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ÍN DICE

FICHA TÉCNICA Propriedade e edição Universidade de Aveiro Projecto Matemática Ensino Projecto Pensas Director António Batel Anjo Coordenação Soraia Amaro Design/Grafismo Pedro Silva Redacção António Batel Anjo Soraia Amaro Fotografias Rui Basílio Arquivo Pensas Tiragem 1000 Exemplares

5 4, 3, | 7 o | 6, çã Ac ção a m c e du ão aE aç od c i m g r ó 8, 9 Fo nol ne | Tec mba o a n h Pla o: In entr ao C r a Lug as | 10 s Pens Centro nais de Ciência | 11, Competições Regio

12, 13

Circulos de Interesse de Matemática | 14, 15, 16, 17

Dias d a Educ ação e do Des envolv Form imento ação | 18, 19 Pen sas Laç | 20, os 21 de Lus Ag o f oni en a: G da em |2 ina 3 ção de Esc ola sT écn ica s| 22


FORMAÇÃO

EM ACÇÃO PROFESSORES DO ENSINO SECUNDÁRIO CONSOLIDAM FORMAÇÃO EM PORTUGAL

O Pensas continua o seu caminho na Cooperação para o Desenvolvimento com Moçambique. Em 2012, e depois de ultrapassar os cincos anos de idade, assumimos a responsabilidade de fazer cada vez melhor. A integração na política nacional do MINED é bem patente no convite para apresentar este projecto na reunião anual da Direcção Nacional do Ensino Secundário, que decorreu no Dondo, Sofala, em Junho. Apoiar a formação de professores é cada vez mais um acto nobre para todos que trabalhamos neste projecto. Os programas de formação sucedem-se em várias frentes, desde a formação presencial definida no programa de actividades para este ano até à formação em Ensino Experimental, usando a Bancada Móvel de Ciências. Mas os desafios vão crescendo. O apoio à construção do Museu de Ciência Viva na Escola Francisco Manyanga, Maputo, está a dar passos concretos e rápidos para que, com a sua inauguração, se comemorem os 100 anos do Museu de História Natural em 2013. Continuamos com o mesmo espírito de sempre: COOPERAR PARA APRENDER, APRENDER PARA INOVAR NUMA ESCOLA DE FUTURO.

A ÚLTIMA EDIÇÃO DA FORMAÇÃO EM ACÇÃO TROUXE A PORTUGAL TRÊS PROFESSORES DE MATEMÁTICA DO ENSINO SECUNDÁRIO MOÇAMBICANO, QUE TIVERAM A OPORTUNIDADE DE INTERAGIR COM O SISTEMA DE ENSINO PORTUGUÊS, APROFUNDANDO A SUA FORMAÇÃO.

semelhança dos anos anteriores, a Formação em Acção levou a Portugal três professores de Matemática do Ensino Secundário moçambicano. Entre os dias 12 e 21 de Março de 2012, esta iniciativa do Pensas decorreu tendo por base as instalações do projecto, na Universidade de Aveiro, e alguns espaços escolhidos para fomentar o contacto destes docentes com os métodos de ensino utilizados pelos professores portugueses. Seleccionados pelo Ministério da Educação de Moçambique (MINED), os professores de Matemática Inês Inteiro, Guerra Rangeiro e Sérgio Togarepe, provenientes das escolas secundárias de Gondola, Chinhamapero e Samora Machel, respectivamente, foram acompanhados pela técnica pedagógica de Matemática na Direcção Nacional do Ensino Secundário Gina Guibunda Longamane. Esta formação teve em consideração quatro vertentes fundamentais: por um lado, o trabalho com professores de Matemática do 3º Ciclo do Ensino Básico e Secundário da Escola Secundária José Estêvão, em Aveiro, no sentido de interagir com o sistema de ensino português e perceber diferentes abordagens, nomeadamente no que respeita ao uso das novas tecnologias na sala de aula. 3


or outro lado, fez parte da agenda dos três professores a visita à Escola Superior Aveiro Norte (ESAN) e a algumas empresas parceiras, tendo em conta a relação importante que é mantida entre estas. Se, por um lado, a ESAN procurou adaptar a sua oferta de Cursos de Especialização Tecnológica às necessidades das empresas locais, estas empresas absorvem hoje uma boa parte dos alunos aqui formados, constituindo, em conjunto, um relevante

motor de crescimento para a região. A par com o contacto com o Projecto Matemática Ensino (PmatE) e o trabalho que é desenvolvido nas áreas da produção de conteúdos, educação financeira e ferramentas de apoio ao ensino à distância, os professores Inês Inteiro, Guerra Rangeiro e Sérgio Togarepe realizaram ainda algumas visitas de carácter cultural, por considerar o projecto Pensas que a vertente cultural se reveste de uma importância incontornável.

VAMOS SAIR DAQUI COM UMA NOVA VISÃO DA ABORDAGEM ÀS QUESTÕES CIENTÍFICAS E AO AMBIENTE EM SALA DE AULA

Em entrevista à Revista Pensas, os professores são unânimes no que respeita à avaliação da iniciativa: “É muito positiva”. Para Inês Inteiro, “o contacto com as tecnologias é muito importante, até porque, com as tecnologias, dentro de uma aula de 90 minutos pode-se abordar muitos conteúdos e poupar muito tempo”, diz esta professora com seis anos de actividade. Já Sérgio Togarepe considera que a “interacção entre os professores dos dois países mostra que é vantajoso para ambos os lados”, enquanto Guerra Rangeiro garante: “vamos sair daqui não só com uma nova visão da abordagem às questões científicas como também do ambiente em sala de aula”.

Também elegem, de forma unânime, os pontos que acharam mais interessante: as oficinas pedagógicas da escola anfitriã, os CET e a plataforma online. “As oficinas pedagógicas foram o que mais me chamou a atenção… por ser um espaço para os alunos trocarem ideias, que puxa pelos que têm mais dificuldades”, aponta Guerra Rangeiro, professor há quatro anos. “Gostava de implementar algo semehante, mas estou ciente de terei algumas 4

dificuldades, nomeadamente com o espaço. As escolas em Moçambique são muito numerosas…”, realça. “Os CET, que são cursos que privilegiam alunos vindos do Ensino Secundário e que trabalham em ligação com as fábricas, achei-os muito importantes, porque a pessoa sai a saber fazer algo, e isso é muito útil”, sublinha Sérgio Togarepe. Em relação à plataforma, é apontada como “uma tecnologia bem explorada pelos professores, alunos e encarregados de educação. É neste espaço que os professores colocam tarefas, testes modelo, calendários de realização de testes e outros aspectos ligados ao processo de ensino; os alunos apresentam dúvidas e os encarregados de educação controlam as actividades”. Os professores destacam como vantagem o ensino mais centralizado no aluno que encontraram em Portugal, difícil de implementar em Moçambique devido ao número de alunos por turma. Também “a motivação e alegria que os professores transmitem” foi notada por Sérgio Togarepe. “Há menos formalidade entre professores e alunos, estão todos mais à vontade”.


