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Outubro / Dezembro 2017 / ANO XXV / nº 169

FAÇA A DIFERENÇA Estratégias ajudam a conquistar clientes e aumentar vendas na crise ISSN 2238-2178

9 772238 217000

Pequenos empreendimentos impulsionados em Belo Oriente

Turismo rural potencializa negócios no Sul de Minas www.sebrae.com.br/minasgerais 1


ENSINO MÉDIO

+

AÇÃO R T IS IN M D A M E O TÉCNIC

it o m a is u m é r e d n e e r p Em u startup. o a s e r p m e a m u q u e a b r ir d e p o s s ib il id a d e s . a ra u m É a b ri r a c a b e ç a p Esc

mundo

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o para vida.


CARTA AO LEITOR

Desafios e oportunidades

O "Mesmo diante de tantos obstáculos, os empreendedores seguem em frente, mostrando sua força e capacidade de trabalho e superação."

ano está terminando e os empresários brasileiros ainda convivem com as dificuldades e apreensões causadas pela mais grave crise econômica da nossa história. Milhões de desempregados lutam para voltar ao mercado de trabalho e milhares de empresas enfrentam os desafios da inadimplência, queda nas vendas e a batalha diária pela sobrevivência. Mesmo diante de tantos obstáculos, os empreendedores seguem em frente, mostrando sua força e capacidade de trabalho e superação. Um bom exemplo está no tradicional polo de moda de Divinópolis, um dos temas desta edição. Há alguns anos, a entrada de produtos chineses balançou a indústria local, mas os empreendedores conseguiram reinventar os seus negócios, com capacitação, parceria e união de esforços. Este ano, a cidade passou a sediar o Minas Veste o Brasil (MVB) – evento que reúne lojistas de todo o país. Assim, ganhou visibilidade e novos mercados. As duas edições do MVB realizadas em Divinópolis geraram mais de R$ 10 milhões em vendas, além de movimentarem toda a economia local. Em tempos de crise, uma grande dificuldade é a conquista de novos clientes, como revela pesquisa recente do Sebrae sobre o Perfil do Microempreendedor Individual. Dentre os 10.328 empreendedores entrevistados, 74% apontaram essa dificuldade – 31% deles disseram ter problemas para prospectar clientes, percentual que em 2015 não ultrapassava os 11%. Os consumidores não pararam de comprar com a crise, mas certamente estão mais exigentes e criteriosos. A matéria de capa da Passo a Passo revela algumas ideias e estratégias adotadas por empreendedores para conquistar novos compradores. Esta edição também destaca as startups de Uberlândia que deram um passo à frente nesse quesito, ampliando mercados no exterior. A partir de um trabalho de estruturação de negócios e visão de novos horizontes, o Sebrae Minas estimula o network nos mercados nacional e internacional, aproximando as startups de iniciativas como o Portugal 2020, o Mindset Global e o Singularity University. Os bons resultados podem ser conhecidos nas próximas páginas. A todos desejo produtiva leitura! OLAVO MACHADO JUNIOR Presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Minas

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PASSO A PASSO PÁG. 6

D  E MINAS PARA O MUNDO Cooperativa do Sul do estado investe em exportação direta de café

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I NCLUSÃO PELO DESENVOLVIMENTO Ações auxiliam microempreendedores do noroeste mineiro

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O  MUNDO É O LIMITE Inovação projeta startups do Triângulo Mineiro além fronteiras

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A  RTIGO Saiba quais são os fatores essenciais para o sucesso das startups

Passo a Passo é uma publicação do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (Sebrae Minas). Registro no Cartório Jero Oliva nº 931. Presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Minas: Olavo Machado Junior Conselho Deliberativo do Sebrae Minas: José Amarildo Casagrande (Superintendente estadual Banco do Brasil); Marco Aurélio Crocco Afonso (Presidente BDMG); Bruno Falci (Presidente CDL/BH); Roberto Luiz Bachman (Superintendente estadual Caixa Econômica Federal); José Agostinho da Silveira Neto (Presidente Ciemg); Rodrigo Alvim (Diretor Secretário Faemg); Evaldo Ferreira Vilela (presidente Fapemig); Lázaro Luiz Gonzaga (Presidente Fecomércio); Emílio César Parolini (Federaminas); Cristiane Amaral Serpa (Diretora Presidente Indi); Ronaldo Scucato (Presidente Ocemg); Fernanda Aragão (Sebrae NA); Miguel Corrêa da Silva Júnior (Secretário de Estado – Sedectes); Helvécio Miranda Magalhães Júnior (Secretário de Estado – Seplag) Superintendente: Afonso Maria Rocha Diretor Técnico: Anderson Costa Cabido Diretor de Operações: Marden Magalhães Conselho editorial: Beatriz Mendes, Carlos Alberto Vieira Pinto, Daiana Rodrigues Souza, Danielle Fantini Lima Santos, Denise Monteiro Sapper, Gustavo Moratori Nunes Coelho, Jeferson Rodrigues Batalha, Jefferson Ney Amaral, Jefferson Soares Ferreira, José Márcio Martins, Luciana Patrícia Rezende da Silva, Paulo César Barroso Veríssimo, Rafael Tunes Fonseca, Regina Vieira de Faria Ferreira, Ricardo Wagner Ferreguti Capellini, Rosely Maria Soares Gerente de Comunicação: Teresa Goulart Jornalista responsável: Andrea Avelar – MTb 06017/MG Produção editorial: Prefácio Comunicação Editoras: Ana Luiza Purri (MG05523 JP) e Cristina Mota (MG08071 JP) Reportagem: Ana Paula de Oliveira, Beatriz Debien, Bruno Assis, Fabiana Senna, Guilherme Barbosa, Marcelina Liberato, Maria Inácia Nascimento e Maysa Zucheratto Revisão: Cibele Silva Design e diagramação: Prefácio Comunicação Fotos: Pedro Vilela (Agência i7) Impressão: Rona Editora Ltda. Periodicidade: Trimestral Tiragem: 10 mil exemplares Redação: Av. Barão Homem de Melo, 329 Nova Granada – Belo Horizonte Minas Gerais – CEP: 30.431-285 – 0800 5700 800

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PÁG. 24 O  NOVO SIMPLES VEM AÍ Saiba quais são as principais mudanças PÁG.26

D  E VOLTA E COM TUDO Mercado de moda de Divinópolis ganha fôlego

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T RADIÇÃO E MODERNIDADE Eduardo Maya quer mostrar ao mundo o que Minas Gerais tem de melhor


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AINDA MAIS EFICIENTES Capacitações provocam melhorias e impulsionam pequenos empreendimentos

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CAPA Como conquistar clientes cada vez mais exigentes e criteriosos

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FACEBOOK: ALIADO OU VILÃO? Fique atento para não repetir os erros cometidos pelos pequenos negócios

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Q  UANDO A NOVA GERAÇÃO ENTRA EM CAMPO Experiência e novas ideias impulsionam negócios familiares

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C OM SELO VERDE E AMARELO Novas oportunidades para os estúdios de desenvolvimento de jogos digitais

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D  E PORTAS ABERTAS União pelo desenvolvimento do turismo rural na região de Lima Duarte

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É BOM SABER P7 Criativo já está disponível

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É BOM SABER Histórias e dicas de empreendedores no Show do MEI

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NOTAS

sumário PÁG. 52

PÁG. 54

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CONSULTORIA Dicas para organizar e monitorar as vendas a prazo C ONSULTORIA Pontos de atenção para quem vai empreender VENDAS DE FIM DE ANO Expectativa é de crescimento, prepare-se

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AGRONEGÓCIO

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De Minas para

o mundo Cooperativa do Sul do estado se estrutura para ampliar exportações diretas Cerca de dez mil quilômetros, em linha reta, separam a pequena cidade mineira de Paraguaçu, no Sul do estado, do centro da Alemanha, principal potência econômica da União Europeia. Para o cafeicultor José de Fátima Araújo, ainda causa surpresa a constatação de que boa parte dos frutos cultivados em sua propriedade, localizada na zona rural do município, vá parar em terras tão distantes. Em abril de 2017, o país, segundo maior importador de café verde brasileiro e um dos maiores exportadores mundiais do fruto processado, tornou-se o primeiro a fazer uma compra direta da Cooperativa Mista Agropecuária de Paraguaçu (Coomap), da qual José e

“Enquanto produtores, nos sentimos mais valorizados, e isso nos motiva a cuidar melhor das lavouras, entregando um produto com cada vez mais qualidade” Rogério Araújo Pereira, cooperado e gerente do Departamento Técnico da Coomap

outros 740 pequenos agricultores fazem parte. Iniciada em 2016, durante uma feira de negócios em Hamburgo, a transação resultou na venda de dois containers de café fino – 640 sacas de 60 quilos –, marcando o início de uma nova fase para a cooperativa. “Trata-se da nossa primeira venda sem a presença de tradings, que são intermediárias entre empresas fabricantes e compradoras. Foram vários contatos, cotações e o envio de diversas amostras. Isso comprova que toda a nossa estrutura, do departamento de café aos armazéns e maquinário, está pronta para atender às mais altas exigências do mercado internacional”, comemora Rafael Fonseca, gerente de Negócios da Coomap. Presente na maior região produtora de café do país – são cerca de 50 mil produtores –, a cooperativa, fundada em maio de 1957, tem intensificado as investidas no mercado internacional. Atualmente, 40% da sua produção anual, que gira em torno de 200 mil sacas, é vendida para países como Alemanha e Inglaterra, via tradings. Segundo o gestor, a comercialização direta proporciona um incremento de 5% na receita, percentual que ele considera extremamente relevante no ramo cafeeiro. “Não é que vemos as tradings como vilãs. Inclusive, ao longo dos anos, desenvolvemos parcerias sólidas com elas. Nosso objetivo é abrir novos mercados gradativamente e tornar o café dos nossos cooperados mais conhecido lá fora”, pondera. www.sebrae.com.br/minasgerais 7


Segundo Rafael Fonseca, gerente de Negócios da Coomap, em torno de 200 mil sacas são vendidas para países como Alemanha e Inglaterra

CAPACITAÇÃO | Ampliar as exportações sempre foi um dos alvos da Coomap. A cooperativa é uma das sete organizações certificadas em Comércio Justo (Fairtrade) que participaram, em agosto de 2016, do Workshop de Internacionalização realizado pelo Sebrae Minas, em Varginha. Segundo a analista Raquel Brasil, a iniciativa partiu da percepção de que vários grupos participantes do projeto Fairtrade ofertavam produtos de alta qualidade e haviam alcançado a maturidade em seus negócios. “Verificamos uma oportunidade de aprendizado para a internacionalização principalmente no que diz respeito à exportação direta. Desenvolvemos essa solução para capacitá-los, a fim de que eles mesmos consigam tomar a decisão de se inserir no mercado internacional, diretamente ou não. E, caso sim, sabendo como fazê-lo”, explica. 8 PASSO A PASSO OUTUBRO / DEZEMBRO 2017

Temas como Marketing Internacional, Logística Internacional e Comércio Exterior e Relações Interculturais foram trabalhados com produtores do ramo cafeeiro. “Eles tiveram acesso a técnicas necessárias para a abordagem direta e puderam entender a necessidade de conhecer a fundo os compradores e o que eles consideram um bom produto”, explica o também analista do Sebrae Minas, Arrison Nogueira. Segundo ele, duas cooperativas, Coomap e Cooperativa dos Agricultores Familiares de Poço Fundo e Região (Coopfam), atingiram o objetivo proposto. “Hoje, elas são capazes de realizar, sozinhas, o processo de ponta a ponta: negociam preços, prazos e local de entrega e cuidam da logística e da documentação. As demais ainda estão completando seus ciclos e acreditamos que nos próximos anos também estarão exportando.”


Participação em feiras de negócios e visitas a potenciais clientes integram as estratégias de internacionalização da Coomap. Em pouco mais de um ano, a cooperativa já esteve em diversos países:

América

Europa

CANADÁ: Rodada de cafés especiais, em Toronto

ALEMANHA: Visita a clientes, em Hamburgo, e sessão de prova de cafés especiais, em Berlim

EUA: Feira de cafés especiais da América, em Seattle

Ásia COREIA: Feira de negócios, em Seul JAPÃO: Feira de cafés especiais, em Tóquio

HUNGRIA: Feira de cafés especiais da Europa, em Budapeste INGLATERRA: Visita a clientes, em Londres IRLANDA: Feira de cafés, em Dublin SUÍÇA: Visita a clientes em Berna e Genebra

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Preço da libra de café Fairtrade:

NA VENDA INDIRETA

NA VENDA DIRETA

(PRESENÇA DE TRADINGS):

(SEM A PRESENÇA DE TRADINGS):

PREÇO DO CAFÉ: $ 135 CENTAVOS

$ 135 CENTAVOS

+

$ 20 CENTAVOS DE PRÊMIO SOCIAL

+

$ 20 CENTAVOS DE PRÊMIO SOCIAL

=

$ 155 CENTAVOS

=

$ 155 CENTAVOS

GASTOS COM A EXPORTAÇÃO: $ 15 CENTAVOS

$ 7 CENTAVOS

VALOR FINAL DA VENDA: $ 140 CENTAVOS

NOVOS RUMOS | Para o gerente de Negócios da Coomap, o workshop foi um divisor de águas. A cooperativa estruturou um departamento de exportações e mantém um profissional responsável pela inserção em novos mercados, com canais abertos no Canadá, nos EUA, no Japão e na Suíça. “Entendemos que a comunicação e a presença de uma equipe profissionalizada eram nossas necessidades imediatas. Agora, estamos preparados para conduzir reuniões de negócios em qualquer parte do mundo”, afirma. Para o futuro, os planos são ousados. Das 150 mil sacas previstas para 2018, o objetivo é comercializar, diretamente, cerca de 6,4 mil. “Como somos uma cooperativa, esse montante poderá ser revertido ao cooperado, e todos saem ganhando. Significa aumento da competitividade no mercado e dos investimentos em projetos ambientais e sociais desenvolvidos para melhorar 10 PASSO A PASSO OUTUBRO / DEZEMBRO 2017

$ 148 CENTAVOS

a qualidade de vida deles, que é um dos nossos grandes propósitos”, observa o gestor. Para José de Fátima Araújo, esses são motivos suficientes para continuar o trabalho junto da mulher, filhos e neto. “Por meio da cooperativa, temos acesso à informação e apoio para ampliar a qualidade do nosso produto. O que queremos é chegar cada vez mais longe”, antecipa. Outro produtor que vê com bons olhos a internacionalização é o cooperado e gerente do Departamento Técnico da Coomap, Rogério Araújo Pereira. Com cerca de seis hectares de café e uma produção anual de 250 sacas, ele aponta que os ganhos vão além do financeiro. “Enquanto produtores, nos sentimos mais valorizados, e isso nos motiva a cuidar melhor das lavouras, entregando um produto com cada vez mais qualidade”.


COMÉRCIO JUSTO Um ponto-chave para a internacionalização da Coomap foi a conquista da certificação Fairtrade (Comércio Justo), em 2015. Considerado um diferencial frente ao sistema tradicional de comércio, o Fairtrade tem como objetivo principal estabelecer contato direto entre produtores e compradores, de forma desburocratizada e livre de atravessadores e das instabilidades do mercado global de commodities. “Foi uma das formas de convencer os players a comprar o café desses produtores. Geralmente, as grandes indústrias são agressivas nas negociações. Mas, quando se deparam com um grupo de produtores certificados, elas mudam a estratégia, pois, por acreditar que eles merecem condições diferenciadas, abrem portas”, explica o analista do Sebrae, Arrison Nogueira.

