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especial Começa esta sexta-feira, a 35ª edição da Feira Nacional do Cavalo na Golegã. O presidente da Câmara fala-nos do que espera deste evento.

Golegã

textos e fotos ∑ Bruno Oliveira

Golegã vai ter centro de alto rendimento equestre 5 a 14 de Novembro ∑ Feira Nacional do Cavalo

O que vai ser o Centro de Alto Rendimento da Golegã para desportos equestres?

Este centro vai ser o único centro com este objectivo em Portugal. É de uma pertinência enorme para a Golegã enquanto capital do cavalo. Vem complementar as actuais infraestruturas que a Golegã já tem e que nos afirma como capital do cavalo durante todo o ano. Há uma década atrás, a Golegã era considera capital, mas só na altura da feira. Agora já temos infraestruturas que nos permitem, ao longo de todo ano, ter aqui actividades nesta área. Este centro vai ter infraestruturas que permitem acolher as várias modalidades equestres. Podemos ter aqui atletas de vários países, como os sul-americanos, que já fazem preparação na Europa mas em países como a Alemanha com temperaturas muito reduzidas e com um custo mais elevado. Penso que a Golegã poderá ser uma alternativa muito interessante e também desta forma ter uma oxigenação do tecido económico do concelho e da região que já tem hoje equipamentos na área da hotelaria de renome internacional, como o Hotel Lusitano, um hotel de charme ao nível dos melhores da Europa. Que tipo de infraestruturas terá esse centro?

O centro vai ficar instalado num terreno de 8 hectares que a autarquia adquiriu na Avenida D. João III, entre a Praça do Cavalo e a Praça da Água. Vai ter pistas, picadeiros, boxes, edifícios de apoio, clínicas veterinárias, entre ou-

A A Feira Nacional do Cavalo decorre de 5 a 14 de Novembro da vila da Golegã tras valências. Apostamos em criar equipamentos de qualidade para podermos atrair praticantes de topo. Vai estar também preparado para acolher a prática de corridas de cavalos com apostas, que é um reivindicação do sector junto do Governo. Somos dos poucos países que não tem essa vertente e julgo que seria muito interessante pois nos hipódromos onde já estive noutros países europeus foi-me dado a conhecer que estes eventos podem criar, de forma temporária, cerca de 7 mil postos de trabalho. Estou convencido que, num país com tantos problemas financeiros, esta modalidade equestre poderia ajudar a criar verbas para financiar algumas instituições como a Fundação Alter Real. Quanto vai custar e quando

se iniciará a obra?

O Centro está a ser alvo de concurso de concepção/ construção e prevê-se que, na sua primeira fase, represente um investimento de 2,5 milhões de euros, financiados em 70% por fundos do QREN, em 5% pelo Instituto de Desporto de Portugal e em 25% pela autarquia.

Na Golegã temos feito investimentos sem entrar em megalomanias, sem destabilizar as contas municipais, embora nalguns equipamentos como os desportivos ligados ao mundo equestre, já suplantamos a média europeia em termos que qualidade e quantidade. Acredito que será um in-

vestimento moderado porque a autarquia tem saúde financeira. Vamos dar o pontapé para a perna quem temos. Quando todos devem milhões e milhões de euros, a câmara da Golegã tem uma dívida de 3,5 milhões de euros, que é um dívida de uma grande empresa, perfeitamente equilibrada e para a qual temos

Feira do Cavalo é “um evento verdadeiro, erudito e popular”

∑ Qual o balanço destes 35 anos de Feira?

A Feira de S. Martinho é talvez, a decana das feiras portuguesas. Foi criada por D. Sebastião em 1571, mas foi no séc. XIX que teve um maior crescimento, quando o rei D. Luís decretou que era na Golegã que se realizava o concurso nacional oficial. No início do séc. XX até à 2ª Guerra Mundial teve um período de decréscimo voltou a crescer depois da 2ª Guerra e teve uma interrupção nos anos a seguir à revolução de 1974. Mas como esta

feira foi sempre um evento verdadeiro, que tem tanto de erudito como de popular, voltou em 1977 com um caminho de crescimento. Defendo que a Feira tem que manter a sua identidade mas tem que se ir adequando aos usos dos tempos actuais. Esta simbiose entre tradição e modernidade é indispensável. Destaco a elevada componente cultural que a Feira ganhou com muitas exposições de arte, mas também a componente científica com seminários e workshops.

capacidade de assumir os pagamentos. Prevemos que exista uma segunda fase, a construir em terrenos próximos que hoje estão reservados para a construção do IC3 e dos quais vão sobrar algumas franjas que a câmara terá todo o interesse em comprar e assim ampliar o Centro. O Governo vai financiar o funcionamento do centro?

