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Jornal Evangélico Luterano | Ano 46 | Setembro 2017 | no 809

É nossa responsabilidade! Cuidado com a Criação Pela preservação da vida Se soubesse que amanhã terminaria o mundo, ainda hoje plantaria uma macieira

Afinal, que Igreja queremos ser?

Diaconia nos move para a ação

O que significa viver em Deus?

Amor, parceria e transformação

Tema do Ano

Competências Ministeriais

Fé, gratidão e compromisso Sustentabilidade da e na Igreja Gratidão


Jorev Luterano - Setembro 2017

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REDAÇÃO

Cuidado com a Criação É nossa responsabilidade! ‘Como pessoas cristãs, sabemos que Deus, o Criador de tudo, nos fez gestores e gestoras da sua obra. Esta gestão é de cuidado, por isso não permite a exploração, a exclusão ou o abuso. Não se trata de administrar uma propriedade privada, mas, sim, a propriedade que continua de Deus’, frisa o Documento Estações do Jubileu - Estação de Setembro/2017: Cuidado com a Criação, emitido pela Presidência da IECLB. O Documento defende que a gestão a nós confiada reforça os nossos elos, como seres humanos, aos demais elementos da Criação, nos lembrando que não somos superiores, mas, sim, mais responsáveis. Esta responsabilidade inclui a defesa da paz e da justiça para garantir a preservação da vida hoje e no futuro. Em âmbito internacional, a XII Assembleia da Federação Luterana Mundial (FLM), realizada entre 10 e 16 de maio deste ano, em Windhoek, capital da Namíbia, na África, sob o tema Libertos [e libertas] pela graça de Deus, teve como um dos seus enfoques justamente A Criação não está à venda. No contexto da IECLB, mais uma vez, fomos lembrados e lembradas que A natureza não está à venda. O material para reflexão esclarecia ‘Não é segredo que a continuidade da raça humana está vinculada ao futuro da natureza, por isso a natureza precisa ser respeitada em seu todo e protegida como Boa Criação de Deus, colocada ao nosso cuidado. É necessário discernir o bem do mal nas leis e ações que permitem e possibilitam intervenções predatórias nos recursos naturais. Precisamos muito mais da natureza do que a natureza de nós!’. Mais uma vez, a Presidência da IECLB conclama as Comunidades, os Ministros, as Ministras e as lideranças a ficarem atentas para as Estações do Jubileu, que ocorrerão até o final deste ano: ‘A sétima Estação, neste mês de setembro, traz eventos importantes na sua agenda, como, no dia 21, quando o convite é para celebrar com a sociedade em geral o Dia da Árvore. A propósito, atribui-se a Lutero a afirmação Se soubesse que amanhã terminaria o mundo, ainda hoje plantaria uma macieira. Para Lutero, Deus é o Criador e nós, seus filhos e suas filhas, podemos protagonizar ações promotoras de esperança para o mundo e as suas criaturas a partir do nosso envolvimento efetivo na realidade’.

CAPA Atribui-se a Lutero a afirmação ‘Se soubesse que amanhã terminaria o mundo, ainda hoje plantaria uma macieira’. Para Lutero, Deus é o Criador e nós, seus filhos e suas filhas, podemos protagonizar ações promotoras de esperança a partir do nosso envolvimento na realidade.

Jornal Evangélico Luterano | Ano 46 | Setembro 2017 | no 809

É nossa responsabilidade! Cuidado com a Criação Pela preservação da vida Se soubesse que amanhã terminaria o mundo, ainda hoje plantaria uma macieira

SUMÁRIO 2

REDAÇÃO

CARTA À COMUNIDADE EXPLICAÇÃO DA CAPA EXPEDIENTE

3

ENFOQUE

4

PALAVRA

5

PRESIDÊNCIA

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FORMAÇÃO

7

DIVERSIDADE

Afinal, que Igreja queremos ser?

Diaconia nos move para a ação

O que significa viver em Deus?

Amor, parceria e transformação

Tema do Ano

Competências Ministeriais

Fé, gratidão e compromisso Sustentabilidade da e na Igreja Gratidão

JUBILEU DA REFORMA CHARGE OFERTAS NACIONAIS INDICADORES ECONÔMICOS GESTÃO MINISTERIAL COMPETÊNCIAS MINISTERIAIS TEMA DO ANO PALAVRA DA PRESIDÊNCIA RETROSPECTIVA AGENDA EDUCAÇÃO CRISTÃ CONTÍNUA PROPOSTA METODOLÓGICA FACULDADES EST SAÚDE PRONUNCIAMENTO

8-9 UNIDADE

LUTERO - REFORMA: 500 ANOS

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15 16

FÉ LUTERANA

LIBERDADE RESPONSÁVEL

PERSPECTIVA

SUBMISSÃO OU SOB A MESMA MISSÃO? Nada se perde com a televisão desligada...

MISSÃO

PLANO DE AÇÃO MISSIONÁRIA DA IECLB PROJETOS MISSIONÁRIOS PLANEJAMENTO MISSIONÁRIO CAMPANHA DE MISSÃO VAI E VEM

GRATIDÃO

FÉ, GRATIDÃO E COMPROMISSO SAÚDE

GESTÃO

GESTÃO ADMINISTRATIVA DOCUMENTOS NORMATIVOS GUIA PARA O PRESBITÉRIO

SÍNODOS

ALEGRES, JUBILAI!

MEMÓRIA

CARTA DE MARTIM LUTERO

A vontade e a sabedoria de Deus vão muito além da nossa vontade e sabedoria. Martim Lutero EXPEDIENTE Pastor Presidente P. Dr. Nestor Friedrich Secretária Geral Diác. Ingrit Vogt Jornalista Letícia Montanet - Reg. Prof. 10925 Administrativo Elizangela Basile ISSN 2179-4898 Cartas - Sugestões de pauta - Artigos - Anúncios Rua Senhor dos Passos, 202/5º 90.020-180 - Porto Alegre/RS Fone (51) 3284.5400 E-mail jorev@ieclb.org.br Proibida a reprodução parcial ou integral do conteúdo desta edição sem a prévia e formal autorização da Redação do Jorev Luterano.

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ENFOQUE

Jubileu da Reforma Dando seguimento ao projeto das Estações do Jubileu da Reforma, a Presidência da IECLB convida para, neste mês de setembro, aprofundarmos a reflexão sobre o tema Cuidado com a Criação, uma das dimensões da Missão dentro do eixo Sustentabilidade, conforme o Plano de Ação Missionária da IECLB (PAMI). Toda Criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora, conforme Romanos 8.23. As palavras de Paulo são de uma atualidade impressionante. Experimentamos no nosso cotidiano a degradação da natureza. O noticiário nos confronta com a má gestão dos recursos pelas estruturas de mercado e de governo, agravados pela impunidade que grassa o nosso país. Percebemos, inclusive, o descaso com questões básicas, como o desperdício e a reciclagem do excesso em nossas moradias e eventos comunitários, acobertado pela justificativa da falta de tempo e pela equivocada ideia de que os recursos são ilimitados. Em parte, permanecemos inertes, desesperançados e desesperançadas, como se, mesmo que agíssemos, nada fosse suficiente para transformar a situação. Na explicação do Credo Apostólico, Lutero menciona como Criação de Deus cada um, cada uma de nós e todas as criaturas. Ele inclui todas as demandas necessárias para o corpo e

INDICADORES FINANCEIROS

Reforma

a vida. Tudo isso Deus faz por sua bondade e misericórdia, ou seja, a natureza e tudo o que nos cerca é expressão da gratuidade de Deus e nós, seres humanos, somos parte de um conjunto maior de criaturas colocadas sob a graça de Deus. Neste sentido, cabenos uma atitude de humildade, de gratidão, de louvor e de liberdade responsável: como pessoas agraciadas, podemos romper o círculo vicioso da destruição e da morte e ingressar na espiral virtuosa da graça, assumindo o nosso papel de pessoas cuidadoras da Criação. Que nesta fase de celebrações do Jubileu da Reforma, possamos reconhecer perante Deus as nossas falhas no cuidado de toda a Criação e acreditar que, a partir da graça imerecida da qual somos beneficiários e beneficiárias, podemos assumir novas atitudes e posturas. Trechos do documento emitido pela Presidência da IECLB

UPM Agosto/2017

4,3378

Índice Julho/2017

0,24 %

Acumulado 2017

1,43 %

Deus é gracioso com muita gente e, de coração, perdoa toda a culpa. Martim Lutero

OFERTAS NACIONAIS 17 DE SETEMBRO 15o Domingo após Pentecostes Apoio para realização do PPHM Após a conclusão do estudo de Teologia em um dos Centros de Formação conveniados com a IECLB, as pessoas inscrevem-se para realizar o Período Prático de Habilitação ao Ministério (PPHM) e participam de uma avaliação realizada pela Comissão de Exame da IECLB. Uma vez aprovadas, estas pessoas são designadas para a realização do Período Prático em uma das Comunidades ou das Paróquias da IECLB. Durante o PPHM, que tem a duração de 17 meses, Candidatos e Candidatas são acompanhados e acompanhadas por um Mentor ou Mentora – Ministro Ordenado ou Ministra Ordenada. Além da inserção prática na Comunidade, Candidatos e Candidatas participam de Seminários e Encontros organizados pela Secretaria da Habilitação ao Ministério. Também Mentores e Mentoras participam de capacitação que servirá de apoio para o exercício mais qualificado da Mentoria durante o PPHM. O Período Prático é o período em que a Igreja conhece, avalia e confirma o chamado dos seus futuros Ministros e das suas futuras Ministras. É o período em que Candidatos e Candidatas têm a oportunidade de crescer no seu propósito de servir a Deus por intermédio da IECLB. O Apoio para realização do PPHM se dá com o auxílio a Comunidades que não têm condições de assumir a subsistência de Candidatos e Candidatas e na qualificação de Mentores e Mentoras.

