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Práticas Integrais de Promoção da Saúde e Nutrição na Atenção Básica: reflexões sobre os novos caminhos de um projeto de extensão Adriana Maria Macêdo de Almeida Tófoli Ana Paula Maia Espíndola Rodrigues Daniela Gomes de Brito Carneiro Érika Leite da Silva Cardoso Lais Duarte Batista Pedro José Santos Carneiro Cruz RESUMO: O presente artigo propõe apresentar a nova conjuntura do Projeto de Extensão Práticas Integrais de Promoção da Saúde e Nutrição na Atenção Básica (PINAB), vinculado ao Departamento de Promoção da Saúde da UFPB, que há seis anos desenvolve atividades no bairro do Cristo Redentor (João Pessoa-PB) em parceria com a Escola Municipal de Ensino Fundamental Augusto do Anjos, a Unidade de Saúde da Família “Vila Saúde”, a Associação de Moradores de Boa Esperança e a “Associação Promocional do Ancião - ASPAN”. O PINAB, desde sua origem, baseia-se nos pressupostos teórico-metodológicos da Educação Popular, com práticas de educação em saúde e Segurança Alimentar e Nutricional (SAN), buscando formar atores sociais envolvidos com o meio em que vivem, com uma postura crítica e humanística. Atualmente compõem o projeto, vinte e cinco estudantes, além de dois docentes, duas nutricionistas, uma psicóloga e duas lideranças comunitárias, os quais coordenam a organização geral das atividades e ações. O PINAB proporciona aos extensionistas a aproximação de uma realidade nem sempre vivenciada por eles, fomentando uma visão crítica, uma postura reflexiva e diferenciada da saúde, formando profissionais mais capacitados. Enquanto ação compartilhada entre instituição e comunidade constitui-se de uma experiência que privilegia a autonomia dos sujeitos envolvidos, sejam eles extensionistas, professores ou comunitários, contrapondo-se aos métodos verticais de ensino, e atuando como uma ação transformadora, intervindo na realidade local, potencializando vocações e habilidades, muitas vezes anulados pelo processo de exclusão. Desta forma, esperamos enriquecer a roda de conversa acerca de “Práticas Criativas em Extensão Popular”. Palavras-chave: Educação Popular, Promoção da Saúde, SAN.

INTRODUÇÃO A reconstrução dos pilares do ensino, da pesquisa e da extensão é hoje um grande e importante movimento interno à Universidade, o que se revela especialmente na busca pela construção de conhecimentos interdisciplinares, que dialoguem com os saberes populares. Neste movimento, os conhecimentos constroem práticas compromissadas socialmente e articuladas com todos os enfrentamentos e iniciativas direcionadas à emancipação em um contexto de humanização, participação e reflexão permanentemente crítica (VASCONCELOS; CRUZ, 2011; RIBEIRO, 2001).


De forma articulada a este contexto e estas questões, o Projeto de Extensão “PINAB Práticas Integrais de Promoção da Saúde e Nutrição na Atenção Básica” foi criado em 2007, a partir da iniciativa de estudantes do Curso de Nutrição da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), juntamente com uma professora desse departamento, buscando por experiências alternativas ao currículo oficial, que contribuíssem na formação de profissionais críticos diante da sociedade e compromissados com a realidade de exclusão social vivenciada pelas camadas populares. Nestes termos, o PINAB iniciou suas atividades buscando construir caminhos possíveis para o trabalho social no campo da Atenção Básica em Saúde, com foco para a prática da saúde coletiva, visando a Promoção da Saúde e da Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) nas comunidades Jardim Itabaiana I e II, Pedra Branca e Boa Esperança, localizadas no Bairro do Cristo Redentor, na cidade de João Pessoa - PB. As ações contam com a parceria de equipamentos sociais localizados no âmbito comunitário do local de realização escolhido para a implementação da proposta. Entre esses equipamentos figuram a “Escola Municipal de Ensino Fundamental Augusto do Anjos”, a Unidade de Saúde da Família “Vila Saúde”, a “Associação de Moradores de Boa Esperança”, a “Associação Promocional do Ancião - ASPAN”. A partir de 2012, o Projeto integrou-se também como atividade vinculada ao Departamento de Promoção da Saúde da mesma Universidade, possibilitando o engajamento de estudantes de diversos outros cursos, favorecendo a construção do conhecimento de modo interdisciplinar e ampliando seus horizontes de atuação. Apesar das mudanças, o Projeto manteve os objetivos de construção de atores sociais envolvidos com o meio em que vivem, adotando para isso, uma postura crítica e humanística. Para tanto, desde suas origens, o PINAB encontra inspiração e referencial ético-político nos pressupostos teórico-metodológicos da Educação Popular, que prioriza o reconhecimento do outro, de suas historias, seus valores; essenciais no processo de conscientização e reflexão crítica profunda, para o exercício de uma cidadania plena e para a transformação social, através de um processo permanente de construção de conhecimento (FREIRE, 1998). Nesta perspectiva, a categoria popular configura no processo educacional uma “expressão de atitudes superadoras de todo tipo de agentes impeditivos da intransigente e radical busca por novas concretizações de sonhos de justiça, liberdade e de felicidade” (MELO NETO, 2006, p.43). Em seu sexto ano, o PINAB iniciou momentos de reflexões sobre sua caminhada no território comunitário, o que confluiu na decisão por promover um amplo processo de avaliação crítica de suas ações, a partir do olhar comunitário e dos parceiros dos serviços públicos locais (escola, unidade de saúde, etc). Como resultado deste processo, os extensionistas construíram junto com membros da comunidade uma nova configuração para o Projeto.


