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PRESAS ESTRANGEIRAS

Nosotras: Quem são as bolivianas presas em São Paulo?

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Na Penitenciária Feminina da Capital, São Paulo, 46 mulheres bolivianas aguardam por liberdade. Entre elas está Angelica, por Ana Luiza Voltolini Uwai

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  Hoje, o Brasil é o terceiro país com maior população em situação de prisão do mundo. No fim  de 2015, havia 628 mulheres presas na Penitenciária Feminina da Capital, sendo que a maior parte delas era estrangeira. Nessa conta, 46 são bolivianas e, dentre elas, 44 estavam presas por tráfico de drogas. Todas são identificadas pelos seus números de matrícula, suas sentenças e seus crimes, mas sobretudo são mulheres. Antes de virarem estatística eram, e continuam sendo mães, filhas, esposas, vizinhas, amigas. Existe um grande perigo em pensar na outra pessoa, em colocar rosto nos números. O desejo de transformação social é um fluxo naturalmente intenso para jornalistas, mas é preciso colocar­se no lugar. Como mulher, diariamente sujeita a inúmeras violências, carregando incontáveis lutas e disputas de espaço há tanto tempo, é fácil se identificar com essas histórias de abusos e silêncios, imposições e acatamentos. Porém, como mulher branca que goza de privilégios, como o de ter frequentado a universidade, é difícil dizer que as entendo completamente. Seria desonesto qualquer princípio de julgamento das escolhas de alguém de um realidade tão distante. No âmbito da profissão, é preciso admitir as limitações de jornalista. Por exemplo, ao escrever sobre bolivianas em privação de liberdade não mudarei a realidade que tento transpor em palavras. No entanto, não deixa de ser um mecanismo de registro, para que outras pessoas conheçam essas mulheres, e de denúncia a quem pode, de fato, mudar o curso dessas e de outras trajetórias. Existem razões pelas quais essas mulheres assumiram riscos e se deslocaram da Bolívia até o Brasil. Foi para descobrir esses motivos que me desloquei até a Penitenciária Feminina da Capital. Este é o perfil de uma das mulheres que encontrei lá: 
 menina dos olhos A Quando era pequena Angelica costumava ir com Carlos, seu pai, a todos os lugares. Se não estava na escola, era muito provável que estivesse com ele, acompanhando­o sempre curiosa em todos os compromissos. Foi num deles que, anos depois, conheceria o que chamam de tráfico de drogas. Conforme o tempo foi passando, pouca coisa mudou na vida de Angelica e de sua família.

