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Jornal Evangélico Luterano | Ano 47 | Abril 2018 | n o 815

Louvor rendamos, nós que a Deus honramos! Gratidão e reconhecimento Atitude que brota da fé e se concretiza no Culto, encontro de Deus com a sua Comunidade, o louvor a Deus é exaltação do seu nome, honra a quem Ele é e elogio aos seus feitos!

Vida em Comunidade

Competências Ministeriais

Missão e Comunicação

O sino convida: Vem! Vemm! Vemmm!

Viver é, em boa medida, comunicar-se

Compartilhando a Boa Notícia

Enfoque

Palavra

Comunicação


Jorev Luterano - Abril 2018

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REDAÇÃO

Louvor rendamos, nós que a Deus honramos! Louvor rendamos, nós que a Deus honramos! Em alegria ao nome seu cantemos; graças e glória ao seu altar levemos: glória cantemos! O hino 338 do Livro de Canto da IECLB, Louvor rendamos, inspira a chamada da capa desta edição do Jorev e a primeira reflexão oferecida na Editoria Fé Luterana, O Culto como espaço de louvor, que nos diz ‘No Culto, em primeiro lugar, é Deus quem está atuando. É Ele quem congrega, batiza, alimenta com a Santa Ceia, comunica a sua Palavra, ouve a oração, perdoa os pecados, abençoa e envia. Tudo o que a Comunidade faz no Culto, inclusive o louvor, é resposta à ação divina. [...] Louvamos a Deus por meio do canto e dos instrumentos musicais, mas também o louvamos na oração, nos gestos que fazemos, com as nossas palavras e até com o nosso silêncio. Com todo o nosso corpo podemos render louvores’. Mais um hino no nosso Livro de Canto, 280, Em gratidão nós chegamos a ti, motiva a segunda contribuição da Editoria Fé Luterana, Gratidão a Deus expressa pelo serviço, que nos diz ‘Mesmo na condição de criaturas, em nossa pequenez diante da grandiosidade de Deus, nós nos chegamos e nos aproximamos dele, isso porque temos um coração agradecido, que acolhe em fé a maravilhosa graça de Deus em nossas vidas. [...] Ter um coração agradecido é saber-se pessoa amada por aquele que criou, cria e criará, por aquele que salvou no madeiro da cruz, salva-nos das cruzes que carregamos no cotidiano e salvará no porvir’. Assim, a primeira estrofe do hino anuncia: Em gratidão nós chegamos a ti, à tua mesa cantando louvor. / Tu nos convidas, por Cristo Jesus, a comungarmos em paz e amor. Também um hino foi referido para falar sobre a Resposta de gratidão do ser humano a Deus, texto da Editoria Unidade: ‘No dia 1º de abril, vivemos a Páscoa. Antes, a Quaresma, tempo de meditar a respeito da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo por nós, quando somos novamente lembrados que sempre é tempo de reconhecer e confessar, lutar contra o pecado da ingratidão e entoarmos, em gratidão, o hino Agradecemos-te, Jesus, do LCI - 405, que, na sua última estrofe, pede Ó faze-nos em ti confiar: Jamais nos hás de abandonar! / Dá-nos certeza, ó Jesus: Tu nos salvaste pela cruz! Ótima leitura!

CAPA O sino é um dos símbolos da Igreja, missionária em sua essência. Ele chama a Comunidade de Fé para o Culto e ainda anuncia que uma Comunidade Cristã está em oração, agradecendo e intercedendo.

Jornal Evangélico Luterano | Ano 47 | Abril 2018 | n o 815

Louvor rendamos, nós que a Deus honramos! Gratidão e reconhecimento Atitude que brota da fé e se concretiza no Culto, encontro de Deus com a sua Comunidade, o louvor a Deus é exaltação do seu nome, honra a quem Ele é e elogio aos seus feitos!

SUMÁRIO 2

REDAÇÃO

CARTA À COMUNIDADE EXPLICAÇÃO DA CAPA EXPEDIENTE

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ENFOQUE

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PALAVRA

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PRESIDÊNCIA

6

FORMAÇÃO

7

DIVERSIDADE

Vida em Comunidade

Competências Ministeriais

O sino convida: Vem! Vemm! Vemmm!

Viver é, em boa medida, comunicar-se

Compartilhando a Boa Notícia

Enfoque

Palavra

Comunicação

Missão e Comunicação

VIDA EM COMUNIDADE CHARGE OFERTAS NACIONAIS INDICADORES ECONÔMICOS GESTÃO MINISTERIAL COMPETÊNCIAS MINISTERIAIS TEMA DO ANO PALAVRA DA PRESIDÊNCIA RETROSPECTIVA AGENDA EDUCAÇÃO CRISTÃ CONTÍNUA PROPOSTA METODOLÓGICA FACULDADES EST A JUVENTUDE QUER PARTICIPAR! PRONUNCIAMENTO

8-9 UNIDADE

RESPOSTA DE GRATIDÃO DO SER HUMANO A DEUS

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13 14

15 16

FÉ LUTERANA

LOUVOR E SERVIÇO

PERSPECTIVA

A CIDADE COMO ESPAÇO DE ACOLHIMENTO DEUS OU DINHEIRO?

MISSÃO

PLANO DE AÇÃO MISSIONÁRIA DA IECLB PROJETOS MISSIONÁRIOS PLANEJAMENTO MISSIONÁRIO CAMPANHA DE MISSÃO VAI E VEM

PRIORIDADES

PROGRAMAS DE GESTÃO PUBLICAÇÕES

GESTÃO

GESTÃO ADMINISTRATIVA DOCUMENTOS NORMATIVOS GUIA PARA O PRESBITÉRIO

SÍNODOS

ALEGRES, JUBILAI!

COMUNICAÇÃO

COMPARTILHANDO A BOA NOTÍCIA

Tu és o meu Deus, eu te louvarei. Tu és meu Deus, eu anunciarei a tua grandeza. Salmo 118.28 EXPEDIENTE Pastor Presidente P. Dr. Nestor Friedrich Secretária Geral Diác. Ingrit Vogt Jornalista Letícia Montanet - Reg. Prof. 10925 Administrativo Elizangela Basile ISSN 2179-4898 Cartas - Sugestões de pauta - Artigos - Anúncios Rua Senhor dos Passos, 202/5º 90.020-180 - Porto Alegre/RS Fone (51) 3284.5400 E-mail jorev@ieclb.org.br Proibida a reprodução parcial ou integral do conteúdo desta edição sem a prévia e formal autorização da Redação do Jorev Luterano.

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ENFOQUE

Vida em Comunidade O Culto reúne a Comunidade na presença de Deus. O que acontece no Culto, torna-se convite para que pessoas retornem, ou não (leia mais nas edições anteriores). Por que Prelúdio e sino? Prelúdio é uma peça musical que se executa no início do Culto. Falar no sino e no Prelúdio pode dar a ideia de que não há Culto sem sino e sem Prelúdio tocado em um órgão enorme. Não é isso! P. Dr. Romeu Martini | Assessor Teológico da Presidência da IECLB O decisivo no Culto é que se ouça o que Deus nos quer dizer e que nós falemos a Deus sobre as nossas dores, as nossas alegrias, o nosso pecado e lhe apresentemos louvor e intercessão. Mesmo assim, vale a pena perguntar o porquê de se ter no Culto um som parecido ao do sino e boa música! Por quê? Alguém expressou assim: O sino convida: Vem! Vemm! Vemmm! No início do Culto, o sino sinaliza: agora vai começar! Vamos voltar os nossos pensamentos para o que está por vir! O sino demarca uma distinção entre tempos: agora, Deus quer nos dirigir a sua Palavra. Silenciemos e ouçamos! Não dispor de torre com sino não é impedimento para que a Comunidade busque uma forma de ‘criar’ o seu sino. Há belas opções. Um singing bowl (sino cantante) pode ser comprado com menos de duzentos reais. Há maneiras muito interessantes de

INDICADORES FINANCEIROS

valorizar a função do sino no Culto, como, por exemplo, dar uma badalada em três momentos do Pai Nosso, nos três Ps: Pai Nosso... Pão nosso... Pois teu é... Significa: o povo de Deus que não está presente no Culto fica sabendo que, nesse momento, uma Comunidade Cristã está em oração, agradecendo e intercedendo. Quanto ao Prelúdio? É uma peça musical meditativa executada no órgão, tocada no violão solo ou pelo grupo de Músicos, cantada pelo Coral. Por que o Prelúdio contribui para um marcante encontro entre Deus e a sua Comunidade? Porque o Prelúdio congrega e propicia sintonia. Após o sino, o Prelúdio ajuda a criar o ambiente de Culto, prepara as pessoas e as une no mesmo propósito, sensibiliza ante a presença de Deus e expressa a arte e a beleza da Criação. Sino e Prelúdio... Assuntos para o diálogo no próximo encontro!

UPM Março/2018

4,4297

Índice Fevereiro/2018

0,32 %

Acumulado 2018

0,61 %

Desde o nascer até o pôr do sol, que o nome do Senhor seja louvado! Salmo 113.3

OFERTAS NACIONAIS 1O DE ABRIL Domingo de Páscoa Auxílio para Formação Teológica Toda pessoa batizada é chamada a dar o seu testemunho cristão no mundo, exercendo o Sacerdócio Geral. No entanto, a Comunidade necessita de pessoas que sejam especialmente preparadas para anunciar o Evangelho, administrar os Sacramentos e despertar a fé, por isso a IECLB zela pela boa formação de seus Ministros e suas Ministras, de modo que possam divulgar e ensinar o Evangelho com fidelidade nos diferentes contextos da Igreja no Brasil e no mundo. Todas as instâncias da Igreja estão envolvidas com o processo de formação, mas a Comunidade tem uma tarefa especial, pois no convívio comunitário é que são despertadas vocações para a atuação ministerial. A Comunidade motiva, encaminha, acompanha e apoia estudantes durante o seu período de formação. 22 DE ABRIL 4o Domingo da Páscoa Apoio para Missão entre Povos Indígenas O Conselho de Missão entre Povos Indígenas (Comin) completou 35 anos de atuação em 2017. Ações de direitos humanos, sustentabilidade socioambiental e diálogo intercultural e inter-religioso são realizados no Acre, Amazonas, Rondônia, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Orações e divulgação de informações apoiam a busca por justiça e reconhecimento que vivemos em um país multiétnico e pluricultural. A diversidade é uma característica do Brasil e nós precisamos nos dar conta dela e estar sensíveis a ela. Deus criou a diversidade e viu que era boa!