Hoje, as ações educativas desenvolvidas envolvem: grupo de promoção da saúde com escolares (crianças e adolescentes); grupo de encontro comunitário em saúde com organizações populares locais; promoção de um curso de formação em participação popular em saúde; ações de cuidado em saúde envolvendo a pessoa idosa; acompanhamento de um grupo de Terapia Comunitária; construção de uma Horta Comunitária; implementação de ações educativas em Segurança Alimentar e Nutricional em parceria com a Pastoral da Saúde local; além das vivências em comunidades através de visitas domiciliares, que funcionam como mecanismo de criação de vínculo entre extensionistas e comunidade e estímulo à participação social dos envolvidos. Ao passo em que pretende apresentar em detalhes esta nova configuração, dispondo-a às críticas e qualificações dos sujeitos do âmbito acadêmico no campo da Extensão Popular, o presente artigo visa sistematizar os principais saberes e reflexões construídas neste percurso do PINAB, especialmente com a construção de estratégias metodológicas inovadoras no âmbito universitário, na Promoção da Saúde e da Segurança Alimentar e Nutricional. Sendo assim, no item a seguir descreveremos este conjunto de ações, para depois apresentar e discutir alguns de seus resultados. NOVOS ARRANJOS ORGANIZATIVOS Participam do PINAB, atualmente, 25 estudantes de diversos cursos da UFPB e outras instituições privadas, além de dois docentes, os quais coordenam a organização geral de todas as atividades e o apoio pedagógico aos extensionistas, durante reuniões semanais, onde os participantes discutem encaminhamentos em rodas de conversa. Além do apoio docente, o Projeto conta com a colaboração de duas nutricionistas (egressas do próprio PINAB) compondo voluntariamente a coordenação colegiada do Projeto, assim como uma psicóloga (mestranda em Educação, na linha de Educação Popular), atuando sistematicamente no acompanhamento pedagógico aos estudantes e na consultoria técnica às ações de Educação Popular em Saúde desenvolvidas nos diversos grupos. Ainda como estratégia inovadora, o Projeto conta com a contribuição de duas lideranças comunitárias na coordenação do mesmo, acreditando ser essa uma forma de compreender melhor as necessidades das comunidades. A partir de reflexões do grupo, pôde-se perceber, dentre outros aspectos, que o Projeto estava reservando as dimensões participativas de sua atuação mais aos momentos de grupos e ações coletivas propriamente ditas, raramente envolvendo a comunidade na construção processual de suas próprias ações e torná-la ativa na gestão do Projeto. Assim, as reuniões de planejamento das atividades do Projeto foram transferidas da universidade para a comunidade,


no dia de sábado, de modo que a comunidade pudesse participar e intervir nas decisões de cada grupo operativo e refletir sobre as inúmeras vivências em conjunto com os extensionistas, além de compartilharem todo o conhecimento e experiência de vida que possuem enriquecendo as ações e potencializando o grupo. As Reuniões Teóricas passaram a ser denominadas e configuradas como Encontros de Formação, constituindo momentos de discussão sobre assuntos e questões temáticas relevantes às ações dos grupos. Deixaram de ser mensais para serem quinzenais, com o objetivo de qualificar os estudantes quanto à sua atuação e de refletir sobre a prática, proporcionando crescimento e senso crítico em relação saúde coletiva e às desigualdades sociais. Neste ano de 2013, as discussões trouxeram temas como Segurança Alimentar e Nutricional, Alimentação Saudável e Horta Comunitária, Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa, entre outros. As vivências em comunidades se dão por meio de visitas domiciliares, as quais buscam propiciar uma maior interação dos extensionistas com o território, bem como possibilitar a inserção no espaço familiar de modo a priorizar a mobilização comunitária para participação nas ações de Promoção da Saúde e de Segurança Alimentar e Nutricional locais. Contudo, vale salientar que a visita domiciliar deste Projeto, em sendo ele uma proposta de Extensão Popular, difere da visita profissional. Enquanto esta última geralmente tem suas ações embasadas no processo saúde-doença, no PINAB busca-se estimular nos acadêmicos a criação de um vínculo com o indivíduo, levando-os a valorizar além dos aspectos fisiopatológicos, os aspectos emocionais, psicológicos, estruturais, econômicos e socioculturais inerentes a comunidade. Em que pese o papel singular da atuação estudantil e comunitária na organização do Projeto por meio de reuniões organizativas e encontros formativos, bem como das visitas, na conjuntura atual continuam a ser centrais na ação do PINAB os grupos educativos, os quais se organizam estrategicamente em grupos operativos. Passaremos a descrevê-los a seguir, um a um. Grupo operativo “Escola” A Alimentação e a Nutrição constituem requisitos básicos para a promoção e a proteção da saúde, estando estreitamente relacionados com a qualidade de vida. Aliada à adoção de estilos de vida adequados, o fomento de práticas alimentares saudáveis constitui-se numa estratégia de vital importância para o enfrentamento dos problemas alimentares e nutricionais do contexto atual, e o ambiente escolar, por constituir-se de um espaço de convivência e interações sociais, destaca-se como um espaço em potencial para implementação das ações, propostas e estratégias e que envolvem promoção de saúde e coletividade (BRASIL, 2004). Além disso, a juventude é um


