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Propriedade e Conceção: Sociedade de Gestão Ambiental e Conservação da Natureza – AZORINA, S.A. Conteúdos: Direção Regional do Ambiente | Sociedade de Gestão Ambiental e Conservação da Natureza – AZORINA, S.A. Parques Naturais dos Açores | Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos dos Açores | Universidade dos Açores Fotografia: [1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8,11, 12, 13, 16, 17, 18, 21, 22, 23 e 28] ©PHSilva // siaram.azores.gov.pt [9] Paulo Monteiro | [10, 24] Pixbay.com | [14, 15] Bruno Pereira | [19] Marlene Freitas Nóia | [20] Ana Laura Vasconcelos | [25] Ana Vieira | [26] Emanuel Silva | [27] João Bettencourt Design e Ilustrações: Sociedade de Gestão Ambiental e Conservação da Natureza – AZORINA, S.A. Iniciativa: Governo Regional dos Açores Todos os direitos reservados © 2017


ÍNDICE Parque Natural de Santa Maria

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Fajã da Caldeira de Santo Cristo

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Paínho-de-Monteiro

A mais pequena ave marinha dos Açores

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Água da torneira, água de qualidade

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A Ameaça das Exóticas Invasoras - Belas mas perigosas

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Eco-oficina - Vasos e Floreiras Ecológicos

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Centro de Interpretação Ambiental do Boqueirão

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Dia Nacional da Conservação da Natureza

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Reserva Natural do Ilhéu da Vila

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Vulcão dos Capelinhos - 60 Anos de História

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O Papel do Cidadão na Gestão de Resíduos

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Verão nos Parques

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Agenda Parque Aberto

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As ilhas açorianas e o mar que as rodeia são o ponto de encontro para espécies únicas e singulares que necessitam de uma proteção. Com o passar dos anos, o Homem foi introduzindo diversas espécies para fins florestais, agrícolas e ornamentais. Naturalmente, muitas outras espécies foram sendo introduzidas acidentalmente. Algumas delas proliferaram, acabando por dominar grande parte do coberto vegetal natural das ilhas, assumindo, assim, um carácter invasivo. Consciente da problemática das espécies exóticas invasoras e guiado pelos princípios da prevenção, da deteção e resposta rápida perante as invasões o Governo dos Açores tem vindo a desenvolver um conjunto de ações de controlo e monitorização em todas as ilhas do Arquipélago. Ações que visam a melhoria do estado de conservação dos habitats naturais e populações de espécies prioritárias, a redução dos efeitos das plantas invasoras e a introdução de novas espécies de flora no Arquipélago. Nos Açores, as espécies invasoras continuam a ameaçar as espécies endémicas, sendo necessário salvaguardar a sua preservação. É com base neste princípio que os Parques Naturais dos Açores têm vindo a desenvolver projetos de conservação in-situ e ações de sensibilização ambiental. A preservação dos valores naturais do Arquipélago e a erradicação das espécies exóticas só é possível através do contributo de cada açoriano, apenas assim, conseguimos garantir que as gerações vindouras têm condições para usufruir dos nossos recursos naturais.

Diretor Regional do Ambiente

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PARQUE NATURAL DE

SANTA MARIA

Os Parques Naturais dos Açores partilham de elementos comuns. Contudo, cada um se destaca pelas suas peculiaridades e especificidades que os distingue dos demais parques da Região. Estas diferenças, que se traduzem em singularidades, devem-se a diversos fatores, desde a separação geográfica das ilhas, a sua formação geológica, até à origem dos colonizadores das ilhas. O Parque Natural de Santa Maria, criado pelo Decreto Legislativo Regional 47/2008/A, e alterado pelo Decreto Legislativo Regional 39/2012/A, tem caraterísticas únicas, que se devem ao facto de a ilha ser geologicamente muito mais antiga do que as restantes do Arquipélago, com cerca de seis milhões de anos, aproximadamente quatro milhões de anos mais velha que as demais. A separação geográfica das restantes ilhas, cerca de 81 km de São Miguel, a mais próxima, também se demonstra como um fator favorecedor de especiações genéticas. 3

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Santa Maria possui um total de 96 km2 de área, dos quais 64 km2 são Áreas Protegidas, incluindo áreas marinhas e terrestres. Inclui três Áreas de Paisagem Protegida, três Áreas Protegidas de Gestão de Recursos, quatro Áreas Protegidas para a Gestão de Habitats ou Espécies, um Monumento Natural, duas Reservas Naturais, uma Zona de Especial Conservação (ZEC) e uma Zona de Proteção Especial (ZPE). Nas áreas protegidas do Parque Natural, encontram-se três espécies de flora endémica da ilha: o trovisco-macho de Santa Maria (Euphorbia stygiana santamariae), o ensaião (Aichryson santamariensis) e a herbácea Rostraria azorica, possíveis de observar, por exemplo, na Área de Paisagem Protegida de São Lourenço, na Área de Paisagem Protegida da Maia e na Área de Paisagem Protegida do Barreiro da Faneca.

Na Área Protegida para Gestão de Habitats ou Espécies do Pico Alto encontram-se diversos insetos e moluscos endémicos daquele local, tais como os coleópteros Athous pomboi, Donus multifidus, Tarphius pomboi e Tarphius serranoi. Porém, o elemento verdadeiramente diferenciador reside nas rochas de Santa Maria. Os processos de formação geológica da ilha favoreceram a perpetuação de espécies de fauna e flora marinha que habitavam os mares de então, à volta da jovem ilha. Há cerca de seis milhões de anos, nasce a ilha de Santa Maria, exclusivamente composta por materiais vulcânicos. Verificando-se um período de acalmia vulcânica, a erosão encarregou-se de transformar a jovem ilha num banco submarino, no qual se depositaram, durante esse período, sedimentos marinhos, que foram recobertos de lavas e cinzas vulcânicas num período posterior de atividade vulcânica. Os sedimentos ficaram, pois, preservados, sendo atualmente foco de interesse para paleontólogos e curiosos. Nas jazidas fósseis, todas integradas no Parque Natural, incluem-se áreas com cerca de quatro milhões de anos, de que são exemplo a Pedreira do Campo, a Jazida da Cré e da Ponta Negra, e outras com aproximadamente 120 000 anos, como por exemplo a jazida da Praínha. A ilha de Santa Maria é a única dos Açores onde se podem encontrar fósseis, e é uma das duas únicas ilhas vulcânicas do mundo onde se podem observar fósseis de cetáceos. Esta exclusividade torna especial o Parque Natural de Santa Maria, e destaca a pertinência de uma visita para explorar e usufruir, de forma sustentável, as suas áreas. Rita Câmara Diretora do Parque Natural de Santa Maria

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FAJÃ DA CALDEIRA DE SANTO CRISTO |6


A meio da costa nordeste da ilha de São Jorge, ao abrigo da alta falésia, assoalha um local bucólico, afável e de acesso restrito, onde a diversidade cultural é fruto da inter-relação do homem com a paisagem e da ocupação do solo gerado pelas diferentes atividades económicas e edificações. Trata-se da Fajã da Caldeira de Santo Cristo. Esta teve origem na sequência de um enorme desabamento de terras, resultado do sismo de 9 de julho de 1757. A sua lagoa terá sido formada pela erosão do mar e das águas pluviais sobre o desabamento original. Em tempos passados foi considerada uma das maiores e mais desenvolvidas fajãs da ilha, com infraestruturas, no entanto perdidas com o terramoto de 1 de janeiro de 1980, como escola, posto público de telefone e mercearia, de forma a satisfazer as necessidades dos cerca de 111 habitantes. A laguna da Caldeira de Santo Cristo é um elemento característico deste local pois tal como a da Fajã dos Cubres, são as únicas que possuem lagunas costeiras no arquipélago dos Açores e na região biogeográfica da Macaronésia. Ambas revestem-se de grande interesse ecológico e conservacionista, devido à diversidade biológica e à existência de habitats prioritários protegidos por legislação regional, diretivas comunitárias e tratados internacionais.

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onde os residentes e visitantes podem assistir à missa, procissão e arrematações. Durante todo o ano, mas essencialmente nesse fim de semana, muitos peregrinos deslocam-se à igreja da fajã, benzida a 10 de novembro de 1835, para satisfazerem promessas e pedidos de graça. A vegetação é outro dos elementos mais significativos da paisagem da fajã, tendo múltiplas funções, desde estabilizar as encostas, retardar a erosão, manter o microclima local, servir de habitat para diversas espécies de animais, entre outras. Todas estas características levaram, ao longo dos anos, ao crescente número de classificações, tendo como principal objetivo a manutenção do equilíbrio ecológico desta área. Nas classificações atribuídas à Caldeira estão incluídas: a Reserva Natural Parcial da Lagoa da Caldeira de Santo Cristo; a Área Ecológica Especial da Lagoa da Caldeira de Santo Cristo; a Área de Paisagem Protegida das Fajãs do Norte; a Zona Especial de Conservação (ZEC) da Costa Noroeste e Ponta do Topo e Sítio de Importância Comunitária, pela Rede Natura 2000; a IBA-Área Importante para as Aves (Important Bird Area); a Zona Ramsar e a Zona Núcleo da Reserva da Biosfera das Fajãs de São Jorge, pela UNESCO.