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EMPRESAS

Uerley Gomes da Mota, empreendedor à frente da marca K'Lu

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Inclusão pelo desenvolvimento Inserção produtiva ajuda microempreendedores e agricultores familiares do noroeste mineiro a crescer de forma sustentável Farinha de trigo, água, óleo, ovos e um pouco de cachaça. O microempreendedor Uerley Gomes da Mota não se importa em listar os ingredientes usados na massa de uma iguaria muito apreciada pelos brasileiros e que ele conhece como ninguém: o pastel frito. “O segredo, claro, é o ponto. Esse é o meu diferencial”, ressalta o comerciante, conhecido das feiras e festas de Unaí, no noroeste do estado, onde vende o petisco com seus mais variados recheios. A receita de sucesso foi aprendida com a sogra, e a grande procura levou Uerley ao mercado de massas de pastel. “As pessoas começaram a encomendar, eu entregava um pouco aqui, outro tanto ali. Como a demanda foi crescendo, decidi formalizar e procurei o Sebrae em busca de informação e apoio”, conta. Cumpridas as exigências legais, nascia a K’Lu, marca que tomou emprestadas as iniciais dos nomes da mulher e das filhas de Uerley e que, atualmente, é encontrada na cooperativa de produtores e em dois supermercados de Unaí. Em seis meses, a média de unidades comercializadas passou de 36 para 125 rolinhos, vendidos a R$ 10 cada. “Esse resultado me deixa feliz, pois sei que não é fácil entrar no mercado. Ainda mais com um produto desconhecido”, pondera. Embora

cauteloso, Uerley já tem planos de expansão. “Só não vendo mais porque não consigo atender. Para ampliar a produção, preciso investir em maquinário e melhorar a infraestrutura. Também pretendo fabricar as massas no formato de disco, que é o mais conhecido, e ampliar o mix com opções para lasanha e massas em geral”. TRABALHO EM REDE | O apoio citado por Uerley traduz os objetivos do Noroeste Empreendedor. Criado em 2016, com foco na inclusão produtiva de Microempreendedores Individuais (MEIs) e agricultores familiares do noroeste do estado, o programa oferece suporte no processo de regularização e agregação de valor aos produtos para ampliar as atividades de forma sustentável e segura. A analista do Sebrae Minas Érika Martins explica que a iniciativa tem como objetivo fomentar os pequenos negócios da região, por meio da formalização e regularização dos produtos, contribuindo para o crescimento do capital empreendedor e a inserção competitiva do território. “Constatamos que, muitas vezes, o empreendedor quer se formalizar e regularizar seus produtos, mas esbarra em entraves como divergências na atuação dos órgãos de fomento e fiscalização, dificuldades de acesso ao crédito, falta de conhecimento sobre a legislação e gestão”. www.sebrae.com.br/minasgerais 13


Desenvolvido em parceria com outras 32 entidades – Gerência Regional de Saúde de Unaí (GRS), Associação dos Municípios do Noroeste de Minas (AMNOR), Consórcio de Saúde e Desenvolvimento dos Vales do Noroeste de Minas (Convales), Emater, Embrapa, IMA e Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri são algumas delas –, o Noroeste Empreendedor vem sendo executado em 14 municípios da região. Após a adesão, voluntária, os produtores e MEIs são acompanhados e orientados sobre o processo de regularização e comercialização, que envolvem adequações na estrutura física, boas práticas de manipulação de alimentos e concepção de marca e rótulo com informações nutricionais. Mesmo após a inserção do produto no mercado, o trabalho continua com inspeções de qualidade e cursos de gestão de negócios, entre outros. Em dois anos, já são 50 produtos legalizados. “Nossos esforços são para que essas pessoas consigam as adequações legais sem ter que sair do mercado ou investir recursos que, na maioria dos casos, não têm. Com a regularização, elas agregam valor ao produto e têm condições de acessar novos mercados. Para os municípios é interessante, pois o aumento do empreendedorismo aquece a economia local e contribui para o desenvolvimento territorial”, observa a analista. MAIS FLEXIBILIDADE | Outro empreendedor atendido pelo projeto foi Quintino Damião da Silva. Há oito anos produzindo e comercializando mandioca na região, o agricultor familiar decidiu incrementar os ganhos com a produção de farinha. Para garantir a segurança alimentar do espaço construído para essa finalidade, em uma propriedade rural localizada entre os municípios de Unaí e Arinos, ele recebeu orientações sobre a necessidade de tratar a água e instalar telas na casa de farinha, local onde a produção acontece, para evitar a entrada de insetos. “Fiz as adaptações necessárias, pois não abro mão de trabalhar dentro da legalidade”, faz questão de frisar. 14 PASSO A PASSO OUTUBRO / DEZEMBRO 2017


Quintino Silva seguiu as orientações para trabalhar de acordo com a legislação

As mudanças foram necessárias para que o microempreendedor conseguisse o Alvará Sanitário e desse sequência aos planos de expansão: só em 2016, foram 8 mil quilos de farinha vendidos, que resultaram em um faturamento de R$ 67 mil. O resultado satisfatório das adequações reflete o trabalho desenvolvido dentro do Noroeste Empreendedor com as equipes de vigilância sanitária municipais, para combater um dos gargalos do processo de regularização: a maneira diferenciada com que os órgãos fiscalizadores lidam com as exigências legais. “A proposta é tornar as intervenções me-

nos punitivas e mais orientadoras. Antes, os produtos não regularizados eram retirados do mercado. Porém, nos víamos em um paradoxo: evitávamos o risco à saúde, mas provocávamos o risco social”, lembra o gestor do projeto, José Juliano Espíndula. Ele explica que, atualmente, sempre que possível, o processo é feito sem parar a produção. “Quando as irregularidades detectadas não oferecem risco iminente, por exemplo, orientamos o produtor sobre as correções necessárias, procurando a melhor solução dentro da sua realidade. Isso é respeitá-lo como sujeito, o que é diferente de uma mera ação de fiscalização”, comenta. www.sebrae.com.br/minasgerais 15


A mandioca in natura é a aposta de Denis Gonçalves

APOSTA CERTEIRA Mandioca Da Boa. O microempreendedor Denis Eustáquio Gonçalves diverte-se ao falar o nome do produto que vem comercializando há pouco mais de um mês. Morando em Unaí há cerca de três anos, ele utilizou o olhar treinado pelos anos de empreendedorismo – lava jato, restaurante e fabricação de salgados estão entre as experiências acumuladas – para encontrar na venda de mandioca in natura , descascada e embalada uma nova oportunidade. “Após pesquisar na cidade e arredores, percebi que a oferta do produto ainda era pequena diante da demanda e decidi entrar no ramo”, conta. Devidamente formalizado, foi com o apoio do Noroeste Empreendedor que ele desenvolveu o rótulo e definiu o peso ideal de cada pacote, entre outros critérios. “A

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própria escolha do nome aconteceu em conjunto. Apresentei três opções e, ao final, chegamos ao Mandioca Da Boa, por ter bom apelo comercial”, explica. Segundo Denis, a preparação antes de entrar no mercado foi crucial. “Sem formalizar não conseguiria vender para os grandes mercados. Hoje, já forneço para seis supermercados da cidade e só nos três primeiros dias de negócio vendi mais de 500 quilos de mandioca ensacada, o que me trouxe um faturamento bruto de R$ 1,5 mil”, afirma. Os planos de crescimento já existem. Entre eles estão o início da própria plantação de mandioca que, atualmente, é adquirida dos produtores locais, e a revenda de condimentos secos, como orégano e as pimentas do reino e calabresa. “Se continuar assim, em breve deixarei de ser MEI”, aposta.


INTERNACIONALIZAÇÃO

O MUNDO É O LIMITE

Werther Ferreira, Marco Aurélio Chaves e Márcia Malaquias, sócios da startup Alluagro

Contexto favorável para a inovação permite que startups do Triângulo Mineiro ganhem mercado além das fronteiras brasileiras www.sebrae.com.br/minasgerais 17


Em Minas Gerais, há ecossistemas de inovação pioneiros e avançados, como o Vale da Eletrônica, em Santa Rita do Sapucaí, e Belo Horizonte, que se destaca pela comunidade San Pedro Valley. Nesse contexto, a região do Triângulo Mineiro e do Alto Paranaíba também vem se destacando, conforme apontam estudos como o Índice de Cidades Empreendedoras 2016, da Endeavor Brasil: Uberlândia está na 17ª posição entre os 32 municípios brasileiros com maior potencial empreendedor. O fomento a esse ambiente de inovação mobiliza órgãos públicos, sociedade civil organizada, empresas e investidores âncoras, incubadoras, aceleradoras e instituições de ensino superior. Nos últimos 12 meses, a região foi palco de mais de cem eventos, que receberam cerca de 10 mil participantes. Até o final de 2017, estima-se que essas organizações já terão investido, juntas, mais de R$ 2 milhões no ecossistema de inovação do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. O Sebrae Minas está presente para criar, apoiar e fortalecer esses ambientes e suas comunidades, com ações como palestras de sensibilização, Meetups, Startups Weekends e Hackatons, programas de pré-aceleração e consultorias de inovação, realizados tanto nos polos econômicos quanto nas pequenas cidades. A instituição apoia, ainda, o desenvolvimento do ecossistema de inovação de Uberlândia, o UBER-HUB, e de comunidades como a ZebuValley (Uberaba), Bus (Patos de Minas) e Colmeia (Uberlândia). A capacidade de inovação desse território tem, inclusive, grande potencial para extrapolar fronteiras geográficas, com resultados que já se evidenciam. “Além de fomentar a criação e o fortalecimento desses ambientes e suas comunidades, procuramos estimular o empreendedorismo e a profissionalização dos negócios e auxiliar a busca por investidores e na internacionalização”, explica Fabiano Alves, analista do Sebrae Minas. Atividades de intercâmbio com atores estrangeiros interessados em

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investir têm sido constantes. Por meio de uma rede de contatos própria, o Sebrae Minas estimula o network nos mercados nacional e estrangeiro, aproximando as startups de iniciativas como o Portugal 2020, o Mindset Global e o Singularity University. Esse último colocou Uberlândia como a primeira cidade do interior do país a se tornar sede de um programa de estudos de futuro que visa gerar melhores condições de formação de empreendedores. RASTREABILIDADE PREVENTIVA | Uma startup que atua além das fronteiras nacionais é a Trackage, de Uberaba. Criada em 2014 por Victor Hugo Moreira e Yuri Gitahy, viu no volume de extravio e violação de malas a oportunidade de criar um sistema que oferecesse um monitoramento inteligente e prevenisse o problema. “Em todo o planeta, mais de 24 milhões de malas são extraviadas por ano, um prejuízo de quase US$ 2 bilhões para a indústria do turismo”, pontua Victor Hugo. A Trackage possui, atualmente, oito grandes clientes no Brasil, como a Mercedes Benz, e fornece soluções para grandes empresas da Itália, França e EUA. O sistema criado tem o diferencial de gerar conhecimento estratégico em tempo real, para tomadas de decisões. “Ele permite analisar variáveis como perfil de direção do motorista, padrão de ociosidade, predição de furto, entre outras. Pode-se perceber, por exemplo, se um veículo está sendo roubado ou se uma mala é violada”, explica o empreendedor. A solução se aplica a empresas de aviação, aeroportos, seguradoras, montadoras, indústrias e usuário final. “Disponibilizamos o aplicativo para grandes organizações, que lidam com sistemas robustos, e até para viajantes e patrimônios particulares. Ele pode monitorar uma única unidade ou várias, que, no geral, consistem em malas, veículos e ativos.” Com um investimento total de R$ 600 mil, a empresa contou com a participação


de três cofundadores, três investidores-anjo e o apoio da Oxigênio Aceleradora, da Porto Seguro, em parceria com Plug and Play Tech Center, aceleradora do Vale do Silício (EUA), que se tornaram sócias. A startup também se integrou ao UBER-HUB de Uberlândia e ao Parque Tecnológico de Uberaba, participando de workshops, consultorias e mentorias, em especial na área financeira, com o Sebrae Minas. Hoje, possui uma equipe multidisciplinar formada por 18 colaboradores e espera fechar o ano com 5 mil unidades monitoradas, a um ticket médio de R$ 150 por unidade, e um faturamento de R$ 4 milhões. Para 2018, a expectativa é monitorar 20 mil unidades e faturar, no mínimo, 60% a mais. A estratégia de internacionalização visa a adequar a solução a qualquer parte do mundo, por meio da busca de parcerias com operadoras de telefonia locais, do mapeamento dos mercados e do contato com potenciais clientes. “Nossa meta é consolidar a Trackage no setor de turismo e fortalecer

nossa entrada nos segmentos de automóveis e ativos”, comemora Victor Hugo. IMPLANTES PRECISOS | Agregar total precisão aos implantes dentários foi o problema de mercado resolvido pela Kea Tech, cuja solução consiste em uma nova técnica de confecção de guias cirúrgicas, já patenteada nos EUA, Austrália e México e adotada no Chile e na Itália. “Em resumo, as cirurgias são totalmente seguras e assertivas, permitindo 100% de previsibilidade do resultado final”, destaca Leonardo Marques, um dos sócios. Criada em 2006 pelos odontologistas Keuler Rangel, Eder Rangel e Asbel Machado, de Uberlândia, a solução já foi adotada em mais 2 mil implantes, sem erros. Em 2009, ganhou o reforço da Neppo TI, empresa de software de Leonardo Marques, que desenvolveu o sistema virtual de planejamento de implantes. Em 2013, foram iniciados os processos de patentes e de cadastramento dos produtos e insumos junto aos órgãos governamentais. “A solicitação de registro segue em mais 41

Cadastro de startups

Mais de

Minas Gerais tem

empreendimentos em todo o Brasil

empresas com esse perfil

4,2 mil

591

Fonte: Associação Brasileira de Startups (ABStartups)

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Os dentistas Eder Rangel, Keuler Rangel e Asbel Machado, com o especialista Leonardo Marques

países, como Brasil, Canadá e integrantes da União Europeia. A nossa atual fonte de receita é o software, porém estamos revendo nosso plano para agregar ganhos com a venda dos kits, ferramentas e insumos e com a realização das capacitações”, explica Leonardo. O Produto Mínimo Viável (MVP), que é a validação da solução no mercado, está em curso e envolve a capacitação de implantodontistas, centros de radiologia e laboratórios de prótese. Durante o 33° Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo (CIOSP), a Kea Tech despertou o interesse dos latino-americanos e identificou possibilidades de internacionalização. “Mostramos a técnica na Bolívia, Uruguai, Colômbia e EUA – nas Universidades de Harvard e da Califórnia –, e confirmamos nosso potencial para entrar em mercados estrangeiros.” Integrar um ecossistema de inovação como

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o UBER-HUB vem permitindo à Kea Tech a ampliação de network , conhecimentos e oportunidades. A startup encontrou apoio financeiro no Sebraetec, do Sebrae Minas, cujo aporte de R$ 30 mil obtido está sendo aplicado na automação do dispositivo posicionador de tubos (motores de passo). Em três anos, a Kea Tech prospectou 350 clientes e cerca de 30 utilizam a solução mensalmente. PONTE QUE FALTAVA | Há quase dois anos, a Alluagro, uma startup do setor agrotech, foi criada por quatro empreendedores – Marco Aurélio Chaves, Márcia Malaquias, Celso Vilela e Werther Ferreiro. Eles identificaram a possibilidade de curar uma “dor de mercado”: a dificuldade dos produtores rurais em encontrar a máquina certa, no momento certo e o mais próximo possível, minimizando custos com logística e prejuízos gerados


pelo não cumprimento dos cronogramas de plantio, cultivo e colheita. Com esse foco, desenvolveram uma plataforma para cadastro de oferta e demanda de aluguel de máquinas e implementos e de serviços como preparo do solo, plantio, pulverização, colheita, transporte e armazenamento, entre outros. “É o que se chama de market place. A proposta é facilitar a aproximação entre oferta e demanda, gerando maior volume de negócios”, define Marco Aurélio Chaves. Ele explica que o aplicativo resolve diversas situações comuns, como a substituição imediata de uma máquina quebrada, evitando a perda da safra, ou a locação de equipamento ocioso que pode complementar a renda de seu proprietário. Disponível na versão Android e em processo de homologação na Apple, o aplicativo permite cadastro conforme o objetivo de cada público. Para iniciar sua atividade e alavancar o negócio, a Alluagro contou com o apoio de duas aceleradoras e a orientação de instituições que integram o UBER-HUB, como o Sebrae

Minas. Atualmente, a Alluagro encontra-se na fase growth, ou seja, de crescimento no país, com aplicação de estratégias de inboud marketing para prospecção e conquista de clientes, aumento das vendas e desenvolvimento de canais de relacionamento, além da alimentação da plataforma com informações e definição de métricas e metas de expansão. O aplicativo está disponível para todo o Brasil, e a meta é consolidar a sua utilização em Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Bahia e Maranhão. Simultaneamente, surgiu a oportunidade de se internacionalizar. “Com apoio da aceleradora Inovisa, ligada ao Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa (Portugal), voltamos ao momento de aceleração, dessa vez, rumo ao mercado global”, comemora. Para entrar em Portugal, a Alluagro se prepara por meio de pesquisas de cenário, identificação de públicos e necessidades de mercado, para validar, reestruturar e adequar o modelo de negócio e o MVP ao novo território de atuação. Depois, a meta é chegar a outros países.

Internacionalização deve ser criteriosa A ideia de ganhar o mundo faz qualquer empreendedor suspirar e sonhar alto. Porém, internacionalizar é uma decisão que precisa ser muito bem avaliada. Para o presidente da ABStartups, Amure Pinho, o ponto de partida é a análise criteriosa do mercado. “É preciso pôr na balança se é mais fácil e lucrativo se consolidar no mercado doméstico ou partir para outros continentes”, explica. Outro aspecto importante está ligado ao idioma e à percepção do público de que aquele negócio mantém familiaridade com

o contexto em que atua. “É essencial estruturar canais de relacionamento locais, como telefone, site e representantes institucionais, para gerar mais confiança”, destaca Amure. Já sobre o potencial para internacionalizar, o presidente da ABStartups defende que não há uma regra específica ou um setor de destaque. “As startups brasileiras, por exemplo, se mostram mais competitivas lá fora, pois o custo de desenvolvimento é em real, e os ganhos, em dólar, o que permite uma maior diferenciação do produto”, conclui.

