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A revista dos mercados orgânicos e sustentável Maio 2011 Número 2 Distribuição Gratuita

«O Governo Brasileiro já tomou a decisão de que uma das principais marcas da Copa do Mundo FIFA 2014 será a sustentabilidade ambiental.» Claudio Langone

Edição 2

Confira a entrevista de Claudio Langone, Coordenador da Câmara Temática Nacional de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Copa 2014

Nesta edição também: Orgânicos com charme Opinião

Alimentos Germinados

Varejo e Consumidor

Sistemas Participativos de Garantia


Orgânicos & Cia / 3

Índice

4 6 9 10 14 16 17 18 20

Entrevista

Claudio Langone e Copa Sustentável

Sistemas Participativos

Saiba o que são Sistemas Participativos de Garantia

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Meio Ambiente

Opinião

Orgânicos mais 20 - Ming Liu Rotulagem garante preferência do consumidor - Ricardo Sousa

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Notas Orgânicas

Internacional

Seminário internacional promove agricultura familiar do Brasil

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Saúde & Orgânicos

Alimentos germinados: Bombas de saúde

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Varejo Orgânico

Varejo: em questão, o consumidor

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Turismo & Gastronomia

Orgânicos com charme

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Receitas

Culinária com produtos de sementes crioulas

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Expediente Realização: Planeta Orgânico (Programação Visual 2A2 Ltda.) Contato: (21) 2239-2395 Redação: organico@planetaorganico.com.br Tiragem: 2,500 exemplares Gráfica: Teatral Revista Quadrimestral


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Entrevista

Claudio Langone, o homem que prepara o Brasil para uma Copa Sustentável Claudio Roberto Bertoldo Langone nasceu no dia 8 de agosto de 1965, em Tupanciretã, no Rio Grande do Sul. Ingressou na Faculdade de Engenharia Química da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), foi presidente da UNE, Secretário Estadual de Meio Ambiente do Rio Grande do Sul, Secretário Executivo do Ministério do Meio Ambiente na gestão da Ministra Marina Silva e seu desafio no momento é coordenar a Câmara Temática Nacional de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Copa 2014 (CTMAS), vinculada ao Ministério do Esporte. Orgânicos & Cia entrevistou Claudio Langone que abordou desde os benefícios econômicos esperados até a Copa Orgânica e Sustentável, um tema já incorporado a Câmara Temática Nacional de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Copa 2014. Planeta Orgânico, IP Desenvolvimento Empresarial e Institucional e IPD-Organics Brasil formam o consórcio que vem participando desde 2010 das reuniões de entendimento sobre o projeto entre os diferentes “stakeholders”, promovidas por Claudio Langone, Coordenador da Câmara temática Nacional de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Copa 2014. A partir de abril de 2011 integram formalmente o Núcleo Temático de projeto instalado no âmbito da CTMAS com a missão de detalhar e coordenar o projeto, sob a liderança do Ministério de Desenvolvimento Agrário. O&Cia- O que o Brasil quer mostrar na Copa 2014? Langone: O Governo Brasileiro já tomou a decisão de que uma das principais marcas da copa do Mundo FIFA 2014 será a sustentabilidade ambiental. O Brasil, que sediará em 2012 a cúpula das Nações Unidas para o Meio Ambiente, em 2014 a Copa do Mundo e em 2016 os Jogos Olímpicos, quer consolidar sua .

liderança global nessa área, e usar a agenda de meio ambiente e sustentabilidade para mobilizar a sociedade em torno da Copa do Mundo. Este é um evento que irá mobilizar o país, promover o país no mundo e estaremos nos empenhando para deixar um legado que seja percebido pelo visitante em diversos momentos. Queremos priorizar o enfoque educativo, deixando sinais concretos de que esta é uma Copa que tem um compromisso efetivo com a sustentabilidade, com a inclusão social, com o respeito ao meio ambiente. O&Cia - Quais os benefícios econômicos esperados com a Copa 2014? Langone: Os estudos preliminares contratados pelo Ministério do Esporte estimam cerca de R$ 47 bilhões de impacto direto, distribuídos aproximadamente da seguinte forma: Infraestrutura: Civil: R$ 23 bilhões Serviços: R$10 bilhões Turismo: 600 mil turistas internac. (R$ 3,9 bi) 3 milhões nacionais (R$ 5,5 bi) Geração de empregos: Permanentes: 332 mil (20092014) Temporários: 381 mil (2014) Consumo : Incremento no consumo: R$ 5,0 bi (2009-2014) Tributos: Tributos totais: R$ 16,8 bi / Tributos federais: R$ 10,6 bi.


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O&Cia - Quais os diferenciais do Brasil na Copa 2014? Langone:- A Copa será realizada em 12 cidades sede, representativas do conjunto dos biomas brasileiros, que receberão significativos investimentos em infraestrutura, em especial, em saneamento e melhoria da mobilidade e circulação. O Brasil hospedará uma série de mega eventos começando com os Jogos Olímpicos Militares em julho de 2011, em 2012 o Rio+20, em 2013 a Copa das Confederações, em 2014 a Copa e em 2016 os Jogos Olímpicos no Rio. Todas oportunidades excepcionais para promover nossa megadiversidade ambiental e social , além da boa capacidade instalada na questão ambiental e boa oportunidade de divulgação global de “produtos” brasileiros (exemplo biocombustíveis, produtos orgânicos e/ou sustentáveis, produtos dos povos tradicionais, etc…) Sempre registro e destaco a necessidade de conjugar sustentabilidade ambiental com inclusão social. O&Cia - Quais os exemplos de diretrizes da Copa 2014 no Brasil ? Langone: As diretrizes validadas pela CTMAS são: Copa que compensa suas emissões e coopera com o combate ao aquecimento global, Copa que promove sustentabilidade ambiental com inclusão social, Copa que incentiva e alavanca negócios verdes, Copa com eficiência energética, Copa que valoriza e ajuda a promover e proteger a biodiversidade brasileira, Copa que constrói estádios com sustentabilidade, Copa que incentiva a reciclagem e a minimização da geração de resíduos, Copa que utiliza a água de maneira racional, Copa que incentiva a mobilidade e circulação sustentáveis, Copa que incentiva o consumo de produtos orgânicos e/ou sustentáveis e Copa que promove o ecoturismo nos biomas brasileiros. O&Cia - Que trabalhos estão em andamento? Langone: Poderia citar as seguintes ações que já estão em andamento: Certificação ambiental dos estádios, Copa Orgânica e Sustentável, Parques da Copa, Coleta Seletiva com Inclusão Social, Processo de monitoramento do licenciamento .

