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Jornal Evangélico Luterano | Ano 47 | Dezembro 2017 | no 812

Igreja Economia Política instrumentos de Deus para efetivar a sua vontade no mundo Em uma perspectiva cristã, nisso podemos confiar, pois é Deus quem diz: Eu sou o SENHOR, teu Deus!

Vocação: fazer com paixão!

Sinais do Reino entre nós

Sou luterano! Sou luterana!

O que faz pulsar o seu coração?

Em Jesus, é possível ser novo homem

Sabemos a razão de ser o que somos?

Competências Ministeriais

Diversidade

Fé Luterana


Jorev Luterano - Dezembro 2017

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REDAÇÃO

Igreja Economia Política Eu sou o SENHOR, teu Deus! O Primeiro Domingo do Ano Eclesiástico é data de lançamento do Tema do Ano da IECLB, que, em 2018 é: Igreja, Economia, Política, iluminado pelo Lema Bíblico de Êxodo 20.2a Eu sou o SENHOR, teu Deus. “Inauguramos o novo ano com o convite para, juntos e juntas, refletirmos sobre uma temática importante para Lutero, pois, para o Reformador, Igreja, Economia e Política são os instrumentos que Deus usa para evidenciar quem Ele é e o que Ele quer. Na argumentação de Lutero, Deus efetua a sua vontade no mundo por meio da Igreja, da Economia e da Política e cada pessoa é chamada a atuar com Deus nestes três âmbitos da vida”, destaca o Documento Estações do Jubileu - Estação de Dezembro/2017: outros 500, emitido pela Presidência da IECLB. A Carta Pastoral lembra que este primeiro Domingo de Advento também prevê uma Oferta em todos os Cultos a serem realizados na IECLB para a Obra Gustavo Adolfo (OGA), que ajuda Comunidades que precisam de apoio na construção do seu templo ou centro comunitário, bem como para as Ações Missionárias. Já o Segundo Domingo de Advento nos convida a ofertarmos nacionalmente em favor da divulgação da Bíblia e de publicações da Igreja. “O Evangelho de Mateus 5.13-16 faz acordar sempre de novo ao enfatizar: Vocês são a luz para o mundo. Ninguém acende uma lamparina para colocá-la debaixo de um cesto. Pelo contrário, ela é colocada no lugar próprio para que ilumine todos os que estão na casa. Assim também a luz de vocês deve brilhar para que os outros vejam as coisas boas que vocês fazem e louvem o Pai de vocês, que está no céu. No que estamos investindo recursos, tempo e planejamento para fazer esta luz brilhar mais, a ponto de envolver mais pessoas na vida comunitária e fazermos a diferença como Igreja Cristã?”, traz o Documento. A Presidência da IECLB finaliza a Carta desejando um abençoado período de Advento como espaço de acolhimento da Palavra de Deus para celebrarmos verdadeiramente o Natal nos dias 24 e 25 de dezembro. A equipe do Jorev Luterano faz coro e dedica os seus melhores votos de Feliz Natal e Abençoado 2018!

CAPA Parte do cartaz do Tema (Igreja, Economia, Política) e do Lema (Eu sou o SENHOR, teu Deus - Êx 20.2a) 2018 da IECLB. Para Lutero, Deus efetua a sua vontade por meio da Igreja, da Economia e da Política e cada pessoa é chamada a atuar com Deus nestes três âmbitos da vida.

Jornal Evangélico Luterano | Ano 47 | Dezembro 2017 | no 812

Igreja Economia Política instrumentos de Deus para efetivar a sua vontade no mundo Em uma perspectiva cristã, nisso podemos confiar, pois é Deus quem diz: Eu sou o SENHOR, teu Deus!

SUMÁRIO 2

REDAÇÃO

CARTA À COMUNIDADE EXPLICAÇÃO DA CAPA EXPEDIENTE

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ENFOQUE

4

PALAVRA

5

PRESIDÊNCIA

6

FORMAÇÃO

7

DIVERSIDADE

Vocação: fazer com paixão!

Sinais do Reino entre nós

O que faz pulsar o seu coração?

Em Jesus, é possível ser novo homem

Sabemos a razão de ser o que somos?

Competências Ministeriais

Diversidade

Fé Luterana

Sou luterano! Sou luterana!

JUBILEU DA REFORMA CHARGE OFERTAS NACIONAIS INDICADORES ECONÔMICOS GESTÃO MINISTERIAL COMPETÊNCIAS MINISTERIAIS TEMA DO ANO PALAVRA DA PRESIDÊNCIA RETROSPECTIVA AGENDA EDUCAÇÃO CRISTÃ CONTÍNUA PROPOSTA METODOLÓGICA FACULDADES EST HOMENS PRONUNCIAMENTO

8-9 UNIDADE

LUTERO - REFORMA: 500 ANOS

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13 14

15 16

FÉ LUTERANA

IDENTIDADE LUTERANA

PERSPECTIVA

PELA CAUSA DO EVANGELHO, MUITO OBRIGADA! OLHARES DESVIADOS DO PODER PARA O SERVIÇO

MISSÃO

PLANO DE AÇÃO MISSIONÁRIA DA IECLB PROJETOS MISSIONÁRIOS PLANEJAMENTO MISSIONÁRIO CAMPANHA DE MISSÃO VAI E VEM

GRATIDÃO

FÉ, GRATIDÃO E COMPROMISSO NOSSA FÉ-NOSSA VIDA

GESTÃO

GESTÃO ADMINISTRATIVA DOCUMENTOS NORMATIVOS GUIA PARA O PRESBITÉRIO

SÍNODOS

ALEGRES, JUBILAI!

TEMA DO ANO

IGREJA ECONOMIA POLÍTICA

Precisamos incessantemente de perdão junto a Deus e ater-nos constantemente à oração. Martim Lutero EXPEDIENTE Pastor Presidente P. Dr. Nestor Friedrich Secretária Geral Diác. Ingrit Vogt Jornalista Letícia Montanet - Reg. Prof. 10925 Administrativo Elizangela Basile ISSN 2179-4898 Cartas - Sugestões de pauta - Artigos - Anúncios Rua Senhor dos Passos, 202/5º 90.020-180 - Porto Alegre/RS Fone (51) 3284.5400 E-mail jorev@ieclb.org.br Proibida a reprodução parcial ou integral do conteúdo desta edição sem a prévia e formal autorização da Redação do Jorev Luterano.

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ENFOQUE

Jubileu da Reforma Dando seguimento às Estações do Jubileu da Reforma, a Presidência da IECLB convida para, no mês de dezembro de 2017, refletirmos sobre a nossa determinação de fazer a diferença nestes outros 500 anos. Começamos o mês às vésperas do Primeiro Domingo de Advento, quando inicia um novo Ano Eclesiástico na IECLB e em outras Igrejas Cristãs no mundo. O novo Ano Eclesiástico nos desafia a celebrar a graciosidade de Deus ao anunciar a vinda do seu Filho a um mundo marcado por turbulências e inseguranças. Proclamar a Boa Notícia de que Deus não deixa ao desamparo as suas criaturas representa um sopro de alento e de esperança. Deus vem e sustenta os seus filhos e as suas filhas em meio às contrariedades e aos infortúnios. Motivados e motivadas por este gesto gracioso de Deus, somos convidados e convidadas a consolidar neste novo Ano Eclesiástico as Bases Confessionais da IECLB, a Missão e a Visão que nos unem em prol de uma Igreja com Comunidades atrativas, inclusivas e missionárias. Ser Comunidade mais atrativa, mais inclusiva e mais missionária seria seguir o modelo de Igrejas que prometem a solução para tudo ou seria ousar no sentido de revelar o quanto a Palavra de Deus é o suporte verdadeiro para todas as situações? Precisamos repartir melhor as nossas experiências missionárias e lançar, em conjunto, novos olhares sobre a Ação

Reforma

Missionária necessária que requer este mundo instável. Será que a depreciação dos valores, o enfraquecimento da ética, a tendência em relações cada vez mais superficiais não deveria nos encorajar a pensar uma Igreja que, nestes “outros 500”, abre as suas portas, derruba os muros de preconceitos, sai da passividade que espera as pessoas aparecerem no Culto e vai ao encontro delas em suas preocupações e dores, para falar da Palavra de Deus? Conclamo as Comunidades, os Ministros, as Ministras e as lideranças a acolherem esta última Estação do Jubileu, no ano de 2017. Dezembro é momento especial para refletir sobre o nosso novo Ano Eclesiástico. É por isso que dedicamos a Estação de Dezembro ao tema “Outros 500”. Deus vem até nós sem o merecermos e se instala em nosso meio para nos encorajar a qualificarmos a nossa Vivência Comunitária e a nossa Ação Missionária. Trechos do documento emitido pela Presidência da IECLB

Onde está Cristo, ali o Pai e o Espírito Santo também se fazem presentes. Martim Lutero

OFERTAS NACIONAIS 3 DE DEZEMBRO 1o Domingo de Advento Apoio a Comunidades ( OGA) O 1o Domingo de Advento é o domingo da Obra Gustavo Adolfo (OGA), que auxilia Comunidades que precisam de apoio para a construção do seu templo, do seu centro comunitário ou para o trabalho diaconal e missionário. 10 DE DEZEMBRO 2o Domingo de Advento Divulgação da Bíblia e Publicações A Bíblia é fonte e norma de fé para as pessoas e para a Igreja. Junto com a Bíblia, outras publicações nos capacitam para o testemunho evangélico-luterano. 17 DE DEZEMBRO 3o Domingo de Advento Música e Liturgia na IECLB Alegres, jubilemos a graça de Deus! Deus nos reúne para o Culto e nos serve com a sua presença na Palavra e nos Sacramentos e nós respondemos com cantos, orações e confissões. A resposta da Comunidade à presença de Deus no Culto inclui o preparo da liturgia, da música e o cuidado com o espaço do seu encontro.

