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Ano XXXVI

Nº 6

Junho, 2013

ISSN 1518-8558

ÁGATA 7 - Forças Armadas fiscalizam 16 mil km de fronteira em ação inédita no país

2S JOHNSON / CECOMSAER

A Força Aérea, o Exército e a Marinha realizaram no final de maio a Ágata 7, maior operação do governo brasileiro no combate a crimes de fronteira. A ação, coordenada pelo Ministério da Defesa, fiscalizou mais de 16 mil km na divisa do Brasil com dez vizinhos sul-americanos. Foram empregados cerca de 35 mil militares e civis. (Págs. 8 e 9)

Saiba como participar das equipes da CDA

Saúde: fique atento às dores na face

Conheça os detalhes do seu contracheque (Pág 5)

A Comissão de Desportos da Aeronáutica (CDA) oferece a oportunidade para militares se dedicarem à prática esportiva e representarem a FAB em competições no Brasil e no exterior. Veja as modalidades esportivas com equipes formadas ou em formação. (Pág. 13)

As dores faciais podem ter várias origens, como músculos, ossos, nervos, vasos sanguíneos e até tumores. Conheça a disfunção têmporo-mandibular (DTM), a causa mais comum de dores nas articulações da mandíbula e nos músculos mastigatórios. Veja os sintomas e como se tratar. (Pág. 15)

C-95 modernizado atualiza a instrução (Pág 7) Sargento cria sistema de busca em boletins (Pág 11) Cavalos ajudam no tratamento de crianças (Pág 14)


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CARTA AO LEITOR

Expediente O jornal NOTAER é uma publicação mensal do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (CECOMSAER), voltado ao público interno.

Protegendo a nossa fronteira CB V. SANTOS / CECOMSAER

Este mês, o NOTAER destaca a sétima e maior edição da Operação Ágata. Desta vez, as três Forças Armadas, sob a coordenação do Ministério da Defesa, realizaram ações de fiscalização em toda faixa de 16.886 km que compõe a fronteira terrestre do Brasil. Aeronaves, embarcações, viaturas blindadas e cerca de 35 mil militares atuaram no combate a crimes na divisa com nossos dez vizinhos sul-americanos. A FAB usou pela primeira vez um sistema de comando e controle centralizado, com o planejamento e coordenação das missões no Centro de Operações Aéreas do Teatro, em Brasília. Se por um lado a Ágata emprega equipagens para situações complexas, por outro representa uma oportunidade das Forças levarem saúde e cultura por meio de Ações Cívico-Sociais. Esta edição traz também uma reportagem especial sobre o C-95 Bandeirante modernizado no Esquadrão Rumba. A atualização da aeronave representa um salto tecnológico na

Chefe do CECOMSAER: Brigadeiro do Ar Marcelo Kanitz Damasceno Chefe da Divisão de Comunicação Integrada: Coronel Aviador Henry Munhoz Wender Chefe da Divisão de Comunicação Corporativa: Coronel Aviador João Carlos Araújo Amaral Chefe da Subdivisão de Produção e Divulgação: Tenente-Coronel Aviador Max Luiz da Silva Barreto Chefe da Divisão de Apoio à Comunicação: Tenente-Coronel de Infantaria Vandeilson de Oliveira

formação dos pilotos de Transporte e Patrulha da Força Aérea. Conheça ainda o trabalho do Centro de Equoterapia do Grupamento de Infraestrutura e Apoio de São José dos Campos (GIA-SJ) que usa cavalos no tratamento de crianças com distúrbios neuromusculares. Na sequência, trazemos uma dica de saúde bucal. Saiba mais sobre as dores faciais e o DTM, distúrbio pouco conhecido e que atinge boa parte da população.

Veja os sintomas e as formas de tratamento. Por fim, o NOTAER detalha para você como funciona o nosso contracheque. Entenda o que significa as siglas de cada campo do seu comprovante de pagamento. Boa leitura! Brig Ar Marcelo Kanitz Damasceno Chefe do CECOMSAER

PENSANDO EM INTELIGÊNCIA

Guia prático: FCA 200 - 6 Em 13 de março de 2013 foi aprovado o Folheto (FCA 200-6/2013) que dispõe sobre a prática das medidas do Decreto de Tratamento das Informações Classificadas no Comando da Aeronáutica, publicado no BCA nº 060, de 28 de março de 2013. O Centro de Inteligência da Aeronáutica recomenda a todo o Público Interno do Comando da Aeronáutica que tome conhecimento do conteúdo da publicação que está alinhada à Lei 12.527, de 18 de novembro de 2011 – Lei de Acesso à Informação, regulamentada pelo Decreto nº 7.724, de 16 de maio de 2012, e pelo Decreto nº 7.845, de 14 de novembro de 2012. Com a edição deste documento,

pretende-se padronizar a execução das medidas adequadas ao trato de informações classificadas. Sabe-se da ampla variedade de áreas, instalações e atividades que há no Comando da Aeronáutica, além da grande gama de situações e atividades executadas. Busca-se, dentro da viabilidade, que tais medidas sejam igualmente implementadas respeitando-se, porém, as particularidades e limitações de cada organização. Por oportuno, cabe informar que o FCA 200-6/2013 está disponível para download no site do CENDOC: www.cendoc.intraer. Centro de Inteligência da Aeronáutica - CIAER

Chefe da Seção de Divulgação: Capitão Aviador Bruno Perrut Gomes Garcez dos Reis Chefe da Agência Força Aérea: Capitão Aviador Igor Corrêa da Rocha Editor: Tenente JOR Willian Cavalcanti Repórteres: Ten JOR Márcia Silva, Ten JOR Humberto Leite, Ten JOR Flávio Nishimori, Ten REP Vitor Magno, Ten JOR Willian Cavalcanti, Ten JOR Jussara Peccini, Ten REP Simone Dantas, Ten REP Huxley Bruno (CLA), Ten JOR Geraldo Bittencourt (DCTA), Ten JOR Gabrielli Siqueira (DCTA), Ten JOR Sarah Albuquerque (COMGAP), Ten REP Paulo Cerqueira (AFA) e Ten JOR Lorena Molter (VII COMAR). Colaboradores: CDA, 3º/3º GAV, DECEA, PAME-RJ, 1º/5º GAV, SEFA, OABR, CIAER, CINDACTA I e SISCOMSAE (textos enviados ao CECOMSAER, via Sistema Kataná, por diversas unidades) Diagramação, Arte e Infográficos: Suboficial Claudio Bomfim Ramos, Sargento Emerson G. Rocha Linares e Sargento Rafael Lopes Revisão: Cap Av Igor Corrêa da Rocha Tiragem: 30.000 exemplares Estão autorizadas transcrições integrais ou parciais das matérias, desde que mencionada a fonte. Comentários e sugestões de pauta sobre aviação militar devem ser enviados para: redacao@fab.mil.br Esplanada dos Ministérios - Bloco “M” - 7º andar CEP - 70045-900 / Brasília - DF