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PALAVRA GESTÃO MINISTERIAL

Desmotivação: demissão interna… P. Dr. Victor Linn | Pastor, Psicanalista e Coach Motivação profissional resulta da confluência de aspectos pessoais – valores, história e metas – com os objetivos inerentes às tarefas profissionais. Quando isso não ocorre de forma espontânea, a atividade profissional se sustenta pela via do estímulo externo – recompensa ou pressão. Nesse caso, a tarefa tornase apenas um meio pelo qual obtém-se alguma outra satisfação, sem dúvida, legítima. No entanto, a consequência é uma diminuição de identificação com o trabalho em si. Embora a motivação externa possa sustentar uma prática profissional, em algum momento ela se esgota e a insatisfação se manifesta como mal-estar do profissional e da qualidade do trabalho. Inicia-se, então, um circulo vicioso e instala-se a desmotivação. A desmotivação é justamente um movimento no sentido oposto à motivação. A sua energia se canaliza para a destruição. Desmotivação gera uma energia que se expressa em manifestações de descrédito em relação ao trabalho e à organização, conduzindo à agressões explícitas ou implícitas, retrações ou, no pior dos casos, a uma ‘demissão interna’. A vida profissional passa a funcionar no modelo do ‘piloto automático’. Considerando o peso que motivação e desmotivação desempenham na vida do profissional e da organização, é fundamental cuidar deste aspecto, pois sempre há possibilidades e recursos que permitem melhorar essa realidade. Buscar sustentação motivacional é uma tarefa conjunta da organização e do profissional. Entretanto, não haverá eficácia se o profissional não assumir a sua responsabilidade nessa busca.

COMPETÊNCIAS MINISTERIAIS

Diaconia transforma o mundo Cat. Dra. Haidi Drebes | Secretária da Habilitação ao Ministério Diác. Ma. Carla Vilma Jandrey | Coordenadora de Diaconia Uma das dimensões da Missão, conforme o Plano de Ação Missionária da IECLB (PAMI) é a Diaconia. Ela é ação de gratidão pelo amor incondicional de Deus. Pode ser definida como ação, em um contexto de sofrimento e injustiça, com a finalidade de transformar. A Diaconia tem como base para a sua ação de transformação a pessoa de Jesus Cristo, que se apresenta como Diácono: Pois no meio de vós, eu sou como quem serve (Lc 22.27). Diaconia reconhece que todas as pessoas são filhas de Deus, dignas de terem acesso a tudo que é necessário para ter vida com qualidade e que foi disponibilizado por Deus. Frente aos contextos de injustiça, desigualdade, opressão e violência, a dimensão profética da Diaconia denuncia que não podemos aceitar como normais estes contextos e anuncia a possibilidade de relações justas. A participação em espaços de decisão, sejam eles governamentais ou da sociedade civil, contribui para a construção de políticas públicas que assegurem condições de vida digna a todas as pessoas. A Diaconia sempre nos move

para ação e nos convida a olhar para o cotidiano, para o dia a dia das pessoas e, junto com elas, identificar situações que precisam ser transformadas. É um serviço de parceria, de construção de redes com o objetivo de concretizar o amor de Deus no mundo. A Diaconia parte da Comunidade e impulsiona as pessoas a multiplicar gestos de amor, sem qualquer discriminação nem limites de natureza geográfica ou étnica. Deus é o agente da transformação, por isso a Diaconia anda de mãos dadas com a espiritualidade. A tarefa diaconal não é exclusiva deste ou daquele grupo ou departamento. Todas as pessoas, a partir do Batismo, são chamadas a se envolverem na dimensão diaconal da missão. Nesta perspectiva, a Direção da IECLB, definiu que, em relação à competência Diaconia, as pessoas precisam ter a capacidade de dar testemunho da fé cristã por meio do serviço à pessoa próxima, de mobilizar a Comunidade a ser sensível às necessidades das pessoas em situações de sofrimento e risco, bem como em ações preventivas visando ao bem-estar integral.

TEMA DO ANO

Nele vivemos! Jorn. Martina Wrasse Scherer | Coordenadora do Conselho Nacional da Juventude Evangélica (Conaje) O que significa viver em Deus? Uma pesquisa na Internet permite encontrar uma infinidade de respostas. Entre vídeos, textos e frases motivacionais, nos deparamos com soluções que ensinam a viver para Deus e de modo que agrade a Deus ou, ainda, que falam sobre condutas que desagradam a Deus. Ao mesmo tempo, o mercado religioso também está pronto para dizer que a salvação e o perdão de Deus são fáceis de se alcançar... quando se pode pagar por eles. Essas questões estão longe da pergunta inicial deste texto. Aliás, parece que a maioria delas aponta um modo de viver para Deus e não em Deus. Há uma diferença entre o que é viver para Deus e viver em Deus? O primeiro caso exprime uma relação unilateral, enquanto o segundo expressa uma relação constante, de união, de estar junto. Viver em Deus é ter a certeza que Ele ouve as nossas alegrias e os nossos clamores e está sempre conosco, ao nosso lado, em todos os momentos. Viver em Deus é como viver em uma casa, na qual encontramos conforto e proteção. Que notícia maravilhosa, afinal! Também não poderia ser diferente: é Deus quem nos concede o presente mais maravilhoso: o dom da vida – uma vida nova, por meio da sua graça e do seu perdão. Em João 10.10b, Jesus afirma ter vindo a este mundo para que todos [e todas] tenham vida, ou seja, a verdadeira vida só se encontra em Cristo Jesus e em Deus. É Deus que tem o alimento para a nossa fome de vida. Não precisamos comprar nem buscar em outras fontes o que só encontramos nele. Afinal, não é qualquer tipo de vida que Ele nos proporciona, mas, sim, a vida em abundância (Jo 10.10b). Diante dessa oferta e também a partir do Batismo, Deus nos compromete com o seu Reino, com a sua Missão e com a preservação da vida. Somos convidados e convidadas, também por meio do Lema Bíblico da IECLB para 2017, a honrar o compromisso assumido com Deus para promover a preservação da vida. Essa vida deve ser justa, digna e em abundância para todas as pessoas! Para mais informações, acesse o Portal Luteranos


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PRESIDÊNCIA

Como não se preocupar com o futuro? Será que teremos o suficiente para viver? Pa. Sílvia Genz | Pastora 1ª Vice-Presidente da IECLB

Nos dias atuais, somos atropelados e atropeladas com notícias que nos enchem de incertezas e questionamentos. Poderia citar desde a preocupação com emprego para as pessoas mais jovens, bem como dúvidas que rondam a mente de quem já se aposentou e até para quem está no emprego ou perto da aposentadoria. Será que teremos o suficiente para viver? O nosso tempo de reflexão é cheio de dúvidas, desde a adolescência até a idade mais avançada. Em nossas vidas, há muito que não depende de nós e os males estão ao nosso redor, nos causando sofrimento.

No Ensino Confirmatório, as dificuldades futuras têm um tom diferente, como, por exemplo: teremos emprego com salário pra viver? Muitas vezes, julgamos que adolescentes e jovens não pensam nisso. Então, quero compartilhar um relato. Em meio à conversa com o grupo do Ensino Confirmatório sobre o tema Boas Notícias - Sinais do Reino de Deus, lemos o texto de Mateus 5.10: Felizes as pessoas que sofrem perseguições por fazerem a vontade de Deus, pois o Reino do Céu é delas. Na encontro, ainda lemos outros textos que falam sobre sinais do Reino.

Antes e acima de tudo, exercite a fé nas promessas de Deus e pratique o que prescrevem os seus Mandamentos. Martim Lutero RETROSPECTIVA

‘Ah, mas isso não existe’, disse um Confirmando. Quem sabe, a gente também reage assim muitas vezes, mas a fé no Jesus ressuscitado nos torna capazes de usar as forças para um novo relacionamento, um novo jeito de viver, já aqui. Uma Confirmanda concluiu: ‘Ah, então, apesar da nossa pobreza, já temos alegrias e tudo pode ficar melhor. Entendi! Quando não tem briga, o que me enche de ódio, eu estou alegre! Será que é isso?’. Parece muito simples, mas a esperança e o amor no Deus da vida já se fazem presentes nos nossos relacionamentos, nos animando a anunciar vida e a exigir das lideranças do Governo cuidado e responsabilidade, pois as incertezas agitam a vida das famílias. Há muito sofrimento devido à má administração dos bens comuns. A maldade deixa cicatrizes, tal qual o Cristo que nos é mostrado na cruz, em que a aparência da dor fala por si só. Não podemos deixar que tudo seja normal. Somos pessoas movidas pelo amor que vem de Deus, sim, mas temos que gritar contra o poder da morte. Confiemos no futuro, pois ele se encontra nas mãos de Deus. Apesar das incertezas que o mundo nos apresenta, vamos fazer a nossa parte. Podemos crer no amanhã, na fé e na certeza da promessa da vinda do Reino de Deus.

AGENDA | SETEMBRO 1-3/9

Simpósio Mariológico Curitiba/PR P. Inácio Lemke

4-7/9

Consulta ELKB-IECLB Baviera/Alemanha P. Nestor Friedrich

23-24/9

IX Convenção Nacional da Legião Evangélica Luterana Itapema/SC P. Inácio Lemke

26-30/9

Encontro da Presidência com Pastores, Pastoras, Tesoureiros, Tesoureiras e Presidentes de Conselhos Sinodais São Leopoldo/RS P. Nestor Friedrich Pa. Sílvia Genz P. Inácio Lemke

Voto consciente e participação! Como Comunidade Cristã, em obediência ao mandato do nosso Senhor Jesus Cristo, somos desafiados [e desafiadas] a refletir sobre o país que somos e a democracia que desejamos. Na medida em que buscarmos a solução ou superação dos problemas que marcam a nossa história no momento, estaremos contribuindo não apenas para renovar radicalmente a nossa sociedade, mas também para oferecer ao mundo um novo projeto de qualidade de vida. Nessa reflexão, pedimos a orientação do Espírito Santo.