EM LINHAS GERAIS PODEMOS DIZER QUE COLHEMOS EXPERIÊNCIAS BASTANTE POSITIVAS

,

QUE SERVIRÃO DE IMPULSO PARA MELHORAR A NOSSA ABORDAGEM NAS ACTIVIDADES PEDAGÓGICAS QUE VAMOS DESENVOLVER NO NOSSO PAÍS, MESMO RECONHECENDO QUE MUITAS DAS EXPERIÊNCIAS COLHIDAS, NÃO SERÃO FÁCEIS DE IMPLEMENTAR, VISTO QUE, A NOSSA REALIDADE É DIFERENTE PRINCIPALMENTE NO QUE RESPEITA AO RÁCIO PROFESSOR-ALUNO MAS NOS COMPROMETEMOS EM ADEQUAR TUDO O QUE APRENDEMOS A NOSSA REALIDADE E PARTILHAR COM OUTROS COLEGAS MOÇAMBICANOS FAZENDO VALER DESTA FORMA A DISPONIBILIDADE DO PROJECTO PENSAS EM NOS DAR A CONHECER OUTRA REALIDADE.

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PLANO TECNOLÓGICO DA EDUCAÇÃO

GOVERNO DE MOÇAMBIQUE APOSTA NAS TECNOLOGIAS NA SALA DE AULA CONSCIENTE DE QUE, PARA QUE A EDUCAÇÃO ASSUMA UM PAPEL PREPONDERANTE NA QUALIFICAÇÃO DOS MOÇAMBICANOS, É ESSENCIAL UMA APOSTA FORTE E INTEGRADA, O GOVERNO DE MOÇAMBIQUE ESTÁ A AVANÇAR COM A INTRODUÇÃO DAS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (TIC) NO SISTEMA DE ENSINO DE FORMA GLOBAL Esta aposta extravasa a componente técnica, de equipamentos e infra-estruturas, e abraça também a capacitação dos vários intervenientes. Presentes na Educontek, a I Feira Internacional de Conteúdos e Tecnologias para a Educação da Universidade de Aveiro, em Abril, Augusto Jone Luís, vice-ministro da Educação de Moçambique, e Kauxique Maganlal, Director Nacional para o Desenvolvimento das Tecnologias, apresentaram o Plano Tecnológico da Educação para um público atento de investidores portugueses e brasileiros.

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Plano Tecnológico da Educação (PTE) de Moçambique é um projecto coordenado pelo MINED, que conta com o Projecto Pensas como um dos seus principais impulsionadores. Este plano preconiza a evolução do sistema de ensino com base numa política integrada que combina a capacitação logística, através do equipamento e da Internet; a capacitação e mobilização dos professores; novos conteúdos e avaliação constante e, por fim, uma nova abordagem em termos de gestão administrativa e escolar. Desta forma, estará a desenvolver as competências técnicas e de literacia críticas para o país, a promover a evolução do modelo de ensino através da introdução gradual das TIC e a promover um novo paradigma de aprendizagem, centrado no aluno. É objectivo deste plano que o impacto do seu desenvolvimento extravase a Educação e o sistema educativo, permitindo a Moçambique fortalecer a competitividade da sua economia e, ao mesmo tempo, reduzir as diferenças sociais. Para além do apetrechamento das escolas, o PTE, co-desenvolvido pelo Projecto Pensas, irá ministrar formação aos professores e disponibilizar financiamento para a aquisição de computadores pessoais. Desta forma, acredita-se, estaremos a preparar professores, alunos, escolas e sociedade em geral para o futuro. As previsões do PTE apontam para que o número de salas equipadas, no país, aumente 42 vezes, para que o número de escolas com ligação à Internet cresça 31 vezes e que o número de professores capacitados se multiplique 18 vezes, entre 2011 e 2016. Em contrapartida, o número de alunos por PC deverá ser reduzido 37 vezes, passando dos actuais 1.084 para os esperados 29, em 2016.

ENTREVISTA AUGUSTO JONE LUÍS, VICE-MINISTRO DA EDUCAÇÃO DE MOÇAMBIQUE

Apesar disso, Augusto Jone Luís quer ver as TIC na sala de aula. O vice-ministro da Educação destaca ainda a formação de professores e a criação de conteúdos interactivos como prioridades deste Plano Tecnológico da Educação

Qual é o principal objectivo deste plano? O nosso principal objectivo é fazer com que as tecnologias de comunicação e informação entrem na sala de aula, porque até à década de 80 a informática era novidade no país e os computadores ainda eram um luxo. E hoje, que as nossas crianças têm cada vez mais acesso às tecnologias, a sala de aula também tem de se tornar mais dinâmica. Primeiro queremos apostar na formação de professores, para que o professor entenda que as tecnologias não são uma ameaça ao seu trabalho, um adversário que os vai substituir, porque o papel do professor é o de educador, e não há tecnologias que possam substituir isso. Queremos que haja maior interactividade, que o processo de aprendizagem seja mais dinâmico, atractivo. E nós temos as tecnologias, mas a componente educacional ainda não desenvolvemos. Queremos desenhar conteúdos para o Ensino Primário, Secundário, para a formação de professores, para as universidades, e também para a preparação dos estudantes para os exames de admissão e para o ensino à distância.

Quais são as metas do Plano Tecnológico da Educação? Começamos por partir da realidade que temos e vamos procurando financiamento para alimentar este grande plano. Temos uma primeira grande empresa a apostar neste plano, a Movitel, que até 2014 vai colocar Internet em quatro mil escolas. Temos de ter em conta que Moçambique tem cerca de 128 distritos, divididos por 11 províncias… Estamos a falar de 22 milhões de cidadãos. Por isso, outra

O USO DO COMPUTADOR COMO FERRAMENTA NA

SALA DE AULA AINDA

É UM DESAFIO

grande frente é colocar energia nestes locais, para que o acesso à Internet dependa de uma energia fiável. E agora vamos eleger algumas escolas secundárias e todos os Institutos de Formação de Professores (IFP) – porque consideramos que a formação de professores constitui um elemento multiplicador, já que anualmente forma 11 mil professores – para avançar com a implementação.