INDICADORES FINANCEIROS

UPM Novembro/2017 4,3713 Índice Outubro/2017

0,42 %

Acumulado 2017

2,21 %

31 DE DEZEMBRO Silvestre/Véspera de Ano Novo Fundo para Implantação de Capelanias Um dos papeis mais importantes da Igreja é estar presente junto às pessoas nas situações de fragilidade. Dentre essas situações, encontram-se a doença, a morte e o luto. Quem já passou por isso sabe a diferença que faz poder contar com um abraço e uma palavra bíblica, que acariciam a alma e aquecem o coração.

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PALAVRA GESTÃO MINISTERIAL

Liderança... qual é a sua tarefa? P. Dr. Victor Linn | Pastor, Psicanalista e Coach A responsabilidade de zelar pelo planejamento e a realização de metas é tarefa primordial da liderança. Metas, porém, só são alcançadas com a participação e a ajuda de colaboradores, colaboradoras, funcionários e funcionárias. Sabemos que a motivação destas pessoas depende muito da personalidade da liderança que as guia. Assim, também é tarefa fundamental da liderança estabelecer boas relações com as mesmas. O reconhecimento que outrora era dispensado somente à liderança estende-se cada vez mais às pessoas colaboradoras e funcionárias. Essa tendência se impõe pela complexidade crescente em organizações, que já não podem ser conduzidas por uma só pessoa. A complexidade das organizações e as suas múltiplas inter-relações não favorecem a concentração de informações e a tomada de decisões e encaminhamentos por uma só pessoa, exigindo o envolvimento de outras competências. Isso tem implicações no estilo, nas competências e nas técnicas que lideranças precisam ter e constantemente rever. Para alcançar bons resultados, é fundamental ter conhecimento da percepção do ‘jeito de ser’ da liderança sobre a sua equipe. A autoimagem da liderança confere com a imagem que as outras pessoas têm dela? A liderança conhece as suas próprias fraquezas e os seus próprios limites? Sabe quais expectativas que lhe são direcionadas? Como as compatibiliza com as suas próprias expectativas? Liderar com competência implica deparar-se com estas perguntas e abrir-se para o desenvolvimento da própria personalidade.

COMPETÊNCIAS MINISTERIAIS

Vocação: fazer com paixão! Cat. Dra. Haidi Drebes | Secretária da Habilitação ao Ministério P. Nilo Orlando Christmann | Pastor Sinodal do Sínodo Mato Grosso Um experiente Presbítero de uma Comunidade do interior disse: ‘A gente percebe quando um Pastor faz o seu trabalho por vocação ou apenas por fazer’. Esta frase, dita há mais de 20 anos, continua viva na lembrança. Aquele homem, na sua simplicidade, estava falando sobre a diferença entre exercer o Ministério com paixão ou apenas como uma tarefa. Na IECLB, recentemente foram descritas as competências esperadas de Ministros e Ministras. Na competência Vocação, o primeiro quesito para o exercício do Ministério é que a pessoa evidencie, por meio de ações, entusiasmo e compromisso com o chamado ministerial e faça do seu modo de vida um testemunho coerente com aquilo que prega/anuncia. Percebemos que, tanto no Antigo como no Novo Testamento, Deus chamou pessoas, confiandolhes tarefas. Deus não abriu mão de envolver pessoas para anunciar a sua vontade e Ele chama para a Missão também por meio do Ministério com Ordenação. Como saber se é ou não uma pessoa vocacionada para o Ministério? No decorrer da história, a Igreja entendeu que a vocação po-

de ser verificada a partir de dois critérios básicos: a) A pessoa se sente pessoalmente chamada - definida como vocação interna. b) Outras pessoas (a Comunidade) enxergam que a pessoa leva jeito para exercer o Ministério - denominada como vocação externa. Na prática, o despertar da vocação pode ocorrer de várias maneiras. É bastante comum que outras pessoas percebam os nossos dons antes mesmo que nós os percebamos. Exercer o Ministério com Ordenação não é exatamente sinônimo de exercer uma profissão, pois requer confirmação do chamado, da vocação. No entanto, assim como ocorre com outras profissões, o bom preparo e o entusiasmo (a paixão) naquilo que é da sua competência fazem toda a diferença. Justamente isso é o que se procura verificar no processo de ingresso no Ministério com Ordenação. Contudo, o desafio do bom preparo e do entusiasmo (da paixão) no exercício do Ministério continua válido, ao longo da vida, para Ministros e Ministras. Como disse o Presbítero mencionado no início, a Comunidade percebe o que pulsa no coração das suas lideranças espirituais.

TEMA DO ANO

Tema 2018: Igreja, Economia, Política Trechos da Mensagem da Presidência para o Tema da IECLB em 2018 O que Igreja tem a ver com Economia e Política? Na tradição evangélico-luterana, tem tudo a ver! Lutero considerou estes três âmbitos da vida como Ordens da Criação Divina. Com o Tema do Ano 2018, a IECLB traz à tona esta importante temática da Reforma. Segundo Lutero, a Igreja é a primeira ordem estabelecida por Deus. Essa Igreja consistia basicamente na Palavra que Deus dirige ao ser humano e na resposta de gratidão que Deus espera. Na compreensão luterana, cada pessoa é chamada a ouvir o Evangelho, reunir-se em Comunidade, contribuir com recursos e dons e dar testemunho da vontade de Deus. Lutero compreende esse testemunho como cooperação com Deus para o melhoramento do mundo. Depois da Igreja, foi instituída a Economia, para proporcionar o sustento da vida. A palavra Economia provém do termo grego oikonomia, que significa as normas de administração da casa. A casa (oikos) era a unidade básica de produção na Antiguidade. A Economia englobava matrimônio, família e todas as relações de produção fundamentadas na casa. A Economia organiza a produção e a distribuição justa dos meios de sustento da vida. Para Lutero, a Igreja e a Economia subsistiam em sua forma ideal no paraíso. Ali, o ser humano tinha autonomia para organizar a sua vida. Porém, em vez de viver responsavelmente a sua liberdade, caiu em pecado e se afastou da vontade de Deus. Com o pecado, a liberdade do ser humano se transformou em poder que ameaça a vida. Por este motivo, Deus instituiu a Política com a tarefa de manter a ordem, proteger contra a corrupção e promover a justiça econômica. Na argumentação de Lutero, Igreja, Economia e Política são utilizadas por Deus para efetivar a sua vontade no mundo por Ele criado e cada pessoa é chamada a atuar com Deus nestes três âmbitos da vida. Para mais informações, acesse o Portal Luteranos


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PRESIDÊNCIA

O próprio Deus estará com eles e será o Deus deles! Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor Pa. Sílvia Genz | Pastora 1a Vice-Presidente da IECLB

Ainda ecoam os sons do hino Cristãos, alegres jubilai, presente no Livro de Canto da IECLB (484), lançado neste ano, marco do Jubileu de 500 anos da Reforma. Mais forte ainda soa a notícia: doamos um milhão para a Missão de Deus! Parece que conseguimos entrar ainda mais nas picadas e nos becos, pois Missão é isso: encontrar as pessoas, perto de nós e nos mais distantes lugares do nosso Brasil. Para isso, precisamos de cada centavo que, com amor, foi ofertado e, com responsabilidade, será empregado. Precisamos perceber que essa ação nos ajuda a ser e a viver Comunidade em

crescimento, não só em número, mas como testemunho do amor e da justiça de Deus. A Campanha Nacional de Ofertas para a Missão Vai e Vem é expressão do amor entre irmãos e irmãs na fé. É por isso que só temos motivos para agradecer a Deus! Fato é que boas notícias fazem bem em meio aos tristes acontecimentos do nosso dia a dia: corrupção, falta de ética, guerras, preconceito, violência, mentira... Chega! A Boa Notícia anunciada pelos anjos renova as nossas esperanças de testemunhar a presença de Cristo conosco: Hoje vos nasceu, na cidade de Davi, Cristo o Salvador (Lc 2.11).

Não estamos comprometidos com a nossa causa, nem com a do próximo, mas, sim, com a causa do próprio Deus. Martim Lutero

Muitas vezes, a nossa vivência como pessoas cristãs é tal qual a caminhada de Maria, com o seu ventre pesado, sem lugar, com as dores do parto, pelo novo mundo de amor, justiça e respeito entre os povos e as pessoas... ‘Marias’ e ‘Josés’, apoiados em uma caminhada difícil, mas envolvidos por um projeto divino. Deus inverte os valores que são importantes para o mundo e nasce em meio a uma estrebaria, é anunciado aos miseráveis pastores nos campos de Belém, mas é reconhecido e venerado pelos sábios do Oriente. Podemos crer e confiar no Plano de Deus. Como lemos em Apocalipse 21.3-5a: Agora a morada está entre os seres humanos! Deus vai morar com eles, e eles serão os povos dele. O próprio Deus estará com eles e será o Deus deles. Ele enxugará dos olhos deles as lágrimas. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor. As coisas velhas já passaram. Agora faço novas todas as coisas. Com fé no Deus conosco, podemos comemorar o Natal e iniciar o ano de 2018 com abraços calorosos e carregados de saudade e esperança sem fim. Agradeço a Deus, à minha família, à Comunidade Picada 48 Baixa e a cada pessoa que orou e pediu a Deus para o bem servir na IECLB. Sejamos unidos e unidas em Cristo para um bom Natal.

