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PRODUCÃO & NEGÓCIOS ANO 1 - NÚMERO 37 RIO BRANCO, DOMINGO, 30.09.2012

Aprendendo a trabalhar

Aprendendo a trabalhar Jovens treinam para conseguir seu primeiro emprego e profissionais mais antigos se requalificam para manter o emprego que já tem


PRODUCÃO & NEGÓCIOS

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Senai: A escola da indústria

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Profissionais que já estão no mercado buscam aperfeiçoamento e os jovens a oportunidade de conseguir o primeiro emprego com uma profissão definida

prender uma profissão ou melhorar mais o que já sabem é o principal objetivo dos que buscam os cursos oferecidos regularmente pelo Centro de Tecnologia da Madeira e Móveis do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, o Senai-Cetemm localizado no Distrito Industrial de Rio Branco. A diretora da Unidade Cetemm, Tânia Guimarãres explica que: “Além dos cursos de aperfeiçoamento dos profissionais que já atuam no mercado e para os jovens aprendizes, nós também atendemos as empresas e instituições das áreas da madeira e construção civil oferecendo consultorias assessorias porque o Senai funciona em rede nacional, d forma que quando nos solicitam alguma coisa para a qual não temos um instrutor, acessamos a rede e trazemos um especialista para resolver o assunto!” Tânia informou que neste momento o Cetemm está oferecendo consultoria para 12 marcenarias que trabalham para melhorar sua ges-

tão nas áreas da produção e para conseguir melhor qualidade nos seus produtos. Esse trabalho foi iniciado em 2011 com a realização de um diagnóstico em todo o sistema de gestão funcionamento e análise dos produtos fabricados por aquelas marcenarias, assim foram detectados seus problemas que estão sendo solucionados agora por um especialista enviado ao Acre pelo Centro de Tecnologia do Mobiliário de Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul.

Qualificar 4.000 jovens Essa é a meta assumida pelo Senai-Cetemm com o Ministério do Desenvolvimento Social, para atender às ações sociais do Cad Único do Governo Federal, através do qual são encaminhados os jovens por meio da Secretaria Municipal de Ação Social de Rio Branco. “Além dos cursos técnicos e dos treinamentos que oferecemos aos jovens aprendizes, sempre em parcerias com empresas, atenderemos 1.200 jovens encaminhados pela ação social

como público do Pronatec”. Assim estão acontecendo cursos técnicos de dois anos na área de design em móveis, como também para obras e edificações. Já os cursos de qualificação passam por áreas como pedreiro, pintor, marceneiro, eletricista, acabamento em móveis, encanador e pequenos objetos em madeira. “Boa parte dos técnicos e dos que buscam qualificação profissional, especialmente na área da construção civil, que é hoje o setor com maior carência de profissionais, já saem daqui empregados. Isso é muito bom porque estimula cada vez mais jovens a procurar nossos serviços para entrar no mercado de trabalho com uma qualificação profissional!” Esclarece Tânia. Já Marcelo Ruiz da Silva consultor de relações do Senai com o mercado complementou: “Muitos jovens preferem profissões que garantam ambiente em ar condicionado e sempre limpo, acontece que um bom profissional da área da construção civil ou um operador de máquinas pesadas são muito bem pagos. Outro fato é o de que, antigamente, os serviços da construção civil no Acre era sazonal, ou seja, funcionava bem no verão e parava no inverno, agora ela funciona o ano inteiro”. Mas ele nota um detalhe: “Estamos trinando muita gente que vai para o mercado, mesmo assim há uma grande demanda por trabalhadores, o que está acontecendo com boa parte desses novos profissionais ainda é uma incógnita!”