dos empreendimentos. Para cada uma dessas linhas já se constituiu Núcleos temáticos de Projeto, compostas por instituições governamentais e não governamentais, responsáveis pelo detalhamento, orçamento e definição da estratégia de implementação nas Cidades Sede. O&Cia - Como você vê o capítulo Copa Orgânica e Sustentável? Langone: Esta será uma oportunidade ímpar para agregar valor sobretudo à pequena propriedade, bem como aos produtos da rica biodiversidade brasileira, que terá como legado a disponibilização de produtos certificados em maior quantidade com preços menores ao consumidor brasileiro. Em recente reunião com a FIFA, realizada no Ministério do Esporte em Brasília, mencionei a possibilidade de oferecer produtos orgânicos no catering das delegações e outras atividades e houve boa receptividade a esta sugestão. Esta é uma idéia que está crescendo... O&Cia - Até quando deverão ser instaladas as Câmaras Temáticas nos estados? Langone: O Ministério do Esporte, através da assessoria Especial do Futebol, vem conduzindo esse trabalho há cerca de um ano, e o fórum que orienta esse processo é a Câmara Temática Nacional de Meio Ambiente da Copa 2014 (CTMAS), composto pelo governo federal, estados e municípios, bem como outras instituições convidadas. Cada estado sede deverá ter a sua câmara temática instalada até junho de 2011


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Sistemas Participativos

Saiba o que são Sistemas Participativos de Garantia O MAPA publicou uma cartilha explicando o que são Sistemas Participativos de Garantia, um dos mecanismos de garantia que integram o Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica (SISORG/ MAPA), previsto no Decreto nº 6.323, de 27 de Dezembro de 2007, que regulamenta a Lei nº 10.831 sobre a agricultura orgânica. O objetivo desta iniciativa é ajudar os produtores orgânicos a melhor compreenderem a importância e o funcionamento dos Sistemas Participativos de Garantia. A legislação brasileira prevê três diferentes maneiras de garantir a qualidade orgânica dos seus produtos: a Certificação, os Sistemas Participativos de Garantia e o

Controle Social para a Venda Direta sem Certificação. Os chamados Sistemas Participativos de Garantia, junto com a Certificação, compõem o Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica - SisOrg. O Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica - SisOrg é gerido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - Mapa e é integrado por órgãos e entidades da administração pública federal e pelos Organismos de Avaliação da Conformidade, entendidos por Certificação por Auditoria e Sistemas Participativos de Garantia, credenciados pelo Mapa. Os Estados e o Distrito Federal poderão integrar o SisOrg mediante convênios específicos firmados com o Mapa.


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Para o seu bom funcionamento, os Sistemas Participativos de Garantia caracterizam-se pelo Controle Social e a Responsabilidade Solidária, o que possibilita a geração da credibilidade adequada a diferentes realidades sociais, culturais, políticas, institucionais, organizacionais e econômicas. Para se formar um SPG, devem ser reunidos produtores e outras pessoas interessadas para assim organizar a sua estrutura básica, que é composta pelos Membros do Sistema e pelo Organismo Participativo de Avaliação da Conformidade - OPAC. Os OPACs correspondem às certificadoras no Sistema de Certificação por Auditoria. São eles que avaliam, verificam e atestam que produtos ou estabelecimentos produtores ou comerciais atendem as exigências do regulamento da produção orgânica. Para os OPACs atuarem legalmente, eles precisam estar credenciados no Mapa – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. É esse credenciamento que autoriza a atuação dos OPACs no Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica - SisOrg. Na verdade, a OPAC é a pessoa jurídica que assume a responsabilidade formal pelo conjunto de atividades desenvolvidas num SPG, com diversas atribuições.

Entre elas, assumir a responsabilidade legal pela avaliação se a produção está seguindo os regulamentos e normas técnicas na produção orgânica. A partir do momento em que está credenciado, o OPAC pode autorizar os fornecedores por ele controlados a utilizar o Selo do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica. Selo que deve constar na embalagem O objetivo desse selo é facilitar ao consumidor identificar os produtos orgânicos que estão em conformidade com os regulamentos e normas técnicas da produção orgânica. Após o credenciamento, o OPAC passa a ser responsável por lançar e manter atualizados todos os dados das unidades de produção que controla. Ele terá que fazer essas atualizações no Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos e no Cadastro Nacional de Atividades Produtivas, pois essas informações devem estar disponíveis para toda a sociedade. Mais informações sobre Sistemas Participativos de Garantia em: http://www.prefiraorganicos.com.br/media/33369/ cartilha_sistemas_participativos_de_garantia.pdf

SISTEMA PARTICIPATIVO

CERTIFICAÇÃO POR AUDITORIA


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Meio Ambiente Pão de Açúcar incentiva o uso das sacolas retornáveis A rede oferece desde 2005 sacolas retornáveis em suas lojas, com o objetivo de incentivar o seu uso e diminuir a circulação de sacolas plásticas. O material leva mais de 100 anos para se decompor. O Pão de Açúcar continua com uma campanha para a utilização de sacolas retornáveis, criando em algumas das lojas do litoral paulista o chamado “Circuito Sustentável”. Cada loja é representada por um carrinho de F1 que indica quem está na frente do ranking, liderando as vendas. No mês de fevereiro de 2011, quem teve destaque foi o Pão de Açúcar de São Vicente, que vendeu 1.135 sacolas retornáveis, o que gerou a redução de 14 mil unidades de plástico. Adriana Santos, gerente da loja vencedora, conta que grande parte deste sucesso se deve ao fato das operadoras de caixa recomendarem sempre aos clientes a importância da utilização de sacolas retornáveis. Indicação Geográfica valoriza produtos agropecuários O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) investiu mais de R$ 1,5 milhão, nos últimos cinco anos, em convênios com associações de produtores, empresas de pesquisa e cooperativas para tornar viável a elaboração dos documentos necessários ao registro de Indicação Geográfica (IG) de produtos agropecuários. O registro de IG é conferido a produtos ou serviços característicos do seu local de .

