing. A regulação do sistema de informação financeira, é efectuada através da instalação de uma ferramenta de software designada por Multibanco, que simula uma ATM e permite ás empresas virtuais a realização de todas as operações financeiras, e disponível no PC de cada empresa virtual.

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ENTREVISTA Manuel Correia, presidente do Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento

“Educação é prioridade para a Cooperação Portuguesa” Para o futuro, o presidente do Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD) tem a ambição de que o Projecto Pensas se torne autónomo do ponto de vista financeiro e destaca o seu carácter inovador, através dos mecanismos que utiliza para a transmissão do conhecimento.

Quando falamos do projecto Pensas o que o distingue de outros projectos da cooperação portuguesa que estejam implementados ou a ser implementados em Moçambique? No essencial a sua inovação e simplicidade na forma de difundir o conhecimento o que, aliado ao facto de a educação ser um dos objectivos primeiros do IPAD, este modelo poderá servir de ensinamento para intervenções futuras.

Quais são os desafios futuros que o IPAD identifica para o Pensas? As questões da sustentabilidade e da apropriação são temas primeiros na actuação de todas as agências de Desenvolvimento. E por isso fazem com que Moçambique e outros pa-

Em entrevista à revista Pensas, assume a educação como uma prioridade e destaca a ciência, as alterações climáticas, a boa governação e o combate à pobreza como outros dos desafios a serem abraçados pela Cooperação Portuguesa.

íses que venham aderir ao projecto o entendam como úteis

Revista Pensas: O projecto Pensas, financiado pelo IPAD, está há cinco anos em funcionamento em Moçambique. Qual é o balanço que faz ao projecto ao fim deste tempo?

recursos humanos mas também aos financeiros.

Manuel Correia: O balanço destes cinco anos do Pensas em Moçambique é claramente positivo. O Pensas, no âmbito da cooperação portuguesa, e especificamente na área da educação ocupa um lugar de destaque, em virtude de ser um projecto que funciona em todo o território, com abrangência nacional.

Estamos a falar de um projecto na área da educação e formação que abrange todo o País. Considera que isso é uma mais-valia e de que forma é que isso valoriza o trabalho que é desenvolvido pelo Pensas? Dada a dispersão do Pensas em todo o território, permitenos ter uma boa caracterização do estado da formação dos professores e das suas necessidades. Deste modo, os planos de formação do Pensas e as restantes actividades são desenhadas tendo em conta a realidade nacional numa perspectiva de servir os professores de uma forma sustentável.

Como classifica a aposta nas novas tecnologias, que é outra das vertentes do Pensas, ao dotar todos os centros de computadores e ligação à internet? A aposta nas novas tecnologias demonstra o carácter inovador da cooperação portuguesa, e sendo o Pensas implementado por uma universidade como é a Universidade de Aveiro, seria de esperar que a inovação e a criatividade fossem a pedra de toque de um projecto desta natureza. Estas tecnologias servem para aproximar as diferentes comunidades e também com o resto do mundo e do que tenho podido observar, embora sofisticadas, vão penetrando em zonas que até há pouco tempo acharíamos impossível.

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para o seu ensino, que naturalmente se deverá reflectir na criação de condições para que o projecto funcione paulatinamente com a “prata da casa”, não apenas no tocante aos

O Pensas está a criar a oportunidade de professores moçambicanos frequentarem um curso de mestrado em Língua Portuguesa e Literaturas de Expressão Portuguesa, para além dos cursos de especialização já em funcionamento. Para o futuro a aposta deve ser também na formação superior, sobretudo ao nível dos mestrados? A aposta na formação avançada de docentes é vital para a melhoria da qualidade do ensino em Moçambique ou em qualquer outro lugar, pois só a criação de massa crítica adequada permitirá um real desenvolvimento de qualquer sociedade. Se a utilização do Pensas for identificada como a mais adequada para o funcionamento dos referidos mestrados a cooperação portuguesa, dentro dos cada vez maiores constrangimentos orçamentais, estará naturalmente atenta para equacionar essa possibilidade.

Que outros projectos estão, neste momento, implementados em Moçambique e que contam como o apoio do IPAD? O Sector da Educação é prioritário para a cooperação portuguesa. Em particular para os PALOP e em Timor-leste. Em Moçambique temos projectos de apoio aos diferentes níveis de ensino. Destaco no entanto o ensino técnicoprofissional a nível nacional com óptimos resultados e uma colaboração estreita com a Universidade Eduardo Mondlane. Em outras áreas, realço o primeiro projecto ganho pala CP no âmbito cooperação delegada da U.E.: o reforço institucional do Ministério do Interior, para além do plano de desenvolvimento Rural de Cabo Delgado em parceria com a FAK, a formação


de juízes, o Plano de desenvolvimento da Ilha de Moçambi-

a que se comprometeu e longe de ter uma consciência da

que. Cada um destes projectos acaba por integrar um leque

importância das questões sobre o desenvolvimento (daí o

variado de acções e é importante referir que estamos a ini-

relevo que damos às questões da educação para o desen-

ciar a negociação do nosso Plano Integrado de Cooperação

volvimento). No que se refere à coordenação, pese embora o

para os próximos 3 anos (2011- 2013)

IPAD seja, por lei o coordenador, muitos ministérios e orga-

Abrangem que áreas? Essencialmente a Boa Governação e o Combate à Pobreza.

