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Ano XXXIV

Nº 1

Janeiro, 2011

Aeronáutica : 70 anos de história

Na primeira edição do ano, o NOTAER inicia a publicação de uma série de reportagens sobre a trajetória da instituição que nasceu em janeiro de 1941. Leia sobre fatos marcantes das décadas de 40, 50 e 60. Detalhes, por exemplo, da atuação da FAB na Segunda Guerra Mundial, da criação do Centro de Tecnologia Aeroespacial e das pesquisas que alavancaram a indústria aeronáutica no Brasil. Leia a partir da página 6

SD Sérgio / CECOMSAER

Novas aeronaves nos céus Este semestre reserva boas novidades para unidades aéreas. Uma delas é para o 10/8o GAV, em Belém, que passará a voar o recém-chegado EC-725, helicóptero que, na FAB, recebeu a nomenclatura de H-36 (foto). A outra boa-nova é a proximidade da chegada do P-3AM Orion, uma aeronave de patrulha modernizada para fazer frente às grandes missões, como policiar a área do pré-sal. Leia na página 5.

Comandante publica mensagem ao efetivo sobre nova gestão O Tenente-Brigadeiro Juniti Saito, em texto veiculado no Bolimpe, destaca alguns preceitos do Comando, entre eles a valorização do profissional. Leia mais na página 3 e confira a íntegra no portal intraer

Um novo jornal, os mesmos ideais Mudaram o tamanho, o papel, os tipos gráficos, as fontes, o número de páginas... Aumentou a tiragem. Isso quer dizer que muito mais profissionais da FAB (quem sabe todos!) terão acesso ao veículo de comunicação. De leste a oeste, norte a sul. Como o prezado leitor pode observar, muito mudou em nosso NOTAER a fim de atender a evolução da linguagem e a prestação de serviços que deve guiar publicações voltadas as suas maiores riquezas, os

profissionais da instituição. Mudou, é verdade, mas o NOTAER renasce com os mesmos princípios, valores e objetivos de antes. Integrar, informar e mostrar que as histórias contadas aqui são resultados concretos do suor de homens e mulheres que servem ao País. As histórias no jornal são as suas. E mais: o veículo continuará em sua missão de apontar exemplos e serviços, tanto do ponto de vista profissional como pessoal. Boa Leitura!

Logística Eficácia e agilidade Conheça o SISCAN, sistema que trouxe a logística de transporte para um novo tempo. Pág 14

Esporte Jogos Mundiais Militares Confira como será a participação da FAB no evento. Pág 13


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Expediente

EDITORIAL

De Eduardos, Neros e Casimiros

U

m era carioca, outro, gaúcho e o terceiro, cearense. Um foi o artífice da nova Força, o patrono. Outro, herói da Segunda Guerra Mundial, e exemplo da ação operacional da FAB. O terceiro, o precursor da ciência e tecnologia. Eduardo Gomes, Nero Moura e Casimiro Montenegro. Três homens e um sem-número de inspirações. A partir deles, dessa tríade de abnegação, é possível guiar o olhar para uma história única e, ao mesmo tempo, plural. A Aeronáutica devota em 2011 seu olhar para o 70º aniversário da instituição. Nesta primeira edição do Novo NOTAER, inicia-se uma série de reportagens sobre essa história gigante, da década de 40 a 60, épocas em que foram sedimentados os papéis desses homens que marcaram para sempre a nossa Força. Dividido por editorias, o Novo NOTAER traz notícias de todo o País nos mais diversos setores da Aeronáutica. O ideal de aperfeiçoá-lo também se relaciona com as sugestões que chegarão do prezado leitor, a fim de que o material contido aqui seja pautado

a cada edição pela exclusividade e para atender efetivamente o interesse de uma família de quase 70 mil pessoas. Esta é a primeira edição do Novo NOTAER, de papel muito bem vivo ainda que na era digital. Diferente daquele das décadas de 70, 80, 90, 2000. Diferente de ontem, diferente de amanhã, e na tentativa de ser igual ao que temos de melhor. A chegada desse veículo de comunicação em suas mãos é a concretização da necessidade de se incrementar cada vez mais a comunicação interna da instituição. O antigo jornal circulava com seis mil exemplares. Agora, são 30 mil. As manchetes do NOTAER são preparadas com o mesmo cuidado que fazemos em uma decolagem. Cuidados e princípios que se renovam a cada palavra, a cada edição, a cada novidade, a cada auxílio. Que saibamos sempre encontrar os verbos para contar as histórias. De cariocas, gaúchos, cearenses... de brasileiros. De Eduardos, de Neros, de Casimiros, de Joões, de Marias... De suas forças e de seus legados. Boa leitura! Marcelo Kanitz Damasceno Cel Av Chefe-Interino do CECOMSAER

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA. Redação, diagramação e administração: Divisão de Produção e Divulgação Distribuição: Divisão de Relações Públicas Tiragem: 30.000 exemplares Chefe-Interino do CECOMSAER: Coronel Aviador Marcelo Kanitz Damasceno Chefe da Divisão de Produção e Divulgação: Tenente-Coronel Alexandre Emílio Spengler Editores: Tenente Luiz Claudio Ferreira e Tenente Alessandro Silva Repórteres: Tenente Luiz Claudio Ferreira, Tenente Alessandro Silva , Tenente Adriana Alvares, Tenente Marcia Silva, Tenente Flávio Hisakasu Nishimori e Tenente Carla Dieppe. Colaboração: CIAER, CECAN e GAP-BR. Jornalista Responsável: Tenente Luiz Claudio Ferreira. (MTB 2758 - PE) Diagramação e arte gráfica: Tenente Carla Dieppe, Sargento Bianca Amália Viol, Sargento Daniele Teixeira de Azevedo e Cabo Lucas Maurício Alves Zigunow. Estão autorizadas transcrições integrais ou parciais das matérias publicadas, desde que mencionada a fonte. Comentários e sugestões de pauta sobre aviação militar devem ser enviados para: Esplanada dos Ministérios Bloco “M” - 7º andar CEP - 70045-900 - Brasília - DF E-mail: redacao@fab.mil.br


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ARTIGO

Apoiar o homem é valorizá-lo

Ricardo Stuckert / PR

Em mensagem ao efetivo da Aeronáutica, a respeito do início de uma nova gestão, o Comandante destaca preceitos que norteiam ações da instituição para o período que se inicia. Confira íntegra no Bolimpe (leia em www.portal.intraer). Além do apoio ao homem, o Tenente-Brigadeiro Juniti Saito apontou a continuidade administrativa, o fortalecimento da capacidade operacional, o apoio às atividades da área aeroespacial e a adequação da capacidade gerencial da Força. Confira abaixo trecho que aborda a valorização do profissional da FAB.