Impressão e Acabamento: Log & Print Gráfica e Logística S.A


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PALAVRAS DO COMANDANTE

Históricas, modernas e essenciais Aviações da Força Aérea 3S SIMO / CECOMSAER

Tenente-Brigadeiro do Ar Juniti Saito Comandante da Aeronáutica

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mês de junho é marcado pelo aniversário de algumas das nossas mais queridas aviações: Transporte, Reconhecimento e Busca e Salvamento. Além delas, comemoramos também o aniversário do Correio Aéreo Nacional (CAN) e da extinta Aviação de Ligação e Observação. A Aviação de Transporte da Força Aérea Brasileira (FAB) está diretamente ligada ao nosso Correio Aéreo Nacional. Com 81 anos de serviços prestados à população, o CAN carrega um legado de muitas conquistas e o Brasil conheceu seus mais longínquos recantos. Pelas asas da FAB, o CAN foi um desbravador na integração nacional, levando saúde, educação e cidadania aos brasileiros mais isolados. Continuando essa história de pioneirismo, hoje voamos em aeronaves modernas e rápidas e os nossos Esquadrões de Transporte não se cansam de realizar missões de inclusão social, levando solidariedade e ajuda humanitária a todos os cantos do país. No campo operacional, nossas aeronaves cumprem cada vez melhor

as missões de transporte de tropa, o suporte logístico, o reabastecimento em voo, o atendimento às missões de busca e salvamento e aos importantes compromissos internacionais. Outra aviação que amadureceu ao longo dos anos foi a de Reconhecimento Aos 65 anos, a nossa Aviação de Reconhecimento já está madura. Após voar o Xavante e Bandeirante, o Reconhecimento ajudou a escrever parte da história do Brasil, por meio da realização de levantamentos fotográficos de parcela significativa do nosso território. Hoje voamos o RA-1, o R-35 LearJet e o R-99 equipados com máquinas fotográficas digitais, sensores eletrônicos e radares avançados, que possibilitaram um enorme salto doutrinário. Os modernos equipamentos aumentaram a capacidade operacional da FAB, que vem realizando vitoriosas missões em parceria com a nossa Aviação de Busca e Salvamento, outra aniversariante neste mês. A Aviação de Busca e Salvamento é uma das mais representativas da nossa Força Aérea. Capitaneada principalmente pelo Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento e o nosso querido Esquadrão Pelicano, a Aviação de Busca e Salvamento se mostra presente no momento em que se mais precisa. Ao longo de 55 anos de história, são mais de mil vidas salvas no Brasil e exterior. A Aviação de Busca e Salvamento da FAB também cumpre missões fora do país, em terremotos ou enchentes que assolam os nossos vizinhos. A abnegação de seus representantes, que se dedicam fielmente ao cumprimento da missão, é um exemplo para todos os militares que vestem a farda azul aeronáutica. As aeronaves C-130 Hércules, de Transporte, R-35 Learjet, de Reconhecimento, e o helicóptero H-1H de busca e salvamento.

2S JOHNSON / CECOMSAER

TEN ENILTON / CECOMSAER

2S JOHNSON / CECOMSAER


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MÍDIAS SOCIAIS

Veja fotos da FAB no Flickr Comunicação Social da Aeronáutica (CECOMSAER). Na página da FAB o usuário encontra coleções divididas em grandes temas, como aeronaves, operações, Esquadrilha da Fumaça, datas comemorativas etc. Essas coleções são subdividas em álbuns, em que é possível encontrar todos os tipos de aviações e as respectivas aeronaves, por exemplo. “O Flickr é uma ferramenta leve, de fácil manuseio. É um meio de divulgar o trabalho de toda a Força Aérea Brasileira”, completa o Tenente Enilton. Além de ver e copiar as fotos, o internauta também pode compartilhálas pelo Facebook, Twitter ou e-mail.

ARTE: SO SDE RAMOS / CECOMSAER

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ocê conhece o Flickr? O Flickr é uma rede social que hospeda, organiza e compartilha fotos e vídeos. São mais de sete bilhões de imagens publicadas desde o lançamento em 2004. O site organiza as fotos por meio de etiquetas (tags), facilitando a busca. Permite também agrupar as fotos em álbuns, que podem ser reagrupados em coleções. A FAB já tem mais de 7.500 fotos postadas no site. “E esse número aumenta a cada dia. O usuário pode visualizar, ampliar e copiar as imagens de aeronaves e eventos da FAB em alta resolução”, afirma o Tenente Enilton Kirckhoff, chefe da Subseção de Fotografia do Centro de

Acesse: www.flickr.com/portalfab

ACONTECE NA FAB Super Tucano emprega quatro bombas simultaneamente

Recordes marcam olimpíadas da Academia da Força Aérea

Esquadrão Pacau realiza operação continuada com caça F-5 O Esquadrão Pacau (1°/4° GAV) realizou a Operação Continuada com aeronaves F-5M, realizando missões de combate aéreo, reabastecimento em voo e interceptação, a partir do Aeroporto Eduardo Gomes, em Manaus (AM). Com um treinamento intensivo de decolagens diurnas e noturnas, o exercício visa à qualificação operacional de pilotos, mecânicos e controladores do Quarto Centro Integrado de Defesa e Controle de Tráfego Aéreo (CINDACTA IV). VII COMAR

As Olimpíadas Internas da Academia da Força Aérea (INTERAFA) deste ano foram marcadas pela quebra de 15 recordes. A competição incluiu modalidades de futebol, basquete, vôlei, natação, atletismo, judô, pentatlo militar, tiro, polo-aquático, triatlo, orientação e esgrima. A equipe do 3º ano, Esquadrão Cerberus, venceu a competição. A cadete Mayara, do 4º ano, conquistou o destaque dos jogos com cinco quebras de recordes e 21 medalhas. A INTERAFA tem como objetivo despertar o espírito de competição saudável entre os cadetes e desenvolver qualidades físicas e desportivas.

O Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) participou da 3ª Operação Fiscalização Aviação Geral junto com a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), a Polícia Federal (PF) e a Receita Federal (RF) em São Paulo. Seis aeródromos foram fiscalizados simultaneamente. Coordenada pela Secretaria de Aviação Civil (SAC), a operação envolveu cerca de 180 pessoas, sendo 62 do DECEA. Segundo a ANAC, esta foi a maior Operação já realizada, com 3.433 planos de voo fiscalizados, encontrando 26 irregularidades. LUIZ EDUARDO PEREZ

A aeronave de caça A-29 Super Tucano realizou em maio o teste balístico do emprego simultâneo de quatro bombas BAFG-230, no Campo de Provas Brigadeiro Velloso. Foi a primeira vez que o caça de ataque leve empregou essa configuração. O exercício reuniu os Esquadrões Escorpião (1°/3° GAV), Grifo (2°/3°GAV) e Flecha (3°/3° GAV). Os resultados da missão serão agora aplicados em planejamentos operacionais da FAB.