Precisamos reaprender que grande não é quem se serve, mas quem está disposto e disposta a servir. [...] Dentre as nossas tarefas como pessoas que seguem a Cristo no mundo em que vivemos, está o ato de votar conscientemente. Esta tarefa não se esgota no voto, mas nos leva também a uma participação em movimentos populares, Sindicatos, ONGs e Conselhos Municipais, como, por exemplo, na área da saúde e da educação. Manifesto Eleições (2006)

28/9

Celebração Ecumênica dos 500 anos da Reforma Porto Alegre/RS P. Nestor Friedrich Pa. Sílvia Genz P. Inácio Lemke

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FORMAÇÃO EDUCAÇÃO CRISTÃ CONTÍNUA

Educação Cristã e Missão: nossas responsabilidades! P. em. Dilmar Devantier | Pastor Emérito da IECLB Qual é a relação entre Educação Cristã e Missão? Para responder, precisamos de um entendimento mínimo do que elas sejam. Então, vamos lá: entendo por Educação Cristã a educação na fé, de forma bem ampla. Em outras palavras, trata-se da formação de Cristo em nós (Gl 4.19), nos graus mais variados. Já Missão é a tarefa que Deus nos deu, como membros da sua Igreja, ou seja, anunciar o Evangelho em palavras e atos. Entendido assim, podemos falar em Educação Cristã como parte da própria Missão e, Educação Cristã como promotora da Missão. Quando Jesus dá a tarefa aos discípulos, ele afirma que o fazer discípulos e discípulas inclui: ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado (Mt 28.20). Assim, o discipulado é, em essência, ensino no caminho do Evangelho. Quando examinamos o ensino de Cristo, vemos que tem a ver com toda a vida.

Portanto, a Educação Cristã, como parte da Missão de Deus, representa um novo olhar sobre a totalidade da vida, para que ela se torne o que ele planejou. Ficam os seguintes questionamentos: a) ao contarmos histórias no Culto Infantil ou coordenarmos um encontro do Ensino Confirmatório, fazemos com a consciência que isso é parte da Missão de Deus? b) quando planejamos essas atividades (apenas exemplos), reportamo-nos ao Deus da Missão e à sua Palavra? Se não fizermos isso, podemos ter muitas atividades, porém elas serão ‘mudas’ de Deus (!). A Educação Cristã é inspiradora da Missão, ou seja, a Educação Cristã não pode ser elitista e apenas teórica. Essa dedução vem das palavras de Paulo, ao falar sobre o propósito último das Escrituras: a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para

toda boa obra (2Tm 3.17). Não se trata apenas de dar informação, mas da transformação da vida por meio do conhecimento de Jesus Cristo e do seu Evangelho. Trata-se de partilhar a Palavra da vida que lhe impactou e lhe deu sentido. Trata-se de ser e viver como pessoa missionária. Nesse caso, no contexto atual, é essencial aliar ao conteúdo o exemplo pessoal (1Co 11.1). A pessoa a quem educamos precisa ter um mínimo de referência em nossa própria vida! Alguns questionamentos para que a reflexão não encerre com o término da leitura deste texto: a) que tal ajudar para que o ensino na sua Comunidade motive mais pessoas a serem ‘partilhadoras’ da Boa Nova? b) o que você pode fazer para inspirar mais pessoas, a exemplo do apóstolo Paulo, a serem ‘imitadoras’, como você é de Cristo?

CRIANÇAS | PROPOSTA METODOLÓGICA

Todo mundo participa Material necessário Revista O Amigo das Crianças nº71 - Vida em parceria. Momento 1 Narre a história bíblica Todo mundo participa (página 13). Se preferir, use dois fantoches, sendo um representando Moisés e o outro representando Jetro. Momento 2 Depois da narração, uma ideia ‘clássica’ para ilustrar que ‘a união faz a força’ é levar vários gravetos, de espessura fina (galhinhos secos de árvore ou palitos para churrasquinho). Peça que uma criança pegue apenas um graveto e o quebre ao meio. Depois, três gravetos, cinco e assim por diante, tentando quebrá-los, juntos...

www.est.edu.br

Liderança Comunitária O Instituto Sustentabilidade América Latina e Caribe (InS) é um instituto acadêmico criado em conjunto pela Federação Luterana Mundial (FLM), pela Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) e pela Faculdades EST (EST), que busca contribuir para a formação e o desenvolvimento das capacidades de pessoas, Comunidades, Igrejas e Organizações da so-

Momento 3 O grupo poderá perceber que, quando vários gravetos se juntam, fica difícil quebrá-los, por isso a união é importante e, juntas, unidas, as pessoas têm mais força. Jogo da Corrente Uma criança é escolhida para ser a pegadora. A um sinal, todas as crianças saem correndo. A criança que for pega pela criança pegadora não sai do jogo, mas se une a ela, dando uma das mãos e saindo em busca de novas crianças. O jogo termina quando todas as crianças são pegas e é formada uma grande corrente. Sugestão extraída da Proposta Metodológica para uso da Revista O Amigo das Crianças, nº 71. Leia a Proposta Metodológica completa e saiba como assinar a Revista O Amigo das Crianças no Portal Luteranos

ciedade civil mediante a reflexão, a prática e a inovação no que diz respeito a Gestão Comunitária, Planejamento e mobilização de dons e recursos. Pensando na formação, o InS está lançando um novo curso, cujo objetivo é capacitar lideranças que possam dar forma ao chamado de Deus. Em parceria com Pão para o Mundo, Centro para Missão e Ecumenismo e Federação Luterana Mundial, a entidade promoverá, ao longo deste ano, o curso online Liderança Comunitária: construindo Comunidades responsáveis. O curso foi pensado especialmente para lideranças vinculadas às Igrejas Reformadas, Metodistas, Anglicanas, Luteranas, Pentecostais e OSCs. A proposta é qualificar o exercício da liderança comunitária, contribuindo para que Comunidades responsáveis possam levar adiante a Missão de Deus.

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Por se tratar de um curso online, todas as aulas ocorrem na modalidade EaD e são constituídas por vídeos, imagens e textos. Além disso, as pessoas participantes serão acompanhadas individualmente e de forma coletiva por uma equipe capacitada para interagir, motivar e auxiliar no processo de ensino e aprendizagem. A primeira turma iniciou no dia 28 de agosto, mas as inscrições para as próximas turmas já estão abertas. O curso terá quatro módulos, estruturados a partir das seguintes temáticas: Espiritualidade Cristã: animar uma Comunidade responsável, Liderança Comunitária: dar forma ao chamado de Deus e Mordomia: nutrir a gestão a partir da Ética Cristã. As inscrições podem ser feitas pelo site www.sustentabilidad.est.edu.br/clc e mais informações podem ser obtidas pelo e-mail ins@est.edu.br ou pelo telefone 51 2111.1477.


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DIVERSIDADE

Comida Boa na Mesa Campanha incentiva alimentação consciente e saudável Enga. Agrônoma Rita Surita | Coordenadora do Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (Capa) - Núcleo Pelotas/RS

Estamos sofrendo uma profunda mudança nos hábitos alimentares no Brasil: as pessoas estão consumindo cada vez mais produtos industrializados e deixando de consumir e produzir alimentos tradicionais. Aqueles produtos que sempre estiveram na mesa dos brasileiros e das brasileiras, feitos em casa, com cuidado e carinho, estão sendo substituídos por outros, altamente processados, pré-prontos e nada saudáveis. A preocupação com a alimentação é crescente por causa do aumento das doenças relacionadas a hábitos alimentares não saudáveis como obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares e câncer.

É cada vez mais frequente o consumo de produtos ultraprocessados, como bebidas açucaradas, biscoitos, salgadinhos, comida congelada, etc., e a redução do consumo de alimentos in natura ou minimamente processados, que fazem parte da cultura alimentar brasileira. É mais uma área da nossa vida em que os interesses econômicos das grandes empresas transnacionais – atualmente dez grandes empresas dominam o mercado de alimentos no mundo – se sobrepõem ao interesse de vida e saúde das pessoas. Para promover o cultivo e o consumo dos alimentos saudáveis, o Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia

(Capa) lançou, em conjunto com a Fundação Luterana de Diaconia (FLD) e a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), a Campanha Comida Boa na Mesa. A Campanha é um convite à reflexão e à mudança de hábitos, voltada a valorizar o que temos e fazemos e não só aquilo que podemos comprar. Valorizar os momentos conjuntos, em que as famílias, os amigos, as amigas estão à mesa e se alimentam com alegria e gratidão por toda a generosidade dos alimentos que a natureza nos oferece, uma dádiva da Criação. Convidamos todas as pessoas a participarem desta Campanha! Pequenos gestos fazem toda a diferença! Fazer parte da Campanha Comida Boa na Mesa é: - ser consumidor e consumidora consciente - exigir qualidade no prato das nossas crianças, exigir comida sem veneno, gostar de ir à feira, conviver e conversar, valorizar o alimento local, produzido pela agricultura familiar, dando preferência aos alimentos da produção agroecológica; - valorizar o preparo dos alimentos e a convivência - sentir novamente os cheiros, os sabores e as cores que fazem parte dos nossos alimentos; - participar dos debates sobre a alimentação escolar - é estar informado, informada e exigir o cumprimento da Lei do Plano Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que diz que 30% dos alimentos das escolas públicas têm que vir da agricultura familiar.

PRONUNCIAMENTO

Não há pecado capaz de resistir à invencível justiça de Cristo. Martim Lutero

Saúde e paz entre os povos A Campanha Comida Boa na Mesa é uma reflexão sobre o acesso à alimentação saudável, em que o alimento não é uma mercadoria. Daí a importância do fortalecimento da produção local, agroecológica e familiar. Comer é um ato político. Comida boa, comida de verdade precisa reconhecer o protagonismo das mulheres e respeitar os princípios da integralidade, da universalidade e da equidade.

