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Jornal Evangélico Luterano | Ano 46 | Outubro 2017 | n o 810

Igreja sempre em Reforma Alegres, jubilai! Agora são outros 500 A IECLB faz parte dessa história, como herdeira da redescoberta de Lutero e instrumento da Missão de Deus

31 de outubro de 2017

Lutero - Reforma: 500 anos

Estações da nossa Confessionalidade

Compromisso do Ministério

Presidência

Unidade

Mensagem da Presidência Recordar e festejar em conjunto Jubileu


Jorev Luterano - Outubro 2017

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REDAÇÃO

Igreja sempre em Reforma Alegres, jubilai! “Celebrar 500 anos da Reforma é reconhecer o empenho de pessoas que Deus despertou pela ação do seu Espírito, inspirou e moveu nestes cinco séculos para viver e proclamar o Evangelho. Homens e mulheres testemunharam, mesmo com falhas e acertos, mas com muita esperança, a compreensão sólida das bases reformatórias: somente a Escritura, somente a Fé, somente a Graça e somente Cristo”, destaca o Documento Estações do Jubileu - Estação de Outubro/2017: Celebração, emitido pela Presidência da IECLB, chamando a atenção para a importância de celebrar a Reforma: - em uma realidade em que valores são relativizados e vínculos comunitários são fragilizados, celebrar a Reforma representa a afirmação da redescoberta do Evangelho, que promove vida e comunhão; - em uma realidade na qual a fé e os valores religiosos tornam-se mercadoria e meios de controle, celebrar a Reforma torna-se oportunidade para dar visibilidade para a mensagem da graça e do amor de Deus; - em uma realidade na qual a vida das pessoas é ameaçada pela manipulação (biogenética, meios digitais, poderes políticos e religiosos, etc.), celebrar a Reforma significa realçar, para os dias de hoje, a mensagem da liberdade, alcançada em Jesus Cristo; - em uma realidade na qual acontecem disputas e concorrências no interior da cristandade, celebrar a Reforma torna-se oportunidade para lembrar que, graças ao Batismo, as pessoas são incorporadas na Igreja una e universal de Cristo e que, por meio dele, integram o Sacerdócio Geral; - em uma realidade marcada por exclusões e repleta de intolerâncias e discriminações de todo tipo, celebrar a Reforma significa apontar para a crença que todas as pessoas são detentoras de direitos inalienáveis; - em uma realidade caracterizada pela apatia e pela descrença nas instituições políticas, celebrar a Reforma significa lembrar que as pessoas cristãs são vocacionadas para o testemunho público de fé. “A celebração dos 500 anos é única e, certamente, ficará na memória de todas as pessoas!”, enfatiza o Documento, estimulando a animar pessoas amigas para fazer parte das festividades. É momento de, alegres, jubilar, pois, agora, são outros 500!

CAPA A Rosa de Lutero, símbolo da Confessionalidade Luterana e, portanto, da Reforma, traz, no centro, a cruz, lembrando que a fé no crucificado nos salva, porque as pessoas que creem de coração serão justificadas. A pessoa justa viverá pela fé, mas pela fé no crucificado.

Jornal Evangélico Luterano | Ano 46 | Outubro 2017 | n o 810

Igreja sempre em Reforma Alegres, jubilai! Agora são outros 500 A IECLB faz parte dessa história, como herdeira da redescoberta de Lutero e instrumento da Missão de Deus

SUMÁRIO 2

REDAÇÃO

CARTA À COMUNIDADE EXPLICAÇÃO DA CAPA EXPEDIENTE

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ENFOQUE

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PALAVRA

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PRESIDÊNCIA

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FORMAÇÃO

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DIVERSIDADE

31 de outubro de 2017

Lutero - Reforma: 500 anos

Estações da nossa Confessionalidade

Compromisso do Ministério

Presidência

Unidade

Mensagem da Presidência Recordar e festejar em conjunto Jubileu

JUBILEU DA REFORMA CHARGE OFERTAS NACIONAIS INDICADORES ECONÔMICOS GESTÃO MINISTERIAL COMPETÊNCIAS MINISTERIAIS TEMA DO ANO PALAVRA DA PRESIDÊNCIA RETROSPECTIVA AGENDA EDUCAÇÃO CRISTÃ CONTÍNUA PROPOSTA METODOLÓGICA FACULDADES EST GÊNERO PRONUNCIAMENTO

8-9 UNIDADE

LUTERO - REFORMA: 500 ANOS

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FÉ LUTERANA

COMPROMISSOS DE ORDENAÇÃO

PERSPECTIVA

AS MULHERES NA REFORMA: ONTEM, HOJE E AMANHÃ... LUTERO: FURACÃO DA GRAÇA E NÃO DA DESGRAÇA!

MISSÃO

PLANO DE AÇÃO MISSIONÁRIA DA IECLB PROJETOS MISSIONÁRIOS PLANEJAMENTO MISSIONÁRIO CAMPANHA DE MISSÃO VAI E VEM

GRATIDÃO

FÉ, GRATIDÃO E COMPROMISSO PUBLICAÇÕES

GESTÃO

GESTÃO ADMINISTRATIVA DOCUMENTOS NORMATIVOS GUIA PARA O PRESBITÉRIO

SÍNODOS

ALEGRES, JUBILAI!

JUBILEU

ALEGRES, JUBILAI!

Deus nada mais é do que amor, pois todas as coisas boas fluem do amor. Martim Lutero EXPEDIENTE Pastor Presidente P. Dr. Nestor Friedrich Secretária Geral Diác. Ingrit Vogt Jornalista Letícia Montanet - Reg. Prof. 10925 Administrativo Elizangela Basile ISSN 2179-4898 Cartas - Sugestões de pauta - Artigos - Anúncios Rua Senhor dos Passos, 202/5º 90.020-180 - Porto Alegre/RS Fone (51) 3284.5400 E-mail jorev@ieclb.org.br Proibida a reprodução parcial ou integral do conteúdo desta edição sem a prévia e formal autorização da Redação do Jorev Luterano.

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Jorev Luterano - Outubro 2017

ENFOQUE

Jubileu da Reforma Dando seguimento ao projeto das Estações do Jubileu da Reforma, a Presidência da IECLB convida para, neste mês de outubro de 2017, celebrarmos a ação graciosa de Deus, base do movimento da Reforma, e pelo qual festejamos neste dia 31, 500 anos de história. Luteranos e luteranas, bem como outras confissões, no mundo inteiro, estão em festa! O Tema do Ano de 2017, Alegres, jubilai!, tem o seu ponto alto nas celebrações dos 500 anos da Reforma. A IECLB está em festa! Como Igreja herdeira dos princípios da Reforma em solo brasileiro, a IECLB é desafiada a permanecer sempre em Reforma para, cada vez com mais empenho e qualidade, proclamar o Evangelho de Jesus Cristo, estimulando a sua vivência pessoal na família e na Comunidade, promovendo a paz, a justiça e o amor na sociedade brasileira e no mundo. A IECLB quer ser reconhecida como Igreja de Comunidades atrativas, inclusivas e missionárias, que atuam em fidelidade ao Evangelho de Jesus Cristo, destacando-se pelo testemunho do amor de Deus, pelo serviço em favor da dignidade humana e pelo respeito à Criação. A fonte do nosso júbilo é, em primeiro lugar, o Deus gracioso, que se doa inteiramente para nos acolher, perdoar, salvar e capacitar para o anúncio do seu amor a todas as pessoas. Este Deus continua a se revelar em sua Pa-

INDICADORES FINANCEIROS

Reforma

lavra e, pela ação do seu Espírito, desperta os dons e os carismas que propiciam o testemunho e a vivência da Boa Notícia do Evangelho. Na festa do Jubileu, todas as pessoas estão convidadas: quem integra a Comunidade desde o Batismo, quem ingressou por profissão de fé, quem é membro e está afastado, quem não é membro e simpatiza com a confissão e com a gente luterana, pessoas de todos os grupos étnicos, autoridades e sociedade civil. A Reforma e a sua herança não conhecem fronteiras nem limites eclesiásticos. A Reforma e a sua herança são patrimônios da cultura e da sociedade como um todo. Que possamos celebrar o Jubileu da Reforma na convicção que Deus nos insere nestes 500 anos de história como protagonistas da sua ação amorosa. Deixemo-nos conduzir por sua mão carinhosa e acolhedora. Trechos do documento emitido pela Presidência da IECLB

UPM Setembro/2017 4,3460 Índice Agosto/2017

0,19 %

Acumulado 2017

1,62 %

Deus não ama por causa das nossas obras, mas por causa do seu amor. Martim Lutero

OFERTAS NACIONAIS 8 DE OUTUBRO 18o Domingo após Pentecostes Plano de Educação Cristã Contínua A Educação Cristã é um dos pilares da Igreja e acontece em função da missão. É a partir da Educação Cristã que a IECLB capacita pessoas que dela fazem parte para o exercício pleno do Sacerdócio Geral. Esta tarefa acontece em parceria com Sínodos, Centros de Formação Teológica, Conselho Nacional de Educação Cristã Contínua e Secretaria Geral. Atualmente, em conformidade com o Plano de Educação Cristã Contínua da IECLB (PECC), a Secretaria de Formação, por meio da Coordenação de Educação Cristã, desenvolve o seu planejamento e as suas ações a partir de três formas de atuação: Articulação, Formação e Publicação de Materiais. 29 DE OUTUBRO 21o Domingo após Pentecostes Promoção do Ecumenismo Na IECLB, o compromisso ecumênico se concretiza pela participação em comissões bilaterais de diálogo com outras Igrejas e em organizações ecumênicas nacionais, como o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), e entidades, como Diaconia e Sociedade Bíblica do Brasil (SBB). Em nível internacional, a IECLB participa do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), da Federação Luterana Mundial (FLM) e do Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI). Também tem convênios e parcerias com a Igreja Evangélica na Alemanha, a Igreja Evangélica Luterana na Baviera, as Igrejas Luteranas na Suécia, Noruega, Japão, Moçambique, Angola, Estados Unidos, Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile e na América Central.