De onde virá o financiamento para este plano? Para começar, do Governo Moçambicano e do fundo para a cooperação. Depois, a nossa grande aposta são as grandes empresas de Moçambique - empresas de comunicação, os grandes bancos – que também vão ganhar com este desenvolvimento. Portugal é também um parceiro importante, sobretudo na criação de conteúdos, que queremos que avance rapidamente.

Qual é o papel do Pensas enquanto parceiro neste PTE? O Pensas tem actividades concretas em Moçambique, nomeadamente na área da formação de professores. Também têm vindo a Portugal professores e agora estamos a fazer uma aposta nos IFP: virão professores de Matemática e Língua Portuguesa. Para além disso, o Pensas está a trazer um elemento novo: a desmistificação da Matemática, a sua popularização, que é muito importante, porque muitos jovens se estão a afastar das áreas com matemática, e o país precisa muito, por exemplo, de engenheiros.

Esta parceria terá especial destaque em alguma área? Temos de pensar aqui nos conteúdos para o Ensino Primário, porque temos problemas de leitura e escrita… Outra área sensível é a preparação dos jovens para a Universidade, a elaboração dos conteúdos de preparação dos jovens para os exames nacionais… porque a existência de conteúdos digitais, que os alunos possam trabalhar em grupo, fazer revisões… será uma mais-valia importante. E o Pensas será muito importante nesta área, que vai ser o ponto forte do nosso Plano Tecnológico: não é apenas trazer a informática para a sala de aula, mas fazer com que o professor veja nas TIC, e particularmente nos conteúdos digitais e interactivos, uma peça fundamental no processo educativo. 7


EQUIPADO COM COMPUTADORES E LIGAÇÃO À INTERNET, O CENTRO PENSAS DE INHAMBANE ESTÁ A TRABALHAR DESDE 2007, PROPORCIONANDO FORMAÇÃO NAS ÁREAS DA MATEMÁTICA E LÍNGUA PORTUGUESA AOS PROFESSORES DESTA PROVÍNCIA

Dinamismo do Pensas move professores e alunos em Inhambane

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Centro Pensas de Inhambane está instalado na Escola Secundária Emília Daússe. Funciona desde 2007 e já recebeu várias formações do projecto Pensas em Matemática e Língua Portuguesa, que abrangem, a cada edição, 20 professores de cada uma das áreas. Equipado com oito computadores e ligação à Internet, o Centro Pensas permite a professores e alunos o acesso às novas tecnologias e à rede global, bem como a ligação à PEA – Plataforma de Ensino Assistido, que suporta o projecto. Em 2011, o Centro Pensas de Inhambane recebeu, pela primeira vez, as Competições Regionais de Ciência. Organizadas pelo Pensas em Moçambique desde 2009, estas competições destinam-se aos alunos do Ensino Secundário e têm como objectivo promover o contacto destes com as Ciências de uma forma lúdica e divertida. Ao estender as competições ao Centro de Inhambane, o Projecto Pensas alargou a sua acção nesta província ao trabalho directo com os alunos, à semelhança o que já acontecia na Beira e em Nampula. Cerca de 150 crianças da Província participaram, pela primeira vez, nestas provas, que se repetem em 2012 no Centro Pensas de Inhambane. O Centro de Inhambane acolheu a entrega dos prémios do EquaMat@Moz, Competição Nacional de Ciência e, apesar de participar pela primeira vez nestas provas, os alunos desta Província não se deixaram intimidar, conquistando os primeiros lugares e levando para casa computadores novos. O ano de 2011 foi, aliás, produtivo para este Centro, que foi palco do primeiro Curso de Especiaização

em Línguas e Literaturas de Expressão Portuguesa nesta Província. Vinte professores optaram por dar continuidade à sua formação, à semelhança do que já tinha acontecido nos anos anteriores, nas cidades da Beira e Nampula. Também seguindo o modelo de formação já aplicado nestas Províncias, estes docentes seguem agora para Mestrado. O trabalho do Pensas no Centro de Inhambane tem sido bem recebido pelos professores que destacam, entre outros pontos positivos, a importância do uso das tecnologias e a possibilidade de trocar experiências com outros docentes e com as formadoras do projecto. Orlando Massicame, professor de Matemática na Escola Secundária de Muelé, considera que “estas formações vêem ajudando muito, ao dar uma visão mais ampla dos processos pedagógicos”. Decidiu participar para enriquecer as suas “habilidades intelectuais, pedagógicas e científicas de transmissão de conhecimentos” e propõe mesmo o alargamento dos dias dedicados à formação, por considerá-la “importante para formar e capacitar os professores de instrumentos sólidos para o domínio da Ciência”. Na área do Português, também o professor Carlos Inhassunge acredita que “as acções de formação organizadas pelo Projecto Pensas vêm dar aos professores uma mais-valia em relação aos conteúdos temáticos em que os alunos apresentam mais dificuldades”. Ao explorar estes conteúdos durante a formação, “permite-nos conduzir as aulas dando aos alunos auxílios trazidos da formação, que permitam aos mesmos uma compreensão sólida da matéria”, afirma este professor da Escola Secundária Emília Daússe.

Entrevista com

GRAÇA FRANCISCO Directora do Centro Pensas de Inhambane

A APOSTA NAS NOVAS TECNOLOGIAS PELO PROJECTO PENSAS É UMA MAIS-VALIA Que balanço faz do trabalho desenvolvido pela Projecto Pensas em Inhambane? O balanço do trabalho desenvolvido pelo Projecto Pensas em Inhambane é claramente positivo. O Pensas, no âmbito do melhoramento do ensino e aprendizagem através de formação dos nossos professores em cursos de especialização e a realização das competições nas disciplinas de Português e Matemática entre escolas da província, ocupa um lugar de destaque, por se tratar de acções que directamente contribuem de forma positiva para o rendimento dos nossos alunos.

Que vantagens trouxe a instalação deste Centro? A aposta nas novas tecnologias pelo Projecto Pensas é uma mais-valia. Estas tecnologias servem para aproximar as nossas diferentes comunidades, entre si, e também com o resto do mundo. Pelo que tenho podido observar, estes Centros servem como bibliotecas electrónicas para os docentes e alunos.

Quais as principais necessidades dos professores de Inhambane?

Por um lado, material didáctico. Por outro, as várias línguas e forma de pensar e transmitir o conhecimento matemático também constituem um problema, atendendo às dificuldades dos professores no que diz respeito à Língua Portuguesa.

Deve-se actuar a nível da gramática, quer para o desenvolvimento do Português quer para o da Matemática.

