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Ano XXXV

Nº 02

Fevereiro, 2012

ISSN 1518-8558

A-1 modernizado faz primeiro voo em março As aeronaves de caça A-1 passaram por uma modernização completa, incluindo revitalização estrutural e novos sistemas eletrônicos, entre eles o radar SCP-01. Até 2017, a modernização do projeto AMX prevê a entrega de 43 aeronaves para a Força Aérea Brasileira. Conheça os novos itens da aeronave que passa a ser chamada de A-1M. Leia mais na Pág. 8.

ARTILHARIA ANTIAÉREA

2S JOHNSON / CECOMSAER

Ativado o primeiro grupo de defesa de pontos sensíveis da Força Aérea Brasileira. Pág. 8.

LABORATÓRIO

MATERIAL ESCOLAR

Caixas-pretas danificadas já podem ser lidas pelo CENIPA no Brasil

Descubra o que é necessário para você obter o ressarcimento dessas depesas junto a sua organização militar. Pág. 4.

A partir de março, o CENIPA recebe novos equipamentos e se aproxima da capacidade de leitura plena. Esta será a terceira fase de implantação do Laboratório de Leitura e Análise de Dados de Gravadores de Voo. A montagem do laboratório teve investimento de R$ 3 milhões. Pág. 10.

LIVRO A história do Patrono da Força Aérea é retratada pelo escritor Cosme Degenar. Saiba mais na Pág. 13.

SOLIDARIEDADE Logística da FAB ajuda a salvar a vida de uma criança Em 3h15, a equipe médica captou o órgão no Rio de Janeiro e retornou ao Distrito Federal para executar transplante raro de coração infantil. Na luta contra o tempo, a sinergia dos envolvidos venceu mais uma batalha em favor da vida. Leia a história completa na Pág. 5.


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Expediente

CARTA AO LEITOR

O novo status do A-1M modernização do projeto AMX dá novo fôlego para a defesa da soberania nacional. Com a revitalização, a aeronave de caça volta a ocupar o status de principal vetor estratégico da Força Aérea Brasileira. O primeiro voo, programado para março, é só o começo de um processo que prevê a entrega de 43 aeronaves até 2017. O A-1M é a arma que projeta o poder bélico do Brasil em grandes distâncias e alta velocidade. Nesta edição do Notaer, você vai conhecer os detalhes da revitalização da aeronave e outros exemplos do domínio de novas tecnologias a serviço do Brasil. Na área de inves-

Ten Cel Sérgio / III FAE

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tigação de acidentes aeronáuticos, por exemplo, o CENIPA se destaca na América Latina. Com a aquisição dos novos equipamentos, o laboratório

passa a ter condições de ler também caixas-pretas danificadas. Em fevereiro, o Notaer destaca a ativação do primeiro grupo de defesa antiaérea em Canoas, unidade decisiva para a defesa de pontos sensíveis contra vetores aeroespaciais hostis. Todo este aparato eleva nossa atuação operacional. Porém, o que poucos conhecem é que, com frequência, participamos de outra guerra. A batalha contra o relógio para salvar vidas, como é o caso da pequena Larissa. Boa leitura! Brig Ar Marcelo Kanitz Damasceno Chefe do CECOMSAER

O jornal NOTAER é uma publicação mensal do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (CECOMSAER), voltado ao público interno. Chefe do CECOMSAER: Brigadeiro do Ar Marcelo Kanitz Damasceno Chefe da Divisão de Apoio à Comunicação: Coronel Aviador João Tadeu Fiorentini Chefe da Divisão de Comunicação Integrada: Coronel Aviador Antonio Pereira da Silva Filho Chefe da Subdivisão de Produção e Divulgação: Tenente Coronel Aviador Alexandre Emílio Spengler Chefe da Agência Força Aérea: Tenente Coronel Aviador Alexandre Emílio Spengler Chefe da Seção de Divulgação: Major Aviador Rodrigo José Fontes de Almeida Tiragem: 30.000 exemplares Jornalista Responsável: Tenente Jussara Peccini (MTB 01975-SC)

PENSANDO EM INTELIGÊNCIA

Sociedade da Informação e Guerra Cibernética A chamada sociedade da informação, altamente alicerçada em complexos sistemas de Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC), determinou uma profunda mudança na estrutura e nas ações desenvolvidas pelas pessoas e organizações. A telemática (telecomunicações e informática) eliminou as fronteiras existentes entre os Estados, propiciando uma verdadeira fusão das sociedades mundiais com a rede de computadores. Agora, a informação está capilarizada mundialmente por meio da infovia, levando a sociedade hodierna a uma crescente dependência das redes informatizadas. Nesse sentido, a capacidade de transferência de imensas quantidades de informação entre quaisquer pontos do planeta está alterando significativamente a noção de soberania, na medida em que a autoridade suprema de um Estado já não se encontra adstrita ao seu espaço físico, ampliando-se agora aos limites do espaço cibernético. No mundo moderno, as ameaças à

segurança nacional são cada vez mais onipresentes. Assegurar, portanto, a disponibilidade e integridade das redes de dados tornou-se um dos objetivos da segurança nacional dos países desenvolvidos, visto que todos dependem de TIC para garantir a continuidade das atividades humanas e organizacionais. Assim, pode-se afirmar que, com mais ênfase, a partir da década de 90, a evolução dos sistemas de TIC transformou a arena cibernética em um espaço de combate multidimensional, que estende o campo de batalha convencional para o domínio virtual, onde as infraestruturas críticas nacionais estão expostas a ameaças significativas. Nessa esteira, as organizações militares, igualmente, têm procurado acompanhar a “revolução tecnológica” das áreas de telecomunicações e de informática, como uma solução para o alcance da melhor eficácia gerencial, seja na área administrativa ou operacional. Consequência disso é que a guerra moderna encontra-

-se umbilicalmente dependente dos sistemas de TIC. Assim, é possível empregar ferramentas cibernéticas que exploram as vulnerabilidades desses sistemas, com distintas finalidades. Particularmente, a aplicação militar dessas ferramentas com o fito de ampliar a capacidade operacional de uma força armada é denominada por Guerra Cibernética. Portanto, as modernas organizações da sociedade da informação estão diante de um paradoxo interessante, pois, se por um lado os sistemas de TIC melhoram e otimizam substancialmente o desempenho organizacional e operacional, por outro lado também acrescentam novos riscos ao próprio desempenho, com o aparecimento de vulnerabilidades que expõem os sistemas cibernéticos a toda sorte de ataques, tais como simples vandalismo, crimes, terrorismo, ações de espionagem ou de guerra cibernética. (Centro de Inteligência da Aeronáutica)

Repórteres (JOR): Tenente Alessandro Silva, Tenente Marcia Silva, Tenente Flávio Nishimori, Tenente Humberto Leite, Tenente Gabriela Hollenbach (BAFL), Tenente Raquel Sigaud (CENIPA), Tenente Carla Dieppe e Tenente Jussara Peccini Colaboradores: CIAER e SISCOMSAE (textos enviados ao CECOMSAER, via Sistema Kataná, por diversas unidades) Diagramação, Arte e Infográficos: Suboficial Cláudio Bonfim Ramos, Sargento Rafael da Costa Lopes e Cabo Lucas Maurício Alves Zigunow Revisão: Tenente REP Talita Vieira Lopes e Suboficial Cláudio Bonfim Ramos Estão autorizadas transcrições integrais ou parciais das matérias, desde que mencionada a fonte. Comentários e sugestões de pauta sobre aviação militar devem ser enviados para: redacao@fab.mil.br Esplanada dos Ministérios - Bloco “M” - 7º andar CEP - 70045-900 Brasília - DF

Impressão e Acabamento: Log & Print Gráfica e Logística S.A


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PALAVRAS DO COMANDANTE

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Tenente-Brigadeiro do Ar Juniti Saito Comandante da Aeronáutica