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ARTIGO | FABIANO ALVES*

Fatores condicionantes do sucesso de startups O mundo mudou! Com novas formas de enxergá-lo e a seus modos e preferências, dentre elas o “uso de um serviço” versus a “posse de um bem”, as novas gerações trazem um novo cenário e uma enorme oportunidade para uma economia baseada na 4ª Revolução Industrial ou, simplesmente, Indústria 4.0. Veículos autônomos; moedas digitais; impressoras 3D que imprimem roupas, alimentos e até imóveis; casas e cidades inteligentes; robôs executando atividades de advogados, cientistas e pesquisadores com maior precisão, rapidez e menor custo. Essas são algumas inovações presentes no mercado,

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que colocaram em xeque diversos modelos de negócios tradicionais. Trata-se de uma nova janela de oportunidades, principalmente para negócios inovadores e com potencial de escalabilidade, as chamadas startups. Ao mesmo tempo, um paradoxo se apresenta: se temos um novo mercado com grandes oportunidades, por que as startups têm alto índice de mortalidade? Quais são os mecanismos aos quais os empreendedores precisam ficar atentos para alcançar, por meio de seus atributos e do empreendedorismo, o almejado sucesso? Estudos bibliográficos e pesquisas de mercado apontam fatores fundamentais para o sucesso desses negócios: • Enxergar uma “dor” de mercado relevante: buscar oportunidades que sejam de fato necessárias. Muitos empreendedores criam soluções para problemas triviais, apegam-se a elas, despendem grande energia e, no entanto, se frustram. • Ter propósito, gerar entrega e capturar valor: busca pela excelência para solucionar um problema que melhore a vida das pessoas e proporcione experiência positiva. Quando isso ocorre, o retorno financeiro será uma questão de ordem. • Ter uma equipe disposta, resiliente e alinhada ao propósito do negócio: uma startup, inde-


pendentemente do segmento de mercado, tem seu desempenho apoiado na clareza de seus objetivos e no alinhamento de sua equipe ao propósito, tanto de vida quanto do negócio. • Sempre validar a solução junto ao mercado: uma grande ideia só é um grande negócio quando se traduz em resultados financeiros para a organização. Assim, para evitar dispêndio de recursos diversos na criação ou no aperfeiçoamento de uma solução, nada melhor do que co-construí-la com seu público potencial e validar as suas expectativas, tendo, assim, um produto ou serviço em consonância com o mercado. • Ter foco e capacidade de execução: um projeto de sucesso depende não só de um sonho ou visão, mas da capacidade de o empreendedor e seus colaboradores colocarem em prática todas as etapas de um planejamento, em busca dos resultados. É necessário ter um objetivo claro para que se saiba quais os caminhos a perseguir. Caso contrário, outros empreendedores o farão. • Estar em um ambiente que auxilie a conquista do sonho grande: um local que proporcione a troca de experiências, políticas diferenciadas de apoio ao desenvolvimento, uma cultura empreendedora com acesso à mão de obra qualificada e disponibilidade de recursos financeiros de suporte ao crescimento, aliadas a instituições de apoio e a um mercado potencial, formam um ambiente propício para a criação e desenvolvimento de negócios inovadores e de sucesso.

Estas são questões que merecem a atenção de todos os empreendedores que buscam solidificar negócios. Ressalta-se que falhas, ainda assim, são inerentes a toda a jornada. É importante frisar que, além de celebrar suas conquistas, o empreendedor tem uma obrigação social intrínseca de ajudar o seu ecossistema a evoluir. Compartilhar as suas experiências com novos empreendedores é uma atitude diferenciada, que proporciona reconhecimento e sentimento de dever cumprido na nobre carreira pessoal e profissional de um empreendedor que busca, além do sucesso, contribuir para a transformação do mundo em um lugar melhor. *Analista do Sebrae Minas. Mestre em Inovação Tecnológica e líder da Rede Global de Empreendedorismo Endeavor em Uberlândia.

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LEGISLAÇÃO

O novo Simples vem aí Mudanças impactam empresários de vários setores

Com o objetivo de incentivar os empreendedores informais a regularizar a situação de sua empresa e complementar o orçamento para o ano que vem, o governo oficializou uma série de mudanças no Simples Nacional. As novas regras passam a vigorar em 2018, segundo a Lei Complementar n.155/2016. Mais de 820 mil micro e pequenas empresas, além de 513 mil microempreendedores individuais (MEI) serão impactados de alguma forma. “É um aprimoramento do modelo. Ele simplifica, reduz alíquotas e resolve alguns conflitos na antiga tabela”, comenta Haroldo Santos Araújo, analista do Sebrae Minas. No início, é normal surgirem dúvidas – como de fato vem acontecendo –, mas ele destaca que o Sebrae Minas está à disposição para auxiliar os empesários. OPÇÕES DE INVESTIMENTO | O consultor chama a atenção para novidades que podem auxiliar no financiamento dos empreendimentos. A primeira é a criação da Empresa Simples de Crédito (ESC), figura jurídica que teria o papel de expandir a oferta de financiamentos, empréstimos e desconto de títulos de crédito para as MPE, o que atende a uma lacuna deixada pelos bancos. “As ESC só poderão atuar com capital próprio, e suas atividades devem se restringir ao município onde estão sediadas e a cidades vizinhas”, explica Haroldo. A nova Lei formaliza, também, a figura do investidor-anjo, popular nos Estados Unidos e um antigo pleito do empresariado brasileiro, sobretudo das startups. A partir de 2018, o investidor-anjo poderá ser pessoa física ou jurídica. A ideia é que a pessoa invista na empresa e tenha participação nos lucros sem a obrigação de ser incluída no contrato social. Isso diminui consideravelmente o risco do investidor de ter que arcar com possíveis dívidas, que caberão somente aos sócios. “Com essa redução, fica mais fácil para o pequeno empresário captar recursos para seu negócio e alavancar as boas ideias, uma vez que o procedimento é desburocratizado e a pessoa que acreditou no negócio desde sua origem é remunerada de forma justa”, pondera. 24 PASSO A PASSO OUTUBRO / DEZEMBRO 2017


O QUE MUDA LIMITES DE FATURAMENTO ME – até R$ 4,8 milhões/ano ou R$ 400 mil mensais

MEI – até R$ 81 mil/ano ou R$ 6.750 mensais

FAIXAS DE FATURAMENTO Cai de 20 para cinco.

VALORES MÍNIMOS DE PARCELAS MENSAIS R$ 300 para ME

R$ 20 para MEI

NOVOS SEGMENTOS ENQUADRADOS Indústria ou comércio de bebidas alcoólicas Serviços médicos Representação comercial e demais atividades de intermediação de negócios e serviços de terceiros Auditoria, economia, consultoria, gestão, organização, controle e administração Outras atividades do setor de serviços que tenham por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não

?

Em caso de dúvida, o empresário pode recorrer à consultoria do Sebrae Minas – presencial ou a distância – pelo 0800-570-0800 ou pelo site www.sebraemg.com.br/atendimento/conteudo/consultoria

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INDÚSTRIA

De volta e com tudo Capacitações e eventos reerguem mercado de moda de Divinópolis

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Edgar Alves e as filhas, Patrícia e Karla, empreendedores da Kilômetro Quadrado


Conhecida como polo da moda, Divinópolis produz, anualmente, cerca de 5 milhões de peças em quase 600 empresas, que geram em torno de 5 mil empregos. Há alguns anos, a entrada de produtos chineses balançou a indústria local, mas os empreendedores provaram que sabem se reinventar para superar obstáculos. Por meio de capacitação, parceria e muita união, a turma redescobriu seu DNA e tem conseguido resultados positivos. É o caso de Eliana Chagas, sócia da CH3 Moda. “Aprendemos a entender, buscar e oferecer o que nossos antigos e novos clientes procuram, agora com mais qualidade e criatividade e melhor produtividade. Os clientes que consomem a moda produzida em Divinópolis são diferenciados, estão em busca de algo a mais e isso nós temos”, comenta. Há 23 anos, ela, sua mãe Neli e sua irmã Glória iniciavam, em casa, uma pequena fábrica. No começo, produziam camisas masculinas, femininas e moda íntima, tudo por meio de serviços terceirizados. Atualmente, as três possuem fábrica e loja próprias, especializadas em moda casual feminina. “A maioria das clientes que consumiram as primeiras peças da CH3 são assíduas ainda hoje e já começam a trazer suas filhas”, diz Eliana, com orgulho. Ela credita a superação aos cursos de capacitação, parcerias e outras ferramentas oferecidas pelo Sebrae Minas. “Muitos não sabem quantas

“Os clientes que consomem a moda produzida em Divinópolis são diferenciados, estão em busca de algo mais, e isso nós temos” Eliana Chagas, sócia da CH3 Moda, ao lado da irmã, Glória

coisas há a nosso favor, para nossa melhoria”, diz. O analista técnico do Sebrae Guilherme Rabelo confirma a sensível melhora e a atribui ao dinamismo dos empresários. “A moda está em constante transformação e, por aqui, as empresas tem buscado oferecer um mix de produtos bastante interessante”, diz. DIVISOR DE ÁGUAS | Segundo Guilherme, o desenvolvimento do projeto Arranjo Produtivo Local (APL), iniciado em 2013 pelo Sebrae Minas, Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e Sindicato das Indústrias de Vestuário de Divinópolis (Sinvesd), foi um divisor de águas. O APL tem como propósito gerar vendas e alavancar o setor da moda em Divinópolis, com base em um trabalho de curadoria que buscou entender como as fábricas trabalham e que tipo de moda a cidade produz. Ou seja, houve um diagnóstico para saber os hábitos e preferências de quem já comprava e o potencial de novos consumidores. “Nós juntamos demanda e oferta e daí surgiu o Minas Veste Brasil (MVB).” Com sete edições realizadas, duas delas em Divinópolis, o evento é exclusivo para lojistas e, apenas em 2017, gerou mais de R$ 10 milhões em vendas, além de ter movimentado toda a economia local. “O MVB foi uma forte alavanca para que o setor de produção de roupas pudesse retomar seu crescimento. E tivemos o fomento

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Cristian Lima

O Minas Veste Brasil teve duas edições em Divinópolis

de toda a economia local, uma vez que hotéis, bares, restaurantes e transportes também se beneficiam com a movimentação que ocorre antes, durante e depois do evento”, pontua o presidente do Sinvesd, Marcelo Marcos Ribeiro. “Até então, o máximo a que chegamos, em termos de vendas no MVB, foi algo em torno de R$ 4 milhões e, já no primeiro ano do evento em Divinópolis, superamos a casa dos R$ 5 milhões”, ressalta Afonso Gonzaga, presidente da Fiemg Regional Centro-Oeste. Para ele, a concentração de empresas na cidade, com produtos a bom preço e qualidade, fez crescer a disposição dos empresários em efetivar compras. “Seguramente, recebemos mais de mil novos clientes, ou seja, investidores que não conheciam as confecções locais, vindos de várias partes, principalmente do norte e sul do país”, afirma. QUALIDADE EM TUDO | Qualificar as equipes para inovar nos produtos e prestar atendimento de excelência é considerada a receita de sucesso para atrair e manter a clientela. “Não basta ter um sistema muito bacana ou processos bem definidos, é preciso investir também nos funcionários”, explica Karla de Sousa Alves, sócia-diretora da Kilômetro Quadrado, que 28 PASSO A PASSO OUTUBRO / DEZEMBRO 2017

mantém em parceria com o pai, Edgar Alves Teixeira. A partir da participação no Programa Brasil Mais Produtivo, iniciativa do Governo Federal, do Sebrae Minas e da Fiemg, ela disse ter conseguido promover melhorias rápidas, de baixo custo e alto impacto. “Reestruturamos nossa linha de produção, desde o corte até o produto final. Tive a oportunidade de rever conceitos, entre eles como criar uma coleção e a importância de ter uma equipe sempre capacitada e motivada”, conta. Com 22 anos, a Kilômetro Quadrado tem produção própria e 80% da clientela em Minas Gerais – os 20% restantes provêm do sul e norte do país. Para Afonso Gonzaga, outros empreendedores compartilham a percepção de Karla. “Houve uma provocação no empresário, que entendeu que, para vender mais, tem de investir em qualidade e oferecer atendimento diferenciado, para fidelizar e atrair novos clientes.” Algumas indústrias possuem lojas próprias, outras monitoram o giro das mercadorias em clientes específicos com ferramentas de inteligência comercial. Há quatro anos, um grupo de confecções adotou a moda rápida, estratégia de competitividade apresentada pelo Sebrae que permite maior agilidade na reposição de peças no varejo.


Experiência compartilhada Na busca do constante desenvolvimento de micro e pequenas empresas, o Sebrae começou a testar uma nova ferramenta, o Diagnóstico Setorial – Varejo de Moda, elaborada a partir da experiência obtida no desenvolvimento de projetos e metodologias para o varejo de moda. O objetivo é dar condições ao empresário de entender e avaliar sua empresa por meio de um questionário que leva à avaliação dos fatores críticos de sucesso (FCS). Em outras palavras, segundo Victor Mota, analista técnico do Sebrae, o questionário facilitará ao gestor verificar se a empresa possui estratégias e processos fundamentais para o sucesso no mercado onde cada um atua. “Várias empresas estão nos auxiliando neste primeiro momento, e as respostas estão começando a chegar”, explica.

A ferramenta encontra-se disponível na biblioteca digital do Sebrae Minas e pode ser acessada por empresários do setor de moda de todo o Estado. “O Diagnóstico Setorial não tem o intuito de trabalhar metodologias, mas demonstrar passos básicos para uma boa gestão estratégica”, complementa Vitor. Aline Queiroga, proprietária da Absolutt Boutique, da cidade de Guanhães, foi uma das empreendedoras que experimentou o piloto da ferramenta. Ela conta que foi simples e rápido responder e que os resultados a surpreenderam. “É muito interessante! A gente pensa que a empresa está de um jeito e depois descobre que não é bem assim, que ainda tem muita coisa para melhorar. Vai nos ajudar muito”, avalia.

Karla e Patrícia Alves investem na equipe www.sebrae.com.br/minasgerais 29


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Fotos: Juliana Flister

ENTREVISTA


Tradição e

modernidade Gastrônomo Eduardo Maya fala sobre projetos para valorização de produtos de origem mineira “Nós temos Minas na veia”. Assim Eduardo Maya, o gastrônomo que quer levar o estado na mochila e mostrar para o mundo que Minas Gerais tem muito mais que frango com quiabo, angu e cachaça, abre a conversa. Seu atual carro-chefe é o projeto Aproxima, uma feira de rua realizada mensalmente em algum ponto de Belo Horizonte. Sua proposta é, como o próprio nome diz, aproximar produtores, chefs e público da mais autêntica culinária mineira. Nesta entrevista, Maya conta um pouco sobre o caminho que a gastronomia do estado vem percorrendo e o que ainda precisa ser feito para que ela seja valorizada e reconhecida, sem, no entanto, abrir mão de suas tradições. Você diria que o mineiro tem orgulho das suas raízes e cultura? Essa percepção existe, mas ela é recente. O mineiro começou a ter orgulho dos seus produtos e da sua cultura agora, nos últimos três anos, mais especificamente depois que várias pessoas começaram a se envolver com o “produto Minas Gerais”. Vamos dar o exemplo do queijo. Os filhos dos produtores iam para a cidade e os pais ficavam na fazenda. Hoje, depois que os queijos foram premiados e começaram a ser valorizados, os filhos estão fazendo o caminho inverso: voltam para o campo, reconhecem a importância desse trabalho e valorizam suas

raízes. Temos uma nova geração que traz de volta a autoestima para sua família. Como era antes? Vou responder com um exemplo real. Há cinco anos, questionei um chef renomado de Belo Horizonte sobre o motivo de não colocar produtos de origem mineira em seu restaurante. Ele me disse que seu cliente não iria gostar, que a nossa culinária não se encaixaria no hall da alta gastronomia. Era essa a percepção: a comida de Minas era “angu”, algo simples e, por isso, os paladares jamais a reconheceriam como algo sofisticado. E agora a tendência é resgatar essa tradição e levar à mesa criações sofisticadas, com produtos locais? Esse já é um movimento mundial. Pude conhecer países que fazem isso, como Japão, Portugal, Chile. Em Alentejo, região do centro-sul de Portugal, por exemplo, come-se a comida de lá, típica. Não é uma comida portuguesa, mas, sim, alentejana, com ingredientes das terras da região, com temperos locais. Então, é essa cultura que estamos tentando trazer para Minas. E, hoje, depois de muita insistência, vários chefs viajam conosco e também voltam com essa mentalidade: “fui francês e voltei mineiro”, é o que eles nos confessam. Ou seja,

