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Anuário Evangélico 2015 Publicado sob a direção de Meinrad Piske


© 2014 Editora Otto Kuhr Caixa Postal 6390 89068-971 – Blumenau/SC Tel/fax: (47) 3337-1110 E-mail: grafica.ok@terra.com.br

Conselho editorial: P. em. Meinrad Piske (Diretor) P. em. Heinz Ehlert, Profa. Elfriede Rakko Ehlert, P. em. Friedrich Gierus, P. em. Irineu V. Wolf, Profa. em. Úrsula Axt Martinelli, P. em. Valdemar Lueckemeryer, P. em. Anildo Wilbert, Cat. em. Loni Wilbert, P. Dr. Osmar Zizemer (editor) Correspondência e artigos: P. Dr. Osmar Zizemer Caixa Postal 6390 89068-971 – Blumenau/SC Tel/fax: (47) 3337-1110 E-mail: cml@centrodeliteratura-ieclb.com.br

Produção editorial: Gráfica e Editora Otto Kuhr Ltda. Produção gráfica: Gráfica e Editora Otto Kuhr Ltda. Crédito das imagens: Gemeindebrief (Alemanha), divulgação internet e arquivos pessoais cedidos pelos autores.

Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores. Direitos reservados à Gráfica e Editora Otto Kuhr Ltda.


Prefácio É com grande alegria que colocamos a nova edição do Anuário Evangélico da IECLB nas mãos de nossos leitores e leitoras. Ele pretende ser-lhes um “amigo querido e bom companheiro” ao longo do ano de 2015. Talvez você já conheça o Anuário Evangélico há mais tempo. Afinal, esta já é sua 44ª edição. Se este é o caso, muito obrigado por seu apreço e sua fidelidade. Mas possivelmente você só agora está conhecendo esta publicação, que já se tornou tradicional. Neste caso lhe desejamos uma leitura prazerosa e enriquecedora. Que o Anuário possa acompanhar você (e os de sua casa) ao longo do ano. E fazemos votos que o mesmo seja um estímulo para tomá-lo sempre de novo em suas mãos para uma leitura boa e agradável. Anuário Evangélico é um gênero de literatura, que quer ser um incentivo à leitura, à boa leitura. Ele quer INFORMAR, EDIFICAR e ENTRETER, e visa como seu público leitor especialmente o povo da igreja. Para tanto esta edição traz assuntos bem variados, entre os quais destaco: • A indicação dos textos da Leitura Bíblica diária, e uma meditação mensal – neste ano com o tema Confissão, Absolvição dos Pecados e Ceia do Senhor, com base no Catecismo Menor de Martim Lutero. • Temas para reflexão de fé a partir da fé e da confessionalidade luterana, como “Somente Cristo”;

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“Somente pela Graça”; “Fé e Ciências”; “Espiritualidade”; “Tema e Lema do Ano”. • Temas históricos, como “Lutero – atleta de Cristo”; “Em busca de uma Nova Pátria”; “Um século de Igreja da Cruz – Ijuí/RS”, “Datas Comemorativas”. • Curiosidades, Humor, Entretenimento e outros mais. Merece destaque que desde a edição passada abrimos um espaço maior para uma Comunidade/Paróquia/Igreja jubilar para publicar a sua história e assim torná-la conhecida no âmbito de circulação do Anuário. Esta edição mais uma vez foi produzida por muitas cabeças, mãos e computadores, e aqui está ele: Nosso Anuário Evangélico. Queremos agradecer aos integrantes do Conselho Editorial pela ajuda no planejamento desta edição. Um muito obrigado às pessoas que aceitaram o desafio de colaborar com um tema/ assunto lhes proposto, ou que espontaneamente nos enviaram algum texto para publicação. Nossa gratidão aos nossos patrocinadores, que nos possibilitam colocar o Anuário em suas mãos. Desejamos a todos uma leitura agradável, e os desafiamos a nos deixar sentir “ecos de sua leitura”. Um abençoado ano de 2015.

P. Dr. Osmar Zizemer Editor

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O significado das nomencla tur as nomenclatur turas Advento – Vinda, chegada do Senhor. Natal – Nascimento de Jesus Cristo. Epifania – “Aparição” de Deus em seu Filho Jesus Cristo. Septuagesimae – 70 dias (faltam até Páscoa). Sexagesimae – 60 dias (faltam até Páscoa). Estomihi – (Latim: Esto mihi in Deum...) Salmo 31.3: “Sê para mim um forte rochedo”. Invocavit – (Latim: Invocavit me, et ego...) Salmo 91.15: “Ele me invocará e eu responderei...”. Reminiscere – (Latim: Reminiscere miserationum...) Salmo 25.6: “Lembra-te, Senhor, das tuas misericórdias”. Oculi – (Latim: Oculi semper ad Dominum...) Salmo 25.15: “Meus olhos estão sempre em Deus...”. Laetare – (Latim: Laetare cum Jerusalem...) Isaías 66.10: “Alegrai-vos com Jerusalém...”. Judica – (Latim: Judica me, Deus...) Salmo 43.1: “Julga-me, ó Deus...”. Domingo de Ramos/Palmarum – Veja João 12.13: “... A grande multidão... tomou ramos de palmeira e saiu ao seu encontro...”. Páscoa – Ressurreição de Cristo. Quasimodogeniti – 1 Pedro 2.2: “... desejai, como crianças recém-nascidas o leite não adulterado da palavra...”. Misericordias Domini – (Latim: Misericordia Domini plena est terra) Salmo 33.5: “A terra está cheia da misericórdia do Senhor”. Jubilate – (Latim: Jubilate Deo, omnis terra) Salmo 66.1: “Jubilai a Deus toda a terra...”. Cantate – (Latim: Cantate Domino canticum novum) Salmo 98.1: “Cantai ao Senhor um cântico novo”. Rogate – “Rogai, orai” Salmo 66.20: “Bendito seja Deus que não me rejeita a oração...”. Exaudi – (Latim: Exaudi, Domine, vocem meam...) Salmo 27.7: “Ouve, Senhor, a minha voz...”. Pentecostes – No 50º dia após a Páscoa, a descida do Espírito Santo. Aniversário da Igreja. Trindade – Domingo em que é celebrada a ação do Deus triúno – Pai, Filho e Espírito Santo. ••• 5 •••


Datas Festivas do Calendário Eclesiástico

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Janeiro 1 Qui 2 Sex 3 Sáb 4 Dom

5 Seg 6 Ter 7 Qua 8 Qui 9 Sex 10 Sáb 11 Dom

12 Seg 13 Ter 14 Qua 15 Qui 16 Sex 17 Sáb 18 Dom

19 Seg 20 Ter 21 Qua 22 Qui 23 Sex 24 Sáb 25 Dom

26 Seg 27 Ter 28 Qua 29 Qui 30 Sex 31 Sáb

Fp 2.5-11 ANO NOVO – Dia Mundial da Paz Branco Js 24.1-26 Êx 2.1-10 Sl 147.12-20 2º DOMINGO APÓS NATAL Branco Cantem ao Senhor com alegria, povos de toda a terra! Louvem o Senhor com canções e gritos de alegria. Salmo 98.4 Gn 9.12-17 Is 52.7-10 EPIFANIA DE NOSSO SENHOR Branco 1Jo 3.1-6 1890 – Declarada a plena liberdade religiosa no Brasil 1Jo 2.12-17 Ef 4.17-24 1Jo 1.5-7 At 19.1-7 1º DOMINGO APÓS EPIFANIA Branco Depois que Jesus foi batizado, ouviu-se uma voz dos céus: Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo. Marcos 1.11 At 10.37-48 Js 3.9-17 1635 – ✩ Philipp Jakob Spener, pai do pietismo luterano, † 05/02/1705 Cl 2.1-7 1875 – ✩ Albert Schweitzer, teólogo evangélico e médico, † 04/09/1965 Mc 10.13-16 Lc 12.49-53 1910 – Fundação da Obra Gustavo Adolfo (OGA) brasileira, em Hamburgo Velho, RS Mt 6.6-13 1546 – Última pregação de Martim Lutero em Wittenberg (Rm 12.3) 1Co 6.12-20 2º DOMINGO APÓS EPIFANIA Verde O Senhor me disse: Israel, você é o meu servo, e por meio de você serei glorificado. Isaías 49.3 Dt 4.5-13 Mc 2.23-28 1866 – ✩ Euclides da Cunha, escritor brasileiro († 15/08/1909) Lc 16.14-18 1800 – ✩ Theodor Fliedner, fundou a primeira Casa Matriz de Diaconisas At 15.22-31 1532 – Fundação de São Vicente, primeira vila do Brasil-Português Jo 7.1-13 1637 – Chegada do conde João Maurício de Nassau-Siegen, governador do Brasil-Holandês, a Recife, PE Dt 33.1-16 Mc 1.14-20 3º DOMINGO APÓS EPIFANIA Verde Percorria Jesus toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades entre o povo. Mateus 4.23 1554 – Fundação pelos jesuítas do núcleo de São Paulo 2Co 3.9-18 1654 – Fim do Brasil-Holandês: capitulação dos holandeses Jo 1.43-51 Jo 3.31-36 1808 – Abertura dos portos brasileiros aos navios das nações amigas Ap 1.1-8 1499 – ✩ Catarina von Bora, esposa de Martim Lutero († 20/12/1552) Jo 8.12-20 1990 – 8ª Assembléia Geral da FLM, em Curitiba, PR Nm 6.22-27 1531 – Chegada de Martim Afonso de Souza a Pernambuco Fases da Lua:

= Crescente

= Cheia

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= Minguante

= Nova


Lema do mês

Enquanto durar a terra, não deixará de haver sementeira e ceifa, frio e calor, verão e inverno, dia e noite. (Gênesis 8.22)

O poder das Chaves do Reino dos Céus (conforme Mateus 16.19) – Ao conversar com seus discípulos a respeito do que o povo diz sobre quem Ele é, e de ouvir a confissão de Pedro: “O Senhor é o Messias, o Filho do Deus vivo”, Jesus o vocacionou: “Você é Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, nem a morte poderá vencê-la”. E conferiu-lhe poder ao dizer ainda: “Eu lhe darei as chaves do Reino do Céu; o que você proibir na terra será proibido no céu, e o que permitir na terra será permitido no céu”. Outra tradução usa os verbos: ligar na terra e desligar na terra. Portanto, esse poder é conferido a Simão Pedro mediante sua confissão: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. A discussão se a igreja tem poder ou não perdoar pecados acontece num ambiente de confrontação teológica a partir de dois textos preferenciais: Mateus 16.19 onde Jesus diz a Pedro: “... dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares na terra será ligado nos céus; e o que desligares na terra terá sido desligado nos céus”; e João 20.23, quando Jesus sopra sobre seus discípulos o Espírito Santo, os envia e diz: “Se de alguns perdoardes os pecados, são-lhes perdoados; se lhos retiverdes, são retidos”. As palavras ligar, desligar, perdoar e reter que aparecem nos textos citados fizeram parte dos grandes debates e polêmicas teológicas e, o poder para tal, continua sendo questionado e reinterpretado. Quem tem autoridade para esse exercício? No Catecismo Menor MARTIM LUTERO afirma que o ministério da absolvição dos pecados “é o poder especial que Cristo deu à Igreja na terra para perdoar pecados às pessoas que se arrependem e não os perdoar a quem não se arrepende”. Esse poder vem do Espírito Santo e não é exclusividade dos

líderes da Igreja. O Batismo nos integra no sacerdócio geral. Nele somos presenteados com o Espírito Santo e, portanto, empoderados para essa missão, a saber: Perdoar pecados mediante confissão e arrependimento. Anunciar a graça de Deus é da competência de todo o cristão batizado. Afinal, somos justificados por graça, mediante a fé. As Escrituras não indicam qualquer sucessão de ofício e a declaração da posse de tal poder não cria continuidade do ofício. O texto, a meu ver, está longe de comprovar sucessão, ou que o alto privilégio concedido a Pedro foi transferido a qualquer linhagem de sucessores seus. A interpretação mais coerente que se pode fazer desta questão é aquela que diz que qualquer ministro do evangelho, ao pregar, cria com isso circunstâncias que levam os pecados das pessoas a serem perdoados ou retidos. Assim sendo, todos os batizados, que exercem o sacerdócio geral, tornaram-se instrumentos de Cristo; porém, de alguma maneira, isso teve base no ministério original dos apóstolos. O perdão de pecados não pertence ao indivíduo, em si mesmo, mas Cristo outorga essa autoridade àqueles que observam seus ensinamentos, atuam na sua causa e pregam a Palavra de Deus. A aceitação ou rejeição dessa mensagem pelas pessoas que a ouvem é que determina o perdão ou ausência de perdão dos pecados. Martim Lutero confirma isso em alguns itens das suas conhecidas 95 teses, como por exemplo, na 6ª tese, onde ele assevera: “O papa não pode perdoar dívida se não declarar e confirmar aquilo que já foi perdoado por Deus”. Com isso, Lutero deixava claro o seu repúdio à doutrina da igreja romana quando esta se diz a detentora desse poder das chaves na pessoa do Papa. Pastor Dari Jair Appelt

Oração Deus de Bondade e Misericórdia, graças te damos por dons e dádivas, pela confiança de que a Igreja dará continuidade à missão de “abrir as portas do céu” para quem anseia pela vida eterna e tem coragem de confessar pecados, de reconhecer tua graça e acolher o perdão anunciado pelos que fizeste instrumentos da tua Palavra e teu amor. Por Cristo, nosso Senhor e Salvador. Amém.

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Fevereiro 1 Dom

2 Seg 3 Ter 4 Qua 5 Qui 6 Sex 7 Sáb 8 Dom

9 Seg 10 Ter 11 Qua 12 Qui 13 Sex 14 Sáb 15 Dom

16 Seg 17 Ter 18 Qua 19 Qui 20 Sex 21 Sáb 22 Dom

23 Seg 24 Ter 25 Qua 26 Qui 27 Sex 28 Sáb

Dt 18.15-20

4º DOMINGO APÓS EPIFANIA Verde Jesus leu no livro do profeta Isaías: O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos. Lucas 4.18 Mq 3.1-4 APRESENTAÇÃO DE JESUS NO TEMPLO Hb 12.12-17 1931 – Fundação da Federação das Igrejas Evangélicas no Brasil Mt 10.40-42 1Co 3.1-8 Jo 2.13-22 1Co 1.26-31 Mc 1.29-39 5º DOMINGO APÓS EPIFANIA Verde Jesus Cristo diz: Eu sou a luz do mundo; quem me segue nunca andará na escuridão, mas terá a luz da vida. João 8.12 Dt 32.44-47 1558 – Execução dos primeiros evangélicos no Brasil, na baía de Guanabara Êx 7.1-13 Mc 6.1-6 1868 – Fundação do Sínodo Teuto-Evangélico da Província do Rio Grande do Sul, em São Leopoldo, RS (extinto em 1875) Lc 6.43-49 Jo 12.34-42 Mt 13.31-35 2Co 4.3-6 ÚLTIMO DOMINGO APÓS EPIFANIA Branco TRANSFIGURAÇÃO DO SENHOR O salmista canta ao Ungido: Tu és o mais formoso dos humanos; nos teus lábios se extravasou a graça; por isso, Deus te abençoou para sempre. Salmo 45.2 Dia Mundial contra a Lepra Lc 13.31-35 1497 – ✩ Filipe Melanchthon, colaborador de Martim Lutero em Wittenberg († 19/04/1560) Lc 5.33-39 Is 58.1-12 QUARTA-FEIRA DE CINZAS Violeta ou Preto ou Vermelho 1546 – † Martim Lutero, reformador alemão, em Eisleben (✩ 10/11/1483) Zc 7.2-13 Jo 8.21-30 Dn 5.1-30 Mc 1.9-15 1º DOMINGO NA QUARESMA Violeta Jesus respondeu ao tentador: Está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus. Mateus 4.4 1956 – Criação da Fundação Diacônica Luterana, em Lagoa Serra Pelada, ES 1Jo 3.7-12 Jó 1.1-22 1Co 10.9-13 1778 – ✩ José de San Martin, general argentino, libertador latino americano († 17/08/1850) Tg 4.1-10 Hb 2.11-18 Ap 20.1-6 1997 – Reestruturação da IECLB, extinção dos DE’s e das RE’s; criação dos Sínodos

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Lema do mês

Não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. (Romanos 1.16)

O PODER DE PERDOAR – “Se vocês perdoarem os pecados de alguém, esses pecados serão perdoados...” (João 20.23). A tarefa da Comunidade Cristã é mostrar para a humanidade, pela Palavra de Deus, que quem se fechar ao projeto de Deus, ou for contrário a ele permanece em pecado. E quem permanece em pecado está fora do reino de Deus. Perdoar pelo poder do Espírito Santo é a ordem regeneradora e reintegradora de Jesus. Ele diz: “Eu vim para que todos tenham vida em abundância” (João 10.10). O perdão de pecados, não só tem uma conotação espiritual, mas também social. O reino de Deus está entre nós e tem a ver com os nossos relacionamentos. Numa família onde as pessoas não se perdoam, reina o ódio, a vingança, a tristeza e a exclusão. Ali os problemas de convivência afetam os relacionamentos. Isso também vale para qualquer grupo social. A falta do perdão ocasiona a impossibilidade do crescimento de nossas condições humanas. Não perdoar faz mal tanto a quem errou e necessita do perdão, quanto a quem nega o mesmo. Quem não perdoa é como alguém que toma veneno pensando que o outro vai morrer.

O perdão transforma os sentimentos maus e de angústia em confiança e alegria. Ele restabelece a vontade de viver, de participar, de trabalhar e de continuar dando tudo de si para realizar-se na vida. Todos somos falhos. Sem o perdão nenhum relacionamento é saudável. Jesus sabia disso. Ele dá o poder de perdoar aos discípulos através do Espírito Santo, para que o mundo se renove espiritu-almente. Quando estudei em um internato, certa vez esqueci-me de devolver um livro que havia retirado da biblioteca. Isto acarretou em multa. Eu não tinha dinheiro para pagá-la. Poderia ser expulso do internado e perder a oportunidade de continuar os estudos. Recebi o perdão. Decidi não mais ser relapso. Aprendi e me senti feliz e valorizado. Quanta felicidade e renovação pode haver na vida das pessoas quando elas exercitam o poder de perdoar. Se as pessoas se perdoassem mais, sofreriam menos; haveria menos ódio e violência no mundo; haveria mais felicidade e o mundo se tornaria um exemplo de amor a Deus e ao próximo. Jesus nos deu esse poder. Que tal assumirmos essa atitude em nossa família, em nossos grupos e em nossa comunidade, proporcionando um mundo mais justo, inclusivo e feliz. Pastor Jorge Antônio Signorini

Oração Obrigado Senhor, por nos reconduzir ao teu encontro através do perdão. Ajuda-nos a cumprirmos a tua vontade, perdoando-nos uns aos outros. Em nome de Jesus Cristo, Amém!

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Março 1 Dom

Rm 4.13-25

2 Seg 3 Ter 4 Qua 5 Qui 6 Sex 7 Sáb 8 Dom

Jr 26.1-24 Jó 2.1-10 Êx 17.1-7 1Jo 1.8,2.2-6 Lc 9.43b-48 Dia Mundial de Oração – DMO Gl 2.16-21 Jo 2.13-22 3º DOMINGO NA QUARESMA Violeta Jesus Cristo a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até a morte e morte de cruz. Filipenses 2.8 Dia Internacional da Mulher Lc 14.25-35 Jó 7.11-21 1557 – Primeira pregação evangélica (calvinista) no Brasil, na baía de Guanabara (Sl 27.4) Mc 9.38-47 Mc 8.10-21 1607 – ✩ Paul Gerhardt, teólogo luterano e poeta alemão († 27/05/1676) Mt 10.34-39 1630 – Proibição do tráfico de escravos africanos no Brasil Lc 17.28-33 1965 – Consagração do primeiro diácono na IECLB, em Lagoa Serra Pelada, ES Nm 21.4-9 4º DOMINGO NA QUARESMA Violeta Assim como Moisés, no deserto, levantou a serpente numa estaca, assim também o Filho do Homem tem de ser levantado, para que todos os que crerem nele tenham a vida eterna. João 3.14-15 1937 – Abertura do Ginásio (hoje Colégio) Sinodal, em São Leopoldo, RS Dt 8.2-10 1969 – Inauguração do Instituto Concórdia, da IELB, em São Leopoldo, RS Jó 9.14-35 Jo 15.9-17 2Co 4.11-18 Dia da Escola Jo 10.17-26 Início do OUTONO Jo 14.15-21 1557 – Primeira celebração evangélica (calvinista) da Santa Ceia no Brasil, na baía de Guanabara Jo 12.20-33 5º DOMINGO NA QUARESMA Violeta Jesus Cristo diz: O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida para salvar muita gente. Marcos 10.45 Hb 6.20,7.1-27 Jó 19.21-27 Is 7.10-14 ANUNCIAÇÃO DO NASCIMENTO DE JESUS Branco 1824 – Promulgação da 1ª Constituição do Brasil, por D. Pedro I 1Co 2.1-5 1946 – Abertura da Escola de Teologia em São Leopoldo, RS Hb 10.1,11-18 Ap 14.1-5 1823 – ✩ Dr. Hermann Borchard, fundador do Sínodo Teuto-Evangélico da Província do Rio Grande do Sul († 03/08/1891) Mc 11.1-11 DOMINGO DE RAMOS – PAIXÃO Violeta ou vermelho Hb 9.11-15 Jesus respondeu aos discípulos: É chegada a hora de ser glorificado o Filho do Homem. João 12.23 Rm 5.6-11 Jó 38.1-11; 1492 – Expulsão dos judeus da Espanha 42.1-6

9 Seg 10 Ter 11 Qua 12 Qui 13 Sex 14 Sáb 15 Dom

16 Seg 17 Ter 18 Qua 19 Qui 20 Sex 21 Sáb 22 Dom

23 Seg 24 Ter 25 Qua 26 Qui 27 Sex 28 Sáb 29 Dom

30 Seg 31 Ter

2º DOMINGO NA QUARESMA Violeta Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. João 3.16

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Lema do mês

Se Deus é por nós, quem será contra nós? (Romanos 8.31)

DA NECESSIDADE DE CONFESSAR OS PECADOS – “Enquanto não confessei o meu pecado, eu me cansava, chorando o dia inteiro.” (Salmo 32.3.) O pecado pesa em nós! A culpa por nossos erros e tropeços nos tiram a força e nos cansam. Muitas vezes tiram o sono e a alegria pela vida. Ao morrer por nós na cruz, Jesus nos lava do pecado e nos concede nova oportunidade. Ele carrega sobre si o peso de nossas culpas. E aquilo que nos separava Dele é vencido. Alguém pode questionar: Mas porque, então, o pecado persiste? O pecado continua existindo, mas não é mais a última palavra! Porque nós podemos confessá-lo. “De dia e de noite, tu me castigaste, ó Deus, e as minhas forças se acabaram como o sereno que seca no calor do verão.” Salmo 32.4. Sim, o pecado continua nos atormentando e tirando a paz, mas podemos confessá-lo! Ao reconhecer em nós a culpa; ao confessar os nossos limites; ao pedir perdão; ao abraçar novamente, nós confessamos! Confessar é um ato de amor e esperança. Amor a Deus, pois nos confiamos ao que Ele fez por nós. Acolhemos, melhor, reconhecemos que sem Deus

e Seu perdão, daí sim estamos perdidos. Confessar é também um ato de esperança, porque oportuniza conciliação com as pessoas que magoamos ou ferimos. Não é Deus quem nos castiga, somos nós mesmos que, ao não reconhecer a culpa, faltamos com amor a nós mesmos e nos enganamos. O pecado castiga. Deus perdoa! O pecado nos leva à morte. Deus nos concede nova vida! “Então, eu te confessei o meu pecado e não escondi a minha maldade. Resolvi confessar tudo a ti, e tu perdoaste todos os meus pecados.” Salmo 32.5. Para que o pecado ou a culpa não ganhe força em nós, ele ser confessado. Ao confessar a Deus nossa culpa entregamos a Ele nossa vida – com nossos limites e fraquezas – e Ele é quem tem força e poder para arrancar este peso de nós. Por isso, é necessário e tarefa de cada pessoa cristã, que confesse seu pecado ao Deus que certamente vai saber cuidar de nós e de nossa vida, porque Ele nos ama! Se o perdão de Deus é um ato de amor Dele para conosco, então, confessar nosso pecado a Deus é um ato de amor nosso, de confiança, de fé para com Deus! Não precisamos ter medo. Pois Deus espera dia e noite por nós porque nos ama! Diácona Nádia Mara Dal Castel de Oliveira

Oração Pai de ternura e de Bondade! Vê como meu coração aperta ao lembrar-se de tudo que fiz de errado. Eu poderia ter abraçado mais. Poderia ter perdoado mais. Poderia não ter falado tanto. Poderia ter amado e respeito mais. Poderia não ter perdido a paciência. Poderia ter colaborado mais e criticado menos. Tanta dor e tanta culpa agora pesam em mim. Senhor! Entrego tudo isso em teu colo. Nas tuas mãos confesso e coloco aminha culpa. Aos teus cuidados confio a minha vida. Renova em mim a vontade de caminhar na tua vontade e no teu amor. Leva meus pecados e concede-me a liberdade de seguir confiante e em paz no caminho que Tu queres. Amém.

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Abril 1 Qua 2 Qui 3 Sex 4 Sáb

Is 26.20-21 Is 42.1-9 Jo 19.16-37 Jó 14.1-14

5 Dom

1Co 15.1-11

6 Seg 7 Ter 8 Qua 9 Qui

Lc 24.13-35 1Co 15.20-28 1831 – Abdicação de D. Pedro I, primeiro imperador do Brasil 1Co 15.35-49 1Co 15.50-57 1945 – † Dietrich Bonhoeffer, teólogo alemão, mártir do nazismo (✩ 04/02/1906) 1Co 5.6b-8 2Tm 2.8-13 Mc 16.12-18 2º DOMINGO DA PÁSCOA Branco ou Dourado Jesus disse para Tomé: Você creu porque me viu? Felizes são os que não viram, mas assim mesmo creram! João 20.29 Is 42.10-16 1598 – Edito de Nantes; tolerância para os protestantes na França(revogado em 1685) Jó 42.7-17 1Pe 1.22-25 Jo 17.9-19 Lc 23.50-56 Jo 12.44-50 At 3.12-19 3º DOMINGO DA PÁSCOA Branco ou Dourado Os discípulos de Emaús disseram um ao outro: Porventura, não nos ardia o coração, quando ele, pelo caminho, nos falava, quando nos expunha as Escrituras? Lucas 24.32 Dia dos Povos Indígenas Nm 27.12-23 1529 – 2ª Dieta de Espira: protestos dos príncipes evangélicos alemães contra a restrição da liberdade de religião (“protestantes”) 1Co 4.9-16 1792 – † Tiradentes, Joaquim José da Silva Xavier, enforcado 1960 – Inauguração de Brasília como nova capital do Brasil Jo 17.20-26 1500 – Chegada de Pedro Álvares Cabral ao Brasil (descobrimento do Brasil) Ef 4.8-16 Dia Mundial do Livro Mt 26.30-35 Jo 14.1-6 Jo 10.11-18 4º DOMINGO DA PÁSCOA Branco ou Dourado Jesus Cristo diz: Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim. João 10.14 1500 – Primeira missa no Brasil Rm 1.18-25 2Co 5.11-18 Jo 8.31-36 Rm 8.7-11

10 Sex 11 Sáb 12 Dom

13 Seg 14 Ter 15 Qua 16 Qui 17 Sex 18 Sáb 19 Dom

20 Seg 21 Ter 22 Qua 23 Qui 24 Sex 25 Sáb 26 Dom

27 Seg 28 Ter 29 Qua 30 Qui

1985 – Lançado o primeiro número do jornal O CAMINHO QUINTA-FEIRA SANTA Branco SEXTA-FEIRA SANTA Preto, Vermelho ou ausência de cor SÁBADO DA PAIXÃO – VIGÍLICA PASCAL Violeta ou Preto 1968 – † Martin Luther King (assassinado), pastor batista, líder do movimento negro dos EUA (✩ 15/01/1929) DOMINGO DA PÁSCOA Branco ou Dourado Sabemos que Cristo foi ressuscitado e nunca mais morrerá, pois a morte não tem mais poder sobre ele. Romanos 6.9

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Lema do mês

Verdadeiramente este era Filho de Deus. (Mateus 27.54)

CONFESSAR OU ESCONDER OS PECADOS? – “Quem tenta esconder os seus pecados não terá sucesso na vida, mas Deus tem misericórdia de quem confessa os seus pecados e os abandona.” (Provérbios 28.13) Lembro-me que, na minha infância, meus pais compravam poucos doces para o Natal. Para que não fossem comidos antes da hora, eram bem escondidos. Mas, não tardava muito e encontrávamos o precioso tesouro... Bastava um buraquinho na sacola e lá estava “uma balinha pra cada um”, só para sentir o gosto. Lembro-me também que depois do doce sabor da bala, vinha o sentimento de arrependimento, porque sabíamos que seríamos descobertos e teríamos que “responder” pelo que havíamos feito. A questão era o medo e a insegurança quanto ao momento de sermos descobertos... Com o passar do tempo, descobrimos que assumir o erro era bem menos doloroso que omiti-lo, porque podíamos continuar vivendo sem medo ou culpa. Para colocar-nos como pessoas pecadoras diante do Deus da misericórdia, também é preciso a coragem e o desejo de tornar a vida mais leve. Confessar os pecados significa buscar pela cura da culpa que adoece o coração e o espírito; desejar a liber-

dade de tudo o que aprisiona; e construir autonomia de vida. Trazer os pecados à luz é expressar diante de Deus, ou uns dos outros, os espinhos que perfuram silenciosamente a carne e não permitem uma vida tranquila. É reconhecer que não conseguimos seguir adiante sem a graça e a força de Deus. A confissão dos pecados traz perdão e promove a cura; gera liberdade e torna a pessoa sensível ao outro. Ela traz alívio e promove paz de espírito. Não há porque tentar esconder os pecados se cremos no Deus da misericórdia e do perdão, no Deus diante do qual nada ficará oculto. A confissão de pecados tem relação direta com a tal FELICIDADE tão desejada por toda pessoa. Feliz é a pessoa que confessa os seus pecados, porque pode viver a partir do perdão, e não mais da falsa ilusão de perfeição. Desta forma ela aprende a lidar melhor com suas limitações e com as limitações do seu próximo, sabendo perdoar a este na mesma medida em que é perdoado. Aprende também que a pessoa pecadora arrependida e perdoada precisa ensaiar um novo modelo de vida a partir do Cristo que nos amou primeiro e morreu e ressuscitou para que tenhamos vida. É o perdão que nos permite caminhar, de fato, em novidade de vida a cada novo amanhecer. Pastora Iraci Wudtke

Oração Senhor! Renova e fortalece-nos para que vivamos corajosamente a possibilidade da confissão sincera e do perdão. E que assim como recebemos o teu perdão, possamos também nós perdoar uns aos outros. Cura, regenera e transforma nossa vida por meio do teu Espírito vivificador, de maneira que, a partir do perdão, sintamos tua presença e benção constante. Amém!

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Maio 1 Sex 2 Sáb 3 Dom

4 Seg 5 Ter 6 Qua 7 Qui 8 Sex 9 Sáb 10 Dom

11 Seg 12 Ter 13 Qua 14 Qui 15 Sex 16 Sáb 17 Dom

18 Seg 19 Ter 20 Qua 21 Qui 22 Sex 23 Sáb 24 Dom

25 Seg 26 Ter 27 Qua 28 Qui 29 Sex 30 Sáb 31 Dom

Jo 19.1-7 Ap 22.1-5 1Jo 4.7-21

Dia do Trabalho 5º DOMINGO DA PÁSCOA Branco ou Dourado Jesus Cristo diz: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim. João 14.6 1824 – Fundação da primeira comunidade evangélica pertencente à IECLB, em Nova Friburgo, RJ

Tg 1.17-27 Lc 19.36-40 Rm 15.14-21 1Co 14.6-19 Lc 22.39-46 1945 – Fim da 2ª Guerra Mundial na Europa Jo 6.60-69 Jo 15.9-17 6º DOMINGO DA PÁSCOA – DIA DAS MÃES Branco ou Dourado Jesus Cristo diz: Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada. João 14.23 1886 – ✩ Karl Barth, teólogo evangélico suíço († 10/12/1969) 1Rs 3.5-15 Êx 17.8-13 Lc 11.1-4 1888 – Abolição da escravatura no Brasil Jo 14.1-12 ASCENSÃO DO SENHOR Branco ou Dourado 1950 – 1º Concílio Geral da Federação Sinodal, em São Leopoldo, RS Jo 18.33-38 Ef 6.18-24 Sl 1 7º DOMINGO DA PÁSCOA Branco ou Dourado Jesus Cristo diz: Não os deixarei órfãos, voltarei para vocês. João 14.18 1939 – Fundação da Casa Matriz de Diaconisas, em São Leopoldo, RS Ez 11.14-20 Lc 21.12-19 Lc 12.8-12 1886 – Fundação do Sínodo Riograndense, em São Leopoldo, RS At 1.12-26 Jo 19.25-27 Zc 4.1-14 Rm 8.22-27 DOMINGO DE PENTECOSTES Vermelho Jesus Cristo diz: Quando o Espírito Santo descer sobre vocês, vocês receberão poder e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria e até nos lugares mais distantes da terra. Atos 1.8 Mt 16.13-19 1700 – ✩ Nikolaus Ludwig, Conde de Zinzendorf, fundador da Igreja Evangélica dos Irmãos Herrnhut, Alemanha († 09/05/1760) At 4.23-31 At 8.9-25 At 11.1-18 At 11.19-26 1537 – Declarada a liberdade dos indígenas americanos pelo Papa Paulo III At 18.1-11 1909 – ✩ Dr. Ernesto T. Schlieper, 2º Pastor Presidente da IECLB († 31/10/ 1969) Jo 3.1-17 1º DOMINGO APÓS PENTECOSTES Branco ou Dourado TRINDADE Os serafins diziam em voz alta uns para os outros: Santo, santo, santo é o Senhor Todo-Poderoso; a sua presença gloriosa enche o mundo inteiro! Isaías 6.3

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Lema do mês

Tudo posso naquele que me fortalece. (Filipenses 4.13)

CONFISSÃO E INTERCESSÃO RECÍPROCAS – “Confessem os seus pecados uns aos outros e façam oração uns pelos outros.” (Tiago 5.16a) Admitir erros e fraquezas não é algo comum em nossa sociedade. Por exemplo, quando elaboramos nosso currículo, ressaltamos apenas as qualidades, e silenciamos sobre nossos pontos fracos. Em tudo, tentamos nos sobrepor aos outros. Enxergamos as outras pessoas como concorrentes, como aquelas que precisam ser derrotadas para que nós mesmos alcancemos o sucesso. Admitir fraqueza não se enquadra na vida determinada pela competição. Escondemos nossas fragilidades, fingindo ser o que de fato não somos. Mas, como uma bola de neve, um sentimento ruim vai crescendo dentro de nós. Incomoda-nos a necessidade de mostrar o que não somos, e invejamos as outras pessoas que parecem ser mais bem sucedidas do que nós. Sofremos e ficamos doentes. Seria muito melhor sermos apenas aquilo que de fato nós somos, sem máscaras. Viveríamos muito mais alegres e conviveríamos melhor com as pessoas, sem as enxergarmos apenas como alguém a ser derrotado.

O texto bíblico motiva as pessoas a irem ao confessionário para buscar a absolvição de seus pecados junto a Deus. Isso nos reaproxima de Deus. Porém, Tiago nos propõe dar mais um passo: O passo da reconciliação com o próximo. Ele sugere confessar os pecados uns aos outros e orar uns pelos outros. O autor bíblico pede propõe que admitamos e compartilhemos as fraquezas uns com os outros e, juntos, busquemos o auxílio e o perdão de Deus através da oração. Dessa forma, curam-se os relacionamentos e supera-se a pressão social por competências e concorrências. Assim acontece restauração quando um busca orientação e ajuda do outro para as suas dificuldades e quando um intercede pelo outro. Com certeza não é fácil escolher este modo de vida, proposto por Tiago, dentro de uma sociedade que premia os bem-sucedidos e descarta os fracassados. Por isso há tanto fingimento. Por isso tanta gente fica doente. Tiago convida os cristãos de todos os tempos a quebrar este círculo vicioso e vivenciar uma comunhão fraterna, na qual todos sejam incluídos e cuidam uns dos outros e intercedem uns pelos outros. Podemos chamar esta comunhão de “Comunidade Terapêutica”. Que tal praticarmos isto em nossa comunidade?! Pastor Geraldo Graf

Oração Amado Deus, nosso Pai, nós agradecemos porque diante de ti nós podemos ser autênticos, admitir nossas fraquezas. Sabemos que tu nos amparas e nos carregas com teu perdão e com teu amor. Permite que cuidemos uns dos outros a partir da tua misericórdia e assim descubramos a força da comunhão fraterna. Por Jesus Cristo, nosso irmão e Senhor. Amém.

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Junho 1 Seg 2 Ter 3 Qua 4 Qui 5 Sex 6 Sáb 7 Dom

Jr 10.6-12 Is 43.8-13 At 17.16-34 Ef 4.1-7 Lc 23.44-49 Jo 14.7-14 Gn 3.8-15

CORPUS CHRISTI Dia Mundial do Meio Ambiente 2º DOMINGO APÓS PENTECOSTES Verde Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos seres humanos as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação. 2 Coríntios 5.19

8 Seg 9 Ter 10 Qua

Lc 10.1-16 Jr 36.1-31 1Ts 2.1-12

11 Qui 12 Sex 13 Sáb 14 Dom

Jo 21.15-19 Lc 22.24-30 Fp 1.12-18a 2Co 5.6-17

15 Seg 16 Ter 17 Qua 18 Qui 19 Sex 20 Sáb 21 Dom

Pv 9.1-10 Êx 2.11-25 1Sm 1.1-11 1703 – ✩ John Wesley, pai do metodismo († 02/03/1791) Mt 15.29-39 Lc 23.39-43 1934 – Constituição da Confederação Evangélica do Brasil (CEB) Jr 31.7-14 Mc 4.35-41 4º DOMINGO APÓS PENTECOSTES Verde Para mostrar que vocês são seus filhos, Deus enviou o Espírito do seu Filho ao nosso coração, o Espírito que exclama: Aba, Pai! Gálatas 4.6 Início do INVERNO Lc 5.27-32 Êx 32.30-33.1 Lc 1.57-80 João Batista, profeta Branco 1904 – Fundação da Igreja Luterana do Brasil (IELB) 1Tm 6.11-16 1827 – Fundação da Comunidade Protestante Teuto-Francesa do Rio de Janeiro, hoje pertencente à IECLB Mt 27.46-49 1945 – Criação da ONU em São Francisco, EUA Jr 17.5-13 Lm 3.22-33 5º DOMINGO APÓS PENTECOSTES Verde O Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, conceda a vocês o espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele. Efésios 1.17 Dt 26.1-11 AÇÃO DE GRAÇAS PELA COLHEITA 1912 – Fundação do Sínodo das Comunidades Teuto-Evangélicas (Sínodo Evangélico) do Brasil Central no Rio de Janeiro Lc 5.17-26 Ne 9.1-36 1947 – Assembleia Constituinte da Federação Luterana Mundial em Lund, na Suécia

22 Seg 23 Ter 24 Qua 25 Qui 26 Sex 27 Sáb 28 Dom

29 Seg 30 Ter

1888 – 1º número do “Sonntagsblatt” (Folha Dominical) do Sínodo Riograndese 1948 – Criação da Sociedade Bíblica do Brasil 1525 – Casamento de Martim Lutero e Catarina von Bora 3º DOMINGO APÓS PENTECOSTES Verde Vistam-se de justiça os teus sacerdotes, e exultem os teus fiéis. Salmo 132.9 1910 – Conferência Missionária Mundial em Edimburgo, na Escócia

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Lema do mês

Não te deixarei ir se me não abençoares. (Gênesis 32.26)

DEUS É FIEL. (1 João 1.8-9) – O assunto da Confissão de Pecados é tema central em toda a Escritura Sagrada. E o texto de 1 João 1.8-9 talvez seja um dos mais esclarecedores neste assunto. O versículo 8 faz a abordagem da negação do pecado. Por este caminho não existe saída, uma vez que todo ser humano é pecador, conforme Romanos 3.23. Enganamo-nos a nós mesmos e somos mentirosos quando insistimos na negação de nossos pecados. Por outro lado, no versículo 9 a abordagem é positiva, ou seja, quando reconhecemos e confessamos os mesmos. Daí o texto indica três boas consequências: a primeira é que constatamos que Deus é fiel e justo. Lutero explicou isto assim: “Deus é fiel e se atém às promessas de que deseja perdoar os pecados por causa de Cristo, e é justo, porque dá a cada um o seu e presenteia ao que confessa os pecados e ao que crê na justiça obtida com a morte de Cristo, e, assim, também o torna justo.” (Obras Selecionadas, 11,459). A segunda é que ele vai perdoar os nossos pecados e a terceira é que Deus vai nos purificar de

toda injustiça, ou “nos limpará de toda maldade” (Linguagem de Hoje). No entanto, mesmo sabedores desta fidelidade de Deus em nos perdoar e nos tornar justos, parece que relutamos em reconhecer os nossos erros e pecados. Isso é muito comum quando alguém é flagrado em algo errado. Geralmente a pessoa logo quer se defender através das justificativas. E as justificativas envenenam a confissão. Ao invés disso, deveríamos seguir os exemplos do Apóstolo Paulo e de Lutero. Talvez, justamente porque eles sabiam o valor da confissão de pecados, ambos estão entre os homens que Deus mais usou como instrumentos para a propagação do Evangelho. Paulo disse: “... Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal.” (1 Timóteo 1.15) e Lutero, quando alguns de seus seguidores foram chamados de “Luteranos”, se opôs a isso argumentando que ele não era mais do que um “pobre e fedorento saco de vermes” (Portal Luteranos). Pastor Ms. Carlos Heinz Eberle

Oração Agradecemos-te Senhor Deus que não precisamos mais “pagar” pelos nossos pecados. Jesus o fez, por nós, na cruz. Ajuda-nos a reconhecê-los e confessá-los diariamente. Isto certamente nos dá a possibilidade de experimentar mais e mais a tua fidelidade, a restauração constante do nosso ser e o fortalecimento da nossa fé. Amém.

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Julho 1 Qua 2 Qui 3 Sex 4 Sáb 5 Dom

6 Seg 7 Ter 8 Qua 9 Qui 10 Sex 11 Sáb 12 Dom

13 Seg 14 Ter 15 Qua 16 Qui 17 Sex 18 Sáb 19 Dom

20 Seg 21 Ter 22 Qua 23 Qui 24 Sex 25 Sáb 26 Dom

27 Seg 28 Ter 29 Qua 30 Qui 31 Sex

Mc 11.20-26 1921 – Fundação do Instituto Pré-Teológico do Sínodo Riograndense, em Cachoeira do Sul, RS 1Co 12.19-26 Lc 23.17-26 2Co 13.10-13 1776 – Independência dos Estados Unidos da América (EUA) Mc 6.1-13 6º DOMINGO APÓS PENTECOSTES Verde A semente que caiu na boa terra são os que, tendo ouvido de bom e reto coração, retêm a palavra; estes frutificam com perseverança. Lucas 8.15 Lc 6.12-19 Gn 35.1-15 Ez 2.3-8a At 15.4-12 Lc 22.31-34 1509 – ✩ João Calvino, reformador de Genebra (Suíça), líder do ramo calvinista do protestantismo († 27/05/1564) Fp 3.12-16 Ef 1.3-14 7º DOMINGO APÓS PENTECOSTES Verde Se guardares o mandamento que hoje te ordeno, que ames o Senhor, teu Deus, andes nos seus caminhos, e guardes os seus mandamentos, e os seus estatutos, e os seus juízos, então, viverás e te multiplicarás, e o Senhor, teu Deus, te abençoará. Deuteronômio 30.16 Êx 14.15-22 1553 – Chegada do jesuíta José de Anchieta ao Brasil At 2.32-40 At 16.23-34 Mt 18.1-6 1054 – Cisão da Igreja Ocidental (Roma) e Oriental (Constantinopla) Jo 19.31-37 Ap 3.1-6 Mc 6.30-34, 8º DOMINGO APÓS PENTECOSTES Verde 53-56 Deus diz: A palavra que sair da minha boca não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei. Isaías 55.11 2Cr 30.13-22 1873 – ✩ Alberto Santos Dumont, pioneiro da aviação († 23/07/1932) Mt 22.1-14 Zc 8.9-17 1Co 10.16-17 Lc 22.14-20 Ap 19.4-9 1824 – Chegada dos primeiros imigrantes alemães em São Leopoldo, RS Dia do Colono e do Motorista 2Rs 4.42-44 9º DOMINGO APÓS PENTECOSTES Verde Simão Pedro respondeu a Jesus: Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna. João 6.68 Tg 2.14-26 2Co 6.11-18 Tg 3.13-18 Lc 11.33-41a Jo 18.19-24

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Lema do mês

Seja a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno. (Mateus 5.37)

O QUE É A CEIA DO SENHOR? – A Ceia do Senhor é um Sacramento instituído pelo próprio Cristo, por grande, sincero e profundo amor em favor das pessoas. A razão deste Sacramento vem do mandamento de Cristo que o institui em sua memória: “Fazei isto em memória de mim” (Lucas 22.19; 1 Coríntios 11.24). A Ceia do Senhor tem como ênfase a anamnese (memória). Não uma memória estática, uma lembrança que nada produz ou por puro sentimentalismo. Pelo contrário, esta memória tem por objetivo enaltecer, ouvir, pregar, louvar, agradecer e glorificar a graça que Cristo nos mostrou nele. A Ceia do Senhor é um rememorar que leva a confessar e testemunhar a ação de Jesus Cristo em nosso favor. É assim que o testemunha a palavra da instituição: “dado por vós”. Ao celebrar e participar da Ceia do Senhor rememoramos, isto é, tornamos concreta, presente a ação do próprio Cristo por nós.. Cristo é presente em corpo e sangue no pão e no fruto da videira. Martim Lutero o explica assim no Catecismo Menor: “É o verdadeiro corpo e sangue de nosso Senhor Jesus Cristo para ser comido por nós, cristãos, sob o pão e o vinho.” Assim como o pão e o fruto da videira entram em nós e se tornam um em nosso corpo, assim a vitória sobre o pecado, sobre a morte, a nova vida que Cristo alcançou, entram e se

integram em nosso ser. A Ceia do Senhor é Eucaristia: ação de graças. Louvamos o Cordeiro de Deus e reconhecemos tudo o que nos concede. É na ação de graças que somos estimulados à fé e ao amor a Deus e ao nosso próximo. A Ceia do Senhor, a Eucaristia, é o alimento que nos fortalece para realizarmos boas obras e para resistir aos pecados e tentações. É pela Ceia do Senhor que o cristão se renova e cresce em Cristo, tendo real comunhão com Deus e com o seu próximo a partir da fé. Martim Lutero afirma no escrito, Um Sermão sobre o Venerabilíssimo Sacramento do Santo e Verdadeiro Corpo de Cristo e sobre as Irmandades, o seguinte: “... o sacramento é para nós um vau, uma ponte, uma porta, uma embarcação e uma maca na qual e pela qual passamos deste mundo para a vida eterna”. A Ceia do Senhor é graça divina. Nada há que possamos fazer para merecê-la. A Ceia do Senhor é ação de Deus em nosso favor para consolo e salvação. Desta forma devemos participar com alegria e entusiasmo, reconhecendo que o próprio Cristo entra em nossa vida. Não comemos mero pão, nem bebemos qualquer bebida, mas nos alimentamos do próprio Cristo, do seu sacrifício, que em amor nos une consigo e com o nosso próximo. Pastor Carlos Romeu Dege

Oração Amado Senhor, graças te dou por vires a mim, mesmo sendo indigno. Alimenta-me com o teu Sacramento e fortalece a minha fé, para que possa viver seguro em teu amor e, assim, unido aos meus semelhantes, resistir ao mal e testemunhar o teu amor em palavras e ações. Amém.