AGENDA | DEZEMBRO 1/12

RETROSPECTIVA

4-6/12

Quem é membro da IECLB? Assim, a Igreja está sempre chamada a proclamar a Boa Nova do Evangelho, da Justificação pela Graça de Deus e, desta forma, a constituir e fortalecer a Comunidade, conclamando e exortando os seus membros a atuarem ativamente na Comunidade e com fidelidade também em suas vidas pessoais e na sociedade. Desta forma abrangente, a IECLB acolhe como os seus membros aquelas pessoas que são batizadas e reconhecem as bases confessionais da Igreja, sem impor outras condições que viriam a

atribular as suas consciências e a criar duas categorias de pessoas cristãs, umas superiores e outras inferiores – o que seria uma negação do ser Igreja e do próprio amor de Deus. Logo, são membros da Comunidade (e, por meio dela, da IECLB), todas as pessoas batizadas (portanto, inclusive as crianças batizadas), reconhecidas as Bases Confessionais da IECLB. Posicionamento Quem é membro da IECLB? (2007)

7/12

11/12

Comissão de Designação e Envio Porto Alegre/RS P. Nestor Friedrich Pa. Sílvia Genz P. Inácio Lemke

Reunião de Lideranças da Federação Luterana Mundial (FLM) Genebra/Suíça P. Nestor Friedrich

Encontro com Papa Francisco Comitiva Federação Luterana Mundial (FLM) Roma/Itália P. Nestor Friedrich

Reunião da Diretoria do Conselho da Igreja Porto Alegre/RS P. Nestor Friedrich

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FORMAÇÃO EDUCAÇÃO CRISTÃ CONTÍNUA

ECC e vivência comunitária: dando significado à vida Pa. Beatriz Regina Haacke | Ministra na Paróquia Trindade, em Pelotas/RS Desde muito cedo, as Comunidades Cristãs entendem o Batismo como ponto de partida na vida de fé e comunitária, ou seja, para ser vivido no dia a dia. É possível viver o Batismo no cotidiano sem o aprendizado da fé? A fé é dom de Deus, que é acolhido pelo ser humano por meio da Educação Cristã Contínua. A partir do momento em que batiza crianças, a Comunidade assume o compromisso de proporcionar um ambiente no qual elas possam ser educadas na fé cristã. Ocorre que se tem muito presente a ideia que a Educação Cristã acontece apenas no período do Ensino Confirmatório. A Educação Cristã perpassa toda a vida comunitária e a vida comunitária se expressa em diversas experiências educativas, seja com crianças, jovens, pessoas idosas, homens ou mulheres. Em todos os momentos da vida, o ser humano tem o potencial de aprender e ensinar.

A educação tem a capacidade de nos fazer entender e significar a existência sob outro olhar. Na Comunidade Cristã, não é diferente. A partir da Educação Cristã, este olhar traz a perspectiva do Evangelho. Assim, a Educação Cristã no âmbito da Comunidade pode ajudar as pessoas a relacionarem o Evangelho com as suas vidas. É intrigante o modo como Jesus contava parábolas para ensinar as pessoas sobre o Reino de Deus: como explicar a grandeza do Reino de Deus, a que ele é semelhante? Jesus disse: é como uma pequena semente que cresce, torna-se uma árvore, dá frutos e sombra e abriga muitos pássaros em seus galhos. Promover a educação de maneira compreensível capta a atenção de crianças e pessoas adultas, ricas e pobres, letradas ou não. Jesus conhecia o poder de uma história bem contada. Muito mais que isso: ele sabia ensinar de forma que todas as

pessoas entendessem, desde os sábios mestres da lei até os humildes pescadores que o seguiam, porque ele conseguia dar sentido às experiências da vida das pessoas. Ele chegava ao seu coração. Práticas descontextualizadas dificilmente se tornarão significativas. Como pessoas que anunciam o Evangelho e vivem a partir do mesmo, podemos aprender de Jesus a enriquecer as nossas ações educativas na Comunidade. Quando a Comunidade consegue cumprir a sua missão educativa, tornando significativo o conteúdo da fé cristã para os seus membros, as pessoas compartilham essa mensagem na sociedade, pois encontram resposta para as suas perguntas e sentido para a sua existência. Ali onde estão, podem dar o seu testemunho, promover e proclamar a vivência da fé. Vivem, assim, como comunidade de pessoas batizadas, chamadas a servir.

CRIANÇAS | PROPOSTA METODOLÓGICA

Material necessário Um exemplar da Revista O Amigo das Crianças nº72, pedrinhas, botões, latas pequenas, papéis coloridos, tesoura, cola e potes.

Momento 3 Há novos arranjos para o hino composto por Lutero Deus é castelo forte e bom. Você pode escutá-lo com as crianças e criar com elas uma coreografia. Outra canção bastante conhecida é Noite feliz. Uma possibilidade é fazer um coral com as crianças e ensaiar este hino para cantar na noite de Natal.

Momento 1 Leia a história Música: presente de Deus, converse com as crianças e, se preferir, motive para que pesquisem sobre o alaúde e outros instrumentos musicais.

Dica Presenteie as crianças com uma assinatura da Revista O Amigo das Crianças! Além ser um presente interativo, promove o ensino da Palavra de Deus!

Momento 2 Produza uma oficina com a criação de instrumentos musicais (chocalhos), usando sucata: coloque algumas pedrinhas ou botões dentro de latas pequenas ou potes, feche bem e decore com motivos natalinos.

Sugestão extraída da Proposta Metodológica para uso da Revista O Amigo das Crianças, nº 72. Leia a Proposta Metodológica completa e saiba como assinar a Revista O Amigo das Crianças no Portal Luteranos

Natal com música

www.est.edu.br

Katharina na EST Em celebração aos 500 anos da Reforma, a EST inaugurou, em 27 de outubro, um Memorial às Mulheres do Movimento da Reforma, contendo uma escultura em tamanho natural da reformadora Katharina von Bora. “Muitas são as mulheres que participaram neste movimento, mas os seus nomes e as suas histórias foram invisibilizadas e a contribuição delas foi historicamente desconsiderada e/ou inferiori-

zada”, afirmaram a Pa. Dra. Marli Brun e a Pa. Dra. Marcia Blasi, do Programa de Gênero e Religião da Faculdades EST. No diálogo com a Artista Nina Eick, responsável pela produção da obra, a equipe do Programa pediu uma Katharina em movimento, inspirada na escultura existente na Alemanha, em Wittenberg. Solicitaram, ainda, que tivesse na roupa o colorido latino-americano expresso em mosaico e um livro na mão, representando a sua espiritualidade, a importância dos processos de formação e profissionalização na vida das mulheres, além da relevância da educação no movimento da Reforma. A escolha da personagem homenageada envolveu vários critérios, entre eles o de ser a mulher do movimento da Reforma mais conhecida no Brasil e na América Latina. Entretanto, ela é conhecida basicamente como ‘a esposa de Lutero’, a ‘auxiliadora de Lutero’.

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Katharina foi protagonista da sua história de vida e fé antes, durante e depois do casamento. A administração da propriedade, o trabalho com plantas medicinais, o atendimento às pessoas doentes, os estudos teológicos, ações realizadas após o casamento, representaram a continuidade do que ela já fazia no convento, embora motivada por uma concepção de fé que ampliou o seu sentimento de liberdade perante Deus e perante o mundo. Também estavam presentes no ato de inauguração o Prof. P. Dr. Wilhelm Wachholz, Reitor da EST, a Pa. Dra. Elaine Neuenfeldt, representando a Federação Luterana Mundial (FLM), a Pa. Sílvia Genz, Pastora 1ª Vice-Presidente da IECLB, o P. Me. Martin Volkmann, em nome das mulheres da Obra Gustavo Adolfo da Alemanha (GAW), Wilhelmina Kieckbusch, pela Ordem Auxiliadora de Senhoras Evangélicas (OASE), entre outras pessoas.


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DIVERSIDADE

Quem está unido com Cristo é uma nova pessoa Em Jesus Cristo é possível ser novo homem P. Dr. Mauro Souza | Secretário da Ação Comunitária

Se você fosse ensinar o seu filho sobre o que é ser homem, o que você diria? O que é, afinal, ser homem? O que é ser humano do gênero masculino? Ser homem é ser forte, corajoso, empreendedor, destemido? É ser sensível, calmo, sábio, intuitivo? Ser homem é nunca levar desaforo para casa, ir ao estádio para xingar a mãe do juiz, buzinar na sinaleira quando o carro da frente demora a arrancar no sinal verde? É preocupar-se em ajudar a pessoa idosa a atravessar a rua, ceder o banco no ônibus para a gestante, doar sangue três vezes ao ano? Será que ser homem é ser um pouco de cada? Perguntas difíceis e que, como quase tudo hoje em dia, não encontram respostas definitivas. Tanto homens quanto mulheres são seres

sociais. Nascem, crescem e pertencem, portanto, a determinada cultura que tem muita pressa e experiência em atribuir expectativas específicas a cada um e cada uma. Aos homens, são atribuídas – de fato, impostas – algumas qualidades. Muitas dessas qualidades não contribuem para uma vida tranquila, saudável, respeitosa. Ao contrário, trazem sofrimento, dor, aflição. Por exemplo, quando a cultura afirma que homem precisa ser forte física e emocionalmente, impõe pesada carga e impele a usar da sua suposta força em quase tudo o que faz: nos relacionamentos, no lar, no trabalho e na rua. Sim, homem pode ser forte, mas a sua força precisa estar subordinada aos sentimentos de compaixão, empatia e solidariedade.

A IECLB valoriza tanto a participação de homens quanto de mulheres. Todas as pessoas são importantes na Missão de Deus. Parte dessa Missão está relacionada a pregar o Evangelho, a Boa Notícia de Deus em Cristo, para todas as pessoas. Se, por um lado, a ação de pregar o Evangelho precisa levar em conta a cultura, por outro lado, podemos afirmar que o Evangelho é maior que a cultura. Toda vez que algum elemento cultural ferir o Evangelho, é o Evangelho que deve prevalecer. O Evangelho modifica a pessoa, como o apóstolo Paulo afirma, Quem está unido com Cristo é uma nova pessoa; acabou-se o que era velho, e já chegou o que é novo (2Cor 5.17). O machismo, por exemplo, é um elemento cultural muito, mas muito difundido. É o pecado da presunção da superioridade de homens sobre mulheres. Como tal, precisa ser questionado, pois vai contra o Evangelho, que afirma que Jesus Cristo viveu, morreu e ressuscitou para que – todas – as pessoas tenham vida digna. Felizmente, na interação entre Evangelho e cultura, esta última evolui e se modifica. Apesar de resistências muito fortes, já existem novos modelos de masculinidade... Há novas formas culturais de ser homem, que incluem parceria, diálogo, companheirismo, divisão equitativa das tarefas do lar e da criação de filhas e filhos, apoio às lutas das mulheres por espaço, trabalho, respeito e justiça. Estes novos modelos são benéficos, porque tiram do homem o peso de ter que ser aquilo que muitos não querem ser. Assim, temos um mundo menos desigual, menos violento, menos injusto e sinais do Reino mais presentes entre nós.