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precisamos sair daqui para perceber que temos excelentes produtos, com sabores tão bons – e até melhores – que os que encontramos em outros países. Nós precisamos valorizar o que é nosso e perder esse complexo de vira-lata, de achar que só o que vem de fora é bom, interessante. Quais produtos da terra, por exemplo, podemos encontrar na alta gastronomia hoje? Serralha (erva), cagaita (fruto), umbigo de banana, maria-gondó (hortaliça), frutas do cerrado, castanha de baru, plantas alimentícias não convencionais (panc) e muitas outras. O projeto Aproxima surgiu dessa necessidade? O Aproxima é um reflexo do que eu vejo no mundo. Estou sempre pesquisando, trazendo essas experiências de outros países. Então, quis criar algo que mostrasse Minas Gerais ao mineiro, depois ao brasileiro e ao mundo. A ideia é colocar nosso estado na veia de todos, perceber nosso valor e reconhecer nossos produtos locais. “Pense global, coma local”- é algo que sempre gosto de repetir para nossos 32 PASSO A PASSO OUTUBRO / DEZEMBRO 2017

feirantes e chefs. Quer dizer, interprete as técnicas gastronômicas de uma forma global e utilize-as em sua gastronomia local. Nosso projeto nasce com essa missão: aproximar produtores, chefs e público da mais autêntica culinária mineira. A culinária mineira é famosa em todo o Brasil pelo sabor, variedade, qualidade e até quantidade. O que ainda falta para Minas se destacar e ter seu valor reconhecido? A gastronomia viveu três momentos distintos em Minas Gerais. O primeiro foi da gastronomia tropeira, conhecida como cozinha seca, à base de farinha, carne seca, feijão e banha. Eram alimentos mais rústicos, preparados pelos bandeirantes que vinham em busca do ouro. Depois, veio a gastronomia molhada, quando começaram a surgir as criações familiares em fazendas, com galinhas, porcos e horta; e a cozinha de imigração, resultado da influência de várias culturas. Agora, vivenciamos a quarta onda gastronômica: a cozinha moderna mineira. Isso quer dizer que não vendemos mais o tradicional frango com quiabo. A este prato de-


mos nova roupagem e utilizamos outras técnicas. O objetivo é conquistar uma nova geração de consumidores, mostrando nossos produtos locais e, principalmente, trazendo de volta a autoestima para os produtores. Dessa forma, voltaremos ao topo da culinária no Brasil. O mineiro não precisa mais ir a São Paulo, por exemplo, para experimentar uma cozinha moderna, porque ele já a encontra na sua cidade! Não podemos deixar de dar destaque ao queijo. Como o reconhecimento do modo artesanal na fabricação do queijo mineiro como patrimônio cultural imaterial brasileiro impacta seus produtores? Voltamos a levantar a questão da autoestima. É esse sentimento que um reconhecimento como esse traz de volta ao produtor. No entanto, precisamos parar de falar que somos bons. Agora, o novo passo é trazer as pessoas pra cá para falar que somos os melhores! Para isso se oficializar, estamos lutando para obter a certificação nacional e levar o queijo para o mundo. Ou seja, conseguir que o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) crie um regulamento, aprovado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, garantindo que nossos produtos possam circular pelo país e, posteriormente, pelo mundo, de forma segura para o consumidor, assegurando que seu preparo e higienização estejam 100% dentro das normas. Que outros produtos mineiros buscam esse reconhecimento/padronização e o que esse processo agrega? Por exemplo, a cachaça, o café, o sangue utilizado no molho pardo, os doces de tacho de cobre. Com isso, profissionalizamos nossos produtores e damos segurança ao consumidor

que, ao comprar um produto preparado de maneira artesanal, terá a garantia de um selo do IMA, que assegura sua qualidade e higiene. Temos, no final, um excelente produto sem mudar o sabor. Como os pequenos produtores podem valorizar mais seus produtos? Os produtores, hoje, precisam participar de eventos e feiras, viajar e levar seus produtos para fora da sua cidade. Além disso, devem se mostrar mais unidos. Eles precisam ser mais ousados, arriscar mesmo. Quem não é visto, não é falado! Precisamos subir na montanha mais alta e gritar. E para que isso aconteça, quais são as suas principais dicas e recomendações? Para entrar no mercado é preciso acompanhar as novidades, ser moderno, arrojado. Empreendedor mesmo. Nenhum produto de Minas sofre rejeição em outro estado, mas precisamos perder a vergonha e mostrar o que temos. Temos muita tradição e precisamos voltar a acreditar que nossos produtos são os melhores, que estamos à frente. Hoje existem vários cursos, inclusive oferecidos pelo Sebrae Minas, para mostrar como melhorar a estrutura da empresa no campo. Mas o produtor precisa aparecer, e a feira Aproxima é uma porta de entrada. Somos uma vitrine. Eu recebo vários produtos diariamente [durante a entrevista, dois empreendedores apresentaram suas criações ao gastrônomo: uma lasanha sem glúten e uma almôndega de soja com biomassa de banana verde. Eles queriam saber a opinião de Maya e mostraram interesse em participar da próxima feirinha]. O aplauso é o dinheiro no bolso!

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O que Minas ganha com essa valorização? O tripé do turismo é infraestrutura, história local e gastronomia. Temos tudo para “bombar” nossa cozinha e movimentar nosso estado. Assim, conseguiremos oferecer mais empregos e agitar nossa economia. Para isso realmente acontecer, as pessoas têm que escolher Minas não apenas para comer arroz, tropeiro, frango ao molho pardo, mas também para conhecer nossas cervejas artesanais, vinhos do Sul de Minas, cafés gourmets e cachaças de qualidade. Precisamos explorar outro mercado. O norte de Minas tem muito a ser explorado ainda, por exemplo. Temos um longo caminho pela frente, que será facilmente percorrido quando passarmos a ter orgulho do que cultivamos aqui. Como essa valorização de produtos locais se dá em outros países? Como o Brasil pode se valer dessa experiência? Destaco dois países que me chamaram a atenção. Na Espanha, subiram ao palco todos os chefs, em um evento do qual participei. Eram profissionais vindos de todas as regiões. Eles não falavam nem a mesma língua. Mas, no palco, estavam todos abraçados pela Espanha, por algo maior. É isso que precisamos fazer aqui, ajudar uns aos outros. Em outro momento, tive a oportunidade de conhecer a gastronomia peruana. As pessoas vão hoje ao Peru para comer a melhor

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comida e depois visitar Cuzco e Machu Picchu. Um chef (Gastón Acurio, do restaurante Astrid y Gastón) está fazendo esse trabalho de promover a gastronomia peruana de forma intensa. Atualmente, não há o que contestar sobre a qualidade de sua comida. Tiro isso como lição para mudar essa percepção com relação ao nosso estado. Nós também ainda temos muito para explorar e disseminar nossa cultura. Precisamos nos unir. Devemos reforçar o discurso de que Minas tem o melhor produto, repetir e repetir essa afirmativa sem ter vergonha. O que você espera para a gastronomia mineira? Quem sai das escolas de gastronomia hoje já traz consigo esse reconhecimento dos produtos de origem e a percepção de que devemos valorizar nossa cultura. Temos como exemplo a Paodequeijaria, a Academia do Café, entre outros. É isso que precisamos: inovar e colocar a história no prato, não vendendo apenas a comida. A comida mineira antes era farta, saborosa; hoje, é investigativa, moderna. É a tradição e o moderno caminhando lado a lado. Queremos que ela seja observada e, para isso, precisamos vender melhor nosso produto. Toda vez que eu viajo levo Minas na mochila, com queijo, cachaça, doce. É isso que precisa ser feito por todos os mineiros!


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Fotos: Guilherme Barbosa

CAPACITAÇÃO

“Com os apontamentos do Sebrae, percebemos que estávamos fazendo algumas coisas de forma errada e foi possível mudar o rumo” Eduardo Ferreira Arruda, da Bike Ferreira. 36 PASSO A PASSO OUTUBRO / DEZEMBRO 2017


Ainda mais

eficientes Programa contribui para melhorar processos de gestão e ampliar oportunidades de atuação, impulsionando pequenos empreendimentos Belo Oriente, a cerca de 40 quilômetros de Ipatinga, é a típica cidade do interior de Minas Gerais. Pacata e silenciosa, abriga pessoas boas de prosa e uma simpática igreja na praça principal. Suas ruas são essencialmente planas, o que faz com que os moradores usem e abusem da bicicleta como meio de transporte. Foi o que motivou o empreendedor Eduardo Ferreira Arruda a abrir seu próprio negócio no município, ainda na década de 1990. “Como o ponto já era nosso e as pessoas aqui realmente usam bicicletas, me pareceu uma boa oportunidade. Bastou, então, economizar um dinheiro para levar a ideia à prática”, relembra. Anos depois, outra boa chance se apresentaria à Bike Ferreira e proporcionaria mudanças não apenas nos resultados da loja, mas também na forma de Eduardo gerir o seu negócio. Em 2016, a Celulose Nipo-Brasileira (Cenibra) precisava de fornecedores capacitados para a oferta de diversos serviços, entre eles o de manutenção de bicicletas, uma vez que os colaboradores utilizam as “magrelas” para se deslocar no interior da unidade industrial. Em parceria com o Sebrae Minas, foi implantado o programa Encadeamento Produtivo com a Cenibra, que capacitou pequenos empreendedores da região a agregar maior competitividade aos seus negócios. “A ideia era ajudá-los não só a serem potenciais fornecedores da Cenibra,

já que eles têm um diferencial enorme por estarem muito próximos a ela, mas capacitá-los para que tivessem as melhores práticas de gestão e estivesem aptos a oferecer serviços para qualquer grande empresa”, comenta Larissa Coelho, analista do Sebrae Minas. “Os empresários agora têm consciência de que é necessário se capacitar para que o negócio seja rentável. Foi um trabalho muito bem feito e que vai gerar desenvolvimento para a cidade, com criação de empregos e novas empresas", reforça Edison da Conceição, presidente da Associação Comercial de Belo Oriente. Juntamente com outros seis pequenos empresários da região, Eduardo participou de diversos cursos sobre gestão de planejamento estratégico, vendas, gestão por indicadores, administração de estoque e consultoria financeira. Passado mais de um ano da capacitação, agora é oficial: a Bike Ferreira é uma das empresas fornecedoras da Cenibra. E trabalho não tem faltado, uma vez que a empresa mantém 220 bikes em sua frota. A loja de Eduardo já é responsável pela manutenção e lubrificação de aproximadamente 25 bicicletas por mês. Mais recentemente, outra oportunidade surgiu: a empresa manifestou o desejo de trocar a cor de todas elas, e a Bike Ferreira se apresentou como o parceiro ideal para o serviço. “Sugeri a cor laranja, bem chamativa, para garantir www.sebrae.com.br/minasgerais 37


uma boa visibilidade. E já estamos prontos para iniciar o trabalho”, comemora Eduardo. Além do ganho significativo em faturamento – um acréscimo de cerca de 25% –, a consultoria do Sebrae Minas possibilitou outras mudanças relevantes. “Com os apontamentos do Sebrae, percebemos que estávamos fazendo algumas coisas de forma errada e foi possível mudar o rumo”, explica. Como exemplo, ele cita a alteração na disposição dos produtos na vitrine e a mudança na formação de preços. E ainda quer colocar em prática outros conceitos repassados pelos especialistas do Sebrae. “Quem sabe ampliar a estratégia de e-commerce da loja, que já funciona”, diz. A internet ampliou os horizontes e abriu novos caminhos para os pequenos negócios. A Bike Ferreira já percebeu isso e já planeja pedalar longe.

para a manutenção de sua frota de veículos, especialmente para serviço de alinhamento e balanceamento – até então, o trabalho era feito por uma empresa de Ipatinga. Tiago não pensou duas vezes e deu asas à veia empreendedora: em 2014, começou o projeto da CHL Centro Automotivo, inaugurada no ano seguinte. Para se especializar e otimizar os investimentos, ele fez o curso de Plano de Negócios do Sebrae Minas e constatou que a oportunidade era, de fato, viável. “Foi quando a Associação Comercial de Belo Oriente entrou em contato para avisar sobre o programa de Encadeamento Produtivo com a Cenibra. Antes mesmo de concluir o curso do Sebrae, firmamos um contrato com a empresa, em fevereiro de 2016”, conta.

OPORTUNIDADE DE OURO | Quem também vislumbrou uma boa oportunidade, ainda que para isso fosse necessário deixar a área em que atuava, foi Tiago Lau Chaves. Natural de Cachoeira Escura e cientista da computação, em 2013 ele trabalhava na área de formação, em Belo Horizonte. Até que soube do interesse da Cenibra em ter um novo fornecedor

“Estarmos aptos para atender a uma indústria multinacional foi um ótimo ativo, pois nos ajudou a conquistar novos clientes” Tiago Lau Chaves, proprietário da CHL Centro Automotivo

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E, embora tenha sido inaugurada há pouco tempo, a CHL já era uma empresa bem organizada antes mesmo que a parceria fosse firmada. Alguns ajustes foram necessários. Por exemplo: Tiago se incomodava muito com a folha de pagamento. “Tinha na cabeça que obrigatoriamente deveria reduzir essa despesa.” Por meio do curso, o empreendedor percebeu, no entanto, que o gasto deveria ser mantido, uma vez que ele necessitava ter na equipe mecânicos diferenciados para atender a uma empresa do porte da Cenibra. A solução foi aumentar a gama de serviços e melhorar processos para turbinar o orçamento, estratégia que deu certo. Para se ter uma ideia, mesmo com uma frota de 350 carros, a Cenibra representa, atualmente, somente 25% do orçamento total da CHL. “Estarmos aptos para atender a uma indústria multinacional foi um ótimo ativo, pois nos ajudou a conquistar novos clientes.” INDO ALÉM | A padaria Ki Delícia, dos irmãos José e Evaldo José Dias Martins de Menezes, funciona na Avenida Milton Campos, em Cachoeira Escura, há sete anos. Ofertando o desjejum diário dos funcionários de uma

“Enquanto isso, seguimos economizando para os novos investimentos” José e Evaldo Menezes, proprietários da padaria Ki Delicia

empreiteira da região, além do atendimento ao público no balcão, a empresa mantinha vendas razoáveis. Alertados pela Associação Comercial do município, os sócios se interessaram em participar dos cursos oferecidos pelo projeto Encadeamento Produtivo. “Houve um choque inicial, porque percebemos que não estávamos fazendo nada certo”, brinca José. Várias oportunidades de melhoria foram sinalizadas, desde processos, gestão de pessoal e financeira, até a construção de indicadores de maior confiabilidade. Como resultado do aprimoramento, a Ki Delícia se tornou a lanchonete oficial da Cenibra www.sebrae.com.br/minasgerais 39


e também passou a servir o café da manhã para quem passa pelo exame médico periódico na empresa. E não foi apenas essa a conquista comemorada: junto com a empresa de celulose, outras instituições se tornaram clientes após a padaria ter conquistado a expertise necessária para participar de grandes concorrências e aliado a isso material humano capacitado, maquinário suficiente para crescer ainda mais e um variado mix de produtos, que inclui pães, salgados, bolos e outros quitutes. Um dos novos clientes é o escritório regional do próprio Sebrae Minas, onde são servidos lanches nos intervalos de reuniões e treinamentos. “Outras indicações continuam a surgir a partir desses atendimentos”, informa José. Atualmente, a padaria e a lanchonete têm 30 colaboradores, e novas contratações já são quase certas, pois os sócios planejam 40 PASSO A PASSO OUTUBRO / DEZEMBRO 2017

abrir mais uma lanchonete/padaria em outro município da região. Para isso, o nome, inclusive, já foi escolhido: Cadinho de Minas. O Sebrae Minas, mais uma vez, entrou em ação e ajudou na construção da marca e do plano de negócios da nova empresa. Estudos de mercado indicam, contudo, que ainda não é o momento ideal para abrir o novo negócio. “Enquanto isso, seguimos economizando para os novos investimentos.” O conteúdo do curso oferecido envolveu gestão de pessoas e finanças; formação de preços com critério de rateio de custo fixo; gerenciamento de estoque; marketing; layout do estabelecimento; planejamento estratégico; gestão por indicadores e desenvolvimento de planilhas, dentre outras questões. Um especialista do Sebrae Minas ainda identifica possíveis gargalos específicos de cada negócio e propõe soluções em conjunto com o empresário atendido.


Desenvolvimento em cadeia O programa Encadeamento Produtivo com a Celulose Nipo-Brasileira já finalizou suas atividades em Belo Oriente. O trabalho começou em 2016, a partir de um diagnóstico realizado pelo Sebrae sobre o poder de compra local. Com o estudo em mãos, a empresa se juntou ao Sebrae Minas para elaborar um plano de capacitação, com o objetivo de contribuir de forma eficaz para o desenvolvimento de uma cadeia de fornecedores na região. “Buscamos fortalecer as relações e o crescimento da economia em nossa área de atuação, pois temos a sustentabilidade como um dos nossos princípios e valores. Quando conhecemos o Projeto de Capacitação de Fornecedores desenvolvido pelo Sebrae Minas, não hesitamos em construir e consolidar a parceria”, destaca Cyrino Palhares Silva, gerente do Departamento de Suprimentos da Cenibra. Outra ação proposta durante a capacitação levou os participantes à Feira Brasileira do Varejo (Febravar), em Porto Alegre. “O evento foi uma excelente oportunidade de os pequenos empresários buscarem inovações e serviços diferenciados, que é uma tendência no varejo nacional”, diz a analista do Sebrae, Larissa Coelho. Após a conclusão do projeto, todos os participantes foram cadastrados pela Cenibra como potenciais fornecedores.

