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Jornal Evangélico Luterano | Ano 47 | Jan-Fev 2018 | n o 813

A IECLB tem por fim e missão propagar o Evangelho de Jesus Cristo Por meio da Palavra, Deus fez todas as coisas, e nada do que existe foi feito sem ela. A Palavra era a fonte da vida e essa vida trouxe a luz para todas as pessoas

Vida em Comunidade

Educação Cristã Contínua

Cuidar bem do bem da IECLB!

O Culto Cristão como local de encontro

Batismo: passado, presente ou futuro?

Programas de Acompanhamento

Enfoque

Formação

Prioridades


Jorev Luterano - Janeiro/Fevereiro 2018

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REDAÇÃO

É missão da IECLB propagar o Evangelho de Jesus Cristo Afinal, o que é Comunicação? O que diferencia a Comunicação da Informação e da Notícia? Que papel tem a Comunicação? Qual é a importância da Comunicação para e na IECLB? A nossa Comunicação pode ser mais qualificada? É possível obter melhores resultados com os nossos processos de Comunicação? Essas são algumas das tantas perguntas que cercam a tão falada Comunicação. Comunicamos o tempo todo. É fato! Em tudo o que falamos e calamos, nas nossas expressões, no que vestimos, nas nossas escolhas de toda ordem, comunicamos quem somos, como agimos e quais são as nossas preferências, crenças e posições diante do mundo. Nas instituições, também é assim, por isso é tão importante cuidar amplamente da imagem que a instituição transmite à sociedade. No caso da Igreja, isso diz respeito a uma gama enorme de questões, mas a nossa abordagem específica é sobre a Comunicação. É por isso que, na contracapa do Jorev, durante o ano de 2018, vamos trazer diversos aspectos relacionados à Comunicação, tais como fundamentos, possibilidades de meios de Comunicação, orientações gerais sobre formas de lidar com os principais recursos e como a IECLB tem se ocupado com esta demanda em nível nacional. Para este ano, ainda temos mais novidades! Na Editoria Enfoque, inauguramos o espaço Vida em Comunidade, que vai trazer diferentes aspectos da vida comunitária. Na Editoria Presidência, relacionado ao mês da edição, vamos relembrar algum fato marcante da nossa caminhada como Igreja de Jesus Cristo no Brasil. Na Editoria Diversidade, à luz de alguns Posicionamentos já emitidos pela Presidência da nossa Igreja, vamos abordar assuntos da atualidade, fornecendo subsídios aos nossos membros e às nossas lideranças, além de divulgarmos, para além muros, como pensamos. Na Editoria Prioridades, no sentido de consolidar as ações promovidas pela Gestão, vamos compartilhar reflexões a respeito de cada um dos Programas de Gestão da IECLB. A equipe do Jorev Luterano deseja que este novo ano seja repleto de bênçãos a tod@s que nos acompanham, pedindo a Deus que, quando surgirem dificuldades, que Ele nos conceda, em dobro, fé, força e perseverança!

CAPA Antes de ser criado o mundo, aquele que é a Palavra já existia. Ele estava com Deus e era Deus. [...] Por meio da Palavra, Deus fez todas as coisas e nada do que existe foi feito sem ela. A Palavra era a fonte da vida e essa vida trouxe a luz para todas as pessoas. (Jo 1.1 e 3-4)

Jornal Evangélico Luterano | Ano 47 | Jan-Fev 2018 | n o 813

A IECLB tem por fim e missão propagar o Evangelho de Jesus Cristo Por meio da Palavra, Deus fez todas as coisas, e nada do que existe foi feito sem ela. A Palavra era a fonte da vida e essa vida trouxe a luz para todas as pessoas

SUMÁRIO 2

REDAÇÃO

CARTA À COMUNIDADE EXPLICAÇÃO DA CAPA EXPEDIENTE

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ENFOQUE

4

PALAVRA

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PRESIDÊNCIA

6

FORMAÇÃO

7

DIVERSIDADE

Vida em Comunidade

Educação Cristã Contínua

O Culto Cristão como local de encontro

Batismo: passado, presente ou futuro?

Programas de Acompanhamento

Enfoque

Formação

Prioridades

Cuidar bem do bem da IECLB!

VIDA EM COMUNIDADE CHARGE OFERTAS NACIONAIS INDICADORES ECONÔMICOS GESTÃO MINISTERIAL COMPETÊNCIAS MINISTERIAIS TEMA DO ANO PALAVRA DA PRESIDÊNCIA RETROSPECTIVA AGENDA EDUCAÇÃO CRISTÃ CONTÍNUA PROPOSTA METODOLÓGICA FACULDADES EST TERRA PRONUNCIAMENTO

8-9 UNIDADE

EU SOU O SENHOR, TEU DEUS

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13 14

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FÉ LUTERANA

IGREJA - ECONOMIA - POLÍTICA

PERSPECTIVA

Estão roubando a nossa autoestima! Vivemos altos e baixos, especialmente quem crê

MISSÃO

PLANO DE AÇÃO MISSIONÁRIA DA IECLB PROJETOS MISSIONÁRIOS PLANEJAMENTO MISSIONÁRIO CAMPANHA DE MISSÃO VAI E VEM

PRIORIDADES

PROGRAMAS DE GESTÃO PUBLICAÇÕES

GESTÃO

GESTÃO ADMINISTRATIVA DOCUMENTOS NORMATIVOS GUIA PARA O PRESBITÉRIO

SÍNODOS

ALEGRES, JUBILAI!

COMUNICAÇÃO

IGREJA DA PALAVRA

Que o Senhor, nosso Deus, esteja conosco. Que Ele nunca nos deixe nem nos abandone! 1Reis 8.57 EXPEDIENTE Pastor Presidente P. Dr. Nestor Friedrich Secretária Geral Diác. Ingrit Vogt Jornalista Letícia Montanet - Reg. Prof. 10925 Administrativo Elizangela Basile ISSN 2179-4898 Cartas - Sugestões de pauta - Artigos - Anúncios Rua Senhor dos Passos, 202/5º 90.020-180 - Porto Alegre/RS Fone (51) 3284.5400 E-mail jorev@ieclb.org.br Proibida a reprodução parcial ou integral do conteúdo desta edição sem a prévia e formal autorização da Redação do Jorev Luterano.

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Jorev Luterano - Janeiro/Fevereiro 2018

ENFOQUE

Vida em Comunidade Viver é, também, encontrar-se. Viver tem tudo a ver com alegres e marcantes encontros. A gente se encontra para ‘jogar conversa fora’. Crianças se encontram para brincar. Há encontros para estudar a Palavra de Deus, orar e cantar. Há encontros para celebrar o aniversário e há quem invente motivo para encontrar-se com mais gente. P. Dr. Romeu Martini | Assessor Teológico da Presidência da IECLB Neste ano, este espaço do Jorev Luterano vai falar sobre um encontro muito especial para as pessoas cristãs: o Culto da Comunidade, definido pelo Livro de Culto da IECLB como encontro que congrega Deus e um grupo de pessoas. No encontro com Deus, pessoas encontram-se entre si. Se, para a festa de aniversário, a motivação para o encontro é a aniversariante, o ponto de partida para o encontro entre Deus e a Comunidade é o próprio Deus. Deus é quem motiva e chama as pessoas a se reunirem em seu nome, conforme disse Jesus em Mateus 18.20: Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou no meio deles. Em um encontro, muita coisa acontece. Pensemos em uma festinha de aniversário. Ali veremos pessoas se abraçando, brincando, conversando, cantando, dançando. Em certo momento, alguém fará um discurso! Chega a hora dos comes e bebes. Haverá quem

INDICADORES FINANCEIROS

falará sobre as suas tristezas, as suas alegrias da semana, a dificuldade de emprego, a alta hospitalar, a encrenca familiar, etc., etc. No encontro chamado Culto, também acontece muita coisa. Falando sobre o Culto na IECLB, queremos refletir (e motivar para o diálogo) sobre a razão daquilo que lá acontece. Para citar um exemplo: se, no local do Culto, há um sino, por que bater o sino no início e no final do Culto? Qual é a razão disso? Daria para badalar o sino ainda em outro momento do Culto? O que acontece se uma Comunidade não dispuser de sino? Caberia pensar em uma maneira de substituir o sino? Por que não iniciar o Culto em nome do Presbitério? Por que orar em pé ou sentado? Por que confessar pecados? Por quê? Convidamos você para acompanhar esta coluna ao longo de 2018, fazendo dela motivo para diálogo no seu próximo encontro!

UPM Janeiro/2018

4,4028

Índice Dezembro/2017 0,44 % Acumulado 2017

Que cada um use o seu próprio dom para o bem dos outros! 1Pedro 4.10b

OFERTAS NACIONAIS 21 DE JANEIRO 3o Domingo após Epifania Programa de Acompanhamento a Ministros e Ministras Com o objetivo de cuidar, fortalecer e qualificar o Ministro e a Ministra para o exercício do Ministério com vistas à Missão da IECLB, é importante realizar Seminários Nacionais e Sinodais que abordem temas que afetam de forma especial a relação entre a vida e o trabalho de Ministros e Ministras. O Programa de Acompanhamento a Ministros e Ministras tem verificado que a realização dos Seminários Nacionais e Sinodais é uma expressão prática e concreta de apoio às pessoas ordenadas, propiciando espaço para reflexão sobre a sua biografia e vocação ministerial. 11 DE FEVEREIRO Último domingo após Epifania Fundo de Missão no Exterior Irmã Doraci Edinger Entre as Igrejas da Comunhão Luterana em todo o mundo, a IECLB tem especial relação fraterna e de cooperação com as Igrejas de Angola e Moçambique, países africanos de Língua Portuguesa. Estas Igrejas em crescimento precisam ser fortalecidas em suas capacidades. Além de apoio material, em forma de envio de livros (Bíblias, Senhas Diárias, Castelo Forte e Proclamar Libertação), nos últimos 15 anos também enviamos Ministros e Ministras. O Fundo quer fortalecer as Igrejas de Moçambique e Angola possibilitando completar construções de capelas na área rural, apoiar bolsas de estudos teológicos, cursos de formação contínua para Pastores, Pastoras e Evangelistas, entre outros.