Novidades

Qualificar-se profissionalmente é fundamental para conseguir um bom emprego

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Tânia lembra que: “O curso de design em móveis está sendo realizado pela primeira vez no Acre e que em 2013 o Senai estará oferecendo seus primeiros cursos de ensino à distância em áreas como Eletrotécnica ou Obras e Edificações, com os alunos podendo estudar em casa, via internet, mas fazendo provas presenciais na instituição”. Mas a grande novidade

Uma publicação de responsabilidade de Rede de Comunicação da Floresta LTDA C.N.P.J. 06.226.994/0001-45, I.M. 1215590, I.E. 01.016.188/001-87

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Muito mais que aprendizado é a oportunidade!

U Jovens aprendem mantenção predial no Senai Cetemm

fica por conta da transformação da unidade do Senai-Cetemm de Rio Branco em Instituto Senai de Tecnologia, graças a um investimento de R$ 6 milhões que vão garantir a construção de novos prédios, compra de equipamentos, treinamento das equipes e contratação de novos especialistas. O maior objetivo da criação deste ins-

tituto é oferecer treinamentos que garantam uma maior competitividade para o setor da madeira e móveis no Acre e na Amazônia como um todo porque vamos funcionar em caráter regional. Esse processo de instalação vai durar dois anos e com sete anos de funcionamento deverá atingir um total amadurecimento”.

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Às vésperas de completar 50 anos o Senai cel. Auton Furtado, na Cadeia Velha. Vive uma permanente atualização para atender as necessidades de desenvolvimento do Acre

ma nova tendência começa a ser praticada pelo mercado d trabalho acreano nestes últimos três ou quatro anos, é o de oferecer treinamento para conseguir absorver profissionais mais qualificados que darão maior competitividade aos seus negócios e um dos grandes aliados nessa tarefa vem sendo a Escola Senai cel. Auton Furtado que vem atendendo as demandas coletivas de setores como as oficinas mecânicas, refrigeração e condicionamento de ar, construção civil e até grandes grupos do setor de energia como a Eletrobras, Guascor e, neste momento, a Energia Sustentável do Brasil que está construindo a usina hidrelétrica de Jirau, em Rondônia. Para se ter uma idéia

da dimensão deste trabalho, a instituição treinou seis mil pessoas em 2011 e tem a meta de treinar sete mil at6é o final deste ano. “Além de uma série de cursos de aprendizagem, esta unidade do Senai oferece seis cursos técnicos nas áreas da eletrotécnica, segurança, manutenção de computadores e em 2013 estaremos oferecendo pela primeira vez o de técnico em manutenção automotiva”, explica Mozani Mariano de Almeida diretor da Escola Senai cel. Auton Furtado que funciona no bairro da Cadeia velha, em Rio Branco. Mozani explica que a falta de profissionais preparados para o trabalho no mercado local tem levado as empresas a procurar ajuda e bancar parte dos custos destes treinamentos de forma coletiva ou sozinha como no caso da Comercial CG que bancou a pre-

Aprender fazendo é a filosofia que norteia os cursos do Senai

paração de uma turma inteira. “As empresas precisam de gente preparada para trabalhar agora mesmo, não dá mais para treinar aprendizes dentro

Oportunidade ao primeiro emprego A nova legislação exige que quando uma construtora entregar um imóvel novo, deve entregar ao usuário um manual explicando quais os materiais foram usados na construção e orientações de como conservá-lo, como por exemplo, que tipo de detergente usar quando for lavar uma parede. “As construtoras agora são responsáveis pela conservação do imóvel durante cinco anos, mas quando o morador não seguir as recomendações perderá esse direito”, explica o instrutor do Senai, Francisco Pereira de Souza. Para garantir que estas normas sejam obedecidas o Senai-Cetemm oferece o curso de Manutenção Predial. Duas turmas de jovens do Pronatec estão fazendo o curso que dura 160 horas. Mailson Santos, 18 anos, que está fazendo o curso de Manutenção Predial explicou que: “Aqui a gente aprende a consertar encanamentos, como limpar vidros e fazer outros reparos em casas e edifícios, ou seja, são coisas muito úteis no dia a dia. Acredito que isto vai me trazer oportunidade de emprego em empresas construtoras, condomínios e edifícios!”