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Agosto 1 Sáb 2 Dom

Fp 2.12-18 Jo 6.24-35

3 Seg 4 Ter 5 Qua

1Rs 3.16-28 Ez 3.16-21 Mt 19.4-15

6 Qui

Ef 5.15-20

7 Sex 8 Sáb 9 Dom

Jo 19.9-16 Lc 12.42-48 Ef 4.25-5.2

10 Seg 11 Ter 12 Qua 13 Qui 14 Sex 15 Sáb 16 Dom

17 Seg 18 Ter 19 Qua 20 Qui 21 Sex 22 Sáb 23 Dom

24 Seg 25 Ter 26 Qua 27 Qui 28 Sex 29 Sáb 30 Dom

31 Seg

10º DOMINGO APÓS PENTECOSTES Verde Jesus diz: Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada. João 14.23 1927 – 1ª Conferência Mundial de Fé e Ordem, em Lausanne, Suíça 1872 – ✩ Osvaldo Gonçalves Cruz, cientista e médico-sanitarista brasileiro († 12/02/1917) 1911 – Fundação da Associação de Comunidades Evangélicas Alemãs de Santa Catarina, em Blumenau

11º DOMINGO APÓS PENTECOSTES Verde A fé é a certeza de que vamos receber as coisas que esperamos e a prova de que existem coisas que não podemos ver. Hebreus 11.1 DIA DOS PAIS

Rm 11.1-12 Lc 21.5-24 Jo 4.19-26 Rm 11.13-24 Lc 23.27-31 Dt 4.27-40 1899 – Fundação da OASE em Rio Claro, SP Jo 6.51-58 12º DOMINGO APÓS PENTECOSTES Verde Deus nos deixou a promessa de que podemos receber o descanso de que ele falou. Hebreus 4.1 Ez 17.1-24 Gn 19.15-26 Mc 7.24-30 1925 – 1ª Conferência Universal Cristã de Vida e Obra em Estocolmo, na Suécia 1Pe 5.1-5 Lc 22.54-62 Semana Nacional da Pessoa com Deficiência – 21 a 28 de agosto Is 26.1-6 1948 – Assembléia Constituinte do Conselho Mundial de Igrejas, em Amsterdã, na Holanda Js 24.1-18 13º DOMINGO APÓS PENTECOSTES Verde Jesus acabou com o poder da morte e, por meio do evangelho, revelou a vida que dura para sempre. 2 Timóteo 1.10 Mt 9.27-34 Nm 12.1-15 Mt 17.14-21 Tg 5.13-16 Lc 23.6-12 Is 57.15-19 Mc 7.1-23 14º DOMINGO APÓS PENTECOSTES Verde Ó Senhor, eu sou teu, e por isso as tuas palavras encheram o meu coração de alegria e de felicidade. Jeremias 15.16 Dt 15.1-11

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Lema do mês

Jesus Cristo diz: Sede prudentes como as serpentes e símplices como as pombas. (Mateus 10.16)

“TOMEM, COMAM; ISTO É MEU CORPO DADO POR VOCÊS” – Não foi discurso. O amor de Deus foi expresso de maneira marcante nas palavras e no gesto de Jesus Cristo. O momento histórico do seu ministério dava-lhe a sensação real do “fim”. Sabia que estava prestes a ser entregue as seus algozes. Antes da cruz ainda havia tempo para uma refeição conjunta. A mesa estava servida com o cálice e o pão. Na hospitalidade da companhia dos discípulos deu-se comunhão. Um momento propício para sacramentar. Então Jesus faz a oferta de si mesmo: “Tomem, comam; isto é meu corpo dado por vocês” (Mateus 26.26). Não era meramente uma alegoria. O pão era o principal alimento na mesa naqueles tempos. Das sementes do trigo moído e amassado, passando por dor e sofrimento no processo de transformação, o seu efeito é dar vida. Assim, Jesus compreendeu o sentido da sua existência: dar-se para gerar vida. O pão precisa ser comido para dar força e vitalidade. Isso é existencial! Da mesma maneira o corpo de Jesus foi oferecido para ser comido, sentido, experimentado e incorporado. Não só para ser alimento espiritual que quer “tocar a alma”, mas para fazer

parte de nossas entranhas, em todos os aspectos de vida e em todos os sentidos. Jesus ligou a fome/necessidade de pão com a fome/ necessidade de sentido de vida do ser humano. O sustento dado por Jesus é existencial para a vida. Sabemos que somos pessoas limitadas e pecadoras. Por isso não temos condições de dar sentido pleno à nossa existência. A fé em Jesus Cristo nos faz tirar o centro da vida de nós mesmos. A centralidade está em Cristo que se deu por nós (“dado por vocês”). O amor, através do Seu servir, nos transforma e nos tira do pecado, desafiandonos a buscar a nova vida e um novo jeito de ser e existir no mundo. Não só ser para si mesmo, mas ser para o outro e para a outra. Comer conjuntamente o mesmo corpo de Cristo na ceia pressupõe o desejo de superação do individualismo e do egoísmo para estabelecer relações de solidariedade, igualdade, justiça e partilha. É para mulheres e para homens de todas as raças e etnias. Esse jeito Jesus quer colocar dentro de nós! Quer que incorporemos os valores do Reino de Deus. Por isso, oferece: “Tomem, comam; isto é meu corpo dado por vocês”. Pastora Ester Delene Wilke

Oração Ó Cristo, tens um grande amor para ser experimentado e vivido por nós. Perdoa os pecados que cometemos e mostra-nos, sempre de novo, como devemos ser e servir. Dá-nos saciedade diante da fome de sentido de vida plena. Dá-nos o pão da comunhão para partilhar nas mesas. Queremos incorporar as Tuas Boas Novas. Amém!

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Setembro 1 Ter 2 Qua 3 Qui 4 Sex 5 Sáb 6 Dom 7 Seg 8 Ter 9 Qua 10 Qui 11 Sex 12 Sáb 13 Dom

14 Seg 15 Ter 16 Qua 17 Qui 18 Sex 19 Sáb 20 Dom

21 Seg 22 Ter 23 Qua 24 Qui 25 Sex 26 Sáb 27 Dom

28 Seg 29 Ter 30 Qua

Am 5.4-15 1939 – Início da 2ª Guerra Mundial na Europa Dt 24.10-22 1850 – Início da colonização em Blumenau, SC At 4.32-37 Mt 26.47-56 1850 – Abolição do tráfico de escravos africanos no Brasil Jd 1.1,2,20-25 Tg 2.1-17 15º DOMINGO APÓS PENTECOSTES Verde Alegrem-se sempre no Senhor; outra vez digo: alegrem-se. Filipenses 4.4 Mc 12.13-17 DIA DA PÁTRIA – 1822 – Independência do Brasil Verde Jo 9.24-41 Dia Mundial da Alfabetização Fm 1.1-22 1Cr 29.9-18 Dia da Imprensa Jo 13.31-35 2Ts 2.13-17 1990 – Fundação da Comunhão Martim Lutero em Joinville, SC Mc 8.27-38 16º DOMINGO APÓS PENTECOSTES Verde Tudo o que está nas Escrituras foi escrito para nos ensinar, a fim de que tenhamos esperança por meio da paciência e da coragem que as Escrituras nos dão. Romanos 15.4 Fp 4.8-14 1Tm 6.3-11a At 27.33-44 Lc 10.38-42 Lc 22.35-38 Lc 6.20-26 Jr 11.18-20 17º DOMINGO APÓS PENTECOSTES Verde O apóstolo Paulo diz: Eu trago vocês no coração, seja nas minhas algemas, seja na defesa e confirmação do evangelho, pois todos vocês são participantes da graça comigo. Filipenses 1.7 Rm 6.18-23 Dia da Árvore At 21.8-14 Mc 5.21-43 Início da PRIMAVERA Fp 1.19-26 Jo 18.3-9 Mc 9.1-10 Mc 9.38-50 18º DOMINGO APÓS PENTECOSTES Verde Ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai. Filipenses 2.10-11 Dia do Ancião Mc 5.24-34 Lc 10.17-20 ARCANJO MIGUEL E TODOS OS ANJOS Branco Gn 16.6b-14

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Lema do mês

Se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus. (Mateus 18.3)

BEBAM TODOS DESTE CÁLICE (Mateus 26.27) – Domingo visitei o Zé. Caboclo “pachola”, prosa franca, jeito amigo. Em sua casa simples partilhavamse histórias, causos e memórias. O chimarrão circulava e o pinhão era servido da chapa. À noite no culto, durante a Santa Ceia, veio à lembrança aquela cena. Com o Zé aprendi sobre humildade, partilhamos de nossas vidas, nos fortalecemos, alimentamos a amizade. A comunhão da Ceia é muito mais forte. Ela alimenta tornando iguais os diferentes. Nela o perdão e a reconciliação são oferecidos como uma medicina salutar e consoladora que ajuda e dá vida. A Eucaristia não é um sacrifício pelos pecados. É oferta em ação de graças pela obra redentora de Cristo. Ele está com, em e sob os elementos da Ceia (=consubstanciação). Martim Lutero explica isto assim no Catecismo Menor: A ceia do Senhor “é o verdadeiro corpo e sangue de nosso Senhor Jesus Cristo para ser comido e bebido por nós, cristãos, sob o pão e o vinho.” Sua presença no pão e no vinho é como o fogo que deixa o ferro avermelhado, sendo

ferro e fogo ao mesmo tempo enquanto estão em contato. Na Santa Ceia o Corpo de Cristo (Igreja) é fortalecido em sua unidade enquanto comunhão dos santos. Para Lutero a Ceia é Graça recebida na fé e não obra meritória. São o poder e a dádiva de Cristo que fazem o sacramento e não a condição ou o estado da fé da pessoa. Cada um deve examinar a si mesmo se crê em Cristo e em seu amor incondicional. Não há distinção e nem dignidade especial entre batizad@s. Isso põe ministr@s e leig@s como dependentes da graça, bebendo do mesmo cálice, lado a lado. Como discípul@s proclamemos a “Boa Nova”, louvando ao Deus de nossa da salvação. Mostremos a importância da Ceia na vida das pessoas. Vamos convidar o Zé, a Maria… e também os considerados indignos. Todos os que Jesus quer alcançar. Acolhamos com o mesmo amor com que Cristo nos amou. Assim, cumprimos a vontade do Mestre: “Bebam todos deste cálice”. Pastora Neida I. Altevogt Sander

Oração Senhor ensina-nos a ser humildes e acolher na tua Ceia as pessoas que precisam da tua graça e do teu perdão. Que passemos adiante o teu ensinamento sobre a comunhão. Que possamos viver do teu amor. Mostra-nos como e onde podemos espalhar a Boa Nova da Salvação em Palavra e Sacramento. Amém.

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Outubro 1 Qui

Ap 14.6-16

2 Sex 3 Sáb

Mt 26.51-54 Atos 12.1-11 1226 – † Francisco de Assis, fundador da Ordem dos Frades Menores (franciscanos) (✩ 1181/1182) Hb 1.1-4; 19º DOMINGO APÓS PENTECOSTES Verde 2.5-12 Ó Deus, eu falarei a respeito de ti aos meus irmãos e te louvarei na reunião do povo. Hebreus 2.12 1959 – Inauguração do prédio principal da Faculdade de Teologia da IECLB, em São Leopoldo, RS 1Ts 4.9-12 1Tm 1.1-11 Ct 8.4-7 At 6.1-7 Lc 23.32-34 1905 – Fundação do Sínodo Evangélico Luterano de SC, PR e Outros Estados da América do Sul, em Estrada da Ilha, SC Mt 5.17-24 Mc 10.17-31 20º DOMINGO APÓS PENTECOSTES Verde Naquele dia, todos dirão: Ele é o nosso Deus. Nós pusemos a nossa esperança nele, e ele nos salvou. Isaías 25.9 1962 – Concílio Vaticano II, da Igreja Católica Romana, em Roma Mc 10.46-52 Dia da Criança – Dia de Nª Srª Aparecida (feriado nacional) Lc 5.12-16 Ec 12.1-8 Mc 6.7-13 Mt 27.39-44 At 14.8-18 Is 53.4-12 21º DOMINGO APÓS PENTECOSTES Verde Segundo o seu querer, Deus nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas. Tiago 1.18 Êx 23.10-16 Êx 18.13-27 1962 – Assembleia Constituinte do Sín. Evang. Luterano Unido (SELU) 1997 – Inauguração da Gráfica e Editora Otto Kuhr, em Blumenau, SC Gn 24.54b-67 Êx 19.3-9 Jo 18.28-32 Ec 12.9-14 Mc 10.46-52 22º DOMINGO APÓS PENTECOSTES Verde O Senhor me livrará de todo mal e me levará em segurança para o seu reino celestial. A ele seja dada a glória para todo o sempre! Amém! 2 Timóteo 4.18 1968 – Reestruturação da IECLB, fusão dos 3 Sínodos, criação da RE IV Rm 12.17-21 1949 – Constituição da IECLB 1Sm 26.5-24 1916 – ✩ Karl Gottschald, 3º Pastor Presidente da IECLB († 02/08/1993) Pv 29.18-25 Is 32.1-8 Dia Nacional do Livro e da Leitura Lc 22.49-53 Rm 3.19-28 DIA DA REFORMA Vermelho 1517 – Lançamento das 95 Teses de Martim Lutero

4 Dom

5 Seg 6 Ter 7 Qua 8 Qui 9 Sex 10 Sáb 11 Dom

12 Seg 13 Ter 14 Qua 15 Qui 16 Sex 17 Sáb 18 Dom

19 Seg 20 Ter 21 Qua 22 Qui 23 Sex 24 Sáb 25 Dom

26 Seg 27 Ter 28 Qua 29 Qui 30 Sex 31 Sáb

1921 – Reunião de constituição do Conselho Missionário Internacional em Lake Mohonk, EUA

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Lema do mês

Temos recebido o bem de Deus e não receberíamos também o mal? (Jó 2.10)

O CÁLICE DA CEIA DO SENHOR: A NOVA ALIANÇA NO SANGUE DE CRISTO – Por meio dos sacramentos, o amor de Deus torna-se visível e palpável, como na Ceia do Senhor. A Ceia do Senhor, ou Santa Ceia, nos remete às comunhões de mesa celebradas por Jesus. A comensalidade é uma das marcas do ministério de Jesus. Através da comunhão de mesa, Jesus chama todas as pessoas, especialmente pecadoras, para o Reino de Deus. É ali, ao redor da mesa da comunhão, experimentando a presença de Cristo e seu amor, que muitas pessoas mudaram de vida, assumindo o compromisso com o Reino, a exemplo de Zaqueu (Lucas 19.1-10). Era Páscoa, e Jesus celebra a ceia judaica juntamente com seus discípulos. Naquela noite Jesus dá novo significado àquela ceia. Nunca antes ele havia pronunciado aquelas palavras sobre o pão e o fruto da videira: “Isto é o meu corpo que é dado por vós”, “Isto é o meu sangue, dado e derramado em favor de vós”, e continua: “façam em memória de mim”. Lutero afirma que ao participar do Sacramento do Altar você recebe o “verdadeiro corpo e sangue de Cristo Senhor.” O próprio Jesus se oferece a nós. Recebemos o benefício inteiro do sacrifício de Jesus. Através da Ceia do Senhor experimentamos, segundo Lutero, “perdão dos pecados, vida e salvação”.

O cálice carrega em seu ventre o sangue de Cristo. No sangue, conforme o Antigo Testamento, estava a vida. Quando Moisés recebe as tábuas dos mandamentos e as entrega ao povo é feita uma aliança entre o povo e Deus. Depois de ler as leis e o povo prometer obediência ao Senhor e a seus mandamentos, Moisés asperge o sangue (do sacrifício de animais) sobre o povo: “Este é o sangue que sela a aliança que o Senhor fez com vocês quando deu todos esses mandamentos” (Êxodo 24.8). A palavra de Jesus sobre o cálice é que este é o “cálice da nova aliança”, ou seja, seu sangue derramado em favor de nós estabelece uma nova aliança entre Deus e seu povo. Sua morte na cruz e sua ressurreição selam a nova aliança. Nesta nova aliança somos reconciliados com Deus, podemos experimentar o perdão dos pecados, a nova vida, a salvação. Jesus age em favor de nós. Ou seja, ele nos alcança. Nós, em profunda gratidão, alvos desse amor tornado visível, celebramos a Ceia em sua memória, comprometendo-nos com o Evangelho. A Ceia do Senhor é tesouro e presente, como dizia Lutero, colocado sobre a mesa para todas as pessoas. É pela fé do coração que discernimos e desejamos este tesouro e dele queremos participar com alegria, respeito e comprometimento, em memória do Senhor que se deu a nós. Pastora Ms. Ana Isa dos Reis

Oração Bondoso Deus, que vieste a nós em Jesus Cristo, graças te rendemos pelo tesouro da tua Santa Ceia. Ao oferecer seu corpo e sangue por nós, Cristo estabeleceu nova aliança, reconciliando-nos contigo. Dá que a ação do teu Santo Espírito nos envolva, comprometendo-nos em viver esta nova aliança. Ao recebermos teu amor através do sacramento da Ceia, faze brotar em nós verdadeira alegria, respeito e comprometimento com a causa do teu Reino. É o que te pedimos por Jesus Cristo, nosso Salvador. Amém.

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Novembro 1 Dom

Hb 9.11-14

2 Seg 3 Ter

Jo 16.20-24 Mc 5.21-43 Jr 19.1-13

4 Qua 5 Qui 6 Sex 7 Sáb 8 Dom

9 Seg 10 Ter 11 Qua 12 Qui 13 Sex 14 Sáb 15 Dom

16 Seg 17 Ter 18 Qua 19 Qui 20 Sex 21 Sáb 22 Dom

23 Seg 24 Ter 25 Qua 26 Qui 27 Sex 28 Sáb 29 Dom

30 Seg

23º DOMINGO APÓS PENTECOSTES Verde Irmãos, orem por nós, para que a palavra do Senhor se propague e seja glorificada, como também está acontecendo entre vocês. 2 Tessalonicenses 3.1 DIA DE TODOS OS SANTOS Branco DIA DE FINADOS Branco 1887 – ✩ Dr. Hermann Dohms, 1º Pastor Presidente da Federação Sinodal († 04/12/1956)

Mt 7.1-6 Ap 3.14-22 Mt 26.20-25 Is 1.18-27 1Rs 17.8-16 24º DOMINGO APÓS PENTECOSTES Verde Fiquem vigiando, pois vocês não sabem em que dia vai chegar o seu Senhor. Mateus 24.42 Mc 4.1-12 Mc 13.9-20 1483 – ✩ Martim Lutero, reformador († 16/02/1546) Hb 13.1-9b 1982 – Assembleia Constitutiva do Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI), em Huampaní, Lima, Peru 1Jo 2.18-29 Mt 26.36-41 354 – ✩ Aurélio Agostinho, teólogo da Igreja Antiga Ocidental (latina), bispo († 28/08/430) Mc 13.30-37 Hb 10.11-25 25º DOMINGO APÓS PENTECOSTES Verde Aquele que dá testemunho de tudo isso diz: Certamente venho logo! Amém! Vem, Senhor Jesus! Apocalipse 22.20 1889 – Proclamação da República do Brasil Mt 7.21-29 Hb 10.26-31 Lc 13.1-9 1982 – Constituição do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), em Porto Alegre, RS 2Ts 1.3-12 Mt 26.59-66 Ap 20.11-15 Dn 7.9-14 DOMINGO CRISTO REI Branco ou Dourado Jesus Cristo diz: Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim. Apocalipse 22.13 Dt 34.1-8 1Pe 1.13-21 1Co 3.9-15 1843 – ✩ Dr. Wilherlm Rotermund, fundador do Sínodo Riograndense († 05/04/1925) Cl 4.2-6 Mt 27.50-54 Ap 21.9-27 Lc 21.25-36 1º DOMINGO DE ADVENTO Violeta ou Azul Mostra-nos, Senhor, a tua misericórdia e concede-nos a tua salvação. Salmo 85.7 1Pe 1.8-13 1991 – Abertura do Centro de Literatura Evangelística da IECLB, em Blumenau, SC

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Lema do mês

Compadecei-vos de alguns que estão na dúvida. (Judas 22)

CEIA DO SENHOR E CONFISSÃO DE PECADOS – A Ceia do Senhor tem seu valor independente de quem a administra e de quem a recebe. Ela se fundamenta na Palavra do Senhor. Jamais mereço a Ceia. Ela sempre será dádiva do Senhor. Tesouro que o Senhor Jesus compartilha com os seus. No entanto, eu preciso apreender pela fé que vale para mim a promessa: “para a remissão dos pecados.” (Mateus 26.28). Ao recebê-lo em fé neste pão e neste vinho, recebo o perdão do Senhor! O perdão me é conquistado pelo sangue de Cristo derramado na cruz. Perdão é algo valioso e indispensável para participarmos no Reino dos Céus! Sem perdão não somos purificados do mal. E para recebermos o perdão é necessário fazer uma avalição da vida! Somos pecadores, nascemos pecadores. Por isso, em cada culto confessamos os pecados e nos é anunciado o perdão, baseado no arrependimento sincero da pessoa pecadora e na graça de Deus. Pecado é dar as costas a Deus, pegar o caminho errado! É a atitude do filho pródigo, que sai da companhia do Pai, dando-lhe as costas, joga tudo fora e acaba na miséria. E ali constata sua situação, reco-

nhece o seu erro, confessa-o a Deus e toma nova atitude: voltar para casa do Pai. É verdade que seu arrependimento não o torna merecedor do amor do Pai, nem o faz ter direito de ser recebido pelo Pai. Pois o arrependimento não gera mérito, nem direito. O amor e o acolhimento do Pai continuam sendo do caráter amoroso do bondoso Pai. No entanto, o que o arrependimento faz, o traz de volta ao rumo certo. E é isso que Deus espera de nós: Que, arrependidos, não vivamos em pecado, no erro (1 João 5.8), mas voltamos a Deus e nele encontramos vida! Por ocasião do batismo morremos para o pecado e o mal, para vivermos para Cristo e estar unidos com ele (Romanos 6.2). Mas como, por natureza, não somos santos, e, sim pecadores, necessitamos constantemente do arrependimento e do perdão para a vida com o santo Deus, que nos santifica, isto é: pelo perdão que Ele nos concede por amor, Ele nos torna santos. Não só quando participamos da Santa Ceia, mas em todo o tempo da vida é necessário “afogar a velha pessoa em nós, com seus maus desejos e vontades e deixar sair e ressurgir, diariamente, a nova pessoa que procura viver em justiça e pureza diante de Deus”, como nos tem ensinado o Reformador. Pastor Reneu Prediger

Oração Senhor, Deus de amor e graça! Agradecemos-te que podemos chegar a ti como somos e que tu nos recebes e nos transformas, por tua graça e com o teu perdão, no que deveríamos ser. Obrigado porque tu sempre nos amas e cuidas de nós e, pelo que Cristo fez por nós, nos recebes e salvas. Amém.

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Dezembro 1 Ter 2 Qua 3 Qui 4 Sex 5 Sáb 6 Dom

7 Seg 8 Ter 9 Qua 10 Qui 11 Sex 12 Sáb 13 Dom

14 Seg 15 Ter 16 Qua 17 Qui 18 Sex 19 Sáb 20 Dom

21 Seg 22 Ter 23 Qua 24 Qui 25 Sex 26 Sáb 27 Dom

28 Seg 29 Ter 30 Qua 31 Qui

Hb 10.32-39 Cl 1.9-14 1Ts 5.1-8 Mt 27.27-30 Mt 23.37-39 Fp 1.3-11 2º DOMINGO DE ADVENTO Violeta ou Azul O profeta Isaías diz: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. E toda a humanidade verá a salvação de Deus. Lucas 3.4,6 Hb 6.9-12 Ap 2.12-17 Ap 2.1-7 2Co 5.1-10 1948 – Declaração Universal dos Direitos Humanos, da ONU Dia Universal dos Direitos Humanos Lc 22.66-71 1Ts 4.13-18 Lc 3.7-18 3º DOMINGO DE ADVENTO Violeta ou Azul João Batista é aquele a respeito de quem as Escrituras Sagradas dizem: Aqui está o meu mensageiro, disse Deus. Eu o enviarei adiante de você para preparar o seu caminho. Mateus 11.10 DIA DA BÍBLIA Mt 3.1-6 Mt 3.7-12 Mt 21.28-32 1815 – Elevação do Brasil à categoria de Reino, unido a Portugal e Algarves Lc 1.26-38 1Ts 5.16-24 1865 – † Francisco Manoel da Silva, compositor do Hino Nacional Brasileiro (1831) (✩ 1795) 2Co 1.18-22 Mq 5.2-5a 4º DOMINGO DE ADVENTO Violeta ou Azul O profeta Isaías diz: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel, que significa Deus conosco. Mateus 1.23 Ap 3.7-12 Ap 22.16-21 Início do VERÃO Rm 15.8-13 Lc 2.1-7 VIGÍLIA DE NATAL – NOITE DE NATAL Branco Jo 1.1-14 NATAL – DIA DE NATAL Branco Lc 2.29-32 1Sm 2.18-26 1º DOMINGO APÓS NATAL Branco Que a paz que Cristo dá dirija vocês nas suas decisões, pois foi para essa paz que Deus os chamou a fim de formarem um só corpo. E sejam agradecidos. Colossenses 3.15 Mt 2.13-18 1 Jo 4.11-16a Hb 1.5-14 Hb 13.8-9b Véspera de Ano Novo Branco

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Lema do mês

Cantai, ó céus, alegra-te, ó terra, e vós, montes, rompei em cânticos, porque o Senhor consolou o seu povo e dos seus aflitos se compadece. (Isaías 49.13)

“FAÇAM ISSO TODAS AS VEZES QUE O BEBEREM EM MEMÓRIA DE MIM!” – COMUNHÃO E FÉ OU EM FÉ? – A Santa Ceia é um sacramento, ou seja, um mistério, inacessível para a razão humana. Ele só pode ser aceito, ou melhor, apreendido pela fé. A questão é: Como Jesus pode estar entre nós, se ele está sentado à direita de Deus Pai, no céu, como o confessamos no Credo Apostólico? Vejamos: Jesus Cristo diz: Façam isso sempre que o beberem em memória de mim. Com o verbo no imperativo (façam!), Jesus torna a Santa Ceia um mandamento divino, e não opção. Nela, os filhos e filhas de Deus, através do batismo, têm comunhão com Ele e entre si. Participar da Santa Ceia não é um mérito, um prêmio ou conquista humana, por meio de obras. A participação na Ceia não está condicionada a santidade de seres humanos, mas fundada na Palavra de Deus. Não é a dignidade humana que sustenta a comunhão, mas o amor e a misericórdia de Deus. Na Ceia chegamos de mãos vazias, sem nada a oferecer, apenas a receber: Perdão dos pecados, vida nova e salvação. Quem recebe o corpo e sangue de Cristo, participa da vida e da morte de Cristo e vive da esperança na ressurreição. Portanto, a Santa Ceia é graça de Deus, tesouro inigualável, que nos coloca na presença real de Jesus. Através da comunhão na Santa Ceia somos fortalecidos na comunhão contra todo individualismo, discriminação, preconceito e racismo. Pois já não há mais homem ou mulher, escravo ou livre, branco ou negro, todos somos um em Cristo Jesus.

A vida moderna estimula a competição, ansiedade, individualismo, consumismo, que provoca solidão, isolamento, violência, sofrimento e morte. Contra esta realidade, a Santa Ceia é o poder amoroso e gracioso de Deus que dá novas forças diante das impotências e angústias da vida. A comunidade de Corinto (Confira 1 Coríntios 11.17-34 onde também lemos as palavras de Instituição) celebrava a Santa Ceia nas casas. Ela era antecedida por uma refeição fraterna, onde cada um trazia de casa algum alimento para ser partilhado. Paulo também ensina que a Santa Ceia é partilha de tudo o que temos e somos, à semelhança de Jesus, que se entregou totalmente para nossa salvação. Portanto, celebrar a Santa Ceia é dar continuidade e testemunho do projeto do Reino de Deus, onde o perdão dos pecados gera reconciliação, onde a vida nova promove partilha e solidariedade e onde a salvação em Cristo traz libertação e paz. Santa Ceia é comunhão com Jesus e comunhão com as pessoas. Ela Só é possível nesta simultaneidade. Tanto é, que mesmo numa Ceia de Emergência com um doente em hospital, não comunga uma pessoa sozinha. Se não há outra pessoa, o/a celebrante é instado/a a comungar também. Não há comunhão com Jesus, sem comunhão com irmãos na fé. Por isso somos convidados a celebrar a Santa Ceia muitas vezes, motivados pela fé colocada nestas palavras. Toda a pessoa cristã é convidada a buscar a Comunhão no corpo e sangue de Cristo, não por coação ou medo, mas por amor, por fé e gratidão a Jesus Cristo e por amor ao próximo. Pastor Roni Roberto Balz

Oração Ó Deus, fonte do amor e autor da fé! Acolhe-nos na comunhão dos santos, para que neste mesmo espírito fraterno e solidário, nos acolhamos uns aos outros e celebremos sempre de novo a tua Santa Ceia em alegria e compaixão, para a nossa salvação e para a tua glória. Amém.

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Temas da IE CLB IECLB 1976 – Comunidade Consciente e Atuante 1977 – Nova comunhão em Cristo, como vivê-la? 1978 – Cristo, o caminho 1979 – A importância da família cristã para a criança 1980 – Cristo, o Mediador 1981 – Homem e Mulher unidos na Missão 1982 – Terra de Deus – Terra para todos 1983 – Eu sou o Senhor teu Deus 1984 – Jesus Cristo – Esperança para o mundo 1985 – Educação – Compromisso com a verdade e a vida 1986 – 1987 – Por Jesus Cristo, Paz com Justiça 1988 – 1989 – ... E sereis minhas testemunhas 1990 – 1991 – O pão nosso de cada dia 1992 – 1993 – Comunidade de Jesus Cristo – A Serviço da Vida 1994 – 1995 – Permanecem a fé, a esperança e o amor 1996 – 1997 – Somos Igreja. Que Igreja somos? 1998 – Aqui você tem lugar 1999 – É tempo de lançar 2000 – Dignidade Humana e Paz – um novo milênio sem exclusão 2001 – Ide, fazei discípulos... 2002 – Mãos à obra 2003 – Nosso mundo tem salvação 2004 – Pelos caminhos da esperança 2005 – 2006 – Deus, em tua graça, transforma o mundo 2007 – 2008 – No poder do Espírito, proclamamos a reconciliação 2009 – 2010 – Missão de Deus – Nossa Paixão 2011 – Paz na Criação de Deus – Esperança e Compromisso 2012 – Comunidade Jovem – Igreja Viva 2013 – Ser, Participar, Testemunhar – Eu vivo comunidade 2014 – Vidas em comunhão – Procurai a paz da cidade para onde vos desterrei e orai por ela ao Senhor, porque na sua paz vós tereis paz 2015 – Igreja da Palavra: Chamad@s para Comunicar – Então, Jesus perguntou: sobre o que vocês estão conversando pelo caminho? (Lucas 24.17) ••• 34 •••


Tema e LLema ema da IE CLB par a o ano de 2015 IECLB para

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TEMA DO ANO de 2015 Igreja da Palavra – chamad@s para comunicar Lema Bíblico de 2015: Sobre o que vocês estão conversando pelo caminho? (Lucas 24.17) Comunicação na berlinda em 2015 A IECLB definiu para 2015 o Tema Igreja da Palavra - chamad@s para comunicar. O Lema que ilumina o Tema de 2015 é uma pergunta de Jesus a dois caminhantes desolados por causa da crucificação: Sobre o que vocês estão conversando pelo caminho? (Lucas 24.17). Os desdobramentos dessa pergunta impressionam. O diálogo motivado pela pergunta aproximou pessoas aparentemente estranhas e afastadas entre si, criou o ambiente para que pudessem falar de sua dor e falta de perspectivas e os conduziu à comunhão de mesa, promovendo revelação. Distâncias foram encurtadas, comunhão surgiu e a chama da fé foi reacendida e reafirmada. Tamanha experiência precisou ser noticiada. O que significa hoje ser Igreja da Palavra e sentir-se chamada a comunicar em uma realidade de inflação de informação, reforço do individualismo, enfraquecimento da noção de comunidade, relativização de valores e aumento de sinais de desespe-

rança? Somos Igreja da Palavra. Somos chamad@s para comunicar. Somos desafiados e desafiadas a analisar quanto e como comunicamos a mensagem do Cristo que está vivo e quer manter diálogo constante conosco por meio da pregação e dos sacramentos. Isso requer análise crítica de atitudes, conteúdos e valores comunicados a terceiros e internamente. Para comunicar a Palavra, importa que, a exemplo de Jesus, primeiro avaliemos o quanto caminhamos ao lado das pessoas, ouvindo-as, procurando compreender suas angústias e temores. Há uma angústia profunda e generalizada diante de uma realidade socioeconômica que vai dificultando e desacreditando o vislumbre de horizontes de paz. Também revela uma impotência assustadora diante dessa realidade. Diante desse quadro, há uma tarefa inadiável e intransferível para a comunidade, a igreja como um todo, lideranças, ministros e ministras, a saber: ouvir as pessoas, compreen-

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der os seus medos e temores e comunicar, com fundamento, que há motivo para esperança. Comunicação e Reforma – A referência para essa comunicação é o evangelho. A Reforma de Martim Lutero desmascarou mitos, desnudou medos, revelou – comunicou – o Deus que nos é próximo, que já nos deu as condições para viver em comunhão e encontrar a sua paz. Isso é o que o Evangelho comunica. Isso é o Evangelho. Nele encontramos o conteúdo da nossa comunicação. O evangelho traz o Deus da graça. E comunicação é a expressão da sua graça nos dias de hoje. Em meio a um contexto saturado de notícias ruins, no qual ainda há quem apresente um Deus sisudo e com o dedo em riste, podemos nos reunir à mesa com aquele Deus que se deu por nós. Esse evangelho da graça, se auscultado em profundidade, é suporte suficiente para que a igreja não enverede pelo caminho da glória ou cultive teologias que oferecem sucesso. “A vida de fé não é sucesso, mas alegria apesar do sofrimento. A descoberta de que somos contraditórios (simul iustus et peccator) não se elimina com êxtase e não se exorciza com palavras de efeito, mas com gestos, na comunidade. No centro do Evangelho está o Cristo crucificado e ressurreto” (Martin Dreher). A comunicação prioritária de Deus ocorre na fragilidade. A comunicação de Deus e a comunicação sobre

Deus se dão no caminho da cruz. Isso é comunicação diaconal. Está no gesto, no toque, no abraço, no sentar junto. Torna-se palpável no amor solidário, na comunhão de mesa: Este é meu corpo. Este é o cálice da nova aliança. Comunicação e IECLB – Onde o evangelho é anunciado, criam-se oportunidades ímpares para falar sobre o que sentimos. Comunicação é, por si só, meio para terapia e, ancorada no evangelho, é meio de resgate da nossa humanidade. O nosso ideal, portanto, é uma comunidade que, em meio às dores, consegue comunicar o evangelho. O que se está comunicando nas comunidades? A respeito do que estamos falando? Com base no que estabelecemos e conduzimos os diálogos na Igreja? Como os diferentes setores estão dialogando? A comunicação cria relação de confiança entre interlocutores? Aonde queremos chegar e a quem pretendemos alcançar? A IECLB é uma Igreja de comunidades. O conjunto das comunidades é a igreja, e esta é formada de pessoas, mulheres e homens de todas as idades. O Tema de 2015 convida para que encontremos os rostos dessas pessoas. Nesse sentido, convém refletir se conseguimos contribuir para que pessoas estranhas umas às outras, mas que caminham lado a lado, se olhem e comuniquem o que estão fazendo, o que estão vivendo, para

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onde estão se dirigindo. Igualmente, convém avaliar se conseguimos comunicar a mensagem que lhes seja oportuna, que faça diferença na sua vida e contribua para o fortalecimento da vida em comunidade. Na IECLB precisamos falar sobre a forma como evangelizamos, como exercemos a diaconia e como é nossa pedagogia educacional. Cabe-nos divulgar as tantas ações, cursos, programas, campanhas e outras iniciativas que promovem vida. O Tema para 2015 convida a comunicar mais e melhor nossa teologia e

a usar melhor as fachadas de templos, os meios impressos e eletrônicos. Convida a assumir com orgulho e gratidão nosso modelo de igreja, que passa por diálogo, debate e representatividade. A divulgar melhor nosso jeito luterano de participar da Igreja de Jesus Cristo, dialogando com outras Igrejas e organismos ecumênicos. O Lema é um convite para criar formas e espaços de ouvir nossa gente e o Tema é categórico: a Igreja da Palavra tem o que comunicar. É essa comunicação que fará diferença. A Presidência da IECLB

Boas obras são o selo de autenticação e

prova da fé. Porque assim como cartas precisam ter um carimbo de autenticação, assim a fé necessita ter boas obras. Atribuído a Martim Lutero

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Promessas de Deus para o Ano Novo Familienkalender

“Eu estou sempre contigo!” Nós não sabemos o que o Novo Ano nos trará. Felicidade e desgraça, Alegria e sofrimento não estão marcados em nossas agendas. Mas uma coisa está assinalada em cada uma de suas páginas: Aquilo que Deus - com cujo nome fomos marcados em nosso batismo - nos diz: “Eu estou sempre contigo!” Quando estás feliz – Eu estou contigo; Quando um sofrimento te aflige – Eu estou contigo; Quando dás gargalhadas de alegria – Eu estou contigo; Quando estás doente – Eu estou contigo; Quando experimentas um fracasso – Eu estou contigo; Quando alcanças sucesso – Eu estou contigo; Quando chega a tua morte – Eu estou contigo! “Eu estou sempre contigo!” Tradução P. Dr. Osmar Zizemer

Deus nos visita com frequência, mas na maioria das vezes não estamos em casa. Sabedoria africana

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Datas Comemorativas P. Ms. Osmar Luiz Witt

1515 -> 500 anos Preleções de Martim Lutero Entre os anos 1513 e 1518, o professor de teologia, doutor nas Sagradas Escrituras, Martim Lutero, proferiu uma série de preleções sobre livros da Bíblia. Ele escreveu sobre os Salmos (1513-1515), sobre a Carta aos Romanos (1515-1516), sobre a Carta aos Gálatas (1516), e sobre a Carta aos Hebreus (1518). Portanto, há quinhentos anos, o reformador debruçava-se sobre as passagens bíblicas que lhe seriam altamente desafiadoras e sinalizadoras de um caminho de liberdade, tal como esta que se tornou o lema do movimento de Reforma da Igreja: “O justo viverá por fé.” (Romanos 1.17) A caminho das celebrações do quinto centenário daquele movimento, é oportuno dar-se conta de que ele resultou de um longo processo de fundamentação, reflexão e prática. 1765 –> 250 anos James Watt aperfeiçoa a máquina a vapor O inventor escocês James Watt (* 19-1-1736; †25-8-1819) foi o criador da máquina a vapor. Desde 1759, na Universidade de Glasgow, dedicouse à pesquisa do vapor como força motriz. Buscando o aperfeiçoamento das máquinas então conhecidas, em 1765, construiu o primeiro mo-

tor a vapor de utilização universal. Este invento possibilitou expandir a aplicação das máquinas. Em 1784, chegou ao projeto da locomotiva a vapor. Seu invento foi tão importante para a humanidade, que impulsionou o desenvolvimento da Revolução Industrial que se seguiu, com o emprego das máquinas na produção e no transporte de bens. 1915 –> 100 anos Manifesto monarquista do Contestado O movimento do Contestado foi parte de um violento conflito social ocorrido entre 1912 e 1916 na região oeste de Santa Catarina, divisa com o Paraná, na época disputada pelos dois estados, razão do nome pelo qual o movimento ficou conhecido. O que resultou foi o enfrentamento entre camponeses pobres e as forças federais e estaduais. Classificado como movimento messiânico, o Contestado reuniu um grande número de famílias pobres em busca de terra e de sobrevivência na região. Muitos trabalhadores que haviam sido contratados para a construção da ferrovia ligando São Paulo ao Rio Grande do Sul, ficaram desempregados e desassistidos. Outras tantas famílias perderam suas terras para as companhias colonizadoras e madeireiras, que receberam concessões governamentais. Sob a liderança do

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beato José Maria, o movimento realça componentes religiosos, agregando à luta pela terra a luta por suas crenças. Após a morte de José Maria, tombado em combate com as tropas federais, acentua-se a crença de que ele retornaria. As novas lideranças da irmandade político-religiosa que se constituiu, lançaram, em 1915, um manifesto monarquista e conclamaram o povo - cerca de vinte mil pessoas - para enfrentar os coronéis, as companhias de terras e as autoridades estaduais e federais. O conflito terminou com a intervenção do Exército e um saldo de quase três mil mortos. 1945 –> 70 anos Fim da II Guerra Mundial Iniciada em 1º/09/1939 com a invasão da Polônia por tropas da Alemanha nazista, e a consequente declaração de guerra à Alemanha pela França e o Império Britânico. Esta grande guerra chegou ao fim em 02/ 09/1945 com a capitulação do Japão, após custar cerca de 47.000.000 de vidas, sendo 26.000.000 só de parte da Rússia. Nela se enfrentaram duas grandes alianças militares: As forças do Eixo (Alemanha, Itália e Japão) contra as Forças dos países Aliados. O Brasil chegou a entrar na guerra ao lado dos Aliados em 1944, e enviou uma Força Expedicionária, composta de 25.344 homens aos campos de batalha na Itália. Destes 443 homens morreram em luta e estão sepultados em Pistoia, em solo italiano.

Emergiram da II Guerra os Estados Unidos e a Rússia como duas grandes potências adversárias. Sob a liderança dos Estados Unidos formouse o bloco de nações capitalistas – que formaram o pacto militar da OTAN, e sob a liderança da Rússia o bloco das nações socialistas – que formaram o Pacto de Varsóvia. A linha divisória destes dois blocos passava pela Alemanha dividida, com armamentos nucleares e tropas instaladas de cada lado, mantendo uma paz armada com capacidade bélica para a destruição do planeta. Esta “guerra fria” estendeu-se até 1989 quando houve a queda do Muro de Berlin, respectivamente 1991 quando se desfez a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). 1945 –> 70 anos Criação da Organização das Nações Unidas (ONU) A Organização das Nações Unidas é o organismo internacional que surgiu no final da II Guerra Mundial, sucedendo a Liga das Nações, criada em 1919, após a I Grande Guerra. Entre os objetivos desta organização mundial de nações está a manutenção da paz, a defesa dos direitos humanos e a promoção do desenvolvimento em escala mundial. A primeira carta foi assinada por 50 países, em junho de 1945, em São Francisco – EUA. As decisões da ONU nem sempre são acatadas, sobretudo, quando ferem interesses geopolíticos das nações

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mais poderosas que a compõem. Contudo, reforçar os mecanismos de paz negociada, que não ignorem os reclamos por justiça e direitos dos povos, é uma demanda urgente para a sobrevivência da raça humana sobre a terra. 1965 –> 50 anos Fim do Concílio Ecumênico Vaticano II O Concílio Ecumênico Vaticano II talvez tenha sido o maior acontecimento da Igreja Católica Romana no século passado. O papa João XXIII anunciou a realização do concílio no dia 25 de janeiro de 1959. A abertura se deu em 11 de outubro de 1962. O Vaticano II teve quatro períodos, dos quais somente o primeiro esteve sob a condução de João XXIII. Os três períodos seguintes foram presididos pelo Papa Paulo VI, que encerrou os trabalhos conciliares no dia 8 de dezembro de 1965, há cinquenta anos. Entre as razões que levaram à realização deste Concílio destacouse a busca de um aggiornamento (colocar-se em sintonia) da Igreja Católica Romana aos tempos modernos. Do concílio surgiram dezesseis documentos, entre os quais duas constituições sobre a Igreja. A primeira, Lumen Gentium (luz dos povos) trata dos ensinamentos sobre o ser da Igreja e sua missão. A segunda, Gaudium et Spes (alegria e esperança) trata da Igreja no mundo atual. Além disso, de grande impacto para a teologia e a ação pastoral, em es-

pecial, na América Latina, foi a concepção de Igreja como povo de Deus, que suplanta a visão apenas hierárquica. Igreja é o povo de pessoas batizadas, que é servida e que serve com seus diferentes carismas e dons. 1985 –> 25 anos Eleição de Tancredo Neves para a Presidência do Brasil O Colégio Eleitoral, formado pelo Congresso Nacional, elegeu Tancredo Neves para exercer a Presidência do Brasil, em reunião no dia 15 de janeiro de 1985. As manifestações populares que levaram milhares de pessoas às ruas em todo o país, em 1984, pediam eleições diretas. O lema da campanha ficou sintetizado no brado: “Diretas já!” Contudo, os conchavos políticos que compuseram a transição do regime militar para o regime democrático, não corresponderam aos anseios das ruas. E a eleição se fez de modo indireto, com os representantes parlamentares elegendo o Presidente e seu Vice. Tancredo Neves não chegou a assumir o cargo, pois, faleceu antes. Em seu lugar assumiu o Vice-Presidente, José Sarney, o qual veio a ser o primeiro Presidente do Brasil, após a redemocratização. Aquela foi a última eleição indireta e, hoje, além do direito ao voto, a democracia brasileira está a reclamar novas formas de participação popular nos rumos da nação.