2,95 %

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PALAVRA GESTÃO MINISTERIAL

Gestão Ministerial: habilidades necessárias P. Dr. Victor Linn | Pastor, Psicanalista e Coach O exercício do Ministério implica tarefas e objetivos que fazem de Ministros e Ministras gestores e gestoras de pessoas, de projetos e de variadas atividades rotineiras. Nessa posição e perspectiva, são confrontados e confrontadas com muitas expectativas, sobre as quais vale interrogar-se: De que habilidades necessitam? Apesar da impressão assustadora que a diversidade de expectativas evoca, as habilidades necessárias para ser um bom gestor, uma boa gestora podem ser reduzidas a algumas básicas. A primeira delas implica uma postura - é a capacidade de ter uma visão, uma proposta, para a qual consegue apontar e atrair a atenção. É fundamental estar identificado, identificada com essa visão, comunicar isso de forma convincente e apontar com clareza a posição e as razões pelas quais busca a confiança e o apoio para alcançar determinadas metas. Isso faz do gestor, da gestora um líder, uma líder! Embora a posição lhe permita tomar decisões sozinho, sozinha, são a abertura e a humildade para envolver colegas e colaboradores, colaboradoras  na discussão da proposta, no estabelecimento de metas e na tomada de decisões que favorecem o alcance e a sustentabilidade das metas. Isso significa: ter abertura para crescer e aprender. Todo esse processo pressupõe outra característica: a perseverança! No percurso, não encontramos apenas apoio, mas também muitas resistências. Para conquistar a confiança e o apoio, há que sustentar a sua posição pacientemente e oferecer tempo e condições para o desenvolvimento de todas as pessoas envolvidas. Outras habilidades serão abordadas nas próximas edições. Acompanhe!

COMPETÊNCIAS MINISTERIAIS

Competência Bíblia e Teologia Cat. Dra. Haidi Drebes | Secretária da Habilitação ao Ministério da IECLB P. Dr. Emilio Voigt | Coordenador do Núcleo de Produção da IECLB A norma que orienta a vida das pessoas cristãs e a organização da Igreja é a Bíblia. Este é o pressuposto do Artigo 5º da Constituição da IECLB e do princípio luterano Somente a Escritura. A Bíblia é a Palavra de Deus vivenciada, transmitida e escrita em diferentes épocas e contextos. Por ser a Bíblia a autoridade máxima em assuntos de fé, o Conhecimento bíblico é uma competência básica para o exercício do Ministério Eclesiástico e do Sacerdócio de todas as Pessoas que Creem. Foi por isso que Lutero se empenhou na tradução e no incentivo ao estudo da Bíblia. Todo o movimento da Reforma Protestante é decorrência de vigorosa fundamentação bíblica. O conhecimento bíblico requer a percepção dos conteúdos e dos processos de formação da Bíblia. Para compreender e atualizar a mensagem bíblica, é necessário discernir entre o contexto dos textos e a situação de quem lê. Compreensão e atualização também são determinadas pelos métodos de interpretação. Não existe uma única maneira de interpretar, mas isso não

significa que tudo seja válido. De acordo com Lutero, Jesus Cristo é o parâmetro para a interpretação da Bíblia. Seguindo este princípio, textos bíblicos podem ser lidos criticamente e a partir de diferentes métodos. Na tradição luterana, a Bíblia se caracteriza pelo contraste entre Lei e Evangelho. A Lei é o que Deus requer de nós e o Evangelho é o que Deus faz por nós. Enquanto a Lei evidencia o pecado humano, o Evangelho revela o perdão divino e a ação de Cristo em nosso favor. É tarefa da Teologia diferenciar e manter a tensão saudável no anúncio destes dois elementos. Os credos da Igreja Antiga, a Confissão de Augsburgo e o Catecismo Menor de Martim Lutero constituem expressão da fé na IECLB e, ao mesmo tempo, são temas centrais no estudo da Teologia. Além disso, a Teologia pressupõe o estudo da história da Igreja e a análise da conjuntura atual. Teologia e conhecimento bíblico não têm um fim em si mesmos. Eles são a base para avaliar o que corresponde à fé cristã e para agir em fidelidade a Jesus Cristo.

TEMA DO ANO

Eu sou o SENHOR, teu Deus (Êxodo 20.2a) Trecho do Texto-base do Tema do Ano 2018 da IECLB: Igreja - Economia - Política Deus é o criador de tudo e, porque Deus criou todas as coisas, o ser humano teria condições de conhecer Deus, mas este conhecimento foi corrompido pelo pecado e, com isso, a razão humana não sabe mais quem é Deus. ‘O principal que se perdeu na alma é o conhecimento de Deus’, escreveu Lutero. Quem é Deus? O Lema da IECLB em 2018 contribui para responder esta pergunta. Após libertá-lo da escravidão, Deus estabeleceu um pacto com o povo hebreu: Se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, sereis minha propriedade peculiar dentre todos os povos (Ex 19.5). Que promessa! Que perspectiva de vida! No entanto, a efetivação dessa perspectiva não foi (e não é!) tão simples assim. Não demorou muito e aquele grupo começou a praticar idolatria (Ex 32.1ss). A este povo, que não compreende a sua liberdade e a sua vocação, Deus afirma: Eu sou o Senhor, teu Deus! Quem sou eu? Fui eu que te tirei da terra do Egito, da casa da escravidão! Para Lutero, o primeiro Mandamento é o mais importante, pois revela quem é Deus: Deixe somente eu ser seu Deus e nunca procure nenhum outro, ou seja, o que lhe fizer falta, espere-o de mim, procure-o junto a mim. Quando você estiver passando por infortúnio e aperto, arraste-se para junto de mim e fique comigo, EU é que lhe darei o suficiente e ajudarei em toda necessidade. A vida, morte e ressurreição de Cristo revelam quem é Deus: um Deus misericordioso que oferece perdão, justificação e nova oportunidade. Pela reconciliação em Cristo e sua resposta de fé, o ser humano é nova criatura, chamada a atuar em cooperação com Deus. Pela força do Espírito Santo, que cria comunhão e promove o testemunho, o ser humano atua a serviço de Deus para o melhoramento do mundo. Igreja (que ensina a Palavra de Deus), Economia (que garante o sustento da vida) e Política (que zela pela boa convivência humana) são os instrumentos para evidenciar quem é Deus e efetivar a sua vontade no mundo. Nisso podemos confiar e em favor disso nos empenhamos. Para mais informações, acesse o Portal Luteranos


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PRESIDÊNCIA

Eu sou o SENHOR, teu Deus Fazemos parte de um povo sempre a caminho P. Inácio Lemke | Pastor 2o Vice-Presidente da IECLB

O Lema da IECLB para 2018 está na sequência dos 500 anos de caminhada da Reforma da Igreja. Fazemos parte de um povo, de uma Igreja sempre a caminho e sempre em Reforma. Meditando sobre o Lema Eu sou o SENHOR, teu Deus (Ex 20.2a), percebemos que Deus se apresenta e fala ao povo que Ele resgata da escravidão e promete conduzi-lo para uma terra boa e de grande fartura. Esta terra ainda precisa ser conquistada, pois está nas mãos dos cananeus e outros povos, devotos a deuses diferentes. Assim aconteceu que, no terceiro mês depois da saída do Egito, chegaram os isra-

elitas ao pé do Monte Sinai. Ali acamparam por algum tempo e Moisés sobe o monte e Deus lhe fala: Diga ao povo que se purifique para me adorar, lave as roupas. Esteja pronto para depois de amanhã. Venham todos ao Monte. Moisés fez como Deus lhe ordenara. Pela manhã do terceiro dia, começou a trovejar e a relampejar. Uma nuvem escura apareceu sobre o Monte e as trombetas soaram forte. Todo povo ficou com medo. Então, Moisés levou os israelitas ao pé do Monte, onde todos ouviram a voz de Deus, que falou: Meu povo, eu, o SENHOR, sou o

Foi assim que Deus mostrou o seu amor por nós: Ele mandou o seu único Filho ao mundo para que pudéssemos ter vida por meio dele. 1João 4.9 RETROSPECTIVA

seu Deus. Eu o tirei da terra do Egito, onde você era escravo. Não tenha outros deuses a meu lado. Honrem o nome de Deus. Nós conhecemos esta ordem de Deus. Nós aprendemos estas palavras ainda crianças ou adolescentes, no Culto Infantil ou, mais tarde, no Ensino Confirmatório. Aprendemos com as explicações de Lutero no Catecismo Menor: Devemos temer e amar a Deus e confiar nele acima de tudo. Deus não admite outros deuses a seu lado – politeísmo. Deus é exclusivo e, conforme Êxodo 34.14, Ele é ciumento. A nossa busca e caminhada com Deus não pode ser detida nem desviada. Cremos e adoramos um Deus de vida ou servimos e adoramos os ídolos da morte. O coração humano é sempre o mesmo e uma das suas tendências é procurar valores absolutos criados por ele mesmo, ou seja, procurar novos deuses. O tempo é oportuno para refletir e ensinar o que aprendemos dos antepassados e o Tema 2018 reafirma o compromisso com a Comunidade: Igreja - Economia - Política. A Igreja tem o compromisso de ensinar a verdade que liberta. A Economia é o caminho da solidariedade e da partilha. A Política é a responsabilidade de todas as pessoas com o que é publico. Igreja, Economia e Política fazem parte da nossa vida e da caminhada que perpassa toda a história da Criação de Deus.