período fundamental de buscas, inquietações e sentimentos de mudanças, de estímulo à criatividade e à participação. Nessa direção, os sujeitos do cenário escolar constituem protagonistas em potencial de ações de Promoção da Saúde, especialmente no que tange a estratégias capazes de qualificar a dimensão do empoderamento por parte dos jovens, enfatizando sobretudo sua participação na vida e na dimensão da saúde comunitária. A escola apresenta-se como cenário privilegiado nessa perspectiva também. Diante destas questões, o PINAB dedica-se em criar alternativas para o desenvolvimento de ações de Promoção da Saúde no âmbito escolar através do Grupo Operativo “Escola”, atuando na Escola Municipal Augusto dos Anjos envolvendo estudantes, professores, merendeiras e demais funcionários da escola. No período referente aos meses de junho a setembro do ano de 2013, o projeto passou a articular os sujeitos da Escola no desafio de incorporar o tema da Alimentação Saudável de maneira dinâmica no contexto escolar, com ações inspiradas no referencial teórico-metodológico da Educação Popular em Saúde e com foco na Segurança Alimentar e Nutricional (SAN). As atividades educativas são implementadas com os estudantes do Ensino Fundamental I, mais especificamente com estudantes dos 4º e 5º anos da escola citada, empreendidas no turno da manhã, às sextas-feiras, quinzenalmente. As ferramentas metodológicas utilizadas como forma de exposição e estimulo à participação dos estudantes compreende o diálogo horizontal, a observação direta, confecções de cartazes, expressão de pensamentos através de desenhos e atividades recreativas, como construção de pirâmide alimentar e jogos, os quais, além de ajudar na transmissão do tema proposto, contribuem no estabelecimento de relações entre escolares e extensionistas, através de uma linguagem simples e abordagem lúdica. Como os professores são modelo de comportamento, responsáveis por construir conhecimentos, inclusive para o consumo alimentar, a participação destes sujeitos junto às atividades é fundamental para o enriquecimento das ações desenvolvidas. Para tal, o planejamento junto à direção da Escola é realizado sistematicamente e preponderante para uma realização de sucesso e atendimento aos objetivos propostos. Nesse contexto, o PINAB busca a construção de um conhecimento permanente, propiciadas através dessas experiências educativas dentro do ambiente escolar, uma vez que este é um espaço promotor de interações, saberes, costumes e referências repletas de potencialidades. Grupo operativo “Horta Comunitária”


A vida urbana tem afastado as pessoas da relação direta com a natureza, o que em grande parte tem se dado de forma negativa para a saúde e o bem estar coletivo. O stress do dia-a-dia, a destruição do meio ambiente e o individualismo são algumas das marcas do cotidiano nas cidades. Ademais, em que pesem os avanços nas políticas públicas de Segurança Alimentar e Nutricional, ainda é expressivo o número de famílias em situação de fome, vulnerabilidade social e pobreza, para as quais caminhos sustentáveis e autônomos para realização da alimentação como

direito

humano

se

revelam

fundamentais.

Nesse

contexto,

as hortas

comunitárias constituem-se como espaços de convívio, lazer e aprendizagem, com um forte potencial sócio-cultural e de incremento da qualidade de vida dos seus utilizadores. A Educação Popular enquanto perspectiva educacional que se coloca a favor da autonomia dos sujeitos das camadas populares, desponta como uma possibilidade para a consolidação dessas atividades (RIBEIRO; FABRÉ, 2003). Durante o período de 2013, as ações do PINAB no grupo operativo “Horta Comunitária” envolveram extensionistas do curso de Nutrição da UFPB com a proposta de possibilitar à população um processo de discussão, aprendizagem e mobilização para construção de hortas como espaços comunitários de promoção da alimentação saudável de forma solidária e cooperativa. Para tanto, priorizou-se inicialmente o resgate da memória social comunitária, na perspectiva de uma educação transformadora, partindo dos saberes trazidos por essas pessoas, para o desenvolvimento de uma atividade coletiva. Para a implantação da horta, busca-se compartilhar o conhecimento técnico sobre a construção de espaços deste tipo, e junto a isso as experiências de pessoas da comunidade através de encontros práticos e vivenciais, uma vez que muitas destas pessoas são oriundas de áreas rurais do estado e trazem consigo uma gama de conhecimentos da experiência prática. Por ser um grupo de atuação recente, os estudantes vêm investindo em formação do grupo, através de rodas de conversas com discussão de assuntos pertinentes à proposta do grupo, como sustentabilidade, reciclagem, promoção da saúde através da alimentação saudável e agroecologia. Outro problema enfrentado refere-se ao local de implementação da horta. A escolha do local procura contemplar a ocupação benéfica de terrenos baldios ociosos em áreas urbanas que muitas vezes são utilizados como depósito de entulhos e se transformam em focos de contaminação e transmissão de doenças, protegendo e conservando estas áreas de problemas sociais e sanitários. Para tanto, é necessário que a própria comunidade aponte este local, o que, em nossa realidade, vem carecendo de uma maior mobilização dos sujeitos envolvidos nesta atividade. Assim, o grupo vem procurando estimular a comunidade a integrar e se motivar,