Etapas do Encadeamento Empresa realiza diagnóstico de fornecedores da região

Empresários iniciam cursos da consultoria

Empresário implementa as mudanças e promove melhorias na gestão de seu negócio

1 2

Empresa aciona o Sebrae Minas para que seja elaborado plano de capacitação, com o intuito de contribuir para o desenvolvimento de fornecedores locais

4

Especialista do Sebrae Minas identifica gargalos nas empresas e propõe construção coletiva de soluções

3

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www.sebrae.com.br/minasgerais 41


CAPA

42 PASSO A PASSO OUTUBRO / DEZEMBRO 2017


A hora e a vez da escolha e da experiência O consumidor está mais exigente e criterioso. Por isso, é importante construir com ele uma relação de confiança e apostar em estratégias para fazer a diferença Um delivery de roupas femininas, um comércio de cosméticos com consultoria para tratamento de cabelos e um brechó de roupas infantis. O que três negócios tão diferentes podem ter em comum? A resposta está na dedicação ao estudo aprofundado e permanente do mercado, o monitoramento dos hábitos de consumo e a abertura para ouvir clientes e se adequar. Resumindo, foi na crise que seus empreendedores buscaram e construíram suas oportunidades – deu mais trabalho, foi preciso reinventar a si mesmos, mas deu certo. Tais habilidades permitiram que esses empreendedores desenvolvessem estratégias de marketing de vendas baseadas na geração

"Descobri que havia uma demanda a ser despertada por meio da disseminação de informações" Nataly Sgoviah, proprietária da Beleza Exótica

de experiências de valor e numa relação transparente, para conquistar a confiança dos clientes. O resultado são boas vendas e crescimento perene. “As crises globais e nacionais moldaram um perfil de consumidor mais conhecedor, pesquisador, criterioso e exigente. Vivemos um momento muito pautado pela experiência, transparência e confiança nas relações comerciais”, avalia Rosilaine Carvalhais, especialista em Marketing e consultora do Sebrae Minas há 13 anos. Para ela, o consumidor não parou de comprar, mas está comprando melhor, valorizando cada vez mais a qualidade do produto e do atendimento, a acessibilidade e a troca de informação e a relação entre gasto e benefício. “Por isso, a venda deve enfatizar o valor e a satisfação que a aquisição gera para a vida daquele indivíduo, não o custo”, pontua. A especialista destaca que se essa experiência for negativa, o cliente vai voltar e reclamar. Assim, a abertura para uma interação legítima e construtiva se reverte em oportunidades de aprimoramento, fidelização e, claro, de crescimento do negócio. “A atitude de ouvir e retornar com melhorias www.sebrae.com.br/minasgerais 43


e soluções é bem percebida pelo consumidor como a essência e o posicionamento da marca”, orienta Roselaine. NEGÓCIO SOB MEDIDA | Site de venda de roupas já foi uma novidade. Mas quando o modelo de negócio escapa ao padrão, agregando interação, domínio do perfil do público e da demanda, relacionamento e, o mais importante, a experiência de testar o produto e o atendimento sem sair de casa, o crescimento se torna mais palpável. Essa foi a proposta da Vista em Casa, criada em 2016 por Rogério Azevedo e Estevam Jardim, em São Lourenço, no Sul de Minas. A ideia consiste num site cujos pedidos são entregues gratuitamente em bolsas montadas com modelos de roupas de acordo com o perfil de cada cliente, que experimenta e toma a decisão de compra em sua residência. Em menos de dois anos, com um investimento inicial de R$ 80 mil, já são quase 2 mil clientes, que eles conhecem em detalhes. Com

o recente lançamento da linha masculina, a empresa comercializa 26 marcas e cerca de 400 peças por mês, obtendo um ticket médio de R$ 430 por venda. Setembro de 2016 foi um marco para a Vista em Casa e, desde então, o crescimento no faturamento chegou a inacreditáveis 700%. Em plena crise. Isso graças a detalhes de planejamento, operação e gestão de vendas. “Troquei a esperança pela perseverança. Ou seja, procuro conhecer bem o cenário e o meu público para traçar possibilidades compatíveis com nossa realidade”, explica Rogério. Sem entender nada de moda, a dupla se dedicou durante dois anos a estudar o assunto. Pesquisou as tendências de mercado com fornecedores e especialistas, participou de eventos de moda e comércio eletrônico, ouviu clientes, instituições e consultores e investiu em capacitação. Os programas Sebraetec e Empretec, do Sebrae Minas, ajudaram a construir a marca. “O comércio on-line é tão complexo quanto o físico. Brigar com

Maior desafio é conquistar clientes Há mais de

6,6 milhões

de MEIs no Brasil

74% 31%

declaram ter dificuldade em conquistar clientes dizem ter problemas para prospectar

Fonte: Perfil do Microempreendedor Individual (Sebrae 2017) 44 PASSO A PASSO OUTUBRO / DEZEMBRO 2017


grandes redes virtuais multimarcas não é tarefa simples. Conhecer bem o ramo foi vital”, explica Rogério, que quer crescer 30% em 2018 e já vislumbra uma rede de franquias até 2020. INFORMAÇÃO E A TRANSPARÊNCIA | A identificação de carências no atendimento a uma demanda específica levou Nataly Sgoviah a imaginar um negócio diferente e, em apenas dois anos, já recebe pedidos de brasileiras que moram no exterior e exporta para países como Inglaterra, Portugal, Espanha e Japão. Criada em 2015, a loja virtual Beleza Exótica surgiu integrada às redes sociais Instagram e Facebook e inovou ao tornar mais acessíveis cosméticos com conceito No-Poo/Low-Poo (nenhum shampoo/pouco shampoo). “São produtos e técnicas de tratamento naturais para cabelos crespos, cacheados e ondulados, sem substâncias químicas como

"Troquei a esperança pela perseverança. Ou seja, procuro conhecer bem o cenário e o meu público para traçar possibilidades compatíveis com nossa realidade” Rogério Azevedo, da Vista em Casa

silicones, parafinas e petrolatos”, explica a empreendedora. A ideia surgiu quando Nataly decidiu adotar e aprimorar essas técnicas nos seus próprios cabelos. Porém, além da dificuldade em encontrar os produtos nas redes e varejos físicos e virtuais, ela se deparou com equipes de vendas despreparadas. “Descobri que havia uma demanda a ser www.sebrae.com.br/minasgerais 45


Como se reinventar e aumentar as

vendas

Invista nas pessoas: ouça consumidores e equipe de vendas e se adeque, sempre.

Defina e conheça bem seu público-alvo: monitore os hábitos de consumo.

Monte um sistema de cadastro para acompanhar o comportamento dos consumidores.

Monitore mercado e a concorrência: capte e adapte as boas práticas.

Venda para o cliente certo: crie ofertas direcionadas e se diferencie.

Promova experiências positivas: surpreenda o cliente.

Atualize e treine a equipe para um atendimento informativo, personalizado, transparente e humano.

Faça uma comunicação direcionada e relevante para fortalecer o relacionamento.

Enxugue a operação: atenda com eficiência e diferenciação, de forma sustentável e lucrativa.

Planeje a demanda e otimize o estoque: enxuto, dinâmico e eficiente no atendimento.

Integre os ambientes de venda e pós-venda: loja física com canais digitais.

Esteja atento aos valores do cliente: conforto, praticidade, qualidade, preço justo e liberdade de decisão.

Seja empreendedor e inovador sem perder de vista a gestão sustentável e lucrativa.

Invista num ambiente de vendas visualmente atrativo e funcional, seja físico ou virtual.

Construa um relacionamento de confiança na prospecção e fidelização.

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despertada por meio da disseminação de informações, pois muitas mulheres seguiam com a química por desconhecimento da existência de alternativas naturais, eficientes e mais baratas. Minha proposta também considera o perfil econômico da consumidora e estou sempre comprovando que não é necessário gastar rios de dinheiro para ter um cabelo bonito.” Após criar o site de vendas, vieram muitos pedidos de esclarecimento de dúvidas. “Por isso, criei uma página no YouTube, na qual posto vídeos em que aplico os produtos em mim mesma, detalho as soluções e técnicas e apresento o resultado final. Com esse mesmo intuito, depois veio meu blog,

"Entendi que mesmo o usado tem valor. No caso da roupa infantil, prover qualidade com economia não é uma questão de moda, mas de necessidade para muitas famílias" Ana Christina, empreendedora da Tudo Novo de Novo

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que também integra os demais canais da Beleza Exótica”, conta Nataly. Com o crescimento nas vendas, Nataly criou a loja física da Beleza Exótica. Depois, para oferecer consultoria presencial, abriu um espaço de beleza especializado no conceito No-Poo/Low-Poo, pioneiro em Belo Horizonte. Os resultados são muito positivos: 25 mil clientes cadastrados; 2 mil produtos vendidos/mês; R$ 25 mil de faturamento médio mensal na loja virtual e R$ 18 mil no espaço de beleza; 30% de crescimento médio mensal das vendas; 80% de crescimento previsto para 2017. NEGÓCIO QUE DÁ SAMBA | A maternidade fez com que Anna Christina Rocha despertasse para a possibilidade de reinventar o conceito de brechó. Mesmo com carreira bem-sucedida em multinacionais, ela decidiu parar e curtir o primeiro ano de vida da filha. “Planejei em detalhes, interrompi a atividade profissional e comprei todo o enxoval.” A pequena nasceu grande e forte. E Anna Christina perdeu praticamente todo o enxoval novo. “Não tinha mais dinheiro. O jeito foi vender e comprar tudo de novo”, diverte-se.

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Era 2010. O e-mail foi o canal de vendas, e a casa, o show room. “Montei uma rede de amigas, preparei o mostruário e engrenei nas vendas. O Tudo Novo de Novo nasceu aí”, relembra Anna. De lá para cá, passou pelo Orkut, migrou para o Facebook, desembarcou no Instagram, integrou todas essas redes ao site e ao WhattsApp, conquistou 1.600 clientes/fornecedores e vendeu mais de 70 mil roupas e artigos infantis. “Pensei: esse negócio dá samba”, brinca a empreendedora. E como dá: o faturamento, em 2016, cresceu 43%. No Facebook as vendas se multiplicaram e Anna passou a receber roupas do interior de Minas e de outros estados. “Entendi que mesmo o usado tem valor. No caso da roupa infantil, prover qualidade com economia não é uma questão de moda, mas de necessidade para muitas famílias. Crianças crescem, muitos itens deixam de ser usados ainda em bom estado. Em todas as classes socioeconômicas, o seminovo tem sido percebido como uma alternativa boa, bonita e barata.” As vendas on-line esbarraram na limitação de espaço e, como a ideia tinha futuro, Anna arriscou e se adequou ao conceito americano Thrift Store. Em 2012, alugou o primeiro espaço e desenvolveu um próprio padrão de qualidade de produtos, além de sistemas de precificação e controle de vendas e estoque. E teve de mudar para um lugar ainda maior em 2015. “Criei um brechó com cara de loja de produtos novos. O critério na seleção do que vai para venda é o ponto de partida. Só comercializo o que compraria”, diz. Reinventando, inovando e quebrando preconceitos, o Tudo de Novo surgiu, cresceu, se profissionalizou e se mantém perene no mercado. “Com o novo espaço, os custos aumentaram e o crescimento diminuiu. Meu aluguel dobrou e aumentei a equipe de vendas. Por outro lado, a boa organização do espaço e o controle transparente das consignadas gerou mais fluxo de estoque e caixa”, explica.


Empreender é um desafio e tanto. Todo dia uma pergunta nova e nem sempre você encontra as respostas sozinho. É por isso que o Sebrae Minas existe. Para orientar e preparar o empreendedor na hora que ele mais precisa. Então, agora você já sabe. Precisou? #Descomplica. Passa no Sebrae. Av. Barão Homem de Melo, 329 - Nova Granada – BH sebrae.com.br/minasgerais | 0800 570 0800 www.sebrae.com.br/minasgerais 49


VENDAS

Facebook:

aliado ou vilão? Conheça sete erros que pequenos negócios cometem na rede social e saiba como evitá-los

A partir da administração de páginas no Facebook de pequenos negócios, o consultor de marketing digital Carlos Nascimento percebeu que a maioria dos perfis são criados sem um plano de ação. "Isso compromete o alcance dos resultados esperados de visualização e engajamento. Não basta postar, é preciso conhecer o público para identificar a linguagem mais adequada à mensagem e traçar uma estratégia mais assertiva para a divulgação”, reforça.

50 PASSO A PASSO OUTUBRO / DEZEMBRO 2017

Dentre as vantagens do uso das redes sociais pelos pequenos negócios destacam-se a gratuidade da ferramenta e a divulgação de produtos e serviços de forma direta e instantânea, além da possibilidade de aproximar empresa e cliente. Por outro lado, é preciso estar atento para não usar o canal de maneira equivocada e prejudicar os negócios. Veja, no quadro ao lado, os sete erros mais comuns apontados por Carlos Nascimento.


1

FALTA DE PLANEJAMENTO: seja no Facebook ou em qualquer rede social, definir estratégias (conteúdo, linguagem, mídias) e um plano de ação (posts, anúncios, interação com os fãs) é essencial para obter bom resultado.

2

SEM PERSONA: é preciso conhecer o público que receberá a mensagem. Sem isso, a empresa corre o risco de realizar publicações ou anúncios que não interessam ao consumidor final do produto.

3

IGNORAR POLÍTICAS DE USO E REGRAS PARA ANUNCIANTES: existem muitos pré-requisitos sobre a política de uso do Facebook e regras para a publicidade na rede que, se não cumpridos, poderão gerar desde o bloqueio de funções da página até sua exclusão.

4

DESCONHECIMENTO SOBRE O ALGORITMO DO FACEBOOK: alguns recursos da rede determinam o que deve ser exibido ou não no feed de notícias dos fãs da página. Um deles é o algoritmo Edgeranké, usado para indicar o alcance das publicações. Por isso, é preciso conhecer o seu funcionamento, para não correr o risco de estar “falando para ninguém”.

5

FALTA DE PERIODICIDADE: o ideal é definir um cronograma de postagens, de modo a atualizar o conteúdo constantemente e interagir com os fãs, com o menor tempo de resposta, no caso de possíveis mensagens e comentários.

6

NÃO MENSURAR RESULTADOS: a maioria das fanpages não utiliza os recursos das funções administrativas da página, que permitem verificar os alcances orgânicos (de posts não pagos), a taxa de engajamento, o número de curtidas, o perfil dos clientes (gênero, idade, região), entre outros dados que podem ser usados para melhorar a performance do negócio.

7

NÃO DIFERENCIAR PERFIL E PÁGINA: muitos empreendedores ainda criam o perfil da empresa na modalidade destinada ao usuário comum. Essa prática vai contra as políticas de uso da rede social e pode levar à inativação da conta. É possível migrar o perfil de usuário comum para uma fanpage.

Uma em cada três micro e pequenas empresas no Brasil possui página no Facebook* * Deloitte Brasil

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CONSULTORIA

Como organizar e monitorar as vendas a prazo Uma pesquisa divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostra que o percentual de famílias brasileiras com contas ou dívidas em atraso alcançou o patamar de 24,6% em agosto de 2017. O estudo também evidenciou que o tempo médio de atraso para o pagamento de dívidas foi de 64,7 dias. A venda a prazo é uma prática de mercado e, no âmbito das micro e pequenas empresas, essa situação requer atenção por parte dos empresários. A ausência de critério e controle na concessão de crédito pode representar riscos para a manutenção da liquidez da empresa. Você, empresário, já parou para avaliar a qualidade das vendas de sua empresa? Saiba que planejamento, critério e monitoramento devem ser princípios norteadores das vendas a prazo. A adoção de boas práticas contribui para que elas sejam realizadas com segurança. CADASTRO DE CLIENTES – faça cadastro de todos os clientes (novos e antigos). Isso permite conhecer os hábitos de compra e auxilia na concessão de crédito. Solicite 52 PASSO A PASSO OUTUBRO / DEZEMBRO 2017

documentos que comprovem as informações cadastrais e proceda à atualização a cada seis ou 12 meses. Divulgue para a equipe e para os clientes a documentação necessária para o cadastro. POLÍTICA DE LIBERAÇÃO DE CRÉDITO – defina o plano de financiamento; o limite de crédito, de acordo com o histórico do cliente e ou comprovante de renda para clientes novos; os encargos financeiros, em caso de atraso; o


prazo de tolerância para recebimentos em atraso; os instrumentos de cobrança e orientação para clientes com restrições de crédito (por exemplo: informar que a venda não foi autorizada e orientá-lo a regularizar a situação cadastral). CLASSIFICAÇÃO DOS CLIENTES – classifique os clientes. O critério comumente utilizado é a pontualidade: A, para os que nunca atrasam; B, para atraso de até 10 dias; C, para atraso entre 11 e 30 dias; e D, para atraso superior a 30 dias. Esta classificação permite adotar ações de marketing e flexibilização de limites de crédito. PROCEDIMENTOS DE COBRANÇA – estabeleça rotinas de cobrança a serem adotadas: quando iniciar, forma de contato e quem o fará. Não espere o cliente lembrar que está inadimplente. Quanto maior o atraso, maior a dificuldade em receber. INDICADORES – as boas práticas de monitoramento recomendam a utilização de indicadores. Depois de agrupados e interpretados, são a base para a tomada de decisão. São indicados: percentual de vendas a prazo (vendas totais a prazo/vendas totais x 100); despesas financeiras mensais (somatório dos juros e multas pagos referentes aos pagamentos em atraso); taxa de inadimplência (vendas em atraso/total das vendas a prazo x 100). RECUPERAÇÃO DE CRÉDITO – caso seus indicadores mostrem que as vendas representam um risco para o negócio, devido à inadimplência, pode ser estratégico lançar uma campanha de recuperação de crédito. Trata-se de um conjunto de ações que, por um lado, ajuda o inadimplente a quitar sua dívida e regularizar sua situação e, por outro, apoia a empresa na melhoria de seu saldo de caixa. Pode ser realizado pela própria empresa ou por terceiros. Fonte: Maria Nilda Viana Clementino é analista do Sebrae na Regional Zona da Mata

QUE TAL SE PREPARAR PARA O NATAL E LANÇAR UMA AÇÃO COMO ESTA? SIGA AS DICAS: • Levante os valores por cliente, totalizando juros e multas e prazo de atraso. Considere os clientes com débitos vencidos há mais de 30 dias;

• Crie um nome para a campanha; • Defina o prazo de realização (data de início e fim);

• Divulgue a campanha (via canais de comunicação comumente usados pela empresa); • Defina os critérios de negociação. São algumas possibilidades: isenção de juros e multa para pagamento à vista, sinal de 50% e restante em 30 dias, com redução de juros e multa.