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PALAVRA GESTÃO MINISTERIAL

Gestão Ministerial: resistências… P. Dr. Victor Linn | Pastor, Psicanalista e Coach Desde os primeiros momentos de vida até o seu final, o ser humano resiste. Sem resistência, não há vida. Resistir é uma forma de proteção e um dos recursos que mais usamos – em todos os âmbitos da vida. A busca por recursos de proteção é um anseio que nos acompanha. Por diversos fatores, porém, ela pode variar de intensidade. Às vezes, também pode atrapalhar o fluxo da vida. Tanto na vida privada quanto na vida profissional, nos deparamos com resistências. Quando é a outra pessoa que resiste, essa resistência incomoda. Não raro, é uma das causas de desconforto e desânimo entre Ministros e Ministras. Tem-se boas ideias e ações são necessárias, mas há resistência… O que fazer? O que fazemos ou deixamos de fazer incide na vida das outras pessoas, podendo acentuar ou diminuir as suas resistências. No confronto com a resistência nas relações cotidianas, geralmente ocorrem dois equívocos. O primeiro consiste em pensar que a resistência da outra pessoa é um movimento contra mim. Não necessariamente. A resistência é, em primeiro lugar, um movimento em favor de algo que esta pessoa presume ameaçado e quer preservar. O segundo consiste na dimensão da ameaça presumida, geralmente desproporcional. Quando atuantes, esses equívocos afetam as emoções e atrapalham a comunicação. Assim, a percepção desses equívocos abre caminhos em vista dos inevitáveis encontros com resistências no trabalho e facilita a busca pelo entendimento das razões e da sua legitimidade, o que favorece a reflexão e a desconstrução dos temores desproporcionais.

COMPETÊNCIAS MINISTERIAIS

Competência Comunicação Cat. Dra. Haidi Drebes | Secretária da Habilitação ao Ministério da IECLB P. Dr. Mauro Souza | Secretário da Ação Comunitária da IECLB A comunicação é necessária para a vida e a convivência. Viver é, em boa medida, comunicar-se. Relacionar-se com Deus, com as outras pessoas e com o meio ambiente depende de algum tipo de comunicação. A própria religião existe e é mantida em função da comunicação entre Deus e as pessoas. Deus se comunica com seu povo. Jesus Cristo é o próprio Deus feito gente e é a mensagem de Deus para a humanidade. Especialmente em cargos de liderança, a comunicação exerce papel essencial. Liderança é uma das características necessárias para o Ministério da Igreja. O bom andamento do Ministério com Ordenação depende em grande parte da capacidade de comunicar-se de forma clara, direta e convincente, mas também democrática e respeitosa. A pregação do Evangelho, a administração dos Sacramentos e a visitação, três das mais importantes atribuições ministeriais, necessitam de atos comunicativos para acontecerem e serem apropriadas. Comunicação no Ministério está vinculada à capacidade de pensar, organizar e difundir

ideias, conceitos e experiências bíblicas e relacioná-las com a vida atual. Pessoas que comunicam bem não são apenas aquelas que têm voz boa, linguagem corporal coerente, dicção compreensível, estão atentas a regras de ênfase, da entonação, da pausa e do volume. Isso tudo ajuda e é desejável, mas a comunicação, de fato, marcante é aquela que acontece e é precedida pela empatia, pela solidariedade, pela gentileza, pela presteza, pela simplicidade. De nada adianta dominar grandes métodos discursivos se não houver atenção a estas características. Podemos recorrer sempre a Jesus e estudar como ele se comunicava. Jesus usava discurso direto (quem o povo diz que eu sou?) e indireto (havia certo homem), falava sobre coisas complexas (Reino de Deus) de forma simples (é como um grão de mostarda), usava exemplos do cotidiano (ovelhas, pessoas, sementes, pássaros). Mais importante: agia de acordo com o que falava. Tinha coerência. Difícil manter a coerência, não é? No entanto, é preciso.

TEMA DO ANO

Lema 2018: Eu sou o SENHOR, teu Deus Pa. Sonja Hendrich-Jauregui | Encontro com Adolescentes (Caderno de Estudos do TA2018) Afinal de contas, quem é esse Deus? Na história da humanidade, vários estudos já foram feitos na busca pela origem de tudo. Nessa discussão, aparece constantemente a pergunta pela existência de Deus. Parece que não há como falar sobre a origem de todas as coisas sem pensar em Deus. Há Cientistas que defendem: uma vez explicado tudo, prova-se a inexistência de Deus. Entretanto, vemos que, a cada descoberta e discussão, esbarra-se no mistério da vida que não há como explicar. Quando falamos em Deus, falamos sobre a gente, os nossos sentimentos, as nossas vivências pessoais, familiares, sociais e comunitárias. No Catecismo Maior, Lutero disse: ‘ter um Deus não significa outra coisa senão crer e confiar nele do fundo do coração’. Acrescentou: ‘Entendo que seu deus é, na verdade, aquilo em que você confia, a que você entrega seu coração’. O Lema da IECLB para 2018 nos lembra o Primeiro Mandamento: Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Os Mandamentos são orientações. São sinais do amor de Deus, que protege e cuida, que tira da escravidão e ensina a viver em liberdade. Deus não quer que adoremos outros deuses, mas somente a Ele, que nos ama, cuida de nós, nos protege, perdoa. Deus nos deu os Dez Mandamentos para que vivamos em liberdade. O nosso Deus é um Deus de relação, por isso se torna gente como a gente. Ele quer que o sintamos no relacionamento com a sua Criação e com as pessoas ao nosso redor. É nesse relacionamento que Deus se dá a conhecer. Sim, é no encontro com as pessoas, no relacionamento de amor e respeito que conseguimos perceber a presença do Deus da Vida. Um abraço, um carinho, um olhar amoroso, uma conversa amigável, um ouvido atento podem transformar vidas. Na vivência do amor e do respeito, conseguimos ser felizes, mesmo enfrentando uma tempestade. Deus está conosco sempre e, de forma especial, nas atitudes de pessoas amorosas e solidárias. Para mais informações, acesse o Portal Luteranos


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PRESIDÊNCIA

Uma notícia falsa faz a gente perder o crédito... Falar mal da Comunidade é fazer ‘gol contra’! Pa. Sílvia Genz - Pastora 1a Vice-Presidente da IECLB

Missão e comunicação são temas intimamente ligados e fazem parte de conversas, livros, cursos, Concílios, Assembleias... Você, membro da Comunidade, do Presbitério, Ministro, Ministra, liderança na IECLB, presente na vida comunitária, sabe que esse assunto está nos nossos diálogos. A gente sabe que a Missão acontece na Comunidade e é comunicada pelos membros a partir do testemunho no ‘chão da vida’. As pessoas se fortalecem ao ouvir, ao ler a Palavra de Deus, para seguir os passos de Jesus na realidade da vida, simples, dura, cruel e, muitas vezes, violenta.

A Comunidade deve ser o espaço no qual se aprende a ver no rosto da outra pessoa a imagem e a semelhança do seu sofrimento e das suas alegrias. A Missão é de Deus. Ele nos envia como colaboradores e colaboradoras na sua obra. Nada pode ser mais eficiente para comunicar o Evangelho que o nosso testemunho pessoal. As nossas experiências, os nossos exemplos e testemunhos são comunicação e convite para a chegada de novos membros. Uma notícia falsa faz a gente perder o crédito... Falar mal da Comunidade é fazer ‘gol contra’! Também é

O Deus da paz opere em vós o que é agradável diante dele, por Jesus Cristo, a quem seja a glória para todo o sempre. Hebreus 13.20-21

preciso avaliar como nós, irmãos e irmãs da Comunidade, dialogamos. A gente permite que as outras pessoas tenham pensamentos diferentes dos nossos? Será que não ‘decidimos’ que todas as pessoas devem pensar igual a nós? Em um Estudo Bíblico, uma pessoa disse ao grupo que, quando há doença na família, é falta de oração. Ao lado dela, estavam familiares que perderam o filhinho, também neto, devido a uma doença grave, incurável. Como participantes da Comunidade, que buscavam viver segundo os ensinamentos de Cristo e estavam sofrendo muito, ficaram tremendamente ofendidas. É preciso respeitar opiniões e saber conviver com quem pensa diferente. Fazer parte de uma Comunidade Cristã é ter um alvo comum. Neste coletivo, se aprende e se ensina a viver como indivíduo, unido com pessoas tão diferentes e tão humanamente iguais. O nosso olhar se volta para o Reino de Deus (Mt 6.33). Muitas vezes, nos arrogamos o direito de julgar e definir quem já está incluído e quem não está. A verdade é que estamos em busca, individualmente, em família, em Comunidade e na vivência do dia a dia. Somos testemunhas e aprendemos com o testemunho das outras pessoas. Que, na IECLB, a gente converse, melhore e, principalmente, que a Missão, que é de Deus, seja cada vez mais a nossa paixão.

AGENDA | ABRIL

RETROSPECTIVA

4-8/4

Encontro de Conselhos Nacionais da IECLB Porto Alegre/RS P. Nestor Friedrich Pa. Sílvia Genz P. Inácio Lemke

5-7/4

Reunião do Conselho da Igreja Porto Alegre/RS P. Nestor Friedrich Pa. Sílvia Genz P. Inácio Lemke

21-28/4

Consulta de Parceiros da Obra Missionária Evangélica da Baixa Saxônia (OMEL) Porto Alegre/RS P. Nestor Friedrich

Abril - Música A música integra a vida comunitária, a vida celebrativa, as confraternizações, os momentos de congraçamento. Uma expressão musical que usa a voz humana como instrumento e é colocada a serviço da Missão de Deus é o Coro. Assumindo diversas formações, cantando com ou sem acompanhamento musical, a duas ou mais vozes, os Coros estão presentes na vida da Igreja em todos os momentos, sejam eles alegres ou tristes. Acompanhados e orientados por Regentes, Coralistas seguem uma rotina de

encontros para ensaios e deles se espera dedicação e disciplina no trato da voz. A sua presença em celebrações, atividades comunitárias e festivas dão um brilho especial aos eventos. No dia 3 de abril de 1892, foi fundado o Coro da Comunidade de Rio Claro/SP. Trata-se do Coro, em atividade, mais antigo da IECLB. O primeiro Regente, o P. Theodor Koelle, exerceu a função de 1892 a 1920. O segundo Coro mais antigo, da Igreja da Paz de Joinville/SC, data do mesmo ano, fundado em 17 de agosto.

