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www.fab.mil.br

Ano XXXIV

Nº 6

junho, 2011

ISSN 1518-8558

SGT Wanderson / CECOMSAER

Correio Aéreo Nacional - A saga dos “bandeirantes do ar”que há 80 anos começaram a integrar o país

ESPECIAL 70 ANOS

Anos 2000 - A década do futuro e da solidariedade

BUSCA E RESGATE A unidade que ajudou a salvar mais de mil vidas

RECONHECIMENTO Os 64 anos da aviação que é essencial para planejamento

O salto tecnológico na área aeroespacial e as grandes missões humanitárias são as marcas dos anos 2000 na história da Força Aérea Brasileira. Veja as missões e os fatos mais importantes envolvendo a instituição, que comemora sete décadas de existência. (Pág. 7 a 10)

A maior missão de busca realizada pela Força Aérea até os anos 40, na região Norte, deu origem à aviação que ajuda a socorrer vítimas de acidentes aéreos e de naufrágios. Leia entrevista com o comandante do esquadrão especializado em busca e resgate (Pág. 12 e 13)

Criada em 1947, a Aviação de Reconhecimento chega ao presente equipada com modernos sensores e equipamentos. No acidente com o voo 447, em 2009, a aeronave R-99 foi fundamental para a localização dos destroços no meio do Oceano Atlântico. (Pág. 14)

A despedida do ex-Ministro da Aeronáutica, Octávio Júlio Moreira Lima (Pág. 6)

Força Aérea cria esquadrão de aeronaves remotamente pilotadas no Sul (Pág. 15)

Pelotão de Infantaria de Manaus irá para o Haiti no começo de agosto (Pág. 16)

Campo dos Afonsos, Rio de janeiro. Os Tenentes Casimiro Montenegro Filho e Nelson Freire Lavenère-Wanderley, da Aviação Militar, decolam a bordo de um avião Curtiss “Fledgling”, prefixo K-263 (foto acima), para uma missão histórica. Mais do que levar duas cartas do Rio de Janeiro para São Paulo, os dois pilotos abriram caminho para a integração do país. Era a concretização do sonho de um grupo de militares liderados pelo então Major Eduardo Gomes. Nascia, em 12 de junho de 1931, o Correio Aéreo Nacional (CAN), que neste ano completa 80 anos. (Pág. 4 e 5)


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CARTA AO LEITOR

Expediente

O céu histórico de junho

E

ste Notaer traz a história viva como pauta. O Correio Aéreo Nacional e a Aviação de Transporte, a Aviação de Reconhecimento, Aviação de Busca e Resgate têm muito a celebrar. Neste mês, ocorreram missões marcantes e pioneiras dessas asas. Mais do que a história, esta edição retrata trajetórias diretamente relacionadas ao espírito da instituição que se conserva em ideais e se moderniza em equipamentos. Nossa cobertura especial enfatiza, sobretudo, o valor

dos profissionais que fazem toda a diferença nos céus e em terra, no planejamento e na execução, ontem e hoje, delineando uma rota de pioneirismo que poderia se assemelhar a uma aventura. Mas o fato é que se transformou em pura realidade que toda instituição se orgulha. O Correio Aéreo Nacional, primeiro momento de nossas atenções neste mês, chegou a 80 anos como um raro espetáculo de integração e desenvolvimento incomparável. O Brasil ganhou novos ares e cada

um dos militares que já participou direta ou indiretamente de uma missão sabe o valor que isso tem para o nosso povo. Mês de junho é tempo muito especial para olhar para os céus e para a história. Em junho se celebra e se homenageia aviações que não param de voar um dia sequer do ano.

Brig Ar Marcelo Kanitz Damasceno Chefe do CECOMSAER

PENSANDO EM INTELIGÊNCIA

Uso de dispositivos móveis Durante muito tempo, o mundo se preparou e se acostumou com a ideia de um escritório sem os limites físicos de uma sala, um local que pode estar virtualmente em qualquer lugar. Criou-se a expectativa de que, em qualquer local e a qualquer hora fosse possível estar pronto para o trabalho. A tecnologia necessária foi desenvolvida para suprir essa demanda por mobilidade. Os equipamentos têm ganhado cada vez mais performance, velocidade e capacidade de armazenamento. Podem ser citados: os notebooks, tablets, discos rígidos externos, pen-drives, entre outros. Esses dispositivos primam por oferecer alta portabilidade, baixo peso, pequenas dimensões e grande conectividade. Em contrapartida, apresentam grandes vulnerabilidades, pois são atraentes para ladrões; são muito susceptíveis a danos, geralmente são utilizados e armazenados em locais sem proteção física adequada e, no caso das mídias removíveis, facilmente furtadas ou extraviadas. Os prejuízos com furto de equipamentos portáteis são crescentes e preocupam as grandes corporações.

Perdas financeiras e de propriedade intelectual são incalculáveis. As estatísticas apontam os furtos como os incidentes de segurança mais frequentes, ao lado de ataque de vírus. Para as Forças Armadas, os danos vão além das perdas materiais. Com o extravio de equipamentos portáteis, informações inestimáveis podem ser perdidas. Planos estratégicos podem ser comprometidos. Tudo como consequência da falta de cuidado no trato de informações e no gerenciamento de dispositivos móveis. Para mitigar essas ameaças, existe a segurança orgânica: conjunto de ações de proteção do conhecimento que visam à prevenção de ameaças, reduzindo as vulnerabilidades e à obstrução das ações adversas que tentem explorar essas vulnerabilidades. Dentre essas ações, destaca-se a sensibilização das pessoas, com acesso real ou potencial ao conhecimento. Cada pequena ação conta muito para a proteção do conhecimento sensível, da sua própria segurança e da segurança de seus familiares. O trato de informações sigilosas em laptops é vedado pelo RCA 205-

1 (RSAS) em seu item 3.4.7.1. Além disso, uma série de outras atitudes podem ajudá-lo a evitar problemas: - Não os utilize para processar assuntos de serviço em locais públicos; - Evite identificá-los ostensivamente como propriedade da Força Aérea; - Nunca os deixe desacompanhados em locais públicos ou de grande aglomeração de pessoas; - Não os despache como bagagem, tanto em voos comerciais quanto em aeronaves militares. Transporte-os como bagagem de mão; - Proteja-os por meio dos recursos disponíveis, como senhas na inicialização, leitores de impressões digitais ou outros recursos já integrados aos equipamentos; - Nunca devem ser deixados à vista no interior de veículos. Os laptops não podem conter documentação sigilosa de serviço, mas as suas informações particulares também são sensíveis e merecem proteção adequada. Fotografias, anotações e documentos particulares podem ser protegidos com o uso de aplicativos. (Centro de Inteligência da Aeronáutica)

O jornal NOTAER é uma publicação mensal do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (CECOMSAER), voltado ao público interno. Chefe do CECOMSAER: Brigadeiro do Ar Marcelo Kanitz Damasceno Chefe da Divisão de Produção e Divulgação: Tenente Coronel Alexandre Emílio Spengler Chefe da Divisão de Relações Públicas: Coronel Marcos da Costa Trindade Chefe da Agência Força Aérea: Major Alexandre Daniel Pinheiro da Silva Editores: Tenente Luiz Claudio Ferreira e Tenente Alessandro Silva Repórteres: Tenente Luiz Claudio Ferreira, Tenente Alessandro Silva, Tenente Marcia Silva, Tenente Luís Humberto Vieira Leite, Tenente Flávia Sidônia, Tenente Flávio Hisakasu Nishimori e Tenente Carla Dieppe Colaboradores: COMGAR, CIAER e SISCOMSAE (textos enviados ao CECOMSAER, via Sistema Kataná, por diversas unidades) Tiragem: 30.000 exemplares Jornalista Responsável: Tenente Luiz Claudio Ferreira (MTB 2857 - PE) Diagramação: Tenente Alessandro Silva, Suboficial Cláudio Bonfim Ramos, Sargento Rafael da Costa Lopes e Cabo Lucas Maurício Alves Zigunow Revisão: Suboficial Cláudio Bonfim Ramos Estão autorizadas transcrições integrais ou parciais das matérias, desde que mencionada a fonte. Comentários e sugestões de pauta sobre aviação militar devem ser enviados para: redacao@fab.mil.br Esplanada dos Ministérios - Bloco “M” - 7º andar CEP - 70045-900 Brasília - DF Impressão e acabamento: Aquarius Gráfica e Editora