Pretende-se uma expansão de mais projectos em outras áreas?

nizações acham que uma cooperação ministério a ministério ou instituição é a mais adequada, não percebendo que uma definição de prioridades por parte do receptor é vital para desenvolvimento e para a apropriação. No que toca aos desafios exteriores, diria que o que se diz

Toda a evolução das questões relacionadas com o Desenvol-

nos areópagos internacionais ainda se afasta um bom boca-

vimento, conduzem hoje em dia a uma situação de concen-

do da realidade. Um pouco de humildade e bom senso far-

tração das acções num número cada vez mais reduzido de

nos-ia bem a todos.

sectores. O IPAD não deixará de continuar esta concentração mas temas relacionadas com as questões climáticas e com

Quando se fala em cooperação, fala-se também na construção de uma melhor cidadania. A aposta deve ser, claramente, nas pessoas, em cidadãos mais informados e conscientes da sua cidadania?

o género.

Acho que sim mas não podemos esquecer os países. A co-

tendo, no entanto, a atenção de introduzir nos seus progra-

Há algum sector, alguma área e até País que considere como prioritários ao nível da cooperação? Se sim, qual e que tipo de trabalho é que é preciso desenvolver?

operação está montada não em indivíduos mas em instituições e países. A criação de condições para que os países possam por si

Os sectores prioritários são sempre definidos pelos países

produzir cidadãos mais informados é a obrigação do desen-

com que cooperamos tendo sempre em conta as nossas

volvimento mas não tenhamos dúvidas – há vários caminhos

mais-valias . No caso de Moçambique vamos iniciar um novo

para o conseguir no estrito cumprimento do que serão as

programa para os próximos três anos e tudo indica que para

normas internacionais.

lá do que vimos fazendo, as questões da ciência e das alterações climáticas merecerão a devida atenção.

No seguimento desta questão e associando ao projecto Pensas. Uma melhor cidadania obtém-se através desta aposta

Quais são os desafios para os próximos anos ao nível da cooperação?

que é feita na educação e no conhecimento.

Creio que podemos identificar dois tipos desafios: internos

Sem qualquer dúvida, o acesso à informação e a melhoria

e externos. Internamente a questão orçamental e a da coor-

do acesso serão com certeza fundamentais para um mundo

denação serão vitais. Portugal está longe dos compromissos

melhor e mais justo para todos nós.

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BIENAL DA APRENDIZAGEM DA MATEMÁTICA, LÍNGUA PORTUGUESA E TECNOLOGIAS Inovar através da educação e promover a união da lusofonia

Trata-se de uma conferência que reúne profissionais de vá-

Discutir uma plataforma para novos ambientes de aprendi-

bem como a inovação, as redes de aprendizagem e as comu-

zagem e suas aplicações, criar bases para o desenvolvimen-

nidades virtuais.

to de novas metodologias de ensino, contribuindo desta forma para a promoção de uma sociedade mais sustentável e qualificada, são os principais objectivos da Bienal da Aprendizagem da Matemática, Língua Portuguesa e Tecnologias.

rias áreas, desde a educação às novas tecnologias, e que visa promover a discussão de aspectos técnicos e pedagógicos,

A organização deste Bienal tem a chancela da Universidade de Aveiro, através do Projecto Matemática Ensino (PmatE) e do Projecto Pensas. Indo ao encontro de uma das missões da UA, esta iniciativa pretende assumir um papel de destaque no desenvolvimento e aferição de novas metodologias de ensino, aprendizagem, de avaliação formativa e implementação das mesmas no mundo lusófono. A aposta numa bienal que tem como temas-chave o Português, a Matemática e as novas tecnologias, prende-se com o facto da aprendizagem destas disciplinas serem essenciais para o desenvolvimento das sociedades dos países lusófonos. Desde 2007 que o Projecto Pensas organiza este encontro com os países de língua portuguesa. A primeira bienal decorreu em 2007, em Moçambique, seguindo-se Cabo Verde como país anfitrião, em 2009. A próxima Bienal da Aprendizagem da Matemática, Língua Portuguesa e Tecnologias está marcada para 2011, em São Tomé e Príncipe. A realização da Bienal da Aprendizagem da Matemática, Língua Portuguesa e Tecnologias enquadra-se nos objectivos da Cooperação Portuguesa de promoção da língua e do intercâmbio cultural e científico no espaço Lusófono, uma vez que contribui para um debate de ideias sobre o ensino e para o estreitamento de laços entre os profissionais e instituições dos vários países participantes. A comunicação na área da educação à distância, o contributo das sociedades matemáticas para a investigação, a educação e a divulgação científica e o papel das novas tecnologias no ensino do português, foram alguns dos temas abordados nas duas edições anteriores da Bienal da Aprendizagem da Matemática, Língua Portuguesa e Tecnologias.

