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Jornal Evangélico Luterano | Ano 47 | Março 2018 | n o 814

Perdão, vida nova e salvação Graças a Deus! Amar e viver como Jesus ensinou A ação reconciliadora de Deus nos refaz e reordena a nossa vida, para uma nova existência, digna e justa, em gratidão e amor a Deus

Competências Ministeriais

Pela dignidade das mulheres!

Balizas da Ação Missionária

Gestão pessoal: equilíbrio nas ações

Os desafios para a Igreja e a sociedade

Deus, em Cristo, reconcilia o mundo

Palavra

Diversidade

Missão


Jorev Luterano - Março 2018

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REDAÇÃO

Perdão, vida nova e salvação Graças a Deus! ‘A natureza humana foi corrompida pelo pecado e, com isso, também as Ordens da Criação. Ainda assim, elas permanecem sob a promessa de Deus e continuam sendo os âmbitos nos quais Deus atua e institui a existência humana. Deus oferece a possibilidade de reconciliação e de recomeço. A iniciativa divina de reconciliação teve a sua expressão máxima na vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo. A partir da fé em Cristo, Deus nos chama e capacita para uma nova existência (2Co 5.18-21)’, afirma o Texto Motivador do Tema da IECLB para 2018 (Igreja, Economia, Política, iluminado pelo Lema bíblico de Êxodo 20.2a, Eu sou o SENHOR, teu Deus), emitido pela Presidência e publicado nas edições de janeiro/fevereiro e março (atual), na Editoria Unidade. Propomos a continuidade da reflexão na Editoria Fé Luterana, quando falamos sobre A reconciliação oferecida por Deus: ‘Por nossa vontade e agir, fraquejamos. Aí vem a ação divina para, outra vez, tranquilizar, buscar acordo, harmonizar, trazer paz. Essa ação de reconciliação acontece da parte de Deus em relação a nós, seres humanos, e em relação à Criação como um todo’. Na mesma página, o texto Deus nos capacita para uma nova existência, lemos: ‘Para que possamos experimentar esta nova existência, com a qual Deus nos agracia, ela precisa permear os nossos sentimentos, os nossos pensamentos e as nossas ações. A prática diária da oração é ferramenta útil para nos impulsionar a agir de modo coerente com o Evangelho bem como suplicar que Deus envie o Espírito Santo a nos empurrar a fazermos diferente, a agir em amor!’. Então, cientes que precisamos pensar, agir e viver da forma que Cristo ensinou, agraciados pela Boa Notícia que Deus nos ama, busquemos ser pessoas melhores, de modo que os nossos pensamentos, os nossos sentimentos e, principalmente, as nossas ações contribuam para um mundo melhor, mais justo, fraterno, tolerante – não com a desigualdade, que gera sofrimento, mas com a diferença, com a diversidade, afinal, somos, indistintamente, filhos e filhas de Deus e devemos responder ao seu chamado de vida plena e abundante para todas as pessoas (Jo 10.10). Perdão, vida nova e salvação, graças a Deus! Ótima leitura!

CAPA Deus se fez humano em Jesus Cristo. A vida, morte e ressurreição de Cristo revelam quem é Deus: um Deus misericordioso, que oferece perdão, justificação e uma nova oportunidade. (Mc 14.24)

Jornal Evangélico Luterano | Ano 47 | Março 2018 | n o 814

Perdão, vida nova e salvação Graças a Deus! Amar e viver como Jesus ensinou A ação reconciliadora de Deus nos refaz e reordena a nossa vida, para uma nova existência, digna e justa, em gratidão e amor a Deus

SUMÁRIO 2

REDAÇÃO

CARTA À COMUNIDADE EXPLICAÇÃO DA CAPA EXPEDIENTE

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ENFOQUE

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PALAVRA

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PRESIDÊNCIA

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FORMAÇÃO

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DIVERSIDADE

Competências Ministeriais

Pela dignidade das mulheres!

Gestão pessoal: equilíbrio nas ações

Os desafios para a Igreja e a sociedade

Deus, em Cristo, reconcilia o mundo

Palavra

Diversidade

Missão

Balizas da Ação Missionária

VIDA EM COMUNIDADE CHARGE OFERTAS NACIONAIS INDICADORES ECONÔMICOS GESTÃO MINISTERIAL COMPETÊNCIAS MINISTERIAIS TEMA DO ANO PALAVRA DA PRESIDÊNCIA RETROSPECTIVA AGENDA EDUCAÇÃO CRISTÃ CONTÍNUA PROPOSTA METODOLÓGICA FACULDADES EST PELA DIGNIDADE DAS MULHERES PRONUNCIAMENTO

8-9 UNIDADE

TEMA 2018: IGREJA - ECONOMIA - POLÍTICA

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FÉ LUTERANA

MISERICÓRDIA E RECONCILIAÇÃO

PERSPECTIVA

ACUMULEMOS VIVÊNCIAS FELIZES SACRIFÍCIO x PROSPERIDADE

MISSÃO

PLANO DE AÇÃO MISSIONÁRIA DA IECLB PROJETOS MISSIONÁRIOS PLANEJAMENTO MISSIONÁRIO CAMPANHA DE MISSÃO VAI E VEM

PRIORIDADES

PROGRAMAS DE GESTÃO PUBLICAÇÕES

GESTÃO

GESTÃO ADMINISTRATIVA DOCUMENTOS NORMATIVOS GUIA PARA O PRESBITÉRIO

SÍNODOS

ALEGRES, JUBILAI!

COMUNICAÇÃO

MISSÃO E COMUNICAÇÃO

Ó Senhor Deus, não há ninguém igual a ti. Tu és grande e o teu nome é poderoso. Jeremias 10.6 EXPEDIENTE Pastor Presidente P. Dr. Nestor Friedrich Secretária Geral Diác. Ingrit Vogt Jornalista Letícia Montanet - Reg. Prof. 10925 Administrativo Elizangela Basile ISSN 2179-4898 Cartas - Sugestões de pauta - Artigos - Anúncios Rua Senhor dos Passos, 202/5º 90.020-180 - Porto Alegre/RS Fone (51) 3284.5400 E-mail jorev@ieclb.org.br Proibida a reprodução parcial ou integral do conteúdo desta edição sem a prévia e formal autorização da Redação do Jorev Luterano.

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Jorev Luterano - Março 2018

ENFOQUE

Vida em Comunidade O Culto da Comunidade Cristã é encontro que reúne um grupo de pessoas na presença de Deus (ler Jorev n° 813). Da mesma forma que acontece em relação a tantos encontros da nossa vida, é importante que, para o Culto, haja convite e acolhimento. Afinal, é a partir do convite, por meio de um cartão, um e-mail ou um WhatsApp, que nos dispomos a ir ao aniversário. P. Dr. Romeu Martini | Assessor Teológico da Presidência da IECLB Por que convidar para o Culto? O Culto deixou de ser oportunidade para sair de casa e rever pessoas, como foi outrora. Hoje, a agitação do dia a dia, o incontável número de encontros nos leva a dizer, especialmente no final de semana: ‘Ufa! Finalmente em casa!’. Deixou de ser natural que se queira estar no Culto. É por isso que temos um instigante desafio nas nossas Comunidades: convidar para o Culto. Isso é tarefa do Ministro, da Ministra, das lideranças, de todas as pessoas que participam do Culto com regularidade. Como convidar? São muitas as maneiras de convidar pessoas para terem o Culto como encontro importante da vida. Pode-se convidar pelo telefone ou enviando um Whats! Às vezes, é suficiente alguém da família fazer a motivação: ‘Oi, pessoal! Vamos ao Culto amanhã?’. É importante convidar para Cultos

INDICADORES FINANCEIROS

com Batismo, Ação de Graças, Oração Memorial, presença de Coral, etc. São oportunidades que despertam interesse e animam a ir. Há um momento especial para esse convite. Trata-se do abraço de Deus mesmo. Isso é tarefa de quem preside o Culto. Imaginemos: o sino bateu, o prelúdio foi tocado, as velas estão acesas. Criou-se um clima favorável de atenção da Comunidade. Nesse instante, antes do ‘Bom Dia’, importa ouvir a Palavra de Deus, uma frase selecionada da Palavra e que traduz a acolhida e o abraço do Senhor. Pesquisas sobre o Culto comprovam: essa palavra de acolhida é determinante. É palavra que se torna abraço. É abraço que ampara, acolhe e protege. Esse abraço ficará como convite para retornar. Converse sobre isso no seu próximo encontro!

UPM Fevereiro/2018

4,4156

Índice Janeiro/2018

0,29 %

Acumulado 2018

0,29 %

Que cada um dê a sua oferta conforme resolveu no seu coração. 2Coríntios 9.7

OFERTAS NACIONAIS 4 DE MARÇO 3o Domingo na Quaresma Trabalho Diaconal e Capelanias da Saúde na IECLB Apoio a iniciativas diaconais nos Sínodos, nas Paróquias e nas Comunidades e suporte ao fomento e ao fortalecimento de Capelanias da Saúde (hospitalares) na IECLB, por meio da oferta de cursos e seminários, além da produção de materiais. Estar ao lado de pessoas em situação de sofrimento, injustiça, dor, fragilidade e doença exige preparo, sensibilidade e disponibilidade, que precisam ser aprendidos, exercitados e aperfeiçoados, de modo a transformar realidades de injustiça e sofrimento. 25 DE MARÇO Domingo de Ramos Associação Diacônica Luterana [...] contaremos à próxima geração os louváveis feitos do Senhor, o seu poder e as maravilhas que fez (Salmo 78.4). A Associação Diacônica Luterana (ADL) completou 61 anos de fundação em 2017. Calcula-se que, ao longo da sua história, antes de ingressar no estudo de nível superior de Teologia, mais de 500 Ministros e Ministras da IECLB tenham estudado na ADL. A formação oferecida pela ADL está voltada para as demandas das Comunidades. A partir dessa formação, jovens são preparados para atuarem na IECLB e na sociedade, de forma responsável, inovadora e protagonista. A solidariedade permite colocar sinais do Reino a partir de uma formação em perspectiva diaconal comprometida com as pessoas mais necessitadas.