PRONUNCIAMENTO

Creio em Deus, mesmo que todos me abandonem ou persigam. Martim Lutero

Testemunho, em palavras e ações! As reflexões na XI Convenção nos fizeram perceber a necessidade de novamente colocar a Palavra de Deus na centralidade da convivência cristã, na busca de sermos Comunidades mais criativas, participativas, atrativas e inclusivas. Deus criou um mundo de forma harmoniosa e bela, com muita variedade, e confiou ao ser humano a responsabilidade de cuidá-lo e nele ser feliz. [...] Sentimo-nos desafiados a agir, a fazer

diferença, unidos pela Palavra de Deus, que nos recoloca no caminho da verdadeira vida. Conclamamos os Núcleos da Lelut, os cristãos e as cristãs a se unirem na meta para 2018/2019: Lelut: testemunhando, em palavras e ações, a ética cristã na sociedade. Mensagem da XI Convenção Nacional da Legião Evangélica Luterana - Lelut Setembro/2017

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Jorev Luterano - Dezembro 2017

UNIDADE

UNIDADE

Série Especial

Lutero - Reforma: 500 anos

Paternidade responsável

O sentimento que se avoluma entre as pessoas das mais diferentes camadas sociais é que pouco ou nada vale a pena, a incerteza que abandona e destrói, tornando as pessoas céticas quanto ao triunfo final do bem e da verdade.

O mundo em que vivemos é hoje um lugar extremamente polarizado por discórdias que parecem não ter fim. Devido a esta realidade, constatamos que temos cada vez menos tranquilidade interior. Para preencher esta ausência de paz, este angustiante vazio, buscamos incessantemente sensações de prazer que possam camuflar os sentimentos de medo e insegurança quanto a um futuro que não se apresenta de modo promissor. Um exemplo destes fatos pode se ver em recente indicador de pesquisa, que aponta um crescimento de 33% na taxa de suicídios no Brasil nos últimos dez anos. A investigação se relaciona com a faixa de brasileiros na idade de 15 a 29 anos, fase da vida em que as pessoas, de modo geral, são mais imediatistas e buscam prazeres

Prof. P. Dr. Gerson Joni Fischer, Ministro Voluntário na Paróquia Cristo Salvador, em Curitiba/PR

que deem retorno instantâneo (Revista Galileu, 2017). A este respeito, o Escritor Rubem Amorese (Excelentíssimos Senhores) argumentou que pode se verificar entre os filhos da nação brasileira, a saber, entre os mais jovens, um clima de desânimo. Fundamentado na passagem bíblica de Colossenses 3.21, Pais, não irritem seus filhos, para que eles não desanimem, ele afirma que a escassez de modelos de liderança no âmbito da família e das mais distintas instituições da nossa sociedade, que transmitam confiança e segurança, têm levado as gerações dos mais novos a adotarem atitudes de descaso e agressividade. Revela-se entre estes um estado emocional crescente de pusilanimidade, sendo algumas de suas características a desmotivação, o medo e a tristeza. O mais preocupante, destacando-se aqueles que se envolvem com a promoção e a manutenção da saúde pública, é que este estado de coisas se apresenta como terreno fértil para o aguçamento dos transtornos mentais, com os seus distúrbios típicos de ansiedade e depressão. A raiva incontida, que é a manifestação externa destes desajustes, emerge diariamente na forma de atos impetuosos de violência e destruição. A socialização, tão necessária para o convívio social, está mais difícil de ser obtida e mantida devido à impulsividade reativa de sempre mais pessoas.

É neste contexto desagregador (a bem da verdade não típico apenas da sociedade brasileira contemporânea, antes, um fenômeno global), que se instala a relativização de valores universais fundamentais, a exemplo do respeito, da justiça, da honestidade e da responsabilidade. O sentimento que se avoluma entre as pessoas das mais diferentes camadas sociais é de que pouco ou nada vale a pena, a incerteza que abandona e destrói, tornando as pessoas céticas quanto ao triunfo final do bem e da verdade. O ser humano neste contexto ‘tornou-se tão cético e inseguro de valores, que já não consegue mais se perceber como um lutador contra o mal e em favor do bem’, citando-se aqui palavras da Psicóloga Deusa Rita Tardeli Robles (Revista Psicoteologia, 2013). Quem são os responsáveis por esta situação, por este fenômeno? A resposta a esta pergunta possui muitas variáveis, não sendo possível determinar com clareza os envolvidos. De algum modo, todos nos tornamos partícipes desta situação. Retomamos as reflexões de Amorese, ao reconhecermos que todos nós necessitamos de modelos de liderança a partir dos quais constituímos o nosso código de valores, espelhamos as nossas decisões e ações. Pais e mães, líderes de todas as espécies, presentes em distintos setores da sociedade, se destacam como personagens centrais para a forma-

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ção da personalidade e do caráter das gerações que vão seguindo. Se estas forem pessoas de alma apequenada (hoje há quem prefira o termo psique, em lugar de alma), assim serão também as que as seguem. ‘Muitos dos assaltos, assassinatos, sequestros, delinquências, etc. têm a ver com pusilanimidade. A falta de solidariedade, de paternidade segura e correta produz um exército de filhos desorientados’, afirmou Amorese. Em sua explicação ao Mandamento de honrar pai e mãe (Catecismo Maior), presente no decálogo do Antigo Testamento, Lutero sustentou algo bem parecido ao até aqui discorrido, isto é, quando descreve a sua percepção de que a maioria dos pais e mães de seu tempo deixava os seus filhos e as suas filhas correr de modo solto, sem dar a estes a devida atenção: ‘A gente os deixa correr como se não fosse da nossa conta o que aprendem ou como vivem’. A consequência inevitável era a formação de gerações de jovens desanimados e desencorajados, de alma rompida: ‘Da mesma forma, os pais geralmente nada sabem. Um néscio educa o outro. Como vivem eles, assim depois vivem os filhos’. O interessante desta aproximação reflexiva de uma realidade contemporânea com aquela de cinco séculos atrás é a percepção que as torna semelhantes. Pais e mães, lideranças pastorais, Políticos e Educadores, enfim, todos os que se encontram em posição de destaque, foram postos por Deus ao seu lado para por em prática uma paternidade social responsável entre os mais jovens. Ambos, Amorese e Lutero, concordam que a paternidade a ser exercida por todos e todas que, de algum modo, assumem funções de liderança, decorre da paternidade divina levada a efeito entre as suas criaturas, apontando claramente para uma ordem estabelecida pelo Criador. ‘Dessa maneira separa e destaca pai e mãe acima de todas as outras pessoas na terra e os põe ao lado dele’ (Catecismo Maior). Vale esclarecer aqui que, ao se defender uma a paternidade responsável a ser desenvolvida pelas mais variadas

liderança nos meios sociais, não se tem em mente adentrar em uma discussão relacionada com gênero. O que se propõe é que as pessoas mais velhas são chamadas por Deus a se transformarem em lugar de abrigo e segurança para os mais jovens, modelos de referência. Narrar acerca de paternidade social aponta primeiramente para Deus Pai,

A nossa força vem de Deus. A aliança de Deus conosco, em Cristo, é a da alegria. Assumimos liderança responsável enquanto pessoas cristãs sempre por extensão daquela atitude que nos reconciliou e abraçou: a amorosa paternidade divina.

como aquele ser que nos acolhe e guia. O termo pai é semelhante em sentido à palavra pátria, indicando o lugar em que os filhos e as filhas de uma nação se sentem em casa. No contexto da matéria a que se fez referência no início, isto é, da pesquisa que aponta para um crescimento da taxa de suicídios entre jovens no Brasil, constata-se também que o que mais estes anseiam é encontrar pais, mães, Educadores, líderes de modo geral, que os ouçam e percebam, atuando responsavelmente por seu futuro. ‘Conversar sem pressa ou preconceito, mostran-

do preocupação e perguntando como pode ajudar’ (Revista Galileu, 2017) é a deixa a ser assumida como dívida em relação às próximas gerações. No que diz respeito à realidade social brasileira, em profunda crise de identidade e valores, se demanda uma genuína atitude de arrependimento em relação ao estado de coisas a que se chegou, um voltar-se ao Deus Pai e, então, ao próximo. No ano em que comemoramos os 500 anos da Reforma da Igreja, somos convidados e convidadas a rememorar o que fez e disse Lutero acerca de temas candentes da sua época, a exemplo do aqui proposto. Vem deste a lembrança enfática do que o apóstolo Paulo já afirmara nos inícios da era cristã: O justo viverá por fé (Rm 1.17). Todas as pessoas que hoje confessam a fé em Jesus Cristo, o Filho de Deus e, em seu nome, foram batizadas, sabem e assumem que a coragem para enfrentar os desafios da vida do presente tempo vem de Deus. O seu Espírito que sopra entre nós nos ensina, defende e acompanha nisto. ‘O retorno à lei da graça é capaz de nos devolver a humanidade nas relações filiais e fraternais. [...] Evangelizar uma sociedade urbana violenta como a das grandes metrópoles brasileiras, entre outras coisas, é provar-lhes, por meio do `testemunho do cordeiro´, da vida cotidiana da Igreja, que ainda é possível viver uma boa relação entre pai e filho; uma relação saudável e graciosa’ (Excelentíssimos Senhores). Não há justificativa para desânimo, para pusilanimidade, pois é possível se alegrar sempre no Senhor (Fp 4.4). Dele vem a nossa força. A aliança de Deus conosco, em Jesus Cristo, é a da alegria. O Novo Testamento é o testamento da alegria, afirmou certa feita o Reformador. Assumimos liderança responsável enquanto pessoas cristãs sempre por extensão daquela atitude que nos reconciliou e abraçou: a amorosa paternidade divina. Nenhum mal precisa se perpetuar. Medo, insegurança, raiva e violência podem ser diariamente depositados diante daquele que reanima e renova as forças para lutar a favor de salvação e vida plena para as futuras gerações.