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Escola Senai dá cursos que vão da panificação à eletricidade e mecânica

da empresa, isso vem acontecendo com a construção civil ou o mecânico já que estamos com mais de 200 oficinas de automóveis só em Rio Branco. Então recorrem ao Senai e nós fazemos o que é possível para atende-los. Creio que um dos setores que está crescendo muito e que já está precisando disso é o da confecção onde nós temos um curso nosso e outros treinamentos que vem sendo dados em parceria com o Sebrae!” Há muitas vagas para quem quer conseguir seu primeiro emprego ou tentar uma recolocação mais vantajosa no mercado, mas Mozani adverte os interessados: “O trabalhador, principalmente, o jovem precisa sentir qual é sua vocação, com que tipo de coisa ele gostaria de trabalhar, um dos caminhos para isso é visitar am-

bientes de trabalho. Outro fato que ele tem de considerar é se o mercado está querendo esse tipo de trabalhador e ainda se o que esse trabalhador ganha vai satisfazer seus sonhos e necessidades. Hoje por exemplo, além da panificação, da construção civil e setor automotivo, vemos as perspectivas de ativação de indústrias como a Álcool Verde, a Fábrica de Tacos e a Zona de Processamento de Exportações, mas também há um apagão, ou seja falta de profissionais em profissões como a de açougueiro. O que tudo isso tem em comum é que o mercado muda sempre e, às vezes muito rápido como está acontecendo agora e, para sobreviver a isso é preciso qualificação profissional!”


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Energia limpa e sustentável

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Começam os treinamentos dos primeiros acreanos que vão trabalhar na operação da usina hidrelétrica de Jirau que começa a gerar energia a partir de janeiro de 2013

té que enfim, uma luz no fim do túnel dos constantes apagões que assolam Rio Branco e demais municípios acreanos causando transtornos e muitos prejuízos à população. É que em janeiro do ano que vem entram em operação as primeiras cinco turbinas da usina hidrelétrica de Jirau oferecendo uma energia limpa e estável que não consegue ser produzida pelos motores das termoelétricas que ainda abastecem a região. Uma das boas novidades dessa obra que levará ainda alguns anos para estar totalmente pronta é o curso Técnico em Eletromecânica que está sendo oferecido pela Escola Senai cel. Auton Furtado para 33 jovens acreanos que estão sendo preparados para integrar a equipe de 210 técnicos e engenheiros que vão

garantir o funcionamento permanente da usina. Aldo Nascimento, 23 anos que já havia feito o curso de um ano e meio de Manutenção Elétrica Predial e Industrial no Senai é um dos que estão fazendo o curso Técnico em Eletromecânica com a esperança de conseguir um emprego em Jirau. “Fiquei muito contente de ter sido selecionado dentre mais de 250 candidatos para fazer este curso. Como já trabalho na empresa Juruá Serviços Técnicos que faz manutenção do aeroporto de Rio Branco, o próprio patrão, seu Vilela, que me incentivou e mudou minha escala para que eu possa participar de todo o treinamento. Para mim, esta é a oportunidade que desejo para crescer como profissional, então é uma chance muito grande que a gente não pode jogar fora!”

De olho no mercado

Caio, 14 anos, pesquisando a futura profissão

Aldo e Alan são alunos do curso de eletromecânica e sonham trabalhar em Jirau

Sentado ao lado de Aldo, durante a aula inaugural do surdo de eletrotécnico, Alan Nascimento Honório de 19 anos, que também está fazendo o treinamento explicou que: “Já fiz um curso de eletricidade básica e outro para a montagem e manutenção de computadores no Senai, mas este de técnico em Eletromecânica é a oportunidade de fazer carreira nessa profissão porque esse é um mercado que está crescendo cada vez mais. Na verdade nunca visitei uma usina, então não tenho a menor ideia de como será a vida num serviço como esse, mas acredito que vai dar certo!”