gerando uma grande articulação de idéias e beneficiando o convívio social comunitário para a fomentação das ações propostas pelo projeto. Grupo operativo “Idosos” O cuidado em saúde tem sido um tema bastante debatido e a demanda por um cuidado humanizado é recorrente. Dessa forma, o cuidado não corresponde a mais um procedimento técnico específico, não há fórmulas que ensinem a cuidar. Esse termo é, antes, uma referência ética que deve enraizar todas as práticas em saúde. "O cuidar é mais que um ato; é uma atitude. Portanto, abrange mais que um momento de atenção, de zelo e de desvelo. Representa uma atitude de ocupação, preocupação, de responsabilização e de envolvimento afetivo com o outro" (BOFF, 2003). Pensando nessa estratégia de cuidado, as extensionistas do Projeto, em 2013, se envolveram com o grupo operativo “Idosos”, com o propósito de semear práticas de saúde da pessoa idosa humanizadas, através de ações que buscam enaltecer a dignidade, a criatividade, a pró-atividade com este público. Ao chegar à velhice, existe a tendência ao aumento de limitações e incapacidades, fazendo com que os idosos fiquem muito dependentes de seus familiares ou abandonados pela sua família. Para muitos idosos, a Instituição de Longa Permanência (ILP) é considerada uma nova família, onde podem resgatar o respeito, a segurança, ter novas oportunidades, novas amizades e assistência em suas necessidades (ALMEIDA, 2005). Nesse sentido, as atividades deste grupo são desenvolvidas quinzenalmente, aos sábados pela manhã, na “Associação Promocional do Ancião – ASPAN”, uma ILP localizada no Bairro “Cristo Redentor”, território de atuação do projeto. Durante o desenvolvimento de suas atividades, os extensionistas articulam o compartilhar de histórias, emitindo respeito, afeto humano e cuidado ampliado, traduzindo a vivência da amorosidade, princípio presente nas práticas da Educação Popular que compõe o referencial metodológico do PINAB. Para a realização das atividades são adotadas ferramentas metodológicas que se adéqüem as limitações do público alvo, mas que ao mesmo tempo, motivem a participação e estimulam a superação. O propósito maior é promover o cuidado e a atenção em saúde, através de um contato, um abraço, um carinho, além de despertar nas extensionistas sentimentos que fortalecem e renovam valores como a solidariedade e a amorosidade.


Grupo operativo “Segurança Alimentar e Nutricional” Apesar de o Brasil figurar entre um dos grandes produtores de alimentos do mundo, possui, no acesso a alimentação, ainda um problema para milhões de cidadãos. Portanto, como forma de combater a fome e a miséria, a Alimentação e Nutrição foram incorporadas na legislação recente do Estado brasileiro, com destaque para o artigo 3º da Lei 8080 de 19/09/1990 que entende a alimentação como fator determinante para a saúde (BRASIL, 2011). Já em 1999, foi aprovada a Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN), a qual teve nova edição implementada em 2012, com o objetivo de respeitar, proteger, promover e prover os direitos humanos à saúde e à alimentação. E em 15 de setembro de 2006, a LOSAN – Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional nº 11.346 cria o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional a fim de assegurar o Direito Humano a Alimentação Adequada (DHAA) definindo a SAN como: O acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, tendo como base práticas alimentares promotoras de saúde, que respeitem a diversidade cultural e que sejam ambiental, cultural, econômica e socialmente sustentáveis (BRASIL, 2006).

Como forma de aprofundar iniciativas comunitárias preponderantemente articuladas ao fortalecimento de ações no Sistema de SAN e na política de Segurança Alimentar e Nutricional, direcionadas a promoção do Direito Humano a Alimentação Adequada na comunidade, no ano de 2013, o projeto PINAB incorporou em seus eixos de atuação o grupo operativo SAN. O grupo recém formado investiu em reuniões internas de formação com o objetivo de enriquecer os conceitos e conhecimentos acerca da Política e das ações de Segurança Alimentar e Nutricional, assim como o contexto alimentar e nutricional atual, suas relações intersetoriais e pesquisas relevantes dentro do tema através de leituras, discussões e a utilização de vídeos (“Garapa”1 e Por uma vida melhor” 2), além de analisarem as concepções de soberania alimentar e insegurança alimentar, bem como os fatores relacionados e as medidas para superá-la. Com isso, o grupo operativo SAN busca se fortalecer e se consolidar na comunidade, construindo vínculo e parcerias com a própria população e assim promover atividades que estimulem a luta pela emancipação das camadas populares, contribuindo para que a SAN e a promoção da saúde sejam compartilhadas enquanto direito humano e social.

1. Garapa. Direção: José Padilha. 1:49:10 h. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=8oTVI4giyrM>. Acesso em )2 de Agosto de 2013. 2. Por Uma Vida Melhor. Direção e Produção: Thereza Jessouroun. 29:48 min. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=1sHrxvC73GE>. Acesso em 02 de Agosto de 2013.