Segundo o Comandante, o genuíno sucesso advém da união dos esforços de todos

O

s homens e mulheres da nossa Força são o esteio para que o Comando da Aeronáutica continue a exercer, prontamente, o cumprimento da sua missão constitucional. É imperativo, portanto, prosseguir na busca incessante de mecanismos que possam melhor atender e cuidar de nossa gente. Esforços devem ser redobrados para aumentar a agilidade e a oferta de atendimentos na área de Saúde e da Assistência Social. Requer-se empregar o melhor de nossas energias e possibilidades para que os integrantes da Aeronáutica e suas famílias disponham de tratamento atencioso e solidário, dignas daqueles que se dedicam aos rigores da profissão militar. Outrossim, a diminuição na demanda de próprios nacionais nas Prefeituras de Aeronáutica requer planejamento acurado e dedicação obstinada, porém traz a recompensa imensurável de proporcionar a segurança e o conforto legítimos à família aeronáutica. Apoiar o homem traduz-se também em valorizá-lo. A utilização de ferramentas de comunicação interna cada vez mais eficientes é instrumento legítimo e eficaz para prover a interação entre o Comando e o nosso pessoal, bem como transmitir a medida de importância de suas ações, fortalecendo a confiança entre todos os integrantes da ca-

deia de comando da Força Aérea. Existe, pois, a necessidade de o público interno saber em função de quais objetivos está executando o seu trabalho e que metas deverá cumprir. Ao proporcionar a reunião de partes distintas da organização, a troca de informações supre essa necessidade, gerando, em consequência, relações de responsabilidade, confiança e credibilidade, e servindo para alinhar o pensamento nossa instituição com a de nossos homens. Companheiros! A genialidade de um só não é suficiente para sobrepujar os óbices do dia-a-dia. Nos tempos que correm, não há espaço para tomada de decisões isoladamente. O genuíno sucesso advém da união dos esforços de todos. A Força Aérea já nasceu com essa vocação, fruto da união das asas da Aviação Naval e da Aviação Militar. Ao partilharmos da forte convicção do nosso valor e de uma inquebrantável identidade de propósitos, experimentaremos o orgulho de contribuir com nosso trabalho para a edificação de um Brasil mundialmente respeitado e digno da grandeza de nossa gente. Motivados pelo luminoso exemplo daqueles que nos legaram uma grande instituição, continuaremos, juntos, escrevendo a gloriosa história da Força Aérea Brasileira.


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MULTIMÍDIA

Guia detalha profissões da Força Aérea Brasileira

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omo parte das comemorações do aniversário de 70 anos da Força Aérea Brasileira, foi lançado oficialmente o Guia de Profissões da FAB. A publicação será distribuída em instituições de ensino em todo o País e tem como públicoalvo todos os interessados em ingressar nas fileiras da instituição nas d i ve rs a s especialidades oferecidas pela Aeronáutica. O guia é um projeto do Departamento de Ensino da Aeronáutica (DEPENS) e foi

produzido pelo Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (CECOMSAER). O trabalho de levantamento de dados incluiu várias visitas aos estabelecimentos de ensino de formação da Aeronáutica e exigiu cerca de um ano para ficar pronto. O Guia de Profissões sintetiza, em suas 88 páginas coloridas, as várias oportunidades para ingressar na FAB, por nível de escolaridade, incluindo as opções tanto para quem ainda está dando os primeiros passos na vida escolar e acabou de concluir o ensino fundamental como para aqueles que já detêm o diploma universitário. Para quem já possui o ensino médio, por exemplo, a publicação apresenta as 27 profissões disponibilizadas pela Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR), localizada em Guaratinguetá (SP). O interessado em ingressar

em um curso de nível superior pode prestar o vestibular para a Academia da Força Aérea (AFA), em Pirassununga, também no interior paulista, optando entre as carreiras de Aviador, Intendente ou Infantaria. As seis modalidades de engenharia oferecidas pelo Instituto de Tecnologia de Aeronáutica (ITA), uma das mais respeitadas instituições de ensino do País, também são detalhadas no Guia de Profissões. Uma versão digital retratando as profissões militares da Força Aérea Brasileira pode ser acessada no portal www.fab.mil.br. Também está disponível uma edição especial da Revista Aerovisão sobre as profissões militares da FAB. Anualmente, a Força Aérea Brasileira abre cerca de oito mil oportunidades de estudo e de trabalho, incluindo as vagas em escolas e para serviço militar.

PENSANDO EM INTELIGÊNCIA

“ PARA QUE SERVE A ATIVIDADE DE INTELIGÊNCIA ?”

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ste espaço será destinado a promover o conhecimento sobre a atividade de Inteligência no Comando da Aeronáutica, a fim de que a Família Aeronáutica possa compreender o importante papel dessa atividade na missão constitucional da Força Aérea Brasileira: “... defender a Pátria, garantir os poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, a lei e a ordem.” Considerando-se a importância e a dimensão dessa missão, a Força Aérea deve ser capaz de organizar-se, aparelhar-se e adestrar-se, permanentemente, para empregar os seus meios da maneira mais objetiva e precisa possíveis.