A aula inaugural contou com a presença de muitos jovens ainda novos para participar do curso, mas que foram para saber o que é a Eletromecânica e, quem sabe, um dia decidir por essa profissão. Uma delas é Tayane Oliveira Vasconcelos, 15 anos que está cursando o primeiro ano do ensino médio, a qual explicou que: “Até agora tenho tentado entrar para a carreira de modelo, mas essa é uma profissão incerta e, como sou curiosa, vim assistir a esta aula sobre o curso de Técnico em Eletromecânica, pois acredito que a gente precisa pensar bem antes de investir numa carreira de trabalho. A verdade é que além de modelo, eu sempre quis estudar alguma coisa relacionada com engenharia ou arquitetura, mas a eletromecânica também me parece uma área muito bonita e com futuro!” Já Caio Matheus de Almeida Lima que tem apenas 14 anos e que cursa o primeiro ano do ensino médio, também está de olho no mercado de trabalho. “Estava na escola quando convidaram os que quisessem assistir à aula inaugural deste curso, eu achei interessante conhecer porque com isso posso definir melhor qual faculdade posso fazer. Eu morava em Brasiléia e o pessoal do Ifac foi dar um curso de biotecnologia, achei interessante, fiquei com vontade de conhecer mais, mas me mudei pra Rio Branco, acredito que a gente precisa procurar alguma coisa que se identifique com nosso jeito de ser!”

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Usina vai gerar muito mais que energia elétrica

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A construção da Usina Hidrelétrica de Jirau criou dezenas de milhares de empregos na obra e vai impulsionar o desenvolvimento econômico, social e até a educação da região

m junho de 2013 a Universidade Federal do Acre receberá sua primeira turma de alunos do curso de engenharia elétrica que já é fruto da construção da usina de Jirau. A rapidez na instalação desse novo curso só está sendo possível porque o consórcio Energia Sustentável do Brasil que constrói a usina está bancando a construção do prédio e compra dos equipamentos necessários ao aprendizado desses novos profissionais acreanos que terão a oportunidade de ingressar numa carreira de importância crescente. A aula inaugural do curso de Eletromecânica realizada na manhã da última quinta-feira (27/09) no auditório da Federação das Indústrias do Estado do Acre é mais um exemplo das transformações que a usina vem proporcionando para avançar a educação profissionalizante acreana. Mais de 240 jovens inscreveram-se para concorrer às 33 vagas do curso do Senai cel. Auton Furtado que vai durar dois anos, sendo um ano e meio deste tempo aplicado em adquirir conhecimento técnico e científico dos princípios eletromecânicos, montagem e manutenção de sistemas e, por fim o desenvolvimento de projetos. No restante do tempo eles passarão por um estágio na própria usina de Jirau onde terão a oportunidade de conhecer o sistema em funcionamento e quem melhor se adaptar será contratado para integrar o quadro de 210 técnicos e engenheiros que vão operar este complexo que tem capacidade para gerar 250 mega watts de energia. Incluídas no Plano de Aceleração do Crescimento do governo federal, a construção das usinas hi drelétricas de Jirau e Rondônia fazem parte do complexo energético do Rio Madeira que prevê ainda a construção de mais três usinas dessa categoria. Mas que considerar-se que quem está se preparando para trabalhar na área da geração de energia, terá ainda como opções de

Isac e José Lúcio representantes do consórcio Energia Sustentável do Brasil parabenizam Sibá pela iniciativa dos cursos

emprego, outras cinco usinas que estão sendo construídas pelo governo Peruano ao longo da Estrada do Pacífico.