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PALAVRA GESTÃO MINISTERIAL

Desmotivação: buscando saídas… P. Dr. Victor Linn | Pastor, Psicanalista e Coach Desmotivar-se é uma experiência absolutamente pertinente à vida, também na profissão, e acontece quando algum fato provoca uma retração ou deslocamento da nossa energia. No entanto, quando se manifesta contínua ou repetidamente, há que se tomar cuidado e buscar ajuda profissional para identificar as causas. Contagiante em alto grau, a desmotivação causa muitos danos. Ela se volta contra o próprio indivíduo ou contra o meio – colegas e pessoas com as quais se trabalha e convive. Em geral, o meio a suporta e tolera por algum tempo, mas há limite. Esse limite raramente é percebido pelo profissional desmotivado, que, em sua lógica, supõe que o meio seja responsável por sua insatisfação e lhe deva algo, devendo também suportá-lo em suas queixas. Nesse caso, é inevitável que o meio lhe confronte e imponha um limite. Havendo condições e cultura de diálogo, a desmotivação decorrente de estruturas e sistemas inadequados pode ser facilmente identificada e superada. Já a desmotivação que se origina na falta inerente à condição humana é mais complexa e resistente. Enquanto humanos, desejamos e buscamos coisas que não encontramos exatamente como as imaginamos. Isso que encontramos não é aquilo que buscamos. Há uma diferença que precisa ser equacionada: a) ficamos na posição de lamentação e recusa, b) partimos para nova busca e repetimos o mesmo em outro lugar ou c) aprendemos a ver nisso um pouco daquilo. Na verdade, esse recurso psíquico, dizem algumas pessoas, é o milagre do amor…

COMPETÊNCIAS MINISTERIAIS

Gestão Comunitária na Igreja Cat. Dra. Haidi Drebes | Secretária da Habilitação ao Ministério P. Altemir Labes | Secretário Adjunto para Missão e Diaconia* Na IECLB, a competência Gestão Comunitária é entendida como a capacidade de coordenar processos e liderar pessoas com vistas ao cumprimento da Missão de Deus. Por ser uma competência, a Gestão Comunitária pode ser desenvolvida e fortalecida. As responsabilidades pertinentes a esta competência estão subdivididas em dois modelos de gestão, distintos e interdependentes: a) Gestão Ministerial e b) Gestão Administrativa. A Gestão Ministerial é feita por Ministro habilitado e ordenado ou Ministra habilitada e ordenada pela IECLB. A pessoa que faz a Gestão Ministerial tem o compromisso primeiro pelo anúncio do Evangelho, pela unidade eclesiástica e confessional, pelos Ofícios e Sacramentos e pelo acompanhamento de pessoas. As responsabilidades ministeriais fundamentais são definidas pelo Concílio da IECLB e estão regulamentadas no Estatuto do Ministério com Ordenação (EMO). A Gestão Administrativa é feita por representantes em Conselhos, Presbitérios, Diretorias e por pessoas com funções administrativas específicas. As competências administrativas fundamentais são definidas pelo Concílio da IECLB, es-

tão expressas na Constituição da Igreja e regulamentadas no Regimento Interno. Quem faz a Gestão Administrativa é responsável prioritariamente pelo planejamento, administração financeira, coordenação de pessoal e da infraestrutura para a realização da Missão da Igreja. Entre as principais atribuições da Gestão Comunitária, destacamse: a) Liderar pessoas e coordenar processos com vistas ao cumprimento da Missão e da Visão da Igreja, b) Educar para a fé oferecendo capacitação, c) Planejar as ações de Missão no seu contexto de atuação e implementar o Plano de Ação Missionária da IECLB (PAMI), d) Mobilizar recursos (humanos, materiais e financeiros) com vistas a suscitar a participação de membros de todas as faixas etárias (com base na Mordomia Cristã - Fé, Gratidão e Compromisso), e) Prestar contas do planejado e executado, f) Comunicar o Evangelho ao público interno e externo, g) Zelar pelo cumprimento dos Documentos Normativos da Igreja e pela legislação vigente no país e h) Promover e assegurar a sustentabilidade da Comunidade. *Colaborou o Teól. Dr. Carlos Bock Assessor de Gestão

TEMA DO ANO

Nele nos movemos! Cat. Joni Roloff Schneider | Professora, é Coordenadora Pedagógica da Rede Sinodal de Educação Até os meus 12 anos de idade, não tínhamos energia elétrica na pequena picada [estrada do interior] onde eu morava. Então, o meu avô e o meu pai construíram uma represa, uma pequena cachoeira e uma roda d´agua no córrego que passava em nossas terras. Com esta roda d´agua, podíamos ter luz em casa. Isso era algo raro na picada e nos sentíamos muito felizes por este privilégio. Quando chegava o verão e, com ele, a seca, a água ficava escassa e só corria um fiozinho de água pela cachoeira. Não havia força para movimentar a roda d´agua. Com isso, não tínhamos luz em casa. Às vezes, um galho trancava a passagem da água e a luz piscava, ora mais forte ora mais fraca, porque a roda não recebia água suficiente para fazê-la girar. A gente ficava na expectativa, torcendo para que ela não se apagasse por total. Na época das chuvas, a roda se movia rapidamente e a luz ficava forte e cintilante, clareando toda a nossa casa e então podíamos ficar acordados até mais tarde. Vejo uma bela comparação desta experiência de vida com o Lema da IECLB para 2017: Nele vivemos, nos movemos e existimos, principalmente na afirmação Nele nos movemos! A água era para a roda d´agua assim como o Espírito Santo é para as pessoas – move e transforma vidas. A luz possibilitava trabalhar com tranquilidade, fazer a janta e conviver em família até mais tarde. A luz trazia alegria! Assim é o Espírito Santo. Ele move as pessoas para viverem conforme a vontade de Deus, anunciada por Jesus. Esse movimento, assim como a água, coloca as pessoas à luz, podendo, então, moverem-se em direção às outras pessoas, em defesa das menos favorecidas, em favor da justiça, da generosidade, da igualdade, da Comunidade. Para o Espírito Santo, não há barreiras. As barreiras somos nós que colocamos quando humilhamos, trapaceamos, mentimos e nos isolamos. O Espírito Santo é graça de Deus, assim como a água é para a roda d´agua. Essa graça de Deus nos move para vivermos e servirmos em amor. Para mais informações, acesse o Portal Luteranos


Jorev Luterano - Outubro 2017

PRESIDÊNCIA

Agora, são outros 500!! Estações da Confessionalidade Luterana P. Inácio Lemke | Pastor 2o Vice-Presidente da IECLB

Chegamos ao mês de outubro de 2017, data dos 500 anos da Reforma! O sentimento é de alegria! Viajamos por muitas Estações nesta trajetória! Em cada momento, evento e celebração, vivemos experiências únicas. Que bom que delas participamos, pois são verdadeiras Estações da Confessionalidade Luterana. Outubro tem mais a ofertar para quem deseja viver de forma intensa o mês da Reforma e a comemoração do Jubileu. Muitas Comunidades celebram Cultos da Reforma, eventos ecumênicos entre Igrejas irmãs e parceiras, Concertos Musicais

nas Igrejas ou em espaços culturais nas cidades. Em alguns Sínodos, ainda estão agendados o Dia da Igreja, principalmente no domingo, dia 29, caso do Sinodo da Amazônia, Centro-Sul Catarinense, Nordeste Riograndense, Planalto Rio-grandense, Rio Paraná, Sudeste e, celebrando em conjunto, os Sínodos Norte Catarinense, Paranapanema e Vale do Itajaí. Vivendo e convivendo Estações de Fé, motivados e motivadas pela Palavra de Deus, partilhada entre irmãos e irmãs, podemos dizer que a IECLB está presente em regiões bem distintas do nosso Brasil,

Onde o Espírito Santo habita, ali há toda plenitude de dons de Deus, não importando se o coração é fraco ou forte. Martim Lutero

desafiada a preservar a sua história nestas terras e a ser sinal da presença do Cristo encarnado e vivo em meio a toda Criação. Permanecendo sempre na fidelidade à Palavra e na tradição da Reforma, agora e sempre, já olhando para frente, semeamos sinais de fé, anunciando a presença de Jesus, pois é ele que envia, constrói e conduz a sua Igreja, assim como afirma em Mateus 16.18: Sobre esta rocha quero edificar minha Igreja e continua em João 10. 27: Minhas ovelhas ouvem minha voz e me conhecem, mas de modo nenhum ouvirão a voz do estranho, antes fugirão dele. Lutero recupera o valor da Palavra para a Igreja, pois é na Palavra que consiste toda a Reforma. O desafio é, cada vez mais, fazermos parte de uma Igreja acolhedora, ouvir a Palavra e anunciar a graça, a graça incondicional. Para muitas pessoas, é difícil aceitar a graça incondicional. Até para alguns discípulos não era fácil aceitar certos gestos de amor e inclusão anunciados e praticados pelo Mestre, por isso devemos olhar para ele, Jesus de Nazaré. Para uma Igreja sempre em Reforma, está claro: não podemos mais excluir, mas, sim, incluir – incondicionalmente. Amem uns aos outros. Assim como eu os amei, amem também uns aos outros. Se tiverem amor uns pelos outros, todos saberão que vocês são meus discípulos (Jo 13.34-35). Agora, são outros 500!!