AFA

TEN VIEIRA / 3º/3º GAV

DECEA atua na Operação Fiscalização Aviação Geral em São Paulo


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FIQUE POR DENTRO

Conheça seu contracheque Entenda as informações que estão em cada campo do seu comprovante de pagamento.

ARTE: 2S LINARES / CECOMSAER

Mais informações: www.sdpp.intraer

FINANÇAS

SEFA cria prêmio “Destaque Execução Contábil”

A

Secretaria de Economia e Finanças da Aeronáutica (SEFA) criou o prêmio “Destaque Execução Contábil” com o objetivo de manter a qualidade das contas do Comando da Aeronáutica e distinguir as Unidades com melhor desempenho. O prêmio

será anual e tomará como base as avaliações mensais, que serão divulgadas no site da SEFA. O ranking mensal será definido em função da aderência às instruções da SEFA e às normas de contabilidade aplicadas ao setor público.

Concorrerão ao prêmio as Unidades Gestoras que realizam atividades relativas ao orçamento, às finanças e ao patrimônio no SIAFI. “Nós queremos estimular os gestores a buscar, sempre, a máxima qualidade nas suas contas. Quere-

mos alcançar o nível de excelência nas informações contábeis, o que é fundamental para o gerenciamento e a tomada de decisão”, afirma o Tenente-Brigadeiro do Ar Antonio Franciscangelis Neto, Secretário de Economia e Finanças da Aeronáutica.


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CIDADANIA

Prefeitura de Aeronáutica do Galeão realiza Ação Cívico-Social no Rio de Janeiro Prefeitura de Aeronáutica do Galeão (PAGL) montou uma estrutura especial na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, para realizar uma Ação Cívico-Social (Aciso) voltada aos moradores da Vila Joaniza, comunidade carente vizinha à unidade. A ação contou com a participação de órgãos do poder público e entidades sociais que ofereceram diversos serviços à comunidade. “Essa ação incentiva o povo a resolver seus problemas. As pessoas também podem cuidar da saúde e da aparência. Chega a ser um incentivo para a autoestima”, conta o ator Alexandre Ledêro, que cortou o cabelo e fez a barba na barraca que também oferecia maquiagem profissional. Além de cuidar da aparência, os presentes puderam tirar a segunda via de documentos e ter assistência jurídica. “Aqui ficamos mais perto das pessoas, que não precisam marcar hora. Esse tipo de ação facilita o

acesso à Justiça”, afirma a defensora pública Roberta Fraenkel. Moradora da Vila Joaniza, Shayenni Ferreira Leite levou os dois filhos e tirou a segunda via da carteira de identidade, serviço mais procurado pelos visitantes. “Muitas pessoas não têm condições de pagar por um documento. Às vezes, não têm tempo. Como é no final de semana, facilita para as pessoas, ainda mais porque é perto de casa”, disse. Presente na vida dos brasileiros A Aciso ofereceu aulas de ginástica, verificação de pressão e glicose, palestras de orientação médica e prevenção do uso de drogas, demonstração de primeiros socorros e orientações sobre acidentes domésticos. As crianças brincaram no playground e tiverem aulas de ordem unidade ao som da Banda da Base Aérea do Galeão. Para o Coronel Intendente Ale-

1S REZENDE / CECOMSAER

A

A ação da Prefeitura do Galeão ofereceu diversos serviços aos moradores da Vila Joaniza

xandre Menezes Andrade, Prefeito de Aeronáutica do Galeão, a Aciso é uma demonstração da presença da FAB na vida dos brasileiros. “Quere-

mos nos aproximar ainda mais da comunidade. Temos uma aérea de 1.500.000 m2 e estamos preocupados com os nossos vizinhos”, explica.

CLA realiza mais de 600 atendimentos em ação social CLA

O

Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, realizou 641 atendimentos médicos e odontológicos em ação cívico-social realizada na comunidade do Peru, localizada a 25 quilômetros do CLA. Também foram distribuídos 3140 medicamentos e aplicadas vacinas de imunização para os pacientes atendidos. Cerca de 300 pessoas da comunidade foram beneficiadas. A comunidade do Peru é uma das sete agrovilas construídas pelo Comando da Aeronáutica na década de 80 durante a implantação do centro de lançamentos em Alcântara. A ação cívico-social contou com a participação de médicos, dentistas, farmacêuticos e enfermeiros do CLA e de agentes de saúde da Prefeitura de Alcântara. Foram prestados atendimentos especializados nas áreas

Moradores da comunidade do Peru realizaram consultas e receberam medicamentos

de pediatria, ginecologia, odontologia, preventivo ao câncer do colo uterino e clínica geral, além de palestras e escovação assistida, exames

de glicemia e pressão arterial. Uma odontoclínica móvel da Prefeitura também foi utilizada. A equipe de dentistas realizou palestras educa-

tivas e acompanhou a escovação de crianças e adolescentes. A equipe de farmácia distribui medicamentos e os enfermeiros fizeram a verificação da glicemia capilar, pressão arterial e vacinação do público presente. Os médicos fizeram consultas pediátricas para aferição do desenvolvimento das crianças e atendimento clínico geral e medicina preventiva. O atendimento ginecológico trouxe informações às mulheres para prevenção de doenças sexualmente transmissíveis com a realização do exame preventivo ao câncer de colo uterino. “A expectativa é de que até o final do ano outras agrovilas possam receber atendimento das equipes de saúde do CLA em ações cívico-sociais”, disse o Major Médico Simão Eduardo Gomes, chefe da Subdivisão de Saúde do CLA.


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OPERACIONAL

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“Cabra da Peste” entra na era digital

ta Cabra da Peste!!”. O dizer na bolacha do Esquadrão Rumba continua o mesmo, mas a realidade do 1°/5° GAV já não lembra mais o jeito simples do sertão. Responsável pela especialização operacional dos futuros pilotos de transporte, patrulha e reconhecimento, a unidade baseada em Fortaleza (CE) conta agora com a versão modernizada do Bandeirante, o C-95M. Pela primeira vez, os Aspirantes não precisam mais aprender a dominar os inúmeros “relógios” do bimotor, e ingressaram no mundo digital, com computadores, telas LCD e sistemas modernos de navegação e comunicação. Com doze horas de voo na nova aeronave, o Aspirante Alcântara diz estar empolgado com o C-95M. “É muito diferente. Quando a gente passa para as telas a sensação é outra”, conta. Depois de passar pelo T-25 e T-27 na Academia da Força Aérea, o Aspirante acredita que a tecnologia ajuda no desafio do ano de treinamentos no 1°/5° GAV. “O ganho operacional é grande. Não dá para comparar a velocidade com que a gente consegue fazer as coisas’, explica.