• Faça o instrumento de formalização do acordo; • Defina a equipe envolvida na campanha. Se ela for reduzida, uma dica é atender com horário agendado;

• Faça um roteiro de atendimento e treine a equipe. Se a venda a prazo é inevitável, a adoção de boas práticas contribui para minimizar o risco desta modalidade, amplamente praticada no mercado. Lembre-se da regra de ouro: 1. DEFINA AS NORMAS 2. COMUNIQUE-AS AOS CLIENTES 3. TREINE A EQUIPE 4. MONITORE OS RESULTADOS 5. TOME AS DECISÕES NECESSÁRIAS www.sebrae.com.br/minasgerais 53


CONSULTORIA

Dicas para quem vai empreender (Parte 2) O que não pode faltar para o início de um negócio?

Na edição 167 da revista Passo a Passo, discutimos sobre como a falta de planejamento do negócio leva muitas empresas a fechar as portas rapidamente, gerando estatísticas preocupantes aos empreendedores. Para quem quer iniciar um negócio, o ponto de partida é estudar sobre a forma jurídico-societária e sobre como a oportunidade de negócio irá se relacionar com o mercado, seus clientes, concorrentes e fornecedores. Assim, é possível traçar as primeiras estratégias rumo ao sucesso. Mas não é só isso! Mesmo que a ideia tenha uma boa perspectiva de mercado, o empreendedor deve considerar também como vai ser o seu funcionamento interno e se a operação vai gerar um retorno financeiro do investimento feito.

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I – PLANEJAMENTO DAS OPERAÇÕES É hora de avaliar se a empresa consegue entregar ao cliente tudo o que foi idealizado. Todo negócio é composto de pessoas, são elas as responsáveis pelo sucesso empresarial. Portanto, deve-se entender qual o perfil desejado para a empresa, qual treinamento será aplicado e quais processos de vendas ou produção terão que ser cumpridos. O empresário deverá buscar responder: • Necessidades de Pessoal: Qual a equipe necessária? Para que funções você contratará? Que qualificações são necessárias? Qual o salário e encargos? • Capacidade instalada: Qual será a capacidade máxima de produção (ou serviços) e comercialização? Essa capacidade está alinhada com a equipe pensada? • Processos: Quais os materiais necessários para fabricação? Como será garantida a qualidade padrão da empresa? Que equipamentos devem ser adquiridos? Qual o fluxo de produção ou venda?

II – PLANEJAMENTO FINANCEIRO Após planejar os fatores mercadológicos e operacionais, o empreendedor deve realizar um orçamento empresarial. Ele funciona como um teste de viabilidade do negócio, apontando se ele será lucrativo a partir das estratégias e processos definidos nas análises anteriores. O importante do planejamento financeiro é colocar no papel os investimentos e gastos e comparar com as expectativas de vendas. Com isso, o empreendedor poderá ter clareza dos resultados

esperados e tomar a decisão de abrir o negócio ou de corrigir o que ainda não está adequado. Ele deve fazer um orçamento dos itens a seguir: • Investimentos Fixos: Quais os gastos com aquisição de móveis e equipamentos para o funcionamento do negócio? • Investimentos pré-operacionais: Quais os gastos para abertura da empresa? • Estoque inicial: Quais os materiais e produtos necessários para abertura do seu negócio (se houver); • Qual sua necessidade de capital de giro? Há outras despesas para iniciar seu negócio? Por quanto tempo a empresa precisa se resguardar financeiramente? • Qual a estimativa de faturamento mensal? Em um cenário mais pessimista, quanto esse faturamento pode cair? • Qual o custo do seu produto/serviço? Que insumos são necessários para produção? • Qual a estimativa de gasto com a comercialização (impostos, taxas etc.)? • Quais são seus custos fixos? Os valores correspondem à realidade local? Qual é o prólabore dos sócios? Realizando esse orçamento empresarial, é possível avaliar de maneira prática se o negócio será viável e a quais riscos está exposto. Também é possível analisar a quantidade mínima de vendas necessária para que a empresa se mantenha, qual a perspectiva de retorno aos sócios e em quanto tempo os investimentos serão pagos. Lembre-se, também, de que esse orçamento deve ser seguido na hora de tirar o negócio do papel: é sempre bom acompanhar o que foi orçado para avaliar se, na prática, não se está investindo mais do que o previsto.

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Para quem deseja empreender, é possível utilizar o software Plano de Negócios (disponível para download no site do Sebrae) para construir, planejar e monitorar todos os itens citados. A biblioteca digital do Sebrae (disponível no site) e os atendimentos presenciais e a distância em todo o estado também ajudam quem quer começar um negócio com o pé direito.

Ao realizar o planejamento é possível reduzir as chances de fechamento das empresas, pois não só o empreendedor terá reunido melhores informações, mas também evitará investir em ideias que tendem a não ser bons negócios. Cabe ao empreendedor, então, a atitude de assumir o risco de suas escolhas. Quanto melhor o planejamento, maior a chance de sucesso.

Fonte: Paulo Veríssimo e Bruno Rodrigues são analistas do Sebrae Minas

PRONTO PARA EMPREENDER? 5 DICAS QUE NÃO PODEM FALTAR! MARKETING Identifique quais são os alvos a serem atingidos (objetivos, metas e indicadores) e quais são as ações necessárias para concretizá-las.

INOVAÇÃO Busque sempre novas inspirações para dar fôlego ao empreendimento. A inovação é condição para que uma empresa mantenha sua competitividade ao longo do tempo.

METAS E INDICADORES Defina metas claras e desafiadoras, com controles e indicadores monitorados para a tomada de decisão.

CONTROLES GERENCIAIS A implantação de controles financeiros (de caixa, contas a pagar e receber, estoques, clientes, dentre outros) e sua atualização são pontos fundamentais para melhoria na gestão das micro e pequenas empresas. Há no mercado uma série de sistemas, inclusive gratuitos, que poderão ser adotados pela empresa na implantação desses controles.

REDES DE COOPERAÇÃO O fortalecimento de parcerias tem auxiliado os empresários a buscar a eficiência desejada. A participação em uma rede de cooperação poderá trazer redução nos custos variáveis dos produtos, uma vez que, adquirindo em rede, as empresas participantes tendem a negociar maiores vantagens com os fornecedores.

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NATAL

Vendas de fim de ano A Confederação Nacional do Comércio espera crescimento de 4,3% nas vendas de fim de ano em relação ao ano passado. O cenário econômico de queda da inflação, dos juros e do desemprego contribui para o ânimo dos varejistas. Entretanto, o consumidor continua cauteloso na decisão de comprar. “Eles fazem mais pesquisa de preço, principalmente pelo uso do smartphone e o crescimento das lojas virtuais”, confirma a analista do Sebrae Minas Luciana Lessa. Para tentar convencer os consumidores a optarem por uma marca ou produto, em meio a tantas ofertas, o empresário precisa investir na qualidade do relacionamento com os clientes e em estratégias de marketing diferenciadas. “O consumidor busca, acima de tudo, transparência, confiança e um bom atendimento. Qualidade e preço vêm em seguida”, afirma a especialista em marketing do Sebrae. E não dá para pensar em estratégia de venda sem pensar no e-commerce. Para além de ter um site bem construído, atrativo e responsivo, os pequenos negócios precisam buscar outros atributos de marketing para concorrer nesse mercado dominado por grandes empresas. “É fundamental a empresa cumprir o que promete para os consumidores, como prazo de entrega,

disponibilidade e personificação de produtos”, destaca a analista. Nas redes sociais, é importante que as estratégias para disputar a atenção do consumidor se baseiem no bom senso e no entendimento de que esses ambientes têm que ser priorizados como espaços de relacionamento com os clientes. “As redes sociais não devem ser uma vitrine de vendas. Ali precisam ser postados conteúdos relevantes para os consumidores, que devem ter suas dúvidas respondidas o mais rápido possível”, alerta Luciana Lessa. Confira outras dicas da especialista para os empresários se preparem para as vendas de fim de ano: · Verifique como foram as vendas do último ano e prepare o seu estoque para não faltar produtos. · Prepare os vendedores para prestarem um excelente atendimento. · Mude as vitrines pelo menos uma vez por semana. · Invista em promoções. · Cuide da organização da loja e pense em oferecer um mimo para o cliente, como um bombom, por exemplo. · Mensure os prazos necessários para realizar as entregas até o Natal. www.sebrae.com.br/minasgerais 57


Crédito: Pedro Vilela

GESTÃO

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Juliana e André Bahia: netos à frente da Pastelaria Marília de Dirceu


Quando a

nova geração entra em campo

Equilibrar a experiência de veteranos e a ousadia dos novatos é a receita da continuidade nos negócios familiares Já imaginou uma tradicional pastelaria familiar driblar o momento econômico complicado com produtos mais saudáveis? O que soava inimaginável tornou-se realidade a partir de uma boa ideia, sustentada por pesquisa e adequação às tendências de consumo. Assim surgiu a linha Marília Fit, que incorporou quatro sabores de salgados assados – frango com batata doce, frango com brócolis e couve-flor, tilápia com abóbora e quibe com quinoa ao cardápio da Pastelaria Marília de Dirceu. A ideia foi dos primos André, 25, e Juliana Bahia, 31, que encararam o desafio de diferenciar o estabelecimento sem comprometer a qualidade que mantém o negócio há 25 anos. Lançada em junho de 2016, a Marília Fit conquistou o público que cultiva uma alimentação saudável e ajudou a família Bahia a compensar a queda nas encomendas. Mais ainda, revelou um novo cliente: o varejo especializado em alimentação saudável. “Temos 130 empresas fidelizadas, responsáveis por 90% das vendas da linha”, conta André, que está próximo de concluir o curso de Administração. A inovação também expandiu a atuação da empresa e levou seus produtos ao interior de Minas e a capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Curitiba. Resultados? Enquanto o setor de encomendas da pastelaria contabiliza cinco mil pastéis e quatro mil salgados vendidos por dia, a um ticket médio de R$ 100, o desempenho

da linha fit é de 80 bandejas diárias, com 25 unidades cada, que perfazem um valor médio de R$ 600 por pedido. A estimativa é que o faturamento passe de R$ 2,8 milhões, em 2016, para R$ 3,2 milhões, neste ano. “A demanda só cresce, pois o público não abre mão de uma dieta padrão saudável, sem glúten, lactose ou conservantes”, diz André. BERÇO | A capacidade dos primos para identificar e desenvolver um novo negócio reflete o ambiente familiar marcado pela atitude empreendedora, que levou a matriarca Maria José e as filhas Andréa e Yara a iniciar o negócio. “Elas apostaram na ideia de fazer pastéis por encomenda para os vizinhos. A pastelaria começou e cresceu na casa da minha avó, em Lourdes, em frente à praça onde está até hoje”, recorda André. Sempre parceira das filhas, D. Maria José adicionou ao cardápio suas receitas de salgados, doces e tortas, e a atividade familiar deu origem a uma empresa sólida, cuja sociedade agrega mais três irmãs. “Foi seguindo os conselhos de minha mãe que ingressei na Escola do Sebrae de Formação Gerencial e vim para cá como estagiário do administrativo-financeiro. Passei por todos os departamentos, onde pude colocar em prática os conhecimentos adquiridos na sala de aula. Percorrer esse caminho foi muito importante, pois aumentei minha capacidade de gerir e empreender e conquistei a confiança da família para assumir o novo negócio”, reflete André. www.sebrae.com.br/minasgerais 59


Foto: Solon Queiroz

“Acredito que a soma de gerações é positiva para aumentar a competitividade” Ricardo Viana, proprietário da joalheria Voga, junto aos filhos Rodrigo e Vinícius

60 PASSO A PASSO OUTUBRO / DEZEMBRO 2017

FORMAÇÃO CONTINUADA | Segundo a especialista em liderança e consultora do Sebrae Minas Sônia Jordão, 80% das organizações empresariais em todo o mundo são familiares. Porém, 70% delas não resistem à morte do fundador. “Existem outras estimativas que apontam que, a cada cem empresas familiares, 33 chegam à segunda geração e 17 até a terceira”, completa a consultora. Entre os motivos estão o planejamento insuficiente e a má formação dos sucessores. “O fundador deve refletir sobre o futuro. Seus herdeiros desejam dar sequência ao negócio? Se há sucessores, eles devem ser capacitados para a tarefa e participar do planejamento.” Para a especialista, instituições como o Sebrae conscientizam os empreendedores familiares sobre o maior desafio dessas organizações: a formação de uma cultura gerencial qualificada. Ela lembra que, antigamente, os pais se preocupavam em acumular recursos financeiros e bens de valor para garantir o futuro dos filhos. “Porém, se os herdeiros não souberem gerir o patrimônio, ele acaba. Existe até o ditado ‘pai rico, filho nobre, neto pobre’. Esse entendimento vem mudando, e os pais estão se preocupando mais em deixar estudo, formação humana e profissional para que seus herdeiros sejam capazes de sobreviver e ser autossustentáveis. E a formação permite que as futuras gerações possam desenvolver uma visão sistêmica e global da empresa para dar continuidade ao negócio.” Equilibrar a experiência dos veteranos – que já erraram antes e, por isso, acertam mais com menor esforço – e a energia e ousadia das novas gerações é outro desafio. “Maturidade, parcimônia, agilidade e inovação são habilidades complementares, que devem se revezar na gestão e nas tomadas de decisões”, acrescenta. JOIA DE FAMÍLIA | Eles cresceram no ofício de ourives. Com 14 anos, Ricardo Viana e seus dois irmãos já produziam os primeiros adornos, vendidos na loja do pai, Salvador. O caminho era natural e os três seguiram no negócio – Ricardo e a irmã com lojas próprias, o irmão dando continuidade ao empreendimento paterno, que se tornou uma referência em joalherias no Quarteirão do


Povo, tradicional corredor comercial do Centro de Montes Claros. Com apoio do projeto Revitalização de Espaços Comerciais, do Sebrae Minas, a tradição familiar está ganhando competitividade. Segundo a analista Hebbe Mendes, a iniciativa foi implantada em 2016 e, este ano, integra um programa maior na cidade – o projeto de Atendimento de Montes Claros. “As ações visam à melhoria do espaço comum e à qualificação dessas empresas para competir com outros pontos comerciais que surgiram, tais como shoppings e comércios de bairro”. Do total de 62 empresas que atuam no corredor comercial, 16 participaram de atividades como elaboração de campanhas de Natal e datas comemorativas, missão técnica em Florianópolis para conhecer um modelo de shopping a céu aberto, capacitações em atendimento ao cliente e vendas, pesquisa de mercado para identificação do público

frequentador da região, curso de redes sociais, entre outros, além de motivar parcerias com a Sala Mineira do Empreendedor, prefeitura, faculdades e Polícia Militar. Hoje, na joalheria Voga, Ricardo trabalha com os filhos Rodrigo e Vinícius e com a esposa Cléia. A entrada dos jovens foi uma decisão deles. “Na infância, meu irmão já fazia alianças de prata e eu consertava relógios. Cheguei a fazer estágios na minha área de formação, Direito, mas gosto mesmo é do dinamismo do comércio de joias”, diz Rodrigo, que, ao lado do pai, é responsável pelo setor administrativo-financeiro e pelo atendimento aos clientes. Cléia participa da administração, mas se concentra nas compras e vendas. Já Vinícius é o criativo, o inovador. “As responsabilidades têm se definido naturalmente, conforme a vocação de cada um. Nossos filhos mostram que podem agregar força ao negócio com a utilização das redes sociais. Nossa expectativa é que futu-