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2005 –> 10 anos Morte de João Paulo II Aos 2 de abril de 2005, faleceu o Papa João Paulo II, aos 84 anos. Ele esteve por 26 anos no pontificado da Igreja Católica Romana. Foi sepultado seis dias depois numa cripta da Basílica de São Pedro, no Vaticano, depois de um funeral na presença de líderes religiosos, políticos e de milhares de pessoas que vieram de todo o mundo. Seu sucessor foi o Cardeal Joseph Ratzinger, que veio

a ser o 265º papa e o primeiro sumo pontífice alemão em 482 anos. Ele adotou o nome de Bento XVI. Sob a liderança desses dois papas, a Igreja Católica Romana viveu um período de “restauração” em relação às inovações do Concílio Vaticano II e seus desdobramentos, em especial, os avanços alcançados pelas teologias da libertação. O novo papa, Francisco, acena outra vez com abertura, diálogo e busca de uma igreja atenta aos clamores das pessoas. O autor é Pastor da IECLB, responsável pelo Arquivo Histórico da mesma e Professor de História Eclesiástica na Faculdades EST em São Leopoldo/RS

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Sugestão de receita para um ano inteiro Familienkalender 2014, página 97

Tomem-se 12 meses. Limpem-se os mesmos completamente de amargura, avareza, pedantismo e medo. Então se divida cada um dos meses em 30 ou 31 porções, de modo que o estoque dure exatamente para um ano. Prepare-se a receita com: • Uma parte de trabalho e duas partes de alegria e humor. • Acrescentem-se 3 colheres de sopa bem cheias de otimismo, • 1 colher de chá de tolerância, • 1 grãozinho de ironia e 1 pitada de delicadeza. Por fim deite-se sobre a massa 1 generosa calda de amor. Enfeite-se o prato com ramalhetes de pequenas gentilezas. Sirva-se com uma deliciosa xícara de chá (ou outra bebida à escolha, conforme o gosto). Deus, que tem sido tão gracioso comigo desde a minha infância, por certo escolherá um lugarzinho para mim, onde posso concluir os meus dias em paz e satisfeita. – Eu me alegro com a vida, – Não procuro espinhos, – Lambisco as pequenas alegrias. – Se as portas por que tenho de passar são baixas, eu me curvo. – Se for possível tirar a pedra do caminho, eu o faço; – Se a pedra for pesada demais, eu a circundo. – E assim a cada dia encontro algo com que me alegrar. E a pedra angular, a fé em Deus, esta traz alegria ao meu coração e faz o meu semblante feliz. Texto atribuído a Catharina Elisabeth Goethe (1731-1808), mãe do poeta Johann Wolfgang von Goethe, tradução P. Dr. Osmar Zizemer

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Lutero: Atleta de Cristo P. em. Dr. Martim N. Dreher

Lutero teve formação como monge. Quis ser obediente, pobre, casto, afastar-se do mundo e rezar. O mosteiro era ilha isolada. Havia obediência aos superiores e o monasticismo tinha longa história. Foi dos grandes poderes do Ocidente. Mas teve seu fim com o movimento de Lutero. Ordens religiosas continuaram a existir após a Reforma, mas não tinham mais a importância de outrora. O monge assumia a castidade e negava a sexualidade. Rompia com o temporal, dedicando-se apenas à contemplação do Eterno. Não fazia mais parte da história de gerações: não gerava filhos. Após anos de isolamento monástico, Lutero ficou confuso ante o mundo e seus desafios e ansiou pela tranquilidade do mosteiro. Os primeiros eremitas eram “anacoretas”, pessoas que fugiam dos pesados impostos, se ocultavam no deserto, onde polícia alguma se aventurava a procurá-los. Não produziram livros. As informações que temos deles vêm de lendas. No deserto, rezavam e dedicavam-se a tecer esteiras. Únicos companheiros eram os demônios que os visitavam com frequência, pois a ascese não evitava as tentações. E eles queriam ser tentados. Pediam pela graça de po-

derem morrer pela espada, mas os demônios preferiam torturá-los e matá-los lentamente. Sangravam a alma ao invés do corpo. Tortura preferida dos demônios era a sexualidade. Desde os monges egípcios a humanidade passou a considerar mulheres como a origem do mal. Essa ideia tomou conta do cristianismo. As tentações de Santo Antão, para o qual o diabo sempre se apresentava na forma de bela mulher, foram lidas nos mosteiros. O antifeminismo tem sua história, e em seu decorrer foi amenizado pela devoção a Maria. Mas não desapareceu por completo e se manifestou especialmente nas Regras das Ordens Religiosas. A regra dos agostinianos considerava pecado fitar mulher, e os confrades estavam obrigados a denunciá-lo, seguindose: prisão com os pés algemados, a pão e água. Lutero afirma não ter olhado para mulher nem mesmo quando lhe ouvia confissão. Estava mais preocupado com outra questão. Não era muito chegado a visões e arrebatamentos, oferecidos pela mística da época, com suas fantasias sexuais, nas quais o noivo Cristo era beijado, e acariciado em casamentos místicos. Lutero não seguiu essa tendência. O pouco tempo em que “namorou”

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com a mística alemã, foi quando buscava acesso direto a Deus. Para Lutero, “libido” envolvia o ser humano como um todo e toda a sua vida. “Carne” é a pessoa com todas as suas qualidades que são o contrário de uma alma que busca Deus. Quando fala de sua tentação, fala de ira, impaciência, cobiça. Jamais vai dizer que a libido é a maior delas. Lutero está repetindo a relação dos sete pecados capitais segundo o catálogo de monges que buscavam vida perfeita diante de Deus: soberba, inveja, ira, indiferença, avareza, gula, luxúria. Após o vício maior, a soberba, seguem os vícios da área espiritual e, depois, os três vícios da vida corporal. Não recitava todos eles. Muitos não lhe diziam respeito por estar no mosteiro. O que mais o marcou talvez tenha sido a “indiferença”, relacionada à hipocondria. Lutero enfrentou muita depressão. Além disso, tinha explosões de “ira”, mas logo buscava reconciliação. A soberba vinha à frente dos pecados. Dava origem aos demais. A soberba se manifestava, quando o eremita se distanciava do mundo e das pessoas. Buscava conseguir primazia em relação aos demais mortais. Poucos seriam os perfeitos, muitos os fracos. A soberba se manifestava na ascese dos pais do deserto. Foi no deserto com suas altas temperaturas durante o dia e o frio gélido das noites que se desenvolveram as mais absurdas formas de monasticismo. Ascese era, originalmente, designa-

ção para o treinamento dos atletas profissionais. Por isso, os primeiros eremitas designavam-se de “atletas de Deus” e travaram verdadeiras competições entre si para ver, quem atingia os mais altos índices. Os primeiros deles até que foram comedidos. Não tinham Regra e não estabeleceram castigos, quando começaram a se reunir em comunidades. Só queriam ser diferentes dos pagãos. Usavam vestes escuras para se diferenciarem dos filósofos gregos que usavam manto branco. Também descuidavam do corpo. Em seus dias as pessoas ricas da Antiguidade passavam o dia em banhos e saunas. Os eremitas só consumiam um mínimo em alimentos. Em breve, porém, alguns deles passaram a serem considerados heróis, taumaturgos e exemplos que estabeleciam recordes ascéticos. O primeiro desses recordes a ser estabelecido era o da solidão. A curiosidade das pessoas do mundo urbano que os visitavam no deserto queria mais. Por isso, alguns “atletas de Deus” amarraram pesadas correntes ao corpo, fazendo se enterrar. O auge entre essas figuras foi estabelecido por Simão, o estilita. Pessoa de saúde admirável, primeiro fez-se enterrar por dois anos; depois, subiu em coluna de vinte metros de altura, sobre a qual passou os últimos trinta anos de sua vida. Na pequena plataforma no alto da coluna, Simão orava e fazia genuflexões. Um admirador tentou calcular quantas teriam sido. Com elas estava mais próximo a Deus.

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Após sua morte, muitas construções surgiram em torno da coluna. Simão foi utilizado pela igreja por representar exemplo de vida cristã. O cálculo dos exercícios desse “atleta de Cristo” motivou críticas de Lutero. No deserto surgiu o mosteiro com Regra, sob a direção de um Abade e atividade produtiva. Preguiça deveria ser eliminada. Eremitas teciam esteiras. Os mosteiros variaram a produção. O organizador do primeiro mosteiro, Pacômio buscou por “ordem” num mundo em “desordem” e se tornou protótipo. E os mosteiros se transformaram em importantes centros de produção. Além disso, tornaram-se centros de cultura e de preservação, em oposição aos eremitas que a negavam. O monge tinha que ler e escrever, decorar a Bíblia. Estabeleceram-se regras, disciplina supervisionada. Foi nesse tipo de mosteiro que Lutero ingressou. Lutero se desenvolveu nessa mais antiga forma de vida cristã. Movimentos reformatórios sempre de novo invocaram os primórdios do cristianismo, se bem que pensassem nas formas anteriores ao surgimento de eremitas e mosteiros. Lutero estava convicto de que acontecera crescente “decadência” e que era necessário retorno às origens “Reforma” foi conceito que acompanhou a história dos mosteiros, que é contada em ciclos de “decadência” e de “reforma”. Quando Lutero ingressou na Ordem dos Agostinianos

esta se encontrava dividida. Havia grupo que exigia reforma e outro que se lhe opunha. “Obediência” era um dos votos dos monges. Ela era prestada em relação ao superior da ordem, mas não impedia desobediência em relação a outras instituições como o papado. Até os dias de Lutero, os agostinianos se vangloriavam de ser a ordem mais obediente e de jamais haverem produzido um herege. “Pobreza” era outro dos votos. O monge era pobre; o mosteiro era rico. Grande era considerado o abade que fosse grande administrador, fazendo crescer o Reino de Deus. Os mosteiros medievais preservaram a Antiguidade, quando as ordens bárbaras invadiram a Europa. Essa preservação manteve o que de mais precioso foi criado pelo ser humano. Também contribuíram para o progresso econômico das regiões em que se estabeleceram. Secaram pântanos, dominaram florestas, conformaram a Europa, hospedavam viajantes, cuidaram de enfermos. Mas não eram pobres. Patrocinavam as artes. Foram proprietários de grandes extensões de terras. Alguns abades eram designados de príncipes e viviam como se o fossem. Não havia pobreza no mosteiro de Lutero. Os agostinianos não eram tão ricos quanto os beneditinos, mas tinham posses. No século XVI, a acumulação de bens e de privilégios de parte dos mosteiros era tão grande que um reordenamento se fazia ne-

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cessário. Do lado da igreja se falava na “ganância” do Estado, do lado do Estado se falava na “ganância” da igreja. Os agostinianos eremitas detinham 103 mosteiros na Alemanha. O de Erfurt existia desde 1256. Lutero trajava-se com o hábito negro, preso com cinto de couro preto. Sobre ele vestia escápula branca. Camisa de lã servia de camiseta. Durante a noite vestia escápula com touca branca. Lutero usou o hábito negro muito tempo após haver rompido com Roma. O mosteiro de Wittenberg foi sua residência até à

morte. No mosteiro, foi “o monge” como se o imagina: foi tentado pelos demônios e acossado pelos pecados da soberba, da ira, da tristeza e do coração indeciso. Observou os votos monásticos, menos um: o da obediência. Não foi atleta de Cristo, não estabeleceu recordes ascéticos, não foi santo, sua ordem não os tinha. Queria algo bem simples: um Deus misericordioso. Sua desobediência consistiu em procurá-lo por caminhos diversos dos oficiais. Nisso consistiu sua heresia. O autor é Pastor e Professor emérito da IECLB, residente em São Leopoldo/RS

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COMUNHÃO MARTIM LUTERO: 25 anos promovendo a Confessionalidade Luterana P. em. Friedrich Gierus

Setembro de 1990 – fundada a Comunhão Martim Lutero Um culto festivo encerrou o encontro de membros e pastores da IECLB que se reuniram, nos dias 11 e 12 de setembro de 1990 no Instituto Diaconal Bethesda em Pirabeiraba/ Joinville-SC, para fundar a COMUNHÃO MARTIM LUTERO. Este evento, com participantes do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, foi organizado como Assembleia Geral Constituinte. O então Pastor Regional Meinrad Piske apresentou uma palestra sobre a situação da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil. Lamentou que os escritos confessionais da IECLB, como o Catecismo Menor, a Confessio Augustana e Nossa Fé – Nossa Vida são muito pouco conhecidos nas comunidades da IECLB. Ele apontou para a formação de lideranças como uma das necessidades mais agudas na IECLB. A seguir, o P. Dr. Henrique Krause contribuiu com uma reflexão sobre as raízes históricas da Igreja e sua importância para sua missão no presente. Baseado nestas duas palestras e, na proposta do texto dos estatutos a serem aprovados, refletiu-se sobre a finalidade

da fundação da COMUNHÃO MARTIM LUTERO (CML) e seus objetivos. Estes foram aprovados e assim formulados com o seguinte teor principal: A CML congrega membros da IECLB, os quais, conscientes de sua identidade evangélica luterana, querem em conjunto crer, servir e testemunhar na prática da adoração na liturgia, na ação libertadora pela evangelização e diaconia, integrando os membros na missão de Deus em Jesus Cristo... A comunhão de fé e de serviço manifesta-se, entre outros, na participação consciente da vida da IECLB, contribuindo com impulsos para o contínuo desenvolvimento de sua identidade confessional em estrutura e ação. A partir da esperança que aguarda “novos céus e nova terra, nos quais habita justiça” (2 Pedro 3.13), a CML investe numa ação social fundamentada em critérios delineados na Bíblia e definidos nos escritos confessionais luteranos. Este serviço visa o bem estar de todas as pessoas, a paz e a preservação do meio ambiente. Neste espírito, a CML apoia também entidades e iniciativas de caráter social, educacional e beneficente. No início a COMUNHÃO MARTIM LUTERO teve sua sede na cidade de

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Joinville/SC. Participaram da Assembleia Constituinte 27 membros que elegeram as seguintes pessoas para integrar o primeiro Conselho Administrativo da entidade: Presidente – P. Hans Burger; vice-presidente – P. Wolf Dieter Wirth; secretário – P. Guido Leonhardt; vice-secretário - P. Dr. Henrique Krause; tesoureiro – Sr. Klaus Schlünzen; vicetesoureiro – Sr. Osvaldo Rieper. Este conselho foi solenemente instalado pelo P. Regional Meinrad Piske, no culto com Santa Ceia do qual também participaram os idosos do Ancionato Bethesda. Nesta oportunidade foi lida a missiva do Pastor Presidente da IECLB que, impedido de participar do evento, enviou seus votos de bênção para a caminhada da nova entidade e solicitando sua própria inscrição no rol de membros da Comunhão Martin Lutero.

vida da IECLB, contribuindo com impulsos para o contínuo desenvolvimento de sua identidade confessional em estrutura e ação”, foi dado o início de uma caminhada junto ao serviço do Centro de Literatura Evangelística em consonância com a direção da Igreja. A Livraria foi inaugurada no dia 31 de outubro de 1991. E a inauguração de todo complexo do Centro de Literatura Evangelística foi realizada pelo P. Regional Meinrad Piske, no dia 30 de novembro de 1991, com a presença do prefeito de Blumenau, Sr. Victor Fernando Sasse, do vice-presidente do Martin-Luther-Verein P. Wolfgang Hagemann (Baviera/Alemanha), de representantes do conselho administrativo da CML e da diretoria administrativa do Centro de Literatura Evangelística, assim como de membros das paróquias locais.

Um ano mais tarde, em 31 de outubro, a Comunhão Martim Lutero criou o núcleo de irradiação da CML no Centro de Literatura Evangelística, no bairro Itoupava Central/ Blumenau-SC, atendendo um pedido do responsável pelo projeto do Centro de Literatura Evangelística, P. Friedrich Gierus.

Em 16 de setembro de 1992, o P. Wolf Dieter Wirth foi eleito presidente da entidade, função que exerceu até o ano 2000, quando voltou para Alemanha, sua terra natal.

Desta forma a CML colocou sua estrutura à disposição da Igreja para manter a Livraria Martin Luther que, por sua vez, servia de base para a produção e distribuição de Folhetos Evangelísticos. Sendo que a CML tinha como objetivo de suas atividades “a participação consciente da

CML participa da discussão sobre Formação na IECLB A CML, fiel a seus objetivos de “participar conscientemente da vida da IECLB, contribuindo com impulsos para o contínuo desenvolvimento de sua identidade confessional em estrutura e ação” realizou um seminário em Curitiba-PR em abril de 1991, onde avaliou a então controvérsia em torno da formação de pastores.

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Naquela época, o Movimento Encontrão decidiu criar um centro próprio de formação de pastores obreiros. Em carta aberta a CML afirmou: “Tal maneira de solucionar o problema da formação na IECLB põe em risco não apenas o princípio confessional reformatório da Igreja, mas essencialmente a sua unidade. O caminho correto de reformar ação, estrutura e vida da Igreja passa pelos Concílios Distritais como foro de diálogo oficialmente constituído para a participação dos nossos membros e leva a uma decisão de consenso no Concílio Geral”. Preocupada com a unidade da IECLB, a CML realizou nos anos seguintes uma série de seminários, contribuindo desta forma na formação de um conceito que busca a unidade da Igreja na base de sua confessionalidade luterana. CML intermedia Plano de Saúde em grupo Já em 1990 os obreiros da Igreja se preocuparam com a suplementação previdenciária. Uma carta aberta do Distrito Eclesiástico de Taquara-RS chamou a atenção para necessidade de criar-se na IECLB uma suplementação previdenciária que “garante a segurança face às necessidades da vida.” Esta discussão durou anos. A CML se sentiu na necessidade de oferecer um plano de saúde complementar aos ministros e seus dependentes, mas também a líderes leigos. Após longos estudos, em 1º de julho

de 1996 foi assinado um contrato com a UNIMED-Federação de Santa Catarina para viabilizar a prestação de serviços e assistência médica hospitalar e auxiliares de diagnostico e terapia para os associados. Naquela ocasião aderiram a este plano mais que quatrocentos ministros e membros de nossa Igreja. CML faz parceria com Literatura Evangelística No ano de 1997 a CML transferiu sua sede de Joinville-SC para o Centro de Literatura Evangelística em Blumenau-SC onde, desde o início da parceria, foram realizados todos os atos administrativos da entidade. No mesmo ano, no dia 19 de outubro foi realizado um Dia da Igreja, na Estrada da Ilha em comemoração ao centenário da vinda do primeiro obreiro luterano, Pastor Otto Kuhr, enviado pelo associação “Gotteskasten” da Igreja Evangélica Luterana na Baviera/Alemanha. Logo depois foi inaugurada a Gráfica e Editora Otto Kuhr Ltda. onde seriam impressos todos os folhetos e o material de interesse da Igreja para a distribuição nas comunidades da IECLB. Em setembro de 2000, o ex-Pastor Regional Meinrad Piske assumiu a presidência da Comunhão Martim Lutero, ficando nesta função até agosto de 2002, quando por motivo de saúde, deixou o cargo para o vicepresidente, P. Anildo Wilbert. Este, na assembleia geral realizada na Paróquia Evangélica de Barra do Rio

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Cerro/Jaraguá do Sul-SC, foi eleito presidente. CML cria trabalho social com crianças Em abril de 2002, ainda sob a presidência do P. Meinrad Piske foi formado o núcleo de Itoupava Central/ Blumenau-SC, com o objetivo da criação e manutenção do CENTRO DE EDUCAÇÃO E RECREAÇÃO INFANTIL (CERI). Esta iniciativa surgiu no contexto de uma migração acentuada para os bairros da periferia de Blumenau, especial para Itoupava Central, região livre de enchentes. Além disto, o empobrecimento de uma larga camada populacional, o aumento da violência na rua e residências, o abuso sexual de crianças e os efeitos do tráfico de drogas foram fatos inegáveis, que levaram à ideia da criação de espaços de proteção onde crianças poderiam ficar

no contra turno escolar. O P. Friedrich Gierus foi encarregado com a coordenação deste projeto. Em 2005 iniciou-se a construção deste Centro que ainda não foi concluída por escassez de verbas. Mas no térreo já funciona uma creche, e estão sendo oferecidas oficinas de artes dança para crianças de 6 a 14 anos. Na medida em que se conseguem as verbas, a obra será concluída e atenderá um total de 250 crianças. CML abraça a Obra Missionária Acordai Voltando para o ano de 2002, a CML abriga sob o seu teto jurídico a organização dos coros de metais da IECLB, formando o Núcleo Obra Acordai. A “Obra Missionária Acordai” foi criada em 12 de novembro de 1989 e estava inicialmente vinculada à Secretaria Geral da IECLB. Por motivo de mudanças es-

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truturais da IECLB a Obra Acordai passou a fazer parte da CML a partir de dezembro de 2002. Além da organização de concentrações de coros de trombones, em nível regional e nacional, há inúmeras celebrações comunitárias e paroquiais nas quais os coros de trombones estão envolvidos diretamente. Assim entendemos que a Obra Missionária Acordai também é uma forma de ação missionária e participa da divulgação da confessionalidade luterana. Daí porque a CML a incorporou como um de seus núcleos de atuação.

função de diretor do Centro de Literatura Evangelística, junto com a Gráfica Otto Kuhr e a Livraria Martin Luther.

Na assembleia geral de setembro de 2006, realizada no Instituto Bethesda, em Pirabeiraba/JoinvilleSC, foi eleito o P. Dr. Osmar Zizemer como novo presidente da entidade que, em 2009, também assumiu a

Temos muitos motivos de agradecer e louvar Deus que abençoou as atividades da COMUNHÃO MARTIM LUTERO, uma entidade a serviço da IECLB.

Na qualidade de uma associação evangélica de confissão luterana, a CML vem se dedicando há 25 anos ao anúncio do Evangelho através de folhetos e de literatura evangelística e também se envolveu em ações sociais na busca de atendimento a crianças necessitadas, e contribui também na manutenção e promoção das atividades dos coros de metais da Igreja.

O autor é membro-fundador da CML e pastor emérito da IECLB, residente em Blumenau/SC Nota do editor: Pessoas interessadas em mais informações ou em filiar-se à Comunhão Martim Lutero podem entrar em contato conosco pelo E-mail: cml@centrodeliteratura-ieclb.com.br .

Os 10 M andamen os Mandamen andamenttos são tão clar claros e de ffácil ácil ccompr ompr eensão que ompreensão eensão,, por porque sur gir am sem a participação de surgir giram uma ccomis omis são de e specialis tas. omissão especialis specialistas. Charles de Gaulle

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Solus Christus – Somente Cristo – P. Dr. Emílio Voigt

Em uma construção, as paredes, as aberturas e o telhado são as partes que mais aparecem. Mas o fundamento, que nem sempre é visível, é essencial para que uma casa ou edifício se mantenha em pé. Toda construção precisa ser edificada sobre um bom fundamento, como nos diz uma história contada por Jesus há quase dois mil anos: Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, que não caiu, porque fora edificada sobre a rocha (Mateus 7.24s). Assim como uma casa e como a vida cristã, também a igreja precisa estar fundamentada em um alicerce seguro. A igreja luterana é, antes de tudo, uma igreja cristã. Como tal, ela está fundamentada na palavra de Deus. Mesmo assim, as igrejas não são iguais. Há características que as diferenciam. Quais seriam as características de uma igreja cristã que se diz luterana? Martim Lutero apontou para quatro princípios que não definem apenas as características da igreja, mas que servem como base para a vida de

cada pessoa. Esses princípios são conhecidos também como pilares da reforma protestante. São eles: Somente Cristo, Somente a Graça, Somente a Fé e Somente a Escritura (Bíblia). O princípio “Somente Cristo” foi decisivo para desencadear o Movimento da Reforma. Por muito tempo, Lutero viveu angustiado com a pergunta: Como encontrar um Deus misericordioso? Para nós, essa pergunta pode parecer estranha e até banal. Na época de Lutero, era uma questão que afligia muita gente. Deus era compreendido como um ser terrível, que punia as pessoas em vida e as enviava ao purgatório e ao inferno após a morte. A ideia de um Deus castigador estava baseada em uma compreensão errada da justiça de Deus. Justiça de Deus era compreendida pelo princípio de dar a cada qual o que lhe é devido. Ou seja, a pessoa recebe o que merece. Se for uma pessoa justa, deve receber a devida recompensa. Se ela comete pecado, merece castigo. Acontece que ninguém consegue chegar diante de Deus sem pecado. Logo, ninguém escaparia do castigo divino. Esta compreensão da justiça de Deus marcou a vida de Lutero por muito

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tempo. Ele procurava de todas as maneiras, agradar a Deus e tornarse justo. Mas por mais que se esforçasse em orações, meditações, penitências e boas obras, percebia que não conseguia fazer o suficiente. Quanto mais procurava se aproximar de Deus, sentia que mais se afastava Dele. Chegou a odiar a Deus, por ver em Deus somente a face do juízo. A vida de Lutero mudou quando ele compreendeu a justiça de Deus de forma diferente. Não se trata de justiça através da qual Deus pune, mas da justiça que Deus concede, perdoando os pecados. Deus não quer a condenação, mas a salvação das pessoas. Essa justiça de Deus se revelou em Jesus Cristo. Em Cristo, Deus não impõe condições para a acolhida e para o perdão. Por isso Lutero pode dizer que justiça é o conhecimento de Cristo. Lutero descobriu o lado amoroso de Deus, que se revelou na vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo. A partir daí compreendeu que nada pre-

cisava, aliás, nada podia fazer para sua justificação. Tudo já havia sido feito por Cristo. É isso o que significa “somente Cristo”. A pessoa não depende de méritos e qualidades para ser aceita por Deus. Somente Cristo basta. A vida e a obra de Jesus Cristo demonstram que o fundamento da justiça divina é a compaixão. Ela é diferente do nosso senso de justiça, que muitas vezes se baseia na aparência, no mérito, na intolerância, no préjulgamento. Em Jesus Cristo Deus se revela na miséria, na fraqueza, na dor, no sofrimento. O poder de Deus não se manifesta em riqueza, pompa e majestade, mas na cruz. Na cruz encontramos um Deus misericordioso e solidário com o sofrimento humano. Com o poder do amor, vence a injustiça, a violência e a morte. Assim testemunha o apóstolo Paulo: Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores (Romanos 5.8). O autor é Pastor da IECLB; atua na Assessoria de Formação do Sínodo Vale do Itajaí e reside em Blumenau/SC

O texto acima, que faz parte da Série: Fundamentos da Teologia Luterana também pode ser solicitado em forma de Folheto Evangelístico por E-mail: folhetos@centrodeliteratura-ieclb.com.br

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Sola Gratia – Somente por Graça – P. Dr. Leandro Otto Hofstätter

Imaginem um AMOR. Mas não um amor comum. Realmente um grande amor. O maior de todos que exista. Um que não caiba na terra. Um que, inclusive, não seja deste mundo. Um amor que escolheu este mundo para nele tomar como morada. Agora compare este AMOR IMENSO com o seu amor para com o seu filho ou sua filha. Compare-o com o seu amor para com sua esposa ou seu esposo, ou para com o seu pai ou a sua mãe. Você irá me dizer: Este amor que eu sinto pelo meu filho ou filha é imenso. Pela minha esposa, grandíssimo. Pelos meus pais, nem consigo expressar quão grande ele é! Não sei se há algo maior que ele! E se você se perguntar pelo porquê desse amor, é quase certo que não iria encontrar uma resposta satisfatória. Já que não é pelo que essas pessoas pesam, se mais ou menos, se são brancas ou negras ou amarelas, se altas ou baixas que você as ama, não é mesmo? Não. Também não é o que elas fazem ou deixam de fazer que realmente leva você a amálas com um amor tão grande e profundo. Você as ama sem conseguir explicar muito bem porque isso é desse jeito! Simplesmente amando. E assim, se alguém perguntar, por

quê? Você iria responder como a criança: porque sim! Pois bem, esse amor que realmente é enorme e que você sente pelos seus provém do amor divino. Ele se derrama sobre nós, fazendo com que a gente possa senti-lo no amor aos outros. Nós também não conseguimos muita explicação para o fato de Deus nos amar dessa maneira, a ponto de enviar seu próprio Filho para nos mostrar quão grande é esse amor! Aliás, nós só sabemos que esse amor é grande, porque GRANDE foi o que Cristo fez, a ponto de morrer na Cruz por você, por mim! Ora, nós somos pessoas que falham, que erram, que cometem besteiras. Ou, para dizê-lo em palavras teológicas: Pessoas que pecam, contra Deus, contra nossos semelhantes e contra nós mesmos. E mesmo assim, sem méritos de nossa parte, sem justificativas, sem porquês, Deus nos ama de verdade, com verdade e pela verdade. Isso ficou claro em Jesus Cristo. Deus nos ama sem porquês, como a rosa, que floresce porque floresce. A Sua Graça redentora e misericordiosa, cheia de amor, nos basta. É isso que quer dizer SOLA GRATIA: que somente somos salvos por esta ação graciosa de Deus que nos deu

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Jesus Cristo, que morreu e ressuscitou por cada um de nós. Não é o que fazemos ou deixamos de fazer que faz com que Deus nos ame, que faz com que Ele nos salve. Não é o valor que pagamos nos nossos dízimos, nas nossas ofertas que nos faz merecedores do amor de Deus. Deus tem um único propósito com esse amor gratuito; Ele espera uma única ação como resposta, sem nos obrigar a isso: que nós também amemos uns aos outros. Que sejamos gracio-

sos com os semelhantes. Mas não para barganhar com Ele, para merecermos ir ao céu e estar num lugar ao seu lado. Isso seria impossível depois que Jesus DESCEU – veio ao mundo para nos salvar. Ele já está ao nosso lado. Ele quer que você o sinta ao seu lado hoje. E é por isso que Ele graciosamente te deseja tudo de melhor, aqui e agora. Apenas creia, e tudo se dará por graça, de graça! Amém! O autor atua como professor no Bom Jesus IELUSC em Joinville/SC, onde reside

O texto acima, que faz parte da Série: Fundamentos da Teologia Luterana também pode ser solicitado em forma de Folheto Evangelístico por E-mail: folhetos@centrodeliteratura-ieclb.com.br

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A jumenta sábia (Um conto judaico)

Certo camponês tinha três animais: um cavalo, uma jumenta e um porco. O cavalo e a jumenta tinham que trabalhar duro, e em troca ganhavam todos os dias o alimento de que precisavam. Muito mais favorável parecia ser a sorte do porco. Ele não trabalhava. E mesmo assim recebia todos os dias generosas porções de comida. Certo dia o cavalo falou para a jumenta: – Como é tolo e ingrato o nosso dono! Veja, nós temos que trabalhar muito, com esforço e canseira. E em troca recebemos a nossa comida na medida exata do necessário. Enquanto isso o porco não faz nada. E, no entanto, recebe porções de comida à vontade. Isso não é justo!

A jumenta respondeu: – Espere até que chegue o momento oportuno. Então você verá o triste fim deste porco. Aí você compreenderá que ele não recebe debalde ração em tão grande quantidade. Comida sem trabalho nunca trouxe felicidade para ninguém! E de fato, não demorou muito, e o porco – bem alimentado e gordo – entrou para a faca: Foi carneado! A jumenta, naquela época tinha um filhote. E este ouviu a profecia de sua mãe! E quando, mais tarde, certa vez ele recebeu uma porção um pouco maior de cevada, ele não quis comer. Pois temia a mesma sorte do porco que tinha sido tão bem alimentado! Mas a mamãe jumenta lhe disse: – Meu filhote, você pode comer sem medo. Pois não é a alimentação que traz a morte, mas sim, o ócio! Extraído de Familienkalender 2014, página 89; tradução: P. Dr. Osmar Zizemer

Nós sofremos demais pelas poucas coisas que nos faltam, e nos alegramos muito pouco pelo muito que temos. Shakespeare

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Espiritualidade P. Dr. Lothar Carlos Hoch

Na América Latina a teologia de matiz protestante é considerada sólida, sendo respeitada no debate com outras igrejas e com outros saberes. Não obstante, permanece incerto se, para além do respeito acadêmico, nossa teologia e a nossa pastoral se constituem efetivamente em fonte de alimento e sustento na crise. A teologia é posta à prova como verdade que sustenta o povo de Deus, justamente diante da experiência do sofrimento, da cruz e do silêncio de Deus. Temo que na Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil estamos deixando de atingir um maior contingente de pessoas porque falta à nossa teologia o caráter de ser alimento e sustento na crise e na fraqueza.

essa ênfase unilateral na dimensão acadêmica da teologia torna-se limitado. A grande maioria do povo latino-americano tem sede da palavra encarnada, da ação solidária que traz consolo e esperança na doença, na morte, no luto, na depressão, na velhice, no desemprego. A evasão de membros que se observa entre as igrejas históricas e a sua crônica fraqueza missionária têm como uma de suas causas a incapacidade de fazermos de nossa “boa” teologia uma fonte de amparo na crise e na dor do nosso povo. Ora, uma teologia que não é alimento para a fé e não é sustento para os fiéis torna-se estéril. “Um manto que não te dá calor já não é mais um manto”, diz a sabedoria indígena.

A teologia, pela sua própria natureza de ser instrumento do Evangelho de Jesus Cristo, precisa estar visceralmente comprometida com a preocupação de ajudar as pessoas a vivenciarem a graça e o consolo. A verdade da teologia ensinada precisa se tornar carne, experiência do Evangelho encarnado. É necessário que a perspectiva acadêmica e a espiritual se aproximem e se complementem.

O falecido pastor e professor Milton Schwantes chamava atenção para o fato de que, de modo crescente, as pessoas se nutrem de experiências cristãs em diferentes igrejas. Ele cita o exemplo de Lucineide, uma mulher que gosta de participar de estudos bíblicos no meio luterano. “Mas ela também gosta de ir aos templos de Edir Macedo e ter a experiência do êxtase. Ela sente que, sem ir neste culto, ela não consegue superar as suas dificuldades”.

Nossa forma de exercer o ministério é marcada por uma prática discursiva que tem como palco o púlpito e a cátedra (pregação e ensino). O contingente de pessoas que atingimos com

Quando Lucineide frequenta os estudos bíblicos na IECLB, ela quer saber mais sobre a fé, ela é movida pela fé que busca compreender o que ela crê. E, quando frequenta o culto

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pentecostal, ela busca a experiência da cura pela fé. Lucineide está, de um lado, denunciando a estreiteza teológica e a pobreza da pastoral do protestantismo histórico que acentua unilateralmente a razão e, de outro lado, a superficialidade teológica do neopentecostalíssimo que se julga capaz da mediar de forma imediata a experiência do sagrado. Em um seminário de Clínica Pastoral que ministro na Faculdades EST, em São Leopoldo, costumo acompanhar os estudantes a fazerem visitas em hospitais ou em outras instituições que abrigam pessoas que sofrem. E peço que eles escrevam relatórios das visitas que os impactam mais fortemente. Outro dia, um estudante compartilhou no nosso grupo que ele visitou um homem e, ao aproximar-se do leito, perguntou como estava passando. Sua esposa interveio e disse: “Os nossos dias neste hospital têm sido horríveis. Parece ser um local esquecido por Deus. Quem passa pela rua, do lado de fora, não imagina o que se passa aqui dentro”! Este fato expressa duas facetas importantes que merecem ser destacadas. Primeira faceta: esta mulher expressou o que inúmeras pessoas experimentam na hora da doença, da morte de um ente querido, do luto, da separação conjugal, da depressão, a saber, o abandono por parte de Deus. E, eis que chega um representante da Igreja, e a mulher dispara: “Assim como Deus está longe, também vocês da Igre-

ja estão longe dos hospitais e não podem imaginar o que a gente passa aqui dentro”. De fato, as nossas igrejas costumam se dedicar mais aos assim chamados “membros fiéis” que participam dos cultos e dos grupos organizados. Desse modo, as igrejas mantêm o foco da sua atenção pastoral centralizado no templo, enquanto os membros mais afastados ficam em segundo plano. Por isso, a visita pastoral na hora da crise, justamente quando se experimenta a ausência de Deus, é uma das mais importantes tarefas pastorais nos dias atuais. Estou convencido de que as igrejas históricas estão perdendo membros para outras igrejas, justamente porque estão deixando a sós os seus fiéis na hora da dor e da crise. Precisamos desenvolver uma concepção pastoral mais dinâmica, que não espera as pessoas no templo e na casa pastoral, mas que vai em busca delas ali onde elas se encontram. A segunda faceta que eu gostaria de destacar a partir da visita ao hospital acima mencionada, é que a doença e o sofrimento levantam dúvidas e questionamentos relacionados com diferentes áreas da vida. No leito da enfermidade as pessoas são obrigadas a parar, têm tempo para refletir e se confrontar consigo mesmas e com a sua fragilidade humana. Isso pode suscitar o protesto contra Deus, mas pode igualmente levar a pessoa à autocrítica, a fazer um balanço da sua vida e a se dar conta de que não cuidou suficientemente da sua saúde e que negligenciou a

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sua vida familiar. Pode também levar à conclusão de que precisa dar mais atenção à espiritualidade e a cultivo da sua relação com Deus. Em todo caso, o sofrimento quase sempre representa um desafio para a fé e levanta questões centrais relacionadas com a espiritualidade. Portanto se diante de tal situação, deixarmos de lado a espiritualidade, estaremos omitindo a própria natureza específica da nossa atuação pastoral. Na Capela da Escola Superior de Teologia, em São Leopoldo, atrás da mesa eucarística, há um singelo quadro que apresenta duas pessoas. Uma que acolhe a outra com um braço envolto em torno da mesma e o outro braço apontando para uma singela cruz que se encontra atrás do altar. O que eu vejo neste quadro é o seguinte: mesmo que seja importante que eu saiba acolher e ouvir uma pessoa em seu sofrimento, jamais devo entender-me como sendo o sujeito da cura ou da solução do seu problema. Cabe-me apontar para além de mim mesmo, para Cristo, o bom Pastor! O sofrimento e a doença suscitam, quase que naturalmente, questões existenciais como, por exemplo, a pergunta por que Deus permite que as pessoas tenham que sofrer. A doença também pode vir associada à pergunta pela culpa, ou seja, em que medida eu mesmo sou responsável pelo sofrimento que estou passando. Estou convencido de que se soubermos ouvir atentamente o que está no coração das pessoas com

quem falamos, não precisaremos introduzir artificialmente as questões relativas à espiritualidade. Elas estão latentes na grande maioria das situações de sofrimento e de conflito com as quais lidamos, seja no exercício do pastorado, seja no diálogo com nossos amigos mais próximos. Por isso é bom que, no seio da própria Igreja, se esteja redescobrindo o “lugar do sagrado na terapia”. Esta convicção está expressa no título do livro de Carlos José Hernandes, em cujo prefácio se afirma que a fé ilumina a prática psiquiátrica, pois “o paciente não só procura ser curado como também (ser) salvo”. Ou seja, tratar de questões de fé e de espiritualidade, têm tudo a ver com a própria natureza do ser humano, tanto na sua fraqueza e perversidade, quanto na grandeza dos seus ideais e no seu profundo anseio por plenitude e paz. Considero significativo o fato do Psicanalista Carl Gustav Jung, na maturidade da sua vida, ter observado que “dentre todos os meus pacientes na segunda metade da sua vida não há um só, cujo problema, em última análise, não fosse o de encontrar uma perspectiva religiosa da vida”. Por isso sou de opinião que nem a Psicologia e tampouco a Teologia são profundas, enquanto deixarem de considerar que o ser humano é, por natureza, um ser religioso, do qual Santo Agostinho diz: “... tu Senhor, nos criaste para ti e nosso coração está inquieto até que descanse em ti”.

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Sofrimento e Sabedoria Lothar Carlos Hoch

A sabedoria e o sofrimento São almas gêmeas. Só bebe da fonte da sabedoria Quem experimentar do fel do sofrimento. Sofrimento é angústia e escuridão Que alcança o âmago do ser E abala seus fundamentos. É como um redemoinho que tritura, Torna em ruína toda certeza, Abate qualquer esperança. Não obstante – quem ousa duvidar – O sofrimento pode se transformar Em terra fértil Que um novo ser Faz germinar. Para quem a opção vier a ter, Talvez valha a pena o risco correr E, na força do Espírito, Deixar a sabedoria prevalecer E, imergindo no sofrer, Todas as forças mover Para refundar as bases do seu ser. São Leopoldo, 21/05/2012

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Que tal, mais um grupo? P. em. Valdemar Lückemeyer

Legião? LELUT? O que é isso? Sim, muitos ainda desconhecem este maravilhoso setor de trabalho da IECLB, que está se expandindo, e muito, nos últimos anos. É com frequência que pastores, pastoras, lideranças de comunidades se dirigem à direção nacional da LELUT ou a alguém que conhece este trabalho, com a pergunta: Como podemos conhecer um pouco mais este setor de trabalho e o que devemos fazer para criar um grupo?

realização do 42º Concílio Geral do Sínodo Riograndense, o presidente do Sínodo P. Herman Dohms externou o pedido de que a igreja criasse grupos de homens que se empenhariam pela sustentação da igreja. Em 1949 foi criada a “Congre-

Sim, a LELUT está crescendo a cada ano. Isto é animador! Muito animador para quem há anos está se empenhando para fortalecer este setor junto às comunidades, buscando o envolvimento e a participação dos homens na sua igreja. O que é a LELUT? “Acredito que não é exagero, portanto, que seja justo afirmar e reconhecer que os traços do rosto da IECLB não seriam tão bonitos, não fosse a existência e o testemunho da LELUT. Embora não reúna multidões; embora sempre tenha sido necessário o empenho especial e abnegado de um grupo de líderes ousados, a ação da LELUT é decisiva para que continuemos semeando sementes do Reino, como transparência, respeito, ética, integridade.” (P. Presidente da IECLB, Dr. Nestor Paulo Friedrich). Já no ano de 1936, por ocasião da

gação Auxiliar” com a finalidade de angariar os meios necessários para manter e ampliar as obras da Igreja Evangélica no Rio Grande do Sul. E no ano de 1957 foi criado o setor “Legião dos Construtores da Escola de Teologia”, grupo de homens que buscariam recursos financeiros nas

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comunidades para a construção da Escola de Teologia/Faculdade de Teologia, hoje Faculdades EST, em São Leopoldo/RS. Este envolvimento de vários homens de diversas comunidades motivou a criação do 1º núcleo da Legião Evangélica com a fundação do Núcleo da Legião Evangélica de Carazinho/RS. Aos poucos novos grupos foram surgindo, primeiramente no Rio Grande do Sul e depois em Santa Catarina. A reestruturação da IECLB em 1997 e o novo Código Civil exigiram adaptações regulamentares. Hoje a Legião Evangélica Luterana – LELUT, embora presente basicamente nas comunidades da IECLB no sul do país está se expandindo e se fortalecendo. Atualmente já existem em torno de 50 núcleos, que se encontram a cada dois anos em Convenções Nacionais (anos ímpares) e em Assembleias Sinodais da LELUT em nível sinodal. A LELUT congrega homens evangélicos luteranos em suas reuniões

mensais. Nestes encontros mensais, que sempre iniciam com meditação e oração, são abordados - através de palestras - os mais diversos temas de interesse dos homens e da comunidade local. A alegria do encontro e o convívio fraterno entre irmãos recebem atenção especial em torno da mesa do jantar preparada e servida pelos próprios legionários. A Legião, e, por conseguinte os legionários querem ser uma ferramenta a serviço da nossa Igreja. E quando homens são motivados, quando são chamados pela Palavra de Deus a colocarem seus dons a serviço de Deus e do próximo, e atendem a este chamado, eles vão longe, e com muito entusiasmo! Na sua comunidade ainda não existe um núcleo da LELUT? Fale com seu/sua Pastor/a ou com o/a Pastor/ a Sinodal. Eles por certo podem lhe dar informações sobre sua finalidade e funcionamento e, certamente terão prazer em orientá-lo na criação de um núcleo deste setor de trabalho da nossa IECLB. O autor é Pastor emérito da IECLB residente em Carazinho/RS. Ele é um entusiasta da LELUT e por muitos anos foi seu pastor orientador

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Ciências e Fé - Fé ou ciências? P. Dr. em. Gottfried Brakemeier

Erwin Schrödinger, genial pioneiro da física quântica, escreveu em um de seus livros com respeito à ciência: “Ela fornece grande quantidade de informações sobre fatos, ela coloca toda nossa experiência em maravilhosa ordem sistemática; mas ela se recolhe em silêncio mortal quando se trata do que de fato afeta o nosso coração e o que nos é de real significado. Ela não diz uma palavra sequer sobre vermelho e azul, sobre amargo e doce, sobre dor e prazer do corpo, ela nada diz sobre o belo e o feio, sobre o bem e o mal, nada sabe sobre Deus e a eternidade.” Portanto, estética, ética, arte e religião são esferas alheias à ciência. Ela não tem antenas para captar tais realidades. O alcance da ciência é limitado. Por isto ela necessita da companhia da fé. Esta aplica outro olhar às coisas e percebe dimensões ocultas à investigação científica. Ela descobre, por exemplo, que a vida tem um sentido. Não somos qual peças jogadas no vazio, sem rumo e destinação. Não foi um enigmático acaso que nos deu a vida. Somos criaturas amadas e revestidas de dignidade. Tudo o que o ser humano tem é dom entregue a seus cuidados. Fé recebe com gratidão as maravilhas da natureza e reverencia os mistérios do universo. Nada é simplesmente “natural”. Resulta daí um imperativo, um

dever, uma tarefa. O ser humano está incumbido de responsabilidade pelo bem da criação e de seus semelhantes. Fé sabe que nem tudo é permitido. Existem limites entre o bem o mal. Sem essa perspectiva a realidade sofreria fatais prejuízos. Seria estúpido, pois, colocar fé e ciências nos termos alternativos: fé ou ciência, respectivamente ciência ou fé. Não se trata de optar entre uma e outra. Ambas tem sua razão de ser e contribuem para o bem do ser humano. Não podemos abrir mão nem da ciência nem da fé. É óbvio que cada qual tem sua maneira específica de encarar as coisas. A ciência quer provas. Sujeita os objetos a testes e admite como verdadeiro somente o que se pode medir, pesar e verificar em experimento. Realidades devem ser racionais, corresponder ao que se enxerga, ouve e vê. Realidades devem enquadrar-se numa visão de mundo que exclui fenômenos sobrenaturais, milagrosos e míticos. A ciência não quer crer, ela quer saber. Busca o conhecimento. O mundo técnico da atualidade é fruto desse espírito. A ciência mudou a face da Terra, brindando o ser humano com facilidades jamais imaginadas no passado. O olhar da fé é mais intuitivo. Ela percebe que a ciência fica devendo

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resposta às questões mais elementares da vida, como: Por que estamos aí? Para quê? Para onde vamos? Fé acredita haver uma realidade maior do que a da ciência. Ela enxerga para além do que se pode demonstrar. As coisas mais importantes da vida são invisíveis, disse um grande pensador. E, com efeito! Dignidade humana, por exemplo, foge à verificação científica. Não obstante é fundamental para vida condigna. Sem respeito à dignidade humana, vai irromper o caos social. Sem fé não há como enfrentar o absurdo e sustentar a esperança em meio ao sofrimento. É difícil imaginar um mundo sem fé nenhuma.

segredos da realidade. Como surgiu o universo, a vida, o ser humano? A religião deveria resistir à tentação de controlar a ciência e prescrever-lhe os resultados. A ciência vai elaborar a sua própria visão das coisas. Ela dificilmente descobrirá Deus no universo. Para tanto seus métodos são insuficientes. Seu interesse está em ampliar o conhecimento humano. E isto é um anseio justo e legítimo. Ninguém vai querer renunciar às conquistas das ciências naturais, voltar no tempo e restabelecer as condições da idade da pedra. A ciência necessita de liberdade para desabrochar. A fé não tem motivos para reprovar tais propósitos.

A fé cristã enxerga Deus por trás das coisas. Ele é a fonte, da qual tudo provém, perante quem somos responsáveis, que nos conduz e que abre futuro mesmo frente à morte. Não se trata de um Deus qualquer. Também fé pode perverter-se e acabar em idolatria. Por isto é necessário prestar contas da fé. Importa crer naquele Deus que ama a sua criatura e que lhe ensina o amor. É o Deus que se revelou em Jesus Cristo. Quando perguntamos pela relação entre “fé e ciência” convém lembrar este aspecto.

Mas como reagir se os resultados da ciência entram em conflito com os dizeres da Bíblia? De acordo com o livro de Gênesis o universo surgiu por criação divina num espaço de seis dias. Enquanto isso a ciência fala numa evolução de bilhões de anos. Onde está a verdade?

Sob tal ótica não se trata de substituir a fé pela ciência ou vice-versa. O que importa é correlacioná-las devidamente. Nada impede que a ciência investigue os mecanismos da natureza, que pergunte pelo funcionamento das coisas, que penetre nos

Ora, a Bíblia não pretende oferecer informação científica. Ela interpreta a realidade. Para tanto usa linguagem simbólica. A fé descobre criação na evolução, ou seja, a fé vê a mão criadora de Deus na história. A ciência ultrapassa seus limites quando reivindica exclusividade para a sua visão das coisas. O que sobraria nesse caso é um mecanismo frio e impessoal, sem sentido e finalidade. A fé cristã não se conforma com isto. Ela afirma que o universo é transparente para a ação de Deus, assim

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como, aliás, é transparente também para o pecado humano. A Bíblia é um livro de sabedoria, não de ciência. Comete abuso quem a desrespeita nessa qualidade e quer lê-la como um livro de ciências. A relação entre fé e ciência às vezes se apresentou tensa. Até mesmo

houve mártires. Ainda hoje permanecem suspeitas de parte a parte, o que é profundamente lamentável. Ambas devem aprender a parceria. O saber precisa do crer e vice-versa. A igreja cristã pode contribuir para evitar que a fé acabe ignorante e a ciência descrente. O autor é pastor e professor de teologia emérito da IECLB e reside em Nova Petrópolis/RS

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Música na IECLB – sua função, seu jeito de ser P. em. Oziel Campos de Oliveira Junior

Existe um jeito de se fazer muitas coisas. Existe um jeito de se fazer queijo; existe um jeito de se preparar o campo para a semeadura do feijão; existe um jeito de se celebrar os casamentos na Igreja luterana. Não é verdade? Então, surge a pergunta: existe um jeito de se fazer música na IECLB? Essa pergunta é muito importante, muito significante. O jeito de se fazer algo ajuda muito na qualidade final do produto. Do jeito de se pilotar um avião, por exemplo, pode depender a vida ou a morte para os seus passageiros. Então, quando estou voando, espero que o piloto dirija essas muitas toneladas de metal “do jeito certo”. Pois bem? Qual é o jeito de se fazer música na Igreja na IECLB? Quando ouvimos a expressão “fazer música,” podemos pensar em, pelo menos, duas coisas. Tocá-la, executá-la em um culto, em uma reunião, em uma comemoração ou, compor. Vamos falar, primeiramente, na questão da composição de músicas na nossa Igreja. Vejamos um exemplo. Quando minha filha tinha oito anos de idade, ela cantava e dançava usando um vidro de perfume vazio em forma de microfone. Admirado, comentei: Karina..., eu acho que você

vai ser uma boa cantora! Ela se sentiu muito importante. Mas, logo em seguida, eu lhe disse: “mas, acho que você deveria ser uma cantora para Jesus.” Sem entender nada, ela perguntou o que significava isso. Eu respondi: “a gente pode ser cantor/a para o mundo ou para Jesus. Quando a gente é cantor/a para o mundo, a gente dá entrevistas, aparece nas revistas e na televisão, é fotografado/a e ganha muito dinheiro. Quando a gente é cantor/a para Jesus, a gente faz muitas coisas desse tipo, só que, ninguém dá muita atenção pra gente, a gente não ganha muito dinheiro e todo mundo começa a falar somente de Jesus.” A Karina me olhou muito triste e respondeu: “Eu quero ser cantora para o mundo.”. O jeito de se fazer música na IECLB, sempre foi, e ainda deve continua a ser, o “jeito teológico”. O “jeito teológico” foi o jeito de Lutero. O jeito teológico de ser fazer música é quando a música fala da vida, da morte e da ressurreição de Jesus Cristo. O “jeito teológico luterano” de se fazer música é a mania de se apontar para o significado da cruz, que na cruz Jesus morreu pelos nossos pecados, que ali, ao morrer e ao ressuscitar, Jesus nos reconcilia com o seu Pai. É uma maneira de cantarolar o que Deus fez em nosso favor,

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porque nos ama. É a mania de falar, escancaradamente, do seu amor, da sua graça, do seu abraço, de seu convite.