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FORMAÇÃO EDUCAÇÃO CRISTÃ CONTÍNUA

Programa Missão Criança: vamos nessa? Cat. Daniela Hack | Coordenadora de Educação Cristã da IECLB O Missão Criança é um Programa de Educação Cristã a partir do Batismo desenvolvido na IECLB desde 1994. O seu objetivo é cumprir com a tarefa missionária de batizar, educar na fé cristã e promover a vivência comunitária da fé. Desse objetivo, decorrem objetivos específicos, como assumir o Batismo como presente de Deus e ponto de partida para a vida cristã, ajudar mães, pais, Madrinhas e Padrinhos a educar as crianças na fé cristã, fortalecer a comunhão e o envolvimento comunitário a partir da Educação Cristã das crianças e em parceria com outros grupos que trabalham com crianças, promover a motivação e a capacitação de lideranças. As Estatísticas 2017 apontam que o Batismo é a maior forma de ingresso na IECLB. Considerando que a prática mais comum é o Batismo de crianças, o Missão Criança inicia as suas atividades em um momento no qual a família, acompa-

nhada de Madrinhas e Padrinhos, está sensibilizada para a vida comunitária. A partir do acompanhamento da criança batizada e da sua família, o Missão Criança possui atividades das quais participam várias pessoas e grupos, sendo uma ação que envolve, direta e indiretamente, toda a Comunidade. Os objetivos e os públicos não são exclusivos do Missão Criança, mas a metodologia que os reúne o caracteriza como um Programa específico na Igreja. Assim, ele não substitui outros trabalhos já existentes com as crianças, mas se desenvolve em conjunto. Nessa parceria, todos são fortalecidos e a Comunidade é edificada. Comunidades que já desenvolvem o Programa há mais tempo percebem resultados significativos. Entre eles, aumento do número de crianças nos Cultos e no Culto Infantil, retorno e crescimento no envolvimento das famílias nas atividades co-

munitárias, maior compromisso e vivência do Sacerdócio Geral. Para compreender melhor o que é o Missão Criança e implantá-lo na Comunidade, está disponível o Roteiro para o Programa Missão Criança. A organização do Roteiro teve como base a proposta original, de 1993, e experiências de quatro Sínodos da IECLB. Também considerou as indicações do Seminário Nacional de Multiplicação do Missão Criança, realizado em junho de 2017, a partir do qual estão sendo capacitadas pessoas em todos os Sínodos para apresentar e desenvolver o Programa. Cada liderança do Missão Criança deve ter o seu exemplar do Roteiro. Com ele, são também disponibilizados materiais complementares, como sugestões de folder, cartões e formulários. Esses materiais estão publicados no Portal Luteranos (páginas ECC e Missão com Crianças) e em um pendrive exclusivo, opcional do Roteiro.

CRIANÇAS | PROPOSTA METODOLÓGICA

A festa do amor Material necessário Um exemplar da Revista O Amigo das Crianças nº74. Momento 1 Pergunte à criança quando e como ela festeja. Questione quanto às pessoas que ela convida para a sua festa. Momento 2 Depois, leia com ela a história A festa do amor, na página16 (Seção Nossa fé - Nossa vida). Converse sobre o que ela entendeu do texto. Ajude a criança a estabelecer relações entre as pessoas (as convidadas da festa) e a força que elas dão para a nossa vida diária – a fé que temos em Jesus Cristo e a força que essa fé nos dá.

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Estação Jovem 2018 A EST, em parceria com o Sínodo Rio dos Sinos, acolheu a realização da Estação Jovem. Durante uma semana, o grupo com 30 jovens, de 14 a 21 anos, participou de atividades, como palestras, oficinas e momentos de reflexão, que pretendem formar líderes. A rotina foi trabalhar em grupo, aceitar as diferenças, compartilhar as dificuldades, en-

Momento 3 Na festa do amor, ninguém ficava de fora e ninguém passava necessidade. Quem tinha mais repartia com quem tinha menos. O alimento era compartilhado. Fale com a criança sobre as situações de injustiça que ocorrem nos dias de hoje. Por que há tantas pessoas com fome e sem casa para morar e outras com tanto além das suas necessidades? Como poderia ser diferente? Momento 4 Em seguida, convide a criança para fazer a atividade da página 17 (Caça-palavras). Sugestão extraída da Proposta Metodológica para uso da Revista O Amigo das Crianças, nº 74. Leia a Proposta Metodológica completa e saiba como assinar a Revista O Amigo das Crianças no Portal Luteranos

frentar desafios, o que proporcionou aprendizado e partilha de saberes, despertando vocações para o trabalho na Igreja e promovendo o engajamento na Missão de testemunhar o Evangelho. Na segunda-feira, dia 29 de janeiro, o grupo teve aula de Diaconia, com o Coordenador do Curso de Teologia da EST, Prof. P. Dr. Rodolfo Gaede Neto. À tarde, aconteceu a Oficina sobre Dinâmicas em Grupo, com o Teól. e Pedagogo Edir Spredemann. Na terça, o Prof. P. Me. Osmar Witt, responsável pelo Arquivo Histórico da IECLB, falou sobre a História da Igreja no Brasil. À tarde, o grupo visitou a Sede Nacional da Igreja, em Porto Alegre/RS. Na quarta, o Prof. P. Dr. Martin Dietz falou sobre Confessionalidade Luterana e Liber-

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dade Cristã. À tarde, aconteceu uma Oficina sobre atividade plástica, com a Profa. Dirce Schöninger, do Instituto Evangélico de Ivoti. Na quinta, a aula sobre Educação Cristã foi com o Prof. P. Dr. Manfredo Wachs. À tarde, houve uma Oficina sobre Celebração Ágape, com a Pa. Cleide Olsson Schneider. Na sexta, a aula sobre Contextos e leitura popular da Bíblia foi com o P. Me. Hans Trein. À tarde, a Oficina de Bibliodrama foi conduzida pela Miss. Lúcia Helena Klug Roesel. O último dia foi marcado por uma conversa com o Prof. Dr. Iuri Andreas Reblin, que falou sobre Pow, bang, clash, poing. Religião, cultura pop, séries, quadrinhos e outros affairs contemporâneos. À tarde, a atividade foi conduzida pelo Conselho Sinodal da Juventude Evangélica (Cosije).


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DIVERSIDADE

A juventude quer participar! Jovens: agentes de transformação na Missão de Deus Diác. Simone Engel Voigt | Coordenadora do Trabalho com Jovens e Programas de Intercâmbio da IECLB

Jovens vivem em uma época de profundas transformações e desafios, em uma sociedade marcada por criminalidade, violência, genocídios, drogas, corrupção, discriminação, universo ‘smartphônico’, que domina grande parte da juventude, desigualdade de oportunidades e direitos visíveis em nosso país. Diante deste contexto que incomoda, inquieta, jovens possuem um potencial mobilizador e transformador na sociedade quando organizados e conscientes. Deus lhes dá a capacidade de serem agentes de transformação da nossa realidade, o que vemos a partir do profeta Jeremias 1.6-8, que diz: Ó Senhor meu Deus, eu não sei como falar, pois sou muito jovem. O Senhor respon-

deu: Não diga que é muito jovem, mas vá e fale com as pessoas a quem eu o enviar e diga tudo o que eu mandar. Não tenha medo de ninguém, pois eu estarei com você para protegê-lo. Sou eu, o Senhor, quem está falando. A juventude integra a Comunidade Cristã e busca participar ativamente na Igreja, deseja pertencer a um grupo. Como ser humano, deseja receber amor e ser respeitada. A pessoa jovem, com a sua criatividade, as suas emoções, o seu engajamento, os seus questionamentos, contribui para o fortalecimento da Visão e da Missão da IECLB. O protagonismo jovem junto à caminhada da IECLB possibilitou alcançar espaços pouco trilhados pelas pessoas jovens até o momento. Um

exemplo disso foi o XXVIII Concílio da Igreja (2012), em que jovens defenderam maior representação da Juventude Evangélica (JE) no Concílio. Diversos Sínodos também estão indicando pessoas jovens como Delegadas do seu Sínodo para o Concílio. O Conselho Nacional da Juventude Evangélica (Conaje), como órgão representativo da JE na IECLB, a partir de representantes dos 18 Sínodos, busca, cada vez mais, contribuir na construção de uma Igreja mais viva e missionária. Os programas nacionais precisam ser fortalecidos e valorizados, pois promovem formação e desenvolvimento do protagonismo jovem nas Comunidades, nas Paróquias e nos Sínodos. Exemplos: Dia Nacional da Juventude Evangélica (21/04), Intercâmbios (Suécia, ELCA, FLM, CMI, voluntariado na Alemanha), Criatitude (criar atitudes), Congrenaje (acontece a cada dois anos e tem aumentado significativamente o número de participantes), Campanha Juventudes e Diaconia (apesar dos desafios, as mobilizações foram relevantes e de grande impacto, não só para fora dos muros da Igreja, mas, também, para o fortalecimento e engajamento da JE e das Comunidades na Diaconia. A diversidade de atividades e de resultados nos encorajam a continuar a caminhada’ - extrato da mensagem do 2º Seminário Juventudes e Diaconia). Quem sabe está na hora de abrir ainda mais espaços para as pessoas jovens nos fóruns de decisão? As suas ideias deverão ser bem-vindas e bem-acolhidas, pois não estamos mais em condições de não ouvir o que elas têm a dizer e a contribuir.