AGENDA | OUTUBRO 1/10

Dia da Igreja do Sínodo Sul-Rio-Grandense Pelotas/RS P. Nestor Friedrich

1/10

Comemoração dos 500 anos da Reforma (OASE e UPNES) Colatina/ES Pa. Sílvia Genz

5/10

Sessão Solene - Reforma Porto Alegre/RS P. Nestor Friedrich

RETROSPECTIVA

Livres, mas livres para cuidar

6-7/10

O cuidado para o qual a graça de Deus nos chama neste contexto de desgraça passa pelo nosso ‘cair em si’, como o filho pródigo (Lc 15.17), que caiu em desgraça depois de abandonar a casa do pai. Partidos políticos precisam ‘cair em si’. A classe política precisa ‘cair em si’. Todos precisam ‘cair em si’ para romper com esta lógica perversa que nos colocou em confronto, dividiu, isolou e fragilizou. Porque somos movidos pela graça de Deus, não podemos perder, como cidadãos e cidadãs, o horizonte do cuidado com a

justiça social. Deus nos quer envolvidos na nossa cidade, para que leis e recursos promovam vida e respeitem a Criação. Somos evangélicos e evangélicas de confissão luterana neste imenso país, o nosso Brasil! Pela liberdade da fé, do amor e da graça, Deus nos impulsiona para ações de cuidado. Esta é a essência do Evangelho de Jesus Cristo. Pela graça de Deus, livres, sim, livres, mas livres para cuidar! Mensagem Dia da Reforma (2016)

Conferência Ministerial Sínodo Mato Grosso Chapada dos Guimarães/MT P. Nestor Friedrich

10/10

Diretoria do Conselho da Igreja Porto Alegre/RS P. Nestor Friedrich

16/10

Seminário Nacional do PPHM Curitiba/PR P. Nestor Friedrich

29/10

Dia da Igreja do Sínodo Noroeste Riograndense Santa Rosa/RS P. Nestor Friedrich

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FORMAÇÃO EDUCAÇÃO CRISTÃ CONTÍNUA

Martim, o liberto! Que liberdade é esta? Cat. Valéria Franz Bock | Psicopedagoga Clínica, é Coordenadora Pedagógica na EST - ESEP (Escola Sinodal de Educação Profissional) Perguntei ao meu filho mais velho: Para você, o que é liberdade? Respondeu-me: Poder ser o que sou! Isto me levou a refletir sobre o papel de pais e mães, Educadores e Educadoras Cristãs. Que conceito de liberdade temos ensinado, vivenciado e aprendido em nossas famílias, escolas e Comunidades? Podemos ser? Deixamos ser? Incentivamos a ser ou entramos na lógica de que ter é mais importante que ser? Ter o celular de última geração, ter o corpo mais bonito, ter a roupa da moda, ter, ter, ter... O nosso tempo é marcado pela liberdade: de opinião, expressão, opção religiosa e isso é muito bom. Ao mesmo tempo, contraditoriamente, crianças, adolescentes e jovens são bombardeados diariamente com imagens, sons e exemplos que escravizam. São referências que chegam pela Internet, pelas Redes Sociais, pela televisão. Também cresce o número de músi-

cas com letras que discriminam, ofendem e fazem apologia às drogas, à violência, ao descuido com o corpo e com a vida. Então, que liberdade é esta? Martim Lutero, a partir da sua reflexão sobre a eleutheria, redescobriu o sentido de liberdade e passou a assinar o seu sobrenome como Luther. Sentindo-se liberto por graça e fé, Lutero assumiu a liberdade no próprio nome! Em seu livro De Luder a Lutero – uma biografia, o Historiador Martim Dreher destaca: ‘Assim como Cristo fez tudo de graça, assim o ser humano deve ter liberdade, alegria e agir de graça em relação ao próximo. Isto é vida cristã!’. Como herdeiros e herdeiras da Reforma, temos o desafio de educar para a liberdade que nos permite ser o que somos. Somos motivados e motivadas a viver uma vida cristã que age de graça em relação aos irmãos e às irmãs, que, muitas

vezes, buscam ser e sofrem por não ter. Podemos ser livres, mesmo que, à nossa volta, tantas pessoas não possam? Como filhos e filhas de Deus, nascemos para ser livres. Somos livres na medida em que amamos a Deus e as outras pessoas. Isso nos liberta do amor egoísta, que só quer o próprio bem. Quando Lutero compreendeu que, por graça e fé, Cristo nos libertou, isso mudou a sua vida, tanto que mudou o próprio nome. Em uma tradução livre, poderíamos chamá-lo de Martim, o liberto! Que, em nossas famílias, Comunidades, escolas e instituições, possamos ensinar e viver essa liberdade que nos faz Ana, a liberta!, João, o liberto! Que liberdade seja traduzida em atitudes de respeito, tolerância, compreensão e alegria. Poder ser o que sou é um grande desafio, mas, também, uma grande oportunidade de viver a liberdade para a qual Cristo nos libertou (Gl 5.13)!

CRIANÇAS | PROPOSTA METODOLÓGICA

O Pão Nosso Material necessário Um exemplar da Revista O Amigo das Crianças nº71. Momento 1 Leia com as crianças a história bíblica O Pão Nosso (página 3) e comente sobre a importância de Jesus chamar Deus de Pai Nosso. Momento 2 Em diálogo sobre os pedidos do Pai Nosso, converse com as crianças sobre o que cada uma delas quer dizer. Duas ou três petições podem ser escolhidas para aprofundamento (por exemplo, o que significa Reino de Deus, pão nosso, perdão das ‘dívidas’ e vontade de Deus – que nem sempre corresponde à nossa vontade.

www.est.edu.br

EST nas Comunidades Uma das características da Faculdades EST é que ela busca se reinventar, sempre visando à construção coletiva do conhecimento. Em 2017, ano que celebra os 500 anos da Reforma, a instituição também inicia uma nova etapa. No dia 23 de junho, ela recebeu a autorização oficial do Ministério da Educação (MEC - portaria n° 764), para ofertar Cursos de Graduação e

Dica Uma boa ideia para se preparar é ler a explicação sobre o Pai Nosso dada por Lutero no Catecismo Menor ou mostrar o livro para as crianças e fazer a leitura de algumas explicações junto com elas. Atividade complementar Outra atividade legal é o dado de orações. Para confeccioná-lo, é preciso cartolina ou papelão, lápis e régua, além de tesoura e cola. Em cada um dos seis lados (10cm), pode-se escrever ou desenhar um motivo de oração – pedido ou agradecimento! Sugestão extraída da Proposta Metodológica para uso da Revista O Amigo das Crianças, nº 71. Leia a Proposta Metodológica completa e saiba como assinar a Revista O Amigo das Crianças no Portal Luteranos

Pós-Graduação Lato Sensu na modalidade EaD (Ensino a Distância). Agora, a Faculdades EST poderá ir muito além do Morro do Espelho, em São Leopoldo/RS. Em 2018, iniciam as inscrições para cinco diferentes Cursos de Especialização, na modalidade de ensino a distância, dentro das principais áreas de conhecimento abordadas pela instituição, como: Aconselhamento Pastoral, Bíblia, Docência no Ensino Superior e Profissional, Ensino Religioso e Musicopedagogia. Além disso, juntamente com a portaria que autoriza o Lato Sensu EaD, a EST está autorizada a oferecer Cursos de Graduação a distância, um projeto que rompe as fronteiras físicas, expandindo o conhecimento e a tradição da instituição, que é referência no ensino de Teologia em âmbito mundial.

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Dia da Igreja Representantes da Faculdades EST estiveram presentes em maio deste ano no Dia da Igreja do Sínodo Nordeste Gaúcho, que ocorreu na ExpoGramado. Na ocasião, o Prof. P. Dr. Júlio Adam palestrou no Espaço Juventude sobre o tema A graça liberta, o amor compromete: 13 razões porquê. O Grupo Laós, formado por estudantes da instituição, também se apresentou no Espaço Juventude. No dia 1o de outubro, será a vez de marcar presença no Dia da Igreja do Sínodo Sul-Rio-Grandense. Já no domingo, 29 de outubro, é a vez da EST estar no Dia Intersinodal da Igreja, celebrando com os Sínodos Vale do Itajaí, Paranapanema e Norte Catarinense, na Arena Jaraguá, em Jaraguá do Sul/SC.


Jorev Luterano - Outubro 2017

DIVERSIDADE

Falando sobre gênero Por relações mais justas e equilibradas entre homens e mulheres Pa. Carmen Michel Siegle | Coordenadora de Gênero, Gerações e Etnias

Deus criou o ser humano à sua imagem e semelhança, homem e mulher os criou. Gênesis 1.27 Embora mulheres e homens apresentem diferenças físico-biológicas, a condição de criaturas feitas à imagem e semelhança de Deus lhes confere igual dignidade, valor e responsabilidade para com as suas vidas e de toda a Criação. No entanto, na maioria das sociedades, há diferenças e desigualdades entre mulheres e homens nos papéis e nas responsabilidades que lhes são atribuídos, nas atividades empreendidas, no acesso a recursos e no controle sobre eles, bem como em oportunidades de tomada de decisões.

Historicamente, o termo gênero surgiu na década de 1950 e foi proposto para estudar papéis e condutas atribuídas a homens e mulheres. Isso possibilitou melhor diferenciação entre as características biológicas e as características construídas cultural e sociologicamente para homens e mulheres. Gênero é uma categoria de análise, assim como classe social e faixa etária, por exemplo. Não é ruim nem bom. É um instrumento, uma ferramenta sobre a qual reflexões são construídas. Geralmente, quando falamos em gênero, estamos refletindo sobre expectativas, crenças e valores socialmente criados e aprendidos a respeito do que significa ser

um menino/homem ou uma menina/mulher. São normas que variam de acordo com a cultura de cada sociedade e influenciam muitas áreas na nossa vida, atribuindo comportamentos diferenciados para homens e mulheres e estabelecendo as formas de relacionamento entre si. Ser homem ou mulher na Índia, por exemplo, é diferente de ser homem ou mulher no Brasil. Portanto, gênero se refere aos papéis feminino e masculino, construídos a partir daquilo que social, cultural e teologicamente é valorizado, esperado e permitido para homens e o que é valorizado, esperado e permitido para mulheres. Quando homens e mulheres não correspondem ao que deles e delas a sociedade espera, surgem os preconceitos, a marginalização e a violência. O estudo sobre gênero nos convida a refletir sobre como determinadas características do ser humano são construídas e pergunta se elas nos ajudam a sermos pessoas melhores e a termos relações melhores ou se estas características são usadas para promover privilégios, violências e discriminações. Homens e mulheres precisam e podem repensar a sua condição na sociedade, na Igreja, no casamento e na família para que a reformulação do papel e da imagem de ambos possa ser uma realidade de superação de todas as desigualdades e formas de discriminação, violência e opressão, em especial praticadas contra as mulheres. Não se trata de uma imposição, mas de uma proposta que tem como base o diálogo sobre a igualdade e a justiça.