2S JOHNSON / CECOMSAER

brasileiros: helicópteros pousando em áreas inóspitas nos momentos de calamidade pública – em determinadas situações, o único meio de resgatar vidas. Graças ao esforço profissional dos que nos antecederam, podemos vivenciar um salto operacional na Aviação das Asas Rotativas. Com a disponibilidade de vetores de qualidade, a experiência das equipes pode ser mensurada nas inúmeras missões que os esquadrões, distribuídos estrategicamente pelo Brasil, desempenham. A chegada do EC-725, na FAB denominado de H-36, que já opera no Esquadrão Falcão, em Belém (PA), também representa um período de transformação para a indústria aeronáutica nacional. As primeiras unidades entregues às Forças Armadas no final de 2010 representam a aquisição de um pacote tecnológico. O equipamento coloca o país em posição de destaque ao dispor de capacidade de reabastecimento em voo. Como projeto concebido especificamente para a guerra, o russo AH-2 Sabre, já à disposição do Esquadrão Poti, em Porto Velho (RO), reforça a capacidade de pronta resposta e a presença da FAB na Amazônia Ocidental. Já o H-60 BlackHawk coleciona missões que também orgulham a FAB. Disponíveis no 7o/8o GAV e no 5o/8o GAV já foram utilizados, por exemplo, no resgate das vítimas de enchentes em diferentes pontos do Brasil, na vizinha Bolívia e no terremoto do Chile. Foi a bordo dele que policiais federais libertaram trabalhadores que viviam em regime de escravidão em São Felix do Xingu, no Pará, em meio da Selva Amazônica. Hoje os desafios são outros. Mas os sonhos de ter uma Aviação de Asas Rotativas forte e atuante já está consolidado.

CB SILVA LOPES/ CECOMSAER

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esde 1953, quando a Força Aérea Brasileira iniciou as operações de Asas Rotativas, tornou-se inegável a versatilidade e a possibilidade de emprego do poder aéreo que os helicópteros oferecem. Agora, a revitalização das plataformas operacionais, a partir da incorporação dos modelos H-36 Caracal, AH-2 Sabre e H-60 BlackHawk à frota, permite escrever um novo capítulo na operacionalidade da força como uma valiosa arma para a defesa dos interesses do país. Na guerra, o helicóptero é o responsável por perpetuar o combate. Dispensa pistas de pouso e possui a flexibilidade de movimentação necessária para obter vantagem em áreas hostis. Além da verdadeira vocação de resgate em combate, tem condições de realizar o que praticamente todas as demais aviações executam: transporte, escolta, ataque, interceptação e patrulha aérea de combate. A capacidade de operar em áreas remotas foi incrementada, entre outros, com o emprego de equipamentos de visão noturna (NVG), técnicas de navegação entre obstáculos (NOE), potencialidade do emprego de armamentos, sistemas de autodefesa e sensores de consciência situacional. O conjunto da força ganha com a possibilidade de um helicóptero apto a interceptar aeronaves de baixa performance, tornando-se um elo efetivo do Sistema de Defesa Aeroespacial Brasileiro (SISDABRA). Em tempo de paz, são outras as missões que nos fazem lembrar do rotor dos motores. Signatário dos acordos internacionais de Busca e Salvamento, o Brasil confiou à FAB a missão de salvar vidas. Foi assim que esta aviação passou a prestar um serviço inestimável ao país, conduzindo para a segurança pessoas em perigo, na terra e no mar. É esta a imagem que está consolidada na memória dos

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Um salto operacional


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EDUCAÇÃO

FAB apoia militares na compra de material escolar Despesa feita por militares e dependentes pode ser restituída depois de avaliação da assistência social

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o início de cada ano letivo, militares da ativa, inativa, pensionistas e dependentes em situação de vulnerabilidade social podem solicitar o ressarcimento de parte das despesas com aquisição de material, livros e uniformes escolares. O benefício também vale para pagamento de mensalidades de crianças portadoras de necessidades especiais. Os valores são depositados em conta corrente mediante a apresentação das notas fiscais e avaliação da assistência social. Esta é a segunda edição do Projeto Educação, coordenado pela Subdiretoria de Encargos Especiais (SDDE) da Diretoria de Intendência (DIRINT). De acordo com a Tenente Coronel Assistente Social Rita Emília Alves da Silva, chefe da equipe técnica do projeto, este apoio complementa um espaço que demanda atenção. “Os valores [com educação] sobrecarregam os orçamentos familiares no

início do ano. A restituição dá fôlego para as famílias”, avalia. Em 2011, cerca de aproximadamente 15 mil militares e dependentes foram beneficiados. Os recursos do projeto são do fundo de assistência social. Parte das receitas tem origem nas contribuições (código L-30) descontada no contracheque. O valor máximo do benefício é de um salário mínimo por dependente. As solicitações devem ser feitas na seção de assistência social da organização militar. Atenção: informe-se na sua unidade sobre os prazos. A documentação a ser apresentada é a seguinte: Para o ressarcimento de despesas com material escolar e uniforme: 1) nota fiscal ou cupom fiscal dos materiais da listagem expedida pela escola; 2) cópia de declaração de bene-

ficiário; 3) comprovante de matrícula escolar (declaração da escola em papel timbrado e assinado pela direção ou coordenação); 4) lista do material solicitado pela escola; 5) cópia do contracheque atual; 6) comprovante de despesas (ex. aluguel, condomínio, luz, mensalidades escolares, etc). Para pagamento de escola para criança portadora de necessidades especiais: 1) declaração médica, com validade de até 180 dias; 2) cópia da declaração de beneficiário; 3) orçamento da escola; 4) cópia do contracheque atual; 5) comprovante de despesas (ex. aluguel, condomínio, luz, mensalidades escolares, etc).

Estudantes do Projeto Rondon visitam Alcântara CLA

No centro de lançamento, universitários vivenciam simulação do momento final de lançamento de foguete

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Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) recebeu em janeiro a visita de 217 estudantes universitários de diferentes estados brasileiros. Eles assistiram a simulação de lançamento e conheceram a área de lançamento dos foguetes. A visita faz parte das atividades referentes à Operação Pai Francisco do Projeto Rondon 2012. No auditório do Centro de Controle, os rondonistas vivenciaram os momentos finais de um lançamento. Com uma apresentação simulada na Sala de Controle, puderam conhecer um pouco da rotina de técnicos e engenheiros civis e militares durante os preparativos até

o lançamento e rastreamento do veículo lançado. Projeto Rondon - Ligado ao Ministério da Defesa, o projeto, desde 1967, promove o intercâmbio de experiências entre estudantes universitários de todo o Brasil e comunidades em situação de risco social espalhadas pelo país. Neste ano, os rondonistas percorrerão os estados do Maranhão e Tocantins. Os estudantes desenvolverão projetos em diversas áreas como: cultura, educação, saúde, comunicação, meio ambiente, trabalho e tecnologia e produção, colocando em prática os conhecimentos adquiridos nas universidades.


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SOLIDARIEDADE

Bebê ganha nova chance de vida com transplante raro Na batalha contra o tempo, logística da FAB foi fundamental para o sucesso da operação realizada no DF

“Na chegada à Base Aérea, a recepção foi marcante, todos desejavam boa sorte, do desembarque ao portão de saída” Um C-95 Bandeirante do Terceiro Esquadrão de Transporte Aéreo (3o ETA) transportou a equipe médica que captou o coração no Rio de Janeiro. Um jato C-99 do Grupo de Transporte Especial (GTE) trouxe o órgão para Brasília. “Na chegada à Base Aérea, a recepção foi marcante, todos desejavam boa sorte, do desembarque ao portão de saída”,

observou uma das especialistas da equipe de transplantes, Letycia Chagas Fortaleza. Para o comandante do jato, Major Aviador Gláucio Octaviano Guerra, a missão não terminou com o desembarque do coração. “Por muitas vezes, eu tive de resistir à vontade de ir ao hospital para ver a menina e saber notícias dela”, confessa. “São coisas que marcam a vida da gente”, revela. Na batalha pela vida, a sinergia de todos os envolvidos venceu a corrida contra o tempo. Até o fechamento desta edição, a guerreira Larissa permanecia em recuperação no Hospital das Forças Armadas, em Brasília, com previsão de alta para o início deste mês. Ela recomeça a vida com mais cuidados, é verdade, mas com muito mais esperança. A família já sabe o que vai fazer assim que a garotinha puder viajar. “Primeiro, vamos ao Rio de Janeiro abraçar os pais do doador; foi um ato de coragem e amor”, afirma Silvânia. “Depois, gostaríamos também de agradecer pessoalmente aos pilotos da FAB”, acrescenta.