origem, que se distinguem dos similares disponíveis no mercado. Apresentam qualidade única em função das condições geográficas naturais como solo, vegetação, clima e modo de produção. No Brasil, já são oito produtos com registro de IG, como a cachaça de Paraty, o vinho do Vale dos Vinhedos e o arroz do Litoral Norte Gaúcho. A Coordenação de Incentivo à Indicação Geográfica de Produtos Agropecuários do Ministério apoia agricultores no cumprimento dos requisitos para o registro da IG, concedido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) investiu mais de R$ 1,5 milhão, nos últimos cinco anos, em convênios com associações de produtores.

Sacolas retornáveis Pão de Açúcar


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Opinião

Orgânicos mais 20 Ming Liu - Coordenador do projeto de exportação Organics Brasil

Ming Liu

Estamos em um marco histórico para o setor onde temos observado que “A carroça vinha andando na frente dos bois”.

Presencio há pouco mais de seis anos o desenvolvimento do mercado e segmento dos produtos orgânicos no Brasil e no mundo. Desde então venho vendo a luta de empresas, instituições e pessoas que há mais de 15, 20 anos vêm defendendo a bandeira do segmento de forma que me ensinou a entender o que deve ser mais do que um negócio, mas uma filosofia de vida. Estas escolhas foram por alguns como uma paixão ao tema, outros por necessidade e consciência de buscar formas alternativas de produtos, alguns por recomendação médica, algumas por estratégias de políticas públicas de desenvolvimento econômico e social, e até por pessoas que por descrédito do que um dia i m a g i n av a e s t a r f a z e n d o a l g o construtivo e produtivo acabou vendo no segmento uma forma de sair da insignificância humana e se redimir a um ser produtivo e orgânico na sua essência. Pessoas das mais diversas origens, nobres e humildes, intelectuais e aprendizes, de todas as raças, agricultores familiares, pessoas do campo, microempresários e empreendedores locais, comerciantes regionais, empresários, artistas, banqueiros e ex-bancários, engenheiros, estudantes, administradores, médicos, políticos, membros de igrejas enfim, tantos outros que não foram citados, mas que constituem o que representa a nossa sociedade como um todo mostrando a sua diversidade, tamanho e abrangência do interesse .

que este segmento vem tomando no país. Estamos no momento em um marco histórico para o setor onde temos observado que a “carroça vinha andando na frente dos bois”, e nesta metáfora, não há nenhuma crítica a nenhuma das partes e nem a analogia de quem seja a carroça ou os bois, mas mostrar como o mercado, no caso os bois, pode ser o direcionador para a instalação de um segmento, sua política pública e o seu desenvolvimento. Mercados estes formados pelas suas feiras locais, lojistas e armazéns pioneiros em sua região e cidade, que acreditaram que os produtos orgânicos não eram uns simples negócios de momento ou passageiros. Comunidades e grupos de produtores que criaram redes de comercialização, e também as pequenas, médias e grandes redes de supermercado que acreditaram em entender o que o consumidor de hoje busca na sua essência consumista. E, por fim, o mercado externo que há muito antes já havia descoberto no Brasil suas riquezas para mais uma vez trazer de volta as lembrança de quando do período do Brasil - Colônia, com suas viagens e embarcações levando açúcar, café, borracha e tantos outros produtos para serem vendidos como especiarias no mercado europeu. Neste processo algumas instituições governamentais e não governamentais nas três esferas municipais, estaduais e


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federais, cada uma dentro de sua limitação e na sua abrangência de atuação, também engajaram em esforços que em conjunto contribuiu para o que hoje conhecemos deste segmento. O processo da regulamentação nacional (Lei 10.831) que desde janeiro está em vigência foi este resultado de esforços que finalmente permitirão que o consumidor final e o público em geral possa identificar os produtos de forma oficial (selo do MAPA) e garantir a credibilidade que o setor na sua prática já o faz, mas que ainda carecia de uma formalização por par te de uma legislação formal nacional. Como vivemos em uma sociedade democrática, este processo algumas vezes resulta em um tempo maior na medida em que todos temos vozes e todos são ouvidos antes de sua efetivação. Mérito para quem esperou e glórias para quem se empenhou. Por outra perspectiva, a demora se justificará na medida em que a regulamentação poderá fomentar um crescimento maior ainda, uma vez que deve permitir agora fortalecer a instalação de políticas públicas mais claras e eficazes. Este marco deverá proporcionar ao setor no segmento privado, seguindo o que ocorreu na Europa, Estados Unidos e Japão quando de seu processo de regulamentação, o crescimento de investimentos do setor p r i va d o d e fo r m a c r e s c e n te e exponencial. No atual mercado global que nos inserimos, com as perspectivas da situação privilegiada financeira e econômica que o Brasil está sendo .

apontado, com o crescimento e mudança do perfil demográfico que o IBGE demonstra e que estaremos experimentando nos próximos trinta anos um perfil onde as faixas etárias de idades da população economicamente ativa estará no seu ápice, e com a preocupação cada vez maior em buscar fontes sustentáveis de energia, alimentos e insumos para nossas vidas, tenho a convicção de que o segmento irá experimentar um desenvolvimento forte e que pode não chegar a números de mercado mainstream, mas será tratado como. Atualmente o mercado global está estimado em cerca de US$56 Bilhões de dólares anuais segundo a Organic Monitor, com os Estados Unidos e a Europa representando praticamente 90% desse total. Estatísticas nacionais de área e faturamento teremos em breve com o cadastramento nacional em execução pelo MAPA da cadeia produtiva, porem números levantados pelo IPD Organics Brasil apontaram áreas certificadas para o mercado internacional na ordem de pouco mais de 7 milhões de hectares levando-o a condição de quarto maior país em área certificada segundo a IFOAM. A persistência e as iniciativas de pessoas e instituições que conheci durante este período em suas mais diversas esferas, público, privadas e do terceiro setor e dentro de suas limitações também ensinou que há ainda muito que se fazer e que o Brasil tem o potencial de não ser o maior, mas ser referencia no que pode colocar em prática o que nos outros países só conseguiram ou conseguirão na teoria. Brasil, orgânico por natureza.