Comida boa é livre de agrotóxicos, de transgênicos, de fertilizantes, de todos os tipos de contaminantes. Comida boa protege o patrimônio cultural e genético, promove saúde e paz entre os povos e garante a soberania e a segurança alimentar e nutricional. Documento Campanha Comida Boa na Mesa Outubro/2016

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UNIDADE

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soa que relativiza esse compromisso, por medo ou por conveniência, deveria ficar em silêncio ou fazer outra coisa na vida (Lutero).

A capacidade de ouvir é que possibilita o aprendizado. Saber escutar torna a pessoa sensível e assim conseguirá contextualizar o Evangelho. Somente quem se dispõe ao aprendizado é quem foi realmente chamado por Deus.

Experiência pessoal Gostaria de compartilhar que apresento essas reflexões a partir da minha experiência pastoral por 17 anos em Comunidades da IECLB e por outros 14 anos como Pastor em Havana, em Cuba, em São José, na Costa Rica, e no Conselho Latino-Americano de Igrejas (Clai), em Quito, no Equador. O Ministério é um chamado Desenvolver-se no Ministério Eclesial no contexto latino-americano é uma vocação. Sentir-se vocacionado significa sentir o chamado de Deus e o chamado é para servir! Esse chamado não vem de dentro da pessoa, mas vem de Jesus (Mt 4.19, Mc 2.14 e Mc 3.13). É Ele quem chama e quer pessoas trabalhando intensivamente na edificação de sinais do seu Reino neste mundo (Mt 28.18-20).

Para responder adequadamente a esse chamado de Jesus, é preciso preparação. Essa preparação é uma tarefa que Jesus nos deixou junto com o Batismo: batizar e ensinar. Como Igreja Luterana, enfatizamos que o Batismo dá acesso direto a Deus. Não precisamos de Ministros ou Ministras nem mesmo da instituição Igreja para ter acesso a Deus. O Batismo nos oferece acesso direto a Deus, por intermédio de Jesus Cristo. Para a Igreja, foi dada a tarefa de preparar as pessoas para que elas possam desenvolver o Sacerdócio Geral de todas as pessoas batizadas. A Comunidade deve preparar as pessoas para adorar a Deus e servir às pessoas. No entanto, algumas pessoas na Comunidade são chamadas por Deus para um serviço especial. Essas pessoas são os Ministros e as Ministras. Elas devem ser preparadas com mais intensidade, de forma especial em uma Faculdade de Teologia. Na Formação Teológica, aprende-se a levar muito a sério o conteúdo do Evangelho que se vai anunciar e a necessidade de dar atenção ao contexto em que esse Evangelho será anunciado. A Palavra de Deus quer sempre se encarnar na realidade onde ela é anunciada, por isso, para ser um bom Pregador, uma boa Pregadora, é preciso ser um bom ouvidor, uma boa ouvidora. A capacidade de ouvir é que possibilita o aprendizado. Saber escutar torna a pes-

As surpresas de Deus Todo aprendizado exige paciência e disposição para se deixar transformar. Um colega Pastor da IECLB relatou a sua experiência: ‘No meu Ministério Pastoral, o trabalho e a solidariedade com as famílias de Pessoas com Deficiência sempre me desafiaram muito. Apesar de julgar P. Nilton Giese, esse trabalho importante, eu não tinha Ministro na Comunidade nenhuma formação nesse sentido. em Belo Horizonte/MG Mesmo assim, começamos a reunir, no Salão da Comunidade, as Pessoas com Jorev Luterano - Setembro 2017 Deficiência e alguns dos seus familiares. Certo dia, a mãe de um menino de soa sensível e assim conseguirá con16 anos, que tinha Síndrome de Down, textualizar o Evangelho. Desta forma, me perguntou se o menino (o chamareresponder ao chamado de Deus é um mos aqui de Valmir) podia participar do constante aprendizado. Somente quem Ensino Confirmatório e ser Confirmado. se dispõe ao aprendizado é quem foi Eu disse que pessoalmente não via nerealmente chamado por Deus. nhum impedimento, mas deveria levar o assunto para o Presbitério. Conversei O centro do Ministério com o Presbitério e aceitei o desafio. Lucas Cranach foi chamado o ‘PinDepois de um mês, me parecia que o tor da Reforma’. Um dos seus quadros Valmir não aprendia nada. Ele gostava apresenta Lutero com uma mão sobre a da convivência com os colegas. JogaBíblia, mostrando que a pregação deve va futebol com eles. Durante as aulas basear-se sempre na Palavra de Deus. de Ensino Confirmatório, ele sempre Entretanto, antes de chegar à Comudemandou mais atenção que todos os nidade (que está formada por pessoas outros. Foi um tempo muito desgastande todas as idades), a pregação deve te para mim. O Ensino Confirmatório promover a Jesus, o Cristo crucificado. era semanal e, durante dois anos, semA pregação deve fazer a Comunidade pre tive que preparar dois tipos de maolhar para o crucificado, não para o Preterial: um material para a maioria dos gador, para a Pregadora. Confirmandos e outro material para o Na Igreja Luterana, Jesus é o filtro Valmir. Quando contava histórias bíblipelo qual deve passar a pregação da cas, por exemplo, na maioria das vezes, Palavra de Deus. Não basta dizer que eu levava imagens ou desenhos para determinada Palavra está escrita na o Valmir pintar. No dia em que falamos Bíblia. Como luteranos e luteranas, desobre a Santa Ceia, levei uma cópia, em vemos nos perguntar: Essa Palavra – formato A3, do quadro da Santa Ceia, que está escrita na Bíblia – promove a de Leonardo da Vinci. Enquanto eu traJesus Cristo ou não? Para os luteranos balhava com os outros confirmandos, e as luteranas, somente o que promove o Valmir ficava pintando. Depois do a Cristo pode ser considerado Palavra Ensino Confirmatório, o Valmir queria de Deus e o que promove a Cristo é levar o desenho e terminar de pintá-lo o Evangelho do amor, da acolhida, da em casa. inclusão. A Comunidade exigia que, antes da O compromisso maior de todo MinisConfirmação, acontecesse o Exame tério na Igreja é o serviço a Jesus Cristo Oral dos Confirmandos no Culto. Esse e a fidelidade ao seu Evangelho. A pesera o momento de maior tensão para

eles. Para aliviar essa tensão, combinei com os Confirmandos uma lista de perguntas que eu faria durante o Exame no Culto e deveria levantar a mão quem soubesse a resposta. Também combinamos que eu só pediria a resposta para quem tivesse levantado a mão. No dia do Exame, perguntei sobre os livros da Bíblia, sobre a história da Reforma,

Jesus é o filtro pelo qual deve passar a pregação da Palavra de Deus. Então, essa Palavra – que está escrita na Bíblia – promove a Jesus Cristo ou não? O que promove a Cristo é o Evangelho do amor, da acolhida, da inclusão.

os Mandamentos e os Sacramentos. Uma das perguntas foi: O que é Santa Ceia? Muitos levantaram a mão... Nessa pergunta, o Valmir também levantou a mão. A resposta dos Confirmandos veio em coro, mostrando que haviam memorizado essa parte do Catecismo, que dizia: ‘É o verdadeiro corpo e sangue do nosso Senhor Jesus Cristo para ser comido e bebido por nós, cristãos, sob o pão e o vinho. Este Sacramento foi instituído pelo próprio Cristo’. O Valmir continuava com a mão levantada... Eu não queria que os colegas rissem dele, por isso fiquei disfarçando, dizendo

que já tínhamos uma boa resposta dos Confirmandos. A mão do Valmir permanecia levantada. Não teve outro jeito e perguntei: ‘Então, Valmir, o que é Santa Ceia?’, ao que ele se levantou, mostrou a todos a cópia colorida do quadro da Santa Ceia de Leonardo da Vinci e disse: ‘Santa Ceia: Jesus faz festa para Valmir!’. Por um instante, a Comunidade ficou em silêncio, até que alguém rompeu esse silêncio, puxando aplausos para o Valmir’. Como cativar mais os membros para o serviço na Igreja? Compartilho alguns apontamentos que me ajudam a refletir sobre essa pergunta: - a Comunidade deve ser sempre um espaço inclusivo. Não basta abrir somente as portas. É preciso desarmar preconceitos! Toda pessoa que se sentir acolhida se oferece espontaneamente para ajudar; - dá mais resultado trabalhar em pequenos grupos. Grupos necessitam de lideranças, que precisam ser preparadas, pois a diversidade desafia a comunhão, o amor e a tolerância diante das diferenças de opinião; - na preparação das lideranças, é necessário ter objetivos missionários. Esses objetivos missionários ficam mais claros quando a Comunidade se pergunta: Para que Deus nos chamou? Qual é a nossa tarefa nesse lugar e ao lado das pessoas com as quais convivemos? O que Deus quer realizar aqui, por nosso intermédio? Devemos sempre lembrar que os Evangelhos não terminam na adoração ao Jesus ressuscitado, mas com o envio missionário dos discípulos. A Comunidade que sabe servir vai conseguir membros novos; - o espírito ecumênico é fundamental em dois sentidos: dentro da IECLB, para com as linhas teológicas, e também fora da IECLB, em relação a outras Igrejas e religiões. Nos dois níveis, o critério fundamental para a vivência ecumênica é a promoção de Jesus, que deseja vida em abundância para todas as pessoas (Jo 10.10). Ali onde se promove o bemviver, a justiça, a dignidade do ser humano e o respeito à Criação de Deus, ali é também o nosso lugar.