ção por qualquer músico ou por qualquer comunidade luterana. Nessas situações, deveríamos protestar veementemente.

Há pouco tempo participei de uma Conferência de Obreiros da nossa Igreja. Antes de começar a reunião, o dirigente me chamou e disse: “vai tocando qualquer coisa aí pra gente começar a reunião.” Essa compreensão superficial do que é música evangélica cristã está, muitas vezes, presente em muitas pessoas. Usa-se a música como se fosse sino, para convocar as pessoas. Usa-se música para preencher lacunas, enquanto “as pessoas vão ao banheiro”. Usa-se a música para “encher linguiça.” Esse, certamente, não é o “jeito luterano” de se fazer música. Tal uso deveria ser considerado uma desconsidera-

Existe também um “jeito luteranoevangélico” de se fazer música no sentido de se escolher um repertório para nossos cultos, para nossas comemorações, casamentos, etc. O jeito de se fazer isso é escolher música cujo conteúdo fale do Evangelho, fale da pregação indicada para aquele dia, fale da ação de Deus a nosso favor, fale da sua graça, do seu amor, da justificação pela fé, do sacerdócio de todos os crentes, etc. O jeito de se fazer música na Igreja Evangélica Luterana não é o que, às vezes, é chamado de “enlevo espiritual”, de beleza estética, de letras e melodias que o impressionam os

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ouvintes. Certamente: a poesia, a métrica, a melodia, a rima e outros aspectos da música, se bem feitos, causam prazer e alegria. Mas esse não é critério do que significa “boa música evangélica luterana” . Hoje em dia encontramos em muitas igrejas, televisão e estações de rádio muita música que leva o rótulo de “evangélica”. Muitas delas têm melodias agradáveis e bonitas. Porém, quem tem uma compreensão evangélico-luterana da Bíblia, de música e de teologia, vai entender que não passam de “religiosidade humana”, cantada com entusiasmo. Poderíamos terminar dizendo assim: tudo aquilo que fala do que Deus fez e faz por nós, “é Evangelho”! Por exemplo: Ele nos ama, envia Jesus, nos procura como uma ovelha perdida, perdoa os nossos pecados, nos justifica, nos presenteia com a fé, nos abraça, nos torna filhos e filhas. Tudo aquilo que vem na direção de Deus para nós, é Evangelho. O mesmo vale para a música. Por outro lado, tudo aquilo que fala do que nós fazemos para Deus, pode até ter aparência de Evangelho, mas “é apenas religião.” Por exemplo: nossas orações, promessas, o querer agradar a Deus

através das obras, etc. A música na IECLB tem como propósito: reunir o povo de Deus e ajudálo na expressão da gratidão e do louvor. É a expressão do Corpo de Cristo, do sacerdócio de todos os crentes. A “música na IECLB” tem a função de falar daquele que nos amou através de Cristo para que anunciemos “as grandezas daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pedro 2.9). Façamos música na IECLB. Façamos muita música na IECLB. Vamos compor muita música na IECLB, cantar muita música. Escolhamos muita música para nossos cultos e comemorações. Porém, que essas músicas tenham conteúdos biblico-teológicos, que falem da ação de Deus a nosso favor, que nos chame ao arrependimento, ao louvor, ao serviço, à comunhão. Considerando tudo isto, espero que não estejamos decepcionados, como ficou minha filha Karina, ao entender que a música evangélica luterana deve ser feita para honra e glória de Deus. E que ela também “alegre o coração daqueles que o servem com alegria”. O autor é pastor emérito da IECLB e compositor de diversas músicas de nosso hinário, residente em Palhoça/SC

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Secretaria da Ação Comunitária – SAC P. Dr. Mauro Batista de Souza

A Secretaria da Ação Comunitária (SAC) é a mais jovem secretaria na administração central da IECLB. Ela foi implementada em 2005 e preenchida pela primeira vez em 2008, com o objetivo de empoderar e facilitar o trabalho nos Sínodos, nos assuntos referentes à ação comunitária. Seu trabalho é realizado através de um secretário de área e seis coordenações: Diaconia, Diaconia Inclusão, Gênero/Gerações/Etnias, Juventude/Programas de Intercâmbio, Liturgia e Música. Apesar de estar localizada em Porto Alegre, talvez muito distante de onde você reside, o trabalho da SAC pode ser percebido em sua Comunidade de forma bem concreta nos materiais de estudos, nas liturgias, nas músicas, nos grupos que estão organizados na Comunidade. Você já deve ter visto ou ouvido falar dos cadernos de estudo e celebração para o Dia Nacional da Diaconia, no Terceiro Domingo da Páscoa. Ou então, na cartilha para a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência, que acontece, todos os anos, entre os dias 21 a 28 de agosto. Além disso, sua Comunidade, através da ministra ou ministro que lá atua, recebe propostas de liturgias para datas especiais como, por exemplo, Dia Internacional da Mulher, Dia da Reforma, Dia Internacional da Não Violência Contra as Mulheres, lança-

mento do Tema do Ano. E quanta música nova está sendo composta e divulgada através do trabalho da Coordenação de Música! Em comum, esses materiais têm a coordenação de sua elaboração e distribuição na SAC. Como a IECLB tem muitas comunidades espalhadas por todo o território nacional, seria impossível para nós, da SAC, acompanhar e apoiar o trabalho individualmente. Por isso, a nossa relação é com os Sínodos e seus diversos Conselhos Sinodais (de música, de diaconia, de formação, de liturgia, de jovens, etc.). Esse contato é uma via de mão dupla: parte tanto do Sínodo quanto da própria SAC. As experiências têm sido muito positivas. A SAC também faz interlocução direta com diversos Conselhos Nacionais: CONAD (Diaconia), CNM (Música), CONAJE (Juventude). Estes conselhos são bastante representativos porque são compostos de pelo menos uma pessoa de cada Sínodo da IECLB. Estamos igualmente em articulação com grupos organizados nacionalmente, como a Associação Nacional da OASE, a Legião Evangélica Luterana e o Fórum de Reflexão da Mulher Luterana. Na área de formação, a SAC tem oferecido vários cursos como o Vida no Limiar da Morte, Multiplicadoras e Multiplicadores de Diaconia, Confecção de Paramentos, Oficinas na área

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da Música, da Liturgia, da Violência contra a Mulher. Assessoramos ou buscamos assessorias para palestras em eventos organizados pela OASE, em Acampamentos de Jovens, por Grupos de Mulheres, em Conferências de Ministras e Ministros. Em cooperação com a Secretaria de Formação e a Secretaria da Habilitação ao Ministério, participamos do Programa de Acompanhamento a Estudantes de Teologia e de retiros de Candidatas e Candidatos ao Ministério na IECLB, fazendo-nos presentes em seminários e sugerindo temas. Promovemos, também, a publicação e distribuição de materiais em temáticas da área de abrangência da Secretaria. Além dos materiais para o Dia Nacional da Diaconia, para a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência, temos, também, a intercessão pelo Dia Mundial de Oração pela Diaconia (dia 26 de cada mês), a cartilha Conviva com a Diferença, Lipe e sua Turma e a cartilha de Estudos sobre Gênero. Todos esses materiais são excelentes subsídios para estudos em grupos comunitários. A maioria está disponível de forma eletrônica no portal luteranos (www.luteranos.com.br). Nossa assessoria aos Sínodos, Paróquias e Comunidades se dá, também, através de orientações para assuntos específicos, como adaptações arquitetônicas de templos e Centros Comunitários, por exemplo. Além disso, auxiliamos na definição de temas e assessorias para palestras e seminá-

rios relacionados aos assuntos com os quais trabalhamos: inclusão e acessibilidade, gestão de projetos diaconais, violência contra a mulher. Um importante trabalho coordenado pela SAC é com Jovens. Em 2014 tivemos uma amostra bem concreta desse trabalho. Você deve ter ouvido falar do CONGRENAJE (Congresso Nacional da Juventude). Cerca de novecentos jovens, de todas as regiões do Brasil e de todos os Sínodos, se reuniram em Espigão do Oeste/ RO, durante cinco dias. Alguns grupos viajaram mais de 60 horas para participar. Foi lindo ver toda aquela gente jovem, cantando, estudando a bíblia, experimentando novas formas de relacionamento, desafiandose a ser uma geração de jovens que, motivada pela fé, se coloca em ação para “mudar o mundo e mudar o mundo mudado”. A nossa juventude tem a oportunidade de conhecer outra cultura, aprender outra língua e, principalmente, conhecer outras formas de viver a fé e mostrar o nosso jeito luterano brasileiro de celebrar a vida e a fé através de Programas de Intercâmbio (neste momento com Igrejas parceiras da Alemanha, Suécia e Estados Unidos). Todos os encaminhamentos, incluindo o acompanhamento, são coordenados pela SAC. Outra atividade muito importante é a administração de recursos provenientes de ofertas e de projetos apoiados por instituições parceiras. As Coordenações analisam e encami-

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nham recursos provenientes dessas fontes para as finalidades específicas e previamente aprovadas pelo Conselho da Igreja. Com essas ofertas, projetos como encontros sinodais de mulheres e de jovens, cursos de qualificação para instituições diaconais e publicações diversas são apoiados. Além disso, muitas comunidades têm sido beneficiadas com a aquisição de bíblias, possibilitada pelo Fundo de Bíblias, alimentado por uma oferta nacional. A coordenação de Diaconia, entre várias outras atribuições, encaminha, acompanha e administra fundos que as comunidades ou entidades com vínculo confessional com a IECLB, que desenvolvem trabalho com crianças e adolescentes empobrecidos, recebem da Fundação Liselotte & Rosina Heinrich. Quem sabe sua comunidade ou a entidade

onde você trabalha pode ser beneficiada por um desses projetos? Editais são publicados anualmente no portal luteranos. Em parceria com a Fundação Luterana de Diaconia, coordenamos a Rede de Diaconia da IECLB, a exposição interativa “Nem Tão Doce Lar”, e facilitamos os encaminhamentos e formação na área de resposta a emergências e catástrofes. Enfim, nossa área de trabalho é bem abrangente e nos alegramos em estar a serviço da missão de Deus na IECLB. Com o auxílio e a orientação de Deus, queremos continuar auxiliando o seu grupo, a sua instituição, a sua comunidade, a sua paróquia, o seu Sínodo. O autor é Secretário de Ação Comunitária e atua na Secretaria Geral da IECLB em Porto Alegre/RS

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As orações de uma senhora idosa P. Dr. Osmar Zizemer

Vivemos num tempo, em que cada vez menos as pessoas estão dispostas a memorizar, a aprender/estudar alguma coisa de cor. Isto vale para a área escolar (refiro-me a exemplos como a tabuada, poesias, músicas, bem como a conteúdos de modo geral, como fórmulas matemáticas ou químicas, dados geográficos ou históricos, etc.). A mesma observação vale para a área religiosa (exemplos: os Mandamentos, as demais partes do Catecismo Menor, Salmos, Hinos, Orações, etc.). Parece tudo tão mais fácil, sem o esforço de memorizar. Afinal, o Google está aí, a calculadora... Em algumas salas de aula até se inventaram as famosas “provas com consulta”! Como argumento contra a memoriza-ção até se usa um termo pejorativo: Decoreba! E isto embora na sua origem a expressão “estudar/aprender de cor” tenha o bonito significado de “estudar/aprender de coração”! Na minha prática pastoral tenho me confrontado com inúmeras situações que me levaram a reconhecer e a convencer-me de quanto é valioso saber algumas coisas de nossa fé de cor! Trago dois exemplos apenas: 1) Uma senhora, com cerca de 90 anos, se debate pelo segundo dia em sua luta de morte. Familiares chamam o pastor, porque não sabem

mais o que fazer. Quando chego, a senhora tem breves momentos de lucidez, e me solicita: – Pastor, eu ainda quero orar o Salmo do “Meu Pastor”. Mas eu não consigo mais. O senhor me ajuda? Recitamos juntos o Salmo 23: “O Senhor é o meu Pastor, nada me faltará... e habitarei na Casa do Senhor para todo o sempre.” E ela encerrou a nossa oração do salmo com um “Amém” bem claro e audível. Foram as suas últimas palavras. Dei-lhe uma bênção, me despedi e pus-me a caminho. Cerca de uma hora depois – eu mal chegara em casa – toca o telefone e me comunicam: A senhora, com quem o senhor esteve há pouco, acabou de falecer em paz! 2) Em certa comunidade do interior havia uma senhora, já avançada em anos, muito fiel. Dificilmente faltava a um encontro de seu grupo de OASE. Chamava-me a atenção com que ânimo e alegria ela acompanhava os cantos do hinário que cantávamos. Certo dia levei um canto novo. Eu o distribuí em uma folha às participantes. Mesmo sendo um canto fácil, aquela senhora não acompanhou o canto. Ao final do encontro daquele dia perguntei-lhe se não gostara do canto. – Gostei sim, pastor. É muito bonito.

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–E porque a senhora não nos acompanhou no canto? – perguntei-lhe. – Mas eu não sei ler, pastor! – foi sua resposta. Perguntei-lhe: – Mas como a senhora acompanha os outros cantos? – Eu os aprendi de cor no tempo do Ensino Confirmatório, da Juventude, e ao longo da vida! – respondeu-me com um sorriso. Encontrei também o seguinte testemunho do teólogo ANSELM GRÜN (em Geborgenheit finden, Rituale feiern , Kreuzverlag, Stuttgart 1997) sobre a utilidade, ou melhor, a importância do “estudar de cor”: “Minha mãe de 86 anos, ainda depois dos 80 estudou de cor algumas orações que encontrou em nosso livro litúrgico: Uma oração pelo seu falecido esposo, uma oração pelos seus filhos e netos, e uma oração pedindo paciência e serenidade na sua velhice. Fiquei profundamente tocado quando ela me disse que ela repete estas orações a cada manhã. As orações préformuladas a ajudam a dar expressão aos seus sentimentos e ao mesmo

tempo também vão modificando os mesmos. Em vez de queixas sobre os desconfortos e as dores da velhice, estas orações lhe proporcionam o sentimento de que sua vida é preciosa, e que ela ainda tem algumas tarefas importantes no seio de sua grande família. E isto a faz agradecida e lhe traz satisfação e serenidade. As orações repetidas a cada manhã marcam os seus sentimentos e a deixam intuir algo do mistério que é poder se levantar a cada manhã em nome de Deus e viver mais este novo dia em gratidão. Durante o dia mamãe ora mais algumas orações pelos seus filhos e netos... Especialmente para pessoas em idade avançada os rituais (de oração) definem se na velhice elas aprendem a sabedoria e a gratidão, ou se elas se tornam um peso para os demais. E memorizar orações pré-formuladas poderia ser-lhes um bom auxílio para iniciar e para terminar cada dia!”

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O autor é pastor da IECLB e reside em Blumenau/SC


Corrupção P. em. Meinrad Piske

“Ou o Brasil acaba com a corrupção - ou a corrupção acaba com o Brasil.” Em tempos passados, assim como nos dias de hoje lamenta-se a corrupção no Brasil. Darwin, em passagem pelo Brasil no ano de 1832, disse “aqui todos são subornáveis”. No nosso país, assim como em muitos outros países, a corrupção está presente. Entra governo, sai governo e a corrupção permanece ou até cresce. Arnaldo Jabor escreveu que no Brasil “tudo foi construído assim, por séculos, nesse adultério entre a grana pública e privada. Só a corrupção move o país.” E a revista France Football, descrevendo e analisando os preparativos para a Copa do Mundo em 2014 afirmou: “A corrupção no Brasil é endêmica, do povo ao governo”. Há quem afirma que Pedro Álvares Cabral não só descobriu o Brasil como introduziu também a corrupção. Naqueles primeiros anos e decênios do Brasil Colônia, a corrupção estava ligada à extração do pau-brasil. Ao longo de toda a história encontramos suspeitas ou afirmações contundentes sobre a corrupção no Brasil. Na história mais recente podem ser destacadas as seguintes situações de escândalo por causa de acusações de corrupção em nível de governo federal: - Um dos motivos do suicídio de presidente Getúlio Vargas na década de

1950 foram as graves acusações de corrupção por membros de seu governo e de pessoas próximas a ele; - durante a construção de Brasília pelo presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, suspeitas de muita corrupção agitaram o país inteiro; - A chamada revolução ou golpe militar de 31 de março de 1964 se definiu como salvadora do país de dois perigos que o ameaçavam: subversão e a corrupção; - Em 1976 estourou o escândalo das mordomias de altos funcionários e integrantes do Governo em Brasília; - O ex-presidente Fernando Collor de Mello sofreu o processo de impeachment com acusações de corrupção; - Nos últimos anos o processo do mensalão movimentou toda a nação sendo que 25 acusados foram condenados. No ano de 2014, ano da Copa do Mundo e da eleição do Presidente do Brasil, dos Governadores, de Senadores, Deputados Federais e Estaduais, a corrupção é o grande tema que se discute. Levantam-se suspeitas sobre a honestidade na construção dos grandes estádios de futebol e sobre uma possível manipulação para que fosse campeão aquele país que a FIFA determinara com antece-

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dência. Igualmente na área política, o julgamento do “Mensalão” pelo Supremo Tribunal Federal com a condenação de 25 acusados, fez com que a corrupção se tornasse assunto de discussão em todos os lugares e em todas as ocasiões. Não só isto: cada um tem a sua convicção, sendo que a maioria entende que “os políticos” são os grandes responsáveis pela corrupção, mas que de agora em diante a situação vai mudar. A corrupção é discutida tanto na área do futebol da Copa do Mundo como na política das eleições. E a voz menos avisada do povo já encontrou os culpados bem como a solução para vencê-la. “Todo político é corrupto.” “Quem deve acabar com a corrupção no país é o governo.” Uma pesquisa de opinião mostrou que em primeiro lugar o nosso povo brasileiro quer que a questão da corrupção seja resolvida – “pelo governo”. Mas, será tão simples assim? Ou a corrupção é bem mais complicada para ser entendida e, passo seguinte, ser combatida? É impressionante que a ONU, a Organização das Nações Unidas, decretou o dia 09 de dezembro como dia de combate contra a corrupção. O que levou a esta resolução foi a constatação de que a corrupção existe em todos os países: “A corrupção é um complexo fenômeno social, político e econômico que afeta todos os países do mundo”. O sétimo mandamento também compreende a corrupção quando diz

“Não furtarás”. E a explicação de Lutero no Catecismo Menor afirma que “devemos temer e amar a Deus de maneira que não tiremos ao nosso próximo o dinheiro ou os bens, nem nos apoderemos deles por meio de mercadorias falsificadas ou negócios fraudulentos...” Este mandamento é claro e sucinto quando afirma que Deus proíbe o roubo. E subentende-se positivamente, que devemos agir honestamente e ser honestos. No Catecismo Maior Martim Lutero entra em mais detalhes quando afirma que “furtar não é outra coisa senão apropriação injusta de bens alheios, o que, em poucas palavras, compreende toda espécie de vantagens, para desvantagem do próximo, em toda sorte de negócios.” E o Reformador descreve o roubo, ou a corrupção de forma muito concreta: “Furtar é vício amplamente difundido e muito comum. Tão pouco, entretanto, se repara e atenta, que já ultrapassa todas as medidas, de forma que, se fossem enforcados todos os que são ladrões – embora não queiram que assim os chamem – o mundo em breve ficaria deserto e haveria insuficiência de carrascos e forcas”. Corrupção faz lembrar a afirmação do apóstolo Paulo: “Não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço” (Romanos 7.20). Pessoa honesta não é corrupta e o corruptor não é honesto. Aqui no Brasil o político, de forma geral, é considerado e chamado de corrupto. Uma pesquisa de opinião mostra

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que as três maiores preocupações do povo brasileiro são a corrupção, a saúde pública e a segurança. Impressionante é que a corrupção aparece em primeiro lugar, só depois, muito depois aparece a preocupação com a saúde pública e com a segurança. Lembramo-nos do ex-presidente Fernando Collor Mello que sofreu o impeachment em 1992 motivado por escândalos e suspeitas de corrupção. Foi a primeira vez na história de toda a América Latina que um presidente eleito teve o seu mandato e seus direitos políticos cassados pelo Congresso. Isto é: Não por um golpe o Presidente Collor foi deposto, mas pela aplicação da lei. O que faz com que o brasileiro pense na eliminação da corrupção e no afastamento dos corruptos de toda e qualquer área de atuação do governo? O ex-presidente Lula é acusado de ter facilitado a corrupção no seu governo, e ele se defende e diz que nenhum presidente fez tanto para combater a corrupção como ele. O Promotor de Justiça Jairo Cruz Moreira coordena em nível nacional a campanha do Ministério Público “O que você tem a ver com a corrupção”. Ele pretende mostrar que atitudes, consideradas normais

por muitos, “são na verdade um desvirtuamento ético.” Poderíamos dizer também que o jeitinho, o “jeitinho brasileiro” é a porta de entrada para a corrupção. Foi elaborada uma lista de 10 “pequenas” corrupções. São as seguintes: - Não dar nota fiscal; - Não declarar Imposto de Renda; - Tentar subornar o guarda para evitar multas de trânsito; - Falsificar a carteirinha de estudante; - Dar/aceitar troco errado - Roubar TV a cabo; - Furar a fila; Comprar ou vender produtos falsificados; - No trabalho, bater o ponto pelo colega; - Falsificar assinaturas. A corrupção não é um pecado isolado, não é um crime entre tantos outros. A corrupção é atitude de vida. Viver corrompendo ou se deixando corromper não combina com a fé e a obediência à vontade de Deus. Não só os adultos devem ser lembrados disso, mas as crianças pequenas já devem ser educadas nesta visão da vida correta e justa. Porque “aceitar essas pequenas corrupções legitima aceitar grandes corrupções.” O provérbio ensinado por Salomão afirma: “Ensina a criança no caminho em que deve andar e ainda quando for velho não se desviará dele” (Provérbios 22.6). O autor é pastor emérito da IECLB e reside em Brusque/SC

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Jejum e Desintoxicação – um modo de recuperar e manter a saúde Marlene Zizemer Gaede

O fundamental para a cura de muitas doenças é a reconstituição celular do corpo. Para isso precisamos, em primeiro lugar, inibir a prisão de ventre. E nesse processo, o jejum é um elemento fundamental. Como agente de saúde, o jejum atua deixando o organismo descansar do trabalho digestivo diário, para que as energias que normalmente atuariam na elaboração de alimentos, atuem nas funções de eliminação e purificação. Pode-se dizer que a vida é o resultado de um duplo processo: Nutrição e Eliminação. Quando, no jejum, se suprime a nutrição, ativa-se a eliminação. Por esta razão o jejum constitui-se no processo de purificação mais eficaz e simples em pessoas adultas. Aplicando-se a sua prática em casos de doenças agudas e crônicas, ele serve também como caminho natural para restaurar a saúde. Quero compartilhar aqui alguns depoimentos de pessoas que participam dos programas de JEJUM e DESINTOXICAÇÃO, que acompanho e oriento em comunidades da IECLB Brasil afora: Irene Schnepfleitner da OASE de Santo Ângelo/RS escreve: “Fazer um

Jejum e Desintoxicação anual é um momento de parar, de refletir e perguntar: O que faço por minha vida, minha saúde e meu bem estar? Para mim, participar deste programa é um presente e uma oportunidade de cuidar do meu físico, psicológico e espiritual. Faz nove anos que participo deste grupo que realiza este programa de Jejum e Desintoxicação, anualmente. Melhorei meus hábitos alimentares e a cada ano renovo e amplio os meus conhecimentos sobre o cuidado com a saúde. É muito saudável dar esta parada, também para rever valores e pensar sobre o ditado popular que diz: Nós morremos pela boca. Muitas coisas contribuem para que nos intoxiquemos, os alimentos transgênicos, pesticidas, agrotóxicos, medicamentos, alimentação desequilibrada. Por tudo isto recomendo aos nossos leitores e leitoras: Venham participar deste programa”. Mirtis Preus de Cachoeira do Sul/RS escreve: “Fazer o jejum e desintoxicação pelo menos uma vez por ano é para mim um presente que dou para o meu corpo, para minha mente para minha espiritualidade”.

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São dias preciosos que nos desligamos do automático e da agitação do dia a dia para desfrutar de uma serenidade e uma conexão com Deus, pois nossos pensamentos são de gratidão pela vida recebida.

amizade, rever pessoas queridas e favorecer ainda mais o elo de amor entre o grupo.

No retiro de Jejum e Desintoxicação também podemos refletir sobre nossos objetivos de vida, fazer uma avaliação.

Sou muito grata por sermos acolhidas com simplicidade, de nos ajudar a perceber as possibilidades em nossas vidas.”

Nada em nossa vida é por acaso e vivenciar estas experiências com outras pessoas, é gratificante.

Ele também um tempo de celebrar a Contato e maiores informações com Marlene Zizemer Gaede, Fone: (51) 3628-5205 ou por E-mail: marlenezgaede@gmail.com

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Receitas caseiras Colaboração de Marlene Zizemer Gaede

Dicas para tratar feridas e machucaduras: 1 – Chá de tronco de bananeira - Cortar 2 rodelas de tronco de bananeira com 2 cm de espessura; ferver com 1/2 litro de água por 5 minutos; deixar amornar. - Com um pano limpo e branco colocar sobre a ferida. - Trocar a cada 1/2 hora (4 vezes). 2 – Raspa de casca interna da banana - Raspar a casca interna de banana (fruto) e aplicar sobre a ferida com um pano branco. Se a ferida for profunda e estiver aberta, coloca-se a raspa da casca da banana em meio ao pano de forma que não encoste direto na ferida. - Trocar este curativo 2 vezes durante a manhã e duas vezes durante a tarde. - Durante a noite colocar um pano embebido em azeite de oliva extra virgem sobre a ferida.

O Valor Medicinal da Abóbora Auxilia no tratamento de infecções; diurética; fortalece o sistema ósseo, nervoso e muscular; antirreumática; fortalece os olhos e a pele; ameniza náuseas na gestação. É depurativa (auxilia no tratamento de colesterol, triglicerídeos, glicose, ácido úrico). Receita: - 100g de abóbora com casca; - 1 copo de água. Bater no liquidificador até formar um creme. Tomar em Jejum, durante 15 dias (preventivamente). Tomar em jejum durante 2 ou 3 meses (dependendo da gravidade).

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Palavras cruzadas: SANTA CEIA Colaboração: P. em. Irineu Wolf – Solução na página 194

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Jornal O CAMINHO 30 anos de comunicação P. em. Anildo Wilbert

O jornal O CAMINHO, publicado pelos Sínodos Vale do Itajaí e Norte Catarinense/IECLB, completa 30 anos de circulação em 2015. Mantém-se financeiramente com as assinaturas e patrocínio de empresas e particulares. A sua tiragem atual é de 22.000 jornais, circulando principalmente nesses dois sínodos, mas também em nível nacional e no exterior. Histórico Na caminhada das comunidades luteranas, a comunicação através de jornais e boletins informativos sempre foi uma praxe. Certamente cada um de nós tem boas lembranças de um boletim ou jornal de sua igreja de épocas passadas. No leste de Santa Catarina foram editados, conforme O Caminho de abril de 2005, diversos jornais: em 1862, em Joinville, “Die Koloniezeitung” (Jornal da Colônia); em Blumenau: 1881 “Die Blumenauer Zeitung” (Jornal de Blumenau) e em 1883 “Der Immigrant (O Imigrante). Este três jornais eram seculares que, também, traziam notícias e informações das comunidades evangélicas. Em 1893, em Blumenau surgiu “Der Urwaldsbote” (Mensageiro da Selva),

editado pela Conferência Pastoral de Santa Catarina. Em 1895, em Brusque foi lançado “Sonntagsblatt für die Evangelischen Gemeinden in Santa Catarina” (Folha Dominical para as Comunidades Evangélicas de Santa Catarina). Em 1905, em Joinville o “Evangelisch-lutherisches Gemeideblatt¨ (Jornal da Comunidade Evangélico-luterano); em 1908, em Blumenau “Der Christenbote” (O Mensageiro Cristão) que substitui a Folha Dominical para as Comunidades Evangélicas de Santa Catarina. Estes dois jornais foram lidos nas comunidades até l962, quando então os Sínodos Luterano e Evangélico uniram-se, formando o Sínodo Evangélico Luterano Unido. Com esta união, surgiu o jornal A Voz do Evangelho, substituindo os dois anteriores. Assim, a comunicação entre os membros estava presente no dia a dia. Com a reestruturação da IECLB em 1968, dissolveram-se os antigos sínodos, e foram criadas as regiões eclesiásticas. No ano seguinte os jornais sinodais, até então ainda em circulação, foram encerrados e lançouse o Jornal Evangélico (São Leopoldo/RS) de circulação nacional, com a tarefa de suprir as necessidades de comunicação nas comunidades em todo o Brasil.

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Na então Segunda Região Eclesiástica, com a sua sede em Joinville/SC, com o passar do tempo verificou-se uma acentuada diminuição das assinaturas do Jornal Evangélico. Na época o Pastor Regional MEINRAD PISKE, perguntava: Será que devemos lançar novamente um jornal para a II Região Eclesiástica que trate assuntos de interesse regional? Ele afirma: “A ideia de criar um jornal regional tem longa história. No conselho regional e na reunião de pastores distritais da 2ª Região Eclesiástica da Igreja a falta de informações nas comunidades foi assunto de muita reflexão. Começou-se a pensar e falar na possibilidade de editar um jornal para as comunidades e paróquias dos Estados de Santa Catarina e Paraná, área de abrangência da 2ª Região”. Depois de contatos preliminares entre a liderança regional e a direção da IECLB, marcou-se uma reunião em Florianópolis/SC para dialogar e debater os prós e os contra da criação de um novo jornal. No final do encontro, a direção da Igreja aceitou o lançamento de um jornal de circulação regional. Assim surgiu “O CAMINHO” em abril de 1985, reportando-se à expressão “os do caminho” conforme o livro de Atos dos Apóstolos 9.2. Expressão dada ao movimento cristão, isto é, aos seguidores de Jesus Cristo, caracterizado na sua maneira de proceder e viver. Com certeza, os fundadores do jornal O CAMINHO tive-

ram o propósito especial de, a partir de sua fé e vivência cristã, estar a serviço do reino de Deus. Trilhar os passos de Jesus. Estrutura de funcionamento A estrutura de seu funcionamento é constituída pelo Conselho de Redação, composto pelos Pastores Sinodais e três representantes de cada um dos sínodos Vale de Itajaí e Norte Catarinense; dois representantes da Comunhão Martim Lutero, do Diretor de Redação e, como convidados, um representante do Sínodo do Centro Sul Catarinense e um representante do Sínodo Paranapanema. Mensalmente o Conselho de Redação se reúne para avaliar o exemplar do mês em curso e planejar e elaborar o próximo número. No final do 2º semestre acontece uma reunião de avaliação e planejamento para o ano seguinte. O jornal O CAMINHO é feito por muitas mãos, que juntas buscam comunicar o Evangelho. Hoje é também um veículo multimídia, disponível em versão eletrônica, o que possibilita o acesso de um público mais amplo e diferente daquele que lê o jornal impresso. Agradecimentos Agradecemos a todos que juntos caminharam, aos leitores que deram todo o seu apoio com sugestões e comentários, às comunidades e pa-

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róquias realizando assinaturas coletivas e apoiando assim, a publicação. Agradecemos às pessoas que já integraram e às que hoje integram o Conselho de Redação de forma voluntária. Agradecemos aos colaboradores, convidados ou espontâneos, que com artigos, textos, fotografias e outros materiais nos ajudam a “fazer” nosso jornal. Agradecemos pela administração, redação e distribuição, trabalho realizado inicialmente através da secretaria da RE II e a partir de julho de 1988 pelo P. Friedrich Gierus junto ao Centro de Literatura Evangelística/Blumenau. Agradecemos aos anunciantes que colaboraram ao longo dos anos e aos que hoje colaboram financeiramente para a manutenção do nosso CAMINHO. Agradecemos à 2ª Região Eclesiástica, na pessoa do então Pastor Regional Meinrad Piske e sua equipe, ao Conselho Regional, aos pastores distritais por tudo que fizeram para que surgisse e se concretizasse O CAMINHO. Agradecemos do fundo do coração e com muita humildade e alegria a Deus, que tem abençoado o surgimento, a existência e a continuidade deste veículo de comunicação no seio da IECLB. Perspectivas O CAMINHO não busca competir com outros jornais em nossa Igreja, nem quer ser o melhor, ou o de maior tiragem. Ele quer apenas ser “do Caminho”, isto é, estar a serviço do reino de Deus, da evangelização, da missão,

da formação e informação, como veículo de comunicação na IECLB. Nesse sentido o pastor Dr. Walter Altmann, pastor presidente da IECLB por ocasião da comemoração dos 25 anos do jornal avalia O CAMINHO como eficaz veículo de informação acerca da vida da IECLB, suas comunidades e da família ecumênica; um veículo que tematiza a responsabilidade cristã na sociedade. E conclui dizendo: “Acima de tudo tem testemunhado o evangelho de Cristo e, assim, despertado e fortalecido a fé”. Nosso Jornal se preocupa em estar presente na orientação espiritual, trazendo proposições edificantes para a vida nas comunidades, tanto na perspectiva da tarefa missionária como também na mensagem profética. O CAMINHO procura, de forma continuada e cada vez mais abrangente, vir ao encontro de seus leitores. Ele tem consciência que ter foco é essencial. É preciso saber em qual direção se deve focar. Pesquisas mostram que organizações que vencem em tempos desafiantes, têm as suas metas constantemente revisadas, e alvos claramente definidos bem como um forte acompanhamento dos resultados. Procuram olhar para o futuro com estratégia, seja a curto e longo prazo. E é nesta direção que o CAMINHO quer caminhar. O autor é Pastor emérito da IECLB e Diretor do Jornal O CAMINHO; reside em Florianópolis/SC

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Jonas René van der Rijst

O conto abaixo se baseia no livro “Babylon aan der Rhöne” de Hélène Nolthenius. Nele um médico judeu conta a história de JONAS de modo bem livre, porque pretende ensinar algo a seus leitores. Seu modo de contar esta história é um exemplo de como, na tradição judaica, muitas vezes se lida com histórias bíblicas. Elas podem ser narradas e interpretadas de diversas formas. Assim cada geração lhes dá a sua própria interpretação. E o rabinato superior – como instância de controle das interpretações dos textos sagrados - ainda não existia no tempo em que surgiram as histórias bíblicas. Cerca de vinte homens estão em pé num círculo. Vozes exaltadas ressoam. Eles gesticulam nervosos contra um homem que está no meio da roda. Os homens vestem trajes de rabinos e são senhores distintos e cultos. No meio da roda está um homem de pequena estatura, de vestes simples, que morde nervoso nos fios de sua barba desgrenhada. Ele sacode a sua cabeça: – Não, isto também eu não sei dizer. Mas a tarefa, a missão, esta era autêntica... Creio eu. O rabino superior toma a palavra. Com um gesto pede silêncio.

– Conta para nós mais uma vez o que aconteceu! O homem do centro da roda se levanta novamente, mas não ousa olhar para o rabino-chefe ou para um dos outros. – Hoje pela manhã, bem cedinho – eu ainda estava na cama, mas já estava bem acordado – aí veio a Palavra de Deus para mim, dizendo: ‘Jonas, levanta-te e vai para Nínive, para a grande cidade de Nínive. E dize-lhe que eu não suporto mais ver a sua maldade. Adverte-os de que eu os destruirei, se eles não pararem com suas maldades!’ E isto é tudo. Em seguida eu vim até aqui para perguntar aos senhores o que eu devo fazer. Inquietação toma conta do círculo: – Isso não existe. Não é possível que o ETERNO tenha dito isso. Como é que Ele iria se preocupar com os descrentes? Você é um falso profeta! Jonas não sabe o que fazer. Ele de fato ouviu esta ordem: ‘Vai a Nínive!’ Mas os rabinos também têm razão: Os grandes profetas Elias, Isaías, Jeremias, eles tinham uma mensagem para o seu próprio povo. E agora ele, Jonas, um pequeno profeta, deveria ir a Nínive, a esta cidade sem Deus? Como se o ETERNO já não tivesse todas as mãos cheias de trabalho com seu próprio povo!

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O que Jonas deve fazer? Ele terá que ir, ou não?

um navio que o leva para bem longe dos rabinos, para Társis!

Mas sobre isso Jonas não precisa ficar cismando por muito tempo. O rabinato simplesmente o proíbe de ir.

Mas ele não consegue ir para longe de Deus...

– Esta ordem não pode provir do ETERNO, louvado seja seu nome! – é a decisão do rabino superior. Mas Jonas questiona timidamente: – Mas, e se esta ordem provém do ETERNO? Eu então deixaria de cumprir o meu dever! – O teu dever é conduzir o teu próprio povo ao caminho justo! – respondeu o rabino superior de modo brusco. Jonas reconheceu que seria melhor ceder: – Bem... eu devo ter me enganado. Claro que não foi o ETERNO. Não, eu não vou para Nínive! Cabisbaixo ele se retira, enquanto os rabinos o acompanham com um olhar de desconfiança. Jonas compreende que para ele será melhor sumir. Sua carreira de profeta ele pode esquecer por ora! Mas, mesmo assim havia uma voz fraquinha lá no seu íntimo, resmungando: – Mas e se foi mesmo o ETERNO? Então tu deixas de cumprir com o teu dever – tu não obedeces à sua Palavra! Jonas foge. Ele não vai para Nínive, e sim na direção oposta. Ele procura

Tinha sido o ETERNO que havia lhe dado esta ordem, e Jonas foi obrigado a ir para Nínive. Deus não desiste tão rapidamente, e com certeza Deus não desiste tão facilmente de uma cidade com tantas pessoas! Deus encontra Jonas, mesmo estando ele em alto mar. E Deus faz com que Jonas vá a Nínive. Nínive era uma cidade enorme. Para atravessá-la de um lado a outro eram necessários três dias de caminhada. Mas Jonas era de opinião que um dia cidade adentro já era suficiente. Após haver caminhado um dia inteiro cidade adentro, ele começou a proclamar: – Convertam-se! Voltem-se! Vocês estão num beco sem saída. Voltem, mudem de atitude antes que seja tarde! Mais quarenta dias, e então será tarde! Como isto então chega a acontecer ninguém sabe. Mas de um dia para o outro tudo muda em Nínive. Parece que as pessoas de repente reconheceram quão próxima do abismo sua cidade se encontrava, e quão ruim estava a sua situação. Desde os mais poderosos até os mais simples, as pessoas reconheceram os seus erros e se arrependeram. Elas rasgaram as suas vestes, andaram descalços pelas ruas e colocaram cinza sobre suas cabeças. E oraram a Deus.

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E Deus viu tudo isso. Não só as suas vestes de contrição e arrependimento, mas também o fato de terem mudado e abandonado os seus maus costumes, e terem começado a por ordem em sua cidade. E Deus ficou feliz, porque os habitantes de Nínive mudaram!

Jonas fica sabendo disso, e conclui que por ora não seria sábio voltar para Jerusalém. Mas, para onde ele deveria ir? Em todas as cidades do mundo viviam comunidades judaicas. E os rabinos sempre ficariam sabendo do paradeiro de Jonas. A não ser que...

Jonas também viu tudo isto, e não ficou nenhum pouco satisfeito.

Jonas decide ir ao rei de Nínive e pedir asilo. Ali com certeza os rabinos não iriam procurá-lo.

– O que vão pensar sobre isto lá em casa? Agora com certeza não vão mais acreditar que eu sou um profeta de verdade! Por que, ó Deus, tu não modificas a cidade de tal maneira que aconteça o que lhe anunciei – a ruína? Ofendido Jonas está sentado no topo de uma colina fora da cidade. – Tu me deixaste na mão legal! , resmunga ele contra Deus. Também em casa, em Jerusalém se ouviu que Nínive tinha sido poupada. Mas lá não confiam muito na conversão de Nínive. Temem que em pouco tempo tudo volte a ser como antes. E então os de Nínive começarão de novo a sacanear os judeus. Não, no que dependesse da vontade deles, Nínive deveria ter ficado abandonada à própria sorte. E aquilo que Jonas já temia, aconteceu: Em Jerusalém põem a culpa nele. – Nós deveríamos tê-lo prendido! – diz um dos rabinos. – Precisamos evitar que ele invente outras esquisitices como essa! – completa outro.

Assim Jonas passa a morar em Nínive, até que outro rabino superior fosse instalado em Jerusalém. Um rabino que cresse que Jonas de fato havia recebido a sua missão de Deus. Um rabino que reconhecesse que o ETERNO cuida e zela por suas criaturas, também fora da terra prometida. E veio tal rabino superior? Claro que sim. E com o tempo também a honra de Jonas foi restabelecida. E então ele escreveu em um livro tudo o que sucedeu. Só não incluiu a reação dos rabinos. Pois ele era de opinião que é preciso esquecer e perdoar coisas assim. E o livro de Jonas até recebeu um lugar de destaque na Sinagoga. No grande Dia da Reconciliação (Yom Kipur) faz-se a leitura do livro de Jonas na Sinagoga, ainda hoje. No grande Dia da Reconciliação as pessoas permanecem o dia todo na Sinagoga. É o dia do exame de consciência e do arrependimento. Algumas pessoas andam descalças, outras usam calçados de ginástica ou

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sandálias, e vestem uma camisola branca (também usada como mortalha). Assim se vê que estão de luto e em penitência. Elas lamentam sobre si mesmas e se arrependem de seus pecados cometidos durante o último ano. As pessoas se perguntam: Foram boas as minhas ações? Está correto o que eu digo? E: Eu não esqueci Deus? Elas fazem o mesmo que as pessoas de Nínive fizeram em consequência da pregação de Jonas. Ao refletir sobre você mesmo e sobre tudo que não estava direito em sua vida, você pode ficar muito triste. Porém o grande Dia da Reconciliação termina de forma muito alegre, pois

não se trata de você ficar preso em seus pecados. Porque eles serão afastados (perdoados). Porque se você pensou sinceramente sobre tudo, Deus afasta a sua culpa... A festa de Ano Novo já passou há dez dias. Mas, no fundo, é somente depois do Dia da Reconciliação, que inicia o Ano Novo de verdade, pois é então que você pode fazer um novo começo, um recomeço... Extraído de: Ein Licht auf unserem Weg – Geschichten zu jüdischen Festtagen, ed. Rheinischer Verband für Kindergottendienst, Düsseldorf, 1995, páginas 40-43; tradução P. Dr. Osmar Zizemer

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A gente precisaria ter sorte, pelo menos uma vez... Lothar F. Zimmer

Ricardo já estava desempregado há algum tempo. Como o hospital havia aberto uma vaga na área da enfermagem, ele não podia perder esta oportunidade de jeito nenhum. Precisava muito deste emprego! Ele já havia tentado diversas vezes em outros locais. Mas sempre alguma coisa atrapalhara, ou outros tinham recebido a preferência. – A gente precisaria ter sorte, pelo menos uma vez! – pensava Ricardo. A gente sempre acaba sendo julgado pelos seus boletins de escola e de cursos que a gente fez. Mas estes, no fundo, dizem pouca coisa. Nunca se tem a oportunidade de mostrar as qualidades da gente como pessoa! Ricardo estava bastante agitado e nervoso desta vez. Em oito minutos ele deveria se apresentar no prédio administrativo do hospital para a entrevista. E ele temia que de novo outro candidato fosse receber a preferência para preencher a vaga. – A gente precisaria ter sorte! – pensava ele, enquanto caminhava rumo à entrevista. – A gente precisaria... E neste momento aconteceu! Uma senhora idosa que caminhava a seu lado pela rua tropeçou, e, antes que ele pudesse apoiá-la, estatelou-se na pista de rolamento!

– Ai, meu braço! – gemeu a velhinha. – E minha bolsa, meu dinheiro, os documentos... Ela tentou levantar-se... – Em cinco minutos tenho que estar lá no centro administrativo do hospital! – pensou Ricardo. Mas aí ele já estava no meio da rua para ajuntar a bolsa, os documentos e o dinheiro que se espalhara com o tombo da infeliz senhora. Ele percebeu que mais abaixo o sinal vermelho do semáforo mudara para verde e os carros começaram a se movimentar. Tinham de sair imediatamente daqui da pista de rolamento! Quando ele quis ajudar a senhora a se levantar, ela gemeu de dor, e seu rosto adquiriu uma cor branca esverdeada! De certo ela havia sofrido uma fratura! – Em três minutos tenho de estar no centro administrativo do hospital para a entrevista! – pensou Ricardo. – Será que não há ninguém para socorrer esta velhinha?! – Será que ele seria a única pessoa nesta rua a poder ajudar esta senhora?! E ele por isso iria perder o prazo de apresentação ao diretor do hospital! E tantas coisas dependiam disso – o possível novo emprego, talvez todo o seu futuro! Será que ele nunca iria ter sorte?!

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Finalmente a senhora está de pé na calçada, contorcendo-se de dor, insegura, como se iria cair de novo! Ricardo a apoiou com seus braços, e olhou para o relógio da torre da igreja: 09h58. – Droga! Por que esta senhora tinha que lhe trazer tanto transtorno?! – Seja educado, Ricardo! – dizia-lhe uma voz interna. Mas outra voz interna retrucava em seu íntimo: – Ora, que aquele senhor careca ali daquela BMW preta seja educado! Por que sempre eu?! O senhor da BMW realmente parou, e desceu do carro. Ele tinha um olhar calmo e bondoso. – Posso ajudar? – perguntou ele. Quando o carro se pôs em marcha de novo, rumo ao Pronto Socorro, o re-

lógio da torre marcava exatamente 10h00. Resignado, Ricardo foi andando em direção ao centro administrativo do hospital. Dois candidatos à vaga já aguardavam na sala de espera. Esperavam, porque desta vez o Senhor Diretor se atrasara! Quando finalmente Ricardo foi chamado para a entrevista, um senhor um pouco corpulento e calvo, com um semblante bondoso, ergueu-se de trás da escrivaninha: – Nós já nos conhecemos de há pouco, lá na rua! Imagina que aquela pobre velhinha de fato fraturou o seu braço naquele tombo! Desta vez Ricardo tivera sorte! Ricardo estava empregado! – E, feliz, ele foi pensando enquanto ia descendo pela rua: – Sorte a gente precisa ter... Familienkalender 2014, pág. 84; tradução P. Dr. Osmar Zizemer

HUMOR

Poucas noções de anatomia... Na escola, os alunos recebem as primeiras noções sobre a anatomia humana. Pedrinho não sabe onde se localiza o coração! - Mas você não sente as batidas no seu peito? – pergunta a professora. Pedrinho responde com firmeza: - Não! As batidas eu sempre sinto bem mais embaixo, na parte de trás! ...