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FÉ LUTERANA

A confissão luterana no meu dia a dia P. Frederico Carlos Ludwig | Ministro na Paróquia Centro, em São Paulo/SP Atuando como Pastor na Paróquia Centro de São Paulo desde agosto de 1998, em inúmeras ocasiões fui perguntado em que Igreja trabalho. Respondendo, dizia: sou da Igreja Evangélica Luterana, sou luterano. Imediatamente, vinha uma nova pergunta: Luterano, que Igreja é essa? Essa pergunta, em muitas oportunidades, me levou à reflexão: Será que ainda sabemos o que é ser luterano? Conhecemos a Teologia Luterana, que nos fala, entre tantos temas, sobre justificação por graça e fé, sacerdócio geral de todas as pessoas crentes e os quatro pilares da Reforma (Somente Cristo, Somente a Fé, Somente a Escritura e Somente a Graça), muito conhecidos e estudados. Lutero nos deixou um legado imenso nos seus escritos, que, até os dias de hoje, são estudados e objeto de teses e doutorados. Lembro das 95 Teses, do Catecismo Menor, da Liberdade Cristã, do Cativeiro babilônico da Igreja, entre tantos outros. Sabemos da preocupação de Lutero com as pessoas necessitadas. Em teoria, sabemos o que é ser luterano, luterana! A questão é se, em

nossa vida, vivenciamos o que sabemos em teoria! Muitas vezes, vejo que há um abismo imenso entre a teoria e a prática. Será que, em nossa vida pessoal e comunitária, se manifesta a nossa base teológica? Quero deixar algumas perguntas para reflexão: A nossa vida de fé, como anda: te-

Em teoria, sabemos o que é ser luterano, luterana, mas a questão é se, em nossa vida, vivenciamos o que sabemos em teoria! mos lido e estudado a Palavra de Deus continuamente, temos orado com regularidade? Participamos dos Cultos? A nossa contribuição para os trabalhos desenvolvidos pela nossa Igreja são uma expressão da nossa fé ou apenas uma obrigação financeira, no intuito de estarmos em dia com a Igreja e o

coração aliviado diante de Deus? Como andam a nossa Comunidade, a nossa Paróquia? A nossa Paróquia e a nossa Comunidade são vivas, acolhedoras? A nossa Paróquia e a nossa Comunidade têm compromisso com a diaconia, com o amor ao próximo ou são como um ‘clube religioso’, que nos proporciona ‘autossatisfação religiosa’? São perguntas críticas, entre tantas outras, sobre as quais deveríamos refletir continuamente. Essa reflexão é importante para que a nossa vida de fé seja um espelho daquilo que sabemos em teoria. Lembro das palavras de Tiago 1.22 em sua carta: Tornaivos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos. Finalizo com a palavra do apóstolo Paulo aos Romanos (12.2): Não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Para refletir, leia Tiago 1.22

Sou luterano! Sou luterana! Pa. Paula Naegele | Ministra na Paróquia de Farroupilha/RS Será que nos perguntamos a razão de sermos luteranos e luteranas? Para algumas pessoas, isso é ‘automático’, seguindo a tradição familiar. Afinal, muitas pessoas, nascem em ‘berço luterano’, são batizadas, confirmadas e ali seguem, participando da sua Comunidade. Para outras, é uma opção, por entendimento, acolhimento, profissão de fé! Dizer que somos luteranos e luteranas é afirmar a nossa fé nesta confessionalidade que nos envolve enquanto Igreja neste Brasil afora. Afirmamos que celebramos e confessamos a nossa fé em um Deus, Trino, que nos salva e liberta por graça. Viver desta graça tem outro sentido, pois o nosso entendimento é que servir ao próximo, nesta Seara aonde Deus nos envia, não é imposição. Servimos em resposta ao amor de Deus, que nos alcança e motiva a cuidar daquilo que Ele criou. Para este servir, todas as pessoas são chamadas: crianças, jovens, homens, mulheres e pessoas idosas, independente das suas capacidades motoras, intelectuais, gênero ou etnia.

O seu amor é incondicionalmente verdadeiro e duradouro. Ao entender e crer nisso, o nosso compromisso é manter a nossa confessionalidade viva, em nossas palavras e em nossas ações. Estamos sempre sendo testados e testadas pela nossa realidade e pela situação do nosso país. Os nossos va-

Dizer que somos luteranos e luteranas é afirmar a nossa fé nesta confessionalidade que nos envolve enquanto Igreja neste Brasil afora. lores e a nossa fé são postos à prova quando presenciamos tanta violência, medo, dor e sofrimento. Muitas vezes, não sabemos o que fazer! Parece até que agir em prol do próximo sem esperar nada em troca é um fato inédito! Da mesma forma, propagar a justiça, com humildade e respeito, parece ser uma atitude estranha!

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É difícil, mas, mesmo que contra a maré, precisamos continuar remando, buscando a força na fé, para gerar movimento e transformação, e intercedendo ao Deus da graça, misericórdia e amor, para que haja discernimento! Nesta realidade complexa em que vivemos, necessitamos de mais paciência ao invés de raiva. Necessitamos falar mais sobre a misericórdia e o perdão, que libertam do peso da culpa. Em meio ao julgamento e à indiferença, o nosso desejo é que haja acolhimento, graça e paz. Que tenhamos coragem para fazer a nossa parte, em meio à nossa rotina diária, em nosso trabalho, em nossa Comunidade. De atitude em atitude, de palavra em palavra, estaremos transformando a nossa realidade. Isso é ser luterano e luterana na vida, na prática diária, sem muita complicação! Queira Deus que possamos perceber as novas maneiras de testemunhar o seu amor, vivendo sob a graça, que não nos deixa esquecer das bênçãos e alegrias do dia a dia! Para refletir, leia 1Pedro 1.3-12


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PERSPECTIVA

Saibamos agradecer e nos mover com e pela causa do Evangelho!

Muito obrigado! Muito obrigada!

Profa. Dra. Ema Marta Dunck Cintra | Docente no Instituto Federal de Mato Grosso e Presidente do Conselho da Igreja Certo dia, ouvi uma palestra do Educador Antônio Nóvoa, em que ele falava sobre o que significa agradecer. Ele se reportou aos três níveis de gratidão de São Tomás de Aquino, explicando que há um nível mais superficial, um nível intermédio e um nível mais profundo. O superficial é aquele que evidencia o reconhecimento intelectual, cognitivo. O segundo é o agradecimento em que se dá graças a alguém por aquilo que fez por nós. O mais profundo é o do vínculo. É quando nos sentimos comprometidos e vinculados com essas pessoas. Nóvoa diz que, em Inglês, se agradece no nível mais superficial. Quando se diz thank you, se agradece no plano intelectual e que, na grande maioria das línguas europeias, o agradecimento é no nível intermediário da gratidão. O Educador traz como exemplo o Francês merci, o Italiano grazie, o Espanhol gracias. Dou-lhe uma mercê por aquilo que me deu. Dou-lhe uma graça por aquilo que me trouxe. É nesse sentido que eu lhe agradeço. Estou grato. Estou grata! Para nós, falantes da Língua Portuguesa, de acordo com Nóvoa, o agradecimento se dá no terceiro nível, o nível mais profundo do tratado da gratidão. Nós dizemos obrigado, obrigada. Obrigado quer dizer que se fica ‘obrigado’ perante o outro, vinculado e comprometido perante ele. Que lindo e profundo! Um passeio por essa palavra que faz parte do nosso dia a dia nos

leva a refletir sobre aquilo que ela essencialmente significa e que nos impulsiona a fazer quando é proferida. Nós nos vinculamos e nos comprometemos com aquela pessoa a quem nós agradecemos. Neste ano em que comemoramos o Jubileu da Reforma, temos muito a agradecer. Agradecemos pelos primeiros Reformadores, pelas primeiras Reformadoras e por todas aquelas pessoas que vieram depois e se encontram em cada espaço do Brasil e do mundo levando a Palavra de Deus e a praticando na sua Comunidade, em sociedade. Especialmente, precisamos compreender que, quando dizemos Muito obrigado, Muito obrigada pelas bênçãos que Deus nos tem dado nesses 500 anos da Reforma, significa que nós estamos obrigados e obrigadas, comprometidos e comprometidas, vinculados e vinculadas fortemente a Deus, o que nos chama ao comprometimento com aquilo que Ele nos falou para fazermos. Nesse ano que finda, que cada vez mais saibamos agradecer a Deus e saibamos que esse agradecimento nos envolve e nos compromete. Para isso, precisamos fortalecer o nosso vínculo com Deus por meio do estudo da sua Palavra e da prática diária do amor cristão, que não se acomoda, mas se preocupa e se ocupa com aquelas pessoas pelas quais Jesus veio ao mundo. Que saibamos agradecer e nos mover com e pela causa do Evangelho!

Onde existe fé, por meio da qual somos justificados e justificadas, ali também deve haver boa consciência. Martim Lutero

Olhares desviados do alto para baixo, do poder para o serviço

Com Jesus, Feliz Natal!

P. Dr. Oneide Bobsin | Docente na Faculdades EST, em São Leopoldo/RS Esta é a nossa experiência diária: todas as pessoas estão em busca de coisas acima delas: honra, poder, riqueza, conhecimento, bem-estar e tudo o que é ‘grande’ e ‘elevado’. Onde existem pessoas assim, todas as demais se agregam a elas, a elas recorrem, a elas servem com prazer, para fazer parte em sua posição elevada. Por outro lado, ninguém quer olhar para baixo, onde existe pobreza, ignomínia, miséria, desgraça e angústia. Disso, todo mundo desvia o olhar. Em lugares onde existem tais pessoas, todas as demais se afastam, evitam, repudiam, abandonam. Ninguém se lembra de ajudá-las, socorrer e trabalhar para que sejam algo. De quem poderiam ser essas palavras tão duras, mas tão verdadeiras? De algum Pensador com ideias revolucionárias? De alguém que quer fazer a subversão da nossa sociedade? De um Teólogo ou de uma Teóloga amigo ou amiga de comunistas? Se alguém pensou coisas assim, enganou-se redondamente. São palavras de Martim Lutero, tão lembrado durante o ano em curso, em razão dos 500 anos Reforma. De fato, são palavras subversivas, porque nos fazem olhar para baixo, como é o olhar de Deus. Como nada há acima dele, Ele só olha para baixo. Quem olha só para cima não vai encontrálo. O Apocalipse nos lembra que Deus fez morada entre nós.