Este marco deverá proporcionar ao setor no segmento privado, seguindo o que ocorreu na Europa, Estados Unidos e Japão quando de seu processo de regulamentação, o crescimento de investimentos do setor privado de forma crescente e exponencial.


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Rotulagem garante preferência do consumidor Ricardo Sousa Diretor-executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Grãos Não-Geneticamente Modificados (Abrange)

Ricardo Sousa Ricardo Sousa

É importante registrar que o Ministério Público, em ações judiciais, começa a enquadrar empresas, como ocorreu recentemente com fabricantes de óleo de soja

No final do ano passado, mais precisamente no dia 16 de dezembro, a Assembléia do Estado de São Paulo aprovou a Lei 14.274, que regulamenta a rotulagem de alimentos transgênicos em todo o estado. A aprovação dessa lei, que regulamenta a venda de alimentos transgênicos no estado mais rico e populoso do País, reveste-se da maior importância por representar um passo a mais no sentido de garantir que o consumidor possa, de fato, exercer o seu direito de escolha. Explica-se: embora a identificação dos alimentos que contenham transgênicos seja obrigatória desde 2003, quando foi publicado o Decreto 4.680, o fato é que a esmagadora maioria das empresas produtoras de alimentos não vem obedecendo à legislação. As poucas empresas que, obrigadas pela Justiça, começaram a rotular seus produtos feitos a partir de matéria prima transgênica não o fazem corretamente. A principal irregularidade é a redução do tamanho do símbolo de identificação do produto transgênico: a letra 'T' impressa em negrito dentro de um triângulo amarelo. Além disso, deveriam constar, dependendo o caso, os dizeres: "(nome do produto) transgênico", "contém (nome do ingrediente ou ingredientes) transgênico(s)" ou "produto produzido a partir de

(nome do produto) transgênico", exigências que vêm sendo ignoradas pelo grosso das empresas. É importante registrar que o Ministério Público, em ações judiciais, começa a enquadrar empresas, como ocorreu recentemente com fabricantes de óleo de soja, que foram obrigados a estampar o símbolo de identificação de transgênico e sua descrição por escrito. É nesse contexto que a nova lei aprovada pela Assembléia paulista concorre para assegurar o direito de exercer sua escolha, no momento da compra. A promulgação da nova lei pelo, como se disse, mais rico e populoso estado brasileiro, não apenas tem o mérito de servir de exemplo para outros estados como, igualmente importante, colocou a questão da rotulagem na ordem do dia. O tema, de fato, ganhou grande repercussão na mídia, que passou a cobrar a postura de fabricantes de alimentos, especialmente os de grande porte, sobre sua condução diante do fato novo. Ao ganhar as páginas de jornais, programas de televisão e veículos digitais, a rotulagem, assim, começa a ser mais bem compreendida pelo cidadão comum – o consumidor. Esse esforço de divulgação conta com o apoio e a participação da Associação Brasileira dos Produtores de Grãos NãoGeneticamente Modificados (Abrange), que espera ver em nosso país o nível de .


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mobilização verificado nos países europeus e asiáticos. Para garantir o acesso ao suprimento de alimentos que consideram mais saudáveis e seguros, os consumidores europeus e asiáticos pagam prêmios a seus fornecedores. Vale lembrar que o Brasil é o maior produtor e exportador de grãos nãotransgênicos do mundo, a frente dos Estados Unidos e Argentina, nossos maiores concorrentes no mercado de soja. Trata-se de uma vantagem comparativa única, principalmente se for considerado o segmento de produtos de maior valor agregado, como óleo e farelo de soja. Ocorre que a comercialização de produtos não-transgênicos no próprio mer.

cado brasileiro ainda é incipiente. É preciso, neste aspecto, ressaltar que não temos nada contra os produtos transgênicos, do ponto de vista ideológico. Simplesmente, defendemos o sagrado direito de livre escolha. Para tanto, a legislação da rotulagem precisa ser rigorosamente cumprida. E seu cumprimento passa também pela atitude dos consumidores, que podem fazer valer seus direitos pressionando autoridades e – mais estratégico – as próprias empresas. A mobilização da sociedade é o caminho mais curto para a aplicação da rotulagem e, consequentemente, para garantir o direito de livre escolha dos produtores e consumidores.

A mobilização da sociedade é o caminho mais curto para a aplicação da rotulagem e, consequentemente, para garantir o direito de livre escolha dos produtores e consumidores.


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Notas Orgânicas

Alimentação Escolar

Sergipe tornou-se o primeiro Estado do Brasil, a cumprir a Lei Federal, que determina que no mínimo 30% dos recursos repassados pelo (FNDE) destinados a compra de alimentação para os alunos das escolas públicas, sejam para a aquisição de gêneros alimentícios oriundos da Agricultura Familiar.

Sergipe é o 1º Estado do Brasil a alcançar a meta do Governo para Alimentação Escolar Sergipe tornou-se o primeiro Estado do Brasil, a cumprir a Lei Federal, que determina que no mínimo 30% dos recursos repassados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) destinados a compra de alimentação para os alunos das escolas públicas, sejam para a aquisição de gêneros alimentícios oriundos da Agricultura Familiar. Para que isto se tornasse realidade, a Secretaria de Educação do Estado (SEED), com a colaboração do Projeto Nutre-Nordeste, lançou em 2010, três Chamadas Públicas, somando um valor de mais de 9 milhões de reais dos quase 13,4 milhões recebidos pelo Estado. Deste valor, mais de 4 milhões de reais, já foram comercializ ados pela Agricultura Familiar de Sergipe. Para que essa meta fosse alcançada a SEED e as Organizações Produtivas de Povos e Comunidades Tradicionais e da Agricultura Familiar (Associações, Cooperativas, Pescadores Artesanais e Aquicultura Associativa) contaram com o apoio do Nutre Nordeste, que é uma iniciativa pioneira no Brasil, desenvolvida através de uma parceria da ONG AGENDHA (que atua a partir de Paulo Afonso/BA) com o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e o Ministério do Meio Ambiente (MMA) beneficiando 1,5 milhões de estudantes das escolas municipais e estaduais onde o Projeto atua.