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FÉ LUTERANA

São sempre as mesmas pessoas! P. Marcus David Ziemann | Ministro na Paróquia no Vale do Paraíba/SP Servir a Deus é motivo de gratidão e alegria. Isto se percebe no testemunho daquelas pessoas que se envolvem em ações comunitárias, missionárias e em cargos de liderança na Igreja. No entanto, no dia a dia das Comunidades, temos a impressão que essa é uma alegria de poucas. De maneira geral, o que se constata é que ‘são sempre as mesmas pessoas’ que estão em tudo. São sempre as mesmas no Presbitério, na realização dos almoços, na acolhida e organização dos Cultos, nas ações diaconais, etc. Tal realidade termina sobrecarregando as lideranças e, não poucas vezes, gerando um sentimento de desânimo e, até mesmo, murmúrio. Quando olhamos para a história do povo de Israel e para a vida das primeiras Comunidades Cristãs, percebemos que esse assunto não é estranho. Em Números 11, por exemplo, vemos um povo ‘reclamão’ e um líder solitário e exausto. Ao mesmo tempo, vemos um Deus solidário e capacitador. A solução foi delegar tarefas. Moisés abre mão de toda a responsabilidade e Deus compartilha o seu Espírito com mais 70 pessoas. Já no Novo Testamento, vemos inúmeros textos falando sobre a multiforme graça de Deus. Esta é distribuída na vida das pessoas cristãs de

maneira a promover o Sacerdócio Geral com a sua diversidade de serviços e ações a partir dos dons do Espírito Santo. Aqui, talvez, paire uma pergunta: Por que, então, são sempre as mesmas pessoas? Uma resposta simples seria: porque poucas pessoas estão interessadas em ajudar. Sempre foi assim! De certa forma, tal resposta nos confor-

É possível reavaliar as consolidadas ações comunitárias a fim de não sobrecarregar as mesmas pessoas, abrindo espaço para novas iniciativas e pessoas? ta e nos mantém firmemente envolvidos ‘e envolvidas até a cabeça’ em atividades na Igreja e em cargos de lideranças. Entretanto, para que essa realidade não se torne uma característica marcante das nossas Comunidades, é preciso elencar novas perguntas: - Tenho disposição para delegar a minha tarefa a outra pessoa da Comunidade?

- Tenho disposição para ‘largar o osso’ pelo bem comum? - É possível reavaliar as consolidadas ações comunitárias a fim de não sobrecarregar as mesmas pessoas, abrindo assim, espaço para novas iniciativas e pessoas? - As atividades da Comunidade valorizam e surgem a partir dos dons dos seus membros ou estes precisam enterrar os seus dons para se adaptar a atividades preestabelecidas, até mesmo no modo de execução? Creio que esse assunto não se esgota respondendo estas perguntas. Da mesma forma, estas respostas não podem ignorar a história, muito menos comprometer a confessionalidade de 500 anos da nossa Igreja e da Fé Luterana. Contudo, elas podem contribuir não só para uma conscientização e valorização do que já fazemos ‘sendo as mesmas pessoas’, mas também para abrir novos horizontes no que se refere à vida em Comunidade e à diversidade de dons e serviços que Deus nos dá em potencial. Ser ‘sempre as mesmas pessoas’ não é bom para a vida da Igreja, mas que bom que ‘estas mesmas pessoas’ estão sempre lá! Para refletir, leia Número 11.11-15

Ministérios diferentes, mas Corpo de Cristo P. Me. Carlos Romeu Dege | Ministro na Paróquia em Igrejinha/RS A tarefa de divulgar e viver o Evangelho é atribuição de todas as pessoas crentes. Lutero defende que todas as pessoas batizadas, as crentes, fazem parte de um só Sacerdócio, o Sacerdócio Geral de todas as Pessoas Crentes, e fundamenta a sua argumentação em vários textos bíblicos, entre eles o texto de 1Pedro 2.9: Vocês são a raça escolhida, os sacerdotes do Rei, a nação completamente dedicada a Deus, o povo que pertence a Ele. Vocês foram escolhidos para anunciar os atos poderosos de Deus, que os chamou da escuridão para a sua maravilhosa luz. Na argumentação de Lutero, destaca-se que aqueles que vivem em fé são sacerdotes do Corpo de Cristo ali onde vivem, trabalham, celebram. O exercício do Sacerdócio está na prática eclesiástica (Pregação da Palavra e Administração dos Sacramentos), bem como em uma vivência comprometida com os ensinamentos evangélicos. Para viver este Sacerdócio, existem diferentes Ministérios. Como lembra o apóstolo Paulo em 1Coríntios 12: Existem tipos diferentes de dons espirituais, mas é um só e o mesmo Espírito quem dá esses dons. Existem maneiras diferentes de servir, mas o Senhor que servimos é o mesmo. Pelos diferentes Ministérios não nos tornamos mais ou menos importantes na pregação e

vivência do Evangelho. Ministérios com Ordenação ou Leigos, todos estão em um só Corpo. Lutero explica que todas as pessoas cristãs e todos os Ministérios estão em um só ‘estamento espiritual’, ou seja, todos e todas estão em um mesmo degrau, em um mesmo objetivo, ninguém maior ou menor. Os Ministérios não são confiados à individualidade, mas, sim, à Igreja como um

O exercício do Sacerdócio está na prática eclesiástica, bem como em uma vivência diária comprometida com os ensinamentos evangélicos. todo, conforme Atos 1.8. Lutero defende: ‘Entretanto, não é lícito que qualquer um faça uso desse poder, a não ser com o consentimento da Comunidade ou por chamado de um superior, porque o que é comum a todos ninguém pode se arrogar individualmente até que seja chamado’. O Ministério é de Deus, colocado na mão da Comunidade para que o administre e

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cuide do seu devido desempenho, por isso a Comunidade, por meio de oração e imposição de mãos, delega a Ministros e Ministras, pessoas devidamente preparadas e escolhidas ou aceitas por ela, uma modalidade de servir dentro do Sacerdócio Geral. Como dizia Lutero: ‘O que faço, não o faço por minha autoridade, mas em lugar e em nome de Deus, para que não o consideres de outra maneira do que se o Senhor mesmo o tivesse feito visivelmente’. O termo Ministério é colocado por Lutero a partir de 1Coríntios 4. Assim, pois, importa que os homens nos considerem como Ministros de Cristo e despenseiros dos Mistérios de Deus. Hoje, na IECLB, temos quatro Ministérios com Ordenação: Catequético, Diaconal, Missionário e Pastoral. Cada Ministério com Ordenação possui ênfase de preparo distinta, mas o Ministério Eclesiástico é um só. Junto com todas as pessoas batizadas, Ministros Ordenados e não Ordenados, Ministras Ordenadas e não Ordenadas, Presbíteros e Presbíteras, membros do corpo de Cristo, servem à Missão de serem testemunhas do amor de Deus, cada qual com o seu dom e ali onde há desafio, com chamado pela fé. Para refletir, leia 1Pedro 2.5 e 9


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PERSPECTIVA

Porque vós sois um em Cristo Jesus Submissão ou sob a mesma missão? Profa. Dra. Ema Marta Dunck Cintra | Docente no Instituto Federal de Mato Grosso e Presidente do Conselho da Igreja Durante uma Assembleia Sinodal na qual eu participava, ouvi que, se as mulheres quisessem ser liderança na Igreja, deveriam participar mais efetivamente das suas Comunidades. Em outra ocasião, escutei que, em determinado local, mesmo o homem não sabendo escrever, ele havia assumido a Secretaria, mas era a sua esposa quem escrevia. Não faltam relatos, também, de a mulher ser chamada só para ‘cuidar da cozinha’. Além disso, há uma cobrança da sociedade em relação ao ‘papel da mulher’, fazendo com que ela se sinta culpada por deixar a casa e a família para atuar na sua Comunidade. Depois, vem a reclamação que as mulheres não assumem lideranças... Quantas vezes os homens ficaram em casa, preocupando-se com os afazeres, como a sua esposa faz, de modo que ela possa participar ‘efetivamente’ da vida comunitária? Quantas vezes, nas Paróquias e nas Comunidades, há preocupação em se cumprir o que é preconizado nas normativas da IECLB sobre a participação das mulheres nas Diretorias? Para que haja uma mudança, há que se transformar conceitos arraigados na sociedade. Quem de nós já não recebeu piadas, colocando homens e mulheres nos seus ‘devidos lugares’? Não são poucas as que tratam sobre a eterna briga entre os sexos: os homens são mais inteligentes, as mulheres falam muito, elas mandam é na cozinha e devem obedecer ao seu marido... Assim, conceitos equi-

vocados continuam se perpetuando. Para corroborar com essas ideias, não faltam interpretações, inclusive de partes da Bíblia, eternizando a ideia da mulher como alguém que deve ser ‘submissa’ ao seu marido. Um exemplo clássico é o capítulo 5 do livro de Efésios. Entretanto, essa mesma passagem permite uma interpretação que, muitas vezes, deixamos escapar. A passagem bíblica versa, especialmente, sobre sujeitar-se uns aos outros no temor de Cristo (Ef 5.21). O que isso significa? Que homens e mulheres devem se sujeitar pelo amor e pelo temor a Deus e devem se permitir estar sob a mesma missão. A submissão, nesse sentido, é de ambos, não porque um manda e outro obedece, mas em virtude da relação entre Cristo e a Igreja (cf. Ef 5. 25, 29 e 32). Quando isso efetivamente acontece, compreendemos o que está posto em Gênesis: Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou (Gn 2. 27). Portanto, se a imagem de Deus está presente na mulher do mesmo modo que no homem, ambos são iguais perante o Pai e devem partilhar tarefas, valorizar-se, atuar um ao lado do outro e trabalhar sob a Missão de Deus, sem qualquer tipo de discriminação. Vamos estar, todos e todas, submissos e submissas à vontade do Pai: porque vós sois um em Cristo Jesus (Gl 3.28).