PRONUNCIAMENTO

Se alguém está com algum problema, que se dirija a Cristo e receberá ajuda. Martim Lutero

Tudo o que Ele fez é bom O olhar amoroso e apaixonado de Deus para com o mundo inicia com a Criação. Começa com o seu gesto que dá forma, ordem, luz e vida ao caos e à escuridão que cobria o universo. Inicia com o seu ato de amor que cria homem e mulher à sua imagem e semelhança. Ao fazê-lo, Ele nos convida, como homem e mulher, a vivermos uns com os outros o que de mais belo e maravilhoso nos é dado na sua Criação: o amor. É o amor

de Deus que dá vida ao universo, nos convida à solidariedade, à fraternidade, à partilha e à comunhão. É esse amor que nos chama à reconciliação e nos leva a contemplar e cuidar da Criação de Deus com paixão e amor. É o amor de Deus que nos faz ver com Ele que tudo o que Ele fez é bom. Plano de Ação Missionária da IECLB PAMI/2008-2012

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Jorev Luterano - Outubro 2017

Jorev Luterano - Outubro 2017

UNIDADE

UNIDADE

Série Especial

Lutero - Reforma: 500 anos

Compromisso do Ministério com Ordenação

O exercício do Ministério com Ordenação deve ser desempenhado com seriedade máxima, com o esmero profissional que envolve um chamado, uma resposta pessoal a Deus, formação, estudo e oração.

Como pregarão se não forem enviados? Como está escrito: quão formosos são os pés dos que anunciam coisas boas. Romanos 10.16

Os tempos atuais trazem em seu arcabouço a preocupação de muitas mudanças, tanto de costumes, modelos familiares, recursos tecnológicos, avanço da Medicina e uma exposição muito grande da vida e da intimidade. Tudo isso acarreta um grau extra de desafio e dificuldade, bem como de oportunidade e comprometimento. Anunciar as coisas boas, sobre as quais fala o Apóstolo Paulo aos Romanos, traz a oportunidade de cores especiais no contexto da IECLB.

Pa. Vera Maria Immich, Pastora e Psicóloga, é Ministra na Pastoral e na Comunidade da Consolação, em Curitiba/PR

Somos pessoas formadas no convívio social, recebendo influência da escola, da família, dos meios de comunicação, dos grupos e das organizações. Somos, portanto, passíveis de influência, mas também capazes de influenciar. Recebemos e formamos opiniões, que não são – e não podem ser vistas como – absolutas nem onipotentes. A Igreja, os seus Ministros e as suas Ministras vivem em meio à diversidade e devem saber se posicionar nesse contexto. Os nossos pontos de vista individuais precisam ser olhados com cuidado. Como Ministros e Ministras, temos a responsabilidade de nortear os nossos membros com o ensinamento e o testemunho do Evangelho. Isso não pode ser sobreposto por entendimentos individuais em flagrante confronto com a verdade do Evangelho, as leis que regem a Nação e as regras de convivência e de conduta social. O Estatuto do Ministério com Ordenação da IECLB (EMO) apregoa a sublime necessidade de preparar e acompanhar as pessoas que Deus chama para a sua Seara, para que estas possam dedicar-se, muitas vezes, exclusivamente, à edificação de Comunidades, à pregação e ao ensino público, alicerçadas pelo Evangelho e nas bases confessionais desta Igreja,

esforçando-se para que a pessoa certa encontre o lugar certo para exercer a sua vocação e o seu chamado. O exercício do Ministério com Ordenação deve ser desempenhado com seriedade máxima, com o esmero profissional que envolve um chamado, uma resposta pessoal a Deus, formação, estudo e oração. Crises e dificuldades oriundas da grandeza desta vocação também são pessoais, podendo ser divididas com os seus pares e Orientadores, Orientadoras, Mentores ou Mentoras Espirituais. É a pessoa que responde a Deus e ao chamado. A Igreja capacita, envia e acompanha. A Comunidade é a detentora do Ministério Eclesiástico, que recebeu das mãos de Deus e delega a uma pessoa vocacionada e preparada para o exercício da Proclamação da Palavra e reta Administração dos Sacramentos. Tudo isso é grande e exige entrega de corpo, mente e coração! Também entrega de tempo, dons e recursos que Deus nos dá para empregar no cuidado, na admoestação e no consolo do rebanho! É necessário haver liberalidade e disponibilidade para servir. Será, então, que não somos demasiadamente humanos para responder a tão grande chamado e demanda? Será possível responder às expectativas postas sobre os nossos

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ombros? O que os nossos membros esperam de nós? Como estabelecer alguns limites que visam ao cuidado pessoal e também permitem o cuidado da família? Estar disponível ‘24 horas por dia’ para emergências e realizar sepultamentos no dia de folga não deveria deixar de ser uma exceção a uma regra que garante e valoriza o descanso semanal. Isso é de conhecimento do Presbitério, que, inclusive, tem a função de admoestar Ministros e Ministras que não se permitem desfrutar da sua folga. Possivelmente, os membros das nossas Comunidades têm a expectativa que a sua liderança espiritual externe a sua vocação, a sua vida de fé, a sua vida familiar exemplar, seja confiável, transparente, responsável e que inspire as demais famílias da Comunidade a viver evangelicamente. Não será uma carga grande demais para um ser humano com limitações, medos, angústias, erros e inseguranças? Até onde podemos servir de exemplo inquebrantável para a Comunidade? Somos modelo e exemplo, queiramos ou não, sejamos Ministros, Ministras ou não. É bem verdade que também se espera que os membros assim procedam e vivam irmanados e solidários, humildes e cientes da fragilidade das suas próprias famílias. Devemos elevar os olhos para os montes e buscar socorro naquele que fez os céus e a terra, naquele que não nos deixa cair, mas nos sustenta com a sua bondosa mão. Para os Ministros e as Ministras, as famílias comunitárias servem de exemplo, arrimo e apoio espiritual. É com estas famílias que se caminha em conjunto e que se cresce na fé, na tolerância e no perdão. Busca-se a edificação de pessoas e de Comunidades. Todas as famílias e pessoas enfrentam dores, perdas e adversidades, sejam elas Ministras Ordenadas ou não. Evangelicamente, devemos viver e primar por uma Comunidade viva e dinâmica, que separa serviços e funções de acordo com dons e vocações, sem, com isso, exigir mais de algumas pessoas que de outras.

Tanto membros quanto Ministros e Ministras devem procurar ajuda para resolver os seus problemas familiares e matrimonias e assim também servirem de exemplo. Famílias de Ministros e Ministras enfrentam perdas, enfermidades, alcoolismo, opções equivocadas de filhos e filhas, divórcios, separações e precisam respon-

Temos muito a aprender sobre ser Igreja da Reforma nestes conturbados e maravilhosos tempos, nos quais o novo irrompe sem pedir licença, nos desafiando a trilhar novos caminhos com o mesmo Deus: bom, justo e fiel.

der a isso da maneira mais adequada possível, tendo a humildade de permitir que colegas, irmãos e irmãs orem por elas, que Psicólogos, Psicólogas possam ajudar e que grupos de ajuda possam dar novas balizas e ser instrumentos de Deus neste mundo. De forma alguma, isso demonstra fracasso, mas, isso sim, humildade em reconhecer as fraquezas inerentes ao ser humano e a grandeza na busca por ajuda. Que esta postura não diminua o Ministério, mas permita que ele se encarne na realidade e seja testemunho de superação.

A Comunidade é uma família ampliada. Somos família de Deus e, embora defendamos os valores evangélicos, paradoxalmente, encontramos dificuldades de vivê-los em sua radicalidade. Como família cristã ampliada, experimentamos as contradições das pequenas famílias que a compõem. Pregamos e cremos na comunhão, na aceitação, na tolerância e, ao mesmo tempo, discriminamos, excluímos e exigimos o que nem mesmo nós podemos dar. Projetamos na família do Ministro, da Ministra e na família comunitária o ideal, a perfeição e a indissolubilidade, que estão longe da realidade que experimentamos. Aprendemos de Jesus que, para sermos a sua família, devemos fazer a sua vontade: Nisto, chegaram sua mãe e seus irmãos e, tendo ficado do lado de fora, mandaram chamálo. Muita gente estava assentada ao redor dele e lhe disse: Olha, tua mãe, teus irmãos e irmãs estão lá fora à tua procura. Então, ele lhes respondeu, dizendo: Quem são minha mãe e meus irmãos? Correndo o olhar pelos que estavam assentados ao redor, disse: Eis minha mãe e meus irmãos. Portanto, qualquer que fizer a vontade de Deus, este é meu irmão, irmã e mãe (Mc 3. 31-35). São tantos motivos para agradecer e reconhecer a grandeza da vida comunitária que se impõe nas correrias do mundo moderno, da fé humilde que se põe a serviço na contramão do mundo que descarta não somente coisas, mas também pessoas. Temos muito para aprender quando caímos na tentação de seguirmos os nossos próprios pensamentos e não os pensamentos de Deus. Temos muito a aprender sobre ser Igreja da Reforma nestes conturbados e maravilhosos tempos, nos quais o novo irrompe sem pedir licença, nos desafiando a trilhar novos caminhos com o mesmo Deus: bom, justo, fiel e que reina de eternidade a eternidade, por isso Alegres, jubilai! Igreja sempre em Reforma: agora são outros 500!