C-130 Hércules e C-105 Amazonas em missão Remédios na enchente - levando a bordo 2,2 toneladas de medicamentos e material do Ministério da Saúde, o avião decolou de Brasília, em janeiro, para o socorro das vítimas de enchentes, em Minas Gerais. Os kits de emergência são suficientes para o atendimento de cerca de cinco mil pessoas durante três meses. 2S JOHNSON / CECOMSAER

Prestes a voltar para casa, Larissa se recupera em companhia dos pais e do médico

AJUDA

Brigadistas no Chile - Na primeira semana de janeiro, 50 brigadistas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) foram levados para o Chile para ajudar a combater os incêndios. 2S JOHNSON / CECOMSAER

m 3 horas e 15 minutos, um coração deixou Niterói, no Rio de Janeiro, para devolver a vida a uma garotinha de um ano e 8 meses internada em Brasília. Toda a operação envolvia uma corrida contra o tempo. Pela primeira vez, médicos do Instituto de Cardiologia do Distrito Federal captavam um órgão fora da capital para a realização de um transplante. “A agilidade é determinante para o sucesso do procedimento, o coração tolera apenas 4 horas fora do corpo”, explica o médico Fernando Atik, chefe da equipe responsável pela cirurgia de retirada do órgão de um doador de um ano e nove meses, vítima de morte encefálica. A paciente que recebeu o coração também travava uma batalha desesperada contra o relógio. Com o quadro de cardiomiopatia dilatada, a expectativa de vida de Larissa era de apenas seis meses, segundo os médicos. A doença que faz o coração parar de bombear o sangue levou a menina para a UTI e a ter prioridade nacional na fila de transplantes. O caso ganhou repercussão na virada do ano, chamou a atenção do país para a importância da doação de órgãos e marcou a todos os envolvidos na luta pela vida de Larissa, filha única com gênio de uma pequena “guerreira”, define a mãe Silvânia da Silva Ferreira de 27 anos. Reunidos na mesma trincheira, médicos, enfermeiros, soldados, mecânicos de voo e pilotos trabalharam em sintonia para que tudo desse certo. Duas aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) foram acionadas para a chamada Missão de Misericórdia no início de janeiro. “A logística de transporte foi decisiva para o sucesso do transplante”, afirma o cardiologista pediátrico Francisco Sávio de Oliveira Júnior que acompanha o caso de Larissa desde o início da doença, diagnosticada em julho do ano passado.

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Força Nacional no Ceará – Na virada do ano, aviões de transporte partiram de Fortaleza e Brasília, transportando 79 militares do Exército e 67 bombeiros da Força Nacional de Segurança para apoiar a segurança pública no Ceará, que decretou situação de emergência em razão da greve de policiais no Estado.


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ESPORTE

APAE participa de colônia de férias em Florianópolis Durante dez dias, portadores de necessidades especiais desenvolvem atividades lúdicas e fazem oficinas militares lunos portadores de necessidades especiais da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) e da Fundação Catarinense de Educação Especial (FCEE), de Florianópolis e São José, estiveram na Base Aérea de Florianópolis (BAFL), entre 4 e 24 de janeiro, para a 16a Colônia de Férias Voo Livre. Há 16 anos, no mês de janeiro, dois grupos com cerca de 35 pessoas cada, entre alunos e instrutores, hospedam-se durante dez dias no alojamento da BAFL. De lá, após o café da manhã, partem diariamente para uma atividade lúdica na região. “O que eles gostam mesmo é a trilha da Base Aérea. É o ponto alto da colônia de férias”, conta a coordenadora do segundo grupo e instrutora da APAE, Alexandra Silva, explicando que esses dias em que os alunos passam juntos na Base Aérea ajudam a reforçar os vínculos e subsidiar o processo educativo e de inclusão social.

BAFL

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A trilha na Base é um dos eventos mais aguardados pelos alunos No dia mais aguardado, quando ocorre a trilha, os alunos vestem fardamento camuflado, pintam o rosto e entram em forma. Eles seguem as orientações do Sargento da Reserva José Gilberto Luz, que conduz o grupo

pela mata na área da base acompanhado de militares voluntários. Como num curso militar, os alunos - inclusive cadeirantes - percorrem as trilhas até as áreas das oficinas, onde Luz explica, em breve

SAÚDE

lição, como conseguir água, fogo e comida. “Se a pista está seca, a gente molha para ter mais emoção”, diz o Tenente Coronel Waldivyo da Costa Paixão, que organiza e acompanha a aventura. De volta à Base, eles participam de um luau e assistem a filmes. “Eu estou muito feliz de estar aqui”, disse José Flávio Pires Rosa, portador de deficiência múltipla e representante da APAE Florianópolis na Coordenação de Autodefensores da Federação Nacional das APAE. Agradecimento - A presidente da APAE, Arlete das Graças Torri, agradeceu pelas reformas de adaptação executadas no Auditório Anita Garibaldi, localizado na BAFL. Para melhor receber o grupo, o espaço teve banheiros adaptados e rampas de acesso para portadores de necessidades especiais. “A preocupação em possibilitar o acesso a essas pessoas torna o Brasil um país mais cidadão, justo e solidário”, elogiou.

Militares do Para-Sar no europeu de Jiu-Jitsu

CPBV

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Aspirante Médico Carlos Magno dos Reis e o 3º Sargento Edílson Francisco da Rocha Carvalho, do Campo de Provas Brigadeiro (CPBV), fizeram o parto do pequeno Nicolas. Na tarde de domingo (22/1), o carro em que estava a jovem Deise Aparecida Pontes Carrial, 19 anos, já em trabalho de parto, parou em frente ao portão da unidade da FAB em busca de ajuda. Ela e o marido, Gissi James da Silva, 31 anos, vinham da cidade de Moraes Almeida (PA), com destino a Guarantã do Norte (MT).

PARA-SAR

Equipe médica do Campo de Provas Brigadeiro Velloso (PA) realiza parto

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Capitão de Infantaria Fábio Hekel Lopes Moreira, 32, e o Tenente Médico Felipe Domingues Lessa, 32, participam pela primeira vez de uma competição internacional, o Campeonato Europeu de Jiu-Jitsu, realizado entre os dias 26 e 29 de janeiro, em Lisboa, Portugal.