Cristo é Deus e ser humano que jamais cometeu pecado. A sua justiça é insuperável, eterna e onipotente. Martim Lutero

Não se perde nada com a televisão desligada... A oração do livro P. Dr. Oneide Bobsin | Docente na Faculdades EST, em São Leopoldo/RS Sob o título Libertação pelos Livros, um jornal gaúcho fez uma excelente matéria sobre a redução das penas para quem ler um livro. Diz a matéria que, em muitos Estados do Brasil, o projeto está avançando em passos mais rápidos do que no Rio Grande do Sul, onde a norma que possibilita a redução de quatro dias da condenação a cada livro lido ainda não está regulamentada. Já no Paraná, onde já está vigorando, é observada uma redução de 60% para 20% nos casos de reincidência entre os presos que leem durante o período no cárcere. Em uma das penitenciárias gaúchas, a responsável pelo projeto de leitura entre presos não desistiu diante das dificuldades de toda ordem. Por iniciativa pessoal, juntou estantes velhas, como aquelas que a gente manda para os lixões, e deu para os presos reformá-las. Os livros foram adquiridos por meio de campanhas. Depois disso, lutou para que os presos pudessem ter o direito à leitura. Mais dificuldades foram enfrentadas! Nas celas daquele presídio, a televisão está sempre ligada, dificultando a leitura. Então, um preso começou a ler em voz alta, irritando os seus companheiros. Para sanar os conflitos na cela, fizeram um pacto: todos os dias, às 18 horas, a televisão seria desligada e o momento seria de leitura em grupo. Ele lia e os outros escutavam. Era a hora da oração do livro.

Pensei que este método de leitura poderia ser adotado por todas as nossas famílias. Que tal desligar a televisão, durante uma hora, à noite, para fazer a leitura, em família, da Bíblia e outros romances ou ajudar as crianças a fazerem leituras para a escola. Afinal, não se perde nada com a televisão desligada. Voltando ao caso, nota-se o engajamento de Magistrados para regulamentar o projeto. A Vara de Execuções Penais de Porto Alegre permite um dia de redução da pena para quem ler um livro de 300 a 400 páginas. Diz um apenado que a leitura lhe faz sair do mundo enjaulado e ter outra visão, não se deixando influenciar por outros. A remissão da pena pela leitura e pelo trabalho ajuda a recuperar a dignidade que a sociedade sonegou a quem foi encarcerado ou mesmo antes disto. Assim, a dignidade concedida por Deus a todos os seres humanos, independente das nossas obras, deixa de ser um ideal abstrato. No momento em que celebramos os 500 anos da Reforma, a ideia de liberdade defendida por Lutero precisa ser retomada insistentemente: o cristão é um senhor livre pela fé e, no amor, escravos de todos. Viver como escravo do amor pode ser muito perigoso. Veja a epístola de Paulo a Filemon a respeito do pedido em favor do prisioneiro e escravo Onésimo, escrita por Paulo, da cadeia. Para mais informações, acesse o Portal Luteranos

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MISSÃO

Comunidades mais inclusivas P. Dr. Pedro Puentes | Secretário de Missão Na IECLB, a busca por maior eficiência é questão de fidelidade ao testemunho do Evangelho de Jesus Cristo. Foi por isso que o Fórum de Missão, realizado em junho deste ano, desenvolveu os seus trabalhos sob o tema Por uma Igreja de Comunidades mais atrativas, inclusivas, missionárias. Qual é a palavra bíblica para Comunidades mais inclusivas? O livro de Atos (10-11) narra como o Apóstolo Pedro precisou aceitar que, a partir do Evangelho, não é possível rejeitar – considerar impuro – aquilo que Deus purificou (At 10.15). Para ele, não foi fácil dizer: Agora eu sei que, de fato, Deus trata a todos de modo igual (At 10.34). Isso significa que não há fundamento bíblico que legitime ações de exclusão na Comunidade. Nenhuma pessoa é ‘impura’ o suficiente como para ficar fora da

Cadê os Projetos Missionários? Secretaria de Missão Uma das formas pelas quais a IECLB fomenta a Missão é pelo apoio a iniciativas comunitárias, paroquiais e sinodais. Estas iniciativas, chamadas Projetos Missionários, encontram no Edital II - Ação Missionária as coordenadas para a sua realização. O Edital estabelece que a intencionalidade desses projetos seja: ‘o fortalecimento da Ação Missionária [...] em seu compromisso de testemunhar o Evangelho de Jesus Cristo a todas as pessoas em seu respectivo contexto’. Para tanto, são contemplados, em primeiro lugar, projetos ‘que visam à ampliação da Ação Missionária a partir da criação de um novo Campo de Atividade Ministerial (CAM)’. Quanto à criação de novos CAMs, embora sejam poucos, não estão no horizonte de alguns Sínodos, mas, se o Mandato de Jesus sobre fazer discípulos e discípulas (Mt 28.19-20) é para todas as pessoas que creem, por que não temos Projetos Missionários em todas as Paróquias, ou seja, em todos os Sínodos?

Comunidade de Jesus Cristo. Nessa mesma linha, o apóstolo Paulo escreve que, na Igreja, Não existe diferença entre judeus e não-judeus, entre escravos e pessoas livres, entre homens e mulheres: todos vocês são um só por estarem unidos com Cristo Jesus (Gl 3.28). Em outras palavras, as diferenças socioculturais não têm validade na Comunidade de Jesus Cristo. Quer dizer, as diferentes funções, cargos e programas na Comunidade não podem reproduzir as diferenças que há na cultura e sociedade. A contraproposta de Jesus é que, pelo Evangelho, somos irmãos e irmãs (Mt 23.8). O apóstolo João, na visão sobre as multidões que estarão perante Deus, diz: Eram de todas as nações, tribos, raças e línguas (Ap 7.9). Perante Deus, ninguém fica de fora! O

fortalecimento de Comunidades mais inclusivas exige, à luz do Evangelho: confessar os nossos preconceitos, desmascarar as exclusões ocultas nas nossas reuniões, programas e atividades comunitárias, trabalhar para que todas as pessoas tenham acesso ao Evangelho, à Comunhão, à Diaconia e ao Culto e Louvor. Que Deus abençoe os nossos trabalhos. Amém!

Planejamento Missionário P. Altemir Labes | Secretário Adjunto para Missão e Diaconia O terceiro momento, no Roteiro para o Planejamento Missionário da IECLB, tem como título: Analisar a Situação. Depois de assumir a Missão, a Visão e os Valores, a nossa tarefa será analisar a Comunidade e o seu contexto. Esta análise indicará pontos fortes e pontos fracos, oportunidades e ameaças relacionadas à Ação Missionária. Este momento é muito importante, pois é com base nele que vamos definir as ações e atividades do Plano Missionário. Analisar a situação significa observar os diferentes contextos (geográfico, socioeconômico, político, cultural), nos quais a Comunidade está inserida.

A tarefa é olhar para a nossa Comunidade e perceber quais são os pontos fortes (forças) e quais são os pontos fracos (fraquezas). Os pontos fortes são aquilo que ‘a Comunidade tem de bom’. Os pontos fracos são aqueles aspectos que precisam melhorar. Também vamos analisar o ambiente externo, identificando oportunidades e ameaças para a nossa Ação Missionária. Muitas vezes, nos fixamos nos detalhes e esquecemos de ver o todo. Outras vezes, olhamos de forma abrangente, sem considerar os pormenores. No Planejamento Missionário, precisamos olhar os dois âmbitos!

Qual é o impacto dos Projetos? P. Dr. Pedro Puentes | Secretário de Missão Neste ano, 2017, em que celebramos o Jubileu da VAI E VEM 2017 | ANO 10 Reforma e comemoramos a décima edição da Campanha Nacional de Ofertas para a Missão Vai e Vem, que tem como chamada Tempo de agradecer! O meu coraO meu coração bate pela missão! ção bate pela missão! , a Vai e Vem apoia, em âmbito nacional, 11 Projetos Missionários distribuídos em sete dos 18 Sínodos que compõem a nossa IECLB. Qual é o impacto destes Projetos Missionários? A resposta a essa pergunta depende do critério utilizado para medir o seu alcance. Não temos informações sobre a influência que cada Projeto Missionário tem sobre o seu entorno. O que sabemos é que estes 11 Projetos Missionários alcançam diretamente um mínimo de 1.479 pessoas. Certamente, o Evangelho proclamado, a Comunhão vivenciada, a Diaconia praticada e o Culto celebrado fazem toda a diferença para estes irmãos e estas irmãs. Cada vida de fé e cada Projeto Missionário são como uma semente, que, se germinada pelo agir do Espirito de Deus, pode propiciar, pelo poder do Evangelho, a transformação deste mundo que ainda é de Deus. Qual é o impacto de um Projeto Missionário? Só Deus o sabe! CAMPANHA NACIONAL DE OFERTAS PARA A MISSÃO

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GRATIDÃO

Fé, Gratidão e Compromisso Sustentabilidade da e na Igreja Miltom de Oliveira | Bacharel em Ciências Contábeis*

Quando o Jorev Luterano me convidou para escrever sobre Sustentabilidade, lembrei-me do ano de 2007, quando participei, como Referente da IECLB, no primeiro Encontro do Programa Sustentabilidade da Federação Luterana Mundial (FLM), em Manágua, na Nicarágua. Naquela ocasião, reuniram-se 12 Igrejas Luteranas da América Latina e do Caribe. O próprio nome do Programa já nos provocava a pensar, discutir e entender em que tipo de Sustentabilidade as Igrejas estariam interessadas em aprofundar o conhecimento. No trabalho coordenado pelo então Secretário de Área da FLM para América Latina e Caribe e hoje Secretário Executivo da FLM, Rev. Dr. Martin Junge, junto com o Grupo Animador e Consultores, ficou claro, desde as primeiras intervenções dos Referentes das Igrejas, que a visão sobre Sustentabilidade era muito diferente entre nós. As percepções se dividiam entre Sustentabilidade Ambiental, Sustentabilidade Financeira e Sustentabilidade Empresarial. Lembrei também que, na página 62 do