Assim, os planejamentos na FAB, a partir dos níveis decisórios mais elevados, têm que se caracterizar não apenas pela agilidade, pela abrangência e precisão, mas, sobretudo, pela capacidade de poder identificar e se antecipar aos eventos futuros. Ao longo de todo o processo de planejamento e de execução das atividades da Força, as autoridades responsáveis pela decisão necessitam de conhecimentos que lhes permitam solucionar adequadamente os problemas nas suas áreas de atuação. É por esta razão que, numa época de informação globalizada, marcada por rápidas e constantes mudan-

ças, a atividade de Inteligência desempenha um papel de relevante importância, ao fornecer aos comandantes, chefes e diretores, com oportunidade e objetividade, aqueles conhecimentos necessários à condução das decisões relativas ao preparo e ao emprego da Força Aérea. Considera-se, portanto, a Inteligência como um conjunto de ações especializadas, voltadas para a percepção e análise das ameaças que possam comprometer o cumprimento da missão da Força Aérea, produzindo conhecimentos úteis ao processo de decisão, além de protegê-los contra as ações adversas de qual-

quer natureza. A Inteligência tem o dever de se antecipar aos fatos, a fim de prestar assessoria aos Comandantes, Chefes e Diretores, não como mero processo de adivinhação, mas sim, com metodologia própria, capaz de assegurar a probabilidade de ocorrência, garantindo oportunidade e adequabilidade às decisões a serem tomadas. Sem Inteligência, uma Força, por mais poderosa que seja, será inútil no local errado, em momento impróprio, com armas inadequadas e objetivos incertos. (Artigo de autoria do Centro de Inteligência da Aeronáutica)


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REAPARELHAMENTO

Esquadrão Falcão recebe novo helicóptero EC-725 ilotos e mecânicos do Esquadrão Falcão se preparam, até março, em cursos e instruções práticas para operar o novo helicóptero EC-725. Chamada na FAB de H-36, a nova aeronave deve equipar, em seguida, o Primeiro Esquadrão do Oitavo Grupo de Aviação (1º/8º GAV), na Base Aérea de Belém. Os três primeiros helicópteros de um total de 50 foram entregues no mês passado pelo Ministério da Defesa aos Comandos da Marinha, Exército e Aeronáutica. “Não se trata apenas de uma nova máquina, ela representa a aquisição de um pacote tecnológico com capacitação nacional”, declarou o Ministro da Defesa, Nelson Jobim na solenidade que contou com a presença do ex-Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

SGT Rezende / CECOMSAER

P

As três unidades produzidas na França fazem parte do contrato firmado entre o governo brasileiro e o consórcio Helibras/ Eurocopter. O projeto prevê uma transferência gradual de tecnologia para que a produção dos

demais seja feita pela fábrica da Helibras, subsidiária da Eurocopter, em Itajubá (MG). O cronograma de entregas estabelecido com as Forças Armadas vai obedecer a uma escala de nacionalização que chegará a um

mínimo de 50% até 2016, prazo de entrega dos últimos helicópteros. O modelo EC 725, versão mais recente da família Super Puma/Cougar, é um helicóptero biturbina de porte médio de 11 toneladas com capacidade para até 29 combatentes equipados. O modelo inclui tecnologias como monitores LCD na cabine e um sistema de controle automático de voo. O EC-725 foi concebido para desempenhar múltiplas missões, como busca e resgate, transporte tático de longa distância, apoio logístico e missões navais. Os H-36 vão substituir os Bell H-1, empregados na FAB desde 1964 em missões como transporte, resgate, ajuda humanitária e apoio a vários órgãos do governo, como transporte de urnas eletrônicas e de vacinas.

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previsão é que as três primeiras aeronaves P-3AM Orion cheguem a Salvador (BA), de onde serão operadas, no primeiro semestre deste ano, após uma campanha de treinamento de tripulações na Espanha. Os nove aviões estarão no Brasil até 2012. Em dezembro passado, a Força Aérea Brasileira iniciou o recebimento do modelo, que tem, entre as suas missões, patrulhar a área de extração de petróleo da camada do pré-sal, em meio ao Oceano Atlântico. O P-3 é uma aeronave equipada com uma grande gama de sensores especiais, que viabilizarão a execução de diversas missões, por exemplo, de busca e resgate, como ocorreu no ano passado, com o emprego de aeronaves R-99 na localização de destroços do voo 447 no meio do Oceano Atlântico, dentro da área de responsabilida-

de brasileira de 6.400.000 km². O P-3 representará efetivo apoio às atividades de busca e salvamento no Atlântico Sul, que, conforme acordos internacionais, é de responsabilidade do Brasil. A aquisição desse modelo de aeronave e de sua modernização representa importante mudança no padrão operacional da FAB, colocando a instituição na primeira linha de equipamentos de Patrulha Marítima. Para se ter uma ideia das vantagens operacionais, o novo avião possui autonomia de 16 horas de voo, mesmo à baixa altura, o que permite se manter em uma área de operação por muitas horas, mesmo que afastada do litoral. Sua variada gama de sensores não permite a passagem desapercebida de navios e submarinos por onde estiver voando e, se for necessário, poderá dispor de diversos tipos de armamentos como

COPAC

P-3 vai operar a partir de Salvador para patrulhar pré-sal

mísseis, torpedos, bombas e boias radiossônicas para negar o uso do mar às embarcações hostis. No próximo ano, a primeira aeronave que equipará o 1°/7° Grupo de Aviação, sediado na Base Aérea de Salvador, passará por uma avaliação operacional completa. O objetivo é comprovar o comportamento e as características funcionais de cada componente dos sistemas de missão, em confronto com os

requisitos operacionais e logísticos do Comando da Aeronáutica, em ambiente operacional real, conforme estipulado no contrato de modernização. No processo de modernização, houve total revitalização da estrutura da aeronave. Além disso, foram modificados equipamentos que tornaram o P-3AM completamente atualizado às necessidades operacionais, dos motores aos sensores do avião.


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ESPECIAL FAB 70 ANOS Na década de 50, a grande transformação desse período é o que ocorreu com a criação do então Centro de Tecnologia Aeroespacial, marcante para o desenvolvimento do País e, como foi considerado, seria uma fábrica de cérebros idealizada por Casimiro Montenegro. Nesse período, também, a cobertura trata da chegada do primeiro avião a jato ao Brasil, o lendário Gloster Meteor, que transformaria os padrões operacionais da Força e também da aviação comercial. Os 10 anos seguintes destacam o crescimento da indústria aeronáutica. Deixa de importar palitos para exportar aviões. Vem a EMBRAER. Uma era de ouro em que são inaugurados os centros de lançamento de foguetes. Período de pesquisa e evolução científica que seriam sementes do que viria a seguir. As próximas páginas trazem alguns “versos” dessa trajetória.