AGENDA | JAN/FEV 28/1

Ordenação Conjunta Serra Pelada/ES Pa. Sílvia Genz P. Inácio Lemke

4/2

Ordenação Conjunta Porto Alegre/RS P. Nestor Friedrich Pa. Sílvia Genz

17/2

Investidura P. Heiko Gruenwedel e Pa. Agnes Mueller-Gruenwedel na Igreja de Cristo Curitiba/PR P. Nestor Friedrich

18/2

Dedicação do Templo da Comunidade da Ascensão Curitiba/PR P. Nestor Friedrich

Fevereiro - A caminhada sinodal O espírito de autonomia e a necessidade de caminhar juntas em propósitos comuns caracterizam a vida das Comunidades vinculadas à IECLB. A primeira tentativa de organização institucional com vistas a uma caminhada conjunta aconteceu em São Leopoldo/RS, nos dias 10 e 11 de fevereiro de 1868, com a fundação do Sínodo Evangélico Alemão do Rio Grande do Sul. A sua existência foi breve, mas outras iniciativas mostraram-se mais duradouras nas décadas seguintes. As Comunidades do

Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais organizaram-se em quatro Sínodos que vieram a constituir a IECLB. O Concílio Extraordinário de Ivoti/RS, realizado nos dias 28 de fevereiro a 2 de março de 1997, reafirmou a sua fidelidade ao espírito de sinodalidade, expressando a vontade das Comunidades de estarem juntas no caminho. A atual estrutura da Igreja valoriza a dimensão comunitária da missão, o diálogo e a cooperação entre as instâncias da Igreja.

Ordenação Conjunta Curitiba/PR P. Nestor Friedrich P. Inácio Lemke

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80 anos de fundação da Comunidade da Colônia Osório Pelotas/RS P. Nestor Friedrich

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FORMAÇÃO EDUCAÇÃO CRISTÃ CONTÍNUA

Batismo: passado, presente ou futuro? Cat. Daniela Hack | Coordenadora de Educação Cristã da IECLB Quando falamos em Batismo, é comum nos remetermos a uma ação passada, geralmente ocorrida na infância e da qual temos lembrança somente por fotos ou relatos. Isso não está errado, pois Batismo remonta ao Culto aonde fomos com familiares, Padrinhos e Madrinhas para participarmos de um rito especial com a Comunidade. Esse rito em que a nossa cabeça foi lavada com água em nome de Deus Pai, Filho e Espírito Santo, seguido da imposição de mãos e de bênção, é o cumprimento de uma ordem dada pelo próprio Cristo. No Batismo, Deus nos acolhe como seus filhos e suas filhas. Essa graça vem ao nosso encontro sem que a tenhamos merecido, solicitado ou compreendido. No Guia Nossa Fé-Nossa Vida, a Igreja afirma que: Pelo Batismo, participamos da vida, morte e ressurreição de Cristo por nós. Somos marcados e marcadas por

sua cruz, que é a vitória sobre o nosso fracasso e o ponto de partida para um novo começo. Batizar, portanto, é um ato de confiança e fé! Pais e mães que levam a sua criança para serem batizada testemunham a sua confiança em Deus, assumindo, junto com Padrinhos, Madrinhas e Comunidade, o compromisso de ensinar à criança batizada sobre o amor de Deus. A partir daí, o Batismo adquire um segundo significado, que é o da Educação Cristã Contínua. Na medida em que ensinam, por meio de palavras e atitudes, familiares, Padrinhos, Madrinhas e Comunidade alimentam e (re)aprendem sobre a fé. Diferente da escola, na Educação Cristã, não há formatura na fé, embora existam momentos especiais de passagem e profissão de fé, como a Confirmação. Conta a história que o Reformador Martim

Lutero, quando estava em momentos de grande tensão e medo, afirmava com veemência: Batizado sou! Lembrava, assim, das promessas de Deus e de que a sua fé deveria ser maior que a dificuldade. Segundo o Catecismo Menor, o Batismo realiza o perdão dos pecados, livra da morte e do diabo e dá a salvação eterna a todas as pessoas que creem no que dizem as palavras e promessas de Deus. Assim, o Batismo remete também para a morte, pois, como pessoas batizadas, cremos na ressurreição. Assim, o Batismo é para a vida toda! É presente de Deus que se renova a cada dia. É fato passado, certeza presente e confiança futura. É processo dinâmico que nos convida a nos envolvermos por meio do arrependimento, do perdão, do estudo e do ensino, da ação, da participação comunitária e da vivência da espiritualidade.

CRIANÇAS | PROPOSTA METODOLÓGICA

Falando sobre os medos Material necessário Um exemplar da Revista O Amigo das Crianças nº73 e um bichinho de pelúcia.

Momento 3 Após a dinâmica, pergunte o que elas fazem para amenizar o medo. Depois, comente que você vai narrar a história de um povo que foi levado para uma terra estranha, com outros costumes. Ele tinha medo e muita saudade de casa.

Momento 1 Converse com as crianças sobre seus medos. Para isso, use a dinâmica Eu tenho medo de... Forme um círculo com as crianças. Inicie a dinâmica com o bicho de pelúcia na mão e diga: Eu tenho medo do escuro!

Momento 4 Narre para as crianças a história O cuidado de Deus, que se encontra na página 13. Diga às crianças que, assim como Deus nunca abandonou o seu povo querido, Ele também não abandona a gente. Podemos confiar que Ele sempre estará conosco.

Momento 2 Ao falar sobre o seu medo, passe o bicho de pelúcia para a criança que está à sua direita e pergunte: Você, do que tem medo? Assim, sucessivamente, até que todas as crianças tenham oportunidade de falar sobre os seus medos.

Sugestão extraída da Proposta Metodológica para uso da Revista O Amigo das Crianças, nº 73. Leia a Proposta Metodológica completa e saiba como assinar a Revista O Amigo das Crianças no Portal Luteranos

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Especialização EaD A Faculdades EST inicia 2018 com novidades no Lato Sensu. A autorização oficial do Ministério da Educação (MEC), por meio da portaria n° 764, para ofertar cursos de Graduação e Pós-Graduação Lato Sensu na modalidade EaD é uma conquista e a prova que a qualidade da Faculdades EST faz a diferença no merca-

do educacional, resultado do comprometimento com o ensino de qualidade. Serão cinco os cursos EaD: Especialização em Aconselhamento e Psicologia Pastoral, Especialização em Bíblia, Especialização em Docência no Ensino Superior e na Educação Profissional, Especialização em Ensino Religioso e Especialização em Mobilização de Recursos e Sustentabilidade Para o Prof. Iuri Andreas Reblin, responsável pelo Núcleo de Educação a Distância da instituição, a preocupação da Faculdades EST é ir ao encontro das pessoas de um jeito diferente daquele como a Educação a Distância tem sido percebida: “A possibilidade e a necessidade de alçar voos no mundo digital reside no nosso compromisso em não deixar

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o conhecimento produzido no Morro do Espelho restrito, mas socializá-lo, visando à construção de uma sociedade melhor, em respeito à nossa excelência no ensino, à nossa vanguarda na pesquisa e à nossa ação na extensão. É por isso que o mote que orienta as nossas ações é aproximando pessoas, partilhando saberes”. As inscrições já estão abertas. Os cursos iniciam em março de 2018 e terão duração de doze meses. Os estudantes poderão cursar um componente curricular por mês e, no final do período de um ano, devem fazer uma prova e a defesa da Monografia, ambas presenciais. Mais informações podem ser obtidas no site da EST, www.est.edu.br/estonline, e pelo telefone 51 2111.1400.


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DIVERSIDADE

A terra pertence a Deus Redistribuir e cuidar: tarefas urgentes P. Dr. Mauro Souza | Secretário da Ação Comunitária da IECLB

Viver neste país e neste planeta tem sido uma grande aventura. Claro que sempre houve mudanças na história da humanidade, mas a rapidez com a qual as coisas, hoje, mudam é muito grande. Algumas dessas mudanças são boas. Outras, nem tanto. Os avanços tecnológicos e científicos, por exemplo, teriam condições de permitir vida digna para todas as pessoas. Infelizmente, nem todas estão ao alcance dos benefícios. Produzimos para alimentar várias vezes a população mundial, mas milhões ainda morrem de fome ou em consequência da má alimentação. Sabemos que a alimentação natural, sem pesticidas, é a

mais adequada para a nutrição e a saúde, mas consumimos milhões de toneladas de agrotóxicos junto com os alimentos. Por que essas contradições tão básicas continuam nos assombrando? Como permitimos que as nossas crianças bebam leite com soda cáustica? Já dizia o apóstolo Paulo, em sua primeira carta a Timóteo: Na raiz de todos os males está o amor ao dinheiro (6.10). Antes dele ainda, Jesus Cristo alertava para as coisas que, de fato, são importantes: Busquem primeiro o Reino de Deus (Mt 6.33). A má e injusta distribuição da posse da terra é um dos graves problemas do mundo e do Brasil. Em 1991, a IECLB já se

preocupava com o assunto. Alertava para o fato de que a terra pertence a Deus. No Manifesto sobre Reforma Agrária, a IECLB afirma: ‘[...] a questão da terra não se restringe a um assunto técnico ou político. O uso da terra e a sua distribuição devem ser responsabilizados perante Deus, o único e verdadeiro dono da terra, por ser Ele o Criador. A Reforma Agrária não é assunto de escolha arbitrária da IECLB. [...] Há um imperativo ético a ser cumprido e uma responsabilidade coletiva a ser atendida’. Com a crescente onda neoliberal, de extinção dos direitos trabalhistas, previdenciários e - inclusive - humanos, quem perde são as populações empobrecidas e as que mais sofrem são mulheres, crianças, pessoas idosas, povos indígenas e as de descendência africana. O aumento da diferença entre pessoas ricas e pobres nada tem a contribuir com desenvolvimento social. Empobrecimento e desemprego são em si formas de violência, que geram ainda mais violência. Assim, todas as pessoas perdem. Como pessoas cristãs, precisamos afirmar novamente que a terra pertence a Deus. Esquecemos com muita facilidade que estamos de passagem. Verdade é que as pessoas que amamos terão que viver naquilo que iremos deixar. Neste ano de 2018, repleto de possibilidades, que tal nos perguntarmos: em que condições eu vou deixar a Terra para os meus netos e as minhas netas? Há algo que eu possa fazer para melhorar a qualidade da vida na Terra?