Algumas Prefeituras do interior de Sergipe já estão cumprindo a lei, dentre muitas outras, a de Itabaiana, Tobias Barreto e Santa Luzia do Itanhy. Em se tratando de Aracaju, a Prefeitura vem empreendendo esforços, juntamente com os articuladores do Projeto Nutre Nordeste para aquisição de produtos para Alimentação Escolar ainda este ano, e já submeteu o Edital à Procuradoria Geral do Município, que está apenas aguardando parecer para sua publicação. Em Aracaju, a Secretaria Municipal de Educação pretende adquirir os gêneros alimentícios em duas etapas, sendo a primeira com valor estimado de R$ 420 mil, para o primeiro semestre letivo de 2011 e valor semelhante para o segundo. Nesse caso, os 30% exigidos p e l a l e i , qu e c o r r e s p o n d e m a aproximadamente R$ 510 mil, serão praticamente alcançados no primeiro edital. O Nutre Nordeste vem apoiando as Organizações Produtivas a tornarem-se aptas a atenderem as Chamadas Públicas e comercializarem dentre outros produtos, os da Sociobiodiversidade (umbu, mangaba, macaxeira, maxixe), nas 9 capitais do Nordeste e nos 6 grandes municípios metropolitanos (Camaçari e Lauro de Freitas/BA; Jaboatão dos Guararapes e Olinda/PE; Bayeux/PB e Parnamirim/RN). Simultaneamente, o Projeto incentiva os Gestores da Alimentação Escolar a publicarem as Chamadas Públicas de acordo com as ofer tas dessas Organizações Produtivas. Mardo David – Comunicador da AGENDHA/Projeto Nutre Nordeste


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Programa “Globo Repórter” transmite especial sobre produtos orgânicos O programa Globo Repórter, tradicional e de grande audiência na Rede Globo, realizou uma matéria exclusivamente sobre produtos orgânicos. A matéria foi ao ar na 6a feira, dia 25 de março e apresentou diversas qualidades do setor, como benefícios para a saúde, meioambiente e bem-estar animal. A matéria visitou o Circuito Carioca de Feiras, no Rio de Janeiro, e a propriedade Yamaguishi, em Jaguariúna, São Paulo, conhecida principalmente pela avicultura ecológica. Agronegócio como ferramenta para inclusão social "Agronegócio Orgânico e Sustentável como Ferramenta para Inclusão Social", é um programa de nove seminários promovido pelo Planeta Orgânico e pelo IPD com patrocínio do Ministério da Ciência e Tecnologia. Os seminários acontecerão em cidades brasileiras estratégicas, mapeando oportunidades e desafios para a promoção da inclusão social. Com a nova Lei dos Orgânicos, a exemplo do que ocorreu em outros países quando o setor orgânico foi regulamentado, haverá um cenário mais positivo e seguro para novos projetos, desenvolvimento de produtos, entrada de multinacionais, aportes econômicos, financiamentos, enfim, uma evolução do setor, com melhoria de consumo interno e da exportação. O Planeta Orgânico estará divulgando os eventos e o primeiro seminário do projeto foi realizado dia 22 de novembro de 2010, na cidade de Maringá, Paraná. As parcerias para a realização dos

demais seminários também são estratégicas. Em Foz do Iguaçu, a Itaipu Binacional, responsável por um programa de agroecologia pioneiro no país, “Cultivando Água Boa”, confirmou sua presença e apoio com os promotores do projeto. Em Campinas, a parceria com o ITAL (Instituto Tecnológico de Alimentos) traz no mês de maio o Seminário Campinas Sustentável, destacando oportunidades para a agricultura familiar no varejo, em cozinhas industriais e em merendas escolares. Um em cada dez produtores rurais é orgânico na Suíça Informações da Bionetz (Suíça), indicam que um em cada dez agricultores possui cer tificação orgânica, representando cerca de 11% da produção nacional. Foram 5.521 fazendas pertencentes à associação Bio Suisse no ano passado, e 392 certificados para as normas oficiais orgânicas do país. O aumento das vendas representou 6,1% em um ano, cerca de 1,6 bilhões de francos suíços (1,3 bilhões de euros).

Um em cada dez produtores rurais é orgânico na Suíça


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Internacional

Seminário Internacional Promove Agricultura Familiar do Brasil O Seminário “Agricultura Familiar e Copa 2014” promovido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e organizado pelo Planeta Orgânico, realizado dia 15 de fevereiro de 2011 no Hotel Holiday Inn em Nuremberg foi um sucesso, superando as expectativas dos organizadores. Foram necessárias cadeiras extras para acomodar as mais de 60 pessoas que compareceram ao Seminário. Claudio Langone, Coordenador da Câmara Temática Nacional de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Copa 2014, vinculada ao Ministério do Esporte, abriu a sequencia de apresentações falando sobre a presença de produtos da agricultura familiar na Copa 2014, como inserção social, geração de emprego e renda. Langone disse que entre os temas já contemplados pelo Ministério do Esporte para a Copa 2014 está “Copa Orgânica e Sustentável.” Arnoldo Campos, Diretor de Geração de Renda e Agregação de Valor da Secretaria de Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário apresentou o projeto Talentos Brasil Rural, que, formará um banco de dados de oferta e demanda de produtos da agricultura familiar para hotéis, pousadas e restaurantes nas 12 cidades sede da Copa 2014, promovendo o eco-turismo. O Diretor do Programa de Florestas da GIZ, Helmut Eger, apresentou a importância das parcerias publico privadas para a sustentabilidade, destacando que GIZ (novo nome da GTZ depois da fusão entre DEG e GTZ) já promoveu negócios de mais de 1.400.000 Euros entre 2009/2010. Maria Beatriz Martins Costa, diretora do Planeta Orgânico falou sobre Valor Agregado da Agricultura Familiar, lembrando que a agricultura familiar do Brasil atende a demanda global por iniciativas comprometidas com rastreabilidade e sustentabilidade.