O 1°/5° GAV já conta hoje com seus seis primeiros C-95 da versão M, modernizados no Parque do Material Aeronáutico dos Afonsos. Os novos equipamentos eletrônicos trouxeram a cabine da aeronave projetada nos anos 60 para o padrão do século XXI. O resultado é uma evolução nas missões operacionais e também nas de treinamento. “O piloto vai sair melhor formado, mais completo e com uma visão de utilização da máquina aérea inserida no contexto mundial atual”, resume o TenenteCoronel Cláudio David, Comandante do Esquadrão Rumba. Os sistemas eletrônicos são mais fáceis de operar, o que torna a instrução dos Aspirantes mais voltada para outros aspectos das missões. “Eles assimilam melhor e acabam ficando mais à vontade naquilo que eles mais precisam evoluir, que é a pilotagem, a parte psicomotora”, afirma o Tenente-Coronel David. Depois de um ano de curso no Esquadrão, que inclui estudos teóricos e mais de 80 horas de voo, os aviadores estarão aptos a seguirem para unidades equipadas com aeronaves

TEN LEANDRO / ASP LACERDA -1º/5º GAV

O C-95 Bandeirante modernizado proporciona ganho operacional durante a instrução

modernas, como o C-105 Amazonas e C-98B Caravan ou o próprio C-95M. E, no futuro, são eles que vão estar nas cabines dos P-3AM, E-99M e do KC-390, jato de transporte que vai substituir o C-130 a partir de 2016. O primeiro Bandeirante modernizado voou em dezembro de 2010

e um ano depois as unidades aéreas começaram a receber as aeronaves. Hoje, 12 C-95M já voam nos 3°, 4° e 5° Esquadrões de Transporte Aéreo (ETA), além do 1°/5° GAV. Ao todo, 54 Bandeirantes devem ser modernizados, incluindo a versão de patrulha marítima, o P-95 Bandeirulha.

Exercício com Força Aérea Paraguaia treina combate a voos ilícitos TEN ENILTON / CECOMSAER

O

exercício binacional PARBRA III reuniu em Campo Grande (MS) e Pedro Juan Caballero e Concepcion, no Paraguai, cerca de trezentos militares e vinte aeronaves da Força Aérea Brasileira e Força Aérea Paraguaia (FAP) para simular interceptações e transferência de informações entre controladores de defesa aérea. Além de estreitar os laços com a Força Aérea Paraguaia, o exercício realizado pela FAB teve o objetivo de desenvolver canais de comunicação para que o tráfego identificado em um país tenha sequência após a passagem pela fronteira com outro. A FAB promove exercícios com nações vizinhas para firmar Normas Bilaterais de Defesa Aérea e ter uma ligação permanente entre os órgãos

O caça Super Tucano do 3º/3º GAV realizou interceptações simuladas no exercício

de supervisão aérea desses países. Na terceira edição do exercício, a Força Aérea Paraguaia (FAP) empregou pela primeira vez em missões de defesa aérea os dois radares táticos EL/M 2106 NG, adquiridos recentemente. De

acordo com o Major-Brigadeiro do Ar Carlos de Almeida Baptista Junior, Comandante do COMDABRA e Diretor do Exercício por parte da FAB, todo o sistema de defesa aeroespacial brasileiro esteve envolvido nas operações com a

FAP. “Os objetivos do exercício foram completamente atingidos e os procedimentos estabelecidos na PARBRA farão a região ainda mais segura”, disse. Ao todo, a FAP e a FAB voaram, aproximadamente, cento e trinta horas em missões de defesa aérea, transporte aéreo logístico e controle e alarme em voo. A Base Aérea de Campo Grande (BACG) prestou apoio e concentrou as operações do exercício no Brasil. Os Esquadrões 1°/15° GAV (Esquadrão Onça), 2°/6° GAV (Esquadrão Guardião), 2°/10° GAV (Esquadrão Pelicano), e 3°/3° GAV (Esquadrão Flecha), atuaram diretamente com emprego das aeronaves C-98 Caravan, E-99, SC-105 Amazonas e A-29 Super Tucano, respectivamente.


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ÁGATA 7

Forças Armadas atuam em 16,8 mil km de fronteira

A

s Forças Armadas realizaram entre o final de maio e início de junho a maior operação do governo brasileiro no combate a crimes da fronteira: a Ágata 7. Cerca 33.500 militares e 1.090 agentes de órgãos públicos e ministérios foram empregados na fiscalização de toda extensão da fronteira brasileira com dez países sul-americanos, cobrindo do Oiapoque (AP) e Chuí (RS). Na fronteira Sul, de Guaíra (PR) ao Chuí (RS), um dos trunfos da operação foi o uso simultâneo de Vants (veículos aéreos não tripulados) da Força Aérea Brasileira (FAB) e da Polícia Federal, que permitiram mapear áreas e utilizar os dados para reprimir crimes. “Essas ações têm conseguido reduzir os crimes transfronteiriços e, por isso, serão constantes”, avaliou o vice-presidente da República Michel Temer. Em função da Copa das Confederações, o Ministério da Defesa optou por uma mobilização que envolvesse todos os 16.886 quilômetros de fronteira. Nas edições anteriores, as ações ocorreram em trechos específicos da divisa com os vizinhos sul-americanos. Antes da operação ser deflagrada, o governo manteve contato com os países vizinhos para o repasse de informações sobre o emprego do aparato militar.