PRONUNCIAMENTO

Antes de vocês pedirem, o Pai de vocês já sabe o que vocês precisam. Mateus 6.8

Juventude Jovens são parte integrante da Comunidade Cristã. Não precisam de autorização para ter espaço de participação. A Comunidade, em todos os seus níveis de expressão (local, paroquial, sinodal, nacional), tem compromisso de viabilizar a participação de todos e todas, independentemente de gênero, situação social, etnia, geração (Gl 3.28). A vida comunitária é espaço qualificado

para ajudar os jovens na construção da sua identidade, a partir de valores, práticas e significados de vida. É espaço potencialmente acolhedor, onde os jovens podem encontrar amparo em sua angústia, em seus medos e em suas dúvidas (1Co 12.26). Os jovens querem participar! Mensagem às Juventudes (2014)

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Jorev Luterano - Abril 2018

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Jorev Luterano - Abril 2018

UNIDADE

UNIDADE

Série Especial

Eu sou o SENHOR, teu Deus Resposta de gratidão do ser humano a Deus

A expressão de gratidão pode se manifestar com um gesto pontual, mas verdadeiramente grata é aquela pessoa que tem a gratidão como ‘um modo de ser’, recebendo tudo com gratidão e reagindo da mesma forma.

Segundo o Texto-Base do Tema do Ano 2018, o ser humano foi criado para louvar a Deus e observar a sua Palavra aqui na terra. Na compreensão luterana, cada pessoa é chamada para ouvir o Evangelho, responder com gratidão e alegria, reunir-se em Comunidade, contribuir com recursos e dons e dar testemunho da vontade de Deus no contexto em que vive. Esse trecho do Texto-Base me leva a pensar na seguinte passagem do Evangelho de Lucas (17.15-19): Um dos dez, vendo que fora curado, voltou, dando glória a Deus em alta voz, e prostrou-se com o rosto em terra aos pés de Jesus, agradecendo-lhe. Este era samaritano. Então, Jesus lhe perguntou: Não eram dez os que foram curados? Onde estão os nove? Não houve, porventura,

Pa. Luceny Laurett, Ministra na Paróquia de Santa Maria de Jetibá/ES

quem voltasse para dar glória a Deus, senão este estrangeiro? Disse-lhe: Levanta-te e vai. A tua fé te salvou. Em todos os tempos e lugares, é mais comum encontrar pessoas ingratas. Ninguém gosta de pessoas ingratas. Somos sensíveis para a nossa gratidão e até mesmo para a nossa falta de gratidão? O exemplo do samaritano, ainda hoje, quer nos despertar para a gratidão que surge como resposta concreta da fé em Deus. Como, no cotidiano, a pessoa pode expressar a gratidão e o louvor? Conheço pessoas que expressam a sua gratidão a Deus por meio da oração: oram ao acordar, ao meio dia e ao se deitar. Oram sozinhas ou em família. Na sua oração, agradecem e fazem súplicas não apenas por si mesmas, mas também por seus vizinhos, sua cidade, Estado e país. Nos anos em que atuava pastoralmente em Boa Vista/RR, eu mesma fui carregada em oração por um Pastor aposentado que vive na Alemanha e nem me conhecia, mas orava diariamente por mim. Soube de uma senhora que, em sua viagem no ônibus, carregava consigo um hinário, no qual tinha anotado nomes de pessoas pelas quais ela orava, dentre estas, incluía o Pastor da sua Comunidade. Também conheço pessoas que expressam a sua gratidão a Deus por

meio da música: fico surpresa com pessoas humildes, que trabalham na lavoura e que encontraram na música a oportunidade para louvar a Deus. O meu pai, por exemplo, toca e canta diariamente alguns hinos do Hinário Evangélico Hinos do Povo de Deus (HPD). Conheço um Agricultor que levanta às 4 horas da manhã para compor hinos e faz isso voluntariamente. Existem lideranças que se reúnem uma vez durante a semana, à noite, para ensaiar trombone, Coral e hinos para o Culto. Dentre estas lideranças, pessoas que não tiveram oportunidade de estudar, mas que foram extraordinariamente agraciadas por Deus com o dom da música. Podemos expressar gratidão na convivência familiar: Dizer ‘Muito obrigada’ pelo alimento que alguém preparou. ‘Muito obrigada’ por colaborar com a limpeza. ‘Muito obrigada’ pelo passeio, etc. Existem pessoas que expressam gratidão no trabalho: trabalham com alegria no coração! A gratidão pode ser expressa por meio de um telefonema, um bilhete, uma carta, doando algo feito com as próprias mãos, como uma geleia, um pão, algo colhido na horta, prestando um serviço sem cobrar por ele, etc. A expressão de gratidão pode se manifestar com um gesto pontual, mas verdadeiramente grata é aquela pessoa

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que tem a gratidão como ‘um modo de ser’, recebendo tudo com gratidão e reagindo da mesma forma. Cada pessoa tem motivos abundantes para agradecer no dia a dia. Agora, pessoas cristãs, agraciadas com o privilégio de pertencer a uma Comunidade Cristã, reagem em gratidão, consequentemente. Antes e acima de tudo, como pessoas cristãs, agradecemos a Deus pela existência e conservação da sua Igreja. O que é a Igreja? A Confissão de Ausgburgo (Art. 7) declara: ‘Ensinam outrossim que sempre permanecerá uma Santa Igreja: a congregação dos santos na qual o Evangelho é pregado de maneira pura e os Sacramentos são administrados corretamente. É, portanto, privilégio pertencer a uma Comunidade Cristã: como é bom e agradável que o povo de Deus viva unido como irmãos (Salmo 133.1). Em sua graça, Deus reúne o seu povo em Culto, no qual Ele nos serve com a sua Palavra e os Sacramentos, aos quais reagimos com gratidão dentro e fora do templo. Em algum momento, as pessoas não têm a oportunidade de participar do Culto: pessoas com deficiência, acamadas em casa ou no hospital, que moram em lugares isolados, por exemplo. Essas pessoas até gostariam de participar do Culto, mas não conseguem ir ou nem há Igreja no local. Por outro lado, existem pessoas que têm o privilégio de participar dos Cultos a cada domingo, mas que desprezam essa oportunidade. Facilmente, esquecem que se reunir para ouvir a Palavra e participar da Santa Ceia é um presente de Deus e que pode ser tirado a qualquer hora. É motivo de gratidão quando recebo a visita de algum membro do Presbitério, de um irmão, uma irmã, do Ministro, da Ministra ou de um grupo da Comunidade. Uma oração em conjunto e a bênção são motivos de gratidão. A gratidão a Deus se manifesta ao participar de algum grupo na Comunidade ou quando assumo um cargo no Presbitério e

desempenho a minha função com alegria e responsabilidade. A gratidão a Deus põe todo o nosso corpo em movimento. Servirmos com gratidão usando os nossos pés, as nossas mãos e a nossa razão. A gratidão também mexe com o nosso bolso. Um coração grato oferta com

É privilégio pertencer a uma Comunidade Cristã. Em sua graça, Deus reúne o seu povo em Culto, no qual Ele nos serve com a sua Palavra e os Sacramentos, aos quais reagimos com gratidão dentro e fora do templo.

prementes a serem abraçados pelas Comunidades. Louvar e agradecer quando tudo vai bem é fácil e, até mesmo, natural. Pessoas cristãs autênticas agradecem e louvam a Deus inclusive quando a situação é adversa. Assim escreve o profeta Habacuque (3.17-18): Ainda que a figueira não floresça nem haja fruto na vide, o produto da oliveira minta e os campos não produzam mantimento, as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco e nos currais não haja gado, todavia, eu me alegro no Senhor, exulto no Deus da minha salvação. A passagem bíblica de Atos dos Apóstolos 16.25 nos dá o seguinte testemunho daqueles que, por anunciarem o Evangelho, foram lançados na prisão: Por volta da meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam louvores a Deus e os demais companheiros de prisão escutavam. No primeiro dia de abril deste ano, vivemos a Páscoa. Antes, a Quaresma, tempo de meditar individualmente e em conjunto a respeito da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo por nós. Neste período, somos novamente lembrados e lembradas que sempre é tempo de reconhecer e confessar, lutar contra o pecado da ingratidão e entoarmos, juntos e juntas, em gratidão: Agradecemos-te, Jesus Livro de Canto da IECLB - 405

generosidade na coleta do Culto, inclusive contribui financeiramente com a Igreja. Vai além: ajuda na formação de estudantes, na manutenção de trabalhos com pessoas empobrecidas, idosas, com deficiências, vítimas de violência, etc. A gratidão ao Criador leva Comunidades a zelar pela Criação. As iniciativas são raras. Uma e outra família adotam o sistema de produção orgânica. O uso responsável da água, do solo, dos recursos naturais como manifestação de gratidão a Deus são desafios

1. Agradecemos-te, Jesus. Por nós sofreste a amarga cruz. Teu sangue foste derramar, somente para nos salvar. 2. Nós te rogamos, Homem Deus, que, pelos sofrimentos teus, nos queiras sempre consolar, da morte eterna nos salvar. 3. Assiste-nos na tentação; estende-nos a tua mão! Na derradeira hora, aqui, dá que esperamos só em ti! 4. Ó faze-nos em ti confiar: Jamais nos hás de abandonar! Dá-nos certeza, ó Jesus: Tu nos salvaste pela cruz!

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FÉ LUTERANA

O Culto como espaço de louvor Pa. Beatriz Regina Haacke | Ministra na Paróquia Trindade, em Pelotas/RS Louvor rendamos, nós que a Deus honramos! é o convite do hino 338 do Livro de Canto da IECLB. O que é louvar a Deus? Louvar é sinônimo de elogiar, honrar, prestar homenagem e exaltar. Louvor também expressa gratidão e reconhecimento. O louvor a Deus é, portanto, exaltação do seu nome, honra a quem Ele é, elogio aos seus feitos. Louvar a Deus é atitude que brota da fé e se concretiza no Culto, por meio da Liturgia. O Culto, por sua vez, é o encontro de Deus com a sua Comunidade. No Culto, em primeiro lugar, é Deus quem está atuando. É Ele quem congrega, batiza, alimenta com a Santa Ceia, comunica a sua Palavra, ouve a oração, perdoa os pecados, abençoa e envia. Tudo o que a Comunidade faz no Culto, inclusive o louvor, é resposta à ação divina. Diferente do que podemos pensar, o louvor não acontece unicamente pela música. A Liturgia do Culto Cristão abarca variadas expressões de louvor. Louvamos a Deus por meio do canto e dos instrumentos musicais, mas também o louvamos na oração, nos gestos que fazemos, com as nossas palavras e até com o nosso silêncio. Com todo o nosso

corpo, podemos render louvores. Afinal, toda a Criação, todo o ser que respira é conclamado a louvar o Criador (Sl 150.6 e 148.7). A música pode ser a mais notável expressão de louvor no Culto, porém, ao percebermos que não é a única, estaremos conscientes que o louvor envolve todo o nosso ser e perpassa todo o Culto.