O que se espera para o futuro do Centro Pensas de Inhambane? Espero que o projecto tenha continuidade no futuro. Para além disso, é necessário mais equipamento informático de tecnologia da ponta, uma vez que as peças dos computadores existentes estão descontinuadas, o que torna a sua substituição impossível. E seria vantajoso que a formação dos professores abrangesse outras áreas científicas. 9


INAUGURADO EM NACALA

AGOSTO DE 2011 CENTRO PENSAS DE LICHINGA DE PORTAS ABERTAS

O Centro Pensas de Lichinga, na província do Niassa, foi inaugurado em Agosto de 2011, altura em que ficaram reunidas as condições físicas para o funcionamento das actividades dinamizadas pelo Projecto Pensas. a inauguração do Centro marcaram presença professores de Língua Portuguesa e Matemática de todas as escolas da cidade, bem como um elemento representante do director dos Serviços de Juventude da cidade, o chefe do departamento dos Recursos Humanos Direcção Provincial da Educação e Cultura do Niassa e o director do Instituto de Formação de Professores (IFP) de Lichinga, espaço que acolhe este Centro. À semelhança dos outros nove centros Pensas existentes em Moçambique – nas cidades da Beira, Nampula, Chokwé, Inhambane, Chimoio, Quelimane, Nacala, Moatize e Pemba -, também está equipado com computadores e ligação à Internet. Depois das acções de formação que se seguiram à inauguração, o Centro Pensas de Lichinga volta a receber as formadoras do Projecto para acções de formação de Língua Portuguesa e Matemática durante os meses de Janeiro, Fevereiro e Março de 2013. Domingos Quenklave é o director do Centro de Formação de Professores de Lichinga desde 2009, e vê com satisfação a instalação do Centro Pensas neste IFP. “Constitui uma responsabilidade acrescida para o IFPLichinga receber este Centro, 10

mas ao mesmo tempo contribui para uma uniformização dos métodos de ensino da Língua Portuguesa e da Matemática ao nível dos professores das escolas secundárias da cidade de Lichinga”, aponta o director, lembrando que “os exames de admissão aos IFP assentam basicamente nas disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática, para os alunos que concluíram a 10ª classe. Isto significa que, se os alunos das escolas secundárias tiverem melhores professores a estas disciplinas, farão melhor os exames de admissão aos IFP e, como último resultado, teremos bons futuros professores”. Para Domingos Quenklave, o funcionamento do Centro poderá “facilitar aos professores a descoberta de formas mais simples de leccionar as suas disciplinas de forma criativa, dado que se usa o computador e a Internet”. O director acredita que a partir do Centro de Lichinga, “os professores aprenderão como motivar e incentivar os seus alunos a ter gosto pela Matemática e ainda pela leitura e pela escrita”.

ESFORÇO CONJUNTO

NA GÉNESE DO NOVO CENTRO Também em Nacala, na Província de Nampula, está a nascer um novo Centro Pensas. As formadoras do projecto estiveram recentemente na Escola Luís de Camões, onde deixaram já o material necessário, como os computadores, para dar início aos trabalhos no local. A constituição desta escola como sede do Pensas em Nacala resulta da união de esforços entre os directores administrativo e pedagógico e a associação de pais dos alunos que a frequentam. Entre o primeiro contacto do Pensas com esta escola, muita coisa mudou, desde a direcção à localização, tendo mesmo sido colocada a hipótese de deixar de existir. Estas adversidades, porém, foram ultrapassadas graças à união dos vários intervenientes, estando agora reunidas as condições necessárias para que os trabalhos do Pensas em Nacala possam ter lugar.


COMPETIÇÕES

REGIONAIS DE CIÊNCIA

2012 MELHORES CLASSIFICADOS GANHAM VIAGEM A PORTUGAL

ESTE ANO, O PRÉMIO DAS COMPETIÇÕES REGIONAIS É MUITO ESPECIAL: OS VENCEDORES GANHAM UMA VIAGEM A PORTUGAL, COMO RECOMPENSA PELO SEU BOM DESEMPENHO

s competições regionais de Língua Portuguesa e Matemática acontecem, todos os anos, nos meses de Setembro e Outubro, em várias cidades Moçambicanas. A cada ano, o Pensas procura alargar a sua intervenção junto dos alunos e inovar nas suas abordagens, como novas actividades, novas provas, novos desafios. A edição de 2012 é muito rica em novidades: para além de decorrerem pela primeira vez na cidade de Quelimane, as competições regionais vão levar os melhores classificados de entre os vencedores das quatro cidades que acolhem estas provas até Portugal!

A REVISTA PENSAS FOI FALAR COM ALGUNS ALUNOS E SABER O QUE ESPERAM DESTAS COMPETIÇÕES

Acompanhados pelo seu professor, estes alunos viajarão para Portugal em Abril de 2013, onde ficarão alojados na Universidade de Aveiro e participarão nas Competições Regionais de Ciência, dinamizadas há 23 anos pelo PmatE – Projecto Matemática Ensino para milhares de alunos portugueses. O prémio vem motivando os alunos, que garantem estar a preparar-se com especial cuidado para as provas que os poderão levar numa grande viagem. 11


QUAIS SÃO AS TUAS EXPECTATIVAS PARA ESTAS COMPETIÇÕES? O QUE ACHAS DO PRÉMIO DESTE ANO? GOSTAVAS DE IR A PORTUGAL? O QUE GOSTAVAS DE VER/FAZER LÁ? COMO TE VAIS PREPARAR? VAIS FAZER ALGUM TREINO ESPECIAL? 1. A nossa expectativa é de ganhar o concurso, ter mais conhecimentos, conhecer novas pessoas, fazer novas amizades. 2. Acho que é um bom prémio. Sim gostaria. Gostaria de ver a maneira deles de ser, os hábitos alimentares deles e de ver a cidade de lá. Gostaria de fazer compras, passear, brincar e divertir-me. DENISE MARINA E EDNA LUCÍLIA 14 ANOS

3. Vou estudar, ir às bibliotecas, consultar nos professores as minhas dúvidas.

1. Eu espero ser uma das vencedoras para representar bem a minha escola. 2. Acho que foi muito bem planeado. Sim, com certeza que gostaria e gostaria de ver alguns arquipélagos, restaurantes, igrejas e muito mais. 3. Eu vou preparar-me estudando, tirando dúvidas com alguns professores da escola e com pessoas mais estudadas. Vou fazer sim algum treino especial, porque é muito importante. ESTER 14 ANOS

1. Temos uma expectativa positiva, portanto estudamos muito para poder ganhar uma das três posições. 2. Achamos que esse prémio vai ajudar-nos a complementar os nossos estudos, por esse motivo gostaríamos de ir a Portugal. Em Portugal gostaríamos de trocar experiências, aperfeiçoar a Língua Portuguesa e conhecer escritores portugueses. MANUELA DA CONCEIÇÃO E LEONILDO JORDÃO 14 ANOS

3. Para nos prepararmos vamos usar a gramática, ler dicionários da Língua Portuguesa, pesquisar na biblioteca e na internet. Vamos fazer um treino especial.