A água da laguna provem da infiltração da água vinda dos terrenos mais elevados da parte central da ilha, e da água proveniente do mar que galga os limites da laguna durante as tempestades. Assim, obtém-se uma junção de água doce e salgada, característica das zonas. Esta mistura permite a constante oxigenação da água, criando condições favoráveis para a presença da espécie de amêijoa (Ruditapes decussatus) que, pelo facto de não ocorrer em nenhum outro ponto do Arquipélago, constituiu uma importância social ímpar, além de estar incluída na gastronomia tradicional local.

De forma a conhecermos a Fajã da Caldeira, não podemos descurar do seu enquadramento e da sua envolvência, sendo que a realização do trilho pedestre da Serra do Topo – Fajã da Caldeira de Santo Cristo – Fajã dos Cubres, é a melhor forma de observar todos os elementos e de encontrar este refúgio tão privilegiado, complementando o passeio com a visita ao Centro de Interpretação da Fajã da Caldeira de Santo Cristo, criado em 2011, com o objetivo de divulgar e interpretar o conhecimento sobre a história geológica, biológica e humana desta maravilha de São Jorge.

A religiosidade está muito associada a esta fajã, sendo muito marcada durante o primeiro fim de semana de setembro, com os festejos em honra do Santo Padroeiro, Senhor Santo Cristo,

Marta Cunha Parque Natural de São Jorge 7|


PAÍNHO-DE-MONTEIRO A MAIS PEQUENA AVE MARINHA DOS AÇORES

Os paínhos são Procellariiformes, uma das ordens de aves com mais vasta distribuição geográfica, nidificando do Ártico à Antártida em todos os oceanos do mundo; são também a ordem de aves que maior variação na massa corporal apresenta, das cerca de 20 g do paínho-pequeno (Hydrobates microsoma) aos 11 kg de um albatroz-gigante (Diomedea exulans). A ordem dos Procellariiformes é ancestral; o fóssil mais antigo que se conhece é do início do Paleoceno, cerca de 60 milhões de anos atrás, mas estudos de DNA sugerem que este grupo é ainda mais antigo. O registo fóssil indica que as aves de então eram muito parecidas com as espécies actuais. Pouco maiores do que um pardal, os paínhos possuem bicos gancheados e com |8

os bordos afiados, aptos para a captura das presas, alimentando-se sobretudo de cefalópodes e peixes. Curiosamente, os paínhos também são conhecidos nos Açores como melros-da-baleia, uma vez que no tempo da caça à baleia eram observados com regularidade junto a estes grandes predadores. Estudos da dieta de paínhos nos Açores indicam que estas aves, por vezes, contêm no estômago lentes oculares de cefalópodes (polvos e lulas) muito grandes e que não poderiam de modo algum ter sido ingeridas inteiras. Assim, é provável que se alimentem de fragmentos de presas que as baleias não abocanham por inteiro e ficam a flutuar à superfície. A alimentação dos Procellariiformes inclui produtos que contém

muitas gorduras. Isto deve-se à digestão dos adultos, que transportam nos seus estômagos o alimento para as crias. O lento crescimento das crias dos Procellariiformes deve-se provavelmente à adaptação do seu metabolismo a uma única sessão de alimentação como máximo por dia, pois os progenitores podem deslocar-se a vários milhares de  quilómetros das colónias para pescar. O paínho-de-Monteiro (Hydrobates monteiroi) é endémico dos Açores, estando a sua nidificação comprovada apenas numa das nove ilhas dos Açores, a Graciosa. Pela sua distribuição restrita e por ter uma população reduzida, a espécie apresenta um estatuto de

conservação “vulnerável”, de acordo com a IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza). A maior colónia de paínho-de-Monteiro situa-se no ilhéu da Praia, ao largo da Graciosa. Para além das cavidades naturais, este ilhéu possui mais de 150 ninhos artificiais e uma grande parte deles ocupada. Os ninhos artificiais foram construídos em 2000, 2001 e 2015, por equipas da Universidade dos Açores, e são monitorizados anualmente para o estudo do sucesso reprodutor. As outras duas colónias conhecidas são o ilhéu de Baixo e o ilhéu da Baleia, também na Graciosa. A presença desta espécie no Corvo e em alguns ilhéus da ilha das Flores é conhecida desde 1997, mas até agora não foi possível obter provas da sua nidificação no grupo ocidental.


O paínho-de-Monteiro é a mais pequena ave marinha dos Açores com um comprimento de 18-20 cm e pesando apenas entre 35 e 60 g. Os ovos medem cerca de 30 mm por 24 mm e pesam em média pouco menos de 10 g. As crias voam com 63-70 dias e só quando têm pelo menos dois anos, voltam a terra para se reproduzir.

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Muito ágeis, os paínhos voam sobre as águas com uma elaborada técnica que mais parece um deslocamento com as patas do que com as asas. Na verdade, parecem caminhar sobre as águas. O nome científico do género - Hydrobates (do Grego antigo δωρ, “hydro”, para água e βατης, “batis”, pessoa que está a caminho ou caminha) – remete aliás para este comportamento peculiar. O nome científico da espécie - monteiroi – é um tributo equânime a Luís da Rocha Monteiro, o investigador que primeiro detectou a existência de duas populações de paínhos nos Açores, a da época quente (março-setembro) e a da época fria (agosto-março). Esta descoberta foi feita quando estudava a eco-toxicologia da comunidade de aves marinhas dos Açores no início dos anos 90, no âmbito dos seus trabalhos de doutoramento. Luís Rocha Monteiro (1962-1999) foi um dos mais promissores investigadores da sua geração, tendo dedicado a sua vida à protecção do ambiente e ao estudo das aves marinhas nos Açores,

distinguiu-se no campo da Ornitologia, Ecotoxicologia Marinha e Conservação da Natureza. Para além de ter detectado a existência de duas populações temporalmente segregadas, este investigador descobriu ainda que as duas espécies tinham concentrações de mercúrio muito diferentes (mais baixas no paínho-de-Monteiro), sugerindo diferenças na dieta e ecologia alimentar que mais tarde provaram estenderse à morfologia, dimensão dos ovos e cantos. Os paínhos-de-Monteiro são mais pequenos na maioria das medidas, particularmente no peso (510% mais leves), mas têm asas mais compridas e possuem uma cauda ligeiramente mais longa e bifurcada do que a do paínho-da-Madeira. O bico do paínho-de-Monteiro é também ligeiramente mais pequeno e mais fino, embora haja alguma sobreposição nos valores das medidas de ambas as espécies. Apesar da semelhança nas plumagens, os cantos de ambas as espécies são muito diferentes. Os paínhos-de-Monteiro têm os cantos mais simples de todos os paínhos do Atlântico-Norte. Normalmente quatro a seis notas, enquanto que os paínhosda-Madeira emitem nove notas. Em termos genéticos, os paínhos-de-Monteiro são diferentes de todas as outras populações de paínhos e terão partilhado um ancestral comum com o paínho-da-Madeira há cerca de 110 000 a 180 000 anos.