O louvor a Deus é exaltação do seu nome, honra a quem Ele é, elogio aos seus feitos. Louvar a Deus é atitude que brota da fé e se concretiza no Culto. Na história do povo de Deus e também no testemunho das primeiras Comunidades cristãs, notamos que o Culto sempre se dá como expressão comunitária e não como uma experiência estritamente individual. Apesar que, no Culto Comunitário, também é trazida e cultivada a relação de cada pessoa com Deus. Quando se reúnem em nome do Deus

Pai, Filho e Espírito Santo, indivíduos tornam-se um só Corpo, tornam-se Comunidade, por isso o louvor da Comunidade Cristã é coletivo e a Liturgia expressa esse louvor comunitário. Na Igreja Luterana, o louvor é uma ação do Sacerdócio Geral de todas as pessoas crentes, doutrina de Lutero que ensina que todas as pessoas batizadas são chamadas a servir a Deus. Louvor não é objeto de espectadores. Nós não vamos ao Culto para assisti-lo. Vamos para participar, atendendo ao convite de Deus. A ação de louvar no Culto aproxima-nos de Deus e estreita os laços com a Comunidade, pois a minha voz não é a única a cantar, as minhas mãos não são as únicas a unirem-se em oração e nada realizo sozinha, mas unida a muitos irmãos e irmãs. Desta forma, louvar é atitude inclusiva, participativa e envolvente. Ainda que abranja espontaneidade, deve ser realizada com seriedade, preparo e ordem, para que não aconteça ‘de qualquer jeito’, mas, sim, com reflexão e expressando, de fato, o que a Comunidade tem a levar diante de Deus. Para refletir, leia o Salmo 100

Gratidão a Deus expressa pelo serviço P. Luiz Temóteo Schwanz | Ministro na Paróquia de Assis/SP Em gratidão nós chegamos a ti (hino 280 do Livro de Canto da IECLB), assim começa um dos cantos eucarísticos mais conhecidos e cantados na IECLB. Uma pequena frase que nos diz muito! Mesmo na condição de criaturas, em nossa pequenez diante da grandiosidade de Deus, nós nos chegamos e nos aproximamos dele, isso porque temos um coração agradecido, que acolhe em fé a maravilhosa graça de Deus em nossas vidas. Pelo fato de termos um coração agradecido, nos dirigimos a Deus, um Deus pro me (por/para mim). Ter um coração agradecido é saber-se pessoa amada por aquele que criou, cria e criará, por aquele que salvou no madeiro da cruz, salva-nos das cruzes que carregamos no cotidiano e salvará no porvir. É saber-se pessoa consolada por aquele que reúne, congrega e santifica! Gratidão pode ser um sentimento ainda mais nobre não apenas hoje, mas algo que já está registrado nas Escrituras Sagradas, no Evangelho de Lucas 17.11ss, ao relatar que Jesus curou dez pessoas leprosas e apenas uma, de Samaria, voltou para agradecer! Também o Reformador nos lembra que ‘a ingratidão é um vento rude que seca os poços da bondade’. Será que, como Igreja de Jesus Cristo, estamos

agradecendo tudo o que vem de Deus - o pão nosso de cada dia, conforme a nossa compreensão evangélico-luterana nos Catecismos Menor e Maior? Se temos um coração agradecido, esta gratidão pelo que Deus fez, faz e fará, ela redundará em Leitourgias (celebração), Diakonia (serviço), Martyria (testemunho) e Koinonia (comunhão). A gratidão se expres-

Nós existimos e servimos porque Deus realiza muitas bênçãos em nossa existência, enquanto indivíduos e também como Igreja. sará pela Missão de Deus e pelo serviço! Um coração grato e alegre serve ao Senhor com alegria! Isso porque muito já tem recebido. No serviço, na diaconia ao próximo e à Igreja, a pessoa em gratidão retorna um pouco do que recebeu! A gratidão a Deus é expressa pelo serviço! Algumas vezes, escutamos pessoas no âmbito da Comunidade dizendo que não

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encontram o seu ‘lugar para servir’. Não seria a hora da autoanálise e da percepção ‘sou uma pessoa agraciada... e tenho muitos motivos de gratidão... e quero expressar essa gratidão no serviço na Seara do Senhor, onde há poucos trabalhadores’? Que tal começarmos a procurar um lugar para ‘servir em gratidão’, no Sínodo, na Paróquia, na Comunidade ou no Ponto de Pregação? A Igreja, tal qual ela é, é resposta de gratidão do ser humano a Deus. Motivemonos a servir em gratidão nos Conselhos, nos Presbitérios, em algum grupo, algum Ministério, algum serviço e alguma atividade oferecida nos nossos Sínodos, nas nossas Paróquias e nas nossas Comunidades. Talvez, comecemos como expectadores, sim, mas, depois, avançamos como protagonistas da fé, que estão com um coração transbordante em gratidão a Deus. Nós, como Igreja de Jesus Cristo, somos frutos da gratidão a Deus. Nós existimos e servimos porque Deus realiza muitas bênçãos e maravilhas em nossa existência, enquanto indivíduos e também como Igreja. Que Deus nos inspire a sermos expressão de gratidão no serviço em sua Seara. Para refletir, leia o Salmo 100


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PERSPECTIVA

Onde esconder-nos, tímidos do insulto? A minha cidade como espaço de acolhimento ao estrangeiro Profa. Dra. Ema Marta Dunck Cintra | Docente no Instituto Federal de Mato Grosso e Presidente do Conselho da Igreja Em nível mundial, muitas pessoas estão com um nacionalismo exacerbado. Observemos como o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se reporta e propõe ações contra as pessoas imigrantes, os seus filhos e as suas filhas. Vejamos como parte da Europa toma atitudes relacionadas às pessoas que fogem das guerras em seus países. No Brasil, note como as pessoas tratam bolivianos, haitianos, venezuelanos... São ‘aqueles que vêm de fora’. Assim, não são acolhidos como pessoas já fragilizadas, que buscam melhores condições de vida para si mesmo e para a sua família. Ao contrário, muitas vezes, o que a mídia nos mostra são repulsa, descaso e preconceito. Lembremo-nos das palavras do Pai: Maldito aquele que perverter o direito do estrangeiro [...]. Todo o povo dirá: Amém (Dt 27.19). Ricardo Reis (heterônimo de Fernando Pessoa) assim poetizou [...] Somos estrangeiros / Onde quer que moremos. / Tudo é alheio / Nem fala língua nossa [...] / Onde esconder-nos, tímidos do insulto / Do tumulto do mundo [...]. Embora a temática do poema permita outras interpretações, esses versos me reportam à situação dos estrangeiros. Como exemplo, trago diálogos com um colega haitiano que trabalha como Intérprete para estudantes ‘Como é difícil ser alguém que vem de fora. Não nos sentimos bem. Não nos sentimos acolhidos. Temos saudades e, ain-

da, os trabalhos oferecidos são mal remunerados’, entre outros relatos tristes. Onde ele e outros haitianos ‘se escondem, tímidos do insulto’ e vão buscar apoio e sentimento de pertença? Aqui, em Cuiabá/MT, há dois espaços onde eles se sentem ‘em casa’. No bairro em que estão localizadas muitas famílias haitianas, há um templo cristão e lá as pessoas se reúnem, cantam e falam na sua língua materna, lembram-se da sua terra natal, compartilham dores, alegrias e sofrimentos. Outro local é uma lanchonete, com ‘quitutes’ do país, onde saboreiam a saudade da terra na comida. É espaço, também, em que a música do seu país os embala. Enfim, locais de acolhimento junto aos seus. Será que é tão difícil compreendermos aquilo que Deus nos orientou, possibilitando que todos os espaços da cidade possam ser percebidos como de acolhimento? Preferimos excluir, pois não conseguimos ver nos estrangeiros pessoas iguais a nós, que querem se sentir amadas, acolhidas, compreendidas. Prestemos atenção à passagem bíblica de Êxodo 22.21, O estrangeiro não afligirás, nem oprimirás, pois estrangeiros fostes na terra do Egito, e pratiquemos o que Cristo nos ensinou em Mateus 25.35: Porque tive fome e destes-me de comer. Tive sede e destes-me de beber. Era estrangeiro e hospedastes-me.