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FÉ LUTERANA

Compromissos de Ordenação Pa. Ester Delene Wilke | Ministra na Paróquia de Nova Santa Rosa/PR O Batismo é o nosso ponto de partida. Logo lembramos que servir é a nossa resposta ao amor de Deus. Quando os dons dados por Deus são despertados, pessoas podem ser capacitadas e incumbidas de testemunhar o maior tesouro que a Igreja recebeu: o Evangelho de Jesus Cristo. A Ministra e o Ministro na IECLB, como toda pessoa batizada, tomam parte neste que é o Sacerdócio Geral de todas as pessoas que creem, a partir do Batismo. A partir da Ordenação ao Ministério (Catequético, Diaconal, Missionário e Pastoral), a Igreja oficialmente incumbe pessoas de ensinar o Evangelho e administrar os Sacramentos corretamente, incumbência concedida como serviço a Deus e, por consequência, ao próximo. Daí decorre o grande e constante desafio de saber-se parte da Missão de Deus, com grande responsabilidade e na mesma medida de humildade. O comprometimento da pessoa ordenada está relacionado à clareza sobre o seu chamado ao Ministério, a sua alegria em poder servir e assumir muito mais que um mero trabalho ou profissão. Tem a ver com uma boa preparação para o exercício do Ministério por meio do conhecimento bíblico, teológico, das bases

confessionais da IECLB e, inclusive dos Documentos Normativos. Certamente, o estudo e o aprofundamento são desafios constantes. A Educação Cristã Contínua na IECLB torna-se oportunidade de formação para Ministros e Ministras. Mais que um direito ou uma obrigação, é um compromisso ministerial. Soma-se a isso o cuidado com a pró-

A vivência da espiritualidade pessoal, familiar e comunitária possibilita novas forças e diferentes perspectivas no labor ministerial. pria espiritualidade. A vivência da espiritualidade pessoal, familiar e comunitária possibilita novas forças e diferentes perspectivas no labor ministerial. Também se espera do Ministro e da Ministra a coerência entre a palavra e a prática. Antes de ‘falar’ para outras pessoas, devem ouvir para si a Palavra de Deus. Ministros e Ministras darão testemunho, ainda, nas rela-

ções pessoais e com colegas, lideranças e membros. Na IECLB, a Ordenação não confere um poder ministerial hierárquico. Muito pelo contrário, advêm a responsabilidade e a atenção em reconhecer e valorizar os dons de membros da Igreja, bem como fomentar a sua aplicabilidade nos diferentes âmbitos e serviços. Sobretudo diante da multifacetada realidade, vê-se que aumentam as demandas e as expectativas relacionadas ao trabalho ministerial. Então, criativa e comprometidamente, há que se observar a multiplicidade de dons existentes na perspectiva do Planejamento Missionário da Igreja. É parte do compromisso ministerial procurar entender a história passada e presente para contextualizar o Evangelho. A Palavra de Deus quer falar para dentro da realidade e para as pessoas concretamente. Poderá ser no sentido profético, de consolo e esperança. Vale para o trabalho ministerial o que Lutero declarou: Um cristão é senhor livre sobre todas as coisas e não está sujeito a ninguém. Um cristão é servidor de todas as coisas e sujeito a todos. Para refletir, leia 1Coríntios 12.4-6

Ser sal da terra e luz do mundo... P. em. Manfredo Siegle | Especialização em Clínica Pastoral e Mediação O Domingo de Páscoa tinha passado. Antes de dormir, um dos nossos netos, curioso, puxou conversa comigo: ‘Opa’, disse ele, ‘às vezes, eu acredito em Deus’. Continuou: ‘Outras vezes, eu não acredito’. Perguntou, ainda: ‘Como é contigo? Tu sempre acreditas em Deus?’. É possível que fosse motivado a perguntar assim em razão da proximidade da Mensagem da Páscoa: Cristo vive! ‘Aquele que esteve morto ressuscitou’. Respondi: ‘Sim, eu confio em Deus. Ele me dá esperança. Sinto que Ele me abraça, traz paz, perdoa as minhas fraquezas, mas também vivo horas e situações em que tenho dúvidas e reparto perguntas com Deus e com outras pessoas’. A curiosidade do neto trouxe à tona a definição da tarefa especial decorrente daquela que me fora confiada quando chamado, há muitos anos, ao Ministério com Ordenação na IECLB. No exercício do Ministério Pastoral, na qualidade de pessoa humana, sobretudo carente da graça de Deus, é possível descobrir altos e baixos, sentir alegria e tristeza, experimentar satisfação e frustração. A fé cristã vive a tensão entre con-

fiança e lealdade a Deus e a tentação de satisfazer a vontade própria, vida autônoma geradora da desconfiança. Ciente da minha atuação prolongada como Ministro Pastor, capacitado e ordenado à missão, o neto nutria a esperança de obter resposta convincente que pudesse satisfazer à sua pergunta curiosa.

A fé cristã vive a tensão entre confiança e lealdade a Deus e a tentação de satisfazer a vontade própria, vida autônoma geradora da desconfiança. Neste contexto, sublinho que o modelo ministerial que eu vivencio na Igreja não anula a missão de toda Comunidade. Jesus Cristo qualifica todas as pessoas que vivem o chamado de ser sal da terra ou luz do mundo. O Ministério Pastoral experimentou uma correção significativa. Estaria o Ministério Pastoral reprimindo outros Ministérios e atrofiando

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o Sacerdócio Geral de todas as pessoas crentes? A discussão na IECLB desembocou na valorização do Ministério Compartilhado. O desempenho ministerial, em nova configuração, não veio para atender grupos específicos nas Comunidades. O serviço dos Ministérios tem como manancial e âncora a Palavra de Deus. Na prática, a IECLB destaca quatro segmentos: os Ministérios Catequético, Diaconal, Missionário e Pastoral. O Evangelho descobre a diversidade de dons em Comunidade e motiva à cooperação na edificação do Corpo todo. A razão de ser dos Ministérios específicos é motivar, facilitar e capacitar ao exercício da pluralidade de dons que o Evangelho faz brotar. Quem vive a prática do salgar e do iluminar não o faz para dominar, mas para servir. É a prática da vivência amorosa a serviço da Missão de Deus no mundo. Serve, igualmente, de prática para clarear dúvidas das crianças, pequenos irmãos e pequenas irmãs. O exercício acontece sob a promessa da bênção e da vida feliz, dádiva e obra de Deus. Para refletir, leia Mateus 5.13-16


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PERSPECTIVA

As mulheres na Reforma ontem, hoje e amanhã... Ainda precisamos muito delas! Profa. Dra. Ema Marta Dunck Cintra | Docente no Instituto Federal de Mato Grosso e Presidente do Conselho da Igreja Celebrar a Reforma luterana é, também, reconhecer o papel de muitas mulheres nesse caminho. Katharina von Bora, Árgula Grumbach, entre outras, tiveram participação importante na gênese do movimento que mudou o mundo. Lemos muito sobre elas nos últimos tempos e isso é muito bom, pois nos fez ter um novo olhar sobre a história da Reforma. Nós, mulheres e homens, temos muito a agradecer a cada uma delas, pois, apesar de viverem em um mundo extremamente machista, estas mulheres deixaram marcas positivas para que a Palavra de Deus fosse ouvida e sentida em atos efetivos de diaconia. Gostaria de aproveitar a oportunidade para lembrar das mulheres no e do Brasil. Podemos imaginar o que significou para muitas mulheres a vinda para o Brasil! Quantas trabalharam nas lavouras com os seus maridos, cuidaram da casa e educaram os seus filhos e as suas filhas nos princípios evangélicos luteranos! Quantas praticaram diaconia, pois as condições mínimas de vida digna para a população eram precárias! Quantas mulheres colaboraram na implantação de escolas comunitárias, espaços que serviram também para os Cultos. em um país no qual a Igreja Evangélica Luterana não era reconhecida! Quantas lutaram para que mulheres pudessem estudar Teologia, tornando-se Ministras na IECLB! Fico imaginando a solidariedade entre elas, as palavras de ânimo, conforto e gratidão a Deus! Elas não desanimaram!

Não podemos deixar de lembrar das Martas, das Helgas, das Teresas, das Marias e de tantas outras mulheres que deixaram o Sul em direção às ‘Novas Áreas de Colonização’ e atuaram nas roças e na implantação de escolas em lugares em que o Estado não se fazia presente, no apoio mútuo para sobreviver em uma terra desconhecida. A diaconia e o ecumenismo eram palavras praticadas! Quem acompanhou a vida delas sabe o quão atuantes foram em suas Comunidades, na consolidação dos novos municípios, na ajuda às famílias empobrecidas, na palavra amiga e solidária, no apoio às pessoas enlutadas... Foram tantas as participações! O que todas essas mulheres tiveram em comum? A compreensão da Teologia da Cruz! A Fé em Jesus Cristo e a Força do Espírito Santo as guiaram em direção ao próximo e as fortaleceram na edificação de Comunidades Luteranas mundialmente. No ano em que celebramos o Jubileu da Reforma, que o exemplo dessas mulheres seja um incentivo para que se compreenda a Graça de Deus e o que isso representa em termos de engajamento em um mundo que precisa de transformação efetiva, tornando-se um lugar mais justo economicamente, mais equitativo entre os gêneros, mais humano, mais amoroso e mais fraterno. Pergunte a uma dessas mulheres! Elas saberão dar a resposta com palavras e ações. Que bom que podemos conviver, diariamente, com essas Martas e Marias.