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PALAVRA GESTÃO MINISTERIAL

Gestão Ministerial: estratégias e sustentabilidade P. Dr. Victor Linn | Pastor, Psicanalista e Coach De Ministros e Ministras, supõe-se que, além da competência teológica e pastoral, tenham habilidades estratégicas e operacionais sustentáveis. Habilidade estratégica se traduz na capacidade de analisar uma situação e, a partir dela, definir metas e responsabilidades de atuação. Isso requer informações qualificadas sobre temas, conjunturas e desenvolvimentos, que ajudam a entender as razões e os objetivos das metas. Uma comunicação adequada e convincente (aberta e participativa!) dessas informações cria as condições necessárias para o planejamento e a implementação de atividades conforme as características específicas do campo de trabalho. Visto que não há um modelo único de projeto, tampouco prática profissional que possa ser definida apenas pelo profissional, é necessário prever a revisão de metas e estratégias constantemente. Sustentar essa prerrogativa aumenta a disponibilidade de envolvimento de pessoas que ainda têm reservas ou resistências. Essa postura favorece a sustentabilidade da proposta de trabalho e do próprio profissional. Também permite suportar críticas e tomar decisões que nem sempre são consenso. Enfim, ela traduz a habilidade operacional do Ministro e da Ministra. Mais: tal postura se manifesta quando o Ministro e a Ministra conseguem, em situações cotidianas, ‘ganhar’ aceitação para as suas propostas, além de motivar pessoas a se envolverem no processo, assumindo atitudes que favorecem o alcance das metas almejadas, mesmo que ainda haja reservas e posições críticas.

COMPETÊNCIAS MINISTERIAIS

Competência Gestão pessoal Cat. Dra. Haidi Drebes | Secretária da Habilitação ao Ministério da IECLB Psic. Leila Klin | Psicóloga Organizacional A nossa sociedade, por meio de escolas e instituições, oferece sistematicamente oportunidades de formação com o propósito de ajudar as pessoas a atuar com planejamento, a administrar o seu tempo, a cuidar do dinheiro, etc. Todas essas habilidades fazem parte da Gestão Pessoal e são requeridas o tempo todo para garantir o nosso ajustamento a um mundo cada vez mais exigente. Quem de nós já não assumiu mais compromissos que deveria ou já não se deixou levar por uma ‘promoção’ que nos fez gastar mais que o planejado? Quem de nós já não adiou a ida ao Médico ou postergou para o próximo ano aquele curso ou aquela viagem? Na IECLB, definimos essa competência como a capacidade de planejar e administrar a vida pessoal, familiar e social, buscando o equilíbrio em todas as dimensões. Isso pressupõe que Ministros e Ministras devem se dedicar para o serviço ministerial, mas também reservar tempo para a família, cultivar amizades, lazer, cuidar da sua vida financeira, se manter

atualizados e atualizadas, destinar atenção à sua saúde e, em especial, se espera que tenham autocrítica para reconhecer as suas dificuldades, dispondo-se a trabalhá-las. O planejamento, pessoal e da Comunidade, é uma ferramenta muito importante para isso. Presta-se como um norte e oferece as balizas necessárias para garantir que estamos agindo de forma apropriada, visando ao bem comum, à coletividade e à Igreja como um todo. De fato, é essencial o investimento em manter o equilíbrio em todas as instâncias da vida, ainda que não seja fácil. Frequentemente, nos atribuímos mais compromissos e responsabilidades que podemos dar conta e a realidade que se apresenta oferece, dia a dia, mais problemas para resolver e mais conflitos para administrar. É por isso mesmo que assumir o gerenciamento do nosso tempo, dos recursos financeiros e reconhecer as nossas limitações, buscando ajuda, se necessário, facilitam esse processo e tornam mais leve e prazerosa a atividade ministerial.

TEMA DO ANO

Tema 2018: ensinar, alimentar e proteger Tema do Ano | Composição da Arte O Lema do Ano dá apoio ao Tema da IECLB, iluminando a reflexão e o testemunho cristão. Em 2018, a passagem bíblica de Êxodo 20.2a, Eu sou o SENHOR, teu Deus, que chama a atenção para o Primeiro Mandamento, está acima de todos os elementos da arte para indicar que Deus está acima de todas as coisas e é dele que procede toda a Criação e toda a vida. No centro do cartaz há uma imagem com elementos que representam as três Ordens da Criação: Igreja, Economia e Política. Como primeira Ordem da Criação temos a Igreja, representada graficamente pela Bíblia. A Palavra de Deus remete à função fundamental da Igreja: ensinar. O singelo ramo de trigo faz alusão à Economia, segunda Ordem da Criação. Economia tem por função básica: sustento da vida. A Política, terceira Ordem da Criação, é apresentada por mãos dadas, sugerindo aliança e conciliação para: promoção e defesa da vida. Os três elementos são distintos, porém estão unidos. Todos eles se encontram, tocam e entrelaçam, indicando que o ser humano participa das três Ordens. Os diferentes tons da mesma cor também demonstram a inter-relação e a nossa participação nas três Ordens. Abaixo da representação gráfica são destacadas as três palavras que formam o Tema do Ano da IECLB para 2018: Igreja, Economia, Política. A disposição das palavras segue a compreensão de Lutero: a Igreja é a ordem primordial, da qual procedem as outras duas. Em torno da imagem, uma linha marca a mudança de perspectiva proposta por Lutero. Na Idade Média, os termos Igreja, Economia e Política correspondiam a funções definidas por uma organização social de classes separadas e desiguais. Lutero, por seu lado, entendia que Igreja, Economia e Política não formam categorias isoladas nem sobrepostas. Para o Reformador, Deus age mediante as três Ordens e todas as pessoas se colocam a serviço de Deus para o melhoramento do mundo nas três Ordens. Para mais informações, acesse o Portal Luteranos


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PRESIDÊNCIA

...te tirei da casa da servidão (Ex 20.1) Paixão pela Missão de Deus P. Dr. Nestor Friedrich | Pastor Presidente da IECLB

Para Lutero, o Primeiro Mandamento é o mais importante, pois Deus representa aquilo do qual se pode esperar todo o bem! Na argumentação de Lutero, Igreja, Economia e Política são as três Ordens da Criação utilizadas por Deus como instrumentos para efetivar a sua vontade no mundo por Ele criado. Como sustentar esta convicção em um momento em que o nosso país vive uma profunda crise? Em que as dimensões da Igreja, da Economia e da Política nos lançam em um confronto raivoso, marcado pelo ódio, pela polarização, pela visão reducionista do ‘nós x eles’? O mais fácil parece ser terceiri-

zar a culpa! Afinal, pensar, refletir, exercitar a autocrítica é difícil. Então, odiar é mais fácil! Pior... Caímos em uma nova servidão! Permitimos que as boas Ordens criadas por Deus fossem pervertidas! Na IECLB, não escapamos da lógica perversa que pauta este dia a dia! São exigidos posicionamentos... A IECLB está de que lado? Ela está do lado do nosso ódio ou do lado do ódio deles? Está do lado dos pecadores de cá ou do lado dos pecadores de lá? A exigência é que o Ministro, a Ministra deve concordar com a visão do seu interlocutor. Se não for assim, ouve uma enxurrada de palavras

Que Deus, que é quem dá paciência e coragem, ajude vocês a viverem bem uns com os outros, seguindo o exemplo de Cristo Jesus. Romanos 15.5 RETROSPECTIVA

AGENDA | MARÇO

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Março - Diaconia Uma das marcas da fé cristã, desde os seus primórdios, foi a dedicação especial às pessoas fragilizadas da sociedade. A atenção e o cuidado com a sua vulnerabilidade representaram a tradução prática dos ensinamentos de Jesus Cristo. Este empenho recebeu o nome de Diaconia. As Comunidades Evangélicas Luteranas são sensíveis às necessidades das pessoas em situação de dor e sofrimento. Em algumas situações, convocam pessoas ordenadas (Diaconisas, Diáconos e

que perderam o seu conteúdo e são apenas xingamento, pois é preciso atacar quem não pensa igual: liberal, comunista, coxinha, petralha, capitalista, socialista, direita, esquerda, neoliberal, comunista e por aí vai! A estupidez é tamanha que tem gente pedindo a volta da Ditadura Militar... Não conhecem a história! Tudo fica agravado pelo fato de, neste momento, sequer termos um projeto de país, do Brasil que queremos! Como resistir a tantos desafios? Como não entrar neste círculo de servidão? Como não entrar nesta lógica perversa de ódio, intolerância e confronto, que nos fragiliza e coloca em rota de colisão, fragilização da própria Igreja e das nossas Comunidades? Na IECLB, temos um projeto de Igreja! Queremos ser uma Igreja de Comunidades atrativas, inclusivas e missionárias, que são fiéis ao Evangelho de Jesus Cristo, que testemunham o amor de Deus, que servem, que lutam pela dignidade humana e pelo respeito à Criação. Queremos ser uma Igreja de Comunidades que sejam um espaço seguro para todas as pessoas. Portanto, nós estamos na contramão da lógica do ódio que move a nossa sociedade hoje. Este projeto tem a marca da paixão pela Missão de Deus, da justiça, da ética, se inspira no agir de Jesus Cristo, no perdão, no seu amor incondicional e não é conivente com a servidão, que joga irmãos e irmãs uns contra os outros!

Diáconas) para uma dedicação exclusiva e integral à Diaconia em Comunidades e instituições. No dia 14 de março de 1965, Inácio Felberg foi ordenado como primeiro Diácono brasileiro. Isso foi possível graças ao trabalho de formação desenvolvido pela Associação Diacônica Luterana (ADL), localizada em Serra Pelada - Afonso Cláudio/ES. A prática diaconal integra a Missão de Deus por meio do testemunho da fé na prática do amor.