Uma epopeia de guerreiros-heróis

Fotos Arquivo

A narrativa, cheia de imagens sob o som de motores de avião, é como se tivesse sido feita como poesia. Escrita a muitas mãos anônimas, desde 1941, quando foi concluído o primeiro verso. E de lá, muitos se seguiram, formando uma epopeia com cenários de estrelas cavalgados por entre nuvens. A Aeronáutica completa 70 anos de uma história impressionante que, a partir desta edição, é trazida por reportagens no NOTAER (que podem ser lidas também no site da FAB). Esta edição traz as primeiras três décadas dessa história, que começam com criação do Ministério da Aeronáutica e a atuação da FAB durante a Segunda Guerra Mundial. Desde a participação da aviação de patrulha às surtidas dos combatentes do Primeiro Grupo de Aviação de Caça (1º GAVCA).


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ESPECIAL FAB 70 ANOS

A saga dos anos 40

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á havia algum tempo em que se discutia a criação de um ministério específico para o setor de aviação. As discussões no Brasil começaram no final da década de 20 e ganharam força a partir de 1935, com o lançamento de uma campanha para a criação do Ministério do Ar, sob a influência de países como a França. Para o primeiro Ministro da Aeronáutica, Joaquim Pedro Salgado Filho, os desafios eram muitos. Faltavam aeronaves, pilotos, estrutura. “Era imprescindível despertar o interesse da juventude para a carreira de aviador”, dizia. Naquele momento, com a criação do novo órgão, Salgado Filho assumiu o Ministério da Aeronáutica brasileira – a aviação civil, a infraestrutura, a indústria nacional do setor e as escolas de formação de mão-de-obra – e do seu braço-armado, a Força Aérea Brasileira (FAB), criada com o novo ministério a partir das aviações da Marinha e do Exército. Nesse contexto, a Segunda Guerra trouxe ao país um grande incentivo para organizar a sua aviação, sobretudo depois de iniciada a batalha do Atlântico Sul. Com o afundamento de navios brasileiros, a aviação militar teve de assumir o patrulhamento do litoral e, mais tarde, acabou enviada à Itália, para combater com os aliados. Expansão – Em 1941, a Aeronáutica criou a Diretoria de Rotas com a missão de promover o desenvolvimento da infraestrutura e da segurança da navegação aérea no país. Décadas mais tarde, esse núcleo daria origem ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), que gerencia o tráfego aéreo militar e civil no país. Desse modo, o Ministério da Aeronáutica refundou as escolas de formação, de pilotos e de especialistas, criou normas para evitar a competição predatória entre as empresas aéreas, inaugurou novas fábricas e escolas civis. O Brasil passou a firmar acordos internacionais sobre transporte aéreo com diversos países, como

França, Estados Unidos, Suécia, Dinamarca, Noruega, Reino dos Países Baixos, Portugal, Suíça, GrãBretanha e Irlanda do Norte. O Correio Aéreo Militar, antes realizado pelo Exército (no interior do país) e pela Marinha (no litoral), é transformado no Correio Aéreo Nacional. Ao longo de 1943, a Força Aérea Brasileira recebeu aeronaves Catalina e T-6 para preparação de seus pilotos, particularmente para o patrulhamento da costa e treinamento de aviadores, respectivamente. No mesmo ano, a FAB criou sua primeira unidade de aviação de caça. Depois de receberem treinamento nos Estados Unidos e no Panamá, os militares brasileiros foram enviados à Itália, onde lutaram contra o nazismo, no apoio dos aliados, e na campanha da Força Expedicionária Brasileira (FEB). Assim, a entrada da FAB na Segunda Guerra Mundial acelerou os investimentos e a formação de mão-de-obra qualificada. De todo envolvimento da FAB no conflito, dois momentos marcaram a presença brasileira: a batalha do Atlântico Sul, na costa brasileira, e a campanha na Itália, apoiando os aliados e a Força Expedicionária Brasileira (FAB) na luta contra o nazismo. Já no final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, quando o ministro Salgado Filho deixou a pasta, existiam 580 aeroportos funcionando no país, a maioria com pistas asfaltadas (70%). A Escola de Aeronáutica dos Afonsos havia quadruplicado a capacidade de formação de pilotos, chegando a 200 alunos. “O Brasil está empenhado em grandes preparativos para tornar-se uma potência aérea independente”, chegou a afirmar o ministro em visita à Europa. Com mais investimentos, aeronaves e pilotos, as horas de voo na Escola de Aeronáutica dos Afonsos, no Rio de Janeiro, saltaram de 3,6 mil em 1940 para 25,9 mil em 1943. “Deixei uma frota de cerca 1.500 aviões militares em condições de uso, cerca de 3.000 pilotos treinados e 15 bases aéreas instaladas”, disse o ministro.


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ESPECIAL FAB 70 ANOS

o Brasil da década de 50, os chamados “Anos Dourados” marcaram a chegada da televisão ao país, a efervescência cultural, a criação da Bossa Nova, a eleição do presidente Juscelino Kubitschek e os primeiros passos rumo à industrialização, com a população migrando do campo para as cidades. Foi no início dessa década que São José dos Campos, no Vale do Paraíba, deixa de ser apenas uma estância climática para tratamento de pobres com tuberculose em São Paulo para seguir a vocação de pólo de desenvolvimento. A transformação da pacata cidade de 30 mil habitantes começou com a construção do Centro Técnico de Aeronáutica (CTA), idealizado pelo então CoronelAviador Casimiro Montenegro Filho. O CTA foi erguido para abrigar dois institutos científicos, tecnicamente autônomos – um para o ensino superior, o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e outro para pesquisa e desenvolvimento nas áreas de aviação militar e comercial (Instituto de Pesquisas e Desenvolvimento - IPD). Com uma indústria mínima, incapaz de fabricar até bicicletas, o Brasil iniciava nos anos 50 a formação de engenheiros aero-

ITA

Anos 50: O Brasil cria uma “fábrica” de cérebros para aviação N

Ao longo de 61 anos, o ITA formou mais de cinco mil engenheiros, consolidando o prestígio da instituição no meio acadêmico

náuticos altamente qualificados, seguidos por novas especializações em eletrônica, mecânica, infraestrutura e computação. Desde então, ao longo de 61 anos, o ITA formou mais de cinco mil engenheiros, além de 2.500

mestres e doutores, profissionais de nível internacional que consolidaram o prestígio da instituição nos meios acadêmico, empresarial, científico e tecnológico. Neste ano, o ITA dará mais um passo para a completa inserção do

Brasil no campo aeroespacial: os primeiros engenheiros aeroespaciais concluirão o curso, prontos para novos desafios. Os profissionais vão contribuir para atender necessidades específicas do Programa Nacional de Atividades Espaciais.