A mensagem que Cristo nos deu e que anunciamos a vocês é esta: Deus é luz e não há nele nenhuma escuridão. 1João 1.5

Fim das barganhas na Igreja, na Economia e na Política: Deus ou dinheiro? P. Dr. Oneide Bobsin | Docente na Faculdades EST, em São Leopoldo/RS Na nossa sociedade, quem não tem a marca do dinheiro, não sobrevive. A presença do vil metal é tamanha que define grande parte das nossas relações. Infelizmente, o dinheiro é o grande mediador universal. É a ‘hóstia’ não religiosa das nossas vidas ou, nas palavras do Apocalipse de João, a marca da besta. Não foi por acaso que Jesus, lá da Palestina, formulou o nosso dilema: Não podeis servir a Deus e ao dinheiro (Mt 6.24). São dois senhores: ou Deus nos monta ou o dinheiro. Não temos outra escolha... Se é que há escolha quando servimos ao dinheiro. O dilema do século primeiro, bem formulado por Jesus de Nazaré, pode ser traduzido por outro dilema atual, conforme o Escritor Oscar Wilde: ‘Neste mundo, existem apenas duas tragédias. A primeira é não obter aquilo que se deseja. A segunda, é obtê-lo’. Esta última é a verdadeira tragédia! Logo, estamos dilacerados por ela. Prova disso é a multidão que anda pelos nossos shoppings sem ter com que comprar, mas neles perambulam seduzidos pela falta. Há outros desdobramentos dilacerantes desta ‘sagrada comunhão’ de pobres e ricos, socialistas e capitalistas, homens e mulheres, etc. Se, na tradição judaica e cristã, o maior Mandamento é amar a Deus acima de todas as coisas e, ao

próximo, como a si mesmo, na tradição moderna do nosso sistema, sob a ditadura do dinheiro e do capital financeiro, o mandamento assume outra formulação, expressa por um Pensador francês: ‘Sereis indiferentes uns aos outros como a vós mesmos’. Outra decorrência quase ritual dessa dilacerante tragédia se configura na absolutização do banal. O banal, o supérfluo e o ridículo são elevados ao status quase sagrado. Por esta razão, muito antes de nós, os nossos antepassados astecas, associavam o tão cobiçado ouro pelos colonizadores espanhóis aos excrementos humanos. Com esta reflexão, nos situamos no Tema da nossa Igreja em 2018, apoiado pelo Lema bíblico de Êxodo 20.2a: Eu sou o SENHOR, teu Deus, na Igreja, na Economia e na Política. São Ordenações distintas, mas não separadas, conforme Lutero. Por fim, mas não menos importante, na Sexta-Feira Santa, tivemos um refúgio ainda despoluído do consumismo do mundo dominado pelo dinheiro. O consumismo não sabe o que fazer com a Sexta-feira Santa. Um Jesus morto por nós não é uma boa mercadoria vendável. É essa morte que nos salva do poder do dinheiro. É de graça! Não podemos comprá-la! É o fim das barganhas humanas na Igreja, na Economia e na Política. Para mais informações, acesse o Portal Luteranos

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MISSÃO

Mananciais para a Missão P. Dr. Pedro Puentes | Secretário de Missão O núcleo da mensagem cristã é que Deus veio até nós com o seu amor (graça). Esse amor despertou em nós a fé (confiança). Assim, atraídos e atraídas pela graça de Deus, nos deixamos abraçar pelo Deus que acolhe, aceita, perdoa, restaura e nos coloca no caminho do discipulado de Cristo. Isso externamos no Batismo-Confirmação ou na Profissão de Fé. Seja como for, enquanto pessoa cristã, o nosso viver está orientado pela gratidão e pelo compromisso. A gratidão se dirige primeiramente a Deus, no contexto de Culto e louvor, por aquilo que fez, faz e fará em favor de nós. O compromisso, como engajamento e doação à Missão de Deus em Cristo, é viabilizado pelos diversos âmbitos por onde a vida se organiza. Em ambos os casos, ser pessoa cristã não se reduz a estar inscrita no registro de mem-

bros de uma Comunidade, colaborar financeiramente, participar de algumas atividades e cooperar com algum serviço na Igreja. Isso é necessário, desejável e bem-vindo, mas ser pessoa cristã, discípula de Cristo, significa envolvimento da vida toda com a Missão de Deus, definida como engrandecimento da vida ou, como diz Jesus: a promoção de uma vida abundante. Essa Missão inicia no coração de cada pessoa, passa por todas as atividades humanas até abraçar a Criação toda. A Criação de Deus, da qual fazemos parte, é uma rede inevitável de interações, mas também, enquanto seres humanos, vivemos sob a pergunta do Criador: Onde está o seu irmão? (Gn 4.9). Isto torna cada pessoa guarda do seu próximo, o que implica responsabilidade para com o seu contexto.

De onde virão os impulsos para o exercício dessa gratidão e compromisso? A vida cristã é para ser vivida a partir da Comunidade, como sinal do Reino de Deus. É nela que ensaiamos a nossa gratidão e o nosso compromisso com o mundo. É nela que exercitamos a partilha daquilo que recebemos de Deus, por isso, com gratidão e compromisso, trabalhamos na renovação da Ação Missionária focada no fortalecimento e na criação de Comunidades.

Projetos: Planejamento Missionário perfil d@ Ministr@ P. Altemir Labes | Secretário Adjunto para Missão e Diaconia Secretaria de Missão Nas duas edições anteriores, vimos que a renovação ou a criação de Comunidades na IECLB acontece no contexto dos Projetos Missionários: (1) lugar e contexto, (2) Planejamento Missionário, (3) perfil d@ Ministr@ e (4) Sacerdócio Geral. Perfil do Ministro e da Ministra: qualquer pessoa que queira exercer o Ministério com Ordenação na IECLB ou uma função na Comunidade precisa ter, junto à vocação, determinados conhecimentos, habilidades e atitudes, ou seja, perfil. Nos Projetos Missionários, esta prática é antiga. A primeira Comunidade Cristã em Jerusalém estabelece um perfil para quem almeja exercer a função diaconal: Escolham entre vocês sete pessoas de confiança, cheias do Espírito Santo e de sabedoria, e nós entregaremos esse serviço a elas (At 6.3). O apóstolo Paulo também orienta sobre o perfil das lideranças no Presbitério (Tt 1.6), bem como de Ministros e Ministras (Tt 1.7-9 e 1Tm 3.1-13). Para o desenvolvimento de um Projeto, cabe aprofundar os saberes necessários, desenvolver as habilidades e trabalhar as atitudes e/ ou posturas pertinentes à função.

A avaliação do Plano Missionário é uma maneira de prestar contas mutuamente. Quando falamos em avaliação, muitas vezes associamos esse processo à prática escolar ou acadêmica. O nosso conceito fica baseado na relação ensino-aprendizagem e aí se confunde avaliação com exames e notas. Precisamos ver o processo de avaliação, do planejamento das ações e atividades estabelecidas no Planejamento Missionário como um processo acolhedor e inclusivo, ou seja, um processo que diagnostica ou estimula a novos desafios. A avaliação é necessariamente inclusiva, dinâmica e construtiva. O ato de avaliar

precisa implicar na disposição de acolher. Avaliação tem como propósito compreender as mudanças realizadas para descobrir o que pode ser melhorado. Deve ser vista sempre como aprendizado e não pode ter relação com castigo. O ato de avaliar implica dois processos articulados e que se complementam: diagnosticar e decidir. O Planejamento Missionário precisa estar em constante avaliação e, após a sua elaboração, deve fazer parte da pauta das reuniões do Presbitério, afinal Planejamento Missionário é um instrumento e precisa contribuir para a Missão de Deus.

A Vai e Vem a serviço da Missão de Deus! Secretaria de Missão Algumas pessoas pensam que a única ação nacional destiVAI E VEM 2017 | ANO 10 nada à Missão é a Campanha Vai e Vem. Trata-se de uma opinião um tanto equivocada, porque a intenção de tudo o que acontece na IECLB está a serviço da Missão, que é de Deus. O meu coração bate pela missão! Esse é o propósito, por exemplo, dos Estudos Bíblicos, dos Encontros dos Grupos, das ações diaconais, comunitárias, de formação, litúrgicas e evangelísticas que acontecem na Comunidade, pois tudo está a serviço da Missão. O mesmo acontece com as iniciativas nacionais, tais como: Tema do Ano, materiais e atividades das diversas Secretarias e Coordenações. Todas as ações nacionais, sinodais e locais estão a serviço da Missão. A Vai e Vem se insere nessa compreensão. Ela não é só uma ação para arrecadar dinheiro. Ela busca oportunizar um tempo no qual Sínodos, Paróquias, Comunidades e membros refletem sobre a fé que molda a vida como gratidão pela Missão de Deus e compromisso para com a vida abundante, para com toda a Criação. É por isso que faz-se necessário tempo para dialogar e planejar Ações Missionárias que concretizem o testemunho da fé em Jesus Cristo, seja como evangelização, discipulado, comunhão, diaconia ou Culto e louvor a Deus. Que possamos aproveitar esse tempo com sabedoria em prol da Missão de Deus! CAMPANHA NACIONAL DE OFERTAS PARA A MISSÃO

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PRIORIDADES

Prioridades de Gestão: Programas de Acompanhamento Qualificação Funcional (PQF) (parte 2/2) Teól. Dr. Carlos Gilberto Bock | Assessor de Gestão da IECLB

- Lideranças comunitárias (capacitação para lideranças comunitárias que ocupam função administrativa em Presbitérios. Para o bom exercício da sua função, lideranças administrativas necessitam conhecer a estrutura e o funcionamento da Igreja, bem como os Documentos Normativos): (a) Curso de Gestão de Projetos (10h), destinado a Gestores e Gestoras de Projetos. O novo curso, realizado em parceria com o Instituto Sustentabilidade (InS), será oferecido de forma contínua a partir de abril deste ano, (b) Curso de Gestão Administrativa (20h), destinado a Assistentes Administrativas, Presidentes, Tesoureiros e Tesoureiras. O novo curso, realizado em parceria com o InS, será ofertado no segundo semestre deste ano, (c) Curso de Qualificação Funcional (40h), destinado a Lideranças Comunitárias, Ministros e Ministras e Estudantes de Teologia. O novo curso, realizado em parceria com o InS, será ofertado no segundo semestre deste ano, (d) Seminário sobre Mobilização de Recursos (8h), a ser realizado em parceria com os Sínodos que tiverem a demanda e (e) Curso

de Qualificação Funcional em Liderança Comunitária Sustentável (CQFLCS - 70h), destinado a Lideranças Comunitárias, Ministros, Ministras e Estudantes de Teologia. O curso é realizado em parceria com o InS. Até o momento, foram realizadas quatro edições do CQFLCS. A primeira edição foi em 2015, com 122 inscrições e 58 conclusões, sendo 35 mulheres e 23 homens. A segunda edição foi em 2016, com 88 inscrições e 37 conclusões, sendo 17 mulheres e 20 homens. A terceira edição também foi realizada em 2016, com 82 inscrições e 43 conclusões, sendo 25 mulheres e 18 homens. A quarta edição foi em 2017, com 74 inscrições e 49 conclusões, sendo 28 mulheres e 21 homens. No total das quatro edições, o CQFLCS teve 366 inscrições e 187 conclusões, sendo 105 mulheres e 82 homens. A quinta edição será realizada no primeiro semestre de 2018. Na avaliação final do CQFLCS, tem havido consenso entre as pessoas participantes quanto à sua qualidade. Todas as pessoas que concluíram o Curso recomendam. A