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MISSÃO DE PAZ

Haiti: novo contingente da FAB embarca em março uando o Soldado Kaue Correa dos Santos Froes chegou ao Haiti, um mês após o terremoto que devastou a capital Porto Príncipe, em 2010, o cenário era desolador. “Havia muita destruição, inúmeras pessoas pedindo ajuda e um pouco de comida. A situação estava muito feia”, relembra. Passados dois anos da tragédia, o Soldado Kaue se prepara para sua segunda estada naquele país. Ele é um dos 27 militares do Batalhão de Infantaria de Aeronáutica Especial de Brasília (BINFAE-BR) que vão integrar o 16º Contingente da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH). O embarque do Pelotão está previsto para o final do mês de março. O Batalhão Alvorada vai substituir o Batalhão de Infantaria de Aeronáutica Especial de Manaus (BINFAE-MN), que está no Haiti desde agosto de 2011. O grupo deve permanecer no Haiti por oito meses. Este será o terceiro contingente da Aeronáutica a participar da missão de paz. Os militares de Brasília irão integrar a Primeira Companhia de Fuzileiros de Força de Paz. “Realizaremos escolta de comboio, patrulhas a pé e motorizada, controle de distúrbios, entre outras atividades”, ressalta o Tenente Samuel Frank da Silva Gonçalves, comandante do Pelotão. “A expectativa é a melhor possível, de poder ajudar um povo sofrido. A gente vai com o pensamento de poder ajudar, de contribuir, de colocar mais um tijolo para a pacificação daquele país”, complementa o Oficial. Para grande parte do efetivo, esta será a primeira missão internacional. É o caso do Cabo Vitor Luis Nascimento Borges. “Para nós militares, além de ser uma oportunidade ímpar, é uma satisfação pessoal muito grande, não tem preço esse tipo de ajuda”. O Soldado Jairo Lins Lima alimenta grandes expectativas. Fluente no idioma inglês, ele pretende utilizar

esse diferencial para auxiliar seus companheiros. “Espero poder ajudar o Pelotão na questão da comunicação quando necessário. Sinto-me muito orgulhoso de participar dessa missão e a expectativa é voltar com a consciência de que a gente ajudou um país com grandes necessidades”, afirma o Soldado. Seleção - O pelotão é composto por 15 Soldados, sete cabos, quatro sargentos e um oficial. A seleção incluiu testes de condicionamento físico, inspeção de saúde e critérios operacionais, sendo exigido dos candidatos os estágios de operações especiais e de Polícia de Aeronáutica. Entre os dias 22 de janeiro e 10 de fevereiro, o grupo fez estágio na 3ª Brigada de Infantaria do Exército, na cidade de Cristalina (GO).

Pelotão, composto por 27 militares, realiza vários treinamentos antes da viagem

Haiti 2

Psicologia faz trabalho inédito em missão de paz

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ela primeira vez, uma equipe de psicólogas do Instituto de Psicologia da Aeronáutica (IPA) acompanhou de perto a rotina dos militares do Batalhão de Infantaria de Manaus (BINFAE-MN) que foram enviados a Porto Príncipe, capital do Haiti. No final de 2011, os militares participaram da missão de paz para identificar os fatores que podem causar estresse nas tropas nesse tipo de trabalho. O objetivo é melhorar o planejamento para a preparação dos próximos profissionais que serão enviados para o exterior. A distância da família, a convivência com outra cultura e até os eventuais conflitos locais, típicos desse tipo de missão, podem ser obstáculos para os militares que participam desse trabalho, de acordo com o IPA. De acordo com a Tenente Psicóloga Fabrícia Barros de Souza foi uma experiência profissional única.

IPA

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Militares irão integrar a Primeira Companhia de Fuzileiros de Força de Paz; missão deve durar oito meses

Psicólogas da Força Aérea acompanham de perto a rotina dos soldados no Haiti

”Nossos militares foram receptivos e contribuíram de forma significativa com a coleta de dados.” Todos demonstraram ser profissionais altamente capacitados e comprometidos com a missão, observa a Tenente. “A rotina de trabalho foi intensa e seus resultados representam apenas o

início de uma empreitada ousada que coloca o IPA diante do desafio de desenvolver e dar visibilidade às ações da psicologia no âmbito operacional” afirma. A Vice-Diretora do IPA, Tenente Coronel Psicóloga Ana Lúcia Lopes, chefiou a missão.


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REAPARELHAMENTO

A-1 modernizado pronto para realizar primeiro voo Aeronave de caça passa por modernização e revitalização estrutural; mudança inclui novos sistemas eletrônicos m março de 2012, na sede da Embraer em Gavião Peixoto (SP), acontece o voo inaugural do protótipo do A-1 modernizado, projeto que prevê a entrega de 43 aeronaves revitalizadas para a Força Aérea Brasileira até 2017. Os Esquadrões de Caça já recebem as primeiras unidades no próximo ano. As aeronaves A-1 passam por uma revitalização estrutural e recebem novos equipamentos, entre eles o radar SCP-01, com modos ar-ar, ar-solo e ar-mar. Uma segunda aeronave de testes, biplace, deverá voar em julho. Serão mantidas características elogiadas da aeronave, como o raio de ação, a capacidade de reabastecimento em voo e os dois canhões de 30mm. Além do radar, os caças também ganharam um sistema integrado de auto-defesa com alerta de detecção de radar (RWR) e de aproximação de mísseis (MLAWS), contramedidas (AECM) e lançadores de iscas para mísseis (chaff e flare). Os A-1 também vão poder voar com casulos equipados com sistemas de reconhecimento e designação de alvos, além do Skyshield, que tem a capacidade de bloquear e despistar radares de busca em solo, embarcados ou de guiagem de mísseis. Todas as informações serão apresentadas ao piloto em três telas multifuncionais coloridas. Juntas, elas somam 121 polegadas quadradas para exibição, desde parâmetros de funcionamento do motor até o cenário tático da missão. Os pilotos vão contar ainda com um novo visor na altura dos olhos (Head Up Display), um visor montado no capacete (Helmet Mounted Display) e a facilidade de todos os comandos poderem ser acessados sem tirar as mãos do manche e da manete de potência, de acordo com o conceito HOTAS (Hands on Throttle And Stick). História - Recebidos a partir de

1990, os A-1 trouxeram para a FAB novidades como computadores de mira. Fabricado pela Embraer em parceria com empresas italianas, o A-1 opera hoje nos Esquadrões Adelphi, Poker e Centauro, baseados no Rio de Janeiro (RJ) e Santa Maria (RS). As aeronaves brasileiras já participaram de operações como a Ágata e inúmeros exercícios, entre eles as cinco edições da CRUZEX, a Tigre e a Red Flag, nos Estados Unidos. Já a Itália voou seus A-1 em missões reais sobre os Balcãs, o Afeganistão e a Líbia. Sistemas de Guerra de Eletrônica e Autodefesa

OBOGS Visor de Capacete (HMD) e compatibilidade com NVG

Nova aviônica Radar SCP-01

Incorporação de itens estruturais visando aumento da vida em fadiga

Designador Laser / FLIR

OPERACIONAL

FAB ativa 1o Grupo de Artilharia Antiaérea A missão é defender pontos aerospaciais sensíveis de interesse da Aeronáutica

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1º Grupo de Artilharia Antiaérea de Autodefesa (GAAAD) ativado em 12/1 na Base Aérea de Canoas, no Rio Grande do Sul, tem como missão realizar a defesa antiaérea de pontos sensíveis de interesse da Aeronáutica contra vetores aeroespaciais hostis, impedindo ou dificultando o seu ataque. Segundo o Tenente Coronel de Infantaria José Roberto de Queiroz Oliveira, que assumiu o cargo de comandante da unidade, “os militares do grupo já estão preparados para operar em qualquer lugar do Brasil”. No evento, o Comandante-Geral de Operações Aéreas (COMGAR), Tenente Brigadeiro do Ar Gilberto Antonio Saboya Burnier, destacou que a ativação do 1º GAAAD estabe-

lece um importante marco do avanço da Infantaria da Aeronáutica no seu preparo e emprego. O 1º GAAAD é uma unidade tática que tem como finalidade capacitar suas equipagens para o emprego em combate ou em apoio ao combate, nos períodos de conflito, bem como adestrar-se para o cumprimento das missões atribuídas, em tempo de paz. Estão em estudos a ativação de duas novas unidades. Origem - o grupo nasceu na 1ª Companhia de Artilharia Antiaérea de Autodefesa, órgão do Batalhão de Infantaria da Aeronáutica Especial de Canoas, que, desde 1997, desenvolveu e aprimorou a doutrina de emprego da artilharia antiaérea na FAB.