Ativação em etapas O diretor Institucional da Energia Sustentável do Brasil, José Lúcio de Arruda Gomes que prestigiou a aula inaugural dos futuros técnicos em eletromecânica. Ele informou que: “A operação da usina vai gerar 270 empregos diretos e muitos outros indiretos, mas o mais importante é sua contribuição permanente para o desenvolvimento desta região do Acre e Rondônia produzindo energia elétrica de forma limpa e sustentável. Uma das principais preocupações de nossa empresa é com o bem estar das pessoas, como por exemplo na transferência de 400 famílias da vila Mutum Paraná que receberam novas moradias e uma infraestrutura que faz dela uma das melhores cidades de Rondônia. Também transferimos 50 famílias rurais que foram reassentadas, as quais estão recebendo orientação e assistência técnica para produzir mais e melhor!” Já Isac Teixeira o diretor de operações da usina explica que: “A usina já conta com 80

técnicos e engenheiros que vão dar inicio ao funcionamento das turbinas a partir de janeiro. De 2013, até o fim daquele mês teremos cinco turbinas em operação, duas delas vão gerar energia exclusivamente para abastecer o Acre!”

Novas oportunidades O presidente da Federação das indústrias do Estado

do Acre, Carlos Sasai, destacou a importância do curso e parabenizou os jovens que se candidataram para o curso de eletromecânica. “O Acre avança de maneira sustentável investindo no conhecimento e estes jovens representam esse futuro. Por isso quero parabenizar a todos que iniciaram hoje uma nova etapa que trará grandes oportunidades às suas vidas contribuindo para o desenvolvimento do nosso Estado.

Enquanto o diretor do Senai, João César Dotto destacou: “O início deste curso marca um momento histórico que começou em março quando o deputado federal Sibá Machado que é um dos conselheiros da Usina de Jirau nos procurou a fim de propor a realização deste curso de eletromecânica a fim de preparar nossos jovens para que tenham a oportunidade de trabalhar na usina”. O deputado federal Sibá Machado destacou que as obras de construção das usinas de Jirau e Santo Antônio fazem parte do Plano de Aceleração Econômica implementado pela presidente Dilma Roussef que está investindo R$ 955 bilhões em obras de melhoria da infraestrutura do Brasil. “A usina representa uma fonte de energia limpa e de qualidade que vai alavancar o desenvolvimento do Acre. O consórcio Energia Sustentável do Brasil está bancando a criação de um Centro de Excelência em Energia que já está sendo construído na Ufac e receberá seus primeiros alunos de engenharia elétrica em junho do ano que vem. O centro será referência para a formação de profissionais dessa área para toda a Amazônia e, possivelmente para os países vizinhos como Bolívia e Peru!”

Aula inaugural do curso de eletromecânica na Fieac dá início a uma nova fase no desenvolvimento acreano


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Quem quer emprego?

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O Sistema Nacional de Empregos atende trabalhadores em busca de nova locação, os jovens que estão em busca de seu primeiro emprego e empresa em busca de trabalhadores

velho provérbio chinês de que “Melhor que dar o peixe é ensinar a pescar”, adapta-se perfeitamente ao atual momento vivido no Acre onde a piscicultura recebe destaque como um sistema de produção lucrativo e ecológicamente correto. Mas para ser assim, precisa contar com profissionais devidamente qualificados para oferecer orientações e assistência técnica aos produtores desde a construção dos açudes, fabricação de ração, manejo da criação, despesca e beneficiamento da carne de pescado na indústria. Para cada vaga oferecida

pelas empresas, o Serviço Nacional de Empregos –Sine-, ligado ao Ministério do Trabalho e Emprego, encaminha cinco candidatos na esperança de que um deles atenda as expectativas do contratante. Assim, mais de seis mil trabalhadores já foram encaminhados para as vagas de emprego em Rio Branco, só neste ano e pelo menos 2.800 conseguiram uma colocação. Só para o Atacadão/Carrefour foram 900 candidatos. O grande problema está no fato de que boa parte desses trabalhadores não têm qualificação para os empregos oferecidos, então o Sine oferece cursos para que possam atender

essas necessidades do mercado de trabalho. E a procura é tão grande que já não há mais vagas para todos os cursos que o Sine estará oferecendo até dezembro deste ano. Diante dessa necessidade, acontecem cursos destinados a atender as empresas urbanas e rurais. Para a cidade há treinamentos como os de auxiliar de produção em marcenaria , acabamento em móveis de madeira maciça, manutenção e instalação de equipamentos de refrigeração e eletroeletrônicos, decorador de vitrines, auxiliar de administração, massagem, operador de empilhadeira, auxiliar de produção de compensa-