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PALAVRAS DO COMANDANTE

PR

Arquivo

CAN - Legado de um jovem octagenário

Tenente Brigadeiro do Ar Juniti Saito Comandante da Aeronáutica

O Correio Aéreo Nacional, que iniciou suas atividaes em 12 de junho de 1931, foi fundamental para a integração nacional

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uando os Tenentes Nelson Freire Lavenère-Wanderley e Casimiro Montenegro Filho decolaram do Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro, a bordo de um biplano, com destino a São Paulo, talvez não tivessem ideia da dimensão que tomaria o Correio Aéreo no país. Naquele ano de 1931, a aviação apenas “engatinhava” no país e levava no malote somente duas cartas. A missão daqueles tenentes cresceu e já soma longos e duradouros 80 anos. Ao completar oito décadas, o Correio Aéreo Nacional (CAN) é motivo de orgulho e júbilo pelas enriquecedoras lições e pelos valorosos e legados deixados. Criado em

uma época de grandes dificuldades e de enormes distâncias, o CAN representou, e ainda representa, esperança para milhares de pessoas isoladas na imensidão do Brasil. Desde então, as atividades do CAN foram as mais variadas, incluindo desde transporte de correspondências, carga, equipamentos, verdadeiras ajudas humanitárias que marcam a integração e o desenvolvimento nacional. A bordo das aeronaves da Força Aérea Brasileira ocorreram partos, salvamentos e traslados de passageiros, dentre outros serviços essenciais à população mais necessitada. O CAN transportou

medicamentos, alimentos e até mesmo cultura, por meio de revistas e jornais distribuídos. Comunidades indígenas, populações ribeirinhas e todos aqueles assistidos, certamente, guardam em seus corações alguma recordação desse trabalho anônimo, exuberante e inesquecível. O CAN também constituiu a engrenagem propulsora para o progresso e o desenvolvimento de várias localidades, especialmente na Amazônia, onde pistas foram construídas para o pouso dos aviões, reduzindo distâncias e isolamentos. Ao longo dos anos, as linhas do Correio Aéreo foram am-

pliadas, até mesmo para o exterior. Não se pode esquecer ainda que toda essa trajetória vitoriosa do CAN só foi possível graças à abnegação dos militares envolvidos nessas missões. Eram rotas exaustivas, longas e que exigiam dedicação a pleno. Militares de diversas especialidades que compõem uma tripulação, equipes de saúde e tantos outros profissionais que, mesmo não tendo saído do chão e atuado nos bastidores, não mediram esforços, todos esses anos, para realizar o trabalho. Sempre estiveram imbuídos do senso do dever de ajudar a quem necessitava. Este espaço de divulgação é, pois, uma feliz oportunidade para resgatar as histórias e inspirar próximas gerações. Isso porque a longevidade do CAN ratifica a sua importância no cenário nacional. Esses 80 anos consolidaram o ideal do compromisso com o desenvolvimento do país, sua integração e o atendimento às populações mais distantes e carentes. Ao lançar um olhar ao passado, aos idos de 1931, temos a certeza de que a missão foi cumprida e continuará sendo realizada. Quem está no conforto da cidade talvez não veja com clareza o que representa a chegada de um avião do Correio Aéreo. Mas, para os que vivem no interior do país, estes sim, entendem muito bem o valor da ajuda.


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PASSADO

Os 80 anos do primeiro voo do Correio Aéreo Nacional A data de criação das linhas que integraram o país é comemorada até hoje como o Dia da Aviação de Transporte da Força Aérea Brasileira; revista Aerovisão destaca a saga dos “bandeirantes do ar”

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Experiência no Correio Aéreo foi decisiva na Segunda Guerra

MUSAL

ampo dos Afonsos, Rio de janeiro. Os Tenentes Casimiro Montenegro Filho e Nelson Freire Lavenère-Wanderley, da Aviação Militar, decolam a bordo de um avião Curtiss “Fledgling”, prefixo K-263, para uma missão histórica. Mais do que levar duas cartas do Rio de Janeiro para São Paulo, os dois pilotos preparam-se para abrir os caminhos do céu para a integração do país. Era a concretização do sonho de um grupo de militares liderados pelo então Major Eduardo Gomes. Nascia, em 12 de junho de 1931, o Correio Aéreo Nacional (CAN). Para entender a importância do voo pioneiro é preciso voltar no tempo. Os pilotos da época não tinham os modernos equipamentos de navegação de hoje e voavam apenas com as referências do solo para se guiarem. Enfrentavam ainda as variações de meteorologia com precárias aeronaves – as que existiam na época. Ainda enfrentavam a falta de comunicação, a ausência de radares, a autonomia de voo reduzida e a precariedade de conservação das poucas pistas de pouso. Voar, literalmente, era uma aventura. No caminho para São Paulo, os pilotos enfrentaram a temida Serra do Mar. O percurso que era para durar pouco mais de três horas, conforme o planejamento inicial,

O avião Curtiss “Fledgling”, prefixo K-263, decolou para a primeira missão do CAN em 1931

de fato, terminou com mais de cinco horas de voo. Quando chegaram à capital paulista já era noite, todas as luzes da cidade estavam acesas. Não encontraram o Campo de Marte e tiveram de improvisar o pouso no Jockey Club do bairro da Mooca. Pularam os muros, tomaram um táxi e, finalmente, entregaram as cartas na Central dos Correios. Na prática, a missão do dia 12 de junho de 1931 já dura oito décadas. Novas linhas foram criadas a partir dali, aviões mais modernos foram incorporados para a missão e um número incontável de brasileiros recebeu ajuda nesse período. As linhas para outras regiões abriram o interior do Brasil para a

Unidades de Transporte da FAB

aviação civil e militar, isso porque, até o início do Correio Aéreo, as aeronaves voavam pelo litoral, aumentando as distâncias, para fugir dos perigos do isolamento do interior do país. Até a criação do Ministério da Aeronáutica, em 1941, existiram o Correio Aéreo Militar (Exército) e o Correio Aéreo Naval (Marinha). Com a unificação da aviação militar no país, foi criado o Correio Aéreo Nacional. Os resultados dessas ações são vistos até hoje. Para saber mais sobre essa história, leia a edição especial dos “80 anos do Correio Aéreo” na revista Aerovisão deste mês: www.fab.mil.br.

“O piloto brasileiro tinha a experiência de voo no Correio Aéreo Nacional. Ele voava sem mapa, sem rádio, no ‘cisca’, de qualquer jeito. Ele aprendeu a olhar, ver e observar. Ao passo que os pilotos americanos eram muito novatos, eles olhavam e não viam [os alvos lá embaixo]”, afirmou o Major John Buyers, oficial de ligação do Exército Americano que serviu no Primeiro Grupo de Caça (1º GAVCA), na Itália, ao falar do desempenho brasileiro em combate durante a Segunda Guerra. O depoimento feito ao documentário “Senta a Pua” ajuda a entender os números da campanha. “Começamos a voar e a dizer: acertamos esse alvo; destruímos isso; bombardeamos aquilo. E o americano começou a perguntar: ‘Essa turma que chegou agora está fazendo isso tudo e a nossa aviação não está fazendo nem a metade’”, lembrou o oficial. “O Correio Aéreo nos deu experiência maior do que aquele voo de rotina da instrução”, disse ao documentário “Senta a Pua” o Brigadeiro do Ar Joel Miranda, um dos veteranos da unidade.