partir deste ano, novas alternativas de Cursos serão oferecidas com o objetivo de ampliar a participação. - Gestão de organizações diaconais (capacitação para Gestores e Gestoras de organizações diaconais vinculadas à Rede de Diaconia). A Rede de Diaconia é a articulação de instituições diaconais que mantêm vínculo com a IECLB, as quais, em rede, compartilham experiências e conhecimentos, com vistas a qualificar a sua atuação, ampliar o seu reconhecimento público e fortalecer o seu desenvolvimento institucional. Para 2018, estão previstos dois momentos de formação, de uma semana de duração cada (junho e agosto). O primeiro reunirá representantes de instituições da região Norte, Nordeste, Centro Oeste e Sudeste. O segundo, do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Os temas a serem aprofundados são Direitos Humanos, Diaconia Transformadora, Justiça de Gênero, Governança e Gestão Democrática, Planejamento, Monitoramento e Avaliação (PMA), Projeto Político-Pedagógico, Gestão de Projetos, Financiamento e Sustentabilidade e Incidência Política. No total, aproximadamente, 80 participantes serão capacitados e capacitadas. O Programa de Qualificação Funcional disponibiliza ofertas de capacitação para Lideranças em função de representação em âmbito sinodal e nacional e Lideranças Administrativas em todos os âmbitos da Igreja. As lideranças e profissionais já capacitadas pelo PQF colaboram de forma ativa, com maior conhecimento e capacidade, para que a Visão da IECLB seja alcançada, ou seja, ser reconhecida como Igreja de Comunidades atrativas, inclusivas e missionárias. A partir de 2018, com a maior consolidação do Programa, se ampliará o número de lideranças a serem capacitadas.

Publicações | Missão Criança O objetivo geral do Programa Missão Criança é cumprir com a tarefa missionária de batizar, educar na fé cristã e promover a vivência comunitária da fé. O Roteiro para o Programa Missão Criança apresenta os princípios e as atividades deste importante trabalho desenvolvido na IECLB. O Roteiro contém reflexão sobre Batismo, Educação Cristã e a Missão com Crianças. Além de explicar as atividades do Programa, traz sugestões de materiais e um ‘passo a passo’ para a implantação do Missão Criança. Junto com o Roteiro, há opção de adquirir um pendrive com os materiais complementares, que podem ser compartilhados entre lideranças do Missão Criança. Trecho do Roteiro para o Programa Missão Criança

Jesus Cristo diz: Eu sou a luz do mundo. Quem me segue nunca andará na escuridão, mas terá a luz da vida. João 8.12

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GESTÃO

Corpo IECLB | Gestão Administrativa Secretaria Geral da IECLB Gestão Contábil e Financeira Sistema Público de Escrituração Digital - As pessoas contribuintes (física e jurídica) deverão se adequar à informatização do sistema, para o cumprimento das obrigações acessórias entre fisco e contribuintes. Dentre as novas obrigações, há que se destacar o Sistema Público de Escrituração (SPED), por meio do qual os documentos físicos simplesmente reproduzem as informações da plataforma eletrônica. Este sistema informatizado deverá melhorar o controle dos processos, promover maior rapidez no acesso às informações e gerar fiscalização mais efetiva das operações, com o cruzamento de dados e auditoria eletrônica. O envio das informações se dará mediante a realização de uma certificação digital (assinatura eletrônica), que aumenta a segurança e a garantia do sistema. De outra parte, quem assina e envia as informações assume a responsabilidade jurídica pelas mesmas. O Escritório de Contabilidade poderá receber procuração eletrônica para fazer o envio das informações. Há que se destacar, portanto, que os Escritórios de Contabilidade têm corresponsabilidade no envio do SPED. O grande desafio para as instituições, além do envio das informações, é garantir que essas tenham qualidade e, principalmente, adequar procedimentos e processos para o cumprimento da nova regulamentação. SPED é o sistema que unifica as atividades de recepção, validação, armazenamento e autenticação de livros e documentos que integram a escrituração comercial e fiscal das empresas e das instituições, mediante fluxo único e informatizado. Para resguardar os interesses dos trabalhadores e do fisco, os documentos inerentes à vida da entidade devem ser arquivados por um determinado tempo, de acordo com a respectiva legislação de regência, para serem apresentados à fiscalização sempre que necessário. Extrato de texto reduzido e adaptado do Módulo 5 do Curso de Qualificação Funcional em Liderança Comunitária Sustentável – CQFLCS, realizado pela IECLB em parceria com o Instituto Sustentabilidade – InS Para mais informações, acesse o Portal Luteranos

Guia para o Presbitério Em qualquer atividade na qual estejamos envolvidos, a pergunta pelos princípios é essencial. Não é diferente quando se trata da função de Presbítero ou Presbítera. Não é demais lembrar que muitas lideranças das Comunidades também exercem funções em associações, clubes de serviço e outras entidades. Normalmente, essas experiências são positivas e contribuem para a formação de lideranças, mas, outras vezes, os princípios que norteiam essas entidades não são os mesmos da Comunidade Cristã, ainda que possa haver pontos em comum. O fundamento que norteia a caminhada de um Presbitério é a Palavra de Deus, conforme afirma a Constituição da IECLB, em seu artigo 5º: A IECLB tem como fundamento o Evangelho de Jesus Cristo, pelo qual, na forma das Sagradas Escrituras do Antigo e do Novo Testamentos, confessa a sua fé no Senhor da una, santa, universal e apostólica Igreja. É na Escritura, pois, que buscamos orientação para a vida e também para compreender a função do Presbitério.

Documentos Normativos Acima de todos os Documentos Normativos da IECLB está o Mandato de Deus, tendo como base a Bíblia e os Escritos Confessionais. A Constituição, o Regimento Interno, o Guia Nossa Fé-Nossa Vida, o Documento Justiça e Ordem, o Estatuto do Ministério com Ordenação da IECLB são normas nacionais, eclesiasticamente válidas para todos os Sínodos, as Paróquias, as Comunidades, os Ministros, as Ministras, as lideranças leigas e demais membros. Todas as normas adicionais são elaboradas a partir dos princípios constantes nesses documentos e a eles estão sujeitas eclesiasticamente. O Plano de Educação Cristã Contínua (PECC) contém, por exemplo, os fundamentos teológicos para a Educação Cristã. Lá consta, entre outros, que o amor é elemento básico da existência humana e da relação com Deus. Todos os Mandamentos convergem para Ele (Mt 22.37 e 39). O amor a Deus como entrega total implica confiança plena em Deus e agir ético a partir da observância dos Mandamentos. O amor ao próximo nos faz reconhecer que somos semelhantes, mutuamente dependentes e responsáveis uns para com os outros. Educar para a prática do amor é despertar sentimentos de desprendimento, liberdade, compaixão e solidariedade. O amor a si mesmo, nesse sentido, leva à valorização pessoal e à autoestima, sem cair no egoísmo, pois está vinculado ao amor ao próximo e a Deus. A Educação Cristã Contínua encontra fundamentação teológica na Bíblia, no Batismo e na confessionalidade evangélica luterana.


Jorev Luterano - Abril 2018

SÍNODOS

Reavaliar atitudes à luz da Palavra de Deus Responsabilidade e comprometimento! Pa. Roili Borchardt | Pastora Sinodal do Sínodo Sul-Rio-Grandense

Um dos motivos que o Sínodo Sul-RioGrandense tem para jubilar foi a visibilidade da Igreja na comemoração dos 500 anos da Reforma Luterana. Realmente, 2017 foi um ano especial para nós como Igreja, como Sínodo, para as Paróquias e as Comunidades. Nos encontros sinodais, as pessoas foram desafiadas a refletir e a colocar em uma gravura, em forma de maçã, a sua tese para um mundo melhor. Muitas foram as teses, que culminaram na colocação das árvores que ornamentaram o 10º Dia da Igreja do Sínodo, em 1º de outubro, em Pelotas/RS. No dia do encontro, as crianças ainda tiveram um espaço, em separado, onde também puderam expor a sua tese para um mundo melhor. Ao final do encontro, cada pessoa foi convidada a colher uma maçã/ tese para levar para casa e tentar colocar em prática o que nela estava escrito. Na Pregação, conduzida pelo Pastor Presidente da IECLB, P. Dr. Nestor Friedrich, houve destaque para os 500 anos da Reforma, a sua relevância para a sociedade e a fé

como elemento primordial para determinar a postura e a ação de cada pessoa. A Reforma desafia a caminhar na contramão do que é visto na sociedade e motiva para uma nova esperança, no sentido de redescobrir o Deus que tocou Lutero e continua tocando e impulsionando pessoas no presente. Como ação do 10º Dia da Igreja, a Comissão organizadora, com o Setor da OASE, desafiaram Paróquias e Comunidades à arrecadação de produtos de limpeza e higiene pessoal. Os produtos coletados foram enviados à Associação Beneficente Pella Bethânia, em Taquari/RS. A participação e o envolvimento foram motivo de alegria e gratidão. Ainda no mês de outubro do ano passado, muitas foram as atividades, como encontros, palestras, audiências públicas, espaços especiais nos meios de comunicação seculares, o que fez revigorar a autoestima dos nossos membros. Jubilamos quando nos deparamos com Ministros, Ministras e lideranças motivadas e que, com amor, sentem o chamado de

Precisamos reconhecer que, desde o nosso Batismo, somos chamados e chamadas por Deus para sermos luz. Aí cabem as perguntas: Como estamos sendo luz para outras pessoas? A nossa vivência, os nossos exemplos, o nosso ser e o nosso agir conseguem demostrar o nosso ser pessoa cristã e a sua implicação por pertencer à IECLB? Como Igreja e como Sínodo, há grandes desafios. Somos Igreja que não tem a verdade absoluta, mas procura ir em busca da Verdade anunciada por Cristo. Ainda temos uma grande caminhada pela frente quando pensamos no Planejamento Estratégico. Algumas Paróquias já fizeram o seu Planejamento e o seguem, mas ainda temos muitas Comunidades, Paróquias e mesmo o Sínodo que necessitam colocar em prática esta ferramenta. Somos Igreja sempre em Reforma. Compreendemos que o que torna uma Comunidade Cristã exemplar não é a ausência de falhas e limites em seus membros, mas, sim, a capacidade de amar, perdoar, ajudar e caminhar junto a outra pessoa. Queremos ser pessoas que refletem o amor de Deus, mesmo em meio às imperfeições e às limitações. Afinal, cremos na palavra bíblica que expressa: Tudo posso naquele que me fortalece (Fp 4.13).