Piscicultura é a que mais avança no campo, mas precisa de mão de obra especializada

dos e laminados, gestão de cooperativas e planejamento estratégico. Já para a zona rural o destaque é mesmo a piscicultura onde há pessoas aprendendo

técnicas de alevinagem, produção de embutidos de peixe, técnicas de processamento de pescado, além da fabricação de ração e outros insumos para a criação de peixes.

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Restaurantes pegam clientes pela boca

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Para atender aos fregueses cada vez mais exigentes, restaurantes, pensões e lanchonetes investem na melhoria da qualidade dos produtos e no atendimento

s últimos 20 anos foram marcados por uma verdadeira transformação nos hábitos alimentares acreanos que com a conclusão do asfaltamento da BR-364 de Rio Branco para Porto Velho passou a ter regularidade no abastecimento dos mercados e supermercados que assim ganharam variedade de frutas, verduras, massas e carnes. Mas, neste momento, a ditadura da beleza e a busca por uma vida mais saudável gera novas transformações dentre as quais vem se destacando a multiplicação das soparias e das casas de comida japonsesa que são menos “engordiets”. A mudança é notada pela instrutora de gastronomia Fernanda da Costa Ferreira que orienta professores e alunos dos cursos de culinária que acontecem regularmente no Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio, o Senac que tem uma unidade de treinamento em Rio Branco e outra em Cruzeiro do Sul. “Notamos que os saduíches ainda são muito populares, mas estão perdendo espaço rapidamente para a sopa, as saladas e a comida japonesa e essa é uma tendência natural dos que estão de direta ou buscando uma forma de vida mais saudável . O que vem crescendo muito mesmo são as soparias que se multiplicam pela cidade e as mais pedidas são as sopas de legumes”. Essa tendência não atrapalha o crescimento de setores como o da panificação que continua em franca expansão e exige o treinamento permanente de novos profissionais, mas é nos restaurantes que as mudança são notadas com maior facilidade. “Os clientes estão cada vez mais exigentes, as pessoas buscam novos sabores por isso iniciamos dois cursos de gastronomia que estão acontecendo com 20 alunos cada um e iniciaremos outro nesta segunda-feira. Cada um deles tem duração de um ano e neste período os novos cozinheiros aprendem a calcular desde o valor energético ou calórico dos alimentos até a elaboração da ficha técnica que garante padrão de qualidade e sabor aos pratos. Contar com trabalhadores qualificados que garantem padrão na textura e sabor dos alimentos é fundamental

Soparias estão cada vez mais populares, principalmente entre os que fazem dieta

Saladas estão entre a preferência de consumo de quem quer uma vida mais saudável

para quem quer conquistar e reter clientes”, adverte Fernanda. O treinamento é fundamental para quem quer conquistar um emprego permanente como esclarece a instrutora: “Neste momento estamos com dois cursos de panificação e confeitaria, um com 15 alunos e outro com 20 que receberão 220 horas

de aulas. Depois disso eles vão estagiar nas panificadoras e mais da metade deles são contratados pelas empresas, alguns vão trabalhar por conta e outros formam sociedade para trabalhar juntos neste ramo!” Mas as mudanças também são notadas nos ambientes de festa ou de maior sofisticação quando aparência e sabor fa-

zem a alegria dos consumidores. Segundo Fernanda os tradicionais canapés de pão e biscoito com coberturas de maionese e outros recheios, agora estão sendo substituídos por porções de mini refeições recheadas com galinha picante, cremes de hortaliças, risoto e outros. “Nos cursos notamos o interesse dos alunos em aprender a fazer cup

caqk, petit gateau, brownies e outras delícias de tamanho mais delicado e que os cozinheiros podem produzir em casa para vender. Na verdade clientes e alunos querem novidades e quem deseja entrar no ramo precisa estar atento a essas mudanças de hábito dos consumidores porque isso faz toda diferença no sucesso de seu negócio”.