Grupo operativo “Terapia Comunitária” A Terapia Comunitária (TC) foi desenvolvida pelo Prof. Dr. Adalberto Barreto no ano 1987 na comunidade do Pirambu, em Fortaleza – CE, visando atender às necessidades de saúde da comunidade e surgindo, dessa forma, como ferramenta de cuidado nos programas de inserção e apoio à saúde mental da população. Utilizada como espaço de acolhimento, escuta, troca de saberes e partilha de sofrimentos, emoções e decepções, a TC busca de maneira circular e horizontal acolher e aliviar o sofrimento e as inquietações, promovendo o bem estar mental, melhorando, assim, a qualidade de vida e a rede comunitária de solidariedade daqueles inseridos no grupo (ROCHA, 2009). Na comunidade de Jardim Itabaiana no bairro do Cristo Redentor em João Pessoa – PB, o grupo de TC é conduzido por uma Agente Comunitária de Saúde (ACS) da Unidade de Saúde – Vila Saúde, também liderança comunitária e atualmente na coordenação comunitária do PINAB, que promove dinâmicas construtivas, momentos de relaxamento e conversas não só sobre os sentimentos pessoais, como também conversas descontraídas e animadas sobre diversos assuntos. Composto por aproximadamente 20 mulheres que acreditam na superação das dificuldades por meio do contato com o outro e da troca de experiências, a TC abre espaço para o diálogo, a escuta, troca de saberes e expressões artísticas, já que há momentos em que os integrantes podem cantar, dançar, contar piadas e recitar poemas. O grupo operativo TC foi idealizado no PINAB a partir de vivências de extensionistas no período 2013.1, que participaram das reuniões como forma de conhecer os espaços de promoção da saúde existentes na comunidade, promovendo o encantamento dos participantes e estimulando assim, a criação no segundo semestre de 2013 do grupo operativo, para que a partir da promoção da saúde mental e recuperação da auto-estima e paz interior estimulasse o compromisso social e a interlocução comunitária desses atores com os serviços públicos de saúde e educação como forma de buscar melhorias para a comunidade em que estão inseridos. O PINAB, então, inseriu extensionistas para auxiliar a ACS na TC, que acontece nas quartas-feiras, com o intuito de fortalecer esse espaço na comunidade e buscar, assim, a promoção da saúde e prevenção do adoecimento mental, como forma de melhorar a qualidade de vida dos participantes e estimular a participação efetiva da população nas decisões referentes ao local em que vivem, bem como a reivindicação dos seus direitos, já que o espaço proporciona às pessoas o resgate de vínculos afetivos e sociais que funcionam como instrumento de agregação, mobilização e inclusão social.


Grupo operativo “Saúde na Comunidade” Para muitos moradores das comunidades com as quais o PINAB se relaciona, a instituição da Unidade de Saúde da Família aprofundou a distância que existe entre os profissionais locais e os moradores, inclusive porque a aglutinação de quatro equipes em um único prédio levou a uma maior distância geográfica entre o serviço de saúde e a maioria dos setores de algumas comunidades, especialmente Pedra Branca e Boa Esperança. Ademais, o trabalho da equipe persistia, majoritariamente, muito restrito às quatro paredes da Unidade. Sendo assim, sabendo que a Educação Popular tem se desenvolvido com a perspectiva de valorização dos saberes, práticas, incentivo à autonomia populacional e estreitamento de relações entre comunitários e profissionais, o grupo operativo “Saúde na Comunidade” surge com base no desejo de comunidade e extensionistas em experimentar espaços de encontro comunitário em saúde em espaços da própria comunidade, pautado na construção coletiva, onde todos os atores tem voz e vez no desenvolvimento do grupo, enfatizando a gestão participativa dos membros do grupo e o estímulo ao senso crítico a partir da Promoção e Educação em Saúde dentro da comunidade. Nessa perspectiva, desde 2009 o PINAB vem desenvolvendo um grupo de encontro comunitário em saúde, inicialmente a partir da reativação de um grupo já existente, o “Lá Vêm Elas!”, que em 2010 foi renomeado de “Saúde na Comunidade”. Assim, seguindo o ensinamento de Paulo Freire: “Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso, aprendemos sempre”, a construção do “Saúde na Comunidade” focou, primordialmente, em fazer com que todos os participantes do grupo se tornassem protagonistas, onde não apenas os extensionistas, mas também comunidade e ACS’s, tiveram parte na escolha de temas e dinâmicas de discussão a serem empreendidas, dando, inclusive, a esses sujeitos, autonomia diante da elaboração de algumas atividades, situações em que os extensionistas do PINAB passavam a ser meros espectadores, estimulando, com isso, a valorização do conhecimento do individuo e quebrando o paradigma dominante, em que apenas aqueles com formação acadêmica tem conhecimento, mas que o saber acadêmico deve ser associado ao saber popular. Os encontros do grupo são realizados a partir de conversas horizontalizadas, onde todos os participantes devem sentir-se convidados a dialogar, escutar, problematizar e, sobretudo, valorizar o saber do outro, seus anseios e limites. Portanto, nessa nova conjuntura, já foram tratados diversos temas escolhidos e desenvolvidos pela própria comunidade, como, por