Ao verdadeiro amor, nada é difícil demais de ser padecido ou suportado, pois ele faz tudo com alegria. Martim Lutero

Se o mundo terminasse amanhã, hoje plantaria uma macieira

Lutero: furacão da graça e não da desgraça! P. Dr. Oneide Bobsin | Docente na Faculdades EST, em São Leopoldo/RS Chegam notícias do Caribe e da Florida, nos Estados Unidos, sobre os efeitos do furação Irma, ‘o cruel’. Irma veio em uma sequência de tantos outros furacões que fogem da nossa memória recente. Katrina, em 2005, custou 105 bilhões de dólares, sem contar os estragos relacionados à perda de vidas, especialmente das pessoas pobres, que não tiveram para onde fugir, como o fizeram aquelas que conseguiram se deslocar com os seus carros, deixando as suas casas asseguradas. Sandy, em 2012, deixou estragos de 30 bilhões de dólares. Harvey causou prejuízos que somam mais de 190 bilhões de dólares. O maior furacão, dizem os Analistas, é o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, inimigo da Terra e aliado dos furacões. A sua política quer retirar os Estados Unidos dos acordos internacionais pela redução dos gases que provocam o aquecimento global, responsável, segundo Cientistas, pela intensidade e pela frequência dos furacões. Trump reduziu o orçamento da Agência Ambiental Americana e ordenou a retirada de todas as informações de sites governamentais sobre aquecimento global. Enfim, desenvolve uma política que incrementará os desastres. Há, portanto, um componente político e humano nas intensidades dos desastres ecológicos. Precisamos nos convencer, antes que seja tarde para a vida no planeta, que a reação da natureza deixou de ser somente natu-

ral e/ou divina. Também precisamos criticar a leitura apocalíptica de muitas Igrejas Evangélicas, que veem tudo isto como sinal da volta de Jesus. Aliás, no nosso Congresso Nacional, a maioria dos Deputados e Senadores da Bancada Evangélica junta-se àqueles que querem vender parte da Amazônia para mineradoras estrangeiras a fim de cobrir os rombos da corrupção e da má gestão dos nossos impostos. Estes e outros são aliados do furacão Trump, o cruel. Nas próximas eleições, os representantes de Trump serão candidatos em nosso país. Contudo, não temos forças para conter os furacões e outras inundações, mas podemos minorar os seus efeitos e evitar que se transfigurem em governantes cruéis como Irma. Segundo a promessa feita por Deus após o dilúvio (Gn 9), não será mais destruída toda a carne. O arco de Deus nas nuvens é um sinal desta promessa. Este é o pacto de Deus com a terra e todos os seres, dos quais fazemos parte. Somos capazes de cumprir a nossa parte do pacto? Insistimos em continuar vivendo do engano e odiamos quem nos profetiza dizendo que somos cegos pelos interesses próprios e capitalistas. Jesus, porém, curou muitos cegos. No mês de celebração dos 500 anos da Reforma, vamos recordar uma frase do Reformador: Se o mundo terminasse amanhã, hoje plantaria uma macieira. Mesmo que não tenha dito, o lema reflete o pensamento de Lutero, furacão da graça, polêmico, mas não cruel. Para mais informações, acesse o Portal Luteranos

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MISSÃO

Comunidades mais missionárias P. Dr. Pedro Puentes | Secretário de Missão É possível ser Comunidade Cristã sem ser Missionária? Não! Então, em que consiste ser uma Comunidade Missionária? De Lutero, aprendemos que a Palavra de Deus é o fundamento e o sustento da Comunidade Cristã, mas qual é o conteúdo dessa Palavra? Segundo o apóstolo Paulo, o conteúdo é a Boa Noticia sobre o agir do Deus missionário: que Deus em Cristo estava reconciliando consigo o mundo, não considerando os pecados das pessoas (2Co 5.19). Qual é a intencionalidade desse conteúdo? A Palavra da Reconciliação, que fazemos pela nossa fé, nos chama das trevas para a luz, transforma o nosso egoísmo em gratidão e solidariedade, carrega e consola em meio às aflições desta vida, constituinos em suas testemunhas, criando em nós fé, esperança e amor para sermos copartíci-

pes com Deus na renovação deste mundo. Para tanto, essa Palavra cria a Comunidade de discípulos e discípulas de Cristo, com a função de serem embaixadores e embaixadoras de Cristo. Como diz o apóstolo: como se Deus estivesse fazendo o seu apelo por nosso intermédio. Por amor a Cristo lhes suplicamos: Reconciliem-se com Deus (2Co 5.20). Isso significa que o fundamento, a dinâmica e o propósito da Comunidade Cristã é ser uma testemunha (proclamar, vivenciar, ensinar e partilhar) a mensagem da Reconciliaçâo! Para que tudo isso? Segundo a fé cristã, o Espírito de Deus usa a Palavra, vinda por meio de Cristo, para renovar a Criação. Como diz o escritor bíblico: Pela fé, entendemos que os mundos foram criados pela Palavra de Deus (Hb 11.3). Sim! O propósito da

Comunidade Cristã é ser missionária pela participação na Missão de Deus. Também é ser um sinal e a antecipação do agir reconciliador-transformador de Deus, tanto na vida das pessoas como dos contextos nos quais elas vivem. Precisamos fortalecer o caráter reconciliador da Evangelização, da Comunhão, da Diaconia e do Culto, para, assim, sermos uma Igreja de Comunidades Missionárias. Amém.

Edital: empecilho Planejamento Missionário ou oportunidade? Secretaria de Missão Na IECLB, todo Projeto que busca apoio financeiro precisa seguir as orientações dos Editais e um deles é o Planejamento Missionário. Pelo tempo e pela dedicação que exige, pode ser visto como empecilho ou burocracia. Nada mais longe da realidade, já que é do Planejamento que surgem os Projetos e, destes, a necessidade ou não de acessar os Editais para obtenção de recursos. No fundo, Planejamento - Projeto - Edital são ferramentas a serviço de mudança, pois, na base de todo Planejamento e Projeto, estão o desejo e a convicção de que algo precisa ser transformado para que haja maior contribuição na Missão de Deus. É isso que o Planejamento quer oportunizar na Comunidade de Cristo, mas, para que o sopro transformador que vem do Espírito de Deus aconteça, é necessário que haja humildade, abertura e disponibilidade. Assim, a esperada transformação terá lugar. Na IECLB, a grande mudança que todo Planejamento - Projeto - Edital quer oportunizar é o fortalecimento de Comunidades mais atrativas, inclusivas e missionárias!

P. Altemir Labes | Secretário Adjunto para Missão e Diaconia O quarto momento, no Roteiro para o Planejamento Missionário da IECLB, tem como título: Definir as Ações Missionárias. Depois de analisar a situação da Comunidade e o seu contexto, indicando os pontos fortes e pontos fracos, as oportunidades e as ameaças, é o momento de definir as Ações Missionárias para responder aos desafios que o diagnóstico apontou. Ação Missionária é aquilo que queremos e podemos fazer para fortalecer valores e pontos fortes, corrigir fraquezas, aproveitar oportunidades e enfrentar ameaças. Na perspectiva do Plano de Ação Missionária da IECLB (PAMI), as Ações Missionárias são pla-

nejadas com base nos eixos transversais (Sustentabilidade, Comunicação e Formação), considerando as dimensões da missão (Evangelização, Comunhão, Diaconia e Liturgia). Definido o que é relevante para a Missão, chegou o momento de pensar em Ações Missionárias para cada um dos itens escolhidos. Neste momento, ainda não precisamos indicar como as Ações Missionárias serão implementadas. Mesmo assim, é necessário ter em mente a sua efetivação, porque toda Ação Missionária é realizada por um conjunto de atividades. Isto significa que as nossas propostas precisam ser pensadas de tal forma que possam ser concretizadas.

Palavra + Ação = Missão P. Felipe Baumann Friske | Ministro na Comunidade de Guaraí/TO Nem só palavra é amor, paz ou esperar: é palavra unida à VAI E VEM 2017 | ANO 10 ação. Assim diz a letra da canção do Hinário - HPD 170. A Campanha Nacional de Ofertas para a Missão Vai e Vem, desde que foi lançada, em 2008, trouxe resultados importanO meu coração bate pela missão! tes para a IECLB, na promoção e no financiamento de Projetos Missionários. Somos Igreja de Comunidades Missionárias! A essência da Igreja está na Missão, Missão que está presente na vida, já que toda a vida é uma Missão. Para que se obtenha sucesso, é fundamental o engajamento. Quanto mais mãos se unirem, com mais facilidade alcançaremos os nossos objetivos. A experiência no Sínodo Brasil Central mostra a diferença que o apoio de recursos financeiros faz, pois muitas das nossas Comunidades sobrevivem com auxílio de Projetos Missionários. Não só pelo recurso financeiro, mas também pela consciência que fazemos parte de uma Igreja maior. O chamado de Deus exige resposta, ação! Precisamos usar aquilo que temos e somos para servir na Missão de Deus. Não fiquemos de braços cruzados. Somos convidados e convidadas a arrecadar recursos financeiros e entregá-los à Igreja, para que possam ser revertidos em ações que promovam a divulgação da Palavra de Deus. Palavra + Ação = você também recebeu o chamado para essa Missão! CAMPANHA NACIONAL DE OFERTAS PARA A MISSÃO

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GRATIDÃO

Fé, Gratidão e Compromisso Liberdade para assumir compromisso P. Dr. Romeu Martini | Assessor Teológico da Presidência