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PRESENTE CURIOSIDADE

A. Milena

“Anjos da guarda” que continuam a salvar vidas na Amazônia

Desde a retomada das atividades em 2004, o Correio Aéreo Nacional superou a marca de 78 mil atendimentos de saúde na Amazônia

“A

pé, levei dias” é uma frase comum entre ribeirinhos. Em barcos, às vezes, uma semana, dependendo da distância. Quem está no conforto de uma cidade grande, ou mesmo nunca esteve na Amazônia, fica difícil imaginar. Um avião, em horas ou minutos apenas, percorre as mesmas distâncias, fator essencial, principalmente, para quem precisa de ajuda. “Quem vê o avião a toda hora não tem a menor noção do que significa um avião da Força Aérea Brasileira passar, uma vez por mês, aqui, nesta cidade, e deixar médico, dentista, quem sabe, deixar outro tipo de atendimento que vocês tanto precisam”, disse em 2004 o então

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando da retomada das linhas do Correio Aéreo Nacional, principalmente na região Norte do país. Desde 2004, o Correio Aéreo Nacional superou a marca de 78 mil atendimentos de saúde realizados. Pilotos, mecânicos e militares de saúde dividem espaço nas aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) e percorrem rotas pré-estabelecidas levando atendimento médico e odontológico para populações isoladas. Em muitos casos, o avião vira ambulância e ajuda a salvar vidas. Além disso, ao longo do ano, tripulações e aeronaves de transporte da Força Aérea apóiam campanhas de vacinação, transportam equipes

médicas, remédios, alimentos, passageiros e até urnas de votação, ou seja, tudo o que for necessário para o apoio de populações que vivem em áreas isoladas ou que necessitam de socorro em tragédias naturais, como enchentes e períodos de seca. “Chegamos a lugares muito distantes e somos recebidos com muito carinho”, afirma a TenenteCoronel-Enfermeira Dalzira Pimentel. A afirmação explica porque, em muitas regiões, a população trata os militares da Força Aérea como “anjos da Amazônia” e porque nomes como “Fabiano” e “Fabiana” proliferam em homenagem a militares do Correio Aéreo.

As atividades do Correio Aéreo Francês e de aviadores das Linhas Aéreas Latécoère, depois Aéropostale, foram a inspiração para o Correio Aéreo Militar brasileiro. Aviadores como Jean Mermoz, Henri Guillaumet e Antoine de Saint-Exupéry provaram que era possível atravessar o Mediterrâneo e o Oceano Atlântico em um serviço postal. Inicialmente, a ideia dos militares brasileiros era criar rotas com destino a lugares isolados do Brasil. Acreditavam que a chegada do avião de correspondência a determinadas regiões obrigaria prefeitos a criar e a manter pistas de pousos para o recebimento do serviço, o que traria desenvolvimento e integração. As linhas de hoje atendem os Estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima. A principal aeronave do Correio Aéreo é o C-98 Caravan. Em uma das missões da Força Aérea, em Santa Rosa do Purus, a freira Maria Brandão resumiu a importância desse trabalho do Correio Aéreo: “As comunidades têm a consciência de que o CAN faz toda a diferença. Não imaginamos o que seria sem que houvesse a chegada dos aviões”. “Faz uns anos que me salvaram o pé [que estava com início de gangrena]. Da última vez, fiz até exame de vista. Precisava de um colírio e eles me deram”, disse o agricultor João Santana, de 68 anos.


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FAB despede-se do ex-Ministro Octávio Júlio Moreira Lima da Aeronáutica faleceu no Rio de Janeiro, aos 84 anos, 65 deles dedicados ao país. O Ministro Moreira Lima era casado com Ana Guasque Moreira Lima com quem teve dois filhos. Como aviador, integrou o Correio Aéreo, conduzindo aeronaves como o C-54, o C-47 e o C-118. “A gente chegava em locais desassistidos e éramos cercados pela população inteira. Nunca vou esquecer isso. Sempre soubemos a importância do que fazíamos. Sem dúvida, minha grande realização foi ser piloto de transporte”, afirmou o ex-Ministro (foto ao lado), em entrevista realizada em 2008.

CECOMSAER

“Q

uando singrares a noite escura sob o manto das estrelas...lembra-te, cavaleiro do espaço, que tua missão é a construção do futuro. Lembra-te de que és mensageiro de esperança e de amor”. As palavras e ideais nunca abandonaram o Tenente Brigadeiro do Ar Octávio Júlio Moreira Lima, ex-Ministro da Aeronáutica (19851990). “Venho de uma geração de românticos. Com a Aviação de Transporte, chegávamos para ajudar localidades que a maioria dos brasileiros nunca ouviu falar”, disse em entrevista há dois anos. No dia 23 de maio, o ex-Ministro

Comando-Geral de Operações Aéreas - Criado em 1967, o COMGAR comemorou 42 anos (20/5). “Já se vão mais de quatro décadas, nas quais o COMGAR sempre buscou evoluir nas táticas e técnicas de emprego de aeronaves, da infantaria, armamentos e equipamentos eletrônicos, em razão da efetiva profissionalização do pessoal, nosso mais valioso patrimônio”, disse o Tenente Brigadeiro do Ar Gilberto Antonio Saboya Burnier, Comandante-Geral de Operações Aéreas (foto acima). Comando-Geral do Pessoal - O Comando-Geral do Pessoal (GOMGEP) completou 42 anos no dia 20 de maio. “Lidar com recursos humanos, o maior patrimônio que qualquer instituição possui, é a atividade mais complexa de nossa existência. Planejar a formação de

pessoal e sua distribuição em todos os setores da Força Aérea de acordo com a demanda requer um meticuloso e detalhado trabalho”, afirmou o Tenente Brigadeiro do Ar Antonio Gomes Leite Filho, ComandanteGeral do Pessoal, na ordem do dia.

Batalhão de Infantaria de Aeronáutica Especial dos Afonsos – Completou oito anos de atividade, no Rio de Janeiro, no dia 19 de maio. Batalhão de Infantaria de Aeronautica Especial do Galeão – Celebrou seis anos no dia 29 de abril. Centro de Comunicação Social da Aeronáutica - Comemorou 41 anos no dia 30 de abril. Centro de Documentação e Histórico da Aeronáutica – unidade completou 42 anos (20/5).

SO Prieto / EDA

COMGAR

ACONTECE NA FAB

Esquadrilha da Fumaça - O Esquadrão de Demonstração Aérea (EDA) completou (14/5) 59 anos de existência. Ao longo de sua trajetória, a Fumaça já realizou 3.448 demonstrações, 261 delas no exterior. Base Aérea de Florianópolis – A organização militar completou 88 anos de atividades no dia 6 de maio.

Escola Preparatória de Cadetes do Ar - Completou 62 anos no dia 20 de maio. Esquadrão Pastor – O Segundo Esquadrão de Transporte Aéreo (2º ETA) celebrou 42 anos (12/5). A unidade está sediada na Base Aérea do Recife, na região Nordeste. Esquadrão Pioneiro – O Terceiro Esquadrão de Transporte Aéreo (3º ETA), no Rio de Janeiro, completou 42 anos (12/05). A data foi celebrada com uma solenidade militar, na

Base Aérea do Galeão (BAGL). Esquadrão Carajá – O Quarto Esquadrão de Transporte Aéreo (4º ETA) comemorou 42 anos em maio. Em 2011, a unidade realizou oito missões de transporte de órgãos. Esquadrão Guará – O Sexto Esquadrão de Transporte Aéreo (6º ETA) completou (12/05) 42 anos de atividades. A unidade, sediada na Base Aérea de Brasília, ultrapassou a marca de 310 mil horas de voo. Hospital de Força Aérea de Brasília – Completou 24 anos de atividades em Brasília (19/5). Instituto Tecnológico de Aeronáutica - Completou 61 anos no dia 20 de maio. Parque de Material Aeronáutico de Lagoa Santa - Completou 57 anos no dia 24 de maio. Prefeitura de Pirassununga – Completou 48 anos (12/5), na Academia da Força Aérea (AFA). Prefeitura de São Paulo – Comemorou o 57º aniversário (6/5).