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Aos 25 anos ela cursava biomedicina na cidade de Santa Cruz, na Bolívia, e continuava sendo a menina dos olhos do pai. Moravam com ela: pai, mãe, irmão e Luana, sua filha. Apesar da união familiar, as dificuldades financeiras preocupavam principalmente Carlos, que estava desempregado há meses. A filha era a única que ajudava como podia, mas a maior parte das despesas ainda ficava a cargo dele. Quando as dívidas se acumularam e a situação se tornou insustentável, Carlos optou por um trabalho que lhe traria dinheiro rápido: o comércio de drogas. Ele procurou por uma conhecida que agenciava pessoas para o transporte de cocaína e depois disso foi rápido. Logo tudo estava arranjado: a passagem, as malas e a cocaína. A viagem em si não demorou muito e em questão de semanas ele estava em casa, de volta à Bolívia. O dinheiro, no entanto, foi embora tão rápido quanto chegou. Logo as dívidas voltaram a fazer volume na caixa de correio da família Gomez. Presente de aniversário A ideia de fazer uma segunda viagem surgiu não apenas com a necessidade de dinheiro, mas também com a aproximação do aniversário de Luana. Angelica queria comemorar um ano da filha com uma festa e Carlos sabia que o dinheiro não daria. Ele procurou outra pessoa que o ajudaria a viajar novamente e, sem pensar muito, partiu. Apesar de saber dos riscos ao recorrer de novo ao tráfico, a esperança de que aquela seria a última vez se manifestava nos planos compartilhados com a família. "Faltava pouco para ele conseguir um emprego honesto.", contou Angelica. Aquela deveria ser a última viagem. E foi. Ao partir, os olhos do pai já não viam mais sua menina. O aniversário de Luana passou sem festa e o contato entre ele e a filha só foi retomado meses depois, dia nove de maio, aniversário de Angelica. Um telefonema a despertou na manhã de um sábado ensolarado de outono. Ouvir um animado "feliz aniversário" do pai após meses sem notícia foi uma surpresa e tanto. A felicidade transbordava em sua voz quase tão alta quanto sua preocupação. Tanta que ela quase se esqueceu de fazer a pergunta que martelou em sua cabeça durante todo aquele tempo: ¿Dónde estás?
 O som dessas palavras saiu fraco, não só por causa da má qualidade da ligação, mas pelo medo da resposta, que se sobrepôs à alegria. Pior foi quando terminou a frase e foi respondida com silêncio, pois a ligação caiu. Passaram­se dias e mais dias sem notícias até que, no fim do mês, o telefone tocou novamente. Presente de dia das mães O dia das mães na Bolívia é comemorado no dia vinte e sete de maio, mesmo dia em que a Batalha de La Coronilla é celebrada. Neste dia, em 1812, Manuela Gandarillas liderou um grupo de mulheres de Cochabamba contra o exército espanhol. Aquele domingo de 2014 em particular, primeiro dia das mães de Angelica, deveria ser calmo e feliz, na medida do possível, mas se revelou determinante para o desenrolar desta história. Carlos parecia doente no telefone. Informou que tinha o braço quebrado e se queixou de dores. Então contou à filha o que ela suspeitava desde a primeira ligação: estava preso. O que ele pôde contar em poucos minutos foi que havia sido pego em um país próximo à Turquia e que precisava de duzentos dólares por semana para evitar que o machucassem de novo. Depois disso, as informações a respeito dele foram cada vez mais escassas. Angelica, a mãe e o irmão conseguiram juntar a quantia necessária para uma semana, mas sabiam que não seria o suficiente. Além dos anseios que estavam a 13.110 quilômetros de Santa Cruz, Angelica também precisava se preocupar com um que estava bem perto, alguns centímetros abaixo do seu coração apertado. Mesmo separada do marido, pai de Luana e de quem viria a ser Joshua em alguns meses, apenas ele sabia da sua gravidez. Na Bolívia é ainda mais difícil arranjar trabalho quando se está grávida e esse foi o estopim para que ela tomasse uma decisão que mudaria sua vida. Com o pai preso, Angelica se viu responsável pela família, pois seu irmão e sua mãe também não tinham fontes de renda. Por estar sempre ao lado de Carlos, ela sabia onde ir e o que fazer para conseguir ajuda. Ainda com um bebê a caminho e seu marido relutando a aceitar que ela seguisse os passos do pai, Angelica não via outra escolha. Por isso foi com o irmão encontrar Catarina, a mulher que agenciou Carlos em sua primeira viagem, a que deu certo. Chegando lá, a decisão ainda não estava tomada. O irmão de Angelica foi o primeiro a se manifestar. Disse que iria no lugar da irmã, pois não queria colocar mãe e bebê em perigo. Catarina, que já conhecia filha e pai, insistiu para que fosse Angelica quem fizesse a viagem, garantindo que, caso algo desse errado, a buscaria onde fosse. A preocupação escorria dos olhos de irmão e irmã, mas era tarde demais para mudar de ideia. No dia três de junho de 2014 tudo já estava mais ou menos preparado. Passaportes, passagens e o coração pronto para embarcar. Ou melhor, os corações. O de Angelica e o de Joshua. Os planos eram bem mais simples do que ela esperava. Ela e outra mulher, que também levaria droga, iriam de ônibus até Corumbá, onde pegariam as malas com um homem chamado Fernando. Ele saberia identifica­las. Depois era só embarcar pelo