Claudio Langone, Arnoldo Campos, Maria Beatriz Martins Costa e Leonardo Cleaver de Athayde

Leonardo Cleaver de Athayde, Promoção comercial da Embaixada do Brasil em Berlim, representou o Embaixador do Brasil na Alemanha, Everton Vargas, neste Seminário. Empresas Brasileiras Fecham Negócios em Feiras no Exterior O Projeto Organics Brasil, parceria entre o Instituto de Promoção do Desenvolvimento (IPD) e a Agência Brasileira de Promoção de Expor tações e Investimentos (Apex-Brasil), participou da feira BioFach Nuremberg, na Alemanha, com resultado final de US$ 16 milhões em exportações para os próximos 12 meses. Também em Nuremberg foi realizado um seminário da Associação Brasileira de Pecuária Orgânica (ABPO) em parceira com a WWF Brasil sobre o desenvolvimento da pecuária orgânica no país. Atualmente estima-se um plantel de cerca de 80.000 cabeças certificadas. O encontro foi organizado pelo Instituto Rastro Verde.


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Saúde & Orgânicos

Alimentos germinados:

Bombas de saúde No mercado, há alguns produtos do gênero à venda, como os do Sítio do Moinho (ver matéria nessa edição), mas você pode também arregaçar as mangas e fazer o seu próprio alimento germinado. Como produzir grãos germinados 1. Coloque de uma a três colheres de sopa de grãos em um vidro e cubra com água pura, sem cloro. 2. Deixe de molho por uma noite (o girassol sem casca só precisa de quatro horas). 3. Cubra o vidro com um pedaço de filó e prenda com um elástico. Despeje a água e enxágue bem sob a torneira. 4. Coloque o vidro inclinado num escorredor com a boca para baixo e cubra com um pano (o pano é opcional). 5. Enxágue duas vezes ao dia: de manhã cedo e à noite. 6. Os grãos germinados estarão prontos para ser comidos ou plantados após um período variável: Agrião: após seis a oito dias. Alfafa: após três a quatro dias. Arroz: após quatro a cinco dias. Feijão azuki: após quatro a cinco dias. Gergelim: após dois a três dias. Girassol sem casca: logo que amolecer com a água. Lentilha: após três a quatro dias. Trigo: após dois a quatro dias. Fonte: Você sabe se alimentar? Dr. Soleil, São Paulo, Ed. Paulus, 1997.

Virna Santolia

Na busca pela alimentação cada vez mais saudável, o consumidor consciente tem prazer em descobrir ou se informar sobre tendências e opções, quando o assunto é qualidade de vida. Os chamados alimentos germinados, longe de serem um modismo, favorecem, de maneira considerável, a saúde humana. O processo de germinação contribui para que grãos e sementes potencializem seus nutrientes, e se transformem em alimentos de maior qualidade nutricional, oferecendo também maior biodisponibilidade (habilidade efetiva do corpo em digerir e absorver nutrientes). A germinação provoca reações bioquímicas no interior dos grãos e sementes que ajudam na redução dos antinutrientes (como o ácido fítico) e disponibiliza nutrientes essenciais que estão latentes. Isso significa melhor digestão, maior concentração e maior possibilidade de absorção de substâncias, em comparação aos grãos e sementes não germinados. Dentre os nutrientes importantes estão os antioxidantes, os ácidos graxos essenciais, as proteínas, as fibras, as vitaminas e os minerais. São muitas as vantagens do consumo de alimentos germinados: elimina compostos inibidores de enzimas; aumenta o número de enzimas digestivas e de lignanas (compostos fitoquímicos similares ao estrogênio, que tem propriedades anticancerígenas, principalmente em relação ao câncer de mama e cólon); melhora a qualidade do sono e a pressão arterial, entre outras propriedades.

Nova linha de grãos germinados à disposição no mercado


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Varejo Orgânico

Varejo: em questão, o consumidor Luís Alexandre Louzada

Produtos comercializados pelo Quintal dos Orgânicos, na Vila Madalena, em São Paulo

É com propriedade que ela discorre sobre o assunto. Não é à toa que o casal Ângela e Dick Thompson deixou sua marca de pioneirismo na introdução dos orgânicos no Brasil, a partir do final dos anos 80. Hoje, os sócios atuam na expansão do setor, e abriram há dois anos uma loja do Sítio no bairro do Leblon, na Zona Sul do Rio. Na opinião da empresária, o consumidor precisa ser orientado, até mesmo em relação às categorias de itens nas prateleiras. “A mistura de produtos orgânicos com naturais, diet e light pode, em alguns casos, confundir o cliente”. Diante dessas diferenças, começam a surgir alternativas que poderão ir ao encontro dos consumidores mais exigentes. É o caso do Quintal dos Orgânicos, em São Paulo, que há seis meses abriu sua loja 100% orgânica no bairro da Vila Madalena. Na opinião do administrador Nardi Davidsohn, esta crescente demanda por parte do consumidor é o que motivou a abertura do .