COMARA: a maior construtora de aeródromos da região Amazônica

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esafio é a palavra que melhor define o trabalho realizado ao longo de 54 anos pela Comissão de Aeroportos da Região Amazônica (COMARA) na região Norte do Brasil. Mas como vencer distâncias? Como contornar adversidades climáticas? Como construir no meio da selva? Como encontrar mão-de-obra especializada disposta a ficar meses fora de casa? Como

enfrentar a ameaça constante das doenças tropicais? Como desenvolver sem degradar o meio ambiente? Estas perguntas foram respondidas nos anos 60. Criada em 1956, a COMARA teve origem na Superintendência do Plano de Valorização da Amazônia (SPVEA), fundada em 1953, que mais tarde foi transformada em Superintendência de Desenvol-

vimento da Amazônia (SUDAM). Hoje, a experiência da COMARA a credencia como a maior construtora de aeródromos do Norte do país. A Comissão realizou ao todo 203 obras que incluem pavimentação em aeródromos de mais de 150 municípios, reforma em edificações aeroportuárias e vias públicas. Para apoiar obras nos mais distantes cantos da floresta Amazônica, a

COMARA teve de criar um porto e uma frota de balsas e empurradores. Por ano, a organização coordena mais de 3 mil horas de voo, contrata mais de 1.000 temporários e adquire milhares de peças para a manutenção de equipamentos. Além disso, as balsas transportam mais de 22 toneladas de materiais. Tudo orquestrado na precisão de um cronômetro.


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ESPECIAL FAB 70 ANOS

Esquadrilha da Fumaça: de “cambalhoteiros” a embaixadores do Brasil nos ares ora do almoço na Escola de Aeronáutica, no Rio de Janeiro. Início da década de 50. Depois das instruções da manhã, no Campo dos Afonsos, aviões de treinamento avançado tomavam o céu da Barra da Tijuca num balé acrobático. A bordo de monomotores North American T-6 Texas, instrutores motivavam seus cadetes com um show de perícia e técnica. Liderado pelo então Tenente Mário Sobrinho Domenech, os chamados “cambalhoteiros” executavam à exaustão manobras da aviação de caça. Primeiro com duas aeronaves, depois com quatro em formatura diamante. Assunto nas rodas de conversa da escola, a equipe obteve autorização para a primeira demonstração sobre os Afonsos graças à intervenção do futuro ministro da Aeronáutica, então Tenente-

EDA

H

O show aéreo realizado em 1952 marcou o nascimento da Esquadrilha da Fumaça

Coronel Délio Jardim de Mattos, fascinado por acrobacias aéreas. O show realizado em maio de 1952 marcou o nascimento do Esquadrão de Demonstração Aérea (EDA), a Esquadrilha da Fumaça.

Nos primórdios, os aviões demoravam muito para ganhar altura e isso dificultava a visão e o acompanhamento pelo público. Para facilitar a observação dos espectadores, o EDA desenvol-

veu um equipamento para que os aviões produzissem fumaça e incluiu na apresentação uma aeronave isolada. Enquanto um piloto realizava acrobacias, outros quatro ganhavam altura para a próxima sequência de manobras em grupo. Logo os mecânicos começaram a chamar o esquadrão de “Esquadrilha da Fumaça”. Em seguida, o Brasil inteiro já conhecia o EDA pelo apelido. Por causa do sucesso das apresentações também no exterior, o grupo recebeu o título de embaixadores do Brasil nos céus. As acrobacias estão no Guinness Book of Records, o livro dos recordes mundiais. O voo de dorso em formação com dez aviões durante 30 segundos foi registrado em 1999. A marca recorde foi quebrada mais duas vezes pela própria Esquadrilha, em 2002 e 2006.

Como o Gloster Meteor, o primeiro a jato, mudou a história da aviação militar

SGT Johnson / CECOMSAER

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Monumento à história - A aeronave inaugurou a “era das turbinas” na FAB

apresentação do primeiro avião a jato do Brasil foi, para usar uma palavra da época, “tronitruante”, adjetivo que quer dizer ruidoso como um trovão. Não era para menos, o voo do Gloster Meteor em 1953 mudou para sempre a história da aviação militar brasileira. A Força Aérea se despedia das hélices para ingressar na “Era das Turbinas”. Começava a troca dos antigos caças P-47 Thunderbolt e Curtiss P-40 pelo jato de combate bimotor britânico, usado pelos aliados no fim da Segunda Guerra Mundial. Até então, nenhum avião a jato havia sido operado no país. O algodão nacional foi a moeda usada para a compra dos jatos da Inglaterra. Quinze mil toneladas foram enviadas aos britânicos em troca de 70 aviões – 60 aparelhos F-8, monoposto de caça e 10 TF-7,

biposto de treinamento. “Com isso, a Inglaterra penetrava no mercado brasileiro de aviões que era, até então, essencialmente suprido pelos Estados Unidos”, explica o historiador aeronáutico, Coronel-Aviador da Reserva Aparecido Camazano Alamino, autor do livro “Gloster Meteor – O Primeiro Jato do Brasil”. A aquisição dos Glosters pelo Brasil não revolucionou apenas a aviação militar. As companhias aéreas também tomaram grande impulso a partir do pioneirismo e da experiência da Força Aérea. Para operar jatos, a FAB desenvolveu uma logística de combustíveis e lubrificantes porque os motores eram movidos a querosene de aviação, inexistente no país à época. Importado, o querosene, mais seguro do que a gasolina, requeria muitos cuidados no armazenamento e manuseio.