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Uma das consequências de nidificarem com cerca de 4-5 meses de intervalo é que ambas as espécies, paínho-de-Monteiro e paínho-da-Madeira, estão fora de sincronia em todos os outros aspectos do seu ciclo anual, incuindo a muda da plumagem. Durante o período em que ambas as espécies estão presentes na colónia, o estado da muda é a melhor forma de as separar. Os adultos começam a mudar as primárias no fim do período reprodutor e continuam durante o período em que estão ausentes da colónia. Os paínhos-de-Monteiro iniciam a sua muda no final do verão, quando os paínhos-da-Madeira estão a completar a sua. Através das mudas, foi possível perceber que os paínhos-de-Monteiro visitam a colónia até ao final de setembro e mesmo excepcionalmente no início de outubro. No mar pode ser complicado usar o estado da muda para identificar indivíduos, porque as aves com um ano de idade de algumas espécies fazem as suas mudas muitos meses antes dos adultos. Como as aves só começam a

visitar as colónias a partir dos dois anos de idade, nada se sabe sobre o timing da muda dos paínhos-de-Monteiro com um ano de idade. O paínho-de-Monteiro mais velho que se conhece foi anilhado pelo Doutor Luís Monteiro em junho de 1995 no ilhéu de Baixo (Graciosa) e novamente observado em 2017 na mesma colónia

e de boa saúde (Nuno Oliveira, comunicação pessoal). Teria assim uma idade mínima de 23 anos, uma vez que quando foi anilhado, já era adulto. É provável que estas aves possam viver bastante mais tempo. De entre os pa9

ínhos, o recorde de longevidade é de 36 anos (AnAge, 2017) e pertence actualmente ao paínho-de-cauda-furcada (Hydrobates leucorhous) e ao paínho-da-Madeira (Hydrobates castro). Pelo seu tamanho reduzido, os paínhos são muito sensíveis a predadores, nomeadamente a mamíferos introduzidos, tais como ratazanas, gatos, furões e doninhas e por isso, hoje em dia, nidificam apenas em ilhéus remotos. Recentemente a lagartixa-da-Madeira (Teira dugesii) foi observada a predar crias de paínho-de-Monteiro no ilhéu da Praia. A perturbação causada pelas lagartixas estende-se ao período de incubação, forçando por vezes os adultos a deixar o ovo sozinho e contribuindo assim, de forma importante para a redução do sucesso reprodutor. Em 2018 assinala-se uma década desde que esta espécie foi oficialmente descrita, e teremos assim uma excelente oportunidade de celebrar a única espécie de ave marinha endémica dos Açores – esteja atento! Verónica Neves Investigadora - Universidade dos Açores Por vontade expressa da autora este artigo não segue a grafia do novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

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Agua da torneira, água A água da torneira no arquipélago dos Açores é da mais elevada qualidade, beneficiando das especificidades climatéricas e das características hidrogeológicas de cada uma das suas nove ilhas. É uma água segura, objeto de um rigoroso controlo de qualidade e sujeita a análises laboratoriais regulares, cumprindo os mais exigentes requisitos legais nacionais e europeus. Beber água da torneira é uma escolha ecológica, porque dispensa embalagem, contribuindo para uma utilização mais eficiente dos recursos naturais e para a sustentabilidade do meio ambiente. Para além disso é económico e acessível, disponível em qualquer torneira. No arquipélago dos Açores, em virtude da sua climatologia, nomeadamente precipitação abundante e regular ao longo do ano, temperatura amena e elevados índices de humidade do ar, os recursos hídricos são relativamente abundantes. Por outro lado, devido à sua geomorfologia, as águas subterrâneas constituem a principal origem da água distribuída pelos sistemas de abastecimento nos Açores, após tratamento adequado, tal como previsto na legislação em vigor. O controlo de qualidade de água é realizado pelas entidades gestoras dos sistemas públicos de abastecimento de água, através do cumprimento das frequências mínimas de amostragem e da verificação dos valores paramétricos fixados por lei, e de acordo com Programas de Controlo de Qualidade da Água para Consumo Humano (PCQA), submetidos anualmente à aprovação da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos dos Açores (ERSARA). Todas as recolhas de amostras são realizadas por técnicos devidamente certificados e efetuadas na torneira do consumidor, segundo rigorosos procedimentos técnicos.

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de qualidade Criada em 2010, a ERSARA tem como objetivo assegurar a proteção dos utilizadores dos serviços de águas e resíduos, no que se refere à qualidade dos serviços prestados, bem como aos preços praticados. Desde então, a ERSARA tem desempenhado funções reguladoras e orientadoras, tendo em conta a importância que estes serviços públicos de caráter estrutural assumem para o bem-estar, saúde pública e segurança das populações. Compete igualmente à ERSARA a fiscalização e o controlo da qualidade da água para consumo humano. Apraz verificar que a qualidade da água da torneira, na região, tem vindo a aumentar de forma consistente, tendo sido alcançado, em 2017 e pelo segundo ano consecutivo, um valor médio de 99% no indicador “Água Segura”, antecipando assim, as metas nacionais e comunitárias traçadas para 2020. A ERSARA tem vindo a desenvolver diversas iniciativas para reforçar a confiança na qualidade da água por parte dos consumidores, nomeadamente com a atribuição do galardão “Selo de Qualidade da Água para Consumo Humano”, que visa premiar as entidades gestoras que, no ano anterior, se tenham distinguido em matéria da qualidade da água disponibilizada na torneira do consumidor. O “Selo de Qualidade da Água para Consumo Humano” assegura que a água disponibilizada pelas entidades contempladas seja de qualidade exemplar. Uma água segura, objeto de rigoroso controlo de qualidade e sujeita a análises laboratoriais regulares, cumprindo os mais exigentes requisitos legais nacionais e europeus. Para mais informações sobre a gestão e a qualidade da água dos Açores, consulte a nossa página em http://www.azores.gov.pt/GRA/srrn-ersara. ERSARA Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos dos Açores 13 |


A AMEAÇA

DAS EXÓTICAS INVASORAS BELAS MAS PERIGOSAS

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Muitas das espécies de fauna e flora que nos rodeiam foram transportadas, acidental ou deliberadamente, do seu habitat natural para os Açores, pelo que são denominadas espécies exóticas. Algumas destas coexistem com as espécies nativas de forma equilibrada e desempenham um papel importante na economia, mas outras ocupam o território de forma descontrolada, quer em área e/ou em número de indivíduos, provocando modificações significativas nos ecossistemas, sendo então designadas por espécies exóticas invasoras. As espécies exóticas invasoras caracterizam-se pelo seu rápido crescimento e grande capacidade de dispersão, por competirem com as espécies nativas de forma eficaz pelos recursos disponíveis, por não possuírem inimigos naturais, uma vez que estão deslocadas do seu habitat de origem, e no caso da maioria das plantas por se reproduzirem vegetativamente.


A ameaça à biodiversidade local por parte das espécies invasoras pode assumir diferentes formas, designadamente ao nível das espécies nativas e da estrutura, composição e funcionamento dos ecossistemas, modificando a paisagem, através da alteração dos habitats naturais, predação, competição, transmissão de doenças e hibridação. Além disso, também têm forte impacto a nível económico e da saúde pública. As invasões biológicas são uma das maiores causas de perda de biodiversidade a nível mundial, especialmente em ecossistemas geograficamente isolados, como no caso dos Açores. Os ecossistemas insulares são extremamente vulneráveis devido ao tamanho reduzido dos seus habitats, baixa biodiversidade, flora e fauna peculiar e diminuta capacidade de adaptação às mudanças e às alterações do uso do solo. A introdução deliberada de espécies nos Açores iniciou-se aquando da colonização das ilhas, levando a um processo progressivo de alteração do coberto vegetal e à introdução de uma grande quantidade de espécies para fins florestais, agrícolas e ornamentais, muitas delas introduzidas devido à sua extraordinária beleza. Ao longo de vários séculos muitas espécies foram também introduzidas acidentalmente, em lotes de sementes, transportadas por aves ou em cascos de navios.

Algumas delas proliferaram acabando por dominar grande parte do coberto vegetal natural das ilhas, assumindo, assim, um carácter invasivo. Ciente do impacte ambiental, paisagístico, económico e social causado pelas espécies exóticas invasoras, o Governo dos Açores tem vindo a implementar desde 2004, um projeto de conservação “in situ” cujo objetivo é o controlo de espécies de flora invasora em áreas sensíveis em todas as ilhas do arquipélago dos Açores. Nos últimos três anos foram realizados trabalhos que beneficiaram cerca de 2500 hectares, através do controlo de 35 espécies, na maioria das vezes, associados a trabalhos de recuperação de habitats classificados.