COMGAR

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ENTREVISTA – DIA DA AVIAÇÃO DE ASAS ROTATIVAS

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momento da Aviação de Asas Rotativas é de reequipamento e ampliação da capacidade operacional, segundo o Brigadeiro do Ar José Alberto de Mattos, comandante da Segunda Força Aérea (II FAE), que, em entrevista ao NOTAER, falou sobre a atuação e os desafios para os esquadrões da Força Aérea. Leia a entrevista: NOTAER - Brigadeiro, qual a importância da Aviação de Asas Rotativas para a FAB e para o país? Brigadeiro do Ar José Alberto de Mattos - Compreender o contexto e a importância da Aviação de Asas Rotativas requer um mergulho na própria história das gerações que acreditaram que mudanças eram possíveis. Além da indiscutível capacidade de realizar as missões de busca e resgate, muito pouco nos restava no campo do emprego do poder aéreo. O paradoxo de poder cumprir qualquer tipo de missão era uma benção e ao mesmo tempo um mal. Nossa polivalência, que era tão aceita para as atividades de paz, não o era para as de guerra. Embalados pelos sonhos dos antigos Esquadrões Mistos de Reconhecimento e Ataque (EMRA), brigávamos por uma identidade própria que nos orientasse ao emprego em prol da FAB. Quando o Exército Brasileiro ativou sua própria frota de helicópteros, o que parecia ser uma perda de poder e de missão, transformou-se num grande incentivo. Devíamos conquistar novos horizontes e foi, através do mesmo SAR, agora com a roupagem do combate, o CSAR, que nossa longa caminhada recomeçou. Nunca será demais relembrar uma RAAR em Manaus, quando uma das unidades operadoras apresentou o H-50 Esquilo, armado a partir de um projeto bastante interessante. Naquele momento ouvimos, pela

primeira vez e provocados por um dos comandantes de nossas unidades, o grito de guerra que ecoa até os dias de hoje ... "Aos rotores, o sabre". Em busca de nosso SABRE e convencidos da necessidade de agregar potencialidades aos vetores de Asas Rotativas, que ingressariam em território hostil para a escolta no resgate e o ataque no combate, iniciamos os treinamentos de combate aéreo entre helicópteros, que foi secundado pelo combate dissimilar, momento em que foi comprovado que o maior inimigo de um helicóptero seria outro e não uma aeronave de asa fixa, como se propagava à época. Ilhas de excelência foram ativadas para que os conhecimentos recém adquiridos não se perdessem, mas sim pudessem ser transferidos para outras unidades e assim foi feito; umas unidades desenvolviam a capacidade de voar com óculos de visão noturna (NVG), outras, perfis de navegação entre obstáculos (NOE), técnicas de CSAR, reabastecimento e rearmamento em pontos remotos. Algumas passaram a ter papel também na defesa aérea de pontos sensíveis. Todas estas ações e estudos aconteceram sempre em paralelo com nossa vocação de integrar, cada vez mais, o nosso país e cuidar do nosso povo, através da continuada luta nas vacinações amazônicas, da atuação nas grandes calamidades que afetam nosso país e alguns dos nossos vizinhos e na presença diária de nossas tripulações prontas para o SAR, salvando vidas em toda a imensidão deste país. NOTAER - Quais são os principais investimentos da FAB na Aviação de Asas Rotativas e os reflexos disso, hoje, na área operacional? Brigadeiro do Ar Mattos - Voávamos e ainda voamos em algumas

2S JOHNSON / CECOMSAER

Momento é de ampliação da capacidade operacional, afirma comandante da Segunda Força Aérea

de nossas bases aéreas, antigas aeronaves que não atendem a plenitude de nossa vocação. Mas o ponto de inflexão, já superado em termos conceituais, está acontecendo nestes tempos. Há alguns anos voamos os BlackHawk na Amazônia e, mais recentemente, eles também chegaram aos pampas gaúchos. Teremos, assim, duas robustas unidades operando H-60 [BlackHawk]. Há pouco mais de um ano, recebemos o AH-2 [Sabre], plataforma responsável por significativa mudança em nossa capacidade de ataque com helicópteros e logo estaremos recebendo novos EC-725 [Cougar], além daquele que hoje já opera no 1º/8º Grupo de Aviação, na Base Aérea de Belém, plenamente equipados para o CSAR e permitindo que todos os conhecimentos sejam praticados em novos e bem equipados vetores de combate. Complementando este quadro, tivemos a concentração dos helicóp-

teros Esquilo na instrução em Natal, o que permitiu um maior volume de horas de treinamento dos novos integrantes de nossa Aviação. Enfim, o momento é de reequipamento e ampliação da capacidade operacional da Aviação de Asas Rotativas. Os novos helicópteros possibilitam à FAB um salto significativo, na medida em que tais plataformas possuem desempenho, armamentos, sensores e equipamentos que suprem plenamente as lacunas operacionais dos antigos vetores. Permitem ainda, maior segurança aos tripulantes no cumprimento das missões, em face de blindagens, sistemas modernos de navegação e redundância de equipamentos vitais. Toda esta nova estrutura operacional, quando associada à capacidade, já praticada por diversas unidades aéreas, de voar noturno, atuará como fator multiplicador ao permitir o voo durante 24 horas.


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TECNOLOGIA

Caixas-pretas danificadas podem ser lidas no Brasil

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Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), localizado em Brasília, receberá, em março de 2012, os equipamentos que permitirão a leitura de gravadores de voo danificados. Esta será a terceira fase de implantação do Laboratório de Leitura e Análise de Dados de Gravadores de Voo (LABDATA), responsável pela extração e interpretação de áudio e dados contidos na memória das caixas-pretas – como são chamados popularmente os gravadores de voo. Essas informações são usadas na investigação de acidentes e incidentes aeronáuticos com a finalidade de prevenção. Desde 2007, o Comando da Aeronáutica investiu aproximadamente R$ 3 milhões na montagem do laboratório. A principal vantagem do projeto é ampliar a investigação e prevenção de acidentes no Brasil. Nos primeiros dois anos (2010 e 2011), as atividades do LABDATA se concentraram em extrair dados de caixas-pretas em bom estado de conservação, isto é, que se mantiveram intactas depois do acidente. No total, foram feitas 59 degravações (download de áudio e de dados). Entre elas, seis foram para órgãos investigadores da Angola, Bolívia e Colômbia. No continente americano, há somente três países que possuem laboratório de gravadores de voo: Canadá, Estados Unidos e, recentemente, Brasil. Gravador de voo é o nome genérico para o Cockpit Voice Recorder (CVR) – gravador da fala dos pilotos na cabine de comando da aeronave – e Flight Data Recorder (FDR) – gravador de dados da aeronave, chamados parâmetros de voo, como altitude, aceleração vertical, posição do trem de pouso etc. Os gravadores de voz, em geral, armazenam as duas últimas horas do voo. Para facilitar a investigação, o áudio dos 30 minutos finais

é disponibilizado em alta qualidade. Por outro lado, os gravadores de dados atuais chegam a armazenar informações referentes a dezenas de horas de voo. “Os gravadores mais modernos conseguem gravar centenas de parâmetros. No entanto, o investigador usa cerca de 20% dos dados”, explica o gerente do Projeto LABDATA, Coronel R1 Fernando Camargo. O LABDATA também reconstrói virtualmente os parâmetros de voo, por meio de animação gráfica, e fornece ao investigador a visualização do comportamento da aeronave antes do acidente. Economia de tempo - O LABDATA é mais uma ferramenta para a prevenção, porque deixa o gravador de voo acessível ao investigador brasileiro. Além dos acidentes, os incidentes aeronáuticos são investigados com mais rapidez, o que diminui o impacto na operacionalidade da empresa aérea. Quando o CENIPA solicita o gravador de voo à empresa, a aeronave envolvida no incidente fica parada se não houver gravador extra para a reposição. “Com a possibilidade de extrair os dados aqui no CENIPA, essa aeronave vai ficar parada por dois ou três dias. Se não existisse o Laboratório, até que fosse autorizada a missão para o exterior, demoraria pelo menos um mês para a leitura”, detalha o Coronel. Outras desvantagens de levar caixas-pretas para o exterior são os custos com passagens e diárias e a alteração na rotina do órgão investigador estrangeiro. “Embora nos prestem apoio com a maior solicitude, sabemos que atrapalha o serviço deles”, explica o Coronel Camargo. Laboratório: gestão estratégica – A partir de 2011, a Chefia do CENIPA impulsionou o desenvolvimento do laboratório com a aquisição de equipamentos e formação de pessoal.