1. As minhas expectativas para estas competições são saber algo mais do que aquilo que sei e competir para ganhar um dos prémios. 2. Espero que o prémio deste ano seja muito bom. Claro que gostaria. Gostaria de ver muita coisa, as cidades, as pessoas de lá e muito mais. 3. Vou pedir para os professores me prepararem. ZEFERINO GRÁCIO 14 ANOS

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EM 2011 FOI ASSIM

COM TRÊS CIDADES

A RECEBER AS

COMPETIÇÕES

REGIONAIS

DE CIÊNCIA DE 2011:

BEIRA, NAMPULA

E INHAMBANE Cerca de 400 alunos participaram nestas provas onde o conhecimento se alia à diversão para motivar os jovens moçambicanos a explorar o seu gosto pelas Ciências

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CÍRCULOS DE INTERESSE DE MATEMÁTICA FASE PILOTO ARRANCA EM TRÊS ESCOLAS DA BEIRA

PENSAS É PARCEIRO NA IMPLEMENTAÇÃO DOS

CÍRCULOS DE INTERESSE DE MATEMÁTICA A Direcção Nacional de Ensino Secundário (DINES) de Moçambique lançou, em 2011, um apelo à sensibilização das escolas secundárias do país para a criação de Círculos de Interesse de Matemática (CIM), com vista a melhorar o desempenho de todos os intervenientes do ensino/aprendizagem da disciplina de Matemática. O Pensas abraçou a ideia e vai colaborar na implementação deste projecto

stes CIM serão oficinas práticas onde os professores e os alunos podem explorar vários aspectos relacionados com a Matemática – desde a sua história a algumas curiosidades, jogos didácticos e resolução de problemas - de forma interactiva e atractiva, sobretudo fora do contexto de sala de aula. Um primeiro público-alvo para estes CIM são os alunos que manifestam algum interesse pela disciplina, dando maior realce aos da 8ª classe devido à alta taxa de reprovação que se tem vindo a verificar nesta fase escolar. Para além disso, pretende-se que estes alunos sejam os futuros impulsionadores dos outros colegas que, à partida, possuem uma maior dificuldade em lidar com questões relacionados com a disciplina de Matemática. Espera-se que, com as actividades que irão ser desenvolvidas nos CIM, os professores possam enriquecer as suas metodologias no ensino da matemática e os alunos possam estimular e desenvolver as suas habilidades em pensar de forma independente e criativa, contribuindo assim para o seu processo de construção de conhecimento lógico-matemático. O Pensas, parceiro na implementação desta sugestão da DINES, 14

seleccionou três escolas secundárias da cidade da Beira (Nossa Senhora de Fátima, Samora Machel e Sansão Mutemba) e está a acompanhá-las no arranque das actividades planeadas para os CIM. A escolha da Beira deve-se ao facto desta cidade abrigar o centro sede do Pensas e estas escolas estarem ligadas ao mesmo desde 2009, no âmbito das acções de formação de professores e competições regionais nas áreas de Matemática e Língua Portuguesa, realizados para alunos da 9ª classe. A contribuição do Pensas para os CIM consiste na indicação de propostas de actividades a serem dinamizadas pelos professores responsáveis e no fornecimento de alguns materiais didácticos necessários para a execução dessas actividades. Várias dessas actividades têm, no fundo, a mesma essência que aquelas realizadas no âmbito das competições regionais e que têm a particularidade de mostrar aos alunos e professores que o acto de ensinar e aprender pode ser abordado de forma lúdica. Para além disso, o Pensas acredita no sucesso da criação destes CIM e tenciona criar um espaço virtual de partilha de informações, opiniões, ideias e actividades entre os envolvidos nestes círculos (alunos, professores, escolas, etc.).


AS ACTIVIDADES LÚDICAS CONTRIBUEM

PARA A APRENDIZAGEM E O QUE PENSAM OS PROFESSORES? A PENSAS FOI OUVIR AQUELES QUE, DIARIAMENTE, LIDAM COM O SUCESSO E O INSUCESSO DOS ALUNOS NA DISCIPLINA: OS PROFESSORES DE MATEMÁTICA. ESTES VÊEM COM BOM OLHOS A CRIAÇÃO DOS CÍRCULOS DE INTERESSE DE MATEMÁTICA E ESPERAM VER MUITOS ALUNOS MUDAR A SUA OPINIÃO DE QUE A MATEMÁTICA É UM ‘BICHO-DE-SETE-CABEÇAS’ João Ernesto, professor na Escola Secundária Mateus Sansão Mutemba, lecciona há oito anos. Considera que os CIM são “uma boa iniciativa”, já que “complementam o processo de desenvolvimento psíquico no qual há muito os professores e a sociedade vêm clamando pela melhoria. As actividades lúdicas contribuem para a aprendizagem significativa principalmente quando são feitos em grupo, activando o espírito competitivo”. Para este docente, os CIM devem ser uma ponte entre a educação formal e informal. “Refiro-me a práticas costumeiras nas famílias que enfocam os valores – do respeito, do reconhecimento do sucesso e do fracasso – e os formais no âmbito escolar”. Pela sua parte, irá “motivar, agregar os alunos, instruir e facilitar a aprendizagem de conteúdos lúdicos e dos conteúdos abrangidos nos programas curriculares”. João Ernesto vê com bons olhos este “processo de aquisição de conhecimentos baseando-se nas novas tecnologias”. Considera-o “um passo significativo para o sucesso, por constituir mais uma motivação”.

O professor não duvida da adesão dos alunos, que “adoram e aderem em número muito elevado a iniciativas similares, como é o caso das feiras de ciência”, e considera que seria útil alargar os CIM às ciências naturais, arte, cultura, música e desporto.