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ENTREVISTA

“ Pretende-se que as entidades terceiras passem de beneficiárias a parceiras”

O Reitor da Universidade de Aveiro mantém a aposta na Cooperação e espera que, no futuro, as entidades que hoje beneficiam do apoio a UA se tornem parceiras. Manuel Assunção considera que este é um importante instrumento de internacionalização da Universidade, que neste momento está já presente em países como Cabo Verde, Timor-Leste, Moçambique, Angola, Brasil e Guiné-Bissau.

A cooperação é uma aposta a manter? A Universidade de Aveiro tem entendido a Cooperação como uma componente fundamental da sua Missão, mas também como um instrumento importante para a sua internacionalização. A aposta na Cooperação, em sentido lato, e especificamente na Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (CID), é para reforçar, conforme está estabelecido no Programa de Acção do Reitor para o actual mandato.

A educação, a formação, o ensino e o conhecimento são as bases do projecto Pensas, sempre em estreita ligação com as novas tecnologias. Podemos por isso dizer que vai ao encontro da missão e dos objectivos da Universidade de Aveiro. Ao fim de cinco anos, qual é o balanço que faz? Para a Universidade de Aveiro ter um projecto como o Pensas é de extrema importância, pois consegue projectar-se no estrangeiro, nomeadamente nos países de expressão portuguesa através de uma das principais características da UA, a tecnologia. As duas áreas de intervenção do Pensas, a Matemática e a Língua Portuguesa, a que se juntou mais tarde o Ensino Experimental das Ciências, e a formação de professores nestas áreas, cumprem a missão da Universidade de Aveiro enquanto entidade formadora. De acordo com o que me foi possível observar ao longo destes anos, o Projecto Pensas está a cumprir todos os objectivos a que se propôs no inicio deste programa, através do envolvimento da vasta equipa do PmatE.

Revista Pensas: A cooperação para o desenvolvimento com países de expressão portuguesa é uma das missões da Universidade de Aveiro. Quais são os projectos que a UA tem, neste momento, em curso? E em que países?

Enquanto Reitor da Universidade, quais são os desafios que gostaria de ver concretizados no âmbito da cooperação da UA?

Manuel Assunção: Não é possível elencar num espaço tão re-

bique e Cabo Verde, sem prejuízo de encetar novas realiza-

duzido todos os projectos que a Universidade tem neste mo-

ções com outros Estados, face aos desafios que nos forem

mento em curso. Posso, no entanto, referir alguns deles a

colocados e à existência de condições para os cumprir com

título de exemplo: o Pensas em Moçambique, a selecção e

o sucesso desejado. Este desafio enceta um outro, que é o

formação de professores para o ensino em Angola, respon-

da sustentabilidade, interna e das entidades beneficiárias da

dendo a um desafio do IPAD, os mestrados em Informática,

cooperação. No nosso caso, temos o desafio de melhor ar-

Matemática e Multimédia em colaboração com a Universida-

ticular e adequar a resposta das unidades e dos serviços, o

de de Cabo Verde, a informatização dos tribunais em Cabo

que passará pela forma como se promove a participação de

Verde, a reestruturação do Ensino Secundário de Timor-Les-

docentes e de funcionários nos projectos de cooperação, ten-

te, a convite da Fundação Calouste Gulbenkian, a colaboração

do sempre em vista resultados que afirmem uma interven-

com a Universidade Federal do Tocantins (Brasil) no desen-

ção de qualidade da Universidade de Aveiro e garantam às

volvimento do Centro de Conhecimento em Biodiversidade

entidades financiadoras e/ou parceiras o cumprimento das

Tropical ou ainda a colaboração com o Instituto Nacional de

metas definidas. Pretende-se especialmente que as entida-

Estudos e Pesquisa, na Guiné-Bissau.

des terceiras passem de beneficiárias a parceiras.

A prioridade é dada à consolidação dos projectos em curso com alguns países membros da CPLP, em especial Moçam-

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LUGAR AO CENTRO Centro Pensas da Beira a formar professores há cinco anos

A instalação do Centro Pensas da Beira trouxe um conjunto de vantagens e mais-valias para a formação de professores na Província de Sofala. As necessidades eram conhecidas

O Colégio Académico da Beira funciona, desde há cinco anos,

de todos e por isso a aposta incidiu, à semelhança dos res-

como a sede do Projecto Pensas, em Moçambique. Foi lá que

tantes centros que foram criados, na formação ao nível do

surgiu o primeiro centro e é lá onde estão radicados os pro-

Português e da Matemática, com destaque para o recurso às

fessores responsáveis pela formação que é dada em todo o

novas tecnologias.