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ESPECIAL FAB 70 ANOS

Arquivo

Anos 60: a decolagem de um sonho chamado Bandeirante

A fabricação em série do Bandeirante estimulou o desenvolvimento da EMBRAER, hoje reconhecida mundialmente no mercado de aviação

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avião Bandeirante surgiu a partir do projeto IPD-6504, uma referência ao ano (65), número do projeto (04) e ao Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento (IPD) do Centro Técnico de Aeronáutica (CTA), local da origem, desde os primeiros rascunhos, passando pela geração de milhares de desenhos, testes de equipamentos, até a construção do protótipo da aeronave que daria origem ao futuro EMB 110 Bandeirante, revolucionando a indústria aeronáutica brasileira. “Em 1968, para o espanto de todos, o primeiro avião brasileiro, o Bandeirante, levantava voo”, lembra Ozires Silva, engenheiro aeronáutico e oficial

da Força Aérea que liderou a equipe que projetou e construiu o Bandeirante e também inaugurou a implantação da indústria aeronáutica no Brasil, com a fundação da Empresa Brasileira de Aeronáutica (EMBRAER). O Bandeirante, bimotor de transporte de passageiros e de carga, decolou às 7h07 do aeroporto do CTA para um voo de aproximadamente 50 minutos, sob o comando do Major-Aviador José Mariotto Ferreira e do engenheiro de voo Michel Cury. No dia 27 de outubro de 1968, o IPD-6504 decolou novamente com a mesma tripulação a bordo, para o primeiro voo oficial, com a presença de autoridades

e imprensa. Era o início de uma história de sucesso que começou a ser escrita pelo governo brasileiro e que permitiu transformar ciência e tecnologia em engenharia e capacidade industrial, hoje reconhecida em todos os continentes nos quais voam os aviões fabricados pela EMBRAER. Na transição de um país agrário para uma época de inovações, Ozires lembra que na FAB existia um espírito empreendedor com ideais que iam além do horizonte. Com o surgimento do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), muitas empresas surgiram e a FAB estimulava o desenvolvimento dessas indústrias. Logo quando tinha se formado no ITA, Ozires

foi convidado pelo Brigadeiro Casimiro Montenegro Filho para trabalhar no CTA. A fundação da EMBRAER também não podia fugir aos moldes de inovação, pioneirismo e ousadia da época. No dia 19 de agosto de 1969, o então Presidente da República, Arthur da Costa e Silva, assinou o decreto nº 770 que criou a EMBRAER, destinada à fabricação seriada do Bandeirante. No mesmo ano, o Ministério da Aeronáutica firmou contrato com a recém-criada Empresa Brasileira de Aeronáutica para a produção de 80 aviões, com início no ano seguinte. Em 1972, a Embraer realizou o primeiro voo do Bandeirante de série.


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ESPECIAL FAB 70 ANOS

EMBRAER

Protótipo do avião, que voou em 1969, foi restaurado 41 anos depois

O protótipo voou pela primeira vez há 41 anos e foi restaurado minuciosamente

O

segundo protótipo do Bandeirante voou pela primeira vez há 41 anos, no dia 19 de outubro de 1969, nas cores da FAB (de quem recebeu a designação

YC-95). Em 2008, a Embraer apresentou o segundo protótipo do Bandeirante, após cuidadoso processo de recuperação realizado com a ajuda de empregados

e ex-empregados. A pintura foi refeita nas mesmas cores e tonalidades – branca, com uma faixa azul no meio, e cinza, na parte de baixo. Logo abaixo da janela do piloto, no nariz do avião, foram pintadas as bandeiras dos dez paises da América do Sul onde o protótipo realizou voos de demonstração. Na reforma do interior, que incluiu forros dos painéis, poltronas, armários e lavabo, foram empregadas as mesmas cores, tonalidades e texturas dos materiais utilizados na época. O carpete verde que substituiu o original é idêntico, assim como a cortina bege, confeccionada à mão e com detalhes em verde que formam a imagem estilizada de uma asa de avião. O sistema elétrico também exigiu cuidados especiais para possibilitar a reativação da iluminação interna das cabines de pilotagem e de passageiros (luzes do corredor, de cortesia e de se-

gurança) e também da iluminação externa (de navegação, pouso e taxiamento). Dos três protótipos originais do Bandeirante, o primeiro pertence ao MUSAL, no Rio de Janeiro, e o terceiro se encontra em exposição permanente no parque Santos Dumont, em São José dos Campos. O segundo protótipo do Bandeirante pertenceu originalmente à FAB, e hoje faz parte do acervo da Fundação Santos Dumont (www.santosdumont.org.br), no município de Cotia, Estado de São Paulo. O avião, matrícula 2131, foi desmontado e transportado para a sede da Embraer, onde equipes compostas por funcionários e ex-funcionários, muitos dos quais trabalharam no programa do Bandeirante na década de 70, encarregaram-se dos trabalhos de restauro. A operação foi iniciada no dia 1º de setembro e concluída em pouco mais de um mês.

C

om a criação do Centro Técnico de Aeronáutica (CTA), nos Anos 50, começou no país um novo pensamento para o desenvolvimento dos programas aeroespaciais. Definitivamente, o Brasil passou a chamar a atenção do mundo. Em 1960, o presidente Jânio Quadros criou uma comissão para dar os primeiros passos para a elaboração de um programa nacional de exploração espacial. O resultado foi a formação, em agosto do ano seguinte, do Grupo de Organização da Comissão Nacional de Atividades Espaciais (GOCNAE), com sede em São José dos Campos, subordinado ao Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq), com o propósito de sugerir a política e o programa de envolvimento do Brasil em pesquisas espaciais.

O GOCNAE instalou-se no CTA e iniciou suas atividades com equipamentos cedidos pela NASA e pesquisadores militares e civis do Ministério da Aeronáutica. Com este grupo, o Brasil participou de pesquisas internacionais nas áreas de astronomia, geodésica, geomagnetismo e meteorologia. A comissão, conforme conta o Brigadeiro-do-Ar Hugo de Oliveira Piva, contou com a participação de franceses e, principalmente, de americanos. “Tivemos muito ajuda da NASA. Eles já traziam tudo pronto”, lembra o Brigadeiro, ressaltando, ainda, que “naquela época existia uma pressão dos países desenvolvidos para que o Programa Espacial Brasileiro não evoluísse ao ponto de desenvolver sua própria tecnologia”, completa.