Encontro da Presidência com Pastores e Pastoras Sinodais, com a participação da Secretaria Geral São Leopoldo/RS P. Nestor Friedrich Pa. Sílvia Genz P. Inácio Lemke

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FORMAÇÃO EDUCAÇÃO CRISTÃ CONTÍNUA

Família: belo jardim no qual Deus se faz presente P. Werner Kiefer | Ministro na Comunidade Matriz - Porto Alegre/RS O nascimento ou a adoção de uma criança nos coloca diante de muitas questões: Pediatra, vacinas que precisam ser tomadas, escola, etc. Estas e tantas outras questões vão revelar a compreensão de como queremos cuidar da nossa criança. Não fazemos ‘de qualquer jeito’, muito menos simpatizamos com a ideia que ‘qualquer coisa serve’. Como família, desenvolveremos uma forma que expresse a nossa compreensão de cuidado com a vida que nos foi confiada. Este é um processo de construção e parceria. Requer diálogo e aceitação das experiências e opiniões de cada pessoa responsável. Importa que mães e pais tematizem a educação e a forma de como desejam orientar o seu filho ou a sua filha. Na busca pelo que é melhor para a criança está também a pergunta: Vamos batizar? Claro que sim! Aqui, o óbvio precisa ser um tema que faça parte da agen-

da da família. Nascer em uma família cristã significa receber os ensinamentos de Jesus Cristo. É aprender a partir das palavras e atitudes de pessoas para as quais lhes foi testemunhada a Palavra de Deus, por isso educar na fé é como contar uma bela história. No Batismo, Deus sinaliza o seu amor, presente em nossa vida. Logo, a opção da família para o Batismo significa aceitar o presente que Deus oferece e se comprometer com essa oferta. Para tanto, é necessário que testemunhemos aquilo que aconteceu por ocasião da celebração deste Sacramento. A educação na fé se desenvolve a partir de acontecimentos, assim como foi no passado com o povo de Israel. Assim, o ensino da fé cristã inicia no contar aquilo que Deus faz em nossas vidas. A família, junto com Padrinhos e Madrinhas, relembrará que, no Batismo, Deus disse Sim, amo você. Estarei com você todos os dias.

Batismo é um acontecimento em que celebramos a iniciação na fé cristã. A família que opta pelo Batismo está se colocando como parceira de Deus para viver na companhia do Criador. Como fará isso? Narrando, testemunhando o que viu e experimenta a partir da fé. No tempo das primeiras Comunidades Cristãs, o ensino e o diálogo sobre a fé cristã não se restringia ao momento anterior ao Batismo, mas continuava a partir do ato batismal. O Batismo é uma bela história do Deus conosco. A família é convidada a contála! Nesta compreensão, a família pode ser entendida como um belo jardim no qual Deus se faz presente, pela aliança do Batismo. Boas experiências na família possibilitarão construir um belo convívio, constituindo-se em vivências importantes e significativas que a pessoa levará para a vida toda.

CRIANÇAS | PROPOSTA METODOLÓGICA

A boa notícia se espalha Material necessário Um exemplar da Revista O Amigo das Crianças nº74. Momento 1 Leia o texto com as crianças. Leve cartas e mostre-as para as crianças. Pergunte quem já enviou e quem já recebeu cartas e qual a sensação que sentiu ao fazê-lo, ao recebê-la. Relacione o meio de enviar notícias da época de Jesus e dos apóstolos com o de hoje e elenque prós e contras de cada um deles.

lugar da casa e só poderá ser aberta no período previamente combinado. Estabelecer relação entre as cartas escritas por pessoas seguidoras de Jesus que podem ser lidas ainda hoje com as que as crianças escreverão e que também poderão ser lidas posteriormente. Momento 3 Confeccione com as crianças diversos modelos de cartões com a alegre notícia da Páscoa. Um dos modelos pode ser baseado na sugestão que está nas páginas 14 e 15. Os cartões podem ser trocados entre a turma ou distribuídos para familiares e na vizinhança.

Momento 2 Peça que as crianças escrevam, em conjunto com a sua família, uma notícia que gostariam de ler quando grandes. Essa notícia deve ser guardada em algum

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Aconselhamento Hospitalar Estão abertas as inscrições para a Especialização em Aconselhamento Pastoral Hospitalar, curso destinado a profissionais vinculados à área da Teologia, Saúde, Psicologia, Serviço Social, líderes de Comunidades, Religiosos, Religiosas, Agentes de Pastoral e demais profissionais envolvidos no trabalho com indivíduos,

Sugestão extraída da Proposta Metodológica para uso da Revista O Amigo das Crianças, nº 74. Leia a Proposta Metodológica completa e saiba como assinar a Revista O Amigo das Crianças no Portal Luteranos

famílias e profissionais da saúde. O objetivo do curso é dar um aporte teórico-prático a graduados em Teologia e áreas afins, de modo a capacitá-los a diagnosticar, orientar, assessorar e acompanhar situações específicas que demandem aconselhamento e cuidado, a partir de uma perspectiva ecumênica, no ambiente de internação hospitalar e demais casas de cuidado na área da saúde. As inscrições vão até 15 de abril de 2018. As aulas iniciam em maio e vão até agosto de 2019. O curso terá duração de 400 horas, cumpridas em sala de aula, na elaboração de uma Monografia (TCC) e na realização de um Seminário de socialização do conteúdo. As atividades em sala de aula ocorrerão em módulos mensais

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de 50 horas aulas, mais atividades EaD. O Trabalho de Conclusão de Curso deverá ser entregue no final do curso e será avaliado por escrito pelo respectivo Docente Orientador, de acordo com os critérios de avaliação definidos pela instituição. A nota mínima para aprovação desse trabalho é 7,0. As aulas ocorrerão, na segunda-feira, das 13h30 às 17h30 e das 19 horas às 22 horas, e, de terças a sextas-feiras, das 8 horas às 12 horas e das 14 horas às 18 horas. Serão cinco módulos de uma semana com aulas presenciais nas dependências da Faculdades EST. Mais informações pode ser obtidas pelo e-mail latosensu@est.edu.br ou pelo telefone 51 2111.1452.


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DIVERSIDADE

Juntas, Igreja e sociedade: pela dignidade das mulheres Pa. Carmen Michel Siegle | Coordenadora de Gênero, Gerações e Etnias da IECLB

Por ocasião do dia 8 de março, instituído como o Dia Internacional da Mulher, diferentes meios de comunicação veiculam notícias que focam o cotidiano de lutas e conquistas das mulheres. Para nós, como IECLB, o dia é convite e oportunidade para valorizar e celebrar a participação das mulheres na Igreja e na sociedade, refletir sobre as situações em que a dignidade das mulheres é violada e quais desafios isso nos coloca como Igreja e orar para que Deus nos ajude a responder ao seu chamado de vida plena e abundante para todas as pessoas (Jo 10.10). Pensando nesse propósito, compartilhamos três ações com as quais queremos animar Comunidades e membros da IECLB a se

engajarem nessa reflexão que visa a alcançar relações mais equitativas, Comunidades mais justas e inclusivas e uma vida mais plena para cada criatura de Deus. A Campanha Em comunhão com as vidas das mulheres é uma iniciativa da IECLB, em parceria com a Faculdades EST, e tem por objetivo resgatar, registrar e publicar histórias de vida de mulheres ou grupos de mulheres luteranas. As histórias compartilhadas tiram as mulheres do anonimato, valorizando o seu conhecimento e a sua participação na Igreja e na sociedade. A voz e a experiência das mulheres enriquecem a Igreja, são dom e presente para vida em Comunidade. - Participe da Campanha acessando o Portal

Luteranos (luteranos.com.br/organizacao/campanha-em-comunhao-com-as-vidas-das-mulheres). No Brasil, a violência contra a mulher é realidade que cresce, mesmo combatida com o rigor da lei. É realidade, às vezes, camuflada, que precisa ser evidenciada para que se possa falar sobre as suas causas e buscar meios de eliminá-la. A exposição itinerante Nem Tão Doce Lar, da Fundação Luterana de Diaconia (FLD), oferece uma metodologia de intervenção coletiva para a superação da violência familiar. A mostra socializa a discussão e o enfrentamento da violência, ao levar para o espaço público uma típica casa familiar, com informações e imagens que denunciam a violência. - Saiba mais, acessando o site da FLD (fld.com.br/page/nem-tao-doce-lar/). Para a concretização de relações justas de gênero, é necessário que mulheres e homens se unam, reflitam e ensaiem novas formas de se relacionar, exercer poder e liderança, de maneira que as diferenças não sejam motivo para desigualdades. É por isso que, no dia 8 de março, além celebrar conquistas, mulheres se mobilizam porque querem ser protagonistas de uma nova história, sem machismos, sem violência. A Campanha ElesPorElas (HeForShe), da ONU Mulheres, a Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres, é um chamado e, ao mesmo tempo, um bonito testemunho de como homens podem ser parceiros das mulheres na defesa dos seus direitos e na luta pela igualdade de gênero. -Maisinformaçõespodemseracessadasnosite ONU Mulheres (onumulheres.org.br/elesporelas/).

PRONUNCIAMENTO

Vocês sabem que são o templo de Deus e que o Espírito de Deus vive em vocês. 1Coríntios 3.16

Engajamento das Comunidades É a Palavra de Deus que afirma a dignidade das mulheres. Ela testemunha o seu reconhecimento como filhas de Deus, criadas à sua imagem e semelhança (Gn 1.27) e acolhidas por Ele no Batismo (Gl 3.2628). Esta afirmação, proclamada e vivida nos dias de hoje, torna-se uma Boa Nova animadora e desafiadora. Como Igreja de Jesus Cristo, temos um compromisso com a causa das mulheres na

Igreja e na sociedade. As Comunidades são chamadas a traduzir para o seu contexto os desafios colocados pela Palavra de Deus. Delas se espera um engajamento na quebra de costumes e na desconstrução de práticas discriminadoras, além de uma atuação contundente no fomento da cultura participativa. Estações do Jubileu – Mulheres ( 2017)

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Jorev Luterano - Março 2018

UNIDADE

UNIDADE

Série Especial

Eu sou o SENHOR, teu Deus Tema 2018 : Igreja - Economia - Política

Igreja (ensina a Palavra de Deus), Economia (organiza a produção e a distribuição justa dos meios de sustento da vida) e Política (zela pela boa convivência) são os instrumentos que Deus usa para evidenciar quem Ele é e o que Ele quer.