Lutero termina a sua frase citando o apóstolo Paulo, conforme Romanos 12.16: Prezados irmãos, não atenteis para as coisas elevadas, mas solidarizai-vos com as humildes. A descida de Deus no Jesus criança, em uma estrebaria, subverte todos os nossos valores que estão levando o planeta ao desastre e gerando o aumento da pobreza entre a maioria e a concentração de riqueza nas mãos da minoria, que vive do capital especulativo, com uma taxa média internacional de 7,5%, enquanto o capital produtivo fica com os minguados 2,5%. Quem produz é relegado, quem especula, desloca riqueza dos mais pobres para os mais ricos. Aí, temos mais uma atualidade de Lutero: a usura por ele combatida atualizar-se-ia na crítica ao capital especulativo que ‘se adona’ do mundo e da vida da maioria. A explicação de Lutero do Cântico de Maria, do livro de Lucas, reforça a fé no Deus que olha para baixo. Observem as palavras de Lutero: por isso, essa maneira de ver as coisas, de olhar para as profundezas, para a miséria e a desgraça, é exclusiva de Deus. Ele está junto a todos que se encontram nas profundezas, conforme 1Pe 5.5. Neste Natal, teremos mais uma oportunidade para desviar os olhares do alto para baixo, do poder para o serviço, da glória para as pessoas crucificadas pelo lucro, da especulação para a produção. Com Jesus, Feliz Natal! Para mais informações, acesse o Portal Luteranos

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MISSÃO

Alegrias e preocupações P. Dr. Pedro Puentes | Secretário de Missão Alegres, jubilai! Sim, porque, após dez anos da Vai e Vem, veio o tão esperado ‘um milhão de reais’. Alcançamos a meta! Há alegria e gratidão para com irmãos e irmãs, lideranças, Ministros e Ministras que se mobilizaram. A alegria desta realização se soma a outras que tivemos neste ano de celebrações do Jubileu dos 500 anos da Reforma, resultado de ações envolvendo Comunidades, Paróquias, Sínodos, Setores de Trabalho, Movimentos, Instituições Confessionalmente Identificadas, etc., que oferecem um testemunho da fé evangélico-luterana. Sim, estamos de parabéns! É por isso que é digno, justo e do nosso dever nos alegrar e comemorar. Isso nos faz bem, levanta o ânimo, fortalece a nossa autoestima e reaviva a esperança! O que devemos esperar para 2018 ou, então, para 2024, quando cele-

Projetos apoiados: Vai e Vem 2018 Secretaria de Missão Estamos de parabéns! O Conselho da Igreja, na sua reunião dos dias 24 e 25 de novembro, acolheu o resultado financeiro da Campanha de Missão 2017, R$ 1.004.613,69, e os Projetos Missionários a serem apoiados em 2018 com as ofertas arrecadadas (Araucária - Sínodo Paranapanema, Nordeste de MG, Sul da BA - Sínodo Sudeste, Norte Fluminense - Sínodo Sudeste, Pastoral do Cuidado - Sínodo Rio dos Sinos, Paz - Sínodo Sul-Rio-Grandense, Ribeirão Preto - Sínodo Sudeste, Rio Brilhante - Sínodo Rio Paraná, Santa Fé do Sul Sínodo Paranapanema, São João Batista Sínodo Vale do Itajaí e Sidrolândia - Sínodo Rio Paraná). Lembramos, que 50% do valor arrecadado, descontados os investimentos na Campanha, retornam aos Sínodos (R$ 432.634,30) para o desenvolvimento de Ações Missionárias. Rogamos que Deus abençoe todas as pessoas envolvidas nesses resultados, bem como aquelas que, com fé, esperança e amor, desenvolvem Projetos nacionais e sinodais que buscam o fortalecimento de uma Igreja de Comunidades atrativas, inclusivas e missionárias.

braremos 200 anos da presença luterana em terra brasileira? Sim, há muito a comemorar, mas não podemos ocultar que, no reverso desta alegria, há preocupação com o futuro da IECLB. É por isso que temos insistido no Planejamento Missionário como uma das estratégias para a revitalização das Comunidades. Para os desafios do conjunto, a IECLB como um todo, optou-se pelo Plano Missionário, elaborado a partir dos aportes do Fórum de Missão, realizado neste ano, em diálogo constante com as diversas instâncias da IECLB. Este se encontra em um processo de construção e tem como finalidade estabelecer prioridades que marquem o rumo da IECLB nos próximos anos. De Lutero, aprendemos que não é possível escolher entre alegrias e dificuldades.

Ambas as situações fazem parte da nossa realidade - também da IECLB. Assim sendo, precisamos, ao mesmo tempo: abraçar as alegrias, mas sem criar ilusões, e acolher as dificuldades, sem, entretanto, cair na frustração e no desespero. Rogamos que Deus nos ajude a realizarmos as mudanças que fortaleçam a IECLB como uma Igreja de Comunidades atrativas, inclusivas e missionárias.

Planejamento Missionário P. Altemir Labes | Secretário Adjunto para Missão e Diaconia Estatísticas 2017 - Ano-Base 2016 - Um dos desafios da caminhada da Igreja é qualificar o desenvolvimento da coleta dos dados estatísticos, para que, assim, se possa ter um melhor instrumento a ser usado no Planejamento das Ações Missionárias. Neste ano, a IECLB lançou o aplicativo para a coleta de dados estatísticos, acessível via Portal Luteranos. Comunidades, Paróquias e Sínodos preencheram a planilha on-line. Um total de 90% de Comunidades realizaram a coleta dos dados. Com este novo aplicativo, a meta era buscar dados mais precisos nas informações coletadas, bem como a qualificação dos

processos de análise, o que possibilitou visualizar os resultados de forma totalizada e analítica: somos 643.693 membros, distribuídos em 1808 Comunidades, 483 Paróquias e 18 Sínodos, divididos em 8% crianças (0 a 10 anos), 4% adolescentes (11 a 14 anos), 14% jovens (15 a 29 anos), 37% pessoas adultas (30 a 59 anos), 16% pessoas idosas (60 a 80 anos),4% acima de 80 anos e 17% que não informaram a faixa etária. Em 2016, tivemos um total de 5.875 admissões de novos membros e 6.045 desligamentos. As estatísticas apresentaram, ainda, um total de 713 Comunidades que realizaram o Planejamento Missionário.

Resultado da Vai e Vem 2017 Coordenação da Campanha Nacional de Ofertas para a Missão Vai e Vem Para a nossa alegria, em ano de Jubileu da Reforma, 2017, na sua décima edição, a Vai e Vem superou a meta de arrecadar um milhão de reais, proposta em 2008, primeiro ano da Campanha, alcançando o montante de 1.004.613,69! Compartilhamos a arrecadação de cada Sínodo, o percentual alcançado em relação à meta, bem como os valores que retornam ao Sínodo: Amazônia (R$ 23.759,70 - 236% - R$ 11.247,39),

VAI E VEM 2017 | ANO 10

CAMPANHA NACIONAL DE OFERTAS PARA A MISSÃO

O meu coração bate pela missão!

Brasil Central (R$19.296,22-398%-R$9.344,16),Centro-Campanha-Sul (R$ 50.072,55 - 62% - R$ 20.006,69), Centro-Sul Catarinense (R$ 37.046,27 - 54% - R$ 14.219,64), Espírito Santo a Belém (R$ 106.681,10 - 120% - R$ 47.747,57), Mato Grosso (R$ 45.747,45 - 390% - R$ 22.138,22), Nordeste Gaúcho (R$ 71.898,27 - 84% - R$ 30.551,51), Noroeste Riograndense (R$ 35.033,09 - 59% - R$ 13.803,55), Norte Catarinense (R$ 84.108,12 - 85% - R$ 35.820,34), Paranapanema (R$ 52.225,04 - 223% - R$ 24.647,35), IECLB Planalto Rio-grandense (R$ 83.498,41 - 131% - R$ 37.763,03), Rio dos Sinos (R$ 49.300,00 - 78% - R$ 20.700,62), Rio Paraná (R$ 67.960,12 - 158% - R$ 31.291,46), Sudeste (R$ 50.352,28 - 171% - R$ 23.325,43), Sul-Rio-Grandense (R$ 28.745,89 - 71% - R$ 11.821,55), Uruguai (R$ 43.520,20 - 91% - R$ 18.765,95), Vale do Itajaí (R$ 102.850,90 - 80% - R$ 43.363,13), Vale do Taquari (R$ 38.575,56 - 75% - R$ 16.076,72) e Doações Individuais (R$ 13.942,52), totalizando R$ 1.004.613,69. WWW.LUTERANOS.COM.BR

Gratos a Deus, agradecemos também a todas as pessoas que têm dado a sua contribuição!

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GRATIDÃO

Fé, Gratidão e Compromisso Alegres, jubilai: vamos contribuir com alegria? P. Jorge Batista Dietrich de Oliveira | Ministro na Comunidade do Salvador, em Porto Alegre/RS

Na juventude, fui Tesoureiro na minha Comunidade de origem. A minha primeira tarefa foi realizar uma pesquisa junto ao fichário de membros, onde descobri que apenas 30% das famílias estavam contribuindo regularmente. Durante quatro anos, realizei, em conjunto com o Presbitério, um trabalho de visitação e conscientização das famílias para o maior comprometimento com a causa do Reino de Deus. Houve uma pequena revolução naquela Comunidade, que, em pouco tempo, se tornou independente financeiramente da Paróquia e, logo em seguida, investiu na contratação de um Ministro para pastorear aquele rebanho. Também experimentei uma transformação ao me sentir chamado a estudar Teologia e servir a Deus. Após duas décadas e meia, continuo acreditando que o dinheiro é dádiva de Deus para servir ao próximo e para edificar a Comunidade. É bem verdade que, olhando pelo retrovisor, recordo que falar sobre esse assunto nunca foi tarefa fácil. Muitas vezes, despertei a ira de pessoas que se sentiam

atingidas em uma área muito sensível. Muitas entendiam a contribuição financeira como um mero pagamento à Igreja. Descobri também que existe certo entendimento que assuntos relacionados a dinheiro não são ‘tão espirituais’ e não devem ser tratados no Culto. Muitas parecem ignorar que a Bíblia contém uma infinidade de textos que abordam a temática relacionada a dinheiro. Para mim, o assunto contribuição financeira sempre foi e será expressão de fé e demonstração de amor a uma causa. Quando nos sentimos comprometidos e comprometidas com a Missão de Deus, nos empenhamos e investimos: aprendemos a abrir a carteira e contribuir com generosidade. Olhando para as primeiras Comunidades Cristãs, percebemos que cada pessoa ofertava de forma livre e espontânea, seguindo a recomendação apostólica: Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria (2Co 9.7). Paulo incentivava os irmãos a contribuir conforme as suas condições.