Pedro Vilela

Gerações da família Bahia unidas no empreendimento

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Marcelo divide a sociedade da mecânica com os dois filhos e emprega o sobrinho

ramente eles tomem as rédeas da empresa, cada um com seu papel bem-definido”, diz o fundador da Voga. Para isso, a família tem investido em qualificação. Além das atividades do projeto do Sebrae Minas no Quarteirão do Povo, Rodrigo tem participado de workshops, oficinas e palestras oferecidos pela instituição. “É preciso ajustar processos, agregar novas estratégias, fazer o negócio evoluir conforme as possibilidades do setor. Eles chegam para construir conosco esse novo momento e dar continuidade à Voga”, comemora o patriarca. Ricardo concorda: “Acredito que a soma de gerações é positiva para aumentar a competitividade.” O fundador já admite, inclusive, que um plano de sucessão deve começar a ser traçado, para que as futuras gerações da família Viana encontrem espaço para ingressar na atividade. 62 PASSO A PASSO OUTUBRO / DEZEMBRO 2017

APAIXONADOS POR MOTORES | Fundada em 1979, a Auto Mecânica Marcelo cresceu junto com os filhos do fundador, Marcelo Gonçalves. Hoje, o mais velho, também Marcelo, divide a sociedade com o pai e o irmão, Mateus. Pai e filhos se revezam na gestão, nas tarefas operacionais da oficina e no atendimento aos clientes. “Há 17 anos, as dificuldades fizeram com que meu pai encerrasse o negócio e optasse pela informalidade. Em 2010, eu e meu irmão nos tornamos sócios e regularizamos a empresa novamente”, conta Marcelo Filho. Desde então, foi criado um almoxarifado, que abriga 90% das peças utilizadas nos reparos, e os serviços passaram a incluir alinhamento e balanceamento e troca de óleo. Para tudo funcionar, eles contam também com o sobrinho Gabriel, responsável pelas compras de peças, gestão do almoxarifado, vendas, atendimento


PESQUISA EMPRESAS FAMILIARES Familiares

51%

Empresas de pequeno porte (EPP)

25%

Microempresas (ME)

59%

39%

Microempreendedores individuais (MEI) Indústria

36% 30%

38%

Comércio Serviços

Fonte: Sebrae Nacional – 2017

ao cliente e outros procedimentos burocráticos. A empresa tem 1,5 mil clientes cadastrados, atende a cerca de 150 carros por mês e tem um faturamento anual de R$ 800 mil. “Nossos próximos passos serão ampliar a estrutura física, adquirir novos equipamentos, aprimorar a gestão e buscar crédito para aumentar o capital de giro”, planeja o primogênito. Para isso, a família está profissionalizando a gestão, com o apoio de consultorias do Sebrae Minas nas áreas administrativa, financeira, operacional e de vendas e compras. “A meta é aumentar a produtividade com redução de custos”, destaca. Estímulos não faltam, pois, além da paixão por carros e do bom relacionamento em família, a empresa possui um público fidelizado na Grande BH, nos municípios de Lagoa Santa, onde está localizada, Pedro Leopoldo, Vespasiano e Jaboticatubas. “Temos clientes que estão conosco há mais

de 30 anos e devem continuar por muito tempo. O pai tem um nome muito forte na região, por isso a empresa está tão consolidada. Ao mesmo tempo, percebemos que temos que modernizar a gestão e a estrutura física para continuar ampliando o negócio”, analisa. Nesse processo de mudança, Marcelo pai é guru do clã, principalmente quando o assunto envolve investimentos. “A demanda tem aumentado gradualmente a partir das melhorias que temos realizado”, relata o filho sócio. Ele destaca que são as diferenças que equilibram as relações. Além da experiência, o fundador se destaca pela agilidade; o filho mais velho, pelo dinamismo; já o caçula, pela tranquilidade. “O ambiente na oficina é de cooperação mútua, cada qual com seu estilo e um aprendendo com o outro. Manter essa união é o mais importante”, conclui Marcelo Filho. www.sebrae.com.br/minasgerais 63


EMPREENDEDORISMO

Filipe Moraes faz parte da Associação Mineira de Jogos 64 PASSO A PASSO OUTUBRO FEVEREIRO//DEZEMBRO MARÇO 2017 2017


Com selo verde e amarelo Estúdios de desenvolvimento de jogos digitais aproveitam alta do mercado nacional O que você faria se fosse o único indivíduo diferente dentro de uma cidade cheia de seres idênticos? No jogo Odd: a tale about difference, o personagem principal é um fantasma cuja aura colorida faz com que ele se destaque dos demais. Ao jogador cabe revelar ou não essa característica, decisão que determinará como será o seu convívio em sociedade. A história é uma alegoria à situação atual vivida pela população LGBT, criada pelo desenvolvedor de jogos Victor Hugo Da Pieve. “Trazer à tona a representatividade diversifica o perfil das pessoas que consomem e trabalham na área. Hoje as histórias são muito parecidas. É muito chato não se enxergar nos jogos”, conta. Em outras épocas, Odd dificilmente chegaria ao grande público. A explosão das produções independentes nos últimos anos possibilitou que ele fosse lançado sem a necessidade do apoio de um grande estúdio ou distribuidora. O crescimento da plataforma de distribuição de games digitais Steam mostra o potencial desse mercado: em 2017, serão lançados mais jogos do que nos oito primeiros anos de funcionamento, quando mais de 5 mil títulos chegaram ao público. No Brasil, este ainda é um mercado em crescimento. Segundo a consultoria NewZoo, o país ocupa a 11ª posição no ranking mundial de consumo de jogos. Em 2016, o setor movimentou U$ 1,6 bilhão, valor 25% maior do que o registrado em 2014. Levando-se em consideração apenas a produção nacional,

foram gerados U$ 18,8 milhões em negócios somente no Brazil’s Independent Games Festival (BIG Festival), único evento da América Latina sobre o tema, realizado em São Paulo. Esse novo cenário possibilita o surgimento de jogos com temáticas diferenciadas. Assim surgiu Odd, que, posteriormente, possibilitou o desenvolvimento de Na Batida, iniciativa que conta com o apoio do Sebrae Minas, para estimular o desenvolvimento de negócios a partir da Cultura. O jogo de dança criado em parceria com o Centro Cultural Lá da Favelinha – uma iniciativa da comunidade do Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte – traz personagens drag queens e funkeiras. “A representatividade é muito importante nesse cenário independente. As histórias contadas são bem mais pessoais”, explica o desenvolvedor. CRESCIMENTO NO BRASIL | “O mercado brasileiro está em uma fase ascendente” – é o que afirma Filipe Faria Morais, secretário da Associação Mineira de Jogos e fundador da Gamelyst, um serviço de assinatura de games. Segundo ele, existem níveis para classificar os países, que vão de 1 a 5 – daqueles que estão começando os trabalhos até os que já se internacionalizaram. O Brasil está no nível 4, a um passo de levar seus trabalhos para o mundo. Esse crescimento é visto também no número de empresas trabalhando na área. Segundo a Associação Brasileira das Empresas Desenvolvedoras de Jogos Digitais (Abragames), o www.sebrae.com.br/minasgerais 65


país tinha 43 estúdios em 2008. Em 2014, esse número chegou a 130. Atualmente, já são mais de 300, que empregam de 5 a 10 pessoas cada um. Em Minas Gerais, são cerca de 60 players, entre estúdios, instituições de ensino técnico e superior e empresas de aceleração, suporte e distribuição de jogos. “A gente começou como uma experimentação, desenvolvendo nosso primeiro jogo. O estúdio se formou por causa dele”, conta a cofundadora do Studio Trinca, Sofia Utsch. O game em questão é Festa Estranha, lançado em agosto de 2016. Além de jogos autorais, a empresa também desenvolve projetos institucionais. “A gameficação é uma linguagem cada vez mais buscada para comunicar com os públicos”, conta Sofia. A maior barreira para o mercado, porém, é a profissionalização. Para Filipe Morais, ainda há muita dificuldade em tratar o desenvolvimento de jogos como um negócio. “A maioria dos 66 PASSO A PASSO OUTUBRO / DEZEMBRO 2017

produtores são artistas e desenvolvedores. Eles não têm alguém que trate da administração, da distribuição dos jogos”. Para ele, a forma de gerenciar um estúdio deve ser muito parecida com a de uma startup. Sofia Utsch vê com bons olhos os desafios atuais, pois ainda há espaço para muita mobilidade e independência. “Como não tem muito dinheiro envolvido, temos visto muitos jogos legais saindo hoje. Ainda estamos testando e tentando descobrir a cara dos jogos brasileiros.” PRÁTICA FAZ DIFERENÇA | Uma barreira para o desenvolvimento de jogos no Brasil é a bolha de produção, apontada por Morais. “Queremos ter um alto índice de qualidade nos jogos, mas qualquer pessoa que se sentar na frente do computador pode desenvolver um. Por isso, ainda saem produtos sem profundidade, sem acabamento, sem mecânica.” Para resolver esses problemas, a prática

Foto: Juliana Flister

Victor Da Pieve criou um jogo em alegoria à situação atual do público LGBT


é fundamental. Cursos superiores e de aperfeiçoamento são diferenciais, mas, para ser visto pelo mercado, o portfólio fala mais alto. “Existem aulas específicas de programação, desenho e marketing, mas o que coloca um desenvolvedor no mercado é fazer jogo”, diz Victor Hugo Da Pieve. Persistência também é fundamental. Para conseguir o seu primeiro jogo de sucesso, é preciso desenvolver uma média de dez jogos dentro do mesmo estilo, apenas para aperfeiçoar a técnica. E, apesar de ainda não existirem grandes estúdios no país, os profissionais brasileiros são bem vistos no exterior. O problema é que eles vão e não retornam. “Isso é uma coisa que a Associação Mineira de Jogos e o Sebrae Minas estão tentando reverter. Queremos trazer esses profissionais de volta e sair do desenvolvimento de garagem. Os objetivos são transformar o cenário nacional e colocar o Brasil na rota dos grandes jogos”, afirma Filipe Morais. De acordo com a analista do Sebrae Minas, Márcia Valéria Cotta Machado, outros desafios enfrentados pelos desenvolvedores de games são: limitação e dificuldade de captação de recursos financeiros, bem como de aliar o comportamento empreendedor à produção de jogos e baixo controle nos processos de gestão (como finanças, marketing, vendas e formação de equipes multidisciplinares). Para ajudar na capacitação e na formação da mentalidade empreendedora no setor de jogos digitais, o Sebrae Minas lançou, em julho, o Programa de pré-aceleração para games em parceria com a Playbor. Participaram empreendedores de estúdios de games das áreas de Tecnologia da Informação, Jogos Digitais, Design, Administração, Economia e Marketing. Durante o evento DemodayTrends, em dezembro, serão apresentados ao mercado os jogos desenvolvidos pelos empreendedores de games. “A intenção é repetir a iniciativa anualmente, com edições cada vez mais alinhadas ao mercado”, afirma Márcia.

O Studio Trinca é um empreendimento criado por Sofia e duas sócias

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TURISMO

Prazer em

receber Trabalho une empreendedores para desenvolver o turismo rural na regiĂŁo de Lima Duarte

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Fazenda Rancho Alegre: boa comida e tranquilidade

Às margens da BR 267, a 90 quilômetros de Juiz de Fora, encontra-se o município de Lima Duarte, na Zona da Mata Mineira. Além do Parque Estadual de Ibitipoca, que só no ano passado recebeu mais de 100 mil visitantes, o local tem outros atrativos naturais muito procurados, entre os quais diversas propriedades rurais com grande potencial de visitação durante todo o ano e atrações como as cachoeiras do Arco-íris, do Coelho, do Sossego e do Pão de Angu; e a Região dos Campos, que abriga as vilas de São Domingos da Bocaina e Souza do Rio Grande, entre outros. Visitantes do Rio de Janeiro, de Belo Horizonte, de São Paulo e de Juiz de fora já se tornaram frequentadores da região, mas também costumam passar por lá turistas de outros pontos do Sudeste, do Brasil e até do exterior. Em 2016, ao identificar a vocação regional para o turismo, o Sebrae Minas iniciou um projeto de sensibilização dos produtores rurais. O foco é a capacitação para gerir os meios de hospedagem, o turismo de experiência e a comercialização de produtos típicos da região, promovendo o desenvolvimento sustentável das localidades. Em 2017, alguns empresários decidiram dar um nome a esse segmento, formando o Entre Serras Turismo Rural, grupo que reúne as propriedades interessadas em fomentar o turismo rural na região. “Nossa primeira ação foi sensibilizar alguns produtores rurais e os órgãos públicos para mostrar o potencial da região, que até então não era aproveitado”, destaca o analista do Sebrae Minas Tarcísio Fagundes. “Nosso maior atrativo é o meio ambiente, e há uma grande preocupação com a segurança alimentar, já que muitas propriedades rurais oferecem produtos de fabricação caseira, como doces, cachaça, carnes e queijos.”

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Terezinha e Arnaldo Fontes já têm negócio consolidado de criação de ovinos e querem aproveitar o potencial do local para o turismo rural

COOPERAÇÃO SEMPRE | Após a formação do grupo de nove empresários – além de produtores rurais de Lima Duarte, há agricultores de municípios vizinhos, como Olaria e Santana do Garambéu –, iniciaram-se as qualificações sob orientação do Sebrae Minas, como a capacitação financeira, para permitir uma melhor gestão dos negócios e medir evoluções. Outras ações importantes foram oficinas e consultorias especializadas, que identificaram potencialidades em cada propriedade e sugeriram melhorias. “Como o grupo era bem heterogêneo e nem todos tinham conhecimento sobre as possibilidades oferecidas pelo turismo, realizamos seminários que abordaram as potencialidades da região e a importância das atividades sustentáveis e do associativismo”, explica o analista. O objetivo 70 PASSO A PASSO OUTUBRO / DEZEMBRO 2017

era mostrar como cada empresário poderia aproveitar ao máximo a capacidade turística de sua propriedade. Os participantes estão motivados. “Já percebemos um avanço na organização e união dos empresários, que têm se preocupado em investir em melhorias nas propriedades. O mais interessante é que eles conseguem pensar estratégias de forma conjunta”, afirma Marcio Lucinda Lima, gestor da Associação dos Municípios do Circuito Turístico Serras de Ibitipoca. Juntos, os empreendedores oferecem uma diversidade de opções como pousadas, acesso a cachoeiras, restaurantes, pesqueiros, currais, trilhas, entre outros. Eles se reúnem com frequência para avaliar o andamento do projeto e listar prioridades. Dentro do planejamento de


marketing, a primeira ação foi criar a identidade visual e o logotipo, que já estão definidos. Os próximos passos serão padronizar as placas de identificação externas e internas das propriedades e elaborar um roteiro turístico, além de um fôlder ilustrativo e um site para divulgar o Entre Serras Turismo Rural e suas atrações. MUDANÇA DE VIDA | A principal atividade do sítio Urucum, do casal Arnaldo e Terezinha Fontes Valentim Santos, é a criação de ovinos para abate e produção de linguiças e cortes especiais. Já são mais de 300 animais, das raças Santa Inês, Texel, Ile de France e Dorper. A propriedade possui uma sala de corte legalizada, que conta com o Selo de Inspeção Municipal (SIM). Lá são produzidos cerca de 260 quilos de linguiça e 240 quilos de

carnes especiais (alcatra, carré, costela, paleta e pernil). A intenção do casal é multiplicar por cinco a produção da famosa linguiça e torná-la um produto característico. A carne é comercializada para alguns estabelecimentos da região de Lima Duarte, mas Arnaldo e Terezinha já planejam levá-la a pontos específicos de Ibitipoca. Com o desenvolvimento do turismo rural, a ideia é atrair visitantes para a propriedade e aumentar as vendas. “Queremos receber grupos de mais ou menos 12 pessoas, entre adultos e crianças. O roteiro contará com uma breve explanação sobre as raças das ovelhas e sua criação; visita guiada ao curral, que explicará como é feito o manejo e demonstrará como se dá a mamada controlada; e degustação de cordeiro, ao final do passeio”, conta o produtor. www.sebrae.com.br/minasgerais 71


APRENDIZADO DE GERAÇÕES | A história da Fazenda Casinhas remonta ao tempo em que a esposa de Abelardo Rodrigues Campos herdou a propriedade onde o casal criou sua família, sempre produzindo leite. A fazenda passou de geração a geração e, já na década de 1990, sob a administração do filho Antônio e do neto Marco Antônio, enfrentou dificuldades. Foi necessário vender animais e a produção de 1.300 litros de leite/ dia caiu para apenas 30. Em 2007, o Projeto Balde Cheio, da Embrapa Pecuária Sudeste, estimulou a família a explorar o potencial turístico e gastronômico da propriedade, para reerguê-la, a partir da inauguração de um pesque-pague. “Os visitantes pescavam os peixes e pediam para a gente assá-los aqui mesmo, para eles comerem com arroz. Alguns perguntavam se era possível eu fazer um frango caipira

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“A parceria que está sendo formada entre os participantes do projeto fortalece a economia local e possibilita o crescimento conjunto das propriedades e do turismo rural em Lima Duarte” Marco Antônio Campos (primeiro à esquerda), da Fazenda Casinhas, ao lado de Dona Cidinha, Simone e Antônio


também”, lembra Dona Cidinha, esposa de Antônio. E assim surgiu o restaurante, que atualmente recebe mais de 200 pessoas por fim de semana. A Fazenda Casinhas já participou do Sebraetec, programa do Sebrae Minas que permite a empresas de qualquer setor o acesso subsidiado a serviços de inovação e tecnologia. Além disso, é a única propriedade do grupo Entre Serras que faz parte da Rede Ibitipoca de Turismo e Hospitalidade. Com uma área total de 60 hectares, ela produz, atualmente, 500 litros de leite ao dia, e 60% do volume é empregado na

produção de doces e queijos comercializados no empório, inaugurado em maio deste ano. Herdeiras da família Cunha Campos, Simone, Cynara, Lídia e Ana Elisa também trabalham na propriedade, junto a 18 colaboradores diretos e indiretos. A fazenda ainda oferece espaços de lazer para as crianças, passeio a cavalo, visita à sala de ordenha e à horta e pode ser alugada para eventos. A intenção da família é ampliar o restaurante, construir uma pousada e fazer pacotes de visita para as escolas. “Estamos sempre pensando em realizar melhorias, mas sem tirar o ‘ar da roça’”, ressalta Marco Antônio.