Pessoas que congregam na IECLB sabem que a contribuição financeira é parte da responsabilidade de quem é membro. Temos diversas formas de contribuição em dinheiro. Esse compromisso é lei ou oportunidade para a gratidão? Depende! Contribuição financeira na Igreja será recebida como lei ou gratidão se for entendida ou não a partir do Evangelho. No contexto do recolhimento de ofertas para a construção do templo, Davi louva a Deus, dizendo: O meu povo e eu não podemos, de fato, te dar nada, pois tudo vem de ti e nós somente devolvemos o que já era teu (1Cr 29.14). Segundo essa compreensão, nada é meu. O que sou e o que disponho para viver, tudo é dádiva que recebi. É fruto da generosidade de Deus para comigo. Lutero traduziu isso de forma magistral ao explicar a 5ª petição do Pai-nosso: pão é tudo que se precisa na vida. Tudo! Esse tudo é presente de Deus. O que significa compreender a oferta

em dinheiro assim? Primeiro, significa que aquilo que eu oferto não é ‘coisa minha’, ‘propriedade minha’, mas devolução parcial de algo que, antes, recebi. Segundo, significa que a minha contribuição financeira na Igreja não é resultado de obrigação, mas gesto de compromisso por gratidão. Ao ofertar, eu respondo a um gesto que anteriormente me beneficiou: a generosidade de Deus para comigo. Ao ofertar seguindo o gesto de Deus para comigo, minha oferta é, de fato, oferta, gratidão. Qual é a grande diferença para a vida em Comunidade e para a Missão da IECLB entre contribuir por obrigação e ofertar por gratidão? No primeiro caso, contribuição em dinheiro na Igreja é mais um imposto que sou obrigado a pagar, por isso não contribuo, mas pago. Se possível, tento pechinchar. Se houver oportunidade, vou sonegar... ‘Ora, já pago tanto imposto neste país!’. No segundo caso, faz-se a experiência semelhante ao presente dado no

Natal e no aniversário. O prazer do pai, da mãe, do vovô, da vovó, por exemplo, é ver o filho, a filha, o neto, a neta esboçarem aquele sorriso fabuloso diante do presente ‘Era o que eu tanto queria!’. O prazer de quem presenteia está em ver a alegria radiante da pessoa que é presenteada. Há outros bons exemplos dessa alegria que brota da generosidade. Pensemos na visita do grupo da Comunidade à pessoa que está presa ao leito. Abre-se a janela daquele quarto com ar carregado e ocorrem cumprimentos, cantam-se hinos, medita-se, ora-se, toma-se uma taça de chá. Acontece diaconia! Por muito tempo, o grupo que visitou a pessoa carregará em seu coração essa hora como momento gratificante! Isso tudo terá sido fruto do quê? Fruto da generosidade e da doação abnegada! Esse é o espírito que quer nos mover toda vez que houver a oportunidade para tratar sobre dinheiro e Igreja. Assim nós nos deparamos com o que pode ser o dado mais fantástico da oferta segundo a visão bíblica: dinheiro na Igreja é assunto diretamente ligado à convicção de fé. O que me move a ofertar como membro da IECLB (seja a contribuição regular para compor o orçamento da Comunidade, seja o apoio a uma Campanha, seja a participação em promoções) é que eu quero doar, devolvendo uma parte de tudo que recebi e continuo recebendo de Deus. A minha oferta é, na realidade, atitude alegre de gratidão. Doo por gratidão. Oferto pela alegria de ver florescer a Missão de Deus. Sinto-me livre para ser pessoa generosa. Este é meu prazer. Esta é minha alegria. É a liberdade que me move a assumir esse compromisso!

Publicações | Comunhão A IECLB busca ser espaço em que todas as pessoas possam participar, independentemente de idade, condição social, gênero, habilidades, deficiências, etnia, etc. Como Igreja de Jesus Cristo, a IECLB compreende que promover a acessibilidade para a inclusão faz parte da vontade de Deus para que todas as pessoas tenham vida em abundância (Jo 10.10). Há muitos anos, a IECLB vem desenvolvendo trabalhos em suas Paróquias e Comunidades. Em âmbito nacional, possui uma Coordenação para articular e fomentar a inclusão, possibilitando que todas as pessoas vivam dignamente. Trecho de Caminhos da Comunhão

Deus deu o seu filho amado por você e o traz a você por meio do Evangelho, para ajudá-lo a livrar-se de toda miséria e necessidade. Martim Lutero

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GESTÃO

Corpo IECLB | Gestão Administrativa Secretaria Geral da IECLB Cabe à Secretaria Geral coordenar a coleta de dados estatísticos, elaborar planilhas e gráficos, sistematizar os dados coletados e apresentá-los aos Sínodos e ao Conselho da Igreja. A partir da sua atribuição, neste último período, a Secretaria Geral buscou qualificar o processo de coleta dos dados, com vistas a contribuir com mais intencionalidade no Planejamento e na Gestão da Ação Missionária. Para tanto, a Secretaria Geral encaminhou aos Sínodos o formulário para o preenchimento das estatísticas. Os Sínodos, por sua vez, encaminharam-no para o preenchimento por parte das Comunidades e Paróquias. A IECLB está em um processo de análise da sua caminhada como Igreja e os diferentes processos de avalição e de monitoramento precisam estar conectados. As estatísticas apontam para uma presença acanhada em contextos metropolitanos (grandes cidades). A IECLB tem o maior número de Comunidades em cidades de até 50 mil habitantes, considerando a média entre 100 e 500 membros por Comunidade. Este quadro aponta para a possibilidade de vida comunitária mais intensa, e anima a visualizar novas frentes de missão, agregando intencionalidade missionária aos trabalhos comunitários já existentes. Destaca-se o valor do atual modelo de Comunidade, conhecida como Comunidade tradicional. A dificuldade em abrir-se para a diversidade sociocultural torna deficiente a ação missionária em Comunidades ditas tradicionais, pois a mesma nos distancia do objetivo de sermos Comunidades atrativas, inclusivas e missionárias. Ao mesmo tempo, na tentativa de dinamizar a vida comunitária, buscam-se modelos que não dialogam com a nossa identidade confessional. Como Igreja, estamos evoluindo no desenvolvimento da parte instrumental da coleta de dados. A estatística da IECLB é a informação básica para os planejamentos local, sinodal e nacional, o que motiva a investir na obtenção de dados os mais precisos possíveis. Trecho do Relatório da Secretaria Geral ao XXX Concílio da Igreja/2016 Para mais informações, acesse o Portal Luteranos

Guia para o Presbitério O Culto de Instalação é mais uma motivação para a vivência diária da espiritualidade. Ele nos lembra que as próprias reuniões do Presbitério não são momentos meramente administrativos e técnicos. Todas as deliberações e decisões devem acontecer na busca por compreender e fazer a vontade de Deus, por isso as reuniões de Presbitério não começam nem terminam de qualquer jeito. Como queremos ser orientados por Deus e fazer a sua vontade, iniciamos com um momento de meditação, estudo da Palavra e oração. Precisamos reservar um bom tempo para isso. Não devemos cair na tentação de reduzir esse tempo se temos uma agenda extensa para vencer. Nesse sentido, somos encorajados pelo Reformador, pois a ele se atribui a frase: Hoje tenho muito a fazer, portanto, vou precisar orar muito. Também é de suma importância que os Presbíteros tenham entre si um tempo de oração. A comunhão de oração é momento de orar por nós mesmos e pelas nossas responsabilidades como Presbíteros, buscando a orientação de Deus, mas também é momento de orar pela Comunidade e pelas lideranças dos diferentes Ministérios.

Documentos Normativos Regulamentos são a expressão normativa dos compromissos firmados entre as representações nas diversas instâncias. A Constituição, o Regimento Interno, o documento Justiça e Ordem, o Estatuto do Ministério com Ordenação da IECLB e o Guia Nossa Fé-Nossa Vida são normas nacionais, eclesiasticamente válidas para todos e todas. Acima desses documentos está o Mandato de Deus, tendo como base a Bíblia e os Escritos Confessionais. Todos os demais documentos são elaborados a partir dos princípios constantes nesses documentos citados e a eles estão sujeitos eclesiasticamente. O Regimento Interno da IECLB, por exemplo, estabelece, entre outros, que a Secretaria Geral é o órgão executivo da administração nacional da IECLB, cabendo-lhe resolver as questões administrativas e a execução do orçamento geral da Igreja, observando as decisões e as diretrizes emanadas do Concílio da Igreja e do Conselho da Igreja, em conformidade ao disposto na Constituição, no Regimento Interno e nas demais normas complementares da IECLB. Compete à Secretaria Geral: I executar a administração da IECLB; II orientar e instruir os Sínodos e, em conjunto com estes, as Comunidades e as Paróquias de sua área de abrangência, sobre assuntos de economia, finanças, patrimônio e recursos humanos; III elaborar a proposta orçamentária anual e o balanço patrimonial da IECLB; IV executar o orçamento aprovado e propor as modificações ao Conselho da Igreja; V prestar assessoramento e auxílio na coordenação, execução e dinamização das atividades da Igreja.


Jorev Luterano - Outubro 2017

SÍNODOS

É tempo de jubilar Com alegria, vivemos nos movemos e existimos! P. Inácio Lemke | Pastor Sinodal do Sínodo Norte Catarinense e Pastor 2º Vice-Presidente da IECLB

O ano de 2017 marca os 500 anos da Reforma. Como Sínodo Norte Catarinense, estamos alegres, jubilando com tudo que já aconteceu, que está acontecendo e que está ainda planejado para acontecer. Temos muitos motivos para jubilar! A Palavra que se fez carne e habitou entre nós deve ser anunciada e vivida, pois é nela e por ela que vivemos, nos movemos e existimos. O nosso Sínodo já vem experimentando os resultados do Planejamento de Ação Missionária, que foi aprovado na Assembleia de 2016. Delegados e Delegadas se uniram para projetar as principais dimensões e desafios do Plano de Ação Missionária da IECLB (PAMI) no Sínodo: Formação - Sustentabilidade - Comunhão. O nosso movimento sinodal de planejar tomou como base: Ver - Que Igreja somos? Que Igreja queremos ser? Julgar - O que temos de bom? O que deve ser transformado? Agir - Como chegar lá? Quem vai participar? Que recursos são necessários?