País. Cinco anos depois, o Centro da Beira é já considerado um modelo a seguir pelos restantes e um espaço reconhecido naquela que é a segunda cidade moçambicana. Uma sala equipada com dez computadores, todos com ligação à internet, é o espaço nobre do Centro da Beira. É aqui que são dadas as formações aos professores, para além de ser também o palco do OUTclass, um projecto dinamizado pelo Pensas e que envolve alunos do Colégio Académico da Beira e da Escola de Á-dos-Ferreiros, em Águeda, Portugal. A presença de elementos ligados ao Pensas no Colégio Académico da Beira não passa despercebida a alunos, professores e funcionários. Todos se conhecem e o entusiasmo é grande, ou não tivesse o Centro Pensas permitido a instalação de uma sala de computadores e acesso à internet. Facilidades que estão, também, ao dispor dos alunos e uma forma de se apostar, não só na formação dos professores, mas também no aumento dos conhecimentos dos jovens que frequentam o Colégio Académico.

Manuela Machute reconhece o forte contributo que foi dado

Amélia Basílio e Manuela Machute são as responsáveis pelo

na formação e qualificação de professores. “Sinto que os pro-

Colégio Académico e também coordenadoras do Centro

fessores de Português e Matemática têm muito apoio e con-

Pensas. É com orgulho que falam da presença do centro e

seguem através da formação corrigir algumas dificuldades

reconhecem as mais-valias que trouxe para a formação de

que têm, afirma.

professores.

Atendendo ao sucesso da formação de professores, as res-

“Somos a sede do projecto e fomos o primeiro centro a ser

ponsáveis pelo Centro Pensas da Beira esperam que no fu-

instalado. Até agora tudo está a correr muito bem e estamos

turo a formação possa vir a ser alargada, apostando-se na

muito satisfeitos com o trabalho que é desenvolvido”, disse

troca de experiências regionais, ou até mesmo inter-provin-

Amélia Basílio, acrescentando, contudo que “neste momento

ciais.

a principal preocupação é a sustentabilidade do projecto”.

Num futuro próximo, o Centro Pensas da Beira irá receber a

O mestrado em Língua Portuguesa e Literaturas de Expres-

primeira edição do Mestrado em Língua Portuguesa e Litera-

são Portuguesa que deverá começar a funcionar em breve é

turas de Expressão Portuguesa, que funcionará também no

visto pela coordenadora do Centro como “uma ajuda no ca-

Centro Pensas de Nampula.

minho da sustentabilidade”.

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objectivos propostos no projecto, designadamente a partilha dos materiais de aprendizagem e o acesso às novas tecnologias, entre escolas.

Enquanto responsável pelo Colégio Académico da Beira e do Centro Pensas como classifica a formação que é dada aos professores moçambicanos? A formação foi bem estruturada e orientada, de modo a superar as principais dificuldades detectadas nos formandos.

Quais são as principais dificuldades que consegue identificar nos professores moçambicanos e quais as áreas em que mais se deve actuar? As linguísticas e formas de pensar e transmitir o conhecimento matemático. Logo deve-se actuar a nível da gramática, quer para o desenvolvimento do Português, quer para o da Matemática, atendendo às dificuldades dos professores, no que diz respeito ao domínio da Língua Portuguesa.

ENTREVISTA “ Uma formação bem estruturada e orientada para superar as dificuldades” Amélia Basílio, coordenadora do Centro Pensas da Beira, faz um balanço positivo à actividade do centro naquela que é a segunda cidade moçambicana e onde foram detectadas bastantes necessidades ao nível da formação dos professores. Na entrevista que deu para a Revista Pensas, destaca a aposta nas novas tecnologias e o desenvolvimento das técnicas de aprendizagem ao nível da Matemática e do Português. Reconhece as mais-valias que o Centro Pensas trouxe para a formação de professores e, no futuro, espera ver alargada a essa formação a outras áreas.

O Centro da Beira vai receber uma edição do Mestrado em Língua Portuguesa e Literaturas de Expressão Portuguesa. É uma aposta forte na educação pós-graduada? Que vantagens identifica na realização deste mestrado? Sem dúvida será sempre uma mais valia no âmbito da educação, para os professores licenciados, a baixo custo.

Uma das características do Projecto Pensas é a aposta nas novas tecnologias. O Centro da Beira está já equipa com computadores e com ligação à internet. O que mudou com a instalação desta sala? Com a instalação destes equipamentos, o Colégio Académico tornou-se num centro onde a tecnologia tem “voz”

O Centro da Beira é o único que neste momento tem em funcionamento o projecto Outclass. Como caracteriza este projecto que coloca em contacto alunos moçambicanos e portuguesas? E quais são as vantagens deste intercâmbio para os alunos? É um projecto de e-comunidade que pretende melhorar a escrita, desenvolver formas de expressão, o gosto pelas

Revista Pensas: Que vantagens trouxe a instalação do Centro Pensas no Colégio Académico da Beira?

ciências e a capacidade de trabalho em equipa. A principal

Amélia Basílio: Permitiu aos alunos e professores o uso da In-

tecnologias de informação, ao aprenderem a utilizar ferra-

ternet e das tecnologias de informação e comunicação ge-

mentas de comunicação em tempo real.

ral, na aprendizagem e desenvolvimento da Matemática e do Português.