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ESPECIAL FAB 70 ANOS

Anos 2000

A década do futuro e da solidariedade brasileira Nos anos 2000, a Força Aérea Brasileira realizou as maiores operações de busca e de ajuda humanitária de sua história; a instituição prepara “salto” tecnológico na área aeroespacial

Ten Silva / CECOMSAER

Centro de Lançamento de Alcântara (MA)

SD Silva Lopes / CECOMSAER

A

aeronave decola sem piloto a bordo, foguetes são lançados com regularidade, aviões estratégicos são produzidos e desenvolvidos pelo Brasil, mísseis de última geração estão em pesquisa e já se testa a possibilidade do avião hipersônico, que voa seis vezes a velocidade do som, dentre outras novidades. Quem poderia imaginar, lá no início desta história, em 1941, que a Aeronáutica brasileira iria voar tão rápida? Alguns cenários que edificam essa primeira década pareceriam, há alguns anos, apenas filmes de ficção científica. Mas são em sua totalidade, sobretudo, emocionantes roteiros de ação. Uma nova família de foguetes (“Cruzeiro do Sul”), movidos à combustível líquido, está nascendo no Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA). O Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, passou por profundas transformações para a retomada do projeto do Veículo Lançador de Satélites (VLS).

Na operação de ajuda humanitária às vítimas da tragédia no Rio de Janeiro, em fevereiro deste ano, a FAB realizaou mais de 120 missões

A Força Aérea Brasileira estuda e faz sair do papel, com testes em túneis de vento, uma aeronave hipersônica projetada para voar a uma velocidade seis vezes maior que a do som. O nome da aeronave é 14X, numa referência imediata ao primeiro mais pesado que o ar que efetivamente decolou em 1906 pela genialidade e persistência de Alberto Santos Dumont. Em 2007, o Instituto de Estudos Avançados (IEAv) deu início aos testes com um modelo experimental reduzido do 14X, com 80 cm de comprimento, construído em aço inoxidável, que é equipado com

sensores de pressão, fluxo de calor e força. De fato, a primeira década deste século tem sido próspera em cenas que fascinam os apaixonados pelas coisas do espaço. Outro estudo importante envolve o desenvolvimento do primeiro Veículo Aéreo Não-Tripulado (VANT) brasileiro, capaz de apoiar missões militares e civis, principalmente na área de segurança pública e de defesa civil. O projeto reúne as Forças Armadas e a indústria nacional, com o objetivo de dominar tecnologias sensíveis utilizadas e que representam para o país, na prática, um ganho imensurável para o futuro.

Horizonte - O processo de reaparelhamento caminha com a aquisição de novos caças para a defesa do país (Projeto F-X2), de aeronaves A-29 Super Tucano, de aviões de patrulha (P-3AM), de transporte (C-99, C-105 Amazonas), de helicópteros (AH-2 Sabre, H-60 BlackHawk e H-36), além da modernização dos caças F-5 E e dos A-1. Uma importante parceria está em curso com a EMBRAER para o desenvolvimento de uma aeronave de transporte de grande porte, o KC390, projeto que já reúne diversos países como parceiros de desenvolvimento e investidores. O Brasil integra o seleto grupo


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ESPECIAL FAB 70 ANOS

SGT Johson / CECOMSAER

Ten Silva / CECOMSAER

Tempos de solid

Aeronave de Transporte participa de buscas aos destroços do voo 447 (2009)

de nações que está à frente do sistema que irá revolucionar o controle de tráfego aéreo no mundo, com a criação do espaço aéreo contínuo (CNS-ATM) gerenciado com o apoio de satélites. Esse sistema reunirá Comunicação (C), Navegação (N), Vigilância (S) e Gerenciamento de Tráfego Aéreo (ATM). Em auditoria da Organização de Aviação Civil Internacional (OACI), o serviço prestado pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (DECEA) foi avaliado como um dos cinco melhores do mundo. Os anos 2000, de fato, sinalizam a alta tecnologia como essencial para o futuro. Nesse filme tão real, tão brasileiro, são as iniciativas das pessoas as grandes heroínas. O protagonista chama-se profissionalismo. A defesa do país exige cada vez mais tecnologia, como demonstrado pelas aeronaves R-99 durante as buscas dos destroços do voo AF-447: com sensores de última geração, a Força Aérea pôde prosseguir com as buscas no meio do Atlântico, até mesmo durante a noite, auxiliando na operação de resgate. O avião em questão é brasileiro, criado em parceria com a indústria nacional. Espaço - Nesse cenário futurista, tanto o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, como o Centro de Lançamento

da Barreira do Inferno (CLBI) são tidos como referencias no mundo não só para propiciar o voo de foguetes, mas também para rastrear equipamentos do mundo inteiro que passam pelo espaço brasileiro. As organizações cooperam para a pesquisa aeroespacial. Rastrear, por exemplo, significa acompanhar com equipamentos extremamente modernos para que os voos aconteçam dentro do previsto. Os lançamentos de foguetes brasileiros VSB-30 foram realizados em 2004, com o objetivo de realizar experimentos diversos em ambientes com baixa gravidade. Chega a seis vezes a velocidade do som. A cada lançamento, militares e civis testam conhecimento e aprendem mais para o futuro do Programa Espacial Brasileiro. Futuro - Nos últimos anos, a instituição também concluiu seu Plano Estratégico Militar da Aeronáutica (PEMAER), de forma a traçar como será a Força Aérea Brasileira até 2031 e o que a instituição terá de fazer pelos próximos 20 anos para chegar lá. “A FAB será reconhecida, nacional e internacionalmente, pela sua prontidão e capacidade operacional para defender os interesses brasileiros em qualquer cenário de emprego, em estreita cooperação com as demais forças”, afirma o documento.

Nos anos 2000, a Força Aérea realizou as maiores operações militares de resgate e de ajuda humanitária de sua história

P

ara quem viveu, houve dias em que não parecia restar nada. Para quem vivenciou a perda, é como se a luz tivesse desaparecido. Solidariedade foi a luz que conduziu homens e mulheres para minimizar dores. Nessa época, ocorreram operações militares que entraram para a história e que permanecerão intocadas ainda que com o avançar do tempo. Quando a terra treme, desaparece um avião, uma cidade é alagada ou uma floresta se desfaz, só se pode contar com a ajuda dos outros. Foi assim que homens, mulheres e aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) quebraram recordes de mobilização e de dedicação, no Brasil e no exterior.