PRONUNCIAMENTO

Dêem graças a Deus, o Senhor, porque Ele é bom e o seu amor dura para sempre. Salmo 118.1

Deus, o verdadeiro dono da terra Entende a IECLB que a questão da terra não se restringe a um assunto técnico ou político. O uso da terra e a sua distribuição devem ser responsabilizados perante Deus, o único e verdadeiro dono da terra, por ser Ele o Criador. A Reforma Agrária não é assunto de escolha arbitrária da IECLB. Ao colocá-lo em sua agenda, a IECLB também não o faz por defender interesses próprios. Ela tem em vista o todo

do povo de Deus. Há um imperativo ético a ser cumprido e uma responsabilidade coletiva a ser atendida. A situação fundiária vigente no País fere a ambos. Ação ética sempre necessita de duas coisas, ou seja, da sólida informação e de uma consciência comprometida com o bem. Manifesto sobre Reforma Agrária (1991)

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Jorev Luterano - Jan/Fev 2018

UNIDADE

UNIDADE

Série Especial

Eu sou o SENHOR, teu Deus Tema 2018 : Igreja - Economia - Política

A comemoração dos 500 anos da Reforma renovou o interesse por assuntos da tradição evangélico-luterana. Com o Tema 2018, esta relevante temática da Reforma é trazida à tona, pois é oportuna no atual cenário brasileiro e mundial.

Por que este Tema do Ano? Igreja, Economia, Política. Por que a IECLB escolheu estas três palavras para compor o Tema do Ano de 2018? O que Igreja tem a ver com Economia e Política? Quem, na história da Igreja, relacionou essas três palavras? Por quê? Deus viu que era muito bom tudo aquilo que havia criado (Gn 1). O ser humano foi colocado em um belo espaço para viver. Tinha liberdade e podia cooperar com Deus. O ser humano, porém, rompeu com Deus e caiu em pecado (Gn 3). Deus, por seu lado, não desiste do ser humano e, em Jesus Cristo, promove reconciliação (Rm 5.10). Tal ato de Deus faz de nós seus cooperadores e suas cooperadoras (2Co 6.1). É nesse encontro entre ação de Deus e cooperação humana

P. Dr. Nestor Friedrich, Pastor Presidente da IECLB (Texto Motivador - parte 1/2)

que Lutero identifica e descreve a relação entre Igreja, Economia e Política. Para ele, estes três âmbitos da vida são Ordens da Criação divina e podem ser também denominados de hierarquias ou estamentos: ‘A Bíblia fala e ensina sobre as obras de Deus, a respeito do que não há dúvida. Essas, no entanto, estão divididas em três hierarquias: Economia, Política e Igreja (A Teologia de Martim Lutero). A comemoração dos 500 anos da Reforma renovou o interesse por assuntos fundamentais da tradição evangélico-luterana. Com o Tema do Ano 2018, trazemos à tona esta temática da Reforma por entendermos que continua relevante e é oportuna no atual cenário brasileiro e mundial. O que são as Ordens da Criação? Lutero fala em Economia, Política e Igreja a partir de três funções consideradas essenciais para a organização social em sua época: alimentar, proteger e ensinar. As duas primeiras funções têm origem em um antigo conceito de sociedade baseado nos âmbitos privado e público. A casa, chamada de oikos na Língua Grega, era o âmbito privado e a unidade básica de produção. Oikos abrangia a casa propriamente dita e tudo aquilo que estava vinculado a ela: as pessoas com laços de parentesco, empregadas e empregados, proprie-

dades, animais. A partir do oikos, surgiu a Economia (oikonomia), que era essencialmente agrária. O âmbito público era determinado pela cidade, chamada de polis. A polis tinha função administrativa e jurídica e era composta por vilarejos e territórios. Do termo grego polis se originou a palavra Política. A Política tem a ver com a organização do espaço público, mas também tem influência no âmbito privado. A Igreja (ecclesia), com a função de anunciar e ensinar, foi acrescentada mais tarde a este esquema grego de sociedade. Considerando as funções de alimentar, proteger e ensinar, é possível dizer que: - a responsabilidade de alimentar estava a cargo das pessoas agricultoras e artesãs. Este era o âmbito da Economia, a produção baseada no oikos; - a responsabilidade de proteger era atribuição dos membros da nobreza. Aqui temos o âmbito da Política, a organização da polis; - a responsabilidade de ensinar cabia ao clero, e este é o âmbito da Igreja, a ecclesia. Na Idade Média, esta determinação de funções se manifestava em uma organização social de classes separadas e profundamente desiguais: membros do clero, pessoas nobres e povo comum. Lutero, entretanto, entendia

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que Igreja, Economia e Política não formam categorias isoladas e sobrepostas. De acordo com o Reformador, Deus organiza a existência humana em Igreja, Economia e Política e todo ser humano, particularmente a pessoa cristã, participa de igual forma nos três âmbitos. Um âmbito não é mais sagrado ou mais profano, mais espiritual ou menos espiritual do que o outro. As três Ordens da Criação são modos pelos quais Deus atua e por meio dos quais o ser humano, pela fé, coopera com Deus para o melhoramento do mundo. Igreja ‘A Igreja é instituída sem muros e sem qualquer pompa, num lugar amplo e agradável. Essa é a instituição Igreja, antes que houvesse organização econômica e política [...]. [...] institui-se a Igreja antes de existir uma Economia doméstica. Pois, aqui, o Senhor prega a Adão e lhe apresenta uma palavra’ (Obras Selecionadas, v. 12). Segundo Lutero, em sua forma originária, a Igreja consistia basicamente na Palavra que Deus dirige ao ser humano e na resposta de gratidão que Deus dele espera. No paraíso, Deus deu ao ser humano a Palavra e o Culto em sua forma mais pura e simples. A árvore da vida pode ser interpretada como lugar de Culto onde Deus serve com a sua Palavra e o ser humano responde em gratidão e obediência, por isso é que Lutero também parte do pressuposto que cada pessoa possui um conhecimento natural a respeito de Deus. É por isso que a Igreja podia existir antes mesmo de Jesus Cristo. A Igreja é a ordem primordial, da qual procedem as outras duas. Para Lutero, o fato de a Igreja vir em primeiro lugar era um ‘sinal que o ser humano foi criado com um propósito diferente dos demais seres vivos’ (OS, v. 12). O ser humano foi criado para louvar a Deus e observar a sua Palavra aqui na terra, o que requer que providencie o necessário para a sua Economia (produção, reprodução e cuidado da vida). Depois de viver agradavelmente na terra, seria transferido para a eternidade.

Economia Depois da instituição da Igreja, organiza-se também o regime doméstico, quando se dá Eva a Adão como parceira. [...] Portanto, depois que se estabeleceu a Igreja, também se confiou a organização econômica a Adão no paraíso (OS, v. 12). Depois da Igreja, foi instituída a

De acordo com o Reformador, Deus organiza a existência humana em Igreja, Economia e Política. Assim, todo ser humano, particularmente a pessoa cristã, participa de igual forma nos três âmbitos, nas três Ordens da Criação.

Economia para proporcionar o sustento da vida. A esta Ordem pertencem todas as conexões familiares, bem como o esforço do ser humano para obter os seus meios de vida e o propósito de propagação da espécie. A Economia (oikonomia) engloba matrimônio, família e todas as relações de produção e de reprodução fundamentadas na casa (oikos). De acordo com Lutero, é a partir do matrimônio que surgem a vida e o seu sustento, por isso o matrimônio e a família constituíam a base da Economia. Sob esta ótica, o Quarto Mandamen-

to era considerado o maior dentre os que se referem à vida terrena. Na compreensão de Lutero, Igreja e Economia subsistiam em sua forma ideal no paraíso. O ser humano, criado à semelhança de Deus, recebeu autonomia para organizar a sua vida. Deus esperava apenas que o ser humano o louvasse, se alegrasse nele e lhe obedecesse, sendo seu cooperador. Porém, em vez de viver responsavelmente a sua liberdade, o ser humano caiu em pecado. Afastou-se da vontade de Deus. Com a queda no pecado, a natureza humana foi corrompida. A produção e a reprodução perderam o seu ambiente natural e a Economia foi igualmente pervertida. Com isto, surge a necessidade de uma terceira Ordem: a Política. Política ‘Tampouco houve organização política antes do pecado, porque não era necessária. Pois a organização política é o remédio necessário para a natureza corrompida’ (OS, v. 12). Após a queda, a liberdade do ser humano se transformou em poder que ameaça a vida. Por este motivo, Deus instituiu a Política como uma disposição emergencial. A Política tem a sua expressão no poder coercitivo e punitivo do Estado, cuja tarefa é manter a ordem e proteger contra a corrupção. Ao mesmo tempo, a Política tem a função de promover a justiça econômica: ‘Precisamos de soberanos e autoridades que tenham olhos e ânimo para instaurar e manter a ordem em todos os negócios e transações comerciais, para que os pobres não sejam sobrecarregados e oprimidos, tendo que arcar com pecados alheios’ (Catecismo Maior). Lutero não compreendia a Política apenas como mal necessário ou poder coercitivo. Ele reconhecia que Deus criou as pessoas para que se relacionassem de forma amistosa e pacífica. A partir desta predisposição para a organização social, a Política é também um elemento constitutivo e garantidor da existência humana. Isto faz com que cada ser humano participe da Política, seja como cidadão ou como pessoa que desempenha um cargo político.