Texto-Base do Plano de Ação Missionária da IECLB (PAMI) editado em 2008 e que se mantêm no Roteiro para Planejamento Missionário, publicado em 2016, encontramos uma resposta à pergunta: O que é Sustentabilidade? Sustentabilidade é a capacidade de um sistema de criar as condições favoráveis para a sua sobrevivência e para o seu desenvolvimento no presente e no futuro, evitando o esgotamento ou a sobrecarga dos recursos que o mantêm. O Sociólogo e Professor Domingos Armani define Sustentabilidade enfocando o aspecto institucional: ‘[...] é a capacidade que tem a organização de manter o seu valor social e a relevância do serviço que presta – a sua missão, o seu projeto institucional – de forma duradoura em uma relação criativa com o meio’. A Sustentabilidade é tarefa permanente de uma organização, incluindo Comunidades, Paróquias, enfim, toda a Igreja, pois elas dependem de recursos financeiros, mas dependem, sobretudo, da qualidade da organização e do compromisso com

a missão estabelecida. Igreja sustentável necessita ainda de lideranças capazes de criar as melhores condições para o engajamento dos seus membros. Na perspectiva da Sustentabilidade da Igreja está o desafio de aprendermos como colocar em prática uma Gestão focada na Espiritualidade. Ressaltando que espiritualidade não é algo abstrato, mas, sim, a prática de ações e comportamentos baseados na fé e em valores. Isto implica criar uma cultura na organização, seja Igreja ou não, em que o ser humano seja respeitado como pessoa. É necessário, portanto, falarmos em relacionamentos que gerem confiança entre as pessoas. O enfoque da Sustentabilidade da Igreja está fundamentado no conceito da Missão de Deus. Uma Igreja melhora a sua Sustentabilidade quando, simultaneamente, planeja estratégica e participativamente, desenvolve os dons das pessoas, cuida dos recursos financeiros e materiais e amplia a sua atuação missionária. Em 2005, em Rodeio 12/SC, a IECLB promoveu o Fórum Nacional Fé, Gratidão e Compromisso e, já naquela ocasião, se enfatizava a necessidade de conscientização dos membros das nossas Comunidades e Paróquias sobre a importância da busca pela Sustentabilidade Financeira da Igreja. A contribuição financeira dos membros da Igreja é uma oferta de gratidão a Deus. Ela representa o reconhecimento que tudo o que a pessoa tem e recebe provém de Deus. O princípio bíblico da contribuição para a Igreja é o dar com liberdade, com gratuidade e de acordo com as posses de cada um e cada uma (2Co 9.7-8). * integrante da Comissão de Acompanhamento e Apoio à Gestão de Comunidades, Paróquias e Instituições Diaconais do Sínodo Sudeste

Publicações | O Ano Litúrgico O tempo, como um elemento tão precioso da vida humana, também é um instrumento importante para a vida da Igreja e está relacionado aos principais acontecimentos da história da salvação. Para falar conosco, Deus utiliza o nosso tempo, se encontra conosco e continua a história da salvação por meio do serviço da sua Igreja. Uma das muitas formas que a Igreja encontrou para estruturar o seu serviço foi a criação de um calendário litúrgico. Assim como existe um calendário civil, na Igreja há um calendário eclesiástico, o qual marca as datas especiais e as festas mais importantes para a celebração da fé e da história de Deus conosco. Trecho de O Ano Litúrgico

O Espírito Santo traz Cristo ao nosso coração e nos ensina a conhecê-lo. Ele dá vida e novo ânimo ao coração, por meio da fé em Cristo. Martim Lutero

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GESTÃO

Corpo IECLB | Gestão Administrativa Secretaria Geral da IECLB O Planejamento é estratégico para a Missão da Igreja, como bem destaca o Plano de Ação Missionária da IECLB (PAMI). Planejar é realizar mentalmente toda uma série de ações como se elas estivessem sendo realizadas na realidade, para que, quando elas tiverem que ser feitas, tudo (ou a maioria dos atos) já esteja previsto. A mudança que o Planejamento quer oportunizar é a transformação que vem do Espírito de Deus quando sopra em sua Comunidade de fé e esses sopros do Espírito muitas vezes se convertem em necessidade de ensaiar novos modos de ser Igreja (Roteiro para Planejamento Comunitário do PAMI – 2008-2012). As Comunidades da IECLB ocupam uma posição estratégica na implementação dos objetivos da IECLB no Brasil e no mundo. Sendo assim, demandam uma atenção especial para a elaboração dos seus Planos Missionários. É por isso que o Planejamento das ações de Missão no âmbito local tem grande importância. A IECLB é uma Igreja comprometida com a Missão de Deus. Para expressar a sua compreensão teológica sobre Missão, motivar, promover e articular o Planejamento da Missão nas Comunidades, Paróquias e Sínodos, a IECLB elaborou o PAMI. O PAMI promove a unidade, orienta, motiva, articula o Planejamento da Ação Missionária de Comunidades, Paróquias, Sínodos e instituições. Ele nos ajuda a qualificar a nossa Ação Missionária. A primeira versão do PAMI teve vigência de 2000 a 2007. A segunda versão do PAMI, que recebeu definição de prazo de 2008 a 2012, foi referendada no Concílio de 2012 e está em vigor. Nestes dois últimos anos, vem se trabalhando na revisão da metodologia do PAMI/Planejamento Estratégico e na assessoria a Sínodos e Paróquias com o objetivo de oferecer condições para executarem os seus Planos de Ação Missionária. A participação em Seminários Sinodais, Atualizações Teológicas, Reuniões de Conselhos Sinodais e Assembleias Sinodais busca qualificar lideranças para a execução do Planejamento. Trecho do Relatório da Secretaria Geral ao XXX Concílio da Igreja/2016 Para mais informações, acesse o Portal Luteranos

Guia para o Presbitério O Planejamento permite conhecer melhor a Comunidade, definir metas, repartir tarefas, descobrir as facilidades e as forças ameaçadoras. Dessa forma, o Presbitério poderá aprimorar a condução da Comunidade na Missão de Deus. Cada Planejamento é especial e único. As Comunidades da IECLB, mesmo tendo a mesma identidade evangélico-luterana, são diferentes umas das outras. Cada Comunidade tem a sua história, o seu contexto, com desafios, ameaças, fraquezas e possibilidades específicas, também a sua experiência comunitária. Não há uma única receita pronta sobre como participar da Missão de Deus nas Comunidades da IECLB. Por outro lado, cada Comunidade não pode transformar-se em uma Igreja isolada, com as suas próprias dimensões missionárias, por isso o Plano de Ação Missionária da IECLB (PAMI) definiu as quatro dimensões básicas para orientar e despertar a participação na Missão de Deus: Evangelização, Comunhão, Diaconia e Liturgia, bem como três eixos transversais: Formação, Sustentabilidade e Comunicação, com o propósito de criar e recriar Comunidades.

Documentos Normativos Regulamentos são a expressão normativa dos compromissos firmados entre as representações nas diversas instâncias. A Constituição, o Regimento Interno, o documento Justiça e Ordem, o Estatuto do Ministério com Ordenação da IECLB e o Guia Nossa Fé-Nossa Vida são normas nacionais, eclesiasticamente válidas para todos e todas. Acima desses documentos está o Mandato de Deus, tendo como base a Bíblia e os Escritos Confessionais. Todos os demais documentos são elaborados a partir dos princípios constantes nesses documentos citados e a eles estão sujeitos eclesiasticamente. O Regimento Interno da IECLB, por exemplo, estabelece, entre outros, que compete ao Concílio da Igreja dispor sobre toda e qualquer matéria de interesse da Igreja, em especial: I fixar diretrizes que assegurem a unidade da Igreja e a preservação da sua doutrina e confessionalidade; II estabelecer os planos de ação da Igreja para sua atuação no território brasileiro e para sua atividade missionária no exterior; III promover o debate e a reflexão sobre temas fundamentais e de interesse da Igreja, visando a aprofundar a sua comunhão na ação evangelizadora, missionária, diaconal e catequética; IV estabelecer diretrizes para que: a) os membros das Comunidades possam exercer seus dons na Missão da Igreja, na perspectiva do Sacerdócio Geral de todos os Crentes e do Ministério Compartilhado; b) os Ministros e colaboradores voluntários recebam formação adequada para a atuação em seus Campos de Atividade Ministerial.


Jorev Luterano - Setembro 2017

SÍNODOS

Compromisso com o Evangelho de Jesus Cristo Alegres, Jubilai! São 500 anos de Reforma Luterana! P. Vilson Emilio Thielke | Pastor Sinodal do Sínodo Noroeste Riograndense

O Tema do Ano da IECLB para 2017 faz um convite: Alegres, jubilai! De fato, temos motivo para jubilar. Afinal, são 500 anos de Reforma Luterana. Esta comemoração nos convida a olharmos para o futuro a partir de um olhar para o passado. Para crescer, precisamos nos conhecer. Para isso, precisamos conhecer o nosso passado. Conhecer o passado também é reconhecer e alegrarse com os acertos, mas também perceber as falhas e as lacunas. Foi assim que a Federação Luterana Mundial e a Igreja Católica Apostólica Romana ensaiaram a aproximação entre as duas Confissões: olhando para o passado, observando os pontos positivos de cada uma e se ocupando com os pontos conflituosos. A partir de um diálogo franco e aberto, cada uma reconheceu os seus pecados, que causavam conflitos, e, por meio do perdão mútuo, buscaram a comunhão. Essa ação é espelho para nós, do Sínodo Noroeste Riograndense. É motivo de júbilo! Procurando conhecer quem somos,

realizamos o nosso Planejamento Missionário, aprovado pela Assembleia Sinodal de 2016 e que está sendo colocado em prática em 2017. Olhando para o passado, descobrimos quem somos, percebemos os nossos acertos e erros, o que nos possibilitou olhar para o futuro e estabelecer as nossas metas para os próximos anos. Temos muitos desafios diante de nós: na área social, econômica, política e ecológica, como, por exemplo, com as pessoas atingidas pelas construções das barragens hidroelétricas no Rio Uruguai, inseguras pela falta de informações, com os povos indígenas, que, além de sofrerem descriminação, estão perdendo cada vez mais espaço e direitos, e com os agricultores familiares, que também estão enfraquecendo e precisando do apoio da Igreja. Percebemos a carência na formação de lideranças e pessoas leigas, a falta de conhecimento da estrutura da nossa Igreja por parte dos membros, além da escassez de voluntários para a Seara do Senhor.