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AS INVASÕES BIOLÓGICAS SÃO UMA DAS MAIORES CAUSAS DE PERDA DE BIODIVERSIDADE A NÍVEL MUNDIAL

Ao nível da regulamentação, o Decreto Legislativo Regional nº 15/2012/A, de 2 de abril, que estabelece o regime jurídico da conservação da natureza e da biodiversidade, determina, entre outras matérias, a importação, a detenção e a introdução de espécies exóticas na Região Autónoma dos Açores, identificando 85 espécies de fauna e flora invasora ou com risco ecológico conhecido. Para estas espécies, e de acordo com o artigo 91.°, “É proibida a importação, a cedência, a compra, a venda, a oferta de venda, o transporte, o cultivo, a criação ou a detenção em local confinado, a exploração económica e a utilização como planta ornamental ou animal de companhia (…)”. Por sua vez a Comissão Europeia tendo em conta o incremento a nível mundial das trocas comerciais, da agricultura, dos transportes e do turismo, conjugado com alterações climáticas, aprovou o Regulamento (EU) N.º 1143/2014 do Parlamento Europeu e do Conselho que visa estabelecer regras destinadas a impedir, minimizar e atenuar os efeitos adversos das espécies exóticas invasoras na biodiversidade e nos serviços ecossistémicos conexos, na saúde humana e na segurança, bem como a reduzir o seu impacto social e económico. 13

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No Arquipélago são exemplos de espécies de fauna exótica invasora, nos mamíferos, a ratazana–preta (Rattus ratus) e a ratazana–castanha (Rattus norvegicus), que causam elevados danos económicos e na avifauna pois, não só invadem e destroem ninhos, como se alimentam de ovos e de crias de aves. Na avifauna, o pardal (Passer domesticus domesticus) compete diretamente no território com o nosso canário-da-terra (Serinus canaria) e já está presente em todo o arquipélago, bem como os belos bico-de-lacre (Estrilda astrild), presente nas ilhas São Miguel e Terceira, e o periquito-rabijunco (Psittacula krameri) em São Miguel. No grupo dos artrópodes exóticos invasores, encontramos na região o escaravelho-japonês (Popillia japonica) e as térmitas, nomeadamente, a térmita-da-madeira-seca (Cryptotermes brevis), as térmitas subterrâneas (Reticulitermes flavipes e Reticulitermes grassei) e a térmita-de-madeira-húmida (Kalotermes flavicollis). No ambiente marinho, a Caulerpa Webbiana, parecendo inofensiva no seu verde elétrico, pertence a um dos mais agressivos géneros de organismos existentes no mundo. Originária das regiões tropicais e subtropicais, chegou ao Faial, numa área perto da marina da Horta em 2002, provavelmente presa no casco de um barco e está em constante expansão.

Em relação à flora terreste, algumas das espécies invasoras encontram-se dispersas por todo o Arquipélago, como o incenso (Pittosporum undulatum), a conteira ou roca-de-velha (Hedychium gardneranum), a cana (Arundo donax) e a hortênsia (Hydrangea macrophylla). Outras espécies são preocupação somente em algumas ilhas, por exemplo em São Miguel e na Terceira onde a fona-de-porco (Solanum mauritianum) são abundantes. O gigante (Gunnera tinctoria) e a folhadeira (Clethra arborea) são espécies invasoras presentes apenas em São Miguel. Tendo em conta os riscos e as preocupações associados às espécies exóticas invasoras, a prevenção é mais desejável e eficaz do que a reação ao facto consumado, sendo-lhe atribuída prioridade no controlo. Para as espécies exóticas invasoras já introduzidas, as medidas de deteção precoce e de rápida erradicação são essenciais para impedir o seu estabelecimento e propagação. Sendo urgente inverter a proliferação destas espécies é fundamental a colaboração de todos na adoção de medidas precaucionarias e de controlo. Cada um de nós pode contribuir para a minimização deste problema, adotando algumas práticas simples mas que poderão ser decisivas, tais como:

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NÃO INTRODUZA ESPÉCIES DE FLORA E DE FAUNA NA REGIÃO PARA CULTIVAR OU CRIAR EM CASA, POIS ESTA PODE EVADIR DO SEU ESPAÇO CONFINADO; SE OBSERVAR NA NATUREZA UMA ESPÉCIE QUE NUNCA VIU, AVISE OS SERVIÇOS DE AMBIENTE DA SUA ILHA, INDICANDO A SUA LOCALIZAÇÃO O MAIS EXATA POSSÍVEL; NÃO UTILIZE ESPÉCIES CONSIDERADAS INVASORAS NO SEU JARDIM OU NA SUA CASA; SE FIZER CAMINHADAS, AO ENTRAR EM ÁREAS PROTEGIDAS, PROCURE SACUDIR AS BOTAS E A SUA ROUPA, PARA EVITAR INTRODUZIR SEMENTES DE ESPÉCIES EXÓTICAS NESSAS ÁREAS; A MITIGAÇÃO DAS ESPÉCIES INVASORAS PASSA PELA INTERVENÇÃO DE CADA UM DE NÓS ATRAVÉS DE UM PAPEL ATIVO NA PREVENÇÃO E NA RESOLUÇÃO DESTE PROBLEMA.

Beatriz Simas da Rosa e Emanuel J. F. Veríssimo Direção de Serviços de Conservação da Natureza e Sensibilização Ambiental 17

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ECO-OFICINA

VASOS E FLOREIRAS ECOLÓGICOS

Inserida na oferta educativa dos Programas Parque Escola e Parque Aberto, esta eco-oficina, dinamizada no Antigo Pomar das Caldeiras da Lagoa das Furnas, situado na Área de Paisagem Protegida das Furnas, consiste numa atividade prática de propagação vegetativa de plantas e reutilização de materiais. A sensibilização para a correta gestão dos resíduos, nomeadamente através da reutilização de embalagens, garrafas de plástico e tetra pack, transformando-as em vasos ecológicos, e para a utilização dos resíduos orgânicos no processo de compostagem, são os objetivos centrais desta oficina. De cariz prático, esta atividade tem início no Jardim das Aromáticas e Medicinais onde são transmitidos conhecimentos sobre os usos e propriedades das plantas aromáticas, designadamente no que concerne à sua ecologia e às suas características medicinais, terapêuticas e culinárias. Apoiados pelos técnicos do Parque Natural, os participantes aprendem técnicas de propagação vegetativa de plantas, através da colheita de estacas, da divisão de estolhos/rizomas ou da divisão de folhas, no caso de plantas suculentas. Cada participante colhe, de acordo com a sua preferência, uma estaca de uma das muitas espécies que se encontram no Jardim. A estaca é colhida tendo em atenção o vigor e a saúde do ramo, assim como a presença de gomos ou rebentos. Se necessário, é retirado o excesso de folhas ou são cortadas algumas a meio, de modo a otimizar a área que a estaca contém para a realização de fotossíntese e de forma a reduzir a perda de água por transpiração. Assim, a planta estará mais apta a concentrar toda a sua energia na formação da raiz. | 18

Após a colheita, os participantes são conduzidos até à zona das estufas, onde realizam a estacaria. Nesta fase procedem à preparação do substrato, incorporando neste o composto orgânico, material proveniente da compostagem ou vermicompostagem, e misturam-no com argila ou “terra” e pedra-pomes, recursos endógenos que possuem as mesmas funções que a perlite, vendida comercialmente por possibilitar a retenção de humidade, porosidade do solo e facilidade de drenagem. A plantação é feita de forma a deixar enterrados dois ou três gomos para uma maior probabilidade de formação de raiz. É dado enfoque aos cuidados a ter na manutenção da planta escolhida: a planta deverá ficar num local onde incida luz solar; deverá ser regada diariamente; as ervas daninhas deverão ser retiradas para não haver competição nem pelo espaço nem pelos nutrientes; e a planta, após ter formado a sua raiz e ter atingido um tamanho significativo, deverá ser mudada para um lugar definitivo ou para um vaso maior, de forma a expandir as suas raízes. No fim da atividade são identificadas as plantas envasadas, utilizando placas elaboradas com reutilização da madeira de caixas de fruta, e os participantes levam consigo o seu vaso com o dever de o bem cuidar. Ana Lúcia Vieira e Hélia Palha Parque Natural de São Miguel


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CENTRO DE INTERPRETAÇÃO AMBIENTAL DO BOQUEIRÃO

O Centro de Interpretação Ambiental do Boqueirão (CIAB), foi concebido nos tanques onde se armazenava o óleo de baleia, produzido e derretido na fábrica da Baleia do Boqueirão, na ilha das Flores. Este Centro ocupa o espaço dos três tanques que pertenciam à fábrica “moderna” e que deixou de laborar em 1981. O CIAB foi idealizado e criado de forma a preservar a história do local e a facultar aos seus visitantes e à população local um conhecimento mais aprofundado sobre a biodiversidade marinha dos Açores. Inaugurado a 10 de novembro de 2009 e recentemente remodelado, o Centro conta com uma nova exposição bilingue, | 20

patente ao público desde o dia 3 de maio de 2017, mantendo a temática do mar e seus seres vivos, mas com destaque para uma sala onde se divulga o cachalote e a história da sua baleação. A visita ao Centro começa pela sala das aves marinhas dos Açores, onde “voamos” ao encontro destes animais que vivem entre a terra e o mar e que nidificam nas ilhas açorianas. São diversas as espécies observadas nesta sala, com especial ênfase ao Calonectris borealis, comummente conhecido como cagarro. Posteriormente, continuamos a viagem em direção ao mar, fazendo uma paragem nas zonas-de-maré para observarmos as espécies que habitam na nossa costa como os ouriços,


as estrelas-do-mar, pequenos peixes, anémonas, lapas e as admiráveis cracas (Megabalanus azoricus). De seguida passamos pelo “aquário” virtual onde, por alguns momentos, nos sentimos verdadeiramente debaixo de água, rodeados pelo azul e pelas inúmeras espécies que nos invadem o olhar. Prosseguimos a viagem, afastando-nos da costa das ilhas, pela coluna de água do oceano (ambientes bentónicos) onde se vislumbra uma enorme variedade de espécies icónicas dos Açores (tartarugas, tubarões, baleias, golfinhos, entre outros), incluindo o mamífero marinho mais emblemático dos Açores, o cachalote (Physeter macrocephalus). A visita termina nas profundezas da zona do Rifte Médio-Atlântico, um lugar inóspito, escuro e repleto de espécies peculiares que vivem em condições de vida extremas.