Em 2006, a missão era encontrar uma aeronave desaparecida na Amazônia. A partir dali, montou-se a maior operação de busca e resgate em solo brasileiro da história. Os militares envolvidos na ação amargaram a dor de descobrir, horas mais tarde, que não havia sobreviventes entre as 154 pessoas a bordo do voo 1907. O acidente ocorreu no dia 29 de setembro e os destroços foram encontrados no dia seguinte. Calor intenso, mata fechada, um grande raio de ação, insetos, isolamento, cansaço, mais de mil horas de voo (o equivalente a 41 dias e meio no ar de modo ininterrupto), com 15 aeronaves, para auxiliar a sociedade a reaver os seus mortos. Ninguém


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dariedade e de grande mobilização

Alimentos e remédios transportados em aeronave C-130 Hércules da Força Aérea são descarregados em Beirute (2006)

ficou para trás. Três anos mais tarde, outra aeronave desapareceu em outra área hostil, no meio do Oceano Atlântico. A bordo do voo AF-447, 228 pessoas e novamente nenhum sobrevivente encontrado. Na missão, mais de 1.500 horas de voo e a atuação direta de mais de mil profissionais da Aeronáutica e da Marinha. Ficou conhecida como a maior operação de busca e resgate da história do país, tendo em vista as imensas dificuldades de atuar numa área que seria praticamente a metade de distância até a África. A aeronave desapareceu no dia 31 de maio de 2009. Depois que os corpos foram encontrados, foi realizada

Enchentes - No Brasil, cheias em diversas regiões mobilizaram a FAB para o transporte de alimentos e remédios, resgate de vítimas e socorro aos doentes. A operação mais difícil foi em cidades de Santa Catarina, em 2008. Foram cumpridas mais de 500 missões com helicópteros e aviões, particularmente na região do Vale do Itajaí, uma das áreas mais afetadas pelas cheias. Além da atuação das unidades aéreas, a equipe do Hospital de Campanha da Aeronáutica atendeu mais de três mil pessoas. Em 2009 e 2010, a FAB voltou a atuar de forma decisiva para diminuir os impactos de enchentes, dessa vez, na região Nordeste, no Maranhão, Piauí, Alagoas e Pernambuco. Na ocasião, os militares a bordo dos helicópteros voltaram a resgatar pessoas de telhados de casas ou de cima de árvores. O Hospital de Campanha foi mais uma vez instalado na cidade de Barreiros (PE) e superou seis mil atendimentos. Em 2007, a Força Aérea já havia atuado na Bolívia, em uma das maiores enchentes daquele país. Ao longo de mais de dois meses de operação, a FAB e o Exército transportaram mais de cem toneladas de alimentos e medicamentos. Duas mil pessoas foram resgatadas. “Nem o povo, nem o governo da

Bolívia, nem eu, vamos esquecer o que esses brasileiros fizeram por nós”, afirmou Evo Morales, presidente daquele país, em uma das muitas ocasiões em que elogiou publicamente o apoio do Brasil. Terremotos – Em 2008, a FAB foi encarregada de transportar alimentos e remédios para a cidade de Pisco, no Peru, fato que fez a diferença em um local devastado com mais de 500 mortos. Outras cidades próximas também foram vítimas da catástrofe. Mas, nenhum ano na história moderna sofreu tanto com tremores de terra como o de 2010. Particularmente por causa da tragédia no Haiti. Foram mais de 300 mil mortos. A solidariedade mundial se encontrou naquele país. O Brasil chegou lá pelas asas da Força Aérea, que realizou uma ponte aérea de transporte de vários gêneros. O que pode ser contabilizado é

que a Força Aérea Brasileira transportou mais de 1.300 toneladas de carga e 2.329 passageiros em apoio à Operação. O Hospital de Campanha (HCAMP) totalizou 9.718 atendimentos clínicos e 218 cirurgias em Porto Príncipe, no Haiti. No mesmo ano, a FAB partiu com dois helicópteros H-60 Black Hawk para o Chile. O país também foi vítima de terremoto e os militares atuaram no transporte de alimentos e no resgate de vítimas. Cada missão dessas trouxe um sem-número de necessidades, aprendizados e situações inesperadas. Ao longo da década, as aeronaves cortaram o mundo, levando ajuda a países necessitados, como Zâmbia e Moçambique, na África, entre outros. Cada missão levou os militares a se defrontar com cenários tristes e inimagináveis. Cada missão fez também com que os militares recebessem abraços e agradecimentos. Isso jamais será esquecido.

SD Sérgio / CECOMSAER

também uma complexa operação de transporte, do mar para o navio, do navio até Fernando de Noronha, e do arquipélago até o continente. Em 2006, quando eclodiu a guerra entre Líbano e Israel, aeronaves militares e civis, mobilizadas pelo Ministério da Defesa, estabeleceram uma verdadeira ponte-aérea entre o Brasil e a Turquia, destino final dos comboios terrestres organizados pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Mais de 1.800 brasileiros foram resgatados. No segundo dia do cessar-fogo, um C-130 Hércules pousou em Beirute carregado com “ajuda humanitária”.

Helicóptero H-60 BlackHawk da FAB enviado ao Chile após terremoto em 2008


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ESPECIAL FAB 70 ANOS

Missão Centenário: o primeiro astronauta brasileiro chega ao espaço

NASA

SGT Johson / CECOMSAER

Exercício Cruzeiro do Sul (CRUZEX) ajudou a revolucionar o emprego da FAB

CRUZEX reúne forças aéreas de vários países para treinamento em um conflito simulado

Experimentos selecionados pela Agência Espacial Brasileira foram feitos na estação orbital

“E

O

ro do Ar Gilberto Antonio Saboya Burnier, hoje à frente do Comandogeral de Operações Aéreas (COMGAR), ao falar da importância dos conhecimentos adquiridos com as cinco edições do Exercício Cruzeiro do Sul (CRUZEX). A primeira edição aconteceu em 2002.

Arquivo

m menos de dez anos, a Força Aérea Brasileira modificou totalmente a sua forma de empregar o poder aeroespacial. Até então, operávamos de forma semelhante ao que foi empregado no Vietnã e em outros conflitos das décadas de 70 e 80”, afirma o Tenente Brigadei-

ano de 2006 foi histórico. O então Tenente Coronel Aviador Marcos Cesar Pontes tornou-se o primeiro astronauta brasileiro a chegar ao espaço. A Missão Centenária, que recebeu o nome em homenagem aos 100 anos do voo do primeiro avião, o 14-Bis de Alberto Santos Dumont, começou em 29 de março, em Baikonur, no Cazaquistão. A bordo da Soyuz russa, o militar brasileiro, o russo Pavel Vinogradov

e o americano Jeffrey Williams, foram enviados para a Estação Espacial Internacional (ISS). Na bagagem do primeiro astronauta do Brasil, seguiram para o espaço experimentos selecionados pela Agência Espacial Brasileira. “Foi na FAB que aprendi a voar e a querer cooperar com esse tipo de trabalho. Ser astronauta foi uma consequência da minha trajetória”, disse o astronauta, em entrevista à Aerovisão.

Elas ganharam os céus...

P

ouso autorizado. Chega o avião, que taxia até o hangar. Quem pilota tira as luvas, desembarca e retira o capacete. Cabelo preso e alegria por mais uma missão cumprida. Cenas como essa tornaramse comuns desde que as primeiras cadetes aviadoras começaram a voar na Força Aérea. As primeiras ingressaram na Academia da Força Aérea em 2003, fato inédito para a aviação militar do país. Eram 20 oportunidades,

que foram preenchidas depois de concurso com uma relação candidato-vaga em torno de 150 pessoas por vaga. Da primeira turma, onze concluíram o curso. Elas chegaram às Aviações de Caça, de Transporte, de Reconhecimento e de Asas Rotativas (helicópteros). Passaram pelo salto de emergência com paraquedas, exercício de campanha e instrução teórica e prática de voo, além da instrução acadêmica.