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FÉ LUTERANA

A ação de Deus nas Ordens da Criação P. em. Edgard Ravache | Presidente do Lar de Idosos - APA, em Toledo/PR Durante o Culto, geralmente após a mensagem, que mostra a vontade de Deus, a pessoa que está fazendo a pregação convida as pessoas presentes a afirmarem a sua fé neste Deus, revelado em Jesus Cristo, com as palavras do Credo dos Apóstolos... Creio em Deus Pai... em Jesus Cristo... no Espírito Santo, na Santa Igreja Cristã, a comunhão dos santos... e, de fato, somos santos e santas!! Somos pessoas santificadas na medida em que procuramos viver a ação, a mensagem de Deus, primeiramente durante o Culto. Isso já começa na chegada dos fiéis, quando são acolhidos pelo Ministro, pela Ministra ou por pessoas designadas para isso. Há o momento da entrega da Bíblia e/ou do Cancioneiro. Como as pessoas se sentem felizes e contentes quando podem receber um aperto de mão ou até um abraço! Da mesma forma, na saída! Também se pode organizar o trabalho com as crianças, convidar alguém que toque um instrumento para acompanhar os cantos, abraçar familiares que perderam um ente querido ou passar informações. Quando isso acontece em um Culto, então esta Comunidade

está vivenciando a sua santidade, a ação de Deus está acontecendo. As pessoas estão testemunhando o seu Batismo, a sua fé! Está acontecendo a comunhão, a vida plena – o amor entre as pessoas! Esta ação, esta mensagem de Deus, que vivenciamos na Igreja, não pode ficar somente no templo e no pátio da

Quando cada indivíduo quer ganhar mais que o outro, a ação de Deus morre, porque eu não estou vivendo a minha fé neste Deus que deu a sua vida por mim! Comunidade! Não e de forma alguma! Ela tem que ser vivenciada na família e na sociedade. Assim, como pessoas cristãs, temos as nossas profissões, os nossos lugares de trabalho. Desta maneira, formamos e gerenciamos a sociedade da economia, que gera a sobrevivência das pessoas, e da política, que elabora as leis

para que haja uma convivência fraterna, de modo que todas as pessoas tenham vida plena. Aqui vem a nossa responsabilidade de vivenciarmos a nossa fé! Como é difícil, não é verdade? Hoje, a grande maioria das pessoas na nossa sociedade vive somente para si... Os outros que se danem! Cada indivíduo quer ganhar mais que o outro e aí, de fato, a ação de Deus morre, porque eu não estou vivendo a minha fé neste Deus que deu a sua vida por mim! Nós temos que fazer a diferença como Jesus Cristo demonstrou em sua caminhada! A época da Paixão está diante de nós! Os sofrimentos pelos quais ele passou! Nós também sofremos e sofreremos por praticar o amor ao próximo, principalmente por aqueles que não tem vez nem voz, mas a Páscoa se tornou a assinatura da promessa de Deus: Ele ressuscitou e quem nele confiar, mesmo que, por isso, venha a sofrer ou até morrer, terá a vida eterna! Que Deus, pela sua Palavra, nos fortifique, para sermos os mensageiros da sua paz! Para refletir, leia Mateus 5.13-16

Pessoas cristãs na Igreja, na Economia e na Política P. Dr. Silfredo Bernardo Dalferth | Ministro na Comunidade em Marktredwitz, na Igreja Evangélica Luterana na Baviera Para Lutero, o Estado era uma grandeza em si, independente, o que não significava autonomia conforme interesses próprios, mas proteção aos fracos e organização, entre outras coisas, da Economia. Neste caso, a Política tinha o primado sobre a Economia e não o contrário. No conceito de Economia, estão as atividades relacionadas às necessidades da casa. Na palavra Economia, está a palavra oikos, na Língua Grega, casa, ou seja, para ter pão sobre a mesa, a agricultura, o comércio e a manufatura (hoje, indústria) têm que funcionar. O trabalho era o melhor modo de servir, não sendo o lucro, mas o preço justo o critério. Nisto havia uma concordância entre a Teologia Luterana e Católica. A definição do trabalho tem a ver com o servir à sociedade. Neste sentido, a cobrança de juros foi atacada radicalmente por Lutero, por ser uma forma de ganhar dinheiro à custa do trabalho alheio, com juros exorbitantes sobre pessoas necessitadas. Vivemos 500 anos depois de Lutero. Muita coisa aconteceu desde lá, na Igreja, na Política e na Economia. Importante para a nossa fé cristã de confissão luterana é o Estado como grandeza em si nos parâmetros do Direito. Como Igreja, podemos até fazer projetos sociais importantes, mas fundamental é

organizar o Estado, junto com todas as pessoas que se engajam positivamente na vida civil, não apenas pessoas cristãs. A ética da sociedade passa pelo poder público! Assim como a própria diaconia precisa ter um caráter público, destinada a servir à sociedade. O Estado tem que funcionar para a vida da sociedade ser democrática: na inclusão de todas as pessoas no sentido

Por Comunidades ativas no servir para o melhoramento da sociedade, inspirados e inspiradas na nossa própria confissão e na nossa própria história! de participarem e poderem viver! Neste sentido, a pobreza não é somente não ter algo, mas não ter a oportunidade de estudar, trabalhar e se desenvolver livremente. A Reforma deu uma contribuição importantíssima para o surgimento do assim chamado Estado do bem-estar social (Wohlfahrtsstaat). Esta forma de Estado surgiu com a organização das chamadas Cai-

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xas Comuns (Gemeinsamer Kasten). Eram caixas, no real sentido da palavra, com várias fechaduras e chaves em poder de diferentes representantes de Comunidades e cidades. Para abrir as caixas, todos deviam comparecer conjuntamente com as chaves. Segundo Lutero, as diferenças econômicas entre as pessoas podem crescer a uma discrepância tamanha que são um perigo de real pobreza para a maioria da população, ameaçando a paz social. Lutero incluiu aqui, junto com argumentos bíblicos, argumentos ou ideias políticas e econômicas de Aristóteles, que falava em Equalitas Arithmetica (Equilíbrio Aritmético ou Matemático) na sociedade. Isso era uma medida ou critério das virtudes no relacionamento ‘de igual para igual’ na sociedade. Não se trata de igualdade de bens, mas de uma relação que faça a sociedade possível. O assunto é amplo, mas importante é vermos na Igreja, na Economia e na Política campos de atuação da nossa fé, como lugares em que somos chamados e chamadas a nos engajar em prol de uma Comunidade ativa no servir para o melhoramento da sociedade, inspirados e inspiradas na nossa própria confissão e na nossa própria história! Para refletir, leia Jeremias 9.22-23


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PERSPECTIVA

Precisamos contrapor o discurso que fazemos contra nós mesmos

Estão roubando a nossa autoestima!

Profa. Dra. Ema Marta Dunck Cintra | Docente no Instituto Federal de Mato Grosso e Presidente do Conselho da Igreja Estamos no início de um novo ano e, em 2017, ouvimos frases que saíram com muita facilidade da boca da maioria do povo brasileiro: ‘No nosso país, as pessoas são corruptas, rouba-se de tudo e sempre se quer levar vantagens nas mais diversas situações’. Na realidade, o que estão fazendo é roubar a nossa autoestima. Precisamos rever os nossos conceitos. Comecemos por olhar cada pai e mãe de família que levantam muito cedo para ir ao seu trabalho, enfrentado filas enormes em estações de trem e ônibus, ficando quase um terço do seu dia envolvidos com deslocamento para o trabalho e para casa, e, no outro dia, iniciar uma nova jornada. Vamos visitar também as pessoas que trabalham no campo, aquelas que alimentam a população com a sua produção agrícola. Levantar cedo, ordenhar as vacas, ir para a roça, plantar, adubar, capinar, cuidar da criação... É um tal de corre para lá e para cá que não se tem tempo para si próprio. Visitemos fábricas, escolas, hospitais, escritórios... Procuremos entre essas pessoas as moralmente inconfiáveis. Esses trabalhadores e essas trabalhadoras pagam os seus impostos em dia, não atrasam as suas contas de luz e água, buscam e sonham com uma sociedade mais justa e igualitária! O Brasil não é um país de pessoas malditas, com defeito genético. Está na hora de mudarmos a nossa fala. A quem

interessa manter esse padrão que desqualifica todo o povo brasileiro? Todas as vezes que reproduzimos esse discurso negativo, abalamos a nossa autoestima. Olhemos para cada um e cada uma de nós: podemos nos definir por esses adjetivos pejorativos? Podemos dizer que a maioria da população é corrupta e não cumpre com as suas obrigações? A corrupção está generalizada em uma parcela da sociedade e todos e todas nós terminamos imputando a culpa em todas as pessoas. Precisamos nos monitorar de modo que não reportemos esse discurso, que, na maioria das vezes, não é verdadeiro, pois, assim, colocamos, na mesma situação, pessoas honestas e trabalhadoras junto com aquelas que assaltam o país. Precisamos ouvir o que o nosso Senhor Jesus Cristo diz: Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a ouvem (Ef 4.29). A palavra é poderosa e pode edificar ou condenar, por isso, nesse novo ano que se inicia, comecemos a mudar os nossos paradigmas, exaltando a honestidade e a luta diária de cada um e de cada uma de nós. Necessitamos, cada vez mais, enaltecer a autoestima do povo trabalhador brasileiro!

Fale em favor daqueles que não podem se defender. Proteja os direitos de todos os desamparados. Provérbios 31.8

Por um 2018 com rosas pelo caminho, apesar dos espinhos

Vivemos altos e baixos, especialmente quem crê P. Dr. Oneide Bobsin | Docente na Faculdades EST, em São Leopoldo/RS Há mensagens de Ano Novo para variados gostos. Quase todas desejam felicidade, sucesso e algumas, raras, rogam pelas bênçãos de Deus. Não cabe avaliá-las neste espaço, mas, em especial, uma mensagem me deixou com muitas perguntas. Ela enumerava uma série de situações pelas quais todos nós passamos. Desejava felicidades e pedia para esquecer situações difíceis relacionadas ao trabalho, à saúde, aos relacionamentos familiares, entre tantas passagens na vida de um ser humano. Até aí, parecia uma mensagem igual a tantas outras, mas algo me incomodava naqueles votos, que não eram para mim, mas terminaram sendo. Li algumas vezes para ver o que me deixava intrigado. Afinal, não devemos esquecer as situações que nos machucaram? Sim, devemos deixar para trás muitas situações e começar uma nova fase. Até pensei naquela frase de Jesus: Quem põe a mão no arado não deve olhar para trás (Lc 9.62). Então, eu estava sendo injusto com a mensagem? Não! O que me deixava impaciente era o desejo de fazer do ano que passou uma página em branco, como aquele slogan das igrejas da prosperidade: Pare de sofrer! Não quero repetir os momentos difíceis do ano que passou, mas não consigo apagá-los. Penso que você caminha na mesma direção. Os momentos difíceis, os erros, os dissabores, os equívocos e as dores podem nos ensinar a não repeti-los em 2018.