Jorge António Oliveira é professor há 15 anos. A leccionar na Escola Nossa Senhora de Fátima, na Beira, encara a criação dos CIM “com muita satisfação e esperança de ver muitos alunos mudar a sua opinião de que a Matemática é um ‘bicho de sete cabeças’”. O docente espera que os alunos possam, neste espaço, praticar muitos exercícios e que passem “a ser amigos da Matemática”. Para este professor, o papel dos CIM deve ser o de motivar nos alunos o interesse pelos conteúdos da disciplina. “Deve ser convidativo à aprendizagem e deve despertar nos alunos o gosto pela Matemática. Os alunos devem descobrir que a Matemática é uma disciplina como as outras, mas que precisa de um pouco de tempo para exercitação”. Por isso, Jorge António Oliveira considera que, no início,

“devem seleccionar-se tarefas simples ligadas ao quotidiano dos alunos, como jogos matemáticos”. Neste aspecto, o uso das novas tecnologias surge como “facilitador da comunicação, troca de experiências e divulgação do que está sendo explorado no âmbito da Matemática”, diz.

Também Jaime Mabessa, professor há 15 anos, encara de forma muito positiva esta iniciativa. Para este professor da Escola Secundária Samora Machel, os CIM são “verdadeiras oficinas onde os alunos lidam com a prática da disciplina” e terão “um papel muito relevante no ensino dos conteúdos de Matemática, pois possibilitam a aprendizagem destes conteúdos de forma segura e consistente, desenvolvendo o raciocínio e a capacidade de interpretação”. Jaime Mabessa acredita que os CIM virão ajudar a resolver os problemas associados aos baixos resultados na disciplina de Matemática, mas apenas “quando todos os envolvidos neste processo derem o seu melhor, desde o professor coordenador das actividades à direcção da escola”.

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OS PROFESSORES DE MATEMÁTICA

SÃO A CHAVE PARA

O SUCESSO

DESTA INICIATIVA

Como surgiu a ideia de criar os CIM? Já fui Director de uma Escola Secundária e testemunhei as grandes dificuldades que os alunos têm na disciplina de Matemática. O medo da Matemática é grande e já vem com eles do Ensino Primário, chegando ao ponto de considerá-la um “bicho-de-setecabeças”, e isto tem contribuído para um baixo aproveitamento pedagógico no Ensino Secundário Geral (ESG). E também pelo facto de poucos alunos no 2º Ciclo do ESG aderirem às áreas que contemplem a Matemática e Ciências Naturais que são aquelas que, a meu ver, garantem o desenvolvimento de um país.

Que objectivos cumprem os CIM?

IVALDO QUINCARDETE É O RESPONSÁVEL PELA IMPLEMENTAÇÃO DOS CÍRCULOS DE INTERESSE EM MATEMÁTICA Tendo a seu cargo a Direcção Nacional do Ensino Secundário (DINES), este professor de Química e Biologia acredita que levar os alunos a enveredar pelas áreas da Matemática é fundamental para o desenvolvimento do país. E este é um trabalho no qual os professores têm um papel fundamental

ENTREVISTA

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O objectivo é melhorar o aproveitamento pedagógico da disciplina de Matemática, ter mais alunos a gostar da disciplina e mais alunos a aderir às áreas com matemáticas no Ensino Superior.

Quais as principais dificuldades identificadas nos alunos? Não sou professor de matemática, pelo que não posso falar em dificuldades específicas, mas sei que os resultados também dependem bastante da metodologia e motivação utilizadas pelo professor no processo de ensino/aprendizagem, o professor deve puxar o aluno, mostrando-lhe que é capaz.

De que forma os CIM podem colmatar estas dificuldades? Identificando bons alunos (que serão os monitores) das classes avançadas (10ª, 11ª e 12ª), sob orientação de um professor de Matemática (coordenador do CIM) de reconhecido mérito e experiência. Esses monitores vão trabalhar com os alunos da 8ª classe aos sábados ou fora dos tempos lectivos, procurando formas simples de induzir o raciocínio lógico através de curiosidades matemáticas e dúvidas que os alunos apresentem. Julgo que começando na 8ª classe, ao longo de uns anos podemos melhorar o aproveitamento pedagógico e o interesse pela matemática por parte dos alunos.


As escolas que tiverem condições para tal poderão também criar um quadro/vitrina para divulgação do CIM e das curiosidades matemáticas, podendo mesmo afixar mensalmente exercícios de matemática para sua resolução que possam estimular a participação dos alunos avaliando e até premiar os melhores participantes.

Acredita que os professores estão sensibilizados para a importância de uma abordagem mais lúdica ao processo de ensino/aprendizagem? Este é o grande problema... Existe a necessidade de os sensibilizar, no entanto, acredito que temos muito bons professores e que estes irão realmente colaborar na divulgação e coordenação desta actividade, que irá, de uma forma geral, contribuir também para a melhoria da qualidade de ensino e do processo de ensino/aprendizagem. Acredito que são os meus colegas professores de Matemática e os Gestores Escolares a chave principal para o sucesso desta iniciativa. Um bom professor de

matemática sabe motivar e ganhar muitos alunos que possam passar a gostar da disciplina. Eles, sim, têm um papel fundamental. Penso que os professores de Matemática irão trabalhar no sentido de relacionar mais a disciplina com a sua aplicação prática no dia a dia, com exemplos concretos, de forma a despertar um maior interesse nos alunos.

Considera que, para além da Matemática, seria vantajoso criar projectos semelhantes noutras áreas? Julgo que sim. Principalmente para as disciplinas de Ciências Naturais, como a Física, a Química e a Biologia, que também têm contribuído com o elevado índice de reprovação no ESG. Existe a necessidade de os professores realizarem aulas práticas laboratoriais, mesmo que não tenham um laboratório propriamente dito (apesar do esforço que o MINED tem feito para apetrechar as escolas com kits e microkits laboratoriais). É perfeitamente possível, com material local, despertar grande

interesse por parte dos alunos pelas Ciências Naturais. E julgo que teríamos ainda mais sucessos, se iniciativas do género começassem logo no Ensino Primário, tendo depois continuidade no Secundário.

Como vê a parceria com o Pensas neste projecto? Acredito que vai ser muito positivo, sobretudo ajudando na sensibilização de gestores escolares, professores e alunos, com vista ao sucesso da iniciativa.