Vamos assinar um contrato de financiamento com a presença do sr. secretário de Estado do Desporto, no dia 13. Acredito que a secretaria de Estado do Desporto tem uma perspectiva de integração de todos os centros de altos rendimento no qual este poderá estar integrado. Mas será sempre o município da Golegã a assumir a maior parte da gestão.


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Casa-Estúdio Carlos Relvas a património da Humanidade A autarquia está a preparar a candidatura da Casa-Estúdio Carlos Relvas a património da Humanidade da Unesco. “Penso que esta espaço tem todas as potencialidades de ser património da Humanidade porque é uma casa única, construída de raiz para ser um estúdio fotográfico”, frisa Veiga Maltez. O autarca diz que recebeu recentemente a visita do presidente da

Sociedade Mexicana de Fotografia que lhe disse que os estúdios da Kodak em Nova Iorque “são água e a Casa-Estúdio Carlos Relvas é vinho”. A câmara da Golegã está também a dinamizar um projecto, com o Politécnico de Tomar, para a recuperação do espólio fotográfico de Carlos Relvas, que inclui quase 13 mil negativos de fotografias.

A Se for à Golegã não perca a oportunidade de visitar a Casa-Estúdio Carlos Relvas

Acesso à feira mais facilitado por transportes colectivos Como se resolve o problema do estacionamento na vila?

Quando entrámos na câmara confrangia-nos muito de ver que para as pessoas entrarem na Golegã nesta altura quase que precisavam de um salvo-conduto para passar as barreiras à entrada. Reparese que a vila tem cerca de 4000 habitantes e, nesta altura, recebe milhares e milhares de pessoas. Fomos tentando adaptar o trânsito automóvel regular durante todo o ano ao que se verifica na altura da Feira. Criámos bolsas de estacionamento, e fomos também pedindo a particulares para criarem parques

à entrada da vila, proporcionado a esses visitantes

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transportes para vir para a zona de feira.

Feira é para ficar no Arneiro O centro vai acolher algumas actividades da Feira?

A Feira Nacional do Cavalo e a Feira de S. Martinho terá que se manter sempre no Largo do Arneiro. Quem retirar a feira deste espaço mata a Feira. Veja-se o que aconteceu com a mudança da Feira Nacional de Agricultura. O que pensamos fazer é dividir alguns eventos, sobretudo os desportivos, entre os actuais espaços da Feira e os espaços deste novo Centro. A vertente clássica ficará sempre no Largo do Arneiro e alguma da vertente desportiva irá ser realizada no Centro. Até porque, em

A O presidente da Câmara, Veiga Maltez linha recta, o centro de Alto Rendimento fica a

cerca de 500 metros do largo da feira.


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ANIMAÇÃO A CARGO DOS PRIVADOS

Livros, exposições e seminários Cartaz cultural ∑ Autarquia aposta em ligar a cultura ao mundo equestre

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A Feira do Cavalo é também um espaço de muita arte. No dia 5 é inaugurada uma exposição de pintura de Álvaro Mendes, subordinada ao tema “Golegã – História, Quintas e Cavalos”, que vai estar no Equuspolis. No dia 6, o Largo do Arneiro acolhe a exposição de pintura de Serrão de Faria, e à tarde, pelas 16h, as portas da Casa-Estúdio Carlos Relvas abrem-se para a exposição de fotografia “Momentos Lusitanos no Oeste”. Neste dia, pelas 18h30, é ainda evocado o centenário do pintor Manuel Fernandes, no Palácio do Pelourinho. O tema “Arte, Cultura e Património do Ribatejo, no século XIX e XX” vai ser tema de um colóquio, no dia 9, pelas 10h, no Equuspolis. Este colóquio prossegue no dia 10, a partir da mes-

ma hora e no mesmo local. Ainda no dia 9, pelas 17h, é apresentado o livro “Portugal nos séc. XIII, XIV e XV” de José Ferreira Coelho. Duas horas depois, pelas 19h, no Equuspolis, há uma sessão de esclarecimento sobre o licenciamento de explorações agro-pecuárias no âmbito do REAP. A não perder, uma encenação ao vivo das Invasões Francesas na Golegã, no dia 11, a partir das 22h no Largo do Arneiro. Na manhã de dia 12, às 11h30, é apresentado o Anuário Português de Garanhões, um livro referência para o sector. Ainda neste dia, pelas 17h, no Palácio do Pelourinho, decorre um seminário sobre a “Evolução da Atrelagem de Competição em Portugal”.