Deus e se colocam à disposição para servir. Jubilamos com a participação de pessoas nos encontros dos diferentes Setores do Sínodo. Entendemos que os Setores, como, por exemplo, Jovens, Culto Infantil, Saúde e Alimentação, Corais, OASE e Terceira Idade, são espaços que reúnem pessoas com certas afinidades e que, assim, fortalecem a sua caminhada como Igreja. Jubilamos com a criação da Paróquia Caminho de Cristo, por perceber a empolgação e o entendimento das lideranças no ser Igreja. Por outro lado, falhamos quando não assumimos com responsabilidade e dedicação o chamado de Deus para agir de forma ética e transparente. Nem sempre nos damos conta dos desafios que temos pela frente ou, por vezes, nos deixamos seduzir por caminhos que geram lucros e que não respeitam a diversidade da Criação de Deus. Temos enormes desafios como Igreja quando refletimos sobre o uso indevido que fazemos dos agrotóxicos, quando nos omitimos em defender propostas de vida digna e quando apoiamos ou votamos em pessoas que não estão preocupadas com o bem-estar de uma nação. A cada novo dia, precisamos reavaliar as nossas atitudes à luz da Palavra de Deus e agir com responsabilidade e comprometimento com a proposta do Reino de Deus. Ser uma pessoa cristã nem sempre é algo tão simples. Daí a importância de participar em atividades de formação e que despertam os dons dados por Deus. Falhamos quando não conseguimos motivar e desafiar pessoas para assumir cargos de lideranças ou mesmo quando não conseguimos organizar encontros que possam contribuir na formação e no entendimento do que é ser Presbítero e Presbítera da Igreja. Queremos ser uma Igreja acolhedora, uma Igreja que olha para as necessidades do povo. Queremos ser uma Igreja transparente, com os pés firmes no Evangelho. Queremos ter presentes os desafios, sabendo que Deus nos chama e capacita na Missão. Percebemos que, em algumas localidades, ainda precisamos ultrapassar a fronteira étnica e deixar de ser a ‘Igreja dos Alemães’. Precisamos incorporar cada vez mais a ordem de Jesus quando ele afirma: Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura (Mc 16.15). Queremos ser uma Igreja em que as pessoas tenham clareza do que é ser luterano e luterana na sociedade atual e que a contribuição financeira não seja apenas uma exigência da Comunidade, mas uma contribuição de gratidão pelas dádivas recebidas de Deus e por pertencer à Igreja e pela a importância da mesma na caminhada diária.

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COMUNICAÇÃO

Missão e Comunicação (parte 2/2) Compartilhando a Boa Notícia Núcleo de Comunicação da IECLB Os nossos objetivos missionários visam a uma relação de ‘contrato’, ou seja, queremos que as pessoas se comprometam com a nossa Igreja, tornem-se membros. As religiosidades midiáticas buscam, ao contrário, ‘contagiar’, ou seja, estabelecer uma adesão a produtos sem compromisso institucional. Tanto a Comunicação Comunitária como a Comunicação Midiática devem fazer parte das estratégias da Ação Missionária. Ao reconhecer essas duas dimensões da Comunicação para a proposição de estratégias missionárias, estamos levando em conta que uma e outra se inter-relacionam. Por exemplo, vai adiantar muito pouco, em termos de Ação Missionária, realizar uma grande campanha publicitária na cidade sobre a nossa Comunidade se a nossa Ação Comunicativa de acolhimento for um fracasso. Por outro lado, ainda que tenhamos uma Comunidade

conteúdo está bom, a forma não importa. Importa tanto quanto é diferente um Culto de Batismo de um Ofício de Sepultamento. As nossas Estratégias de Comunicação devem levar em conta os Meios de Comunicação em suas diferenças, porque os públicos estão ‘alfabetizados’ para aquele determinado meio. Amadorismo e voluntariado têm limites. Um dos traços marcantes da nossa Igreja é a sua capacidade de mobilizar pessoas para servirem na Comunidade, com os seus dons. O Sacerdócio Geral de todos as Pessoas Cristãs é uma conquista luterana que deve ser sempre lembrada e valorizada. No entanto, é preciso também reconhecer que todo voluntariado tem limites, assim como o serviço comunitário feito por amor à causa. O mundo da mídia religiosa faz circular na economia bilhões de reais. Essa indústria não é movida por voluntários e militantes. Pensar estrategicamente a Comunicação é Há um grau de proestabelecer o percurso da Comunidade para o público fissionalismo muito grande, que tem que pretendemos alcançar e do público para a implicações sobre Comunidade, garantindo que, ao final do percurso, o nosso cotidiano as pessoas queiram voltar e se vincular à nossa Igreja. comunitário. Fazer frente a essa concorrência exige de acolhedora, se as pessoas não souberem que ela nós mais que boas intenções. Sempre que posexiste, se não puderem encontrá-la, a nossa Ação sível, as nossas Comunidades deveriam buscar o Missionária se tornará inócua. auxílio de pessoas da Área da Comunicação para Públicos diferentes pedem Estratégias de ajudar no planejamento e na execução de EstraComunicação diferentes! Público é o conjunto tégias Midiáticas e, até mesmo, na formação de de pessoas com as quais buscamos estabelecer pessoas para realizar essas tarefas. uma interação. Podemos dividi-lo em público inContar com mão de obra qualificada pode reterno (os membros da Comunidade) e público presentar um salto qualitativo na Missão da nosexterno (os que não são membros), mas também sa Comunidade. Comunicação Midiática é uma podemos separá-los por idade, renda, localidade, relação de parcerias em torno de interesses, uma etc. , pois um Meio de Comunicação pode ser das características da relação entre instituições e mais eficaz com um tipo de público que com ouos Meios de Comunicação. Não tomemos ‘intetro. Daí a importância estratégica de fazer circular resse’ na sua acepção negativa. É uma troca. Por por diferentes meios a mesma mensagem. exemplo, se um Meio de Comunicação concede Meios de Comunicação diferentes pedem espaço para publicar material sobre a nossa Igreestratégias diferentes! Todo mundo sabe a difeja, ele o faz porque tem interesse no público que rença entre o rádio e a televisão. Todo mundo essa informação vai alcançar, seja porque podesabe que um jornal é diferente da Internet, mas, rá ser assinante, seja porque constitui consumiquando pensamos em usá-los para o anúncio do dor de produtos dos seus anunciantes, ou seja, Evangelho, geralmente, não nos preocupamos apenas porque ganha em credibilidade junto à com as diferenças, porque pensamos que, se o Comunidade e aos seus membros.

A Igreja tem interesse em ver-se noticiada, porque um determinado Meio de Comunicação tem credibilidade ou porque alcança um público que, de outra maneira, não alcançaria ou, ainda, porque dá credibilidade às ações da Igreja. Muitas vezes, a relação em torno de interesses mútuos também leva a parcerias de serviços e de compra e venda de espaço publicitário. Compreender e reconhecer esse jogo de interesses ajuda a construir estratégias de presença na mídia sem deixar-se manipular ou ferir em seus valores. Boas estratégias de Comunicação podem não custar nada, mas ter uma rubrica no orçamento para investimento em Comunicação é melhor que depender só de boas ideias. A maioria das organizações que têm Políticas de Comunicação bem ajustadas inclui nessa Política uma porcentagem do seu faturamento para investimento em Comunicação. Pode ser 1% ou podem ser 20%. O importante é que os gastos e as receitas com Comunicação estejam no orçamento da Comunidade. Podemos pensar nos Meios de Comunicação como vasos de barro. Assim como podem acolher as palavras da salvação, também podem voltar-se contra elas. Assim como podem promover a paz e a tolerância, podem incitar à ira e à discórdia. Assim como podem servir para a glória de Deus, podem inflar a vanglória humana. São frágeis e podem se quebrar. A Comunidade Cristã e os seus líderes não estão isentos da tentação da glória que os Meios de Comunicação podem proporcionar, por isso vale a pena sempre ter em mente a imagem do Artista Lucas Cranach, na pintura que fez de Martim Lutero pregando a Cristo. À direita do quadro, sobre o púlpito, está Lutero apontando para a cruz no centro da figura. A imagem nos diz que não é Lutero nem o púlpito – não é o comunicador (Pastor, leigo ou quem quer que seja) nem os Meios de Comunicação –, mas Cristo, crucificado e ressurreto, que ocupa o centro das nossas Estratégias Missionárias e Comunicacionais. Tudo o mais passa. Cristo permanece. É ele que deve ser notado em nossas ações e é em torno dele que interessa estabelecer vínculos comunitários. É o Cristo, que tornou o amor de Deus visível para nós e em torno de quem importa vivermos em comunhão de amor, que está no centro da Missão de Deus, que é a Nossa Paixão.

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Caminhos Ibéricos (Portugal & Espanha) Caminhos Germânicos (Europa Central & Reforma Luterana) Caminhos Nórdicos (Países Escandinavos) Caminhos do Leste Europeu Caminhos Romanos (Amsterdã a Roma) Caminhos das Festas (castelos, tradições e cervejarias)

Embratur nº 23.028609.10.0001-5

16/05 – 03/06 05/06 – 22/06 09/06 – 26/06 14/08 – 30/08 29/08 – 16/09 15/09 – 02/10

viajar.plan@gmail.com

51 3762.2758 / 51 98515.6668

www.planviagens.com.br

Jornal Evangélico Luterano Ano 47 nº 815 Abril 2018  

Jornal Evangélico Luterano - Uma publicação da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB).

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