FOTOS: CENIPA

Laboratório do CENIPA é o único do gênero na América Latina e agora se aproxima da capacidade de leitura plena

Gravadores de voz, em geral, armazenam as duas últimas horas de voo

Exemplo disso foi acompanhamento, em maio do ano passado, na França, da degravação das caixas-pretas do Air France 447. “As caixas-pretas haviam ficado mergulhadas no oceano por dois anos. Enviamos o Tenente Coronel Sidnei Veloso da Silva para acompanhar o procedimento”, explica o Chefe do CENIPA, Brigadeiro Carlos Alberto da Conceição. O LABDATA pretende ainda ter a capacidade de fazer a leitura de outros tipos de memórias não voláteis presentes nas aeronaves de pequeno porte, como GPS (do inglês: Global Positioning System), de FADEC (Full Authority Digital Engine Control) e até de alguns sistemas de freios. Novos equipamentos e treinamento são decisivos para esta etapa


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Força Aérea realiza com sucesso ensaio com motor de foguete e satélite de reentrada Projetos são fundamentais para domínio de tecnologias e autonomia do Brasil no setor aeroespacial Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), concluiu duas importantes etapas no desenvolvimento de pesquisas de propulsão líquida para foguetes e de uma plataforma espacial (satélite de reentrada) para a realização de experimentos em ambiente de microgravidade, em São José dos Campos (SP). Os ensaios com o Motor L5 foram retomados em agosto do ano passado. Em dezembro, pesquisadores da Divisão de Propulsão Espacial realizaram ensaio de qualificação em solo para verificar o desempenho do motor em condições atmosféricas. Foram realizadas medidas de empuxo, vazões, pressões e temperaturas em diferentes pontos das linhas de alimentação dos propelentes, bem como no próprio motor (cabeçote de injeção, câmara de combustão e tubeira). A equipe do Projeto SARA (Satélite de Reentrada Atmosférica) testou com sucesso o sistema de paraquedas do veículo Sara Orbital, que ajudará no resgate da cápsula depois do lançamento. O subsistema de recuperação é composto por quatro paraquedas. O ensaio foi realizado em duas etapas; a primeira envolvendo a aba piloto e o paraquedas de arrasto, e a segunda envolvendo os paraquedas principais. “As pesquisas relacionadas com propulsão líquida e reentrada na atmosfera são de grande relevância porque nos darão o domínio de tecnologias críticas nestas duas áreas. Tais conhecimentos são fundamentais para a autonomia do país no setor espacial. Em geral, são tecnologias já dominadas pelas nações desenvolvidas no setor e que não

FOTOS: IAE

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Ensaio do motor L5, de propulsão líquida, no Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE)

Câmara de cobre do motor L5

são disponibilizadas para aquisição. São tecnologias de elevado valor agregado e portanto de grande valia estratégica e econômica”, afirma o Brigadeiro Engenheiro Francisco Carlos de Melo Pantoja, diretor do IAE. Satélite – O Projeto SARA é composto de quatro veículos, dois suborbitais e dois orbitais. O primeiro veículo da série, o Sara Suborbital, deve ser lançado ainda neste ano. O projeto compreende o desenvolvimento de uma plataforma espacial para experimentos em ambiente de

líquida L5 utilizará querosene e oxigênio líquido em sua versão final. Porém, para o desenvolvimento, em lugar da querosene, os pesquisadores do IAE têm utilizado o etanol, que produz uma queima mais limpa e sem resíduos. No futuro, esse novo combustível para foguete pode ser um subproduto do projeto. A próxima fase será o ensaio em voo do motor, que deve ser colocado no segundo estágio de um veículo de sondagem a ser desenvolvido, similar ao VS-15.

microgravidade destinada a operar em órbita baixa, circular, a 300 km de altitude, por um período máximo de dez dias. “Após o término da fase de qualificação, passaremos à fabricação do protótipo de voo e em seguida iniciaremos os ensaios de aceitação do mesmo. No final, faremos uma revisão de pré-embarque antes de iniciarmos a campanha de lançamento”, explica o Coordenador de Engenharia de Sistemas do IAE, Luís Eduardo Loures. Foguete – O motor à propulsão


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ACONTECE NA FAB

Estado-Maior da Aeronáutica tem novo chefe

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Tenente Brigadeiro do Ar Aprígio Eduardo de Moura Azevedo assumiu (19/1) a Chefia do Estado-Maior da Aeronáutica (EMAER). Ele substitui o Tenente Brigadeiro do Ar Jorge Godinho Barreto Nery, que será conselheiro militar junto à Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra, na Suíça. “A partir de hoje, o Estado-Maior da Aeronáutica passa a contar com a respeitada liderança do Tenente Brigadeiro do Ar Aprígio Eduardo de Moura Azevedo. Oficial general congregador, dotado de aguçada visão estratégica e inquebrantável dedicação, detentor de inquestionável capacidade de manter o elevado padrão de excelência nas atividades do EMAER”, ressaltou o Comandante da Aeronáutica. Para o Tenente Brigadeiro Azevedo,

“assumir o EMAER é um misto de felicidade, alegria e de responsabilidade, sem dúvida nenhuma. Porque a chefia do Estado-Maior da Aeronáutica representa uma estrutura necessária de apoio ao planejamento do futuro da Força Aérea Brasileira, razão pela qual é verdadeiramente um motivo de muita honra e renovado entusiasmo para continuar me dedicando dia e noite à FAB”. Biografia - Nasceu em Florânia (RN). Ingressou na FAB em 1º de março de 1967, na EPCAR. Principais cargos ocupados: Chefe da Comissão Aeronáutica Brasileira em Washington; Chefe da Seção de Planejamento Logístico do Estado-Maior da Aeronáutica; Chefe do Subdepartamento de Desenvolvimento e Programas e Presidente da Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate; Chefe da Assessoria Par-

2S REZENDE / CECOMSAER

Organização Militar é responsável pelo planejamento da FAB; novo chefe possui mais de 6.000 horas de voo

Ten Brig Ar Azevedo assume Chefia do EMAER no lugar do Ten Brig Ar Godinho

lamentar do Comandante da Aeronáutica; Comandante do Quarto Comando Aéreo Regional; e Chefe do Gabinete

do Comandante da Aeronáutica, entre outros. Possui 6.000 horas de voo, das quais 1.800 horas na Aviação de Caça.