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MISSÃO INDÍGENA: Mais de 50 anos de atuação da IECLB junto a povos indígenas Pa. Dra. Renate Gierus

Quem lê publicações, jornais ou sites de nossa Igreja, certamente já se deparou com a palavra COMIN. COMIN é a sigla para CONSELHO DE MISSÃO ENTRE POVOS INDÍGENAS. Este Conselho é um setor de trabalho da IECLB, criado no ano de 1982 pelo Conselho Diretor da Igreja atendendo a uma reivindicação das pessoas já atuantes na missão entre povos indígenas. São 32 anos de trabalhos, desafios, acompanhamentos e lutas por direitos junto e com povos indígenas no Brasil. Em verdade a IECLB já está presente na atuação junto a povos indígenas desde 1961, acompanhando inicialmente os RIKBAKTSA no Mato Grosso e os KAINGANG na Terra Indígena Guarita em Tenente Portela/RS. Este trabalho começou a se desenvolver por decisão da Igreja ao pautar a questão indígena como um de seus cinco temas prioritários. E com a criação do COMIN o trabalho entre e com os povos indígenas tornou-se mais específico. Além da própria história, o COMIN também tem muitas histórias para contar. Histórias que mostram um pouco da sua trajetória. Conto-lhes a respeito de uma viagem feita em março de 2014 para a Suécia. Esta

viagem estava em um contexto maior de visitas a comunidades, grupos, igrejas e agências da cooperação ecumênica e internacional, que apoiam o trabalho do COMIN. Compunham a delegação: dois jovens indígenas, JOCELINO TUPINIKIM, do Espírito Santo, e MERONG TAPURUMÃ, Pataxó Hã Hã Hãe da Bahia, mas residente no Acampamento Mato Preto, do povo Guarani, perto de Erebango/RS, casado com uma Guarani; P. HANS ALFRED TREIN, coordenador do Programa de Sustentabilidade Institucional e Mobilização de Recursos do COMIN e minha pessoa. Embarcamos em Porto Alegre no dia 10 de março e chegamos a Estocolmo/Suécia, no dia seguinte já tarde da noite após contratempos na viagem. Passamos o primeiro dia sueco em Uppsala, próxima a Estocolmo, local da sede da Igreja Sueca. Entre conhecer novas pessoas, ter reuniões com representantes de alguns departamentos desta Igreja, uma das coisas essenciais que fizemos naquele dia foi provar casacos grossos e sapatos para o frio e a neve que nos aguardava no norte, para onde iríamos no dia seguinte. Acompanharam-nos

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duas pessoas da Igreja Sueca que haviam organizado o programa e feito os contatos para nós e que também buscavam uma maior aproximação entre Igreja Sueca e povo SAMI. Os restantes dias na Suécia foram usados no encontro com este povo indígena. Depois do voo de aproximadamente uma hora e meia, chegamos a Kiruna no dia 13 de março à tarde. Kiruna já faz parte do Círculo Polar Ártico, no norte da Suécia. A temperatura não estava tão gélida neste início de primavera: somente zero grau. À tarde visitamos um povoado, chamado Nikkaluokta, acompanhados de uma indígena Sami, povo que habita não somente o norte da Suécia, mas também o norte da Finlândia, Noruega e Rússia. O contato com o povo Sami foi muito especial, para todos nós. E para Jocelino e Merong foi uma experiência marcante, de sentir-se identificados e irmanados como povos aquém e além-mar, em uma mesma luta por direitos. Em Nikkaluokta conhecemos a capela na qual são realizados os cultos. Era um entardecer muito frio e ventoso, com neve alta ao nosso redor. Por alguma razão, a chave não quis funcionar e não conseguimos ver a capela por dentro. Demos a volta na pequena construção de madeira, de cor vermelha escura, característica da região, a fim de nos proteger um pouco deste clima um tanto quanto inóspito para nós. Ali mesmo conversamos e Ylva nos falou de sua famí-

lia, da história do lugar e das dificuldades que existem pelo uso da terra para mineração de ferro e cobre (a Suécia exporta 90% de ferro e cobre para a Europa). No dia seguinte, 14 de março, visitamos o Parlamento Sami, sediado em Kiruna. Tivemos um encontro com seu presidente e com a assessora de comunicação. Recebemos muitas informações sobre a vida e a situação Sami no país, sobre suas línguas e costumes. O Parlamento é uma forma dos Sami se organizar, bem como é a instituição que os representa no governo sueco. Além disso, é responsável pela manutenção da cultura e línguas Sami e de leis ligadas ao estatuto dos Sami, como povo. A nossa próxima parada foi Jokkmokk, onde tivemos uma apresentação cultural vital para os Sami: um coral que cantou jojk, uma tradição de canto Sami, que fala sobre as renas e o cuidado e convívio com elas. Contou-nos um Sami: “A cultura da rena faz parte de nós, sem elas perderemos a língua, perderemos tudo; as renas são nossa alma.” A relação entre o povo Sami e as renas é muito intensa, próxima, entrelaçada com o cotidiano e de várias gerações. Os Sami também têm tradições de povo pescador. Para encerrar estes preciosos encontros e momentos de aprendizado, ao retornar a Estocolmo ainda fizemos contato com um casal de Sami que vive nesta cidade. Eles são de família de pescadores. O casal veio acom-

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panhado de uma pastora e nos relataram que uma vez por mês há culto Sami, onde colocam pedras no chão em frente ao altar. Sobre elas acendem velas, simbolizando o lugar do fogo (tipi) dentro da tenda Sami. Concluo este relato com mais uma fala Sami: “É fácil entender na América Latina que há povos indígenas. O mesmo não se dá aqui. É difícil dizer e fazer entender aos suecos que há indígenas em seu país.”. Esta é a situação na Suécia. E aqui, no Brasil, eu me pergunto: Realmente é fácil para nós perceber que há povos indígenas entre nós? Talvez o que este homem Sami, de cor branca, olhos e cabelos claros, quis dizer é que aparentemente não há muita diferença entre o físico das pessoas suecas e as dos Sami e, por isso, os primeiros estranham quando os Sami se apresentam como povo com

características próprias. Para ele, pelo visto, é mais fácil a percepção desta diferença na América Latina. Será mesmo que a percebemos? A pergunta levantada se faz ao notar que, apesar de sermos um país com 305 distintos povos indígenas, falantes de aproximadamente 274 línguas, não nos damos conta do país multiétnico e pluricultural em que vivemos. Insistimos em não ver nem perceber esta diversidade, criada por Deus. Ocultamos, assim, momentos preciosos de crescimento e des-cobrimento de nós mesmos/as. Esta e outras histórias nos mostram a importância de estar aberto/a ao/ à outro/a, ao seu jeito de pensar, de sentir, de viver. Histórias que fazem parte da trajetória do COMIN e da IECLB, na construção de uma sociedade plural e promovedora de vida digna e abundante.

Os seres humanos aprenderam a nadar como peixes, a voar como pássaros. Mas não aprenderam a viver como irmãos. Martin Luther King

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Programa de Parceria entre a Nordkirche e a IECLB: experiências e expectativas Pa. Dra. Karen Bergesch

A parceria entre Igrejas, antes de mais nada, busca promover a paz e o bom entendimento. Parceria significa contato, diálogo, aprendizagem mútua e encontro. Através dela conhecemos diferentes formas de viver a fé e a tradição cristã. O compartilhar da vivência da fé enriquece a todos que buscam contato, pois a troca de experiências coloca o desafio de aprender a nos apresentar para o outro, ouvir do outro e dialogar sobre desafios, objetivos comuns e a conviver com o diferente. Por que não dizer, aprendemos sobre nossos limites?! Por tudo isso, a Igreja do Norte da Alemanha e a IECLB buscam incentivar diversas formas de viver a parceria. Uma dessas formas se dá no contato direto entre grupos comunitários. O encontro possibilita o diálogo sobre o cotidiano da vida comunitária ao saber de seus eventos, festas, atividades de grupos e celebrações, bem como de suas mudanças. Assim também é possivel saber mais sobre outra cultura, outra região, outro país e outra língua. Sim, a língua também „se movimenta”, apresentando sempre novas expressões e novas palavras. Outra forma de parceria é o incentivo de um projeto comum, como, por

exemplo, a construção de um prédio comunitário, a promoção de um determinado encontro (jovens, música, etc.) ou ainda o apoio a um trabalho junto a minorias como é o caso do COMIN (Conselho de Missão entre Indígenas). Tais ações conjuntas envolvem a elaboração de um projeto com descrição de objetivos, plano de execução, finanças e relatório final. Nesses casos, a transparência é fundamental para que novos projetos sejam possíveis. Um exemplo concreto nesta modalidade de parceria é o contato entre Tellingstedt e Gravatá. A comunidade de Tellingstedt é uma das parceiras de Gravatá (Pernambuco), uma comunidade nova que surgiu como fruto do trabalho da Diácona Gerda Nied no final dos anos 90. O contato entre as duas comunidades ocorre através de visitas, emails e apoio a algumas necessidades financeiras por meio de coletas para o trabalho junto a crianças e jovens em Gravatá. Em Tellingstedt estuda-se português e a comunidade canta várias músicas da IECLB. A troca de ideias e o diálogo sobre conceitos é mais uma forma de se viver parceria. Este ano, em maio, por exemplo, o Centro de Missão e Ecumesnismo, organizou o seu en-

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contro internacional de estudos denominado Mission to the North (MTTN) sob o tema “Parceria”. MTTN significa Missão para o Norte e tem como objetivo aprender com os parceiros do hemisfério sul, ou seja, a Igreja do Norte da Alemanha compreende que não há uma única forma de se viver a fé cristã. Por isso, a troca de ideias é fundamental. Essa é uma visão nova de parceria que está diretamente relacionada ao conceito de Missão. Entre os convidados, esteve presente o Pastor vice-presidente da IECLB/ Pastor Sinodal do Sínodo Brasil Central, Carlos Möller. Foram três semanas de estudos, diálogos, visitas a diferentes comunidades e projetos. O objetivo do estudo foi refletir sobre a parceria hoje com vistas ao futuro. Neste sentido, a contribuição da IECLB é recebida com muito respeito, por ser uma igreja ativa, criativa e que busca cada vez mais sua independência financeira. A compreensão de parceria muda com o transcorrer do tempo assim como o conceito de missão, pois o contexto social, financeiro e cultural está em constante transformacão, tranzendo mudanças diretas na forma de se viver Igreja. Estar aberto a essa percepcão é fundamental no diálogo ecumênico e entre Igrejas irmãs. Também em maio o Kirchenkreis Nordfriesland recebeu seis convidados pela parceria com o Sínodo Vale do Itajaí. Entre eles, o Pastor Sinodal

Breno Willrich. Foram duas semanas de intercâmbio com celabrações conjuntas, visita a projetos, comunidades, locais históricos e debates em seminários. Em Hamburgo o grupo visitou o Museu da Emigração (Ballinstadt Museum) – de onde muitos de nossos familiares embarcaram –, o Centro de Missão e Ecumenismo, a Academia de Missão e a rádio da Igreja (NDR Kirche), na qual concederam entrevista. O interesse sempre foi saber como se vive Igreja Evangélica Luterana num contexto de maioria católica e quais foram as impressões da Alemanha. O intercâmbio no trabalho pastoral, o voluntariado de jovens e representações oficiais são igualmente formas de viver a parceria. É através do intercâmbio no trabalho pastoral que eu, Pastora Karen Bergesch, estou agora trabalhando em Hamburgo, como antes já estiveram em outras funções outros colegas pastores no norte da Alemanha. Aqui assumi a função de Coordenadora do Departamento da América Latina, pois a Nordkirche tem interesse em estreitar relações com a IECLB. É através do intercâmbio de um ano de trabalho voluntário que jovens da IECLB vêm para cá. O trabalho voluntário é uma experiência enriquecedora, tanto pela oportunidade de vivenciar o dia a dia de um jardim de infância, um lar de pessoas idosas ou ainda o apoio a pessoas portadoras de deficiência, quanto pela oportunidade de se viver em

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outra cultura. Falar outra língua, experimentar novos sabores culinários e encontrar jovens de diversos países é uma oportunidade que abre horizontes por se conhecer formas diferentes de uma sociedade se organizar e, com isso, refletir sobre valores e costumes, por exemplo. É através de representações oficiais que a IECLB se faz presente, demonstrando interesse na continuidade da parceria. O Pastor Presidente Dr. Nestor Paulo Friedrich esteve na instalação do Bispo (Landesbishof) Gerhard Ulrich em agosto de 2013. Nessa ocasião, pode dirigir uma mensagem em nome dos convidados internacionais. Da mesma forma, representantes da Igreja do Norte da Alemanha vão ao Brasil para participarem de eventos da IECLB, demonstrando igualmente interesse na continuidade de uma parceria ativa e viva. É o caso da representaçao da Igreja do Norte da Alemanha no Concílio da IECLB em outubro de 2014 em Rio Claro/S.P.

Em todos estes encontros, o conhecimento de inglês, alemão e português é fundamental, pois o domínio de um idioma comum permite uma boa comunicação com melhores perspectivas de um trabalho frutífero. Por isso, parceria significa estudo e dedicação. É necessário ter conhecimento não só de um idioma comum para o diálogo, mas também sobre o seu país, região e Igreja. Diante de tanto empenho, pode surgir a pergunta pela validade de uma parceria. Cito aqui a primeira frase deste artigo: A parceria entre Igrejas antes de mais nada busca promover a paz e o bom entendimento. Ir ao encontro de pessoas, independentemente da cultura ou do país de origem, é próprio da fé cristã. É o que nos ensina Jesus Cristo nos Evangelhos. Sem o diálogo e a promoção do bom entendimento a vida de fé não é completa. No encontro com o outro, aprendemos e ensinamos. Que o fruto de nossos encontros possa ser a paz e a harmonia tanto na Igreja, quanto na sociedade. A autora é Pastora da IECLB, atuando como coordenadora do Departamento da América Latina no Centro de Missão e Ecumenismo (ZMÖ) na Igreja do Norte da Alemanha

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“Ponha-te, mesa...” – um conto Elfriede Rakko Ehlert

Era uma vez um velho alfaiate que tinha três filhos e uma cabra muito útil que lhes fornecia o leite de cada dia. Esta cabra era muito bem tratada. Os três filhos, revezando-se, tinham que levá-la aos melhores pastos. Mas a danadinha, ladina, sempre mentia a respeito dos pastos. Afirmava: “Não pude comer nadinha de nada”.

tava ele ordenar: “Ponha-te, mesa” e já apareciam as comidas mais deliciosas. Então este filho resolveu voltar para casa. E no caminho, teve que hospedar-se numa pousada. Ali não aceitou a refeição que lhe ofereceram, mas valeu-se de sua mesinha mágica. O dono da pousada, ficou curioso. Queria saber do que se tratava.

O pai acreditou na cabra e aborreceu-se com os filhos que, pelo jeito, não sabiam cuidar da boa cabra. E por isso resolveu expulsar de casa, um depois do outro, esses filhos inúteis que sequer davam conta deste serviço! Agora ele próprio levou a cabra aos pastos. Ela se declarou satisfeita, mas quando chegaram em casa, exclamou: – Estou com muita fome, só pulei pela grama, não comi nadinha de nada! Então o velho alfaiate deu uma surra nessa ladina mentirosa e a enxotou de casa. Sorte dos três irmãos: Cada um achou seu caminho. O primeiro tornou-se aprendiz de carpinteiro. Terminado o período de aprendizagem, o mestre lhe presenteou uma mesinha pelos excelentes serviços prestados. Tratava-se uma mesinha especial e maravilhosa. Bas-

Enfiou-se no quarto do freguês e, encontrando-o no mais profundo sono, trocou a mesinha dele por outra semelhante. Quando o filho chegou a casa, foi grande a alegria do pai. Quis logo saber da profissão do filho, do salário e tudo mais. Convidaram parentes e amigos para uma festa, pois o filho queria apresentar sua mesinha

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qualidades. Também o segundo filho voltou para casa. Deixou curioso o pai. Outra vez convidaram parentes e amigos para apresentar o estranho burrico. Mas, na hora H – nada! Os convidados foram embora, decepcionados. O velho pai teve que voltar à sua agulha de alfaiate. Faltou só o terceiro filho. Este se tornou torneiro. Ao término de seu tempo de aprendizagem, recebeu como recompensa um cacete dentro de um saco.

e mostrar o que é fartura. Quando todos haviam chegado, o rapaz deu a sua ordem: “ponha-te, mesa...” Mas nada! Ai que vexame, ai, que vergonha! Famintos, os parentes e amigos foram embora, rindo do filho e do pai.

Ao comando “cacete, cacete, sai do saco!” este saía qual raio em defesa do seu dono, distribuindo violentas cacetadas a qualquer inimigo que viesse atacá-lo. E eis que, no caminho de volta para casa, ele veio a hospedar-se, naquela mesma pousada, onde os seus irmãos haviam passado.

O segundo filho tornou-se aprendiz de moleiro. No término da aprendizagem foi recompensado pelos bons serviços, recebendo de presente um burrico. Também este era especial: Ele vomitava moedas de ouro, quando ordenava: “bric- le- bric”. No caminho para casa o segundo filho hospedou-se na mesma taverna em que o irmão mais velho havia pernoitado antes dele. O taverneiro esperto descobriu o segredo do burrico e o trocou por outro, semelhante ao mesmo, mas sem as suas

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Mas quando o esperto taberneiro quis apoderar-se do cacete, foi logo atacado e apanhou tanto que clamou por clemência. E, confessando os roubos anteriores, teve que devolver a mesinha e o burrico.

ra e ingratidão. É que cada um dos filhos fez o melhor para ela. Muitas vezes os pais não conhecem seus próprios filhos. Tão ocupados na sua profissão e ocupações, deixam se enganar por uma cabra mentirosa.

Chegando em casa o terceiro irmão, organizaram também uma grande festa. E desta vez tudo deu certo. Os convidados comeram bem, e ainda foram presenteados com moedas de ouro, e ninguém precisou apanhar do cacete mágico.

Os filhos só agora reconheceram que estava na hora de largarem o colo do pai e enfrentar a vida lá fora, mostrando sua capacidade de andar com as próprias pernas. E depois voltar para casa.

O velho pai agora pôde, por fim, aposentar agulha e tesoura. E daquela cabra ladina nunca mais se teve notícia.

A família, aqui representada pelo pai como símbolo da união e reconciliação, inclui os parentes e amigos, convidados para os momentos festivos.

Por que apresentar e analisar um conto?

Três necessidades básicas, três diferentes soluções:

Em edições anteriores do nosso Anuário Evangélico já o fizemos. Contos foram recolhidos das narrações do povo simples. Eles espelham seus anseios e suas frustrações. Geralmente trazem um final feliz. Muitos terminam com a frase: “E eles viveram felizes para sempre”.

1. A mesinha: diante da fome no mundo a eterna luta para ter algo em cima da mesa. O primeiro filho conquistou o sonho de ter uma mesa farta. Mas quanta comida se joga fora nos tais paises ricos? Quanta comida entre nós vai parar no lixo? Quanto dela ainda poderia ser aproveitada?

Mas, vamos à presente história: O pai, uma figura decepcionante – ou não? Com certeza educou bem os filhos, pois do contrário não teriam condições de se ajeitar com novas situações e aprender uma profissão para o seu sustento e ser obedientes. Mas, acreditar nas mentiras de uma cabra e expulsar os filhos é dose, não é? A cabra vem a ser símbolo da menti-

2. O burrico que vomita moedas de ouro. Que sonho! “Oh, se ganhasse na loteria!” Ter dinheiro à vontade para comprar tudo que quisesse! Somos chamados a “sociedade de consumo”. Com razão? A busca pelo ouro, por riqueza, por estabilidade financeira não é só de hoje. “Nach Golde drängt, am Golde hängt doch alles . Ach wir Armen!”(=” o ouro se busca, do ouro depende tudo no fim.

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Oh, miseráveis de nós”!), já exclamava o poeta Wolfgang von Goethe (no seu “Faust”). Petrodólares regem o mundo, a política, geram guerras. Dinheiro é poder.

guardado? No conto é apenas um cacete.

3. O cacete simboliza, por um lado o desejo de segurança. Existe algo mais almejado em nossas cidades e até no mais longínquo campo do que segurança? Por que tantas grades, cercas elétricas, e até um revolver

Eu cresci ouvindo, e depois lendo, contos de fadas, Mas só quando adulta comecei a compreender o sentido mais profundo, o espelho dos seres humanos que são, e as lições que eles nos ensinam.

Por outro lado temos um senso de justiça. Queremos que se faça justiça e que o mal seja punido.

A autora é Professora emérita e artista plástica, residente em Curitiba/PR

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Pérolas de cadernos de crianças... • Primeiro Deus criou a cegonha; e esta então trouxe o Adão. • A mulher do porco-espinho ganha quatro ou cinco filhotes de cada vez. Estes, por sua vez, também são porcos-espinho. • O galo se alimenta de pão, batatinhas, minhocas e outros alimentos humanos... • A girafa tem o pescoço tão comprido, porque a sua cabeça fica tão distante. • No domingo nós viajamos a Porto Alegre, fomos ao zoológico e visitamos os nossos parentes... • O famoso inventor Thomas Edison nasceu sem ter sequer um único centavo no bolso... • Nossa coelha teve filhotes há três dias. Antes de eles nascerem, a coelha preparou um belo ninho com folhas e palha. Então ela arrancou os pelos de sua barriga e com eles forrou todo o ninho. Que mãe já iria fazer algo assim? • Mamães também precisam comer capim para ter leite para seus bebês?

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Uma viagem sustentada pela graça de Deus Paulo Sommer

Março de 1966. Minha esposa e eu iniciávamos nossas carreiras como engenheiros agrônomos do Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário (INDA). Casados há pouco mais de seis anos, já tínhamos dois filhos: Dora - 6 anos e Paulinho - 3 anos. Eu era de Diretor de Colonização. Por isto, viagens aos núcleos de colonização Brasil afora eram corriqueiras. Incursões de Jipe para a prática de extensão rural era o “arroz com feijão” do ofício, bem como viagens em pequenos aviões. Mas ninguém podia imaginar o que sucederia naquela expedição rumo ao Núcleo Colonial Bernardo Saião, no interior de Goiás. Despedi-me da família, sem muito alarde da missão em que me meteria junto com o amigo Dr. Eudes de Souza Leão Pinto, então presidente do INDA. Tudo indicava que seria apenas mais uma viagem de supervisão, que duraria no máximo dois dias. Inesperadamente Paulinho começou a chorar e bradar a plenos pulmões: “O papai vai morrer! Papai não vai voltar mais!” Eu protestei: “Mas que absurdo! O que vocês andaram falando para o menino?” Pegamos um voo comercial do Rio até Goiânia, onde nos aguardava um bimotor Piper, do governo de Goiás,

para nos levar até Goianésia e depois, ao nosso destino final. As recomendações quanto ao piloto eram as melhores possíveis. Antes de partir ele realizou em solo com zelo todos os procedimentos de segurança. Eu nunca me senti muito à vontade em aviões pequenos. Mas foi bom ouvir que nossas vidas estavam nas mãos de alguém com tantas mil horas de manche. A bordo estávamos em quatro: Dr. Eudes, eu, o piloto e mais um técnico do INDA. O que aconteceria dali para diante entrelaçaria nossas histórias para sempre. Recebemos autorização para decolar. Mal o avião havia levantado do chão, uma violenta explosão no motor esquerdo provocou a queda do aparelho. Graças a Deus, estávamos em pequena altitude, ainda sobre a pista. “Dessa nos escapamos!” exclamou o piloto. Se estivéssemos a maior altitude, as consequências seriam graves. Naquele instante, me lembrei das últimas frases do Paulinho. Seria isso um aviso prévio para uma fatalidade? O pessoal do governo do estado foi logo suavizando o ocorrido: “Temos outro avião, novo, pronto para voar!” Transferimos logo a bagagem, mas decidimos sair só na manhã seguinte. Agora a decolagem foi perfeita.

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Sobrevoamos Goiânia e rumamos para Goianésia, onde paramos para reabastecer e então esticar mais uma hora de voo até o Núcleo Bernardo Saião. Tudo parecia perfeito agora: avião abastecido, um piloto experiente, tudo ocorrendo bem. Mas depois de aproximadamente 15 minutos no ar, entramos em uma zona de turbulência. O piloto nos tranquilizou: “Sem problemas... isso é normal...”. Mas o céu foi escurecendo e acabamos dentro de uma tempestade que nos tirou a visibilidade do solo. Raios cortavam os céus e trovões ensurdecedores foram nos deixando assustados. Diante de tamanha fúria da natureza, o avião mais parecia uma peteca sendo jogada para todos os lados. A sensação era de que ele não iria suportar por muito tempo. Voamos sem orientação por algumas horas, o que nos tirou completamente da rota. Já devíamos ter chegado ao nosso destino, mas tudo o que avistávamos era uma densa e infinita floresta. O olhar do nosso piloto já não tinha mais a tranquilidade de antes. Era preciso encontrar um lugar de pouso. Uma margem de rio talvez, uma estrada ou um campo qualquer. Mas nada se avistava. Mais tarde ficamos sabendo que havíamos entrado no estado do Tocantins. Abaixo de nós estava, na verdade, a selva amazônica. Nossa esperança de salvamento diminuía a cada minuto, à medida que o marcador de combustível se aproximava do zero.

Que sensação terrível! Até ali eu não tinha ideia do que é estar em real perigo de vida. Pude experimentar o que outros diziam: Que nossa vida passa como um filme em nossa mente! Comecei a imaginar minha família tão longe, meus filhos órfãos de pai, minha esposa Maria Ângela tendo que criá-los sozinha... Lá embaixo o “inferno verde” era implacável, não dava nenhum espaço. Mesmo os rios que avistávamos não tinham qualquer área para aterrisagem. Completamente desorientados, pousar e sair vivos seria como ganhar na loteria. As chances eram mínimas. Os motores começaram a falhar. Nosso combustível estava nas últimas gotas. Nosso piloto desabafou: “Não há mais o que fazer, vamos descer na mata”. As palavras do meu filho na despedida agora faziam todo sentido. Era mesmo o fim. Só mesmo Deus poderia nos salvar, e foi a ele que eu me agarrei: - “Senhor, estamos completamente perdidos, não temos chance de sobreviver. Mas se, por tua graça, sairmos vivos, eu prometo ser um verdadeiro cristão e dedicar a minha vida para servir a humanidade.” Minha oração foi interrompida pelo grito desesperado do piloto: “Vamos bater!” Pela janela vi os motores parados. Já estávamos quase raspando a copa das árvores. Numa última tentativa de diminuir a velocidade, nosso piloto puxa o manche, jogando o

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bico do avião para cima, conseguindo ganhar alguns metros de altitude, quando o inacreditável aconteceu. Vimos à nossa frente algo que nos pareceu uma miragem: Uma tribo de índios, com um roçado amplo o suficiente para pousarmos sem qualquer arranhão! Mesmo sem visibilidade e sem qualquer base de orientação, Deus havia nos guiado àquele lugar. Com as pernas trémulas, e ainda sem entender direito o acontecido, fui o primeiro a descer do avião e colocar os pés no chão firme. Onde será este lugar? Quem mora neste fim de mundo? A resposta logo veio: Indígenas curiosos e espantados com aqueles quatro branquelas que vieram parar no quintal deles dentro daquele pássaro metálico. O primeiro a falar foi Dr. Eudes: - “Paulo, você é protestante, eu sou católico. Mas nós vamos juntos à primeira igreja que encontrarmos para agradecer por este milagre!” Aceitei o convite, mas ainda precisaríamos de outros milagres para encontrar uma igreja novamente. Os indígenas foram gentis e nos receberam bem. Ofereceram água e comida preparada à base de mandioca fermentada. Estávamos gratos por estarmos ali, por estarmos com vida. Mas voltar para a civilização e para nossas famílias era o próximo desafio a ser vencido. Pensamos em construir uma jangada de madeira e tentar descer o rio até encontrar alguma ajuda. Procuramos em nosso

avião e descobrimos que não havia qualquer ferramenta como machado, martelo, fósforo ou equivalente. Mas encontramos embaixo do banco alguns galões com combustível. Uma luz se acendeu no fim do túnel. Mas tínhamos que fazer escolhas e algumas questões precisavam ser ponderadas: Seria possível decolar em um espaço restrito como aquele? E, se decolássemos, com o pouco combustível que tínhamos, conseguiríamos chegar a uma pista de pouso segura? Nossa escolha foi tentar decolar. Sugeri ao piloto que ele fosse sozinho, para aliviar o peso da aeronave. Mas ele respondeu: “Se eu sair daqui sem vocês eu jamais encontrarei novamente este lugar para enviar socorro; ou saímos todos juntos ou nada feito.” Concordamos. Colocamos o combustível no tanque. Decolar entre cupinzeiros e arbustos num espaço tão curto parecia loucura. Mas nosso piloto resolveu tentar. Todos a bordo, cintos afivelados, aceleração máxima nos motores com os freios travados. A ideia era conseguir o máximo de embalo em menor espaço possível. Nosso superpiloto conseguiu decolar, e ainda desviar de uma imensa árvore que, por pouco não arranca nossa asa direita. A galhada chegou a raspar na fuselagem. Contra todos os prognósticos, estávamos voando novamente por sobre a mata! O combustível não daria para mais do que 30 minutos de voo. A

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angústia de ver o marcador de combustível ir baixando sem termos onde pousar foi tomando conta de nós. Precisaríamos de outra “mãozinha” do Criador. De repente o piloto viu algo na linha do horizonte, um pequeno risco na floresta. - “Parece uma pista de emergência” disse ele. Era nossa única opção, mas ainda estava longe. E o combustível acabando novamente. Descer sobre a mata seria fatal. Os motores começaram a falhar e o avião foi perdendo altitude... Mais uma vez apelamos para a graça de Deus. A pista se aproximava, já era possível vê-la quando os motores pararam... Conseguimos aterrissar sem nenhum dano. Era uma pista para pousos de emergência. Descemos trêmulos e gratos pelo cuidado de Deus sobre nossas vidas. O Guarda-campo logo veio nos receber, admirado por termos pousado sem fazer qualquer barulho. Indagamos se ele tinha alguma reserva de combustível. “Tenho um tambor quase cheio”, respondeu ele. Abraçamonos, celebrando a incrível providência divina. Fomos informados de nossa localização. Pagamos o combustível e per-

guntamos se havia alguma igreja por perto. Enquanto o avião era abastecido, Dr. Eudes e eu fomos até uma simples capela de madeira ali próxima. Com corações alegres, agradecemos a Deus pela sua proteção experimentada. No caminho de volta passamos por mangueiras carregadas de frutos maduros e nos esbaldamos. Com certeza foram as melhores mangas de nossas vidas. Avião abastecido, decolamos novamente, determinados a chegar ao nosso destino. Mas de novo surgiram nuvens espessas, raios e trovões à frente. Olhamos uns para os outros e tomamos uma decisão unânime: “Já chega, vamos voltar!” Estabelecemos contato por rádio, comunicando nosso retorno. Não conseguimos realizar a visita a Bernardo Saião. Mas voltamos para nossas famílias sãos e salvos. Quase cinquenta anos se passaram. Mas não passa um dia sem que eu me lembre do cuidado de Deus naquele episódio. E, por gratidão, procuro sempre ajudar as pessoas que necessitam. “Eis que os olhos do Senhor estão sobre os que o temem, sobre os que esperam na sua misericórdia, para livrar-lhes a alma da morte e, ..., lhes conservar a vida” (Salmo 33.18-19). O autor é engenheiro agrônomo aposentado, residente em Curitiba

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A oração do Pai Nosso – de forma diferente Autoria desconhecida

- Pai Nosso que estás no céu... - Sim? - Não me interrompas. Eu estou orando. - Mas tu me dirigiste a palavra! - Eu te dirigi a palavra? ... Não, em si não. A gente simplesmente ora assim: Pai Nosso que estás no céu... - Viu! De novo! Tu te diriges a mim, para começar um diálogo, ou? Então, de que se trata? - Santificado seja o teu nome... - Verdade? Tu levas isto a sério? - O que é que eu devo levar a sério? - Se tu de fato queres que meu nome seja santificado. O que é mesmo que isto significa? - Significa... Significa... Meu Deus, eu não sei o que isto significa. De onde é que eu sou para saber isto? - Significa que tu queres me honrar, que eu sou singularmente importante para ti, que meu nome é precioso para ti. - Aha, sim, isto eu compreendo. - Venha o teu reino, seja feita a tua vontade assim na terra como no céu... - E tu também te esforças para que isto aconteça?

- Que a tua vontade seja feita? Naturalmente! Eu vou regularmente ao culto, eu pago a contribuição à igreja, e contribuo para a missão na campanha Vai e Vem... - Mas eu quero mais! Quero que tua vida volte a estar em ordem, que as tuas manias, com as quais cais nos nervos dos outros, sumam, que tu aprendas a pensar a partir dos outros e em direção aos outros; que todas as pessoas recebam ajuda e elas cheguem ao conhecimento da verdade, também o teu senhorio, e o teu chefe. Eu quero que doentes sejam sarados, famintos sejam alimentados, enlutados sejam consolados e encarcerados sejam libertados. Pois tudo o que fizeres a tais pessoas, tu fazes a mim! - E por que é que tu jogas isto justamente na minha cara? O que tu achas quantos hipócritas podres de rico estão firmes nas igrejas? Olha para eles! - Desculpa! Eu pensei que tu oras sinceramente para que venha meu reino, e para que minha vontade seja feita. Porque isso começa bem pessoalmente com aquela pessoa que ora por isso. Somente quando tu queres o que eu quero, quando a minha vontade também é a tua vontade, tu podes ser embaixador de meu reino. - É, isso eu compreendo! - Eu posso

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continuar com a minha oração agora? - O pão nosso de cada dia dá-nos hoje...

- Humm! Não sei se vou ser capaz disso! - Eu vou te ajudar nisso.

- Cara, você está com sobrepeso! A tua prece inclui a obrigação de empenharse para que os milhões de pessoas que passam fome no mundo inteiro, também recebam o seu pão de cada dia.

- E não nos deixes cair em tentação. Mas livra-nos do mal...

- E perdoa-nos as nossas dívidas, assim com nós também perdoamos aos nossos devedores...

- Como é que é?

- Ah é? E o Francisco? - O Francisco? Só não me venha com esse sujeito! Tu sabes que ele me ridicularizou publicamente. Sabes que ele sempre me confronta de modo tão arrogante, que eu já estou fulo da vida, antes mesmo de ele fazer suas observações depreciadoras. E isto também ele sabe! Ele não me leva a sério como colega, ele pisoteia em cima de mim sempre que pode, esse tipo!... - E sei, eu sei! Mas e a tua oração? - Eu não quis dizer isso de verdade! - Tu pelo menos és sincero. Você tem prazer em andar por aí com tanta amargura e desprezo na barriga? - Isso me deixa doente! - Eu quero te ajudar. Perdoa o Francisco, e eu te perdoo. E então arrogância e ódio passam a ser o pecado do Francisco, e não mais o teu. Talvez tu vás perder algum dinheiro; e com certeza terás um prejuízo em tua imagem. Mas isso vai trazer paz ao teu coração!

- Não desejo nada mais ardentemente do que isto. Evita pessoas e situações que te põem em tentação. - Tu conheces os teus pontos francos: Falta de compromissos, comportamento financeiro, sexualidade; agressividade, educação. Não dê chances ao tentador! - Tenho a impressão que este é o Pai Nosso mais difícil que eu já rezei! Mas pela primeira vez ele tem a ver com minha vida diária. - Ótimo! Estamos progredindo. Termina a tua oração! - Pois teu é o Reino, e o Poder e a Glória para sempre. Amém. - E tu sabes o que eu acho sensacional? Quando pessoas como tu começam a me levar a sério, oram com sinceridade, me seguem, e então começam a fazer aquilo que é minha vontade; quando estas pessoas então percebem que seu agir em prol da vinda de meu reino em última análise traz felicidade para elas mesmas. Publicado em alemão no Jornal O CAMINHO de junho 2014, pág. 8. Tradução: P. Dr. Osmar Zizemer

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Em busca de uma nova pátria Profa. Úrsula Axt Martinelli

As primeiras informações sobre a família de Veronika Freier, (minha avó) nascida Sieppert, datam de seu nascimento em 02 de julho de 1883, em Varsóvia, na Polônia. Por que e como alemães viviam na Polônia? Qual era a sua procedência? São perguntas difíceis de responder, como tantas outras relacionadas às migrações do povo alemão motivadas pela política praticada pelos poderosos em tempos de guerra ou de paz. Apesar das lutas entre os povos que, dentro da legalidade ou não, procuravam defender suas terras e seus direitos, a relação entre eles, os povos, sempre alimentava a esperança de encontrar seu lugar de viver que pudesse ser chamado de PÁTRIA. Foi essa também a expectativa da família Sieppert, alemães que viviam na Polônia e se transferiram para a Volínia, na Rússia, em torno de 1890, para a pequena cidade de Volodymyr Volynski, hoje pertencente à Ucrânia. Parte da população local era alemã egressa da Polônia por ocasião da rebelião de 1830 contra a dominação estrangeira. Esses alemães atendiam a necessidade de mão de obra qualificada procurada pelos nobres poloneses proprietários de vastas regiões de terra na Volínia. Com os anos, as colônias alemãs pro-

grediram provocando insegurança entre o povo nativo, os “muzhic” ou mujiques em português. O Czar, temendo um poder paralelo no país, impôs políticas drásticas que limitaram a liberdade e os privilégios concedidos aos alemães por Catarina a Grande, com o manifesto de 1763. Em janeiro de 1918 os bolcheviques (membros do partido comunista) , que lá tomaram o poder, declararam guerra à Igreja e proibiram o ensino religioso nas escolas. Veronika (agora casada) e Daniel Freier acomodaram o pouco que coube no baú e na canastra e, com seus cinco filhos, abandonaram o que haviam construído nas terras da Volínia. Migraram para Gumbinnen na Prússia Oriental, mais especificamente para o vilarejo de Nemmersdorf, em 1918, ao término 1ª Guerra Mundial. As dificuldades encontradas foram grandes. Tratava-se de um período de pós-guerra; as terras estavam destruídas por trincheiras, arame farpado e munição. Os camponeses recolhiam balas e arame farpado em troca de algum dinheiro para comprar alimentos escassos da colheita deficitária de 1917. Contava minha mãe Wanda que mesmo em meio a tantas adversidades as famílias mantinham-se unidas seja na Polônia, na Rússia e agora na

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Prússia Preservavam os valores da época, graças ao sistema de disciplina prussiano e à religião, que sempre lhes deu alento. O pastor da paróquia em Nemmersdorf era Georg Eugen Peter Henkys e lá atuou de 1899 a 1926. A igreja, construída em 1769, apresentava uma torre em madeira. O altar, o confessionário e o púlpito foram construídos no século XVII e apresentavam influência das obras de Isaac Rigas, um famoso escultor em madeira, de Königsberg. O órgão foi adquirido em 1784 e a igreja possuía dois sinos. Hoje este antigo povoado está em solo russo. A igreja foi transformada em casa da cultura. A torre e os sinos não existem mais. Imagens do local mostram o rastro de violência deixado pelo exército russo no outono de 1944. Chegando ao porto de Santos - SP, os imigrantes foram encaminhados

à região de Mococa na fazenda da Cia. Agrícola Bom Sucesso, para ali trabalhar na lavoura de café, inclusive as crianças. Logo decidiram viver nas terras do Rio Grande do Sul, na região de Ijuí. Há noventa anos a família Freier vive em paz do seu trabalho que aprenderam com seus pais e avós. Novas oportunidades de trabalho motivaram migrações para outros estados. A violência pode calar a manifestação de um povo. Mas ela não domina a consciência de um povo. Pelo contrário, desperta-a. Por isso esse povo é capaz de libertar-se e gerar uma nova PÁTRIA. E ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE, parafraseando o nome do filme. Aos que já se foram, rendemos nossa homenagem. Aos que ficam pedimos que não percam a referência dos caminhos já trilhados por aqueles que os antecederam. A autora é professora aposentada e reside em Blumenau/SC

A ociosidade é a pior das pragas. Hermann Bruno Otto Blumenau

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Cresce perseguição aos cristãos em nível mundial A organização de direitos humanos supraconfessional OPEN DOORS – com sede na Alemanha – apresentou em Kelkheim/HESSEN seu relatório referente ao ano de 2013. Segundo este relatório, atualmente cerca de 100 milhões de cristãos sofrem perseguição por causa de sua fé – especialmente em países politicamente instáveis. A perseguição mais rigorosa acontece na Coreia do Norte, onde a simples posse de uma bíblia é castigada com campo de trabalhos forçados para toda a família, ou mesmo com a pena de morte. Seguem na lista com perseguição mais rigorosa aos cristãos, pela or-

dem, a Somália, a Síria, o Iraque, o Afeganistão, a Arábia Saudita, as Maldivas, o Paquistão, o Irã e o Yemen. No total, OPEN DOORS lista 50 países em que pessoas são penalizadas ou perseguidas por sua fé cristã. Também no continente Africano há conflitos em que cristãos sofrem perseguição, como por exemplo, na República Central Africana, no Mali e, mais recentemente, na Nigéria. No entanto há que se observar, que em muitos destes casos os conflitos não têm como causa primeira ou única a religião, mas sim disputas étnicas e sociais entre as diversas tribos ou povos. Baseado em Evangelischer Pressedienst-Wochenspiegel de 13/01/2014, páginas 5-6

Ou a humanidade põe um fim à guerra, ou a guerra põe um fim à humanidade. John Kennedy

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Impressões de uma viagem à Índia P. em. Egon Lohmann

Em Setembro de 2013 tivemos o privilégio de visitar a Índia. É um país de cultura milenar e um povo comunicativo e amável, apesar de contido. Localizado ao Sul da China e do Paquistão, o território da Índia tem 3 287 590 km², sendo o sétimo país do mundo em área. O que mais impressiona é a discrepância social. Oficialmente não existe mais o sistema de castas (abolido pela constituição de 1950). Mas, na prática, as pessoas ainda vivem em mundos muito diferentes cultural e economicamente. O Hinduísmo certamente também contribui para que o povo se conforme com a pobreza e a miséria, pois vê em tudo a mão do destino. Os condomínios dos estrangeiros e indianos mais abastados, os hotéis e shoppings, o metrô e o aeroporto são “ilhas” de prosperidade que contrastam frontalmente com a sujeira, o desleixo e a miséria fora desses ambientes. E a cultura consumista ocidental, mais presente desde a colonização inglesa, tem contribuído para aumentar o caos: São sempre mais veículos nas ruas poeirentas e esburacadas, plástico e outros materiais descartáveis que acabam não tendo um destino apropriado, pois falta uma cultura que priorize a ordem e a organização.

Enquanto isso, em toda parte há construções em andamento; e empresas estrangeiras, inclusive brasileiras como a WEG-motores e Aços Gerdau entre outras, instalando-se no país. Na Índia falam-se hindi, inglês e mais 21 línguas nacionais com suas respectivas formas de escrita diferentes entre si. São línguas regionais, com exceção do hindi e do inglês. Também o português é uma das línguas faladas, na região de Goa, excolônia de Portugal e integrada à União Indiana em 1961. O Hinduísmo é politeísta e entrelaçado com uma mitologia pródiga e difusa. Alguns dos seus deuses são representados por animais, como o touro, o macaco, a serpente naja etc. Imagino que o pensamento holístico do indiano, não seguindo uma lógica linear, em grande parte é também efeito da religião mais antiga do país. Eu a compararia a uma árvore com todo o seu emaranhado de folhas e galhos que se entrecruzam e de onde as ideias nem sempre encontram um caminho rápido e fácil. Por outro lado, pode também oportunizar que o cérebro se exercite por tais meandros com uma lucidez incomum para nós, ocidentais. Por fim, as diferenças mais marcantes que percebemos: Primeiro, os indianos comem diferente. Os adeptos do

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Hinduísmo não comem carne de vaca. Os muçulmanos, com presença marcante no país, evitam a carne de porco. Em compensação há uma variedade muito grande de cereais no mercado. Em lugar de talheres usamse os dedos para trazer o alimento à boca. A música é monofônica (executada num só tom) e seu objetivo principal não é tanto o entretenimento, mas muito mais o autoconhecimento e a espiritualidade. Vassouras, enxadas e pás têm um cabo com a metade do comprimento que nós usamos. O trânsito é caótico: automóveis, caminhões e ônibus, tuc-tucs (táxis com três rodas), motos, bicicletas e tratores disputam os espaços por entre pedestres que não encontram calçadas adequadas para caminhar. Esse é o jeito de ser e viver, ao qual os indianos tiveram que se adaptar, com a chegada da cultura consumista ocidental. A marca dos ingleses que dominaram por quase um século o país, fixou-se também, no uso da direção ao lado direito dos veículos e na língua inglesa falada em todo o país. As mulheres se vestem de maneira peculiar, sempre elegantes em seus sáris, mesmo no trabalho braçal. Os homens são mais ocidentalizados, porém os mais pobres ainda vestem apenas uma camisa e um pano enrolado nos quadris. Já os homens de castas

mais altas, orgulhosamente, usam turbante. As pessoas também são classificadas pelo sistema de castas, de acordo com sua confissão de fé. O cristianismo está em crescimento bastante acelerado. Representava 5% da população há poucos anos atrás e hoje, ultrapassa 8%, o que não é pouco, considerando o montante da população indiana, 1,2 bilhão de pessoas em 2013, sendo este o segundo país mais habitado do mundo, ficando pouco atrás apenas da China, em número de habitantes. Contudo, os cristãos ainda sofrem perseguição em povoados e cidades interioranas, tanto por parte de muçulmanos como de hinduístas. Vimos semelhanças com o Brasil: Na corrupção e no abuso de poder por parte dos políticos. Idêntica também a subserviência do povo a um governo que, ao invés de servir, busca antes, servir-se. E o lado bom: Um mercado emergente; um folclore rico e variado; e um povo amável e hospitaleiro, feito o povo brasileiro. Vale a pena conhecer a Índia, por seu povo, suas peculiaridades não presentes em outros lugares do mundo, a fauna e a flora, sua rica história, sua pujança folclórica e cultural. Vale a pena... Antes que o Ocidente, sempre mais presente, deturpe por inteiro os vestígios dessa cultura milenar. O autor é pastor emérito da IECLB e reside em Curitiba/PR

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Viver na cidade – ser comunidade cristã na cidade P. Alfredo Jorge Hagsma e Pa. Vera Regina Waskow

Ensaiando a caminhada de Emaús Dois homens estavam a caminho de Emaús, um pequeno povoado que ficava há mais ou menos dez quilômetros de Jerusalém. Os dois já haviam feito este percurso a pé muitas vezes. Mas desta vez a distância parecia bem maior, a caminhada parecia interminável, o peso do corpo estava quase que insuportável. Em Jerusalém havia sido condenado à morte na cruz, por subversão, aquele de quem eles esperavam um futuro melhor para as suas vidas. As suas esperanças foram frustradas. Jesus Cristo, o mestre, estava morto. Mal conseguiam conversar sobre o ocorrido. Na verdade, o que mais queriam era esquecer o acontecido. Tinham que retomar a rotina, não lhes restava alternativa. Caminhavam lado a lado, falavam pouco. De repente uma terceira pessoa os alcançou e começou a caminhar com eles. Sem qualquer apresentação, como que se convidando para participar da conversa, o estranho lhes pergunta sobre o que estão falando. Os dois acharam este sujeito meio desatualizado com relação aos últimos acontecimentos. Será que ele seria o único que ainda não sabia da morte de Jesus? Que pessoa mais desinformada! Inclusive chegaram a

questionar este caminhante sobre a sua falta de informação. Após este início de conversa meio desafinado, eles acertam o passo e o diálogo, e seguem juntos pelo caminho, lado a lado. Este novo caminhante se mostra entendedor das Escrituras, de forma a clarear muitas dúvidas dos dois amigos. O estranho partilha com eles muitas histórias bonitas. Os dois caminhantes acabaram de chegar ao destino. O terceiro faz menção de seguir a caminhada. Mas a conversa fora tão boa e parecia que ainda havia mais assunto para conversar! Os dois convidaram o novo parceiro de caminhada para pernoitar em sua casa. Ele aceitou o convite. Na hora da refeição os dois reconheceram neste novo caminhante o mestre Jesus. Esta história relatada pelo evangelista Lucas (24.13ss) é uma das mais belas narrativas bíblicas. O roteiro é tão real que a gente consegue visualizar cada detalhe. A gente entra na história. Jesus tinha e tem esta estranha (estranha porque hoje isto não parece habitual) mania de caminhar ao lado das pessoas, de puxar assunto, perguntar sobre a vida, e facilitar uma boa conversa. Esta cena narrada por Lucas é tipica-

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mente rural. Caminhar ao lado somente é possível num caminho ou numa estrada com pouco movimento. Tentei imaginar esta cena acontecendo em nossas cidades. Impossível de se caminhar ao lado. Na cidade as pessoas caminham umas atrás das outras. As calçadas são estreitas, às vezes esburacadas. A caminhada urbana, uma pessoa atrás da outra, não permite uma boa conversa. E se por acaso alguém, desafiando a lógica, consegue caminhar ao lado da outra pessoa, certamente não vai conseguir conversar, porque o ruído da cidade não o permite ou porque esta pessoa estará preocupada com a violência. Não dá para se distrair, pode-se ser assaltado. A obrigação de prestar atenção em tudo impede o olhar na direção da outra pessoa. É consenso que um dos grandes desafios que encontramos nos centros urbanos é em relação à mobilidade.