Arquivo

Programa Espacial: saiba como foram os primeiros passos dessa longa jornada

A criação do CTA impulsionou programas e pesquisa aeroespaciais no Brasil


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CAMPANHA

Ca

len

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da

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me

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dรก

rio


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ESPORTE

A

gora é para valer. Apenas seis meses separam os cerca de 250 atletas da seleção brasileira militar de um dos maiores eventos esportivos do mundo: os 5º Jogos Mundiais Militares, a serem realizados entre os dias 16 e 24 de julho na cidade do Rio de Janeiro. A competição contará com a participação de atletas de mais de 100 países em 37 modalidades de 20 esportes. A Força Aérea Brasileira (FAB) participa dos Jogos Mundiais com um time formado por 60 militares, entre atletas e comissão técnica. A Comissão de Desportos da Aeronáutica (CDA) é responsável pela coordenação de treinamento das equipes de natação, corrida de orientação, pentatlo aeronáutico e taekwondo. Uma das apostas de medalha na competição é o pentatlo aeronáutico, cuja equipe é formada por oficiais aviadores da FAB. “Acredito que temos grandes chances de chegar entre os primeiros no taekwondo, natação e também no pentatlo. Nos últimos anos sempre conquistamos boas colocações nos campeonatos mundiais desta modalidade”, analisa o chefe da

Divisão de Desportos Militares, Coronel Cláudio Henrique Lima. “Já na prova de orientação tentaremos fazer o melhor, pois há adversários muito difíceis como os russos e os atletas dos países nórdicos, como os noruegueses, que possuem uma tradição muito grande no esporte. De qualquer maneira, a expectativa é de que fiquemos entre os 10 melhores classificados”, completa o oficial. Outra esperança da FAB para subir ao lugar mais alto do pódio nos Jogos Mundiais é a equipe de tiro. Um dos destaques na modalidade é o TenenteCoronel- Aviador Julio Antonio de Souza e Almeida, do efetivo da CDA, que chega credenciado pelas expressivas marcas alcançadas em competições internacionais, como a medalha de prata nos Jogos Pan-americanos no Rio de Janeiro (categoria pistola de ar na distância de 10 metros), o que lhe rendeu uma vaga nas Olimpíadas de Pequim, em 2008. “Temos adversários fortes, como a Ucrânia, China, Estados Unidos e Turquia. Mas a nossa expectativa é brigar por medalhas tanto no individual quanto por equipes”, analisa o

CDA

Contagem regressiva para os Jogos Mundiais Militares

A competição será realizada pela primeira vez no Brasil. A FAB participa com uma equipe de 60 militares, entre atletas e comissão técnica em diversas modalidades. Na foto acima, o Tenente-Coronel Julio, destaque da equipe de tiro e uma das promessas de medalha na competição no Rio de Janeiro. Ele foi prata no último panamericano

Tenente-Coronel Julio. “O fato da competição ser no Brasil ajuda em alguns aspectos. Não há necessidade, por exemplo, de se adaptar ao fuso horário. Outra vantagem é a familiaridade com o estande de tiro. Por outro lado, acredito também que possa

Histórico dos Jogos Militares

Retrospecto da participação brasileira nos Jogos Ano

Total

haver mais pressão em cima dos atletas”, complementa. A competição poderá ser acompanhada no site dos Jogos Mundiais Militares no endereço eletrônico www.rio2011.com.br e também no Portal da Força Aérea Brasileira (FAB), www.fab.mil.br.

Ano

Sede

Número de países

Número de atletas

1995

Roma- Itália

93

4.017

1999

Zagreb- Croácia

82

6.734

2003

Catânia-Itália

87

6.000

89

4.783

110

6000

Ouro

Prata

Bronze

1995

0

1

2

3

1999

1

4

3

8

2003

1

5

7

13

2007

2007

0

2

1

3

2011

Hyderabad e Mumbai-Índia Rio de JaneiroBrasil


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LOGÍSTICA

FAB ganha em agilidade de transporte com novo sistema s veículos da mídia acabam de noticiar uma catástrofe. Uma aeronave C-130 Hercules preparase para uma missão urgente de ajuda humanitária. O compartimento de carga está aberto. O país espera contar com a flexibilidade e velocidade características da Força Aérea para que o socorro chegue, o quanto antes, ao local. Uma hora pode fazer a diferença entre vidas salvas ou perdidas. Em uma situação hipotética como essa, que tem sido comum nos últimos anos, a exemplo dos terremotos do Haiti e do Chile, além de buscas a aviões desaparecidos, a velocidade pelos ares de nada adiantará se não puder contar com a eficiência do serviço de movimentação de carga em solo, pronto para carregar a aeronave no menor tempo possível. Situação semelhante ocorreria, também, em uma situação de conflito. Com vistas ao emprego aéreo em sua plenitude, integrado com os meios terrestre e marítimo, foi criado o Sistema do Correio Aéreo Nacional (SISCAN), que agregou agilidade e coordenação às operações de transporte logístico da FAB. Este sistema foi aperfeiçoado com a ativação, no ano passado, do Centro de Coordenação do SISCAN, no Centro do Correio Aéreo Nacional (CECAN), o qual permite que se tenha, em tempo real, as quantidades de cargas a serem transportadas, por localidade, no país e no exterior. O sistema trouxe a logística de transporte para um novo tempo, em relação a conceitos e processos de armazenagem e movimentação de cargas e, acima de tudo, permitiu a integração dos transportes aéreo, marítimo e terrestre. Por isso, foi necessário adequar os Terminais de Transporte Logístico (TTL) do País a essa nova concepção. Totalmente moderno e considerado modelo