O Planejamento do nosso Sínodo, assim como o Planejamento da IECLB tem como base a Missão sob quatro dimensões: Evangelização - Testemunhar o Evangelho de Jesus Cristo a todas as pessoas no contexto de sua vivência, Comunhão - Proporcionar espaços de vivência, aceitação e valorização de todas as pessoas na vida comunitária, Diaconia - Praticar a misericórdia e a justiça, concretizar solidariedade em situação de necessidade e de crise, sempre em busca de transformações e Liturgia - Oportunizar a celebração do amor de Deus no mundo. Para que a Missão possa se tornar viável em suas quatro dimensões, assim como a Palavra se tornou carne, foram estabelecidos também três eixos transversais: Formação - qualificar membros para a Missão da Igreja e a vivência para o Sacerdócio Geral. Isso deverá ser um trabalho permanente e amplo, Sustentabilidade - estabelecer condições para sustentar a ação missionária por meio de recursos fi-

Trabalhamos a participação das crianças a partir do Batismo, dando continuidade na Pastoral do Batismo, presente em várias Comunidades. Igualmente frisamos o importante trabalho do Culto Infantil, preparando cada vez melhor as Orientadoras em Seminários coordenados pela Assessoria Catequética de Formação Cristã Contínua do Sínodo. No contexto dos 500 anos da Reforma, implantamos um Pastorado Escolar. Desde o início deste ano, contamos com um Pastor com tempo integral, com Campo Ministerial reconhecido, no Colégio Bom Jesus/IELUSC. Queremos selar a comemoração dos 500 anos da Reforma com uma grande marca: o Dia Intersinodal da Igreja, que será celebrado no dia 29 de outubro de 2017. Na Arena Jaraguá, junto a 500 vozes de Corais, além de instrumentos de Orquestras, os Sínodos Norte Catarinense, Paranapanema e Vale do Itajaí vão anunciar que é Tempo de Jubilar, pois a Música e os Corais são referência evangélica na nossa região. Assim, daremos continuidade à Igreja sempre em Reforma!

nanceiros, estruturais e humanos e Comunicação - promover a visibilidade pública da Igreja, estabelecer vínculos e difundir seus valores. O PAMI quer nos auxiliar a ser uma Igreja em Comunhão e experimentar muito mais ainda uma Igreja sempre em Reforma. Tendo Cristo como centro, pois nele vivemos, nos movemos e existimos. Já estamos experimentando novos resultados, que vêm se apresentando nas mais diversas áreas de atuação. Assim, em âmbito sinodal, decidimos investir em pessoas que nos auxiliem com estudos, seminários na área pastoral, diaconal e catequética. Nesta dinâmica, também a OASE realizou o seu próprio Planejamento e vem promovendo seminários e capacitações para as lideranças, de maneira que a comunhão, o testemunho e o serviço aconteçam nos grupos das Comunidades. A nova dinâmica dos trabalhos realizados a partir do planejamento estratégico vem demonstrando crescimento de conteúdo e numérico entre as mulheres evangélicas. Também queremos destacar o crescimento dos grupos da Legião Evangélica Luterana (Lelut) no Sínodo e a presença das suas lideranças, que vêm ocupando espaços em diferentes trabalhos comunitários e sinodais. A partir do trabalho com os grupos de homens, ideias são despertadas e colocadas em prática, no espírito missionário e diaconal, formando uma verdadeira rede de trabalho de cooperação entre diferentes projetos eclesiásticos. Uma Pastora do Hospital Dona Helena, em Joinville/SC, e um Pastor do Hospital e Maternidade em Jaraguá do Sul/SC dão suporte à Capelania Hospitalar. Nos demais hospitais localizados na área sinodal, o Sínodo conta com Visitadoras preparadas para o serviço de Visitação Hospitalar, além das Ministras e dos Ministros preparados em seminários para esta finalidade. A Pastoral da Pessoa Idosa oferece atividades em grupos, Núcleos e no Sínodo para pessoas da terceira idade, sobretudo no Núcleo Jaraguá e Joinville, onde também a Dança Sênior tem boa aceitação. Quanto ao público mais jovem, a dinâmica dos grupos vem somando para os pequenos e grandes encontros. Quem não lembra dos Encontros de Jovens em Rodeio 12, no tempo de Carnaval? Ali, jovens dos Sínodos Norte Catarinense e Vale do Itajaí souberam conviver, celebrar e compartilhar o Tema Alegres, jubilai! no verdadeiro sentido da Igreja sempre em Reforma!

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JUBILEU

Alegres, jubilai! Agora são outros 500 P. Dr. Nestor Friedrich | Pastor Presidente da IECLB Quem não gosta de comemorar? Comemorar é recordar e festejar em conjunto! Comemoramos aniversário, bodas, inauguração. Comemoramos para agradecer, para compartilhar alegria, para não esquecer o que a vida trouxe e carrega de bom. Na vida comunitária, também se comemora. Neste ano, comemoramos algo muito especial para a história da Igreja: o Jubileu dos 500 anos da Reforma. Na comemoração do Jubileu da Reforma, é decisivo que não se troque o presente pelo embrulho! O centro desse Jubileu não é Martim Lutero, mas o Evangelho de Jesus Cristo. O presente dessa comemoração é o que Deus fez por nós: por meio de Jesus Cristo, nos foi dado que somos irmãs e irmãos resgatados do poder do pecado para uma vida alegre e

Com o Tema do Ano - 2017, a IECLB expressa o seu sentimento com o Jubileu da Reforma: Alegres, jubilai! Essa alegria está enraizada no Evangelho que Lutero redescobriu e trouxe à luz. Uma das expressões da redescoberta de Lutero está na sua frase: Diante de Deus, pela fé, és livre de tudo, mas, junto aos seres humanos, és servo de todos pelo amor. Pela fé, vivemos, nos movemos e existimos (At 17.28) em plena liberdade. Deus não nos submete a leis e regras. Pela fé, o amor expresso no serviço – diaconia – é que determina a nossa relação com as pessoas e com a Criação toda. É essa relação entre liberdade e serviço de amor que define a tarefa da Igreja. É por isso que o Tema do Ano complementa a alegria com o compromisso: Igreja sempre em Reforma: Para sermos Igreja de Comunidades mais agora são ouatrativas, inclusivas e missionárias, não tros 500. “Sopodemos nos acomodar. É preciso ampliar, mos livres para levar uma vida fortalecer e inovar: ser mais intencionais nas de agradecinossas ações missionárias. Agora são outros 500! da resposta ao dom divino da agradecida mediante a graça de Deus. É salvação. Há muito que podemos fao que o apóstolo Paulo afirmou: a graça zer em resposta ao dom divino: como de Deus nos basta (2Co 12.9). pessoas dirigidas por Deus, com amor, Partindo dessa essência, chegamos compaixão e misericórdia, temos a capaa Lutero, lembrando que houve pessoas cidade de sermos mensageiras da paz, que o antecederam e contribuíram para a justiça e reconciliação em nosso mundo. Reforma. Por causa da essência, do EvanSomos livres para servir!” (Martin Junge, gelho, vozes se levantaram para denunciar Secretário Geral da Federação Luterana ensinamentos e práticas não condizentes Mundial - FLM). com a Palavra de Deus. Muitas dessas Desde a Reforma, a Igreja Luterana vozes críticas foram emudecidas a força. passou por muitos desafios. Ora ela souLutero obteve êxito. A sua voz em defesa be responder com coragem profética, do Evangelho encontrou eco, foi acolhida ora ela se acomodou e se calou diante e replicada. Multidões viram, expressas das muitas faces do mal. A IECLB faz parnas Teses da Reforma, as respostas às te dessa história. É herdeira da redescoquestões de fé e aos reclames contra inberta de Lutero e procura ser instrumenjustiças praticadas por senhores feudais. to da Missão de Deus. Neste sentido, o A invenção da imprensa foi também deFórum de Missão, ocorrido em junho de terminante para que as ideias da Reforma 2017, ajudou a vislumbrar o que o nosso se propagassem quase como hoje se esTema indica ousadamente como agora palham as notícias nas redes sociais! são outros 500.

Tendo o Evangelho como fundamento, a IECLB tem sido pioneira em várias frentes. Reafirma constantemente o Sacerdócio Geral de todas as pessoas batizadas. O trabalho voluntário é um dos nossos maiores bens do ponto de vista da sustentabilidade das ações missionárias. A IECLB ordena mulheres ao Ministério há várias décadas e procura, mesmo com resistências, tirar pedras do caminho desse Ministério. Também as diferentes ênfases ministeriais – Catequética, Diaconal, Missionária e Pastoral – são testemunho da diversidade de dons. A nossa produção teológica é reconhecida como profunda e de excelente qualidade. Há, contudo, necessidade e espaço para melhoras. A baixa capacidade de diálogo entre setores que pensam diferente é preocupante. Com a mesma preocupação, se percebe que orientações de Concílios, Assembleias e Conselhos nem sempre são seguidas. A IECLB é um Corpo e, neste sentido, decisões e compromissos precisam ser assumidos por todas as suas partes. Também há muito que fazer no que diz respeito à temática Fé, Gratidão e Compromisso e, certamente, também podemos dar passos maiores em outros aspectos. Em tudo isso, é possível afirmar que a IECLB tem sido uma bênção na vida de muitas pessoas. Nos Cultos, na pregação, nos grupos e na ação diaconal, muita gente encontrou o Deus vivo, que ama, perdoa, alimenta, aceita, liberta, salva. Importa continuar seguindo em frente. Em tempos difíceis, nos quais parece haver diminuição da relevância da Igreja e aumento de preconceito, divisão, ódio e injustiça, é necessário manter firme a postura fiel ao Evangelho de Jesus Cristo. Os próximos 500 anos trarão velhos e novos desafios. A IECLB, movida pela graça de Deus, saberá encará-los! Mensagem da Presidência para o Jubileu da Reforma 31 de outubro de 2017

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Jornal Evangélico Luterano Ano 46 nº 810 Outubro 2017  

Jornal Evangélico Luterano - Uma publicação da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB).

Jornal Evangélico Luterano Ano 46 nº 810 Outubro 2017  

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