As Ordens da Criação nesse contexto O ensino de Lutero sobre as três Ordens da Criação se refere a um estado ideal que não existe mais. A natureza humana foi corrompida pelo pecado e, com isso, também as Ordens da Criação estão corrompidas. Ainda assim, todas elas permanecem sob a promessa de Deus e continuam sendo os âmbitos nos quais Deus atua e institui a existência humana. Deus oferece a possibilidade de reconciliação e de recomeço. A iniciativa divina de reconciliação teve a sua expressão máxima na vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo. A partir da fé em Cristo, Deus nos chama e capacita para uma nova existência (2Co 5.18-21). A nossa configuração social é diferente e mais dinâmica que a socie-

P. Dr. Nestor Friedrich, Pastor Presidente da IECLB (Texto Motivador - parte 2/2)

dade da época medieval. A base da Economia mudou e a Política ganhou configurações diversas, inclusive com enorme desgaste e falta de credibilidade. A estrutura mais ou menos rígida das três Ordens está ultrapassada, mas os desafios éticos permanecem válidos. Em termos de função básica ideal, podemos dizer que a Igreja ensina a Palavra de Deus, a Economia sustenta a vida e a Política protege a vida. A concepção de Lutero interligou âmbitos que eram considerados desiguais, separados e sobrepostos. Para o Reformador, Deus age mediante as três Ordens e todas as pessoas se colocam a serviço de Deus nas três Ordens. Esta é uma indicação importante para nós: cada pessoa é chamada a atuar com Deus nestes três âmbitos da vida. A Igreja não se define pelo templo ou pela denominação. Igreja é o conjunto das pessoas que se congregam por causa da Palavra de Deus e dos Sacramentos. Na compreensão luterana, cada pessoa é chamada para ouvir o Evangelho, responder com gratidão e alegria, reunir-se em Comunidade, contribuir com recursos e dons, e dar testemunho da vontade de Deus no contexto em que vive. Lutero compreende esse testemunho como cooperação com Deus para o melhoramento do mundo. O que esta definição de Igreja significa para a nossa Co-

munidade, a nossa Paróquia e o nosso Sínodo? Os modelos de Economia hoje vigentes são caracterizados por concentração de bens e renda, exploração de mão de obra, esgotamento e degradação dos bens naturais. Avaliando a sua realidade, Lutero não teve dúvidas em denunciar: ‘alguns vendem a sua mercadoria acima da cotação da praça’; ‘existem os que compram todo o estoque [...] para tê-lo em seu exclusivo poder e então poderem fixar o preço’; ‘como é possível [...] que um homem fique rico em tão pouco tempo, a ponto de conseguir comprar reis e imperadores?’ (OS, v. 5). Em que se diferencia a nossa Economia? Que testemunho nos cabe em favor de modelos econômicos que sustentem a vida? Considerando que os bens naturais são finitos, que mudanças são necessárias para garantir as condições de vida das gerações futuras? A tarefa da Política consiste em punir o mal, ordenar a convivência e proteger a vida, promovendo uma Economia pautada pela justiça. A Política jamais deve se tornar instrumento para a prática do mal e a obtenção de privilégios pessoais. Na explicação do Cântico de Maria, Lutero enfatiza: ‘Enquanto a terra existir, tem que haver autoridade, governo, poder e tronos, mas Deus não tolera por muito tempo que abusem deles e os usem em

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oposição a Ele, para praticar injustiça e violência’ (Magnificat). A partir da compreensão que a Política é um âmbito necessário e que dele somos parte natural, cabe-nos a tarefa de avaliar ações políticas e trabalhar para a superação de confrontos e polarizações inadequadas. A Teologia evangélicoluterana oferece subsídios significativos para contribuir na definição do papel da Política como meio de proteção da vida, promovendo paz e justiça. Conseguiremos dar esse passo diferenciado?

não foi (e não é!) tão simples assim. Deus ensinava o povo por meio de Moisés, que se retirava para o alto de um monte a fim de receber as orientações divinas. O primeiro conjunto de leis que Deus anunciou inicia com uma afirmação: Eu sou o SENHOR, teu Deus (Ex 20.2). Esta expressão é recorrente no contexto do Êxodo

Lema: Eu sou o SENHOR, teu Deus Ao caminhar pela cidade de Atenas, o apóstolo Paulo constatou que ali eram adorados muitos deuses. Havia um altar com a inscrição: Ao Deus Desconhecido. Paulo aproveitou para afirmar: Esse Deus que vocês adoram sem conhecer é justamente aquele que eu estou anunciando (At 17.23). Quem é esse Deus? Quinze séculos depois, Martim Lutero constatou que a questão do apóstolo precisava ser retomada. Porque Deus criou todas as coisas, o ser humano teria condições de conhecer algo de Deus (Rm 1.18-21). O problema é que esse conhecimento natural de Deus foi corrompido pelo pecado. Após a queda (Gn 3), a razão humana pode apenas reconhecer que existe Deus, porém não conhece quem é Deus: ‘O principal que se perdeu na alma é o conhecimento de Deus, que não lhe rendemos graças em toda parte’, constata o Reformador. Quem é Deus? O Lema do Ano contribui para responder esta pergunta. Após o livramento da escravidão do Egito (Ex 14 ss.), a caminho da terra que mana leite e mel (Ex 3.8), o grupo hebreu saciava sua fome e sede com o que Deus lhe provia (Ex 16-17). Para consolidar a liberdade alcançada, Deus estabeleceu um pacto: Se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, sereis minha propriedade peculiar dentre todos os povos (Ex 19.5). Que promessa! Que perspectiva de vida! A melhor possível, mas os fatos demonstram que a efetivação dessa perspectiva

Igreja, Economia e Política são utilizadas por Deus para efetivar a sua vontade no mundo. Em uma perspectiva cristã, nisto podemos confiar e em favor disso nos empenhamos, pois é Deus quem diz: Eu sou o SENHOR, teu Deus!

(Ex 6.2 e 8). É afirmação repetida e pela qual Deus diz quem Ele é. Ao receber outro conjunto de leis (Ex 24.12ss), Moisés demorou para retornar, por isso o grupo decidiu moldar deuses para irem à sua frente (Ex 32.1-4). Com esse gesto, o povo deixou de confiar em Deus e praticou idolatria. A idolatria não consiste na mera fabricação de ídolos, mas na confissão de que teriam sido eles que o libertaram da escravidão. A este povo, que não compreende a sua liberdade e a sua vocação, Deus afirma: Eu sou o

SENHOR, teu Deus! Quem sou eu? Fui eu que te tirei da terra do Egito, da casa da escravidão. Essa é a razão pela qual ‘não terás outros deuses diante de mim’ (Ex 20.2-3). Em meio a altares já existentes e outros tantos novos criados, Deus revela quem Ele é. É Deus que liberta e caminha com seu povo. É insuficiente dizer que Deus existe. É necessário afirmar quem é Deus. Para Lutero, o Primeiro Mandamento é o mais importante, pois Deus representa aquilo do qual se pode esperar todo o bem. Neste Mandamento, Deus está dizendo: ‘Deixe somente eu ser seu Deus e nunca procure nenhum outro, ou seja, o que lhe fizer falta, espere-o de mim, procure-o junto a mim. Quando você estiver passando por infortúnio e aperto, arraste-se para junto de mim e fique comigo, EU é que lhe darei o suficiente e ajudarei em toda necessidade’ (Catecismo Maior). Deus se fez humano em Jesus Cristo. A vida, morte e ressurreição de Cristo revelam quem é Deus: um Deus misericordioso que oferece perdão, justificação e uma nova oportunidade (Mc 14.24). Pela reconciliação em Cristo e a sua resposta de fé, o ser humano é nova criatura (2Co 5.17), chamada a atuar em cooperação com Deus nos três âmbitos da vida. Pela força do Espírito Santo, que cria comunhão, orienta e promove o testemunho, o ser humano atua a serviço de Deus para o melhoramento do mundo. Igreja (que ensina a Palavra de Deus), Economia (que organiza a produção e a distribuição justa dos meios de sustento da vida) e Política (que zela pela boa convivência humana) são os instrumentos que Deus usa para evidenciar quem Ele é e o que Ele quer. Na argumentação de Lutero, Igreja, Economia e Política são utilizadas por Deus para efetivar a sua vontade no mundo por Ele criado. Em uma perspectiva cristã, nisto podemos confiar e em favor disso nos empenhamos, pois é Deus quem diz: Eu sou o SENHOR, teu Deus!