É difícil deslocar-se de um lugar para o outro. Mas o pior mesmo é não poder caminhar lado a lado. Caminhar atrás da outra pessoa não permite uma boa conversa, não possibilita olhar nos olhos; não dá para perceber a aflição ou a alegria da outra, do outro. Creio ser este o maior desafio que encontramos nas cidades: perceber o que se passa com a outra pessoa tal qual Jesus percebeu nos dois amigos que caminham para Emaús. As comunidades cristãs presentes nas cidades ensaiam um caminhar diferente, se reúnem em pequenos grupos, sentam em círculo, de forma a enxergar a outra pessoa de frente e puxar uma boa conversa como a que aconteceu no caminho de Emaús. Nas últimas décadas o fenômeno da migração super povoou as cidades. Hoje as cidades concentram a maioria da população em nosso país. Mas

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na mesma proporção se acumulam problemas. Estre estes está a ausência de comunhão. Em 2014, com o tema “ViDas em Comunhão” a nossa igreja motivou as Comunidades para refletirem sobre o seu jeito de caminhar: não atrás um do outro, mas lado a lado. Certamente muitos grupos foram criados e outros tantos fortalecidos a partir da reflexão que este tema proporcionou. Na Paróquia Cristo Salvador em Curitiba/ PR onde atuamos como pastora e pastor existem uma dezena de grupos de convivência, alguns com mais de 30 anos de caminhada. Os grupos são formados por uma média de 20 pessoas (10 casais). Nestes grupos os vínculos são fortes, duradouros e uma pessoa conhece a outra como se fosse membro de sua própria família. O desafio permanente em nossas cidades é criar e manter grupos em

comunhão possa acontecer. As pessoas precisam encontrar espaços onde possam partilhar seus problemas e suas alegrias. As pessoas precisam ser ouvidas, precisam de vínculos, de laços, de comunhão. Esta dinâmica do falar e ouvir somente se torna possível em grupos e comunidades de convívio, mas dificilmente ou impossível nas grandes concentrações. Na multidão você pisa no pé da outra pessoa e nem consegue pedir desculpas, porque não se ouve e não se conhece, não se olha face a face. Caminhar ao lado, estender a mão, sentar frente a frente: este é o maior desafio e a maior possibilidade para a Igreja na cidade. Neste sentido a palavra de Jeremias 29.7: “Procurai a paz da cidade para onde vos desterrei e orar por ela ao Senhor, porque na sua paz vós tereis paz,” continuará sendo o imperativo missionário para os dias que seguem. Que Deus nos ajude neste desafio. Os autores são pastores da IECLB e vivem e atuam em Curitiba/PR

Um casebre onde se ri é melhor do que um palácio onde se chora. Provérbio Chinês

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Esperando a vida passar Elisete Antoniuk

Ele tinha lá seus 45 anos, trabalho fixo, estabilizado. Todo dia voltava do trabalho no mesmo horário. Sozinho no pequeno apartamento, onde os vizinhos mal se conheciam além de um bom dia, fez seu lanche, como de costume. Abriu a geladeira, o pão de forma de mercado e os frios para o sanduiche. Um chá talvez, porque à noite não é bom tomar coisas estimulantes que tirem o sono. No dia seguinte o trabalho espera. Após o lanche ligou a TV. O mesmo programa, as novelas tipo exportação. Histórias relativamente interessantes talvez, mas já repetitivas. Só os personagens mudam de tempos em tempos, as narrativas ficam. Entretanto ele não mais percebia isso. A TV se tornara um vício. Um dia seu sobrinho o visitou. Queria conversar sobre alguma coisa, banalidades. Mas, por favor, na hora da novela e justamente num capítulo decisivo, isso não podia ser! Mandou o menino embora: – Volte outro dia, agora estou ocupado. Até que certo dia veio uma nova moradora para o apartamento ao lado. Todo dia, no mesmo horário, das oito as nove, ele ouvia um som estranho. Parecia ser um violino. Mas não, o som era mais grave. Ele não conhecia muito outros instrumen-

tos. Sabia que o violino é mais agudo, estridente, brilhante. Mas esse, que soava no apartamento ao lado, era mesmo mais agradável, mais denso, como uma voz de contralto. Cantara uma vez em coral e tinha alguma noção de voz. Será que essa mulher não pode respeitar pelo menos o horário da novela! Tinha que tocar justamente no momento em que ele queria sua paz novelística após o trabalho? As paredes não são muito estanques nos apartamentos hoje em dia! Ouve-se tudo mesmo! Com o passar dos dias ele foi se acostumando ao som, à vibração das cordas graves, à musica que ele não conhecia muito, mas devia ser erudita. E assim foram passando meses. No mesmo dia, na mesma hora da novela, que acabou e outra que começou. Mas ele já se deixava embalar pelo som penetrante. Era como que um fundo musical, uma trilha sonora para a história monótona na TV. Mas um dia o som não veio, não atravessou a parede para acariciar seus tímpanos. Nesse dia ele sentiu a diferença, a falta que fizeram as notas em cadência, melodiosas e ritmadas, harmônicas de um estilo que talvez fosse barroco. Ouvira uma vez falar de Bach. Ficou preocupado! O que poderá ter acontecido? Esqueceu por instantes a novela, a história chata. Tomou co-

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ragem: Vou lá perguntar!

leigo.

Bateu na porta do apartamento ao lado. Demorou um pouco e ouviu passos em direção à porta.

Devia ler mais sobre isso, pensou.

– Sim?

– Melhoras. Sinceramente.

– Ah, só queria perguntar como vai a senhora.

Voltou para casa feliz, aliviado de que não era nada. A musicista estava bem. Esqueceu a TV naquela noite e também nas próximas. Preferia ir encontrar com a vizinha, ouvi-la tocar e se embebedar do som. Passou a ler mais sobre música erudita e isso foi preenchendo sua ignorância. Até que as conversas entre os dois se tornaram mais avivadas, interessantes. Passaram a ir a concertos juntos. A vida foi se tornando mais atrativa, e ele não a deixava mais passar assim, inerte, em frente à TV.

– Nada de mais, um resfriado hoje. Mas pode entrar mesmo assim, podemos tomar um chá. Aceitou. Conversando perguntou mais sobre o instrumento, o que era aquilo, aquele som familiar, mas diferente ao mesmo tempo. – Ah, é uma viola, parente próxima do violino. Hoje estava sem disposição, mas outro dia poderia tocar para ele. – Sim, quero ouvir de perto, saber mais, gosto de música, mas sou meio

– Vamos combinar num outro dia então.

A autora é professora aposentada e reside em Curitiba/PR

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A panela de ferro e o Papa João XXIII P. em. Hartmut Schiemann

Uma semana antes do dia das mães de 1965 fui, com os meus dois filhos pequenos de 5 e 3 anos, procurar um presente para a mãe. Custou até estarmos unânimes na escolha do presente: Uma grande panela de ferro com tampa para fazer gostosas galinhadas. Na época não havia muitas lojas para adquirir este tipo de presente em Estrela/RS. Finalmente encontramos a dita panela na Casa Comercial Preussler. Ficamos felizes em termos encontrado o procurado presente.

ria marcar um enterro com o pastor ou pedir uma celebração de Santa Ceia, alguém da diretoria tinha que sair a procurá-lo para chamá-lo ao serviço. Isto era feito à base dos gritos do barranco em direção do rio. Assim a metade da cidade ficava sabendo que o pastor de novo estava pescando. Poderiam ter proibido a pescaria ao pastor, ou pescar vestindo terno. Mas, nas suas folgas ele podia naturalmente fazer o que queria! O ruim era estar pescando quando precisava ser chamado...

Ainda na mesma noite fui convocado pelo presidente da paróquia para uma reunião de emergência do presbitério. E fui advertido e mais uma vez lembrado o que na comunidade evangélica de Estrela/RS era proibido para o seu pastor: 1º - Usar calças Jeans azul; 2º - Pescar pintados nas horas livres e 3º - Fazer compras em lojas não evangélicas.

- E a terceira lei: Não comprar em lojas não evangélicas era uma manifestação de pobreza do evangélico. Não havia uma casa comercial igual pertencente a evangélicos. Mas nosso dinheiro teria que ir para os comerciantes evangélicos! Aliás, o mesmo critério valia nos bailes. Com quem eu danço? Com uma evangélica! E algum jornalista da época escrevia: “Católicos e evangélicos dificilmente se olhavam ou cumprimentavam”. Eles pertenciam a “times” diferentes. E as freiras na escola da minha irmã ensinavam às alunas: “Os protestantes adoram o diabo.” Não olhavam para o lado quando passava um protestante pelo outro lado da rua. E isto não acontecia em dois países estranhos, mas cristãos, e sim numa mesma cidade onde ambos residiam!

E eu conhecia os motivos justos: - O meu antecessor usava sempre este tipo de calça, quanto mais desbotado, tanto melhor. Ele parecia relaxado e até mal vestido. A autoridade religiosa não causava uma boa impressão. Assim não era possível orgulhar-se do seu reverendo. - Era vergonhoso chamar o Pastor em voz alta da barranca do Rio Taquari a partir do trapiche até a curva do rio. Pois, cada vez que um membro que-

Ninguém notava nesta vidinha em

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Estrela que lá em Roma um Papa, um católico, tentava de mudar o mundo tornando-o mais humano e cristão. O papa João XXIII ordenou que das igrejas católicas fossem afastadas todas as estátuas de santos e somente permanecesse sobre o altar o Crucifixo. As igrejas tornaram-se cristocêntricas... Nós não queríamos acreditar, que isto seria verdade. E os católicos também não. Os templos católicos tornaram-se mais evangélicos do que muitas igrejas evangélicas ou luteranas hoje em dia, com faixas, panôs, placas, e cartazes com dizeres. O papa João XXIII queria que os crentes, os fiéis, lembrassem o mais importante… Os membros eram frágeis em fé e vida, e apesar disso, amados por Deus em Jesus Cristo. Todos. Os marginalizados tornaram-se importantes mediante Jesus. Dá para entender que ele se tornava o “meu papa evangélico”? Esta teologia chama-se “Ecumenismo”: Todos são do mesmo OIKOS (grego) da mesma CASA. Nós éramos todos da casa! De repente nosso mundo, nossa vidinha era transformada. Começamos a fazer celebrações em conjunto. Cultos ecumênicos. O padre de Estrela e o pastor de Lajeado não participavam. Mas o Padre Schmitz de Lajeado e o pastor Schiemann de Estrela, sim. Uma destas celebrações ecumênicas na igreja católica de Estrela contou com a

presença de Dom Vicente Scherer, arcebispo de Porto Alegre. Ele me disse: “Eu vim especialmente a este culto ecumênico para ver o que meus jovens irmãos estão fazendo.”. O Padre Schmitz de Lageado certo dia me procurou e disse que um conhecido casal, casado no civil - que nunca pudera receber a bênção matrimonial pelo fato de pertencerem a duas igrejas diferentes - estaria festejando suas bodas de ouro e queriam nós dois, padre e pastor, presentes. Era para ser surpresa para os noivos. Assim no dia das Bodas de Ouro os dois casaram no religioso. Emocionado, ainda hoje lembro as lagrimas da idosa “noiva”, quando entendeu o que os dois religiosos estavam fazendo: Dando-lhes a bênção de Deus para o seu matrimônio! Eu gostei tanto deste papa, que o chamei de meu papa evangélico. O meu papa evangélico nos ensinou o que é ecumenismo. É lógico que muitos membros presos à tradição não gostaram daquilo que estava acontecendo. E também muitos dos nossos colegas religiosos, desconfiados e acostumados a ser ensacados, não participavam desse “movimento ecumênico”. A Bíblia diz: Que o coração do homem é mau desde a sua infância. Assim me contou na época o gerente do Banco do Brasil, que viajou comigo de carona a Porto Alegre. Eu o perguntei: Onde estão todas as estátuas de santos que foram tirados

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de sua igreja? Ele me respondeu, todo esperançoso e com entusiasmo: “Estão na minha garagem e ganharam uma nova pintura. Virá o dia, que voltarão aos seus lugares na nossa igreja!” E foi isto mesmo que aconteceu. Mas o mundo e o relacionamento entre as duas igrejas não era mais o mesmo. Quando eu recebi um convite da direção da Igreja Alemã para um período na Alemanha, permitiram que meus filhos me acompanhassem já que a esposa Marguit, por problema de saúde, não pode viajar. O tempo de estadia lá era de 6 meses. E, numa folga, fui com meus filhos de 20 e 18 anos a Roma, onde estive pela primeira vez na minha vida. Olhamos o Vaticano e no subsolo as sepulturas dos papas. Os meus filhos me perguntaram: - O que tu queres aqui? Aqui não há

nada, somente sarcófagos! Eu lhes disse: - Eu quero acertar uma dívida de gratidão. Junto com vocês dois na frente da sepultura do meu papa evangélico João XXIII, quero fazer uma oração de gratidão a Deus pela bênção que este grande homem exerceu sobre minha pequena vida em Estrela. Agradecer pelo essencial da fé: Somos todos irmãos, somos todos amados. O que uma panela “católica” para galinhada tem a ver com o grande Papa João XXIII? Ela ainda hoje é usada lá em casa e nos lembra: Ecumenismo que abrange o mundo: “Nós somos todos pessoas amados por Deus em Jesus!”. Dizer e acentuar isto num mundo frio e cheio de leis só pode ser obra de um grande homem de Deus. O autor é Pastor emérito da IECLB e reside em Santa Cruz do Sul/RS

É melhor acender uma luz do que reclamar da escuridão. Provérbio Chinês

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Ecumenismo pé-no-chão P. Dr. Osmar Zizemer

A prática da pastoral na comunidade, por vezes, nos coloca em certas “saias justas” diante da “doutrina” ou “prática oficial” das igrejas. Lembrome da história que um colega nos conta, de um casal que recebeu a bênção para o seu matrimônio apenas por ocasião de suas Bodas de Ouro, porque os nubentes pertenciam e queriam continuar pertencendo cada qual a uma igreja de confessionalidade diferente (= católica e evangélica luterana). Pois eu conheci um casal biconfessional como o daquela história, mas que “casara no civil e na igreja”, tudo certo. Porém parte católica tivera que prometer batizar e educar todos os filhos nesta igreja, sob ameaça de perda da salvação eterna caso não cumprisse esse prometido. Tudo foi correndo bem na vida deste casal. Tiveram seis filhos e filhas, todos batizados e educados católicos, conforme prometido solenemente no dia do casamento. O marido com os filhos (pelo menos até o casamento dos mesmos) membros da comunidade católica. A mãe, membro da comunidade evangélica. A família cresceu, os filhos casaram, chegaram os netos... O casal já se aproximava dos 50 anos de casados... Certo dia o patriarca da família chegou à minha casa a cavalo, amarrou o animal na sombra no pátio da casa

pastoral e procurou o pastor: – Pastor, o senhor sabe que eu sou católico, e minha esposa é evangélica. Nós temos um problema e não sabemos como resolvê-lo. O senhor conhece o cemitério lá na linha onde moramos: Uma mureta o divide ao meio. Uma metade é católica e outra é evangélica. Católicos são sepultados no lado católico, e evangélicos no lado evangélico. Mas minha esposa e eu quereríamos ficar juntos, numa mesma sepultura dupla depois da morte, como estamos juntos em vida. Como é que a gente faz isso, Pastor? Pois é, como é que a gente faz? Levamos o assunto às reuniões das diretorias de ambas as comunidades e lançamos nas respectivas atas a seguinte decisão: “Quanto ao casal... ficou decidido que a parte que falecer primeiro será sepultada no lado do cemitério de sua comunidade, e que a parte que vier a falecer em segundo lugar será sepultada ao lado do seu cônjuge já sepultado!”. Desta forma resolvemos um “problema ecumênico” sério naquela comunidade! Passou-se algum tempo, e levantouse um novo problema para o mesmo casal. O senhor veio à minha casa: – Pastor, o senhor sabe que eu sou católico e minha esposa é evangélica. Nós vamos completar os nossos

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50 anos de casados. E nós queremos muito que o pastor e o padre celebrem as nossas Bodas de Ouro em conjunto; uma celebração ecumênica, como se diz hoje. Eu lhe disse que não via problema. – Então o senhor combina tudo com o Padre José (nome fictício), pois sabemos que vocês dois se entendem bem. Mas gostaríamos que o senhor assumisse a pregação! Concordei. Marcamos data, hora e local, e eu combinei tudo com Padre José. Alguns dias mais tarde nosso amigo voltou de novo: – Pastor, nós teríamos mais um pedido. O senhor sabe que nós temos seis filhos. E todos foram batizados e educados católicos. Mas, através de seus casamentos, três deles se tornaram evangélicos. Minha esposa e eu gostaríamos muito que nas nossas Bodas de Ouro nós também “tomássemos a comunhão” todos juntos. Argumentei: – Mas aí temos um problema! Da parte da igreja evangélica isso é viável, mas não da parte da igreja católica. Ela proíbe a intercomunhão. E o bispo da diocese – que, aliás, veio junto

com Padre José à minha casa tomar um chimarrão, quando esteve na cidade – há pouco expediu um memorando às paróquias e comunidades de sua diocese, insistindo que, por ordem do Vaticano, católicos não devem comungar junto com evangélicos. Mas meu interlocutor não se deu por convencido. – Fale sobre isso com o Padre José, por favor. Diga-lhe que nós insistimos em nosso pedido. E se ele não quiser, então diga-lhe que ele não precisa vir. Então senhor vai fazer a celebração sozinho! Que saia justa! Meio constrangido levei o assunto ao Padre José, meu amigo. Após um momento de silêncio ele disse: – Sabe de uma coisa, Pastor: O bispo não precisa ficar sabendo disso. Vamos atender ao desejo dessa preciosa e piedosa gente. Vamos celebrar juntos as Bodas de Ouro, e também a Ceia do Senhor! Assim aconteceu uma celebração ecumênica de Bodas e Ouro e da Santa Ceia. E, creio sinceramente que Padre José e eu não cometemos nenhuma heresia! Foi ecumenismo de base, pé-no-chão, se concretizando. O autor é Pastor da IECLB e reside em Blumenau/SC

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As sete maravilhas do mundo antigo As sete maravilhas do mundo antigo são uma famosa lista de majestosas obras artísticas e arquitetônicas erguidas durante a Antiguidade Clássica. Esta lista se atribui ao poeta grego Antípatro de Sídon, que as cita num pequeno poema. Das sete maravilhas, a única que resiste até hoje praticamente intacta é a Pirâmide de Quéops, construída há quase cinco mil anos. É interessante observar que, das sete maravilhas citadas por Antípatro, apenas uma se encontrava na Grécia, a saber, a estátua de ZEUS em Olímpia, construída em ouro e marfim com 12 metros de altura. – A pirâmide de Quéops (em Gizé, no Egito): Construída por volta de 2.550 antes de Cristo como tumba do Faraó Quéops/Khufu. É a maior entre o conjunto de três pirâmides de Gizé, com 147 metros de altura. Até 1889, quando foi erguida a Torre Eiffel em Paris, esta era a obra humana mais alta do mundo. Esta ma-

ravilha pode ser visitada e admirada até hoje. – Os Jardins suspensos da Babilônia: Foram construídos por volta do ano 600 antes de Cristo, às margens do Rio Eufrates, no sul do atual Iraque. Próximos ao Palácio de Nabucodonosor II, estes jardins foram construídos em homenagem à sua mulher Amitis. Por não haver pedras na região, foram edificados com tijolos de barro cozido sobre colunas de até 100 metros de altura, em terraços sobrepostos.

Não se sabe quando este monumento foi destruído, e até hoje não existe nenhum sítio arqueológico com vestígios do mesmo. Tudo que se sabe desta maravilha, se sabe de descrições de historiadores da época. – A Estátua de Zeus (em Olímpia na Grécia): Esta estátua, construída em ouro e marfim e decorada com pedras preciosas, era uma homenagem ao deus supremo do panteão grego – ZEUS. Ela tinha 12 metros de altu-

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ra e foi esculpida por Fídias, entre 456 e 447 antes de Cristo, e erigida na cidade de Olímpia na Grécia (berço dos Jogos Olímpicos). 800 anos mais tarde ela foi levada a

Constantinopla (hoje Istambul, na Turquia). Supõe-se que ela tenha sido destruída por um terremoto no ano de 462 depois de Cristo.

em 323 antes de Cristo. Aliás, na Bíblia há uma alusão a este templo e à divindade nele adorada. Conforme Atos 19.28 o povo, excitado pelo ourives Demétrio contra o apóstolo Paulo, grita: Grande é a Diana de Éfeso! E Diana é a de denominação que a deusa grega da caça Ártemis recebe dos Romanos, que dominam a região na época do Novo Testamento. No ano de 401 depois de Cristo este templo desabou de forma definitiva, e não mais foi reconstruído por causa da expansão do cristianismo. Hoje só está de pé um pilar desta maravilha. – O Mausoléu de Helicarnasso (na atual Bodrum na Turquia): É o suntuoso túmulo que a governante da

– O Templo de Ártemis em Éfeso (na atual Turquia): Este templo foi construído em 550 antes de Cristo, e dedicado a Ártemis, deusa da caça. Ele foi destruído pela 1ª vez no ano de 350 antes de Cristo por Heróstrato, conforme relato do historiador Strabo, sendo reconstruído

Cária (uma região da Turquia) ARTEMÍSIA II mandou construir sobre os restos mortais de seu esposo MAUSULO (daí deriva a palavra mausoléu) no ano de 345 antes de Cristo. Projetado pelos mais famosos arquitetos gregos da época (Sátiro e Pitias), tinha 45 metros de altura e era enfeitado em seus quatro lados ••• 124 •••


por esculturas de famosos escultores gregos. Hoje só restam ruínas dele em Bodrum. Algumas partes desse Mausoléu são guardadas no Museu Britânico em Londres. – O Colosso de Rodes: É uma gigantesca estátua do deus grego Hélio (Sol), erigida na entrada marítima da ilha de Rodes. Construída em 280 antes de Cristo, tinha 30 metros de altura e era constituída por 70 toneladas de bronze. Estava firmada com um pé em cada lado da entrada do porto, de modo que as embarcações tinham de passar por entre as pernas da estátua. Ela foi erigida para comemorar a retirada dos Macedônios, que haviam tentado invadir a ilha. O material usado para fazer a

estátua era de armas abandonadas pelos macedônios por ocasião de sua retirada. No ano de 225 antes de Cristo um terremoto a destruiu e fêla cair no fundo do mar. Séculos mais tarde os árabes a içaram, e venderam o material como sucata. – O Farol de Alexandria: Construído na ilha de Faros, junto a Alexandria/ Egito, o Farol de Alexandria era uma torre de cerca de 150 metros de altura. Ela foi construída em 280 an-

tes de Cristo pelo engenheiro e arquiteto grego SÓSTRATO de Cnido. No interior do Farol havia uma chama que, por um sistema de espelhos, iluminava até 50 quilômetros de distância. Destruída por um terremoto no ano de 1.375 depois de Cristo, suas ruínas foram encontradas por mergulhadores apenas no ano de 1994.

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Pregar o evangelho pela rádio comunitária P. Ms. Leonídio Gaede

A rádio comunitária tem suas próprias leis. Uma delas é a que limita a sua área de cobertura. Ela está impedida de crescer como é permitido às rádios comerciais. Isto seria um dado importante para quem pretende anunciar o evangelho através de uma rádio comunitária. Pois isso restringiria o público ouvinte a uma área geográfica claramente delimitada. A internet, porém, veio para romper limites. E também aqui ela rompe. Através dela, a rádio comunitária também pode ampliar o círculo de sua audiência e até chegar a qualquer parte do mundo. Foi o que aconteceu comigo em certa ocasião: Eu preparava meus programas de rádio tendo em mente os habitantes do bairro, e repercutindo assuntos que julgava serem de interesse dos moradores locais. Mas comecei a questionar isto no dia em que recebi uma mensagem eletrônica de ouvintes que viviam bem distantes dali, em outra realidade. Por isso podemos dizer que pregar o evangelho numa rádio comunitária, em certo sentido, não é diferente de fazê-lo em qualquer outro veículo de comunicação de massa. Considero que a necessidade de tomar uma decisão sobre o perfil do ouvinte um dos primeiros desafios

de um programa de rádio. A melhor expressão para se referir a esta característica é dizer “você nem imagina quem está lhe ouvindo!” Entre seus ouvintes pode estar uma pessoa acamada que sintoniza o seu programa para preencher o tempo. Mas também pode estar lhe ouvindo uma pessoa que viaja de carro e, para distrair o sono enquanto passa pela região, sintoniza a emissora na qual você está falando. Convém orar silenciosamente antes de todos os programas agradecendo a Deus pelos ouvintes desconhecidos que ele providenciará. Por outro lado, é necessário considerar que qualquer ouvinte será mais provavelmente cativado se, ao ouvir, rapidamente identificar quem está falando com quem. Se o locutor, por exemplo, dirige a sua fala a um jovem agricultor e quem está ouvindo é justamente um jovem agricultor, é possível que a audiência esteja garantida por mais alguns instantes. Mas também é possível que o ouvinte permaneça ligado mesmo sendo um agricultor idoso, um jovem urbano ou qualquer outra pessoa. Neste caso, o que funciona é a curiosidade de ver o chapéu servindo na cabeça de outra pessoa. Isto, porém, não significa que esse ouvinte não esteja sendo tocado

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pela mensagem. O que faz o ouvinte desligar ou procurar outra estação é, além de perceber que não é para ele, também não conseguir perceber para quem é que se está falando. Como pregador tenho guardado uma regra que considero básica: o que falo chegará tanto mais eficientemente aos ouvintes, quanto mais eu acertar na determinação do perfil do meu ouvinte, no momento em que estou decidindo o que vou falar. Trocando em miúdos, quando estou preparando o que vou dizer, imagino alguém que vai me ouvir. Se eu acertar nessa minha imaginação, a fala tem maior chance de chegar ao destino pretendido. Dizendo de outra forma: a pregação não chegará bem, se a imaginação for um ouvinte aniversariante e a realidade for um ouvinte enlutado. Neste sentido, me apego muito ao exemplo de dois livros do Antigo Testamento. Tratase dos livros de Jonas e de Jó. A leitura destes dois livros torna-se interessante para todo mundo não porque o assunto é entre Deus e todo mundo. O assunto é entre Deus e uma pessoa. E é justamente isto que o torna interessante para todo mundo. Vale a ideia de que a aldeia reproduz o planeta ou que estamos em uma onda de “desmassificação da sociedade” (Alvin Toffler). Depois do desafio de um programa de rádio de dez minutos diários durante alguns anos, tenho agora o desafio de um programa semanal com duas horas de duração. Não me

arriscaria a apontar um dos dois programas como mais fácil ou mais difícil. Posso, porém, testemunhar que não confere pensar que a preparação de um programa de dez minutos leva dez minutos e a preparação de um programa de duas horas leva duas horas. Um programa curto leva, proporcionalmente, mais tempo de preparação. Em rádio, uma boa fala provavelmente estará entre dois e quatro minutos corridos. Logo um programa de dez minutos necessita de duas quebras de sequência. Isto pode ser resolvido, tocando uma música. Assim teremos uma locução, uma música e mais uma locução. A quebra de sequência, ao mesmo tempo em que evita a mesmice, cria a curiosidade sobre como seguirá. Como funciona isto com um programa com duas horas de duração? No caso de minha experiência, a própria emissora se encarrega de dividir o programa em quatro blocos, pois, a cada meia hora, são rodados os apoios culturais. Assim sendo, estão disponíveis quatro blocos de 26 ou 27 minutos. Seguindo a lógica da demassificação, subdividimos estes blocos em momentos distintos. É nesses momentos que o programa se renova, como se fossem células que morrem e nascem de acordo com a demanda. Alguns momentos repercutem muito bem entre os ouvintes, e por isso permanecem. Outros nunca são mencionados pelos ouvintes e assim “caem no esquecimento”.

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Os seguintes momentos conquistaram o seu espaço em nosso programa nos últimos meses: 1) Os dias da semana na história: nele são lembrados e brevemente comentados acontecimentos históricos marcados no calendário da semana; 2) Notícias da igreja: eventos da semana que envolvem a IECLB e o mundo ecumênico; 3) Momento das crianças: é apresentada uma história para crianças; 4) Dica de saúde: é apresentado algo que pode ser praticado facilmente e que representa um benefício à saúde; 5) Avisos da semana: é apresentada a programação paroquial; etc. Todos os momentos são envolvidos por músicas tocadas por sugestão de ouvintes, que enviam suas solicitações à emissora enquanto o programa transcorre. O programa recebe entre 5 e 8 pedidos e dedicações de música e orações em cada bloco de meia hora. Essas mensagens representam elos de ligação entre ouvintes e a coordenação pastoral. Os pedidos de música e orações são um indicativo para visitas e outras atividades pastorais para os dias que seguem. Nosso programa se chama “Entardecer com Cristo”, é uma iniciativa da Paróquia Evangélica de Confissão Luterana no Vale do Três Forquilhas,

e vai ao ar pela Rádio Clube do Povo, FM 98.1, de Três Forquilhas/RS. Quando comecei o programa, lembrei que antigamente era costume em muitas comunidades que as pessoas que quisessem comungar nos cultos com Santa Ceia entravam previamente numa fila para “dar o nome” ao pastor. Este gesto representava uma espécie de Raio-X da comunidade. Os nomes - e especialmente os nomes ausentes na lista indicavam ao pastor possíveis pontos de conflitos entre familiares e vizinhos. Nosso programa de rádio tem uma função semelhante. Ele nos comunica os aniversariantes, os doentes, os que chegaram ou saíram de viagem, os que baixaram hospital e os que tiveram alta. Além de tudo isso, importa que o programa seja sentido como propriedade da comunidade. Nosso programa é mantido por pessoas ou grupos que voluntariamente se dispõem a fazê-lo. É comum termos uma “fila de espera” de colaboradores de quatro a seis meses. No último culto apareceu no prato de ofertas uma doação referente a um mês de financiamento do programa envolta em um bilhete anônimo. Graças a Deus! O autor é Pastor da IECLB e atua na Paróquia Evang. de Conf. Luterana no Vale do Três Forquilhas/RS

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Quando não der mais, nos separamos... P. em. Friedrich Gierus

O que Deus uniu, não o separe o homem! Não sei quantos casamentos fiz no meu tempo de pastor de paróquia. E esta frase sempre era citada na liturgia e eu sempre a entendi como um mandamento de Deus para que os noivos não entrem de modo leviano no casamento, deixando aberta uma porta de saída pelos fundos, pensando: “quando não der mais, nos separamos...”. Assim não. Esta palavra de Jesus vai contra tal visão do casamento. Em sua convicção (conf. Mateus 19.5-6), o casamento é uma instituição divina, cujo objetivo é que homem e mulher se unam em comunhão íntima por toda a vida, se complementem mutuamente e assumam responsabilidades conjuntas na educação dos filhos, na vida profissional e no lazer. Parece que esta visão do matrimônio não tem mais validade. A tradicional estrutura do noivado e o relacionamento pré-nupcial durante um determinado tempo antes do casamento definitivo, no cartório e depois na Igreja, parece ser algo do passado. De fato, observa-se que, em média, o número de bênçãos matrimoniais diminuiu de 40 a 50% nos últimos cinco anos! Quer dizer, a metade dos noivos que fazem parte da comunidade luterana não participa mais dos cursos – ou encontros – para os quais a igreja convida, vi-

sando o preparo para a vida matrimonial. Assim a igreja perde sua influência na formação do conceito de família nos moldes como a Bíblia nos propõe. E mais: observa-se que há um crescimento assustador dos/das solteiros/ as, especialmente nas grandes cidades. O matrimônio não está mais na mira das pessoas em busca de uma vida plena e feliz. Valoriza-se a independência e a autossuficiência. E a vida sexual visa cada vez mais a diversão e o prazer descomprometido e menos a procriação do gênero humano. Para facilitar isto, há uma indústria complexa que oferece uma variedade imensa de anticoncepcionais. Fato é que a vida matrimonial, como instituição, enfrenta cada vez mais um processo de desestabilização. Os casamentos duram cada vez menos tempo no Brasil – e não só no Brasil. A maioria dos casais (56,5%) se divorcia antes de completar 15 anos de união, apontam as estatísticas do Registro Civil de 2011, divulgadas pelo IBGE. Não completam uma década de duração 41,6% deles. Entre os 5 e os 9 anos de matrimônio são 20,8% os que se dissolvem. Esta desestabilização também é consequência da nova lei do divórcio. A emenda constitucional nº 66 de 13 de julho de 2010 deu nova re-

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dação ao § 6º do art. 226 da Constituição Federal, que dispõe sobre a dissolubilidade do casamento civil pelo divórcio. Ele agora suprime o requisito de prévia separação judicial por mais de 1(um) ano ou de comprovada separação de fato por mais de 2 (dois) anos como condição para o divórcio. A emenda constitutional nº 66 reza: Art. 1º altera § 6º do art. 226 da Constituição Federal passa a vigorar com a seguinte redação: § 6º - “O casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio”. Registre-se também que foi suprimida a atribuição ou não da culpa aos cônjuges, sendo irrelevante tal atribuição em razão da nova edição do texto legal. Assim, a emenda prevê o divórcio imediato quando da decisão do casal em não mais conviverem e desejando, portanto, a extinção do vínculo conjugal. A agilidade no trâmite é um fator determinante para o cenário atual, mas a principal alteração é vista na liberdade que marido e mulher ganharam para decidir sobre o futuro de sua união, ressalva Sérgio Arthur Calmon, advogado especialista em direito de família. “Antes, para se separar, era preciso imputar uma conduta desonrosa no parceiro, como traição. O processo acabava virando lavação de roupa suja, e o casal era obrigado a abrir a vida pessoal para o juiz”, lembra ele comparando que, hoje, essa questão da

“culpa” não existe mais. “Agora, basta chegar ao juiz e dizer que quer se divorciar, e o pedido vai ser concedido mesmo que o outro não queira. Tornou-se uma ação simples.” A simplificação e a rapidez resultaram em um aumento histórico na taxa geral de divórcios no país. Em 2011, foram registrados 351.153 processos de divórcio, um crescimento de 45,6% em relação ao levantamento feito no ano anterior. À medida que cresce a taxa de divórcios também aumenta no país o índice de recasamentos – nos quais um dos cônjuges ou os dois já tiveram anteriormente uma ou mais uniões formais. Em 2011, elas representavam 20,3% do total de casamentos, um salto de 8 pontos porcentuais em dez anos. Os casamentos entre solteiros ainda são maioria, quase 80% das uniões. Mas a tendência de decréscimo que se observa desde o início da década (quando era de 87,7%) deve se manter nos próximos anos, ressalva o IBGE. Este fenômeno do aumento de divórcios e os recasamentos têm consequências graves para os filhos. De repente eles não têm mais um só ponto de referência, mas sim dois. Passam determinado tempo com a mãe. Depois ficam um tempo com o pai. Nem sempre gostam da madrasta ou do padrasto. Não é de admirar que mais tarde eles se desligam da família em busca de uma turma, de amigos que oferecem aconchego e

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onde se sentem valorizados. Mas voltemos para o matrimônio. Qual seria o motivo da separação/ divórcio de tantos casais que os dados do IBGE indicam? Será que as pessoas mudam tanto depois de um convívio de dois, três, cinco ou dez anos, de forma que não sobra nada do carinho, do amor que os uniu? Ou é simplesmente uma onda? Admito que muitos matrimônios são contraídos, nem tanto motivados pelo amor, mas sim, por interesses materiais, para atender interesses da família ou dos pais, às vezes, também simplesmente por motivo de um sentimento momentâneo de atração física irresistível. Seja qual for o motivo que levou um casal para o cartório e/ou para a igreja, a possibilidade de uma separação ou divórcio não tem regra. E infelizmente também há matrimônios que, de fato, são ou se transformaram num inferno. Neste caso, realmente é melhor separar-se do que viver sofrendo uma vida inteira. Por outro lado, há de se admitir que muitos divórcios ou separações acontecem pelo simples fato que o casal não aprendeu dialogar. Depois de passar o período do namoro e do sentimento de atração irresistível, vem um tempo de aprendizagem na convivência. Esposo e esposa têm que saber que o/a cônjuge ou parceiro/a tem cada um a sua personalidade, sua história, seu passado, seus sonhos, suas esperanças e suas ideias de um matrimônio feliz. Para

descobrir isto, há uma necessidade tremenda de troca de ideias, de diálogo e de confiança mútua. O casal descobrirá que cada um tem suas fraquezas e descobrirá que ambos têm seus limites. Sobretudo há que se ter consciência de que nenhuma pessoa é perfeita. Muitas vezes se tem expectativas exageradas, exigindo mais do/a parceiro/a do que ele/ela pode dar. Aí surgem tensões e entrase em parafuso. O comportamento teimoso pode tornar o diálogo impossível. Com que facilidade então se dizem palavras que machucam e que não podem mais ser desditas. Assim os cônjuges se tornam mutuamente culpados. Mas será isto motivo de inevitável separação? Na Bíblia, a palavra “perdoar” ou “perdão” tem um significado fundamental. Como criaturas de Deus, nos tornamos culpados diante do nosso Criador todos os dias. É por isso que também pedimos diariamente na oração do Pai Nosso, que Jesus ensinou aos seus discípulos, “perdoanos as nossas dívidas”. Mas com isso tal petição ainda não está completa. Esta petição no Pai Nosso ainda tem uma continuação, que diz: “... assim como nós também perdoamos aos nossos devedores”. Isto quer dizer que admitimos que não somos perfeitos e que diariamente erramos o alvo da vida para o qual Deus nos criou – nós “pecamos”, como diz a Bíblia. É por isso que necessitamos do perdão. Mas não somente nós necessitamos de perdão, senão também o nosso próximo, em especial

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os que estão bem perto de nós, no casamento, na família, no local de trabalho. Vida matrimonial e convívio humano, a longo prazo, de modo geral, só é possível dessa maneira.

soas se tornam vítimas de um processo crescente de individualização. E uma das consequências é a fuga do casamento e a solidão. Vida familiar intacta é cada vez mais exceção.

Temo que muitos namorados não se dão conta desta realidade. Tenho a impressão que a ética do namoro se é que existe uma – não leva mais a questão da fidelidade em conta. Promessa não é mais promessa que continua tendo valor ainda que se passe por situações de crise e questionamentos. Infelizmente está se difundindo um comportamento como se o convívio em matrimônio fosse apenas uma tentativa. Primeiro se experimenta se a gente suporta a vida em comum. Quando não funciona, cada um vai para o seu lado de novo. Nossa geração desaprendeu a reconhecer a culpa e pedir perdão ou perdoar. Por este comportamento, na pós-modernidade as pes-

Espero que seja apenas uma onda, e que a geração de hoje redescubra os valores que fazem do convívio em matrimônio um bem que não se pode comprar. O ser humano não é uma ilha. Ele/ela necessita da comunhão, do reconhecimento e da aceitação mútua para ser feliz. A mensagem da Igreja a partir do Evangelho é a base para uma vida plena onde se vive num processo contínuo de aceitação mútua no amor que Cristo nos ensinou: “Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei.” (João 13.34). Nestes termos o apóstolo Pedro exorta: “Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu.” (1 Pedro 4.8). O autor é pastor emérito da IECLB e reside em Blumenau/SC

Nunca se falam mais mentiras do que antes de eleições, durante uma guerra e depois de uma caçada ou pescaria. Otto von Bismarck

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Culto Infantil – sua importância no passado e no presente Cat. Resilde Wegner Piske

Uma jovem mãe de dois filhos pequenos me disse: Eu gostaria que meus filhos tivessem a mesma experiência boa que eu tive no Culto Infantil. É isto que nós, Orientadoras, também queremos para as crianças de nossas Comunidades. Culto Infantil, Culto Infanto-juvenil ou Escola Dominical – o que é importante não é o nome, mas a relação que as crianças têm com a sua igreja. Diz o hino de Edson Ponick “Sou criança e faço parte desta casa que é casa de Deus”. Porque Jesus disse: “Deixai vir a mim os pequeninos e não os embaraceis porque dos tais é o reino de Deus” é que nas Comunidades existe a preocupação com o ensino cristão. E isto não só no Culto Infantil, mas também no Ensino Confirmatório, em aulas de Ensino Religioso, em retiros e outras atividades. Para entender a importância do Culto Infantil cito alguns dados da história: – Em 1780 o jornalista Robert Rakes iniciou, na Inglaterra, a “Escola de Domingo”, reunindo crianças que durante a semana não iam à escola porque tinham de trabalhar. Nesta “Escola de Domingo” aprenderam a ler e escrever e eram instruídas nos elementos básicos da matemática e

do ensino religioso. – Três anos depois a Igreja assumiu a “escola de domingo” e passou a lecionar nas igrejas. E quando a Inglaterra adotou a obrigatoriedade do ensino público em 1790 a Escola de Domingo passou a lecionar e ensinar somente as histórias bíblicas. – Rapidamente a escola de domingo (“Sunday school”) foi introduzida em toda a Inglaterra, na Escócia e nos Estados Unidos. Ela também chegou à Alemanha em 1825, ano em que foi realizada a primeira escola dominical no dia 09 de janeiro na cidade de Hamburgo. Com a vinda de pastores da Alemanha para as comunidades no Brasil, veio também a Escola Dominical, que se tornou conhecida como Kindergottesdienst – Culto Infantil –, sendo que geralmente as esposas destes pastores assumiram a direção do Culto Infantil. – Paralelamente surgiu no Brasil a Escola Dominical sendo que no dia 19 de outubro de 1855, na cidade de Petrópolis/RJ foi realizada com cinco crianças a primeira escola dominical por Sarah Poulton Kalley, uma das fundadoras da Igreja Evangélica Fluminense, mais tarde Igreja Congregacional. Seu nome é bem conhecido na IECLB, pois seis dos Hinos do Povo de Deus são de sua

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autoria. – Temos poucas notícias sobre o Culto Infantil no período anterior à segunda guerra mundial. Sabemos de diversas Comunidades em que o Culto Infantil era realizado, como por exemplo, em Rio Negro/Mafra a partir de 1889. De Rio do Sul/SC sabemos que em 1926 reiniciou o Culto Infantil. Podendo-se deduzir daí, que durante os tempos da primeira guerra mundial fora interrompido com a proibição do uso da língua alemã. Mais uma segunda vez o uso da língua alemã foi proibido, isto durante o período da nacionalização e da segunda guerra mundial. Uma das consequências foi que quase todas as Comunidades deixaram de ter o Culto Infantil. Só em poucos lugares surgiram lideranças que buscaram material em português para realizar o Culto Infantil na língua portuguesa. Tenho guardada uma preciosidade que é um hinário para crianças com hinos em português, datado de 1943, compilado por Érico Krieger em Brusque/SC. O Culto Infantil foi retomado após a segunda guerra mundial. Mas não havia material em português para Orientadores/as. Assim a maioria das Comunidades optou pelo material que vinha da Alemanha denominado “Lerne und Lehre” (Aprende e Ensina). O nome deste material já diz qual a missão de orientadores do Culto Infantil: aprender para ensinar. No Culto Infantil a criança aprende

que a comunhão não acontece somente em casa, na família, mas também na igreja. Aprende que ninguém vive sozinho, mas em comunidade. Embora possa ser realizado em qualquer lugar, numa casa, numa escola, no centro evangélico ou na igreja, o Culto Infantil deve ter um espaço adequado. Deve ser um lugar onde tanto orientadores/as como as crianças se sintam acolhidos e “em casa”. O ambiente e a celebração devem proporcionar um momento de louvor e adoração para as crianças. É de grande importância o papel que o Sínodo desempenha com o preparo específico de Orientadores. Também das Comunidades deve vir o apoio e o respaldo necessário para que o Culto Infantil ocupe o lugar que lhe é devido. Apesar de o Culto Infantil também ser chamado de Escola Dominical ou de Encontro das Crianças, a palavra Culto encerra em si uma proposta muito boa. Criança, ao contrário da atividade na escola durante a semana, não vem ao Culto Infantil apenas para aprender, por mais importante que isto possa ser. Não só o conhecimento da Palavra de Deus como a encontra nas Sagradas Escrituras, mas a vivência com outras crianças, com jovens, adultos e idosos por ocasião do Culto é muito importante. A criança do Culto Infantil deve ser no futuro o jovem, o adulto e o idoso que frequenta o Culto em sua Comunidade.

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Em muitas Comunidades o início do Culto Infantil acontece na igreja, durante o introito e em toda a liturgia inicial. Depois as crianças são abençoadas e vão com seus/suas orientadores/as ao seu lugar onde realizam o Culto Infantil. Após o Culto se encontram novamente com seus pais. O Culto Infantil é compreendido

como o Culto que as crianças prestam a Deus. Não é o culto para as crianças, mas sim o culto com as crianças e das crianças. Para a realização deste Culto das crianças não devem valer em primeiro lugar os critérios do culto dos adultos, mas os critérios do entendimento, da assimilação e da participação das próprias crianças. A autora é Catequista da IECLB e reside em Brusque-SC

Humor A carta perigosa... Um jardineiro foi condenado a um ano de prisão. Regime fechado! Sua esposa lhe escreve uma carta: – Querido, agora que você está na prisão, você quer que eu revire todo o nosso terreno e plante os crisântemos? Ele responde: – Mulher, não ouse revirar o nosso terreno! Pois ali estão enterradas as armas e o dinheiro do assalto! Duas semanas mais tarde a mulher lhe escreve outra carta: – Querido, alguém aí do presídio deve ter lido a sua carta. A polícia esteve aqui e revirou o nosso terreno palmo a palmo. Mas não encontrou nada. O marido presidiário responde: – Pronto! Agora você já pode plantar os crisântemos!...

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O risco da desertificação da Amazônia Eng. Ivonir Antonio Martinelli

Nos anos 1970-1971, durante meu tempo de serviço militar, participei da implantação da Rodovias BR 174, de Manaus(AM) – Boa Vista(RR) – até a divisa com a Venezuela, e BR 401, de Boa Vista(RR) até a divisa com a Guiana. Isto fazia parte do projeto do governo de ocupação da Amazônia. Dentre os muitos aspectos deste projeto que podem ser abordados está o risco da desertificação. A foto n° 01 nos mostra uma superfície com leves ondulações que um dia foram dunas de areia. Segundo pesquisas geológicas realizadas naquela região, há aproximadamente 12.000 anos houve um aprofunda-

mento natural do canal do Rio Amazonas, permitindo um processo de drenagem de extensas áreas laterais ao rio, deixando transparecer as dunas de areia. Essas dunas foram, aos poucos, recebendo uma camada fina de pó que deu início ao surgimento de vegetação rasteira e permitiu, mais tarde, que se desenvolvessem sobre elas pequenos arbustos e árvores de pequeno porte. Na região aqui mencionada, aproximadamente a 60 km da cidade de Manaus (AM), na BR 174 com sentido a Boa Vista (RR), a vegetação toda era muito densa, mas de média ou baixa estatura. O solo arenoso foi recoberto por uma pequena camada de argila, representando um suporte muito fraco para árvores de maior porte. Também cabe observar que, pelo fato de não haver tempo de seca nessa área, nunca ocorria queda das folhas das árvores. Assim a floresta, deixava produzir húmus ou qualquer outro nutriente. A foto n° 02 mostra claramente o que representa uma duna de areia, um enorme depósito de material nada argiloso para ser trabalhado.