Resultados Em menos de dois anos, o Ministério da Defesa já realizou sete edições da Operação Ágata na faixa de fronteira, situada a 150 quilômetros a partir da divisa. Esse território compreende 27% do território nacional, onde estão 710 municípios. “Estamos trabalhando de forma efetiva para mostrar que a nossa fronteira não é terra de ninguém. E isso se reflete de maneira positiva para a população”, disse o ministro da Defesa, Celso Amorim. Em um balanço parcial, uma ação com participação de fiscais do Ibama, da Funai e da Polícia Federal, no Vale do Javari (AM), já resultava na apreensão de 200 metros cúbicos de madeira e 200 litros de gasolina contrabandeada. Ainda na região Norte, o comando da Ágata 7 detectou uma área de garimpo na reserva Ianomami. Cerca de 80 toneladas de pescado havia sido apreendida. Na região Sul, a operação havia apreendido 230 quilos de maconha e oito pistolas, além de combustível e as armas nas proximidades de São Miguel do Iguaçu (PR). Interceptação Durante a operação, um helicóptero da Força Aérea Brasileira (FAB) interceptou um avião de pequeno porte não identificado pelos radares a cerca de 200 km de Porto Velho (RN). O helicóptero de ataque AH-2 Sabre do

Esquadrão Poti (2º/8º GAV) decolou em menos de 10 minutos e realizou o acompanhamento da aeronave. “Fizemos um reconhecimento à distância e a foto-filmagem para averiguação de dados. As informações foram repassadas para o controle de defesa aérea. O policiamento aéreo é uma das missões do Sabre”, explicou o piloto do helicóptero. Durante a mobilização, militares fiscalizaram os principais crimes da fronteira, como narcotráfico, contrabando e descaminho, tráfico de armas e munições, crimes ambientais, contrabando de veículos, imigração ilegal, garimpo e problemas indígenas. Mobilização geral A Ágata integra o Plano Estratégico de Fronteiras (PEF), criado por decreto da presidenta Dilma Rousseff, em junho de 2011. A operação é realizada sob a coordenação do Ministério da Defesa e o comando do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA). A execução cabe à Marinha, ao Exército e à FAB e conta com a participação de 12 ministérios e 20 agências governamentais, além de instituições dos 11 estados da região de fronteira. Os agentes governamentais, como as Polícias Federal e Rodoviária Federal, Receita Federal, bem como Anatel, Aneel, ANP, DNPM, ICMBio, Funai e Ibama, atuam em conjunto em suas respectivas áreas.

A Operação Ágata 7 mobilizou 33.500 militares da Marinha, Exército e Força Aérea, além de diversos agentes públicos, na fiscalização de 16.886 km da fronteira do Brasil com dez países sul-americanos.

2S JOHNSON /CECOMSAER


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FAB usa novo sistema de comando e controle para gerenciar operações aéreas FAB usou um novo sistema de comando e controle durante Ágata 7, com o planejamento e coordenação das missões centralizado

no Centro de Operações Aéreas do Teatro (COAT), erguido ao lado do Comando-Geral de Operações Aéreas (COMGAR), em Brasília (DF). Pelo menos 130 militares trabalharam 24 horas no COAT para gerenciar as missões de cerca de 70 aeronaves espalhados por todo país. No ano passado, o modelo foi testado em exercícios operacionais e é a primeira vez que o modelo é usado numa operação real. A estrutura também será utilizada para o gerenciamento das operações aéreas militares em eventos como Copa das Confederações, Jornada Mundial da

CAP DILSON / COMGAR

A

Uma estrutura foi montada no COMGAR, em Brasília, para coordenar todas as missões

Juventude e Copa do Mundo. “A FAB mudou o seu conceito de controle das operações. Em virtude da grande área coberta pela Operação, buscamos otimizar o uso dos nossos meios. Queremos usar a nossa capacidade em sua plenitude, apoiando todas as áreas”, explica o diretor do

COAT, Brigadeiro do Ar Mário Luís da Silva Jordão. Países como Canadá e Estados Unidos já usam métodos semelhantes para gerenciamento de operações aéreas. Exemplos disso são os Jogos Olímpicos de Inverno, realizados em Vancouver, e o Super Bowl, jogo final da liga de futebol americano.

Forças Armadas realizam atendimento médico em toda região de fronteira 2S JOHNSON /CECOMSAER

Forças Armadas realizaram atendimentos médicos em regiões carentes da fronteira

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ilitares das Forças Armadas realizaram atendimentos médicos e odontológicos em Ações

Cívico-Sociais (Aciso) de norte a sul do país, ao longo de toda faixa de fronteira durante a Operação Ágata. Municípios

no meio da floresta amazônica, como São Gabriel da Cachoeira, a 851 km de Manaus (AM), ou Santana da Boa Vista (RS), no centro-sul gaúcho, receberam profissionais de saúde que levaram atendimento gratuito a crianças e adultos. Em São Gabriel da Cachoeira, médicos e dentistas da FAB fizeram consultas na comunidade indígena de Itacoatiara, composta por mais de 30 famílias das etnias Baniwa, Wanano e Tucano. “É bom ter atendimentos dentro de nossa comunidade, pois assim não precisamos nos deslocar até a cidade”, disse o índio chefe da comunidade, Augusto Joaquim da Silva. “Demos orientações principalmente sobre as doenças que podem ser evitadas”, disse a Tenente Médica Carolliny Medina. Para os atendimentos, a equipe

da FAB levou kits odontológicos e medicamentos como antibióticos, anti-inflamatórios, antiparasitários e antialérgicos. Em Santana da Boa Vista (RS), Silene Freitas dos Santos, de 40 anos, foi à cidade a procura de um clínico geral. “Soube pela minha filha, porque avisaram no colégio. Fazia cinco meses que esperava pra ir ao médico”, contou a paciente que saiu da consulta com uma receita e foi encaminhada para a farmácia na própria Aciso. Além dos clínicos gerais, a população teve acesso a especialidades como a oftalmologista – a mais procurada porque não há nenhum profissional na região. Também foram prestados serviços de assistência social, com a confecção de cartões do Sistema Único de Saúde (SUS), documentos e doação de agasalhos.


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LOGÍSTICA

ecebimento e expedição de materiais, armazenagem de cargas em trânsito, paletização, pesagem, carregamento de caminhões e aeronaves. O procedimento denominado “movimentação de carga” é parte do processo que está revolucionando o transporte logístico da Força Aérea Brasileira (FAB). Mais agilidade e menor custo é o objetivo da modernização do Sistema do Correio Aéreo Nacional (SISCAN). A fusão entre o Centro do Correio Aéreo Nacional (CECAN) e o Depósito de Aeronáutica do Rio de Janeiro (DARJ), que resultou na criação do Centro de Transporte Logístico da Aeronáutica (CTLA), foi fundamental para interligar a movimentação de cargas entre caminhões e aeronaves da FAB. O CTLA tem buscado a excelência dos serviços com o uso de instalações mais apropriadas e equipamentos e processos padronizados. Terminais intermodais Neste cenário, a concepção de “terminais intermodais” ganha dimensão com as operações de intralogística, que são as separações e consolidações de cargas. “A eficácia do transporte intermodal depende de operações rápidas em que as cargas apenas passam pelos terminais, sem a necessidade de serem armazena-

das. Isso reduz custos e aumenta a segurança e o controle”, explica o Major Intendente Lauri da Silva, chefe da Subdivisão de Suporte ao SISCAN do CTLA. Este tipo de operação, conhecida como operação cross-docking, é fundamental para as situações em que seja necessário realizar o transbordo de grandes quantidades de cargas de um modal para outro. O fluxo de cargas aeronave-terminal-caminhão fica mais rápido, seguro e econômico. Modernização O CTLA está modernizando terminais com implantação de sistema de linhas de rack, plataformas elevatórias, torres para leituras de etiquetas de rádio-frequência e esteiras autopropulsadas. Já foram modernizados os postos CAN de Canoas (RS), Guarulhos (SP), São José dos Campos (SP), Galeão (RJ), Recife (PE), Belém (PA) e Brasília (DF), e o armazém de recebimento e expedição no Parque de Material Bélico do Rio de Janeiro (PAMB-RJ), que usa o modal aéreo em grande escala, devido à natureza dos materiais transportados. Outros terminais estão se atualizando visando à celeridade e segurança dos materiais movimentados, em especial o aeronáutico, bélico e de proteção ao voo.