Qual é o balanço que faz ao trabalho desenvolvido até agora? Bastante positivo, na medida em que foram alcançados os

vantagem deste intercâmbio, é pôr em contacto directo alunos com realidades e culturas diferentes, através das novas

Para o futuro, o que gostava de ver concretizado no Centro da Beira e o que espera do Projecto Pensas? Que a formação de professores abrangesse outras áreas da ciência e que o projecto tenha continuidade no futuro.

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COMPETIÇÕES REGIONAIS Competições de matemática promovem divulgação científica O PmatE realiza, há quase duas décadas, as Competições

E foi neste contexto que surgiu o EQUAmat@moz, uma com-

Nacionais de Ciência, na Universidade de Aveiro. Iniciativa

petição nacional de matemática que utiliza as ferramentas

que começou apenas com as competições de Matemática,

informáticas existentes e adapta os conteúdos ao currículo

mas que hoje em dia já se alargou a outros ramos do saber,

escolar moçambicano. Uma competição que surgiu em 2002,

desde logo o Português, a Física, a Biologia e a Geologia. Uma

antes da criação do Projecto Pensas.

iniciativa de sucesso que todos os anos reúne milhares de alunos do 1º ciclo ao Ensino Secundário.

O sucesso da iniciativa e as potencialidades que apresenta ao nível da motivação dos alunos levou a que o Ministério da Ci-

Nos últimos anos, alunos moçambicanos também partici-

ência e Tecnologia de Moçambique se associasse ao Pensas

param, dando assim o mote para a “expansão” das compe-

para a realização destas competições nacionais de ciência.

tições a Moçambique. Tornou-se imperativa a realização de competições de Matemática em Moçambique, envolvendo as escolas locais. O insucesso escolar verificado em Moçambique, com especial destaque para a disciplina de Matemática, foi motivo su-

Através de uma rede informática instalada em todo o país, os alunos moçambicanos podem agora participar nesta provas que têm como principal objectivo tornar a disciplina mais atraente.

ficiente para que o PmatE tentasse, através das competições,

A principal preocupação do Pensas é que todos os alunos se-

combater esta realidade, tentando perceber as suas causas e

jam incluídos nestas competições, garantindo, desta forma,

identificar formas alternativas de motivar professores e alunos.

igualdade de oportunidades para todos.

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Centro Pensas recebeu competições de matemática O objectivo do Projecto Pensas é de que, para além da formação que é dada aos professores, nas áreas de Português e Matemática, os centros desenvolvam outro tipo de actividades paralelas que envolvam as escolas, mas também a comunidade. Um primeiro passo já foi dado nesse sentido. Tratou-se da realização das Competições Regionais de Matemática, na cidade da Beira. O Centro Pensas recebeu alunos de seis escolas da cidade: Catedral, Escola Nossa Senhora de Fátima, Escola Secundária do Estoril, Escola Secundária Sansão Mutemba, Escola Secundária Samora Machel e o Colégio Académico. De Julho a Outubro de 2009, o Centro Pensas, sediado no Colégio Académico da Beira, recebeu grupos de 12 alunos, de cada uma das seis escolas, que ali se deslocaram para realizar, tanto a competição final, como as provas de treino. Uma acção dinamizada pelo Pensas, mas que contou com a colaboração da comunidade, nomeadamente a Associação Comercial da Beira, que financiou os prémios que foram atribuídos aos alunos vencedores. De referir ainda a participação da Direcção Provincial da Educação e da Cultura de Sofala. Uma iniciativa de sucesso que deverá ter novas edições, sendo o objectivo do Pensas, replica-la em todos os centros espalhados por 10 províncias moçambicanas.

Partilha de conhecimentos é prioridade Mas a divulgação científica e a troca de conhecimento e experiências vai mais longe. Paralelamente à realização destas competições, o Projecto Pensas já levou a cabo outras iniciativas. Destaque para o Encontro de Contabilidade e Auditoria de Moçambique, o 3ECAM. “Contabilidade para uma gestão eficaz” foi o tema escolhido o ciclo de conferências realizado em 2009. Coube ao Instituto Superior de Contabilidade e Auditoria de Moçambique, em parceria com a Universidade de Aveiro e o IPAD, a realização deste encontro. De referir ainda o XIII Encontro das PME do Sector das Telecomunicações, no qual o Projecto Pensas também participou, com a apresentação de um artigo da autoria do coordenador do projecto, António Batel Anjo. “Uma nova sociedade exige uma rede de telecomunicações em fibra óptica como infra-estrutura básica” foi o tema exposto e no qual se destacou o Projecto Pensas, como exemplo de utilização das redes de banda larga para a formação e treino de professores.