Quem tinha mais, contribuía com mais e, quem tinha menos, contribuía com menos. A gratidão era o motivo básico da contribuição e a oferta era espontânea, generosa, regular e dada com alegria. Neste ano em que celebramos, com júbilo, os 500 anos da Reforma, lembramos a grande descoberta de Lutero da salvação por graça mediante a fé. Lutero atacou duramente a venda de indulgências, pois não se pode comprar o perdão de Deus. Também escreveu, pregou e posicionouse claramente contra a exploração praticada pelos banqueiros e comerciantes do seu tempo e a idolatria ao dinheiro. Como herdeiros e herdeiras da Reforma, precisamos também questionar a maneira como lidamos com o dinheiro. Qual é o lugar que ele ocupa na nossa vida? Experimentamos alegria em contribuir financeiramente para a nossa Comunidade? O legado da Reforma nos move à gratidão a Deus e também nos compromete com a mensagem da liberdade cristã e do serviço de amor ao próximo. Ser luterano, luterana é ser livre sobre todas as coisas e viver a liberdade que Cristo conquistou, mas também é servir a todos e estar sujeito a todos por amor a Deus. Isso inclui a nossa contribuição financeira, pois, quando o nosso bolso se converte a Deus, finalmente decidimos quem é o nosso Deus e onde está o nosso tesouro. Contribuir com generosidade e alegria é um dom que vem de Deus. É uma oportunidade de colocar aquilo que temos e que nos foi confiado a serviço da Missão de Deus. Quando contribuímos de acordo com o sentimento que está no nosso coração, transformamos a nossa contribuição em bênção não apenas para a obra de Deus, mas para todas as pessoas, inclusive nós mesmos. Pense nisso e contribua com alegria!

Publicações | Nossa Fé-Nossa Vida A IECLB é o convívio de pessoas por ela batizadas ou admitidas, diferentes umas das outras. Nesse Batismo, Deus dignifica-nos para sermos membros do seu povo, pela obra salvadora do seu Filho. Como Igreja Cristã, o Espírito Santo nos chama a participar do serviço de Cristo no mundo, no ambiente em que vivemos. Somos, desta forma, Igreja de Jesus Cristo no Brasil. Cremos que Deus cria a nós, o universo e tudo que nele existe, que somos sua propriedade, que Deus nos salva por Jesus Cristo e nos santifica pelo Espírito Santo. Ele nos faz renascer para uma nova vida e nos torna seus discípulos e suas discípulas. Trecho de Nossa Fé - Nossa Vida Guia da vida comunitária na IECLB

Há algo muito vivo, atuante, efetivo e poderoso na fé, a ponto de não ser possível que ela cesse de praticar o bem. Martim Lutero

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Jorev Luterano - Dezembro 2017

GESTÃO

Corpo IECLB | Gestão Administrativa Secretaria Geral da IECLB Os Documentos Normativos são o resultado da vontade comum, manifestada por representantes legitimamente eleitos, na busca conjunta por melhores condições para o cumprimento do mandato de Deus para a sua Igreja. Assim, os Documentos Normativos são um instrumento precioso para o fortalecimento da unidade da IECLB. O cuidado na observância das normas e dos regulamentos perpassa todas as ações da Secretaria Geral, pois implica primordialmente em respeito às pessoas que, reunidas em Conselhos, Assembleias e Concílios, normatizaram e regulamentaram o funcionamento e as ações da Igreja. Implica também em prestação de assessoria qualificada às demais instâncias e cumprimento rigoroso da legislação brasileira. Em decorrência da aprovação do Regimento Interno e do Estatuto do Ministério com Ordenação da IECLB, pelo XXIX Concílio, a Secretaria Geral preparou as minutas e o Conselho da Igreja aprovou o modelo de Estatuto Padrão de Comunidade, Estatuto Padrão de Comunidade com Funções Paroquiais e Estatuto Padrão de Paróquia. Todos os documentos aprovados estão disponíveis no Portal Luteranos. Pela Secretaria Geral passam os Estatutos de Comunidades, Comunidades com Funções Paroquiais, Paróquias e Sínodos, a fim de obter a homologação em nome da Direção da Igreja, antes de serem levados para registro em cartório. Desde o último Concílio, foram analisados e homologados pela Secretaria Geral, 66 Estatutos, sendo 40 de Comunidades, 7 de Comunidades com Funções Paroquias, 19 de Paróquias e mais 2 Estatutos de Sínodos, relativos ao período compreendido entre 1º de agosto de 2014 e 30 de junho de 2016. A Assessoria Jurídica tem orientado Comunidades, Comunidades com Funções Paroquiais e Paróquias quanto aos procedimentos a serem adotados, diante da negativa de cartórios de efetuar o registro, visto que muitos destes estabelecimentos de registro ainda confundem organização religiosa com associação ou com entidade filantrópica. Trecho do Relatório da Secretaria Geral ao XXX Concílio da Igreja/2016 Para mais informações, acesse o Portal Luteranos

Guia para o Presbitério Assunto importante na administração da igreja – tanto em nível nacional de IECLB, como de Sínodo, Paróquia e Comunidade – é a responsabilidade financeira. Desde os tempos antigos, nas primeiras Comunidades, percebe-se o cuidado em gerir os recursos. Cuidar bem dos bens da Igreja faz parte do testemunho de fé. Os recursos que o Presbitério administra não lhe pertencem. São da Comunidade Eclesial. Com eles, a Comunidade dos primeiros tempos investia na manutenção da própria Comunidade, na ajuda às pessoas pobres, no trabalho missionário, no auxílio à Igreja toda. Essas quatro finalidades continuam sendo parâmetro até os dias de hoje e podem nortear a atuação do Presbitério quando se trata de recursos e patrimônio. Olhando para o testemunho do Antigo Testamento, percebemos que nada existe e nada Deus faz sem ter antes planejado. O bom planejamento requer a elaboração e execução de um bom orçamento. A administração financeira precisa ser levada muito a sério. O bom uso do dinheiro é também um bom testemunho de fé e da obediência aos princípios de Deus.

Documentos Normativos Regulamentos são a expressão normativa dos compromissos firmados entre as representações nas diversas instâncias. A Constituição, o Regimento Interno, o documento Justiça e Ordem, o Estatuto do Ministério com Ordenação da IECLB e o Guia Nossa Fé-Nossa Vida são normas nacionais, eclesiasticamente válidas para todos e todas. Acima desses documentos está o Mandato de Deus, tendo como base a Bíblia e os Escritos Confessionais. Todos os demais documentos são elaborados a partir dos princípios constantes nesses documentos citados e a eles estão sujeitos eclesiasticamente. Nossa Fé-Nossa Vida, o Guia da vida comunitária na IECLB, estabelece, por exemplo, que a pessoa membro integrada na Comunidade participa na vida de Culto da Comunidade. Somos membros da IECLB pelo Batismo que ela administra ou reconhece. A pessoa membro de outra Igreja Cristã é admitida mediante Profissão de Fé, após ter recebido a necessária instrução sobre a doutrina e a vida comunitária da IECLB. É ali que Deus nos serve, por meio da Palavra, dos Sacramentos e da Comunhão fraternal, em solidariedade e partilha. O serviço de Deus nos conforta, liberta e nos desafia para lhe servirmos na Comunidade e no mundo em que vivemos. Por gratidão, a pessoa membro contribui financeiramente com a Comunidade, para que esta possa realizar a Missão de Deus no mundo, manter a sua administração, bem como da Paróquia, do Sínodo e das instâncias nacionais da IECLB. A Comunidade é, pois, alvo e instrumento da Missão de Deus. A fim de conscientizar e capacitá-la para essa tarefa, Deus lhe concede Ministérios, cargos e funções.


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SÍNODOS

Pelos Caminhos da IECLB Criatividade e disposição para os outros 500! P. Ricardo Cassen | Pastor Sinodal do Sínodo Planalto Rio-grandense

Temos bons motivos para nos alegrarmos. Talvez, o maior deles seja saber que Deus continua nos sustentando e nos conduzindo. Sabemos que não estamos sob a nossa própria sorte. Neste sentido, enquanto Sínodo Planalto Rio-grandense, temos procurado oferecer espaços de cuidado, convívio, acompanhamento para Ministros, Ministras e as suas famílias, pois sabemos que amparo e cuidado são fundamentais. Outra razão que nos leva a jubilar é enxergar que sempre de novo temos gente nova que carrega na sua memória os bons momentos que são vivenciados na Juventude Evangélica. Além das atividades que ocorrem em diversos lugares do Brasil, temos algo significativo: Pelos Caminhos da IECLB, um convite para que a juventude conheça alguns lugares que marcaram a história da IECLB. Por outro lado, cabe reconhecer que sempre serão necessárias ‘reformas’. Falar em reformas significa que nem tudo

está como deveria estar. A nossa caminhada com os atuais Sínodos na IECLB é algo relativamente recente. No entanto, traz consigo os passos que foram dados muito antes, por isso é sensato reconhecer que, em alguns aspectos, não estamos tão bem quanto gostaríamos. A nossa maneira de ser não tem sido focada na Ação Missionária. Notamos que deveríamos ir além daquilo que estamos realizando. Nisto se torna evidente um pouco das nossas raízes. Como IECLB, surgimos para estar ao lado dos nossos membros. Isto é muito bom, necessário e jamais pode ser ignorado. Contudo, ser Igreja de Jesus Cristo não deve se limitar. Não nos faltam textos em que Jesus enfatizou, por exemplo, que existem ovelhas em outros apriscos (Jo 10.16). Entretanto, facilmente nos fechamos e nos sentimos confortáveis como estamos. Cabe um esforço permanente para não deixar de lado a nossa responsabilidade de ir ao encontro das outras pessoas.