Existem outros projectos que a DINES pretenda implementar num futuro próximo? Qual gostaria que fosse o papel do Pensas nesses projectos? Pretendemos criar anualmente Olimpíadas de Informática e Olimpíadas das disciplinas de Ciências Naturais (Física, Química e Biologia), enquanto iniciativa do MinEd. E a verdade é que o Pensas já tem bastante experiência nestas andanças, daí que seria uma mais-valia para os nossos primeiros passos e para o sucesso destes projectos. 17


DIAS DA EDUCAÇÃO E DO DESENVOLVIMENTO 2012

UM PAÍS DESENVOLVIDO TEM QUE SER UM PAÍS EDUCADO, TAL COMO UM PAÍS EDUCADO TEM QUE SER DESENVOLVIDO

destacar, com presença esperada nos painéis dedicados à “Cidadania e Educação” – onde partilha o espaço de intervenção com Zeferino Martins, ministro da Educação de Moçambique, e os representantes do Camões e da CPLP - e “Educação para Todos – Políticas Públicas” – onde será moderador de uma conversa que inclui, entre outros oradores, a vice-ministra da Educação Leda Florinda Hugo e o reitor da Universidade Católica Portuguesa, Joaquim Azevedo.

ducação e Desenvolvimento andam de mãos dadas, e foi desta forma que Lourenço do Rosário, reitor da Universidade Politécnica de Moçambique, o resumiu na edição de 2011 dos DED - Dias da Educação e do Desenvolvimento. Em 2012, o MINED, a Embaixada de Portugal em Moçambique, o Camões – Instituto da Língua e da Cooperação, o Museu de História Natural, Fundação Portugal-África, a CPLP e o Pensas voltam a organizar os DED, uma semana dedicada ao debate de questões relacionadas com Educação e Desenvolvimento, que decorrer de 16 a 20 de Julho, em Maputo.

A edição de 2012 dedica um espaço especial ao património, tanto físico como cultural. O valioso património do Museu de História Natural está em destaque, no momento em que se comemoram os seus 99 anos de existência. Lucília Chuquela, directora do Museu, Alda Costa, da Universidade Eduardo Mondlane, e o investigador Almeida Guissamulo formam o grupo de discussão desta temática.

Temas como a Educação Formal e Não Formal, o Património e o Desenvolvimento Futuro dão o mote para debates ricos e importantes visões de futuro como, aliás, vem acontecendo nas várias edições. Os principais intervenientes no cenário da Educação e do Desenvolvimento em Moçambique voltam a estar presentes neste encontro, que contará ainda com presenças relevantes para o debate destas matérias. Mário Soares é um dos nomes a 18

Durante o evento, é também apresentado o último livro de Mário Soares, intitulado “Um político assume-se”, um ensaio autobiográfico, político e ideológico cuja apresentação está a cargo de Fernanda Cavacas.

Também o património literário de Moçambique, rico e diverso, está bem entregue: Mia Couto, Nelson Saúte e Paulina Chiziane compõem o painel intitulado “Tempo de Escritores”, dedicado a este importante legado cultural, e que culmina com a declamação de poemas. O encerramento destes cinco dias, numa conferência intitulada “É proibido não tocar!”, está a cargo de António Batel, coordenador do projecto Pensas e assessor do Ministro da Educação de Moçambique, Zeferino Martins, que também estará presente, bem como Mário Godinho de Matos, Embaixador de Portugal em Moçambique.


PENSAS POR DENTRO

E POR FORA A edição de 2011 dos Dias da Educação e do Desenvolvimento contou igualmente com uma semana dedicada ao debate de questões relacionadas com a Educação. Em paralelo, um conjunto de exposições permanentes deram aos participantes deste encontro a possibilidade de conhecer o “Pensas por dentro e por fora”, as experiências com a Bancada Móvel de Ciências ou os projectos ligados ao Ensino Profissional. A elevada qualidade dos oradores foi a principal marca do encontro de 2011, que se destacou como o grande evento da cooperação portuguesa em Moçambique na área. A Educação Ambiental foi uma das temáticas exploradas, bem como a Construção Sustentável, a Divulgação de Ciência e as oportunidades na área do Ensino Técnico. Durante uma semana foram apresentados projectos, pontos de vista, novas abordagens e debatidas as oportunidades de futuro.

REUNIÃO DE CENTROS

PENSAS Porque a avaliação é um processo de grande importância para a continuidade do projecto Pensas, existem reuniões frequentes com o objectivo de efectuar um balanço do trabalho realizado. Este ano, a reunião de Centros Pensas decorre durante a semana dos DED’12, juntando directores de Centro e os responsáveis pelo projecto para avaliar a evolução dos trabalhos. Para o Pensas, as características próprias de cada Centro não passam despercebidas, procurando o projecto manter-se a par das particularidades e adaptar a sua abordagem, tendo em conta as necessidades específicas de cada um. Estas reuniões são, por isso, momentos importantes para perceber estas singularidades. 19


NOVAS

TECNOLO GIAS

SÃO RECURSO

VALIOSO NOS CENTROS

PENSAS

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OS CENTROS PENSAS RECEBEM REGULARMENTE FORMAÇÃO NAS ÁREAS DA LÍNGUA PORTUGUESA E MATEMÁTICA, QUE AS FORMADORAS DO PROJECTO PROCURAM ADAPTAR ÀS PRINCIPAIS DIFICULDADES IDENTIFICADAS PELOS PROFESSORES MOÇAMBICANOS


acesso às Novas Tecnologias é uma das principais mais-valias do Projecto Pensas que alia, nos seus Centros, a valência tecnológica à formação de professores. No primeiro semestre de 2012, oito novas formações tiveram lugar em Moçambique, contemplando as Províncias de Manica, Zambézia, Nampula e Inhambane. Estas formações têm sempre em conta o recurso às tecnologias, quer como forma de facilitar os trabalhos dos docentes quer como incentivo a que os próprios façam uso destes recursos no seu trabalho diário. As formações do Pensas versam as áreas da Língua Portuguesa e Matemática. Cada uma das formações realizadas – quatro de Português e quatro de Matemática - teve a duração de 15 horas e decorreu nos Centros sede do Pensas de cada uma das províncias, nas cidades de Chimoio, Quelimane, Nampula e Inhambane, respectivamente. Em média, são 40 os professores abrangidos em cada Centro, 20 em cada área disciplinar. Na área de Matemática, o tema explorado nestas acções de formação – Estatística, Uma abordagem informática – foi seleccionado a partir da análise das fichas informativas que os professores vêm preenchendo nas acções de formação anteriores e indicando as suas reais necessidades e deficiências no conhecimento científico e didáctico enquanto professores. O Pensas reconheceu também a importância no estudo deste tema, uma vez que está directamente ligado à resolução de situações e problemas da vida real.