aeroporto de Guarulhos no voo QR982 até a Geórgia, mesmo país em que Carlos estava preso. Seria questão de dias para Angelica estar perto do pai. Com o dinheiro ela conseguiria ajudá­lo e ainda sobraria um pouco para pagar o aluguel atrasado. Mal podia esperar para reunir a família outra vez. Também tinha o filho que estava chegando. Mais um Gomez. Sua mãe ficava cada vez mais doente desde que isso tudo começou, seria bom que a vida voltasse logo ao normal. QR982 com destino a Georgia Era 4 de junho e metade do combinado estava cumprido. Agora era por conta de Angelica e Sandra. As duas nem se preocuparam em abrir as malas que receberam de Fernando. Nem sabiam quanta droga tinha lá, pois também não se atreveram a fazer muitas perguntas. De qualquer forma, Fernando não tinha cara de que fosse responder. No aeroporto, as duas fizeram o check­in sem problemas, mas não tiveram a mesma sorte na fila do embarque. Quase chegando a vez de Angelica, dois funcionários da companhia aérea cochichavam no ouvido da atendente. Ela olhou desconfiada para Angelica e indicou sua vez dobrando o dedo indicador em direção ao peito. Preocupação escorria de Angelica novamente, mas dessa vez por todos os poros do seu corpo. Ela deixou a bagagem sobre a cesta de plástico e empurrou pela esteira automática. Silêncio. Angelica passou pelo detector de metais suando frio e se virou para pegar a mala, que ainda não tinha saído do raio­x. Na tela, via­se o esqueleto da bolsa e nos cantos manchas alaranjadas. Não era um bom sinal. Elas indicavam presença de material orgânico. Mais silêncio. Os dois funcionários que há pouco conversavam com a funcionária voltaram, dessa vez acompanhados de um policial. Escolta com destino a Santana Um mil duzentos e setenta e seis gramas de cocaína embalados em pequenos sacos plásticos num fundo falso de mala. Este é o parecer do juiz como descrito no processo: “Não basta alegar que o Estado não desempenha a contenta as atividades que lhe competem, entre as quais assegurar existência digna aos cidadãos como forma de justificar o cometimento de infrações." Este é o julgamento do juiz, que nunca se encontrou com Angelica: "Sua conduta social é reprovável, uma vez que aceitou realizar o transporte, mesmo já ciente de que estava grávida e dos riscos que sua ação causaria para seu filho ainda não nascido, cabendo frisar, ainda, que, ao ser interrogada, afirmou que possui outra de tenra idade em seu país de origem." Esta é a conclusão do juiz: "6 (seis) anos, 1 (um) mês e 15 (quinze) dias de reclusão". Chegando na Penitenciária Feminina da Capital, em Santana, a única pessoa com quem podia contar era Sandra, a quem carinhosamente passou a chamar de tia. O contato com a família se limitava às cartas que recebia do marido. Angelica estava separada dele quando morava na Bolívia, mas o filho que teriam uniu o casal. Ela sustentava a filha com a ajuda de Carlos, já que o pai de Luana e de Joshua nunca pagou pensão. Sempre foi ela quem se sacrificou pela família. Entre as poucas cartas que recebeu do marido depois de ser presa, Angelica lia em todas palavras que a machucavam muito mais do que as lidas em sua sentença, talvez mais do que a própria sentença e seus dois mil duzentos e trinte e cinco dias a cumprir ali dentro. Cinqüenta e três mil seiscentas e quarenta horas. Três milhões duzentos e dezoito mil e quatrocentos minutos. Nenhum segundo deles passado sem dor ou sem se lembrar das palavras do marido. Como uma música que ficaria grudada na cabeça por seis anos Você é culpada/ Eu não queria ter te conhecido/ Você não pensa nos seus filhos/ Você é a pior mulher do mundo. Cinco meses depois bastante coisa mudou na vida de Angelica. Ela conheceu Isabela, do Instituto Terra, Trabalho e Cidadania ­ ITTC, que trabalha com as estrangeiras em situação de prisão em São Paulo e visita a PFC todas as semanas. Ela acompanhou sua gravidez até o momento de entregar Joshua. Angelica não sabia, mas apesar da lei possibilitar que crianças permaneçam com as mães dentro da prisão até os sete anos, a penitenciária onde ela está exige que as crianças sejam entregues aos seis meses de idade. Quando soube disso, todos os seus esforços passaram a ser dedicados a sair da prisão e cuidar do seu filho. A única saída era que alguém da família fosse buscar Joshua, mas Angelica sabia que ninguém teria dinheiro para vir até o Brasil buscá­lo. Ela estava sozinha. Se não conseguisse sair, em seis meses seu bebê seria entregue a um abrigo, e sem ninguém para buscá­lo, em alguns anos poderia ser adotado por outra família. O pedido de prisão domiciliar foi entregue com a ajuda da Defensoria Pública da União e de Isabela. O juiz, no entanto, negou­lhe o direito, alegando que Angelica era uma "ameaça à ordem pública" e que estaria colocando próprio filho em risco, pois poderia ser cooptada pela "organização criminosa" novamente. Sem muitas esperanças restantes e sem muito mais a perder, Angelica recorreu ao Consulado da Bolívia, que nunca fez nada por ela e dificilmente ajuda em casos desse tipo, mas qualquer coisa que não a fizesse perder Joshua serviria. Para ela, quando uma