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“Depois dos treinamentos que recebemos do Sebrae Minas, nossa visão de negócio mudou completamente. Agora temos mais estrutura para acolher os visitantes” Miriam Paiva, da Fazenda Rancho Alegre

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EMPREENDEDORA PIONEIRA | Ao longe, a construção datada do final da década de 1920 chama a atenção de quem chega. Erguida sobre uma base de pedra sobre pedra, a casa de Miriam Delgado de Paiva ocupa o centro da Fazenda Rancho Alegre, e uma de suas 17 janelas dá vista para um lago que banha a propriedade. Perto dela, cinco chalés, com capacidade para 20 pessoas; restaurante; horta orgânica; curral; área de churrasqueira e piscina completam o cenário. As 50 cabeças de gado produzem aproximadamente 200 litros de leite por dia, presença certa no café da manhã servido a uma média de 15 pessoas que lá se hospedem todos os fins de semana. Dona Miriam foi a primeira a montar um restaurante a la carte na zona rural de Lima Duarte. “Vendia pizza e porções de fritas que, na época, era novidade no município.” À frente 74 PASSO A PASSO OUTUBRO / DEZEMBRO 2017

da fazenda desde 1982, ela deve a seu espírito empreendedor o entusiasmo que a leva a imaginar diversas melhorias para a propriedade, como pescaria no lago e o Café da Roça, a ser servido na casa principal. O atendimento acolhedor, o ambiente agradável e a comida são o que mais atraem os turistas. As verduras produzidas na horta orgânica vão direto para o restaurante. Com o leite tirado diariamente, Dona Miriam faz o tradicional doce de leite, que é comercializado no restaurante, junto com o queijo branco, a farinha torrada e o alho em conserva. “Nossa região tem muitos atrativos para os turistas. A partir dos treinamentos que recebemos do Sebrae Minas, nossa visão de negócio mudou completamente. Agora, temos mais estrutura para acolher os visitantes e, com a divulgação do roteiro turístico, só temos a ganhar”, prevê.


É bom saber Há 150 estações de trabalho disponíveis para os empreendedores

Conexão e criatividade Espaço estimula inovação e troca de conhecimentos entre empreendedores Que tal reunir os principais players e talentos da tecnologia, fortalecendo a economia criativa local? Esse é objetivo o P7 Criativo, a primeira agência de desenvolvimento da indústria criativa de Minas Gerais, inspirada em modelos de inovação do exterior e em funcionamento desde agosto na capital mineira. Nesta primeira fase da iniciativa, os empreendedores mineiros têm à disposição um novo espaço compartilhado de trabalho e desenvolvimento de projetos (coworking), que funciona provisoriamente no bairro Cruzeiro.

As 150 estações de trabalho disponíveis estimulam a troca de conhecimentos entre artistas, grupos culturais, agentes públicos e empreendedores, e as modalidades de aluguel são variadas – é possível ocupar o espaço, inclusive, por um dia apenas. Para Regina Vieira, analista do Sebrae Minas, a ideia é criar um ambiente propício para que diversos segmentos da indústria criativa se conectem. “Se tratarmos essas áreas de forma separada, não geramos o valor que poderíamos gerar. A grande vantagem do P7 Criativo é a interação www.sebrae.com.br/minasgerais 75


em uma constante agenda de relacionamentos.” O coworking é apenas a primeira etapa do P7 Criativo, associação independente e sem fins lucrativos que une o Governo de Minas Gerais, Codemig, Sebrae Minas, Sistema Fiemg, Sedectes e Fundação João Pinheiro em torno de um único objetivo: transformar Minas Gerais em referência para a indústria criativa no Brasil e no mundo. Até o final de 2018, todos os 25 andares do antigo prédio do Bemge, localizado no centro da capital, serão

reformados para receber a sede definitiva da agência. O novo prédio vai abrigar salas compartilhadas, escritórios, restaurante, café, auditório, centros de pós-produção audiovisual e de desenvolvimento de software, além da primeira biblioteca pública virtual do estado e o Espaço Memorial Praça 7. O investimento para a revitalizar o espaço é de R$ 57 milhões. A obra irá recuperar as características e formas originais do prédio, para sublinhar seu valor cultural e simbólico.

CONECTE-SE Você já pode utilizar o P7 Criativo AVENIDA AFONSO PENA, 4.000 – 4º ANDAR BAIRRO CRUZEIRO, BELO HORIZONTE/MG SEGUNDA A SEXTA-FEIRA, DAS 8H ÀS 21H www.p7criativo.com.br (31) 3246-5057

Valores Diária: R$ 37,00 Plano trimestral: R$ 447,00/mês Plano semestral: R$ 427,00/mês Plano anual: R$ 407,00/mês

Vantagens do coworking Participação nas atividades desenvolvidas pela Agência Espaço de convivência que estabelece conexões entre os participantes

Salas de reunião disponíveis para uso, mediante disponibilidade

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Auditório apropriado a diversos tipos de evento Cabines de conferência para facilitar reuniões Internet banda larga Endereço comercial para sua empresa Recepcionista compartilhada entre os usuários


Helano Stuckert

É BOM SABER

O programa é apresentado por Cazé Pecini

Em destaque na telinha

Show do MEI mostra histórias inspiradoras e dá dicas para empreendedores São mais de 7 milhões de brasileiros que possuem seu próprio negócio e trabalham para mudar a cara do país. Cada um tem uma história de superação para contar, recheada de dificuldades e vitórias. Para dar voz a essas pessoas e oferecer dicas sobre a vida do microempreendedor individual, o Sebrae criou o Show do MEI, um programa televisivo que vai ao ar todos os domingos, às 13h30, na Band. Desde a primeira edição, veiculada no dia 17 de setembro, a atração já mostrou a trajetória de sucesso de diversas pessoas em todo o país. Na estreia, Jessica Macoris contou como começou a produzir doces finos para festas após ter identificado uma oportunidade de atuar no

ramo. Já Rubia Mara falou de sua experiência como assessora de comunicação voltada para o afroempreendedorismo e sobre como esse trabalho contribui para a comunidade em que vive. PRIMEIRA TEMPORADA | O programa terá 16 episódios de 30 minutos na primeira temporada, no ar até dezembro. Cada edição abordará pelo menos um comportamento apontado pelo Sebrae – proatividade, persistência, ousadia, eficiência, comprometimento, autoconfiança, planejamento, capacidade de persuasão, busca de informação constante e manutenção de uma rede de contatos – que explica o sucesso dos empreendedores. www.sebrae.com.br/minasgerais 77


A partir do tema escolhido, especialistas são convidados a apresentar suas carreiras e debater questões específicas sobre o assunto. A primeira a participar foi Camila Farani, especialista em empreendedorismo feminino e investidora-anjo. Também participaram os irmãos Jiddu e Gabriel Pinheiro, fundadores do Instituto B_arco; Caito Maia, fundador da Chilli Beans; e Rodrigo Clemente, presidente do Mercado Jovem. O Show do MEI também tem quadros fixos, como o “Vamos falar de finanças”, que traz

dicas rápidas sobre como cuidar das finanças do seu negócio. Outro quadro é o “Desafio do dia”, com perguntas voltadas para a prática do gerenciamento de uma empresa. Quem comanda o programa é Cazé Pecini, apresentador com longa carreira na MTV Brasil, Globo e que por três anos se dedicou a fazer reportagens de grande impacto no programa A Liga, da própria Band. Se você não assistiu aos primeiros episódios do Show do MEI, pode conferi-los na íntegra em www.youtube.com/tvsebrae.

Empreendedor de Sucesso

Para assistir o quadro na íntegra, acesse: www.youtube.com/SBTDomingoLegal

Contar histórias bem-sucedidas de empreendedorismo. Esse é o foco do quadro Empreendedor de Sucesso, exibido no Programa Domingo Legal, no SBT, a partir de outubro de 2017. São apresentadas trajetórias reais de pequenos negócios que contaram com a atuação do Sebrae como agência de fomento e assistência técnica. O apresentador Celso Portiolli entrevista empresários para entender erros e acertos, a opção por determinado segmento de mercado e outras decisões importantes para o negócio.

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NOTAS

Mudança na legislação trabalhista Em 11 de novembro, entrou em vigor a Lei de Modernização Trabalhista. A reforma, aprovada pelo Congresso Nacional em julho, traz mais de cem alterações na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Negociação direta entre empregadores e empregados, fim da obrigatoriedade da contribuição sindical e modificações nas férias são alguns dos principais pontos aprovados (tabela). Confira as mudanças de maior impacto para as micro e pequenas empresas e, para conhecer todas as alterações, entre no site do governo federal (http://www.brasil.gov.br/trabalhista).

COMO ERA

COMO FICA

FÉRIAS Dois períodos, um dos quais deve ser superior a 10 dias (exceto menores de 18 e maiores de 50 anos).

Três períodos superiores a cinco dias, sendo um de no mínimo 14 dias. O início não pode ser dois dias antes de feriado ou repouso semanal (vale para qualquer idade).

COMPENSAÇÃO DE HORAS Mediante acordo escrito, acordo coletivo ou convenção coletiva.

Por acordo individual tácito ou escrito para compensação no mesmo mês. Horas extras habituais não descaracterizam o acordo.

BANCO DE HORAS Obrigatória a negociação com o sindicato. Limite de 12 meses.

Negociação direta com o empregado: limite de 6 meses. Negociação com o sidicato: limite de 12 meses.

TRABALHO INTERMITENTE Sem previsão específica na legislação.

Nova modalidade de contrato de trabalho com alternância de períodos de prestação de serviço e inatividade. Contrato por escrito com valor da hora.

JORNADA 12X36 Possível mediante negociação com o sindicato.

Negociada diretamente com o empregado, por meio de acordo individual escrito.

CONTRIBUIÇÃO SINDICAL Obrigatória. Um dia de salário por ano.

Voluntária para o empregado, desde que ele autorize. Opcional para a empresa.

TRABALHO REMOTO/ HOME OFFICE Não há regulamentação própria.

Contrato escrito com previsão de manutenção e reembolso de despesas, entre outros. Mudança home office para presencial por acordo mútuo ou por mudança na empresa.

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NOTAS

Parceria internacional Alunos da Escola do Sebrae (EFG) participaram do programa Entrepreneurial Leadership Experience, um curso de verão na Long Island University (LIU), em Brookville, nos EUA. A participação dos alunos foi fruto de uma parceria inédita entre a Escola do Sebrae e a LIU. Foram ofertadas 20 vagas gratuitas, 17 para alunos da Escola do Sebrae, em Belo Horizonte, e três para alunos das escolas do Sistema de Formação Gerencial (escolas parceiras que utilizam a metodologia Sebrae).

Uberlândia, Porto Alegre e Cascavel são as próximas cidades a receber o projeto Capital Empreendedor, iniciativa do Sebrae para aproximar pequenos empreendimentos inovadores dos investidores. Em fase de implementação e expansão, ele é composto por metodologias que compreendem desde o treinamento do técnico local do Sebrae até o circuito de investimento, quando a startup efetivamente se apresenta para investidores. Até o fim de 2018, 500 startups devem

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Voltado para jovens que buscam desenvolver ideias inovadoras e administrar seus próprios negócios, o curso reuniu estudantes de todo o país em torno de empresários de sucesso. Alunos da EFG de Belo Horizonte, Contagem, Nova Lima e Pedro Leopoldo viajaram para os EUA acompanhados do professor Alexandre Herculano, responsável pelos projetos de Tutoria e Empresa Simulada, e pela professora Soraya Amaro, da disciplina de Educação Financeira.

ser beneficiadas pelo projeto, composto por metodologias criadas pelo Sebrae, com o apoio de parceiros como Anjos do Brasil, Instituto TroposLab e Semente Negócios. O presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos, explica que o Capital Empreendedor cumpre um ciclo. “Além de orientar os empreendedores e aproximá-los de investidores, acompanhamos as empresas após o aporte, para identificar e evitar problemas de gestão ou de relacionamento entre sócios, por exemplo”, resume.


NOTAS

ALIMENTAÇÃO COMO OPORTUNIDADE DE NEGÓCIO Segundo pesquisa nacional realizada pelo Sebrae, alimentação saudável e diferenciada é também oportunidade para pequenos negócios. Os resultados mostram que apenas 6% das micro e pequenas empresas investem no segmento, 56% delas trabalhando com comida orgânica, 18% com saladas especiais, 6% com comida vegetariana e 6% dedicando-se a alimentos voltados para crianças. Empreendedores e fornecedores locais devem estar atentos a esses novos perfis de consumo, tendo em vista que as micro e pequenas empresas representam 98,5% do total de empreendedores no Brasil e o fato de o nicho ainda ser pouco explorado.

BioStartup Lab A equipe Cori Saúde, vencedora da primeira edição do programa AGITA, da Escola do Sebrae de Formação Gerencial (EFG), foi selecionada para a 4ª rodada do programa BioStartup Lab (parceria da Biominas com o Sebrae Minas). O BioStartup Lab é um programa de pré-aceleração que oferece a novos empreendedores a oportunidade de transformar suas ideias em novas soluções para as áreas de ciências da vida. A Cori Saúde foi fundada pelos ex-alunos da Escola do Sebrae Luiza Arantes, Dante Nolasco, Matheus Jorge e Paula Menezes. A startup é uma plataforma que oferece a possibilidade de registrar digitalmente o histórico médico de pacientes idosos, facilitando o compar-

tilhamento das informações entre médicos, familiares e cuidadores. Em 2016, a Cori Saúde conquistou o 1º lugar do programa AGITA, venceu a maratona Hackathon da Unimed-BH e foi selecionada para o programa FiemgLab. Agora figura entre as 21 startups selecionadas para o BioStartup Lab.

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NOTAS

Céu iluminado em Aparecida A Festa da Padroeira, em Aparecida, São Paulo, esteve muito iluminada em outubro de 2017, quando completou 300 anos. Um dos maiores eventos religiosos do Brasil recebeu os shows pirotécnicos promovidos pelos fabricantes da região de Santo Antônio do Monte, no Centro-Oeste mineiro. Articulada pelo Sebrae, a participação

pioneira dos fogueteiros de “Samonte” resultou de uma parceria com a Federação das Indústrias/MG (Fiemg), por meio do Programa de Apoio à Competitividade das Micro e Pequenas Empresas (Procompi). A iniciativa teve início nos anos 2000, com o objetivo de fornecer orientações sobre produtividade, redução dos desperdícios, segurança e mercado.

Acelera Cultura O Sebrae Minas está com inscrições abertas para o Projeto Acelera Cultura. Nos meses de novembro e dezembro, empreendedores dos setores da cultura e turismo, startups, estudantes e egressos de cursos ligados a economia criativa poderão participar de 11 atividades, seis delas gratuitas, sobre tendências e novas demandas de mercado. A previsão é de que mais de 200 pessoas sejam capacitadas no P7 Criativo.

Inscrições: 0800 570 0800 ou www.sebrae.com.br/minasgerais

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Márcia Valéria, técnica Sebrae Minas Kdu dos Anjos, líder comunitário

“A gente quer ser astronauta, empreendedor”. É sonhando alto que o artista Kdu dos Anjos vem inspirando crianças e jovens no Aglomerado da Serra. A partir de um curso do Sebrae, Kdu criou o “Lá da Favelinha”, centro cultural que oferece oficinas de dança, rap e muito mais. É pra isso que o Sebrae Minas trabalha há 45 anos: para que o empreendedorismo ajude a transformar a vida das pessoas.

A gente sonha junto

0800 570 0800

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A MENOR DISTÂNCIA ENTRE QUERER ABRIR UMA EMPRESA E ABRIR UMA EMPRESA.

A história você já conhece. José tem uma ideia e quer abrir seu negócio. Mas, além das suas dúvidas, ainda tem a burocracia para dificultar. Foi pensando em simplificar a vida do empreendedor que o Sebrae Minas, a Jucemg e a Prefeitura criaram a Sala Mineira do Empreendedor. O que você precisa pra abrir sua empresa em um só lugar. Simples e rápido. Procure a Sala Mineira do Empreendedor em sua cidade e bons negócios. Informações: salamineiradoempreendedor.com.br | 0800 570 0800

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Sebrae revista passo a passo 169  
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