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COMUNICAÇÃO SOCIAL

3S Batista / CECOMSAER

Estrutura integrada é apresentada a jornalistas em Brasília

O novo modelo visa dar mais agilidade na produção e divulgação institucional da FAB

Vídeos da Força Aérea passam a ser produzidos em alta definição

Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (CECOMSAER) promoveu (19/05), em Brasília, um encontro com jornalistas de veículos impressos e eletrônicos para apresentar a nova estrutura de comunicação da instituição. Os profissionais conheceram um pouco do conceito de “comunicação integrada”. Profissionais formados em jornalismo, publicidade e relações públicas, mais os militares de outros quadros, como aviadores, infantes e especialistas, formam a linha de frente de atuação. “O nosso objetivo é garantir agilidade e transparência nos assuntos relativos à instituição”, explicou o Chefe do CECOMSAER, Brigadeiro do Ar Marcelo Kanitz Damasceno. O novo modelo alterou a estrutura do CECOMSAER: agora composta pela Divisão de Comunicação Integrada, que coordenará as ações de comunicação social; pela Divisão de Comunicação Coorporativa que será responsável pelo planejamen-

to, capacitação dos profissionais, além de coordenar os “elos” de comunicação em todo país; e pela Divisão de Apoio à Comunicação que irá viabilizar o trabalho das duas outras divisões. Além disso, a Agência Força Aérea é responsável pela apuração e produção de notícias para divulgação institucional. Essa estrutura tem sido utilizada em operações militares e aperfeiçoada a partir das experiências como a atuação em acidentes aeronáuticos (voos 1907, 3054 e 447) e em ações de ajuda humanitária (terremoto no Haiti e Chile). No encontro, foram apresentados os principais veículos de comunicação da FAB, como a revista Aerovisão, o portal da internet e a Rádio Força Aérea FM, além dos canais de mídias sociais (YouTube, Twitter, Facebook e Flickr). Veja entrevistas com jornalistas que participaram do encontro em Brasília em: www.fab.mil.br/portal/capa/index.php?mostra=7187

tares, no Rio de Janeiro. O vídeo do Dia da Aviação de Caça traz imagens da cerimônia, destacando a homenagem prestada pela empresa Azul Linhas Aéreas aos integrantes do 1º Grupo de Aviação de Caça que combateram na 2ª Guerra Mundial. Também estão incluídas entrevistas com veteranos e imagens do sobrevoo de aeronaves de caça. Os vídeos estão disponíveis no portal da FAB na internet e no canal da instituição no YouTube: www.fab.mil.br

SO Ricardo / 1º/16º GAV

PIONEIRISMO EM REDE NACIONAL 3S Simo / CECOMSAER

Os vídeos da Força Aérea Brasileira começaram a ser produzidos com o que há de mais moderno em termos de tecnologia da imagem. Desde abril, o Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (CECOMSAER) registra as missões da Força Aérea com câmeras Full HD (em inglês, significa alta definição, em formato 1920X1080). O formato é o que, atualmente, permite a melhor qualidade de imagens e som. A aplicação dos equipamentos inaugura uma nova etapa na forma de gravar a atuação dos militares e possibilita à FAB o acesso ao que há de mais avançado em termos de tecnologia. Com as câmeras Full HD, será possível ver as cenas com mais nitidez, a exemplo do que acontece com as grandes emissoras de TV. As primeiras missões registradas nesse novo formato foram o exercício Urubra I, realizado na região Sul, e a solenidade em comemoração ao Dia da Aviação de Caça (RJ). Os equipamentos serão utilizados na cobertura dos Jogos MundiaisMili-

O

Pela primeira vez, uma mulher assumiu o comando de uma aeronave de combate de primeira linha da Força Aérea Brasileira (FAB). O voo solo da Tenente Aviadora Carla Alexandre Borges, 28, realizado no dia 3 de maio, a bordo de um caça A-1 do Primeiro Esquadrão do Décimo Sexto Grupo de Aviação (1º/16º), Esquadrão Adelphi, foi divulgado pelo Jornal Nacional (TV Globo). “Realizei um sonho”, disse a oficial, momentos depois da aterrissagem na Base Aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro.


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AVIAÇÃO DE BUSCA E RESGATE

Aeronave Catalina participou da primeira missão no país

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dia 26 de junho foi consagrado como o Dia da Busca e Resgate para lembrar de uma épica missão que encontrou cinco sobreviventes depois de um acidente com a aeronave FAB 2068. Entretanto, a primeira missão da história desse gênero que se tem notícia ocorreu no ano de 1947, sem que houvesse um sistema integrado, que passaria a se consolidar a partir daquele momento. Militares constataram que uma aeronave que fazia uma linha do Correio Aéreo Nacional estaria desaparecida entre Belém e Santarém. Uma aeronave CA-10 Catalina foi acionada para decolar e buscar o avião. Um dos homens que participou do controle da missão foi Aloysio Accioly de Senna. “Foi inesquecível porque era a primeira de todas as missões. Infelizmente, não havia sobreviventes, mas diante daquela realidade era urgente formar um grupo para essa finalidade”. O Tenente Coronel Senna é controlador de tráfego aéreo e tem hoje 87 anos. Ele lembra da conversa entre os pilotos que descobriram quase por intuição a localização da

Arquivo Pessoal

A maior operação aérea já realizada no país até os anos 40 deu origem à Aviação de Busca e Resgate; NOATER entrevistou um dos veteranos dessa missão histórica, realizada na região Norte do Brasil

“Foi, sem dúvida, o fato que propiciou que a Força Aérea alocasse uma aeronave para busca e resgate.” aeronave. “Em um momento, o comandante decidiu desviar 10 graus da rota. Não sabemos explicar, mas o fato é que o avião foi encontrado. Teve, sim, um elemento de sexto sentido ”, relembra. A partir daquele momento, foram feitas as ações para que fosse formado na cidade de Belém o Primeiro Centro de Coordenação de Busca e Salvamento no Brasil. “Foi, sem dúvida, o fato que propiciou que a FAB alocasse uma aeronave para essa finalidade, a busca e resgate”, garante. A primeira aeronave para busca e resgate seria um Catalina, já pinta-

Aloysio Senna participou da inédita operação de busca e resgate no Pará

do com as cores que celebrariam o SAR. “Nas bordas da asa, a pintura laranja e uma faixa retangular com a inscrição SAR-Belém. Lembrome da inscrição e da matrícula da primeira aeronave, era um PBY 5A 6516. As autoridades, na época, entenderam que era a chance de for-

mar um grupo exclusivo para isso”. O esquadrão exclusivo para salvamento seria formado na década seguinte, o 2º/10º GAV, o Pelicano. Entretanto, todos os esquadrões da Força Aérea podem ser alocados para a missão, porque contam com profissionais especializados.

Salvamento é vocabulário corrente no dia-a-dia de militares da Força Aérea Brasileira. Todas as unidades aéreas podem ser empregadas para participar de alguma forma de missões desse tipo, como ocorre, por exemplo, em trabalhos de grande vulto como as buscas a aeronaves desaparecidas. O Segundo Esquadrão do Décimo Grupo de Aviação (2º/10º GAV), conhecido como Pelicano, é o que particularmente tem a missão de realizar buscas e resgate, tanto

sobre o mar quanto sobre a terra, e levando, também, apoio às vítimas de calamidades públicas. O esquadrão adotou a sigla internacional SAR (Search and Rescue), comum aos esquadrões dos diversos países que se dedicam à mesma missão. Durante 53 anos de existência, os Pelicanos já realizaram mais de mil missões para buscar e resgatar pessoas em todo o território nacional. Dentre as missões, algumas são históricas, como o auxílio às vítimas

do terremoto do Peru em 1970, ajuda nas enchentes do Sul do país no início da década de 70 e a busca do Boeing 737-200 da VARIG em 1989 na Floresta Amazônica. O símbolo do esquadrão, o Pelicano, faz referência à ave que representa a abnegação de seus integrantes. Os militares baseiamse na ideia de que os pelicanos quando não encontram alimento para seus filhotes, rasgam o próprio peito e oferecem sua carne e seu sangue para eles se alimentarem.