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ENSINO EXPERIMENTAL DAS CIÊNCIAS

Com o objectivo de trazer o trabalho experimental para o cerne do ensino, reforçando o papel da ciência no processo de ensino aprendizagem e a integração das novas tecnologias, o Projecto Pensas desenvolveu com os Técnicos Pedagógicos

Bancada Móvel de Ciências como uma nova oportunidade de ensino

do Ministério da Educação uma Bancada de Ciências Móvel (BMC).

A criação do gosto pelo ensino tradicional de ciências nos alunos e nos professores tem-se revelado, ao longo do tempo, pouco eficaz, criando na sociedade um afastamento cada vez maior em relação às questões das ciências. De acordo com os resultados obtidos em aferições internacionais, nomeadamente no projecto PISA , verifica-se que esta situação se estende também a outras áreas de conhecimento. No caso das ciências, tem havido em vários países movimentos de reforma curricular, desde os projectos de intervenção da década de 60 até acções mais localizadas e orientadas a aumentar o conhecimento dos estudantes sobre vários tó-

Esta BMC aloja um conjunto de material essencial à realiza-

picos da Física, da Química e da Matemática e sobre as difi-

ção de variadas experiências de diferentes áreas científicas,

culdades específicas de aprendizagem que eles enfrentam.

tais como a Física, Química e Biologia, dispensando um am-

No entanto, é preciso enfatizar que o ensino, não só de ciên-

biente especial reservado a tais actividades.

cias, é uma actividade complexa e problemática por não exis-

A questão que se coloca é: o laboratório pode ter um papel

tir uma tradição e práticas sociais de ensino suficientemente

mais relevante para a aprendizagem? Sem dúvida! O que

estáveis que possam ser amplamente compartilhadas e que

necessitamos é de formação adequada com objectivos bem

resistam às mudanças contínuas.

precisos para explorar as actividades experimentais de uma

Já em Moçambique, a educação como absoluta prioridade nacional ainda permanece no plano político e ideológico que norteia o Sistema de Ensino Moçambicano. No entanto, existe um conjunto de mudanças importantes e urgentes que vão sendo proteladas, como a valorização dos espaços

forma mais criativa e eficiente e com propósitos bem claros. É necessário criar oportunidades para que o ensino experimental e o ensino teórico se efectuem em concerto, permitindo ao estudante integrar conhecimento prático e conhecimento teórico.

educacionais, a valorização da profissão docente e progra-

São estes os propósitos do Pensas no que diz respeito ao En-

mas abrangentes para o aperfeiçoamento e desenvolvimento

sino Experimental das Ciências e a todo o trabalho que está a

destes profissionais. Em paralelo, as várias disciplinas que

desenvolver com o Ministério de Educação de Moçambique.

compõem o currículo apresentam problemas específicos de aprendizagem. Salienta-se a extrema importância das actividades experimentais de ciências para o desenvolvimento dos alunos e da sua aproximação às ciências. Estas não podem ser descartadas para o bem dos professores, dos estudantes e da própria escola, que poderia ter a tentação de repensar o aproveitamento do tempo destinado a tais actividades, bem como ocupar as salas especiais de laboratório com outras acções.

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O estudo PISA foi lançado pela OCDE (Organização para o Desenvolvimento e Cooperação Económico), em 1997. Os resultados obtidos nesse estudo permitem monitorizar, de uma forma regular, os sistemas educativos em termos do desempenho dos alunos, no contexto de um enquadramento conceptual aceite internacionalmente. O PISA procura medir a capacidade dos jovens de 15 anos para usarem os conhecimentos que têm de forma a enfrentarem os desafios da vida real, em vez de simplesmente avaliar o domínio que detêm sobre o conteúdo do seu currículo escolar específico.


UM DOS MELHORES, SENÃO O MELHOR, DE TODOS OS PROJECTOS QUE JÁ VI EM VINTE E TRÊS ANOS DE ACTIVIDADE NA COOPERAÇÃO INTERNACIONAL Por Carlos Sangreman O Pensas é um projecto que tem crescido sempre numa afirmação de sucesso. Um projecto com inovação permanente e com um “tronco central” feito de uma cultura organizacional ou identidade colectiva da equipa e dos vários actores envolvidos. Tenho a convicção de que é um dos melhores, senão o melhor, de todos os projectos que já vi em vinte e três anos de actividade na cooperação internacional. O Pensas é relevante porque faz a passagem entre o bemestar de alunos e professores dum nível baixo de vida (vide indicadores como o IDH do país) para um nível de utilização das tecnologias que corresponde noutros países a patamares de indicadores de bem-estar superiores. Os alunos e professores participam num mundo muito mais avançado – segundo o que julgo serem os seus padrões de bem-estar – na utilização de tecnologias para o ensino do que nos restantes aspectos das suas vidas. O projecto Pensas em Moçambique, incluído no Programa Integrado de Cooperação entre Portugal e aquele país, constitui um dos exemplos do empenhamento da Universidade e da Cooperação portuguesa, via IPAD e embaixada de Portugal em Maputo, onde a área das tecnologias que é a marca distintiva na sociedade portuguesa da Universidade de Avei-