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FÉ LUTERANA

A reconciliação oferecida por Deus Pa. Elke Doehl e P. Claudir Burmann | Ministra e Ministro na Paróquia de Massaranduba/SC Quem sabe, muitos e muitas de nós já tenhamos dito alguma vez: ‘Graças a Deus’ ou ‘Louvado seja Deus’ ou ‘Só por Deus’. O que está por trás dessas palavras? Pense um pouco! Logo nos damos conta que, com expressões simples como essas, está um reconhecimento: Deus interveio, Deus agiu! A partir desses exemplos, percebemos um ato divino de (re)fazer, de (re)ordenar, enfim, de (re)conciliar. Por nossa própria vontade e agir, fraquejamos. Aí vem a ação divina para, outra vez, tranquilizar, buscar um acordo, harmonizar, trazer paz. Essa ação de reconciliação acontece da parte de Deus em relação a nós, seres humanos, e em relação à Criação como um todo. É uma ação a acontecer entre as pessoas e no conjunto da Criação que as envolve. Ao falar em reconciliação, chegamos também a compreender a importância da confissão e da absolvição. Junto ainda está a ‘contrição’. Esses atos são o reconhecimento da misericórdia de Deus, que vem e quer a reconciliação. Os bens resultantes são perdão dos pecados, vida nova e salvação. O Sacramento do Altar, a Ceia do Senhor, é sobremaneira expressão dessa graça. Exemplos bíblicos da reconciliação

oferecida por Deus temos em abundância. Vejamos em João 3.16: Porque Deus amou o mundo tanto, que deu o seu único Filho, para que toda pessoa que nele crer não morra, mas tenha a vida eterna. Em Romanos 5.10, lemos: Nós éramos inimigos de Deus, mas Ele nos tornou seus amigos por meio da morte do seu Filho. Agora que somos amigos de Deus, é mais

É maravilhoso viver os nossos dias sempre aprendendo o muito que não sabemos e ensinando o pouco que sabemos. É uma atitude de abertura ao próximo e a Deus. certo ainda que seremos salvos pela vida de Cristo. Portanto, podemos nos saber reconciliados com Deus e, humildemente, sempre pedir: Ó Deus, cria em mim um coração puro e dá-me uma vontade nova e firme!, conforme o Salmo 51.10. Ter consciência da nossa situação humana é fundamental. Somos seres inacabados e em permanente refazer. Podemos

exibir prepotência, podemos impor opiniões, podemos erguer a voz, mas, ao contrário dessas atitudes mostrarem a nossa perfeição, são evidências da miserabilidade do nosso ser, do nosso coração. Elas expressam o quanto nos iludimos e falseamos a nossa visão. Compreender a nossa real situação é entender que necessitamos de constante reconciliação, de umas pessoas com as outras e, sobretudo, com Deus e com a sua Criação. É maravilhoso viver os nossos dias sempre aprendendo o muito que não sabemos e ensinando o pouco que sabemos. É uma atitude de abertura ao próximo e a Deus. É sinal de disposição para acolher a reconciliação que o próprio Deus nos estende. Isso nos convida a sair da zona de conforto. Pensar que somos e nos sentir onipotentes é ilusão e conduz ao fracasso. Precisamos de reconciliação sempre, refazendo-nos e reordenando a nossa vida. Nisso está o segredo para um bom viver. Continuemos a confessar: Graças a Deus ou Louvado seja Deus ou Só por Deus, reconhecendo a ação reconciliadora de Deus em nossa vida. Para refletir, leia Colossenses 3.12-17

Deus nos capacita para uma nova existência Pa. Vera Lucia Engelhardt | Ministra na Comunidade em Cuiabá/MT O Evangelho, a Boa Notícia que Deus nos ama, modifica a vida e nos transforma em pessoas melhores, desde que ouvida e acolhida, é fonte de consolo e instrução para quem crê. É palavra de esperança, perdão e salvação. O apóstolo Paulo recomenda o seguinte: Tenham entre vocês o mesmo modo de pensar que Cristo tinha (Fp 2.5). Temos um que nos une, que é Cristo Jesus. Em Cristo, Deus nos possibilita uma nova existência: somos pessoas livres, não vivemos mais debaixo da escravidão do pecado e do mal. Somos perdoados e perdoadas! Nova existência é possibilidade de vida digna, justa e em gratidão e amor a Deus! Uma Madrinha contou-me que o seu afilhado lhe pediu, em meio a lágrimas: ‘me ajuda a tirar essa coisa ruim de mim. Eu quero mudar, mas não consigo’. Aquele adolescente queria ter nova existência, porém estava desorientado, sem saber o que fazer. Um novo jeito de existir e viver! Posturas cristãs coerentes com o Evangelho libertador não acontecem sem dedicação e esforço da nossa parte. Observe, por exemplo, como é difícil mudarmos um hábito alimentar! Abster-se de algo também não é tarefa fácil! Adotarmos posturas de

vida ética, responsável diante de Deus, das pessoas e do meio ambiente significa ser consequente e avaliar bem os resultados das nossas ações: se trazem vida ou morte! Recentemente, ouvi uma explicação que, para termos uma nova postura ou fazermos algo sobre o qual temos responsabilidade, isso exige escalar três degraus. O primeiro chama-se: eu sei! Esse degrau

Conhecer e ter o mesmo modo de pensar que Cristo tinha é desafiador. Precisamos agir e viver esta novidade de vida diariamente - hoje e sempre! ocupa 30% dessa escada. Normalmente, sabemos o que precisamos fazer. Temos consciência disso, como, por exemplo, quando reconhecemos que ‘pisamos na bola’ e que esse não era o jeito que Jesus tinha. Ele nos propõe outra maneira de viver. Vamos ao segundo degrau então: Eu quero! Eu quero mudar. Eu acolho em mim as palavras de Jesus e quero mudar as mi-

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nhas posturas, o meu agir. Mais 30% dessa escada são ocupados por esse degrau! Chegamos ao último degrau: Eu faço! Ele é o maior e ocupa 40% dessa escada. É realmente agir de modo diferente! É ter a atitude de mudar, de fazer diferente, mas fazer! É como aquela canção que nos diz: amar como Jesus amou, viver como Jesus viveu... Para que possamos experimentar esta nova existência, com a qual Deus nos agracia, ela precisa permear os nossos sentimentos, os nossos pensamentos e as nossas ações. Esse novo viver deve fazer parte do dia a dia por meio das nossas atitudes, palavras e ações. A prática diária da oração é ferramenta útil para nos impulsionar a agir de modo coerente com o Evangelho, bem como suplicar que Deus envie o Espírito Santo a nos empurrar a fazermos diferente, a agir em amor! Termos o mesmo modo de pensar que Cristo tinha é uma palavra desafiadora. Precisamos conhecer este modo de pensar. Precisamos acolher e nos apropriar dele por meio da leitura e do estudo contínuo do Evangelho. Precisamos agir e viver, sim, agir e viver esta novidade de vida diariamente - hoje e sempre! Para refletir, leia Filipenses 2.5


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PERSPECTIVA

Acumular bens ou acumular convivências felizes? Acumulemos vivência, abraço e partilha de dores e alegrias Profa. Dra. Ema Marta Dunck Cintra | Docente no Instituto Federal de Mato Grosso e Presidente do Conselho da Igreja No dia 11 de janeiro deste ano, fez 45 anos que chegamos ao Mato Grosso, uma região que era extremamente isolada, sem a mínima infraestrutura. Por uma feliz coincidência, nessa data, em 2018, eu e mais três irmãos que residem em outras cidades estávamos em Canarana/MT, onde moram os nossos pais e mais quatro irmãos (a família é grande e, ao todo, somos 11 irmãos). À noite, resolvemos chamar alguns amigos que chegaram naquela mesma época para uma comemoração. Imaginem o que foi relembrar aqueles dias. Choro, alegria, risos, histórias, saudades, sonhos frustrados e realizados. Os sabores da infância, as músicas, os medos, a escola, os encontros e grupos de jovens na Igreja, os banhos nos rios, as pescarias, as traquinagens, tudo são lembranças que nos envolveram, emocionaram e nos reportaram para um tempo tão bom que desejávamos, por alguns minutos, retornar àquela época. Essa saudade da simplicidade, das visitas, da risada farta, da comida com sabor de família e de partilha, por alguns e eternos instantes, fez parte da nossa vida novamente. Episódios que fizeram parte da história de muitas pessoas. No decorrer dos anos, a humanidade deixou escapar esses momentos de vivência fraterna e amiga e deixou-se engolir pela velocidade e pelo furor do cotidiano. Com isso, não se vive

aquilo que faz tão bem ao coração. Optou-se por se conectar por meio das mídias digitais e não se toca mais as pessoas. Estou me referindo ao toque físico mesmo! Abraço! Aperto de mão! Cafezinho ao redor da mesa, com os quitutes que agradam ao paladar... a cuca, o pão fresquinho, o chimarrão. Prefere-se o isolamento, em casa, longe da convivência com as pessoas. A vida simples e com alegrias espontâneas foi substituída pela agitação, pelo turbilhão de coisas que ocorrem a todo o momento. O ser humano encontra-se solitário, indiferente. Há uma proposta apresentada para nós há séculos: a orientação de Jesus. Ele nos diz que não devemos acumular tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu (Mt 6.19 e 20). Acumular tesouros nos céus é ter uma vida que agrada ao Senhor, que nos ensina, entre outras coisas, a viver em comunhão. É se alegrar e alegrar-se com os irmãos e as irmãs. Isso ocorre na convivência, no abraço, na partilha de dores e alegrias. Agradando ao Senhor, estamos agradando a nós mesmos, pois, quando temos a oportunidade de assim viver, partilhando saberes e sabores com outras pessoas, sentimo-nos tão bem. É o que Cristo deseja: a nossa felicidade!

O Senhor renova as minhas forças e me guia por caminhos certos, como Ele mesmo prometeu. Salmo 23.3

Sacrifício x Prosperidade No Deus revelado em Jesus, é Deus quem se sacrifica por nós P. Dr. Oneide Bobsin | Docente na Faculdades EST, em São Leopoldo/RS Em setembro do ano passado, em uma região do Vale dos Sinos, um dos berços da colonização alemã, no Rio Grande do Sul, foram encontrados os corpos de duas crianças decapitadas. Ainda não localizaram as cabeças das crianças, que são irmãs e, suspeita-se, de origem argentina. As coberturas jornalísticas foram e continuam intensas. Os jornais e outras mídias relatam descobertas parciais da atividade da Polícia. Em uma das primeiras matérias deste ano, se levantou a hipótese de um sacrifício em um templo de lúcifer. Certamente, o dado religioso desperta mais interesse de certo público, ávido para ‘destruir as forças dos demônios’. Durante o processo de investigação, um Delegado Substituto resolveu ouvir pastores evangélicos, que, segundo ele, tiveram uma revelação sobre os sete criminosos. Logo me veio a pergunta: De que deus tais pastores tiveram a revelação? Se fosse um Deus amoroso, porque não teria agido para evitar as duas mortes? A própria Polícia tirou da função o Delegado e desfez o discurso religioso dele. Também porque os suspeitos já estavam presos, pelo menos alguns deles. No entanto, demorou a divulgação dos mandantes do sacrifício. Dois empresários são suspeitos de terem encomendado os sacrifícios de crianças para lograrem sucesso, prosperidade, em seus negócios, que não estavam bem. Lúcifer traria prosperidade mediante o sangue derramado de crianças.