CECAN

O

A criação do centro de coordenação do SISCAN permitirá o controle em tempo real das cargas movimentadas no país e no exterior

para o sistema, está em fase de construção o Terminal Central de Transporte Logístico do Galeão, que será pioneiro neste novo padrão em termos de operacionalidade, sustentabilidade e redução de custos. O grande passo – A fim de explorar a capacidade do Sistema Integrado de Logística de Material e Serviços (SILOMS), o COMGAP incorporou o processo de transporte nesse sistema, atualmente conhecido como Módulo Transporte ou, simplesmente, SILOMS – MT, trazendo eficiência, agilidade e melhores serviços prestados pela FAB. Essa ferramenta traz nova luz ao transporte de mercadorias entre os pontos de carga distribuídos pelo Brasil (24 postos do CAN e 3 Terminais de Transporte Logístico), onde o usuário é um dos mais beneficiados. Assim, é possível cadastrar os volumes e acompanhar o transporte, passo a passo, através de uma previsão que pode ser acessada no SILOMS – MT. Esse processo, em todas as etapas, é supervisionado pelo Centro Logístico

da Aeronáutica (CELOG), coordenado pelo CECAN e acompanhado pelo próprio usuário. Armazenagem – O novo terminal TCTL será modelo para os dias atuais nos seguintes aspectos: redução de custos, (a movimentação de pallets aeronáuticos será realizada manualmente sobre linhas de rack, onde não há gasto de energia), capacidade de armazenagem aumentada por metros quadrados (implantação de armazenagem vertical), sustentabilidade (não emissão de gases poluentes, uma vez que as empilhadeiras a diesel serão substituídas por racks transferidores e empilhadeiras elétricas que usam energia limpa), operações intermodais (que permitirá a transição de cargas, já paletizadas, diretamente dos caminhões para as aeronaves). Por terra - Uma outra novidade será a implantação, neste ano, do transporte unitizado pelo Depósito de Aeronáutica do Rio de Janeiro (DARJ). Entre as vantagens: redução de custos e agilidade.

Novos equipamentos reduzem tempo de carregamento em até 75%

C

om o recebimento de duas esteiras autopropulsadas, compatíveis para transporte e carregamento de cargas nas aeronaves C-130 HÉRCULES e C-105 AMAZONAS, o tempo gasto nestas operações será reduzido em aproximadamente 75%. Os equipamentos devem ser recebidos neste primeiro semestre. As esteiras reduzem custos operacionais, requerem número menor de militares para as operações de carregamento e descarregamento, além de agregar uma grande velocidade ao transporte aéreo da FAB em tempo de paz. Contudo o grande diferencial é que ele capacita o sistema a operar em tempo de guerra ou em apoio a catástrofes, uma vez que é aerotransportável em aeronaves C-130 e pode ser deslocado para o local que for necessário.


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TRANSPARÊNCIA

Espaço exclusivo para pregão eletrônico em Brasília ransparência é a palavra que deve nortear qualquer licitação em órgãos públicos federais, estaduais e municipais. Para valer este direito do administrador público e do contribuinte, o Grupamento de Apoio de Brasília (GAP-BR) inaugurou uma sala exclusiva para a realização de pregões eletrônicos. Uma outra vantagem da sala de licitação é a agilidade. O gestor se dedica à atividade de forma exclusiva durante os lances. O processo pode ser acompanhado por um monitor instalado no prédio anexo ao Edifício Sede do COMAER, em Brasília. “A ideia é privilegiar a concentração do oficial e da equipe de apoio. O oficial fica apenas naquela função no dia e no horário previstos para o pregão. Antigamente, cada gestor fazia o pregão junto com outras atividades”, diz o chefe do GAP-BR, Coronel Gilberto Barros Santos. Para ser um pregoeiro, o profissional precisa participar de cursos

SGT WANDERSON / CECOMSAER

T

A nova instalação inaugurada permite a realização de cinco pregões simultâneos

específicos, como os da Escola de Administração Fazendária, do Ministério da Fazenda, da Escola de Administração Pública, do Ministério do Planejamento, ou particulares. Todo o efetivo do GAP-BR que pode ser pregoeiro ou equipe de apoio já concluiu este curso, o que

agiliza o procedimento pela maior quantidade de pessoal habilitado. A sala é equipada com um console composto de três terminais com telas de 40 polegadas, além de outros dois computadores, o que permite a realização de cinco pregões eletrônicos simultaneamente.

O pregão eletrônico - Em julho de 2002, foi instituída a modalidade de licitação denominada pregão, Pregão, no âmbito do Governo Federal, para aquisição de bens e para a contratação de serviços comuns. Com o avanço da tecnologia, a Internet se tornou um meio indispensável na aquisição de produtos e na contratação de serviços. O pregão eletrônico se processa por meio de sessão pública, com a utilização de recursos de Tecnologia da Informação, onde a interação entre os agentes públicos, responsáveis pela realização da licitação (pregoeiro e equipe de apoio) e os licitantes/fornecedores, ocorre no comprasnet (portal de compras do governo federal), o que permite a ampliação do universo de participantes, maior transparência e plena publicidade ao rito do certame. Qualquer pessoa interessada pode acompanhar o desenvolvimento dos trabalhos e visualizar os procedimentos praticados em todas as etapas.

INTEGRAÇÃO

Criada a Associação Brasileira de Equipagens Operacionais da Aviação de Asas Rotativas

O

s integrantes e ex-integrantes das diversas unidades operacionais da aviação de Asas Rotativas da Força Aérea Brasileira (FAB) já têm um novo ponto de encontro para reunir ideias e divulgar histórias e temas relativos à Aviação de Asas Rotativas. Foi criada recentemente a Associação Brasileira de Equipagens Operacionais da Aviação de Asas Rotativas (ABRA-

TAAR). O site da entidade, ainda em fase de construção, pode ser acessado no endereço eletrônico www.abratar.com.br. A ABRATAAR, de acordo com seu estatuto, é uma associação civil, de âmbito nacional, sem fins lucrativos, e possui caráter histórico, cultural, social e recreativo. A associação é constituída por pilotos de helicóptero, mantene-

dores e equipagens operacionais da Aviação de Asas Rotativas (AAR) da Força Aérea Brasileira. A principal finalidade da recém-criada instituição é fomentar o congraçamento e a integração entre os militares da ativa, da reserva e reformados da Aeronáutica, integrantes e ex-integrantes de equipagens Unidades Operacionais de Asas Rotativas, visando

à preservação da história, da doutrina e dos valores que norteiam a FAB. O site da entidade terá em seu conteúdo agenda de eventos, vídeos, áudios, relatos e notícias sobre a AAR. Os interessados em se associar podem enviar um e-mail para a entidade com dados como nome de guerra, especialidade e unidade de Asas Rotativas em que serviu.


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IMAGENS DA FAB

Notaer - Edição de Janeiro  
Notaer - Edição de Janeiro  

Aeronáutica : 70 anos de história

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