Chegadas e partidas: troca de comando movimenta unidades militares em todo o Brasil Batalhão Cruzeiro do Sul (BINFAE-CO) - O Cel Inf Cláudio Castro Cerqueira passou o comando ao Ten-Cel Inf Sérgio Murilo Mibach. Centro de Medicina Aeroespacial (CEMAL) - O Cel Méd Sérgio Idal Rosenberg pasou o cargo de Diretor interino ao Cel Méd Roberto de Almeida Teixeira Esquadrões Onça e Flecha - O Ten Cel Av Luiz Guilherme Magarão passou o comando do 1º/15º GAV ao Ten Cel Av Ricardo Feijó Pinheiro. No 3º/3º GAV, o Ten Cel Av André Luiz Monteiro passou o comando ao Maj Av Alessandro Cramer. Esquadrão Pantera (5º/8º GAV) - O Ten Cel Av Luiz Marques de Lima passou o comando do esquadrão ao Ten Cel Av Alex Moreira Amaral . Esquadrões Poker e Hórus - O Ten Cel Av Júlio César Maiello Villela transmitiu o cargo do 1º/10º GAV ao Maj Av Ricardo Ferreira Botelho e o Ten Cel Av Paulo Ricardo Laux passou o cargo do 1º/12º GAV ao Ten Cel Av

Donald Grankow. Base Aérea de Salvador (BASV) - O Cel Av Ary Soares Mesquita passou o comando ao Cel Av Mauricio Carvalho Sampaio. Esquadrão Aranha (2º/1º GCC) - O Maj Av Sidnei Nascimento de Souza passou o comando ao Maj Av Cyro André Cruz. Hospital de Aeronáutica dos Afonsos (HAAF) - O Cel Méd Marco Arthur de Marco Rangel passou a direção ao Cel Méd Marcos Vieira Maia. Base Aérea de Recife (BARF) - O Cel Av João Maurício Marques Magalhães passou o comando ao Cel Av Renato Queiroz Prata. Base Aérea de Canoas (BACO) - O Cel Av José Antonio Moraes de Oliveira Filho passou o comando ao Ten Cel Av Airton Miguel Yasbeck Junior. Instituto de Medicina Aeroespacial (IMAE) - O Cel Méd Eduardo Serra Negra Camerini passou a direção ao Ten Cel Méd Ricardo Gakiya Kanashiro. Base Aérea de Fortaleza (BAFZ) - O

Cel Av Ricardo Silva Soares passou o comando ao Cel Av Marcondes Fontenele de Meneses. Base Aérea de Florianópolis (BAFL) O Cel Av Paulo Roberto de Barros Chã passou o comando ao Cel Av Claus Kilian Hardt. Centro do Correio Aéreo Nacional (CECAN) – O Cel Av Mozart de Oliveira Farias passou a chefia ao Cel Av André Luis Pinheiro de Vasconcellos. Comissão de Desportos da Aeronáutica (CDA) - O Cel Av Daniel Jorge Luz Vasconcellos transmitiu o cargo de Vice-Presidente ao Cel Inf Cláudio da Silva Esteves. Comissão de Aeroportos da Região Amazônica (COMARA) - O Cel Av Maurício Augusto Silveira de Medeiros passou a Vice-Presidência ao Cel Av Ricardo José Freire de Campos. Base Aérea dos Afonsos (BAAF) - O Cel Av João Bosco Lúcio da Silva Félix transmitiu o cargo ao Ten Cel Av Marco Aurélio de Oliveira. Batalhão Guararapes (BINFAE-RF) - O

Ten Cel Inf Júlio Cesar Pontes passou o comando ao Ten-Cel Inf Robson Silva de Oliveira. SERIPA VII - O Ten Cel Av Carlos Frederico Grave Schönhardt passou a chefia para o Maj Av Arthur de Souza Rangel. Hospital de Força Aérea de Brasília (HFAB) - O Brig Med Fernando José Teixeira de Carvalho passou a direção ao Cel Méd Sérgio Idal Rosenberg. Base Aérea de Natal (BANT) - O Cel Av Décio Dias Gomes passou o comando ao Cel Av João Campos Ferreira Filho. Hospital de Força Aérea do Galeão (HFAG) - O Brig Med Flávio José Morici de Paula Xavier passou a direção ao Brig Med Fernando José Teixeira de Carvalho. Hospital de Aeronáutica de São Paulo (HASP) - O Cel Med José Luiz Ribeiro Miguel passou o cargo de Diretor ao Cel Med Antonio Ernani Grillo Jordão. Envie as informações sobre a sua unidade via Sistema Kataná.


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LIVRO

Biografia conta trajetória do patrono da Força Aérea Jornais e arquivos de época foram as principais fontes para escrever a história do Marechal do Ar Eduardo Gomes

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Nova edição do Livro tem versão em inglês

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Tenente Coronel do Exército Joaquim Gonçalves Vilarinho Neto lembra perfeitamente quando recebeu a carta do Brigadeiro do Ar Eduardo Gomes, no interior do Piauí. O então adolescente havia escrito ao Ministro da Aeronáutica perguntando sobre a vida militar. A resposta foi a decisão para uma vida toda. Na sala do casebre, que tinha como destaque um pôster dos ‘18 do Forte’, Vilarinho entendeu a mensagem principal escrita a mão: “estude bastante e obedeça a seus pais”. Esta história, e muitas outras, estão na biografia “Brigadeiro Eduardo Gomes - Trajetória de um Heroi”, do escritor Cosme Degenar Drumond, lançado no final de janeiro em Brasília. De acordo com Degenar, o militar mantinha a postura impecável e uma vida austera. O Brigadeiro era católico fervoroso - ia a missa todos os domingos -, e dividia a metade do salário com os pobres de Petrópolis, cidade onde nasceu. “Eu trabalhei na equipe que fundou o Museu Aeroespacial, mas só conheci o Brigadeiro Eduardo Gomes em 1975. Quatro anos depois, eu fui a casa dele para levar a Medalha São Silvestre, que ele recebeu do Papa. Ele foi o único militar latino-americano condecorado pelo Vaticano”, conta o escritor. O Brigadeiro falava pouco e não dava entrevistas. As histórias do livro foram compiladas de jornais, revistas, arquivos da época e depoimentos de pessoas que conviveram com o patrono da FAB. Marechal do Ar – O ideal de um Brasil livre e desenvolvido permeou a carreira do patrono da Força Aérea Brasileira (FAB). O Brigadeiro Eduardo Gomes, que atingiu o posto de Marechal do Ar, foi um dos fundadores do Correio Aéreo Nacional (CAN) - responsável por unir o país pelas asas da FAB -, e influenciou

O livro do autor Cosme de Degenar Drumont foi lançado no final de janeiro em Brasília

uma geração de brasileiros com o episódio do 18 do Forte em 1922. Nascido em 1896, Eduardo Gomes formou-se pela Escola Militar do Exército Brasileiro em 1918. Excluído das fileiras militares no evento em que enfrentou o exército do presidente Epitácio Pessoa, ele retornou à vida militar anos depois e participou de outros levantes famosos da história brasileira, como o de 1924, quando a cidade de São Paulo foi ocupada, e nas Revoluções de 1930 e de 1932, a luta contra a Intentona Comunista de 1935 e a Segunda Guerra Mundial, quando comandava unidades que atuavam na patrulha anti-submarina na costa do Brasil. O Brigadeiro Eduardo Gomes foi duas vezes Ministro da Aeronáutica e candidato à Presidência da República. Em 1991, dez anos após sua morte, recebeu o título de Patrono da FAB.

Brigadeiro, o docinho - Presente nas festas de crianças até hoje, o doce de chocolate foi criado por admiradoras na primeira candidatura do militar para presidente. Tratava-se de uma tática para angariar fundos durante os comícios. Na campanha, também foi criado o slogan “vote no brigadeiro, além de bonito é solteiro”. Mesmo com a beleza conhecida e o porte atlético, o Brigadeiro Eduardo Gomes se manteve solteiro a vida inteira. Segundo Degenar, ele teve uma namorada séria em 1922, que até foi vê-lo no Forte de Copacabana. Depois, teve alguns namoros breves. Mas não via problema em se divertir sozinho, quando assistia aos clássicos do futebol no Maracanã no meio da multidão. “Ele dizia que não queria deixar uma viúva jovem. Por isso, se manteve solteiro e morava com a mãe, D. Jenny”, explicou Degenar.