Os investimentos dos empresários foram na ordem de 25 mil reais. Como o assunto é longo, trago um dado mais recente, do início de fevereiro: a Justiça manda soltar os que estavam presos. No depoimento do Delegado e da Justiça, todos os discursos feitos são falsos. Era uma rede de mentiras. Com isso, a investigação volta a zero e muita gente apressada, que julgou sem fundamento, terá que engolir a mentira que reproduziu. Muitas pessoas foram acusadas injustamente e, da mesma forma, presas. A situação mais importante e que, infelizmente, não foi desmentida: as crianças foram assinadas e – pior – para alguém lograr prosperidade. Também é fato que cresce assustadoramente nos meios religiosos do nosso país organizações que se denominam ‘igrejas’ e prometem prosperidade por meio de doações financeiras. Não assassinam crianças, mas os salários daquelas pessoas que já tem muito pouco. Logo, se derrubarmos a ideia de sacrifico, muitas organizações religiosas caem por terra, especialmente aquelas que fazem do dízimo um poder de barganha com a divindade. No Deus revelado em Jesus, é Deus quem se sacrifica por nós, a fim de que nos dediquemos às pessoas que sofrem em amor. Não se usa dinheiro nem se busca prosperidade, mas solidariedade! É o caminho da Paixão de Cristo que celebraremos em breve e sem a mediação do dinheiro, ‘senhor’ da nossa sociedade. Para mais informações, acesse o Portal Luteranos

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MISSÃO

Balizas da Ação Missionária P. Dr. Pedro Puentes | Secretário de Missão O núcleo central da missão sempre será a Boa Noticia: Deus, em Cristo, reconcilia o mundo (2Co 5.17-20). A partir dele, há desdobramentos determinantes para a Ação Missionária. 1. Quem somos nós? Sempre será necessária a clareza da nossa identidade. O que nos define não é uma categoria histórico-sociológica: Igreja dos alemães, mas o chamado de Deus que recebemos no Batismo e que assumimos na Confirmação ou Profissão de Fé. Este nos insere no caminho do discipulado, vivenciado em Comunidade de irmãos e irmãs. Isso significa que, sem discípulos e discípulas, que nascem do encontro pessoal com Jesus, não há Ação Missionaria. Em um mundo à procura de experiência pessoal do sagrado, encontro e discipulado apontam para aspectos essenciais da Ação Missionária.

Projetos - 2: Planejamento Secretaria de Missão Na edição anterior, explicamos que a renovação ou a criação de Comunidades na IECLB acontece no contexto dos Projetos Missionários e que são quatro os componentes principais: (1) o lugar e o seu contexto, (2) o Planejamento Missionário, (3) o perfil do Ministro, da Ministra e (4) o exercício do Sacerdócio das Pessoas que Creem. Agora, vamos desenvolver o segundo aspecto. Planejar tem a ver com o resultado que se deseja. Como diz o Evangelho: Se um de vocês quer construir uma torre, primeiro senta e calcula (Lc 14.28). Essencial para a renovação ou a criação de Comunidades é responder: Que sonho temos para o Projeto nesse lugar? Qual é o propósito principal desse Projeto? O que impede/ajuda a alcançar o sonho e o propósito do Projeto? O que faremos para alcançar ambos? A quem se dirigem as nossas ações e com que intencionalidade? Quando e onde serão realizadas as nossas ações? Quais são os nossos recursos humanos, financeiros e logísticos para desenvolver o que nos propomos? É uma ilusão esperar resultados diferentes fazendo o mesmo de sempre.

2. Somos pessoas enviadas, mas onde nos encontramos? A Comunidade de discípulos e discípulas não está aí para si mesma, mas para o mundo, por isso Comunidade missionária é aquela que se encarna no seu contexto. Para tanto, ela vai, escuta, vê e partilha das dores das pessoas e Comunidades à sua volta. Também abre as suas portas, convida, acolhe, inclui e integra pessoas para que – em, por e com Jesus Cristo – se tornem parceiras na Missão de Deus, de reconciliar, transformar o mundo. Em uma sociedade sem esperança, é necessário repensar a Comunidade como sinal da utopia – outro mundo possível, isto por meio da justiça, da misericórdia e da esperança. 3. Somos parte de um todo - Ao chegarmos ao contexto do nosso envio, quem nos recebe é Deus. Ele está lá antes de iniciarmos

uma Ação Missionária encarnada no mundo. É por isso que precisamos ficar atentos e atentas para perceber o que Deus faz ao nosso redor. Isso significa, por um lado, que quem faz missão é a primeira pessoa ou Comunidade a ser objeto de missão. Por outro lado, nós não somos os únicos agentes da Missão de Deus. É por isso que a Ação Missionária precisa ser realizada em um diálogo de parcerias.

Planejamento Missionário P. Altemir Labes | Secretário Adjunto para Missão e Diaconia Muito do Plano de Ação Missionária da IECLB (PAMI) ainda está por ser descoberto e concretizado nos Planejamentos das nossas Comunidades. Planejar não é um caminhar apenas em linha reta. O fundamental do Planejamento reside na nossa capacidade de aprender com a caminhada, pois os erros e os insucessos também ensinam. O importante é que possamos fazer o devido acompanhamento e a avaliação das ações estabelecidas. O depoimento desta participante da segunda edição do Curso de Qualificação Funcional em Liderança Comunitária Sustentável mostra que, importante para a nossa caminhada é ter presente que, além de

planejar a execução de cada item do Planejamento Missionário, é imprescindível estabelecer a forma de Monitoramento, essencial para aprimorar as atividades e corrigir eventuais falhas. Além do Monitoramento para atividades específicas, precisamos estabelecer o Monitoramento Geral do Plano. Em muitos Planejamentos Comunitários, não se dá a devida atenção ao Monitoramento e as consequências são a frustração e a resistência em realizar um novo Planejamento. O Monitoramento precisa ser constante, além de estar na pauta das reuniões do Presbitério, dos Grupos e Departamentos da Comunidade.

Comunidade parceira na Missão - Vai e Vem Coordenação da Campanha Nacional de Ofertas para a Missão Vai e Vem A Assembleia do XXX Concílio da IECLB, realizado em VAI E VEM 2017 | ANO 10 2016, em Brusque/SC, aprovou a Moção: Um Programa ‘Comunidade Parceira na Missão’, com a finalidade de promover e articular o encontro de Comunidades para interO meu coração bate pela missão! câmbios de experiências, parcerias e apoio financeiro. A rigor, trata-se de algo que está em andamento na IECLB há algum tempo. A solidariedade de experiências, parcerias e apoio financeiro vinculados à Missão já acontecem de forma espontânea entre alguns Sínodos e Paróquias. Em âmbito nacional, ela é oportunizada principalmente pelo Plano de Ofertas e pela Campanha Nacional de Ofertas para a Missão Vai e Vem. Esta Moção aponta para o fortalecimento de algo vital à Comunidade Cristã e para qualquer instância na Igreja: somos parte de um todo maior! A pertença ao Corpo de Cristo cria uma interdependência entre as partes, de maneira que todas as suas partes têm o mesmo interesse uma pelas outras (1Co 12.25b). Precisamos fortalecer esse interesse mútuo: (1) conhecendo os sonhos e os projetos dos nossos irmãos e das nossas irmãs, (2) incluindo irmãos e irmãs nas nossas orações e (3) quando possível, visitar-lhes e intercambiar experiências de missão. Nesse processo, certamente, haverá bênção! CAMPANHA NACIONAL DE OFERTAS PARA A MISSÃO

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PRIORIDADES

Prioridades de Gestão: Programas de Acompanhamento Qualificação Funcional (PQF) (parte 1/2) Teól. Dr. Carlos Gilberto Bock | Assessor de Gestão da IECLB

O objetivo do Programa de Qualificação Funcional (PQF), um dos seis Programas que integram as Prioridades de Gestão da IECLB, é qualificar lideranças que ocupam cargos de representação e funções estratégicas na Gestão Administrativa, em âmbito sinodal e nacional. O modelo organizacional da IECLB está baseado no envolvimento, no conhecimento e na participação de lideranças comunitárias e pressupõe a qualificada representação de Comunidades e Paróquias em instâncias sinodais e dos Sínodos em instâncias nacionais. Como afirmou o P. Dr. Nestor Friedrich, Pastor Presidente da IECLB, durante o XXIX Concílio da Igreja, viDas em comunhão, realizado em 2014, na Paróquia de Rio Claro/SP, no Sínodo Sudeste, “Somos Igreja sinodal, que caminha em conjunto, que constrói decisões em conjunto. É por isso que a qualidade da nossa missão está tão fortemente relacionada com a qualidade das nossas lideranças e dos nossos representantes. É por isso que a qualificação funcional dos nossos Presbíteros, das lideranças em geral e, especialmen-

te de representantes em órgãos colegiados requer investimento constante. Novamente: isto é estratégico para a Igreja que somos hoje e que sonhamos ser amanhã”. No âmbito das Ofertas de Capacitação, o Programa de Qualificação Funcional oferece: - Gestão Administrativa (capacitação para lideranças e profissionais que trabalham em funções estratégicas na gestão administrativa em âmbito sinodal e nacional): (a) capacitação de Assistentes Administrativas Sinodais, com vistas a qualificar os processos operacionais e administrativos pertinentes à função e (b) capacitação de Presidentes e Tesoureiros e Tesoureiras Sinodais, com vistas a qualificar a gestão sinodal, em sintonia com a visão estratégica da Igreja nacional. Estes encontros são realizados anualmente, por meio dos quais se promove a qualificação dos processos administrativos entre a Sede Nacional da Igreja e os Sínodos. - Representação e Governança (capacitação de representantes que ocupam função de decisão em Conselhos Nacionais ou Sinodais): (a) capacitação de Conselheiros e