Divulgação

Pensar em consumir orgânicos 20 anos atrás era uma verdadeira aventura. O mercado não estava organizado e se limitava a uma atividade de produtores alternativos. Hoje, este cenário mudou e prossegue em constante crescimento. Por outro lado, a deficiência no fornecimento de produtos, a questão da confiabilidade do consumidor e a carência de lojas que trabalhem somente com orgânicos são alguns dos obstáculos que o setor enfrenta. “O consumidor espera que o produto seja integro e confiável, pois quer estar certo de que fez uma boa escolha. Nesse sentido, é importante que o ponto de venda, seja ele qual for, saiba falar sobre o produto, tirar dúvidas, infundir confiança ao cliente em sua escolha. O varejo precisa estar preparado para isso” – atesta Ângela Thompson, proprietária do Sítio do Moinho, em Itaipava, na região serrana do Rio de Janeiro.


estabelecimento. “O mercado é muito procurado, mas não há muita oferta”- explica. A loja oferece um mix de mil itens certificados, desde alimentos e produtos para casa (objetos, mobiliário) a artigos de moda (masculina, feminina e infantil) e beleza (cosméticos e artigos para cuidados pessoais). Além disso, mantém um restaurante que abre diariamente para café da manhã, almoço, lanche e degustações, com menu variado. Para Davidsohn, o consumidor deve ser conquistado pela confiança, e isso vale tanto em relação ao retorno à loja como a garantia de estar levando para casa produtos certificados.

Preferência Entre os itens orgânicos mais procurados estão frutas, legumes e verduras. Engrossam a lista óleos vegetais, grãos e carnes. No entanto, como pode ser observada, nos dias de hoje, a questão do custo desses produtos para o consumidor? Nardi Davidsohn, do Quintal dos Orgânicos, informa que, anos atrás, o preço era 60% superior ao dos convencionais, e que hoje em dia esse índice caiu pela metade. “Por serem produtos com maior valor agregado, existe um cuidado redobrado na produção, em benefício da saúde.”

Patrícia Thompson

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Loja do Sítio do Moinho no Leblon

mais uma novidade: grãos e farinhas germinados. Para isso, criaram a marca Bio Sprout, que apresenta uma linha composta por arroz integral cateto, mix de lentilhas e farinhas de linhaça dourada (simples, com berries e com semente de brócolis). “A germinação disponibiliza um volume muito maior de nutrientes. Daí a importância dessa linha, que alia a condição orgânica a um grande valor nutricional” explica Ângela, que começa a investir no mercado paulista e anuncia a abertura, no Rio, até o final do ano, de uma loja do Sítio do Moinho na Barra da Tijuca.

Serviço Loja Sítio do Moinho - Leblon (RJ) 21 3795-9150

Loja Apesar disso, o varejo mostra, aos poucos, seu potencial. A loja do Sítio do Moinho, no Leblon, recebe, em média, 45 clientes por dia, um bom número em razão do pequeno, porém, aconchegante espaço. Em matéria de produtos, trabalha somente com itens certificados. Há desde massas, pães, conservas, molhos, grãos, cereais, cafés, sucos, verduras e legumes frescos (originários do sítio em Itaipava), até produtos sem lactose. Oferece ainda café da manhã aos sábados, e deliciosos lanches, além de bolos e empadinhas puramente orgânicos. O aspecto inovador também ganha destaque no Sítio. Além de lançar produtos diferenciados, como o xarope de agave, adoçante feito a partir de um tipo de cacto proveniente do México, a empresa aposta em .

www.sitiodomoinho. com.br

Hotel Rosa dos Ventos - Teresópolis (RJ)

21 2644-9900 www.hotelrosadosventos.com.br Vegan - Botafogo (RJ) 21 2286-7078

Restaurante Vegan

Vale do Brejal Orgânicos -

Petrópolis (RJ) 24 8828-5087 valedobrejal@hotmail.com Nirvana - Gávea - RJ 21 21870100 www.enirvana. com.br Restaurante O Navegador - RJ 21 2262-6037 www. onavegador.com.br Quintal dos Orgânicos - Vila Madalena (SP) 11 2386-1881 www.quintaldosorganicos.com.br

Sabor Natural - Santana (SP)

11 2977-4304 www.deliveryorganicos.com.br 11 5096-3371

apotheca@uol.com.br

Apotheca - Brooklin (SP)

Tátini Restaurante - Jardim

Paulista (SP) 11 3885-7601 www.tatini.com.br

Emporium Oriental -

São Paulo (SP) 11 50737745 www.emporiumoriental. com.br Zym Café - SP - 11 3021-6746 www.zym. com.br Fazenda Malunga - Brasília (DF) - 61 3202-6003 www.malunga.com.br Organics Brasil - Curitiba (PR) www.organics brasil.org Pão de Açúcar - www.grupopaode acucar.com.br


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Turismo & Gastronomia

Orgânicos com charme Luís Alexandre Louzada

O hotel Rosa dos Ventos abriga a sede da Associação de Hotéis Roteiros de Charme

todos que dele dependem”. O trabalho desenvolvido por Waddington continua a dar muitos frutos. Aliás, todos orgânicos, diga-se de passagem. A partir de uma diretriz sustentável, que surgiu com a utilização de resíduos orgânicos na produção de adubo e humus - como forma de evitar seu descarte inadequado - a associação iniciou, de maneira natural, a produção de alimentos sem agrotóxicos e substâncias químicas. Vários estabelecimentos associados que hoje totalizam 50 unidades em 13 estados brasileiros, reunindo mais de 40 destinos - possuem espaço adequado para a produção de hortaliças, legumes e verduras em suas hortas, de forma orgânica. Tais produtos são, na maioria, usados para consumo interno nos hotéis, através da culinária oferecida a seus hóspedes nos restaurantes. E a receptividade do público é bastante positiva, diante da crescente demanda pelo consumo saudável e pela qualidade de vida.