exemplo, Direitos e Deveres do Usuário do SUS, Receitas de Aproveitamento Integral dos Alimentos, Reciclagem, Oficinas de Artesanato e Vagonite (Geração de Renda), Violência contra a Mulher, além da realização de vivências, momentos de aproximação das extensionistas com a comunidade, que permite a criação de um vínculo mais consistente. Grupo operativo “Cursos Comunitários” Outro grupo que surgiu na nova conjuntura do projeto foi o GO Cursos Comunitários, cujo objetivo seria desenvolver espaços de formação com a comunidade, buscando, assim, colaborar para o amadurecimento da responsabilidade e aporte conceitual de seus moradores contribuindo assim para o controle social e estimulando à participação popular. A Participação Popular é uma frente já trabalhada pelo PINAB no decorrer dos 6 anos de existência do Projeto, com os Cursos, espera-se fomentar continuamente a discussão comunitária em torno de questões participativas, estimulando os moradores a continuar apostando e priorizando os espaços de luta locais. Nestes termos, o Curso de “Participação Popular e Saúde Comunitária” acontecerá de forma articulada ao processo de construção do Conselho Local de Saúde, visando aprimorar a formação de seus participantes. Espera-se promover a aprendizagem significativa e o aprimoramento de conhecimentos no campo da Promoção da Saúde, da Participação Popular e da Educação Popular em Saúde, de forma crítica, participativa e criativa. Uma vez que o grupo está em um processo de construção, destaca-se que suas atividades serão realizadas através de rodas de conversa facilitadas por convidados (Professores, Educadores Populares, Profissionais de Saúde) que proporcionarão momentos de escuta e de atenção mútuas, nas quais serão discutidos assuntos relacionados ao tema “Participação Popular em Saúde”, além de ser estimulado o diálogo de saberes a partir das experiências vivenciadas por cada participante. Com isso, o curso pretende apoiar a manutenção e o desenvolvimento das iniciativas de participação popular e controle social em saúde comunitária. Além de incentivar e aprofundar o diálogo entre a comunidade, os profissionais de saúde e extensionistas, e promover a participação da comunidade de maneira a contribuir para um controle social em saúde mais efetivo.

REFLEXÕES Mediante a exposição das diversas vertentes do Projeto no período atual, percebe-se a notória contribuição deste na formação de cidadãos mais humanizados e estudantes


compromissados com as causas sociais, o que é, em muito, proporcionado através da atuação de seus grupos operativos. No grupo “Escola”, o primeiro contato com os professores, durante a Oficina de Planejamento Pedagógico da Escola permitiu a participação dos mesmos no que se referem a levantamento de sugestões de temas e metodologias mais eficientes para o trabalho com os estudantes visando o melhor encaminhamento e resultado das atividades. Esse contato possibilitou a interação e reflexão dos professores a respeito das atividades a serem desenvolvidas em sala de aula, e fortaleceu o vínculo entre professores e extensionistas. No decorrer do desenvolvimento das ações do projeto foi perceptível o gradativo aumento de interesse e participação dos escolares, que se empenharam na busca por conhecimentos e experiências diversificadas, estimulando assim, a inserção destes nas atividades solicitadas. De modo geral, sentimos que a vivência no ambiente escolar proporciona uma troca mútua de conhecimentos, contribuindo significativamente na formação das extensionistas, através da realização de um trabalho multilateral, baseado no diálogo e na escuta, aprimorando seus saberes de forma educativa. Ainda no tocante aos resultados dessa atuação, os conhecimentos propiciados durante a realização das atividades têm a oportunidade de incorporar a adoção de hábitos saudáveis à identidade das crianças, já que a escola é uma instituição de ensino responsável pela educação e formação do individuo. No que tange a atuação do grupo operativo “Horta Comunitária”, para o desenvolvimento de suas atividades na referida comunidade, faz-se necessário o envolvimento dos comunitários, considerando o conhecimento acumulado que possuem do ambiente em que vivem. Desta forma, a mobilização comunitária é um dos principais passos para o andamento das ações do grupo, sendo que este encontrou dificuldades para a execução das atividades, já que os atores sociais envolvidos nessa atuação apresentaram resistência em participar ativamente dos encontros. No entanto, apesar dos impasses, as discussões para a construção da Horta nesse ambiente realizadas entre os extensionistas e algumas representações da comunidade, promoveram o melhoramento das expectativas dos envolvidos em relação ao manejo e conservação adequada do meio ambiente, contribuindo desta forma com o paradigma da sustentabilidade. As atividades proporcionaram, ainda, debates mais perenes sobre o consumo de hortaliças na dieta alimentar, e a possível produção de hortaliças a baixo custo para obtenção de alimentos de boa qualidade, sem uso de agrotóxicos e fertilizantes químicos. Com o decorrer de nossas atividades, esperamos que a construção da Horta possibilite a interação entre o homem e a natureza de modo a promover a reflexão acerca das distorções ambientais dos sistemas de produção e demonstrar as vantagens e a importância da produção coletiva de hortaliças, evidenciando seus valores