A utilização de uma rede estruturada de computadores ligados à Internet, permite dinamizar uma rede de Escolas espalhadas pelas várias Províncias, para que se possa desenvolver um elo de união em torno da promoção do gosto pela Língua Portuguesa, pela Matemática, pela Biologia e pelas Tecnologias, muito difícil de executar de outra forma.

ro, consegue fazer a ponte entre os técnicos especialistas, os

A ideia é descentralizar a formação e ajustá-la à realidade,

docentes e os alunos nas escolas de diferentes povoações

quer dos formandos quer das escolas, adequando os conteú-

por todo o território, de uma forma inovadora e coerente com

dos do ponto de vista científico e didáctico ao Sistema de En-

a política de utilização de tecnologias que o Governo Moçam-

sino Moçambicano, para que depois sejam disponibilizados,

bicano tem definida.

através de uma plataforma de ensino assistido, a todo o País.

O objectivo deste projecto enquadra-se na política definida

O projecto promove também formação da mais alta quali-

pelo Governo Moçambicano de descentralizar e modernizar os Métodos de Ensino e Aprendizagem, com uso das tecnologias de comunicação. Com o esforço efectuado numa cobertura de todo o País, através de uma rede de banda larga, tem sido possível descentralizar o acesso à Internet, lutar contra a info-exclusão e promover o ensino através das novas tecnologias.

dade, como os quadros sobretudo do Relatório de 2009 ilustram, não só no nível de formadores, como o recente programa de formação – Oficina de Formação para 2008-2009, mas também à presença na Cidade da Beira – Centro Pensas da Beira, localizado no Colégio Académico da Beira – de dois Licenciados que dão suporte a este processo de formação contínua.

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PENSAS Manuais criados a pensar nas necessidades dos professores moçambicanos Identificadas as debilidades do sistema de ensino moçambi-

“Pensar a Língua Portuguesa” é o título do manual de apoio à formação, e que é fornecido a todos os professores. Foram elaborados diferentes manuais, de acordo com as temáticas abordadas em sala de aula, destacando-se, por exemplo, a coesão e coerência textual, a acentuação e a ortografia.

cano, a primeira opção do Projecto Pensas, aquando da sua

No ensino da Matemática, o método de aprendizagem assen-

implementação em Moçambique, foi a aposta forte na forma-

tou, sobretudo, na necessidade de se suprirem algumas la-

ção de professores. Uma formação que é dada por duas pro-

cunas verificadas ao nível da formação científica e didáctica.

fessoras portuguesas, uma da área da Matemática e outra

“O que se pretendeu foi apostar em novas formas de pensar

do Português, que têm a missão de percorrer os dez centros

a Matemática”, pode ler-se no relatório Pensas de 2009.

Pensas espalhados pelo país. De acordo com o relatório Pensas de 2009, estima-se que perto de 200 professores tenham sido abrangidos pela formação dada nos centros, num total de mais de 52 mil alunos. Recorde-se que em cinco anos, foram já formados mais de 500 professores moçambicanos. Como ferramenta de auxílio às formações, o Projecto Pensas, com o apoio da Universidade de Aveiro, desenvolveu um manual de Língua Portuguesa e um de Matemática que têm a particularidade de terem em conta e de irem ao encontro das necessidades identificadas. “Os conteúdos foram cuidadosamente estudados, a fim de

Tal como no Português, também para o ensino da matemá-

não se criar uma ruptura com o público-alvo”, mas sim “ir

tica foram criados manuais próprios desta formação, que

ao encontro das suas mais profundas necessidades”, nunca

abordam temas como a geometria, a proporcionalidade, as

negligenciando a realidade cultural moçambicana.

equações e inequações,

Mas afinal em que consiste a formação que é disponibilizada

O papel das formadoras é de extrema importância no con-

nos Centros Pensas? A pergunta é pertinente, mas de fácil

texto do trabalho desenvolvido pelo Pensas. É a elas que

resposta, uma vez que existe já uma estratégia de ensino

cabe identificar as principais dificuldades dos professores e

bem definida e estruturada e que, ao longo dos anos, tem

encontrar novas formas de combater essa realidade, contri-

sido reconhecida pelas mais variadas entidades.

buindo para o aumento da qualidade do ensino.