Este espaço recebe visitantes de várias nacionalidades e o número aumentou aproximadamente 20% relativamente ao ano passado.

Para além das salas onde esta viagem toma lugar, o edifício integra ainda uma área de receção ao visitante com loja, bilheteira, auditório e um espaço dedicado à ilha das Flores.

O Centro de Interpretação Ambiental do Boqueirão aguarda pela visita de todos aqueles que queiram descobrir alguns dos “segredos” escondidos no mar… e não só…

Além das visitas comuns, o CIAB dinamiza diversas atividades para todos os públicos através dos programas de sensibilização e promoção ambiental inseridos nos programas Parque Aberto e Parque Escola. São inúmeras as crianças e adultos abrangidos pelas atividades do Centro, como leitura de contos, workshops, trabalhos de expressão plástica, entre outras, promovidas pelo Parque Natural.

Este Centro não se limita apenas aos aspetos relacionados com a biodiversidade. A sua arquitetura tem sido apreciada por experts, tendo sido escolhido para integrar o “Guia de Arquitetura - Sul e Ilhas de Portugal” em 2011, integrou o projeto de Mostra Ibérica de Património Arquitetónico – La MIPA, no âmbito da Trienal de Arquitetura de Lisboa 2013, “Close, Closer” e tem sido referenciado em diversos websites e revistas da especialidade.

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Departamento de Educação Ambiental e Conservação da Natureza

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Dia Nacional da Conservação da Natureza O Dia Nacional da Conservação da Natureza é celebrado anualmente a 28 de julho, data em que se assinala igualmente o aniversário da fundação da Liga para a Proteção da Natureza (LPN). A sua comemoração tem como objetivo consciencializar e alertar a população para os problemas globais e locais que interferem na conservação da natureza. Por outro lado, neste dia são desenvolvidas diversas atividades no âmbito da conservação dos ecossistemas, criando soluções para os desafios ambientais que enfrentamos diariamente. Nos Açores, a conservação da Natureza é de extrema importância, dado o peso ambiental, social e económico que esta representa nas nossas ilhas. A conservação dos habitats e das espécies de flora e fauna, a qualidade da água, a gestão de resíduos e da paisagem natural são uma prioridade. A qualidade e a conservação destes recursos são cruciais para manter a qualidade ambiental que caracteriza o Arquipélago, tornando-o num destino de grande interesse para os amantes da natureza. É com este objetivo presente que os Parques Naturais dos Açores dinamizam diversas atividades que envolvem a participação dos cidadãos na conservação dos ecossistemas. | 22

Como forma de assinalar esta data, os Parques lançaram um desafio nas redes sociais intitulado “Adote uma Endémica”. O desafio consistia em colocar uma fotografia de uma espécie endémica na rede social Facebook e nomear nove amigos para fazerem o mesmo. Acresce referir que os Parques Naturais de todas as ilhas se disponibilizaram para oferecer uma planta endémica a quem a solicitasse. Este desafio teve como objetivo final, promover e sensibilizar os cidadãos para a conservação da natureza. A sustentabilidade ambiental é da responsabilidade de todos. Mudar hábitos da nossa rotina é essencial para mantermos o Planeta saudável bem como garantir a sobrevivência e o conforto das gerações presentes e vindouras.

Faça parte desta missão! Isabel Areosa Departamento de Educação Ambiental e Conservação da Natureza


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Reserva Natural do Ilhéu da Vila SANTUÁRIO DE AVES MARINHAS

A Reserva Natural do Ilhéu da Vila, localizada na costa sudoeste da ilha de Santa Maria, caracteriza-se por ser um ilhéu rochoso de basalto escarpado, com cerca de oito hectares de um ecossistema de excelência que realça a importância dos ilhéus no sucesso reprodutivo de aves marinhas que escolhem os Açores como local predileto para a sua nidificação. O ilhéu da Vila é parte integrante do Parque Natural de Santa Maria (instituído pelo Decreto Legislativo Regional 47/2008/A de 7 de novembro), no qual teve como fundamentos específicos para a sua classificação os valores naturais em presença e a importância da área para espécies, | 24

habitats e ecossistemas protegidos. O limite territorial integra os definidos para a Zona de Proteção Especial do Ilhéu da Vila e costa adjacente1 e da International bird area, que define o Ilhéu da Vila (IBA-PT068) como área de proteção pela riqueza específica de aves marinhas. Segundo Meirinho et al. (2014)2, a Reserva Natural do Ilhéu da Vila é um dos maiores dos Açores e possui uma das três colónias multiespecíficas de aves marinhas de maior diversidade e importância no Arquipélago garajau-rosado (Sterna dougallii), garajau-comum (Sterna hirundo), frulho (Puffinus iherminieri baroli), cagarro (Calonetris borealis), paínho-

da-Madeira (Hydrobates castro) e almanegra (Bulweria bulwerii). Enfatizando a sua importância até ao ano de 2016, o ilhéu da Vila era identificado como o único local do arquipélago onde ocorria a nidificação de alma-negra, concentrando toda a população da região (71-100%). Em 2017, esta espécie já foi registada no ilhéu da Praia, na ilha Graciosa. A nidificação do garajau-de-dorso-preto (Onychoprion fuscatus fuscatus) ocorre com alguma regularidade apenas no ilhéu da Vila e ocasionalmente no ilhéu da Praia. Juntamente com o registo de nidificação na ilha Selvagem Pequena (arquipélago da Madeira), estes são os únicos locais de nidificação do garajau-de-dorso-preto na Europa3 .

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Na Reserva Natural do Ilhéu da Vila habita um total de 21 espécies de aves selvagens, 20 com nidificação confirmada, sendo que as mais relevantes são as aves marinhas. O promontório rochoso deste ilhéu é, igualmente, um local privilegiado para as 172 espécies de flora identificadas, sendo seis destas espécies endémicas – Gaudina coarctata, salsa-burra (Daucus carota azoricus), Tolpis suculenta, não-me-esqueças (Myosotis marítima), spergularia (Spergularia azorica) e Lotus azoricus – das quais três delas pertencentes ao Anexo II da Diretiva Habitats4, 39 espécies indígenas, 92 espécies introduzidas e cinco de carácter invasor – babosa (Agave americana), chorão (Carpobrotus edulis), Conyza canadensis, Oenothera rosea e lantana (Lantana camara). Ao longo dos últimos anos, têm sido diversos os censos realizados pelos investigadores do Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores, com evidências de redução significativa de ninhos e consequentemente, de crias nos anos amostrados. A predação pelo estorninho (Sturnus vulgaris granti) é uma causa provável, no entanto, o aumento de flora invasora é apontado como a causa principal, não disponibilizando área descoberta suficiente para a nidificação, com especial destaque para as colónias de garajaus.