nutritivos na complementação dos hábitos alimentares dos envolvidos, gerando indivíduos preocupados em buscar novos métodos de produção que possibilitem e reduza os impactos ambientais e ofereçam alimentos mais seguros. No grupo “Idosos” percebe-se que a convivência com a carência afetiva dos idosos é uma questão significativa levantada pelas extensionistas, como sendo constante na vida dos idosos envolvidos na atuação. Segundo elas, percebe-se de modo forte como estas pessoas encontramse, naquela instituição social, carentes de atenção, carinho e afeto, além de se mostrarem tristes e relatarem sentirem-se solitárias, em que pese a dedicação intensa que se observa por parte dos cuidadores da instituição. Diante deste quadro, as atividades desenvolvidas buscam atuar como um mecanismo motivador, que resgate a vontade de viver desse grupo, muitas vezes, esquecido. Para os idosos não interessa uma programação a longo prazo. Eles já fizeram muito na vida, o momento é de desfrutar.As ações desenvolvidas nos permitem compreender a Educação Popular em Saúde como estratégia de cuidado nesse meio, uma vez que proporciona a possibilidade do diálogo, respeito e valorização dos sujeitos em seu coletivo. O grupo operativo SAN não realizou atividades junto à comunidade no período de 2013, focando sua atuação em formação interna dos extensionistas com leituras e discussões sobre Segurança Alimentar e Nutricional, Direito Humano à Alimentação Adequada, Políticas de transferência de renda, entre outros assuntos com o objetivo de enriquecer os conhecimentos dos integrantes à respeito dos assuntos, contribuindo, assim, com o crescimento e fortalecimento do grupo. O grupo TC constituiu espaço enriquecedor e colaborou com a formação de profissionais da saúde mais preocupados com o diálogo e a amorosidade, proporcionando nesse período o crescimento significativo no modo de ser e pensar das extensionistas integrantes do grupo. Apesar de não atuarem ativamente no Grupo, posto que não eram terapeutas comunitários formados, as estudantes universitárias puderam colaborar promovendo dinâmicas iniciais como forma de adensar a criação de vínculos e proporcionar momentos de descontração entre os integrantes do espaço, acompanharando a terapia e todas as angustias, inquietações, tristezas e também vitorias e conquistas das mulheres da comunidade, contribuindo, assim, não só na Promoção da Saúde daquele meio, como também na formação de atores mais humanos e sensíveis às dores e fragilidades do outro. No que se refere ao grupo Saúde na Comunidade, através de suas atividades, pudemos desenvolver iniciativas de educação em saúde com valorização do Saber Popular, de forma articulada à busca por empoderamento de seus participantes, promovendo o protagonismo dos mesmos na tomada de atitudes que melhorem suas condições de vida, na compreensão do poder


da coletividade na busca de tais melhorias e do papel de cada um como cidadãos dentro das relações sociais que desenvolvem, tanto no seu ambiente familiar, profissional ou social. Quanto às dificuldades que surgiram no grupo, pode-se evidenciar a frágil participação na elaboração e participação das atividades por parte dos ACS’s. Em que pese acreditarmos que os mesmos são profissionais com uma demanda grande de cargas de trabalho, sua participação é essencial, uma vez que o grupo lida com a comunidade e, portanto, seu caráter educador e o vinculo que os mesmos apresentam com a comunidade é que os configuram como um dos principais pontos fortificadores dessa experiência. Não obstante, o Grupo pode constituir espaços de negociação das demandas de saúde apresentadas pela comunidade, bem como de diálogos e aprendizagens em torno das questões locais, de forma a dinamizar a criação de alternativas e pactuações visando novos horizontes e mudanças para a saúde comunitária. Por fim, sabe-se que, a partir do vínculo que se forma entre extensionista e comunidade, e por meio da escuta e do diálogo, é visível que através desse grupo a comunidade é incentivada a lutar por seus interesses, por um cuidado digno, incentivando a cidadania, tornando a população autônoma e protagonista de sua própria realidade. Quanto aos Cursos, necessita-se divulgar e articular com equipamentos sociais locais e parceiros, uma vez que o mesmo é construído junto aos movimentos e organizações que atuam no bairro do Cristo Redentor, onde este será desenvolvido. Sentimos, nessa direção, dificuldade de conciliar as agendas desses diferentes atores para fechar o planejamento. Além da metodologia, é necessário um processo dinâmico e eficiente de divulgação, que demanda tempo dos envolvidos no processo de construção coletiva dos encontros. Quanto às visitas domiciliares, um dos principais eixos do projeto, tem a importante missão de colocar o estudante no coração da comunidade, o que permite e oportuniza ao extensionista o conhecimento de tantas realidades e a respostas de tantos porquês. O graduando aprende, de maneira muito peculiar, um dos princípios da educação popular que é o dialogo, pelo qual ele se torna sensível a escutar e conhecer a realidade do outro, bem como, as pessoas que o acolhem passam a falar e refletir sua própria realidade, procurando, assim, juntamente com os extensionistas, soluções para seus problemas não somente de saúde, mas, também, pessoais, familiares e psicológicos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS Com as reflexões deste artigo pode-se concluir que foram necessárias e importantes as novas configurações que o PINAB passou a experimentar após completar cinco anos de