Divulgação/Roteiros de Charme

No início dos anos 90, quando a palavra sustentabilidade ainda não era comum no cotidiano dos ambientalistas e das pessoas preocupadas com o futuro do planeta e da raça humana, algumas mentes pensantes já anteviam o que viria a ser uma opção de conduta para a sociedade atual. Uma dessas cabeças se chama Helenio Waddington, fundador e presidente, há quase 20 anos, da Associação de Hotéis Roteiros de Charme, e proprietário, ao lado de Ildiko Waddington, do Hotel Rosa dos Ventos, em Teresópolis (RJ). Criada em 1992, a organização já registrava em seu estatuto o objetivo de “reunir hotéis, pousadas e refúgios ecológicos que, além de uma localização privilegiada, charme, qualidade de serviços e de instalações compatíveis com sua proposta, assumam, ao ingressar na Associação, o compromisso de preservar os destinos turísticos onde estão localizados e de promover a educação ambiental de


Mas o trabalho não acaba por aí. Há todo um movimento de conscientização. Diversos hotéis possuem informativos sobre suas práticas ambientais que incluem a valorização dos orgânicos. O Hotel Rosa dos Ventos, em Teresópolis - onde funciona a sede da associação - vem oferecendo, nos últimos cinco anos, um curso voltado para a importância da horticultura orgânica, direcionado a jovens estudantes do curso técnico e básico de hotelaria e às comunidades carentes da região. O programa é organizado pela Comunidade Emanuel, sediada em Venda Nova (RJ-130). Ações Além do compromisso de estabelecer uma atividade turística de qualidade, adequada ao meio ambiente e socialmente responsável - os hotéis Roteiros de Charme têm desenvolvido diversas ações no caminho da sustentabilidade. Em 2009, a associação lançou, junto aos hóspedes, uma campanha de plantio de espécies arbóreas nativas da Mata Atlântica, por ocasião do Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho), que se estendeu em 2010, e que também será realizada este ano. “Muitos hóspedes telefonam perguntando 'Como vai a minha árvore?' ” - lembra Helenio Waddington. Segundo ele, a finalidade de ações como essa é “conscientizar os hóspedes sobre a importância da neutralização das emissões de carbono, através de uma atitude singela, porém, muito significativa”. No momento, Waddington se debruça sobre o seu próximo desafio: a aplicação de indicadores de sustentabilidade, desenvolvidos como ferramenta para assistir na aferição quantitativa da adoção de práticas ambientais. O aumento da demanda turística nos estabelecimentos, e até mesmo o recente reconhecimento da ONU, podem ser atribuídos, de acordo com o empresário, a um simples fator: “a busca por nichos e produtos diferenciados que proporcionem ao público uma experiência, e não somente uma hospedagem, incluindo o melhor custo–benefício”.

Pic Nic no Mirante - visão privilegiada na região serrana de Teresópolis

Divulgação/Roteiros de Charme

Orgânicos & Cia / 21

Perfil - Hotéis Roteiros de Charme ŸEstabelecimentos selecionados segundo critérios definidos quanto ao conforto, qualidade de serviços e responsabilidade ambiental e social. ŸCada unidade oferece entre 10 e 60 apartamentos. Total de quartos da associação: 1042. ŸAs unidades atendem às exigências da legislação em vigor, inclusive ambiental. ŸProprietários dos estabelecimentos se envolvem com ações comunitárias e se comprometem com a preservação ambiental dos destinos turísticos onde os hotéis se localizam. ŸTodos os 50 hotéis associados cumprem as diretrizes contidas no Código de Ética e Conduta Ambiental, desenvolvido pela Associação em 1999 em parceria com a UNEP (United Nations Environment Programme - Paris). Serviço Preço médio das diárias nos hotéis: por casal, em apartamento duplo, tipo Standard - R$ 350 (com café da manhã) e R$ 500 (com pensão completa). Consulte também os pacotes. Reservas: 0800 025 15 92 Mais informações: www.roteirosdecharme.com.br


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Receitas

Culinária com produtos de sementes crioulas

Baião de dois, farofa de feijão germinados e banana da terra no forno Claudia Mattos (ZYM Café) e Cenia Salles (Slow Food São Paulo)

Baião de dois ingredientes: 1 e 1/2 colher de sopa de manteiga de garrafa, ½ colher de café de asafétida (opcional), 2 folhas de louro, 1 maço de cebolinha bem picada, 2 dentes de alho picado, 1 xícara de arroz pilado cozido (ou outro tipo), 1e ½ xícara de feijão cozido e temperado com ricota defumada, ½ xícara de casca louca temperada * 250 gramas de queijo coalho em quadradinhos, Sal marinho a gosto, Pimenta do reino moída na hora a gosto e ¼ de maço de coentro fresco. Preparo: Em uma panela coloque a manteiga de garrafa junte os temperos, assafétida, folhas de louro para despertar e ganhar mais sabor. Acrescente a cebolinha e o alho, deixe dar uma “tostadinha” até ficar perfumado, junte o feijão com um pouco do caldo do cozimento, a casca louca, o arroz pilado cozido e vá mexendo aos poucos. Por fim, acrescente o queijo qualho cortado em quadradinhos. Ajuste o sal e a pimenta, desligue o fogo e finalize com o coentro fresco. Pode ser acompanhado de farofa, rodelas de banana frita e pimenta biquinho. Casca louca de Banana Ingredientes: 500g de casca de banana verde cozida 2 colheres de azeite de oliva 1 unidade de cebola em rodelas finas 1 colher de sopa de gengibre ralado 5 tomates pelados sem semente sal e pimenta a gosto Preparo: Com a ajuda de um garfo, desfiar a casca da banana.

Em uma panela refogar o gengibre, dourar a cebola e adicionar as cascas desfiadas. Juntar os tomates picados. Temperar com sal e pimenta. Farofa de germinado de pequeno feijão Ingredientes: 2 colheres de azeite, 1 cebola picada, 1 cenoura ralada, 1 xícara de feijão de grão pequeno germinado escolhido, 1 xícara de farinha de mandioca ½ maço de salsa picada, sal marinho a gosto Preparo: Em uma panela frite no azeite a cebola, junte a cenoura mexendo por alguns instantes. Coloque os grãos de feijões, mexendo para que incorpore com os demais ingredientes, desligue fogo. Junte a farinha e tempere com a salsa o sal e a pimenta. Banana da terra no forno Ingredientes: 4 bananas da terra cozidas com casca 2 colheres de sopa de manteiga de garrafa Preparo: Tire as cascas das bananas e corte em rodelas finas. Em uma assadeira, pincele a manteiga e disponha as rodelas de banana. Asse em forno moderado até dourar. Mais Informações: www.zymcafe.com.br/ e www.slowfoodbrasil.com


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