Para que a situação possa ser controlada e para que se mantenha a riqueza específica de nidificação de aves marinhas e de flora endémica, foi decisão do Conselho de Governo, no mês de julho, desenvolver um plano de intervenção na Reserva Natural do Ilhéu da Vila para recuperação e conservação dos habitats existentes, mediante acordo com os proprietários, para controlo e remoção de espécies de flora exótica e invasora, bem como a reintrodução de espécies nativas. Com as presentes ações, prevê-se aumentar a médio prazo as populações de espécies de flora protegidas e a área de distribuição dos habitats naturais protegidos, com o objetivo de melhoria das condições de nidificação e o aumento das populações de aves marinhas na Reserva Natural do Ilhéu. Segundo Meirinho et al. (2014), e em termos de riqueza específica de colónias de aves marinhas em Portugal, os ilhéus de Santa Maria exibem o maior número de espécies, destacando assim o interesse que a Reserva Natural do Ilhéu da Vila desempenha como habitat vital para o sucesso reprodutivo das espécies marinhas, que deverá ser preservado e valorizado. Joana Tavares Parque Natural de Santa Maria

Na Reserva Natural do Ilhéu da Vila habita um total de 21 espécies de aves selvagens

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1 Plano Sectorial Rede Natura 2000 | 2 Meirinho A, Barros N, Oliveira N, Catry P, Lecoq M, Paiva V, Geraldes P, Granadeiro JP, Ramírez I & Andrade J (2014) Atlas das Aves Marinhas de Portugal. Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves. Lisboa. Disponível em http://www.atlasavesmarinhas.pt/assets/pdf/atlas_aves_ marinhas_baixa_resolucao.pdf . Acedido a 28/08/2017 | 3 Ficha Técnica IBA PT068 Ilhéu da Vila. Disponível em http://ibas-terrestres.spea.pt/pt/o-que-e-uma-iba/ fichas-tecnicas/ . Acedido a 28/08/2017. | 4 Diretiva 92/43/CEE do Conselho, de 21 de maio de 1992, “relativa à preservação dos habitats naturais e da fauna e flora selvagens”, que tem como principal objetivo contribuir para assegurar a conservação dos habitats naturais (Anexo I) e de espécies da flora e da fauna selvagens (Anexo II), considerados ameaçados no território da União Europeia (in Instituto da Conservação da Natureza e Florestas).

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VULCÃO DOS CAPELINHOS

São 60 anos de história. A 27 de setembro de 2017 assinalaram-se seis décadas do início da erupção do vulcão dos Capelinhos. Um vulcão que alterou o curso da história de açorianos e da geografia da ilha do Faial. Narrativa de gentes e de uma ilha que não se construiu apenas durante os treze meses de atividade vulcânica, mas que ainda hoje se constrói. Há apenas 60 anos, a paisagem na ponta oeste da ilha do Faial, era marcada pela azafama de um quotidiano rural, um farol ligava o mar à terra e as gentes dividiam o seu tempo e trabalho pelos dois. Ignorando completamente o que o esperava, na manhã do dia 27 de setembro de 1957, um dos faroleiros do Farol dos Capelinhos, executou a sua tarefa matinal, observou o estado do mar. O seu relato foi o seguinte: ‘’ (…) verificou-se que se havia formado, a cerca de 1 Km a oés-noroeste do farol, uma mancha azul clara, de forma alongada, que contrastava com o tom mais escuro do mar à roda; passados alguns minutos, no interior dessa mancha, a água começou a bor| 26

bulhar, levantando-se em seguida em cachão e deixando um círculo de pedras fumegantes, que um momento boiavam, para logo desaparecerem.’’ Nesse preciso momento nasceu um vulcão! O fenómeno vulcânico surgiu entre os 20 e os 60 metros de profundidade, com características submarinas. A sua evolução e contínua acumulação de materiais provocou uma alteração no seu comportamento, passando este, a assumir características subaéreas que alternavam entre períodos explosivos e efusivos. Em setembro de 1958, a erupção foi perdendo força e a atividade diminuiu consideravelmente. A 24 de outubro desse mesmo ano, verificou-se a emissão da última escoada lávica. Após treze meses, o vulcão adormeceu. Durante o período da erupção, nesta ‘’ponta do Capelo’’, viveu-se um misto de emoções, por um lado o terror de ver casas e terrenos transformarem-se num negro manto de cinzas, por outro, a antagónica atração pela estranha be-


leza deste fenómeno. A verdade é que apesar de toda a tristeza e transformação que este vulcão acarretou, não foi possível um afastamento emocional e, finalmente, após quarenta anos, sentiu-se a necessidade de o recordar. Em 1997, cerca de 2000 pessoas, entre elas dezenas de testemunhas da erupção, reuniram-se junto ao Farol dos Capelinhos para assim avivar a memória do vulcão. As comemorações incluíram uma missa campal e um amplo conjunto de atividades promovidas pela Direção Regional de Turismo, Câmara Municipal da Horta e Junta de Freguesia do Capelo. Os 10 anos que se seguiram trouxeram consigo a imperativa necessidade de materializar esta lembrança, impedindo que algum dia este vulcão entrasse no esquecimento. Assim, associado às vastas comemorações dos cinquenta anos da erupção, foi inaugurado o Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos (CIVC) que conta já com quase 10 anos de existência e cerca de 260 000 visitantes. Esta estrutura tem desempenhado um papel crucial na divulgação do património geológico da Região, transmitindo às escolas, à comunidade local e aos turistas a história do vulcão dos Capelinhos.

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Em 2017 comemora-se a caminhada de todos aqueles que lutam de um modo direto ou indireto, aqui ou na diáspora, para que este vulcão jamais seja esquecido. As comemorações do 60º aniversário da erupção do vulcão dos Capelinhos estão a cargo de uma comissão organizadora, liderada pela Junta de Freguesia do Capelo e composta por diversas entidades

(Direção Regional do Turismo, Direção Regional das Comunidades, Direção Regional da Cultura, Parque Natural do Faial, Azorina, S.A., Câmara Municipal da Horta, RTP Açores, Clube Naval da Horta, Núcleo Cultural da Horta e Associação dos Amigos do Farol dos Capelinhos). Pretende-se que este grupo de trabalho reflita sobre todas as facetas deste vulcão - cultural, histórica, científica, humana - e que as atividades desenvolvidas espelhem a ação e dedicação de cada uma das entidades que o compõem. São dezenas de atividades previstas que se iniciaram a 27 de setembro de 2017 e decorrerão até 24 de outubro de 2018. No entanto o programa está aberto a novas inclusões. Qualquer entidade que entenda associar-se às comemorações deve propor ações que se enquadrem neste propósito comum – preservar a memória dos Capelinhos. Recorda-se que está a decorrer o concurso multiartes ‘’Uma erupção de cultura’’ (mais informações em: http://freguesiacapelo.com/ ). As comemorações têm como propósito preservar a memória deste vulcão, no entanto, há também que recordar a história daqueles que o viveram, surgem assim novos desafios para o futuro! Salomé Meneses Parque Natural do Faial

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O PAPEL DO CIDADÃO NA GESTÃO DE RESÍDUOS

RECURSOS NATURAIS A preocupação com o Planeta gera no ser humano a necessidade de protegê-lo, mas por vezes os comportamentos e atitudes por parte dos cidadãos e entidades não são eficazes. Muitas vezes somos detentores da informação, mas ao colocar em prática construímos barreiras. Acredite na sua capacidade de separação de resíduos. Ora veja! Segundo o princípio da responsabilidade, a gestão dos resíduos é da responsabilidade do respetivo produtor. Excetuam-se os resíduos urbanos cuja produção diária não exceda 1100 L ou 250 Kg por produtor, e que, neste caso, a respetiva gestão é assegurada pelos municípios.

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O papel dos cidadãos passa, numa primeira fase, pela prevenção da produção de resíduos, através de atitudes diárias como, por exemplo, a aquisição consciente de produtos, a opção de compra de produtos com menos embalagens, a redução do desperdício de alimentos, a reutilização de materiais, entre outras.

O CIDADÃO É QUEM DÁ O PRIMEIRO PASSO NA RECICLAGEM


AS AÇÕES DE CADA CIDADÃO FACE À PREVENÇÃO E SEPARAÇÃO DE RESÍDUOS SÃO FUNDAMENTAIS PARA ATINGIR OS OBJETIVOS DE VALORIZAÇÃO VENDA

CONSUMO

Todos desempenhamos um papel fundamental na reciclagem, mas o cidadão tem o papel principal na decisão da separação dos resíduos, transporte e entrega nos locais adequados. Ao separarmos as embalagens (papel e cartão, plástico e metal ou vidro) estamos a dar os primeiros passos no processo de reciclagem, promovendo a poupança de matérias-primas e contribuindo na redução das emissões de CO2 na atmosfera.

como fim a eliminação em aterro ou a incineração, ao invés da transformação num novo produto. Então, porque se continua a misturar tudo? Frequentemente ao chegar perto dos ecopontos colocam-se todos os resíduos misturados no contentor do indiferenciado ou nos contentores destinados aos resíduos separados seletivamente, comprometendo assim as atitudes ambientalmente corretas dos restantes cidadãos, dos funcionários que irão proceder à triagem e das indústrias recicladoras.

As autarquias têm o dever de regulamentar a gestão do sistema de resíduos urbanos e higiene pública. Os municípios desenvolvem regulamentos onde estabelecem as regras a que fica sujeita a gestão dos resíduos, nomeadamente a sua deposição, recolha, transporte, armazenagem, tratamento, valorização e eliminação. Têm igualmente a obrigação de fornecer informação e sensibilizar os cidadãos para as boas práticas associadas à gestão de resíduos. A responsabilidade da recolha dos resíduos urbanos indiferenciados e seletivos compete às autarquias.