ARQUIVO: CTLA

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FAB moderniza Sistema de Transporte Logístico

Equipamentos modernos reduzem o tempo de carregamento das aeronaves

O projeto de modernização dos terminais de carga também envolve o treinamento de pessoal, melhoria de processos, ampliação e construção de novas instalações, investimento em tecnologia da informação, aquisição de equipamentos adequados ao carregamento das aeronaves de transporte C-130, C-105, KC-137 e do KC-390, que deve entrar em operação em 2016. O Centro Logístico da Aeronáutica (CELOG) está concluindo projeto de nacionalização de uma

esteira autopropulsada compatível com o carregamento de aeronaves como o C-130. “Nos próximos dois anos, o CTLA será referência em transporte logístico militar dentro das Forças Armadas. Sua estrutura e experiência em transporte e movimentação de carga poderão atuar como uma plataforma para o Ministério da Defesa”, afirma o Comandante do Comando-Geral de Apoio (COMGAP), Tenente-Brigadeiro do Ar Hélio Paes de Barros Júnior.


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TECNOLOGIA

pós ter o auxílio transporte cancelado por não ter visto o Boletim Interno da unidade, o Sargento Ronacin Carvalho Lins decidiu criar uma ferramenta que facilitaria a vida dele e dos colegas. Em janeiro de 2008, ele criou o BUSCABOL, sistema que pesquisa informações pessoais no Boletim Interno da unidade através do SARAM do militar. O sistema está na segunda edição e traz uma interface moderna e amigável. O resultado da busca mostra parte do texto onde o SARAM é encontrado e, muitas vezes, não é necessário abrir todo o boletim. O BUSCABOL também organiza os boletins por número ou data de publicação. Matérias de caráter pessoal não são divulgadas. Para as seções de pessoal e intendência, a demanda de consultas sobre os boletins diminuiu consideravelmente. “Com o sistema, o usuário

passou a ter autonomia. O militar não precisa mais vir pessoalmente, a informação chega até ele”, conta o Capitão QOEA Mauro Fernandes Vieira Mesquita, chefe da subdivisão de pessoal no Gabinete do Comandante da Aeronáutica (GABAER).

CIVIL RAIMUNDO CARVALHO / CINDACTA 1

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Sargento cria sistema de busca em boletins

O Sargento Ronacin desenvolveu o BUSCABOL a partir de uma necessidade pessoal

O Sargento Ronacin já prepara melhorias para o sistema. “No Primeiro Centro Integrado de Defesa e Controle do Tráfego Aéreo (CINDACTA I), estamos testando uma versão que tem uma nova funcionalidade: quando um boletim é disponibilizado para consulta, uma varredura é feita e os títulos das

matérias de cada militar são enviadas por SMS para o celular”, explica. A primeira versão foi implantada no CINDACTA I, unidade onde Ronacin trabalha desde que se formou. Atualmente, o sistema está em uso em 16unidades da FAB em todo país

Unidades que usam o BUSCABOL: GABAER, COMGAR, DECEA, CINDACTA I, CINDACTA II, CINDACTA IV, PAME, III COMAR, VI COMAR, BABR, BABE, BACG, CPO, OABR, CPBV e SRPV-SP.

PAME-RJ implanta sistema de calibração automática PAME-RJ

A equipe do PAME-RJ implantou o sistema de calibração automática em Curitiba

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Parque de Material de Eletrônica do Rio de Janeiro (PAME-RJ) implantou o Sistema de Calibração Automática (LAICA) no Laboratório Setorial de Calibração de Curitiba. O LAICA foi desenvolvido por engenheiros e técnicos do PAME-RJ para fazer tarefas de calibração. O procedimento é trabalhoso, mas de extrema importância para manutenção dos equipamentos de controle do tráfego aéreo. Técnicos da Subdivisão de Metrologia (TTME) estiveram com metrologistas de Curitiba para treiná-los no desenvolvimento e execução do Sistema. Um procedimento de calibração completo pode conter centenas de pontos de medições. Além disso, exige que se repitam, no mínimo, três medições para cada ponto. Toda

essa carga de trabalho, acrescida do grande número de modelos de instrumentos, torna a atividade de calibração um desafio para a gerência dos laboratórios. “A implantação do Sistema de Calibração Automática permite que o técnico possa, efetivamente, percorrer todos os pontos previstos no manual do fabricante, reduzindo o tempo de calibração e os erros no registro dos dados”, explica o Capitão QOEA Antônio Jorge Rodrigues Nunes, chefe do TTME. “É um avanço na modernização e na padronização de procedimentos, pois agiliza a coleta de dados em procedimentos repetitivos”, afirma Juvêncio Mandryk, integrante do Laboratório de Calibração do CINDACTA II.


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EDUCAÇÃO

entro do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), de São José dos Campos (SP), é possível encontrar mais do que instituições de ponta voltadas a pesquisas com foguetes, satélites e aplicações. No interior do campus, que ocupa uma área de mais de 11 milhões de m2 e tem estrutura de cidade, funciona a Escola Estadual Major Aviador Mariotto, instituição estadual de ensino que alcançou o primeiro lugar no Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo (IDESP). “O resultado é fruto da qualidade na docência e do envolvimento da família nas decisões das atividades da escola”, define Kátia Laureano Toledo, diretora da escola Mariotto. A instituição da rede pública é responsável pela educação de 1.121 alunos – grande parte filhos de militares que vieram transferidos de outras organizações – em todos os níveis de educação. O sucesso obtido nos índice de avaliação é reflexo principalmente da preocupação com a qualidade do ensino. “Além de usarmos diferentes linguagens – que se adaptem ao conteúdo da aula – e recursos multimídia, estimulamos a visão crítica dos alunos

S1 FÉLIX / DCTA

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Colégio no DCTA decola nos índices de qualidade

A Escola Estadual Major Mariotto alcançou o 1º lugar em índice de educação paulista

através de discussões sobre temas atuais no cenário mundial”, comenta Sueli Rosetto, professora de história. Os próprios alunos são incentivados a ter uma postura ativa frente as atividades do colégio. “Nos horários opostos às aulas, eles são os próprios monitores nos laboratórios de ciências, o que proporciona a aplicação do conhecimento adquirido em sala. Além disso, eles participam de mostras culturais e se envolvem ativamente nos colegiados”, explica a coordenadora pedagógica, Rosângela Nicolay.