Foto 01 – Terreno ondulado

É importante registrar o quanto é difícil e onerosa a implantação de rodovias naquela região. Além da presença de maciços de areia dessa ordem apresentada, não há nos ar-

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Foto 02 – Dunas de areia de tamanho gigante redores qualquer indício de solo pedregoso que possa ser usado como revestimento primário do pavimento rodoviário. Áreas de solo pedregoso existem em locais próximos à cidade de Manaus, em distância não inferior a 50 km do ponto de início do trecho em obras. E essa distância aumenta na medida em que os trabalhos avançam O custo do transporte desse revestimento - comumente chamado de “piçarra” pelos técnicos locais - equivale à distância percorrida em rodovias de acabamento irregular, acrescida das condições climáticas de chuvas amenas nos períodos de secas e intensas ou torrenciais no período de inverno amazônico. No entanto, esse revestimento é imprescindível para a estabilização do

leito de rodagem, e precisa ser aplicado logo após a compactação da pista. Quando isso não ocorre, perde-se muito do trabalho realizado pelo solapamento da terraplenagem provocado pelas chuvas. Para quem viveu a realidade acima descrita fica a certeza das dificuldades de implantação das rodovias amazônicas, acrescida da grande dificuldade de manutenção das suas condições de uso. A foto n° 03 mostra uma área já desertificada. Nela houve a derrubada da mata, o primeiro plantio: de milho, o segundo plantio: abacaxi e provavelmente um terceiro: de mandioca. Após essas três colheitas, a terra foi abandonada e se iniciava

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Foto 03 – Desertificação à beira da rodovia naquele local um processo de uma pequena desertificação, no casa, em área lateral próxima à rodovia BR 174. Ao constatar mais uma vez a fragilidade da natureza nessa imensidão amazônica, talvez seja a hora de questionar a presunção do ser huma-

no em considerar-se acima dessa natureza e não integrante da mesma. Certamente os povos indígenas, que há milhares de anos habitam essa planície, têm um ensinamento único, amplo e cabal: O HOMEM É PARTE INDISSOCIÁVEL DA NATUREZA QUE DEUS NOS DEIXOU. O autor é Engenheiro Civil residente em Blumenau/SC e serviu na Amazônia quando da abertura da Transamazônica

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Encontro com os bichos... Frieda Baumann

Quando o Oeste do Paraná foi colonizado, na década de 50 do século passado, havia muitos animais selvagens na mata. E era mata virgem mesmo e não qualquer cerrado ou capoeirão. Mas o ser humano dá um fim em tudo. Hoje já não existe mais nada disso naquela região. Naquela época as pessoas tinham que enfrentar muitas cobras venenosas, como a cascavel, a urutu e a jararaca. E, na mata, onças, macacos enormes e varas de porcos do mato. O que estas encontravam pela frente deles, já era. Tinha muitas borboletas de todas as cores. Era lindo de ser ver na beirada das estradas, onde elas encontravam flores silvestres. Quando alguém chegava perto, levantavam voo formando uma verdadeira nuvem colorida. Mas tudo tem dois lados. O lado ruim foi que as borboletas começaram a ser caçadas. Foram caçadas com uma rede de arame e uma tela. Apareceu por lá um homem da localidade de Mercedes que as comprava e vendia para Santa Catarina. Lá fabricavam bandejas e quadros com enfeite de asas de borboleta. Nunca mais matei uma borboleta. Mas uma bandeja também comprei, como lembrança daquele tempo. Ela está comigo até hoje. Certo dia fui plantar feijão, num terreno mais afastado de casa. Foi nes-

se dia que uma onça apareceu no potreiro do vizinho. Lá havia bezerros entre o gado adulto. A onça foi se aproximando para abater um deles. Mas um touro enorme foi em defesa do gado e enfrentou a fera. A vizinha era muito corajosa. Quando viu a cena, logo correu para dentro da casa, agarrou a espingarda para matar a onça. Mas ela conseguiu fugir. Quando o tempo estava para chuva, os macacos grandes saíam até a beira da mata e faziam um berreiro de assustar. Nunca vi um desses macacos de perto, mas o seu berreiro ainda hoje está na minha memória. Outro capítulo eram as antas, coitadas. Também elas eram uma caça muito cobiçada. Vizinhos nossos foram mata adentro até o Rio Iguaçu. Armaram uma tocaia e esperaram esses animais grandes sair de noite. Aí foi fácil matá-las. No dia seguinte voltaram com a carne. Era uma carne dura. Como não havia geladeira naquelas redondezas na época, fizeram charque. Mas depois de seco o charque, a carne ficou tão dura que não adiantava cozinhá-la para amolecer. Deixaram-na um dia inteiro de molho, para cozinhar no outro dia, mas não ficou mole. Nunca comi dessa carne, pois de tanto cozinhar o apetite havia passado. Hoje, se lembro de tudo isso, me dá

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um aperto no coração. Por que tem ser assim tão errado, que as pessoas tiveram uma atitude tão predatória? Não pensavam em preservar, mas só em tirar e tirar da natureza? Acabaram com a beleza da natureza que Deus criou. O ser humano, em tão pouco tempo, conseguiu dar fim em

tudo isso. E a gente assiste a tudo uma vida inteira, e não pode fazer nada. Só resta mostrar que tal atitude está errada e chamar para uma mudança da mente. É preciso preservar... Fazer de tudo para preservar o que ainda resta... A autora viveu muitos anos no Oeste do Paraná; hoje vive em Curitiba/PR e é membro da Comunidade Martin Luther, onde atua na OASE

HUMOR Depois de um acidente... Um automóvel e um homem a cavalo se envolveram num acidente. O caso vai parar na justiça. O advogado de defesa do motorista que provocou o acidente pergunta ao acusador: – O senhor não disse ao meu mandante, logo após o acidente, que o senhor não estava ferido? Disse ou não disse?! – interroga o advogado. O acusador responde: – Sim, eu disse! Mas o senhor precisa compreender como tudo aconteceu: Eu estava andando tranquilamente com meu cavalo pela estrada. E aí o carro veio em alta velocidade, meio que se desgovernou, e nos jogou barranco abaixo. Foi um senhor tombo! Eu caí de costas, com as pernas para o ar. E meu bravo cavalo também. O carro parou, e dele desceu o motorista. E veio em nossa direção. Ele olhou para o cavalo, e viu que ele tinha quebrado uma das patas. O motorista voltou para o carro, pegou um revólver e matou o pobre animal com dois tiros na cabeça! Em seguida ele veio em minha direção e perguntou: – Você também está ferido? O que o senhor teria respondido nesta situação? ••• 140 •••


Arrogância na roça Extraído da Internet

Um investigador da Polícia Federal vai a uma fazenda em Formiga/MG, e diz ao dono, um velho fazendeiro:

gunta. Está claro? Fiz-me entender?

– Preciso inspecionar sua fazenda por suspeita de plantação ilegal de maconha!

Poucos minutos depois o fazendeiro ouve uma gritaria e vê o investigador da Polícia Federal correndo para salvar sua própria vida, perseguido pelo “Santa Gertrudes”, o maior touro da fazenda.

O fazendeiro diz: – Sim senhor, mas não vá naquele campo ali! – e aponta para certa área. O investigador, doido da vida e cheio de arrogância, diz indignado: – O senhor sabe que tenho delegação de poder do Governo Federal aqui comigo? – e tira do bolso um crachá e o mostra ao fazendeiro. – Este crachá me dá a autoridade de ir aonde quero, e entrar em qualquer propriedade. Não preciso pedir licença ou responder a nenhuma per-

O fazendeiro, todo educado, pede desculpas e volta para seus afazeres.

A cada passo o touro vai chegando mais perto do investigador, que parece que será chifrado antes de conseguir alcançar um lugar seguro. O investigador está apavorado. O fazendeiro, mineirinho muito educado e solícito, larga suas ferramentas, corre até a cerca e grita com todas as forças de seus pulmões: – O CRACHÁÁÁÁÁÁÁÁ! Mostra o crachá pra ele!

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Roland... nome de cavalo, ou não? Rolando Ehlert

No dia 13 de maio de 1934 nasceu um menino, que foi registrado pelo pai, como acontecia com todas as crianças. Seu nome: ROLAND. Feito o registro, o pai recebeu a certidão de nascimento, e nem conferiu. Confiou no serviço do tabelião...

E assim, desde seu nascimento em 1934, este menino está “rolando” há 81 anos. E muita coisa já “rolou” em sua vida.

Roland foi crescendo forte e saudável, e ao atingir a idade prevista então, chegou a sua hora de ingressar na escola em 1941. Na hora da matrícula foi necessário apresentar o documento indispensável: A certidão de nascimento. E aí veio a grande surpresa: O Roland, como todos o conheciam, mas sim o Rolando. O tabelião acrescentara – por iniciativa própria – um “o” final ao seu nome.

O Rolando continua a ser chamado de Roland por todos. Preferências pessoais.

Muitas lembranças! Vamos assim, contar algumas histórias que “rolaram”.

Desde jovem, entre 21 e 22 anos, Roland auxiliou os pastores da comunidade evangélica luterana local nos serviços comunitários e da Igreja. Essa experiência o capacitou até a exercer determinadas funções dos pastores, ajudando-os ou substituindo-os em alguma emergência.

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E foi o que aconteceu no seguinte episódio, ocorrido por volta de 1954 ou 1955. O pastor responsável por uma Comunidade/Paróquia vizinha estava de férias. O pastor de nossa comunidade, amigo de Roland, que havia assumido a responsabilidade de substituição naquela paróquia na ausência do pastor local, solicitou que Roland realizasse um sepultamento naquela Paróquia vizinha. O pedido foi aceito. Assim, local desconhecido, Roland foi orientado pelo pastor quanto à localização. Foram-lhe dadas algumas referências: que era longe, que ele deveria procurar a casa pastoral e ali buscar os dados da pessoa falecida Ali ele iria encontrar uma babá com uma criança, e uma moça de aproximadamente 22 anos. Considerando a experiência de Roland em trabalhar na roça, inclusive com cavalos e carroça, o pastor sugeriu que, chegando lá, ele solicitasse uma charrete (aranha), puxada por cavalo, para se locomover até o local do enterro. Roland pegou o ônibus, para garantir pontualidade. Chegando à cidade, Roland, seguindo as instruções recebidas, chegou à casa pastoral. Ali foi recepcionado pela filha do pastor, moça linda e desembaraçada.

Roland, muito tímido, esqueceu até de se apresentar. Foi logo dizendo que estava ali para fazer o enterro. Mostrou o bilhete com as referências do local. A moça leu o bilhete, olhou para Roland, um jovem vistoso, de 21 anos, de terno e gravata, 1,90m de altura, e perguntou se era estudante de teologia. Roland timidamente respondeu que era da roça, mas tinha experiência também no trabalho pastoral. Em seguida solicitou a charrete e o cavalo, conforme orientações. Nesse instante, a moça, bate as mãos na cabeça, lamentando: – Ah não! Não vai ser possível... o Roland não está em condições. Ele está todo “estropiado” e sem ferros! Roland, ou melhor, Rolando não entendeu muito bem. Olhou para seus pés, e viu que estava tudo bem. A moça havia se referido ao cavalo do pastor local, que era chamado de Roland. Após algumas risadas e desfeito o mal-entendido, o Rolando apanhou os dados do falecido, tomou emprestada uma bicicleta e seguiu, passando por uma balsa, para realizar o sepultamento. Assim fica a pergunta: ROLAND é ou não é nome de cavalo??! O autor é agricultor aposentado e vive em Pomerode/SC

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CERENE – entrevista Anuário: Um dos piores e amplamente difundidos males em nossa sociedade de hoje é a dependência química (alcoolismo, drogas). Muitas famílias se veem confrontadas com esta realidade. Sentem-se impotentes para enfrentar ou vencer este mal. Sabemos que as instituições CERENE têm como missão prestar ajuda para libertar os dependentes. Então perguntamos: Como sugiram as instituições CERENE? O senhor pode nos contar algo sobre a motivação e a história do CERENE e em que fundamenta sua ação? Princípios e objetivos.

lidade de vida. O CERENE se entende como um centro de referência brasileiro, de caráter social, para atendimento a dependentes do álcool e outras drogas, na modalidade psicossocial de comunidade terapêutica.

CERENE: O CERENE iniciou seus trabalhos no dia 04 de maio de 1989 na cidade de Blumenau/SC, a partir da Missão Evangélica União Cristã – MEUC. Esta, uma entidade religiosa, civil, sem fins lucrativos, inserida no contexto da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil – IECLB. Inspirado pelo compromisso cristão de ajuda ao próximo, um grupo de pessoas entendeu que não poderia ficar alheio e distante do problema da dependência de álcool e outras drogas.

CERENE: Boas partes dos nossos recursos vêm de doações, tanto de pessoas físicas como jurídicas que, esporadicamente ou mensalmente, contribuem com o CERENE. Outras fontes de recursos são pedágios beneficentes, campanhas de alimentos e bazares com produtos apreendidos e doados pela Receita Federal. O poder público também ajuda. Mantemos convênios com alguns municípios, com o estado de Santa Catarina e com o Governo Federal a partir da SENAD (Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas).

Este grupo tomou como sua missão atuar na prevenção da dependência de álcool e outras drogas, e dar atendimento à pessoa dependente e seus familiares, a partir de uma visão integral do ser humano, buscando sua reinserção social e uma melhor qua-

Anuário: Desde quando existe a presente instituição aqui em Lapa/PR? CERENE: Na cidade de Lapa/PR o CERENE iniciou suas atividades no dia 04 de fevereiro de 2000. Anuário: De onde vêm os recursos para manter esta instituição? O poder público ajuda?

Anuário: Qual é a capacidade atual desta instituição (número de internos)? Quais as exigências para ser admitido? Que atividades fazem parte do processo terapêutico aqui desenvolvido? Que regras básicas e dis-

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ciplinares devem ser observadas? CERENE: Nas nossas cinco casas que mantemos no Brasil têm 260 vagas. Em Lapa/PR atendemos 40 pessoas. Para ser admitida, a pessoa precisa aceitar o tratamento voluntariamente. Os programas de atendimento oferecidos têm como foco as mudanças comportamentais e a qualidade de vida dos dependentes e seus familiares, por meio de: - Projeto terapêutico individualizado; - Ambiente de comunidade terapêutica, próprio para mútua-ajuda; - Palestras bíblicas como proposta para um projeto de vida baseado na espiritualidade; - Atividades práticas; - Terapia individual e de grupo; - Palestras temáticas sobre drogas e seus efeitos, e de prevenção à recaída; - Orientação e aconselhamento de familiares; - Avaliações periódicas no decorrer do atendimento; - Atividades esportivas, recreativas, oficinas artísticas e de artesanato; - Acompanhamento medicamentoso;

médico e

plo: atendimento hospitalar, assistência social. As principais regras a serem observadas durante o tratamento são a necessidade de manter-se abstinente de qualquer tipo de droga, respeitar o próximo e acompanhar o programa terapêutico oferecido. O desrespeito ou o não cumprimento do Regimento Interno podem levar ao desligamento da pessoa dependente. Anuário: Vocês poderiam obter o depoimento de alguém que conseguiu ser libertado da sua dependência? Alguém que pudesse testemunhar como entrou na dependência, que consequências isto teve em sua vida, e como se processou a sua libertação? - Que testemunho um exdependente pode dar a dependentes e suas famílias? CERENE: Podemos, sim. Aqui está o seu testemunho: Meu nome é C.C.O. Eu tenho trinta e dois anos. Comecei a usar drogas aos 12 anos de idade em frente à escola onde estudava. Eu frequentava uma sala de jogos de fliperama. Ali iniciei o uso do cigarro. Não demorou muito, e comecei a usar a maconha. Aos poucos isto não me bastava mais, e logo após já era usuário de cocaína.

- Apoio à reinserção social;

Aos 16 anos fiz meu primeiro tratamento. Consegui ficar abstinente por oito anos. Frequentava uma igreja nessa época.

- Encaminhamento para outras formas de atenção, como por exem-

Quando conheci uma garota que não participava da igreja, eu me afastei da

- Atividades diferenciadas para adolescentes;

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mesma. E não demorou para que eu voltasse a usar drogas. Dessa vez fiquei nas drogas por quatro anos. Fiz novo tratamento, mas logo após tive nova recaída. Mas, consciente do meu problema, e sentindo as consequências cada vez mais graves, procurei ajuda novamente. Esta vez no CERENE. Eu tinha perdido minha adolescência, cursos, oportunidades profissionais e, inclusive a família. Perdi também moto, carro, um barco de pesca entre outros bens. Este último tratamento levei muito a sério, talvez como sendo minha última oportunidade de mudança. Em

Jesus Cristo encontrei força para me tratar e estou bem até hoje. Aconselho que todo dependente procure ajuda. Pois sair da dependência sozinho é muito difícil. Procure ajuda, e não deixe de procurar e viver uma vida com Deus. E para as famílias incentivo o mesmo: Procurem ajuda, e auxiliem seu familiar no tratamento. Frequentem grupos de apoio para dependentes e familiares, e, não por último, frequentem uma igreja regularmente. Jesus Cristo é aquele que verdadeiramente pode libertar das drogas. Entrevista feita pelo P. em. Heinz Ehlert ao Sr. Marcos Passig, responsável pelo CERENE em Lapa/PR

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Curiosidades Matemáticas

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Palavras cruzadas: CONFISSÃO E ABSOLVIÇÃO Colaboração: P. em. Irineu Wolf – Solução na página 195

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O Alzheimer, descrito pelo paciente Prof. Dr. Arthur Rivin

Sou médico aposentado e professor de medicina. E tenho Alzheimer. Antes do meu diagnóstico, estava familiarizado com a doença, tratando pacientes com Alzheimer durante anos. Mas demorei a suspeitar da minha própria aflição. Hoje, sabendo que tenho a doença, consegui determinar quando ela começou, há 10 anos, quando estava com 76. Eu presidia um programa mensal de palestras sobre ética médica e conhecia a maior parte dos oradores. Mas, de repente, precisei recorrer ao material que já estava preparado para fazer as apresentações. Comecei então a esquecer de nomes, mas nunca as fisionomias. Esses lapsos são comuns em pessoas idosas, de modo que não me preocupei. Nos anos seguintes, submeti-me a uma cirurgia das coronárias e mais tarde tive dois pequenos derrames cerebrais. Meu neurologista atribuiu os meus problemas a esses derrames, mas minha mente continuou a deteriorar. O golpe final foi há um ano, quando estava recebendo uma menção honrosa no hospital onde trabalhava. Levantei-me para agradecer e não consegui dizer uma palavra sequer. Minha mulher insistiu para eu consul-

tar um médico. Meu clínico-geral realizou uma série de testes de memória em seu consultório e pediu depois uma tomografia PET, que diagnostica a doença com 95% de precisão. Comecei a ser medicado com Aricept, que tem muitos efeitos colaterais. Eu me ressenti de dois deles: diarreia e perda de apetite. Meu médico insistiu para eu continuar com o tratamento. Os efeitos colaterais desapareceram e comecei a tomar mais um medicamento: Namenda. Esses remédios, em muitos pacientes, não surtem nenhum efeito. Fui um dos raros felizardos. Em dois meses, senti-me muito melhor e hoje quase voltei ao normal. Demoramos muito tempo para compreender essa doença desde que Alois Alzheimer, médico alemão, estabeleceu os primeiros elos, no início do século XX, entre a demência e a presença de placas e emaranhados de material desconhecido. Hoje sabemos que esse material é o acúmulo de uma proteína chamada beta-amiloide. A hipótese principal para o mecanismo da doença de Alzheimer é que essa proteína se acumula nas células do cérebro, provocando uma degeneração dos neurônios. Hoje, há alguns produtos farmacêuticos para limpar essa proteína das células.

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No entanto, as placas de amiloide podem ser detectadas apenas numa autópsia, de modo que são associadas apenas com pessoas que desenvolveram plenamente a doença. Não sabemos se esses são os primeiros indicadores biológicos da doença. Mas há muitas coisas que aprendemos. A partir da minha melhora, passei a fazer uma lista de insights que gostaria de compartilhar com outras pessoas que enfrentam problemas de memória: • Tenha sempre consigo um caderninho de notas e escreva o que deseja lembrar mais tarde. • Quando não conseguir lembrar-se de um nome, peça para que a pessoa o repita e então escreva. • Leia livros. • Faça caminhadas. • Dedique-se ao desenho e à pintura. • Pratique jardinagem. • Faça quebra-cabeças e jogos. • Experimente coisas novas. • Organize o seu dia. • Adote uma dieta saudável, que inclua peixe duas vezes por semana, frutas e legumes e vegetais, ácidos graxos ômega 3. • Não se afaste dos amigos e da sua família. Este é um conselho que

aprendi a duras penas. Temendo que as pessoas se apiedassem de mim, procurei manter a minha doença em segredo e isso significou me afastar das pessoas que eu amava. Mas agora me sinto gratificado ao ver como as pessoas são tolerantes e como desejam ajudar. Sei que, como qualquer outro ser humano, um dia vou morrer. Por isso: • Certifiquei-me dos documentos que necessitava examinar e assinar enquanto ainda estou capaz e desperto, coisas como deixar recomendações por escrito ou uma ordem para desligar os aparelhos quando não houver chance de recuperação. • Procurei assegurar que aqueles que amo saibam dos meus desejos. Quando não souber mais quem eu sou, não reconhecer mais as pessoas ou estiver incapacitado, sem nenhuma chance de melhora, quero apenas consolo e cuidados paliativos. A doença afeta 1 a cada 8 pessoas com mais de 65 anos e quase a metade daqueles que têm mais de 85 anos. A previsão é de que o número de pessoas com Alzheimer nos EUA dobre até 2030. Depoimento que circulou na Internet. O autor foi ClínicoGeral e é Professor Emérito da Universidade da Califórnia

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O sonho de uma mãe... Elfriede Rakko Ehlert

Meu avô materno era dono de um moinho na Rússia, na região do Cáucaso. Por isso era considerado abastado. Tanto mais admirável que minha mãe não pôde realizar o seu sonho de possuir um piano - isso muito antes do advento da revolução russa (1917) que trouxe o triunfo do comunismo, a perseguição, a perda da propriedade privada, o caos. Dois filhos da família, por exemplo, foram encarcerados (sem julgamento) e sumariamente fuzilados. Minha mãe tivera o sonho de aprender a tocar piano. Diante da nova situação todos os sonhos se desfizeram. E este sonho, em especial, nunca se realizaria. Ela, ainda adolescente, ingressou numa escola de enfermagem e formou-se enfermeira. Conheceu meu pai, estudante de medicina. Ela também teve a mesma aspiração de estudar medicina. Mas, casaram. E como eu tive pressa em chegar, ela teve que assumir o trabalho de enfermeira e deixar a filhinha aos cuidados de sua mãe, minha avó materna. Era inverno, um rigoroso inverno russo (eu nasci em dezembro) e a querida avó me levava até o hospital para que minha mãe me amamentasse ali, no local de trabalho. De ônibus? De trem? Nada disso. A pé mesmo, atravessando a neve. Meu pai se formou. No sistema vi-

gente na Rússia nos anos trinta, seria funcionário público com um pequeno salário e sempre à disposição do governo. Os médicos eram mandados a postos de saúde, de acordo com as necessidades. Lembro-me de uma moradia nossa, onde num quarto nem assoalho tinha. Lá os pais criavam três ou quatro galinhas, para termos ovos. Para aquecer a moradia, no inverno, a minha mãe carregava, todas as manhãs, feixes de palha de trigo para alimentar o fogo. Lenha não havia na região. A Ucrânia era desprovida de mato (este só na longínqua Sibéria!). E o sonho do piano? Sepultado definitivamente? Não! Sobreveio a Segunda Guerra Mundial. As tropas alemãs invadiram a Rússia, ocuparam a Ucrânia e com isso também a pequena localidade onde nós morávamos. Agora os médicos tinham que servir sob o comando dos novos donos do poder. Um belo dia estava lá, na sala de nossa casa, um piano! Quem deveria aprender a tocar? A filha (de uns nove anos). Mamãe também se exercitava um pouco, mas o sonho dela agora deveria realizar-se na filha, isto é, em mim. A guerra continuava. Meu pai, médico, era obrigado a tratar dos feridos de ambos os lados (russos e alemães). Num certo momento veio a

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ordem do exército alemão: Todos os descendentes de alemães, moradores dali, seriam evacuados para a Alemanha! E agora? Sair correndo e deixar tudo para trás? Imagino minha mãe sentada na frente do piano recém-adquirido. Chorando? Não me lembro mais. Tantas coisas tiveram que ser deixadas. Dava para encher folhas e folhas para enumerar tudo. Em um grande “Treck” (caravana) iniciou a fuga. Nós, no meio, em duas carroças: Meus avós e nossa família (quatro pessoas). Fomos levados para lá e para cá até chegar à Alemanha. Mas também ali, em plena Segunda Guerra Mundial, não tínhamos lugar fixo. Meu pai, como médico e recém-naturalizado alemão, foi incorporado ao exército alemão. Quase ao final da guerra, chegamos a Bodenwöhr, na Baviera, sul da Alemanha. Nossa família (mãe, meu irmão pequeno e eu) fomos instalados na casa de um professor do ensino fundamental, cuja filha também era professora. Ao término da guerra, com a capitulação da Alemanha, esta região foi ocupada pelos americanos. Meu pai, como oficial do exército alemão, foi feito prisioneiro de guerra e permaneceria por mais de dois anos nesta condição. A nossa educação ficou totalmente sob a responsabilidade de minha mãe.

Lá na casa do professor, onde estávamos instalados, havia um piano. E adivinhem: Elfriede teve que voltar a aprender a tocar. Não me revelei grande pianista. Parece que as minhas mãos não foram feitas para teclas. Quando meu pai finalmente foi solto, ele não quis mais saber de permanecer tão perto da zona de ocupação russa. Pois estes mandavam muitos dos que haviam fugido, ou melhor, sido evacuados de lá de volta para Rússia. Ficou decidido que nós devíamos emigrar! Para a América do Sul, para o desconhecido país Paraguai... Encurtando a história: O sonho de minha mãe em relação ao piano, ainda se tornou realidade. Muitos anos se passaram. Eu fui ao Brasil para estudar. Conheci um estudante de teologia. Ele se formou pastor. Casamos. Tivemos cinco filhas. As suas cinco netas tornaram-se a esperança de minha mãe. Ela adquiriu para nós um piano! E quatro delas de fato aprenderam tocar piano (só a caçula preferiu o violino). Sonhos! Sonhos podem realizar-se com persistência e ação. Muito feliz, com os olhos brilhando, minha mãe sentava a escutar as netas tocando piano... A autora é professora aposentada e artista plástica, residente em Curitiba/PR

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As sete Maravilhas do mundo moderno As Novas Sete Maravilhas do Mundo, ou Sete Maravilhas do mundo moderno foram escolhidas em concurso informal e popular internacional promovido pela New Open World Foundation, que contou com mais de cem milhões de votos através de telefones celulares e da internet, enviados de todas as partes do mundo e anunciados em 7 de julho de 2007 (07/ 07/07), numa cerimônia no Estádio da Luz em Lisboa, Portugal. Foram escolhidos apenas monumentos de culturas já extintas e um do cristianismo, que é o Cristo Redentor. O concurso não contou com o apoio da UNESCO, órgão da Organização das Nações Unidas.

prio imperador presente – morto. Durante a época de intensa perseguição aos cristãos, muitos deles foram condenados a lutar no Coliseu contra feras (tigres, leões, etc.) até serem mortos por estas. O Coliseu ainda hoje conserva parte de sua estrutura e é atração turística na cidade de Roma. Ele foi erguido no ano de 70 depois de Cristo. – Chichen Itzá (México): Trata-se de uma cidade do povo MAIA, situada na província de Yucatan, no México.

– O Coliseu de Roma: O Coliseu de Roma, ou o Anfiteatro Flaviano, foi palco de lutas de gladiadores, e de massacres de cristãos. Gladiadores

É um belo centro arqueológico da civilização Maia, composto, entre outros, pelo Castelo de Kukulkan, o templo de Chac Mool, a Praça das 1.000 colunas e o Campo de Jogos dos Prisioneiros. A cidade é datada do período entre 700 e 950 depois de Cristo. deviam lutar nele até que um dos protagonistas fosse definitivamente derrotado e muitas vezes – por incitação dos expectadores ou do pró-

– Machu Picchu (Peru): Também conhecida como “A cidade perdida dos Incas” – foi construída em uma mon-

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tor da Silva Costa. A construção de uma estátua religiosa no Corcovado foi sugerida pela primeira vez à Princesa Isabel no ano de 1859 pelo Padre Pedro Maria Boss. Mas a ideia apenas foi retomada em 1921 no contexto dos preparativos para o Centenário da Independência.

tanha dos Andes, no vale do Rio Urubamba, a 2.400 metros de altitude acima do nível do mar. Data do século XV – e foi destruída pelos espanhóis, durante a conquista da região no século XVI. – Cristo Redentor (Rio de Janeiro – Brasil): A estátua do CRISTO REDENTOR, construída no pico do Morro do Corcovado no Bairro Alto da Boa Vista, no Rio de Janeiro/RJ, se localiza a 709 metros acima do nível do mar. O início de sua construção deu-se no ano de 1922 e a obra foi inaugurada em 12 de outubro de 1931. Ela mede 38 metros de altura e é a segunda maior estátua de Cristo no mundo, sendo apenas superada por uma estátua de Cristo Rei, na Polônia. Foi concebida e executada pelos artistas Paul Landowski e Hei-

– A Muralha da China: A Muralha da China, ou a Grande Muralha, começou a ser construída em 220 antes de Cristo, por ordem do imperador Qin Shihuang. Ela tinha a finalidade

de proteger o império da China contra as invasões dos povos do norte. Trata-se de uma das mais impressionantes edificações militares, que pode mesmo ser identificada e vista a partir do espaço pelos tripulantes de espaçonaves. Ela teve sua conclusão alcançada apenas no século XV depois de Cristo, durante a dinastia MING. Dados quanto à sua extensão são controversos, encontrandose dados entre 3.000 e 7.000 quilômetros. É hoje reconhecida como Patrimônio da Humanidade. – As Ruínas de Petra (Jordânia): A cidade de PETRA, na Jordânia, começou a ser construída por volta de

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1.200 antes de Cristo. Cresceu e floresceu, tendo alcançado o seu auge no tempo do Império Romano e Bizantino. Foi devastada por dois terremotos, tendo o segundo acontecido no ano 551 depois de Cristo. De suas ruínas a parte mais conhecida e impressionante é o Templo encravado na rocha. Suas ruínas só foram redescobertas por europeus em 1812 pelo arqueólogo Johann Ludwig Burckhardt, sendo estas hoje consideradas pela ONU patrimônio da humanidade.

A joia do palácio). Ela faleceu em consequência do parto de seu 14º filho. O Mausoléu foi edificado em mármore branco, incrustado de pedras semipreciosas e ornamentado com inscrições retiradas do Corão (= livro sagrado do Islamismo). O edifício é ladeado por duas mesquitas e cercado por quatro minaretes. O Taj Mahal é a edificação mais conhecida da Índia e considerada a maior prova de amor do mundo. Milhares de turistas de todo o mundo chegam para ver e admirar esta maravilha.

– Taj Mahal (Índia): Trata-se de um Mausoléu situado em AGRA/Índia. Edificado entre 1630 e 1652 depois de Cristo por ordem do imperador SHAH JAHAN em memória de sua esposa ARYUMOND BANU BEGAM, chamada por ele MUMTAZ MAHAL (=

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Quem sou eu? Psic. Renate B. Michel

Quantas vezes no meio de uma calorosa discussão nós nos autorizamos a dizer para nosso parceiro: Ah, mas isto esta acontecendo porque você é... (e aqui nós preenchemos com nossos preciosos diagnósticos!). Algumas vezes acertamos, outras erramos. Mas em geral nestes momentos a pessoa se afasta de nós, se fecha. Outras vezes nós encerramos nossas discussões com um caloroso: Mas eu sou assim e pronto! Jesus disse: Ama o teu próximo como a ti mesmo (Mateus 19.19b). Quem é o próximo, o outro? Quem sou eu? O filósofo Sócrates já dizia: Conhece-te a ti mesmo! Mas esta é uma das tarefas mais difíceis que temos para realizar nesta vida. E muitas vezes abdicamos dela em prol de simplesmente sermos o que os outros (sejam pais, esposos, amigos), esperam que sejamos. E nesta jornada nos perdemos de nós mesmos, às vezes de maneira tão intensa que fica difícil lembrar: Quem sou eu? A base da resposta a este questionamento ou deste despertar de consciência é a sinceridade. Somente com sinceridade, principalmente comigo mesmo, é que posso me aproximar do meu verdadeiro eu, aquele que só eu posso ser, mais ninguém. E isto implica em uma grande responsabilidade.

Neste caminho da sinceridade vamos descobrir algumas belas qualidades em nós, que nada mais são do que características nossas que nossa sociedade atual valoriza. Mas também vamos encontrar características menos apreciáveis pela nossa sociedade, e por isso muitas vezes também rejeitadas por nós. E, no esforço de rejeitar estes aspectos, nos esquecemos de uma parte nossa que também nos pertence, que também somos nós! Temos a ilusão que, ao esquecermos esta parte, ela desaparecerá. Mas isto não acontece! Nós vamos nos encontrar com ela sempre de novo e de várias maneiras. Podemos saber que a encontramos quando nos irritamos muito com o jeito de alguém, ou gastamos muito tempo falando de alguém que nos incomoda. Estes são sinais de que nós estamos nos “enxergando” nos outros. Por isso os outros são tão importantes na nossa vida. Pois, ao nos perguntarmos por que alguma situação nos mobiliza tanto, é justamente ali que vamos nos descobrir, vamos nos desvelar. Este processo não se dá sem certo sofrimento, sem sacrifício. Ele implica num doloroso reconhecimento. Como geralmente projetamos estes aspectos para fora de nós mesmos, ou seja, nos outros, o movimento de reconhecimento nos obriga a acolher estas partes rejeitadas e perdo-

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ar a nós mesmos. Muitas pessoas têm medo de se conhecer por entenderem que desta maneira estariam entrando num mundo desconhecido, de talvez se tornarem diferentes dos outros e sentirem medo de que as descobertas os remetam a terem que fazer mudanças. Estas mudanças, mesmo que sejam para melhor, implicam no abandono dos hábitos antigos, na perda do conhecido e cria um clima de insegurança. Só há realmente segurança no previsível. E, conhecer-se é sempre uma ventura, uma novidade a cada dia. O medo, portanto, nos assola. Pois

ao nos conhecermos, teremos que fazer coisas novas, teremos que ser autênticos. A partir disto, teremos um desassossego para realizar-nos, guiados pela nossa bússola interior. Só quem vence a si mesmo possui uma força extraordinária da qual nada sabem os que não empreendem esta luta consigo mesmos. É necessário, portanto, aceitar nossa escuridão, aprender a lidar com ela, e fazer o melhor possível com aquilo que herdamos. A autora é Psicóloga e professora do curso de psicologia da PUC-PR, e reside em Curitiba/PR

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O lugar de onde somos (para quem já tem certa idade) Rolando Axt

Na crônica que retrata nossa vida, a recordação de cenas da infância nos enche de nostalgia. Às vezes, basta um rápido olhar sobre antigas fotografias para que essa sensação se manifeste. Sempre que folhamos um álbum de família nos defrontamos com imagens desconcertantes. Vemos semblantes que expressam alegria, medo, tensão, indiferença, inocência, coragem, resignação. São rostos de vidas passadas. E elas nos tocam

de modo especial quando neles identificamos pessoas com as quais convivemos na infância. As imagens mais remotas não raro são de imigrantes, gente de além-mar. As mais recentes mostram filhos e netos desses imigrantes, já nascidos nestas terras do Sul. Os imigrantes tinham saudades do lugar de origem, do torrão natal, deixado para trás quando partiram. Seus filhos já não mais anseiam por esse lugar tão distante. Eles agora

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sentem falta de um torrão mais próximo, mas não menos evocativo de doces lembranças. Estes como aqueles sentem falta de um pequeno lugar geográfico, das pessoas que ali vivem ou viveram, dos costumes, da linguagem. Principalmente da linguagem. Pois é ela que transmite conceitos interiorizados, ainda que de maneira rudimentar, nos anos da infância. São coisas que se passam em nosso interior - às vezes despercebidas que nos dão essa sensação de estar em casa, na querência, no torrão natal, que não é a pátria, embora esse torrão até possa confundir-se com pátria, caso as fronteiras desta não tenham sido mexidas. Mas, o que dizer quando um país perde o território para outro e um terceiro o toma deste e por fim o primeiro o toma de volta? Onde fica a pátria? Que nome ela tem no meio de toda essa balbúrdia?

O torrão natal não sai do lugar. Muda, sem dúvida, e sofre as desventuras do tempo. Mas está onde sempre esteve. Pode ter sido arrasado, inundado, soterrado, mas não sai do lugar. Essa sutil diferença fica bem clara na língua alemã. Heimatland é pátria. Heimat é torrão natal. Heimat tem a ver com zuhause sein, com estar em casa, tem a ver com sich ausfinden, com se achar, estar familiarizado. Todo aquele que passou sua infância, e talvez sua mocidade, sem se afastar muito do mesmo lugar, reconhece que não há nada que mais lhe fale ao coração do que esse rincão onde se criou. E tanto mais cresce esse sentimento nele, quanto mais avança em idade. Ele sabe onde se aferrar quando procura dentro de si identidade. Identidade que, neste conturbado mundo em que vivemos, não raro acaba se perdendo. O autor é professor universitário emérito, residente em Porto Alegre/RS

Se você não pode ser uma estrela no céu, então seja pelo menos uma lâmpada em sua casa. Provérbio Chinês

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Uma parada na rodovia sem acostamento... P. Ms. Leonídio Gaede

Engenheiros e gestores descobriram como asfaltar mais rodovias com menos dinheiro. Se construídas sem acostamento, seu custo diminui 40%, dizem. Conta-se o que aconteceu certa vez quando um indígena visitava uma metrópole: Perguntou ao taxista por quê homem branco coloca uma capa preta dura sobre a estrada. O taxista respondeu que essa capa preta chama-se asfalto e serve para a estrada ficar mais lisa e os carros poderem andar mais rápido e sem trepidar muito. Nesse momento o táxi atravessou um quebra-molas, uma lombada, um redutor de velocidade. O indígena, naturalmente, perguntou o que era aquilo. O taxista respondeu que aquilo se chama quebramolas e serve para reduzir a velocidade, pois, se for atravessado em alta velocidade, faz o carro trepidar muito. O indígena então perguntou: o que, afinal, quer homem branco: andar rápido ou devagar, trepidar muito ou pouco? Esta parece ser uma questão de vida ou morte no século XXI. Vivemos num mundo onde parece que funcionar 24 horas por dia não é mais suficiente. Quem tem tempo é considerado não suficientemente sério e quem nunca tem tempo é considerado importante. Sonhamos com

uma longevidade de até 120 anos e não sabemos o que fazer com uma tarde de domingo livre. Estamos com incapacidade de parar. E esta é uma forma de depressão. Cada pausa é preenchida com diversão e alienação. O lazer é feito de ocupações. A própria palavra entretenimento indica o desejo de não parar nos momentos entre atos. O mundo está deprimido e a indústria de entretenimento cresce com isso. A internet e a televisão não dormem. Não existe mais insônia solitária. Solitário é quem dorme. As bolsas do ocidente e do oriente se revezam, mantendo suas atividades incessantes com base no ganhar e perder, nas informações e nos rumores. O meio ambiente e a Terra imploram por uma folga. Nós mesmos não suportamos mais a falta de tempo. O fim do dia tem gosto de vazio. As montanhas estão com olheiras. Os rios precisam de um bom banho, as cidades de uma cochilada, o mar de umas férias, o domingo de uma folga (parágrafo inspirado em apresentação de slides que circula na internet em nome do rabino Nilton Bonder). A igreja dos seguidores de Jesus Cristo insiste em apresentar ao mundo um calendário litúrgico, incluindo datas que representam quebras no desenvolvimento linear do tem-

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po. Datas como o Pentecostes, o Natal, a Páscoa, a Reforma Protestante, ou simplesmente o domingo, o dia de descanso. A mesma igreja apresenta ao mundo períodos como os tempos do Advento e da Quaresma. Assim ela reafirma ao mundo que a vida sem pausa não resiste. Ela avisa: – É preciso quebrar o ritmo! – Ela alerta:

ro para reformar a igreja da cidade de Lutero. Nós brasileiros pagamos mais por um dia de aluguel na praia do que por um ano de participação na igreja. Em nome da necessidade de parar, vamos ao litoral onde aceleramos o agito. “Santificarás o dia do descanso” está fora da casinha. E assim o mundo corta a mesada da igreja! De repente escutamos um grito:

– Se não parar, vai morrer!

– A igreja precisa salvar os jovens!

Do outro lado, o mundo não acredita. O inimigo acha o discurso da igreja inadequado, fora de época. O diabo sussurra ao ouvido da opinião pública:

O mundo pede que a igreja ajude a salvar os seus socialmente desajustados que não aprenderam a parar...

– Falta tempo e a igreja quer que se pare! Isso não! Por isso resolve-se enfraquecer a igreja. Diz: – Como recurso missionário, vamos lhe destinar apenas algumas moedinhas no gazofilácio. Vamos repetir em coro, ano a ano, que a contribuição está alta. O inimigo deixa as obras da igreja morrer à míngua. Fiquei sabendo que a Alemanha acaba de destinar 500 milhões para reformar um prédio. Enquanto isso as comunidades do terceiro mundo coletam dinhei-

A igreja responde com a sua fraqueza, com a sua falta de recursos. Ela, porém, deve “procurar o seu espaço e vencer a timidez”. Deve, como o indígena fez com o taxista, perguntar ao mundo dessa rodovia sem acostamento: – Vocês querem correr ou andar devagar, trepidar mais ou menos? Não deveríamos nos envergonhar de fazer perguntas tolas ao mundo, “pois Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes” (1 Coríntios 1.27). O autor é Pastor da IECLB e atua na Paróquia Evangélica de Confissão Luterana no Vale do Três Forquilhas – Itati/RS

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Chá – cá – rá – các P. em. Meinrad Piske

Somos uma família de pássaros e “chá-cá-rá-cá” é o nosso nome. Medimos cerca de 60 centímetros desde o bico até o rabo. Pesamos aproximadamente 600 gramas. A nossa plumagem tem tons cinzentos e marrons. Não somos aves bonitas, mas temos uma postura de causar admiração. Também não sabemos cantar como outros pássaros, mas mesmo assim cantamos. Cantamos mal, mas cantamos, preferencialmente de manhã ao nascer do sol. Uns dizem que nós somos aracuãs e outros afirmam que somos jacupembas. Procurando saber e entender quem nós somos, descobri-

mos que os livros dos seres humanos dizem de nós que somos aves da família dos Cracídeos, gênero Ortalis, com 12 espécies e 16 subespécies. Dizem ainda que nós somos encontrados em toda a América do Sul e Central onde somos chamados de chachalacas – muito parecido com chacaracá! No Brasil habitamos principalmente na região do Pantanal Mato-grossense. Diz ainda aquele livro que nós somos aproveitadores. Em vez de fazermos os nossos próprios ninhos nós aproveitamos os ninhos de outros pássaros para chocar os ovos e cuidar dos filhotes nos primeiros dias.

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Escolhemos moradias em diferentes lugares e as mantemos escondidas para que ninguém saiba onde nos encontrar. Durante o dia nós voamos em bandos – maiores ou menores – sempre procurando comida. Na nossa família éramos quatro. Hoje somos três. O quarto não existe mais, pois voou muito baixo e foi apanhado por um bandido. Nós somos anjos ou muito parecidos com anjos. Temos asas e voamos, não fazemos mal a ninguém. Mas na casa de nosso hospedeiro viviam quatro diabinhos, chamados cachorros, que querem nos caçar a toda hora. E conseguiram. Um de meus filhotes se descuidou, voou muito baixo e o bandido o pegou e matou. Este bandido desapareceu. Ele não só nos perseguia e os outros passarinhos que se hospedam no terreno que nós arrendamos. Ele também pulava a cerca e passeava pela estrada. E um dia não voltou mais. Desapareceu. Ainda bem! Assim a nossa vida ficou mais calma e um pouco menos perigosa. Outros seres viventes que os humanos chamam gatos, nós evitamos porque nos parecem suspeitos. E aquilo que a gente não conhece deve ser evitado. É bom não arriscar. Melhores são os outros passarinhos que compartilham conosco os mesmos lugares. Todos eles são inofensivos, isto é, eles nos evitam e nem tentam questionar se determinado lugar ou tratador é de todos os pássaros e passarinhos, ou só dos Chacaracac.

Alimentamo-nos quase que exclusivamente de frutas, sendo que as nossas frutas preferidas são a banana e o mamão. Mas também gostamos de laranjas e verduras recém-plantadas que têm folhas muito tenras e gostosas. Quem não gosta que comemos folhas de alface ou repolho é o dono do terreno. Agora que os seres humanos se converteram e não nos caçam mais com as suas espingardas, eles começaram a nos tolerar, e alguns até gostam de nós. Mas nem todos nós nos aproximamos demais daqueles seres chamados homens e mulheres porque nunca se deve confiar demais. Pois o seguro morreu de velho! Antigamente os nossos antepassados viviam no mato e os seres humanos que viviam nas cidades iam ao mato para nos caçar. Hoje nós saímos do mato e vamos à cidade e nos alimentamos com aquilo que os seres humanos nos dão. Convivem conosco diversos tipos de pássaros. Por ordem hierárquica cito o Sabiá laranjeira que manda no terreno quando nós não estamos. Logo depois dele vem o Bem-te-vi, que tem a costa marrom e o peito amarelo. Ele gosta de cantar “Bem-te-vi”, mas só come quando o sabiá vermelho já está satisfeito e voa para outro lugar. Depois dele é a vez do sabiá branco. Depois vem o sanhaçu e mais tarde ainda a saíra de sete cores. Os últimos são o pintassilgo e o gaturamo que só beliscam um pouco daquilo que foi servido. Outros pássaros que encontramos naquela propriedade que nós arrendamos

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são um bando de tiribas, pássaros com penas verdes e algumas vermelhas. Mas estes tiribas são muito arredios e só raramente comem de nossa comida. Parece até que sempre têm pressa ou medo. Aparecem ainda o João de Barro e muitos pardais, além dos beija-flores. Mas estes são inofensivos. Não sei como podem gostar de folhas, flores e insetos, porque não se alimentam de frutas. Quem cuida da nossa comida são os donos da casa. Regularmente nos dão bananas e mamões. Mas acontece que eles às vezes se esquecem de nos dar comida. Quando isto acontece e o nosso tratador está vazio, nós voamos até a varanda e ba-

temos com o bico na janela. Quando nos veem e ouvem, eles vêm logo para nos dar a comida que queremos. Geralmente uma banana. E quando a janela da varanda está aberta, nós nos arriscamos a entrar na cozinha e na sala. O problema é que depois nem sempre achamos a saída. Uma vez o dono da casa me pegou com suas mãos e eu, querendo desvencilhar-me, me debati com tanta força e o homem ficou com todas as penas de meu rabo na mão. Ele me levou para fora e me soltou. Alguns dias depois vi a neta do casal brincando com uma peteca que fora feita com as minhas penas. O autor é Pastor emérito da IECLB e reside em Brusque/SC

HUMOR

Essa tosse terrível... Um homem vai ao médico fazer um check-up. Os exames de laboratório estão bons. Ainda assim o médico o examina detalhadamente. Mas não encontra nada. Encostando-lhe o estetoscópio nas costas, o doutor ordena ao paciente: - Tosse uma vez! O paciente tosse. - Mais uma vez! O paciente tosse de novo. - Aha! - diz o médico, e com um olhar preocupado, pergunta: - E essa tosse, o senhor tem desde quando?