7o / 8o GAV

Esquadrão espcializado da Força Aérea realizou mais de mil missões

Unidades são capacitadas para realizar busca e resgate em diferentes cenários. Acima, H-60 do Esquadrão Harpia


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ENTREVISTA

“Só existe um jeito de trabalhar: em equipe” NOTAER entrevistou o atual comandante do Esquadrão Pelicano, unidade especializada em busca e resgate da Força Aérea que já ajudou a salvar cerca de 1,2 mil vidas ao longo de 53 anos de operação ara que outros possam viver” é o lema do principal esquadrão de busca e resgate da Força Aérea. Leia entrevista com o comandante do Esquadrão Pelicano, Tenente Coronel Aviador Potiguara Vieira Campos. Na Força Aérea, todas as unidades podem ser mobilizadas para missões desse tipo. Notaer - Há números de resgatados pelo Esquadrão Pelicano? Tenente Coronel Potiguara - Ao longo de 53 anos de existência, o Esquadrão Pelicano já realizou mais de mil missões em todos os rincões de nosso país e no exterior, incluindo as águas jurisdicionais e além das 200 milhas da costa. Temos orgulho de afirmar que o 2º/10º GAV nunca falhou, ou seja, nunca deixamos de reagir imediatamente a um acionamento. Isso significa manter um índice de confiabilidade na prestação do serviço de Alerta SAR (Search and Rescue). Essa vocação para a prontidão absoluta se traduz em mais de 1.200 vidas salvas pelo esquadrão ao longo de sua história. Notaer - O que é preciso para integrar o esquadrão? TC Potiguara - Costumamos dizer que busca e salvamento é um "esporte coletivo", ou seja, só existe um jeito de trabalhar: em equipe. Penso ser este o atributo mais importante de quem se propõe a integrar o 2º/10º GAv. O fato é que não buscamos os melhores nem os piores. Não existe um padrão a ser adquirido ou desenvolvido. A atividade SAR é tão complexa e sujeita a tantas variáveis que ninguém sabe ao certo o quanto precisa ser bom. A única competição é contra o melhor que cada um pode ser. O que se busca é o "Espirito SAR" que por aqui chamamos de "ter o sangue

laranja". Significa possuir nossos valores mais caros: espírito de corpo, coragem, doutrina, abnegação, persistência e prontidão. Notaer - Quantas pessoas integram, em geral, uma missão? TC Potiguara - Depende do perfil operacional. Em uma missão de resgate a tripulação do helicóptero inclui dois pilotos, um mecânico de voo, um operador de equipamentos e dois especialistas de resgate. Em uma missão de busca tripulam a aeronave, três pilotos, dois mecânicos de voo, um rádio operador, dois observadores SAR e dois paraquedistas de resgate. Notaer - Qual foi a missão mais marcante da sua vida? TC Potiguara - O esforço para salvar uma vida é o mesmo para salvar cem vidas. Todas as missões têm peculiaridades que as tornam únicas e que permitem que se tirem lições a serem aprendidas, independentemente se buscamos uma aeronave pequena perdida na selva ou um jato de transporte aéreo de grande porte. Evidentemente quando localizamos pessoas com vida a alegria é muito grande. O que não esquecemos de verdade são as vidas que deixamos de salvar. Essas realmente não saem da nossa cabeça, mas seguimos, pois o compromisso é com as pessoas que ainda vão depender da nossa ação. Notaer - Como é o trabalho em parceria com outros esquadrões na missão? TC Potiguara - Como disse, a atividade SAR é, por definição, um trabalho de equipe. Nesse contexto, parceria e entrosamento com outras unidades aéreas é fundamental. Penso que o importante

SD Delgado / CECOMSAER

“P

Militares do Esquadrão Pelicano preparam-se para lançamento em missão de busca

não é quem salvou e sim que houve o salvamento, que sofrimentos e angústias foram minoradas. Esse é o espírito de altruísmo que guia não só o Esquadrão Pelicano mas todas as unidades da Força Aérea.

certo. É preciso treinar para que o erro seja impossível. Operamos em todo o território nacional, desde a Amazônia até os Pampas. Por isso nos esforçamos para atingir a excelência na prestação do serviço SAR.

Notaer - O profissional do Pelicano deve estar preparado para tudo? TC Potiguara - Costumo dizer que busca e salvamento é tão complexa que até o passado é incerto... Os incidentes, desaparecimentos e acidentes invariavelmente acontecem à noite, com meteorologia ruim e via de regra em locais remotos e hostis. Ou seja, enquanto a maioria fica em casa por recomendação, o 2º/10º GAV sai em missão. Não existe milagre. A eficiência da unidade é fruto de muito, muito treinamento. Procuramos diminuir o abismo entre a operação real e o adestramento. Isto significa muito estudo e preparação técnica. Não basta treinar para que tudo saia

Notaer - Dizem que os “Pelicanos” não desistem nunca de achar sobreviventes. Esse é o espírito? TC Potiguara - De fato, a unidade é vocacionada para não desistir nunca. Isso acontece desde os primeiros dias do esquadrão e continua sendo verdade nos dias de hoje. Fazemos de tudo que é possível por uma pessoa que sequer conhecemos, pois se fosse minha filha ou minha mãe que estivesse em perigo, eu gostaria que alguém se lançasse ao resgate a qualquer hora, de qualquer maneira e em qualquer lugar. Simples assim. Tudo que fazemos, todo sacrifício, suor e lágrimas valem a pena. Tudo sintetizado no nosso grito de guerra: "Para que outros possam viver!"


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AVIAÇÃO DE RECONHECIMENTO

Aviação chega aos 64 anos com meios digitais e eletrônicos de ponta

Conheça os esquadrões de reconhecimento Esquadrão Poker (1º/10º GAV)

Criada em 1947, na Base Aérea de São Paulo, a unidade foi transferida para Santa Maria (RS), em 1978, onde permanece. O esquadrão, além de reconhecimento tático, realiza missões de reconhecimento visual, fotográfico, meteorológico e estratégico. Faz também ataque ao solo, superioridade aérea e interdição. Esquadrão Carcará (1º/6º GAV)

Graças aos modernos equipamentos instalados nos aviões especializados em reconhecimento, foi possível encontrar os destroços da aeronave do voo AF-447 que caiu no Oceano Atlântico, em maio de 2009, com 228 passageiros a bordo

D

os frágeis balões de ar quente utilizados por Duque de Caxias para colher informações sobre o inimigo, em 1867, na guerra do Paraguai, até a era dos modernos sensores usados em aeronaves de última geração. Foram profundas as transformações vivenciadas na trajetória da Aviação de Reconhecimento. Na Força Aérea Brasileira (FAB), o reconhecimento surgiu no final da década de 40 e comemora, no dia 24 de junho, 64 anos de serviços prestados ao país. A atividade nasceu em 1947, com a ativação do Primeiro Esquadrão do Décimo Grupo de Aviação (1º/10º GAV). Em 1956, houve a primeira grande expansão, com a criação do 6º Grupo de Aviação, constituído pelo Primeiro Esquadrão, dedicado à busca e salvamento, e o Segundo Esquadrão, ao reconhecimento aéreo.

Nessa época, aeronaves R-20, RB-25, A/B-26, B-17 e RC-130E contribuíram decisivamente para a implantação da Aviação de Reconhecimento na Força Aérea e ajudaram a escrever parte da história do Brasil, por meio da realização de levantamentos aerofotogramétricos de parcela significativa do território brasileiro. Na década de 70, o reconhecimento aéreo experimentou um progresso de fundamental importância para a aviação militar brasileira. Nessa época, foram incorporadas as aeronaves RT-26 e R-95, adaptações feitas nos projetos Xavante e Bandeirante para atender às necessidades operacionais dessa missão. Essas aeronaves e seus equipamentos proporcionaram enorme conhecimento técnico e permitiram um significativo salto doutrinário, lançando as bases para o presente.

O amadurecimento chegou com o RA-1 (AMX), o R-35 (LearJet) e o R-99 (EMB 145), equipados com máquinas fotográficas digitais, sensores eletrônicos e radares imageadores, aliados a avançados sistemas de navegação, entre outros recursos que elevaram a capacidade operacional da Força Aérea. Os três esquadrões especializados em reconhecimento estão subordinados à Terceira Força Aérea (III FAE). Importância - Os modernos equipamentos aumentaram a capacidade operacional da FAB, como no caso do emprego do R-99 (foto acima) na operação de busca quando do acidente com a aeronave AF-447, em 2009, no Atlântico. Graças aos modernos sensores, a FAB pôde realizar buscas dia e noite até a localização dos primeiros destroços.