O esforço em ofertar aos alunos um ensino compatível com o nível de exigência dos vestibulares mais disputados motivou Júlia Souza, aluna do primeiro ano do ensino médio, a se preparar para o disputado curso de Engenharia Mecânica da Universidade de São Paulo (USP). Para a jovem de apenas 14 anos, a aproximação dos professores com a turma e o domínio do conteúdo são fatores determinantes para a qualidade do ensino. “Além disso, eles realizam constantemente simulados em prol de uma melhor preparação”, explica Júlia.

A participação da família nas atividades também é encarada como um diferencial entre as demais instituições da rede pública. Segundo a diretora da escola, a presença dos pais é bastante efetiva: “Quando realizamos reuniões, o índice de presença dos pais chega a 90%. Chamamos a família para apresentar professores, incentivando laços mais estreitos, e sempre consultamos os pais quando precisamos tomar alguma decisão que implique mudança na rotina dos alunos”, comenta. Do fundamental ao doutorado O Colégio Mariotto ocupa a mesma área do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). As duas instituições de ensino juntas respondem pela matrícula de 1.628 alunos, do fundamental ao doutorado. De acordo com Rosângela, a aproximação geográfica dos estudantes da Mariotto com os iteanos é fator de estímulo para os alunos do ensino médio. “Os alunos do ITA já realizaram algumas atividades em parceria com a nossa instituição. Estar em contato com estudantes do nível deles acaba contagiando os nossos alunos e isso é mais um fator de motivação”, finaliza.

Curso de Comunicação Social traz novidades em 2013

lanejamento de comunicação, mídias sociais, cerimonial, oficina de texto jornalístico, treinamento de mídia, relações públicas e publicidade e propaganda são algumas das atividades que farão parte da rotina dos alunos do Curso de Comunicação Social (CCS) deste ano, que será realizado de 19 a 30 de agosto, no Centro Militar de Convenções e Hospedagem da Aeronáutica (CEMCOHA), em Salvador (BA). O CCS é um curso de extensão na área de comunicação, organizado pelo Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (CECOMSAER), que tem o objetivo de capacitar militares e civis para atuarem como elos do Sistema de Comunicação Social

da Aeronáutica (SISCOMSAE) nas diversas regiões do Brasil. Atualmente, o Curso de Comunicação Social é ministrado conjuntamente para oficiais, graduados e civis assemelhados da Aeronáutica e integrantes de outras instituições parceiras nacionais e internacionais. Os participantes do curso são envolvidos em palestras e atividades práticas que os possibilitam reconhecer e trabalhar os objetivos da Política de Comunicação Social da Aeronáutica. “O curso conta com a presença de teóricos e profissionais do mercado e do ambiente acadêmico, privilegiando o intercâmbio de conhecimento e debate da atividade de comunicação social”, afirma

TEN ENILTON / CECOMSAER

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O curso oferece oficinas com treinamento de mídia a oficiais e gradudados

o Brigadeiro do Ar Marcelo Kanitz Damasceno, chefe do CECOMSAER. Os interessados devem encaminhar a ficha de indicação, via cadeia

de comando, ao CECOMSAER até 20 de junho. Mais informações pelo telefone (61) 3966-9641/9740 ou no site: www.cecomsaer.intraer.


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ESPORTE

Saiba como participar das equipes esportivas da CDA

ocê pratica atividade física e tem interesse em representar a Força Aérea Brasileira em competições nacionais ou internacionais? A Comissão de Desportos da Aeronáutica (CDA) oferece essa oportunidade para atletas militares se dedicarem à prática esportiva. Os atletas apoiados pela CDA já conquistaram títulos no Brasil e exterior, como o time masculino de Pentatlo Aeronáutico ou a equipe feminina de orientação, que conquistaram a medalha de ouro nos Jogos Mundiais Militares em 2011. Veja como entrar para esse time: Quais esportes a CDA tem equipes formadas? A CDA possui equipes formadas e em formação em diversas modalidades (veja o box). Qual o apoio oferecido pela CDA? Para cada modalidade, a CDA apoia com planejamento técnico, nutricional e logístico, com passagens, inscrições em competições, solicitação de afastamento de serviço para treinamento, material desportivo etc. Como são os treinamentos? Cada modalidade requer um treinamento específico e cada chefe

CDA

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As equipes esportivas da CDA participam de competições no Brasil e no exterior

de equipe planeja períodos de treinamentos e competições ao longo do ano e por todo o Brasil. Que tipo de competições as equipes participam? As equipes da FAB participam de torneios, campeonatos nacionais e internacionais tanto militares quanto civis. Exemplos: Campeonato Brasileiro de Orientação, Campeonato Ibero-Americano de Tiro, Jogos Mundiais Militares, Jogos Olímpicos,

Campeonato Brasileiro de Natação, dentre outros. Quais os benefícios para quem entra para uma equipe da CDA? O militar ao ingressar em uma equipe desportiva da FAB passa a ser considerado um atleta, sendo quase sempre afastado do serviço habitual para dedicar-se exclusivamente ao treinamento a fim de melhorar sua performance. Além disso, o atleta representa a FAB em solo nacional e internacional.

Equipes formadas: Pentatlo aeronáutico Orientação Paraquedismo Tiro Futebol* Pentatlo Militar *apenas equipe masculina Equipes em formação: Atletismo Basquete Handebol Tiro com arco Badminton Ciclismo Natação Triatlo Karatê Judô O que fazer para entrar no time? O militar interessado em participar de alguma equipe ou esporte individual deve enviar seu currículo desportivo para a Divisão de Desporto Militar da CDA (DDM), para o e-mail cda_ddm@yahoo.com.br. O interessado deve ficar atento também às mensagens enviadas a todas as unidades convocando para a seletiva de avaliação, obedecendo aos índices mínimos desejados.