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A felicidade Lothar Carlos Hoch

A felicidade é gota de orvalho Que escorre límpida e cristalina Pelas folhas tênues da primavera E amacia os torrões endurecidos Que se formam ao longo do tempo Na árida travessia pelas veredas da vida. A felicidade é pura, Inocente e sem dolo. É fragmento de vida Que brota espontânea Dos mananciais interiores, E permanece virgem Como a relva da manhã Dos tempos primordiais. Felicidade é a fonte perene Do brilho nos olhos da criança E da alegria serena do ancião. Não é símbolo de ingenuidade, Senão da integridade de coração. Oxalá não se esgote jamais – Em meio às agruras e à maldade Dos tempos atuais – A tênue fonte da felicidade A jorrar do nosso interior. Eis que assim permanece vivo em nós O sopro primevo Do Espírito divino Que pairava sobre as águas matinais. São Leopoldo (RS), 29/05/2012 ••• 165 •••


Um sorriso Um sorriso não custa nada. Mas ele tem grandes efeitos.

O sorriso é um medicamento natural para todas as enfermidades.

O sorriso enriquece quem o recebe, sem tornar mais pobre quem o oferece.

Mas é um medicamento que não se pode comprar, não se pode emprestar, nem se pode roubar.

O sorriso dura apenas um momento, mas pode permanecer para sempre na lembrança.

Ele só é eficiente e tem valor, quando é dado de presente.

Ninguém é tão rico, que pudesse prescindir dele, e ninguém é tão pobre que não o mereça. Um sorriso oferece recuperação aos cansados; ao desacorçoado dá novo ânimo; na tristeza traz consolo.

Se você, por vezes, encontrar alguém que não o/a presenteia com o sorriso esperado, seja magnânimo/a: – Presenteie você esta pessoa com o seu sorriso. Pois ninguém necessita mais de um sorriso do que alguém que não sabe dá-lo aos outros. Fonte: INTERNET

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O poder da vírgula de Facebook – Palavra Certa

A vírgula pode ser uma pausa... ou não: Não, espere! Não espere! A vírgula pode ser a solução: Vamos perder, nada foi resolvido. Vamos perder nada, foi resolvido! A vírgula pode sumir com seu dinheiro: R$ 234,5 R$ 23,45 A vírgula muda uma opinião: Não queremos saber. Não, queremos saber! A vírgula pode criar heróis: Isso só, ele resolve. Isso, só ele resolve. A vírgula pode condenar ou salvar: Não tenha clemência! Não, tenha clemência! Aonde cabe a vírgula na frase: Se o homem soubesse o valor que tem a mulher andaria de quatro à sua procura!? Se você for mulher, certamente colocará a vírgula depois da palavra MULHER: “Se o homem soubesse o valor que tem a mulher, andaria de quatro à sua procura!” Se você for homem, talvez coloque a vírgula depois da palavra TEM: “Se o homem soubesse o valor que tem, a mulher andaria de quatro à sua procura.” Como se vê, é importante prestar atenção na aula de português quando é tratada a pontuação – especialmente da virgulação. – Mesmo que ela seja “chata”! (observação do editor)

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Juntando cavacos... Traude Moser

Título estranho, não? Pois ele me foi sugerido por uma amiga muito querida. Juntando cavacos... Pois eu acho que juntamos cavacos ao longo da vida toda. Grandes e pequenos, leves e pesados. E há ocasiões em nossa vida em que realmente eles são mais pesados e mais difíceis de recolher. Em outras ocasiões são mais leves e fáceis de juntar. Na juventude tudo parece fácil. E se houver cavacos, damos-lhes um chute e corremos atrás das borboletas. Na vida adulta temos responsabilidades. Os cavacos tornam-se uma rotina, a gente até se acostuma. Já na velhice, onde tudo anda mais devagar, não lhes damos tanta importância. Se possível, os afastamos de nosso caminho. Caso contrário os desviamos. E porque não temos mais a energia da juventude, em vez de caminhar rápido, de correr, andamos pausadamente, aproveitando para ver as coisas bonitas que nos cercam. Se quando jovens, não achamos tempo para remover alguns cavacos, vamos organizar nossa vida agora e recuperar o tempo perdido. Vamos usufruindo o prazer de uma leitura ou da visita a alguma pessoa amiga. Se numa autocrítica chegamos à conclusão que pouco fizemos na vida, procuremos reabilitar-nos, pois ainda é tempo. Sempre há quem precise de uma palavra ou de uma mão amiga.

Por vezes podemos nos sentir um pouco abandonados. Podemos pensar que se tivéssemos mais dinheiro, seríamos mais felizes. Ledo engano! Não é bem assim. A felicidade não está em nossa conta bancária, mas sim dentro de nós. A verdadeira felicidade antes de tudo vem da certeza de que Deus está sempre ao nosso lado, nos apoiando e nos dando forças para seguir nosso caminho com alegria. E a idade para ser feliz, vocês sabem qual é? Existe só uma idade para a gente ser feliz, para remover os cavacos, para sonhar, para fazer planos e ter energia bastante para realizálos, mesmo que enfrentando dificuldades e obstáculos. Momento dourado, especial em que se pode sentir a vida, sorrir, cantar, dançar, vestir-se com todas as cores, experimentar todos os sabores. Este tempo tão especial se chama PRESENTE. Ele tem apenas a duração de um instante que passa doce pássaro do aqui e agora. Quando a gente se dá conta dele, já voou, para nunca mais voltar... Para finalizar quero lembrar-lhes um provérbio que diz “Vida é a soma das nossas escolhas”. E quanto aos cavacos, também podemos encará-los como bênçãos, alegrias, saudades. A autora é professora aposentada e reside em Curitiba/PR

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Dicionário Brasileiro de Prazos Para evitar que estrangeiros fiquem “pegando injustamente no nosso pé”, está-se compilando o “Dicionário Brasileiro de Prazos”. Ele já deveria estar pronto. ... Mas atrasou... No entanto, conseguimos ter acesso a alguns termos/verbetes que podem ser de grande ajuda: DEPENDE: Envolve a conjunção de vários fatores, todos desfavoráveis. Em situações anormais, pode até significar sim, embora até hoje tal fenômeno só tenha sido registrado em testes teóricos de laboratório. O mais comum é que signifique diversos pretextos para dizer não. JÁ JÁ: Aos incautos pode dar a impressão de ser duas vezes mais rá-

pido do que já. Engano! É muito mais lento. “Faço já” significa “passou a ser minha primeira prioridade”, enquanto “faço já já” quer dizer apenas “assim que eu terminar de ler meu jornal, prometo que vou pensar a respeito.” LOGO: Logo é bem mais tempo do que “dentro em breve”, e muito mais do que “daqui a pouco”. É tão indeterminado que pode até levar séculos. “Logo chegaremos a outras galáxias”, por exemplo. É preciso também tomar cuidado com a frase “Mas logo eu?”, que quer dizer “tô fora!”. MÊS QUE VEM: Parece coisa de primeiro grau, mas ainda tem estrangeiro que não entendeu. Existem só três

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tipos de meses: aquele em que estamos agora, os que já passaram e os que ainda estão por vir. Portanto, todos os meses, do próximo até o Apocalipse, são “mês que vem!”.

UM MINUTINHO: É um período de tempo incerto e não sabido, que nada tem a ver com um intervalo de 60 segundos. E raramente dura menos que cinco minutos.

NO MÁXIMO: Essa é fácil: quer dizer no mínimo. Exemplo: Entrego em meia hora, no máximo. Significa que a única certeza é de que a coisa não será entregue antes de meia hora.

TÁ SAINDO: Ou seja: “Vai demorar.” Os dois verbos juntos indicam tempo contínuo.

PODE DEIXAR: Traduz-se como: “Nunca ou Jamais”. POR VOLTA: Similar a no máximo. É uma medida de tempo dilatada, em que o limite inferior é claro, mas o superior é totalmente indefinido. “Por volta das 5 horas” quer dizer “A partir das 5 horas”. SEM FALTA: É uma expressão que só se usa depois do terceiro atraso. Porque depois do primeiro atraso, deve-se dizer “fique tranquilo que amanhã eu entrego”. E depois do segundo atraso, “relaxa, amanhã estará em sua mesa”. Só aí é que vem o “amanhã, sem falta”.

VEJA BEM: É o day after do depende. Significa “Viu como pressionar não adianta?” É utilizado da seguinte maneira: “Mas não prometeu os cálculos para hoje?” Resposta: “Veja bem…”. Xiiiiiiii…: Se após a frase: “Não vou mais tolerar atrasos”, alguém ouvir este som, entenda que ele exprime dó e piedade por tamanha ignorância sobre nossa cultura. ZÁS-TRÁS: Palavra em moda até uns 50 anos atrás e que significava ligeireza no cumprimento de uma tarefa, com total eficiência e sem nenhuma desculpa. Por isso mesmo, caiu em desuso e foi abolida do dicionário. Sem indicação de autoria

Assim como uma vela é acesa pela chama de outra, assim a fé é estimulada pela fé. Romano Guardini

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Sonhar e realizar... Traude Moser

Os sonhos são como uma bússola, indicando o caminho que poderemos seguir e as metas que queremos alcançar. São eles que nos impulsionam, nos fortalecem e nos permitem crescer. Recentemente ouvi uma pregação, que teve como tema “Sonhe com a colheita”. O pregador justificava: Porque o lavrador, quando ara, deve fazê-lo na esperança de participar da colheita (ref. a 1 Coríntios 9.10). Não se contente com o que o mundo oferece, vá em busca de seu sonho. No plano de Deus para nós, tem muito mais, como diz naquela palavra: Saia de sua casa e conte as estrelas do céu, ainda assim as bênçãos de Deus para a sua vida, serão em maior número (ref. a Gênesis 15.5)... Sonhe, ouse, faça grandes coisas para Deus. Como grandes sonhadores da Bíblia podemos lembrar: Moisés, Josué, Paulo e o próprio Jesus. Em João 14.14 Jesus diz: “Eu farei qualquer coisa que vocês pedirem em meu nome”. Sabemos bem disto. Mas às vezes duvidamos, somos pessoas de pouca fé. Se sonharmos pouco, alcançaremos pouco e as pedras no caminho se tornam montanhas. Nunca desista de seus sonhos! Seus desafios produzirão crescimento e oportunidades.

Pessoalmente sempre tive muitos sonhos. Cito como exemplos: conquistar a casa própria, formação das filhas e viagens. Quando ainda exercia a minha profissão, viajava nas férias. Eram pequenas viagens. Depois que comecei a trabalhar na colônia dos holandeses, em Castro/PR, sonhava em conhecer a Europa. Passei vinte anos acalentando este sonho. Parecia impossível. Mas, de repente aconteceu. E depois que conheci meus parentes da Alemanha, primos de minha mãe, pude fazer, com ajuda deles, mais algumas viagens maravilhosas pela Europa. Foram lindos sonhos que se realizaram. Também com as filhas foi lindo ousarmos sonhar. Quando casei eu desejava ter cinco filhos. Mas Deus nos deu só duas filhas. Hoje tenho três netos muito queridos e dois genros que também são meus filhos: mais um sonho realizado! E qual seria a época própria para sonhar? Esse tempo tão especial e único para sonhar chama-se PRESENTE e tem apenas a duração de um instante que passa, doce pássaro do aqui e agora. É presente de Deus para todos nós. A autora é professora aposentada e mora em Curitiba/PR

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“No frigir dos Ovos” – Uma pergunta e uma senhora resposta PERGUNTA: Alguém sabe me explicar, num português claro e direto, sem figuras de linguagem, o que quer dizer a expressão “no frigir dos ovos”? RESPOSTA: Quando comecei, pensava que escrever sobre comida seria sopa no mel, mamão com açúcar. Só que depois de certo tempo dá crepe. Você percebe que comeu gato por lebre e acaba ficando com uma batata quente nas mãos. Como rapadura é doce, mas não é mole, nem sempre você tem ideias, e, pra descascar esse abacaxi, só metendo a mão na massa. E não adianta chorar as pitangas ou, simplesmente, mandar tudo às favas. Já que é pelo estômago que se conquista o leitor, o negócio é ir comendo o mingau pelas beiradas, cozinhando em banho-maria, porque é de grão em grão que a galinha enche o papo.

tirar o doce da boca de criança, e vai com muita sede ao pote. Mas, como o apressado come cru, essa gente acaba falando muita abobrinha. São os escritores de meia tigela, trocam alhos por bugalhos e confundem Carolina de Sá Leitão por caçarolinha de assar leitão. Há também aqueles que são arroz de festa, com a faca e o queijo nas mãos. Eles se perdem em devaneios (piram na batatinha, viajam na maionese... etc.). Achando que beleza não põe a mesa, pisam no tomate, enfiam o pé na jaca, e no fim, quem paga o pato, é o leitor, que sai com cara de quem comeu e não gostou. O importante é não cuspir no prato em que se come, pois quem lê não é tudo farinha do mesmo saco. Diversificar é a melhor receita para engrossar o caldo e oferecer um texto que se come com os olhos, literalmente.

Contudo é preciso cuidar para não azedar, passar do ponto, encher linguiça demais. Além disso, deve-se ter consciência de que é necessário comer o pão que o diabo amassou para vender o seu peixe. Afinal não se faz uma boa omelete, sem antes quebrar os ovos.

Por outro lado, se você tiver os olhos maiores que a barriga o negócio desanda e vira um verdadeiro angu de caroço. Aí não adianta chorar o leite derramado, porque ninguém vai colocar uma azeitona na sua empadinha, não. O pepino é só seu, e o máximo que você consegue ganhar é uma banana. Afinal, pimenta nos olhos dos outros é refresco...

Há quem pensa que escrever é como

A carne é fraca, eu sei. Às vezes dá

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vontade de largar tudo e ir plantar batatas. Mas, quem não arrisca não petisca, e depois, quando se junta a fome com a vontade de comer, as coisas mudam da água para o vinho. Embananar-se, de vez em quando, é normal. O importante é não desistir,

mesmo quando o caldo entornar. Puxe a brasa para a sua sardinha, que “no frigir dos ovos” a conversa chega à cozinha e fica de comer rezando. Daí, com água na boca, é só saborear, porque o que não mata engorda. Está respondido?? Fonte: Internet

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Expressões curiosas Em nossa língua existem muitas expressões idiomáticas, que só os versados entendem, e que causam grandes dificuldades de compreensão a um estrangeiro, por exemplo, que esteja no começo do aprendizado do português. É curioso perguntar-se pela origem de tais expressões. TIRAR O CAVALO DA CHUVA: “Pode ir tirando seu cavalinho da chuva porque não vou deixar você sair hoje!” No século XIX, quando uma visita iria ser breve, ela deixava o cavalo ao relento em frente à casa do anfitrião. E se fosse demorar, colocava o cavalo nos fundos da casa, em um lugar protegido da chuva e do sol. Contudo, o convidado só poderia pôr o animal protegido da chuva se o anfitrião percebesse que a visita estava boa e dissesse: “pode tirar o cavalo da chuva”. Depois disso, a expressão passou a significar a desistência de alguma coisa. DAR COM OS BURROS N’ÁGUA: A expressão surgiu no período do Brasil colonial, onde tropeiros que escoavam a produção de ouro, cacau e café, precisavam ir da região Sul à Sudeste sobre burros e mulas. O fato era que muitas vezes esses burros, devido à falta de estradas adequadas, passavam por caminhos muito difíceis e regiões alagadas, onde os

burros morriam afogados. Daí em diante o termo passou a ser usado pra se referir a alguém que faz um grande esforço pra conseguir algum feito e não consegue ter sucesso no que pretende. GUARDAR A SETE CHAVES: No século XIII, os reis de Portugal adotavam um sistema de arquivamento de joias e documentos importantes da corte através de um baú que possuía quatro fechaduras, sendo que cada chave era distribuída a um alto funcionário do reino. Portanto eram apenas quatro chaves. O número sete passou a ser utilizado devido ao valor místico atribuído a este número, desde a época das religiões primitivas. A partir daí começou-se a utilizar o termo “guardar a sete chaves” pra designar algo muito bem guardado... OK: A expressão inglesa “OK” (okay), que é mundialmente conhecida para significar algo que está tudo bem, teve sua origem na Guerra da Secessão, nos Estados Unidos. Durante a guerra, quando os soldados voltavam para as bases sem nenhuma morte entre a tropa, escreviam numa placa “0 killed” (nenhum morto), expressando sua grande satisfação, daí surgiu o termo “OK”.

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ONDE JUDAS PERDEU AS BOTAS: Existe uma história não comprovada, de que após trair Jesus, Judas enforcou-se em uma árvore sem nada nos pés, já que havia posto o dinheiro que ganhou por entregar Jesus dentro de suas botas. Quando os soldados viram que Judas estava sem as botas, saíram em busca delas e do dinheiro da traição. Nunca ninguém ficou sabendo se acharam as botas de Judas. A partir daí surgiu à expressão, usada pra designar um lugar distante, desconhecido e inacessível. PENSANDO NA MORTE DA BEZERRA: A história mais aceitável para explicar a origem desta expressão é proveniente das tradições hebraicas, onde os bezerros eram sacrificados para Deus como forma de redenção de pecados. Um filho do rei Absalão tinha grande apego a uma bezerra que foi sacrificada. Assim, após o animal morrer, ele ficou se lamentando e pensando na morte da bezerra. Após alguns meses o garoto morreu. PARA INGLÊS VER: A expressão surgiu por volta de 1830, quando a Inglaterra exigiu que o Brasil aprovasse leis que impedissem o tráfico de escravos. No entanto, todos sabiam que essas leis não seriam cumpridas. Assim, essas leis eram criadas apenas “pra inglês ver”. Daí surgiu o termo. RASGAR SEDA: A expressão que é

utilizada quando alguém elogia grandemente outra pessoa, surgiu através da peça de teatro do teatrólogo Luís Carlos Martins Pena. Na peça, um vendedor de tecidos usa o pretexto de sua profissão pra cortejar uma moça e começa a elogiar exageradamente sua beleza, até que a moça percebe a intenção do rapaz e diz: “Não rasgue a seda, que se esfiapa”. O PIOR CEGO É O QUE NÃO QUER VER: Em 1647, em Nimes, na França, na universidade local, o doutor Vicent de Paul D’Argent fez o primeiro transplante de córnea em um aldeão de nome Angel. Foi um sucesso da medicina da época, menos pra Angel, que assim que passou a enxergar ficou horrorizado com o mundo que via. Disse que o mundo que ele imaginava era muito melhor. Pediu ao cirurgião que arrancasse seus olhos. O caso foi acabar no tribunal de Paris e no Vaticano. Angel ganhou a causa e entrou para a história como o cego que não quis ver. ANDAR À TOA: Toa é a corda com que uma embarcação reboca a outra. Um navio que está à toa é o que não tem leme nem rumo, indo pra onde o navio que o reboca determinar. QUEM NÃO TEM CÃO, CAÇA COM GATO: Na verdade, a expressão, com o passar dos anos, se adulterou. Inicialmente se dizia “quem não tem

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cão, caça como o gato”, ou seja, se esgueirando, astutamente, traiçoeiramente, e sozinho como fazem os gatos. VAI TOMAR BANHO: Em “Casa Grande & Senzala”, Gilberto Freyre analisa os hábitos de higiene dos índios versus os do colonizador português. Depois das Cruzadas, como corolário dos contatos comerciais, o europeu se contagiou de sífilis e de outras doenças transmissíveis e desenvolveu medo ao banho e horror à nudez, o que muito agradou à Igre-

ja. Ora, o índio não conhecia a sífilis e se lavava da cabeça aos pés nos banhos de rio, além de usar folhas de árvore pra limpar os bebês e lavar no rio as redes nas quais dormiam. Ora, o cheiro exalado pelo corpo dos portugueses, abafado em roupas que não eram trocadas com frequência e raramente lavadas, aliado à falta de banho, causava repugnância aos índios. Então os índios, quando estavam fartos de receber ordens dos portugueses, mandavam que fossem “tomar banho”. Fonte: Internet

As coisas boas que possuímos, a morte nos toma. O que fazemos de bom, o céu nos devolve. Louis Veullot

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Para algumas senhoras da cidade grande, parece que só celulite é falta de educação... Silvia Zamith

Cheguei a não muito tempo do “interiorzão” à “cidade grande”. E estou espantada com o comportamento de senhoras em lugares públicos. Não me refiro às senhoras do povão, carregando sacolas de compra e um filho no colo e puxando outro pela mão. Não. Estou falando de senhoras descoladas, supermega-maquiadas, roupa bacana, bolsa bacana, sapatos bacanas, perfume “bom”. Essas que a gente vê de longe que “não passam necessidade”.

va o cartão-transporte na leitora (se tem o cartão, é sinal que costuma andar de ônibus). Esta, em vez de segurar-se – primeira coisa que se faz quando se entra em um ônibus! – se demora guardando o cartão na bolsa. O ônibus sai. Ela perde o equilíbrio e senta, sem querer, bruscamente no lugar reservado pela amiga. Imediatamente as duas começam a esbravejar, alto e bom som:

Há cinco anos, quando cheguei aqui, não havia tantas delas em ônibus. Talvez a falta de lugares para estacionar o carro (e o preço pra lá de absurdo dos estacionamentos) explique a atual presença mais frequente delas nos coletivos. Tudo certo. Precisamos melhorar e usar o transporte coletivo...

– Ganham mal, e vêm descontar na gente!

Mas parece que elas andam esquecendo em casa um item importante, sem o qual toda essa produção (maquiagem, topete, etc.) não adianta nada: a CIVILIDADE, também chamada de EDUCAÇÃO. Olha só: No ônibus: Entram duas dessas senhorinhas de uns 80 anos mais ou menos, produzidíssimas. Uma se senta no banco mais próximo, deixando lugar para a amiga, que ainda passa-

– Que absurdo! Esses motoristas são uns truculentos!

Os outros passageiros – jovens e velhos – ficaram quietos, um olhando pra o outro, porque o motorista não havia feito nada de errado. Apenas dera a partida, normalmente. Outra vez no ônibus: Greve de professores! Haviam interrompido a rua na passeata. Os ônibus não podiam passar. Atrasaram um pouco. A senhora – toda chicosa! – entra e já desanca o motorista: – Que absurdo! O outro motorista desta linha nunca se atrasa! Meu filho (17 anos) diz para o motorista (mas a intenção era que a mulher ouvisse): – É por causa da greve?

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– É! A rua está interrompida pela passeata.

– Não, minha senhora! Temos quartos reservados para pós-operatório...

E a senhora: – Eu não tenho nada a ver com greve, isso não me interessa!

– Não quero nem saber!

No hospital bacana: Uma senhora (paciente, já internada) de braço quebrado, nariz inchado, vários hematomas. Ela teria que fazer uma cirurgia no dia seguinte, e “tinha ouvido alguém falar” que não havia quartos vagos. Então, se pôs a desancar uma enfermeira, gritando em pleno corredor: – Você pensa o quê? Que eu vou ser operada pra depois ficar numa maca no corredor? A enfermeira, responde em tom de voz normal:

Na fila do ingresso do shopping: Sábado, só um caixa pra atender... Vamos combinar que realmente é uma falta de respeito. Na fila, umas quinze pessoas, entre elas uma senhora chique e também três meninos tipo surfista: bermudão, chinelo, mil tatuagens. O resto eram pessoas normais (hehehe). Claro que, quando alguém vai comprar ingresso para a família, o cachorro e o papagaio, sempre demora pra escolher os lugares. E acontece que todo mundo naquela fila pretendia levar muita companhia para os shows, então... A fila não andava. Aí a senhora chique

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começou a falar bem alto: – Tá vendendo ingresso ou terreno na praia? Que absurdo?! E por aí foi, “dando piti”. Os meninos surfistas ficaram, tipo, um olhando pra cara do outro, constrangidos! Aí, claro, quando chegou a vez dela, da senhora chique, ficamos esperando uns bons 15 minutos até que ela decidisse em que cadeiras acomodar “a parentalha” toda, as amigas, as vizinhas, o lulu, etc... Na fila do hipermercado: Uma senhora de uns, vá lá, 50 anos, acompanhada do (vá saber!) marido, careca. Gente fina, parecia. Conversando, numa boa. Não pude deixar de ouvir, porque eu não sou surda. Lá pelas tantas, o marido pergunta o que

ela achou de tal coisa e ela responde, com muita naturalidade: – Achei do cara...! O marido nem piscou. Decerto está acostumado a ouvir dessa senhora uma expressão que até bem pouco tempo era restrita a rodas de cerveja no bar. Parece que, para muitas senhoras “finas” das metrópoles, como diz Rosana Hermann: “só celulite é falta de educação”... Lá no interiorzão, de onde eu venho, as senhoras costumam ser um tiquinho mais educadas. Mas talvez daqui a pouco eu me acostume a estes modos de metrópole, e não me escandalize mais... Observação do redator: Aliás, falta de CIVILIDADE e BOA EDUCAÇÃO em nossa convivência são artigos cada vez mais frequentes em nosso país. E isso não só entre “senhoras descoladas de cidade grande” de que fala a autora, mas entre todas as gerações e classes sociais, seja nas cidades grandes ou pequenas e também no interior...

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Ah, esses pequenos esquecimentos... F. L. Vytrisal

“Pois é!”, disse meu tio, e pisou fundo no acelerador, de modo que o trator andou depressa, sem respeitar as irregularidades do caminho da roça. “Vocês da cidade são gente muito esquecida! Desta vez você de novo não me trouxe o remédio para o coração! E isso que você já me prometeu três vezes que iria trazê-lo.” Fiquei envergonhado, sem saber o que dizer! E meu tio continuou rindo e meneando a cabeça por mais alguns instantes. E ele por certo ainda teria continuado a fazer mais algumas observações constrangedoras para mim, se por sorte minha o trator não tivesse começado a falhar. O motor de repente perdeu a força, parou, deu mais algumas “tossidas” desesperadas, e morreu definitivamente. Meu tio mexeu nos diversos botões, puxou em todas as alavancas possíveis, e nada. O trator permaneceu em silêncio. Resmungando o tio desceu do “possante”, inspecionou tudo e de repente constatou em alta voz, coçando a cabeça: “O tanque de combustível está vazio! Como é que eu pude es... eh... deixar de controlar isto?! E o combustível foi terminar justo aqui, que estamos a quase meia hora distante de casa...” Pulei do assento do carona, e me ofereci: “Eu vou lá buscar um pouco de combustível. Prometo ir num pé e voltar

no outro.” “Então também podemos ir os dois juntos”, disse ele. “É melhor do que ficar aqui esperando.” Ele puxou a chave de ignição do trator, e pusemo-nos a caminho. Meu tio “engatou uma terceira” e desandou a andar num ritmo que não poderíamos manter por muito tempo. Logo estávamos com calor, abrimos os nossos casacos, e chegamos ao pátio da fazendinha quase sem fôlego. Meu tio apanhou uma vasilha no armazém, e dirigiu-se com pressa, ainda bravo consigo mesmo e transpirando, ao galpão de máquinas, tirou o seu casaco e pendurou-o num cabide atrás da porta. Em seguida, com uma mangueira tirou combustível de um tambor e encheu a vasilha. Tia Frederica veio ao galpão e perguntou por que tínhamos voltado tão inesperadamente, e ainda a pé. Eu não ousei responder. E o tio grunhiu algo como “mulherada curiosa.” Tia Frederica olhou admirada de um para outro de nós, até que desatou a rir de sacudir a barriga. O tio fechou a tampa do tambor ainda com mais raiva, pegou a vasilha com o combustível e saiu do galpão de máquinas, sem sequer olhar para a tia, que continuava a rir-se divertida. Eu segui o tio tão rápido quanto pude. Mas ele nem voltou os olhos

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para mim. E em todo o caminho até onde estava o trator não falou nenhuma palavra – aparentemente de mal consigo mesmo e com o mundo. Silêncio total. O dia agora havia esquentado bastante, e o sol estava impiedoso. Mosquitos zumbiam em torno de nossos ouvidos... Finalmente o combustível foi colocado no tanque do trator. Meu tio jogou a vasilha no reboque. Aliviado, ele respirou fundo, olhou pela primeira vez para mim desde aquele “contratempo”, e disse contente: “Pronto! Agora podemos seguir nosso pequeno passeio de trator. E na próxima vez que você vier para cá, vê se não se esquece de trazer o meu remédio para o coração. Eu realmen-

te preciso dele. Eu sinto isso especialmente quando faço uma caminhada mais puxada a pé como agora!” E com isto, ele pulou no assento do tratorista, ao meu lado. E então começou a fuçar nos seus bolsos: “Onde foi que eu deixei...?”, resmungou ele. Aí entendi o que ele procurava nos seus bolsos! Senti, alternadamente, um calor e um frio percorrer a minha espinha. Os movimentos do tio tornavam-se cada vez mais nervosos. Finalmente tomei coragem: “A chave de ignição o senhor colocou no bolso do casaco!”, disse eu. “E este está pendurado atrás da porta lá no galpão de máquinas...” Familienkallender 1914, pág. 46s; tradução P. Dr. Osmar Zizemer

Mesmo que a cruz seja escândalo para os sábios deste mundo, para mim, apesar de toda zombaria maldosa, será sempre a sabedoria de Deus. Christian Fürchtegott Gellert

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Presente de aniversário Elvira Horstmeyer

Meu aniversário de 70 anos se aproximava e decidi oferecer um jantar aos meus amigos. Mas queria evitar que eles – na melhor das intenções – trouxessem presentes, que eu já imaginava quais seriam: objetos de decoração, panos de prato, canecas, pratos de bolo, travessas, porta guardanapos, toalhinhas bordadas, cosméticos e lembrancinhas mil. Não que eu não aprecie ser presenteada. Mas quem, aos 70 anos, já não tem todas essas coisas em demasia? Ao abrir uma gaveta, meus olhos caíram num folder da Associação de Amigos do Hospital de Clínicas de nossa cidade. Na página central ha-

via uma lista de produtos que sempre estão em falta no Hospital. Escolhi um deles. E, juntamente com o convite, pedi a cada convidado, como presente, que trouxesse um pacote de fraldas, que eu depois queria doar ao Hospital de Clínicas. E não é que deu certo? No dia da festa, as pessoas chegaram carregando não um, mas vários pacotes de fraldas. Eram tantos que quase não couberam no meu carro. Tantos que, no dia seguinte, para descarregar meu “presente” na porta da Associação de Amigos do Hospital de Clínicas até tive de pedir ajuda. Presente de aniversário... A autora é membro da OASE e reside em Curitiba/PR Observação do Editor: Que belo exemplo. Que tal segui-lo?

De que adianta uma chave de ouro se ela não abre a porta para a verdade? Agostinho

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UM SÉCULO DA IGREJA DA CRUZ A “Igreja do Relógio” da Comunidade Evangélica de Ijuí – IECLB Profa. Mônica Brandt, com participação da Pa. Ms. Ana Isa dos Reis

Rememorando A história exerce um fascínio especial sobre pessoas e instituições. Os aniversários também. Completar 100 anos, então, vai além de qualquer expectativa. Em Ijuí, de colonização multiétnica, fundada a 19 de outubro de 1890 pelo governo gaúcho, com o intuito de povoar redutos ainda cobertos de mata virgem, já a 19 de janeiro de 1895 nascia a Comunidade Evangélico-Luterana. Ela era formada, majoritariamente, por descendentes de alemães, teuto-russos e austríacos de tradição evangélico-luterana trazida da Europa. Eram todos falantes da língua alemã, vínculo que também os unia. Buscavam reforçar-se na fé através da vida comunitária que lhes vinha facilitar um cotidiano carregado de dificuldades de toda ordem: tinham optado por uma terra de mata virgem onde havia tudo por fazer, parcos recursos e poucas lideranças a quem recorrer em um lugar que já havia sido chamado de Babel, tais as dificuldades de comunicação em meio às diferentes origens migratórias de seus habitantes. Mas agora possuíam uma referência

importante, pois o Pastor representava uma autoridade para além dos assuntos concernentes à fé e suas manifestações. O Pastor Gerhard Dedecke, primeiro pároco da jovem comunidade, aqui chegou um pouco antes do Padre Antoni Cuber, e aqui permaneceu até 1899. Surpreendentemente, já em 1896, inaugura-se a Casa Pastoral, primeiro prédio da Vila Ijuhy, construído de material, em estilo enxaimel, e que servia como ponto de pregação, espaço para reuniões e residência do Pastor. Já em 1899, por obra de um punhado de pioneiros, quase todos pertencentes à diretoria da Comunidade, cria-se a primeira Escola que, sobrevivendo a várias turbulências, vai-se afirmando e dá origem, sob sucessivas mantenedoras, ao atual e centenário Colégio Evangélico Augusto Pestana – CEAP. Primeiros passos Em 1908, por iniciativa dessa mesma liderança, começa a tornar-se realidade o sonho de construção de uma Igreja: com a Proclamação da República facultavam-se os templos com torre aos não católicos e é lançada a

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Casa Pastoral Pedra Fundamental em terreno central, no entorno do espaço destinado para a Praça da República. A vila se afirmava e, Albin Brendler, eleito presidente da comissão de construção, líder de muitas iniciativas e marceneiro de profissão, registrava em suas reminiscências: “Hoje em dia me lembro como é difícil construir uma Igreja que é o orgulho de todos nós” (...) “A maioria dos membros da Comunidade ainda não tinha uma casa decente e se esperava que construíssem primeiro uma Igreja. Mas posso dizer que, por mais pobres que fossem, quando a gente chegava e pedia colaboração, eles sempre se dispunham a fazer o que lhes fosse possível” (...).”Quando meus netos vão a nossa igreja e

olham-na em detalhes, eles podem dizer que a madeira que está na Igreja foi o nosso avô que trouxe sozinho de sua colônia e trabalhou com suas próprias mãos para a construção da igreja”. A obra teve a liderança do Pastor Hermann Rosenfeld que, vindo da Alemanha, aqui permaneceu de 1903 a 1912 revelando-se homem de muita sensibilidade, e que segundo Martim Fischer - autor dos primeiros registros da história da Comunidade - “recebeu a graça de transformar essa mera união religiosa de protestantes de fala alemã num agente cultural muito positivo e influente no desenvolvimento de Ijuí e zonas circunvizinhas”. Sob sua supervisão, o templo teve sua planta muitas ve-

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zes aperfeiçoada, inspirada em iniciativas para além das exíguas fronteiras da então incipiente colônia. A Escola se afirma Merece registro que o Pastor Rosenfeld dedicou-se com afinco, por longos anos, à direção da então chamada Escola Paroquial, que dava prosseguimento à iniciativa de 1899 e que, devido à exiguidade dos espaços, cedia a própria Casa Paroquial para o andamento dessa atividade pedagógica tão em consonância com o que Lutero enfatizava: “ao lado de cada Igreja, uma escola”. Ao mesmo tempo em que se construía o templo, erguia-se a primeira

sede própria da Escola, hoje afetivamente conhecida como “Escolinha da Roça” que, de madeira, mas dentro das exigências da época, teve sua inauguração também no ano de 1914. Considerando a situação complexa criada com a 1ª Guerra Mundial, o intendente Cel. Soares de Barros sugeriu que a Escola passasse a chamar-se “Escola Moderna”. Os terrenos foram doados pelo Município por indicação do engenheiro Augusto Pestana. A obra em andamento Cinco longos anos se passaram entre o lançamento da pedra fundamental e a inauguração do templo

Lançamento da pedra fundamental

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Escolinha da roça em 1914. Grandes dificuldades, provavelmente de ordem financeira e, mais tarde, o afastamento do Pastor Rosenfeld – devido ao passamento precoce de sua esposa e a consequente volta para seu país de origem - além dos escassos recursos, atrasaram a obra. Em 1913, assume o trabalho pastoral o Pastor Karl Gottschald, ao mesmo tempo em que são injetados recursos da Obra Gustavo Adolfo, o que possibilita a realização da Festa da Cumeeira que reuniu autoridades civis e eclesiásticas do município, tais como o intendente Municipal, Cel. Antônio Soares de Barros e o Padre Antoni Cuber. Tal repercussão positiva trouxe novo ânimo para a conclusão dos trabalhos. O templo foi inaugurado a 08 de

maio de 1914. Acabava de erigir-se uma Casa de Deus que representava verdadeiro monumento, passando a orgulhar os munícipes e a comunidade evangélica de confissão luterana da então já cidade de Ijuí, trazendolhes novo estímulo depois de anos de esforço e de mutirões de trabalho, finalmente coroados. Inaugura-se a primeira Igreja em Ijuí Os atos inaugurais coincidiram, propositadamente, com a 25ª Assembleia Sinodal do Sínodo Riograndense ao qual compareceram, segundo registros, o Pastor Wilhelm Rotermund, então Presidente do Sínodo, o representante do Conselho Superior das Igrejas Evangélicas de Berlim, Prior Lic. Teol.

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Vista da cidade com a construção da igreja ao fundo Martin Braunschweig, Pastores Pechmann, Sudhaus, Kolfhaus e Koppermann, bem como o representante do governo alemão em Porto Alegre, Cônsul Imperial Barão Von Stein. Deduz-se daí o quão significativa, para o recém-criado município, há de ter sido toda essa movimentação que trouxe autoridades importantes e que debates de alta envergadura devem ter sido desencadeados. A Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) tem a tradição de destacar-se pelo alto espírito democrático que a orienta, e ela procura envolver, nos processos decisórios, a representatividade de todos os setores de suas comunidades.

Exatamente por esse viés é que foi desencadeado, desde fins dos anos 1990, prolongado debate em torno da urgente necessidade de restauração do prédio da Igreja, desgastado pelo tempo. Nesse sentido, suas portas foram cerradas no culto dominical de 27 de janeiro de 2008 e os serviços religiosos transferidos para o Salão do Centro Evangélico. A reforma propriamente dita começou apenas em 2011. Junção de esforços A partir daí, na gestão dos Pastores Ana Isa dos Reis e Gilmar do Nascimento e, mais tarde, do Pastor Adi Pfeiffer, desencadeou-se ampla campanha para financiar a obra da revitalização. Sem dúvida, foi sur-

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preendente a resposta positiva da comunidade ijuiense em geral e da Comunidade Evangélica em particular, no sentido de colaborar, na medida das possibilidades e dons de cada um, com o andamento da obra. O auxílio chegava das mais diferentes maneiras, incluindo desde o voluntariado altamente competente na condução do planejamento e dos trabalhos propriamente ditos, na forma de contribuições financeiras, de campanhas e novas e inusitadas iniciativas, até de comunidades religiosas de outras denominações locais. Não esquecendo a inestimável colaboração, coragem e empreendedorismo do Presbitério, que não mediu

esforços durante o período de revitalização, bem como as oportunas doações do Sínodo Planalto RioGrandense, da Obra Gustavo Adolfo (OGA) e da Gustav Adolf Werk (GAW). Depois de um século Em maio de 2014, aconteceram as celebrações e comemorações de reinauguração da Igreja da Cruz - assim denominada pelo seu formato, também perceptível no teto - mas mais conhecida na cidade como Igreja do Relógio por servir, historicamente, como orientação de tempo aos ijuienses. Pode-se dizer sem falsa modéstia, que os ijuienses come-

Festa da Cumeeira

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Inauguração da igreja no dia 08 de maio de 1914

Fechamento da igreja no dia 27 de janeiro de 2008

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Obras de revitalização

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Culto de Re-dedicação no dia 03 maio 2014

Culto de Re-dedicação

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moraram com gratidão junto com a Comunidade Evangélica Ijuí os 100 anos de existência desse que é um dos testemunhos históricos da arquitetura do centro da cidade e um marco de religiosidade e fé para seus membros. A programação de maio de 2014 constou do seguinte: – Dias 03 e 04: Cultos de Re-dedicação do Templo e almoço festivo. – De 05 a 31: Mostra no Museu Antropológico Diretor Pestana, ligado à UNIJUI: “Igreja da Cruz: 100 anos – Um marco de fé e religiosidade”. – Dias 07 e 10: Evangelização: “Edificação de Comunidade: Comunidade Viva”, com o Pastor em. Jairo dos Santos. – Dia 08: Celebração pelos 100 anos da Igreja da Cruz, seguindo o Ordo do culto de 1914, (partes em língua alemã), sendo a pregação dirigida pelo Pastor Sinodal João Willig, representando o Sínodo Planalto RioGrandense e a IECLB. Registre-se a homenagem dos orquidófilos de Ijuí que plantaram duas mudas em árvore no pátio da Igreja e colocaram uma pedra com inscrição comemorativa, nessa data. Estiveram presentes às celebrações de maio: o Pastor Sinodal João Willig e o Vice Pastor Sinodal Ricardo Cassen, pastores Gilmar do Nascimento, Sonja Jaureghi, Luciano Martins e Dulce Engster (representante da OGA), os pastores eméritos

Programm de 1914 que atuaram na Comunidade: Hans Strunck, Martin Kirsch e Bruno Janssen, além dos atuais pastores Ana Isa dos Reis e Adi Pfeiffer. Ao longo da história Nesses 100 anos de Igreja da Cruz e 119 anos de existência da Comunidade Evangélica Ijuí, a mesma teve a grata alegria de contar com o apoio e a dedicação de pastores e pastoras que, juntamente com os diferentes presbitérios da história da Comunidade, dedicaram-se à edificação do Reino de Deus e construção de uma comunidade viva, atuante, acolhedora e solidária.

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PASTORES E COLABORADORES NA COMUNIDADE EVANGÉLICA IJUÍ ATRAVÉS DOS TEMPOS Pastorado em Comunidade / Paróquia: 1895 - 1899 - Gerhard Dedecke 1899 - Paul Schenke 1903 - 1912 - Herman Rosenfeld 1912 - 1913 - Hans Henn 1913 - 1915 - Karl Gottschald 1915 - 1926 - Gustav Halle 1927 - 1939 - Franz Kreutler 1939 - 1941 - Ottfried Scheele 1942 - 1963 - Ernst Helmuth Jost 1949 - 1957 - Rodolfo Schneider 1959 - 1963 - Martin Kirsch 1963 - 1966 - Fritz Hirning 1963 - 1967 - Adelário Müller 1966 - 1971 - Fritz Dietrich Otto 1968 - 1978 - Herbert Wille 1968 - 1974 - Reynoldo Frenzel 1972 - 1974 - Walter Altmann 1974 - 1979 - Bruno Janssen 1974 - 1979 - Sílvio Meinke 1978 - 1986 - Hans Strunck 1978 - 1987 - Rudi Wehrmann 1981 - 1986 - Omar Kaste 1986 - 1992 - Darci Hugo Brandt 1987 - 1989 - Walter Ernesto Ludwig 1993 - 2002 - Alvori Ahlert 1997 - 2007 - Euclésio Rambo 2002 - 2012 - Gilmar do Nascimento Desde 2006 - Ana Isa dos Reis Desde 2012 - Adi Pfeifer

Pastorado escolar no CEAP: Alvori Ahlert; Euclésio Rambo; Sonja Haureghi; Luciano M. Martins (atualmente em exercício). Substituto do Pastor durante o Estado Novo: Prof. Florêncio Luiz Henrique Berger. Diáconos, Missionários e Estagiários: Friedrich O. Dietz; Horst Möcking; Harri Beims; Paulo Goetz; Helmuth Lampmann; Heinrich Bockius; Rita Panke; Gilmar Hollunder; Luzaoir A. Lenz; Hilton J. Gorris; Cristiane Plautz; Martim B. François; Ester Wilke; Rodrigo Gustavo de Lima.

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Palavras cruzadas: SANTA CEIA SOLUÇÃO da página 82

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Palavras cruzadas: CONFISSÃO E ABSOLVIÇÃO SOLUÇÃO da página 148

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Sumário Prefácio .................................................................................................................... 3 O significado das nomenclaturas ........................................................................... 5 Meditações mensais de Janeiro a Dezembro ................................................ 10 a 32 Temas da IECLB ....................................................................................................... 34 Tema e Lema da IECLB para o ano de 2015 ............................................................ 35 TEMA DO ANO de 2015 ........................................................................................... 36 Promessas de Deus para o Ano Novo .................................................................... 39 Datas Comemorativas ............................................................................................ 40 Sugestão de receita para um ano inteiro .............................................................. 44 Lutero: Atleta de Cristo ........................................................................................... 45 COMUNHÃO MARTIM LUTERO: 25 anos promovendo a Confessionalidade ........ 49 Solus Christus – Somente Cristo – ........................................................................... 54 Sola Gratia – Somente por Graça – ......................................................................... 56 A jumenta sábia ..................................................................................................... 58 Espiritualidade ....................................................................................................... 59 Sofrimento e Sabedoria .......................................................................................... 62 Que tal, mais um grupo? ........................................................................................ 63 Ciências e Fé - Fé ou ciências? ............................................................................... 65 Música na IECLB – sua função, seu jeito de ser .................................................... 68 Secretaria da Ação Comunitária – SAC .................................................................. 71 As orações de uma senhora idosa ......................................................................... 74 Corrupção ............................................................................................................... 76 Jejum e Desintoxicação – um modo de recuperar e manter a saúde .................... 79 Receitas caseiras ................................................................................................... 81 Palavras cruzadas: SANTA CEIA .............................................................................. 82 Jornal O CAMINHO: 30 anos de comunicação ...................................................... 83 Jonas ....................................................................................................................... 86 A gente precisaria ter sorte, pelo menos uma vez... .............................................. 90 Missão Indígena ..................................................................................................... 92 Programa de Parceria entre a Nordkirche e a IECLB ............................................. 95 “Ponha-te, mesa...” – um conto ............................................................................... 98 Uma viagem sustentada pela graça de Deus ....................................................... 102 A oração do Pai Nosso – de forma diferente ....................................................... 106 Em busca de uma nova pátria ............................................................................. 108 Cresce perseguição aos cristãos em nível mundial ............................................ 110 Impressões de uma viagem à Índia ..................................................................... 111 Viver na cidade – ser comunidade cristã na cidade ........................................... 113 Esperando a vida passar ..................................................................................... 116

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A panela de ferro e o Papa João XXIII .................................................................. 118 Ecumenismo pé-no-chão ...................................................................................... 121 As sete maravilhas do mundo antigo .................................................................. 123 Pregar o evangelho pela rádio comunitária ....................................................... 126 Quando não der mais, nos separamos... ............................................................. 129 Culto Infantil – sua importância no passado e no presente .............................. 133 O risco da desertificação da Amazônia .............................................................. 136 Encontro com os bichos... .................................................................................... 139 Arrogância na roça .............................................................................................. 141 Roland... nome de cavalo, ou não? ...................................................................... 142 CERENE – entrevista .............................................................................................. 144 Curiosidades Matemáticas .................................................................................. 147 Palavras cruzadas: CONFISSÃO E ABSOLVIÇÃO ................................................... 148 O Alzheimer, descrito pelo paciente .................................................................... 149 O sonho de uma mãe... ......................................................................................... 151 As sete Maravilhas do mundo moderno .............................................................. 153 Quem sou eu? ....................................................................................................... 156 O lugar de onde somos (para quem já tem certa idade) ..................................... 158 Uma parada na rodovia sem acostamento... ...................................................... 160 Chá – cá – rá – các ................................................................................................ 162 A felicidade ........................................................................................................... 165 Um sorriso ............................................................................................................ 166 O poder da vírgula ............................................................................................... 167 Juntando cavacos... .............................................................................................. 168 Dicionário Brasileiro de Prazos .......................................................................... 169 Sonhar e realizar... ............................................................................................... 171 “No frigir dos Ovos” – Uma pergunta e uma senhora resposta .......................... 172 Expressões curiosas ............................................................................................ 174 Para algumas senhoras da cidade grande .......................................................... 177 Ah, esses pequenos esquecimentos ..................................................................... 180 Presente de aniversário ....................................................................................... 182 UM SÉCULO DA IGREJA DA CRUZ ........................................................................... 183 Palavras cruzadas: SANTA CEIA (solução) ........................................................... 194 Palavras cruzadas: CONFISSÃO E ABSOLVIÇÃO (solução) ................................... 195

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ANOTAÇÕES

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ANOTAÇÕES

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ANOTAÇÕES

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Anuário Evangélico. Ano 44. 2015  

Anuário Evangélico - Uma publicação da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil - IECLB.

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