“S

ó quem esteve em combate sabe o que é voar mais de uma missão no mesmo dia.” A frase está no livro do Major Brigadeiro do Ar Rui Moreira Lima, que leva como nome a expressão que marcou a história da Aviação de Caça brasileira: “Senta a Pua!”. O autor participou de 94 missões de combate na Itália, durante a Segunda Guerra, a bordo de lendários aviões P-47 Thunderbolt, e reuniu em capítulos o melhor da história de heroísmo do Primeiro Grupo de Aviação de Caça (1º GAVCA). A nova edição recebeu novas declarações de veteranos de guerra, algumas histórias e novos detalhes. “O livro foi modernizado. Está mais fácil de ler e, principalmente, teremos uma edição em inglês”, explica o Major Brigadeiro Rui. “Senta a Pua” é um dos melhores registros feitos sobre a campanha da Força Aérea Brasileira (FAB) na Itália, no esforço aliado contra o nazismo. O autor reuniu depoimentos de integrantes do Grupo de Caça que ajudam a entender a trajetória dos militares da FAB na Segunda Guerra: a criação da unidade, em 1943, o treinamento realizado no exterior e o combate (1944 a 1945). Saiba mais sobre o livro: http:// loja.actioneditora.com.br/


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HISTÓRIA DE VIDA

Ontem soldado, hoje comandante do Esquadrão Joker Conheça a trajetória do aviador que assume a responsabilidade pela formação dos pilotos de caça em Natal (RN)

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Notaer - Na época, qual a motivação que o levou a servir como soldado? Ten Cel Av Francisco Cláudio Gomes Sampaio - A admissão como soldado foi uma grande surpresa e modificou significativamente os rumos de minha vida. A minha intenção à época não era a de prestar o serviço militar. Os meus planos eram totalmente diferentes. Eu cursava Física na Universidade Federal do Ceará (UFC) e nas Casas de Cultura Estrangeira, ligadas à UFC, estudava alemão, russo e inglês. Meus objetivos eram finalizar a faculdade de Física e tentar um mestrado na Alemanha ou na Rússia, daí o estudo dessas línguas. A opção pela Força Aérea foi simples e fácil, por conta da admiração pessoal pela aviação e pelos saudosos AT-26 Xavante que cruzavam diariamente os céus alencarinos [como é chamado quem nasce em Fortaleza]. Já admitido e próximo ao final do curso, em novembro de 1987, fiz o concurso da Academia da Força Aérea e consegui aprovação. Na AFA, identifiquei a minha vocação como piloto de combate. Após os quatro anos na academia, em 1992, já em Natal (RN), fiz o Curso de Caça no 2o/5o Grupo de Aviação, Esquadrão Joker. Em 1993, retornei à BAFZ, como oficial para iniciar o Curso de Líder de Esquadrilha de Caça no 1o/4o Grupo de Aviação, Esquadrão Pacau. Notaer - Como avalia a experiência adquirida durante este período? Ten Cel Av Cláudio - Os ensinamentos da época de soldado forma-

2o/5o GAV

Tenente Coronel Aviador Francisco Cláudio Gomes Sampaio ingressou na Força Aérea em 1987, para prestar o serviço militar obrigatório, no Curso de Formação de Soldados da Base Aérea de Fortaleza (BAFZ). Passados 25 anos, o ex-soldado comanda o Esquadrão Joker (2o/5o GAV). Em entrevista ao NOTAER, conta a sua experiência.

Militar usa experiência de 25 anos de trabalho para comandar esquadrão

ram a base cultural, ética e militar que facilitaram a vida como cadete. Assim, as dificuldades de adaptação [no que se refere à parte militar] tornaram-se mais amenas. Além disso, conhecer a realidade de vida, a rotina, as dificul-

dades e os desafios por que passam nossos soldados facilitou a minha vida como oficial, pois permitiu-me, em primeiro lugar, respeitá-los, e também motivá-los em direção ao cumprimento de nossa missão constitucional.

Notaer - Agora, no comando da unidade que forma os pilotos de caça, o que muda ? Ten Cel Av Cláudio - Acredito na educação como forma de mudar a vida das pessoas e de nosso país. O Brasil apresenta-se hoje no cenário mundial como um dos grandes atores globais. Todo este destaque é fruto de nossa capacidade de produção, de nossa consolidada economia, que resistiu bravamente às últimas crises econômicas e, sobretudo, da força de nosso povo, que sempre acredita em um futuro próximo com menos desigualdades. Nesse sentido, acredito que a honra e a responsabilidade de formar os novos pilotos de caça da Força Aérea Brasileira revestem-se de elevada e especial importância e me deixam muito orgulhoso de participar deste processo de mudança. Os resultados de um trabalho profissional e comprometido com os ideais de nossos antecessores serão perenes no tempo, por toda a vida operacional desses jovens caçadores e ampliarão a capacidade operacional da FAB, posicionando-a em elevado destaque no cenário mundial em um futuro bem próximo.

TRÁFEGO AÉREO

SAGITARIO é implantado no CINDACTA I, em Brasília

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novo software SAGITARIO passa a operar no Primeiro Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (CINDACTA I), em Brasília, a partir de 22/1. Desenvolvido no Brasil, o sistema é capaz de processar dados de diversas fontes como radares e satélites e consolidá-los em uma única apresentação visual para o controlador de voo. O Sistema Avançado de Gerenciamento de Informações de Tráfego Aéreo e Relatório de Interesse Operacional (SAGITARIO) já funciona nos CIN-

DACTA II (Curitiba) e CINDACTA III (Recife) desde o ano passado. Também será instalado no CINDACTA IV (Manaus). A versão recebida pelo CINDACTA I é a mais moderna, já com atualizações decorrentes do emprego do sistema nas regiões Sul e Sudeste do país. O SAGITARIO traz várias inovações em relação ao programa X-4000, que está sendo substituído. O software permite a sobreposição de imagens meteorológicas sobre a imagem do setor sob controle, para acompanhar, por exemplo, a evolução de mau tem-

po em determinada região do país. Os planos de voo também podem ser editados graficamente sobre o mapa, possibilitando a inserção, remoção e reposicionamento de pontos do plano e cancelamento de operações, o que permitirá ao controlador acompanhar melhor a evolução do que estava previamente planejado para o voo. Além disso, etiquetas inteligentes, por meio de cores diferentes de acordo com o nível de atenção para o cenário, indicam informações essenciais para o controle de tráfego aéreo.


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COMUNICAÇÃO

Novo portal da Força Aérea privilegia interatividade Com visual moderno, projeto foi desenvolvido com o objetivo de facilitar a busca de informações Homenagem

Campo dos Afonsos completa 100 anos Nova vinheta é utilizada em videos do CECOMSAER

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s internautas contam agora com buscador de notícias e recursos de acessibilidade para facilitar a navegação no portal da FAB. Lançado em 20/1, o novo projeto também tem visual gráfico reformulado. O site ficou mais atraente, moderno e muito mais fácil de navegar, e valoriza a integração de todo o conteúdo da homepage com as redes sociais, como Twitter e YouTube. Agora, as notícias produzidas pela Agência Força Aérea estão organizadas em editorias. Para os

interessados nas carreiras da Força Aérea, por exemplo, há um espaço exclusivo com as informações sobre concursos e operações militares. As entrevistas da rádio Força Aérea FM também estarão disponíveis, além de fotos e vídeos. De acordo com o Chefe do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica, Brigadeiro do Ar Marcelo Kanitz Damasceno, “2011 marcou o ingresso da FAB nas mídias sociais; para 2012, o desafio será aumentar a interatividade com nossos internautas”.

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esde 1º de janeiro de 2012, todo o material audiovisual da Força Aérea Brasileira será encerrado com imagens do Campo dos Afonsos que celebra cem anos da Aviação no Brasil. A nova vinheta, produzida pelo CECOMSAER, substituirá a utilizada em 2011 sobre os 70 anos da FAB.

As imagens antigas e atuais apresentam a evolução do Campo dos Afonsos. No local, em 1912, uma faixa de terra foi cedida pelo Ministério da Justiça para a implantação de um campo de pouso, onde foi efetivada a primeira organização aeronáutica do país, o Aeroclube do Brasil.


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S2 SÉRGIO / CECOMSAER

3 de fevereiro Dia da Aviação de Asas Rotativas

Notaer - Fevereiro 2012  

A-1 modernizado faz primeiro voo em marco

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