Conselheiras, com vistas a qualificar a tarefa de representação e a tomada de decisão em âmbito sinodal e nacional. O Programa promove o Encontro de Conselhos Nacionais, a ser realizado, em Porto Alegre/RS, de 4 a 8 de abril de 2018, sob a coordenação do Conselho da Igreja (CI). Além do CI, participarão deste Encontro os Conselhos de Diaconia, Juventude, Liturgia, Música, Educação Cristã e de Educação, reunindo, aproximadamente, 180 pessoas (incluindo Pastores e Pastoras Sinodais, Presidência, Secretaria Geral e equipe de apoio). O objetivo é fortalecer o Conselho da Igreja no seu papel de governança, em âmbito nacional, e fomentar a visão estratégica e sistêmica na Igreja com vistas à implementação da missão institucional. - Gestão de organizações diaconais (capacitação para Gestores e Gestoras de organizações diaconais vinculadas à Rede de Diaconia). A Rede de Diaconia é a articulação de instituições diaconais que mantêm vínculo com a IECLB, as quais, em rede, compartilham experiências e conhecimentos, com vistas a qualificar a sua atuação, ampliar o seu reconhecimento público e fortalecer o seu desenvolvimento institucional. Para 2018, estão previstos dois momentos de formação, de uma semana de duração cada (junho e agosto). O primeiro reunirá representantes de instituições da região Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste. O segundo, do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Os temas a serem aprofundados são Direitos Humanos, Diaconia Transformadora, Justiça de Gênero, Governança e Gestão Democrática, Planejamento, Monitoramento e Avaliação (PMA), Projeto Político-Pedagógico, Gestão de Projetos, Financiamento e Sustentabilidade e Incidência Política. No total, aproximadamente, 80 participantes serão capacitados e capacitadas.

Publicações | Quadrinhos Catarina Muitas mulheres tiveram papel fundamental na história da Reforma Protestante. Entre elas, está Catarina von Bora, que nasceu em 29 de janeiro de 1499, na Alemanha, passou a infância e a juventude em dois Conventos e foi ordenada Freira. Após contato com ideias da Reforma, ela e outras Monjas decidiram abandonar o Convento. Mais tarde, Catarina casou-se com Martim Lutero. O casal teve três filhos e três filhas. Catarina von Bora era mulher culta, ativa e organizada. Saiba mais sobre a vida desta Reformadora lendo a revista em quadrinhos, produzida por iniciativa da Associação Nacional dos Grupos da Ordem Auxiliadora de Senhoras Evangélicas (OASE). Trecho de Catarina von Bora - A Reforma em quadrinhos

Cantarei de alegria quando tocar hinos a ti, cantarei com todas as minhas forças porque tu me salvaste. Salmo 71.23

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GESTÃO

Corpo IECLB | Gestão Administrativa Secretaria Geral da IECLB Gestão Contábil e Financeira As entidades que atuam no Terceiro Setor, entre as quais as Igrejas e as instituições religiosas de modo geral, mesmo que não visem ao lucro, também trabalham para assegurar a sua viabilidade e sustentabilidade econômica, ou seja, visam a alcançar superávit. Ao alcançar um resultado superavitário, este não pode ser distribuído aos membros ou associados, mas será reinvestido nas atividades-fim da entidade. A Contabilidade, obrigatória para todas as instituições legalmente constituídas, ou seja, aquelas que possuem Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), contribui com a Gestão Administrativa ao prover importantes informações para a tomada de decisões e a maior eficácia e eficiência na administração dos recursos financeiros. Entre as finalidades mais importantes da Contabilidade, destacam-se: (1) Cumprimento da legislação vigente, (2) Auxílio na elaboração do orçamento, (3) Identificação de direitos e patrimônio e das obrigações a pagar e (4) Geração de informações aos gestores, para a tomada de decisões, e aos entes governamentais, para prestação de contas. A partir do novo Código Civil (2002), a responsabilidade dos profissionais da Contabilidade está diretamente ligada à responsabilidade dos gestores das instituições. No caso das instituições religiosas, o, a Presidente da Comunidade/Paróquia e o Contador, a Contadora também são responsáveis pela reparação civil (Art. 932). Considerando-se esta responsabilidade civil, é de suma importância que a instituição faça um Contrato de Prestação de Serviços com o Escritório de Contabilidade. Também é imprescindível que os documentos da Contabilidade sejam documentos hábeis para que se possa escriturar o Livro Caixa em ordem cronológica por data, de forma que os lançamentos estejam lastreados em documentos válidos. Extrato de texto reduzido e adaptado do Módulo 5 do Curso de Qualificação Funcional em Liderança Comunitária Sustentável – CQFLCS, realizado pela IECLB em parceria com o Instituto Sustentabilidade – InS Para mais informações, acesse o Portal Luteranos

Guia para o Presbitério Muitas Comunidades já tiveram a oportunidade de ver Presbíteros atuantes, alegres e unidos, que cativam e envolvem a Comunidade nos desafios que têm diante de si. Muitos já tiveram a experiência de ver que, neste caso, as grandes dificuldades ficam pequenas. Avanços quase impensáveis tornam-se realidade. Tal Presbitério é uma bênção. Por outro lado, muitos membros e Ministros já viram Presbíteros sendo escolhidos de última hora e sem que houvesse clareza sobre o que é servir. São situações em que, primeiro, ouvem-se afirmações como: ‘não posso’, ‘não tenho tempo’, e, depois, vem o famoso: ‘já que não tem outro, então eu assumo!’. Quando a escolha do Presbitério se dá por esse caminho, muitas vezes, o que vem pela frente é um tempo difícil para a Comunidade. É interessante observar que tanto uma quanto a outra possibilidade ocorrem em Comunidades maiores e menores, independe do grau de estudo das pessoas. Importa, portanto, perguntar pelas razões disso. Entender as causas ajuda na busca pela formação de Presbitérios e líderes mais entusiasmados, preparados e competentes.

Documentos Normativos Acima de todos os Documentos Normativos da IECLB está o Mandato de Deus, tendo como base a Bíblia e os Escritos Confessionais. A Constituição, o Regimento Interno, o Guia Nossa Fé-Nossa Vida, o Documento Justiça e Ordem, o Estatuto do Ministério com Ordenação da IECLB são normas nacionais, eclesiasticamente válidas para todos os Sínodos, as Paróquias, as Comunidades, os Ministros e as Ministras, as lideranças leigas e demais membros. Todas as normas adicionais são elaboradas a partir dos princípios constantes nesses documentos e a eles estão sujeitas eclesiasticamente. O Guia Nossa Fé-Nossa Vida, por exemplo, responde o porquê de sermos Igreja organizada. Diz o Guia: A Igreja não pode ser feita por nós. Através do Espírito Santo Deus nos chama, por sua Palavra e por seus Sacramentos, e nos faz membros do seu povo. Como membros deste povo, nos reunimos em Comunidade e organizamos o nosso convívio: estabelecemos normas e ordens e criamos as condições indispensáveis para uma atuação missionária conjunta. As formas de organização podem mudar e também diferir, mas sempre devem estar a serviço de Cristo e da sua Missão. Também responde à pergunta sobre o que faz a IECLB: a IECLB é instrumento através do qual Deus nos faz proclamar e viver a Boa Nova da salvação, testemunhada nas Sagradas Escrituras do Antigo e do Novo Testamentos. Através dela, Deus nos faz viver o amor, empenhando-nos pelo bem-estar e pela salvação do próximo. Através dela, Deus nos faz viver em comunhão, como membros de seu povo no mundo.


Jorev Luterano - Março 2018

SÍNODOS

Igreja de Jesus Cristo no sudeste brasileiro Agora, são novos 500! P. Geraldo Graf | Pastor Sinodal do Sínodo Sudeste

A maioria das Comunidades e Paróquias do Sínodo Sudeste está inserida nas metrópoles brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Campinas, entre outras. Algumas Comunidades ainda têm membros ligados à agricultura, porém, já com acesso aos meios de comunicação, que igualmente os conectam à vida urbana. Nesse sentido, o Sínodo Sudeste tem diante de si o enorme desafio de anunciar a Palavra de Deus e participar da sua missão em um contexto urbano, no qual a pluralidade cultural e social e a convivência entre as pessoas estão majoritariamente marcadas por injustiça, violência, desemprego, pobreza e falta de oportunidades iguais para todas. As Comunidades têm o compromisso de anunciar a graça e o amor de Deus em meio à realidade de pessoas afetadas por indiferença e omissão dos órgãos públicos, medos, desagregação familiar e perda dos seus valores. Lideranças, Ministros e Ministras acolhem, acompanham e orientam Co-

munidades, grupos, famílias e pessoas na vivência da fé cristã e comunitária, no testemunho do Evangelho e na prática diaconal do amor de Deus em busca de uma vida digna para todas as pessoas. Por meio das suas Comunidades e Paróquias, o Sínodo Sudeste dá testemunho do amor de Deus no sudeste brasileiro, apontando para os sinais de uma nova vida, marcada por paz, fruto da justiça. O Sínodo Sudeste abrange parte do Estado de São Paulo, parte do Estado de Minas Gerais e todo o Estado do Rio de Janeiro. Ele conta, aproximadamente, com 19 mil membros, distribuídos em 28 Paróquias (41 Comunidades e 56 Pontos de Pregação). Devido às grandes distâncias e para facilitar a comunhão com os membros, o Sínodo está organizado em quatro Núcleos: União Paroquial São Paulo, União Paroquial Região de Campinas, Núcleo Minas Gerais e Núcleo Rio de Janeiro. Além do trabalho eclesiástico, o Sínodo participa ativamente da construção de cidadania