PRODUÇÃO

A educação ambiental sobre a economia circular tem um papel importante no que toca à sensibilização de cada um e dos outros através do exemplo tendo, por isso, um efeito multiplicador. Todos temos um papel a desempenhar e a responsabilidade pela gestão dos resíduos é de todos: industrias, serviços, empresas, consumidores, cidadãos, governo, municípios, entre outros.

Ao misturarmos todos os resíduos produzidos nas nossas casas, estamos a determinar o fim das embalagens com potencial de reciclagem, pois dificilmente o seu valor será recuperado, tendo

A separação dos resíduos deve fazer parte da rotina diária dos açorianos. Divisão de Resíduos Direção Regional do Ambiente

RECICLAGEM

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VERÃO NOS PARQUES 26

Os Parques Naturais dos Açores têm como missão não só sensibilizar e educar para as boas práticas ambientais, mas também proporcionar diversas experiências que contribuam para o desenvolvimento pessoal e criativo dos jovens, promovendo a responsabilidade ambiental e social, assegurando ao público infantojuvenil de todas as ilhas a oportunidade de conhecerem a nossa natureza de uma forma mais divertida, dinâmica e livre. É durante a época estival que as condições se reúnem para a dinamização de atividades ao ar livre. Desta forma, os Parques Naturais do Faial e Graciosa

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promoveram, durante o mês de julho, várias atividades direcionadas para o público infantil. Nestas ações, que abrangeram mais de 360 crianças dos 6 aos 14 anos no Faial e 50 na Graciosa com idade superior a 6 anos, são transmitidas, não só as particularidades dos centros ambientais, mas também as características biológicas e geológicas destes locais únicos com grande interesse de preservação. No Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos as atividades dinamizadas foram adaptadas a duas faixas etá-

rias, tendo sido realizado, por um lado, o percurso interpretativo “Entre o Mar e o Fogo”, na área envolvente do Centro, onde foram demonstradas as características do vulcão bem como a história recente deste local e, por outro, para o público mais jovem, diversos jogos relacionados com a geologia da ilha. “O Passeio dos Dabney”, orientado pela Casa dos Dabney, proporcionou um passeio pela Área de Paisagem Protegida do Monte da Guia. Ao longo do percurso foram apontadas as particularidades da biodiversidade existente no local e a história sobre o património cultural, social e


económico da família Dabney, que teve grande influência na ilha do Faial durante o séc. XIX. Junto à praia, o Aquário do Porto Pim organizou uma atividade intitulada “Poças de maré: o que escondem?”, onde os participantes tiveram a oportunidade de observar, diretamente na zona entre-marés, as várias espécies que ali vivem. “Vem descobrir o Jardim” foi o convite feito pelo Jardim Botânico do Faial, que preparou um peddy paper, onde todas as perguntas e tarefas abordavam, como tema principal, a flora existente neste Centro.

Na ilha Graciosa, elaboraram-se jogos, puzzles, peddy papers e atividades experimentais sobre o tema vulcanismo. Estas atividades estiveram inseridas nas “Férias na Caldeira”, realizadas no Centro de Visitantes da Furna do Enxofre. Todas estas atividades estão inseridas no programa Parque Aberto, que pretende promover cada vez mais a preservação e gestão sustentável dos recursos naturais existentes na Região junto da comunidade local. Deste modo, ao promover experiências ao ar livre, em harmonia com a natureza, as crianças aprendem também particularidades das suas ilhas e a cuidar do ambiente que as rodeia. Em 2018, a oferta o “Verão no Parque” será alargada a várias ilhas, de forma a proporcionar a mais crianças a oportunidade de ocupar o seu tempo de férias ao ar livre com atividades ligadas à conservação da natureza e às boas práticas ambientais. Susana Garcia Departamento de Educação Ambiental e Conservação da Natureza

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Parque Aberto O Parque Aberto apresenta uma nova oferta de atividades, em todas as ilhas e para todas as idades, que procuram sensibilizar para a conservação dos recursos naturais que existem nos Açores. Promover o património natural dos Parques Naturais e permitir o contacto direto entre a comunidade local e os recursos naturais da Região é o objetivo principal de todas as atividades realizadas. Convidamos todos os leitores a consultar a nossa proposta de atividades para o mês de abril e a participar nos workshops, plantações ou percursos pedestres que irão acontecer, fazendo assim parte da missão de tornar o ambiente dos Açores cada vez mais sustentável. O Parque Aberto oferece ainda um conjunto de atividades direcionadas para grupos fechados e organizados*, disponíveis de setembro a agosto, mediante marcação prévia. Para solicitar uma destas atividades deverá contactar o Parque Natural da respetiva ilha. *Atividades sujeitas a alterações.

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Parque Aberto

04 ABRIL

FLORES

A HUMANIDADE E A BIOSFERA: FAJÃ DO CONDE - CAVEIRA Percurso pedestre com interpretação da bio e geodiversidade locais, destacando a Fajã do Conde, primeiro local da ilha a ser povoado. Idade mínima recomendada: 10 anos 15 abr. // 13h30 Ponto de encontro no Centro de Interpretação Ambiental do Boqueirão Inscrições até 12 abr. parque.natural.flores@azores.gov.pt 292 207 390 Organização: Parque Natural das Flores // Serviço de Desporto // Museu das Flores Parceria: Geoparque Açores 1

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WORKSHOP AGROHORTA Oficina de sementeiras com elaboração de vasos, recorrendo a materiais reutilizáveis, e de extratos vegetais, para utilizar como inseticida natural. Atividade realizada no âmbito do Dia Mundial da Terra. 26 abr. // 19h30 Associação Agrícola da Ilha das Flores Santa Cruz Inscrições até 17 abr. parque.natural.flores@azores.gov.pt Organização: Associação Agrícola da Ilha das Flores 2

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FLORES

ATELIER DE PRIMAVERA Atividades para crianças dos 6 aos 10 anos, com elaboração de sementeiras, contos e jogos tradicionais, para dar a conhecer o ciclo de vida das plantas. 4, 5, e 6 abr. // 14h30 Centro de Interpretação Ambiental do Boqueirão Inscrições até 29 mar. parque.natural.flores@azores.gov.pt 2

CORVO CAMINHADA PELA SAÚDE Caminhada pela Vila do Corvo, no âmbito do Dia Mundial da Saúde, para a promoção da prática de atividade física na natureza. 15 abr. // 14h30 Periferia da Vila (ponto de encontro no Largo do Ribeirão) Organização: Parque Natural do Corvo // Corvo em Movimento Parceria: Corpo Nacional de Escutas 1

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FAIAL AVENTURA NO VULCÃO IV Noite no Centro para crianças e jovens dos 10 aos 14 anos, composta por jogos, desafios e experiências sobre a erupção do Vulcão dos Capelinhos, em 1957/58, com destaque para os profissionais que estudaram este fenómeno. 6 e 7 abr. // 20h00 às 10h00 Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos Inscrições até 2 abr. pnfaial.vulcaodoscapelinhos@azores.gov.pt 292 200 470 Parcerias: Geoparque Açores // Serviço de Desporto do Faial 3,5€

14h

DESCOBRE OS GIGANTES DO NOSSO MAR Observação de cetáceos, para dar a conhecer algumas das espécies possíveis de avistar na Região, com abordagem para a importância da sua conservação e preservação, bem como dos seus habitats. Taxa de inscrição: crianças dos 5 aos 12 anos - 10€; a partir dos 13 anos - 25€. 14 abr. // 08h30 NorbertoDiver Inscrições até 9 abr. parque.natural.faial@azores.gov.pt Organização: NorbertoDiver 10€ 25€

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FAIAL ROTEIRO DOS DABNEY Circuito interpretativo pedestre pela cidade da Horta e Área de Paisagem Protegida do Monte da Guia, onde está edificado o património imóvel da família Dabney. O circuito retrata a história desta família no século XIX. 21 abr. // 14h00 Ponto de encontro na Casa dos Dabney Inscrições até 14 abr. parque.natural.faial@azores.gov.pt Parceria: Geoparque Açores 3€

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ERUPÇÃO DE ENDÉMICAS Plantação de espécies endémicas na área do Vulcão dos Capelinhos, classificada como geossítio prioritário, com o intuito de sensibilizar para a importância da preservação da flora natural e dos geossítios dos Açores. Ação realizada no âmbito do Dia Mundial da Terra e Dia Nacional Património Geológico. 22 abr. // 14h00 Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos Inscrições até 21 abr. pnfaial.vulcaodoscapelinhos@azores.gov.pt 292 200 470 Parcerias: Geoparque Açores 2


Estapagado // Puffinus puffinus As posturas do estagapado ocorrem em meados de abril. A incubação, do único ovo por postura, dura cerca de 53 dias.