Começando pelo Português, tentou-se identificar as prin-

As novas tecnologias são outras das ferramentas utilizadas

cipais dificuldades sentidas pelos professores, tendo sido

nas formações dos Centros Pensas, como complemento aos

identificadas como principais problemáticas as regências

manuais. Assim sendo, tem-se apostado no recurso a pro-

verbais, as concordâncias (em género e número) e a colo-

gramas como o “Hotpotatoes” (Língua Portuguesa), o “Graf”

cação pronominal. Procurou-se, então, estudar os aspectos

e o “Geogebra” (Matemática), como forma de criar um maior

gramaticais e linguísticos, indo ao encontro do que havia já

interesse pelo ensino, através de uma forma de aprendiza-

sido sugerido pelos próprios professores.

gem mais dinâmica e interactiva.

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PÓS-GRADUAÇÕES EM LÍNGUA PORTUGUESA E LITERATURAS DE EXPRESSÃO PORTUGUESA Com o intuito de cooperar num plano estratégico de conso-

tuguesa (Português Avançado I e Conteúdos e Ferramentas

lidação, expansão e melhoria do sistema de formação dos

para o ensino do Português I e II), de Ciências da Linguagem

professores de Português em Moçambique e dos licenciados

(Técnicas de Expressão do Português) e de Estudos Literá-

moçambicanos na área das Humanidades, o Departamento

rios (Literatura Moçambicana e Literaturas em Língua Portu-

de Línguas e Culturas da Universidade de Aveiro, em parce-

guesa). A sua estrutura modular está, assim, orientada para

ria com o Ministério da Educação e Cultura de Moçambique

profissionais ou futuros profissionais que procuram forma-

e com o apoio do IPAD (Cooperação Portuguesa), deu início,

ção complementar específica ou actualização de competên-

no dia 26 de Julho de 2010, aos cursos de Especialização em

cias nestes domínios.

Língua Portuguesa e Literaturas de Expressão Portuguesa, que vão complementar, tal como o Mestrado com o mesmo nome que arranca em meados do próximo ano, as acções de formação de professores Português, iniciadas em 2007, nos diferentes Centros da Rede Pensas.

2. Mestrado Com a duração de dois anos ou quatro semestres lectivos, correspondentes a 120 ECTS, o Mestrado em Língua Portuguesa e Literaturas de Expressão Portuguesa responde

Integrados num projecto de cooperação designado ForLín-

igualmente a necessidades de formação específica nas áre-

gu@MOZ — Formação em Rede para o Desenvolvimento da

as científicas de Língua Portuguesa (Português Avançado I

Língua Portuguesa em Moçambique, estes cursos visam dar

e II), de Ciências da Linguagem (Morfossintaxe Comparada

um contributo para suprir a reduzida capacidade das insti-

do Português e Linguística Textual) e de Estudos Literários

tuições de ensino superior moçambicanas na atribuição de

(Teoria da Literatura, Literaturas Africanas de Expressão

graus académicos de pós-graduação reconhecidos inter-

Portuguesa, Literatura Moçambicana e Literaturas em Lín-

nacionalmente, bem como a insuficiência de condições lo-

gua Portuguesa). Este ciclo de estudos, que confere o grau

gísticas e humanas que permitam a progressão académica

de Mestre pela Universidade de Aveiro, tem como objectivos

dos professores e licenciados de Moçambique. Enquadram-

específicos desenvolver a capacidade de conciliar a reflexão

se, assim, numa estratégia de desenvolvimento científico e

teórica com a capacidade de aprofundar competências de

cultural deste país de língua oficial portuguesa e têm como

análise literária; desenvolver as competências oral e escrita

objectivo contribuir para o dotar de recursos humanos quali-

em Português; fomentar o uso das Tecnologias de Informa-

ficados que respondam às múltiplas necessidades de ensino

ção e Comunicação no processo de ensino e aprendizagem; e

do Português.

contribuir para a divulgação e afirmação do Português como

Desenhados para funcionar em regime de b-learning, tanto o Curso de Especialização como o Mestrado repartem as suas

língua internacional, respeitando as suas variantes nacionais.

aulas por sessões a distância e por sessões presenciais, que

Registe-se que, no 2.º ano, o aluno poderá optar entre a área

decorrerão nas cidades da Beira (Colégio Académico) e de

de Ciências da Linguagem e a área de Estudos Literários

Nampula (Escola Lusófona).

para fazer a sua dissertação de Mestrado.

1. Curso de Especialização

Estes dois ciclos de estudos constituem, assim, um instru-

Com a duração de um ano ou dois semestres lectivos, cor-

nhecimentos e competências, bem como um meio privilegia-

respondentes a 48 ECTS, o Curso de Especialização em Lín-

do de formação científica necessária ao exercício de docência

gua Portuguesa e Literaturas de Expressão Portuguesa, in-

e a uma investigação autónoma por parte dos professores

crementando o uso das novas Tecnologias no processo de

de Português em Moçambique, abrindo-lhes caminhos para

ensino e aprendizagem, pretende responder a necessidades

uma eventual prossecução de estudos ao nível do 3.º ciclo

de formação específica nas áreas científicas de Língua Por-

(Doutoramento).

mento de valorização profissional e de actualização de co-

23


Revista Pensas 1  

Revista do Projecto Pensas

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