Também não podemos ignorar que tais situações nos trouxeram mais maturidade, experiência e esperança para enfrentar novos desafios! Afinal, nunca estamos prontos e a vida de ninguém é uma linha reta ascendente. Há altos e baixos, especialmente para as pessoas que creem. De forma alguma estou sugerindo uma vida de queixas, como se cada um, cada uma fosse vítima de tudo. Somos vítimas em muitas situações, mas também cúmplices em muitas delas. Afinal, somos pessoas justas e pecadoras ao mesmo tempo. Por fim, quando lembro daquela mensagem de felicitações para 2018, recordo-me insistentemente de uma palavra do apóstolo Paulo, que poderia estar em tantos votos para o Ano Novo, como uma concepção de vida: Somos atribulados por todos os lados, mas não esmagados; postos em extremas dificuldades, mas não vencidos pelos impasses; perseguidos, mas não abandonados; prostrados por terra, mas não aniquilados (2Cor 4.8). Como entoamos nos nossos Cultos, também caberia nos votos de Ano-Novo o hino 237: Graças dou por esta vida, pelo bem que revelou. Graças dou pelo futuro e por tudo que passou. Pelas bênçãos reveladas, pela dor, pela aflição; pelas graças reveladas, graças dou pelo perdão. Abençoado 2018, com rosas no caminho e os espinhos que elas têm. Para mais informações, acesse o Portal Luteranos

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MISSÃO

Agora são outros 500 P. Dr. Pedro Puentes | Secretário de Missão O testemunho do amor de Deus exige a conversão: dos hábitos individualistas, das construções socioculturais injustas, das posturas que vivem como se tudo fosse descartável. Para oferecer esse testemunho, são necessárias algumas mudanças nas Comunidades. - Esperamos que filhos e filhas assumam a vida comunitária. Isso significa que precisamos desafiar filhos e filhas a abraçar a fé a qual foram entregues no Batismo e nos organizar como Comunidades que olham para além dos membros, centrando o Planejamento das tarefas nas necessidades das pessoas que estão à volta. Isso leva à pergunta: Para quem e para que somos Comunidade de testemunhas? - Centramos a ação ministerial e a vida comunitária no atendimento das pessoas membros. Esperamos que as pessoas participem das nossas atividades, mas quem não sai em

Projetos - 1: lugar e contexto Secretaria de Missão A renovação ou a criação de Comunidades na IECLB acontece no contexto dos Projetos Missionários. São quatro são os elementos principais que o compõem: (1) o lugar e o seu contexto, (2) o Planejamento Missionário, (3) o perfil do Ministro, da Ministra e (4) o exercício do Sacerdócio das Pessoas que Creem. É na articulação destes componentes que o resultado esperado vai sendo construído. Tanto para a renovação como para a criação de uma Comunidade, a pergunta pelo lugar e o seu contexto é essencial. O principal são os critérios que irão definir a escolha do local: Por que e para que deveríamos investir recursos (humanos, financeiros e logísticos) neste ou naquele lugar? Por exemplo, a população e o desenvolvimento socioeconômico são critérios suficientes? No caso de Comunidades a renovar: como avaliar o impacto do testemunho negativo e/ou interrompido nessas localidades? Perante recursos limitados, a pergunta pelo lugar é relevante!

busca das mesmas, as perderá para quem as procura. É necessário que as pessoas se sintam valorizadas, por isso precisamos convidar com a afetividade que acolhe sem preferências. Aqui perguntamos: A quem estamos convidando e qual é o espírito desse convite? - Em geral, as pessoas participam das atividades de forma descompromissada. Assistir a uma atividade não conduz, necessariamente, ao compromisso e muito menos à pertença ou ao vínculo. É necessário repensar os processos de integração das pessoas na vida da Comunidade. Aqui perguntamos: O que fazemos para que as pessoas possam criar vínculos de pertença à Comunidade? - A complexidade dos desafios torna difícil que uma pessoa ou um pequeno grupo da Comunidade articule uma resposta. A tarefa exige levar a sério o Sacerdócio de todas as

Pessoas que Creem, de forma que o exercício dos dons das pessoas membros da Comunidade venha a acontecer. Precisamos despertar lideranças, Ministros e Ministras com visão, pessoas formadoras e facilitadoras de processos, que organizem o trabalho da Comunidade em equipes, de forma participativa. Que Deus nos inspire para novos caminhos e encha de coragem para fazer as mudanças que precisamos. Amém.

Planejamento Missionário P. Altemir Labes | Secretário Adjunto para Missão e Diaconia Quem sabe o que está buscando e aonde quer chegar, encontra os caminhos certos e o jeito de caminhar. Nas palavras do Poeta Thiago de Melo, vemos retratada a essência do Planejamento da vida comunitária. Como pessoas cristãs, vivemos a comunhão em Cristo e umas com as outras. Essa comunhão nunca é puramente espiritual, mas inclui o corpo e os bens materiais. O nosso compromisso como Comunidade por justiça e paz, necessita, para não se tornar ativismo superficial, do encontro com Deus, na meditação e na oração. Ser Comunidade Cristã é um desafio e exige compromisso com o Evangelho e

abertura para o novo. Assim vivemos nas nossas Comunidades, nas instituições diaconais da IECLB. Tudo é alimento e ânimo para concretizar aquilo que se sonha para a Igreja, o que inspira membros e indica para onde queremos ir. O Plano de Ação Missionária da IECLB (PAMI), que, em 2018, completa 18 anos, afirma que a IECLB quer: Ser reconhecida como Igreja de Comunidades atrativas, inclusivas e missionárias, que atuam em fidelidade ao Evangelho de Jesus Cristo, destacandose pelo testemunho do amor de Deus, pelo serviço em favor da dignidade humana e pelo respeito à Criação.

Rumo à Campanha Vai e Vem 2018 Coordenação da Campanha Nacional de Ofertas para a Missão Vai e Vem O Encontro de Coordenadores e Coordenadoras Sinodais VAI E VEM 2017 | ANO 10 da Campanha Nacional de Ofertas para a Missão Vai e Vem, que aconteceu nos dias 17 e 18 de novembro de 2017, teve três momentos: (1 ) Avaliação da Campanha por Sínodo e leO meu coração bate pela missão! vantamento do destino dos valores da Vai e Vem que retornaram para os Sínodos, (2) Reflexão sobre alguns desafios e impulsos para a Missão a partir do Fórum de Missão, destacando-se a necessidade de renovação das dinâmicas ministeriais e organizativas nas Comunidades e (3) Elaboração conjunta de uma proposta de Campanha para 2018, tendo como base o Tema do Ano da IECLB para 2018. Entre as perguntas para os trabalhos em grupo estava: O que a Campanha de Missão Vai e Vem tem a ver com o Tema 2018? O resultado da reflexão trouxe conceitos que, de alguma forma, apontam para a direção para a qual a Campanha deveria se orientar. Dentre esses conceitos, merecem destaque: conectividade, solidariedade, crescimento, evangelização, compromisso, acolhida, apoio, gratidão, voz profética, fé, pertença, e ultrapassar limites. Rogamos ao Senhor da Igreja que sopre o seu Espírito da criatividade, para que possamos construir a Campanha 2018 em resposta ao seu chamado. CAMPANHA NACIONAL DE OFERTAS PARA A MISSÃO

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PRIORIDADES

Prioridades de Gestão Programas de Acompanhamento Socióloga Cerise Tereza Pahl | Assessora do Pastor Presidente da IECLB

Buscai primeiro o seu Reino e a sua justiça (Mt 6.33). A Bíblia é clara quando se trata de prioridades. Não é por menos que a IECLB tem, como Fundamento, o Evangelho de Jesus Cristo e, como Missão, propagar o Evangelho de Jesus Cristo, estimular a vivência evangélica pessoal, familiar e comunitária, promover a paz, a justiça e o amor na sociedade e participar do testemunho do Evangelho no País e no mundo (Art. 3º da Constituição da IECLB). Aonde se quer chegar com este Fundamento e esta Missão? O Plano de Ação Missionária da IECLB (PAMI) responde esta questão. A IECLB quer ser reconhecida como Igreja de Comunidades atrativas, inclusivas e missionárias, que atuam em fidelidade ao Evangelho de Jesus Cristo, destacando-se pelo testemunho do amor de Deus, pelo serviço em favor da dignidade humana e pelo respeito à Criação. Esta Visão mostra que tipo de Igreja a IECLB almeja ser, aponta a direção do que quer alcançar e sinaliza as áreas nas quais devem ser feitos investimentos. A Presidência tem reforçado sistematicamente a Missão e a Visão da IECLB no cumpri-

mento da sua responsabilidade de zelar pela unidade confessional e eclesial. Trata-se de reafirmar que a Igreja tem direção clara, orientação precisa sobre onde devem ser investidos todos os esforços. Como alinhar as ações que partem das instâncias nacionais de modo que cooperem expressamente com a Missão e Visão da IECLB? A quais ações dar prioridade dentro de uma gestão que sempre defendeu a qualificação do cuidado com a fé, os valores institucionais, a missão e as pessoas? No que é estratégico investir nacionalmente? Essa foi a questão colocada pela Presidência aos Pastores e às Pastoras Sinodais no seu Encontro de março de 2011. Diversas necessidades foram levantadas e sistematizadas, até se chegar a várias frentes consideradas importantes: Educação Cristã Contínua, Capacitação Funcional, Formação Ministerial, Exercício do Ministério, Habilitação Ministerial, Comunicação, Ecumene e Gestão. Quando o Conselho da Igreja foi envolvido na questão, Conselheiros e Conselheiras Sinodais agregaram aspectos ao levantamento feito pelos Pastores e pelas Pastoras Sinodais,