Queremos nos tornar uma Igreja que caminhe em conjunto, fazendo jus ao nome: Sínodo! Queremos ser testemunhas de Cristo no noroeste do Rio Grande do Sul, comprometidas com o Evangelho de Cristo, com justiça e vida digna para todas as pessoas. Queremos ser Igreja que olhe para além dos seus muros e se comprometa com a sociedade como um todo. Que se preocupe com a Criação, protegendo o meio ambiente. Igreja que viva o amor ao próximo e promova a paz. Queremos ser Igreja Missionária, que celebre com alegria e que seja solidária. Igreja que acolha todas as pessoas, sem olhar para origens ou classes. Queremos ser Igreja de Jesus Cristo, que procure sempre de novo olhar para o passado, a fim de conhecer-se cada vez melhor, por meio de avaliações periódicas, percebendo e corrigindo falhas, para um agir mais coerente e comprometedor. É verdade que os desafios que temos diante de nós, muitas vezes, são grandes, mas sentimo-nos motivados e fortalecidos pelo poder do Espírito Santo, que nos certifica que não estamos sozinhos a caminho. Deus caminha conosco!

Há necessidade de mais motivação para uma maior participação na vida e nas atividades da Igreja. No que se refere a uma parte essencial para a Missão de Deus, a Música, falta investimento e formação nesta área em nosso Sínodo. Muitas Comunidades anseiam por Cultos mais animados e com mais louvor. No entanto, há poucas pessoas capacitadas para organizar e coordenar um grupo de animação. Sentimos também que precisamos investir mais na união e na colaboração de membros, lideranças, Ministros, Ministras e Comunidades, pois queremos ser Comunidades atrativas, acolhedoras e inclusivas, comprometidas com a Missão de Deus e com o Evangelho de Jesus Cristo. O conhecimento destas lacunas oportunizou que, por meio do Planejamento Missionário do Sínodo, pudéssemos estabelecer as nossas metas e ações em quatro áreas: Formação, Comunicação, Música e Programas Sociodiaconais. Formação: o Projeto de Formação proposto pelo Planejamento Missionário está vinculado à Educação Cristã Contínua, abrangendo a Formação Teológica, Bíblica e Litúrgica, além de Seminários para Juventude Evangélica, Culto Infantil e Missão Criança e da capacitação e qualificação das lideranças, Ministros e Ministras. Comunicação: com a realização de oficinas e cursos, desejamos melhorar a comunicação em todos os setores do Sínodo para qualificar a retórica, dar maior qualidade ao Jornal Sinodal e aos Boletins Informativos, além de estabelecer e auxiliar equipes de comunicação nas Comunidades. Música: reestruturamos o Conselho Sinodal da Música, que, entre outras ações, tem como objetivo valorizar e incentivar os grupos de animação já existentes e auxiliar para que novos grupos possam ser criados. O nosso sonho é investir na formação de instrumentos de sopro e na criação de mais Corais de Metais. Programas Sociodiaconais: estabelecemos um trabalho de acompanhamento aos possíveis atingidos pelas barragens e, por meio da Pastoral da Agricultura Familiar e Direito à Terra, procuramos apoiar e auxiliar os agricultores familiares na organização de agroindústrias, cultivo de produtos orgânicos, industrialização de sucos de frutas. Com o apoio do Conselho de Missão entre Povos Indígenas (Comin), realizamos Seminários de Integração entre membros, Ministros, Ministras e indígenas para troca de conhecimentos e experiências, além da inclusão dos povos indígenas em diversas atividades do Sínodo.

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MEMÓRIA

Carta do século XXI De: Martinus Eleutherius - Para: Martinus Torneirus P. em. Dr. Gottfried Brakemeier | Publicação original no Jorev Luterano no 699 - setembro/2007 Martinus Torneirus Meu amigo e tocaio! Desejo-lhe a graça de nosso Senhor Jesus Cristo. Obrigado por sua carta que recebi no mês passado, encaminhada a mim pelo Jorev Luterano. É verdade que a distância entre nós é grande. Separam-nos quase cinco séculos. Vivi na Alemanha do século XVI e você vive no Brasil do século XXI. São mundos diferentes, mas, quando o assunto é o Evangelho, essa distância já não conta. Alegro-me pelo fato de haver cristãos luteranos também no Brasil, ‘selvagens’ seguindo a Cristo, como também eu o fui. Na verdade, não gosto que cristãos se chamem pelo meu nome, pois a Igreja é de Cristo. Ela não é minha, mas, se estão convictos de que o humilde servo Martim Lutero disse algumas verdades, então, com muito prazer, lhes empresto meu nome para

nome do Evangelho, discordar e protestar. Foi isto o que se me negou. Tinha que discordar de muita coisa na Igreja de meu tempo. Ainda hoje sou acusado de ter fundado uma nova religião. Que bobagem! Não fundei Igreja nenhuma. Tentei reformar a Igreja de Jesus Cristo, fundada nem em Roma nem em Wittenberg, mas, sim, em Jerusalém, pela ação do Espírito Santo. Sou reformador, não fundador, mas as autoridades não queriam mudanças. Reforma é sempre algo doloroso. Ela costuma esbarrar em interesses e estruturas de poder que a impedem. Você percebeu o meu amor pela Bíblia. Qual seria a outra instância normativa na Igreja além dela? É verdade que nem tudo o que escrevi é de fácil compreensão. Nem mesmo a leitura de meus comentários bíblicos costuma ser fácil. Acontece com os meus escritos o mesmo que observamos na BíA Confissão de Augsburgo esclarece que blia: também ela ‘a Igreja é a congregação dos santos na qual contém passao Evangelho é pregado de maneira pura e os gens difíceis. Mesmo assim, sustenSacramentos são administrados corretamente’. to que ela é muito É a presença da Palavra de Deus que faz a Igreja. clara quando se trata dos assuntos designar seu modo de confessar e viver a fé. centrais da fé. Descubro em você um ótimo Aliás, é surpreendente receber uma carta intérprete meu. Parabéns! De fato, apoiandodo Brasil, país este que, durante longo temme somente na Escritura, quero colocar Cristo po, me tem negado o visto de entrada. Suas no centro, através de quem Deus manifestou fronteiras estavam fechadas para mim. A relisua graça a ser acolhida pela fé. São estes os gião oficial, a católica, não permitia o exercíquatro pilares de minha Teologia. cio do ‘rito luterano’ e quando, por interesses Assim também o leio na Bíblia: somos estatais, chegaram os primeiros imigrantes justificados por graça somente. Deus nos luteranos, tiveram que enfrentar dura oposiaceita exclusivamente por amor, não por pação. Você sabe isto melhor do que eu. Hoje, gamento ou mérito de qualquer tipo. Tudo a situação é diferente, graças a Deus, mas o que recebemos de Deus é gratuito. Paredemorou até que se concedesse a liberdade ce ser este o grande escândalo do Evangereligiosa nessa parte do planeta. Você se surlho. O ser humano quer substituir o amor de preende com a minha ‘língua afiada’, com a Deus pelo negócio. Que dizer de filhos que maneira às vezes áspera de tratar meus opoquerem ‘comprar’ o amor de seus pais? Foi nentes. Bem, sofri muita injúria. Vivi como por isto que me revoltei contra a prática das pessoa perseguida, condenada, excomunindulgências. Infelizmente, o mercado religada durante quase toda a minha vida. Isto gioso está de volta. Compartilho com você deixa marcas, mas não quero me desculpar. a preocupação com as tais das igrejas da Também prefiro um estilo polido no trato prosperidade. Enganam as pessoas e transmútuo. No que insisto é no direito de, em formam o Evangelho em mercadoria.

A sociedade de vocês não gosta da cruz de Cristo. Seria sinal de fracasso. O que importa seria a ressurreição, a vitória, o triunfo. É este mais outro perigo que vejo no Brasil do século XXI, a saber, o culto ao sucesso, mesmo que com corrupção, roubo ou extorsão. Cria-se uma sociedade cada vez mais violenta, brutal e cruel e a religião deve ajudar a alcançar o objetivo! Jesus, sob este ponto de vista, foi um fracassado. Apostou no amor, não na esperteza, na força ou no lucro. Manifestou a misericórdia de Deus, não sua vingança, por isto teve que morrer, mas que ninguém se engane: a fraqueza do amor é mais poderosa do que todo o capital, as armas e a inteligência juntos. Já que estamos falando sobre o Brasil, queira permitir-me uma última observação. Também me preocupo com uma fé que perde a cabeça e afunda no delírio. Fé sempre possui uma dimensão emocional, sentimental, mas, quando ela deixa de pensar, quando perde o controle de si, quando cai em transe, já não mais é a fé em Cristo. Deve-se esperar de religião sabedoria. Pelo que me parece, vocês, luteranos no Brasil, têm uma grande missão em seu contexto religioso, social e político. Vocês se defrontam com muitos problemas semelhantes aos de 500 anos atrás: a vontade de Deus sofre contestação e sua graça provoca indignação junto a quem se considera justo. Continue encorajando a IECLB a seguir firme o caminho do Evangelho. Que coloque um pouco de ‘sal luterano’ na sopa religiosa do Brasil. Para tanto, queira ela mesma ‘reformar-se’, eliminar alguns vícios internos e cuidar da sua unidade. No mais, queira conscientizar-se do talento que recebeu para com ele trabalhar. Sua condição de minoria não é desculpa para enterrá-lo, como o fez aquele sujeito preguiçoso na parábola de Jesus. Peço a Deus que lhe dê força para cumprir o que dela espera. Martinus Eleutherius

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Jornal Evangélico Luterano - Ano 46 - Nº. 809 - Setembro 2017  

Jornal Evangélico Luterano - Uma publicação da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB).

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