FAIAL

FAIAL

CONSTRUINDO BOSQUES: AMBIENTES HUMANOS E SUSTENTÁVEIS

OFICINA DE CONTROLO DE PRAGAS MEZINHAS E CUIDADOS COM AS PLANTAS

Conversa informal, com a formadora Helena Sousa, sobre design em permacultura, agricultura natural e restauro de pequenos ecossistemas, como hortas familiares, pomares e/ou espaços públicos verdes, para promoção de estilos e hábitos de vida sustentáveis. 26 abr. // 18h30 Jardim Botânico do Faial pnfaial.jardimbotanico@azores.gov.pt 292 498 140 Organização: Parque Natural do Faial // Cooperativa Bem da Terra

Apresentação de noções básicas sobre elaboração de hortas através de um sistema que imita a natureza, de modo a atrair insetos benéficos. Explicação de métodos de preparação de mezinhas e armadilhas para pragas e preparação de remédios para o solo. 28 abr. // 09h30 Jardim Botânico do Faial Inscrições até 23 abr. pnfaial.jardimbotanico@azores.gov.pt 292 948 140 Organização: Parque Natural do Faial // Cooperativa Bem da Terra

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HORTAS VERTICAIS Elaboração de floreiras para varandas, com recursos a materiais reutilizáveis, dinamizada pela formadora Helena Sousa. Transmissão de noções básicas sobre hortas verticais, com o intuito de promover alternativas biológicas e sustentáveis para a produção de alimentos em espaços reduzidos. 27 abr. // 19h00 Jardim Botânico do Faial Inscrições até 23 abr. pnfaial.jardimbotanico@azores.gov.pt 292 948 140 Organização: Parque Natural do Faial // Cooperativa Bem da Terra 10 €

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10 €

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PICO

GRACIOSA

CAVIDADES VULCÂNICAS DA ILHA DO PICO

SENTIR A FURNA DO ENXOFRE

Comemoração do Dia Mundial da Terra com inauguração da exposição sobre cavidades vulcânicas do Pico, patente até 30 de maio, para dar a conhecer a importância e a diversidade das grutas e algares existentes na ilha. Apresentação de um complemento à exposição, na sede do Núcleo do Pico dos Montanheiros, dia 28 de abril, entre as 15h00 e as 18h00. 22 abr. // 15h00 Centro de Visitantes da Gruta das Torres Parcerias: Os Montanheiros // Geoparque Açores 2

PICO À DESCOBERTA DOS VINHOS DO PICO – NOITE DA PICOWINES Briefing sobre a Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico, património mundial da UNESCO. Apresentação dos vinhos da Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico. Prova de vinhos, harmonizada com produtos gastronómicos locais. 6 abr. // 21h00 Centro de Interpretação da Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico Parceria: Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico - Picowines

SÃO JORGE SÃO JORGE DE PONTA A PONTA Travessia longitudinal da ilha, desde o Farol da Ponta dos Rosais até ao Farol da Ponta do Topo, com 64 km em caminhada, 72 km em trail run e 74 km em BTT, para promoção da prática de exercício físico, privilegiando a natureza local. 28 abr. // 06h00 Ponto de encontro no Farol dos Rosais Inscrições até 6 abr. www.pontaaponta.pt Organização: Aventour

Comemoração do 8º aniversário do Centro de Visitantes da Furna do Enxofre, com um espetáculo de hip hop realizado pelos alunos da Escola Básica e Secundária da ilha. 14 abr. // 15h00 Furna do Enxofre Parcerias: Escola Básica e Secundária da Graciosa // Geoparque Açores 1

TERCEIRA PERCURSO PEDESTRE DA ROCHA DO CHAMBRE Trilho interpretativo com observação da paisagem da Reserva Natural do cimo da Rocha do Chambre, para a promoção da prática de exercício físico na natureza. Idade mínima recomendada: 14 anos. Ação realizada no âmbito do Dia Mundial da Terra. 21 mar. // 09h30 Placa de Início de Trilho - Canada de Terra Batida, na zona da Malha Grande Inscrições até 19 abr. parque.natural.terceira@azores.gov.pt 295 403 800 Parceria: Geoparque Açores 3

9,5

1h30

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Parque Aberto INVASORAS, UMA AMEAÇA SILENCIOSA NA RIBEIRA GRANDE Workshop de identificação de flora com carácter invasor para sensibilização sobre os impactos destas plantas nos ecossistemas naturais. Saída de campo para identificação e demonstração de técnicas de controlo de plantas invasoras. Atividade direcionada a colaboradores das Juntas de Freguesia do Concelho da Ribeira Grande. 28 abr. // 10h00 Concelho da Ribeira Grande Inscrições até 27 abr. parque.natural.smiguel@azores.gov.pt Parceria: Câmara Municipal da Ribeira Grande 6

SANTA MARIA CAMINHADA PELA ILHA: MACELA - SÃO BRÁS Trilho pedestre na costa sul, com interpretação da bio e geodiversidade locais, para promoção da prática de exercício físico na natureza. 7 abr. // 08h30 Ponto de encontro no Forte de São Brás Inscrições até 4 abr. parque.natural.stmaria@azores.gov.pt 296 206 790 Parceria: Geoparque Açores 3h30

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ANUAL

TERCEIRA

SÃO MIGUEL

ROTEIRO NO MONTE DA GUIA

CHÁS E INFUSÕES DAS ILHAS

MICROSCOPIA PARA TODAS AS IDADES

Percuro pedestre interpretativo no Monte da Guia, para dar a conhecer as características geológicas deste local, bem como a história da família Dabney. Área de Paisagem Protegida do Monte da Guia Parceria: Geoparque Açores

Apresentação e degustação de infusões de plantas autóctones e/ou endémicas. Explicação das suas propriedades e benefícios. Centro de Interpretação da Serra de Santa Bárbara

Visita ao Centro com sessão informativa sobre o processo de eutrofização. Atividade prática de recolha de amostras de água da Lagoa das Furnas. Os participantes terão oportunidade de observar e identificar algumas cianobactérias, relacionando a sua presença com o estado ecológico da Lagoa. Área de Paisagem Protegida das Furnas e Centro de Monitorização e Investigação das Furnas

FAIAL

SÃO MIGUEL

00

As atividades anuais realizam-se por marcação

1h30 4,1

5€

3h

TERCEIRA VEM CONHECER E PLANTAR UMA ENDÉMICA NO CENTRO Sessão de sensibilização sobre a flora endémica dos Açores e ação de plantação de algumas das espécies abordadas. Centro de Interpretação da Serra de Santa Bárbara Parceria: Serviço Florestal da Terceira 1h30

VEM ENCONTRAR UM TESOURO NA NATUREZA Peddy-paper sobre a história natural da ilha, com abordagem às diferentes evoluções geológicas, biológicas e da ocupação humana. Centro de Interpretação da Serra de Santa Bárbara

SÃO MIGUEL DESCOBRE O ANTIGOPOMAR DAS FURNAS! Visita guiada ao Antigo Pomar, para promoção dos trabalhos realizados na Área de Paisagem Protegida das Furnas. Degustação de infusões de ervas aromáticas. Antigo Pomar das Caldeiras da Lagoa das Furnas 2h30

VASOS E FLOREIRAS ECOLÓGICOS! Visita ao Antigo Pomar das Caldeiras da Lagoa das Furnas. Oficina de elaboração e decoração de vasos e floreiras com reutilização de materiais. Colheita e plantação de aromáticas produzidas em regime de agricultura biológica. O material concebido será pertença dos participantes. Antigo Pomar das Caldeiras da Lagoa das Furnas

1h30

PEDDY PAPER NA MATA JARDIM JOSÉ DO CANTO Peddy-paper na Mata e visita guiada ao Centro de Monitorização e Investigação das Furnas, para divulgação do património natural e cultural existente. Mata Jardim José do Canto e Centro de Monitorização e Investigação das Furnas 1h30

UM PASSEIO NO VALE ENCANTADO DAS FURNAS Percurso pedestre com passagem pelos antigos fornos de carvoeiros até ao jardim de endémicas, com identificação de algumas espécies existentes no local.

Área de Paisagem Protegida das Furnas

7 1h30

3h30

3

3h


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Parques Naturais dos Açores nº.4 | Abril 2018  
Parques Naturais dos Açores nº.4 | Abril 2018  
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