experiências. Em primeiro lugar, porque vêm permitindo ao Projeto reorientar sua forma de construção estrutural e organizativa, na medida em que traz para a comunidade e seus protagonistas a participação ativa, deliberativa e permanente no acompanhamento e planejamento de todos os trabalhos sociais empreendidos. Nesse sentido, o PINAB deixa de ser somente um esforço da UFPB para se constituir enquanto ação compartilhada entre esta instituição e a comunidade, através daqueles seus membros dispostos a participar, dentre os quais se observa como ponto bastante positivo a adesão profunda de duas educadoras populares, sendo uma delas também Agente Comunitária de Saúde. Há de se observar, no entanto, que ainda é frágil a articulação com a equipe da Unidade de Saúde da Família, o que merecerá maior atenção por parte do Projeto, mas deve-se a questões de ordem conjuntural da estruturação do trabalho de saúde no município de João Pessoa, o qual permanece bastante desafiador, de acordo com relatos de alguns trabalhadores, pois denota pouco estímulo e valorização para a incorporação das ações de Educação Popular como cotidianas no setor saúde. Por outro lado, o atual processo de reconstrução do Projeto, conforme tocado em diálogo com membros da comunidade vem possibilitando a abertura fluída e criativa do PINAB para outras iniciativas, como por exemplo, o desenvolvimento de novos grupos operativos articulados ao aprofundamento de questões e ações concretas de promoção da Segurança Alimentar e Nutricional, como a Horta, antes timidamente valorizadas no escopo do Projeto. Além disso, ensejou também o estabelecimento de novas parcerias, como com a ASPAN, e de novas inserções, como no já tradicional e bem sucedido grupo de Terapia Comunitária, onde está se podendo intensificar um trabalho com ênfase no vínculo e na humanização, o qual não era também muito explorado na estrutura anterior do Projeto. É importante afirmar que, no entanto, estes caminhos ainda são iniciais e constituem, preponderantemente, apostas de inserção ativa, crítica e participativa da Educação Popular como estratégia de dinamização comunitária das questões relativas à Promoção da Saúde e da Segurança Alimentar e Nutricional naquele território. Há ainda muito que caminhar, aprender, sentir, observar e problematizar, tendo a idéia de processo como central para não se perder a paciência, nem a tranqüilidade, nem o espírito de equipe. As experiências da Extensão Popular possibilitam aos estudantes a aproximação de uma realidade nem sempre vivenciada por eles, permitindo aos extensionistas adentrarem em comunidades socialmente excluídas, apresentadas a partir do olhar dos próprios atores dessas comunidades, proporcionando assim, uma visão mais humilde e compreensível sobre as pessoas, e uma postura crítica e diferenciada da saúde, formando profissionais mais capacitados, preocupados com o outro.


Ao longo de seus cinco primeiros anos, essa iniciativa de extensão universitária caracterizou-se como uma ação transformadora, que busca através do diálogo, da amorosidade, da construção compartilhada do conhecimento, estimular o protagonismo de seus participantes, sejam eles extensionistas, professores ou membros da comunidade, incentivando-os às lutas, às conquistas. Espera-se que, daqui em diante, mesmo que permaneçamos na mesma comunidade, estejamos mais e mais dispostos a ousar construir caminhos novos e de jeitos novos. O referencial metodológico adotado enseja, em nossa visão, uma abordagem pedagógica em saúde e SAN que se origina na compreensão das contradições da realidade e avança no sentido de ampliar os conhecimentos para, concomitantemente ao conhecimento da realidade, intervir nela de forma a potencializar vocações, habilidades e recursos humanos e sociais, muitas vezes anulados pelo processo de exclusão (BRANDÃO, 1980).

REFERÊNCIAS ALMEIDA, T. Características dos cuidadores de idosos dependentes no contexto da saúde da família. Dissertação de Mestrado, departamento de Medicina Social, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo - USP, São Paulo, 2005. BOFF, L. Saber cuidar: ética do humano - compaixão pela terra. 9. ed. Petrópolis: Vozes, 2003. BRANDÃO, C. R.. A cultura do povo e a educação popular. In: A questão política da educação popular. 2a. ed. São Paulo: Brasiliense, 1980. BRASIL, Conselho Nacional de Segurança Alimentar. Princípios e diretrizes de uma Política de Segurança Alimentar e Nutricional: textos de referência para a II Conferencia Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. Brasília, 2004. BRASIL. Lei nº 11.346, de 15 de setembro de 2006. Cria o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, SISAN, com vistas a assegurar o DHAA e dá outras providências. 2006. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Política Nacional de Alimentação e Nutrição. Brasília, DF. 2011. CRUZ, P. J. S. C.; VASCONCELOS, E. M. Educação popular na formação universitária: reflexões com base em uma experiência / Eymard Mourão Vasconcelos, Pedro José Santos Carneiro Cruz, organizadores.- São Paulo: Hucitec; João Pessoa: Editora Universitária da UFPB, 2011.


DIAS, M.D; FERREIRA FILHA, M. O; ANDRADE, F. B. Terapia Comunitária: principais problemas e estratégias de enfrentamento de seus participantes. IV Congresso Brasileiro e I Encontro Internacional de Terapia Comunitária. Porto Alegre, 2008. FILGUEIRA, F.A.R. Novo Manual de Olericultura: Agrotecnologia moderna na produção e comercialização de hortaliças. 2ª Ed. Viçosa: UFV, 2003. FREIRE, P. Pedagogia da autonomia. Saberes necessários à prática educativa. 8. ed. São Paulo: Editora Paz e Terra, 1998. MENDONÇA, S. G. L.; SILVA, P.S. Extensão Universitária: ação comunitária em universidades brasileiras. São Paulo, 2002. NUNES, et.al. Os desafios da participação popular no sistema único de saúde. Anais. II Encontro Nacional de Pesquisadores em Gestão Social. Disponível em: <http://sejarealista.files.wordpress.com/2009/12/3-part_popular-no-sus.pdf > Acesso em 20 de set. de 2013. RIBEIRO, M.; FABRÉ, N. N. Sistemas abertos sustentáveis – SAS. Uma alternativa de gestão ambiental na Amazônia. Manaus, EDUA, 2003. ROCHA, I. A, et al. A Terapia Comunitária como um novo instrumento de cuidado para a saúde mental do idoso. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília. 2009. VASCONCELOS, E, M. Redefinindo as praticas de saúde a partir de experiências de educação popular nos serviços de saúde. Interface – Comunic, Saúde, Educ 8, 2001.

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