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Pé na estrada P

As longas viagens, baixos salários e a insegurança nas estradas fazem com que cada vez menos jovens busquem a profissão de motorista

recisa-se de caminhoneiro! Enquanto os velhos caminhoneiros que ao longo dos anos contribuíram para o desenvolvimento do Brasil estão se aposentando, o setor enfrenta um verdadeiro “apagão” de profissionais, ou seja, a falta de novos motoristas interessados em substituí-los e até eles não querem que os filhos sigam a mesma profissão. Formar esses novos profissionais é uma das preocupações principais do Serviço Social de Aprendizagem dos Transportes, o Sest, braço de qualificação do Serviço Nacional dos Transportes, em Rio Branco. “Está cada vez menor o número de novos motoristas interessados em dedicar se aos vários ramos dos transportes de carga e passageiros, por isso estamos oferecendo curso de 160 horas para a primeira turma ainda neste ano”, explica Antônia Márcia oliveira coordenadora do Senat no Acre.

Mas a necessidade e os treinamentos também se estendem a diversas outras áreas e, para atendê-las o Sest oferece também cursos de operador de empilhadeiras, operador de caixa, frentista abastecedor e outros que estão sendo financiados pelo Pronatec. E também aqui nota-se que as mudanças de hábito da população dá origem a novas profissões como a de mototaxistas que são regidas por leis que exigem que eles tenham treinamentos bem específicos para a função. “Dia 22 de outubro vamos iniciar o primeiro curso para 30 motofretistas que diferente dos mototaxistas que trabalham transportando passageiros, estes utilizam suas motos para transportar lanches,água e gás, marmitas, remédios, documentos e até pequenos animais atendendo aos pet shops . Por incrível que pareça já existem mais de 600 profissionais atuando nessa área só em Rio Branco e essa nova profissão cresce porque as pessoas agora fazem compras sem sair de casa!”

Leandro Klein lamenta as agruras de ser caminhoneiro

“Se meu filho quiser, eu não quero!” Quando entrevistamos o caminhoneiro gaúcho, Leandro Miguel Klein descobrimos que estava estacionado há quatro dias num dos postos de gasolina da BR-364 na

saída para Porto Velho, sem poder sair do Estado porque a empresa que o contratou para levar uma carga de madeira para Goiás dizia não ter R$ 500 para pagar o imposto da nota. “Nós somos desrespeitados pelas pessoas e pelas próprias empresas que con-

tratam nossos serviços porque precisam dele para movimentar a economia do Brasil. Quem vai pagar os dias parados que estou aqui, enquanto espero uma solução a prestação do caminhão continua correndo no banco. Já aconteceu de eu ter que pagar esse tipo de imposto para não ficar parado e a gente não tem garantia de que a empresa contratante vá cobrir esse custo!” Reclama Klein. Por essas e outras o caminhoneiro desfiou uma carreira de reclamações que vão da insegurança nas estradas, roubo de cargas, às novas exigências de parada e descanso sem que haja locais apropriados para isso ao longo das estradas. “Trabalhei minha vida inteira como caminhoneiro e hoje é uma profissão que não compensa por causa do desrespeito e do baixo ganho para quem investe muito dinheiro na compra de um caminhão. Por isso, se meu filho quiser ser caminhoneiro, eu não quero!”

Caderno de Produção e negócios  

producao e negocios

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