No início de 2017, foi realizada a capacitação das lideranças comunitárias com o novo material de Planejamento Missionário. Foi gratificante perceber o grande interesse e a quase totalidade de participação por Campos de Atividade Ministerial. No decorrer do ano, houve um crescente e contínuo movimento de planejamento das atividades comunitárias e um foco crescente no compromisso missionário-diaconal. Em 2018, estão sendo realizadas as eleições em Comunidades e Paróquias. Novas lideranças assumirão os cargos de Diretoria, por isso planeja-se realizar, neste ano, via Núcleos, uma ampla formação de lideranças, para que todas as Comunidades e Paróquias estejam bem preparadas para dar continuidade à sua missão. Deste modo, Comunidades e Paróquias poderão, unidas, caminhar no mesmo propósito de ser Igreja de Jesus Cristo, acolhedora, participativa, evangelizadora e diaconal no sudeste brasileiro.

por meio de 11 instituições diaconais, sobretudo nas grandes cidades. Em função da sua herança histórico-cultural, o Sínodo Sudeste ainda está aprendendo a ser Igreja voltada para as necessidades das pessoas, nos centros urbanos, nos quais as Comunidades estão inseridas. Enquanto ainda estrutura paroquial rural, as Comunidades não viam necessidade de fazer missão ou de implantar iniciativas diaconais, pois a vida comunitária fazia parte da existência diária das pessoas. A Igreja ocupava o centro da sua vida e todas as pessoas se conheciam e se amparavam mutuamente. Ao migrar e se instalar como Comunidade urbana, geralmente em bairros mais periféricos, a Igreja se confrontou e continua se confrontando com inúmeras dificuldades, pois o modelo paroquial rural não combina mais com a realidade urbana. Quanto maior a cidade, maiores são as ofertas e os empecilhos nela existentes, maior é o isolamento das pessoas. Tudo isso dificulta a vivência comunitária e familiar que as pessoas de confissão luterana estão acostumadas. É preciso descobrir uma nova dinâmica de missão e evangelização, além de uma comunicação mais eficiente, para cativar as pessoas e mantê-las vinculadas e compromissadas com a vivência comunitária, assim como a concebemos. Enquanto isso, outros grupos religiosos, urbanos, arrebanham multidões, porém, sem estarem preocupados com edificação de Comunidade, pertença ou compromisso sociodiaconal. Nesta aprendizagem contínua, o Sínodo experimentou várias alegrias em 2017, quando os Núcleos e as Comunidades planejaram, organizaram e comemoraram o Jubileu dos 500 anos da Reforma. Em São Paulo, o Dia da Igreja reuniu 750 pessoas. Em Campinas, 650 pessoas. No Rio de Janeiro, 300 pessoas. Além disso, foram realizadas celebrações ecumênicas no dia da Reforma, que reuniram multidões: em Belo Horizonte, por exemplo, participaram 900 pessoas. Praticamente em todas as Paróquias houve grande participação nas celebrações: Rio de Janeiro, Petrópolis, Juiz de Fora, Campinas, Limeira, Teófilo Otoni, Rio Claro, São Paulo, entre outras. Em quase todas as cidades onde a IECLB está presente, houve Sessões Solenes nas Câmaras de Vereadores e nas Assembleias Legislativas, quando Ministros, Ministras e lideranças luteranas puderam expor os fundamentos da confissão luterana. Notório também foi o destaque que a imprensa deu aos eventos dos 500 anos da Reforma!

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Jorev Luterano - Março 2018

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COMUNICAÇÃO

Missão e Comunicação (parte 1/2) Compartilhando a Boa Notícia Núcleo de Comunicação da IECLB Na edição anterior, afirmamos que Comunicação é assunto fundamental, mas, na IECLB, é vital, pois a Missão da Igreja é justamente ‘comunicar’ e não é comunicar qualquer notícia, mas, sim, a Boa Notícia, a Palavra de Deus, ou seja, Proclamar o Evangelho. Então, na Igreja, todos os esforços e investimentos neste âmbito devem ser feitos no sentido de que esta (boa) Comunicação aconteça e, assim, a Missão que Deus confiou à IECLB se cumpra. Já apresentamos as Diretrizes para a Comunicação na IECLB. Agora, nesta e na próxima edição, vamos compartilhar o que o Plano de Ação Missionária da IECLB (PAMI) tem a esclarecer sobre Comunicação

na realização da Missão, se comunicar não é problema para nós? É que a nossa Comunicação Pessoal, face a face, comunitária, familiar, cotidiana é atravessada por outro tipo de Comunicação, que, às vezes, até atrapalha a nossa Comunicação mais fundamental e próxima. É a Comunicação monopolizada pelas tecnologias aplicadas a processos comunicacionais, desde o inocente telefone até o mundo da Internet, passando pelo rádio, pela televisão, pelo jornal, entre tantas formas de Comunicação a Distância. É aí que comunicar passa a ser problema para a Igreja. É problema porque aquela Comunicação que era tão natural para nós como Igreja agora parece que se transforma em outra coisa. Missão e Comunicação De fato, é assim. Os Meios de ComunicaComunicar é da própria natureza da Igreja, ção – a mídia, como genericamente denominamos esse universo de tecnologias, A Igreja nasce de processos de Comunicação: meios e linguagens que atravesum processo de Comunicação divina, de Deus sam o nosso dia a conosco, e um processo de Comunicação entre dia – mudam o nós, de uns para com os outros. Faz parte, modo de interagirmos com ouportanto, da essência da Igreja ser comunicativa. tras pessoas, no tempo e no espor isso não é um problema. Não se cria Copaço. Muda no tempo, porque, ainda que a munidade sem Comunicação nem se mannossa transmissão seja em tempo real, como tém Comunidades sem Comunicação. Os um programa de televisão ou rádio ao vivo, a apóstolos já afirmavam com coragem que resposta do nosso interlocutor não é simultânão é possível deixar de falar das coisas que nea nem direta. Muda no espaço, porque não vimos e ouvimos, porque a nossa boca fala sosabemos onde a pessoa que recebe a nossa bre o que coração está cheio. Se fomos maramensagem está e o que está fazendo. vilhosamente alcançados pela graça de Deus, Isso complica a nossa vida como Igreja, como, de fato, o somos todos os dias, não poporque sabemos nos comunicar bem daquedemos nos contentar até que conseguimos le modo comunitário, olho no olho, que faz falar disso a quem quer que seja. parte do nosso jeito luterano de ser. Temos Por outro lado, se algo nos entristece proque reconhecer que não são todos os Meios fundamente, se alguma coisa nos preocupa de Comunicação que atrapalham. Nós saou espanta, se algo nos faz sofrer e gemer, bemos nos comunicar por meio da escrita. também aí é impossível para nós impedir A nossa tradição luterana nos ajuda quando que essas coisas se transmitam a outros, seja vamos imprimir jornais, revistas e livros. A Rena forma de desabafo, de indignação ou de forma de Martim Lutero avançou na Europa ação transformadora. Somos feitos de Comugraças à imprensa. Nós aprendemos a usá-la nicação, desde quando ainda estamos na bem, produzindo impressos de qualidade e barriga de nossa mãe e por toda a nossa vida. promovendo a alfabetização das pessoas Por que falar sobre Comunicação na Igreja, para poder lê-los juntamente com a Bíblia.

Ocorre que os tempos são outros. Há muito mais gente alfabetizada e letrada, mas, em compensação, há muito mais gente ainda vendo televisão, ouvindo rádio, etc. Há muita Igreja que tira proveito disso, porque nasceu nesse mundo multimídia, como nós, luteranos, nascemos no mundo da imprensa. Os nossos problemas com a Comunicação, no entanto, não devem nos desanimar nem intimidar. Pelo contrário, devem ser encarados como um desafio para a qualificação da nossa Ação Missionária. Nessa perspectiva, propomos algumas teses ou princípios para superarmos as nossas dificuldades com a Comunicação midiática a partir de três objetivos: a) difundir valores, b) obter visibilidade pública e c) estabelecer vínculos, os quais devem ser complementares e interdependentes. Toda a Ação Missionária implica uma Ação Comunicativa. Quando anunciamos o Evangelho, em palavras ou em ações, estamos tornando público um conjunto de valores éticos, teológicos, comunitários, etc. com vistas a trazer pessoas para a fé em Cristo Jesus. Esse anúncio se mostra muito mais eficaz quando é presencial. A resposta é percebida no momento e a interação é facilitada. Prevalece em nossa intenção comunicativa estabelecer vínculos. Nesse sentido, toda a Ação Missionária é uma Ação Comunicativa e os relatos bíblicos nos dizem mais a esse respeito. A Ação Comunicativa pode ser mediada pela mídia. Quando utilizamos os Meios de Comunicação para anunciarmos o Evangelho, os nossos objetivos missionários (valor, visibilidade e vínculo) permanecem os mesmos, mas o modo de interação se modifica. Geralmente, damos ênfase à mensagem, ao conteúdo, ou seja, aos nossos valores. Às vezes, conseguimos dar visibilidade à nossa Igreja, falando sobre as coisas que fazemos. O tipo de vínculo que se estabelece se modifica, porque não está mais em jogo o vínculo com a Comunidade de Fé, mas com aquele tipo de mídia (ou seja, com um programa de rádio, uma coluna de jornal, etc.). Aí é importante, como estratégia missionária, remeter o receptor, o nosso público, para a Comunidade local, onde pode encontrar os laços que o vinculam à nossa Igreja.

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Caminhos Ibéricos (Portugal & Espanha) Caminhos Germânicos (Europa Central & Reforma Luterana) Caminhos Nórdicos (Países Escandinavos) Caminhos do Leste Europeu Caminhos Romanos (Amsterdã a Roma) Caminhos das Festas (castelos, tradições e cervejarias)

Embratur nº 23.028609.10.0001-5

16/05 – 03/06 05/06 – 22/06 09/06 – 26/06 14/08 – 30/08 29/08 – 16/09 15/09 – 02/10

viajar.plan@gmail.com

51 3762.2758 / 51 98515.6668

www.planviagens.com.br

Jornal Evangélico Luterano Ano 47 nº 814 Março 2018  

Jornal Evangélico Luterano - Uma publicação da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB).

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