O recurso a novas tecnologias foi explorado através da utilização do Excel para a resolução de uma série de exercícios teórico-práticos. As formações de Língua Portuguesa subordinaram-se aos temas “Pensar a Língua III: Acentuação” e “Pensar a Língua IV: Pontuação”. Neste último tema pretendeu-se, a partir da resolução de exercícios, esbater dúvidas e equívocos gerados à sua volta. É fundamental que os formandos se apercebam da importância da pontuação para a profícua interpretação de qualquer enunciado e que entendam que o processo de pontuar um texto com a finalidade de que este tenha sentido se pode igualmente conseguir quer com a utilização quer com a supressão dos sinais gráficos. Ao mesmo tempo, a formação alerta para o facto de que as motivações que regem a utilização dos sinais gráficos podem ser de cariz rítmico, semântico, estilístico e que constituem um elemento de extrema relevância na tessitura da produção escrita. Durante as formações, é disponibilizado aos formandos um manual em formato digital e um em papel. Com o primeiro, é esperado que os professores resolvam, em pares, os exercícios propostos, ao mesmo tempo que são exploradas algumas das funcionalidades do Word. O segundo manual é utilizado para o registo dos exercícios corrigidos, bem como para a consulta e análise de fichas informativas, que consolidam os exercícios anteriores.

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GEMINAÇÃO DE ESCOLAS

TÉCNICAS DIRECTORES DE ESCOLAS

REÚNEM PARA TRAÇAR METAS A 10 de Maio de 2012, a Universidade de Aveiro acolheu mais uma reunião de directores das escolas profissionais portuguesas e moçambicanas que integram o projecto Laços de Lusofonia, para traçar caminhos para o futuro.

Directores das 10 escolas envolvidas no projecto Laços de Lusofonia reuniram com elementos do Pensas, do Ministério da Educação, da Fundação Portugal-África e do Consulado de Moçambique em Portugal para avaliar os progressos sentidos e traçar as metas para o futuro.

apostar nas energias renováveis. Estas já são leccionadas em algumas das escolas portuguesas, e entendeu-se ser importante estender a temática às escolas moçambicanas, graças à utilidade destas para, por exemplo, alimentar os sistemas de irrigação dos campos agrícolas.

O principal propósito deste encontro era a identificação de um conjunto de temas prioritários por forma a dar início à produção de conteúdos. Estes conteúdos serão então partilhados numa plataforma comum, onde ficarão disponíveis para apoiar os processos de ensino /aprendizagem nas escolas portuguesas e moçambicanas. As áreas ligadas à produção foram as mais identificadas, tais como a horticultura, os processos de

O turismo é outra das temáticas a explorar, nomeadamente entre as escolas da Ilha de Moçambique e Cister-Alcobaça, regiões onde as áreas do turismo e restauração estão em franco desenvolvimento e têm grande relevância para a economia local. No momento da conclusão, ficou clara a importância de buscar outras fontes de financiamento, através da participação das empresas. “Um conteúdo escolar pode ser um veículo para chegar muito mais longe. A geminação pode ser alargada às empresas, que beneficiam desta ampliação de conhecimentos”, conclui António Batel.

LAÇOS DE

LUSOFONIA

“Este é um projecto de grande valor, por conseguir cumprir um objectivo que perseguimos há muito tempo, que é o de estabelecer laços que perdurem”. Foi desta forma que António Batel, coordenador do Projecto Pensas, abriu a reunião de directores de escolas técnicas portuguesas e moçambicanas que teve lugar na Universidade de Aveiro, a 10 de Maio.

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conservação dos produtos agro-alimentares e as culturas tropicais. A par com isto, a mecanização agrícola e a electricidade também foram apontadas como áreas relevantes. O sector da energia esteve ainda em destaque, com as escolas a apontar a importância de

Arnaldo Ñhabinde, cônsul de Moçambique, deixou clara a vontade e disponibilidade do consulado para actuar como um facilitador destas relações. “Temos de ser a ponte para a cooperação e, ao mesmo tempo, estimular o empreendedorismo”, concluiu.


2012 2013 JULHO CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM LÍNGUAS E LITERATURAS DE EXPRESSÃO PORTUGUESA Durante o mês de Julho, decorre mais uma edição da parte presencial deste curso intensivo. Depois da Beira e de Inhambane, a cidade de Nampula recebe esta formação, destinada a professores licenciados dos Institutos de Formação de Professores e do Ensino Secundário. Importa referir que este Curso de Especialização vai já na sua terceira edição, sendo resultado da vontade dos professores a frequentar as formações do Pensas, que não possuíam opções de formação continuada na sua área de estudo.

NOVO CICLO DE FORMAÇÕES No primeiro semestre de 2013, arranca um novo ciclo de formações do Pensas em Língua Portuguesa e Matemática. Os Centros da Beira, Lichinga, Pemba e Nacala recebem as formadoras do Pensas nos meses de Fevereiro, Março e Abril para a realização de oito novas formações, que vêm dar continuidade ao trabalho realizado anteriormente junto dos professores. BIENAL DE APRENDIZAGEM DA MATEMÁTICA, PORTUGUÊS E TECNOLOGIAS

MESTRADO EM LÍNGUAS E LITERATURAS DE EXPRESSÃO PORTUGUESA Também em Julho decorre a etapa presencial do Mestrado em Línguas e Literaturas de Expressão Portuguesa, a decorrer pelo segundo ano na cidade da Beira. Em cada ano, cerca de 30 professores optam por dar continuidade à sua formação e, ao terminar o Curso de Especialização, avançam para a realização de Mestrado.

AGENDA

PENSAS

2012 2013

SETEMBRO E OUTUBRO COMPETIÇÕES REGIONAIS DE CIÊNCIA Durante os meses de Setembro e Outubro, as cidades da Beira, Inhambane, Nampula e, este ano, também Quelimane recebem as Competições Regionais de Ciência. Estas provas, que aliam a componente lúdica à aprendizagem dos conteúdos curriculares, mobilizam cerca de 500 alunos e são já, à semelhança do que acontece com as Competições Nacionais de Ciência em Portugal, o grande espelho do trabalho do Pensas no terreno.

Em 2013, a quarta edição da Bienal de Aprendizagem da Matemática, Português e Tecnologias realiza-se em Timor-Leste. Depois de Moçambique, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, é a vez deste jovem país de língua oficial portuguesa receber este encontro de saberes lusófonos.

Desde 2009, a Bienal tem servido o propósito de estreitar laços entre instituições e profissionais dos vários países, promovendo o debate de ideias sobre o ensino, as novas abordagens metodológicas e as novas tecnologias. Este encontro é patrocinado maioritariamente pela CPLP, sendo reconhecido como relevante para o incremento das relações dentro desta comunidade.

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MAPUTO

ESCOLA FRANCISCO MANYANGA

AQUI VAI NASCER

DESENHOS: ARQ. JOAQUIM OLIVEIRA

UM MUSEU

Revista Pensas nº 4  

Revista do Projecto Pensas

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