A Uma das exposições patentes durante a Feira vai ser a de Álvaro Mendes sobre quintas da Golegã

O programa cultural da Feira termina no dia 14, com a apre-

sentação do livro “O Castelo de São Jorge” .

O cartaz da Feira Nacional do Cavalo não prevê a realização de concertos por iniciativa da organização. O único espectáculo previsto é o da recriação ao vivo das Invasões Francesas na Golegã, marcado para dia 11, a partir das 22h no Largo do Arneiro. Segundo Veiga Maltez, a não realização de espectáculos musicais tem a ver com o facto das entidades privadas da vila (discotecas, bares e outras) organizarem elas próprias uma programa nocturno com música, Dj’s, fados, entre outras manifestações. Há também casas sempre de portas abertas com animação e petiscos. “Se existe essa boa dinâmica particular não precisamos de fazer concorrência com espectáculos promovidos pela autarquia”, refere Veiga Maltez.


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Os concertos da Feira pela rádio Cidade José Cid e Mico da Câmara Pereira∑ Nomes grandes da música nacional no palco “Pátio da Cidade FM” Para animar as noites, a rádio Cidade FM dinamiza o “Pátio Cidade”, onde vão actuar José Cid, Dj Cenoura e Dj Peste (dia 5I). José Lito Maia, Desparates e DJ Peste (dia 6), DJ Peste (7, 8 e 9), Carlos Velez, Gonçalo Henriques, DJ Peste (dia 10), Mico da Câmara Pereira, Margarida Seabra e DJ Peste (dia 11) Yxaiio Night C/ DJ Diego Miranda,

WTF e DJ Peste (dia 12) e a encerrar de novo DJ Peste (dia 13). Os bilhetes estarão à venda em www.ticketline.sapo. pt, no Pátio Cidade FM, Fnac, Worten, C. C. Dolce Vita, El Corte Inglês, Lojas Viagens Abreu, Lojas Mega Rede. Os interessados podem ainda fazer reservar o seu bilhete através do número 707 234 234.

Programa da Feira

A Feira Nacional do Cavalo na Golegã é um ponto alto dos concursos e prémios equestres em Portugal. Durante estes dias realizam-se inúmeros eventos desportivos e competitivos que trazem a esta vila ribatejana o melhor da equitação e do mundo equestre nacional de internacional. No dia 5, às 9h, começa o concurso de Saltos de Obstáculos que se repete à mesma hora no dia 6 e dia 7. Ainda no primeiro dia da feira, começa o Concurso Completo de Atrelagem, às 11h (Quinta de S. António), que continua no sábado, às 14h (Quinta da Labruja), e no domingo, às 10h (Quinta de S. António). Na sexta-feira, às 21h, começa ainda o 2º Campeonato Nacional de Saltos em Liberdade (Picadeiro Lusitanus), cujas provas decorrem ainda no sábado, à mesma hora. No dia 6, decorre o Concurso de Resistência Equestre, a partir das 7h30 da manhã. Na quarta-feira, dia 10, decorre o Concurso Nacional de Dressage, às 10h e às 15h, na Quinta de S. António, e no Largo do Arneiro, também de manhã, tem lugar o Concurso Nacional de Apresentação do Cavalo

de Sela da Feira Internacional do Cavalo Lusitano. No dia 11, pelas 10h, continua a Dressage e há uma prova de Equitação à Portuguesa. Ao final da tarde do Dia de S. Martinho (dia 11), acontece o Prémio Marquês de Marialva e continua o concurso nacional de Dressage. No final destas provas, vai ser homenageado o tenente coronel Joaquim Almeida e Sousa, mestre de equitação e juiz destas provas. No dia 12, às 10h, começa a Taça de Portugal de Equitação de Trabalho (Quinta de S. António), e a partir das 11h, a final do Campeonato Nacional de Derbys. À noite, pelas 21h, são entregues os troféus nacionais da revista Equitação 2010 e, pelas 22h30, há lugar para as meias-finais da Taça de Portugal de Horse Ball. No dia 13, pela manhã, decorre mais uma etapa da Taça de Portugal de Equitação de Trabalho, e as finais do Campeonato de Derbys e da Taça de Portugal em Horseball. O último dia da Feira começa com a final da Taça de Portugal de Equitação de Trabalho, segue às 16h, com o ponto alto da entrega de prémios deste ano.

Especial Feira do Cavalo 2010  

Reportagem O Ribatejo Feira do Cavalo/S. Martinho na Golegã.