A unidade nasceu em 1951 no Centro de Treinamento de Quadrimotores (CTQ), na Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro, e depois, transferido para Recife (PE), onde opera até hoje. O esquadrão realiza missões de reconhecimento fotográfico, visual e meteorológico. Esquadrão Guardião (2º/6º GAV)

A unidade foi criada em 1999, como parte do reaparelhamento do Sistema de Vigilância da Amazônia (SIVAM). Depois, o esquadrão foi incorporado à Base Aérea de Anápolis (GO). É a unidade responsável pelo planejamento, execução e supervisão das missões de controle e alarme aéreo antecipado, assim como de sensoriamento remoto e reconhecimento aéreo.


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OPERACIONAL

FAB cria esquadrão de aeronaves remotamente pilotadas Esquadrão Hórus, sediado em Santa Maria (RS), inaugura nova era na aviação militar brasileira

SGT Johnson / CECOMSAER

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O Hermes 450 (foto) cumpre missões de busca, controle aéreo avançado e reconhecimento

Pilotar sem sair do chão Os pilotos que compõem o efetivo do Esquadrão Hórus vivem uma situação inédita na Força Aérea: cumprem missões no solo, sem efetivamente guarnecer aviões. Isso não quer dizer que eles não pilotem. O termo Aeronave Remotamente Pilotada (ARP), criado como uma categoria de Veículo Aéreo NãoTripulado, ressalta exatamente o papel do controle do piloto em solo. Para o Tenente Coronel Paulo Ricardo Laux, o voo da ARP é um desafio a mais para os aviadores. “O primeiro aspecto é em relação à consciência situacional. Você preci-

sa estar focado nos sensores. É um voo por instrumentos. A execução da missão dá outra dimensão, é estimulante” , afirma. Além da aeronave em si, uma ARP inclui também sistemas em solo que permitem o controle, a telemetria e recepção das imagens. Por este motivo, é também chamada de Sistema ARP, que envolve o aparato necessário para manter o controle da missão. Todo o conjunto também pode ser transportado a bordo de aviões, o que permite ao Esquadrão Hórus deslocar-se para qualquer região do país.

a mitologia egípcia, Hórus é uma divindade com cabeça de falcão com dois olhos que representam o sol e a lua. Com esse poder, é o deus dos céus, vencedor na batalha contra o deus do caos e por isso o rei dos vivos. Desde o dia 26 de abril, Hórus também é o nome da mais nova unidade da Força Aérea Brasileira, o 1°/12° GAV, sediado na Base Aérea de Santa Maria e equipado com as Aeronaves Remotamente Pilotadas (ARP), como também são chamados os Veículos Aéreos Não-Tripulados (VANT) no Brasil. O 1°/12° GAV é a primeira unidade aérea do país a operar este tipo de aeronave. O Esquadrão Hórus conta hoje com dois modelos Hermes 450, com capacidade de voar a mais de cinco mil metros de altitude e levar uma carga útil de 150 kg. O equipamento pode cumprir missões de busca, controle aéreo avançado e reconhecimento, com a vantagem de voar por longos períodos com revezamento de tripulações que não ficam expostas ao fogo hostil. Como o deus egípcio Hórus, a principal faceta do Hermes 450 é a sua capacidade de observar seus objetivos de forma privilegiada. “A ARP Hermes 450 tem um vídeo em tempo real. Você vê a ação acontecendo”, explica o Tenente Coronel Aviador Paulo Ricardo Laux, comandante da unidade. A novidade

é que os dados agora são gerados e transmitidos na mesma hora. “Antes a gente planejava, decolava, voava e depois processava os dados. Hoje temos que gerenciar simultaneamente a coleta, análise e difusão da informação. O processo se funde”, afirma o comandante da unidade. As aeronaves remotamente pilotadas irão trabalhar de forma conjunta com os outros aviões de reconhecimento, como R-99, R-35 e RA-1. “Cada um tem o seu próprio nicho. O grande gol da ARP é a capacidade de permanecer no acompanhamento dos alvos por mais tempo. Com duas aeronaves, podemos nos manter 24 horas sobre a área de interesse”, afirma o comandante do 1°/12° GAV. Com sistemas eletro-óticos capazes de localizar e acompanhar alvos tanto de dia quanto de noite, o Hermes 450 poderá ser utilizado também em tempos de paz, para realizar buscas e apoiar missões de Garantia da Lei e da Ordem. O Esquadrão Hórus foi criado como resultado do Grupo de Trabalho Victor, que durante um ano operou os Hermes 450 experimentalmente para estudar o emprego das ARP na Força Aérea Brasileira. Além de Santa Maria, há o planejamento para que novas unidades sejam criadas nos próximos anos em bases da Força Aérea nas regiões Norte e Centro-Oeste.

FICHA TÉCNICA Peso de decolagem Comprimento Envergadura Carga útil Autonomia Teto operacional Velocidade máxima

450 quilos 6 metros 10 metros 150 quilos até 16 horas 18.000 pés 170 km/h


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HAITI

Capacetes azuis de Manaus integrarão missão de paz nstruções militares, aulas de creole, francês e inglês e preparação física intensa tem sido a rotina dos 27 militares do Batalhão de Infantaria da Aeronáutica Especial de Manaus (BINFAE-MN) que integrarão o 15º Contingente Brasileiro na Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti. O grupo embarcará para Porto Príncipe no dia 2 de agosto. É o segundo pelotão de Infantaria que participa de uma missão desse tipo na Força Aérea. “Nosso pessoal está motivado. Vamos conhecer outro povo, outra cultura e trazer grandes experiências para o Batalhão”, destaca o comandante do pelotão, 1º Tenente de Infantaria Renam Antunes. Segundo ele, um dos pontos fortes do grupo é o fato de já terem participado de missões de ajuda humanitária e de ações cívico sociais. “Nossas missões, nossas atribuições enquanto unidade são bem semelhantes àquelas que eles irão desempenhar no Haiti”, destaca o Comandante do BINFAE-MN, Tenente Coronel Infante Jorge André Carneiro da Cunha. Em Porto Príncipe, o pelotão será responsável pela manutenção da estabilidade e da segurança da área de Delmas, que é onde estão localizados 64 acampamentos que abrigam a população que foi deslo-

BINFAE-MN

I

Vinte e sete militares do Batalhão de infantaria de Manaus passam por treinamento para missão no Haiti

cada após o terremoto. Na região, também está incluída a área do aeroporto. Entre as atribuições do grupo, estão missões de guarda, segurança, escolta, auxílio a organizações não governamentais e apoio as ações da ONU. “O que eles aprenderem, vão trazer para o BINFAE. É uma oportunidade para implantar doutrinas e hábitos que contribuam para a melhoria do Batalhão”, ressalta o Tenente Coronel Carneiro da Cunha. Capacitação - A preparação do grupo foi iniciada em 29 de novembro de 2010 e está sendo realizada em etapas. Atualmente, o grupo

está em Manaus (AM), onde passa por instruções no 1º Batalhão de Infantaria de Selva do Exército. Nesta fase, eles têm instruções de combate em localidade, patrulhamento e escolta. “Nossa preocupação tem sido como fazer o uso da força operando com a presença da população. Também passaremos por situações de atenção como as eleições municipais, previstas para novembro”, diz o Tenente Renam. De acordo com o Comandante do BINFAE-MN, o desempenho dos integrantes do Pelotão da FAB nos treinamentos tem rendido elogios por parte dos instrutores. “Nossos

militares, tanto os que estão em Porto Príncipe quanto os daqui, têm demonstrado iniciativa e disposição. A excelência do trabalho tem sido destacada e está sendo reconhecida”, afirma ele. Em maio, o grupo participou de uma ação cívico social real no município de Presidente Figueiredo (AM). Na ocasião, colocaram em prática os conhecimentos que receberam durante as instruções, tais como organizar a população e promover distribuição dos donativos. No segundo semestre, retornarão ao Brasil os militares do Batalhão de Infantaria de Recife.


Notaer - Edição de Junho