mulher vira mãe, se coloca em segundo plano. "Eu estou presa, não ele", repetia. Ainda sem resposta, o dia do parto se aproximava. Angelica queria parto normal, mas a obrigaram fazer uma cesariana. Uma das motivações que levou o juiz a negar o pedido de prisão domiciliar foi o fato de que Angelica possuía atendimento médico disponível dentro da prisão. Ele provavelmente nunca entrou lá. Suas contrações começaram cinco dias antes da data marcada para a cesariana, portanto ela teve que esperar. O anseio vinha com medo. Passou tanto tempo temendo perder o filho dali seis meses que só então pensou na possibilidade de perdê­lo ali mesmo, antes de poder conhecê­lo. Numa quente tarde de dezembro, a escolta finalmente chegou à penitenciária e levou Angelica até o Hospital Vila Penteado. Considerando que há alguns anos, nesse mesmo hospital, mulheres presas eram algemadas pelas mãos e pelos pés na hora do parto, é possível afirmar que correu tudo bem, embora o pesadelo estivesse apenas começando. Quando Angelica voltou do hospital, três dias depois, foi direto para o Pavilhão Materno, onde todas as mães habitam junto a seus filhos e suas filhas. O prédio, cinza e com pouca iluminação não possui pediatria e muito menos medicação adequada. Sempre que há um problema com a mãe, lhe é ofereci paracetamol. Sempre que há problema com o bebê, é o dentinho que está nascendo. Angelica se sentiu mais sozinha do que nunca agora que estava com Joshua nos braços. Ela não falava português muito bem ainda, estava longe da "tia" e das amigas bolivianas que tinha feito. Também não tinha roupinhas, mais fraldas e outros itens de higiene quanto as outras mães que recebiam visitas da família. De quarentena após dar à luz, Angelica e Joshua poderiam ter enfrentado inúmeras dificuldades, que a princípio pareciam inevitáveis. Mas com a maternidade, Angelica descobriu a força e a sororidade entre mulheres. As outras mãezinhas, como ela se refere às companheiras, ajudaram em tudo, materialmente e psicologicamente. Quando alguma criança passava mal e as agentes não davam atenção, todas as mães se rebelavam juntas, mesmo que a resposta fosse sempre a mesma: "é dor de dente". Joshua ainda mamava e começava a engatinhar quando completou seis meses de idade. Passou rápido demais. Angelica chorava muito com as outras mães, mas um milagre (se é que pode se chamar assim) aconteceu. O consulado boliviano finalmente respondeu seus pedidos e resolveu ajudá­la, pagando uma passagem para que a mãe dela, avó de Joshua, pudesse vir buscá­lo. Com muita dificuldade e ainda doente, a mãe de Angelica veio para o Brasil. Entregar o filho para a avó foi tão difícil quanto entregá­lo para qualquer outra pessoa, mas pelo menos Angelica saberia onde ele estava, com a certeza de que o veria de novo. Maria, a mãe, ficou em São Paulo na casa do marido de Angelica, que havia se mudado da Bolívia há alguns meses, começando uma nova vida longe de Luana, Angelica e agora Joshua. A casa dele ficava em São Paulo, a poucos quilômetros de distância da “nova casa” de Angelica. Apesar disso, desde que foi presa a primeira e última vez que Angelica falou com o marido foi para vê­lo tirar Joshua dela. Depois de todas as cartas acusando a esposa de ser uma má mãe, ele abriu mão da guarda do filho para Maria, mãe de Angelica, cuidar da criança. Ele nunca mais entrou em contato com a família. Até hoje. Sem Joshua, a vida continua entre muros. Angelica atualmente trabalha dentro da prisão fazendo pequenos detalhes de peças de roupa. Ela se comunica com a família por cartas, inclusive com o pai, ainda preso na Geórgia, mas é sempre por intermédio da mãe, pois ele não sabe de tudo o que a filha fez por ele. Daqui cinco anos, quando Angelica e Carlos saírem das prisões, ela contará toda a história. Por enquanto se mantém forte, sempre pensando na família e na falta que a mãe, o irmão, o pai, o filho e a filha fazem. Mas tem fé, "essa sentença é de homem, a última palavra é de Deus." Esta e outras histórias conto no livro “Nosotras”, que pode ser lido neste link.



Ana Luiza Voltolini Uwai

Ana Luiza Voltolini Uwai é jornalista,  coordenadora de comunicação do Instituto Terra Trabalho e Cidadania (ITTC) e autora do livro Nosotras

23 de Agosto de 2016 Palavras chave: presas, mulheres, cárcere, Bolívia, Brasil, São Paulo, penitenciária, federal Compartilhe: |

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