como a necessidade de definição de Políticas para Formação, Comunicação, Pessoal e Finanças, bem como investimentos no Acompanhamento Ministerial e melhor apropriação de Normas e de Orientações Administrativas. Munida desses impulsos, a Presidência considerou como estratégicas três frentes que chamou de Prioridades de Gestão: 1 - Acompanhamento a Ministros e Ministras, 2 - Acompanhamento a Estudantes de Teologia e 3 - Qualificação Funcional. No Relatório ao Concilio de 2014, a Presidência destacou ‘o empenho conjunto em torno das três Prioridades de Gestão demonstra a capacidade que temos como Igreja em firmar frentes estratégicas para a Ação Pastoral e Missionária’. Em 2015, a Presidência, novamente com base na escuta a instâncias, agregou duas Prioridades de Gestão às três já definidas: 4 - Qualificação da Ação Missionária e 5 - Qualificação da Comunicação. As cinco Prioridades, como diz o Relatório ao Concílio de 2016, ‘são consideradas estratégicas para a sustentabilidade de toda a Igreja e, por este motivo, mobilizam toda a ação nacional e desafiam os Sínodos a sintonizar as prioridades sinodais com estas’. A cada uma das cinco Prioridades de Gestão correspondem os respectivos Programas, que, junto com o Programa da Habilitação ao Ministério, compõem as seis ênfases desta Gestão da Presidência da IECLB. Os seis Programas são expressão dos consensos construídos entre Presidência, Conselho da Igreja, Pastores e Pastoras Sinodais, com a intenção de promover sustentabilidade institucional, para que a IECLB faça frente à sua Missão. Pelas próximas edições de 2018, vamos apresentar os Programas que compõem as Prioridades de Gestão: Acompanhamento a Estudantes de Teologia, Habilitação ao Ministério, Acompanhamento a Ministros e Ministras, Qualificação Funcional, Qualificação da Ação Missionária e Qualificação da Comunicação.

Publicações | Pré-Congrenaje Quando o Conaje recebeu a missão de pensar a temática do XXIV Congrenaje, que acontece de 22 a 27 de julho de 2018, em Teutônia/RS, no Sínodo Vale do Taquari, uma necessidade estava evidente: falar sobre ‘direitos... mas que direitos? Direitos para quem? A sociedade brasileira possui uma série de direitos e garantias que tem como base o direito à vida, em sua integridade física e moral. Tais direitos são assegurados pela Constituição Federal e afirmados pela Declaração Universal dos Direitos Humanos. Ao olharmos para o mundo desigual em que vivemos e para o contexto brasileiro, falar com as juventudes sobre as necessidades básicas do ser humano e a garantia de vida pareceu ideal. Trecho do Caderno Pré-Congrenaje

Ao Senhor Deus pertencem o mundo e tudo o que nele existe. A terra e todos os seres vivos que nela vivem são dele. Salmo 24.1

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GESTÃO

Corpo IECLB | Gestão Administrativa Secretaria Geral da IECLB A Gestão Administrativa na IECLB, nos distintos níveis (local, sinodal e nacional), na maior parte, é realizada de forma voluntária por membros que têm participação ativa na vida da Igreja. Exemplo disso são as lideranças escolhidas para ocupar funções de decisão e de representação, no âmbito comunitário, paroquial, sinodal ou nacional. Tais funções são exercidas por um determinado período de tempo (mandatos eletivos). Para o melhor desempenho no cumprimento dessas funções, é importante que estas lideranças estejam devidamente capacitadas e conheçam as normas vigentes no país e na IECLB. O modelo organizacional da IECLB, que é democrático, demanda e possibilita a ampla participação de lideranças, mas também pressupõe a sua capacitação. A prática de uma Gestão Administrativa articulada entre os distintos níveis da Igreja (local, sinodal e nacional), portanto, depende e pressupõe a permanente qualificação das suas lideranças, inclusive de futuras lideranças. Gestão de Recursos Humanos A prática da Gestão Administrativa articulada entre os distintos níveis da Igreja pressupõe também a crescente qualificação de profissionais contratados, como, por exemplo, Assistentes Administrativas que atuam em âmbito comunitário, sinodal ou nacional. Tais profissionais têm relevante função na vida da Igreja, pois implementam as decisões tomadas nas instâncias, prestam serviços e atendem os membros e demais públicos de interesse da Igreja. Portanto, é fundamental que estas pessoas sejam reconhecidas e capacitadas. Para um bom e efetivo acompanhamento e valorização dos profissionais administrativos, é importante se desenvolver e aprimorar a Gestão de Recursos Humanos. Extrato de texto reduzido e adaptado do Módulo 5 do Curso de Qualificação Funcional em Liderança Comunitária Sustentável - CQFLCS, realizado pela IECLB em parceria com o Instituto Sustentabilidade - InS). Para mais informações, acesse o Portal Luteranos

Guia para o Presbitério Atuar no Presbitério pode ser considerado um privilégio, mas também um fardo. Afinal, toda atividade de liderança envolve trabalho, responsabilidades, preocupações, desafios. Porque a graça de Deus nos alcança primeiro, o exercício de um cargo não representa um peso, mas uma resposta de fé à graça divina. ‘Onde está o teu coração, ali está o teu Deus’. Essa frase de Martim Lutero está em sintonia com uma afirmação feita por Jesus no Evangelho de Mateus: Pois, onde estiverem as suas riquezas, aí estará o coração de vocês (Mt 6.21). Dizendo de modo bem simplificado: aquilo que há de mais precioso em nossa vida terá o nosso empenho, o nosso tempo, os nossos recursos, a nossa entrega, enfim, será a nossa paixão. No exercício da liderança em Comunidades, Paróquias, Sínodos e em outras instâncias da IECLB, a motivação e a forma de assumir a tarefa determinam, em boa medida, o resultado que virá pela frente.

Documentos Normativos Acima de todos os Documentos Normativos da IECLB está o Mandato de Deus, tendo como base a Bíblia e os Escritos Confessionais. A Constituição, o Regimento Interno, o Guia Nossa Fé-Nossa Vida, o Documento Justiça e Ordem, o Estatuto do Ministério com Ordenação da IECLB são normas nacionais, eclesiasticamente válidas para todos os Sínodos, as Paróquias, as Comunidades, os Ministros e as Ministras, as lideranças leigas e demais membros. Todas as normas adicionais são elaboradas a partir dos princípios constantes nesses documentos e a eles estão sujeitas eclesiasticamente. O Estatuto-padrão de Comunidade, por exemplo, determina que a Comunidade reconheça como seu próprio o fundamento de fé da IECLB, ou seja, o Evangelho de Jesus Cristo, na forma das Sagradas Escrituras do Antigo e do Novo Testamentos e, como expressão de fé, os Credos da Igreja Antiga, a Confissão de Augsburgo (Confessio Augustana) inalterada e o Catecismo Menor de Martim Lutero. Determina também o Estatutopadrão de Comunidade, que a Comunidade, de forma irrevogável e irretratável, reconheça a Constituição da IECLB e a sua vinculação confessional à IECLB, cujas diretrizes observará na realização da sua missão e cuja orientação acatará no tratamento das questões de ordem teológica, doutrinária e administrativa. A Comunidade é uma organização religiosa, sem fins econômicos e lucrativos, organizada com a autonomia que lhe é concedida pelo § 1º, do art. 44, do Código Civil, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 10.825/2003.


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SÍNODOS

Evangelização, Formação, Gestão e Visitação Áreas prioritárias no Sínodo Rio dos Sinos P. Me. Edson Edilio Streck | Pastor Sinodal do Sínodo Rio dos Sinos

Em sua reunião anual, o Conselho de Planejamento Estratégico do Sínodo Rio dos Sinos avalia os trabalhos que foram realizados e os que se encontram em andamento. Além disso, determina as prioridades para os próximos anos. Para 2017, três áreas foram definidas como prioritárias: Visitação, Formação e Gestão. Ao investir nelas, pretende-se atingir o objetivo maior: despertar ou fortalecer a motivação. Um novo tema prioritário foi acrescentado a partir de 2018: Evangelização. Após anos de gestação, o projeto da Pastoral do Cuidado nasceu e, agora, se consolida. É um trabalho de visitação a pessoas enfermas que buscam tratamento em hospitais de Porto Alegre/RS. Coordenada pela Pa. Franciele Sander, a equipe da Pastoral conta com cerca de 30 pessoas voluntárias, capacitadas para a visitação a pessoas enfermas. Em 2017, foram visitadas 1083 pessoas. Dessas, 485 são membros de Comuni-

dades da IECLB. Queremos visitar todas as pessoas da IECLB que se encontram internadas em hospitais de Porto Alegre. Para alcançar essa meta, é necessário informar à Coordenação o nome da pessoa enferma e o local da sua internação. A Pastoral do Cuidado é mantida com recursos da Campanha Nacional de Ofertas para a Missão Vai e Vem, do Sínodo Rio dos Sinos e de outros Sínodos. Além disso, estamos iniciando uma campanha em busca de novos apoiadores e novas apoiadoras. O tema da visitação também está presente em outras frentes. Seis equipes de visitação realizam o trabalho que antes recebia o nome de ‘avaliação’. A cada ano, são visitados 10 Campos de Atividade Ministerial (CAM). Em quatro anos, pretende-se visitar todos os 40 CAMs que integram o Sínodo. Outra frente de visitação está aos cuidados da Comissão de Apoio à Gestão, que visita em torno de 10 CAMs por ano, com o obje-