Comunicação é, ao mesmo tempo, dádiva e desafio. O fato de contarmos com inúmeras possibilidades faz com que informações fiquem pulverizadas. Entre tantas chances, quais seriam as mais apropriadas? Muitas pessoas estão perdidas diante das informações e, como IECLB, por vezes, temos espaço pequeno na vida da membresia. O nosso diferencial é a comunicação interpessoal e direta. Estar lado a lado é algo que faz diferença na vida de muita gente que se sente apenas como um rosto desconhecido na multidão. Por mais que as pessoas se acostumem ao individualismo, ficam o vazio e a necessidade de encontrar sentido para a vida. Queremos ser uma Igreja que abraça, aquece corações, alimenta a espiritualidade, contribui para que sejamos pessoas capazes de tornar a realidade melhor. Um passo decisivo é aproveitar as oportunidades que estão perto de nós. Não importa tanto assim o termo que iremos usar para descrever este tipo de ação, mas a atitude em si. Os ‘outros 500’ dependerão em grande medida de cada pessoa, cada família e cada Comunidade abraçar a Missão.

Recordando as nossas raízes, notamos que a tradição nos confere identidade e nos dá segurança. Podemos sentir júbilo pela perseverança (2Tm 4.7). Ainda assim, há o risco de nos tornarmos reticentes diante das inovações. Se assim ocorrer, deixaremos de ser relevantes para o contexto no qual vivemos. Um exemplo claro são as pessoas que tanto participam da vida comunitária e deixam de interagir com quem está fora deste convívio. Olhando para a nossa trajetória, podemos notar que a inércia não precisa ser vista como algo negativo. Afinal, onde a vida comunitária flui, a tendência é que continue fluindo. Contudo, onde está parado, é fundamental que ocorram mudanças. Para isso, será indispensável contar com pessoas dispostas e capacitadas. Apesar de, neste ano, estarmos celebrando 500 anos de Reforma, ainda estamos longe da consolidação do Sacerdócio Geral. Ministros e Ministras são valiosos e valiosas, mas não podem tomar sobre si o que cabe ao Corpo de Cristo em sua totalidade. Somente seremos Igreja de Comunidades vivas (inclusivas, atrativas e missionárias) quando agirmos de tal modo que o Ministério com Ordenação seja instrumento de Deus para capacitar cada e toda pessoa batizada. Cremos e sabemos que o Espírito de Deus nos transforma, consola, fortalece e revigora. Se agora são outros 500 anos, somente será sob a ação deste Santo Espírito. Diante de nós, teremos adversidades e arrependimentos, mas rogamos que Deus nos conceda nova chance e nos revigore. Deste modo, teremos condições de enfrentar as situações que irão surgir. A ausência de planejamento claro e conhecido dificulta a caminhada. O que se torna evidente em alguns momentos é que precisamos planejar de maneira simples, mas que auxilie as pessoas a se comprometerem com a maneira como seremos presença de Deus nos dias em que vivemos. Precisamos estar cientes que até mesmo as dádivas que Deus concede não são aceitas por todas as pessoas. Não devemos nos iludir e pensar que basta ter bom conteúdo a oferecer. Entre tantas atrações e opções, até mesmo um bom tesouro pode passar despercebido. Para que sejamos Igreja nos anos que virão, criatividade e boas estratégias serão vitais.

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TEMA DO ANO

Igreja, Economia, Política Eu sou o SENHOR, teu Deus (Êxodo 20.2a) Texto Motivador da Presidência da IECLB para o Tema do Ano 2018 Igreja, Economia, Política. Por que a IECLB escolheu estas três palavras para compor o Tema do Ano de 2018? O que Igreja tem a ver com Economia e Política? Deus viu que era muito bom tudo aquilo que havia criado (Gn 1). O ser humano foi colocado em um belo espaço para viver. Tinha liberdade e podia cooperar com Deus. O ser humano, porém, rompeu com Deus e caiu em pecado (Gn 3). Deus, por seu lado, não desiste do ser humano e, em Jesus, promove reconciliação (Rm 5.10). Tal ato de Deus faz de nós seus cooperadores e suas cooperadoras (2Co 6.1). É nesse encontro entre ação de Deus e cooperação humana que Lutero identifica a relação entre Igreja, Economia e Política. Para ele, estes três âmbitos da vida são Ordens da Criação Divina e podem ser também denominados de hierarquias ou estamentos.

vilarejos e territórios. Do termo grego polis se originou a palavra Política. A Política tem a ver com a organização do espaço público, mas também tem influência no âmbito privado. A Igreja (ecclesia), com a função de anunciar e ensinar, foi acrescentada mais tarde a este esquema grego de sociedade. Considerando as funções de alimentar, proteger e ensinar, é possível dizer que: (a) a responsabilidade de alimentar estava a cargo das pessoas agricultoras e artesãs. Este era o âmbito da Economia, a produção baseada no oikos, (b) a responsabilidade de proteger era atribuição dos membros da nobreza. Aqui temos o âmbito da Política, a organização da polis e (c) a responsabilidade de ensinar cabia ao clero e este é o âmbito da Igreja, a ecclesia. Na Idade Média, tal determinação de funções se manifestava em uma organização social de classes separadas e desiDe acordo com o Lutero, Deus organiza a guais: clero, noexistência humana em Igreja, Economia e Política breza e povo. Para Lutero, ene todo ser humano participa de igual forma nos tretanto, Igreja, Etrês âmbitos da vida, pela fé, em cooperação conomia e Política com Deus para o melhoramento do mundo. não formam categorias isoladas A comemoração dos 500 anos da Reforma e sobrepostas: Deus organiza a existência hurenovou o interesse por temas fundamentais mana em Igreja, Economia e Política e todo ser da tradição evangélico-luterana. Com o Tema humano participa nos três âmbitos. Um âmbito 2018, trazemos à tona esta temática pela sua não é mais sagrado ou mais profano, mais esrelevância no cenário brasileiro e mundial. piritual ou menos espiritual do que o outro. Lutero fala sobre Economia, Política e IgreO ensino de Lutero sobre as três Ordens ja a partir de três funções consideradas essenda Criação se refere a um estado ideal que ciais para a organização social em sua época: não existe mais. Ainda assim, todas elas peralimentar, proteger e ensinar. As duas primeimanecem sob a promessa de Deus, que ras têm origem em um conceito de sociedaoferece a possibilidade de reconciliação e de baseado nos âmbitos privado e público. recomeço. A iniciativa divina de reconciliação A casa, oikos em Grego, era o âmbito priteve a sua expressão máxima na vida, morte e vado e a unidade básica de produção. Oikos ressurreição de Cristo. A partir da fé em Cristo, abrangia a casa propriamente dita e tudo o que Deus nos chama e capacita para uma nova estava vinculado: familiares, empregadas e existência (2Co 5.18-21). empregados, propriedades, animais. A partir A estrutura mais ou menos rígida das três do oikos, surgiu a Economia (oikonomia), esOrdens está ultrapassada, mas os desafios sencialmente agrária. éticos permanecem válidos. Em termos de O âmbito público era determinado pela cifunção básica ideal, podemos dizer que a dade, chamada polis. A polis tinha função Igreja ensina a Palavra de Deus, a Economia administrativa e jurídica e era composta por sustenta a vida e a Política protege a vida.

Ao caminhar pela cidade de Atenas, o apóstolo Paulo constatou que ali eram adorados muitos deuses. Havia um altar com a inscrição Ao deus desconhecido. Paulo aproveitou para afirmar: Esse Deus que vocês adoram sem conhecer é justamente aquele que eu estou anunciando (At 17.23). Quem é esse Deus? Quinze séculos depois, Lutero constatou que a questão do apóstolo precisava ser retomada. Porque Deus criou todas as coisas, o ser humano teria condições de conhecer algo de Deus (Rm 1.1821). Esse conhecimento natural de Deus foi corrompido pelo pecado. Após a queda (Gn 3), a razão humana pode apenas reconhecer que existe Deus, porém não conhece quem é Deus: ‘O principal que se perdeu na alma é o conhecimento de Deus’, constata o Reformador. Quem é Deus? O Lema deste ano contribui para responder esta pergunta. Após o livramento da escravidão do Egito (Êx 14 ss.), a caminho da terra que mana leite e mel (Êx 3.8), o grupo hebreu saciava a fome e a sede com o que Deus lhe provia (Êx 16-17). Para consolidar a liberdade, Deus estabeleceu um pacto: Se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, sereis minha propriedade peculiar dentre todos os povos (Êx 19.5). Que perspectiva de vida! Entretanto, os fatos demonstram que a efetivação dessa perspectiva não foi (e não é!) tão simples assim. O primeiro conjunto de leis que Deus anunciou inicia com uma afirmação: Eu sou o SENHOR, teu Deus (Êx 20.2). Para Lutero, o primeiro Mandamento é o mais importante, pois Deus representa aquilo do qual se pode esperar todo o bem. Deus se fez humano em Jesus. A vida, morte e ressurreição de Cristo revelam quem é Deus: um Deus misericordioso que oferece perdão, justificação e nova oportunidade (Mc 14.24). Igreja (ensina a Palavra), Economia (organiza a produção e a distribuição dos meios de sustento) e Política (zela pela convivência humana) são instrumentos que Deus usa para evidenciar quem Ele é e o que Ele quer. Para Lutero, Igreja, Economia e Política são usadas por Deus para efetivar a sua vontade no mundo. Nisso podemos confiar e em favor disso nos empenhamos, pois é Deus quem diz: Eu sou o SENHOR, teu Deus!

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Embratur nº 23.028609.10.0001-5

16/05 – 03/06 05/06 – 22/06 09/06 – 26/06 14/08 – 30/08 29/08 – 16/09 15/09 – 02/10

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Jornal Evangélico Luterano Ano 47 nº 812 Dezembro 2017  

Jornal Evangélico Luterano - Uma publicação da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB).

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