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SOCIAL

dona de casa Anair Arantes da Silva há três anos deixa as atividades domésticas de lado para levar o filho Gustavo para galopar no dorso de Apache, um cavalo manso acostumado a carregar os pacientes do Centro de Equoterapia do Grupamento de Infraestrutura e Apoio de São José dos Campos (GIA-SJ). Gustavo, portador de Síndrome de West, é um dos 24 pacientes atendidos todo mês pelo Centro. “O tratamento com equinos é eficaz para doenças neuromusculares, ortopédicas, cardiovasculares e respiratórias. Em muitos casos já é possível ver a melhora dos pacientes em seis meses”, comenta a Tenente Elizabeth Werneck Fontainha, coordenadora do projeto. A atividade é realizada desde 2008 pelo Núcleo de Serviço Social (NUSESO) em parceria com o Batalhão de Infantaria da Aeronáutica (BINFA-64) e as seções de fisioterapia e psicologia da Divisão de Saúde. O tratamento equoterápico é oferecido prioritariamente aos servidores do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), mas dependendo da demanda pode ser estendido

também ao público externo e a servidores de outras forças. Para dar início ao procedimento, é necessário passar por uma triagem. “Nessa seleção, avaliamos quais pacientes podem ser beneficiados pelo tratamento e priorizamos aqueles que terão efetivamente um ganho de qualidade de vida”, explica Maria Aparecida Coelho, voluntária em fisioterapia do projeto. A equoterapia apresenta bons resultados no tratamento de distúrbios neurológicos que impedem ou limitam a realização de atividades como andar, falar, escrever ou tomar banho. “Para realizar essas tarefas, os sistemas do corpo responsáveis pelas atividades ósseas, neurológicas e musculares precisam estar os mais íntegros possíveis”, explica Maria Aparecida. As sessões de reabilitação devem ser realizadas com um cavalo de passada específica, chamada de “ao passo”, que transmite ao praticante uma série de movimentos especiais. A atividade com os cavalos é reconhecida como ferramenta terapêutica pelo Conselho Federal de Medicina desde 1997, mas a propagação da técnica no Brasil é recente. Para realizar

FOTOS: LUCAS MARCO / DCTA

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Equoterapia: o trote que trata

O garoto Gustavo é uma das crianças que faz tratamento no Centro de Equoterapia

a terapia com equinos é necessário reunir uma equipe multidisciplinar. Durante as sessões do Centro, que duram cerca de meia hora, dez profissionais, entre psicólogos, pedagogos fisioterapeutas e assistentes sociais se revezam no trabalho de equilibrar as crianças no dorso de cavalos. Nos próximos anos, o Centro de

Equoterapia do GIA-SJ deve ter a sua infraestrutura física ampliada. “O projeto de expansão das nossas instalações já foi aprovado pela Subdiretoria de Encargos Especiais (SDEE). Nosso objetivo agora é ter uma área coberta que possibilite a realização das nossas atividades mesmo em dia de chuva,” finaliza a Tenente Elisabeth.

Uma vitória a cada galope

O

s pais de Miguel Cheline de Oliveira procuraram o Centro de Equoterapia do GIA-SJ há um ano e meio. O garoto de sete anos também

é portador de Síndrome de West e viu algumas características da doença perderem força desde o início do tratamento. De acordo a Tenente Edilene Moreira, assistente social do Centro de Equoterapia, Miguel apresentava um quadro crítico quando iniciou as sessões terapêuticas. “Ele realizava as sessões deitado quando chegou aqui. Com as atividades realizadas pelo Centro, ele ganhou sustentação na coluna e hoje consegue montar de forma completamente ereta”, acrescenta.

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atividade do GIA-SJ coloca ao alcance dos pacientes um tratamento considerado caro e inacessível para quem depende da rede pública e de planos de saúde – que nem sempre incluem essa especialidade nos pacotes mais básicos. “Um tratamento como esse fora daqui chega a custar R$ 500 reais por mês”, diz o aposentado Amarildo Ribeiro Silva, que leva a pequena Raquel Loreto, portadora de hiperatividade, para

realizar as sessões equoterápicas. “Se hoje Raquel evoluiu ao ponto de conseguir ler livros infantis e me contar a história depois, é graças à iniciativa do GIA-SJ”, comemora Silva.


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SAÚDE

o consultar o dentista, muitos pacientes da Odontoclínica de Brasilia (OABR) são encaminhados à clínica de dor orofacial. São pessoas que sentem dores na região da boca e da face e que não necessariamente tem relação com os dentes. Essas dores podem ter origem nos músculos, ossos, nervos, vasos sanguíneos e até tumores benignos ou malignos. Entretanto, a causa mais comum das dores é a disfunção têmporo-mandibular (DTM), que pode provocar dor principalmente nas articulações da mandíbula e nos músculos mastigatórios. Além disso, o problema pode causar, nos piores casos, até perda de massa óssea, comprometendo os dentes. “Quando recebe o diagnóstico correto, este tipo de problema pode ter seus sintomas reduzidos, por exemplo, com uso de placas miorrelaxantes. Mas o principal é o tratamento das causas”, explica a Capitão Dentista Giselle Santos, responsável pelo Programa de Dor Orofacial da OABR. “O diagnóstico vai enfocar os aspectos físicos, emocionais e comportamentais do paciente. O tratamento é multidisciplinar, ou seja, é feito com a ajuda de várias especialidades

1S REZENDE / CECOMSAER

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Saúde bucal: fique atento às dores na face Dores de ouvido ou zumbido Dores de cabeça Estalos ao mastigar

Dificuldade ou cansaço ao mastigar alimentos

Desgaste dentário

O que é DTM? A disfunção têmporo-mandibular (DTM) é uma doença que pode causar dores crônicas nos músculos mastigatórios e nas articulações da boca.

A aplicação de placa miorrelaxante é um dos tratamentos para a DTM

trabalhando ao mesmo tempo, como cirurgião dentista, fisioterapeuta, psiquiatra, neurologista, psicólogo, reumatologista, dentre outros”, completa a Capitão Giselle. O tratamento multidisciplinar pode ser complementado com acupuntura, técnica chinesa amplamente utilizada para melhorar a qualidade de vida dos pacientes por meio da redução da dor e

da ansiedade. Nesses casos, são feitos exames detalhados e um tratamento que localiza desequilíbrios nos canais de energia que causam enfermidades. “Contudo, a prática de atividade física e educação alimentar são decisivas no tratamento. E isso depende da disposição e esforço do paciente em melhorar sua qualidade de vida”, adverte a Capitão Giselle.

Principais sintomas: Dor de cabeça na região lateral e na testa; Ruídos nas articulações da boca; Zumbidos e dores no ouvido; Bruxismo; Dificuldade de mastigar; Desgaste dos dentes. Qual o tratamentos? O tratamento busca reduzir a ansiedade, reabilitar os dentes perdidos e o relaxamento muscular.


Notaer 06 - Junho de 2013  
Notaer 06 - Junho de 2013  

ÁGATA 7 - Forças Armadas fiscalizam 16 mil km de fronteira em ação inédita no país

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