Além das ações mencionadas, o Sínodo pretende investir nos próximos anos no tema da Evangelização. Queremos estudá-lo a fundo em sua fundamentação bíblica e teológica para, a partir daí, investir em novas frentes e com novas abordagens, como, por exemplo, a Pastoral Universitária. Uma Comissão já iniciou estudos com o objetivo de encontrar meios para acompanhar de perto estudantes e docentes de mais de uma dezena de universidades que há no âmbito do Sínodo. A Assembleia Sinodal, realizada em agosto de 2017, trouxe à tona um tema que necessitava de maior visibilidade: as instituições que atuam na área da educação infantil e da assistência social relataram sobre as suas atividades, impressionando quanto à atuação das nossas Comunidades na área da Diaconia, principalmente no acompanhamento a crianças, adolescentes e jovens. Nesse aspecto, Estado e Igreja ainda têm muito a fazer. Acima de tudo, queremos nos dedicar à tarefa que nos cabe, seguindo a Palavra de Jesus Cristo (Mt 25.31-46).

tivo de esclarecer questões de ordem administrativa. A visitação pastoral está aos cuidados do Pastor Sinodal e de integrantes do Conselho Assessor de Acompanhamento Pastoral. A área da Formação carece de investimento constante e permanente. Comunidades são animadas a investir na formação dos seus membros. No ano que passou, várias realizaram, com êxito, o curso Trilha 8. A capacitação de líderes em nível local, de núcleo e sinodal continuou a receber investimento, em diversas frentes. Além disso, Ministros e Ministras tiveram vários encontros para planejamento, formação continuada e convívio fraterno. Merece destaque a realização do Simpósio Internacional de Lutero, em parceria com o Sínodo Nordeste Gaúcho. Em todas as ações, a área da Comunicação está presente e merece investimento ainda maior. O Sínodo procura chegar às pessoas por vários meios, como jornal, agenda, boletim eletrônico, site, rede social e rádio, alguns desses canais de comunicação. Nem tudo são alegrias... Os dados das estatísticas trazem preocupação: diminui o número de membros. Precisamos identificar as causas dessa redução. Ao mesmo tempo, várias Comunidades passam por dificuldades e não conseguem autossustentabilidade financeira. Algumas causas são conhecidas. Há Comunidades que ainda não se reergueram completamente após o cisma com o movimento carismático. Outras continuam a ser frente missionária e carecem de investimento do Fundo Sinodal de Apoio à Missão. A crise nacional que, nos últimos anos, afetou muitas famílias também chegou a várias Comunidades. Com o acompanhamento do Sínodo, Comunidades são estimuladas a estabelecer parceria. As Paróquias de Guaíba e da Região Carbonífera, por exemplo, farão, em 2018, a experiência de se tornarem uma União Paroquial. Esse quadro aponta para a necessidade urgente de o Sínodo acompanhar de perto as questões relacionadas à gestão e indica que é tarefa inadiável o investimento em ações que façam brotar a motivação ou que a fortaleçam, em Comunidades, membros, lideranças, Presbíteros e Presbíteras, Ministros e Ministras. Em nosso planejar e agir, ânimo e compromisso estão bem descritos em um antigo ditado oriental, citado com frequência em nossos encontros: Deus move o céu inteiro naquilo que o ser humano é incapaz de fazer, mas não move uma palha naquilo que a capacidade humana pode resolver.

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COMUNICAÇÃO

Chamad@s para comunicar! Igreja da Palavra Núcleo de Comunicação da IECLB O primeiro enunciado da missão da IECLB é Comunicação: Proclamar o Evangelho. Na Igreja, ela acontece a partir de uma base de comunhão: a Comunidade. Comunicação é assunto fundamental em todo e qualquer lugar, mas, na IECLB, ela é vital, pois a missão da Igreja é justamente ‘comunicar’ e não é comunicar qualquer notícia, mas, sim, a Boa Notícia, a Palavra de Deus, ou seja, Proclamar o Evangelho. Então, na Igreja, os investimentos neste âmbito devem ser feitos no sentido de que a (boa) Comunicação (com propósitos claros e que busca esclarecer e aproximar) aconteça e, assim, a missão que Deus confiou à IECLB se cumpra. Na IECLB, Comunicação é assunto recorrente nas mais variadas instâncias. Inclusive, são atribuídas responsabilidades que não lhe cabem... É problema de comunicação! Há orientações sobre como obter melhores resultados

Como nos lembrou o Tema 2015, somos Igreja da Palavra! Somos chamados e chamadas para comunicar! Nesta edição, vamos apresentar um documento um pouco mais antigo, de 1994, mas que permanece atual: as Diretrizes para a Comunicação na IECLB. Política de Comunicação na IECLB A Política de Comunicação na IECLB está expressa no Art. 3º da sua Constituição: A IECLB tem por fim e missão propagar o Evangelho de Jesus Cristo, estimular a vivência evangélica pessoal, familiar e comunitária, promover a paz, a justiça e o amor na sociedade e participar do testemunho do Evangelho no País e no mundo.

Fundamentos Bíblico-Teológicos A Política de Comunicação, à luz da fé, é a história da caminhada de Deus com os seres humanos. A Comunicação de Deus aPor meio da Palavra, Deus fez todas as coisas, contece por meio e nada do que existe foi feito sem ela. da Sua Palavra, em que Deus nos reA Palavra era a fonte da vida e essa vida vela a sua naturetrouxe a luz para todas as pessoas. za, querendo que João 1.3-4 sejamos em tudo sua imagem e sena Comunicação e vamos falar a respeito dumelhança (Gn 1.26). Deus se comunica seja perante as próximas edições. O equívoco está em la Criação (Ex 3.3), por anjos (Lc 2.9 ss) ou por pesatribuir o que ‘dá errado’ à Comunicação. Emsoas (Jr 1.9s). Os profetas anunciavam que, apebora poderosa, a Comunicação não é responsásar da idolatria e da injustiça, que rompe a Comuvel por tudo o que acontece – certo ou errado! nicação com Deus, com irmãos e irmãs, Deus proNesse sentido, em nome de uma ‘boa Comete Comunicação plena no futuro (Jr 31.31). municação’ na IECLB, é importante analisar No entanto, o maior ‘ato comunicacional’ que processos são estabelecidos para cada side Deus é a encarnação do Verbo: A palavra tuação e como as pessoas envolvidas estão inse tornou um ser humano e morou entre nós fluenciando o andamento da atividade, o que (Jo 1.14). Pela encarnação em Cristo, Deus se possibilitará pensar, nesse contexto específico: fez semelhante àqueles que haviam de receQual é o papel da Comunicação? Como melhober a sua mensagem, mensagem que Ele corar o formato de lidar com essa situação? Não municava com a palavra e com a vida. é fácil, mas é necessário e, antes de tudo, é para A encarnação do Verbo de Deus na pessoa o benefício de toda a Igreja e da Igreja toda! de Cristo é o próprio conteúdo, o próprio métoNo sentido de qualificar essa reflexão, vado, a própria pedagogia da Comunicação de mos compartilhar fundamentos sobre ComuDeus. Por suas obras e palavras, Jesus dá tesnicação, possibilidades de meios de Comunitemunho do Pai (Jo 3.11), assim como o Pai dá cação, orientações sobre como lidar com os testemunho dele (Jo 5.36ss). Sendo um com o principais recursos e como a IECLB tem se ocuPai (Jo 10.30), Jesus é o comunicador perfeito: pado com esta demanda em nível nacional. Quem me vê, vê também o Pai (Jo 14.9b).

A partir da ação do Espírito Santo, todos compreendem a linguagem de Deus (At 2). A força do Espírito reúne os discípulos, que passam a se constituir testemunhas comunicativas da libertação de Jesus. Fiéis ao mandato do Mestre Vão pelo mundo inteiro e anunciem a Boa Notícia a todas as pessoas (Mc 16.15), os discípulos foram anunciar o Evangelho por toda a parte e o Senhor os ajudava, por meio de milagres, a provar que a mensagem deles era verdadeira (Mc 16.20). Pessoas são chamadas e enviadas para anunciar a Boa Notícia (Jo 17.18, Rm 10.13s, Ef 6.10-19), a comunicar o Evangelho. A fé cristã, pois, é impossível sem a Comunicação, pois ela supõe não apenas uma Comunicação de Deus como é da sua essência ser uma resposta a essa Comunicação. Fé, portanto, essencialmente, é fenômeno comunicacional. Comunicação na IECLB: características - Pressupõe o ouvir a Palavra de Deus e o discernimento da sua ação na História. - Partilha a Boa Notícia, com empenho em favor da vida desejada por Deus. - Acontece pela Palavra e se encarna em gestos e ações, é Palavra unida à ação. - Propicia reconciliação das pessoas com Deus, com o próximo e com a Criação. - Edifica a Comunidade, estimulando comunhão e desafiando-a para a prática do amor e da justiça. - Considera que todas as pessoas são sujeitos do processo de Comunicação. Comunicação na IECLB: objetivos - Ir ao encontro das pessoas com a Boa Nova para a edificação da Comunidade. - Compartilhar conhecimento e experiências da vida de fé e da vida comunitária. - Divulgar a identidade da Igreja às Comunidades e à sociedade. - Promover vida digna, paz, justiça e fraternidade. - Formar consciência crítica e fomentar a reflexão, respeitando critérios baseados na ética cristã. - Promover o relacionamento ecumênico nos diferentes níveis. - Investir na formação de Ministros, Ministras e lideranças leigas em Comunicação. - Buscar o diálogo com profissionais das diferentes áreas da Comunicação. - Promover a participação comunitária na gestão dos seus veículos de Comunicação.

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16/05 – 03/06 05/06 – 22/06 09/06 – 26/06 14/08 – 30/08 29/08 – 16/09 15/09 – 02/10

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Jornal Evangélico Luterano Ano 47 nº 813 Janeiro e Fevereiro 2018  

Jornal Evangélico Luterano - Uma publicação da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB).

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